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Numero do processo: 10880.660302/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.706
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 02 /2 01 2- 79 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660302/201279 Acórdão n.º 3401004.706 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660302/201279 Acórdão n.º 3401004.706 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660302/201279 Acórdão n.º 3401004.706 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660302/201279 Acórdão n.º 3401004.706 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660302/201279 Acórdão n.º 3401004.706 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660302/201279 Acórdão n.º 3401004.706 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.902791/2011-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL.
É válida e não caracteriza qualquer nulidade a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF n.º 9).
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.280
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida e não caracteriza qualquer nulidade a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF n.º 9). PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1949; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 71 1 70 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.902791/201130 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.280 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria Simples PER/DCOMP Recorrente DOMINIUM MATERIAIS HIDRAULICOS E FERRAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida e não caracteriza qualquer nulidade a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF n.º 9). PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 27 91 /2 01 1- 30 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10875.902791/201130 Acórdão n.º 1002000.280 S1C0T2 Fl. 72 2 declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 50/64) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 41/45), proferida em sessão de 27 de agosto de 2013, consubstanciada no Acórdão n.º 0247.297, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/14) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 06/06/2011 (efl. 27), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 26226.15946.130807.1.3.048303, transmitido em 12/07/2007, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10875.902791/201130 Acórdão n.º 1002000.280 S1C0T2 Fl. 73 3 Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório n.º rastreamento 932724637 emitido eletronicamente em 06/06/2011, referente ao PER/DCOMP n.º 26226.15946.130807.1.3.048303. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a SIMPLES – Código de Receita 6106, no valor original na data de transmissão de R$ 972,47, representado por Darf recolhido em 10/08/2004 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n.º 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que o Despacho Decisório foi recebido e assinado por pessoa não habilitada para receber tal correspondência em nome da empresa; que conforme disciplinado no art. 215 do Código de Processo Civil as pessoas jurídicas devem ser citadas nas pessoas de seus representantes legais, indicadas em seus estatutos sociais; que o Despacho Decisório não é válido, porque a intimação do mesmo não está formalmente revestida dos requisitos da lei e dessa forma trás consigo a nulidade do ato praticado e a nulidade do processo, sendo assim requer seja declarada a nulidade da notificação do DD, entregue sem a observância da lei, contrariando os arts. 214, 215 e 247 do Código Processo Civil; que o fato gerador do PIS/COFINS é o faturamento; que o valor do ICMS destacado na nota fiscal da Manifestante é para simples registro contábil fiscal, sendo que em hipótese alguma deve ser incluído na base de cálculo do PIS. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10875.902791/201130 Acórdão n.º 1002000.280 S1C0T2 Fl. 74 4 Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/07/2004 6106 R$ 5.923,12 10/08/2004 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado Efl. 26 R$ 5.923,12 DB: cód 6106 PA 31/07/2004 R$ 5.923,12 Valor Total R$ 5.923,12 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Com base nesse postulado (possibilidade de os indícios servirem de fundamento para uma sentença condenatória), seria razoável concluir que, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, em processos de restituição, ressarcimento ou compensação, em que cabe ao contribuinte a prova de seu direito, a DRF estaria autorizada a negar o pedido, com base em indício que aponte para a inexistência ou insuficiência de crédito. Frisase que, na fase que precede a decisão de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação, ainda não há contraditório, de modo que aquele indício será objeto de contestação pelo contribuinte e apreciação pela DRJ, juntamente com outras provas produzidas no processo. Nesse sentido, o contribuinte não apresenta nada que conteste o fundamento do despacho decisório. Nele, está consignado que o Darf foi integralmente utilizado para o pagamento do débito declarado pelo contribuinte, não restando saldo para operar a compensação. Limitase a questionar a legalidade da legislação que regula o instituto da compensação e defender o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais. Não apresenta nenhuma documentação fiscal em favor de seu suposto crédito. EXCLUSÃO DE ICMS A base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. Somente a lei pode modificar a base de cálculo do tributo. A legislação do PIS/PASEP e da COFINS prevê exclusões da base de cálculo. Especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, excluemse da receita bruta o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos regimes. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10875.902791/201130 Acórdão n.º 1002000.280 S1C0T2 Fl. 75 5 Admitir qualquer outra exclusão, equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão não é sequer válida em sede de julgamento administrativo. No recurso voluntário, o contribuinte reitera, em outras palavras, os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, visando devolver a matéria para instância superior. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 30/09/2013, segundafeira, efls. 46/48, e protocolo em 17/10/2013, efl. 49), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Preliminar ao conhecimento do mérito Aduz o recorrente que a notificação acerca das conclusões do despacho decisório foi nula, uma vez que não foi pessoal ao representante legal, em que pese ter sido entregue na sede da pessoa jurídica, e, por conseguinte, tornaria todo o procedimento nulo, além disto alegou temática constitucional para objetivar seu argumento. Aprecio a questão a título de Preliminar e, desde logo, afastoa, haja vista se tratar de tema sumulado no contencioso administrativo. Deveras, a Súmula CARF n.º 9 enuncia que: "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10875.902791/201130 Acórdão n.º 1002000.280 S1C0T2 Fl. 76 6 A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdãos ns.º 10246574, de 01/12/2004, 10420408, de 26/01/2005, 10614266, de 21/10/2003, 10707076, de 20/03/2003, 10807562, de 16/10/2003, 20168026, de 20/05/1992, 202 08457, de 21/05/2003, 20209572, de 14/10/1997, 20171773, de 02/06/1998, 20306545, de 09/05/2000. Demais disto, tornouse vinculante conforme Portaria MF n.º 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018. Quanto ao tema constitucional, temse a Súmula CARF n.º 2 enunciando que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdãos ns.º 10194876, de 25/02/2005, 10321568, de 18/03/2004, 10514586, de 11/08/2004, 10806035, de 14/03/2000, 10246146, de 15/10/2003, 20309298, de 05/11/2003, 201 77691, de 16/06/2004, 20215674, de 06/07/2004, 20178180, de 27/01/2005, 20400115, de 17/05/2005. Vejase, o processo de compensação é regido pelo rito processual do Decreto n.º 70.235, de 1972, conforme disciplina o art. 74, § 11, da Lei 9.430, de 1996, sendo certo que as intimações ou notificações poderão ser feitas por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo contribuinte (Decreto 70.235, art. 23, II), aliás, para fins de intimação, considerase domicílio tributário o endereço postal fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à Administração Tributária (Decreto 70.235, art. 23, § 4.º, I). De mais a mais, não há prova de qualquer prejuízo para a defesa, não houve preterição do direito de defesa, não se observa quaisquer das causas de nulidades listadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Sendo assim, afasto a preliminar de nulidade. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10875.902791/201130 Acórdão n.º 1002000.280 S1C0T2 Fl. 77 7 para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, haja vista que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior havia sido utilizado, tendo sido imputado, na quitação de efetivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), realmente devido e em montante adequado, portanto não havendo saldo a ser apropriado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da utilização integral do valor recolhido, de modo a não restar saldo residual para restituição, demais disto não havendo causa de indébito, vale dizer, o DARF foi alocado em efetivo recolhimento de crédito tributário devido. De mais a mais, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. No recurso voluntário o contribuinte defende o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, de modo que, por decorrência desta premissa, passaria a haver saldo relativo ao recolhimento (recolhimento a maior), porém não vejo como dar provimento ao pleito vindicado. Primeiro, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez em eventuais hipotéticos créditos que pudessem ser apurados a partir da eventual exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, visto que inexiste apuração ou elementos documentais que possibilitassem efetivar o respectivo levantamento. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. É ônus primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Segundo, a matéria concernente à exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS vem sendo debatida judicialmente há muitos anos, defendendo os contribuintes que a receita decorrente do ICMS não configura faturamento e, portanto, sobre ela não poderia incidir o PIS/COFINS. O debate tem cunho constitucional, pois depende da declaração de inconstitucionalidade de lei e, neste caso, o Colegiado não pode adentrar na temática, sendo assunto sumulado administrativamente, a teor da Súmula CARF n.º 2 que reza: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Aliás, recentemente, em sessão de 15/03/2017, sob a sistemática de julgamento de recursos extraordinários repetitivos, o Supremo Tribunal Federal (STF) Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10875.902791/201130 Acórdão n.º 1002000.280 S1C0T2 Fl. 78 8 julgou a problemática, mas ainda não definitivamente, face à Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, no qual consta pedido de fixação de modulação de efeitos, conforme pode ser analisado nas pesquisas públicas acerca do Recurso Extraordinário RE n.º 540.706/PR, tendo sido fixada a tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS”. Por conseguinte, como a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs recurso de Embargos de Declaração, requerendo, inclusive, modulação de efeitos da decisão proferida pelo Colegiado Constitucional, sobrestouse o curso do trânsito em julgado da decisão, não se podendo falar em decisão definitiva. Nesse contexto, a decisão proferida pelo STF, em que pese ter adotado tese favorável aos contribuintes, ainda não se reveste do atributo da definitividade, haja vista a pendência de julgamento do recurso supramencionado. Logo, ressalvando posicionamento pessoal deste relator acerca da desnecessidade de trânsito em julgado para percepção dos efeitos vinculante da decisão proferida em sede de julgamento de recurso extraordinário repetitivo pelo STF, nos termos do artigo 927, inciso III, do Novo Código de Processo Civil, entendo aplicável, no presente caso, a Súmula n.º 2 do CARF. Observo, igualmente, o disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009, que enuncia o mesmo entendimento da impossibilidade de conhecer questão constitucional ao dispor que: “No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Por fim, cumpre destacar que a Receita Federal do Brasil expediu a Solução de Consulta DISIT/SRRF06 n.º 6.012, de 31 de março de 2017, na qual dispôs o seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: BASE DE CÁLCULO. CUMULATIVIDADE. ICMS. EXCLUSÃO. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto (em virtude de operações ou prestações próprias) compõe o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para a COFINS devida nas operações realizadas no mercado interno. A edição de ato declaratório pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 19, II, da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, sobre matéria objeto de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, vincula a Administração tributária, sendo vedado à Secretaria da Receita Federal do Brasil a constituição dos respectivos créditos tributários. Entretanto, inexiste ato declaratório que trate sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para a COFINS incidente nas operações internas. A matéria, atualmente objeto de Ação Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10875.902791/201130 Acórdão n.º 1002000.280 S1C0T2 Fl. 79 9 Declaratória de Constitucionalidade, encontrase aguardando decisão definitiva de mérito, que seja vinculante para a Administração Pública. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 137, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2017. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar n.º 87/1996, art. 13; Lei n.º 5.172/1966, art. 111; Lei n.º 8.981/1995, art. 31; Lei n.º 9.718/1998, arts. 2.º e 3.º; Lei n.º 10.522/2002, art. 19; DecretoLei n.º 406/1968, art. 2.º; Parecer Normativo CST n.º 77/1986, e Convênio ICM n.º 66/1988, art. 2.º. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: BASE DE CÁLCULO. CUMULATIVIDADE. ICMS. EXCLUSÃO. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto (em virtude de operações ou prestações próprias) compõe o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno. A edição de ato declaratório pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 19, II, da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, sobre matéria objeto de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, vincula a Administração tributária, sendo vedado à Secretaria da Receita Federal do Brasil a constituição dos respectivos créditos tributários. Entretanto, inexiste ato declaratório que trate sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente nas operações internas. A matéria, atualmente objeto de Ação Declaratória de Constitucionalidade, encontrase aguardando decisão definitiva de mérito, que seja vinculante para a Administração Pública. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 137, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2017. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar n.º 87/1996, art. 13; Lei n.º 5.172/1966, art. 111; Lei n.º 8.981/1995, art. 31; Lei n.º 9.718/1998, arts. 2.º e 3.º; Lei n.º 10.522/2002, art. 19; DecretoLei n.º 406/1968, art. 2.º; Parecer Normativo CST n.º 77/1986, e Convênio ICM n.º 66/1988, art. 2.º. Com efeito, não há que se admitir matéria que pretenda discutir constitucionalidade e limites constitucionais para definição de base de cálculo de tributo ou para definição dos limites semânticos de conceitos adotados pelo constituinte na instituição de tributos, como é o caso da discussão envolvendo a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, para fins de constituição de créditos contra a Administração Tributária passíveis de compensação, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum da norma infraconstitucional que deu suporte à Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10875.902791/201130 Acórdão n.º 1002000.280 S1C0T2 Fl. 80 10 atividade arrecadatória, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.003240/2005-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
LIVRO-CAIXA. DESPESA COM EXERCÍCIO DE ATIVIDADE PRÓPRIA AO PROFISSIONAL GERADOR DA RECEITA.
Para não se negar validade ao inciso I e nem ao inciso III, ambos do art. 6° da Lei n° 8.134, de 1990, impõe-se a adoção de interpretação literal/declarativa no sentido de que pode ser deduzida a remuneração paga ao terceiro autônomo tão somente quando houver execução de atividade que não se confunda com a atividade do próprio contribuinte, eis que somente nessa situação (prestação de serviços que não se confunda com o objeto contratual da atividade a ser prestada pelo contribuinte a seus clientes) se pode estar diante de despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora.
Numero da decisão: 2401-005.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer dedução a título de livro-caixa no importe de R$ 7.200,00.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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DEDUÇÃO. DESPESAS DE LIVROCAIXA Recorrente CIRO BRUNING Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 LIVROCAIXA. DESPESA COM EXERCÍCIO DE ATIVIDADE PRÓPRIA AO PROFISSIONAL GERADOR DA RECEITA. Para não se negar validade ao inciso I e nem ao inciso III, ambos do art. 6° da Lei n° 8.134, de 1990, impõese a adoção de interpretação literal/declarativa no sentido de que pode ser deduzida a remuneração paga ao terceiro autônomo tão somente quando houver execução de atividade que não se confunda com a atividade do próprio contribuinte, eis que somente nessa situação (prestação de serviços que não se confunda com o objeto contratual da atividade a ser prestada pelo contribuinte a seus clientes) se pode estar diante de despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer dedução a título de livrocaixa no importe de R$ 7.200,00. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 32 40 /2 00 5- 46 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.003240/200546 Acórdão n.º 2401005.682 S2C4T1 Fl. 84 2 (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba que, por unanimidade de votos, julgou improcedente Impugnação apresentada contra Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física, anocalendário 2001, tendo sido apurada Dedução Indevida de Despesas de LivroCaixa, nos seguintes termos: DEMONSTRATIVO DAS INFRAÇÕES DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE LIVRO CAIXA. CONFORME RELATÓRIO DE DESPESAS GLOSADAS, EM ANEXO. QUE É PARTE INTEGRANTE DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO, DISCRIMINAMOS AS DESPESAS GLOSADAS. FOI GLOSADO R$ 7.659,59 DE DESPESA COM TRANSPORTE, POR NÃO SE ENQUADRAR NO INCISO B. PARÁGRAFO PRIMEIRO DO ARTIGO SEXTO DA LEI 8.134/90; FOI GLOSADO R$ 79.195,90, DE REMUNERAÇÃO PAGA A TERCEIROS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO, INCISO I, ARTIGO SEXTO DA LEI 8.134/90; E FOI GLOSADO R$ 3.073.00 DE DESPESA COM MANUTENÇÃO DO IMOBILIZADO. POR NÃO SE ENQUADRAR NO CONCEITO DE DESPESA DE CUSTEIO. O contribuinte apresentou impugnação, considerada tempestiva, alegando, em síntese: a) As despesa glosadas foram necessária à percepção das receitas, pois, como advogado, mantinha diversos contratos de prestação de serviços, o que lhe obrigou a contratar o trabalho de outros profissionais para auxiliálo. b) As tarefas profissionais do contribuinte, por força dos contratos, envolvia a produção de pareceres; a produção de peças privativas de advogado; participação em audiências administrativas e/ou. judiciais, tanto em Curitiba quanto em qualquer cidade do Estado do Paraná, tanto na esfera cível quanto trabalhista, judicial e administrativa (Procons, Decons, Susep, etc...); levantamentos de dados (pesquisas de bens, localização de terceiros envolvidos em acidente de transito, apuração de prejuízos, etc...); atendimento a segurados (clientes dos contratantes), na esfera judicial e extrajudicial; promoção de toda sorte de Assessoria Jurídica às gerencias locais das empresas contratantes, no tocante a orientações de natureza Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.003240/200546 Acórdão n.º 2401005.682 S2C4T1 Fl. 85 3 preventiva, inclusive. Por tais serviços, emitia recibos de pagamentos a autônomos apresentados para a fiscalização. Para a consecução desses serviços, incorreu nas despesas com os profissionais que contratou; inclusive despesas de reparos em bens de escritório (computador, fax, telefone, mesa, cadeira, instalações elétricas, sanitárias etc). c) Remunerações pagas a terceiros autônomos. O contribuinte é advogado e contratou outros profissionais autônomos para levar a cabo os contratos firmados com seus clientes (Lei n° 8.134, de 1990, art. 6°, III). Assim, a glosa é absolutamente indevida, injustificável e infundada, por atingir a sua esfera de direitos em diversos níveis, desde a legislação ordinária, até a direitos e garantias constitucionais (Constituição, arts. 170, II e III, parágrafo único, 150, II e IV, 5° II e XIII, 37, caput; CTN, arts. 43, I, e 44; e jurisprudência). Apesar de entender desnecessário, anexa declaração de cada um dos profissionais detalhando que as prestações se deram como fim exclusivo de atender aos clientes do impugnante e os valores recebidos. Tais despesas não caracterizam renda ou acréscimo patrimonial. Isoladamente, não geraria toda a renda obtida. Todos apresentaram declaração de IR submetendo os rendimentos á tributação. O inciso I do art. 6° da Lei n° 8.134, de 1990, apenas tem por intenção vedar a despesa com o trabalho, informal, ilegal, e que existe à margem da lei, o que não é o caso. d) Despesas de transporte. São diretamente ligadas à percepção de receita por atender em todo o Estado do Paraná. Por isonomia ao caixeiroviajante e pelo disposto no inciso III do art. 6° da Lei n° 8.134, de 1990, bem como no art. 108 do CTN, não se pode aplicar restritivamente a alínea b do § 1° do art. 6° da Lei n° 8.134, de 1990. e) Despesas com manutenção de imobilizado. A produção intelectual de um escritório de advocacia exige consulta a diversos bancos de dados, sendo que toda a estrutura é constituída de máquinas e equipamentos que sofrem desgastes e necessitam de reparos. f) Pede cancelamento da glosa, integral anulação do auto de infração e restabelecimento da DAA. Do Acórdão prolatado pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, em síntese, se extrai: a) Impossibilidade de se apreciar alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade. b) O contribuinte é profissional liberal, exercendo a advocacia. Assim, despesas de locomoção e transporte não são dedutíveis, permitidas apenas no caso de representante comercial. O parágrafo §1º do art. 6° é muito claro e o conteúdo dos seus incisos não deixa qualquer margem à interpretação. Por vedação legal expressa, não há, pois, como restabelecer a dedução , das despesas com transporte. c) Remunerações pagas a terceiros sem vínculo empregatício, lastreadas em recibos de pagamento de autônomo RPA. As declarações apresentadas, Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.003240/200546 Acórdão n.º 2401005.682 S2C4T1 Fl. 86 4 mostramse absolutamente incapazes de comprovar a existência de compartilhamento na defesa de causas judiciais ou administrativas. Antes, parecem configurar a existência de relação de emprego ou pagamento de mesada, haja vista os laços de parentesco de alguns, dentre eles a esposa dependente (Eliane Pancione Bruning). Em quase a totalidade dos casos, os valores foram distribuídos em parcelas iguais mensais, durante todos os meses do ano, o que descaracteriza o recebimento compartilhado de honorários advocatícios, que se dá de uma vez, normalmente, no fim da causa. Honorários advocatícios compartilhados devem ser declarados por cada um dos patrocinadores os valores que lhes são próprios, não sendo caso de livro Caixa. Não foram apresentados documentos comprovando sociedade nas causas, já que as declarações não cumprem essa função. São meras declarações particulares que, desacompanhadas de elementos contundentes de prova, não podem ser opostas à Fazenda Pública (CTN, art. 123; e Lei nº 10.406, de 2002, art. 219). e) O pagamento a outros advogados para atuar em audiências ou outra atividade que lhe seja própria não pode ser considerado como despesa de custeio necessária à percepção da receita e á manutenção da fonte produtora. Os rendimentos a que se refere o dispositivo que regula a situação do contribuinte são aqueles obtidos intuitu personae, ou seja, quando os serviços são prestados pelo próprio contribuinte. O pagamento a terceiros só é admitido quando com vínculo empregatício e referentes a serviços necessários ao funcionamento da atividade geradora dos rendimentos, que não aquelas que deveriam ser prestadas pelo próprio contribuinte. Assim, por exemplo, no caso de uma clínica de odontologia, é possível a dedução de pagamento a um(a) assistente (instrumentista), à(o) faxineira(o), desde com vínculo empregatício. Entretanto, não constitui dedução de livro caixa se o dentista subcontrata a outro dentista a execução do serviço. f) Despesas de manutenção de imobilizado. O interessado não acostou aos autos qualquer documento, tais como: notas fiscais, contratos de prestação de serviços, dentre outros, para que pudesse ser analisada a pertinência dos gastos. Assim, fica prejudicada a sua análise, cabendo, apenas, ressaltar que não podem ser considerados quaisquer dispêndios com a aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício, e que não sejam consumíveis, isto é, que não se extingam com sua mera utilização. Cientificado em 29/05/2008, o contribuinte interpôs em 27/06/2008 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Tempestividade. Intimado em 29/05/2008, apresenta o recurso no prazo legal. b) Reiterando os argumentos veiculados na impugnação, acrescentase que o princípio que move e dá azo ao "entendimento" da Fiscalização e da DRJ é o da máfé como regra geral, ou seja, o que se presume em desfavor dos contribuintes é a pretensa máfé, a ofender a regra basilar de direito de se presumir sempre a boafé do contribuinte. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.003240/200546 Acórdão n.º 2401005.682 S2C4T1 Fl. 87 5 b1) A fiscalização não negou a existência da defesa, mas sua classificação. Para enfrentar essa constatação, a DRJ inova e aduz a suposta máfé do recorrente, posto que parte de ilações e achismos ofensivos ao contribuinte para manter o débito impugnado. Sem fundamento e nem prova, se afirma que alguns pagamentos seriam mesada ou outra coisa parecida. Não falou, mas deu a entender, que os recibos seriam fraude, em verdadeira inversão do princípio constitucional de que se deve sempre presumir a boafé da pessoa. b2) As ilações são as mais variadas, meras aleivosias sem fundamento, e quando não são isso são entendimentos e interpretações errôneas das regras legais, sendo absurdo exigirse mais prova do que a já produzida. Se há algo de errado, a prova é da fiscalização/DRJ e não do contribuinte. Se a prova do contribuinte não agrada, cabe ao julgador fazer prova em sentido contrário e não partir para suposições e ilações, a ofender e causar dano ao recorrente. Todas as provas apresentadas demonstram o evidente e o óbvio, ou seja, que o contribuinte, como advogado, para dar cabo ao atendimento de diversas causa e assuntos judiciais e extrajudiciais, a maioria de Companhias Seguradoras, estabeleceu parcerias com diversos profissionais liberais e os pagou através de RPA's, tendo se juntado na impugnação declarações de tais profissionais. Por não dar conta de todos os trabalhos (o volume brutal de ações e procedimentos o demonstra por si só), o recorrente estabeleceu as parcerias com profissionais liberais que o devem ter informado em suas Declarações, não tendo a Receita verificado tais declarações e partido para suposições e ilações. Exigir mais provas é desconsiderar as já existentes e que não podem ser desconstituídas por ilações e achismos ofensivos ao princípio da boafé. b3) A fiscalização e a DRJ ignoram os incisos II e III do art. 6º da Lei nº 8.134, de 1990, invocados pelo contribuinte, e suscitam o inciso I como se este dispositivo impedisse o pagamento de emolumentos (= retribuição, ganho, gratificação, lucro eventual) a terceiros e despesas de custeio necessárias a percepção da receita e manutenção da fonte produtora. Agindo dessa forma, o fisco arvorase no direito de legislar em causa própria em ofensa aos arts. 170, II, III e parágrafo único, 150, II e IV, 5º, II e XIII, e 37, caput, da Constituição e aos arts. 43, I, e 44 do CTN. O intento do legislador era vedar a despesa com trabalho informal, ilegal e não o de profissionais liberais devidamente habilitados. b4) Ao presumir a máfé em suas aleivosias e ilações, a DRJ traça paralelos e comparações com outras atividades, o que não é possível. Pagar para ser substituído em audiências ou em qualquer outra tarefa é despesa de custeio necessária a percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora, eis que sem isso o recorrente não teria sido contratado para o trabalho. Negar isso é negar a razão de ser do inciso III do art. 6º da Lei nº 8.134, de 1990. Para afastar qualquer ilação, requer juntada de certidões extraídas de algumas Varas Cíveis, a demonstrar que sempre fez uso de outros profissionais para cumprir seu desiderato. Fazse, assim, prova por amostragem, pois a quantidade de processos é enorme, atuando em quase todas as Comarcas do Estado do Paraná. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.003240/200546 Acórdão n.º 2401005.682 S2C4T1 Fl. 88 6 b5) As declarações comprovam que os pagamentos foram realizados para o fim exclusivo de atender aos clientes do contribuinte, logo para a gerar receitas tributárias naquele exercício fiscal. Acrescenta agora algumas Certidões exaradas por Varas Cíveis. Isoladamente não poderia gerar toda a renda obtida, logo contratou profissionais autônomos e os pagou, fato este incontroverso. Não deduzir tais pagamentos, é confisco. Ao negar o caráter de despesa dedutível e tendo os profissionais oferecido os pagamentos à tributação como renda, a Receita incorre em bitributação. c) O advogado e o caixeiroviajante incorrem em despesas de locomoção e transporte. Logo, pelo princípio da isonomia e por força da analogia (CTN, art. 108), deve ser afastada interpretação no sentido de o § 1º, b, do art. 6º da Lei nº 8.134, de 1990, vedar a dedução. Além disso, a situação preenche a hipótese do art. 6º, III, da Lei nº 8.134, de 1990. Não pode a Receita acolher a renda gerada fora da comarca e não aceitar a dedução das despesas diretamente a ela ligadas, sob pena de ofensa à Constituição como já evidenciado. d) O advogado se vale da eletrônica, da digitalização e de diversos bancos de dados. Logo, não há como se conceber escritório de advocacia sem gastos com o custeio e conserto de equipamentos imobilizados. Aplicase novamente o art. 6º, III, da Lei nº 8.134, de 1990. e) Pede o recebimento dos documentos e a reforma da decisão, demonstrada a improcedência da ação fiscal e o cabimento do cancelamento do débito e restabelecimento da Declaração. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Considerandose a intimação em 29/05/2008 e a interposição em 27/06/2008, o recurso voluntário é tempestivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 33). Preenchidas as condições de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A impugnação (fls. 02/14) foi instruída com os seguintes documentos: (1) cópia da Notificação de Lançamento (fls. 15/22); (2) cópia do Relatório de Despesas (fls. 23/25); (3) declarações com com firma reconhecida dos prestadores (fls. 26/34). O órgão preparador carreou aos autos ainda tela de consulta da situação do processo (fls. 35), cópia da Declaração de Ajuste Anual DAA (fls. 36/41) e o Aviso de Recebimento pertinente à Noitificação de Lançamento (fls. 42), encaminhando, a seguir, o processo para julgamento da primeira instância (fls. 43). Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.003240/200546 Acórdão n.º 2401005.682 S2C4T1 Fl. 89 7 O Recurso (fls. 54/74) foi instruído com sete certidões emitidas por Cartórios de Vara Cível da Comarca de Curitiba (fls. 75/81). Nada mais. Se o julgador conclui que as provas apresentadas pelo contribuinte não têm o condão de gerar convicção acerca da ocorrência dos fatos nos moldes alegados pelo impugnante, não há nisso máfé. No caso concreto, o Acórdão de piso considerou que as declarações podem indiciar situação fática diversa da postulada pelo contribuinte. Além disso, asseverou que, por si só, as declarações não provam juridicamente a ocorrência dos fatos nelas narrados. Para tanto, fundamentouse expressamente nos arts. 123 da Lei n° 5.172, de 1966, e no art. 219 da Lei n° 10.406, de 2002. Ao apreciar o conjunto probatório dos autos, a autoridade julgadora forma livremente sua convicção e determina as diligência que entender necessárias (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 29), contudo não deve agir no sentido de produzir a prova que caberia ao contribuinte e em relação a qual já se operou a preclusão. O princípio da boafé não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a impugnação com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Ao tempo da emissão da decisão de primeira instância, o contribuinte tinha carreado aos autos tão somente as declarações. A defesa discorreu detalhadamente sobre os serviços prestados a seus clientes, mas não apresentou qualquer prova de tais fatos. Em oito das nove declarações apresentadas consta o seguinte texto: Declara ainda que os valores mais abaixo relacionados foram lhe pagos pelo Contribuinte Ciro Brüning para a prestação de seus serviços judiciais e extrajudiciais exclusivamente às empresas Porto Seguro Companhia de Seguros Gerais (CNPJ n.° 61.198.164/000160); LM Serviços Técnicos Especializados , Ltda. (CNPJ n.° 02.487.123/000124); Trevo Seguradora S/A. (CNPJ n.° 33.017.096/000150); Unibanco Seguros S/A: (CNPJ n.° 33.166.158/000195); Marítima Seguros S/A. (CNPJ n.° 61.383.493/000180), Tokio Marine Brasil lit Seguradora S/A. (CNPJ n.° 60.831.344/000174); e Companhia de Seguros Gralha Azul (CNPJ n.° 27.528.579/000116). Apenas uma destoa do texto padrão adotado em todas as demais, como podemos observar: Declara ainda que os valores mais abaixo relacionados foram lhe pagos pelo Contribuinte Ciro Brüning para a prestação de seus serviços, consistentes na execução consertos e reparos dos equipamentos de informática e afins do escritório daquele Contribuinte. As sete declarações não detalham os serviços efetivamente prestados, limitandose a afirmar que se prestou serviços na prestação de serviços judiciais e extrajudiciais do contratante. Notese, ainda, que, em momento algum, se menciona ou se Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.003240/200546 Acórdão n.º 2401005.682 S2C4T1 Fl. 90 8 cogita de repasse de honorários sucumbenciais. Em última análise, as declarações apenas reiteram a tese jurídica da defesa. No meu entender, a tese jurídica não prospera, independentemente dos fatos a ela corresponderem ou não. Isso porque, quando o terceiro autônomo presta serviços próprios aos serviços do contribuinte e é por este remunerado, não se está a incorrerer em despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora (Lei n° 8.134, de 1990, art. 6°, III), mas em pagamento pelo exercício da própria atividade geradora de receita, hipótese em que só se admite a dedução da remuneração paga para empregado (Lei n° 8.134, de 1990, art. 6°, I). Não há que se falar em legislar em causa do fisco ou ofensa aos arts. 170, II, III e parágrafo único, 150, II e IV, 5º, II e XIII, e 37, caput, da Constituição e aos arts. 43, I, e 44 do CTN e nem à jurisprudência invocada. Apenas se interpreta a legislação nos estritos limites do art. 111 da Lei n° 5.172, de 1966. Em matéria de deduções, não se aplica o art. 108 do CTN. O inciso II do art. 6° da Lei n° 8.134, de 1990, diz respeito tão somente aos emolumentos pagos a terceiros, assim considerados os valores referentes à retribuição pela execução, pelos serventuários públicos, de atos cartorários, judiciais e extrajudiciais; logo, não diz respeito ao caso concreto. Negar o entendimento aqui esposado retiraria a razão de ser do inciso I. Contudo, o recorrente o nega e propõe uma razão diversa para a existência do inciso I: vedar a dedução de despesa com trabalho informal ou ilegal. A interpretação literal/declarativa do art. 6° da Lei n° 8.134, de 1990, aqui veiculada não permite se concluir que o legislador com o I inciso do artigo em tela almeje vedar despesa com trabalho informal ou ilegal. Além disso, se são nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação da legislação trabalhista (CLT, art. 9°), ainda que se trate de trabalho irregular, estando presentes os elementos caracterizadores da relação de emprego, haverá juridicamente vinculo de emprego, a atrair a hipótese legal do referido inciso I do art. 6° da Lei n° 8.134, de 1990. Portanto, a razão proposta pelo contribuinte não se sustenta. O Acórdão de piso cogitou e afastou a figura do compartilhamento dos serviços enquanto sociedade nas causas, hipótese em que não se falaria em receita do contribuinte e nem em dedução em livrocaixa. Diante disso, o recorrente menciona que estabeleceu parcerias com profissionais autônomos e que a despesa com os terceiros autônomos não configuraria renda sua. Não haveria acréscimo patrimonial, como já alegado na impugnação. Nesse contexto, o contribuinte carreou aos autos certidões para evidenciar as procurações constantes de ações judiciais em que atuou como patrono. As Certidões apresetadas com o recurso revelam que o contribuinte substabelecia suas procurações para outros advogados, com reserva de iguais poderes. Não foi carreado aos nenhum dos contratos de prestação de serviços celebrados com os clientes, ou seja, com as empresas Porto Seguro Companhia de Seguros Gerais (CNPJ n.° 61.198.164/000160); LM Serviços Técnicos Especializados , Ltda. (CNPJ n.° 02.487.123/000124); Trevo Seguradora S/A. (CNPJ n.° 33.017.096/000150); Unibanco Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.003240/200546 Acórdão n.º 2401005.682 S2C4T1 Fl. 91 9 Seguros S/A: (CNPJ n.° 33.166.158/000195); Marítima Seguros S/A. (CNPJ n.° 61.383.493/000180), Tokio Marine Brasil Seguradora S/A. (CNPJ n.° 60.831.344/000174); e Companhia de Seguros Gralha Azul (CNPJ n.° 27.528.579/000116). Não foi carreado aos autos nenhum alvará de levantamento de honorários de sucumbência pertiente ao anobase e nem comprovação de que as remunerações pagas envolveram repasse de parte de tais valores. Não há prova nos autos de que as ações judiciais referidas nas Certidões geraram rendimentos no anocalendário de 2001 e que os mesmos foram escriturados no livro caixa. Nem mesmo o livrocaixa foi trazido aos autos. Em conjecturas cerebrinas, poderiamos cogitar de repasse de honorários contratuais ou de honorários advocatícios de sucumbência, ou seja, cogitar a hipótese de os demais advogados terem também patrocinado as ações judiciais por terem contrato direto com o cliente (trabalhariam lado a lado com o contribuinte e não sob sua contratação {parceria, tendo nos autos procuração direta ou mesmo um substabelecimento, mas sempre todos os advogados com contrato direto com o cliente} fazendo jus a honorários contratuais pagos pelos clientes {daí repasse, se o recorrente os recebeu em nome de todos os advogados} e sucumbenciais pagos pela parte vencida {daí repasse, se o recorrente os levantou integralmente, a envolver parcela dos demais advogados}) ou cogitar ainda da hipótese de os demais advogados terem também patrocinado as ações por simples substabelecimento, por conta e risco do recorrente, ou seja, por terem sido contratados pelo recorrente e fazendo jus a uma remuneração contratual paga pelo recorrente {não há repasse} e a honorários advocatícios sucumbenciais fixados em decisão judicial. Nesta última hipótese, se os honorários sucumbenciais forem levantados integralmente pelo recorrente, este terá de os repassar em parte para os demais, ou seja, a parcela pertinente a cada um dos advogados por direito próprio. As certidões apresentadas não provam repasse; até porque, há de se provar, processo a processo gerador de renda no anobase objeto do lançamento de ofício, o contrato havido com o cliente e os respectivos pagamentos de honorários contratuais ou de sucumbência, bem como quando a ação judicial foi protocolada ou a defesa apresentada e quais foram os advogados com procuração e substabelecimento desde a propositura da ação ou defesa até o levantamento do Alvará no anobase e que neste levantamento estariam contidas parcelas devidas por direito próprio aos outros advogados beneficiários de repasses de honorários sucumbenciais e na proporção de sua atuação nas ações. Se provada essa situação, não haveria que se falar em receita do recorrente em relação aos valores repassados. Isso porque, não seriam de sua titularidade, mas do advogado que os recebe via repasse. Não haveria que se falar também em dedução a título de livrocaixa pelo repasse e nem se cogitar em despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Contudo, decisão que cancelasse o lançamento pelo acolhimento de tal realidade transbordaria aos limites da lide deduzida nos autos. Notese que em momento algum a impugnação alegou repasse. Pelo contrario, a descrição dos fatos é expressa, in verbis (fls. 2): O contribuinte é advogado e mantinha, no ano de 2001, diversos contratos de prestação de serviços profissionais a clientes, na maioria deles Sociedades Seguradoras, para as quais trabalhava, tanto na esfera judicial, quanto extrajudicial. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.003240/200546 Acórdão n.º 2401005.682 S2C4T1 Fl. 92 10 Os contratos foram todos firmados por exigência de seus clientes, na pessoa física do ora peticionário. O volume de trabalho exigiu do contribuinte ora peticionário a contratação de outros profissionais para poder levar a cabo o atendimento das causas e assuntos judiciais e extrajudiciais a si submetidas por aqueles clientes. (...) Os pagamentos realizados pelo ora peticionário aos profissionais que este contribuinte contratou para levar a cabo aquela gama de trabalhos também foram considerados naquele ano, pois somente aconteceram em razão dos contratos alinhavados por aquele Contribuinte com os clientes já citados, existindo uma relação direta entre aquelas receitas e as despesas com estes profissionais. Em homenagem ao princípio da verdade material, acolhi as provas carredas aos autos com o recurso e as apreciei, contudo não se justifica a conversão do julgamento em diligência para esclarecer ter havido ou não repasse de honorários contratuais ou sucumbenciais em razão da preclusão (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4) e para não se incorrer em ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Desde a impugnação, o foco do recorrente, a bem da verdade, foi infirmar a leitura do art. 6° da Lei n° 8.134, de 1990, feita pela fiscalização ao efetivar o lançamento, ou seja, de que não se admite a dedução de valores pagos a terceiro sem vinculo empregatício por ofensa ao art. 6°, I, da Lei n° 8.134, de 1990. Notese que o entendimento aqui adotado não é compatível com o explicitado pelo órgão julgador de primeira. O Acórdão recorrido considera somente ser possível a dedução de remuneração paga a terceiro com vinculo empregatício. Para não se negar validade ao inciso I e nem ao inciso III, ambos do art. 6° da Lei n° 8.134, de 1990, impõese a adoção de interpretação literal/declarativa no sentido de que pode ser deduzida a remuneração paga ao terceiro autônomo tão somente quando houver execução de atividade que não se confunda com a atividade do próprio contribuinte (não se confunda com sua atividadefim), eis que nessa situação (prestação de serviços que não se confunda com o objeto contratual da atividade a ser prestada pelo contribuinte a seus clientes) se estará diante de despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. A legislação do imposto de renda não impede que o contribuinte contrate terceiro autônomo para o auxiliar em sua atividadefim. Se o fizer, não o toma por empresa. Mas, se o fizer, os pagamentos não poderão ser deduzidos a título de livrocaixa. Notese que não há que se confundir despesa não dedutível com inocorrência de receita ou acréscimo patrimonial. Além disso, se os prestadores apresentaram ou não declarações e o que nelas constou ou não, consubstanciamse em conjecturas irrelevantes para a solução do caso concreto. A aplicação da legislação não é confisco. A argumentação de bitributração não prospera, eis que não estão envolvidos dois entes da Federação. Nem haveria bis in idem na hipótese levantada pelo contribuinte, eis que para tanto deveria estar envolvido um único contribuinte. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.003240/200546 Acórdão n.º 2401005.682 S2C4T1 Fl. 93 11 Portanto, as despesas pagas aos terceiros sem vínculo empregatício e que emitiram as sete declarações supra referidas não são dedutíveis. A oitava declaração referese a despesa com terceiro sem vínculo empregatício descrita pela fiscalização como "SUPORTE INFORMÁTICA", quinhentos reais mensais todos os meses do ano. Além disso, consta do Relatório de Despesas Glosadas a despesa mensal de R$ 100,00 com "DIARISTA LIMPEZA ESCRITÓRIO". Para esta última despesa não foi apresentada declaração, mas as alegações de defesa a ela se aplicam. Logo, conforme supra explicitado, essas duas despesas são passíveis de dedução ao serem prestadas por trabalhador autônomo, eis que preenchem os requisitos legais de serem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Assim, para estas duas despesas, respectivamente R$ 6.000,00 e R$ 1.200,00, não subsiste o pressuposto de direito ensejador do lançamento de ofício. Logo, para ambas prosperam as alegações de defesa, sendo cabível o restabelecimento R$ 7.200,00 a título de dedução de despesa de livrocaixa. Despesas de locomoção e transporte. O art. 6°, §1°, b, da Lei n° 8.134, de 1990, é cristalino no sentido de só se admitir tais deduções para caixeiroviajante. O presente colegiado não pode declarar a inconstitucionalidade do dispositivo em questão por ofensa ao princípio constitucional da isonomia (Súmula CARF n° 2). Ao caso, não se aplica o art. 108 do CTN, mas o art. 111 do CTN. Despesas com manutenção do imobilizado. Não foi apresentada qualquer prova demonstrado as alegações do recorrente e nem a natureza da despesa. Por fim, o recorrente não invocou nenhuma decisão vinculante e, reiterese, todas as alegações de inconstitucionalidade ou ofensa a princípios constitucionais das normas aplicadas não prosperam, eis que falece competência ao presente colegiado para apreciálas (Súmula CARF n° 2). Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário e darlhe provimento em parte para restabelecer dedução a título de livrocaixa no importe de R$ 7.200,00. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.900496/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
INDÉBITO ILÍQUIDO
Para o reconhecimento de direito creditório, não basta a comprovação da certeza de ter havido indébito, é necessária também a sua quantificação, ou seja, a liquidez do valor. No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior.
Numero da decisão: 1401-002.420
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 04 96 /2 00 8- 81 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10855.900496/200881 Acórdão n.º 1401002.420 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1429.086 da 5ª Turma da DRJ/RPO que negou provimento à manifestação de inconformidade apresenta pelo interessado. Com relação às peças iniciais do feito, tomo de empréstimo o relatório da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de Contribuição para a Cofins (código de receita: 2172) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório [...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: a) a sociedade em questão tem como atividade principal a exploração da construção civil, destacandose a prestação de diversos serviços; b) em 23/01/2003, a contribuinte formulou consulta fiscal, processo administrativo n° 10855.000267/20031, requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido; c) obteve como resposta o percentual de 8%; d) constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, conseqüentemente, sempre recolheu IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido; e) a contribuinte procedeu a compensação do tributo pago a maior com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); f) a contribuinte deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior de imposto; g) embora não tenha havido a retificação da DCTF e da DIPJ para permitir que o sistema constatasse automaticamente o pagamento a maior do IRPJ e o seu Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10855.900496/200881 Acórdão n.º 1401002.420 S1C4T1 Fl. 4 3 decorrente crédito os documentos anexos comprovam claramente a sua existência, bem como a veracidade das informações prestadas; h) o contrato anexo comprova a natureza do serviço de construção civil e o emprego de materiais para execução da obra; i) as notas fiscais anexas comprovam os materiais utilizados na obra contratada; j) a nota fiscal emitida pela contribuinte discrimina o contrato a que corresponde e comprova a origem da receita; k) a nota fiscal emitida pela contribuinte e o DARF, se confrontados, comprovam que o lucro presumido foi apurado pelo percentual de 32% e que o IRPJ foi recolhido a maior que o quádruplo do valor; l) a não retificação do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da contribuinte e sim do entendimento equivocado de que as informações prestadas na Declaração de Compensação supririam a sua necessidade; m) para evitar decisões divergentes sobre fatos idênticos, requer o apensamento deste processo ao processo de crédito n 10855900739/200881. Ao final, requer que seja dado provimento a presente manifestação para homologar a compensação efetuada e anular o débito. DA DECISÃO RECORRIDA Em breve síntese, a decisão recorrida negou provimento à manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o contribuinte a solução de consulta a que faz referência asseverou, de um lado, a alíquota de 8% para a construção civil com o emprego de materiais, mas também que as empresas que exercem atividades diversificadas devem aplicar a alíquota específica de cada atividade. No contrato social apresentado, a empresa exerce diversas atividades de serviços (nesse passo, o julgador elenca cada uma delas). Assim, os contratos por ela assinados podem abrigar mais de um tipo de atividade, o que exige a documentação fiscal cabível para a apuração da base de cálculo do IRPJ. O contribuinte apresentou Notas Fiscais Faturas de Serviços e demais documentos pertinentes. No entanto, o imposto não é apurado, nota a nota. Como o contribuinte não fez a nova apuração do imposto devido no trimestre, deixou de demonstrar o montante do indébito. Quanto a essa parte, vale transcrever o trecho original da decisão: Contudo, o direito à repetição do indébito não diz respeito a cada nota fiscal como pretendido pela contribuinte. Repetir o IRPJ atinente a cada nota fiscal emitida para a Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo e para a Prefeitura da Estância Turística de São Roque caracteriza flagrante impropriedade, vez que o que a contribuinte pleiteia como indébito, na PER/Dcomp [...], é o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 2º trimestre de 1999, e este não incide em cada nota fiscal em particular, mas sim sobre uma base de cálculo, determinada pela aplicação de um percentual sobre o montante da receita bruta, decorrente da venda de mercadorias e serviços, acrescido de outras receitas e ganho de capital, apurado trimestralmente na forma da lei. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10855.900496/200881 Acórdão n.º 1401002.420 S1C4T1 Fl. 5 4 Portanto, a contribuinte deveria trazer aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 2 trimestre de 1999 com aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, aí sim, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido. Foi essa a razão que orientou o voto para negar provimento à manifestação de inconformidade. RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte apresentou recurso voluntário além de documentos nas páginas seguintes. Desta vez, além das notas fiscais e contratos de prestação de serviços, carreou o diário do período (2º trimestre de 1999), com o balanço, a demonstração do resultado do exercício e o plano de contas. Na peça recursal, aduziu inicialmente as mesmas razões oferecidas na manifestação de inconformidade. Ademais, afirma que os documentos apresentados seriam suficientes para comprovar o indébito, pois, apesar de não ter juntado os livros fiscais, carreou toda a documentação que deu suporte à sua escrituração. De toda sorte, dada a exigência da autoridade julgadora de primeiro grau, juntou ao recurso todas as notas fiscais emitidas no trimestre, os contratos, as notas fiscais dos materiais empregados e a cópia do seu livro diário. É o relatório do essencial. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10855.900496/200881 Acórdão n.º 1401002.420 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.416, de 13/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.906076/2009 90, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma teve como origem o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001. No presente processo, o direito creditório pleiteado tem como origem o IRPJ pago com base no lucro presumido apurado no 2º trimestre de 1999. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.416): "Inicialmente, apesar de não discordar da conclusão do voto como explicarei posteriormente, devo dizer que a premissa adotada pela autoridade julgadora de primeiro grau foi muito rigorosa. Não é necessário, no meu ponto de vista, demonstrar novamente toda a apuração do trimestre para se verificar um valor de indébito a partir de algumas notas fiscais. Afinal, se o contribuinte adotou o percentual de 32% para toda a sua receita e, posteriormente, comprova que alguns dos valores registrados estão submetidos a percentual diverso, o montante do indébito corresponderá à diferença de percentual sobre a receita apontada. Esse raciocínio é o mesmo que permite à autoridade fiscal lançar o imposto de renda a partir da verificação de apenas alguns itens do resultado, sem que necessite recalcular toda a base de cálculo. Com os elementos apresentados pelo contribuinte, é possível aferir que houve serviços prestados com o emprego de materiais, mas não é possível aferir exatamente quais e nem identificar o seu montante. Podemos verificar que, no período, o contribuinte prestou serviços apenas para a SABESP, em razão da seqüência contínua de notas fiscais que vão da nº de 180, emitida em 01/10/2001 a 199, emitida em 17/12/2001. Ou seja, todas as suas receitas provieram da execução de contratos com essa empresa. Nos referidos contratos, consta cláusula que impõe ao prestador o dever de empregar os materiais. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10855.900496/200881 Acórdão n.º 1401002.420 S1C4T1 Fl. 7 6 Houve materiais adquiridos no período. Aliás, além do período (foram adquiridos no interregno entre a celebração dos contratos e das prestações de serviço), é possível identificar que tais materiais foram empregados nos serviços prestados à Sabesp em função de referências como "Material a ser utilizado na obra de Hortolândia/SP" (vide fl. 370), justamente o local de execução das prestações de serviço. No entanto, não é possível aferir (e nem sequer o contribuinte indica) quais notas se referem a serviços prestados com o fornecimento de materiais. Sabemos que uma parte dessas notas são relativas à prestação de serviço com fornecimento de material, mas elas não correspondem ao todo, uma vez que o contribuinte pleiteia indébito significativamente menor que a aplicação da diferença de percentual sobre o total da receita. Ademais, não sabemos quais são as notas dentre aquelas apresentadas e nem o seu montante, uma vez que, entre as notas de aquisição de materiais e as de prestação de serviço, inexiste vinculação, a qual nem sequer pode ser inferida pela proximidade de datas. Sem essa quantificação, não é possível aferir o valor do indébito, que para ser deferido exige a sua liquidez. Por essas razões, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914221/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.862
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 21 /2 01 2- 76 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914221/201276 Acórdão n.º 3201003.862 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 077.929, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914221/201276 Acórdão n.º 3201003.862 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914221/201276 Acórdão n.º 3201003.862 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914221/201276 Acórdão n.º 3201003.862 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.902787/2011-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL.
É válida e não caracteriza qualquer nulidade a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF n.º 9).
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.276
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida e não caracteriza qualquer nulidade a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF n.º 9). PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1949; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 71 1 70 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.902787/201171 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.276 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria Simples PER/DCOMP Recorrente DOMINIUM MATERIAIS HIDRAULICOS E FERRAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida e não caracteriza qualquer nulidade a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF n.º 9). PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 27 87 /2 01 1- 71 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10875.902787/201171 Acórdão n.º 1002000.276 S1C0T2 Fl. 72 2 declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 50/64) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 41/45), proferida em sessão de 27 de agosto de 2013, consubstanciada no Acórdão n.º 0247.293, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/14) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 06/06/2011 (efl. 26), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 09389.83603.120707.1.3.045840, transmitido em 12/07/2007, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10875.902787/201171 Acórdão n.º 1002000.276 S1C0T2 Fl. 73 3 Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório n.º rastreamento 932724623 emitido eletronicamente em 06/06/2011, referente ao PER/DCOMP n.º 09389.83603.120707.1.3.045840. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a SIMPLES – Código de Receita 6106, no valor original na data de transmissão de R$ 363,10, representado por Darf recolhido em 10/02/2004 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que o Despacho Decisório foi recebido e assinado por pessoa não habilitada para receber tal correspondência em nome da empresa; que conforme disciplinado no art. 215 do Código de Processo Civil as pessoas jurídicas devem ser citadas nas pessoas de seus representantes legais, indicadas em seus estatutos sociais; que o Despacho Decisório não é válido, porque a intimação do mesmo não está formalmente revestida dos requisitos da lei e dessa forma trás consigo a nulidade do ato praticado e a nulidade do processo, sendo assim requer seja declarada a nulidade da notificação do DD, entregue sem a observância da lei, contrariando os arts. 214, 215 e 247 do Código Processo Civil; que o fato gerador do PIS/COFINS é o faturamento; que o valor do ICMS destacado na nota fiscal da Manifestante é para simples registro contábil fiscal, sendo que em hipótese alguma deve ser incluído na base de cálculo do PIS. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10875.902787/201171 Acórdão n.º 1002000.276 S1C0T2 Fl. 74 4 Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/01/2004 6106 R$ 2.231,74 10/02/2004 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado Efl. 26 R$ 2.231,74 DB: cód 6106 PA 31/01/2004 R$ 2.231,74 Valor Total R$ 2.231,74 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Com base nesse postulado (possibilidade de os indícios servirem de fundamento para uma sentença condenatória), seria razoável concluir que, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, em processos de restituição, ressarcimento ou compensação, em que cabe ao contribuinte a prova de seu direito, a DRF estaria autorizada a negar o pedido, com base em indício que aponte para a inexistência ou insuficiência de crédito. Frisase que, na fase que precede a decisão de indeferimento do pedido ou não homologação da compensação, ainda não há contraditório, de modo que aquele indício será objeto de contestação pelo contribuinte e apreciação pela DRJ, juntamente com outras provas produzidas no processo. Nesse sentido, o contribuinte não apresenta nada que conteste o fundamento do despacho decisório. Nele, está consignado que o Darf foi integralmente utilizado para o pagamento do débito declarado pelo contribuinte, não restando saldo para operar a compensação. Limitase a questionar a legalidade da legislação que regula o instituto da compensação e defender o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais. Não apresenta nenhuma documentação fiscal em favor de seu suposto crédito. EXCLUSÃO DE ICMS A base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. Somente a lei pode modificar a base de cálculo do tributo. A legislação do PIS/PASEP e da COFINS prevê exclusões da base de cálculo. Especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, excluemse da receita bruta o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos regimes. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10875.902787/201171 Acórdão n.º 1002000.276 S1C0T2 Fl. 75 5 Admitir qualquer outra exclusão, equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão não é sequer válida em sede de julgamento administrativo. No recurso voluntário, o contribuinte reitera, em outras palavras, os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade no que pertine a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, visando devolver a matéria para instância superior. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 30/09/2013, segundafeira, efls. 46/48, e protocolo em 17/10/2013, efl. 49), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Preliminar ao conhecimento do mérito Aduz o recorrente que a notificação acerca das conclusões do despacho decisório foi nula, uma vez que não foi pessoal ao representante legal, em que pese ter sido entregue na sede da pessoa jurídica, e, por conseguinte, tornaria todo o procedimento nulo, além disto alegou temática constitucional para objetivar seu argumento. Aprecio a questão a título de Preliminar e, desde logo, afastoa, haja vista se tratar de tema sumulado no contencioso administrativo. Deveras, a Súmula CARF n.º 9 enuncia que: "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10875.902787/201171 Acórdão n.º 1002000.276 S1C0T2 Fl. 76 6 A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdãos ns.º 10246574, de 01/12/2004, 10420408, de 26/01/2005, 10614266, de 21/10/2003, 10707076, de 20/03/2003, 10807562, de 16/10/2003, 20168026, de 20/05/1992, 202 08457, de 21/05/2003, 20209572, de 14/10/1997, 20171773, de 02/06/1998, 20306545, de 09/05/2000. Demais disto, tornouse vinculante conforme Portaria MF n.º 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018. Quanto ao tema constitucional, temse a Súmula CARF n.º 2 enunciando que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdãos ns.º 10194876, de 25/02/2005, 10321568, de 18/03/2004, 10514586, de 11/08/2004, 10806035, de 14/03/2000, 10246146, de 15/10/2003, 20309298, de 05/11/2003, 201 77691, de 16/06/2004, 20215674, de 06/07/2004, 20178180, de 27/01/2005, 20400115, de 17/05/2005. Vejase, o processo de compensação é regido pelo rito processual do Decreto n.º 70.235, de 1972, conforme disciplina o art. 74, § 11, da Lei 9.430, de 1996, sendo certo que as intimações ou notificações poderão ser feitas por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo contribuinte (Decreto 70.235, art. 23, II), aliás, para fins de intimação, considerase domicílio tributário o endereço postal fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à Administração Tributária (Decreto 70.235, art. 23, § 4.º, I). De mais a mais, não há prova de qualquer prejuízo para a defesa, não houve preterição do direito de defesa, não se observa quaisquer das causas de nulidades listadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Sendo assim, afasto a preliminar de nulidade. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10875.902787/201171 Acórdão n.º 1002000.276 S1C0T2 Fl. 77 7 para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, haja vista que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior havia sido utilizado, tendo sido imputado, na quitação de efetivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), realmente devido e em montante adequado, portanto não havendo saldo a ser apropriado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da utilização integral do valor recolhido, de modo a não restar saldo residual para restituição, demais disto não havendo causa de indébito, vale dizer, o DARF foi alocado em efetivo recolhimento de crédito tributário devido. De mais a mais, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. No recurso voluntário o contribuinte defende o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, de modo que, por decorrência desta premissa, passaria a haver saldo relativo ao recolhimento (recolhimento a maior), porém não vejo como dar provimento ao pleito vindicado. Primeiro, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez em eventuais hipotéticos créditos que pudessem ser apurados a partir da eventual exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, visto que inexiste apuração ou elementos documentais que possibilitassem efetivar o respectivo levantamento. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. É ônus primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Segundo, a matéria concernente à exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS vem sendo debatida judicialmente há muitos anos, defendendo os contribuintes que a receita decorrente do ICMS não configura faturamento e, portanto, sobre ela não poderia incidir o PIS/COFINS. O debate tem cunho constitucional, pois depende da declaração de inconstitucionalidade de lei e, neste caso, o Colegiado não pode adentrar na temática, sendo assunto sumulado administrativamente, a teor da Súmula CARF n.º 2 que reza: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Aliás, recentemente, em sessão de 15/03/2017, sob a sistemática de julgamento de recursos extraordinários repetitivos, o Supremo Tribunal Federal (STF) Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10875.902787/201171 Acórdão n.º 1002000.276 S1C0T2 Fl. 78 8 julgou a problemática, mas ainda não definitivamente, face à Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, no qual consta pedido de fixação de modulação de efeitos, conforme pode ser analisado nas pesquisas públicas acerca do Recurso Extraordinário RE n.º 540.706/PR, tendo sido fixada a tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS”. Por conseguinte, como a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs recurso de Embargos de Declaração, requerendo, inclusive, modulação de efeitos da decisão proferida pelo Colegiado Constitucional, sobrestouse o curso do trânsito em julgado da decisão, não se podendo falar em decisão definitiva. Nesse contexto, a decisão proferida pelo STF, em que pese ter adotado tese favorável aos contribuintes, ainda não se reveste do atributo da definitividade, haja vista a pendência de julgamento do recurso supramencionado. Logo, ressalvando posicionamento pessoal deste relator acerca da desnecessidade de trânsito em julgado para percepção dos efeitos vinculante da decisão proferida em sede de julgamento de recurso extraordinário repetitivo pelo STF, nos termos do artigo 927, inciso III, do Novo Código de Processo Civil, entendo aplicável, no presente caso, a Súmula n.º 2 do CARF. Observo, igualmente, o disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009, que enuncia o mesmo entendimento da impossibilidade de conhecer questão constitucional ao dispor que: “No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Por fim, cumpre destacar que a Receita Federal do Brasil expediu a Solução de Consulta DISIT/SRRF06 n.º 6.012, de 31 de março de 2017, na qual dispôs o seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: BASE DE CÁLCULO. CUMULATIVIDADE. ICMS. EXCLUSÃO. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto (em virtude de operações ou prestações próprias) compõe o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para a COFINS devida nas operações realizadas no mercado interno. A edição de ato declaratório pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 19, II, da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, sobre matéria objeto de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, vincula a Administração tributária, sendo vedado à Secretaria da Receita Federal do Brasil a constituição dos respectivos créditos tributários. Entretanto, inexiste ato declaratório que trate sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para a COFINS incidente nas operações internas. A matéria, atualmente objeto de Ação Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10875.902787/201171 Acórdão n.º 1002000.276 S1C0T2 Fl. 79 9 Declaratória de Constitucionalidade, encontrase aguardando decisão definitiva de mérito, que seja vinculante para a Administração Pública. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 137, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2017. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar n.º 87/1996, art. 13; Lei n.º 5.172/1966, art. 111; Lei n.º 8.981/1995, art. 31; Lei n.º 9.718/1998, arts. 2.º e 3.º; Lei n.º 10.522/2002, art. 19; DecretoLei n.º 406/1968, art. 2.º; Parecer Normativo CST n.º 77/1986, e Convênio ICM n.º 66/1988, art. 2.º. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: BASE DE CÁLCULO. CUMULATIVIDADE. ICMS. EXCLUSÃO. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto (em virtude de operações ou prestações próprias) compõe o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno. A edição de ato declaratório pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 19, II, da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, sobre matéria objeto de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, vincula a Administração tributária, sendo vedado à Secretaria da Receita Federal do Brasil a constituição dos respectivos créditos tributários. Entretanto, inexiste ato declaratório que trate sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente nas operações internas. A matéria, atualmente objeto de Ação Declaratória de Constitucionalidade, encontrase aguardando decisão definitiva de mérito, que seja vinculante para a Administração Pública. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 137, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2017. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar n.º 87/1996, art. 13; Lei n.º 5.172/1966, art. 111; Lei n.º 8.981/1995, art. 31; Lei n.º 9.718/1998, arts. 2.º e 3.º; Lei n.º 10.522/2002, art. 19; DecretoLei n.º 406/1968, art. 2.º; Parecer Normativo CST n.º 77/1986, e Convênio ICM n.º 66/1988, art. 2.º. Com efeito, não há que se admitir matéria que pretenda discutir constitucionalidade e limites constitucionais para definição de base de cálculo de tributo ou para definição dos limites semânticos de conceitos adotados pelo constituinte na instituição de tributos, como é o caso da discussão envolvendo a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, para fins de constituição de créditos contra a Administração Tributária passíveis de compensação, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum da norma infraconstitucional que deu suporte à Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10875.902787/201171 Acórdão n.º 1002000.276 S1C0T2 Fl. 80 10 atividade arrecadatória, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.000506/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2005
VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. REMESSA PARA RECINTO ALFANDEGADO. NÃO-INCIDÊNCIA. COFINS
As mercadorias ou produtos remetidos, por conta e ordem da Empresa Comercial Exportadora - ECE, diretamente do estabelecimento da pessoa jurídica para recinto alfandegado consideram-se adquiridas com o fim específico de exportação e não se sujeitam à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins.
VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. APLICAÇÃO DO RE 627.815 EM REPERCUSSÃO GERAL
As variações cambiais ativas decorrentes de fechamento de contrato de câmbio caracterizam-se como receitas decorrentes de exportação e não se sujeitam à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, conforme decisão definitiva proferida pelo STF no julgamento do RE 627.815, submetido à repercussão geral.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
Numero da decisão: 3302-005.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar os lançamentos relativos: às vendas para a CVRD consideradas como de fim específico, às receitas de variações cambiais ativas decorrentes dos contratos de fechamento de câmbio e à glosa de créditos da não-cumulatividade sobre as aquisições dos serviços de coleta de dados para análise de vibrações e monitoramento em equipamentos, prestados pela CHOLE MONITORAMENTO DE MÁQUINAS, vencidos os Conselheiros Walker Araújo que dava provimento em maior extensão para reconhecer os créditos sobre serviços topográficos, operação e manutenção do aterro industrial, serviço de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental e os Conselheiros José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento em maior extensão para reconhecer os créditos sobre serviços topográficos, operação e manutenção do aterro industrial, serviço de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental e tratamento de efluentes oleosos das oficinas de pelotização.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad..
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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REMESSA PARA RECINTO ALFANDEGADO. NÃOINCIDÊNCIA. COFINS As mercadorias ou produtos remetidos, por conta e ordem da Empresa Comercial Exportadora ECE, diretamente do estabelecimento da pessoa jurídica para recinto alfandegado consideramse adquiridas com o fim específico de exportação e não se sujeitam à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. APLICAÇÃO DO RE 627.815 EM REPERCUSSÃO GERAL As variações cambiais ativas decorrentes de fechamento de contrato de câmbio caracterizamse como receitas decorrentes de exportação e não se sujeitam à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, conforme decisão definitiva proferida pelo STF no julgamento do RE 627.815, submetido à repercussão geral. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 05 06 /2 00 5- 11 Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.850 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar os lançamentos relativos: às vendas para a CVRD consideradas como de fim específico, às receitas de variações cambiais ativas decorrentes dos contratos de fechamento de câmbio e à glosa de créditos da não cumulatividade sobre as aquisições dos serviços de coleta de dados para análise de vibrações e monitoramento em equipamentos, prestados pela CHOLE MONITORAMENTO DE MÁQUINAS, vencidos os Conselheiros Walker Araújo que dava provimento em maior extensão para reconhecer os créditos sobre serviços topográficos, operação e manutenção do aterro industrial, serviço de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental e os Conselheiros José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento em maior extensão para reconhecer os créditos sobre serviços topográficos, operação e manutenção do aterro industrial, serviço de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental e tratamento de efluentes oleosos das oficinas de pelotização. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.. Relatório Tratase de declarações de compensação com créditos de Cofins não cumulativa vinculados a receitas de exportação, parcialmente nãohomologadas, em razão da apuração das seguintes infrações, de acordo com o Parecer Seort nº 1.499/2007 (efls. 1157 e ss): resultado da ação fiscal no MPF 07201002007003455, cientificado em 17/12/2007 (e fl. 1179): 1. Desconsideração das vendas efetuadas ao CNPJ 33.592.510/022042, pertencente à coligada CVRD, sob os CFOPs 5101, como vendas com o fim específico; 2. Não inclusão das variações cambiais ativas na base de cálculo da Cofins; 3. Glosa de créditos da nãocumulatividade dos serviços contratados diretos SAC, serviços administrativos, serviços de auditoria, serviços decorrentes de atividades meio; glosa de parte dos serviços contratados CVRD (fator C, fator K, fator Y). As infrações resultaram em nãohomologação das compensações, bem como lavratura de Auto de Infração no processo nº 15578.000403/200776. Após cientificada, a recorrente recebeu cartas cobranças e peticionou em 21/02/2008, informando que ter protocolado manifestação de inconformidade (efl. 1255). Intimado a apresentar referida manifestação, a recorrente não atendeu ao intimado, o que levou a Unidade de Origem a encaminhar os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional/ES. Por seu turno, a recorrente peticionou pelo cancelamento da inscrição em Dívida Ativa, informando que protocolara impugnação ao Auto de Infração no processo 15578.000403/200776 em 10/01/2008 (efls. 1301/1330), refutando as conclusões do Parecer Seort nº 1.499/2.007, que fundamentou o Despacho Decisório destes autos. Fl. 2850DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.851 3 Por sua vez, o Secat da DRF/Vitória/ES acatou a impugnação efetuada no processo 15578.000403/200776, em razão de ser decorrente da mesma ação fiscal que culminou na elaboração do Parecer Seort nº 1.499/2007, que fundamentou tanto os despachos decisórios de homologação parcial de declarações de compensação nestes autos de nº 11543.000506/200511 como nos autos de nº 11543.001631/200467. Em vista da informação prestada pela RFB, a PRN/ES cancelou as inscrição em Dívida Ativa. Em impugnação às efls. (1301/1330), a recorrente aduziu que não realizou venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo; que para aproveitamento da imunidade das receitas de exportação não importa que a venda seja destinada a recinto alfandegado ou que seja diretamente enviado ao embarque para exportação; que as vendas efetuadas à CVRD são destinadas exclusivamente para exportação; as variações monetárias ativas decorrentes do fechamento de contratos de câmbio se subsumem ao conceito de receita de exportação; que o crédito de ICMS não pode ser qualificado como receita, pois representa simplesmente um valor retificador do custo e se fosse considerado receita, seria receita de exportação isenta; o conceito de insumo não pode ser considerado restritivo como entendeu a autoridade fiscal, devendo ser interpretado à luz do regime nãocumulativo imposto pelo artigo 195, §12 da Constituição Federal; os serviços de frete bem como os demais serviços de operação da usina de pelotização geram créditos. A Quinta Turma da DRJ/RJ2 no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão nº 13 40.246, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2005 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da COFINS as receitas de vendas e fetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. A exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da COFINS não alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, sofrer a incidência daquela contribuição. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIAS. Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.852 4 A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, pugnando o seguinte: 1. A recorrente efetua vendas com isenção de PIS/Cofins para a CVRD, uma vez que foi comprovado que os produtos são remetidos para recintos alfandegados, conforme decisão da DRJ/RJ2, proferida no processo 15.586.001586/201043; 2. As pelotas deixam o pátio da recorrente e são destinadas por esteiras diretamente para embarque em navios com destino ao exterior ou para os pátios da CVRD, que são considerados áreas alfandegadas, de acordo com o ADE nº 320/2006, dali seguindo para o embarque em navios com destino ao exterior; 3. Enfim, ratifica que as vendas para a CVRD são efetuadas com o fim específico de exportação; 4. A glosa de créditos da contribuição é indevida, uma vez que os serviços de operação e manutenção de equipamentos de produção são diretamente utilizados na produção do produto, sendo descabida a glosa sobre a rubrica classificada de insumos e sobre os fatores C, K e Y. 5 Que as variações monetárias ativas decorrentes de fechamento de contratos de câmbio se subsumem ao conceito de receita decorrente de operação de exportação; 6. Que são irregulares os ajustes acerca das devoluções de compras; 7. A aplicação do princípio da verdade material para apreciação de novos documentos acostados; 8. Alternativamente, a produção de prova pericial; Ao final pede o integral provimento do recurso. Na sessão de 23/12/2012, o julgamento foi convertido em diligência, nos termos abaixo: "Resumidamente, dentre outras considerações, assumiuse, no julgamento posterior, que as mercadorias deixavam o estabelecimento com destino à exportação, as notas fiscais que estampavam código de operação própria de revenda no mercado interno teriam sido retificadas e a adquirente se retratara da sua declaração, informando que não apurara crédito nas operações. Evidentemente, a revisão dessas premissas poderia influenciar sensivelmente o resultado do presente julgamento, pois as características da recorrente permitiriam que se considerasse Fl. 2852DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.853 5 que as conclusões de natureza fática ali assumidas se repetiriam nos fatos geradores debatidos no presente litígio. Ocorre que esses elementos não foram apresentados às autoridades fiscais, que não puderam, por exemplo, investigar se a adquirente teria ou não apurado crédito ou se, tal e qual naquele litígio, as notas fiscais teriam sido alvo de retificação eficaz. Tratamse de fatos só colacionados aos autos após a conclusão da investigação objeto deste litígio. Assim sendo, julgo prudente converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que tais questões sejam esclarecidas. A unidade preparadora poderá desenvolver as verificações que entender necessárias para confirmar essas premissas e tecer considerações que julgar pertinentes acerca dos fundamentos que orientaram a prolação do Acórdão nº 1334.003. Concluídas tais verificações, deverá ser franqueado o prazo de 30 dias para manifestação da recorrente e, findo tal prazo, devolvidos os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. " Em cumprimento da diligência, a autoridade fiscal informou que os fatos tratados no processo nº 15586.001586/201043 são distintos dos aqui tratados, a saber: I. O período aqui tratado é de 02/2004 a 12/2005, enquanto no outro processo é 01/2006 a 31/10/2008; II. Que a área da CVRD, reconhecida como alfandegada, passou a sêla a partir de 14/09/2006, data posterior aos fatos deste processo; III. Que o contrato de operação entre as Brascos e a CVRD constante do processo 15586.001586/201043 foi firmado em 06/01/2008, após as fiscalizações ocorridas em 2007, sem autenticação nem reconhecimento de firma, entendendo ser desprovido de qualquer validade jurídica; IV. Que a cláusula que dispõe que a titularidade se dá apenas no pagamento pela Vale à Nibrasco afronta a própria essência do contrato jurídico, pois a Vale é responsável pelo manuseio das pelotas desde o começo da correia transportadora que sai do pátio da Nibrasco. Tal fato fora esclarecido pela Vale que as pelotas eram entregues no pátio da remetente, confirmado por visita ao parque fabril da Nibrasco; V. Que a Vale se creditou das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, integralmente, nos meses de fevereiro, março e novembro de 2004 e março e junho de 2005, escriturando a entradas das pelotas nos CFOPs 1.112 e 1.102, quando deveria ter se creditado nos CFOPs 1.86 e 1.501; e que a própria Vale anexou documentação que teria se creditado das contribuições nos referidos períodos acima. Por seu turno, a recorrente manifestouse em face do relatório fiscal, nos seguintes termos: Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.854 6 I. Que ambos processos possuem documentos probatórios de mesma natureza como memorandos de exportação, cartas de correção, relatório de movimentação das pelotas, contrato de compra e venda, dentre outros e que as matérias são idênticas, alterando tão somente o período; II. Que a área da CVRD é alfandegada desde 2002, conforme ADE nº 132/2002; III. Que juntou o contrato firmado em 2008 apenas por ser mais recente, mas que mantém contrato de compra e venda com a Nibrasco desde 2001, conforme contrato apresentado; IV. Que apesar de a Vale ter registrado CFOPs com equívoco, providenciou a confecção de cartas, declarando que não se creditou das contribuições nas aquisições de pelotas e que o auditor deveria diligenciar a Vale, in loco, para analisar se houve ou não aproveitamento dos créditos. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente, doravante denominada de Nibrasco, atua na produção e comercialização de pelotas de minério de ferro, com planta industrial situada no complexo da CVRD, vendendo tanto para o mercado interno quanto no mercado externo, segundo declarou. O litígio tratado neste processo restringiuse a três pontos: caracterização das vendas efetuadas à CVRD, CNPJ. 33.592.510/022042, como de fim específico de exportação; sujeição das variações cambiais ativas decorrentes de fechamento de câmbio à incidência da Cofins e glosa de créditos de Cofins sobre insumos e serviços de operação da usina de pelotização. Vendas com o fim específico para a CVRD, CNPJ. 33.592.510/022042. Nesta questão, a recorrente afirma que seus produtos deixam os pátios da recorrente por meio de esteiras e que são destinados aos pátios alfandegados da CVRD ou diretamente para embarque de exportação e que a tradição jurídica das pelotas da recorrente à Vale ocorre quando do embarque das pelotas. As operações com o fim específico estariam retratadas nos memorandos de exportação, confeccionados de acordo com o RICMS do Estado do Espírito Santo. Aduziu ainda que a Vale exportou toda a aquisição de pelotas da recorrente, o que ficou comprovado pelo relatório de estoques e declaração da Vale de que todas as pelotas foram exportadas. O erro na inserção do CFOP nas notas fiscais de venda da recorrente foi sanado mediante notas de correção, apesar de no corpo das notas haver menção expressa que as mercadorias são destinadas com fim exclusivo de exportação. Fl. 2854DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.855 7 A operação de vendas com o fim específico de exportação está normatizada em legislação esparsa, como o artigo 45 do Decreto nº 4.524/2002, artigo 7º da Lei nº 10.637/2002 e artigo 9º da Lei nº 10.833/2003, artigo 39 da Lei nº 9.532/97, artigo 1º do Decretolei nº 1.248/1972, a seguir transcritos: Decreto nº 4.524/2002: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º, e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º): [...] VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. [...] Lei 10.637/2002: Art. 7o A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, considerase vencido o prazo para o pagamento na data em que a empresa vendedora deveria fazêlo, caso a venda houvesse sido efetuada para o mercado interno. § 2o No pagamento dos referidos tributos, a empresa comercial exportadora não poderá deduzir, do montante devido, qualquer valor a título de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou de contribuição para o PIS/Pasep, decorrente da aquisição das mercadorias e serviços objeto da incidência. Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.856 8 § 3o A empresa deverá pagar, também, os impostos e contribuições devidos nas vendas para o mercado interno, caso, por qualquer forma, tenha alienado ou utilizado as mercadorias. Lei nº 10.833/2003, artigo 9º: Art. 9o A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. (Produção de efeito) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, considerase vencido o prazo para o pagamento na data em que a empresa vendedora deveria fazêlo, caso a venda houvesse sido efetuada para o mercado interno. § 2o No pagamento dos referidos tributos, a empresa comercial exportadora não poderá deduzir, do montante devido, qualquer valor a título de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, ou da COFINS, decorrente da aquisição das mercadorias e serviços objeto da incidência. § 3o A empresa deverá pagar, também, os impostos e contribuições devidos nas vendas para o mercado interno, caso, por qualquer forma, tenha alienado ou utilizado as mercadorias. Lei nº 9.532/1.997, artigo 39: Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. [...] § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. § 3º A empresa comercial exportadora fica obrigada ao pagamento do IPI que deixou de ser pago na saída dos produtos do estabelecimento industrial, nas seguintes hipóteses: Fl. 2856DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.857 9 a) transcorridos 180 dias da data da emissão da nota fiscal de venda pelo estabelecimento industrial, não houver sido efetivada a exportação; b) os produtos forem revendidos no mercado interno; c) ocorrer a destruição, o furto ou roubo dos produtos. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, considerase ocorrido o fato gerador e devido o IPI na data da emissão da nota fiscal pelo estabelecimento industrial. § 5º O valor a ser pago nas hipóteses do § 3º ficará sujeito à incidência: a) de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao da emissão da nota fiscal, referida no § 4º, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento; b) da multa a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, calculada a partir do dia subseqüente ao da emissão da referida nota fiscal. § 6º O imposto de que trata este artigo, não recolhido espontaneamente, será exigido em procedimento de ofício, pela Secretaria da Receita Federal, com os acréscimos aplicáveis na espécie. Decretolei 1.248/1972, artigo 1º: Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. A IN RFB nº 1.152/2011, atualmente, normatiza a operação tanto para o IPI quanto para o PIS/Pasep e Cofins. O artigo 4º esclarece que: Art. 4º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação as mercadorias ou produtos remetidos, por conta e ordem da ECE, diretamente do estabelecimento da pessoa jurídica para: Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.858 10 I embarque de exportação ou para recintos alfandegados; ou II embarque de exportação ou para depósito em entreposto sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, no caso de ECE de que trata o DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. Parágrafo único. O depósito de que trata o inciso II deverá observar as condições estabelecidas em legislação específica. Portanto, a aquisição com o fim específico ocorre quando os produtos adquiridos são remetidos diretamente do estabelecimento industrial para recintos alfandegados ou para embarque de exportação, por conta e ordem da comercial exportadora. Um dos fundamentos para a fiscalização desconsiderar a operação é que os pátios da recorrente Nibrasco não eram alfandegados. Entendo que os pátios da Nibrasco não são os recintos a que se refere a norma, pois o vendedor da mercadoria com fim específico não precisa possuir áreas alfandegadas. O recinto alfandegado deve ser o de destino da remessa direta da mercadoria, que, no caso, foi para o pátio da CVRD, pátio este que foi alfandegado, conforme ADE nº 132/2002, nº 165/2004 e 320/2006 (efls. 2696/2698). Embora este último ato não se aplica ao período deste processo, como bem salientou a fiscalização, o fato é que o pátio de estocagem de minério de ferro e pelotas de 330.000,00 m2 está alfandegado desde 2002, abrangendo, portanto, o período deste processo. As notas fiscais emitidas pela Nibrasco constam que o transporte é realizado pelo destinatário, ou seja, por conta da CVRD, em conformidade com a previsão legal de que a responsabilidade pela remessa direta ao recinto alfandegado é por conta e ordem da comercial exportadora, no caso a CVRD. Decorre, assim, que o recebimento da mercadoria no pátio da Nibrasco e sua remessa direta para o recinto alfandegado da adquirente está em conformidade com a normatização da operação. A cláusula 2.3.1 do contrato de operação da usina de pelotização (efls. 938) dispõe que a CVRD manuseará e carregará as pelotas desde o pátio da Nibrasco até os porões dos navios, com utilização dos pátios da CVRD, que como se viu são alfandegados. Não vislumbro nesta operação qualquer infringência à prescrição normativa do artigo 4º da IN RFB nº 1.152/2011, mas, ao contrário, a comercial exportadora CVRD é a responsável pela remessa diretamente do estabelecimento da pessoa jurídica vendedora (pátio da Nibrasco) para recinto alfandegado (pátio da CVRD). A cláusula 2.6.1 reforça a responsabilidade da CVRD durante o manuseio e carregamento, se responsabilizando, inclusive por eventuais multas dos consumidores em razão de mistura de outros materiais às pelotas: Fl. 2858DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.859 11 Assim, entendo que o fundamento utilizado pela fiscalização quanto ao não cumprimento de remessa direta a área alfandegada não prospera. O outro fundamento foi a utilização pela recorrente do CFOP 5101 Venda de Produção do Estabelecimento nas vendas efetuadas à CVRD, embora nas Informações Complementares tenha inserido a expressão "remessa com fim específico de exportação". Na CVRD, tais aquisições foram escrituradas ora no CFOP 1.102 Compra para Comercialização nos meses de fevereiro a abril de 2004 e em código 1.501 Entrada de mercadoria com fim específico de exportação, sem mencionar em quais períodos e em que valores. Na exportação das pelotas, a CVRD registrou as vendas sob o CFOP 7.101 Venda de Produção do Estabelecimento e não 7.501 Exportação de Mercadorias recebidas com o fim específico de exportação, que seria o esperado. A CVRD foi intimada e respondeu (efls. 981) que de julho a dezembro de 2004 e de janeiro a julho de 2005, houve aproveitamento de créditos e que, a partir de agosto/2005 não houve mais aproveitamento e que os créditos aproveitados seriam estornados. Na diligência solicitada pelo Carf, a autoridade fiscal informou que a CVRD aproveitou integralmente dos créditos nos meses de fevereiro, março e novembro de 2004 e nos meses de março e junho de 2005, aparentemente, por ter utilizado os CFOPs 1.112 e 1.102 e não o CFOP 1.501, juntando Livro Registro de Entradas, Registro de Apuração de ICMS e o arquivo de notas fiscais. Já a recorrente, em sua impugnação ao resultado da diligência, apresentou declaração da Vale, na qual esta informava que não se creditara do PIS e Cofins sobre as aquisições de pelotas produzidas pela Nibrasco e exportadas para o exterior. A Nibrasco deveria ter utilizado o CFOP 5.501 para a operação de venda. Por seu turno, a Vale utilizou o CFOP correto 1.501 em 20 (vinte) dos 23 (vinte e três) meses do período fiscalizado, porém, utilizou o CFOP incorreto na saída, pois deveria ter utilizado o CFOP 7.501. Além do CFOP, há outras informações necessárias para caracterização da operação. O Convênio ICMS 113/1996 (revogado pelo Convênio ICMS 84/2009) estabelecia a normatização para a emissão dos documentos fiscais em operações de venda com o fim específico de exportação, nos seguintes termos: Cláusula primeira Acordam os signatários em estabelecer mecanismos para controle das saídas de mercadorias com o fim específico de exportação, promovidas por contribuintes localizados nos territórios dos respectivos Estados para empresa comercial exportadora, inclusive “trading” ou outro estabelecimento da mesma empresa, localizado em outro Estado. Nova redação dada parágrafo único da cláusula primeira pelo Conv. ICMS 61/03, efeitos a partir de 29.07.03. Parágrafo único. Para os efeitos deste convênio, entendese como empresa comercial exportadora: I as classificadas como “trading company”, nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, que estiver inscrita como tal, no Cadastro de Exportadores e Importadores da Secretaria de Comércio Exterior SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.860 12 II as demais empresas comerciais que realizarem operações mercantis de exportação, inscritas no registro do sistema da Receita Federal SISCOMEX. Cláusula segunda O estabelecimento remetente deverá emitir Nota Fiscal contendo, além dos requisitos exigidos pela legislação no campo “INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES”, a expressão “REMESSA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORT AÇÃO. Cláusula terceira O estabelecimento destinatário, ao emitir Nota Fiscal com a qual a mercadoria será remetida para o exterior, fará constar, no campo “ INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES” a série, o número e a data de cada Nota Fiscal emitida pelo estabelecimento remetente. Cláusula quarta Relativamente às operações de que trata este convênio, o estabelecimento destinatário, além dos procedimentos a que estiver sujeito conforme a legislação de seu Estado, deverá emitir o documento denominado “Memorando Exportação”, conforme modelo constante do Anexo Único, em três (3) vias, contendo, no mínimo, as seguintes indicações: I denominação: "MemorandoExportação"; II número de ordem e número da via; III data da emissão; IV nome, endereço e números de inscrição, estadual e no CGC, do estabelecimento emitente; V nome, endereço e números de inscrição, estadual e no CGC, do estabelecimento remetente da mercadoria; VI série, número e data da Nota Fiscal do estabelecimento remetente e do destinatário exportador da mercadoria; Nova redação dada ao inciso VII pelo Conv. ICMS 107/01, efeitos a partir de 01.01.02. VII número do Despacho de Exportação, a data de seu ato final e o número do Registro de Exportação por estado produtor/fabricante; VIII número e data do Conhecimento de Embarque; IX discriminação do produto exportado; X país de destino da mercadoria; XI data e assinatura de representante legal da emitente; XII identificação individualizada do estado produtor/fabricante no Registro de Exportação . Já as informações sobre o creditamento pela Vale são contraditórias. Fl. 2860DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.861 13 À época da fiscalização, a Vale informou que houvera se creditado indevidamente em alguns períodos, mas que faria o estorno do creditamento, tendo declarado em 2010 que não se creditara das contribuições. Porém, tal declaração não especificou os períodos a que se referia. De parte da recorrente, houve a emissão de cartas de correção, todavia tais cartas foram recebidas pela Vale em abril de 2011 (efls. 2120/2326), mais de cinco anos dos fatos geradores dos créditos, o que torna referidas correções inócuas para eventual ajuste a ser realizado pela Vale quanto a possíveis creditamentos indevidos. De outro lado, a fiscalização inicialmente, certificou que o registro de aquisições com o CFOP 1.102 ocorrera apenas de fevereiro a abril/2004, ao passo que a Vale afirmara que teria se creditado de julho a dezembro de 2004 e de janeiro a julho de 2005. Em cumprimento da diligência, a fiscalização confirmou o creditamento nos meses de fevereiro, março e novembro de 2004 e nos meses de março e junho de 2005. A fiscalização não informou ter realizado a apuração das contribuições, nem conferência da escrituração contábil quanto à existência do direito a descontar no Ativo, amortização da conta passiva a recolher, ou ter realizado auditoria no Dacon, na linha de bens para revenda, para concluir pela tomada de crédito em relação às notas fiscais emitidas pela Nibrasco e tributadas como venda no mercado interno. Aparentemente, a fiscalização concluiu pelo creditamento com base na escrituração do CFOP de entrada como 1.102, o que entendo não ser suficiente para formar a convicção de que houve o creditamento, pois o registro de CFOP não implica a tomada de crédito, haja vista as situações de aquisições de produtos à alíquota zero, isentos ou suspensos que podem ser neste CFOP registradas e não dão direito a crédito. A efetiva verificação do creditamento pressupõe a constatação de tal operação na escrita contábil, com a efetiva amortização da conta passiva, bem como a inexistência dos estornos que deveriam ter sido realizados e ainda a conferência no Dacon da composição da linha de bens para revenda com o arquivo digital da CVRD, a inexistência de retificação de Dacon ou DCTF, os recolhimentos ou compensações efetivos que demonstrem a real contribuição recolhida pela CVRD. A partir destes elementos, seria possível definir, efetivamente, se as aquisições aqui discutidas compuseram o creditamento de bens para revenda. Porém, a partir do conjunto probatório a seguir analisado, entendo ser desnecessária a certificação do aproveitamento do crédito pela Vale. Constatase, assim, que os elementos que indicam a ocorrência da operação de venda com o fim específico são a expressão "remessa com o fim específico de exportação" nas Informações Complementares e a marcação de que o transporte seria por conta do destinatário das notas fiscais de venda da Nibrasco, a remessa direta para recintos alfandegados por conta e ordem da CVRD (comercial exportadora), os Memorandos de Exportação que indicam a remessa com o fim específico de exportação, o registro pela CVRD com o CFOP 1.501 no período de maio/2004 a dezembro/2005 (efls 2415/2438 e 2526/2540) (aparentemente, apenas em fevereiro a abril/2004 foi registrado com o CFOP 1.102), o contrato juntado pela fiscalização e pela recorrente em manifestação de inconformidade que definem a CVRD como responsável pela carregamento e remessa para os navios após passagem pelo pátio da CVRD (que é alfandegado), além da própria convergência das partes quanto à operação, tendo a CVRD admitido, inclusive, a apropriação indevida de créditos. Por outro lado, os elementos que indicam a operação como de venda no mercado interno são a utilização de CFOP 5.101 pela Nibrasco, quando deveria ser 5.501, o Fl. 2861DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.862 14 registro na entrada com CFOP 1.102 de fevereiro a abril de 2004, quando deveria ser 1.501 e a utilização pela CVRD do código 7.101, quando deveria ser 7.501 e o eventual creditamento pela CVRD das contribuições (o que entendo não restar cabalmente confirmado) Cotejando as provas acima, a plausibilidade está em admitir que o conjunto probatório confirma que a operação realizada fora de venda com o fim específico de exportação. Eventual creditamento pela CVRD configura infração ao §4º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003, o que, inclusive, foi admitido pela própria CVRD (efls. 981). A meu ver, a fiscalização deveria ter glosado tais créditos, pois a CVRD não mais dispunha de espontaneidade, uma vez que fora intimada em 18/05/2007 mediante a Solicitação de Documentos Seort nº 115/2007 (efls. 969 e ss), nos termos do artigo 7º1 e §1º do Decreto nº 70.235/1972. Destarte, entendo que as vendas objeto do litígio configuram vendas com o fim específico, não sujeitas à Cofins, nos termos do artigo 6º, inciso III da Lei nº 10.833/2003. Variações cambiais ativas decorrentes de fechamento de câmbio à incidência da Cofins O segundo litígio trata da sujeição das variações cambiais ativas decorrentes de fechamento de câmbio à incidência da Cofins. A matéria foi submetida a julgamento no STF, afetada com repercussão geral, no RE 627.815, transitado em julgado em 25/10/2013, o qual restou ementado nos seguintes termos: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de 1 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Fl. 2862DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.863 15 exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Senhor Ministro Joaquim Barbosa, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade e nos termos do voto da Relatora, em conhecer e negar provimento ao recurso extraordinário. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. Brasília, 23 de maio de 2013. Ministra Rosa Weber Relatora Concluise, portanto, que as variações cambiais ativas decorrentes de contratos de fechamento de câmbio de nas operações de exportação de pelotas de minério de ferro são imunes à incidência das contribuições, considerandose receitas de exportação. Neste sentido, o Acórdão nº 9303005.032 da CSRF e Acórdão nº 3302 004.106, proferido por esta turma. Glosa de créditos da nãocumulatividade No que tange à glosa de créditos, a fiscalização glosou os serviços de Apoio Administrativo e Serviços Gerais componentes do Fator C, o Fato Y, o Fator K (efls. 1133 e Fl. 2863DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.864 16 1136), os serviços contratados diretos SAC (efl. 1135/1136) por não se subsumirem ao conceito de insumo normatizado na IN SRF 404/2004. Por seu turno, a recorrente aduziu que os serviços de operação e manutenção de equipamentos da produção são diretamente utilizados na produção do produto e que insumo a gerar crédito deve ser "aquele que demonstre que o exercício da atividade empresarial está sendo onerado pela incidência cumulativa do produto." Relativamente à definição de insumos, a nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à Fl. 2864DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.865 17 venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.866 18 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...]§ 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.867 19 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. O STJ julgou a matéria, na sistemática de como recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, o qual restou decidido com a seguinte ementa: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.868 20 INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, a pós o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.869 21 Marques, Assusete Magalhães (votovista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Embora publicado, tal acórdão ainda não transitou em julgado, sendo sua aplicação ainda não obrigatória. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.870 22 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.871 23 Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE.INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.872 24 CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Considero, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente de ter havido contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem, em regra, gerar créditos, pois são aplicados aos produtos já acabados. Passo à analise das glosas empreendidas. Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.873 25 A glosa sobre Serviços Contratados Diretos (efls. 1135/1136) se referem serviços topográficos, operação e manutenção do aterro industrial, serviços de estudos e desenvolvimento de engenharia, sensibilização e promoção da consciência ambiental, , serviços técnicos para execução e coordenação das atividades do arquivo técnico e operação, serviços técnicos de engenharia de projeto industriais, manutenção e monitoramento da qualidade do ar, projetos gerenciamento e engenharia, tratamento de efluentes oleosos das oficinas de pelotização, serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental, locação de sanitários portáteis hidráulicos, auditoria ambiental, serviço de coordenação de documentação técnica, cessão de containeres tipo vestiário, ferramentaria e sanitário, serviços de consultoria em meio ambiente, coleta de dados para análise de vibrações e monitoramento em equipamentos. Os serviços de topografia (NOVO RUMO), estudos e desenvolvimentos de engenharia (MINERCONSULT, PROGEN, EPC, ECM), serviços técnicos de engenharia de projeto industriais (METACON), projetos gerenciamento e engenharia (PROGEN) são serviços incorridos para elaboração de projetos, portanto, prévios à produção das pelotas. Embora necessários, não são serviços aplicados ou consumidos na produção de pelotas. Os serviços de operação e manutenção do aterro industrial (VEGA AMBIENTAL), manutenção e monitoramento da qualidade do ar (ECOSOFT CONSULTORIA), tratamento de efluentes oleosos das oficinas de pelotização (LÓGICA), serviços de manutenção eletromecânica nos equipamentos de monitoramento ambiental (SINDUS), auditoria ambiental (ERM), serviços de consultoria em meio ambiente (CEPEMAR), serviços de sensibilização e promoção da consciência ambiental (palestras, seminários etc prestados pela ECOAMBIENTAL) são serviços relacionados com os efeitos decorrentes da produção das pelotas que impactam o meio ambiente, embora necessários sob o ponto de vista de proteção ao meio ambiente, não são serviços aplicados ou consumidos na produção de pelotas, referindose ao tratamento dos resíduos do processo industrial. Os serviços paramédicos ambulatoriais e atendimento às paradas da usina (AFEC ASSOCIAÇÃO FEMININA DE EDUCAÇÃO E COMBATE AO CÂNCER), serviços técnicos para execução e coordenação das atividades do arquivo técnico e operação (VITÓRIA RH), locação de sanitários portáteis hidráulicos (AGR), serviço de coordenação de documentação técnica (PROGEN), cessão de containeres tipo vestiário, ferramentaria e sanitário (ÁGIL) são atividades de apoio, acessórias e não inerentes à produção de pelotas. Apenas os serviços de coleta de dados para análise de vibrações e monitoramento em equipamentos (CHOLE) se referem à produção de pelotas, pois são destinados, aparentemente, à manutenção de equipamentos instalados nas usinas de pelotização (efl.1015). A fiscalização glosou também parcelas da compensação paga à CVRD pela operação das usinas (contrato de operação efls. 948 a 955). A compensação é composta pela soma dos fatores C+K+Y+T. A partir das cláusulas do contrato, constatase que o fator C (efls. 949/950) é, por sua vez, composto dos fatores C1 (materiais e serviços utilizados diretamente na operação das usinas), C2 (suprimentos mensuráveis diretamente nas usinas nas instalações de utilidades), C3 (serviços complementares, administrativos, transporte de pessoal, gastos gerais como cantina, restaurante etc), C4 (gastos com materiais, sobressalentes, material de uso Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 11543.000506/200511 Acórdão n.º 3302005.640 S3C3T2 Fl. 2.874 26 comum, peças de uso comum, peças de uso específico e serviços de terceiros utilizados diretamente nas usinas) e C5 (despesas com mãodeobra e encargos trabalhistas). Entendo que os componentes C3 e C5 se referem a serviços administrativos e gerais, assim correta a glosa fiscal quanto à parte do fator C concernente aos serviços administrativos e gastos gerais. O fator K corresponde a despesas gerais da CVRD (efls. 951/952) e se refere a serviços com a administração regular da Nibrasco (telex, processamento de dados, treinamento de pessoal, departamento de pessoal e compras etc). Como visto são serviços administrativos, não inerentes à produção de pelotas, sendo correta a glosa fiscal. O fator Y corresponde à remuneração do capital de giro provido pela CVRD, que tem por finalidade compensar a CVRD pelo custo financeiro do capital de giro provido para a manutenção de estoques de sobressalentes e de materiais de consumo. Portanto, tratase de uma despesa de natureza financeira, não se tratando de aquisições de bens ou serviços, sem previsão legal de creditamento. Correta a glosa fiscal. Por fim, a recorrente pugnou por irregular o ajuste acerca das devoluções de compras (efl. 1795 do recurso voluntário). Porém, tal alegação não será conhecida, pois não foi deduzida na manifestação de inconformidade, restando preclusa sua contestação em recurso voluntário, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para que as vendas para a CVRD sejam enquadradas como vendas com o fim específico de exportação e excluídas da base de cálculo, assim como as receitas de variações cambiais ativas decorrentes dos contratos de fechamento de câmbio e para reverter a glosa de créditos da não cumulatividade sobre as aquisições dos serviços de coleta de dados para análise de vibrações e monitoramento em equipamentos, prestados pela CHOLE MONITORAMENTO DE MÁQUINAS. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 2874DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.911430/2008-43
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para certificar a autenticidade dos documentos juntados pelo contribuinte para comprovar as retenções de IRRF, as antecipações e eventuais reduções / isenções / suspensões de imposto de renda, relativas ao ano calendário 2003, e se necessário intimar o contribuinte e as fonte pagadoras a apresentar escrituração complementar, mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dele, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior de R$ 47.452,20 (saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário 2003, e-fl. 44), e sua disponibilidade.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para certificar a autenticidade dos documentos juntados pelo contribuinte para comprovar as retenções de IRRF, as antecipações e eventuais reduções / isenções / suspensões de imposto de renda, relativas ao ano calendário 2003, e se necessário intimar o contribuinte e as fonte pagadoras a apresentar escrituração complementar, mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dele, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior de R$ 47.452,20 (saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário 2003, e-fl. 44), e sua disponibilidade. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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(Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. RELATÓRIO Tratase de pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp n° 42233.46429.070704.1.3.048450, de 07/07/2004, efls. 02/06) em que o contribuinte requereu crédito relativo a DARF (Código 5993/IRPJ, recolhimento em 31/01/2004, período de apuração 31/12/2003; R$ 1.015.318,55), do qual seria pagamento indevido o montante de R$ 47.452,20. Requereu compensação com débito de PIS e IRRF referentes a julho de 2004 até o montante de R$ 1.829,45. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 11 43 0/ 20 08 -4 3 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 15374.911430/200843 Resolução nº 1001000.063 S1C0T1 Fl. 185 2 O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 781151033 (efl. 07), de 12/08/2008, que analisou as informações relativas ao direito creditório e concluiu que o crédito foi integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em que alega que o Darf referente ao crédito foi vinculado de forma indevida na DCTF retificadora do 4° Trimestre/2003, transmitida em 26/01/2005. Porém com a retificação da DCTF do 4° Trimestre/2003, transmitida em 03/09/2008 (após o Despacho Decisório), fica confirmada a existência do crédito. A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que os elementos apresentados (registros fiscais, memória de cálculo e páginas do livro diário) não faziam prova da ocorrência de erro no preenchimento da DCTF, pois as antecipações no ano confirmadas somaram apenas R$ 2.118.133,28 (efls. 46/47), enquanto o contribuinte considerou (DCTF retificadora) como antecipação paga o montante de R$ 2.444.531,12.. Extraise do voto vencedor: 6. Em seu PER/DCOMP, o interessado afirma possuir um crédito no valor original de R$ 47.452,20, fl. 3, equivalente à diferença entre um pagamento no montante de R$ 1.015.318,55, fl. 4, e o tributo efetivamente devido de R$ 967.866,35, fl. 12. 7. Analisandose a DIPJ 2004 do interessado, fls. 44/45, verificamos que consta um de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 47.452,20, e que, na apuração desta quantia, foram considerados pagamentos por estimativa no total de R$ 2.444.531,12. Por outro lado, as antecipações confirmadas somam apenas R$ 2.118.133,28, fls. 46/47, de modo que considerando se este último valor, não haveria saldo negativo na DIPJ 2004, mas saldo de imposto a pagar no valor de R$ 278.945,64. Cientificada da decisão de primeira instância em 01/07/2010 (efl. 52) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 01/07/2010 (efl. 67), em que argumenta que a Col. Turma apenas utilizou os valores dos pagamentos mensais por estimativa realizados pela Recorrente, deixando de considerar os valores do Imposto de Renda Retido na Fonte (descritos na ficha 53 da DIPJ 2004), que totalizariam R$ 339.227,53. Se se acrescer às antecipações constatadas (R$ 2.118.133,28) o valor do IR Retido na Fonte, apurado na DIPJ 2004, alcançarseia o valor de R$ 2.457.360,81, superior ao valor de antecipações considerados pelo recorrente (R$ 2.444.531,12): 5. No entanto, por equívoco, a Col. Turma de Julgamento, com base nos documentos acostados às fls. 46 e 47, constatou que as antecipações realizadas no AnoCalendário de 2003 somariam apenas o valor de R$ 2.118.133,28 (dois milhões e cento e dezoito mil e cento e trinta e três reais e vinte e oito centavos), havendo, ao invés de crédito em favor da Recorrente, saldo de imposto a pagar no valor de R$ 278.945,64 (duzentos e setenta e oito mil e novecentos e quarenta e cinco reais e sessenta e quatro centavos). Com base nesta assertiva, negou provimento à Manifestação de Inconformidade. 6. Ocorre que, na sua análise, a Col. Turma apenas utilizou os valores dos pagamentos mensais por estimativa realizados pela Recorrente, deixando de considerar os valores do Imposto de Renda Retido na Fl. 185DF CARF MF Processo nº 15374.911430/200843 Resolução nº 1001000.063 S1C0T1 Fl. 186 3 Fonte. Estes valores estão descritos na ficha 53 da DIPJ 2004 apresentada pela Recorrente (doc. 02 v. págs. 64 e 65) e, conforme contabilizados, totalizam a monta de R$ 339.227,53 (trezentos e trinta e nove mil e duzentos e vinte e sete reais e cinquenta e três centavos). 7. Assim, devese acrescer às antecipaçoes constatadas às fls. 46 e 47 (R$ 2.118.133,28) o valor do IR Retido na Fonte, apurado na DIPJ 2004, alcançandose o valor de R$ 2.457.360,81 (dois milhões e quatrocentos e cinquenta e sete mil e trezentos e sessenta reais e oitenta e um centavos). 8. Tendo a Recorrente, na apuração do seu crédito, considerado que os pagamentos por estimativa totalizariam R$ 2.444.531,12, concluise que o recolhimento realizado no período resultou ainda uma diferença de R$ 12829.69 (doze mil e oitocentos e vinte e nove reais e sessenta e nove centavos) em favor da Fazenda Pública. VOTO Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e DIPJ e para correção do engano apresentou DCTF retificadora. Apresenta como início de prova memória de cálculo, livro diário e DIPJ. Alega possuir crédito nominal de R$ 47.452,20 de saldo negativo de IRPJ, equivalente à diferença entre um pagamento no montante de R$ 1.015.318,55 e o tributo efetivamente devido de R$ 967.866,35. Mas a decisão de primeira instância negou o crédito por entender que, apesar de na DIPJ 2004 do interessado constar um de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 47.452,20, na apuração desta quantia foram considerados pagamentos por estimativa no total de R$ 2.444.531,12, mas as antecipações confirmadas somariam apenas R$ 2.118.133,28 (fls. 46/47). Já o recorrente afirma que devese acrescer às antecipações constatadas (R$ 2.118.133,28) o valor do IR Retido na Fonte (R$ 339.227,53), apurado na DIPJ 2004, alcançandose o valor de R$ 2.457.360,81 (dois milhões e quatrocentos e cinquenta e sete mil e trezentos e sessenta reais e oitenta e um centavos). Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, eventual comprovação, de maneira inequívoca, da liquidez e certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 15374.911430/200843 Resolução nº 1001000.063 S1C0T1 Fl. 187 4 Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática, qual seja, a efetiva existência do suscitado pagamento a maior e sua disponibilidade. Em face desta questão e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento na realização de diligência para que sejam tomadas as seguintes providências em relação ao alegado pagamento a maior: a) Certificar a autenticidade dos documentos juntados pelo contribuinte para comprovar as retenções de IRRF, as antecipações e eventuais reduções / isenções / suspensões de imposto de renda, relativas ao ano calendário 2003, e se necessário intimar o contribuinte e as fonte pagadoras a apresentar escrituração complementar, mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dele, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior de R$ 47.452,20 (saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário 2003, efl. 44), e sua disponibilidade; b) Elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados, com base na documentação juntada e nos registros fiscais do, ou em nome do recorrente, relativos às antecipações e retenções confirmadas, ao imposto devido, e a eventual direito creditório considerando as compensações requeridas, em especial neste e nos autos dos processos 15374.913064/200867, 15374.913058/200818 e 15374.913059/200854. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.915388/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO.
O recurso voluntário não é o momento processual adequado para trazer documentos novos, sequer mencionados na manifestação de inconformidade. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruí-lo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto.
Numero da decisão: 1401-002.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. O recurso voluntário não é o momento processual adequado para trazer documentos novos, sequer mencionados na manifestação de inconformidade. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruí-lo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2036; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.915388/201197 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.718 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria PERDCOMP. PRECLUSÃO. Recorrente BROTO LEGAL ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. O recurso voluntário não é o momento processual adequado para trazer documentos novos, sequer mencionados na manifestação de inconformidade. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 53 88 /2 01 1- 97 Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10830.915388/201197 Acórdão n.º 1401002.718 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou compensação do(s) débito(s) discriminado(s) na Dcomp transmitida pela empresa. O Despacho Decisório considerou que, partir das características do DARF descrito na DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas estes foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Em sua manifestação de inconformidade a Contribuinte alegou, em síntese, que na DIPJ e DCTF do respectivo anocalendário não foram levadas em consideração algumas despesas que mudariam a base de cálculo do IRPJ, juntando DIPJ e DCTF retificadoras. A DRJ no Rio de Janeiro RJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Mantémse o despacho decisório se não comprovado o direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo alegando, em síntese, que no anocalendário em discussão, não obstante tenha sido aprovada a distribuição de juros sobre o capital próprio (JCP), referidos valores não haviam sido contabilizados e declarados nas apurações dos respectivos tributos. Anos depois, ao verificar tal situação, a empresa então contabilizou os JCP, procedendo ao recolhimento do respectivo IRRF. Junta, então, documentos demonstrando o cálculo do JCP, Razão das contas demonstrando a contabilização extemporânea, comprovante de recolhimento do IRRF, memória de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme a apuração "antiga" e respectivos comprovantes de recolhimento, memória de cálculo do IRPJ e CSLL retificadas e alteração contratual referente ao aumento do seu capital social. É o relatório. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10830.915388/201197 Acórdão n.º 1401002.718 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Relator Luiz Augusto de Souza Gonçalves O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.709, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10830.915387/2011 42, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.709): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Pleiteia a contribuinte, via declaração de compensação, o reconhecimento da dedutibilidade de juros sobre o capital próprio (JCP) que vieram a ser registrados na contabilidade em momento posterior. A decisão recorrida indeferiu a manifestação de inconformidade por considerar que a DCTF original serviu como confissão de dívida e a empresa não apresentou documentação que comprovasse erro que desse fundamento à retificação do tributo declarado e recolhido. De fato, em sua manifestação de inconformidade a contribuinte se limita a afirmar que o recolhimento foi indevido e a anexar declarações retificadoras, sem tecer qualquer explicação da razão pela qual a retificação estaria sendo feita, nem juntar qualquer documento relativo a tal apuração. Apenas em sede recursal é que a empresa explica o motivo pelo qual entende que ocorreu pagamento a maior de tributos e anexa documentos tais como o Razão e a memória de cálculo dos JCP. Entendo que no caso se operou a preclusão contra a Recorrente. Nos termos da legislação que regula o processo administrativo fiscal (em especial o Decreto 70.235/1972), os fundamentos do pedido ou de defesa, conforme o caso – assim como o pedido de diligência e as provas documentais devem ser apresentados por ocasião da manifestação de inconformidade ou da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, em regra. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10830.915388/201197 Acórdão n.º 1401002.718 S1C4T1 Fl. 5 4 Portanto, é o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa (conforme o caso) e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão nesta ocasião precluem. E digo em regra porque existem as hipóteses de exceção. Por exemplo, os incisos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 trazem hipóteses em que provas podem ser apresentadas em momento processual diverso da impugnação, quais sejam: (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; e/ou (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Neste caso, cabe ao contribuinte demonstrar, em petição fundamentada, a ocorrência de uma dessas condições, nos termos do § 5º do mesmo dispositivo. Outra exceção ocorre quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública1, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet2. No caso, nenhuma de tais hipóteses de exceção resta configurada. Cumpre notar que, mesmo que assim não fosse, a Recorrente não logra sequer comprovar adequadamente seu direito, já que não foi juntado aos autos qualquer documento societário referente à deliberação dos JCP. Assim, mesmo que se 1 Costumase dizer que as matérias que o julgador deve conhecer de ofício são aquelas de ordem pública. É importante ressaltar, porém, que nem todas as matérias apreciáveis ex officio são necessariamente matérias de ordem pública, já que a lei processual, excepcionalmente, pode estabelecer que determinadas matérias de ordem privada sejam apreciadas de ofício. Neste sentido, Teresa Arruda Alvim Wambier explica: “Numa imagem matemática, dirseia que o conjunto de matérias examináveis de ofício é maior do que o das matérias de ordem pública. Portanto toda matéria de ordem pública é examinável de ofício, mas nem tudo o que pode ser examinado de ofício consiste em matéria de ordem pública” (WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Nulidades do processo e da sentença. 4ª ed. São Paulo: RT, 1998, p. 137) 2De fato, se for para formar seu livre convencimento, o julgador pode conhecer de argumentos de fato ou de direito exofficio, desde que indique os motivos que levaram a tal decisão. Isso porque, em virtude do dever de decidir (proibição do non liquet), há o poderdever de aplicar ao caso a norma jurídica que o julgador entender mais pertinente, mesmo que não tenha sido suscitada pelas partes. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10830.915388/201197 Acórdão n.º 1401002.718 S1C4T1 Fl. 6 5 admitisse a análise da documentação juntada e a supressão de instância daí decorrente, não seria possível verificar a procedência das alegações da Contribuinte. Neste sentido, oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 485DF CARF MF
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Numero do processo: 10435.723321/2014-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
A comprovação através de documentação hábil e idônea, autoriza a dedução de despesas médicas.
DESPESAS MÉDICAS. BENEFICIÁRIOS. PLANO DE SAÚDE.
Cabe ao contribuinte apresentar comprovantes que identifiquem o paciente do serviço médico prestado, uma vez que as despesas médicas dedutíveis restringem-se aos pagamentos efetuados para o seu próprio tratamento ou o de seus dependentes, informados na Declaração de Ajuste.
Numero da decisão: 2002-000.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 2.532,12, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio.Cansino Gil (relator), que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Redatora Designada.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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A comprovação através de documentação hábil e idônea, autoriza a dedução de despesas médicas. DESPESAS MÉDICAS. BENEFICIÁRIOS. PLANO DE SAÚDE. Cabe ao contribuinte apresentar comprovantes que identifiquem o paciente do serviço médico prestado, uma vez que as despesas médicas dedutíveis restringemse aos pagamentos efetuados para o seu próprio tratamento ou o de seus dependentes, informados na Declaração de Ajuste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 2.532,12, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio.Cansino Gil (relator), que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 33 21 /2 01 4- 33 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10435.723321/201433 Acórdão n.º 2002000.252 S2C0T2 Fl. 86 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.68/69) contra decisão de primeira instância (fls.54/64), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: O presente processo trata de exigência constante de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2013, anocalendário 2012, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 9.367,73. De acordo com a Descrição dos Fatos de fls. 38/42 c/c os Demonstrativos de fls. 43/44, foram constatadas as seguintes infrações: dedução indevida de previdência privada e Fapi, no valor de R$ 2.786,04, por falta de comprovação; dedução indevida com dependentes , no total de R$ 9.873,60, por não terem sido apresentadas Certidões de Nascimento de Bruno Cardinale Silva de Freitas, Giordano Bruno de Freitas, Raffaello Sanzio de Freitas e Juliano Leon Dias de Freitas, bem como Certidão de Casamento de Rozana Dias Alves da Silva , ou outro documento que comprovasse a relação de dependência; dedução indevida com despesas de instrução , no total de R$ 15.456,75, por falta de comprovação; e dedução indevida de despesas médicas, no total de R$ 8.047,64, por falta de comprovação dos seguintes gastos: Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (R$ 160,42 + R$ 3.935,98 + R$ 2.751,24) e Maria do Socorro Bezerra (R$ 600,00 + R$ 600,00). Cientificado do lançamento em 06/11/2014 (AR à fl. 46), ingressou o contribuinte, em 04/12/2014, com sua impugnação (fl s. 02/04), e respectiva documentação. Em síntese: quanto à previdência privada, no valor de R$ 2.786,04, a mesma se refere à dedução feita pela PREVI/Capec, fundo de pensão, constante do Comprovante de Rendimentos Pagos da fonte pagadora; no que tange aos dependentes, no total declarado de R$ 9.783,60, os mesmos são companheira e filhos com idade até 21 anos ou até 24 anos, cursando escola técnica do segundo grau ou universidade, com menção à juntada das Certidões de Nascimento de todos os dependentes declarados; Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10435.723321/201433 Acórdão n.º 2002000.252 S2C0T2 Fl. 87 3 no que diz respeito às despesas com instrução, de R$ 15.456,75, as mesmas se referem a seus filhos até 21 anos ou até 24 anos, tendo sido respeitado o limite anual individual, com alusão à apresentação dos documentos relativos aos descontos; na parte atinente às despesas médicas, no total de R$ 8.047,64, as mesmas se referem a gastos próprios e com dependentes, sendo relativas a plano de saúde e participação em consulta do titular, plano de saúde do dependente Raffaello S. de Freitas e despesas de manutenção dentária deste e de Juliano Leon Dias de Freitas; por fim, relaciona documentos anexos à peça de defesa. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Deve ser restabelecido o valor informado pelo contribuinte no que diz respeito aos dependentes cuja condição restou devidamente comprovada por documentação hábil e pesquisas aos sistemas da RFB, mantendose a glosa quanto àquele cuja relação de dependência não restou comprovada nos termos da legislação de regência da matéria. DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Incabível acatar despesas com instrução cujos pagamentos não foram comprovados pelos documentos juntados aos autos. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. Em se tratando de plano de saúde, o aproveitamento das mensalidades pagas se subordina à comprovação, por documento hábil, dos beneficiários do plano, tendo em vista que apenas podem ser deduzidos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tr atamento e aos de seus dependentes, assim informados na Declaração de Ajuste Anual. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. É de se manter a glosa das despesas médicas declaradas e não comprovadas por documentação hábil. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. PECÚLIO. O pecúlio, que é pago de uma só vez em decorrência de morte ou invalidez, não é benefício semelhante ao ofertado pela Previdência Social, e as contribuições para a sua formação não podem ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual, cabendo ser mantida a glosa apurada pela fiscalização. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do débito fiscal no que couber e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10435.723321/201433 Acórdão n.º 2002000.252 S2C0T2 Fl. 88 4 Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço (fls.67 e 79). O contribuinte foi cientificado em 30/03/2015 (fl.77); Recurso Voluntário protocolado em 28/04/2015 (fl.68), assinado pelo próprio contribuinte. Inicialmente destaco que o Recurso Voluntário diz respeito única e exclusivamente a glosa de despesas médicas, mais perto as de R$ 3.935,98, R$ 160,42 e R$ 2.751,24. Dito isto, na análise do recurso tem razão o contribuinte. É da lei a possibilidade de dedução dos gastos incorridos com despesas médicas relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, nos termos do artigo 80 do RIR/99. O documento de fl. 74, que vem a ser o Demonstrativo anual para fins de auxílio à Declaração de Imposto de Renda fornecido pela Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, prova que no ano calendário 2012 o contribuinte pagou em nome de seu dependente Raffaello Sanzio de Freitas o valor de R$ 2.532,12 a título de seguro saúde, e desse valor faz jus a dedução. Registro, por relevante, que o próprio contribuinte assume em seu Recurso que o valor lançado na Declaração é ligeiramente maior, qual seja, R$ 2.751,24, pedindo que seja mantida a glosa da diferença, o que é acatado. Com relação as despesas no valor de R$ 3.935,98 e R$ 160,42 lançados na Declaração (fl.50), restou provado com a vinda dos documentos de fls. 72/73 (Declaração da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil – CASSI; cartão de saúde) que a despesa tem como beneficiário apenas o contribuinte, sendo, portanto, despesa dedutível, o que torna a glosa insubsistente. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dou provimento, para expungir da glosa com despesas médicas os valores de R$ 3.935,98 e R$ 160,42 do próprio contribuinte, e o valor de R$ 2.532,12 do seu dependente. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10435.723321/201433 Acórdão n.º 2002000.252 S2C0T2 Fl. 89 5 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do conselheiro relator no tocante ao restabelecimento das despesas médicas no valor de R$3.935,98 e R$160,42. Sobre essas despesas, a decisão do colegiado de primeira instância consignou: No caso, o Comprovante de Rendimentos de fls. 12/13, emitido pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, identifica, mais especificamente no campo 7 Informações Complementares, despesas no montante de R$ 4.096,40 (R$ 3.935,98 + R$ 160,42). Ocorre que, em se tratando de plano de saúde, o aproveitamento integral dos valores pagos se subordina à comprovação de que o contribuinte seria o único beneficiário do plano, informação esta que não pode ser obtida do Comprovante de Rendimentos de fls. 12/13, cujo teor é genérico, não sendo característico desse tipo de documento a informação discriminada dos beneficiários no plano e valores correspondentes. A destacar que é comum que o valor total pago a um plano de saúde refirase não apenas ao titular deste, mas também a algum dependente, portanto, igualmente beneficiário no plano, de forma que, se pretendia o interessado deduzir o valor constante do documento de fls. 12/13, deveria ter apresentado documento hábil, emitido pelo plano de saúde, atestando ser ele, contribuinte, o titular e único beneficiário do mesmo, providência esta que não foi adotada, ressaltando que a fiscalização, desde o início do procedimento fiscal, solicitou tal informação, cujo não atendimento, nos termos do exigido, motivou a glosa. Assim, mantenho a glosa do valor de R$ 4.096,40. No seu recurso, como apontado pelo relator, o recorrente juntou a declaração do plano de saúde, emitida em 2015 (fl.72), e cartão do beneficiário do plano (fl.73). Entendo que o documento apresentado não se revela hábil a fazer a prova exigida, uma vez que se trata de documento genérico, que não aborda os descontos efetuados em folha de pagamento no ano de 2012. Nesse sentido, o contribuinte deveria ter juntado, por exemplo, uma declaração do plano de saúde específica para os valores pagos por ele no ano calendário 2012, identificando os beneficiários dos valores pagos e consignados em seu comprovante de rendimentos. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10435.723321/201433 Acórdão n.º 2002000.252 S2C0T2 Fl. 90 6 Sem a prova exigida, não há reparos a se fazer a decisão de piso, sendo de se manter a glosa do montante de R$4.096,40. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 90DF CARF MF
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