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Numero do processo: 10120.721045/2015-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012, 2013
ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a irresignação do contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo daqueles suscitados em momento posterior que não se destinam a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida.
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA.
Constituem base de incidência de IRPF rendimentos recebidos de pessoa física. Inteligência dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º da Lei n.º 7.713/88.
MULTA ISOLADA.
É devida a aplicação da multa isolada decorrente do descumprimento do dever legal de recolhimento mensal de carnê-leão, cuja penalidade não se confunde com a multa proporcional aplicada sobre o valor do imposto suplementar apurado em procedimento fiscalizatório.
Numero da decisão: 2402-006.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012, 2013 ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a irresignação do contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo daqueles suscitados em momento posterior que não se destinam a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Constituem base de incidência de IRPF rendimentos recebidos de pessoa física. Inteligência dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º da Lei n.º 7.713/88. MULTA ISOLADA. É devida a aplicação da multa isolada decorrente do descumprimento do dever legal de recolhimento mensal de carnê-leão, cuja penalidade não se confunde com a multa proporcional aplicada sobre o valor do imposto suplementar apurado em procedimento fiscalizatório.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente MARIA AUXILIADORA ALVES DANTAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012, 2013 ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a irresignação do contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo daqueles suscitados em momento posterior que não se destinam a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Constituem base de incidência de IRPF rendimentos recebidos de pessoa física. Inteligência dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º da Lei n.º 7.713/88. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 10 45 /2 01 5- 01 Fl. 299DF CARF MF 2 MULTA ISOLADA. É devida a aplicação da multa isolada decorrente do descumprimento do dever legal de recolhimento mensal de carnêleão, cuja penalidade não se confunde com a multa proporcional aplicada sobre o valor do imposto suplementar apurado em procedimento fiscalizatório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1677.673, da 19ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 237) que julgou improcedente impugnação apresentada pelo contribuinte em face do lançamento fiscal relativo ao imposto de renda pessoa física dos exercícios 2013 e 2014, anoscalendário 2012 e 2013. Nos termos do relatório da decisão de piso temse que: De acordo com o anexo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 153/155, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento das seguintes infrações abaixo relacionadas, conforme valores de imposto e percentual de multa por fato gerador específico contidos no citado discriminativo: 001 – Rendimentos Recebidos de Pessoa Física. Omissão de Rendimentos do Trabalho Sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Física. 002 – Multas Aplicáveis à Pessoa Física. Falta de Recolhimento do IRPF devido a Título de CarnêLeão. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10120.721045/201501 Acórdão n.º 2402006.663 S2C4T2 Fl. 3 3 Na complementação da Descrição dos Fatos, informa a autoridade lançadora que a contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (carnê leão) durante os anoscalendário de 2012 e 2013 em relação aos rendimentos recebidos de pessoas físicas. O não recolhimento desse tributo implica na aplicação de multa no percentual de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o recolhimento do imposto que deveria ter siso efetuado pela contribuinte, conforme previsto no artigo 44, inciso II, alínea a da Lei n.° 9.430, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007. Os fundamentos legais encontramse especificados no Auto de Infração, fls. 154/155 e 164. A descrição pormenorizada do desenvolvimento da ação fiscal, assim como das razões de fato constatadas que ensejaram o lançamento das infrações supramencionadas encontramse às fls. 168/170. Pelo que consta do Relatório Fiscal, fls. 168/170, a contribuinte foi cientificada através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 2/3, via postal, com aviso de recebimento com ciência em 17/12/2014, a apresentar seus comprovantes de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas e jurídicas para os anos calendário de 2012 e 2013. Nos comprovantes apresentados pela contribuinte não constam rendimentos recebidos de pessoas físicas, assim como, nas declarações de ajuste anual apresentadas não consta declarados quaisquer rendimentos relativos a pessoas físicas. Complementa a autoridade lançadora que em pesquisa nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não consta que a contribuinte no período tenha recebido quaisquer rendimentos de clínicas médicas ou que tenha participado de quadro social de qualquer empresa, seja do ramo médico ou de natureza diversa, tampouco recolheu valores a título de carnêleão. Anteriormente à ação fiscal, através de ofício específico o gabinete da Delegacia da Receita Federal de Goiânia solicitou ao DETRAN informações financeiras de diversos serviços prestados por profissionais da área médica, dentre eles, da contribuinte Maria Auxiliadora Alves Dantas, portadora do CPF n.º 122.079.421 04. Em resposta, o DETRANGO informou que a contribuinte durante os anos calendário de 2012 e 2013 atuou como médica perita examinadora de trânsito e/ou especialista em medicina de tráfego credenciada, efetuando exames médicos Fl. 301DF CARF MF 4 com o fim de avaliar os candidatos à obtenção da Carteira Nacional de Habilitação ou para sua renovação. O órgão disponibilizou para a DRFGoiânia, em resposta ao ofício enviado, documento denominado "RELATÓRIO DE ATENDIMENTO DIÁRIO — Mês/Ano", fls. 24/121, demonstrando a quantidade de consultas mensais prestadas pela médica fiscalizada, bem como informou os valores cobrados pelos profissionais à época, fixados por Portaria (n.º 346/2009 – GP/GCC Detran/GO de 26/03/2009 e n.º 526/2013 – GP/GJUR Detran/GO de 16/10/2013 – fls. 122/123). A autuada obteve rendimentos em função de sua atuação profissional credenciada do DETRAN/GO, conforme quadros demonstrativos abaixo: Ao comparar os rendimentos supramencionados com os valores informados pela autuada em suas DIRPF´s dos anoscalendário 2012 e 2013 a título de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física, constatouse que estes não foram declarados pela contribuinte, motivo que ensejou a imputação das duas infrações através do auto de infração em exame. A DRJ, por meio do Acórdão nº 1677.673, julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013, 2014 ESTATUTO DO IDOSO. O estatuto do idoso prioriza o atendimento das pessoas diante dos órgãos públicos a partir de 60 (sessenta) anos de idade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Constituem base de incidência de IRPF rendimentos recebidos de pessoa física. Inteligência dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º da Lei n.º 7.713/88. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10120.721045/201501 Acórdão n.º 2402006.663 S2C4T2 Fl. 4 5 MULTA ISOLADA. É devida a aplicação da multa isolada decorrente do descumprimento do dever legal de recolhimento mensal de carnêleão, cuja penalidade não se confunde com a multa proporcional aplicada sobre o valor do imposto suplementar apurado em procedimento fiscalizatório. Cientificado, o contribuinte, por meio de advogado devidamente habilitado, interpôs o recurso voluntário de fls. 258. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Entretanto, dele conheço parcialmente em razão do quanto a seguir exposto. O recurso é tempestivo. Entretanto, dele conheço parcialmente em face da existência de teses defensivas apenas em grau recursal, conforme abaixo demonstrado. Das Multas. Efeito Confiscatório A partir da página 08 do seu recurso voluntário (fs. 265 do eprocesso), o contribuinte passa a questionar a exigências das multas de ofício e isolada (falta de recolhimento do carnêleão), afirmando que tais exigências possuem cunho confiscatório, nos termos do excerto abaixo reproduzido: Ocorre que, cotejando o recurso voluntário (apresentado por patrono devidamente habilitado) com a impugnação apresentada (subscrita pela própria contribuinte), verificase que tal linha de defesa foi deduzida apenas em grau recursal. Neste contexto, como nada foi dito em relação ao efeito confiscatório das multas aplicadas em sede de impugnação, impõese o não conhecimento do recurso neste particular. Do Mérito No mérito, o recurso voluntário do contribuinte cuida, basicamente, de tentar desqualificar o Relatório de Atendimento Mensal (fls. 25 e seguintes) emitido pelo DETRANGO, nos termos do Ofício 3156/2014 (fls. 21) e que serviu de base para a fiscalização. Fl. 303DF CARF MF 6 De fato, conforme noticiado no relatório supra, anteriormente à ação fiscal, através de ofício específico o gabinete da Delegacia da Receita Federal de Goiânia solicitou ao DETRAN informações financeiras de diversos serviços prestados por profissionais da área médica, dentre eles, da contribuinte Maria Auxiliadora Alves Dantas, portadora do CPF n.º 122.079.42104. Em resposta, o DETRANGO informou que a contribuinte durante os anos calendário de 2012 e 2013 atuou como médica perita examinadora de trânsito e/ou especialista em medicina de tráfego credenciada, efetuando exames médicos com o fim de avaliar os candidatos à obtenção da Carteira Nacional de Habilitação ou para sua renovação. O órgão disponibilizou para a DRFGoiânia, em resposta ao ofício enviado, documento denominado "RELATÓRIO DE ATENDIMENTO DIÁRIO — Mês/Ano", fls. 24/121, demonstrando a quantidade de consultas mensais prestadas pela médica fiscalizada, bem como informou os valores cobrados pelos profissionais à época, fixados por Portaria (n.º 346/2009 – GP/GCC Detran/GO de 26/03/2009 e n.º 526/2013 – GP/GJUR Detran/GO de 16/10/2013 – fls. 122/123). A autuada obteve rendimentos em função de sua atuação profissional credenciada do DETRAN/GO, conforme quadros demonstrativos abaixo: Ao comparar os rendimentos supramencionados com os valores informados pela autuada em suas DIRPF´s dos anoscalendário 2012 e 2013 a título de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física, constatouse que estes não foram declarados pela contribuinte, motivo que ensejou a imputação das duas infrações através do auto de infração em exame. Ocorre que, em que pese as alegações do contribuinte no sentido de desqualificar o susodito Relatório de Atendimento Mensal, inclusive com reportagens veiculadas na imprensa na época dos fatos, noticiando a existência de fraudes na emissão de CNHs naquele órgão estadual, fato é que o recorrente não trouxe aos autos qualquer prova, ou mesmo indício de prova, hábil a infirmar as informações constantes no referido Relatório. Assim, não se pode afirmar que este é inidôneo em face da existência, na época, de fraude na emissão de CNHs no DETRANGO. Neste contexto, não tendo o recorrente apresentado qualquer outro fundamento de mérito com vistas a afastar a exigência fiscal objeto do presente PAF senão, como já dito, a tentativa de desqualificar o Relatório de Atendimento Mensal emitido pelo DETRANGO, impõese a manutenção da decisão de piso pelos seus próprios fundamentos: Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10120.721045/201501 Acórdão n.º 2402006.663 S2C4T2 Fl. 5 7 Inferese dos autos que o lançamento impugnado efetuou a inclusão de rendimentos recebidos de pessoa física pela autuada nos exercícios de 2013 e 2014, proveniente de sua atuação como médica perita examinadora/especialista em medicina de tráfego, credenciada junto ao DETRAN do Estado de Goiás. Observo, inicialmente, que a impugnante não contesta em momento algum o exercício da atividade remunerada no período que gerou os rendimentos objeto deste lançamento, mas esta insurgese contra o fato de que a origem seria proveniente pessoas físicas, posto que teria trabalhado na condição de credenciada junto ao DETRANGO, prestando serviços para a empresa Meditran – Medicina do Trânsito Ltda, motivo pelo qual, não procederia a exigência. Não merece acolhida a impugnação. O imposto de renda pessoa física incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. (arts. 1º, 2º, 3º e 8º da Lei nº 7.713/88 e arts. 1º, 2º, 3º e 11 da Lei n.º 8.134/90) Sobre a omissão de rendimentos recebidos, cumpre ressaltar que o artigo 841 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99, assim dispõe: “Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (Decretolei nº 5.844/43, art. 77, Lei nº 2.862, de 1956, art. 28, Lei nº 5.172/66, art. 149, Lei nº 8.541/92, art. 40,Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, Lei nº 9.317, de 1996, art. 18 e Lei nº 9.430, de 1996, art. 42): (...). III – fizer declaração inexata, considerandose como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; (...). VI – omitir receitas ou rendimentos.” Desta forma, verificase que o descumprimento destes mandamentos provoca o poderdever do Fisco de, em revisão às declarações de ajuste anteriormente apresentadas, corrigir esses desvios e efetuar o lançamento de ofício sobre os valores omitidos. Em cognição dos documentos de fls. 187/201, constatamos que não há evidências que suportem a assertiva da autuada no sentido de que esta teria prestado serviços na condição de credenciada para a empresa Meditran. É manso e pacífico dentro da jurisprudência administrativa a linha de reflexão de que a beneficiária deve incluir na Declaração de Ajuste Anual todas as importâncias recebidas no anocalendário, as descontadas e o efetivo imposto de renda que foi Fl. 305DF CARF MF 8 retido na fonte de acordo com os extratos mensais recebidos, sejam estes holerites, contracheques ou mesmo Recibos de Pagamento de Autônomos. A interessada não é sócia da mencionada pessoa jurídica (fls. 193/194 – certidão simplificada JUCEG), tampouco prestou serviços na condição de autônoma (dada a ausência de apresentação de RPA´s) ou mesmo como empregada. Conforme consulta por nós realizada junto ao CNIS – Cadastrado Nacional de Informações Sociais (NIT n.º 11142838425), não consta qualquer vínculo da contribuinte com a mencionada Meditran – Medicina do Trânsito Ltda. Conspira ainda em desfavor da autuada o fato que as cópias dos documentos de fls. 189/191 do processo administrativo de credenciamento atestam vínculo profissional da interessada diretamente como pessoa física junto ao DETRAN do Estado de Goiás. Em consulta ao sítio na internet do DETRAN1 do Estado de Goiás, constatase que para a execução de todos os serviços disponíveis que demandam a realização de exame médico, o recolhimento pelos interessados do numerário correspondente a remuneração destes profissionais sempre é realizada separadamente do valor exigido pelo órgão, cobrado através de taxas diferenciadas para cada tipo de serviço disponível. Quanto a lista de escala de trabalho de médicos credenciados apresentada pela autuada, fls. 196/201, além de não ser contemporânea ao período fiscalizado, sequer é possível verificar quem é o responsável pelas informações prestadas. Esta não possui força probante capaz de elidir o lançamento, tampouco rechaçar as informações prestadas anteriormente pelo DETRAN à Delegacia da Receita Federal de Goiânia. Provado o fato constitutivo, para fatos modificativos, extintivos ou impeditivos, cabe a fiscalizada o ônus da prova de suas alegações em sede de impugnação, conforme prevê o artigo 16, inciso III, do Decreto n° 70.235/72 e artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil Brasileiro. Em outras palavras, como desacompanhadas das devidas comprovações, ensejam a aplicação do aforismo jurídico “allegatio et non probatio, quasi non allegatio”. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. No processo administrativo, há norma expressa a respeito: Lei n° 9.784/99 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10120.721045/201501 Acórdão n.º 2402006.663 S2C4T2 Fl. 6 9 Concluise, assim, que deve ser mantido o lançamento da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física pela titular, uma vez não não foi apresentado documentos capaz de afastálo ou retificálo. CONCLUSÃO Concordando com os termos da decisão de primeira instância administrativa, voto por CONHECER EM PARTE o recurso voluntário para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 307DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.007028/2004-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 21/07/2000 a 17/04/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA EFICAZ. ÔNUS DA PROVA.
O produto identificado como um Switch ATM modular, com 12 slots disponíveis, podendo suportar serviços para LAN, X.25, SNA, IP, Frame Relay e ATM, modelo Cisco BPX 8620 tem sua correta classificação no código NCM 8471.80.19, como entendeu a fiscalização. Isso porque para o caso, existe Solução de Consulta regularmente exarada especificamente para a mercadoria objeto do litígio fiscal, a pedido da própria autuada. Não houve produção de prova pela autuada que infirmasse as conclusões da referida solução de consulta.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
A ausência de recolhimento dos tributos decorrentes da classificação fiscal prescrita pela solução de consulta, é causa para aplicação das multas de oficio da Lei n° 9.430/96, art. 44, I para o imposto de importação e Lei n° 4.502/64, art. 80, I para o IPI.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. CABIMENTO.
A multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, deve ser aplicada sempre que for apurada a classificação incorreta da mercadoria importada, observados os limites impostos pela legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Salvador Cândido Brandão Junior.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 21/07/2000 a 17/04/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA EFICAZ. ÔNUS DA PROVA. O produto identificado como um “Switch” ATM modular, com 12 “slots” disponíveis, podendo suportar serviços para LAN, X.25, SNA, IP, “Frame Relay” e ATM, modelo Cisco BPX 8620 tem sua correta classificação no código NCM 8471.80.19, como entendeu a fiscalização. Isso porque para o caso, existe Solução de Consulta regularmente exarada especificamente para a mercadoria objeto do litígio fiscal, a pedido da própria autuada. Não houve produção de prova pela autuada que infirmasse as conclusões da referida solução de consulta. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A ausência de recolhimento dos tributos decorrentes da classificação fiscal prescrita pela solução de consulta, é causa para aplicação das multas de oficio da Lei n° 9.430/96, art. 44, I para o imposto de importação e Lei n° 4.502/64, art. 80, I para o IPI. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. CABIMENTO. A multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, deve ser aplicada sempre que for apurada a classificação incorreta da mercadoria importada, observados os limites impostos pela legislação de regência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 70 28 /2 00 4- 20 Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Acórdão n.º 3301005.322 S3C3T1 Fl. 561 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Salvador Cândido Brandão Junior. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, por economia processual: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/33, sendo o imposto de Importação no valor de R$ 750.150,67 e Imposto sobre Produtos Industrializados no montante de R$ 58.139,01 acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora devidos à época do pagamento, multa por falta de licenciamento e multa por classificação incorreta. Conforme consta da Descrição dos Fatos de fl. 05 e seguintes, a interessada importou, por meio das DIs de nº 00/06713240, 00/12195213, 00/12197968, 00/12441753, 00/12533950, 01/00160314, 01/00246618, 01/10438668, 01/10439010 e 02/03395799, a mercadoria descrita como “Switch” ATM modular, com 12 “slots” disponíveis, podendo suportar serviços para LAN, X.25, SNA, IP, “Frame Relay” e ATM, modelo Cisco BPX 8620, classificando na TEC no código 8517.30.41 Centrais automáticas de comutação de pacotes com velocidade de tronco superior a 72 Kbits/s e de comutação superior a 3.600 pacotes por segundo, sem multiplexação determinística, tendo recolhido o imposto de importação (II) à alíquota de 4% em 2000, 4% em 2001 e 3% em 2002 e o Imposto sobre Produtos Industrializados à alíquota de 15% de 01/01/2000 até 13/12/2000, 2% de 14/12/2000 até 31/12/2001 e 15% em 2002. Relativamente à classificação fiscal da mercadoria importada, havia a interessada formulado consulta, cuja Decisão DIANA/SRRF/8ªRF nº 58, de 23/06/2003, determinou que fosse adotado o código 8471.80.19 OUTRAS – OUTRAS UNIDADES DE MÁQUINAS AUTOMÁTICAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS, conforme transcrito pela fiscalização no Auto de Infração ora tratado. Assim, a autoridade fiscal lavrou o presente lançamento, alterando a classificação tarifária das mercadorias para o código NCM/TEC 8471.80.19, para o qual é prevista a alíquota de Imposto de Importação de 30% em 2000, 28% em 2001 e 26% em 2002 e de Imposto sobre Produtos Industrializados a alíquota de 15% de 01/01/2000 até 13/12/2000, 2% de 14/12/2000 até 31/12/2001 e 15% em 2002. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Acórdão n.º 3301005.322 S3C3T1 Fl. 562 3 Cientificada do Auto de Infração, a contribuinte apresentou a impugnação de fls.38/60 e 61/64, onde em síntese alegou: o auto de infração não pode prevalecer por inúmeras razões; o imposto de importação é um tributo lançado pela autoridade administrativa e não um tributo sujeito a lançamento por homologação; o lançamento efetuado pela autoridade, por ocasião do desembaraço das mercadorias importadas, só pode ser revisto se ocorrer alguma das hipóteses previstas no artigo 149 do CTN; o único efeito da consulta, consoante parágrafo 2º, do artigo 161, do CTN, é suspender o prazo para o pagamento do tributo. Ela não tem o condão de afetar o conteúdo do lançamento; o fisco deveria ter aplicado a alíquota que julgava cabível no lançamento efetuado por ocasião do desembaraço aduaneiro. A consulta serviria apenas para suspender o vencimento do valor correspondente à diferença entre o imposto calculado pela alíquota utilizada pelo fisco e o calculado pela alíquota julgada correta pelo contribuinte na consulta formulada; o BPX 8620 não é capaz de desempenhar qualquer das funções especificadas na posição 8471, estando, portanto, equivocada a decisão na consulta, independente de qualquer outra consideração; não é correta a premissa de que parte a decisão, de que o BPX 8620, que é um switch, seja uma evolução da HUB; a função do BPX 8620 consiste em interligar diferentes sistemas de telecomunicações, sobretudo quando geograficamente dispersos; a classificação preconizada na decisão da consulta resulta de uma série de equívocos; a decisão da consulta não informa qual teria sido o erro da classificação em, 8517.30.41, sustentada na consulta; os juros de mora foram calculados no auto a partir das datas em que ocorreram os desembaraços aduaneiros das mercadorias importadas, sem levar em conta que, em tais ocasiões, a consulta ainda não havia sido respondida; de acordo com o artigo 161, do Código Tributário Nacional os juros de mora não correm na pendência de consulta (cita jurisprudência); se juros de mora fossem devidos, só poderiam ser contados a partir do momento em que se esgotou o prazo para cumprimento da decisão proferida na consulta; além disso, como se verifica pelo § 1º, do artigo 161, do CTN, transcrito acima, a taxa de juros deve estar prevista em lei, não tendo cabimento a sua fixação unilateral pelo próprio fisco, como acontece com a taxa SELIC; segundo o auto de infração, a Impugnante teria cometido infração ao artigo 490, do Decreto 4543, de 26 de dezembro de 2002, ficando em consequência sujeita à multa de 30% do valor aduaneiro das mercadorias importadas; o referido decreto é posterior a todas as importações não podendo, ser aplicado ao caso; não tem qualquer cabimento a aplicação da multa prevista no artigo 84, I, da Medida Provisória 215835, de 24 de agosto de 2001, visto que o questionamento quanto à classificação de mercadoria foi formulado mediante consulta ao fisco; se a Impugnante houvesse pago o imposto considerado devido na resposta à consulta, essa multa não seria aplicada. Na ausência desse pagamento a sua realização seria tudo o que se poderia exigir da Impugnante, caso a diferença de imposto fosse devida. A falta de pagamento não tem o condão de fazer surgir uma infração de natureza inteiramente diversa; como se isso não fosse bastante, a Medida Provisória 215835, de 2001, é posterior a muitas das importações a que se refere o auto, não sendo possível, também, por esse motivo a sua aplicação a elas; o Ato Declaratório Normativo 10/97 descreve uma hipótese exatamente igual àquela com que aqui nos defrontamos, daí resultando que, mesmo se devida a diferença de imposto, o que, como se viu, não acontece, não poderia ter sido aplicada multa prevista no artigo 44, da Lei 9430/96; requer a realização de uma perícia técnica, com a participação do INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA, destinada a afastar qualquer dúvida quanto à exata classificação do BPX 8620 na TEC, constando do anexo o nome e a qualificação completa do perito da Impugnante e os quesitos a serem respondidos; A interessada apresentou os mesmos argumentos, mutatis mutandis, para o lançamento do IPI, fls.61/64. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Acórdão n.º 3301005.322 S3C3T1 Fl. 563 4 A 2ª Turma de Julgamento da DRJSPOII, acórdão nº 1727.086, de 27/08/2007, julgou o lançamento fiscal procedente em parte, cuja ementa é: DESCLASSIFICAÇÃO FISCAL. DECISÃO EM PROCESSO DE CONSULTA. Urna vez formulada a consulta, o sujeito passivo obrigase a adoção da classificação fiscal indicada na correspondente solução, e ao recolhimento dos tributos correspondentes. MULTA DE OFÍCIO As multas de oficio estão sendo exigidas por ter ficado caracterizado a falta de pagamento ou recolhimento dos tributos, infração prevista no art. 44, inciso I, e art.45 da Lei n° 9.430/96 para o imposto de importação e no artigo 80, inciso I da Lei n 4.502/64, com redação dada pelo artigo 45 da Lei no. 9.430/96. Tipificada a infração não há que se falar em exclusão da referida multa. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, deve ser aplicada sempre que for apurada a classificação incorreta da mercadoria importada, observados os limites impostos pela legislação de regência. MULTA POR FALTA DE GUIA OU DOCUMENTO EQUIVALENTE. A multa administrativa por falta de licenciamento de importação somente é aplicável em caso de comprovação de que o produto não esteja corretamente descrito no SISCOMEX, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Proposto o recurso voluntário, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais decidiu, no acórdão nº 310200.668, de 25/05/2010, efls. 287/307, por maioria de votos (o voto vencido analisou o mérito e considerou que a correta classificação da mercadoria é no código NCM 8471.80.19), anular a decisão de primeira instância, por entender que a mesma não analisou as razões expostas na impugnação, em especial, a matéria já tratada no processo de consulta. A decisão restou assim ementada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Em sede de processo administrativo, deve o órgão julgador apreciar as teses de defesa do administrado, acolhendoas ou rejeitandoas, sob pena de incorrer em cerceamento dos direitos à ampla defesa e ao contraditório. O entendimento foi no sentido de que o contribuinte, mesmo deixando de observar a solução de consulta, teria direito ao devido processo legal e consequente rediscussão do mérito tratado nessa última, no âmbito do processo fiscal. Então, o processo retornou à DRJ para novo julgamento. No novo julgamento realizado, a DRJ entendeu por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte, apenas para excluir a multa de controle administrativo, conforme decisão que restou assim ementada: Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Acórdão n.º 3301005.322 S3C3T1 Fl. 564 5 O produto identificado como um “Switch” ATM modular, com 12 “slots” disponíveis, podendo suportar serviços para LAN, X.25, SNA, IP, “Frame Relay” e ATM, modelo Cisco BPX 8620 tem sua correta classificação no código NCM 8471.80.19, como entendeu a fiscalização. Para o caso, existe Solução de Consulta regularmente exarada especificamente para a mercadoria objeto do litígio fiscal, a pedido da própria autuada. MULTA DE OFÍCIO Não recolhidos os tributos decorrentes da classificação tarifária determinada pela consulta, acompanhado de seus acréscimos legais, surge a hipótese tida como infração no inciso I do artigo 44 supramencionado. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.158DF 35/2001, deve ser aplicada sempre que for apurada a classificação incorreta da mercadoria importada, observados os limites impostos pela legislação de regência. MULTA POR FALTA DE GUIA OU DOCUMENTO EQUIVALENTE. A multa administrativa por falta de licenciamento de importação somente é aplicável em caso de comprovação de que o produto não esteja corretamente descrito no SISCOMEX, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Em novo recurso voluntário, a Recorrente alega (i) preliminarmente que a decisão da DRJ seria nula, visto que teria deixado de apreciar preliminar de nulidade apresentada na impugnação administrativa, bem como de deferir pedido de perícia apresentado nos autos; (ii) quanto ao pedido preliminar apresentado, que o auto de infração seria nulo, visto que o lançamento efetuado pela autoridade fiscal por ocasião do desembaraço aduaneiro apenas poderia ser revisto se ocorresse algumas das hipóteses previstas no art. 149 do CTN; (iii) no mérito, que a correta classificação fiscal é a constante do código 8517.30.41; (iv) que seriam indevidos os juros de mora exigidos; (v) que não seria cabível a multa proporcional ao valor aduaneiro; (vi) que a multa de ofício seria inaplicável ao caso concreto. Reiterou, ainda, o pedido de realização de perícia técnica, com a participação do INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA, destinada a afastar qualquer dúvida acerca da classificação fiscal em questão. Esta 1ª Turma Ordinária, converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.518, para que fosse juntado aos autos o inteiro teor da Solução de Consulta n° 233 de 28/10/2003 (Mas a numeração correta é Solução de Consulta n° 323 de 28/10/2003). Nas efl. 552556, consta a juntada do referido documento. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, tomo conhecimento. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Acórdão n.º 3301005.322 S3C3T1 Fl. 565 6 Preliminar Adoto os termos da decisão proferida por esta Turma, na Resolução n° 3301 000.518, relatada pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que tratou de rechaçar as preliminares arguidas pela Recorrente, nos termos a seguir. 1. Preliminar de nulidade da decisão recorrida De início, alega o contribuinte que a decisão recorrida seria nula, visto que não teria tratado acerca da preliminar de nulidade apresentada na impugnação administrativa, nem deferido o seu pedido de perícia apresentado nos autos. Quanto à preliminar apresentada na impugnação (fls. 40 e seguintes dos autos), verificase que esta versa sobre alegação de nulidade do auto de infração combatido, sob o fundamento de que o lançamento efetuado pela autoridade fiscal por ocasião do desembaraço aduaneiro apenas poderia ser revisto nas hipóteses previstas no artigo 149 do CTN. Ao analisar o conteúdo da decisão recorrida, verificase que esta, de fato, não tratou deste pleito específico do contribuinte, embora tenha este constado expressamente da impugnação administrativa apresentada e do relatório da decisão recorrida. Contudo, entendo que esta omissão não leva, no caso concreto aqui analisado, à preterição do direito de defesa do contribuinte, apta a ensejar a aplicação do art. 59 do Decreto n. 70.235/72. Isso porque, é cediço que esta matéria está superada, não havendo que se falar em nulidade da autuação sobre este fundamento. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisão deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Acórdão n. 3401003.431 de 28/03/2017), com a qual concordo: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 31/10/2006 a 09/02/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. GRAVADORES. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CÂMERAS. (...). REVISÃO ADUANEIRA. A revisão aduaneira, procedimento que faz parte do despacho aduaneiro (artigo 44 e seguintes do DecretoLei nº 347/1966), é distinta da revisão de ofício, que pressupõe a existência de um lançamento anterior e será realizada nas hipóteses previstas no artigo 149 do CTN. Apenas nos despachos aduaneiros em que houve lançamento, é possível se cogitar da vedação de alteração de critério jurídico, prevista no artigo 146, do CTN. (...). Ademais, verificase que esta matéria já foi analisada pela DRJ quando da primeira decisão proferida nos presentes autos, a qual assim dispôs: Da Revisão Aduaneira Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Acórdão n.º 3301005.322 S3C3T1 Fl. 566 7 Alegou, também a Impugnante que o lançamento só pode ser revisto se ocorrer alguma das hipóteses previstas no artigo 149, do CTN. Convém esclarecer que a revisão aduaneira pode ser procedida dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data de registro da DI, conforme dispõe o art. 54 do DecretoLei n° 37, de 18/11/1966, verbis: Art.54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art. 44 deste Decreto Lei. Por sua vez, os arts. 455 e 456 do Regulamento Aduaneiro (RA), aprovado pelo Decreto n° 91.030 de 05/03/1985 DOU 11/03/1985, dispõem, verbis: Art. 455. Revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação ou exportação quanto aos aspectos fiscais, e outros, inclusive o cabimento de benefício fiscal aplicado (DecretoLei n°37/66, art. 54). Art. 456 A revisão poderá ser realizada enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário (Lei n° 5.172/66, art. 149, parágrafo único). Dessa legislação, depreendese que é possível procederse à revisão aduaneira dentro do prazo de 5 (cinco) anos do registro da DI, diferentemente do que supõe a peticionária. Nesse mesmo sentido foi o pronunciamento do então Relator José Fernandes quando da apresentação do seu voto em sessão de julgamento realizada em 25 de maio de 2010 nos presentes autos, o qual acompanho: Da nulidade do auto de infração. Em preliminar, a recorrente alega nulidade do auto de infração, com o argumento de que, como se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, a constituição do crédito tributário se daria na fase do despacho aduaneiro, logo, a revisão do lançamento somente poderia ocorrer nas hipóteses prevista no art. 149 do CTN, o que não aconteceu no presente caso. O procedimento revisão aduaneira é realizado após a desembaraço aduaneiro ou liberação da mercadoria, com o propósito de apurar a regularidade do pagamento dos tributos autolançados pelo importador e demais gravames devidos à Fazenda Nacional. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Acórdão n.º 3301005.322 S3C3T1 Fl. 567 8 Ao contrário do que alega a recorrente, o inciso I do art. 149 do CTN prevê a hipótese de a lei determinar a revisão do lançamento, nos seguintes termos: "Art. 149 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; (...)". Com supedâneo no referido preceito legal, o art. 54 do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, determinou expressamente a realização a revisão do lançamento dos tributos aduaneiros e demais gravames devidos a Fazenda Nacional, obedecido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contados da data de registro da DI. Sendo veja o teor do citado comando legal a seguir transcrito: Art.54. A apura cão da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art. 44 deste Decreto Lei. Por sua vez, na data da conclusão do presente procedimento de revisão aduaneira, em consonância com o determinado no transcrito preceito, a matéria encontravase regulamentada no art. 570 do Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA12002), instituído pelo Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, com os seguintes dizeres: Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos a Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei n° 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472, de 1988, art. 22, e Decretolei n° 1.5.78, de 1977, art. 8°). § 1° Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2° A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei n° 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei n" 2.472, de 1988, art.22) ; e II do registro de exportação. § 3° Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Acórdão n.º 3301005.322 S3C3T1 Fl. 568 9 Assim, como o presente procedimento de revisão aduaneira foi realizado com amparo legal e concluído antes termo final de prazo decadencial de 5 (cinco) anos, diferentemente do que a alega a recorrente, não enxergo nenhuma mácula que possa acarretar a nulidade dos referidos Autos de Infração. Dessa forma, rejeito a presente preliminar. Sendo assim, verificase que o retorno aos autos para que a DRJ se manifeste expressamente e novamente sobre questão já pacificada tanto naquele âmbito de julgamento quanto neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vai de encontro ao princípio da eficiência, além de restar injustificado face à ausência de prejuízo ao contribuinte, que teve e está tendo, nesta oportunidade, o seu pleito devidamente apreciado. De outro norte, é certo que não há que se falar em nulidade da decisão recorrida no que tange ao indeferimento da realização de perícia, visto que esta se encontra devidamente fundamentada quanto às razões que a levaram ao indeferimento deste pedido. Até porque, sabese que, em razão do disposto no caput do art. 18 do Decreto n. 70.235/1972, o deferimento ou indeferimento do pedido de realização de perícia depende do livre convencimento da autoridade julgadora. A insurgência do contribuinte, portanto, representa, na verdade, insatisfação quanto ao conteúdo do acórdão recorrido, o que não deve ser acolhido sob o fundamento de sua nulidade. Logo, tendo em vista que não há que se falar em prejuízo ao direito de defesa do contribuinte no presente caso, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. 2. Preliminar de nulidade da autuação Quanto ao argumento de nulidade da autuação, conforme razões já explanadas no tópico anterior, entendo que este não deverá ser acolhido, pois é cediço que a revisão aduaneira pode ser realizada dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos do desembaraço aduaneiro, não encontrando óbice no art. 149 do CTN. Nos termos das razões adotadas acima, as preliminares devem ser rejeitadas. Mérito – Classificação Fiscal O produto objeto da autuação é um “Switch” ATM modular, com 12 “slots” disponíveis, podendo suportar serviços para LAN, X.25, SNA, IP, “Frame Relay” e ATM, modelo Cisco BPX 8620. Não há controvérsia em relação à identificação do produto. Como não houve a contestação da identificação do produto, cingese a presente demanda na análise da classificação fiscal em si. Entende a Recorrente que ele se classifica no código NCM 8517.30.41, enquanto a autoridade fiscal lhe atribuiu o código NCM 8471.80.19. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Acórdão n.º 3301005.322 S3C3T1 Fl. 569 10 Confirase cada NCM a seguir. Solução de consulta da contribuinte/Fiscalização (produto com aplicação na área de processamento de dados): 84.71 MÁQUINAS AUTOMÁTICAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS E SUAS UNIDADES; LEITORES MAGNÉTICOS OU ÓPTICOS, MÁQUINAS PARA REGISTRAR DADOS EM SUPORTE SOB FORMA CODIFICADA, E MÁQUINAS PARA PROCESSAMENTO DESSES DADOS, NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES 8471.80 Outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados. 8471.80.1 Unidades de controle ou de adaptação e unidades de conversão de sinais. 8471.80.19 . Outras NCM 8471.80.19 – OUTRAS – OUTRAS UNIDADES DE MÁQUINAS AUTOMÁTICAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS Recorrente (produto da área de telecomunicação): 85.17 APARELHOS ELÉTRICOS PARA TELEFONIA OU TELEGRAFIA, POR FIO, INCLUÍDOS OS APARELHOS TELEFÔNICOS POR FIO CONJUGADO COM APARELHO TELEFÔNICO PORTÁTIL SEM FIO E OS APARELHOS DE TELECOMUNICAÇÃO POR CORRENTE PORTADORA OU DE TELECOMUNICAÇÃO DIGITAL; VIDEOFONES 8517.30 Aparelhos de comutação para telefonia e telegrafia. 85.17.30.4 Centrais automáticas de comutação de pacotes. 8517.30.41 Com velocidade de tronco superior a 72 kbits/s e de comutação superior 3.600 pacotes por segundo, sem multiplexação determinística. Assim, quanto à classificação fiscal, a fiscalização e a DRJ entenderam que a classificação correta é a indicada no código NCM 8471.80.19, conforme indicado na Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ªRF nº 58, de 23/06/2003, relativa à mesma mercadoria e destinada especificamente à Recorrente. O contribuinte, por seu turno, defende que a classificação correta seria a descrita no NCM 8517.30.41, diversamente do que constou da referida solução de consulta. Em seu Recurso Voluntário, destacou, inclusive, que posteriormente ao auto de infração teria sido proferida nova Solução de Consulta, sob o n° 323 e datada de 28 de outubro de 2003, em que o equipamento em questão teria sido classificado exatamente no Código NCM 8517.30.41 (desclassificado pela fiscalização). Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Acórdão n.º 3301005.322 S3C3T1 Fl. 570 11 O argumento referente à Solução de Consulta n° 323, de 28/10/2003 foi apresentado pelo contribuinte apenas em sede de Recurso Voluntário. Ocorre que a aludida solução de consulta foi direcionada à outra empresa, e não para a Recorrente. A Solução de Consulta n° 323 tratou de "Central Automática de Comutação de Pacotes com velocidade de tronco superior a 72 bits/s e de comutação de 45.283.000 pacotes por segundo, sem multiplexação determinística, fabricada por Cisco Systems Inc. USA, modelo Cisco BPX8620, denominado comercialmente e tecnicamente "Cisco BPX8620 Wide Area Edge Switch", utilizado em banda larga ATM para redes de telecomunicações de longa distância (WANs)". Temse que as referidas soluções de consulta são destinadas a importadores distintos, bem como não há como se concluir que as duas tenham versado exatamente sobre o mesmo equipamento. As diferenças entre o teor das soluções de consulta ficam claras ao se cotejar os conteúdos: Mercadoria · Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ª RF n° 58, de 23 de junho de 2003: Switch ATM modular, com 12 “slots” disponíveis, podendo suportar serviços para LAN, X.25, SNA, IP, Frame Relay e ATM, modelo Cisco BPX 8620, fabricante Cisco Systems. · Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DIANA nº 323, de 28 de outubro de 2003: Central Automática de Comutação de Pacotes com velocidade de tronco superior a 72kbits/s e de comutação de 45.283.000 pacotes por segundo, sem multiplexação determinística, fabricada por Cisco Systems Inc.USA, modelo Cisco BPX8620, denominado comercialmente e tecnicamente “Cisco BPX8620 Wide Area Edge Switch”, utilizado em banda larga ATM para redes de telecomunicações de longa distância (WANs). Nome técnico · Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ª. RF n° 58, de 23 de junho de 2003: Cisco BPX 8600 Series – IP + ATM Multiservice Switches · Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DIANA nº 323, de 28 de outubro de 2003: Cisco BPX8620 Wide Area Edge Switch Princípio e descrição resumida do funcionamento · Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ª RF n° 58, de 23 de junho de 2003: A série Cisco BPX 8600 é um comutador de pacotes de tecnologia ATM com alta capacidade de processamento IP e ATM. Projetado para ir de encontro com os requisitos de alto tráfego de um provedor de serviços públicos e grandes empresas privadas. O BPX proporciona alta performance em comutação de pacotes ATM e IP, adaptação e agregação de todos os tipos de tráfego. O BPX 8620 oferece uma capacidade de vazão Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Acórdão n.º 3301005.322 S3C3T1 Fl. 571 12 de saída de até 20 Gbps, comutando múltiplos tipos de dados, voz e imagens; suporta uma grande quantidade de interfaces, de “FrameRelay” até interfaces “broadband” de até 622 Mbps. Podem ser oferecidos através dessa solução, múltiplos serviços para LAN, X.25, SNA, IP, “Frame Relay” e tráfego ATM, de uma simples plataforma BPX. O BPX 8620 ainda suporta “multiprotocol label switching” (MPLS). A capacidade da matriz de comutação é de 20 Gbps e com isso é possível comutar até 20 milhões de pacotes por segundo. As interfaces (troncos) podem ser configuradas para velocidade, de no mínimo 2 Mbps até 622 Mbps. · Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DIANA nº 323, de 28 de outubro de 2003: O equipamento Cisco BPX8620 e uma plataforma concebida e projetada para ser utilizada em redes de telecomunicações de longa distância (redes WANs). Sua principal função e ser uma Central de Comutação de pacotes de dados em tempo real. O modulo processador de Comutação (placa código BPXBCC4V/B) proporciona ao equipamento velocidade de comutação de dados de no máximo 19.2Gbit/s; isto corresponde a uma taxa máxima de 45.283.000 pacotes para um tamanho fixo de pacotes de 53Byts. O equipamento Cisco BPX8620 vira equipado com pelo menos um dos seguintes tipos de interfaces: E3 (34Mbit/s), STM1 (155Mbit/s) ou STM4 (622 Mbit/s), conforme os padrões utilizados no Brasil. Além disso devido a sua natureza de comutação de dados, estes equipamentos utilizam multiplexação estatística e não determinística. Aplicação, uso ou emprego · Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ª. RF n° 58, de 23 de junho de 2003: O Cisco BPX 8620 é utilizado em “backbones” ATM+ IP, que necessitam de uma alta capacidade de comutação de pacotes com qualidade de serviço. Esse equipamento é ideal para empresas que possuem um tráfego muito alto de informações e, principalmente, para empresas prestadoras de serviços públicos que necessitam agregação de todo o tipo de tráfego (voz, dados, imagens). · Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DIANA nº 323, de 28 de outubro de 2003: Comutação de pacotes de dados em tempo real. Dimensões e peso líquido · Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ª. RF n° 58, de 23 de junho de 2003: 17,72 W x 22,75 H x 27 D. Peso aproximadamente 95,7 Kg · Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DIANA nº 323, de 28 de outubro de 2003: 57,8 x 45 x 68,6cm. Peso aproximadamente 96,5kg. Diante disso, não há como se afirmar que a Administração Tributária tenha sustentado conclusão equivocada, no tocante às questões técnicas, na Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ªRF nº 58, de 23/06/2003, especificamente direcionada ao contribuinte, apenas cotejando os textos das duas soluções de consultas. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Acórdão n.º 3301005.322 S3C3T1 Fl. 572 13 Havendo litígio no que se refere à classificação fiscal do produto, considerando a regra da distribuição do ônus da prova a quem alega o fato ou o direito (CPC/15, art. 373), é possível se afirmar que a autoridade lançadora reclassificou o produto na NCM, conforme determinação da Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ªRF nº 58. A Recorrente, por sua vez, sustenta que houve erro na classificação dada na Solução de Consulta DIANA/SRRF/8ªRF nº 58, sem trazer nenhuma prova da alegação, não constam manuais, laudos técnicos ou qualquer outro documento que permita se aferir algum erro cometido pela RFB na análise do produto. É exclusivamente da Recorrente o ônus da prova de desconstituir o auto de infração lavrado com base em consulta formulada pela empresa. Dito de outra forma, cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a prova de que a classificação estampada na solução de consulta proferida em virtude de sua provocação contém vícios. Aponto que o pedido de diligência não cabe na situação descrita nestes autos, porquanto a diligência não tem o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo Fisco e pela Recorrente. As diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Outrossim, é de se ressaltar que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui tratado. É que o referido princípio se destina à busca da verdade, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no cumprimento do seu ônus probatório. Ressaltese que, nos termos da lei, enquanto não resolvida a consulta, não pode o contribuinte ser autuado quanto às situações em análise. Entretanto, a Consulta n° 58 é de 23/06/2003, ao passo que o lançamento foi lavrado em 01/09/2004. Logo, não há qualquer ilegalidade no lançamento. Por conseguinte, deve ser afastada a classificação fiscal do código 8517.30.41, para manutenção da autuação no código 8471.80.19. Afastamento da multa de ofício A ausência de recolhimento dos tributos decorrentes da classificação fiscal prescrita pela solução de consulta, é causa para aplicação das multas de oficio da Lei n° 9.430/96, art. 44, I para o imposto de importação e Lei n° 4.502/64, art. 80, I para o IPI. Dessa forma, todos os traços da multa de ofício aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Acórdão n.º 3301005.322 S3C3T1 Fl. 573 14 De acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, se constatada a hipótese legal da aplicação da multa de ofício: a falta de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da penalidade, acompanhada dos acréscimos legais. Assim, deve ser afastado esse pleito da Recorrente. Da Multa por Classificação Incorreta Prescreve a Medida Provisória nº 2.15835, art. 84, I, a exigência de multa por classificação incorreta: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1° O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2° A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Logo, é indiscutível a validade da imposição da referida multa ao caso sob exame, em virtude da errônea classificação adotada pela empresa. Juros de Mora Alega o contribuinte que a aplicação da taxa SELIC é ilegal, quanto mais na pendência de processo de consulta. A Lei nº 9.430/1996 dispõe que os débitos com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61). A questão está pacificada no CARF: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10314.007028/200420 Acórdão n.º 3301005.322 S3C3T1 Fl. 574 15 Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 574DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.900120/2008-74
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1662; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 155 1 154 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.900120/200874 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.944 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 08 de novembro de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente J N DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE HIGIENE E BELEZA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 01 20 /2 00 8- 74 Fl. 156DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação 17217.60414.300104.1.3.049775, (efls. 114/119), data de transmissão 30/01/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ (código de receita 5993, IRPJ PJ optantes pelo lucro real/Estimativa, referente ao período de apuração de 31/12/2002). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório (efl. 18), que analisou as informações e não reconheceu o direito creditório justificando que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível.". Reproduzo a seguir o relatório do acórdão recorrido (efls. 120/126), por bem descrever o litígio: Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 01/03, acompanhada dos documentos de fls. 04/116, na qual alega, em apertada síntese, que: a) efetuou o pagamento indevido ou a maior do IRPJ, mês de dezembro/2002, no valor de R$ 3.500,00; b) efetuou o recolhimento de dois DARF, no valor de R$ 14.115,69, quando o tributo devido seria de R$ 10.615,69; c) ocorre que a nãohomologação da compensação se deu em razão da falha de preenchimento da DCTF referente ao 4° trimestre de 2002, na qual foi declarada de forma errônea débito de IRPJ no valor de R$ 14.115,69 e não R$ 10.615,69; d) em 16/05/2008, foi retificada a DCTF do 4° trimestre de 2002, discriminando o débito apurado no valor de R$ 10.615,69 com o pagamento de dois DARF, um no valor de R$ 9.669,41 e outro no valor de R$ 4.446,28, demonstrando o valor a maior de R$ 3.500; e) o fundamento da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal baseouse única e exclusivamente no valor declarado na DCTF original; f) o valor declarado na DCTF deve ser desconsiderado em razão da retificação efetuada em 16/05/2008. Ao final, requer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade para o fim de determinar a recepção e o processamento da PER/Dcomp original, bem como o cancelamento do débito oriundo do referido despacho. É o relatório. A manifestação de inconformidade foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 1430.304 5ª Turma da DRJ/RPO, efls. 127/129). A decisão de primeira instância entendeu que apesar de ter retificado a DCTF do período, para alterar, para menos, o montante da dívida originariamente declarada, de R$ 14.115,69 para R$ 10.615,69, o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis que comprovassem a disponibilidade integral do crédito. Cientificada da decisão de primeira instância em 18/08/2010 (efl. 125) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 16/09/2010 (efl. 126), em que repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e, lastreandose no art. 923 do RIR/99, transcrito no corpo do acórdão recorrido, a recorrente apresenta documentos Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10820.900120/200874 Acórdão n.º 1001000.944 S1C0T1 Fl. 156 3 comprobatórios do crédito de R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais), requerendo a reformulação do v. acórdão, e a homologação da compensação em questão. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Nesse sentido o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). No caso concreto, apesar de ter retificado a DCTF do período, para alterar para menos o montante da dívida originariamente declarada, de R$ 14.115,69 para R$ 10.615,69, o contribuinte não trouxe aos autos, quando da apresentação do recurso á primeira instância, as provas contábeis que comprovassem a disponibilidade integral do crédito o crédito. Com base no artigo 170 do CTN c/c art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no ato de recurso a esta segunda instância o recorrente alega anexar agora documentos que comprovariam seu crédito. Apesar de o art. 923 do RIR/99 assegurar que " A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados" tal assertiva deve ser acompanhada das prescrições processuais. E conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade para a primeira instância, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 158DF CARF MF 4 I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a solicitação de compensação por PERDCOM , assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10820.900120/200874 Acórdão n.º 1001000.944 S1C0T1 Fl. 157 5 A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.010262/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial para a constituição de exigência previdenciária decorrente de descumprimento de obrigação acessória inicia sua contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
FOLHA DE PAGAMENTO. PENALIDADE ISOLADA.
Uma única ocorrência é suficiente para aplicação da penalidade por descumprimento de obrigação acessória por ter o contribuinte deixado de preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço.
Numero da decisão: 2201-004.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama,, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição de exigência previdenciária decorrente de descumprimento de obrigação acessória inicia sua contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. FOLHA DE PAGAMENTO. PENALIDADE ISOLADA. Uma única ocorrência é suficiente para aplicação da penalidade por descumprimento de obrigação acessória por ter o contribuinte deixado de preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama,, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 02 62 /2 00 7- 37 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10580.010262/200737 Acórdão n.º 2201004.807 S2C2T1 Fl. 128 2 O presente processo trata do Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, NFLD 37.071.8771, fl. 2, por ter o contribuinte, no período de 01/1999 a 03/2002, deixado de preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, infringindo o contido no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225 inciso I e II do Regulamento da PRevidência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A infração em tela está relacionada aos levantamentos objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos. DEBCAD 37.071.8780 e 37.071.8798, objeto dos processos administrativos nº 10580.010263/200781 e 10580.010261/200792, respectivamente. Ciente do lançamento em 28 de julho de 2007, conforme AR de fl. 66, inconformado, o contribuinte formalizou a impugnação de fl. 70 e ss, lastreada nas seguintes questões: II DA PRELIMINAR AUSÊNCIA DE CLAREZA DA NFLD SUPRESSÃO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO.(...) fl. 70 “Portanto, informações generalizadas e imprecisas, ausência da descrição pormenorizada da forma de calcular a atualização monetária, os juros de mora, e, ainda, a ausência de definição da natureza da dívida, por si só, já implicam em NULIDADE do lançamento fiscal realizado”, fl. 74. III DO MÉRITO A) DA DECADÊNCIA .(...) fl. 75 Considerando que a lavratura desta autuação só se deu em julho de 2007, e que o prazo decadencial iniciase com a ocorrência do fato gerador, É INQUESTIONÁVEL A DECADÊNCIA DE TODO O PERÍODO LAVRADO 01/1999 a 03/2003 , PELO QUE FULMINADAS DE TOTAL IMPROCEDÊNCIA”, fl. 80. B) COBRANÇA DE MULTA COM CARÁTER CONFISCATÓRIO: AFRONTA ÀS GARANTIAS CONSTITUCIONAIS. fl. 81 No presente caso, inobstante a absoluta improcedência da autuação imposta à Impugnante, vale a advertência de que está sendo aplicada multa em valor nitidamente confiscatório, em afronta direta as garantias constitucionais do cidadão contribuinte; configurandose, com esta atuação, típica violação aos direitos mais básicos assegurados pela Constituição Federal. Na análise da impugnação, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA exarou o Acórdão 1515.596, de 17 de março de 2008, fl. 93 a 101, em que considerou parcialmente procedente o lançamento, afastando a ocorrência de circunstância agravante, reduzindo a autuação de R$ 2.390,26 para R$ 1.195,13. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10580.010262/200737 Acórdão n.º 2201004.807 S2C2T1 Fl. 129 3 Ciente do Acórdão da DRJ em 11 de agosto de 2008, AR de fl. 104, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 106 e ss, em 10 de setembro de 2008, no qual discorre sobre as razões que, no seu entendimento, justificariam a reforma da decisão de 1ª instância. Tais razões foram detalhadamente expostas nos seguintes tópicos do Recurso, sendo, basicamente, a reafirmação dos mesmos tópicos já tratados na impugnação: A) Da nulidade da "NFLD"; B) Da Decadência. Em seus pedidos, pleiteia o reconhecimento da nulidade do Auto de Infração e da decadência para o período fiscalizado. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Inicialmente, importante destacar que o presente processo foi distribuído a este Relator em 17 de outubro de 2018, em razão de vinculação requerida em fl. 114. DA NULIDADE DA NFLD Afirma a defesa que a decisão recorrida reconheceu que não ficou caracterizada a reincidência, reduzindo à metade o valor da autuação, não obstante, entendeu que o Auto de Infração traz informações seguras e detalhadas sobre a infração cometida, a legislação aplicável, bem como a forma de cálculo da multa.. Sustenta que tais argumentos não validam a atuação e que a fiscal autuante desconsiderou os requisitos trazidos pelo art. 10 do Decreto 70.235/72. Assim dispõe o citado art. 10 do Decerto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10580.010262/200737 Acórdão n.º 2201004.807 S2C2T1 Fl. 130 4 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A análise do documento de fl. 02 evidencia que todos os requisitos elencados na legislação de regência foram contemplados. Por outro lado, quanto à nulidade, o mesmo Decreto 70.235/72 estabelece, em seu art. 59, que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não identifico tais máculas no presente processo. Assim, rejeito a preliminar. DA DECADÊNCIA DAS COMPETÊNCIAS LANÇADAS. Afirma o recorrente que decisão do STJ declarou inconstitucional o art. 45 da lei 8.212/91, decisão esta que foi ratificada pelo STF, dando azo à Sumula Vinculante nº 08. Quanto ao tema, assim restou ementada a decisão recorrida, fl. 93: DECADÊNCIA. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos somente extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme art. 45 da Lei n° 8.212/91. Sobre o amparo legal da decisão recorrida no que se refere à decadência, o Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66 (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10580.010262/200737 Acórdão n.º 2201004.807 S2C2T1 Fl. 131 5 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Grifouse Para a aplicação da contagem do prazo decadencial, este Conselho adota o entendimento do STJ, no Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, e, portando, de observância obrigatória neste julgamento administrativo. Assim, o prazo decadencial inicia sua fluência com a ocorrência do fato gerador, nos casos de lançamento por homologação, quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Por outro lado, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, inciso I do art. 173 do CTN, nos demais casos, configurando esta a regra e aquela a exceção. No presente caso, estamos diante de um lançamento por descumprimento de obrigação acessória, assim, a regra aplicável para contagem do prazo decadencial é a disposta no inciso I do art. 173 do CTN. Desta forma, considerando a periodicidade mensal da elaboração da folha de pagamento, bem assim que a ciência do lançamento ocorreu em 28 de julho de 2007, evidenciase que a decadência suscitada pela recorrente alcança todo o período de apuração anterior novembro de 2001, inclusive. Não obstante, cumpre destacar que a presente autuação tem lastro na alínea "a" do inciso I, do art. 283 do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social), em que uma única ocorrência é suficiente para ensejar a penalidade isolada. Assim, como a suscitada decadência não alcança todo o período a que se refere à autuação, a qual alcança os fatos identificados até março de 2002, há que reconhecer a procedência do lançamento. Conclusão: Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10580.010262/200737 Acórdão n.º 2201004.807 S2C2T1 Fl. 132 6 Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720904/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA)
Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de preservação permanente as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, como os situados em APA, incluindo as áreas de florestas nativas localizadas no Bioma Mata Atlântica, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular.
DO VALOR DA TERRA NUA (VTN)
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, exige-se que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, atenda a integralidade dos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
Numero da decisão: 2201-004.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de preservação permanente as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, como os situados em APA, incluindo as áreas de florestas nativas localizadas no Bioma Mata Atlântica, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, atenda a integralidade dos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 09 04 /2 00 9- 81 Fl. 437DF CARF MF 2 Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 371/398, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), de fls. 343/365, a qual julgou parcialmente procedente o lançamento de Imposto Territorial Rural ITR, exercício de 2006, acrescido de multa lançada e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado "Fazenda São Bento II", cadastrado na RFB sob o nº 4.899.5258, com área declarada de 524,4 ha, localizado no Município de Passa Quatro/MG. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 103.309,90 (cento e três mil, trezentos e nove reais e noventa centavos), já incluídos os juros e a multa. Ante a clareza do Relatório constante da decisão proferida pela DRJ, transcrevo: A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2006 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 06106/00013/2009 de fls. 06/07, para a contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Identificação do contribuinte; 2º matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural; 3º Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR – do INCRA; 4º Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido dentro de prazo junto ao IBAMA; 5º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, que comprovem as áreas de preservação permanente declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos das alíneas “a” até “h” do art. 2º da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema geodésico brasileiro; 6º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10660.720904/200981 Acórdão n.º 2201004.740 S2C2T1 Fl. 438 3 permanente, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 7º matrícula atualizada do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; 8º documento que comprove a localização da área de reserva legal, nos termos do § 4º do art. 16 do Código Florestal, introduzido pela Medida Provisória 2.16667, de 24 de agosto de 2001; 9º Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2005, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2005 no valor de R$: • cultura/lavoura R$ 3.000,00. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, a contribuinte apresentou as correspondências de fls. 11/12 e 42 e juntou aos autos os documentos de fls. 13/41 e 43/105. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2006, a fiscalização resolveu glosar integralmente a área de preservação permanente de 329,0 ha, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$731.000,00 (R$1.394,01/ha) para o arbitrado de R$1.335.615,33 (R$2546,94/ha), com base em valor médio constante do SIPT, com consequentes aumentos da área tributável/aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando imposto suplementar de R$49.129,69, conforme demonstrado às fls. 04. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 02/03 e 05. Fl. 439DF CARF MF 4 Da Impugnação Recebida a cientificação do lançamento, em 21.12.2009 (fls. 315), apresentou, em 21.12.2009 (fl. 115), impugnação de fls. 115/146, alegando em síntese: considera que a glosa da área de preservação permanente, mesmo com a apresentação do ADA e de Laudo Técnico, por não ter apresentado certidão do órgão público competente revelase totalmente arbitrária, consistindo em exigência que extrapola a norma, uma vez que os documentos entregues são suficientes à sua comprovação; explicita que, nos termos do artigo 5º, XXIII, da Constituição da República, “a propriedade atenderá sua função social”, sendo que o legislador constitucional limitou o direito de propriedade, declarando alguns espaços territoriais como “áreas de preservação permanente”, levandose em conta a sua função ambiental, nos termos do art. 170, VI, da Constituição; considera que, para dar efetividade aos referidos comandos Constitucionais, o Código Florestal conceitua área de preservação permanente, em seu art. 1º, §2°, III, relacionando nos artigos 2º e 3º as características essenciais para assim serem declaradas; salienta que o Decreto nº 91.304/1985, dispôs sobre a implantação da área de proteção ambiental nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, declarando a cidade de Passa Quatro (art. 1º) como Área de Proteção Ambiental da Serra da Mantiqueira onde a Fazenda São Bento II está localizada; cita que a Resolução CONAMA nº 302/2002 estabeleceu a função da APP, sendo ela constituída pela flora, florestas e demais formas de vegetação (art. 20, caput e 30, caput, do Código Florestal), fauna, solo, ar e águas (Leis nº 4.771/1965 e nº 7.803/1989); informa que, corroborando as disposições citadas, a Resolução CONAMA nº 303/2002, dispôs acerca dos parâmetros, definições e limites de áreas de preservação permanente, considerando a função sócioambiental da propriedade, de acordo com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, consistentes no dever de preservar a flora, fauna, os recursos hídricos, ocasião em que ratifica os termos do Código Florestal, em especial para proteger as faixas marginais ao curso d'água, montanhas e morros; enfatiza que é de ser reconhecido que a Fazenda São Bento II está encravada em área declarada como de proteção ambiental e preservação permanente, restando impossível ignorar esse instituto de direito ambiental; ressalta que, pelo exposto, tornase redundante exigir que se comprove algo que a própria lei já declarou, ou seja, exigir um documento declaratório, além do ADA e do Laudo Técnico, para que faça jus à isenção do imposto é um despropósito, pois a Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10660.720904/200981 Acórdão n.º 2201004.740 S2C2T1 Fl. 439 5 própria lei já cuidou de afetar parcela do imóvel como de interesse ambiental; reitera que a área objeto da tributação pelo ITR está circunscrita no perímetro de preservação permanente, da denominada área de Proteção Ambiental da Serra da Mantiqueira, dentro do bioma da Mata Atlântica, não havendo o que ser questionado nesse sentido; sintetiza que, para comprovar que a área faz jus a exclusão da tributação, lançase mão da Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), Resolução CONAMA nº 302 e 303/2002, Decreto nº 91.304/1985, ADA e Laudo Técnico elaborado por profissional habilitado; informa que, sobre o tema, junta mapa de situação e uso do solo (anexo), contendo as particularidades da área denominada Fazenda São Bento II, sendo de fácil comprovação a existência de bacias hidrográficas por toda área, com inúmeras nascentes d'água, florestas nativas, e assim, áreas de reserva legal; considera que a fiscalização desconsiderou todos os documentos juntados, incluindo na base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente, presumindo como falsa a declaração apresentada, sem ao menos fazer prova de suas alegações; entende que somente o IBAMA poderia desconsiderar o ADA, sendo esse o órgão competente para proceder a fiscalização e autuação, caso a declaração esteja em desacordo com a previsão legal, aplicando as correspondentes sanções; salienta que o Laudo Técnico foi elaborado por profissional habilitado, o qual responde civil e criminalmente pela veracidade das suas informações, falecendo competência à fiscalização para desconsiderar esse documento sem sequer diligenciar a área do imóvel, e cita e transcreve ementas de Decisões do CARF e Decisões Judiciais, para referendar sua tese; esclarece que o Laudo de Avaliação foi elaborado por profissional habilitado, inscrito no CREA, com expertise na matéria e ART, ocasião em que se constata a idoneidade das informações constantes do referido parecer; afirma que o parecer elaborado para a avaliação do imóvel seguiu as diretrizes constantes da ABNT, optandose pelo Método Comparativo Direto de Dados de Mercado; informa que, em relação a especificidade almejada pela avaliação, teve como meta atingir o “Grau II”, tanto para à fundamentação como para a precisão do valor do imóvel, todavia, dadas as características do imóvel, sua atipicidade e, principalmente, a qualidade dos dados de mercado disponíveis em pesquisa de campo, não foi possível ao Perito atingir tal meta; Fl. 441DF CARF MF 6 informa, ainda, que, com base na legislação o laudo seguiu a classificação “Grau I” quanto à fundamentação, conforme a pontuação atingida para fins de classificação das avaliações, inclusive quanto à precisão, conforme amplitude do intervalo de confiança de 80% em torno da estimativa; assinala, ainda, que no caso de insuficiência de informações, que não permitam a utilização dos métodos previstos na norma, conforme item 8.1.2 da NBR 146531, o trabalho não será classificado quanto fundamentação e precisão e será considerado parecer técnico, como definido em 3.34 da NBR 146531; registra que o método utilizado tem respaldo legal, sendo que o valor das terras foi obtido com base no unitário definido para a propriedade padrão local, considerandose as devidas correções especificas para adequação às características do imóvel; considera que a pesquisa de mercado e os memoriais de cálculo instruem o laudo, sendo indevida a afirmação de que as fontes de pesquisa do estudo não foram anexadas ao trabalho, bem como, a de que não teria sido juntada a documentação idônea correspondente aos instrumentos de coleta de dados para comprovação do levantamento e formação do valor atribuído ao VTN; informa que, em relação ao mérito do laudo, este se baseou em levantamento georreferenciado, constatando que 100% do imóvel encontrase inserido na APA da Serra da Mantiqueira e que grande parte do imóvel (85,64%) encontrase ocupado por Áreas de Preservação Permanente, Áreas de Reserva Legal e Áreas de Floresta Nativa, em Bioma Mata Atlântica, portanto sujeita às suas limitações e restrições de uso e ocupação, fato esse que interfere diretamente no valor de mercado do imóvel; ressalta que o valor constante no Laudo segue critérios e procedimentos usuais da Engenharia de Avaliações, não representando um número exato e sim uma expressão monetária teórica e provável do valor pelo qual se negociaria voluntariamente e conscientemente um imóvel, dentro das condições de mercado vigente, razão pela qual informou o preço médio do imóvel (R$1.394,01), não se valendo do mínimo (R$1.002,24) e nem do máximo (R$1.861,31); entende que o lançamento é nulo, posto que decorre de presunções, já que o imposto devido já foi corretamente declarado e recolhido e que, por isso, os fatos que envolvem o suposto débito devem ficar bem esclarecidos, a fim de não haver cerceamento do direito de defesa; salienta que a administração pública está adstrita ao principio da legalidade, sendo que a legislação do ITR (art. 10, § 7º) presume a veracidade em favor do contribuinte, não sendo legitimo o lançamento com base em suposições, carente de motivação e fundamentação, em especial de prova hábil a comprovar a eventual inverdade da declaração; ressalta que o arbitramento do valor do imposto é medida extrema, cerceadora do direito de defesa da Impugnante, e que a Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10660.720904/200981 Acórdão n.º 2201004.740 S2C2T1 Fl. 440 7 utilização do SIPT afronta o principio da legalidade, tendo em vista a falta de segurança de seus dados, assim como a falta de publicidade, e a inacessibilidade ao sistema; entende que o ato da autoridade é desprovido de razoabilidade, eis que não considerou as particularidades do imóvel, optando por arbitrar o VTN com base em uma tabela que não reflete a realidade, o que demonstra a sua inadequação; ressalta que a nulidade do lançamento é evidente, não devendo a RFB prosseguir com a cobrança do mesmo, na medida em que presumiu que o VTN corresponderia ao valor fixado pela SIPT, sem ao menos realizar a diligência no imóvel, desconsiderando o valor médio informado no laudo elaborado pelo técnico habilitado, de acordo com os padrões exigidos pela norma ABNT; conclui que, para motivar a decisão da fiscalização, seria imprescindível a realização de diligências a fim de constatar eventuais irregularidades e não tendo sido realizadas as diligências que poderiam refutar a veracidade da declaração, resta cerceado o seu direito de defesa, afrontando a garantia constitucional estatuída no artigo 5º, LV, da Carta Magna; entende que a nulidade do lançamento é patente, posto que contém vícios formais insanáveis e que, portanto, deve ser o mesmo considerado nulo de pleno direito; reitera que o arbitramento da base de cálculo do ITR, com base na tabela SIPT constitui patente cerceamento ao direito de defesa da Impugnante, em razão da restrição ao acesso as informações inseridas no sistema, utilizadas no lançamento, não havendo como se averiguar a fidedignidade daqueles dados, não sendo uma fonte confiável e segura na determinação da base de cálculo do ITR, devendo prevalecer o laudo que leva em consideração a particularidades da região, em especial o valor do imóvel. discorre sobre o princípio da verdade material, considerando que, em matéria tributária, a autoridade fiscal tem o dever de buscar a verdade, sendo que o processo fiscal tem a finalidade de garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador bem como da constituição do crédito tributário, cabendo ao julgador buscar de forma exaustiva o que realmente ocorreu de modo a não prejudicar o direito do contribuinte; reitera que a fiscalização ignorou integralmente os documentos acostados, presumindoos inócuos, quando na verdade, caso pairasse alguma dúvida, deveria diligenciar para averiguar a veracidade das declarações; discorre sobre os princípios da motivação das decisões, da razoabilidade e da proporcionalidade, concluindo que o resultado a que chegou a fiscalização não está em consonância com esses princípios, posto que deveria ter considerado a documentação juntada; Fl. 443DF CARF MF 8 pelo exposto, requer a nulidade do lançamento, em razão das ilegalidades perpetradas pela fiscalização, em especial a: a) impossibilidade de desconsiderar o ADA e o Laudo Técnico, documentos estes suficientes a comprovação da idoneidade das informações firmadas na DITR, devendo haver o reconhecimento da área de preservação permanente; b) impossibilidade de exigir a certidão do órgão público competente, constituindo formalismo excessivo, uma vez que lei não exige tal documento, estando a administração pública adstrita ao principio da estrita legalidade, considerando que a presunção de veracidade é em favor do contribuinte, sendo incabível a inversão desses valores; c) impossibilidade de tributar a parcela do imóvel considerada área de preservação permanente, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas e das áreas cobertas por florestas nativas, restando ilegal o ato que desconsidera as informações do contribuinte, uma vez que é de fácil constatação que a área do imóvel está encravada na APA da Serra da Mantiqueira, dentro do bioma da Mata Atlântica, em respeito ao principio da verdade material, a fiscalização, subsidiada pelo ADA e pelo Laudo Técnico, deveria ratificar a declaração; d) impossibilidade de alteração do VTN informado na DITR, uma vez que alicerçado em Laudo de Avaliação elaborado por profissional habilitado, inscrito no CREA, com ART, não restando dúvidas acerca da idoneidade das informações constantes do referido parecer, realizado de acordo com as diretrizes elencadas na ABNT; e) impossibilidade de arbitramento da base de cálculo do ITR com base no SIPT, em razão do patente cerceamento ao seu direito de defesa, por conta; i) da restrição ao acesso as informações inseridas no sistema, ii) pela falta de publicidade das informações que subsidiaram a fixação da tabela, não sendo possível averiguar a fidedignidade dos dados utilizados, iii) não reflete uma fonte confiável e segura na determinação da base de cálculo do ITR, razão pela qual deve prevalecer o laudo que leva em consideração as particularidades do imóvel; por fim, solicita que , caso não seja acolhido seu entendimento, que a matéria seja devolvida a DRF, e, a fim de que seja reconhecido in totum o direito à exclusão da área tributável e, consequentemente, a não incidência sobre as áreas de preservação permanente, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas e cobertas por florestas nativas, realizandose as diligências necessárias, para que reste comprovada a veracidade das declarações, conforme fazem prova os documentos em anexo. Ressalvase que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referemse aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10660.720904/200981 Acórdão n.º 2201004.740 S2C2T1 Fl. 441 9 Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 338/339): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo a contribuinte compreendido a matéria tributada e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Com base em provas documentais hábeis, cabe restabelecer, parcialmente, a área de preservação permanente, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de preservação permanente as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, como os situados em APA, incluindo as áreas de florestas nativas localizadas no Bioma Mata Atlântica, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, atenda a integralidade dos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 445DF CARF MF 10 Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ, conforme aviso de fls. 370, em 20/03/2013 e apresentou o recurso voluntário de fls. 371/398. Em sede de Recurso Voluntário, praticamente repetiu os argumentos em sede de impugnação. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Área de Preservação Permanente A decisão recorrida houve por bem reduzir parte da autuação e passou a considerar a área de preservação permanente de 117,3ha, ao invés dos 0,0, considerados quando da lavratura do AI. Ocorre que, de acordo com a Recorrente, ainda há divergência com relação á área com florestas nativas que correspondem a 216,57ha e que segundo seu entender, também estaria isenta nos termos da legislação de regência. É fato que o laudo apresentado reconhece esta área, até mesmo, constam imagens de satélite relativas aos anos de 2007, 2009 e 2011 (fls. 385/386) dos autos. O correto seria dar provimento ao presente recurso reconhecendo a área de 216,57ha, conforme constou no laudo apresentado e pela comprovação das imagens de satélite. Entretanto, o pleito da recorrente não merece acolhida pelo simples fato de que só passou a ser reconhecido o direito à isenção da área de floresta nativa, com a alteração promovida pela Lei nº 11.428. de 22 de dezembro de 2006, ou seja, o reconhecimento da isenção pleiteada nos presentes autos, poderia ser reconhecida a partir do ano de 2007, ou seja, para o presente caso não se aplica conforme se verifica da legislação mencionada, especificamente, artigo 10, § 1º, inciso II, em sua redação original: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10660.720904/200981 Acórdão n.º 2201004.740 S2C2T1 Fl. 442 11 b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei nº 12.651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) Merece destaque o fato de que a alínea "e" acima transcrita foi introduzida apenas em dezembro de 2006, passando a incidir apenas em 2007. Do VTN A autoridade lançadora esclareceu que o Contribuinte foi regularmente intimado, mas não comprovou o VTN declarado por meio de Laudo de Avaliação do Imóvel, razão pela qual o VTN foi arbitrado com base no SIPT. O Contribuinte, por sua vez, desde a Impugnação insiste que o imóvel não tem valor comercial em função de intervenções estatais que inviabilizam a sua utilização e, por esse motivo, conclui que o VTN arbitrado com base no SIPT não pode ser aceito. Conforme se verifica dos presentes autos, é possível observar que o referido sistema não distinguiu os VTNs em função da aptidão agrícola. Entretanto, esse é um elemento indispensável, conforme o art. 14, § 1º, da Lei. nº 9.393/1996 com art. 12, II, da Lei nº 8.629/1993. Sem a distinção por aptidão agrícola, o SIPT não preenche os requisitos de certeza Fl. 447DF CARF MF 12 mínimos para apuração da base de cálculo, se tornando imprestável para fins de arbitramento do VTN. Nesse sentido é a jurisprudência pacífica desse e.CARF: VTN. VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPT. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. (acórdão CSRF nº 9202005.781, de 31/08/2017) ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta imprestável o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. (acórdão CSRF nº 9202005.687, de 27/07/2017) PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Por outro lado, uma vez reconhecida a subavaliação do imóvel por parte do Contribuinte, acolhese o VTN apurado com base em Laudo por ele apresentada. (acórdão CSRF nº 9202006.050, de 28/09/2017) VTN. VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPT. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. LAUDO TÉCNICO. Rejeitado o arbitramento do VTN com base no SIPT, por não levar em conta a aptidão agrícola do imóvel, é de se acolher o valor apurado em Laudo de Avaliação apresentado pelo Contribuinte. (acórdão CSRF nº 9202005.699, de 27/07/2017). Caso o contribuinte conseguisse comprovar, por meio de laudo com uma eficiente pesquisa de preços e à época do fato gerador, o mesmo poderia ser considerado, o que não ocorreu. Nesse sentido, merece destaque o alegado na decisão recorrida, que justificam o não acolhimento do laudo apresentado : No caso, a autoridade fiscal não acatou, para comprovar o VTN declarado, o “Laudo de Avaliação”, doc. de fls. 61/96, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Maurício Elias Jorge, com ART anotada no CREA, documentos de fls. 103/105, com um VTN de R$581.464,80 (R$1.108,82/ha), especificamente, às fls.61 e 73, valor esse menor que o VTN declarado de R$1.394,01/ha, por entender que o mesmo não atendia às normas da ABNT (NBR 14.6533), como se depreende do teor da “Descrição dos Fatos” de fls. 03. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10660.720904/200981 Acórdão n.º 2201004.740 S2C2T1 Fl. 443 13 A autoridade fiscal constatou, em síntese, que, primeiramente, o VTN/ha constante do Laudo era bem inferior ao valor médio/ha das DITR apresentadas para os imóveis rurais com a mesma localização, informado no SIPT e que foi adotado fatores de homogeneização medidos no mercado e que as fontes de pesquisa desse estudo especifico que lhes deu origem não foram anexadas ao trabalho, ou seja, que houve apenas citação das fontes, tais como mercado imobiliário (corretores e imobiliárias atuantes), cartório e pessoas ligadas ao meio rural (proprietários, agrônomos e pessoas afins), porém, não havendo nenhuma documentação idônea correspondente aos instrumentos de coleta de dados (recorte de jornais, certidão de matricula e/ou escritura, fichas, planilhas, roteiros de entrevistas, entre outros) que comprovasse tal levantamento e contribuísse na formação da convicção do valor atribuído ao VTN (NBR 7.4.1 e 7.7.2.1). Foi verificado, ainda, pela fiscalização, que da amostra de pesquisa de imóvel para comparação foram informados apenas quatro, quando se necessita, no mínimo, cinco dados (NBR 9.2.3.5, b) e que, também, foram considerados atributos semelhantes, aqueles em que cada um dos fatores de homogeneização foram calculados em relação ao imóvel avaliando, no intervalo entre 0,50 e 1,50, enquanto que para caracterização do grau de fundamentação II, o intervalo admissível de ajuste para cada fator e para cada conjunto de fatores deve estar entre 0,80 e 1,20 (NBR 9.2.3.5). Pois bem, no presente caso não há como restabelecer o VTN declarado pela contribuinte, pois entendo que o teor do documento trazido aos autos não se mostra hábil para a finalidade a que se propõe, uma vez que não segue a integralidade das normas da ABNT, para um Laudo com fundamentação e grau de precisão II, não demonstrando, de forma clara e inequívoca, o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR/2005 (1º.01.2005), nem a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. De fato, a avaliação constante do Laudo não atende aos requisitos estabelecidos na NBR 14.6533, principalmente os itens 7.4 – Pesquisa para estimativa do valor de mercado, 7.7 – Tratamento de Dados e 9 – Especificação das Avaliações, com todos os elementos de pesquisa identificados (número de dados efetivamente utilizados maior ou igual a cinco – item 9.2.3.5) e em especial o subitem 9.2.2.2., que estabelece que o profissional deve enquadrar o seu trabalho em cada item da Tabela 2 da Norma, para conferir o grau de fundamentação do Laudo de Avaliação. Portanto, o laudo é sucinto, podendo ser enquadrado como um “Parecer Técnico”, mas não como “Laudo Técnico de Avaliação”, classificado, pelo menos, com Grau de fundamentação I, quando o que se exige é Grau II de fundamentação e precisão. No que concerne aos requisitos da Fl. 449DF CARF MF 14 NBR 146533, o item 9.2.3.3 desta Norma estabelece que são obrigatórios, em qualquer grau “a explicitação do critério adotado e dos dados colhidos no mercado”. Ainda, ocorre que a exemplo do VTN/ha originariamente declarado, o VTN/ha apontado pelo autor do trabalho, de R$1.108,82/ha, também, se encontra muito abaixo dos VTN relacionados no SIPT, correspondendo a apenas 47% do VTN médio por hectare, apurado no universo das DITRs, de R$2.321,55, referentes aos imóveis localizados no município de Passa Quatro – MG, para o ano de 2005, além, de corresponder a apenas 37% do valor constante, por aptidão agrícola, do SIPT (R$3.000,00/ha), informado pela Secretaria Estadual de Agricultura, de forma que o acatamento da pretensão da contribuinte exigiria uma demonstração que não deixasse dúvidas da inferioridade do imóvel em relação aos outros existentes na região, o que não aconteceu. Enfim, o autor do trabalho não fez, de maneira objetiva, a comparação qualitativa das características particulares do imóvel em comparação com as demais terras dos imóveis rurais circunvizinhos, não evidenciando, de forma inequívoca, que o mesmo possui características particulares desfavoráveis diferentes das características gerais da microrregião de sua localização, para fins de justificar a revisão pretendida. Salientese que o Laudo de Avaliação apresentado na fase inicial dos trabalhos de fiscalização foi, praticamente, o mesmo apresentado na fase de impugnação administrativa, às fls. 159/195. Além de as 4 amostras apresentarem pequenas variações entre os dois Laudos, às fls. 95 e 194, e os VTN permanecem os mesmos, às fls. 61 e 159. Verificase, também, que o primeiro Laudo afirmava possuir Grau II de fundamentação e precisão, às fls. 70, e que após análise feita pela fiscalização e constante da “Descrição dos Fatos” de fls. 03, o segundo Laudo, apenas, modifica o texto referente a “Especificação da Avaliação”, às fls. 168, afirmando que a meta era atingir o Grau II e que não foi possível atingila, pelas características do imóvel, e que foi atingido o Grau I para fundamentação e precisão. Quanto ao tema, a própria contribuinte reconhece em sua impugnação que o laudo seguiu a classificação “Grau I” quanto à fundamentação, conforme a pontuação atingida para fins de classificação das avaliações, inclusive quanto à precisão, conforme amplitude do intervalo de confiança de 80% em torno da estimativa, contudo, assinalando que no caso de insuficiência de informações, que não permitissem a utilização dos métodos previstos na norma, conforme item 8.1.2 da NBR 146531, o trabalho não seria classificado quanto fundamentação e precisão e será considerado parecer técnico, como definido em 3.34 da NBR 146531. Quanto a essa alegação, cumpre esclarecer que o Laudo não apresenta as justificativas e comprovações necessárias ao reconhecimento dos fatos impeditivos quanto a eventual insuficiência de informações que não permitissem atingir o Grau Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10660.720904/200981 Acórdão n.º 2201004.740 S2C2T1 Fl. 444 15 II de fundamentação e precisão, não bastando apenas a afirmação nesse sentido. Assim, na fase de impugnação, poderia a interessada ter apresentado um novo Laudo, ou, realmente, um Laudo Complementar, suprindo as deficiências constatadas, de modo a demonstrar, de forma inequívoca, além do valor fundiário do imóvel, a preços de 1º.01.2005, também, que o imóvel avaliado, especificamente, apresenta condições desfavoráveis que justifiquem a utilização de VTN por hectare inferior ao constante do SIPT/RFB. Não tendo sido apresentado Laudo de Avaliação, de acordo com as normas da ABNT com as exigências apontadas anteriormente, e especificadas no Termo de Intimação Fiscal, e sendo tal documento imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel, a preços de mercado, em 1º.1.2005, está compatível com a distribuição das suas áreas, de acordo com as suas características particulares e classes de exploração, não cabe alterar o VTN arbitrado pela autoridade fiscal. Dessa forma, entendo que deva ser mantida a tributação do imóvel com base no VTN de R$1.217.420,82 (R$2.321,55/ha), arbitrado pela fiscalização com base no SIPT para o município de Passa Quatro/MG. Sendo assim, não cumpridos os requisitos legais, o laudo apresentado pode ser acolhido para reduzir o valor da terra nua. Conclusão Em razão do exposto, conheço do recurso voluntário e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 451DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001837/2003-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se proceda o esclarecimento sobre as ações judiciais em curso no TRF da 3ª Região, juntando-se aos autos a certidão de trânsito em julgado da ação ordinária n° 98.0011121-2, bem como as decisões proferidas neste processo, e as demais peças que a d. Autoridade a quo entender por relevantes à instrução do atual PAF.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se proceda o esclarecimento sobre as ações judiciais em curso no TRF da 3ª Região, juntandose aos autos a certidão de trânsito em julgado da ação ordinária n° 98.00111212, bem como as decisões proferidas neste processo, e as demais peças que a d. Autoridade a quo entender por relevantes à instrução do atual PAF. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (efls. 161 à 180) interposto contra o Acórdão n° 0523.166, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas em 11/09/2008 (efls. 150 à 158), que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo ora Recorrente. Por representar inequívoca acurácia com os fatos, adoto o Relatório produzido pelo Acórdão da DRJ: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .0 01 83 7/ 20 03 -9 1 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 189 2 Tratase de Declaração de Compensação (fl. 01), de débitos de estimativas de IRPJ código (2362) e de CSLL código (2484), de períodos de apuração em Janeiro de 2003, com créditos referentes a Saldos Negativos de IRPJ, no valor de R$ 10.867,90 e de CSLL na quantia de R$ 3.144,32, ambos apurados no anocalendário de 2002 (fl. 02). 2. A Declaração de Compensação foi apresentada em 15/05/2003 e o valor total do crédito (saldos negativos de IRPJ e CSLL) nela indicado é de R$ 14.012,22 (fls. 02). 3. Por meio do Despacho Decisório DRF/SEORT/GUA n° 330 de 2008, acostado 89/91, abaixo sintetizado, cientificado à interessada em 14/05/2008, a autoridade preparadora indeferiu o pleito da interessada e não homologou as compensações efetivadas. “Assunto: Compensação IRPJ/CSLL Ementa: Não procede o pleito de restituição/compensação. Parcelas de Estimativas indevidamente compensadas. Compensações não homologados. Resultado: Pedido indeferido. [....]Relatório [Resume os fatos] Fundamentação [transcreve o art. 231, incisos I, II, III, e IV, do RIR/99] SALDO NEGATIVO DO IRPJ e CSLL AC 2002 Em 31 de dezembro de 2001, a ficha 12 A da declaração do imposto de renda de 2002 (fls. 33) e a ficha 17 (fls. 34) apontam saldo credor a favor do contribuinte para ser aproveitado durante o anocalendário de 2002. No entanto, após verificações, constatouse que estes saldos credores foram formados, principalmente, pelas parcelas de estimativas descritas nas DCTF `s como suspensas pela Liminar n° 98.00067671. a referida Liminar foi objeto de verificações pelo Serviço (SECAT) da DRF/Guarulhos, o qual verificou a improcedência dessas compensações e encaminhou os débitos para inscrição em Dívida Ativa através dos processos 16091.000234/200708, 16091.000236/200799, 16091.000235/200744 que atualmente encontramse em fase de cobrança (fls. 66 a 88). Desta forma, a análise do Saldo Negativo do IRPJ e da CSLL deve desconsiderar, para efeito de cálculo, as parcelas de estimativas apontadas como suspensas pela Liminar de n° 98. 00006 76 71 e aquelas descritas como compensadas com saldo de períodos anteriores, visto que esse saldo foi formado com influência da referida Liminar. Demonstrativo das parcelas de estimativas do IRPJ Pelo disposto no art. 222 do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/1999) a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei n° 9.430, de 1996, art. 2°). O interessado apurou as seguintes parcelas por estimativas (fls. 36 e 37): Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 190 3 Declaração de Ajuste Anual A empresa apurou imposto de renda devido no anocalendário de 2002 (fls. 35). Sendo assim, desconsiderando os valores das estimativas, não há que se falar em Saldo Negativo de IRPJ para o período pleiteado. Demonstrativo das parcelas de estimativas da CSLL [....] O interessado apurou as seguintes parcelas de estimativas (fls. 55 e 56). Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 191 4 Declaração de Ajuste Anual A empresa apurou Contribuição Social devida no ano calendário de 2002 (fls. 38). Sendo assim, desconsiderando os valores das estimativas, não há que se falar em Saldo Negativo de CSLL para o período pleiteado. [....] Decisão Isto posto, propõese o INDEFERIMENTO da Declaração de Compensação de valores apurados como créditos oriundos da Declaração de Rendimento do Exercício de 2003, ano calendário de 2002 a título saldo negativo de IRPJ e CSLL, no montante original total de R$ 14.012,22 e a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações efetuadas ..... [....]" 4. Consta dos autos que após a ciência do despacho decisório a autoridade preparadora encaminhou a Notificação n° 294/2008, de fls. 96, recepcionada em 27/05/2008, da qual consta: “Tendo em vista que V. Sas. Já tomaram ciência do Despacho Decisório 330/2008 que indeferiu o pedido de restituição/Compensação fica o contribuinte intimado a recolher os DARFS anexos dentro do prazo de 30 dias, contados do recebimento desta [. ....... ..] É facultado ao interessado, ou pessoa por ele legalmente autorizada, a apresentar Manifestação de Inconformidade perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento ” 5. Inconformada, a defendente apresenta Manifestação de Inconformidade, em 19/06/2008, juntada às fls. 99/106, acompanhada dos documentos de fls. 107/121, argüindo prescrição da Notificação nos termos do artigo 174 do CTN e, na seqüência, requer a sua nulidade. Por seu turno, o mérito da indigitada Decisão de piso restou consubstanciado nos seguintes termos: 7. Alega inicialmente o interessado ter ocorrido prescrição. Todavia, não lhe assiste razão pois, apresentada Declaração de Compensação, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal dispõe do prazo de 05 (anos) contados da data de sua apresentação para analisá Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 192 5 la e cientificar o contribuinte de sua análise, sob pena de homologação tácita. 8. A respeito da questão assim dispõe o art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelas Leis n° 10.637, de 2002 e n° 10.833, de 2003, a seguir reproduzidos: (...) 9. No presente caso, apresentada Declaração de Compensação em 15/05/2003, a DRF dispunha do prazo de 5 anos contados desta data, ou seja, até 15/05/2008, para cientificar o contribuinte de sua eventual nãohomologação. E é o que ocorreu por meio do Despacho Decisório ora impugnado cientificado ao interessado em 14/05/2008, conforme documento de fl. 94. 10. E, não homologada a compensação, o contribuinte foi cobrado dos débitos cuja compensação não foi confirmada. A exigibilidade de tais débitos foi suspensa pela apresentação de manifestação de inconformidade, a teor do parágrafo 11 do mesmo art. 74 acima transcrito. 11. Neste contexto, não se cogita de prescrição dos débitos informados na DCOMP. 12. Argúi, ainda, a impugnante a ocorrência de nulidade. 13. Todavia, não se cogita de qualquer vício no Despacho Decisório que pudesse ensejar a sua anulação. 14. Conforme relatado, o interessado apresentou Declaração de Compensação de débitos de estimativas de IRPJ e de CSLL, códigos 2362 e 2484, respectivamente, ambos com PA em janeiro de 2003, com créditos de saldos negativos de IRPJ e de CSLL, apurados em 2002. 15. No Despacho Decisório a autoridade preparadora indeferiu o pleito sob o argumento de que a interessada não teria, de fato, apurado saldos negativos, tanto de IRPJ quanto de CSLL, mas, sim, imposto de renda e contribuição a pagar. 16. E fundamentou sua decisão no fato de o crédito pleiteado saldo credor do anocalendário de 2002 ser formado por estimativas que não foram pagas, mas sim declaradas em DCTF ou com exigibilidade suspensa pela liminar 98.00067671, ou como compensadas com saldo credor de período anterior. 17. Quanto ao saldo credor de 2001 descreve a autoridade competente da DRF também ter constatado que é formado principalmente, pelas parcelas de estimativas descritas nas DCTF`s como suspensas pela Liminar n° 98.00067671. 18. Além disso, descreve ter constatado que o amparo judicial pela referida Liminar não foi confirmado: ”....a referida Liminar foi objeto de verificações pelo Serviço..... (SECAT) da DRF/Guarulhos, o qual verificou a improcedência dessas compensações. " 19. Assim, na medida em que as estimativas de 2002 não foram confirmadas como Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 193 6 extintas, não há como admitilas na formação do saldo credor indicado na DCOMP analisada pelo Despacho Decisório ora impugnado. 20. Acrescentese que, no presente caso, para as estimativas referentes a 2002 que a autoridade da DRF constatou terem sido vinculadas em DCTF à compensação, o contribuinte não comprova e sequer alega a eventual existência de pedido de compensação. 21. Além disso, quanto à constatação da autoridade da DRF de que a Liminar 98.00067671 não permitia ao contribuinte suspender a exigibilidade ou compensar débitos de estimativas de 2001 e 2002, nada opõe ou esclarece o interessado. 22. Limitase a argüir a nulidade do Despacho Decisório. Todavia, como visto, este foi fundamentado, emitido por autoridade competente e regularmente cientificado ao interessado, a quem foi concedido prazo legal para sua manifestação de inconformidade. 23. Neste contexto, não se cogita de sua nulidade. E, não afastada a motivação pela qual foi considerada nãohomologada a compensação declarada, não há como' acatar a solicitação do interessado. 24. Diante do exposto o presente VOTO é no sentido de RECEBER a manifestação de inconformidade por tempestiva e INDEFERIR a solicitação do interessado para não reconhecer o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. No deslinde processual, restou evidente tanto no teor Recursal quanto no acervo probatório (vg Representações n° 118, 119, e 120 efls. 104 à 108) que o Recorrente ajuizou ações judiciais junto ao TRF da 3ª Região; contudo, não foi possível identificar com clareza os respectivos objetos e o efetivo trânsito em julgado daquelas. Nos argumentos apresentados no suposto Recurso Voluntário, o Contribuinte reitera os termos aduzidos em sede de Manifestação de Inconformidade, conforme relatado alhures. Não foram juntadas nos autos quaisquer provas adicionais em sede recursal, mantendo o cerne da tese defensiva exercido em primeira instância. Seguem os principais trechos da peça recursal: CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES DOUTO PRESIDENTE, em preliminar, convém assinalar, que ao arrepio da lei, a notificação foi efetivada por carta, tal postura é nula ab ovo, posto que viola a nossa processualística que determina que a notificação deve ser pessoal. De outra parte, deramse as prescrições, judicial e administrativa, em função do período de apuração que se deu em 08/08/ 1980, conforme está estabelecido abaixo: (...) De outro lado, lançamento se dá quando do conhecimento da dívida pela Autoridade Administrativa, em sendo, por conseguinte, uma norma individual e concreta, conforme ensina o jurista Paulo de Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 194 7 Barros Carvalho, deste parâmetro, é que começa a correr o prazo para a prescrição administrativa, que também é de um qüinqüídio. (...) Convém obtemperar ainda, que a recorrente é credora da União Federal, conforme faz prova relatório anexo, haja vista, que os créditos foram ajuizados junto à Justiça Federal no valor de R$ 12.616.298,27 (doze milhões, seiscentos e dezesseis mil, duzentos noventa e oito reais, e vinte e sete centavos), neste passo, deuse entre as partes o Instituto da Compensação, que não necessita de outorga judicial, ou de Autoridade Administrativa, é regulado pelo art. 368 do Código Civil, e tem caráter privatísico, vejamos: De outra margem a Compensação, que tem origem no Direito Natural, devemos dar a cada um aquilo que é seu, passando pelo Direito Antigo e Direito Romano, codificada no Direito Francês e acolhida pelo artigo 368 do Código Civil, não admite, obviamente, a interferência de terceiros na relação entre as partes, mesmo que seja a do Juiz, que deve funcionar como árbitro, A COMPENSAÇÃO NÃO NECESSITA DE OUTORGA JUDICIAL, HAJA VISTA QUE O DIREITO DO CONTRIBUINTE PREEXISTE AB OVO, conforme ensina a Revista de Direito Civil, vejamos: (...) Ante o supra exposto, requerse o tela, anulando, o Processo n° 10875001837/200391, e seus sucedâneos, por ser medida de inteira Justiça. É o Relatório. VOTO Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Percebo, de imediato, que o Contribuinte fez prova cabal da existência dos processos judiciais junto ao TRF da 3ª Região, na forma de medida cautelar (n° 98.00067671) e de ação ordinária (n° 98.00111212). No entanto, embora envidado esforço por este Relator, não foi possível identificar o objeto e o atual andamento das aludidas ações. Tão somente foi viável extrair as informações que constam nos autos, em especial quando da leitura das Representações n° 118, 119, e 120 (efls. 104 à 108); eis que cito o trecho da Representação n° 118: Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 195 8 Senhor Chefe do SECAT, Venho solicitar através das medidas cabíveis, a cobrança do crédito tributário compensado e suspenso indevidamente, devido aos fatos abaixo apresentados: O contribuinte acima identificado ajuizou os processos 98.00067671 (medida cautelar) e 98.00111212 (ação ordinária) requerendo eximir se de sanções fiscais por proceder a compensação na forma do artigo 66, da Lei 8.383/91, dos valores recolhidos à União, a título de IPI, em relação aos prazos de pagamentos abreviados, ter assegurada a compensação dos valores e a suspensão da exigibilidade dos parcelamentos ou dos pagamentos decenais vigentes. A sentença na cautelar julgou extinto o feito, sem julgamento do mérito. A sentença na ação ordinária julgou improcedente o pedido inicial. O contribuinte apelou e os processos encontramse no TRF 3a Região para julgamento. O contribuinte declarou em DCTF, no período de agosto e dezembro de 1999, fevereiro, março, maio, julho, agosto, outubro e novembro de 2001, débitos de CSLL na condição de “suspenso por liminar em cautelar” e nos períodos de junho, julho e setembro a março de 2003, como “compensação sem DARF”. Diante do exposto, não persiste nenhuma das hipóteses de suspensão do crédito tributário, sendo exigíveis os mesmos, conforme CTN: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributa'rio: I moratória; II O depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo." IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança; V a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial: [Incluído pela Lcp n°104. (le 10.1.2001) VI O parcelamento. (Incluído pela Lcp n° 104. de 10.1.2001) Portanto, considerando que, os créditos COMPENSADOS e SUSPENSOS, declarados em DCTF, representam confissão de dívida, os mesmos podem ser inscritos em dívida ativa, conforme IN SRF 695/2006. Art. 11. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1° Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem assim os valores das Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 196 9 diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), com os acréscimos moratórios devidos. Contudo, o Acórdão de piso também não se debruçou sobre os termos das indigitadas ações judiciais, de forma que resta inviável ao presente Colegiado opinar pela efetiva renúncia à instância administrativa (Súmula Vinculante CARF n° 01). Noutro giro, na eventual circunstância das ações não terem explorado o mérito semelhante àquele veiculado neste PAF, e, ainda, em caso eventual êxito naquelas, poderseia estar em situação de prejudicialidade. Logo,. tais aspectos obstam a precisão processual e probatória que são indispensáveis à análise do caso nesta instância recursal. Portanto, tornase necessário diligenciar junto à i. Autoridade a quo no sentido de buscar o conhecimento atual daquelas ações judiciais que tramitam junto ao TRF 3, especialmente no que cinge ao trânsito em julgado da ação ordinária. Torno a citar trecho da Representação n° 118 O contribuinte acima identificado ajuizou os processos 98.00067671 (medida cautelar) e 98.00111212 (ação ordinária) requerendo eximir se de sanções fiscais por proceder a compensação na forma do artigo 66, da Lei 8.383/91, dos valores recolhidos à União, a título de IPI, em relação aos prazos de pagamentos abreviados, ter assegurada a compensação dos valores e a suspensão da exigibilidade dos parcelamentos ou dos pagamentos decenais vigentes. A sentença na cautelar julgou extinto o feito, sem julgamento do mérito. A sentença na ação ordinária julgou improcedente o pedido inicial. O contribuinte apelou e os processos encontramse no TRF 3a Região para julgamento. (GN) Assim, ante a insuficiência dos elementos carreados nos presentes autos, opino pela diligência, com o escopo de acostar certidão de trânsito em julgado das ações retromencionadas, bem como sentenças e acórdãos prolatados e demais peças que a Autoridade de piso entender por relevantes. Em outras palavras, apenas com essas informações é que será possível avaliar o mérito da causa, bem como o espectro da prejudicialidade ou da eventual renúncia à instância administrativa. Conclusão Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que se proceda o esclarecimento sobre as ações judiciais em curso no TRF da 3ª Região, juntandose aos autos a certidão de trânsito em julgado da ação ordinária n° 98.00111212, bem como as decisões proferidas neste processo, e as demais peças que a d. Autoridade a quo entender por relevantes à instrução do atual PAF. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 197 10 Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720170/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/07/2008
PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
Numero da decisão: 3402-005.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/07/2008 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/07/2008 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 70 /2 00 9- 31 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10830.720170/200931 Acórdão n.º 3402005.845 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório A interessada transmitiu PER visando ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa na exportação, em razão de pagamento indevido ou a maior. Posteriormente apresentou DCOMP para compensar o crédito pleiteado com débitos próprios. A unidade de origem reconheceu parcialmente o crédito e homologou as compensações até o limite reconhecido. Diante da homologação parcial da compensação perpetrada, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, oportunidade em que alegou o que segue: (i) nulidade do procedimento administrativo; (ii) direito à compensação do crédito extemporâneo; e (iii) direito à apropriação do crédito sobre valores de aquisição de combustíveis (querosene) no período compreendido entre 10/2008 a 12/2008. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme acórdão nº 09056.362. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, além de vindicar a nulidade da decisão proferida pela instância a quo. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10830.720170/200931 Acórdão n.º 3402005.845 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.825, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.720143/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.825): "I. Dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche parcialmente os demais pressupostos de admissibilidade, haja vista a sua falta de interesse de agir. 7. Isso porque o contribuinte se insurge contra a glosa aqui realizada fundamentandose nos seguintes termos: (i) direito a crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008 e (ii) direito de usar créditos, ainda que extemporâneos. 8. Acontece que, no presente caso em particular, as glosas perpetradas não tocam tais questões. Aliás, no que tange à discussão dos créditos extemporâneos, assim se manifestou a decisão atacada: (...). Destaquese que, no tocante ao mérito, a contribuinte discute tão somente a glosa de crédito extemporâneo, específica para o período de apuração 03/2007, e a apropriação de crédito sobre valores de aquisição de combustíveis no período de 10/2008 à 12/2008. Assim, as glosas realizadas para períodos de apuração diferentes dos acima mencionados não foram contestadas, no tocante ao mérito. Como o período de apuração do crédito informado no PER aqui analisado se reporta ao 2º tri/2005 não houve, quanto ao mérito, instauração de litígio. (...). 9. O mesmo vale para a questão quanto à discussão de uma pretensa glosa de crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008, o que demonstra a Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10830.720170/200931 Acórdão n.º 3402005.845 S3C4T2 Fl. 5 4 ausência de interesse recursal do contribuinte nos específicos tópicos aqui destacados. 10. Neste diapasão, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto, mais precisamente o item III das suas razões recursais. II. Da pretensa nulidade parcial da decisão recorrida 11. Conforme se observa do recurso voluntário, um dos fundamentos trazidos pelo contribuinte em sua peça recursal é a nulidade parcial da decisão proferida pela instância a quo. 12. Antes, todavia, de tratar da sobredita preliminar processual, mister se faz, neste instante, detalhar ainda mais as circunstâncias fáticas que gravitam em torno do presente caso. 13. Nesse sentido, ao se observar os documentos de fls. 03/14, é possível observar que, no presente caso decidendo, o contribuinte alegou possuir um saldo credor de PIS e COFINS, nos termos do art. 16, parágrafo único da lei 11.116/051, o que o motivou a pedir o ressarcimento de tal crédito, ulteriormente convertido em compensação com débitos de agosto e setembro de 2006. 14. Ao glosar tais créditos, a fiscalização deixa clara a fundamentação para tanto, qual seja, a divergência entre as informações fiscais prestadas pelo contribuinte, conforme se observa do seguinte trecho da manifestação de fl. 22: Frisese que os valores divergentes estão de acordo com aqueles informados pelo contribuinte nos DACON's de 01/2005 a 12/2008. Esclarecemos que é facultado ao contribuinte, nos termos da lei, creditarse de valor de contribuições incidentes sobre bens e serviços adquiridos. Ressaltamos que, no período de 01/2006 a 12/2006, não houve informação de créditos de insumos nos DACON's. 15. Ressaltese, todavia, que além do presente pedido de ressarcimento convertido em compensação, a contribuinte apresentou outros inúmeros pedidos no mesmo diapasão, tanto que o presente caso em julgamento é paradigma de outros a ele vinculados e que tramitam neste Tribunal. Essa é a razão, portanto, de a fiscalização trazer as fls. 23/26 uma tabela com a discriminação não só da glosa para o período aqui debatido, mas também para outros períodos que, provavelmente, são 1 " Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: (...). Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10830.720170/200931 Acórdão n.º 3402005.845 S3C4T2 Fl. 6 5 discutidos nos demais pedidos de ressarcimento/compensação apresentados pelo contribuinte. 16. A metodologia alhures indicada não prejudica em precisar quais foram os créditos glosados no presente processo administrativo (2o trimestre de 2005), bem como o motivo de tal glosa, o que afasta uma pretensa nulidade do trabalho fiscal, bem como da decisão atacada. Dispositivo 17. Diante do exposto, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901139/2015-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1302-003.192
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.901127/2015-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente A.A.DE MELO & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.901127/201546, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 39 /2 01 5- 71 Fl. 134DF CARF MF 2 Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão da decisão de primeira instância, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: DCOMP. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito informado em declaração de compensação, não se homologam as compensações vinculadas. A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende compensar pagamento indevido/a maior de IRPJ. A declaração não foi homologada pela DRF/Piracicaba, pois o pagamento estava integralmente utilizado para quitação de débito da recorrente, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados na DCOMP. A decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois não foram apresentados os motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e sequer provas, de forma a demonstrar que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. Após ciência da decisão, foi apresentado recurso voluntário com as seguintes alegações: constataram erro na apuração dos impostos devidos em 2012, onde foram efetuados pagamentos a maior de IRPJ, sendo a diferença utilizada para compensar débitos de IRPJ e CSLL do ano de 2013. deixaram de apresentar as DCTF retificadoras, tendo como conseqüência que todos os pedidos foram indeferidos. afirma que possui o direito de compensar nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, aduzindo que as divergências foram corrigidas, motivo pelo qual requer o reconhecimento do direito creditório. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13888.901139/201571 Acórdão n.º 1302003.192 S1C3T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.180, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901127/2015 46, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.180): "O recurso é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. A recorrente reprisa suas alegações no recurso voluntário, afirmando que teria constatado erro no cálculo dos tributos devidos, mas que teria deixado de retificar as DCTF, fato que deu origem ao indeferimento do pedido. Para comprovar o seu direito creditório, apresentou planilha de cálculo e DCTF retificadora. Esta mesma defesa foi trazida na impugnação, analisada pela decisão recorrida, que não acatou as razões apresentadas pela ausência da demonstração do erro cometido, assim como falta de apresentação de provas. De fato, não basta alegar que pagou tributo a maior. Para comprovação do erro, seria necessário demonstrar como foi feita a primeira apuração, o que estaria incorreto, as retificações necessárias, com a nova apuração do tributo devido. A apresentação de DCTF retificadora, após a ciência da decisão negando o pedido, não se presta para comprovação do erro cometido e que teria efetuado recolhimento a maior. A recorrente chegou a elaborar planilha de cálculo onde informa a receita bruta, o tributo que seria devido, o valor pago e a diferença a maior. Mas a planilha, desacompanhada de qualquer elemento probatório que comprove os valores nela constantes, principalmente no que concerne à receita bruta, também não é suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, requisitos necessários previstos no artigo 170 do CTN. É importante salientar que a decisão recorrida apontou a insuficiência de provas trazidas aos autos, principalmente no que concerne os documentos contábeis e fiscais que respaldem a diferença existente entre o valor supostamente devido e do DARF recolhido." Fl. 136DF CARF MF 4 Pelo exposto, como não foi comprovada a certeza e liquidez do crédito que pleiteia, cujo ônus é da recorrente, voto por não dar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13816.000753/2001-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1992
IRF/ILL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO. PEDIDO ANTERIOR À LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. TERMO INICIAL E PRAZO.
No caso de tributo lançado por homologação, o direito à restituição / compensação, relativamente a pedido protocolado antes de 09/06/2005, somente se extingue após o prazo de dez anos, contado do fato gerador (decisão no RE n° 566.621, do STF, com repercussão geral e Súmula CARF nº 91).
Numero da decisão: 9202-007.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1992 IRF/ILL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO. PEDIDO ANTERIOR À LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. TERMO INICIAL E PRAZO. No caso de tributo lançado por homologação, o direito à restituição / compensação, relativamente a pedido protocolado antes de 09/06/2005, somente se extingue após o prazo de dez anos, contado do fato gerador (decisão no RE n° 566.621, do STF, com repercussão geral e Súmula CARF nº 91).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 385 1 384 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13816.000753/200161 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.258 – 2ª Turma Sessão de 22 de outubro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE ILL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CHEMETALL DO BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1992 IRF/ILL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO. PEDIDO ANTERIOR À LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. TERMO INICIAL E PRAZO. No caso de tributo lançado por homologação, o direito à restituição / compensação, relativamente a pedido protocolado antes de 09/06/2005, somente se extingue após o prazo de dez anos, contado do fato gerador (decisão no RE n° 566.621, do STF, com repercussão geral e Súmula CARF nº 91). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 6. 00 07 53 /2 00 1- 61 Fl. 385DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de Pedido de Restituição de Imposto de Renda sobre o Lucro Líquido ILL, protocolado em 16/11/2001, cumulado com Pedido de Compensação, relativamente a recolhimentos supostamente indevidos, relativos ao ano calendário de 1992. Registrese que, conforme consta do acórdão recorrido, a empresa que efetuou os recolhimentos objeto do pedido de restituição/compensação, Diadema Indústrias Químicas Ltda, foi incorporada pela empresa interessada no presente processo, Chemetall do Brasil Ltda. Em sessão plenária de 05/02/2009, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 10423.731 (fls. 286 a 296), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1992 DECADÊNCIA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO INICIAL O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear'a restituição ou compensação de tributo pago indevidamente, iniciase na data da publicação de ato legal ou administrativo que reconhece indevida a exação tributária. ILL DECADÊNCIA PEDIDO IDE RESTITUIÇÃO TERMO INICIAL SOCIEDADES POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição do Imposto de Renda sobre o Lucro Liquido (Art. 35, da Lei n° 7.713, de 1988), pago indevidamente pelas sociedades limitadas, é a data da publicação da IN n° 63, 24 de julho de 1997, que reconheceu o direito à restituição. No caso concreto, mesmo que se adote como "dias a quo", a data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 82, em 19 de novembro de 1996, é tempestivo o pedido de restituição, protocolado em 16.11.2001. Recurso provido.” A decisão foi assim resumida: "ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à delegacia de origem, nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Antonio Lopo Martinez e Amarylles Reinaldi e Henriques Resende." O processo foi recebido na PGFN em 25/06/2009 (carimbo aposto na Relação de Movimentação de fls. 298) e, em 26/06/2009 (Relação de Movimentação de fls. 299), a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 300 a 302, rejeitados conforme Despacho nº 220100.163, de 27/08/2010 (fls. 304/305). Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13816.000753/200161 Acórdão n.º 9202007.258 CSRFT2 Fl. 386 3 O processo foi novamente recebido na PGFN em 09/09/2010 (carimbo aposto na Relação de Movimentação de fls. 306) e, em 24/09/2010 (Relação de Movimentação de fls. 307), foi interposto o Recurso Especial de fls. 308 a 315. O apelo foi fundamentado nos artigos 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir o termo inicial do prazo decadencial do direito de pleitear restituição de ILL. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2202 00.371, de 30/11/2010 (fls. 351/352). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: quem pagou tributo indevido tem o direito assegurado por lei à restituição (art. 165 do CTN) e, em seguida, o prazo de cinco anos para o exercício desse direito (pedir restituição), sob pena de extinção do direito, conforme art. 168 do CTN (cita doutrina Aliomar Baleeiro); com efeito, o art. 168 do CTN não trata da prescrição, vez que a extinção é do próprio direito e não da ação para exercêlo; havendo o pagamento do tributo, no dia seguinte o contribuinte já poderia, em tese, requerer a restituição do valor pago indevidamente, inclusive poderia discutir a questão judicialmente; neste sentido, não encontra guarida a tese do termo de início ser deslocado, da extinção do crédito tributário, para a data de uma resolução senatorial ou ato normativo; trazendo tais premissas para o caso em tela, temos que obviamente já havia perecido o direito da contribuinte de pleitear restituição/compensação, considerando que os recolhimentos supostamente indevidos foram realizados nos meses de outubro, novembro e dezembro de 1992 e janeiro de 1993, e o pedido somente foi protocolizado muito tempo depois, em 16/11/2001. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, restaurandose a decisão de 1ª instância em sua integralidade. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 13/05/2015 (AR Aviso de Recebimento de efls. 374), a Contribuinte ofereceu, em 11/06/2015 (carimbo de efls. 376), as Contrarrazões de efls. 376 a 381. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 387DF CARF MF 4 A Contribuinte foi intimada em 13/05/2015, quartafeira (AR Aviso de Recebimento de efls. 374) e teria até 28/05/2015, quintafeira, para oferecer Contrarrazões, o que somente foi feito em 11/06/2015 (carimbo de efls. 376), portanto já fora do prazo de quinze dias, estabelecido no art. 69, do Anexo II, do RICARF. Assim, as Contrarrazões não podem ser conhecidas, por intempestividade. Trata o presente processo, de Pedido de Restituição de Imposto de Renda sobre o Lucro Líquido ILL, protocolado em 16/11/2001, cumulado com Pedido de Compensação, relativamente a recolhimentos supostamente indevidos, relativos ao ano calendário de 1992. Ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi dado seguimento, admitindose a rediscussão do termo inicial do prazo decadencial do direito de pleitear restituição de ILL. A respeito dessa matéria, houve pronunciamento do STF em sede de repercussão geral no RE n° 566.621, e do STJ sob o rito de recurso repetitivo nos REsp n°s 1.002.932/SP e 1.269.570/MG, julgados que vinculam o CARF, tendo em vista o disposto no art. 62, § 1º, II, "b", do Anexo II, do RICARF. O entendimento exarado por esses tribunais superiores é no sentido de que o prazo para o Contribuinte pleitear restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do ILL, para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4°, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Em outros termos, nessas situações os Contribuintes dispõem do prazo total de dez anos, a partir do fato gerador, para pleitear restituição do tributo indevidamente recolhido. Ademais, em sessão de 09/12/2013, a questão foi sumulada, conforme a seguir: Súmula CARF n° 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assim, no caso em apreço, como a Contribuinte protocolou o pedido em 16/11/2001, e os pagamentos referemse a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1992, concluise que, sendo cabível a postulação da restituição dos pagamentos relativos aos fatos geradores a partir de 16/11/1991, nenhum dos recolhimentos foi alcançado pela decadência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13816.000753/200161 Acórdão n.º 9202007.258 CSRFT2 Fl. 387 5 Fl. 389DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.015431/2001-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
A competência para julgamento de recurso em processo administrativo que trata de exclusão referente ao SIMPLES é da primeira Seção. Competência que se declina a Primeira Seção deste CARF.
Numero da decisão: 3201-001.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a Primeira Seção de Julgamento do CARF.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Nogueira, Paulo Ségio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. A competência para julgamento de recurso em processo administrativo que trata de exclusão referente ao SIMPLES é da primeira Seção. Competência que se declina a Primeira Seção deste CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a Primeira Seção de Julgamento do CARF. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Nogueira, Paulo Ségio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 54 31 /2 00 1- 96 Fl. 178DF CARF MF 2 Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, até então, que transcrevo, a seguir: “Contra a contribuinte identificada nos autos foi emitido o Ato Declaratório Executivo DRF/FOR nº 40, em 09 de agosto de 2004 (fls. 58), excluindoa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, a partir de 01/01/2002, motivado pelo exercício de atividade impeditiva à opção pelo SIMPLES, cuja descrição da atividade econômica vedada é, locação de mão de obra. 2. Enquadramento Legal: Arts. 9º, inciso XII, “f” 12, 14, inciso I, e 15, inciso II, da Lei nº 9.317, de 05/12/1996; Art. 73 da Medida Provisória nº 2.15834 de 27/07/2001; Arts. 20, inciso XI, “e” 21, 23, inciso I, 24, inciso II, c/c parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 355, de 29/08/2003. 3. Insatisfeita com o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES, a interessada apresenta manifestação de inconformidade em 27/12/2004, mediante os argumentos de defesa resumidos a seguir: 3.1. a classificação do código informado para a Receita no momento da inscrição : “Os serviços de entrega rápida de mercadorias do comércio varejista e de serviços de alimentação no endereço do cliente” é perfeitamente compatível com as atividades realizadas por este, diferindo da definida para a locação de mãodeobra: “O fornecimento, a terceiros, por tempo determinado, de pessoal recrutado e remunerado por agências de trabalho temporário, nas condições da legislação trabalhista”; 3.2. não se trata de uma empresa de fornecimento de mãodeobra a terceiros, mas de prestação de serviços de entrega, conforme classificação oficial adotada pela Receita Federal. O levantado contra a impugnante não está de acordo com o executado por esta, basta entender que os contratos aludidos nos documentos fiscais relatam simplesmente o serviço a ser executado: 1) receber um chamado abrindo a ordem de serviço; 2) destacar qualquer motoqueiro disponível, inclusive os que estiverem em trânsito em outro serviço; 3) pegar a mercadoria e entregar no local solicitado; 3.3. os contratos firmados tem como vantagem a redução do preço dos serviços acordados e não de exclusividade, como expresso no contrato com a COELCE nos itens 6.11 e 7.1.2 (fls. 21/22), avaliados pelos servidores federais, que cita às fls. 71. Dessa forma, entende a requerente, que não há cessão de mãodeobra e sim prestação de serviços, já que não cede nenhum funcionário específico, exclusivo e recrutado para aquela tarefa, nem em seu estabelecimento e muito menos no estabelecimento da contratante; 3.4. enfatiza que o fato da empresa ser optante do SIMPLES, necessariamente, não é sinônimo de redução do valor da contribuição. A exclusão da maneira como está sendo procedida, visa claramente prejudicá Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10380.015431/200196 Acórdão n.º 3201001.145 S3C2T1 Fl. 168 3 la. Pois, embora o Ato Declaratório Executivo, que proferiu a exclusão, tenha sido recebido em 25 de novembro de 2004, seus efeitos retroagem à data da ocorrência da situação de exclusão, ou seja 01/03/2001, resguardando os efeitos da exclusão para 01/01/2002. Portanto, esta forma não é a mais justa para a requerente, no seu modo de avaliar; 3.5. levando em consideração que o motivo que ensejou a exclusão ocorreu em 2000, no momento da inclusão no simples, o justo seria aplicar, para os efeitos da exclusão, a legislação em vigor à época em que ocorreu o fato impeditivo, por ser mais benéfica. Tal regra é de uso comum em direito penal, embasada no princípio da irretroatividade da lei (art. 5º XL da CF). Segundo a qual, a lei posterior, mais severa não retroagirá e a lei anterior, mais benéfica, embasada no princípio utraatividade vigorará enquanto o fato ocorrido durante a sua vigência não for julgado; 3.6. assim, segundo a impugnante aplicase ao caso o disposto no art. 3º da lei 9.732/98, que havia dado nova redação ao inciso II daquele artigo 15, que cita às fls. 72. Desta forma, a exclusão surtirá efeito a partir do mês seguinte ao da publicação do ato declaratório executivo. Em reforço a esse argumento cita o art. 106 do Código Tributário Nacional (fls.73), afirmando que a aplicação da lei em vigor à época do fato impeditivo causará conseqüências menos gravosas a contribuinte, portanto, esta deverá ser aplicada. 3.7. Face ao exposto, pede o cancelamento do Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/FOR no 8.971, de 24/08/2006, proferido pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, às fls. 109/114, cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: Serviço de Entrega Locação de Mão de Obra Comprovado nos autos, que juntamente com os serviços de entregas rápidas a empresa faz locação de mão de obra, dessa forma, fica a interessada impedida de permanecer na sistemática do SIMPLES. Solicitação Indeferida.” Inconformado o interessado apresenta recurso voluntário, tempestivamente, às fls. 120/125 e documentos às fls.126/128 onde repisa basicamente os termos da impugnação. Através da Resolução de n° 3021449, às fls. 131/134, os autos retornaram à repartição de origem para que se constatasse e analisasse a real atividade da empresa e seu enquadramento nos termos do Parecer Cosit n° 69/99 sobre locação de mãodeobra para fins de exclusão no SIMPLES. Tendo em vista, informação do AFRFB, à fl. 138: Fl. 180DF CARF MF 4 “Dessa análise, constatamos que citados contratos têm por objeto o serviço de entrega com utilização de veículos e empregados da contratada. A maioria desses contratos têm cláusula de preço variável em função da quilometragem realizada pelo veículo utilizado. Por essa cláusula, não está caracterizada a cessão de mão deobra. Todavia, os contratos de fls. 09/10 e de fls. 16/17 têm cláusulas de preço fixo mensal pelo serviço prestado, o que, em nosso entendimento, nesse caso, poderá ser enquadrada como cessão de mãodeobra. Em razão de existência dos dois últimos contratos, com cláusulas a preço fixo mensal, e à luz do citado parecer, entendemos salvo melhor juízo, que o contribuinte exerceu sim atividade excludente do SIMPLES.” Como a informação fiscal não trouxe qualquer elemento novo nos autos, ou seja, não foi realizada a diligência conforme solicitado, pois a informação fiscal referese apenas aos contratos que já constavam nos autos e que a remuneração por preço fixo não descaracteriza a prestação de serviço de transporte. Pois, o fato dos três contratos de prestação de serviço de transporte, dentre muitos outros, não pode, de forma alguma, ser motivo para a sua exclusão, daí a motivação do pedido de diligência. Temse que sobre a atividade de locação de mãodeobra, o Parecer Cosit nº 69, de 10/11/99, esclarece o seguinte: “3. Em se tratando da locação da mãodeobra, pressupõese que será utilizado trabalho alheio, ou seja, alguém cederá a outrem a atividade laborativa em virtude de necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou do acréscimo extraordinário de tarefas. 4. A locação de mãodeobra pode também ser definida como o contrato pelo qual o locador se obriga a fazer alguma coisa para uso ou proveito do locatário, não importando a natureza do trabalho ou do serviço. Os trabalhos são realizados sem a obrigação de executar a obra completa, ou seja, sem a produção de um resultado determinado. Na locação de mãode obra, também definida como contrato de prestação de serviços, a locadora assume a obrigação de contratar empregados, trabalhadores avulsos ou autônomos sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. A locadora é responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação de serviços, sendo que os empregados ou contratados ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. (grifei) Desta forma, foi CONVERTIDO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA (Resolução n° 310200.064), à repartição de origem para que se constatasse e analisasse a real atividade da empresa e seu enquadramento nos termos do Parecer Cosit n° 69/99 sobre locação de mãodeobra para fins de exclusão no SIMPLES, em sessão de junho de 2009. O processo digitalizado foi redistribuído a esta Conselheira. Voto Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10380.015431/200196 Acórdão n.º 3201001.145 S3C2T1 Fl. 169 5 Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente processo discute a exclusão referente ao SIMPLES. Em assim sendo, o recurso em exame referese a exclusão no SIMPLES, matéria esta que não se encontra na competência deste Colegiado, mas da Primeira Seção deste CARF, na forma do artigo 2º, inc.V, Anexo II do seu Regimento Interno (Portaria n° 256, de 22/06/2009), verbis: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); Assim, VOTO por não conhecer do recurso e declinar a competência para seu julgamento a uma das Câmaras da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 182DF CARF MF
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