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Numero do processo: 13607.720335/2017-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. APOSENTADORIA.
Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 43.
Numero da decisão: 2002-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a isenção dos rendimentos tidos por omitidos a partir do mês de agosto de 2013.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. APOSENTADORIA. Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 43.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a isenção dos rendimentos tidos por omitidos a partir do mês de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente ELIAS CARDOSO LOURENCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. APOSENTADORIA. Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 43. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a isenção dos rendimentos tidos por omitidos a partir do mês de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 7. 72 03 35 /2 01 7- 17 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13607.720335/201717 Acórdão n.º 2002000.265 S2C0T2 Fl. 53 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 9/18), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2014. Essa alteração implicou na redução do imposto a restituir de R$2.831,28 para R$917,27. A notificação consigna duas infrações: a) rendimentos indevidamente declarados pelo contribuinte como isentos. Aponta que, intimado, o contribuinte não comprovou a condição de aposentado no ano calendário 2013, por esse motivo os rendimentos recebidos da fonte pagadora SEPLAG MG devem ser levados à tributação (fl.10). b) número de meses relativo a rendimentos recebidos acumuladamente indevidamente declarado tributação exclusiva. O contribuinte informou o total de 18 e 17 meses para os valores recebidos da fonte pagadora – Sec. de Estado de Planejamento e Gestão. Intimado, o contribuinte não comprovou com documentação o número de meses relativo ao RRA (fl.13). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 6/9/2017, a NL foi objeto de impugnação, em 3/10/2017, à fl. 2/19 dos autos, na qual o representante do contribuinte afirmou que os rendimentos seriam isentos, indicando a juntada de laudo médico que comprovaria a isenção a partir de dezembro de 2010. Em relação aos rendimentos acumulados, alegou que se trataria de rendimento isento. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/POA que, por unanimidade, julgoua improcedente (fls. 29/34). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 2/3/2018 (fl. 38), o contribuinte, em 15/3/2018 (fl. 40), apresentou recurso voluntário, às fls. 42/49, no qual requer o reconhecimento do direito à isenção dos rendimentos declarados diante do laudo médico que atestaria sua patologia desde dezembro de 2010. Indica a juntada de documento comprobatório de sua aposentadoria e requer o reconhecimento da isenção a partir de dezembro de 2010. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.36). Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13607.720335/201717 Acórdão n.º 2002000.265 S2C0T2 Fl. 54 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O recorrente alega fazer jus a isenção, indicando o laudo médico de fl.8, que, no seu entendimento, seria hábil a comprovar seu direito à isenção a partir de dezembro de 2010. Não obstante, conforme consignado na decisão recorrida, duas são as condições para reconhecimento da isenção: que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria ou pensão e comprovação mediante laudo médico oficial da existência de moléstia grave. O laudo médico oficial de fl.8 consigna patologia decorrente de acidente em serviço. Em seu recurso, o recorrente junta correspondência dando notícia de sua aposentadoria a partir de 2/8/2013 (47). O ato de aposentadoria faz alusão aos artigos 40, §1º, inciso I, da Constituição Federal, e 8º, inciso III, alínea a e §2º da Lei Complementar nº 64, de 2002, do Estado de Minas Gerais, que dispõem: Constituição Federal Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13607.720335/201717 Acórdão n.º 2002000.265 S2C0T2 Fl. 55 4 § 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma dos §§ 3º e 17: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) I por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) ... Lei Complementar nº 64, de 2002, do Estado de Minas Gerais. Art. 8º O servidor integrante do Regime Próprio de Previdência de que trata esta Lei Complementar será aposentado: (Caput com redação dada pelo art. 1º da Lei Complementar nº 110, de 28/12/2009.) ... III por invalidez permanente, atestada na forma do art. 13: a) com proventos integrais, se a invalidez for decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, mencionada no § 2º deste artigo; ... § 2º – Para fins do disposto na alínea “a”do inciso III do caput, entendese como: I– acidente em serviço o evento danoso que tiver como causa mediata ou imediata o exercício das atribuições inerentes ao cargo ou, ainda, a agressão sofrida e não provocada pelo servidor no exercício de suas atribuições; II– moléstia profissional a enfermidade que decorrer das condições do serviço ou de fato nele ocorrido, devendo o laudo médico estabelecer a sua rigorosa caracterização; III– doença grave, contagiosa ou incurável, com base em conclusão da medicina especializada, as seguintes enfermidades: tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira posterior ao ingresso no serviço público, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, artrite reumatóide, fibrose cística (mucoviscidose), lúpus eritematoso disseminado (sistêmico), pênfigo foliáceo e outras que a lei indicar. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13607.720335/201717 Acórdão n.º 2002000.265 S2C0T2 Fl. 56 5 (Parágrafo com redação dada pelo art. 1º da Lei Complementar nº 110, de 28/12/2009.) Assim, como aqui está se tratando do anocalendário 2013, é de se reconhecer o direito à isenção dos rendimentos auferidos pelo contribuinte da fonte pagadora SEPLAG MG a partir do mês de agosto, quando foram preenchidos os requisitos para reconhecimento do benefício. Nesse sentido, é o que dispõe a Súmula CARF nº 43: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. (destaques acrescidos) Em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, o recorrente nada apresentou, seja na impugnação, seja agora em seu recurso. Cabe ressaltar que, embora sustente que esses rendimentos seriam isentos, foi o contribuinte que os informou como de tributação exclusiva em sua Declaração de Ajuste. A autuação limitouse a alterar o número de meses associados aos rendimentos recebidos, diante da falta de apresentação de provas pelo contribuinte. Assim, em relação a essa infração, sem elementos de prova, como inclusive aponta a decisão recorrida, não há como reconhecer a isenção pleiteada. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento parcial, para excluir da base de cálculo do IR os rendimentos auferidos pelo recorrente a partir de agosto de 2013 da fonte pagadora SEPLAG MG (fl.10). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.000383/2004-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA.
Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei n° 9.317, de 1996, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada (art. 9°, inciso XIX). Caracterizado o exercício desta atividade proibida pela Lei, tornar-se-á imperativo o desenquadramento da Contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei n° 9.317, de 1996, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada (art. 9°, inciso XIX). Caracterizado o exercício desta atividade proibida pela Lei, tornar-se-á imperativo o desenquadramento da Contribuinte. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio
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EXCLUSÃO. Recorrente MINERAÇÃO FONSECA INDUSTRIA E COM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei n° 9.317, de 1996, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada (art. 9°, inciso XIX). Caracterizado o exercício desta atividade proibida pela Lei, tornarseá imperativo o desenquadramento da Contribuinte. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 03 83 /2 00 4- 38 Fl. 317DF CARF MF 2 Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 200 e 201), protocolado pela Recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 194 à 196), proferida em sessão de 30/11/2007, consubstanciada no Acórdão n.º 0323.448, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF. Esta, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, a qual pretendia desconstituir o Ato Declaratório Executivo n° 430.775, de 07/08/2003 (efl. 07), que excluiu a Contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2001, nos termos do artigo 9º, inciso XIX, da Lei nº 9.317/1996, em virtude da comercialização de água mineral, o que seria vedado pela legislação vigente à época. A decisão da DRJ restou assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 Ementa: Opção pelo Simples Condição Vedada Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei. Solicitação Indeferida AOs argumentos apresentados no Recurso Voluntário reiteram aqueles veiculados na Manifestação de Inconformidade. Transcrevo aqui os principais trechos da petição recursal: A Requerente desde o início de suas atividades, jamais industrializou algum tipo de produto, somente ENVASOU ÁGUA MINERAL NATURAL SEM GÁS. Este é seu único produto e que o comercializa desde sua fundação. Todos os seus registros, licenças, inspeções, etc. confirmam tal atividade. Quando do seu recurso com impugnação à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, baseouse especificamente em afirmar, que embora a ÁGUA MINERAL constasse da Tabela TIPI, a água mineral natural lá constava como NT ou seja Não Tributada pelo Imposto, entendendo assim não proceder sua exclusão do regime. No entanto, dado a todos os fatos expostos e das provas juntadas no referido recurso, a própria TURMA DA 4°. VARA DRJ/BSA. deixou claro o seu ENTENDIMENTO que o Decreto 4.544/2002 retirou as Águas Minerais Naturais do Regime de Tributação da Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10660.000383/200438 Acórdão n.º 1002000.381 S1C0T2 Fl. 318 3 Lei 7.798/89, reconhecendo assim, que a partir do ANO CALENDÁRIO 2002, inclusive, SER a requerente INCLUÍDA no SIMPLES. citando que fato somente poderá ocorrer com AUTORIZAÇÃO DE V. EXCIA., mediante solicitação à egrégia Delegacia da Receita Federal do Brasil em Varginha, provando a solicitante operar com Água Mineral Natural. Assim tomase imperioso, a requerente demonstrar à V. Excia., que exerce somente a atividade citada. Por isto junta ao presente as seguintes provas consistentes que trazem de forma inequívoca esta comprovação, não deixando nenhuma dúvida: a) Cópia da Certidão expedida em 06/05/2008, pelo Ministério de Minas e Energia Departamento Nacional de Produção Mineral DNPM onde atesta claramente que a água envasada pela Mineração Fonseca Ltda., é Mineral Natural; b) Cópia de documento da Secretaria de Vigilância Sanitária do Município de Pouso Alegre, devidamente assinada pelo Médico veterinário responsável, atestando claramente o nome do produto: Agg Mineral Natural sem Gás; c) Cópias dos Laudos expedidos pela FUNED Fundação Ezequiel Dias, um com data de I3/08/2003 e outro com data de 06/06/2007, certificando claramente que o produto é: Água Mineral Natural sem Gás; Esclarece finalmente a V. Excia., conforme pode verificar, que em todo o período abrangido por estes fatos, efetuou o RECOLHIMENTO de acordo com a sistemática da Lei 9.317/96 SIMPLES, e que sua exclusão trará imensos transtornos à requerente. Colocase à disposição para quaisquer esclarecimentos, envio de outros documentos se necessários, e ainda seu estabelecimento está com portas abertas a qualquer inspeção, caso necessária. Diante de tudo que foi exposto e das provas juntadas, SOLICITA sua INCLUSÃO NO SIMPLES a partir do ano calendário 2002, inclusive. No deslinde do presente PAF, foram acostados Notas Fiscais emitidas pela Recorrente, bem como suas documentações registrais e laudos de seus produtos comercializados. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o Relatório. Voto Fl. 319DF CARF MF 4 Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do Simples, desvinculado do crédito tributário. Eventual crédito tributário não é exigido nestes autos, bem como não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6.º, § 1.º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, entendo que não assiste razão a Recorrente. O acervo probatório acostado aos presentes autos aponta estreita retidão do Acórdão Recorrido; notouse de forma inquestionável (NF acostadas às efls. 18 à 162) que a Contribuinte comercializava água mineral. Atividade esta corroborada pelo contrato social da empresa. Outrossim, cumpro esclarecer que, em que pese a inegável diligência da Recorrente em produzir laudos, bem como em cumprir tempestivamente com todas as informações que lhe foram requisitadas pela Autoridade Fiscal, o cerne do presente caso reside no aspecto intertemporal do Direito. Não há dúvidas que a TIPI em 2002 arrolou as águas minerais (código 2201.10.00) como "NT". Noutro giro, não era este o panorama vigente à época do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98), cujo teor do art. 136 c/c art 126 dispunham de forma clara a tributação de água, verbis: Dos Produtos dos Capítulos 21 e 22 da TIPI Art. 126.Os produtos dos Capítulos 21 e 22 da TIPI relacionados nas Tabelas "A" e "B" dos arts. 135 e 136 sujeitamse, por unidade ou por determinada quantidade de produto, ao imposto, fixado em Reais (Lei nº 7.798, de 1989, arts. 1º e 3º). (...) Art. 136.Os produtos das posições 2106, 2201, 2202 e 2203 da TIPI, sujeitos ao regime previsto no art. 126, e os respectivos valores do imposto, são os seguintes: TIPI 2106.90.10 Ex 02Preparação do tipo das utilizadas para elaboração de bebidas (*)0,82litro 2201.10.00Águas minerais e águas gaseificadas Garrafa de vidro, retornável (...) Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10660.000383/200438 Acórdão n.º 1002000.381 S1C0T2 Fl. 319 5 Nessa trilha, é de concluir que os produtos comercializados pela Recorrente restavam incluídos nos termos do Decreto n° 2.637/98, código TIPI. 220110.00, razão pela qual se torna forçosa a aplicação do art. 9°, XIX da Lei n° 9.317/96: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIX que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei no7.798, de 10 de julho de 1989, mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas. Portanto, não vejo óbice no Ato Declaratório de exclusão. A meu ver, a norma é bastante clara, não gerando maiores dúvidas. Além disto, as razões de decidir da DRJ parecemme bastante consistentes, de modo que, considerando que não foram apresentadas novas razões de defesa no Recurso Voluntário, de forma diversa da constante na Manifestação de Inconformidade, e tendo em vista que a matéria já foi alvo de percuciente análise no Acórdão exarado pelo juízo de piso, peço vênia para, com base no § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF, extrair trechos daquela decisão onde estão consignados os fundamentos para indeferimento do pleito da recorrente e adotálos, desde logo, como complemento das razões de decidir: A manifestação de inconfomidade apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Assim sendo, dela conheço. O argumento trazido à baila pela empresa não a socorre para o fim de mantêla na sistemática do Simples, visto que se encontrava em condição não permitida para permanecer no Sistema, nos termos do inciso XIX do art. 9° da Lei 9.317/1996 (que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei n° 7.798, de 10 de julho de 1989, mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas) Observese que as águas minerais constavam da Tabela B do art. 136 do Decreto 2.637/98RIPI/98, sujeitandoas à tributação de que trata a lei 7.798/89. Aquele decreto não discriminou as águas minerais (naturais ou artificiais). . Entendendose que o Decreto 4.544/2002 retirou as águas minerais naturais do regime de tributação da lei 7.798/89, cabe à interessada pleitear inclusão no Simples junto à DRF/Varginha e fazer prova de que opera só com água mineral natural, como afirma, pois as Notas Fiscais acostada; aos autos mostram que opera com água mineral. Fl. 321DF CARF MF 6 Quanto à ofensa a princípios constitucionais e legais, registrese que matéria de natureza constitucional e de legalidade não pode ser oposta na esfera administrativa, dado que cabe ao judiciário apreciai a constitucionalidade e/ou legalidade das normas jurídicas Relativamente à interpretação da legislação tributária, registrese que o Simples é sistema diferenciado .â simplificado de tributação que segundo o CTN _interpretase literalmente. .Por fim, destaco que não cabe a este Colegiado Recursal proceder com a inclusão ex officio da Recorrente à sistemática do SIMPLES, conforme requer a Contribuinte (para o anocalendário de 2002). Isso porque, uma vez desenquadrada, torna se necessário efetuar um novo procedimento de adequação ao indigitado regime tributário, cumprindo as etapas que a Lei determinou para tanto. E dentro desse consectário, impende também pontuar a incidência da Súmula CARF n° 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Dispositivo Ante o exposto, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 322DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.722574/2011-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IRPF. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. PAGAMENTO FUTURO. MOMENTO DO FATO GERADOR. ART. 173, I DO CTN.
Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser considerado como termo inicial para contagem do prazo decadencial. Hipótese em que o pagamento se operou em razão de operação futura de compensação de direito entre as partes.
Deixando o contribuinte de recolher o respectivo imposto deve-se aplicar a regra do art. 173, I do CTN haja vista a ausência de pagamento, ainda que parcial, do tributo.
Numero da decisão: 9202-007.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. PAGAMENTO FUTURO. MOMENTO DO FATO GERADOR. ART. 173, I DO CTN. Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser considerado como termo inicial para contagem do prazo decadencial. Hipótese em que o pagamento se operou em razão de operação futura de compensação de direito entre as partes. Deixando o contribuinte de recolher o respectivo imposto devese aplicar a regra do art. 173, I do CTN haja vista a ausência de pagamento, ainda que parcial, do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 25 74 /2 01 1- 87 Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 9202007.154 CSRFT2 Fl. 1.639 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2007. Foram apuradas duas infrações: omissão de rendimentos da atividade rural e omissão/apuração incorreta de ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos pelo Condomínio Agrícola Márcio Milan de Oliveira e Outros (MMO), visto que este cedeu à SAD (Sociedade Agrícola Dedini) os seus ativos e os direitos sobre contratos de parceria agrícola. Consta das fls. 432 esclarecimentos prestados pela pessoa jurídica SAD em processo de fiscalização que deu origem ao presente lançamento: Em resposta, datada de 13 de outubro de 2011, a fiscalizada informou: "No anocalendário de 2006, o condomínio de pessoas físicas denominado Márcio Milan de Oliveira e Outros ("MMO") transferiu a totalidade das suas atividades agrícolas para a SAD/ABAG. Nesse contexto, foram firmados os seguintes contratos: 1) Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações e Outras Avenças, datado de 14 de novembro de 2006, com quatro aditivos (Docs. 1 a 5). Por meio desse contrato e respectivos aditivos, MMO cedeu para a SAD/ABAG todos os direitos e obrigações decorrentes dos instrumentos particulares de contrato de parceria agrícola e compra e venda de canade açúcar que haviam sido firmados por MMO até então. Um exemplo de instrumento particular cujos direitos e obrigações foram objeto da cessão encontrase anexo (Doc. 6). Como conseqüência da referida cessão de direitos e obrigações, com respectivos aditivos, a SAD/ABAG passou a dever para MMO o montante total de R$ 286.350.739,85, a ser pago em parcelas, conforme termos e condições estipulados contratualmente. 2) Contrato de Cessão e Transferência de Ativos e Outras Avenças, datado de 1o de dezembro de 2006, com três aditivos (Docs. 7 a 10). Mediante tal contrato e respectivos aditivos, MMO cedeu e transferiu para a SAD/ABAG bens e direitos que compunham seu ativo imobilizado, contas a receber, ativo diferido, adiantamentos a fornecedores e estoques, conforme relação de bens e direitos constante dos anexos do contrato e aditivos. Em contrapartida à dita cessão e transferência de Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 9202007.154 CSRFT2 Fl. 1.640 3 ativos, a SAD/ABAG passou a dever para MMO o montante total de R$ 37.136.933,13, a ser pago em parcelas, conforme termos e condições previstos no contrato. Os passivos da Intimada em face de MMO acima especificados totalizavam o montante de R$ 323.487.672,98. Os créditos detidos pela SAD/ABAG em face de MMO após os aumentos de capital descritos na resposta apresentada a esta fiscalização em 19 de setembro de 2011, no valor total de R$ 270.847.073,86, foram utilizados para liquidar parcialmente esses passivos, mediante compensação. Após o trâmite processual, a Delegacia de Julgamento, por unanimidade, rejeitou a arguição de nulidade e, quanto ao mérito, julgou procedente em parte a impugnação determinando a adequação da base de cálculo do contribuinte. Na oportunidade, foi julgada procedente a impugnação da pessoa jurídica apontada como responsável tributária, constante do Processo n° 13889.720028/201211. Contra citada decisão foi apresentado recurso de ofício e também recurso voluntário. Ambas as partes, Fazenda Nacional e Contribuinte, apresentaram contrarrazões. Em sessão realizada em 25.01.2016 a 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária converteu o julgamento em diligência determinando o encaminhado dos autos à Repartição Fiscal de origem, para que se procedesse com a intimação da empresa Abengoa Bioenergia Agroindústria Ltda acerca do resultado do julgamento que determinou sua exclusão do pólo passivo nos termos do acórdão nº 1653.151. Vencidos alguns incidentes, o processo foi novamente submetido a apreciação do Colegiado a quo. Nesta ocasião, acordaram os membros, por unanimidade de votos em 1) rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração por ausência de intimação do recorrente na fase de fiscalização; de vício no mandado de procedimento fiscal e de ausência de provas do fato jurídico tributário, referente à compensação, 2) considerar definitiva a exclusão do responsável tributário; 3) negar provimento ao recurso de ofício; e 4) negar provimento ao recurso voluntário em relação à omissão de rendimentos da atividade rural. No que tange a parte do lançamento onde se cobra o imposto de renda sobre o ganho de capital apurado, pelo voto de qualidade, o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão 2301000.813 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 9202007.154 CSRFT2 Fl. 1.641 4 O Termo de Verificação Fiscal relata de forma clara e completa a descrição dos fatos, os procedimentos fiscais adotados, as verificações efetuadas, as conclusões obtidas e os fundamentos de fato e de direito em que se apoia a autuação. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Não invalida o lançamento decorrente de revisão da declaração de ajuste anual a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. O parágrafo 4º, do art. 61, do Decreto nº 3.000/99 postergou o fato gerador da incidência do imposto, nos casos de alienações a prazo de produtos oriundos da atividade rural, de modo que tais vendas apenas serão consideradas receitas na data do seu efetivo recebimento (comprovado pelas compensações), alterando, por consequência, o momento do fato gerador. IRPF GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE DIREITOS. Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Se a extinção da obrigação se deu por compensação, sua data será considerada termo inicial do prazo decadencial. Se os dispêndios realizados com a cultura em formação, cuja cessão de direitos é o objeto do ganho de capital, foram alocados como despesas da atividade rural, nos termos da legislação aplicável à tributação dessa atividade, não é possível considerálos como custo na operação objeto do ganho de capital. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Cientificada a Fazenda Nacional, conforme petição de fls. 1.356, se manifesta pela não interposição de recurso. Tempestivamente, o Contribuinte interpõe recurso especial de divergência o qual foi parcialmente conhecido, decisão ratificada pelo Presidente deste Conselho quando da apreciação do recurso de Agravo. A parte conhecida devolve a esta CSRF a discussão acerca da aplicação da regra decadencial ao ganho de capital. Citando como paradigmas os acórdãos 920200809 e 2801003.557, a divergência foi assim esclarecida: Em outras palavras, de acordo com o entendimento prevalecente na Turma, o ganho de capital supostamente auferido pelo Recorrente teria ocorrido na data da compensação dos créditos, pela SAD, dos débitos que detinha contra o condomínio MMO, o que ocorreu em 30/09/2007. Sob essa ótica, portanto, não teria Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 9202007.154 CSRFT2 Fl. 1.642 5 transcorrido o prazo decadencial para a Fazenda constituir o crédito tributário. Segundo o voto vencedor, portanto, tratandose de ganho de capital e incidência de IRPF, a data do fato gerador, e portanto do início do termo a quo do prazo decadencial para constituição de eventual crédito tributário, não se dá quando da celebração do negócio jurídico entre as partes, mas somente na data do efetivo pagamento da(s) parcela(s) acordada pelas partes, ou seja, do efetivo pagamento da avença. Assim, no caso em tela e sob a ótica do voto vencedor, a data do fato gerador e o início do prazo decadencial não seria a data da celebração do Contrato de Cessão de Direitos e Obrigações, avaliado em R$ 280.157.514,64, o que ocorreu em 14/11/2006, mas sim a data da compensação dos créditos, pela SAD, dos débitos que detinha contra o condomínio MMO, o que ocorreu em 30/09/2007, pois, segundo o referido voto vencedor integrante do acórdão recorrido, a jurisprudência deste Carf se assentou no sentido de que nas vendas a prazo o fato gerador do imposto sobre a renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Relatora Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, haja vista comprovada divergência jurisprudencial no que tange a data de início do prazo decadencial nos lançamentos do Imposto de Renda Pessoa Física decorrente da omissão de ganho de capital em contrato cujo pagamento se dê de forma parcelada no tempo. Discutese se o termo inicial da decadência seria a data da celebração do contrato de alienação das ações ou a data em que os valores foram recebidos em razão da compensação de obrigações entre as partes envolvidas. Para elucidar a questão, necessariamente devemos fazer uma análise sobre qual é o fato gerador do Imposto Renda, para tanto transcrevemos o art. 43 do Código Tributário Nacional: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 9202007.154 CSRFT2 Fl. 1.643 6 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. A jurista Mary Elbe de Queiroz em artigo intitulado “Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza – Tributação das Pessoas Físicas" (in Curso de Especialização em Direito Tributário: Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho. Editora Forense 2006), muito bem explica o que seria essa 'aquisição da disponibilidade': Já “disponibilidade” é palavra derivada do latim disponere, dispor, isto é, bens de que se pode dispor livremente, livres de qualquer desembaraço. Caracterizase como a liberdade necessária à normalidade dos negócios, revelada por uma situação que possibilita ao titular poder dar destinação livre e imediata à renda ou provento percebido, não alcançado a disponibilidade apenas potencial. A disponibilidade poderá ser visualizada sob os aspectos econômicos, jurídico e financeiro. Entendese por “disponibilidade econômica” a percepção efetiva da renda ou provento. A aquisição se dá pelo fato material, independentemente da legalidade, ou não, do modo de obtenção. Portanto, a disponibilidade poderia ocorrer de forma não acolhida pela ordem jurídica. Já a “disponibilidade jurídica” diz respeito à aquisição de um título jurídico que confira direito de percepção de um valor definido, ingresso de forma legal, no patrimônio. É a aquisição por meio de uma das formas legítimas e legais, de acordo com o direito. Pressupõe a disponibilidade econômica, enquanto a “disponibilidade financeira” é o ingresso físico do valor cuja disponibilidade econômica ou jurídica foi previamente adquirida. Nesse caso, existe a posse efetiva dos valores. A legislação do Imposto sobre a Renda consagra e impõe, com relação às pessoas físicas, além da “disponibilidade econômica ou jurídica”, a exigência da real “disponibilidade financeira”, o chamado “regime de caixa”. Nesse caso, precisa haver o efetivo recebimento do numerário ou pagamento das despesas (o ingresso ou o desembolso de numerário), para que os respectivos valores sejam computados para efeito da incidência do imposto. Percebese portanto que a regra matriz de incidência do imposto possui como critério material o efetivo recebimento do ganho pela pessoa física, não sendo possível tributar a mera expectativa de uma da disponibilidade econômica de valores decorrentes de negócios jurídicos, até porque em alguns casos esse recebimento simplesmente pode não ocorrer (hipótese de inadimplência do devedor). Ao argumento acima acrescentamos o fato de que ter disponibilidade sobre algum bem é característica daquele que é proprietário da coisa, conforme preconiza o art. 1.228 do Código Civil, e ao tratarmos do ganho de capital, para delimitar o momento da aquisição dessa propriedade de proventos devemos observar a regra do art. 2º da Lei nº 7.713/88: Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 9202007.154 CSRFT2 Fl. 1.644 7 Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Ora, o artigo deixa claro que no imposto de renda essa propriedade surge com o recebimento dos valores com a percepção do ganho. Assim, nos contratos a prazo o fato gerador do imposto de renda do ganho de capital (sujeito a tributação definitiva) somente se efetiva com o pagamento da respectiva parcela, momento em que são efetuados os cálculos para se chegar ao efetivo ganho e são essas datas que norteiam a contagem do prazo decadencial para eventual realização de lançamento de ofício pelo Fisco. Muito se questiona se a norma do art. 31 da Instrução Normativa nº 81/2001 teria alterado o fato gerador do imposto em questão: Art. 31. Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido, relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I. A meu ver tal discussão não procede. Sabese que norma infralegal não tem o condão de alterar as regras e bases traçadas pelo CTN e por lei específica, ou seja, não pode uma norma regulamentar alterar os pilares da regra matriz de incidência do tributo, sob pena de ferir o Principio da Legalidade. Na verdade, considerando a mutabilidade das normas tributárias no Brasil, podemos interpretar o art. 31 da citada Instrução Normativa nº 84/01 como dispositivo que confere segurança jurídica aos contribuintes, pois ainda que as normas do imposto venham sofrer mudanças ao longo dos anos a fixação de um marco para apuração de eventual ganho de capital afasta qualquer elemento surpresa nos contratos com longo prazo de pagamento. Portanto, se o imposto em questão possui como fato gerador a aquisição, econômica ou jurídica e financeira, de renda ou provento, e se nos casos de venda a prazo essa disponibilidade somente ocorre com o efetivo recebimento das parcelas de valores, deve se tomar essas datas de pagamento como marco para contagem do prazo decadencial. No presente caso, diante da matéria devolvida, devemos fixar como premissa a conclusão mantida pela turma a quo no sentido da ocorrência do pagamento futuro, este caracterizado pela operação de compensação realizada entre as partes envolvidas. Conforme exposto, o lançamento exige imposto de renda sobre o ganho de capital auferido pelo Contribuinte em decorrência da alienação de ações, o valor do ganho foi apurado a partir de Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 10865.722574/201187 Acórdão n.º 9202007.154 CSRFT2 Fl. 1.645 8 compensação realizada pelo adquirente haja vista que o mesmo era credor do contribuinte, a data deste pagamento/compensação foi 30.09.2007. Neste cenário, considerando que o Recorrente foi intimado da lavratura do auto de infração em 28.11.2011, conforme consta de documento de efls. 464, aplicandose ao caso o artigo 173, I do CTN haja vista a ausência de pagamento do imposto devemos concluir que o prazo decadencial tem seu termo inicial em 01.01.2008 (primeiro dia do exercício seguinte ao fato gerador/pagamento ocorrido em 30.09.2007), encerrandose em 31.12.2012. Assim, devese afastar a decadência. Curioso destacar que o próprio parecer jurídico juntado pelo Contribuinte às fls. 1225/1300 em tese concluiria pela inexistência da decadência, ainda que se considerasse como marco inicial a data da celebração do contratos. Toda argumentação teórica trazida pelos ilustrares juristas foi no sentido de se aplicar ao caso a regra do art. 173, I do CTN haja vista a inércia do contribuinte e ausência de pagamento, entretanto por um equívoco foi adotada como data da ciência do lançamento o dia 03.04.2012, o que não condiz com a realidade dos autos. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1645DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005514/2007-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Serão considerados decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de dez anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Não configurada a decadência no caso concreto.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
NULIDADE. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído cote relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra.
SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. RECOLHIMENTOS. APROVEITAMENTO.
A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP.
PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA.
O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento.
VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE.
A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo com as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente o requisito da tipicidade da tributação.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF.
A Súmula nº 02 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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INOCORRÊNCIA. Serão considerados decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de dez anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Não configurada a decadência no caso concreto. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NULIDADE. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído cote relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 55 14 /2 00 7- 23 Fl. 2786DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 3 2 elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. RECOLHIMENTOS. APROVEITAMENTO. A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento. VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo com as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente o requisito da tipicidade da tributação. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. A Súmula nº 02 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Fl. 2787DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 4 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10120.005592/200728, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos deste processo administrativo fiscal, em face do acórdão julgado por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Tratase de lançamento efetuado contra a empresa em epígrafe, por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, relacionado às contribuições destinadas à Seguridade Social referentes às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, à parte dos segurados empregados e às destinadas a outras entidades e fundos, lançadas na competência 09/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída em obra. Uma vez constatadas as irregularidades apontadas, a autoridade lançadora, considerando que tais procedimentos comprometeram a avaliação da real movimentação da remuneração paga aos segurados empregados, aferiu a base de cálculo das contribuições de acordo com a previsão legal contida no § 4° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, bem como o § 3°e 6°. Assim, o critério adotado pela Fiscalização para aferição da base de cálculo foi o cálculo proporcional à área construída da obra objeto da fiscalização. A notificada apresentou defesa administrativa tempestiva, referindose aos itens do relatório fiscal da NFLD, sendo julgada improcedente a impugnação pela DRJ de origem. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, onde apresenta os seguintes argumentos: Fl. 2788DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 5 4 (i) Requer a nulidade do Acórdão Argumenta que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente. (ii) Cerceamento de defesa Reafirma o cerceamento de defesa, pois o fato de pessoas ligadas à impugnante terem acompanhado parte da atividade de investigação da junta fiscal, não a exime de informar, em relatório, a discriminação clara, precisa dos fatos geradores (art. 37, da lei n.8.212/91), e circunstanciada e transparente fundamentação legal, correta subsunção dos fatos à norma e lógica na apuração da base de cálculo. (iii) Contabilização por centro de custo Entende a contribuinte que a interpretação dos fatos que levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Aduz a contribuinte que uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente, foram, no entender da contribuinte, rebatidas em impugnação. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram acatados incondicionalmente, já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. Sustenta que a circunstância da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que examinaramlhe a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos,,os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. (iv) Princípio da imparcialidade Para a contribuinte resistiram, sob a complacência da DRJ de origem, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras NFLDs utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. Aduz a contribuinte que os autos de infração citados pelo relator como procedentes foram julgados apenas na primeira instância, ainda não foram avaliados por este Colendo Conselho cuja imparcialidade é reconhecida. Questiona ela por que o órgão julgador de primeira instância administrativa não julga importante registrar os diversos erros cometidos pela junta fiscal, que fizeram com que os autos fossem baixados em diligência mais de uma vez, e o crédito lançado Fl. 2789DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 6 5 retificado várias vezes? Responde dizendo que o órgão julgador não observa, o princípio da imparcialidade. Sustenta que a junta fiscal errou quando não cumpriu o que determina o art. 449 da IN 3, não reduzindo as áreas, mas isso não e importante para a DRJ/BSA registrar. Aliás, foi registrado como erro da recorrente: no relatório fiscal afirmam que evidenciando a utilização de empregados, sem contudo, haver registro de escrituração de folhas de pagamento. O registro de pequenas obras — conta DPOGR, existe exatamente para registrar, dentre outros fatos menores, quantificados em função do porte da empresa, serviços de curto prazo prestados por empregados a terceiros sem que se complete o ciclo mensal, especificamente em serviços realizados em obras e que terminam muito ante do final do mês. Em outras palavras: prestam serviços a várias obras dentro do mês. Essa mão de obra, conforme art. 162 de IN 3, abaixo transcrito, é escriturada na folha de pagamento da Administração, pois não há como registrar estes serviços em folhas específicas, como quer entes do fisco. (v) Arquivos digitais da ação fiscal — Ausência de Motivação Sustenta a recorrente que o item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários; não foi apreciado no voto. Foi somente citado no relatório. Argui a contribuinte que esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. Entende que a não entrega dos arquivos digitais contendo a planilha com dados e informações sobre a apuração de valores que dizem respeito à recorrente é outra prova contundente do evidente cerceamento de defesa. O fisco cria normas obrigando o contribuinte a entregar arquivos digitais de seu interesse, mas esquece das normas que obrigam todos os servidores públicos (art. 116, Lei 8.112/90) e Princípios constitucionais, dentre eles o da Moralidade. (vi) Inversão do ônus da prova: dever da prova Trata a contribuinte a previsão legal de arbitrar o crédito não dispensa o dever do fisco de produzir prova e não cria presunção de onipotência. A regra, tanto no processo judicial quanto no administrativo é a de que o autor tem o ônus de provar o fato constitutivo Assim, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito Fl. 2790DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 7 6 lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Entende que ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. (vii) Princípio da ampla competência decisória apreciação de inconstitucionalidades Sustenta que sobre as diversas alegações de afronta às leis e à Constituição é sempre bom lembrar que todo aquele que exerce função pública está subordinado a concretizar os valores jurídicos fundamentais e deve nortear seus atos segundo esse postulado. (viii) Aplicação Retroativa da Legislação Tributária Princípio da Segurança Jurídica Quanto à aplicação da IN 3, a recorrente aduz que não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. ix) Bis in idem A contribuinte inicia com a informação de período que a obra foi executada. Após digressões, onde se comenta que a IN 03/05 tem "o intuito de reguLamentar a lei que a construção civil "sempre apresentou inúmeras dificuldades...; fazse ensinamentos de como "deva submeterse ao regime de aferição indireta, citação e transcrição de dispositivos da IN 03, escrevese que "Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 02/11/1999 a 09/12/2002, os critérios para que o valor eventualmente recolhido a título de retenção pudesse se aproveitado e deduzido no arbitramento da são:...". Para a contribuinte, a leitura do trecho de onde se extraiu as pérolas acima e outros trechos do acórdão reocrrido, deixa a impressão de que se trata de mais um complemento ao Relatório Fiscal Anexo a NFLD e não de uma decisão. Defende que de acordo com o órgão julgador administrativo de primeira instância (DRJ) uma instrução normativa do fisco tem o intuito de regulamentar a lei! Que lei uma instrução normativa regula? Em nosso ordenamento jurídico a competência para regulamentar lei é privativa do Presidente da Republica mediante a edição de Decreto (art. 84, IV, da CF). Para ela, a primeira questão é a que configura inadmissível bis in idem quanto às contribuições de terceiros, relativas a esta, obra quê também foram lançadas em NFLD's. A segunda Fl. 2791DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 8 7 questão seria a do aproveitamento de recolhimentos efetuado por terceiros para a obra e seus requisitos impostos por norma infralegal (instrução normativa). Sustenta que em um momento o acórdão se refere à conversão em área regularizada e seus critérios (art.447 da IN3), para depois, copiando a junta fiscal, afirmar que "em relação às notificações relacionadas a retenção dos 11% destacado na emissão das notas fiscais dos prestadores em NFLD's , todas as notas fiscais e quaisquer documentos que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas daquela notificação". A qual notificação se refere o julgador? Quais notas fiscais? Quais documentos? De qualquer forma não foi deduzido nesta NFLD nenhum dos valores lançados nas três NFLD por retenção. Destaca, ainda, que a legislação aplicável no período de 05/1999 a 09/2003, na interpretação da DRJ/BSA, é a IN 3 de 2005, que, segundo o relator, além do poder de regulamentar uma lei, tem o poder de retroagir e ;criar obrigações acessórias e fixar critérios para que o valores lançados em dobro possam ser corrigidos. Argumenta que o bis in idem ocorreu porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos como CAIPE, foi lançada em NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados co base de cálculo da contribuição previdenciária lançada em NFLD's (x) Notas fiscais com guias de recolhimento Aduz a contribuinte que a DRJ também se recusa a retificar o crédito tributário até mesmo quando se apresenta guias de recolhimento que comprovam o recolhimento da retenção. Defende que as notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação. Argumenta ser absurdo e afrontoso à inteligência esse procedimento abusivo, inconstitucional de se manter, em lançamento, tributo que já foi recolhido, ao condicionar a regularização ao cumprimento de obrigação acessória de responsabilidade do prestador de serviço originariamente contribuinte. Requer a recorrente seja dado às competências a partir de outubro o mesmo tratamento dado às competências anteriores convertendo em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mão de obra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra. (xi) Não aplicação do inciso I do art. 448 da IN 3/05 Fl. 2792DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 9 8 Sustenta a contribuinte que a DRJ lê e interpreta os dispositivos legais a seu talante sem compromisso com o sentido e significado das palavras ou finalidade da norma. A palavra somente colocada no texto do acórdão, não existe no inciso. Somente existe na forte e inabalável vontade de prestigiar o trabalho dos colegas da junta fiscal. (xii) Aplicação do art. 474 da IN 03/05 Argumenta a contribuinte que de novo que há interpretação fora do texto da norma, pois m lugar algum da IN 3 está escrito que todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar. Defende que não é recomendável em redação de texto legal este tipo rasteiro de generalização, pois o tema em debate não é nota fiscal, não é recolhimento, é bis in idem: cobrança de tributo em duplicidade. (xiii) Bitributação Argumenta a contribuinte que afirmações desconexas com a realidade é a moda do acórdão da DRJ/BSA. A cada tópico se depara com frase deste tipo: "não ocorreu o bis in idem, pois as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra (..) foram consideradas para efeito de redução do lançamento(...)". Para ela repetese o bis in idem existe porque todas as contribuições (próprias e de terceiros) relativas às obras foram lançadas por aferição indireta com base na área construída e CUB. Aduz que, ainda assim, por outros métodos iníquos de aferição indireta, com base em mão de obra de terceiros contidas em notas fiscais das obras, foram lançadas novamente as contribuições de terceiros. Nada a ver com nota fiscal vinculada à obra. Defende que a junta fiscal ao contrário, atesta taxativamente que não. O relatório do acórdão reproduz, a informação da junta fiscal, que não contesta o bis in idem, porém justifica que os levantamentos representados pelas NFLD não foram aproveitados porque as circunstâncias necessárias não ocorrem. Finaliza este tópico, argumentando que os levantamentos representados pelas NFLD somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mão de obra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constante das GFIP dos prestadores de serviços a cada obra, a serem comprovados nos autos, circunstâncias que não ocorrerem. (xiv) Perícia Fl. 2793DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 10 9 Defende a recorrente que a contabilidade da empresa apor mais de vinte anos foi considerada regular e correta por agentes fiscais dos: fiscos federal, estadual e municipal, em interpretação sem explicação plausível, foi desconsiderada. Esta situação, conforme já alegado e esmiuçado nas impugnações, impõe que peritos façam uma avaliação para dirimir com quem está a razão. (xv) Caracterização de excesso de exação Argumenta a contribuinte o excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Foram lançados créditos tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para 12 milhões. A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Aduz ela que deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mão de obra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar (xvi) Competências maio e junho de 2002 devem ser excluídas. A recorrente sustenta que o reconhecimento de "que parte do crédito previdenciário lançado"decaiu está incorreto porque as competências maio e junho de 2002, alcançadas pela decadência, não foram consideradas na retificação. (xvii) Retificação inaceitável Traz a contribuinte a alegação de que a retificação não obedeceu ao mesmo critério de apuração do tributo por deficiência do fisco que não providenciou a adaptação e atualização de seus programas quanto à determinação de súmula vinculante é estarrecedora, inaceitável, quase inacreditável. Para a recorrente, as deficiências do fisco não podem prejudicar o contribuinte, nem justifica a alteração da realidade dos fatos. A obra não foi realizada em um único mês. Chama, a contribuinte, a atenção o fato de o acórdão informar várias vezes que o período de execução da obra e está é a realidade dos fatos. Requer, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência e nulidade do lançamento, tornando o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. É o relatório." Fl. 2794DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10120.005592/200728, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminares 1.1 Decadência das competências até junho/2002 Aduz está decadente as competência até junho de 2002. Nesse aspecto não assiste razão ao impugnante, pois, o fato de ter sido reaberto o prazo pela substituição dos documentos, não implica em nova notificação, sendo certo que a data inicial a ser considerada para efeito da contagem do período decadencial é a da primeira notificação regular ao sujeito passivo, uma vez que o lançamento foi ali perfectibilizado. Nesse sentido, a simples substituição dos relatórios não determina a irregularidade do lançamento. Rejeito a preliminar, portanto. 1.2 Perícia Nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Desta forma, não considero pertinente o pedido de Diligência pois todos os elementos de prova acostados aos autos já foram analisados no transcurso do processo administrativo tributário. Portanto, não merece acolhimento o pleito do contribuinte. 1.3 Das inconstitucionalidades Fl. 2795DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 12 11 Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. 1.4 Nulidade do lançamento O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/ RAT, à parte dos segurados empregados e as destinadas a Terceiros outras entidades e fundos, lançado na competência 09/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, lis. 98/109, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada Residencial Arezzo, matricula CET é 39.380.00370/70, correspondendo a 8.712,49 m². Registrouse que por contrato de empreitada global, a responsabilidade pela execução da obra da empresa notificada é de 84%, correspondendo a 7.318,49 m². Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às Fl. 2796DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 13 12 contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005. Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPFF, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD – Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); Fl. 2797DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 14 13 c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL – Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD – Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais; g. VÍNCULOS – Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 2798DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 15 14 Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. 1.5 Nulidade da decisão de 1ª instância A recorrente alega que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente, portanto devese decretar a sua nulidade. Não obstante o entendimento da Recorrente, não há como aderir a tal porque a AuditoriaFiscal não está vinculada a posicionamento de outra AuditoriaFiscal que tenha realizado procedimento de fiscalização anterior no contribuinte. Ademais, o art. 6o , I, a da na Lei 10.593/2002 dispõe acerca das atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre as quais constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Além do mais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes, mormente quando já encontrou motivos suficientes e relevantes para fundamentar a decisão. Portanto, afasto a preliminar. 2. Mérito 2.1 Contabilização por centro de custo A contribuinte aduz que a interpretação dos fatos que levaram os auditoresfiscais a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Fl. 2799DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 16 15 Alega que, uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente foram rebatidas nas impugnações. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram acatados incondicionalmente; já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. Argumenta que a circunstância da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que lhe examinaram a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos, os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. Sustenta que os agentes do fisco afirmam relatório fiscal anexo à NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou serviços foram executados sem os devidos registros contábeis". Indícios, Senhores julgadores, indícios. A presunção de legitimidade dos atos do fisco é limitada, relativa, não é absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a produzir resultados. Pois bem. Conforme relatado pela autoridade fiscal, a própria empresa procurou corrigir algumas das faltas apresentadas (ausência de contabilização por centro de custo), contudo, não logrou êxito em assim proceder, haja vista ter utilizado procedimento inadequado, em desconformidade com o ato normativo do Departamento de Contabilidade, que exige a correção no exercício em que se constatou o erro, e não a mera substituição, tal como informado pela fiscalização. Nesse ponto, foi anexada a Instrução Normativa n° 102, do Departamento Nacional de Registro do Comércio, que orienta o procedimento ao ser adotado nos casos de retificação dos livros contábeis, norma desconsiderada pela impugnante. Verificando e analisando o Relatório Fiscal da Infração vislumbrase que o Auditor apresenta com clareza os fatos que ocorreram durante a ação fiscal, caracterizando diversas obrigações acessórias descumpridas, qual seja: escrituração contábil não identificada por centros de custo; não apresentação de documentos (folhas de pagamentos) requisitados pela autoridade, notas fiscais não contabilizadas. Ora, diante das provas colacionadas nos autos, não prospera a argumentação da recorrente, razão pela qual mantenho o entendimento da decisão de primeira instância. 2.2 Bis in idem, bitributação, imparcialidade e notas fiscais Insurgese, sob a complacência da DRJ, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em Fl. 2800DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 17 16 NFLD's utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. O bis in idem teria ocorrida, segundo a contribuinte, porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos, foi lançada em NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados como base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nas NFLD's. Tal argumentação da recorrente se circunscreve a valoração de prova fática, posto devese verificar se houve ou não o lançamento duplicado de contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD. Para melhor entendimento do procedimento fiscal adotado, foi consta nos autos planilha contendo detalhamento das notas fiscais os valores apropriados como mãodeobra empregada, conforme define a legislação previdenciária, a serem convertidos em área regularizada para retificação do débito. A mesma planilha detalha os documentos não considerados, bem como seus respectivos motivos. No caso sob análise, não ocorreu o bis in idem, pois todas as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra objeto do presente lançamento, conforme determina a Instrução Normativa SRP n" 03, de 2005, foram consideradas para efeito de redução do lançamento, conforme atestado pela autoridade fiscal e verificado por este órgão julgador. Dessa forma, não se verifica a bitributação nem tão pouco qualquer ausência de prejuízo em desfavor da impugnante no sentido de não ter sido efetuado algum credito eventual de alguma retenção. Em verdade, todas as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento da previdência social que puderam ser vinculadas a cada uma das obras para aproveitadas pela autoridade lançadora. Observase que não houve afronta ao princípio da imparcialidade, bem como não houve bis in idem, uma vez que fora observado os requisitos legais. Assim, não prospera a argumentação da contribuinte. 2.3 Ausência de motivação O item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários", não foi apreciado no voto, teria sido somente citado no relatório. Fl. 2801DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 18 17 Esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. O fundamento da obrigação da Administração motivar seus atos, dentre eles o ato de lançamento e as decisões, está previsto no art. 50 da Lei 9.784/99, que determina que os atos administrativos deverão ser motivados de modo explicito, claro e congruente (§ 1°); assim como no art. 31 do Decreto 70.235/72, ignorados pelo órgão administrativo de julgamento de primeira instância apenas imbuído de preservar o lançamento fiscal, abdicandose de sua função precípua de controle da legalidade do lançamento. Passamos a análise. A controvérsia está centrada na ausência da apreciação da entrega dos arquivos digitais da recorrente No decorrer da ação fiscal, por várias vezes, a empresa foi informada da necessidade de apresentação de tais documentos (Notas Fiscais, GI'S e GFIP) para verificação da mãodeobra tomada de prestadores de serviços (terceirizados). Não tendo a empresa atendido as solicitações da fiscalização, não foi possível à época da ação fiscal, apurar todos os valores relativos aos créditos das obras de construção civil. As dificuldades impostas pela empresa durante todo o período que envolveu a ação fiscal, foram desenvolvidos esforços para que a empresa apresentasse na integralidade documentação necessária ao completo e normal processo de auditoria fiscal. Tendo em vista a morosa e deficiente apresentação dos documentos solicitados, foram necessárias as lavraturas de diversos autos de infração, especialmente, os que registraram o descumprimento de obrigações acessórias, previstas em Lei, que tratam da falta de apresentação de documentos tais como, folhas de pagamento e notas fiscais de prestadores de serviços, bem como dos arquivos digitais. Não é difícil o entendimento que documentos como folhas de pagamento são imprescindíveis no trabalho de fiscalização das contribuições previdenciárias. Portanto, nego provimento neste tópico. 2.4 Inversão do ônus da prova Explicita que, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Fl. 2802DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 19 18 Registrese que não há dúvidas de que a legislação previdenciária, no caso sob análise, dadas as condições fáticas ocorridas durante o procedimento fiscal, autoriza a fiscalização a promover o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme previsão, inclusive do artigo 148 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, a conseqüência jurídica disso, portanto, nos termos dos parágrafos 3°, 4° e 6° do art. 33, é a imediata e consequente inversão do ônus da prova. Tal circunstância determina que a simples manifestação de contrariedade do impugnante não tem o condão de afastar o ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade. Em que pese a contribuinte ter apresentado inúmeras cópias de guias de recolhimento e notas fiscais, observase, conforme manifestado pela autoridade lançadora, , muitos documentos foram repetidos, outros não possuem vinculação com a obra e outros não foram acompanhadas pelas GFIP's dos prestadores, conforme determina o art. 425 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Pelo exposto, não acolho o pleito da recorrente. 2.5 Aplicação retroativa da legislação Indaga quanto à aplicação da IN 3, a recorrente não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos, racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. Inicialmente, a Lei nº 11.457, de 2007, que criou a Receita Federal do Brasil assim disciplinou, em seu artigo 48: Art. 48. Fica mantida, enquanto não modificados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos convênios celebrados e dos atos normativos e administrativos editados: I pela Secretaria da Receita Previdenciária; Fl. 2803DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 20 19 II pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS relativos a administração das contribuições a que se refere os arts. 2° e 3° desta Lei. III pelo Ministério da Fazenda relativos à administração dos tributos e contribuições de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil; 1V pela Secretaria da Receita Federal. Sendo assim, verificase que foi mantida a vigência dos atos normativos da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, a Instrução Normativa da SRP n" 03/05, vigente época da feitura do presente lançamento, não contendo, portanto, qualquer vicissitude em sua aplicação, razão pela qual as orientações e determinações nela contidas devem ser observadas, lendo cm vista, conforme já manifestado, o lançamento ser procedimento vinculado. Nessa esteira, ressaltese o inciso I do art. 100 do Código Tributário Nacional, que determina a complementaridade dos atos normativos expedidos velas autoridades administrativas, razão pela qual, em momento algum, tanto a autoridade lançadora quanto Os administrados (contribuintes e responsáveis tributários) podem deixar de obedecêlos. No caso sob analise, não se tem a aplicação retroativa da legislação. Em verdade, a lei aplicável ao lançamento, em relação aos fatos geradores é a 8.212/91, plenamente vigente à época dos fatos geradores, nos moldes do art. 144, caput, do CTN. Art. 144. 0 lançamento reportase a data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Dessa forma, agiu com acerto a fiscalização na medida em que, ao promover o lançamento tributário em relação ao cálculo da remuneração paga à mãodeobra utilizada na construção da. obra objeto da notificação, valeuse dos critérios instituídos pela Instrução Normativa n° 03, de 2005, vigente no momento do lançamento. Nesse sentido, todos os requisitos e condições presentes no referido ato normativo foram obedecidos, bem como deveriam ter sido observados pela recorrente. 2.6 Não aplicação do art. 448, inciso I da IN nº 03/2005 Afirma que a dicção do artigo acima e seu inciso não é no sentido de que somente será aproveitada remuneração contida em NFLD ou LDC com base em folha de pagamento ou por responsabilidade solidária. A expressão do inciso "quer seja apurado"não tem caráter restritivo, mas exemplificativo, não é numerus clausus. Vejamos o que diz o inciso I do artigo 448 da IN 03 de 2005: Art. 448. Será, ainda, convertida em área regularizada a remuneração: Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 21 20 I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária; Como a recorrente repisa as mesma alegações da impugnação, não trazendo nenhum novo elemento, peço vênia para transcrever excerto da decisão a quo, adotando como razão de decidir: Por sua vez, eventuais valores contidos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) ou LDC, relativos A obra, de acordo com o inciso I do art. 448 da Instrução Normativa SRF nº 3, de 2005, somente são convertidos em área regularizada, em relação aos valores apurados com base em folhas de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária. Nesse sentido, considerando que as NFLD que se referem a lançamentos relacionados à retenção, isto é, obrigação principal do contratante na qualidade de responsável tributário, novamente resta demonstrada a insubsistência do pedido do contribuinte. Pelas razões encimadas, nego provimento neste tocante. 2.7 Aplicação do art. 474 da IN 03/2005 A contribuinte, mais uma vez, repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Portanto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas a seguir: Quanto à aplicação dos dispositivos contidos no art. 474 da IN 03/2005, estes devem ser compreendidos em harmonia com o restante da normalização, isto é, todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar inequivocamente vinculadas à obra sob análise, bem como ter a copia da GFIP apresentada pelo prestador, condições essas que não foram atendidas durante a ação fiscal pela empresa notificada. Além disso, registrese que o art. 474 trata, especificamente da segmentação em relação aos fatos geradores, determinando que haja lançamentos distintos, conforme a sua natureza. Dessa forma, serão lavrados documentos separados para as contribuições referentes à aferição da mãodeobra total; as referentes à remuneração da mãodeobra própria da empresa fiscalizada as apuradas por responsabilidade solidária e retenção. De acordo com o §2° do art. 474, no lançamento da base de cálculo da aferição indireta da mãodeobra total, devem ser deduzidos os lançamentos das bases de cálculo referente As contribuições de mão de obra própria, bem como solidariedade e retenção. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 2805DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 22 21 2.8 Excesso de exação A contribuinte relata que o excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Diz que A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mãodeobra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar. Entretanto três outros lançamentos foram efetuados com base em notas fiscais de serviços prestados nas obras. A desconsideração a contabilidade com base em indícios. Não há espaço aqui para continuar a enumerar as incongruências resultantes do procedimento fiscal e inteiramente apoiadas, sustentadas pela DRJ de origem. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância na qual se conclui que a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n° 8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem: Em relação ao cometimento em tese de ilícito penal pelas autoridades lançadoras e considerando o dever de oficio, verificase que a alegação de que a fiscalização cometeu excesso de exação é improcedente insubsistente, circunstância que implica em tese, o cometimento de crime de calúnia, em que pese não ser a autoridade administrativa para declarar tais circunstâncias. De acordo com o § 1° do art. 316 do Código Penal Brasileiro, o excesso de exação é caracterizado pela exigência de tributo ou contribuição social, praticada por servidor público, sendo que este sabe, ou deveria saber, que tal cobrança é indevida, ou, se devida, foi empregado, na cobrança, meio vexatório ; ou gravoso, que a lei não autoriza. A insubsistência da alegação fica demonstrada pelo fato de, conforme até o momento se pode observar pelo teor do presente acórdão (mas ao contrário do que afirma a impugnaste) a cobrança da contribuição previdenciária está amparada pelos requisitos legais que estabelecem os procedimentos da fiscalização, demonstrando, sem qualquer sombra de dúvida que os valores lançados são devidos pelo simples fato de o contribuinte ter descumprido as obrigações principais relacionadas às contribuições previdenciárias. É dizer, a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n° 8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e Fl. 2806DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 23 22 precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Nesse sentido, agiu com acerto a autoridade fiscal, sem qualquer sombra de dúvida que possa cogitar excesso de exação. Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Ademais, em tópico encimado, concluímos que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. 2.9 Retificações Requer, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Pois bem. Conforme informação fiscal as autoridades fiscais realizaram a conferencia de todos os levantamentos efetuados, considerando tanto os documentos apresentados na defesa, quanto outros verificados posteriormente pela auditoria. Alem disso, também foi aplicado o instituto da decadência quinquenal, conforme determinado na última diligencia, tendo sido realizada nova apuração dos débitos previdenciários, de acordo com a informação prestada aos autos. Dessa forma, considerouse como base de cálculo para os "salários de contribuição" informados no DISO os documentos (valores) relativos a prestadores de serviço (Planilha Levantamento Prestadores de Serviços), tendo sido todos os levantamentos e respectivos lançamentos instruídos de acordo com o disposto no capitulo IV da IN/SRP n° 03/2005, que regulamenta a regularização de obra por aferição indireta com base na área construída e no padrão de construção. Da leitura da informação fiscal prestada pela autoridade lançadora, observase que a retificação parcial do valor do débito resultou da aplicação do principio da verdade material, tendo cm vista que, durante a ação fiscal, a empresa notificada, em diversas oportunidades faltou com seu dever de colaboração, circunstância que, entre outras conseqüências, determinou o arbitramento, bem como a maior complexidade na conclusão do procedimento fiscal. Como pode ser observado nas planilhas anexadas aos autos, dentre os documentos apresentados pelo contribuinte, não foram considerados, para efeito de retificação, apenas as notas fiscais Fl. 2807DF CARF MF Processo nº 10120.005514/200723 Acórdão n.º 2202004.464 S2C2T2 Fl. 24 23 sem vinculação inequívoca à obra. Alem disso, também foram consideradas as notas fiscais, a partir da competência 09/2002, desacompanhadas das MP's dos prestadores, conforme exige o inciso 11 do art. 447 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Ressaltese que mio tocante aos valores relacionados em planilha elaborada pela defendente, não foram apresentados quaisquer comprovantes de recolhimentos das retenções, nem as MP's tendo sido observado que estes valores e aqueles representados pelas cópias de notas fiscais e guias apresentadas na impugnação não constam dos lançamentos efetuados nas NFLD's. Foram aplicados os percentuais de redução de 50%, tendo em vista a recorrente ter apresentado parcialmente os documentos que permitiram à fiscalização analisar as áreas para as quais estes percentuais deveriam ser aplicados. Portanto, sem razão a contribuinte. Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 2808DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13925.720177/2012-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012, 01/02/2012 a 28/02/2012
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.526
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 5. 72 01 77 /2 01 2- 98 Fl. 32DF CARF MF Processo nº 13925.720177/201298 Acórdão n.º 3402005.526 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 06038.735, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 33DF CARF MF Processo nº 13925.720177/201298 Acórdão n.º 3402005.526 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 34DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.901910/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a conclusão da diligência determinada em relação ao processo administrativo nº 10865.000243/2011-92, reenviando os autos ao CARF em conjunto com o referido processo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado.
Relatório
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a conclusão da diligência determinada em relação ao processo administrativo nº 10865.000243/2011-92, reenviando os autos ao CARF em conjunto com o referido processo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Relatório
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score : 1.0
Numero do processo: 16682.721076/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
IOF. BASE DE CÁLCULO. OPERAÇÃO DE CONTA-CORRENTE:
A operação de conta-corrente conjunta, cujo contexto revela função financiadora, é base de cálculo do IOF, por corresponder à função típica de crédito, independemente de haver, concomitantemente, função de gestão centralizada de caixa.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente.
DECADÊNCIA. IOF. CONTRATOS DE CRÉDITO FIXO.
O fato gerador do IOF, nos contratos de valor fixo, é a data do contrato, restando decaídos os fatos geradores anteriores a 5 anos do primeiro dia do exercício seguinte ao do lançamento, quando não houver pagamento. Aplicação vinculante do Resp 973.333/SC.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-003.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira e Leonardo Vinícius Toledo de Andrade votaram por dar provimento para juros sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros : Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovic Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Acompanhou o julgamento o representante da Fazenda Nacional, o procurador Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, OAB/DF 19.272.
Nome do relator: Marcelo Giovani Vieira
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 IOF. BASE DE CÁLCULO. OPERAÇÃO DE CONTA-CORRENTE: A operação de conta-corrente conjunta, cujo contexto revela função financiadora, é base de cálculo do IOF, por corresponder à função típica de crédito, independemente de haver, concomitantemente, função de gestão centralizada de caixa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente. DECADÊNCIA. IOF. CONTRATOS DE CRÉDITO FIXO. O fato gerador do IOF, nos contratos de valor fixo, é a data do contrato, restando decaídos os fatos geradores anteriores a 5 anos do primeiro dia do exercício seguinte ao do lançamento, quando não houver pagamento. Aplicação vinculante do Resp 973.333/SC. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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BASE DE CÁLCULO. OPERAÇÃO DE CONTACORRENTE: A operação de contacorrente conjunta, cujo contexto revela função financiadora, é base de cálculo do IOF, por corresponder à função típica de crédito, independemente de haver, concomitantemente, função de gestão centralizada de caixa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente. DECADÊNCIA. IOF. CONTRATOS DE CRÉDITO FIXO. O fato gerador do IOF, nos contratos de valor fixo, é a data do contrato, restando decaídos os fatos geradores anteriores a 5 anos do primeiro dia do exercício seguinte ao do lançamento, quando não houver pagamento. Aplicação vinculante do Resp 973.333/SC. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira e Leonardo Vinícius Toledo de Andrade votaram por dar provimento para juros sobre a multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 10 76 /2 01 4- 94 Fl. 1128DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros : Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovic Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Acompanhou o julgamento o representante da Fazenda Nacional, o procurador Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, OAB/DF 19.272. Relatório Transcrevo trecho da decisão de primeira instância, como relatório até então: Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foi lavrado o auto de infração às fls. 950/954, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário abaixo discriminado, relativo ao Imposto Sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF dos períodos de 31/01/2010 a 31/12/2010, incluindo juros de mora calculados até 12/2014 e multa proporcional de 75%, totalizando R$ 12.377.585,23 (doze milhões trezentos e setenta e sete mil quinhentos e oitenta e cinco reais e vinte três centavos). Concluiu a fiscalização, na ocasião da sua auditoria, pela inexistência de recolhimentos efetuados a título de IOF. A Autoridade Fiscal analisando a documentação e os esclarecimentos apresentados, bem como as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, do período fiscalizado, constatou a existência de contratos de mútuo entre a fiscalizada e outras pessoas físicas e jurídicas, sem o respectivo recolhimento de IOF, a saber: 1 – Contratos de mútuo (crédito fixo) firmados com a empresa RRN Hotel Ltda.; 2 – Contratos de mútuo (crédito rotativo) firmados, verbalmente, com as pessoas físicas: Sonia Maria de Carvalho, Rodrigo Rodrigues Nunes e Ricardo Rodrigues Nunes; bem como as pessoas jurídicas: Aliança Divinópolis LTDA. e Ricardo Eletro Atacado LTDA. As bases de cálculo teriam sido extraídas da escrita contábil da fiscalizada. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada, pessoalmente, das exigências, em 22/12/2014 (fls. 965), a autuada, em 21/01/2015, apresentou sua Impugnação Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 16682.721076/201494 Acórdão n.º 3201003.449 S3C2T1 Fl. 1.129 3 constante das fls. 1030 a 1053, atacando o procedimento fiscal com os argumentos a seguir expostos. DA DECADÊNCIA Neste ponto pugna, em relação aos contratos de crédito fixo, pela aplicação do art. 150, do CTN, pois, o fato gerador ocorreria na disponibilização dos valores, assim, os créditos relativos aos contratos firmados antes de 22/12/2009 estariam decaídos. Colaciona jurisprudência do CARF. DO DIREITO Defende que para empresas não financeiras, somente ocorre a incidência do IOF sobre operações de crédito que se qualifiquem como mútuos. Tece arrazoado sobre as características do contrato de mútuo. Assevera que as operações entre Ricardo Eletro Atacado e LIR não se constituem de mútuos. Isso porque, conforme se inferiria da própria contabilidade e das planilhas constantes dos autos de infração, por mais que tenha se dado o nome de mútuo, as mesmas nunca teriam sido de mútuos na sua essência. Segundo a Impugnante ainda que, contabilmente tivesse adotado a denominação de mútuo, teria cometido um erro grave contábil, pois, a operação existente entre Ricardo Eletro Atacado e Ricardo Eletro Divinópolis Ltda [fiscalizada/recorrente]. se faz como uma compra e venda. Ou seja, os valores contabilizados seriam os pagamentos dos produtos que a Ricardo Eletro Atacado adquire e vende para as lojas da Ricardo Eletro Divinópolis Ltda [fiscalizada/recorrente] localizadas no Estado do Rio de Janeiro. Defende que mesmo que não se entenda como compra e venda, terseia na pior das hipóteses um contacorrente entre coligadas o que não atrairia a incidência do IOF, pois não se trataria de mútuo já que não se pactuou o básico para a incidência daquele: o dever de restituir, o que não se coadunaria com disposto no art. 586 do Código Civil, impedindo a incidência tributária. Alega que haveria, inclusive, compartilhamento de despesas entre as operações, demonstrando que não haveria, definitivamente, operação de mútuo. Assevera que o encontro de contas não observado pelo ilustre auditor nas contas 122102001 se dera com a entrega das mercadorias pela Ricardo Eletro Atacado às lojas varejistas da LIR. Defende que, na contabilidade, a única forma de entrada de mercadorias das lojas se faz pelo ATACADO. Sendo este o grande encontro de contas. Não haveria empréstimo sobre qualquer modalidade, mas pagamento. Colaciona julgado do CARF que teria afastado a aplicação do ato declaratório nº 07/99 e defendeu que o art. 13 da Lei nº Fl. 1130DF CARF MF 4 9.779 não abrange as operações de contacorrente, ressaltando ainda que o art. 108 do CTN veda o emprego de analogia para a exigência do tributo. Defende que, em todos os momentos que ocorrera transferência de valores, a operação deveria ser observada sob a forma de crédito fixo e não rotativo. Segundo a Impugnante, os adiantamentos efetuados a Ricardo Nunes, Rodrigo Nunes e Sonia (diretores da empresa) seriam relativos à distribuição de lucros e não caberia a incidência do IOF (redução da alíquota a zero). Defende a não aplicação do Decreto nº 6.339, de 2008 em relação às operações realizadas com Sonia, pois as mesmas seriam de 2007. Ou seja, a Lei não poderia retroagir para prejudicar o contribuinte. Pugna pela não incidência de juros sobre a multa. Por fim, requer a realização de perícia/diligência. A DRJ decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo integralmente o lançamento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2010 PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. FALTA DE PAGAMENTO. Na ausência de pagamento antecipado realizado pelo sujeito passivo o prazo decadencial de cinco anos regese, em conformidade com o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, pelo disposto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional CTN. MÚTUO ENTRE PESSOAS LIGADAS. INCIDÊNCIA DO IOF. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre quaisquer pessoas jurídicas ou entre qualquer pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF, ainda que o concedente do crédito não seja instituição financeira nem entidade a ela equiparada e independentemente da forma pela qual os recursos sejam entregues ou disponibilizados ao mutuário. Dessa forma, ocorre o fato gerador do imposto nas operações de crédito dessa natureza também quando realizadas por meio de conta corrente, sendo irrelevante ainda a relação de controle ou coligação entre as pessoas envolvidas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 16682.721076/201494 Acórdão n.º 3201003.449 S3C2T1 Fl. 1.130 5 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tais providências se revelam prescindíveis para instrução e julgamento do processo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A empresa então apresentou o Recurso Voluntário, onde reitera as razões de defesa da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O recurso é tempestivo, e não havendo outros óbices, deve ser conhecido. Preliminar de decadência A recorrente propugna pela decadência do direito de a Fazenda efetuar o lançamento para os contratos de mútuo com data de cessão fixa, isto é, para mútuo do tipo não rotativo, para os quais o respectivo contrato teria data anterior a 22.12.2009, cinco anos antes da ciência do lançamento em 22.12.2014. Os contratos que a empresa considera como fixos, isto é, não rotativos, são aqueles referentes às operações com Sônia Maria de Carvalho, Eduardo Ribeiro de Moura, Rodrigo Rodrigues Nunes, Ricardo Rodrigues Nunes e RRN Hotel Ltda. Primeiramente cumpre estabelecer que o termo de início da contagem da decadência, para tributos sujeitos a homologação e para os quais não tenha havido pagamento, ocorre a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao em que poderia ser efetuado, conforme Resp 973.333/SC, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, que vincula os colegiados do Carf nos termos do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Assim, não tendo havido pagamento de IOF em qualquer caso, os contratos de cessão de crédito com data anterior a 01/01/2009 é que restam decaídos. Conforme fl. 869, somente o contrato com RRN Hotel, cujos créditos foram disponibilizados durante o ano de 2010, é que foi considerado com contrato e data fixa. Os outros contratos (fls. 948) foram considerados rotativos, apurados pelos saldos durante o ano de 2010, e portanto, não foram atingidos pela decadência. O contrato com Sônia Maria de Carvalho, conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal, fl. 861, foi considerado como crédito rotativo, porque não fora apresentado Fl. 1132DF CARF MF 6 o contrato escrito. Assim, o auditor reputou tal contrato como sem data fixa, e portanto, rotativo. Todavia, verifico que o valor do crédito, R$ 82.373,00, fora disponibilizado em 2007, e que durante o ano de 2010, somente foram agregados os juros . A apropriação dos juros não descaracteriza o contrato de fixo para rotativo, porque não houve qualquer outro crédito disponibilizado em 2010. Assim, considero o contrato de empréstimo com Sônia Maria de Carvalho como do tipo fixo e atingido pela decadência. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento nesta matéria. Mérito Contas Ricardo Eletro Atacado Ltda, Ricardo Eletro Atacado – Rateio Observo inicialmente que a conta Ricardo Eletro AtacadoRateio sucede a conta Ricardo Eletro Atacado Ltda em 01/12/2010, por alteração no plano de contas da empresa, e são tratadas conjuntamente no Recurso Voluntário. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 6, a empresa informou que tais contas registrariam empréstimos em dinheiro (fl. 698 combinada com 834). Entrentanto, como os contratos não foram apresentados, o Auditor os considerou como rotativos, porque não tinham prazo e valores fixos, e ainda, apurandose no Livro Razão, constatamse diversas movimentações. A empresa, a despeito da primeira resposta, passa a defender, na Impugnação e no Recurso Voluntário, que houvera grave erro na sua contabilização, e que na verdade tais movimentações são operações comerciais de compra e venda das mercadorias de seu objeto social. Informa que a motivação para essa estruturação operacional seriam incentivos fiscais do Estado do Rio de Janeiro em relação ao ICMS. Em seguida, sustenta que, ainda que não se considere a operação como compra e venda, “na pior das hipóteses seria uma conta corrente” (fl. 1.090), e que a liquidação dessa compra e venda se dá com encontro de contas, o que não teria sido observado pelo auditor fiscal. Aos fatos. A alegação de operação de compra e venda é vazia, porque não acompanhada das respectivas comprovações, tais como notas fiscais ou contabilização. A liquidação por meio de encontro de contas, sem emissão de nota fiscal ou fatura, não caracteriza operação de venda, mas compensação entre ativos e passivos. Ambos, Fisco e recorrente, asseveram que não houve, no ano de 2010, qualquer amortização dos valores disponibilizados à Ricardo Eletro Atacado (contraparte da recorrente nas operações). Ora, tal circunstância corrobora na interpretação de que se tratam de operações de financiamento, para os quais a Ricardo Eletro Atacado, por hiposuficiência financeira, recebe recursos vultosos da recorrente. Vale lembrar aqui o universal princípio contábil da entidade, assim definido na Resolução CFC – Conselho Federal de Contabilidade 750/93, que ressalta a autonomia patrimonial das empresas, mesmo que pertencentes a grupo econômico: Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 16682.721076/201494 Acórdão n.º 3201003.449 S3C2T1 Fl. 1.131 7 “Art. 4° O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único. O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil.” 2.1.1 A autonomia patrimonial O cerne do Princípio da ENTIDADE está na autonomia do patrimônio a ela pertencente. O Princípio em exame afirma que o patrimônio deve revestirse do atributo de autonomia em relação a todos os outros Patrimônios existentes, pertencendo a uma Entidade, no sentido de sujeito suscetível à aquisição de direitos e obrigações. A autonomia tem por corolário o fato de que o patrimônio de uma Entidade jamais pode confundirse com aqueles dos seus sócios ou proprietários. Por conseqüência, a Entidade poderá ser desde uma pessoa física, ou qualquer tipo de sociedade, instituição ou mesmo conjuntos de pessoas, tais como: famílias; empresas; governos, nas diferentes esferas do poder; sociedades beneficentes, religiosas, culturais, esportivas, de lazer, técnicas; sociedades cooperativas; fundos de investimento e outras modalidades afins. No caso de sociedades, não importa que sejam sociedades de fato ou que estejam revestidas de forma jurídica, embora esta última circunstância seja a mais usual. O patrimônio, na sua condição de objeto da Contabilidade, é, no mínimo, aquele juridicamente formalizado como pertencente à Entidade, com ajustes quantitativos e qualitativos realizados em consonância com os princípios da própria Contabilidade. A garantia jurídica da propriedade, embora por vezes suscite interrogações de parte daqueles que não situam a autonomia patrimonial no cerne do Princípio da Entidade, é indissociável desse princípio, pois é a única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo Patrimônio, válida perante terceiros. Cumpre ressaltar que, sem autonomia Fl. 1134DF CARF MF 8 patrimonial fundada na propriedade, os demais Princípios Fundamentais perdem o seu sentido, pois passariam a referirse a um universo de limites imprecisos. A autonomia patrimonial apresenta sentido unívoco. Por conseqüência, o patrimônio pode ser decomposto em partes segundo os mais variados critérios, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos. Mas nenhuma classificação, mesmo que dirigida sob ótica setorial, resultará em novas Entidades. Carece, pois de sentido, a idéia de que as divisões ou departamentos de uma Entidade possam constituir novas Entidades, ou “microentidades”, precisamente porque sempre lhes faltará o atributo da autonomia. A única circunstância em que poderá surgir nova Entidade, será aquela em que a propriedade de parte do patrimônio de uma Entidade, for transferida para outra unidade, eventualmente até criada naquele momento. Mas, no caso, teremos um novo patrimônio autônomo, pertencente a outra Entidade. Na contabilidade aplicada, especialmente nas áreas de custos e de orçamento, trabalhase, muitas vezes, com controles divisionais, que podem ser extraordinariamente úteis, porém não significam a criação de novas Entidades, precisamente pela ausência de autonomia patrimonial. A existência de contacorrente não exclui a função financiadora dos recursos disponibilizados. Decerto que existem gestões de contascorrentes que não caracterizam função financiadora, cujos saldos se alternem periodicamente entre credores e devedores, ou são zerados periodicamente, tipicamente, em base mensal. Não é o que acontece no presente caso. A movimentação das contas em foco revela essa função financiadora, e portanto, de mútuo, quando se constatam saldos vultosos em favor da mutuante, a empresa autuada, desde cerca de 70 milhões de reais em janeiro de 2010 até cerca de 400 milhões de reais ao final de novembro de 2010. Esse fluxo impõe a consideração da função financiadora da conta. Cito, por pertinente, decisão do Superior Tribunal de Justiça em relação ao tema: Resp 1.239.101/RJ TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. 1. O art. 13, da Lei n. 9.779/99 caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas " e não a específica operação de mútuo. Sendo assim, no contexto do fato gerador do tributo devem ser compreendidas também as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas com a previsão de concessão de crédito. 2. Recurso especial não provido. Tese reiterada na decisão dos Embargos: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 16682.721076/201494 Acórdão n.º 3201003.449 S3C2T1 Fl. 1.132 9 DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. AUSÊNCIA DE OMISSÃO OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Os argumentos levantados pela embargante foram devidamente rechaçados quando esta Corte fez a melhor opção interpretativa pela incidência do IOF sobre as operações que disponibilizam créditos entre empresas de um mesmo grupo econômico. A interpretação prestigia a letra do art. 13, da Lei n. 9.779/99 (caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ") e a letra do art. 63, I, do CTN (caracteriza como operação de crédito a "sua colocação à disposição do interessado "). Inclusive com transcrição de jurisprudência. 2. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, merecem ser rejeitados os embargos declaratórios interpostos que têm o propósito infringente. 3. Embargos de declaração rejeitados. Assim, considerando frágeis as alegações da recorrente quanto à operação comercial de compra e venda, e que as operações de contacorrente, quando carreiam as funções de financiamento aos mutuários, consubstanciando a natureza jurídica da operação pela finalidade, entendo que, no presente caso, os valores em questão performam base de cálculo do IOF, nos termos do Decreto 6.306/2007, art. 7º, I, “a” 1. Conta “Aliança Divinópolis Ltda” Em relação a essa conta a recorrente não se defende expressamente, senão pelas considerações gerais quanto à caracterização de mútuos. Aplico, pois, as mesmas apreciações do item anterior. Conta “RRN Hotel Ltda” Em relação a esse contrato, lançado como crédito do tipo fixo, não rotativo, não houve específica impugnação da recorrente, que se concentrou nos outros contratos. Desse modo, resta definitivo o lançamento nesta parte. Contas Ricardo Rodrigues Nunes e Rodrigo Rodrigues Nunes Tais contas foram consideradas pelo Fisco como crédito rotativo, posto que não tinham contratos e serviam como pagamentos de despesas pessoais. 1 Art. 7o A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são: I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: Fl. 1136DF CARF MF 10 A recorrente sustenta que se tratam de adiantamentos de lucros, no caso de Ricardo Rodrigues Nunes, e adiantamento de salários, no caso do diretor Rodrigo Rodrigues Nunes. Como tais, entende que a alíquota do IOF é zero, cf. art. 8º, XIII2 do RIOF. Todavia, a alegação também não veio acompanhada de respectivas provas. Não há a demonstração de desconto em folha, ou lançamento de dedução de lucros. Portanto, restam as afirmações do Fisco, que apontam disponibilizações de valores aos sujeitos indicados, sem documentos que comprovem outra natureza senão crédito financeiro. Juros sobre Multa A minha posição pessoal é de que tal questão não se insere sob a competência de decidir do Carf. Com efeito, os acréscimos legais são institutos exigíveis na cobrança, e os juros de mora sobre a multa de ofício sequer são lançados. Ora, se o lançamento é que inicia o processo administrativo fiscal sob o Decreto 70.235/72 (art. 9º), a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício não está sob o rito do processo administrativo fiscal, mas tão somente sob o processo administrativo geral – Lei 9.784/99. As instâncias revisoras na Lei 9.784/99 são o Delegado da Receita Federal local e o Superintendente regional. Portanto, seria o caso de não conhecer das alegações relativas a esta matéria. Não obstante, restando consolidada no Carf a rejeição a esta tese, e atento à segurança jurídica, tomo conhecimento do recurso nesta parte. E tendo tomado conhecimento, adoto as razões do Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais nº 910100539, abaixo reproduzido no que tange ao tema. “O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p.74). 2 XIII relativa a adiantamento de salário concedido por pessoa jurídica aos seus empregados, para desconto em folha de pagamento ou qualquer outra forma de reembolso; Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 16682.721076/201494 Acórdão n.º 3201003.449 S3C2T1 Fl. 1.133 11 Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário 'é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).' A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida 'juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago'(§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Fl. 1138DF CARF MF 12 Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 16682.721076/201494 Acórdão n.º 3201003.449 S3C2T1 Fl. 1.134 13 pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." (…) No mesmo sentido, aliás, tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Assim, voto pela incidência de juros sobre a multa de ofício. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento referente ao contrato com Sônia Maria de Carvalho. Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13899.001358/2006-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
DECADÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário, conforme Súmula CARF nº 38.
O início da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercÍcio seguinte ao ano-calendário a que se referem os recebimentos, no caso de presunção de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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NÃO CARACTERIZAÇÃO. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário, conforme Súmula CARF nº 38. O início da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercÍcio seguinte ao anocalendário a que se referem os recebimentos, no caso de presunção de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tãosomente sua transferência para o Fisco. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 13 58 /2 00 6- 38 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13899.001358/200638 Acórdão n.º 2202004.708 S2C2T2 Fl. 236 2 dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13899.001358/200638 Acórdão n.º 2202004.708 S2C2T2 Fl. 237 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13899.001358/200638, em face do acórdão nº 1517.380, julgado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), em sessão realizada em 30 de outubro de 2008, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “A interessada contesta o auto de infração do imposto de renda apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em contas de sua responsabilidade em 2001, que resultou em imposto de R$ 46.929,69, elevado para R$ 119.215,48 com os acréscimos legais. Os argumentos da impugnante são, em síntese, os seguintes: 1) Já havia decaído o direito de lançamento quanto aos fatos ocorridos entre janeiro e maio de 2001, considerandose que o prazo de cinco anos deve ser contado da data do fato gerador, por se tratar de lançamento por homologação. 2) Apresentara durante a fiscalização documentação comprovando a origem dos recursos depositados, exceto documentos contábeis que comprovem a distribuição de lucros de escritório de advocacia, do qual se desligara. Como estes documentos se encontram em poder do seu antigo sócio, a Receita Federal deveria diligenciar para obter estas provas. 3) O lançamento do imposto não pode ser efetuado sobre depósitos bancários. Como os depósitos não são em si mesmos hipótese de incidência tributária, cabe ao Fisco o ônus da prova da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, ou do acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos declarados. 4) Não pode haver cobrança concomitante de multa moratória e juros de mora, pois têm a mesma finalidade. 5) É ilegal o uso da taxa SELIC para cálculos de juros moratórios de débitos fiscais, porque não fixada em lei para fins tributários. 6) A multa de 75% é exagerada e confiscatória, e por isso inconstitucional.” A DRJ de origem entendeu pela procedência do lançamento, mantendo, assim, o crédito tributário na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 208/232, reiterando as alegações expostas em impugnação. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13899.001358/200638 Acórdão n.º 2202004.708 S2C2T2 Fl. 238 4 É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminares. 1.1 Decadência. O contribuinte, apegandose à letra do § 1° do art. 42 da Lei n° 9.430/ 1996, sustentou que houve decadência quanto aos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2001, aplicandose ao caso o art. 150, § 4°, Código Tributário Nacional. Eis o dispositivo invocado pela recorrente: Art. 42. [...] § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Em se tratando de pessoa física, o valor considerado, por força da presunção, como rendimento omitido é tomado, para fins de tributação, como recebido no mês em que realizado o depósito, incidindo o tributo no próprio mês. Não obstante, à semelhança do que ocorre com os demais rendimentos, fica ele sujeito à tributação na declaração de ajuste anual. Assim, a lei cingiuse a estabelecer uma presunção, na qual não se pode ver uma forma específica de tributação. Dessa forma, conforme referiu a DRJ de origem, temse que o fato gerador ocorre ao final do anocalendário. Assim, em relação ao anocalendário 2001, iniciandose, caso aplicável ao contribuinte a regra mais favorável (a contida no art. 150 § 4º do CTN), em 1º de janeiro de 2002 a contagem do prazo decadencial, findando em 31/12/2006, não tendo se exaurido este antes da notificação do lançamento que ocorreu em 18/09/2006. Cumpre salientar que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38). Assim, seja pela aplicação do art. 150 § 4º do CTN ou do art. 173, inciso I, também do CTN, temse por não configurada a decadência. Portanto, rejeitase a preliminar de decadência. 1.2 Quebra de sigilo bancário. Alega o recorrente que a Fiscalização violou a sua garantia constitucional de inviolabilidade da vida privada, no curso da ação fiscal, ao providenciar a quebra do sigilo bancário do Impugnante, haja vista que somente o Poder Judiciário teria competência para determinar a quebra do sigilo bancário. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24.02.2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13899.001358/200638 Acórdão n.º 2202004.708 S2C2T2 Fl. 239 5 No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Além disso, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pelo contribuinte. 1.3 Das provas. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Descabe, portanto, a inversão do ônus da prova suscitada pelo contribuinte. 1.4 Alegações de inconstitucionalidade. Conforme acima mencionado, nos termos da Súmula CARF nº 02,o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Deste modo, não há como apreciar o pedido de análise do caráter confiscatório da multa, conforme suscitado pela contribuinte. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pela contribuinte. Feitas essas considerações, passarseá a apreciação das alegações do contribuinte relativamente às demais matérias constantes no recurso voluntário. 2. Mérito. 2.1 Depósitos bancários. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13899.001358/200638 Acórdão n.º 2202004.708 S2C2T2 Fl. 240 6 de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo da contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Para a DRJ de origem os documentos presentes nos autos não foram totalmente suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária da contribuinte já foram tributados. Ocorre que é necessário comprovar individualizadamente depósito por depósito, demonstrando a origem do recurso, de modo a comprovar, se for o caso, que os valores que ingressaram na conta do contribuinte possuem origem. E que a origem já foi tributada ou que, por alguma fundamentação, seria rendimento isento, não tributável ou sujeito a alguma tributação específica. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. 2.2 Multa. Lançamento de ofício. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Assim, não merece acolhimento o recurso quanto a este ponto. 2.3 Taxa Selic. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13899.001358/200638 Acórdão n.º 2202004.708 S2C2T2 Fl. 241 7 Além disso, estabelece a Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Deste modo, não há como acolher a tese do recorrente, não merecendo provimento o recurso do contribuinte também quanto a esta matéria. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 241DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002777/2004-79
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA.
Não se conhece do recurso especial em que não há demonstração de divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-003.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa e Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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PRESCRIÇÃO. OUTROS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Recorrente MANYL MALHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. Não se conhece do recurso especial em que não há demonstração de divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa e Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 77 /2 00 4- 79 Fl. 891DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 839 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por MANYL MALHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., em face do Acórdão nº 140100.180, proferido em sessão de julgamento realizada pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, em 10/3/2010, em que se decidiu, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário impetrado, e acolher a preliminar de decadência para os fatos geradores compreendidos em períodos de apuração anteriores e inclusive a 30/11/1998. Contra a recorrente foram lavrados autos de infração para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 1998 com base no arbitramento de lucros, em razão de a empresa, mesmo após diversas intimações, não ter apresentado qualquer livro ou documento de escrituração mínima obrigatória. Além disso, foram detectados depósitos vultosos em suas contascorrentes bancárias em relação aos quais, regularmente intimada, silenciouse quanto a demonstrar suas origens. Da mesma forma, em relação ao anocalendário 1998, a empresa omitiuse na apresentação da DIPJ (Termo de Verificação Fiscal às fls. 101 e ss. do vol 1). A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP julgou improcedente a impugnação tempestivamente apresentada, afastando as preliminares de nulidades e decadência, esta última por se entender que diante da ausência de pagamento antecipado seria aplicável ao caso a regra de contagem de prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, considerando ainda que ordem judicial teria obstaculizado o lançamento, o que levou ao acréscimo ao prazo decadencial, do período em que o procedimento fiscal esteve suspenso por ordem judicial. Em relação ao mérito também foi indeferida a impugnação (fls. 271 e ss. do vol 2). Irresignado contra essa decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 300 e ss. do vol.2), julgado pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, em 10/3/2010. Pelo Acórdão nº 140100.180, aquela turma decidiu por afastar a preliminar de nulidade e, em relação à de decadência, entendeu a maioria que se aplicaria ao caso a regra de contagem prevista no art. 173, I, mas que não haveria suspensão desse prazo, de forma que em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/1998, teria se operado a decadência. No mérito, foi negado provimento ao Recurso, nos termos da seguinte ementa (fls. 319 e ss. do vol.2): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. Fl. 892DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 840 3 IRPJ/CSLL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. No caso de tributos sujeitos a situação típica de lançamento por homologação sua decadência regerseá, independentemente de haver ou não pagamento, sempre pela regra do art. 150, § 4° do CTN, excetuandose os casos de dolo, fraude ou simulação, em que se aplicaria o art. 173, I do CTN. IRPJ. DECADÊNCIA. SUSTAÇÃO DA AÇÃO FISCAL POR ORDEM JUDICIAL. Ao prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito Tributário, regido pelo artigo do art. 150, § 04, do CTN, deve ser acrescido o período em que a ação fiscal permaneceu suspensa, em razão de liminar em Mandado de Segurança. ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. A falta de apresentação de livros e documentos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real da ensejo ao arbitramento de seus lucros. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Notificada dessa decisão, a PFN apresentou Recurso Especial (fls. 329 e ss. do vol.2), ao qual foi negado seguimento, conforme despacho de fls. 376/377 do vol.2. O contribuinte, por sua vez, interpôs Recurso Especial (fls. 398 e ss. do vol.3) pedindo o acolhimento da preliminar de decadência em relação ao período de 1/12/1998 a 31/12/1998 e o cancelamento do crédito tributário. Pelo despacho de fls. 878/880, a presidência da Quarta Câmara deu seguimento ao Recurso Especial. Em seguida, a PFN apresentou Contrarrazões às fls. 884/889. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O Recurso Especial foi admitido pelo então Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do Carf de forma sumária e sem maiores análises, pelo que entendo deve ser revisto. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 841 4 À época em que foi impetrado o referido Recurso Especial vigoravam as disposições regimentais previstas na Portaria MF nº 256, de 2009. No Anexo II, o art. 67 do então regimento interno do CARF, assim já determinava: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Fl. 894DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 842 5 § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício.(destacamos) Como se nota do Recurso Especial aviado pelo contribuinte não há qualquer demonstração de divergência jurisprudencial, mas apenas o registro do seu inconformismo em relação à decisão da turma a quo. No item "I" da peça de defesa "Da Decisão Recorrida" a recorrente limita se a transcrever a ementa do acórdão recorrido e seu resultado e a afirmar que "a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária — DERAT — SPO / DICAT / EQCOB não acatou o r.decisium, pois conforme pode se ver pelos Darf's anexados ( Doc. 03), o VALOR PRINCIPAL referese ao 4º trimestre/1998 e não ao período de 01/12/1998 a 31/12/1998,..." Em seguida, no item "II" (erroneamente identificado como item III) defende que apesar de ter declarado a decadência do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/1998, inclusive, a decisão a quo não o fez em relação ao período de 1/12/1998 a 31/12/1998. Aduz que, supondose que teria ocorrido a omissão de receitas, "o prazo decadencial cinco anos a contar da data da ocorrência do fato gerador , já teria se consumado, pois as datas em que foram efetuados os supostos depósitos bancários já foram atingidos pela decadência". Afirma que o art.150, §4º, do CTN, dispõe que no lançamento por homologação o prazo decadencial tem como termo inicial a data de ocorrência do fato gerador que, no caso, se refere as datas em que ocorreram os depósitos bancários e, assim, já estaria decaído o direito do Fisco. Salienta que a decadência deve ser reconhecida de ofício e, em seguida, afirma que "A jurisprudência do Egrégio Conselho de contribuintes é pacifica nesse sentido:" e colaciona 13 (treze) ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes. Transcreve doutrina, julgados do STJ e publicações de sites da internet. Observa não haver previsão legal para suspensão ou interrupção do prazo decadencial, ainda que seja determinado por ordem judicial. Pede, ao final, que seja acolhida a preliminar de decadência em relação ao período de 1/12/1998 a 31/12/1998. Como se verifica desta exposição, não se trata de Recurso Especial, mas de mero recurso contra a autuação, eis que não foi demonstrada de forma alguma, seja analítica ou sinteticamente, pelo recorrente, quais pontos do acórdão recorrido divergiriam do entendimento firmado nos acórdãos apresentados em sua peça de defesa. Isto foi feito apenas pelo despacho que analisou a admissibilidade do apelo especial, o que é inadmissível, já que é ônus do recorrente demonstrar a divergência. Nesse sentido vem decidindo esta 1ª Turma da CSRF, como depreendese dos seguintes acórdãos: Fl. 895DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 843 6 Acórdão nº 9101002.375 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. Apenas se conhece recurso especial em que a divergência de interpretação entre as Turmas julgadoras esteja demonstrada analiticamente, com a indicacã̧o dos pontos do acórdão paradigma que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (RICARF, art. 67, § 8°). SÚMULA 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. [...] O recurso especial é tempestivo, mas fazse necessário verificar se preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, quanto às duas matérias nele veiculadas: (i) legitimidade da adesão ao SIMPLES FEDERAL em face das atividades que exerce; (ii) impossibilidade de exclusão retroativa do aludido regime pelo Ato Declaratório Executivo n° 112, emitido em 20.08.2007 com efeitos a partir de 01.09.2001. No que se refere ao item (i) acima, compreendo que o recurso especial não cumpre com o requisito previsto no art. 67, § 6° do RICARF então vigente (Portaria n. 256/2009), que em nada difere do art. 67, § 8° do atual RICARF: “A divergen̂cia prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicacã̧o dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”. O contribuinte, às fls. 5501 do eprocesso, apenas colacionou, em meio aos seus argumentos, o acórdão n. 30132.601, sem realizar qualquer exame analítico de seu conteúdo. [...] Na verdade, todo o esforço dialético para a demonstração de divergência jurisprudencial foi levado a termo no despacho de admissibilidade, mas não pelo recorrente, a quem indiscutivelmente incumbiria tal ônus. [...] Sessão 12/7/2016 Rel. Cons. Luiz Flavio Neto. (destacamos) Acórdão nº 9101002.374 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 Fl. 896DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 844 7 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. Apenas se conhece recurso especial em que a similitude fática e a divergência de interpretação entre as Turmas julgadoras esteja demonstrada analiticamente, com a indicacã̧o dos pontos do acórdão paradigma que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (RICARF, art. 67). [...] O recurso especial é tempestivo, contudo, não cumpre com o requisito previsto no art. 67, § 6° do RICARF vigente quando de sua interposição (Portaria n. 256/2009), que em nada difere do 67, § 8° do atual RICARF: “A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”. Ocorre que, às fls. 1189, a recorrente simplesmente colaciona os acórdãos n. acórdãos n. 302038.388 e 20212.635, sem realizar qualquer exame analítico do conteúdo destes, ignorando ser obrigatória a demonstração da divergência em face do acórdão a quo. Na verdade, todo o exame dialético para a demonstração de divergência jurisprudencial foi levado a termo no despacho de admissibilidade, mas não pela recorrente, a quem inegavelmente incumbia tal ônus. [...] Sessão 12/7/2016 Rel. Cons. Luiz Flavio Neto. . (destacamos) No exame de admissibilidade do referido recurso sequer restou demonstrado, com segurança, qual teria sido exatamente o entendimento manifestado no voto proferido no acórdão recorrido, como se pode depreender do seguinte trecho (fls. 878/880): Apesar de a decisão recorrida ter resultado de entendimento majoritário, no sentido de se aplicar na espécie o art.173, I, do CTN, em que se reconheceu a decadência apenas com relação aos fatos geradores anteriores a 30/11/1998, inexistiu declaração de voto que pudesse esclarecer se foi alicerçado, por exemplo, em dolo, fraude ou simulação. A propósito, o voto do Relator, acompanhado pelas conclusões, aponta no sentido da inexistência de fraude: “No caso concreto, onde não se configurou evidente intuito de fraude (...)”. Assim, à vista dos paradigmas, pelos quais deve incidir na contagem do prazo decadencial a regra do art.150, §4º, do CTN, independentemente da existência de pagamento no período, e diante da omissão relatada no parágrafo anterior, é possível, neste juízo de cognição sumária, entender pela caracterização da divergência jurisprudencial suscitada. . (destacamos) Naquele despacho deduziuse que, a partir do entendimento manifestado nos acórdãos trazidos pela recorrente em confronto com uma parte omitida do voto, seria possível entender que haveria caracterização de divergência jurisprudencial. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 845 8 Ora, se havia omissão no acórdão recorrido caberia ao sujeito passivo interessado apresentar embargos de declaração para esclarecer a omissão ou o ponto obscuro, o que não foi feito. Por outro lado, não cabe a quem analisa a admissibilidade do recurso desferir um esforço intelectual a fim de demonstrar a divergência alegada pela parte. O Regimento Interno é claro: o ônus da divergência compete àquele que a invoca. À vista do exposto e, uma vez que o Recurso Especial do sujeito passivo não observou os requisitos regimentais para ser admitido, voto por não conhecêlo. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 898DF CARF MF
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Numero do processo: 13820.000648/98-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
IRRF. AUSÊNCIA INFORME DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA.
Caso o IRRF retido durante o ano-calendário componha o saldo negativo de IRPJ e o contribuinte não possua o informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, admite-se, no âmbito do processo administrativo fiscal, a apresentação de outras provas que comprovem o direito creditório. Contudo, é ônus do contribuinte essa comprovação. Não havendo provas nos autos que comprovem o direito creditório de IRRF, este não pode ser reconhecido pelo simples fato de estar declarado na composição do saldo negativo.
Numero da decisão: 1302-003.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: arlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 IRRF. AUSÊNCIA INFORME DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Caso o IRRF retido durante o anocalendário componha o saldo negativo de IRPJ e o contribuinte não possua o informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, admitese, no âmbito do processo administrativo fiscal, a apresentação de outras provas que comprovem o direito creditório. Contudo, é ônus do contribuinte essa comprovação. Não havendo provas nos autos que comprovem o direito creditório de IRRF, este não pode ser reconhecido pelo simples fato de estar declarado na composição do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: arlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 06 48 /9 8- 61 Fl. 371DF CARF MF 2 Relatório Tratase, o presente processo, de pedido de compensação formalizado pelo contribuinte Cotia Factoring Fomento Comercial Ltda., ora Recorrente. Como se depreende dos autos, a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, uma vez que a soma do recolhimento das estimativas mensais e do IRRF no ano de 1997 superavam, em tese, o valor devido a título de IRPJ naquele anocalendário. Tendo em vista o credito apurado, pretendeuse, com o pedido de compensação, quitar as estimativas de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com o crédito apurado. Contudo, como consta do acórdão recorrido, a Receita Federal do Brasil reconheceu apenas parte do crédito indicado no pedido de compensação. Vejase trecho da decisão neste sentido: 6. Ao analisar os elementos que constam dos autos e dos sistemas informatizados da RFB (SRF), a Autoridade Administrativa confirmou parte do IRRF (R$ 603.788,23), conforme planilha por ela elaborada (fl. 93), e recolhimentos de estimativas apenas para os meses de janeiro (R$ 144.511,55), fevereiro (R$ 494.724,25) e março (R$ 166.459,06), o que implicou o reconhecimento de parte do crédito (R$ 58.868,57), e deferimento parcial da compensação, até o limite do crédito reconhecido, (...): O Recorrente, não concordando com o reconhecimento em parte do seu direito creditório pelo despacho decisório, apresentou Manifestação de Inconformidade. O acórdão recorrido elencou os fundamentos apresentados pelo contribuinte em seu apelo de forma precisa. Confirase: 8.1. não foram considerados os pedidos de compensação das estimativas dos meses de abril a agosto de 1997; 8.2. o IRRF reconhecido é inferior ao montante realmente retido por instituições financeiras e clientes pela prestação de serviços na área de factoring; 8.3. o montante a ser restituído/compensado é de R$ 987.281,06, devendo a Ficha 08 ser demonstrada da seguinte forma: Assim, com base nos argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo reconheceu a maior parte do direito creditório. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 IRPJ. PAGAMENTO MAIOR QUE O DEVIDO. ANO CALENDÁRIO 1997. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação do lucro real anual, poderá deduzir do imposto Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13820.000648/9861 Acórdão n.º 1302003.069 S1C3T2 Fl. 372 3 devido, em 31 de dezembro, o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o valor do imposto pago mensalmente com base da Receita Bruta; COMPROVAÇÃO. A compensação tem como pressuposto de validade crédito líquido e certo em favor do sujeito passivo, cabendo a este o ônus da prova IRRF. COMPENSAÇÃO DO IRRF COM IRPJ DEVIDO. PRESSUPOSTOS DE VALIDADE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E CÔMPUTO DOS RENDIMENTOS NO LUCRO REAL. O saldo credor de IRPJ, quando resultante da compensação de IRRF, com o IRPJ devido, tem como pressupostos de validade a comprovação da retenção e o cômputo dos rendimentos correspondentes no lucro real, razão pela qual, em havendo controvérsia acerca do IRRF identificado nas declarações DIRF, cabe à Manifestante trazer aos autos o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CRÉDITOS DE TERCEIRO. Confirmada, por meio de instrução processual, que parcela do crédito pleitaedo referese a estimativas mensais compensadas com créditos de terceiros e que tais compensações encontramse homologadas, há que se computála na apuração do saldo credor em favor da Manifestante. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Como se observa da decisão proferida por aquela DRJ, o crédito não reconhecido pela autoridade julgadora referese à parte do IRRF, cuja a retenção e recolhimento não foram comprovados pelo contribuinte, uma vez que não foram apresentados os Informes de Rendimentos, tampouco outros documentos que pudessem demonstrar e comprovar as retenções sofridas. Não concordando com a decisão recorrida, na parte em que lhe foi desfavorável, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que tem direito ao crédito não reconhecido, uma vez que houve a retenção e recolhimento do tributo por parte das fontes pagadoras. Ainda, cumpre esclarecer que, em que pese ter havido o reconhecimento da maior parte do crédito pleiteado, pelo acórdão recorrido, como o direito creditório reconhecido não supera o limite estipulado na legislação para apresentação de Recurso de Ofício, este não foi apresentado pela autoridade julgadora de 1ª instância. Fl. 373DF CARF MF 4 Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 19/08/2017 (fl. 353), sextafeira, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 19/09/2017 (comprovante de fl. 354), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A matéria controversa nos autos e que foi devolvida a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, pelo Recurso Voluntário apresentado, se refere, basicamente, ao não reconhecimento de parte do direito creditório indicado pelo contribuinte, no que tange ao IRRF retido e recolhido. Em seu apelo, citando julgados do CARF para embasar os seus argumentos, o Recorrente alega que a "prova da retenção de IRRF pode ser realizada mediante outras provas documentais que não sejam comprovantes de rendimentos a serem fornecidos pelas fontes pagadoras, pois , contribuinte não pode ser penalizado pela omissão de terceiros, (...)". De fato, aos olhos desse julgador, o direito creditório do contribuinte não pode ser tolhido, quando há comprovação de que as fontes pagadoras efetuaram a retenção e o recolhimento do IRRF, mas deixaram de declarar esse recolhimento ou quando, a despeito da declaração, não apresentam de forma correta o informe de rendimentos ao contribuinte. Assim, seria temerário afirmar que só o informe de rendimentos teria o condão de comprovar os créditos retidos e recolhidos. Devese aceitar, em virtude do princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal, outros elementos probantes do direito creditório. Em que pese alguns julgados em sentido contrário, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se denota das ementas abaixo, entende pela possibilidade de apresentação de outros meios de prova para comprovar o crédito relativo ao IRRF, em detrimento do Informe de Rendimentos. Vejase: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13820.000648/9861 Acórdão n.º 1302003.069 S1C3T2 Fl. 373 5 COMPENSAÇÃO. DEDUÇÃO DE RETENÇÃO DE IRRF. PROVA. LIVRE APRECIAÇÃO. DIRF. Não prevalece o entendimento de que a retenção de fonte somente se comprova pelo comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, em nome do beneficiário, eis que, no ordenamento processual pátrio, incide a diretiva da livre apreciação da prova, que autoriza o exame de outros documentos, como a DIRF. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. GLOSA DE IRRF. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. Em declaração de compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ, em que a DRF glosou parcelas de deduções de IRRF, havendo prova das retenções e compatibilidade entre os rendimentos correspondentes aos valores retidos e as receitas oferecidas à tributação, devem ser afastadas as glosas e reconhecido o crédito. (Número do Processo 11065.000211/200870 Acórdão nº 1801001.687 Sessão de 08/10/2013) (destacouse) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995, 1996, 1997 SALDO NEGATIVO. IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. A prova da retenção de imposto de renda na fonte pode ser realizada mediante outras provas documentais que não sejam os comprovantes de rendimentos a serem fornecidos pelas fontes pagadoras, pois o contribuinte não pode ser penalizado por omissão de terceiros. COMPENSAÇÃO REALIZADA NA PRÓPRIA ESCRITA FISCAL ANTES DA INSTITUIÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARA NOVAS COMPENSAÇÕES NA PRÓPRIA ESCRITA. Após o pedido de restituição, para que o contribuinte pudesse compensar diretamente em sua escrita seu crédito com débitos de tributos da mesma espécie, deveria, previamente, apresentar pedido de desistência em relação ao crédito que pretendia, anteriormente, ver restituído. Inteligência do art. 14, § 3º, da IN SRF nº 21/97.Não havendo pedido de desistência do pedido de restituição pendente de decisão, prevalecem os pedidos de compensação realizados via processo administrativo, cabendo a cobrança de eventuais autocompensações realizadas na própria escrita sem haver disponibilidade de indébito para tanto. (...) (Número do Processo 10840.003979/9971 Acórdão nº 1402 002.186 Sessão de 04/05/2016) (destacouse). Fl. 375DF CARF MF 6 Contudo, em que pese se admitir outros meios de prova, é ônus do contribuinte apresentar nos autos as provas de suas alegações, uma vez que, sem elas, o julgador administrativo não tem elementos para afirmar que o direito creditório existe ou não. E, no presente caso, o próprio Recorrente afirma que não juntou aos autos a comprovação do seu direito creditório. Vejase o que restou afirmado no Recurso Voluntário ora analisado: 27. A despeito disso, durante todo o curso do presente processo, a Requerente agiu sempre de boafé, respaldada pela busca da verdade material dos fatos, tendo apresentado à fiscalização todos os documentos que possuía relacionados ao direito creditório pleiteado. 28. Justamente em virtude de tal conduta é que foi possível a confirmação da maior parte do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1997. A ausência de apresentação de documentos relacionados ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997 só ocorreu porque a Recorrente efetivamente não possuía tal documentação. 29. Portanto, não resta dúvida de que a exigência de documentos relativos a fatos ocorridos há quase 20 anos se mostra carente de qualquer razoabilidade, não podendo pretender sustentar a redução do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997. Assim, são irreparáveis as conclusões a que chegou o acórdão recorrido. Confirase o que constou daquela decisão: 23. Pela legislação exposta, verificase que a comprovação da retenção é condição essencial, embora não seja suficiente, para que o beneficiário dos rendimentos possa compensar o IRRF com o IRPJ devido em 31 de dezembro do anocalendário. 24. Todavia, embora a Autoridade Administrativa tenha elaborado planilha (fl.93) onde são apresentados o CNPJ da fonte pagadora, o código de retenção, o rendimento pago e o IRRF retido, a Manifestante não traz aos autos os comprovantes de retenção emitidos por pessoas jurídicas que, eventualmente, não tenham constado da relação. 25. Fica, portanto, mantido o montante de IRRF, reconhecido pela Autoridade Administrativa, no valor de R$ 603.788,23. No Recurso Voluntário, ressaltese, após afirmar que não possui as provas para comprovar o seu direito creditório, o Recorrente afirma, tão somente, que o crédito foi informado em compensação e esta deve ser homologada. Mas não apresenta nenhum elemento para comprovar o seu direito. O que não se pode admitir. Por fim, cumpre ressaltar que o Recorrente alega ao final do Recurso que houve a homologação tácita do pedido de compensação, uma vez que já decorridos mais de 05 anos desde a apresentação daquele pedido. Contudo, não devese dar respaldo a este argumento. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13820.000648/9861 Acórdão n.º 1302003.069 S1C3T2 Fl. 374 7 Não se desconhece o disposto no § 5º, do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que fala em homologação tácita da compensação, no prazo de 05 anos, contados da apresentação do pedido pelo contribuinte. Vejase: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Entretanto, no presente caso, o pedido de compensação foi apresentado em 01/07/1998 (fl. 03), tendo o contribuinte recebido o despacho decisório em 13/12/2002 (fl. 97), ou seja, antes de decorrido o prazo de 05 anos, contado da apresentação do pedido de compensação. Assim, in casu, não há que se falar em homologação tácita da compensação, como tenta induzir o Recorrente no Recurso Voluntário apresentado, mesmo que ainda esteja em discussão administrativa o direito creditório indicado no pedido de compensação. Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo, na totalidade, o que restou decidido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP). (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Fl. 377DF CARF MF
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