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Numero do processo: 10070.001054/2002-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997
PRESCRICÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 11 DO CARF.
Não se aplica o instituto da prescrição intercorrente aos processos administrativos fiscais, na forma da Súmula nº 11 do CARF.
DA AUSENCIA DE PROVA. NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DE SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF COM OS PA APONTADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO
Ainda que seja aplicada a legislação vigente à época quanto a possibilidade de Solicitação de Retificação de DCTF por meio de processo administrativo, não restou demonstrado que as PAs identificadas neste auto de infração, foram objeto dos dois processos identificados pela diligência.
Numero da decisão: 2401-005.548
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1997 PRESCRICÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 11 DO CARF. Não se aplica o instituto da prescrição intercorrente aos processos administrativos fiscais, na forma da Súmula nº 11 do CARF. DA AUSENCIA DE PROVA. NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DE SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF COM OS PA APONTADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO Ainda que seja aplicada a legislação vigente à época quanto a possibilidade de Solicitação de Retificação de DCTF por meio de processo administrativo, não restou demonstrado que as PAs identificadas neste auto de infração, foram objeto dos dois processos identificados pela diligência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 10 54 /2 00 2- 92 Fl. 288DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Tratase de auto de infração nº 10010283 de 22/02/2002 (fls. 09/15), realizado por meio de auditoria interna na DCTF, lavrado pela então existente DEFIC/RJO, sob a alegação de que não haviam sido localizados os pagamentos relativos à diversos Imposto de Renda Retidos na Fonte, cujo vencimento se deu entre 09/04/1997 a 09/07/1997. Para tanto, se apontou o valor de R$ 46.558,09 (quarenta e seis mil quinhentos e cinquenta e oito reais e nove centavos, com multa de 75% e juros de mora. Após devidamente cientificada, a Recorrente apresentou impugnação, acostada às fls. 04/06, alegando, em suma: a) A nulidade do auto de infração, na medida em que ausente de clareza na descrição dos fatos e na indicação dos dispositivos legais infringidos. Além da forma da intimação ter violado o art. 842 do RIR e IN SRF 45 e 77 de 1998, já que realizada por meio eletrónico; b) Asseverou, ainda, que a DCTF teria sido entregue com erros e que teria apresentado DCTF retificadora (fls. 16/29) para esclarecer as incoerências entre as informações e os recolhimentos. Da mesma forma, asseverou que os documentos apresentados comprovariam o acerto dos valores e declarações realizados, requerendo, ainda, a produção de prova pericial. Processada a impugnação, os autos foram encaminhados à DERAT/RJO, quando então foi promovida a Revisão de Lançamento nº 51/2011 (fls. 78/79), que reduziu o valor anteriormente apontado pelo fisco, passando de R$ 46.558,09 (quarenta e seis mil quinhentos e cinquenta e oito reais e nove centavos) para R$ 1.948,41 (mil novecentos e quarenta e oito mil e quarenta e um centavos), na forma do Demonstrativo de fls. 73 a 77, que integraram o despacho para todos os fins legais. Intimada dos termos do despacho em 23/02/2011 (fl. 81), a Recorrente aditou suas razões de defesa (fls. 82/87), alegando, desta vez que: a) A diferença de 1.948,41 (mil novecentos e quarenta e oito reais e quarenta e um centavos), subsistente após a revisão de ofício, teria sido Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10070.001054/200292 Acórdão n.º 2401005.548 S2C4T1 Fl. 3 3 objeto de solicitação de ratificação de DCTF, nos termos da IN SRF nº 126/98, sendo improcedente a manutenção do lançamento; b) No mesmo sentido, aduziu que o lançamento do IRRF refente ao período de abril a julho de 1997 teria ocorrido em 22/02/2002, sendo que a revisão em 16/02/2011, ou seja, mais 14 anos após o fato gerador e 8 anos após a apresentação de impugnação, sendo forçoso o reconhecimento da prescrição intercorrente; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1238.388 da 5ª Turma da DRJ/RJI, às fls. 119/123, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido na sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 AUDITORIA INTERNA. DCTF. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO Deve ser mantido o auto de infração lavrado após auditoria interna de DCTF e em decorrência da não localização de pagamento vinculado a débito informado na referida declaração, se o contribuinte não comprova a existência do pagamento na fase impugnatória. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 131/137, argumentando o que segue: a) O crédito tributário estaria fulminado pela prescrição intercorrente, na forma dos artigos 173, 174 e 156, todos do CTN; b) No mérito, afirma que não prospera o quanto asseverado no auto de infração, já que, “ao perceber o engano solicitou retificação de sua DCTF em 18/04/2002, nos termos da IN SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998 (vigente à época), [...]”, sendo que, apesar da Delegacia Regional, em seu acórdão, fundamentar a impossibilidade de retificação do art. 147 do CTN, o fez com base na IN SRF de 11/12/2002, sendo que o pedido foi feito em 18/04/2002, sendo aplicado ao caso os termos da IN SRF nº 126/98. Em seguida, o Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte foi apreciado pela 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a qual, após afastar hipótese de prescrição Fl. 290DF CARF MF 4 intercorrente com base na Súmula 11 deste Conselho, manifestouse através da Resolução nº 2102000.199 de 11 de março de 2015 (fls. 141/146), e converteu o julgamento em diligência com o objetivo de esclarecer alguns pontos, da seguinte forma: “Ao exame da preliminar arguida pela Recorrente, destacase que a alegação encontra óbice na Súmula CARF nº 11, segundo a qual ‘não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal’. (Portaria nº 52, de 21/12/2010, publicada no DOU, Seção I, em 23/12/2010). Vencido esse ponto, passase ao exame do mérito, que envolve a análise dos lançamentos das seguintes rubricas (fls. 71): 1 – Lançamento de valor residual de R$ 22,78, decorrente do crédito original de R$ 2.187,37, com data de vencimento em 07/05/1997 (PA 0504/1997); 2 – Lançamento de valor residual de R$ 340,50, decorrente do crédito original de R$ 1.084,50, com data de vencimento em 14/05/1997 (PA 0205/1997); 3 – Lançamento de valor residual de R$ 1.585,53, decorrente do crédito original de R$ 13.968,17, com data de vencimento em 04/06/1997 (PA 0505/1997); Todos esses créditos decorrem de informações de valores a maior na DCTF do 2º trimestre de 1997, após a revisão de ofício do lançamento feita com base nas informações apresentadas pela Recorrente, quais sejam, a Solicitação de Retificação de DCTF e as guias de recolhimento. Contudo, a Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, defende que o pedido de retificação não correste a uma ‘DCTF retificadora’, mas sim a um ‘processo administrativo’ com permissivo no inciso III do art. 8º da IN SRF nº 126, de 30/10/1998, transcrita abaixo: [...] Sobre esse processo administrativo, a Recorrente alega que ‘a competente solicitação de retificação de DCTF foi apresentada no dia 18 de abril de 2002, através de processo legal, que até hoje não se encontra julgado, como se verifica do andamento processual do sistema COMPROT’. Assim, considerando a Instrução Normativa vigente à época e o processo administrativo apresentado pela Recorrente propõese a CONVERSÃO deste julgamento em diligência, para que sejam juntados os autos cópia integral do respectivo processo administrativo. Tendo em vista a ausência de informação, nestes autos, do número desse processo, orientase a juntada do processo administrativo protocolado em 18 de abril de 2002, e, caso não seja identificado, orientase a juntada de todos os processos administrativos protocolados em abril de 2002, haja vista a relevância dessas informações para a análise do mérito.” Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10070.001054/200292 Acórdão n.º 2401005.548 S2C4T1 Fl. 4 5 Na sequência, após o retorno da diligência, cumprida às fls. 150 a 266, os autos retornaram para esta Relatora, que determinou a intimação da Recorrente para que se manifestasse sobre os documentos juntados aos autos, conforme Resolução nº 2401000.614 de 03 de outubro de 2017 (fls. 268/273), a fim de se evitar posterior alegação de cerceamento de defesa. Dessa forma, a empresa foi intimada em 09/11/2017 (fl. 279), apresentando manifestação de fls. 283/284, asseverando que: “[...] No entanto, importante mencionar o despacho de fls 252 do Chefe de Equipe da DRF, informando (processo 10070002304/200210), que a numeração do processo não está identificada com carimbo da unidade fls. 51 e, o processo apresenta capa em mal estado, tudo isto perfeitamente compreensível após esses 15 anos de tramite e 20 anos dos fatos. Registrese também o despacho do Sr. Chefe da DIORT/FAZ, às fls. 265 que o processo (processo 10070 002304/200210) NÃO SE ENCONTRA CADASTRADO NOS SISTEMAS SINCORPROFISC (fls. 53) e SIEF (Fls. 54). No entanto informa que em consulta ao sistema SIEF FISCEL, TELAS DE FLS. 55/57, verificase que os valores retificados em DCTF encontramse validados e no sistema SINCORCONTACORPJ, fls. 58, não há débitos em cobrança. Por fim do exposto, opina pelo arquivamento do processo. A falta de registro nos sistemas expõe uma fragilidade imensa naquele período de transição entre os processos físicos e os eletrônicos, por outro lado, o exame dos sistemas SIEF FISCEL, e as telas mostram os valores retificados das DCTFs bem como validados no sistema SINCORCONTACORPJ, não aparecendo nenhum débito em nome da Contribuinte. Observase também que esses fatos se deram em 21/11/2002, posterior inclusive à solicitação de retificação da DCTF referente ao processo protocolado em 18/04/2002 cuja cópia foi solicitada pela D. Conselheira. Diante dos fatos, ratificase o pedido de procedência do Recurso, cancelando o lançamento tributário, pelas razões expostas”. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos já foram analisados anteriormente, tendo sido reconhecida a tempestividade e os demais requisitos para conhecimento do recurso em questão. 2. DO MÉRITO Como se pode observar do Recurso Voluntário apresentado, eis que foram abordados apenas dois temas, a prescrição intercorrente e a existência de suposto pedido de retificação da DCTF por meio de processo administrativo próprio. Nos termos do relatório, verificase que a alegada prescrição intercorrente já foi afastada nos termos da Súmula 11 deste Conselho, uma vez que o instituto invocado é reconhecidamente inaplicável na via administrativa fiscal (fl. 145). Recordese: “Ao exame da preliminar argüida pela Recorrente, destacase que a alegação encontra óbice na Súmula CARF nº 11, segundo a qual “não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. (Portaria nº 52, de 21/12/2010, publicada no DOU, Seção I, em 23/12/2010). Vencido esse ponto, passase ao exame do mérito, que envolve a análise dos lançamentos das seguintes rubricas (fl. 71) [...]” Dessa forma, a questão encontrase superada. Em verdade, o único ponto pendente de julgamento é a tese apresentada pela Recorrente de que não seriam exigíveis os lançamentos mantidos após a retificação de ofício, uma vez que haveria pedido formulado pelo contribuinte, por meio de processo administrativo próprio, para retificação dos valores equivocadamente informados na DCTF, protocolado em 18/04/2002 e sem análise até aquela data. Vejase que, conforme se verifica da fl. 136 destes autos, a Recorrente afirmou, expressamente que: “Repitase que, ao perceber o engano no preenchimento da DCTF, e não existindo meio para retificação da DCTF nos termos dos itens I e II da mencionada norma legal, a Contribuinte apresentou sua competente SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF, de onde se verifica claramente a solicitação de mudança de valor de R$ 13.968,17 para R$ 12.382,64; de R$ 1.084,50 para R$ 744,00 e de R$ 2.187,37 para R$ 2.164,59. A competente solicitação de retificação foi apresentada no dia 18 de abril de 2002, através de processo legal, que até hoje não se encontra julgado, como se verifica do Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10070.001054/200292 Acórdão n.º 2401005.548 S2C4T1 Fl. 5 7 andamento processual através do sistema COMPROT. [...]”. Vejase que, conforme aponta a Recorrente e, assim como se verifica do demonstrativo de débito de fls. 125, os valores devidos são, respectivamente: 1 – Lançamento de valor residual de R$ 22,78, decorrente do crédito original de R$ 2.187,37, com data de vencimento em 07/05/1997 (PA 05 04/1997); 2 – Lançamento de valor residual de R$ 340,50, decorrente do crédito original de R$ 1.084,50, com data de vencimento em 14/05/1997 (PA 02 05/1997); 3 – Lançamento de valor residual de R$ 1.585,53, decorrente do crédito original de R$ 13.968,17, com data de vencimento em 04/06/1997 (PA 05 05/1997); Nesse sentido, analisando os autos em questão, verificase que na impugnação aditada pela Recorrente, às fls. 106 a 108, em que pese no mérito a parte alegar que “para maior clareza junta cópia das DCTF’s retificadoras e das guias de recolhimento”, não se verifica a juntada destas, nem sequer na primeira impugnação apresentada pela Recorrente. Da mesma forma, não se verifica sequer o apontamento do número do processo administrativo em que teria sido requerida a retificação dos valores supostamente lançados equivocamente pela parte referente ao 2º trimestre de 1997, no que tange aos valores acima identificados. A única suposta prova de que os valores teriam sido objeto de Solicitação de Retificação de DCTF, é o documento de fls. 104, que sequer encontrase carimbado e com o respectivo número de protocolo. Não se pode confundir a impugnação do auto de infração de fls. 105, com a solicitação. Exatamente nesse sentido, acreditase, foi a diligência requerida pela 2ª Turma deste Conselho, já que, ao identificar as razões apresentadas pela Recorrente em seu recurso e a completa ausência de provas nesse sentido, requereu as informações a respeito de todos os pedidos de retificação feitos pela parte no mês de abril de 2002, nos seguintes termos: “Assim, considerando a Instrução Normativa vigente à época e o processo administrativo apresentado pela Recorrente propõese a CONVERSÃO deste julgamento em diligência, para que sejam juntados os autos cópia integral do respectivo processo administrativo. Tendo em vista a ausência de informação, nestes autos, do número desse processo, orientase a juntada do processo administrativo protocolado em 18 de abril de 2002, e, caso não seja identificado, orientase a juntada de todos os processos administrativos protocolados em abril de 2002, haja vista Fl. 294DF CARF MF 8 a relevância dessas informações para a análise do mérito.” Ou seja, nunca houve, de fato, qualquer apontamento acerca do processo específico onde se questionou o suposto erro no preenchimento da DCTF referente aos valores apontados no lançamento. Em resposta a esta diligência, foi encontrado o processo administrativo de número 10070.000049/0075, datado de 18 de janeiro de 2000 (fls. 150 a 197), onde se questionou o preenchimento de valores referentes ao 1º trimestre de 1999, não guardando, portanto, qualquer relação com os valores aqui discutidos (2º trimestre de 1997). Em seguida, verificouse o processo de nº 10070.002304/200210, datado de 12 de julho de 2002, conforme identificado na fl. 199. Neste processo, como se identifica da fl. 200, o pedido de alteração solicitada foi referente às PAs 0312/1997; 0507/1997; 0508/1997; 0509/1997; 0507/1997, cuja discussão é o 3º e 4º trimestre de 1997 (conforme documento de fls. 202 a 244). Todavia, as PAs identificadas neste processo são: 0504/1997; 0205/1997 e 0505/1997, que não guardam nenhuma relação com o processo acima identificado, como demonstram os documentos juntados com a diligência. Dessa forma, resta clara a ausência de veracidade das alegações da Recorrente ao aduzir a existência de suposto processo de retificação dos valores identificados nas PAs deste auto de infração, que não guarda relação com nenhum dos processos encontrados na diligência. Assim, não havendo qualquer justificativa apta a afastar os lançamentos aqui identificados, mantenho a conclusão da DRJRJ1, intimando a Recorrente para o pagamento do valor de R$ 1.948,41 (mil novecentos e quarenta e oito mil e quarenta e um centavos), na forma do Demonstrativo de fls. 71 a 75, que integraram o despacho para todos os fins legais atualizado e com a incidência da multa legal. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914267/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.897
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 67 /2 01 2- 95 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.914267/201295 Acórdão n.º 3201003.897 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.422, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.914267/201295 Acórdão n.º 3201003.897 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.914267/201295 Acórdão n.º 3201003.897 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.914267/201295 Acórdão n.º 3201003.897 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720062/2011-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.978
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 29/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 62 /2 01 1- 24 Fl. 59243DF CARF MF Processo nº 10410.720062/201124 Acórdão n.º 3401004.978 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59244DF CARF MF Processo nº 10410.720062/201124 Acórdão n.º 3401004.978 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 59245DF CARF MF Processo nº 10410.720062/201124 Acórdão n.º 3401004.978 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 59246DF CARF MF Processo nº 10410.720062/201124 Acórdão n.º 3401004.978 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 59247DF CARF MF Processo nº 10410.720062/201124 Acórdão n.º 3401004.978 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 59248DF CARF MF Processo nº 10410.720062/201124 Acórdão n.º 3401004.978 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59249DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.006963/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008 e 01/02/2009 a 28/02/2009
RECURSO "EXOFFICIO" – COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA.
Devidamente fundamentada na prova dos autos e na legislação pertinente a insubsistência das razões determinantes da autuação, é de se negar provimento ao recurso necessário interposto pelo julgador "a quo" contra a decisão que dispensou o crédito tributário da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 1301-000.557
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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MULTA ISOLADA. Devidamente fundamentada na prova dos autos e na legislação pertinente a insubsistência das razões determinantes da autuação, é de se negar provimento ao recurso necessário interposto pelo julgador "a quo" contra a decisão que dispensou o crédito tributário da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwar Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso exofficio interposto pela 3o. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Curitiba (PR), julgar improcedente o lançamento, cancelandose a exigência de multa de ofício isolada de R$ 63.910.556,62. Em razão de sua pertinência, transcrevo trecho do relatório da decisão recorrida: Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 03/08, que exige o recolhimento de R$ 63.910.556,62 a título de multa isolada (de 150%), em decorrência de compensação indevida efetuada em declarações de compensação apresentadas pela contribuinte (o demonstrativo relativo às compensações tidas como indevidas está à fl. 11) entre 10/06/2008 e 13/02/2009. Segundo o Relatório Fiscal, fls. 157/162, a autuação, cientificada em 21/07/2009 (fl. 163), ocorreu devido à compensação (considerada não declarada) de débitos de Cofins (07/2003, 08/2003, 01/2004 a 03/2004, 09/2004, 10/2004, 05/2008 a 12/2008 e 01/2009), no montante de R$ 42.607.037,73 (R$ 31.567.056,33 de Cofins mais acréscimos legais), com créditos oriundos de decisão judicial, objeto do processo 199961000245080 (SP), cuja habilitação administrativa se deu por meio do processo n° 10980.003291/200811. Consta do Relatório, ainda, que a aludida decisão judicial, transitada em julgado, foi objeto de ação rescisória no âmbito do processo 2009.03.00.0027547 e que houve antecipação de tutela para sustarlhe a eficácia no tocante ao afastamento do art. 8o. e §§ da Lei 9.718, de 1998 (majoração de alíquota da Cofins), obstandose a compensação antes deferida. Como conseqüência, o despacho que considerou habilitado o crédito no âmbito do processo administrativo 10980.003291/200811, foi administrativamente cancelado (10/06/2009 — fl. 116). Transcrevo, a seguir, a ementa prolatada no acórdão recorrido: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2008, 01/02/2009 a 28/02/2009 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. HIPÓTESES DE APLICAÇÃO. Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada somente quando presentes as hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado” É o relatório. Passo ao voto. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.006963/200921 Acórdão n.º 1301000.557 S1C3T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O valor do crédito tributário exonerado excede o limite que sujeita a decisão à revisão necessária, pelo que, tomo conhecimento do Recurso de Ofício. Cabe esclarecer, inicialmente, que o presente processo trata, unicamente da exigência de multa de ofício isolada. Pela análise dos autos, entendo que não cabe qualquer reparo à decisão recorrida, pelo que tomo de empréstimos, parcialmente, seus argumentos os quais transcrevo: “A impugnante salienta que as declarações de compensação foram apresentadas com base em créditos decorrentes de decisão judicial transitada em julgado e que previamente à sua entrega, os mesmos foram objeto de habilitação perante a Receita Federal no âmbito do processo administrativo n° 10980.003291/200811. Afirma que a compensação de Cofins com Cofins foi expressamente autorizada pela decisão judicial que transitou em julgado, discorre sobre o processo judicial e sobre a ação rescisória, questiona os argumentos contidos no despacho decisório que considerou não declaradas as compensações, aduz ser ridícula a alegação de fraude, pede a observância do disposto no art. 112 do CTN e, ao final, requer o cancelamento do lançamento. É oportuno esclarecer, no entanto, que as declarações de compensação consideradas não declaradas foram apresentadas anteriormente ao cancelamento do despacho decisório que deferiu a habilitação do crédito (fl. 116) e anteriormente, também, ao deferimento do pedido de antecipação dos efeitos da tutela, no âmbito da ação rescisória n° 2009.03.000027547, para sustar a eficácia do acórdão que transitou em julgado favoravelmente à contribuinte no processo judicial n° 1999.61.000245080/SP. Analisandose os documentos constantes dos autos e, também, a legislação de regência constatase que, ao contrário do afirmado pela fiscalização, aludida multa não poderia ter sido aplicada no presente caso. Com efeito, independentemente do fato de as compensações terem sido consideradas não declaradas, fato que não será objeto de verificação no presente voto, é indiscutível que, à época em que as Dcomp que serviram de base para o lançamento foram apresentadas, entre 10/06/2008 e 13/02/2009, o crédito (de Cofins) que vinha sendo pleiteado decorria de uma decisão judicial transitada em julgado, tanto é assim que a própria contribuinte pleiteara em 12/03/2008, por meio do processo administrativo 10980.003291/200811, a habilitação correspondente e a mesma lhe foi deferida, por despacho decisório (esse despacho veio a ser cancelado em 10/06/2009, fl. 116, em face da tutela deferida no âmbito da ação rescisória alhures comentada). Quanto ao crédito pleiteado (e aos débitos compensados) vêse que se refere à Cofins, contribuição reconhecidamente administrada pela Receita Federal. Nesse contexto, por entender que a multa isolada aplicada à contribuinte se refere a uma compensação, tida como indevida, que, pelo que consta dos autos, não se enquadra nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n" 9.430, de 1996, Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 especialmente nas alíneas 'd' e 'e' do dito inciso, como aludido no Relatório Fiscal, entendese ser totalmente descabido o pertinente lançamento que, portanto, deve ser cancelado.” No caso em tela, o autuante fundamentou o lançamento, enquadrandoo nos dispositivos legais (fl.08), os quais transcrevo: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007). § 1o. Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§, 6o. a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2° À multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso 1 do caput do art. 44 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007). § 3o. Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4° Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o., quando for o caso. (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007). § 5o. Aplicase o disposto no § 2o. do art. 44 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos , nos §§, 2o. e 4o. deste artigo.(Redação dada pela Lei 11.488, de 2007). (grifouse). No caso, não consigo encaixar a conduta da autuada no tipo legal acima disposto. Não resta dúvida que à época da apresentação das Dcomp (entre 10/06/2008 e 13/02/2009)o crédito (de Cofins) que vinha sendo pleiteado decorria de uma decisão judicial transitada em julgado, a qual foi devidamente reconhecida (processo administrativo 10980.003291/200811), em que pese o cancelamento de tal decisão em 10/06/2009, em face da tutela deferida no âmbito da ação rescisória. Da mesma o crédito pleiteado (e os débitos compensados) vêse que se refere à Cofins, contribuição reconhecidamente administrada pela Receita Federal. Nesse contexto, por entender que a multa isolada aplicada à contribuinte se refere a uma compensação, tida como indevida, que, pelo que consta dos autos, não se enquadra nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, especialmente nas alíneas 'd' e 'e', pelo que convém transcrevêlo: Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.006963/200921 Acórdão n.º 1301000.557 S1C3T1 Fl. 3 5 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002). § 12 Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) II em que o crédito. (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei n°11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei n°11.051, de 2004). Desta forma, devidamente fundamentada na prova dos autos e na legislação pertinente a insubsistência das razões determinantes da autuação, é de se negar provimento ao recurso necessário interposto pelo julgador "a quo" contra a decisão que dispensou o crédito tributário da Fazenda Nacional, em seus próprios fundamentos que ratifico como razão de decidir. Nego provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.680948/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros.
Numero da decisão: 1201-002.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 09 48 /2 01 1- 91 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.680948/201191 Acórdão n.º 1201002.227 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a manifestação de inconformidade para indeferir o pedido de restituição. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido de multa moratória. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelo seguinte fundamento: "A denúncia espontânea não resta caracterizada nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). Conseqüentemente, a multa moratória não pode ser excluída.". Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado, de forma resumida: "a) Originalmente os tributos foram informados em DCTF como compensados, e não como tributos em aberto; b) Realizada a compensação de um tributo e informado tal procedimento em DCTF, sua exigibilidade demandaria a realização de lançamento; c) Enquanto pendente de análise essa compensação não pode o Contribuinte ser considerado em mora, pois o procedimento compensatório extingue o crédito sob condição resolutória de sua ulterior homologação; d) O posterior pagamento do tributo, enquanto pendente a análise de compensação anteriormente declarada em DCTF, não implica a ocorrência de mora por parte do Contribuinte; e) O pagamento antes de qualquer ato formal de lançamento é caracterizado como denúncia espontânea, afastando não apenas a multa punitiva, mas também a multa moratória." É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.680948/201191 Acórdão n.º 1201002.227 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.222, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.680945/2011 58, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.222): O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. O crédito pleiteado pela Contribuinte se refere à multa moratória que ela entende indevida em função da denúncia espontânea. Efetivamente, este e.CARF já tem farta jurisprudência no sentido de que, em se tratando de denúncia espontânea, é suficiente o pagamento do principal e dos juros de mora, estando a Contribuinte dispensada do pagamento de multas, seja ela de ofício seja moratória. Senão: Acórdão CSRF nº 9101001.815, de 20/11/2013: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício. Acontece que, como já ficou definido pelo STJ, a denúncia espontânea só se configura quando o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração constitutiva do crédito, tal como a DCTF no presente caso PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.680948/201191 Acórdão n.º 1201002.227 S1C2T1 Fl. 5 4 POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN (...) 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.680948/201191 Acórdão n.º 1201002.227 S1C2T1 Fl. 6 5 ... TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. COBRANÇA DE DIFERENÇAS DE ICMS DECLARADO EM GIA E RECOLHIDO FORA DE PRAZO. CTN, ART. 166. INCIDÊNCIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. AFASTAMENTO DA MULTA. SÚMULA 98/STJ. VERBA HONORÁRIA. ART. 21 DO CPC. SÚMULA 07/STJ. (...) 2. Apreciando a matéria em recurso sob o regime do art. 543C do CPC (REsp 886462/RS, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 28/10/2008), a 1ª Seção do STJ reafirmou o entendimento segundo o qual (a) a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS ? GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ? DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco, e (b) se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido, nos termos da Súmula 360/STJ. (...) (REsp 1110550/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 04/05/2009) ... TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ? DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS ? GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.680948/201191 Acórdão n.º 1201002.227 S1C2T1 Fl. 7 6 (REsp 962.379/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Nesse sentido, inclusive, o STJ já consolidou a Súmula nº 360: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Esse entendimento também deve ser repetido neste e.CARF, com base no mesmo art. 62, §2º, do Anexo II ao RICARF, como já se reconheceu nos seguintes precedentes: Acórdão CARF nº 3802001.587, de 27/02/2013: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (Dctf) ou declaração equivalente, e afasta a exigência da multa de mora. Essa interpretação foi consolidada pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados no regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil. Interpretação vinculante nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Carf. O ônus da prova de sua caraterização concreta cabe ao sujeito passivo. Portanto, se este não apresenta elementos suficientes para demonstrar a sua configuração, deve ser mantida a decisão recorrida. ... Acórdão CARF nº 2101001.957, de 20/11/2012: TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, circunstância não comprovada no presente feito. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Verificase, no caso concreto, que quando o recolhimento em atraso foi feito, o débito estava declarado na DCTF original. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.680948/201191 Acórdão n.º 1201002.227 S1C2T1 Fl. 8 7 como está registrado no seguinte trecho do voto condutor da decisão de piso que trago a colação: Não tem proveito o argumento de que o pagamento do débito indevidamente compensado foi feito antes da retificação da DCTF. O débito pago já estava confessado na DCTF original. Lá já constava o mesmo valor de débito informado na retificadora. (...) O que mudou na DCTF retificadora foi o crédito vinculado ao débito confessado. A DCTF original continha informação inexata, pois aqui não se confirma a existência da compensação nela vinculada. Ainda que a versão da manifestação de inconformidade fosse verdadeira, os efeitos da compensação não homologada ou cancelada se desfazem desde sempre, como se viu anteriormente neste voto. Portanto, no caso, quando o recolhimento foi feito, o débito estava declarado e encontravase em aberto desde seu vencimento. A denúncia espontânea não resta caracterizada nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). Conseqüentemente, a multa moratória não pode ser excluída. Nesse caminho, nos casos em que o pagamento foi efetuado após a transmissão da DCTF, em consonância com a jurisprudência do STJ e deste e.CARF, cabível a cobrança da multa moratória. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o indeferimento do pedido de restituição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12749.000451/2007-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 28/08/2002 a 23/05/2005
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREVICUR TÉCNICO.
O produto identificado em laudo técnico como sendo uma solução aquosa de Cloridrato de Propamocarb classifica-se no Capitulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul.
Ê indevida a classificação no código NCM 3808.20.29, como entendeu a fiscalização, por se tratar de composto orgânico de constituição química definida, não estar acondicionado para venda a retalho e nem ser uma preparação.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREMIER TÉCNICO.
O produto identificado em laudo técnico como sendo o Imidacloprid classifica-se no código NCM 2933.39.29.
Numero da decisão: 3201-003.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 28/08/2002 a 23/05/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREVICUR TÉCNICO. O produto identificado em laudo técnico como sendo uma solução aquosa de Cloridrato de Propamocarb classifica-se no Capitulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Ê indevida a classificação no código NCM 3808.20.29, como entendeu a fiscalização, por se tratar de composto orgânico de constituição química definida, não estar acondicionado para venda a retalho e nem ser uma preparação. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREMIER TÉCNICO. O produto identificado em laudo técnico como sendo o Imidacloprid classifica-se no código NCM 2933.39.29.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/08/2002 a 23/05/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREVICUR TÉCNICO. O produto identificado em laudo técnico como sendo uma solução aquosa de Cloridrato de Propamocarb classificase no Capitulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Ê indevida a classificação no código NCM 3808.20.29, como entendeu a fiscalização, por se tratar de composto orgânico de constituição química definida, não estar acondicionado para venda a retalho e nem ser uma preparação. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREMIER TÉCNICO. O produto identificado em laudo técnico como sendo o Imidacloprid classificase no código NCM 2933.39.29. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 74 9. 00 04 51 /2 00 7- 67 Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.494 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente do Imposto de Importação II acrescido de multa de ofício e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Versa o presente processo sobre o Auto de Infração lavrado (fls. 36/50) para a exigência do crédito tributário relativo As diferenças do Imposto de Importação (R$ 429.980,70), acrescido da multa de oficio de 75% e dos juros de mora, além da multa do controle administrativo (R$ 7.369.728,40, regulamentar (R$ 1.078.348,24) e da multa proporcional ao valor aduaneiro (R$ 385.729,77), em virtude da reclassificação tarifária de mercadorias importadas, embasada em laudos técnicos e legislação de regência, conforme descrito no Termo de Verificação (fls. 109/129): Hostathion Técnico. Laudo Funcamp n° 0029.01 , classificada pelo contribuinte no código 2933.99.63 e reclassificado para o código 3808.10.29. Premier Técnico. Laudo Funcamp no 2834.01, classificada pelo contribuinte no código 2933.39.99 e reclassificado para o código 2933.39.29. Previcur Técnico. Laudo Funcamp no 0640.01, classificada pelo contribuinte no código 2924.19.29 e reclassificado para o código 3808.20.29. Larvin Técnico. Ficha Radar n° 04/00255324, classificada pelo contribuinte no código 2930.90.39 e reclassificado para o código 3808.10.29. Para todos os produtos houve o lançamento do Imposto de Importação, juros de mora, multa de oficio, multa de classificação fiscal incorreta e Multa do controle administrativo por ausência de licença de importação, à exceção do produto Premier Técnico, que foi objeto de tãosomente multa de 1% por classificação fiscal incorreta. A fiscalização relata que esta contribuinte foi incorporada, em 27/01/2005, pela ora denominada Bayer S/A, CNPJ 18.459.628/000115, que detém a responsabilidade tributária pelo pagamento deste lançamento. Regularmente cientificada (fl. 37), a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 1318/1338, na qual, em síntese: Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.495 3 Informa sobre os recolhimentos dos valores exigidos quanto aos produtos Hostathion Técnico e Larvin Técnico — DARF de R$ 472.382,42, R$ 2.615.783,24, R$ 24.163,07, R$ 126.225,49, R$ 176.103,65, R$ 727.859,19 e R$ 77.131,77 (documentos números 03 ao 09). Quanto ao produto Premier Técnico, alega primeiramente que, em outra ação fiscal, já houve o lançamento relativo às DI 04/12042554 e 04/12839614 – Autos de Infração n° 11128.0003951/200533 e 11128.002826/200514. Desta forma, este lançamento deve ser declarado nulo. A reclassificação fiscal para o código NCM n° 2933.39.29 afronta o estabelecido pelo Tratamento Administrativo Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), o qual determina a utilização da NCM n° 2933.39.99 (destaque 005 outros Imidacloprid), aplicação anuída pelo Ministério da Agricultura (doc. 12). Afirma que somente este código é permitido no Sistema Eletrônico do Ministério da Fazenda para este produto, sob pena de se caracterizar importação ao desamparo de licença. Aduz que a pretensão fiscal macula o principio da segurança jurídica e que deve ser afastada a multa aplicada. Em seguida, trata do produto Previcur Técnico, informando que deve ser apartado da subposição 2924.2 (Amidas cíclicas e seus derivados), porque se trata de uma cadeia de cloreto de propamocarbe acíclica, devendo estar na subposição 2924.1, o qual alberga amidas acíclicas e seus derivados. Observandose o Tratamento Administrativo do Siscomex, encontrase para a NCM n°2924.19.29, uma lista de produtos sujeitos a Licenciamento não automático e os respectivos órgãos anuentes. No destaque 003, temos a informação "outros propamocarbe hidrocloreto", sendo que a anuência é encargo do Ministério da Agricultura. Assim, não cabe ao importador a utilização de outra classificação. O laudo trazido à baila pela Administração expressamente destaca que o produto Previcur Técnico é um composto orgânico de constituição química definida em solução aquosa. Todavia, deveria estabelecer que se trata de uma preparação fungicida constituída de duas partes, vez que a água não o transforma em preparação. E, analisando as NESH do capitulo 29, alíneas "a" e "d", bem como a alínea "h" do bloco D das Considerações Gerais e o texto da posição 38.08, observa que o produto fora trazido acondicionado em tambor de 200kg cada, o que o descaracteriza como embalagem para venda. Conclui que o auto de infração é improcedente, vez que não se verifica erro de classificação e nem divergência na descrição do produto. Alega inexistência de máfé ou tentativa de sonegar tributos, ou qualquer prejuízo material ao fisco, pelo que é inaplicável a penalidade imposta, que é desproporcional à suposta infração cometida, conforme o art. 112 do CTN, além de afrontar ao principio do não confisco. Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.496 4 Solicita a acolhida dos recolhimentos dos valores relativos aos produto Hostathion e Larvin, bem como seja reconhecida a nulidade da autuação para os produtos remanescentes (Premier e Previcur). Requer, ainda, que as intimações e notificações sejam efetuados aos seus procuradores, no endereço do seu escritório. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou procedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 0728.583, de 27/04/2012 (fls. 1422 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/08/2002 a 23/05/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto identificado pelo Laudo Técnico como sendo uma solução aquosa de Cloridrato de Propamocarb classificase no Capitulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Ê indevida a classificação no código NCM 3808.20.29, como entendeu a fiscalização, por se tratar de composto orgânico de constituição química definida, não estar acondicionado para venda a retalho e nem ser uma preparação. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. DESTAQUE NCM. O fato não encontra tipicidade no artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/2001, se o importador foi obrigado a utilizar uma classificação fiscal incorreta por conta de exigência de "Destaque – NCM" no Tratamento Administrativo do Siscomex. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N° 12/1997. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. Caso a mercadoria esteja corretamente descrita na Declaração de Importação, aplicase o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 12/1997, afastandose a multa do controle administrativo por importação desamparada de licença de importação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em razão dos valores exonerados, houve a interposição de recurso de ofício. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.497 5 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Contra a Recorrente foi lavrado auto de infração para a cobrança do II, multa de ofício e juros de mora. Não impugnada a exigência quanto a dois dos produtos reclassificados pela fiscalização aduaneira (Hostathion Técnico e Larvin Técnico), os valores correspondentes foram transferidos para outro processo administrativo. De conseguinte, resta apreciar apenas a reclassificação proposta quanto aos produtos Premier Técnico e Previcur Técnico. Ao analisar a classificação fiscal de ambos os produtos, os fundamentos adotados pela DRJ para exonerar o crédito tributário correspondente são absolutamente cristalinos e incontestáveis, de modo que, não sendo necessária qualquer consideração adicional, passamos a adotálos, também aqui, como razão de decidir: PREMIER TÉCNICO: Passo doravante a discorrer acerca da multa de 1% por classificação fiscal incorreta do produto denominado comercialmente de Premier Técnico, classificada pelo contribuinte no código 2933.39.99 e reclassificado pela fiscalização para o código 2933.39.29. 2933 COMPOSTOS HETEROCÍCLICOS EXCLUSIVAMENTE DE HETEROÁTOMO(S) DE NITROGÊNIO (AZOTO) 2933.3 Compostos cuja estrutura contém um ciclo piridina (hidrogenado ou não) não condensado 2933.39 Outros 2933.39.2 Cuja estrutura contém cloro mas não contém flúor nem bromo, em ligação covalente 2933.39.29 Outros 2933.39.9 Outros 2933.39.99 Outros O Laudo Funcamp n° 2834.01, de 22/10/2004, conclui que se trata "de 1 [(6Cloro3Piridinil) Metil] 4,5DhidroNNitro Imidazol2Amina: (Imidacloprid)". Portanto, há uma concordância que o produto é "imidacloprid", sendo incontroverso que se enquadra na posição 2933, subposição 39. Entretanto, na resposta ao quesito I do Laudo Técnico consta expressamente que a estrutura contem cloro mas não contém Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.498 6 flúor nem bromo em ligação covalente, o que define a classificação fiscal em favor da fiscalização (2933.39.2): 1. Não se trata de qualquer outro composto cuja estrutura contém um ciclo piridina não condensado. Tratase de [(6cloro 3piridinil)meti]4,5dihidroN°NitroImidazol2Amina (Imidacloprid), Outro Composto cuja estrutura contém Cloro mas não contém Flúor nem Bromo em ligação covalente. (...) Dentro do Item, utilizase o Subitem 2933.39.29 (outros) pelo fato de nenhum dos subitens anteriores descrever a mercadoria em questão. Correta, portanto, a classificação fiscal procedida pelo fisco. Porém, o interessado afirma que foi obrigado a utilizar o código 2933.39.99, para expedição da licença de importação, em virtude do estabelecido pelo Tratamento Administrativo, emitido pelo MDIC/DECEX, o qual determina a utilização deste código pelo destaque NCM 005 "outros – Imidacloprid", com anuência do Ministério da Agricultura (fl. 1366). 1 O destaque NCM 005, citado pelo impugnante e utilizado nas declarações de importação, é um detalhamento da NCM, inferior ao nível de subitem, destinado a diferenciar o "Imidacloprid" dos demais produtos enquadrados no mesmo código NCM. Ante o exposto, concluise que a administração pública criou um destaque da NCM vinculado a um código incorreto. Mas, como se exige do importador a obtenção de licença no Siscomex, para esse produto, não há alternativa ao particular, que deve requerer a licença nos termos prescritos pela administração. Verificase nos autos que as importações estão amparadas por LI, de sorte que não poderia o importador, vinculando tais LI, formular as declarações com indicação de enquadramento tarifário diferente do 2933.39.99. Se a própria administração exige informação do referido "destaque" para fins de controle administrativo, não é possível exigir do interessado comportamento diverso do adotado. Nesse sentido, observase o que dispunha a Portaria Secex nº 17/2003, vigente à época das importações em apreço: Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação DI no Siscomex, com o objetivo de dar inicio aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto a unidade local da Secretaria da Receita Federal SRF. 1 Tratamento : DESTAQUE DE NCM Mercadoria : 29.33.3999 [Descrição não consta da Tabela Destaque: 005 [OUTROS IMIDACLOPRID] (efl. 1380) Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.499 7 Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto. (grifei) O destaque em pauta está previsto no "Tratamento Administrativo do Siscomex", conforme fl. 1366, e se o interessado deixasse de requerer a licença de importação ficaria sujeito à multa prevista no artigo 169, I, "b", do DecretoLei nº 37/1966. Diz o dispositivo supostamente infringido, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. (grifei) Entendo que o fato não encontra tipicidade no dispositivo citado porque, embora a mercadoria tenha sido incorretamente classificada na NCM, foi corretamente enquadrada em "outro detalhamento instituído para sua identificação", qual seja, no "Destaque NCM 005", do subitem 2933.39.99. Além disso, dispõe o DecretoLei nº 37/1966 em seu artigo 94, "caput", que: Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Induzido o interessado à informação de classificação incorreta, não há inobservância de obrigação legal, mas colisão entre obrigações jurídicas, não se configurando, portanto, a infração prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.158/200135. Observo, ainda, que tem razão a impugnante acerca da alegada duplicidade de lançamentos no tocante às DI 04/12042554 e 04/12839614, relativas ao produto Premier Técnico, as quais devem também por este motivo ser excluídas deste auto de infração. Ressalvo que a improcedência da exigência no tocante a alguns fatos geradores, que, por conseguinte, devem ser excluídos, não macula de nulidade o lançamento como um todo, como pretende a impugnante. (grifamos) Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.500 8 ......................................................................................................... PREVICUR TÉCNICO: Enquanto a empresa defende o código NCM 2924.19.29 para o produto denominado Previcur Técnico, a fiscalização defende a reclassificação para o código 3808.20.29. Transcrevese o texto da NCM 2924.19.29, adotada pelo contribuinte: 2924 COMPOSTOS DE FUNÇÃO CARBOXIAMIDA; COMPOSTOS DE FUNÇÃO AMIDA DO ÁCIDO CARBÔNICO 2924.1 Amidas (incluídos os carbanatos) acíclicas e seus derivados; sais destes produtos 2924.19 Outros 2924.19.2 Formamidas; acetamidas 2924.19.21 NMetilformamida 2924.19.22 N,NDimetilformamida 2924.19.23 Fluoroacetamida 2924.19.29 Outras Transcrevese o texto da NCM 3808.20.29, adotada pelo fisco: 3808 INSETICIDAS, RODENTICIDAS, FUNGICIDAS, HERBICIDAS, INIBIDORES DE GERMINAÇÃO E REGULADORES DE CRESCIMENTO PARA PLANTAS, DESINFETANTES E PRODUTOS SEMELHANTES, APRESENTADOS EM QUAISQUER FORMAS OU EMBALAGENS PARA VENDA A RETALHO OU COMO PREPARAÇÕES OU AINDA SOB A FORMA DE ARTIGOS, TAIS COMO FITAS, MECHAS E VELAS SULFURADAS E PAPEL MATAMOSCAS 3808.20 Fungicidas 3808.20.2 Apresentados de outro modo 3808.20.21 A base de hidróxido de cobre, de oxicloreto de cobre ou de óxido cuproso 3808.20.22 A base de ziram ou de enxofre 3808.20.23 À base de mancozeb ou de maneb 3808.20.24 A base de sulfiram Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.501 9 3808.20.25 A base de compostos de cromo, de arsênio ou de cobre, exceto os produtos do subitem 3808.20.21 3808.20.26 A base de thiram 3808.20.27 A base de propiconazol 3808.20.29 Outros O entendimento do auditorfiscal autuante (NCM 3808.20.29), discordante tanto da classificação adotada pelo contribuinte (NCM 2924.19.29) quanto da adotada pela fiscalização da Alfândega do Porto de Santos (NCM 2924.29.69), todavia, mostrase equivocado, pelas razões que explicito abaixo. O Laudo Técnico n° 0640.01 (fl. 1219) traz as seguintes informações sobre a mercadoria: CONCLUSÃO: Tratase de Solução Aquosa de Cloridrato de 3(Dimetilamino) Propilcarbamato de Propila; (Cloridrato de Propamocarb/Propamocarbe Hidrocloreto). RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata, quimicamente, de Derivado de Formamida ou Acetamida. Tratase de Solução Aquosa de Cloridrato de 3(Dimetilamino) Propilcarbamato de Propila; (Cloridrato de Propamocarb/Propamocarbe Hidrocloreto), Derivado de Propanamida, Sal de Qualquer Outro Carbamato, Composto de F unção Amida do Ácido Carbônico. 2. Tratase de composto orgânico de constituição química definida. 3. Segundo Referências Bibliográficas, PREVICUR referese a Cloridrato de Propamocarb, utilizado como ingrediente ativo em Preparações Fungicidas. 4. De acordo com Literatura Técnica, Cloridrato de Propamocarb é comercializado na forma de solução aquosa em função da dificuldade de manuseio devido ao ingrediente ativo ser higroscópico. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, ao tratarem da posição 3808, esclarecem que ali se incluem os produtos com características de fungicidas, dentre outros, somente nos seguintes casos: I) Quando são apresentados em embalagens (tais como recipientes metálicos, caixas de cartão) para venda a retalho como inseticidas, desinfetantes, etc., ou ainda quando apresentem uma forma tal (bolas, enfiadas de bolas, tabletes, plaquetas, Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.502 10 comprimidos e semelhantes) que não suscite quaisquer dúvidas quanto ao seu destino para venda a retalho. Estes produtos assim apresentados podem ser ou não constituídos por misturas. Os que não se apresentem misturados são, geralmente, produtos de constituição química definida do Capitulo 29, como, por exemplo, naftaleno ou 1,4 diclorobenzeno. A presente posição abrange igualmente os seguintes produtos, desde que acondicionados para venda a retalho como fungicidas, desinfetantes, etc.: 2) Quando tenham características de preparações, qualquer que seja a forma como se apresentem (compreendendo os líquidos, as soluções e o pó a granel). Estas preparações consistem em suspensões do produto ativo, em água ou em qualquer outro liquido (dispersões de D.D.T. (1,1,1tricloro2,2bis (p clorofenil) etano) em água, por exemplo), ou em misturas de outras espécies. As soluções de produto ativo em solvente que não seja a água também se consideram preparações, como, por exemplo, uma solução de extrato de piretro (com exclusão do extrato de piretro de concentraçãotipo), ou de naftenato de cobre em óleo mineral. Também se incluem nesta posição, desde que já apresentem propriedades inseticidas, fungicidas, etc., preparações intermediárias que precisam de ser misturados para se obter um inseticida, um fungicida, um desinfetante, etc. pronto para uso. Esta posição não compreende: a) Os produtos usados como inseticidas, desinfetantes, etc., que não preencham as condições atrás referidas. Estes produtos classificamse, segundo a sua natureza, nas suas posições respectivas: 4°) O nafialeno, o DDT e outros produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente (ou em soluções aquosas) (Capítulos 28 ou 29). (grifei) Das Notas acima depreendese que um fungicida para se classificar na posição 3808 necessita ou estar acondicionado para venda a retalho ou se apresentar como preparação, qualquer que seja a forma desta, situação defendida pelo fisco. Quanto à primeira condição, não houve nenhum relato da auditoria e não existem nos autos elementos para se afirmar que o produto se acha acondicionado para venda a retalho. A alegação da impugnante é de que o produto fora trazido acondicionado em tambor de 200kg cada. No Bill of Lading (BL), de fls. 1251/1252, consta que o PREVICUR TÉCNICO se achava acondicionado em 160 tambores, num total de 34.464 quilos, ou seja, com peso médio bruto de 215,4 kg cada um. Nos BL, as fls. 1226, 1233 e 1241, constam 10, 20 e 20 pallets, Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.503 11 respectivamente, com 4 tambores cada um, sendo cada tambor com 200 quilos do produto. Assim, é de se convir que o acondicionamento do produto não pode destinarse à venda a retalho. Primeiro, por não estar acondicionado nas doses/embalagens recomendadas, condição para se configurar a venda a retalho. E, em segundo lugar, por não estar pronto para uso, pois, segundo os elementos constantes dos autos, tratase de principio ativo de fungicida, a ser utilizado na formulação de produto acabado. A venda a retalho pressupõe, como condição necessária, que o produto esteja pronto uso. Com relação à segunda condição, devese ressaltar que as Notas excluem do conceito de preparação, para efeito de enquadramento na posição 3808, as soluções aquosas do principio ativo, quando descreve que as "soluções de produto ativo em solvente que não seja a água também se consideram preparações". Se o ingrediente ativo se achar disperso ou dissolvido em qualquer outro solvente que não seja água, tal mistura, para efeito de classificação na referida posição, é definida como uma preparação, mas não se o solvente for água. Não há que se confundir os termos "solução" com "suspensão", pois como assevera a referida Nota, acima transcrita, as "preparações consistem em suspensões do produto ativo, em água ou em qualquer outro liquido". Solução é uma mistura homogênea, na qual uma substância é dissolvida em outra, como, por exemplo, água (solvente) com açúcar (soluto), sem que se possa identificar os dois ingredientes. Já a suspensão é uma mistura heterogênea, na qual as partículas são grandes o suficiente para serem vistas por um microscópio ou mesmo a olho nu, sendo que, geralmente, em repouso, elas se separam, como uma colher de areia adicionada a um copo de água. Ademais, o próprio Laudo Técnico, acima transcrito, ressalva que o Cloridrato de Propamocarb é comercializado na forma de solução aquosa em função da dificuldade de manuseio devido ao ingrediente ativo ser higroscópico. Portanto, claro está que o produto não é uma preparação e, portanto, também não satisfaz a segunda condição para o enquadramento na posição 3808. Reforça o entendimento acima, o fato de as mencionadas Notas excluírem da posição 3808 os produtos que não preencham as condições atrás referidas, os quais devem se classificar, segundo a sua natureza, nas suas posições respectivas. Também traz a ressalva de que esta posição não compreende "outros produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente (ou em soluções aquosas) (Capítulos 28 ou 29)". (grifei). Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.504 12 Ademais, a então Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, na análise do processo n° 11128.003647/9705, o qual culminou na Decisão n° 578, de 21 de fevereiro de 2000, solicitou ao Labana uma complementação ao seu Laudo Técnico n° 1316/97, acerca do mesmo produto e outros, do que resultou a Informação Técnica n° 0106/99, que concluiu que: 1. O Previcur Técnico é analisado não mais como uma preparação mas como uma Solução Aquosa de Cloridrato de Promocarb; 2. O Cloridrato de Propamocarb, ingrediente ativo, é um composto orgânico de constituição química definida e isolado;(grifei) Pelo exposto, concluo estar equivocada a reclassificação para o código NCM 3808.20.29, levada a efeito com base no entendimento dado pelo auditorfiscal autuante de que produto ora tratado se trata de uma preparação, pois não encontra respaldo nos fatos nem nas regras de interpretação do Sistema Harmonizado. A classificação pretendida pelo impugnante na NCM 2924.19.29, também não nos parece ser a correta, porque o Laudo Técnico é categórico ao afirmar que não se trata, quimicamente, de Derivado de Formamida ou Acetamida. Não obstante, não compete a este órgão colegiado oferecer uma terceira classificação que considera adequada, fora dos limites do litígio posto a julgamento. Simplesmente observo que as informação trazidas pelo Laudo Técnico n° 0640.01 (fl. 1219), feito pelo Labana, acima transcrito, esclarecem ser o produto um composto orgânico de constituição química definida, mais especificadamente, tratarse de um Composto de Função Amida do Acido Carbônico, o que remete certamente à posição 2924. Ainda, o Laudo descreve o produto como um sal de qualquer outro carbamato, derivado de Propanamida, o que poderia conduzir ao código 2924.29.69. Todavia, esta apressada classificação pode ferir as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, pois se contrapõe à alegação da impugnante de que se trata de uma amida acíclica, inclusive trazendo a sua fórmula estrutural à fl. 1330. Seria necessário ter a certeza quanto ao produto ser uma amida cíclica ou acíclica, para prosseguir na classificação após a posição 2924. Por todo o exposto, julgo improcedente o lançamento relativo as diferenças do Imposto de Importação e seus consectários legais. Fazemos, porém, por necessário, o seguinte registro adicional: a classificação fiscal do produto Previcur Técnico adotada no voto condutor do acórdão recorrido foi contestada na declaração de voto nele encartado. O argumento do il. julgador é que os produtos Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 12749.000451/200767 Acórdão n.º 3201003.931 S3C2T1 Fl. 1.505 13 que se qualifiquem como inseticidas, fungicidas, herbicidas etc. são expressamente citados e classificados na posição 3808. Entendemos, contudo, correta a posição adotada pelo relator. Afinal, consoante este logrou demonstrar, casos há em que produtos, mesmo sendo inseticidas, fungicidas, e herbicidas, não se classificam na posição 38.08, conforme, aliás, indica a Nota Explicativa ao Capitulo 38 citada na própria Declaração de Voto, segundo o qual, neste Capítulo, incluemse "Os inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 38.08". Assim, não se apresentando nas formas e embalagens lá previstas, não se classificam nesta última posição. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1505DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914270/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.900
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 70 /2 01 2- 17 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.914270/201217 Acórdão n.º 3201003.900 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.425, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.914270/201217 Acórdão n.º 3201003.900 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.914270/201217 Acórdão n.º 3201003.900 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.914270/201217 Acórdão n.º 3201003.900 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.723111/2013-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES.
A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei nº 8.540, de 1992, declarada com repercussão geral pelo STF no RE 596.177/RS, de 2011, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001, sobre a qual foi declarada a constitucionalidade, por meio do RE 718.874/RS, de 2017.
Numero da decisão: 9202-006.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES. A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei nº 8.540, de 1992, declarada com repercussão geral pelo STF no RE 596.177/RS, de 2011, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001, sobre a qual foi declarada a constitucionalidade, por meio do RE 718.874/RS, de 2017.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1827; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.153 1 1.152 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.723111/201349 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.947 – 2ª Turma Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria SUBROGAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FRIGORÍFICO BETTER BEEF LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES. A inconstitucionalidade do artigo 1º, da Lei nº 8.540, de 1992, declarada com repercussão geral pelo STF no RE 596.177/RS, de 2011, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001, sobre a qual foi declarada a constitucionalidade, por meio do RE 718.874/RS, de 2017. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 31 11 /2 01 3- 49 Fl. 1153DF CARF MF 2 Relatório Tratase de exigência de Contribuições Sociais Previdenciárias devidas pela empresa ao INSS, na condição de subrogada, correspondentes à contribuição sobre a produção rural (art. 25, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – SAT (art. 25, inciso II, Lei nº 8.212, de 1991), bem como das Contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, incidentes sobre o valor da comercialização de produtos rurais, adquiridos junto a pessoas físicas, em relação ao período de 01/2009 a 12/2009, conforme Relatório Fiscal às fls. 393 a 400. Em sessão plenária de 15/02/2016, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2202003.154 (fls. 1.059 a 1.068), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA INCONSTITUCIONALIDADE Considerando que a fundamentação legal para a exação em questão está prevista no art.25, incisos I e II da Lei n 8.212/91 e que esses dispositivos foram reconhecidos como inconstitucional pelo STF no RE 596.177/RS, a responsabilidade da empresa adquirente de produção rural adquirida de pessoa física também desaparece, razão pela qual o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP não poderá prosperar. A contribuição para o SENAR veiculada no AIOP (parte Terceiros SENAR), embora não tenha sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no RE 596.177/RS, não pode ser exigida do subrogado, o caso a Recorrente, como conseqüência lógica da declaração de inconstitucionalidade do art. 25, Lei 8.212/1991, posto ser o fundamento para a constituição da base de cálculo da contribuição ao SENAR, na hipótese dos autos (art. 30, IV, lei 8212/1991 c/c art. 25, Lei 8212/1991). Recurso Voluntário Provido" A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a tributação do AIOP nº 51.019.9020 (parte empresa) e do AIOP nº 51.019.9038 (parte Terceiros SENAR). Os Conselheiros EDUARDO DE OLIVEIRA e WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) votaram pelas conclusões." O processo foi encaminhado à PGFN em 22/04/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.069) e, em 03/05/2016, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.070 a 1.091 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.092), com fundamento nos artigos 67 e Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 19515.723111/201349 Acórdão n.º 9202006.947 CSRFT2 Fl. 1.154 3 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir as seguintes matérias: exigência da empresa adquirente, por subrogação, de Contribuições Previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de produtores rurais pessoas físicas; e exigência da empresa adquirente, por subrogação, de Contribuição para o Senar, incidente sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de produtores rurais pessoas físicas. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 13/05/2016 (fls. 1.093 a 1.100). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: o acórdão recorrido afastou a incidência em debate com base no art. 62 do RICARF, ao argumento de que nos autos do RE nº 596.177/RS teria sido declarada a inconstitucionalidade da Contribuição Previdenciária sobre a comercialização da produção rural, bem como o pertinente regime de substituição tributária; entretanto, a decisão nos autos do RE nº 596.177/RS não abrange a discussão da constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001, inclusive posteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998; do mesmo modo, no RE nº 363.852/MG expressamente ressalvouse a superveniência de lei em conformidade com a EC 20/98, que vem a ser exatamente a Lei nº 10.256, de 2001; a questão atinente à constitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, tanto não foi apreciada que foi reconhecida como matéria de Repercussão Geral no RE nº 718.874/RS, ainda pendente de julgamento; em assim sendo, não compete ao Colegiado a quo o pronunciamento da inconstitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, por força do enunciado nº 2 da Súmula do CARF; o que foi declarado inconstitucional foi o artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528, de 1997; a declaração de inconstitucionalidade procedida no Recurso Extraordinário não atinge normas posteriores, ainda que no mesmo sentido, ou seja, a decisão de inconstitucionalidade não vincula o legislador; a análise da extensão da decisão do STF demonstra que a lei que lastreou o lançamento não foi apreciada na decisão paradigma, e, portanto, o cancelamento do Auto de Infração importa em afastamento da aplicação de lei a caso fora das hipóteses regimentais, de modo que viola a Súmula CARF nº 2; Fl. 1155DF CARF MF 4 atualmente, a Contribuição Previdenciária do empregador rural pessoa física é recolhida com base na redação do art. 25 da Lei nº 8.212, conferida pela Lei nº 10.256, de 2001, cuja constitucionalidade não foi apreciada pelo STF; isso porque, nos termos do RE nº 363.852/MG, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC nº 20 de 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da Contribuição Previdenciária do empregador rural pessoa física e com a edição da Lei nº 10.256, no ano de 2001, sanouse o referido vício; nesse sentido há o recente posicionamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível nº 2007.70.03.0049589/PR, que declarou a constitucionalidade dessa norma; logo, nesse ponto da subrogação, com a edição de lei posterior à EC nº 20/98 (Lei nº 10.256, de 2001), que já foi inclusive considerada constitucional perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a contribuição sobre a produção dos empregadores rurais pessoas físicas foi retomada; assim, não foi declarada a inconstitucionalidade da subrogação após a edição da lei nova (Lei nº 10.256, de 2001), a qual se referiu o relator em seu pronunciamento constante do acórdão, ao fazer referência a decisão hostilizada (RE nº 596.177/RS). Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose os lançamentos. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 06/07/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 1.105), a Contribuinte ofereceu, em 19/07/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 1.107), as Contrarrazões de fls. 1.108 a 1.149, contendo os seguintes argumentos: Da correta aplicação do artigo 62 do RICARF considerando a fundamentação legal para a exação em questão, prevista no artigo 25, Inciso I e II da lei 8.212, de 1991, e que os dispositivos foram reconhecidos como inconstitucionais pelo STF, a responsabilidade da empresa adquirente de produção rural adquirida de pessoa física também desaparece; é vedado ao CARF a apreciação da constitucionalidade de lei, sendo obrigação do CARF reproduzir e cumprir decisão definitiva nos julgamentos dos recursos no âmbito administrativo, cumprindo o determinado no artigo 62, § 2º do RICARF, em especial o julgamento da inconstitucionalidade do artigo 25 da Lei 8.212, de 1991. Da impossibilidade de constitucionalidade superveniente diferente do alegado, não é admissível que a lei que instituiu e regulamentou o Funrural na hipótese em debate, declarada inconstitucional, tornese constitucional em virtude da posterior emenda; isto porque o ordenamento jurídico brasileiro veda a possibilidade da constitucionalidade superveniente; em outras palavras, não é possível uma lei inconstitucional passar a ser constitucional em virtude de uma emenda à Constituição Federal, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal; uma vez incompatível, passa a ser letra morta, somente uma nova lei poderá se adequar aos novos preceitos constitucionais; Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 19515.723111/201349 Acórdão n.º 9202006.947 CSRFT2 Fl. 1.155 5 assim, por exemplo, foi a posição adotada pelo Pretório Excelso quando aferiu a constitucionalidade de lei ordinária que instituiu o tributo reservado a Lei Complementar, padecendo de inconstitucionalidade formal; posteriormente ao julgado do STF, na tentativa de salvar o diploma legal, foi alterada a Constituição Federal retirando a obrigatoriedade da regulamentação da matéria por Lei Complementar, o que não foi admitido pelo Supremo, sendo declarada a inconstitucionalidade já existente antes da Emenda e que teria perdurado mesmo após a reforma do parâmetro constitucional; por todo o exposto, considerando que o lançamento e exigência do Fisco baseouse em dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei 8.540, de 1992, os quais foram declarados inconstitucionais pela Suprema Corte, a EC 20/98, posterior às normas legais citadas, não tem o condão de tornálas constitucionais (a denominada constitucionalidade superveniente); isso porque as leis mencionadas já padeciam do vício da inconstitucionalidade na sua origem, não havendo possibilidade de convalidação em razão da mudança em dispositivo constitucional em data posterior às suas edições, conforme jurisprudência firmada há muito na Corte Suprema, que acolhe a Teoria da Nulidade e entende que a declaração de inconstitucionalidade tem caráter declaratório de uma situação jurídica pré existente (opera efeitos extunc – a lei inconstitucional é morta desde seu nascedouro), e não caráter constitutivo. Da inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991 por votação unânime no RE/363.852, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou, em 03/02/2010, a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, que previa o recolhimento de contribuição para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais; em seu voto no RE/363852, o Ministro Marco Aurélio reconheceu a desobrigação da retenção e do recolhimento da Contribuição Social ou seu recolhimento por subrogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovino para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8212, de 1991, com redação atualizada, até que viesse legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, conforme voto em anexo; assim, a Lei nº 10.256, de 2001, em síntese, ao alterar a redação do caput do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, em nenhum momento tratou da hipótese de incidência e da base de cálculo da contribuição, mantendo, portanto a incompatibilidade da exação perante o texto constitucional, mesmo após o advento da Emenda Constitucional nº 20/98; corroborando, atualmente tramita no Supremo Tribunal Federal uma Ação Declaratória de Inconstitucionalidade (ADI 4395), na qual a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) pleiteia a inconstitucionalidade do Funrural, mesmo após o advento da Lei nº 10.256, de 2001, ainda sem decisão, sendo que o entendimento acima já tem sido Fl. 1157DF CARF MF 6 adotado em algumas decisões proferidas pela Justiça Federal, o que revela a plausibilidade da tese, conforme se verifica no extrato do andamento do processo no site do STF. Da estipulação de base de cálculo não prevista no texto constitucional necessidade de lei complementar como salientado, a Contribuição que está sendo reclamada, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de produtor rural está prevista no artigo 25 da Lei nº 8.212, de 1991; o artigo 195 da CF, em sua redação original, somente previu a instituição de Contribuições sociais sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; resta claro que a exação em tela constitui nova fonte de custeio para a Seguridade Social e somente poderia ter sido instituída por meio de Lei Complementar, nos termos dos artigos 195, § 4º, c/c 154, I, da CF, de 1988; assim, por ter sido instituída por meio de simples Lei Ordinária, a contribuição em tela afigurase manifestamente inconstitucional; buscando sanar essa inconstitucionalidade, editouse a Emenda Constitucional nº 20/98, que alterou a redação do artigo 195, I, da CF de 1988, para incluir entre as bases de cálculo das contribuições sociais a “receita”; todavia, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal nos autos dos REs 357.950, 390.840, 358.273 e 364.084, nos quais restou declarada a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei 9.718, de 1998, a EC não tem o condão de validar lei anterior inconstitucional, ou seja, segundo decidiu o STF, o ordenamento jurídico brasileiro não comporta a constitucionalização superveniente; atento a tal fato, o governo editou a Lei nº 10.256, de 2001 – posterior à EC 20/98 – que alterou a redação do artigo 25 da Lei 8.212, de 1991, buscando reinstituir a Contribuição em tela sem o vício formal que lhe atingia; devese atentar, contudo, para o fato de que a Lei 10.256, de 2001, alterou apenas o caput do artigo 25 da Lei 8.212, de 1991, assim os incisos I e II, do dispositivo em questão, que determinam que a Contribuição Social incide sobre a “receita bruta”, permanecem com a redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997, que é anterior à EC 20/98; restou claro que, apesar da edição da EC 20/98 e da Lei nº 10.256, de 2001, a inconstitucionalidade da Contribuição em comento permanece, eis que sua base de cálculo – inicialmente prevista na Lei nº 8.540, de 1992, e no presente momento pela Lei nº 9.528, de 1997 foi estipulada contrariamente à Constituição Federal. Da ausência de previsão legal do fato gerador da contribuição ademais, cumpre salientar que o artigo 25 da Lei nº 8.212, de 1991 estabelece apenas os sujeitos ativo, passivo, a base de cálculo e a alíquota da Contribuição em tela; o dispositivo em comento não especifica o fato gerador da contribuição, tampouco o momento ou o local em que o mesmo se considera consumado; Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 19515.723111/201349 Acórdão n.º 9202006.947 CSRFT2 Fl. 1.156 7 o fato gerador da Contribuição em tela e o momento de sua ocorrência estão especificados nos artigos 65 e 241, respectivamente, da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 2005; ocorre que em matéria tributária vige o princípio da legalidade estrita, segundo o qual somente à lei (em sentido formal e material) é dado instituir tributo, mediante descrição precisa de todos os aspectos da hipótese de incidência; por fim, devese salientar que nos autos do RE 363.852, no qual a Contribuição em tela está sendo discutida, o STF vem reconhecendo a ofensa ao princípio da legalidade. Da contribuição devida ao SENAR embora as contribuições para o SENAR não tenham sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário nº 363.852, face serem recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais, devese destacar que a transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei nº 8.212, de 1991, art. 3º da Medida Provisória nº 222, de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991, e uma vez reconhecido que o art. 30, inciso IV, é inconstitucional em função da decisão plenária do STF, não cabe exigir do responsável tributário a contribuição destinada ao SENAR (cita jurisprudência do CARF); assim, considerando a inconstitucionalidade do Funrural, uma vez reconhecido que o art. 30, inciso IV, é inconstitucional em função da decisão plenária do STF, não cabe exigir do responsável tributário a contribuição destinada ao SENAR, devendo ser negado provimento o Recurso Especial da PGFN, mantendose o Acórdão nº 2202003.154. Da multa qualificada superadas essas questões, fundamental ressaltarse que a multa de ofício de 75%, aplicada nos moldes do artigo 35A, da Lei nº 8212, de 1991, é confiscatória e atenta contra o direito de propriedade, garantido no art. 5º, inciso XXII, da CF de 1988; assim, caso os julgadores venham a entender que é devido o débito tributário, cabível apenas a cobrança com os acréscimos legais de 2% de multa e juros de 1% ao mês, conforme previsto no artigo 406 do Código Civil Brasileiro; assim, considerando a inconstitucionalidade do Funrural, e que a multa é acessória ao tributo principal, resta evidente a inaplicabilidade da multa de ofício nos termos do artigo 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Ao final, a Contribuinte pede que seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 1159DF CARF MF 8 O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de exigência de Contribuições Sociais Previdenciárias devidas pela empresa ao INSS, na condição de subrogada, correspondentes à Contribuição sobre a produção rural (art. 25, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – SAT (art. 25, inciso II, Lei nº 8.212, de 1991), bem como das Contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, incidentes sobre o valor da comercialização de produtos rurais, adquiridos junto a pessoas físicas. No caso do acórdão recorrido, cancelouse o lançamento, ao argumento de que o Supremo Tributal Federal declarara a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, no RE 596.177/RS. A Fazenda Nacional, por sua vez, visa rediscutir esse cancelamento, tendo em vista que a autuação já foi levada a cabo sob a égide da Lei nº 10.256, de 2001. Com efeito, os valores em litígio são referentes ao período de 01/01/2009 a 31/12/2009, portanto exigidos na vigência da Lei nº 10.256, de 2001. Nesse passo, esclareçase que no Recurso Extraordinário nº 363.852/MG, discutiuse a constitucionalidade da Contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pelas Leis nºs 8.540, de 1992, e 9.528, de 1997, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, apenas quanto à sua extensão ao empregador rural pessoa física. Nesse passo, decidiuse que tal inovação não encontrava respaldo na Carta Magna, até a Emenda Constitucional 20/98. Referido precedente foi adotado em regime de repercussão geral, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543 B do Código de Processo Civil), cuja ementa a seguir se transcreve: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, DJe165 de 29082011) Entretanto, com a entrada em vigor da Lei nº 10.256, de 2001, editada já sob a égide da Emenda Constitucional nº 20/98, passaram a ser devidas as Contribuições Sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1%, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos assinalados no art. 25, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela lei superveniente. No presente caso, repitase que o período objeto da autuação encontrase integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256, de 2001, não havendo que se falar em Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 19515.723111/201349 Acórdão n.º 9202006.947 CSRFT2 Fl. 1.157 9 inconstitucionalidade da exação, já que ela decorre diretamente da nova norma inserida no ordenamento jurídico, e não dos enunciados das Leis nºs 8.540, de 1992, e 9.528, de 1997, declarados inconstitucionais pelo STF. Ademais, a exigência em tela encontrase devidamente amparada pela legislação, já que o Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, no julgamento do RE 718.874/RS, em 30/03/2017. Confirase a ementa desse julgado: "TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. A decisão acima foi objeto de Embargos de Declaração, cujo desfecho consta na página do STF na Internet, em "Notícias STF" do dia 23/05/2018 (http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=379330): "TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída Fl. 1161DF CARF MF 10 pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Assim, a despeito das alegações apresentadas pela Contribuinte em sede de Contrarrazões, não há que se falar em cancelamento da exigência, já que respaldada em norma cuja constitucionalidade foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Por outro lado, o acórdão recorrido assim registra: "Das demais alegações do Recorrente Em função dos princípios de celeridade e de economia processual, deixo de analisar os demais argumentos do Recorrente por perda de objeto, considerandose o decidido pelo provimento do Recurso Voluntário ao se afastar a tributação incidente nos AIOPs." Diante do exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, com retorno dos autos ao Colegiado de origem, para apreciação das demais questões do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1162DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.000257/2006-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata-se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 02 57 /2 00 6- 95 Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 10909.000257/200695 Acórdão n.º 3302005.570 S3C3T2 Fl. 3 2 (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem retratar os fatos, reproduzse o relatório do acórdão nº 0715.748, da 4ª Turma da DRJ/FNS, de 17 de abril de 2009, vejamos: Trata o presente processo de Declarações de Compensação DCOMP, apresentadas pela contribuinte com o fim de ver compensados débitos seus com créditos relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (apurada no regime nãocumulativo), relativos ao quarto trimestre de 2005. Tais créditos referemse, pretensamente, a operações de exportação realizadas nos respectivos períodos de apuração. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Itajai/SC pela não homologação das compensações (Parecer SARAC/DRF/ITJ n.° 217/2008, às folhas 162 a 166, e Despacho Decisório, à folha 167), fazendoo com base na alegação de que em todas as notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela contribuinte para embasar a existência de seus créditos aparecem como tomadores dos serviços empresas residentes e domiciliadas no Brasil. Assim, como o inciso II do artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e o inciso II do artigo 6.° da Lei n." 10.833/2003 exigiriam, para a caracterização da exportação de serviços, que o tomador fosse residente e domiciliado no exterior, não estaria configurada a hipótese de exportação de serviços, o que prejudicaria a pretensão da contribuinte. kresignada com a não homologação de suas compensações, encaminhou a contribuinte a manifestação de inconformidade às folhas 170 a 189, na qual explicita seu modos operandi e destaca o equivoco em que teria incorrido a DRF/ItajailSC ao deixar de considerar entendimento já pacificado mesmo em sede administrativa, de que "a intennediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Alega que a autoridade fiscal deixou de considerar "a forma pela qual se processam as prestações de serviços aos 'armadores' residentes e domiciliados no exterior (contratantes), representados no Brasil por outras pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no Brasil (agentes/representantes), em perfeita consonância com regramento específico do Bacen Banco Central do Brasil". Afirma que na qualidade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, ora a tomadores residentes e domiciliados no Brasil e ora a tomadores Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 10909.000257/200695 Acórdão n.º 3302005.570 S3C3T2 Fl. 4 3 residentes e domiciliados no exterior (transportador/armador internacional), sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são, em regra, realizados pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, em moeda corrente nacional, conforme normas especificas do Bacen. Assim, defende a contribuinte que o ônus pelo serviço prestado recai sobre a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e não sobre a pessoa jurídica que meramente a representa no pais. Na seqüência, a contribuinte discorre sobre as regulamentações do Bacen acerca da matéria, com o fim de deixar enfatizados não apenas a regularidade das operações realizadas por agentes marítimos representantes de pessoas jurídicas estrangeiras no país, como também o fato de que tais operações não se descaracterizariam como "operações de comércio exterior", inclusive para fins tributários. Prossegue a contribuinte, analisando a legislação específica do PIS e da Cofins (artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003, com as redações dadas pela Lei n.° 10.86512004), para fins de demonstrar que as operações vinculadas ao crédito ora pleiteado atendem aos requisitos legais, quais sejam: representam serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e os pagamentos que lhes são respectivos representam ingressos de divisas. Faz referência a contribuinte, ainda, a entendimentos da própria Receita Federal do Brasil, expressos em soluções de consulta, no sentido que a mera intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só não é suficiente para descaracterizar a operação de exportação. O acórdão do qual foi extraído o relatório acima transcrito recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório.. Compensação não Homologada Inconformada com a decisão acima a contribuinte interpôs o recurso voluntário, onde, em apertada síntese, detalha suas operações, que se enquadrariam como exportação de serviços e, portanto, fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, discorre Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 10909.000257/200695 Acórdão n.º 3302005.570 S3C3T2 Fl. 5 4 sobre a regulamentação específica editada pelo Banco Central do Brasil BACEN, pois por ser o contratante estrangeiro que fica com o ônus pelo serviço prestado, ha necessariamente o ingresso de divisas no país, trazendo a fundamentação que dispões sobre a isenção das contribuições mencionadas quando a exportação de bens e serviços, transcreve diversas soluções de consulta que no seu entendimento, dizem respeito as mesmas operações que desempenha, requerendo ao final a total procedência de sua manifestação, revertendose o despacho decisório, deferindo o pedido de ressarcimento e, homologando as declarações de compensação vinculadas ao pedido de ressarcimento. Em sessão realizada em 08 de dezembro de 2010, a 3ª Turma Especial, da Terceira Seção de Julgamento, na resolução nº 3803000.067, restou observado que as notas fiscais trazidas aos autos demonstravam que os tomadores dos serviços teriam domicílio no exterior e, que tal fato comprovariam a entrada de dividas no país caracterizando a exportação de prestação se serviços. Resolveuse por tais razões, converter o processo em diligência para que a Delegacia de Receita Federal em Itajai procedesse da seguinte forma: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills of Landing, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. Como decidido na resolução acima mencionada, o processo baixou em diligência, seguindose diversas intimações endereçadas à contribuinte recorrente que atendendoas, carreou aos autos diversos documentos e planilhas que teriam o condão de comprovar suas alegações. A conclusão da diligência nas folhas 1268 e seguintes do eprocesso foi no seguinte sentido: 6 Conclusão 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 10909.000257/200695 Acórdão n.º 3302005.570 S3C3T2 Fl. 6 5 2) Inexiste saldo credor de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 311/312 (R$ 9.178,87 – crédito de outubro), 348/349 (R$ 7.074,69 – crédito de novembro) e 384/385 (R$ 4.455,99 – crédito de dezembro) protocoladas em 30/01/2006. Cientificada da conclusão da diligência a contribuinte recorrente insurgiuse contra as novas conclusões, trazendo em sua manifestação razões já anteriormente expostas em peças de defesa outrora juntadas aos autos, trouxe novos argumentos como a suposta existência de vícios no processo administrativo, tendo em vista (i) o cumprimento o efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência, ao contrário do alegado nas conclusões, (ii) impossibilidade de revisão de ofício do lançamento, (iv) decadência dos lançamentos dos anoscalendário 2002 a 2005, (iii) impossibilidade de alteração de critério jurídico de lançamento, e no mérito (v) pugnou pela legitimidade dos créditos de PIS e COFINS glosados pela fiscalização. Juntado ao processo a manifestação acima mencionada, os autos foram distribuídos a esse Conselheiro para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. I PRELIMINAR I.1 Do efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência Alega a recorrente, indicando que tal digressão confundese com o cerne e mérito do processo, o seguinte: 30. Em suma, demonstrou a Requerente que efetivamente prestou serviços para pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior, e, ainda, comprovou que o fato de existir um intermediador na nas operações realizadas com a linha marítima jamais desnaturaria prestação de serviços no exterior. Tanto foi feita essa prova que o próprio Sr. AuditorFiscal concluiu pela comprovação da prestação de serviços pela Requerente para tomadores com domicílio no exterior. 31. Pois bem. Cumpridas as determinações do E. CARF e comprovado que o serviço foi efetivamente prestado à pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior o que legitima a apropriação dos créditos de PIS/COFINS , não há razão para qualquer outra análise ou justificativa de glosa de créditos por Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 10909.000257/200695 Acórdão n.º 3302005.570 S3C3T2 Fl. 7 6 parte da fiscalização, tal como o fez o Sr. AuditorFiscal na sua conclusão. 32. Se a Requerente cumpriu à diligência determinada pelo CARF, não cabe, nessa fase processual administrativa, qualquer outra análise ou determinação por parte da Fiscalização. 33. Diante disso, é de rigor a manutenção dos créditos de PIS/COFINS apropriados pela Requerente. Em que pese a matéria tratada nesse momento se confundir com a questão meritória apresentada, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, podemos observar dos documentos juntados desde o início da fiscalização, que a questão relacionada à exportação ou não da prestação de serviços, já poderia ter sido solucionada, uma vez que, mesmo em parte, os documentos juntados pela contribuinte na época já demonstravam que se tratava de exportação de prestação de serviços. Dessa forma, analisados os documentos acostados aos autos, entendo que a contribuinte recorrente logrou êxito na comprovação dos serviços prestados no exterior e, por consequência, deve ser atendido o seu pleito. As demais "preliminares", apresentadas quando da manifestação da recorrente em face da informação fiscal que trouxe o resultado da diligência requerida pelo E. CARF, deixo de apreciálas, pois entendo que não dizem respeito ao recorrido acórdão da DRJ, que, apreciou tão somente a comprovação por parte da recorrente da efetiva exportação dos serviços. Ao analisar as demais questões apresentadas como preliminares, no sentir desse conselheiro, estarseia a suprimir instâncias, pois não foram matérias analisadas na decisão de piso, fato esse que poderia levar à anulação de decisão prolatada por essa Turma. Pois bem. Passase à análise do mérito. II Do Mérito Exportação de serviços Pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior Segundo o entendimento da recorrente, exercendo a atividade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, tanto para tomadores residente e domiciliados no Brasil como no exterior, sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são realizados em moeda corrente nacional, pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, conforme normas específicas do Bacen, e que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Nesse sentido, as atividades relacionadas a exportação de serviços lhe dariam o direito de restituir ou compensar créditos oriundos de tal operação, nos termos disciplinados pela Lei nº 10.637/2002, art. 5º, II, e pela Lei nº 10.833/2003, art. 6º, II, a seguir transcritos: Lei nº 10.637/2002 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 10909.000257/200695 Acórdão n.º 3302005.570 S3C3T2 Fl. 8 7 (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.833/2003 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Pois bem. É certo que na hipótese de pedido formulado pelo contribuinte, alegando direito a ressarcimento/compensação de crédito que lhe é garantido por lei, cabe a ele, contribuinte, a prova de seu alegado direito, trazendo os documentos necessários para tanto. No caso em tela, a DRJ, analisando a manifestação de inconformidade da contribuinte recorrente, em que pese entender que a atividade desempenhada pode ser considerada como exportação de serviços e ser perfeitamente possível a existência de créditos na forma pleiteada, considerou que os documentos trazidos aos autos não teriam o condão de comprovar as condições exigidas por lei para tanto, notadamente no que diz respeito à comprovação de entrada de divisas no território nacional. Como bem demonstrado na Resolução nº 3803000.075 pelo I. Conselheiro relator, a atividade desempenhada pela recorrente, operação de terminal de cargas portuárias, usualmente se materializa da seguinte forma: É usual a existência de contrato do armador estrangeiro com certas empresas movimentadoras de contêineres, com preços previamente dessa forma pactuados. Não havendo tal contrato, o armador servese de seu representante no Brasil, um agente portuário, para contratar serviço a serviço, além de cuidar de outros trâmites administrativos pertinentes ao embarque ou desembarque de cargas. Nesta última hipótese, o armador consulta o seu agente acerca do preço da movimentação de certa quantidade de contêineres. Orçada a despesa, o armador efetua a transferência do valor desta e das demais despesas referentes à operação. O contrato de câmbio é feito em nome do agente, sem especificações em seu conteúdo quanto ao destino específico de cada parte dos recursos. Da descrição acima, concluise uma vez configurado que as despesas efetuadas pelo agente são feitas em nome do tomador do serviço, o armador estrangeiro que haverá ingresso de divisas para o Brasil. Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10909.000257/200695 Acórdão n.º 3302005.570 S3C3T2 Fl. 9 8 A própria DRJ, no acórdão recorrido, reconhece a legitimidade da intermediação de agente agindo em nome do tomador de serviços residente e domiciliado no exterior, bem como a possibilidade de o pagamento ser feito em reais, relatando ainda a possível existência dos créditos utilizados na compensação realizada pela recorrente, contudo concluindo pela sua impossibilidade, uma vez não comprovado o ingresso de divisas no País. Segundo o I. Relator da resolução já mencionada, os documentos trazidos aos autos pela recorrente, ainda que em amostra aleatória, demonstrariam a entrada de dicisas no País, observese: Em visão sobre amostra aleatória de notas fiscais, é possível observar que na maioria delas os tomadores tem domicílio no exterior. Notese, também, que no campo ''observações" destas consta o nome do navio receptor/entregador da carga. Ao nome do navio, tendo em mira a data da nota fiscal, são regularmente vinculados conhecimento de transporte, número da viagem e Bills of Landing (BL) a indicar o destino da mercadoria embarcada, documento este que, uma vez assinado pelo comandante do navio, tornase atestado a confirmar a saída da carga do País. E cópias destes documentos ficam em poder do agente representante dos armadores estrangeiros. Há, inequivocamente, entrada de divisas não só na hipótese acima, sendo indiferente se os containeres encontramse cheios ou vazios (de regresso para o país estrangeiro), mas também nos serviços prestados no desembarque de cargas, no caso de importação de produtos.(grifos não originais) Seguindo o entendimento acima transcrito, o julgamento foi convertido em diligência para que a DRF de Itajaí, tomasse as seguintes providências: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills ofLanding, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. A diligência foi realizada, sendo precedida de várias intimações endereçadas à recorrente, com o fito de serem apresentados os documentos solicitados na resolução. Conforme dito no tópico relacionado à preliminar, referidas intimações foram atendidas e os documentos solicitados entregues, não sendo possível a apresentação daqueles que são de uso exclusivo das empresas responsáveis pelas viagens dos navios, os quais não ficam na sua posse, e por tal razão não foram apresentados. Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10909.000257/200695 Acórdão n.º 3302005.570 S3C3T2 Fl. 10 9 A informação fiscal que trouxe as conclusões sobre a matéria debatida os presentes autos, após o cumprimento da diligência determinada na resolução nº 3803000.075, apontou em primeiro lugar que: 6 Conclusão 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. Desta forma, esta convalidada toda a tese esposada pela recorrente desde suas primeira intervenções realizadas no presente feito, bem como os apontamentos feitos pelo I. Relator da resolução que determinou a diligência a que se chegou à conclusão de que a atividade representada pelas notas fiscais trazidas aos autos, que geraram os créditos que se pretende compensar, caracterizamse como exportação de serviços. Noutro giro, a segunda parte da conclusão da informação fiscal, resposta da diligência, trouxe a seguinte informação: 2) Inexiste saldo credor de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 272/273 (R$ 13.026,60 crédito de abril), 252/253 (R$ 19.446,50 crédito de maio) e 262/263 (R$ 17.613,76 crédito de junho) protocoladas em 12/11/2004. Pois bem. Em que pese a conclusão apontar para a inexistência de suposto crédito ter sido tomada com base em documentos trazidos pela recorrente, atendendo as intimações ocorridas durante a diligência determinada em resolução proferida pelo E. CARF, referida questão somente foi trazida aos autos quando da referida decisão, vale dizer, em nenhum momento do processo, até então, a recorrente se defendeu ou trouxe informações sobre os créditos. Observese: desde o parecer que culminou com o despacho decisório indeferindo o ressarcimento do crédito e não homologação das compensações apresentadas pela recorrente, até o r. acórdão da DRJ que chancelou as razões desses, a acusação seria de que as atividades representadas pelas notas fiscais apresentadas não se caracterizariam como exportação de serviços e, portanto, impossível a obtenção do crédito pretendido. E dessa acusação a recorrente se defendeu, trazendo aos autos documentos e apontamento de legislação e normas do Bacen, que demonstraram de forma satisfatória ser sua atividade caracterizada como exportação de serviços e, como tal, passível de gerar os créditos pleiteados e garantir as compensações informadas. Em nenhum momento, frisase, até a chegada da decisão prolatada em resolução, foi discutida a apuração do crédito requerido e sim, simplesmente, a sua existência e a possibilidade de ser compensado e desses fatos e apontamentos é que se insurgiu a recorrente. Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10909.000257/200695 Acórdão n.º 3302005.570 S3C3T2 Fl. 11 10 A persistir o entendimento esposado na segunda parte das conclusões trazidas pela informação fiscal, resultado da diligência determinada em resolução, no entender desse conselheiro, estarseia suprimindo instâncias, acolhendo decisão que não foi objeto de deliberação na decisão de piso, muito menos do despacho decisório que indeferiu o ressarcimento e não homologou a compensação informada pela recorrente, por essa razão, dessa parte da diligência não se toma conhecimento. Caso, hipoteticamente, fosse mantida a conclusão da diligência, poderíamos falar até em mudança do critério jurídico, pois num primeiro momento temos a glosa dos créditos por não ter a contribuinte comprovado a existência efetiva da exportação de prestação de serviços. No momento seguinte, afirmase comprovada a exportação, contudo, a modificação do fundamento do despacho decisório perpetrado pela Delegacia de Julgamento. Realmente, em que pese, supostamente, haver fundamentos válidos para a glosas dos créditos, a troca deste por aquele, no meu sentir, demonstra a modificação dos critérios jurídicos para a manutenção da cobrança. Assim, começa a contribuinte defendendose de uma cobrança de crédito porque não teria efetivamente comprovado a existência da operação que daria sustentação aos créditos, logo após, entende a Delegacia de julgamento pela existência da exportação dos serviços, contudo, mantém a cobrança por falta de comprovação da entrada de divisas, no terceiro momento, a cobrança já não é mais mantida em sua totalidade, pois verificouse, de uma vez por todas, a existência da exportação de serviços que ensejariam o crédito, no entanto, mantendo a glosa de outros créditos, dos quais não se defendeu a contribuinte. Por tais razões, acolho as razões trazidas no recurso voluntário e não tomo conhecimento da segunda parte da conclusão da diligência determinada em resolução. II Conclusão Por todo o acima exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, dandolhe integral provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 1361DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.005362/2005-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE DA
INTIMAÇÃO.
Não há o que se falar na nulidade da intimação quando restar demonstrado nos autos que a intimação ao contribuinte se deu por edital em razão da impossibilidade de citá-lo pessoalmente ou por via postal.
IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
Intimado o contribuinte por edital sem divergência de identificação e endereço, conforme determina o art. 23, inc. III, par. 1o., item II do Decreto 70.235/1972, há de se ratificar a perempção.
Numero da decisão: 1301-000.439
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri (relator), designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro André Ricardo Lemes da Silva.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Valmir Sandri
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AGROPECUÁRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE DA INTIMAÇÃO. Não há o que se falar na nulidade da intimação quando restar demonstrado nos autos que a intimação ao contribuinte se deu por edital em razão da impossibilidade de citálo pessoalmente ou por via postal. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Intimado o contribuinte por edital sem divergência de identificação e endereço, conforme determina o art. 23, inc. III, par. 1o., item II do Decreto 70.235/1972, há de se ratificar a perempção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri (relator), designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Declarouse impedido de votar o Conselheiro André Ricardo Lemes da Silva. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri – Relator (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Fl. 485DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 15/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10183.005362/200562 Acórdão n.º 1301000.439 S1C3T1 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo e Paulo Jakson da Silva Lucas. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 15/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10183.005362/200562 Acórdão n.º 1301000.439 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Contra a empresa Itamarati Norte S.A. Agropecuária foi lavrado auto de infração do IRPJ, em razão da ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, do lucro inflacionário realizado sem observância do percentual de realização mínima. Conforme se depreende do documento de fls. 48, a intimação foi enviada por via postal, intimação postada em 22 de novembro de 2005, e até 01/02/2006 o AR não fora devolvido à Receita. Posteriormente, a correspondência foi devolvida ao remetente (Receita Federal), sem recebimento do destinatário. Foi, então, feita a intimação por edital afixado em 29 de março de 2006. Em 18 de maio o procurador do contribuinte teve vista dos autos (fl. 57) e em 24 de maio obteve cópia do processo. Em 12 de junho ingressou com a impugnação, alegando, em preliminar, sua tempestividade, considerando a ciência em 18 de maio de 2006. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro considerou intempestiva a impugnação. Explicitou o relator que a ciência via edital ocorreu em 13/04/2006, 15 dias após a afixação, e que o Termo de Vista em Processo (fl. 57) não afeta a data de ciência. Ciente da decisão em 09/10/2008, a contribuinte ingressou com recurso em 10 de novembro de 2008. Afirma que, consoante consta dos autos, logo em seguida a uma única tentativa infrutífera de intimação via postal, foi determinada a publicação de edital. Diz que essa única tentativa de intimação sequer chegou ao endereço da Recorrente, não tendo se concretizado nem mesmo a aludida tentativa infrutífera de intimação. Alega que não foi exaurida pelo menos uma das demais modalidades de intimação, não sendo, por conseguinte, válida a intimação por edital. Chama atenção para o fato de que o envelope de envio do auto de infração à Recorrente retornou contendo o carimbo dos correios de "não procurada”, que diz ser forma de identificação de correspondências que não foram entregues porque não houve diligência dos correios até aquele endereço. Requereu, afinal, o provimento do recurso, para reconhecer a tempestividade da impugnação. É o relatório; Fl. 487DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 15/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10183.005362/200562 Acórdão n.º 1301000.439 S1C3T1 Fl. 4 4 Voto Vencido Conselheiro Valmir Sandri, Relator O presente recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. A questão a ser decidida por este Colegiado consiste em definir se a intimação feita por edital é válida, o quê, por sua vez, demanda demonstrar se ocorreu frustração da anterior tentativa de intimação por via postal. Conforme se depreende dos autos, o extrato de consulta ao sítio dos Correios na Internet quanto ao histórico do objeto postado (fl. 47), sugere que em 25 de novembro de 2005, a correspondência postada em 22 do mesmo mês se encontrava na Agência dos Correios em Tangará da Serra aguardando retirada; em 27 de novembro, por não ter sido retirado foi devolvida ao remetente; em 27 de dezembro estava em Cuiabá, de onde saiu às 11:06 hs. para entrega. O documento de fls. 48 atesta que em 02 de janeiro de 2006, a Receita Federal acionou os Correios para saber do destino da correspondência, por não ter recebido o AR. A cópia (fl. 49) do AR não atesta o recebimento, pois não está datada e assinada, porém a cópia do envelope de postagem, embora exiba o carimbo “AO REMETENTE”, não indica o motivo da devolução. Dada à gravidade dos efeitos da declaração de intempestividade da impugnação, sobre ela não podem pairar dúvidas e, no caso, os elementos dos autos não são suficientes para comprovar que houve uma efetiva tentativa frustrada de intimação por via postal, que validaria a intimação por edital. Não há uma declaração, firmada pelo funcionário dos serviços postais, atestando a causa da devolução da correspondência ao remetente, tais como recusa de recebimento, destinatário não encontrado, mudouse, etc. Dessa forma, não tendo se concretizado nem mesmo a aludida tentativa infrutífera de intimação via “AR”, DOU provimento ao recurso, para declarar não comprovada a intempestividade da impugnação, e determino o retorno dos autos à DRJ no Rio de Janeiro, para que seja apreciado o mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 488DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 15/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10183.005362/200562 Acórdão n.º 1301000.439 S1C3T1 Fl. 5 5 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do Ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência com relação a sua conclusão, ou seja, decidiuse, por maioria, em ratificar a perempção declarada na decisão de primeiro instância. Os fatos descritos nos autos dão conta que a intimação para ciência ao auto de infração objeto da lide, foi encaminhado via correio em 22 de novembro de 2005 (fls.48), ao domicílio tributário eleito pelo contribuinte e que consta nos cadastros da Receita federal, o qual transcrevo: FAZENDA CAMARCAN (Zona Rural), Tangará da Serra/MT, CEP 78.300 000. Nesse caso (zona rural) é comum o interessado dirigirse aos correios e/ou ao endereço indicado para retirar suas correspondências. Tanto é que em 25 de novembro de 2005 consta do extrato de consulta ao sítio dos correios e relativo ao histórico do objeto postado (fl. 47), que a correspondência se encontrava “Aguardando retirada”. Da mesma forma constatase, pelo documento acostado as fl. 49,(“AR Sem recebimento”), que a intimação foi devolvida a remetente (Receita Federal), em 27 de dezembro de 2005, pelo motivo de “Não Procurado”. Portanto, no caso, a citação por via postal resultou improfícua. A frustação da citação via postal é condição para se realizar a citação editalícia. Em conseqüência o contribuinte foi intimado por Edital (fls. 50/53), afixado em 29 de março de 2006, nos termos do artigo 23, parágrafo 1o. do Decreto 70.235/72. O edital traz a seguinte argumentação: “...por não ter sido localizado no endereço constante do cadastro da SRF...”. De acordo com o parágrafo 2o. do mesmo dispositivo acima citado, considerase feita a intimação 15 (quinze) dias após a publicação ou afixação do edital, portanto, a ciência deuse em 13 de abril de 2006 e, a impugnação foi apresentada, tão somente, em 12 de junho de 2006 (fls.68). O domicílio tributário eleito pelo próprio sujeito passivo é o lugar certo onde a autoridade fiscal deve procurálo e, exatamente para o endereço indicado foram encaminhadas todas intimações relativas ao presente processo. Vêse, por exemplo, que após a declaração de revelia, a carta cobrança decorrente dos valores autuados foi facilmente recepcionado pelo contribuinte no mesmo endereço (doc. fl. 66). Não vejo como acatar a alegação cabal da recorrente de que “a tentativa de intimação por via postal sequer chegou ao seu endereço”. Não há como se dar guarida ao pleito da recorrente, no sentido de acolher o recurso voluntário haja vista que no processo constam, de forma clara, as provas de que a peça impugnatória foi interposta a destempo, inexistindo qualquer fundamento fático ou legal que possa laborar em seu favor. Pelo exposto, a decisão do colegiado é no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 15/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10183.005362/200562 Acórdão n.º 1301000.439 S1C3T1 Fl. 6 6 (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Fl. 490DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assi nado digitalmente em 15/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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