Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13502.000135/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Diego Marcel Costa Bonfim, OAB/CE 17607.
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-substituto.
Sílvia de Brito Oliveira - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13502.000135/2003-17
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5303762
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3402-000.510
nome_arquivo_s : Decisao_13502000135200317.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13502000135200317_5303762.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Diego Marcel Costa Bonfim, OAB/CE 17607. Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente-substituto. Sílvia de Brito Oliveira - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5147300
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173951983616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 811 1 810 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.000135/200317 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.510 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de fevereiro de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente KLABIN BACELL S/A Recorrida DRJ/SALVADORBA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Diego Marcel Costa Bonfim, OAB/CE 17607. Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidentesubstituto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. RELATÓRIO A pessoa jurídica qualificada neste processo protocolizou, em 05 de fevereiro de 2003, pedido de ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurado no primeiro trimestre de 2002, com posterior apresentação, em 15 de dezembro de 2003, de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (PER/DCOMP). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 00 13 5/ 20 03 -1 7 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA Processo nº 13502.000135/200317 Resolução nº 3402000.510 S3C4T2 Fl. 812 2 Após diligência para verificar a apuração da base de cálculo do crédito presumido, a fiscalização constatou que a contribuinte, produtora de pasta química de madeira para dissolução de celulose, não poderia computar nessa base de cálculo os valores relativos à aquisição de sulfato de sódio, por tratarse de insumo importado, e à aquisição de madeira, por não terem sido apresentadas as correspondentes notas fiscais. Efetuadas essas glosas, a fiscalização concluiu que o valor do crédito presumido no 1° trimestre de 2002, que, em tese, seria passível de ressarcimento, é de R$ 202.253,95 (duzentos e dois mil duzentos e cinquenta e três reais e noventa e cinco centavos). Contudo, ficou consignado no Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 160 a 165, que a contribuinte não escritura o crédito presumido no Livro Registro de Apuração do IPI (Raipi). Em despacho decisório, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Camaçari BA indeferiu o pedido, por não haver o registro do crédito presumido no Raipi, e a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em SalvadorBA (DRJ/SDR), que manteve o indeferimento do pleito. Foi então interposto recurso voluntário para alegar, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida por ter inovado o fundamento jurídico para indeferimento do seu pleito e, no mérito, alegar, em síntese, que: I – as limitações impostas pela Receita Federal do Brasil (RFB) para utilização do crédito presumido do IPI não coadunam com a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996; II – a competência para expedir instruções para o cumprimento da referida lei foi deferida ao Ministro da Fazenda e na Portaria MF n° 38, de 27 de fevereiro de 1997, não há nenhuma referência à obrigação de escriturar o crédito; III – a delegação de competência do art. 12 da retromencionada Portaria MF prevê apenas a edição de normas complementares, não compreendendo a edição de normas inovadoras; IV – em situações análogas, em que o crédito não fora escriturado, foi reconhecido o direito ao crédito. Dessa forma, pelo princípio da isonomia, oo mesmo tratamento deve ser dispensado a este caso; V – com a manifestação de inconformidade, foram juntadas as notas fiscais de aquisição da madeira, por isso é necessário diligência para que elas são consideradas no cálculo do crédito presumido; e VI – o crédito deve sofrer a incidência da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para que não se configure enriquecimento ilícito do Estado. Ao final, a contribuinte solicitou que fosse determinada diligência para verificação das notas fiscais de aquisição de madeira e o provimento do seu recurso para que seja deferida a totalidade do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA Processo nº 13502.000135/200317 Resolução nº 3402000.510 S3C4T2 Fl. 813 3 VOTO Conselheira Sílvia de Brito Oliveira Tendo em vista que a contribuinte recorreu da matéria relativa à glosa das aquisições de madeira e apresentara, juntamente com a manifestação de inconformidade, cópias de notas fiscais de entrada desse insumo em seu estabelecimento, julgo necessário remeter estes autos à unidade preparadora para que, à vista das notas fiscais apresentadas, após verificar a idoneidade delas, proceda à nova apuração do crédito presumido do IPI, considerando as aquisições de madeira comprovadas pela contribuinte e elabore relatório conclusivo sobre o valor do crédito presumido passível, em tese, de ressarcimento. Outrossim, solicitase que seja informado se a ora recorrente atende o disposto no art. 195 do Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998 – Regulamento do IPI (Ripi/98). Em face disso, voto por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, lembrando que dela e de seu resultado deve ser dada ciência à contribuinte para que, querendo, possa se manifestar, no prazo de trinta dias. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 813DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002372/2010-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2008 a 30/11/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa no período de 02/2008 a 11/2008, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim..
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2008 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10920.002372/2010-22
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5298312
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-001.811
nome_arquivo_s : Decisao_10920002372201022.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10920002372201022_5298312.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa no período de 02/2008 a 11/2008, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim.. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
id : 5108910
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173972955136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2397; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 83 1 82 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.002372/201022 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403001.811 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente TECHPRESSINDUSTRIA DE PLASTICOS LTDA. E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 23 72 /2 01 0- 22 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa no período de 02/2008 a 11/2008, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim.. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 84 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – TECHPRESS INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA contra Acórdão nº 0724.641 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.231.4023, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 126.971,10. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com omissões de fatos geradores, pelas empresas TECHPRESS e H W, cujo montante adiante demonstrado foi lançado na primeira empresa (TECHPRESS), dada a unicidade do empreendimento econômico fiscalizado e à conseqüente inexistência de fato da segunda empresa (H W), no período de 02/2008 a 11/2008. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11 a 27, informa: 6. Os fatos adiante expostos que vão demonstrar que, embora operando sob roupagem jurídica distinta da empresa mãe (TECHPRESS), a H W é inexistente de fato pois foi criada no mesmo local, para exercer a mesma atividade, e não tem estrutura industrial própria que lhe permitisse de fato exercer suas atividades industriais, tendo antes, como único propósito, usufruir fraudulentamente de benefícios tributários do regime simplificado e favorecido de tributação (SIMPLES NACIONAL) instituído pela Lei Complementar n° 123/2006 O Relatório fiscal informa, em relação às empresas: 7. Com efeito, tais empresas são sediadas na mesma localidade ainda que ocupando galpões anexos; exercem mesma atividade produtiva, qual seja a produção de peças industriais moldadas em material plástico; são de propriedade de um mesmo grupo familiar envolvendo basicamente o casal Carlos Roberto de Freitas e Patrícia Hammermeister administradores em ambas e seus descendentes ou ascendentes, inclusive menores. 8. O processo produtivo é único e envolve ambas as empresas de forma complementar, na medida em que a TECHPRESS compra os insumos e subcontrata a H W para beneficiálos (moldar as peças plásticas), oferecendo para isso suas próprias instalações e maquinário produtivo, visto que aquela (H W) não detém uma máquina sequer, sendo mera fornecedora de mão de obra, nos termos do contrato de prestação de serviços firmado entre ambas. 9. Questionados da necessidade de mais de uma pessoa jurídica para levar a cabo tão simples processo produtivo, fomos informados, pela Sra. Patrícia Hammermeister (Administradora da H W), que se trata de uma maneira encontrada para Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 economizar com encargos previdenciários sobre folha de pagamentos, visto que a H W é optante do SIMPLES, ao passo que a TECHPRESS já não pode sêlo em função dos limites de faturamento impostos pela legislação. Em relação à empresa TECHPRESS: 10. A TECHPRESS iniciou suas atividades em 02/09/1996, já com o objeto "fabricação e comercialização de peças técnicas em plástico reforçado", com um capital de R$ 20 mil, integralizado paritariamente pelos sóciosgerentes Haroldo Arthidoro Paes de Barros e Carlos Roberto de Freitas. 11. Na segunda alteração contratual, datada de 14/08/1997, o Sr. Haroldo retirase da sociedade para ingresso da Sra. Ana Lúcia de Carvalho Freitas, presumível companheira do Sr. Carlos Roberto de Freitas, haja vista a identidade de domicílio, permanecendo como sócia cotista minoritária até o advento da quarta alteração contratual, levada a registro em 03/12/2007. 12. O instrumento societário que formaliza a retirada da Sra. Ana Lúcia da sociedade, informa também sua mudança de domicílio, que pela primeira vez passa a ser distinto do domicílio do excompanheiro. Este mesmo instrumento formaliza também o ingresso na sociedade da Sra. Patrícia Hammermeister, separada judicialmente, que passa a ocupar aquele mesmo domicílio (nova companheira) e assume parte das cotas da sócia retirante. 13. A partir da quarta alteração contratual, registrada em 03/12/2007, esta empresa passou a operar com sede na Rua José Rafael Reinert n° 109, porém em visita ao local constatamos que aquele galpão é ocupado por uma empresa estranha ao grupo (TECNOFIT; CNPJ 10.234.559/000130) e que suas atividades produtivas atuais são sediadas de fato no galpão de n° 89, que é o endereço oficial da H W, e a administração (de ambas) funciona no galpão de n° 59. 14. Na quinta alteração contratual, registrada em 15/01/2008, formalizase a saída da Sra. Patrícia Hammermeister, remanescendo o Sr. Carlos Roberto de Freitas como único sócio no interstício legal de 180 dias, até que seja identificado novo sócio. 15. Importa aqui ressaltar que a urgência na retirada da Sra. Patrícia Hammermeister da sociedade não é senão pelo fato de, em 03/02/2008, ela passar a figurar como sócia majoritária e administradora da nova empresa (H W) criada para prestar serviços à TECHPRESS e usufruir benefícios tributários do SIMPLES NACIONAL, principalmente a isenção da cota patronal da Contribuição Previdenciáría sobre folha de pagamentos. Em relação à empresa HW: 17. A H W Tornearia Ltda., foi levada a registro em 24/01/2008, com um capital de R$ 50 mil subscrito paritariamente por Patrícia Hammermeister e Henrique Werner (menor) Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 85 5 representado pela mãe, Patrícia Hammermeister, tendo essa empresa sua sede à Rua José Rafael Reinert n° 89 que é galpão anexo à sede original da Techpress. 18. Com a primeira alteração contratual, levada a registro em 28/03/2008, esta sociedade altera a denominação para H W Moldagem de Peças Plásticas Ltda., e também seu objeto social, que passa de "prestação de serviços de tornearia, industrialização por conta de terceiros" para "prestação de serviços de moldagem e pultrusão de peças plásticas efetuadas a terceiros " . 19. Notar que o trabalho de moldagem das peças desenvolvido na H W consiste em mera parte do processo normal de fabricação previamente desenvolvido na TECHPRESS, haja vista seu objeto de "fabricação e comercialização de peças técnicas em plástico reforçado". 20. O Contrato de Prestação de Serviços celebrado entre tais empresas (anexo) prevê datas de pagamentos mensais, porém sequer estipula preços para os serviços a serem pagos nas datas aprazadas (05 e 30 de cada mês) o que é uma situação não compatível com as práticas de mercado. 21. Com efeito, por tais instrumentos a contratante TECHPRESS assume a responsabilidade de pagar pelos serviços a serem prestados pela contratada H W (moldagem de peças) porém os valores ou parâmetros de valoração não constam do contrato firmado, ficando apenas implícito que se trata (o objeto do contrato) do reembolso puro e simples da folha de pagamentos dos empregados, assim entendidos os empregados formalmente registrados na HW, e que efetivamente trabalham para a TECHPRESS como sempre o fizeram. 22. A contabilidade apresentada pela H W para o ano 2008 (livro diário n° 01, com escrituração de janeiro a setembro, e livro diário n° 02, com escrituração de outubro a dezembro) ambos não registrados em Junta Comercial (escrituração simplificada), por lapso de controle, apontam nos termos de abertura e encerramento, o Sr. Carlos Roberto de Freitas como administrador, seguido da ressalva que o administrador correto é Sra. Patrícia Hammermeister (livro diário n° 02; fls.01 e 20). 23. O balancete analítico do último trimestre de 2008 apensado às fls. 15 a 19 do livro diário n° 02, aponta o montante de receita operacional bruta no valor de R$ 481.508,30, sendo que dessa receita, R$ 477.178,30, portanto 99,1%, referese à conta 3111.0004 Industrialização à Vista, que representa exclusivamente os serviços prestados à TECHPRESS como documentado às fls. 11 e 12 do livro razão n°02. 24. O balancete analítico referente ao período janeiro a dezembro de 2009, apensado às fls. 85 a 89 do livro diário n° 03 (igualmente sem registro em cujos termos de abertura e encerramento foram impressos com o nome do Sr. Carlos Roberto de Freitas como administrador, seguido da mesma Fl. 87DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 ressalva em manuscrito) aponta Receita Operacional Bruta de R$ 1.946.168,10, sendo que dessa receita nada menos que, R$ 1.911.328,00, portanto 98,2%, referese à conta 3111.0003 Industrialização à Prazo que representa exclusivamente os serviços prestados à TECHPRESS como documentado às fls. 73 e 74 do livro razão n° 03. 25. Ainda relativamente ao ano 2009, aquele balancete analítico aponta custos totais da ordem de R$ 1.411.174,20, sendo que desses custos apenas R$ 19.400,51 referemse a compras de insumos, e R$ 1.344.704,07 referemse a custos de mãodeobra direta (74,5% da receita operacional líquida) o que configura uma distorção de custos frente às práticas de mercado e comprova a artificialidade das transações registradas contabilmente por ambas as empresas. 26. Com efeito, o balancete analítico da TECHPRESS em dezembro de 2009 (não escriturado pois a empresa não apresentou o livro diário desse exercício) aponta receita operacional bruta de R$ 5.546.540,51 e custos dos produtos vendidos de R$ 3.535.962,13, sendo que desses custos, R$ 2.530.038,53 referemse a compras de insumos e apenas R$ 258.401,60 referemse a salários e ordenados (conta 3318.0010) no grupamento de mão de obra direta. 27. Essa distorção já foi perceptível também na DIPJ do ano calendário 2008 (da TECHPRESS) que aponta receita de venda no mercado interno da ordem de R$ 7.997.620,69 e custos e despesas com pessoal de apenas R$ 694.740,26 (ficha 64 informações previdenciárias). 28. É perceptível, pois, que foi patrocinada uma migração em massa dos empregados da TECHPRESS para a H W no ano 2008, haja vista ainda, por exemplo, as informações de ambas as empresas disponíveis nos sistemas alimentados pela RAIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) relativas àquele ano. O Relatório Fiscal, ás fls. 27 a 43, expõe que a empresa HW é inexistente de fato: 33. À luz dos fatos aqui descritos, concluiuse que a empresa H W é inexistente de fato e foi formalmente constituída apenas para aderir ao regime tributário do SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar n° 123/2006), registrar em seu nome os empregados da empresa TECHPRESS, e, desta forma, fraudulentamente deixar de recolher as contribuições previdenciárias do empregador (cota patronal) sobre as remunerações dos empregados e dirigentes. 34. Assim sendo, deve a notificada TECHPRESS, como empresa originária, ser responsabilizada pela remuneração de todos os segurados obrigatórios que indistintamente prestaram serviços a ambas as pessoas jurídicas aqui tratadas, haja vista a unicidade empresarial existente e o fato dessa empresa (TECHPRESS) não ser optante do SIMPLES durante o período fiscalizado. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 86 7 35. Importa notar que não se desconsiderou a personalidade jurídica de nenhuma dessas duas empresas, as quais, com o registro nos órgãos competentes, adquiriram personalidade jurídica de sociedade comercial, gerando efeitos tais como patrimônio, nome e domicílio próprios. 36. O instituto da desconsideração da personalidade jurídica, que está prevista expressamente no Código Civil, em seu artigo 50, ocorre com o fito de atingir o patrimônio dos sócios, quando a sociedade é por eles utilizada como meio de obter vantagens indevidas, valendose da distinção entre o patrimônio dos sócios e o da pessoa jurídica, em detrimento de terceiros, e decorre de decisão judicial. 37. O que porém concluiu a fiscalização é que a H W, muito embora tenha sido registrada de maneira legal e possua personalidade jurídica, não corre o risco da atividade comercial, não tem sede própria e nem instalações distintas da empresa TECHPRESS ora notificada, sendo assim inexistente de fato. 38. Portanto, no presente caso, a H W não foi reconhecida como a empregadora, posto que, embora presentes os pressupostos para a caracterização do vínculo empregatício (art. 12, I, a, da Lei 8.212/91) reconhecido própria empresa mediante elaboração e apresentação de sua folha de pagamentos à fiscalização, tais vínculos deramse com a TECHPRESS, como a empresa originária do grupo e empregadora de fato. 39. Vejase, por exemplo, nos esclarecimentos prestados por escrito (7b), que o Sr. Carlos Roberto de Freitas (Carlos Roberto), administrador da TECHPRESS, figura como responsável pelas áreas comercial e controle geral do operacional o que implica em subordinação de todos ao seu comando operacional, independentemente da nova empresa para onde tenham sido transferidos. O Relatório Fiscal também relaciona a empresa T.T.P. USINAGEM LTDA. 40. Esta empresa teve seus estatutos registrados em 05/11/2008, para o exercício da atividade (também complementar à TECHPRESS) de Serviços de Usinagem, com sede registrada à Rua José Rafael Reinert n° 59, em galpão anexo às demais empresas já citadas. 41. Os sócios são Vitalina Hammermeister e íris Vaes, sendo que a primeira detém os poderes de administração e é mãe da Sra. Patrícia Hammermeister administradora da H W; a segunda é auxiliar de limpeza naquela empresa (ficha de registro de empregado n° 39). 42. Tratase assim da mesma proposta administrativa já adotada com a criação da H W, qual seja, a divisão da TECHPRESS em tantas empresas quantas necessárias para perpetuar o usufruto fraudulento dos benefícios tributários do SIMPLES NACIONAL. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 43. Todavia, como esta empresa iniciou atividades apenas em 2009, não houve lançamento de débito em relação à mesma, e apenas a arrolamos como responsável solidária em face da configuração de Grupo Econômico de fato. O Relatório Fiscal caracteriza o grupo econômico de fato: 63. As seguintes empresas já devidamente qualificadas na introdução ao presente relatório, são aqui tratadas como devedoras solidárias e integrantes de GRUPO ECONÔMICO DE FATO, tendo em vista as razões já descritas, notadamente a unicidade dos negócios e o controle das empresas exercido pelo mesmo grupo familiar: . TECHPRESS INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA., CNPJ 01.402.992/000146; . H W MOLDAGEM DE PEÇAS PLÁSTICAS LTDA., CNPJ 09.332.761/000115; . T.T.P. USINAGEM LTDA., CNPJ 10.456.105/000103 67. Quanto à abrangência da conceituação de "grupo econômico", à luz da boa doutrina e da jurisprudência pátria, é relevante ainda esclarecer, que os conceitos contidos no inciso IX do Art.30 da Lei n° 8.212/91 e no § 2o , do art. 2o , da CLT, são bem mais amplos dos que os previstos na Lei 6.404/76. Na legislação trabalhista e previdenciária, basta apenas à existência de poder de mando e controle de uma empresa sobre outra para caracterizar o grupo econômico, independentemente do tipo de empresa ou da natureza de poder. Ou seja, a aplicabilidade do conceito de grupo econômico no direito previdenciário e trabalhista justificase pelo caráter social e não estritamente pelo poder econômico. Conforme ainda o Relatório Fiscal da Infração: 47. O presente Auto de Infração referese pois ao lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória em face da apresentação do documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5., também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. 48. Os trabalhos da fiscalização foram realizados sobre as folhas de pagamento em meio digital (formato MANAD) fornecidas pelas empresas; sobre as GFIP (Guia de recolhimento do FGTS e Informação à Previdência) entregues antes do início da ação fiscal, e sobre a escrituração contábil e demais informações e documentos apresentados. Observase, em relação ao cálculo das Multas: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 87 9 (i) para o período 02/2008 a 11/2008: o Relatório Fiscal demonstra no quadro comparativo a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte considerandose as alterações trazidas na legislação pela Lei 11,941/2009, tendo utilizado a legislação anterior; (ii) para o período 12/2008 a 12/2009: o Relatório Fiscal aponta a aplicação da multa qualificada (art. 35A, Lei 8212/1991 c/c art. 44, I e § 1º, Lei 9430/1996) em função de ter sido evidenciado faticamente a ocorrência de sonegação, A Recorrente teve ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal e do TIF – Termo de Início da Fiscalização, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, às fls. 05 a 09. Conforme o Relatório Fiscal da Infração: Fiscalizamos também a empresa H W MOLDAGEM DE PEÇAS PLÁSTICAS LTDA. (H W), CNPJ 09.332.761/000115, abrangendo o período de junho/2008 a dezembro/2009, consoante o Mandado de Procedimento Fiscal n° 0920200.2010.00503. Efetuamos ainda diligência para obtenção de documentos e informações junto à empresa T.T.P. USINAGEM LTDA. (T.T.P.), CNPJ 10.456.105/000103, consoante Mandado de Procedimento Fiscal n° 0920200.2010.00549. O período objeto do débito, conforme o Relatório Fiscal da Infração é de 02/2008 a 11/2008. A Recorrente teve ciência do AIOA no dia 22.06.2010, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A autuada devidamente intimada, documento de fl. 01, apresentou defesa administrativa, de fls. 31 a 38, fazendo, inicialmente, um relato sobre os fatos e o lançamento a que foi submetida, alegando, em síntese, que: considerandose que as empresas objeto do auto de infração se tratam de pessoas jurídicas autônomas, nos termos do Código Tributário Nacional CTN, cabe a cada uma, individualmente, responder por débitos fiscais que porventura a elas sejam imputadas, o que não ocorre no presente caso; de acordo com a doutrina dominante é inadmissível imputar a responsabilidade solidária a apenas um sujeito passivo, logo, o auto de infração ora combatido é nulo; é imprescindível que as empresas responsabilizadas solidariamente realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos por uma delas. Por fim, a vista do exposto requer o cancelamento da exigência fiscal ora combatida. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 A Recorrida, conforme o Acórdão nº 0724.641 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa a seguir: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2008 a 30/11/2008 AIOA/DEBCAD: 37.231.4023, de 07/06/2010 GFIP.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. Constitui infração apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições. SIMULAÇÃO. A constatação de negócios simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato, devendo o correspondente tributo ser exigido da pessoa que efetivamente teve relação pessoal e direta com o fato gerador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário combatendo a decisão de primeira instância fundamentadamente e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação: Regularmente intimados da decisão do órgão julgador “a quo”, apenas a empresa TECHPRESS apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos deduzidos em sede de primeira instância: (i) Da nulidade do Auto de Infração. Da impossibilidade de consideração de grupo econômico para fins de imputação do auto de infração. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 78. É o Relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 88 11 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 78. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – TECHPRESS INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA contra Acórdão nº 0724.641 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.231.4023, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 126.971,10. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com omissões de fatos geradores, pelas empresas TECHPRESS e H W, cujo montante adiante demonstrado foi lançado na primeira empresa (TECHPRESS), dada a unicidade do empreendimento econômico fiscalizado e à conseqüente inexistência de fato da segunda empresa (H W), no período de 02/2008 a 11/2008. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11 a 27, informa: 6. Os fatos adiante expostos que vão demonstrar que, embora operando sob roupagem jurídica distinta da empresa mãe (TECHPRESS), a H W é inexistente de fato pois foi criada no mesmo local, para exercer a mesma atividade, e não tem estrutura industrial própria que lhe permitisse de fato exercer suas atividades industriais, tendo antes, como único propósito, usufruir fraudulentamente de benefícios tributários do regime Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 simplificado e favorecido de tributação (SIMPLES NACIONAL) instituído pela Lei Complementar n° 123/2006 Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.127.1142 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 89 13 Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instrução para o Contribuinte, onde constam as instruções necessárias à empresa no tocante ao recolhimento, parcelamento, apresentação de defesa e demais informações; b. REPLEG Relatório de Representantes Legais, que identifica os sóciosgerentes / administradores da empresa e seus respectivos períodos de gestão; c. VÍNCULOS Relação de Vínculos, que relaciona todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 90 15 previdenciária em razão do seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; d. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não prosperando as alegações da Recorrente. DO MÉRITO. (i) Da nulidade do Auto de Infração. Da impossibilidade de consideração de grupo econômico para fins de imputação do auto de infração. Analisemos. I. CONFIGURAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO I.1 Aspectos gerais Na alegação do Recurso Voluntário, pretende o contribuinte que seja afastada a coresponsabilização das empresas do Grupo Econômico de fato, assim caracterizado pela autoridade lançadora, sob o argumento de que inexiste qualquer situação fática ou jurídica capaz de suportar tal entendimento, mormente quando a legislação de regência não permite a caracterização ex ofício de Grupo Econômico pelo simples fato de as empresas terem os mesmos sócios, exigindo outros requisitos ausentes na hipótese vertente. A corroborar tal entendimento, a Recorrente infere que os fatos elencados em sua peça recursal rechaçam de plano a pretensão fiscal, uma vez que referidas pessoas jurídicas Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 não se vinculam ao fato gerador, sendo empresas absolutamente independentes e autônomas, inobstante terem possuído o mesmo controle. Em que pesem as razões de fato e de direito ofertadas pelo contribuinte na peça recursal, seus entendimentos não têm o condão de macular a exigência fiscal, senão vejamos. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 27 a 43, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico de fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta. I.2 Aplicação dos artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional Como se sabe, a solidariedade previdenciária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “ Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” (gn) I.3 Aplicação dos artigos da Lei 6.404/1976 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 91 17 Por sua vez, a Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 116, 265 e 267, como segue: “Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Entretanto, tem sido cada vez mais freqüente a constatação da existência de empresas controladas direta ou indiretamente pela(s) mesma(s) pessoa(s), sem que estejam formalmente revestidas da condição (nem com os mesmos objetivos) do grupo econômico de que trata a Lei 6 404/76. Estes são os que se podem denominar “grupos econômicos de fato". Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 I.4 Aplicação da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 e da IN RFB 971/2009: Por outro lado, a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 trata o grupo econômico nos artigos 179, 748 e 749, na redação vigente à época dos fatos geradores, a seguir: Art. 179. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si; (Redação original) I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme previsto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; (Nova redação dada pela IN MPS SRP nº 20, de 11/01/2007) Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. (gn) Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. No mesmo sentido, a IN RFB 971/2009: Art. 152. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 495. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Não vincula, portanto, a existência de "grupo econômico" ao cumprimento das formalidades da Lei 6.404176, do que se infere, evidentemente, que a Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005 não se refere apenas e necessariamente aos grupos formalmente constituídos, mas à hipótese geral de "quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas". Fl. 100DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 92 19 Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram e realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" da forma da Lei 6.404/76). I.5 Aplicação do o artigo 2º, § 2º, da CLT Em outra via, o artigo 2º, § 2º, da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o seguinte: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” (gn) Resta evidente que o artigo 2º, § 2º, da CLT não faz qualquer distinção entre "grupo econômico de fato ou de direito", o que, aliás, pode ser facilmente constatado pelos reiterados julgados da Justiça do Trabalho, vinculando invariavelmente as demais empresas de um grupo econômico, ainda que não formalmente constituído, à reclamatória trabalhista, desde que demonstrada a relação, mesmo informal, entre o empregador direto e demais empresas vinculadas. Assim, a possibilidade (ou mesmo a determinação) legal da vinculação por solidariedade dos integrantes de "grupos econômicos", sejam eles formais ou informais, se justifica em ambos os casos — cobrança de direitos trabalhistas ou de contribuições previdenciárias — pelo relevante interesse social que os casos envolvem. I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato e a utilização da empresa HW como empregadora da mão de obra da empresa TECHPRESS. Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratarse de caracterização de Grupo Econômico, o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” Anotase que o art. 222 do Decreto 3.048/1999 também trata da matéria acerca de grupo econômico: Decreto 3.048/1999 Art. 222.As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) (gn) No presente caso concreto, ao contrário do entendimento do Recorrente, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, bem como pela utilização fática da empresa HW como empregadora da mãode obra. Somente a título elucidativo, para não restar dúvidas a propósito do tema, transcreveremos abaixo a síntese das razões que levaram a fiscalização concluir pela existência de Grupo Econômico de Fato bem como pela utilização fática da empresa HW como empregadora da mãodeobra., onde o AuditorFiscal autuante, com muita propriedade/especificidade, demonstrou e comprovou os argumentos da pretensão fiscal, senão vejamos: O Relatório fiscal informa, em relação às empresas: 7. Com efeito, tais empresas são sediadas na mesma localidade ainda que ocupando galpões anexos; exercem mesma atividade produtiva, qual seja a produção de peças industriais moldadas em material plástico; são de propriedade de um mesmo grupo familiar envolvendo basicamente o casal Carlos Roberto de Freitas e Patrícia Hammermeister administradores em ambas e seus descendentes ou ascendentes, inclusive menores. 8. O processo produtivo é único e envolve ambas as empresas de forma complementar, na medida em que a TECHPRESS compra os insumos e subcontrata a H W para beneficiálos (moldar as peças plásticas), oferecendo para isso suas próprias instalações e maquinário produtivo, visto que aquela (H W) não detém uma máquina sequer, sendo mera fornecedora de mão de obra, nos termos do contrato de prestação de serviços firmado entre ambas. 9. Questionados da necessidade de mais de uma pessoa jurídica para levar a cabo tão simples processo produtivo, fomos informados, pela Sra. Patrícia Hammermeister (Administradora da H W), que se trata de uma maneira encontrada para economizar com encargos previdenciários sobre folha de pagamentos, visto que a H W é optante do SIMPLES, ao passo que a TECHPRESS já não pode sêlo em função dos limites de faturamento impostos pela legislação. Em relação à empresa TECHPRESS: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 93 21 10. A TECHPRESS iniciou suas atividades em 02/09/1996, já com o objeto "fabricação e comercialização de peças técnicas em plástico reforçado", com um capital de R$ 20 mil, integralizado paritariamente pelos sóciosgerentes Haroldo Arthidoro Paes de Barros e Carlos Roberto de Freitas. 11. Na segunda alteração contratual, datada de 14/08/1997, o Sr. Haroldo retirase da sociedade para ingresso da Sra. Ana Lúcia de Carvalho Freitas, presumível companheira do Sr. Carlos Roberto de Freitas, haja vista a identidade de domicílio, permanecendo como sócia cotista minoritária até o advento da quarta alteração contratual, levada a registro em 03/12/2007. 12. O instrumento societário que formaliza a retirada da Sra. Ana Lúcia da sociedade, informa também sua mudança de domicílio, que pela primeira vez passa a ser distinto do domicílio do excompanheiro. Este mesmo instrumento formaliza também o ingresso na sociedade da Sra. Patrícia Hammermeister, separada judicialmente, que passa a ocupar aquele mesmo domicílio (nova companheira) e assume parte das cotas da sócia retirante. 13. A partir da quarta alteração contratual, registrada em 03/12/2007, esta empresa passou a operar com sede na Rua José Rafael Reinert n° 109, porém em visita ao local constatamos que aquele galpão é ocupado por uma empresa estranha ao grupo (TECNOFIT; CNPJ 10.234.559/000130) e que suas atividades produtivas atuais são sediadas de fato no galpão de n° 89, que é o endereço oficial da H W, e a administração (de ambas) funciona no galpão de n° 59. 14. Na quinta alteração contratual, registrada em 15/01/2008, formalizase a saída da Sra. Patrícia Hammermeister, remanescendo o Sr. Carlos Roberto de Freitas como único sócio no interstício legal de 180 dias, até que seja identificado novo sócio. 15. Importa aqui ressaltar que a urgência na retirada da Sra. Patrícia Hammermeister da sociedade não é senão pelo fato de, em 03/02/2008, ela passar a figurar como sócia majoritária e administradora da nova empresa (H W) criada para prestar serviços à TECHPRESS e usufruir benefícios tributários do SIMPLES NACIONAL, principalmente a isenção da cota patronal da Contribuição Previdenciáría sobre folha de pagamentos. Em relação à empresa HW: 17. A H W Tornearia Ltda., foi levada a registro em 24/01/2008, com um capital de R$ 50 mil subscrito paritariamente por Patrícia Hammermeister e Henrique Werner (menor) representado pela mãe, Patrícia Hammermeister, tendo essa empresa sua sede à Rua José Rafael Reinert n° 89 que é galpão anexo à sede original da Techpress. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 18. Com a primeira alteração contratual, levada a registro em 28/03/2008, esta sociedade altera a denominação para H W Moldagem de Peças Plásticas Ltda., e também seu objeto social, que passa de "prestação de serviços de tornearia, industrialização por conta de terceiros" para "prestação de serviços de moldagem e pultrusão de peças plásticas efetuadas a terceiros " . 19. Notar que o trabalho de moldagem das peças desenvolvido na H W consiste em mera parte do processo normal de fabricação previamente desenvolvido na TECHPRESS, haja vista seu objeto de "fabricação e comercialização de peças técnicas em plástico reforçado". 20. O Contrato de Prestação de Serviços celebrado entre tais empresas (anexo) prevê datas de pagamentos mensais, porém sequer estipula preços para os serviços a serem pagos nas datas aprazadas (05 e 30 de cada mês) o que é uma situação não compatível com as práticas de mercado. 21. Com efeito, por tais instrumentos a contratante TECHPRESS assume a responsabilidade de pagar pelos serviços a serem prestados pela contratada H W (moldagem de peças) porém os valores ou parâmetros de valoração não constam do contrato firmado, ficando apenas implícito que se trata (o objeto do contrato) do reembolso puro e simples da folha de pagamentos dos empregados, assim entendidos os empregados formalmente registrados na HW, e que efetivamente trabalham para a TECHPRESS como sempre o fizeram. 22. A contabilidade apresentada pela H W para o ano 2008 (livro diário n° 01, com escrituração de janeiro a setembro, e livro diário n° 02, com escrituração de outubro a dezembro) ambos não registrados em Junta Comercial (escrituração simplificada), por lapso de controle, apontam nos termos de abertura e encerramento, o Sr. Carlos Roberto de Freitas como administrador, seguido da ressalva que o administrador correto é Sra. Patrícia Hammermeister (livro diário n° 02; fls.01 e 20). 23. O balancete analítico do último trimestre de 2008 apensado às fls. 15 a 19 do livro diário n° 02, aponta o montante de receita operacional bruta no valor de R$ 481.508,30, sendo que dessa receita, R$ 477.178,30, portanto 99,1%, referese à conta 3111.0004 Industrialização à Vista, que representa exclusivamente os serviços prestados à TECHPRESS como documentado às fls. 11 e 12 do livro razão n°02. 24. O balancete analítico referente ao período janeiro a dezembro de 2009, apensado às fls. 85 a 89 do livro diário n° 03 (igualmente sem registro em cujos termos de abertura e encerramento foram impressos com o nome do Sr. Carlos Roberto de Freitas como administrador, seguido da mesma ressalva em manuscrito) aponta Receita Operacional Bruta de R$ 1.946.168,10, sendo que dessa receita nada menos que, R$ 1.911.328,00, portanto 98,2%, referese à conta 3111.0003 Industrialização à Prazo que representa exclusivamente os serviços prestados à TECHPRESS como documentado às fls. 73 e 74 do livro razão n° 03. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 94 23 25. Ainda relativamente ao ano 2009, aquele balancete analítico aponta custos totais da ordem de R$ 1.411.174,20, sendo que desses custos apenas R$ 19.400,51 referemse a compras de insumos, e R$ 1.344.704,07 referemse a custos de mãodeobra direta (74,5% da receita operacional líquida) o que configura uma distorção de custos frente às práticas de mercado e comprova a artificialidade das transações registradas contabilmente por ambas as empresas. 26. Com efeito, o balancete analítico da TECHPRESS em dezembro de 2009 (não escriturado pois a empresa não apresentou o livro diário desse exercício) aponta receita operacional bruta de R$ 5.546.540,51 e custos dos produtos vendidos de R$ 3.535.962,13, sendo que desses custos, R$ 2.530.038,53 referemse a compras de insumos e apenas R$ 258.401,60 referemse a salários e ordenados (conta 3318.0010) no grupamento de mão de obra direta. 27. Essa distorção já foi perceptível também na DIPJ do ano calendário 2008 (da TECHPRESS) que aponta receita de venda no mercado interno da ordem de R$ 7.997.620,69 e custos e despesas com pessoal de apenas R$ 694.740,26 (ficha 64 informações previdenciárias). 28. É perceptível, pois, que foi patrocinada uma migração em massa dos empregados da TECHPRESS para a H W no ano 2008, haja vista ainda, por exemplo, as informações de ambas as empresas disponíveis nos sistemas alimentados pela RAIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) relativas àquele ano. O Relatório Fiscal, ás fls. 27 a 43, expõe que a empresa HW é inexistente de fato: 33. À luz dos fatos aqui descritos, concluiuse que a empresa H W é inexistente de fato e foi formalmente constituída apenas para aderir ao regime tributário do SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar n° 123/2006), registrar em seu nome os empregados da empresa TECHPRESS, e, desta forma, fraudulentamente deixar de recolher as contribuições previdenciárias do empregador (cota patronal) sobre as remunerações dos empregados e dirigentes. 34. Assim sendo, deve a notificada TECHPRESS, como empresa originária, ser responsabilizada pela remuneração de todos os segurados obrigatórios que indistintamente prestaram serviços a ambas as pessoas jurídicas aqui tratadas, haja vista a unicidade empresarial existente e o fato dessa empresa (TECHPRESS) não ser optante do SIMPLES durante o período fiscalizado. 35. Importa notar que não se desconsiderou a personalidade jurídica de nenhuma dessas duas empresas, as quais, com o registro nos órgãos competentes, adquiriram personalidade jurídica de sociedade comercial, gerando efeitos tais como patrimônio, nome e domicílio próprios. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 36. O instituto da desconsideração da personalidade jurídica, que está prevista expressamente no Código Civil, em seu artigo 50, ocorre com o fito de atingir o patrimônio dos sócios, quando a sociedade é por eles utilizada como meio de obter vantagens indevidas, valendose da distinção entre o patrimônio dos sócios e o da pessoa jurídica, em detrimento de terceiros, e decorre de decisão judicial. 37. O que porém concluiu a fiscalização é que a H W, muito embora tenha sido registrada de maneira legal e possua personalidade jurídica, não corre o risco da atividade comercial, não tem sede própria e nem instalações distintas da empresa TECHPRESS ora notificada, sendo assim inexistente de fato. 38. Portanto, no presente caso, a H W não foi reconhecida como a empregadora, posto que, embora presentes os pressupostos para a caracterização do vínculo empregatício (art. 12, I, a, da Lei 8.212/91) reconhecido própria empresa mediante elaboração e apresentação de sua folha de pagamentos à fiscalização, tais vínculos deramse com a TECHPRESS, como a empresa originária do grupo e empregadora de fato. 39. Vejase, por exemplo, nos esclarecimentos prestados por escrito (7b), que o Sr. Carlos Roberto de Freitas (Carlos Roberto), administrador da TECHPRESS, figura como responsável pelas áreas comercial e controle geral do operacional o que implica em subordinação de todos ao seu comando operacional, independentemente da nova empresa para onde tenham sido transferidos. O Relatório Fiscal também relaciona a empresa T.T.P. USINAGEM LTDA. 40. Esta empresa teve seus estatutos registrados em 05/11/2008, para o exercício da atividade (também complementar à TECHPRESS) de Serviços de Usinagem, com sede registrada à Rua José Rafael Reinert n° 59, em galpão anexo às demais empresas já citadas. 41. Os sócios são Vitalina Hammermeister e íris Vaes, sendo que a primeira detém os poderes de administração e é mãe da Sra. Patrícia Hammermeister administradora da H W; a segunda é auxiliar de limpeza naquela empresa (ficha de registro de empregado n° 39). 42. Tratase assim da mesma proposta administrativa já adotada com a criação da H W, qual seja, a divisão da TECHPRESS em tantas empresas quantas necessárias para perpetuar o usufruto fraudulento dos benefícios tributários do SIMPLES NACIONAL. 43. Todavia, como esta empresa iniciou atividades apenas em 2009, não houve lançamento de débito em relação à mesma, e apenas a arrolamos como responsável solidária em face da configuração de Grupo Econômico de fato. O Relatório Fiscal caracteriza o grupo econômico de fato: 63. As seguintes empresas já devidamente qualificadas na introdução ao presente relatório, são aqui tratadas como devedoras solidárias e integrantes de GRUPO ECONÔMICO Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 95 25 DE FATO, tendo em vista as razões já descritas, notadamente a unicidade dos negócios e o controle das empresas exercido pelo mesmo grupo familiar: . TECHPRESS INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA., CNPJ 01.402.992/000146; . H W MOLDAGEM DE PEÇAS PLÁSTICAS LTDA., CNPJ 09.332.761/000115; . T.T.P. USINAGEM LTDA., CNPJ 10.456.105/000103 67. Quanto à abrangência da conceituação de "grupo econômico", à luz da boa doutrina e da jurisprudência pátria, é relevante ainda esclarecer, que os conceitos contidos no inciso IX do Art.30 da Lei n° 8.212/91 e no § 2o , do art. 2o , da CLT, são bem mais amplos dos que os previstos na Lei 6.404/76. Na legislação trabalhista e previdenciária, basta apenas à existência de poder de mando e controle de uma empresa sobre outra para caracterizar o grupo econômico, independentemente do tipo de empresa ou da natureza de poder. Ou seja, a aplicabilidade do conceito de grupo econômico no direito previdenciário e trabalhista justificase pelo caráter social e não estritamente pelo poder econômico. Verificase, portanto, que a AuditoriaFiscal não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente relacionados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam. Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm, efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos, na forma estipulada no artigo 124, inciso I, do CTN, impondo a manutenção do feito em sua plenitude, não se cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal. Além do que restou comprovado faticamente dos autos que a empresa H W MOLDAGEM DE PECAS PLÁSTICAS LTDA – ME foi utilizada como empresa interposta como empregadora de mãodeobra em função de ser optante pelo SIMPLES., o que diminui o encargo tributárioprevidenciário da Recorrente. Ademais, a jurisprudência do CARF é no sentido de se manter os lançamentos de contribuições sociais previdenciárias contra empresas que se utilizam indevidamente de empresas interpostas optantes pelo SIMPLES, conforme se depreende dos julgados: Processo 13971.002121/200816, Acórdão 2402001.907, de 23.08.2011; ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1998 a 31/08/2004 REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 O parágrafo 1º do artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972 dispõe que a Administração tem a faculdade de efetuar o lançamento num único processo de impostos, contribuições ou penalidades, desde que em face do mesmo sujeito passivo e comprovados pelos mesmos elementos de prova. O citado dispositivo não obriga a Administração a efetuar o julgamento conjunto dos recursos apresentados contra lançamentos que não foram efetuados num único processo DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE DOLO REGRA GERAL INCISO I ART. 173 De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. EXCLUSÃO DO SIMPLES COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF Cabe à Primeira Seção do CARF analisar recurso contra ato que levou relativa à exclusão de empresa do SIMPLES, bem como a data de início de seus efeitos SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO LANÇAMENTO POSSIBILIDADE As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário, impedem sua cobrança mas não a sua constituição. De igual forma, a suspensão da exigibilidade do crédito não representa óbice ao andamento do contencioso administrativo fiscal. BIS IN IDEM NÃO OCORRÊNCIA Não há que se falar em bis in idem se a empresa que efetuou os recolhimentos pela sistemática do SIMPLES e que foi posteriormente excluída do referido sistema venha sofrer lançamento das contribuições patronais nos moldes das empresas em geral. RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos GRUPO ECONÔMICO DE FATO CARACTERIZAÇÃO Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 96 27 Existe grupo econômico de fato quando há unicidade no comando entre empresas. Tal comando pode se dar pela existência em seus quadros societários de pessoa física ou jurídica comuns que detenham o poder de gerir as empresas MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. ENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA. É competente a Primeira Seção do CARF para julgar recursos contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. SIMPLES. RECOLHIMENTOS. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. Eventuais recolhimentos na sistemática do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL devem ser deduzidos das contribuições previdenciárias apuradas na sistemática das empresas em geral, nos percentuais destinados à previdência social, OBSERVADA a isenção pela LC n° 123/2006 das contribuições destinadas a terceiros. Recurso Voluntário Provido em Parte Processo 13971.002970/200771, Acórdão 240200.391, de 02.12.2009. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração . 01/01/2006 a 31/12/2006 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Principio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara PERÍCIA NECESSIDADE COMPROVAÇÃO REQUISITOS CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA Deverá restar demonstrado nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA GRUPO ECONÔMICO De acordo com o Inciso IX do art. 30 da Lei n°8.212/1991, as empresas integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si solidariamente, pelas obrigações decorrentes daquela lei ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS ARRECADAÇÃO RECOLHIMENTO OBRIGAÇÃO DA EMPRESA A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher os valores arrecadados no prazo estabelecido pela legislação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. DA MULTA APLICADA. Analisemos. Em relação ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002372/201022 Acórdão n.º 2403001.811 S2C4T3 Fl. 97 29 I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.231.4023, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, Fl. 111DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, em dar provimento parcial ao recurso, NO MÉRITO, para que se recalcule o valor da multa no período 02/2008 a 11/2008, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 112DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15936.000100/2007-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/08/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PENALIDADE - GFIP - OMISSÕES - INCORREÇÕES - RETROATIVIDADE BENIGNA.
A ausência de apresentação da GFIP, bem como a sua entrega com atraso, com incorreções ou omissões, constitui violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5º, do artigo 32, da Lei nº 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, e Henrique Pinheiro Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Redator-Designado
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1999 a 31/08/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PENALIDADE - GFIP - OMISSÕES - INCORREÇÕES - RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como a sua entrega com atraso, com incorreções ou omissões, constitui violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5º, do artigo 32, da Lei nº 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15936.000100/2007-37
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5301478
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9202-002.747
nome_arquivo_s : Decisao_15936000100200737.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 15936000100200737_5301478.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, e Henrique Pinheiro Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Redator-Designado EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
id : 5126948
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173983440896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2079; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 891 1 890 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15936.000100/200737 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.747 – 2ª Turma Sessão de 11 de junho de 2013 Matéria Aplicação de Penalidades Retroatividade Benigna Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMERCIAL AUTO ADAMANTINA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/08/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PENALIDADE GFIP OMISSÕES INCORREÇÕES RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como a sua entrega com atraso, com incorreções ou omissões, constitui violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5º, do artigo 32, da Lei nº 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, e Henrique Pinheiro Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 93 6. 00 01 00 /2 00 7- 37 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – RedatorDesignado EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Auto de Infração, tendo em vista que a empresa interessada apresentou a GFIP, no período de 01/99 a 08/05, sem os dados correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Foi aplicada a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997 e art. 2184, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Em sessão plenária de 29/09/2009, foi julgado o Recurso Voluntário 144.567, prolatandose o Acórdão 230100.638 (fls. 396 a 404), assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. SEGURADOS OBRIGATÓRIOS. GFIP INFORMAÇÕES INCOMPLETAS. APLICAÇÃO PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. 1. Aplicase o prazo decadencial do art. 173, I do CTN ao presente lançamento. 2. A penalidade prevista no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, pede retroagir para beneficiar o contribuinte. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15936.000100/200737 Acórdão n.º 9202002.747 CSRFT2 Fl. 892 3 3.Precedentes dos Conselhos de Contribuintes. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros da 3° Câmara /1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso, vencido o Conselheiro Edgar Silva Vidal que aplicava o artigo 150, §4° e no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para a retroatividade benéfica nos termos do voto do relator. Vencidos a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros e o Conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros que votaram pela aplicação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96.” Cientificada do acórdão em 12/05/2010 (fls. 401), a Fazenda Nacional interpôs, em 13/05/2010, o Recurso Especial de fls. 404 a 427, com fundamento no art. 67, anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a questão do dispositivo legal que deve retroagir na aplicação da penalidade, se o art. 32A, ou o art. 35A, da Lei 8.212, de 1991. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o despacho de fls. 426/427, de 1º/11/2010. O apelo apresenta os seguintes argumentos, em síntese: o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, o que significa que não é legitima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; o que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; antes das inovações da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II, da Lei nº 8.212, de 1991, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da mesma lei (multa isolada); com o advento da MP nº 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise dos artigos 32A e 35A, ambos da Lei nº 8.212, de 1991; o primeiro deles assim dispõe: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 "Art. 32A. 0 contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: 1 — de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II — de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo". tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991; o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212, de 1991, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento); assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; contudo, a MP nº 449, de 2008, também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, in verbis: "Art. 35A. Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996". tal dispositivo remete à aplicação do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que dispõe: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212, de 1991, ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15936.000100/200737 Acórdão n.º 9202002.747 CSRFT2 Fl. 893 5 por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. essa foi a conclusão a que chegou o eminente relator do acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; ressaltase que, conforme salientado alhures, houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito, logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a multa prevista no lançamento de oficio (artigo 44 da Lei 9.430, de 1996); nessa linha de raciocínio, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A, da MP nº 449. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento do recurso e o seu provimento, reformandose o acórdão recorrido, no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica, se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A, da MP nº 449, de 2008. Cientificado do acórdão recorrido, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 03/05/2011 (AR de fls. 435), o Contribuinte quedouse silente (fls. 440). Voto Vencido Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas ContraRazões. Tratase de Auto de Infração, tendo em vista que a empresa interessada apresentou a GFIP, no período de 01/99 a 08/05, sem os dados correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Foi aplicada a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997, e art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Este Auto de Infração está relacionado a NFLD, conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF de fls. 143. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Na decisão recorrida foi afastada a exigência das competências anteriores a 12/99, determinandose a aplicação da penalidade com base no art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, caso esta seja a forma mais benéfica. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que orientavam o Auto de Infração e a NFLD tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. §5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” (grifei) Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15936.000100/200737 Acórdão n.º 9202002.747 CSRFT2 Fl. 894 7 Assim, no caso em apreço, considerandose que houve exigência por meio de Auto de Infração (descumprimento de obrigação acessória, objeto do presente processo) e de NFLD (descumprimento de obrigação principal, noticiada no TEAF), foram aplicadas duas multas, no contexto de lançamento de ofício. Com efeito, o entendimentos desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de unificar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício, envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídica, de duas penalidades para a mesma conduta, o que conduz à interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que, na fase de execução desta decisão, se aplique a situação mais benéfica para o Contribuinte: a soma das duas multas, aplicadas no presente Auto de Infração e na NFLD correspondente; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15936.000100/200737 Acórdão n.º 9202002.747 CSRFT2 Fl. 895 9 Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Lian Haddad,Designado Em que pese o merecido respeito a que faz jus a Ilustre Relatora, peço vênia para dela discordar. Entendo que com o advento da Lei n. 11.941/2009 a multa pelo descumprimento de dever de apresentar corretamente a GFIP passou, por força da irretroatividade benigna, a ser regida pelo artigo 32A da Lei n. 8.212/1991, e não mais pelo antigo parágrafo 5º. Tal entendimento se aplica ainda que tenha havido, como no caso presente, exigência de contribuição previdenciária formalizada em NFLD relativa ao mesmo período. Neste diapasão, não compartilho do entendimento que passei a denominar de “cesta de multas”, segundo o qual a multa por descumprimento de obrigação acessória, lançada no presente auto de infração, deveria ser somada à multa por falta de recolhimento da contribuição, lançada na NFLD, para fins de comparação coma multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n. 9.430. Transcrevo a seguir o voto vencedor do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, nos autos do Processo nº 36378.002129/200615, cujos fundamentos adoto, verbis: “A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituem violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Isso é inquestionável. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, entendo que a penalidade para tal infração, a qual até então constava do § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Segundo penso, ainda que o contribuinte tenha pago integralmente as contribuições previdenciárias devidas, estará sujeito à penalidade pela ausência de apresentação ou pela entrega com omissões ou com incorreções da GFIP (artigo 32A da Lei n° 8.212/91). Por outro lado, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (citada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91) tem outra conotação, qual seja, as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 A redação do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Grifei) Portanto, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 é aplicável apenas na hipótese de haver tributo não pago, ao passo que a multa do artigo 32A da Lei n° 8.212/91 incide ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas. Pareceme ser escorreito afirmar que a DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Sob minha ótica, a penalidade lançada contra a contribuinte (§5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91) restou substituída pela multa prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Diante do exposto, na parte não atingida pela decadência, voto no sentido de que se calcule a penalidade devida pela contribuinte de acordo com a regra do artigo 32A da Lei n° 8.212/91.” Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 10DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15936.000100/200737 Acórdão n.º 9202002.747 CSRFT2 Fl. 896 11 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 11050.001516/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 02/09/2004 a 30/09/2004
ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração.
Recurso Voluntário Negado.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
Numero da decisão: 3102-001.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que acolhiam a arguição de ilegitimidade passiva e reconheciam a denúncia espontânea da infração. Fez sustentação oral o advogado Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24968.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/09/2004 a 30/09/2004 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. Recurso Voluntário Negado. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11050.001516/2009-49
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5303384
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-001.987
nome_arquivo_s : Decisao_11050001516200949.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 11050001516200949_5303384.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que acolhiam a arguição de ilegitimidade passiva e reconheciam a denúncia espontânea da infração. Fez sustentação oral o advogado Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24968. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
id : 5142183
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173989732352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2294; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 20 1 19 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11050.001516/200949 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.987 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2013 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 02/09/2004 a 30/09/2004 MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/09/2004 a 30/09/2004 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 15 16 /2 00 9- 49 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que acolhiam a arguição de ilegitimidade passiva e reconheciam a denúncia espontânea da infração. Fez sustentação oral o advogado Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24968. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2/15), em que formalizada a aplicação da multa regulamentar, no valor de R$ 85.000,00, motivada pela prática de infração por não prestação de informação sobre carga transportada, tipificada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. O fato motivador da autuação fora o registro extemporâneo, no Siscomex, dos dados de embarques de mercadorias exportadas, após o prazo de sete dias, fixado no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, conforme discriminado no tabela de fls. 5/10. Na peça impugnatória colacionada aos autos (fls. 19/22), a autuada alegou a improcedência da autuação, com base nos argumentos que foram assim resumidos no relatório integrante do acórdão recorrido: Por razões alheias à vontade da impugnante, como o atraso das informações que deveriam ser prestadas pelos exportadores, as referidas DDEs não puderam ser entregues dentro do prazo estabelecido. A conduta da impugnante (atraso) não se encontra tipificada, sendo punível somente a omissão na informação. Argüi denúncia espontânea. Por ser uma agente de navegação, não pode a impugnante ser penalizada com a penalidade em questão por não ser empresa transportadora internacional ou prestadora de serviço de Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 11050.001516/200949 Acórdão n.º 3102001.987 S3C1T2 Fl. 21 3 transporte internacional expresso portaaporta ou agente de carga. Em 19/8/2011, foi proferida a decisão primeira instância (fls. 37/39), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e mantido o crédito tributário exigido, sob o fundamento de que a recorrente havia registrado os dados de embarque fora do prazo determinado na legislação aduaneira, fato punível com a cobrança da multa regulamentar imposta. Em 17/2/2012 (fls. 44/45), a recorrente foi cientificada da decisão primeiro grau. Em 12/3/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 46/53, em que reafirmou as alegações aduzidas na fase impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de ilegitimidade passiva. Alegou a recorrente que a penalidade prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003, objeto do auto de infração em apreço, não podia serlhe cominada, pois era apenas agência de navegação ou agência marítima, representante da empresa transportadora internacional, mas não era a ela equiparada nem responsável solidária para fins tributários. É fato incontroverso que a recorrente era a representante do transportador estrangeiro, no País, consequentemente, era ela quem detinha a responsabilidade pelo registro, no Siscomex, dos dados das cargas embarcadas nos navios da empresa de navegação por ela representada. Logo, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática em tela, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...). Além disso, não se pode olvidar que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário com infração à lei, segundo determina o inciso II do art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] II os mandatários, prepostos e empregados; [...]. Portanto, na condição de agência marítima e mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter descumprido a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pessoalmente pela infração em apreço. Alem disso, é oportuno ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decretolei n° 37, de 1966, constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Assim, demonstrada a legitimidade passiva da recorrente, rejeitase a alegação de ilegitimidade passiva. Do mérito. No mérito, a controvérsia limitase à questão atinente à subsunção do fato imputado à recorrente à conduta abstrata descrita na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta, ou ao agente de carga; e [...]. (grifos não originais) Tratase de norma penal em branco, cuja aplicação exige a complementação do seu conteúdo por outro diploma normativo de natureza administrativa, a ser expedido pelo Secretário da Receita Federal do Brasil (RFB). No caso, a norma complementar que determina o prazo de registro, no Siscomex, dos dados de embarque de mercadoria é o art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, Fl. 74DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 11050.001516/200949 Acórdão n.º 3102001.987 S3C1T2 Fl. 22 5 de 1994. Na data da infração, o prazo para o transportador registrar os referidos dados era dois dias prazo, contado da data da realização do embarque, conforme (redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005). A partir de 14/12/2010, data da vigência da Instrução Normativa SRF nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010, que deu nova redação ao referido artigo, o citado prazo foi alterado para sete dias e a ter a seguinte redação, in verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. [...] (grifos não originais) No caso, com base nos dados da tabela integrante do auto de infração (fls. 5/10), verificase que o registro dos dados de embarque, objeto da autuação em apreço, foram efetivados após o prazo de sete dias fixado na atual redação do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, o que exclui a possibilidade de aplicação da retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN. Com base nessas considerações, fica demonstrado que o fato imputado a recorrente subsumese perfeitamente à descrição da infração estatuída no art. 107, IV, “e”, do Decretolei nº 37, de 1966, com a nova redação da Lei nº 10.833, de 2003, portanto, não procede a alegação da recorrente de que o fato a ela atribuído era atípico. Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada e vinculação de manifesto à escala, após a atracação dos navios, fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, Fl. 75DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo Fl. 76DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 11050.001516/200949 Acórdão n.º 3102001.987 S3C1T2 Fl. 23 7 que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Da mesma forma, em situação análoga, relacionada ao descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária, caracterizada pelo atraso na entrega de declaração, a jurisprudência deste E. Conselho firmou o entendimento no sentido da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 49, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No mesmo sentido, tem se firmado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). Fl. 77DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 II Agravo regimental improvido. (STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Portanto, segundo o entendimento do STJ, o cumprimento extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória configura infração formal, não passível do benefício do instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 138 do CTN, por se tratar de responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com esse mesmo entendimento, existem vários julgados do e. Tribunal Superior em que foi declarada a impossibilidade de aplicação dos benefícios da denúncia espontânea aos casos em que configurada a infração por atraso na entrega da declaração (DCTF, DIPJ etc). Com base nessas considerações, fica demonstrado que o efeito da denúncia espontânea da infração, previstos no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, não se aplica às infrações aduaneiras de natureza acessória, caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, em especial, a infração por informação extemporânea da carga descarregada em porto alfandegado do País, objeto da presente autuação. Da conclusão. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 78DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915903/2008-48
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/1999
PIS/PASEP E COFINS. RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000.
As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (por força do caput do artigo 14 da MP no 1.858-6, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.037-24 com a supressão do termo Zona Franca de Manaus de seu artigo 14, § 2o, inciso I (Medida Provisória 2.037-25, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000).
Recurso ao qual se nega provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide.
Numero da decisão: 3802-001.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/1999 PIS/PASEP E COFINS. RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000. As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (por força do caput do artigo 14 da MP no 1.858-6, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.037-24 com a supressão do termo Zona Franca de Manaus de seu artigo 14, § 2o, inciso I (Medida Provisória 2.037-25, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000). Recurso ao qual se nega provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10880.915903/2008-48
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5304680
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3802-001.991
nome_arquivo_s : Decisao_10880915903200848.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 10880915903200848_5304680.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
id : 5154252
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173998120960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2067; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 97 1 96 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.915903/200848 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.991 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de setembro de 2013 Matéria DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Microlite Sociedade Anônima Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/1999 PIS/PASEP E COFINS. RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000. As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (por força do caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.03724 com a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I (Medida Provisória 2.03725, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000). Recurso ao qual se nega provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 03 /2 00 8- 48 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9ª Turma da DRJ São Paulo I (fls. 45/52 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de COFINS relativo ao fato gerador de 30/06/1999. A DERAT São Paulo não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento apresentado como supedâneo do crédito (no valor de R$ 97.248,28 – código de receita 2172) teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega: a) que o presente pedido integra outros 90 (noventa) processos da empresa que abordam a mesma matéria, tendo sido apresentadas as mesmas razões de defesa e provas, razão pela qual requer a juntada dos autos de todos os processos, de forma que as defesas e provas sejam conjuntamente analisadas; b) invoca o princípio da verdade material, e afirma haver juntado a documentação necessária à comprovação do direito; e, c) que o crédito objeto da compensação teve origem em recolhimentos indevidos do PIS e da COFINS no período de abril de 1999 a fevereiro de 2004, haja vista que se tratavam de vendas para a Zona Franca de Manaus, e que por isso não geravam a respectiva obrigação ao recolhimento em face das disposições do DecretoLei nº 288/67, que equiparou referidas vendas a operações de exportação. Os argumentos apresentados pela reclamante, contudo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento, que, em síntese, entendeu que o sujeito passivo não apresentou prova suficiente à demonstração do direito creditório reclamado, e ainda, que o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 não albergava a isenção do PIS e da COFINS. Assim, referido colegiado julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada. Cientificada da referida decisão em 27/06/2011 (vide AR de fls. 54), a interessada, em 25/07/2011, apresentou recurso voluntário onde reitera que seu direito está amparado no artigo 4º do DecretoLei nº 288/67, c/c artigo 40 do ADCT. Reclama, também, a nulidade do acórdão vergastado por cerceamento ao seu direito de defesa, isso em vista da falta de clareza do acórdão e da esparsa e lacônica manifestação sobre a documentação juntada pela recorrente. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915903/200848 Acórdão n.º 3802001.991 S3TE02 Fl. 98 3 Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da admissibilidade do recurso e da reclamada nulidade da decisão de primeira instância O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. Inicialmente, analiso a reclamada nulidade do acórdão de primeira instância. A nulidade é embasada na alegada falta de clareza nos motivos que redundaram na negativa do recurso: se o indeferimento do pleito fora decorrente da não comprovação do crédito ou dada a inexistência de amparo legal para o pedido. Contudo, da leitura do acórdão de fls. 45/52, constatase que referida decisão está suficientemente motivada, uma vez que dela consta, explicitamente: a) na hipótese de a empresa se albergar nos institutos da isenção ou da alíquota zero, e a teor da Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que a isenção da COFINS não alcança os fatos geradores entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000 (vedação do inciso I do § 2º do artigo 14 da MP 1.8586, de 1999, e reedições até a MP 2.03724, de 2000); b) ainda com base na Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que somente a partir de 22 de dezembro de 2000, com a publicação da MP 2.037 25, atual MP 2.15835, a isenção da COFINS no caso de vendas para a Zona Franca de Manaus só alcançaria as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do artigo 14 da citada MP 2.15835; c) que, se admitido questionamento com base na imunidade, o mesmo deveria ser direcionado ao Poder Judiciário, a quem compete apreciar alegação de inconstitucionalidade, já que tal instituto é de natureza constitucional; e, d) que não foram apresentadas provas do indébito, não tendo sido, portanto, demonstrada a liquidez e a certeza do crédito necessárias à compensação tributária, a teor do artigo 170 do CTN. Portanto, a meu ver, o acórdão recorrido está devidamente fundamentado, razão pela qual não acolho o argumento em defesa da nulidade da decisão em tela. Do mérito Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 A presente lide é parte de um dos inúmeros processos da interessada em que esta questiona a incidência do PIS e da COFINS sobre a receita de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Essa questão já foi analisada por esta Turma quando do julgamento do processo no 10920.000462/200350 (acórdão no 380200.312, de 08/12/2010), de onde reproduzo excertos do voto vencedor do Conselheiro Regis Xavier Holanda, abaixo transcrito: [...] A Medida Provisória no 1.8586, de 29/06/1999 e posteriores reedições até a Medida Provisória no 2.03724, de 23/11/2000 trazia as seguintes disposições de interesse: (omissis) Referida Medida Provisória foi então reeditada sob o n° 2.037 25, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000) – atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – apresentando modificação no texto normativo consistente na supressão das receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus do rol de hipóteses de exclusão das isenções conferidas. Vejamos: (omissis) Dessa forma, tenho como claro que o legislador, ao realizar a referida supressão da referência à Zona Franca de Manaus no texto normativo, conferiu sim, às vendas efetuadas a empresas estabelecidas nesta específica região marcada por incentivos fiscais especiais, a isenção tratada no caput e §1º do citado art. 14. Adequouse, então, a presente legislação à disciplina traçada pelo art. 4º do DecretoLei nº 288/67, in verbis: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ademais, é mister ainda destacar que no ínterim entre as Medidas Provisórias no 2.03724, de 23/11/2000 e n° 2.03725, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000), sobreveio, em 07/12/2000, decisão liminar unânime do pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos da ADIN nº 2.3489, deferindo medida cautelar com eficácia ex nunc para suspender a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do artigo 14, §2º, I da Medida Provisória nº 2.03724. Portanto, dada a cronologia em que os fatos aconteceram, pareceme também claro que o legislador teve ainda por intenção adequar o texto normativo à decisão do STF então vigente, só alterada em 10/02/2005 mediante decisão que declarou prejudicado o pedido por perda de objeto diante da ausência de aditamento à inicial por conta das sucessivas reedições da Medida Provisória atacada. Alfim, tendo em vista que a Medida Provisória nº 2.03725 suprimiu a hipótese de afastamento da isenção em relação às receitas de vendas para a ZFM, entendo que essa modificação (supressão de hipótese de afastamento da isenção) conjugada com o art. 4º do DL 288/67, implica a aplicação do art. 14, II (exportação de mercadorias para o exterior) para essas operações. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915903/200848 Acórdão n.º 3802001.991 S3TE02 Fl. 99 5 Em sentido semelhante já decidiram os então Conselhos de Contribuintes: Acórdãos 20216587, de 19/10/2005; 20179407, de 29/06/2006 e 20218132, de 20/06/2007. [...] No mais, voto ainda para, a partir de 22 de dezembro de 2000 – data de publicação da MP nº 2.03725 (atual MP no 2.15835, de 2001), considerar isentas da contribuição para o PIS, as vendas efetuadas a empresa situada na Zona Franca de Manaus. De fato, a real intenção que motivou a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I, do § 2o, do artigo 14 da Medida Provisória no 2.037, foi a de, efetivamente, excluir da incidência do PIS e da COFINS as vendas realizadas para empresas sediadas na referida área de livre comércio. Aliás, considerando que o legislador não emprega expressões inúteis, o fato de a redação original da Medida Provisória no 2.037 contemplar os termos “Zona Franca de Manaus” e “área de livre comércio” revela que o poder legiferante, na ocasião, para fins de tutela pela referida legislação, entendera como distintas as regiões comerciais em tela. Assim, posteriormente, a supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do dispositivo que excluía referida área do âmbito de isenção do PIS e da COFINS demonstra que o legislador, com tal conduta, buscou realmente isentar das contribuições em evidência as vendas realizadas para a referida região. Portanto, deverão ser consideradas como isentas do PIS e da COFINS as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus a partir da publicação da Medida Provisória no 2.03725, ou seja, em 22/12/2000. Contudo, o caso em exame diz respeito a questionamento quanto à isenção da COFINS sobre as receitas de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus no mês de junho de 1999, período em que não havia amparo legal à isenção em tela. Sobre o problema, comungo com as razões de decidir do conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi nos autos do processo nº 10880.915907/200826, que representa um dos processos da recorrente que tratou da mesma questão abordada na presente lide, julgado em 20/08/2013 (acórdão nº 3802001.942): De todo modo, há normas infraconstitucionais de observância irrefutável pelo CARF que trazem regramento jurídico distinto da imunidade. E, como se sabe, a Súmula nº 2 do CARF impede que se avalie a constitucionalidade dessas normas, que em última análise afetam a permissibilidade de exclusão, ou não, dessas receitas da base de cálculo de PIS e COFINS. Referidas normas estavam contidas, durante o período compreendido pelos casos trazidos à lume, pela Medida Provisória 2037, a qual, em sua redação original e em vinte e quatro reedições posteriores, dispôs que não estavam abarcadas por isenção as receitas oriundas de vendas para a Zona Franca de Manaus, “a partir de 1o de fevereiro de 1999” (redação do § 2o do art. 14). Essa redação somente veio a ser modificada diante de decisão do STF na ADINC 2348, cujo mérito terminou não sendo julgado por perda de objeto da ação direta. A decisão, que afastava com efeitos ex nunc a aplicação da norma acima sobre as receitas decorrentes de vendas para a Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Zona Franca de Manaus, levou o governo federal a, na vigésima quinta reedição da MP 2037, considerar isentas também as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. E a rigor, a interpretação de que a isenção estava concedida à Zona Franca de Manaus se deu por supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do rol de vedações à aplicação da isenção constante do art. 14 da MP 2037. Passavase, então, a reconhecer que a isenção para a ZFM estava compreendida no inciso II do art. 14, o qual dispunha sobre a exportação de mercadorias para o exterior. Esforço interpretativo conjunto com o art. 40 do ADCT, portanto (e que, frisese, remete à imunidade do art. 149 da CRFB, não a isenção). De todo modo, em termos infraconstitucionais o que se tem é: somente se isentaram as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS a partir de dezembro de 2000, pois o início da vigência da MP 203725 ocorreu no dia 21 daquele mês. Importante destacar que não entendo que a isenção tenha sido concedida em caráter retroativo a 1o de fevereiro de 1999, como defendem alguns diante de uma leitura fria do caput do art. 14 da MP 203725. A rigor, a alteração legislativa que suprimiu a vedação à isenção das vendas para a Zona Franca de Manaus deve ser apreciada em conjunto com a própria decisão do STF, que suspendeu a aplicação da MP 2037, em reedição anterior, com efeitos ex nunc na ADINC 2348. A disposição do caput tratando do dia 1o de fevereiro de 1999 existe desde a edição originária da MP 2037. Assim, o fato de reedição posterior da MP permitir uma leitura apriorística de que, desde fevereiro de 1999, não havia vedação à isenção, não significa que ocorra uma exótica “isenção retroativa”. Afinal, tratase da mesma MP 2037, que, pelas regras constitucionais vigentes à época, podia ser reeditada quantas vezes fossem necessárias. De todo modo, ao menos em tese os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório, restando prejudicada a análise de todo o remanescente – inclusive a prova dos autos. Assim, as receitas decorrentes das vendas para a Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (conforme caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da referida Medida Provisória em que houve a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I – MP 2.03725). Consequentemente, como o crédito aduzido diz respeito ao mês de junho de 1999, resta claro que não há fundamento legal que ampare o direito creditório pelo reclamado pagamento da COFINS em vista de vendas para a Zona Franca de Manaus. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915903/200848 Acórdão n.º 3802001.991 S3TE02 Fl. 100 7 Da conclusão Com estas considerações, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 24 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100152/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS ACUMULADOS DE ICMS. TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os valores provenientes do recebimento pela cessão onerosa de créditos de ICMS acumulados em conta gráfica pelo contribuinte exportador, revestem-se da natureza jurídica de recuperação de custos, e, como tal, não podem ser tratados como receita para fins de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS não cumulativas, conforme inclusive, é o entendimento pacificado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em sede de Repercussão Geral (Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, sessão de 22/5/2013). Aplicação do art. 62-A do RI- CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Votou pelas conclusões o conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
(Assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Susbstituto.
(Assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS ACUMULADOS DE ICMS. TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores provenientes do recebimento pela cessão onerosa de créditos de ICMS acumulados em conta gráfica pelo contribuinte exportador, revestem-se da natureza jurídica de recuperação de custos, e, como tal, não podem ser tratados como receita para fins de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS não cumulativas, conforme inclusive, é o entendimento pacificado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em sede de Repercussão Geral (Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, sessão de 22/5/2013). Aplicação do art. 62-A do RI- CARF. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11065.100152/2009-10
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5304006
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3402-002.196
nome_arquivo_s : Decisao_11065100152200910.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11065100152200910_5304006.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Votou pelas conclusões o conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. (Assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Susbstituto. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5149942
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174001266688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1916; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 165 1 164 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.100152/200910 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2013 Matéria COFINS Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS MALU LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS ACUMULADOS DE ICMS. TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores provenientes do recebimento pela cessão onerosa de créditos de ICMS acumulados em conta gráfica pelo contribuinte exportador, revestem se da natureza jurídica de recuperação de custos, e, como tal, não podem ser tratados como receita para fins de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS não cumulativas, conforme inclusive, é o entendimento pacificado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em sede de Repercussão Geral (Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, sessão de 22/5/2013). Aplicação do art. 62A do RI CARF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Votou pelas conclusões o conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. (Assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Susbstituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 01 52 /2 00 9- 10 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11065.100152/200910 Acórdão n.º 3402002.196 S3C4T2 Fl. 166 3 Relatório Versam estes autos de Pedido de Ressarcimento em relação aos períodos de apuração 01/10/2008 a 31/12/2008, mediante o qual o contribuinte tem a pretensão de reaver o montante, atualizado, de R$1.480.749,76 (um milhão, quatrocentos e oitenta mil, setecentos e quarenta e nove reais e setenta e seis centavos), relativos a valores pagos a título de Cofins dos quais tem direito de crédito sobre as operações de exportação de mercadorias para o exterior. A DRF/Novo Hamburgo RS, com base em planilhas elaboradas pelo próprio sistema do Serviço de Fiscalização, reconheceu parcialmente direito creditório do contribuinte no montante de 1.389.103,18 (um milhão trezentos e oitenta e nove mil, cento e três reais e dezoito centavos) (fls. 84 – n.e.), por meio do Despacho Decisório DRF/NH)/2009 (fls. 85 – n.e.), no qual também glosou o valor de R$91.646,58, referente a cessão de créditos de ICMS acumulados pelo contribuinte, sob o fundamento de que as receitas decorrentes das transferências de créditos do ICMS não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, por falta de previsão legal, lavrando o Auto de Infração de (fls. 82 n.e). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório em 18/09/2009, conforme AR de fls. 98 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 99/110), aduzindo, em síntese, que o montante do ICMS registrado no ativo da Recorrente cujo foi utilizado para pagamento a fornecedores de matériaprima, não se constitui receita, razão pela qual não pode ser mantida a decisão que glosou parcialmente pedido de ressarcimento de créditos da Cofins. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), houve por bem em considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, proferido Acórdão nº. 1024.254, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 Ementa: BASE DE CÁLCULO, TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7º, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento entendeu que o procedimento realizado pela Recorrente não encontra respaldo na legislação vigente, visto que a operação ora discutida não se enquadra no pequeno rol de hipóteses de exclusão da base de cálculo da contribuição previstas na legislação, pelo que conclui no sentido de que as receitas provenientes de transferências de créditos de ICMS não podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 20/07/2010, conforme AR de fls. 148 – n.e., o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 149/161) em 11/08/2010, repisando os mesmos argumentos já levantados em sede de Manifestação de Inconformidade, que por respeito à brevidade, não os repetirei. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 164 (cento e sessenta e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11065.100152/200910 Acórdão n.º 3402002.196 S3C4T2 Fl. 167 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela Recorrente. A querela discutida nestes autos referese à inclusão dos valores provenientes da cessão onerosa, feita pela Recorrente à terceiros, de créditos acumulados de ICMS que o contribuinte mantinha em sua contabilidade em função de suas receitas decorrerem preponderantemente de operações de exportação. A Administração, ao analisar ao pleito de ressarcimento, glosou parte dos créditos acumulados de COFINS não cumulativa, ao entendimento de que o contribuinte deixar de incluir na respectiva apuração, os valores que recebera em função das transferências de créditos de ICMS que fizera a terceiros, o que no seu sentir seria um procedimento incorreto pois que tratarseia de receita tributável. Por seu turno, a Recorrente sustenta trataremse referidos valores de mera recomposição de custos, e que não deveria compor a base de cálculo do tributo em questão, citando vasta jurisprudência e requerendo o provimento de seu recurso. Adentrando ao mérito da causa, de pronto se vê que não se trata de matéria nova, em que já se debateu profundamente a natureza jurídica do ICMS contido na conta gráfica do sujeito passivo, e sua aptidão de geração de receitas. Posicionome no sentido de que as pessoas jurídicas, quando adquirem seus insumos gravados com o ICMS, e sobre os quais possua direito ao desconto dos créditos, há uma redução do custo real do insumo adquirido, pois que em verdade o preço que está sendo pago, precariamente, está sujeito a sofrer “recuperação” quando o contribuinte efetuar a operação subsequente, de venda, gravada pela incidência do mesmo ICMS, ocasião em que recuperará o valor “antecipado” aos cofres públicos por ocasião da aquisição do insumo. Daí porque as normas contábeis e fiscais são unânimes em determinar o registro contábil do ICMS em conta separada do custo/estoques, pena de “inflar” o custo dos produtos vendidos, reduzindo, consequentemente, o lucro da entidade, base de cálculo dos tributos que sobre essa grandeza – lucro – incidem. Ocorre, no entanto, que as empresas exportadoras acabam não realizando operações de venda gravadas pelo ICMS, por imunidade constitucional, visando com isso, tornar o produto nacional competitivo no mercado internacional, atraindo divisas ao país e positivando nossa “balança comercial”. Em função deste desígnio constitucional, os créditos oriundos das aquisições de insumos feitas pelo exportador, acabam se acumulando em sua “conta gráfica”, submetendo os contribuintes aos procedimentos (normalmente morosos) de obterem junto às Fazendas Estaduais o direito de transferirem referidos saldos credores a terceiros, e, com isso, efetivamente “recuperarem” aqueles custos que tiveram no momento da aquisição dos insumos. Ou seja, não tivessem a opção de transferência onerosa dos créditos acumulados a terceiros, os créditos de ICMS jaziriam em sua escrita, tornandose verdadeiramente em “custo” de produção, transmudando o ICMS em tributo cumulativo, e, como tal, contrariando a Constituição Federal (art. 155). Fl. 169DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 Desta forma, o procedimento de transferência onerosa de ICMS, desde que o seja por valor igual ou menor que o chamado “valor de face” dos créditos, não possui natureza jurídica de receita ou de acréscimo patrimonial a empresa, mas única e tão somente, de recuperação do custo tributário que o contribuinte “antecipou” quando da aquisição dos insumos empregados no processo industrial, não se caracterizando como “receita” da pessoa jurídica, mas de mera recomposição patrimonial a realizar o desígnio constitucional da não cumulatividade. Nesse sentido, aliás, são pertinentes as palavras de Edmar Andrade, que sobre a conceituação de receita, após citar lição de Geraldo Ataliba, posicionase no seguinte modo: "(...) Para Geraldo Ataliba, a receita não se confunde com a mera movimentação de valores (dinheiro), verbis: 'O conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos cofres de entidade. Nem toda entrada é uma receita. Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que o recebe.” O conceito jurídico de 'receita' não destoa daquele adotado no âmbito das Ciências Contábeis, nada obstante, este abrange também as reduções de passivos, ou não há um ingresso em sentido positivo; existe um ingresso em sentido negativo porque os valores não sairão do patrimônio social. De fato, em antigo pronunciamento, o Instituto Brasileiro de Contadores IBRACO estabeleceu que: 'Receita corresponde a acréscimos nos ativos e decréscimos nos passivos, reconhecidos e medidos em conformidade com princípios de contabilidade geralmente aceitos, resultantes dos diversos tipos de atividades e que possam alterar o patrimônio líquido.' Acréscimos nos ativos e decréscimos nos passivos, designados como receita, são relativos a eventos que alteram bens direitos e obrigações. Receita, entretanto, não inclui todos os acréscimos nos ativos ou decréscimos nos passivos. Recebimento de numerário por venda a dinheiro é receita, porque o resultado líquido da venda não implica em alteração do patrimônio líquido. Por outro lado, o recebimento de numerário por empréstimo tomado ou o valor de um ativo comprado a dinheiro não são receita, porque não alteram o patrimônio líquido. Esse conceito de receita não pode ser compreendido em divórcio com o princípio da capacidade contributiva que está submetido ao cânone da supremacia das normas constitucionais e da máxima efetividade, dado que a sua função primordial é a proteção de direitos fundamentais. Pois bem, o adjetivo 'auferida' traduz a idéia de algo que é percebido, ou seja, que é transformado em dinheiro ou bem econômico equivalente, vale dizer, imediatamente conversível em dinheiro. Receita auferida é, portanto, um acréscimo patrimonial juridicamente qualificado; é aquele em que a prestação já está satisfeita. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11065.100152/200910 Acórdão n.º 3402002.196 S3C4T2 Fl. 168 7 Quisesse a lei tomar o termo receita com a significação que ele tem, por exemplo, no contexto da legislação do imposto de renda, não teria feito a qualificação que ostensivamente fez e vem confirmando ao longo do tempo. Em decorrência, para fins de incidência às contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não basta que a pessoa jurídica tenha receita; é imprescindível que aufira os efeitos do negócio jurídico que lhe deu causa. Um dos efeitos das obrigações em geral é o pagamento; para a caracterização da receita auferida é necessário que ocorra o pagamento em dinheiro ou bem com funções imediatas equivalentes.” (ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. PIS COFINS, Questões Atuais e Polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, pág. 219/221). Corroborando a lição de que é essencial à configuração da "receita" a existência de um elemento novo que passe a compor o patrimônio líquido da entidade, também Aliomar Baleeiro, quanto ao conceito de "receita" propriamente dita, assim se manifestou: "(...) Nem todos os valores que entram nos cofres das empresas são receitas. Os valores que transitam pelo caixa das empresas (ou pelos cofres públicos) podem ser duas espécies: os que configuram receitas e os que se caracterizam como meros ingressos (que, na ciência das finanças, caixa). Receitas são entradas que fortificam o patrimônio da empresa incrementandoo." (In uma Introdução à Ciência das Finanças, Forense, 1976, p. 130). Noutras palavras, para que haja a incidência de PIS ou COFINS, não basta que a pessoa jurídica tenha faturamento que lhe reverta as respectivas “receitas”, entendidas estas de acordo com a normatização contábil, ou mesmo que ingressem valores em seu caixa ou na conta contábil “Banco”, mas também é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas pela entidade de modo a incrementar positivamente seu patrimônio líquido. Seria o caso de cessão onerosa de créditos de ICMS com ágio, o que, convenhamos, não é lógico e nem a praxe do “mercado”, que certamente paga “deságio” pelos créditos de ICMS adquiridos de terceiros, até pelos riscos que tais operações naturalmente podem oferecer. Assim, tenho que os ingressos provenientes das cessões onerosas de saldos credores de ICMS a terceiros, auferidos pelo exportados, não possuem natureza jurídica de receita, e, como tal, não compõem a base de calculo da contribuição em análise. Neste sentido, destaco os seguintes excertos deste Conselho: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ALTERAÇÃO NA PARCELA DO DÉBITO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 A cessão de ICMS gerado de operações de exportação anteriormente registrado como encargo tributário não materializa ingresso de elemento novo. O aumento do resultado do exercício da pessoa jurídica no momento da recuperação do custo tributário provem o retorno à situação patrimonial anterior, não reunindo condições de qualificála no conceito de receita.” (CARF – 3ª Turma Especial – 3ª Seção – Acórdão nº 380300.770 – Rel. Designado Cons. Belchior Melo de Souza – j. 30.09.2010) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS PerÍodo de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COFINS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS A TERCEIROS. Não incide Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita.” (CARF – 4ª Câmara – 3ª Turma Ordinária – 3ª Seção – Acórdão nº 340300.707 – Rel. Winderley Morais Pereira – j. 28.10.2010) Esse, aliás, foi o entendimento recentemente sufragado pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, em sessão Plenária de 22 de maio de 2013, ao julgar o RE nº 606.107/RS, de Relatoria da Ministra Rosa Webber, que em procedimento submetido à repercussão geral houve por bem em reconhecer a inconstitucionalidade da incidência da tributação pelo PIS e pela COFINS, sobre os valores oriundos da transferência de créditos de ICMS (publicado no Informativo Semanal do STF de nº 707). Em face do julgamento proferido pelo STF, acabam sendo sepultadas as discussões que a respeito poderiam remanescer sobre a temática, sendo que nos termos do art. 62A, do RICARF, cabe a essa Turma julgadora aplicar o referido entendimento, como, inclusive, já vem decidindo esse Colegiado: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 31/05/2008, 01/07/2008 a 31/07/2008 CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO. É inconstitucional a incidência da contribuição para PIS e Cofins não cumulativas sobre os valores recebidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS (Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, sessão de 22/5/2013). Aplicação do art. 62A do RI CARF.” (CARF – 2ª Câmara – 2ª TO – 3ª Seção Acórdão nº 3202000.779 – Rel. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza – j. 25.06.2013) Cabe ainda mencionar que, não fosse pelo entendimento pacificado sobre a matéria, ainda caberia, segundo entendo, a aplicação retroativa do preceito contido nos arts. 7º, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008, pois que, embora vigente para períodos a partir de janeiro de 2009, tenho que essa normatização aplicase a atos ou fatos pretéritos, não definitivamente julgados (como é o caso em curso), pois que deixou de considerar os valores provenientes da transferência onerosa de créditos de ICMS como de Fl. 172DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11065.100152/200910 Acórdão n.º 3402002.196 S3C4T2 Fl. 169 9 exclusão obrigatória na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, e, portanto, se lhe aplica o preceito da alínea “b”, do inciso II, do art. 106, do CTN. Assim sendo, por todos os ângulos que se aprecia a questão, concluo que os valores glosados pela Administração, provenientes da cessão onerosa de crédito de ICMS acumulados pela Recorrente em sua conta gráfica em virtude das operações de exportações que realizou, não se configuram como receita, e, portanto, merece guarida o pleito do contribuinte. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para afastar a glosa dos créditos decorrentes da inclusão dos valores das cessões onerosas de créditos de ICMS nas bases de cálculo da contribuição em análise. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 173DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13896.908860/2008-63
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13896.908860/2008-63
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5298404
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1801-000.290
nome_arquivo_s : Decisao_13896908860200863.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 13896908860200863_5298404.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
id : 5109002
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174019092480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.908860/200863 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.290 – 1ª Turma Especial Data 12 de setembro de 2013 Assunto Realização de diligência Recorrente BRASILSITE TELECOMUNICAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Trata o presente de Recurso Voluntário contra a cobrança de débitos federais vinculados ao Per/Dcomp objeto de julgamento no processo administrativo fiscal nº 13896.904035/200890, cujo direito creditório pleiteado pela recorrente foi apreciado nesta mesma sessão de julgamento – Acórdão nº 1801001.627 (a ser anexado digitalmente). Consta dos autos despacho para a apensação deste processo àquele, principal, bem como nota digital, às efls. , mas tal procedimento não foi efetuado pelo que o presente foi distribuído por sorteio para a apreciação por esta ConselheiraRelatora. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 08 86 0/ 20 08 -6 3 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.908860/200863 Resolução nº 1801000.290 S1TE01 Fl. 3 2 VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Não havendo direito creditório a ser reconhecido nos autos, foge ao escopo deste órgão julgador pronunciarse sobre o débito tributário, por ser valor confessado pela recorrente, ainda que alegue ser indevido. Tratandose de confissão de dívida realizada de forma unilateral pelo contribuinte, não há que se falar em instauração de litígio, quando o contribuinte se arrepende de valores que espontaneamente confessou como devidos ao fisco. Não há, pois, litígio administrativo, mas solicitação de cancelamento da cobrança dos débitos confessados pela contribuinte – daí que o rito processual não é o previsto pelo Decreto nº 70.235/72 – PAF, mas segue o rito previsto na Lei nº 9.784/99 (processos administrativos em geral). A competência para julgar o cancelamento do Per/Dcomp regularmente emitido eletronicamente, ou cobrança de débitos correspondentes, é da unidade de jurisdição da recorrente. A decisão cabe às autoridades com competência para processar as declarações entregues, ou seja, em primeira instância as unidades de jurisdição do contribuinte (DRF Delegado) e em segunda instância a autoridade hierárquica superior (Superintendência da Região Fiscal – SRRF). Dispõe o artigo 302, inciso XI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012: Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e Inspetores Chefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: [...]XI decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações; O processo de cobrança dos débitos confessados nos Per/Dcomp é decorrente do processo em que se discute o direito creditório pleiteado para a quitação (compensação) destes débitos e deve seguir a sorte do principal, por isso, deve ser apensado àquele. Pelo exposto, voto em converter o julgamento do presente na realização de diligência para apensálo ao processo principal citado no início do relatório. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19839.002092/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.281
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire
Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landin e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 19839.002092/2011-07
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5285321
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2401-000.281
nome_arquivo_s : Decisao_19839002092201107.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19839002092201107_5285321.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landin e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
id : 5020278
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174020141056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1255; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 813 1 812 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19839.002092/201107 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.281 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 14 de maio de 2013 Assunto ISENÇÃO DIREITO ADQUIRIDO Recorrente ORGANIZAÇÃO SANTAMARENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landin e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 98 39 .0 02 09 2/ 20 11 -0 7 Fl. 878DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19839.002092/201107 Resolução nº 2401000.281 S2C4T1 Fl. 814 2 Relatório ORGANIZAÇÃO SANTAMARENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em São Paulo/SP Sul, DN nº 21.004/0614/2004, às fls. 463/482, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 08/2000 a 04/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 294/311. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 13/07/2004, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 97.544.219,91 (Noventa e sete milhões, quinhentos e quarenta e quatro mil, duzentos e dezenove reais e noventa e um centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, a contribuinte ao promover o recolhimento das contribuições previdenciárias informava em GFIP o código FPAS relativo de entidades filantrópicas que fazem jus ao benefício da isenção da cota patronal, nos termos do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, quando o correto seria fazer constar das guias de recolhimento os Códigos pertinentes aos estabelecimentos hospitalares, estabelecimentos de ensino e atividades assistenciais, gerando uma diferença entre os tributos devidos e os efetivamente recolhidos, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário. Informa, ainda, o fiscal autuante que a contribuinte não detém a isenção da cota patronal, adotando como razões do lançamento o resultado da diligência preliminar determinada pela 4a Caj do CRPS, Despachos n°s 231 e 232/2003, nos autos dos processos NFLD’s n°s 30.891.8622, 31.186.9750, 31.697.8876, 31.697.9090, 31.697.9714, 31.697.9112, 31.697.9120, 32.298.2251, 32.383.5325, 32.383.5333, 32.383.5384, 32.384.3794, 32.384.3824, 32.384.3875, 35.223.2692, 35.223.2714 e 35.223.2722, cujo excerto fora transcrito no Relatório Fiscal, explicitando todo o histórico da contribuinte quanto aos pedidos de isenção formulados e, bem assim, ao não cumprimento dos requisitos de referido benefício legal. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 492/544, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, diante da vinculação do presente lançamento aos recursos submetidos a julgamento perante o então Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, como demonstrado no item 2.1.2 do Relatório Fiscal, requer seja este recurso processado e julgado conjuntamente com aquele supra referido, que encontrase na 4ª CAJ em fase final, vez que ambos giram em torno da isenção que a recorrente goza das contribuições sociais, Fl. 879DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19839.002092/201107 Resolução nº 2401000.281 S2C4T1 Fl. 815 3 relativas a cota patronal, questão esta, repitase, pendente julgamento em última instância administrativa. Após breve relato das fases processuais, das atividades desenvolvidas pela recorrente, além dos conceitos e evolução da legislação que contempla imunidade e/ou isenção, assevera que, na condição de Entidade de Assistência Social, nos termos do artigo 6º da CF, é isenta das contribuições previdenciárias para a seguridade social, conforme preceitos contidos no artigo 195, § 7º, da Carta Magna. Contrapõese ao crédito previdenciário ora combatido, aduzindo para tanto que a entidade goza de imunidade em relação à cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, não sendo possível à constituição do presente débito, mormente quando observados todos os pressupostos legais para usufruto de referida benesse fiscal, tendo em vista ser entidade declarada de utilidade pública municipal e federal, dispondo do Certificado de Inscrição no Conselho Estadual de Assistência Social e do CEBAS. Em defesa de sua pretensão, sustenta que a recorrente preenchia todos os requisitos constantes da legislação de regência para o gozo da isenção contemplada pela Lei n° 3.577/1959, quais sejam, ser portadora do título de utilidade pública e não remunerar diretores, possuindo, portanto, direito adquirido da isenção, na forma que garante o DecretoLei n° 1.572/1977. Opõese ao lançamento, trazendo à colação vasta argumentação a propósito da pretensa isenção da contribuinte, aplicável as entidades que atuam nos ramos da educação e saúde, elencando o histórico de suas atividades, sustentando que a entidade cumpre todos os requisitos exigidos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, como se verifica das razões de fato e de direito transcritas em sua peça recursal, corroborada pela documentação acostada aos autos, sendo totalmente improcedente o lançamento em epígrafe. Infere que, ao contrário do que as autoridades lançadora e julgadora de primeira instância pretendem fazer crer, a recorrente não remunera os seus diretores no exercício deste cargo, mas tão somente, no exercício de serviço específico para a instituição educacional, na entidade mantida. Alega que a contribuinte fora beneficiada pela remissão do crédito tributário, inscrita na Lei n° 9.249/1995, por se tratar de entidade em pleno cumprimento dos requisitos constantes do artigo 55 da Lei n° 8.212/91. A fazer prevalecer seu entendimento, defende que a alegação de que a OSEC não preenchia os requisitos da lei para o gozo do direito adquirido não procede, pois, conforme comprovado possui o CEFF desde 1974, expedido pelo antigo CNSS, tendo sido o mesmo renovado em 3 de janeiro de 1978 e substituído pelo certificado em 4 de agosto de 1992, com o julgamento do processo n° 239.978/74. Neste sentido, restando comprovada a condição de entidade isenta, em face do direito adquirido, somente poderia ser exigido o presente crédito previdenciário na hipótese de emissão de ato cancelatório, consoante prescreve as normas legais que regulamentam a matéria, inclusive atos da própria receita previdenciária. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19839.002092/201107 Resolução nº 2401000.281 S2C4T1 Fl. 816 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19839.002092/201107 Resolução nº 2401000.281 S2C4T1 Fl. 817 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos autos, o presente lançamento encontrase arrimado no reenquadramento do código FPAS da contribuinte, uma vez se autoenquadrar como entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, condição rechaçada pela autoridade lançadora, que a enquadrou no FPAS relativo à atividade preponderante da empresa, ensejando a constituição do crédito previdenciário decorrente da diferença de contribuições apurada. Em outras palavras, por se considerar entidade isenta, a recorrente não vinha recolhendo a cota patronal das contribuições previdenciárias, o que não fora considerado pela fiscalização, lançando, por conseguinte, referidos tributos. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em comento, suscitando deter imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 55 da Lei n° 8.212/91, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, estando o procedimento fiscal apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal e/ou motivação. A corroborar esse entendimento, sustenta que a entidade preenchia todos os requisitos constantes da legislação de regência para o gozo da isenção contemplada pela Lei n° 3.577/1959, quais sejam, ser portadora do título de utilidade pública e não remunerar diretores, possuindo, portanto, direito adquirido da isenção, na forma que garante o DecretoLei n° 1.572/1977. Infere que, ao contrário do que as autoridades lançadora e julgadora de primeira instância pretendem fazer crer, a recorrente não remunera os seus diretores no exercício deste cargo, mas tão somente, no exercício de serviço específico para a instituição educacional, na entidade mantida. Alega que a contribuinte fora beneficiada pela remissão do crédito tributário, inscrita na Lei n° 9.249/1995, por se tratar de entidade em pleno cumprimento dos requisitos constantes do artigo 55 da Lei n° 8.212/91. Defende que a alegação de que a OSEC não preenchia os requisitos da lei para o gozo do direito adquirido não procede, pois, conforme comprovado, possui o CEFF desde 1974, expedido pelo antigo CNSS, tendo sido o mesmo renovado em 3 de janeiro de 1978 e substituído pelo certificado em 4 de agosto de 1992, com o julgamento do processo n° 239.978/74. Neste sentido, restando comprovada a condição de entidade isenta, em face do direito adquirido, somente poderia ser exigido o presente crédito previdenciário na hipótese de emissão de ato cancelatório, consoante prescreve as normas legais que regulamentam a matéria, inclusive atos da própria receita previdenciária. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19839.002092/201107 Resolução nº 2401000.281 S2C4T1 Fl. 818 6 Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos se fixa em analisar se a recorrente, de fato e de direito, se caracteriza como entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, na forma que pretende fazer crer. Não obstante as substanciosas alegações de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo processo administrativo fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da demanda nesta oportunidade, senão vejamos. Destarte, a autoridade lançadora ao desconsiderar a condição de isenta da entidade recorrente, adotou como razões do lançamento o resultado da diligência preliminar determinada pela 4a Caj do CRPS, Despachos n°s 231 e 232/2003, nos autos dos processos NFLD’s n°s 30.891.8622, 31.186.9750,31. 697.8876, 31.697.9090, 31.697.9714, 31.697.9112, 31.697.9120, 32.298.2251, 32.383.5325, 32.383.5333, 32.383.5384, 32.384.3794, 32.384.3824, 32.384.3875, 35.223.2692,35.223.2714 e 35.223.2722, cujo excerto fora transcrito no Relatório Fiscal, explicitando todo o histórico da contribuinte quanto aos pedidos de isenção formulados e, bem assim, ao não cumprimento dos requisitos de referido benefício legal. Por sua vez, a própria contribuinte em suas alegações recursais, preliminarmente, suscita que, diante da vinculação do presente lançamento aos recursos submetidos a julgamento perante o então Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, como demonstrado no item 2.1.2 do Relatório Fiscal, seria imperioso este recurso ser processado e julgado conjuntamente com aquele supra referido, que encontrase na 4ª CAJ em fase final, vez que ambos giram em torno da isenção que a recorrente goza das contribuições sociais, relativas a cota patronal, questão esta, repitase, pendente julgamento em última instância administrativa. De fato, o próprio fiscal autuante vinculou os fundamentos da notificação as NFLD’s acima mencionadas, trazendo à colação os argumentos da autoridade fazendária no sentido de manter os créditos previdenciários ali exigidos, escorando a pretensão fiscal no resultado da diligência preliminar determinada naqueles autos, tendo, inclusive, transcrito ipsis litteris os termos de aludida diligência no Relatório Fiscal. Neste sentido, impende esclarecer qual fora o julgamento final, se for o caso, levado a efeito nos autos das NFLD’s n°s 30.891.8622, 31.186.9750, 31.697.8876, 31.697.9090, 31.697.9714, 31.697.9112, 31.697.9120, 32.298.2251, 32.383.5325, 32.383.5333, 32.383.5384, 32.384.3794, 32.384.3824, 32.384.3875, 35.223.2692,35. 223.2714 e 35.223.2722, ou mesmo o andamento processual de cada uma das Notificações Fiscais, de maneira a auxiliar no julgamento da presente demanda, sobretudo por representar, a princípio, os mesmos fatos. Mais a mais, diante da transferência da competência do CRPS para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para julgamento de processos contemplando exigências previdenciárias, com a unificação das Receitas Federal do Brasil com a Receita Previdenciária, não se pode descartar a possibilidade de alguma daquelas NFLD’s estar ainda pendente de julgamento neste Colegiado, o que poderia determinar a conexão com o presente processo para julgamento em conjunto. Por todo o exposto, diante das razões de fato e de direito acima esposadas, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Fl. 883DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19839.002092/201107 Resolução nº 2401000.281 S2C4T1 Fl. 819 7 autoridade fazendária competente informe o andamento das Notificações Fiscais supratranscritas, com o respectivo resultado dos julgamentos administrativos, se for o caso, em face da íntima relação de causa e efeito que vincula este processo àquelas NFLD’s. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012417/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. SUSTENTAÇÃO ORAL.
É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), dentre as quais não se insere o direito à sustentação oral na primeira instância.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. ALCANCE.
A isenção de que trata o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988, somente alcança os proventos de aposentadoria e pensão dos portadores de moléstia grave, não se estendendo aos demais rendimentos recebidos pelo portador de moléstia grave.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA.
É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1°, itens II e III, da Lei n° 9.430, de 1996).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, reduzir a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas para R$ 161.654,79 e cancelar a multa exigida isoladamente, nos termos do voto da relatora.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 30/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. SUSTENTAÇÃO ORAL. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), dentre as quais não se insere o direito à sustentação oral na primeira instância. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. ALCANCE. A isenção de que trata o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988, somente alcança os proventos de aposentadoria e pensão dos portadores de moléstia grave, não se estendendo aos demais rendimentos recebidos pelo portador de moléstia grave. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1°, itens II e III, da Lei n° 9.430, de 1996). JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010) Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10680.012417/2008-22
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5303657
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2102-002.682
nome_arquivo_s : Decisao_10680012417200822.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 10680012417200822_5303657.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, reduzir a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas para R$ 161.654,79 e cancelar a multa exigida isoladamente, nos termos do voto da relatora. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 30/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
id : 5147195
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174033772544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2090; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 329 1 328 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.012417/200822 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.682 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2013 Matéria IRPF Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas Recorrente MURILO BECHARA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. SUSTENTAÇÃO ORAL. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), dentre as quais não se insere o direito à sustentação oral na primeira instância. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. ALCANCE. A isenção de que trata o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988, somente alcança os proventos de aposentadoria e pensão dos portadores de moléstia grave, não se estendendo aos demais rendimentos recebidos pelo portador de moléstia grave. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1°, itens II e III, da Lei n° 9.430, de 1996). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 24 17 /2 00 8- 22 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 330 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010) Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, reduzir a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas para R$ 161.654,79 e cancelar a multa exigida isoladamente, nos termos do voto da relatora. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 30/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra MURILO BECHARA foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/10, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao ano calendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 103.892,40, incluindo multa de ofício, proporcional e isolada, e juros de mora, estes últimos calculados até 29/08/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 11/17, foram omissão de rendimentos (honorários advocatícios) recebidos de pessoas físicas e falta de recolhimento do IRRF devido a título de carnêleão. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 331 3 No Termo de Verificação Fiscal restou consignado que a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas foi identificada mediante cruzamento entre os dados relativos aos pagamentos efetuados a Murilo Bechara, relacionados por pessoas físicas no quadro 7 (Relação de Doações e Pagamentos Efetuados) de suas Declaração de Ajuste Anual (DAA) e os valores oferecidos à tributação pelo sujeito passivo. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 276/285, que foi considerada procedente em parte pela autoridade julgadora de primeira instância, para excluir da tributação a quantia de R$ 477,00 e reduzir a multa isolada para R$ 21.624,23. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 24/08/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 311, o contribuinte apresentou, em 22/09/2011, recurso voluntário, fls. 317/326, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que é nula a decisão recorrida, dado que o contribuinte não foi notificado da data do julgamento da impugnação, fato que o impossibilitou de apresentar defesa oral; que é nulo o lançamento, posto que o Auto de Infração não discrimina as parcelas, os indexadores de correção monetária e da taxa de juros e o percentual da multa; que é ilegal a aplicação da multa isolada cumulada com a multa de ofício, logo deve ser determinada a exclusão da multa de ofício, no valor de R$ 21.690,33 (multa isolada); que deve ser expurgado o valor de R$ 5.641,44 da planilha, fls. 19, (linha 20, coluna de março), posto que não consta recibo de pagamento feito ao recorrente; que o valor de R$ 1.093,49 (recibo, fls. 195) foi recebido de duas vezes, de modo que deve ser retificada a planilha, fls. 18/20. que os honorários advocatícios são considerados alimentares, de modo que devem ser albergados pela isenção tributária, posto que o contribuinte sofre de cardiopatia grave. que o contribuinte não pode ser penalizado com a exigência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, posto que absurda e não fixada em lei. É o Relatório. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 332 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O contribuinte diz no recurso que é nula a decisão recorrida, posto que não fora notificado da data do julgamento da impugnação, fato que o impossibilitou de apresentar defesa oral. Ocorre que tanto o Decreto n 70.235, de 6 de março de 1972, quanto a Portaria MF n 341, de 12 de julho de 20011, que dispõe sobre o funcionamento das turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, e a Portaria MF n 203, de 14 de maio de 2012 (Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil) não prevêem tal possibilidade no âmbito das Delegacias de Julgamento. Os artigos 27 a 36 do Decreto n 70.235, de 1972, que regem o julgamento em primeira instância no Processo Administrativa Fiscal (PAF), nada dizem a respeito do direito à sustentação oral, restringindo sua regulamentação aos elementos de prova constantes dos autos, produzidos pela administração tributária, pelo contribuinte ou em decorrência de diligência considerada necessária pela autoridade julgadora. Nesse contexto, afastase a preliminar de nulidade argüida pela defesa. Ainda, preliminarmente, o contribuinte sustenta que é nulo o lançamento, pois entende que o Auto de Infração não discrimina as parcelas, os indexadores de correção monetária e da taxa de juros e o percentual da multa. Também neste aspecto, não assiste razão à defesa, posto que o Auto de Infração discrimina em sua folha de rosto, fls. 03, o total do crédito tributário exigido, fazendo a indicação de cada parcela que compõem a exigência, quais sejam: imposto, juros de mora, multa proporcional e multa exigida isoladamente, sendo certo que também informa que os juros de mora estão calculados até 29/08/2008. Há, ainda, no Auto de Infração os Demonstrativos de Apuração do IRPF, o Demonstrativo de Apuração da Multa Exigida Isoladamente e o Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, nos quais constam todas as informações sobre percentuais e cálculos. Logo, temse que, ao contrário do que afirma a defesa, o Auto de Infração contém todas as informações sobre o quantum devido e formas de apuração, inclusive com farta indicação dos respectivos enquadramentos legais. Vale, ainda dizer que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura do Auto de Infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° Fl. 332DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 333 5 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo certo que o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Assim, não pode prosperar a argüição de nulidade do lançamento suscitada pelo recorrente. No mérito, o contribuinte afirma que é portador de moléstia grave, de modo que entende que os rendimentos considerados omitidos no Auto de Infração estariam alcançados pelo isenção prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Da leitura do texto legal acima reproduzido resta cristalino que somente são isentos do IRPF os proventos de aposentadoria recebidos pelos portadores de moléstia grave, sendo certo, portanto, que os demais rendimentos, porventura, recebidos pelos contribuintes que são portadores de moléstia grave são tributáveis. Diferentemente do que entende o contribuinte, temse que a isenção concedida pelo texto legal não isenta o portador de moléstia grave do pagamento do IRPF e sim concede a isenção aos proventos de aposentadoria recebidos pelo portador de moléstia grave. Nestes termos, tendo em vista que os rendimentos considerados omitidos pelo contribuinte no lançamento não são proventos de aposentadoria, posto tratarse de honorários advocatícios recebidos em decorrência do trabalho, não há que se falar em isenção em relação a tais rendimentos. Ainda quanto ao mérito da infração de omissão de rendimentos, o contribuinte afirma que deve ser expurgado do montante dos rendimentos omitidos, o valor de R$ 5.641,44, relativo a Magnus Vinícius Mesquita, em razão da inexistência de recibo comprobatório. Na verdade, o contribuinte Magnus Vinícius Mesquita, quando intimado pela autoridade fiscal, confirmou que efetivamente pagou honorários advocatícios ao recorrente, contudo, deixou de apresentar o correspondente recibo, fls. 118/134. Em lugar do recibo, o contribuinte juntou aos autos cópia de TED, no valor de R$ 44.790,38. Referida transferência bancária foi feita para a conta de Magnus Vinícius Mesquita pela advogada Luciene Gonçalves Fl. 333DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 334 6 Donato, que atuou, segundo informação prestada por Magnus Vinícius Mesquita juntamente com o recorrente na ação judicial. Contudo, os documentos juntados aos autos, fls. 118/134, são insuficientes para demonstrar de forma inequívoca que o recorrente tenha de fato recebido, a título de honorários advocatícios, de Magnus Vinícius Mesquita, a quantia de R$ 5.641,44. Assim, tal valor deve ser excluída da tributação, no mês de março/2005. O contribuinte diz também que o valor de R$ 1.093,49, documentos, fls. 194/195, foi recebido em duas parcelas, sendo a primeira em maio e a segunda em junho. Do exame dos referidos documentos verificase que assiste razão ao recorrente. Logo, o demonstrativo, fls. 18/20, deve ser ajustado, sendo acrescentado ao mês de maio a quantia de R$ 546,74, a qual deverá ser excluída no mês de junho. Nestes termos, a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, deve ser reduzida para R$ 161.654,79, fazendose as seguintes alterações no demonstrativo, fls. 18/20: excluir em março e em junho, os valores de R$ 5.641,44 e R$ 546,74, respectivamente, e acrescentar em maio o valor de R$ 546,74. Passase a seguir à apreciação da alegação do recorrente de que não cabe a exigência concomitante da multa de ofício proporcional e a multa de ofício isolada. Sobre tal matéria, ao longo dos anos em que estive trabalhando na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza e mais recentemente depois aqui neste CARF, tenho me mantido junto à corrente minoritária de que seria possível a exigência concomitante da multa proporcional e da multa isolada. Ocorre que, lendo um Acórdão da relatoria do ilustre Conselheiro Nelson Mallmann, me convenci de que de fato é incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. Nessa conformidade, peço vênia, para transcrever trecho do voto do Conselheiro Nelson Mallmann, Acórdão nº 10421.762, de 27/07/2006, que me fez mudar de opinião: Quanto ao lançamento da multa de lançamento de oficio exigida de forma isolada pelo recolhimento em atraso do carnêleão, se faz necessário destacar que o lançamento da multa isolada engloba valores recebidos de pessoas físicas (carnêleão), mensalmente, apurados e informados na Declaração de Ajuste Anual, porém, não recolhidos, cujos valores foram lançados de ofício, através da constituição de crédito tributário via Auto de Infração. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: "Art. 43 Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir Fl. 334DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 335 7 do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II (omissis). § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8° da Lei n°. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do anocalendário, que deixou de recolher o "carnêleão" que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 336 8 É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal concluise que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de oficio isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de oficio deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (muita de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Por outro lado, quando o lançamento de exigência tributária for aplicação de multa isolada, só há espaço legal para aquelas infrações que não foram levantadas de ofício, a exemplo da apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento de imposto mensal (carnêleão) sem o devido recolhimento, caso típico da aplicação de multa de lançamento de oficio isolada sem a cobrança de tributo, cabendo neste além da multa isolada a cobrança de juros de mora de forma isolada, entre o vencimento do imposto até a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, já que após esta data o imposto não recolhido está condensado na declaração de ajuste anual. No presente caso, a autoridade fiscal apurou a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas e sobre o mesmo fato fez incidir as duas multas, quais sejam: a multa de ofício proporcional ou normal e a multa de ofício isolada, o que é incabível, por expressa determinação legal. Assim, devese cancelar a exigência da multa de ofício isolada, permanecendo somente a exigência da multa de ofício proporcional, no percentual de 75%. Por fim, no que se refere ás alegações do contribuinte acerca dos juros Selic, devese dizer que a matéria já foi pacificada neste CARF que editou súmula, aplicável ao caso, que cristaliza o entendimento de que é legítima a aplicação dessa taxa, a saber: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso para afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, reduzir a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas para R$ 161.654,79, fazendose as seguintes alterações no demonstrativo, fls. 18/20: excluir em março e em junho, os valores de R$ 5.641,44 e R$ 546,74, respectivamente e acrescentar em maio o valor de R$ 546,74 e cancelar a multa exigida isoladamente. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 336DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 337 9 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19647.013825/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 06/01/2004 a 12/12/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. RECURSO DE OFÍCIO.
Comprovado por laudo que a mercadoria importada não se trata de lajes de porcelanato, correto o cancelamento do auto de infração.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 23/07/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Daniel Mariz Gudiño e Carlos Alberto Nascimento. Ausente momentaneamente a Conselheira Mercia Helena Trajano DAmorin.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 06/01/2004 a 12/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. RECURSO DE OFÍCIO. Comprovado por laudo que a mercadoria importada não se trata de lajes de porcelanato, correto o cancelamento do auto de infração. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 19647.013825/2008-82
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5285887
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3201-001.328
nome_arquivo_s : Decisao_19647013825200882.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 19647013825200882_5285887.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 23/07/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Daniel Mariz Gudiño e Carlos Alberto Nascimento. Ausente momentaneamente a Conselheira Mercia Helena Trajano DAmorin.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5032318
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174061035520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1656; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 200 1 199 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.013825/200882 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3201001.328 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2013 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SUAPE PORCELANATO LTDA. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 06/01/2004 a 12/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. RECURSO DE OFÍCIO. Comprovado por laudo que a mercadoria importada não se trata de lajes de porcelanato, correto o cancelamento do auto de infração. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 23/07/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Daniel Mariz Gudiño e Carlos Alberto Nascimento. Ausente momentaneamente a Conselheira Mercia Helena Trajano DAmorin. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 38 25 /2 00 8- 82 Fl. 2492DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 201 2 Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Da identificação do crédito Trata o presente processo de cobrança da diferença de crédito tributário apurada em procedimento de revisão aduaneira das Declarações de Importação (DI) do interessado, registradas no período de 06/01/2004 a 12/12/2007, em decorrência, no entendimento da fiscalização, de adoção de classificação equivocada para a mercadoria importada. Conforme demonstrativo consolidado de fl. 1, o crédito e os respectivos consectários legais, acrescido da multa prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24/08/01 (classificação incorreta), perfazem um total de R$ 17.404.181,59 (dezessete milhões, quatrocentos e quatro mil, cento e oitenta e um reais e cinqüenta e nove centavos), assim composto: Identificação Valor (R$) II 2.132.912,28 IPI 5.972.183,62 Pis/PasepImportação 21.683,91 CofinsImportação 99.904,11 Juros e multa de ofício 8.621.281,19 Multa por classificação incorreta 556.216,48 Da autuação No Relatório de Fiscalização, parte integrante dos autos de infração, acostado nas folhas 1469/1472 – vol. VIII, consta, em síntese que: a Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco (SefazPE) solicitou à Superintendência da Receita Federal do Brasil na 4ª Região Fiscal parecer acerca da correta classificação da mercadoria “laje para porcelanato” (fls. 1377/1380 – vol. VII), importada e comercializada pelo interessado; segundo a SefazPE, o contribuinte classificava suas importações no código tarifário da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 6810.19.00, em flagrante contraste com a classificação adotada por outras empresas do setor e, dessa forma, beneficiavase, supostamente de forma indevida, do diferimento do ICMS e da utilização das alíquotas de 8% e 0% para o II e o IPI, respectivamente, enquanto seus concorrentes Fl. 2493DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 202 3 classificando suas mercadorias nos códigos tarifários da NCM 6907.90.00 e 6908.90.00 submetiamse às alíquotas de 12% e 10%, respectivamente. Foram apresentados como anexos à solicitação daquele órgão estadual: o Parecer Técnico nº 11.935, emitido a pedido da SefazPE pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP), em 25/10/05 (fls. 1389/1396 – vol. VII) que indicou como classificação correta para o produto importado pelo autuado o código 6907.90.00; o Parecer Técnico nº 8202, emitido em 19/08/02, a pedido da Alfândega do Porto de Suape, pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT (fls. 1444/1468 – vol. VIII) e que vinha sendo utilizado pela empresa para justificar a classificação adotada; literatura técnica sobre grês porcelanato e matérias primas cerâmicas (fls. 1399/1443 – vols. VII/VIII); em resposta à solicitação, a Divisão de Administração Aduaneira (SRRF04/Diana) emitiu, em 04/07/07, o Parecer nº 01/2007 (fls. 1356/1375 – vol. VII), concluindo que o produto em questão deveria ser classificado no código 6907.90.00, se não vidrado ou esmaltado ou no código 6908.90.90, quando vidrado ou esmaltado. Referido parecer foi submetido à Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana) para manifestação; em 16/08/07, a Coana, por meio da Nota Coana/Cotac/Dinom 2007/0319, ratificou o entendimento exarado pela SRRF04/Diana (fls. 1347/1350 – vol. VII); Da revisão aduaneira o Serviço de Fiscalização Aduaneira (Sefia) recebeu da Seção de Pesquisa e Seleção Aduaneira (Sapel), ambos da Inspetoria da Receita Federal do Brasil de Recife, Relatório de Pesquisa Fiscal para que fosse verificada a regularidade das importações referentes às mercadorias (lajes para porcelanato) importadas e classificadas pelo contribuinte no código da NCM 6810.19.00; na ação fiscal foi verificado que o importador descrevia seus produtos como “granito artificial” e não como “lajes de porcelanato”, produto efetivamente importado (fls. 904/1346 – vols. V/VII). Independentemente da descrição adotada pelo contribuinte, importa, ao Fisco, para fins de classificação, conhecer a constituição do produto; o contribuinte classificou as suas mercadorias na posição 68.10 do Sistema Harmonizado (SH). Caso o produto importado, independentemente da descrição adotada, fosse constituído de cimento, concreto ou pedra artificial, a empresa estaria correta na sua classificação. Contudo, a Fiscalização está afirmando, neste Auto de Infração, que as mercadorias importadas não têm a constituição mencionada: “Informações fornecidas por fabricantes indicam que as lajes de porcelanato são constituídas basicamente de argila, feldspato – composto complexo de silicatos de alumínio e de um metal alcalino ou alcalinoterroso, Fl. 2494DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 203 4 utilizado como fundente na indústria química – e corantes. As peças são submetidas a pressões de compactação acima das utilizadas pelas cerâmicas convencionais e queimadas a mais de 1.250ºC”; de acordo com os laudos anexos ao processo, o produto importado é composto de argila, matérias silicosas e corantes, sendo submetida a cozedura em temperaturas superiores a 800ºC. Sendo assim, tratase, na verdade, de laje para porcelanato e não granito artificial. Tratase, claramente, de artefato cerâmico compreendido pelas posições 69.07 ou 69.08 do SH; conforme o laudo do ITEP, o produto não se apresenta vidrado ou esmaltado. Dessa forma, deve ser classificado no código 6907.90.00 (outros ladrilhos e placas, para pavimentação ou revestimento, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica). Da impugnação Cientificado, pessoalmente, em 28/08/08, o interessado apresentou, em 29/09/08 (segundafeira) a impugnação de fls. 1475/1501 – vol. VIII, alegando, em síntese, que: preliminarmente para a consecução de suas atividades, a Impugnante, desde a sua constituição, importa matériasprimas utilizandose da classificação fiscal NCM 6810.19.00, consolidada validamente pela Receita Federal do Brasil, e fundamentada em Laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT – emitido em agosto de 2002, por solicitação da própria Alfândega do Porto de Suape; nada obstante a imposição das autoridades administrativas para adoção da classificação fiscal NCM 6810.19.00 durante anos, foi a Impugnante surpreendida com abrupta alteração da classificação, sem direito à ampla defesa, o que ensejou a propositura de ações judiciais com o fito exclusivo de ver desembaraçadas as mercadorias importadas mediante depósito das diferenças de tributos porventura devidas, enquanto não regularmente intimada do processo administrativo que determinou a nova e equivocada interpretação quanto à classificação do produto importado; foi cientificada do lançamento efetuado no Processo Administrativo nº 11968.000537/200823, o que ensejou a desistência das medidas judiciais propostas e a apresentação de Impugnação Administrativa, por meio da qual além de demonstrar e de comprovar os equívocos cometidos pela Administração, requereu, ainda, a produção de perícia a reforçar os erros da fiscalização, apresentando quesitos e indicando assistente técnico, a fim de que fosse demonstrada definitivamente a regularidade dos procedimentos adotados; Fl. 2495DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 204 5 como se não bastasse a imposição de nova classificação para as importações futuras, decorrente do novo entendimento das autoridades administrativas, a Impugnante foi mais uma vez surpreendida com a lavratura dos Autos de Infração ora combatidos que exigem o recolhimento do IPI, II, PIS/Importação e COFINS/Importação, acrescidos de multas e de juros em razão de importações realizadas nos anos de 2004 a 2007; nos termos da descrição dos fatos contida no Relatório de Fiscalização em análise (fls. 1.469/1.472), os produtos importados pela Impugnante seriam classificados como artefatos cerâmicos, uma vez que constituídos basicamente de argila, feldspato — composto complexo de silicatos de alumínio e de um metal alcalino ou alcalinoterroso, utilizado como fundente na indústria química e corantes e que se submetem a cozedura em temperaturas de 1.250° C, em completo descompasso com laudos técnicos anteriormente emitidos que serviram de suporte à classificação que vinha sendo adotada e imposta pela Administração; são manifestamente ilegais os lançamentos formalizados nos Autos de Infração ora combatidos, porquanto, além de adequada a classificação adotada nos anos de 2004 a 2007, a alteração de critério jurídico por parte da Administração não pode dar ensejo à revisão do lançamento para fins de exigência de tributos e imposição de penalidades; sofreu a lavratura dos Autos de Infração em apreço por ter classificado as mercadorias importadas na forma imposta pela autoridade administrativa, ou seja, estava obrigada a adotála, sob pena de não ser possível o desembaraço das mercadorias; a imposição da classificação adotada quando do desembaraço das mercadorias importadas tinha como fundamento laudo técnico realizado por instituição idônea – IPT – e foi alvo de confirmação quando requeridas informações pela Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, o que torna evidente ter havido alteração do critério jurídico até então adotado; os arts. 145 e 146, do Código Tributário Nacional, consagram o princípio da inalterabilidade do lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo e impedem que a mudança nos critérios jurídicos adotados pela Administração tenham reflexos retroativos; é lícito à autoridade fiscal rever por iniciativa própria um lançamento efetuado nas hipóteses expressamente previstas, entretanto, caso haja alteração nos critérios jurídicos, referida revisão apenas ocorrerá em relação a fatos geradores posteriores à sua introdução; no caso em análise, não há mera declaração do contribuinte quanto à classificação fiscal, mas declaração imposta pela Administração, o que torna ainda mais grave a exigência formalizada, sob pena de afronta ao art. 146, do CTN; Fl. 2496DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 205 6 o Conselho de Contribuintes e o Judiciário em diversas oportunidades firmaram o entendimento de que o novo critério jurídico adotado pela Administração só é capaz de produzir efeitos ex nunc; o lançamento dos tributos, cujas diferenças estão sendo ora exigidas, é ato jurídico perfeito, conforme disciplina do art. 6°, da Lei de Introdução ao Código Civil, o que exige a aplicação da regra da imodificabilidade encartada nos artigos 145, 146 e 149, do Código Tributário Nacional; a anterior interpretação, comprovadamente dada pela Administração para impor classificação fiscal não se reveste de ilegalidade, porquanto fundamentada em prova científica requerida diante de dúvida razoável decorrente de ausência de classificação específica de produto relativamente novo, o que exige aplicação dos princípios da razoabilidade e da moralidade administrativa, encartados no art. 37, da Carta Magna e no artigo 2º, da Lei nº 9.784/99; no mérito o produto importado é comercialmente denominado de porcelanato, nome que não existe na nomenclatura científica e em nada se aproxima da porcelana. Justamente por se tratar de produto relativamente "novo", surgiram divergências quanto à classificação fiscal que deveria ser adotada; o porcelanato é um produto composto predominantemente por feldspato (mineral fundente), dolomita (rocha calcária que atua como agente fundente), quartzo e uma pequena quantidade de argila, inferior a 15% (quinze por cento), composição que, consoante restará evidenciado, é diversa da cerâmica e se assemelha mais a um granito, consoante denota laudo técnico emitido pelo IPT, em razão de solicitação do Inspetor da Alfândega do Porto de Suape em 2002; a análise da composição do produto cuja classificação se pretende pacificar deve ser efetuada, porquanto necessário afastar a premissa de que não é o processo produtivo o determinante para a sua definição, mas as matériasprimas que o compõe, daí a necessidade de análise específica do produto importado pela Impugnante; o produto importado pela Impugnante apenas foi submetido a um laudo técnico, que foi justamente o emitido pelo IPT, não tendo havido posterior análise de composição do produto a permitir uma alteração de classificação; em que pese a similaridade do processo produtivo da cerâmica com o do porcelanato, há características fundamentais que diferenciam referidos produtos, assim é que, comercialmente, são tratados como mercadorias que podem se prestar ao mesmo fim, mas são de espécies diferentes. Tanto que, quando se fala em revestimento de pisos ou paredes, temse como principais opções: cerâmica, granito ou porcelanato. Inexiste confusão ou Fl. 2497DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 206 7 dúvidas quanto às características de cada um dos produtos, que são bastante distintos. Entretanto, facilmente, se constata maior similaridade entre o granito e o porcelanato do que entre este e a cerâmica; o que importa é diferençar o porcelanato da cerâmica e comprovar com dados científicos que são produtos distintos e que a classificação que mais se aproxima do porcelanato é a identificada sob o código 6810.19.00; fator relevante é a presença de argila. Enquanto o porcelanato importado utiliza até 15% daquele produto, a cerâmica é basicamente composta por argila, podendo, inclusive, ser feita basicamente com este produto, o que não ocorre com o porcelanato, o que pela diferença gera conseqüências substanciais no resultado do processo industrial; as características técnicas do porcelanato são muito diferentes da cerâmica, posto que 75% do porcelanato é composto de matérias duras. Tratase de produto estável, mais resistente a temperaturas baixas, já a cerâmica sofre mais retração e expansão, com a oscilação de temperatura; podese dizer, sem dúvidas, que o porcelanato é composto de pó de pedra, basicamente de feldspato, substância que não se modifica no processo produtivo, já que seu ponto de fusão é acima de 1400°C, podendo ser submetido a temperaturas que variam de 1210°C a 1250°C, de sorte que seus elementos não chegam ao ponto de fusão, são apenas aglutinados. Não chegando ao ponto de fusão, são mantidas as características químicas dos elementos que compõem o porcelanato, diferentemente do que ocorre quando a cozedura ultrapassa o ponto de fusão; a cerâmica, por sua vez, submetese a temperaturas de até 1150° C, podendo ser fundida à temperatura de 1000°C, o que, para um leigo, seria próximo a temperatura utilizada para o porcelanato, contudo, tecnicamente, há uma grande diferença, justamente em razão do ponto de fusão de cada componente; podese concluir que, quanto à cozedura e ponto de fusão, há uma substancial diferença entre o porcelanato e uma cerâmica, o que demonstra estar fundada em grave equívoco a Nota Coana/Cotac/Dinom nº 2007/0319 que ensejou a lavratura dos autos de infração ora contestados; referida Nota parte do princípio de que o porcelanato seria produto cerâmico em razão de ser obtido por cozedura a uma temperatura de mais de 800°C, quando há outros dados relevantes que demonstram não se tratar de fator definitivo para a classificação e traz o conceito de "pedra artificial" constante das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado — NESH — que se aproxima mais do porcelanato do que o conceito de cerâmica, já que é possível afirmar que ele é composto de pó de pedra. Em seguida, traz a extensão do termo "produtos cerâmicos" Fl. 2498DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 207 8 grifandoo, como se fosse possível utilizar aquelas assertivas em seu favor; as justificativas utilizadas para alterar a classificação fiscal que vinha sendo corretamente imposta à Impugnante apenas ratifica os procedimentos anteriormente adotados, haja vista que, consoante acima exposto, os componentes do porcelanato não chegam ao seu ponto de fusão; uma análise química realizada no porcelanato deixa claro que seus componentes distintivos da cerâmica são preservados, apesar de submetidos a temperaturas mais elevadas do que a cerâmica; uma analogia que permite fácil compreensão das diferenças fundamentais entre a cerâmica e o porcelanato é que este, a exemplo do diamante, necessita de polimento, ou seja, da mesma forma que a lapidação atribui ao diamante o fulgor de jóia, o polimento atribui ao porcelanato a superfície brilhante. Já a cerâmica, se submetida ao mesmo polimento, será destruída, pois mais frágil e não comporta a lapidação necessariamente efetuada no porcelanato; o porcelanato não pode ter a mesma classificação fiscal da cerâmica, assemelhandose a uma imitação de pedra, notadamente se observada a sua composição, conforme laudo anexo (doc. 04); conforme evidencia a Nota/Coana/Dinom nº 2007/0319, a alteração na classificação fiscal até então imposta à Impugnante foi fruto de diversas tentativas da SefazPE, tanto que foram expedidos ofícios para esclarecer que se tratava de imposição da própria Receita Federal do Brasil, conforme cópias anexas (docs. 05 e 06); referida nota, por sua vez, foi baseada em equivocado e superficial parecer do ITEP que não analisou a composição química do produto da Impugnante como feito pelo laudo do IPT, e se baseou em informações de concorrentes que estariam classificando seus produtos de forma diversa; apesar de anos de imposição de uma classificação fiscal com base em laudo técnico, científico, não houve qualquer procedimento para apurar a composição das mercadorias importadas pela Impugnante através de novo laudo; na verdade, as razões utilizadas para afastar a correta classificação fiscal contêm subjetividade, além de não ter a Receita Federal do Brasil solicitado amostras para submissão a novo laudo, ou seja, há um laudo do IPT que jamais foi contestado e um parecer do ITEP preconizando classificações diferentes, situação que deveria necessariamente ensejar pronunciamento de outro órgão científico desempatador antes de formalizado o lançamento; Fl. 2499DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 208 9 inegável que a composição do produto importado continua sendo a mesma, não tendo havido qualquer alteração que implique a mudança da classificação fiscal pretendida, o que constituiria até uma ofensa à regra básica de interpretação do Sistema Harmonizado que utiliza numerações inferiores para os produtos mais primitivos e numeração crescente para os mais artificiais e modernos; o porcelanato, embora produto recente, corresponde efetivamente ao produto primitivo pedra, apenas elaborada a partir do seu pó, enquanto que os produtos cerâmicos até mais antigos são mais artificiais porque transformam diversos produtos em algo pronto e acabado, portanto, com numeração crescente no sistema de codificação harmonizado. A impugnante ainda se insurge com a exigência de multa e juros afirmando que “ainda que fosse possível exigir tributo em decorrência de mercadorias importadas com classificação fiscal imposta pela Administração durante anos, não poderiam ser exigidos juros, multa e correção monetária”, sem afronta ao parágrafo único do artigo 100, do Código Tributário Nacional. Por fim, requer que “seja realizada perícia haja vista estar envolvida no litígio a composição do produto importado”, formula os quesitos referentes aos exames desejados e indica o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, de acordo com o disposto no inc. IV, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. Da diligência Em 07/05/09, por meio da Resolução nº 1.574 esta 2ª Turma da DRJ/FOR decidiu converter o julgamento em diligência. (fls. 1657/1666 – vol. VIII). Convém repetir aqui a justificativa constante daquela Resolução para a realização da diligência: Dos motivos que justificam a realização de diligência I Da data da ciência da alteração do entendimento da Administração quanto à classificação As manifestações da Alfândega do Porto de Suape em resposta às correspondências da SefazPE e do interessado, exaradas, respectivamente, em dezembro de 2004 e novembro de 2006, conforme documentos de folhas 1383/1384 – vol. VII e 1635/1636 – vol. VIII, trazidos aos autos pela impugnante, demonstram que, realmente, após a emissão do laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em agosto de 2002, a classificação adotada pelo interessado (6810.19.00) foi aceita no âmbito daquela unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Assim se expressou o inspetor da Alfândega: [...]. Fl. 2500DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 209 10 A classificação declarada pelo contribuinte em questão para suas importações de ‘LADRILHOS DE GRANITO ARTIFICIAL , PARA USO EXCLUSIVO EM REVESTIMENTO DE PISOS DA CONSTRUÇÃO EM GERAL, PRODUZIDO MAJORITARIAMENTE COM MATÉRIAS PRIMAS NÃO PLÁSTICAS, COM MINERAIS DE FELDSPATOS E QUARTZO, ENTRE OUTROS MINERAIS (CONFORME PARECER TÉCNICO Nr. 8.202 DO IPT/SP) ENDURECIDO ATRAVÉS DE PROCESSO QUÍMICO E TÉRMICO TIPO: GRANITO ARTIFICIAL MÔNACO SATINDAD DIM 40X40, NÃO POLIDA’, conforme sua descrição nos despachos de importação, é a NCM 6810.19.00. A classificação em questão tem sido aceita por esta unidade, já tendo sido a mesma objeto de análise fiscal mediante solicitação de laudo técnico para o Instituto de Pesquisa Técnica de São Paulo – IPT. Em resumo, tratase de granito artificial, para uso exclusivo em revestimento de pisos da construção em geral, produzidas com pó de pedra aglomerado e endurecido através de processo químico e térmico, via sinterização. A mercadoria em questão encontrase prevista nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, conforme cópia em anexo, com a designação de ‘pedra artificial’, e enquadramento no Sistema Harmonizado de identificação fiscal para a posição 6810. [Grifouse] Apesar do exposto, pelo que se fez constar no presente processo, não está claro qual a data exata em que o importador foi oficialmente comunicado da mudança de entendimento da Administração quanto à classificação do produto. O que precisa ser esclarecido. II – Da referência a processos administrativos sobre laudo técnico e retificação de DI Observese, também, que representa mais um ponto a justificar uma diligência, o fato de que nestes autos são feitas referências a outros processos administrativos do mesmo interessado, concernentes a laudo técnico, retificação de DI e restituição de II e IPI (fls. 1382/1383 – vol. VII) que, a depender do seu conteúdo, podem vir a representar importante subsídio para a formação de convicção para a decisão deste caso, tendo em vista as afirmações da impugnante de que a classificação anteriormente adotada na verdade era uma imposição da própria RFB. III Do pedido do interessado para a realização de perícia Conforme relatado, constam dos autos dois laudos técnicos: o 1º, emitido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) em agosto de 2002 a pedido da Alfândega do Porto de Suape, lastreou as importações da autuada no código da NCM 6810.19.00 até o advento de novo entendimento adotado no âmbito da RFB (fls. 1444/1468 – vol. VIII); Fl. 2501DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 210 11 o 2º, emitido pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP) em outubro de 2005 a pedido da Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, indicou 6907.90.00 como código correto da NCM para a classificação dos produtos importados (fls. 1389/1396 – vol. VII). Conforme já mencionado neste relatório, a impugnante alegava, sobre a existência de conclusões distintas nos dois laudos referidos, que: “as razões utilizadas para afastar a correta classificação fiscal contêm subjetividade, além de não ter a Receita Federal do Brasil solicitado amostras para submissão a novo laudo, ou seja, há um laudo do IPT que jamais foi contestado e um parecer do ITEP preconizando classificações diferentes, situação que deveria necessariamente ensejar pronunciamento de outro órgão científico desempatador antes de formalizado o lançamento.” Em vista dos motivos acima expostos e ainda que: 1) pelo que se depreendia dos autos, ao interessado somente fora dada oportunidade de submeter quesitos à avaliação pericial quando da solicitação do laudo ao IPT, justamente aquele que, segundo alegava a impugnante, amparara por algum tempo as importações sob o código 6810.19.00 e, 2) tendo a impugnante apresentado os quesitos referentes aos exames desejados, com a indicação do nome, endereço e a qualificação profissional do seu perito (fls. 1499/1500 – vol. VIII), o julgamento foi convertido em diligência para que a unidade de origem: anexasse: a.1) documento que demonstrasse a exata data em que a interessada fora oficialmente cientificada da reforma do entendimento quanto à classificação do produto no âmbito da RFB, indicando, também, qual o número e a data de registro da DI por meio da qual fora formalizada a primeira importação do interessado sob o código 6810.19.00; a.2) cópia dos processos administrativos nº 11968.001164/0016, 11968.000592/0002, 11968.001189/200135, 11968.001521/200242, 10480.007780/200378, 11968.000116/200479, 11968.000176/200491, 11968.000246/200410, 11968.000906/200454, 11968.000927/200470, citados nas fls. 1382/1383 – vol. VII, e; solicitasse assistência técnica para a identificação do produto importado pelo interessado, objeto da presente lide, com a emissão de laudo técnico que deveria contemplar os quesitos formulados pela impugnante e pela DRJ/FOR, sem prejuízo de outros que a Alfândega do Porto de Suape e a empresa autuada julgassem por bem acrescentar. Como resultado da diligência foram anexados os documentos de fls. 1670/1864 – vol. IX; 1867/2008 – vol. X; 2011/2134 – vol. XI e 2137/2335 – vol. XII. Fl. 2502DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 211 12 Dentre aqueles documentos constam a ciência do contribuinte do Laudo Técnico de Identificação, emitido pelo perito credenciado da RFB e o Parecer Técnico emitido pelo perito designado pela empresa (fls. 2324/2330 – vol. XII). Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE acolheu a impugnação ofertada, conforme Decisão DRJ/FOR nº 21.613, de 26/08/2011: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 06/01/2004 a 12/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Classificase no código 6810.19.00, por força das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1 e 6, e, ainda, com subsídio nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, o produto denominado como “artefato de granito artificial'', produzido majoritariamente com matériasprimas não plásticas, como minerais de feldspatos e quartzo (Si02), este com um teor superior a 50% e cujas partículas micronizadas são mantidas aglutinadas pela massa vítrea após a sinterização, caracterizado, ainda, pela presença da argila apenas com a função Impugnação Procedente. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Como se verifica do processo, tratase de cobrança da diferença de crédito tributário apurada em procedimento de revisão aduaneira das Declarações de Importação (Dl) do interessado, registradas no período de 06/01/2004 a 12/12/2007, em decorrência, no entendimento da fiscalização, de adoção de classificação equivocada para a mercadoria importada. Segundo o relatório fiscal, o motivo foi o seguinte: Foi verificado, a partir da documentação entregue pelo contribuinte, que o mesmo descrevia seus produtos como “granito artificial” (fls. 904 a 1346) e não como “lajes de porcelanato”. Este é o produto efetivamente importado. Fl. 2503DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 212 13 (...) Conforme os laudos anexos ao processo, o produto importado pelo contribuinte é composto de argila, matérias silicosas e corantes, sendo submetida a cozedura em temperaturas superiores a 800°C. Sendo assim, tratase, na verdade, de laje para porcelanato e não granito artificial. A decisão recorrida bem sintetiza a demanda: De acordo com o que foi relatado, verificase que a resolução da lide consiste em determinar se o produto importado, descrito nas Dl em questão como “artefato de granito artificial para uso exclusivo em revestimento de pisos da construção em geral, produzido majoritariamente com matérias primas não plásticas, com minerais de feldspatos e quartzo, entre outros minerais, endurecido através de processo químico e térmico”, é classificado na posição 68.10 do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH), como defende o contribuinte, que pretende enquadrar o produto como “obra de pedra artificial” ou 69.07, como é o entendimento da fiscalização, que considera mais adequado definilo como “placas (lajes) para pavimentação ou revestimento , não vidradas nem esmaltadas, de cerâmica’'. Os textos das posições em epígrafe, na íntegra, são os seguintes: 6810 OBRAS DE CIMENTO, DE CONCRETO (BETÃO) OU DE PEDRA ARTIFICIAL, MESMO ARMADAS 6907 LADRILHOS E PLACAS (LAJES). PARA PAVIMENTAÇÃO OU REVESTIMENTO, NÃO VIDRADOS NEM ESMALTADOS, DE CERÂMICA CUBOS, PASTILHAS E ARTIGOS SEMELHANTES, PARA MOSAICOS, NÃO VIDRADOS NEM ESMALTADOS, DE CERÂMICA, MESMO COM SUPORTE. O laudo realizado a pedido da DRJ neste processo bem solucionou o tema, não dando margem para maiores debates: 4. O produto importado pela empresa autuada pode ser denominado de Artefato de Granilo Artificial? E comercialmente conhecido como Artefato de Granito Artificial? Resposta: [...] Assim, podemos concluir que, o produto importado (visualizado na fotografia 1), é um "artefato de granito Artificiar’, ou pode ser chamado também, por "artefato de granito artificial". (grifo nosso) (...) Tendo em vista as definições (1) e (2) abaixo transcritas, o produto importado, objeto da presente lide, é mais bem definido como (a) PLACAS (LAJES), PARA PAVIMENTAÇÃO OU Fl. 2504DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 213 14 REVESTIMENTO, DE CERÂMICA ou (b) OBRA DE PEDRA ARTIFICIAL? (...) Resposta: Embora alguns componentes da definição (1), estejam presentes na confecção do produto importado, as análises da UFScar, mostram preponderância do quartzo no produto. Tal fato, confirmado pelo laudo UNESP (Difratograma do porcelanato), mostrando também a presença de mulila e albita, além do Quartzo. Por fim, a análise microscópica (laudo Unesp). mostra a presença de aglutinante (massa plástica/cola), aderindo a massa, à pedra calcárea natural, constituindose, num artefato de granito Dessa forma, concluímos que o produto tem mais semelhança, com o descrito na definição (2).(grifo nosso) Foi por este motivo que o lançamento foi afastado, e com razão. Desta feita, não há reparos a ser feito na decisão recorrida, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 2505DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
score : 1.0
