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Numero do processo: 10803.720054/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
DECADÊNCIA PRAZO.
O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, demonstrada a existência de pagamento antecipado ainda que parcial, extingue-se em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CUSTOS OU DESPESAS. NECESSIDADE. DEDUÇÃO.
Demonstrada que a despesa foi incorrida, acobertada por documentação idônea, devidamente escriturada e paga, não cabe rejeitar a dedução por suposta desnecessidade, se tal fato não foi suscitado no procedimento fiscal.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO.
Não procede a imputação da multa qualificada quando as razões para a exasperação representam exclusivamente a descrição da irregularidade tributária.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
IMPOSTO NA FONTE. INCIDÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
Demonstrada que a despesa foi incorrida, acobertada por contrato de prestação de serviço e notas fiscais, devidamente escriturada e paga, descabe falar na inexistência de causa. Mais ainda, apresentada relação dos beneficiários com indicação dos valores pagos e vinculação à nota fiscal respectiva, não há com0 prosperar a acusação de pagamentos a beneficiários não identificados. Lançamento que deve ser cancelado.
Numero da decisão: 1402-002.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 DECADÊNCIA PRAZO. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, demonstrada a existência de pagamento antecipado ainda que parcial, extingue-se em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CUSTOS OU DESPESAS. NECESSIDADE. DEDUÇÃO. Demonstrada que a despesa foi incorrida, acobertada por documentação idônea, devidamente escriturada e paga, não cabe rejeitar a dedução por suposta desnecessidade, se tal fato não foi suscitado no procedimento fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Não procede a imputação da multa qualificada quando as razões para a exasperação representam exclusivamente a descrição da irregularidade tributária. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007 IMPOSTO NA FONTE. INCIDÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Demonstrada que a despesa foi incorrida, acobertada por contrato de prestação de serviço e notas fiscais, devidamente escriturada e paga, descabe falar na inexistência de causa. Mais ainda, apresentada relação dos beneficiários com indicação dos valores pagos e vinculação à nota fiscal respectiva, não há com0 prosperar a acusação de pagamentos a beneficiários não identificados. Lançamento que deve ser cancelado.
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O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, demonstrada a existência de pagamento antecipado ainda que parcial, extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CUSTOS OU DESPESAS. NECESSIDADE. DEDUÇÃO. Demonstrada que a despesa foi incorrida, acobertada por documentação idônea, devidamente escriturada e paga, não cabe rejeitar a dedução por suposta desnecessidade, se tal fato não foi suscitado no procedimento fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Não procede a imputação da multa qualificada quando as razões para a exasperação representam exclusivamente a descrição da irregularidade tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 IMPOSTO NA FONTE. INCIDÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Demonstrada que a despesa foi incorrida, acobertada por contrato de prestação de serviço e notas fiscais, devidamente escriturada e paga, descabe falar na inexistência de causa. Mais ainda, apresentada relação dos beneficiários com indicação dos valores pagos e vinculação à nota fiscal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 54 /2 01 2- 45 Fl. 2772DF CARF MF 2 respectiva, não há com0 prosperar a acusação de pagamentos a beneficiários não identificados. Lançamento que deve ser cancelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2773DF CARF MF Processo nº 10803.720054/201245 Acórdão n.º 1402002.612 S1C4T2 Fl. 2.773 3 Relatório Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ, CSLL e IRRF nos montantes de R$ 4.043.844,80; R$ 1.508.282,51 e R$ 8.909.148,66; aí incluídos juros de mora e multa de ofício no percentual de R$ 150%. De acordo com o Termo de Verificação, a autuada formalizou contrato com a empresa Expertise Comunicação Total Ltda. para prestação de serviços de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização; e gerenciamento de premiação, mediante utilização de cartão eletrônico a ser disponibilizado a colaboradores nas concessionárias de veículos conveniadas, que ofereceriam aos clientes a aquisição do seguro. Em resposta aos Termos de Verificação lavrados, a interessada trouxe a relação dos beneficiários mas não comprovou: a entrega do cartão a eles, a efetiva prestação do serviço, a causa do pagamento, a retenção do IRRF e a inclusão do beneficiário em DIRF e em GFIP. Tendo como incomprovada a efetiva prestação dos serviços, a causa dos pagamentos e a identificação na contabilidade dos beneficiários dos pagamentos, a Fiscalização glosou as despesas referentes aos valores pagos em decorrência do contrato. Mais ainda, não identificados na contabilidade os beneficiários e, documentalmente, a efetiva prestação dos serviços e a causa, entendeu a autoridade lançadora que os valores pagos, devidamente reajustados, ficariam sujeitos à incidência do IRRF na forma do art. 674 e §§ do RIR/99. Pelo entendimento de que o sujeito passivo ocultou a causa e os beneficiários dos pagamentos, foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150%. Devidamente cientificada, a interessada apresentou impugnação onde inicialmente faz um histórico de suas atividades, inclusive no que se refere à parceria com as concessionárias de veículos para venda de seguros. Alega que formalizou contrato com a Expertise por questões de logística, para pagamento de prêmios de incentivo aos colaboradores e traz por amostragem notas fiscais, comprovante de pagamento e registros contábeis das operações. Contesta a imputação da multa qualificada que, inclusive, teria sido aplicada em alguns pagamentos e outros não, o que demonstraria a inexistência de critério para imputação. Suscita a decadência e defende que as as despesas são necessárias e foram efetivamente incorridas. Apresenta arquivo digital que, afirma, identificaria os colaboradores. Quanto ao IRRF, reclama que na base de cálculo foi considerado indevidamente o valor correspondente à comissão do prestador de serviço e suscita que, caso o imposto fosse efetivamente devido a apuração deveria ser feita com base na tabela progressiva. Fl. 2774DF CARF MF 4 Aduz a ilegitimidade passiva frente ao IRRF com base no PN 01/2002, eis que encerrado o prazo para entrega da Declaração do IRPF. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR prolatou o Acórdão 0643.912 dando provimento parcial à impugnação nos seguintes termos: reconhecer a decadência em relação às exigências de IRPJ, CSLL e IRRF do ano calendário 2006; cancelar os lançamentos de IRRF do ano calendário 2007; e: reduzir a multa de ofício sobre a exigência remanescente ao percentual de 75%. Foi mantida a exigência do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2007 no entendimento de que as despesas não seriam necessárias. Em relação à parcela exonerada, o Órgão julgador recorreu de ofício a esta Corte. Cientificado do acórdão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário contra a exigência remanescente onde faz nova descrição das atividades que exerce e reitera que as despesas são normais e necessárias a elas em função de proporcionar um incremento nas vendas. Ratifica ainda que apresentou todos os documentos necessários a demonstrar o alegado. Em primeira apreciação, a então 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara converteu o julgamento em diligência para que fosse examinada a documentação trazida aos autos nas impugnação, por entender que: “.. não foi adequadamente auditada pela Fiscalização, que a desconsiderou ao longo do procedimento fiscal, e foi examinada por mera e superficial amostragem pelo acórdão recorrido.” Realizado o procedimento, a autoridade responsável entendeu que as despesas não poderiam ser deduzidas pois não foi informado o número dos cartões nem houve prova da entrega. Em manifestação frente à diligência, o sujeito passivo reitera os termos do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 2775DF CARF MF Processo nº 10803.720054/201245 Acórdão n.º 1402002.612 S1C4T2 Fl. 2.774 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso voluntário é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. As despesas sob discussão referemse a contrato de prestação de serviços com a empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda. para atividades de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização; e gerenciamento de premiação, mediante utilização de cartão eletrônico a ser disponibilizado a colaboradores nas concessionárias de veículos conveniadas, que ofereceriam aos clientes a aquisição do seguro. Para justificar a glosa das despesas e a incidência do IRRF, a autoridade fiscal assim se manifestou: [....] Em relação às razões supra transcritas, cabem algumas considerações. É fato que os beneficiários dos pagamentos não foram identificados na contabilidade e não foi atestada a entrega do cartão a eles. Por outro lado, ao afirmar que não foi comprovada documentalmente a efetiva prestação dos serviços e a causa, a autoridade lançadora não esclarece quais documentos seriam hábeis a fazêlo. Em resposta ao item 2b do Termo de Intimação nº 3, onde é solicitada a comprovação da causa do pagamento, a interessada apresenta o contrato de prestação de Fl. 2776DF CARF MF 6 serviços e esclarece que se refere a marketing de relacionamento. Os valores foram pagos, estão devidamente acobertados por notas fiscais e devidamente escriturados. Na inexistência de qualquer consideração específica quanto à idoneidade do contrato, pareceme que a decisão pela glosa das despesas teve como embasamento principal as questões referentes à identificação dos beneficiários e à entrega dos cartões. Nesse ponto, faço minhas as razões da decisão recorrida quando da análise da incidência do IRRF. A identificação dos beneficiários deve ocorrer com base idônea mas não necessariamente na contabilidade. Aliás, pelo que se constata do volume de informações trazidas não seria prático identificar na escrituração individualmente dezenas (ou centenas) de pessoas. Durante o procedimento fiscal, conforme reconhecido pela autoridade lançadora, a relação de beneficiários foi apresentada. Na peça impugnatória essas informações foram reiteradas, inclusive com vinculação dos beneficiários e valores pagos à nota fiscal respectiva. Num procedimento de amostragem, a decisão recorrida verificou que os nomes da lista de beneficiários têm vínculo com empresas na área de seguros ou veículos. Com isso, é razoável a presunção de que possam ser de fato pessoas ligadas ao programa de incentivo. Diante dessas constatações, a prova da entrega dos cartões não me parece ter a relevância que o Fisco lhe imputou. Ademais, importa lembrar que o fornecimento dos cartões era feito pela contratada. Caberia, se fosse o caso, um procedimento de diligência junto a ela para obtenção do desejado, o que deveria ter sido feito durante o procedimento fiscal. Ainda nessa linha, qualquer dos beneficiários constante da relação poderia ter sido intimado a confirmar se recebeu o cartão. A meu ver, naquilo que dependeria exclusivamente da interessada as informações disponibilizadas são suficientes para atestar a realização das operações nos moldes registrados, e a dedução da despesas correspondentes. Cabe um comentário sobre a diligência definida pela Resolução 1102 000.297 prolatada pela extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção. A identificação dos beneficiários com nome e CPF foi devidamente apresentada. Quanto ao endereço de cada um deles, não vislumbrei a necessidade de tal informação. A questão da prova da entrega foi abordada em momento anterior deste voto. Em relação ao vínculo, pareceme ter ficado claro que os colaboradores não têm relação de emprego com a interessada ou com a prestadora de serviço (Expertise). O requerimento de informações junto à prestadora de serviço seria de fato uma iniciativa salutar, principalmente se realizado durante o procedimento fiscal, como já afirmado. Agora, mostrase impossível em função da impossibilidade de localização da empresa. Sendo assim, não concordo com as conclusões do relatório da diligência denominado Termo de Verificação Fiscal. Do até aqui exposto, endosso as conclusões da decisão recorrida quanto à comprovação das despesas e identificação dos beneficiários. Com base nesse entendimento, de imediato nego provimento ao recurso de ofício no que se refere à autuação do IRRF. Fl. 2777DF CARF MF Processo nº 10803.720054/201245 Acórdão n.º 1402002.612 S1C4T2 Fl. 2.775 7 Em relação à multa qualificada, acolho também o entendimento da decisão recorrida. A justificativa para a imputação foi assim explicitada no Termo de Verificação Fiscal: Percebese que o Fisco vinculou o dolo à descrição da irregularidade tributária que justificaria a incidência do IRRF prevista no art. 61, da Lei nº 8.981/95. Conforme bem ressaltado pela decisão recorrida, tal entendimento implicaria em qualificar a multa de ofício para qualquer lançamento decorrente dessa infração, o que não tem qualquer fundamento. Desqualificada a multa de ofício, a contagem do prazo decadencial deve ser feita com base no § 4ª, do art. 150 , do CTN, se existentes pagamentos do tributo. Nesse caso, ratifico entendimento já exposto em votos anteriores pelo qual se o sujeito passivo apurou imposto e CSLL a pagar tais pagamentos devem ser tidos como realizados, caso contrário caberia ao Fisco efetuar essa cobrança durante o procedimento fiscal. Do até aqui exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Ainda que, conforme já exposto neste voto, a decisão recorrida tenha reconhecido que as despesas foram incorridas, escrituradas e documentalmente demonstradas, não acatou a dedução por não ter sido demonstrada a necessidade. Transcrevese, novamente, a justificativa da autoridade lançadora para entender pela desnecessidade da despesa: A vinculação feita pelo Fisco foi no sentido de que os “elementos suficientes a demonstrar a necessidade dos dispêndios à atividade e à manutenção da respectiva fonte pagadora” seriam a efetiva prestação dos serviços pela contratada, a causa dos pagamentos e a identificação na contabilidade dos beneficiários dos pagamentos. Entendo que a Fiscalização misturou conceitos. A comprovação da efetiva prestação de serviços e a causa dos pagamentos são fatores a serem averiguados anteriormente à necessidade da despesa. Se, por hipótese, não restar demonstrada a realização da operação que gerou a despesa questionada, ou não for possível vinculála à uma causa, sequer há que se discutir a necessidade desse dispêndio. A própria existência da despesa estaria sob questionamento. Fl. 2778DF CARF MF 8 Assim, conforme o TVF restaria como motivo para se entender pela desnecessidade da despesa a ausência de identificação na contabilidade dos beneficiários do pagamentos. Tal questão já foi superada pela decisão recorrida, posicionamento esse ratificado neste voto. Mesmo assim, aquela decisão entendeu que aqueles gastos seriam desnecessários à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora. Como principal razão de decidir, o acórdão sustenta que a recorrente deveria trazer provas de como o programa de incentivo teria afetado o resultado da empresa como ,por exemplo, com apresentação de dados comparativos refletindo o aumento de produtividade. Aqui temse uma clara inovação às razões da autuação o que por si só já impõe mácula ao acórdão de primeira instância. Mais ainda, concordo com a peça de defesa no sentido de que as razões de decidir trazem um nível de subjetividade quase draconiano. Não vejo como vincular os gastos ao aumento de produtividade, circunstância essa que é afetada por diversos outros fatores econômicos ou de mercado. Quanto à alegação de que a própria interessada poderia ter feito os pagamentos, é premissa que só afetaria a dedução do valor das comissões à prestadora, pois o valor pago as colaboradores continuaria sendo dedutível só que de forma direta. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, o que se aplica também à exigência da CSLL. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 2779DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912122/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.836
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 21 22 /2 01 2- 73 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912122/201273 Acórdão n.º 3301003.836 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.863, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912122/201273 Acórdão n.º 3301003.836 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912122/201273 Acórdão n.º 3301003.836 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912122/201273 Acórdão n.º 3301003.836 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912122/201273 Acórdão n.º 3301003.836 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912122/201273 Acórdão n.º 3301003.836 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912122/201273 Acórdão n.º 3301003.836 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912122/201273 Acórdão n.º 3301003.836 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002991/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
DESPESAS. LUCRO REAL. PRESCINDIBILIDADE OPERACIONAL. INDEDUTIBILIDADE.
A autorização de dedução contida no art. 299 do RIR/99 primordialmente exige a necessidade operacional do dispêndio.
PROVA HÁBIL DA DESPESA. AUSÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE.
Quando apontada pelo Fisco, de maneira fundamentada, clara e determinada, a carência de comprovação da ocorrência da despesa deduzida ou de algum elemento que lhe compõe, fica o contribuinte sujeito a demonstrar a improcedência do questionamento fiscal ou a sanar tal lacuna probatória.
OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DE ESTORNO DE VENDAS E REINTEGRAÇÃO AO ATIVO. NOTAS FISCAIS. INCONGRUÊNCIAS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Não havendo registro contábil correspondente, nem outros elementos probantes ou indícios, a prova da efetiva devolução da mercadoria e sua reintegração ao estoque por meio de Notas Fiscais fica comprometida quando verificadas nestes documentos incongruências e contrariedades em relação à descrição dos bens circulados.
OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
No que tange à acusação de omissão de receitas, aquilo decidido em relação ao IRPJ, quando ausentes fundamentos distintos, também motiva a manutenção ou a exoneração das exigências de Contribuição para o PIS e de COFINS.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA DE OFÍCIO. FATO GERADOR ANTERIOR À LEI 11.488/07. CANCELAMENTO.
Não é cabível a cobrança de multa isolada referente a estimativas mensais do período colhido quando, no mesmo lançamento, já é aplicada a multa de ofício.
É incontroverso o alcance da Súmula CARF nº 105 em relação a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei nº 11.488/07.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LÍCITA.
As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005, 2006
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 DESPESAS. LUCRO REAL. PRESCINDIBILIDADE OPERACIONAL. INDEDUTIBILIDADE. A autorização de dedução contida no art. 299 do RIR/99 primordialmente exige a necessidade operacional do dispêndio. PROVA HÁBIL DA DESPESA. AUSÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. Quando apontada pelo Fisco, de maneira fundamentada, clara e determinada, a carência de comprovação da ocorrência da despesa deduzida ou de algum elemento que lhe compõe, fica o contribuinte sujeito a demonstrar a improcedência do questionamento fiscal ou a sanar tal lacuna probatória. OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DE ESTORNO DE VENDAS E REINTEGRAÇÃO AO ATIVO. NOTAS FISCAIS. INCONGRUÊNCIAS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Não havendo registro contábil correspondente, nem outros elementos probantes ou indícios, a prova da efetiva devolução da mercadoria e sua reintegração ao estoque por meio de Notas Fiscais fica comprometida quando verificadas nestes documentos incongruências e contrariedades em relação à descrição dos bens circulados. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. No que tange à acusação de omissão de receitas, aquilo decidido em relação ao IRPJ, quando ausentes fundamentos distintos, também motiva a manutenção ou a exoneração das exigências de Contribuição para o PIS e de COFINS. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006 CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA DE OFÍCIO. FATO GERADOR ANTERIOR À LEI 11.488/07. CANCELAMENTO. Não é cabível a cobrança de multa isolada referente a estimativas mensais do período colhido quando, no mesmo lançamento, já é aplicada a multa de ofício. É incontroverso o alcance da Súmula CARF nº 105 em relação a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei nº 11.488/07. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LÍCITA. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005, 2006 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 DESPESAS. LUCRO REAL. PRESCINDIBILIDADE OPERACIONAL. INDEDUTIBILIDADE. A autorização de dedução contida no art. 299 do RIR/99 primordialmente exige a necessidade operacional do dispêndio. PROVA HÁBIL DA DESPESA. AUSÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. Quando apontada pelo Fisco, de maneira fundamentada, clara e determinada, a carência de comprovação da ocorrência da despesa deduzida ou de algum elemento que lhe compõe, fica o contribuinte sujeito a demonstrar a improcedência do questionamento fiscal ou a sanar tal lacuna probatória. OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DE ESTORNO DE VENDAS E REINTEGRAÇÃO AO ATIVO. NOTAS FISCAIS. INCONGRUÊNCIAS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Não havendo registro contábil correspondente, nem outros elementos probantes ou indícios, a prova da efetiva devolução da mercadoria e sua reintegração ao estoque por meio de Notas Fiscais fica comprometida quando verificadas nestes documentos incongruências e contrariedades em relação à descrição dos bens circulados. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. No que tange à acusação de omissão de receitas, aquilo decidido em relação ao IRPJ, quando ausentes fundamentos distintos, também motiva a manutenção ou a exoneração das exigências de Contribuição para o PIS e de COFINS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 91 /2 01 0- 73 Fl. 3384DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 273 2 CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA DE OFÍCIO. FATO GERADOR ANTERIOR À LEI 11.488/07. CANCELAMENTO. Não é cabível a cobrança de multa isolada referente a estimativas mensais do período colhido quando, no mesmo lançamento, já é aplicada a multa de ofício. É incontroverso o alcance da Súmula CARF nº 105 em relação a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei nº 11.488/07. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LÍCITA. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 3385DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 274 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 3285 a 3360) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I/SP (fls. 3244 a 3280) que manteve integralmente as Autuações sofridas pelo Contribuinte (fls. fls. 700 a 746), rejeitando os termos da Impugnação apresentada (fls. 2914 a 2967). Por bem resumir o processo, reproduzo doravante trecho do preciso e completo relatório formulado pela DRJ a quo: 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e nos Termos de Verificação Fiscal (fls. 164 a 171 e 689 a 699) a contribuinte, que apurou o IRPJ pelo Lucro Real anual nos anoscalendário 2005 e 2006, de acordo com cópia da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) às fls. 7 a 60 (anocalendário 2005) e 61 a 127 (anocalendário 2006), deduziu indevidamente na apuração da base de cálculo do imposto e da CSLL valores a título de despesas, já que referidas despesas não foram consideradas pela fiscalização como comprovadas por documentação hábil e idônea, ou não respeitaram os critérios de dedutibilidade preconizados na legislação de regência da matéria. A contribuinte também omitiu receitas em razão de estorno de vendas não comprovado, infração que, associada à anterior, implicou no lançamento de multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base estimada. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. Multa Regulamentar e/ou Multa e Juros Isolados (fls. 700 a 706): 3.1.1. Multas Isoladas Falta de Recolhimento da Contribuição Social sobre a Base Estimada – com base nos artigos 222 e 843 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999); 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007; artigo 106, inciso II, alínea “c”, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. 3.1.2. O crédito tributário totalizou o montante de R$ 303.245,47. 3.2. IRPJ (fls. 707 a 717): Fl. 3386DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 275 4 3.2.1. Omissão de Receitas – Estorno de Vendas não Comprovados com base nos artigos 249, inciso II, 251, parágrafo único, 278, 279, 280, e 288 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), combinado com o artigo 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. 3.2.2. Despesas Indedutíveis com base nos artigos 247, 249, inciso I, 251, parágrafo único, e 299 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999). 3.2.3. Multas Isoladas Falta de Recolhimento do IRPJ sobre a Base Estimada – com base nos artigos 222 e 843 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999); 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007; artigo 106, inciso II, alínea “c”, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. 3.2.4. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 31/08/2010, totalizou o montante de R$ 4.393.182,04. 3.3. PIS – Incidência Não Cumulativa – Apuração Reflexa – Falta de Recolhimento do PIS ( fls. 718 a 725) com base nos artigos 1º, 3º e 4º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, formalizando crédito tributário, calculado até 31/08/2010, no montante de R$ 465.307,82. 3.4. COFINS – Incidência Não Cumulativa – Apuração Reflexa – Falta de Recolhimento da COFINS (fls. 726 a 733) com base nos artigos 1º, 3º e 5º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, formalizando crédito tributário, calculado até 31/08/2010, no montante de R$ 2.143.237,27. 3.5. CSLL (fls. 734 a 741): 3.5.1. Falta de Recolhimento da CSLL com base nos artigos 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 3.5.2. Omissão de Receita – CSLL sobre Receitas Omitidas com base nos artigos 2º e §§, da Lei nº 7.689/1988, 24 da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, 1º da Lei nº 9.316/1996, 28 da Lei nº 9.430/1996, e 37 da Lei nº 10.637/2002, formalizando crédito tributário, calculado até 30/11/10, no montante de R$ 1.002.679,21. 3.5.3. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 31/08/10, totalizou o montante de R$ 1.324.753,72. 4. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada no percentual de 75% é o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996 (IRPJ – fl. 709), artigo 86, § 1º, da Lei nº 7.450/1985, artigo 2º Fl. 3387DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 276 5 da Lei nº 7.683/1988, artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996 (PIS – fl. 721), artigo 10, § único, da Lei Complementar nº 70/1991, artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996 (COFINS – fl. 729), artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996 (CSLL – fl. 736), e o dos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) é o artigo 6º, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 (IRPJ), artigo, 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 (PIS e COFINS), e artigos 28 e 6º, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 (CSLL). 5. Irresignada com os lançamentos, a empresa apresentou, representada por procuradores (Procuração e documentos respectivos às fls. 815 a 820), a impugnação às fls. 756 a 810, protocolizada em 29/10/10, acompanhada dos documentos às fls. 815 a 1077, na qual alega, em síntese, o seguinte: I – Preliminares. 5.1. A defendente deu pleno atendimento às solicitações da autoridade autuante, no que se relaciona ao Termo de Início de Fiscalização e demais exigências; assim, em nenhum momento procurou obstaculizar os trabalhos de auditoria fiscal. 5.2. O Livros contábeis e fiscais disponibilizados à fiscalização, com as formalidades intrínsecas e extrínsecas exigidas pela legislação, acompanhados de documentação pertinente, constituemse em documentos probantes de validade indiscutível, prestandose aos desenvolvimento dos procedimentos de fiscalização. II – Mérito. II – 1 – Omissão de Receitas – Estorno de Vendas não Comprovados. 5.3. Diferente do contido na autuação a Impugnante vendeu, recebeu em devolução e novamente vendeu ou refaturou as mercadorias consideradas no quesito omissão de receitas/vendas, contidas no Anexo A do Termo de Verificação Fiscal Nº 04 – IRPJ, conforme se comprova pelos demonstrativos a seguir (fls. 775 e 776) e documentação acostada aos autos (juntou documentos às fls. 847 a 898 (Anexo IX) e 899 a 981 (Anexo X)). 5.4. Constatase, pelos demonstrativos apresentados, e diferentemente das conclusões equivocadas da autoridade fiscal, que as mercadorias vendidas, quando do seu estorno, reingressaram nos estoques da empresa, sendo posteriormente vendidas ou refaturadas. Se algumas devoluções não foram identificadas nos registros de inventário, a razão é que as mesmas foram revendidas nos anoscalendário 2005 e 2006; assim, não poderiam constar no Livro Registro de Inventário, que somente identifica as mercadorias existentes nos estoques ao final de cada período. Fl. 3388DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 277 6 5.5. Há que se consignar, ainda, que o próprio autuante reconheceu que as mercadorias indicadas nos demonstrativos, revendidas no curso dos anoscalendário 2005 e 2006, foram objeto de registro contábil e fiscal. Este fato está perfeitamente tipificado no AI lavrado contra a defendente no processo 19515.002847/201037(juntou documentos às fls. 982 a 996), no qual a fiscalização elaborou os demonstrativos das operações de vendas, vendas anuladas e revenda de mercadorias realizadas pela empresa, a fim de determinar a base de cálculo para imputação da multa regulamentar por supostas inconsistências em arquivos magnéticos. 5.6. Os documentos anexados ao Termo de Verificação Fiscal Nº 03 – Meios Magnéticos, de 30/09/2010 (juntou documentos às fls. 982 a 996 – Anexo XI), parte integrante do AI objeto do processo acima referenciado, atestam que as operações de vendas, “vendas anuladas” e “revendas/refaturadas”, foram devidamente registradas nos Livros fiscais (apresentou tabelas às fls. 777 e 778). II – 2 – Despesas Indedutíveis. Ano calendário 2005 (fl. 168). 5.7. As despesas realizadas com os Srs. Edvaldo Rosa e Luiz Amaral (itens 30, 34 e 42) são custos necessários aos objetivos societários da recorrente, conforme comprovado, tendo em vista que apesar de não serem funcionários da empresa, estavam a seu serviço, prestando assistência técnica necessária ao desenvolvimento de seus produtos. 5.8. A despesa de R$ 1.660,00, realizada com serviços de helicóptero (item 36), prestaramse a atender o deslocamento do Sr. Michael Hauser que estava a serviço da requerente, prestandolhe assistência técnica operacional, quando de sua estada no País. 5.9. Em relação à despesa de viagem, de R$ 12.221,56 (item 55), esclareçase que o Senhor Patrick Jaton exerce as funções de Gerente Financeiro da Impugnante, conforme consta na Cláusula Décima Quinta da 24ª Alteração Contratual arquivada na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob o nº 459.482/099, e seus deslocamentos a serviço da empresa justificam plenamente os dispêndios com despesas de viagem por ele realizadas no País e no exterior. 5.10. As despesas com telefonia (itens 63 e 68), nos valores de R$ 8.114,03 e R$ 2.778,32, foram justificadas e comprovadas perante a autoridade autuante, e são necessárias à manutenção das atividades da empresa. Ano calendário 2006 (fls. 169 a 171). 5.11. As despesas com viagem, estadia e outras (Itens 8, 14, 18, 24, 26, 29, 32, 55, 57, 59, 60, 62, 65, 67, 69, 70, 71, 73, 75, 78, 80, 81 e 82), realizadas com os Srs. Carlos Eduardo Souza, Fl. 3389DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 278 7 Daniel Onzi Marchet, Fernando Violante, Luiz Amaral, Edson Romão, Marcos Mutterle, Tariel Djigaouri, Marcos Ferreira, Edivaldo Rosa, Sandra Rosa, Decimara Silva, Antonio Francisco Vinhado, Neide Vinhado, Daniel Barbosa, Sérgio Signorelli, Beat Bichsil, Michael Hauser e Maximaq, são custos necessários aos objetivos societários da empresa, conforme comprovado, pois estavam a seu serviço prestando assistência técnica em atividades necessárias aos desenvolvimento de seus produtos. 5.12. A despesas com eventos (item 23), no valor de R$ 5.745,15, referese a eventos promocionais com a finalidade de incrementar as operações mercantis da interessada, sendo, portanto, dedutíveis como despesas operacionais. 5.13. A despesa com Alcântara Machado Mecânica (item 33 – R$ 11.349,60), paga através de cheque e mediante recibo, conforme esclarecimentos prestados à fiscalização, referese a serviços prestados pela referida empresa, conforme comprovado no curso da auditoria fiscal. 5.14. A despesa com telefonia (item 95 – R$ 3.211,02) foi realizada com o objetivo de dar atendimento às necessidades operacionais da Impugnante, constituindose, portanto, em despesas operacionais necessárias à manutenção de suas atividades. II – 3 – Da Improcedência da Multa Exigida Isoladamente Cumulada com Multa de Ofício – IRPJ e CSLL. 5.15. O art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15/07/2007, trata da imputação de multa no lançamento de oficio, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuições, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. De pronto, estas multas somente são aplicáveis em procedimento de fiscalização no qual se apure a insuficiência no recolhimento de tributos e contribuições por parte do sujeito passivo da obrigação tributária. 5.16. Analisandose o citado dispositivo legal, não há como vislumbrar qualquer hipótese de incidência cumulativa da multa aplicada em lançamentos “exofício” e a multa exigida isoladamente, imponível sobre a mesma base de cálculo ou fato gerador. 5.17. Incontestável que a Lei n.° 9.430/1996 trouxe ao arcabouço jurídicotributário novas formas de imputação das multas aplicáveis em lançamentos de oficio. No inciso I do art. 44, a multa de oficio será aplicada juntamente com o tributo ou contribuição, quando, em procedimento de fiscalização ou revisão interna (malha fazenda) não houverem sidos pagos anteriormente — regra geral. Sob a ótica do inciso II, a multa de oficio será aplicada, isoladamente, tanto para pessoas físicas, quanto para as jurídicas, quando o tributo ou a contribuição houverem sido pagos após o vencimento do prazo previsto, mas sem os encargos legais. Fl. 3390DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 279 8 5.18. Vale dizer, o sujeito passivo da obrigação tributária só não será alcançado por este dispositivo se espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal, promover o recolhimento dos tributos ou contribuições, acrescidos dos encargos legais, neste caso, na forma da lei, sem o acréscimo da multa de mora. 5.19. Ora, as pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, e que optaram por pagar o imposto por estimativa, estão obrigadas a promover, no final do anocalendário, o levantamento de seus resultados econômicos, a fim de apurar o imposto efetivamente devido, devendo recolher eventuais diferenças até o dia 29 de março do anocalendário seguinte. Estão, adicionalmente, obrigadas a apresentar a Declaração de Informações Econômico Fiscais até o dia 30 de setembro do ano subseqüente. Assim, e nesta hipótese, é de se perguntar: Se em procedimento de fiscalização for constatado que a pessoa jurídica omitiu receitas, serlheá cobrado o imposto acrescido da multa de oficio e mais a multa isolada sobre o imposto calculado por estimativa e não recolhido no mês de referencia ? 5.20. É evidente que não. A pessoa jurídica não está obrigada a apresentação de nenhuma declaração de ajuste anual a fim de apurar eventuais diferenças de imposto a pagar e/ou a restituir, mas sim, a proceder ao levantamento de seu Balanço Patrimonial e de Resultado Econômico do Exercício Social no final do período de apuração, ou seja, 31 de dezembro de cada anocalendário. Encerrado o período de apuração, levantado o Balanço Patrimonial e de Resultado Econômico do Exercício Social, não há que se falar em imputação da multa exigida isoladamente em decorrência de ação fiscal que apure supostas omissões de receitas. E esta assertiva está plenamente em consonância com o fato de que a Declaração de Informações Econômico Fiscais — DIPJ, se presta a transferir ao fisco somente as informações dos fatos econômicos financeiros ocorridos em determinado período de apuração, não se prestando a constituir o crédito tributário na forma do prescrito no art. 147 do Código Tributário Nacional. 5.21. Analisandose as disposições legais retromencionadas e transcritas, é de se concluir que não há respaldo legal para a imputação da dupla penalidade sobre o mesmo fato gerador da obrigação tributária, e sua exigência constituise em verdadeiro "bis in idem" penalizando, de forma arbitrária e injusta, o sujeito passivo da obrigação tributária. II – 4 – Tributação Reflexa. 5.22. Acolhida as razões de fato e de direito expendidas nesta exordial impugnatória, a Impugnante protesta para que o mesmo tratamento seja aplicado aos demais tributos e contribuições constituídos através dos respectivos autos de infração, ou seja: Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, Programa de Integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Fl. 3391DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 280 9 Seguridade Social COFINS, referentes aos AnosCalendário de 2005 e 2006, por se tratarem de tributação reflexa. II – 5 – Juros Moratórios e Taxa Selic. 5.23. Não há como aceitar a imposição da cobrança dos juros moratórios pretendidos pela Administração Fazendária, calculado com base na Taxa Selic. A Impugnante, neste aspecto, manifesta seu protesto por ser simplesmente inconcebível que, ao tributo lançado, seja acrescida a cobrança de juros exorbitantes, calculados com base na Taxa Selic, posto que o artigo 161 do Código Tributário Nacional estipula que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. 5.24. É bem verdade que o § 1º deste artigo estabelece que “se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês". No entanto, não se pode utilizar os juros remuneratórios como instrumento de sanção pelo inadimplemento do crédito tributário, dado que aqueles estão sujeitos a variação de um mercado específico, voltado exclusivamente para o mercado financeiro, o qual possui regras e objetivos próprios totalmente dissociados da tributação. 5.25. Assim, ainda que não sejam acolhidos os itens precedentes, os juros cobrados devem limitarse ao percentual de 1% (um por cento) ao mês. 5.26. Sendo aplicada sobre o crédito tributário constituído através do AI ora impugnado, a Taxa Selic assume caráter manifestamente confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal. II – 6 – Juros Moratórios – Suspensão da sua Incidência e Exigibilidade no Curso do Contencioso Administrativo Fiscal. 5.27. Independentemente do acolhimento da improcedência dos juros Selic, a recorrente protesta, adicionalmente, pela suspensão de sua incidência e exigibilidade no período compreendido entre a data da protocolização desta Impugnação e a data em que se proferir decisão final do feito na esfera administrativa, com fulcro no art. 151, inciso III, do CTN. 5.28. Não se pode carrear para o contribuinte os encargos financeiros decorrentes da demora no julgamento dos procedimentos administrativos fiscais. Enquanto não for regulamentado o parágrafo único do art. 27 do Decreto n.° 70.232, de 6 de março de 1972, incluído por força do disposto na Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, não há que se falar em imputar os juros moratórios no período compreendido entre a data da interposição da defesa até a decisão final da lide. 6. Ao final, a defendente protesta, com base no disposto no na Lei n.° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, em seus artigos 2º, 3º, inciso III, e 69, pela “produção de novos argumentos de fato e Fl. 3392DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 281 10 de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias”. Processada a Defesa, o processo foi encaminhado à 1ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, que julgou totalmente procedente o lançamento, entendendo que não houve a devida comprovação das despesas glosadas, nem do estorno de vendas que ensejou a constatação de omissão de receitas, bem como manteve todas as penalidades aplicadas. Confirase a ementa e trechos daquele julgado a quo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/10/2006, 31/12/2006 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESCABIMENTO. Incabível o pedido de realização de diligência e perícia, pois o presente litígio se resolve com o direito e os fatos comprovados por documentos já constantes dos autos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/12/2006 DESPESAS INCOMPROVADAS. Mantémse a glosa de despesas não comprovadas por documentos hábeis e idôneos. ESTORNO DE VENDAS NÃO COMPROVADO. Caracteriza omissão de receita o estorno de vendas não comprovado por documentos hábeis e idôneos. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Fl. 3393DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 282 11 Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/10/2006, 31/12/2006 CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA DO ART. 44 DA LEI 9.430/1996. A falta do recolhimento da estimativa devida em razão da glosa de despesas e da apuração de omissão de receita enseja a aplicação da multa isolada, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÕES DISTINTAS. PENALIDADES. APLICAÇÃO CUMULATIVA. INOCORRÊNCIA. Inexiste aplicação cumulativa de penalidades quando lançada multa isolada decorrente de falta de pagamento do imposto por estimativa e multa de ofício incidente sobre a falta de recolhimento do imposto apurado no ajuste anual, já que se tratam de infrações distintas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 3285 a 3360), em suma, repisando argumentos de sua Impugnação , fazendo alusão específica e individual aos argumentos do v. Acórdão recorrido, apontando as razões de necessidade de sua reforma. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 3394DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 283 12 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Recorrente ter rigorosamente atendido a todas as solicitações da Fiscalização, apresentando a documentação e os Livros contábeis que possuía, não criando obstáculos aos trabalhos de auditoria fiscal a que foi submetida. Tal afirmação é verdadeira. Porém, o Contribuinte não foi acusado que embaraçar os trabalhos do Fisco em momento algum e nem se discute a ausência de atendimento às solicitações da fiscalização. Desse modo, tal alegação não guarda valor para a resolução da presente demanda. Também discorre a Recorrente sobre o direito à realização de Perícias, requerer Diligências e juntar todas as provas que entender necessárias à comprovação de suas alegações. Da mesma forma, a afirmação é verdadeira, não obstante ficar a cargo do Julgador a ponderação de necessidade, conveniência (diligência e perícia) e validade de tais manobras (juntada de documentos no curso do processo administrativo), não sendo tal assunto diretamente incidente ou controverso neste litígio. Não havendo pedido relacionado a tais alegações, não há de se falar em acatamento ou rejeição de preliminares, que são aceitas como mera ponderação introdutória e elucidativa do Contribuinte. Fl. 3395DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 284 13 No que tange ao mérito, a maior controvérsia gira em torno de matéria probante, referente tanto às despesas glosadas, quanto à omissão de receitas constatada. Adotando a ordem de análise dos pontos controvertidos procedida no v. Acórdão, espelhada nas razões de Recurso Voluntário, passase a analisar as provas e alegações referente às despesas questionadas. É certo que, quando não expressamente autorizadas ou vetadas, as despesas dedutíveis são aquelas necessárias às transações e às operações inerentes à atividade realizada pelo contribuinte, como preconiza o art. 299 do RIR/991. Não obstante tal permissão, o contribuinte, quando devidamente questionado, também tem de comprovar a ocorrência e as características das despesas registradas e por ele deduzidas (art. 264 do RIR/992), validando a redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Melhor esclarecendo, se o Fisco constatar de maneira fundamenta, clara e determinada a deficiência ou a carência de comprovação da ocorrência da despesa ou mesmo de algum elemento que lhe atribuiria dedutibilidade, fica o contribuinte sujeito a demonstrar a improcedência do questionamento fiscal ou a sanar tal lacuna/escassez probatória. 1 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. 2 Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição. § 2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior. § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Fl. 3396DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 285 14 Posto isso, no caso, as despesas foram glosadas parte pela conclusão de sua indedutibilidade, entendendo a Fiscalização e o v. Acórdão recorrido serem estas desnecessárias para a atividade da Recorrente, bem como outras foram rejeitadas pela ausência de prova hábil de sua efetiva ocorrência ou finalidade. Melhor ilustrando, confirase as tabelas explicativas anexadas ao TVF (fls. 2325 a 2328): AnoCalendário 2005 AnoCalendário 2006 Fl. 3397DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 286 15 Feitas tais considerações, passase à apreciação das alegações do Contribuinte. AnoCalendário de 2005 Em relação às despesas as ocorridas com os Srs. Edvaldo Rosa e Luiz Amaral (itens 30, 34 e 42), afirma a Recorrente serem tais pessoas técnicos, terceirizados contratados para a realização de assistência técnica aos clientes da Empresa, sendo, assim, os dispêndios de seu deslocamento necessários às atividades da empresa. Além da argumentação trazidas nas razões, não há outra prova do alegado. Fl. 3398DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 287 16 Posto isso, sendo tais pessoas alheias ao Contribuinte e não havendo a demonstração de conexão das viagens com qualquer das suas atividades operacionais (além de tal alegação genérica e abstrata) prevalece o questionamento do Fisco sobre a necessidade operacional do dispêndio. Em relação à despesa de R$ 1.660,00 realizada com serviços de helicóptero para o deslocamento do Sr. Michael Hauser (item 36), alega a Recorrente ser tal homem o CEO da controladora do Contribuinte. Também alega que os problemas de tráfego da cidade de São Paulo/SP justificaram a contratação do rápido e eficaz transporte aéreo. Como incontroverso nos autos, o Sr. Michael Hauser não é empregado, sócio ou diretor do Contribuinte. Mesmo ocupando cargo na sua sócia majoritária do exterior, tal relação de fato não basta para atribuir conexão operacional objetiva com a Empresa brasileira. O argumento da Recorrente pressupõe uma confusão automática entre as pessoas jurídicas, nacional e estrangeira, para fins de apuração de suas bases tributáveis, o que não pode ser acatado. Igualmente, não foi demonstrada ou provada a finalidade da sua visita. Assim, fica mantida a glosa dessa despesa com a aeronave. Em relação às viagens ao exterior do Sr. Patrick Jaton (item 55) acompanhado de Verônica de La Fuente, Marc Jaton e Sophie Jaton, alega o Contribuinte ser tal pessoa funcionário da empresa, na condição de GerenteFinanceiro, sendo inclusive tal fato constado pelo v. Acórdão (fls. 3261). Desse modo, não seria necessária a comprovação da finalidade de sua viagem, bastando a prova do vínculo laboral. Primeiramente, o art. 302 do RIR/99 expressamente trata de viagens ao exterior de gerentes como modalidade de dispêndio que demanda comprovação de vinculação a transação ou operação da companhia: Art. 302. Os pagamentos, de qualquer natureza, a titular, sócio ou dirigente da pessoa jurídica, ou a parente dos mesmos, poderão ser impugnados pela autoridade lançadora, se o contribuinte não provar: Fl. 3399DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 288 17 I no caso de compensação por trabalho assalariado, autônomo ou profissional, a prestação efetiva dos serviços; II no caso de outros rendimentos ou pagamentos, a origem e a efetividade da operação ou transação. § 1º Incluemse entre os pagamentos de que trata este artigo as despesas feitas, direta ou indiretamente, pelas empresas, com viagens ao exterior, equiparandose os gerentes a dirigentes de firma ou sociedade. (destacamos) Por sua vez, não há nos autos qualquer apontamento e muito menos prova da finalidade e função de tal vigem, denotando sua indedutibilidade. O fato da família do Sr. Patrick Jaton e terceira pessoa terem lhe acompanhado em tal jornada internacional reforça e confirma a desconexão desse gasto com a atividade empresarial, devendo ser mantida a glosa. Em relação às despesas com telefonia (itens 63 e 68), alega o Contribuinte haver provas nos autos de que teria reembolsado seu fornecedor (Engemaq, já falida, localizada no Rio Grande do Sul) dos custos com contatos telefônicos. Alegase que a prova de sua ocorrência e finalidade já teria sido entregue à Fiscalização e juntada aos autos. De fato, nas fls. 2531 a 2536, existe declaração da própria Recorrente atestando a natureza desse gasto, comprovantes de transferências bancárias, uma planilha enviada por fax com diversos valores e uma nota de débito do Fornecedor com parte dos valores glosados, apontadoos como "Reembolso Telefone Conforme Planilha". Contudo, não há uma conta telefônica sequer ou outro documento que ateste a existência desse dispêndio. O conjunto de provas trazido aos autos somente transparece, efetivamente, a transferência de numerário entre empresas, vez que os demais instrumentos probantes, que mencionam despesas com telefone foram produzidos unilateralmente pelas empresas envolvidas na transação. Não havendo comprovação hábil, é procedente a glosa. Fl. 3400DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 289 18 AnoCalendário 2006 Em relação ao dispêndio com os Srs. Carlos Eduardo Souza e Daniel Onzi Marchet (item 8), alega a Recorrente que a despesa se relaciona ao seu treinamento, sendo funcionários terceirizados, havendo provas no processo. Nesse ponto, é certo que o art. 3683 do RIR/99 autoriza a dedução de despesas com a formação profissional de empregados. Por outro lado, no caso em tela, temos que, alegadamente, a pessoa é um terceirizado (não há prova que vinculeo a pessoa jurídica contratada pela Recorrente) e não foi demonstrado a natureza do treinamento. Ainda que tal tema possa dar margem interpretativa ao alcance da dedutibilidade de um treinamento de uma pessoa que supostamente realizou trabalho relacionado à atividade operacional do contribuinte (mesmo não sendo empregada sua), a escassez, a pobreza e a contrariedade do conjunto probatório dos autos bastam para considerar a despesa como indedutível. Explicando melhor, primeiramente, a relação das pessoas físicas com a Recorrente (de terceirizados) não foi demonstrada ou provada e nos documentos consta apenas reservas, listagem e recibos com despesas de hospedagem, alimentação e pagamentos para a empresa Results Assossoria Administrativa Ltda. (fls. 2541 a 2550). Além disso, o cartão CNPJ da Results Assossoria Administrativa Ltda. atesta que sua atividade se relaciona à hotelaria4, pura e simplesmente, sendo detentora de bandeira comercial do ramo hoteleiro (Travel Inn) e seu próprio website nada menciona sobre treinamento e capacitação5. Assim, tais provas não se prestam a provar o alegado sobre a ocorrência de treinamento. 3 Art. 368. Poderão ser deduzidos, como despesa operacional, os gastos realizados com a formação profissional de empregados. 4 http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/CNPJ/cnpjreva/Cnpjreva_Comprovante.asp 5 http://www.resultshotelaria.com.br/institucional/ Fl. 3401DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 290 19 Quanto às despesas de viagem do Sr. Fernando Violante (item 14), alega a recorrente ser este funcionário da Empresa, havendo prova das suas despesas em viagem (fls. 2551 a 2564). Mais uma vez, não há prova hábil da finalidade empresarial da viagem e nem das razões da estadia do empregado na Europa. A documentação se resume a recibos de restaurantes e taxis, não nominais, aleatórios, além de planilha elaborada pela própria empresa listando despesas. Deve ser mantida a glosa. No que tange à viagem de empregados ao exterior, o comentário de Hiromi Higushi6 sobre a prova necessária para a sua dedução é objetivo e claro: A dedutibilidade, como despesas operacionais, dos gastos de viagens ao exterior, feitas por funcionários e diretores das empresas dependem da finalidade da viagem. (destacamos) Em relação às despesas percebidas com o Sr. Luiz Amaral (item 18), de acordo com a Recorrente, seriam relacionadas a treinamento. Contudo, seu vínculo com a Recorrente, questionado pela Fiscalização, não foi provado, bem como as provas (fls. 2565 a 2575) são recibos aleatórios, não nominais (inclusive em chinês) além de planilha elaborada pela própria empresa listando despesas. Deve ser mantida a glosa por ausência de comprovação hábil. Em relação às despesas com os Srs. Sérgio Signorelli, Beat Bichsil e Michael Hauser (item 18), a Recorrente alega serem estas referentes a evento internacional do setor. Mais uma vez, seu vínculo com a Recorrente, questionado pela Fiscalização, não foi provado, bem como as provas (fls. 2584 a 2603) são recibos aleatórios (até em nome de terceiros), faturas de hotéis e vouchers de viagem. Deve ser mantida a glosa por ausência de comprovação hábil da vinculação das pessoas e da finalidade empresarial da despesa. 6 Imposto de Renda das Empresas. 41ª Ed. São Paulo : IR Publicações, 2016. p. 285. Fl. 3402DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 291 20 Em relação às despesas com o Sr. Renato Mota (item 26) alega a Recorrente que, apesar deste não ser empregado da companhia, os gastos com a viagem deste para prestar assistência técnica são relacionados ao objeto social, logo dedutíveis. Não há no processo comprovação da sua relação com o Contribuinte e nem do desempenho de sua função (fls. 2603 a 2613), sendo juntados apenas recibos aleatórios, não nominais, e planilha de gastos da própria empresa. Deve ser mantida a glosa. Em relação às despesas com o Sr. Edson Lopes Romão (item 29), alega o Contribuinte ser este seu funcionário, sendo o gasto com uma viagem de trabalho e sua estadia, não especificando o motivo do deslocamento. Não houve demonstração ou comprovação da finalidade das despesas ou relação destas com a atividade da empresa, sendo acostados apenas recibos não nominais e aleatórios (nacionais) e fatura de hotel na Alemanha (fls. 2614 a 2624). A glosa foi devida, por falta de comprovação consistente e adequada. Em relação às despesas com o Sr. Marcos Antonio Muterlle (item 32), a Recorrente alega ser este seu funcionário, bem como seu deslocamento teria ocorrido para atender as atividades operacionais da empresa. A documentação acostada (fls. 2626 a 2628) se resume a relatórios de despesas e registros na própria Recorrente, não possuindo valor probante. A glosa deve ser mantida. Em relação às despesas com os Srs. Patrik Jeton e Fernando Violante (item 55) alega a Recorrente serem estes seus funcionários, tendo viajado para atender as necessidades operacionais da empresa, havendo prova de tal fato às fls. 2637 a 2641. Porém, tais documentos se resumem a despesas e registros de compra de passagens, não havendo prova adicional da parte controversa da despesa questionada pela Fiscalização. Assim, não há meio hábil e consistente de prova de ocorrência e vinculação empresarial da despesa glosada. Em relação às despesas com o Sr. Tariel Guy Dijigaouri (item 57), alega a Recorrente que este viajou com finalidade de prestar assistência técnica, como comprovaria os Fl. 3403DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 292 21 documentos de fls 2643 a 2648 (indicação equivocada em relação aos autos, desconsiderada por este Conselheiro que localizou a documentação correspondente, bem como, doravante, a numeração de folhas de documentos não corresponde àquela indicada no Recurso Voluntário). Mais uma vez, tais documentos se resumem a simples despesas com passagens, não sendo meio hábil e consistente de prova da dedutibilidade despesa alegada. Em relação às despesas com o Sr. Luis Amaral (item 59), alega a Recorrente que este participou de treinamento referente a novo produto a ser comercializado pela empresa, conforme atestaria os documentos de fls. 2645 a 2650. Tais documentos se resumem a registros da compra de passagem aérea, não podendo ser sequer atribuídos pessoalmente ao Sr. Luis Amaral. Não há demonstração da vinculação da despesas com a atividade empresarial, não sendo tal documentação hábil para comprovação necessária. Não obstante, a natureza da sua relação com a empresa não foi demonstrada. Em relação às despesas com os Srs. Tariel Guy Dijigaouri, Fernando Violante (funcionários) e Luis Amaral (suposto terceirizado) (item 60), alega a Recorrente que estes viajaram para reunião com revendedores, havendo às fls. 2651 a 2658 comprovação da despesa. As provas acostadas exprimem a solicitação e a compra das passagens. Contudo, mas não há sequer indício da ocorrência de tal reunião ou de qualquer outra finalidade empresarial da viagem. Deve ser mantida a glosa. Em relação às despesas com o Sr. Marcos Antônio Murtelle (item 62), alega a Recorrente ser este seu funcionário e ter sido seu deslocamento a serviço da empresa, havendo prova nos autos de tal fato. Os documentos (fls. 2659 a 2682) são referentes a compra de passagens, alimentação, estadia e até troca de pneu de veículo. Além de contraditórias entre si (as passagens são referentes a vigem de Caxias do Sul/RS para São Paulo/SP, mas há refeições em Porto Alegre e despesas com veículo automotor), não há qualquer indício da finalidade do deslocamento. A glosa deve ser mantida. Fl. 3404DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 293 22 Em relação às despesas com o Sr. Tariel Guy Dijigaouri (item 65), alega a Recorrente que este se deslocou ao exterior, a serviço da empresa, havendo comprovação às fls. 2683 a 2690. A documentação apenas é referente a compra da passagem, não havendo qualquer indício da finalidade ou do motivo do deslocamento. A glosa é procedente. Em relação às despesas com o Sr. Fernando Violante (item 67), alega a Recorrente que este se deslocou para tratar de assuntos administrativos com o novo diretor da Multinacional para a América latina, havendo comprovação às fls. 2691 a 2695. A documentação apenas é referente a compra da passagem, não havendo qualquer sinal da finalidade ou do motivo do deslocamento, além da argumentação nos autos. A glosa deve ser mantida. Em relação às despesas com o Sr. Edson Lopes Romão (item 69), alega simplesmente a Recorrente que o seu deslocamento e estadia foram a serviço da empresa, havendo prova de tal ocorrência nos autos. Às fls. 2696 a 2700 apenas há provas de compra de passagens ao exterior, sem qualquer indicação de sua finalidade. A glosa mostrase procedente. Em relação às despesas com o Sr. Marcos Antônio Murtelle (item 70), funcionário da empresa, alega a Recorrente que seu deslocamento ao exterior deuse em razão de treinamento (fls. 2701 a 2705). Novamente, somente há comprovação de compra de passagens para a Alemanha, sem indicação da finalidade, não sendo possível apurar sua necessidade operacional. A glosa deve ser mantida. Em relação às despesas com os Sr. Tariel Guy Dijigaouri (item 71), alega a Recorrente que este funcionário se deslocou ao exterior, a serviço da empresa, havendo comprovação às fls. 2706 a 2710. Fl. 3405DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 294 23 Mais uma vez, somente há comprovação da aquisição de passagens. A glosa é procedente. Em relação às despesas com os Sr. Marcelo Luiz Garbelotti (item 73), alega a Recorrente que este funcionário se deslocou por estar a serviço da empresa, provando a sua dedutibilidade com a documentação acostada às fls. 2711 a 2719. Apenas consta dos autos comunicação por email com agência de turismo e cópia de transferência bancária para esta pessoa jurídica, referente a diversas passagens aéreas. A glosa deve ser mantida. Em relação às despesas com viagens de representantes da empresa Maximaq (item 75) alega a recorrente que haveria Contrato de Representação firmado com tal pessoa jurídica, arcando com o pagamento do deslocamento de seus funcionários. Às 2720 a 2745 é juntado o Contrato de Representação, troca de email referente a compra de passagens para algumas pessoas e uma ordem de pagamento para a empresa de turismo. Todavia, não há qualquer prova da vinculação das pessoas (apenas mencionadas em emails) com a Representante do Contribuinte e a finalidade das supostas viagens. A glosa se apresenta adequada por ausência de documentação hábil. Em relação às despesas com o Sr. Edson Lopes Romão (item 71), alega a Recorrente que este viajou acompanhado do Sr. Edvaldo Rosa e Sra. Sandra Rosa, supostos representantes da empresa representante Toymatic, para a fábrica da empresa, visando à realização de venda de produtos. Haveria comprovação de tais fatos às fls. 2746 a 2768. A documentação se resume a ordem de pagamento e relatórios de viagens e despesas, fornecidos respectivamente por agência de turismo e operadora de cartão de crédito. A documentação não basta para a prova da despesa, sendo procedente a glosa sofrida. Em relação às despesas com a empresa DMB Assessoria e Cobrança Ltda. (itens 80, 81 e 82), alega a Recorrente serem fruto de ressarcimento de custos em prestação de serviços de consultoria econômica e financeira, alegando que em contrato firmado há previsão que os custos para desenvolvimento de produto/serviços correrão por conta do Contribuinte, atestando sua dedutibilidade, em face da vinculação operacional da despesa. Fl. 3406DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 295 24 Haveria tal comprovação às fls. 2769 a 2817. De fato, há cópia de minuta de contrato, como descrito nas razões, assinado por supostos representantes, sem testemunhas ou reconhecimento de firmas. Além disso, existem inúmeros recibos de cópias de processos judiciais, custas processuais, emolumentos de cartórios, despesas com material de escritório, contas de telefone, despesa de deslocamento e outros pequenos recibos inominados das mais variadas despesas. Quando não inominados, parte dos recibos e comprovantes estão em nome da própria Recorrente ou são simplesmente atestados por relatórios do Sr. Daniel Barbosa (sócio da DMB). Também existe uma ordem de pagamento bancário em nome da pessoa física do Sr. Daniel Barbosa. Contudo, diante de tal documentação defeituosa, não existe maneira de estabelecer uma conexão racional destes valores com os supostos serviços prestado pela empresa DMB Asssessoria e Cobrança Ltda. e nem mesmo a confirmação da efetiva concretização desse contrato com esta companhia. Posto isso, tais despesas não possuem o devido suporte em conjunto probatório hábil para desconstituir a acusação Fiscal. Em relação às despesas com Feira de Exposição de Produtos (item 23), alega a Recorrente ser prática comum e usual, destinada a promoção e incremento de suas atividades comerciais, fazendo a prova do alegado às fls. 2576 a 2583. Realmente, foram acostados recibos hoteleiros e de passagens aéreas, além de ordens de serviços do evento a empresa de turismo. Todavia, a finalidade desse evento, como de exposição comercial, não foi demonstrado ou provado (nem o seu nome foi dito), não sendo possível a verificação de sua necessidade operacional fato precisamente questionado e fundamentado pela Fiscalização. A glosa deve prevalecer pela documentação ser inábil. Em relação às despesas com ALCANTARA MACHADO FERREIRA DE NEGÓCIOS LTDA. (item 33), alega a Recorrente tratarse de Feira de Exposição, tendo realizado o pagamento à empresa para a organização de tal evento, inclusive mencionando o cheque de tal pagamento. Também afirma haver tal comprovação às fls. 2631. Fl. 3407DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 296 25 Como se observa dos autos, existe apenas um recibo simples assinado por suposto representante de tal empresa e documentos internos da Recorrente listando tal despesa e mencionando a sua liquidação por cheque. Tal prova é insuficiente para a comprovação da ocorrência efetiva da despesa, sua natureza, finalidade e, naturalmente, a sua dedutibilidade. Por fim, em relação a despesas com telefone (item 95), alega a Recorrente ter pago à Telecom conta destes serviços, obviamente inerentes à sua atividade empresarial, estando documentada a sua liquidação e havendo nota fiscal nos autos (fls. 2810 a 2817). Analisando tais documentos, não há o encontro dos valores registrados no relatório fornecido pela empresa Telefônica com a ordem de pagamento e nem sua vinculação com a Nota Fiscal mencionada pelo Contribuinte. Claramente, não há congruência probante, devendo ser mantida a glosa. Superado tal ponto, passase à matéria de omissão de receitas, referente à ausência de prova hábil e idônea de estornos de vendas e reintegração dos bens ao ativo da Companhia. Confirase a discrição do TVF sobre a infração: 2 — o procedimento fiscal foi iniciado em 06/08/2010, através da lavratura do Termo de Inicio de Fiscalização, onde o contribuinte foi intimado a apresentar os livros fiscais e contábeis relativos aos períodos mencionados; 3 — No decorrer dos trabalhos, foi solicitado ao contribuinte a comprovação de devoluções de vendas, contabilizadas na conta 63305 — "vendas anuladas", que no anocalendário de 2005 contabilizou o valor de R$17.868.187,59 e anocalendário de 2006 R$14.406.538,73; 4 — A fiscalizada apresentou inicialmente, comprovando as devoluções, notas fiscais de entrada e saída de mercadorias, tendo sido observado que: 4.1 — algumas devoluções referemse a mercadorias vendidas em anos anteriores; 4.2 — grande quantidade das devoluções retornaram à fiscalizada, comprovadas por meio de nota fiscal de entrada da própria empresa. 5 — Diante dos fatos narrados, a fiscalizada foi intimada regularmente, conforme Termo de Intimação lavrado em Fl. 3408DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 297 26 08/09/2010, a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que as mercadorias contabilizadas como devolvidas foram posteriormente revendidas ou reintegradas ao estoque do período de apuração, conforme discriminativo constante nos anexos A (anocalendário de 2005) e B (anocalendário 2006). A fiscalizada foi intimada também a esclarecer porque algumas devoluções estão amparadas por nota fiscal de entrada. 6 — Em 15/09/2010 a fiscalizada protocolizou resposta, anexando cópias de notas fiscais e de consultas processuais junto ao site do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Quanto ao esclarecimento requisitado, sobre as notas fiscais de entrada comprovando a devolução de mercadorias, a mesma menciona o Regulamento do ICMS/SP — DecretoLei 45.490/2000. 7 — Da documentação apresentada, constatouse que a fiscalizada deixou de comprovar vários dos itens solicitados. Todas as devoluções são máquinas de eletroerosão, com alto valor unitário. Observouse que as consultas processuais ao site do Tribunal de Justiça não trazem elementos probantes e que vinculem a mercadoria que teria, em tese, sido devolvida através de processo de busca e apreensão. Ainda mais, não ficou comprovado que as mercadorias foram reintegradas ao estoque no período encerrado, nem tampouco tenham sido novamente vendidas. 8 — Assim sendo, pela falta de documentos hábeis e idôneos que comprovem, de maneira inequívoca, que a mercadoria devolvida esteja registrada no estoque ou tenha sido novamente vendida, presumese a Omissão de Receita dos valores escriturados como "venda anulada". 9 — Esta fiscalização anexa ao presente processo mídia magnética apresentada pelo contribuinte contendo os estoques dos períodos fiscalizados, 2005 e 2006, para a matriz e a filial, em arquivos com extensão pdf devidamente autenticados. (destacamos fls. 2846 a 2847). Ao seu turno, como relatado, a conclusão do v. Acórdão foi de manutenção integral da constatação de omissão de receitas, entendendo haver diversas falhas no conjunto probatório, quais sejam: AnoCalendário 2005 Ausência de comprovação de reintegração das mercadorias em estoque, após a suposta devolução e antes da revenda (documentos/Notas Fiscais de Revenda de fls. 663 a 668 item 55); Fl. 3409DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 298 27 que as Notas Fiscais de Devolução foram emitidas pela própria Recorrente (itens 4, 6, 9, 26, 35, 37 e 44 do Anexo A do TVF 4), não sendo prova válida da ocorrência de devolução; que existe discrepância (número de série) e descrição incompleta da mercadoria na suposta Nota Fiscal de Revenda, além da ausência de reincorporação ao estoque (item 11); que a própria Nota Fiscal de Revenda foi cancelada, além da ausência de prova reincorporação ao estoque (item 13); ausência de indicação do número de série e do peso da mercadoria em Nota de revenda, emitida 5 anos após a suposta devolução (2010), não havendo prova da reincorporação ao estoque (em 2005) (item 18); informações ilegíveis nas Notas Fiscais de Venda e Revenda (item 19); Nota Fiscal de Venda alheia aos autos e Nota de Devolução ilegível, sem também comprovar a reincorporarão da mercadoria ao estoque, antes da revenda (item 39); discrepância de informações sobre a mercadoria (numero de série, modelo e descrição) entre os documentos de venda, devolução e revenda, sem também comprovar a reincorporação da mercadoria ao estoque, antes da revenda (item 41); AnoCalendário 2006 que as Notas Fiscais de Devolução foram emitidas pela própria Recorrente (itens 22, 23, 34, 30, 28, 43, 37, 18, 15 e 41 do Anexo A do TVF 4), não sendo prova válida da ocorrência de devolução; que a Nota Fiscal de Devolução está ilegível e o peso da mercadoria é diferente daquele indicada na Nota Fiscal de revenda (itens 6 e 10); Fl. 3410DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 299 28 não foi apresentada Nota Fiscal de Devolução (item 24); que a Nota Fiscal de Revenda foi emitida em data anterior à emissão da Nota de Devolução (item 19); discrepância entre o peso das mercadorias registrado nas Notas de Venda e Devolução em relação à Nota Fiscal de Revenda, além da ausência de prova da reincorporação ao estoque, antes da suposta revenda (item 7); discrepância entre as informações constantes nas Notas Fiscais de Venda e Devolução (bem como, falta da indicação do peso) com a Nota Fiscal de Revenda, sendo essa ilegível em diversos campos, inclusive CNPJ da destinatária (item 8); discrepância entre o peso das mercadorias registrado nas Notas de Venda e Devolução em relação à Nota Fiscal de Revenda (item 02); discrepância da descrição da mercadoria entre as Notas de Venda e Devolução, bem como Nota de Revenda ilegível (item 25); discrepância entre a descrição das mercadorias registrada nas Notas de Venda e Devolução em relação à Nota Fiscal de Revenda, além da ausência de prova da reincorporação ao estoque, antes da suposta revenda (item 14); discrepância entre a descrição (marca e ano) e o peso das mercadorias registrado nas Notas de Venda e Devolução em relação à Nota Fiscal de Revenda, além da ausência de prova da reincorporação ao estoque, antes da suposta revenda (item 32); discrepância entre o peso das mercadorias registrado nas Notas de Venda e Devolução em relação à Nota Fiscal de Revenda, além da ausência de prova da reincorporação ao estoque, antes da suposta revenda (item 27); Fl. 3411DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 300 29 Em seu Recurso Voluntário, o Contribuinte ataca diretamente as conclusões do v. Acórdão sobre a inabilidade das provas apresentadas para atestar as devoluções que geraram os estornos, trazendo argumentação sobre os equívocos na análise da matéria, mas sem acostar novos elementos de prova ou novos argumentos jurídicos. Em suma, em relação a ter a própria Recorrente emitido dezenas de Notas Fiscais de Entrada, para suprir a ausência das Notas de Devolução, alegase ser tal procedimento necessário para tais bens não ficarem à margem da escrituração contábil da empresa, sendo manobra validadora da devolução, tendo sido elaboradas dentro de todos os requisitos exigidos pela legislação tributária federal e estadual, inclusive com o CFOP correspondente à operação de devolução. Não seria, então correta a exigência de outra prova em desfavor destas. No que tange às discrepâncias das Notas Fiscais, alega que a ausência ou a incongruência entre descrição, números de série, modelos e peso das mercadorias são insignificantes inconsistências materiais, que a documentação apresentada bastaria para a prova cabal de estorno, sendo a revenda destes um fato inconteste da reincorporação anterior ao estoque (ainda que sem registros compatíveis). Posto isso, este Conselheiro entende que, uma vez devidamente apontado de maneira fundamentada a ausência de comprovação de ocorrência estornos e reincorporação ao estoque, cujos os valores foram declarados e reduzidos do lucro operacional, dando ensejo à constatação de omissão de receitas, o ônus probante cabe ao Contribuinte. No presente caso, tal prova deve compreender precisamente a cadeia de circulação da mercadoria, bem como seu registro e manutenção de tais bens em contas do ativo e o esclarecimento de seu derradeiro destino. Primeiramente, a ausência de Notas Fiscais de Devolução emitidas pelos destinatários originais das vendas já denota circunstância que corrobora fortemente com a infração imputada e, por sua vez, sendo único elemento probatório contrário as Notas Fiscais de Entrada, emitidas pelo próprio Contribuinte (mesmo com CFOP de devolução), resta extremamente fragilizada elisão da presunção legal estabelecida na Autuação. A Nota Fiscal de Entrada, referente à devolução de mercadoria, sem dúvidas, seria válida no caso de mercadoria não entregue ou recusada pelo destinatário. Mas, neste feito, não há a demonstração de tal ocorrência ou qualquer outra hipótese para substituição realmente válida do documento fiscal de devolução faltante. Fl. 3412DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 301 30 Assim, os itens da Autuação referentes a tal documentação probatória são procedentes. No que tange às discrepâncias, contrariedades, incongruências e falta de informação legível nas Notas Fiscais, tais falhas não podem ser consideradas insignificantes, como pretende o Contribuinte. Não havendo elementos bastantes para a confirmação de que a mercadoria vendida/devolvida/revendida era exatamente a mesma, a prova apresentase deficiente. principalmente por não haver registros de controle de estoque na sua reintegração. Ora, sendo a venda de máquinas a principal atividade da Recorrente, fazendo diversas operações com uma grande quantidade desses bens, a identificação unitária da mercadoria é de suma importância para a confirmação da sua efetiva circulação. Se não pode ser precisamente atestado que determinada mercadoria devolvida ou revendida é aquela constante da Nota Fiscal de venda original, o conteúdo probante do documento se esvazia por completo. Mais importante ainda é o fato de não haver outras provas ou mesmo indícios que corroborem com as alegações do Contribuinte e confirmem a operação expressada naquele documentos fiscais. Poderiam ser trazidos inúmeros outros elementos de prova que atestariam a efetiva ocorrência das operações e manutenção em estoque depois da suposta devolução. Não há prova de pagamentos, contratos, ordens de serviço e etc. Até por se tratar de grandes máquinas, tais provas adicionais são mais fáceis de serem feitas, pois as vendas são efetuadas individualmente (ou de poucos itens por vez) e exigem transporte específico (facilmente identificável e imputável a cada uma das mercadorias). Assim, compondo isoladamente o conjunto probatório, as incongruências nessas Notas Fiscais acabam por ganhar maior relevância. Em outro cenário circunstancial ou diante de outros elementos e indícios adicionais, até poderiam ser superadas mas não é o caso aqui. Fl. 3413DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 302 31 Nesse ponto, a Recorrente, mais uma vez, optou por argumentação item a item (não houve divisão por anocalendário nas razões de defesa), sobre a incorreção da conclusão do v. Acórdão a quo. Passase, igualmente, a se decidir individualmente sobre as alegações do Contribuinte: Em relação ao item 11, as discrepâncias e ausências de descrição (indicação das informações da mercadoria e seu peso) seriam irrelevantes e haveria prova da sua revenda em 2009, mostrando que, obviamente, esse encontravase em seu estoque, não sendo necessária prova específica de sua reintegração ao ativo. Não procede tal alegação, vez que o desencontro de informação não permite a constatação cabal das operações de estorno e reintegração ao estoque, sendo tal conjunto probatório inábil para elidir a presunção de omissão de receitas. Em relação ao item 13, apenas afirma que o raciocínio do Julgador a quo, de rejeitar a comprovação de estorno e consequente reincorpração ao estoque pelo cancelamento da Nota Fiscal de Revenda é difícil de ser acolhido. Tal argumentação não combate e nem supre as falhas probantes devidamente apontadas no V. Acórdão recorrido, já expressamente apontadas nesse voto. Em relação ao item 18, alega que a ausência do número de série e peso na Nota de Revenda (emitida 5 anos após a devolução) não lhe desqualifica como prova de reintegração ao estoque. Não procede tal alegação, vez que o desencontro de informação não permite a constatação cabal das operações de estorno e reintegração ao estoque, sendo tal conjunto probatório inábil para elidir a presunção de omissão de receitas. Em relação ao item 19, alega que o fato de estar o documento ilegível não bastaria para rejeição de tais provas, estando seu valor perfeitamente legível em demonstrativo dos autos, bem como as incongruências da descrição da mercadoria se explicam por ter sido a Nota de Venda e a Nota de Devolução emitida por pessoas jurídicas diferentes. Fl. 3414DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 303 32 Não procede tal alegação, vez que a impossibilidade de leitura do documento e o desencontro de informação não permite a constatação cabal das operações de estorno e reintegração ao estoque, sendo tal conjunto probatório inábil para elidir a presunção de omissão de receitas. Em relação ao item 39, alega que, não obstante ser a Nota de Venda alheia ao processo, na Nota de Devolução consta no campo observação que aquela referese à venda do item em questão, o que superaria o problema documental. Também alega que a ausência do número de série não seria relevante e que, mesmo tendo sido sua revenda efetuada anos após a suposta devolução, por raciocínio primário é de presumir que esta teria sido novamente registrada no estoque da Empresa, sendo válida a prova efetuada. Não procede tal alegação, vez que a escassez de informações que se apresenta em tais documentos, combinada com o desencontro da pouca informação perceptível, não permite a constatação cabal das operações de estorno e reintegração ao estoque, sendo tal conjunto probatório inábil para elidir a presunção de omissão de receitas. Em relação ao item 41, alega que a inconsistência entre os números de série das Notas é irrelevante e que no campo observações da Nota de Devolução consta menção expressa à Nota de Venda, com seu número. Também afirma que, mesmo sendo bem posterior a revenda, essa nova saída mercantil basta para comprovar a reintegração ao estoque. Não procede tal alegação, vez que a contrariedade de informações da própria Nota Fiscal de Devolução e o desencontro de informações com a Nota de Venda não permite a constatação cabal das operações de estorno e reintegração ao estoque, sendo tal conjunto probatório inábil para elidir a presunção de omissão de receitas. Em relação ao item 6 e 10, alega que a discrepância de peso das mercadorias é irrelevante, bem como não estaria ilegível a Nota Fiscal de revenda bastando aumentarmos o zoom para 200% para a sua leitura. Não procede tal alegação, vez que a leitura dos documentos está muito prejudicada, ficando temerária sua análise, e o desencontro de informações entre as Notas Fiscais não permite a constatação cabal das operações de estorno e reintegração ao estoque, sendo tal conjunto probatório inábil para elidir a presunção de omissão de receitas. Fl. 3415DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 304 33 Em relação ao item 24, em que no v. Acórdão concluiuse não ter sido juntada Nota Fiscal de Devolução, alegase haver uma impropriedade a ser apontada, havendo lacuna na documentação. Aparentemente a Recorrente confirma constatação de ausência de prova. Não sendo feita a prova, a presunção iuris tantum prevalece. Em relação ao item 19, o descompasso entre as datas de devolução e revenda deverseia ao fato de ter o Contribuinte se antecipado à ocorrência da venda, pois já havia recolocado o produto. E haveria uma reserva de domínio em relação à mercadoria, que sofreu duas revendas. Naquilo que se depreende da alegação, esta não combate a acusação fiscal, vez que há um desencontro lógico, não justificado, de informações e datas das operações com a mercadoria. Prevalece a acusação fiscal. Em relação ao item 7, alega que a divergência de peso das mercadorias não invalida o conjunto probatório e que o fato da mercadoria ter sido revendia anos depois já é prova de que esta estava em conta de estoque. Não procede tal alegação, vez que o desencontro de informação e a carência de mais elementos de prova não permitem a constatação cabal das operações de estorno e reintegração ao estoque, sendo tal conjunto probatório inábil para elidir a presunção de omissão de receitas. Em relação ao item 8, alega que a divergência de peso das mercadorias não invalida o conjunto probatório. Não procede tal alegação, vez que o desencontro de informação e a carência de mais elementos de prova não permitem a constatação cabal das operações de estorno e reintegração ao estoque, sendo tal conjunto probatório inábil para elidir a presunção de omissão de receitas. Em relação ao item 25, alega que a discrepância entre a descrição da mercadoria não invalida seu teor probante, havendo observação na Nota de Revenda que Fl. 3416DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 305 34 vincula o bem à venda anterior, e sua posterior revenda (mesmo em nova com informação conflitante) atesta sua reintegração ao ativo. Não procede tal alegação, vez que o desencontro de informação e a carência de mais elementos de prova não permitem a constatação cabal das operações de estorno e reintegração ao estoque, sendo tal conjunto probatório inábil para elidir a presunção de omissão de receitas. Em relação ao item 14, que apesar da discrepância em relação ao número de séria, a identificação da marca do produto provaria tratarse do mesmo equipamento, bem como a revenda, ainda que ocorrida após anos da devolução, comprova a reintegração ao estoque. Não procede tal alegação, vez que o desencontro de informação e a carência de mais elementos de prova não permitem a constatação cabal das operações de estorno e reintegração ao estoque, sendo tal conjunto probatório inábil para elidir a presunção de omissão de receitas. Em relação ao item 32, alega que as discrepâncias de descrição e peso da mercadoria são irrelevantes, bem como a revenda, ainda que ocorrida após anos da devolução, comprova a reintegração ao estoque. Não procede tal alegação, vez que o desencontro de informação e a carência de mais elementos de prova não permitem a constatação cabal das operações de estorno e reintegração ao estoque, sendo tal conjunto probatório inábil para elidir a presunção de omissão de receitas. Em relação ao item 27, alega que as discrepâncias de descrição e peso da mercadoria são irrelevantes, bem como a revenda, ainda que ocorrida após anos da devolução, comprova a reintegração ao estoque. Não procede tal alegação, vez que o desencontro de informação e a carência de mais elementos de prova não permitem a constatação cabal das operações de estorno e reintegração ao estoque, sendo tal conjunto probatório inábil para elidir a presunção de omissão de receitas. Fl. 3417DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 306 35 Ainda consigna serem todas as provas hábeis e válidas para demonstrar a improcedência da constatação de omissão de receitas, inclusive informações extraídas de arquivos magnéticos, que o v. Acórdão atestou estar em branco informações como nome das empresas para que houve a venda e sem os itens a que se referiam. Também afirma que tais informações foram utilizadas para a aplicação de multa regulamentar de 5% em outra Autuação (19515.002847/201037), que tal fato validaria os documentos fiscais, vez que utilizados como base de lançamento. Não qualquer prova em relação a tais alegações, bem como não está claramente demonstrado a relação entre tais supostos fatos e a acusação, ora combatida. Por fim, frisese que o valor somado das supostas devoluções seriam equivalentes a mais de 20% do faturamento declarado no período colhido, fato bastante incomum, que não encontra justificativa nas alegações e provas do contribuinte. Diante disso, mantenho integramente as Autuações em relação à acusação de omissão de receitas, inclusive em relação as exigências reflexas de CSLL, de Contribuição para o PIS e de COFINS. Na sequência, a Recorrente alega a impossibilidade de cumulação de multa de ofício com multas isoladas, em razão da falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no período. Alega que tal duplicidade é indevida e abusiva, trazendo vários trechos de doutrina e comentários jurídicos sobre o tema. Há tempos, a matéria da aplicação cumulada das multas de ofício e isoladas vem sendo discutida no âmbito administrativo e judicial. Neste E. CARF, foi editada a Súmula CARF nº 105, que veicula o seguinte entendimento imperioso: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Fl. 3418DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 307 36 Devese aqui comentar que existe forte controvérsia sobre sua aplicabilidade a processos que trazem em seu objeto fatos geradores posteriores a 7 de janeiro de 2007 (data de publicação da MP nº 351/2007), em razão das alterações que tal norma (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/07) promoveu no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Não obstante tal celeuma, resta inquestionável a sua aplicação em relação a fatos geradores anteriores a 07 de janeiro de 2007, abarcando, no presente processo, todas as multas isoladas, vez que os fatos colhidos abrangem apenas exigências até 31/12/2006. Posto isso, devem ser canceladas as multas isoladas aplicadas à Recorrente. Quanto as alegações da adoção da Taxa SELIC e a incidência de juros sobre multa, pelo mesmo índice, está C. Turma acompanha o atual entendimentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entende ser devida a incidência de juros sobre as penalidades, bem como pela correta eleição da taxa em questão. O recente Acórdão nº 1402.002.340, de relatoria do I. Presidente, Leonardo de Andrade Couto, publicado em 05/10/2016, ilustra o posicionamento: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (...) Por fim, no que se refere aos juros sobre a multa de ofício, tendo em vista que a peça recursal preocupouse em trazer a jurisprudência que embasaria os argumentos, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado contem entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Fl. 3419DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 308 37 (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821,CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Por derradeiro, em relação aos argumentos e pedido da suspensão da incidência de juros durante o curso do presente processo administrativo, entende este Conselheiro ser improcedente tal alegação, servindo os juros para a recomposição da real expressão econômica dos valores sob julgamento e do patrimônio do credor, ao passo que foi lhe privado o gozo e os frutos de tal capital durante a demanda. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para cancelar a aplicação das multas isoladas. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 3420DF CARF MF Processo nº 19515.002991/201073 Acórdão n.º 1402002.611 S1C4T2 Fl. 309 38 Fl. 3421DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720151/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR.
É possível a dedução de áreas de preservação permanente e reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL.
Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de utilização a data do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-005.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deu provimento parcial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. É possível a dedução de áreas de preservação permanente e reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de utilização a data do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deu provimento parcial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 51 /2 00 7- 61 Fl. 209DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório A Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso voluntário, interposto pelo contribuinte acima identificado, proferindo decisão consubstanciada no Acórdão nº 210200.626, que foi assim ementado, na parte recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 [...] ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo laudo técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13161.720151/200761 Acórdão n.º 9202005.400 CSRFT2 Fl. 210 3 Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs recurso especial, no prazo regulamentar, alegando que o acórdão paradigma nº 30239.244 exige a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA ou mesmo de requerimento do contribuinte para a emissão deste, junto ao órgão ambiental competente, para reconhecimento da isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente e utilização limitada. O paradigma foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO/RESERVA LEGAL. Para que as áreas de Utilização Limitada/Reserva Legal estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental – ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, em tempo hábil, fazendose, também, necessária, a sua averbação à margem da matricula do imóvel, até a data do fato gerador do imposto. Recurso voluntário negado Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de ofício, mantidas pelo julgamento da DRJ e exonerados pela decisão da Turma a quo, resumidamente: ITR 2004 DECLARADO LANÇADO ACÓRDÃO DRJ ACÓRDÃO 210200.626 APP 1.472,4 ha 0,0 ha 0,0 ha 1.472,4 ha ADA intempestivo (2005), antes da Autuação Fiscal+Laudo ARL 723,4 ha 0,0 ha 0,0 ha 723,4 ha ADA intempestivo (2005) antes da Autuação Fiscal +Laudo + Averbação em 9/10/97 Fl. 211DF CARF MF 4 Valor da Terra Nua R$ 2.171.000,00 R$ 4.205038,90 conforme SIPT R$ 4.205.038,90 R$ 4.205.038,90 Segundo o acórdão recorrido o VTN arbitrado pelo SIPT não foi objeto de contrariedade em qualquer momento processual, motivo pelo qual foi mantido. Já quanto aos demais aspectos verificase que, a despeito de não ter atendido a intimação (editalícia) fiscal tempestivamente, trouxe em sede de impugnação Laudo Técnico e cópia do Registro de imóveis referente à averbação, em 9 de outubro de 1997, da área de reserva legal, bem como ADA datado de 2005 (informação incontestada constante do acórdão a quo, efls 135). Não houve Embargos de Declaração quanto a não apreciação da questão do VTN arbitrado pelo SIPT. A Fazenda Nacional protocolou Recurso Especial em que entende haver necessidade de apresentação de ADA para a fruição das isenções relacionadas ao ITR, conforme supra mencionado e o contribuinte, contrarrazões, em que sumariamente alega: 1. Ausência de pressuposto recursal, haja vista a apresentação de apenas 1 paradigma; 2. Que o contribuinte demonstrou a existência dos quantitativos da área de preservação permanente e de reserva legal, especialmente com a apresentação das matrículas com as respectivas averbações e com apresentação de ADA posteriormente expedido. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual o conheço. Entretanto, não merece prosperar. Há averbação, laudo e ADA ainda que intempestivo (cf. Acórdão a quo: "Este processo está sendo julgado em conjunto com o processo 13161.720165/200785 do mesmo imóvel, onde está acostado à fl. 77, cópia do ADA de 2005, entregue ao IBAMA, assumindo a responsabilidade sobre as mesmas áreas declaradas de Preservação PErmanente e de REserva Legal. Assim, devese deferir a isenção no tocante à área de Reserva Legal e Preservação Permanente" datado de 22/05/2006) Neste mesmo sentido, essa E. CSRF já se manifestou no acórdão 9202 005.124, razão pela qual adoto o posicionamento ali expresso. A questão controvertida diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13161.720151/200761 Acórdão n.º 9202005.400 CSRFT2 Fl. 211 5 Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: (...) Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. A Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: (...) Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. Bem como existência de ADA para reconhecimento da área como de preservação permanente. O argumento principal da Fazenda Nacional reside no fato de que para fins de isenção de ITR, a partir do exercício 2001, inclusive este, o ADA deve ser protocolizado no IBAMA no prazo de seis meses, contado do termo final para a entrega da respectiva DITR. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, e que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. A meu ver não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é o que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso considero equivocado o condicionamento do Fl. 213DF CARF MF 6 reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Do mesmo modo, que no tocante a comprovação da existência da área de utilização limitada para fins de APP, a meu ver não é necessária única e exclusivamente por meio de ADA, pois adoto o entendimento de que existem outros documentos hábeis a esta comprovação. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. No caso dos autos, observo que o contribuinte apresenta ADA datado de 20.12.2005 e Laudo Técnico de dezembro de 2005, os quais considero como documento hábil para comprovação legal exigida em lei, mesmo para o exercício de 2002. Quanto a APP, saliento que no meu entendimento pessoal para configuração da área de preservação ambiental não é obrigatório que a comprovação da natureza da área se dê por meio da exibição de ADA, podendo esta ser feita por qualquer meio de prova. Contudo saliento aqui que a maioria do colegiado entende diferente, devendo para comprovação de APP o ADA ser anterior ao inicio da ação fiscal 26.05.2006 e para comprovação da área de reserva legal, que a averbação da área antes da data do fato gerador supre a inexistência do ADA. Assim entendo deva ser mantido o acórdão recorrido, pois a averbação da área de reserva legal antes do fato gerador supre a ausência de ADA para área de reserva legal, quanto a APP o ADA anterior ao inicio da ação fiscal pode ser aceito como documento hábil, servindo como comunicação a autoridade florestal ou ambiental. RESSALTO QUE A MAIORIA PRESUMIDA DO COLEGIADO ENTENDE A AVERBAÇÃO DA ARL NATUREZA CONSTITUTIVA. Diante de todo exposto nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13161.720151/200761 Acórdão n.º 9202005.400 CSRFT2 Fl. 212 7 Fl. 215DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912102/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.816
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 21 02 /2 01 2- 01 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10830.912102/201201 Acórdão n.º 3301003.816 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.843, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912102/201201 Acórdão n.º 3301003.816 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912102/201201 Acórdão n.º 3301003.816 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912102/201201 Acórdão n.º 3301003.816 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912102/201201 Acórdão n.º 3301003.816 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912102/201201 Acórdão n.º 3301003.816 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912102/201201 Acórdão n.º 3301003.816 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912102/201201 Acórdão n.º 3301003.816 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.900417/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2008
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.892
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 04 17 /2 01 3- 41 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13116.900417/201341 Acórdão n.º 3201002.892 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.533, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13116.900417/201341 Acórdão n.º 3201002.892 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13116.900417/201341 Acórdão n.º 3201002.892 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13116.900417/201341 Acórdão n.º 3201002.892 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13116.900417/201341 Acórdão n.º 3201002.892 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13116.900417/201341 Acórdão n.º 3201002.892 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13116.900417/201341 Acórdão n.º 3201002.892 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13116.900417/201341 Acórdão n.º 3201002.892 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13116.900417/201341 Acórdão n.º 3201002.892 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.000852/2004-98
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano calendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível a aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF quando a decisão definitiva de mérito, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869 de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil for proferida após a decisão prolatada no acórdão desse colegiado administrativo de que tratam os presentes autos. SOBRESTAMENTO – Não há que se falar em sobrestamento de julgamento de recursos no âmbito do CARF nos casos em que o STJ sobrestar o julgamento dos recursos especiais, pois, a previsão regimental do CARF restringe-se aos recursos extraordinários em que os julgamentos se encontram sobrestados no Supremo Tribunal Federal (STF).
Numero da decisão: 1802-001.001
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos interpostos pelo sujeito passivo, nos termos do voto da relatora que integra o presente julgado.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Incabível a aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF quando a decisão definitiva de mérito, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869 de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil for proferida após a decisão prolatada no acórdão desse colegiado administrativo de que tratam os presentes autos. SOBRESTAMENTO – Não há que se falar em sobrestamento de julgamento de recursos no âmbito do CARF nos casos em que o STJ sobrestar o julgamento dos recursos especiais, pois, a previsão regimental do CARF restringese aos recursos extraordinários em que os julgamentos se encontram sobrestados no Supremo Tribunal Federal (STF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos interpostos pelo sujeito passivo, nos termos do voto da relatora que integra o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marciel Eder Costa. Ausente, momentaneamente, o conselheiro José de Oliveira Ferraz Correa. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 01/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 01/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10140.000852/200498 Acórdão n.º 1802001.001 S1TE02 Fl. 538 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e alterações posteriores), sob alegação de “omissão” no acórdão nº 1802000.732 de 14/12/2010 proferido pelo colegiado dessa Segunda Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CARF, no processo em epígrafe, em sessão realizada no dia 14/12/2010. O acórdão foi recepcionado pela empresa, em 08/08/2011, conforme o Aviso de Recebimento,fl.224. Os embargos foram apresentados em 11/08/2011. A Embargante alega que este colegiado ao desprover o recurso, não considerou a aplicação ao presente caso do disposto no artigo 62A do Regimento Interno desse Conselho. Aduz que sobre a matéria dos autos, temse a recente decisão da 1ª Seção do STJ (RESP 1.118.893MG, Relator Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA cópia junta), proferida nos termos e com o alcance do artigo 543C do CPC (Recursos Repetitivos, com efeitos vinculantes), em caso idêntico ao dos autos, cuja ementa é a seguinte: CONSTITUCIONAL.TRIBUTÁRIO.PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543 C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). Fl. 274DF CARF MF Impresso em 01/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5."Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ A Embargante afirma que o precedente trata exatamente da questão dos autos, qual seja, a eficácia da coisa julgada operada em favor da Recorrente, que continua sendo titular do direito adquirido de não pagar a contribuição social instituída pela Lei n° 7.689/88, pois todas as leis posteriores apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da CSLL, sem alterar sua matriz normativa. Alega também que a decisão embargada não se manifestou expressamente sobre a impossibilidade de se cobrar a CSLL com base na Lei n° 8.212/91 e subseqüentes. A seguir discorre sobre os efeitos da mencionada lei. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 01/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10140.000852/200498 Acórdão n.º 1802001.001 S1TE02 Fl. 539 5 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa Os Embargos de declaração foram apresentados em 11/08/2011, portanto, tempestivos, deles conheço. Primeiramente, a Embargante alega que, no julgado embargado este colegiado ao desprover o recurso, não considerou a aplicação ao presente caso do disposto no artigo 62A do Regimento Interno desse Conselho. Aduz que sobre a matéria dos autos, temse a recente decisão da 1ª Seção do STJ (RESP 1.118.893MG, Relator Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA cópia junta), proferida nos termos e com o alcance do artigo 543C do CPC (Recursos Repetitivos, com efeitos vinculantes), em caso idêntico ao dos autos, conforme ementa transcrita no relatório acima. É cediço que o artigo 62A do Regimento Interno desse Conselho assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1° Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2° O sobrestamento de que trata o § 1 ° será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que o julgamento do mencionado recurso especial somente ocorreu em 23 de março de 2011 (data do julgamento), conforme se verifica do inteiro teor do acórdão (STJ) juntado ao autos pela Embargante. Portanto, incabível a aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF porque a decisão definitiva de mérito, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869 de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil foi proferida após a decisão prolatada no acórdão desse colegiado administrativo de que tratam os presentes autos. Também não há falar em sobrestamento de julgamento de recursos no âmbito do CARF nos casos em que o STJ sobrestar o julgamento dos recursos especiais, pois, a previsão regimental do CARF restringese aos recursos extraordinários em que os julgamentos se encontram sobrestados no Supremo Tribunal Federal (STF). Fl. 276DF CARF MF Impresso em 01/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 A Embargante alega ainda que a decisão embargada não se manifestou expressamente sobre a impossibilidade de se cobrar a CSLL com base na Lei n° 8.212/91 e subseqüentes. O acórdão embargado foi assim ementado: Ementa: Reconhecimento de inconstitucionalidade. Coisa julgada. Efeitos.Limites. Relação jurídica continuada Havendo decisão judicial declarando a inconstitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro instituída pela Lei n° 7689/88, a coisa julgada é abalada quando é alterado o estado de fato ou de direito, nos termos do art. 471, I, do CPC, configurado, por exemplo, por superveniente alteração legislativa na norma impugnada anteriormente. Apesar de o acórdão embargado não mencionar expressamente a Lei nº 8.212/91, toda a fundamentação para refutar as alegações da recorrente é no sentido de que a Lei n° 7.689/88, foi alterada por legislação superveniente, ou seja, houve modificação da situação fáticojurídica protegida pela decisão transitada em julgado, vejamos: (...) Nesse contexto, cumpre registrar que a Lei n° 7.689/88, de fato teve sua constitucionalidade contestada na esfera judicial, e a recorrente de fato dispõe de decisão transitada em julgado, contudo, não se pode olvidar das disposições constantes no artigo 468 do Código de Processo Civil, cuja transcrição oportunamente se destaca, litteris: Artigo 468. A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. Fica cristalino, portanto, que enquanto não ocorrer mudança no estado de direito, a sentença judicial será definitiva como norma jurídica, de caráter individual e concreta em favor da parte. Sem desconsiderarse que a introdução no mundo jurídico de ato legal que modifique efetivamente a matéria questionada, altera o estado de direito. Disto isso, não se pode por igual turno deixar de consignar que a decisão judicial indicada pela recorrente como fundamento para cancelar a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro apreciou especificamente a Lei n° 7.689/88, porém no período fiscalizado houve alteração na legislação cuja inconstitucionalidade a recorrente sustenta ter coisa julgada a seu favor, pela qual pretende ad eternum ser liberada do recolhimento da contribuição. Independentemente de ter versado apenas sobre o aspecto quantitativo da regra matriz de incidência tributária, o que importa é que frente à legislação distinta e fatos de natureza diversa foi alterado o panorama jurídico da CSLL. Dessa forma, a relação jurídicotributária afastada foi restabelecida, ensejando uma reanálise de seu contexto. Em verdade, é inegável que a edição das normas supervenientes ensejou a modificação legislativa de que trata a doutrina, ou Fl. 277DF CARF MF Impresso em 01/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10140.000852/200498 Acórdão n.º 1802001.001 S1TE02 Fl. 540 7 ainda, a modificação no estado de direito preconizada pelo Estatuto Processual. Destarte, irrefutável a modificação legislativa ocorrida, cuja irradiação de efeitos encampa a relação jurídico tributária continuativa em exame. Ou seja, a decisão judicial transitada em julgado em favor da Recorrente diz respeito a uma situação produzida pelo quanto determinado na Lei n° 7.689/88, a qual foi alterada por legislação superveniente, ou seja, houve modificação da situação fáticojurídica protegida pela decisão transitada em julgado, de modo que a referida norma individual e concreta que a eximia do recolhimento da contribuição social sobre o lucro não mais se aplica à situação jurídica em que se encontrava à época da autuação. Diante de tais fundamentos, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Depreendese do voto condutor do acórdão embargado que, manifestarse sobre a Lei nº 8.212/91, é dizer que nova disciplina foi estabelecida para a Contribuição Social sobre o Lucro, o que afasta a coisa julgada, sendo, então, exigível a contribuição, não mais prevalecendo o provimento judicial que eximia o contribuinte do recolhimento de tal contribuição. Ademais, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte. Portanto, é bastante que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Assim, não há qualquer fundamento para que sejam acolhidos os Embargos apresentados sob o pretexto de que o julgado embargado foi omisso. Portanto, da análise dos autos entendo não estarem presentes no acórdão embargado qualquer das situações previstas no dispositivo regimental, ou seja, no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Diante das considerações acima, voto no sentido de que sejam rejeitados os Embargos de declaração em comento. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 01/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13882.000178/2003-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1993 a 31/03/2003
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Inexistindo dolo do contribuinte, aplicase a regra do art. 150, § 4o do CTN aos períodos de apuração em que houve pagamento antecipado do imposto e a regra do art. 173, I, do CTN aos períodos de apuração em que não houve pagamento.
RECONSTITUIÇÃO DE ESCRITA FISCAL.
A reconstituição de escrita fiscal elaborada em planilhas contendo observações numeradas e devidamente explicadas em termo circunstanciado pela fiscalização não caracteriza cerceamento de defesa e constitui instrumento hábil à comprovação dos valores devidos pelo contribuinte.
CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO.?O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza a escrituração se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO FISCAL E CONTÁBIL.
A falta de apresentação da escrituração contábil e fiscal relativa às notas fiscais de entrada constitui óbice intransponível ao reconhecimento da legitimidade do crédito extemporâneo, uma vez que impede o fisco de verificar se os valores já não foram aproveitados na época própria.
CRÉDITOS. COMERCIANTE ATACADISTA NÃO CONTRIBUINTE.
O direito ao crédito sobre 50% do valor das notas fiscais de aquisição de insumos de comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI não contempla fornecedores inscritos no Simples e nem aquisições tributadas com alíquota zero.
CRÉDITO PRESUMIDO. APROVEITAMENTO NA ESCRITA FISCAL.
A teor do art. 14 da IN SRF 210/2002, a falta de apresentação do DCP só impede o aproveitamento do crédito presumido via ressarcimento ou compensação, não constituindo óbice ao aproveitamento do benefício de forma escritural na contacorrente de IPI.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-003.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo dolo do contribuinte, aplicase a regra do art. 150, § 4o do CTN aos períodos de apuração em que houve pagamento antecipado do imposto e a regra do art. 173, I, do CTN aos períodos de apuração em que não houve pagamento. RECONSTITUIÇÃO DE ESCRITA FISCAL. A reconstituição de escrita fiscal elaborada em planilhas contendo observações numeradas e devidamente explicadas em termo circunstanciado pela fiscalização não caracteriza cerceamento de defesa e constitui instrumento hábil à comprovação dos valores devidos pelo contribuinte. CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza a escrituração se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO FISCAL E CONTÁBIL. A falta de apresentação da escrituração contábil e fiscal relativa às notas fiscais de entrada constitui óbice intransponível ao reconhecimento da legitimidade do crédito extemporâneo, uma vez que impede o fisco de verificar se os valores já não foram aproveitados na época própria. CRÉDITOS. COMERCIANTE ATACADISTA NÃO CONTRIBUINTE. O direito ao crédito sobre 50% do valor das notas fiscais de aquisição de insumos de comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI não contempla fornecedores inscritos no Simples e nem aquisições tributadas com alíquota AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 2. 00 01 78 /2 00 3- 75 Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.143 2 zero. CRÉDITO PRESUMIDO. APROVEITAMENTO NA ESCRITA FISCAL. A teor do art. 14 da IN SRF 210/2002, a falta de apresentação do DCP só impede o aproveitamento do crédito presumido via ressarcimento ou compensação, não constituindo óbice ao aproveitamento do benefício de forma escritural na contacorrente de IPI. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 833 a 894) interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1435.783 (fls. 467 a 492), de 9 de novembro de 2011, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a Manifestação de Inconformidade (fls. 1066 a 1111) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT em São Paulo que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento e homologou as compensações pleiteadas até o limite do direito creditório reconhecido. Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.144 3 A contribuinte apresentou a Declaração de Compensação de fl. 01, no valor de R$ 180.000,00, e os pedidos de ressarcimento de fls. 111/141, totalizando o crédito de R$ 7.463.403,48, para o período do 40 trimestre de 1993 ao 1° trimestre de 2003. Posteriormente, apresentou a Declaração de Compensação constante do processo em apenso n° 13882.000184/200322, e as DCOMPs eletrônicas listadas As fls. 508/509. Consta nos autos que os créditos pleiteados referemse a crédito presumido de IPI, créditos de atacadistas, créditos de entradas de insumos indiretos, créditos de insumos isentos e de aliquota zero, correção monetária dos créditos, e insumos não creditados. Mediante o Despacho Decisório de fls. 507/513, e com base na informação fiscal de fls. 495/502, a DERAT deferiu o direito creditório de R$ 2.149,61, e homologou as compensações até esse valor, pelos seguintes motivos: 1. Não foi possível estabelecer uma correlação entre as listagens fornecidas pela contribuinte durante a diligência fiscal (Anexo I) e a listagem de fls. 33/38 apresentada com o pedido de ressarcimento que totaliza o crédito pleiteado de R$ 7.463.403,38; 2. A contribuinte não logrou comprovar quais valores estavam contidos na listagem apresentada, prejudicando a conferência, por amostragem, das notas fiscais de entrada; 3. A interessada não apresentou os Livros Registro de Entradas e Registro de Saídas correspondentes aos anos de 1998 a 2002; 4. A requerente não efetuou o estorno do crédito na data do protocolo, mas somente na data da compensação; 5. O Ônus da prova era da requerente; 6. Somente foi possível reconhecer o crédito de R$ 2.149,61 de aquisições de estabelecimento atacadista; esse valor referese As notas fiscais emitidas até o 1° trimestre de 2003, de um total de R$ 18.702,98 constante no demonstrativo de fls. 411/416; 7. Ainda que o pedido estivesse amparado por todos os documentos, estavam prescritos os valores relativos a períodos anteriores ao 3° decêndio de fevereiro de 1998; Juntamente com a análise do presente pedido, a empresa foi objeto de fiscalização do IPI, abrangendo os mesmos períodos de apuração, que em virtude da glosa de créditos, resultou na lavratura de auto de infração, formalizado no processo n° 19515.001253/200975, ienao:sido juntado As fls. 420/491, cópia do Termo de Constatação que fundamentou a autuação. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 532/577, na qual alega que: 1. Decaiu o direito de glosar o crédito de R$ 7.463.406,48 que foi escriturado no Livro Registro de IPI no 10 decêndio de março de 2003, pois tomou ciência do Termo de Constatação Fiscal em 30/04/2009; a ocorrência da decadência do direito Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.145 4 de glosar já foi devidamente levantada na impugnação ao auto de infração formalizado no processo n° 19515.001253/200975; 2. Estão homologadas tacitamente, pelo decurso do prazo de cinco anos, as Declarações de Compensação objeto deste e do processo em apenso n° 13882.000184/200322, bem como as DCOMPs eletrônicas anexadas As fls. 145/289; 3. O Despacho Decisório menciona os débitos das declarações eletrônicas transmitidas em setembro de 2006 com redundância, pois, conforme descrito no Termo de Informação Fiscal (fls. 500/501), tratamse de meras declarações retificadoras; 4. Procedeu corretamente ao fazer o aproveitamento dos créditos no Livro Registro de Apuração, atendendo os ditames da IN SRF n° 33/99; 5. O principio da nãocumulatividade assegura o direito ao crédito relativo a aquisições de produtos essenciais à atividade empresarial, ainda que se trate de peças de reposição de máquinas, sem embargo das restrições previstas na legislação tributária, uma vez que há consumo, com desgaste, no processo produtivo e que tais artefatos não integram o ativo imobilizado e constituem mera despesa; 6. O direito ao crédito de IPI em aquisições de estabelecimentos atacadistas tem previsão no RIPI/2002, art. 165, sendo que, apesar de ajustes feitos pela própria impugnante nas listagens, foi considerado pela fiscalização somente o valor de 18.702,98; 7. A simples falta de apresentação de DCP não pode impedir o direito ao crédito presumido referente a exportações, sendo que, de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 210, de 2002, art. 14, § 4 0, com a redação dada pela IN SRF n° 323, de 24/04/2003, a DCP passou a ser exigida somente a partir do 2° trimestre de 2003 e não do 40 trimestre de 2002, sendo antes apenas exigida a apresentação de DCTF; mesmo que não fossem admitidos créditos por causa da falta de DCP a partir do 2° trimestre de 2003, isso não poderia acontecer em relação aos créditos de 2000 até o 1° trimestre de 2001, e quanto à falta dos livros de entradas de 1998 a 2002, é aplicável a regra do RIPI/2002, art. 191, segundo a qual, no lançamento de oficio, devem ser considerados como escriturados os créditos a que faça jus o sujeito passivo alegados até a impugnação, sendo que a contribuinte teria atendido todas as exigências da fiscalização; 8. Sob o fundamento da falta de livros fiscais (de 1999 a 2002), a fiscalização deixou de considerar créditos referentes a insumos que seriam produtos intermediários diretamente consumidos no processo produtivo (solventes, tintas, fitas adesivas, cartuchos de impressora, fita de processador, etc.), apesar da documentação fiscal comprobatória; 9. O direito aos créditos de IPI de produtos com alíquota zero e isentos, glosados pela fiscalização, deflui . do principio da nãocumulatividade, conforme doutrina e jurisprudência, inclusive administrativa; 10. A correção monetária foi incorporada aos créditos não adjudicados na época própria para evitar o prejuízo com a inflação do período, sendo inconstitucional o enriquecimento sem causa do Estado resultante do acréscimo inflacionário em favor dos cofres públicos e à. custa do sujeito passivo, conforme jurisprudência destacada; Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.146 5 11. Como o imposto em questão segue o regime do lançamento por homologação, o prazo prescricional de cinco anos somente poderia ser contado a partir da data da extinção do crédito tributário, sendo que, então, deve ser considerado o prazo total de 10 anos (5 anos a partir do fato gerador mais 5 contados da homologação tácita do lançamento), consoante doutrina e jurisprudência; 12. Na confusa planilha de "reconstituição do livro registro de apuração de IPI — AC 2003 e 2004" não constam os créditos referentes a março de 2003 e janeiro de 2004, respectivamente de R$ 7.463.403,48 e R$ 505.133,83, além da demonstração das glosas efetuadas nos períodos respectivos e o estorno efetuado pela própria contribuinte no importe de R$ 1.183.334,37; 13. A fiscalização criticou as listagens apresentadas, mas, mais importante que listagens é a documentação comprobat6ria dos créditos, e conforme se verifica na resposta de fl. 334, a contribuinte informou que devido ao grande volume de documentos, os mesmos estavam disponibilizados na sede da empresa. Por fim, requereu o acolhimento das alegações preliminares, ou ainda, o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação das compensações pleiteadas. Tendo em vista a negativa parcial do Acórdão ora analisado o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 27 de março de 2012 visando a reforma da referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário (fls. 833 a 894), de 27 de março de 2012, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1435.783 (fls. 467 a 492), de 9 de novembro de 2011, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1993 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. GLOSAS DE CRÉDITO. O § 4° do artigo 150 do CTN aplicase a lançamento por homologação e não aos casos de correção do cálculo do montante do ressarcimento. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.147 6 Retificada a declaração de compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação tácita será a data da apresentação da declaração de compensação retificadora. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI. PRESCRIÇÃO. O direito de pleitear o ressarcimento de créditos, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONHECIMENTO DO PEDIDO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATORIA. A autoridade competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI pode condicionar o conhecimento do pedido à apresentação de documentação comprobatória do direito. RESSARCIMENTO. ONUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Tendo em vista a negativa parcial do pleito o Contribuinte em Recurso Voluntário requer (fl. 894): a) com o reconhecimento de que o Despacho Decisório cuida apenas das compensações declaradas nos processos no 13882.000178/200375 e 13882.000184/200322, tacitamente homologadas pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) contado da protocolização dos processos em maio de 2003; ou, b) com o acolhimento da Decadência do procedimento administrativo, seja quanto ao procedimento de fiscalização que propôs o reconhecimento parcial da legitimidade do crédito de IPI a ressarcir apurado no 1O. trimestre de 2003; seja pela homologação tácita de todas as compensações carreadas aos autos; b) ou, se a tanto chegar a análise, com o Reconhecimento da legitimidade da totalidade do crédito de IPI a ressarcir apurado no 1O. trimestre de 2003, e a Homologação total das compensações declaradas pela contribuinte listadas no presente processo. De forma mais detalhada, os pedidos do Contribuinte no referido recurso tratam dos seguintes temas: De forma preliminar: Da decadência do direito de glosa de créditos e de não homologação de declarações de compensação. Do mérito: Da prescrição; Da glosa do direito creditório; Do direito ao crédito proveniente da entrada de produtos essenciais à atividade empresarial; Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.148 7 Dos créditos de aquisições de insumos de fornecedores atacadistas; Dos créditos presumidos; Dos créditos não aproveitados sobre insumos; Dos créditos presumidos de IPI na aquisição de produtos com isenção; Dos créditos de IPI na aquisição de produtos com alíquota zero; Da correção monetária dos créditos apropriados extemporaneamente; Dos efeitos da decisão favorável nos autos do processo nº 19515.001253/200975; Das PER/DCOMP objeto da discussão e dos débitos consolidados em parcelamento. Diante de tal pedido a 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por intermédio da Resolução 3101000.409, de 25 de fevereiro de 2015, converteu o julgamento em diligência com o seguinte relatório e pedido (fls. 924): Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada, indeferiu o direito creditório, e reconheceu a homologação tácita das declarações de compensação apresentadas até 28/08/2004, que não foram objeto de declaração de compensação retificadora. O Acórdão 1435.783 foi assim ementado: (...) Originalmente, o contribuinte apresentou a Declaração de Compensação juntamente com pedidos de ressarcimento, para o período do 4º trimestre de 1993 ao 1° trimestre de 2003. Posteriormente, apresentou a Declaração de Compensação constante do processo em apenso n° 13882.000184/200322, e DCOMPs eletrônicas. Consta nos autos que os créditos pleiteados referemse a crédito presumido de IPI, créditos de atacadistas, créditos de entradas de insumos indiretos, créditos de insumos isentos e de alíquota zero, correção monetária dos créditos, e insumos não creditados. Segundo relata a autoridade julgadora a quo, mediante o Despacho Decisório de fls. 507/513 (numeração manual), e com base na informação fiscal de fls. 495/502 (numeração manual), a DERAT deferiu o direito creditório de R$ 2.149,61, e homologou as compensações até esse valor, pelos seguintes motivos: (i) Não foi possível estabelecer uma correlação entre as listagens fornecidas pela contribuinte durante a diligência fiscal (Anexo I) e a listagem de fls. 33/38 apresentada com o pedido de ressarcimento que totaliza o crédito pleiteado de R$ 7.463.403,38; (ii) A contribuinte não logrou comprovar quais valores estavam contidos na listagem apresentada, prejudicando a conferência, por amostragem, das notas fiscais de entrada; (iii) A interessada não apresentou os Livros Registro de Entradas e Registro de Saídas correspondentes aos anos de 1998 a 2002; Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.149 8 (iv) A requerente não efetuou o estorno do crédito na data do protocolo, mas somente na data da compensação; (v) O Ônus da prova era da requerente; (vi) Somente foi possível reconhecer o crédito de R$ 2.149,61 de aquisições de estabelecimento atacadista; esse valor referese As notas fiscais emitidas até o 1° trimestre de 2003, de um total de R$ 18.702,98 constante no demonstrativo de fls. 411/416; (vii) Ainda que o pedido estivesse amparado por todos os documentos, estavam prescritos os valores relativos a períodos anteriores ao 3° decêndio de fevereiro de 1998; Informa ainda o julgador a quo que, juntamente com a análise do presente pedido, a empresa foi objeto de fiscalização do IPI, abrangendo os mesmos períodos de apuração, que em virtude da glosa de créditos, resultou na lavratura de auto de infração, formalizado no processo n° 19515.001253/2009 75, tendo sido juntado às fls. 420/491 (numeração manual), cópia do Termo de Constatação que fundamentou a autuação. (grifouse). Em seu recurso voluntário, a interessada alega a decadência do direito de glosa de créditos e de não homologação de declarações de compensação, a homologação das declarações de compensação que foram objeto de declaração retificadora, requerendo o reconhecimento da legitimidade da totalidade do crédito de IPI a ressarcir no período em questão e a homologação total das compensações declaradas no presente processo. (...) Voto (...) O presente processo não se encontra em condições de ser julgado por esse colegiado, tendo em vista a insuficiência de seu conjunto probatório, especialmente pela inexistência dos documentos que faziam parte do Volume 03 (fls. 401 a 593), de numeração manual, que continham, entre outros, o Despacho Decisório (fls. 507/513 numeração manual) e Informação Fiscal (fls. 495/502 numeração manual) da DERAT. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora anexe aos autos, no formato digital, os documentos que faziam parte do Volume 03 (fls. 401 a 593), de numeração manual, que continham, entre outros, o Despacho Decisório (fls. 507/513 numeração manual) e Informação Fiscal (fls. 495/502 numeração manual). Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento. O primeiro ponto trazido pelo Recurso Voluntário é a respeito da preliminar de decadência do direito de glosa de créditos e de não homologação de declarações de compensação. O Contribuinte entende que houve a efetiva decadência do direito da Fiscalização de efetuar a glosa dos créditos apropriados, nesse sentido cito trecho do Recurso Voluntário que esclarece sua argumentação (fls. 841 a 842): Desta feita, a ocorrência da decadência quanto ao direito do fisco em promover a glosa dos créditos apropriados pela contribuinte, foi devidamente enfrentada no Recurso Voluntário ao procedimento de fiscalização do processo no Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.150 9 19515.001253/200975. Todavia, para que não paire qualquer dúvida, a contribuinte quer novamente rebater os atos da fiscalização que culminaram na glosa de créditos feita a destempo. (grifouse). Neste ponto, insta observar que os pedidos formulados no Recurso Voluntário, como textualmente admite o Contribuinte, já foram analisados e objeto de deliberação no processo nº 19515.001253/200975, referente ao auto de infração que glosou os créditos do Contribuinte, objeto do processo ora analisado. Cabe observar que no referido processo, por intermédio do Acórdão n. 3403 004.418, de 30 de janeiro de 2013, da 3a. Turma Ordinária, da 4a. Câmara da Terceira Seção de Julgamento, de relatoria do conselheiro Antonio Carlos Atulim, converteuse primeiramente o julgamento em diligência nestes termos: Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem, a fim de que: 1) Sejam anexadas a este processo cópias das peças principais do processo nº 13882.000021/200340, que versa sobre ressarcimento do IPI relativo ao 4º trimestre de 2002, principalmente a cópia da decisão administrativa definitiva nele proferida; e 2) Sejam anexadas ao processo cópias das DCTF dos anos calendário de 2003 e 2004 (DCTF completa e não extratos) e informação conclusiva acerca dos períodos de apuração em que houve recolhimento antecipado do IPI por meio de DARF. Atendidas as solicitações acima, o processo deverá retornar a este colegiado para prosseguimento no julgamento. Já em 27 de novembro de 2013, com o retorno da diligência, a mesma turma procedeu com o julgamento e proferiu o Acórdão no 3403002.633. Neste, por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) declarar extinto o direito de o fisco exigir valores em relação aos períodos de apuração encerrados entre 101/2003 e 212/2003 e em relação aos períodos de apuração 201/2004, 102/2004, 202/2004, 103/2004, 203/2004 e 1 04/2004, em razão da decadência; 2) reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%, em razão de não ter sido comprovada a sonegação; e 3) reverter a glosa do crédito presumido do ano de 2003 no valor de R$ 102.846,33. Sendo assim, cito a íntegra do voto do Acórdão no 3403002.633, proferido no processo nº 19515.00.1253/200975, como forma de enfrentar todas as alegações do Contribuinte formuladas quando do Recurso Voluntário, no que couber, e como razões para decidir: Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. O contribuinte alegou a nulidade da decisão de primeira instância por ter a DRJ considerado os débitos de outubro e dezembro de 2004 como não impugnados e pleiteou o cancelamento do processo no 16151.001216/201089 para o qual foram transferidos. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.151 10 Analisando o demonstrativo de reconstituição dos saldos da escrita fiscal, verificase que mesmo a fiscalização tendo desconsiderado por completo o saldo credor inicial de R$ 424.870,15, o efeito da glosa dos créditos indevidos não chegou a atingir os períodos de apuração de outubro, novembro e dezembro de 2004. E isso se deve ao fato de que no livro de apuração original o contribuinte apurou saldo credor de escrita durante todo o ano calendário de 2003 (exceto 302/2003) e até o mês de abril de 2004 (fls. 691/692). Esta constatação é corroborada pelo confronto do valor do saldo da escrita fiscal antes da reconstituição coluna “SALDO” com o valor após a reconstituição, coluna “NOVO SALDO FINAL”, no demonstrativo de fls. 1093 a 1098, que veio aos autos com a diligência solicitada pela DRJ. Em relação aos períodos de outubro e dezembro de 2004, a diferença entre aos saldos de escrita e o que foi lançado de ofício, se deve à exclusão dos valores declarados em DCTF, especificados na coluna “AJUSTE 3” do demonstrativo citado no parágrafo anterior. Assim, em outubro de 2004 foi apurado saldo devedor na escrita de R$ 318.322,76, na DCTF foi declarado 8.322,76 (fl. 425), restando um saldo não declarado de R$ 310.000,00 que foi lançado de ofício com a multa de 75%. Quanto ao mês de dezembro de 2004, o saldo da escrita foi de R$ 303.273,76, o valor declarado foi de R$12.273,76 e a diferença lançada foi de R$ 291.000,00 também com a multa de 75%. O contribuinte não contestou em momento algum a falta de declaração e de recolhimento das diferenças lançadas nesses períodos de apuração. A alegação de decadência também não socorre o contribuinte, pois mesmo utilizando o prazo do art. 150, § 4o do CTN, o lançamento permanece hígido em relação aos períodos de apuração ocorridos a partir da segunda quinzena de abril de 2004, inclusive. Portanto, foi correta a decisão da 2a Turma da DRJ Ribeirão Preto em considerar não impugnados os valores lançados em outubro e dezembro de 2004, pois a exigência não decorreu da glosa de créditos, mas sim de falta de declaração e de recolhimento por parte do contribuinte. Tratandose inequivocamente de matéria não impugnada, não há nenhuma razão para se cancelar o processo no 16151.001216/201089 e o contribuinte deve efetuar o pagamento daqueles débitos, sob pena de se sujeitar à cobrança executiva. DA COMPOSIÇÃO DOS VALORES LANÇADOS A CRÉDITO E DA FALTA DE COMPROVAÇÃO DE SUA LEGITIMIDADE Conforme se verifica nos autos, o valor de R$ 7.463.403,48, registrado a crédito em março de 2003, é composto por: a) créditos sobre aquisições de atacadistas não contribuintes dos anos de 2000 a 2002; b) crédito presumido de IPI dos anos 1998 a 2002; c) créditos sobre insumos isentos dos anos de 2000 a 2002; Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.152 11 d) créditos sobre insumos tributados com alíquota zero dos anos 1994 a 1996; e e) correção monetária sobre o crédito extemporâneo. Já o valor de R$ 505.133,83, lançado a crédito no livro modelo 8, em janeiro de 2004, tem a seguinte composição: a) crédito sobre aquisições de atacadistas não contribuintes de 2003; b) crédito presumido de IPI do ano de 2003; e c) créditos sobre aquisições de insumos indiretos de dezembro de 1999 a dezembro de 2002. Embora intimado e reintimado por diversas vezes, o contribuinte não apresentou à fiscalização os livros da escrita contábil e fiscal dos anos calendário de 1999 a 2002, fato que por si já justificaria a glosa dos valores creditados em razão da impossibilidade de o fisco aferir sua legitimidade. A mera apresentação de listagens de notas fiscais ou mesmo das notas fiscais, não dá direito ao crédito, pois a inexistência dos livros da época não permite ao fisco aferir se o crédito decorrente das notas fiscais ora apresentadas já foi aproveitado no passado. Por tal razão não socorre o contribuinte o art. 191 do RIPI/2002, uma vez que esse dispositivo regulamentar somente se aplica aos casos de atraso na escrituração fiscal e não aos casos de inexistência ou de falta de apresentação dos livros, como aconteceu no caso concreto. É cediço que existe um atraso "normal" na escrituração dos contribuintes e que os procedimentos fiscais demoram um certo lapso de tempo para serem concluídos. O que o art. 191 do RIPI/2002 garante aos contribuintes é que os créditos não escriturados em decorrência dessas circunstâncias normais sejam considerados para a dedução do imposto lançado de ofício, desde que tais créditos sejam alegados até a impugnação. O art. 191 do RIPI/2002 não representa um salvo conduto que dispensa os contribuintes de apresentarem a escrituração contábil e fiscal de suas operações. O art. 9o do DecretoLei no 1.598/77 estabelece que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. Já o art. 190 do RIPI/2002 estabelece que os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista dos documentos que lhes confira legitimidade. Desses dispositivos, se pode concluir que a prova da legitimidade do crédito deve ser aferida por meio da escrituração contábil e fiscal e que o crédito só tem existência jurídica se as notas fiscais de entrada estiverem contabilizadas. Não existe crédito de IPI fora dos livros fiscais. Tal interpretação está explícita no Parecer Normativo CST no 515/71, que embora tenha estabelecido que o direito de aproveitamento dos créditos extemporâneos prescreve em cinco anos, contados da data da entrada dos insumos no estabelecimento industrial (art. 1o do Decreto no 20.910/32), na sua parte final consignou o seguinte: "(...) Advirtase contudo, que, em qualquer caso, o exercício desse direito [de tomar o crédito extemporâneo] está subordinado às Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.153 12 exigências regulamentares, bem como às previstas em atos administrativos que o disciplinam." Os créditos extemporâneos que compuseram os valores lançados a crédito pelo contribuinte em sua escrita nos meses de março de 2003 e janeiro de 2004 são compostos por créditos gerados entre 1994 e 1996 (alíquota zero); entre 1998 e 2002 (crédito presumido); entre 2000 e 2002 (insumos isentos) e entre dezembro de 1999 e dezembro de 2003 (produtos indiretos). Ora, se o contribuinte não possui os livros da escrita contábil e fiscal hábeis à comprovação da legitimidade dos valores, merecem ser sumariamente glosados todos os créditos registrados que tenham tido origem por entradas ocorridas até 31/12/2002, com base no art. 9o, § 1o do DecretoLei no 1.598/77 combinado com o art. 190 do RIPI/2002, uma vez que não restaram cumpridos os requisitos exigidos no regulamento (escrituração de livros). DO DIREITO AO CRÉDITO SOBRE AS AQUISIÇÕES DESONERADAS DO IPI Embora o crédito apurado sobre aquisições isentas (anos de 2000 a 2002) e tributadas com alíquota zero (1994 a 1996), possa ser negado sumariamente com base no fato da falta da apresentação da escrituração contábil e fiscal, o contribuinte fundamentou seu direito no princípio da nãocumulatividade e na jurisprudência do STF. É consenso na doutrina que o princípio da nãocumulatividade pode ser introduzido no sistema tributário de determinado país por meio das técnicas do valor agregado ou da dedução do imposto. Na técnica do valor agregado, que é originária do direito francês, subtraise do valor da operação posterior o valor da anterior. É o que se conhece como dedução na base. Na técnica da dedução do imposto, subtraise do imposto devido na operação posterior o imposto que incidiu na operação anterior. No sistema tributário brasileiro, o constituinte, ao delimitar as competências tributárias das entidades federadas, consignou no art. 153, da CF/1988 que (...) Compete à União instituir impostos sobre (...) IV produtos industrializados (...) § 3o O imposto previsto no inciso IV (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...). (grifei) Conforme se pode verificar, a constituição claramente optou pela técnica da dedução do imposto, onde a única garantia assegurada ao contribuinte é que o imposto devido a cada operação seja deduzido do que foi cobrado na operação anterior. Já o art. 49 do CTN enuncia o seguinte: Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo, verificado em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.154 13 Obviamente que imposto “pago” ou “cobrado” quer dizer imposto que incidiu, que foi destacado nas notas fiscais de aquisição das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem e não imposto efetivamente pago. Isto porque o pagamento da nota fiscal de aquisição dos insumos ao fornecedor é um ato que extingue uma relação jurídica de direito privado, não podendo condicionar o exercício do direito de crédito que decorre de uma relação jurídica de direito público. Se houve destaque do imposto na operação anterior, poderá haver o direito ao crédito, ainda que o adquirente não tenha efetuado o pagamento ao fornecedor do valor da nota fiscal. Além disso, duas constatações imediatas surgem da análise do enunciado do art. 49 do CTN. A primeira é que pela expressão ... “dispondo a lei”... que consta da cabeça do artigo, se pode concluir que o princípio da nãocumulatividade tem como destinatário certo o legislador ordinário e não o aplicador da lei. A segunda é que créditos de IPI devem ser utilizados primordialmente para abatimento dos débitos do mesmo imposto. Existindo saldo credor, este deve ser transferido para o período seguinte, o que significa que os créditos de IPI têm natureza escritural, conforme já decidiu o STF. Resta claro que no direito constitucional brasileiro o conteúdo do princípio da nãocumulatividade não tem a mesma amplitude que lhe pretendeu dar a recorrente, uma vez que os créditos são escriturais e não são gerados diretamente pela incidência da norma constitucional sobre situações concretas. Especificamente no caso de insumos imunes, há que se acrescentar algumas considerações. Primeiramente cabe fazer a distinção entre os dois sentidos do termo “imunidade”. O primeiro é o de norma jurídica que tem como destinatário imediato o legislador ordinário da União, dos Estados, do DF e dos Municípios. O segundo significado é o direito subjetivo de o cidadão não ser tributado quando se encontrar na situação prevista na constituição. Para o deslinde deste caso concreto, importa tomar o termo “imunidade” no sentido de norma jurídica. Segundo Paulo de Barros Carvalho, imunidade é: “(...) a classe finita e imediatamente determinável de normas jurídicas contidas no texto da Constituição Federal, e que estabelecem, de modo expresso, a incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para expedir regras instituidoras de tributos que alcancem situações específicas e suficientemente caracterizadas.(...)” (in: Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 7 ed. 1995, p.118). Por seu turno, Clélio Chiesa define imunidade como sendo “(...) um conjunto de normas jurídicas contempladas na Constituição Federal que estabelecem a incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para instituírem tributos sobre certas situações nela especificadas.(...).” (in: Curso de Especialização em Direito Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 2006, p. 921). Em resumo, podese dizer que imunidade é uma regra de competência Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.155 14 negativa que impede a instituição de tributos sobre os fatos e as pessoas eleitos pela constituição. Tratase de verdadeira exclusão ou supressão do poder tributário das pessoas políticas constitucionais, impedindoas de alcançar certas pessoas ou certas materialidades estabelecidas na constituição. As imunidades tributárias são normas jurídicas de estrutura, pois não se voltam diretamente para a regulação de condutas intersubjetivas. As regras de imunidade voltamse para o próprio sistema tributário, limitando e delimitando a conduta dos legisladores de cada pessoa política constitucional, de forma a impedir que cada um deles edite norma impositiva sobre determinados fatos e pessoas. No caso específico dos produtos imunes, o legislador ordinário da União está impedido de submeter aqueles produtos à tributação do IPI. Tratase de verdadeira norma de estrutura, pois atinge em cheio a regramatriz de incidência do IPI impedindoa de atuar sobre operações com produtos imunizados pela Constituição. O imposto incide sobre produtos industrializados, mas caso se trate de produtos imunes, a regramatriz de incidência tornase inoperante pela supressão do poder tributário da União. A recorrente insiste na tese de que o direito aos créditos fictos ora pretendidos deflui diretamente do art. 153, IV, § 3o, II da CF/88, que estabelece que o imposto será não cumulativo, deduzindose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Ora, senhores Conselheiros, no caso da imunidade não houve incidência em nenhuma operação relativa ao produto imune porque aquela regra, que é norma jurídica de estrutura, impediu que a regramatriz de incidência do imposto atuasse. Logo, se não houve incidência da regramatriz, não pode existir cumulação de IPI em nenhuma operação com produtos imunes. A interpretação pretendida pela recorrente é absurda porque se fosse válida teríamos forçosamente que admitir a existência de um “IPI negativo” no caso dos produtos imunes, onde a União, além de não poder cobrar IPI em face da vedação constitucional, teria que “pagar” o imposto ao contribuinte via ressarcimento de créditos fictos. Os produtos imunes estão fora do alcance da normapadrão de incidência do IPI. Em outras palavras, e usandose a terminologia de Rubens Gomes de Souza, os produtos imunes estão fora do campo de incidência do IPI e, desse modo, as operações com estes produtos são insuscetíveis de gerarem débitos e créditos do imposto. Relativamente aos produtos isentos, é sabido que as normas de isenção pertencem à classe das regras de estrutura e introduzem modificações na regramatriz de incidência tributária, que é norma de comportamento. Segundo a lição de Paulo de Barros Carvalho, “(...) a regra de isenção investe contra um ou mais dos critérios da normapadrão de incidência, mutilandoos, parcialmente. É óbvio que não pode haver supressão total do critério, porquanto equivaleria a destruir a regramatriz, inutilizandoa como regra válida no sistema. O que o preceito de isenção faz é subtrair parcela do campo de abrangência do critério do antecedente ou do conseqüente. (...)” (in: Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros, 9 Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.156 15 ed. 1995 pp. 329/330). O que o preceito de isenção faz é subtrair parcela do campo de abrangência dos critérios do antecedente ou do conseqüente da regramatriz. É o encontro de duas normas jurídicas no campo abstrato, sendo uma a regramatriz de incidência tributária e outra a regra de isenção, com seu caráter supressor da área de abrangência de qualquer dos critérios da hipótese ou da conseqüência da regramatriz. Ora, se a norma de isenção mutila um dos critérios da regramatriz de incidência a conseqüência é que ela não incide sobre o evento para transformálo em fato jurídico tributário. Inexistindo o fato jurídico tributário, não se instaura o liame jurídico entre os sujeitos descritos no critério pessoal do conseqüente da regramatriz. Em outras palavras, a isenção é uma hipótese de não incidência tributária. Se não existe incidência, não existe imposto “cobrado” e, conseqüentemente, a operação isenta também não pode gerar direito ao crédito de IPI, porque a não cumulatividade do art. 153, IV, § 3o, II da CF/88, opera apenas quando houver imposto “cobrado”, ou seja, imposto que incidiu na operação anterior. No que tange aos insumos não tributados, tanto no caso de produtos in natura, quanto no caso de produtos industrializados que o legislador não quis tributar, estamos em que a regramatriz de incidência também não atua sobre o evento para transformálo em fato jurídico tributário. No caso de produtos in natura, isto ocorre por absoluta impossibilidade de subsunção ao critério material da normapadrão de incidência, que exige que o produto seja industrializado. No caso dos produtos industrializados, pela inexistência de fixação do critério quantitativo, já que não existe alíquota fixada em lei. Se não existe alíquota, não existe imposto “cobrado” e a operação com produtos não tributados também não poderá gerar direito ao crédito de IPI, porque a não cumulatividade do art. 153, IV, § 3o, II da CF/88, opera apenas quando houver imposto “cobrado”, ou seja, imposto que incidiu na operação anterior. Por fim, quanto aos insumos sujeitos à alíquota zero, a regramatriz de incidência atua com toda a sua força normativa, transformando o evento em fato jurídico. Contudo, sendo zero o valor da alíquota, zero será o valor do imposto cobrado e, por conseguinte, zero será o valor a ser creditado pela aquisição dos produtos sujeitos a esta alíquota. Portanto, claro está que não se pode conceder o direito de crédito ficto de IPI em relação a entradas de produtos imunes, isentos, não tributados ou tributados com alíquota zero por meio da aplicação direta do art. 153, IV, § 3o, II da CF, sob pena de o julgador investirse na condição de legislador ao “instituir o IPI negativo”, ferindo de morte o art. 150, § 6o da Constituição, que estabelece a necessidade de edição de lei específica para a concessão de créditos presumidos. No que tange à jurisprudência do STF citada pela recorrente, o primeiro precedente sobre o direito de créditos do IPI por aquisições desoneradas ocorreu no RE no 212.484/RS, relatado pelo Ministro Nelson Jobim, que era um caso em que se tratava de aquisições de xarope para a fabricação de Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.157 16 refrigerantes de uma indústria localizada na Zona Franca de Manaus. No julgamento ocorrido no dia 05/05/1998, o STF decidiu o seguinte: “Não ocorre ofensa à CF (art. 153, § 3o, II) quando o contribuinte do IPI creditase do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção.” A partir deste precedente, o Supremo Tribunal Federal passou a reconhecer o direito à apropriação de créditos de IPI decorrentes de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados do imposto em virtude de isenção, alíquota zero e não tributados (insumos que estavam fora do campo de incidência do imposto). Exemplo disso é o RE no 350.446, julgado em 18/12/2002, no qual se reconheceu o direito à apropriação de créditos de IPI pela aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero: “Ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDIT AMENTO. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. Se o contribuinte do IPI pode creditar o valor dos insumos adquiridos sob o regime de isenção, inexiste razão para deixar de reconhecerlhe o mesmo direito na aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero, pois nada extrema, na prática, as referidas figuras desonerativas, notadamente quando se trata de aplicar o princípio da nãocumulatividade. Isenção e alíquota zero em um dos elos da cadeia produtiva desapareceriam quando da operação subseqüente, se não admitido o crédito. Recurso não conhecido.” Assim, entre maio de 1998, quando foi julgado o RE no 212.484, e meados de 2007 o STF reconhecia o direito de os contribuintes se creditarem do IPI quando adquiriam matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem sem pagamento do IPI, em razão dessas aquisições serem desoneradas por alíquota zero, isenção ou não incidência. A situação mudou a partir do julgamento dos RE no 353.657 e 370.682, julgados em 25/06/2007, por meio dos quais o STF passou a negar o direito de crédito nas hipóteses de aquisições de insumos não tributados e sujeitos à alíquota zero. Vejamos as ementas: RE 353.657: “EMENTA: IPI – INSUMO – ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3o do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI INSUMO – ALÍQUOTA ZERO – CREDITAMENTO – INEXISTÊNCIA DO DIREITO – EFICÁCIA. Descabe, em face do Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.158 17 texto constitucional regedor do Imposto Sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. (RE 353.657) RE 370.682: “Ementa: Recurso Extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido.” A partir de junho de 2007 o Supremo Tribunal Federal passou a não reconhecer o direito de crédito de IPI pelas aquisições sujeitas à alíquota zero e não tributadas. Surgiu então uma situação de insegurança quanto ao direito de crédito pelas aquisições de insumos isentos. A revisão da posição do tribunal quanto aos insumos isentos veio em 29/09/2010 no julgamento do RE 566.819/RS, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, cuja ementa transcrevese a seguir: “EMENTA: IPI CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPICRÉDITO INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário nacional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPICRÉDITO DIFERENÇAINSUMOALÍQUOTA. A prática de alíquota menor – para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final.” Por fim, no RE 592.891 foi reconhecida a repercussão geral em relação ao tema direito de crédito de IPI em relação a produtos isentos adquiridos da Zona Franca de Manaus, onde o STF decidirá se mudará ou não o entendimento do RE 212.484. Portanto, ao contrário do alegado pela defesa, o STF tem negado o direito ao crédito de IPI nas aquisição de insumos desoneradas do imposto. Desse modo, inexistindo o direito material ao crédito ficto de IPI pelo fundamento constitucional, não existe a possibilidade de lançálo no livro de apuração do imposto, e, conseqüentemente, não existe direito ao seu aproveitamento. DO DIREITO AO CRÉDITO SOBRE AS AQUISIÇÕES DE COMERCIANTES ATACADISTAS NÃO CONTRIBUINTES DO IPI Relativamente a esta glosa, a fiscalização constatou que o contribuinte não apresentou a escrituração contábil e fiscal dos anos de 1999 a 2002 e que o contribuinte apurou o crédito sobre aquisições de fornecedores inscritos no Simples e sobre aquisições de fornecedores que eram contribuintes do IPI, cujos produtos estavam sujeitos à alíquota zero. Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.159 18 O art. 165 do RIPI/2002 estabelece o direito ao crédito sobre aquisições efetuadas de comerciantes atacadistas nãocontribuintes do IPI nos seguintes termos: "Art. 165. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão, ainda, creditarse do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos de comerciante atacadista nãocontribuinte, calculado pelo adquirente, mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinquenta por cento do seu valor, constante da respectiva nota fiscal (DecretoLei no 400, de 1968, art. 6o)." A leitura do dispositivo regulamentar não deixa nenhuma dúvida no sentido de que o direito ao crédito de IPI sobre 50% do preço de aquisição somente alcança produtos sujeitos ao imposto. São dois os requisitos regulamentares que devem ser obedecidos para gerar o crédito ficto sobre 50% do preço de aquisição: o produto deve estar no campo de incidência do imposto e o fornecedor deve ser atacadista não contribuinte do IPI. O contribuinte invocou esse dispositivo regulamentar, alegando que atendeu à intimação da fiscalização e que ele próprio excluiu as aquisições de empresas optantes pelo simples e aquisições de empresas contribuintes do IPI, mas que ainda assim a fiscalização só reconheceu R$ 18.702,98 a título de crédito. Segundo o termo de verificação, a apuração efetuada pelo contribuinte excluindo as empresas optantes pelo simples e as empresas contribuintes do IPI, conduziu aos seguintes valores: R$ 65.746,41 (exercícios de 2000 a 2002) e R$ 56.939,95 (exercício de 2003). Esta apuração pode ser encontrada nas fls. 277 a 295 do Anexo (fls. 1562 a 1580 do PDF). Conforme já ficou assentado antes, o valor de R$ 65.746,41, relativo aos exercícios de 2000 a 2002 não pode ser aceito porque o contribuinte não possui a escrituração contábil e fiscal dos anos de 1999 a 2002. Quanto ao exercício de 2003, o contribuinte informou na fl. 273 que, atendendo solicitação da fiscalização, excluiu as aquisições de quatro empresas, a saber: Cromex Bahia Ltda; Cromex Brancolor Ltda; Orema Indústria e Comércio Ltda e Uniplastic Indústria e Representação Ltda. Contudo, o exame do demonstrativo elaborado pela fiscalização à fl. 274 revela que existem 27 empresas não atacadistas, cujas aquisições devem ser excluídas daquelas que dão direito ao crédito com base no art. 165 do RIPI/2002. As aquisições que dão direito ao crédito previsto no art. 165 do RIPI/2002 são aquelas relacionadas na planilha de fls. 475 a 480. Desse modo, deve prevalecer a apuração da fiscalização, que reconheceu o crédito de comerciantes atacadistas não contribuintes no valor de R$ 18.702.98. DO DIREITO AO CRÉDITO SOBRE PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.160 19 O contribuinte se creditou em janeiro de 2004 por aquisições de produtos intermediários ocorridas entre dezembro de 1999 e dezembro de 2002. Não tendo apresentado a escrita contábil e fiscal dos anos calendário de 1999 a 2002, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização, pois não é possível aferir se esses créditos já não foram aproveitados na época própria. O fato dos registros dos documentos nos livros contábeis e fiscais terem ocorrido há mais de seis anos, não dispensa o contribuinte de apresentálos, a teor do que dispõem o art. 195 do CTN, o art. 4o do DecretoLei no 486/69 e o art. 37 da Lei no 9.430/96. DO DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI O contribuinte se creditou em março de 2003 do crédito presumido apurado nos anos de 1998 a 2002 e em janeiro de 2004 do crédito presumido apurado no ano de 2003. A fiscalização glosou esses valores sob a justificativa da não apresentação da escrituração contábil e fiscal dos anos anteriores a 2002 e por falta de apresentação do DCP a partir do 3o trimestre de 2002. A fiscalização, em razão de diligência determinada pela DRJ, apurou que o crédito presumido não prescrito referente ao período de 1998 ao 3o trimestre de 2002 soma R$ 229.155,78 (fl. 1113), mas informou que continua firme no seu entendimento de que cabe a glosa desse valor por falta de apresentação da escrituração fiscal e contábil. O contribuinte alegou que a falta da escrituração dos períodos anteriores a 2002 e a falta de apresentação do DCP não são justificativas válidas para glosar o crédito presumido. Em relação ao crédito presumido apurado extemporaneamente do período de 1998 a 2002, vale a argumentação apresentada para as outras modalidades de crédito, qual seja, a glosa da fiscalização deve ser mantida porque a falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais dos períodos anteriores a 2002 não permite aferir se os valores já não teriam sido apropriados na época em que foram gerados. Relativamente ao crédito presumido do ano calendário de 2003, tanto a fiscalização, quanto a DRJ, motivaram a glosa no descumprimento do art. 14 da IN SRF 210/2002, pois o contribuinte não teria apresentado os DCP. Acontece que o art. 14 da IN 210/2002 exige o DCP apenas e tãosomente para o fim e se aproveitar o crédito presumido via ressarcimento em dinheiro ou declaração de compensação. Não existe nenhuma exigência no art. 14 da IN 210 no sentido de vedar o aproveitamento do crédito presumido de IPI para abatimento de débitos do imposto na própria escrita fiscal em virtude da não apresentação do DCP. Desse modo, deve ser revertida a glosa do crédito presumido de IPI apurado e aproveitado no anocalendário de 2003 no valor de R$ 102.846,33. DO DIREITO À CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS Relativamente à correção monetária, se não existe direito ao principal, não Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.161 20 existe direito ao acessório. Mas ainda que fossem legítimos os créditos, não existiria direito à correção no caso concreto, pois o não aproveitamento em época própria decorreu de mora do próprio contribuinte, inexistindo no caso concreto o ato de oposição estatal referido na Súmula 411 do STJ. Relativamente aos créditos deferidos neste processo não há direito a qualquer tipo de correção, pois o crédito presumido do anocalendário de 2003 foi glosado na própria escrita do contribuinte e a reversão da glosa determinada por este acórdão restituirá os valores do modo como foram lançados originalmente, anulando a exigência correspondente. DA DECADÊNCIA, DA PRESENÇA DE CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICADORAS DA INFRAÇÃO E DA GRADAÇÃO DA PENALIDADE. A verificação da presença de circunstâncias qualificadoras da infração merece ser analisada conjuntamente com as questões relativas à majoração da multa de ofício e à decadência do direito do fisco efetuar o lançamento, pois tratandose o IPI de imposto sujeito ao lançamento por homologação, a presença de dolo, fraude ou simulação, desloca a regra de contagem daquele prazo extintivo do art. 150, § 4o para o art. 173, I, do CTN. A fiscalização enquadrou o contribuinte na circunstância qualificadora prevista no art. 71 da Lei no 4.502/64, por entender que a apropriação indevida de créditos nos montantes de R$ 7.463.403,48 (março de 2003) e R$ 505.133,83 (janeiro de 2004) configurou sonegação, pois teve o objetivo de reduzir o IPI devido. O art. 71 da Lei no 4.502/64 estabelece o seguinte: "Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e II omissis ..." O contribuinte, em resposta às intimações da fiscalização, esclareceu que os valores escriturados no livro de IPI sob a rubrica "outros créditos" em março de 2003 e em janeiro de 2004 eram basicamente créditos extemporâneos relativos às entradas de matérias primas e materiais indiretos isentos ou tributados com alíquota zero; crédito presumido de IPI; créditos por aquisições de comerciantes atacadistas e créditos decorrentes de correção monetária sobre créditos extemporâneos. Na motivação das glosas a fiscalização não constatou nada que pudesse ser enquadrado no art. 71 da Lei no 4.502/64. O fato de o contribuinte ter escriturado os créditos com o objetivo de reduzir o IPI devido, não configura por si sonegação, pois todo o crédito de IPI é escriturado para abater débitos do imposto. Ademais, nem a falta de apresentação dos livros fiscais e contábeis dos anos de 1999 a 2002 e nem a tentativa de apropriação de créditos indevidos sob as mais variadas formas, caracterizam ações que correspondam à fórmula legal: "ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.162 21 circunstâncias materiais". Não foi a conduta do contribuinte em calcular e escriturar aqueles créditos e nem a inexistência da escrituração contábil e fiscal dos anos de 1999 a 2002 que fizeram com que a administração, somente em 2007, expedisse o Mandado de Procedimento Fiscal para instaurar procedimento relativo aos anos de 2003 e 2004. Não vejo a menor possibilidade de se enquadrar no art. 71 da Lei no 4.502/64 a conduta do contribuinte, consistente em registrar a crédito no livro de IPI os valores escriturados em março de 2003 e em janeiro de 2004, pois o contribuinte entendia, com base na sua interpretação da legislação e com base na jurisprudência da época, que tinha direito às várias categorias de créditos apurados, ainda que a administração os entenda indevidos. Não se olvide que entre maio de 1998, quando foi julgado o RE no 212.484 e meados de 2007, quando foram julgados os RE no 353.657 e 370.682, o STF reconhecia o direito de os contribuintes se creditarem do IPI quando adquiriam matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados do imposto. Inexistindo a comprovação de dolo por parte do contribuinte, tanto na forma de apuração, quanto na apropriação dos créditos no livro modelo 8, oriento meu voto no sentido de reduzir a multa de ofício ao percentual básico de 75%, a teor do que determinam os arts. 475 e 488, I, do RIPI/2002. No que tange à decadência, a questão que se coloca reside em fixar a regra de contagem do prazo extintivo do direito do fisco no art. 150, § 4o do CTN ou no art. 173, I, do CTN. Antes de entrar no mérito da contagem dos prazos de decadência propriamente ditos, merece ser rechaçada alegação do contribuinte, no sentido de que a decadência atingiria o direito de o fisco glosar os créditos da escrita fiscal. Esse entendimento não tem amparo no ordenamento jurídico. Não existe nenhum impedimento de o fisco glosar créditos da conta corrente do IPI, ainda que tenham sido escriturados há mais de cinco anos. O que o fisco não pode fazer é cobrar, por meio de lançamento de ofício, o saldo devedor da escrita reconstituída em relação a períodos de apuração encerrados há mais de cinco anos. Com o advento do art. 62A do Regimento Interno do CARF a questão da decadência do direito do fisco efetuar o lançamento dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação está pacificada. Este Colegiado deve obrigatoriamente aplicar a Súmula Vinculante no 8 do STF e a decisão do STJ proferida no RESP no 973.733, sob o regime do art. 543C do CPC, que considera que o pagamento antecipado do tributo, antes de qualquer iniciativa do fisco, é relevante para caracterizar o lançamento por homologação. Eis a ementa do referido julgado: “RECURSO ESPECIAL No 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.163 22 CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4o, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3a ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10a ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.164 23 Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” O contribuinte teve ciência do auto de infração em 30/04/2009. Assim, para o fim da contagem de prazo da decadência importam os pagamentos antecipados efetuados até 1 04/2004. Os extratos do Sistema Sinal 08 (fls. 2923/2925) corroborados pelos comprovantes de arrecadação trazidos pelo contribuinte (fls. 2929/2952), revelam a ocorrência de pagamentos parciais feitos antecipadamente ao início da fiscalização, em relação aos seguintes períodos de apuração: 302/2003, 103/2003, 203/2003, 303/2003, 0104/2003, 2 01/2004, 102/2004, 202/2004, 103/2004, 203/2004 e 104/2004. À luz da interpretação fixada pelo STJ, verificase que no caso concreto o crédito tributário lançado em relação aos períodos de apuração encerrados até 212/2003 está extinto pela decadência, pois ainda que se considere a regra do art. 173, I, do CTN, o fisco deveria ter efetuado o lançamento até 31/12/2008. Em relação aos PA 312/2003 e 101/2004, não ocorreu a decadência, pois não houve pagamento antecipado e pela regra do art. 173, I, do CTN, o fisco dispunha de prazo para efetuar o lançamento até 31/12/2009. Já o crédito tributário relativo aos PA 201/2004, 102/2004, 202/2004, 1 03/2004, 203/2004 e 104/2004, está extinto pela decadência, uma vez que havendo pagamento antecipado, o fisco poderia ter efetuado o lançamento em relação ao período mais recente até 15/04/2009. Com essas considerações voto no sentido de declarar extinto o crédito tributário, e também o direito do fisco constituílo por meio de lançamento, em relação aos períodos de apuração encerrados entre 101/2003 e 212/2003 e em relação aos períodos de apuração 201/2004, 102/2004, 202/2004, 103/2004, 203/2004 e 104/2004. DA RECONSTITUIÇÃO DOS SALDOS DA ESCRITA FISCAL Outro ponto contestado no recurso foi a reconstituição da escrita fiscal. Insurgese o contribuinte contra os valores apurados, sob o argumento de que na planilha do fisco não constaram os créditos de R$ 7.463.403,48, no primeiro decêndio de março de 2003 e de R$ 505.133,83 na primeira Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.165 24 quinzena de janeiro de 2004. Também não teriam constado as demonstrações das glosas efetuadas e nem foi considerado o valor de R$ 1.183.334,37, que foi estornado pelo próprio contribuinte antes do início da fiscalização, conforme constou do próprio termo de verificação e do relatório de diligência. A DRJ injustamente afirma que se trata de estorno de débito não comprovado pelo contribuinte. Além disso, o contribuinte também contestou a desconsideração do saldo credor inicial da escrita no valor de R$ 424.870,15 (que corresponde ao saldo final da escrita em 31/12/2002). Relativamente ao saldo credor inicial da reconstituição da escrita, a diligência efetuada pela DRJ revelou e o contribuinte alegou que tal valor era objeto de controvérsia no processo no 13882.000021/200340. Com a diligência determinada por este colegiado, foi juntado o Acórdão 42.752 da 3a Turma da DRJ Juiz de Fora. A análise do referido julgado revela que a DRJ Juiz de Fora não julgou a legitimidade do valor de R$ 373.620,15, pleiteado a título de ressarcimento de crédito de IPI apurado no 4o Trimestre de 2002, em face desse crédito ter sido utilizado em declarações de compensação que foram atingidas pela homologação tácita. Se as declarações de compensação do contribuinte tratadas no processo 13882.000021/200340 foram atingidas pela homologação tácita, realmente não havia a menor necessidade de se investigar a legitimidade do crédito naquele processo. Portanto, se do suposto saldo credor existente em 31/12/2002 (R$ 424.870,15), o contribuinte já utilizou em compensação R$ 373.620,15, somente a diferença no montante de R$ 51.250,00 deveria permanecer na escrita para abatimento do IPI devido nos períodos de apuração seguintes. Entretanto, a fiscalização glosou integralmente os R$ 424.870,15, sob a alegação de que o contribuinte não apresentou a escrituração contábil e fiscal do ano de 2002, demonstrando a legitimidade daquele valor. A defesa, por seu turno, nada trouxe com a impugnação ou com o recurso no sentido de comprovar a legitimidade da origem e da magnitude do saldo credor que diz possuir 31/12/2002. Considerando que o contribuinte já utilizou em compensação R$ 373.620,15 e que nas oportunidades que teve para falar no processo, nada foi comprovado quanto ao valor total de R$ 424.870,15 e tampouco quanto ao remanescente de R$ 51.250,00, há que se manter a glosa efetuada pela fiscalização. No que tange à natureza do valor de R$ 1.183.334,30, é incontroverso nos autos que se trata de estorno de crédito efetuado pelo contribuinte antes do início da ação fiscal. Não se sabe a razão pela qual o relator do acórdão de piso afirmou que o valor de R$ 1.183.334,30 se refere a estorno de débito, quando a fiscalização e o contribuinte concordam que se trata de um estorno de crédito indevido. O valor de R$ 1.183.334,30 integrou o crédito efetuado no 1o decêndio de março de 2003, no montante de R$ 7.463.403,48, mas foi estornado pelo Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.166 25 próprio contribuinte na 1a quinzena maio de 2004. O contribuinte alegou que a planilha de reconstituição dos saldos da escrita fiscal de fls. 1093 a 1098 não considerou o estorno de R$ 1.183.334,30 que o contribuinte já havia feito. A alegação do contribuinte é improcedente. O valor de R$ 1.183.334,30 foi considerado pela fiscalização, uma vez que foi estornado na origem. Ao estornar os R$ 7.643.403,48 no 1o decêndio de março de 2003 a fiscalização considerou implicitamente o valor que o contribuinte entendeu não estornado. E isso deve ser feito desta maneira para anular o efeito do estorno parcial que havia sido feito pelo contribuinte na primeira quinzena de maio de 2004. Se o crédito foi lançado indevidamente em março de 2003 o contribuinte deveria ter anulado seu efeito nesse período de apuração e não em maio de 2004, mais de um ano depois. No mais são improcedentes as alegações no sentido de que as glosas não estão demonstradas na planilha. Todas as glosas estão demonstradas sob a coluna "AJUSTES" e estão seguidas de observações numeradas. As explicações relativas a essas observações encontramse detalhadas nas fls. 1116 a 1122 e sua leitura permite entender perfeitamente a reconstituição dos saldos efetuada pela fiscalização. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) declarar extinto o direito de o fisco exigir valores em relação aos períodos de apuração encerrados entre 101/2003 e 212/2003 e em relação aos períodos de apuração 201/2004, 102/2004, 202/2004, 103/2004, 203/2004 e 104/2004, em razão da decadência; (ii) reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%, em razão de não ter sido comprovada a sonegação; e (iii) reverter a glosa do crédito presumido do ano de 2003 no valor de R$ 102.846,33. De acordo com o voto no Acórdão no 3403002.633, proferido no processo nº 19515.00.1253/200975, que serve como razões para decidir diante do requerido pelo Contribuinte quando do Recurso Voluntário, percebese que fica excluída a discussão e decisão quanto a multa de ofício por não constar no presente processo (item ii da decisão acima). Cabe ainda a análise do alegado pelo Contribuinte acerca da não homologação das declarações de compensação que foram objeto de declaração retificadora. Assim se expõe no Recurso Voluntário (fls. 848 e seguintes): A decisão recorrida concorda com a homologação tácita das declarações de compensação apresentadas antes de 28/08/2004. Mas não reconhece a homologação das declarações de compensação retificadas, alegando que o termo inicial da contagem do prazo para homologação será a data da apresentação da declaração de compensação retificadora. Certamente é descabida a posição da DRJ, uma vez que ao apresentar a declaração de compensação houve a confissão do débito então compensado, havendo naquele momento igualmente o seu pagamento mediante o crédito então declarado. (...) Portanto, considerando que nos termos art. 74, § 5 0 da Lei 9.430/96, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.167 26 contado da data da entrega da declaração de compensação, é óbvio que eventual declaração retificadora não possui o condão de estender o prazo de homologação. (...) Ademais, quanto às declarações de compensação retificadas, em nenhuma das retificadoras houve qualquer alteração seja sobre a identificação do crédito utilizado (saldo credor do 1° trimestre de 2003), seja na identificação dos respectivos débitos compensados. Basta verificar o PER/DCOMP retificador frente ao PER/DCOMP retificado, conforme declarações anexadas sob fls. 154/196 e 199/289, que o único motivo para a retificação foi por falha no preenchimento do CNPJ do estabelecimento detentor do crédito, onde se constou o CNPJ da matriz (0001) ao invés do CNPJ do estabelecimento detentor (0003). De se observar, contudo, que nas declarações de fls. 111/141 e 145/153, que na verdade deram inicio às compensações eletrônicas e antecederam as retificadas, o CNPJ 0003 foi identificado corretamente. Entendo assistir razão ao Contribuinte de que declaração retificadora, no presente caso, em que ocorreu apenas erro no preenchimento relativo ao CNPJ matriz/filial, sem alteração sobre a identificação do crédito utilizado e sem modificação nos respectivos débitos compensados, não pode dar ensejo de estender o prazo de homologação. Salientase que este entendimento fica restrito as particularidades no presente processo no que diz respeito a declaração retificadora. Sendo assim, concluo: 1) declarar extinto o direito de o fisco exigir valores em relação aos períodos de apuração encerrados entre 101/2003 e 212/2003 e em relação aos períodos de apuração 201/2004, 102/2004, 202/2004, 103/2004, 203/2004 e 1 04/2004, em razão da decadência; 2) reverter a glosa do crédito presumido do ano de 2003 no valor de R$ 102.846,33; 3) considerar que a declaração retificadora, com as características específicas no presente processo, não abre o prazo para estender o prazo de homologação, ficando, portanto, homologado tacitamente as compensações retificadas. Portanto, tendo em vista a legislação aplicável ao caso e as provas trazidas aos autos deste processo, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte. Valcir Gassen Relator Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 13882.000178/200375 Acórdão n.º 3301003.876 S3C3T1 Fl. 1.168 27 Fl. 1168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.720356/2008-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR Reserva Legal Averbada
ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO.DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-005.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Elisa Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR Reserva Legal Averbada ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO.DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador.
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO.DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel efetuada antes da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Elisa Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 03 56 /2 00 8- 89 Fl. 196DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, contra o Acórdão nº 2102002.409, de 22/01/2013, prolatado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (efls. 112/117), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de área de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Recurso Voluntário Negado Cientificada do acórdão em 18/04/2013 (efl. 122), a Contribuinte, por seu representante legal, interpôs, em 30/04/2013, tempestivamente, o Recurso Especial de efls. 127/139, visando a revisão do julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais quanto à necessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para reconhecimento das áreas de utilização limitada/Reserva Legal. Como paradigmas, foram indicados os Acórdãos nºs 920202.128 e 920202.016, assim ementados: Acórdão nº 920202.128 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXISTÊNCIA DE AVERBAÇÃO PRÉVIA À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL. OUTRAS PROVAS ROBUSTAS. PRESCINDIBILIDADE DO ADA. Estando provada a existência da área de reserva legal na propriedade, inclusive com a sua averbação à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis, revelase prescindível o ADA. Recurso especial negado. Acórdão nº 920202.016 Assunto: Imposto Sobre A Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10825.720356/200889 Acórdão n.º 9202005.335 CSRFT2 Fl. 197 3 ITR ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. A regra expressa no artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. O ADA restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas de interesse ecológico. Extraise do Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, no item n° 40, que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. No caso, o contribuinte apresentou laudo e a materialidade da área sequer foi questionada pela recorrente. Ainda de acordo com tal orientação, o Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal e a própria averbação são formas de comprovação da existência desta área, sendo que, no caso em apreço, ambos os documentos são incontroversos. A verdade formal não pode se sobrepor à verdade material. ITR AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Como regra, para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador. Neste feito, a exclusão da área de utilização limitada da base de cálculo do ITR é justificada, também, pelo referido Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal. Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte negados. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 14/03/2014 (fls. 178 e ss). Cientificado do acórdão, do Recurso Especial a Fazenda propôs contrarrazões, por meio das quais pede a manutenção da decisão recorrida. Fl. 198DF CARF MF 4 Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente se insurge contra este entendimento, afirmando que a referida área fora devidamente averbada no Registro de Imóveis, conforme AV 07 da matrícula 7311, e por isso a decisão recorrida estaria baseada em equívoco. De fato, compulsando os autos, verificase que em julho de 1996, ou seja, 8 anos antes do fato gerador do ITR aqui em discussão, foi feita averbação perante o Registro de Imóveis da referida reserva legal (cf. fls. 83 dos autos). A área averbada seria de 188,07 alqueires, que correspondem – conforme cálculos extraídos pela internet (http://www.calculoexato.com.br/parprima.aspx?codMenu=ConvArea) – a 455,1294 hectares. Assim, restou devidamente preenchido o requisito da averbação como pressuposto para a exclusão da área de reserva legal para fins de apuração do ITR. Quanto ao segundo requisito que motivou o lançamento (e sua manutenção) – falta de apresentação do ADA, a Recorrente não traz nenhum argumento em seu recurso. De fato, a exigência de apresentação do ADA tem o objetivo precípuo de dar oportunidade ao Ibama (órgão responsável pela fiscalização destas áreas) para que efetue a fiscalização e verificação da efetiva existência destas áreas e o efetivo cumprimento da legislação ambiental/preservação das áreas previstas na legislação ambiental. Tal exigência, porém, não pode se tornar um obstáculo formal à exclusão das referidas áreas para fins de ITR quando demonstrada a sua efetiva existência. Este me parece ser o caso dos autos. Através da averbação da área em questão, a Recorrente demonstrou que celebrara com a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo um termo de responsabilidade por meio do qual delimitou as áreas de utilização limitada (reserva legal) de sua propriedade. Tal documento deve ser reputado como suficiente a comprovar a efetiva existência da referida área, sendo – neste caso específico – despicienda a apresentação do ADA ao Ibama, desde que já demonstrada a existência da área em questão, através de termo firmado com órgão competente para tanto. OUTROSSIM, ESTE COLEGIADO MANIFESTASE REITERADAMENTE NO SENTIDO DE QUE A AVERBAÇÃO É ATO CONSTITUTIVO PARA FINS DE ÁREA DE RESERVA LEGAL, MOTIVO PELO QUAL, NESTE CASO, ACOMPANHARAM ESTA RELATORA PELAS CONCLUSÕES. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10825.720356/200889 Acórdão n.º 9202005.335 CSRFT2 Fl. 198 5 Patrícia da Silva Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.936493/2011-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.565
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1669; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.936493/201146 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.565 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 64 93 /2 01 1- 46 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.936493/201146 Acórdão n.º 3302004.565 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 02057.484. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.936493/201146 Acórdão n.º 3302004.565 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.936493/201146 Acórdão n.º 3302004.565 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.936493/201146 Acórdão n.º 3302004.565 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.936493/201146 Acórdão n.º 3302004.565 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.936493/201146 Acórdão n.º 3302004.565 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 59DF CARF MF
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