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Numero do processo: 10120.902762/2011-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.344
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente COTRIL MOTORS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 62 /2 01 1- 09 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10120.902762/201109 Acórdão n.º 3301003.344 S3C3T1 Fl. 3 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/Pasep NãoCumulativo – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de PIS/Pasep nãoCumulativo, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.383. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10120.902762/201109 Acórdão n.º 3301003.344 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10120.902762/201109 Acórdão n.º 3301003.344 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10120.902762/201109 Acórdão n.º 3301003.344 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10120.902762/201109 Acórdão n.º 3301003.344 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902729/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 29 /2 01 0- 50 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.902729/201050 Acórdão n.º 1301002.294 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.902729/201050 Acórdão n.º 1301002.294 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.902729/201050 Acórdão n.º 1301002.294 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16327.902729/201050 Acórdão n.º 1301002.294 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16327.902729/201050 Acórdão n.º 1301002.294 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16327.902729/201050 Acórdão n.º 1301002.294 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16327.902729/201050 Acórdão n.º 1301002.294 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001262/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2803-000.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine os autos digitais duplicados e idênticos. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Paulo Roberto Lara dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Relatório
Os autos digitais vieram ao presente relator para julgamento, contudo não há quaisquer peças juntadas a eles. Também, informa-se que no E-Process há a duplicação dos autos digitais do processo.
É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine os autos digitais duplicados e idênticos. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Paulo Roberto Lara dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Relatório Os autos digitais vieram ao presente relator para julgamento, contudo não há quaisquer peças juntadas a eles. Também, informa-se que no E-Process há a duplicação dos autos digitais do processo. É o relatório.
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Numero do processo: 10865.905038/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.592
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 38 /2 01 2- 04 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.905038/201204 Acórdão n.º 3301003.592 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.506. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10865.905038/201204 Acórdão n.º 3301003.592 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10865.905038/201204 Acórdão n.º 3301003.592 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10865.905038/201204 Acórdão n.º 3301003.592 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10865.905038/201204 Acórdão n.º 3301003.592 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10865.905038/201204 Acórdão n.º 3301003.592 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.727586/2014-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. (Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º).
Sanadas as faltas apontadas pela Autoridade lançadora, devem ser aceitos os recibos comprobatórios das despesas.
Numero da decisão: 2202-003.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. (Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º). Sanadas as faltas apontadas pela Autoridade lançadora, devem ser aceitos os recibos comprobatórios das despesas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. (Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º). Sanadas as faltas apontadas pela Autoridade lançadora, devem ser aceitos os recibos comprobatórios das despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 75 86 /2 01 4- 97 Fl. 57DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 06/10), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2013, ano calendário de 2012, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas (R$ 25.000,00) pagos aos profissionais abaixo relacionados: · Glauce Rodrigues Vaz da Silva, no valor de R$ 18.500,00; · Renato Liess Krebs, no valor de R$ 3.000,00; · Krebs Odontologia Ltda, no valor de R$ 3.500,00. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 08), as glosas estão motivadas na falta de identificação do paciente beneficiário do serviço prestado, falta de descrição detalhada do serviço e por não se revestirem das formalidades necessárias e exigidas. Foi apresentada impugnação tempestiva onde a interessada contestou o lançamento, afirmando que as despesas são referentes a seu próprio tratamento e que os recibos foram apresentados quando do atendimento à intimação. Anexa recibos às fls. 14/15. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 23/25, mantendo a glosa das despesas médicas haja vista que os recibos apresentados pela contribuinte não mencionam quem é o paciente ao qual foi prestado o atendimento, não especificam os serviços prestados e o recibo do Dr. Renato Liess Krebs, não informa o endereço do profissional prestador dos serviços. Acrescenta, ainda, que não foi comprovado o efetivo desembolso, ressaltando que o total da despesa supostamente incorrida representa quase um terço dos rendimentos tributáveis declarados pelo sujeito passivo. Cientificada dessa decisão por via postal em 19/08/2015 (A.R. de fls. 33), a interessada interpôs Recurso Voluntário em 17/09/2015 (fls. 36/40), insurgindose contra a manutenção da glosa da dedução das despesas médicas e apresentando declaração dos profissionais, informando que os serviços foram prestados à própria Sra. Nair, especificando os serviços realizados e consignando seus endereços profissionais (fls. 41/42). No que diz respeito à comprovação do desembolso, que a decisão relaciona os rendimentos da recorrente com o total da despesa médica, inferindo que o referido valor não estaria condizente com sua renda, afirma não assistir razão a tal argumento pois qualquer indivíduo pode poupar certa quantia com determinado fim, prática normal para uma pessoa de 90 anos de idade, que é sua situação, pensionista, que reside em imóvel próprio e sequer utiliza de cartão de crédito ou talões de cheques para quitar suas despesas. É o Relatório. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 12448.727586/201497 Acórdão n.º 2202003.940 S2C2T2 Fl. 58 3 Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de comprovantes de despesas médicas pagas pela declarante e que totalizam o valor de R$ 25.000,00. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como fundamento legal os dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 que transcrevo: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) ( sem grifos no original) Fl. 59DF CARF MF 4 A autoridade lançadora motivou as glosas das despesas na falta de identificação do paciente beneficiário do serviço prestado, falta de descrição detalhada do serviço e por não se revestirem das formalidades necessárias e exigidas. Em sua decisão, a DRJ não aceitou os recibos, porque não mencionam o paciente atendido, não especificam os serviços prestados e, identifica a formalidade descumprida no recibo do Dr. Renato Liess Krebs, por não constar o endereço do profissional. Traz ainda novo fato qual seja: que não foi comprovado o efetivo desembolso, ressaltando que o total da despesa supostamente incorrida representa quase um terço dos rendimentos tributáveis declarados pelo sujeito passivo. Entendo que, em sede de julgamento da impugnação, descabem novas exigências. No caso, ao levantar dúvidas a respeito dos comprovantes apresentados, a autoridade julgadora, se entendesse necessária a confirmação por meio de cruzamento complementar de informações, exames ou qualquer outro elemento a corroborar a efetividade dos serviços prestados pelos profissionais e dos pagamentos realizados, poderia ter requerido à Autoridade Fiscal que, em procedimento de diligência, intimasse a declarante a apresentálos, mas isso não correu. Assim, neste ponto, a decisão de primeira instância careceu de motivação. Para suprir as faltas apontadas nos recibos, a contribuinte juntou a seu recurso, declarações dos profissionais contendo seus endereços, com a informação do paciente atendido e dos tratamentos realizados. O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação de provas em momento posterior a impugnação, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos anexados aos autos após a defesa, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Nesse caso, entendo que os documentos apresentados em sede de recurso voluntário devem ser recepcionados e analisados, uma vez que comprovam os argumentos expostos pelo Contribuinte e servem para rebater a decisão de primeira instância. Deste modo, com base nas provas apresentadas, foi suprida a falta apontada na Notificação de Lançamento, havendo que se restabelecer a dedução a título de despesas médicas, no valor de R$ 25.000,00. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 60DF CARF MF Processo nº 12448.727586/201497 Acórdão n.º 2202003.940 S2C2T2 Fl. 59 5 Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913430/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa que visa afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência deste Conselho (Súmula CARF nº 2).
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A simples retificação da DCTF, desacompanhada de prova da origem do pretenso crédito, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 31/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 31/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
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ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa que visa afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência deste Conselho (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A simples retificação da DCTF, desacompanhada de prova da origem do pretenso crédito, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 34 30 /2 00 9- 38 Fl. 205DF CARF MF 2 EDITADO EM: 31/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório A Recorrente transmitiu DCOMP, por meio do qual compensou crédito a título de Contribuição Social Retida na Fonte (CSRF), com débito de sua responsabilidade. Alega que o crédito declarado, de R$ 12.732,33, corresponde à diferença por ela paga a maior, no período de 31/07/2007, do montante total de R$ 197.231,15. O Despacho Decisório de fl. 7, emitido eletronicamente pela DRF, não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de que, embora localizado o Darf de pagamento indicado na DCOMP, o crédito teria sido integralmente utilizado para quitação de débito do próprio contribuinte, não restando crédito disponível. Irresignada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (Fls. 12/17). Sustenta que o lançamento viola os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e verdade material. Pede realização de perícia contábil por entender que o crédito é líquido e certo e registra que está providenciando a retificação da DCTF. Em sessão de 25/09/2012, a 3ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 11 38.289 (fls. 30/33), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte do crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Intimada da decisão de primeira instância em 26/10/2012 (fls. 36), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 19/11/2012 (fl. 63), reiterando os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. Esclarece que houve retificação da DCTF em Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10480.913430/200938 Acórdão n.º 1201001.685 S1C2T1 Fl. 3 3 23/11/2009 e que o crédito compensado tem por natureza uma operação de devolução com determinado fornecedor. Tramitado o feito, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente entende violados, cumpre frisar que este Conselho é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Falece ao presente julgador, portanto, competência para analisar os argumentos de cunho constitucional invocados. De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar débitos lançados em DCTF no mesmo montante, não havendo pagamento a maior ou indevido passível de compensação. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a DRJ/Recife não homologou a compensação. Apenas por ocasião do recurso voluntário a Recorrente esclarece que a referida DCTF teria sido retificada em 23/11/2009 (fls. 154 e 163), antes da decisão da DRJ e apresenta uma singela justificativa quanto à origem do crédito, a qual eu ora reproduzo: “(...) o crédito que foi utilizado pela Recorrente originouse através de devolução de uma retenção para o fornecedor (SOSERVA SOCIEDADE DE SERVIÇOS GERAIS) no valor de R$ 12.732,33, onde a NF 46828 (competência da 2ª quinzena de julho/2007), no valor de R$ 13.271,23, sendo certo que com a aplicação da alíquota de 4,65 (CSRF) para base apresentada de R$ 11.271,23 gera um valor de R$ 13.271,23. Logo, R$ 13.271,33 – R$ 538,88 = R$ 12.732,35” (fl. 65). Além da DCTF retificadora, anexou aos autos (fls. 196/201) o resumo dos movimentos contábeis lançados em julho de 2007 na conta destinada aos registros das retenções a título de contribuições sociais. No que diz respeito aos esclarecimentos da contribuinte, entendo que são meras alegações genéricas e pouco claras, incapazes de fazer provar da liquidez do crédito. Não há cópia da nota fiscal, extrato bancário, correspondência entre as partes ou qualquer outro documento que ateste a operação de devolução alegada e os valores efetivamente envolvidos. Fl. 207DF CARF MF 4 O razão contábil onde são registradas as retenções de CSRF, aliás, aponta como valor total do período (segunda quinzena de julho/2007) justamente a quantia de R$ 197.231,15, mesmo valor constante da DCOMP e DCTF originárias. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado. A prova acerca da liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado carece de substância, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de retificação de DCTF após a entrega da DCOMP e do despacho decisório, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. A DCTF retificadora, por si só, não presta a essa finalidade comprobatória, na linha dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). No presente caso, a Recorrente limitouse a retificar a DCTF e a justificar a origem do crédito com argumentos carentes da devida comprovação, razão pela qual nada justifica a reforma da decisão recorrida. O ônus do contribuinte quanto à prova de que seu direito ao crédito é líquido e certo não foi cumprido. Ante o exposto CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10480.913430/200938 Acórdão n.º 1201001.685 S1C2T1 Fl. 4 5 (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.720890/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
assinado digitalmente
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
assinado digitalmente
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. assinado digitalmente Waldir Veiga Rocha - Presidente. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1257; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 11.381 1 11.380 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.720890/201302 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.406 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 10 de abril de 2017 Assunto IRPJ: HEDGE Recorrente FRS S/A AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. assinado digitalmente Waldir Veiga Rocha Presidente. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório FRS S/A AGRO INDUSTRIAL, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DF) DRJ/POA, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, para RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .7 20 89 0/ 20 13 -0 2 Fl. 11403DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.382 2 manter o crédito tributário de IRPJ e CSLL no valor total de R$42.138.760,71, relativo ao ano calendário 2008. Do Lançamento Tratase de auto de infração para lançamento de IRPJ e CSLL (fls. 02/15), cumulados de juros e multa de ofício, com ciência em 08/05/2013, lavrado contra FRS S/A AGRO INDUSTRIAL., em razão da falta de adição ao lucro real, com base nos arts. 72, 74, 76, §4º e 77 da Lei 8.981/95 e art. 5º da Lei 9.065/95, art. 3º da Lei 9.249/95, arts. 247 e 249 do RIR/99, arts. 756, §7º, 772, 774 e 775 do RIR/99. Segundo o Relatório da Auditoria Fiscal, (fls. 16/37), e Relatório do acórdão recorrido, as razões de autuação foram: 1.1 – Das Perdas no Mercado de Renda Variável A empresa realizou operações financeiras no mercado de renda variável,exceto DayTrade, informadas na DIPJ do anocalendário 2008, declarando ganho de R$ 40.148.327,48 e perda de R$ 88.646.343,77, obtendo um resultado líquido negativo de R$ 48.498.016,00. A perda líquida foi deduzida integralmente para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os resultados destas operações financeiras foram registrados nas contas a seguir, das quais foram transferidos ao resultado os valores da última coluna. Instada a esclarecer a razão do resultado negativo com tais operações, a contribuinte informou (fls. 79): 2. Em atenção ao requerimento disposto no item "2", informamos que o valor de R$ 48.498.016,00 diz respeito às perdas com instrumentos de derivativos sofridas em 2008, decorrentes da forte variação cambial depreciativa da moeda brasileira frente às moedas externas (dólar americano e euro), ocorrida naquele ano, esclarecido de que todas estas operações nunca foram especulativas (na medida em que todas elas sempre estiveram vinculadas às vendas no mercado externo). Tais perdas estão também relacionadas aos instrumentos contratuais que viabilizaram a depreciação do custo financeiro atrelados à variação cambial; A contribuinte foi intimada a apresentar os instrumentos de financiamento das exportações, entre eles, os Adiantamentos de Contratos de Câmbio – ACC. Respondeu esclarecendo que inúmeras operações de derivativos não possuem dois documentos como sugerido (um ‘Contrato’ e um ‘Derivativo’). Continua (fl. 2196): O que existem são dois grandes tipos de derivativos, os derivativos vinculados a operações de financiamentos e os derivativos não vinculados a operações de financiamentos. Os derivativos vinculados a operações de financiamento visam reduzir o custo (juros remuneratórios) destas últimas e estes sim possuem um contrato de financiamento e um instrumento de derivativo. Fl. 11404DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.383 3 A fiscalizada foi, também, intimada a comprovar o registro, nos órgãos competentes, dos contratos de derivativos que deram origens às perdas. Em resposta, afirmou que todas as operações por ela realizadas prescindem de registro. 1.2. Quanto à necessidade de registro das operações de swap O autuante afirma que a legislação tributária impõe o registro das operações com swap como requisito de dedutibilidade. A previsão estaria no § 3º do art. 74 da Lei nº 8.981/1995, de 20 de janeiro de 1995: Art. 74. Ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por cento, os rendimentos auferidos em operações de swap. § 1º A base de cálculo do imposto das operações de que trata este artigo será o resultado positivo auferido na liquidação do contrato de swap. § 2º O imposto será retido pela pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento, na data da liquidação do respectivo contrato. § 3º Somente será admitido o reconhecimento de perdas em operações de swap registradas no termos da legislação vigente. Conclui o autuante (fl 20): Assim, não tendo a fiscalizada se desincumbido de comprovar o registro das operações de swap, embora intimada e reintimada, não há como aceitar as deduções das perdas nestas operações devendo ser glosado o valor total destas, não se limitando a diferença entre os ganhos e perdas previstas no § 4° do artigo 76 da Lei 8.981/95, transcrito adiante. O montante de perdas consta da planilha Total Perdas em Operações de Swap (fl. 4918, em anexo) e é de R$ 57.570.388,09. Esse foi o valor adicionado ao lucro líquido do período. 1.3 – Quanto ao Regime Tributário das Operações Financeiras As razões já relatadas foram consideradas, pelo autuante, como suficientes para a realização da glosa. No entanto, considerando a possibilidade de a fiscalizada apresentar, com a impugnação, os documentos comprobatórios dos registros, resolveu ele adentrar na análise de outros aspectos das operações com derivativos, especialmente quanto à legislação aplicável ao caso. O regime tributário das operações financeiras e as regras para dedução das perdas nas operações financeiras em renda variável, das operações no Brasil, encontramse previstos na Lei n° 8.981/1995, no Capítulo VI Da Tributação das Operações Financeiras, Seção II Do Mercado de Renda Variável (artigos 72 a 75) e na Seção III Das Disposições Comuns à Tributação das Operações Financeiras (artigos 76 e 77), com alterações posteriores. O artigo 76, § 4°, estabeleceu que as perdas nas operações de renda variável são dedutíveis até o limite dos ganhos em operações da mesma natureza: Fl. 11405DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.384 4 "Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995) (...) § 3° As perdas incorridas em operações iniciadas e encerradas no mesmo dia (daytrade), realizadas em mercado de renda fixa ou de renda variável, não serão dedutíveis na apuração do lucro real. § 4° Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. § 5° Na hipótese do § 4°, a parcela das perdas adicionadas poderá, nos anoscalendário subseqüentes, ser excluída na determinação do lucro real, até o limite correspondente à diferença positiva apurada em cada ano, entre os ganhos e perdas decorrentes das operações realizadas. (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995) " (Sublinhei) O art. 77 da Lei nº 8.981/1995 excepciona a aplicação do regime de tributação previsto no Capitulo VI para os rendimentos ou ganhos líquidos, nas situações que especifica. Essa exceção não alcançaria o § 4º, do artigo 76, o qual trata de regra de dedutibilidade e não acerca do regime de tributação. Diz o autuante: Da exegese dessas normas, extraise que é o regime de tributação na fonte ou o pagamento em separado do imposto de renda que foram afastados nas operações classificadas como de cobertura (inciso V da Lei 8.981/95), mas não a limitação à dedutibilidade integral das perdas no próprio exercício, prevista no § 4° do artigo 76 da Lei 8.981/95, pois não se trata de um regime de tributação. Assim, o valor das perdas que excedeu os ganhos não poderia ser deduzido, fazendo com que a glosa subsistisse pelo montante de R$ 48.498.016,00. 1.4. Quanto às atividades das pessoas jurídicas O RIR/99, ao regulamentar as normas esparsas da legislação do imposto de renda, não teria permitido que as empresas não financeiras efetuassem a dedução integral de eventuais perdas quando estas superassem os ganhos nas mesmas operações. Essa interpretação seria coerente com a de que o artigo 77 da Lei 8.981/1995 somente afastou o regime de tributação previsto no capítulo, mas não a regra de dedutibilidade nele inserida. A contribuinte não é empresa financeira e, assim, não pode deduzir eventuais perdas. Traz jurisprudência acerca da matéria e conclui (fl. 26): Portanto, seja porque o artigo 77 da Lei n° 8.981/95 afasta o regime de tributação na fonte e não a regra de dedutibilidade prevista no § 4° ao artigo 76, ou porque a possibilidade de dedução integral das perdas só se aplique às instituições financeiras, a perda líquida de R$ 48.498.016,00, no anocalendário de 2008, relativa às operações financeiras no mercado de renda variável, deveria ter sido adicionada ao lucro líquido para apuração do lucro real, bem como à base de cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido, o que Fl. 11406DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.385 5 resultaria em lançamento do crédito tributário e seus reflexos se estes valores já não estivessem abarcados pelo lançamento cujas razões estão referidas nos itens 21 a 25. 1.5. O ACC e a necessidade de hedge O autuante traz outro argumento para sustentar o lançamento da perda líquida: o de que as operações realizadas pela contribuinte não podem ser classificadas como hedge. E ele próprio adverte que (fl. 26) para aceitar este argumentação teríamos que refutar os argumentos anteriores, para em seguida verificar se as operações que realiza podem ser caracterizadas como de ‘hedge’ Refere o autuante que a Lei n. 8.981/1995 trouxe um conceito normativo de hedge. De acordo com o parágrafo 1° do artigo 77 da citada Lei, são consideradas como tais as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: (a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; (b) destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. O autuante fez análise de qual seria a necessidade de hedge relativamente às exportações que estariam sujeitas as oscilações do câmbio, considerando as formas de financiamento às exportações utilizadas pela fiscalizada. Ela teria informado a utilização de Adiantamentos de Contratos de Câmbio – ACC, Adiantamento sobre Cambiais Entregues – ACE e Prépagamento da Exportação. Os dois primeiros seriam créditos domésticos entre dois agentes residentes e o último constituiria uma modalidade de financiamento externo. A contribuinte não teria necessidade de realizar operações financeiras com derivativos para receitas que foram antecipadas por meio de ACC/ACE/Prépagamento, pois não haveria exposição a risco cambial. Trago excerto do relatório (fls. 34): Concluise, por conseguinte, que pelo lado comercial, as receitas das exportações recebidas antecipadamente, fruto dos contratos de câmbio mencionados, não são impactadas pelas variações da moeda, sendo desnecessárias operações de cobertura adicionais, pois só persiste o risco comercial da atividade. Por sua vez, no lado financeiro, também não há necessidade de hedge em relação às oscilações do câmbio, pois nos contratos de financiamento (ACC/ACE e PréPagamento) se comprometeu a entregar (vender) a moeda obtida com as mercadorias exportadas, ou então cedeu os direitos de recebimento ao banco, o que permite a liquidação do compromisso com as divisas recebidas, independente da taxa de câmbio praticada. Efetuado o confronto entre ACC/ACE/Prépagamento versus vendas externas, o autuante concluiu que a exposição a riscos cambiais da empresa seria de 1,64% ou 15,41% do total das vendas para o exterior, dependendo do critério adotado (item 58 do relatório fiscal). Os valores expostos a tais riscos seriam então de R$ 26,4 milhões ou R$ 248,1 milhões, mas a contratação de derivativos teria sido da ordem de R$ 2 bilhões. Diz o autuante (fl. 36): Portanto, a contratação dos derivativos foi muitas vezes superior às necessidades de cobertura, caracterizando que em sua maioria eram especulativos, visando obter ganhos financeiros, situação que não afastaria o limite de dedutibilidade, previsto § 4° do artigo 76 da Lei 8.981/95, resultando na adição ao lucro líquido do valor de R$ 48.498.016,00. Fl. 11407DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.386 6 Ainda, confrontando o quadro acima com o inserido no item 51, constatase que os valores base dos derivativos superaram em R$ 327 milhões as vendas externas da fiscalizada, ou seja, 19% acima do total das vendas. O relatório fiscal também refere que a própria fiscalizada admitiu, em resposta à intimação, que os derivativos vinculados aos financiamentos eram para depreciar o custo financeiros destes, em outras palavras, visavam obter ganhos financeiros para com estes reduzir o pagamento dos juros previstos. Diz: As respostas [à intimação] transcritas constituem confissão de que os objetivos dos derivativos vinculados às operações de financiamento não eram de cobertura, mas especulativos, visando obter algum ganho para reduzir os juros a serem pagos. Analisados por amostragem os financiamentos mencionados pela fiscalizada, constatamos que em sua maioria foram contratados em reais com correção por um percentual do CDI mais juros, portanto, sem risco cambial. Ao final do relatório fiscal o autuante resume suas conclusões assim (fls. 37): 85. Diante dos fatos e das irregularidades fiscais constatadas, referidas sucintamente abaixo, efetuamos o lançamento em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e do reflexo na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, assim como da multa de ofício, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488, de15/06/2007: 1. porque a fiscalizada não se desincumbiu de comprovar o registro das operações de swap, como estabelece o § 3° do artigo 74 da Lei 8.981/95, condição para o reconhecimento das perdas, cujo montante chegou a R$ 57.570.388,09; 2. porque o artigo 77 da Lei n° 8.981/95 afasta o regime de tributação na fonte das operações financeiras que menciona, mas não a regra que limita a dedutibilidade das perdas aos ganhos auferidos nas mesmas operações, prevista no § 4° ao artigo 76; 3. porque a dedução integral das perdas em renda variável, atendidas certas condições, só é permitida às instituições financeiras, que tem entre suas atividades operacionais estes negócios; 4. porque, acaso afastados os motivos anteriores, a maior parte das operações realizadas pela fiscalizada não podem ser classificadas como de cobertura (hedge), situação em que as perdas excedentes aos ganhos em renda variável devem ser adicionadas ao lucro líquido. 86. A base tributável para o lançamento motivado por qualquer dos itens 2, 3 ou 4 seria de R$ 48.498.016,00. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação: 2.1. Das Preliminares Fl. 11408DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.387 7 Os autos de infração teriam sido lavrados com teses sucessivas e valores de bases tributáveis alternados, remetendo, assim, a competência privativa do lançamento ao órgão julgador, para que este faça o aperfeiçoamento do auto de infração e determine qual é a infração correta e qual a base tributável a ser exigida. A competência das delegacias de julgamento, no entanto, é restrita ao julgamento do processo – não pode lançar ou aperfeiçoar a exigência. A indicação de duas bases tributáveis decorrentes do mesmo fato gerador macula a certeza do crédito tributário referido no auto de infração. Essa incerteza do crédito seria produto da incerteza e da ausência de convencimento da própria fundamentação do auto de infração. Haveria imprecisão na base tributável de R$ 57.570.388,09. Transcrevendo trechos do relatório fiscal a defesa pergunta (fl. 4937): Com a devida vênia, mas, mesmo no esclarecimento da base tributável de R$ 57.570.388,09 não houve certeza. Como pode uma perda de R$ 48.498.016,00 ter a exclusão do valor de R$ 12.645.640,00 e alcançar o montante de R$ 57.570.388,09. Houve adição dos valores, para determinar a referida base de R$ 57.570.388,09? Houve adição do valor de R$ 12.645.640,00? Houve subtração entre os referidos valores? Veja que não há a devida fundamentação do valor tributável de R$ 57.570.388,09 e, por conseguinte, verificase que não há certeza da base tributável e do consequente crédito tributário exigido no auto de infração, mesmo quando analisada isoladamente apenas esta base de cálculo! Teria havido, então, nulidade insanável em razão da falta de certeza quanto à base tributável. Não teria havido a indicação de qual conduta teria ocasionado uma infração tributária. O discurso sucessivo do autuante teria indicado quatro infrações diversas entre si. Diz a impugnante (fl. 4941): No referido discurso, a única conclusão que se chega é que a Autoridade Fiscal obteve dificuldade na determinação da infração e na determinação da base tributável e lavrou o auto de infração para que, posteriormente, a Delegacia de Julgamento realizasse o seu aperfeiçoamento, determinando qual a infração em análise e a base de cálculo correta. Nesse sentido, é possível formular as seguintes proposições contidas no relatório fiscal e, principalmente, na sua conclusão: Se a primeira infração (não ter demonstrado o registro das operações), com o valor tributável de R$ 57.570.388,09, não for confirmada pela Delegacia de Julgamento, então é porque ocorreu a segunda, e esta deve ser considerada com o valor tributável de R$ 48.498.016,00; Se a segunda infração (regra que limita a dedutibilidade das perdas em hedge aos valores dos ganhos) não for confirmada por esta Colenda Turma, então é porque ocorreu a terceira infração; Fl. 11409DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.388 8 Todavia, se a terceira infração (dedução integral das perdas de hedge é procedimento exclusivo das instituições financeiras, pelo seu objeto social) também não for confirmada por esta Colenda Turma Julgadora, então, deve ser mantido o auto de infração pela quarta infração (suposta ausência de enquadramento dos derivativos em análise como operações de hedge). Enfatiza que o lançamento é atividade vinculada e de competência privativa da autoridade fiscal, não cabendo à turma de julgamento indicar qual infração deveria ter sido autuada e qual a base de cálculo que deveria ser adotada. Pede que o auto de infração seja anulado ante à ausência do enquadramento específico de qual infração está sendo imposta, com a consequente violação aos arts. 10, incisos III e V, e 11, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972. 2.2 MÉRITO A contribuinte, quando celebra os Adiantamentos de Contratos de Câmbio – ACC’s ainda não possui exportações contratadas sobre aquela produção que será financiada pelo próprio ACC, por isso, a afirmação de que o ACC não se vincula a um derivativo que será contratado, posteriormente, para proteger os riscos da variação da taxa de câmbio sobre as receitas de exportação. Mensalmente a autuada realiza o cotejo entre o seu fluxo de caixa projetado com as futuras receitas e os vencimentos dos ACC’s que financiam o seu ciclo operacional, e, sobre os saldos (diferenças de valores) remanescentes entre os mesmos, realiza a devida proteção através de operações de derivativos para obter o hedge, protegendo o resultado da empresa do risco da variação da taxa cambial do dólar e do euro. Assim, o derivativo seria realizado apenas para proteger a parcela da futura receita de exportação dos riscos da variação cambial, que não estava, de certa forma, acobertada pelos vencimentos dos ACC’s, bem como dos ACE’s. Diz: Assim, é evidente que a ora Impugnante, ao contratar um derivativo, o faz na exata medição do seu risco, ou seja, apenas para proteger a parcela da receita de exportação que está descoberta e que poderá sofrer prejuízo em face da variação da taxa cambial. A celebração de hedge não seria uma liberalidade do administrador, mas uma obrigação imposta pela legislação societária, no caso, os art. 153 e 154 da Lei 6.404/1976 e art. 1.011 do Código Civil. Os derivativos, para configurarem hedge, tanto podem ser do tipo vinculado – de contrato a contrato – como podem se constituir num núcleo de operações protegidas, como aconteceria no caso concreto, pois a autuada contratava o derivativo conforme o volume das datas de vencimento (recebimento) das receitas de exportação. A análise de cada ACC, ACE e Derivativo, juntamente com os faturamentos de exportação realizados no período de 2008 mostra que a proteção por derivativos se deu a menor do que poderia ter sido realizada, apenas com exceção dos meses do pico da crise mundial, onde houve pequena oscilação, justificável. 2.2.1. Do Registro das Operações de Hedge Fl. 11410DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.389 9 A contribuinte – quando intimada a fornecer o registro de todos os derivativos – não possuía e permanece não os possuindo, pois são as instituições bancárias que procedem ao registro junto aos órgãos competentes. O registro é posterior à contratação. O fato de os registros não terem sido apresentados não significa que os mesmos inexistam. O autuante deveria ter solicitado às instituições bancárias para que fornecessem referidos registros dos derivativos, haja vista que o procedimento de registro é regulado pelo Banco Central e suas normas são direcionadas às instituições bancárias. O hedge não pode ser descaracterizado sem que o fisco esgote todos os meios de prova possíveis. Diz (fl. 4949): Todavia, com o propósito de que seja devidamente esclarecido, a ora Impugnante registra a sua autorização para que Vossas Senhorias, determinem, pessoalmente, ou, através de baixa em diligência à Autoridade Fiscal de origem, a solicitação dos registros dos derivativos celebrados com a ora Impugnante, mediante ofício de intimação para as instituições bancárias contratadas, bem como ao CETIP e ao Banco Central por serem os órgãos reguladores das atividades das mesmas. Comenta que não há impositivo normativo que determine o registro dos derivativos e, assim, há a possibilidade das instituições financeiras, em razão de entenderem desnecessário, não terem realizado os registros de tais operações. Essa eventual omissão não poderia prejudicar a impugnante, que não é responsável pela formalização do derivativo. 2.2.2. Da dedutibilidade integral das perdas de hedge A defesa não concorda que as perdas com derivativos devem ser limitadas aos valores dos ganhos percebidos com eles, sob o argumento de que quando o art. 77 da Lei nº 8.981/1995 excepciona a aplicação do regime de tributação previsto no Capítulo VI, excepciona apenas a incidência do imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos ou ganhos líquidos dos derivativos realizados como hedge e não exceção à regra de dedutibilidade do art. 76, § 4º, da Lei nº 8.981/1995. O art. 77 da referida lei não pode ser interpretado isoladamente. Deverá ser interpretado considerando todo o Capítulo VI, haja vista que a Seção III, onde ele está inserido, trata das disposições comuns ao regime de tributação das operações financeiras, sejam elas fixas (Seção I), sejam elas variáveis (Seção II). E o inciso V, do referido artigo 77, deixa claro que as regras de tributação do Capítulo VI, não se aplicam às operações de hedge. Ou seja, é por expressa determinação legal que o art. 77, inciso V, da Lei n° 8.981/95 excetua a regra de dedutibilidade prevista no art. 76, § 4o, da mesma lei, de modo que as perdas de hedge podem ser integralmente deduzidas. Por outro lado, o art. 5º, da Lei 9.779/99, não derrogou tacitamente, em parte, o inciso V, do art. 77, da Lei nº 8.981/1995, mas apenas passou a determinar que os ganhos em operações de hedge sejam tributados na fonte, sem qualquer influência quanto ao tratamento dado na ocorrência das perdas de hedge. O art. 77, inciso V, está previsto na “Seção III – Das Disposições Comuns à Tributação das Operações Financeiras” e, assim, excepciona a regra do art. 76,§ 4º, da mesma lei, em razão do princípio da especialidade. Enfatiza: Quando se tratar de derivativo Fl. 11411DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.390 10 de hedge, a dedutibilidade das suas perdas é integral, pois, o art. 77, V, excepciona a regra geral de dedutibilidade quando o derivativo for hedge. A Instrução Normativa SRF nº 25/2001 e depois a nº 1022/2010 garantiriam a dedutibilidade integral das perdas de hedge. Nessa última, a previsão constaria do § 6º, do art. 56: Art. 56. Estão dispensados a retenção na fonte ou o pagamento em separado do imposto sobre a renda sobre os rendimentos ou ganhos líquidos auferidos: (...) § 3 0 Para efeito do disposto no § 2 0 , consideramse de cobertura (hedge) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preços ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: I estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; II destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. § 4o Os rendimentos auferidos nas operações de cobertura (hedge), realizadas através de operações de swap por pessoa jurídica não relacionada no inciso I do caput , sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda na fonte às alíquotas previstas no art. 37. (...) § 6 ° Não se aplica às perdas incorridas nas operações de que trata este artigo, a limitação prevista no § 7 ° do art. 55. Conclui a impugnante (fl. 4957): Dessa forma, verificase que o art. 77, inciso V, da Lei n° 8.981/75 autoriza a dedução integral das perdas decorrentes de operações de hedge, assim como, na mesma linha, estabelecem o art. 35, § 6o, da IN/SRF n° 25/2001 e o art. 56, § 60, da IN/RFB n° 1.022/2010. 2.2.3. Da vinculação do hedge ao objeto social da impugnante A defesa contesta a conclusão fiscal de que as perdas com hedge somente poderiam ser objeto de dedução integral quando a pessoa jurídica for empresa financeira. Diz (fl. 4958): A única diferença entre a pessoa jurídica nãofinanceira e a pessoa jurídica financeira, prevista no art. 77 da Lei n° 8.981/95 (que trata sobre as disposições comuns à tributação das operações financeiras), é sobre a tributação sobre os ganhos. Ou seja, quando o ganho for percebido pela pessoa jurídica financeira, não haverá incidência do imposto de renda na fonte e, tal disposição é muito compreensível, pois, se assim não fosse, qualquer empresa que tivesse perdas em derivativos, teria que reter o imposto de renda sobre o ganho das instituições bancárias. [...]Ademais, também não é correto que o RIR/99 tenha restringido a dedução integral das perdas de hedge. Como já foi dito, a definição do procedimento da dedução foi Fl. 11412DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.391 11 delegado, expressamente pelo art. 757, ao Ministro do Estado da Fazenda e este, o fez através da IN/SRF n° 25/2001 e da IN/RFB n° 1022/2010. Conforme exposto alhures, o art. 35, § 6o, da IN/SRF n° 25/2001, ao dizer que as operações de hedge não estão sujeitas à regra limitadora de dedução prevista no art. 33, § 7o, permitiu expressamente que a dedução das perdas de hedge seja integral, apenas, exigindo dois requisitos alternados: (i) que o hedge esteja estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; ou (ii) que o hedge destinese à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Não há restrição a que uma empresa não financeira realize operações de hedge para proteger as suas receitas de exportação dos produtos que industrializa dos riscos da variação da taxa cambial, como seria o caso da impugnante. Traz doutrina sobre a dedutibilidade integral das perdas com hedge. Enfatiza que a realização de operação de hedge não é uma liberalidade da empresa, mas uma obrigação prevista na Lei das Sociedades Anônimas. As regras científicas da contabilidade internacional também disciplinam a contabilização e a evidenciação de operações com instrumentos financeiros, incluindo derivativos. As operações de hedge realizadas foram necessárias para proteger a parcela das suas receitas de exportação que não estavam protegidas pelos ACC’s. Elas foram contratadas sem qualquer fim especulativo e estão vinculadas às atividades operacionais da autuada. 2.2.4. Das operações de derivativos celebrados pela impugnante e a sua caracterização como hedge – ausência de caráter especulativo Para obter recursos para seu ciclo operacional a contribuinte celebra, com bancos, Adiantamentos de Contratos de Câmbio – ACC. Não há, nesse momento, vinculação com operações de exportação já contratadas. Quando os pedidos de exportação são realizados se faz o cotejo do valor projetado da receita de exportação com o valor do montante dos vencimentos dos ACC’s, no mesmo período, e, sobre a diferença entre os mesmos, realiza as operações de hedge, porque esta é a parcela das receitas de exportação que está descoberta e exposta ao risco da variação cambial. Quando há Adiantamentos sobre Cambiais Entregues – ACE, eles também são considerados. O hedge seria, então, realizado na exata medida do risco projetado. Teriam sido cumpridos os requisitos das alíneas ‘a’ e ‘b’, do § 1º, do art. 77, da Lei nº 8.981/1995, pois (fl. 4969/4970): Primeiro, foi e é realizado para proteger as receitas de exportação dos riscos da variação da taxa cambial, ou seja, para proteger um direito; e, Segundo, ao proteger suas receitas de exportação, protege a continuidade das suas atividades operacionais, quais sejam, a industrialização e comercialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos e bovinos. Fl. 11413DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.392 12 Traz gráficos procurando demonstrar que o somatório dos referidos instrumentos, os quais gerariam proteção das exportações frente ao cenário externo, são inferiores ao total dos vencimentos dos faturamentos da impugnante. Às fls. 4971/4972 a impugnante lista as razões pela quais o autuante teria concluído que eram especulativas as operações com derivativos, dizendo que houve “deturpação das informações”. Traz tabelas para demonstrar que no somatório do ano de 2008, o valor que poderia ser garantido por derivativos ficou abaixo das necessidades de garantia em mais de 38 milhões de dólares. Somente em agosto, setembro e outubro/2008, auge da crise mundial, é que teria havido diferença a descoberto em relação às exportações. Conclui dizendo (fl. 4977/4978): Primeiro, o fiscal parte com a premissa equivocada de que a empresa realizou derivativos para obter ganho, em outras palavras, com o propósito especulativo. Segundo, como foi exposto acima, todas as operações de hedge foram realizadas para proteger saldos remanescentes de receitas de exportação não abrangidos por ACCs e, quando foram os casos, não abrangidos pelos valores de ACCs e ACE's com mesmo período de vencimento das exportações. Terceiro, foram preenchidos os requisitos do art. 77, § I, alíneas "a" e “b", da Lei n° 8.981/95, ou seja, as operações de hedge estavam relacionadas com as atividades operacionais da pessoa jurídica; e destinavam à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Quarto, verificase que a glosa à dedução integral das perdas de hedge não deve persistir, pois, estando ausente o caráter especulativo, não há que se falar em perdas que devem ser acrescidas ao valor tributável. 2.2.5. Da dedução das perdas excedentes aos ganhos, em anoscalendários subsequentes A impugnante pede que, não acatadas suas razões de defesa, sejam consideradas as perdas até o limite do ganho auferido e que seja permitida a adição da parte excedente das perdas nos anoscalendários subsquentes, na forma como estabelece o § 5º, do art. 76 da Lei nº 8.981/1995: Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será:(Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) [...]§ 4º Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. § 5º Na hipótese do § 4º, a parcela das perdas adicionadas poderá, nos anoscalendário subseqüentes, ser excluída na determinação do lucro real, até o limite correspondente à diferença positiva apurada em cada Fl. 11414DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.393 13 ano, entre os ganhos e perdas decorrentes das operações realizadas.(Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) 2.2.6. Da ausência de previsão legal para adição na base de cálculo da CSLL O lançamento teria sido fundado no art. 249, § único, inciso X, do RIR/99, que faz referência, unicamente, ao lucro real. O lucro real é a base de cálculo do imposto de renda, enquanto que o lucro líquido é a base de cálculo da contribuição sobre o lucro líquido. Devido à referência específica da legislação ao lucro real, não existe permissão de glosa das perdas em comento do lucro líquido – base de cálculo da CSLL. Assim, seria ilegal o lançamento em relação à CSLL. Traz jurisprudência sobre a matéria. O dispositivo do RIR mencionado é o que segue: Art.249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 6º, §2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Parágrafo único.Incluemse nas adições de que trata este artigo: [...]X as perdas apuradas nas operações realizadas nos mercados de renda variável e de swap, que excederem os ganhos auferidos nas mesmas operações (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §4º); Diz a defesa (fl. 4983): Ou seja, ainda que se entendesse que as operações em apreço não seriam hedge e, portanto, os ganhos deveriam ser adicionados ao lucro real, em relação à CSLL tal adição não poderia ser realizada na sua base de cálculo (lucro líquido), haja vista a inexistência de previsão legal permissiva desse procedimento. 2.2.7. Do afastamento da Selic sobre a multa A defesa se insurge contra a exigência de taxa Selic sobre a multa de ofício, pois não haveria autorização para a penalidades incidirem uma sobre a outra. A previsão legal para incidência dos juros de mora – a defesa transcreve o parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/1996 – é apenas sobre tributos e contribuições, não havendo autorização para incidência sobre qualquer outra espécie que não possua a mesma natureza jurídica. Traz jurisprudência. 2.2.8. Da compilação dos argumentos de defesa A impugnante diz que é desacertada qualquer uma das conclusões do autuante, pois, em resumo (fl. 4930): Fl. 11415DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.394 14 Primeiro, os derivativos, embora não vinculados à cobertura de proteção da taxa de variação do dólar em uma única exportação, estão vinculados a determinados períodos em que está projetada a entrega de produtos alimentícios em diversas operações de exportação e visam proteger as receitas projetadas, nos moldes em que o Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC 14, 38, 39 e 40 orientam a realização do hedge. Ademais, os derivativos são registrados pelas instituições bancárias que celebraram os mesmos com a ora Impugnante. Segundo, o art. 77, inciso V, da Lei n° 8.981/95, garante a dedução integral das perdas nas operações de hedge, sendo que o RIR/99 delega ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para instituir o procedimento que essas perdas serão realizadas, o qual foi regrado pela IN/SRF n° 25/2001 e, posteriormente e idêntico teor, pela IN/RFB n° 1.022/2010. Terceiro, porque a dedução integral das perdas de hedge não é procedimento previsto exclusivamente às instituições financeiras. Na verdade, para as instituições financeiras é prevista a dedução integral das perdas de quaisquer derivativos, mesmo aqueles que não possuam natureza de hedge, e a desobrigação da retenção de imposto de renda na fonte sobre os "prêmios" pagos às instituições financeiras. Portanto, em nenhum momento a legislação vedou a dedução integral de perdas de derivativos com a natureza de hedge, ao contrário, é expressamente permitido em razão do seu caráter eminentemente protetivo e vinculado aos riscos que ameaçam o resultado do contribuinte, como por exemplo, a variação cambial da moeda. E, quarto, porque os derivativos, questionados pela fiscalização, foram realizados pela ora Impugnante para proteger os valores das receitas de exportação, não havendo qualquer vinculação dos mesmos aos ACCs, pois, uma, os ACCs são utilizados para proporcionar recursos para o ciclo operacional da empresa e, duas, as presentes operações de hedge protegem saldos de valores de receita de exportação em determinados períodos, em concomitância a determinados períodos de vencimentos de ACCs, para cobrir saldos de valores que não estariam alcançados pelos referidos ACCs, e não sobre o valor integral das receitas de exportações, haja vista que foram realizados na estrita necessidade do risco projetado a ser enfrentado e não com caráter especulativo. 2.3. Do Pedido Os pedidos apresentados pela defesa são (fl. 4987/4990): Preliminarmente, sejam acolhidas as nulidades de ausência de certeza da base tributável e de ausência de determinação da infração autuada e, por conseguinte, seja determinada a nulidade integral do auto de infração, ora combatido, com o consequente cancelamento integral da exigência tributária imposta. 2. Sucessivamente, em não sendo acolhidas as preliminares arguidas, requer, no mérito, o acolhimento das razões expostas para o fim de reconhecer a legitimidade das operações de hedge sustentadas acima e a legitimidade da sua dedutibilidade, sendo, por corolário lógico, integralmente cancelado o auto de infração em apreço, com o consequente arquivamento do presente processo administrativo. 3. Sucessivamente, em não sendo acolhido o pedido anterior, a ora Impugnante requer o afastamento da adição à base de cálculo de CSLL, por ausência de previsão legal, Fl. 11416DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.395 15 bem como seja garantida a adição da parte excedente das perdas à base de cálculo do IRPJ, nos anoscalendários subseqüentes aos exercícios em questão. 4. Outrossim, a ora Impugnante requer que seja excluída a aplicação da taxa SELIC sobre a multa. 5. A ora Impugnante registra a sua autorização para que Vossas Senhorias, determinem, pessoalmente, ou, através de baixa em diligência à Autoridade Fiscal de origem, a solicitação dos registros dos derivativos celebrados com a ora Impugnante, mediante ofício de intimação para as instituições bancárias contratadas, bem como ao CETIP e ao Banco Central por serem os órgãos reguladores das atividades das mesmas. 6. Por derradeiro, a ora Impugnante requer a possibilidade de juntar outros documentos que possam corroborar com a comprovação da legitimidade dos argumentos expostos acima, bem como, caso Vossas Senhorias entendam necessário, seja determinada a baixa para realização de diligência fiscal, com o escopo de se analisar toda a documentação juntada aos autos pela própria fiscalização, ou mesmo com outros documentos que venham a ser solicitados por Vossas Excelências, com a finalidade de se aferir a real exposição da empresa, analisandose os ACC's, ACE's, Derivativos, e Faturamento de exportação pelos seus reais vencimentos/liquidação, e não por presunção, como fez a fiscalização, tampouco com a repetição dos mesmos (ACC's, ACE's e Derivativos) em vários meses/períodos cumulativamente; 7. Alternativamente ao pedido anterior, seja determinada a realização de perícia, em conformidade com os quesitos aduzidos abaixo, tudo para comprovar a real exposição da empresa, analisandose os ACC's, ACE's, Derivativos, e Faturamento de exportação pelos seus reais vencimentos/liquidação, e não por presunção, como fez a fiscalização, tampouco com a repetição dos mesmos (ACC's, ACE's e Derivativos) em vários meses/períodos cumulativamente. Quesitos: 7.1. Seja apurado o valor de todos os faturamentos, oriundos de exportação, vencidos no exercício/ano de 2008, aferindose os mesmos por dia, ou por mês de vencimento (em 2008); 7.2. Seja apurado o valor de todos os ACCs liquidados no exercício/ano de 2008, aferindose os mesmos por dia, ou por mês de vencimento (em 2008); 7.3. Seja apurado o valor de todos os ACE's liquidados no exercício/ano de 2008, aferindose os mesmos por dia, ou por mês de vencimento (em 2008); 7.4. Seja apurado o valor de todos os Derivativos liquidados no exercício/ano de 2008, aferindose os mesmos por dia, ou por mês de vencimento (em 2008); 7.5. Após a aferição de todos os itens anteriores, seja realizado um comparativo por dia, ou mês de 2008, contrapondose os ACCs, ACE's e os Derivativos (liquidação/vencimento dos mesmos), aos faturamentos vencidos no mesmo exercício/ano de 2008 (sem a repetição dos mesmos), aferindose a real exposição da empresa nos referidos dias, meses, e no final no ano de 2008, concluindose se a mesma laborou com os referidos derivativos como proteção (hedge), ou especulativo (superior ao valor de exposição das exportações, mesmo após o cômputo dos ACC's e ACE's), como afirmou a fiscalização. Fl. 11417DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.396 16 A realização da presente perícia se faz necessária, tendo em vista que a autuação concluiu pela especulação, sem levar em consideração os reais vencimentos e/ou liquidação dos ACC's, ACE's, Derivativos e Faturamento de exportação, tampouco sem atentarse que a extração de tais informações dos documentos contábeis e fiscais em que muitos destes derivativos, ACC's e ACE's constavam no seu somatório, geraram o cômputo em duplicidade, ou até mais de 05 vezes o mesmo valor (por não atentar ao vencimento/liquidação dos mesmos). Desta forma, a perícia, para asseverar a análise real dos contratos, se os mesmos estavam na natureza de proteção/Hedge, ou superior à exposição (especulativo), se faz necessário e mesmo essencial ao deslinde do presente feito, com o respeito à verdade material. Em julgamento realizado em 23 de agosto de 2013, a 5ª Turma da DRJ/POA, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 1045.945, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As nulidades no processo administrativo fiscal são aquelas constantes do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses lá previstas, é válido o lançamento. Inocorre cerceamento do direito de defesa se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas e sobre tudo pode manifestarse mediante bem articulada peça impugnatória. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A realização de perícia deve ser indeferida quando não for necessária à solução do litígio e as provas puderem ser produzidas pela juntada de documentos que estão na posse de quem pede a prova técnica. SWAP. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. REGISTRO. A dedução das perdas em operações de swap é condicionada à comprovação de que os contratos foram levados à registro. Cabe à contribuinte demonstrar que cumpriu os requisitos de dedutibilidade. OPERAÇÕES DE SWAP. PERDAS. LIMITE PARA DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade das perdas incorridas nas operações de swap é limitada aos ganhos obtidos nessas mesmas operações. As perdas são integralmente dedutíveis tão somente para as instituições financeiras. CSLL. PERDAS COM DERIVATIVOS. Fl. 11418DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.397 17 Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA NÃO FORMULADA NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO PELA DRJ. Os juros de mora incidiram unicamente sobre os tributos lançados. Não tendo o auto de infração formulado exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, inexiste sobre esse tema litígio suscetível de apreciação pela turma de julgamento da DRJ. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 5.491/5.577), onde repete os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, principalmente nos seguintes tópicos: (I) Preliminares: (a) Nulidade do Auto de Infração em face da ausência da certeza da base tributável; (b) Nulidade do Auto de Infração em face da determinação do fato incorrido em infração; (II) Mérito: (a) Das Operações de Hedge; (b) Do Registro das Operações de Hedge; (c) Da Dedutibilidade Integral das Perdas de Hedge; (d) Da Vinculação do Hedge ao Objeto Social da Recorrente; (e) Das Operações de Derivativos Celebrados pela Recorrente e a sua Caracterização como Hedge Ausência de caráter especulativo; (f) Do Pedido Sucessivo Da dedução das Perdas Excedente aos Ganhos, em anoscalendário subseqüentes; (g) Da Ausência de previsão legal para adição na base de cálculo da CSLL; (h) Do Afastamento da Selic sobre a multa; (i) Da necessidade de Perícia. Fl. 11419DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.398 18 Da Resolução O processo chegou ao CARF e em 06/05/2014, pelo teor da Resolução nº 1301 000.202 (fls. 5.580/5.590), no qual a turma unanimemente resolveu converter o julgamento em diligência para baixar o processo para que a DRF notifique os bancos pelos quais foram realizadas as operações da recorrente para apresentarem os respectivos registros, como também, que sejam, realizados os cálculos necessários para verificar se ocorreu lançamento de valor em duplicata como alega a recorrente, nos seguintes termos: 1) apuração de todos os faturamentos, oriundos de exportação, vencidos no ano calendário de 2008, aferindose os mesmos, por dia, e por mês de vencimento; 2) apuração de todos os ACC´s liquidados no anocalendário de 2008, aferindo se os mesmos, por dia, e por mês de vencimento; 3) apuração de todos os ACE´s liquidados no anocalendário de 2008, aferindo se os mesmos, por dia, e por mês de vencimento; 4) apuração de todos os derivativos liquidados no ano calendário de 2008, aferindose os mesmos, por dia, e por mês de vencimento; 5) após as aferições dos itens anteriores, seja realizado um comparativo contrapondose as ACC´s , ACE´S e os Derivativos, aos faturamentos vencidos no mesmo exercício sem a repetição dos mesmos. Verificando assim, a real exposição da empresa nos referidos, dias, meses e no final no ano calendário de 2008, concluindo se a empresa laborou com os referidos derivativos como proteção (hedge) ou especulativo superior ao valor de exposição das exportações, mesmo após o computo dos ACC`S e ACE´S. 6) A recorrente deve ser notificada da conclusão da diligência, para que se manifeste no prazo de 10 (dez) dias sobre seu conteúdo. O Relatório de diligência fiscal encontrase às fls. 11.277/11.296. E a Manifestação ao Relatório da Diligência Fiscal por parte do contribuinte encontrase às fls. 11.302/11.332. Em 26/01/2017, recebi os presentes autos, por sorteio. É o relatório. Fl. 11420DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.399 19 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. Do exame do Relatório de Atividades Fiscais, de fls. 11.277/11.296, que resume os procedimentos e as conclusões da diligência levada a efeito por determinação deste Colegiado, juntamente com os documentos acostados aos autos, considero que o processo ainda não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A conclusão da Fiscalização no que tange ao caráter especulativo do hedge foi no sentido de que no ano de 2008, houve despesa considerada especulativa de R$33.113.991,65, pois acima das suas necessidades de cobertura. A Recorrente, por sua vez, apresentou manifestação às fls. 11.302/11.332, onde alega que a Fiscalização alterou valores relativos aos contratos de ACC's, bem como dos faturamentos das exportações, e que ao invés de considerar as datas de vencimento das exportações, considerou a data de embarque das mercadorias exportadas, não se atendo ao determinado para diligência. Outro ponto destacado pela Recorrente, e que merece ser verificado, se refere à consideração pela Fiscalização, de um mesmo contrato, que possuía vencimento após 6 meses, foi considerado pela Fiscalização como se houvesse mais 5 novos contratos: Diante dos diversos erros apontados pela Recorrente, bem como em razão da alteração do valor entendido como especulativo após as diligências realizadas pela Fiscalização, e que pugno importantes para o deslinde da matéria, voto no sentido de se retornarem os autos em nova diligência, para que a fiscalização refaça os cálculos nos moldes já determinados, especialmente no que se refere ao item 5), sem a repetição do mesmo contrato em diversos meses, bem como considerando a data de vencimento correta para liquidação : 5) após as aferições dos itens anteriores, seja realizado um comparativo contrapondose as ACC´s , ACE´S e os Derivativos, aos faturamentos vencidos no mesmo exercício sem a repetição dos mesmos. Verificando assim, a real exposição da empresa nos referidos, dias, meses e no final no ano calendário de 2008, concluindo se a empresa laborou com os referidos derivativos como proteção (hedge) ou especulativo superior ao valor de exposição das exportações, mesmo após o computo dos ACC`S e ACE´S. Solicito, ainda, o relatório conclusivo, acompanhado dos novos cálculos, dando se ciência ao Recorrente, para que se manifeste, no prazo de 30 dias, se assim desejar. Fl. 11421DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.400 20 Após, o processo deverá retornar ao CARF, para prosseguimento do julgamento. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 11422DF CARF MF Processo nº 13005.720890/201302 Resolução nº 1301000.406 S1C3T1 Fl. 11.401 21 Fl. 11423DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.731951/2014-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA SEM DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE.
A dedução de despesa com pensão alimentícia requer a prova de que o ônus tenha sido imposto ao contribuinte por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, não gera o direito a dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98.
Numero da decisão: 2202-003.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. A dedução de despesa com pensão alimentícia requer a prova de que o ônus tenha sido imposto ao contribuinte por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, não gera o direito a dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 19 51 /2 01 4- 10 Fl. 187DF CARF MF 2 Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 05/13), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2011, ano calendário de 2010, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de: · Previdência Privada e Fapi, no valor de R$ 2.972,86, por falta de comprovação; · Dependentes, no valor de R$ 1.808,28, pois a filha Laís Fernandes Romanato foi inclusa como dependente na DIRPF da mãe, cônjuge do declarante; · Despesas de Instrução, no valor de R$ 2.830,84, relativa à filha Laís Fernandes Romanato, já utilizada como despesa na declaração da cônjuge; · Pensão Alimentícia Judicial, no valor de R$ 67.221,29, por falta de apresentação de escritura pública, decisão judicial ou acordo homologado judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia; · Despesas médicas, no valor de R$ 4.813,00, por falta de comprovação. Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial, onde o interessado contestou apenas a glosa da dedução de pensão judicial, uma vez que é paga há 22 anos à ex esposa, na proporção de 30% da remuneração, descontada no contra cheque gerado pela Secretaria da Fazenda do RS. Diz anexar cópia da autorização da SEFAZ para implantar o desconto da pensão judicial devido separação consensual. Fez a juntada de ofício da 2ª Vara (Esteio/RS) do Poder Judiciário do Estado do RS, determinando o desconto em folha de pagamento; do ofício em resposta, informando a implantação do desconto; do assentamento da separação consensual junto ao Registro Civil de Esteio/RS, homologada e com trânsito em julgado em 13/07/1992 e de Certidão do Registro Civil das Pessoas Naturais, Esteio/RS, emitida em 11/12/2001, com a averbação da sentença de conversão de separação consensual em divórcio consensual (fls. 18, 20, 26 e 27). O dossiê da malha fiscal está às fls. 30/56 dos autos. A 20ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 71/74 dos autos eletrônicos, pois os documentos apresentados pelo contribuinte, embora demonstrem que a separação do casal ocorreu em 1992, convertida em divórcio consensual em 2001 e consigne as retenções da pensão alimentícia, não seriam suficientes para provar que as condições da pensão paga não sofreram alterações ao longo do tempo. Não foram apresentadas decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública estipulando as condições da pensão alimentícia, havendo necessidade de apresentação de documentação mais contemporânea a fim de que restasse demonstrado que a obrigação remanescia em 2010. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11080.731951/201410 Acórdão n.º 2202003.948 S2C2T2 Fl. 188 3 Cientificado dessa decisão por via postal em 05/03/2015 (A.R. de fls. 78), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 25/03/2015 (fls. 80/92), alegando que o pensionamento não se deu por liberalidade sua, mas por conta de ordem judicial irrevogável, decorrente de alimentos determinados judicialmente. Que nunca ocorreu a extinção ou alteração dos percentuais estabelecidos para a pensão, que são e sempre foram de 30% de seus ganhos líquidos, deferidos em favor da divorcianda e cuja extinção somente se dará pelo óbito da favorecida. Argumenta não ser razoável a cobrança de multa de 75% pois se houve erro de preenchimento da declaração do imposto de renda, que não alterou a base de cálculo do imposto, não deu prejuízo aos cofres públicos. Reporta julgado do STJ neste sentido, que afastou a multa aplicada a contribuinte que declarou despesa em campo incorreto na declaração do imposto de renda (lançou valores de honorários advocatícios pagos, no campo livro caixa, quando deveria têlos especificado um a um, no campo Relação de Doações e Pagamentos Efetuados). Anexa às fls. 133/134, Certidão de casamento com averbação de separação judicial de Nádia Ungaretti Romanato; às fls. 151, trouxe o mandado de averbação à margem do assento de casamento, da sentença de separação consensual e às fls. 165 e 177, Declaração da Divisão do Pagamento de Pessoal da Secretaria da Fazenda do RS, datada de 25/05/2015 atestando que, com base no ofício judicial nº 98/82, de 20/07/1992, da 2ª Vara da comarca de Esteio, desde agosto de 1992 foi implantado o desconto em folha de pagamento de 30% dos vencimentos brutos de Luiz Jorge Romanato, excluído o valor da previdência, em benefício de Nadia Ungaretti Romanato, sem que tenha havido nenhuma alteração. Às fls. 170/183, faz a juntada das DIRPF de Nadia Ungaretti Romanato, dos anos calendário 2011 e 2013. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de dedução de pensão, paga pelo declarante à exesposa mediante desconto em folha de pagamento. No que se refere à possibilidade de dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia da base de cálculo do IRPF, o inciso II do art. 4º e a alínea “f” do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, dispõem: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: [...] Fl. 189DF CARF MF 4 II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; [...] Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Grifei) O caput e os §§ 1º e 2º do art. 73 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, nos termos dos §§ 3º a 5º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabelecem a necessidade de comprovação das despesas deduzidas da base de cálculo do IRPF e a possibilidade de glosa de deduções indevidas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). De acordo com as disposições normativas reproduzidas acima, as deduções de despesas a título de pensão alimentícia na Declaração de Ajuste Anual do IRPF devem obedecer aos seguintes requisitos: i) a comprovação do efetivo pagamento aos alimentados; e ii) que esses pagamentos decorram do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual. Por entender que as exigências previstas na Lei nº 9.250/1995 para a dedução da pensão alimentícia não foram observadas, a DRJ/RJ considerou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário exigido. O Recorrente, por sua vez, informa que a pensão paga a Nadia Ungaretti Romanato, decorre de decisão judicial e, no intuito de comprovar essa informação, apresenta documento emitido pela Divisão do Pagamento de Pessoal da Secretaria da Fazenda do RS (fls. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11080.731951/201410 Acórdão n.º 2202003.948 S2C2T2 Fl. 189 5 165), que traz informações sobre valores descontados do declarante em benefício de Nádia, sem indicar a que título é realizado tal desconto; cópia de Mandado de Averbação da Conversão de Separação Consensual em Divorcio Consensual, da Justiça do Rio Grande do Sul, (fls. 111) que nada fala com relação a estabelecimento de pensão alimentícia; certidão da inscrição da sentença de conversão de separação em divórcio consensual (fls. 113), também silente com relação a pensão. Do exame dos documentos carreados aos autos, verificase que não há qualquer elemento de prova apto a atestar que a pensão que o contribuinte afirma pagar a Nadia Ungaretti Romanato decorra de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, consoante determinação contida no inciso II do art. 4º e na alínea “f” do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Desde o termo de intimação fiscal nº 2011/068762518714402 (fls. 130), o contribuinte foi instado a apresentar escritura pública, decisão judicial ou acordo homologado judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia e não trouxe aos autos tais documentos. Vejase que os documentos emitidos pela Divisão do Pagamento de Pessoal da Secretaria da Fazenda do RS não constitui prova sobre a homologação de acordo judicial e, do mesmo modo, o Mandado de Averbação da Conversão de Separação Consensual em Divorcio Consensual da Justiça do Rio Grande do Sul, não faz qualquer referência a pensão alimentícia. Assim, o valor de R$ 67.221,29, não pode ser deduzido da base de cálculo do IRPF, eis que não restou demonstrado tratarse de pensão alimentícia decorrente do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 98, de observância obrigatória por este colegiado, dispõe: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Com relação à multa de ofício, aplicada com fundamento no art. 44, inciso I e § 3º da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, cabe informar que não há previsão legal para sua redução ou afastamento. A decisão judicial reportada pelo recorrente não se coaduna com a questão destes autos pois a dedução indevida de pensão alimentícia reduziu sim a base de cálculo e o imposto de renda devido. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 191DF CARF MF 6 Fl. 192DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904950/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/10/2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.510
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 15/10/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 15/10/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 50 /2 01 2- 31 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10865.904950/201231 Acórdão n.º 3301003.510 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06043.964. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10865.904950/201231 Acórdão n.º 3301003.510 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10865.904950/201231 Acórdão n.º 3301003.510 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10865.904950/201231 Acórdão n.º 3301003.510 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10865.904950/201231 Acórdão n.º 3301003.510 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10865.904950/201231 Acórdão n.º 3301003.510 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 137DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.003196/2002-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
EMBARGOS. PRESENÇA DE OMISSÃO SOBRE PONTO FUNDAMENTAL. ADMISSIBILIDADE.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão se omite quanto a ponto essencial ao deslinde do litígio.
Nos termos da Portaria MF 38/97, a receita de exportação que constitui o numerador do quociente utilizado para apurar a base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363/96 corresponde a "o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais", não havendo previsão para dele excluir a parcela relativa a venda de produtos que não sejam tributados pelo imposto ou que não tenham sofrido operação de industrialização, como previsto em Ato Declaratório da SRF.
Numero da decisão: 9303-005.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, re-ratificando o Acórdão nº 9303-002.318, de 20 de junho de 2013, sem efeitos infringentes.
RODRIGO DA COSTA POSSAS - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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OMISSÃO E OBSCURIDADE Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado USINA MOEMA AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 EMBARGOS. PRESENÇA DE OMISSÃO SOBRE PONTO FUNDAMENTAL. ADMISSIBILIDADE. Cabem embargos de declaração quando o acórdão se omite quanto a ponto essencial ao deslinde do litígio. Nos termos da Portaria MF 38/97, a receita de exportação que constitui o numerador do quociente utilizado para apurar a base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363/96 corresponde a "o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais", não havendo previsão para dele excluir a parcela relativa a venda de produtos que não sejam tributados pelo imposto ou que não tenham sofrido operação de industrialização, como previsto em Ato Declaratório da SRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, reratificando o Acórdão nº 9303002.318, de 20 de junho de 2013, sem efeitos infringentes. RODRIGO DA COSTA POSSAS Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 31 96 /2 00 2- 15 Fl. 516DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas Relatório Cuidase de embargos interpostos pela Fazenda Nacional que apontam omissão no julgado proferido por este Colegiado, em sessão realizada em 2013, sob a relatoria do exconselheiro Rodrigo Miranda. Naquela assentada, examinaramse recursos especiais de ambas as partes. O especial fazendário buscava reverter dois pontos: a) a inclusão do valor das aquisições a cooperativas; b) a exclusão da parcela da receita de exportação relativa à venda de produtos NT do montante da receita operacional bruta para efeito de formação do quociente de que trata a Lei, mantendose, no entanto, sua exclusão do total da receita de exportação. O recurso especial do contribuinte, por sua vez, entre outros pontos não admitidos, questionou a exclusão da mesma parcela de receita de exportação, que na decisão recorrida se entendeu não integrar nem o numerador nem o denominador1. O seu objetivo, pois, quanto a ela, era que fosse incluída em ambos, na forma como por ela mesma calculado o benefício. O despacho de admissibilidade do recurso especial do contribuinte aponta, porém, que uma das matérias propostas à rediscussão seria "exportação de produtos NT", não enfatizando tratarse da discussão sobre o quociente. Ele foi admitido quanto a esse ponto com base no paradigma 204.01.461, no qual também subira à discussão do colegiado a questão da receita de exportação, mas cujo acórdão, que se baseou no voto do dr. Jorge Freire também utiliza fundamento que leva a aceitar a inclusão das aquisições de insumos empregados em produtos NT no cálculo do incentivo. Sobre essa matéria, consta da decisão recorrida: No tocante à. exclusão da base de cálculo do crédito presumido de IPI, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta, entendo que a r. decisão recorrida 1 Conforme o acórdão, prolatado nos seguintes termos: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: I) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto aos insumos adquiridos de pessoa fisica. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda (Relator), que admitiam o crédito referente a tais aquisições; II) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso: a) para admitir a inclusão, na base de cálculo do incentivo, dos insumos adquiridos de cooperativa a partir de 11/99. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, que votou pela não inclusão; e b) para excluir, tanto da receita de exportação quanto da receita operacional bruta, os valores das exportações NT. Vencidos os Conselheiros Dalton Cesar Cordeiro de Miranda (Relator), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fernando Marques Cleto Duarte, que votaram pela inclusão na receita operacional bruta; e III) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso no restante. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis para redigir o voto vencedor. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10850.003196/200215 Acórdão n.º 9303005.196 CSRFT3 Fl. 3 3 merece ser reformada, visto que, ao meu ver, se há industrialização, ainda que o produto seja previsto na TIPI como NT, faz jus o contribuinte ao crédito presumido de IPI previsto na Lei n° 9.363/96. Nesse sentido, aliás, é o precedente abaixo, cujo voto condutor é do Ilustre Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, que, por sua vez, se arrimou em voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Júlio César Alves Ramos, o qual peço vênia para transcrever e adotar como razão de decidir, verbis: (...) Daí para frente há longa transcrição com base na qual caberia a inclusão no "valor das aquisições", que irá formar a base de cálculo da contribuição, da parcela atinente à aquisição dos insumos aplicados na produção de tais produtos NT, desde que essa não tributação pelo IPI se devesse à imunidade constitucional. A fundamentação lá utilizada nada tem a ver com inclusão de receita no quociente utilizado para obter a base de cálculo, matéria que teria de ter sido enfrentada pelo colegiado. Após, finalizou ele o seu voto da seguinte maneira: Diante de todo o exposto, entendo que: a) Deve ser reformado o r. acórdão recorrido e, por conseqüência, acolhido o pedido do Contribuinte de ressarcimento de crédito presumido de IPI de produtos fabricados e importados (sic), para admitir, no cálculo do incentivo: i) os valores atinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos de pessoas fisicas; ii) as receitas decorrentes de exportações de produtos cuja notação na TIPI corresponda a "NT" (Alcool Etílico Anidro Combustível e Alcool Etílico Hidratado Combustível, classificados na posição 22.07.10.00 da TIPI); b) Deve ser mantido o r. acórdão recorrido e, por conseguinte, desprovido o pedido da Fazenda Nacional, quanto a possibilidade de inclusão, no cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores correspondentes as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional e de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. E assim fez o colegiado: negou provimento ao recurso da Fazenda e o deu ao do sujeito passivo. É o Relatório. Fl. 518DF CARF MF 4 Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como espero ter deixado claro, o problema que ocorreu com este processo não é propriamente, ou não exclusivamente, o suscitado pela Fazenda Nacional. De fato, a análise inicial do direito do contribuinte restringiuo quanto a quatro itens: (a) Insumos (canadeaçúcar) adquiridos de pessoas físicas; (b) Insumos não caracterizados como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem; (c) Receitas de exportação reconhecidas pela Recorrente quando do embarque do produto exportado e não no momento da emissão da nota fiscal, que seriam, segundo a autoridade, receitas financeiras; e (d) Receitas de exportação de produto classificado como "Não Tributado" (NT) na TIPI. Da leitura do relatório elaborado pela autoridade fiscal, só consigo depreender que NÃO houve glosa de aquisições de insumos empregados na produção e exportação de produtos NT. Deveras, os produtos NT só são por ela mencionados no item relativo às receitas de exportação; e aí apenas para reduzir o quociente formado por ela e pela receita operacional bruta para determinar a base cálculo do benefício. Nada se fala sobre os insumos empregados nessas operações. No que tange à receita de exportação, portanto, foram contestadas, pela fiscalização, duas matérias: a) a inclusão das parcelas que "corresponderiam a variações cambiais" e b) a inclusão de receitas oriundas da exportação de produtos NT na TIPI. Analisandose a manifestação de inconformidade do contribuinte, se vê que ambas as discussões ali estão, mas no tocante à exportação de produtos NT a argumentação desenvolvida diz respeito, não propriamente ao quociente, mas à própria apuração do benefício, isto é, ela visa a admitir que exportadores de produtos NT também possam usufruí lo. Ainda assim, a DRJ enfrentou corretamente o tema, restringindoo ao quociente. O recurso voluntário, cópia da manifestação, reapresenta as questões, que são também enfrentadas pela Câmara recorrida, embora aí já com alguma impropriedade, na medida em que não se diz com muita clareza por que a parcela deve ser excluída também da receita operacional bruta. Por fim, o recurso especial da Fazenda questiona essa última exclusão, determinada pela decisão do Conselho. O que ele pretendia, portanto, era que ela fosse incluída no denominador sem o ser, porém, no numerador. Como a decisão da CSRF nega provimento ao recurso da Fazenda, houve mesmo omissão do julgado no tocante a matéria explicitamente aventada pela Fazenda Nacional. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10850.003196/200215 Acórdão n.º 9303005.196 CSRFT3 Fl. 4 5 Ainda que o relator tenha corretamente apontado isso em seu relatório, no tópico atinente à matéria apenas tratou de outra coisa, especificamente a inclusão ou não das exportações de produtos NT, não no quociente, mas no somatório das aquisições sobre o qual seria ele aplicado. Desse modo, restou negado provimento ao recurso fazendário sem qualquer fundamentação quanto a um dos pontos nele discutidos. Admito, pois, os embargos para sanar a flagrante omissão. E o faço na esteira do consolidado entendimento deste colegiado, qual seja, de que não há base legal para determinar a exclusão da parcela seja no numerador seja no denominador. Com efeito, a Lei 9.363/96 explicitamente vinculou o conceito de receita operacional bruta, para efeitos do incentivo que instituía, àquele utilizado pela legislação do Imposto sobre a Renda.2 E no que tange especificamente à receita de exportação, delegou ao Ministro de Estado da Fazenda poderes para definila3. Fêlo o sr. Ministro por meio da Portaria MF nº 38/97, vigente por ocasião dos fatos discutidos neste processo, da seguinte maneira: § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente Portanto, embora tivesse poderes legais para tanto, o Ministro de Estado da Fazenda não restringiu de nenhum modo o conceito de receita bruta de exportação para efeitos do incentivo, mantendo a mesma definição sempre adotada para sua apuração contábil e do imposto sobre a renda. 2 Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. 3 Art. 6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Fl. 520DF CARF MF 6 Por esse motivo, concluímos, de forma reiterada, que o ato declaratório da SRF que determinou a exclusão da parcela ora discutida apenas do numerador da fração não tem respaldo legal, devendo integrar ela tanto o numerador quanto o denominador. E assim deveria ter sido decidido pela Câmara do Conselho de Contribuintes. Mas não o foi. E tendo a decisão determinado a exclusão de ambos os termos, descaberia, por ocasião do julgamento do especial fazendário, determinar sua inclusão em ambos, já que isso implicaria o reformatio in pejus, tão condenado pela doutrina. Com efeito, conforme foi bem demonstrado pelo dr. Henrique Pinheiro Torres, excluir tanto do numerador quanto do denominador implica um valor de benefício menor do que o que se apura mantendose a parcela em ambos. Desnecessário até dizer, excluir apenas do numerador, como quer a Fazenda, é o que menor benefício produz para o sujeito passivo. Como consequência, ainda que por linhas tortas, acertou o colegiado ao negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Com a fundamentação acima, suprimese o vício apontado pela Fazenda Nacional. Há, porém, outro, e pior, mais bem caracterizado como obscuridade, que deve ser aqui também tratado. Refirome ao longo enfrentamento posto no voto condutor acerca das consequências de o produto exportado ser NT. Como espero ter deixado claro, esse aspecto dos produtos produzidos e exportados pela empresa somente foi questionado no trabalho fiscal quanto ao quociente. Da leitura do voto do dr. Rodrigo, porém, ficase com a impressão de que o colegiado a CSRF teria enfrentado a possibilidade de se tomar crédito presumido de IPI na exportação de produto NT por imunidade, coisa que NÃO dizia respeito ao julgamento deste processo. Deveras, embora a matéria "receita de exportação de produtos NT" tenha sido também posta no recurso do sujeito passivo, como não se discutira em momento algum anterior se as aquisições de insumos empregados em produtos NT deveriam compor o "valor total das aquisições de insumos" (até porque a própria fiscalização não as excluíra), somente se pode depreender que o dr. Rodrigo estivesse querendo, com ela, fundamentar a inclusão dessa parcela em ambos os termos da relação, motivo pelo qual deu ele provimento ao recurso do contribuinte. Assento, portanto, e para concluir, que a decisão ora objeto de embargos apontou que a receita de exportação de produtos NT deve integrar tanto o numerador quanto o denominador da fração utilizada para determinar a base de cálculo do incentivo, o que nos levou a negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, que pretendia fosse ela excluída apenas do numerador, e dar provimento ao do contribuinte, visto que já fora incluída no denominador. Com essas considerações, creio e espero, sejam sanados os vícios presentes na decisão embargada. É o voto, pois, para conhecer e prover os embargos da Fazenda Nacional, de modo a suprimir o vício por ela apontado, e o aqui identificado, mantendose, porém, a decisão. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10850.003196/200215 Acórdão n.º 9303005.196 CSRFT3 Fl. 5 7 Fl. 522DF CARF MF
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