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Numero do processo: 19515.722729/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%.
Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte, nos termos da legislação de regência.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Recurso Improvido.
O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. SÓCIOS. ADMINISTRADORES.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, os sócios e os administradores da empresa, bem como os mandatários, prepostos e empregados.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. EMPRESAS BENEFICIÁRIAS.
São solidariamente obrigadas à satisfação do crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, dentre elas as empresas reais beneficiárias das receitas omitidas.
Numero da decisão: 1402-001.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negar provimento aos recursos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. COMPETÊNCIA PARA EMISSÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle interno com impacto restrito ao âmbito administrativo. Ainda que ocorram problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, que não é o caso dos autos, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, portaria da Secretaria da Secretaria da Receita Federal do Brasil ampara plenamente a delegação de competência de titular da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização para Chefe de Divisão de Fiscalização da Delegacia para emissão de MPF. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 27 29 /2 01 2- 19 Fl. 4201DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.202 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. SÓCIOS. ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, os sócios e os administradores da empresa, bem como os mandatários, prepostos e empregados. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. EMPRESAS BENEFICIÁRIAS. São solidariamente obrigadas à satisfação do crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, dentre elas as empresas reais beneficiárias das receitas omitidas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. RECEITA DA ATIVIDADE. NÃO DECLARAÇÃO. Receitas obtidas na atividade da empresa e não declaradas constituemse receitas omitidas ao Fisco. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte, nos termos da legislação de regência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Recurso Improvido. Fl. 4202DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.203 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negar provimento aos recursos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 4203DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.204 4 Relatório HUMBERTO VERRE, CASA VERRE INDÚSTRIA E COMÉRCIO EIRELI, SANTA IZABEL ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA, na condição de coobrigados nos autos de infração lavrados em face de CIL CONSTRUTORA ICEC LTDA, recorrem a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, Contribuição para o PIS, CSLL, COFINS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2008. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 6621 a 647), a contribuinte cometeu a infração de omissão de receitas. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ (fls. 760 a 781): 3.1.1. Omissão de Receita por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada com base nos artigos 530, inciso III, e 537, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, e 3º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. 3.1.2. Receita da Atividade – Receita Bruta na Revenda de Mercadorias com base nos artigos 530, inciso III, e 532, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), e 3º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. 3.1.3. Receita da Atividade – Receita Bruta Mensal de Prestação de Serviços em Geral com base nos artigos 530, inciso III, e 532, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), e 3º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. 3.1.4. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 12/2012, totalizou o montante de R$ 5.253.844,70. 3.2. PIS (fls. 811 a 822) com base na fundamentação legal indicada às fls. 814 e 815, formalizando crédito tributário, calculado até 12/2012, no montante de R$ 613.764,29. 3.3 CSLL (fls. 782 a 799) com base na fundamentação legal registrada às fls. 785 e 786, formalizando crédito tributário, calculado até 12/2012, no montante de R$ 1.562.589,01. 3.4. COFINS (fls. 800 a 810) com base na fundamentação legal consignada às fls. 803 e 804, formalizando crédito tributário, calculado até 12/2012, no montante de R$ 2.832.760,41. Fl. 4204DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.205 5 4. Enquadramento legal da multa de ofício e dos juros de mora aplicados encontrase relacionado às fls. 781, 799, 809, 810, 821 e 822. 5. Irresignado com os lançamentos, em 23 de janeiro de 2013 o Sr. Humberto Verre, cientificado dos AI em 26/12/2012 (AR – fl. 3553) e arrolado como responsável solidário pelos créditos discutidos nos autos, apresentou a impugnação às fls. 3566 a 3589, instruída com o documento de identificação à fl. 3590, na qual alega, em síntese, o seguinte: I – Preliminares. I – 1 – Do Cerceamento do Direito de Defesa e da Ofensa ao Devido Processo Legal. 5.1. Assim que recebeu a comunicação de que lhe foi imputada responsabilidade sobre infrações cometidas pela empresa Cordeiro Lopes, o Impugnante enviou procurador para a unidade da Receita Federal em São Paulo, localizada na Rua Augusta n.°1582, com objetivo de obter cópia integral do processo administrativo para que pudesse entender o motivo de lhe ser imputada a responsabilidade. 5.2. Todavia, ao consultar seu número de CPF, constatou que não havia nenhum processo administrativo em seu nome. 5.3. Ao realizar a consulta pelo número do Mandado de Procedimento Fiscal localizado no Termo de Verificação recebido, constatou que existia um processo administrativo tramitando perante a Receita Federal de Florianópolis no nome exclusivo da empresa Cordeiro Lopes. 5.4. Mesmo lhe trazendo inúmeros custos, com objetivo de viabilizar sua defesa, o Impugnante enviou um procurador para a Receita Federal de Florianópolis para tentar obter a cópia integral do processo administrativo. Todavia, não obteve sucesso. O funcionário da Receita Federal catarinense informou que o processo administrativo estava "em trânsito" para São Paulo, conforme constava no site da Receita Federal (cópia em anexo). 5.5. Diante dessa informação, o Impugnante procurou novamente a unidade da Receita Federal em São Paulo e foi informado, pelo setor de atendimento, que o processo administrativo ainda não havia sido recebido em São Paulo. Também foi informado que o processo estaria disponível em aproximadamente 20 dias. 5.6. Ocorre que, até a data de protocolo da presente impugnação, o Impugnante não teve acesso ao referido processo administrativo. 5.7. Essa situação, sem dúvida, representa um verdadeiro cerceamento do direito de defesa e ofensa ao devido processo legal, na medida em que não foi permitido ao Impugnante acesso aos dados que serviram de base para responsabilizá lo. 5.8. O cerceamento ao direito de defesa e ofensa ao devido processo legal se mostram ainda mais evidentes na medida em que o Impugnante não teve acesso aos documentos da empresa Cordeiro e Lopes e que serviram de base para lavratura dos autos de infração; assim, não tem como se defender sem ter acesso a tais documentos. 5.9. Portanto, deve ser anulado o presente processo administrativo por cerceamento ao direito de defesa do Impugnante, nos termos do inciso II, do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72. 5.10. Vale frisar que o Termo de Verificação Fiscal e Termo de Sujeição Passiva Solidária, recebido pelo Impugnante, faz diversas citações sobre relatórios e documentos juntados no processo administrativo. Portanto, sem ter acesso a tais Fl. 4205DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.206 6 documentos, é impossível que o Impugnante tenha uma completa compreensão da demanda e possa exercer seu pleno direito de defesa. 5.11. Em virtude da clara ofensa ao direito de defesa e afronta ao devido processo legal, devese, no mínimo, devolver o prazo para que o Impugnante possa elaborar sua defesa, sendolhe permitido total acesso aos autos do processo administrativo. I – 2 – O Mandado de Procedimento Fiscal foi determinado por Autoridade Incompetente. 5.12. O Mandado de Procedimento Fiscal n.° 08.1.90.002011029586, que autorizou o procedimento fiscal de diligência junto à empresa Casa Verre Indústria e Comércio EIRELI, e o Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.00.2011029543, que autorizou o procedimento fiscal de diligência junto à empresa Santa Izabel Administração e Participações Ltda, foram emitidos pelo Sr. Luiz Carlos Modesto dos Santos, Auditor Fiscal da RFB, na época chefe da Divisão de Fiscalização (Difis/2) em São Paulo. 5.13. Assim, os mandados de procedimento fiscal que originaram o presente processo administrativo são absolutamente ilegais, pois a Portaria RFB n.° 11.371/2007 não confere poderes ao Delegado Adjunto para emitir tal documento. 5.14. Portanto, os procedimentos que deram origem ao presente processo administrativo são absolutamente ilegais, por terem sido determinados por autoridade incompetente, devendo ser imediatamente anulados. I – 3 – Da Nulidade dos AI por Falta de Descrição da Infração. 5.15. O Decreto nº 70.235/1972 estabelece os requisitos obrigatórios do AI, sendo que a correta descrição do fato é um requisito essencial. 5.16. No caso em análise, os AI trazem com descrição do fato “Valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme relatório fiscal anexo.” 5.17. Em seguida, os AI utilizam como base para apuração do imposto devido e multa toda a receita que a empresa Cordeiro Lopes recebeu do Detran/SP. 5.18. Ocorre que a texto contido nos AI e reproduzido acima não indica qualquer infração do contribuinte, pois o fato de a empresa Cordeiro Lopes ter auferido receita do Detran/SP não representa nenhuma irregularidade. Além disso, não se tem qualquer depósito ou lançamento a crédito que não se saiba a origem, pois o próprio AI e o Termo de Verificação indicam que os valores são receitas oriundas do Detran/SP. 5.19. O AI IRPJ ainda destaca a informação que a infração decorre de depósitos bancários de origem não comprovada, utilizando como base de cálculo toda a renda que a Cordeiro Lopes obteve em decorrência do contrato firmado com o Detran/SP, receita essa que, como já dito, tem origem comprovada pelo próprio Termo de Verificação. 5.20. Dessa forma, vêse que os AI não trazem a descrição da irregularidade cometida pelos Autuados, sendo absolutamente nulos e devem ser assim declarados. II – Mérito. II – 1 – As empresas Casa Verre e Santa Izabel não qualquer responsabilidade sobre os atos ou débitos da empresa Cordeiro Lopes & Cia Ltda. Fl. 4206DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.207 7 5.21. A empresa Casa Verre Indústria e Comércio Ltda, da qual o Impugnante é sócio administrador, firmou com a empresa Cordeiro Lopes um acordo para fornecimento de material e assessoria técnica. 5.22. A referida assessoria técnica consistia em treinamento de pessoal e orientação empresarial relacionada a melhor forma de condução dos negócios. Tal assessoria técnica não consistia ou implicava em interferência da empresa Casa Verre em qualquer contrato firmado pela Cordeiro Lopes, na parte financeira ou contábil da empresa. 5.23. A empresa Santa Izabel, por outro lado, apenas celebrou contratos de locação com a Cordeiro Lopes, de imóveis de sua propriedade ou que estavam sob sua administração. 5.24. Por esse motivo, a empresa Casa Verre, e muito menos a Santa Izabel, não tem qualquer responsabilidade sobre os atos praticados ou débitos da empresa Cordeiro Lopes. 5.25. As empresas Casa Verre e Santa Izabel apresentaram sólidas impugnações demonstrando ser absolutamente improcedente a responsabilidade solidária que lhes foi imputada, impugnações essas que são corroboradas pela presente peça e que o Impugnante requer que seja considerada parte integrante desta impugnação, como se aqui estivesse transcrito. II – 2 – Da inexistência de simulação. 5.26. No Termo de Verificação Fiscal e Termo de Sujeição Passiva Solidária, os Srs. Auditores Fiscais atribuíram responsabilidade solidária ao Impugnante pelos débitos da empresa Cordeiro Lopes. 5.27. Para realizar essa imputação, os Srs. Auditores Fiscais afirmam que foi realizado um ato simulado para encobrir uma participação da Impugnante no negócio. 5.28. As empresas Casa Verre e Santa Izabel nunca tentaram esconder que mantinham negócios com a empresa Cordeiro Lopes. Desde que foram contatadas pelos Srs. Auditores Fiscais, apresentaram toda a documentação exigida, como notas fiscais, recibos e contratos firmados com a referida empresa. 5.29. O Impugnante e suas empresas jamais agiram em conluio com a empresa Cordeiro Lopes para desenvolver as atividades contratadas com o Detran/SP. O Impugnante, através de suas empresas acima citadas, simplesmente fornecia material, assessoria técnica e alugou imóveis para que a Cordeiro Lopes pudesse cumprir seu contrato, sem realizar qualquer tipo de interferência gerencial ou monetária, se limitando a treinar as equipes e fornecer material. 5.30. O Impugnante em nenhum momento realizou ou participou de atos que geraram sucessivas transferências de recursos entre as contas, tampouco realizou qualquer ato para esconder uma suposta participação no negócio. 5.31. Além disso, é importante frisar que a suposta simulação, mesmo que existisse, não tinha a mínima possibilidade de acarretar economia de tributos, pois, com a existência de duas ou mais empresas, a carga tributária seria maior se comparada a uma operação realizada por uma só empresa. 5.32. Dessa forma, o negócio tido como simulado, se fosse realizado diretamente entre o Detran/SP e uma das empresas do Impugnante, com certeza acarretaria uma menor incidência tributária. Assim, não houve qualquer intenção de fraudar a lei ou economizar impostos. Fl. 4207DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.208 8 5.33. Diferente do que consta no Termo de Verificação, os contratos firmados entre as empresas do Impugnante e a Cordeiro e Lopes não são atos simulados. Basta olhar as duplicatas e as notas fiscais emitidas para se verificar que o negócio realmente ocorreu. A existência de erros na elaboração, como indicação de código errado ou agrupamento indevido de notas, não pode implicar na desconsideração da operação que é plenamente legal. 5.34. Não se pode justificar a responsabilização do Impugnante pelo débito de terceiro por uma suposta "fraude à licitação", pois esse assunto é estranho à presente discussão e deve ser julgado e apurado em vias próprias. 5.35. O fato de ter supostamente ocorrido fraude à licitação não tem o poder atribuir responsabilidade tributária para o Impugnante. 5.36. Os Srs. Auditores Fiscais, para atribuírem responsabilidade ao Impugnante, dizem que os negócios realizados pelas empresas do Impugnante com a Cordeiro Lopes são nulos e devem ser desconsiderados, com base no art. 167 do Código Civil. 5.37. Ocorre que a nulidade de tais atos não justifica qualquer Imputação de responsabilidade tributária por débitos da Cordeiro Lopes para o Impugnante, pois a nulidade apenas teria o poder de causar a reclassificação da operação realizada entre as partes, nunca para afirmar que uma empresa servia de interposta para a outra. Uma interpretação nesse sentido é inadmissível. 5.38. Além disso, o art. 167, do Código Civil, não pode se aplicado no presente caso (transcreve os dispositivos do citado artigo às fls. 3575 e 3576). 5.39. Os valores pagos pelo Detran/SP, de acordo com o que diz o termo de Verificação Fiscal, entravam diretamente na conta bancária da empresa Cordeiro Lopes. Portanto, tal empresa tinha o benefício direto do dinheiro, não existindo qualquer tipo de simulação. 5.40. O fato de parte do dinheiro ter sido utilizado para pagamento dos acordos firmados com as empresas do Impugnante não significa que o ato é simulado. Se admitirmos essa situação, todos os funcionários e prestadores de serviços da Cordeiro Lopes deveriam ser responsabilizados pelo débito, e não só o Impugnante e suas empresas, pois todos recebem frutos do contrato que a Cordeiro Lopes firmou com o Detran/SP. 5.41. Os Srs. Auditores Fiscais, para justificar a alegação de simulação, utilizamse, de forma absolutamente descabida, de alegações contidas em processo trabalhista. Ora, Ilustre Delegado, tais alegações não tem qualquer fundamento e são utilizadas em outro contexto, utilizandose regras da legislação trabalhista, sendo absolutamente irrelevantes para a presente lide. Esse argumento, assim, deve ser desconsiderado. 5.42. Importante salientar que não existia qualquer tipo de impedimento para que as empresas do Impugnante, se fosse o caso, participassem da licitação diretamente, sem a necessidade de utilização de outra empresa. Assim, não existia motivo algum para realizar uma simulação. 5.43. Assim, vemos que os negócios realizados entre as empresas do Impugnante e a Cordeiro Lopes são absolutamente legais e válidos, não podendo ser desconsiderados. 5.44. Portanto, não ocorreu qualquer tipo de simulação, devendo ser julgada procedente a presente Impugnação, anulandose os autos de infração lavrados. Fl. 4208DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.209 9 II – 3 – Os Termos de Declaração elaborados pela Sócia Minoritária e o Procurador da empresa Cordeiro Lopes são fantasiosos e serviram apenas para desviar o foco da fiscalização. 5.45. No Termo de Verificação Fiscal e Termo de Sujeição Passiva Solidária, os Srs. Auditores Fiscais apontam a existência de uma carta através da qual a Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva e o Sr. Valdemir Rodrigues da Silva, sócia minoritária e procurador, respectivamente, da empresa Cordeiro Lopes (conforme consta no Termo de Verificação), atribuem responsabilidade sobre os pagamentos feitos pela empresa Cordeiro Lopes em São Paulo ao Impugnante. 5.46. Cita, também, a existência de um Termo de Declaração, através do qual a Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva e o Sr. Valdemir Rodrigues da Silva informam uma suposta cessão de filiais da empresa Cordeiro e Lopes para participação em licitações. 5.47. Essas afirmações são absolutamente fantasiosas e não guardam qualquer relação com a verdade. Com absoluta certeza, foram utilizadas apenas para desviar o foco fiscalização que estava sendo realizada na empresa Cordeiro Lopes. 5.48. A empresa Casa Verre tem mais de 40 anos no mercado e não tinha qualquer necessidade de utilizar o nome de outra empresa, sem qualquer tradição no ramo, para participar de licitações públicas. 5.49. Frisase que o Sr. Valdemir Rodrigues da Silva anteriormente havia sido desligado dos quadros de uma das empresas do Impugnante, por isso, poderia, como de fato fez, movido pela mágoa, “inventar algum tipo de história”. 5.50. A Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva, como sócia minoritária de uma empresa alvo de fiscalização, agindo desesperadamente, fez uma declaração com o nítido objetivo de desviar os holofotes de sua direção e tentar minimizar sua responsabilidade. II – 4 – Da Impossibilidade de o Fisco desconsiderar um negócio jurídico regularmente constituído. 5.51. Como anteriormente visto, os negócios firmados entre o Impugnante e a Cordeiro Lopes, e entre as empresas Casa Verre e Santa Izabel e a empresa Cordeiro Lopes, são absolutamente existente e legais, não sendo, portanto, atos simulados. Dessa forma, os Srs. Auditores Fiscais não poderiam desconsiderar tais atos. 5.52. Mesmo que assim não fosse, o Fisco não possui permissão legal para desconsiderar atos legais realizados pelo contribuinte. No ano de 2001, foi criada a Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, que introduziu o parágrafo único ao art. 116 do Código Tributário Nacional, com objetivo de conferir ao Fisco o poder de desconsiderar atos tidos como simulados (transcreve o dispositivo legal à fl. 3578). 5.53. Notese, entretanto, que o legislador conferiu à autoridade administrativa o direito de desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados pelos contribuintes, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária, ou seja, essa norma não é auto aplicável e depende de regulamentação. Ocorre que não existe norma vigente regulamentando o referido dispositivo legal. Assim, tal norma é inaplicável (transcreve doutrina de Hugo de Brito Machado à fl. 3579). 5.54. Mesmo que fosse auto aplicável, o citado dispositivo legal não teria validade, por ser inconstitucional. (transcreve doutrina de Hugo de Brito Machado à fl. 3579). 5.55. Portanto, não existe dispositivo legal que autorize o Fisco a desconsiderar ato regularmente praticado pelo contribuinte, devendo ser excluída a responsabilidade do Impugnante. Fl. 4209DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.210 10 II – 5 – O Impugnante não pode ser pessoalmente responsabilizado por atos praticados pela empresa Cordeiro Lopes. 5.56. Conforme já exposto, as empresas Casa Verre e Santa Izabel não têm qualquer responsabilidade pelos débitos da empresa Cordeiro Lopes. 5.57. Assim, não existe qualquer razão para desconsideração da personalidade jurídica da Casa Verre, e muito menos da Santa Izabel e a responsabilização pessoal do Impugnante, pois tais empresas não são responsáveis pelo débito que lhes foi imputado. 5.58. Além disso, os contratos de locação firmados entre o Impugnante e a empresa Cordeiro Lopes são legítimos e produziram todos os seus efeitos. II – 6 – Da Impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica das empresas Casa Verre e Santa Izabel. 5.59. Mesmo que se desconsidere o fato de as empresas Casa Verre e Santa Izabel não serem responsáveis pelos débitos da Cordeiro Lopes, o que se admite apenas por hipótese, a situação não contempla hipótese de desconsideração da personalidade jurídica. 5.60. Primeiramente, é de se observar que os Srs. Auditores Fiscais não têm poderes para imputar responsabilidade solidária ao Impugnante, em razão do disposto no art. 50 do Código Civil (transcreve o dispositivo legal à fl. 3580). A desconsideração da personalidade jurídica é ato exclusivo do juiz, não podendo os Srs. Auditores Fiscais tomar tal providência. 5.61. Além disso, não ocorreu qualquer desvio de finalidade. Os acordos firmados entre as empresas Casa Verre e Santa Izabel com a empresa Cordeiro Lopes são absolutamente condizentes com o seu objeto social e são claramente legais. 5.62. Ora, conforme consta nas impugnações apresentadas pelas empresas, a Casa Verre firmou, com a empresa Cordeiro Lopes, acordos para fornecimento de material e assessoria técnica para desempenho de sua atividade, e por outro lado, a Santa Izabel firmou contratos de locação de imóveis de sua propriedade ou que estavam sob sua administração. Assim, não existe qualquer desvio de finalidade, nem confusão patrimonial que justifique a desconsideração da personalidade jurídica. 5.63. Cabe novamente frisar que o fato de supostamente ter ocorrido fraude à licitação não pode ser utilizado para imputar qualquer responsabilidade tributária para o Impugnante. Tampouco pode justificar uma desconsideração da personalidade jurídica, pois, afinal, a administração pública, pelo que tudo indica, não teve qualquer prejuízo decorrente da licitação, pois o serviço público foi prestado. 5.64. Também não existe qualquer conluio das partes com objetivo de fraudar impostos. O simples fato de existir uma suposta falta de pagamento de tributo, conforme será visto nos próximos itens, não pode ser utilizado para justificar uma desconsideração da personalidade jurídica. 5.65. Sendo assim, o referido dispositivo legal não tem qualquer aplicação no presente caso. 5.66. Em matéria tributária, o art. 135 do CTN só permite a responsabilização do sócio no caso de liquidação da sociedade. O referido artigo deve ser analisado em conjunto com o art. 134 (transcreve os artigos do CTN às fls. 3581 e 3582). 5.67. Como visto acima, a responsabilização do sócio só pode ocorrer quando existe dissolução irregular da sociedade, o que não acontece no presente caso, pois tanto a empresa Casa Verre, quanto a Santa Izabel, das quais o Impugnante é Fl. 4210DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.211 11 sócio, continuam em plena atividade, não existindo, portanto, qualquer dissolução irregular da sociedade. 5.68. O Impugnante não pode ser responsabilizado pela suposta dissolução irregular da empresa Cordeiro Lopes, pois não é sócio de tal empresa! 5.69. Além disso, no Termo de Verificação não existem elementos para afirmar que houve dissolução irregular da empresa Cordeiro Lopes. O simples fato de não ter conseguido realizar a intimação da empresa não significa que ela foi irregularmente encerrada. 5.70. Por fim, importante ressaltar que como no presente caso não ocorreu qualquer excesso de poderes, infração à lei ou dissolução da sociedade, não pode ocorrer a desconsideração da personalidade jurídica. 5.71. Portanto, vêse que não estão presentes os requisitos que autorizam a desconsideração da personalidade jurídica empresa, devendo ser imediatamente excluído o Impugnante dos autos de infração e do processo administrativo. II – 7 – O simples fato de supostamente existir falta de pagamento do tributo não significa fraude à lei e não justifica desconsideração da personalidade jurídica. 5.72. Para desconsideração da personalidade jurídica é necessário que exista prova clara e incontestável de que o administrador agiu com o nítido objetivo de fraudar o Fisco. Não basta a existência de simples inadimplemento, nem que se prove que a empresa não possui bens para responder pela dívida. (transcreve jurisprudência às fls. 3583 e 3584). 5.73. No presente caso, não existe qualquer prova de que o Impugnante agiu de forma fraudulenta, abusiva, com desvio de finalidade ou com excesso de poderes, de forma que não é possível a responsabilização pessoal do Impugnante. II – 8 – Para responsabilização pessoal do sócio devese primeiro buscar bens da pessoa jurídica. 5.74. Mesmo que existisse possibilidade de responsabilização pessoal do sócio, o que se admite apenas por hipótese, é necessário que exista esgotamento na busca de bens da sociedade para só então se buscar os bens do sócio, como se verifica no art. 596 do Código do Processo Civil (transcrito à fl. 3585). 5.75. Dessa forma, para que ocorra a responsabilização do Impugnante, devese primeiro buscar os bens da sociedade. II – 9 – Não existe qualquer comprovação de prejuízo da Administração Pública em virtude da suposta fraude na licitação; tal fraude não tem ligação com a suposta falta de pagamento do tributo. 5.76. A suposta fraude apontada pelos Srs. Auditores Fiscais para responsabilização pessoal do Impugnante é a fraude na licitação vencida pelo Cordeiro Lopes para prestação de serviços ao Detran/SP. 5.77. Em primeiro lugar, é importante registrar que o Termo de Verificação não traz qualquer prova da suposta fraude. 5.78. Em segundo lugar, não existe qualquer prova de que a União tenha sofrido qualquer prejuízo decorrente da suposta fraude. Pelo que se pode extrair do Termo de Verificação, o serviço público envolvido foi devidamente prestado, não existindo, assim, prejuízo. 5.79. Ocorre que a suposta fraude não tem qualquer ligação com a suposta falta de pagamento de tributo. Assim, esse argumento não pode ser utilizado para afirmar que existe um conluio para sonegar tributos. Fl. 4211DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.212 12 5.80. Não se pode admitir que evento isolado, que não tem qualquer relação com pagamento de impostos, sirva de fundamentação para uma suposta fraude para evitar pagamento de tributo. II – 10 – Como não existe qualquer tipo de fraude, não é cabível a multa de 150%, que possui manifesta ilegalidade, bem como os juros pretendidos pelos AI. 5.81. O art. 44, da Lei 9.430/96, diz que será aplicada multa de 75% quando houve falta de declaração do imposto, sendo duplicada essa alíquota quando ocorrer claro indício de fraude por parte do contribuinte. 5.82. Com base na equívoca premissa de que houve um "conluio" entre a Impugnante e a Cordeiro Lopes para praticar fraude, os Srs. Auditores Fiscais aplicaram multa de 150% a todo tributo apurado na fiscalização. 5.83. Ocorre que, conforme amplamente demonstrado na presente peça, a Impugnante não seu uniu à Cordeiro Lopes, ou a outra empresa, para realizar qualquer tipo de fraude. Sendo assim, a multa de 150% é absolutamente descabida. 5.84. Ademais, ainda se considerarmos a aplicação da multa pretendida na ordem de 75%, é necessário destacar sua flagrante ilegalidade, pois a cláusula penal é introduzida nas obrigações com vistas a compelir seus destinatários ao regular cumprimento da prestação nelas prevista. 5.85. No entanto, embora a cláusula penal tenha natureza coercitiva, não pode servir de fonte de locupletamento do sujeito passivo da obrigação, tampouco ser superior ao valor principal exigido. 5.86. Na espécie, a multa de 150% aplicada sobre os valores supostamente devidos é não só abusiva, como absurda, além disso, viola de forma grave o Princípio Constitucional do Não Confisco. 5.87. Sem prejuízo disto, é ainda necessário destacar que o valor dos juros aplicados também é absolutamente extorsivo, se considerarmos que o limite imposto pela Constituição Federal à sua cobrança é de 0,50% ao mês, o que autoriza a cobrança máxima de juros anuais à razão de 6,00%. 5.88. Dessa forma, impõese o reconhecimento da abusividade e do caráter manifestamente extorsivo da multa aplicada, assim como dos juros cobrados, bem como a redução de suas importâncias para parâmetros constitucionalmente aceitáveis, ou seja, aplicação de multa na razão de 20%, e taxa de 6% ao ano sobre o valor do imposto eventualmente apurado. II – 11 – Da total improcedência dos valores cobrados em todos os AI. 5.89. Por fim, é importante registrar que todos os valores cobrados nos autos de infração a que se refere o presente processo administrativo são improcedentes, ficando todos os valores devidamente impugnados. 6. No item Conclusão a defendente repisa os argumentos expostos e registra que prejudicados os pedidos anteriores, requer que seja julgada procedente a presente impugnação para cancelar todos os AI a que se referem o presente processo administrativo, ou para abater do tributo apurado os valores que o Impugnante e a empresa Cordeiro Lopes efetivamente recolheram e excluir a multa de 150% aplicada. 7. Irresignada com os lançamentos, em 23 de janeiro de 2013 a empresa Casa Verre Indústria e Comércio Ltda, cientificada dos AI em 27/12/2012 (AR – fl. 3555) e arrolada como responsável solidária pelos créditos discutidos nos autos, apresentou impugnação às fls. 3591 a 3612 por meio de seu representante legal (Sr. Humberto Verre – fls. 533 e 536), instruída com documentos de identificação às fls. 3613 a 3618, na qual alega, em síntese, o seguinte: Fl. 4212DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.213 13 7.1. No item Preliminares, repisa os questionamentos trazidos à colação no contraditório já acima relatado, sem referência aos processos originados na DRFB Florianópolis. 7.2. No item Mérito contrapõe questões já suscitadas na defesa apresentada pelo Sr. Humberto Verre, e acrescenta os seguintes quesitos. “As empresas Casa Verre e Santa Izabel não têm qualquer responsabilidade sobre os atos ou débitos da empresa Cordeiro Lopes & Cia Ltda.” 7.3. O fato de os exfuncionários da Casa Verre estarem atualmente prestando serviços a Cordeiro Lopes não traz qualquer responsabilidade para recorrente. Da impossibilidade de atribuir qualquer responsabilidade para a impugnante sobre o contrato entre a Cordeiro Lopes e o DETRAN/SP. 7.4. A Impugnante não tem qualquer interferência no contrato firmado entre a Cordeiro Lopes e o Detran/SP. 7.5. A Impugnante foi contratada pela empresa Cordeiro Lopes após já encerrada a licitação e firmado o contrato entre as partes. Esse contato foi feito justamente para que a Cordeiro e Lopes obtivesse material e assessoria técnica para conseguir cumprir os termos do contrato anteriormente firmado. 7.6. Se a Cordeiro Lopes não tinha capacidade operacional para prestar o serviço público para o qual se candidatou, caberia ao órgão contratante, no caso o Detran/SP, ter desclassificado a mesma da licitação. 7.7. Não se pode agora, através de um suposto problema ocorrido na licitação, ser imputada responsabilidade para a Impugnante, que não tem qualquer relação com o contrato. Os sócios da empresa Cordeiro Lopes possuíam pleno controle da gerência administrativa da empresa. 7.8. Os Srs. Auditores Fiscais, no Termo de Verificação, de forma absolutamente equivocada, afirmam que a Sra. Lúcia e sua família foram utilizados como "laranjas" de um "esquema fraudulento". 7.9. Ocorre que a empresa Cordeiro Lopes, após sagrarse vencedora da licitação em questão, procurou a Impugnante buscando parceria para, dessa forma, conseguir atender de forma satisfatória o contrato com o Detran/SP. 7.10. Este fato, por si só, já demonstra que a empresa possuía total autonomia em sua administração, tanto para celebrar quaisquer contratos ou licitações junto aos órgãos públicos, como para buscar os parceiros comerciais que melhor lhe convier. Os demais indícios apontados pelo Sr. Auditor Fiscal não são capazes de provar qualquer vinculação entre a Impugnante e a empresa Cordeiro Lopes. 7.11. No Termo de verificação, os Srs. Auditores Fiscais apontam como "outro indício da utilização da empresa Cordeiro Lopes como interposta pessoa", o fato de no momento em que decidiu por transferir seu domicilio fiscal para São Paulo, a Cordeiro Lopes optou por um galpão na Rua Itanhaém n° 513 Vila Prudente, que é o mesmo endereço da Impugnante, que tem sua sede no n° 538 do mesmo logradouro. 7.12. Os Srs. Auditores Fiscais se utilizaram para sustentar a suposta simulação o fato da Impugnante e a empresa Cordeiro Lopes possuírem estabelecimentos próximos. Ora, conforme anteriormente informado, a Cordeiro Lopes locou alguns imóveis do responsável legal da Impugnante para desenvolvimento de Fl. 4213DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.214 14 suas atividades, e além disso, contratou os serviços de assessoria técnica, não podendo causar estranheza o fato de ficarem próximas. 7.13. Ademais, essa informação apenas comprova que a Impugnante e a empresa Cordeiro Lopes são empresas distintas e com atividades separadas, pois se fossem apenas uma empresa não existiria necessidade de possuírem estabelecimentos próximos. Se realmente houvesse simulação, as atividades seriam desenvolvidas no mesmo local, propiciando uma considerável economia de custos. Da impossibilidade de responsabilidade solidária. 7.14. A responsabilidade solidária imposta para a Impugnante é absolutamente ilegal e deve ser desconsiderada. 7.15. Os Srs. Auditores Fiscais não podem, com base em uma análise superficial da situação, simplesmente desconsiderar os fatos regularmente realizados. 7.16. Tal desconsideração, por ser ato de extrema importância, demanda uma investigação mais profunda, em um procedimento próprio, exaurindose todas as possibilidades, para que assim se evite arbitrariedades como essa que está sendo cometida contra a Impugnante. Diferente do que consta nos AI, houve pagamento de imposto com relação aos valores recebidos pela Impugnante. 7.17. Os Srs. Auditores Fiscais partiram de uma premissa equivocada para apurar o valor da base de cálculo dos tributos e lavratura das multas cobradas no presente processo administrativo. Os agentes fiscais equivocadamente afirmaram que não houve a contabilidade dos valores que a Impugnante recebeu da Cordeiro Lopes. 7.18. Conforme consta no próprio Termo de Verificação, a Impugnante apresentou uma série de notas fiscais regularmente emitidas, e que comprovam que houve a contabilidade e pagamento do imposto. Tais notas fiscais, conforme constatado pelos Srs. Auditores Fiscais, somam o valor de R$ 2.518.225,75. 7.19. Sendo assim, a Impugnante comprovou que houve contabilidade e pagamento do imposto com relação aos valores recebidos da empresa Cordeiro Lopes, não procedendo, portanto, a multa aplicada. 8. Irresignada com os lançamentos, em 23 de janeiro de 2013 a empresa Santa Izabel Administração e Participações Ltda, cientificada dos AI em 26/12/2012 (AR – fl. 3556) e arrolada como responsável solidária pelos créditos discutidos nos autos, apresentou impugnação às fls. 3619 a 3634 por meio de seu representante legal (Sr. Humberto Verre – fls. 533 e 537), instruída com documentos de identificação às fls. 3635 a 3640, na qual alega, em síntese, o seguinte: 8.1. No item Preliminares, repisa os questionamentos trazidos à colação no contraditório já acima relatado, sem referência aos processos originados na DRFB Florianópolis. 8.2. No item Mérito contrapõe questões já suscitadas na defesa apresentada pelo Sr. Humberto Verre, e acrescenta os seguintes quesitos. As empresas Casa Verre e Santa Izabel não qualquer responsabilidade sobre os atos ou débitos da empresa Cordeiro Lopes & Cia Ltda. 8.3. Os negócios da empresa estão associados ao ramo imobiliário, Da impossibilidade de atribuir qualquer responsabilidade para a impugnante sobre o contrato entre a Cordeiro Lopes e o Detran/SP. Fl. 4214DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.215 15 8.4. A Impugnante não tem qualquer interferência no contrato firmado entre a Cordeiro Lopes e o Detran/SP, não tendo, inclusive, elementos suficientes para rebater tais acusações, pois são absurdas. 8.5. Não se pode agora, através de um suposto problema ocorrido na licitação, ser imputada responsabilidade para a Impugnante, que não tem qualquer relação com o contrato. 8.6. A defendente apenas firmou contrato de locação e administração de imóveis, acordos esses que são absolutamente legais. Os sócios da empresa Cordeiro Lopes possuíam pleno controle da gerência administrativa da empresa. 8.7. Os Srs. Auditores Fiscais, no Termo de Verificação, de forma absolutamente equivocada, afirmam que a Sra. Lúcia e sua família foram utilizados como "laranjas" de um "esquema fraudulento". 8.8. Ocorre que a empresa Cordeiro Lopes, após sagrarse vencedora da licitação em questão, procurou a Impugnante para locação de imóveis em diversas cidades do interior do estado de São Paulo e, desta forma, conseguir atender de forma satisfatória o contrato com o Detran/SP. 8.9. Este fato, por si só, já demonstra que a empresa possuía total autonomia em sua administração, tanto para celebrar quaisquer contratos ou licitações junto aos órgãos públicos, como para buscar os parceiros comerciais que melhor lhe convier. Da impossibilidade de responsabilidade solidária. 8.10. A responsabilidade solidária imposta para a Impugnante é absolutamente ilegal e deve ser desconsiderada. 8.11. Os Srs. Auditores Fiscais não podem, com base em uma análise superficial da situação, simplesmente desconsiderar os fatos regularmente realizados. 8.12. Tal desconsideração, por ser ato de extrema importância, demanda uma investigação mais profunda, em um procedimento próprio, exaurindose todas as possibilidades, para que assim se evite arbitrariedades como essa que está sendo cometida contra a Impugnante. 9. A correspondência contendo os AI e documentos respectivos enviada à empresa retornou à RFB (fls. 3545/3544), tendo a mesma sido cientificada por meio do Edital nº 305/2012, com data de desafixação em 02/01/2013 (fls. 3543/3544). O mesmo ocorreu com as correspondências remetidas aos contribuintes arrolados como responsáveis solidários pelos créditos discutidos nos autos (Lúcia Aparecida Lopes da Silva, Valdemir Rodrigues da Silva e Rodrigo Rodrigues da Silva (fls. 3545/3552)), sendo os mesmos igualmente cientificados pelo retocitado Edital. Não houve apresentação de defesa pela empresa e pelos mencionados interessados. 10. A correspondência contendo os AI e documentos respectivos enviada à contribuinte Vilma Pereira de Araújo, arrolada como responsável solidária pelos créditos discutidos nos autos foi recebida em 23/12/2012 (fl. 3554). Não houve apresentação de defesa pelo interessada. A decisão de primeira instância julgou improcedentes as impugnações apresentadas, tendo o julgado recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 4215DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.216 16 Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Comprovados nos autos que a contribuinte foi corretamente informada e esclarecida acerca da infração cometida, bem como do número do processo, não há que se arguir cerceamento de defesa e ofensa ao devido processo legal. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA PARA EMISSÃO. Portaria da Secretaria da Secretaria da Receita Federal ampara plenamente a delegação de competência para emissão de MPF, de titular da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização para Chefe de Divisão de Fiscalização da Delegacia. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE. Eventual vício em emissão, notificação, prorrogação, ou até mesmo a inexistência de Mandado de Procedimento Fiscal em nome do fiscalizado não causa nulidade do lançamento, porque não constitui requisito de validade do ato, mas mero instrumento de controle da administração tributária. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. SÓCIOS. ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, os sócios e os administradores da empresa, bem como os mandatários, prepostos e empregados. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. EMPRESAS BENEFICIÁRIAS. São solidariamente obrigadas à satisfação do crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, dentre elas as empresas reais beneficiárias das receitas omitidas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. RECEITA DA ATIVIDADE. NÃO DECLARAÇÃO. Receitas obtidas na atividade da empresa e não declaradas constituemse receitas omitidas ao Fisco. Fl. 4216DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.217 17 ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte, nos termos da legislação de regência. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Impugnação Improcedente. Crédito tributário mantido. Todos os interessados foram intimados (fls. 37353774). Conforme avisos de recebimentos, Santa Izabel Administração e Participações Ltda e Humberto Verre foram cientificados em 20 de maio de 2013 (fls. 3775 e 3776, respectivamente). Já Casa Verre Indústria e Comércio EIRELI recebeu a intimação em 24 de maio de 2013 (fl. 3777). Houve apresentação de recursos voluntários, todos em 18 de junho de 2013, somente pelos coobrigados Humberto Verre (fls. 38013846), Casa Verre Indústria e Comércio EIRELI (fls. 39283971) e Santa Izabel Administração e Participações Ltda (fls. 40574100). Em seus cernes, todos os recursos possuem, em síntese, o mesmo conteúdo. Pleiteiam, preliminarmente, que os presentes autos sejam julgados em conjunto com o processo nº 19515.722730/201235, relativo ao IRRF. Isso porque haveria cobrança em duplicidade de tributos. Alegam que os valores cobrados como omissão de receitas em CORDEIRO LOPES, em relação aos quais lhes foram imputada responsabilidade tributária, ao serem repassados a CASA VERRE e SANTA IZABEL foram considerados pagamentos sem causa, ensejando a exigência de 35% de IRRF (art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981, de 1995). Além de repisarem os argumentos utilizados em suas impugnações, alegam ainda ter havido erro na identificação do sujeito passivo, pois, se CORDEIRO LOPES não possuía existência de fato e as receitas teriam sido, de fato, apuradas por terceiros, sobre esses é que deveria recair a cobrança de tributos, mas na condição de contribuintes, e não responsáveis. É o relatório. Fl. 4217DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.218 18 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 PRELIMINARES Os pressupostos legais para a validade do auto de infração são determinados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, a seguir transcrito: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A respeito da nulidade, o mesmo diploma legal assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito Fl. 4218DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.219 19 passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Resta, portanto, analisar as arguições de nulidade suscitadas a fim de se verificar, se, de fato, ocorreram. 1.1 Do Cerceamento do Direito de Defesa e da Ofensa ao Devido Processo Legal A respeito da pretensa nulidade por preterição ao direito de defesa e ofensa ao devido processo legal, perfeitas as considerações da decisão recorrida, razão pela qual adotaas, transcrevendoas a seguir: 17. Argumenta o interessado que assim que recebeu a comunicação de que lhe foi imputada responsabilidade sobre infrações cometidas pela empresa Cordeiro Lopes, enviou procurador para a unidade da Receita Federal em São Paulo, localizada à Rua Augusta n.°1582, com objetivo de obter cópia integral do processo administrativo para que pudesse entender o motivo de lhe ser imputada a responsabilidade. 18. Todavia, ao consultar seu número de CPF, constatou que não havia nenhum processo administrativo em seu nome. 19. Ao realizar a consulta pelo número do Mandado de Procedimento Fiscal localizado no Termo de Verificação recebido, constatou que existia um processo administrativo tramitando perante a Receita Federal de Florianópolis no nome exclusivo da empresa Cordeiro Lopes. Mesmo lhe trazendo inúmeros custos, com objetivo de viabilizar sua defesa, o Impugnante enviou um procurador para a Receita Federal de Florianópolis para tentar obter a cópia integral do processo administrativo. Todavia, não obteve sucesso. O funcionário da Receita Federal catarinense informou que o processo administrativo estava "em trânsito" para São Paulo, conforme constava no site da Receita Federal (o documento de identificação do Sr. Huberto Verre foi o único anexo juntado à defesa – fl. 3590). Diante dessa informação, o Impugnante procurou novamente a unidade da Receita Federal em São Paulo e foi informado, pelo setor de atendimento, que o processo administrativo ainda não havia sido recebido em São Paulo. Também foi informado que o processo estaria disponível em aproximadamente 20 dias, sendo que até a data de protocolo da presente impugnação o interessado não teve acesso ao referido processo administrativo. 20. Acrescenta o recorrente que a situação, sem dúvida, representa um verdadeiro cerceamento do direito de defesa e ofensa ao devido processo legal, na medida em que não foi permitido acesso aos dados que serviram de base para responsabilizála. 21. Pugna que o cerceamento ao direito de defesa e ofensa ao devido processo legal se mostram ainda mais evidentes na medida em que não teve acesso aos documentos da empresa Cordeiro e Lopes que serviram de base para lavratura dos autos de infração; assim, não tem como se defender sem ter acesso a tais documentos. Enfatiza que o Termo de Verificação Fiscal e Termo de Sujeição Passiva Solidária por ele recebidos faz diversas citações sobre relatórios e documentos juntados no processo administrativo, mas sem ter acesso a tais documentos é impossível que o defendente tenha uma completa compreensão da demanda e possa exercer seu pleno direito de defesa. 22. Conclui que em virtude da clara ofensa ao direito de defesa e afronta ao devido processo legal, devese, no mínimo, devolver o prazo para que possa Fl. 4219DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.220 20 elaborar sua defesa, sendolhe permitido total acesso aos autos do processo administrativo. 23. De plano, cabe esclarecer que o responsável solidário, Sr. Humberto Verre, foi cientificado em 26/12/2012 (Aviso de Recebimento à fl. 3553) dos Autos de Infração lavrados no presente processo, sendolhe igualmente enviado, na mesma correspondência, Termo de Verificação Fiscal e Anexos, Termos lavrados no decorrer da ação fiscal e Termo de Sujeição Passiva Solidária, como resta claramente registrado no AR, no qual consta a clara indicação acerca do nº do processo (19515.722729/201219). 24. Assim, no que pertine à obtenção de cópia do processo que ora se examina, bastava ao requerente ter disponibilizado o nº do mesmo em unidade da RFB, sem necessidade de trânsito dos autos, já que o mesmo encontrase digitalizado. 25. Acrescentese que o contribuinte tinha pleno conhecimento do número do presente processo, não somente por estar indicado no retrotranscrito Aviso de Recebimento, mas também por constar no próprio Termo de Verificação Fiscal à fl. 641, documento que ele próprio reconhece ter recebido. 26. No que se relaciona aos processos que foram protocolizados na DRFB Florianópolis, de nºs 11516.003373/201029 e 11516.003546/201017, conforme consulta ao sistema Comprot da RFB, trata o primeiro de lavratura de AI IRPJ e reflexos referente ao anocalendário 2007, e o segundo de Representação para Baixa de Ofício do CNPJ. Assim, a não obtenção de cópias dos mesmos não cerceia a defesa do recorrente, cuja obrigação cingese à apresentação de defesa nos presentes autos, de nº 19515.722729/201219, no qual foi lavrado o AI IRPJ e reflexos relacionado ao anocalendário 2008. 27. Em consonância com o exposto rejeitase a alegação de cerceamento do direito de defesa e ofensa ao devido processo legal e, igualmente, o pleito do contribuinte para devolução do prazo para elaboração da defesa. 1.2 Do Mandado de Procedimento Fiscal. Em primeiro lugar, esclarecese que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária tanto para fins de controle interno, quanto para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, assegurando ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o AuditorFiscal está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se ocorrerem problemas com emissão ou a prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada ao autor ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática daquele ato. Assim, legitimado o AuditorFiscal para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta de prorrogação do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Alega a Recorrente que os Mandados de Procedimento Fiscal que autorizaram o procedimento fiscal de diligência junto às empresas Casa Verre Indústria e Fl. 4220DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.221 21 Comércio Ltda Santa Izabel Administração e Participações Ltda, foram emitidos pelo Sr. Luiz Carlos Modesto dos Santos, Auditor Fiscal da RFB, à época chefe da Divisão de Fiscalização (Difis/2) em São Paulo, sendo absolutamente ilegais, pois a Portaria RFB n.° 11.371/2007 não confere poderes ao Delegado Adjunto para emitir tal documento. Logo, o procedimento fiscal seria nulo, devendo a exigência ser integralmente cancelada. Pois bem, cumpre esclarecer que os procedimentos fiscais em tela foram autorizados por meio de emissão de Mandados de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD), nos termos da Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011 (a mencionada Portaria RFB n.° 11.371/2007 foi revogada pela Portaria RFB nº 3.014/2011), que consigna, em seu artigo 6º, § 3º, as normas para delegação de competência para sua emissão, conforme transcrito a seguir: Art. 6º O MPF será emitido, observadas as respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: (...); § 3º Somente será admitida delegação de competência para emissão e alteração de MPF nas seguintes hipóteses: I de Superintendente da Receita Federal do Brasil para Chefe de Divisão de Fiscalização, de Administração Aduaneira ou de Repressão ao Contrabando e Descaminho, da Superintendência; II do CoordenadorGeral de Pesquisa e Investigação para Chefe de Escritório e Núcleo de Pesquisa e Investigação; III do CorregedorGeral para Chefe de Escritório e Núcleo da Corregedoria; IV do Delegado da Receita Federal do Brasil de Delegacias Especiais e de Delegacias Classe "A" ou "B", para Chefe de Divisão/Serviço de Fiscalização da Delegacia; (...) (grifos acrescidos) No caso concreto os Mandados de Procedimento Fiscal foram emitidos no pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (DEFIS) e assinados pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Luiz Carlos Modesto dos Santos (fls. 3286 e 3312), então chefe da Divisão de Fiscalização, amparado pela Portaria de Delegação de Competência nº 171, de 12/07/2011. Logo, restam cumpridas as normas infralegais a respeito da emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal. Por tais razões, rejeito a arguição de nulidade do lançamento sustentada em vícios no Mandado de Procedimento Fiscal. 1.3 Da Nulidade da exigência por ausência da descrição dos fatos Aduz a Recorrente que a correta descrição dos fatos é um requisito essencial de qualquer auto de infração, e que a presente exigência não teria cumprido com tal elemento obrigatório. Fl. 4221DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.222 22 Discordo de tal argumento. Os autos de infração possuem a correta descrição das infrações imputadas, inclusive fazendo menção a Termo de Verificação Fiscal extremamente minucioso, contendo descrição pormenorizada de todo o procedimento fiscal, e, principalmente, da infração de omissão de receita que lhe foi imputada. No que tange aos demais suscitados pela Recorrente, tais como a origem dos créditos bancários e questões atinentes ao contrato firmado com o Detran, deixo de analisálos em sede de preliminar por dizerem respeito ao mérito da exigência. Além disso, compulsando os autos, constatase que os autos de infração lavrados preenchem os requisitos elencados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Desse modo, no caso concreto, não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, já em sede de impugnação defendeuse plenamente, despendendo com clareza e qualidade, todos os argumentos necessários ao pleno exercício de sua defesa. Nesse aspecto, frisese que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada pelos detalhes da descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal e enquadramento legal utilizado no Termo de Verificação Fiscal, no qual se apontou com minúcias os fatos constatados, qualificandoos e subsumindoos com perfeição aos dispositivos legais apontados no próprio relatório em questão. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, não havendo qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula no auto de infração lavrado. No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. 1.3 Da suposta necessidade de julgamento conjunto com o a exigência de IRRF (processo nº 19515.722730/201235) Alegam os Recorrentes que o presente processo deva ser julgado em conjunto com os autos número 19515.722730/201235, haja vista sua alegação de exigência em duplicidade de tributos (omissão de receitas nestes autos e imposto de renda retido na fonte naquele). Contudo, tratandose de exigência baseada nos mesmos fatos, e considerandose que a exigência principal é a de IRPJ, exigência formalizada nos presentes autos, não há qualquer prejuízo em decidirse, em primeiro lugar, a exigência ora em análise, aplicandose àquele processo as mesmas conclusões aqui retradas, isso se for o caso de necessidade de adoção do mesmo entendimento sobre os fatos, conforme alegado pelos Recorrentes. Fl. 4222DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.223 23 Nesse contexto, passo à análise do mérito. 2 MÉRITO Inicialmente, convém transcrever excerto do voto condutor do aresto que vem delineia os limites da controvérsia. 49. Em relação ao cerne do presente litígio, para se apreciar o cabimento ou não dos lançamentos decorrentes de omissão de receitas, devese verificar com atenção o que ocorreu durante o procedimento fiscal. 50. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil autuantes deram início à fiscalização fiscal em 07/04/2011, com diligência ao domicílio fiscal da contribuinte cadastrado no sistema CNPJ (Rua Itanhaem nº 513 – Vila Prudente, São Paulo – fl. 199), com o objetivo de dar ciência pessoal do Termo de Início de Ação Fiscal, de 07/04/2011, tendo encontrado um prédio de dois andares, aparentemente vazio, com portão de entrada trancado (foto do local à fl. 196). Acionada a campainha, por diversas vezes, não houve atendimento, fato que impossibilitou a entrega do referido documento (Termo de Constatação Fiscal foi lavrado na mesma data – fl. 195). 51. Efetuada consulta no sistema CNPJ verificouse que as Sras. Vilma Pereira de Araújo (CPF 995.834.96804 – sócia administradora e representante legal) e Lúcia Aparecida Lopes da Silva (CPF 032.401.65813 sócia) são as sócias atuais da empresa. No período fiscalizado (anocalendário 2008) o quadro societário era constituído pela Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva e pelo Sr. Rodrigo Rodrigues da Silva (CPF 003.595.89952), filho da Sra. Lúcia. A modificação no QSA, com a entrada da Sra. Vilma e saída do Sr. Rodrigo ocorreu em 05/05/2009 (fls. 201/207). 52. Termo de Início de Ação Fiscal (fl. 188 – enviado para o endereço que consta em seu registro no sistema CNPJ – Rua Itanhaém nº 513 – Vila Prudente, São Paulo – CEP 03137020 , com Aviso de Recebimento (AR) devolvido em 13/04/2011 pelo motivo “mudouse” – fls. 190/192) foi exarado para intimar a fiscalizada a apresentar em 20 (vinte) dias, relativamente ao anocalendário 2008, Contrato Social e Alterações, Livros Diário e Razão (ou alternativamente Livro Caixa), Livros de Registro de Entradas e de Saídas de Mercadorias, Livro de Apuração de ICMS, Livros de Registro de Serviços Prestados e Tomados, Arquivos digitais da contabilidade, Arquivos digitais de Notas FiscaisSintegra (Convênio ICMS nº 57/1995) e extratos bancários. O mesmo T.I.A.F foi enviado para os domicílios fiscais (sistema CNPJ) das sócias atuais da empresa (fls. 201/207), Vilma Pereira de Araújo e Lúcia Aparecida Lopes da Silva, com ciência de ambas em 13/04/2011 (AR às fls. 193/194). Termo de Reintimação Fiscal foi emitido para reintimar as retrocitadas sócias (fl. 242 – ciência em 13/05/2011 (sócia Lúcia – fl. 245) e AR devolvido (“Mudouse” – sócia Vilma – fls 243/244)), sendo novamente reemitido, acrescentandose que a recusa não justificada da disponibilidade de documentação caracterizaria Embaraço à Fiscalização (fl. 246 – ciência em 02/06/2011 (sócia Lúcia – fl. 250) e AR devolvido (“Mudouse” – sócia Vilma – fls. 247/249)). 53. Termo de Embaraço à Fiscalização foi lavrado (fls. 251/252 – ciência por AR em 15/06/2011 (sócia Lúcia) – fl. 253) para registrar que a fiscalizada não apresentou nenhum documento dentre os solicitados, nem apresentou justificativa Fl. 4223DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.224 24 para o pleito da fiscalização, o que caracterizou embaraço à fiscalização, nos termos dos artigos 919 do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/1999), e 33, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. 54. Registra a fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fl. 623) que a empresa teve a sua inscrição no CNPJ baixada de ofício, por inexistência de fato, condição que se confirma conforme tela do sistema CNPJ (fl. 199), na qual se observa que a data da baixa ocorreu em 12/09/2011, consoante processo 11516.003546/201017, iniciado no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis. 55. O objeto social da Matriz consiste em indústria e comércio, atacadista e varejista, de placas de sinalização urbana e rodoviária, placas para veículos automotores e serviços de lacração e relacração de veículos. As filiais apresentam objeto social centrado em exploração dos serviços de lacração e relacração de veículos, bem como o comércio e gravação de placas de veículos automotores (fl. 623). 56. Portanto, pela falta de manifestação da autuada, foram expedidas Requisições de Informações Sobre Movimentação Financeira (RMF) para as instituições financeiras Bradesco, Banco do Brasil, Banco Nossa Caixa, Banco Real e Unibanco, com ciência em junho/2011. RMF, Avisos de Recebimento, respostas das instituições financeiras, documentos diversos relacionados e extratos bancários enviados à fiscalização encontramse às fls. 254/257 e 872/2197. 57. Termo de Intimação Fiscal Nº 03 (fl. 258 – ciência em 21/10/2011 (sócia Lúcia – fl. 315) e AR devolvido (“Mudouse” – sócia Vilma – fls. 313/314)) foi lavrado para intimar a contribuinte a comprovar, no prazo de 20 (vinte) dias, a origem dos valores depositados/creditados em suas contas bancárias, conforme relação anexa ao T.I.F (fls. 259 a 312). Informouse à contribuinte que a não comprovação da origem dos recursos, na forma e prazo estabelecidos, ensejaria o lançamento de ofício, a título de omissão de receita, nos termos do art. 849 do RIR/1999, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. Em cartas dirigidas à fiscalização (06/10/2011 – fls. 316/317 (Anexos: fls. 318/337) e 01/11/2011 (fls. 340/342 – Anexos (fls. 343/380)), a sócia Lúcia Aparecida Lopes da Silva consignou que (T.V.F – fls. 627/628): 57.1. Está domiciliada na cidade de São José/SC, onde estava localizada a matriz da contribuinte fiscalizada até a 16a. Alteração Contratual e Consolidação do Contrato Social da empresa, datada de 04/12/2009 (fls. 318/324), que alterou o endereço da matriz para São Paulo e encerrou as atividades do estabelecimento de Santa Catarina. 57.2. Segundo a cláusula 22 desta Alteração Contratual a administração e a representação da empresa caberia exclusivamente à outra sócia – Sra. Vilma Pereira de Araújo. 57.3. Não teria qualquer legitimidade para representar a empresa reclamada na presente ação, sendo nulas as notificações a ela endereçadas. 57.4. O gerenciamento e administração das filiais do Estado de São Paulo, cujo objeto era um contrato firmado com o Detran/SP, competia ao Sr. Humberto Verre, que era o beneficiário dos recursos financeiros provenientes deste negócio, sendo, ainda, a Sra. Vilma Pereira de Araujo a procuradora legalmente constituída para representar a empresa, e a Sra. Sônia Regina Perez Sandoval a administradora de fato. 57.5. Seu marido, Sr. Valdemir Rodrigues da Silva, e seu filho, Sr. Rodrigo Rodrigues da Silva, o outrora sócio da empresa, antes da 16a. Alteração Fl. 4224DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.225 25 Contratual, não teriam qualquer ingerência sobre as filiais de São Paulo, tampouco eram beneficiários dos recursos movimentados por aqueles estabelecimentos. 57.6. Qualquer documentação referente às filiais de São Paulo, da qual não tem conhecimento, deve ser solicitada diretamente ao Sr. Humberto Verre, Sra. Sônia Regina Perez Sandoval, ou Sra. Vilma Pereira de Araújo. 57.7. Acosta cópia do documento denominado “Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso” (fls. 328/333), de 26/03/2009, assinados por ela, Valdemir Rodrigues da Silva, Rodrigo Rodrigues da Silva, Humberto Verre e Vilma Pereira de Araujo, no qual em linhas gerais, acordaram que a empresa Cordeiro Lopes & Cia Ltda seria dividida em 2 partes: A primeira, compreendida pelo estabelecimento matriz, localizado em Santa Catarina, ficaria sob responsabilidade de Valdemir Rodrigues da Silva e a segunda, integrada pelas demais filiais localizadas no Estado de São Paulo, estaria sob responsabilidade de Humberto Verre. Cada uma destas pessoas ficaria responsável por todos os compromissos de natureza social, comercial, financeira e bancária dos negócios referentes aos respectivos estabelecimentos a eles atribuídos. (Cláusulas 6 e 8 do documento): TERMO E INSTRUMENTO DE DECLARAÇÕES E COMPROMISSO QUE FAZEM: HUMBERTO VERRE, brasileiro, casado, empresário, portador da cédula de identidade RG n° 2.446.697SSP/SP e devidamente inscrito no C.P.F./M.F. sob o n° 005.013.36834, residente e domiciliado , na rua Roberto Caldas Kerr, 151 18° andar, Alto de Pinheiros, Capital, SP. WALDEMIR RODRIGUES DA SILVA, brasileiro, casado, empresário, portador da cédula de identidade RG1/C 585157 SSP/SC expedido em 27/6/91 e inscrito no C.P.F./MF. sob o n° 28832183900, residente e domiciliado na Rua Mário Coelho Pires,573 apto. 1201, São José, Santa Catarina: LÚCIA APARECIDA LOPES DA SILVA, brasileira, casada em regime de comunhão parcial de bens, empresaria, portadora do CPF 032.401.65813, carteira de identidade l/C 3.250.576 SSP/SC, residente e domiciliada à Rua Mário Coelho Pires, 573 apto 1201 CEP 88101280 Campinas São José/SC, RODRIGO RODRIGUES DA SILVA, brasileiro, natural de São Paulo/SP, nascido em 04/11/1983, solteiro, maior, empresário, portador do CPF 003.595.89952, carteira de identidade 3.724.675 SSP/SC residente e domiciliado à Rua Mario Coelho Pires, 573 apto 1201 CEP 88101280 Campinas São José/SC, e VILMA PEREIRA DE ARAUJO, brasileira , casada em regime de comunhão parcial de bens, portadora da cédula de identidade RG n° 7.723.439X e inscrita no C.P.F. sob o n° 995.834.96804, residente à Estrada de Taipas, 1940 prédio 2 apto 14/B, Jardim Panamericano CEP: 02991000 São Paulo SP. E, ainda, Fl. 4225DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.226 26 “CORDEIRO LOPES & CIA Ltda”, com sede e foro no município de São José, na Av, Josué Di Bernardi, 110 – Sala Lateral 03 – Campinas – CEP 88101200 SC, inscrita no CNPJ sob nº 01.177.785/000135, por seus sócios LÚCIA APARECIDA LOPES DA SILVA e VILMA PEREIRA DE ARAÚJO. Considerando que: 1.0 Os nomeados Lúcia Aparecida Lopes da Silva e Rodrigo Rodrigues da Silva, constituíram sociedade empresária "CORDEIRO LOPES & CIA Ltda", com sede e foro no município de São Jose, na Av. Josué Di Bernardi, 110 Sala Lateral 03 Campinas CEP 88101200 SC, inscrita no CNPJ sob n° 01.177.785/000135, com Contrato Social devidamente registrado na JUNTA COMERCIAL DO ESTADO DE SANTA CATARINA sob n° 42202164670 em data de 30/04/1996 2.0 A sociedade tem sua sede à Av.Josué Di Bernardi, 110 Sala Lateral 03 CEP 88101 200 Campinas São José/SC 3.0 A sociedade possui sete filiais: Filial I com sede na Rua Itanhaém, 513 CEP 03137020 Vila Prudente — São Paulo/SP, que iniciou suas atividades em 08/09/1999 com capital social destinado de R$30.000,00 (trinta mil reais), inscrita no CNPJ sob n° 01.177.785/000206 e NIRE 35903108941. Filial II com sede na Rua Pedro Marques, 784 CEP 18200 270 Centro Itapetininga SP, com capital social destinado de R$500,00 (quinhentos reais), e iniciou suas atividades em 13/11/2006, inscrita no CNPJ sob n° 01.177.785/000305 e NIRE 35903128119. Filial III com sede na Av. dos Trabalhadores, 3360 – CEP 11724190 – Vila Sônia – Praia Grande/SP, com capital social destinado de R$ 500,00 (quinhentos reais), e iniciou suas atividades em 13/11/2006, inscrita no CNPJ sob nº 01.177.785/000488 e NIRE 35903128101. Filial IV com sede na Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 347 – CEP 11015203 – Bairro Macuco – Santos/SP, com capital social destinado de R$500,00 (quinhentos reais), e iniciou suas atividades em 08/02/2008, inscrita no CNPJ sob n° 01.177.785/000569 e NIRE 35903292695. Filial V com sede na Rua Olavo Bilac, 34 CEP 15013210 Vila Diniz São José do Rio Preto/SP, com capital social destinado de R$ 500,00 (quinhentos reais), e iniciou suas atividades em 02/05/2008, inscrita no CNPJ sob n° 01.177.785/000640 e NIRE 35903434872. Filial VI com sede na Rua Maria Soares, 298/304 e 312 CEP 13035390 Vila Industrial Campinas/SP, com capital social Fl. 4226DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.227 27 destinado de R$500,00 ( quinhentos reais), e iniciou suas atividades em 20/11/2008, e Filial VII com sede à Av. Ítalo Setti, 617 CEP 09760280 São Bernardo do Campo/SP, que iniciou suas atividades em 01/03/2009, com capital social destinado de R$500,00 (Quinhentos Reais), inscrita no CNPJ sob n° 01.177.785/0008 01 e NIRE 35903577738. (...) 6.0 A referida sociedade sempre recebeu orientação nas filiais I, II, III, IV,V, VI e VII de Humberto Verre, quem, verdadeiramente administrou todos os negócios sociais e de Waldemir Rodrigues da Silva na matriz, quem verdadeiramente administrou todos os negócios sociais. (...) 8.0 As partes declarantes para assegurar todos os diretos decorrentes das declarações prestadas, entre si, ajustam e declaram que: I Humberto Verre, ficará responsável por todos os compromissos sociais assumidos pela sociedade "CORDEIRO LOPES & CIA Ltda." Destinados a atender o contrato com o DETRAN em São Paulo (edital de pregão (presencial) n° 20/2005 procedimentos n° 258.4816/2005 data: 14/02/2006), cujas obrigações e resultados a ele pertencem, desde a assinatura desse mencionado contrato, sejam elas de natureza comercial, fornecedores, bancos, agentes financeiros, seguradoras, etc; de natureza trabalhista, previdenciária e social; de natureza tributaria, impostos, taxas, contribuições, quer sejam Federais, Estaduais e Municipais, e de natureza societária, para nunca , em tempo algum, reclamar de qualquer outro associado, qualquer responsabilidade ou pagamento, assegurando aos demais signatários que sempre responderá por toda e qualquer cobrança decorrente dessas atividades; II – Waldemir Rodrigues da Silva ficará responsável por todos os compromissos sociais assumidos pela sociedade “CORDEIRO & LOPES & CIA LTDA”, destinados a atender os negócios realizados em Santa Catarina, sejam elas de natureza comercial, fornecedores, bancos, agentes financeiros, seguradoras, etc.; de natureza trabalhista, previdenciária e social; de natureza tributaria, impostos , taxas, contribuições , quer sejam Federais, estaduais e Municipais, e de natureza societária, para nunca, em tempo algum, reclamar de qualquer outro associado, qualquer responsabilidade ou pagamento, assegurando aos demais signatários que sempre responderá por toda e qualquer cobrança decorrente dessa atividades; (...) IV Fica, expressamente, a sociedade Cordeiro Lopes & Cia Ltda autorizada a abrir novas filiais, atendendo aos interesses Fl. 4227DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.228 28 de Humberto Verre e Waldemir Rodrigues da Silva, que se responsabilizam totalmente por todos os negócios da referida sociedade nas áreas estabelecidas no considerado 6.0 e nos compromissos, previstos nos itens I e II acima, bem como, pelas novas filiais que eventualmente forem abertas; V Os subscritores declaram e assumem total responsabilidade, sob pena de perdas e danos que o presente Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso, não poderá, em hipótese alguma ser divulgado a terceiros, sejam eles quem forem, devendo ser mantido em sigilo comercial entre as partes; São José/SC, 26 de Março de 2009 HUMBERTO VERRE WALDEMIR RODRIGUES DA SILVA LÚCIA APARECIDA LOPES DA SILVA RODRIGO RODRIGUES DA SILVA VILMA PEREIRA DE ARAÚJO CORDEIRO LOPES & CIA LTDA (negritos acrescidos) 57.8. Ainda no supracitado documento, em sua cláusula 8.1, o Sr. Humberto Verre ficaria responsável por todos os compromissos sociais assumidos pela empresa fiscalizada destinados a atender o contrato com o Detran/SP Edital n° 20/2005, datado de 14/02/2006, cujas obrigações e resultados a ele pertencem, desde a assinatura desse mencionado contrato, sejam eles de natureza comercial, tributária, fornecedores, bancos, agentes financeiros e seguradoras. 57.9. O retrocitado documento, em sua cláusula 8.V, registra que os subscritores declaram e assumem total responsabilidade, sob perdas e danos, que o “Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso” não poderá, em hipótese alguma, ser divulgado a terceiros, sejam eles quem forem, devendo ser mantido em sigilo comercial entre as partes. 57.10. Junta cópia de uma Declaração (fls. 325/327), de 08/04/2010, prestada em conjunto com o Sr. Valdemir Rodrigues da Silva a um agente de rendas do Fisco Estadual de São Paulo, na qual discorre sobre a evolução da empresa fiscalizada desde a sua fundação em 1996, com relato do acordo realizado com o Sr. Humberto Verre, objeto do mencionado “Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso”. DECLARAÇÃO Eu. LÚCIA APARECIDA LOPES DA SILVA, CPF 032.401.65813, RG 3.250.576, residente e domiciliada à Rua Mário Coelho Pires, n° 573, Apartamento 1201, Bairro Campinas, São José/SC, sócia da empresa CORDEIRO LOPES & CIA LTDA., com sede e foro no município de São José, na Av. Josué di Bernardi. n° 110 Sala Lateral 03 Bairro Campinas CEP 88101200SC, inscrita no CNPJ sob o nº 01.177.785/000135, em conjunto com WALDEMIR RODRIGUES DA SILVA, CPF 288.321.83900. RG 585.157, residente e domiciliado Fl. 4228DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.229 29 à Rua Mário CoelhoPires, n° 573. Apartamento I20l, meu marido e administrador de fato da empresa, por procuração, declaramos à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, para os devidos fins que: Constituímos a empresa acima qualificada, no início do ano de 1996, com o objetivo de exploração do comércio de peças novas e usadas de aparelhos eletrodomésticos, prestação de serviços em instalações, consertos e assistência técnica em eletrodomésticos cm geral: Foi fornecido ao meu marido. WALDEMIR RODRIGUES DA SILVA, CPF 288.321.83900, residente c domiciliado á Rua Mário Coelho Pires. n° 573. Apartamento 1201, Bairro Campinas, São José/SC. procuração de plenos poderes para administrar, em meu nome, a referida empresa: Em meados do ano de 1999. acrescentouse ao objetivo social da empresa a atividade de industria e comércio atacadista e varejista de placas de sinalização urbana e rodoviária, placas para veículos automotores, serviços de lacração e relacração, equipamentos para segurança, sinalização visual; O motivo da alteração do objetivo social da empresa foi a oportunidade de explorar os referidos serviços citados no item anterior para o órgão de trânsito de Santa Catarina, em virtude de meu marido e procurador da empresa WALDEMIR RODRIGUES DA SILVA, ter trabalhado na empresa CASA VERRE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, em São Paulo, no período de 1983 a 1988; (...) No final de 2005, fomos procurados pelo Sr. HUMBERTO VERRE, proprietário da empresa CASA VERRE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., que nos ofereceu a proposta de ceder o nome da empresa CORDEIRO LOPES & CIA LTDA. para a participação de licitação junto ao DETRAN/SP (edital de pregão presencial n° 20/2005. procedimentos nº 258.481 6/2005 de 14/02/2006) para exploração do serviço de emplacamento, lacração e relacração etc, junto ao órgão de trânsito paulista, efetuando a regularização da situação fiscal da empresa catarinense, o que era inclusive de interesse do próprio Sr. HUMBERTO VERRE, pois era condição necessária para participar da licitação do DETRAN/SP utilizando o nome da CORDEIRO & LOPES LTDA. Ato contínuo foi fornecido, a pedido do Sr. HUMBERTO VERRE, procuração em nome da Sra. VILMA PEREIRA DE ARAÚJO, CPF nº 995.834.968 Fl. 4229DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.230 30 04, funcionária da CASA VERRE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, para que esta administrasse a empresa CORDEIRO LOPES & CIA LTDA. Posteriormente, em 2009, por exigência do Sr. HUMBERTO VERRE, a Sra. VILMA foi admitida na sociedade, no lugar do sócio RODRIGO RODRIGUES DA SILVA, nosso filho, e tornouse sócia majoritária da empresa; (...) As funcionárias da CASA VERRE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA mantinham contatos constantes com o Sr. WALDEMIR RODRIGUES DA SILVA e obtinha dele os documentos e assinaturas necessários; A partir de então, a relação entre a CORDEIRO LOPES & CIA LTDA. com o DETRAN/SP era gerida pela Sra. Vilma, em conjunto com a Sra SONIA, sem qualquer intervenção dos sócios e do procurador da CORDEIRO LOPES, que tomaram parte dos compromissos firmados a partir de então por indução do Sr. HUMBERTO VERRE,sem contudo ter profundo conhecimento das ações e dos valores envolvidos; Firmouse, então, o contrato de licitação entre a CORDEIRO LOPES & CIA LTDA. e o DETRAN/SP. sendo os atos deste totalmente geridos pela CASA VERRE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Em virtude deste contrato, houve a abertura de várias filiais da CORDEIRO LOPES & CIA LTDA. no Estado de São Paulo, no intuito de cumprir as exigências do DETRAN/SP. sempre sob a administração de fato do Sr. HUMBERTO VERRE, que não fornecia detalhes desses atos, apenas documentos a assinar; Houve, também, a locação, por parte do Sr. HUMBERTO VERRE, de vários imóveis em diversos municípios do Estado de São Paulo em nome da locatária CORDEIRO LOPES & CIA LTDA. (por procuração a Sra. VILMA PEREIRA DE ARAUJO e sem o nosso conhecimento), e também de máquinas e equipamentos para a fabricação de placas automotivas nesses locais, além de outros itens de infraestrutura (telefones e veículos, etc); Foi solicitado pela Sra. SÓNIA ao Sr. WALDEMIR, por diversas vezes, que fossem enviados a São Paulo talonários de notas fiscais de mercadorias e de serviços da CORDEIRO LOPES & CIA LTDA.. para que as funcionárias da. CASA VERRE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. pudessem emitir as notas fiscais de vendas de mercadorias e de prestações de serviços junto ao DETRAN/SP e outros consumidores finais. Fl. 4230DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.231 31 Declaramos, portanto, que não houve, em tempo algum, nenhuma remessa de mercadorias ou prestação de serviços do estabelecimento da CORDEIRO LOPES & CIA LTDA. em Santa Catarina com destino a consumidor do Estado de São Paulo, entre eles o DETRAN/SP; toda a movimentação de mercadorias e prestação de serviços em nome da CORDEIRO LOPES & CIA LTDA. para consumidores do Estado de São Paulo eram originárias de dentro do próprio Estado; Toda a movimentação contábil pertinente às vendas e serviços no Estado de São Paulo era realizada, possivelmente, pelo Sr. . DIONÍSIO ZOOTI, CRC SP nº 1SP048272/05, que prestava serviços contábeis à CASA VERRE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, e à CORDEIRO LOPES & CIA LTDA eram enviados, por intermédio das Sras. VILMA e SÓNIA, apenas relatórios com os lançamentos e valores a serem declarados junto ao Fisco de Santa Catarina; Tomamos conhecimento, na ocasião da visita dos Agentes Fiscais de Rendas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, em 08 de abril de 2010, da 16ª Alteração Contratual do Contrato Social da CORDEIRO LOPES & CIA LTDA., que encerrava as atividades deste estabelecimento no Estado de Santa Catarina e transferia a sede da empresa para a filial 1 situada na Rua Itanhaém, n° 513, Vila Prudente, São Paulo/SP, alteração esta que não contém a assinatura da sócia LÚCIA nem tampouco de seu procurador WALDEMIR. sendo que, na verdade, a empresa está aberta e em atividade, no mesmo endereço que sempre ocupou, sem nenhuma intenção de encerramento. Também tomamos conhecimento, apenas nessa oportunidade, dos diversos contratos de locação (máquinas, imóveis, telefones, etc.) feitos em nome da CORDEIRO LOPES & CIA LTDA. São José/SC, em 08 de abril de 2010 LÚCIA APARECIDA LOPES DA SILVA VALDEMIR RODRIGUES DA SILVA (...) 57.11. Procuração, de 14/02/2006, foi concedida pelo sócio Rodrigo Rodrigues da Silva à Sra. Vilma Pereira de Araújo, com outorga de amplos poderes para administrar a empresa, já apresentada pelos bancos conforme acima mencionado. Referida Procuração encontrase às fls. 334 a 337. Fl. 4231DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.232 32 57.12. Acosta cópias de ações trabalhistas de exfuncionários da Cordeiro Lopes, que incluíram no polo passivo da lide a empresa Casa Verre Indústria e Comércio Ltda, de propriedade do Sr. Humberto Verre. (fls. 357/380). 57.13. Eximese completamente da responsabilidade sobre os recursos bancários questionados no último Termo de Intimação Fiscal, tendo em vista que os mesmos seriam oriundos dos contratos do Detran/SP e, portanto, gerenciados exclusivamente pelo Sr. Humberto Verre e Sras. Sônia Regina Perez Sandoval e Vilma Pereira de Araújo. 58. Asseveram os autuantes (T.V.F – fl. 628) que em relação à legitimidade da representação da empresa fiscalizada perante terceiros, a Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva permanece sócia da empresa conforme última Alteração do Contrato Social apresentada (16a. Alteração Contratual e Consolidação do Contrato Social, datada de 04/12/2009 (fls. 318/324)), sendo vasta a jurisprudência no sentido de dar validade à intimação a funcionário ou a sócio não representante legal (Acórdãos de Delegacias da Receita Federal n° 30327.309, publicado no DOU de 05/07/1993 e 20204.955, publicado no DOU de 05/11 /l 992). 59. Em razão das inúmeras intimações enviadas à sócia Vilma Pereira de Araújo terem sido devolvidas, a fiscalização obteve êxito em localizála por meio de pesquisas adicionais nos sistemas da RFB, tendo sido exarado o Termo de Intimação Fiscal Nº 04 (fl. 338 ciência pessoal do Procurador (fl. 339) em 31/10/2011), para intimar a empresa a alterar o domicílio fiscal da mencionada sócia. O Procurador recebeu, ainda, todos os termos lavrados no curso da ação fiscal. Em correspondência endereçada à RFB, de 01/11/2011 (fls. 381/383 – Anexos (fls. 384/440)), a supracitada sócia consigna que (T.V.F – fls. 628/629): 59.1. Somente ingressou no quadro social da empresa em 17/04/2009 (juntou cópia da 14ª Alteração Contratual – fls. 385/391), e portanto não poderia ser responsabilizada por atos realizados pela administração da pessoa jurídica em questão no exercício de 2008. 59.2. Em virtude de desentendimentos com a sócia minoritária (Sra. Lúcia), que entre outros fatos, “estaria se negando de forma veemente a fornecer quaisquer documentos contábeis, financeiros ou fiscais da empresa”, e no exercício dos seus poderes de sócia majoritária, transferiu a sede da empresa de Santa Catarina para o atual endereço em São Paulo (juntou cópia da Ata de Reunião, de 09/11/2009, na qual consta este fato – fls. 392/395), por meio de Alteração Contratual (juntou cópia da 16ª Alteração Contratual às fls. 396/402), de 09/11/2009, e que somente a partir deste momento passou a ter pleno controle sobre as operações e os documentos contábeis e fiscais da empresa fiscalizada. 59.3. A Sra. Lúcia, inconformada com a transferência da sede da empresa, teria impetrado na comarca de São José/SC, uma Ação Anulatória de Contrato Social, na tentativa de reverter esta última alteração (anexou cópia da petição inicial desta Ação – fls. 403/408). 59.4. Fica demonstrado que embora seja a representante legal da empresa, não há como fornecer os documentos, informações e comprovações solicitadas por meio dos Termos de Intimação até então lavrados, e requer que o procedimento fiscal seja voltado à Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva, que era a representante legal e administradora da empresa no ano de 2008. Informa que a empresa já foi fiscalizada pela Receita Federal do Brasil em relação ao ano calendário 2007, sendo lavrados à época 4 autos de infração (cópia às fls. 409/440), sendo que o auditorfiscal acatou os esclarecimentos e as justificativas da Sra. Vilma Pereira, voltandose para a Sra. Lúcia Aparecida. Fl. 4232DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.233 33 60. Efetuada consulta no sistema Comprot da RFB constatouse que a lavratura de vários AI pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (IRPJ e reflexos, e IRRF), objeto do processo 11516.003373/201029, no qual se verifica, em seu Termo de Verificação Fiscal e Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 741/795 do mencionado processo), que a Sra. Vilma Pereira de Araújo foi arrolada como responsável tributária solidária, em contraponto ao que ela afirma. 61. Assevera a fiscalização que foi apresentada pelos Bancos Nossa Caixa e Bradesco Procuração, datada de 14/02/2006 (com vigência até 09/01/2010, reproduzida acima), dos sócios à época (Lúcia Aparecida Lopes da Silva e Rodrigo Rodrigues da Silva), com outorga de poderes amplos, gerais e ilimitados a Vilma Pereira de Araújo, para gerir e administrar a empresa outorgante (T.V.F – fl. 626). 62. Os autuantes não aceitaram os esclarecimentos e justificativas da Sra. Vilma Pereira de Araújo, de que não era sócia nem administradora da empresa fiscalizada à época dos fatos, e não estaria com a posse dos documentos até então solicitados, haja vista as informações e documentos até então obtidos, que contradizem os fatos relatados, tais como Procuração com outorga de amplos poderes à Sra. Vilma para administrar a empresa desde 2006 e a assinatura da Sra. Vilma Pereira de Araújo aposta em vários cheques emitidos pela Cordeiro Lopes no decorrer de 2008, bem como solicitações de transferências (fls. 3331 a 3428). 63. Termo de Intimação Fiscal Nº 05 (fl. 441 – ciência pessoal do Procurador da Sra. Vilma Pereira de Araújo em 23/11/2011) foi lavrado para intimar a contribuinte ao atendimento de todos os itens requeridos nos Termos de Intimação Fiscal anteriores, bem como comprovar a origem dos valores depositados/creditados em suas contas bancárias, conforme relação anexa ao T.I.F (fls. 442 a 495). Em carta dirigida à fiscalização, recebida em 16/12/2011 (fl. 496), a contribuinte afirmou que “Após concentrar esforços no sentido de reunir a documentação exigida pelo Sr. AuditorFiscal e não obter sucesso, vem a requerente neste ato, reiterar tudo que foi alegado em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 04 (...)”(grifos acrescidos). 64. Assevera a fiscalização (T.V.F – fl. 629) que a Sra. Vilma não atualizou o endereço do seu domicílio fiscal junto ao cadastro da RFB, sendo que informações obtidas em pesquisas, e confirmadas posteriormente com o recebimento de correspondências, registram que o novo endereço da Sra. Vilma seria Rua Nagasaki, 165, Vila Maria Alta, São Paulo/SP. 65. Ofício foi enviado ao Diretor do Departamento de trânsito do Estado de São Paulo (Detran/SP – fl. 497 – ciência em 11/07/2012 – fl. 498), com solicitação das datas e valores efetivamente pagos à empresa fiscalizada no decorrer do anocalendário 2008, em decorrência de contratos de fornecimento de produtos (placas, tarjetas) e prestação de serviços (emplacamento, lacração, etc) celebrados com o retrocitado Órgão. Resposta, de 10/09/2012, encontrase às fls. 499/513, acompanhada de Planilha às fls. 502 a 513. 66. O Detran/SP encaminhou uma relação individualizada de todas as Notas Fiscais (fls. 648 a 660) de venda de mercadorias e serviços emitidas pela Cordeiro Lopes & Ltda em 2008. Os documentos fiscais estão distribuídos em 09 Contratos (n°s 01 a 09), todos oriundos do Pregão n° 20/2005 do Detran/SP, realizado em 04/01/2006, em cujo Anexo II do Edital era subdividido o escopo de fornecimento de materiais e serviços em 9 lotes/regiões que abrangem o interior do Estado de São Paulo (cópia do contrato referente ao Lote 09 encontrase às fls. 561 a 574). O valor total da receita auferida com estes contratos no anocalendário de 2008 foi de R$ 33.552.754,77, conforme discriminação a seguir, recebidos Fl. 4233DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.234 34 exclusivamente por meio do Banco Nossa Caixa, Agência 374, c/c 27961 (os pagamentos eram realizados por meio do SIAFEM (Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios) e lançados nos respectivos extratos bancários): 67. Asseveram os autuantes, no Termo de Verificação Fiscal (fl. 631), importante consideração acerca da justificativa para a origem dos créditos bancários constatados nas contas bancárias da empresa: O contribuinte fiscalizado, através das suas sócias atuais, foi intimado e reintimado diversas vezes (TIF n°s 03, 04 e 05) a comprovar a origem dos depósitos bancários relacionados nos respectivos anexos das intimações. Estes depósitos como já mencionado, foram obtidos dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras (obtidos através de RMFs), excluídos os valores resultantes de transferências entre contas de mesma titularidade, empréstimos, estornos e valores inferiores a R$ 1.000,00. As sócias em suas respostas, em total contradição entre si, atribuíram uma a outra a posse destes documentos comprobatórios e responsabilidade sobre a movimentação financeira do período, sendo que nenhuma delas apresentou qualquer esclarecimento/documento referentes aos créditos à comprovar. Como vimos no quadro acima, a conta do banco Nossa Caixa, Agência 374 de n° 27961, era utilizada exclusivamente para o recebimento dos pagamentos do DETRAN/SP, em função dos produtos vendidos e serviços prestados àquele Órgão. Portanto, a fonte e Fl. 4234DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.235 35 razão dos créditos lançados nesta C/C estão esclarecidos.(negritos acrescidos) 68. Em relação às demais contabancárias, sem vinculação de créditos bancários com o Contrato/Detran/SP, a fiscalização constatou o montante de R$ 12.808.932,12 (Quadro explicativo à fl. 632). 69. Tendo em vista que nenhuma resposta, esclarecimento ou documento para comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes consta no processo, os valores creditados em contas bancárias da contribuinte cujas origens não foram comprovadas foram considerados não escriturados, constando relação completa dos mesmos às fls. 661 a 725, bem como a totalização mensal em quadro às fls. 630 e 632, destacandose que a recorrente foi receptora de créditos bancários, no anocalendário 2008, no valor de R$ 46.361.686,89, tendo declarado receita bruta de R$ 12.698.500,62 em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (anocalendário 2008 – fls. 213/228 e fl. 631). 70. Em razão de os valores pagos pelo Detran/SP terem sido creditados exclusivamente no Banco Nossa Caixa (Agência 374, c/c 27961), a autuação foi subdividida em Omissão de Receita por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada (base de cálculo: 12.808.932,12), Receita da Atividade – Receita Bruta na Venda de Mercadorias (R$ 11.713.544,72), e Receita da Atividade Receita Bruta na Prestação de Serviços em Geral (base de cálculo: R$ 21.839.210,05 – fls. fls 630/632 e 762/764). 71. Termo de Verificação foi lavrado (ciência da contribuinte e dos responsáveis solidários juntamente com os AI – vide Relatório), com esclarecimento de todas as fases do procedimento fiscal e fundamentação legal pertinente (fls. 621 a 647), acompanhado de anexos (Planilhas) às fls. 648 a 758. Vejase, assim, que o primeiro ponto a ser examinado diz respeito à omissão de receitas com base em depósitos bancários cujas origens a Recorrente, devidamente intimada, no entender da Fiscalização, deixou de comprovar. 2.1 OMISSÃO DE RECEITAS A Recorrente é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Fl. 4235DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.236 36 A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Fl. 4236DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.237 37 Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A Recorrente foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente. Para a turma julgadora de primeira instância, não houve comprovação da origem dos créditos em suas contas, uma vez que meras alegações não possuem o condão de comprovar a origem dos valores depositados ou creditados em suas contas bancárias. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Desta forma, observandose os critérios estabelecidos na legislação de regência, e intimado o contribuinte a se manifestar sobre os valores que restaram incomprovados, compete ao contribuinte e não ao fisco, provar a origem de cada um dos depósitos questionados se quiser eximirse da exação ou, caso fique constatada sua origem tributável, que os respectivos valores foram oferecidos à tributação. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido dispõe os art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 4237DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.238 38 Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – Fl. 4238DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.239 39 IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) De acordo com o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a autoridade administrativa encontrase submetida ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de examinar outras questões como as suscitadas pelo Contribuinte em seu recurso, uma vez que às autoridades tributárias cabe aplicar a lei e obrigar seu cumprimento. O princípio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria. Por fim, cabe ressaltar que o tema já foi pacificado no âmbito do processo administrativo fiscal com a edição da Súmula 26 do CARF, a seguir transcrita: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” A respeito da Súmula 182 por vezes citadas pelos recorrentes, convém ressaltar, primeiramente, que não foi expedida por qualquer Tribunal Regional Federal, mas sim pelo extinto Tribunal Federal de Recursos. Ademais, referiase à legislação já revogada (art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90), portanto, não aplicável ao art. 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 4239DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.240 40 Desse modo, como bem asseverou a decisão recorrida: 86. Assim, caracterizada a receita omitida, os lançamentos foram corretamente e motivadamente realizados e os respectivos créditos tributários devem ser mantidos. Desta forma, os lançamentos não são nulos ou devem ser anulados. Ao contrário, são totalmente eficazes e legais, pois estão baseados em fatos constatados e demonstrados e em legislação plenamente vigente. 87. Como dos autos se infere, a autoridade lançadora fez aquilo que o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 lhe atribuía como responsabilidade: constatada a manutenção de contas bancárias com expressiva movimentação (no presente caso, R$ 46.361.686,89, diante de receita bruta informada na DIPJ de R$ 12.698.500,62), intimoua a comprovar a origem de créditos efetuados em conta bancária. 88. Diante da falta de comprovação da origem dos mesmos depósitos bancários, o auditor fiscal não teve outra escolha senão formalizar o lançamento de omissão de receitas com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. No que se relaciona à parcela apurada pelas informações disponibilizadas em razão do Contrato/Detran, com indicação de origem na atividade operacional da empresa (receita de venda de produtos e de prestação de serviços), a omissão de receita foi apurada pela via direta, baseados nas próprias notas fiscais emitidas por CORDEIRO LOPES. Identificados os depósitos bancários correspondentes, não se tributou tais valores com base na presunção legal estampada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, mas sim como omissão de receita direta, baseada nos próprios elementos de prova em que se baseia. Ante o exposto, confirmase a omissão de receita apontada pelo Fisco. 2.2 ARBITRAMENTO DE LUCROS No que toca ao arbitramento de lucros, a Recorrente, optante pelo lucro presumido, intimada a apresentar escrituração contábil ou livro caixa, deixou de fazêlo. Sobre as obrigações acessórias das pessoas jurídicas optantes pela tributação com base no lucro presumido, assim dispõe o artigo 527 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; Fl. 4240DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.241 41 III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Assim, tendo em vista que a empresa deixou de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de sua escrituração contábil e/ou livro caixa, não há como se manter a apuração do montante tributável no regime do lucro presumido, restando perfeita a conclusão da autoridade autuante, confirmada pela decisão recorrida, ao aplicar ao caso o art. 530, inciso III, do RIR/1999: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; [...] Conforme se observa, não há que se falar em qualquer nulidade em relação aos procedimentos adotados. 2.2 DOS COOBRIGADOS Inicialmente, convém transcrever o contexto da responsabilidade tributária atribuído pela autoridade autuante, utilizandose excerto do voto condutor do aresto recorrido: 93. A partir da análise dos cheques, TED e transferências debitados das contascorrentes da empresa fiscalizada, apresentados pelas instituições financeiras em atendimento às RMF (fls. 872 a 2197), a fiscalização constatou a existência de algumas empresas beneficiárias de grande parte dos recursos provenientes das contascorrentes da autuada (relação dos repasses às fls. 726 a 735, e comprovantes dos repasses às fls. 1864 a 2197): Casa Verre Indústria e Comércio Ltda (CNPJ 61.287.686/000138), Santa Izabel Administração e Participações Ltda (CNPJ 03.665.035/000138), Ecosena – Oficina de Equipamentos Ltda (CNPJ 03.333.178/000142), Tecnocom – Negócios e Participações – EPP (CNPJ 03.724.327/000102) e Inversora Moonlight Ltda (CNPJ 66.868.845/000101), sendo que as duas primeiras apresentam como Fl. 4241DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.242 42 sócio majoritário o Sr. Humberto Verre (CPF 005.013.36834) e possuem o mesmo domicílio fiscal (Rua Itanhaém, 538, Vila Prudente, São Paulo/SP). 94. Os autuantes ainda constataram, em relação às duas primeiras empresas, que para elas era repassado grande parte dos recursos pagos pelo Detran/SP, na mesma data do depósito efetuado por este Órgão Público Estadual. Os recursos eram depositados pelo Detran na contacorrente do banco Nossa Caixa (Ag. 374 C/C 27961), transferidos na mesma data para duas contascorrentes no Banco Bradesco de titularidade da própria Cordeiro Lopes (Ag.165 e C/Cs 98185 e 98200), e finalmente transferidos para contascorrentes das empresas Casa Verre Indústria e Comércio Ltda e Santa Izabel Administração e Participações Ltda, conforme Quadro indicado à fl. 633. 95. Intimação Fiscal (nº 201129586 fls. 3287/3291 – ciência por AR em 19/10/2011 – fl. 3292) foi lavrada para intimar a empresa Casa Verre Indústria e Comércio Ltda a apresentar documentação hábil e idônea (Nota Fiscal, Duplicata, Nota Promissória, Recibo, etc), que justificasse o recebimento dos recursos discriminados na I.F., assim como a identificação da pessoa que representava o contato com a Cordeiro & Lopes. 96. Intimação Fiscal (nºs 201129543 fls. 3313/3314 – ciência por AR em 19/10/2011 – fl. 3315) foi lavrada para intimar a empresa Santa Izabel Administração e Participações Ltda a apresentar documentação hábil e idônea (Nota Fiscal, Duplicata, Nota Promissória, Recibo, etc), que justificasse o recebimento dos recursos discriminados na I.F., assim como a identificação da pessoa que representava o contato com a Cordeiro & Lopes. 97. Em resposta recepcionada em 10/11/2011 (fl. 3293) as retrocitadas empresas consignaram que: (...) Assunto: Intimação Fiscal nº 2011011977 Intimação Fiscal nº 2011029543 Intimação Fiscal nº 2011029586 Prezados Senhores, Os documentos necessários e suficientes à análise da contabilidade foram todos entregues. Ante a solicitação da presente intimação fiscal, tratase, supostamente, de informações adquiridas por meio de contas bancárias. Sendo assim, a empresa preservase no seu direito de não se manifestar a respeito dessas informações, por entender que houve afronta ao seu sigilo bancário. Entretanto, a fiscalizada está diligenciando no sentido de tentar esclarecer os questionamentos. Com relação à intimações fiscais nº 2011029543 e 201129586, segue anexa movimentação fiscal relacionada aos recurso recebidos pela empresa Cordeiro &Lopes Cia Ltda.(grifos acrescidos). 98. Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal Nº 02 (fls. 3294/3295 e 3320/3321 ciência por AR em 05/12/2011 – fls. 3296 e 3322) foi exarado para registro de que: Fl. 4242DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.243 43 98.1. A documentação fornecida foi insuficiente para o atendimento do pleito da fiscalização, em razão de as Notas Fiscais de Vendas totalizarem R$ 2.518.225,75, enquanto as transferências da Cordeiro Lopes somaram R$ 23.286.110,18 para a Casa Verre e R$ 11.805.000,00 para a Santa Izabel. 98.2. Não foi efetuada a correlação entre as Notas Fiscais apresentadas e os respectivos recebimentos, tornando impossível identificar as Notas Fiscais como origem dos pagamentos. 98.3. Na cartaresposta foi informado que as Notas Fiscais apresentadas, todas emitidas pela Casa Verre Indústria e Comércio Ltda (relação às fls. 736 a 754), também comprovariam os pagamentos da Cordeiro Lopes para a empresa Santa Izabel Administração e Participações Ltda, sem esclarecimento do motivo destes pagamentos e quais Notas Fiscais estariam relacionadas a estes pagamentos. 98.4. Na sequência, as supracitadas empresas foram reintimadas a apresentar a documentação e os esclarecimentos já requeridos na intimação anterior (fls. 3294/3295 e 3320/3321 – ciência por AR em 05/12/2011 – fls. 3296 e 3322). Assevera a fiscalização que nenhum documento ou novo esclarecimento foi apresentado (T.V.F – fl. 634). 99. Intimações Fiscais foram emitidas para as empresas Tecnocom – Negócios e Participações – EPP (fls. 3249/3250 – ciência por AR em 19/10/2011), Inversora Moonlight Ltda (fls. 3264/3265 – ciência por AR em 27/12/2011 (fl. 3270) e 23/12/2011 (fl. 3271)) e Ecosena – Oficina de Equipamentos Ltda (fls. 3301/3302 – ciência por AR em 20/10/2011 – fl. 3303) para intimálas apresentar documentação que amparasse os recebimentos da Cordeiro Lopes. Em respostas informaram que não encontraram em seus Livros e documentos os registros dos cheques recebidos da Cordeiro Lopes (fls. 3259, 3284 e 3305/3306). 100. A fiscalização resumiu o resultado das diligências no Quadro a seguir: Do Uso de Interposta Pessoa (T.V.F – fls. 635 a 638). 101. Em razão dos fatos expostos os autuantes concluíram acerca da existência de fortes indícios que a empresa Cordeiro & Lopes Cia Ltda foi utilizada para encobrir a(s) identidade(s) do(s) real(ais) beneficiários dos Fl. 4243DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.244 44 recursos financeiros oriundos dos contratos firmados com o Detran/SP (001 a 009/2006), resultantes da licitação referente ao Pregão 20/2005. Esses reais beneficiários seriam o Sr. Humberto Verre e suas empresas Casa Verre Indústria e Comércio Ltda e Santa Izabel Administração e Participações Ltda. 102. Como já visto, por meio de declaração prestada pela sócia Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva ao Fisco Estadual de São Paulo, em 08/04/2010, apresentada em anexo às cartas datadas de 06/05/2011 e 01/11/2011, no final do ano 2005, a empresa tinha como sócios ela e o seu filho Rodrigo Rodrigues da Silva, e era administrada de fato pelo Sr. Valdemir Rodrigues da Silva, seu marido, que celebrou um acordo com o Sr. Humberto Verre, no qual seria cedido o nome da empresa Cordeiro Lopes para participação de licitação junto ao Detran/SP (edital de pregão presencial n° 20/2005, procedimentos n° 258.4816/2005 de 14/02/2006). 103. Aceito o acordo, foi elaborada Procuração outorgando poderes ilimitados à Sra. Vilma Pereira de Araújo (funcionária à época da Casa Verre) para administrar a Cordeiro Lopes. Ainda segundo a Sra. Lúcia, a partir daquele momento, todo o relacionamento com o Detran/SP era efetuado pela Sra. Vilma e pela Sra. Sônia Regina Perez Sandoval (outra funcionária da Casa Verre), sempre sob o comando do Sr. Humberto Verre. 104. Ainda foi relatado pela Sra. Lúcia que vencido o processo licitatório, firmouse os contratos da Cordeiro Lopes com o DETRAN/SP, sendo os atos deste totalmente geridos pela Casa Verre. 105. Em virtude deste contrato a Cordeiro Lopes teria aberto várias filiais no Estado de São Paulo, no intuito de cumprir as exigências do Detran, sempre sob a administração de fato do Sr. Humberto Verre. 106. Vários imóveis, máquinas e equipamentos foram locados pelo Sr. Humberto Verre, em nome da Cordeiro Lopes, através da procuradora da empresa, a Sra. Vilma. 107. Os talonários de notas fiscais da Cordeiro Lopes eram enviados para São Paulo, para a emissão de notas fiscais de venda de mercadorias e prestação de serviços junto ao Detran/SP e outros clientes. Conforme a Sra. Lúcia, estas notas seriam preenchidas por funcionários da Casa Verre. 108. Como já mencionado, nas mesmas cartas de 06/05/2011 e 01/11/2011, a Sra. Lúcia juntou cópia de um documento denominado "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso", assinados por ela, Valdemir Rodrigues da Silva, Rodrigo Rodrigues da Silva, Humberto Verre e Vilma Pereira de Araujo, no qual, em linhas gerais, acordaram que a empresa Cordeiro Lopes seria dividida em 2 partes: A primeira, compreendida pelo estabelecimento matriz, localizado em Santa Catarina, ficaria sob responsabilidade de Valdemir Rodrigues da Silva e a segunda, integrada pelas demais filiais localizadas no Estado de São Paulo, estaria sob responsabilidade de Humberto Verre. Cada uma destas pessoas ficariam responsáveis por todos os compromissos de natureza social, comercial, financeira e bancária dos negócios referentes aos respectivos estabelecimentos a eles atribuídos. (Cláusulas 6 e 8 do documento). 109. Também, conforme esse documento, na sua cláusula 8.1, o Sr. Humberto Verre ficaria responsável por todos os compromissos sociais assumidos pela empresa fiscalizada destinados a atender o contrato com o Detran/SP edital n° 20/2005, datado de 14/02/2006, cujas obrigações e resultados a ele pertenciam, desde a assinatura desse mencionado contrato, Fl. 4244DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.245 45 sejam eles de natureza comercial, tributária, fornecedores, bancos, agentes financeiros e seguradoras. 110. Ainda consta nesse mencionado contrato, em sua cláusula 8.V, que os subscritores declaram e assumem total responsabilidade, sob perdas e danos, que o presente "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso" não poderia, em hipótese alguma, ser divulgado a terceiros, sejam eles quem forem, devendo ser mantido em sigilo comercial entre as partes. 111. Corroborando todos estes fatos foi apresentada Denúncia Crime contra os Srs. Humberto Verre, Rodrigo Rodrigues da Silva, Lúcia Aparecida Lopes da Silva, Valdemir Rodrigues da Silva, Vilma Pereira de Araújo entre outros, pelo Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público do Estado de São Paulo, pelos crimes de Fraude em Licitação e Formação de Quadrilha (fls. 3517/3541). 112. Resumidamente, esta peça denuncia que o grupo chefiado pelo Sr. Humberto Verre fraudou, mediante ajuste, o caráter competitivo do procedimento licitatório do Pregão n° 20/2005 do Detran/SP, fazendoo com o intuito de obter vantagem decorrente da adjudicação do objeto de licitação. 113. Esta licitação visava a contratação de empresas para a fabricação, entrega, depósito, estocagem, guarda e fornecimento de placas e tarjetas identificatórias de veículos automotores e outros tracionados e prestação de serviços de mão de obra para emplacamento, lacração e relacração, abrangendo todas as unidades de trânsito do Estado de São Paulo. 114. Consta que nesta licitação 05 empresas participantes, que incluíam a Casa Verre e a Maxi Placas, de propriedade do Sr. Humberto Verre, ajustaram os seus preços de forma a possibilitar a vitória, neste processo, da empresa Centersystem Indústria e Comércio Ltda para o lote 10 (relativo à área da Capital), e da empresa Cordeiro Lopes para os lotes 01 a 09 (relativos às demais áreas do Estado de São Paulo). 115. Consta, ainda, que a empresa Cordeiro Lopes, após sairse vencedora da licitação, "cedeu", no dia 10/01/2006, o objeto da licitação ao Sr. Humberto Verre e sua esposa Heloísa Verre, quando da celebração de um "pacto secreto" (apreendido em decorrência de Mandado de Busca e Apreensão na Casa Verre) com Rodrigo Rodrigues da Silva, Lúcia Aparecida Lopes da Silva e Valdemir Rodrigues da Silva. Este "pacto secreto" ao que tudo indica seria o já mencionado "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso" apresentado a esta fiscalização pela própria Sra. Lúcia Aparecida. 116. Este grupo também foi denunciado por fraude na execução dos contratos n°s 01/06 a 09/06, decorrentes do Pregão n° 20/2005 do Detran/SP, devido ao superfaturamento no fornecimento de mercadorias e serviços consignados nos relatórios mensais elaborados pelo grupo e apresentados à Divisão de Administração do Detran. 117. Finalmente este grupo foi denunciado por se associar em quadrilha ou bando para o fim de cometer os crimes mencionados. 118. Além das pessoas associadas ao grupo do Sr. Humberto Verre, foram também alvo desta denúncia inúmeros Delegados da Polícia Civil que ocupavam cargos de direção e administração do Detran/SP, por participação nos crimes em questão. 119. Também foi constatado, nas diligências efetuadas nas empresas beneficiárias dos recursos transferidos pela Cordeiro Lopes, no decorrer do ano Fl. 4245DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.246 46 2008, que cerca de 80% de todos os créditos recebidos pela empresa fiscalizada, seja do Detran/SP ou de outros clientes, eram repassados às empresas Casa Verre e Santa Izabel. No caso dos créditos efetuados pelo Detran/SP, mais de 70% desses recursos eram transferidos para as duas empresas no mesmo dia do pagamento pelo Órgão Público Estadual, após transitarem por contascorrentes de titularidade da Cordeiro Lopes junto aos bancos Nossa Caixa e Bradesco. 120. Nas diligências efetuadas nas duas empresas beneficiárias, dos R$ 35.091.110,18 repassados pela Cordeiro Lopes, aquelas justificaram apenas R$ 2.518.225,75, que seriam oriundos de vendas mercadorias da Casa Verre para esta última. Este valor foi comprovado através de apresentação de notas fiscais de emissão da Casa Verre. Em relação aos restantes R$ 32.572.884,43, nada foi esclarecido. 121. Constatouse que ambas empresas beneficiárias eram controladas por Humberto Verre e sua família, conforme quadros societários reproduzidos abaixo: 122. Conforme Contratos Sociais apresentados no decorrer das diligências, fichas cadastrais da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) e informações obtidas no cadastro do sistema CNPJ da RFB, documentos que foram acostados ao presente processo, o Sr. Humberto Verre consta como sócio administrador em ambas as empresas. 123. Outro indício da utilização da empresa Cordeiro Lopes como interposta pessoa do Sr. Humberto Verre e suas empresas, seria o próprio endereço da empresa fiscalizada. O domicílio fiscal da Cordeiro Lopes, como já identificado acima, seria a Rua Itanhaém, 513, Vila Prudente, São Paulo/SP. Já os endereços da Casa Verre e Santa Izabel seriam na mesma rua, porém no n° 538 (mais precisamente, o endereço da Santa Izabel seria na "sala 1" do n° 538). Os imóveis estão localizados um de frente ao outro, bastando cruzar a rua Itanhaém para se deslocar entre eles. O próprio Sr. Humberto Verre tem por domicílio fiscal junto à RFB o seguinte endereço: Av. Salim Farah Maluf, Fl. 4246DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.247 47 6236. Neste endereço está localizada a portaria principal da empresa Casa Verre, cujo terreno, ao fundo, alcança a Rua Itanhaém, 538. 124. Foram apresentados pela Sra. Lúcia várias reclamações trabalhistas contra a empresa Cordeiro Lopes, com registro, no pólo passivo da lide, da empresa Casa Verre. Por exemplo, na reclamação movida por Mariela Yoshie, exfuncionária da Cordeiro Lopes, foi ratificado um acordo, no qual a empresa Casa Verre assume os débitos trabalhistas com a primeira empresa (Ata de Audiência do dia 23/08/2010 Processo 0070520101011599). 125. Assim, o conjunto probatório indica ocorrência de um esquema fraudulento de simulação. Este negócio simulado consistia na utilização da empresa Cordeiro Lopes para vencer licitações, realizar negócios com o Detran/SP e sonegar tributos, porém, o desenvolvimento das atividades era realizado com a estrutura (maquinário, imóveis), funcionários e exfuncionários da empresa Casa Verre. No esquema fraudulento, conforme documento assinado de próprio punho, os papéis de cada um seriam: o Sr. Humberto Verre, como mentor e principal beneficiário do esquema, Vilma Pereira de Araújo, como procuradora e administradora de fato da Cordeiro Lopes, e a Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva e família (Valdemir Rodrigues da Silva (marido) e Rodrigo Rodrigues da Silva (filho)) como "laranjas" (remunerados como se verá a seguir) e administradores do estabelecimento da Cordeiro Lopes de São José/SC. Este "acordo secreto", formalizado por meio do documento denominado "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso", seria o próprio negócio dissimulado, ou seja, o negócio efetivamente pretendido pela vontade de todas as partes envolvidas. 126. Desta forma ficou, comprovada através de inúmeras provas documentais e testemunhais, a utilização da Cordeiro Lopes como interposta pessoa do Sr. Humberto Verre e de suas empresas, que eram os efetivos gestores e beneficiários dos negócios por ela realizados no decorrer do ano de 2008. Dissolução Irregular da Pessoa Jurídica. 127. A empresa Cordeiro Lopes & Cia Ltda promoveu em 09/11/2009 a sua 16a. Alteração Contratual. Neste documento, na sua cláusula VIII, a empresa alterou a sua sede, que estava, até então, localizada na Av. Josué de Bernardi, 110 Sala Lateral 03, Bairro Campinas, São José/SC, para o endereço onde estava localizada, até então, a sua Filial I (Rua Itanhaém nº 513, Bairro Vila Prudente, São Paulo/SP). Ainda, no parágrafo único desta cláusula, ficou determinado que as atividades da empresa em Santa Catarina seriam imediatamente encerradas. 128. Por outro lado, como consignado no Termo de Constatação Fiscal, lavrado em 07/04/2011, a fiscalização verificou, pessoalmente, que este estabelecimento da empresa, único não baixado voluntariamente, se encontrava fechado e sem atividade. Isto foi confirmado pelos correios tendo em vista que a correspondência enviada para aquele endereço retornou com o aviso “Mudou se”. 129. Entretanto, o cadastro da empresa junto à RFB encontrase na situação Baixada de Ofício, desde 13/09/2011, pelo motivo Inexistente de Fato. Este procedimento de baixa de ofício foi formalizado por meio do processo n° 11516.003546/201017, protocolizado no decorrer de ação fiscal, nessa própria empresa, referente ao ano calendário 2007, conduzida pela DRF/Florianópolis. Fl. 4247DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.248 48 130. Constatouse, também, que a empresa deixou de apresentar as seguintes declarações à RFB, a que estava obrigada: DIPJ a partir do ano calendário 2009, DCTF a partir de 03/2010 e DACON a partir de 04/2010. 131. A fiscalização assinala que os contratos celebrados entre o Detran/SP e a empresa Cordeiro Lopes, objeto da criação de todo este esquema fraudulento, foi rescindido em 12/02/2010 (vide Rescisão Contratual e Imposição de Sanções n° 557/2010 – fls. 595/601). A Cordeiro Lopes impetrou Mandado de Segurança contra esta decisão, cujo pedido não foi acolhido pela 5a. Vara da Fazenda Pública da Comarca de São Paulo (fls. 602/605). 132. Registrese que a sócia majoritária e, atualmente, única sócia administradora da empresa Sra Vilma Pereira de Araújo , está com o endereço do seu domicílio fiscal desatualizado, e mesmo após intimada e reintimada pelos Termos n°s 04 e 05, a regularizar esta situação, nenhuma providência tomou neste sentido. 133. As atuais sócias – Sras. Vilma e Lúcia, se eximiram da responsabilidade pelas operações da empresa no ano calendário 2008, imputando a administração dos negócios, nessa época, uma à outra, sendo que nenhuma delas apresentou a esta equipe fiscal qualquer livro e/ou documento contábil/fiscal solicitado. 134. Em consultas aos sistemas DOI e RENAVAM, nenhum imóvel ou veículo de propriedade da contribuinte foi localizado. 135. Por todos os argumentados apresentados, concluise que está perfeitamente caracterizada a dissolução irregular da empresa Cordeiro Lopes. [...] 141. Caracterizada a utilização da empresa Cordeiro Lopes & Cia Ltda como interposta pessoa, a sonegação fiscal apurada e a posterior dissolução irregular dessa empresa, cabe a responsabilização solidária pelos créditos tributários ora constituídos das seguintes pessoas físicas e jurídicas: Humberto Verre, Casa Verre Indústria e Comércio Ltda, Santa Izabel Administração e Participações Ltda, Vilma Pereira de Araújo, Lúcia Aparecida Lopes da Silva, Valdemir Rodrigues da Silva e Rodrigo Rodrigues da Silva. 142. Os fatos e condutas atribuídos a cada um dos responsáveis estão discriminados nos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária de n°s 01 a 07 (fls. 825/871), lavrados simultaneamente com o Termo de Verificação Fiscal: Termo de Sujeição Passiva Solidária – Sr. Humberto Verre (fls. 825/831). 143. Em razão de todo o exposto ficou comprovada, por meio de inúmeras provas documentais e testemunhais, a utilização da Cordeiro Lopes como interposta pessoa do Sr. Humberto Verre e de suas empresas, que eram os efetivos gestores e beneficiários dos negócios por ela realizados no decorrer do ano de 2008. Durante este período o Sr. Humberto Verre foi o principal interessado e beneficiário nas vendas de mercadorias e serviços da Cordeiro Lopes ao Detran/SP, fatos geradores da obrigação principal, cujo ocultação fez surgir o crédito tributário decorrente desta ação fiscal. Além disso, ficou demonstrado que o Sr. Humberto Verre teve participação ativa na administração do sujeito passivo no período fiscalizado, cuja prova mais contundente seria o documento "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso", verdadeira confissão, assinada pelo próprio Sr. Humberto Verre, sobre o seu papel central na idealização, implementação e gerenciamento Fl. 4248DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.249 49 deste esquema fraudulento de utilização da empresa Cordeiro Lopes como interposta pessoa. 144. Assim, restou caracterizada a sujeição passiva solidária do Sr. Humberto Verre pelos créditos constituídos no presente processo administrativo fiscal (nº 19515722729/201219), nos termos dos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (negritos acrescidos) 145. O sr. Humberto Verre é o administrador de fato da Cordeiro Lopes (art. 135, inciso III, do CTN), com interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, conforme “Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso” (fls. 328/333). Termos de Sujeição Passiva Solidária – Casa Verre Indústria e Comércio Ltda (fls. 832/838) e Santa Izabel Administração e Participações Ltda (fls. 840/846). 146. Em de todo o exposto ficou comprovada, por meio de inúmeras provas documentais e testemunhais, a utilização da Cordeiro Lopes como interposta pessoa do Sr. Humberto Verre e de suas empresas Casa Verre e Santa Izabel, que eram os efetivos gestores e beneficiários dos negócios por ela realizados no decorrer do ano de 2008. Durante este período o Sr. Humberto Verre e suas empresas foram os principais interessados e beneficiários nas vendas de mercadorias e serviços da Cordeiro Lopes ao Detran/SP, fatos geradores da obrigação principal, cujo ocultação fez surgir o crédito tributário decorrente desta ação fiscal. 147. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária das empresas Casa Verre e Santa Izabel pelos créditos constituídos no presente processo administrativo fiscal (nº 19515.722729/201219), nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 4249DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.250 50 (...)(negritos acrescidos) Termo de Sujeição Passiva Solidária – Sra. Vilma Pereira de Araújo (fls. 847/853). 148. Como já relatado, por meio de declaração prestada pela sócia Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva ao Fisco Estadual de São Paulo, em 08/04/2010, no final do ano 2005 a empresa tinha como sócios ela e o seu filho Rodrigo Rodrigues da Silva e era administrada de fato pelo Sr. Valdemir Rodrigues da Silva, seu marido, que celebrou um acordo com o Sr. Humberto Verre, sócio majoritário e administrador da Casa Verre, no qual seria cedido o nome da empresa Cordeiro Lopes para participação de licitação junto ao Detran/SP. 149. Aceito o acordo, foi elaborada Procuração com outorga de poderes ilimitados à Sra. Vilma Pereira de Araújo (exfuncionária da Casa Verre) para administrar a Cordeiro Lopes. Ainda, segundo a Sra. Lúcia, a partir daquele momento, todo o relacionamento com o Detran/SP era efetuado pela Sra. Vilma e pela Sra. Sônia Regina Perez Sandoval (outra funcionária da Casa Verre), sempre sob o comando do Sr. Humberto Verre. 150. A Sra. Vilma possuía Procuração concedida pelos sócios da Cordeiro Lopes outorgando amplos e irrestritos poderes para administrar a empresa a partir de 14/02/2006. Esta data é a mesma da assinatura dos contratos da Cordeiro Lopes com o Detran/SP. 151. Todos os cheques emitidos pela empresa fiscalizada, referentes às contascorrentes de agências de São Paulo, abrangidos pela amostra solicitada aos bancos (acima de R$ 20.000,00), eram assinados pela Sra. Vilma (fls. 3331/3428). 152. Os documentos que autorizavam as transferências de recursos da Cordeiro Lopes para as duas empresas, obtidos junto ao Banco Bradesco, tinham o timbre da empresa Cordeiro Lopes e eram assinados pela Sra. Vilma.(fls. 3331/3428). 153. Existem fortes indícios da ocorrência de dissolução irregular da empresa Cordeiro Lopes, o que segundo jurisprudência consolidada do STJ (REsp 1104064 / RS nº 2008/02469460) caracterizaria a responsabilidade solidária dos sócios gerentes pelos créditos tributários devidos pela empresa, uma vez que foram praticados atos com infração à lei e contrato social, nos termos do inciso III do artigo 135 do CTN. No presente caso, a dissolução irregular da Cordeiro Lopes se caracteriza pelo fato do estabelecimento matriz (situado na Rua Itanhaém nº 513), como constatado no decorrer da ação fiscal, encontrarse fechado e sem atividades, e os estabelecimentos filiais terem sido encerrados, conforme alteração social registrada na Junta Comercial. Também a atual sócia administradora – Sra. Vilma não foi encontrada no domicílio fiscal cadastrado nos sistemas da RFB e não atendeu aos Termos de Intimação e Reintimação para regularizar o seu endereço perante este órgão. O descaso com as autoridades tributárias, no sentido de apurar a situação fiscal da empresa, é agravado pelo fato de nenhuma das sócias atuais (Sras. Lúcia e Vilma) ter apresentado qualquer livro e/ou documento comercial/fiscal solicitado no decorrer da ação fiscal. A empresa encontrase com a situação Baixada de Ofício no cadastro no CNPJ pelo motivo Inexistente de Fato. Fl. 4250DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.251 51 154. Em razão do exposto ficou comprovada, através de inúmeras provas documentais e testemunhais, a participação ativa da Sra. Vilma Pereira de Araújo na administração da empresa Cordeiro Lopes, atuando como Procuradora com amplos poderes para administração, representando a empresa perante bancos, inclusive assinando cheques, e órgãos públicos, tais como o Detran/SP. Teve papel fundamental na utilização da empresa Cordeiro Lopes como interposta pessoa do Sr. Humberto Verre e de suas empresas, inclusive sendo a responsável pela remessa de recursos financeiros paras as empresas Casa Verre e Santa Izabel, por meio de solicitação de transferências bancárias assinadas por ela. 155. Assim, restou caracterizada a sujeição passiva solidária do Sra. Vilma Pereira de Araújo pelos créditos constituídos no presente processo administrativo fiscal (nº 19515722729/201219), nos termos do artigo 135, incisos II e III, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto: (...) II – os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Sujeição Passiva Solidária – Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva (fls. 854/859) e Sr. Rodrigo Rodrigues da Silva (fls. 866/871). 156. Os sócios de direito do sujeito passivo à época dos fatos eram a Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva e o seu filho Sr. Rodrigo Rodrigues da Silva, conforme apurado no Contrato Social vigente à época, confirmados pela Ficha Cadastral da Jucesp (fls. 208 a 212) e nos dados cadastrais no sistema CNPJ da RFB. A Sra Lúcia. permanece sócia até a presente data. 157. Como já relatado, por meio de declaração prestada pela sócia Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva ao Fisco Estadual de São Paulo, em 08/04/2010, no final do ano 2005 a empresa tinha como sócios ela e o seu filho Rodrigo Rodrigues da Silva, e era administrada de fato pelo Sr. Valdemir Rodrigues da Silva, seu marido, que celebrou um acordo com o Sr. Humberto Verre, sócio majoritário e administrador da Casa Verre, no qual seria cedido o nome da empresa Cordeiro Lopes para participação de licitação junto ao Deran/SP. 158. Também segundo informação da própria Sra. Lúcia, após o acordo com o Sr. Humberto Verre, a empresa continuou operando sob administração da sua família (Waldemir (marido) e Rodrigo (filho)), em Santa Catarina, inclusive movimentando recursos financeiros através de contas correntes de titularidade da empresa em agências de Florianópolis/SC. Porém, em nenhum momento prestou contas destas operações, se restringindo a Fl. 4251DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.252 52 declarar que os livros e documentos contábeis e fiscais não estariam em sua posse. 159. Constatouse que esta cessão do nome da empresa não se deu a título gratuito, pois ela e seu filho Rodrigo, conforme DIPJ/2009 apresentada pela Cordeiro Lopes, apesar de, segundo ela, não participarem da administração da empresa, perceberam R$ 1.500.000,00 na qualidade de sócios, a título de distribuição de lucros, referentes ao ano calendário 2008, época em que a empresa já estaria sendo administrada pelo grupo do Sr. Humberto Verre. Cabe enfatizar que do ano 1999 até 2005, período em que a empresa era administrada, segundo a Sra. Lúcia Aparecida, apenas pela sua família, não houve a distribuição aos sócios de nenhum centavo a título de lucros (fls. 551/560). 160. Consta, ainda, que a empresa Cordeiro Lopes, após sairse vencedora da licitação "cedeu", no dia 10/01/2006, o objeto da licitação a Humberto Verre e sua esposa Heloísa Verre, quando da celebração de um "pacto secreto" (apreendido em decorrência de Mandado de Busca e Apreensão na Casa Verre) com Rodrigo Rodrigues da Silva, Lúcia Aparecida Lopes da Silva e Valdemir Rodrigues da Silva. Este "pacto secreto" ao que tudo indica seria o já mencionado "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso", apresentado à fiscalização pela própria Sra. Lúcia Aparecida. 161. Existem fortes indícios da ocorrência de dissolução irregular da empresa Cordeiro Lopes, o que segundo jurisprudência consolidada do STJ (REsp 1104064 / RS nº 2008/02469460), caracterizaria a responsabilização solidária dos sócios gerentes pelos créditos tributários devidos pela empresa, uma vez que foram praticados atos com infração à lei e contrato social, nos termos do inciso III do artigo 135 do CTN. No presente caso, a dissolução irregular da Cordeiro Lopes se caracteriza pelo fato do estabelecimento matriz (situado na Rua Itanhaém nº 513), como constatado no decorrer da ação fiscal, encontrarse fechado e sem atividades, e os estabelecimentos filiais terem sido encerrados, conforme alteração social registrada na Junta Comercial. Também a atual sócia administradora – Sra. Vilma não foi encontrada no domicílio fiscal cadastrado nos sistemas da RFB e não atendeu aos Termos de Intimação e Reintimação para regularizar o seu endereço perante este órgão. O descaso com as autoridades tributárias, no sentido de apurar a situação fiscal da empresa, é agravado pelo fato de nenhuma das sócias atuais (Sras. Lúcia e Vilma) ter apresentado qualquer livro e/ou documento comercial/fiscal solicitado no decorrer da ação fiscal. A empresa encontrase com a situação Baixada de Ofício no cadastro no CNPJ pelo motivo Inexistente de Fato. 162. Enfim, de todo o exposto ficou comprovada através de inúmeras provas documentais e testemunhais a participação ativa da Sra. Lúcia e do Sr. Rodrigo no esquema de utilização da Cordeiro Lopes como interposta pessoa do Sr. Humberto e suas empresas, cedendo conscientemente o nome de sua empresa para a prática de atos que implicaram em sonegação fiscal. Também cabe enfatizar que no período fiscalizado, segundo a "divisão da empresa", acima relatada, continuou na qualidade de sócia gerente ao lado do seu filho Sr. Rodrigo e do marido Sr. Valdemir, desenvolvendo atividades comerciais no estabelecimento localizado em Santa Catarina, para os quais, após intimada e reintimada inúmeras vezes não forneceu nenhum livro e/ou documento fiscal ou comercial para a apuração de tais operações. 163. Assim, restou caracterizada a sujeição passiva solidária da Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva e do Sr. Rodrigo Rodrigues da Silva (sócios Fl. 4252DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.253 53 administradores, conforme Ficha Cadastral na Jucesp – fls. 208/212) pelos créditos constituídos no presente processo administrativo fiscal (nº 19515.722729/201219), nos termos do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Sujeição Passiva Solidária – Sr. Valdemir Rodrigues da Silva (fls. 866/871). 164. Os sócios de direito do sujeito passivo à época dos fatos eram a Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva, esposa do Sr. Valdemir Rodrigues da Silva, e o filho deles Sr. Rodrigo Rodrigues da Silva, conforme apurado no Contrato Social vigente à época, confirmados pela Ficha Cadastral da Jucesp e dos dados cadastrais no sistema CNPJ da RFB. 165. Como já relatado, através de declaração prestada pela sócia Sra. Lúcia Aparecida Lopes da Silva (assinada igualmente pelo Sr. Valdemir) ao Fisco Estadual de São Paulo, em 08/04/2010, no final do ano 2005 a empresa tinha como sócios ela e o seu filho Rodrigo Rodrigues da Silva, e era administrada de fato pelo Sr. Valdemir Rodrigues da Silva, seu marido, que celebrou um acordo com o Sr. Humberto Verre, sócio majoritário e administrador da Casa Verre, no qual seria cedido o nome da empresa Cordeiro Lopes para participação de licitação junto ao Detran/SP. 166. Também segundo informação da própria Sra. Lúcia, após o acordo com o Sr. Humberto Verre, a empresa continuou operando sob administração da sua família (Waldemir (marido) e Rodrigo (filho)), em Santa Catarina, inclusive movimentando recursos financeiros através de contas correntes de titularidade da empresa em agências de Florianópolis/SC. Porém, em nenhum momento prestou contas destas operações, se restringindo a declarar que os livros e documentos contábeis e fiscais não estariam em sua posse. 167. Constatouse que todos os cheques emitidos pela Cordeiro Lopes, referentes à contacorrente nº 9630 (Agência 1386, de Florianópolis/SC) do Banco do Brasil, foram assinados pelo Sr. Valdemir, o que significa que a família da Sra. Lúcia continuava a administrar a empresa Cordeiro Lopes, ainda que parcialmente, no período fiscalizado, no que concerne às operações em Santa Catarina (cópias dos cheques às fls. 3429 a 3516, sendo vários tendo como beneficiária a empresa Casa Verre). 168. Consta, ainda, que a empresa Cordeiro Lopes, após sairse vencedora da licitação "cedeu", no dia 10/01/2006, o objeto da licitação a Humberto Verre e sua esposa Heloísa Verre, quando da celebração de um "pacto secreto" (apreendido em decorrência de Mandado de Busca e Apreensão na Casa Verre) com Rodrigo Rodrigues da Silva, Lúcia Aparecida Lopes da Fl. 4253DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.254 54 Silva e Valdemir Rodrigues da Silva. Este "pacto secreto" ao que tudo indica seria o já mencionado "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso", apresentado a esta fiscalização pela própria Sra. Lúcia Aparecida. 169. Enfim, de todo o exposto ficou comprovada através de inúmeras provas documentais e testemunhais a participação ativa da Sr. Valdemir e sua família no esquema de utilização da Cordeiro Lopes como interposta pessoa do Sr. Humberto e suas empresas, cedendo conscientemente o nome de sua empresa para a prática de atos que implicaram em sonegação fiscal. Também cabe enfatizar que no período fiscalizado, segundo a "divisão da empresa" acima relatada, continuou o Sr. Valdemir e sua família desenvolvendo atividades comerciais no estabelecimento localizado em Santa Catarina, em relação aos quais, após intimados e reintimados inúmeras vezes, não forneceram nenhum livro e/ou documento fiscal ou comercial para a apuração de tais operações. 170. Assim, restou caracterizada a sujeição passiva solidária do Sr. Valdemir Rodrigues da Silva pelos créditos constituídos no presente processo administrativo fiscal (nº 19515722729/201219), nos termos do artigo 135, incisos II e III, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto: (...) II – os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Defesa apresentada pelo Sr. Humberto Verre. 171. Nas questões de mérito o recorrente postula diversos pleitos, a seguir analisados pormenorizadamente: “As empresas Casa Verre e Santa Izabel não qualquer responsabilidade sobre os atos ou débitos da empresa Cordeiro Lopes & Cia Ltda.” 172. Pugna o defendente que a e empresa Casa Verre Indústria e Comércio Ltda, da qual é sócio administrador, firmou com a empresa Cordeiro Lopes um acordo para fornecimento de material e assessoria técnica, que consistia em treinamento de pessoal e orientação empresarial relacionada a melhor forma de condução dos negócios, e que não consistia ou implicava em interferência da empresa Casa Verre em qualquer contrato firmado pela Cordeiro Lopes, na parte financeira ou contábil da empresa. Registra que a empresa Santa Izabel apenas celebrou contratos de locação com a Cordeiro Lopes, de imóveis de sua propriedade ou que estavam sob sua administração. Fl. 4254DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.255 55 173. Conclui que as mencionadas empresas não tem qualquer responsabilidade sobre os atos praticados ou débitos da empresa Cordeiro Lopes. 174. Em razão do conjunto probatório acostado aos autos, está plenamente esclarecida a participação do Sr. Humberto Verre e de suas empresas Casa Verre e Santa Izabel como os reais beneficiários de todo o esquema engendrado em torno da Cordeiro Lopes, ficando sem sentido a alegação de que a relação com a Cordeiro Lopes estava ancorada em fornecimento de material e assessoria técnica. 175. Argumenta o contribuinte que o fato de os exfuncionários da Casa Verre estarem atualmente prestando serviços a Cordeiro Lopes não traz qualquer responsabilidade para o recorrente. 176. Esclareçase que as infrações fiscais constatadas não encontram associação com a relação entre exfuncionários da Casa Verre a esta empresa. 177. Assevera o interessado que os negócios da Santa Izabel estão associados ao ramo imobiliário, sendo apenas esta a relação econômica com a Cordeiro Lopes. 178. Neste quesito, igualmente não encontra guarida a assertiva do contribuinte. A Santa Izabel foi beneficiária de expressivos recursos da Cordeiro Lopes, o que plenamente justifica sua qualificação como integrante do esquema. Da inexistência de simulação. 179. Afirma o Impugnante que suas empresas jamais agiram em conluio com a empresa Cordeiro Lopes para desenvolver as atividades contratadas com o Detran/SP, simplesmente forneciam material, assessoria técnica e imóveis para que a Cordeiro Lopes pudesse cumprir seu contrato, sem realizar qualquer tipo de interferência gerencial ou monetária, se limitando a treinar as equipes e fornecer material. Acrescenta que em nenhum momento realizou ou participou de atos que geraram sucessivas transferências de recursos entre as contas, tampouco realizou qualquer ato para esconder uma suposta participação no negócio. 180. A participação das empresas Casa Verre e Santa Izabel está plenamente comprovada, como reais beneficiárias do esquema, não encontrando correspondência nos fatos a afirmação de que sua participação consistia em fornecimento de material, assessoria técnica e imóveis para que a Cordeiro Lopes. 181. Prossegue o Impugnante com registro de que a suposta simulação, mesmo que existisse, não tinha a mínima possibilidade de acarretar economia de tributos, pois, com a existência de duas ou mais empresas, a carga tributária seria maior se comparada a uma operação realizada por uma só empresa. Complementa que se o negócio tido como simulado fosse realizado diretamente entre o Detran/SP e uma de suas empresas, com certeza acarretaria uma menor incidência tributária. 182. O litígio que se examina não encontra relação com economia de tributos em processo lícito, mas entre a Cordeiro Lopes e as empresas do Impugnante, reais beneficiárias da estrutura montada que implicou em não recolhimento de tributos. 183. Pugna o defendente que não se pode justificar a responsabilização do Impugnante pelo débito de terceiro por uma suposta Fl. 4255DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.256 56 "fraude à licitação", pois esse assunto é estranho à presente discussão e deve ser julgado e apurado em vias próprias. Argumenta que os Srs. Auditores Fiscais, para justificar a alegação de simulação, utilizaramse, de forma absolutamente descabida, de alegações contidas em processo trabalhista, sendo absolutamente irrelevantes para a presente lide. 184. As questões suscitadas (fraude à licitação e processo trabalhista) apenas reforçam a ligação entre todas as pessoas e empresas na infração de natureza tributária examinada nos autos. Evidentemente, terão seguimento nas instâncias apropriadas do Poder Judiciário. 185. Assevera o interessado que os Srs. Auditores Fiscais, para atribuírem responsabilidade a ele, dizem que os negócios realizados por suas empresas com a Cordeiro Lopes são nulos e devem ser desconsiderados, com base no art. 167 do Código Civil. 186. Neste quesito, não há qualquer referência dos autuantes, seja no Termo de Verificação Fiscal, seja nos Termos de Sujeição Passiva Solidária, ao retrocitado artigo do CPC. 187. Pugna o recorrente que os valores pagos pelo Detran/SP, de acordo com o que diz o termo de Verificação Fiscal, entravam diretamente na conta bancária da empresa Cordeiro Lopes; assim, tal empresa tinha o benefício direto do dinheiro, não existindo qualquer tipo de simulação. Acrescenta que o fato de parte do dinheiro ter sido utilizado para pagamento dos acordos firmados com suas empresas não significa que o ato é simulado, pois se assim fosse todos os funcionários e prestadores de serviços da Cordeiro Lopes deveriam ser responsabilizados pelo débito, e não só o Impugnante e suas empresas, pois todos recebem frutos do contrato que a Cordeiro Lopes firmou com o Detran/SP. 188. Neste tópico, basta repisar o que já restou sobejamente esclarecido: a Cordeiro Lopes repassava diretamente às empresas Casa Verre e Santa Izabel os recursos recebidos do Detran/SP, sendo estas empresas reais beneficiárias do esquema engendrado. 189. No que se relaciona à responsabilidade pelos créditos tributários ora examinados, todos os envolvidos estão diretamente responsabilizados, consoante Termos de Sujeição Passiva Solidária. 190. Por fim, consigna o interessado que não existia qualquer tipo de impedimento para que suas empresas, se fosse o caso, participassem da licitação diretamente, sem a necessidade de utilização de outra empresa, inexistindo motivos para realizar uma simulação. 191. Não encontra guarida a assertiva do defendente. A participação da Cordeiro Lopes como única participante desviou o foco de atenção para ela, permitindo que as beneficiárias construíssem um estratagema para sonegar tributos. Os Termos de Declaração elaborados pela Sócia Minoritária e o Procurador da empresa Cordeiro Lopes são fantasiosos e serviram apenas para desviar o foco da fiscalização. 192. Argumenta o interessado que os Srs. Auditores Fiscais apontam a existência de uma carta através da qual a Sra. Lúcia e o Sr. Valdemir, sócia minoritária e procurador, respectivamente, da empresa Cordeiro Lopes (conforme consta no Termo de Verificação), atribuem responsabilidade sobre os pagamentos feitos pela empresa Cordeiro Lopes em São Paulo ao Impugnante. Fl. 4256DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.257 57 193. Acrescenta a existência de um Termo de Declaração, no qual a Sra. Lúcia e o Sr. Valdemir informam uma suposta cessão de filiais da empresa Cordeiro e Lopes para participação em licitações. 194. Sustenta que essas afirmações são absolutamente fantasiosas e não guardam qualquer relação com a verdade, e com absoluta certeza foram utilizadas apenas para desviar o foco fiscalização que estava sendo realizada na empresa Cordeiro Lopes. 195. Esclareçase, no que concerne à mencionada Carta, que realmente foi assinada apenas pela Sra. Lúcia e pelo Sr. Waldemir; entretanto, o “Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso” (fls. 328/333), de 26/03/2009, foi assinado por ela, Valdemir Rodrigues da Silva, Rodrigo Rodrigues da Silva, Humberto Verre e Vilma Pereira de Araujo, no qual acordaram que as filiais localizadas no Estado de São Paulo estariam sob responsabilidade de Humberto Verre. 196. Assim, plenamente caracterizada a responsabilidade do Sr. Humberto Verre, pois o mesmo ficaria responsável por todos os compromissos de natureza social, comercial, financeira e bancária dos negócios referentes aos respectivos estabelecimentos a eles atribuídos (Cláusulas 6 e 8 do documento). A Carta apenas corrobora o que resta consignado no documento “Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso”. “Da Impossibilidade de o Fisco desconsiderar um negócio jurídico regularmente constituído.” 197. Pugna o defendente que os negócios firmados entre ele e a Cordeiro Lopes, e entre as empresas Casa Verre e Santa Izabel e a empresa Cordeiro Lopes, são absolutamente existentes e legais, e não atos simulados, sendo que os Srs. Auditores Fiscais não poderiam desconsiderar tais atos. 198. Acrescenta que mesmo que assim não fosse, o Fisco não possui permissão legal para desconsiderar atos legais realizados pelo contribuinte, tendo em vista que a Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, que introduziu o parágrafo único ao art. 116 do CTN, com objetivo de conferir ao Fisco o poder de desconsiderar atos tidos como simulados, depende de regulamentação em lei ordinária, e não existe norma vigente regulamentando o referido dispositivo legal. Assim, conclui que tal norma é inaplicável e registra que mesmo que fosse auto aplicável, o citado dispositivo legal não teria validade, por ser inconstitucional 199. Há um erro de interpretação do requerente acerca dos negócios realizados por ele e suas empresas com a Cordeiro Lopes. A fiscalização não desconsiderou o principal instrumento que caracteriza e formaliza suas transações com a Cordeiro Lopes. Este documento, corporificado no "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso", elucida com clareza o comando dos negócios pelo Sr. Humberto Verre e suas empresas. 200. Assim, não há que se falar em aplicação do referido artigo do CTN, nem ele é citado pelos autuantes nos diversos documentos produzidos no curso do procedimento fiscal. “O Impugnante não pode ser pessoalmente responsabilizado por atos praticados pela empresa Cordeiro Lopes.” 201. Assevera o recorrente que as empresas Casa Verre e Santa Izabel não têm qualquer responsabilidade pelos débitos da empresa Cordeiro Lopes. Enfatiza que não existe qualquer razão para desconsideração da personalidade jurídica da Casa Verre, e muito menos da Santa Izabel, bem Fl. 4257DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.258 58 como a responsabilidade pessoal do Impugnante, pois tais empresas não são responsáveis pelo débito que lhes foi imputado. 202. Neste tópico, resta devidamente esclarecida a questão em razão de todo o exposto no voto, particularmente no quesito Sujeição Passiva Solidária. “Da Impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica das empresas Casa Verre e Santa Izabel.” 203. Afirma o recorrente que mesmo que se desconsidere o fato de as empresas Casa Verre e Santa Izabel não serem responsáveis pelos débitos da Cordeiro Lopes, a situação não contempla hipótese de desconsideração da personalidade jurídica. 204. Pugna, primeiramente, que os Srs. Auditores Fiscais não têm poderes para imputar responsabilidade solidária ao Impugnante, em razão do disposto no art. 50 do Código Civil, tendo em vista que a desconsideração da personalidade jurídica é ato exclusivo do juiz. 205. Assinalese que o mencionado artigo do CC aplicase às relações entre civis, ou entre estes e empresas, sendo que a imputação de responsabilidade solidária pelos autuantes encontra fulcro, como já descrito neste quesito do voto, nos artigos 124, inciso I, e 135, incisos II e III, ambos do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966), comando legal que autoriza os AFRFB a assim proceder. 206. Esclareçase que a autuação que se examina não contemplou a desconsideração da personalidade jurídica das empresas Casa Verre e Santa Izabel. 207. Na sequência, assevera que não ocorreu qualquer desvio de finalidade, em razão de os acordos firmados entre as empresas Casa Verre e Santa Izabel com a empresa Cordeiro Lopes serem absolutamente condizentes com o seu objeto social e claramente legais, constituindose em acordos para fornecimento de material e assessoria técnica para desempenho de sua atividade (Casa Verre), e contratos de locação de imóveis (Santa Izabel). 208. A questão já foi objeto de análise anteriormente. Em razão do conjunto probatório acostado aos autos, está plenamente esclarecida a participação do Sr. Humberto Verre e de suas empresas Casa Verre e Santa Izabel como os reais beneficiários de todo o esquema engendrado em torno da Cordeiro & Lopes, ficando sem sentido a alegação de que a relação com a Cordeiro Lopes estava ancorada em fornecimento de material, assessoria técnica e locação de imóveis. O "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso" elucida com clareza o comando dos negócios pelo Sr. Humberto Verre e suas empresas, com escopo bem mais amplo do que o exposto pelo Impugnante. 209. Prossegue o interessado que em matéria tributária o art. 135 do CTN só permite a responsabilização do sócio no caso de liquidação da sociedade, devendo o referido artigo ser analisado em conjunto com o art. 134, e acrescenta que tal fato não acontece no presente caso, pois tanto a empresa Casa Verre quanto a Santa Izabel continuam em plena atividade, não existindo dissolução irregular da sociedade. 210. Os Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados contra o Sr. Humberto Verre e as empresas por ele administradas (Casa Verre e Santa Izabel), cujo conteúdo já foi objeto de análise neste voto, não fazem qualquer menção ao art. 134 do CTN, tendo a responsabilidade tributária do Sr. Fl. 4258DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.259 59 Humberto Verre sido fundamentada nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, ao passo que as empresas beneficiárias (Casa Verre e Santa Izabel) foram responsabilizadas com supedâneo no art. 124, inciso I, do CTN. 211. O defendente finaliza este tópico com o argumento de que ele não pode ser responsabilizado pela suposta dissolução irregular da empresa Cordeiro Lopes, pois não é sócio de tal empresa. Acrescenta que no Termo de Verificação não existem elementos para afirmar que houve dissolução irregular da empresa Cordeiro Lopes e pugna que o simples fato de não ter conseguido realizar a intimação da empresa não significa que ela foi irregularmente encerrada (transcreve jurisprudência à fl. 3582). 212. O Termo de Verificação Fiscal é bastante contundente ao afirmar que “...por todos os argumentos apresentados, concluímos que está perfeitamente caracterizada a dissolução irregular da empresa Cordeiro Lopes”. 213. No que se relaciona ao argumento de que o simples fato de não se ter conseguido realizar a intimação à empresa não significa que ela foi irregularmente encerrada, cabe inicialmente transcrever a jurisprudência do STJ que o interessado transcreve à fl. 3582 em apoio à sua tese: (...) A mera tentativa de citação frustrada, por aviso de recebimento, bem como a irregularidade cadastral na Receita, não são suficientes à configuração da dissolução irregular, pois comprovam apenas que a empresa mudou de endereço, sem comunicar aos órgãos competentes. Precedentes do STJ Resp n°826.791, DJ:26/05/2006, Relator Ministro CASTRO MEIRA. (...). (TRF 3 AI 200903000124838, Relator: JUIZ LAZARANO NETO, SEXTA TURMA Julgamento: 30/06/2010). 214. Nos caso dos autos a dissolução irregular não foi constatada apenas por AR devolvido, mas por diligência no local, por processo regular na RFB que constatou sua inexistência de fato, por ausência de imóveis e bens em nome da empresa, e pelo fato de as atuais sócias da empresa (Sras. Vilma e Lúcia) se eximirem da responsabilidade pelas operação no anocalendário de 2008, não tendo disponibilizado qualquer Livro ou documentos para esclarecê las. “O simples fato de supostamente existir falta de pagamento do tributo não significa fraude à lei e não justifica desconsideração da personalidade jurídica.” 215. Argumenta o defendente que para a desconsideração da personalidade jurídica é necessário que exista prova clara e incontestável de que o administrador agiu com o nítido objetivo de fraudar o Fisco, não bastando a existência de simples inadimplemento, nem que se prove que a empresa não possui bens para responder pela dívida. (transcreve jurisprudência às fls. 3583 e 3584). 216. Acrescenta que no presente caso não existe qualquer prova de que o Impugnante agiu de forma fraudulenta, abusiva, com desvio de finalidade ou com excesso de poderes, e conclui que não é possível a sua responsabilização pessoal. Fl. 4259DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.260 60 217. Em razão de todo o exposto ficou comprovada, por meio de inúmeras provas documentais e testemunhais, a utilização da Cordeiro Lopes como interposta pessoa do Sr. Humberto Verre e de suas empresas, que eram os efetivos gestores e beneficiários dos negócios por ela realizados no decorrer do ano de 2008. Durante este período o Sr. Humberto Verre foi o principal interessado e beneficiário nas vendas de mercadorias e serviços da Cordeiro Lopes ao Detran/SP, fatos geradores da obrigação principal, cujo ocultação fez surgir o crédito tributário decorrente desta ação fiscal. Além disso, ficou demonstrado que o Sr. Humberto Verre teve participação ativa na administração do sujeito passivo no período fiscalizado, cuja prova mais contundente seria o documento "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso", verdadeira confissão, assinada pelo próprio Sr. Humberto Verre, sobre o seu papel central na idealização, implementação e gerenciamento deste esquema de utilização da empresa Cordeiro Lopes como interposta pessoa. 218. Assim, restou caracterizada a sujeição passiva solidária do Sr. Humberto Verre pelos créditos constituídos no presente processo administrativo fiscal (nº 19515722729/201219), nos termos dos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. “Para responsabilização pessoal do sócio devese primeiro buscar bens da pessoa jurídica.” 219. Assevera o recorrente que mesmo que existisse possibilidade de responsabilização pessoal do sócio, é necessário que exista esgotamento na busca de bens da sociedade, para só então se buscar os bens do sócio, como se verifica no art. 596 do Código do Processo Civil (transcrito à fl. 3585). 220. Enfatizese, como já exaustivamente esclarecido, que a responsabilidade tributária do Sr. Humberto Verre está fundamentada nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, não sendo objeto dos autos, nesta fase de exame da lide, discussão acerca da execução de bens para satisfação do débito tributário. Fl. 4260DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.261 61 “Não existe qualquer comprovação de prejuízo da Administração Pública em virtude da suposta fraude na licitação; tal fraude não tem ligação com a suposta falta de pagamento do tributo.” 221. Afirma o interessado que a suposta fraude apontada pelos Srs. Auditores Fiscais para responsabilização pessoal do Impugnante é a fraude na licitação vencida pelo Cordeiro Lopes para prestação de serviços ao Detran/SP. Acrescenta que a suposta fraude não tem qualquer ligação com a suposta falta de pagamento de tributo, e conclui que esse argumento não pode ser utilizado para afirmar que existe um conluio para sonegar tributos. 222. A questão da fraude, que motivou denúncia do Ministério Público, é elemento que caracteriza o aspecto penal do esquema engendrado pelo Impugnante. O litígio que se discute comporta discussões acerca dos créditos tributários lançados em razão dos tributos não recolhidos, bem como da responsabilidade tributária das pessoas físicas e jurídicas que contribuíram para o ilícito tributário. [...] “Da total improcedência dos valores cobrados em todos os AI.” 232. No item final do contraditório apresentado o recorrente repisa os argumentos expostos, requer que seja julgada procedente a presente impugnação para cancelar todos os AI a que se referem o presente processo administrativo, ou para abater do tributo apurado os valores que o Impugnante e a empresa Cordeiro Lopes efetivamente recolheram. 233. Os créditos apurados representam tributos não recolhidos e foram apurados em procedimento de ofício, por meio dos competentes AI. Assim, não há pertinência no pleito para abatimento de valores eventualmente recolhidos. Defesa – Casa Verre – Quesitos adicionais. 234. No contraditório apresentado pelo Sujeito Passivo Solidário Casa Verre, a empresa repisa diversos argumentos já expostos na retrocitada defesa apresentada pelo Sujeito Passivo Solidário Humberto Verre, e postula os seguintes tópicos adicionais. “As empresas Casa Verre e Santa Izabel não qualquer responsabilidade sobre os atos ou débitos da empresa Cordeiro Lopes & Cia Ltda.” 235. Pugna a requerente que o fato de os exfuncionários da Casa Verre estarem atualmente prestando serviços a Cordeiro Lopes não traz qualquer responsabilidade para a recorrente. 236. A Sujeição Passiva Solidária da Casa Verre encontra fulcro no interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal (art. 124, inciso I, do CTN), sendo o Sr. Humberto Verre o titular da empresa (fl. 3591). “Da impossibilidade de atribuir qualquer responsabilidade para a impugnante sobre o contrato entre a Cordeiro Lopes e o Detran/SP.” 237. Assevera a recorrente que ela não tem qualquer interferência no contrato firmado entre a Cordeiro Lopes e o Detran/SP, tendo sido contratada pela empresa Cordeiro Lopes para fornecimento de material e assessoria Fl. 4261DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.262 62 técnica. Conclui que se a Cordeiro Lopes não tinha capacidade operacional para prestar o serviço público para o qual se candidatou, caberia ao órgão contratante, no caso o Detran/SP, ter desclassificado a mesma da licitação. 238. Não se discute nos autos a questão do contrato celebrado entre o Detran/SP e a Cordeiro Lopes, mas a repercussão tributária na sonegação de tributos, na qual a Casa Verre é parte integrante como Sujeito Passivo Solidário. “Os sócios da empresa Cordeiro Lopes possuíam pleno controle da gerência administrativa da empresa.” 239. Assevera a interessada que a empresa Cordeiro Lopes, após sagrarse vencedora da licitação, procurou a Impugnante buscando parceria para, dessa forma, conseguir atender de forma satisfatória o contrato com o Detran/SP, o que demonstra que a empresa possuía total autonomia em sua administração. 240. Neste tópico a defendente novamente se ancora na relação exclusiva entre a Cordeiro Lopes e o Detran/SP para eximirse de suas obrigações tributárias. A Cordeiro Lopes é integrante de esquema articulado por pessoas e empresas para sonegação de tributos, sendo que a recepção de recursos financeiros em suas contas bancárias, oriundos do Detran/SP, apenas caracteriza uma das fases do processo. “Os demais indícios apontados pelo Sr. Auditor Fiscal não são capazes de provar qualquer vinculação entre a Impugnante e a empresa Cordeiro Lopes.” 241. Pugna a interessada que os Srs. Auditores Fiscais se utilizaram, para sustentar a suposta simulação, o fato de a Impugnante e a empresa Cordeiro Lopes possuírem estabelecimentos próximos. Acrescenta que a Cordeiro Lopes locou alguns imóveis do responsável legal da Impugnante para desenvolvimento de suas atividades e contratou os serviços de assessoria técnica, não podendo causar estranheza o fato de ficarem próximas. Conclui que essa informação apenas comprova que a Impugnante e a empresa Cordeiro Lopes são empresas distintas e com atividades separadas, pois se fossem apenas uma empresa não existiria necessidade de possuírem estabelecimentos próximos. 242. A proximidade dos endereços da recorrente e da Cordeiro Lopes é elemento adicional que reforça as suas ligações. A separação das empresas se justifica para concentrar a lavratura dos créditos tributários na Cordeiro Lopes, de modo a eximir os Sujeitos Passivos Tributários da obrigação tributária que lhes é exigida. Da impossibilidade de responsabilidade solidária. 243. Afirma a requerente que a responsabilidade solidária imposta a ela é absolutamente ilegal e deve ser desconsiderada, tendo em vista estar centrada em uma análise superficial da situação, sendo cabível uma investigação mais profunda, em um procedimento próprio, exaurindose todas as possibilidades, para que assim se evite arbitrariedades. 244. Sem razão a Impugnante. A questão de sua Sujeição Passiva Solidária encontrase claramente identificada e esclarecida nos autos, com a satisfação de todas as questões exigidas pela legislação, bem como das suscitadas pela defendente. Diferente do que consta nos AI, houve pagamento de imposto com relação aos valores recebidos pela Impugnante. Fl. 4262DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.263 63 245. Pugna a interessada que os agentes fiscais equivocadamente afirmaram que não houve contabilização dos valores que a Impugnante recebeu da Cordeiro Lopes. Acrescenta que apresentou uma série de notas fiscais regularmente emitidas, que somam o valor de R$ 2.518.225,75, e que comprovam que houve contabilização e pagamento do imposto, sendo improcedente a multa aplicada. 246. Os créditos tributários ora examinados foram lançados como receita omitida pela Cordeiro Lopes em sua contabilidade (sequer apresentada), não tendo a empresa justificado a origem dos recursos. 247. As Notas Fiscais a que alude a requerente foram apresentadas como justificativa para o recebimento dos recursos da Cordeiro Lopes, não tendo sido aceitas por ausência de correlação com os respectivos repasses, o que repercutiu em lançamento do IRRF no processo nº 19515.722730/201235. A questão da contabilidade desta receita pela Casa Verre, com o recolhimento dos respectivos tributos, é matéria para discussão em outra lide. Defesa – Santa Izabel – Quesitos adicionais. 248. No contraditório apresentado pelo Sujeito Passivo Solidário Santa Izabel, a empresa repisa diversos argumentos já expostos na retrocitada defesa apresentada pelo Sujeito Passivo Solidário Humberto Verre, e postula os seguintes tópicos adicionais. “As empresas Casa Verre e Santa Izabel não qualquer responsabilidade sobre os atos ou débitos da empresa Cordeiro Lopes & Cia Ltda.” 249. Pugna a requerente que os negócios da empresa estão associados ao ramo imobiliário. 250. A Sujeição Passiva Solidária da Santa Izabel encontra fulcro no interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal (art. 124, inciso I, do CTN), sendo o Sr. Humberto Verre o sócio administrador da empresa (fl. 3619). “Da impossibilidade de atribuir qualquer responsabilidade para a impugnante sobre o contrato entre a Cordeiro Lopes e o Detran/SP.” 251. Assevera a Impugnante que não tem qualquer interferência no contrato firmado entre a Cordeiro Lopes e o Detran/SP, tendo apenas firmado contrato de locação e administração de imóveis. Acrescenta que não se pode agora, através de um suposto problema ocorrido na licitação, ser imputada responsabilidade para a Impugnante, que não tem qualquer relação com o contrato. 252. Não se discute nos autos a questão do contrato celebrado entre o Detran/SP e a Cordeiro Lopes, mas a repercussão tributária na sonegação de tributos, na qual a Santa Izabel é parte integrante como Sujeito Passivo Solidário. “Os sócios da empresa Cordeiro Lopes possuíam pleno controle da gerência administrativa da empresa.” 253. Assevera a interessada que a empresa Cordeiro Lopes, após sagrarse vencedora da licitação, procurou a Impugnante para locação de imóveis em diversas cidades do interior do estado de São Paulo, o que demonstra que a empresa possuía total autonomia em sua administração 254. Neste tópico a defendente novamente se ancora na relação exclusiva entre a Cordeiro Lopes e o Detran/SP para eximirse de suas Fl. 4263DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.264 64 obrigações tributárias. A Cordeiro Lopes é integrante de esquema articulado por pessoas e empresas para sonegação de tributos, sendo que a recepção de recursos financeiros em suas contas bancárias, oriundos do Detran/SP, apenas caracteriza uma das fases do processo. “Da impossibilidade de responsabilidade solidária.” 255. Afirma a requerente que a responsabilidade solidária imposta a ela é absolutamente ilegal e deve ser desconsiderada, tendo em vista estar centrada em uma análise superficial da situação, sendo cabível uma investigação mais profunda, em um procedimento próprio, exaurindose todas as possibilidades, para que assim se evite arbitrariedades. 256. Sem razão a Impugnante. A questão de sua Sujeição Passiva Solidária encontrase claramente identificada e esclarecida nos autos, com a satisfação de todas as questões exigidas pela legislação, bem como das suscitadas pela defendente. Compulsando os autos, em especial os recursos voluntários interpostos, não vejo razão para alterar as conclusões da decisão recorrida, que deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999. 2.4 DA MULTA QUALIFICADA Em relação à parte das receitas omitidas (notas fiscais do contrato Detran), a autoridade autuante cominou a penalidade qualificada de 150,00%, nos termos estipulados pelo art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)(grifos acrescidos) Portanto, cabe analisar a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, conceitos trazidos pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, reproduzidos a seguir: Fl. 4264DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.265 65 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. No caso concreto, a Recorrente, embora tenha emitido notas fiscais de prestação de serviços ao Detran no total de R$ 33.552.754,77, limitouse a informar o faturamento de R$ 12.698.500,62 em DIPJ (fls. 213228). Entendo restar caracterizada a ocorrência de sonegação, uma vez que com a declaração a menor de receitas buscouse impedir parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal. Não se trata de mera omissão de receitas, pois mensalmente o contribuinte auferiu receitas, deixando de declarar quase 2/3 dos tributos mensais auferidos (PIS/Cofins). De igual forma, ao final de cada trimestre do anocalendário, deixou de confessar à RFB 2/3 dos débitos de IRPJ e CSLL, confirmando, no ano seguinte, a atitude dolosa de omissão de receitas e sonegação, ao informar à RFB faturamento equivalente a 1/3 do efetivamente auferido. Desse modo, voto por manter a penalidade de 150%. 2.5 DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, alegou o contribuinte que a cobrança de juros sobre a multa de ofício seria ilegal. Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: Fl. 4265DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.266 66 O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária Fl. 4266DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.267 67 e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer Fl. 4267DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.268 68 o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO Fl. 4268DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.269 69 ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Isso posto, voto por manter a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada. Fl. 4269DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722729/201219 Acórdão n.º 1402001.729 S1C4T2 Fl. 4.270 70 3 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por rejeitar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 4270DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.917213/2011-47
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 72 13 /2 01 1- 47 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917213/201147 Acórdão n.º 3801003.949 S3TE01 Fl. 69 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917213/201147 Acórdão n.º 3801003.949 S3TE01 Fl. 70 3 Relatório Por bem relatar os fatos transcrevo o relatório da DRJ de Ribeirão Preto, assim expresso: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins referente ao fato gerador de... A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório (eletrônico) de fl., indeferiu o pedido de restituição, porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir a própria contribuição, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 2/8, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) no 346.084/PR. Assim, somente seriam tributáveis as receitas provenientes da venda de bens e serviços, o faturamento propriamente dito, sendo excluídos os valores recebidos a título de receitas financeiras e outras receitas. Tanto é assim que o referido § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, foi revogado pelo art. 79 da Lei n.º 11.941, de 2009. Argumenta também que o Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, conforme julgados cujas ementas transcreve. Conclui requerendo a reforma da decisão combatida com o conseqüente deferimento do pedido de restituição da parcela da contribuição indevidamente paga. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917213/201147 Acórdão n.º 3801003.949 S3TE01 Fl. 71 4 A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido A Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário se valendo dos mesmo argumentos apontados na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917213/201147 Acórdão n.º 3801003.949 S3TE01 Fl. 72 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. Conforme apontado tratamse de pedidos de Restituição/Compensação de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917213/201147 Acórdão n.º 3801003.949 S3TE01 Fl. 73 6 Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917213/201147 Acórdão n.º 3801003.949 S3TE01 Fl. 74 7 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15165.001993/2006-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RESTITUIÇÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS E ADMINISTRATIVOS. GARANTIA PARA DESEMBARAÇO. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS.
Os depósitos judiciais e administrativos realizados para garantir o desembaraço aduaneiro de mercadorias não configuram pagamento indevido de tributos, portanto, os valores correspondentes não são objeto de restituição nessa via processual.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Miranda Cardozo, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque .
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 RESTITUIÇÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS E ADMINISTRATIVOS. GARANTIA PARA DESEMBARAÇO. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS. Os depósitos judiciais e administrativos realizados para garantir o desembaraço aduaneiro de mercadorias não configuram pagamento indevido de tributos, portanto, os valores correspondentes não são objeto de restituição nessa via processual. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Miranda Cardozo, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque .
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 189 1 188 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15165.001993/200625 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.582 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2012 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO RESTITUIÇÃO Recorrente ELETROLUMEN LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RESTITUIÇÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS E ADMINISTRATIVOS. GARANTIA PARA DESEMBARAÇO. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS. Os depósitos judiciais e administrativos realizados para garantir o desembaraço aduaneiro de mercadorias não configuram pagamento indevido de tributos, portanto, os valores correspondentes não são objeto de restituição nessa via processual. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Miranda Cardozo, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 19 93 /2 00 6- 25 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório O presente litígio decorre de pedido de restituição (fls. 01/ss), protocolizado em 31/05/2006, onde a interessada solicita a restituição de depósitos efetuados junto à Caixa Econômica Federal como garantia para o desembaraço aduaneiro de mercadorias, tendo em vista a empresa estava sob procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002 (prestação de garantia até que se comprove a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos). Foram efetuados depósitos administrativos e depósitos judiciais, conforme relação constante de folha 58. Por bem sintetizar os fatos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Trata o presente processo do Pedido de Restituição de valores relativos a depósitos judiciais e administrativos efetuados para fins de desembaraço aduaneiro de mercadorias submetidas a despacho aduaneiro com base nas declarações de importação n. 04/12330045; 04/12323811; 04/11284490 e 04/10852826, em face de a interessada, na condição de importadora dessas mercadorias, haver sido enquadrada nos procedimentos especiais previstos na Instrução Normativa SRF n°228, de 2002. Tendo o mencionado Pedido de Restituição sido apreciado pela unidade de despacho (Inspetoria da Receita Federal em Curitiba), foi o mesmo objeto de indeferimento, conforme Despacho Decisório n. 009/2007 (fl.43). Inconformada com o indeferimento, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 50 a 56, onde, para ver reformada a decisão prolatada pela autoridade "a quo", alega, em síntese, que a Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005 oferece amparo ao seu pedido, como se percebe pelo teor do preâmbulo do mencionado ato administrativo. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão n.º 0717.856 de 23 de outubro de 2009 (folhas 60/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2004 Depósitos Judiciais e Administrativos. Restituição. Incabível. Os depósitos judiciais e administrativos realizados para garantir o desembaraço aduaneiro de mercadorias não configuram pagamento indevido de tributos, portanto, os valores correspondentes não são objeto de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.001993/200625 Acórdão n.º 3202000.582 S3C2T2 Fl. 190 3 A interessada cientificada do Acórdão da DRJ – Florianópolis (folhas 64/73), interpôs Recurso Voluntário (fls. 740/ss), em 28/07/2011, onde aduz que: a previsão legal para a restituição encontra amparo legal no Decreto 4.543/2002, nos termos dos artigos que transcreve (arts. 106 a 112); cita, ainda, o artigo 5º, incisos LIV, LV e LXXVIII, da CF/88; por fim, requer que seja “deferida a restituição ou compensação dos valores pedidos, ante a existência de previsão legal para tanto DecretoLei 4543/2002, bem como em cumprimento aos princípios constitucionais do direito à propriedade, da apreciação da lesão ou ameaça a direito, do devido processo legal administrativo, da efetividade do procedimento administrativo, e, enfim, para evitarse o enriquecimento sem causa da Receita em detrimento, por ligação por nexo de causalidade do empobrecimento sem causa da ELETROLUMEN LTDA”. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Não há reparos a fazer na decisão de primeira instancia administrativa. O pedido de restituição dos valores depositados, na via administrativa e judicial, como garantia para o desembaraço aduaneiro de mercadorias não encontra amparo legal nessa via processual. Vejamos. O depósito foi exigido em sede de procedimento aduaneiro especial, com base no artigo 7º, §3°, da IN SRF 228/2002 que assim dispõe: Art.7° Enquanto não comprovada a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações, bem assim a condição de real adquirente ou vendedor, o desembaraço ou a entrega das mercadorias na importação fica condicionada à prestação de garantia, até a conclusão do procedimento especial. (...) 3° A garantia a que se refere este artigo poderá ser prestada sob a forma de depósito em moeda corrente, fiança bancária ou seguro em favor da União. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 A norma acima transcrita referese, portanto, a garantia exigida para fins de desembaraço aduaneiro de mercadoria, em situações especiais, não se confundindo com o pagamento indevido de tributos, hipótese em que daria causa a sua restituição. As hipóteses de restituição de tributos, na esfera aduaneira, estão previstas no artigo 109 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto n° 4.543/2002), verbis: Art. 109. Caberá restituição total ou parcial do imposto pago indevidamente, nos seguintes casos: I diferença, verificada em ato de fiscalização aduaneira, decorrente de erro (Decretolei nº 37, de 1966, art. 28, inciso I): a) de cálculo; b) na aplicação de alíquota; e c) nas declarações quanto ao valor aduaneiro ou à quantidade de mercadoria; II apuração, em ato de vistoria aduaneira, de extravio ou de depreciação de mercadoria decorrente de avaria (Decretolei nº 37, de 1966, art. 28, inciso II); III verificação de que o contribuinte, à época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou já havia preenchido as condições e os requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (Lei nº 5.172, de 1966, art. 144); e IV reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória (Lei nº 5.172, de 1966, art. 165, inciso III). Parágrafo único. Na hipótese de que trata o inciso II, a restituição independerá de prévia indenização, por parte do responsável, da importância devida à Fazenda Nacional. O pedido de restituição tratado nos autos, portanto, não está previsto entre as hipóteses relacionadas no artigo 109 acima transcrito. Da mesma forma, o artigo 112 referese à compensação de crédito relativo ao imposto, passível de restituição ou de ressarcimento, o que também não se adequa ao caso em tela. Como muito bem destacado na decisão de primeira instância, no caso de garantia para o desembaraço em procedimento especial, a eventual liberação dos valores, quando for o caso, será feita diretamente pelo Poder Judiciário (para os depósitos judiciais) e pela unidade aduaneira em que ocorreram os respectivos despachos de importação (para os depósitos administrativos). De igual modo, a Instrução Normativa SRF n° 600/2005, citada pelo contribuinte, trata apenas dos procedimentos para a restituição e compensação de quantias recolhidas a título de tributos arrecadados (indevidamente) mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), de pagamentos indevidos de tributos, e não de casos de depósitos em garantia efetuados mediante guias próprias de Depósito Judicial à Ordem da Justiça Federal e a de Documento para Depósitos Judiciais e Extrajudiciais à Ordem e à Disposição da Autoridade Judicial ou Administrativa. Quanto aos princípios citados pela Recorrente – do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, todos foram devidamente respeitados na instância administrativa. O contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade que foi devidamente apreciada e julgada, posteriormente, apresentou Recurso Voluntário que está Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15165.001993/200625 Acórdão n.º 3202000.582 S3C2T2 Fl. 191 5 sendo apreciado e julgado. O respeito aos princípios constitucionais não significa que os órgãos de julgamento devam concordar com os argumentos e teses trazidas pelo Recorrente, especialmente, quando não concorda com eles. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/11/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906273/2012-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/11/2009
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 73 /2 01 2- 14 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/11/2009 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906273/201214 Acórdão n.º 1802003.240 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10945.720483/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.OMISSÃO DE RENDIMENTOS.DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. CONTA CONJUNTA.
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior aR$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor deR$ 80.000,00,dentro do anocalendário.Quando se tratar de conta conjunta, o limite anual de R$80.000,00 é dirigido a cada um dos titulares.
DOCUMENTO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. VALIDADE SE NÃO PREJUDICA A DEFESA.
Em se tratando de documento redigido em língua estrangeira cuja tradução não é indispensável para sua compreensão, a interpretação teleológica da legislação processual conduz para a conclusão que não é razoável negarlhe eficácia de prova.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso .
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 12/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS.OMISSÃO DE RENDIMENTOS.DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. CONTA CONJUNTA. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior aR$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor deR$ 80.000,00,dentro do anocalendário.Quando se tratar de conta conjunta, o limite anual de R$80.000,00 é dirigido a cada um dos titulares. DOCUMENTO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. VALIDADE SE NÃO PREJUDICA A DEFESA. Em se tratando de documento redigido em língua estrangeira cuja tradução não é indispensável para sua compreensão, a interpretação teleológica da legislação processual conduz para a conclusão que não é razoável negarlhe eficácia de prova. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso . (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 12/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1876; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.720483/201117 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.702 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente JESUS RIBEIRO COUTINHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS.OMISSÃO DE RENDIMENTOS.DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. CONTA CONJUNTA. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior aR$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor deR$ 80.000,00,dentro do anocalendário.Quando se tratar de conta conjunta, o limite anual de R$80.000,00 é dirigido a cada um dos titulares. DOCUMENTO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. VALIDADE SE NÃO PREJUDICA A DEFESA. Em se tratando de documento redigido em língua estrangeira cuja tradução não é indispensável para sua compreensão, a interpretação teleológica da legislação processual conduz para a conclusão que não é razoável negarlhe eficácia de prova. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso . (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 04 83 /2 01 1- 17 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 12/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Vinicius Magni Vercoza, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Relatório Tratase de Auto de Infração, referente aos anos calendário de 2007 e 2008, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 144.185,47, sendo R$ 59.632,19 de imposto, R$ 17.913,00de juros de mora, R$ 44.724,13de multa de ofício, além de R$ 21.916,15a título de multa isolada. Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal, o lançamento decorreu da constatação das seguintes irregularidades na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. · Omissão de Rendimentos Recebidos de Fontes no Exterior no ano calendário de 2007 no valor de R$ 160.000,00; · Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada nos anos calendário de 2007 e 2008. As planilhas intituladas “Demonstrativo de Apuração de Créditos Bancários de Origem Não Comprovada – 2007 e 2008”, demonstram como foram apuradas tais omissões. Salientase que os valores considerados como omissos foram lançados 50% neste auto de infração, sendo os outros 50% do crédito apurado lançados no auto de infração 10945.720484/2001161, em nome de sua esposa Zenir Barreto Coutinho, pelo fato desta ter mantido conta conjunta com o contribuinte, bem como apresentava DIRPF em separado; · Multa Isolada por Falta de Recolhimento de IRPF devido à Título de carnê leão no ano calendário de 2007 no valor de R$ 21.916,15. Consta do Termo de Verificação Fiscal que o Contribuinte não recolheu por meio do carnê leão o imposto de renda sobre os rendimentos recebidos do exterior na alíquota de 50% sobre o imposto incidente sobre tais rendimentos. Impugnou o lançamento, alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância, o seguinte: “Que ao entregar a DIRPF exercício 2008 o seu primeiro contador declarou na relação de bens e direitos a incorporação ao capital da empresa situado no Paraguai a quantia de R$ 160.000,00 recebidos a título de lucros obtidos. Informa que posteriormente buscou assessoria com outro profissional e efetuou a revisão de sua declaração, pois constatou que os valores lançados à Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 3 3 título de aumento de capital com utilização de lucros obtidos na empresa estava equivocado, e que por meio da análise documental, como faz prova a cópia da declaração apresentada oportunamente ao fisco, comprova que a empresa não teve movimentação contábil entre 2006/2007. Salienta que dentre os documentos apresentados consta o Registro Único de Contribuintes – RUC fornecido pela Subsecretaria de Estado de Tributação, emitido em 23.10.2007, e conclui que a empresa só poderia ter atividade a partir desta data. Afirma que os documentos apresentados, que serviram para convencer a fiscalização da falta de movimentação financeira que o contribuinte intitulou de “relatórios contábeis” são os mesmos apresentados a Subsecretaria de Estado da Tributação, como faz prova o carimbo de recepção pelo Banco Nacional do Fomento em 04/01/2008, assim como autenticação bancária no rodapé do referido documento, onde consta a informação do RUC, data da autenticação da recepção, e que o imposto a ser pago importa em 0,00. Ressalta que o documento apresentado não foi emitido simplesmente para comprovar perante a fiscalização que não houve movimentação financeira, mas para comprovação perante o fisco federal. Aduz que a fiscalização informou que a empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA, estava em atividade durante o ano de 2007, e para isto apresentou duas transcrições de mensagem eletrônica na internet que fariam tal comprovação. O impugnante sustenta que a empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA é uma denominação de fantasia, e que o registro perante a Subsecretaria de Estado da Tributação, somente emitiu o RUC em 23.10.2007, sendo assim, argumenta que não poderia estar em funcionamento, além do que a empresa é denominada SULAMERICANA INFORMÁTICA DE JESUS RIBEIRO COUTINHO. Afirma que quanto aos depósitos bancários sem a devida comprovação da origem dos recursos seriam pertencentes a terceiros que adquiriam mercadorias no Paraguai, e que somente 10% dos valores seriam a título de comissão pela intermediação das vendas. Cita o inciso II, parágrafo terceiro do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Entende que a comprovação da origem dos depósitos bancários ficou comprovado pelo extrato bancário apresentado, pois os valores foram depositados em agências bancárias diversas, em diversas cidades brasileiras, o que por si só comprova que foram depositados por terceiro, inclusive, informa que algumas por transferências entre conta corrente, com isso fica evidenciado que os valores foram depositados por terceiros, onde a tributação não pertence ao contribuinte fiscalizado. Em anexo, alega que apresentou diversos pagamentos onde inegavelmente comprova que a empresa não estava em atividade no período de 2006 e 2007, e que demonstra que não houve resultados a serem incorporados ao capital, e tão poucos os registros contábeis da empresa e da alteração do capital social com os lucros hipotéticos. Ao final solicita: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 18. Diante, da demora na obtenção de outros documentos revestidos das formalidade legais estabelecidas pela legislação, onde evidenciaria de forma inequívoca, que a empresa esteve sem movimentação comercial no ano calendário de 2007, coloco me a disposição para anexar posteriormente os documentos; 19. Diante dos fatos acima demonstrados, dos documentos apensados ao processo não posso concordar com os valores lançados a título de imposto de renda pessoa física, pois a DIRPF Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física foi elaborada de forma equivocada, como ficou demonstrado nos documentos apresentados, não podendo o contribuinte pagar um imposto que não lhe é devido, pois em momento algum, o contribuinte se beneficiou pela elevação do capital social da empresa efetuado de forma errônea e equivocada pelo antigo contador; 20. Assim sendo venho através da presente solicitar a CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO, em sua totalidade, assim como do lançamento da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) e juros incidentes sobre os mesmos; 21. Finalmente, solicito o cancelamento da Representação Fiscal para fins Penais, por entender que não houve omissão de rendimentos, como ficou demonstrado nos documentos apresentados; A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2007, 2008 RENDIMENTOS RECEBIDOS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis os rendimentos recebidos no exterior decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior, transferidos ou não para o Brasil. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas é capaz de elidir a presunção de omissão de rendimentos regularmente estabelecida com base em depósitos bancários de origem não comprovada. A alegação de que os depósitos são efetuados para pagamentos de compras de terceiros realizados no exterior, sem a comprovação documental não é suficiente para afastar a presunção de omissão. PROVA. REQUISITOS EXTRÍNSECOS. Para serem objetos de análise, quanto ao conteúdo, as cópias de documentos de empresa sediada no exterior devem estar autenticados na repartição consular acompanhado da tradução para o português, após devem ser registrados no Cartório de Títulos e Documentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 4 5 Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário,fls. 210/224 argumentando: a) RENDIMENTOS NO EXTERIOR: · Destaca que a autoridade julgadora de primeira instância concluiu que os documentos apresentados para demonstrar a inexistência do rendimento de R$160.000,00, em sua empresa sediada no Paraguai, não preenchem os requisitos legais para ser aceita no Brasil. Reafirma que a Declaração de Ajuste do Exercício de 2008 foi entregue com erro e que esse erro nunca poderá ser entendido como fato gerador de tributo.Em que pese os argumentos do auditor constantes do TVF, está mais do que evidente que a atividade empresarial que desenvolveu no Paraguai, não gerou o rendimento apontado em sua declaração e portanto tal apontamento não passou de um lamentável equívoco. · Contesta o argumento de que os documentos juntados, que atestam a total ausência de movimentação da empresa, não servem a comprovação em decorrência simplesmente de sua origem estrangeira (redigidos em espanhol) não resiste ao que dispõe o DECRETO N° 2.067, DE 12 DE NOVEMBRO DE 1996, que assegura tratamento igualitário aos documentos públicos que circulam entre os países signatários do Mercosul. · Transcreve ementas do TJPR e TJSC, para argumentar que se os documentos anexados aos autos, deixam claro que sua atividade empresarial no Paraguai, não apresentou nenhuma movimentação no período de 2007 a 2008, que justificasse o aumento de capital, não há como prevalecer o lançamento sob o argumento de que tal documentação não se reveste de específicas formalidades, quando essas não se aplicam aos documentos emanados das autoridade Paraguaias. · Ressalta que, se por via idônea comprovou a inexistência do suposto fato gerador do tributo, tal prova é suficiente para pulverizar qualquer das ilações trazidas pelo auditor, em seu TVF, com presunções sobre as informações prestadas em erro e por supostas atividades colhidas na internet, sem nenhuma credibilidade. b) MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA · Discorda do fato da autoridade julgadora de primeira instância ter mantido a autuação pelo arbitramento e não ter acolhido o seu argumento de que os valores movimentados em sua conta bancária pertenciam a terceiros. · Apresenta os seguintes argumentos para afirmar que, não está provada qualquer sonegação: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 1) não há previsão legal que o obrigue a manter comprovante de depósitos, já que possui os extratos de suas contas contendo a sua movimentação financeira; 2) a valoração subjetiva da auditoria quanto a razoabilidade ou irrazoabilidade, da forma como trata de seu patrimônio, somado ao fato de que as informações não apresentaram a precisão documental esperada pelo auditor resultando na falta de controle rigoroso dos depósitos não é, nem nunca será fato gerador de tributo algum, muito menos do Imposto de Renda, cujo art. 43 do Código Tributário Nacional (recepcionado com força de Lei Complementar) exige expressamente que a Lei Ordinária estabeleça como hipótese de incidência um acréscimo patrimonial real e efetivo.Destaca que no máximo, poderia haver a aplicação de uma multa formal, pela ausência de controle, contudo a previsão legal,neste sentido, também é inexistente; 3) os créditos não foram analisados individualizadamente (Decreto n.° 3.000/99, art. 849, § 2o, I), mas genericamente. 4) com a simples individualização dos depósitos e a desconsideração dos transferidos entre contas os depósitos de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, se somados, dentro do anocalendário autuado, não ultrapassariam o valor de oitenta mil reais, pois apenas podem ser considerados em 50%(R$ 46.645,21 em 2007; R$ 50.230,68 em 2008), eis que se tratava de conta conjunta com sua esposa, que responde autuação autônoma nos autos do PAF n.° 10945720_484_2011 61 e, por expressa disposição legal, devem ser desconsiderados (Decreto 3.000/99, art. 849, § 2o, II). c) FUNDAMENTOS DE PROVA · Observa que os extratos acompanhados das informações prestadas na declaração anual, 2007 e 2008, faz prova a seu favor e de forma inconteste não há nenhuma omissão de receita. Portanto, cabe ao Fisco a prova da inveracidade dos fatos registrados na declaração anual e dos extratos. · Ressalta que por várias vezes esclareceu a origem dos depósitos, todavia o Fisco sem a devida individualização dos depósitos e desprovido de elementos seguros de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão presumiu serem inverídicos seus esclarecimentos o que no seu entendimento, viola o artigo 845, § 1o do Decreto 3.000/99. · Transcreve excertos da Decisão 1041/97 de 14.10.1997 da DRJ Foz do Iguaçu e do Acórdão 10608.923 do CARF e Acórdão;da CSRF/012.117, , para fundamentar o seu argumento de que é Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 5 7 inadmissível que fisco não prove o vínculo entre a suposta omissão de receitas e os depósitos bancários. d) IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO · Observa que apontou a origem dos valores que giraram em suas contas, portanto, para que o Fisco pudesse arbitrar seu lucro teria que desclassificar as informações voluntariamente prestadas no ajuste anual do IR. Ressalta que o regime de tributação com base no lucro arbitrado é uma modalidade de apuração da base tributável, cuja utilização pelo Fisco só deve ser efetuada em casos extremos, quando, após esgotados todos os procedimentos fiscais de investigação, constatarse a impossibilidade de apuração do lucro efetivamente obtido (se obtido?), pelo contribuinte. · Argumenta que não houve qualquer procedimento fiscal que demonstre a imprestabilidade do ajuste anual, em decorrência da falta de contabilização da movimentação bancária, ou de que nesta os depósitos realizados não tomaram a origem por ele apontada, o que torna nulo de pleno direito o arbitramento. · Ressalta que é pacífico o entendimento de que o lançamento arbitrado com sustentação apenas nos extratos é ilegítimo, nos termos da Súmula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. É de se ressaltar que o lançamento foi efetuado com fundamento nas seguintes infrações: 1. Omissão de Rendimentos Recebidos de Fontes no Exterior no ano calendário de 2007 no valor de R$ 160.000,00; 2. Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada nos anos calendário de 2007 e 2008. As planilhas intituladas “Demonstrativo de Apuração de Créditos Bancários de Origem Não Comprovada – 2007 e 2008”, demonstram Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 como foram apuradas tais omissões. Salientase que os valores considerados como omissos foram lançados 50% neste auto de infração, sendo os outros 50% do crédito apurado lançados no auto de infração 10945.720484/2001161, em nome de sua esposa Zenir Barreto Coutinho, pelo fato desta ter mantido conta conjunta com o contribuinte, bem como apresentava DIRPF em separado; 3. Multa Isolada por Falta de Recolhimento de IRPF devido à Título de carnê leão no ano calendário de 2007 no valor de R$ 21.916,15. Consta do Termo de Verificação Fiscal que o Contribuinte não recolheu por meio do carnê leão o imposto de renda sobre os rendimentos recebidos do exterior na alíquota de 50% sobre o imposto incidente sobre tais rendimentos. No que se refere à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, verificase que cabe razão ao recorrente, quando o mesmo afirma que os depósitos estão dentro dos limites do art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96, os quais não poderiam ser considerados como receitas omitidas por expressa previsão legal, pois são inferiores a R$12.000,00 e não excedem a R$80.000,00, dentro de cada ano calendário. É de se observar que os limites acima devem ser aplicados em benefício de cada titular das contas bancárias, considerando que a regra do art. 42, § 6º, da Lei nº 9.430/96, que determina o rateio dos depósitos bancários em contas com cotitulares quando estes não comprovam a origem dos depósitos, busca tratar os cotitulares individualmente considerando os como um centro de imputação da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, quando tais cotitulares tenham rendimentos independentes, com apresentação de declarações de ajuste em separado, como ocorreu no caso vertente. Ora, considerando que cada cotitular tem rendimentos diversos e ofertam nos à tributação em suas individuais declarações de ajuste, plausível o entendimento de que os limites do art . 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96 devem ser aplicados a cada cotitular já que os limites devem ser encarados como uma benesse da Lei que excluiu do espectro da presunção legal os valores abaixo de R$12.000,00, desde que o somatório de tais valores não exceda o limite de R$80.000,00, dentro do anocalendário. Neste sentido, citese o Acórdão 9202002.621 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 23 de abril de 2013, que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2001 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. LIMITES. Os limites legalmente estabelecidos para a tributação de depósitos bancários sem origem comprovada (Lei n° 9.430/1996, art. 42, § 3 0, II) devem ser aplicados de modo a respeitar a devida proporcionalização no caso de conta bancária conjunta. A limitação imposta pelo diploma legal não pode ter seu escopo desvirtuado pela existência de mais de um titular na conta. Recurso especial negado Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 6 9 Assim, considerando que os depósitos bancários inferiores a R$ 12.000,00 não excedem R$ 80.000,00 nos anos calendários de 2007 e 2008, devese proceder a exclusão dos correspondentes montantes de R$ 46.822,61, no Exercício de 2008 e R$50.230,68, no Exercício de 2009. Quanto a omissão de rendimentos recebidos do exterior verificamos que a autoridade lançadora assim fundamentou a infração: “3.1Classificação Indevida de Rendimentos na Declaração de Ajuste Omissão de Rendimentos Recebidos do Exterior Em sua Declaração de Ajuste do exercício de 2008 referente ao ano calendário de 2007, o contribuinte informou o valor de R$160.000,00 no campo DEMAIS RENDIMENTOS E IMPOSTO PAGO DO TITULAR como sendo vinculado a "Demais rendimentos isentos e nãotributáveis", conforme se pode verificar na fl. 9 do presente processo. Na mesma declaração, no campo DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS, o fiscalizado informou, em relação ao bem identificado como SULAMERICANA INFORMÁTICA, empresa de propriedade do contribuinte situada em Ciudad Del Este, no Paraguai, a ocorrência de um aumento de capital no montante de R$160.000,00, explicando que tal aumento havia sido realizado mediante o uso de reservas da própria empresa. A empresa, que possuía um capital social de R$40.000,00, passou a ter capital social de R$200.00,00 e, nos anos seguintes, continuou a ser declarada pelo contribuinte pelo valor aumentado de seu capital social, ou seja, por R$200.000,00. Intimado a apresentar documentação comprobatória do auferimento dos rendimentos declarados como isentos, o contribuinte declarou expressamente (fls. 28 e 29) que os rendimentos isentos que declarara, no valor de R$160.000,00, são referentes ao aumento de capital realizado na empresa "SULAMERICANA INFORMÁTICA, EMPRESA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA DE JESUS RIBEIRO COUTINHO", situada em Ciudad Del Este, Paraguai. Na mesma ocasião, o contribuinte também afirmou que o citado aumento de capital foi realizado com "recursos de lucros adquiridos pela própria empresa, e aplicado em aumento de capital social". A fim de confirmar o alegado, o contribuinte trouxe cópia de documentos constitutivos da empresa em comento (fls. 31 a 44) , porém, sem que tais documentos tivessem sido consularizados e traduzidos para o vernáculo, na forma da legislação aplicável. Equivocouse o contribuinte ao classificar como rendimentos isentos os lucros auferidos na empresa paraguaia e utilizados para aumento do próprio capital social. Tal procedimento estaria correto caso tais lucros houvessem sido ganhos no Brasil, porquanto a Lei 9.249/95 isenta do Imposto de Renda os lucros distribuídos aos sócios, mas o tratamento legal para os lucros auferidos pela pessoa física oriundos de empresas situadas no exterior é diferente. Ocorre que a Lei 7.713/88, em seu artigo 8o, estabelece que os rendimentos recebidos do exterior são tributáveis por meio do Imposto de Renda, e que esse imposto deve ser pago mensalmente, na forma do § 2° do artigo 8o. Vejamos: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 { ...} Na mesma esteira anda o Regulamento do Imposto de Renda Decreto 3.000/99, cujo dispositivo constante do artigo 55, inciso VII, estabelece que são tributáveis os rendimentos recebidos do exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior. Além disso, o artigo 106 do Decreto 3.000/99 determina o pagamento mensal do Imposto de Renda da Pessoa Física que receber de fontes situadas no exterior rendimentos que não tenham sido tributados na fonte no País. Dessa forma, quaisquer valores recebidos de fontes do exterior, tais como, trabalho assalariado ou não assalariado, uso, exploração ou ocupação de bens móveis ou imóveis, transferidos ou não para o Brasil, lucros e dividendos, devem ser sujeitos à tributação e respectivo recolhimento mensal obrigatório, segundo o regime conhecido como carnêleão. Há que se respeitar, contudo, o disposto nos acordos, convenções e tratados internacionais firmados entre o Brasil e o país de origem de cada rendimento, de modo a se evitar duplicidade na imposição tributária. Destarte, adentrando ao caso investigado, vemos que os lucros auferidos pelo contribuinte são decorrentes das atividades de empresa situada no Paraguai, país em relação ao qual o Brasil não possui acordo vigente para evitar a dupla tributação. Em que pese o Congresso Nacional do Brasil ter ratificado, por meio do Decreto Legislativo n° 972/2003, a convenção firmada entre nosso país e o Paraguai para evitar a dupla tributação em matéria de imposto sobre a renda, tal acordo carece de finalização porquanto ainda não ratificado pelo parlamento paraguaio. Não há que se falar, portanto, sobre eventuais compensações de tributos que pudessem ter sido exigidos no país de origem dos rendimentos omitidos à Fazenda Nacional. O contribuinte, que ao princípio mostrouse solícito em esclarecer as circunstâncias em que ocorreu a aquisição e distribuição de lucro na empresa paraguaia, conforme declaração dada expressamente na resposta à primeira intimação (fls. 28 a 30), mudou de discurso, de atitude e, provavelmente, de assessoria contábil e jurídica. Eis que o fiscalizado, em resposta a nova intimação para apresentar documentos, resolveu contradizer frontalmente o que já declarara por quatro vezes ao fisco. Passou então o contribuinte a afirmar que não teria havido, de fato, o auferimento de lucro no exterior porque a empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA teria paralisado suas atividades no ano de 2006 e permanecido inativa nos anos de 2007 e 2008, e que, portanto, haveria se equivocado ao lançar nas suas Declarações de Ajuste dos exercícios de 2008 e 2009 os valores de R$160.000,00 como aumento de capital a partir de reservas da própria empresa. Na tentativa de convencer a fiscalização a aceitar sua nova explicação, o contribuinte apresentou documentos que atestariam a ausência de movimentação operacional da empresa, consistentes em cópias de, como o próprio contribuinte denominou, "relatórios contábeis, que foram preenchidos de modo a indicar movimento comercial inexistente nos anos de 2006 a 2007. Não pode prosperar a alegação do contribuinte por vários motivos, tanto de natureza formal como substantiva. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 7 11 Primeiramente, sob o aspecto formal, é necessário verificar quais são os requisitos exigidos em lei para que documentos estrangeiros sejam aceitos no Brasil e possam produzir efeitos em relação a terceiros e perante repartições públicas brasileiras. A legislação brasileira estabelece que os documentos emitidos em outros países precisam ser legalizados, ainda no exterior, junto às Repartições Consulares ou Embaixadas do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, após o que nessitarão (sic) ser traduzidos para a língua portuguesa por tradutor juramentado residente no Brasil. Acompanhado dessa tradução, os documentos terão validade em território brasileiro. Vejamos: O Manual de Serviço Consular e Jurídico, do Ministério das Relações Exteriores, no capítulo dedicado aos Atos Notariais e de Registro Civil, estabelece: 4.7.1 Para que um documento originário do exterior tenha efeito no Brasil é necessária a legalização, pela Autoridade Consular brasileira, do original expedido em sua jurisdição consular, seja por reconhecimento de assinatura, seja por autenticação do próprio documento. 4.7.2 Caso o documento não esteja redigido em português, a tradução deverá ser feita obrigatoriamente no Brasil, por tradutor público juramentado, após a legalização do documento original pela Autoridade Consular brasileira, O Código Civil estatui, em seu artigo 224, que "os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. Por sua vez, a Lei 6.015/73 assim dispõe: Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: 6o) todos os documentos de procedência estrangeira, acompanhados das respectivas traduções, para produzirem efeitos em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal;grifo nosso Os documentos estrangeiros apresentados pelo contribuinte carecem tanto da devida autenticação consular como de tradução para o vernáculo realizada por tradutor juramentado. Não podem, portanto, ser aproveitados em processo pelo motivo de não se revestirem das formalidades exigidas para que produzam efeito contra terceiros e perante repartições públicas brasileiras. Passamos agora a apontar o segundo motivo pelo qual não pode ser aceita a alegação do contribuinte de que não teria havido, de fato, a Fl. 239DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 distribuição de lucro no exterior que ele mesmo informara em sua Declaração de Ajuste do exercício de 2008. É que, antes de o fiscalizado mudar suas afirmações acerca do lucro auferido por sua empresa no Paraguai, existe irrecusável verossimilhança nas informações que vinha apresentando à Receita Federal, consubstanciada na coerência, na repetição e no detalhamento dos dados que comprovam a efetiva obtenção do lucro, e, ainda, na imponderabilidade de o contribuinte, sem que com isso tenha obtido qualquer benefício, haver inventado e declarado erroneamente ou falsamente à Receita Federal sobre a existência de um rendimento que não teria recebido e de um patrimônio que não teria existido. Vejamos: Na Declaração de Ajuste do exercício de 2007, referente ao ano calendário de 2006, o contribuinte informou no campo "Declaração de Bens e Direitos", ser "PROPRIETÁRIO DA EMPRESA SULAMERICANA INFORMÁTICA LTDA, EM CIUDADE DEL ESTE PY, LOJA 124 GALERIA LAILAI CENTER ", no valor, em 31/12/2006, de R$40.000,00 (fis. 4 e 5). No ano seguinte, como já mencionado, também no campo "Declaração de Bens e Direitos", o fiscalizado informou ser "PROPRIETÁRIO DA EMPRESA SULAMERICANA INFORMÁTICA LTDA, EM CIUDADE DEL ESTE PY, LOJA 124 GALERIA LAILAI CENTER. AUMENTO DE CAPITAL EM 2007, COM RESERVAS DA PROPRIA EMPRESA ", apontando o novo valor patrimonial do bem, na data de 31/12/2007, em R$200.000,00, ou seja, aumentado em R$160.000,00 relativamente ao seu valor do ano anterior. De plano, fica patente que não se trata de mero erro de digitação, mas de informação deliberadamente inserida na Declaração de Ajuste do contribuinte, pois, caso contrário, tais dados não teriam sido detalhados para explicar a origem do recurso utilizado para o aumento do valor patrimonial do bem. Ainda em relação à mesma declaração, verificouse que, em contrapartida ao aumento do seu patrimônio declarado, o contribuinte informou o recebimento de rendimentos isentos e não tributáveis exatamente no valor de R$160.000,00, o que, em vista da coincidência dos valores, notoriamente deveuse ao fato de haver considerado como isentos os lucros recebidos de sua empresa no Paraguai. No raciocínio do contribuinte, houve perfeita conjugação entre o aumento de seu patrimônio e a obtenção dos rendimentos que suportaram tal incremento patrimonial. Se, como alegou o fiscalizado posteriormente, não tivesse de fato havido o aumento de capital da SULAMERICANA INFORMÁTICA, mediante a utilização dos lucros acumulados da empresa, por que motivo o contribuinte teria feito declaração falsa nesse sentido, tomando o cuidado, inclusive, de manter o equilíbrio entre origens e aplicações dos recursos na Declaração de Ajuste do exercício de 2008? Além disso, como já foi mencionado, o contribuinte continuou a declarar o valor aumentado do capital social da SULAMERICANA INFORMÁTICA nas Declarações de Ajuste dos exercícios 2009 (fls. 13 a 18) e 2010 (fls. 19 a 24) , o que reforça a inteligência de que de fato ocorreu a operação de aumento de capital social da empresa, pois não é razoável imaginar que uma pessoa ligada ao comércio não fosse perceber, durante três anos, um equívoco dessa importância em suas informações prestadas ao Fisco. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 8 13 E ainda, que dizer acerca da resposta do contribuinte quando questionado sobre o rendimento de R$160.000,00 declarado como isento? O contribuinte afirmou de modo claro e taxativo, que " o valor de RS160.000,00 (Cento e sessenta mil reais) lançados em rendimentos isentos e não tributáveis no ano base de 2007 exercício 2008 na declaração, é referente a aumento do capital da empresa " SULAMERICANA INFORMÁTICA, EMPRESA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA DE JESUS RIBEIRO COUTINHO", situada em Ciudad Del Este Paraguay, cujo aumento foi efetuado com recursos de lucros adquiridos pela própria empresa, e aplicado em aumento de capital social." Tal resposta foi totalmente coerente com os demais dados informados nas suas Declarações de Ajuste dos exercícios 2008, 2009 e 2010, o que contribui para reforçar ainda mais a convicção de que, de fato, houve a distribuição de lucro da empresa paraguaia, e não erro ou engano no preenchimento de declarações, como tentou fazer crer a manifestação do contribuinte de (fls. 109 a 112). O terceiro motivo pelo qual não se pode acatar a afirmação do contribuinte de que não teria efetivamente havido a obtenção de lucro por sua empresa paraguaia se baseia na obtenção, por parte desta fiscalização, de documentos que desmentem a declaração prestada pelo fiscalizado acerca da aventada inatividade da empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA no período objeto da ação fiscal. Não obstante o contribuinte tenha trazido documentos paraguaios que indicam ausência de movimentação comercial, que, como já dito anteriormente, não se revestem das formalidades necessárias para seu aproveitamento perante órgãos públicos, há comprovação obtida de fonte isenta de que a empresa era, sim, operacional no período. Foram coletadas, a partir de pesquisa na internet, duas manifestações datadas do ano de 2007 que atestam a manutenção das atividades da empresa. Primeiramente, o documento de fl. 137 expressa uma mensagem eletrônica enviada no dia 02 de abril de 2007 por vendedor da empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA, com o seguinte conteúdo: por wilao » Seg Abr 02, 2007 2:39 pm bom dia!!., trabalho na sulamerícana informática!!., e posso dicer que os artículos que vendemos tem garantia e sao testados!!., sou vendedOr!!.. me add no meu msn!.. Willian@sulamericana.com, trabalhamos de 7 a 16 horas brasileira!!., un abrazoo!!.. obrígadoo!!.. link para verificação: http://vvww.forumpcs.com.br/comunidade/viewtopic.ph p7t=110828 De se notar que o endereço eletrônico do emitente da mensagem no MSN possui o nome da empresa: Willian@sulamericana.com Fl. 241DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 "Adicionalmente, também foi coletada outra mensagem eletrônica na internet, postada em 04/05/2007 (fls. 139), em que o emitente, identificado como TIAGOPORTO, indica ter ido ao Paraguai no dia anterior e, dentre outras lojas especializadas em informática, comparecido à empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA, o que confirma o seu efetivo funcionamento no período: Estive ontem no paraguai e os técnicos da NAve, MasterlO e Sulamerícana recomendaram uma fonte de 400W ou de 500Wreal da Dr. Hank para C2D 6600 e uma fonte normal de 300Wpara o AMD X2 5000+, pois o AMD é um processador mais fraco, mais fraco. link para verificação: http://forum.clubedohardware.com.br/amd64 x2/432739 Destarte, há elementos que comprovam de maneira robusta o fato de a empresa paraguaia de JESUS RIBEIRO COUTINHO não ter paralisado suas atividades no período objeto da ação fiscal, como afirmou o contribuinte. Em resumo, considerandose: 1. A consistência do conjunto de informações que o contribuinte vinha apresentando ao fisco, afirmando a existência e utilização dos lucros auferidos pela empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA, o que elimina a probabilidade de que tais informações tenham sido prestadas por engano; 2. A falta de propósito em favor do fiscalizado que marcaria eventual falsidade deliberada na prestação de informações ao fisco; 3. Que as declarações expressamente apresentadas pelo contribuinte fazem prova contra ele, e que a negação que o próprio contribuinte fez acerca de suas declarações anteriores não foram comprovadas por meio da apresentação de documentação hábil e idônea; 4. Que, ainda que tivesse sido aceita a documentação trazida pelo contribuinte, sua alegação teria sido desmentida pelos elementos de prova atestam a manutenção das atividades da SULAMERICANA INFORMÁTICA nos anos de 2007 e 2008; Não haveria como a fiscalização admitir a última alegação do contribuinte que se baseia na ocorrência de equívocos sucessivos por parte do fiscalizado. Com efeito, acatar essa tese seria um atentado contra o bom senso, porquanto equivaleria reconhecer que o fiscalizado teria feito pouco caso da Fazenda Nacional nas três declarações de Imposto de Renda em que afirmou Fl. 242DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 9 15 o valor aumentado do patrimônio da empresa, e, não satisfeito, ainda teria tripudiado sobre a fiscalização ao manifestar, em resposta por escrito à intimação fiscal, a existência do lucro e a sua respectiva distribuição na forma de aumento de capital social da empresa paraguaia. Não, certamente não brincou o contribuinte perante a fiscalização. A hipótese que se configura mais verdadeira é ter havido erro de interpretação por parte do contribuinte quanto ao alcance tributário das informações prestadas, que foram posteriormente negadas, a fim de se tentar evitar o lançamento tributário em sede de ação fiscal Ao que parece, o fiscalizado, provavelmente após buscar assessoria contábil e jurídica diversa da que vinha lhe servindo, teria sido alertado acerca da incidência do Imposto de Renda sobre os lucros por ele auferidos no exterior e informados em sua Declaração de Ajuste do exercício de 2008 como rendimentos isentos. Enganarase anteriormente o contribuinte, ao supor que o lucro distribuído por empresa paraguaia receberia o mesmo tratamento tributário daquele distribuído por empresa situada no Brasil, que é isento do Imposto de Renda. Assim, tendo sido avisado de seu equívoco, e encontrandose o contribuinte na condição de sujeito passivo de procedimento fiscal, e, portanto, na iminência de sofrer lançamento do tributo e de seus respectivos acréscimos legais pelo motivo de não haver pago o imposto devido em face da obtenção de lucro no exterior, resolveu negar as declarações expressas, repetidas e detalhadas que fizera, tentando invalidar todas as informações que fornecera ao Fisco acerca do auferimento e da utilização dos lucros para aumentar o capital social da empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA. Destarte, os rendimentos declarados pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste do exercício 2008, referente ao anocalendário de 2007, como rendimentos isentos, foram reclassificados como rendimentos tributáveis recebidos do exterior, e, por conseguinte, serão levados à tributação na forma da legislação vigente. Para fins de determinação do período de apuração, tendo em vista a ausência de informações sobre a data em que tais rendimentos foram efetivamente distribuídos, e para conferir tratamento mais vantajoso para o fiscalizado, considerouse que a distribuição dos lucros, sob a forma de aumento do capital social da empresa, ocorreu no mês de dezembro de 2007. A decisão da DRJ manteve o lançamento nesse aspecto, em suma que o impugnante não apresentou provas suficientes que demonstrassem a alegada falta de movimentação financeira na empresa em 2006 e 2007, e aliado ao conjunto probante apresentado de maneira robusta pela fiscalização. No voluntário o recorrente alega que sua declaração de ajuste Exercício de 2008 foi entregue com erro. Contesta o fato de que a documentação contábil apresentada não foi aceita em decorrência simplesmente de sua origem estrangeira (redigidos em espanhol). Observa que o DECRETO N° 2.067, DE 12 DE NOVEMBRO DE 1996, assegura tratamento igualitário aos documentos públicos que circulam entre os países signatários do Mercosul. Passo a análise dos documentos apresentados: Fl. 243DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Às fls 31/34 está a Escritura de Constitucion de Sociedad SULAMERICANA INFORMÁTICA E.L.R.L e especificamente na fls. 36 consta que o capital integralizado na empresa foi de = 900.000.00 empresa constituída em 31 de janeiro de 2006 – documento devidamente registrado conf. Fls 42 – c/c que indica que a SULAMERICANA INFORMÁTICA E.L.R.L de JESUS RIBEIRO COUTINHO. RUC 80047878 . As fls 113/115 está a Declaração de Imposto de Renda PJ, apresentada na Argentina (IMPUESTO A LA RENTA) – RUC 800478789 PERIODO FISCAL 2007 – SEM MOVIMENTO). Às fls. . 116 119, está o BALANÇO DA EMPRESA – RUC 800478789 PERÍODO FISCAL DE 01/01/2006 A 31/12/2007 – indicando um CAPITAL SUSCRITO = 900.000.00 (MESMO VALOR CONSTANTE NO Escritura de Constitucion de Sociedad SULAMERICANA INFORMÁTICA E.L.R.L (fls. 31/41) – Às fls. 120/122 está a DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS (ESTADOS DE RESULTADOS) RUC 800478789 Às fls. 123 está DEMONSTRAÇÕES DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO (ESTADOS DE VARIACION DEL PATRIMONIO NETO) RUC 80047878 9 Não se desconhece que sobre a juntada dos documentos redigidos em língua estrangeira, dispõe o art. 157 do Código do Processo Civil— CPC, in verbis: Art. 157. Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo,firmada por tradutor juramentado. A aplicação do artigo acima transcrito, entretanto, não pode ser feita de forma restritiva, devendose examinar as peculiaridades do caso em concreto e considerar outros dispositivos legais, como o art.244 do mesmo código que dispõe que "Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará válido o ato se realizado de outro modo,lhe alcançar a finalidade." Ora, a finalidade da tradução é a compreensão do conteúdo do documento. No caso dos autos, os documentos contábeis apresentados pelo recorrente estão na língua espanhola e a tradução é dispensável para sua compreensão Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça tem dispensado, a tradução juramentada, nos casos em que não se contesta a validade do documento na língua espanhola e a tradução é dispensável para sua compreensão, como no caso dos autos É o que se extrai do seguinte trecho do voto do Ministro Teori Albino Zavascki no julgamento do Recurso Especial nº 616.103, nos seguintes termos: "2. Dispõe o artigo 157 do CPC o seguinte: "Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado" No caso, não se alega a falsidade dos documentos apresentados, nem qualquer prejuízo a sua compreensão. Alegase, simplesmente, a falta de tradução. Ora, conforme ressaltou o acórdão recorrido, "os orçamentos apresentados pelo autor, escritos em idioma Fl. 244DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.720483/201117 Acórdão n.º 2202002.702 S2C2T2 Fl. 10 17 espanhol, são de fácil compreensão" (fl. 95). Sendo documento cuja validade não se contesta e cuja tradução não é indispensável para a sua compreensão, não é razoável negarlhe eficácia de prova. 0 art. 157 do CPC, como toda regra instrumental, deve ser interpretado sistematicamente, levando em consideração, inclusive, os princípios que regem as nulidades, nomeadamente o de que nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para acusação ou para a defesa (pas de nulitté sans grief). Não havendo prejuízo, não se pode dizer que a falta de tradução, 110 caso, tenha importado violação ao art. 157 do CPC. 3. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial. É. o voto." (Rrisp 616103/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 14/0912004, DI 27/09/2004, p. 255). No caso concreto, não há portanto indicação de qualquer falsidade nos documentos apresentados pelo recorrente. Em se tratando de documentos contábeis redigidos em língua estrangeira cuja tradução é dispensável para sua compreensão, a interpretação teleológica da legislação processual conduz para a conclusão que não é razoável negarlhe eficácia de prova. Assim, entendo que os documentos contábeis suplantam as informações prestadas nas declarações de ajuste pessoa física, podendo sim ser considerado como um erro cometido pelo contribuinte. Com relação as mensagens extraídas da internet, que o autor do lançamento entende como prova robusta de que a empresa do recorrente estava em plena atividade, discordo, pois uma simples mensagem na internet enviada por suposto vendedor de uma empresa com o nome SULAMERICANA INFORMÁTICA, não nos dá a certeza de tratarse da empresa SULAMERICANA INFORMÁTICA E.L.R.L de JESUS RIBEIRO COUTINHO. RUC 80047878 . Ante ao exposto, DOU provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 245DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/08/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11080.001593/2009-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. CONFIGURAÇÃO.
De conformidade com o § 1º do art. 13 da Portaria RFB nº 4.066, de 2007, a prorrogação do MPF não se configura com a entrega do respectivo Demonstrativo de Emissão e Prorrogação ao fiscalizado, mas com o registro dessa prorrogação na Internet.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INFRAÇÕES DECORRENTES.
Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF-F ou no MPF-E, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-002.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. CONFIGURAÇÃO. De conformidade com o § 1º do art. 13 da Portaria RFB nº 4.066, de 2007, a prorrogação do MPF não se configura com a entrega do respectivo Demonstrativo de Emissão e Prorrogação ao fiscalizado, mas com o registro dessa prorrogação na Internet. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INFRAÇÕES DECORRENTES. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF-F ou no MPF-E, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler e Henrique Heiji Erbano.
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CARLOS OSÓRIO LOPES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. CONFIGURAÇÃO. De conformidade com o § 1º do art. 13 da Portaria RFB nº 4.066, de 2007, a prorrogação do MPF não se configura com a entrega do respectivo Demonstrativo de Emissão e Prorrogação ao fiscalizado, mas com o registro dessa prorrogação na Internet. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INFRAÇÕES DECORRENTES. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 15 93 /2 00 9- 41 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 465 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler e Henrique Heiji Erbano. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 466 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 363verso e 364): Tratase de autos de infração lavrados para constituir créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins do ano de 2004, decorrentes de omissão de receita caracterizada pela declaração em DIPJ, lucro presumido, de valores menores que os constantes na contabilidade. Na impugnação, a autuada pede a anulação de todos os autos de infração, pelos seguintes fatos: passaramse mais de sessenta dias entre a ciência do primeiro termo de continuação de procedimento fiscal (29/01/2008) e a do segundo termo de continuação (05/05/2008), o que violaria o § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972; não teria havido prorrogação do mandado de procedimento fiscal (MPF); Pede também a anulação específica dos autos de infração de PIS e de Cofins porque: o MPF faria referência apenas ao IRPJ, admitindose, nesse caso, apenas, como decorrência, o lançamento de CSLL, mas não o de PIS e de Cofins; as irregularidades relativas ao PIS e a Confins não repousam nos mesmos elementos de prova que serviriam de base a lançamento de IRPJ, pois as receitas supostamente omitidas estariam sujeitas a retenções na fonte, o que não foi considerado no lançamento. No mérito: pede perícia, arrolando os quesitos – todos referentes a retenções de PIS e de Cofins – que deseja ver respondidos e indicando o nome e qualificação de seu perito, mas deixando de mencionar seu endereço; contesta a multa de ofício, por entender que não houve motivação nem discricionariedade para sua aplicação; ainda sobre a multa de ofício, alega ser ela inconstitucional, por confiscatória. Ao final, pede ainda a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão. Não juntou elementos de prova. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 363): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 467 4 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal é instrumento de controle administrativo, não sendo requisito de validade dos procedimentos fiscais. NULIDADE. AUSÊNCIA DE CONTEMPLAÇÃO DE EVENTUAIS CRÉDITOS DE PIS E DE COFINS. Não é causa de nulidade a falta de verificação de existência de créditos de PIS e de Cofins; caso o sujeito passivo seja detentor de tais créditos, deve provar na impugnação a existência deles, provocando, dessa forma, o cancelamento de eventual crédito tributário lançado a maior. PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. Desconhecese do pedido de perícia em que a autuada não aponta o nome, endereço de seu perito. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete aos julgadores administrativos apreciar alegações de inconstitucionalidade de dispositivos de lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. Mantémse o lançamento, uma vez que a impugnação não logrou infirmar a prova da omissão de receita, caracterizada pela declaração em DIPJ de valores menores que os contabilizados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 13/10/2011 (fls. 375), a tempo, em 09/11/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 376 a 392, instruído com os documentos de fls. 393 a 397, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos (excetuado o pedido de perícia/diligência) e aduzindo mais os seguintes: a) que solicitou, em sua impugnação, a realização de perícia/diligência; b) que este pedido restou não conhecido sob o argumento de que não havia sido apontado o nome e endereço de seu perito; c) que, da simples análise da peça impugnatória, é possível identificar que, logo após os quesitos, a empresa apontou o nome, qualificação e o telefone de seu perito; d) que, se existe o fone para contato do perito apontado, assim como o seu nome e qualificação, não se pode concordar com o não conhecimento do pedido; e) que claramente se está diante de cerceamento do direito de defesa do contribuinte; e Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 468 5 f) que, diante disso, o processo deve retornar à origem, para que seja conhecido o pedido de perícia formulado. Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminares de nulidade do lançamento 4. Não procedem as preliminares de nulidade arguidas pela Recorrente, a saber: a) passaramse mais de sessenta dias entre a ciência do primeiro Termo de Continuação de Procedimento Fiscal (29/01/2008) e a do Segundo Termo de Continuação (05/05/2008); b) não teria havido prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); c) o MPF faria referência apenas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), admitindose, nesse caso, apenas, como decorrência, o lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), mas não o de Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); e d) são nulos os autos de infração reflexos (Pis e Cofins), tendo em vista a inexistência de pesquisa de retenções efetuadas por fontes pagadoras, que deveriam ter sido deduzidas nos demonstrativos formulados pela fiscalização. 5. Sucede que: a) entre o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 001 (29/01/2008) (fls. 115) e o segundo Termo de Continuação (05/05/2008) (fls. 121), houve a lavratura de Intimação Fiscal (13/03/2008) (fls. 116), a ela cientificado em 17/03/2008 (fls. 117), e cujas respostas foram apresentadas em 25/03/2008 (fls. 118 e 119) e em 01/04/2008 (fls. 120). Referida Intimação Fiscal é, por óbvio, um ato escrito que indica o prosseguimento dos trabalhos, na forma do art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF); b) o MPF foi devidamente prorrogado, conforme se verifica da seguinte tela de consulta, disponível na Internet, na forma do art. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 469 6 13, § 1º, da Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007 (mencionado, aliás, pela Recorrente): c) assim, a prorrogação do MPF não se configura com a entrega do respectivo Demonstrativo de Emissão e Prorrogação ao fiscalizado, referida no art. 13, § 2º, daquela Portaria, mas com o registro dessa prorrogação na Internet; d) quando do início da fiscalização, em 19/12/2007, vigia a já mencionada Portaria RFB nº 4.066, de 2007, que assim dispunha, em seu art. 9º: Art. 9º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. e) observase que a base de cálculo apurada para o Pis (fls. 18 e 19) e para a Cofins (26 e 27) é a mesma do IRPJ (fls. 4 e 5) e da CSLL (fls. 11 e 12), apenas destacada por mês, e não por trimestre, como a destes últimos; e f) tendo sido a ação fiscal baseada exclusivamente na contabilidade apresentada, é de se pressupor que eventuais retenções de Pis e de Cofins sobre a receita escriturada e não declarada salvo prova em contrário a cargo da Recorrente já tenham sido por esta consideradas em seus levantamentos fiscais (fls. 182 a 193 e 194 a 207, respectivamente, “Contrib. p/ PIS/Pasep Ret. Fonte p/ Outras PJ” e “Cofins Retida na Fonte por Outras Pessoas Jurídicas”). 6. De todo modo, tratase, o MPF, de um mero instrumento de controle administrativo, uma vez que não integra o rol dos atos necessários ao lançamento tributário a que se refere o art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro Fl. 469DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 470 7 de 1966), atividade vinculada e obrigatória, devendo a Administração Pública pautarse pelo princípio da legalidade (art. 37 da Constituição Federal). 7. Nesse sentido, a Apelação Cível nº 434.330SE, de 15/05/2008, da Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da Quinta Região, unânime: [...]. 2. O lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração à legislação tributária, pois se trata de atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN; 3. Impossibilidade de se vincular lançamento tributário a outro ato de cunho meramente administrativo; 4. Inexistência de mácula no Procedimento Administrativo Fiscal, que obedeceu plenamente aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, e possui todos os demais elementos essenciais de validade. Apelação improvida. 8. Mencionase, também, o seguinte precedente judicial: TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 3.007/01. PRORROGAÇÃO. COMUNICAÇÃO AO CONTRIBUINTE. REGISTRO NA INTERNET. AUDITOR FISCAL RESPONSÁVEL. DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. DIREITO DE DEFESA EXERCIDO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. Tratase de mandado de segurança por meio do qual o impetrante, ora Apelante, pretende ver declarada a nulidade do processo administrativo fiscal nº 10680.010932/200363, porquanto não observadas as regras constantes na Portaria SRF nº 3.007/01, o que importou em ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, bem como do devido processo legal. 2. Em se tratando de abertura da fiscalização por meio do respectivo mandado de procedimento fiscal MPF, deve ser dada ciência ao sujeito passivo na forma prevista no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, o que se verificou na espécie, uma vez que o mandado fora devidamente assinado pelo Impetrante. 3. Contudo, havendo necessidade de prorrogação do prazo de validade do procedimento fiscal, o art. 13, § 1º, da Portaria SRF nº 3.007/01, é claro ao afirmar que esta se dará por meio de simples registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na internet. 4. Pela análise da documentação acostada, verificase que tais registros foram devidamente realizados pelo auditor fiscal responsável, de modo que não se encerrou o prazo de validade do procedimento fiscal. Ora, se o referido prazo de validade jamais se expirou, não há que se falar em expedição de novo Fl. 470DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 471 8 MPF, donde se conclui que o auditor fiscal que iniciou a fiscalização poderia acompanhála até o fim dos trabalhos, não havendo, portanto, qualquer ofensa ao art. 16 da Portaria SRF nº 3.007/01. 5. Por outro lado, o fato de inexistir no bojo do procedimento fiscal o demonstrativo de emissão e prorrogação previsto no art. 13, § 2º, da Portaria SRF nº 3.007/01, não implica, sob qualquer aspecto, a nulidade do procedimento fiscal. 6. Isto porque, tanto no mandado de procedimento fiscal MPF de abertura quanto nos complementares, devidamente comunicados ao Impetrante, constava a informação de que a fiscalização poderia ser prorrogada, a critério da autoridade outorgante. Ademais, tais informações poderiam ser obtidas pelo contribuinte na internet, porquanto devidamente registradas pelos fiscais responsáveis e cientificada tal possibilidade nos respectivos mandados, com o fornecimento do código do procedimento fiscal para consulta. 7. Cumpre destacar, nesse ponto, que a fiscalização fora empreendida com amplo conhecimento do Impetrante e total acesso às informações ali constantes, razão pela qual este pôde exercer todos os meios de defesa. 8. Desse modo, não restou evidenciado qualquer prejuízo ao contribuinte, devendo ser observado o princípio do pas de nullité sans grief (não há nulidade sem prejuízo). 9. Apelação desprovida. (AC 200438000278003, JUIZ FEDERAL WILSON ALVES DE SOUZA, TRF1 5ª TURMA SUPLEMENTAR, eDJF1 DATA:16/10/2013 PAGINA:359.) 9. Sou pela rejeição das preliminares arguidas de nulidade do lançamento, por incabíveis. Cerceamento do direito de defesa 10. Alega a Recorrente cerceamento do direito de defesa, pelo fato de não haver sido conhecido, na decisão recorrida, o seu pedido de realização de perícia/diligência, em face da não indicação do endereço de seu perito. 11. Sucede que, ainda que ultrapassado o óbice levantado pela decisão recorrida, com o conhecimento do pedido de perícia formulado, o pleito da Recorrente não seria acatado, conforme corretamente fundamentou aquela decisão (fls. 365verso): Em relação às retenções – objeto dos quesitos da perícia solicitada – se a autuada entende que havia créditos a serem considerados para quantificação do crédito tributário, deveria desse fato ter feito prova na impugnação. Não o tendo feito, não há como reduzir o crédito tributário lançado. Multa de ofício Fl. 471DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.001593/200941 Acórdão n.º 1803002.307 S1TE03 Fl. 472 9 12. Não tendo sido contraditados os fundamentos da decisão recorrida quanto a esta parte da exigência fiscal, adoto o que ali foi dito (fls. 365verso): No tocante à motivação da multa, cabe ressaltar que ela existe, tratandose no caso do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, dispositivo expressamente mencionado nos autos de infração (fls. 8, por exemplo). Quanto à constitucionalidade da multa, salientese que, como já afirmado, ela está prevista na legislação em vigor, a qual não pode deixar de ser observada pelo julgador administrativo. Nesse sentido: Súmula 1º CC nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Demais exigências 13. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 472DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 14098.000124/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Vencida a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, que divergiu quanto à multa aplicada, por entender que deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Vencida a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, que divergiu quanto à multa aplicada, por entender que deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Vencida a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, que divergiu quanto à multa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 01 24 /2 00 9- 12 Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 aplicada, por entender que deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000124/200912 Acórdão n.º 2302003.310 S2C3T2 Fl. 1.364 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 1.235 e seguintes). Adotase trechos, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 1.236 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada mediante o auto de infração n° 37.226.0403 e anexos de f. 0122, através do qual se exige o valor consolidado em 18/05/2009 de R$ 399.472,88. A exigência se refere à contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme indicado nos fundamentos legais do débito do auto de infração e no relatório fiscal. No relatório fiscal e anexos integrantes do auto de infração, f. 23 e seguintes, a autoridade fiscal relata a atividade da empresa, o desenvolvimento do procedimento e os fatos geradores do crédito lançado: “1. Este relatório é parte integrante do AI — Auto de Infração — DEBCAD n° 37.226.0403 (Processo n° 14098.000124/200912) referente a contribuições devidas e não recolhidas à Seguridade Social (ou recolhidas em valor inferior), cujos recolhimentos não foram comprovados pela autuada, bem como não constam do banco de dados do Sistema de Informação de Arrecadação da Receita Federal do Brasil. (...) 2.3 Em decorrência do processo de recuperação judicial, sob o 618/2008, em trâmite pela Segunda Vara da Comarca de Primavera do LesteMT, em: 19/12/2008, foi nomeado, por aquele Juízo, como administrador judicial da empresa, o advogado Marcelo Gonçalves. (...) 4. Os valores dos créditos constituídos correspondem às seguintes contribuições previdenciárias devidas pelo sujeito passivo, relativa às contribuições a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, que por não terem sido descontadas pela empresa, não caracterizam, em tese, o crime de apropriação indébita previdenciária. (...) DOS FATOS GERADORES Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 5. Assim, constituem fatos geradores dos tributos ora lançados neste Auto de Infração: 5.1 Levantamento CSN Período de lançamento: 05 a 12/2004 Estabelecimento: 03.240.326/000265 Fato gerador: Ajuda de Custo AJC As remunerações, a título de ajuda de custo, pagas, continuamente, aos segurados empregados da empresa. A Lei n° 8.212/91 considera que não integra o saláriodecontribuição a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT que assegura aos empregados, em caso de necessidade de serviço, o direito à ajuda de custo resultante das despesas de sua transferência para localidade diversa da que resultar do contrato. A ajuda de custo, quando paga continuamente, em valor fixo, sem a intenção de ressarcir despesas ou de reembolsar gastos feitos pelo empregado, adquire natureza salarial. A sua não eventualidade caracteriza remuneração ao empregado por serviços prestados em decorrência do contrato de trabalho, havendo, portanto, desvirtuamento da natureza jurídica indenizatória. A autuada foi reiteradamente intimada a esclarecer a natureza de tais pagamentos, conforme TIF — Termo de Intimação Fiscal 003 (Anexo I) e Termo de Reintimação Fiscal 001 (Anexo IV), porém, em detrimento das intimações fiscais, deixou de apresentar os esclarecimentos solicitados, fato que ensejou na lavratura do Auto de Infração AIDEBCAD n° 37.230.7345 processo n° 14098.000132/200951. Assim, esta fiscalização considerou tais valores como parcelas substitutivas de salário (salário indireto), independentemente da sua denominação. Além disso, não foi apresentada nenhuma disposição normativa da empresa, seja em regulamento ou cartilha de remunerações e benefícios, ou mesmo em acordo, convenção ou dissídio coletivo que disciplinasse a matéria, ou qualquer outra evidência onde restasse comprovado que tal vantagem é de acesso a todos os empregados da empresa, pois foi constatado que tais valores foram pagos somente aos empregados alocados na filial 03.240.326/000265. A partir do confronto entre as informações prestadas no decorrer da fiscalização, através da folha de pagamento, em meio papel e em meio magnético, e as prestadas à Receita Federal do Brasil, através de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, constatouse que a autuada deixou de proceder ao recolhimento de contribuições previdenciárias, a cargo dos segurados empregados incidentes sobre as remunerações, discriminadas nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, a eles pagas, devidas ou creditadas a titulo de ajuda de custo, tendo o sido o respectivo crédito tributário constituído através deste Auto de Infração. (...) Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000124/200912 Acórdão n.º 2302003.310 S2C3T2 Fl. 1.365 5 Fato gerador: Comissões e Representações Levantamento – CRP As remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa, a título de representações/comissões, aos seus segurados empregados Odair José Sanson Junior e Jairo de Meira, uma vez que os mesmos constam das folhas de pagamento da empresa como vendedores externos e ao mesmo tempo recebem importâncias contabilizadas nas seguintes contas contábeis: 1.1.2.2.001 ADIANTAMENTO A FORNECEDORES; 1.1.5.1.003 COMPRAS MERCADO EXTERNO; 2.1.1.1.012 FORNECEDORES DE CEREAIS; 2.1.1.1.001 FORNECEDORES EM GERAL; 2.1.1.1.002 FORNECEDORES PREÇO A FIXAR; 2.1.1.1.007 MERCADORIAS DE TERCEIROS EM DEPÓSITO e 3.2.1.3.021 SERVIÇOS PROFISSIONAIS PF. As comissões ou percentagens são parcelas de natureza salarial pagas com base em percentuais sobre os negócios que o empregado efetua. A Lei 8.212199 entende por saláriode contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Portanto, as comissões/percentagens são consideradas remuneração, sendo sempre base de incidência de contribuição previdenciária. A partir do confronto entre as informações prestadas no decorrer da fiscalização, através da contabilidade e folhas de pagamento, em meio magnético, e aquelas prestadas à Receita Federal do Brasil, através de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, constatouse que a autuada deixou de proceder ao recolhimento de contribuições previdenciárias, a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações, não discriminadas nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, a eles pagas, devidas ou creditadas a titulo de comissões/representações, tendo o sido o respectivo crédito tributário constituído através deste Auto de Infração. (...) Fato gerador: Folha de Pagamento não declarada em GFIP – FPN As remunerações pagas aos segurados empregados, não declaradas em GFIP, discriminadas nas Folhas de Pagamento, apresentadas em meio papel e em meio magnético (layout Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 estabelecido no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD). A partir do confronto entre as informações prestadas pela empresa através da sua folha de pagamento, em meio papel e em meio magnético, e as prestadas à Receita Federal do Brasil, através de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, constatouse que a autuada deixou de proceder ao recolhimento de contribuições previdenciárias, a cargo dos empregados, incidentes sobre as remunerações, discriminadas nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, conforme discriminado no RL — Relatório de Lançamentos com a sigla FNG Folha de Pagamento não declarada em GFIP. 5.2 Levantamento CI Período de lançamento: 05 a 12/2004 Estabelecimento: 03.240.426/000184 As remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, apuradas a partir do exame da escrituração contábil, em meio digital, fornecidas pela empresa, no layout MANAD — Manual de Arquivos Digitais. Foram encontrados lançamentos dessas despesas nas seguintes contas contábeis: 3.2.1.3.035 DESP C/INFORMATICA PF; 3.2.1.3.030 DESPESAS DIVERSAS; 3.2.1.3.020 PROPAGANDA E PUBLICIDADE; 3.2.1.3.021 SERVIÇOS PROFISSIONAISPF; 3.2.1.3.014 SERVIÇOS PROFISSIONAISPJ. Da análise das contas 3.2.1.3.021 SERVIÇOS PROFISSIONAISPF e 3.2.1.3.014 SERVIÇOS PROFISSIONAISPJ, verificouse que a autuada deixou de contabilizar fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios da sua contabilidade (objeto da lavratura do Auto de Infração AIDEBCAD n° 37.230.7370 —processo n° 14098.000135/200994), uma vez que efetuou lançamentos de despesas com pessoas jurídicas na conta destinada a abrigar despesas com pessoas físicas, bem como fez lançamentos de despesas com pessoas físicas na conta contábil destinada a abrigar despesas com pessoas jurídicas, conforme quadro exemplificativo a seguir: Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000124/200912 Acórdão n.º 2302003.310 S2C3T2 Fl. 1.366 7 A autuada foi reiteradamente intimada a apresentar os documentos comprobatórios dos lançamentos constantes das referidas contas contábeis, conforme TIF — Termo de Intimação Fiscal 002 (Anexo III) e Termo de Reintimação Fiscal 001 (Anexo III), porém, em detrimento das intimações fiscais, deixou de apresentálos, fato que ensejou na lavratura do Auto de Infração AIDDEBCAD n° 37.226.0446 — processo n' 14098.000131/200914. (...) Os lançamentos efetuados, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental, constam do RL — Relatório de Lançamentos, com a sigla CI — Contribuintes Individuais e a relação de beneficiários dos pagamentos efetuados consta do demonstrativo denominado Anexo II ao REFISC. (...) 5.5 Levantamento FRT Período de lançamento: 05 a 11/2004 Estabelecimento: 03.240.326/000184 As remunerações pagas ou creditadas pelo sujeito passivo a segurados transportadores rodoviários autônomos, categoria contribuintes individuais, não discriminadas nas folhas de Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 pagamento, apresentadas em meio magnético (layout estabelecido no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD, e não declaradas em GFIP, cuja apuração da base de cálculo foi feita através da análise dos valores contabilizados na conta contábil 2.1.1.6.010 CARTA FRETES A PAGAR. A autuada foi reiteradamente intimada a apresentar os documentos comprobatórios dos lançamentos constantes da referida conta contábil, conforme TIF — Termo de Intimação Fiscal 002 (Anexo II) e Termo de Reintimação Fiscal 001 (Anexo 11), porém, em detrimento das intimações fiscais, deixou de apresentálos, fato que ensejou na lavratura do Auto de Infração AIDDEBCAD n° 37.226.0446. (...) Os lançamentos efetuados, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental, constam do RL — Relatório de Lançamentos, com a sigla FRT — Frete Rodoviário e a relação de beneficiários dos pagamentos efetuados consta do demonstrativo denominado Anexo III ao REFISC. (...) 6. Os recolhimentos efetuados pela empresa foram considerados no lançamento e deduzidos do débito levantado, conforme relatório de apropriação de documentos apresentados — RADA. 7. Os documentos examinados foram os seguintes: contabilidade e folhas de pagamento em meio digital, no layout estabelecido no Manual Normativo de Arquivos Digitais, folhas de pagamento em meio papel, última GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, entregue em cada competência, antes do início do procedimento fiscal. 7.1. Cabe esclarecer que esta fiscalização utilizouse de arquivos digitais, (informações contábeis, relativas ao período de 05/2005 a 12/2004), no leiaute previsto no MANAD Manual Normativo de Arquivos Digitais, versão 1.0.0.2, aprovada através da Instrução Normativa SRP n° 12/2006, tendo sido os arquivos solicitados por meio de Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF. Os arquivos que foram disponibilizados pela empresa e utilizados no presente lançamento estão relacionados a seguir:” A empresa foi cientificada por aviso de recebimento postal em 27/05/2009, conforme consta da f. 414. IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação, f. 566595, em 24/06/2009 (...) (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pelo recorrente foi julgada improcedente, mantendose o crédito tributário lançado. A recorrente foi cientificada do julgamento, tendo apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 1.297 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: decadência da competência 05/2004; Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000124/200912 Acórdão n.º 2302003.310 S2C3T2 Fl. 1.367 9 discriminação imprecisa dos fatos geradores, não constando, de forma individualizada, cada um dos fatos geradores e dos sujeitos que deram origem a estes fatos geradores; nulidade do AI, pelo fato da intimação ter sido feita na pessoa de uma secretaria administrativa, que não é representante legal, mandatário designado ou preposto; nulidade do AI em razão da autoridade fiscal ter indeferido o pedido de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos, mesmo a empresa estando em processo de recuperação judicial; nulidade do AI por não ter sido excluído do lançamento a parcela atingida pela imunidade nas operações de exportação (art. 149, § 2°, da CF), a qual beneficia as exportações realizadas por intermédio de trading companies ou empresas comerciais exportadoras; ausência de exclusão das comercializações realizadas com segurados especiais; inconstitucionalidade da Taxa Selic. É o relatório. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Decadência. Alega a recorrente a decadência da competência 05/2004. Ocorre que a ciência do lançamento ocorreu em 27/05/2009 e os fatos imponíveis referemse às competências 05/2004 a 12/2004, de sorte que mesmo na hipótese de aplicação do § 4° do art. 150 do CTN, apenas as competências anteriores a 05/2004 estariam alcançadas pela decadência. Nesse sentido, mostrase correta a decisão de primeira instância, que negou pleito impugnatório de mesmo teor. Senão vejamos. O artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008”. Com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Vejamos a parte final do voto proferido pelo Rel. Min. Gilmar Mendes, seguida do texto do aludido enunciado: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Como cediço, os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103 A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000124/200912 Acórdão n.º 2302003.310 S2C3T2 Fl. 1.368 11 Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...) Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Deveras, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 No presente caso, como afirmado, por quaisquer das regras, não há como se reconhecer a decadência, visto que não ultrapassado o lustro normativo, independentemente do dies a quo considerado. Discriminação Imprecisa. Alega a recorrente que há discriminação imprecisa dos fatos geradores, não constando, de forma individualizada, cada um dos fatos geradores e dos sujeitos que deram origem a estes fatos geradores. Neste ponto, suficiente repetir os argumentos do decisório de origem: Conforme relatado pela autoridade fiscal à f. 24 e seguintes, trata o lançamento de: Os valores dos créditos constituídos correspondem às seguintes contribuições previdenciárias devidas pelo sujeito passivo, relativa às contribuições a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, que por não terem sido descontadas pela empresa, não caracterizam, em tese, o crime de apropriação indébita previdenciária. Do relatado, constatase que a base imponível das contribuições foi obtida a partir da análise das Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social —GFIP, folhas de pagamento e da contabilidade da empresa, cujas concluões foram organizadas nos levantamentos “CSN”, “CI” e “FRT”, com precisa descrição de procedimentos e critérios utilizados. Percebese, assim, que a peça fiscal traz informações suficientes para que se compreenda a motivação fática e jurídica do lançamento, não sendo passível de acatamento a alegação de que há imprecisão na discriminação dos fatos geradores. Não há porque "supor" que o critério do lançamento seja "produto rural", como consta da peça de defesa. A autuação se deve à constatação que valores foram pagos a segurados, empregados ou contribuintes individuais, a partir da contabilidade e das folhas de pagamento apresentadas pela própria empresa, confrontadas com as GFIPs também por ela apresentadas. Aliás, de forma contraditória, a própria impugnante admite inicialmente, isso, em sua peça de defesa, f. 570, onde reconhece a origem do lançamento como “contribuições de segurados empregados ...” equivocandose a seguir, ao afirmar que a base de cálculo advém “comercialização da produção rural ...”, coisa jamais mencionada no relatório fiscal. Desta forma, assim respondese às indagações contidas na peça impugnatória: a) a autoridade fiscal não fez prova da condição dos segurados empregados de produtores rurais porque os fatos geradores correspondem a pagamentos que, conforme a contabilidade e folhas de pagamentos da empresa, foram feitos aos segurados empregados ou contribuintes individuais que lhe prestam Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000124/200912 Acórdão n.º 2302003.310 S2C3T2 Fl. 1.369 13 serviços. A condição de empregado é comprovada pelo fato dos segurados constatem das GFIPs e folhas de pagamento com esta qualidade, e não necessita ser provada no caso de contribuintes individuais, visto que não são empregados; b) a base de cálculo é o próprio valor dos pagamentos efetuados aos segurados, quando não informados em GFIPs, registrada na contabilidade da empresa, não havendo aplicação de nenhum critério ou parâmetro para determinar outro valor; c) o levantamento não se baseia em notas fiscais de entrada; d) o levantamento não se baseia em notas fiscais de entrada; (sic) e) a condição de empregado é comprovada pelo fato dos segurados constatem das GFIPs e folhas de pagamento com esta qualidade, e não necessita ser provada no caso de contribuintes individuais, visto que não são empregados. Os segurados estão relacionados nos anexos I, II e III do auto de infração, f. 33 a 413 dos presentes autos, e, no caso dos segurados empregados, constam eles das folhas de pagamento e GFIP´s. Assim, o relatório fiscal, com seus demonstrativos e o auto de infração que o precedeu, são suficientes para que a empresa compreenda a exigência que lhe foi feita, e que poderia contestar, se fosse o caso, fundamentandose em documentos que comprovassem que os fatos registrados em sua contabilidade não são geradores das contribuições exigidas. Por isso, não se vislumbra prejuízo ao contraditório e à ampla defesa no presente lançamento, devendose debitar apenas à retórica e natural combatividade do autor da peça impugnatória as alegações vazadas neste sentido. Sem mais a acrescentar, deve ser negado provimento a tal pleito recursal. Intimação. Assevera a recorrente que há nulidade do AI, pelo fato da intimação ter sido feita na pessoa de uma secretaria administrativa, que não é representante legal, mandatário designado ou preposto. Ocorre que a intimação do auto de infração em que se materializou o lançamento se fez em 27/05/2009, mediante o aviso de recebimento postal no 594738365, f. 414, endereçado à empresa, no endereço "Av. Historiador Rubens de Mendonça, n° 2254, sala 1003, Jardim Aclimação, Cuiabá — MT", mesmo endereço denotado na peça impugnatória. Esta forma de intimação é admitida no processo administrativo fiscal, independentemente da ciência pessoal, conforme art. 23, inc II, do Decreto 70.235/72. Destarte, não há como dar guarida ao inconformismo recursal. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Prorrogação de prazo para apresentação de documentos. Suscita ainda a recorrente a nulidade do AI em razão da autoridade fiscal ter indeferido o pedido de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos, mesmo a empresa estando em processo de recuperação judicial. Ocorre que o pleito da recorrente encontrase despido de qualquer embasamento legal, razão pela qual não merece ser acatado. Imunidade nas Operações de Exportação. A peça recursal ainda tece extensa argumentação que busca sustentar a nulidade do AI por não ter sido excluído do lançamento a parcela atingida pela imunidade nas operações de exportação (art. 149, § 2°, da CF), a qual beneficia as exportações realizadas por intermédio de trading companies ou empresas comerciais exportadoras. Ocorre que, como visto, o presente lançamento trata exclusivamente das remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, em nada alcançando a venda de produção rural, quer no mercado interno, quer no exterior. Sendo assim, totalmente improcedente a argumentação. Segurados Especiais. Alega que não foram excluídas as comercializações realizadas com segurados especiais. Como afirmado, o presente lançamento trata exclusivamente das remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, não se relacionando à comercialização de produção rural, muito menos com segurados especiais. Taxa Selic. A recorrente requer o afastamento da incidência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic. Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000124/200912 Acórdão n.º 2302003.310 S2C3T2 Fl. 1.370 15 Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 13603.900099/2008-60
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 21/02/2002 a 28/02/2002
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 21/02/2002 a 28/02/2002 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 00 99 /2 00 8- 60 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Recife (fls. 162/168 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo contra a não homologação de compensação (vide despacho decisório de fls. 03), nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/02/2002 a 28/02/2002 DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRESSUPOSTOS. O direito à restituição decorre do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido (art. 165, I, do CTN), do qual se origina a obrigação tributária, inalterável até a extinção do crédito tributário dela decorrente (art. 113, § 1º, 139 e 140, do CTN). COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não será homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/02/2002 a 28/02/2002 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art 333, I, do CPC), devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: 1. Tratase de uma Declaração de Compensação Retificadora, nº 03113.12386.280906.1.7.046515 (fls. 013 a 019), de Pagamento Indevido ou a Maior do IPI, Código 1097, elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em 28/09/2006. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.900099/200860 Acórdão n.º 3802003.574 S3TE02 Fl. 185 3 1.1. Extraí do Sistema CPERDCOMP a Declaração Original, nº 12122.92019.291203.1.3.045580 (fls. 126 a 130), mas pouco acrescenta, já que as informações relativas ao suposto pagamento a maior estão, conforme verificado no Sistema SIEF/PERDCOMP (fls. 131 a 133), na DCOMP nº 39513.56945.030903.1.3.045527, transmitida em 03/09/2003 (fls. 134 a 138), na qual se vê que o DARF teria as seguintes características: Apuração Vencimento Arrecadação Principal Multa Juros Total 28/02/2002 08/03/2002 08/03/2002 168.023,68 168.023,68 1.2. Na DCOMP objeto deste processo foi utilizado parte daquele pagamento (R$ 2.876,83), que, com a Selic acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito, também do IPI, Código 1097, relativo ao 2º decêndio de março/2002, no valor de R$ 2.503,94, com vencimento em 28/03/2002, mais acréscimos legais. 3. Anotese que este crédito já tinha sido objeto de tentativa de utilização em outras DCOMP anteriores, nº 39513.56945.030903.1.3.045527, já citada, nº 12549.50211.080903.1.7.041743 (1ª Retificadora), transmitida em 08/09/2003 (fls. 139 a 143), novamente retificada pela DCOMP nº 30750.42153.280906.1.7.049430 (fls. 144 a 148), a qual se encontra, no Sistema de Controle de Créditos e Compensações – SCC, na Situação: “RDC”, que significa “Reconhecimento do Direito Creditório”, Motivo: “Pendente Identificação Débitos”. 3.1. Nova retificadora da DCOMP nº 39513.56945.030903.1.3.04 5527 foi transmitida em 15/07/2011, sob o nº 04759.59047.150711.17.040329 (fls. 149 a 153), desta feita pela sucessora (CNH LATIN AMERICA LTDA., CNPJ 60.850.617/000128, que incorporou a CNH LATINO AMERICANA LTDA., CNPJ 60.891.785/000161, em 01/01/2004, conforme se vê nas telas extraídas do Sistema CNPJ, às fls. 125), declaração esta que ainda não foi processada pelo SCC. 4. Deixando de lado este imbróglio e voltando aos limites da lide, a DCOMP Retificadora objeto do presente processo foi analisada de forma automática, pelo SCC, e não foi homologada, por inexistência de crédito, levando, por conseqüência, à cobrança do débito, com os acréscimos legais cabíveis, tudo conforme Despacho Decisório Nº de Rastreamento 791162945, emitido eletronicamente (fls. 003) e chancelado pelo titular da DRF/Contagem. 4.1. A justificativa dada para o não reconhecimento do direito creditório foi a de que o DARF informado na DCOMP já teria sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, nada restando a ser restituído. 5. A interessada foi cientificada da decisão, por via postal, em 02/10/2008 (fls. 005) e, irresignada, apresentou Manifestação de Inconformidade, em 29/10/2008 (fls. 021 a 031), na qual, em apertada síntese, alega que efetuou um recolhimento a maior do IPI de R$ 39.485,12, relativo ao 3º decêndio de fevereiro/2002, mas cometeu o equívoco de não retificar a DCTF do 1º trimestre de 2002, o que levou à não homologação da compensação em foco, a despeito de ter informado o valor supostamente correto devido naquele período de apuração na DIPJ/2003 (R$ 128.538,56, ao invés de R$ 168.023,68, conforme confessado na DCTF). 5.1. Defende, assim, que seja reformado o Despacho Decisório, em observância ao princípio da verdade material. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Segundo a decisão de primeira instância o sujeito passivo apresentou DCTF retificadora reduzindo o débito outrora declarado, mas somente depois de cientificado do despacho decisório que indeferiu a compensação. Muito embora o novo débito declarado na DCTF tenha correspondido ao disposto na DIPJ, entendeu a autoridade a quo que o direito creditório aduzido não estava comprovado, razão pela qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 13/11/2012 (fls. 171). Inconformada, a interessada apresentou, em 13/12/2012, o recurso voluntário de fls. 173/180, onde reitera que o crédito alegado seria decorrente de pagamento a maior do IPI do período e que apresentou DCTF retificadora onde declarou o valor correto do débito. Ressalta também que a DIPJ seria prova suficiente do valor do débito devido, o qual corroboraria o montante informado na DCTF retificadora. Ressalta ainda, verbis: Destaquese, por oportuno, que o julgado a quo, ao tomar conhecimento desta prova irrefutável (DIPJ), simplesmente a desconsiderou, dizendo, para tanto, que somente com os documentos que demonstrassem a apuração do IPI do período analisado é que seria possível analisar o crédito pleiteado. Ora, se é possível demonstrar o equívoco cometido pela Recorrente por outros meios de provas mais econômicos, tal como a juntada da sua DIPJ (que nada mais é do que a consolidação da apuração do IPI do contribuinte), por que insistir em uma prova muito mais complexa e custosa? [...] Pugna ainda o sujeito passivo pela busca do princípio da verdade real como objetivo precípuo do processo administrativo, e rechaça a rejeição da DCTF retificadora apresentada posteriormente à ciência do despacho decisório. Isto porque, independentemente do momento da retificação da mencionada declaração, o direito da Recorrente à repetição do indébito tributário não pode ser comprometido: este, é cediço, nasce do (e no momento do) recolhimento indevido; não depende, para existir, do cumprimento de meras obrigações tributárias acessórias Diante do exposto, requer a interessada seja dado provimento ao recurso e homologada integralmente a compensação intentada. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A questão em exame é restrita à análise probatória dos documentos acostados aos autos. Entende o sujeito passivo que a DCTF retificada posteriormente à ciência do despacho decisório que indeferiu a compensação, associada às informações prestadas na DIPJ, seriam suficientes à comprovação do débito efetivamente devido e, por consequência, do pagamento a maior e do correspondente direito creditório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.900099/200860 Acórdão n.º 3802003.574 S3TE02 Fl. 186 5 Entretanto, penso que não merece ser acolhida a tese defendida pela recorrente. Temos, no caso, declarações (DCTF original e DIPJ) cujos montantes declarados são díspares, razão pela qual entendemos, em sintonia com o julgamento proferido pela primeira instância, que a comprovação do direito creditório exige seja acostada aos autos a escrituração da empresa com o registro dos lançamentos contábeis comprobatórios do valor efetivamente devido do tributo. A DIPJ do período não se afigura como prova irrefutável para tanto, ainda diante da DCTF retificadora apresentada intempestivamente. Em diversas situações em que esta Turma analisou recursos contra a não homologação de pedidos de compensação sempre foi admitida a prova acostada aos autos pelo sujeito passivo, ainda que isso tenha ocorrido só em sede de recurso voluntário. Essa é a linha de entendimento normalmente consensual que esta Turma tem adotado, e isso, justamente, em homenagem ao princípio da verdade material. Contudo, na realidade presente, o sujeito passivo, mesmo ciente da insuficiência da prova, comparece novamente aos autos sem apresentar a cópia da escrituração comprobatória do suposto indébito, o qual, portanto, carece dos necessários pressupostos de liquidez e de certeza como requisito indispensável à liquidação de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. De fato, a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN, o que não se constatou na realidade presente. Nesse sentido, a seguinte decisão do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. FINSOCIAL COM O CONFINS. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS AUTORIZATIVOS. LEI 8.383/91. ART. 170 DO CTN. A Lei no 8.383/91 não revogou normas consignadas no Código Tributário Nacional (art. 170), que é Lei Complementar e dispõe acerca dos pressupostos necessários a autorizar o instituto da compensação. Hipótese expressa na legislação (art. 156 do CTN) de extinção do crédito tributário, a compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza. Líquidos e certos, na definição legal (para justificarem a compensação), são os créditos tributários expressamente declarados pelo Fisco e os reconhecidos, como tais, por sentença judicial com trânsito em julgado. A liquidez e certeza do crédito é pressuposto indesjungível da compensação, tal qual como concebida na legislação pertinente e devem ser provados pelo credor, sendo inválido, para tal fim, a confissão ficta da Fazenda respectiva. A jurisprudência se firmou no sentido de que a compensação da contribuição para o FINSOCIAL paga indevidamente depende do reconhecimento judicial da inconstitucionalidade em cada caso concreto, desservindo de título para esse fim os precedentes judiciais que, incidentalmente, deixaram de aplicar o art. 92 da Lei no 7.689/88. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Recurso provido. Decisão unânime. (Recurso Especial no 98.899/SC. Relator Min. Demócrito Reinaldo. Publicado no D.J. de 29/10/1996 – grifos nossos) Inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, legítima a cobrança dos créditos tributários que intentava extinguir por compensação. Por fim, vale lembrar que a verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 16 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 14120.000117/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007
TRANSFERÊNCIA DE ESTOQUE PARA INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. ATIPICIDADE DA CONDUTA NO CASO VERTENTE.
A integralização de capital social mediante transferência de estoque, embora constitua alienação, não pode ser equiparada à comercialização de produção própria. Quando o legislador, para responder a estratégias normativas, pretende adjudicar a algum velho termo, novo significado, diverso dos usuais, explicita-o mediante construção formal do seu conceito jurídico-normativo (voto do Ministro Cezar Peluso por ocasião do julgamento do RE 346.084-6). Assim, se pretendesse o legislador dar amplitude maior ao termo comercialização, teria utilizado a expressão alienação ou teria feito, expressamente, a equivalência daquela a esta. Ausente esta postura do legislador, deve-se tomar o termo em seu sentido vernacular. Se o comércio é atividade que consiste em trocar, vender ou comprar produtos, mercadorias, valores etc., visando, num sistema de mercados, ao lucro e comercializar é tornar algo comerciável ou comercial ou mesmo fazer entrar no processo de distribuição comercial; pôr no fluxo do comércio (dicionário eletrônico Houaiss), uma operação societária não lhe pode equivaler.
Se o objeto social da empresa é comercializar produção rural e não participar em sociedades, a integralização de ações em outra sociedade figura como meio para a realização do objeto social (ato societário) e não o próprio desenvolvimento do objeto social (empresa), razão pela qual a transferência de estoque figurou como um ato societário e não como a própria atividade empresarial. Nesse sentido, estabeleceu o STF que a incorporação de bens ao capital social é um ato típico, não equiparável a ato de comércio (Recurso Extraordinário nº 95.905, Relator Ministro Cordeiro Guerra, DJ de 01/10/82).
AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DISTINÇÃO.
A teor do art. 9° do Decreto n 70.235/72, a formalização do lançamento é feita por dois instrumentos: o auto de infração e a notificação de lançamento, cujos requisitos estão previstos, respectivamente, nos artigos 10º e 11 do Decreto nº 70.235/1972. o auto de infração é o instrumento de formalização da exigência mais apropriado para as fiscalizações externas nas quais buscam-se informações que o Fisco ainda não dispõe para, então, efetuar o lançamento dos tributos e contribuições devidos ou não declarados pelo sujeito passivo, se necessário. É por esta razão que o artigo 10 menciona como requisito essencial a descrição do fato, enquanto que o artigo 11, ao tratar da notificação de lançamento, se contenta com a indicação do crédito tributário. Assim, a notificação de lançamento acaba sendo direcionada para atividades internas nas repartições, notadamente, de revisão das declarações do sujeito passivo, onde a exigência, se for o caso, será formalizada com os dados disponibilizados ao Fisco pelo próprio sujeito passivo. Portanto, decorre de procedimento de apuração menos complexo, mais automático, tanto que, já nos idos de 1972, se alertava que prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A princípio, é tão simplória a sua elaboração que pode até mesmo dispensar assinatura e a descrição de fatos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de que sejam excluídas do lançamento as operações que, comprovadamente, estejam relacionadas à subscrição de participação acionária junto à empresa IACO Agrícola S/A., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2007 TRANSFERÊNCIA DE ESTOQUE PARA INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. ATIPICIDADE DA CONDUTA NO CASO VERTENTE. A integralização de capital social mediante transferência de estoque, embora constitua alienação, não pode ser equiparada à comercialização de produção própria. Quando o legislador, para responder a estratégias normativas, pretende adjudicar a algum velho termo, novo significado, diverso dos usuais, explicitao mediante construção formal do seu conceito jurídico normativo (voto do Ministro Cezar Peluso por ocasião do julgamento do RE 346.0846). Assim, se pretendesse o legislador dar amplitude maior ao termo “comercialização”, teria utilizado a expressão “alienação” ou teria feito, expressamente, a equivalência daquela a esta. Ausente esta postura do legislador, devese tomar o termo em seu sentido vernacular. Se o comércio é “atividade que consiste em trocar, vender ou comprar produtos, mercadorias, valores etc., visando, num sistema de mercados, ao lucro” e comercializar é tornar algo “comerciável ou comercial” ou mesmo “fazer entrar no processo de distribuição comercial; pôr no fluxo do comércio” (dicionário eletrônico Houaiss), uma operação societária não lhe pode equivaler. Se o objeto social da empresa é comercializar produção rural e não participar em sociedades, a integralização de ações em outra sociedade figura como meio para a realização do objeto social (ato societário) e não o próprio desenvolvimento do objeto social (empresa), razão pela qual a transferência de estoque figurou como um ato societário e não como a própria atividade empresarial. Nesse sentido, estabeleceu o STF que “a incorporação de bens ao capital social é um ato típico, não equiparável a ato de comércio” (Recurso Extraordinário nº 95.905, Relator Ministro Cordeiro Guerra, DJ de 01/10/82). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 01 17 /2 01 0- 11 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DISTINÇÃO. A teor do art. 9° do Decreto n 70.235/72, a formalização do lançamento é feita por dois instrumentos: o auto de infração e a notificação de lançamento, cujos requisitos estão previstos, respectivamente, nos artigos 10º e 11 do Decreto nº 70.235/1972. o auto de infração é o instrumento de formalização da exigência mais apropriado para as fiscalizações externas nas quais buscamse informações que o Fisco ainda não dispõe para, então, efetuar o lançamento dos tributos e contribuições devidos ou não declarados pelo sujeito passivo, se necessário. É por esta razão que o artigo 10 menciona como requisito essencial a descrição do fato, enquanto que o artigo 11, ao tratar da notificação de lançamento, se contenta com a indicação do crédito tributário. Assim, a notificação de lançamento acaba sendo direcionada para atividades internas nas repartições, notadamente, de revisão das declarações do sujeito passivo, onde a exigência, se for o caso, será formalizada com os dados disponibilizados ao Fisco pelo próprio sujeito passivo. Portanto, decorre de procedimento de apuração menos complexo, mais automático, tanto que, já nos idos de 1972, se alertava que “prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico”. A princípio, é tão simplória a sua elaboração que pode até mesmo dispensar assinatura e a descrição de fatos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de que sejam excluídas do lançamento as operações que, comprovadamente, estejam relacionadas à subscrição de participação acionária junto à empresa IACO Agrícola S/A., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 186 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente. Conforme Relatório Fiscal (fls. 12 e seguintes), os valores lançados no Auto de Infração correspondem às contribuições devidas para a Seguridade Social, incidentes na comercialização da produção rural, compostos por contribuição para o SAT/RAT (1%) e contribuição à Previdência Social (2,5%). Durante o procedimento fiscal, a recorrente não apresentou toda a documentação solicitada, sendo que, por intermédio de seu administrador e contador Luis Carlos Trott, justificou que não foi possível a apresentação das notas fiscais de entrada e saída, as GIAS de ICMS, além das GPS em decorrência da cessão das atividades da empresa, que não ocorreu, conforme verificação da autoridade fiscal junto à Secretaria do Estado do Mato Grosso do Sul. Em verdade, o que sucedeu foi que a recorrente procedeu à transferência ou comercialização da totalidade dos produtos rurais que estavam lançados em sua contabilidade como “estoque”. Após a apuração da emissão de notas fiscais e dos lançamentos contábeis no montante de R$ 25.644.060,09, foi reiteradamente solicitado à recorrente a apresentação dos documentos, sendo que a recorrente escusouse da entrega das notas fiscais. Diante desse panorama, os valores foram apurados com base nas notas fiscais de saída disponibilizadas pela Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso do Sul e também dos lançamentos correspondentes às vendas de milho, gado bovino, eqüinos, cana de açúcar, eucalipto e essências nativas. Ainda segundo a autoridade fiscal, não houve nenhum recolhimento por parte da recorrente. Cientificada da lavratura, a recorrente apresentou impugnação que, como afirmado, foi julgada improcedente, tendo, em seqüência apresentado, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 130, nos quais alega, em apertada síntese, que: * nulidade do acórdão recorrido por ausência de apreciação de questões suscitadas na impugnação (impossibilidade de lavratura de auto de infração para constituição de crédito tributário por suposto desatendimento a obrigação tributária material); * impossibilidade de lavratura de auto de infração para constituição de crédito tributário por suposto desatendimento a obrigação tributária material; * cerceamento de defesa em razão de o relatório fiscal não trazer a descrição dos fatos que sustentariam a exigência formalizada e porque não foram juntados aos autos os elementos de prova (notas fiscais de saída disponibilizadas pela Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso do Sul); * parcela relevante das contribuições previdenciárias exigidas foram recolhidas pela empresa para a qual o estoque foi transferido, sendo que ambas tinha interesse Fl. 187DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 comum na operação e se encontravam solidariamente responsáveis (arts. 124, I; e 125, I, do CTN); * quatro notas fiscais correspondem a operações de “saídas para leilão”, ou seja, notas fiscais de transporte emitidas para atender exigência acessória imposta pela legislação do ICMS, e não notas de venda. A mercadoria acabou sendo leiloada, tendo sido emitidas as correspondentes notas fiscais de venda e recolhidas as contribuições previdenciárias incidentes; * duas notas fiscais correspondem a envio de gado para coleta de sêmen; * não caracterização de comercialização na integralização de capital social. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 187 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Nulidade do Acórdão. Matéria relativa à distinção entre Auto de Infração e Notificação de Lançamento. Invoca a recorrente que seja reconhecida a nulidade do acórdão recorrido por ausência de apreciação de questões suscitadas na impugnação, em especial a respeito da impossibilidade de lavratura de auto de infração para constituição de crédito tributário por suposto desatendimento a obrigação tributária material. Não assiste razão à recorrente. Analisando o acórdão de origem verifico que, na verdade, houve remissão direta à fundamentação legal do Auto de Infração, sendo consignado que o que ali consta não causa prejuízo à defesa. Não se impõe ao órgão julgador a tarefa de rebater, em aprofundado estudo, a tese levantada pela recorrente, como pretende a recorrente, bastando a remissão ao Fundamento Legal de Débito e uma exposição razoavelmente objetiva a respeito da ausência de prejuízo à defesa. Em verdade, a tese da recorrente é inusitada e busca contrariar procedimento há muito consolidado na Receita Federal do Brasil e que, ao que consta, não sofreu qualquer tipo de censura na doutrina e na jurisprudência. De toda sorte, como a recorrente insiste no argumento, vamos enfrentálo sob outro viés. A teor do art. 9° do Decreto n 70.235/72, a formalização do lançamento é feita por dois instrumentos: o auto de infração e a notificação de lançamento, cujos requisitos estão previstos, respectivamente, nos artigos 10º e 11 do Decreto nº 70.235/1972. Alegou a recorrente, a impossibilidade de lavratura de auto de infração para constituição de crédito tributário por suposto desatendimento a obrigação tributária material, baseando seu argumento exatamente nos requisitos legais obrigatórios do auto de infração (pressupõe penalidade) e da notificação de lançamento (pressupõe crédito tributário). Não se nega que o a notificação de lançamento pressupõe crédito tributário e que o auto de infração pressupõe penalidade, mas isto não quer dizer que não possa haver penalidade na notificação de lançamento, tanto que o artigo menciona que a notificação de lançamento conterá “a disposição legal infringida, se for o caso”. Da mesma forma, não se pode afirmar, como fez a recorrente, que o auto de infração não seja apropriado para constituição do crédito tributário, tanto que o artigo 10 menciona que o auto de infração conterá “a determinação da exigência” Em verdade, o auto de infração é o instrumento de formalização da exigência mais apropriado para as fiscalizações externas nas quais buscamse informações que o Fisco ainda não dispõe para, então, efetuar o lançamento dos tributos e contribuições devidos ou não declarados pelo sujeito passivo, se necessário. É por esta razão que o artigo 10 menciona como Fl. 189DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 requisito essencial a descrição do fato, enquanto que o artigo 11, ao tratar da notificação de lançamento, se contenta com a indicação do crédito tributário. Assim, a notificação de lançamento acaba sendo direcionada para atividades internas nas repartições, notadamente, de revisão das declarações do sujeito passivo, onde a exigência, se for o caso, será formalizada com os dados disponibilizados ao Fisco pelo próprio sujeito passivo. Portanto, decorre de procedimento de apuração menos complexo, mais automático, tanto que, já nos idos de 1972, se alertava que “prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico”. A princípio, é tão simplória a sua elaboração que pode até mesmo dispensar assinatura e a descrição de fatos. Portanto, parece restar claro que seria instrumento absolutamente inapropriado para o lançamento das contribuições de que tratam os autos. Assim, agora parece restar claro que não assiste razão à recorrente. Cerceamento de defesa. Aduz a recorrente que houve cerceamento de defesa em razão de o relatório fiscal não trazer a descrição dos fatos que sustentariam a exigência formalizada e porque não foram juntados aos autos os elementos de prova (notas fiscais de saída disponibilizadas pela Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso do Sul). Primeiramente, é bom que se diga, somente houve recurso aos documentos disponibilizados pela Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso do Sul em razão da omissão da recorrente em apresentar toda a documentação solicitada. Mesmo após a apuração da emissão de notas fiscais e dos lançamentos contábeis no montante de R$ 25.644.060,09, foi reiteradamente solicitado à recorrente a apresentação dos documentos, sendo que a recorrente escusouse novamente da entrega das notas fiscais. Como ressaltou a instância a quo: quanto à descrição dos fatos e das razões que motivaram a emissão do presente Auto de Infração, ao contrário do que a interessada alega, pelo conjunto da notificação e do Relatório Fiscal – REFIS é possível compreender toda sua fundamentação. (...) O que se verifica no presente caso é que, mesmo sendo intimada a apresentar suas notas fiscais de entrada e saída, as GIAS de ICMS e as GPS – Guia de Recolhimento da Previdência Social, a interessada deixou de cumprir com esta sua obrigação. Em vista desta omissão, restou à autoridade fiscal recorrer a uma fonte externa de informação fiscal, qual seja, a relação de notas fiscais, cedida pela Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso do Sul, cujas informações relevantes para a concretização do presente levantamento de créditos previdenciários constam detalhadas na Planilha de Venda de Produtos Rurais, anexo aos REFIS. (...) Caberia simplesmente à interessada trazer ao processo todas as suas notas fiscais de saída, com finalidade de confrontálas com as suas correspondentes informações, trazidas pela fiscalização por intermédio da Planilha de Venda de Produtos Rurais, ao Fl. 190DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 188 7 invés de apenas refutála com meras argumentações, completamente destituídas de contra provas. Diante dessa moldura fática soa até mesmo pretensiosa a alegação da recorrente de que teria havido cerceamento de defesa. Saídas para Leilão. Alega a recorrente que quatro notas fiscais correspondem a operações de “saídas para leilão”, ou seja, notas fiscais de transporte emitidas para atender exigência acessória imposta pela legislação do ICMS, e não notas de venda. A mercadoria acabou sendo leiloada, tendo sido emitidas as correspondentes notas fiscais de venda e recolhidas as contribuições previdenciárias incidentes. A recorrente baseia suas alegações no demonstrativo MIC Módulos Integrados do Contribuinte (fls. 68), que relaciona notas fiscais cuja operação, neste documento, referese a Saídas Remessa Para Leilão. Tais operações teriam correspondência na contabilidade da recorrente. Ocorre que a alegação da recorrente de que os documentos “foram emitidos a partir do sistema eletrônico da SEFAZMS, correspondendo, portanto, a informações apresentadas, recebidas e registradas na SEFAZMS não é suficiente para elidir o seu ônus probatório. A recorrente, sem justificativas, deixa de apresentar não só o protocolo de envio do aludido documento como também novamente deixar de juntar as notas fiscais de retorno do gado. Ademais, quanto à afirmação da recorrente de que as mercadorias foram leiloadas e recolhidas as contribuições, compulsando os autos, não vislumbro prova de suas alegações. Aliás, pelo que consta do Relatório Fiscal, não houve nenhum recolhimento por parte da recorrente. Envio de Gado para coleta de Sêmen. Assevera a recorrente que duas notas fiscais correspondem a envio de gado para coleta de sêmen. Traz aos autos duas Consultas On line – Nota Fiscal Produtor/Avulsa, onde constam relacionadas as notas fiscais cuja operação é de Produto Enviado Para Coleta de Sêmen/Embrião. Todavia, não comprovou retorno do gado e tampouco juntou os documentos que pudessem dar suporte às suas alegações, de sorte que sua argumentação não merece acatamento. Recolhimentos de Terceiros. Aduz ainda a recorrente que parcela relevante das contribuições previdenciárias exigidas foram recolhidas pela empresa para a qual o estoque foi transferido, sendo que ambas tinha interesse comum na operação e se encontravam solidariamente responsáveis (arts. 124, I; e 125, I, do CTN). Fl. 191DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Como já ressaltado no decisório de origem, os recolhimentos pela empresa para a qual estoque foi transferido não podem ser aproveitados (Iaco Agrícola CNPJ 07.895.728/00178), simplesmente porque se referem a operações de terceiros e, por tal razão, de fato gerador distinto daquele praticado pela recorrente, mesmo levandose em consideração que a recorrente subscreveu ações da empresa que efetuou os recolhimentos. Com efeito, nos termos do art. 25 da Lei n° 8.870/94, o aspecto ou critério material da hipótese tributária se limita um verbo e ao seu complemento (comercialização de sua produção), de sorte que “o contribuinte será buscado no sujeito da mesma oração” (SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 493). Nesse sentido, podemos afirmar que, se quem comercializou foi terceiro, este fato gerador não se confunde com aquele eventualmente praticado pela recorrente. Aliás, em se tratando de contribuição do empregador rural pessoa jurídica, a hipótese tributária somente alcança o comércio da produção própria e não daquela transferida ou adquirida de terceiro, como pretende demonstrar a recorrente. Nesse sentido, a princípio, parece incongruente que a Iaco Agrícola recolha contribuições sobre a comercialização de produtos não originários de sua própria produção. Assim, ainda que a recorrente tente relacionar uma operação com a outra (transferência de estoque e posterior comercialização), não parece plausível a situação levantada. Ademais, o fez sem sucesso, posto não haver elementos suficientes que demonstrem com clareza e segurança esta situação. Lembremos aqui que a recorrente, de forma renitente, furtase a juntar aos autos as notas fiscais relativas às operações realizadas. Portanto, não se sustenta a tese da recorrente de que haveria solidariedade com base no arts. 124, I; e 125, I, do CTN. Integralização do Capital Social. Transferência do Estoque. Aduz a recorrente que não houve a caracterização de comercialização na integralização de capital social. Segundo o relatório fiscal, efetivamente, foi apurado que a recorrente procedeu à transferência ou comercialização da totalidade dos produtos rurais que estavam lançados em sua contabilidade como “estoque”. A tese da recorrente, equivocadamente, baseiase no art. 25 da Lei n° 8.212/91, que trata das contribuições do empregador rural pessoa física e do segurado especial. Na verdade, o lançamento tem supedâneo no art. 25 da Lei n° 8.870/94, que trata, especificamente, do empregador rural pessoa jurídica: Lei n° 8.870/94 Art. 25. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991,passa a ser a seguinte:(Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 189 9 II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. O que se analisa no caso vertente é se situação a movimentação do estoque da recorrente, que estaria representada pelas notas fiscais relacionadas em tabela que indica no corpo da impugnação e que repete no recurso voluntário, se trata ou não de comercialização da produção rural. A operação consistiu na integralização de capital social, referente à subscrição de participação acionária junto à empresa IACO Agrícola S/A, conforme comprova a Ata da Assembléia Geral Extraordinária Realizada em 6 de Junho de 2006 (fls. 66 e 67 – registro na Junta Comercial em 02 de agosto de 2006) e do Boletim de Subscrição de Ações (fls. 68). É verdade que já se decidiu que a transferência de bens ao capital social não constituía alienação: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO IMOBILIÁRIO. DL1.641/78. TRANSFERÊNCIA DE IMÓVEL PARA INTEGRALIZAR COTA EM SOCIEDADE LIMITADA. FATO GERADOR.. NÃO OCORRÊNCIA. A transferência de imóvel, para integralizar cota em sociedade limitada não é fato gerador de imposto de renda sobre lucro imobiliário. Em rigor, tal transferência não constitui alienação. O suposto alienante, simplesmente o transformou em fração ideal de um condomínio de capitais personalizado (a sociedade). Bem por isso, o art.1º, do DL1.641/78."(Resp 396.145, Rel. Min.Humberto Gomes de Barros, DJ 17/11/2003) Todavia, hoje, parecem não existir dúvidas de que a transferência de bens ao capital social constitui sim alienação, havendo contrato oneroso mediante o qual alguém recebe ações em troca de outros bens, como é o caso da recorrente. Nesse sentido: ADMINISTRATIVO. ENFITEUSE. TERRENO DE MARINHA. TRANSFERÊNCIA DE DOMÍNIO ÚTIL PARA FINS DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL. OPERAÇÃO ONEROSA. INCIDÊNCIA DO ART. 3º DO DECRETOLEI 2.398/87. 1. A classificação dos contratos em onerosos e gratuitos leva em conta a existência ou não de ônus recíproco: onerosos são os contratos em que ambas as partes suportam um ônus correspondente à vantagem que obtêm; e gratuitos são os contratos em que a prestação de uma parte se dá por mera liberalidade, sem que a ela corresponda qualquer ônus para a outra parte. 2. A constituição de qualquer sociedade, inclusive da anônima, tem natureza contratual (CC/16, art. 1.363; CC/2002, art. 981). A prestação do sócio (ou acionista), consistente na entrega de Fl. 193DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 dinheiro ou bem, para a formação ou para o aumento de capital da sociedade se dá, não por liberalidade, mas em contrapartida ao recebimento de quotas ou ações do capital social, representando assim um ato oneroso, que decorre de um negócio jurídico tipicamente comutativo. 3. Embargos de divergência conhecidos e providos. (EREsp 1104363/PE, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, CORTE ESPECIAL, julgado em 29/06/2010, DJe 02/09/2010) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. TRANSFERÊNCIA DE BEM IMÓVEL PARA A INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL DE EMPRESA. INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO. PRECEDENTES. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM PARA QUE SEJAM ANALISADAS AS QUESTÕES TIDAS POR PREJUDICADAS NOS EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. 1. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que é legítima a incidência de Imposto de Renda sobre ganhos de capital decorrentes da diferença entre o valor de aquisição e o de incorporação de imóveis de pessoa física, para integralização de capital de pessoa jurídica da qual é sócio. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.016.766/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 13/03/2009, REsp 70.2915/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ 21/09/2007, REsp 867.276/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ 08/11/2006, REsp 789.004/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 03/04/2006, REsp 660.692/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 13/03/2006, REsp 260.499/RS, Rel. Ministro Milton Luiz Pereira, Primeira Turma, DJ 13/12/2004. 2. No caso dos autos, tanto a sentença quanto o acórdão recorrido partiram da premissa de que a operação de integralização de capital social através do bem imóvel não configura "alienação" para fins de incidência do imposto de renda, na forma do art. 3º, § 2º, da Lei n. 7.713/88. Assim, não foram analisadas outras questões importantes para o deslinde da controvérsia, e outras acessórias, as quais não podem ser analisadas por esta Corte, seja por impossibilidade de supressão de instância, seja por encontrarem óbice na Súmula n.7/STJ, quais sejam: (i) a existência de prova, a cargo da embargante (eis que a CDA goza de presunção de certeza e liquidez a ser ilidida por prova inequívoca a cargo do sujeito passivo art. 204 do CTN), no sentido de não ter havido diferença entre o valor de aquisição e o de incorporação de imóveis de pessoa física; (ii) as questões arguidas pela embargante relativas aos encargos da mora (multa, juros e correção monetária); e (iii) a implicação do disposto no art. 23 da Lei n. 9.249/95 na hipótese, desde que não haja óbice de direito processual ou material para tanto, tais como a preclusão consumativa e outros. 3. Reconhecida a possibilidade de incidência de imposto de renda na operação realizada, devem os autos retornar à origem Fl. 194DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 190 11 a fim de que se proceda ao julgamento das questões tidas por prejudicadas nos embargos à execução. 4. Recurso especial provido para determinar o retorno dos autos à origem. (REsp 1214780/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/02/2011, DJe 04/03/2011) Posto isso, a questão a ser enfrentada é se é possível conceber que a integralização de quotas do capital social da empresa IACO Agrícola S/A é fato gerador da contribuição do produtor rural pessoa jurídica. Em outras palavras, se esta alienação caracteriza comercialização da produção rural. Parecenos correta a tese adotada no decisório de origem no sentido de que: O capital social corresponde ao investimento cios donos (sócios) da empresa para atender aos seus objet ivos econômicos. Para consecução desse desiderato (integralização do capital), os sócios podem, efet ivamente, ut i l izarse de dinheiro (moeda corrente) ou qualquer forma de bens ou direi tos, desde que tais valores possam ser avaliados em dinheiro. É o que diz o art. 7o da Lei n° 6 .404/76, ci tado pela contribuinte: "O capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação °m dinheiro". Ou seja, tais bens e direi tos hão de ter valor monetário, mercanti l , até porque se tem em vista que é com eles que os investimentos serão fei tos, as contas serão pagas, o mobiliário será adquirido, etc. Portanto, em tese, uma alienação de produtos rurais em troca de ações poderia consistir em um ato de comercialização da produção rural . Mas será que em todos os casos? A decisão de origem conclui que sim, com base em raciocínio que leva à conclusão de que, em suas própria palavras, seria “cabível, por extensão, interpretar que a integralização de quotas do capital social da empresa IACO Agrícola S/A acarretou na ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Ainda segundo a decisão de origem: (. . . ) o sentido do vocábulo "comercialização' ' da produção rural foi interpretado nas normatizações para englobar toda e qualquer operação a ser realizada com os produtos rurais dela decorrentes. Assim sendo, no caso em comento, está assemelhadamente caracterizada a ocorrência de dação em pagamento. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Por outro lado, perante a legislação tributária federal , o conceito de receita bruta independe da classificação contábil adotada pelo contribuinte pessoa jurídica, conforme bem esclarece o § I° do art. 3 o da Lei 9.718/98: (...) A situação fática encontrada na contribuinte é a seguinte: ao transferir seu estoque de mercadorias, à guisa de integralização do capital social, efetuou a 'comercialização' de sua produção rural. Entendimento diferente desse seria evadirse de obrigação fiscal, pois o recebimento das ações pagas pelo seu estoque ocasionou uma alienação de mercadorias que eram de sua propriedade e passaram para a propriedade de outra empresa. Também não seria cabível alegar que, agindo assim o fisco, estaria cobrando tributos por analogia, circunstância absolutamente vedada pelo § 1° do art. 108 do CTN. O que aqui se afirma é que existia a previsão legal para tributar a comercialização da produção rural e que a operação idealizada e realizada pela interessada para integralização das quotas do capital social da empresa controlada IACO Agrícola S/A, mediante a transferência de seu estoque de mercadorias, implica na comercialização da produção rural, logo na ocorrência do fato gerador desse tributo. Antes de adentrarmos, propriamente, na questão em comento, é de se consignar que não discordamos que a permuta ou a dação em pagamento possa consistir em comercialização. Nesse sentido: CONTRIBUIÇÃO SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS. CONTRATO DE PERMUTA. INCIDÊNCIA. § 8º DO ART. 195 DA CF/88. ART. 22 DA LEI 8.212/91. 1. O fato gerador da contribuição em tela é a comercialização de produtos rurais, tendo como base de cálculo o resultado bruto dessa comercialização. Assim sendo, inegável o reconhecimento da ocorrência da hipótese de incidência do tributo na permuta dos insumos para lavoura por produtos agrícolas, porque a permuta inserese no gênero comercialização, havendo na primeira expressão econômica relevante. 2. Ao se recusar ao recolhimento da contribuição previdenciária sobre a comercialização dos produtos rurais, a impetrante está recusando aos produtores rurais que celebram com ela contrato de permuta, a possibilidade de terem acesso aos benefícios previdenciários, deixandoos à margem da economia formal, oferecendolhes tratamento diferenciado aos demais produtores que efetuam a venda de sua produção. Ademais, não há qualquer oneração à impetração, uma vez que há subrogação do valor da contribuição recolhida, o qual será descontado dos produtores rurais. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 191 13 3. A Ordem de Serviço INSS/DAF nº146/98 longe está de vulnerar qualquer dispositivo legal, porquanto encontra pleno respaldo na Lei 8.212/91 e na Constituição Federal. (TRF 4ª Região, AMS 1999.71.10.0076464/RS, Rel. Des. Federal MARIA LÚCIA LUZ LEIRIA, 1ª TURNA, julgado em 23/06/2004) Ocorre que entendemos que a operação realizada, embora constitua alienação, não constitui comercialização de produção própria. Como destacou o então Ministro Cezar Peluso por ocasião do julgamento do RE 346.0846 (base de cálculo da Confins pré Emenda Constitucional 20/98), embora “as palavras (signos), assim na linguagem natural, como na técnica, de ambas as quais se vale o direito positivo para a construção do tecido normativo” sejam potencialmente vagas, “há sempre um limite de resistência, um conteúdo semântico mínimo recognoscível a cada vocábulo, para além do qual, parafraseando ECO, o intérprete não está “autorizado a dizer que a mensagem pode significar qualquer de determinadas condutas à norma” (ECO, Humberto. Interpretação e superinterpretação. Trad.: MF. São Paulo: Martins Fontes, 1993, p. 50). Portanto, embora comercializar possa significar muitas coisas, não pode significar tudo. E segue: Para afastar ambigüidades ou construir significados no discurso normativo, pode o legislador atribuir sentidos específicos a certos termos, como o faz, p. ex., no art. 3º do Código Tributário Nacional, que impõe a definição de tributo. Na grande maioria dos casos, porém, os termos são tomados no significado vernacular corrente, segundo o que traduzem dentro do campo de uso onde são colhidos, seja na área do próprio ordenamento jurídico, seja no âmbito das demais ciências, como economia (juros), biologia (morte, vida, etc.), e, até, em outros estratos lingüísticos, como o inglês (software, internet, franchising, leasing), sem necessidade de processo autônomo de elucidação. Quando o legislador, para responder a estratégias normativas, pretende adjudicar a algum velho termo, novo significado, diverso dos usuais, explicitao mediante construção formal do seu conceito jurídiconormativo, sem prejuízo de fixar, em determinada província jurídica, conceito diferente do que usa noutra, o que pode bem verse ao art. 327 do Código Penal, que define “funcionário público” para efeitos criminais (7), e ao art. 2º da Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/92), que atribui, para seus fins, análogo conceito à expressão “agente público”. Com base na lição extraída deste último trecho, podemos afirmar que se pretendesse o legislador dar amplitude maior ao termo “comercialização”, teria utilizado a Fl. 197DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 expressão “alienação” ou teria feito, expressamente, a equivalência daquela a esta. No entanto, resta indagar o que, efetivamente, significa “comercializar”; Para a legislação previdenciária, segurado especial, empregador rural pessoa física ou jurídica e mesmo a agroindústria praticam a denominada “comercialização da produção rural”, o que indica que tal ato não precisa ser exercido profissionalmente e, portanto, é independente do conceito de empresa, de empresário (art. 966 do Código Civil) ou mesmo da superada teoria dos atos de comércio (COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de direito comercial : direito de empresa, 18ª ed., São Paulo: 2007, p. 7 e 10). Portanto, adotamos o termo comercialização em seu sentido vernacular, pois não nos parece que nenhuma ciência possa ofertar conceito mais preciso ou específico. A operação realizada foi a transferência da totalidade dos produtos rurais que estavam lançados na contabilidade da empresa como “estoque”. Sob a perspectiva da alienação dos produtos rurais, a idéia imediata é, efetivamente, de comercialização. Todavia, se o comércio é “atividade que consiste em trocar, vender ou comprar produtos, mercadorias, valores etc., visando, num sistema de mercados, ao lucro” e comercializar é tornar algo “comerciável ou comercial” ou mesmo “fazer entrar no processo de distribuição comercial; pôr no fluxo do comércio” (dicionário eletrônico Houaiss), parecenos que uma operação societária não lhe pode equivaler. Com efeito, há atos praticados pela sociedade Se empresário é o exercente profissional de uma atividade econômica organizada, então empresa é uma atividade; a de produção ou circulação de bens ou serviços. É importante destacar a questão. Na linguagem cotidiana, mesmo nos meios jurídicos, usase a expressão "empresa" com diferentes e impróprios significados. Se alguém diz "a empresa faliu" ou "a empresa importou essas mercadorias", o termo é utilizado de forma errada, não técnica. A empresa, enquanto atividade, não se confunde com o sujeito de direito que a explora, o empresário. É ele que fale ou importa mercadorias. Similarmente, se uma pessoa exclama "a empresa está pegando fogo!" ou constata "a empresa foi reformada, ficou mais bonita", está empregando o conceito equivocadamente. Não se pode confundir a empresa com o local em que a atividade é desenvolvida. O conceito correto nessas frases é o de estabelecimento empresarial; este sim pode incendiarse ou ser embelezado, nunca a atividade. Por fim, também é equivocado o uso da expressão como sinônimo de sociedade. Não se diz "separamse os bens da empresa e os dos sócios em patrimônios distintos", mas "separamse os bens sociais e os dos sócios"; não se deve dizer "fulano e beltrano abriram uma empresa", mas "eles contrataram uma sociedade". Somente se emprega de modo técnico o conceito de empresa quando for sinônimo de empreendimento. Se alguém reputa "muito arriscada a empresa", está certa a forma de se expressar: o empreendimento em questão enfrenta consideráveis riscos de insucesso, na avaliação desta pessoa. Como ela se está referindo à atividade, é adequado falar em empresa. Outro exemplo: no princípio da preservação da empresa, construído pelo moderno Direito Comercial, o valor básico prestigiado é o da conservação da atividade (e não do empresário, do estabelecimento ou de uma sociedade), em virtude da imensa gama de interesses que transcendem os dos donos do negócio e Fl. 198DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 192 15 gravitam em torno da continuidade deste; assim os interesses de empregados quanto aos seus postos de trabalho, de consumidores em relação aos bens ou serviços de que necessitam, do fisco voltado à arrecadação e outros. (COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de direito comercial : direito de empresa, 18ª ed., São Paulo: 2007, p. 12) É por isso que o art. 981 do CC estabelece que “celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados”, sendo que o parágrafo único permite até que “a atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados”. Portanto, sociedade e empresa não se confundem. Nesse sentido, podemos citar atos tipicamente societários como o contrato social (arts. 981 e 997 do CC), a alteração contratual (arts. 1.071 e 1.072, § 3°, do CC), o distrato social (arts. 1.109, do CC) bem como as deliberações em assembléia ou reunião de sócios (arts. 1.078 e 1.072, §§ 1° e 3°, do CC) que não significam desenvolvimento da atividade empresarial, mas, como se disse, atos societários. Dessa forma, no caso em questão, enxergamos a subscrição de ações não como uma comercialização (atividade empresarial) cujo pagamento foi feito em ações, mas como um ato societário de “aumento de capital social da Companhia, mediante a emissão, para subscrição particular” que vinculou que a outra parte aderisse ao pacto sob uma forma específica, ou seja transferindo “bens, conforme laudos de avaliação, descrição e boletim de subscrição”. É verdade que, subjacente a este ato societário, há um contrato oneroso pelo qual as ações são permutadas por bens, de sorte que reconhecemos que um mesmo ato pode acabar representando distintos negócios jurídicos, no caso, um aumento de capital da IACO e uma alienação de patrimônio por parte da recorrente. Ou seja, nada impede que seja, ao mesmo tempo um ato societário (alteração contratual) e também um ato de alienação (compra e venda). Em suma, diante de uma único ato ou fato podemos ter a formação de diversas relações ou o advento de distintas conseqüências jurídicas (civil, penal, tributária, administrativa, etc.) Portanto, não se nega que houve alienação por parte da recorrente e, nessa medida, fosse o fato gerador a transferência onerosa (como é o caso do laudêmio) ou a transmissão, a qualquer título, da propriedade ou do domínio útil de bens imóveis (como é o caso do ITBI – ainda que aqui tenhamos a imunidade contida no art. 156, § 2°, da CF), não teríamos dúvidas quanto à ocorrência do fato imponível. Todavia, é preciso atentar que aqui estamos diante de um critério material assemelhado, mas não idêntico à alienação. Entendemos que somente haveria comercialização se a produção fosse alienada no exercício da atividade empresarial (empresa enquanto atividade, como visto) e não em decorrência de um ato societário de aumento de capital (ato praticado pelos sócios, que deliberam por alterar o contrato de sociedade). Vale dizer, não houve o exercício da atividade empresarial mediante deliberação da assembléia, mas, ao revés, uma alienação ou, se preferirem, uma transferência que em nada se relaciona ao desenvolvimento do objeto social da recorrente ( “produção e comercialização de açúcar, álcool, canadeaçúcar e demais derivados Fl. 199DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 de tal produto agrícola). Ao que consta, tais acontecimentos decorrem de razões estritamente societárias (sociedade) e não comerciais (empresa). A Lei n° 6.404/76 faculta que a empresa tenha “por objeto participar de outras sociedades” como é o caso das empresas de participações. Prevê ainda a Lei n° 6.404/76 que, ainda que não preveja o contrato ou estatuto, “a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais” (art. 2° , § 3°). Portanto, vê se que a própria lei não só faculta a participação como a qualifica como meio (e não fim), referentemente ao objeto social. Assim, se o objeto social é comercializar produção rural e não a participação em sociedades, a participação em sociedades figura como meio para a realização do objeto social (ato societário) e não o próprio desenvolvimento do objeto social (empresa). É claro que o ato societário pode, por assim dizer, comandar, por via indireta, uma atividade empresarial, como na hipótese em que se delibere por alterar o objeto social. Em conseqüência, teremos uma série de atos que configurarão o próprio desenvolvimento da atividade empresarial e que decorreram da deliberação do ato societário. Todavia, não é esta a hipótese dos autos. Não olvidamos que o ato societário foi praticado em nome de terceiro (IACO Agrícola S/A), mas a recorrente é parte deste ato societário, na medida em que subscreve as deliberações tomadas em assembléia. Portanto, na linha do exposto acima, estava ali praticando um ato societário e não a própria atividade empresarial (objeto social). Notese que a adoção da tese da autoridade fiscal, chancelada pela DRJ leva à conclusão de que haveria comercialização de toda a produção rural nas hipóteses de fusão, incorporação, ou cisão da sociedade, posto que o “estoque” também teria que ser transferido a terceiro. De novo, há alienação, mas não ato de comercialização. Nesse sentido, estabeleceu o STF que “a incorporação de bens ao capital social e um ato típico, não equiparável a ato de comércio” (Recurso Extraordinário nº 95.905, Relator Ministro Cordeiro Guerra, DJ de 01/10/82). Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim de que sejam excluídas do lançamento as operações que, comprovadamente, estejam relacionadas à subscrição de participação acionária junto à empresa IACO Agrícola S/A. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 200DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14120.000117/201011 Acórdão n.º 2302003.339 S2C3T2 Fl. 193 17 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10830.907402/2011-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 74 02 /2 01 1- 89 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 55 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 64), interpondo recurso tempestivo em 12/11/2013 (fls. 55). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907402/201189 Acórdão n.º 3802002.922 S3TE02 Fl. 67 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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