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Numero do processo: 18088.720063/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2010
LANÇAMENTO. PROVAS INDICIÁRIAS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL.
Cabe a fiscalização apresentar um conjunto de indícios que permita ao julgador alcançar a certeza necessária para o seu convencimento, afastando possibilidades contrárias, mesmo que improváveis. A certeza é obtida quando os elementos de prova confrontados pelo julgador estão em concordância com a alegação trazida aos autos.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. (CFL 38)
Por se tratar de infração formal, sem qualquer nexo com a obrigação principal deve ser mantida a penalidade por ter a empresa apresentado livro Diário sem as formalidades legais.
Numero da decisão: 2202-004.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para manter apenas a multa de obrigação acessória (CFL-38), vencidos os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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PROVAS INDICIÁRIAS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Cabe a fiscalização apresentar um conjunto de indícios que permita ao julgador alcançar a certeza necessária para o seu convencimento, afastando possibilidades contrárias, mesmo que improváveis. A certeza é obtida quando os elementos de prova confrontados pelo julgador estão em concordância com a alegação trazida aos autos. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. (CFL 38) Por se tratar de infração formal, sem qualquer nexo com a obrigação principal deve ser mantida a penalidade por ter a empresa apresentado livro Diário sem as formalidades legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para manter apenas a multa de obrigação acessória (CFL38), vencidos os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 00 63 /2 01 2- 71 Fl. 204DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto (SP): Tratase de créditos tributários constituídos pela fiscalização contra o interessado acima identificado, por meio dos seguintes Autos de Infração: AI DEBCAD nº 51.015.5367, no valor de R$ 222.622,262, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte devida pela empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurado contribuinte individual. AI DEBCAD nº 51.015.5375, no valor de R$ 16.670,98, referente à multa aplicada em razão de a empresa apresentar livro Diário, referente ao ano de 2010, sem as formalidades legais exigidas.. Os fatos geradores das contribuições lançadas foram os valores contabilizados pela empresa, no período de 1/2009 a 11/2010, como empréstimo ao Sr. Horst Jacob Happel (diretor presidente), mas considerados pela fiscalização como pagamento de prólabore indireto. Indícios constatados pela autoridade lançadora O contribuinte apresentou contrato de mútuo não registrado em cartório, que disponibiliza créditos de até R$ 4.000.000,00, sem data de vencimento, com remuneração de 1% ao mês, pelo empréstimo, que ficou em aberto. A dívida do Sr. Horst Jacob Happel está registrada nas DIRPF dos anoscalendário de 2007 a 2010. A empresa registrou prejuízo no valor de R$ 46.718.634,64 no anocalendário de 2008 e de R$ 1.446.597,56 no anocalendário de 2009. A empresa concedeu empréstimos milionários a seu diretor presidente, embora apresentasse prejuízos substanciais. A empresa concedeu empréstimos a sócios sem prazo para retorno, ainda mais em montantes vultosos, próximo ao valor do próprio capital social consolidado em 19/6/2008 (R$ 4.449.177,00). A dívida era de R$ 3.084.148,88 (DIRPF 2010). Houve confusão do patrimônio do sócio com o da empresa, com ofensa do princípio contábil da entidade. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 18088.720063/201271 Acórdão n.º 2202004.020 S2C2T2 Fl. 205 3 A operação foi desvantajosa para a empresa, pois o sócio não obteria esse benefício no mercado financeiro. Caracterização dos empréstimos aos sócios como pagamentos de prólabore, ante a não comprovação de que se tratava de empréstimo a sócio, do vínculo do sócio com a empresa e da habitualidade das operações. O mutuário obteve empréstimos mensais no período de 2007 a 2010. Após quatro anos dos primeiros empréstimos, ainda não houve amortização da dívida. Os valores originais, acrescidos de juros, totalizaram R$ 2.109.194,22 em 31/12/2010, conforme registro nos livros Diários de 2007 a 2010. O contrato não prevê qualquer tipo de garantia da dívida. Os valores recebidos do mútuo foram consumidos com despesas pessoais. O contrato de mútuo não averbado em registro público não possui validade perante terceiros (Código Civil). Houve confusão entre mutuário e o próprio mandatário da mutuante. A empresa apresentou prejuízos acumulados substanciais, não se justificando a concessão de empréstimos a título de mútuo sem qualquer esforço para o recebimento. Aplicação da penalidade mais benéfica Aplicada a penalidade menos severa, após comparativo entre as multas. Aplicação de multa qualificada O Sr. Horst Jakob Happel realizou uma ação ou omissão proposital, que retardou o conhecimento pelo Fisco da ocorrência do fato gerador, o qual foi detectado apenas por meio de ação fiscal por parte da autoridade tributária. Essa conduta se subsume a hipótese prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964. A conduta intencional do contribuinte restou configurada pela apresentação de documentos com o fim de acobertar a realidade das operações financeiras efetuadas, propositalmente denominada mútuo. Essas transações constituíramse em transferências de valores na forma de remuneração, da empresa para a conta bancária pessoal do seu diretorpresidente. Configurada a prática dolosa prevista no artigo 73 da Lei nº 4.502/1964 (conluio). Fl. 206DF CARF MF 4 O vulto e a habitualidade das transações realizadas afastam a possibilidade de mero equívoco, ou de um lapso isolado. Impugnação do contribuinte O interessado apresentou impugnação, na qual alega e requer, em suma, o seguinte: Ausência de comprovação da natureza de prólabore A autoridade lançadora não comprovou que os pagamentos realizados a título de empréstimo possuiriam natureza de pró labore. Ela concluiu que os pagamentos teriam a natureza de prólabore apenas por entender que eles não tinham a natureza de empréstimos. Tal raciocínio configura o emprego de presunção simples, que somente é admitido em direito tributário quando se verifiquem fatos coerentes e convergentes que conduzam a uma convicção firme e irrefutável acerca da existência do fato presumido. O uso de presunção simples não desincumbe o Fisco do ônus de provar. A presunção simples deve ser suficiente para eliminar a possibilidade de terem ocorrido fatos diversos daquele que busca evidenciar. No presente caso, a autoridade lançadora partiu da premissa de que os pagamentos efetuados pela impugnante teriam natureza diversa da declarada para, então, dar um grande salto: tais pagamentos são prólabore. É como dissesse: se não é empréstimo... acho que é prólabore. Se o ônus da prova é do Fisco, caberia a autoridade fiscal enumerar indícios suficientes a tornar plausível a conclusão de que os pagamentos teriam natureza de prólabore e ao mesmo tempo eliminar terceiras hipóteses. Não foi isso que ocorreu no presente caso. A presunção adotada pela autoridade fiscal mostrase muito mal formulada. A remuneração é um termo técnico, conforme previsto no artigo 28 da Lei nº 8.212/91. É o pagamento realizado com o fim de retribuir o trabalho. Para provála a autoridade fiscal deveria provar a existência do trabalho, o pagamento e o nexo de causalidade entre eles. A presunção adotada pela autoridade lançadora mostrase frágil, pois outras conclusões que poderiam ser presumidas não foram excluídas (tais como doação ou adiantamento de dividendos). Se a autoridade fiscal excluiu tais hipóteses, ela deveria ter demonstrado isso nos autos. A escolha realizada pela autoridade fiscal encontrase impregnada de dúvidas. Como há evidentes indícios de dúvida sobre os fatos e a sua natureza, deve prevalecer a interpretação mais benéfica ao contribuinte, nos termos do artigo 112, II do CTN. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 18088.720063/201271 Acórdão n.º 2202004.020 S2C2T2 Fl. 206 5 O artigo 112 do CTN é regra de hermenêutica que se aplica não apenas em matéria de penalidades, mas também com relação à exigência de tributos. A infração a legislação tributária também ocorre em relação àquele que não paga tributo. Incorreta descaracterização dos empréstimos A não comprovação da devolução do mútuo não teria o condão de afastar a sua natureza, uma vez que o mútuo pode ter prazo indeterminado e não há previsão legal fixando prazo máximo para a sua devolução. O artigo 592 do Código Civil apenas estabeleceu, para o mútuo feito sem prazo certo, um prazo mínimo para a sua devolução, se for de dinheiro. A exigência de registro público de um instrumento particular é necessária apenas para sua publicidade perante terceiros, para que não seja alegado o seu desconhecimento. A ausência do registro não invalida o mútuo perante as partes civis relacionadas à operação. (Transcreve ementas de decisões do CARF e trecho do Parecer Normativo CST nº 23/83) Ainda que se entenda que os contratos não sejam capazes de comprovar a efetiva realização do mútuo, a operação pode ser demonstrada por outros documentos, tais como extratos bancários, recibos, declarações de imposto de renda do seu diretorpresidente e guias de recolhimento de IOF incidentes sobre as operações de mútuo. Segundo o CARF, a efetiva prova da realização de mútuo não é comprovada pelo seu contrato, mas pela demonstração do trânsito do numerário. (Transcreve ementa de decisão do CARF) Improcedência do agravamento – ausência de dolo Não foi comprovada a prática de conduta dolosa pelo contribuinte, passível de ser classificada como sonegação, fraude e conluio. O contribuinte sempre acreditou estar agindo dentro do permitido pela lei. Se não ocorreu o fato tributável, não faz sentido falar em omissão de informações e uso de estratégias diversificadas para mascarar a realidade, bem como em existência de conluio entre a impugnante e o seu diretor presidente. A Súmula 14 do CARF reforça a necessidade de explícita comprovação do evidente intuito de fraude em casos como esse. Se entender que a multa qualificada decorre da simples falta de recolhimento de tributos, é sólido o entendimento doutrinário e jurisprudencial de não autorizar a qualificação da multa nesse caso. Fl. 208DF CARF MF 6 Portanto, a multa agravada de 150% deve ser reduzida para 75%. Não caracterização do descumprimento de obrigação acessória A infração não foi adequadamente motivada pela autoridade lançadora, pois esta não precisou as formalidades legais que deixaram de ser atendidas no livro Diário do ano de 2011 e porque a conduta seria considerada ilegítima, cerceando assim o exercício do direito de defesa da impugnante. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento negou provimento ao Recurso Voluntário em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2010 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. O lançamento é efetuado de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. A autoridade administrativa pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com simulação, com base no princípio da primazia da realidade, segundo a qual a substância deve prevalecer sobre a forma. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Aplicase a multa qualificada prevista no artigo 44, I, § 1o da Lei nº 9.430/96 quando verificada a ocorrência de conduta dolosa caracterizada como sonegação. INTIMAÇÃO DE PROCURADORES. As intimações devem ser feitas no domicílio tributário fornecido pelo contribuinte à administração tributária, inexistindo previsão legal, no âmbito do processo administrativo fiscal, para que as intimações sejam encaminhadas aos seus procuradores PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO SUJEITO PASSIVO. COMPARAÇÃO. Para fins de aplicação da penalidade mais benéfica ao sujeito passivo (CTN, art. 106, II, “c”), as penalidades anteriormente previstas para as infrações relativas a apresentação de declaração inexata (artigo 32, §5º da Lei nº 8.212/91) e falta de recolhimento de tributo (artigo 35, II a Lei nº 8.212/91) deverão ser somadas e comparadas com a nova penalidade introduzida pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº11.941/2009 (multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1997), que se destina a punir ambas as infrações referidas. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 18088.720063/201271 Acórdão n.º 2202004.020 S2C2T2 Fl. 207 7 Cientificado da decisão acima transcrita (fls.160), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 162 à 184, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. O presente lançamento decorre da desconsideração de contrato de empréstimo realizado pelo Recorrente ao sócio diretor. Como conseqüência houve a reclassificação dos valores recebidos que passaram a ser considerados pela fiscalização como pró labore o que motivou o lançamento das contribuições sociais. Conforme demonstrado no relatório, a autoridade fiscal utilizouse dos seguintes elementos para desconsideração do contrato de mútuo: a) o contrato de mútuo não foi registrado em cartório; b) o recorrente registrou prejuízo no valor de R$ 46.718.634,64 no ano calendário de 2008 e de R$ 1.446.597,56 no anocalendário de 2007; c) Embora apresentasse prejuízos a empresa concedeu empréstimos milionários ao sócio. d) os empréstimos foram concedidos sem prazo de retorno; e) o valor total dos empréstimos eram próximos do valor do próprio capital social do Recorrente; f) o mutuário recebeu os valores no período de 2007 à 2010 e, até o lançamento, não havia realizado a amortização da dívida; g) o contrato de mútuo não prevê qualquer tipo de garantia; h) os valores recebidos do mútuo foram consumidos com despesas pessoais do sócio; i) o contrato de mútuo não averbado não possui validade contra terceiros; j) houve confusão do patrimônio do sócio com o da empresa, com ofensa do princípio contábil da entidade; l) a operação foi desvantajosa para a empresa, pois o sócio não obteria esse benefício no mercado financeiro; Fl. 210DF CARF MF 8 Entendo que a análise do lançamento pressupõe duas etapas. A primeira consiste em verificar se as objeções apontadas pela autoridade fiscal são suficientes para descaracterizar o contrato de mútuo. A segunda consistem verificar se, uma vez descaracterizado o referido contrato, estaria correta a tributação como valores recebidos à título de prólabore. É o que passaremos a analisar. 1) O CONTRATO DE MÚTUO A autoridade fiscal apresentou como elementos suficientes para descaracterização do contrato de mútuo o fato de não ter sido registrado em cartório, de ter sido pactuado sem prazo de retorno e não possuir qualquer tipo de garantia. Antes de analisarmos individualmente as referidas objeções, é importante verificar o tratamento legal da matéria previsto nos artigos 586 à 592 do Código Civil abaixo transcritos: Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Art. 587. Este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada ao mutuário, por cuja conta correm todos os riscos dela desde a tradição. Art. 588. O mútuo feito a pessoa menor, sem prévia autorização daquele sob cuja guarda estiver, não pode ser reavido nem do mutuário, nem de seus fiadores. Art. 589. Cessa a disposição do artigo antecedente: I se a pessoa, de cuja autorização necessitava o mutuário para contrair o empréstimo, o ratificar posteriormente; II se o menor, estando ausente essa pessoa, se viu obrigado a contrair o empréstimo para os seus alimentos habituais; III se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho. Mas, em tal caso, a execução do credor não lhes poderá ultrapassar as forças; IV se o empréstimo reverteu em benefício do menor; V se o menor obteve o empréstimo maliciosamente. Art. 590. O mutuante pode exigir garantia da restituição, se antes do vencimento o mutuário sofrer notória mudança em sua situação econômica. Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumem se devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será: I até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura; II de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro; Fl. 211DF CARF MF Processo nº 18088.720063/201271 Acórdão n.º 2202004.020 S2C2T2 Fl. 208 9 III do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível.(grifamos) Pelas disposições legais acima transcritas, é possível verificar que as objeções apontadas pela autoridade fiscal não se sustentam. Com efeito, o contrato de mútuo não exige forma específica, o que torna desnecessário o seu registro em cartório. Tal fato foi reconhecido pela decisão recorrida e pela própria Receita Federal no Parecer Normativo CST nº 23/83, o qual dispõe: 2.1 Não tem relevância a forma pela qual o empréstimo se exteriorize; contrato escrito ou verbal, adiantamento de númerário ou simples lançamento em conta corrente, qualquer feitio que configurar capital financeiro posto à disposição de outra sociedade sem remuneração, ou com compensação financeira inferior àquela estipulada na lei, constitui fundamento para aplicação da norma legal. (grifamos) Quanto ao prazo, verificase que o artigo 592 não é norma imperativa. Isso porque, como corretamente alega o Recorrente, o legislador fixou apenas um prazo mínimo para devolução do mútuo envolvendo dinheiro. A conclusão natural, portanto, é a de que, a contrario sensu, não foi estabelecido um prazo máximo. É importante ressaltar que a própria decisão recorrida reconhece que os contratos de mútuo não precisam possuir um prazo determinado. Da mesma forma, o artigo 590, acima transcrito, deixa claro que a exigência de garantia é uma faculdade do mutuante, motivo pelo qual, sua inexistência não pode ser utilizada para descaracterizar o contrato de mútuo. Por outro lado, foram trazidos aos autos os seguintes elementos de comprovação do referido contrato: a) recibos de pagamento e comprovante de depósito bancário do mútuo; b) Declarações de imposto de renda do mutuário (Sr. Host Jakob Happel) na qual os empréstimos foram declarados; c) comprovante de recolhimento do IOF incidente sobre as operações de mútuo entre pessoa jurídica e pessoa física. O que se percebe do relatório fiscal é que fiscalização se esforçou para demonstrar que o contrato de mútuo, nos termos em que pactuado, só foi possível porque o mutuário era sócio administrador da mutuante. Em outras palavras, foi realizado um contrato de mútuo em condições prejudiciais ao Recorrente (mutuante), não usuais em contratação de mercado.Todavia, tal fato não é suficiente para desconsideração do contrato de mútuo, embora pudesse gerar reflexo na apuração do IRPJ, uma vez que não se tratavam de despesas necessárias e usuais à atividade da empresa. II DO LANÇAMENTO DOS VALORES RECEBIDOS À TÍTULO DE MÚTUO COMO RECEBIMENTO DE PRÓLABORE POR PARTE DO SÓCIO. Ainda que se admitisse a descaracterização dos contrato de mútuo para fins fiscais, a operação realizada pela autoridade fiscal, como já dito é dúplice. Isso significa que a autoridade lançadora tem duplo ônus da prova. O de descaracterizar o negócio jurídico tido Fl. 212DF CARF MF 10 como simulado e de comprovar o negócio jurídico "real". É o que dispõe o artigo 167 ao tratar dos efeitos dos negócios jurídicos simulados: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. O que se constata no caso em questão é, que ainda que se admita que a autoridade fiscal tenha comprovado a invalidade do contrato que procurou descaracterizar, não fez a prova de que tais valores constituíam fato gerador das contribuições em questão. Isso porque o relatório fiscal se limita a afirmar que: Os valores em questão decorrem do vínculo que mencionado sócio mantém com a empresa e representam, pela benesse com que se revestem, pró labore indireto, dado que não restou demonstrado trataremse de empréstimos. De igual sorte, houve habitualidade em sua efetivação, porque pago em diversas e sucessivas competências dos referidos exercícios O fato de se utilizar da qualidade de sócio para obtenção de empréstimo da pessoa jurídica em condições mais favoráveis do que obteria em uma livre contratação de mercado não leva, necessariamente, à conclusão te que tais valores deveriam ser qualificados como prólabore, especialmente quando existem situações na legislação tributária que contemplam a referida situação. Com efeito, todos os indícios apresentados pela autoridade fiscal destinamse a demonstrar que a referida contratação ocorreu em situação anômala, a qual só foi possível em virtude da posição de sócio administrador do mutuário. Essa situação vem contemplada pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica ao tratar da denominada Distribuição Disfarçada de Lucros. Por meio do referido instituto a legislação trata de hipóteses em que a sociedade faz pactuações desvantajosas aos seus interesses com pessoas relacionadas, conforme ser verifica pela leitura dos artigos 464 e 465 do RIR/99 abaixo transcritos: Art.464.Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica I aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; II adquire, por valor notoriamente superior ao de mercado, bem de pessoa ligada; III perde, em decorrência do não exercício de direito à aquisição de bem e em benefício de pessoa ligada, sinal, depósito em garantia ou importância paga para obter opção de aquisição; IV transfere a pessoa ligada, sem pagamento ou por valor inferior ao de mercado, direito de preferência à subscrição de valores mobiliários de emissão de companhia; V paga a pessoa ligada aluguéis, royalties ou assistência técnica em montante que excede notoriamente ao valor de mercado; VI realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais Fl. 213DF CARF MF Processo nº 18088.720063/201271 Acórdão n.º 2202004.020 S2C2T2 Fl. 209 11 vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. §1º O disposto nos incisos I e IV não se aplica nos casos de devolução de participação no capital social de titular, sócio ou acionista de pessoa jurídica em bens ou direitos, avaliados a valor contábil ou de mercado §2ºA hipótese prevista no inciso II não se aplica quando a pessoa física transferir a pessoa jurídica, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante na respectiva declaração de bens §3º A prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, exclui a presunção de distribuição disfarçada de lucros (grifamos) Ao tratar do tema em sua obra Distribuição Disfarçada de Lucros, LUÍS EDUARDO SCHOUERI, cita um exemplo da jurisprudência alemã que se muito se assemelha à hipótese dos autos. Vejamos: Outro critério interessante que Lange extrai da jurisprudência alemã, que não encontra reflexo no direito brasileiro, é o do montante do empréstimo em relação ao patrimônio da pessoa jurídica. Para os juízes alemães, deve ser afastada a existência de um empréstimo e configurada uma distribuição disfarçada de lucros, quando o montante do empréstimo alcançar uma parte significativa do patrimônio total da pessoa jurídica ou quando for dado em garantia, uma vez que "um homem com raciocínio econômico não estaria disposto a emprestar um montante elevado a outrem, sem previsão temporal para restituição, sem garantia e talvez sem juros".(SCHOUERI, Luís Eduardo Distribuição Disfarçada de Lucros ed. Dialética, p. 63) No caso da Distribuição Disfarçada de Lucros DDL a legislação utiliza uma presunção legal de que estaria caracterizado o fato gerador do IRPJ, uma vez demonstrada qualquer das situações acima descritas. Vale dizer, comprovadas as situações acima narradas, estaria a autoridade fiscal dispensada de demonstrar que os valores constituem renda. Todavia, o mesmo não ocorre no caso em questão. Isso significa que cabe à autoridade fiscal demonstrar que os pagamentos realizados à título de empréstimo se subsumem ao fato gerador das contribuições sociais. Com efeito, estabelece o artigo 28 da Lei nº 8.212/91: "Art. 28 Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos Fl. 214DF CARF MF 12 termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (grifamos) Dessa forma, como bem ressalta o Recorrente, para que a autoridade fiscal os caracterizasse como prólabore era imprescindível que comprovasse a existência do trabalho, o pagamento e o nexo de causalidade entre eles. Todavia, no caso dos autos, não foi demonstrada a realização do trabalho e o nexo de causalidade entre este e o pagamento. Como reconhecido na própria decisão recorrida, o lançamento em questão parte das chamadas provas indiciárias ou indiretas. Ao utilizar as mencionadas provas é imprescindível que a fiscalização demonstre que o fato controvertido (prólabore) tem ligação direta com o fato conhecido (mútuo). Nesse sentido, valiosas as ponderações de FÁBIO PIOVESAN BOZZA: Por se tratar de prova indireta, a conclusão sobre a existência do fato principal desconhecido, a partir do indício, estará sujeita a diferentes graus de crença. Se o fato desconhecido pode ter multiplicidade de causa, ou ser causa de muitos efeitos, o indício isolado perde a força e impede o emprego da presunção. Por isso o quadro de indícios deve ser: (i) preciso: o fato controvertido deve ter ligação direta com o fato conhecido, podendo dele extrair consequências claras e efetivamente possíveis, a ponto de rechaçar outras possíveis soluções; (ii) grave: resultante de uma forte probabilidade e capacidade de induzir à persuasão; (iii) harmônico: com indícios concordantes entre si e não contraditórios, os quais convergem para a mesma solução, de modo a aumentar o grau de confirmação lógica sobre uma dada ilação. (BOZZA, Fábio Piovesan Planejamento Fiscal e Autonomia Privada ed. Quartier Latin, p. 193) (grifos no original) Além disso, para a comprovação de que os referidos pagamentos, diante dos indícios apontados, se caracterizam como prólabore era fundamental que a autoridade fiscalizadora eliminasse, fundamentadamente, sua reclassificação em outra hipótese constante da legislação. Nesse sentido, já se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 0105.095, cuja ementa é a seguinte: "Recurso Voluntário Omissão de Receita Presunção Simples Cabe a fiscalização apresentar um conjunto de indícios que permita ao julgador alcançar a certeza necessária para o seu convencimento, afastando possibilidades contrárias, mesmo que improváveis. A certeza é obtida quando os elementos de prova confrontados pelo julgador estão em concordância com a alegação trazida aos autos. Se remanescer dúvida razoável da improcedência da exação, o julgador não poderá decidir contra o acusado. No estado de incerteza, o Direito preserva a liberdade em sua acepção mais ampla, protegendo o contribuinte da interferência do Estado sobre o seu patrimônio.(grifamos) No caso dos autos, os indícios trazidos pela autoridade fiscal, além não possuírem nexo de causalidade com a hipótese lançada (contribuições sociais), convergem para Fl. 215DF CARF MF Processo nº 18088.720063/201271 Acórdão n.º 2202004.020 S2C2T2 Fl. 210 13 o instituto da Distribuição Disfarçada de Lucros, ou, ainda que assim não se entenda, poderiam ser tributados como uma espécie de despesa não dedutível na apuração do IRPJ. Com efeito, de acordo com o artigo 299 do RIR/99 : Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (grifamos) Em face do exposto, entendo que o conjunto de indícios trazidos aos autos não são suficientes para a comprovação do fato gerador das contribuições previdenciárias, motivo pelo qual, dou provimento ao recurso voluntário. 3) DA APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA NO PERCENTUAL DE 150%. O Recorrente se insurge, também, quanto a aplicação da multa qualificada de 150% por entender que não teria utilizado de qual qualquer artifício para ocultar o que teria ocorrido, como falsificação de notas e adulteração de comprovantes. Nesse ponto, entendo correta a alegação do Recorrente. Por mais que se reconheça a prática de planejamento fiscal não oponível ao fisco, entendo que não está configurada a fraude penal necessária a aplicação da multa agravada. Como esclarece MARCO AURÉLIO GRECO em sua obra planejamento fiscal: Outra observação a ser feita é a de que a incidência do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que leva à multa mais onerosa, supõe a ocorrência inequívoca do intuito fraudulento. Vale dizer, não é toda e qualquer hipótese de falta de pagamento, etc. prevista no inciso I que vai levar a multa em dobro. Se não houve o intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido que levava ao enquadramento em regime ou previsão legalmente mais favorável não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 44, mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude a que se refere o dispositivo. A multa agravada só tem cabimento se o elemento subjetivo do tipo for a fraude no sentido de enganar, esconder, iludir etc. Hipóteses de razoável e justificável divergência de qualificação jurídica não configuram a "fraude" a que se refere o incido II. Fl. 216DF CARF MF 14 Poderão em tese configurar fraude civil ou fraude à lei, mas esta não está alcançada pelo inciso II. (grifamos) Além disso, o artigo 112 do Código Tributário Nacional é claro ao dispor que " A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato". Em face do exposto, entendo que a multa agravada deverá ser reduzida para o percentual de 75%; 6) DA CORRETA APLICAÇÃO DA MULTA PUNITIVA. Por fim, alega a Recorrente que, se alguma multa de mora fosse aplicada esta deveria ser a multa de 20% previta no artigo 61 da Lei nº 9.430/96. Nesse ponto, entendo correta a alegação do Recorrente. Conforme consta do voto do Conselheiro Martin da Silva Gesto, proferido na decisão constante do Acórdão 2202 003.445: Na data da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais em questão, qualquer outro dispositivo que dispunha sobre normas punitivas aplicas à falta ou ao atraso do seu recolhimento, ou seja, não incidia sobre tais infrações multa de ofício. Assim, o atraso ou não pagamento das contribuições era punido única e exclusivamente pela multa de mora, cujo percentual variava segundo o momento do adimplemento. Somente há que se falar em aplicação de multa de ofício aos fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/08, a qual acrescentou a Lei nº 8.212/91 o art. 35A que prevê expressamente que nos casos de lançamento de ofício das contribuições sociais previstas no art. 11 do mesmo diploma aplicarseá o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 multa de ofício de 75%, podendo esta ser majorada a 150% caso ocorram as hipóteses de qualificação. Desse modo, antes da edição da Medida Provisória nº 449/08, aos fatos geradores que ensejavam aplicação de penalidade pelo atraso ou pelo não pagamento das contribuições sociais aplicavase multa de mora em percentual que variava, conforme data do efetivo pagamento, de 24% à 100% (art. 35, II e III da Lei 8.212/91 com redação anterior à Lei nº 10.941/09); Após a Medida Provisória nº 449/08, nos termos do art. 61, a multa de mora é única e fixada em trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Em face do exposto, dou provimento ao recurso para reduzir a multa para 0,33%, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). 7) DA EXCLUSÃO DA MULTA POR OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (CFL 38) A autoridade fiscal lançou, também, no AI DEBCAD nº 51.015.5375 a multa por ter a empresa apresentado livro Diário, referente ao ano de 2010, sem o cumprimento das formalidades legais exigidas. Tratase, no caso, de infração formal que não possui qualquer nexo de causalidade com a obrigação principal. Sendo assim, ainda que seja provido o recurso deverá ser mantida. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 18088.720063/201271 Acórdão n.º 2202004.020 S2C2T2 Fl. 211 15 8) CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para manter apenas a multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 38). (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16000.000342/2007-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/05/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. CABIMENTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado.
Hipótese em que, no acórdão embargado, houve contradição do decisum registrado em relação ao teor do voto vencedor.
Numero da decisão: 9202-005.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pelo conselheiro para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-005.134, de 24/01/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, quanto às aquisições ocorridas após a vigência da Lei nº 10.256, de 2001 e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: Relator
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CONTRADIÇÃO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão embargado, houve contradição do decisum registrado em relação ao teor do voto vencedor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pelo conselheiro para, reratificando o Acórdão nº 9202005.134, de 24/01/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, quanto às aquisições ocorridas após a vigência da Lei nº 10.256, de 2001 e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 0. 00 03 42 /2 00 7- 44 Fl. 620DF CARF MF Processo nº 16000.000342/200744 Acórdão n.º 9202005.546 CSRFT2 Fl. 621 2 Relatório Tratase de embargos de declaração de iniciativa deste Conselheiro relator, com fulcro no previsto no art. 65, §1o, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº. 343, de 09 de junho de 2015 (efls. 617/618). Referese o embargante ao Acórdão nº 9.202005.134, deste Colegiado, julgado na sessão plenária de 24 de janeiro de 2017, onde, por maioria de votos, conheceuse parcialmente e, quanto à parte conhecida, deuse provimento a Recurso Especial do Contribuinte. Transcrevese a ementa e decisão do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 31/05/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial em relação ao decisum recorrido, considerada aqui a lei vigente à época de ocorrência dos fatos geradores em questão. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBRROGAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF. Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei no. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física. Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 16000.000342/200744 Acórdão n.º 9202005.546 CSRFT2 Fl. 622 3 As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário no. 363.852, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança. Decisão: por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do contribuinte, quanto às aquisições ocorridas até a vigência da Lei nº 10.256, de 2001 e, no mérito, na parte conhecida, em darlhe provimento. A propósito, alega o embargante nítida contradição a ser sanada na decisão, constante da ata da sessão e reproduzida no Acórdão formalizado, uma vez que o voto condutor, em linha com o entendimento esposado por este Colegiado e com os paradigmas anexados pela Recorrente, foi no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, exclusivamente quanto às aquisições ocorridas após a vigência da Lei nº 10.256, de 2001 e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. Já o decisum reproduzido em ata e formalizado no Acórdão recorrido registra o conhecimento parcial do pleito do Contribuinte quanto às aquisições ocorridas até a vigência da Lei nº 10.256, de 2001 e, no mérito, na parte conhecida, dar provimento ao recurso. Caracterizada, assim, conforme alegação contida no pleito, apresentaria clara contradição entre o voto condutor e a decisão formalizada no Acórdão. Os embargos, na forma de despacho de admissibilidade de efl. 619, foram regularmente admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Inicialmente, de se reproduzir o teor do decisum embargado, verbis: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do contribuinte, quanto às aquisições ocorridas até a vigência da Lei nº 10.256, de 2001 e, no mérito, na parte conhecida, em darlhe provimento." Em linha com o argumento constante do pleito sob análise, verifico existir nítida contradição entre o teor do decisum supra e o voto vencedor constante do Acórdão embargado, o qual, de maneira expressa, se posiciona no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Especial do contribuinte, quanto às aquisições ocorridas após a vigência da Lei nº 10.256, Fl. 622DF CARF MF Processo nº 16000.000342/200744 Acórdão n.º 9202005.546 CSRFT2 Fl. 623 4 de 2001 e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento, expressis verbis (efls. 604 a 613 ): "(...) Todavia, verifico que ambos os primeiros Acórdãos citados pela recorrente em sede recursal e, assim, aceitos como paradigmas referemse a fatos geradores já sob a vigência da Lei 10.256, de 2001, restando assim, só caracterizada a existência de divergência interpretativa quanto às aquisições (fatos geradores) ocorridas(os) após a vigência da referida Lei. Assim, não conheço do recurso quanto às aquisições realizadas até a vigência da Lei no. 10.256, de 2001. Quanto às aquisições já realizadas sob a égide da Lei no. 10.256, de 2001, passo à análise de mérito. (...) Alinhome, assim, aos que entendem que a inconstitucionalidade decretada no âmbito do RE 363.852/MG limitase: a) aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei no. 10.256, de 2001 (que não estão sob litígio no presente caso, a partir do conhecimento parcial supra) e (...) (...) Ou seja, com base na fundamentação acima disposta, só há que se falar de inconstitucionalidade da exação objeto de lançamento (visto que não abrangida pela decisão prolatada no âmbito do RE 363.852/MG) para as aquisições realizadas antes da vigência da Lei no. 10.256, de 2001, e, destarte, tendo sido o Recurso conhecido somente quanto aos fatos geradores ocorridos após a vigência da referida Lei no. 10.256, de 2001, nego provimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte nesta matéria quanto à parte conhecida, mantendose o lançamento na forma que efetuado. (...) Assim, a partir do disposto no parágrafo único do art. 94 acima reproduzido,posteriormente renumerado para § 1o., também aqui, a partir na delimitação da abrangência do decisum prolatado nos RE 363.852/MG já anteriormente efetuada, de se entender que também a contribuição ao SENAR só foi objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no âmbito daquele Recurso Extraordinário no âmbito da vigência das Leis 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997. Assim, também de se negar provimento parcial ao Recurso Especial neste item na parte conhecida, para manter o lançamento na forma que efetuado. 3. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, exclusivamente quanto às Fl. 623DF CARF MF Processo nº 16000.000342/200744 Acórdão n.º 9202005.546 CSRFT2 Fl. 624 5 aquisições ocorridas após a vigência da Lei nº 10.256, de 2001 e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento." Assim, diante do exposto, voto por acolher, com efeitos infringentes, os embargos, para, reratificando o Acórdão nº 9202005.134, de 24/01/2017, alterar a decisão recorrida para conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, quanto às aquisições ocorridas após a vigência da Lei nº 10.256, de 2001 e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 624DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.000373/00-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE TERCEIROS. DECISÃO JUDICIAL. SENTENÇA DEFINITIVA. COISA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE.
Decisão judicial transitada em julgado deve ser cumprida nos termos do que foi determinado.
No presente caso, a decisão judicial não autorizou a Contribuinte compensar créditos/débitos com terceiros.
Numero da decisão: 9303-005.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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DIAS BRANCO S. A. COMÉRCIO E INDÚSTRIA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE TERCEIROS. DECISÃO JUDICIAL. SENTENÇA DEFINITIVA. COISA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Decisão judicial transitada em julgado deve ser cumprida nos termos do que foi determinado. No presente caso, a decisão judicial não autorizou a Contribuinte compensar créditos/débitos com terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 03 73 /0 0- 62 Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10380.000373/0062 Acórdão n.º 9303005.397 CSRFT3 Fl. 355 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte ao amparo do art. 7º, inciso. II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF n 2 147, de 25 de junho de 2007, em face do Acórdão n° 30239.637, de 09/07/2008, proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que decidiu em dar negar provimento ao Recurso Voluntário, tendo em vista a sentença judicial transitada em julgado limitando a compensação dos valores recolhidos em excesso do Finsocial com as parcelas vincendas a titulo de Cofins e em nome de outro titular. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Trata o presente processo de Pedido de Compensação de Débitos com Crédito de Terceiros, solicitado através do documento de fls. 01, protocolado em 14/01/2000, no qual, a requerente retro identificada, requer a compensação de suposto crédito da empresa "Ximenes Tecidos Sociedade Anônima", CNPJ n° 07.256.670/000112 no valor de R$ 161.967,52 (cento e sessenta e um mil, novecentos e sessenta e sete reais e cinqüenta e dois centavos), referente a recolhimento a maior a titulo de FINSOCIAL, com base na sentença judicial relativa ao Mandado de Segurança n." 93.00305140, 5" Vara CE, com os débitos constantes no pedido de compensação de fls. 92, alterado pela declaração de compensação de fls. 96, datada de 21/07/2003. Foram ainda anexados vários documentos, dentre os quais Demonstrativo de Correção até 02/2000 dos Créditos Remanescentes, fls. 88, petição inicial relativa ao processo judicial n° 93.00305140, fls. 15/22, cópia da sentença n°1764/94 (Mandado de Segurança n° 93.00305140, fls. 106/115 e Certidão do Transito em Julgado, fls. 43. Complementando a instrução do processo foi anexada, às fls. 116/117, pesquisa ao site do Tribunal Regional Federal da 5" Região TRF 5, referente ao Mandado de Segurança já citado e, tis fls. 118 a 125, cópia do Recurso Especial n° 98.846CE, junto ao Superior Tribunal de Justiça. A autoridade a quo, acatando integralmente os termos da informação fiscal de fls. 126/127, por meio do Despacho Decisório de fls. 128, ao apreciar o pleito, decidiu pelo indeferimento do pedido, sob o fundamento de que as decisões judiciais não autorizam a restituição dos valores supostamente pagos a maior, nem tampouco assegura a compensa cão do crédito com débito de terceiros, garantindo apenas a compensação com a COFINS devida pelo autor da ação, não cabendo a este órgão administrativo ampliar os efeitos da decisão judicial. Notificada da decisão em 08/07/2005, AR a fl. 138, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade em 05/08/2005, fls. 139/163, acompanhada da documentação de fls. 165/194, com o objetivo de comprovar a legitimidade do crédito em pauta, apresentando as argumentações reproduzidas a seguir (destaques do original): Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10380.000373/0062 Acórdão n.º 9303005.397 CSRFT3 Fl. 356 3 (a) por força do art. 42,f 3°, do Código de Processo Civil Brasileiro, a sentença do processo n° 93.00305140, proferida entre as partes originarias, isto é, entre XIMENES TECIDOS SOCIEDADE ANÔNIMA e o ATO DO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL, estende os seus efeitos ao adquirente ou ao cessionário, ou seja, e M DIAS BRANCO INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA., cessionária dos créditos oriundos de indébitos recolhidos por XIMENES TECIDOS SOCIEDADE ANÔNIMA a titulo de FINSOCIAL; (b) por conseguinte, incontroverso que era o direito de compensação de créditos com débito de terceiros„e indiscutivelmente estendidos os efeitos das citadas decisões judiciais à Manifestante, na qualidade de cessionária dos créditos em comento, absolutamente não se pode considerar desautorizada a utilização de tais créditos para a extinção de seus débitos; (c) a própria Manifestante, ao ensejo das ações judiciais n° 94.0066660 e re 94.00080204, ambas por ela própria ajuizadas, restou igualmente assegurada no direito de compensar créditos de FINSOCIAL com débitos devidos a titulo de COFINS, assim, ainda que os efeito judiciais proferidas ao ensejo do processo judicial 93.00305140 não alcançassem a Manifestante, HIPÓTESE QUE SE ADMITE APENAS PELO APEGO AO DEBATE, a homologação da compensação por pleiteada/declarada pela Manifestante é perfeitamente possível, na medida em que os créditos a si transferidos, integrados ao seu patrimônio, podem compensados com seus débitos relativos à COFINS, por for0 das decisões proferidas nos processos citados processos; (d) a legislação tributária vigente na data do protocolo do pedido/declaração de compensação (14/01/2000), consubstanciada, precisamente, na Lei N° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e na Instrução Normativa SRF N° 21, de 10 de março de 1997, era inteiramente favorável à contribuinte ora Manifestante, tendo em vista que, analisandose a redação original conferida ao art. 74 e parágrafos da Lei N°9.430/1996, antes das alterações legislativas de que foi alvo, em especial pela Lei N°10.637, de 30/12/2002, e Lei N" 11.051, de 29/12/2004, concluise, de plano, que tal diploma legal inaugurou a possibilidade de compensação entre créditos e débitos relativos a quaisquer tributos, disciplinando o respectivo procedimento, o qual foi adotado pela Manifestante em 14/01/2000; O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FOR nº 089.623, de 30/11/2006; proferida pelos membros da 3º Turma da DRJ em Fortaleza, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 AÇÃO JUDICIAL SENTENÇA DEFINITIVA COISA JULGADA A sentença definitiva em ação judicial, que dá suporte a existência de créditos em favor de um contribuinte, a serem quantificados e confrontados com seus débitos, através da compensação, deve ser obedecida em seus exatos termos. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10380.000373/0062 Acórdão n.º 9303005.397 CSRFT3 Fl. 357 4 Solicitação Indeferida." O Acórdão da decisão recorrida restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 FINSOCIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. É de se obedecer a sentença em seus exatos termos, quando transitada em julgado, cujos créditos são em favor de um contribuinte, bem como a compensação desses valores. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, requerendo o provimento do apelo, homologandose a compensação, extinguindose, por definitivo, o respectivo crédito tributário. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, o Acórdão nº 30333.174. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência jurisprudência, por meio do Despacho de Admissibilidade de fls. 341/342, foi dado seguimento total ao Recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial, mantendose incólume o acórdão proferido pela 2º Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. As matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito quanto à possibilidade ou não de compensar créditos reconhecidos em ação judicial para um contribuinte, com débitos de outro contribuinte, na época em que a compensação com débitos de terceiros era permitida. Tratase de Pedido de Compensação de Débitos com Crédito de Terceiros, protocolado em 14/01/2000, no qual, a Contribuinte, requer a compensação do crédito da empresa "Ximenes Tecidos Sociedade Anônima", referente a recolhimento a maior a titulo de FINSOCIAL, com fundamento na sentença judicial exarada nos autos do Mandado de Segurança n.º 93.00305140, 5º Vara Justiça Federal CE, com os débitos constantes no pedido de compensação, alterado pela declaração de compensação datada de 21/07/2003. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10380.000373/0062 Acórdão n.º 9303005.397 CSRFT3 Fl. 358 5 A decisão recorrida, negou provimento ao apelo com os seguintes fundamentos: "O Poder Judiciário reconheceu expressamente o direito da contribuinte, XIMENES TECIDOS SOCIEDADE ANÔNIMA, de compensar valores pagos a titulo de Contribuição para o FINSOCIAL com os relativos à Contribuição Social incidente sobre o Faturamento, a COFINS, de acordo com o art. 66 da Lei n° 8.383/91, no entanto, não deixou claro se poderiam ser compensados com débitos de outro contribuinte". Em que pese a Contribuinte ter efetuado o pedido de Compensação na égide da legislação de regência, à época do protocolo 14/01/2000, consubstanciada na Lei nº 9.430/96 e na Instrução Normativa SRF N° 21/97, necessário se faz, percorrer a analisar o provimento judicial transitado em julgado. Compulsando aos autos, como se observa a decisão transitada em julgado, proferida nos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº98.846Ceará, fls. 33: RELATOR : O SENHOR MINISTRO MILTON LUIZ PEREIRA EMBARGANTE : FAZENDA NACIONAL EMBARGADA : XIMENES TECIDOS S.A. "Tributário. Compensação. Contribuição para 0 F1NSOCIAL E Contribuição para o COF1NS. Possibilidade. Lei N° 8.383/91, Art. 66, Aplicação. Os valores excedentes recolhidos_a titulo de FINSOCIAL podem ser compensados com os devidos a titulo de contribuição para COFINS, II Não há confundir a compensação prevista no art. 170 do Código Tributário Nacional com a compensação a que se refere o art. 66 da Lei IV 8.383/91. A primeira é norma dirigida à autoridade fiscal e concerne compensação de créditos tributários, enquanto a outra constitui norma dirigida ao contribuinte e é relativa A. compensação no âmbito do lançamento por homologação. III A compensação feita no âmbito do lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que tem para isso o prazo de cinco anos (C.T.N., art. 150, § 4°). Durante esse prazo, pode e deve fiscalizar o contribuinte, examinar seus livros e documentos e lançar, de oficio, se entender indevida a compensação, no todo ou em parte. IV Recurso especial conhecido e provido, em parte" (fl. 127). Com efeito, corroboro com o mesmo entendimento da decisão Recorrida, não há qualquer vestígio que autorize a Contribuinte a compensar débitos com terceiros, ademais, se fosse uma determinação judicial expressa, a Fazenda Nacional teria que cumprir nos termos do que foi determinado pelo poder judiciário, sob pena de descumprimento de decisão judicial. No que tange o argumento de que a Contribuinte tenha efetuado o pedido administrativo de Compensação na égide da legislação de regência, à época do protocolo Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10380.000373/0062 Acórdão n.º 9303005.397 CSRFT3 Fl. 359 6 14/01/2000, entendo que caso fosse esta discussão, restaria concomitante, em razão da ação judicial. Não há como esta E. Câmara Superior validar pedidos de restituição. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso, mantendose a decisão recorrida pelos seu próprios fundamentos. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 359DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722647/2011-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
CERCEAMENTO DE DEFESA. DESCABIMENTO. PRESCINDIBILIDADE DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA.
Demonstrada a motivação na decisão de piso quanto à prescindibilidade da perícia solicitada torna-se incabível o cerceamento de defesa suscitado. A diligência não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da empresa Recorrente.
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROBATÓRIA. REGRA DE EXCEPCIONALIDADE NÃO COMPROVADA.
Os documentos que comprovam as alegações trazidas na impugnação devem ser com ela apresentados, exceto se demonstrada uma das hipóteses disciplinadas no art. 16, § 4º do Decreto no 70.235, de 1972.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
NÃO-CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. TOTAL RECEITA. EXCLUSÕES LEGAIS.
A pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro real deve, como regra, apurar a contribuição ao PIS não-cumulativa em relação ao total das receitas auferidas, exceto em relação àquelas que estejam expressamente excepcionadas desta sistemática pela legislação de regência.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
NÃO-CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. TOTAL RECEITA.EXCLUSÕES LEGAIS.
A pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro real deve, como regra, apurar a contribuição ao PIS não-cumulativa em relação ao total das receitas auferidas, exceto em relação àquelas que estejam expressamente excepcionadas desta sistemática pela legislação de regência.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
ARBITRAMENTO DE RECEITA. INOCORRÊNCIA.
Restando comprovado nos autos que a apuração dos valores exigidos estão respaldados nos livros e documentos do contribuinte disponibilizados à fiscalização, não prospera a tese ventilada quanto ao suposto arbitramento de valor.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Em se tratando de lançamento de ofício, a multa está respaldada na legislação de regência.
Numero da decisão: 3302-004.756
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 CERCEAMENTO DE DEFESA. DESCABIMENTO. PRESCINDIBILIDADE DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Demonstrada a motivação na decisão de piso quanto à prescindibilidade da perícia solicitada tornase incabível o cerceamento de defesa suscitado. A diligência não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da empresa Recorrente. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROBATÓRIA. REGRA DE EXCEPCIONALIDADE NÃO COMPROVADA. Os documentos que comprovam as alegações trazidas na impugnação devem ser com ela apresentados, exceto se demonstrada uma das hipóteses disciplinadas no art. 16, § 4º do Decreto no 70.235, de 1972. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. TOTAL RECEITA. EXCLUSÕES LEGAIS. A pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro real deve, como regra, apurar a contribuição ao PIS nãocumulativa em relação ao total das receitas auferidas, exceto em relação àquelas que estejam expressamente excepcionadas desta sistemática pela legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. TOTAL RECEITA.EXCLUSÕES LEGAIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 26 47 /2 01 1- 63 Fl. 103239DF CARF MF 2 A pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro real deve, como regra, apurar a contribuição ao PIS nãocumulativa em relação ao total das receitas auferidas, exceto em relação àquelas que estejam expressamente excepcionadas desta sistemática pela legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 ARBITRAMENTO DE RECEITA. INOCORRÊNCIA. Restando comprovado nos autos que a apuração dos valores exigidos estão respaldados nos livros e documentos do contribuinte disponibilizados à fiscalização, não prospera a tese ventilada quanto ao suposto arbitramento de valor. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Em se tratando de lançamento de ofício, a multa está respaldada na legislação de regência. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de auto de infração, fls. 102.815 a 102.846 para exigência de R$ 5.457.538,28, a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, e de R$ 1.184.860,27, a título de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativa aos fatos geradores ocorridos entre agosto de fevereiro de 2008 a abril de 2011. Destaca o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 102.847 a 102.869 quanto à situação fática: As infrações à legislação tributária apuradas caracterizamse por: Fl. 103240DF CARF MF Processo nº 11516.722647/201163 Acórdão n.º 3302004.756 S3C3T2 Fl. 103.219 3 1) Apuração Incorreta das Bases de Cálculo das Contribuições Sociais PIS e COFINS, regime nãocumulativo, decorrente do computo, como Receitas Isentas ou sujeitas à alíquota zero, de mercadorias tributáveis, bem como da apropriação incorreta de créditos de PIS/COFINS, advinda de valores divergentes das bases de cálculo de "Bens para Revenda", o que originou diferenças a lançar. 2) Créditos descontados indevidamente na apuração das Contribuições PIS/ COFINS, nos PA's de 01 a 04/2011, decorrentes da utilização indevida de saldos de créditos de meses anteriores, tendo em vista a reconstituição dos créditos de PIS/COFINS nãocumulativos efetuada para os anoscalendário de 2008 a 2010. Reproduzse a seguir parcialmente o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Da descrição das infrações: (...) 1 – Apuração indevida das Bases de Cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, no regime nãocumulativo, decorrente de: 1.1 – cômputo como receitas isentas ou sujeitas à alíquota zero, de mercadorias tributáveis: a contribuinte considerou como receitas isentas ou sujeitas à alíquota zero, para fins de apuração da base de cálculo das contribuições, o montante escriturado das receitas não tributadas pelo ICMS. Assim, as saídas que corresponderam à receita bruta da venda de mercadorias, que não tiveram incidência de ICMS, foram consideradas como receita isenta ou de alíquota zero da contribuição ao PIS e da Cofins, em cada períodos de apuração. 1.2 apropriação incorreta de créditos das contribuições, advinda de valores divergentes das bases de cálculo de bens para revenda: o montante escriturado de entradas para revenda tributadas pelo ICMS, em cada período de apuração, correspondeu à base de cálculo dos créditos da contribuição ao PIS e da Cofins nãocumulativas.(grifei). A autoridade fiscal relata que, conforme Termo de Constatação lavrado no Termo de Intimação Fiscal nº 005, no curso da ação fiscal foi apurado que a contribuinte considerou como “Receitas Isentas ou de alíquota zero”, para fins de apuração da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, o montante escriturado das receitas não tributadas pelo ICMS. Esta Constatação decorreu do contido na resposta prestada pela contribuinte em 17 de outubro de 2011, recebida em 21 de outubro de 2011. Explica a autoridade fiscal que, conforme legislação do ICMS, por determinação constitucional, todas as vendas de livros compõem as “receitas não tributadas pelo ICMS”. No entanto, Fl. 103241DF CARF MF 4 não são apenas as operações com livros que fazem parte das operações de saídas não tributadas pelo ICMS, mas também, como exemplo, as operações sujeitas à substituição tributária, entre elas a comercialização de produtos audiovisuais (identificados pela contribuinte com a inicial AV), produtos eletrônicos, eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Conclui a autoridade fiscal que restou comprovado que a autuada incluiu como receitas isentas ou não tributadas pelas contribuições sociais nãocumulativas o somatório das vendas de produtos que não são isentas ou não tributadas pela legislação tributária da contribuição ao PIS e da Cofins. Em relação aos créditos da nãocumulatividade, a autoridade fiscal destaca que, como as vendas de produtos não tributados pelo ICMS não foram incluídas na base de cálculo das contribuições sociais, as entradas desses produtos também não fizeram parte da base de cálculo dos créditos da não cumulatividade.(grifei). A contribuinte não computou aquisições legítimas, a princípio, na base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade, uma vez que, com exceção dos livros, os demais produtos comercializados pela contribuinte são tributados pelas contribuições sociais e suas aquisições dão direito a crédito, obedecidas as regras contidas nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. (grifei). 2 – Créditos descontados indevidamente na apuração da contribuição ao PIS e da Cofins, nos períodos de apuração de janeiro a abril de 2011: Explica a autoridade fiscal que a contribuinte descontou indevidamente das contribuições nãocumulativas, relativas aos períodos de apuração de janeiro e abril de 2011, saldos de créditos de meses anteriores. Entretanto, em razão da reconstituição dos créditos das contribuições sociais não cumulativas, efetuada para os anoscalendário 2008 e 2009, pela autoridade fiscal, inexiste saldo de créditos remanescentes ao final do período de apuração de dezembro de 2010. Do levantamento das informações: Descritas as infrações verificadas, a autoridade fiscal, com objetivo de apurar a correta base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, para os anoscalendário 2008 a 2010, explica que, com base nos arquivos digitais de todos os estabelecimentos da contribuinte, verificou os valores de receita bruta da venda de livros – relacionados no Demonstrativos da Venda de Livros e as respectivas devoluções de vendas de livros –Demonstrativos da Entrada de Livros. Esclarece que os demonstrativos incluem, também, as devoluções de compras de livros e as devoluções de vendas de livros e, que foram considerados como “aquisições de livros” e “vendas de livros” os produtos cujo código da mercadoria continha a expressão “LV”. (grifei). E que, conforme informação da contribuinte, as saídas que correspondem à receita bruta de venda de mercadorias são Fl. 103242DF CARF MF Processo nº 11516.722647/201163 Acórdão n.º 3302004.756 S3C3T2 Fl. 103.220 5 decorrentes dos montantes escriturados nos seguintes CFOP – Códigos Fiscais de Operações: 5.102, 6.102, 5.104, 6.104, 5.114, 6.114, 5.403, 6.403, 5.922 e 6.922. As entradas que correspondem às aquisições de mercadorias para revenda, por sua vez, são decorrentes dos montantes escriturados nos CFOP: 1.102, 1.113, 1.403, 2.102, 2.113, 2.403, 3.102, conforme informação da contribuinte, via mensagem eletrônica institucional. Assim, a fim de apurar o montante das aquisições de bens para revenda não tributados no mercado interno, a autoridade fiscal explica que, conforme constou no Termo de Intimação Fiscal nº 005, o montante de aquisições de livros informadas pela contribuinte com CFOP 1.113 e 2.113 (compra para comercialização, de mercadoria recebida anteriormente em consignação mercantil) estavam incompletos, mas todas as mercadorias adquiridas com tais códigos, cuja identificação foi possível, se referem a “livros”. Assim, a fiscalização apurou o montante das aquisições de livros escriturados nos códigos 1.113 e 2.113, demonstrado no Demonstrativo de Aquisições – Códigos CFOP’S 1.113 e 2.113. Desta forma, esclarece que os montantes apurados no Demonstrativos de Entrada de Livros somados aos valores das aquisições registradas nos códigos CFOP 1.113 e 2.113 totalizam as aquisições de bens para revenda não tributados no mercado interno. Por conseqüência, explica, o montante dos créditos da contribuição ao PIS e da Cofins de bens para revenda descontados no lançamento de ofício são maiores que os informados pela contribuinte. (grifei). Ressalta a autoridade fiscal que intimou, mediante Termo de Intimação Fiscal nº 002, a contribuinte a encaminhar arquivos com identificação das aquisições no mercado interno de Bens para Revenda não tributada pela contribuição ao PIS e pela Cofins, bem como a identificação das mercadorias adquiridas incluídas no total de vendas isentas ou de alíquota zero, conforme montantes informados nos Dacon mensais. Entretanto, explica que os arquivos disponibilizados pela contribuinte, conforme constatado no Termo de Intimação Fiscal nº 005, não puderam ser utilizados por inconsistência dos dados, uma vez que representam somente as aquisições de mercadorias não tributadas pelo ICMS, exceto a aquisição de Livros. (grifei). Informa a autoridade fiscal que os arquivos magnéticos foram juntados ao processo administrativo nº 11516.000107/201214. Da apuração das contribuições nãocumulativas: Passa, então, a autoridade fiscal a descrever os montantes declarados no Dacon, pela contribuinte, especificamente a Receita Bruta de Vendas – Tributadas e Nãotributadas, os créditos de Mercadorias para Revenda e os demais créditos – energia elétrica, aluguéis e vendas canceladas. Ressalta a fiscalização que a contribuinte entregou demonstrativos que Fl. 103243DF CARF MF 6 detalham os valores declarados, os quais foram juntados aos autos. Assim, com base nas informações descritas acima e partindo da receita bruta total e compras totais declaradas pela contribuinte, a autoridade fiscal elaborou o Quadro 02 – Receita Tributada à Alíquota Zero e Compras sem Direito ao Crédito, com a relação da Receita Bruta de Venda Total, Receita Alíquota Zero, Devolução de Vendas Alíquota Zero, Compras Totais – Dacon, Compras sem direito ao crédito, Compras CFOP’s 1.113 e 2.113 –Complemento e Devolução de Compras sem direito ao crédito. A autoridade fiscal destaca que, em relação à Receita Bruta de Venda Total, os valores relativos ao anocalendário 2008 estão divergentes dos que informados no Dacon pela contribuinte porque incluem a Receita Bruta de Serviços, registrado no Balancete de Contas, que acompanha o Auto de Infração. (grifei). E, com as informações descritas no Quadro 02, apurou a Base de Cálculo das Contribuições, para os períodos de apuração de janeiro de 2008 a dezembro de 2010, demonstradas no Quadro 03 – Apuração da Base de cálculo do PIS/Cofins. Da impugnação: Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresenta impugnação, às folhas 102.872 a 102.885, na qual expõe suas razões de contestação. No primeiro tópico, denominado Dos Fatos, a contribuinte explica que tem como objeto principal a venda de livros, porém comercializa, em menor escala, outros produtos como CDs, DVDs e artigos de informática. E, assim, afirma, está submetida a um regime de apuração peculiar em relação às contribuições – PIS e Cofins, tendo em vista possuir em seus estoques mais de 200 mil itens com códigos contábeis diversos e faixas de tributação que vão do zero/isento até a alíquota máxima. Afirma, ainda, que diariamente emite mais de 3 mil notas fiscais, muitas das quais com diversos códigos contidos em uma única nota. Por conseguinte, a contribuinte argumenta que, apesar de ter apresentado à autoridade fiscal todos os documentos solicitados no curso do procedimento fiscal, a autuação apontou que aproximadamente 35% do faturamento total da pessoa jurídica seria oriundo da venda de outros bens que não livros e, assim, seriam tributados pela contribuição ao PIS e pela Cofins. A autuada argumenta que tal presunção não corresponde à realidade, tendo em vista que somente a venda de livros supera o percentual pretendido na fiscalização e, além disso, existem outros produtos comercializados que possuem alíquota zero em relação à contribuição ao PIS e à Cofins. No segundo tópico – Da ilegalidade na apuração da base de cálculo –arbitramento indireto – a contribuinte alega que a fiscalização atribui verdade incontestável a dados como o faturamento total da empresa, mas, sem qualquer justificativa válida, afasta outros dados como a parte do faturamento relativa Fl. 103244DF CARF MF Processo nº 11516.722647/201163 Acórdão n.º 3302004.756 S3C3T2 Fl. 103.221 7 à receita isenta ou de alíquota zero. E, afirma, que a autoridade fiscal nega conhecimento a parte das informações prestadas, em especial aquelas apresentadas em resposta ao Termo de Intimação nº 005. A contribuinte defende que houve arbitramento da base de cálculo, embora não denominado assim pela autoridade fiscal, tendo em vista que esta presumiu, por exemplo, que: a) todos os produtos comercializados pela impugnante, exceto livros, são tributados pela contribuição ao PIS e pela Cofins; b) que todas as devoluções de venda são oriundas de produtos isentos/não tributados; c) que todos os produtos oriundos de venda em consignação (CFOP´s 1.113 e 2.113) são livros. Argumenta a autuada que a autoridade fiscal não poderia se valer desse procedimento – presunção – pois, conforme redação do artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, é dever da autoridade fiscal apurar o montante real do tributo devido. Defende que o arbitramento da base de cálculo, como previsto no artigo 148 do CTN, é uma hipótese de exceção, que somente pode ser utilizada depois de esgotadas as tentativas de obtenção do valor efetivo do imposto supostamente devido. A autuada explica que, com objetivo de demonstrar a base de cálculo correta, produziu novos relatórios com informações mais precisas – resposta ao Termo de Intimação nº 005 – as quais foram descartadas pela autoridade fiscal sob a justificativa de que a contribuinte já havia apresentado demonstrativos com a totalidade dos itens que compunham a receita isenta por períodos de apuração. Repete, a interessada, que é dever da autoridade fiscal, durante o curso do procedimento de verificação, analisar novas informações prestadas pela contribuinte, a fim de obter o valor real do tributo devido, conforme prevê o princípio da legalidade estrita e, inclusive, sob pena de configuração de excesso de exação. Finalizando o tópico, a contribuinte alega que a tributação com base em valores estimados ou presumidos caracteriza uma presunção relativa, já que a parte final do artigo 148 do CTN assegura ao contribuinte o direito de fazer prova em contrário, razão pela qual o julgamento administrativo deve ser convertido em diligência, com o objetivo de que seja apurado o valor efetivamente devido, ou ainda ser autorizada a realização de prova técnica contábil. Sob o título Do critério utilizado pela impugnante para apuração do PIS e da Cofins, a contribuinte explica que em sua apuração contábil são consideradas como “receitas isentas ou de alíquota zero”, para fins de apuração da contribuição ao PIS e da Cofins, o montante escriturado das receitas não tributadas pelo ICMS. Neste sentido, argumenta que, quando da instituição do regime nãocumulativo das contribuições sociais, com edição das Leis nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, muito foi discutido acerca da identidade na base de cálculo das contribuições com a base de cálculo do ICMS – valor de aquisição para créditos e receita Fl. 103245DF CARF MF 8 de venda para débitos. A contribuinte defende, assim, que, afora recente alteração da legislação do ICMS, em relação à substituição tributária, seu método de apuração da base de cálculo é um método legítimo. A autuada ressalva que a única diferença localizada pela autoridade fiscal na apuração desses tributos, com a qual concorda, é na situação em que ocorre a substituição tributária. Tal constatação, defende, implicaria em: a) a autuação deveria ser exclusivamente em relação aos bens que foram objeto de substituição tributária do ICMS e b) não poderia ser aplicada multa de ofício, tendo em vista que o critério de apuração era legítimo. No tópico seguinte – Dos erros materiais presentes na autuação, a contribuinte alega que houve erros na apuração da base de cálculo, quais sejam: (a) considerar que todas as devoluções de vendas se referem a produtos com alíquota zero; (b) se existiu devolução, efetivamente houve diminuição da receita com alíquota zero, mas, também houve diminuição de receita total; ou seja, os valores de devolução devem ser abatidos tanto do campo “receita alíquota zero” quanto do campo “receita bruta de venda total”. Em síntese, os valores de devolução sequer deveriam constar do cálculo já que não representam receita; (c) considerar que em relação aos produtos vendidos, tudo que não é livro é tributável pelas contribuições – PIS e Cofins, tendo em vista que possui outros bens que gozam de benefícios fiscais, como por exemplo, os produtos de informática, enquadrados no artigo 28 da Lei nº 11.196/2005; (d) considerar que todos os itens adquiridos com os códigos CFOP 1.113 e 2.113 se tratam de livros, se não conseguiu identificar os produtos nos registros contábeis; (e) ao apurar o montante passível de crédito, a fiscalização utilizou somente os créditos oriundos de aquisição de produtos, sem considerar outras reduções da base de cálculo, como depreciação, aluguel, energia elétrica etc. No último tópico, denominado Pedido, a contribuinte sintetiza seus argumentos e requer que sejam juntados aos autos os documentos constantes do processo administrativo nº 11516.000107/201214, que contém as mídias eletrônicas com as informações prestadas no curso do procedimento fiscal. E, por fim, protesta pela juntada posterior de novos documentos, bem como pela produção de prova pericial contábil. Em 24 de setembro de 2012, a contribuinte apresenta aditamento à impugnação, trazendo aos autos novos documentos. Todavia, conforme entendimento da 4ª Turma desta DRJ, foi indeferido, em sessão realizada no dia 28 de maio, pedido de juntada posterior de provas e aditamento de impugnação encaminhados pela contribuinte, o que foi feito em razão de que não foram apontados os motivos pelas quais, a teor da legislação aplicável (parágrafo 4º, do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72), tais encaminhamentos foram feitos após o decurso de prazo para impugnação. Fl. 103246DF CARF MF Processo nº 11516.722647/201163 Acórdão n.º 3302004.756 S3C3T2 Fl. 103.222 9 Em razão de existência de inexatidão material no relatório do Acórdão nº 0731.383, conforme informado pela DRFCuritiba, às folhas 103.169 a 103.170, o processo retornou para julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2008, 2009, 2010 NÃOCUMULATIVIDADE.BASE DE CÁLCULO. TOTAL RECEITA. EXCLUSÕES LEGAIS. A pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro real deve, como regra, apurar a Cofins nãocumulativa em relação ao total das receitas auferidas, exceto em relação àquelas que estejam expressamente excepcionadas desta sistemática pela legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009, 2010 NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. TOTAL RECEITA. EXCLUSÕES LEGAIS. A pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro real deve, como regra, apurar a contribuição ao PIS não cumulativa em relação ao total das receitas auferidas, exceto em relação àquelas que estejam expressamente excepcionadas desta sistemática pela legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 ARBITRAMENTO DE RECEITA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em arbitramento de receita quando a autoridade fiscal baseia o lançamento em valores devidamente registrados nos assentamentos contábilfiscais da pessoa jurídica. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Sobre os créditos tributários apurados em procedimento conduzido ex officio pela autoridade fiscal, aplicamse as multas de ofício previstas na legislação tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 103247DF CARF MF 10 Estando presente nos autos todos os elementos essenciais ao lançamento, é de se indeferir o pedido de perícia e diligência, não podendo este servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 09/07/2013, conforme AR de fl. 103.194, apresenta em 06/08/2013, fls. 103.195/103.213, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, onde reitera a natureza de sua atividade destacando que a complexidade das operações realizadas, associada à inexistência de software próprio e adequado para a atividade da requerente, culminou com a entrega inicial de documentos imprecisos e por vezes, bastante desfavoráveis a própria impugnante e que mesmo assim, por absoluta boa fé foram levados à apreciação fiscal. Destaca ainda: A fiscalização, no entanto, escolheu arbitrariamente determinados documentos e desconsiderou outros, em nítido procedimento de arbitramento indireto de base de cálculo. Da mesma forma, antes da decisão de primeira instância a recorrente refez completamente sua contabilidade mediante procedimento de auditoria interna e localizou os erros em sua contabilidade juntando aos autos o resultado obtido, no entanto, referidos documentos foram injustificadamente recusados pelo julgador administrativo. A decisão deve ser reformada tendo em vista que: 1 Violou os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, bem como os princípios específicos do processo administrativo tributário da busca pela verdade (...), a recorrente requereu a produção de prova pericial e também antes da decisão administrativa juntou aos autos o resultado de auditoria interna comprovando que os valores foram apurados em excesso na autuação fiscal. A possibilidade de juntada de documentos e o pedido de prova tem previsão expressa no artigo 38 da Lei 9748/99: Ora, os documentos juntados aos autos ao processo não são ilícitos, impertinentes, desnecessários e muito menos protelatórios. O fundamento para não conhecimento desses documentos foi de ordem puramente formal, em nítida violação Fl. 103248DF CARF MF Processo nº 11516.722647/201163 Acórdão n.º 3302004.756 S3C3T2 Fl. 103.223 11 aos princípios da ampla defesa, da informalidade do processo administrativo e da obtenção da verdade material. Observese que o próprio julgador administrativo reconhece a necessidade da produção das provas quando afirma que "cabe ao contribuinte o ônus de provar seu direito", no entanto, estranhamente, não aceita a prova produzida e indefere o pedido de produção de prova pericial. Em relação à perícia, o fundamento para o seu indeferimento foi o de que "a matéria tributável foi perfeitamente identificada com base nos documentos e registros contábeis da contribuinte, prescindindo de conhecimento técnico suplementar ". Está mais do que claro, no entanto, que no presente caso existiu diferença no recolhimento em virtude de erro na própria contabilidade da recorrente pois na sua apuração contábil eram consideradas como "receitas isentas ou de alíquota zero" para fins de apuração do P1S/COFINS o montante escriturado das receitas não tributadas pelo ICMS. Ora, se o erro estava nos registros contábeis, a conclusão lógica é a de que eles não refletem o valor efetivo e real das contribuições devidas. A única forma de obtenção do valor efetivamente devido (verdade real) é por meio da realização de nova apuração corrigindo o erro. Foi exatamente isso que fez a recorrente, mas, destaquese novamente, os documentos apresentados não foram considerados pela fiscalização. Da mesma forma, a perícia requerida teria por escopo corroborar os valores apresentados na auditoria interna. 2 Manteve vícios materiais na apuração, em especial em relação à inclusão das devoluções de venda com alíquota zero na receita bruta de venda total e por considerar que dentre todos os produtos vendidos pela requerente somente os livros possuem alíquota zero em relação ao PIS/COFINS. Em relação à obtenção da base de cálculo tributável o fiscal cometeu dois equívocos: 1 Incluiu as devoluções de venda com alíquota zero na receita bruta de venda total; 2 Considerou que dentre todos os produtos vendidos pela requerente somente os livros possuem alíquota zero em relação ao PIS/COFINS. Ora, as devoluções de vendas não representam receita de forma que jamais poderiam ter sido somadas à receita bruta total. Ou seja, esses valores de devolução de vendas, que correspondem na planilha elaborada pela fiscalização a R$ 22.848.487,37 devem ser subtraídos da base de cálculo apresentada pelo fiscal. Como o devido respeito, equivocado está o raciocínio do julgador. Primeiramente porque o próprio fiscal afirma (fls 12 e Fl. 103249DF CARF MF 12 13 do termo de encerramento de ação fiscal) que a receita bruta de venda total não é a que foi apresentada em DACON pela recorrente (vide a primeira nota abaixo da planilha de fl. 23 do termo de encerramento). Em segundo lugar, porque a receita bruta de venda total (utilizada na obtenção da base de cálculo) trazida no tem I não é a receita líquida, tanto que nela está incluído inclusive os valores de receita alíquota zero. Tratase efetivamente da receita bruta (e não líquida) de venda total razão pela qual somar a esses valores aquilo que foi objeto de devolução de vendas significa tributar aquilo que não é receita. Já o segundo erro foi considerar que em relação aos produtos vendidos peia impugnante, tudo que não é livro é tributável pelo PIS/COFINS. Também isso não é verdadeiro, tendo em vista que a recorrente, conforme afirmado anteriormente, comercializa outros produtos que gozam de benefícios fiscais7 como, por exemplo, tablets, mouses, monitores de video, teclados, notebooks etc. 3 Não apurou corretamente os créditos a que faria jus a recorrente na obtenção da base de cálculo das contribuições. Da apropriação de créditos na obtenção da base de cálculo tributável À época a requerente abatia da base de cálculo exclusivamente despesas oriundas de energia elétrica, locação de imóveis e locação de equipamentos, e o fazia de forma proporcional tendo em vista que na sua apuração não era devedora de PIS/COFINS. No entanto, a partir do momento que passa a ser devedora desses tributos, nos estritos termos das Leis 10. 833 e 10.687 a requerente passa a ter o direito da apropriação integral desses e de outros créditos previstos expressamente no artigo 3Ü das referidas leis. Tem direito ainda, conforme orientação jurisprudencial, ao abatimento da base de cálculo desses tributos de outras despesas (insumos) não contidas expressamente nas leis, mas, essenciais à sua atividade produtiva. Esses créditos não foram considerados na decisão sob o fundamento de que "todos os créditos informados pela contribuinte foram validados " . Ora, conforme afirmado acima, esses créditos eram proporcionais, já que não devedora das contribuições. No momento em que passa ser devedora das contribuições todos os créditos devem ser considerados, e não somente aqueles proporcionais. A totalidade dos créditos a que faz jus a recorrente foi apontada na auditoria interna realizada. Nesse sentido a autuação deve ser revista com o fim de quem sejam devidamente apropriados os créditos da requerente sob três prismas: a) utilização integral dos créditos de energia elétrica, locação de imóveis e locação de equipamentos; b) utilização de outros créditos passíveis de apropriação previstos no artigo 3o das Leis 10.833 e 10.867; Fl. 103250DF CARF MF Processo nº 11516.722647/201163 Acórdão n.º 3302004.756 S3C3T2 Fl. 103.224 13 c)utilização de créditos não previstos no rol do artigo 3° das referidas leis, no entanto, atualmente admissíveis conforme recente jurisprudência do Conselho Federal de Contribuintes e da Justiça Federal. Destaca valores apurados em auditoria interna com relação aos seguintes itens: 4.1 Energia elétrica, aluguel de imóveis e aluguel de equipamentos (valores integrais e não somente aqueles considerados na autuação): 4.2 Outras insumos passíveis de creditamento previstos nas Leis 10.833 e 10.867 Material de uso e consumo, despesas prediais e locação de equipamentos (créditos não considerados pela fiscalização) 4.3 Outras despesas essenciais à atividade da requerente Serviço de terceiros e Despesas c/ Pessoal (créditos não considerados pela fiscalização) 4 Manteve as penalidades que foram aplicadas em desconformidade com o disposto no artigo 100 do Código Tributário Nacional. A decisão recorrida não acatou o pedido de afastamento da multa de ofício sob a justificativa de que: "A aplicação da multa de oficio de 75%, esclareçase, independe da intenção do agente, devendo ser aplicada sempre que houver lançamento de oficio pela falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou nos casos de declaração inexata". Também sem razão a decisão. Conforme redação do artigo 100, inciso III e § único do Código Tributário Nacional o exercício de práticas reiteradamente adotadas pelas autoridades administrativas exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização monetária, Ao final, requer: (...) que o julgamento do presente recurso seja convertido em diligência, para que sejam apreciados os documentos apresentados pela recorrente e, caso necessário, seja realizada perícia tendente a corroborar a correção dos valores que entende a recorrente sejam efetivamente devidos. à luz de todos os documentos produzidos pela recorrente e do resultado da perícia requerida, seja refeito o lançamento com o fim de: a) corrigir os erros materiais encontrados na autuação; b) apurar a totalidade dos créditos de insumos aos quais faz jus a recorrente; c) anular qualquer penalidade imposta à recorrente. Às 103.220/103.227 consta decisão judicial, através da qual é deferida o pedido de suspensão da segurança requerida pela UNIÃO, nos autos da ação mandamental nº 100234895.2017.4.01.3400 (PJe), cujo Juízo havia determinado às "Autoridades Impetradas que se abstenham de incluir em pauta de julgado do CARE os recursos apresentados pela Fl. 103251DF CARF MF 14 impetrante nos Processos Administrativos nº 11516.722647/201163 e 11516.722646/201119, até pronunciamento final desse Juízo." É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do cerceamento do direito de defesa suscitado Afirma a Recorrente que a decisão de piso violou os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, bem como os princípios específicos do processo administrativo tributário, tais como o formalismo moderado e a busca da verdade material. Ressalta ainda em sua defesa que a possibilidade de juntada de documentos e o pedido de prova tem previsão expressa no artigo 38 da Lei nº 9.748, de 1999. Analisase a seguir o cerceamento de defesa alegado sob os seguintes aspectos: a) pela não análise dos documentos apresentados A questão decisória prendese portanto a identificar um suposto cerceamento do direito de defesa arguido pela Recorrente pela não apreciação pela decisão de piso do resultado de auditoria interna anexado aos autos antes da decisão administrativa. A Constituição Federal assegura, no inciso LV do art. 5º, Capítulo I, Título II, referente aos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, o direito ao contraditório e ampla defesa, nos seguintes termos: Art. 5º (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (...) De relevo assinalar que a principal norma que trata do Processo Administrativo Fiscal – PAF, no âmbito federal é o Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com alterações posteriores, sendo a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que estabelece normas gerais sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal, conforme estabelece seu artigo 691, de aplicação subsidiária ao Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, como norma específica para regular o processo administrativo fiscal, dispõe o Decreto no 70.235, de 1972: 1 Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Fl. 103252DF CARF MF Processo nº 11516.722647/201163 Acórdão n.º 3302004.756 S3C3T2 Fl. 103.225 15 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...]; III–os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Dos dispositivos acima transcritos, observase que o art. 15, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972 estipula o prazo de 30 dias para apresentação da impugnação, contado da data em que for feita a intimação da exigência. Nesse sentido, nos termos da norma que rege de forma específica o rito do processo administrativo fiscal, a tempestividade da impugnação é condição de admissibilidade para julgamento de processos fiscais, uma vez que instaura a lide no âmbito do contencioso administrativo. Assim, eventual petição, apresentada fora de prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, nem comporta julgamento na esfera administrativa, haja vista que a competência dos órgãos julgadores, atribuída por lei diz respeito à apreciação de processos em que tenha sido instaurada a lide administrativa, nos prazos e condições determinados pela norma processual de regência. Nesse mister, compulsandose os autos, constatase que o contribuinte em 31/01/2012 (terçafeira) , conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 102.832, teve ciência do Auto de Infração, assim estando a intimação do referido Auto de Infração submetida à regra de contagem disciplinada no § 2º, II do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o momento em que se considera efetuada a intimação por via postal, iniciase a contagem do prazo para apresentação da impugnação no dia útil subsequente, conforme art. 5º, do Decreto nº. 70.235, de 1972, dia 1º/02/2012 (quartafeira), tendo como termo final o dia 1º/03/2012 (terçafeira), último dia para entrega tempestiva da Impugnação, peça processual que o tem condão de instaurar o litígio administrativo. Ocorre que o autuado apresentou em 16/10/2012, conforme Termo de Solicitação de Juntada de fl. 102.975, a petição de fls.102.976/102.986, cujo carimbo do CAC/CENTRO/DRF/CTA é de 24/09/2012, reiterando argumentos já apresentados na peça impugnatória e solicitando a apreciação da autoridade fazendária, segundo afirma, após a conclusão de auditoria interna, das planilhas e documentos contábeis que demonstram equívocos cometidos na autuação e que justificam a sua revisão ainda na seara administrativa. Aclarese que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 103253DF CARF MF 16 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito). Por oportuno registrese que o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, prescreve em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Da análise do caderno processual verificase que além do TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL, fls.02/07, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos e prestar esclarecimentos sobre suas operações através dos TERMOS DE INTIMAÇÃO FISCAL TIF, Nºs 001, 002, 003, 004 e 005, fls.08/21, apresentando respostas aos referidos TIF, fls. 193/831, assim constatase que o contribuinte teve 3 (três) oportunidades para apresentar a prova de suas operações, no decorrer da ação fiscal e após instaurado o litígio para comprovar suas alegações, quando da impugnação ou no recurso voluntário. Com efeito, como acima transcrito, autoriza ainda o Decreto nº 70.235, de 1972 a juntada de documentos em outro momento processual, se demonstrada uma das hipóteses excepcionais disciplinadas nas alíneas de "a" a "c" do artigo 16, no entanto na petição de fls.102.976/102.986 não demonstrou o contribuinte estar amparado por nenhuma das hipóteses autorizadas pela legislação para a juntada de documentos após a impugnação, assim sem demonstrar a excepcionalidade exigida implica a preclusão probatória neste momento processual. Cabe ainda registrar que embora requeira o peticionante de fls.102.976/102.986 a apreciação pelo órgão julgado das planilhas e documentos contábeis que demonstram equívocos cometidos na autuação e que justificam a sua revisão ainda na seara administrativa, observase que os documentos de fls. 102.988/103.147, se constituem apenas de planilhas, sem nenhum documento anexado, que respalde ainda que por amostragem os dados refletidos nas citadas planilhas. De relevo assinalar que a Recorrente vê seu direito amparado no artigo 38 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que assim dispõe: Fl. 103254DF CARF MF Processo nº 11516.722647/201163 Acórdão n.º 3302004.756 S3C3T2 Fl. 103.226 17 Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ocorre que as normas de que tratam o Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, são específicas com relação ao Processo Administrativo Fiscal – PAF, no âmbito federal, sendo de aplicação subsidiária a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que estabelece normas gerais sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal, conforme estabelece seu artigo 692 como já mencionado. Assim existindo regramento específico no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, quanto ao momento processual para apresentar a prova, conforme disciplinado no art. 16 do referido diploma legal, essa é a norma que se impõe ao caso concreto, pelo princípio da especificidade, segundo o qual uma aparente antinomia de normas resolvese pelo princípio da especialidade/especificidade quando cotejadas uma normal geral e outra específica sobre a mesma matéria. Nesse sentido, não há reparos na decisão de piso. b) pelo indeferimento do pedido de perícia Destaca a Recorrente em sua defesa: Está mais do que claro, no entanto, que no presente caso existiu diferença no recolhimento em virtude de erro na própria contabilidade da recorrente pois na sua apuração contábil eram consideradas como "receitas isentas ou de alíquota zero" para fins de apuração do P1S/COFINS o montante escriturado das receitas não tributadas pelo ICMS. Ora, se o erro estava nos registros contábeis, a conclusão lógica é a de que eles não refletem o valor efetivo e real das contribuições devidas. A única forma de obtenção do valor efetivamente devido (verdade real) é por meio da realização de nova apuração corrigindo o erro. Foi exatamente isso que fez a recorrente, mas, destaquese novamente, os documentos apresentados não foram considerados pela fiscalização. Da mesma forma, a perícia requerida teria por escopo corroborar os valores apresentados na auditoria interna. (...) Da mesma forma, antes da decisão de primeira instância a recorrente refez completamente sua contabilidade mediante 2 Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Fl. 103255DF CARF MF 18 procedimento de auditoria interna e localizou os erros em sua contabilidade juntando aos autos o resultado obtido, no entanto, referidos documentos foram injustificadamente recusados pelo julgador administrativo.(grifei). Pelos excertos acima, inferese que a Recorrente pretende corrigir sua contabilidade e reapurar os valores de PIS/COFINS, desta feita não mais considerando em sua apuração contábil como "receitas isentas ou de alíquota zero" para fins de apuração do P1S/COFINS o montante escriturado das receitas não tributadas pelo ICMS, requerendo a diligência/perícia para que a fiscalização ratifique seus dados corrigidos. Nesse mister, cabe ressaltar que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja autuação, baseado em documentos e livros colocados à disposição da fiscalização pelo próprio contribuinte, a exemplo dos seguintes elementos probatórios dos autos: Respostas sobre CFOP de Compras, fls.836/837; Respostas sobre CFOP de Vendas e Devoluções, fls.838;Livros de Apuração do ICMS 2008, 2009 e 2010, fls.839/2.360;DACONS 2008, 2009 e 2010, fls.2.696/3.320;Balancete de Contas 2010, fl.3.321; Débitos DCTF COFINS E PIS, fls.3.322/3.325;Base de Cálculo de PIS e COFINS, 2008, 2009 e 2010, elaborada pelo contribuinte, fls. 3.326/3.417; Demonstrativos de Receitas Isentas, fls.30.674/102.775; Demonstrativo de Entradas de Livros, fls.3.800, teve por fundamento exatamente a constatação de que a autuada, em sua apuração contábil considerou como "receitas isentas ou de alíquota zero" para fins de apuração do P1S/COFINS o montante escriturado das receitas não tributadas pelo ICMS. Segundo a ilustre administrativista Odete Medauar, o processo administrativo fiscal é informado pelo princípio do formalismo moderado3, que seria o desapego às formalidades excessivas e complexos ritos processuais. Nesse sentido, dispõe o art. 2º, parágrafo único, inciso IX, da Lei nº 9.784, de 1999: “adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados”. No entanto o princípio do formalismo moderado que afasta o rigor processual presente no processo judicial, não se confunde com o descumprimento dos requisitos exigidos pelo Decreto nº 70.235, de 1972 para apresentação dos atos processuais, bem como quanto ao momento processual para apresentação da prova, como já bem demonstrados no item precedente. Notese que em vista da natureza "exlege" da obrigação tributária a busca da verdade material é corolário da estrita legalidade, no entanto a apresentação de provas, seja pelo autuante, seja pelo autuado tem regramento procedimental estabelecido pelo PAF, como já sobejamente ressaltado, não se prestando a diligência/perícia, nos termos definidos no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente, tampouco a impingir à fiscalização o ônus de conferir dados produzidos pela Recorrente extemporaneamente apresentados. Assim, longe de se caracterizar um cerceamento ao direito de defesa, o estabelecimento de ritos e prazos peremptórios no âmbito do processo fiscal demonstram a 3 Odete Medauar; A Processualidade no Direito Administrativo; 1993, p. 121. Fl. 103256DF CARF MF Processo nº 11516.722647/201163 Acórdão n.º 3302004.756 S3C3T2 Fl. 103.227 19 segurança jurídica dos sujeitos processuais submetidos em igualdade de condições ao devido processo legal. Por tudo o que foi exposto, não há reparos no indeferimento da perícia pela decisão de piso, uma vez que não há motivação para o seu deferimento como já ressaltado. Constatase dos excertos acima que o contribuinte foi intimado e reintimado em várias oportunidades a demonstrar a exatidão das informações quanto às operações realizadas, demonstrando motivadamente a fiscalização as conclusões advindas da análise da documentação apresentada. Rejeitase portanto a preliminar de cerceamento do direito de defesa quanto a matéria acima analisada. MÉRITO Conforme destacou o TVF: O contribuinte computou como "receitas isentas ou de alíquota zero" de PIS/COFINS o montante da receita bruta de venda de mercadorias não tributadas pelo ICMS, ao invés de computar apenas as vendas de "LIVROS', Da mesma forma, segundo o que declarou, NÃO apropriouse de créditos de PIS/COFINS nãocumulativo sobre a totalidade das aquisições não tributadas pelo ICMS, quando, pelo o que foi apurado, poderia computálos exceto para as aquisições de "LIVROS". Na análise de mérito seguirseá os tópicos tal como apresentados na peça recursal. Do regime nãocumulativo da contribuição ao PIS e da Cofins Considerando que o cerne da autuação reside no cômputo como receitas isentas ou sujeitas à alíquota zero, de mercadorias tributáveis, já que a contribuinte considerou como receitas isentas ou sujeitas à alíquota zero, para fins de apuração da base de cálculo das contribuições, o montante escriturado das receitas não tributadas pelo ICMS, cabe inicialmente reproduzir excertos da decisão de piso que de forma minudente estabeleceu o diferencial à luz da legislação de regência entre o tributo ICMS e sua forma de apuração e as Contribuições para o PIS/Pasep/COFINS, cuja exigência ora se analisa. 1 – Da apuração pelo regime nãocumulativo da contribuição ao PIS e da Cofins: (...) Com o advento da Lei nº 10.637, de 2002, resultado da conversão da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, conversão da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, estabeleceramse, respectivamente, as sistemáticas de cobrança nãocumulativa da contribuição ao PIS e da Cofins. Fl. 103257DF CARF MF 20 De fato, é preciso reconhecer que com a criação do chamado regime da "nãocumulatividade" para a contribuição ao PIS e para a Cofins, não foram poucas as dúvidas e divergências que sobrevieram acerca da extensão e conteúdo de muitos dos conceitos e institutos postos nas novas disposições legais. Com efeito, em razão de comparações, por vezes devidas e por vezes nem tanto, com os contornos e feições de outras exações também submetidas a regimes nãocumulativos, bem como em face de interpretações díspares acerca de alguns dispositivos daquelas Leis, surgiram dissensões que dificultaram muito a operacionalização prática do novo regime de apuração daquelas contribuições sociais. No entanto, muito embora o ICMS e a contribuição ao PIS e a Cofins sejam tributos sujeitos à sistemática nãocumulativa, existem diferenças muito relevantes entre os dois regimes. Em resumo, verificase que a nãocumulatividade do ICMS é uma sistemática obrigatória, está estabelecida na Constituição Federal. O ICMS é imposto nãocumulativo porque se compensa o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores. O ICMS incide sobre circulação de mercadorias e serviços, portanto, gravam coisas ou atos relacionados a coisas. Os créditos de ICMS são baseados nos valores constantes nas notas fiscais das operações anteriores.(grifei). Por outro lado, a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da Cofins não é constitucional, pois sua existência e regras são estabelecidas por lei ordinária. A sistemática da não cumulatividade coexiste com a da cumulatividade. O fato gerador da contribuição ao PIS e da Cofins decorre da obtenção de receita, abrangendo ingressos de qualquer natureza, inclusive financeiro. Observese, a base de cálculo é o faturamento, que corresponde à receita bruta assim entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Portanto, ainda que a receita seja decorrente da venda de bens, não existe um bem particular que seja ou estabeleça o fato gerador das contribuições não cumulativas, porque estas incidem sobre a totalidade das receitas. A sistemática de apuração das contribuições no regime não cumulativo, por sua vez, consiste em permitir ao sujeito passivo descontar, da contribuição apurada, créditos referentes à aquisição de mercadorias e insumos, bem como referentes a encargos e despesas, previstos em lei, relacionados às atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica. Ressaltese que as aquisições efetuadas pela pessoa jurídica que permitem a constituição de créditos da nãocumulatividade são apenas as que estão estritamente especificadas na legislação tributária, não sendo permitido o creditamento relativo à aquisição de bens ou serviços que não tenha previsão legal, mesmo havendo incidência tributária de contribuição ao PIS e de Cofins quando de sua aquisição. Fl. 103258DF CARF MF Processo nº 11516.722647/201163 Acórdão n.º 3302004.756 S3C3T2 Fl. 103.228 21 Como se vê, as diferenças entre as duas sistemáticas – não cumulatividade do ICMS e nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da Cofins – são evidentes, o que afasta a alegação da contribuinte de que o método de apuração da base de cálculo das contribuições nãocumulativas pelo método da apuração do ICMS é um método legítimo. Da arguição de erros materiais de cálculo do lançamento Alega a Recorrente que além do fato de ter autuado em bases presumidas e não reais, outros erros materiais de cálculo foram apontados pela recorrente que também corroboram a necessidade de novo lançamento. Destaca também que a fiscalização, escolheu arbitrariamente determinados documentos e desconsiderou outros, em nítido procedimento de arbitramento indireto de base de cálculo. O exame dos autos demonstra que não assiste razão à Recorrente, vejamos. Constatase do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 102.847 a 102.869 que a fiscalização demonstra fundamentadamente a motivação da autuação, destacando a metodologia utilizada e o suporte probatório que respaldaram a autuação. Esclarece a fiscalização no TVF: Ou seja, restou comprovado que o contribuinte incluiu como "Receitas Isentas ou não tributadas." pelo PIS/COFINS, o somatório das vendas de produtos que não encontram respaldo isencional na legislação dessas contribuições. As saídas que correspondem à receita bruta da venda de mercadoria são decorrentes dos montantes escriturados nos seguintes CFOP's (códigos fiscais de operações), conforme resposta do contribuinte, via mensagem eletrônica institucional (fls. 838): 5.102 6.102 5.104 6.1045.114 6.114 5.403 6.403 5.922 6.922. O mesmo critério a empresa adotou para apurar a base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS nãocumulativo, ou seja, o montante escriturado de entradas para revenda tributadas.pelo ICM.S, em cada período de apuração (PA), correspondeu à base de Cálculo dos créditos de PIS/COFINS nãocumulativo. Esta Constatação decorre do contido nas respostas prestadas pela Fiscalizada datadas de 11/10/2011 (fls. fls. 193/194 ê 301/340) e 17/10/2011, juntadas às fls. 398/399. As entradas que correspondem às aquisições de mercadoria para revenda são decorrentes dos montantes escriturados nos seguintes CFOP's (códigos fiscais de operações), conforme resposta do contribuinte, via mensagem eletrônica institucional (fls. 836/837): 1102 111314032102211324033102. (...) Dessa forma, e tendo por base os arquivos digitais relativos à escrituração fiscal dos anoscalendário de 2008 a 2010, de todos os estabelecimentos da empresa Fiscalizada (Notas Fl. 103259DF CARF MF 22 Fiscais de Entrada e Saída, bem como de ECF emitidos Emissor de Cupom Fiscal) entregues pelo contribuinte, apuramos os valores de receita bruta da venda de Livros nos períodos de apuração mensais, adiante designados simplesmente como PA (período de apuração), dos anoscalendário de 2008 a 2010, e as respectivas devoluções de vendas de livros. Isto está demonstrado no Termo,de Intimação Fiscal n° 005, no seu Quadro 01 fls. 16/17. Foram considerados como "vendas de livros" os produtos cujo código da mercadoria continham a expressão "LV". (...) Contudo, conforme constou no Termo de Intimação Fiscal n° 005, o montante das aquisições de "livros" acobertadas pelos códigos CFOP's 1.113 e 2.113, e constantes dos demonstrativos de entrada, estão incompletos, pelos motivos lá expostos. No entanto, todas as mercadorias adquiridas por meio desses códigos, cuja identificação foi possível, tratamse de "Livros", como foi constatado no Termo Fiscal citado. Sobre esta constatação, o contribuinte não se manifestou. De posse dos Livros de Apuração do ICMS de todos os estabelecimentos fls. 839/2.360, pudemos apurar o montante de aquisições de "livros" escrituradas nos códigos 1.113 e 2.113, conforme intimação contida no Termo de Intimação Fiscal n° 005 fls. 21. Isto está demonstrado no ANEXO DEMONSTRATIVO DE AQUISIÇÕES CÓDIGOS CFOP'S 1.113 e 2.113, que acompanha o Auto de Infração. ....conforme foi constatado no Termo de Intimação Fiscal n° 005, os arquivos entregues pelo contribuinte, para atendimento da intimação, não puderam ser utilizados por inconsistência dos dados. Em fls. 3.418/3.584, encontramse juntado o demonstrativo relativo ao estabelecimento Matriz do Ano de 2008. Este demonstrativo, que é a representação dos dados contidos no arquivo magnético encaminhado pelo contribuinte, relativo ao todo o ano de 2008 da Matriz, apresenta a relação das aquisições de mercadorias não tributadas pelo ICMS. exceto as de Livros Dos excertos acima constatase que a fiscalização de posse de livros e documentos apresentados pelo contribuinte, apurou a base de cálculo das referidas contribuições, portanto não houve presunção ou arbitramento de valor como afirma a Recorrente mas apuração dos valores de PIS e COFINs, a partir da escrituração apresentada pelo contribuinte. Notese que embora o arbitramento de valor seja uma prerrogativa da fiscalização, conforme autorizado pelo 4artigo 148 do CTN, este somente ocorrerá se presentes os requisitos autorizativos no citado artigo, o que não ocorreu no presente como 4 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Fl. 103260DF CARF MF Processo nº 11516.722647/201163 Acórdão n.º 3302004.756 S3C3T2 Fl. 103.229 23 minudentemente esclarecido pela fiscalização quanto às bases da autuação e as provas que lhe dão guarida. Esclarece ainda a fiscalização quanto à resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 005: Na resposta à Constatação sobre o montante de Receitas Isentas ou de alíquota zero, contida no Termo de Intimação Fiscal n° 005, a Fiscalizada apenas elaborou quadros que comparam os montantes apurados na Ação Fiscal (Quadros contidos no Termo de Intimação Fiscal n° 005) com os gerados pelos "Relatórios Contábeis", que serviram de base para a DACON (Quadros contidos na resposta aos itens "4 e 5"). A resposta do contribuinte se encontra juntada às fls. 826/831.(grifei) Em que pese a afirmação da Recorrente de que as provas apresentadas em resposta ao citado termo de intimação foram desconsideradas pela fiscalização, constatase dos excertos acima transcritos, bem como da análise do documento de fls.826/831 (resposta ao TIF nº 005), principalmente quanto ao parágrafo inicial do documento, que na realidade a resposta consiste em vários demonstrativos, inexistindo documentos acostados ao citado documento. A empresa afirma no caput do documento: "Com relação ao termo de intimação em referência prestamos as seguintes informações, comentários e esclarecimentos:"(grifei) Registrase a seguir excertos da decisão de piso quanto à matéria em análise: Como se vê, não houve arbitramento algum por parte da fiscalização, ela não efetuou presunções ou qualquer outro procedimento discricionário para apuração da base de cálculo nem tampouco apurou um percentual de receitas isentas ou não tributáveis sobre o faturamento. O que houve foi a utilização de documentos da própria empresa para a apuração da base de cálculo das contribuições. No que se refere à alegação de que o arbitramento se prova pela presunção de que todos os produtos comercializados, exceto livros, são tributados pelas contribuições, é de se esclarecer, primeiro, que a contribuinte intimada em época própria pela autoridade fiscal não informou quais os produtos vendidos seriam isentos ou não tributados pela contribuição ao PIS e pela Cofins, além dos livros (vide Termo de Início de Ação Fiscal, Termo de Intimação Fiscal nº 03 e Termo de Intimação Fiscal nº 05); segundo, quando da apresentação da impugnação, a contribuinte não relaciona nem prova, no prazo determinado, os produtos que tenham sido considerados pela fiscalização como tributáveis e que, pela legislação das contribuições se sujeitam à alíquota zero ou que, por outro motivo, deveriam ser excluídos da base de cálculo.(grifei). Com relação aos supostos vícios materiais na apuração, em especial quanto à inclusão das devoluções de venda com alíquota zero na receita bruta de venda total e por Fl. 103261DF CARF MF 24 considerar que dentre todos os produtos vendidos pela requerente somente os livros possuem alíquota zero em relação ao PIS/COFINS, igualmente não assiste razão à defesa como será a seguir demonstrado. Devoluções de venda com alíquota zero No Termo de Constatação, fl.17, item 5, parte integrante do Termo de Intimação Fiscal TIF, nº 005, fls.16/21: Dessa forma, e tendo por base os arquivos digitais relativos à escrituração fiscal dos anoscalendário de 2008 a 2010, de todos os estabelecimentos da empresa Fiscalizada (Notas Fiscais de Entrada e Saída, bem como de ECF emitidos Emissor de Cupom Fiscal) entregues pelo contribuinte, apuramos os seguintes montantes de Receita Bruta da Venda Livros e de De volução de Livros: Obs: Foram considerados como "venda de livros" os produtos cujo código da mercadoria contém a expressão "LV". 2008 2009 2010 PA 'Receita Bruta "Devolução de Venda •Receita Bruta "Devolução de Venda 'Receita Bruta "Devolução de Venda Janeiro 9.436.101,09 261.623,18 11.892.275,86 262.005,72 12.423.373,96 439.022,31 Fevereiro 11.417.308,36 505.571,01 10.558.371,20 465.341.52 13.665.908,13 442.687,32 Março 8.148.897,55 530.104,56 11.340.416,22 550.340,54 14.069.247,16 1.299.422,26 Abril 6.811.365,96 399.22122 8.650.212,99 739.049.44 9.084.523.40 615.673,19 Maio 5.534.380.38 443.339,27 7.743.638,71 376.394,12 9.054.844,98 591.432.06 Junho 4,759.511,65 238.741,66 7.089.078,25 436.564,26 7.324.776,34 485.833,07 Julho 5.302.688,70 298.438,87 8.102.438,00 633.621,64 8.629.402,69 348.592.83 Agosto 6.268.320,98 322.125.27 7.911.384,07 359.715,05 15.985.484,46 897.975.40 Setembro 5.883.389,71 505.836,08 7.360.979,71 540.214,58 14.046.743.74 5.405.720,27 Outubro 7.095.628,80 317.240,69 7.971.386,07 376.683,04 8.690.179,88 305.007,12 Novembro 7.122.405,48 356.879.78 6.881.915,61 412.011.75 8.628.505.55 911.646,93 Dezembro 9.113.350,45 410.571,55 12.917.662,23 469.905,96 14.734.799,15 494.293,85 Acompanham o presente Termo Fiscal, arquivos digitais das planilhas que demonstram a venda dos produtos (Livros), discriminadas por: PA; estabelecimento da Fiscalizada que fez a venda; CFOP; número da NF de venda, conforme o caso*; Código do Produto vendido; Descrição da Mercadoria; Valor da Venda. *O código de revenda de mercadoria CFOP 5100, que consta nas planilhas, foi gerado pelo sistema utilizado pela RFB para tratamento dos dados encaminhados pelo contribuinte fiscaliza do, e são decorrentes das vendas feitas por ECF's. Por isso, não há número de NF emitida relacionada a esse código CFOP. ** As devoluções de venda de livros estão demonstradas no Demonstrativo relativo às entradas de livros, citados no item 6 abaixo. Assim, os montantes de receita bruta acima demonstrados, em cada período, correspondem à receita bruta isenta de PIS/COFINS, deduzidas as Devoluções.(grifei). Também se constata no TVF, fl.102.852/102.853: Fl. 103262DF CARF MF Processo nº 11516.722647/201163 Acórdão n.º 3302004.756 S3C3T2 Fl. 103.230 25 Ou seja, para fins de incidência das contribuições para o PIS/COFINS nãocumulativos, sobre a receita bruta da venda de "Livros" incide a alíquota "0" (zero) e, dessa forma, não integram a base de calculo das contribuições (art. 1o, § 3o, I da Lei n° 10.833/2003 e art. 1o, § 3o, I da Lei n° 10.637/2002) Da mesma forma, sobre as aquisições de "Livros", o contribuinte não tem direito ao crédito de PIS/COFINS nãocumulativo, conforme disposições dos art. 3o, § 2o, II da Lei n° 10.833/2003 e art. 3o, § 2o, II da Lei n° 10.637/2002. Os demais produtos comercializados pelo contribuinte são todos tributados pelas contribuições sociais do PIS/COFINS e suas aquisições dão direito ao crédito de PIS/COFINS não cumulativo, obedecidas às regras contidas nas leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003.(grifei). Dessa forma, e tendo por base os arquivos digitais relativos à escrituração fiscal dos anoscalendário de 2008 a 2010, de todos os estabelecimentos da empresa Fiscalizada (Notas Fiscais de Entrada e Saída, bem como de ECF emitidos Emissor de Cupom Fiscal) entregues pelo contribuinte, apuramos os valores de receita bruta da venda de Livros nos períodos de apuração mensais, adiante designados simplesmente como PA (período de apuração), dos anoscalendário de 2008 a 2010, e as respectivas devoluções de vendas de livros. Isto está demonstrado no Termo,de Intimação Fiscal n° 005, no seu Quadro 01 fls. 16/17.(grifei). Foram considerados como "vendas de livros" os produtos cujo código da mercadoria continham a expressão "LV". Os "Demonstrativos da Venda de Livros", cujas vendas estão discriminadas por: PA; estabelecimento da Fiscalizada que fez a venda; CFOP; número da NF de venda, conforme o caso; Código do Produto vendido; Descrição da Mercadoria e Valor da Venda, encontramse juntados às fls. 30.674/102.775 (!!!). Há que se observar que nesses demonstrativos não estão demonstradas as devoluções de vendas. Isso está feito nos "Demonstrativos da Entrada de Livros", citado mais à frente. (...) Dos excertos acima constatase que a fiscalização demonstrou que os montantes de receita bruta apurados em cada período, correspondem à receita bruta isenta de PIS/COFINS, deduzidas as Devoluções. Produtos vendidos pela requerente com alíquota zero em relação ao PIS/COFINS Analisase a seguir a questão colocada pela Recorrente de que a fiscalização considerou que dentre todos os produtos vendidos pela requerente somente os livros possuem alíquota zero em relação ao PIS/COFINS. Esclarece o TVF: Fl. 103263DF CARF MF 26 Conforme consta no Termo de Constatação lavrado no Termo de Intimação Fiscal n° 005 fls. 16/22, no curso da ação fiscal foi apurado que o contribuinte considerou como "Receitas Isentas ou de alíquota zero", para fins de apuração da base de cálculo do PIS/COFINS, o montante escriturado das receitas não tributadas pelo ICMS. Ou seja, as saídas que corresponderam à receita bruta da venda de mercadorias, que não tiveram incidência de ICMS, foram consideradas como receita isenta ou de alíquota zero de PIS/COFINS, em cada período de apuração (PA). Esta Constatação decorre do contido na resposta prestada pela Fiscalizada datada de 17/10/2011, recebida em 21/10/2011, que se encontra juntada às fls. 398/399. (...) Buscando entender o procedimento adotado pelo contribuinte, encontramos na legislação do ICMS (Regulamento do Estado do Paraná, por exemplo, aprovado pelo Decreto n° 1.980/2007), que o imposto não incide sobre operações com "livros" art. 3o. Na verdade essa não incidência decorre do que consta no art. 150, VI, "d" da Constituição Federal. Dessa forma, todas as vendas de livros efetuadas pelos diversos estabelecimentos da pessoa jurídica fiscalizada fazem parte da "receita não tributada pelo ICMS". Mas, não são apenas as operações com livros que fazem parte das operações de saídas não tributadas pelo ICMS. Existe, por exemplo, uma figura tributária muito utilizada pelos Estados chamada de "substituição tributária", que consiste na cobrança antecipada do ICMS que será devido na operação seguinte de revenda de uma determinada mercadoria. (...) Uma das operações enquadradas nessa modalidade é a que envolve "disco fonográfico, fita virgem ou gravada" art. 528 do mesmo Regulamento. Por sinal, a própria Fiscalizada encaminhou arquivos magnéticos contendo a identificação de produtos desses tipos, cujos "códigos de identificação do produto" são iniciados por "AV", deixando claro que esses produtos que comercializa tratamse de produtos audiovisuais, conforme consta juntado nos demonstrativos que foram elaborados tendo por base esses mesmos arquivos magnético fls. 3585/3601 (Demonstrativo compras não trib ICMS Matriz 012008) do processo. Existem outros produtos, que são normalmente vendidos pelos estabelecimentos da Fiscalizada, que também estão enquadrados no regime de substituição tributária do ICMS. É o caso das operações com produtos eletrônicos, eletroeletrônicos e eletrodomésticos art. 481 letras "a" a."c" do Regulamento do ICMS do Estado do Paraná. Na relação dos produtos sujeitos a esse regime, constante do art. 481 C, encontramos, por exemplo: Fl. 103264DF CARF MF Processo nº 11516.722647/201163 Acórdão n.º 3302004.756 S3C3T2 Fl. 103.231 27 (...) Ou seja, restou comprovado que o contribuinte incluiu como "Receitas Isentas ou não tributadas." pelo PIS/COFINS, o somatório das vendas de produtos que não encontram respaldo isencional na legislação dessas contribuições. As saídas que correspondem à receita bruta da venda de mercadoria são decorrentes dos montantes escriturados nos seguintes CFOP's (códigos fiscais de operações), conforme resposta do contribuinte, via mensagem eletrônica institucional (fls. 838): 5.102 6.102 5.104 6.1045.114 6.114 5.403 6.403 5.922 6.922. O mesmo critério a empresa adotou para apurar a base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS nãocumulativo, ou seja, o montante escriturado de entradas para revenda.(grifei). (...) Como visto acima, quando foi tratado das vendas dos produtos, e também pelo que declarou a Fiscalizada, as vendas de produtos não tributados pelo ICMS não foram incluídas na base de cálculo das contribuições sociais, e as entradas desses produtos também não fizeram parte da base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS nãocumulativos. Ora, uma coisa não tem nada a ver com a outra, no que diz respeito às legislações do imposto estadual e das contribuições sociais federais. O que se concluiu, então, é que a Fiscalizada não computou aquisições legítimas, a princípio, na base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS. Por outro lado, não fez incidir as contribuições PIS/COFINS sobre parte de suas receitas. Essa conclusão é derivada, também, daquilo que foi cientificado ao contribuinte no Termo de Intimação Fiscal n° 002 (fls. 10 e 102.776/102.778), quando foi dada ciência de que "Em consulta á legislação que rege as contribuições acima citadas, apuramos que o art. 28, VI da Lei n° 10.865/2004 dispõe que a alíquota dó PIS/COFINS incidente sobre a receita bruta da venda de livros (conforme definido no art. 2o da Lei n° 10.753/2003) fica reduzida a ZERO". O contribuinte manifestouse, em resposta datada de 17/10/2011 fls. 398, que "sobre os produtos que comercializamos não se aplica outro fundamento a não ser o art. 2 da Lei 10.753/2003."(grifei). Ou seja, para fins de incidência das contribuições para o PIS/COFINS nãocumulativos, sobre a receita bruta da venda de "Livros" incide a alíquota "0" (zero) e, dessa forma, não integram a base de calculo das contribuições (art. 1o, § 3o, I da Lei n° 10.833/2003 e art. 1o, § 3o, I da Lei n° 10.637/2002) Fl. 103265DF CARF MF 28 Da mesma forma, sobre as aquisições de "Livros", o contribuinte não tem direito ao crédito de PIS/COFINS nãocumulativo, conforme disposições dos art. 3o, § 2o, II da Lei n° 10.833/2003 e art. 3o, § 2o, II da Lei n° 10.637/2002. Os demais produtos comercializados pelo contribuinte são todos tributados pelas contribuições sociais do PIS/COFINS e suas aquisições dão direito ao crédito de PIS/COFINS não cumulativo, obedecidas às regras contidas nas leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003.(grifei). Dessa forma, e tendo por base os arquivos digitais relativos à escrituração fiscal dos anoscalendário de 2008 a 2010, de todos os estabelecimentos da empresa Fiscalizada (Notas Fiscais de Entrada e Saída, bem como de ECF emitidos Emissor de Cupom Fiscal) entregues pelo contribuinte, apuramos os valores de receita bruta da venda de Livros nos períodos de apuração mensais, adiante designados simplesmente como PA (período de apuração), dos anoscalendário de 2008 a 2010, e as respectivas devoluções de vendas de livros. Isto está demonstrado no Termo,de Intimação Fiscal n° 005, no seu Quadro 01 fls. 16/17. (...) Mais uma vez, frisamos que os montantes de receitas isentas ou de alíquota zero declaradas em DACON, que são os mesmos constantes nos quadros elaborados pelo contribuinte em sua resposta, contemplam a receita não tributada pelo ICMS, a qual inclui a venda de diversos produtos, inclusive "Livros", como declarado pelo contribuinte e visto acima, e que o montante da Receita da Venda de Livros, que foi apurado por esta fiscalização, e que constam dos Demonstrativos da Venda de Livros fls. 30.674/102.775, contém apenas o montante da venda de Livros cuja alíquota de incidência das contribuições sociais PIS/COFINS é 0% (zero por cento). Ou seja, do montante de vendas da pessoa jurídica, contemplando, evidentemente, os seus diversos estabelecimentos, apenas às receitas constantes dos "Demonstrativos da Venda de Livros" é que se aplica a alíquota zero de PIS/COFINS. (grifei). Ainda sobre o TVF: É bom citar que no final da resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 005, essa que acabamos de citar, e que está juntada às fls. 826/831, o sujeito passivo declara que "Diante das informações constantes das demonstrações nos quadros 1 e 2 acima, que apresentam divergências de valores expressivas, comparados com os nossos registros Contábeis / Dacon estamos gerando os arquivos de vendas tributadas pelo ICMS e pelo regime de substituição tributária, que darão subsídios para nos certificarmos da efetiva base de cálculo do PIS e COFINS." Mas, diante dessa resposta, temos a lembrar o contribuinte que ele já foi intimado a apresentar os demonstrativos que mostrassem a totalidade de itens que compunham o montante de receita isenta por período de apuração do PIS/COFINS e Fl. 103266DF CARF MF Processo nº 11516.722647/201163 Acórdão n.º 3302004.756 S3C3T2 Fl. 103.232 29 que, inclusive, o contribuinte já o fez, conforme resposta juntadas às fls. 398.(grifei). Dos excertos acima verificase que as colusões da fiscalização tiveram por base os livros e documentos apresentados pelo contribuinte, inclusive arquivos digitais, cabendo ainda ressaltar que a autuada foi intimada e reintimada várias vezes a prestar esclarecimentos sobre a natureza das operações, de sorte que toda a fundamentação e suporte fático estão respaldados na escrituração do contribuinte, cabendo à Recorrente indicar quais mercadorias, exceto livros, têm alíquota zero em relação ao PIS/COFINS e foram consideradas pela fiscalização na base de cálculo das referidas contribuições. Demonstrou a fiscalização quantificadamente a forma de apuração da base de cálculo, de modo que alegações genéricas desprovidas de cunho probatório não se prestam a informar os dados coletados pela fiscalização da própria escrituração da autuada Da apropriação de créditos na obtenção da base de cálculo tributável Destaca o TVF: Em relação às entradas de mercadorias que dão direito ao crédito de PIS/COFINS nãocumulativo, procedemos da mesma forma. Apuramos o montante de aquisições de Livros, tendo por base a mesma escrituração fiscal entregue à Fiscalização e o mesmo critério foram considerados como aquisição de "Livros" os produtos cujo código da mercadoria contém a expressão "LV", utilizando os CFOP's de entrada acima especificados. Esses montantes, por PA, estão discriminados no Quadro 02 do Termo de Intimação Fiscal n° 005 fls. 17. Os "Demonstrativos da Entrada de Livros", discriminadas por: PA; estabelecimento da Fiscalizada que fez a compra; CFOP; Código da Mercadoria adquirida; Descrição da Mercadoria; número da (NF de entrada; CNPJ do Emitente da NF de entrada; Valor da Aquisição, encontramse juntados às fls. 3.800/30.673 (!!). Nesses documentos estão demonstradas, também, as devoluções de compras de livros e as devoluções de venda de livros. Contudo, conforme constou no Termo de Intimação Fiscal n° 005, o montante das aquisições de "livros" acobertadas pelos códigos CFOP's 1.113 e 2.113, e constantes dos demonstrativos de entrada, estão incompletos, pelos motivos lá expostos. No entanto, todas as mercadorias adquiridas por meio desses códigos, cuja identificação foi possível, tratamse de "Livros", como foi constatado no Termo Fiscal citado. Sobre esta constatação, o contribuinte não se manifestou. Demonstrase a seguir excertos da decisão de piso que trata de forma minudente sobre a matéria colacionada. Excertos da decisão de piso: E – Outros créditos: Fl. 103267DF CARF MF 30 A contribuinte alega que, ao apurar o montante passível de crédito, a fiscalização utilizou somente os créditos oriundos de aquisição de produtos, sem considerar outras reduções da base de cálculo, como depreciação, aluguel, energia elétrica etc. Equivocada mostrase a contribuinte quando afirma que a fiscalização deixou de conceder os créditos decorrentes da não cumulatividade, pois resta demonstrado no Quadro 03: Apuração da Base de cálculo do PIS/COFINS, constante do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, os valores dos créditos de energia elétrica, aluguéis e vendas canceladas na coluna BC Demais Créditos (energia elétrica, aluguéis, vendas canceladas) subtraídos dos valores constante da coluna Valor Apurado – Base de Cálculo Tributável. Notese, ademais, que os valores relacionados na coluna BC Demais Créditos (energia elétrica, aluguéis, vendas canceladas) constante do Quadro 03, são os mesmos daqueles relacionados na coluna de mesmo nome, no Quadro 01 – Dados informados DACON, ou seja, tais valores são aqueles informados pela própria contribuinte no Dacon, como créditos a serem descontados na base de cálculo das contribuições não cumulativas. Portanto, todos os créditos informados pela contribuinte foram validados pela autoridade lançadora e deduzidos do total de débitos apurados relativos à contribuição ao PIS e à Cofins.(grifei).0, Do acima exposto, considerando a fundamentação minudentemente descrita pela fiscalização e o suporte probatório que respalda a situação fática apurada na autuação, trazendo à discussão matéria já apreciada em sede preliminar quanto ao suposto cerceamento de defesa pelo indeferimento de diligência/perícia pela decisão de piso, cabe destacar, agora no âmbito da análise meritória que no presente caso a defesa além de não atender as prescrições do inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 que estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir], tampouco se utilizou da faculdade prevista no § 4º do art. 16 do mesmo diploma legal, que permite ao impugnante apresentar provas documentais em outro momento processual, quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente ou, ainda, se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, reiterase o acerto da decisão de piso, visto que ao demonstrar fundamentadamente a motivação de sua decisão, respaldouse no suporte probatório do caderno processual, que entendeu suficiente para o julgamento da lide, conforme lhe assegura o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Embora o já destacado Decreto nº 70.235, de 1972 disponha no § 6.º do art. 16 que [Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.], não se constata nos autos documentos apresentados pela Recorrente a serem apreciados por essa colenda turma recursal. Ressalvese que o sistema de apreciação das provas adotado no processo administrativo fiscal, consubstanciado no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972 é o sistema de valoração adotado pelo sistema processual brasileiro que é o da persuasão racional, também Fl. 103268DF CARF MF Processo nº 11516.722647/201163 Acórdão n.º 3302004.756 S3C3T2 Fl. 103.233 31 conhecido pelo princípio do livre convencimento motivado. Como pontua 5Daniel Amorim, em consequência do livre convencimento motivado o julgador é livre para formar seu convencimento, dando portanto às provas o peso que entender cabível em cada processo, sem existir hierarquia entre os meios de prova. Assim restando demonstrado que a Recorrente permaneceu silente quando da oportunidade processual de trazer a prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da exigência sub examine subsiste a prova trazida aos autos na ação fiscal, colhida vale ressaltar, da própria escrituração dos livros da Recorrente disponibilizados à fiscalização. Da exclusão da multa de ofício Alega a Recorrente que seu método de apuração utilizado era legítimo e aceito pela administração tributária, logo deve ser afastada a aplicação de qualquer penalidade com fundamento no artigo 100 do Código Tributário Nacional. Sendo a obrigação tributária "ex lege", o cumprimento desta atémse ao disposto na legislação tributária e sendo o tributo um direito indisponível, tem a Administração tributária o Poderdever de exigir o tributo e as penalidades cabíveis como no presente caso, que restou demonstrado o descumprimento da legislação de regência das Contribuições de PIS e Cofins. Com efeito, a cominação de penalidades situase no campo da reserva legal, ou melhor, reserva absoluta da lei, sendo exigível para a espécie, lei em sentido material e formal, como disciplina o 6artigo 97, V do CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I (omissis; .................................................................................................... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;” Como já sobejamente demonstrado, constatando a fiscalização o recolhimento a menor das contribuições já referidas aplicou a multa de 75% prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrita, sendo incabível ao caso a norma disposta no artigo 100 do CTN por absoluta falta de tipicidade. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 5 Neves, Daniel Amorim Assumpção em manual de direito processual civil – 3ª ed. – Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: MÉTODO, 2011, pág.425. 6 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I (omissis; .................................................................................................... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;” Fl. 103269DF CARF MF 32 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...]§ 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [grifei] Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 103270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12893.000362/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo-se apenas a glosa relativa aos serviços contratados da SERVISYSTEM correspondentes ao setor de expedição.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendose apenas a glosa relativa aos serviços contratados da SERVISYSTEM correspondentes ao setor de expedição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 3. 00 03 62 /2 00 8- 38 Fl. 924DF CARF MF Processo nº 12893.000362/200838 Acórdão n.º 3302004.627 S3C3T2 Fl. 925 2 Relatório Tratase de análise de direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de Cofins NãoCumulativa, relativo ao primeiro trimestre de 2007, cuja análise resultou no relatório fiscal de efls. 8 a 42, no qual foram efetuadas glosas em bens adquiridos como insumos, serviços utilizados como insumos, bens importados utilizados como insumos, aluguéis de prédios, fretes sobre operações de vendas, depreciação de bens do imobilizado e ajustes positivos de créditos. Em manifestação de inconformidade, a recorrente contestou apenas a glosa relativa aos serviços prestados pela empresa SERVISYSTEM, não se insurgindo quanto às demais. Por sua vez, a Décima Sétima Turma da DRJ/RJO proferiu o acórdão nº 12 70.735, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. SERVIÇOS DE TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. As despesas com serviço de transporte contratado para movimentação interna de produtos não gera direito a crédito a ser descontado no regime nãocumulativo da COFINS, por não se enquadrar no conceito de insumos nem se caracterizar como frete nas operações de venda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido, sem o que não pode ser homologada a compensação efetuada. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 12893.000362/200838 Acórdão n.º 3302004.627 S3C3T2 Fl. 926 3 A prova documental será apresentada no prazo do recurso, precluindose o direito de o recorrente fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, pugnando pela nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa, em razão do indeferimento da produção de prova pericial e diligências e reiterando os argumentos de mérito. Na forma regimentar, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente pugnou pela nulidade da decisão recorrida em razão do indeferimento do pedido de diligência e perícia, pois, em suma, não se poderia concluir que os serviços tomados pela recorrente não seriam diretamente executados no processo industrial, sem sua realização. Por sua vez, a decisão recorrida indeferiu o pedido, entendendo que a controvérsia estava centrada na interpretação da legislação e dos conceitos legais, sendo, portanto, matéria de direito. Verificase, de fato, que a controvérsia reside na interpretação do termo "insumo" na legislação da nãocumulatividade das contribuições. Enquanto para a recorrente, insumo diz respeito a todos os bens e serviços necessários para a atividade produtiva e comercial, permitindo a concretização das receitas a serem auferidas, a decisão recorrida adotou, obrigatoriamente, a interpretação normativa dada pela RFB nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004, para as quais a ação direta possui uma conotação distinta de ser essencial ou necessário, significando a ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou produção. Não por outra razão, o transporte interno de insumos ou produtos em elaboração não geram créditos sob a ótica da RFB. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 12893.000362/200838 Acórdão n.º 3302004.627 S3C3T2 Fl. 927 4 Assim, entendo que a decisão proferida pela DRJ está suficientemente fundamentada, sendo que o indeferimento da diligência não implicou o cerceamento de defesa, nos termos do artigo 281 do Decreto nº 70.235/1972. No mérito, a recorrente defendeu a possibilidade de se tomar créditos dos serviços adquiridos da SERVISYSTEM, em razão da essencialidade dos serviços na atividade produtiva da recorrente. Inicialmente, é necessário expor o entendimento do relator quanto à definição de insumos. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das 1 Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 927DF CARF MF Processo nº 12893.000362/200838 Acórdão n.º 3302004.627 S3C3T2 Fl. 928 5 Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 928DF CARF MF Processo nº 12893.000362/200838 Acórdão n.º 3302004.627 S3C3T2 Fl. 929 6 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 929DF CARF MF Processo nº 12893.000362/200838 Acórdão n.º 3302004.627 S3C3T2 Fl. 930 7 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 12893.000362/200838 Acórdão n.º 3302004.627 S3C3T2 Fl. 931 8 Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, Fl. 931DF CARF MF Processo nº 12893.000362/200838 Acórdão n.º 3302004.627 S3C3T2 Fl. 932 9 isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 12893.000362/200838 Acórdão n.º 3302004.627 S3C3T2 Fl. 933 10 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: Fl. 933DF CARF MF Processo nº 12893.000362/200838 Acórdão n.º 3302004.627 S3C3T2 Fl. 934 11 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 934DF CARF MF Processo nº 12893.000362/200838 Acórdão n.º 3302004.627 S3C3T2 Fl. 935 12 Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 12893.000362/200838 Acórdão n.º 3302004.627 S3C3T2 Fl. 936 13 O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente de ter havido contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ Fl. 936DF CARF MF Processo nº 12893.000362/200838 Acórdão n.º 3302004.627 S3C3T2 Fl. 937 14 (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Partindose das premissas acima, passase à análise dos serviços prestados pela SERVISYSTEM. O contrato de efls. 307 a 321 possui como objeto a prestação de serviços de movimentação de peças, condução de veículos industriais e administração de almoxarifado nas dependências indicadas pela recorrente. A recorrente detalhou a execução de cada serviço. Relativamente à movimentação de peças, tratase de serviços de movimentação de matériasprimas e peças entre plantas da recorrente. Tais serviços são empregados no transporte de peças fundidas, eventualmente máquinas, ferramentas e peças de manutenção, a serem utilizadas no setor de fundição, setor de motores, setor de estamparia, setor de compela. Este transporte de insumos e peças de manutenção relativas ao parque industrial se amolda à definição de serviços utilizados como insumos, de modo similar aos fretes contratados para transporte de insumos. A respeito, citase Acórdão nº 3302003.212, proferido por esta turma na sessão de 16/05/2016, do ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento: TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. GASTOS COM FRETE. CUSTO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete relativo à operação de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos do próprio contribuinte propicia o direito ao crédito da contribuição como custo de produção dos produtos destinados à venda. Concernente ao serviço de condução de veículos industriais, tratase de serviço efetuado por pessoal especializado na condução de tais veículos dentro do parque industrial, sendo, portanto, inerente ao processo produtivo, gerando créditos da não cumulatividade, de modo similar aos serviços de movimentação de peças. Inserese também na natureza de insumo, o serviço prestado no setor de montagem III, que tratase de setor responsável pela embalagem industrial. Ressalvase, porém, o setor de expedição, cuja função é separar e trazer o lote para área de preparação, conferência e posterior carregamento. Tratase de atividade posterior à embalagem, efetuada sobre produtos acabados e ligada ao estoque destes produtos. No que tange à atividade de almoxarifado, a recorrente informa que se trata de recebimento e controle de qualidade dos insumos a serem aplicados no processo produtivo. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 12893.000362/200838 Acórdão n.º 3302004.627 S3C3T2 Fl. 938 15 Entendo que os serviços relacionados ao recebimento, armazenamento e movimentação de insumos se inserem no processo produtivo, gerando créditos da nãocumulatividade. Diante do exposto, voto dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendose apenas a glosa relativa aos serviços contratados da SERVISYSTEM correspondentes ao setor de expedição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 938DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.721318/2013-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DECLARAÇÃO FALSA EM GFIP DE CIRCUNSTÂNCIA PESSOAL. SONEGAÇÃO.
1. O sujeito passivo prestou declaração falsa ao declarar-se optante do Simples Nacional, o que possibilitou a supressão das contribuições devidas à seguridade social devidas pela empresa, sendo cabível a qualificação da multa de ofício.
2. Ainda que não tivessem sido ocultados os fatos geradores (pagamento de remuneração a segurados), houve declaração falsa relativa à condição pessoal da recorrente (optante do Simples Nacional), suscetível de afetar a obrigação tributária em tela.
Numero da decisão: 2402-005.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Fernanda Melo Leal.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DECLARAÇÃO FALSA EM GFIP DE CIRCUNSTÂNCIA PESSOAL. SONEGAÇÃO. 1. O sujeito passivo prestou declaração falsa ao declarar-se optante do Simples Nacional, o que possibilitou a supressão das contribuições devidas à seguridade social devidas pela empresa, sendo cabível a qualificação da multa de ofício. 2. Ainda que não tivessem sido ocultados os fatos geradores (pagamento de remuneração a segurados), houve declaração falsa relativa à condição pessoal da recorrente (optante do Simples Nacional), suscetível de afetar a obrigação tributária em tela.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Fernanda Melo Leal. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
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QUALIFICAÇÃO. DECLARAÇÃO FALSA EM GFIP DE CIRCUNSTÂNCIA PESSOAL. SONEGAÇÃO. 1. O sujeito passivo prestou declaração falsa ao declararse optante do Simples Nacional, o que possibilitou a supressão das contribuições devidas à seguridade social devidas pela empresa, sendo cabível a qualificação da multa de ofício. 2. Ainda que não tivessem sido ocultados os fatos geradores (pagamento de remuneração a segurados), houve declaração falsa relativa à condição pessoal da recorrente (optante do Simples Nacional), suscetível de afetar a obrigação tributária em tela. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 13 18 /2 01 3- 53 Fl. 226DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Fernanda Melo Leal. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti e Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10855.721318/201353 Acórdão n.º 2402005.960 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A fiscalização lavrou em face do sujeito passivo os seguintes Autos de Infração, para a cobrança das contribuições devidas à seguridade social e demais consectários legais: a) Auto de Infração 51.031.1784, relativo às contribuições correspondentes à parte da empresa e ao GILRAT, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais em folhas de pagamento, declaradas na GFIP e não recolhidas, em face da informação indevida de se tratar de empresa optante pelo Simples Nacional; b) Auto de Infração 51.031.1792, relativo às contribuições devidas a outras entidades ou fundos (terceiros), incidentes sobre a mesma base tratada no item anterior; c) Auto de Infração 51.033.6906, pelo descumprimento de obrigação acessória. De acordo com os relatórios fiscal e complementar (fls. 52 e seguintes e fls. 119 e seguintes), e com o relatório da decisão recorrida (fls. 164 e seguintes), que ora se reproduz, eis um resumo da acusação e dos demais acontecimentos deste processo: 2. [...] o interessado declarou indevidamente nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP a condição de optante pelo SIMPLES Nacional no período do lançamento, embora a empresa tenha sido excluída de ofício do aludido regime por ato administrativo da RFB, com efeitos a partir de 01/01/2009. 3. Destarte, ao consignar esta informação em GFIP, deixou de reconhecer como devidas e de recolher as contribuições previdenciárias previstas nos Incisos I, II e III do art. 22, da Lei nº 8.212/91, e as contribuições destinadas a Terceiros. E considerando que a conduta praticada, de forma reiterada em 26 competências, caracteriza sonegação, nos termos 71 da Lei nº 4.502/64, foi aplicada multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. 4. Segundo o autor do lançamento, constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias e daquelas devidas a outras entidades as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais informadas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. 5. Esclarece ainda que, embora regularmente intimada a apresentar informações sobre bens imóveis e veículos da empresa, através dos TIF nº 07 e 08, a empresa não se manifestou. Logo, por infração à obrigação acessória prevista Fl. 228DF CARF MF 4 no art. 32, III e §11 da Lei nº 8.212/91, foi lavrado o AI nº 51.033.6906. 6. Notificado dos lançamentos por via postal em 19/06/2013, o interessado apresentou impugnação parcial, protocolada em 19/07/2013, na qual insurgese exclusivamente contra a imposição da multa qualificada. 7. Neste passo, defende não ter agido intencionalmente, pois a informação do código da opção pelo Simples em GFIP decorreu de erro na elaboração do documento com base em parâmetros fixados anteriormente. E esclarece que a GFIP é feita pela própria empresa, ao passo que a DIPJ é feita por escritório de contabilidade contratado, o que explica a discrepância nas informações. 8. Considerando que a contribuição RAT fora exigida em percentual superior ao devido em parte do período de apuração, o AFRFB autuante elaborou Relatório Fiscal Complementar e reemitiu os AI nº 51.031.1784 e 51.031.1792, renovando ao interessado o prazo para aditar a impugnação já apresentada. 9. Embora intimado dos novos elementos em 13/08/2013, o interessado deixou transcorrer in albis o novo prazo assinalado. A DRJ delimitou a lide (discussão acerca da legitimidade da multa qualificada nos AI nº 51.031.1784 e 51.031.1792, razão pela qual não se instaurou a fase litigiosa em relação ao AI nº 51.033.6906) e julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: SIMPLES NACIONAL. EMPRESA NÃO OPTANTE. EFEITOS. Tratandose de empresa que não ostenta, no período de apuração, o status de optante pelo Simples Nacional, é aplicável o regime de tributação comum, sujeitandose a mesma ao recolhimento das contribuições que perfazem a cota patronal, assim como das contribuições destinadas a outras entidades e fundos paraestatais. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Configura hipótese de qualificação da multa de ofício, por sonegação, a situação na qual o contribuinte informa, de forma reiterada, código de opção ao Simples Nacional na Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, embora ciente de ter sido excluído de ofício do regime de tributação especial, com o objetivo de inibir o cálculo das contribuições sociais devidas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AI nº 51.033.6906. A ausência de contestação expressa torna incontroversos os fatos narrados pelo Fisco, não instaurando a fase litigiosa relativamente à matéria não impugnada. A contribuinte foi intimada da decisão em 21/08/2014 (v. fls. 186 e 220) e interpôs recurso voluntário em 22/09/2014 (fls. 190 e seguintes), no qual basicamente reiterou Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10855.721318/201353 Acórdão n.º 2402005.960 S2C4T2 Fl. 4 5 os fatos e os fundamentos de sua impugnação, acrescentando pedido de produção de provas e protestando pelo direito de sustentação oral. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da produção de provas e do pedido de sustentação oral De acordo com o art. 15 do Decreto 70235/72, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a fato ou a direito superveniente; (c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso dos autos, a recorrente não demonstrou ter havido nenhuma das circunstâncias legalmente previstas para a juntada de documentos novos, tendo, a contrario sensu, feito mero protesto genérico, que, portanto, deve ser indeferido. Já o pedido de sustentação oral sequer deve ser conhecido, pois totalmente estranho e impertinente aos limites da lide (qualificação da multa de ofício), convindo apenas observar que, nos termos do Regimento Interno deste Conselho, é assegurado ao recorrente ou ao seu representante legal fazer sustentação oral por quinze minutos (art. 58, inc. II, do Anexo II). 3 Da qualificação da multa A presente controvérsia se restringe à qualificação da multa de ofício, que a recorrente, por equívoco, denominou de multa agravada. Nos dizeres da acusação fiscal, o sujeito passivo teria praticado sonegação, o que ensejaria a duplicação da multa de ofício. Vejase: 4.4. De acordo com a Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, temos que: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10855.721318/201353 Acórdão n.º 2402005.960 S2C4T2 Fl. 5 7 4.5. De acordo com a legislação especificada, cabe a aplicação da multa de ofício de 75% duplicada para 150% em todo o período de 01/2009 a 13/2010 em face da declaração indevida de ser optante do Simples Nacional, de forma reiterada em 26 competências (considerando o 13º salário), a partir da redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009. (destacouse) A esse respeito, assim se manifestou a DRJ: 17. Dessa maneira, com base no quadro fático e no conjunto probatório carreado aos autos pela fiscalização, verificase que o contribuinte prestou, de forma consciente e intencional, informações inverídicas em GFIP, quanto à sua situação perante o Simples Nacional, na exata medida em que tinha conhecimento prévio de sua exclusão de ofício do referido regime, tendo mantido a declaração na GFIP por tempo juridicamente relevante (26 competências) como optante, de maneira a impedir que o sistema SEFIP promovesse o cálculo das contribuições devidas. 18. Neste cenário, a alegação de mero erro quanto à digitação do código de optante não prospera, pois o contribuinte, embora excluído de ofício a partir de 01/01/2009, solicitou novamente o ingresso em 29/01/2009, com indeferimento em 25/03/2009, o que significa dizer que o mesmo tinha absoluta ciência, desde o início, que seu regime tributário havia se modificado para outro menos favorável, tendo inclusive adotado providências para reverter a situação, só logrando êxito em 2011. 19. Não fosse isto suficiente, reforça a certeza de que houve sonegação dolosa o fato de ter apresentado, para os anos calendário de 2009 e 2010, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa JurídicaDIPJ manifestando expressa opção pela tributação pelo Lucro Presumido, conforme evidenciado nos autos. Pois bem. Examinandose o conjunto probatório dos autos, verificase que a acusação de sonegação fiscal se deve ao fato comprovado e admitido de que o sujeito passivo teria feito declaração indevida de ser optante do Simples Nacional, de forma reiterada. Tais declarações, tidas por falsas, teriam impedido que o sistema SEFIP promovesse o cálculo das contribuições devidas. Como sabido, inadimplemento e sonegação são conceitos diferentes, pois na sonegação ocorre o emprego da fraude, o que pode ocorrer por diversos meios. O art. 337A do Código Penal arrola entre os seus incisos diversas condutas que visam a suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório. Veja se: Art. 337A. [...] Fl. 232DF CARF MF 8 I – omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II – deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III – omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) O art. 1º da Lei 8137/90, da mesma forma, trata das condutas que visam a suprimir ou reduzir tributo em sentido genérico, e não apenas as contribuições devidas à seguridade social: Art. 1° [...] I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Nessa toada, enquanto o inadimplemento implica a possibilidade de constituição do crédito tributário, via lançamento, consistente na exigência do tributo, juros e multas (de mora e/ou de ofício, conforme o caso), a sonegação importa a viabilidade da cobrança de todas essas rubricas, acrescida da qualificação da multa de ofício (o percentual da multa é duplicado). Como se vê, a lei penal e administrativa não punem o mero inadimplemento, mas sim as condutas utilizadas como instrumento para ocultar ao Fisco o conhecimento do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou do montante do tributo devido, bem como as circunstâncias pessoais do contribuinte, que possam afetar a obrigação tributária. No caso in concreto, ainda que o sujeito passivo pudesse não ter omitido informações em folhas de pagamento e em GFIP, como alega em sua defesa e reitera em seu recurso, o fato de ter declarado ser optante do Simples Nacional, quando sabia que não o era, constituise em declaração falsa, que possibilitou a supressão das contribuições devidas à seguridade social. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10855.721318/201353 Acórdão n.º 2402005.960 S2C4T2 Fl. 6 9 A reiteração de tal conduta, aliada ao descompasso das informações prestadas na DIPJ, fragiliza a alegação de simples erro. Noutro giro verbal, ainda que não tivessem sido ocultados os fatos geradores (pagamento de remuneração a segurados), houve declaração falsa relativa à condição pessoal da recorrente (optante do Simples Nacional), suscetível de afetar a obrigação tributária em tela, razão pela qual não há como censurar a acusação fiscal, negandose provimento ao recurso voluntário. A jurisprudência judicial vem tratando tais condutas como fraudulentas, a exemplo do seguinte precedente: DIREITO PENAL. SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (ART. 337A, DO CP) E CRIME MATERIAL CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA (ART. 1º, INCISO I DA LEI 8.137/90). CRIME ÚNICO. MATERIALIDADE. ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO. ATENUANTE. ARTIGO 66 DO CÓDIGO PENAL. 1. Ao declarar ser optante pelo Simples Nacional em GFIP, a pessoa jurídica presta declaração falsa à autoridade fazendária como instrumento para a supressão de contribuições previdenciárias, de forma que a conduta se subsume ao art. 1º, inciso I, da Lei 8.137/90. [...] (TRF4, ACR 505278840.2013.404.7100, OITAVA TURMA, Relator LEANDRO PAULSEN, juntado aos autos em 11/07/2017) (destacouse) 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.000013/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para verificar a inclusão na autuação de operações alegadas de simples revenda e se houve aproveitamento de créditos, nas respectivas aquisições, dessas operações de revenda; além de confirmar a existência de saídas alegadas já anteriormente tributas. Vencidos os Conselheiros Cleber Magalhães e Fenelon Moscoso de Almeida, Relator, que negavam provimento ao recurso voluntário apresentado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Tiago Guerra Machado.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Presidente substituto e Relator
TIAGO GUERRA MACHADO Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para verificar a inclusão na autuação de operações alegadas de simples revenda e se houve aproveitamento de créditos, nas respectivas aquisições, dessas operações de revenda; além de confirmar a existência de saídas alegadas já anteriormente tributas. Vencidos os Conselheiros Cleber Magalhães e Fenelon Moscoso de Almeida, Relator, que negavam provimento ao recurso voluntário apresentado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Tiago Guerra Machado. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA – Presidente substituto e Relator TIAGO GUERRA MACHADO – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 00 01 3/ 20 09 -0 7 Fl. 3861DF CARF MF Processo nº 11080.000013/200907 Resolução nº 3401001.185 S3C4T1 Fl. 3.862 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls.1 3407/3413), lavrado e cientificado pessoalmente em 06/01/2009, para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$2.743.101,44, acrescidos de multa de oficio e juros de mora, em razão de infração por: (1) erro de classificação fiscal e/ou alíquota (arts. 15, 16 e 17, do Decreto nº 4.544/02 RIPI/2002, com fulcro nos art. 10, da Lei nº 4.502/64; e art. 3º, do Decretolei nº 1.154/71), no período de 01/01/2004 a 31/08/2008, segundo TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL TVF, às fls. 3414/3435. No TVF, restou consignado que o lançamento decorreu do fato de ter a fiscalizada, em parte de suas vendas, deixado de destacar ou ter destacado a menor o IPI, nos documentos fiscais de saída dos produtos industrializados, referidos no item 8 (fls. 3420/3433) do citado termo, infringindo os dispositivos legais nele mencionados. Constatou a fiscalização que, via de regra, a fiscalizada não destaca o IPI na saída dos produtos industrializados por encomenda; e que destacou a menor o imposto na saída de alguns dos produtos que industrializa, por adotar classificação e alíquota incorretas. Cientificada pessoalmente do Auto de Infração, em 06/01/2009, apresentou Impugnação, em 05/02/2009 (fls. 3457/3477), alegando, em síntese emprestada da decisão recorrida: "Primeiramente solicita a realização de perícia contábil e fiscal frente ao que diz serem inconsistências que redundaram em erros no auto de infração. Da mesma forma para restabelecer o equilíbrio entre fisco e contribuinte à vista de que os fiscais levaram mais de seis meses na elaboração de seu trabalho e ao contribuinte é dado o prazo de apenas trinta dias para exercer sua defesa, em flagrante desrespeito ao principio constitucional da isonomia. A seguir relata que a autuada não é empresa que atua exclusivamente como indústria, realizando também operações de compra e venda de produtos e de embalagens sem qualquer tipo de operação que possa se caracterizar como industrialização, ao contrário do que deixa transparecer o relatório fiscal. Assevera que analisando o objeto social da autuada e os documentos juntados aos autos constatase que as embalagens plásticas por ela comercializadas são exclusivamente para acondicionar produtos alimentícios o que significa que a alíquota a ser aplicada para esses produtos deve ser 0%, colacionando jurisprudência do TRF da 4ª Região. Alega que vários itens que foram objeto da autuação são especificamente utilizados para embalar produtos alimentícios, estando, portanto, sujeitos à alíquota 0% e não à alíquota de 15% como entendeu o fisco. Reforça que o estabelecimento além dos produtos que industrializa, também dá saída a diversos produtos que adquire de terceiros e que são revendidos sem realizar qualquer tipo de operação de industrialização, como preconizam os arts. 3° e 4° do Regulamento do IPI e 46 e seu parágrafo único do CTN, pelo que entende ser sua tributação indevida e inaceitável. 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 3862DF CARF MF Processo nº 11080.000013/200907 Resolução nº 3401001.185 S3C4T1 Fl. 3.863 3 Na seqüência passa a combater item a item os produtos autuados pela fiscalização constantes do Termo de Verificação Fiscal. Diz estar completamente equivocada a fiscalização ao classificar os produtos descritos como "Fogos Fonte Estrelada c/ 1" no código 3604.10.00 como Fogos de Artifício, pois tais produtos nada mais são que velas de aniversário que são classificadas no código 3406.00.00, sujeitos à alíquota 0%. No que diz respeito aos filmes de PVC, transparentes, termocontráteis, de espessura menor ou igual a 250 microns afirma que já teria tributado vários desses itens à alíquota de 15% e que a fiscalização incorreu em erro ao considerar que a autuada teria dado saída aos produtos com alíquota zero. Outrossim, alega que vários desses itens não são tributados por se tratarem de simples revenda. Quanto às bobinas de películas de poliésteres descritas como "Bobinas p/ churrasco" classificadas pela fiscalização no código 3920.69.00, igualmente, afirma que já foram tributadas à alíquota de 15%. Quanto aos sacos de polietileno para embalagem de capacidade inferior a 1.000 cm3 classificados pela fiscalização no código 3923.21.10 diz adquirir diversos desses produtos de terceiros e revende sem qualquer tipo de industrialização. Por outro lado, diz que outros itens, como "sacos plásticos p/congelados" já foram tributados pela interessada à alíquota de 15%. Por sua vez os sacos de polietileno para embalagem de capacidade superior a 1.000 cm³ classificados pela fiscalização no código 3923.21.90 mais uma vez alega que adquire diversos desses produtos de outras empresas e revende sem qualquer tipo de alteração ou modificação que caracterize industrialização. Outrossim outros itens como "bobinas plásticas conservbem" já foram tributados pela autuada à alíquota de 15%. Quanto aos utensílios de mesa e cozinha de plástico classificados pela fiscalização no código 3924.10.00, mais uma vez afirma que em relação às saídas de vários desses itens tratase de simples revenda na própria embalagem da empresa que os industrializa, e, inobstante, outros itens já são por ela tributados à alíquota de 10%. Quanto aos artigos de plástico de uso doméstico (prendedor de roupas) classificados no código 3924.90.00 alega serem objeto de simples revenda. O mesmo alega em relação a vários envelopes de papel classificados pela fiscalização no código 4817.10.00. Outrossim afirma já ter tributado outros envelopes do mesmo código com alíquota de 5%. Diz o mesmo ocorrer com os guardanapos de papel classificados pela fiscalização no código 4818.30.00. Da mesma forma diz se dar com o papel bala seda classificado no código 4818.90.90. Mais uma vez, em relação à embalagem de saco de papel para alimentos com base de largura inferior a 40 cm classificadas pela fiscalização no código 4819.40.00, diz tratarse de mera operação de revenda. Quanto as formas de papel manifesta sua inconformidade com a classificação adotada pela fiscalização no código 4819.50.00, postulando que o Fl. 3863DF CARF MF Processo nº 11080.000013/200907 Resolução nº 3401001.185 S3C4T1 Fl. 3.864 4 enquadramento mais adequado seria na posição 4811, ou mesmo na posição 4810, com alíquota de 5%, argumentando que a classificação fiscal do produto "deve atender a sua especificidade e destinação, levandose em conta ainda a sua composição e formato". Aduz que segundo a regra de interpretação adotada pela TIPI a posição mais específica prevalece sobre a mais genérica e que os produtos que possam ser enquadrados em mais de uma posição específica devem ser classificados pela sua característica essencial. Evoca, ainda, o princípio da seletividade do IPI insculpido no art. 48 do CTN e no art. 153, § 3°, I da Carta Constitucional de 1988. Inconformase também a autuada com a classificação adotada pelo fisco para as bandejas e pratos de papel no código 4823.69.00, com alíquota de 15%, por trataremse de produtos laminados, sendo, segundo ela, a classificação correta no código 4811.51.29 com alíquota de 5%. Alega ainda que parte desses produtos são objeto de simples revenda e, assim, não tributados pelo IPI. Em relação às folhas delgadas de alumínio simplesmente laminadas do código 7607.11.90 diz que igualmente são produtos para revenda que não se submetem a qualquer processo de industrialização por parte da autuada. Igualmente ocorre em relação ao prato e assadeira de folha delgada de alumínio dos códigos 7612.90.90 e 7615.1900. Da mesma forma não cabe tributação do IPI sobre os brinquedos sem rodas e que não são bonecos, apitos, castanholas e cornetas, do código 9503.70.00, por serem objeto de simples revenda pela autuada. Afirma, ainda que o mesmo se dá com os artigos para festas (chapeuzinhos, confetes) classificados no código 9505.90.00. Traz na seqüência os seguintes mapas demonstrativos: a) dos produtos saídos de seu estabelecimento já tributados, relacionando notas fiscais de produtos em que houve o destaque do imposto; b) dos produtos saídos de seu estabelecimento cuja natureza da operação é a simples revenda, relacionando notas fiscais de produtos que não são fabricados e nem beneficiados nas dependências da impugnante. Diz que podese concluir da análise dos quadros demonstrativos que aproximadamente 70% das notas fiscais arroladas pela fiscalização e alvo da autuação fiscal, referemse a produtos cuja saída já foi tributada ou simplesmente com natureza de operação de revenda. Observa que houve equívoco na emissão das notas fiscais considerando que produtos não tributados decorrentes da simples revenda fossem tributados à alíquota 0% o que pode ter induzido a erro por parte dos autuantes. Combate a multa aplicada, no percentual de 75%, por estar em descompasso com a realidade sócioeconômica do país. Salienta estar a penalidade em desacordo com o preconizado pela doutrina e jurisprudência, e com o princípio constitucional da vedação ao confisco. Postula pela nulidade do auto de infração à vista das inconsistências que embasam o valor nele exigido. Caso não seja esse o entendimento, pede que o mesmo seja julgado totalmente improcedente pelo que foi demonstrado na defesa. Fl. 3864DF CARF MF Processo nº 11080.000013/200907 Resolução nº 3401001.185 S3C4T1 Fl. 3.865 5 Requer seja realizada perícia técnica e, por fim, a juntada de amostras de produtos e embalagens de determinados itens que realiza apenas a revenda, de alguns itens que são industrializados para embalar produtos alimentícios, bem assim amostra de "fonte estrelada" que foi classificada como se fosse fogos de artifício. É o relatório." A decisão de primeira instância, proferida em 10/05/2012 (fls. 3794/3807), foi pela procedência parcial da impugnação, cancelando parcela da exação, referente às saídas dos prendedores de roupa de plástico da marca Sofia, por não constarem do catálogo da impugnante, não haver indícios de que tenham sido submetidos a acondicionamento por parte da autuada, nem conter em sua embalagem de apresentação qualquer menção de que foram feitos sob sua encomenda, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2008 EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matérias primas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos. Os estabelecimentos industriais quando derem saída a MP, PI e ME, adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, serão considerados estabelecimentos comerciais de bens de produção e obrigatoriamente equiparados a estabelecimento industrial em relação a essas operações. OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. ACONDICIONAMENTO OU REACONDICIONAMENTO. Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento). CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. O produto denominado "Fogos Fonte Estrelada" classificase no código 3604.10.00 da TIPI pela aplicação das RGI 1 (texto da posição 3604) e 6 (texto da subposição 3604.10), bem como da RGCI (texto do item 3604.10.00). Bandejas e Pratos de Papel classificamse nos códigos 4823.60.00 da TIPI de 2002 e 4823.69.00 da TIPI de 2007 pela aplicação das Regras Gerais de Interpretação n° 1 (texto da posição 4823) e 6 (texto das subposições 4823.60 da TIPI de 2002 e 4823.69 da TIPI de 2007). MULTA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. Fl. 3865DF CARF MF Processo nº 11080.000013/200907 Resolução nº 3401001.185 S3C4T1 Fl. 3.866 6 No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, bem assim deixar de aplicar penalidade prevista em lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR às fls. 3813/3814), em 21/05/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 3815/3839, em 19/06/2012, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação. Voto Vencido Conselheiro Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Tendo em vista a decisão do Colegiado, na sessão de 31/08/2017, em converter o julgamento em diligência e as disposições no §5º, do art. 63, do RICARF 2 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15), segue, apenas, a parcela vencida e pertinente do voto. MÉRITO DA INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA, DAS OPERAÇÕES DE ACONDICIONAMENTO E REACONDICIONAMENTO E DA SIMPLES REVENDA Alega a recorrente que o auto de lançamento seria improcedente, pois, atevese somente aos produtos industrializados por encomenda, sem distinguir das operações com produtos que são adquiridos e revendidos sem qualquer tipo de industrialização nas embalagens originais dos fabricantes, sem alterar em nada sua natureza, seja por novas embalagens, acondicionamento ou reacondicionamento. Segue em seu recurso, apresentando um exemplo e, ainda, afirmando que, diferentemente do alegado na acusação fiscal, não se credita do IPI nas compras desses produtos, adquiridos de terceiros para simples revenda, sem qualquer alteração, nas mesmas caixas, embalagens e marcas dos fabricantes. Entendeu a decisão recorrida que, embora alegue a ora recorrente que dentre os diversos produtos a que deu saída sem o lançamento do imposto e que foram objeto da autuação, muitos se trataram de simples operação de revenda, sem qualquer industrialização por ela efetuada, tal assertiva não condiziria com a realidade dos fatos e das provas coligidas pela fiscalização (catálogo de produtos da autuada das fls. 19/38 e embalagens das fls. 39/52), restando evidente que os produtos em tela teriam sido acondicionados/ reacondicionados em embalagens de apresentação. 2 RICARF/15, art. 63, § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. Fl. 3866DF CARF MF Processo nº 11080.000013/200907 Resolução nº 3401001.185 S3C4T1 Fl. 3.867 7 Não houve impugnação ou recurso voluntário, quanto ao presente lançamento do imposto, no que concerne às saídas de produtos industrializados por encomenda, equiparandose nessas operações a estabelecimento industrial e obrigandose a destacar o IPI relativo a tais saídas, portanto, incontroversas as matérias autuadas, salvo, à incidência sobre às saídas de produtos que alega simplesmente revender, sem executar nenhuma operação de industrialização; além das saídas que já teriam sido tributadas; das embalagens que seriam para produtos alimentícios; da classificação fiscal; da perícia; e das multas aplicadas. Quanto às saídas de produtos que alega simplesmente revender, sem executar nenhuma operação de industrialização, a recorrente traz mais um exemplo, além dos indicados na impugnação, de notas fiscais que representariam saída de revenda simples: Fl. 3867DF CARF MF Processo nº 11080.000013/200907 Resolução nº 3401001.185 S3C4T1 Fl. 3.868 8 Notar que contrapõese às alegadas saídas de revendas simples, cujas notas foram apontadas no recurso voluntário, as provas coligidas pela fiscalização, no caso, catálogo de produtos, à fl. 25 e 36, constando os mesmos produtos: garfos, facas, colheres e pratos plásticos e respectivas embalagens, às fls. 42, 44 e 51, evidenciando, MP, PI e ME, insumos e produtos, submetidos à operações de industrialização, seja por encomenda ou por conta própria, que importam em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, caracterizando acondicionamento ou reacondicionamento. A Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 46, parágrafo único, define produto industrializado como aquele que “tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo”. Detalhando o conceito de industrialização, o Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, em seu artigo 4º, com fulcro na Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, assim dispõe: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). (...) RIPI/2002, art. 9º, § 4º Os estabelecimentos industriais quando derem saída a MP, PI e ME, adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, serão considerados estabelecimentos comerciais de bens de produção e obrigatoriamente equiparados a estabelecimento industrial em relação a essas operações. (grifei) Como se pode perceber, a legislação adotou uma conceituação deveras ampla de industrialização, conferindo ao imposto um campo de incidência bastante abrangente. O presente contencioso discute se constituem industrialização, sujeitandose, assim, à incidência do IPI, operações de venda de produtos, industrializados por encomenda ou na própria empresa, com embalagens, sendo o imposto lançado de ofício sobre o valor total dos produtos, pois, se trataria de modificação (acondicionamento ou reacondicionamento) de produtos adquiridos e não meramente de revenda. Fl. 3868DF CARF MF Processo nº 11080.000013/200907 Resolução nº 3401001.185 S3C4T1 Fl. 3.869 9 Notar que é incontroverso que tratase de indústria de embalagens, portanto, contribuinte do IPI, que deu saída à produtos industrializados (arts. 8º, 9º, inc. IV, 24, incs. II e III, e 34, inc. II, do RIPI/2002, com fulcro na Lei nº 4.502/64), sem destaque de IPI nas notas fiscais de venda. Nesse ponto, resta contencioso e discutese exceções, operações que representariam simples revenda, sem execução de nenhuma operação de industrialização. Destacase, no presente caso, nas operações de revenda, não ser obrigatória a equiparação à indústria, somente em casos de revenda para consumidor final, nos termos do §4º, do art. 9º, do RIPI/2002, não restando comprovadas operações dessa natureza, visto, não juntadas aos autos provas suficientes à contrapor as evidências coligidas pela fiscalização, além de exemplos de notas fiscais que, por si, nada comprovam e, ainda assim, informando vendas para pessoas jurídicas (supermercados) que não podem ser caracterizados como consumidores finais, visto, não evidenciado que os produtos revendidos não foram destinados para industrialização ou nova revenda. Assim, entendo, nesse ponto principal, deva ser mantida a decisão recorrida, ao concluir que as atividades da empresa, caracterizam industrialização, na modalidade acondicionamento ou reacondicionamento, e que não restaram evidenciadas exceções às operações de industrialização caracterizadas, objeto do presente auto de infração. DAS SAÍDAS JÁ TRIBUTADAS Quanto aos produtos saídos do estabelecimento que já teriam sido tributados, a ora recorrente, junto com a impugnação, elaborou mapa demonstrativo, nas fls. 3472/3473. No entanto, concluiu a decisão recorrida, que os itens das notas fiscais nele relacionados não foram objeto de lançamento, pois, não constariam da relação apresentada pela fiscalização. Recorre a contribuinte apresentando três exemplos de notas que já teriam sido tributadas e apontando que constariam da relação apresentada pela fiscalização. Compulsando os autos e a legislação, comprovadas incorreções sanáveis, como inclusões de saídas já tributadas, dentre os valores constituídos de ofício, nos termos do art. 60, do Decreto nº 70.235/72 PAF, não há porque deixar de excluílas, demonstrada a tributação prévia dos valores incluídos, a qualquer momento, inclusive na execução do julgado, certo de que não importa em nulidade do auto de infração ou mesmo, no presente caso, diante dos exemplos apontados, cancelamento de parcela sequer relevante da autuação. Notar ser necessária a demonstração da tributação prévia dos valores, alegados incluídos indevidamente, não só as respectivas notas fiscais, mas, ainda mais importante, seus registros nos Livros de Registro e Apuração do IPI RAIPI, além da apuração e confissão e/ou pagamento dos saldos quando credores. Assim, confirmados os exemplos apontados e outras incorreções sanáveis, entendo, nesse ponto, deva ser garantida a exclusão dentre os valores constituídos de ofício, de saídas inclusas indevidamente, desde que comprovadas já tributadas previamente, sendo insuficientes e de pouca relevância os exemplos e provas até então apresentados. Por tudo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nesses pontos. Fl. 3869DF CARF MF Processo nº 11080.000013/200907 Resolução nº 3401001.185 S3C4T1 Fl. 3.870 10 Voto Vencedor Conselheiro Tiago Guerra Machado Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator, ao entender que os autos encontramse prontos ao julgamento, em especial, quanto às questões das saídas de produtos que alega a recorrente simplesmente revender, e quanto à individualização dos produtos saídos do estabelecimento que já teriam sido tributados. Quanto aos produtos saídos do estabelecimento que já teriam sido tributados, ainda que reconhecida pelo Relator, quando provado, a possibilidade da exclusão desses valores, dentre os valores constituídos de ofício, entendo que a questão merece a devida individualização, confirmandose exaustivamente todas as alegadas ocorrências de duplicidade de tributação, inclusive os exemplos apontados, evitandose uma decisão por presunção do ônus probatório ou ilíquida. Já quanto às saídas de produtos que alega simplesmente revender, sem executar nenhuma operação de industrialização, entendo relevantes os exemplos trazidos pela recorrente no recurso voluntário, além dos indicados na impugnação, de notas fiscais que representariam saídas de revendas simples, devendo a questão, assim como a do parágrafo anterior, receber a devida individualização, confirmandose exaustivamente todas as alegadas ocorrências de simples revenda, inclusive os exemplos apontados. Com essas considerações, voto por converter o julgamento em diligência, para verificar a inclusão na autuação de operações alegadas de simples revenda e se houve aproveitamento de créditos, nas respectivas aquisições, dessas operações de revenda; além de confirmar a existência de saídas alegadas já anteriormente tributas. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. Tiago Guerra Machado Redator designado Fl. 3870DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13861.000071/92-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1990 a 01/12/1991
CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. NATUREZA JURÍDICA DE EMPRESA PRIVADA. AUTO DE INFRAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE MATERIAL DO LANÇAMENTO.
Uma vez reconhecida a natureza da contribuinte como empresa privada, não se configura o aspecto pessoal do fato gerador da contribuição ao PASEP, nos termos do art. 3º da Lei Complementar nº 8/1970, o que macula de nulidade material o lançamento. A mera participação de capital público não desnatura ou altera a sua condição de empresa privada. A sociedade de economia mista tem, como pressuposto de sua existência, ter sido criada por lei específica e contar com participação do Poder Público na sua administração.
Numero da decisão: 3401-003.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular, de ofício, o lançamento, por não ser o autuado contribuinte do tributo, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida, que afastavam apenas a multa de ofício. A Conselheira Mara Cristina Sifuentes acompanhou o relator pelas conclusões, por haver, à época da autuação, dúvida em relação a ser a empresa contribuinte do tributo.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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USIMINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1990 a 01/12/1991 CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. NATUREZA JURÍDICA DE EMPRESA PRIVADA. AUTO DE INFRAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE MATERIAL DO LANÇAMENTO. Uma vez reconhecida a natureza da contribuinte como empresa privada, não se configura o aspecto pessoal do fato gerador da contribuição ao PASEP, nos termos do art. 3º da Lei Complementar nº 8/1970, o que macula de nulidade material o lançamento. A mera participação de capital público não desnatura ou altera a sua condição de empresa privada. A sociedade de economia mista tem, como pressuposto de sua existência, ter sido criada por lei específica e contar com participação do Poder Público na sua administração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular, de ofício, o lançamento, por não ser o autuado contribuinte do tributo, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida, que afastavam apenas a multa de ofício. A Conselheira Mara Cristina Sifuentes acompanhou o relator pelas conclusões, por haver, à época da autuação, dúvida em relação a ser a empresa contribuinte do tributo. ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 1. 00 00 71 /9 2- 24 Fl. 647DF CARF MF Processo nº 13861.000071/9224 Acórdão n.º 3401003.996 S3C4T1 Fl. 648 2 André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). Relatório 1. Tratase do Auto de Infração nº FM07.985, situado às fls. 5 a 7, lavrado em 24/07/1992, em razão da falta de recolhimento de contribuição ao PASEP incidente sobre receita operacional, referente ao período de apuração compreendido entre julho de 1990 e dezembro de 1991, cujos valores foram declarados em DCTF, acrescidos de multa e juros, totalizando o valor histórico de R$ 12.529.412,37. 2. Em 20/08/1992, a contribuinte apresentou a impugnação, situada às fls. 35 a 39, na qual argumento que: (i) em 23/06/1992, ingressou com pedido, com cópia situada às fls. 40 a 41, "(...) reiterando parcelamento de débito tributário (PIS/PASEP), para ser liquidado em 60 meses, escalonadamente, parcelamento esse já anteriormente concedido"; (ii) que, em que pese a reiteração do pedido de parcelamento, em 24/07/1992 foi surpreendida com o auto de infração em apreço, em que se formalizou a cobrança dos mesmos débitos; (iii) o auto é insubsistente, uma vez que a requerente declarou tais valores em DCTF. 3. O pedido de parcelamento realizado em 23/06/1992 pela contribuinte, então COMPANHIA SIDERÚRGICA PAULISTA COSIPA (GRUPO SIDERBRÁS), foi dirigido ao Ministro de Estado da Economia, Fazenda e Planejamento, em caráter extraordinário, escalonado e geral, uma vez que se encontrava em "(...) situação (...) deveras aflitiva, visto que a requerente encontrase em estado de privatização": 4. Em 06/01/1993, foi emitido Parecer da Seção de Preparação de Julgamento de Tributos Diversos (SECJTD) da unidade local, situado às fls. 44 e 45, que entendeu, em síntese, que: (i) a DCTF se trata de mera confissão de Dívida, e não lançamento, Fl. 648DF CARF MF Processo nº 13861.000071/9224 Acórdão n.º 3401003.996 S3C4T1 Fl. 649 3 que deve ser efetuado, de ofício, uma vez verificado o inadimplemento da obrigação, o que justifica a cobrança da respectiva multa de ofício bem como a exigência de juros de mora; (ii) o pedido de parcelamento formulado se constitui confissão de dívida, e não impede a conclusão da ação fiscal em curso, que culminou com a lavratura do auto de infração sob análise; (iii) estando presentes os requisitos necessários à formalização do crédito tributário, propõe, por fim, a manutenção da exigência em sua íntegra. 5. Em 07/01/1993, foi proferida a Decisão nº 3, situada às fls. 46 e 47, pelo Delegado da Receita Federal da Delegacia da Receita Federal em Cubatão (SP), da 8ª Região Fiscal, acolhendo os fundamentos externados pelo Parecer da Seção de Preparação de Julgamento de Tributos Diversos (SECJTD), indeferindo a impugnação formulada. 6. A contribuinte foi intimada em 15/01/1993, via postal, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 52. Consta, nos autos, peça de autoria da contribuinte situada às fls. 53 a 56, que objetiva a interposição de recurso ao 2º Conselho de Contribuintes, e com protocolo indicativo da data de 08/01/1993, na qual a contribuinte reiterou as razões de sua impugnação. 7. Em 26/04/1995, o Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu a Resolução nº 10102.215, situada às fls. 76 a 80, para que a unidade esclarecesse: (a) se no parcelamento concedido em 13/01/1992, as parcelas mensais estavam sendo pagas até a data da lavratura do Auto de Infração; (b) se no pedido de parcelamento protocolizado em 23/06/1992 foram observados os requisitos prescritos e atos normativos, inclusive, o pagamento da primeira parcela; e (c) qual a posição da recorrente sobre a divida parcelada, perante a Receita Federal, após a privatização da COSIPA. 8. Mais de QUINZE ANOS depois, em 01/10/2010, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte (MG) formulou o relatório de diligência, situado às fls. 153 a 155, na qual esclareceu que: (a) todos os processos de parcelamento ativos nos sistemas da RFB deram entrada em 1993, não havendo qualquer deferimento ou comprovação de pagamento, entrada etc. que demonstre a aceitação por parte das autoridades fazendárias do parcelamento mencionado pela contribuinte; (b) o questionamento quanto à observância dos requisitos do parcelamento resta prejudicado e, após intimação determinando a apresentação da documentação relativa ao parcelamento, a contribuinte permaneceu inerte, limitandose a informar que os débitos se encontram parcelados no Processo Administrativo nº 10845.008978/9341; e (c) quanto à posição da contribuinte sobre a dívida parcelada perante a Receita Federal, em prestação de informações, a autuada informou que "os valores devidos à Receita Federal haviam sido assumidos plenamente junto com os demais passivos e estavam sendo quitados nos vencimentos pactuados" (sic). 9. A unidade informou, ainda, que o Processo Administrativo nº 10845.008978/9341 se refere a parcelamento referente a débitos com períodos de apuração compreendidos entre 08/1989 a 12/1991 (maior extensão), enquanto que o auto de infração em debate no presente processo se refere a débitos com períodos de apuração compreendidos entre 07/1990 a 12/1991 (menor extensão), concluindo que "(...) não resta dúvida de que o parcelamento informado pelo contribuinte envolve os mesmos créditos tributários em discussão, porém com valores diferentes" (g.n.), o que se explica pelo fato de que tais débitos "(...) foram parcelados, na maioria dos períodos de apuração, em valor inferior ao lançado no auto de infração": Fl. 649DF CARF MF Processo nº 13861.000071/9224 Acórdão n.º 3401003.996 S3C4T1 Fl. 650 4 "(...) Sobre os valores parcelados incidiram apenas a multa de mora. Assim, se forem mantidas as multas de oficio, deverá ser cobrada, além da diferença de principal, a diferença da multa de oficio para a multa de mora, sobre os valores originais lançados. Além das informações solicitadas à fl. 64, cabe destacar que a presente diligência também verificou a existência de outro Auto de Infração, lavrado no processo 13861.000064/9269, em 22/06/1992, relativo ao mesmo tributo (PASEP) e a períodos de apuração comuns (fls. 115/123). Ressaltase que, no referido processo, foi proferida decisão de lª instância, em 24/03/199, anulando o lançamento tributário do PASEP em face da interessada, uma vez que ficou comprovado que o contribuinte não era participe do regime jurídico das sociedades de economia mista e, portanto, não poderia ser sujeito passivo de obrigação tributária relativa ao PASEP (fls. 124/129). Tal decisão foi confirmada pelo antigo Segundo Conselho de Contribuintes que, em 14/03/2000, negou provimento ao recurso de ofício, pelos mesmos motivos (fls. 130/136). Resta, portanto, concluir sobre a exigibilidade, certeza e liquidez dos valores discutidos no presente processo, tendo em vista as decisões prolatadas pelas instâncias recursais administrativas em relação ao mesmo contribuinte, período e tributo. Por fim, informo que este processo permaneceu na EQ LANCAMENTO E PARCELAMENTODRFSPOSP desde 29/06/1998, sem concluir a presente diligência, tendo sido encaminhado a esta EQPARDRFBHE apenas em 06/08/2010, por mudança de domicilio fiscal do contribuinte. Assim, ressaltamos estar isentos de qualquer responsabilidade decorrente da mora na análise deste processo" (seleção e grifos nossos). 10. Em 24/10/2013, a 1ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou, por meio da Resolução CARF nº 3101 000.309, de relatoria do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, a conversão do feito em diligência nos seguintes termos: "(...) inobstante o ato administrativo de lançamento ser efetivamente fundado na legislação do PASEP e diante do que foi decidido nos autos do PAF 13861.000064/9269, não há nos autos documentos que comprovem o regime jurídico da Recorrente. Assim, para melhor instruir o feito e em prol da ampla defesa e do contraditório, mostrase conveniente nova conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam juntados aos autos cópias dos atos societários vigentes à época dos respectivo períodos de apuração (1987 a 1991)" (seleção e grifos nossos). Fl. 650DF CARF MF Processo nº 13861.000071/9224 Acórdão n.º 3401003.996 S3C4T1 Fl. 651 5 11. Em 25/11/2014, foi proferido despacho, situado às fls. 267 a 269, pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário, no qual a unidade local informa não ter obtido êxito no cumprimento da diligência determinada, uma vez que a Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) informou não poder atender o pedido formulado, tendo em vista que nem todos os documentos arquivados estariam digitalizados, o que obriga à busca manual entre mais de 875 mil arquivos para as mais de 5 mil solicitações mensais de pesquisas. 12. Em 22/01/2016, a contribuinte protocolou a manifestação sobre a diligência, situada às fls. 287 a 293, no qual, em síntese, argumenta se tratar de empresa privada à época dos fatos geradores em análise e, portanto, não se tratar de sujeito passivo do PASEP, e solicita, por fim, prioridade na análise do presente processo, que tramita, na data atual, há mais de VINTE E CINCO ANOS, em atenção ao preceito da duração razoável do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 13. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 14. A questão se resume, sinteticamente, à análise do argumento de não se tratar a autuada, ora recorrente, de contribuinte da contribuição ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) que, segundo o auto de infração lavrado em 24/07/1992, seria devido e não recolhido no período de apuração compreendido entre 07/1990 e 12/1991. O tributo em referência, nos termos do preceptivo normativo do art. 3º da Lei Complementar nº 8/1970, é devido pelos: (i) territórios e entes federativos (União, Estados, Municípios e Distrito federal); (ii) autarquias; (iii) empresas públicas; (iv) sociedades de economia mista; e (v) fundações: Lei Complementar nº 8/1970 Art. 3º As autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações, da União, dos Estados, dos Municípios, do Distrito Federal e dos Territórios contribuirão para o Programa (...). 15. Ainda que a diligência determinada por este Conselho com a finalidade de que fossem juntadas cópias dos atos societários vigentes à época dos fatos geradores tenha resultado infrutífera, despicienda se faz a análise de tais documentos para a prestação jurisdicional. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 13861.000071/9224 Acórdão n.º 3401003.996 S3C4T1 Fl. 652 6 16. De acordo com o parecer emitido pela Consultoria Geral da República aprovado pela Presidência da República e publicado em 08/09/1966 no Diário Oficial da União, a COSIPA se trata de sociedade anônima constituída em 1953 exclusivamente por capital privado e que, a partir de 1956, passou a contar com participação de capital público do governo do Estado de São Paulo (minoritário) e do então Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (majoritário). A participação do BNDE se deu como cooperação financeira, devido ao interesse na existência da sociedade para o desenvolvimento econômico nacional, e com a condição de que as ações sejam "(...) recolocadas no mercado de títulos tão logo o empreendimento entre em produção". Desta feita, esclarece que o predomínio de capital público foi de "(...) contingência temporária, destinada a ser removida tão logo a afluência de capitais particulares o permita". 17. Assim, a COSIPA, nos termos do documento em referência, é, desde sua constituição, uma sociedade anônima sem o caráter de economia mista, uma vez que não foi instituída por lei especial de iniciativa do governo federal e que contou apenas provisoriamente com participação acionária estatal. 18. Há de se esclarecer, neste sentido, que a mera aquisição de ações pelo poder público não caracteriza uma sociedade como de economia mista: tal fato não modifica a natureza jurídica da pessoa jurídica, tendo como efeito, na verdade, a mera participação política (voz e voto) do Estado na vida da sociedade por meio das assembleias. 19. Repitase, neste sentido, que a instituição de uma sociedade de economia mista depende de lei (iniciativa legislativa), uma vez que sua constituição envolve a aplicação de recursos públicos, submetendoa a uma dupla regência: tanto à sua lei instituidora como à lei das sociedades anônimas, ou dito de outro modo, tanto ao interesse dos sócios como ao interesse público. Neste sentido, conclui o substancioso parecer nos seguintes termos: "(...) a COSIPA não é uma sociedade de economia mista, por não ter sido instituída mediante lei autorizativa e, ainda, por ter sua Diretoria eleita pela assembleia de acionistas, portanto, sem a obrigatoriedade de nela participar o Poder Público" (seleção e grifos nossos). 20. Observese que a exigência de lei para a instituição de uma sociedade de economia mista se encontra prevista no inciso XIX do art. 37 da Constituição da República de 1988, segundo a qual "(...) somente por lei específica poderão ser criadas empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação pública". 21. Tal era o desígnio normativo mesmo antes da promulgação da Constituição de 1988, conforme se denota da leitura do inciso III do art. 5º do DecretoLei nº 200/1967: DecretoLei nº 200/1967 Art. 5º Para os fins desta lei, considerase: (...) III. Sociedade de Economia Mista: a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, criado por lei para o exercício de atividade de natureza mercantil, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam, em sua maioria, à União ou à entidade da Administração Indireta. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 13861.000071/9224 Acórdão n.º 3401003.996 S3C4T1 Fl. 653 7 22. Em idêntico sentido, congruente com a conceituação doutrinária1 e jurisprudencial, o art. 236 da Lei das Sociedades Anônimas: Lei nº 6.404/1976 Art. 236. A constituição de companhia de economia mista depende de prévia autorização legislativa. 23. Conforme se extrai da manifestação da contribuinte nos presentes autos, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional sempre observou a orientação do parecer aprovado pela Presidência da República, na condição de ato normativo da Administração Pública Federal, em conformidade com a posição externada pelo ProcuradorGeral da PFN em parecer publicado na Revista de Direito Administrativo nº 170 no sentido de que a sociedade de economia mista se trata de organização empresariam constituída por sociedade por ações e "(...) de cujo capital participem recursos do poder público e de pessoa particulares, sob o controle acionário daquele poder, criada por força de autorização legal, configurando um cometimento estatal (...) afetado à realização da utilidade pública". 24. A Cosipa, portanto, não integra a Administração indireta, e sequer a sua passagem ao controle da SIDERBRÁS, empresa holding do setor siderúrgico estatal, altera a sua natureza jurídica, posição consentânea, ademais, com a do parecer da Consultoria Geral da República igualmente aprovado pela Presidência, igualmente trazido a este processo pela recorrente, no sentido de que "(...) as empresas concessionárias de serviços públicos (...) que, mediante mudança do controle acionário, passaram a subsidiárias da Telebrás (...) não adquiriram, por tal fato, a natureza jurídica de sociedades de economia mista federais, à míngua de suporte legal para a conceituação" (g.n.). Não por outro motivo, a ata de 05/11/1982, ao tratar da participação da COSIPA no Grupo SIDERBRÁS, prevê, no art. 3º da sua Convenção Constitutiva que "(...) cada parte mantém personalidade jurídica e patrimônio próprios, e conserva a autonomia administrativa dos seus órgãos estatutários", jamais tendo sido alterada a natureza jurídica da COSIPA. 25. Assim, por não se tratar de contribuinte da contribuição ao PASEP, nos termos do art. 3º da Lei Complementar nº 8/1970, insubsistente é o auto de infração lavrado, devendo, portanto, ser declarada de ofício a sua nulidade material. Com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento integral ao recurso voluntário interposto. 1 GRAU, Eros Roberto. A ordem econômica na Constituição de 1988: interpretação e crítica’. São Paulo: Editora RT, 1991; e MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Natureza essencial das sociedades mistas e empresas públicas: conseqüências em seus regimes. Revista de Direito Administrativo, Rio de Janeiro, v. 159, p. 19, jan. 1985. ISSN 22385177. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rda/article/view/44413>. Acesso em: 04 Set. 2017. doi:http://dx.doi.org/10.12660/rda.v159.1985.44413. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 13861.000071/9224 Acórdão n.º 3401003.996 S3C4T1 Fl. 654 8 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 654DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720027/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.219
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, convertido o julgamento em diligência para ser juntado a este os processos por conexão os de nºs 10830.010761/2008-16, 10930.001153/2009-01 e 10830.010855/2002-12.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrente CPFL GERAÇÃO DE ENERGIA S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, convertido o julgamento em diligência para ser juntado a este os processos por conexão os de nºs 10830.010761/200816, 10930.001153/2009 01 e 10830.010855/200212. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 43 .7 20 02 7/ 20 12 -3 9 Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Resolução nº 1301000.219 S1C3T1 Fl. 3 2 Verificase que em desfavor da ora recorrente foram lavrados Autos de Infração relativos ao IRPJ (fls. 561/569) e à CSLL (fls. 570/579), acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. Os fundamentos da autuação encontramse descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 710/725), assentando a Fiscalização, de início, as circunstâncias e composição do grupo econômico do qual a recorrente fazia parte antes da aquisição da SEMESA e a integralização das participações das empresas FOZ DO CHAPECÓ, BARRA GRANDE, CAMPOS NOVOS e CERAN pela SERRA DA MESA, junto à CPFL GERAÇÃO DE ENERGIA S/A (CPFL – G), frisando que a CPFL – G possuía 100% das ações da SEMESA; 66,67% das ações da FOZ DO CHAPECÓ; 100% das ações da BARRA GRANDE; 48,72% das ações da empresa CAMPOS NOVOS e 65% das ações da empresa CERAN e a empresa VBS – Participações possuía 100% das ações da SERRA DA MESA (atual VBS ENERGIA), a qual possuía 3,36% das ações da CPFL – GERAÇÃO, sendo que esta era controlada pela empresa DRAFT II, atual CPFL, onde a VBS possuía 45,32% de participação. Feito esse cotejo, assentouse que em 08 de novembro de 2001, a SEMESA foi vendida pela SERRA DA MESA (atual VBS ENERGIA) para a CPFL – GERAÇÃO pelo valor contratual de R$ 470.000.000,00 e teve duração de, aproximadamente, 8 meses, o que se considerou surpreendente, pois seria comum que nos estatutos a empresa tenha prazo longo ou indeterminado. Assentouse que a SEMESA partiu então de um capital de R$ 1.000,00 e na época de sua venda apontava um PL de R$ 69.631.529,01, por conta da capitalização das participações nas empresas FOZ DO CHAPECÓ, BARRA GRANDE, CAMPOS NOVOS e CERAN, posteriormente capitalizadas na CPFLG. Dispôs a Fiscalização que da chamada reorganização, a aquisição da SEMESA deveria ser cuidadosamente examinada, em face de ter redundado em valor significativo de ágio, observando do contrato de compra e venda datado de 08 de novembro de 2001, diante das cláusulas ali estabelecidas, tais como “que é interesse da SERRA DA MESA vender à CPFLG a totalidade da participação acionária que detém em SEMESA, bem como integralizar sua participação em futuros aumentos de capital social da CPFLG através da conversão em investimento de créditos a serem detidos contra esta companhia em função da venda acima”; concluiu que se havia vontade expressa por parte da SERRA DA MESA em participar do capital da CPFL – G com integralização de créditos oriundos desta venda da SEMESA, porque não capitalizou como as demais outras participações (FOZ DO CHAPECÓ, BARRA GRANDE, CAMPOS NOVOS e CERAN). Segundo a Fiscalização, sendo pertencentes ao mesmo grupo não se enxerga razão para venda, ainda mais pelo preço praticado propiciando volumoso ágio, tendo em vista o conhecimento de todas as atividades envolvidas e que ao amortizar o ágio propiciando a redução de tributos, os cofres públicos foram diretamente atingidos por tais operações. Outra situação que caracterizaria ter sido o ágio pago além do que poderia ter sido praticado, foi o fato de que a SEMESA era a detentora dos ativos referentes à USINA HIDROELÉTRICA DE SERRA DA MESA e à USINA HIDROELÉTRICA DE PONTE DO SILVA, contudo, ressaltase que tais usinas não estavam contabilizadas na SEMESA, mas sim na SERRA DA MESA e isto é importante quando da confrontação entre o valor contratual da venda e o PL da SEMESA, evidenciando o suposto ágio maior que o que deveria ser, pois entendeuse que tais usinas faziam parte do negócio da suposta venda do controle da SEMESA. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Resolução nº 1301000.219 S1C3T1 Fl. 4 3 Portanto, se tais valores das usinas estivessem no patrimônio da SEMESA, por certo tal ágio seria muito menor. Frisouse ainda, que em dezembro de 2001, por força do mencionado contrato de compra e venda, a SERRA DA MESA integralizou, em face da aquisição da SEMESA pela CPFLG um aporte de capital na CPFLG de R$ 258.114 mil com acervo líquido entre investimentos da SEMESA (R$ 496.081 mil) e dívida (R$ 237.967 mil) e na mesma data as empresas BONAIRE PARTICIPAÇÕES e a 521 PARTICIPAÇÕES (acionistas da atual CPFL ENERGIA S/A – antiga DRAFT II), subscreveram respectivamente R$ 88.471.986,00 e R$ 201.562.535,82. Em resposta ao Termo de Intimação nº 003, quando questionado sobre a forma de liquidação da compra e venda retro mencionada, a recorrente terá informado que tendo a composição do acervo líquido do investimento o valor total de R$ 496.081,67 a forma de liquidação da aquisição da SEMESA foi realizada da seguinte forma – Aporte de capital na CPFLG: R$ 258.113.293,25; Dívidas da CPFLG com a SERRA DA MESA: R$ 237.967.773,75; Valor total pago: R$ 496.081.067,00, mencionando que a contribuinte, em sua resposta, declarava que a dívida da CPFLG de R$ 237.968 mil pela aquisição da SEMESA em outubro de 2003 totalizava R$ 328.184 mil, sendo que neste mesmo mês a CPFL – E assumiu uma parte da dívida no montante de R$ 312.791 mil e o saldo remanescente de R$ 15.393 mil foi quitado pela CPFL – G até dezembro de 2003, esclarecem também que a CPFLG adquiriu o controle da SEMESA em 26/12/2001 conforme consta no contrato de compra e venda, contudo, segundo a Fiscalização, a informação não “fecha” com a data do contrato de compra e venda enviado, cuja data indicada era 08 de novembro de 2001. Mencionouse que na Ata da Assembleia Geral da CPFLG de 26/12/2001 consta a aprovação da proposta de ratificação de compra da totalidade da participação detida por SERRA DA MESA ENERGIA S/A no capital da SEMESA S/A, citando que a acionista SERRA DA MESA declarouse impedida e deixou de votar nesta deliberação em razão do conflito de interesses; aprovação da proposta de aumento de capital de R$ 119.652.565,59 para R$ 689.618.046,59, mediante subscrição particular de ações que deverão ser integralizadas à vista, no ato da subscrição, em moeda corrente nacional ou através da capitalização de créditos líquidos detidos por subscritores contra a companhia (já levava em conta a suposta dívida por compra da SEMESA); e que ainda estiveram presentes os responsáveis pelas empresas BONAIRE PARTICIPAÇÕES, SERRA DA MESA ENERGIA S/A, DRAFT II PARTICIPAÇÕES (atual CPFLE) e 521 PARTICIPAÇÕES. Segundo apurou a Fiscalização, em 29/12/2001 foi efetuado o lançamento contábil de registro do aumento de capital e ressalvou o Fisco, que a partir de abril de 2007, a 521 PARTICIPAÇÕES e a BONAIRE não constam mais como sócios, sendo indicada apenas a CPFLE como “representante da totalidade das ações”. Feito esse cotejo dos fatos, assentou a Fiscalização que uma vez informado que o valor da venda foi de R$ 470.000.000,00, a recorrente apresentou a composição para apuração do ágio detalhando conforme abaixo: Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Resolução nº 1301000.219 S1C3T1 Fl. 5 4 Segundo a Fiscalização, o valor do PL da SEMESA indicado no quadro acima é efetivamente o valor constante da DIPJ na época da empresa vendida, na conta de capital social, apenas, e o valor tido como atualização monetária resulta da aplicação da taxa IGPM do período de 28/09/2001 a 26/12/2001 (juros de 9,5% ao ano ou 0,76% ao mês). Ressaltouse que apurado o ágio, a recorrente passou a amortizálo de acordo com o laudo de avaliação produzido pela empresa HIRASHIMA E ASSOCIADOS, cujo objetivo era o estudo sobre a fundamentação e a curva de amortização de ágio decorrente da aquisição de participação acionária da controlada SEMESA S/A registrado na contabilidade da empresa CPFLG em 31/12/2006 e também para fins de reestruturação societária, sendo que tal ágio está sendo amortizado proporcionalmente às curvas do lucro líquido projetado pelo prazo remanescente do contrato de arrendamento com a detentora da concessão (FURNAS). Apontou a Fiscalização que o autor do laudo concluiu que o ágio teria sido fundamentado em rentabilidade futura. Assim, no período inicial até a data final do exame programado no MPF, tomando em conta os valores das amortizações, o Fisco chegou ao seguinte raciocínio: o valor de R$ 160.931.363,56 correspondente às amortizações do período de 2002 ao 1º trimestre de 2007 lançados na contabilidade a débito de resultados e adicionado na parte A do LALUR e controlado na Parte B do mesmo livro, não influenciou no resultado tributável. Já a partir de abril de 2007 o ágio passou a ser amortizado diretamente na Parte A do LALUR via exclusão para apuração do lucro real e simultaneamente estornado na Parte B do mesmo livro, agora influenciando nos resultados, sendo que a partir de abril de 2007 o saldo de R$ 265.518.174,44 foi transferido para o grupo do intangível, sendo amortizado diretamente na contabilidade pelo mesmo método da curva demonstrada no laudo de avaliação, portanto, influenciando diretamente nos resultados tributáveis. Desta forma, para a Fiscalização, foi possível demonstrar o quanto foram influenciados os resultados tributáveis da empresa com as amortizações por conta da suposta aquisição da SEMESA. No entender do fisco trata a espécie de operação destinada exclusivamente à criação de ágio, cuja amortização influenciou nos resultados tributáveis, sendo que tal situação não pode prevalecer, eis que o contrato de compra e venda foi assinado por pessoas com representação no grupo e particularmente nas duas empresas envolvidas. Os senhores Marcelo Maia de Azevedo Corrêa e José Said de Brito assinam pela SERRA DA MESA (atual VBS ENERGIA) e pela DRAFT II (atual CPFL – E), além da própria SEMESA, lembrando que o primeiro contrato de compra e venda enviado somente constavam assinaturas do comprador – CPFLG (Wilson P. Ferreira Júnior e Otávio Carneiro Resende) e a vendedora SERRA DA MESA – atual VBS ENERGIA é controlada em 100% pela pessoa jurídica VBS PARTICIPAÇÕES sua detentora majoritária. A CPFLG é majoritariamente pertencente à Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Resolução nº 1301000.219 S1C3T1 Fl. 6 5 CPFL – E que por sua vez tem 45,32% de seu patrimônio, pertencente à VBS PARTICIPAÇÕES, portanto, a administradora de todas elas é a mesma pessoa jurídica. Enfatizouse que a SERRA DA MESA especificamente na AGO de 26/12/2001 se declarou impedida e deixou de votar na deliberação de aquisição da SEMESA, segundo a Fiscalização por ser sócia da compradora e da vendedora ao mesmo tempo. Aduziu que o laudo de avaliação se restringiu ao fundamento em torno da expectativa de resultados futuros, mas havia um valioso patrimônio que não foi levado em consideração, ou seja, conclui que o ativo nada valia se é que isso é possível, e que a SEMESA possuía bens de renda (ativos imobilizados) que perfaziam mais de R$ 800.000.000,00. Além disso, o valor das concessões de energia também não foram consideradas e a SERRA DA MESA vende uma parte dos seus ativos (ações da SEMESA) para a CPFLG no mesmo momento em que integraliza com outras empresas (FOZ DO CHAPECÓ, BARRA GRANDE, CAMPOS NOVOS e CERAN) a ela pertencentes no mesmo capital da CPFLG não havendo razão para supostamente vender o que poderia ser integralizado. Reputou que conforme verificou, não houve pagamentos, mas sim investimento por integração de dívida no capital da CPFLG, verificase que a operação de compra e venda descrita não passou de uma ficção e que era completo o conhecimento dos administradores do Grupo de todas as negociações e movimentação ocorridas nas empresas envolvidas, não havendo, portanto, a menor possibilidade de se alegar que a aquisição ocorrera independentemente das partes e sem relacionamento. Reputa que as usinas hidroelétricas de SERRA DA MESA e PONTE DO SILVA eram da própria SERRA DA MESA e foram integralizadas na SEMESA no próprio mês da realização da compra e venda, hidroelétricas, aliás, enfaticamente registradas no contrato de compra e venda, possivelmente não integrante do valor do patrimônio líquido da SEMESA quando da apuração do valor do ágio e a SEMESA iniciou suas atividades em março de 2001 e teve seu controle “vendido” pela SERRA DA MESA para a CPFLG em dezembro de 2001 (contrato datado de 08/11/2001), podendo ser dito que a sua criação se prestou a cumprir apenas o papel de ser usada para planejamento tributário, para futura amortização de ágios além da atualização dos valores patrimoniais, supostamente para futura oferta pública de ações, conforme, aliás, previa o contrato de compra e venda na cláusula 2.7. Menciona a Fiscalização que em decorrência, é possível afirmar que o planejamento tributário também pretendia reavaliar o patrimônio, o que traria grande benefício ao captar recursos e promover garantias fiduciárias, concluindo que a pretensa compra e venda teve como objetivo a atualização dos valores da SEMESA e o aproveitamento tributário pela redução dos resultados tributáveis. Assim, foram objeto de tributação os valores que influenciaram nos resultados conforme quadro a seguir pela inexistência do ágio e complementarmente pela sua desnecessidade. Em relação à compensação de saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, assentou a Fiscalização que o contribuinte compensou como prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL valores que não constam registrados no banco de dados da Receita Federal do Brasil. Ou seja, a escrituração da parte B do LALUR encontrase dissonante das informações registradas no banco de dados da Receita Federal e como se verificaria, a recorrente apresentou prejuízos apenas no ano de 2000, que foram compensados no ano calendário seguinte, não havendo qualquer razão para realizar compensações, já que inexistem valores para tal fim. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Resolução nº 1301000.219 S1C3T1 Fl. 7 6 No caso da CSLL somente no anoscalendário de 2000, 2005 e 2006 houve valores de bases negativas que foram compensados integralmente nos anos subsequentes, assim, tributouse as compensações indevidas, fazendo prova com a juntada ao processo de cópias das DIPJ dos anos de 2007, especificamente as fichas 9 (IRPJ) e 17 (CSLL). Devidamente cientificada (fl. 602), em 12/11/2012, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 604/649), alegando em síntese que foi constituída no ano de 2000 com o objetivo de deter e controlar todos os ativos de geração de energia pertencentes ao grupo econômico do qual faz parte, sendo que seu capital social seria composto por ações de titularidade integral da CPFL – E, e, portanto, controla a CPFL – G (interessada), mencionando que a CPFLE é uma sociedade que tem por objetivo a participação em negócios diversos de energia elétrica, dentre eles o de geração de energia elétrica e, na época da operação de incorporação questionada (março de 2007) tinha no seu quadro de acionistas: i) VBS ENERGIA S/A (28,97%); ii) 521 PARTICIPAÇÕES (31,11%); e iii) BONAIRE PARTICIPAÇÕES (12,6%), sendo o restante da participação acionária negociados no free float. Anotou a recorrente que, muito embora a VBS ENERGIA tenha 25,7% do capital da CPFL – E, o fato dessa participação ser menor que 50% do capital votante faz com que a VBS não tenha controle absoluto sobre as decisões dos acionistas e como a sociedade interessada em participar de negócios de energia, a VBS constituiu a empresa SERRA DA MESA, passando a participar com 100% em seu capital social e que a SERRA DA MESA, por sua vez, detinha dois ativos importantes do ponto de vista patrimonial que são: i) a concessão dos direitos de exploração da Usina SERRA DA MESA e ii) participação nos ativos relacionados à concessão da Usina Ponte do Silva. Aduziu que no dia 15/03/2001, a empresa VBS constituiu a SEMESA, uma sociedade de propósito específico, com o capital social inicial de R$ 1.000,00 e em 26/12/2001, a SEMESA deliberou um aumento de capital na importância de R$ 69.631.529,00 que foram subscritas e integralizadas pela SERRA DA MESA S/A com as referidas usinas mediante laudo de avaliação elaborado pela Arthur Andersen, nesse ato aprovado pela SEMESA, referindo que nesse momento, os ativos de geração acima já se encontravam no patrimônio da SEMESA, cujo capital social era majoritariamente detido pela VBS, através da sociedade SERRA DA MESA. Registrouse que no ano de 2001, a SEMESA figurava como subsidiária integral da SERRA DA MESA, que, por sua vez, era subsidiária integral da VBS, acrescentando que a aquisição das ações da SEMESA pela recorrente, deuse em um contexto maior, em que os acionistas investidores da empresa deliberaram pela aquisição de um bloco de ativos de geração de energia que eram então pertencentes à SERRA DA MESA (ações da SEMESA) e da VBS, conforme determinado pelo acordo de investimentos celebrado em 05 de novembro de 2001 e a partir desse documento notase que a deliberação pela aquisição dos mencionados ativos foi tomada em razão de um planejamento estratégico da companhia que buscava ampliação dos investimentos no setor de geração de energia elétrica. Tal deliberação foi previamente submetida à anuência da Agência Nacional de Energia Elétrica que, através da Resolução nº 96/2002 expressamente autorizou a transferência daqueles ativos. Sustentou que todas essas operações, no entanto, foram realizadas sem qualquer formação de ágio, já que estavam sendo realizadas entre as subsidiárias integrais do Grupo VBS e, considerando a participação exclusiva da VBS nesses negócios de geração de energia Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Resolução nº 1301000.219 S1C3T1 Fl. 8 7 (Usina Serra da Mesa e Usina Ponte do Silva, através da SEMESA), em 08/11/2001, o Grupo VBS entendeu pela necessidade de transferir esses ativos sob seu controle à CPFL – G, sociedade na qual detém participação menor, em evidente caráter de alienação, eis que, anteriormente, a VBS tinha total controle e auferia 100% da lucratividade decorrente da exploração das Usinas de SERRA DA MESA e PONTE DO SILVA, com alienação da SEMESA (que detinha esses ativos de geração de energia) para a CPFLG, sua participação estaria reduzida a 25,7% e, nesse sentido, a VBS se julgou suspeita para deliberar sobre a aquisição da SEMESA pela CPFLG e que por se tratar de alienação de sua subsidiária integral, a VBS deixou que a decisão fosse tomada única e exclusivamente pelos demais acionistas da CPFLE enquanto controladora da CPFLG. Em outras palavras, embora tivesse a maioria relativa das ações da CPFLE, nesse ato a VBS não exerceu poder de controle e figurou apenas como parte interessada na alienação, mas não na aquisição. Aduziu que caso esses demais acionistas não estivessem interessados na referida aquisição da SEMESA, poderiam não adquirila, já que a VBS não exerceu nessa ocasião seu direito de voto, frisando que a alienação dos ativos relativos à concessão dos direitos de exploração da Usina SERRA DA MESA e participação nos ativos relacionados à concessão da Usina Ponte do Silva ocorreu já em 2001, ou seja, após a criação da CPFLG e que a VBS, através da SERRA DA MESA, alienou o investimento em 09 de novembro de 2001, com claro objetivo de manter aqueles ativos de geração em um mesmo grupo de investimentos, de acordo com a necessidade de aporte de capital nos investimentos de geração definido pela CPFLG em 05/11/2001, entretanto, a decisão da CPFLG de incorporar a SEMESA (adquirida em 2001) somente se deu em 2007, já que a remodelação do setor elétrico em 2004 determinou que as empresas de energia de modo geral se reorganizassem societariamente de forma a segregar as atividades de geração, distribuição e transmissão de energia para inserirse no mercado livre de energia que se expandia, definido como Processo de Desverticalização e, assim, a SEMESA existiu no período de 2001 a 2007 (sociedade com propósito específico), inicialmente como subsidiária da VBS e após a sua alienação como investimento para a CPFLG, a VBS passou a deter, indiretamente, 25,7% desse investimento (através da CPFLE), sendo que, nesse contexto, ela recorrente fora surpreendida com a lavratura do auto de infração decorrente do entendimento da Autoridade Administrativa de que teria sido indevida a amortização do ágio com base na afirmação de que reestruturação societária acima descrita teria sido simulada e que não haveria motivação para o preço praticado ou mesmo para a venda da SEMESA à CPFLG, por se tratarem de partes vinculadas. Quanto ao mérito, defendeu que CPFLG, em 30/03/2007, deliberou ela incorporação da empresa SEMESA, conforme se percebe da Ata da Assembleia Geral Extraordinária da CPFLG (interessada), sendo que o ágio questionado pela Autoridade Fiscal tem origem na aquisição, por parte da empresa CPFLG, de participação societária na SEMESA, explicandose que por meio do contrato de compra e venda de ações celebrado em 08/11/2001, a CPFLG comprou da empresa SERRA DA MESA os 99,9% do capital social total da SEMESA que aquela empresa detinha à época, salientando que a aquisição das ações da SEMESA por ela recorrente, deuse em um contexto maior em que os acionistas investidores da empresa deliberaram pela aquisição de um bloco de ativos de geração de energia que eram então pertencentes à SERRA DA MESA e da VBS. Justificou ainda, que a aquisição dos mencionados ativos foi tomada em razão de um planejamento estratégico da companhia que buscava a ampliação dos investimentos no setor de geração de energia elétrica e que a implementação do planejamento estratégico contemplou 3 eventos principais: i) a realização de um aumento de capital na CPFLG prevista Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Resolução nº 1301000.219 S1C3T1 Fl. 9 8 para o ano de 2001, que foi integralizado pelos acionistas investidores no valor total de R$ 540.000.000,00; ii) a aquisição por CPFLG da totalidade das ações emitidas por SEMESA, sendo que o valor da parcela inicial foi capitalizado por SERRA DA MESA no aumento de sua parcela no capital; iii) a aquisição pela CPFLG da totalidade das ações detidas por SERRA DA MESA e VBS nos projetos BARRA GRANDE, ENERCAN e FOZ DO CHAPECÓ. Defendeu que de acordo com artigo 20 do DL nº 1598/1977, o custo de aquisição da participação acionária deve ser registrado em contas distintas do balanço patrimonial da sociedade investidora, quais sejam (a) valor de PL da sociedade investida na época da aquisição e (b) ágio ou deságio incorridos na aquisição que consistem na diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do PL da sociedade investida, sendo que o artigo 385 do RIR/1999, reproduzindo o art. 20 do referido DL determina que se registre o ágio para fins fiscais de acordo com os fundamentos econômicos que lhe deram ensejo e, dentre possíveis fundamentos, encontrase o ‘valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base na previsão dos resultados nos exercícios futuros’ pelo qual o ágio pago é justificado pela expectativa de rentabilidade futura da sociedade investida. Mencionou que foi neste cenário, que a empresa CPFLG registrou o ágio decorrente da aquisição da participação societária na SEMESA (aquisição realizada em 08/11/2001) e, posteriormente, com incorporação da SEMESA pela CPFLG, em 30/03/2007, esse ágio foi transferido para a incorporadora (CPFLG), nela sendo contabilizado como ativo e a partir da referida incorporação, ela recorrente passou a amortizar esse valor, na forma prevista pelo art. 7º da Lei nº 9.532/1997, o qual expressamente autoriza a pessoa jurídica, em virtude de incorporação, a amortizar o valor correspondente ao ágio para fins de apuração do Lucro Real, à razão de 1/60, no máximo, para cada mês do período de apuração. Destacou ainda, que nos termos do art. 8º, b, do mesmo diploma legal, a regra que autoriza a amortização do ágio também se aplica à hipótese de incorporação da sociedade controladora pela controlada, ou seja, na situação em que a sociedade incorporada possuir ações representativas do capital social da sociedade incorporadora, sendo indiferente, portanto, que a incorporação seja efetuada em sentido ascendente ou descendente. Em qualquer das hipóteses, ocorrendo a incorporação, seja da sociedade controlada pela controladora ou da controladora pela controlada, não há dúvida de que a lei autoriza a amortização do ágio. Tratamse de operações previstas em lei. Defendeu que a Autoridade Administrativa expressamente reconhece a legitimidade da operação societária, mas, por não ter compreendido adequadamente a reestruturação societária promovida, e o fundamento econômico da aquisição pela CPFL – G da empresa SEMESA, alega de forma equivocada que a operação de compra e venda de ações da SEMESA que gerou o ágio questionado, bem como a incorporação daquela pela impugnante teria ocorrido única e exclusivamente como forma de planejamento tributário, mencionando que, caso o fisco pretendesse questionar o ágio ou o seu fundamento, certamente caberlheia o ônus de demonstrar a inconsistência da metodologia utilizada, o que não se verificou no presente caso, não bastando a mera alegação de que a origem do ágio não era legítima ou mesmo que aquele não poderia ter sido amortizado pela recorrente em razão da suposta inexistência de propósito negocial para a operação de incorporação da SEMESA pela CPFLG. Reputou assim, que encontrase pelo menos dois equívocos que possuem o poder de macular o lançamento: a) instituição de forma discricionária e sem base legal por parte do fisco de um fundamento de validade para a amortização do ágio, vagamente Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Resolução nº 1301000.219 S1C3T1 Fl. 10 9 denominado de propósito negocial; b) a desconsideração de que a operação em análise tem fundamentos regulatórios, societários e fiscais que lhe dão o substrato questionado pelo fisco. Insiste que a alegada inexistência de propósito negocial para que a operação societária de incorporação propicie a posterior amortização válida de um determinado ágio encerra um requisito não previsto em lei e que não merecem ser acolhidas as alegações do fisco. E isso porque, como inclusive foi referido no próprio Termo de Verificação a SEMESA (suposta empresa veículo) era uma empresa já existente há mais de 6 anos antes da operação societária que resultou na sua incorporação pela CPFLG. Ou seja, a SEMESA não foi criada com o único propósito de viabilizar a operação societária de incorporação questionada e, ainda que a SEMESA fosse uma empresa veículo, como sugerido pelo fisco, a operação em questão seria plenamente legítima e válida, conforme vários entendimentos emanados pelo CARF e que fisco, arbitrariamente sugeriu que a SEMESA seria uma “empresa veículo” e se utiliza também desse fato para arguir uma pressuposta inexistência de propósito negocial da operação de incorporação, salientando que em nenhum momento, entretanto, a Fiscalização contesta o valor econômico atribuído ao ágio em questão, tanto que o fisco se limita a fazer menção à suposta falta de propósito negocial na operação de incorporação realizada, claramente como subterfúgio para tentar impedir o exercício do direito de amortização do ágio. Mencionou a contribuinte que o fisco sugeriu ainda que a operação de compra e venda que gerou o ágio em questão bem como a incorporação da SEMESA pela impugnante que resultou na amortização daquele teriam sido, em verdade, negócios jurídicos simulados pelas partes, defendendo, no entanto, que este é um conceito que jamais poderia ser aplicado às operações descritas no presente caso, tendo em vista que os negócios jurídicos simulados representam negócios falsos ou enganatórios decorrentes de uma declaração falsa de vontade e não haveria falar em negócio jurídico simulado no caso de que se cuida na medida em que todos os passos da operação que resultaram na amortização do ágio em questão são absolutamente legais e foram de prévio conhecimento e aprovação da ANEEL, que publicamente aprovou a incorporação da SEMESA pela CPFLG (interessada) e que ao fazer menção ao fato de que a incorporação da SEMESA pela CPFLG teria sido feita exclusivamente como forma de planejamento tributário, verificase que o fisco tentou se utilizar de conceitos “antielisivos”, que foram introduzidos pelo parágrafo único do artigo 116 do CTN, esquecendo, contudo, que esse dispositivo jamais foi regulamentado pelo Poder Legislativo. Defendeu ainda, que tais conceitos são inteiramente inaplicáveis ao caso concreto, primeiro porque a aquisição de participação societária, com o pagamento de ágio e posterior incorporação da SEMESA pela CPFLG foram efetivamente praticadas, de maneira regular, produzindo seus efeitos, eis que a CPFLG realmente adquiriu, num primeiro momento, o controle societário da SEMESA. Essa aquisição foi realizada, de fato, com o pagamento do ágio, assim como foi a própria SEMESA, verdadeiramente, posteriormente incorporada pela CPFLG, tratandose de operações reais efetivamente praticadas sem qualquer disfarce ou em situação que tenha ocorrido simulação ou abuso de qualquer espécie, tudo conforme se pode comprovar dos documentos anexos, todos apresentados no curso do procedimento fiscal, vislumbrando ainda, o segundo equívoco, já que a operação de incorporação da SEMESA pela CPFLG, ao contrário do que afirmou o fisco teve de fato efetiva finalidade econômica e concreto propósito negocial, conforme constou no Instrumento Particular de Protocolo e Justificação de Incorporação celebrado entre as partes, em que se percebe que a incorporação da SEMESA pela CPFLG teve por finalidade simplificar a atual estrutura das partes e permitir a redução dos custos administrativos, especialmente os Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Resolução nº 1301000.219 S1C3T1 Fl. 11 10 relacionados às obrigações legais e regulatórias, resultando em melhoria de sua estrutura patrimonial e que não existiriam dúvidas de que uma maior eficiência na gestão corporativa aliada à economia dos custos administrativos é justificativa mais do que plausível para a realização de uma incorporação de uma determinada empresa por outra, ainda que presente a concentração da atividade geração de energia e separação das demais ativid ades de transmissão e distribuição. Reputou que a incorporação da SEMESA nos termos em que efetuada era não somente necessária, como absolutamente imprescindível na medida em que as empresas detentoras da concessão na prestação de serviços de geração de energia elétrica (caso da CPFL G) não podem ser coligadas ou controladas de sociedades que desenvolvam serviços de distribuição de energia elétrica e, portanto, ao contrário do que pretendeu fazer crer a Autoridade Administrativa, não poderia subsistir a relação de controle da CPFLG sobre a SEMESA, tendo em vista as regras regulatórias do setor energético brasileiro, defendendo que tanto a jurisprudência quanto a doutrina esclarecem que o propósito negocial pode ser qualquer propósito existente que não exclusivamente fiscal, como expressamente reconhecido em cumprimento a normas regulatórias, por exemplo. Ainda segundo a recorrente, todos os ativos relevantes para a prestação do serviço de geração de energia elétrica eram de titularidade da CPFLG, o que significa que fazia de fato muito mais sentido, também do ponto de vista regulatório, que a incorporação tivesse ocorrido nos exatos termos em que se passou: a SEMESA incorporada pela CPFLG, sendo que nesse contexto, resta mais do que evidente o inequívoco propósito negocial da operação de incorporação da SEMESA pela CPFLG e que não seria lícito ao fisco apenas afirmar, sem quaisquer provas concretas, que uma determinada operação societária não tem fundamento econômico, ficando claro que a operação de incorporação da SEMESA pela CPFLG foi absolutamente legítima, adequada e necessária para fins regulatórios, razão pela qual a desconsideração da referida operação não merece ser mantida. Na sequência, defendeu a legitimidade do ágio gerado na alienação da SEMESA, mencionando que em razão da equivocada compreensão de reestruturação societária por parte do fisco, houve a conclusão errônea de que o negócio jurídico foi realizado sem qualquer outro propósito, além da economia de tributos, o que não procede. Insiste que tanto é verídica a existência do ágio na alienação do investimento que os valores acordados no contrato de compra e venda celebrado entre a SERRA DA MESA e a CPFLG foram definidos sem a participação do Grupo VBS e que inúmeras são as evidências da legitimidade do ágio no caso de alienação da SEMESA, fato que ensejou a autuação. Sustentou que a decisão do Grupo VBS de voltar seus ativos de geração para os investimentos controlados pela CPFLG resultou na alienação real do investimento, devendo a estrutura societária proposta ser submetida à aprovação da ANEEL, o que foi feito, como acima destacado, através da Resolução Autorizativa nº 766 e que, afinal, com a reestruturação societária, os negócios de geração de energia elétrica foram centralizados na CPFLG e o investimento pulverizado com a participação de três investidores independentes entre si em detrimento de um investidor apenas e com a entrada desses novos investidores no negócio, o ágio na aquisição do investimento foi consequência inevitável na operação. Assim, a partir do momento em que a CPFLG adquiriu o negócio, mais natural ainda que o valor pago a título de Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Resolução nº 1301000.219 S1C3T1 Fl. 12 11 ágio com base na expectativa de rentabilidade futura fosse amortizado fiscalmente conforme as disposições específicas dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Demonstrou a contribuinte que no Ofício encaminhado à ANEEL estão todos os detalhes da operação inclusive relacionados ao preço envolvido na negociação e o ágio gerado com base na expectativa de rentabilidade futura. Em requisito à aprovação da operação, a ANEEL exigiu a apresentação do respectivo laudo de avaliação do investimento em virtude das concessões envolvidas – o que foi cumprido e plenamente aceito pela agência reguladora, de sorte que não haveria qualquer indício de que os atos praticados tenham sido realizados com o fito de ludibriar, encobrir ou mesmo impedir o fisco de conhecer qualquer ato promovido pelas sociedades envolvidas. Todos os atos foram públicos, tiveram sua intenção devidamente registrada, fundamento e econômico e passaram pelo crivo da ANEEL. Insistiu ainda, que o ágio gerado em operações como observada nesse caso decorre da diferença entre o valor pago e o valor patrimonial do investimento adquirido, quando se adota a avaliação desse investimento pelo Método da Equivalência Patrimonial, previsto no art. 248 da Lei das S/A e que a dedutibilidade fiscal do ágio nada mais é do que a realização dessa parte do preço pago que compõe o custo do investimento, reputando que a análise da operação como um todo demonstra os evidentes fundamentos econômicos: a) passar os ativos de geração detidos pela VBS para a estrutura que detinha outras participações em negócios dessa mesma natureza (CPFLG); b) alienar o investimento à CPFLG reduzindo a participação global do Grupo VBS em relação aos ativos constantes do patrimônio da SEMESA, sendo que caso a operação não tivesse propósito negocial algum, como poderiam os minoritários (BONAIRE, PREVI e FREE FLOAT), que antes sequer participavam desses investimentos, terminarem com mais de 50% do capital votante da sociedade que controla a empresa autuada? Segundo a recorrente, para que a VBS pudesse alienar mais de 50% da sua participação nesses empreendimentos era necessário um estabelecimento de um preço razoável, compatível com os valores de mercado e o valor justo atribuível à SEMESA estava condicionado aos direitos de exploração dos ativos em regime de concessão. E mais, condicionado ao desempenho de FURNAS na execução do negócio, destacando que as normas de direito privado não são capazes de atribuir efeitos tributários aos institutos definidos pela lei tributária. O caso de amortização do ágio é um exemplo clássico do que dita essa norma geral do Direito Tributário, segundo a qual os efeitos tributários são determinados pela lei tributária e não por outros ramos do direito ou da ciência contábil e que o ágio é instituto próprio de Direito Tributário e que sua dedutibilidade fiscal é garantida pela legislação independentemente de entraves sociais ou econômicos que pretenda apresentar a fiscalização. Defendeu a contribuinte que o fisco apenas faz suposições sobre os elementos fáticos para afirmar, sem razão, que os atos foram despropositados. Além disso, afirma que a criação da SEMESA se prestou unicamente para ensejar a operação e a economia tributária. Entretanto, ainda está para existirem operações que tenham utilizado “empresa veículo” de forma simulada cuja existência tenha perdurado por 6 anos entre a alienação e o ato de incorporação e que a SEMESA, sociedade de propósito específico, foi alienada e transferiu os ativos de geração para uma holding que passou a deter investimentos dessa mesma natureza. A referida transferência, por sua vez, ocorreu por alienação real, eis que envolveu dois investidores importantes na aquisição que antes não participavam daqueles empreendimentos. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Resolução nº 1301000.219 S1C3T1 Fl. 13 12 Por fim, insurgiuse contra a imputação de que teria compensado prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL valores que não constam registrados no banco de dados da RFB, defendendo que os prejuízos fiscais e as bases negativas da CSLL são objeto de discussão em outros processos administrativos atualmente em curso e que não haveria qualquer decisão administrativa apta a constituir definitivamente os prejuízos fiscais e as bases negativas da CSLL nos montantes apurados pelo fisco e que resta claro o vício que macula a autuação ora impugnada nesse ponto, consubstanciada na ausência de fundamento de validade para a tributação das compensações supostamente efetuadas em montantes indevidos. Insistiu que inexiste justificativa apontada pela Fiscalização, razão pela qual carece o ato administrativo de lançamento de fundamento de validade que lhe dê respaldo no ordenamento jurídico, sendo que em nada obstante terem sido lavradas autuações anteriores (Processos Administrativos nºs. 10830.001530/200901; 10830.010855/200712 e 10830.010761/200816), glosando despesas financeiras, que por sua vez compõem os prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL em questão, a impugnante apresentou competente defesa administrativa, ficando patente o equívoco fiscal também em relação à tributação das supostas compensações indevidas realizadas pela impugnante, visto que não existe qualquer decisão administrativa proferida nos autos dos processos administrativos citados, que tenha efetivamente revertido o saldo de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL utilizado, de maneira a atingir, por consequência, as compensações realizadas. A 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro, nos termos do acórdão nº 1257.332, julgou o lançamento procedente, acatando, em síntese, os fundamentos da Fiscalização. O acordão ficou assim ementado: [...]ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo entre as normas reguladoras do processo administrativo fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a Administração Pública tem o dever e impulsionar o processo até a sua conclusão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2007 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. É descabida a amortização de ágio interno, com fundamento econômico em expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Resolução nº 1301000.219 S1C3T1 Fl. 14 13 de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. RECUPERAÇÃO DO VALOR PAGO ANTECIPADAMENTE POR CONTA DA EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. É condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros; o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais lucros futuros, pois as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora por eles pagou antecipadamente, devendo baixar o ágio contra esses valores. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. GLOSA. SALDO DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. É válido o lançamento decorrente de glosa de prejuízos compensados quando comprovadamente excederam ao saldo de prejuízo existente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Ao subsistir o lançamento principal igual sorte colherá o lançamento que dele é reflexo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido [...] A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando seus argumentos e pugnando pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Resolução nº 1301000.219 S1C3T1 Fl. 15 14 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Como visto no relatório acima circunstanciado, o qual integra o presente voto para todos os fins, a imputação central é de indedutibilidade de despesas com ágio porquanto as operações que lhe deram origem, careceriam de propósito negocial e foram travadas “intragrupo”. Portanto, temse típica autuação de “ágio interno”, com ausência de propósito negocial na operação mediante a utilização de “empresa veículo” para posterior incorporação reversa. Desde os primeiros arrazoados alega a recorrente que os prejuízos fiscais e as bases negativas, as quais o fisco verificou não constarem registrados nos sistemas da Receita Federal do Brasil, estariam sendo objeto de discussão em outros processos administrativos, atualmente em curso, inclusive solicitou o sobrestamento deste processo até decisão daqueles outros. São eles os processos: 10830.001530/200901; 10830.010855/2007 12 e 10830.010761/200816, cujas autuações anteriores ao auto de infração em exame, e que dizem respeitos a glosas de despesas financeiras, respaldariam as informações acerca dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL escrituradas no LALUR, caso tenham seu deslinde favorável ao interessado. Por seu turno, verifiquei que realmente os processos se encontram junto ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sendo certo que até o presente momento não houve julgamento das respectivas matérias tratadas naqueles processos. Desta forma, considerando que o resultado dos processos anteriores refletiram neste processo, verificase a conexão o que demonstra a necessidade do julgamento conjunto. Assim, encaminho meu voto no sentido de baixar o processo em diligência para que todos sejam apensados e julgados em conjunto. Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.724620/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. LAUDO TÉCNICO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação.
In casu, constando do laudo de avaliação técnica referida área, deve ser levado em consideração para comprovação.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR.
O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantém-se a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto.
ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). EXIGÊNCIA.
Para fins de dedução das áreas cobertas por florestas nativas da base de cálculo do ITR é exigível a informação tempestiva em Ato Declaratório Ambiental, a cada exercício, no prazo estabelecido na legislação infralegal.
VTN. LAUDO TÉCNICO. PREVALÊNCIA.
O Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural revestido das formalidades exigidas pela legislação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, prevalece sobre o valor arbitrado para o Valor da Terra Nua - VTN.
Numero da decisão: 2401-004.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para: a) restabelecer a área de preservação permanente (1.659,44 ha) para fins de isenção; e b) determinar a adoção do VTN (valor da terra nua) no valor de R$ 1.175,00 por hectare. Vencida, em primeira votação, a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que dava provimento parcial em menor extensão, apenas para adotar o VTN no valor de R$ 1.175,00 por hectare. Vencidos o relator e as conselheiras Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. LAUDO TÉCNICO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação. In casu, constando do laudo de avaliação técnica referida área, deve ser levado em consideração para comprovação. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). EXIGÊNCIA. Para fins de dedução das áreas cobertas por florestas nativas da base de cálculo do ITR é exigível a informação tempestiva em Ato Declaratório Ambiental, a cada exercício, no prazo estabelecido na legislação infralegal. VTN. LAUDO TÉCNICO. PREVALÊNCIA. O Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural revestido das formalidades exigidas pela legislação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, prevalece sobre o valor arbitrado para o Valor da Terra Nua VTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 46 20 /2 01 1- 89 Fl. 916DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para: a) restabelecer a área de preservação permanente (1.659,44 ha) para fins de isenção; e b) determinar a adoção do VTN (valor da terra nua) no valor de R$ 1.175,00 por hectare. Vencida, em primeira votação, a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que dava provimento parcial em menor extensão, apenas para adotar o VTN no valor de R$ 1.175,00 por hectare. Vencidos o relator e as conselheiras Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 917 3 Relatório COMPANHIA MELHORAMENTOS DE SÃO PAULO, contribuinte, pessoa jurídica de direito público, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0352.573/2013, às efls. 795/815, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2007, conforme Notificação de Lançamento, às fls. 04/11, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 21/11/2011 (AR. fl. 257), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei 5172/66(CTN) interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. (...) Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada a título de reserva legal no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei 5172/66(CTN) interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. (...) Área de Floresta Nativa não comprovada Descrição dos Fatos: Fl. 918DF CARF MF 4 Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada a título de área coberta de florestas nativas no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei 5172/66(CTN) interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. (...) Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. (...) No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2007, a fiscalização resolveu glosar integralmente as áreas de preservação permanente, de reserva legal e coberta por florestas nativas declaradas, respectivamente de, 2.432,7 ha, 1.772,9 ha e 719,0 ha, além de rejeitar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$1.067.882,00 (R$124,85/ha), arbitrando o valor de R$21.383.500,00 (R$2.500,00/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando o imposto suplementar de R$2.563.98l,S3, conforme demonstrado às fls. 10. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 822/859, procurando demonstrar a total improcedência do Auto de Infração, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, suscitando a improcedência do lançamento posto que faz jus à isenção do ITR/2007 de acordo com documentação comprobatória. Explica ter comprovada, de maneira inequívoca, por meio de laudo técnico devidamente documentado, que as áreas alegadas como sendo de reserva legal, preservação permanente e cobertas com vegetação nativa efetivamente existem e, que apenas não havia apresentado o ADA porque, embora requerido dentro do prazo legal junto ao IBAMA, os trabalhos em parte ainda não puderam ser concluídos por dificuldades práticas de adequação e de levantamento de georeferenciamento. Afirma que, diante da obtenção do ADA, ainda que este somente tenha sido obtido a partir do ano calendário de 2011, o fato é que este comprova existência das áreas de Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 918 5 preservação permanente, reserva legal e florestas nativas, além da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel; Considera existir no imóvel áreas inaproveitáveis, as quais devem ser excluídas da incidência do ITR, tais como as áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas por floresta nativa, que não podem ser tributadas, tendo em vista o que estabelece o art. 10, §l°, da Lei n° 9.393/96 e o art. 104 da Lei n° 8.171/91, que dispõe sobre a Política Agrícola Nacional. Salienta não restar dúvida quanto à isenção das referidas áreas, inclusive porque a própria fiscalização a reconhece, entretanto não a considera em razão da ausência do ADA e de que as datas das averbações das áreas de reserva legal terem sido intempestivas para o exercício de 2007. Ilustra que as áreas de preservação permanente são aquelas definidas no art. 2° da Lei n° 4.771/65 e que de acordo com a legislação do ITR são áreas não tributáveis e que apresentou Laudo Técnico, emitido por engenheiro agrônomo/florestal, da sociedade empresária ITAITI, a fim de comproválas. Esclarece que as áreas de preservação permanente estão devidamente contidas no Ato Declaratório obtido pela empresa junto ao IBAMA no ano de 2011. Ou seja, mesmo que o ADA em questão tenha sido obtida pela empresa após o fato gerador do ITR em questão, o fato é que este documento demonstra a veracidade das informações contidas pela empresa em sua impugnação e ora constantes do presente recurso, bem como das áreas contidas no laudo técnico. Aponta existir diferenças entre as dimensões apresentadas nos laudos técnicos e as contidas no ADA/2011 e que isso pode ser justificado pelas alterações decorrentes de mudanças na área e no levantamento topográfico realizado e apresenta quadro demonstrativo, requerendo sejam consideradas as áreas contidas no ADA/2011. Salienta ter apresentado Laudo Técnico comprovando a área de reserva legal e averbou nas matrículas 7.130 e 7.697, em 20.02.2008, a área de reserva legal, por regime de compensação do imóvel. Informa que as citadas matrículas se referem às áreas das Fazendas Levantina e Nova do Selado, em que foram averbadas as áreas de reserva legal de 1.923,0203 ha e 396,223 ha, respectivamente, para obter um mínimo de 20% estabelecido pela Lei n° 4.771/65; Aduz, ainda, além da averbação, houve a ratificação feita pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), conforme Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas, em anexo, cumprindo, assim, a exigência da Lei n° 4.771/65. Insurgese, mesmo com a averbação e a ratificação do IEF, ter a fiscalização desconsiderado a existência dessas áreas pela alegação de que a averbação deveria ser feita até a data do fato gerador e que essa formalidade não pode prevalecer sobre a comprovação de sua existência, por respeito ao citado princípio da verdade material e cita jurisprudência Judicial e Administrativa para referendar seus argumentos. Destaca a sua atividade contida no Estatuto Social, que é a atividade de indústria de papel, celulose e pasta de madeira, bem como a silvicultura à base de florestas e Fl. 920DF CARF MF 6 reflorestamento, indagando se as áreas de reserva legal e preservação permanente não existissem seria até melhor, pois nelas poderia fazer o reflorestamento tão útil a sua atividade. Entende ser imprescindível que se considere, além das áreas de preservação permanente e de reserva legal, as áreas cobertas por florestas nativas, com previsão no art. 10, § 1°, II, “e”, da Lei n° 9.393/96, conforme consta do Laudo Técnico. Esclarece constar no Laudo Técnico uma área de 1.376,14 ha, relativa a vegetação nativa ou em estágio de regeneração avançada e que, portanto, essas áreas devem ser excluídas da área tributável para fins de ITR. Explicita que houve mais um equívoco por parte da fiscalização no que tange à fixação do grau de utilização do imóvel, por ter glosado as áreas de reserva legal, preservação permanente e floresta nativa, reduzindo o GU e, por conseqüência, aumentando a alíquota aplicada para 12%. Assim deve ser considerado o VTN apresentado no Laudo, bem como as áreas isentas (preservação permanente, reserva legal e floresta nativa) comprovadas pelo Laudo, aplicando a alíquota de 0,45%, posto que o GU é de quase 100%. Aduz ter a fiscalização equivocadose com a avaliação do hectare adotada com base no SIPT de R$2.500,00, desconsiderando aquele constante do Laudo apresentado de R$1.175,00/ha, que deve ser o considerado pela DRJ. Informar que o Laudo atende as normas da NBR 14.653 da ABNT, posto que foi elaborado com base em dados de preços de terras publicados anualmente pela Revista Agrianual, especializada na área, observando que o que valoriza o imóvel em tela são as plantações feitas nele. Assevera não haver a comprovação pela fiscalização de que não existem as áreas de preservação permanente, reserva legal e florestas nativas, nem a comprovação de que a área não foi utilizada na proporção declarada, bem como que o VTN, nas condições específicas da terra em questão, é superior ao constante do laudo. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 919 7 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2007, a fiscalização resolveu glosar integralmente as áreas de preservação permanente, de reserva legal e coberta por florestas nativas declaradas, respectivamente de, 2.432,7 ha, 1.772,9 ha e 719,0 ha, além de rejeitar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$1.067.882,00 (R$124,85/ha), arbitrando o valor de R$21.383.500,00 (R$2.500,00/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando o imposto suplementar de R$2.563.98l,S3, conforme demonstrado às fls. 10. Em outro viés, a contribuinte explica ter comprovada, de maneira inequívoca, por meio de laudo técnico devidamente documentado, que as áreas alegadas como sendo de reserva legal, preservação permanente e cobertas com vegetação nativa efetivamente existem e, que apenas não havia apresentado o ADA porque, embora requerido dentro do prazo legal junto ao IBAMA, os trabalhos em parte ainda não puderam ser concluídos por dificuldades práticas de adequação e de levantamento de georeferenciamento. Afirma que, diante da obtenção do ADA, ainda que este somente tenha sido obtido a partir do ano calendário de 2011, o fato é que este comprova mais uma vez que, apesar do erro da Recorrente em não declarar parte das áreas ambientais, o fato é que elas existem, estão devidamente comprovadas e sobre elas não pode haver a incidência do referido tributo, como pretende a decisão recorrida, sob pena de afronta ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, colacionando jurisprudência administrativa a respeito. Considera existir no imóvel áreas inaproveitáveis, as quais devem ser excluídas da incidência do ITR, tais como as áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas por floresta nativa, que não podem ser tributadas, tendo em vista o que estabelece o art. 10, §l°, da Lei n° 9.393/96 e o art. 104 da Lei n° 8.171/91, que dispõe sobre a Política Agrícola Nacional. Salienta não restar dúvida quanto à isenção das referidas áreas, inclusive porque a própria fiscalização a reconhece, entretanto não a considera em razão da ausência do ADA e de que as datas das averbações das áreas de reserva legal terem sido intempestivas para o exercício de 2007. Ilustra que as áreas de preservação permanente são aquelas definidas no art. 2° da Lei n° 4.771/65 e que de acordo com a legislação do ITR são áreas não tributáveis e que apresentou Laudo Técnico, emitido por engenheiro agrônomo/florestal, da sociedade empresária ITAITI, a fim de comproválas. Fl. 922DF CARF MF 8 Afirma que as áreas de preservação permanente totalizam l.659,4 ha do imóvel e representam 19,35% da área total da propriedade que é de 8.573,82 ha, sendo que 340,72 ha são áreas com nascentes e 1.318,72 ha de curso d´água e que a fiscalização desconsiderou essas áreas, não se manifestando a esse respeito no auto de infração. Esclarece que as áreas de preservação permanente estão devidamente contidas no Ato Declaratório obtido pela empresa junto ao IBAMA no ano de 2011. Ou seja, mesmo que o ADA em questão tenha sido obtida pela empresa após o fato gerador do ITR em questão, o fato é que este documento demonstra a veracidade das informações contidas pela empresa em sua impugnação e ora constantes do presente recurso, bem como das áreas contidas no laudo técnico. Salienta ter apresentado Laudo Técnico comprovando a área de reserva legal e averbou nas matrículas 7.130 e 7.697, em 20.02.2008, a área de reserva legal, por regime de compensação do imóvel. Informa que as citadas matrículas se referem às áreas das Fazendas Levantina e Nova do Selado, em que foram averbadas as áreas de reserva legal de 1.923,0203 ha e 396,223 ha, respectivamente, para obter um mínimo de 20% estabelecido pela Lei n° 4.771/65; Aduz, ainda, além da averbação, houve a ratificação feita pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), conforme Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas, em anexo, cumprindo, assim, a exigência da Lei n° 4.771/65. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, bem como a exigência do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, quanto às áreas de preservação permanente e reserva legal, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, de acordo a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido merece reforma, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 920 9 d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA ou mesmo a averbação procedida antes do fato gerador, não são, em si, exclusivas condições eleitas pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal/utilização limitada. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa das áreas de reserva legal e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Fl. 924DF CARF MF 10 Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal ou procedida a averbação tempestiva, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DE EQUÍVOCO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e conseqüente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 921 11 possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas. (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA ou mesmo a averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. É preciso deixar registrado que neste processo a lide diz respeito exclusivamente à glosa da área de reserva legal de 1.923,0 ha e da rejeição do VTN declarado e arbitramento de novo VTN, com base em valor apontado no SIPT, conforme consta da “Descrição dos Fatos”, às fls. 04/05. Quanto a área de preservação permanente e coberta por floresta nativa, a recorrente não declarou em sua DITR, não podendo retificála após início do procedimento fiscal, conforme muito bem fundamentado pela decisão de piso. ÁREA RESERVA LEGAL In casu, relativamente à Área de Reserva Legal, o que torna ainda mais digno de realce, e que fora determinante ao deslinde da controvérsia, em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material da área declarada pela contribuinte como de reserva legal, o que se constata na hipótese dos autos, como se verifica nas matrículas da Averbação procedida à margem da matrícula do imóvel, datada de 20/02/2008, posteriormente à ocorrência do fato gerador, mas antes do início da ação fiscal, às fls. 12, afastando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pela autuada. Nesta mesma lógica, melhor sorte não está reservada à fiscalização e decisão de primeira instância quanto à exigência tempestiva do ADA. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, acima explicitado, impende esclarecer que este Egrégio Tribunal já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no Fl. 926DF CARF MF 12 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes autos, senão vejamos: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. No entanto, a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA referente a exercício posterior, como é o caso dos autos. A corroborar este entendimento, ressaltase que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. O TRF da 4° Região editou em setembro de 2016 Súmula a respeito da matéria que assim dispõe, in verbis: Súmula nº 86 É desnecessária a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA para o reconhecimento do direito à isenção de Imposto Territorial Rural ITR. Todavia, para o gozo da isenção do ITR no caso de área de "reserva legal", é imprescindível a averbação da referida área na matrícula do imóvel. Nesse sentido, o certo é que a Averbação da Área de Reserva Legal/Utilização Limitada e mesmo a apresentação de ADA de período posterior, apresentados pela contribuinte se prestam a comprovar a existência de aludida área, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional, mormente em homenagem ao princípio da verdade material. Para corroborar ainda mais seus argumentos, a contribuinte anexou aos autos Laudo Técnico, comprovando a existência de área de reserva legal, às efls. 365/395 Se não bastasse todo o exposto, a 1° Turma da 1° Câmara deste Tribunal, em julgamento em face da mesma contribuinte, referente ao exercício 2006, entendeu válida a averbação antes de iniciada a ação fiscal, reconhecendo a isenção da área de reserva legal, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 922 13 APP. ADA TEMPESTIVO. Por disposição legal, a isenção de ITR para áreas de preservação permanente depende da apresentação de ADA tempestivo, conforme art. 17O da Lei nº 6.938/81. ARL. AVERBAÇÃO. Reconhecida exoneração de ITR para área de reserva legal cuja averbação na matrícula do imóvel ocorreu antes do início da ação fiscal. Caso dos autos. VTN. REVISÃO. A revisão do VTN pela autoridade administrativa está condicionada à apresentação de laudo conforme a NBR 14653/2004. No caso dos autos o contribuinte não apresentou laudo técnico que possibilitasse a revisão do valor da terra nua arbitrado com base no SIPT. Recurso Voluntário Provido em Parte. Partindo dessas premissas, tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pela contribuinte (laudo técnico), ainda que procedida à averbação intempestivamente (antes da ação fiscal), impõese o restabelecimento de referida área (1.932,02 ha), glosada pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTA NATIVA A recorrente ilustra que as áreas de preservação permanente são aquelas definidas no art. 2° da Lei n° 4.771/65 e que de acordo com a legislação do ITR são áreas não tributáveis e que apresentou Laudo Técnico, emitido por engenheiro agrônomo/florestal, da sociedade empresária ITAITI, a fim de comproválas. Esclarece que as áreas de preservação permanente estão devidamente contidas no Ato Declaratório obtido pela empresa junto ao IBAMA no ano de 2011. Ou seja, mesmo que o ADA em questão tenha sido obtida pela empresa após o fato gerador do ITR em questão, o fato é que este documento demonstra a veracidade das informações contidas pela empresa em sua impugnação e ora constantes do presente recurso, bem como das áreas contidas no laudo técnico. Entende ser imprescindível que se considere, além das áreas de preservação permanente e de reserva legal, as áreas cobertas por florestas nativas, com previsão no art. 10, § 1°, II, “e”, da Lei n° 9.393/96, conforme consta do Laudo Técnico. Esclarece constar no Laudo Técnico uma área de 1.376,14 ha, relativa a vegetação nativa ou em estágio de regeneração avançada e que, portanto, essas áreas devem ser excluídas da área tributável para fins de ITR. Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA ou mesmo a averbação procedida antes do fato gerador, não são, em si, exclusivas condições eleitas pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e de floresta nativa. Fl. 928DF CARF MF 14 Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência das áreas de floresta nativa e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa das áreas de floresta nativa e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal ou procedida a averbação tempestiva, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 923 15 preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVOCO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e conseqüente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas. (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA ou mesmo a averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Para aclarar ainda mais esse Principio, a contribuinte apresentou ADA para o exercício de 2011. Fl. 930DF CARF MF 16 Nesse diapasão, constando do Laudo Técnico de Avaliação as áreas de preservação permanente e de floresta nativa, reconheço a existência das referidas áreas, devendo ser excluído do lançamento a incidência do ITR sobre 1.376,14 hectare (Floresta Nativa) e 1.659,44 hectare (Área de Preservação Permanente). DO VTN A contribuinte aduz ter a fiscalização equivocadose com a avaliação do hectare adotada com base no SIPT de R$2.500,00, desconsiderando aquele constante do Laudo apresentado de R$1.175,00/ha, que deve ser o considerado pela DRJ. Informar que o Laudo atende as normas da NBR 14.653 da ABNT, posto que foi elaborado com base em dados de preços de terras publicados anualmente pela Revista Agrianual, especializada na área, observando que o que valoriza o imóvel em tela são as plantações feitas nele. Assevera não haver a comprovação pela fiscalização de que não existem as áreas de preservação permanente, reserva legal e florestas nativas, nem a comprovação de que a área não foi utilizada na proporção declarada, bem como que o VTN, nas condições específicas da terra em questão, é superior ao constante do laudo. Muito embora a recorrente tenha contestado o VTN arbitrado pela autoridade fiscal e mantido pela decisão a quo, não apresentou laudo técnico conforme a NBR 14.653 da ABNT, que possibilitasse à autoridade administrativa rever o valor lançado. Pois bem, da análise do laudo técnico de avaliação, efls. 359/390, penso que o mesmo fornece elementos que devem ser considerados para a finalidade a que se propõe, pois individualiza as áreas do imóvel, quantificandoas e classificandoas, bem como demonstrando as benfeitorias existentes no imóvel, além de fazer referência, também, ao processo avaliatório empregado métodos e critérios utilizados e nível de precisão, tendo apurado para o imóvel um VTN de R$ 1.175,00 por hectare. Portanto, o documento de prova além de ter sido emitido por profissional habilitado (Engº Agrônomo), devidamente acompanhado de ART’s, anotadas no CREA – MG, atende aos principais requisitos da norma da ABNT, a NBR 14.6533 e NBR 14.6531, em vigência desde 30/06/2004, indicando o método e apresentando os tratamentos estatísticos pertinentes. Observase que o laudo adotou a publicação da "renomada" revista Agrianual, por esta fazer uma média/levantamento sobre o Valor da Terra Nua de cada região do território nacional. Saliento que a publicação não se dá por contra prestação específica, tornandose documento hábil e idôneo. Assim sendo, devese adotar para o imóvel denominado “Fazenda Levantina" o VTN de R$ 1.175,00 por hectare, em substituição ao VTN arbitrado pela fiscalização. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância, especialmente no que diz respeito ao pacto federativo. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 924 17 DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, DARLHE PROVIMENTO, a, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 932DF CARF MF 18 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar do seu ponto de vista quanto ao restabelecimento das áreas de reserva legal e cobertas por florestas nativas. Área de Florestas Nativas As áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração não são tributáveis pelo Imposto Territorial Rural (ITR), segundo previsto na alínea "e" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006. Reproduzo a redação do dispositivo de lei na redação vigente no ano de 2007: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (...) Nada obstante, para fins de exclusão da tributação no tocante às áreas não tributáveis, entre elas as áreas de florestas nativas, é necessária, como regra geral, a informação tempestiva da respectiva área no Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a cada exercício, nos prazos definidos na legislação infralegal (art. 10, § 3º, inciso I, do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR). Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 925 19 Art. 10 (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo; II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. (...) Em nível de lei, a apresentação do ADA para efeito de redução da área tributável, antes opcional, passou a ser obrigatória com o advento da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) (GRIFEI) A exclusão da tributação de determinadas áreas de interesse de preservação e de caráter limitado quanto ao seu aproveitamento econômico ficou condicionada à informação tempestiva ao Ibama, permitindo o controle e a verificação delas pelo órgão nacional responsável pela proteção ambiental. Cabe realçar que, segundo o ponto de vista pessoal, o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, revogado pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, não quis tornar inexigível a apresentação do ADA para o reconhecimento das áreas não tributáveis, em detrimento ao conteúdo do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981. Art. 10 (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua Fl. 934DF CARF MF 20 declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis Em verdade, o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, cuidou de explicitar que o ITR é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ficando dispensado, no momento da entrega da declaração, a comprovação da informação da área em ADA. Acontece que o Poder Judiciário tem inúmeras decisões no sentido da dispensa da apresentação do ADA para reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas a afastálas da tributação do ITR, utilizando da interpretação do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Nesse sentido, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), responsável pela defesa em juízo do crédito tributário da União, elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, em que dispensa o Procurador da Fazenda Nacional de contestar e recorrer nas demandas judiciais que versem sobre a necessidade de apresentação do ADA para fins do reconhecimento do direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva legal, relativamente a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, a qual aprovou o Novo Código Florestal. Por essa razão, acompanhei as conclusões do I. Relator para exclusão somente da área de preservação permanente, de modo a manter coerência com a conduta que seria adotada pela PFN, caso a questão controvertida fosse levada à apreciação do Poder Judiciário. Todavia, não há orientação em tal grau quanto às áreas de florestas nativas, previstas na alínea "e" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. À vista disso, ainda que o contribuinte tenha apresentado ADA para o exercício de 2011, como o lançamento referese ao exercício 2007, cabe respeitar o lançamento tributário sobre as áreas cobertas por florestas nativas, pela ausência de comprovação da informação tempestiva no ADA, no prazo estabelecido na legislação infralegal. Área de Reserva Legal Tratase de ITR, em relação ao exercício 2007. O fato gerador, portanto, deu se em 1º/01/2007. De acordo com os elementos que instruem os autos, a fiscalização glosou integralmente a área de reserva legal declarada. A área de reserva legal foi averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel rural em 20/02/2008. Para fins de apuração do ITR, o art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, afasta a tributação sobre a área de reserva legal. Reproduzo, novamente, a redação do dispositivo de lei na redação vigente no ano de 2007: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10660.724620/201189 Acórdão n.º 2401004.978 S2C4T1 Fl. 926 21 § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Porém, a alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, reportase expressamente às disposições da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, à época o Código Florestal brasileiro. Por sua vez, o art. 16 do Código Florestal disciplinava características da área de reserva legal. Transcrevo o § 8º desse artigo: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (...) (GRIFEI) Como se observa, a legislação traz a obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, a fim de comprovar a área preservada destinada à reserva legal. O ato de averbação é dotado de eficácia constitutiva. Para escapar à incidência tributária é indispensável a prévia averbação da área de reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel. Exigese, portanto, a averbação anterior à data de ocorrência do fato gerador do imposto como prova da existência da área de reserva legal (art. 10, § 3º, inciso II, do Decreto nº 4.382, de 2002). Nesse passo, divergindo do I. Relator, a averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, mas antes do início da ação fiscal, ou mesmo a elaboração de Laudo Técnico, não têm o condão de suprir o requisito legal constitutivo da referida área, para fins de apuração do ITR. Fl. 936DF CARF MF 22 Conclusão Ante o exposto, relativamente às áreas cobertas por florestas nativas e à area de reserva legal, mantenho a glosa efetuada pela fiscalização, negando provimento ao recurso voluntário. Acompanho o I. Relator nos demais pontos do seu voto, quanto a restabelecer a área de preservação permanente e a adoção do VTN (valor da terra nua) no valor de R$ 1.175,00 por hectare. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 937DF CARF MF
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