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Numero do processo: 18088.000727/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. DIREITO DE DEFESA.
Preenchidos os requisitos do lançamento, não há que se falar em nulidade, nem em cerceamento do direito de defesa.
CONTA BANCÁRIA. TITULARIDADE. SÚMULA CARF Nº 32.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Presume-se omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos.
Numero da decisão: 2401-005.935
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. DIREITO DE DEFESA. Preenchidos os requisitos do lançamento, não há que se falar em nulidade, nem em cerceamento do direito de defesa. CONTA BANCÁRIA. TITULARIDADE. SÚMULA CARF Nº 32. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Presume-se omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente GUILHERME DOMINGOS FORTUNA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. DIREITO DE DEFESA. Preenchidos os requisitos do lançamento, não há que se falar em nulidade, nem em cerceamento do direito de defesa. CONTA BANCÁRIA. TITULARIDADE. SÚMULA CARF Nº 32. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Presumese omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 07 27 /2 00 8- 03 Fl. 6557DF CARF MF Processo nº 18088.000727/200803 Acórdão n.º 2401005.935 S2C4T1 Fl. 6.558 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de auto de infração de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 4/16, anoscalendário 2003 e 2004, que apurou imposto suplementar de R$ 401.563,97, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Consta do Termo de Conclusão do Procedimento Fiscal – TVF (fls. 18/22) que: · Os documentos apresentados são comprovantes de depósitos em conta corrente e recibos assinados pelo autuado ou Carlos Alberto Romanini para diversas pessoas físicas e que se referem a reembolso de colheita. Na maioria dos casos não há concordância entre os valores constantes dos comprovantes de depósitos com os recibos. · O movimento do Livro Caixa é insignificante comparado com os valores depositados em contascorrentes. · Não tendo sido comprovada a origem dos valores depositados nas contas correntes do Banco do Brasil, foi efetuado o lançamento do imposto devido. · Do total dos depósitos foram excluídos os valores referentes a cheques devolvidos e estornos, conforme Demonstrativo das Exclusões e consolidados no Resumo Mensal dos Depósitos. Em impugnação apresentada às fls. 2.648/2.660, o contribuinte alega nulidade do auto de infração, que a conta pertence ao consórcio simplificado de produtores rurais, que não houve omissão de receitas e que movimentação financeira não é rendimento tributável. A DRJ/SPOII, julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão 17 31.220 de fls. 2.648/2.660, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 Fl. 6558DF CARF MF Processo nº 18088.000727/200803 Acórdão n.º 2401005.935 S2C4T1 Fl. 6.559 3 NULIDADE. INOCORRÊNCIA LOCAL DA LAVRATURA. Não se apresentando nos autos as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235/72, não há que se cogitar de nulidade do lançamento, enquanto ato administrativo. 0 Auto de Infração lavrado na repartição incumbida da administração do imposto, não padece de qualquer vicio procedimental, uma vez ter sido este o local de verificação da falta, como é regra nos procedimentos fi scais em que o pólo passivo da relação jurídico tributária é pessoa fisica. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n°9.430/1.996. no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária. regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS NOVOS. A prova documental deve ser apresentada com a impugnação, salvo nos casos previstos em Lei. Art 16 do Decreto 70.235/72. Lançamento Procedente Cientificado do Acórdão em 10/6/09 (Edital de fl. 2.672 afixado em 26/5/09), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/6/09, fls. 2.674/2.696, que contém, em síntese: Informa que se trata de um Consórcio Simplificado de Produtores Rurais Guilherme Domingos Fortuna e outros Matrícula CEI 50.008.13985/83 e que a conta bancária era utilizada para receber e pagar despesas do consórcio. Afirma que a movimentação bancária, oriunda da atividade do Consórcio, restou demonstrada, não havendo omissão de receita, pois os valores depositados o foram para o pagamento das obrigações do condomínio, não constituindo os valores receita pessoal do recorrente. Preliminarmente, alega que o auto de infração é nulo: a) pois foi lavrado fora do local da falta apurada, descumprindo o Decreto 70.235/72, art. 10; b) que houve apenas a entrega de Termo de Intimação Fiscal, recebido por pessoa não autorizada; c) que a descrição dos fatos foi incompleta e inconsistente, baseada exclusivamente em movimentação bancária; d) não foram entregues ao contribuinte todos os documentos; e) não foi demonstrada a ocorrência do fato gerador; e f) que não é parte legítima, sendo esta o consórcio simplificado de produtores rurais. No mérito, afirma que não restou demonstrada a evasão de receita. Que o lançamento não se baseia em rendimento tributável e que todos os tributos oriundos da atividade do Consórcio foram recolhidos. Disserta sobre o conceito de renda e entende que não há IRPF a ser apurado, pois os valores movimentados ocorreram em função da existência do Consórcio, fato Fl. 6559DF CARF MF Processo nº 18088.000727/200803 Acórdão n.º 2401005.935 S2C4T1 Fl. 6.560 4 comprovado pela documentação em anexo que já fora objeto de apreciação pelo agente fiscalizador, que optou por desprezála. Diz que basta confrontar os demonstrativos de recebimento e recibo emitidos a cada consorciado com demonstrativos dos custos de colheita, para constatar a origem dos créditos, trabalho não realizado pela fiscalização. Afirma que agiu como procurador do Consórcio e requer a improcedência do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINARES NULIDADE Sem razão o recorrente ao alegar que o auto de infração é nulo. O Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/99, dispõe que: Art.904. A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, eDecretoLei nº 2.225, de 10 de janeiro de 1985). §1ºA ação fiscal direta, externa e permanente, realizarseá pelo comparecimento do AuditorFiscal do Tesouro Nacional no domicílio do contribuinte, para orientálo ou esclarecêlo no cumprimento de seus deveres fiscais, bem como para verificar a exatidão dos rendimentos sujeitos à incidência do imposto, lavrando, quando for o caso, o competente termo (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). §2ºA ação do AuditorFiscal do Tesouro Nacional poderá estenderse além dos limites jurisdicionais da repartição em que servir, atendidas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. §3ºA ação fiscal e todos os termos a ela inerentes são válidos, mesmo quando formalizados por AuditorFiscal do Tesouro Nacional de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo (Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1º). (grifo nosso) O art. 835, também do RIR/99, dispõe: Fl. 6560DF CARF MF Processo nº 18088.000727/200803 Acórdão n.º 2401005.935 S2C4T1 Fl. 6.561 5 Art.835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74). §1ºA revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. §2ºA revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, §1º).(grifo nosso) §3ºOs pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 19). §4ºO contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de ofício de que trata o art. 841. Ademais, ao contrário do que alega a recorrente, o lançamento foi constituído conforme determina o CTN, art. 142: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Toda a situação fática que determinou a ocorrência do fato gerador foi detalhadamente descrita no Termo de Conclusão do Procedimento Fiscal (fls. 18/22), com discriminação da base de cálculo, do montante devido, da fundação legal. O sujeito passivo foi identificado e regularmente intimado da autuação. Foram cumpridos os requisitos do Decreto 70.235/72, art. 10, não havendo que se falar em nulidade ou cerceamento do direito de defesa. Acrescentese que foi devidamente concedido ao autuado a oportunidade de apresentar documentos durante a ação fiscal, prazo para apresentar impugnação e produzir provas. Assim, uma vez verificado a ocorrência do fato gerador, o auditor fiscal tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo com os fatos por ele constatados e efetuar o lançamento tributário. No caso, inexistentes qualquer das hipóteses de nulidade previstas no Decreto 70.235/72, art. 59. Fl. 6561DF CARF MF Processo nº 18088.000727/200803 Acórdão n.º 2401005.935 S2C4T1 Fl. 6.562 6 Sendo assim, resta evidente a possibilidade de o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil apurar o crédito tributário com base nos fatos efetivamente ocorridos, não havendo que se falar em nulidade do lançamento. Acrescentese que a Súmula CARF nº 6, dispõe que: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Todos os documentos que serviram de base para a autuação foram juntados ao processo e são documentos do próprio contribuinte, não havendo que se falar que não lhe foram entregues. Quanto à alegação de que não é parte legítima, esta também não procede. Sobre a questão, assim de pronunciou a DRJ: O impugnante argúi ilegitimidade de sua pessoa, no entanto, tal alegação não se sustenta, pois, pelo que se depreende dos autos, não houve apresentação de prova material de que os valores teriam como origem o Consórcio de Produtores Rurais. Ocorre que o registro da movimentação financeira, consubstanciada no relatório de lançamentos bancários, não se coaduna com a movimentação bancária correspondente. Além do mais, nitidamente, o demonstrativo de movimento de caixa em nome de Valdecir Aparecido Quaglia e Outros, fls. 1133/1158, constitui se de valores aquém do registrado nos extratos bancários. Acrescentese a isso, o fato de nenhuma nota de produtor ou outro documento relacionado às atividades típicas do negócio foi apresentado de forma a justificar o acréscimo de recursos nas indigitadas contas bancárias. (grifo nosso) No caso, devese observar o disposto na Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Assim, o sujeito passivo da obrigação tributária ora constituída é o titular da conta bancária, ou seja, o contribuinte autuado. Ademais, não restou demonstrado que os recursos pertenciam ao Consórcio Simplificado de Produtores Rurais, não havendo que se falar em ilegitimidade passiva ou que os tributos foram recolhidos. MÉRITO A legislação tributária define o fato gerador do imposto de renda, conforme CTN, art. 43, II: Art.43 O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 6562DF CARF MF Processo nº 18088.000727/200803 Acórdão n.º 2401005.935 S2C4T1 Fl. 6.563 7 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Diante da situação fática que se apresenta, nos termos do CTN, art. 142, a autoridade administrativa, apurou o crédito tributário, conforme determina a Lei 9.430/96, art. 42: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5oQuando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Fl. 6563DF CARF MF Processo nº 18088.000727/200803 Acórdão n.º 2401005.935 S2C4T1 Fl. 6.564 8 Referido dispositivo legal estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, condicionada à falta de comprovação dos recursos. Permitiuse que se considerasse ocorrido o fato gerador quando o sujeito passivo não comprovasse os créditos efetuados em sua conta bancária. Desta forma, presumese o rendimento quando o titular da conta não comprova, individualmente, a origem dos créditos efetuados, caracterizando o fato gerador e, consequentemente, sobre tais rendimentos deve incidir o imposto sobre a renda. Sendo assim, não podem ser aceitos os esclarecimentos do contribuinte de que era representante do Consórcio e que valores a ele pertenciam. O que foi solicitado foi a demonstração de cada depósito efetuado em suas contas, o que não foi atendido. Falacioso o argumento de que a fiscalização não realizou seu trabalho. Tanto o fez que demonstrou, conforme relatado, que não há concordância entre os valores constantes dos comprovantes de depósitos com os recibos, que o movimento do Livro Caixa é insignificante comparado com os valores depositados em contascorrentes e que não restou comprovada a origem dos valores depositados. Logo, correto o procedimento fiscal que apurou o imposto devido lançado no auto de infração em comento. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 6564DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.723022/2017-73
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que anexe, aos autos, cópia da DIRPF objeto da autuação, e caso a cônjuge não tenha sido informada como dependente nessa declaração, a Unidade Preparadora deve intimar o recorrente a apresentar declaração do plano de saúde, consignando o valor discriminado por beneficiário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que anexe, aos autos, cópia da DIRPF objeto da autuação, e caso a cônjuge não tenha sido informada como dependente nessa declaração, a Unidade Preparadora deve intimar o recorrente a apresentar declaração do plano de saúde, consignando o valor discriminado por beneficiário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Numero do processo: 10983.908241/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.649
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10983.908242/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10983.908242/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10983.908242/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 08 24 1/ 20 09 -8 2 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10983.908241/200982 Resolução nº 1201000.649 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp transmitidas, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, para compensação de débitos. O Despacho Decisório DD não homologou a compensação declarada porque: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. E exige o total de débitos não compensados, com juros e multa de mora. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC DRJ/FNS emitiu o Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA. UTILIZAÇÃO COMO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, a título de estimativa mensal de IR ou de CSLL, não pode ser utilizado como crédito em compensação, pois esse valor só pode ser deduzido do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração a que se referir a estimativa, para fins de determinação do saldo a pagar ou do valor de eventual saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do mesmo período. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. Reclama que a negativa deuse com fundamento a restrição imposta por uma Instrução Normativa, norma secundária, que traz limitações indevidas ao direito do contribuinte, caracterizando injustiça fiscal e ferindo o Princípio da Razoabilidade. Relata que, na opção de tributação no regime do lucro real anual com recolhimentos de estimativas mensais, pode ocorrer de o contribuinte efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal. O artigo 74, da Lei n° 9.430/96, com suas posteriores alterações, confere ao sujeito passivo o direito de efetuar a compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB e no rol do § 3º do art. 74 não consta a Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10983.908241/200982 Resolução nº 1201000.649 S1C2T1 Fl. 4 3 limitação específica ao direito de compensar sustentada pela autoridade, portanto, não há óbice legal à compensação realizada. Assim, uma vez comprovado o recolhimento a maior, o direito à compensação é garantido pelo art. 74 mencionado. Anexa cópias das DIPJ's 2006/2005 e 2007/2006, que comprovam que no ano calendário 2005, ao final do período de apuração, com todas as compensações realizadas, ainda assim apresentava saldo negativo de () R$ 924.660,86 e de CSLL de () R$ 494.344,45; o mesmo ocorrendo em boa parte do anocalendário 2006. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.642, de 20/11/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10983.908242/200927, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.642): "2.1 Paradigma de lote. 12. Este processo nº 10983.908242/200927 foi distribuído à Relatora, visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos aos demais processos do lote; são eles, conforme pesquisa no sistema eprocesso: nº processo nº PER/Dcomp Data transmissão Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior Per Apur Data da arrecadaçã o 10983.903703/200975 37869.76998 28/10/2005 2484 31/03/2005 29/04/2005 10983.903848/200976 14576.04096 28/10/2005 (*) 10983.903847/200921 34936.56232 29/05/2006 (**) 10983.908238/200969 12079.09231 29/05/2006 2484 31/05/2005 30/06/2005 10983.908245/200961 23031.44220 29/05/2006 2362 28/02/2006 31/03/2006 10983.908399/200952 25266.25812 29/05/2006 (***) 2484 31/03/2005 29/04/2005 10983.908240/200938 05270.28894 29/05/2006 2484 31/01/2006 24/02/2006 10983.908242/200927 30111.93607 29/05/2006 2362 31/05/2005 30/06/2005 10983.908241/200982 23984.18321 29/05/2006 2484 28/02/2006 31/03/2006 10983.908239/200911 01348.47168 29/05/2006 2484 30/06/2005 29/07/2005 (*) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 15069.24782, de 28/09/2005 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10983.908241/200982 Resolução nº 1201000.649 S1C2T1 Fl. 5 4 (**) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 38158.77039, de 31/08/2005 (***) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 37869.76998, de 28/10/2005 13. Verificouse que os DD destes processos que compõem o lote são de teor idêntico; e o motivo para os Acórdãos DRJ considerarem as manifestações de inconformidade foi o mesmo. 2.2 Restituição/compensação. Estimativa mensal. Valor indevido ou a maior. 14. As IN SRF nº 460, de 2004 e nº 600, de 28 de dezembro de 2005, determinavam que: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (Grifouse.) 15. A IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, revogou a IN SRF nº 600, de 2005: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração; e III na hipótese de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (...) Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10983.908241/200982 Resolução nº 1201000.649 S1C2T1 Fl. 6 5 Art. 100. Ficam revogadas a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, a Instrução Normativa SRF nº 728, de 20 de março de 2007, a Instrução Normativa RFB nº 831, de 18 de março de 2008, e os arts. 192 a 239B da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. 16. E a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19 de 5 de dezembro de 2011, explicitou que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. 17. Foi editada a Súmula CARF nº 84 (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018) Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 1201000.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 1101 00.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006.: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. 18. Reproduzse a seguir excertos do Acórdão nº 9101 00.406, de 02/10/2009, um dos que foram paradigma para a Súmula: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10983.908241/200982 Resolução nº 1201000.649 S1C2T1 Fl. 7 6 contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerente ao pedido de compensação formulada pelo contribuinte, inclusive no que se refere a correção das retificações de declaração e ao eventual aproveitamento do citado credito ao final do ano calendário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (...) No caso, entendo não ser possível homologar, desde já, a compensação declarada pelo Contribuinte, urna vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a da restituibilidade (ou não) da estimativa recolhida a maior . Tendo em vista que o Recorrente em um primeiro momento calculou em R$ 4.668.087,16 o valor de sua obrigação de antecipar a CSLL, no mês de junho de 2002 e, depois, informou que, por novo cálculo, referido valor seria de R$ 2.559.397,53, entendo que os referidos valores devem ser confirmados ou infirmados pela Fiscalização, para, somente após, haver a homologação do pleito do Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerentes ao pedido de Compensação formulado pelo Contribuinte, no que se refere à correção das retificações de declaração e ao (eventual) aproveitamento do citado credito no ajuste do anocalendário. (Grifouse.) 19. À vista do exposto, evidenciase pacificada a questão quanto à possibilidade de restituição/compensação de valor recolhido indevidamente ou a maior de estimativas mensal. 2.3 Direito creditório. 20. O valor requerido se refere a estimativa mensal recolhida, mas que não foi objeto de verificação/confirmação pela Autoridade Administrativa; como a discussão se ateve ao direito ou não ao valor do crédito referente a estimativa recolhida a maior ou indevidamente, tampouco houve a análise visando confirmar o direito creditório requerido. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10983.908241/200982 Resolução nº 1201000.649 S1C2T1 Fl. 8 7 21. O contribuinte apresentou cópias das DIPJ referentes aos anoscalendário 2005 e 2006, págs. 77/149, originais, entregues em 27/06/2006 e 25/06/2007, respectivamente. 22. Consta das DIPJ na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda mensal por Estimativa, que a forma de determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução; eis que neste caso, na apuração da estimativa de cada mês, se deduzem os valores de IRPJ /CSLL, respectivamente, devidos nos meses anteriores do mesmo ano, assim como os valores de IRPJ/CSLL, respectivamente, retidos na fonte. 23. Verificase no sistema eprocesso que constam para relatar 10 (dez) processos do contribuinte distribuídos para esta Turma, que requerem créditos de estimativas de recolhimento indevido ou a maior de estimativas de IRPJ e de CSLL, dos anoscalendário 2005 e 2006. 24. É necessário que sejam analisados todos os PER/Dcomp destes processos (sendo que pode haver ainda outros processos de teor análogo distribuídos a outras Turmas do CARF ou ainda nas DRJ's; assim como algumas das PER/Dcomp se referem a crédito objeto de PER/Dcomps referentes a ainda outros processos), que tratem dos mesmos créditos ou não, mas que sejam referentes a estes anoscalendário. 25. Há necessidade de: a) analisar os valores confessados e pagos e/ou objetos de compensação das estimativas tidas como recolhidas indevidamente ou a maior, informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF; b) confirmar os recolhimentos das estimativas que o contribuinte considera recolhidas a maior ou indevidamente, sendo que parte delas pode ter sido objeto de compensações que devem ser verificadas, se foram homologadas ou não; c) refazer as apurações das estimativas mensais dos anos calendário em pauta, para verificar se as estimativas a maior quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual; d) consta da DIPJ que a determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, cabe portanto verificar, ao menos por amostragem, se os dados da DIPJ efetivamente se baseiam em Balanços/Balancetes constantes da contabilidade do contribuinte; e) verificar se os saldos negativos anuais resultantes já não foram requeridos como direitos creditórios por meio de Per/Dcomps; f) emitir Parecer acerca do pedido constante dos PER/Dcomp em epígrafe, informando se e qual o valor do recolhimento indevido ou a maior da estimativa efetivamente recolhida ou Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10983.908241/200982 Resolução nº 1201000.649 S1C2T1 Fl. 9 8 compensada caracteriza crédito de recolhimento indevido ou a maior, passível de ser reconhecido para compensação, em que a data do direito creditório deva ser computada a partir da respectiva data do recolhimento. g) cientificar o contribuinte, facultandolhe a apresentação de contestação. h) Devolver o processo ao CARF, em seguida. 3 Conclusão. Voto pela realização da diligência descrita no voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001943/2007-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.612
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETES. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 19 43 /2 00 7- 33 Fl. 710DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 3 2 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 4 3 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.309, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 5 4 Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 6 5 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; (iii) do crédito presumido – atividade agroindustrial – produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; (iv) possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS e Cofins (v) previsão legal para a incidência da Selic. Efetuado o exame de admissibilidade pelo Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, após a apresentação de Agravo pelo contribuinte, mediante reexame da admissibilidade pelo Presidente da CSRF, foi dado seguimento ao recurso especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e Fl. 714DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 7 6 mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes – 61.697.999)”; “enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins (61.697.4350) e “correção dos créditos pela taxa Selic (61.697.4353)”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos; · A autorização para ressarcir ou compensar o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 conforme o inc. I e inc. e II do art. 36 opera efeitos para pedidos de compensação/ressarcimento realizados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação da lei, isto é, a partir de 01/11/2009, tendo em vista que a publicação da Lei 12.058/2009 ocorreu em 14/10/2009; · Uma vez que a própria Lei estipulou expressamente que a compensação na forma do art. 36 não pode ser aplicada para pedidos de compensação anteriores ao mês subsequente à publicação da lei (novembro de 2009), deve ser negado provimento ao recurso especial do contribuinte neste ponto; · Os artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a incidência da taxa Selic sobre crédito oriundo de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativa, na medida em que estabelecem que o aproveitamento dessa modalidade de crédito não ensejará atualização monetária ou incidência de juros. É o relatório. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.593, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001374/200726, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.593): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as cinco matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352); 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999); 2) Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 3) Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 4) correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353) O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 9 8 Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. Essa interpretação menos rigorosa já foi mesmo adotada pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais1: [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às cinco matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)"; "possibilidade de tomada Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 10 9 de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999)"; "enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)"; "possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353)". Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS Da mesma forma, houve a divergência, vez que o aresto paradigma reconhece o direito a apuração e ressarcimento do crédito sobre essas mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 do NCM. · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS Vide item acima. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 11 10 No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303 005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303 006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303 006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303 006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303 006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303 005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303 005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303 005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303 005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 12 11 Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 13 12 Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Fl. 721DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 14 13 Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 15 14 Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 16 15 Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E Fl. 724DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 17 16 COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição Fl. 725DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 18 17 essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] Fl. 726DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 19 18 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 20 19 (...)1 Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." (...) "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, discordo de sua conclusão, quanto ao enquadramento da atividade de cerealista, como atividade industrial, para efeito de gozo do crédito presumido da agroindústria do PIS e da Cofins, e, consequentemente, quanto ao ressarcimento/compensação do seu saldo credor trimestral. O contribuinte pleiteia créditos presumidos da agroindústria, a título de PIS e da Cofins, calculados sobre os custos das aquisições de produtos agrícolas in natura (soja e milho), beneficiados e vendidos por ele também in natura. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: 1 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do enquadramento da atividade de cerealista como atividade industrial e do consequente direito ao aproveitamento do crédito presumido da agroindústria (a título de PIS e Cofins), por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.593 (processo 13161.001374/200723). Fl. 728DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 21 20 I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, conforme demonstrados nos autos, o contribuinte não utilizou os produtos agrícolas, soja e milho, como matériasprimas para a fabricação de produtos derivados desses cereais. Não houve industrialização alguma. Os cereais foram adquiridos, beneficiados e comercializados in natura nos mercados interno e externo. De fato, o contribuinte exerceu apenas e tão somente as atividades de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os cereais, soja e milho, in natura, ou seja, exerceu atividade agrícola que se enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, citado e transcrito anteriormente, que veda, de forma expressa, o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tal atividade. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo. As mercadorias produzidas industrialmente devem ser destinadas à alimentação humana ou animal e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir as matériasprimas de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e/ ou de cerealista, conforme previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004. Quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do crédito presumido da agroindústria, ora reclamado, embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar tais créditos, demonstrase, a seguir, a falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: Fl. 729DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 22 21 "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receias decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, quanto ao aproveitamento de crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, e, consequentemente, não reconhecer o seu direito ao ressarcimento/compensação de tais créditos." Fl. 730DF CARF MF Processo nº 13161.001943/200733 Acórdão n.º 9303007.612 CSRFT3 Fl. 23 22 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 731DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.904301/2014-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 04 30 1/ 20 14 -5 5 Fl. 785DF CARF MF Processo nº 10983.904301/201455 Resolução nº 1402000.788 S1C4T2 Fl. 786 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo integralmente o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente requereu a análise dos documentos apresentados, alegou que esses confirmam o valor correspondente ao crédito, especialmente em função do princípio da verdade material, que norteia inúmeras decisões proferidas no procedimento administrativo fiscal. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o Acórdão, ora recorrido, em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório, com o entendimento que "a manifestante não juntou aos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para comprovar a redução de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF", portanto uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda passível de restituição/compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Inconformado com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, no qual requer a conversão do julgamento em diligência para manifestação do órgão fazendário acerca da documentação contábilfiscal juntada ao recurso, para comprovar a existência de crédito tributário. Argumenta em que pese o entendimento de que a Recorrente não tenha demonstrado seu direito creditório líquido e certo, tanto o poder judiciário como também o CARF tem prestigiado o princípio da Verdade Material, aceitando a juntada extemporânea, deliberandose por converter o julgamento em diligência, para que a Fazenda Nacional se manifeste sobre a juntada da documentação, objetivando respeitar procedimento processual, para posterior prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10983.904301/201455 Resolução nº 1402000.788 S1C4T2 Fl. 787 3 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto dele conheço. Em síntese, a recorrente alega que a documentação contábilfiscal apresentada comprova a existência do crédito tributário pleiteado. A recorrente requer a conversão do julgamento em diligência com fundamento no princípio da verdade material. Diante das alegações da recorrente e dos documentos apresentados, apresentase a necessidade de diligência para confirmar o referido crédito e verificar a (in)subsistência das compensações. Após a realização da diligência, prestados os esclarecimentos, poderá ser definitivamente formada a convicção necessária ao julgamento meritório deste feito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, remetendose os autos do presente feito à Unidade Local, para que: 1. Pronunciarse sobre a procedência das alegações/documentos apresentados pela recorrente, a confirmação do crédito alegado e a (in)subsistências das compensações. 2. Elaborar relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações claras. 3. Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 787DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.730127/2014-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Nos termos do Decerto 70.235, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS).
Em sua concepção original o stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime de opção de compra de ações por preço prefixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindo-lhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo inicialmente caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período pré determinado ao longo do curso do contrato de trabalho.
Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, qual seja, mera operação mercantil, seja, pela concessão de empréstimos, possibilidade de venda antecipada, troca de planos, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração.
PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). RENDIMENTO DO TRABALHO. FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA.
O fato gerador em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador (mesmo que na condição de salário utilidade), quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas.
O fato gerador do imposto sobre a renda ocorre automática e instantaneamente no momento da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, nele não interferindo qualquer atividade posterior do sujeito passivo ou ativo, ressalvadas as exceções legalmente expressas.
O valor relativo à outorga de Plano de Opção de Compra de Ações (stock options) a beneficiários eleitos pela Companhia integra os rendimentos tributáveis, pois é ofertado em função do trabalho em retribuição aos serviços prestados nas condições estipuladas pelo empregador.
As stock options configuram contrato suspensivo, na forma do art. 125 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), ocorrendo o acréscimo patrimonial relativo à outorga das opções de compra de ações no momento em que, findo o prazo de carência, o beneficiário exerce o direito à opção, adquirindo as ações pelo preço de exercício pré-estabelecido, inferior ao de mercado.
PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA. ASPECTO QUANTITATIVO DO FATO GERADOR. CRITÉRIO DISTINTO ELEITO PELA AUTORIDADE AUTUANTE.
Proventos são acréscimos patrimoniais não derivados da renda. Constitui provento a diferença positiva entre o valor de mercado da ação no dia do exercício da opção de compra e o valor pago pela opção. Eleito critério distinto pela autoridade autuante, torna-se insubsistente a autuação.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
É correta a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário, incluindo os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento, considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 2301-005.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o relator, que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
(assinado digitalmente)
Antônio Sávio Nastureles - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre EvaristoPinto, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Maurício Vital (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Extraordinária. Ausente justificadamente os conselheiros João Bellini Júnior e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Nos termos do Decerto 70.235, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). Em sua concepção original o stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime de opção de compra de ações por preço prefixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindo-lhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo inicialmente caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período pré determinado ao longo do curso do contrato de trabalho. Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, qual seja, mera operação mercantil, seja, pela concessão de empréstimos, possibilidade de venda antecipada, troca de planos, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). RENDIMENTO DO TRABALHO. FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA. O fato gerador em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador (mesmo que na condição de salário utilidade), quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas. O fato gerador do imposto sobre a renda ocorre automática e instantaneamente no momento da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, nele não interferindo qualquer atividade posterior do sujeito passivo ou ativo, ressalvadas as exceções legalmente expressas. O valor relativo à outorga de Plano de Opção de Compra de Ações (stock options) a beneficiários eleitos pela Companhia integra os rendimentos tributáveis, pois é ofertado em função do trabalho em retribuição aos serviços prestados nas condições estipuladas pelo empregador. As stock options configuram contrato suspensivo, na forma do art. 125 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), ocorrendo o acréscimo patrimonial relativo à outorga das opções de compra de ações no momento em que, findo o prazo de carência, o beneficiário exerce o direito à opção, adquirindo as ações pelo preço de exercício pré-estabelecido, inferior ao de mercado. PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA. ASPECTO QUANTITATIVO DO FATO GERADOR. CRITÉRIO DISTINTO ELEITO PELA AUTORIDADE AUTUANTE. Proventos são acréscimos patrimoniais não derivados da renda. Constitui provento a diferença positiva entre o valor de mercado da ação no dia do exercício da opção de compra e o valor pago pela opção. Eleito critério distinto pela autoridade autuante, torna-se insubsistente a autuação. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. É correta a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário, incluindo os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento, considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
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NULIDADE. Nos termos do Decerto 70.235, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). Em sua concepção original o stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime de opção de compra de ações por preço prefixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo inicialmente caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período pré determinado ao longo do curso do contrato de trabalho. Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, qual seja, mera operação mercantil, seja, pela concessão de empréstimos, possibilidade de venda antecipada, troca de planos, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). RENDIMENTO DO TRABALHO. FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA. O fato gerador em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador (mesmo que na condição de salário utilidade), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 01 27 /2 01 4- 90 Fl. 1423DF CARF MF 2 quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas. O fato gerador do imposto sobre a renda ocorre automática e instantaneamente no momento da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, nele não interferindo qualquer atividade posterior do sujeito passivo ou ativo, ressalvadas as exceções legalmente expressas. O valor relativo à outorga de Plano de Opção de Compra de Ações (stock options) a beneficiários eleitos pela Companhia integra os rendimentos tributáveis, pois é ofertado em função do trabalho em retribuição aos serviços prestados nas condições estipuladas pelo empregador. As stock options configuram contrato suspensivo, na forma do art. 125 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), ocorrendo o acréscimo patrimonial relativo à outorga das opções de compra de ações no momento em que, findo o prazo de carência, o beneficiário exerce o direito à opção, adquirindo as ações pelo preço de exercício préestabelecido, inferior ao de mercado. PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA. ASPECTO QUANTITATIVO DO FATO GERADOR. CRITÉRIO DISTINTO ELEITO PELA AUTORIDADE AUTUANTE. Proventos são acréscimos patrimoniais não derivados da renda. Constitui provento a diferença positiva entre o valor de mercado da ação no dia do exercício da opção de compra e o valor pago pela opção. Eleito critério distinto pela autoridade autuante, tornase insubsistente a autuação. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. É correta a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário, incluindo os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento, considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o relator, que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 18470.730127/201490 Acórdão n.º 2301005.761 S2C3T1 Fl. 1.411 3 (assinado digitalmente) Antônio Sávio Nastureles Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre EvaristoPinto, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Maurício Vital (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Extraordinária. Ausente justificadamente os conselheiros João Bellini Júnior e Reginaldo Paixão Emos. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física do ano/calendário 2010,exercício 2011, pois, segundo a autoridade fiscal apurouse remuneração adicional . De acordo com a autoridade fiscal: Ao analisar a DIRPF do Contribuinte, a fiscalização verificou que foram suficientemente comprovados os rendimentos de R$ 3.756.106,64 (Multiplan, CNPJ nº 07.816.890/000153), R$ 250.000,00 (Amil Participações), R$ 19.938,00 (Multiplan, CNPJ nº 42.330.522/000100) e R$ 17.933,36 (INSS). Da mesma forma restou demonstrado o vínculo do Contribuinte com as pessoas jurídicas pagadoras dos mencionados rendimentos, na condição de DiretorPresidente e Presidente do Conselho de Administração, membro do Conselho de Administração, Diretor Presidente e aposentado, respectivamente. Está assentado às fls. 1107/1008 do TVF que o Contribuinte (José Isaac Peres), além de sócio fundador da Multiplan Empreendimentos Imobiliários S/A, ocupa os cargos de DiretorPresidente e de Presidente do Conselho de Administração da referida sociedade empresária, reeleições ocorridas em 29/04/2008 e 30/04/2010, auferindo rendimentos do trabalho, os quais foram declarados, e “remuneração adicional apurada neste procedimento fiscal [...]”. Estes cargos e respectivas remunerações foram pactuados em 09/06/2006 entre o Contribuinte e “Ontario Inc.”, Multiplan Planejamento, Participações e Administração S/A, CAA Corretores Associados Ltda e Multiplan Empreendimentos Imobiliários S/A, por meio da CartaAcordo estabelecendo a permanência do Contribuinte no cargo de DiretorPresidente da Multiplan e suas subsidiárias pelo período mínimo de 5 (cinco) anos (julho de 2006 a junho 2011). Nesta CartaAcordo ficou estabelecido como remuneração fixa, o montante anual em reais equivalente a U$2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil dólares norte americanos), a ser pago mensalmente, em parcelas iguais, bem como remuneração variável de 5% (cinco por cento) do lucro líquido da MTE. Fl. 1425DF CARF MF 4 Em AGE realizada em 06/07/2007, a Multiplan Empreendimentos Imobiliários S/A aprovou Plano de Opções de Compra de Ações elegendo o Contribuinte o primeiro beneficiário das stock options, alterando a remuneração anual de U$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil dólares norteamericanos) para R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). Além disso, na AGE de 06/07/2007, a remuneração correspondente à participação de 5% no lucro líquido foi substituída integralmente para “uma única outorga de opção de compra de 1.497.773 (um milhão, quatrocentos e noventa e sete, setecentos e setenta e três) ações ordinárias de emissão da MTE (efls.. 193 sgts.), conforme prevista na cláusula 3.2.1 do Plano de Opção de Compras de Ações da MTE anexo à presente (SOP da MTE), mediante a qual as ações ordinárias objeto desta opção de compra poderão ser adquiridas por V. Sa. pelo preço de exercício de R$ 9,80 (nove reais e oitenta centavos) por ação após 180 dias (cento e oitenta dias) contados da data da conclusão da IPO da MTE [...]”. O TVF pontua que o Plano de Opção de Compra de Ações da MTE, aprovado na AGE de 06/07/2007, “concretizou uma política remuneratória de fomento ao trabalhador beneficiário, consubstanciada na retribuição pecuniária pelo trabalho exercido e direcionada ao cumprimento dos propósitos” da sociedade empresária empregadora. Assim, a autoridade fiscal enfatiza que o Contribuinte não comprou as stock options, não pagou o correspondente prêmio, mas as recebeu da outorgante, sob condições suspensivas, em 06/07/2007, em contraprestação aos serviços prestados como Diretor Presidente, imbuindose da expectativa de adquirir as 1.497.773 ações ordinárias da Companhia por preço bastante inferior ao praticado pelo mercado. O efetivo exercício das stock options ocorreu em 18/01/2010, dentro do prazo estabelecido e mediante o pagamento do preço previsto (R$ 9,80 cada ativo, corrigido monetariamente), bem inferior ao preço de mercado (R$ 30,58 cada ativo), completando, dessa forma, “o ciclo remuneratório e representou o aumento patrimonial decorrente do recebimento (gratuito) deste instrumento patrimonial”, ocorrendo, nesta data (18/01/2010), “o fato imponível ‘recebimento de remuneração’, sobre o qual incide o imposto de renda da pessoa física” – registro da fiscalização no tópico III.2.2.4 do TVF, fls. 1121/1122.. A Autoridade Lançadora conclui que o Sr. José Isaac, ao exercer em 18/01/2010 a opção de compra de 1.497.773 ações (stock options), recebeu R$ 24.562.821,21 em contraprestação aos serviços prestados à Companhia outorgante, caracterizando, portanto, recebimento de remuneração e acréscimo em seu patrimônio.. Após a impugnação a DRFB de Julgamento em Brasília manteve a autuação e o contribuinte apresentou recurso à este conselho onde reitera as argumentações da impugnação que em sínteses são: Preliminarmente requer a nulidade da decisão de primeira instância por entender que não houve a análise do plano Multiplan; Considerações Prévias Entende ser necessário fazer esclarecimento prévio acerca do conceito de “Planos de Opção de Compra de Ações (Stock Options) no Brasil”. Menciona o artigo 168 da Lei nº 6.404/1976 (LSA) e afirma que são três os requisitos presentes na legislação para implantação de um Plano de Opção de Compra de Ações no Brasil: Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 18470.730127/201490 Acórdão n.º 2301005.761 S2C3T1 Fl. 1.412 5 1. a existência de previsão expressa no estatuto da companhia; 2. a observância do limite de capital autorizado, conforme aprovação da assembléia geral; e 3. a concessão somente poderá alcançar os colaboradores da companhia ou aqueles que prestam serviços a ela ou a sociedade sob seu controle. É equivocado o entendimento da Fiscalização no sentido de que o §3º do artigo 168 da LSA traria a natureza remuneratória dos planos de opções de compra de ações, porque a outorga de opções para colaboradores está inserida no capítulo referente ao capital autorizado das companhias e, no texto do dispositivo legal em apreço, não há qualquer menção a um possível caráter remuneratório, mas sim, a mera autorização para a outorga de stock options. Os Planos instituídos pela Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A. buscaram a atração e retenção de talentos alinhados ao crescimento e melhoria no desempenho da Companhia, mediante a concessão de uma possibilidade de cada titular dos Planos tornarse parte do negócio (compartilhamento de riscos), mediante o exercício de opções de compra de ações que lhes permita a aquisição de participação acionária, atrelada a um contrato mercantil de compra e venda de ações. Tratase de um investimento dos colaboradores de determinada companhia, cuja aquisição envolverá o dispêndio de recursos próprios, não caracterizando como remuneração recebida e, por conseguinte, não há que se falar na existência do critério quantitativo para a base de cálculo do IRPF. Diz ser pacífico o entendimento da Justiça do Trabalho no sentido de que os Planos de Opções de Compra de Ações não representam remuneração – Agravo de Instrumento. Recurso de Revista (Autos do Processo nº TSTAIRR2086/2001070014.4, 3ª Turma, Julgado em 05/09/2009 – g.n.). Da mesma forma a Justiça Federal de São Paulo decidiu que o plano de opção de ações (stock options) oferecido aos empregados não tem caráter retributivo e não representa remuneração pelo trabalho prestado – Sentença preferida nos autos da Ação Ordinária nº 002109058.2012.4.03.6100 (Dje. em 29/10/2013 – g.n.). Pontua que não há incremento de patrimônio ao participante enquanto não se perfaz o vesting (carência) e mesmo depois deste enquanto não exercida a opção e alienada com ganho a ação adquirida. O exercício do direito à aquisição das ações (onerosidade), depois do prazo de carência, depende de um ato de vontade exclusivo do titular da opção (voluntariedade), sendo somente ele quem pode decidir por realizar o investimento. Eventual ganho somente poderá ser auferido após o exercício da própria opção e apenas na hipótese de eventual alienação posterior do ativo (ação) por valor superior ao preço de exercício da opção (risco), mas nunca antes da alienação. Discorre sobre as “principais características” da Outorga de Opções de Compra de Ações no caso concreto – prêmio, período de carência, preço de exercício e prazo de validade das opções –, cujos momentos foram sintetizados “na linha do tempo” exposta no corpo da peça de resistência, fls. 1143/1144. Fl. 1427DF CARF MF 6 O recorrente repisa argumentos acerca das características da Outorga de Opções – voluntariedade e onerosidade, período de carência, ausência de ganho decorrente do trabalho, expectativa de direito de adquirir ações no futuro (contrato mercantil entre o Contribuinte e a Companhia), ausência de acréscimo patrimonial decorrente das opções que são inegociáveis (não podem ser confundidas com uma opção de mercado ou qualquer outro ativo financeiro) em razão das condições suspensivas contidas no Plano. Segundo a defesa, a leitura do Plano revela que, embora as opções outorgadas ao Impugnante sejam do tipo americano, o direito não nasce, necessariamente, de forma incondicional no momento da outorga. Características Essenciais – Contrato/Relação Mercantil – Requisitos no Caso Concreto Rebate a conclusão da Autoridade Fiscal que caracterizou como remuneração as stock options pelo fato de as opções terem sido outorgadas sem o pagamento de prêmio, uma vez que o desembolso ocorre no exercício das opções, ou na subscrição das ações, em que há um pagamento efetivo realizado pelo trabalhador em favor da Companhia. Em sentido contrário, assevera que a outorga de opções de compra de ações – dotadas das características de onerosidade, voluntariedade e risco – é considerada uma relação meramente mercantil, onde são estabelecidas todas as condições para que a opção seja efetivada pelos Participantes do Plano criado pela Companhia, por isso a classificação como contratos/relações mercantis destinados à formalização de uma modalidade de investimento. A própria fiscalização reconhece o efetivo desembolso ao mencionar que o recorrente assinou o Boletim de Subscrição das 1.497.773 em 18/01/2010, pelo preço unitário de R$ 11,06, e posteriormente, em 02/02/2010, efetuou o pagamento de R$ 16.565.369,38 – item 79 do TVF. Chama atenção o fato de que uma das principais premissas que nortearam o trabalho fiscal passa pelo fato de que a CartaAcordo que regia as relações do Impugnante com a Multiplan foi alterada após a aprovação do Plano, na AGE de 06/07/2007. De fato houve a alteração de cláusulas da CartaAcordo, no entanto, para estipular novos valores para a remuneração anual (alínea “a”), que seriam reduzidos de US$ 2,4 milhões para R$ 1,2 milhão, supressão da cláusula que previa a remuneração variável de 5% do lucro líquido da Companhia, e a criação de uma nova cláusula onde foi registrada a outorga de opções de compra de ações ocorrida em 06/07/2007. A nova cláusula, em momento algum, menciona que as opções de compra de ações fazem parte da remuneração e não está inserida em nenhum contesto que permita qualquer interpretação nesse sentido. O fato de o preço de exercício fixado (R$ 9,80) ser consideravelmente inferior ao valor da primeira distribuição pública de ações (R$ 25,00 determinado por meio do procedimento de bookbuilding) não desqualifica o caráter mercantil das opções outorgadas ao Contribuinte, tendo em vista que o preço estabelecido é uma mera estimativa do que o mercado estaria disposto a pagar pelas ações. Considerase, ainda, que a Multiplan não possuía ações negociadas em Bolsa na época em que houve a outorga das opções ao Impugnante, de modo que não há um histórico pregresso de negociações das suas ações, aumentando os riscos do outorgado. Menciona que Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 18470.730127/201490 Acórdão n.º 2301005.761 S2C3T1 Fl. 1.413 7 ainda antes do momento de exercício por parte do Impugnante, após o vencimento do período de carência das opções, as ações chegaram a ser negociadas a R$ 8,60. A aquisição de um bem, ainda que sob alguma vantagem financeira, como a ausência de pagamento de prêmio nas opções outorgadas ao Impugnante, jamais poderá ser considerada como remuneração. Os elementos relacionados à contabilidade mencionados no TVF (disposições do CPC 10 e notas explicativas da Companhia), para tentar subsidiar a tese de que as opções de compra de ações outorgadas ao Impugnante seriam remuneração, não tem relevância para fins de investigação da natureza jurídica no caso em apreço. Ressalta que as normas expedidas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (tal qual o CPC Nº 10, aprovado pela CVM por meio da Deliberação nº 562/2008), se prestam tão somente a regulamentar a forma de sua escrituração contábil pela Companhia, sem implicações fiscais para a pessoa jurídica, e menos ainda para a pessoa física. Recorre a decisões do CARF e a ensinamentos de doutrinadores para reforçar os argumentos expostos. Finaliza afirmando que o caráter mercantil que lastreia os Planos de Stock Option afasta a classificação da outorga de opções como instrumento utilizado com fins remuneratórios, razão pela qual a autuação merece ser cancelada. Direito Ao apontar “Descabimento da tributação pelo IRPF das Opções de Compra de Ações Quando do Exercício do Direito pelo Impugnante”, aduz que embora a fiscalização tenha adotado a data de exercício da opção, 18/01/2010, como o momento da ocorrência do fato gerador, utilizou base de cálculo que corresponde ao valor justo das opções outorgadas em 06/07/2007, valor registrado em 2008 para efeitos contábeis. Amparase no texto do inciso II, alínea a, do artigo 49 da Instrução Normativa RFB nº 1.022/2010 para ressaltar que, no caso em discussão, se houvesse um fato gerador, este não seria aquele que foi eleito pela fiscalização (exercício das opções de compra de ações – 18/01/2010), mas, sim o momento da venda das ações adquiridas a partir das opções de compra de ações, motivo pelo qual não poderá prevalecer o lançamento, sob pena de ofensa à sistemática de apuração dos ganhos no mercado de opções. Discorre sobre o conceito de renda e o regime de caixa informador do IRPF. Anota que o Impugnante, no momento do exercício das opções, paga somente pela aquisição da ação, inexistindo qualquer disponibilidade passível de ser tributada. Não há qualquer informação nos autos de que o Impugnante alienou as suas ações no mesmo dia do exercício, motivo pelo qual não há que se falar em ganho no momento eleito pela Fiscalização. No que concerne às pessoas físicas, aplicase o chamado regime de caixa, pelo qual somente se impõe o Imposto de Renda no momento em que há efetiva disponibilidade de recursos financeiros (ou disponibilidade econômica) para o seu pagamento – artigo 38 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999). No caso presente não há que se falar nem em disponibilidade econômica, nem em jurídica, na medida em que só haverá renda tributável e fato gerador do Imposto sobre a Renda quando da venda efetiva no mercado à vista das ações adquiridas. O raciocínio defendido pela Fiscalização implica desrespeito ao disposto na Fl. 1429DF CARF MF 8 Instrução Normativa RFB nº 1.022/2010, bem como ao conceito de renda e ao regime de caixa, observância imprescindível para a tributação das pessoas físicas. Apenas para argumentar, caso seja mantida a autuação, deve ser garantido o direito de o Impugnante retificar o custo das ações adquiridas no âmbito do plano de opções de compra de ações em questão – composto pela soma do preço de exercício das opções e do valor justo das opções de compra de ações. Da mesma forma, na hipótese de desfecho desfavorável ao Impugnante, deve ser garantido também o direito à restituição/compensação dos valores recolhidos a maior a título de ganho de capital apurado quando alienou as ações adquiridas em razão do plano em fevereiro de 2010 (DIRPF 2011 e DARF anexos – doc. 03 e 04.). Equívocos na Apuração da Base de Cálculo do IRPF Registra que a opção outorgada ao Impugnante sequer possuía um valor, por isso a adoção do valor justo como base de cálculo – registro contábil de despesa por parte da Companhia – não pode ser base de cálculo para o IRPF. Não é possível afirmar que as opções, por não serem negociáveis, representam um bem que se incorpora e acresce ao patrimônio do recorrente, seja no momento do exercício, seja em qualquer outro momento. A precificação do ativo para aferir o valor justo, para fins contábeis, parte da premissa de que tais opções seriam similares a uma opção negociada livremente no mercado. O que se afere é o valor justo para fins de controle contábil da Companhia e não o premio de uma opção outorgada no âmbito de um programa de stock option, pois inexiste prêmio neste modelo de opção. Reforça que eventual ganho somente é percebido após a alienação das ações adquiridas. Assim, a base de cálculo eleita na autuação (inexistente) não serve à mensuração do fato tido como tributável, uma vez que não há correlação entre a base de cálculo e o fato supostamente tributável (recebimento de opções de compra de ações). A base de cálculo utilizada no lançamento foi o valor correspondente à despesa contabilizada pela Companhia decorrente do fato de que não houve o pagamento de “prêmio” para a aquisição das opções de compra de ações pelos participantes dos Planos. Dessa forma, não se tem uma opção gratuita e sim uma opção que foi equiparada às negociadas no mercado. Em razão dessa equiparação das opções oferecidas aos funcionários às de mercado é que não se justifica a utilização de técnicas de avaliação e precificação para ativos que não possuem parâmetros de negociação. Se algo deixou de ser pago, esse valor deve ser o praticado pelo mercado e não valores estimados (valor justo, registro da despesa pela Companhia para atender às normas contábeis, especialmente as contidas no CPC 10). A utilização de “médias ou técnicas de avaliação” somente seria justificável caso se concluísse que não foram negociadas opções de compra de ações da Multiplan no período em que foram realizadas as outorgas. Registra que a base de cálculo adotada considerou o valor da outorga, mas é exigida em momento diverso, pois, no entendimento da fiscalização, o negócio jurídico convencionado possui uma cláusula que impõe condição suspensiva para a efetiva implementação do negócio. Assim, o fato imponível ocorreria após o exercício da opção de compra, mas tendo como base de cálculo um fato diverso, ocorrido em momento anterior – na outorga das opções. Ao afirmar que a remuneração é incompatível com estimativas e que a base de cálculo do IRPF deve ter como base valores certos e determinados, o recorrente demonstra, às fls. 1165, comparação entre o critério utilizado nesta autuação com precedentes do CARF Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 18470.730127/201490 Acórdão n.º 2301005.761 S2C3T1 Fl. 1.414 9 (Acórdãos 2401003.044, 2401003.045 e 2301003.597), acrescentando que “adotandose os mesmos critérios para a apuração da base de cálculo aceita como correta nos paradigmas, temos como consequência a improcedência do presente auto de infração por incompatibilidade da base de cálculo eleita pela Fiscalização no presente caso”. A contradição dentro da própria Receita Federal ao analisar os Planos de Stock Options não permite outra conclusão que não a de que, na legislação atualmente vigente, não há espaço para a tributação das opções de compra de ações e/ou do seu exercício pelo IRPF, por não amoldarem à hipótese de incidência. Incompatibilidade do Fato Gerador Eleito A Fiscalização presumiu que o recorrente teria sido remunerado por meio de opções de compra de ações no momento do exercício da opção, sendo esse o momento do fato gerador, reconhecendo, dessa forma, que o fato imponível decorre e um evento de exclusiva vontade do recorrente (voluntariedade) – o Contribuinte poderia ter escolhido receber a remuneração 180 dias após o IPO – a partir de 23/01/2008, e o fez apenas em 18/01/2010, quase dois anos após o vencimento da carência –, pois a opção de compra de ações nasce, na sua outorga, como mera expectativa de direito sem um conteúdo econômico mensurável. Ocorre que a remuneração não pode depender da vontade de quem a recebe, pois é previamente pactuada entre as partes e é paga ao final da prestação de serviços, independentemente da vontade do prestador. Após o vesting, o recorrente passa a deter o direito de exercício, que depende de um ato de sua vontade e do preenchimento de determinadas condições (sua permanência no cargo ou a antecipação do vencimento). No entanto, a apreciação econômica somente ocorrerá caso o recorrente aliene a ação subjacente à opção por preço superior ao preço de exercício da opção, sendo que o valor eventualmente a ser recebido será pago pelo adquirente das ações e não pela Companhia. O valor justo da opção de compra (que não representa de maneira real o valor das opções e não serve para quantificar o serviço prestado pelos trabalhadores) foi utilizado apenas e tão somente para fins de atender às normas contábeis as quais a Multiplan, por ser uma Companhia aberta, estava sujeita. Reitera que os elementos necessários à configuração do fato gerador não estão concretizados no presente caso, não se sustentando, consequentemente, a exigência do IRPF. Reafirma que o momento escolhido para a ocorrência do fato gerador está equivocado. Seguindo as premissas adotadas pela Fiscalização, o correto seria que a autoridade lançadora “tivesse determinado que, no momento da outorga, o vínculo entre as partes está formado e não há qualquer condição suspensiva, uma vez que o direito (adquirir opções de compra de ações) já foi adquirido, nada interferindo no objeto da contratação entre as partes o fato de o titular vir a exercer ou não a opção”. Se houvesse fato gerador e a sua base de cálculo fosse a outorga, mesmo assim o lançamento deverá ser cancelado, pois as opções foram outorgadas ao recorrente em 07/07/2007 e o Auto de Infração lavrado apenas em 01/12/2014, passados mais de cinco anos da ocorrência do suposto fato gerador, o que não pode ser admitido, sob pena de ofensa ao artigo 150, §4º, do CTN. Fl. 1431DF CARF MF 10 Por coerência, se a suposta remuneração ocorreu em razão de o prêmio estipulado ser zero, o fato gerador teria se concretizado naquele momento e não quando do exercício da opção de compra das ações. São momentos distintos e fatos distintos. Ao utilizar como base de cálculo o valor justo das opções, esperavase que esse valor tivesse sido recalculado para a data da ocorrência do suposto fato gerador. E se isso tivesse sido feito, a base de cálculo do IRPF teria sido diferente, já que o valor justo das opções oscila de acordo com os fatores externos de momento. Resta demonstrado ao menos que, ou o Fisco elegeu o momento errado para a ocorrência do fato gerador – deveria remeter à outorga das opções e não ao exercício –; ou adotou uma base de cálculo imprópria – o valor justo das opções na data do exercício e não da outorga. Observa que, mesmo que se entenda correta a conduta da Fiscalização, deveria ter aplicado o disposto no artigo 52 da IN nº 971/2009, o qual determina que o fato gerador das contribuições previdenciárias é o momento do creditamento (no caso, nos termos do CPC 10, ocorre mês a mês, durante o período de carência). Iliquidez e Incerteza do Pretenso Crédito Tributário Invoca o artigo 142 do CTN e lições doutrinárias para reiterar que os equívocos cometidos, especialmente aqueles que afetam o fato gerador e a base de cálculo do IRPF, evidenciam a ausência de liquidez e certeza do lançamento originário do presente processo administrativo. Entende que o lançamento deve ser cancelado. Ilegalidade de Incidência dos Juros Sobre a Multa Salienta que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. Amparase nos artigos 5º, II, e 37 da Constituição Federal, artigo 3º do CTN, artigo 13 da Lei nº 9.065/1995, artigo 84 da Lei nº 8.981/1995, decisões administrativas e lições da doutrina. Requer o reconhecimento da nulidade do Acórdão recorrido ou a reforma integral deste cancelando o auto de infração e extinguindose os créditos exigidos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Da Nulidade. O contribuinte traz questionamento acerca da nulidade do auto do Acórdão guerreado, alegando a ausência de análise do plano Multiplan. Pois bem, há de se constatar que Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 18470.730127/201490 Acórdão n.º 2301005.761 S2C3T1 Fl. 1.415 11 todos os requisitos previstos no art. l0 do Decreto n" 70.235/ l972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de in fração, a saber: Art10. O auto de infração será lavado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; VI .a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. No tocante aos aspectos relativos à nulidade dos atos que compõem o processo fiscal, destaquese o estabelecido pelo artigo 59, do Decreto n" 70.235, de 6 de março de l972: Art. 59. São nulos. I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa Da leitura dos dispositivos acima transcritos, concluise que o Auto de Infração só poderá ser declarado nulo se lavrado por pessoa incompetente ou quando não constar, ou nele constar de modo errôneo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito de defesa. No caso em tela, observase que o auto de infração contém os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. l0 do Decreto n. 70.235/72, bem como Acórdão restou devidamente fundamentado, não ensejando declaração de nulidade. Ademais, referido plano foi objeto de minuciosa análise pela autoridade lançadora conforme se verifica no Termo de Verificação Fiscal. Desta forma, não merece prosperar a alegação de nulidade do Acórdão suscitada pelo recorrente. Do Mérito Entendeu a autoridade fiscal que ao exercer o direito de outorga de opção de compra de ações da empresa Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A. o recorrente recebeu remuneração sobre a qual deveria ter recolhido Imposto de Renda. Por seu turno o recorrente defende o caráter mercantil das stock options sobre as quais não devem incidir IRPF. Fl. 1433DF CARF MF 12 Inicialmente temos que Stock Option Plan (Plano de Opção de Compra de Ações) representa um plano que determina regras e critérios para outorga a determinador trabalhadores da possibilidade de aquisição de ações da empresa. A opção por ações proporciona ao beneficiário o direito de compra de ações por uma valor prédeterminado, após um período de carência previamente determinado (permanência na empresa) e a possibilidade de vendêlas no mercado de capitais auferindo lucro. No ordenamento jurídico brasileiro, a opção de compra de ações esta prevista no § 3º do artigo 168 da Lei nº 6.404/76, verbis: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social, independente de reforma estatutária. Parágrafo 3º. O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite do capital autorizado, e de acordo com o plano aprovado pela assembléia geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou à sociedade sob seu controle. As stock options em si são mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime opção de compra de ações por preço préfixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento não tendo caráter salarial, mas sim um incentivo ao trabalhador após um período pré determinado ao longo do curso da prestação de serviços. De modo diverso dos prêmios, que são concedidos de forma gratuita, bastando o atingimento de metas, ou situação particular da prestação de serviços, no stock options o trabalhador pode ou não obter benefícios, e caso a opção lhe seja vantajosa, terá que pagar o preço de exercício estipulado, donde o seu caráter oneroso, afastaria a pretensão de reconhecimento da natureza de prêmio do plano de compra de ações. Assim, a Stock Option representa um plano que determina regras e critérios para outorga a determinador trabalhadores da possibilidade de aquisição de ações da empresa. O objetivo deste plano é a retenção dos empregados considerados “talentos” da empresa e a busca de resultados por meio de uma parceria entre os acionistas e empregados da empresa. Este procedimento encontrase previsto no art. 168, § 3º da Lei nº 6.404/76, (A Lei das Sociedades Anônimas) ou seja, não se trata de um artifício criado pelas empresas com intuito de disfarçar a remuneração de seus colaboradores. Para que os planos se enquadrem na regra contida no dispositivo acima mencionado é necessário que sejam cumpridos alguns requisitos, dos quais dois são essenciais e obrigatórios: a onerosidade e o risco. Sobre este aspecto, não há impedimento de que a empresa busque meios de satisfazer e oferecer atrativos aos seus colaboradores, desde que tais incentivos estejam devidamente resguardado por Lei. Em artigo escrito por Adriana Carrera Calvo, para trazer a definição de stcok options, observase um ponto de destaque que afastaria o entendimento tido pela autoridade fiscal,: (...) Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 18470.730127/201490 Acórdão n.º 2301005.761 S2C3T1 Fl. 1.416 13 Em geral, o plano de “stock options” contém os seguintes elementos: (1) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (2) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (3) termo de opção – prazo máximo para o exercício da opção de compra da ação (“expiration date”): O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. Neste aspecto, vale destacar que o referido valor do desconto ou prêmio não pode ser tão significativo que elimine o risco da operação futura, pois implicaria em gratuidade na concessão do plano, critério típico do salárioutilidade. (grifei) (...) Ora, é inerente ao plano de opções que haja um desconto entre o preço de mercado atual e o valor a ser oferecido aos beneficiários. Se não, qual seria a finalidade de a empresa elaborar um plano para oferecer as ações? Se for para obter uma ação ao preço de mercado, basta que o interessado vá direto a uma corretora e adquira quantas ações quiser junto a Bolsa de Valores. Sobre este aspecto, não há impedimento de que a empresa busque meios de satisfazer e oferecer atrativos aos seus colaboradores, desde que tais incentivos estejam devidamente resguardado por Lei. Da forma como é tratado pela fiscalização e pela decisão recorrida, os planos de stcok options sempre se caracterizariam como remuneração indireta. Creio que não foi essa a intenção do legislador ao inserir o art. 168, § 3º da Lei nº 6.404/76 que, claramente lhe conferiu caráter mercantil. Para afastar esse caráter dado pela lei, deve ser demonstrada a ausência dos requisitos inerentes ao plano. DO DESVIRTUAMENTO DO PLANO Como dito acima, para afastar o caráter remuneratório de um plano de stock options é necessário que se cumpra os requisitos legais. No presente caso, entendo que não houve o cumprimento de um desses requisito ao passo que se verifica o acordo pactuado entre o recorrente e a empresa Multiplan para sua permanência no cargo de Diretor Presidente pelo prazo de 5 anos. Nos termos desse acordo, o recorrente fazia jus a uma remuneração fixa anual de US$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil dólares norteamericanos) e a uma remuneração variável de 5% do lucro líquido da companhia depois de descontados os impostos. Um ano após esse acordo, foi aprovado o plano de opção de compra de ações da Multiplan, que teve o recorrente como seu primeiro beneficiário, tendo a AGE de aprovação do plano estabelecido “os novos termos da remuneração de José Isaac Peres, na qualidade de Diretor Presidente da Companhia, os quais incluem opção de compra de ações, exercível nos termos de tal instrumento e da cláusula 3.2.1 do Plano de Opção de Compra de Ações da Companhia Fl. 1435DF CARF MF 14 Transcrevemos abaixo o trecho desse acordo: (a) Fica estabelecido que a partir da data da realização da Oferta Pública Inicial de ações ordinárias da MTE ("IPO da MTE”), a remuneração anual, prevista no item (ii) do Contrato de Serviços, passará a ser R$1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), valor a este a ser ganho e pago mensalmente em parcelas mensais iguais. (b) Fica estabelecido que a partir da data da realização da IPO da MTE, a remuneração variável prevista na Clausula (iii) do Contrato de Serviços será integralmente substituída por uma única outorga de opção de compra de 1.497.773 (um milhão, quatrocentas e noventa e sete, setecentas e setenta e três) ações ordinárias de emissão da MTE, conforme prevista na cláusula 3.2.1 do Plano de Opção de Compra de Ações da MTE anexo à presente ("SOP da MTE"), mediante a qual as ações ordinárias objeto desta opção de compra poderão ser adquiridas por V. Sa. pelo preço de exercício de R$9,80 (nove reais e oitenta centavos) por ação após 180 dias (cento e oitenta dias) contados da data da conclusão da IPO da MTE. Ora, fica nítido nesse acordo que houve uma alteração na forma de REMUNERAR o recorrente que fez a opção de diminuir sua remuneração fixa e de trocar a remuneração variável via participação nos lucros líquidos por uma outorga de opção de compra de ações, tudo dentro das práticas de negociação de salários comuns a executivos do porte do recorrente. Ou seja, fica latente que, neste caso específico, que as stock options são oferecidas como vantagem adicional à remuneração básica, como um atrativo para que os executivos trabalhem e continuem trabalhando na companhia, quer dizer, são oferecidas pelo trabalho. Outro fato é que o Plano não era estendido a todos os trabalhadores indistintamente, mas apenas àqueles considerados “elegíveis” pela empresa. Assim, apenas alguns empregados e altos executivos, determinados nominalmente pela companhia poderiam auferir a vantagem. Desta forma entendo como desvirtuado o plano não cabendo razão ao recorrente. DO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR e DA BASE DE CÁLCULO O recorrente argumentando que não houve pagamento ou mesmo ganho, e portanto, a verba não poderia constituir salário de contribuição, sendo indevida o lançamento em relação a este período. Sustenta ainda erro na eleição da data da ocorrência do fato gerador. Sem razão ao recorrente. Uma vez identificado que houve um desvirtuamento no plano de opção realizado entre o recorrente e a empresa Multplan, cabenos definir qual o valor e data da ocorrência do fato gerador. Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 18470.730127/201490 Acórdão n.º 2301005.761 S2C3T1 Fl. 1.417 15 Entendo que momento em que houve o direito de opção (com o efetivo exercício) pela ações ocorreu, sim, o fato gerador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda a terceiro, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva compra das ações sobre o preço de exercício, valor inferior aquela oportunidade ao preço de mercado, representando um ganho direto do trabalhador. Devemos, identificar que remuneração não é representada apenas por pecúnia, mas qualquer ganho, mesmo na forma de utilidades, como o caso de aquisição de ações. Conforme demonstrado acima, houve o desvirtuamento do stock options em sua natureza inicial, qual seja, mera operação mercantil, razão pela qual procedeu o auditor ao lançamento do ganho real, (diferença entre o preço de exercício e o preço no momento da opção pela compra de ações.). De um modo geral, o plano de “stock options” contém alguns elementos: (a) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (b) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (c) termo de opção – prazo máximo para o exercício da opção de compra da ação (“expiration date”): O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. Ao fornecer o benefício ao trabalhador, inclusive com a conseqüente possibilidade de venda imediata, como enfatizado pelo auditor (donde se extrai dos contratos), ofertou a recorrente ao trabalhador um ganho indireto, cuja definição da base de cálculo deuse sobre o ganho auferido pelo beneficiário, seja ele advindo do embolso financeiro ou do ganho a forma de utilidade. Assim, o momento da ocorrência do fato gerador, foi com a concretização da opção, auferindo um ganho indireto (o direito de compra), até poderemos nos deparar com situações em que o empregado nunca realizasse essa venda. Ou seja, não é a possibilidade de venda das ações e o ganho dela resultante que determina o momento da ocorrência, mas o exercício das ações. As razões acima exposadas também afastam a alegação de iliquidez e incerteza do credito lançado, razão pela qual as rejeito. Ilegalidade de Incidência dos Juros Sobre a Multa Sobre este aspecto a aplicação de juros sobre multa de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Assim, fazendo parte do crédito junto com o tributo, devem ser aplicados a multa os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. No mesmo sentido, manifestouse por maioria a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 Fl. 1437DF CARF MF 16 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 18470.730127/201490 Acórdão n.º 2301005.761 S2C3T1 Fl. 1.418 17 O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Fl. 1439DF CARF MF 18 Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN. 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Logo, entendo plenamente aplicável a incidência de juros sobre a multa de ofício, conforme demonstrado na decisão acima transcrita, a qual adoto como razão para determinar a procedência da multa aplicada. DOS VALORES RECOLHIDOS A TÍTULO DE GANHO DE CAPITAL Embora entenda como correto o lançamento, verificase que a fiscalização deixou de observar os valores já recolhidos a título de ganho de capital. Desta forma cabe razão ao recorrente no sentido de que tenha que haver o aproveitamento dos valores já recolhidos abatendoos do levantamento. Deve ser observado neste aspecto, a diferença entre o valor da venda como o valor do exercício das opções. Ante ao exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL para que sejam aproveitados os valores recolhidos a título de ganho de capital. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Voto Vencedor Conselheiro Antonio Sávio Nastureles. 1. No julgamento deste processo, o entendimento majoritário levou em consideração critério estabelecido sobre a apuração da apuração da base de cálculo, equivalente à diferença entre o valor de mercado das ações (vigente no momento do efetivo exercício) e o valor efetivamente despendido pelo beneficiário (vigente no momento da opção). 1.1. Tal critério foi analisado pelo Colegiado ao tempo em que foi exarada a decisão corporificada no Acórdão nº 2301005.752 (data de sessão: 08/11/2018), de que se transcreve a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010, 2011 PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA. ASPECTOS TEMPORAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR. Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 18470.730127/201490 Acórdão n.º 2301005.761 S2C3T1 Fl. 1.419 19 Proventos são acréscimos patrimoniais não derivados da renda. Constitui provento a diferença positiva entre o valor de mercado da ação no dia do exercício da opção de compra e o valor pago pela opção. O fato gerador do imposto ocorre no momento em que a ação passa a acrescer o patrimônio do contribuinte e corresponde ao exercício da opção de compra. (Acórdão nº 2301005.752 data de sessão: 08/11/2018) 2. Detendose no caso em exame, registrese que a abordagem feita no voto produzido pelo Eminente Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, relator deste processo encontrase precisa no que respeita ao aspecto temporal do fato gerador. Peço vênia para repisar trecho do voto vencido: Entendo que momento em que houve o direito de opção (com o efetivo exercício) pela ações ocorreu, sim, o fato gerador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda a terceiro, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva compra das ações sobre o preço de exercício, valor inferior aquela oportunidade ao preço de mercado, representando um ganho direto do trabalhador. Devemos, identificar que remuneração não é representada apenas por pecúnia, mas qualquer ganho, mesmo na forma de utilidades, como o caso de aquisição de ações. Conforme demonstrado acima, houve o desvirtuamento do stock options em sua natureza inicial, qual seja, mera operação mercantil, razão pela qual procedeu o auditor ao lançamento do ganho real, (diferença entre o preço de exercício e o preço no momento da opção pela compra de ações.). (...) Assim, o momento da ocorrência do fato gerador, foi com a concretização da opção, auferindo um ganho indireto (o direito de compra), até poderemos nos deparar com situações em que o empregado nunca realizasse essa venda. Ou seja, não é a possibilidade de venda das ações e o ganho dela resultante que determina o momento da ocorrência, mas o exercício das ações. 3. Cabe, salientar, contudo, que na apuração da base de cálculo, a autuação, em vez de se pautar pelo critério estabelecido no Acórdão nº 2301005.752 (subitem 1.1 supra), optou por adotar abordagem diferenciada, ao eleger para o caso em tela, o valor justo das opções de compra de ações recebidas da Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A. . 3.1. Para propiciar a compreensão do critério elegido pela autoridade autuante, fazse a transcrição do tópico intitulado "Momento de Ocorrência do Fato Gerador e Base de Cálculo" (efls 1121/1124) inserto no Termo de Verificação Fiscal(TVF): III.2.2.4. Momento de Ocorrência do Fato Gerador e Base de Cálculo 101. Neste item do presente Termo de Verificação Fiscal abordarseá relevante questão, que é o momento de ocorrência do fato gerador "recebimento de remuneração", no caso concreto. Fl. 1441DF CARF MF 20 102. Primeiramente, devese registrar que o contribuinte, Sr. José Isaac, não comprou as stock options (se as tivesse comprado, teria pago o correspondente prêmio),' mas as recebeu da Companhia outorgante, ^sob condições suspensivas (ver parágrafo 78), em 06/07/2007, em contraprestação aos serviços prestados como DiretorPresidente. 103. Neste momento (06/07/2007) o contribuinte se imbuiu da expectativa de, no prazo de exercício estipulado, adquirir as 1.497.773 ações ordinárias da Companhia por preço significativamente inferior ao preço de mercado (R$9,80 cada ativo, corrigido monetariamente). 104. Como já foi dito, superado o prazo de carência (período entre a outorga, 06/07/2007, e 180 dias contados da primeira IPO da Companhia) e dentro do de exercício, em 18/01/2010 esta expectativa foi concretizada, com o exercício voluntário, por ele; das opções de compra de 1.497.773 ações ordinárias da Companhia, pelo preço préfixado (R$9,80 cada ativo, corrigido monetariamente), que estava aquém do preço de mercado (R$30,58 nesta data). 105. Tornase claro que o efetivo exercício, pelo Sr. José Isaac, das stock options, em 18/01/2010 voluntário, dentro do prazo estipulado e mediante o pagamento dp preço previsto completou o ciclo remuneratório e representou o aumento patrimonial decorrente do recebimento (gratuito) deste instrumento patrimonial. 106. Em outras palavras, apesar de ele ter recebido as stock options em 06/07/2007 e de ele poder exercêlas desde 23/01/2008, 0 efetivo exercício destas, em 18/01/2010, consubstanciou a remuneração e, por conseguinte, o acréscimo patrimonial tributável. 107. É importante se destacar que, por suas características peculiares (proibição de utilização em qualquer tipo de operação financeira, seja em proveito do Sr. José Isaac ou de terceiros, conforme cláusula 10.5 do "Plano", transcrita no parágrafo 68, supra), e por estar o direito do contribuinte sujeito a condições suspensivas, podese afirmar que as stock options só foram disponibilizadas juridicamente ao contribuinte (só acresceram seu patrimônio) no momento em que eles as exerceu. 108. Adotar entendimento diverso (ocorrência, de fato gerador em momento anterior ao do exercício das stock options) seria atribuir ao contribuinte remuneração que ele efetivamente não recebeu, pois, se o Sr. José Isaac, por decisão pessoal, não exercesse suas opções de compra, estas teriam caducado sem que ele tivesse auferido a remuneração e, assim, sem que ele tivesse experimentado aumento em seu patrimônio. 109. Podese afirmar, assim, que o fato "exercer as stock options" constitui requisito para que a remuneração (e o consequente aumento patrimonial desta decorrente) efetivamente se realize. 110. Portanto, o fato imponível "recebimento de remuneração", sobre o qual incide o imposto de renda da pessoa física, ocorreu em 18/01/2010. 111. Recordese ainda que, na seara do IRPF, aplicase a seguinte disposição legal: Lei n° 8.134/90: "Art. 2°O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos . de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. " 1 112. Salientese, por fim, que o momento, subsequente ao exercício das stock options isto é, subsequente à ocorrência do fato gerador , em que.o trabalhador beneficiário tornase proprietário das ações subjacentes às stock options e as negocia livremente, é irrelevante para a presente análise, que se foca na ocorrência do fato imponível "recebimento de remuneração".' Assim, após o exercício das stock options, quaisquer outros negócios realizados pelo beneficiário que resultem em lucro ou em prejuízo provêm de relação jurídica distinta, formada entre o titular/alienante e o novo adquirente das ações.' 1 O art. 2o. parágrafo segundo, do RIR/99 corrobora esta prescrição legal: "(...)§ 2° O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85 {Lei ¡34. de 27 de dezembro de ¡990. art. 2‐J." Página 22 de 26 Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 18470.730127/201490 Acórdão n.º 2301005.761 S2C3T1 Fl. 1.420 21 113. Com o intuito de recapitulação e síntese, destacase, novamente, que o Sr. José Isaac: 113.1. recebeu as stock options em 06/07/2007 (momento "outorga"), como parte de sua remuneração pelo exercício do cargo de DiretorPresidente da Multiplan. Empreendimentos Imobiliários S.A., com fulcro na CartaAcordo" e no "Plano" (já analisados em detalhes); 113.2. cumpriu as condições suspensivas, temporal (180 dias contados da primeira IPO da Companhia) e de trabalho (permanecer como DiretorPresidente desta) e 113.3. exerceu as stock options, que recebera em contraprestação a seu trabalho, em 18/01/2010 (momento "fato gerador"), quando ele, concretamente, auferiu seu rendimento do trabalho previsto na cláusula (iii) da "CartaAcordo" (em sua redação de 06/07/2007), o que consubstancia o fato imponível do IRPF. 114: Os seguintes documentos, fornecidos pelo Sr. José Isaac em atendimento ao termo n° 01 Início de Procedimento Fiscal, registram o exercício das stock options por ele: 114.1. documento de fls. 206, por meio do qual em .07/01/2010 "o contribuinte comunicou à Companhia a intenção de exercício deste direito; 114.2. ata da Reunião do Conselho de Administração, realizada em 18/01/2010, na qual se aprovou a emissão de 1.497.773 ações ao preço unitário de R$11,06 e o aumento do capital social em R$16.565.369,00 erh virtude do exercjcio da opção de compra de ações pelo contribuinte (cláusulas 4 ii e 4 iii), entre outras deliberações (fls. 207/208); 114.3. Boletim de Subscrição, de 18/01/2010 (fls. 209); 114.4. extrato bancário (Banco Bradesco S.A., Agência 3232, Conta 637823) demonstrativo do . pagamento de R$16.565.369,38, em 02/02/2010 (fls.'11) e 114.5. Escrituração Contábil Digital da Multiplan Empreendimentos Imobiliários SA, do mês de janeiro de 2010, com o lançamento, em 20/01/2010, da subscrição das novas ações nas contas "1101021001 CLIENTES DIVERSOS" (débito) e "2102100102 CAPITAL SOCIAL SUBSCRITO", no valor de R$16.565.369,38212: 115. Definido o momento de ocorrência do fato gerador, passase à análise da base de cálculo do imposto de renda que será lançado. 116. A remuneração auferida pelo Sr. José Isaac Peres com as opções de compra de ações outorgadas a ele pela "Companhia" corresponde ao valor justo deste instrumento patrimonial, cuja mensuração foi feita pela Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A. com base no método BlackScholes3 e em conformidade com as prescrições da Deliberação CVM n° 562/2008, que aprova o CPC 10, cujo inciso II traz disposição transitória que abrange os instrumentos patrimoniais remuneratórios (ações, opções de compra de ações e outros) existentes no final do exercício de 2008. 117. Em resposta aos Termos n° 01 Intimação Fiscal, de 18/06/2014, e n° 02 Intimação Fiscal, de 04/08/2014, lavrados na Diligência Fiscaí efetuada na Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A., ela informou que: 2 A escrituração contábil digital da Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A. foi requisitada (fis. 1092) e trouxe os seguintes lançamentos: Data* Cód.Conta Conta D/C Valor Histórico 20/01/2010 1101021001 CLIENTES DIVERSOS D ' 16.565.369,38 Fatura cliente FATURA CLIENTE /FATURA 20/01/2010 2102100102 CAPITAL SOCIAL SUBSCRITO c 16.565.369,38. Fatura cliente FATURA CLIENTE /LANCAMENT.EM CREDITO 3 Tratase. em simplíssima definição, de equação matemática desenvolvida e utilizada para a precificação de opções de compra de ações, com a precisão possível, partindo da premissa que toda opção de compra de ações negociáveis é implicitamente precificada. Fl. 1443DF CARF MF 22 117.1. no final do exercício de 2008 registrou os efeitos contábeis das opções de compra de ações outorgadas no exercício de 2007, já que, conforme a Deliberação CVM n° 565, de 17/12/2008 (que aprovou o Pronunciamento Técnico CPC 13), passou a aplicar as novas regras contábeis, estabelecidas pela Lei n° 11.638, de 28/12/2007, a partir de 31/12/2007; 117.2. "(...) mensurou o valor justo, determinado pelo método BlackScholes, nas outorgas de opção de compra de ações concedidas.até 31/12/2007, dentre elas a do Sr. José Isaac Peres, e reconheceu o montante de R$24.24.579.708,45. (...) na conta de "lucros acumulados" (2303010100) em contrapartida à conta de "opções outorgadas reconhecidas" (2302010203)" e 117.3. deste montante, R$24.562.821,20 correspondem ao valor justo das opções de compra de ações dadas ao contribuinte, Sr. José Isaac, e são o produto da multiplicação do número de stock options concedidas (1.497.773) pelo valor justo de cada uma destas (R$16,40), definido por meio da utilização do método BlackScholes. 118. Para demonstrar o cálculo deste valor justo unitário, a Diligenciada apresentou, no corpo de sua cartaresposta ao Termo n° 02 Intimação Fiscal, a seguinte tabela: , Data de Outorga Preço de Mercado Preço de Exercício Volatilidad e Mensal Dividend Yeld Período Esperado . de Exercício Taxa de Juros Valor Justo 06/07/07 R$ 25,00 R$11,35 48,88% 1,70% 3,25 anos 12,10% a.a R$ 16,40 119. O CPC 10, tratando da mensuração da remuneração paga por meio de instrumentos patrimoniais (ações, opções de compra de ações e outros), diz que "(...) Em função da dificuldade de mensuração direta do valor justo dos serviços recebidos, a entidade deve mensurálos de forma, indireta, ou seja, deve tomar o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados como o valor justo dos serviços recebidos.", (trecho do item 12). 120. Lembrese que o Sr. José Isaac não comprou as stock options se as tivesse comprado, teria pago o prêmio de R$24.562.821,20 (valor justo) , mas as recebeu, em contraprestação aos serviços prestados à Companhia outorgante, e as exerceu em 18/01/2010 (data em que efetivamente ocorreu o fato imponível "recebimento de remuneração", consubstanciado pela disponibilidade jurídica das stock > options e consequente/concomitante acréscimo patrimonial). 121. Outrossim, certamente e hipoteticamente , se em 18/01/2010 o contribuinte tivesse adquirido 1.497.773 ações ordinárias da Companhia no mercado de capitais, em simples operação mercantil desvinculada de seu contrato laboral, teria pago por estes ativos mobiliários o preço unitário de mercado (R$30,58). 122. Ocorre que, in casu', em face do valor justo das opções de compra de ações recebidas pelo contribuinte como parte de sua remuneração (expressamente prevista ná "CartaAcordo"), ele, ao exercêlas, pagou pelas ações ordinárias preço unitário vultosamente inferior ao que pagaria no mercado de capitais (R$11,06, que é o preço de exercício corrigido monetariamente). 123. Assim, o montante de sua remuneração, não. informada na ficha "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica pelo Titular" da DIRPF 2011, correspondente ao valor justo das stock options (R$24.562.821,20), que foi metodicamente apurado pela Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A. 124. Em sintonia com o raciocínio exposto, em seu trabalho, anteriormente citado, Andrea Gonçalves Silva assevera que 4 : Uma análise apurada dos planos de stock options demonstra que o ativo econômico oferecido ao trabalhador pela empresa são as opções de compra de ações, e não as ações subjacentes a essas opções. (...) 4 Op. cit. . Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 18470.730127/201490 Acórdão n.º 2301005.761 S2C3T1 Fl. 1.421 23 Com efeito, as opções de compra de ações são outorgadas pela companhia ao trabalhador de forma gratuita, ou seja, o obreiro não paga à empresa o prêmio que todos os demais titulares de opções sobre ações pagam, para terem assegurados os direitos de optar se compram, ou não, as ações que lastreiam as opções, nas condições anteriormente previstas. (...) O trabalhador paga pelas ações, sendo que as opções lhe são dadas gratuitamente pelo empregador, como retribuição pelo trabalho prestado. (...) (grifamos) III.2.3. Conclusão 125. Conforme os fatos e as verificações fiscais já expostos e com base nos documentos que embasam o trabalho desenvolvido neste procedimento fiscal, concluise que, no anoçalendário 2010, o contribuinte omitiu, em sua DIRPF 2011 (anocalendário 2010), rendimentos tributáveis, correspondentes a R$24.562.821,20, que é o valor justo das opções de compra de ações recebidas da Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A., como parte de sua remuneração. 4. Não obstante a minuciosa fundamentação inserta a partir do item 115 do TVF (efls 1123), o entendimento majoritário dos Conselheiros deste Colegiado firmou como critério no caso de exigência do IRPF, posicionamento similar àquele que tem prevalecido para a exigência de contribuições previdenciárias, em que a base de cálculo se apura mediante a diferença entre o valor de mercado na data do efetivo exercício e o preço no momento do exercício das opções. 5. Afigurase elucidativo complementar essa exposição, com a devida permissão do Conselheiro João Maurício Vital, transcrevendose parte do voto vencedor proferido no Acórdão nº 2301005.752 acima citado: O fato gerador do Imposto sobre a Renda ou Proventos de Qualquer Natureza é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica. A renda é o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os proventos são acréscimos patrimoniais que não sejam renda5. Para efeito de se estabelecer o aspecto temporal do fato gerador, portanto, devese identificar o momento em que houve o acréscimo ao patrimônio do sujeito passivo, caracterizandose, assim, a percepção de proventos. Esse momento, no caso de stock options, ocorre quando o sujeito passivo exercita o direito que lhe foi outorgado e adquire as ações. A partir de então, mesmo que, eventualmente, haja limitações para que as ações sejam negociadas, elas já integram o patrimônio sujeito passivo, que passa a ter direito a dividendos, pode alugálas, entram na sucessão, podem ser penhoradas e dadas em garantia; enfim, estão sujeitas a várias conseqüências da propriedade. Entendo, ainda, que eventual cláusula de limitação temporária de venda das ações recebidas não torna condicionado o negócio jurídico, pois a tradição dos títulos terá ocorrido e dela decorrerão os efeitos jurídicos próprios. Portanto, ainda que haja cláusula de lock up, não vejo, na espécie, a hipótese do inc. I do art. 117 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Uma vez exercida a opção, ela não será desfeita e, por conseguinte, a situação estará Fl. 1445DF CARF MF 24 definitivamente constituída, nos termos do inc. II do art. 116 do mesmo diploma6. Quanto ao aspecto quantitativo do fato gerador, entendo que corresponde ao quantum acrescido ao patrimônio do indivíduo. Esse valor é o preço de mercado da ação no dia do exercício da opção, pois é por esse montante que o título passa a compor o ativo do beneficiado e é, inclusive, o curso histórico para efeito de apuração de eventual ganho de capital quando e se o ativo for vendido. Porém, como no caso dos autos, em havendo valores pagos para o exercício da opção eles devem ser abatidos do preço de mercado do ativo adquirido, isso porque os pagamentos para o exercício da opção são eventos permutativos que alteram apenas qualitativamente o patrimônio, sem aumentálo. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 6. Em vista do exposto e do posicionamento majoritário deste Colegiado em relação ao aspecto quantitativo do fato gerador, verificase a insubsistência da autuação pelo equívoco na apuração da base de cálculo, e por isso decidiuse por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio Sávio Nastureles Redator designado. Fl. 1446DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910114/2012-16
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 27/10/2011
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa, Müller Nonato Cavalcanti Silva
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa, Müller Nonato Cavalcanti Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 01 14 /2 01 2- 16 Fl. 230DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 18323.02767.260112.1.3.048209 com aproveitamento de suposto pagamento a maior do PIS no valor R$ 26.018,47, referente ao período de apuração (PA) de set/08. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que é prestadora de serviços no ramo de engenharia, tendo como tomadora o Grupo Petrobrás, acumulando créditos com as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades exercidas. Aduz que a sistemática não cumulativa da COFINS e do PIS pretendeu desonerar a cadeia produtiva, ao permitir que sejam descontados créditos referentes às aquisições, efetuadas no mês, de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, conforme dispõe o artigo 3º da Lei 10.833/03. Para comprovar a regularidade dos créditos, anexa o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais retificador, Declaração de Débitos e Créditos retificada e Pedido de Compensação – Per/Dcomp. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu decisão cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 27/10/2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA, DEVIDAMENTE ESCRITURADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13896.910114/201216 Acórdão n.º 3003000.108 S3C0T3 Fl. 3 3 retificação dos valores dos tributos devidos constantes de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, argumentando, em síntese: 1 que a compensação se deu com créditos existentes, demonstrados pela retificação dos DACON´s; 2 que houve apenas erro material nas informações em DCTF, fato que pode ser comprovado pelas informações apresentadas nos DACON´s, devendose observar o princípio da verdade material; 3 que a natureza do crédito pleiteado está comprovada em "todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes" que trouxe aos autos com o recurso voluntário. A recorrente aduz, ainda, que "todos os documentos contábeis e fiscais poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". É o relatório. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários de titularidade do contribuinte. Conforme o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. Fl. 232DF CARF MF 4 No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido, eletronicamente, Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Na impugnação, a recorrente sustentou erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito informado foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de contribuição social a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação, infirmando as declarações originais. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração contábil fiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a contribuição devida era realmente menor do que o valor constante nas declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalou a decisão a quo, para que os dados declarados em DACON fossem tidos como corretos, infirmando aqueles informados em DCTF e demonstrando a certeza e liquidez do crédito a compensar, deveria a recorrente ter apresentado documentos que corroborassem a apuração do tributo declarado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos originalmente apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Sobre ônus da prova em compensação de créditos transcrevo entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, a qual me curvo para adotála neste voto: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." No caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a Recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13896.910114/201216 Acórdão n.º 3003000.108 S3C0T3 Fl. 4 5 necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. Em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação os quais podem representar, de certo modo, uma forma de contrapor as razões consignadas na decisão recorrida, aplicandose, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os documentos apresentados, observase que a recorrente não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Explico. Apesar de ter trazido aos autos diversas notas fiscais, a recorrente deixou de apresentar escrituração contábilfiscal e demonstrativos de apuração a fim de justificar a retificação do DACON e DCTF. De fato, não há, nos autos, provas que demonstrem a natureza e extensão de eventuais créditos que pudessem reduzir seus débitos apurados e informados nas declarações originais. Nesse sentido, a simples juntada de notas fiscais variadas, sem qualquer explicação e demonstração de como influenciam a apuração das contribuições sociais, não é suficiente para comprovar e elucidar os fundamentos da retificação realizada no DACON e DCTF. Para comprovar seu direito, a recorrente deveria ter apresentado demonstrativo de apuração das contribuições sociais, contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido, indicando todos os documentos que comprovem sua natureza e valor, e demonstrando sua escrituração contábilfiscal. Do material probatório apresentado, não há como saber a natureza e extensão de eventuais deduções na apuração da contribuição social de que resultou o crédito pleiteado nos autos. Não há demonstrativo de apuração, não há escrituração contábil e fiscal, não há elucidação analítica para explicar a suposta redução do débito informado nas declarações retificadas. Sublinhese que notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, quando desacompanhadas de outros elementos que demonstrem sua escrituração e, sobretudo, seu cômputo na apuração do tributo devido, não possuem força probatória para demonstração de direito creditório oponível à fazenda pública. A compensação tributária impõe a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. A recorrente, apesar de juntar notas fiscais diversas sem documentos contábeis e fiscais que demonstrem sua escrituração , não faz qualquer vinculação de tais notas a eventuais contas de despesas dedutíveis no regime da nãocumulatividade que poderiam servir para a redução do tributo devido. No caso dos autos, ocorreu simples juntada de notas fiscais avulsas, desacompanhadas de escrituração contábilfiscal e de esclarecimentos analíticos para demonstrar seu eventual impacto na apuração do tributo devido. A recorrente deveria ter apresentado descrição minuciosa da apuração da contribuição social, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova do direito creditório alegado: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido. Em seu recurso, a recorrente aduz que "disponibiliza todos os documentos contábeis e fiscais", os quais "poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". Quanto a tal questão, registrese que a recorrente teve toda a possibilidade de Fl. 234DF CARF MF 6 apresentação dos citados documentos em seu recurso. Não o fez. Neste caso, ocorreu a preclusão do direito de apresentar prova documental além daquela trazida no recurso voluntário. Por fim, no tocante ao pedido de sustentação oral formulado no Recurso Voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito negarlhe provimento. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator (assinado digitalmente) Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.724057/2017-52
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. ALEGAÇÃO DE ISENÇÃO.
Para fazer jus à isenção, o recorrente deve provar as duas condições cumulativas. Inteligência da Súmula CARF nº 63.
Numero da decisão: 2002-000.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. ALEGAÇÃO DE ISENÇÃO. Para fazer jus à isenção, o recorrente deve provar as duas condições cumulativas. Inteligência da Súmula CARF nº 63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 40 57 /2 01 7- 52 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10480.724057/201752 Acórdão n.º 2002000.753 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 61/62) contra decisão de primeira instância (fls. 48/51), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Trata o presente de Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 35 a 44) relativa ao exercício 2014, ano calendário 2013, pela qual o imposto a restituir declarado, R$ 7.253,98, foi reajustado para R$ 0,01. Conforme consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento, foi apurada a infração Omissão de Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação Exclusiva no valor de R$ 81.360,00. De acordo com a Fiscalização (fl. 39): Conforme Sentença referente ao Processo Judicial 0001.1999.0015549/00 – TJPE, os rendimentos decorrem de qüinqüênios, estabilidade financeira, adicional de região inóspita, adicional de risco de vida, e gratificação por localização fiscal. Segundo Dirf apresentada pela fonte pagadora Pernambuco Tribunal de Justiça, CNPJ 11.431.327/000134, os rendimentos acumulados totalizaram R$ 81.360,00, com IRPF de R$ 7.253,99, contribuição à Previdência Oficial de R$ 10.422,13, e número de meses de 15,5. Segundo a Certidão de Óbito juntado à fl. 7, a contribuinte faleceu no dia 08/08/2016. A Notificação de Lançamento foi recebida em seu domicílio fiscal em 08/05/2017, conforme AR de fl. 45. Em 16/05/2017, a filha da contribuinte apresentou a impugnação de fl. 3 e a declaração de fl. 4, nas quais alega, em síntese: que o rendimento recebido é proveniente de Alvará Judicial; que sua mãe, a época do recebimento, em 2013, já se encontrava na condição de isenta do IR por ser portadora de moléstia grave (câncer), da qual veio a falecer em agosto de 2016; não possui mais o primeiro atestado que comprovava a sua doença; consta da certidão de óbito, ora apresentada, que a causa mortis foi concinoma mama metastático; não existe procuração da mesma para qualquer pessoa; o inventário ainda não foi aberto, razão pela qual não existe ainda um representante legal. Juntou os documentos de fls. 5 a 20. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo a improcedência do auto de infração, na parte impugnada. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10480.724057/201752 Acórdão n.º 2002000.753 S2C0T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 14/11/2017 (fls. 56/58); Recurso Voluntário protocolado em 07/12/2017 (fl. 61), assinado pela filha. Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Omissão de Rendimentos Recebidos Acumuladamente. Relata o Sr. AFR, que “conforme Sentença referente ao Processo Judicial 0001.1999.0015549/00 –TJPE, os rendimentos decorrem de quinquênios, estabilidade financeira, adicional de região inóspita, adicional de risco de vida, e gratificação por localização fiscal. Segundo Dirf apresentada pela fonte pagadora Pernambuco Tribunal de Justiça, CNPJ 11.431.327/000134, os rendimentos acumulados totalizaram R$ 81.360,00, com IRRF de R$ 7.253,99, contribuição à Previdência Oficial de R$ 10.422,13, e números de meses de 15,5”. A r. decisão entendeu que a contribuinte não atendeu aos “dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada na lei”. Irresignada a contribuinte maneja recurso próprio combatendo o mérito, trazendo documentos. A recorrente carreou aos autos o documento de fl. 63, do Ministério do Trabalho e Emprego – Delegacia Regional do Trabalho em Pernambuco – Serviço de Logística e Administração – Setor de Benefício e Assistência Médica, onde o laudo é conclusivo que a contribuinte se aposentaria por invalidez. O laudo médico à fl. 64, diz que a recorrente é portadora do CID C508, ocorre que este laudo não é Oficial, e sim feito por clínica particular. Nesta quadra de entendimento, a r. decisão revisanda há de ser mantida, por seus próprios fundamentos. Registro, por relevante, que a isenção de imposto de renda aos portadores de neoplasia maligna são para os proventos de aposentadoria ou reforma, sendo que no caso dos autos os valores auferidos pela contribuinte se referiam a quinquênios, estabilidade financeira, adiciona de região inóspita, adicional de risco de vida e gratificação por localização fiscal, não fazendo jus ao benefício fiscal pretendido. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10480.724057/201752 Acórdão n.º 2002000.753 S2C0T2 Fl. 5 4 Virgílio Cansino Gil Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13956.000253/2009-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
Deve ser restabelecido parte do imposto de renda retido na fonte informado na declaração, quando comprovado a retenção e recolhimento.
PRECLUSÃO DIREITO DE PLEITO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Decreto nº 70.235 de 06 de Março de 1972, art 17.
Numero da decisão: 2001-001.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Jorge Henrique Backes que lhe dava provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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COMPROVAÇÃO. Deve ser restabelecido parte do imposto de renda retido na fonte informado na declaração, quando comprovado a retenção e recolhimento. PRECLUSÃO DIREITO DE PLEITO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Decreto nº 70.235 de 06 de Março de 1972, art 17. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Jorge Henrique Backes que lhe dava provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 00 02 53 /2 00 9- 82 Fl. 162DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2008, anocalendário de 2007, por meio da qual foi constatada suposta dedução indevida de imposto retido na fonte. Sendo assim, o saldo de imposto a restituir foi alterado de R$4.730,72 para R$3.135,02. O interessado foi cientificado da notificação, e contesta arguindo que recebeu o montante final aproximado de R$ 20.000,00 decorrente da reclamatória trabalhista ajuizada contra a empresa Spaipa S/A Indústria Brasileira de Bebidas. No ano calendário 2004 recebeu o valor de R$6.000,00, sofrendo a retenção de imposto de renda no valor de $1.764,07 e em 2006 recebeu o valor de R$13.000,00 sofrendo, igualmente, a respectiva retenção do tributo. Em 2007, esclarece que declarou em DIRPF a segunda parcela recebida da reclamatória trabalhista e o correspondente IRRF, aproveitando, na ocasião, para informar a também a retenção de imposto sofrida no ano calendário 2004. Justifica o procedimento afirmando que naquele ano calendário não obteve rendimento mínimos que o obrigasse a apresentar DIRPF, de modo que não poderia pleitear a retenção ocorrida em 2004 no exercício correspondente. Ao final, pediu a restituição do imposto de renda glosado. A DRJ Curitiba, no decorrer da análise dos fatos, deixa claro seu entendimento no sentido de que a compensação do imposto de renda retido só pode ser realizada pelo declarante na DIRPF que corresponda ao ano calendário em que percebeu os rendimentos, restando inadmissível a compensação de tributo retido em 2004 conjuntamente com os rendimentos recebidos no ano calendário de 2006. Urge esclarecer ao contribuinte que o fato de se encontrar desobrigado de apresentar DIRPF 2005, não o impede, nos termos do art. 1, §4º da Instrução Normativa SRF 507/2005, de apresentála com o intuito de reaver o imposto de renda retido antecipadamente pela fonte pagadora. Aliás, em casos dessa natureza, está é a única via correta para obter a restituição, nos termos do art. 9º da Instrução Normativa SRF 600/2005, em vigor a época dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte traz razões diversas das apresentadas anteriormente, arguindo agora que deveria ter direito a restittuição integral do imposto de renda retido na fonte por se tratar de indenização, cuja natureza jurídica seria de mera reposição patrimonial pela perda do vínculo laboral. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Da preclusão e da compensação do IRRF Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13956.000253/200982 Acórdão n.º 2001001.037 S2C0T1 Fl. 3 3 Merece que seja abordado, logo de inicio, os limites que circundam essa lide. Como se verifica dos autos, na impugnação o contribuinte questiona tão somente que o IRRF no valor de R$1.764,07 relativo ao ano calendário 2004, por ocasião do recebimento da parcela trabalhista no valor de R$6.000,00 pode ser compensado na DIRPF 2007 conjuntamente com IRRF sofrido em 2006 quando declarou o restante do rendimento pago por determinação de decisão trabalhista. Para balizar seu entendimento, explica que não teve oportunidade de pleitear a restituição em 2004, pois no exercício de 2005 não preenchia nenhuma das condições de obrigatoriedade de apresentação da DIRPF. Esse foi o ponto devolvido à DRJ , o qual foi devidamente analisado. Ocorre que eu sede de Recurso Voluntário, o contribuinte, através de seu advogado, aborda outras questões não levantadas no momento oportuno. Nesta senda, merece trazer a baila a norma contida no Decreto nº 70.235 de 06 de Março de 1972, o qual dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências, deixando muito claro no seu art 17 a questão da preclusão. Vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Ou seja, quando não impugnada a matéria no momento devido, ocorre a preclusão, que pode ser definida como a extinção da faculdade de se praticar determinado ato processual devido já haver ocorrido a oportunidade para realizálo. Segundo Luiz Rodrigues Wambier, em sua obra Curso Avançado de Processo Civil, preclusão é “um fenômeno exclusivamente processual, vinculado a idéia de que passo a passo os atos processuais vão acontecendo subseqüentemente no processo, realizando o modelo procedimental que se tenha adotado em cada caso.” Ou seja, cada ato há um momento próprio para ser executado, no qual o processo pode ser comparado a uma caminhada, uma verdadeira seqüência lógica de atos, no qual o baseia o posterior e assim sucessivamente. Cada fase superada serve de sucedâneo para fase seguinte, uma vez passada à fase posterior, não é mais dada à oportunidade de retornar a anterior, não sendo mais permitido discutir questões que já foram superadas. O principio da preclusão está diretamente ligado ao principio da eventualidade, no qual a parte ré deverá alegar na contestação toda matéria de defesa com a qual impugna o pedido do autor sob pena de ser impedido de fazêlo posteriormente ( norma destacada no art. 300 do Código de Processo Civil). Sendo assim, este colegiado analisará tão somente a matéria devolvida para análise pelo impugnante, qual seja a compensação do imposto de renda retido, que só pode ser realizada pelo declarante na DIRPF que corresponda ao ano calendário em que percebeu os rendimentos, restando inadmissível a compensação de tributo retido em 2004 conjuntamente com os rendimentos recebidos no ano calendário de 2006. Fl. 164DF CARF MF 4 Nesta senda entendo que deve ser trazido à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Neste diapasão, verificando os argumentos claros e inequívocos trazidos pela fiscalização e DRJ na decisão a quo, no sentido de que o fato de se encontrar desobrigado de apresentar DIRPF 2005, não impede o Recorrente, nos termos do art. 1, §4º da Instrução Normativa SRF 507/2005, de apresentála com o intuito de reaver o imposto de renda retido Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13956.000253/200982 Acórdão n.º 2001001.037 S2C0T1 Fl. 4 5 antecipadamente pela fonte pagadora (alias, esta é a única via correta para obter a restituição, nos termos do art. 9º da Instrução Normativa SRF 600/2005, em vigor a época dos fatos), entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e mantida a decisão nos exatos moldes definidos pela DRJ Curitiba. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903894/2013-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.641
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 38 94 /2 01 3- 27 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº01033.571.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.626): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta em 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2017 (sextafeira) (fl. 142). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2017 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 28 (vinte e oito) de março de 2017 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 30 (trinta) de março de 2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903894/201327 Acórdão n.º 3402005.641 S3C4T2 Fl. 3 3 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
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