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Numero do processo: 18050.003581/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/04/2005
DECADÊNCIA. ENUNCIADO 8 DE SÚMULA VINCULANTE STF. LEI COMPLEMENTAR 128/2008.
São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5°. do Decreto -Lei n. 1.569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
As regras de decadência de créditos de natureza tributária (incluídos as contribuições previdenciárias) são aquelas estabelecidas no CTN.
VALE-TRANSPORTE. DESCONTO POR DIA ÚTIL EFETIVAMENTE TRABALHADO. POSSIBILIDADE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O desconto total do vale-transporte deve ser de até 6% (seis por cento) do salário básico/vencimento do empregado. Superado esse teto, é o empregador que deve arcar com excedente.
O valor a ser pago a título de vale-transporte pode proporcional ao número de dias efetivamente trabalhados por cada empregado/trabalhador dentro do mês.
O vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, tem natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 2402-007.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ENUNCIADO 8 DE SÚMULA VINCULANTE STF. LEI COMPLEMENTAR 128/2008. São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5°. do Decreto Lei n. 1.569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. As regras de decadência de créditos de natureza tributária (incluídos as contribuições previdenciárias) são aquelas estabelecidas no CTN. VALETRANSPORTE. DESCONTO POR DIA ÚTIL EFETIVAMENTE TRABALHADO. POSSIBILIDADE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O desconto total do valetransporte deve ser de até 6% (seis por cento) do salário básico/vencimento do empregado. Superado esse teto, é o empregador que deve arcar com excedente. O valor a ser pago a título de valetransporte pode proporcional ao número de dias efetivamente trabalhados por cada empregado/trabalhador dentro do mês. O valetransporte, qualquer que seja a forma de pagamento, tem natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 35 81 /2 00 8- 77 Fl. 379DF CARF MF Processo nº 18050.003581/200877 Acórdão n.º 2402007.072 S2C4T2 Fl. 380 2 conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em face da DecisãoNotificação Delegacia da Receita Previdenciária Salvador (BA) que julgou procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.791.1091 valor total de R$ 2.246.725,01 P.A 01/1997 a 04/2005 com fulcro em contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho SAT (para competências até 06/97), ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade Iaborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (para as competências a partir de 07/97) e, também, as destinadas aos terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), conforme discriminado no relatório fiscal. Irresignado com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação julgada improcedente pela Delegacia da Receita Previdenciária Salvador (BA). Cientificada da decisão da instância de piso, a impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário esgrimindo, em apertada síntese, preliminar de decadência, e, no mérito, estrita observância aos comandos contidos na Lei n. 7.418/85 e no Decreto n. 95.247/87 e impossibilidade de incorporação dos valores pagos a título de valestransporte ao salário de contribuição para cálculo das contribuições previdenciárias. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Muito bem. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 18050.003581/200877 Acórdão n.º 2402007.072 S2C4T2 Fl. 381 3 Em relação à preliminar de decadência, é oportuno destacar que, de fato, à época do lançamento encontravase vigente o art. 45 da Lei n. 8.212/1991, que estabelecia prazo decadencial de 10 (dez) anos para a constituição de crédito tributário relativo às contribuições à Seguridade Social. Ocorre que no julgamento do RE 559.943, em 12/06/2008 (DJE 182 de 26/09/2008) restou definida a tese de que são inconstitucionais o parágrafo único do art. 5o. do Decreto Lei n. 1.569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, consolidandose no Enunciado n. 8 de Súmula Vinculante STF. Posteriormente, a matéria viria a ser objeto da Lei Complementar n. 128, de 19 de dezembro de 2008, que, em seu art. 13, I, alínea "a", estabelece que, a partir de 22/12/2008, ficam revogados os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991. Nessa perspectiva, as regras de decadência de créditos de natureza tributária (incluídos as contribuições previdenciárias), passam a ser aquelas estabelecidas no CTN. Na espécie, considerandose que o período de apuração da autuação em litígio abrange as competências 01/1997 a 04/2005, é forçoso admitirse, de plano, o advento da decadência em face do lançamento consignado na NFLD DEBCAD n. 35.791.1091, observandose a regra geral do art.173, I, do CTN, nas competências 07/1997 a 11/1999, inclusive, vez que a exação foi constituída apenas em 12/08/2005. Não obstante as alegações da Recorrente quanto à ocorrência de pagamentos antecipados na rubrica objeto do lançamento em apreço, com o fito de atrair a incidência da regra especial do art. 150, § 4°., do CTN, bem assim do Enunciado n. 99 de Súmula CARF, não consta dos autos qualquer comprovante de recolhimento de contribuições previdenciárias que possa invocar a aplicação da regra especial de decadência, observandose que não cabe a este julgador presumir que tais recolhimentos, tendo em vista que na seara tributária o ônus da prova é de quem dela se aproveita. Assim, caberia à Recorrente trazer aos autos os comprovantes de recolhimentos de contribuições previdenciárias referentes ao período de apuração objeto do lançamento. Isto posto, reconheço a decadência do lançamento em apreço em face das competências até 11/1999, inclusive. No que diz respeito às questões de mérito, a Recorrente concentra as sua argumentações na estrita observância aos comandos contidos na Lei n. 7.418/85 e no Decreto n. 95.247/87, reclamando uma interpretação teleológica dos referidos dispositivos no sentido de considerar os dias efetivamente laborados para fins de desconto do percentual a cargo dos seus empregados a título de valetransporte quando do pagamento das suas remunerações, bem assim que o valetransporte não se constitui em remuneração. Pois bem. Inicialmente, é oportuno destacar que resta comprovado nos autos que houve opção expressa dos empregados pelos valestransporte, que são distribuídos pela Recorrente proporcionalmente aos dias efetivamente trabalhados, havendo os valores correspondentes e respectivos ajustes transitados no contracheque (folha de pagamento). Fl. 381DF CARF MF Processo nº 18050.003581/200877 Acórdão n.º 2402007.072 S2C4T2 Fl. 382 4 O art. 28, § 9°., alínea "f", da Lei n. 8.212/1991, estabelece que a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria, não integra o salário de contribuição. O valetransporte foi instituído pela Lei n. 7.418/85 e regulamentado pelo Decreto n. 95.247/87, definindo um paradigma procedimental no qual o empregador fornecerá os vales a seus empregados para utilização efetiva em despesas de deslocamento residência trabalho e viceversa, através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal/interestadual, excluídos os serviços seletivos e os especiais. De se observar que a exclusão do valetransporte do saláriodecontribuição pressupõe o seu fornecimento de acordo com a legislação, sob pena de incidência de contribuição previdenciária. Desta forma, a concessão do valetransporte requer a participação obrigatória dos trabalhadores no custeio do benefício, mediante desconto de 6% de seu salário básico/vencimento. Na espécie, a autoridade lançadora constatou, mediante análise das folhas de pagamento de empregados, que a empresa efetuou, no período de apuração compreendendo as competências 01/1997 a 04/2005, desconto inferior a 6% do salário básico de seus empregados, vez que o desconto considerou o salário por dia útil trabalhado em que o empregado efetivamente se utiliza dos valestransporte, decorrendo um desconto em patamar inferior a 6% do salário básico de cada trabalhador. Ocorre que da leitura sistêmica do art. 4°., parágrafo único, da Lei n. 7.418/85, e dos arts. 9°., 10 e 11 do Decreto n. 95.247/87, depreendese, sem muito esforço cognitivo, que o percentual de 6% (seis por cento) sobre o salário básico/vencimento tratase de um valor de teto a ser descontado por ocasião do pagamento do salário ou vencimento do empregado, podendo, em situações específicas (v.g: férias, demissão, admissão, licenças justificadas com ausência do trabalho, ausências não justificadas, etc.), ser pago proporcionalmente ao número de dias efetivamente trabalhados por cada empregado/trabalhador dentro do mês, decorrendo assim valores inferiores àquele limite. É dizer: o desconto total do valetransporte deve ser de até 6% (seis por cento) do salário básico/vencimento do empregado. Superado esse teto, é o empregador que deve arcar com excedente. Cabe destacar ainda que o caput do art. 4°. da Lei n. 7.418/85 é bastante elucidativo ao definir a finalidade da concessão do benefício: aquisição pelo empregador dos valestransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa. Assim, não é para qualquer outro deslocamento do trabalhador que o valetransporte se destina. É apenas para o custeio do deslocamento no percurso residência trabalho e viceversa, o que restringe o seu pagamento as dias efetivamente trabalhados. Não obstante, sobre a natureza indenizatória do valetransporte, é oportuno resgatar o Parecer PGFN/CRJ n. 189/2016, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda DOU de 29/03/2016: [...] 5. Não obstante, o Pleno do STF, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP (não submetido ao rito do art. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 18050.003581/200877 Acórdão n.º 2402007.072 S2C4T2 Fl. 383 5 543B do CPC), em 10/03/2010, firmou o entendimento de que é inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em espécie, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o beneficio natureza indenizatória. De acordo com a Corte Suprema, ao admitirse que o valetransporte possa ter a sua natureza alterada pelo fato de ser pago em dinheiro importaria em relativizar o curso legal da moeda. Sendo assim, considerou que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em pecúnia a título de valetransporte afrontaria a Constituição em sua totalidade normativa. Eis a ementa do julgado: (grifei) EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o beneficio de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso nao afeta o caráter nao salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse beneficio ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido e padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório e qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para 0 cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; nao decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a titulo de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10103/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) 6. Em sequência, no julgamento de Embargos de Declaração,o STF, utilizando a técnica da declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, fez constar da conclusão do acórdao embargado a proclamação da "inconstitucionalidade da aplicação do art. 5° do Decreto n° 95.247/87 e do art. 4°, caput, da Lei n° 7.418/85 como fundamentos para a incidência de Fl. 383DF CARF MF Processo nº 18050.003581/200877 Acórdão n.º 2402007.072 S2C4T2 Fl. 384 6 contribuições previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte aos trabalhadores", sem qualquer modificação, portanto, do teor da deliberação anterior. [...] Na esteira do supra citado Parecer, a PGFN editou o Ato Declaratório n. 004/2016 determinando que nas ações judiciais fundadas no entendimento de que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia considerando o caráter indenizatório da verba. No mesmo diapasão seguiu a Secretaria da Receita Federal do Brasil consoante o entendimento consolidado na Solução de Consulta Cosit n. 146, de 27 de setembro de 2016, sumarizado na ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. A não incidência da contribuição está limitada ao valor pago em dinheiro estritamente necessário para o custeio do deslocamento residênciatrabalho e viceversa, em transporte coletivo, conforme prevê o art.1º da Lei nº 7.418, de 1985. Dispositivos Legais: Lei nº 10.522, de 2002, art. 19, inciso II e §4º; Ato Declaratório nº 4, de 31 de março de 2016, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Súmula AGU nº 60, de 8 de dezembro de 2011. Nessa perspectiva, considerandose a natureza indenizatória do vale transporte, são procedentes as alegações da Recorrente, impondose o cancelamento do lançamento em apreço em face das competências remanescentes 12/1999 a 04/2005, não alcançadas pela decadência, vez que não há que se falar de remuneração indireta a atrair a incidência de contribuições previdenciárias. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário) para RECONHECER A DECADÊNCIA das competências até 11/1999, inclusive, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, no sentido de cancelar o lançamento em face das competências remanescentes 12/1999 a 04/2005, não alcançadas pela decadência. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720913/2011-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
FATO GERADOR. PROVA INDICIÁRIA. INCONSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Embora seja possível realizar lançamento com base em provas indiciárias aptas a formar presunção relativa da materialidade do fato gerador, esse procedimento deve ser utilizado excepcionalmente, quando a fiscalização não dispõe de outros meios para demonstrar a ocorrência do fato tributável. Demonstrada a inexistência de pagamentos nas contas da recorrente, o recurso deve ser provido.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. SUMULA CARF nº 108
Conforma dispõe o enunciado de nº 108 da súmula da jurisprudência do CARF, incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 2402-007.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva (autor da proposta), Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 FATO GERADOR. PROVA INDICIÁRIA. INCONSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Embora seja possível realizar lançamento com base em provas indiciárias aptas a formar presunção relativa da materialidade do fato gerador, esse procedimento deve ser utilizado excepcionalmente, quando a fiscalização não dispõe de outros meios para demonstrar a ocorrência do fato tributável. Demonstrada a inexistência de pagamentos nas contas da recorrente, o recurso deve ser provido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. SUMULA CARF nº 108 Conforma dispõe o enunciado de nº 108 da súmula da jurisprudência do CARF, incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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PROVA INDICIÁRIA. INCONSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Embora seja possível realizar lançamento com base em provas indiciárias aptas a formar presunção relativa da materialidade do fato gerador, esse procedimento deve ser utilizado excepcionalmente, quando a fiscalização não dispõe de outros meios para demonstrar a ocorrência do fato tributável. Demonstrada a inexistência de pagamentos nas contas da recorrente, o recurso deve ser provido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. SUMULA CARF nº 108 Conforma dispõe o enunciado de nº 108 da súmula da jurisprudência do CARF, incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva (autor da proposta), Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 09 13 /2 01 1- 78 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10166.720913/201178 Acórdão n.º 2402007.045 S2C4T2 Fl. 294 2 (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem registrar os elementos e fases do processo, adoto o relatório da decisão recorrida, abaixo reproduzido: A contribuinte supra identificada foi autuada e intimada a recolher ou impugnar o Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, código 2904, no valor de R$41.768,53 decorrente da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas pela prestação de serviços sem vínculo empregatício nos valores de R$62.849,00 no ano de 2006, R$78.541,00 no ano de 2007 e R$55.849,00 no ano de 2008. (...) A autuada apresentou impugnação em 28/11/2011, através de seus representantes legais identificados no documento da folha 99, alegando o que segue: a) que o lançamento é nulo por decorrer de procedimento administrativo diverso daquele instaurado para verificação da regularidade do autuado. Aduz que o procedimento fiscal foi instaurado com base em informações vinculadas a outro processo fiscal e outras informações internas (Dossiê) dos quais a contribuinte não teve conhecimento (prova emprestada); b) que inexiste no processo a comprovação de que a impugnante obteve remuneração proveniente de serviços prestados como corretora de imóveis e que houve violação do princípio da verdade material visto que o lançamento foi lastreado em presunções que não correspondem a realidade. Afirma que inexistem provas de que houve pagamentos das pessoas jurídicas em favor da impugnante; c) que foram ignorados, pela fiscalização, os extratos bancários das contas mantidas em instituições financeiras que comprovam Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10166.720913/201178 Acórdão n.º 2402007.045 S2C4T2 Fl. 295 3 não existir os pagamentos das planilhas anexadas ao AI. Aduz, ainda, que a fiscalização presumiu que todos os valores contidos na planilha anexa ao Relatório Fiscal foram recebidos pela autuada e omitidos, sem qualquer previsão legal; d) que inexiste a hipótese de incidência tributária e, portanto, descabido o lançamento visto que não foi consumado o fato gerador, ou seja, a efetiva disponibilidade econômica dos supostos rendimentos recebidos. Alega que não há nos autos qualquer prova de percepção ou da disponibilidades dos valores imputados pela fiscalização na planilha anexa ao AI; e) que tendo a fiscalização recebido os extratos das contas bancárias e efetuado o lançamento totalmente embasado na presunção de que foram omitidas as comissões, não considerou a base mais favorável ao contribuinte que seria a movimentação bancária; f) que a taxa Selic foi criada para remunerar o capital investido em títulos da divida públicos e não para ser aplicada como sanção por atraso no cumprimento de obrigações tributárias; g) que é ilegal a exigência de juros calculados com base na taxa Selic sobre a multa de ofício por falta de previsão legal. Argumenta que é inconstitucional e ilegal a cobrança de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Por fim, requer a nulidade do lançamento pelas preliminares apontadas e no mérito a total improcedência do crédito tributário. (...). A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, tendo a recorrente interposto recurso voluntário no qual reproduz os mesmos argumentos constantes de sua impugnação (fls. 246 e ss.). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10166.720913/201178 Acórdão n.º 2402007.045 S2C4T2 Fl. 296 4 PRELIMINARES Da Nulidade Da Autuação Com Base Em Prova Emprestada O lançamento impugnado teve como subsídio o resultado de fiscalizações realizadas nas empresas Via Engenharia S/A e Via Empreendimentos Imobiliários S/A no período de janeiro/2006 a dezembro/08. Segundo consta do relatório fiscal do auto de infração (fls. 56 ss.), a recorrente, na condição de Consultora Imobiliária Autônoma, havia recebido remuneração a título de comissão pelos serviços de venda de imóveis. Tais valores foram informados em planilha denominada Comissão de Venda paga a Corretor PF.xls (fls. 62/64), elaborada e fornecida pelas empresas referidas. A recorrente, como já havia feito na impugnação, alega a nulidade do lançamento e da decisão que toma por fundamento prova emprestada de processo administrativo a cujo conteúdo não teve acesso, fato que teria impedido o pleno exercício de seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Alega, ainda, que um dos processos administrativos decorrente do procedimento fiscal que deu subsídio ao presente lançamento teve desfecho favorável à empresa justamente porque a própria DRJ/BSB considerou que o auto de infração fora lançado com base em prova indiciária (fls. 253). Com efeito, cabe à fiscalização provar a ocorrência do fato gerador por meio de procedimento administrativo plenamente vinculado, no qual serão juntados os documentos que demonstram a ocorrência do fato gerador, como determina o art. 142 do CTN1 e o art. 9º do Decreto nº 70.235/722. Entretanto, em alguns casos, a convergência de situações, elementos documentais e a própria conduta omissiva do contribuinte fiscalizado permite concluir, ainda que sob presunção, pela existência do fato gerador. Nessa linha, recorrente foi intimada a apresentar todos os documentos que comprovariam sua movimentação financeira. Nesse sentido, teve diversas oportunidades de 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 2 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10166.720913/201178 Acórdão n.º 2402007.045 S2C4T2 Fl. 297 5 fazêlo, como se pode verificar a fls. 8, 12 e 17 dos autos, mas somente com a impugnação é que apresentou sua movimentação bancária. Portanto, a própria recorrente deu causa ao lançamento, pelo que entendemos que não se há falar em nulidade por cerceamento de defesa ou por ter sido efetivado com base em prova indiciária ilegal. Da violação ao princípio da verdade material e da presunção em matéria de prova. A recorrente alega não ter relação jurídica com as empresas Via Engenharia S/A e Via Empreendimentos Imobiliários S/A e que juntou aos autos provas relativas a esse fato, assim como de toda a sua movimentação bancária. No entanto, essas provas não constavam dos autos antes da impugnação. Suas alegações, neste ponto, confundemse com o mérito propriamente dito, pelo que, em função disso, essa matéria será apreciada juntamente com a análise de mérito. MÉRITO Inexistência de hipótese de incidência tributária referente ao Imposto Sobre A Renda Da Pessoa Física No presente caso, a fiscalização recebeu informações de que a recorrente teria obtido renda relativa a comissão paga por corretagem de imóveis. Essas informações foram obtidas por meio de processo fiscalizatório diverso do presente e o único documento que comprovaria a ocorrência do fato gerador são as planilhas fornecidas pelas referidas empresas Via Engenharia S/A e Via Empreendimentos Imobiliários S/A. A fiscalização, de posse dessas informações, não buscou outros elementos probatórios para demonstrar a ocorrência do fato gerador. Poderia ter intimado as empresas a juntar os comprovantes de pagamentos supostamente realizados em beneficio da recorrente, a apresentar DIRF na qual constassem as informações de retenção de Imposto de Renda da recorrente ou, ainda, ter se valido de Requisição de Movimentação Financeira da recorrente, mas não o fez, de modo que o lançamento se funda, exclusivamente, sobre as ditas planilhas. A recorrente, por sua vez, alega não ter sido beneficiária da renda informada pelas empresas fiscalizadas e juntamente com sua impugnação, juntou cópia de extratos bancários relativos ao período fiscalizado que demonstram a sua movimentação financeira. Confrontando as informações das referidas planilhas com os documentos bancários anexados pela recorrente aos autos com a impugnação, não foram identificados os valores supostamente pagos à recorrente informados pelas empresas. Assim, considerando que o lançamento tem como únicos documentos que o embasam as aludidas planilhas, obtidas, aliás, em processo de fiscalização diverso do presente, de que a recorrente não participou e ao qual não teve acesso e considerando que a recorrente, por sua vez, apresentou extratos de suas contas bancárias do período autuado que demonstram que ela não recebeu nenhum valor das referidas empresas, entendemos que o recurso voluntário deve ser provido neste ponto. Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa A recorrente sustenta, por fim, a ilegalidade da cobrança de juros sobre multa, com aplicação da taxa Selic. A respeito desse tema, anotamos que já há posicionamento Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10166.720913/201178 Acórdão n.º 2402007.045 S2C4T2 Fl. 298 6 firmado deste tribunal, conforme se verifica do enunciado de nº 108 da súmula de sua jurisprudência, nos seguintes termos: Enunciado nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.901753/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2009
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não restou caracterizado o cerceamento do direito de defesa, uma vez que o contribuinte teve oportunidade de comprovar a existência do direito creditório, mas não o fez.
NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ausência de motivação do despacho decisório e da decisão recorrida, pois ambas as decisões indeferiram o pedido de compensação do contribuinte com fundamento na falta de comprovação da existência do direito creditório.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIDO.
Indefere-se o pedido de compensação quando durante todo o curso do processo, o contribuinte não apresenta quaisquer documentos para comprovação do existência de crédito líquido e certo. Cabe ao contribuinte comprovar a liquidez e certeza do crédito que pretende ver compensado ou restituído.
Numero da decisão: 1301-003.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10865.722985/2015-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não restou caracterizado o cerceamento do direito de defesa, uma vez que o contribuinte teve oportunidade de comprovar a existência do direito creditório, mas não o fez. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ausência de motivação do despacho decisório e da decisão recorrida, pois ambas as decisões indeferiram o pedido de compensação do contribuinte com fundamento na falta de comprovação da existência do direito creditório. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIDO. Indefere-se o pedido de compensação quando durante todo o curso do processo, o contribuinte não apresenta quaisquer documentos para comprovação do existência de crédito líquido e certo. Cabe ao contribuinte comprovar a liquidez e certeza do crédito que pretende ver compensado ou restituído.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não restou caracterizado o cerceamento do direito de defesa, uma vez que o contribuinte teve oportunidade de comprovar a existência do direito creditório, mas não o fez. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ausência de motivação do despacho decisório e da decisão recorrida, pois ambas as decisões indeferiram o pedido de compensação do contribuinte com fundamento na falta de comprovação da existência do direito creditório. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIDO. Indeferese o pedido de compensação quando durante todo o curso do processo, o contribuinte não apresenta quaisquer documentos para comprovação do existência de crédito líquido e certo. Cabe ao contribuinte comprovar a liquidez e certeza do crédito que pretende ver compensado ou restituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 17 53 /2 01 5- 11 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10865.901753/201511 Acórdão n.º 1301003.783 S1C3T1 Fl. 3 2 decidido no julgamento do processo 10865.722985/201504, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de DCOMP Declarações de Compensação, que pleiteiam compensação de débito de CSLL com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de CSLL. O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico constante dos autos, tendo em vista que o contribuinte devidamente intimado não apresentou documentos que demonstrassem a razão pela qual o pagamento se tornou indevido. A empresa apresentou manifestação de inconformidade onde pede reconsideração do despacho decisório, alegando que foi intimado eletronicamente, que não foi identificado o responsável pelo recebimento da intimação, e ao final, requereu que as intimações fossem consideradas nulas e que os autos retornassem à origem para novas diligências, com a finalidade de se comprovar a existência dos créditos postulados. Não anexou provas à manifestação de inconformidade. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob os argumentos de que não cabia ao contribuinte eximirse da responsabilidade pelo recebimento de intimação eletrônica, que não houve nulidade no Despacho Decisório, que o direito creditório não restou comprovado após sucessivas intimações e, indeferiu o pedido de diligência. Em 26/06/2017, foi cientificado da decisão da DRJ. Em 26/07/2017, ainda inconformada, a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual alega que a decisão recorrida não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindoa de demonstrar a existência do crédito. Argui nulidade do despacho decisório e, por fim, requer que seja reformada a r. decisão de primeira instância, declarando insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação, sendo acolhido o recurso para homologar a compensação. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10865.901753/201511 Acórdão n.º 1301003.783 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.780, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10865.722985/2015 04, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1301003.780): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A Recorrente alega que o despacho decisório não se encontra devidamente fundamentado, posto que indeferiu a compensação sob o fundamento de inexistência de crédito, sem qualquer esclarecimento adicional, limitandose a mencionar artigos genéricos. Argumentou também que este fato teria prejudicado seu direito ao contraditório e ampla defesa. Conforme relatado, o contribuinte apresentou pedido de compensação e indicou como crédito pagamentos indevidos ou a maior (...). A Auditora encarregada da análise do pedido intimou o contribuinte para demonstrar a apuração do tributo devido em face daquele recolhido. Apesar de intimado e reintimado, o contribuinte não apresentou qualquer documento. Por conseguinte, a autoridade fiscal emitiu despacho decisório onde indefere o pedido de compensação por falta de comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior e citou o art. 170 do Código Tributário Nacional, bem como o art. 2º da IN RFB nº 1300/2012, abaixo transcritos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Art. 2º Poderão ser restituídas pela RFB as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; Com efeito, o Fisco entendeu que não havia crédito tributário líquido e certo a título de pagamento indevido ou a maior que Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10865.901753/201511 Acórdão n.º 1301003.783 S1C3T1 Fl. 5 4 pudesse ser objeto de compensação, e portanto, indeferiu o pedido da Recorrente. Logo, encontrase devidamente fundamentado o despacho decisório, uma vez que não havia nada mais a esclarecer, tendo em vista que o contribuinte não trouxe um único documento aos autos para comprovar a existência de direito creditório ou para demonstrar a apuração do tributo. Ressaltese que o contribuinte teve mais duas oportunidades de comprovar a existência de crédito, uma quando da apresentação da manifestação de inconformidade, e novamente, ao interpor o presente recurso voluntário. Todavia, em nenhuma das ocasiões juntou qualquer documento, limitandose a fazer alegações genéricas acerca do cerceamento do direito de defesa e ausência de motivação dos atos administrativos. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, posto que o contribuinte teve diversas oportunidades de provar o seu direito, sendolhe dado prazo para trazer documentos e demonstrar a existência do seu crédito, mas o contribuinte insistiu na inércia. Por tudo o exposto, constatase que o despacho decisório e a decisão a quo foram devidamente fundamentados, e o contribuinte foi devidamente intimado para comprovar a existência do seu direito creditório, bem como foi devidamente cientificado no curso do processo administrativo fiscal, tendo apresentado recursos, razão pela qual também não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Considerando que além das alegações de ausência de fundamentação das decisões e cerceamento do direito de defesa, a Recorrente não trouxe documentos que comprovassem a existência de crédito líquido e certo, há de ser mantida a decisão recorrida, no sentido de indeferir os pedidos de compensação constantes do presente processo. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e no mérito por NEGAR LHE PROVIMENTO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1ºe 2º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e no mérito por NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10865.901753/201511 Acórdão n.º 1301003.783 S1C3T1 Fl. 6 5 Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.726952/2014-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/07/2011 a 31/01/2012
LAUDO TÉCNICO ELABORADO PELO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. PROVA.
Nos termos do art. 30 do Decreto n° 70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas à análise dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas, devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AEROGERADOR. POSIÇÃO 8502.31.00.
O aerogerador constituído de uma combinação de partes, com unidade funcional, para desempenho de função específica de produção de energia elétrica, deve ser classificado na posição 8502.31.00.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-005.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
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PROVA. Nos termos do art. 30 do Decreto n° 70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas à análise dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas, devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AEROGERADOR. POSIÇÃO 8502.31.00. O aerogerador constituído de uma combinação de partes, com unidade funcional, para desempenho de função específica de produção de energia elétrica, deve ser classificado na posição 8502.31.00. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 69 52 /2 01 4- 41 Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.027 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de lançamento referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI apurado no período de 31/07/2011 a 31/01/2012, no valor de R$ 19.479.840,99, aí incluídos principal, multa de ofício e juros de mora (calculados até 11/2014) e multa IPI não lançado com cobertura de crédito. Consta da descrição dos fatos e enquadramento legal que foi apurada a seguinte infração: Falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial promovido a saída de produtos tributados, com falta de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e erro de alíquota adotada. Segundo a fiscalização os principais produtos fabricados pela GE são os chamados Aerogeradores, classificados na tabela de Incidência do IPI (TIPI) na posição 8502.31.00, tributada no período à alíquota ZERO. Diz a fiscalização que a empresa GE importou os produtos: Conversor de Energia, Sistema de Gerenciamento do Site 60hz e Sistema de Interface Meteorológica e emitiu as notas fiscais de remessa para montagem nas dependências dos clientes e utilizou a classificação fiscal 8502.31.00 (Grupos eletrogêneos e conversores rotativos elétricos De energia eólica), cuja alíquota é 0 (zero). Sob o argumento de que, segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado relativas à posição 8502, o grupo eletrogêneo de energia eólica, entendese como a combinação de uma roda eólica (a máquina motriz citada na nota explicativa, I GRUPOS ELETROGÊNEOS) com um gerador elétrico, e de que não cabe a aplicação da Nota 4 da Seção XVI para agregar o Conversor de Energia ao conjunto pás/cubo/gerador, caracterizando todo o conjunto como uma unidade funcional, destinada a produzir energia elétrica a partir do vento, visto que o Sistema Pás/Cubo/Gerador e o Conversor de Energia formam subconjuntos com funções diferentes e especificas, quais sejam: a função de geração de energia elétrica (pás/cubo/gerador) e a função de converter/regular/controlar tensão e frequência vindas do gerador (Conversor de Energia), a fiscalização classificou o conversor de frequência no código 8504.40.90, alíquota de IPI de 15% (mesma classificação fiscal e alíquota adotadas quando do despacho aduaneiro de importação). Quanto aos produtos: sistemas de interface meteorológica e o sistema de gerenciamento do site, a fiscalização classificouos no código 9032.89.90 Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.028 3 e 8517.62.59, respectivamente, ambos com alíquota de 15% (mesmos códigos e alíquota utilizados quando das importações destes produtos), sob os argumentos a seguir: Das respostas apresentadas, percebese que os sistemas de interface meteorológica e o sistema de gerenciamento do site não são montados no corpo dos aerogeradores, nem são instalados, no parque eólico, em número igual ao de aerogeradores. Ao contrário, estão normalmente localizados na Subestação Elétrica do parque (Wind Control e Wind Scada), ou próximo à torre anemométrica (Estação meteorológica). Isto é, não fazem parte do conjunto do aerogerador (pás/cubo/gerador), mas servem, isto sim, para controle, monitoramento e tratamento de dados, local ou remoto, de todo o parque eólico, funções estas que não concorrem para a função principal do conjunto dos aerogeradores (a geração de energia) mas são sim sistemas auxiliares. Assim, também nesse caso não cabe a aplicação da Nota 4 da Seção XVI (UNIDADES FUNCIONAIS), para agregar os Sistemas de Interface Meteorológica e os Sistemas de Gerenciamento do Site ao conjunto pás/cubo/gerador, caracterizando todo o conjunto como uma unidade funcional, destinada a produzir energia elétrica a partir do vento, visto que a combinação Pás/Cubo/Gerador e tais Sistemas formam subconjuntos com funções diferentes e especificas, quais sejam: a função de geração de energia elétrica (pás/cubo/gerador) e a função de monitoramento e controle. Logo, o conjunto pás/cubo/gerador, que se caracteriza como o grupo eletrogêneo descrito na posição 8502 deve seguir o seu regime próprio de classificação, a saber 8502.31.00, e os Sistemas devem seguir seu regime de classificação, a saber, aqueles utilizados quando de sua importação: Sistema de Gerenciamento do Site 60hz 9032.89.90 Sistema de Interface Meteorológica 8517.62.59 Em impugnação, as alegações da empresa podem ser assim sintetizadas: · Preliminarmente, nulidade do lançamento “em razão da falta de Laudos Técnicos juntados pela I. Fiscalização, o presente Auto de Infração resta nulo, pois não se pode justificar (motivar) o fato gerador incidente do tributo e da multa em questão”. · Tece esclarecimentos acerca da composição e funcionamento do produto denominado Aerogerador, que comercializa, e diz, é composto de diversos elementos, quais sejam: pás, gerador de energia, cubo, torre eólica, conversor de energia e outros (dentre os quais estão o sistema de interface meteorológica e o sistema de gerenciamento de site). · Sustenta correta sua classificação apresentando os argumentos técnicos que entende, a seu ver as notas 3 e 4 da seção XVI são notas aglutinadoras de posições, e isso fica claro em seu texto, ao determinar expressamente que elas sejam aplicadas a combinações de Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.029 4 máquinas. Tais notas, portanto, se prestam a determinar que equipamentos que isoladamente seriam classificáveis em diversas posições sejam aglutinados na posição da função do conjunto sempre que formem um corpo único ou um conjunto funcional. · Portanto, as notas 3 e 4 da Seção XVI se prestam a confirmar que, muito embora, isoladamente, o conversor de energia possa ser classificado na posição 8504.40.90, na condição em que comercializado pela Impugnante e dada a sua função no Aerogerador, este deve ser classificado na posição 8502.31.00. Isso porque a referida peça faz parte da unidade funcional de Produção de Energia Elétrica, formando um "corpo único" com as demais peças e possuindo como função bem determinada a geração de energia elétrica. Todas as demais funções dos equipamentos concorrem para a produção de energia elétrica. · O conversor de energia não pode ser excluído do conjunto/unidade funcional do Grupo Eletrogêneo representado pelo Aerogerador. Isso porque, sem essa peça, o próprio Aerogerador será inútil e não se prestará ao seu fim, na medida em que a energia gerada não poderá ser incorporada e consumida pela rede convencional de energia elétrica. · Os Aerogeradores foram projetados e concebidos para injetar energia elétrica na rede convencional. Se isso não for possível, não há razão na sua comercialização. · O mesmo se dá em relação aos sistemas de interface meteorológica e de gerenciamento de site, já que concorrem para a consecução da função determinada: gerar energia elétrica. Com relação a multa aplicada, aduz: · Foi aplicada multa de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto devido, invocandose o art. 80 da Lei n° 4502/6410. · Da leitura do Relatório verificase que a multa foi aplicada por uma suposta falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento equiparado a industrial promovido a saída de produtos tributados com erro de classificação fiscal e da alíquota do IPI adotada. · Todavia, tendo sido demonstrada a correção da classificação adotada pela Impugnante, não há que se falar da aplicação da multa ora impugnada. Não houve falta de lançamento do tributo, na medida em que se está diante de mercadoria sujeita à alíquota zero, motivo pelo qual a multa deve ser, de pronto, cancelada. A 3ª Turma da DRJ/BEL, Acórdão n° 0131.958, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2011 a 31/01/2012 PAF. ATO ADMINISTRATIVO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no ato administrativo que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.030 5 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993 e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 31/07/2011 a 31/01/2012 ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE LANÇAMENTO DE IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a falta de destaque do IPI na venda de produtos tributados à alíquota positiva, por erro de classificação fiscal, impõese a constituição do crédito tributário em procedimento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A incidência de multa de ofício de 75% encontra supedâneo na legislação vigente, não possuindo a autoridade administrativa atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A fundamentação da DRJ acolheu a integralidade dos argumentos da autuação, verbis: A argumentação da empresa para justificar o código tarifário da NCM/SH: posição 8502 “ Grupos Eletrogêneos e Conversores Rotativos, Elétricos”; subposição de 1º nível 8502.3 “ Outros Grupos Eletrogêneos”, e subposição de 2º nível (em que não houve desdobramento regional em item/subitem) 8502.31.00 “ de Energia Eólica”, por ela pretendido para a classificação do Conversor de Energia, do Sistema de Gerenciamento do Site 60hz e do Sistema de Interface Meteorológica que irão compor o Aerogerador, teve por base legal a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 2 a) (artefatos incompletos, desmontados e por montar), tendose valido, subsidiariamente, das notas 3, 4 e 5 das Considerações Gerais à Seção XVI, de acordo com as alegações por ela apresentadas, sumariadas no relatório acima. As Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado são o respaldo legal para a classificação das mercadorias na nomenclatura. A RGI nº 2 a), respalda efetivamente a classificação de um bem, em determinada posição, ainda que por montar, desmontado, inacabado ou incompleto, desde que possua as características essenciais do artefato completo, montado e acabado. Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.031 6 As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), publicação subsidiária do SH, aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992, e consolidadas através da INRFB nº 807, de 2008, em suas Considerações Gerais à Seção XIV, quando se referem às Máquinas e Aparelhos incompletos e não montados, remetendo à RGI 2 a), como apontado pela empresa, explicam: “IV Máquinas e Aparelhos Incompletos: (ver a Regra Geral Interpretativa 2 a) Nesta Seção, qualquer referência a uma categoria de máquinas compreende não só as máquinas completas, mas também os conjuntos de partes obtidos na montagem ou construção, de tal modo que apresentem no estado em que se encontram, as principais características essenciais das máquinas completas (máquinas incompletas) ...” “V Máquinas e Aparelhos não montados: (ver a Regra Geral Interpretativa 2 a) Por razões tais como necessidade ou comodidade de transporte, as máquinas, às vezes, apresentamse desmontadas. Embora se trate, de fato, de partes separadas, o conjunto é classificado como máquina ou aparelho e não, quando a posição existe, na posição relativa às partes. Esta regra é válida mesmo quando o conjunto corresponde a uma máquina incompleta com características da máquina completa, na acepção da parte IV acima descrita........Por outro lado, os elementos em número superior ao necessário para formar uma máquina completa ou incompleta com as características da máquina completa, seguem o seu próprio regime.” Até aqui cabe razão à impugnante, ou seja, a RGI nº 2 a) é a Regra que embasa legalmente a classificação em determinada posição de uma mercadoria incompleta e por montar, desde que ela apresente as características essenciais do bem completo e montado. Contudo, quando a empresa alega que o Conversor de Energia, o Sistema de Gerenciamento do Site 60hz e o Sistema de Interface Meteorológica, destinados à montagem do Aerogerador, classificamse no código do Grupo Eletrogêneo de geração de energia eólica, comete um engano, porquanto a regência legal da classificação do Aerogerador (solucionado impasse, caso exista, de ele apresentarse por montar e incompleto pela aplicação da RGI nº 2a), passa a ser ditada pela RGI nº 1 que, em sua parte inicial, prevê que o valor legal da classificação ao nível de posição, está no texto da posição e nas notas de Seção e de Capítulo. Seguindo, portanto, os mandamentos da RGI nº 1, analisemos as disposições contidas nas Notas legais nºs 3, 4 e 5 da Seção XVI, que dispõem: “3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto” “4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.032 7 de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha” “5. Para a aplicação destas Notas, a denominação máquinas compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 ou 85”. (grifos nossos) Como muito bem explicam as NESH, relativamente às Máquinas com funções múltiplas ou combinações de máquinas (Nota legal nº 3 da Seção XVI, acima transcrita), geralmente uma máquina concebida para executar várias funções diferentes classificase pela função principal que a caracteriza. As NESH citam como exemplo de máquina com funções múltiplas: “as máquinasferramentas para trabalhar metais utilizando ferramentas intercambiáveis que lhes permitam executar diversas operações (por exemplo, fresagem, mandrilagem, brunição”. Prosseguindo, as NESH explicam que há combinações de várias máquinas ou aparelhos de espécies diferentes por associação, formando um único corpo, exercendo, sucessiva ou simultaneamente, funções distintas e geralmente complementares, incluídas em diferentes posições da Seção XVI. Citam como exemplos: “as máquinas impressoras que incorporem, a título acessório, uma máquina para dobragem do papel (posição 84.43); de máquinas para fabricação de caixas de cartão combinadas com uma máquina auxiliar para imprimir sobre estas dizeres ou desenhos (posição 84.41); os fornos industriais equipados de aparelhos de elevação ou movimentação (posições 84.17 ou 85.14); e as máquinas de fabricar cigarros contendo dispositivos acessórios para embalar (posição 84.78)” As NESH vão, ainda, mais além, quando definem a formação de um único corpo por máquinas de espécies diferentes, pela incorporação de umas às outras ou pela montagem de umas sobre as outras, bem como pela sua montagem sobre uma base, armação ou suporte comuns, ou disposição em um invólucro comum. Ressalta que os diferentes elementos só podem ser considerados como formando um único corpo quando concebidos para serem fixados, em caráter permanente, uns aos outros, ou ao elemento comum (base, armação invólucro, etc.). Excluemse, portanto, de serem caracterizados como corpo único, os conjuntos constituídos a título provisório ou as montagens que não sejam normalmente concebidas como uma combinação de máquinas. Quanto às unidades funcionais (Nota 4 da Seção XVI), as NESH explicam que essa Nota legal aplicase quando uma máquina ou uma combinação de máquinas são constituídas por elementos distintos, concebidos para executar conjuntamente uma função bem determinada incluída em uma das posições do Capítulo 84 ou, mais frequentemente, do Capítulo 85. O fato de que, por razões de comodidade, por exemplo, estes elementos estejam separados ou interligados por condutos (de ar, de gás comprimido, de óleo, etc.), dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos, não se opõe à classificação do conjunto na posição correspondente à função que este executa. Na acepção da presente Nota, a expressão “concebidos para executar conjuntamente uma função bem determinada” abrange somente as máquinas e combinações de máquinas necessárias para realização da função própria ao conjunto, que forma uma unidade funcional, excetuandose as máquinas ou aparelhos que tenham funções auxiliares e não concorram para a função do conjunto. Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.033 8 Alguns dos exemplos citados de unidades funcionais por essa publicação subsidiária são: os sistemas hidráulicos compostos de um agregado hidráulico (compreendendo essencialmente uma bomba hidráulica, um motor elétrico, um dispositivo de comando de válvulas e reservatório de óleo), de cilindros hidráulicos e de tubos necessários para a união dos cilindros ao agregado hidráulico (posição 8412); o material, máquinas e aparelhos para a produção de frio cujos elementos não formem um único corpo e estejam interligados entre si por tubos, nos quais circule fluido refrigerante (posição 8418); as combinações de máquinas para a indústria de cerveja que compreendem cubas para germinação, trituradores de malte, cubas para preparação de matériaprima, cubas para filtração, etc. (posição 8438), exceto, porém, as máquinas auxiliares como, por exemplo, as de engarrafar e as de imprimir etiquetas, que seguem seu próprio regime; e as combinações de máquinas concebidas para montagem automática de lâmpadas de incandescência cujos elementos constitutivos estejam interligados entre si por transportadoras que contenham, por exemplo, mecanismos para o trabalho a quente do vidro, bombas e unidades para testes de lâmpadas (posição 8475). Devemos notar, pelo exposto, que os elementos constitutivos de um conjunto que não satisfaçam às condições estabelecidas pela Nota 4 da Seção XVI para que o mesmo seja considerado uma unidade funcional, seguem o seu próprio regime de classificação. É o caso, por exemplo, dos sistemas de videovigilância em circuito fechado, constituídos pela combinação de um número variável de câmeras de televisão e de monitores de vídeo conectados por meio de cabos coaxiais com um controlador de sistema, comutadores, quadros audiorreceptores e, eventualmente, máquinas automáticas para processamento de dados (para salvaguardar os dados) e/ou aparelhos gravadores de DVD, CD, etc (para gravar imagens). O texto da posição 8502 “Grupos eletrogêneos........, elétricos” inclui um equipamento composto por um gerador elétrico e uma máquina motriz, conforme explicações dadas pelas NESH, referentes à essa posição, reproduzidas a seguir: “A expressão ‘grupos eletrogêneos’ aplicase à combinação de um gerador elétrico com uma máquina motriz, que não seja um motor elétrico (turbina hidráulica, turbina a vapor, roda eólica, máquina a vapor, motor de ignição por centelha (faísca), motor diesel, etc.). Quando a máquina motriz e o gerador formam um só corpo ou quando, separados mas apresentados ao mesmo tempo, as duas máquinas são concebidas para formar um só corpo ou ser montadas em uma base comum ........, o conjunto classificase na presente posição.” (grifos nossos) A Nota legal da NCM/SH que discorre sobre as unidades funcionais (Nota nº 4 da Seção XVI) estabelece que o conjunto de máquinas, aparelhos e equipamentos deve desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, a que a impugnante atribui ser a produção de energia, desempenhada, a seu ver, por todo o conjunto de equipamentos que compõe o Aerogerador. No entanto, os equipamentos que, de fato, desempenham tal função são o Gerador, o Rotor de três pás, além de outros equipamentos vinculados à função desse grupo (gerar ou produzir energia elétrica a partir da energia do vento). Os demais equipamentos têm função própria ou auxiliar e um uso comum a variados processos industriais. Por exemplo, o Conversor de Energia ou Conversor de Frequência, é importado totalmente montado e em um bloco apenas, têm a função de converter e regular a frequência e tensão da energia gerada (explicação dada pela própria impugnante, às fls. 347/348 dos autos). A entrada do conversor é conectada por cabos ao gerador, e sua saída é conectada também por cabos ao transformador elevador e depois distribuído na rede elétrica (explicação à fl. 350 dos autos). Essas Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.034 9 funções de transformação e conexão estão muito bem definidas na Nomenclatura e não estão relacionadas à produção de energia. Respondendo aos questionamentos da fiscalização, no tocante ao Conversor de Energia ou Conversor de Frequência, a interessada informou, às fls. 347/351: 4) Por que é necessária a existência do conversor de frequência no aerogerador? R: A energia gerada pelas turbinas eólicas (aerogeradores) não tem frequência regulada. O Conversor de Frequência regula a tensão de saída, bem como sua frequência. Sem este item a rede elétrica poderia ficar instável. 5) A energia elétrica é produzida (gerada) no gerador de energia ou no conversor de frequência? R: A energia é gerada no Gerador de Energia e tem sua frequência controlada pelo Conversor. 6) Como o Conversor é montado na turbina eólica? R: Conforme comentado na resposta do item 1, o Conversor de Energia é montado na plataforma inferior da torre eólica, do lado interno da turbina. 7) Qual a função principal deste Conversor? R: Conforme citado no item 4, o Conversor tem função de converter e regular a frequência e tensão da energia gerada. 8) Quais as funções secundárias deste Conversor? R: Sistema de controle de tensão e aquisição de dados de operação para manutenção das tensões. 9) Detalhar o funcionamento do Conversor. R: O Conversor recebe energia gerada pelo Gerador de Energia e regula a frequência e tensão através de seus componentes eletrônicos de potência. 11) Como é feita a interligação deste Conversor com os demais componentes da Turbina Eólica? R: A entrada do Conversor (fig. 26 abaixo) é conectada por cabos ao Gerador. Sua saída (fig. 27) é conectada também por cabos ao transformador elevador e depois distribuído na rede elétrica. 12) A conexão do aerogerador com a rede de energia elétrica é feita por intermédio do Conversor? R: O Conversor conectase a rede de distribuição secundária através de um transformador, conforme citado no item 11. (...) 14) A corrente que entra no Conversor é continua ou alternada? Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.035 10 R: A corrente é alternada. 15) A corrente que sai no Conversor é continua ou alternada? R: A corrente é alternada. Dessa forma, não cabe a aplicação da Nota 4 da Seção XVI para agregar ao núcleo gerador/rotor (pás, gerador de energia, cubo, torre eólica), o Conversor de Energia ou Conversor de Frequência (descrito às fls. 347/351), caracterizando todo o conjunto como uma unidade funcional, destinada a produzir energia elétrica a partir do vento (energia eólica). O Sistema Gerador e o Sistema Conversor ou de Controle de Potência formam subconjuntos com funções diferentes e específicas, quais sejam: a função de geração de energia elétrica (núcleo gerador/rotor) e a função de converter/regular/controlar tensão e frequência da energia elétrica vinda do gerador (Sistema Conversor ou de Controle de Potência), devendo cada grupo de equipamentos seguir o seu regime próprio de classificação. (...) As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 8504 esclarecem: “II. CONVERSORES ELÉTRICOS ESTÁTICOS Estes aparelhos servem para converter a energia elétrica a fim de adaptála a utilizações específicas posteriores. Além dos elementos conversores (válvulas, por exemplo) de diferentes tipos, os aparelhos do presente grupo podem possuir dispositivos auxiliares (transformadores, bobinas de indução, resistências, reguladores, por exemplo). O seu funcionamento é assegurado pelo fato de as válvulas conversoras agirem alternadamente como condutor e nãocondutor. Por outro lado, o fato de estes aparelhos incorporarem frequentemente dispositivos para regular a tensão ou a corrente de saída não modifica sua classificação, embora em alguns casos o aparelho seja denominado "regulador" de voltagem ou de corrente. Este grupo compreende: A) Os retificadores, que permitem transformar uma corrente alternada mono ou polifásica em corrente contínua, geralmente com modificação simultânea da tensão. B) Os onduladores (inversores) que permitem transformar uma corrente contínua em corrente alternada. C)Os conversores de corrente alternada e os conversores de frequência, que permitem transformar uma corrente alternada mono ou polifásica em corrente alternada de frequência ou tensão diferentes. D)Os conversores de corrente contínua, que permitem transformar uma corrente contínua em corrente contínua de tensão ou de polaridade diferentes. A presente posição compreende também os alimentadores estabilizados (retificador associado a um regulador) exceto os especificamente concebidos para constituir uma unidade da posição 84.71”. Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.036 11 Assim, o produto Conversor de Energia ou Conversor de Frequência deve ser considerado como compreendido na posição 8504, que engloba segundo seu texto, os conversores estáticos. No âmbito da referida posição, deve ser compreendido na subposição 8504.40, específica para conversores estáticos. Portanto, o produto deve ser classificado, com base nas RGIs 1.ª e 6.ª (textos da posição 8504 e da subposição 8504.40, todas da TIPI/2006 (aprovada pelo Decreto nº 6.006/2006), com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da referida posição (Decreto n° 435/92), no código 8504.40.90 da mesma TIPI. Será analisada a seguir a tributação dos sistemas de interface meteorológica e o sistema de gerenciamento do site, que a fiscalização classificouos no código 9032.89.90 e 8517.62.59, respectivamente, ambos com alíquota de 15% (mesmos códigos e alíquota utilizados quando das importações destes produtos). A empresa classificouse os produtos no desdobramento NCM/TIPI 8502.31.00, específico para os grupos eletrogêneos de energia eólica (alíquota 0 na TIPI). Para melhor esclarecer os detalhes técnicos destes sistemas, a fiscalização intimou a GE em 21/07/2014, a apresentar resposta às suas indagações. A empresa respondeu, em síntese, o que segue: 1. O que são os sistemas acima citados? Sistema de Interface Meteorológica Sistema que trata os sinais coletados pela estação meteorológica em uma interface digital e disponibiliza os mesmos a serem utilizados em um link de comunicação de dados para a central de controle de geração do parque eólico. Sistema de Gerenciamento do site 60Hz. Também denominado como Wind Control. Recebe os dados das Torres de Geração de Energia Eólica (variáveis de geração e de manutenção), envia sinais de controle de Geração (Set points de Potência Ativa. Reativa, Frequência e Tensão) de maneira coordenada e controlada para a perfeita geração do parque eólico como um todo. 2. São equipamentos, softwares ou uma combinação de ambos? De maneira a interpretar o sistema como um todo são formados pela combinação de software e equipamentos. 3. Qual a finalidade de cada sistema? Conforme descrito no item 1. 4. Qual o princípio de funcionamento de cada sistema? Conforme descrito no item 1. Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.037 12 5. Cada Aerogerador possui o seu sistema individual, ou existe um único sistema para todo o parque eólico? Cada parque eólico necessita para operação no mínimo 1 sistema para perfeita operação. 6. Como são dispostos fisicamente, no parque eólico, cada um destes sistemas? Wind Control e Wind Scada normalmente localizados na Subestação Elétrica do parque. Estação meteorológica instalada próxima a torre anemométrica (a posição depende de estudo topológico e é definido pelo cliente). 7. Eles são montados no próprio corpo dos Aerogeradores? Não 8. Como é monitorado cada um destes sistemas? Por operadores locais, remotamente, ou ambos? Ambos Pelas respostas acima constatase que estes produtos não fazem parte do conjunto do aerogerador (pás/cubo/gerador), mas servem, isto sim, para controle, monitoramento e tratamento de dados, local ou remoto, de todo o parque eólico, funções estas que não concorrem para a função principal do conjunto dos aerogeradores (a geração de energia) mas são sim sistemas auxiliares. Sobre as máquinas auxiliares, reproduzimos o entendimento das NESH referentes à Seção XVI: “III. APARELHOS, INSTRUMENTOS E DISPOSITIVOS AUXILIARES Os aparelhos, instrumentos e dispositivos auxiliares de controle, medida, verificação (manômetros, termômetros, indicadores de nível, etc., contadores de voltas ou de produção, interruptores horários, quadros, armários e cabinas de comando ou reguladores automáticos) apresentados com as máquinas em que são normalmente utilizados, seguem o regime da máquina quando destinados a medir, controlar, comandar, regular uma máquina determinada (constituída, conforme o caso, por uma combinação de máquinas (ver parte VI, abaixo) ou uma unidade funcional...... Todavia, os aparelhos, instrumentos e dispositivos auxiliares destinados à medida, controle, comando ou regulação de várias máquinas (incluído o caso de máquinas idênticas), obedecem ao seu próprio regime.” (grifos nossos) Assim, também nesse caso não cabe a aplicação da Nota 4 da Seção XVI (UNIDADES FUNCIONAIS), para agregar os Sistemas de Interface Meteorológica e os Sistemas de Gerenciamento do Site ao conjunto pás/cubo/gerador, caracterizando todo o conjunto como uma unidade funcional, destinada a produzir energia elétrica a partir do vento, visto que a combinação Pás/Cubo/Gerador e tais Sistemas formam subconjuntos com funções diferentes e especificas, quais sejam: a função de geração de energia elétrica (pás/cubo/gerador) e a função de monitoramento e controle (os dois sistemas precitados). Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.038 13 Logo, o conjunto pás/cubo/gerador, que se caracteriza como o grupo eletrogêneo descrito na posição 8502 deve seguir o seu regime próprio de classificação, a saber 8502.31.00, e os Sistemas devem seguir seu regime de classificação, a saber, aqueles utilizados quando de sua importação: 9032.89.90 Sistema de Gerenciamento do Site 60hz 8517.62.59 Sistema de Interface Meteorológica Em Recurso voluntário, efls. 745/772, a empresa repisou as alegações da impugnação, bem como sustenta a nulidade do acórdão recorrido por cerceamento de defesa, em virtude do não acolhimento do pedido de prova pericial. Em 2/3/2016, foi anexado aos autos o Laudo Técnico INT n° 920/2015, efl. 978 (arquivo não paginável). Esta Turma, por meio da Resolução n° 3301000.298, converteu o julgamento em diligência para manifestação do Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (Ceclam), para, considerandose, especialmente, (i) a descrição dos fatos, fls. 587/605; (ii) o Recurso Voluntário e (iii) o Relatório Técnico nº 000.920/2015, emitido pelo INT, fl. 978 (não paginável): 1. Emitir parecer a respeito da classificação fiscal dos equipamentos em discussão, indicando inclusive se preenchem as condições da Nota 4 da Seção XVI da NESH, para fins de configurarem uma Unidade Funcional, conjuntamente com o Grupo Eletrogêneo; e 2. Manifestarse acerca dos termos "funções auxiliares" e "não concorram" constantes do final do item VII das Considerações Gerais (Seção XVI), abaixo destacados. "Na acepção da presente Nota, a expressão “concebidos para executar conjuntamente uma função bem determinada” abrange somente as máquinas e combinações de máquinas necessárias para realização da função própria ao conjunto, que forma uma unidade funcional, excetuandose as máquinas ou aparelhos que tenham funções auxiliares e não concorram para a função do conjunto." Os autos retornaram do CECLAM, efls. 991993, sem manifestação sobre o mérito da questão, com as justificativas postas: 7. Em matéria de classificação fiscal, todo auditor fiscal da RFB é competente para realizar tal classificação, não sendo esta uma competência exclusiva do Ceclam. Ao Ceclam cabe solucionar as consultas sobre o tema e atender as demandas das unidades da RFB e aquelas decorrentes de convênios e acordos de cooperação institucional, nos termos da Portaria RFB nº 1.921, de 13 de abril de 2017, e da IN RFB nº 1.464/2014, mas não possui tal competência em se tratando de lide já instaurada. 8. No presente processo, a Receita Federal do Brasil (RFB), por intermédio da fiscalização, já firmou posição sobre a classificação fiscal das mercadorias, não havendo previsão legal Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.039 14 ou regulamentar para uma revisitação do feito por um órgão central de assessoramento do Secretário da RFB. 9. Na fase de julgamento em que o processo se encontra, a par de não haver previsão legal para qualquer manifestação da administração tributária, uma eventual opinião oficial de um órgão central como o Ceclam seria ilegítima, podendo inclusive ser entendida como uma quebra do princípio do equilíbrio processual. 10. Por tais razões, devolvese os autos para a DRF em Campinas/SP, sem exame de mérito, e posterior encaminhamento à 3ª Câmara / 3ª Seção do CARF a fim de que este órgão julgador analise de forma isenta o litígio. Em seguida, o processo retornou apto para inclusão em pauta. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Preliminar de nulidade da decisão recorrida Sustenta a Recorrente a nulidade do acórdão recorrido por cerceamento de defesa, em virtude do não acolhimento do pedido de prova pericial. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias ao seu convencimento. No caso, o voto condutor da DRJ entendeu que não restavam dúvidas quanto aos aspectos técnicos, por essa razão entendeu como prescindível a realização de perícia. Observese: Sobre esse tema, cumpre esclarecer que, apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, em conformidade com o artigo 16, inciso IV do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput , do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993). A realização de diligência e perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado e/ou Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.040 15 esclarecimento de fatos considerados obscuros no processo. No presente caso, tais motivos são inexistentes, uma vez que nos autos constam todas as informações necessárias e suficientes para o deslinde da questão. Dessa forma, e em conformidade com o artigo 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, indefiro o pedido de diligência, por considerála prescindível para o julgamento da presente lide. Enfim, não há nulidade na decisão de piso. Preliminar de nulidade do auto de infração A reclassificação fiscal exige análise técnica da natureza, composição e constituição do produto, não basta apenas que a fiscalização apresente o seu entendimento sobre a descrição formulada pela importadora, mas sim incumbelhe o ônus da prova, cumprido através da apresentação de elementos técnicos que sustentem a classificação atribuída pela Administração, afastando aquela empregada pelo contribuinte. Havendo litígio no que se refere à identificação do produto importado, deve haver, nos autos, elementos capazes de demonstrar a adequada reclassificação efetuada pela fiscalização, em contraposição ao código em que fora enquadrado pelo importador. Entretanto, deixo de analisar a nulidade do auto de infração, por se tratar de questão que se confunde com o mérito, o que analiso a seguir. Mérito i) Fundamentos da reclassificação fiscal pela autoridade autuante Conforme relatado, o auto de infração de IPI decorreu do fato de "ter o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial promovido a saída de produtos tributados, com falta de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e erro de alíquota adotada". A Recorrente General Eletric emitiu notas fiscais relativas aos equipamentos (i) Conversor de Energia, (ii) Sistema de Gerenciamento do Site 60hz e (iii) Sistema de Interface Meteorológica, utilizando a classificação fiscal 8502.31.00 (Grupos eletrogêneos e conversores rotativos elétricos De energia eólica), cuja alíquota é 0 (zero). Para a fiscalização, essa classificação estava equivocada, motivo pelo qual a autoridade afastou a NCM 8502.31.00, tributada à alíquota "0" (zero), para reclassificar: 1. Conversor de Energia, 8504.40.90, tributado à alíquota 15%. 2. Sistema de Gerenciamento do Site 60hz, 9032.89.90, tributado à alíquota 15%. 3. Sistema de Interface Meteorológica, 8517.62.59, tributado à alíquota 15%. Assim, para a fiscalização, segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado relativas à posição 8502, grupo eletrogêneo de energia eólica é a combinação de Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.041 16 uma roda eólica (a máquina motriz citada na nota explicativa, I GRUPOS ELETROGÊNEOS) com um gerador elétrico, não cabendo a aplicação da Nota 4 da Seção XVI para agregar o Conversor de Energia ao conjunto pás/cubo/gerador, caracterizando todo o conjunto como uma unidade funcional, destinada a produzir energia elétrica a partir do vento. Dessa forma o Sistema Pás/Cubo/Gerador e o Conversor de Energia formariam subconjuntos com funções diferentes e específicas, quais sejam: a função de geração de energia elétrica (pás/cubo/gerador) e a função de converter/regular/controlar tensão e frequência vindas do gerador (Conversor de Energia). Em vista disso: 1 a fiscalização classificou o conversor de frequência no código 8504.40.90, com alíquota de IPI de 15% e 2 quanto aos produtos: sistemas de interface meteorológica e o sistema de gerenciamento do site, a fiscalização classificouos nos códigos 9032.89.90 e 8517.62.59, respectivamente, ambos com alíquota de 15%, sob os argumentos a seguir: Das respostas apresentadas, percebese que os sistemas de interface meteorológica e o sistema de gerenciamento do site não são montados no corpo dos aerogeradores, nem são instalados, no parque eólico, em número igual ao de aerogeradores. Ao contrário, estão normalmente localizados na Subestação Elétrica do parque (Wind Control e Wind Scada), ou próximo à torre anemométrica (Estação meteorológica). Isto é, não fazem parte do conjunto do aerogerador (pás/cubo/gerador), mas servem, isto sim, para controle, monitoramento e tratamento de dados, local ou remoto, de todo o parque eólico, funções estas que não concorrem para a função principal do conjunto dos aerogeradores (a geração de energia) mas são sim sistemas auxiliares. Assim, também nesse caso não cabe a aplicação da Nota 4 da Seção XVI (UNIDADES FUNCIONAIS), para agregar os Sistemas de Interface Meteorológica e os Sistemas de Gerenciamento do Site ao conjunto pás/cubo/gerador, caracterizando todo o conjunto como uma unidade funcional, destinada a produzir energia elétrica a partir do vento, visto que a combinação Pás/Cubo/Gerador e tais Sistemas formam subconjuntos com funções diferentes e especificas, quais sejam: a função de geração de energia elétrica (pás/cubo/gerador) e a função de monitoramento e controle. Logo, o conjunto pás/cubo/gerador, que se caracteriza como o grupo eletrogêneo descrito na posição 8502 deve seguir o seu regime próprio de classificação, a saber 8502.31.00, e os Sistemas devem seguir seu regime de classificação, a saber, aqueles utilizados quando de sua importação: Sistema de Gerenciamento do Site 60hz 9032.89.90 Sistema de Interface Meteorológica 8517.62.598 Ressaltese que, em contraposição ao sustentado pela fiscalização, a Recorrente apresentou o Laudo Técnico INT n° 920/2005. ii) O papel do Laudo Técnico no deslinde da controvérsia Laudo Técnico INT n° 920/2005 – contraposição ao lançamento Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.042 17 O laudo dá suporte às afirmações que faço: o desacerto da fiscalização e a conduta irrepreensível do contribuinte. Sobre a descrição do aerogerador montado e suas partes, o laudo é claríssimo: Didáticas também são as descrições do laudo quanto ao funcionamento do aerogerador (descrição da tecnologia na produção de energia elétrica); sobre o conversor de energia e sua funcionalidade no aerogerador e a interligação entre os sistemas de interface meteorológica e de gerenciamento do site com o aerogerador. A partir da leitura do laudo, temse que o conversor de energia é parte essencial da turbina eólica, sem o qual não há produção de energia elétrica e não há controle de todo o sistema dentro da turbina. Acrescentese que o conversor de energia: · Posiciona e angula as pás; · Localizase no interior da base da torre da turbina eólica; · (...) "encontravase interligado e na mesma estrutura do aerogerador, formando um corpo único"; Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.043 18 · “(...) sem a utilização do conversor de energia (DTA) corriase o risco de não haver produção de energia elétrica e de o sistema entrar em colapso", na medida em que a "informação da existência de vento, qualidade, sentido, força/velocidade necessárias à captação pelo aerogerador era transmitida ao DTA"; · (...) "sem o DTA, não haveria essa comunicação entre as partes do Aerogerador, não haveria fornecimento de energia dentro da turbina e o sistema entraria em colapso, pois, até os sistemas do aerogerador necessitam, para operar, da energia gerada e processada pelo Conversor (DTA)"; · Indispensável para a observância dos padrões de funcionamento da rede elétrica brasileira; Por sua vez, o sistema de interface meteorológica tem como função o processamento dos sinais coletados pela estação meteorológica diretamente para a central de controle de geração do parque eólico. Permite a verificação da posição e velocidade do vento no acionamento das turbinas. Já o sistema de gerenciamento de site trata os dados de geração de energia eólica do parque eólico como um todo, bem como controla remotamente a turbina. O software SCADA voltase "ao monitoramento das turbinas, permitindo a leitura de dados de modo a controlar e monitorar o funcionamento das mesmas, informando caso haja alguma deficiência impedindo o perfeito funcionamento das turbinas". Importa salientar que, no Laudo do INT, consta a total descrição do funcionamento do aerogerador e suas partes. Referido documento demonstrou que a entrega do aerogerador desmontado aos adquirentes não lhe retira a unidade. Isso porque há a unidade funcional de produção de energia elétrica. Logo, temse "corpo único" com função bem delimitada, que é a geração de energia elétrica. Assim, os equipamentos (i) Conversor de Energia, (ii) Sistema de Gerenciamento do Site 60hz e (iii) Sistema de Interface Meteorológica podem ser classificados na posição 8502.31.00 (Grupos eletrogêneos e conversores rotativos elétricos De energia eólica), por integrarem o aerogerador. Dispõe o art. 30, do Decreto n° 70.235/72, verbis: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. Por conseguinte, cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas à análise dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras. Sobre a obrigatoriedade de observância dos Pareceres do INT, cito o Parecer Normativo COSIT Nº 6, de 20 de dezembro de 2018, 24/12/2018: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO E ADUANEIRO. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.044 19 COMPETÊNCIA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A legislação brasileira determina o cumprimento das normas internacionais sobre classificação fiscal de mercadorias. Nos países que internalizaram em seu ordenamento jurídico a Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, a interpretação das normas que regulam a classificação fiscal de mercadorias é de competência de autoridades tributárias e aduaneiras. No Brasil, tal atribuição é exercida pelos AuditoresFiscais da RFB. As características técnicas (assim entendidos aspectos como, por exemplo, matérias constitutivas, princípio de funcionamento e processo de obtenção da mercadoria) descritas em laudos ou pareceres elaborados na forma prescrita nos artigos 16, inciso IV, 18, 29 e 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, devem ser observadas, salvo se comprovada sua improcedência, devendo ser desconsideradas as definições que fujam da competência dos profissionais técnicos. Para fins tributários e aduaneiros, os entendimentos resultantes da aplicação da legislação do Sistema Harmonizado devem prevalecer sobre definições que tenham sido adotadas por órgãos públicos de outras áreas de competência, como, por exemplo, a proteção da saúde pública ou a administração da concessão de incentivos fiscais. Cumpre apontar que consta no “Compêndio de Ementas do Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (CECLAM)”, que o grupo eletrogêneo para a geração de energia elétrica a partir de energia eólica (gerador eólico), apresentado por montar e incompleto, composto por gerador elétrico a ser associado, em corpo único, ao rotor de três pás, acompanhado de sistema de lubrificação, instrumentos de medição e controle e de outros equipamentos vinculados à função do grupo gerador (geração de energia), classificase em 8502.31.00: Fonte:http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/classificacao fiscaldemercadorias/compendioceclamfev2019/view Entendo que a SD 29/2017 é mais uma constatação que aponta o desacerto da fiscalização na reclassificação. No mesmo sentido das conclusões aqui esposadas (classificação fiscal de aerogerador em 8502.31.00), as manifestações do CARF, nos acórdãos n° 3201002.248 e 9303003.872. Por conseguinte, restando irrepreensível a classificação adotada pelo contribuinte, não há falarse em aplicação de multa de ofício. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10830.726952/201441 Acórdão n.º 3301005.698 S3C3T1 Fl. 1.045 20 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 1045DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728992/2015-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO.
Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial.
Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe-se o não reconhecimento da isenção no caso concreto.
Numero da decisão: 2402-007.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente JOÃO BOSCO SOARES DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois prérequisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe se o não reconhecimento da isenção no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 89 92 /2 01 5- 06 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10580.728992/201506 Acórdão n.º 2402007.113 S2C4T2 Fl. 285 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 3ª Tuma da DRJ/SDR, consubstanciada no Acórdão nº 1540.656 (fls. 118), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: O interessado impugna lançamento do anocalendário 2012, onde foram constatadas as seguintes irregularidades, que resultaram em imposto suplementar de R$ 8.032,10: 1) Rendimentos omitidos, informados como isentos por moléstia grave: R$ 169.170,02. 2) Rendimentos omitidos, declarados acima do limite de isenção dos maiores de 65 anos: R$ 8.926,96. 3) Rendimentos recebidos acumuladamente, redução no nº de meses de acúmulo de 115 para 8,5. De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte apresentara laudo médico pericial da Previdência de Salvador (PREVIS, fls. 25), emitido em 2015, com informação de que é portador de CID A15 (Tuberculose pulmonar com confirmação por exame microscópico da expectoração, com ou sem cultura) desde 2005. O relatório da perícia, porém (fls. 23), informa que o paciente vinha sendo acompanhado desde 2005, mas que apenas a partir de abril de 2013 apresentou quadro clínico, radiológico e bacteriológico de CID A15. Quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente, o número total de meses de acúmulo era de 128. O total a ser recebido era de R$ 823.436,49. O valor da primeira parcela recebida foi de R$ 55.980,00. O número de meses proporcional a esta parcela é de 8,5 meses. O impugnante argumenta, em síntese, que o valor de R$ 55.980,00 recebido na ação judicial em 2012 não pode ser considerado juntamente com o total a que tem direito na ação judicial, pois é uma parcela única, denominada “de prioridade”, direito especial dos deficientes e portadores de moléstia grave maiores de 60 anos, composta em si mesma de 115 meses de acúmulo. Quanto à isenção por moléstia grave, argumenta que a data de início da doença está firmada no laudo pericial oficial como sendo 2005, restando cumprida a exigência legal para reconhecimento da isenção a partir desta data. Era portador desde 2005 dos agentes latentes e desencadeadores da tuberculose em 2013. O próprio relatório da perícia informa que Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10580.728992/201506 Acórdão n.º 2402007.113 S2C4T2 Fl. 286 3 vinha com sintomas respiratórios e radiológicos desde 2005, e menciona também sequelas pulmonares evidenciadas em tomografia desde 2005. A DRJ julgou procedente improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos do Acórdão 1540.656 (fls. 118), cuja ementa reproduzse a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RENDIMENTOS ACUMULADOS. PROPORCIONALIDADE. No caso de rendimentos acumulados recebidos em parcelas, a quantidade de meses de acúmulo deve ser distribuída proporcionalmente ao montante recebido em cada períodobase. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. A isenção por moléstia grave se restringe às patologias enumeradas na lei, quando identificadas em laudo pericial oficial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 127, pugnando pelo reconhecimento do seu "direito líquido e certo de pedir revisão da decisão acordada supra, objetivando sua isenção de imposto de renda, quaisquer que sejam as origens das parcelas, a partir de 2005 (...) por ser portador de moléstia grave". Ato contínuo, às fls. 173, o contribuinte apresentou um aditamento ao recurso voluntário, manifestandose sobre as seguintes infrações: * rendimentos omitidos, declarados acima do limite de isenção dos maiores de 65 anos e * rendimentos recebidos acumuladamente, redução no nº de meses de acúmulo de 115 para 8,5. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, a Fiscalização apurou Imposto de Renda Suplementar em decorrência da constatação das seguintes infrações à legislação tributária: 1) Rendimentos omitidos, informados como isentos por moléstia grave: R$ 169.170,02. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10580.728992/201506 Acórdão n.º 2402007.113 S2C4T2 Fl. 287 4 2) Rendimentos omitidos, declarados acima do limite de isenção dos maiores de 65 anos: R$ 8.926,96. 3) Rendimentos recebidos acumuladamente, redução no nº de meses de acúmulo de 115 para 8,5. Em sua peça recursal, a irresignação do contribuinte se restringe, como visto, a pugnar pelo direito líquido e certo de pedir revisão da decisão acordada supra, objetivando sua isenção de imposto de renda, quaisquer que sejam as origens das parcelas, a partir de 2005 (...) por ser portador de moléstia grave. Dessa forma, não serão considerados no presente voto, as alegações do contribuintes apresentadas em sede de Aditamento ao Recurso Voluntário referentes às infrações de a) rendimentos omitidos, declarados acima do limite de isenção dos maiores de 65 anos e b) rendimentos recebidos acumuladamente, redução no nº de meses de acúmulo de 115 para 8,5, já que tais alegações deveriam ter sido apresentadas no próprio recurso voluntário, sob pena de preclusão. Sobre o pedido de isenção por ser portador de moléstia grave, a DRJ concluiu que: O inciso XIV, art. 6º da Lei 7.713/1998, inclui a tuberculose ativa entre as moléstias que dá direito à isenção do imposto de renda. O laudo pericial apresentado pelo contribuinte, emitido em 2015, atesta que o aposentado seria portador de tuberculose desde 2005, mas não especifica se esta condição estava presente em todo este período como tuberculose ativa. O próprio relatório de perícia da PREVIS (fls. 23) menciona indícios da doença desde 2005, mas a tuberculose propriamente dita somente foi confirmada, de acordo com este mesmo relatório, em abril de 2013. O próprio impugnante reconhece a natureza recidiva da doença, o que significa que nem sempre a moléstia se manifesta na sua forma ativa. Se a lei restringe o direito à isenção à tuberculose ativa é porque este direito não vale para outras formas latentes da doença. Não cabe à Administração estabelecer conclusões médicas não contidas no laudo pericial para estabelecer o direito à isenção. Como dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional, as normas que definem isenções devem ser interpretadas literalmente. Pois bem!! Da Moléstia Grave Quanto à alegação de que o Interessado faria jus a isenção do imposto de renda em razão de ser portador de moléstia grave, fazse mister salientar que a isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei nº 7.713, de 1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: Art.6 (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10580.728992/201506 Acórdão n.º 2402007.113 S2C4T2 Fl. 288 5 profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei nº 9.250, de 26/12/1995. Vejamos, in verbis, o teor do artigo 30 da referida lei: Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao normatizar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, e alterações posteriores, assim esclarece: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia (...) 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10580.728992/201506 Acórdão n.º 2402007.113 S2C4T2 Fl. 289 6 Registrese, pela sua importância que, no caso concreto, o requisito referente à comprovação da natureza dos valores recebidos, já restou superado tanto pela fiscalização, quanto pela DRJ. De fato, conforme Notificação Fiscal (fls. 97), temse que: O Laudo Médico Oficial informa que o contribuinte foi periciado em 13/01/15, sendo portador de CID 10 A15 , desde 2005, devendo retornar em dois anos para reavaliação. O relatório e questionário PREVIS da médica assistente, informam que o contribuinte vem sendo acompanhado desde 2005, mas apenas a partir de abril/2013 apresentou quadro clinico, radiologico e bacteriologico de CIO A15. No caso em análise, a DRJ, como visto, concluiu que o laudo pericial apresentado pelo contribuinte, emitido em 2015, atesta que o aposentado seria portador de tuberculose desde 2005, mas não especifica se esta condição estava presente em todo este período como tuberculose ativa. O próprio relatório de perícia da PREVIS (fls. 23) menciona indícios da doença desde 2005, mas a tuberculose propriamente dita somente foi confirmada, de acordo com este mesmo relatório, em abril de 2013. Razão assiste ao Recorrente! Isto porque, ao contrário do quanto afirmado pela DRJ, o relatório de perícia da PREVIS (fls. 23 e seguintes), é expresso ao afirmar a data de início da doença como sendo o ano de 2005, conforme Item 3 do referido relatório, abaixo reproduzido: O que ocorreu em 2013, foi um agravamento da doença e não a confirmação da existência desta, conforme atestado no Item 2, igualmente reproduzido abaixo: Ademais, não se deve olvidar a existência nos autos de Laudo Médico Pericial, também da PREVIS, atestando de forma expressa que o contribuinte é portador de moléstia grave desde 2005: Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10580.728992/201506 Acórdão n.º 2402007.113 S2C4T2 Fl. 290 7 No entender deste relator, tais laudos são claros e evidentes ao especificar a data de início da moléstia desde de 2005, o que, por si só, já seria o suficiente para reconhecer a isenção pleiteada pelo contribuinte no caso concreto. Impende ressaltar ainda que a própria DRJ já concluiu dessa forma, por ocasião do julgamento dos processos 10580.728295/201547 (referente ao AC 2010) e 10580.718297/201536 (referente ao AC 2011), nos seguintes termos, em síntese: A isenção por moléstia grave é disciplinada no art. 6°, inciso XIV da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, alterado pela Lei n°11.052, de 29 de dezembro de 2004. O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, art. 39, §§ 4° e 5°) dispõe que: (...) O interessado apresenta laudo médico oficial, compatível com essa exigência (fl.22), demonstrando que os proventos de aposentadoria percebidos em 2010 encontramse entre aqueles Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10580.728992/201506 Acórdão n.º 2402007.113 S2C4T2 Fl. 291 8 amparados pela isenção do imposto de renda por moléstia grave. Dessa forma, resta descaracterizada a omissão de rendimentos apontada no lançamento. Por fim, mas não menos importante, no que tange à questão da recidividade pontuada pela DRJ, anotese que em dezembro/2018 o Superior Tribunal de Justiça editou o enunciado da súmula de sua jurisprudência de nº 627, segundo o qual "o contribuinte faz jus à concessão ou à manutenção da isenção do Imposto de Renda, não se lhe exigindo a demonstração da contemporaneidade dos sintomas da doença nem da recidiva da enfermidade". Neste contexto, sendo o Recorrente portador de moléstia grave prevista na legislação de regência da matéria e sendo os rendimentos por si percebidos proventos de aposentadoria, fato não contestado pela fiscalização, registrese, impõese o reconhecimento do seu direito à isenção do IR no caso concreto. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, reconhecendose a isenção do IRPF sobre os valores percebidos pelo contribuinte da fonte pagadora Instituto de Previdência do Salvador, no montante de R$ 169.170,02. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 291DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720382/2016-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2012 a 29/02/2012
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE.
O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos.
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESA POR INCORPORAÇÃO. MULTA EXIGIDA DA EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO.
No que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", a expressão "créditos tributários" compreende não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias. A transferência da responsabilidade por sucessão aplica-se, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, §3°,da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2201-004.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESA POR INCORPORAÇÃO. MULTA EXIGIDA DA EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO. No que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade dos Sucessores", a expressão "créditos tributários" compreende não apenas aqueles decorrentes de tributos, mas também os oriundos de penalidades pecuniárias. A transferência da responsabilidade por sucessão aplicase, por igual, aos créditos tributários já definitivamente constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, §3°,da Lei 9.430/96. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 03 82 /2 01 6- 14 Fl. 733DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 734 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão 0658.124 5a Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a sua impugnação. Adoto, em parte, o relatório do acórdão recorrido por sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: O presente processo tem por objeto Autos de Infração lavrados para apuração de contribuições sociais previdenciárias e contribuições destinadas a outras entidades e fundos relativas à competência 02/2012, devidas pelo sujeito passivo BV FINANCEIRA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO (CNPJ n° 01.149.953/000189) na condição de sucessora da empresa CP PROMOTORA DE VENDAS S/A (CNPJ sob n° 06.864.377/000175). Os valores totais apurados nos Autos de Infração foram os seguintes: AI relativo à Contribuição Previdenciária da Empresa (fls. 231 a 236) CONTR RISCO AMBIENT/APOSENT ESPEC LANÇ OF R$ 557.676,87 JUROS DE MORA (Calculados até 06/2016) R$ 239.577,98 MULTA PROPORCIONAL (75%) R$ 418.257,65 CP PATRONAL CONTRIB EMPRESA/EMPREGADOR L O R$ 5.138.458,23 JUROS DE MORA (Calculados até 06/2016) R$ 2.207.481,65 MULTA PROPORCIONAL (75%) R$ 3.853.843,67 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (TOTAL) R$ 12.415.296,05 AI relativo à Contribuição para Outras Entidades e Fundos (fls. 238 e 246) Fl. 734DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 735 3 CONTRIB TERC SENAC LANÇAMENTO DE OFÍCIO R$ 256.922,91 JUROS DE MORA (Calculados até 06/2016) R$ 110.374,08 MULTA PROPORCIONAL (75%) R$ 192.692,18 CONTRIB TERC SESC LANÇAMENTO DE OFÍCIO R$ 385.384,36 JUROS DE MORA (Calculados até 06/2016) R$ 165.561,12 MULTA PROPORCIONAL (75%) R$ 289.038,27 CONTRIB TERC INCRA LANÇAMENTO DE OFÍCIO R$ 51.384,58 JUROS DE MORA (Calculados até 06/2016) R$ 22.074,81 MULTA PROPORCIONAL (75%) R$ 38.538,43 CONTRIB TERC SALÁRIO EDUCAÇÃO LANÇ OFÍCIO R$ 642.307,27 JUROS DE MORA (Calculados até 06/2016) R$ 275.935,20 MULTA PROPORCIONAL (75%) R$ 481.730,45 CIDE CONTRIB TERC SEBRAE/APEX/ABDI LANÇ OFÍCIO R$ 154.153,74 JUROS DE MORA (Calculados até 06/2016) R$ 66.224,44 MULTA PROPORCIONAL (75%) R$ 115.615,30 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (TOTAL) R$ 3.247.937,14 Segundo consta nos Autos de Infração e no Relatório Fiscal de fls. 248 a 278, a infração apurada consistiu na falta de oferecimento à tributação de valores pagos a empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR em desacordo com a lei específica que trata da matéria. O conteúdo do Relatório Fiscal pode ser resumido da seguinte forma: O procedimento fiscal teve início em 23/11/2015, para auditoria da pessoa jurídica CP Promotora de Vendas S/A (CNPJ sob n° 06.864.377/000175), a qual foi incorporada pela empresa BV Financeira S.A. Crédito Financiamento e Investimento (CNPJ 01.149.953/000189), conforme consta na Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 31/07/2013 e na informação prestada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue em 29/08/2013. Nos termos do artigo 132 do Código Tributário Nacional e do art. 496 da Instrução Normativa RFB n° 971/2009, a empresa BV Financeira S.A. Crédito Financiamento e Investimento é responsável pelos créditos tributários apurados na auditoria efetuada na empresa incorporada. Os fatos geradores das contribuições apuradas são as remunerações pagas pela pessoa jurídica fiscalizada a Fl. 735DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 736 4 segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a legislação específica. Essas contribuições não foram recolhidas, nem declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. Os valores dos pagamentos de PLR foram obtidos em planilha fornecida pela empresa e confirmados nas folhas de pagamento e na contabilidade da mesma. De acordo com o disposto no art. 7°, XI, da Constituição Federal, do art. 28, § 9°, j, da Lei n° 8.212/91 e do art. 214, § 9°, X, do Decreto n° 3.048/99, a participação nos lucros e resultados só não integra o salário de contribuição quando é paga em conformidade com lei específica. A regulamentação dessa matéria deuse com a Medida Provisória n° 794/1994, que foi reeditada diversas vezes, até a conversão na Lei n° 10.101/2000, a qual estabelece os requisitos necessários para que a participação nos lucros e resultados seja desvinculada da remuneração. De acordo com a Lei n° 10.101/2000, o programa de participação nos lucros ou resultados deve ser implantado como forma de integrar o capital e o trabalho, sendo imperioso o estabelecimento prévio dos indicadores que serão utilizados para esse fim. Para tanto, é fundamental que a negociação entre o empregador e os empregados se dê com a participação do sindicato da categoria e seja precedente ao período objeto da aferição dos lucros ou resultados, pois os pagamentos a serem efetuados a esse título devem estar vinculados a regras claras e objetivas. Os pagamentos a título de PLR foram encontrados na contabilidade da empresa (conta n° 89710200300005), bem como nas folhas de pagamento (rubrica 066 PLR Plano Próprio). De acordo com as informações prestadas pelo contribuinte à fiscalização, esses pagamentos foram realizados com base nos seguintes instrumentos de negociação: a) Termo de PLR dos Empregados, celebrado entre CP Promotora de Vendas S/A e Comissão de Empregados em 22/03/2011, referente ao ano base 2011, com vigência para o período de 01/01/2011 a 31/12/2011; b) Aditivo ao Termo de PLR, celebrado entre CP Promotora de Vendas S/A e Comissão em 04/07/2011, referente ao ano base 2011, com vigência no período de 01/09/2011 a 30/11/2011 e aplicável exclusivamente aos empregados de Negócios Externos. A empresa foi intimada a exibir a ata da eleição dos representantes dos empregados e apresentou Ata de Reunião para escolha da Comissão de Empregados realizada em 27/09/2010. Posteriormente, a empresa foi intimada a apresentar a ata de posse dos membros da Comissão e atas de reunião da empresa com a Comissão, e também para: informar se algum representante do sindicato da categoria participou de alguma reunião da Comissão para tratar de PLR; esclarecer e apresentar documentos que comprovem a comunicação e a publicidade a todos os empregados para participarem da Fl. 736DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 737 5 reunião para escolha dos membros da Comissão; esclarecer objetivamente como foram os procedimentos para pagamento de valores a título de PLR. Em resposta, a empresa apresentou Ata de Posse dos empregados membros da Comissão, realizada em 27/09/2010, e também uma Ata de Reunião entre os representantes da CP Promotora de Vendas S/A a Comissão de Empregados, realizada em 27/10/2010. Após análise desses documentos, a fiscalização efetuou nova intimação para maiores esclarecimentos sobre algumas informações prestadas, tendo a empresa apresentado resposta por meio de carta datada de 18/12/2016. Da análise dos documentos e esclarecimentos prestados pela empresa, a fiscalização concluiu que foi a própria diretoria da empresa que escolheu os membros da Comissão, pois os empregados apenas apuseram suas assinaturas em uma lista, concordando com uma nomeação previamente definida pela empresa, de forma obscura e nada transparente. Entendeuse que não há como reconhecer o caráter de bilateralidade, ou seja, de negociação, pois aos empregados não restou alternativa senão a aceitação da proposta unilateral de nomeação. Destacouse o fato de que na única reunião de tratativas para o PLR, foi apresentada uma proposta do Termo pela representante da empresa, a qual foi aprovada pela Comissão de Empregados sem que tenha havido uma negociação efetiva. Verificouse também que não houve participação efetiva do sindicato da categoria dos empregados na definição dos critérios da PLR. Foi efetuada intimação para que a empresa informasse se algum representante do sindicato participou presencialmente de alguma reunião da Comissão, bem como para apresentar documentos que comprovem que houve comunicação ao sindicato para participar da reunião de escolha dos membros da Comissão. Após análise da documentação apresentada pela empresa em resposta a essa intimação, a fiscalização chegou à conclusão de que não houve participação efetiva do representante do sindicato, que atuou como mero telespectador passivo. Destacouse que: a) o sindicato não integrou de fato a Comissão que celebrou o Termo de PLR datado de 22/03/2011; b) nenhum representante do sindicato esteve presente em qualquer reunião relativa ao acordo de PLR; c) não há evidência de que a minuta do acordo tenha sido enviada ao sindicato da categoria, o que ocorreu foi apenas remessa a posteriori do Termo de PLR para arquivamento, fato esse comprovado por carta emitida pelo sindicato; d) não houve participação do sindicato na celebração do Termo de PLR em 22/03/2011, o qual somente foi assinado pelos representantes do sindicato posteriormente, em 11/04/2011; e) embora a empresa alegue que o sindicato foi convidado a participar das reuniões, nenhum documento comprobatório foi apresentado. Foi apurada também a inexistência de regras claras e objetivas que possibilitassem aos empregados conhecer previamente os requisitos que deveriam ser atendidos para recebimento do PLR. Após análise do Termo de PLR de 22/03/2011, bem como dos Fl. 737DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 738 6 respectivos anexos (Anexo I, relativo aos empregados de negócios internos; Anexo II, relativos aos empregados de negócios externos; Anexo III, relativo à avaliação de desempenho), a fiscalização verificou que o Anexo I estabelece como elegíveis ao recebimento do PLR os empregados das áreas de negócios internos, mas em nenhum momento o plano ou o anexo define essa espécie de funcionário. Observouse também que a cláusula terceira do Anexo I determina que o valor da PLR dos empregados de negócios internos será obtido por meio de uma fórmula que contém um componente (VRI Valor Referencial Individual) que é atribuído a cada empregado de forma totalmente subjetiva pela empresa. Quanto ao Anexo II, relacionado aos empregados de negócios externos, constatouse que o pagamento da PLR ficou vinculado à produtividade do empregado, que tem sua meta estabelecida e avaliada de acordo com a produção individual, inexistindo meta para a empresa, mas apenas para o empregado, motivo pelo qual a fiscalização entendeu que se trata de remuneração variável paga de acordo com a produção, consistindo em verdadeira “comissão”, e não PLR. Considerouse também que no Anexo III é impossível identificar quais são as competências dos empregados avaliadas e a forma de tal avaliação, sendo que quase tudo que se refere à avaliação de desempenho consta somente na intranet da empresa. Em relação ao Aditivo de Termo de PLR, celebrado em 04/07/2011, com o qual foi criado o Anexo IIA ao Termo de PLR, aplicável apenas aos empregados de negócios externos, estabelecendo novas tabelas específicas para o período de 01/09/2011 a 30/11/2011, a fiscalização asseverou que se aplicam todas as observações feitas ao Termo de PLR, acima relatadas (falta de legitimidade da comissão, não participação do sindicato e ausência de regras claras e objetivas), valendo destacar que o Aditivo em questão foi assinado pelos representantes do sindicato somente no dia 18/07/2011, ou seja, posteriormente à sua celebração. A fiscalização discorreu ainda a respeito do art. 3°, caput, da Lei n° 10.101/2000, que determina que a participação nos lucros ou resultados não substitui ou complementa a remuneração do empregado, o que demonstra a preocupação do legislador em não permitir que a PLR seja utilizada em substituição de parcela salarial, o que não foi respeitado pela empresa, haja vista que no exame das folhas de pagamento observamse diversos casos em que o valor pago a título de PLR excedia em dezenas de vezes o salário base do empregado (havendo casos em que a PLR excede em mais de 50 vezes o salário base do funcionário). Daí concluise que na realidade a verba paga a título de PLR nada mais é do que instrumento de premiação/bonificação/comissão, com nítido caráter retributivo e em substituição salarial, sendo que para muitos empregados a PLR passou a ser a remuneração principal e, como tal, deve integrar o salário de contribuição. O sujeito passivo tomou ciência do Auto de Infração no dia 27/06/2016 (fls. 278) e apresentou impugnação tempestiva no Fl. 738DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 739 7 dia 27/07/2016 (fls. 282 322), com as alegações a seguir sintetizadas: Alega que as verbas incluídas na base de cálculo do lançamento não possuem natureza remuneratória, nem compõem o salário de contribuição dos beneficiários, pois são imunes à incidência previdenciária em razão de terem sido pagas nos exatos termos do Programa de Participação nos Resultados e seu aditivo, devidamente enquadrado na Lei n° 10.101/2000 e com observância do art. 7°, XI, da Constituição Federal. Apresenta um resumo das principais características/previsões do PPR, elenca alguns excertos do termo original do PPR e do seu aditivo, bem como do comprovante de arquivamento do termo no sindicato da categoria. Afirma que as alegações fiscais são insubsistentes, pois além de olvidarem a regularidade da PLR paga, também se distanciam da essência da legislação específica (Lei 10.101/2000), pois resta claro que no caso foi alcançada a integração entre o capital e o trabalho. Destaca o zelo da empresa quanto ao cumprimento da referida lei, tanto na elaboração do PPR e seu aditivo, quanto no cumprimento e no pagamento da verba, podendo se afirmar com segurança que os requisitos legais foram cumpridos, notadamente na finalidade primordial da PLR, que é a de integrar o capital e o trabalho. Discorre sobre a previsão constitucional de que a PLR é desvinculada da remuneração e imune às contribuições previdenciárias, bem como a respeito da evolução da legislação relativa à PLR. Conclui que a regulamentação do art. 7°, XI, da Constituição Federal, efetuada inicialmente por diversas Medidas Provisórias e por fim pela Lei 10.101/2000, sempre visou garantir a integração entre o capital e o trabalho, de modo que os requisitos legais da PLR não possuem outro objetivo senão assegurar que a PLR atenda a essa finalidade, bem como evitar que as empresas remunerem empregados sob a roupagem de PLR. Desse modo, uma vez cumprida a essência da negociação da PLR entre trabalhadores e empresa, os pagamentos efetuados a esse título não podem ser submetidos à incidência de contribuições previdenciárias, sob pena de desestimular as empresas de concretizar a expectativa constitucional. Salienta que o AuditorFiscal discordou de alguns aspectos formais do pagamento da verba, mas não refutou o fato de que houve atendimento da mens legis (integração entre capital e trabalho), restando assim demonstrada a qualificação material da PLR da autuada. Contesta a afirmação da fiscalização de que os empregados não estavam devidamente representados na Comissão que efetuou a negociação da PLR. Afirma que, ao contrário do que entendeu a fiscalização, não foi a empresa quem escolheu os membros da Comissão, mas sim os próprios empregados. Destaca a diferença entre “escolher os membros da comissão” e “indicar/sugerir os candidatos a membros da comissão”, e destaca que no caso, a diretoria da empresa não “escolheu os membros da comissão”, mas limitouse a “sugerir/indicar os candidatos”. Defende que o Fl. 739DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 740 8 fato de haver uma indicação prévia sugerida pela empresa não prejudica a efetiva escolha da comissão, pois se a legitimidade da comissão dependesse de que os empregados indicassem os candidatos, haveria um risco provável de inviabilidade da comissão em razão do enorme número de candidatos possíveis (a empresa possuía 1.390 empregados em 2012), o que prejudicaria a definição da PLR e seu pagamento, o que vai totalmente contra a legislação e a finalidade do instituto. Afirma que a comissão foi formada por representantes de empregados, efetivamente escolhidos pelos próprios empregados mediante aprovação dentre as pessoas indicadas pela diretoria da empresa. Descreve como foi o processo de eleição dos membros da Comissão de Empregados: 1) inicialmente a diretoria da empresa sugeriu ao departamento de recursos humanos alguns nomes de empregados para integrar a Comissão; 2) O departamento de recursos humanos convocou todos os empregados da empresa para a reunião de nomeação dos representantes; 3) a comissão foi formalizada com a aprovação de 89% dos empregados, mediante assinatura de lista. Conclui que a escolha dos representantes dos empregados que integrariam a Comissão coube de fato aos próprios empregados e destaca que não houve qualquer reclamação ou crítica de um ou mais empregados acerca da composição da Comissão. Enfatiza que os próprios empregados seriam os primeiros a se insurgirem e criticarem eventual vício na representação pela Comissão, mas o processo de eleição transcorreu tranquila e regularmente, denotandose assim a plena integração e respeito entre as partes. Alega ainda que o entendimento fiscal equivale a admitir a criação de regra não prevista na legislação, pois não consta da Lei n° 10.101/2000 qualquer proibição à indicação/sugestão dos candidatos a membros da Comissão dos Empregados. Questiona o entendimento da fiscalização de que não houve efetiva participação sindical na negociação da PLR. Menciona os documentos que comprovam que o Sindicato atuou na negociação e arquivamento do PPR, destacando a assinatura dos representantes sindicais no Termo de PPR e no respectivo Aditivo, bem como o ofício de arquivamento do PPR expedido pelo sindicato. Afirma que esses elementos não deixam dúvidas quanto à efetiva participação sindical no PPR e salienta que a própria autoridade fiscal reconheceu isso ao afirmar que o sindicato “chancelou” tudo quanto decidido. Argumenta que o art. 2° da Lei n° 10.101/2000 não prescreve o modo de atuação do sindicato na sua participação na comissão, mas tão somente estabelece que ele deve integrála, sendo inadmissível a descaracterização da participação sindical com base em elementos subjetivos, tais como os indicados pela fiscalização. O argumento do fiscal somente teria lugar se o sindicato simplesmente não participasse da celebração do instrumento que lastreia o pagamento da PLR, o que significa dizer: o descumprimento da Lei 10.101/2000 só estaria caracterizado se o sindicato não assinasse o instrumento e refutasse seu conteúdo. Destaca que no caso o sindicato efetivamente participou da negociação/celebração do PRR, o que é evidenciado pelas assinaturas apostas nos instrumentos (termo original e aditivo) e Fl. 740DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 741 9 pela confirmação e aquiescência do sindicato quanto ao arquivamento desses instrumentos. Conclui que resta claro que o AuditorFiscal pretendeu aplicar um requisito inexistente na legislação, que é a “efetiva” participação sindical. Argumenta que ainda que não houvesse prova da efetiva participação sindical no PPR, a autuação seria igualmente improcedente nesse ponto, pois os termos da Lei 10.101 reside justamente na existência de debate e negociação entre empregador e empregado, tendo a intervenção do sindicato função essencialmente observadora e aconselhadora, com a finalidade de tutelar os interesses dos empregados. A presença sindical não se presta a conferir higidez à PLR, tampouco para fins previdenciários, pois essa exigência não consta da lei com tal finalidade. Cita texto doutrinário de Sidney Sanches e Kioshi Harada no sentido da não obrigatoriedade da participação sindical no acordo para distribuição de PLR firmado por comissão escolhida pelas partes. Menciona também decisão do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a ausência de intervenção do sindicato nas negociações apenas afastaria a vinculação dos empregados aos termos do acordo, mas não teria o condão de afastar a imunidade de que goza a PLR (REsp n° 865.489/RS). Refuta também a afirmação da fiscalização no sentido de que o PPR não conteria regras claras e objetivas. Afirma que não merece prosperar a afirmação de que o fato de a PLR basearse em critério de produtividade e estar baseada em metas supostamente estabelecidas e avaliadas segundo a produção individual do empregado relacionada ao seu salário caracterizaria violação aos requisitos da Lei 10.101/2000. Destaca que o art. 2° da Lei conferiu ampla autonomia às partes para elaborar os instrumentos e definir os parâmetros acerca dos direitos substantivos e participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo. Assim, a legitimidade do acordo de PLR não está condicionada à adoção de critérios e condições fixados em lei, pois o próprio legislador considerou como facultativos aqueles previstos nos incisos I e II do § 1° do art. 2° da Lei 10.101/2000, os quais nada mais são do que uma sugestão do legislador. Nesse sentido, cita o Acórdão n° 9202 0033370 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e afirma que há entendimento pacificado na Câmara Superior do CARF nos sentido de que não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos de PLR a serem celebrados. Quanto à afirmação da fiscalização de que não seria possível determinar quem seriam os “empregados da área de negócio internos” mencionados no PPR, afirma que tais empregados são todos aqueles que não se incluem no conceito de “empregados de negócios externos”, sendo tal diferenciação absolutamente clara aos funcionários da empresa. No que tange à afirmação da fiscalização de que a fórmula para obtenção do valor a ser distribuído para os “empregados de negócios internos” conteria um critério subjetivo, alega que o fato de um dos componentes da fórmula levar em consideração valores referenciais não infringe os requisitos da Lei n° 10.101/2000. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 742 10 Quanto à avaliação de desempenho, afirma que o Anexo III do PPR contém os requisitos e condições cujo cumprimento conferia ao empregado o direito ao recebimento do PLR. Destaca que os critérios de avaliação eram definidos em Resultados e Competências, cita trechos do Anexo III e menciona exemplos de cálculo da PLR de alguns empregados referentes ao período autuado. Conclui que assim resta afastada a alegação fiscal de que o plano de PPR não possuiria regras claras e objetivas. Alega que a PLR paga não foi utilizada como substituição ou complemento da remuneração devida a empregados. Afirma que a Lei n° 10.101/2000 não estabelece que os pagamentos de PLR devam respeitar um limite ou representar certo percentual dos salários dos empregados. Argumenta que seria ilógica qualquer previsão legal que limitasse valores de PLR, pois essa verba visa estimular e premiar o empregado pelo bom desempenho profissional, tendo em vista a integração entre o capital e o trabalho. Nesse sentido, cita texto doutrinário de Sérgio Pinto Martins e os Acórdãos n°s 2301003.755 e 2301004.320 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e conclui que não se pode admitir a descaracterização da PLR com base na suposta discrepância em relação ao salário do empregado. Contesta a aplicação da multa de ofício, tendo em vista que as infrações foram praticadas pela empresa CP Promotora de Vendas S/A, a qual foi incorporada pela autuada em 07/2013. Salienta que o lançamento foi efetuado após a incorporação, motivo pelo qual a incorporadora não pode ser responsabilizada pela sanção, pois nos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade do sucessor compreende apenas os tributos devidos até a data da incorporação, e não eventuais penalidades ainda não aplicadas. Explica que isso ocorre porque o tributo advém da obrigação tributária nascida com a ocorrência do fato gerador (préexistente à incorporação), o que não ocorre com a penalidade, a qual advém exclusiva e necessariamente do lançamento de ofício (posterior à incorporação) e não se inclui no patrimônio do sucedido a ser transferido para o sucessor. Nesse sentido, cita textos doutrinários de Pedro Martins Fernandes e Sacha Calmon Navarro Coelho, bem como decisão do Supremo Tribunal Federal e decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Destaca a Súmula n° 47 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo a qual é “cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico”, ressalvando, porém, que no presente caso inexiste alegação fiscal nem comprovação de que a CP Promotora e a impugnante estavam sob controle comum e/ou pertenciam a mesmo grupo econômico no período autuado. Afirma que a RFB tem por praxe aplicar juros de mora também sobre a parcela da multa, o que não se afigura correto à luz da legislação tributária, pois sob a ótica dos artigos 113, 139 e 161 Fl. 742DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 743 11 do Código Tributário Nacional, não há previsão para cobrança de juros de mora sobre multa. Alega que da interpretação sistemática desses preceitos concluise que com a ocorrência do fato gerador de um tributo ou de uma multa, surge uma obrigação cujo adimplemento acarreta a incidência de juros de mora, os quais incidem sobre o tributo ou sobre a multa mas não sobre ambos. Destaca que a incidência de juros de mora sobre a multa seria cabível tãosomente na hipótese de multa cobrada isoladamente, conforme previsto no art. 43, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96. Invoca também o art. 61, § 3°, da referida lei, que prevê a incidência de juros sobre os tributos e contribuições que não forem pagos no vencimento, os quais não podem ser confundidos com eventuais multas. Em relação a esse tema, cita o Acórdão n° 910100.722 da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ao final, com base nesses argumentos, a empresa autuada requereu o conhecimento e a procedência de sua impugnação, com o conseqüente cancelamento da autuação e exoneração do crédito tributário nela consignada, inclusive no que tange à multa aplicada por fato gerador anterior à incorporação da empresa CP Promotora de Vendas S/A. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 611/636): PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A participação nos lucros ou resultados só pode ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias quando paga pela empresa em total conformidade com a lei específica que disciplina a matéria. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. A responsabilidade tributária da empresa que sucede outra por incorporação abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. A multa de oficio é parte integrante do crédito tributário e, nessa condição, está sujeita à incidência dos juros de mora, conforme previsto nos artigos 113, § 1°, 139, e 161 do Código Tributário Nacional. Em face da referida decisão, a contribuinte manejou Recurso Voluntário (fls.644/689), alegando, substancialmente, as mesmas razões da impugnação, acrescentando que: Fl. 743DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 744 12 ao analisar a ausência de regras claras e objetivas em plano semelhante ao ora autuado, no qual consta, inclusive, componente similar àquele que a Fiscalização afirma corresponder a “valor atribuído pela empresa a seus empregados de forma totalmente subjetiva e, assim, em desacordo com a legislação que proíbe a subjetividade de critérios”, este C. CARF reconheceu a higidez do acordo em disputa no PA n° 16327.721070/201113, inclusive, quanto à existência de regras claras e objetivas. Por fim, requer sejam riscadas as informações desrespeitosas constantes na declaração de voto da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator AAddmmiissssiibbiilliiddaaddee O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. CCoonnssiiddeerraaççõõeess IInniicciiaaiiss De início, impende ressaltar que a decisão recorrida, por maioria de votos, afastou a irregularidade apontada pela Fiscalização em relação à ausência de legitimidade da comissão que representou a empresa na negociação da PLR. Consta na referida decisão, uma declaração de voto em que a recorrente afirma que foram usados termos desrespeitosos em sua fundamentação, requerendo que as palavras utilizadas sejam riscados, a teor do que dispõe o art. 16, §2º, do Decreto nº 70.235/1972. Todavia, o pleito da recorrente não pode ser acolhido, a uma, porque o julgador tem liberdade para motivar o seu convencimento, a duas, porque a norma inserta 16, §2º, do Decreto nº 70.235/1972 não é dirigida à autoridade julgadora, mas sim ao contribuinte. DDoo MMéérriittoo DDaa PPaarrttiicciippaaççããoo nnooss LLuuccrrooss ee RReessuullttaaddooss Considerando a matéria sob julgamento, temos a observar, preliminarmente, que a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa é um direito social de matriz constitucional, e regulada no plano infraconstitucional pela Lei n° 10.101/2000, como segue: Constituição Federal 1988 Art. 7° São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Fl. 744DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 745 13 (...) (grifos nossos) Lei n° 10.101/2000 (Texto vigente à época do Período de Apuração) Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1 oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) (grifos nossos) Embora a CF/88 assegure o direito dos empregados à participação nos lucros ou resultados das empresas, tal comando é de eficácia limitada, ou seja, depende de lei ordinária federal para sua aplicação plena. O legislador constituinte, ao estabelecer aquele direito social, desvinculado da remuneração, remeteu à lei ordinária o poder de disciplinar o acesso dos empregados àquele direito, definindo o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício para fins tributários, seja quanto à incidência do Fl. 745DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 746 14 imposto de renda, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Assim, somente com a superveniência da Medida Provisória n° 794/1994, sucessivamente reeditada e com numeração variada até a MP 1.98277, de 23 de novembro de 2000, convertida na Lei n° 10.101/2000, é que foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito dos trabalhadores àquela participação, desvinculada da remuneração. A Lei n° 10.101/2000, deixa explícito que a PLR tem como um dos seus objetivos incentivar a produtividade, e o § 1° do artigo 2° determina que as regras para o pagamento da PLR devem constar do documento que fixa os termos da negociação. Ora, a concessão da PLR sem a exigência de meta a ser atingida não cumpre o objetivo de incentivar a produtividade. Do instrumento de negociação firmado entre as partes devem constar regras claras e objetivas das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para que ocorra o pagamento ou crédito da parcela correspondente à participação nos lucros ou resultados (direito substantivo), conforme disposto no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/2000. Nesse contexto, logicamente, os trabalhadores precisam saber previamente dos critérios e condições acordados com a empresa, constantes daquele instrumento de negociação, tais como metas, resultados, índices de produtividade ou lucratividade, dentre outros, de forma que possam, de forma periódica, acompanhar e avaliar a evolução dos indicadores vinculados ao pagamento da PLR. Desta forma, na hipótese de haver outro documento detalhando as regras, ele fará parte integrante do primeiro instrumento e, da mesma forma que este, aquele também deve ser celebrado antes do início do cumprimento das condições para a PLR. Do exame dos dispositivos contidos na Lei n° 10.101/2000, temos que, afora os parâmetros nela estabelecidos, não constam regras detalhadas sobre as características dos acordos a serem celebrados, de forma que os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do art. 2°, tem liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As disposições contidas na Lei n° 10.101/2000, nos permitem inferir, portanto, que o objeto do acordo não pode se limitar à simples concessão da parcela atinente à PLR, independentemente de fixação dos objetivos a serem alcançados. Os exemplos reportados na Lei em comento indicam que algum lucro ou resultado deve ser perseguido, de forma que a natureza jurídica específica de tal verba seja preservada. Assim, o pagamento da PLR não se constitui em mera gratificação legalmente prevista, mas em verdadeiro mecanismo de integração entre o capital e o trabalho, pois, atingidas as metas estabelecidas no acordo ou convenção coletiva, tanto os trabalhadores como os empregadores sairão beneficiados. Com as considerações acima, passase à análise da matéria sob o enfoque da legislação previdenciária, notadamente quanto à integração ou não da referida verba no conceito de salário de contribuição para fins de determinação da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse contexto, a Lei n° 8.212/1991, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, assim trata do conceito de salário de contribuição bem como das hipóteses de nãoincidência tributária, conforme segue: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, Fl. 746DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 747 15 durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (grifos nossos). Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9°Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. (...) (grifos nossos) Os Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho CCT são instrumentos de negociação e previsão de direitos reconhecidos pela Constituição Federal, mas nunca podem alterar a disciplina que a lei, previamente, traz em relação a um determinado instituto. O conhecimento da lei, inescusável que é, contorna a atividade tanto do empregador quanto dos trabalhadores, de modo que se os mesmos quiserem estipular a participação, não tributável, nos lucros e/ou resultados da empresa (PLR), devem estabelecer condições que se afinem aos postulados da norma regulamentadora, no caso, a Lei n° 10.101/2000. A Lei n° 10.101/2000 permite a livre negociação entre as partes, desde que com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos (necessidade de o programa estar vinculado ao alcance do lucro ou dos resultados), e quanto às regras adjetivas (possibilidade de se aferir o cumprimento das metas da empresa, como um todo). Fl. 747DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 748 16 É, portanto, um acordo prévio quanto aos direitos e quanto às obrigações. O Acórdão CARF n° 240100.545, de 19/08/2009, é nesse sentido: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados é a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Com essas considerações, podese perceber que o objetivo do legislador é a integração do trabalhador na empresa, não de forma aleatória, mas efetiva, de modo que uma melhor produtividade, melhor eficiência, ou melhores índices alcançados pelo empreendimento resultem na participação dos empregados no capital social. Para tanto, a Lei 10.101/2000, pressupõe a existência de regras, as quais, efetivamente, devem ser cumpridas pelas partes. As partes acordantes são os empregados e o empregador, mas sempre com a participação do Sindicato dos trabalhadores, seja através de um representante indicado pela entidade (inciso I do artigo 2° da Lei n° 10.101, de 2000), seja por instrumento de Convenção ou Acordo Coletivo de trabalho (inciso II do referido artigo 2°). Resta, pois, verificar, para a situação apresentada nos autos, se foram perseguidos nos acordos celebrados os ditames estabelecidos pela legislação de regência. A decisão de piso afastou a irregularidade apontada pela Fiscalização no que concerne à ausência de legitimidade na representação da comissão de empregados. Contudo, foram confirmadas pela decisão de piso as seguintes irregularidades apontadas pela Fiscalização. Participação de representante sindical nas negociações. Existência de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e quanto aos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Os pagamentos efetuados a título de PLR excederiam “várias vezes” o salário base dos empregados, o que denotaria o caráter retributivo de tais verbas, pelo que deveriam integrar a remuneração. DDaa ppaarrttiicciippaaççããoo ddoo rreepprreesseennttaannttee ssiinnddiiccaall nnaass nneeggoocciiaaççõõeess Não obstante as informações trazidas pela autoridade fiscal, no sentido de que o representante sindical deixou de participar de algumas reuniões, bem como o fato de o próprio Fl. 748DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 749 17 contribuinte fazer afirmações nesse sentido, é fato incontroverso que os representantes sindicais apuseram suas assinaturas no instrumento que formalizou a PLR em apreço. Considerando que as cláusulas pactuadas em um acordo de PLR não são de adesão, nem a entidade sindical e seus representantes podem ser considerados partes hipossuficientes, como são os empregados, não posso concordar com o entendimento da autoridade fiscal, o qual foi ratificado pela autoridade julgadora de primeira instância, no sentido de que não houve participação do representante sindical nas negociações da PLR. A meu ver, somente a ausência de assinatura do representante da entidade sindical no instrumento de PLR poderia levarme a concluir que o representante não participou das negociações, ou a prova de que tenha ocorrido vício de consentimento em uma assinatura eventualmente aposto sem representar a manifestação de vontade da entidade sindical. De acordo com a Lei nº 10.101/2000, na redação à época da ocorrência do fato gerador: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Como se vê, a lei não prevê formalidades especiais, como a existência de reuniões presencias registradas. As negociações não tem modo determinado, podendo o meio ser livremente escolhido pelas partes. Diante da assinatura dos representantes sindicais sem aparente vício na manifestação de vontade, presumeme que os termos da PLR foi negociado nos termos exigidos pela lei. Destarte, entendo que a recorrente não descumpriu o requisito de negociação com a presença de representante indicado pelo sindicato dos seus empregados. DDaa ffiixxaaççããoo ddee rreeggrraass ccllaarraass ee oobbjjeettiivvaass Quanto a este aspecto, é necessário salientar que a decisão de piso reformou o entendimento da autoridade fiscal, no sentido de que são claras e objetivas as regras da PLR quanto a definição do grupo de beneficiários “empregados de negócios internos”. Entretanto, entendimento desfavorável à tese da recorrente foi assentado pela DRJ nos seguintes termos: Um dos critérios para pagamento da PLR era a Avaliação de Desempenho, cuja estrutura era composta por “Resultados” e “Competências”. Os “Resultados” eram os previstos nos Anexos I e II. Já as “Competências” estão previstas de forma totalmente genérica, como um “conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que possibilitam o desempenho de determinada função e o alcance de resultados concretos”. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 750 18 Fica evidente que o Termo do PLR não definiu quais seriam as competências para cada cargo e área de atuação, nem quais seriam os critérios de verificação do atendimento dessas competências. Foi feita apenas uma remissão ao “Dicionário de Competências” constante da intranet da empresa, o que leva à conclusão de que esse elemento da Avaliação de Desempenho não foi definido de forma clara e objetiva. Na verdade, pelo que consta no Termo de PLR, esse item nem foi objeto de negociação entre empresa e empregados, pois na prática a definição ficou a critério da empresa (que evidentemente é responsável pelo conteúdo do seu portal de intranet). De fato, a sucedida da recorrente utiliza fórmulas com bases de cálculo desconhecidas e não previamente definidas como, por exemplo, o Valor Referencial Individual (VRI). Em razão disso, o empregado não consegue estimar o valor de sua parcela de PLR e não sabe previamente, portanto, qual o incentivo receberá pela melhoria dos resultados ou do lucro. Assim, não existia critério de avaliação claro e objetivo, em uma evidente infringência à Lei nº 10.101/2000, mais especificamente ao § 1º do art. 2º: Art. 2º (...) (...) § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições. É forçoso reconhecer que não existiram metas claras e objetivas no plano de PLR da recorrente. A forma encontrada pela empresa para avaliar o alcance das metas institucionais não poderia ser mensurada pelo empregado. Destarte, entendo que a autoridade lançadora agiu com acerto ao considerar o PLR da recorrente em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. DDaa PPLLRR ccoommoo ssuubbssttiittuuiiççããoo ddaa rreemmuunneerraaççããoo É certo que a lei não limita os pagamentos de PLR ao empregado, mas a mesma é taxativa ao prevê que tais pagamentos não podem substituir ou complementar a remuneração do empregados. A Lei nº 10.101/2000 em seu art. 3º veda expressamente que a PLR substitua ou complemente a remuneração do obreiro. Cabe ao intérprete analisar caso a caso, a tentativa de burla à lei. Não me parece razoável e proporcional que um empregado auferindo pouco mais de R$ 1.000,00 mensais, como foi o caso de Julio Cesar Botega, possa receber R$ 46.633,04 anuais de PLR, valor esse que corresponde a mais de 40 (quarenta) vezes o seu salário mensal, sem que isso não possa ser caracterizado como uma remuneração disfarçada. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 751 19 A planilha de fls. 183/230 aponta a discrepância entre a PLR e os salários pagos a vários empregados nos anos de 2012. Para esses obreiros, a meu ver, restou caracterizada a PLR como substituto ou complemento da remuneração, posto que as parcelas recebidas do programa pela sua proporção representavam uma contraprestação pelo trabalho ordinário realizado mensalmente, e não um plus pecuniário pelo incremento produtivo, resultante da integração entre o capital e o trabalho. Destarte, é imperioso reconhecer que os pagamentos efetuados sob o manto da imunidade, devem ser considerados como integrantes do salário de contribuição, eis que pagos em desacordo com os ditames estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. DDaa iimmppuuttaaççããoo ddee mmuullttaa ddee ooffíícciioo àà ssuucceessssoorraa A questão da exigência da multa de ofício na empresa sucessora encontrase pacificada no âmbito do Carf, tendo sido objeto da súmula n° 113, a seguir transcrita: Súmula CARF n° 113 A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão, independentemente de esse crédito ser formalizado, por meio de lançamento de oficio, antes ou depois do evento sucessório. Acórdãos Precedentes: 2401004.795, de 10/05/2017; 3401003.096, de 23/02/2016; 9101002.212, de 03/02/2016; 9101002.262, de 03/03/2016; 9101002.325, de 04/05/2016; 9202006.516, de 27/02/2018. Tal entendimento encontrase também consolidado no STJ, que por ocasião do julgamento do REsp n° 923.012/MG, submetido ao regime do artigo 543C do CPC/1973, já transitado em julgado desde 04/06/2013, firmou a seguinte tese, consolidada na Súmula 554 do mesmo tribunal superior: "A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem divida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão." Ainda assim, adiro integralmente à decisão da DRJ por absoluta concordância com os seus fundamentos. Cumprenos ainda analisar a questão relativa à aplicabilidade da multa de ofício à autuada, eis que as contribuições apuradas referemse a fatos geradores praticados por pessoa jurídica que foi por ela incorporada em 31/07/2013. Nesse ponto, a impugnante alega que não poderia ser responsabilizada pela multa porque o art. 132 do Código Tributário Nacional dispõe que a responsabilidade da incorporadora abrange apenas os “tributos” devidos até a data do ato de incorporação, e não pelas “penalidades” Fl. 751DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 752 20 O mencionado artigo 132 do CTN, assim dispõe: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Impende, neste ponto, mencionar que, dentro do Código Tributário Nacional, o artigo 132 está inserido na Seção II Responsabilidade dos Sucessores, do Capítulo V Responsabilidade Tributária, do Título II Obrigação Tributária, do Livro Segundo Normas Gerais de Direito Tributário. A referida Seção II iniciase com o artigo 129 que constitui regra geral aplicável a todas as disposições relativas à “Responsabilidade dos Sucessores” (art. 130 a 133) e assim prescreve: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Desta maneira, dentro de uma interpretação sistemática, a sucessora é responsável pelos créditos tributários constituídos posteriormente à data do evento da sucessão, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Consoante artigo 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e a obrigação tributária, nos termos do art. 113, § 1°, do CTN, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária. Ressaltese que no artigo 132 não foi excluída expressamente a responsabilidade da sucessora pelas penalidades imputadas à pessoa jurídica sucedida. Assim, não há autorização legal para afastar a exigência da multa de ofício, nos casos de sucessão, como pretende a interessada. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça respalda esse entendimento, conforme podemos observar: Súmula 554, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015 Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. Temas Repetitivos: Tema 382 Processo REsp 923.012/MG Questão submetida a julgamento: Questão referente à possibilidade ou não de extensão da responsabilidade tributária da empresa sucessora às multas, moratórias ou de outra espécie, Fl. 752DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 753 21 aplicadas à empresa sucedida, e não apenas aos tributos por esta devidos. Tese Firmada: A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. REsp 923.012/MG TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.° 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) ”(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional”. Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9a ed., p. 701) (...) 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 923.012/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Fl. 753DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 754 22 EDcl no REsp 923.012/MG EMBARGOS DECLARA TÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. EXCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a. SEÇÃO, NO RESP. 1.111.156/SP, REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE QUE NÃO FICOU COMPROVADA ESSA INCONDICIONALIDADE, NA HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. (..) Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. Embargos Declaratórios rejeitados. (EDcl no REsp 923.012/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/04/2013, DJe 24/04/2013) Portanto, não prospera a alegação de impossibilidade do lançamento da multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por incorporação. Destarte, entendo que não assiste razão à recorrente. IInncciiddêênncciiaa ddee jjuurrooss ddee mmoorraa ssoobbrree aa mmuullttaa ddee ooffíícciioo SSúúmmuullaa 110088 Ao contrário da tese defendida pela recorrente, a aplicação de juros sobre a multa de ofício é plenamente regular, na medida em que este faz parte do crédito tributário correspondente apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN) autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito tributário junto com o tributo. Fl. 754DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 755 23 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2° O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito'não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário e de acordo com o CTN esse decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. O § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, por sua vez, preconiza: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto n° 7.212, de 2010) §1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei n° 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as vertentes multas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Tal deve ser a linha de raciocínio para a Fl. 755DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201614 Acórdão n.º 2201004.942 S2C2T1 Fl. 756 24 exegese do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, entendo que as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. CCoonncclluussããoo Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 756DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.003856/2002-39
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 9303-008.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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NÃO INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 38 56 /2 00 2- 39 Fl. 574DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3402003.847, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para: · Excluir da presente exigência fiscal os valores apontados do termo de diligência de fls. 343/345 e designados como “vinculações 2, 4, 6, 8, 10 e 12” para, ato contínuo; · Excluir do valor remanescente o importe de R$ 499.377,73, haja vista que tal montante (referente ao tributo e período aqui cobrado) foi depositado judicialmente pelo contribuinte e ulteriormente convertido em renda em favor da União; e, · Em relação a parcela mantida da autuação, excluir os juros sobre a multa. O Colegiado a quo, assim, consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Existindo pedido de compensação anterior ao lançamento fiscal de ofício, cujo objetivo é exatamente a cobrança dos débitos compensados, deve se afastar a exigência retratada no aludido lançamento, sob pena de duplicidade de cobrança. Sendo o pedido de compensação anterior a presente exigência fiscal e tendo os débitos compensados sido oportunamente discriminados, é lá, no processo de compensação, que Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10410.003856/200239 Acórdão n.º 9303008.196 CSRFT3 Fl. 573 3 eventual exigência fiscal deve ser perpetrada na hipótese de inexistir a correlata homologação. DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA EM FAVOR DA UNIÃO. EXTINÇÃO PARCIAL DA EXIGÊNCIA FISCAL OBJETO DA AUTUAÇÃO. Havendo prova de que o contribuinte ajuizou demanda judicial no qual depositou judicialmente os valores referentes à contribuição exigida na autuação e para o período em cobro, a conversão do referido depósito em renda em favor da União deveria ter sido considerada pelo agente fiscal no instante da elaboração da autuação, sob pena de duplicidade da exigência e enriquecimento indevido do ente público. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso voluntário provido em parte.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose contra o entendimento que excluiu a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Em Despacho às fls. 489 a 490, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que não há lei que autorize a incidência de juros sobre multa de ofício. Requer ainda que seja reconhecida a nulidade da parte de acórdãos que julgou pela manutenção do Auto de Infração no que diz respeito às compensações vinculadas ao processo judicial 94.00035691 – que teriam sido individualizadas depois da lavratura do Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Fl. 576DF CARF MF 4 Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Quanto à outra questão trazida pelo sujeito passivo em contrarrazões – reconhecimento da nulidade de parte dos acórdãos, entendo que não devo me pronunciar, vez que esse Colegiado somente deve apreciar matéria conhecida e contemplada em Recurso Especial, com exceção de questões de ordem pública. Ventiladas tais considerações, especificamente à lide – incidência ou não de juros sobre a multa de ofício, recordo, independentemente de meu entendimento, mas em respeito ao Regimento Interno, que devemos observar a Súmula CARF nº 108: “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício”. Em vista do exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, dandolhe provimento. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 577DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.738681/2011-73
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2002-000.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente NEI DA SILVA DO AMARAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 86 81 /2 01 1- 73 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 12448.738681/201173 Acórdão n.º 2002000.856 S2C0T2 Fl. 105 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 3/7), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2010. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$603,37 para saldo de imposto a pagar de R$3.643,84. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no montante de R$16.740,00, consignando que o contribuinte, regularmente intimado, não atendeu a intimação. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 26/11/2011, a NL foi objeto de impugnação, em 23/12/2011, às fls. 2/8 dos autos, na qual ele informa que estaria aguardando o fim do recesso judicial para obter documentação relativa à pensão declarada. Posteriormente, em 10/1/2012, o contribuinte solicitou a juntada aos autos dos documentos de fls. 11/16. Antes do julgamento, a autoridade lançadora examinou a possibilidade de revisão de ofício do lançamento (art. 6°A da IN RFB n° 958/2009, com a redação dada pelo art. 1º da IN RFB n° 1061 /2010), tendo concluído, à vista de documentação comprobatória juntada pelo contribuinte à impugnação, pela manutenção do lançamento, como consignado no Termo Circunstanciado/Despacho Decisório de fls. 27/30. Intimado dessa decisão, o sujeito passivo não se manifestou. Em seguida, a impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 47/50): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Recurso voluntário Fl. 105DF CARF MF Processo nº 12448.738681/201173 Acórdão n.º 2002000.856 S2C0T2 Fl. 106 3 Ciente do acórdão de impugnação em 21/10/2015 (fl. 56), o contribuinte, em 6/11/2015 (fl. 58), apresentou recurso voluntário, às fls. 58/97, no qual alega que os documentos comprobatórios da dedução estariam sendo anexados. Explica que teria juntado comprovantes dos depósitos da pensão na conta da mãe do seu filho em 23/12/2012 e, que, posteriormente, seu contador teria lhe esclarecido que teria que anexar o acordo judicial. Requer o acolhimento do seu pedido e cancelamento da multa. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 12448.738681/201173 Acórdão n.º 2002000.856 S2C0T2 Fl. 107 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a pensão judicial declarada pelo recorrente, em favor de Pedro Henrique Canejo do Amaral, no montante de R$16.740,00 (fl.22). Quanto a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, a regra é que eles podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que sejam decorrentes do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil). Nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 e demais normas e suas alterações, indicadas na notificação de lançamento, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação da obrigação decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil) e também à comprovação dos pagamentos efetuados. No curso da ação fiscal, intimado, o contribuinte não atendeu à intimação para apresentação de documentação comprobatória da dedução declarada. Após ser cientificado da exigência fiscal, o contribuinte juntou peças relativas as ações de dissolução de união estável (fls. 11/13 e 15) e de alimentos (fl.14). À vista da documentação apresentada, tanto a autoridade revisora quanto o colegiado de primeira instância mantiveram a exigência, em decorrência da falta de comprovação do efetivo pagamento da pensão. Seguem trechos das decisões: Despacho Decisório: MÉRITO Da análise dos autos verificase que a documentação apresentada para a comprovação da dedução com Pensão Alimentícia é insuficiente, visto que não há comprovação do seu pagamento. Desta forma, a glosa é procedente e deverá ser MANTIDA. (destaques acrescidos) Fl. 107DF CARF MF Processo nº 12448.738681/201173 Acórdão n.º 2002000.856 S2C0T2 Fl. 108 5 Acórdão nº0369.084, da DRJ/BSB Da análise da documentação apresentada (fls. 1116), a Revisão de Ofício efetuada manteve a infração, haja vista não ter sido suficiente a documentação comprobatória juntada à peça de defesa, isto é, não restou atestado o pagamento da pensão alimentícia declarada. Assim, em face de expressa disposição da legislação tributária, no caso em que não há comprovação hábil e idônea da dedução pleiteada na Declaração de Ajuste Anual, é devida obrigatoriamente a multa de ofício, não podendo ser excluída discricionariamente pela Autoridade Fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (art. 44, inciso I e parágrafo 3º da Lei nº 9.430/1996). Cientificado do Despacho Decisório (fls. 3444), o interessado não se manifestou no prazo legal. Assim, não apresentado argumento ou prova que ilidisse a Revisão de Ofício e estando a situação fática apresentada perfeitamente tipificada, há que manter o Despacho Decisório que decidiu pela manutenção da infração lavrada. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o recorrente junta novas peças judiciais relativa à ação de alimentos, mas nenhum documento relativo ao pagamento da pensão. Inicialmente, em sua impugnação, o contribuinte juntara somente o termo de audiência na ação de alimentos, datado de 15/5/2002, noticiando que ele pagaria ao filho a título de alimentos o valor de três salários mínimos, além da mensalidade da creche, do plano de saúde e das despesas odontológicas. Já em sede de recurso, o recorrente juntou sentença proferida em ação de revisão de alimentos, dando notícia que, em 2006, a pensão judicial foi revista, passando a ser de 2,6 salários mínimos (fls. 64/70 e 72/78). Assim, resta confirmada a existência de decisão judicial determinando o pagamento da pensão, no valor de 2,6 salários mínimos mensais. Entretanto, remanesce sem comprovação o efetivo pagamento da pensão. Ainda que cientificado do despacho decisório e da decisão da DRJ, que mantiveram a autuação pela ausência de comprovação do pagamento, o recorrente nada juntou aos autos nesse sentido. Registro que, na ação de alimentos, ficou definido que os valores seriam depositados em contacorrente da mãe do alimentando, mas nenhum comprovante de depósito foi juntado aos autos, contrariamente ao que afirma o recorrente em seu recurso, de que teria juntado esses documentos por ocasião de sua impugnação. Destaco também que, embora tenha deduzido o montante de R$16.740,00, o recorrente faria jus a deduzir o montante de R$14.378,00, visto que, em janeiro de 2009, vigorava salário mínimo de R$415,00 e, de fevereiro a dezembro de 2009, de R$465,00. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 12448.738681/201173 Acórdão n.º 2002000.856 S2C0T2 Fl. 109 6 Do exposto, não há reparos a se fazer à decisão de piso, mostrandose correta a glosa da dedução. Quanto à multa aplicada, a apuração de infrações no curso da ação fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura de notificação de lançamento e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. Se a infração atribuída ao contribuinte, de dedução indevida de pensão judicial, tivesse sido desqualificada nas fases impugnatória ou recursal, o que não ocorreu, a exigência do tributo seria cancelada, bem como a exigência da multa e dos juros. Quanto às suas idas à RFB, ainda que confirmadas, em nada o socorrem, visto que caberia a ele ter juntado as provas quanto à dedução declarada a sua impugnação ou a seu recurso, na forma do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907923/2016-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.930
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 92 3/ 20 16 -7 4 Fl. 607DF CARF MF Processo nº 13896.907923/201674 Resolução nº 3201001.930 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 608DF CARF MF Processo nº 13896.907923/201674 Resolução nº 3201001.930 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 609DF CARF MF Processo nº 13896.907923/201674 Resolução nº 3201001.930 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 13896.907923/201674 Resolução nº 3201001.930 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 611DF CARF MF Processo nº 13896.907923/201674 Resolução nº 3201001.930 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 612DF CARF MF Processo nº 13896.907923/201674 Resolução nº 3201001.930 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 613DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.945021/2013-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Restando consignado no Despacho Decisório, de forma clara e concisa, o motivo da não homologação da pretendida compensação, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo.
INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB n° 1.300/2012. APLICAÇÃO RESTRITIVA.
Para os casos onde o crédito não pode ser diminuído pela discussão judicial, a limitação prevista no § 3° do art. 32 da IN RFB n° 1.300/2012 não deve surtir efeitos.
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento deve ser mantido.
APURAÇÃO DE CRÉDITOS. OBSERVAÇÃO DE MEDIDAS JUDICIAIS.
Tendo a auditoria verificado a existência ou não de créditos passíveis de ressarcimento, observando no procedimento óbices constantes de medidas judiciais, não pode a autoridade julgadora reformular a decisão sem que aqueles sejam superados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Não se justifica a realização de diligência/perícia quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador.
Numero da decisão: 3302-006.539
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a aplicação da IN RFB nº 1.300/2012 quanto às matérias objetos dos Mandados de Segurança nº 0007720-53.2003.4.02.5001 e nº 0012766-45.2013.403.6100, com retorno à unidade de origem para prosseguimento da análise do direito creditório, vencidos os Conselheiros Jorge Lima Abud (relator) e Corintho Oliveira Machado que lhe negavam provimento. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
(assinado digitalmente)
Walker Araujo Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede.
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Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. INSUMOS. Recorrente FIBRIA CELULOSE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Restando consignado no Despacho Decisório, de forma clara e concisa, o motivo da não homologação da pretendida compensação, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo. INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB n° 1.300/2012. APLICAÇÃO RESTRITIVA. Para os casos onde o crédito não pode ser diminuído pela discussão judicial, a limitação prevista no § 3° do art. 32 da IN RFB n° 1.300/2012 não deve surtir efeitos. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento deve ser mantido. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. OBSERVAÇÃO DE MEDIDAS JUDICIAIS. Tendo a auditoria verificado a existência ou não de créditos passíveis de ressarcimento, observando no procedimento óbices constantes de medidas judiciais, não pode a autoridade julgadora reformular a decisão sem que aqueles sejam superados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de diligência/perícia quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 50 21 /2 01 3- 74 Fl. 944DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a aplicação da IN RFB nº 1.300/2012 quanto às matérias objetos dos Mandados de Segurança nº 000772053.2003.4.02.5001 e nº 0012766 45.2013.403.6100, com retorno à unidade de origem para prosseguimento da análise do direito creditório, vencidos os Conselheiros Jorge Lima Abud (relator) e Corintho Oliveira Machado que lhe negavam provimento. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator (assinado digitalmente) Walker Araujo – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede. . Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMP transmitido pela contribuinte em 16/10/2012, através do qual pretendeu ressarcimento de valores credores de PIS nãocumulativo vinculados à receita de exportação relativos ao 3° trimestre de 2012 (§ 1° do art. 5° da Lei n° 10.637/2002). Constou apresentação de DCOMPs (ver relação na fl. 240). A repartição fiscalizadora efetuou a necessária verificação, tendo produzido Informação Fiscal onde apontou, pormenorizadamente, os problemas encontrados. Foi proferido Despacho Decisório por meio do qual foi indeferido o pedido de ressarcimento, não tendo sido homologadas as DCOMPs vinculadas ao pretendido crédito. Desse Despacho Decisório a contribuinte tomou ciência em 14/04/2015 (Relação ECT e AR de fls. 348 e 349) e, não se Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10880.945021/201374 Acórdão n.º 3302006.539 S3C3T2 Fl. 3 3 conformando, apresentou, através de procuradores, manifestação de inconformidade onde, inicialmente, referiu à tempestividade e aos fatos, aduzindo a seguir (de forma sintética): 1) Preliminar. Nulidade do DD por ausência de análise do crédito: o despacho decisório é um ato tipicamente administrativo, devendo observar as determinações legais, inclusive princípios e critérios previstos no art. 2° da Lei n° 9.784/1999 (regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal). O ato administrativo viola todos os princípios listados, porque a autoridade administrativa sequer analisou a existência do crédito pleiteado, se o mesmo foi apurado de acordo com as normas de regência ou se ele poderia ser utilizado na compensação de débitos próprios ou ser objeto de ressarcimento em dinheiro. O DD simplesmente negou a integralidade do crédito, donde a empresa requer a nulidade daquele ato. 2) Mérito. Correta interpretação da regra do § 3° do art. 32 da IN RFB n° 1.300/2012: o contribuinte que apura créditos passíveis de ressarcimento, pode compensálos com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB, cabendo posteriormente à autoridade administrativa homologálos ou não. Os dispositivos legais prescrevem que PIS/COFINS não incidem sobre receitas decorrentes de exportações de mercadorias e serviços, disciplinando, em seus parágrafos, as formas de utilização de créditos vinculados a essas receitas. A legislação tributária permite expressamente que, mesmo não havendo a incidência de PIS/COFINS sobre as receitas decorrentes da exportação de mercadorias e serviços, a pessoa jurídica vendedora apure créditos sobre despesas especificadas na própria lei. A legislação possibilita ao contribuinte o ressarcimento de tais créditos quando estes não forem integralmente utilizados na dedução dos débitos apurados no trimestre. A autoridade fiscal cometeu um equívoco. Ocorre que cujo valor possa ser alterado (§ 3° do art. 32 da IN RFB n° 1.300/2012), expressa uma situação fática de que o valor litigado compõe o montante objeto do pedido de ressarcimento/compensação. Cujo valor é algo que integra, que está dentro do pedido e não determinado montante que futura e incertamente possa vir agregá lo. A afirmação fiscal (a procedência das ações judiciais teria o condão de ampliar o crédito das contribuições), por si só é suficiente para ratificar que a situação fática analisada não se enquadra na norma. Para tentar justificar o indeferimento integral do crédito e sequer analisar a sua composição, o Fisco baseouse em um parágrafo isolado (e de forma gramaticalmente equivocada), dissociandoo das demais regras aplicáveis à espécie, fazendo uma interpretação isolada e descontextualizada do mesmo. O § 3° do art. 32 da IN 1300/2012 não restringe o direito ao ressarcimento e a compensação sempre que o contribuinte constar do pólo ativo de qualquer ação judicial. Ele somente Fl. 946DF CARF MF 4 restringe o montante que estiver efetivamente sendo litigado na ação judicial, quando ainda há uma indecisão quanto à legitimidade do crédito. Nesses casos, como a própria legitimidade do crédito encontrase em discussão, determinase que o contribuinte aguarde o desfecho judicial, prosseguimento com o ressarcimento e compensação apenas após o trânsito em julgado. O contribuinte pode espontaneamente apresentar pedidos de ressarcimento e compensação dos créditos que entender que são líquidos e certos, notadamente porque a compensação, no âmbito do lançamento por homologação, não necessita de prévia autorização da autoridade fiscal. Essa se desvirtuou da finalidade da lei e interpretou o § 3° do art. 32 da IN de forma ampla e desconexa, sem ao menos questionar o contexto fático que ensejou o surgimento do crédito, vez que ignorou o fato de que os créditos pleiteados não se encontravam em discussão nas demandas judiciais apontadas. A própria Informação Fiscal atesta que o eventual efeito a ser deflagrado pelas ações judiciais, cingese ao aumento do valor do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Impõese a reforma do DD. 3) IN não pode limitar o direito da empresa: ainda que se sustente o acerto da interpretação fiscal acerca do § 3° do art. 32 da IN RFB n° 1.300/2012 e que havendo ação judicial que possa impactar no valor do crédito (ainda que positivamente), donde a empresa fica impedida de ressarcir qualquer crédito, impõese a reforma do DD. Isso porque a função da Instrução Normativa é interpretativa, subordinandose ao dispositivo legal, lhe sendo vedado inovar para estabelecer obrigações ou ainda para criar limitações ao direito dos contribuintes. Deve ela seguir os ditames impostos pelas Leis, não havendo previsão para que inove no ordenamento jurídico. Assim, não há qualquer vedação legal que obste a empresa de ingressar com pedido de ressarcimento de créditos considerados incontroversos e que não estão sendo discutidos judicialmente. A vedação que o Fisco tentou criar mediante interpretação de dispositivo legal, não encontra respaldo na legislação de regência, não podendo subsistir, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. Realização de perícia/diligência: a empresa requer seja realizada diligência/perícia (inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972). Essas são indispensáveis para demonstrar a composição do crédito objeto do pedido de ressarcimento e comprovar que as ações judiciais mencionadas na Informação Fiscal em nada impactam no valor pleiteado, que deve ser considerado incontroverso. Também será cabível para comprovação da real natureza de cada bem/serviço adquirido, como se dá seu emprego no processo produtivo e que (a) são efetivamente utilizados nos estabelecimentos produtores e industriais; (b) que são custos de produção; (c) que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis. Indica peritos e formula quesitos. Pedidos: a empresa requer o conhecimento e provimento de sua Manifestação de Inconformidade, devendose reconhecer a nulidade do DD, determinando se a emissão de novo despacho devidamente fundamentado, com análise da composição do crédito pleiteado. Requer a reforma do ato administrativo para que seja reconhecido integralmente o crédito objeto do Pedido Fl. 947DF CARF MF Processo nº 10880.945021/201374 Acórdão n.º 3302006.539 S3C3T2 Fl. 4 5 de Ressarcimento, homologandose todas as compensações declaradas. Pugna pela realização de diligência/perícia, em consonância com o inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. A repartição de origem encaminhou o processo para julgamento. Em 06 de abril de 2016, através do Acórdão de Manifestação de Inconformidade n° 1056.226, a 2a Turma da DRJ de Porto Alrgre/RS, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar proposta, indeferiu o pedido de diligência/perícia e julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Entendeu a Turma que: O exame acurado do ato administrativo atacado permite constatar que ele preencheu todos os requisitos formais e materiais para sua validade, devendo ser refutadas as alegações de violação a princípios basilares de direito administrativo/constitucional, bem como de falta de fundamentação. O DD, em conjunto com a Informação Fiscal, contém todos os elementos necessários à defesa da interessada, trazendo em seu bojo a base legal para o entendimento do Fisco, donde, ao contrário do que entende a contribuinte, constou clara a motivação do ato administrativo; Muito embora a contribuinte não tenha sido clara, a partir da fl. 257 assevera que a IN RFB n° 1.300, de 2012, não poderia limitar seu direito, ponderando que Instruções Normativas têm a função de interpretar dispositivos legais, subordinandose a eles, lhes sendo vedado inovar para estabelecer obrigações ou para criar limitações ao direito dos contribuintes. Nesse sentido, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicação dos ditames normativos, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Além disso, por força do disposto no art. 7° da Portaria MF n° 341, de 2011, os entendimentos da RFB expressos em atos normativos devem ser obrigatoriamente observados pelos integrantes das turmas de julgamento das DRJ, competindo exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre sua legalidade (ou mesmo constitucionalidade); A análise das medidas judiciais interpostas pela contribuinte demonstram ter agido com correção o agente fiscal. Isso porque: a) através do MS n° 000772053.2003.4.02.5001 (depois Apelação Cível n° 2003.50.01.0077208 no TRF 2a/R), a contribuinte objetivou a exclusão da base de cálculo do PIS, das despesas financeiras decorrentes de empréstimos e da aquisição de máquinas e equipamentos de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil ou no exterior, bem como fosse declarada a inconstitucionalidade dos incisos I e II do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002. Ainda que a ela tenha sido negado o pedido em instâncias anteriores, fato é que o processo aguarda julgamento de recurso do STF (RE n° 698531). Se aquela Corte atender o pleito da empresa, resultará aumento de saldos credores, ocasionando diminuição de eventuais saldos devedores, com aproveitamento de maior crédito passível de ressarcimento/compensação. Ao contrário do que assenta a contribuinte, não há, naquele processo judicial, delimitação temporal ou de valores para o pedido feito, donde sua implementação teria efeitos no tempo, inclusive quanto ao pedido de ressarcimento tratado no presente processo. Ademais, ainda que instada a fazêlo, a contribuinte não demonstrou, de forma específica, quais valores Fl. 948DF CARF MF 6 relativos a despesas financeiras se enquadrariam naquele processo judicial e que, em tese, não trariam qualquer efeito no pedido ora feito. b) quanto ao MS n° 001276645.2013.403.6100, duas questões foram analisadas: créditos sobre encargos de depreciação e amortização sobre os bens e direitos integrantes do ativo imobilizado adquiridos até 30 de abril de 2004 limitação temporal art. 31 da Lei n° 10.865, de 2004: também nesse caso, eventual sentença favorável à empresa podem interferir em quaisquer créditos apurados em períodos de apuração posteriores. Isso porque, no caso de julgamento favorável, os créditos podem ser adicionados às base de cálculo, sem a imposição de limitação temporal relativamente a períodos vindouros, podendo fazer parte dos créditos objetos do Pedido de Ressarcimento de que se trata. Notese que a contribuinte fez constar em DACONs (todos os períodos de apuração ver fl. 233), informação acerca de créditos calculados sobre a rubrica 09. Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação), sem qualquer distinção. Ainda que intimada a apresentar composição detalhada dessa rubrica (além das demais bases de cálculo), a contribuinte não discriminou a utilização desses créditos (sobre encargos de depreciação sem a limitação temporal prevista no art. 31 da Lei n° 10.865, de 2004), donde as argumentações postas na peça de contestação não podem prosperar. utilização de créditos relativos a julho, agosto e setembro/2007 em períodos posteriores, sem limitação temporal (aproveitamento extemporâneo): apesar de decisão desfavorável em primeira instância, eventual decisão favorável à empresa permitirá a ela a utilização de créditos apurados em 2007, sem a sujeição ao prazo prescricional de 05 anos. Isso poderá interferir em quaisquer créditos apurados em períodos de apuração vindouros, mesmo os analisados no presente processo, visto que créditos extemporâneos poderão gerar deduções da contribuição a recolher, ora em análise. Disso resultaria a utilização de menor quantidade de créditos no período de apuração de que trata o presente processo, restando assim mais créditos passíveis de ressarcimento (o crédito objeto de Pedidos de Ressarcimento seria aumentado), restando claro que o pleito da contribuinte não goza da necessária certeza e liquidez. Sem tais características não há como reconhecerse a existência do pretendido direito de ressarcimento/compensação. Ainda consta dos autos citação ao Mandado de Segurança n° 0012556 96.2010.403.6100 FIBRIA CELULOSE S/A(SP147239 ARIANE LAZZEROTTI) X DELEGADO DA REC FEDERAL DO BRASIL DE ADMINIST TRIBUTARIA EM SP – DERAT. A propósito dos demonstrativos apresentados pela contribuinte junto à Manifestação de Inconformidade, observase que tais documentos já constavam do presente processo. No que se refere à realização de diligências/perícias, o art. 35 do Decreto n° 7.574, de 2011 (PAF), confere à autoridade julgadora de primeiro grau a faculdade de determinar, de ofício ou a pedido, a realização daquelas que julgar imprescindíveis, podendo denegar a solicitação da defesa quando seu requerimento se lhe afigurarem desnecessárias à instrução processual ou a interessada não houver formulado os quesitos relativos aos exames pretendidos. Ainda que fosse o caso, à contribuinte cumpriria o ônus de trazer os elementos de prova que demonstrassem que o crédito pretendido tinha existência (em sua integralidade ou não). Fl. 949DF CARF MF Processo nº 10880.945021/201374 Acórdão n.º 3302006.539 S3C3T2 Fl. 5 7 A empresa FIBRIA CELULOSE S/A teve ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 26/09/2016 (folhas 369). Em 25 de outubro de 2016, a empresa FIBRIA CELULOSE S/A ingressou com Recurso Voluntário, de folhas 371 à 398. Foi alegado, em resumo, que: ü Da nulidade do r. despacho decisório por ausência da análise do crédito; ü Da correta interpretação da regra do §3° do artigo 32 da IN RFB n° 1.300/2012; ü Da ausência de similitude entre o crédito objeto dos autos e aqueles em discussão na esfera judicial; ü A instrução normativa n° 1.300/2012 não pode limitar o direito do contribuinte; ü Da realização de perícia/diligência. DO PEDIDO Diante do exposto, requerse o conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário, para que sejam reconhecidas as nulidades que permeiam o feito, o qual deverá ser anulado, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72 Na remota hipótese de não serem acatadas as nulidades ou caso as mesmas possam ser superadas a favor da Recorrente (§3° do artigo 59 do Decreto 70.235/72), é a presente para requerer a reforma do acórdão recorrido, com o consequente reconhecimento integral do crédito pleiteado, homologandose, consequentemente, todas a compensações declaradas. Caso assim não se entenda, o que se admite apenas para argumentar, requer se a realização de diligência fiscal, nos termos do artigo 16, IV, do Decreto 70.235/72, pelas razões expostas na peça recursal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Fl. 950DF CARF MF 8 Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 26 de setembro de 2016 (folhas 369). A empresa FIBRIA CELULOSE S/A ingressou com Recurso Voluntário, em 25 de outubro de 2016, de folhas 371. O Recurso é tempestivo. Da controvérsia. No Recurso Voluntário foram alegados os seguintes pontos: ü Da nulidade do r. despacho decisório por ausência da análise do crédito; ü Da correta interpretação da regra do §3° do artigo 32 da IN RFB n° 1.300/2012; ü Da ausência de similitude entre o crédito objeto dos autos e aqueles em discussão na esfera judicial; ü A instrução normativa n° 1.300/2012 não pode limitar o direito do contribuinte; ü Da realização de perícia/diligência. Passase à análise. Da nulidade do r. despacho decisório por ausência da análise do crédito. É alegado às folhas 07 do Recurso Voluntário: No caso concreto, o despacho decisório viola frontalmente todos os princípios acima, notadamente porque a autoridade administrativa sequer analisou se a Recorrente fazia jus ao crédito pleiteado, se o mesmo foi apurado de acordo com as normas de regência (Leis n° 10.8333/2003 e 10.637/02) ou não, se o mesmo podia ser utilizado na compensação de débitos próprios nos termos do artigo 6o da Lei n° 10.833/03 ou objeto de ressarcimento em dinheiro. Ao invés de seguir os ditames legais e analisar a composição do crédito, a autoridade administrativa trilhou o caminho que entendeu mais fácil e que afrontou todos os princípios citados, simplesmente negou a integralidade do crédito. Registrese, mais uma vez, que após o procedimento de fiscalização que deu azo ao presente despacho decisório, o qual foi devidamente satisfeito e amparado com todos os documentos solicitados, as autoridades administrativas não levantaram quaisquer questionamentos acerca do crédito pleiteado, sendo que, caso restasse eventual dúvida, a ora Recorrente evidentemente teria atendido o pleito e demonstrado naquela oportunidade que os valores relativos às despesas financeiras tratados na ação judicial em nada trazem efeito para o pedido Fl. 951DF CARF MF Processo nº 10880.945021/201374 Acórdão n.º 3302006.539 S3C3T2 Fl. 6 9 ora feito. Ou seja, ao contrário do que suscitou rapidamente a DRJ, não restou nenhuma dúvida para a autoridade que deveria analisar o crédito, nem mesmo relacionada a receita financeira, pois se assim fosse, teria exigido mais documentos ou analisado o montante pleiteado e eventualmente glosado uma parcela, mas não foi o gue aconteceu, o crédito nunca foi sequer apreciado! (Grifo e negrito próprios do original) A autoridade administrativa não trilhou o caminho que entendeu mais fácil, mas sim o adequado conforme previsão legal: alínea d), do § 12, do artigo 74 da Lei 9.430/96. O Despacho Decisório expôs de forma clara e concisa, o motivo da não homologação da pretendida compensação, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo, às folhas 240 do processo digital: Analisadas as informações relacionadas ao documento acima identificado, constatouse que não há direito ao crédito pleiteado. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. (...) Enquadramento Legal: Lei nº 10.637, de 2002. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Esse assunto será abordado a seguir. Da correta interpretação da regra do §3° do artigo 32 da IN RFB n° 1.300/2012 O cerne da presente discussão é a regra do §3° do artigo 32 da IN RFB n° 1.300/2012, vigente à época, abaixo transcrito: Art. 32. O pedido de ressarcimento a que se referem os arts. 27, 28, 29 e 30 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante formulário acompanhado de documentação comprobatória do direito creditório. § 1º O pedido de ressarcimento dos créditos acumulados na forma do inciso II do caput do art. 27, e do seu § 3º, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do 1º(primeiro) trimestrecalendário de 2005, poderá ser efetuado somente a partir de 19 de maio de 2005. § 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário; e II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. Fl. 952DF CARF MF 10 § 3º É vedado o ressarcimento do crédito do trimestre calendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do PIS/Pasep e da Cofins. (Grifo e negrito nossos) O programa PER/DCOMP da Receita Federal do Brasil tem por função agilizar e controlar Receita Federal o procedimento de compensação, ressarcimento e restituição de tributos, e representou um grande avanço nas relações fiscocontribuinte. A legislação em vigor só permite a compensação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado e que não caiba mais nenhum tipo de recurso da Fazenda Nacional. Com a edição de Lei nº 11.051, foram acrescidos na Lei nº 9.430/96 dispositivos expressos sobre a compensação de tributos originados de decisões judiciais. LEI 9430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) ... § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) 11... II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Assim, créditos baseados em decisões judiciais inexistentes e provisórias não poderão ser utilizados. Portanto, a previsão do §3° do artigo 32 da IN RFB n° 1.300/2012, vigente à época, encontra amparo legal. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 10880.945021/201374 Acórdão n.º 3302006.539 S3C3T2 Fl. 7 11 Das ações em discussão na esfera judicial. Aproveitase o preciso relato do Acórdão de Manifestação de Inconformidade: a) através do MS n° 000772053.2003.4.02.5001 (depois Apelação Cível n° 2003.50.01.0077208 no TRF 2a/R), a contribuinte objetivou a exclusão da base de cálculo do PIS, das despesas financeiras decorrentes de empréstimos e da aquisição de máquinas e equipamentos de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil ou no exterior, bem como fosse declarada a inconstitucionalidade dos incisos I e II do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002. Ainda que a ela tenha sido negado o pedido em instâncias anteriores, fato é que o processo aguarda julgamento de recurso do STF (RE n° 698531). Se aquela Corte atender o pleito da empresa, resultará aumento de saldos credores, ocasionando diminuição de eventuais saldos devedores, com aproveitamento de maior crédito passível de ressarcimento/compensação. Ao contrário do que assenta a contribuinte, não há, naquele processo judicial, delimitação temporal ou de valores para o pedido feito, donde sua implementação teria efeitos no tempo, inclusive quanto ao pedido de ressarcimento tratado no presente processo. Ademais, ainda que instada a fazêlo, a contribuinte não demonstrou, de forma específica, quais valores relativos a despesas financeiras se enquadrariam naquele processo judicial e que, em tese, não trariam qualquer efeito no pedido ora feito. http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProces so.asp?incidente=4268655&numeroProcesso=698531&classeProcesso=RE&numeroTema=70 7, em 03/12/2018. Fl. 954DF CARF MF 12 b) quanto ao MS n° 001276645.2013.403.6100, duas questões foram analisadas: 1. créditos sobre encargos de depreciação e amortização sobre os bens e direitos integrantes do ativo imobilizado adquiridos até 30 de abril de 2004 limitação temporal art. 31 da Lei n° 10.865, de 2004: também nesse caso, eventual sentença favorável à empresa podem interferir em quaisquer créditos apurados em períodos de apuração posteriores. Isso porque, no caso de julgamento favorável, os créditos podem ser adicionados às bases de cálculo, sem a imposição de limitação temporal relativamente a períodos vindouros, podendo fazer parte dos créditos objetos do Pedido de Ressarcimento de que se trata. Notese que a contribuinte fez constar em DACONs (todos os períodos de apuração ver fl. 233), informação acerca de créditos calculados sobre a rubrica 09. Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação), sem qualquer distinção. Ainda que intimada a apresentar composição detalhada dessa rubrica (além das demais bases de cálculo), a contribuinte não discriminou a utilização desses créditos (sobre encargos de depreciação sem a limitação temporal prevista no art. 31 da Lei n° 10.865, de 2004), donde as argumentações postas na peça de contestação não podem prosperar. 2. utilização de créditos relativos a julho, agosto e setembro/2007 em períodos posteriores, sem limitação temporal (aproveitamento extemporâneo): apesar de decisão desfavorável em primeira instância, eventual decisão favorável à empresa permitirá a ela a utilização de créditos apurados em 2007, sem a sujeição ao prazo prescricional de 05 anos. Isso poderá interferir em quaisquer créditos apurados em períodos de apuração vindouros, mesmo os analisados no presente processo, visto que créditos extemporâneos poderão gerar deduções da contribuição a recolher, ora em análise. Disso resultaria a utilização de menor quantidade de créditos no período de apuração de que trata o presente processo, restando assim mais créditos passíveis de ressarcimento (o crédito objeto de Pedidos de Ressarcimento seria aumentado), restando claro que o pleito da contribuinte não goza da necessária certeza e liquidez. Sem tais características não há como reconhecerse a existência do pretendido direito de ressarcimento/compensação. Ainda consta dos autos citação ao Mandado de Segurança n° 0012556 96.2010.403.6100 FIBRIA CELULOSE S/A(SP147239 ARIANE LAZZEROTTI) X DELEGADO DA REC FEDERAL DO BRASIL DE ADMINIST TRIBUTARIA EM SP – DERAT. Da realização de perícia/diligência. O Recorrente apresenta os seguintes quesitos: a) Qual a composição do crédito objeto do pedido de ressarcimento? b) O crédito está devidamente declarado no DACON? Fl. 955DF CARF MF Processo nº 10880.945021/201374 Acórdão n.º 3302006.539 S3C3T2 Fl. 8 13 c) A Recorrente já se apropriou dos créditos de PIS/COFINS litigados nas seguintes ações judiciais: (i) Mandado de Segurança n° 0012556 96.2010.403.6100; (ii) Mandado de Segurança n° 0012766 45.2013.403.6100 e (iii) Mandado de Segurança n° 0007720 53.2003.4.02.5001? d) Para efeito da Lei n.° 6.404/76 e normas regulamentares, qual o conceito de custo, despesas e encargos? e) Custo e custo de produção são termos sinônimos? f) Após o processo de produção, industrialização ou fabricação, quando se obtém o produto acabado, ainda é possível a empresa despender valores classificados como custo ou custo de produção? g) É possível afirmar que todos os Custos de Produção são necessários e indispensáveis à produção do produto fabricado pela empresa destinado à venda? Quais seriam estes Custos de Produção, no caso vertente? h) Identificar a função e onde são utilizados no processo produtivo os produtos e serviços cujo crédito não for reconhecido e que se encontram listados nas planilhas elaboradas pela fiscalização. i) Classificar como custo ou custo de produção, despesa ou encargo os produtos e os serviços constantes das planilhas anexas elaboradas pela fiscalização; j) Quando se inicia e quando termina o processo produtivo da Recorrente? k) A Recorrente faz jus a integralidade do crédito pleiteado? No pleito de ressarcimento o ônus da prova é do contribuinte. No mais, como ficou bem salientado, a alínea d), do § 12, do artigo 74 da Lei 9.430/96 considerada não declarada a compensação em que o crédito seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Portanto, qualquer resultado obtido por uma eventual perícia é inócuo frente à disposição de Lei. Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 956DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator Designado Com o devido respeito ao voto do ilustre Relator, ouço discordar parcialmente da decisão que aplicou a limitação do § 3° do art. 32 da IN RFB n° 1.300/2012 em detrimento ao contribuinte e, manteve integralmente a glosa realizada nestes autos. Segundo o relator, a fiscalização agiu com acerto ao glosar o crédito apurado pelo Recorrente nos termos da norma anteriormente citada, considerando o fato de que as ações judiciais poderão interferir nos créditos apurados no presente processo, restando claro que o pleito da contribuinte não goza da necessária certeza e liquidez, não havendo, assim, como reconhecer a existência do pretendido direito de ressarcimento. Entretanto, entendo que a interpretação dada pelo Relator ao § 3º, do artigo 32, da IN RFB nº 1300, de 2012, não me parece a mais adequada, considerando que a expressão "cujo valor possa ser alterado" se refere a uma alteração para um valor menor. É o que extraio do referido permissivo legal: Art. 32 . O pedido de ressarcimento a que se referem os arts. 27 a 30 será efetuado mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante formulário acompanhado de documentação comprobatória do direito creditório. (...) § 3º É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do PIS/Pasep e da Cofins. § 4º Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que o crédito pleiteado não se encontra na situação mencionada no § 3º. Ora, nos casos em que o valor do ressarcimento pleiteado pelo contribuinte pode ser aumentado, mas não diminuído, tal parcela se mostra incontroversa, sendo descabida a interpretação de que mesmo uma alteração a maior impossibilitaria o ressarcimento. Em resumo, se existe uma parte crédito que não pode ser afetada pela discussão judicial em andamento, devese analisar a origem do crédito objeto do pedido de ressarcimento, afastando, por conseguinte a limitação prevista na referida norma. Do contrário, aplicase a vedação da IN. No presente caso, com exceção do MS nº 001255696.2010.4.03.6100, a fiscalização afirmou que as matérias discutidas nos mandados de segurança nºs 0012766.45.2013.4.03.6100 e 000772053.2003.4.02.5001, só teriam o efeito de aumentar o direito creditório do período de apuração, inexistindo, assim, a possibilidade de diminuir o valor do crédito pleiteado, é o que se vê no documento de fls. 229239: 10. AÇÃO JUDICIAL N° 2. No Mandado de Segurança 0012766 45.2013.403.6100 (fls. 06 e 07), a impetrante objetiva que seja assegurado o direito ao aproveitamento/desconto dos créditos das contribuições ao PIS e à COFINS apurados no regime de incidência não cumulativa informados nos DACON dos Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10880.945021/201374 Acórdão n.º 3302006.539 S3C3T2 Fl. 9 15 períodos de competência de julho, agosto e setembro de 2007, em períodos de apuração posteriores a esses meses, extemporaneamente, sem qualquer limitação temporal, ou seja, desprezandose o prazo prescricional previsto no artigo 1º do Decreto nº 20.910/32, in verbis: “Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem” 11. Após denegado o pedido do contribuinte através da sentença proferida, o mesmo impetrou recurso perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (fls. 08 e 09 do eprocesso 10880.945017/201314). O processo ainda aguarda julgamento. 12. Os artigos 5° e 6° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 estabelecem que a pessoa jurídica pode aproveitar os créditos apurados na forma dessas leis para deduzilos das contribuições a recolher: [ LEI 10.637/2002 ] “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” 13. O critério temporal para o aproveitamento foi definido pela Solução de Divergência COSIT n° 21, de 29 de julho de 2011: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EXISTÊNCIA E TERMO DE INÍCIO DO PRAZO PRESCRICIONAL DOS CRÉDITOS REFERIDOS NO ART. 3º DA LEI Nº 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2001; E NO ART. 3º DA LEI º 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003. Os direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, estão sujeitos ao prazo prescricional previsto no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932. Fl. 958DF CARF MF 16 Os fatos geradores dos direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 0.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, têm natureza complexiva e aperfeiçoamse no último dia do mês da apuração. O termo de início para contagem do prazo prescricional relativo aos direitos creditórios referidos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, é o primeiro dia do mês subsequente ao de sua apuração; Dispositivos Legais: art. 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932; art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2001; art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003” 14. Uma possível decisão favorável ao contribuinte permitirá a ele se aproveitar dos créditos apurados em 2007 sem se sujeitar ao prazo prescricional de 05 anos, podendo interferir em quaisquer créditos apurados em períodos de apuração posteriores, inclusive os aqui analisados, na medida em que esses créditos extemporâneos poderão ser aproveitados em deduções das contribuições a recolher. Consequentemente, reduzindose as contribuições a recolher, seriam utilizados menos créditos dos períodos de apuração aqui analisados para deduções, restando assim mais créditos passíveis de ressarcimento, ou seja, os créditos objetos dos Pedidos de Ressarcimento aqui analisados seriam aumentados. 15. AÇÃO JUDICIAL N° 3. No Mandado de Segurança 0007720 53.2003.4.02.5001 (fls. 15 a 24), a impetrante objetiva a exclusão da base de cálculo do PIS, das despesas financeiras decorrentes de empréstimos e da aquisição de máquinas e equipamentos de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil ou no exterior, bem como fosse declarada a inconstitucionalidade dos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.637/02. A sentença recorrida julgou improcedente o pleito autoral, denegando a segurança. Atualmente o processo se encontra aguardando julgamento do recurso extraordinário RE/698531 no Supremo Tribunal Federal, inclusive já houve a decisão reconhecendo a repercussão geral do caso (fls. 25 a 29 do eprocesso 10880.945017/201314). 16. O regime não cumulativo do PIS/PASEP e da COFINS consiste em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação. Ora, se o pleito consiste na diminuição da base de cálculo (faturamento) das contribuições através da exclusão das despesas financeiras decorrentes de empréstimos e da aquisição de máquinas e equipamentos de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil ou no exterior, obviamente essa redução de débitos ocasionará um aumento dos saldos credores resultantes dos confrontos entre débitos e créditos. 17. Podemos observar o fato, por meio do exame do conteúdo das Fichas 07A, 17A, 13A, 23A, 14, 24, 15B e 25B dos DACONs (arquivo anexo em formato não paginável de fl. 30 do eprocesso 10880.945017/201314) de todos os períodos de apuração aqui analisados. Do confronto entre os débitos (contribuição incidente sobre o faturamento) e créditos do regime da Não Cumulatividade apurados são obtidos os saldos credores objetos dos Pedidos de Ressarcimento, ou seja, uma diminuição na base de cálculo (faturamento) resulta num menor uso de créditos para deduções e consequentemente num saldo credor passível de ressarcimento. Assim, para estes casos, onde o crédito não pode ser diminuído pela discussão judicial, entendo que a limitação prevista no § 3° do art. 32 da IN RFB n° 1.300/2012 não deve surtir efeitos. Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10880.945021/201374 Acórdão n.º 3302006.539 S3C3T2 Fl. 10 17 O mesmo não se diga em relação ao processo judicial nº 0012556 96.2010.4.03.6100. Isto porque, a fiscalização intimou a Recorrente à prestar informações e apresentar a composição detalhada sobre a apuração dos créditos apurados sobre bens do ativo imobilizado e dos encargos de depreciação e amortização, bem como das demais bases de cálculo das Fichas 06A e 16A, a qual deixou de atender a solicitação feita pelo unidade fiscalizadora, motivo pelo qual concluiu que os créditos judiciais poderiam alterar, para mais ou para menos, o crédito objeto do pedido de ressarcimento. Neste cenário, entendo que agiu bem a fiscalização ao glosar o crédito da Recorrente relacionado ao MS nº 001255696.2010.4.03.6100, aplicando a limitação do § 3° do art. 32 da IN RFB n° 1.300/2012. Vale ressaltar, que o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC1). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador 1 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 960DF CARF MF 18 do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)2 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a aplicação da IN RFB nº 1.300/2012 quanto às matérias objetos dos Mandados de Segurança nº 000772053.2003.4.02.5001 e nº 001276645.2013.403.6100, com retorno à unidade de origem para prosseguimento da análise do direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo 2 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 961DF CARF MF
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