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Numero do processo: 10880.957245/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. SÚMULA CARF 91.
Segundo o entendimento do STF, proferido no julgamento do RE 566.621, analisado sob a sistemática da repercussão geral, ao pedido de restituição, nos casos de recolhimento indevido de tributo sujeito a lançamento por homologação, efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, deve ser aplicado o prazo de cinco anos, contados a partir da homologação tácita do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
Numero da decisão: 1401-003.445
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. SÚMULA CARF 91. Segundo o entendimento do STF, proferido no julgamento do RE 566.621, analisado sob a sistemática da repercussão geral, ao pedido de restituição, nos casos de recolhimento indevido de tributo sujeito a lançamento por homologação, efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, deve ser aplicado o prazo de cinco anos, contados a partir da homologação tácita do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Aplicação da Súmula CARF nº 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 72 45 /2 00 8- 61 Fl. 271DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.445 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957245/2008-61 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 106 a 145) interposto contra o Acórdão nº 16- 30.320, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 96 a 103), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Ano-calendário: 1999 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. 0 direito de pleitear a restituição e/ou compensação extinguiu-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento. DATA DA COMPENSAÇÃO. A compensação se dá na data de transmissão do PER/DCOMP, mas sob condição resolutória de ulterior homologação. INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. Não compete à instância administrativa negar aplicação à legislação tributária vigente sob a alegação de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, prerrogativa do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata-se de Despacho Decisório, com ciência em 02/12/2008, que não reconheceu o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP 22996.55512.050107.1.7.04-2326 retificador, transmitido em 05/01/2007, cujo valor original nessa data seria de R$ 6.911,39. O crédito decorreria de pagamento indevido ou a maior no código de receita 2089 (IRPJ - LUCRO PRESUMIDO), por meio do DARF do período de apuração de 30/09/1999 e data de arrecadação de 30/08/1999, cujo valor total foi de R$ 6.911,39. 0 motivo para a improcedência do crédito foi que na data de transmissão do PER/DCOMP o direito de utilização do crédito já estava extinto, por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP. 0 enquadramento legal foi: arts. 165 e 170, do CTN, e art. 74 da Lei 9.430/96. Portanto, ilk) foi homologada a compensação com o total de débitos confessados no valor original total de R$ 1.333,83 (fls. 1 a 9). A manifestação de inconformidade, protocolizada em 24/12/2008 (fls. 10 a 53), foi apresentada por meio de advogados (fls. 53 a 74 e 88), acompanhada de cópias de Despacho Decisório, DARF's e PER/DCOMP's (fls. 75 a 87). Fl. 272DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.445 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957245/2008-61 Após discorrer a respeito do direito de calcular o seu lucro à aliquota de 8% sobre obre a receita bruta auferida no período de apuração, bem como a respeito a retificação de suas DCTF e DIPJ do período em tela, pleiteia a reconsideração do Despacho Decisório para que a compensação declarada no PER/DCOMP em tela seja integralmente homologada, pois: 1 - o prazo para a repetição de indébito é de 10 anos, em razão do direito prescricional adquirido, visto que a Lei Complementar 118/2005 valeria s6 para as "demandas ajuizadas após 09.06.2005", as quais "não seria garantido o prazo decenal de restituição em razão da entrada em vigor da referida Lei ...", conforme decisão do STJ; 2 - a data correta de arrecadação foi 30/07/1999, que seria antecipação de pagamento que venceria em 30/08/1999; 3 - a contagem de prazo para a repetição de indébito deve se iniciar na data do venci não na data do pagamento; 4 - teria utilizado parte o crédito em 15/09/2004, portanto em tempo hábil; 5 - a retificação de PER/DCOMP suspende "a extinção do crédito tributário incorretamente 'auto-lançado"." Sobreveio decisão de primeira instância indeferindo o Recurso Voluntário por entender que o crédito pleiteado já se encontrava decaído. Inconformada, a Recorrente apresentou o presente Recurso alegando, por diversas vias, que não haveria se operado a decadência de seu direito, pois o prazo a ser aplicado seria de 10 anos. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Tem-se que o PER/DCOMP em tela foi protocolado em data de 05/01/2007 (fls. 08 a 11). Outrossim, a discussão em litígio resume-se a ocorrência ou não de decadência do crédito pleiteado. Fl. 273DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.445 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957245/2008-61 Tal questão já se encontra devidamente pacificada no ordenamento jurídico, já tendo sido objeto de decisão em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal. O cerne da questão é o termo inicial para a contagem do prazo decadencial no caso dos tributos sujeitos ao chamado "lançamento por homologação", se a contagem se iniciaria com o pagamento antecipado do tributo ou a partir da homologação tácita. Com o fim de esclarecer definitivamente a questão - e alterar o entendimento jurisprudencial dominante que, à época, favorecia a opção pelo prazo mais longo - a Lei Complementar 118/05 em seu art. 3º determinou: "a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado". Em que pese tal dispositivo tenha se apresentado como meramente interpretativo, logo deveria ser aplicada a metodologia por ele determinada para todas as situações em curso no momento de sua edição, o Supremo Tribunal Federal, ao se debruçar sob a matéria no bojo do Recurso Extraordinário 566.621/RS, determinou que este permissivo se tratou de verdadeira inovação jurídica. Desta feita, segundo a decisão da Magna Corte, em prestígio da segurança jurídica, ficou determinado que todos os pedidos de repetição de indébitos protocolados antes da entrada em vigor da LC 118/05 continuariam tendo o prazo decadencial de 05 anos contados apenas após a homologação tácita (10 anos a contar do pagamento indevido), enquanto somente as ações ajuizadas posteriormente respeitariam a nova forma. Insta dizer que tal decisão se deu por meio da sistemática da Repercussão Geral, logo, de observação obrigatória por este Colegiado, nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, conforme transcrevo: Art. 62A.- As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543- C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, a conclusão das considerações acima já se encontram devidamente pacificada na jurisprudência deste Conselho, tendo sido objeto da Súmula CARF nº 91, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Destarte, conforme consignado nos autos, o pedido de compensação foi transmitido em 05/01/2007, sujeitando-se então ao prazo decadencial de 05 anos, conforme visto. Considerando que se trata de créditos oriundos de pagamento a maior de IRPJ realizado em agosto de 1999, tem-se que o crédito já se encontrava fulminado pela decadência na data do pedido de restituição. Diante do exposto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 274DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.445 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957245/2008-61 É como voto. (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.936602/2016-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/10/2010
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.482
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1802; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.936602/201614 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.482 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/10/2010 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 66 02 /2 01 6- 14 Fl. 45DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10680.936602/201614 Acórdão n.º 3401006.482 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 47DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10680.936602/201614 Acórdão n.º 3401006.482 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 49DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 50DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.912423/2016-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-007.003
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 24 23 /2 01 6- 28 Fl. 216DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.003 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912423/2016-28 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, emitido eletronicamente que não homologou a compensação de crédito de PIS/Cofins declarado em PER/DCOMP. Tal decisão estaria fundamentada no fato de que a partir das características do DARF descrito na declaração, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, pleiteando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório. No particular alega ausência de fundamentação, ausência de motivação e inocorrência de intimação para prestar esclarecimentos, os quais permitiriam ao Fisco conhecer a origem do crédito pretendido. Cita o art. 37 da CF, e observa que o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por outro lado, defende que houve desvio de finalidade do ato administrativo. Sustenta que o despacho teria a função de exprimir o parecer da fiscalização e que, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, permitiria a instauração do contraditório administrativo. Entretanto, o despacho em comento teria extrapolado sua função precípua, tornando-se meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. No seu entendimento, o desvio de finalidade teria se materializado porque a interrupção do prazo de decadência é consequência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. Argumenta, ainda, que houve prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pois a contribuinte não disporia das razões da não homologação da compensação declarada. No mérito, defende a reforma da decisão, aduzindo, incialmente que o Princípio da Verdade Material deve possibilitar à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação. Requer a inaplicabilidade da multa em face do princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta que a multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal, sendo seu valor excessivo. Defende que multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei e que o tributo deve ser regulado pelo princípio da capacidade contributiva. Argumenta que o Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. Acrescenta que há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Sustenta que, em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciar-se dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Fl. 217DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.003 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912423/2016-28 Por seu turno, a DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, firmando o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde defende a possibilidade de posterior juntada de documentos, especialmente em razão de fato superveniente, e aborda novamente os pontos tratados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.958, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912379/2016-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.958): O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entende-se que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar - possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 218DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.003 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912423/2016-28 Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitir-se deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entende-se que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu Fl. 219DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.003 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912423/2016-28 alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito - Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora Fl. 220DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.003 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912423/2016-28 efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito - inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurge-se contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestar-se acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.721647/2010-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em Diligência à Repartição de Origem, para que, através dos órgãos técnicos da Receita Federal (diretamente, através do SERPRO, ou por outros meios possíveis), apure e esclareça os questionamentos enumerados, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Sikva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
RELATÓRIO.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Recorrente AGROPALMA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em Diligência à Repartição de Origem, para que, através dos órgãos técnicos da Receita Federal (diretamente, através do SERPRO, ou por outros meios possíveis), apure e esclareça os questionamentos enumerados, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Sikva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. RELATÓRIO. O v. Acórdão recorrido assim relatou a espécie, de forma resumida mas bastante esclarecedora para conhecimento da demanda em apreciação (fls. 72), verbis. Trata o presente processo de multa expedida através da Notificação de Lançamento de fls. 27/28, decorrente do atraso na entrega do Dacon referente ao mês de junho de 2010, no valor total de R$ 13.749,54.2. Sendo a data do vencimento da exigência 22/09/2010, considerase tempestiva a impugnação apresentada em 08/09/2010 (fls. 02/03), na qual a interessada, em síntese, alega que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 21 64 7/ 20 10 -1 1 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10280.721647/201011 Resolução nº 3001000.223 S3C0T1 Fl. 3 2 a) No dia 06 de agosto, não obteve êxito nas tentativas de remessa em razão de impedimento de ordem técnica do próprio sistema do Fisco, conforme demonstra o espelho de tela. b) Logo no primeiro dia útil após o dia da tentativa frustrada, a requerente conseguiu enviar o DACON, imaginando que seria regularmente processada, já que a falha de sistema foi informada na tela. c) Fica evidente que foi o impedimento gerado no próprio sistema da Receita Federal, que não permitiu que o referente enviasse o DACON. 3. Por fim, requer que seja julgado improcedente o lançamento. A decisão recorrida negou guarida à pretensão do contribuinte, ao fundamento básico de que o documento exibido para demonstrar a verdade de sua alegação de que houvera falha no sistema no dia 06 de agosto de 2010 não podia ser considerado por ausência de data de sua emissão. E, por conseguinte, caracterizado o atraso na entrega que deveria ocorrer no dia 06 de agosto de 2010 (sextafeira) mas só aconteceu na segundafeira subsequente, dia 10 daquele mesmo mês e ano, manteve a multa por descumprimento de obrigação acessória, pelos fundamentos resumidos na seguinte ementa (fls. 71), verbis. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. O DACON relativo ao mês de junho/2010 deveria ser apresentado até o 5º (quinto) dia útil do mês de agosto/2010 (06/08/10). Desta decisão, a empresa foi notificada em 23 de abril de 2012 (fls. 84), ingressando com Recurso Voluntário em 14 de maio de 2012 (fls. 86/91), reiterando seus argumentos impugnatórios, e ponderando que o problema foi gerado pelo próprio Fisco que estava com problemas técnicos no dia 06 de agosto de 2010, sendo que a falta de data no documento é também de responsabilidade dos órgãos da SRFB, não podendo o contribuinte ser penalizado por acontecimento que não lhe deu causa. Pede a reforma da decisão recorrida. É o relatório. VOTO O recurso é tempestivo, posto que o contribuinte tomou ciência do teor do v. Acórdão recorrido em 23 de abril de 2012 (fls. 84), e ingressou com o Recurso Voluntário, assinado por advogado devidamente habilitado, em 14 de maio subsequente (fls. 86), motivo pelo qual tomo conhecimento do apelo da empresa. Na impugnação e no Recurso Voluntário insiste o contribuinte que, na data que deveria entregar o DACON, ou seja em 06 de agosto de 2010, ocorreu uma inconsistência no Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10280.721647/201011 Resolução nº 3001000.223 S3C0T1 Fl. 4 3 sistema on line da Receita Federal em sua jurisdição, e fez juntada de cópia extraída do sitio da SRFB, como se constata dos autos. A decisão recorrida não descaracterizou que o documento exibido tenha sido emitido/extraído do sitio da própria Receita Federal, limitandose a não aceitálo ao singelo fundamento de que dele não constou a data de emissão. A seu turno, reitera a empresa que o sitio da SRFB, onde deveria entregar o DACON, estava com defeito naquela sextafeira, dia 06.08.2010; exibiu um espelho atestando sua informação; e fez a entrega on line do DACON na segundafeira subsequente, ou seja, no dia 09 de agosto de 2010. O v. Acórdão recorrido reportase, apenas, ao espelho de fls. 10 dos autos (fls. 12 na numeração digital do processo), praticamente ilegível. Todavia, outro espelho, bem legível, fora juntado aos autos pelo recorrente (fls. 49), trazido também com a Impugnação e antes de ser prolatado o v. Acórdão combatido. De fato, em nenhum dos dois espelhos (fls. 12 e 49) consta a data de sua emissão. Porém, sustenta a empresa que a impressão (ou não) de data nos espelhos depende do próprio sistema, ou seja, depende do programa disponibilizado pelos órgãos da Receita Federal. Consequentemente, a olho nu, não se pode ter certeza absoluta se foi (ou não foi) emitido no próprio dia 06 de agosto de 2010, como insistentemente sustenta o contribuinte, nos parecendo mais provável que seja verdadeira a versão sustentada pelo recorrente. Entretanto, os órgãos de informática da Secretaria da Receita Federal, diretamente por seu setor de informática, ou através dos especialistas do SERPRO, dispõem de mecanismos capazes de aferir se, de fato, o sistema esteve fora do ar, ou com algum problema de inconsistência, na data que o contribuinte tentou, sem sucesso, remeter o DACON objeto da lide, qual seja, o dia 06 de agosto de 2010, uma sextafeira. Diante do exposto, preliminarmente, VOTO pela conversão do julgamento em diligência à Repartição de Origem, para que apure, através dos órgãos técnicos da Receita Federal (diretamente, através do SERPRO, ou por outros meios técnicos possíveis), quanto segue. (i) os espelhos exibidos pelo recorrente (fls. 12 e 49) foram emitidos pelo sitio da SRFB, onde o contribuinte deveria ter entregue o DACON no dia 06 de agosto de 2010; (ii) no dia 06.08.2010 ocorreu algum problema técnico ou alguma inconsistência que fossem capaz de impossibilitar a empresa, durante todo o dia ou por algumas horas, de fazer a entrega on line do mencionado DACON; (iii) prestar outros esclarecimentos que possam contribuir para o melhor e mais adequado deslinde da controvérsia; (iv) dar ciência ao contribuinte do teor dessa Diligência, bem assim, do seu resultado, facultandolhe o prazo de 30 dias para manifestarse, caso queira, ou mesmo para oferecer documento ou viabilizar meios de apurar a veracidade de suas alegações; e, (v) ao final, retornar os autos a este Colegiado para prosseguimento do julgamento, se possível, acompanhado de relatório circunstanciado. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10280.721647/201011 Resolução nº 3001000.223 S3C0T1 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.732072/2012-68
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRPF. OMISSÃO DE RECEITA. VGBL. RESGATE.
Os rendimentos decorrentes de resgates do plano de previdência VGBL se sujeitam à incidência do IRRF e ao ajuste na DAA, quando o titular não tenha efetuado a opção de que trata o art. 1º da Lei nº 11.053, de 2004.
Mantida a omissão de rendimentos com base nas informações em DIRF, tendo em vista que a contribuinte não logrou comprovar mediante documentação hábil e idônea que o valor a ser tributado seria menor do que aquele lançado.
IRPF. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O procedimento fiscal que ensejar lançamento de ofício apurando imposto a pagar, obrigatoriamente, implicará cominação de multa de ofício e juros de mora (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 44, I, e 61, §3º, e Súmula Carf nº 02).
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Portaria MF nº343,de09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF).
Numero da decisão: 2003-000.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso
Francisco Ibiapino Luz - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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OMISSÃO DE RECEITA. VGBL. RESGATE. Os rendimentos decorrentes de resgates do plano de previdência VGBL se sujeitam à incidência do IRRF e ao ajuste na DAA, quando o titular não tenha efetuado a opção de que trata o art. 1º da Lei nº 11.053, de 2004. Mantida a omissão de rendimentos com base nas informações em DIRF, tendo em vista que a contribuinte não logrou comprovar mediante documentação hábil e idônea que o valor a ser tributado seria menor do que aquele lançado. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O procedimento fiscal que ensejar lançamento de ofício apurando imposto a pagar, obrigatoriamente, implicará cominação de multa de ofício e juros de mora (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 44, I, e 61, §3º, e Súmula Carf nº 02). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Portaria MF nº343,de09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 20 72 /2 01 2- 68 Fl. 100DF CARF MF 2 Francisco Ibiapino Luz Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 17.218,43, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2011, anobase de 2010, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 125.831,88 (fls. 07/11). Impugnação Irresignada, a contribuinte apresentou impugnação, solicitando juntada de documentos e alegando, em síntese, que, o rendimento recebido do plano de previdência VGBL foi inferior ao montante apurado como tendo sido omitido. Nesse entendimento, segundo ela, o extrato anexado prova que o total recebido a tal título somou somente R$ 59.213,14, resultando imposto a restituir, e não a pagar, já que base de cálculo tributável seria de R$ 65.289,14, e não de R$130.000,00 (fls. 02/05). Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre, por unanimidade, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, conforme ementa transcrita abaixo (fls. 43/45): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 VIDA GERADOR DE BENEFÍCIO LIVRE VGBL. RESGATE Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e ajuste na DIRPF os rendimentos decorrentes de resgates relativos a planos de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência VGBL, que não tenham efetuado a opção de que trata o art. 1º da Lei nº 11.053, de 2004. Mantida a omissão de rendimentos com base nas informações em DIRF, tendo em vista que a contribuinte não logrou comprovar mediante documentação hábil e idônea que o valor a ser tributado seria menor do que o lançado. Crédito Tributário Mantido. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 15504.732072/201268 Acórdão n.º 2003000.099 S2C0T3 Fl. 101 3 Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese, que (fls. 51/66): 1. o Recurso é tempestividade; 2. a Autoridade Fiscal não diligenciou a Instituição Financeira, sanando divergência acerca dos valores resgatados, ficando afastada a demonstração da ocorrência de todos os elementos do fato gerador; 3. mantém referido plano de previdência desde 2008, mas, embora considerando os resgates parciais ocorridos em 2010, o rendimento total recebido somou somente R$ 59.213,14, e não a quantia de R$ 125.831,88. Com isso, a base de cálculo tributável seria de R$ 65.289,14, e não de R$130.000,00, conforme apurou o autuante; 4. seria tributável apenas o rendimento proporcional aos resgates parciais, ainda assim, considerados até as datas de referidas ocorrências. Portanto, não procede a autuação, já que o rendimento total, incluída parcela não resgatada, foi menos da metade do valor apurado pela fiscalização; 5. a multa aplicada viola os princípios constitucionais do nãoconfisco, da razoabilidade e da proporcionalidade, conforme posicionamentos jurisprudencial e doutrinário transcrito; 6. Por fim, requer o provimento integral ou, ao menos, parcial do Recurso; bem como, se mantida a autuação, o cancelamento ou a redução da multa aplicada. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 15/01/2015 (fls. 49), e a Peça recursal foi recebida em 18/02/2015 (fls. 51), dentro do prazo legal para sua interposição, já que o termo final para a sua apresentação foi estendido para a quarta feira de cinzas. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminar A recorrente alegou a tempestividade do Recurso interposto. Fl. 102DF CARF MF 4 Mérito Conforme visto no Relatório, a contribuinte não se insurge contra a natureza da tributação dos rendimentos considerados omitidos se progressiva ou regressiva restando contestado tãosomente o valor tributado. Logo, a delimitação da lide está restrita em se saber a quantia que deverá ser oferecida à tributação, como também à aferição da legalidade da penalidade aplicada. Nesse pressuposto, temse que: 1. a recorrente sustenta, além da inconstitucionalidade da multa de ofício, que seria tributável apenas o rendimento proporcional aos resgates parciais, ainda assim, considerados até as datas de referidas ocorrências, o que resultaria base de cálculo do IRPF inferior àquela apurara pela fiscalização; 2. a Decisão recorrida manteve a autuação, sob o fundamento de que a Impugnante deixou de comprovar que os rendimentos auferidos em face do resgate de VGBL não foram aqueles informados na DIRF/2010, apresentada pela fonte pagadora. Delimitado o escopo do litígio, passo ao enfrentamento da questão suscitada. Resgate de VGBL Rendimentos tributáveis Como se pode verificar, a Lei nº 11.053, de 2004, prevê dois Regimes Tributários aplicáveis ao regate de VGBL, o progressivo e o regressivo, este de escolha facultativa, porém irretratável. No primeiro, incidirá antecipação de IRRF, à alíquota de 15%, sendo que os respectivos rendimentos e imposto retido serão levados a ajuste na DAA; no segundo, haverá incidência tributária exclusivamente na fonte, mediante alíquotas decrescentes em função do tempo de acumulação. Confirmase: Art. 1o É facultada aos participantes que ingressarem a partir de 1o de janeiro de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário, estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, das entidades de previdência complementar e das sociedades seguradoras, a opção por regime de tributação no qual os valores pagos aos próprios participantes ou aos assistidos, a título de benefícios ou resgates de valores acumulados, sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte às seguintes alíquotas: I 35% (trinta e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação inferior ou igual a 2 (dois) anos; [...] VI 10% (dez por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 10 (dez) anos. [...] § 1o O disposto neste artigo aplicase: [...] II aos segurados que ingressarem a partir de 1o de janeiro de 2005 em planos de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência em relação aos rendimentos recebidos a qualquer título pelo beneficiário. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 15504.732072/201268 Acórdão n.º 2003000.099 S2C0T3 Fl. 102 5 § 2o O imposto de renda retido na fonte de que trata o caput deste artigo será definitivo. [...] § 5o As opções de que tratam o caput e o § 1o deste artigo serão exercidas pelos participantes e comunicadas pelas entidades de previdência complementar, sociedades seguradoras e pelos administradores de FAPI à Secretaria da Receita Federal na forma por ela disciplinada. § 6o As opções mencionadas no § 5o deste artigo deverão ser exercidas até o último dia útil do mês subseqüente ao do ingresso nos planos de benefícios operados por entidade de previdência complementar, por sociedade seguradora ou em FAPI e serão irretratáveis, mesmo nas hipóteses de portabilidade de recursos e de transferência de participantes e respectivas reservas. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Art. 2o É facultada aos participantes que ingressarem até 1o de janeiro de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, a opção pelo regime de tributação de que trata o art. 1o desta Lei. § 1o O disposto neste artigo aplicase: [...] II aos segurados que ingressarem até 1o de janeiro de 2005 em planos de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência em relação aos rendimentos recebidos a qualquer título pelo beneficiário. § 2o A opção de que trata este artigo deverá ser formalizada pelo participante, segurado ou quotista, à respectiva entidade de previdência complementar, sociedade seguradora ou ao administrador de FAPI, conforme o caso, até o último dia útil do mês de dezembro de 2005. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os prazos de acumulação mencionados nos incisos I a VI do art. 1o desta Lei serão contados a partir: [...] II da data do aporte, no caso de aportes de recursos realizados a partir de 1o de janeiro de 2005. Art. 3o A partir de 1o de janeiro de 2005, os resgates, parciais ou totais, de recursos acumulados relativos a participantes dos planos mencionados no art. 1o desta Lei que não tenham efetuado a opção nele mencionada sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), como antecipação do devido na declaração de ajuste da pessoa física, calculado sobre: Fl. 104DF CARF MF 6 [...] II os rendimentos, no caso de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de opção pelo regime de tributação previsto nos arts. 1o e 2o desta Lei. Visto o mandamento legal, é oportuno se verificar o que consta nos auto acerca do regime de tributação e dos rendimentos tributáveis, efetivamente, auferidos pela recorrente. Quanto a isso, releva registrar os seguintes fatos: 1. não consta nos autos e nem foi alegado nas contestações que houve opção pela tributação no regime regressivo, visto no art. 1º da citada Lei. Logo, mencionada incidência tributária se dará progressivamente, nos termos do art. 3º do mesmo ato Legal; 2. segundo o comprovante apresentado pela fonte pagadora, consta como situação existente em 31/12/2011 (fls. 12): (a) saldo de rendimentos creditados no valor de R$ 59.213,14; (b) saldo de resgates debitados na quantia de R$ 369.140,03; (c) saldo de IRRF debitado no valor de R$ 20.654,06; (d) valor resgatado no montante de R$ 360.108,27, correspondente aos resgates parciais realizados em março e maio de 2010 nos valores de R$ 200.061,64 e R$160.046,63 respectivamente. 3. a DIRF/2010 não foi retificada em face de erro nas informações prestadas (fls. 31/37); 4. na DIRF/2010 apresentada pela fonte pagadora, existe saque de rendimento no montante de R$ 125.831,88, com IRRF no valor de R$ 18.874,79, correspondentes a saques realizados nos meses de (fls. 35/36): (a) março na quantia de R$ 81.402,71; (b) maio na quantia de R$ 44.429,17. Como se vê nos autos, não procede a alegação de que o rendimento tributável auferido na citada aplicação, entre 2008 e 2011, somou somente R$ R$ 59.213,14, porquanto reportada quantia se refere ao saldo do rendimento existente em 31/12/2011, após os resgates efetuados em anos anteriores. Por conseguinte, a recorrente deveria ter levado ao ajuste anual a totalidade dos rendimentos auferidos no montante de R$ 125.831,88, conforme apurou a fiscalização. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 15504.732072/201268 Acórdão n.º 2003000.099 S2C0T3 Fl. 103 7 Omissão de receitas Oportuno ressaltar que a fonte pagadora informou rendimento tributável em sua DIRF, o qual não foi oferecido à tributação, razão por que a autoridade administrativa constituiu mencionado crédito tributário, composto do imposto apurado mais os acréscimos legais decorrentes (multa de ofício e juros de mora). Nesse pressuposto, durante o procedimento fiscal, cabe ao seu executante averiguar o cumprimento de todos os requisitos legais pertinentes ao objeto trabalhado, conforme assevera o Decreto citado anteriormente. Nestes termos: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários. [...] § 4º O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de ofício [...] Nessa seara, por ter sido comprovada a omissão de rendimentos, não restaram outras alternativas para o autuante, senão agir em conformidade com a lei, efetuando o lançamento de oficio com base nas infrações apuradas, de acordo com o art. 841 do citado Decreto. Nestes termos: Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo [...] III fizer declaração inexata, considerandose como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; [...] VI omitir receitas ou rendimentos. Nesse pressuposto, a presente ação fiscal transcorreu dentro dos estritos ditames vistos no art. 142 do CTN, razão por que não procede a alegação do recorrente no sentido de que o autuante teria de ter diligenciado a fonte pagadora do benefício para aferir a totalidade dos rendimentos auferidos no dito anocalendário. Portanto, o lançamento procedido, mantido incólume pela decisão recorrida, apresentase formalmente incensurável. Confirmase: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 106DF CARF MF 8 Multa de ofício e juros de mora Entendidas as circunstâncias da autuação decorrente da omissão de receitas apurada, a progressão do raciocínio passa pela premissa de que as aplicações da multa de ofício e dos juros de mora se impõem, respectivamente, pelos arts. 44, I, e 61, §3º, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei 11.488/2007. Confirmase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifo nosso) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Art. 61. [...]) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifo nosso) Como visto, reportada matriz legal impede que a aplicação de tais acréscimos seja submetida à discricionariedade das autoridades tributárias, cujas atividades são vinculadas, nos termos do CTN, art. 142. Por conseguinte, o procedimento fiscal que ensejar lançamento de ofício apurando imposto a pagar, obrigatoriamente, implicará na cominação de mencionados acréscimos legais, nos exatos termos da legislação. Nesse sentido, nada há a ser acrescentado quanto à manifestação de que a multa aplicada viola os princípios constitucionais do nãoconfisco, da razoabilidade e da proporcionalidade, pois este Conselho não é competente para se manifestar acerca da violação de princípios constitucionais, conforme Súmula Carf n° 2, nestes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Jurisprudência administrativa e judicial Como se há verificar, a análise da jurisprudência que a recorrente trouxe no Recurso deve ser contida pelo disposto nos arts. 506 da Lei nº 13.105, de 2015, e 472 do Código de Processo Civil, os quais estabelecem que a sentença não reflete em terceiro estranho ao respectivo processo. Logo, por não ser parte no litígio ali estabelecido, o recorrente dela não pode se aproveitar. Confirmase: Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil: Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 15504.732072/201268 Acórdão n.º 2003000.099 S2C0T3 Fl. 104 9 Lei nº 13.105, de 2015 novo Código de Processo Civil: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Mais precisamente, as decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho, conforme Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Confirmase: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016) Fl. 108DF CARF MF 10 Conclusão Ante o exposto, conheço do presente Recurso e, no mérito, negolhe provimento, mantendo a omissão de rendimento apurada no valor de R$ 125.831,88. É como voto. Francisco Ibiapino Luz Fl. 109DF CARF MF
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Numero do processo: 13639.720102/2011-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta confirme se houve efetivamente o recolhimento da segunda parcela da Contribuição Social Sobre o Lucro (CSLL) do 4° trimestre do ano de 2006 no valor de R$ 14.907,83, em 28/02/2007 (fl. 49); e o recolhimento da terceira parcela da CSLL do 4° trimestre do ano de 2006, no valor de R$ 15.159,11 em 30/03/3007 (fl. 51).
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta confirme se houve efetivamente o recolhimento da segunda parcela da Contribuição Social Sobre o Lucro (CSLL) do 4° trimestre do ano de 2006 no valor de R$ 14.907,83, em 28/02/2007 (fl. 49); e o recolhimento da terceira parcela da CSLL do 4° trimestre do ano de 2006, no valor de R$ 15.159,11 em 30/03/3007 (fl. 51). (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 12 76.507 15ª Turma da DRJ/RJO, que homologou parcialmente a compensação pleiteada pela recorrente. Segue a transcrição do relatório: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 39 .7 20 10 2/ 20 11 -5 1 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13639.720102/201151 Resolução nº 1001000.103 S1C0T1 Fl. 91 2 “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. (...) Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada.” Cientificada do referido Despacho, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que o débito compensado possui data de vencimento anterior a do pagamento fonte do suposto crédito. Cientificada em 06/07/2015 (fl.33), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 21/07/2015 (fl. 44). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A DRJ, assim decidiu em relação à manifestação de inconformidade: Rolando a rocha de sísifo, a interessada pugna pela não incidência de encargos moratórios sobre tributos que compensou com atraso. Nesse mister, é preciso esclarecer que a compensação extingue o débito, tanto quanto o pagamento ou quaisquer das outras modalidades relacionadas no artigo 156 do Código Tributário Nacional (CTN). E, também tanto quanto o pagamento, a extinção se perfaz na data em que praticado o ato apto a tanto. Neste contexto, a diferença entre o pagamento e a compensação limita se ao fato desta extinguir o débito sob condição resolutória, posto que dado ao Fisco o poderdever de revisar o feito no prazo de cinco anos de sua realização. Assim, em nada importa a data em que venceu o crédito objeto da compensação, mas sim quando a compensação se operou. No caso em tela, em razão de o débito compensado já se encontrar vencido por ocasião da transmissão do Per/Dcomp, é correta a exigência de acréscimos legais sobre ele, razão pela qual não merece reproche o feito fiscal. Em seu recurso, a recorrente repete, basicamente, os mesmos argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Afirma que: De início, devese frisar que houve um erro por parte da Recorrente ao realizar o PERD/COMP, sem contudo lesar o Fisco Federal, não sendo a Recorrente devedora da União. Assim, vejamos: Em 28/02/2007 a Recorrente efetuou o pagamento da segunda parcela da Contribuição Social Sobre o Lucro (CSLL) do 4° trimestre do ano de 2006 no valor de R$ 14.907,83 vide DARF anexo. Esta última porém, por erro, efetuou a compensação do crédito advindo desta parcela acima (e reconhecido pela própria Receita Federal) com supostos débitos referentes à terceira parcela da CSLL do 4° trimestre do ano de 2006 cujo Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13639.720102/201151 Resolução nº 1001000.103 S1C0T1 Fl. 92 3 vencimento se deu em 30/03/2007 de acordo com seu PERD/COMP. Ocorre que esta última parcela sobre a qual se pediu a compensação já havia sido definitivamente quitada (também a maior) no importe de R$ 15.159,11 no prazo de vencimento conforme se prova pela DARF anexa de 30/03/2007. Ou seja, a partir de seu crédito, a Recorrente erroneamente buscou compensar tal valor com débitos JÁ PAGOS DE FORMA INTEGRAL, ou seja, com um débito inexistente. Afirma que a extinção do débito se deu por pagamento, antes de ser efetuada a compensação pela PER/DCOMP e pede, em apertada síntese, que seja julgado improcedente o despacho decisório. Anexou cópia dos documentos de arrecadação para provar suas afirmações. Aqui temse uma questão de fato, ou seja, se a recorrente já havia quitado o tributo devido, não haveria que enviar um PE/DCOMP solicitando a sua compensação. Se, por outro lado, o tributo já estava quitado em março de 2007, não haveria como o crédito pleiteado ser consumido por um débito inexistente, a PER/COMP foi transmitida em 04/12/2007. No entanto, é inegável que a PER/COMP constitui uma confissão de dívida e a recorrente deveria têla retificado ou cancelado, apresentando as correspondentes provas da razão do cancelamento e quitação dos débitos. No entanto, baseado nos documentos acostados aos autos (fls, 49 a 52), não deveria ter havido a alocação daqueles créditos ao débito apontado no despacho decisório, posto que quitado. Se assim o for, o despacho decisório deveria ser anulado por inexatidão. Portanto, voto no sentido de converter o processo em diligência para que a unidade de origem confirme: · se houve efetivamente o recolhimento da segunda parcela da Contribuição Social Sobre o Lucro (CSLL) do 4° trimestre do ano de 2006 no valor de R$ 14.907,83, em 28/02/2007 (fl. 49); e · se houve efetivamente o recolhimento da terceira parcela da CSLL do 4° trimestre do ano de 2006, no valor de R$ 15.159,11 em 30/03/3007, fl. 51. A unidade de origem deverá elaborar relatório fiscal conclusivo sobre as apurações e cientificar o sujeito passivo do resultado da diligência realizada, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011, com posterior retorno dos autos ao CARF para dar seguimento ao julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.911726/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/05/2011 a 31/05/2011
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DESPACHO ELETRÔNICO. SALDO NÃO UTILIZADO.
Constatada a existência de saldo disponível para compensar débito declarado em DCOMP, há que se reformar a decisão de primeiro grau denegatória e autorizar a compensação até o valor do saldo disponível.
Numero da decisão: 3301-006.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morias Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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PAGAMENTO A MAIOR. DESPACHO ELETRÔNICO. SALDO NÃO UTILIZADO. Constatada a existência de saldo disponível para compensar débito declarado em DCOMP, há que se reformar a decisão de primeiro grau denegatória e autorizar a compensação até o valor do saldo disponível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morias Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 09-56.227 - 2ª Turma da DRJ/JFA, que manteve o Despacho Decisório com o numero de rastreamento nº 040166771, por intermédio do qual não foi homologada a compensação declarada no PER/DCOMP nº 30851.36816.231211.1.3.04-7390. Na referida declaração de compensação, objeto do PER/DCOMP nº 30851.36816.231211.1.3.04-7390, o crédito pleiteado teria como gênese pagamento indevido ou a maior de Cofins não-cumulativa (código da receita: 5856), período de apuração 05/2011, data de arrecadação 24/06/2011, no valor de R$ 4.148.776,31, sendo o saldo credor referente a este AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 17 26 /2 01 2- 95 Fl. 85DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.360 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.911726/2012-95 pagamento o valor de R$ 263.185,08, usado na compensação de Cofins não-cumulativa (código de receita 5856), período de apuração 11/2011, no valor de R$ 278.239,27. Para complementar os fatos, reproduzo, a seguir, o relatório constante da decisão de primeira instância, que adoto e ao qual farei as devidas adições: Relatório O interessado transmitiu a Dcomp nº 30851.36816.231211.1.3.04-7390, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento a maior, código 5856, efetuado em 24/06/2011no valor de R$ 4.148.776,31; A DRF-Porto Alegre/RS emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que retificou a DCTF e quitou o débito declarado com excesso de pagamento e/ou depósito judicial; É o breve relatório. Regularmente processada a Manifestação de Inconformidade apresentada, a 2ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou improcedente o recurso, conforme Acórdão nº 09-56.227, datado de 07/01/2015, cuja ementa e voto reproduzo a seguir: Ementa Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO. Não existindo crédito suficiente a compensação declarada não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido *** Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dela conheço. A empresa retificou a DCTF do mês maio-11 em 29/08/2012 alterando o débito do código 5856 para o valor de R$ 5.083.522,31. Com esse valor do débito, do pagamento efetuado em 24/06/2011 no valor de R$ 4.148.776,31, passaria a existir, segundo ela, um saldo a restituir ou a ser usado em compensação no valor de R$ 263.185,08. No entanto, em 19/08/2013 ela retificou novamente a DCTF do período e desta feita declarou débito do código 5856 no valor de R$ 5.601.144,92. Essa DCTF retificadora recebeu o nº 100.2011.2013.1851.2260.78 (recibo nº 34.19.07.14.90.02). Tendo em vista essa última retificação da DCTF, não existe saldo a restituir ou a ser usado em compensação em relação ao pagamento efetuado em 24/06/2011, código 5856, valor de R$ 4.148.776,31, existindo na verdade, saldo a pagar. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade, pelo não reconhecimento do direito creditório e pela não homologação das compensações pleiteadas. Fl. 86DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.360 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.911726/2012-95 Cientificada do julgamento de primeiro grau, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário, nos seguintes termos: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) através do acórdão n° 09-56.227 da 2ª Turma entendeu que a última retificação da DCTF da competência Maio/2011, apresentada em 19/08/2013 e validada pelo recibo n° 34.19.07.14.90-02, eliminou o crédito declarado no Per/Dcomp n° 30851.36816.231211.1.3.04-7390. O entendimento está equivocado, pois a própria DCTF retificadora entregue em 19/08/2013 evidencia que do DARF no valor total de R$ 4.148.776,31 (DARF este que foi a base para emissão do Per/Dcomp) apenas R$ 3.885.591,23 foi utilizado para pagamento do débito da competência maio/2011, portanto, restou R$ 263.185,08 pago a maior, que foi objeto do Per/Dcomp referido apresentado em 23/12/2011. Abaixo demonstramos o valor do débito de COFINS do mês de maio/2011 e a forma como o mesmo foi pago, ficando claramente evidenciado o pagamento a maior de R$ 263.185,08. - A DCTF apresentada em 19/08/2013 sob o número 34.19.07.14.90-02 acusa um débito no código 5856 de R$ 5.601.144,92. Este débito foi liquidado conforme abaixo: - Depósito Judicial n° 0652635000014350 código 7498 R$ 780.124,37; - Depósito Judicial n° 0652635000014350 código 7498 R$ 396.732,88; - Depósito Judicial n° 0652635000014350 código 7498 R$ 10.326,42; - Dcomp 41857.81867.240611.1.3.04-4354 R$ 9.222,95; - Dcomp 17845.10472.240611.1.3.04-5710 R$ 1.524,46; - DARF código 5856 R$ 517.622,61; - DARF código 5856 R$ 4.148.776,31 - Total dos Pagamentos R$ 5.864.330,00 - Valor Pago a Maior R$ 263.185,08 - O DARF de valor original R$ 517.622,61 foi pago em atraso, apresentando valor total recolhido de R$ 602.719,77. - O DARF de R$ 4.148.776,31 foi escriturado na DCTF com o valor pago do débito de R$ 3.885.591,23, ou seja, ficou evidenciado na DCTF a existência de um pagamento a maior de R$ 263.185,08, conforme pode ser verificado no Anexo 3. - O valor de R$ 263.185,08 pago a maior em 24/06/2011 atualizado pela SELIC até 23/12/2011, data da compensação, resulta no valor de R$ 278.239,27 que foi o valor efetivamente compensado através do Per/Dcomp. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo, por tais razões, ser conhecido. A Recorrente, em seu recurso, reitera ter crédito originário de pagamento a maior de Cofins do período de apuração 05/2011, no valor originário de R$ 263.185,08, diferença Fl. 87DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.360 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.911726/2012-95 entre o pagamento no montante de R$ 4.148.776,31 e o seu valor utilizado para quitação do respectivo débito em DCTF, R$ 3.885.591,23. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade o fundamento de que, em 19/08/2013, e, portanto, após a apresentação do recurso, a Recorrente teria novamente retificado sua DCTF do período, ocasião em que declarou débito do código 5856 no valor de R$ 5.601.144,92, conforme DCTF retificadora de nº 100.2011.2013.1851.2260.78 (recibo nº 34.19.07.14.90.02). Dessa forma, segundo o órgão julgador a quo, após essa última retificação da DCTF, não existiria saldo a restituir ou a ser usado em compensação em relação ao pagamento efetuado em 24/06/2011, código 5856, valor de R$ 4.148.776,31, existindo na verdade, saldo a pagar. Passo a analisar. Antes de ser exarado o Despacho Decisório destes autos, a Recorrente retificou sua DCTF para ajustar o valor do débito a que se refere o crédito pleiteado. Para isso, valeu-se da DCTF retificadora nº 1002.011.2012.1841186027, transmitida em 29/08/2012, conforme reprodução a seguir: DCTF / MENSAL COFINS - MAIO/2011 DÉBITO APURADO 5.083.522,31 CRÉDITOS VINCULADOS - Pagamento (3.885.591,23) -Compensação de Pagt. Indevido ou a Maior (10.747,41) - Suspensão (1.187.183,67) SOMA DOS CRÉDITOS VINCULADOS (5.083.522,31) SALDO A PAGAR 0,00 Dados do DARF Período de Apuração 31/05/2011 Código do Tributo 5856 Vencimento 24/06/2011 Valor do Principal 4.148.776,31 Valor Pago do Débito 3.885.591,23 Saldo de Crédito 263.185,08 Com essa retificação, o pagamento efetuado estaria parcialmente vinculado ao débito em comento, remanescendo o crédito pleiteado, no valor de R$ 263.185,08. Mesmo diante dessa retificação, em 05/11/2012, foi exarado o Despacho Decisório Eletrônico nº de Rastreamento 040166771, que considerou não homologada a compensação declarada por ausência de crédito disponível do pagamento, em razão de sua alocação integral ao débito correspondente. Fl. 88DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.360 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.911726/2012-95 A unidade de origem, no preparo dos autos para julgamento em primeiro grau, esclareceu a situação. Segundo aquele órgão, a DCTF retificadora, apresentada antes da emissão do Despacho Decisório, teve a retificação do débito de código 5856 impedida devido à suspensão manual de parte do débito por liminar em Mandado de Segurança. No entanto, após o tratamento da DCTF retificadora, restou saldo disponível do DARF, conforme consulta aos sistemas informatizados da RFB, anexada à fl. 60. Em outras palavras, o saldo disponível do DARF apresentado, de acordo com a unidade de origem, corresponde justamente ao valor pleiteado pela Recorrente. Entretanto, no julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ considerou improcedente o Recurso em razão de nova retificação de DCTF, que teria elevado o débito em análise para R$ 5.601.144,92 (antes era de R$ 5.083.522,31). Dessa forma, não haveria crédito, mas, sim, saldo a pagar. Até a análise feita pela DRJ, consubstanciada no Acórdão nº 09-56.227, às fls. 63- 65, os presentes autos não se apresentam instruídos com cópia da DCTF retificadora citada nesse julgado, nem telas ou consultas aos sistemas afetos à RFB que dessem embasamento à conclusão do órgão julgador de que "não existe saldo a restituir ou a ser usado em compensação em relação ao pagamento efetuado em 24/06/2011, código 5856, valor de R$ 4.148.776,31, existindo na verdade, saldo a pagar". (negritei) O que há, sim, até a presente data, é o adequado esclarecimento prestado pela Recorrente em seu Recurso Voluntário de que, mesmo após a retificação mencionada pela DRJ, o pagamento gênese de seu crédito permanece com saldo disponível, tendo em vista a sua utilização parcial para quitação do correspondente débito em DCTF, conforme extrato juntado às fls. 79-80, reproduzido a seguir: DCTF / MENSAL COFINS - MAIO/2011 DÉBITO APURADO 5.601.144,92 CRÉDITOS VINCULADOS - Pagamento (4.403.213,84) - Compensação Pagt. Indevido ou a Maior (10.747,41) - Suspensão (1.187.183,67) SOMA DOS CRÉDITOS VINCULADOS (5.601.144,92) SALDO A PAGAR 0,00 Dados do DARF 1 Dados do DARF 2 Período de Apuração 30/05/2011 Período de Apuração 30/05/2011 Código do Tributo 5856 Código do Tributo 5856 Vencimento 24/06/2011 Vencimento 24/06/2011 Valor do Principal 4.148.776,31 Valor do Principal 517.622,61 Valor Pago do Débito 3.885.591,23 Valor Pago do Débito 517.622,61 Fl. 89DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.360 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.911726/2012-95 Saldo de Crédito 263.185,08 Saldo de Crédito 0,00 Pelo que se vê, tal fato, vinculação parcial de DARF em DCTF, não foi observado pela autoridade julgadora de primeiro grau, razão pela qual manteve a não homologação da compensação. Em razão das constatações acima, conclui-se ser procedente a alegação da Recorrente quanto ao saldo de R$ 263.185,08, decorrente de pagamento a maior de Cofins do período de apuração 05/2011, que pode ser utilizado no PER/DCOMP n.º 30851.36816.231211.1.3.04-7390, e conforme constar do banco de dados da RFB. Diante do acima exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903294/2015-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.299
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
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ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 32 94 /2 01 5- 00 Fl. 67DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário requerendo a reforma de decisão de primeira instância para que seja declarada a nulidade do despacho decisório por haver sido proferido com ausência de fundamentação e homologada a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.261, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10865.901009/201427. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.261): "A Recorrente acusa o despacho decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, por ausência de fundamentação, uma vez que este não teria indicado as razões da inexistência de crédito disponível. Ora, verificase que a referida decisão deixou de homologar a compensação pelo fato de o valor do DARF ter sido integralmente alocado à quitação de outro débito. Este fundamento era suficiente para a negativa, sobretudo porque, como a própria Recorrente veio a informar na Manifestação de Inconformidade, a DCTF só fora retificada Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10865.903294/201500 Acórdão n.º 3401006.299 S3C4T1 Fl. 3 3 posteriormente e o DACON também, de sorte que os sistemas da Receita Federal não dispunham de outra informação que não aquela constante do DCTF original. Assim, não merece prosperar a alegação de nulidade do despacho decisório por carência de fundamentação, visto que analisou acertadamente o direito creditório à luz da circunstância fática vigente à época, que incluía a confissão do débito em DCTF no seu valor original.. Ademais, a posterior retificação da DCTF com o fito de reduzir o valor do débito não tem, per si, o condão de comprovar o direito creditório da Recorrente se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que suportem as alterações realizadas. Em se tratando de pedidos de compensação/ressarcimento, o ônus probatório incumbe ao postulante, conforme reiterada jurisprudência deste Conselho: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) "“CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a Fl. 69DF CARF MF 4 respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.” (Acórdão 3401005.460 – paradigma, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.nov.2018) Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente veiculou genericamente a alegação de ter se valido de uma base de cálculo ampliada para o PIS/COFINS, com a inclusão de receitas que não comporiam o faturamento, o que ensejara a retificação da DCTF, sem carrear aos autos qualquer documentação que comprove o alegado, desejando transferir à fiscalização o ônus de perscrutar a origem do crédito pleiteado. No presente Recurso Voluntário, limitase à alegação de nulidade do despacho decisório, mesmo ciente de que o mesmo foi proferido antes da retificação que promovera na DCTF, o que já se refutou, silenciando quanto à origem e quantificação do crédito. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10865.903294/201500 Acórdão n.º 3401006.299 S3C4T1 Fl. 4 5 Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.002464/2006-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001
IRPJ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DECURSO DO PRAZO. PRESCRIÇÃO. CARACTERIZADA.
Conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621-RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570-MG, deve-se reconhecer que os pagamentos indevidos apresentados antes do dia 09/06/2005, será de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma, ou seja, contados da data do fato gerador; se depois de 9 de junho de 2005, o prazo para o direito à repetição será de cinco anos, contados da data do pagamento indevido.
In casu, tendo o contribuinte apresentado pedido de restituição em 30/08/2006, ou seja, após de 09/06/2005, para reivindicar direito creditório decorrente de pagamentos efetuados no período de 04/2000 a 07/2001, reconhece-se o transcurso do prazo para pleitear essa devolução.
Numero da decisão: 1301-003.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso em razão da expiração do prazo prescricional/decadencial de pleitear a restituição.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001 IRPJ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DECURSO DO PRAZO. PRESCRIÇÃO. CARACTERIZADA. Conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621-RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570-MG, deve-se reconhecer que os pagamentos indevidos apresentados antes do dia 09/06/2005, será de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma, ou seja, contados da data do fato gerador; se depois de 9 de junho de 2005, o prazo para o direito à repetição será de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. In casu, tendo o contribuinte apresentado pedido de restituição em 30/08/2006, ou seja, após de 09/06/2005, para reivindicar direito creditório decorrente de pagamentos efetuados no período de 04/2000 a 07/2001, reconhece-se o transcurso do prazo para pleitear essa devolução.
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PAGAMENTO INDEVIDO. PRAZO PRESCRICIONAL. QUINQUENAL Recorrente LABORATORIO VAZ MONTEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 IRPJ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DECURSO DO PRAZO. PRESCRIÇÃO. CARACTERIZADA. Conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570MG, devese reconhecer que os pagamentos indevidos apresentados antes do dia 09/06/2005, será de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma, ou seja, contados da data do fato gerador; se depois de 9 de junho de 2005, o prazo para o direito à repetição será de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. In casu, tendo o contribuinte apresentado pedido de restituição em 30/08/2006, ou seja, após de 09/06/2005, para reivindicar direito creditório decorrente de pagamentos efetuados no período de 04/2000 a 07/2001, reconhecese o transcurso do prazo para pleitear essa devolução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso em razão da expiração do prazo prescricional/decadencial de pleitear a restituição. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 24 64 /2 00 6- 34 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10660.002464/200634 Acórdão n.º 1301003.973 S1C3T1 Fl. 217 2 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 0920356, proferido pela 2ª Turma da DRJ/JFA, que, ao apreciar a manifestação apresentada, por unanimidade de votos, julgoua improcedente. Versa o presente processo de pedido de restituição, no valor de R$ 33.773,87, relativo ao IRPJ, pago indevidamente, formulado em 30/08/2006, com o escopo de reivindicar crédito de pagamento indevido, efetuado no período de 04/2000 a 07/2001.. De acordo com o Despacho Decisório, o pedido foi indeferido, sob os seguintes argumentos: i) extinção do direito de pleitear a restituição (decadência); ii) não aplicabilidade à empresa do percentual de 8% para apuração da base de cálculo presumida do IRPJ. Após notificada, a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade, alegando: a) A prescrição para o IRPJ é decenal tendo em vista tratarse de tributo sujeito ao lançamento por homologação, e que a aplicação retroativa do artigo 3ª da LC 118/2005 é inconstitucional, como decidiu o STJ no julgamento do Resp 742362/MG; b) O STJ decidiu no Resp 380.584/RS, que para a caracterização de serviço hospitalar deve ser prestigiado a natureza do serviço prestado em detrimento da qualidade do prestador do serviço; c) A Lei n° 9249/1995 em seu artigo 15, inciso III, alínea "a" concedeu aos contribuintes que prestam serviços hospitalares, a possibilidade de calcular seu imposto, com base de cálculo de 8% sobre a receita bruta auferida mensalmente. Com a edição da Medida Provisória n° 232 foi mantida a exceção a esta atividade. A IN SRF n° 306/2003, estabeleceu, conceitualmente, o que são "serviços hospitalares". Elencou, no artigo 23, como beneficiárias da base de cálculo de 8%, as pessoas jurídicas que estivessem ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuíssem estrutura física adequada para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais atividades, constantes da Portaria GM 1884/1994, editada pelo Ministério da Saúde; Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10660.002464/200634 Acórdão n.º 1301003.973 S1C3T1 Fl. 218 3 d) A Secretaria da Receita Federal, no uso de suas atribuições, publicou a IN n° 480/2004, revogando a IN 306/2003 e em seu artigo 27 modificou o entendimento quanto à matéria, estabelecendo que somente serão considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares, elencando os requisitos para assim serem classificados. Dessarte, a Secretaria da Receita Federal alterou o conceito de serviços hospitalares, sem haver qualquer disposição na MP 232 a. respeito da matéria; e) A IN SRF n° 539/2005 considera serviços hospitalares os diretamente ligados à assistência e atenção à saúde, consoante o estabelecido e confirmado pelo Ministério da Saúde, desde que sejam exercidos os serviços médicos, conforme os incisos I e II do artigo 27; Na seqüência, foi proferido o acórdão recorrido, que julgou improcedente a manifestação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Para fazer jus a apuração do lucro presumido no percentual de 8% a empresa deve atender os requisitos previstos na legislação de regência, caso contrário deve utilizar o percentual de 32%. Solicitação Indeferida Ciente do acórdão recorrido em 06/04/2009 (fl. 163), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 30/04/2009 (fls. 214), tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta seus argumentos, que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Análise do Recurso Voluntário Preliminar de Decadência/Prescrição Consoante relatado, trata o presente processo de pedidos de restituição, formulado em 30/08/2006, com o escopo de reivindicar crédito de pagamento indevido, efetuado no período de 04/2000 a 07/2001. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10660.002464/200634 Acórdão n.º 1301003.973 S1C3T1 Fl. 219 4 A presente controvérsia resolvese pela análise do prazo prescricional, para se pleitear pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão do STF quando do julgamento do RE 566.621 de relatoria da Ministra Ellen Gracie, bem como do STJ, em sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1.269.570, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques,; De acordo com estas Cortes Superiores, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, devese levar em conta a data dos pedidos: se antes do dia 09/06/2005, será de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma, ou seja, contados da data do fato gerador; a partir do dia 09/06/2005, aplicase o prazo de 5 anos, contados no momento do pagamento antecipado (indevido ou feito a maior). O acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF) restou assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10660.002464/200634 Acórdão n.º 1301003.973 S1C3T1 Fl. 220 5 permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, a LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Nesse sentido, a Súmula CARF 91 assim se expressa: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Assim, em se tratando de pagamento indevido de IRPJ, cujo pedido de restituição foi formulado em 30/08/2006, para reivindicar crédito de pagamento indevido, efetuado no período de 04/2000 a 07/2001, ou seja, a partir de 09/06/2005, devese reconhecer que ocorreu o transcurso do prazo prescricional para pleitear essa devolução. Conclusão Com esses fundamentos, negase provimento ao recurso, em razão da expiração do prazo prescricional/decadencial de pleitear a restituição. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.720159/2015-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. EFEITOS DAS DECISÕES JUDICIAIS. REGRAMENTO PROCESSUAL PRÓPRIO.
1. O Código Tributário Nacional tem norma específica que regulamenta os efeitos das decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, os quais, inclusive, não coincidem com os efeitos a que se pretende atribuir através do art. 24 da LINDB.
2. Ademais, o art. 146 do Código é claro ao determinar que a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, de tal forma que tal modificação tem efeitos prospectivos, e não retroativos.
3. O direito processual já estabelece uma lógica de precedentes (baseada no mesmo valor de segurança jurídica), a exemplo das decisões com repercussão geral, das decisões proferidas em recursos repetitivos, ou as próprias súmulas vinculantes deste CARF.
INOVAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO PELA DRJ. INEXISTÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA.
Quanto à parcela do lançamento que foi mantida, o acórdão de impugnação em nenhum momento distanciou-se das conclusões da autoridade fiscal.
STOCK OPTIONS. PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. VANTAGENS OBTIDAS NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
As vantagens econômicas oferecidas aos empregados da empresa na aquisição de lotes de ações próprias, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuram-se ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando, portanto, natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição base de cálculo das contribuições previdenciárias.
RECURSO DE OFICIO. PROVIMENTO. STOCK OPTIONS. AÇÕES COM CLÁUSULA RESTRITIVA DE VENDA IMEDIATA. LOCK UP. NATUREZA SALARIAL. DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL, OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS.
O fato gerador é remunerar a prestação do trabalho, o que foi feito com a entrega das ações, ainda que submetidas a um prazo de lock up, não se justificando a exclusão do lançamento relativamente ao crédito incidente sobre o valor da remuneração consubstanciada nas ações submetidas a lock up.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 108.
Súmula CARF 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 2402-007.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Thiago Duca Amoni, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que negaram provimento. E, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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INAPLICABILIDADE. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. EFEITOS DAS DECISÕES JUDICIAIS. REGRAMENTO PROCESSUAL PRÓPRIO. 1. O Código Tributário Nacional tem norma específica que regulamenta os efeitos das decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, os quais, inclusive, não coincidem com os efeitos a que se pretende atribuir através do art. 24 da LINDB. 2. Ademais, o art. 146 do Código é claro ao determinar que a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, de tal forma que tal modificação tem efeitos prospectivos, e não retroativos. 3. O direito processual já estabelece uma lógica de precedentes (baseada no mesmo valor de segurança jurídica), a exemplo das decisões com repercussão geral, das decisões proferidas em recursos repetitivos, ou as próprias súmulas vinculantes deste CARF. INOVAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO PELA DRJ. INEXISTÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. Quanto à parcela do lançamento que foi mantida, o acórdão de impugnação em nenhum momento distanciouse das conclusões da autoridade fiscal. STOCK OPTIONS. PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. VANTAGENS OBTIDAS NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 01 59 /2 01 5- 90 Fl. 6837DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.838 2 As vantagens econômicas oferecidas aos empregados da empresa na aquisição de lotes de ações próprias, quando comparadas com o efetivo valor de mercado dessas mesmas ações, configuramse ganho patrimonial do empregado beneficiário decorrente exclusivamente do trabalho, ostentando, portanto, natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de Salário de Contribuição base de cálculo das contribuições previdenciárias. RECURSO DE OFICIO. PROVIMENTO. STOCK OPTIONS. AÇÕES COM CLÁUSULA RESTRITIVA DE VENDA IMEDIATA. LOCK UP. NATUREZA SALARIAL. DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL, OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. O fato gerador é remunerar a prestação do trabalho, o que foi feito com a entrega das ações, ainda que submetidas a um prazo de lock up, não se justificando a exclusão do lançamento relativamente ao crédito incidente sobre o valor da remuneração consubstanciada nas ações submetidas a lock up. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 108. Súmula CARF 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Thiago Duca Amoni, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que negaram provimento. E, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Redator Designado Fl. 6838DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.839 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A 9ª Turma da DRJ/RPO fez um relato preciso do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até a prolatação do acórdão de impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: Tratase de processo datado de 31/08/2015, levado à ciência do sujeito passivo em 02/09/2015 (fls. 6.089), composto pelos seguintes AutosdeInfração lavrados pelo descumprimento de obrigações tributárias principais: Auto de Infração de Contribuições Previdenciárias da Empresa, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, incluindo a alíquota SAT/RAT (artigo 22, I e II da Lei 8.212/91) e sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais (artigo 22, III da Lei 8.212/91), no valor total de R$ 23.113.000,29 (vinte e três milhões, cento e treze mil reais e vinte e nove centavos), incluindo o valor principal, juros de mora e multa de ofício. Auto de Infração de Contribuições para Outras Entidades e Fundos (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, no valor total de R$ 3.734.892,05 (três milhões, setecentos e trinta e quatro mil, oitocentos e noventa e dois reais e cinco centavos), incluindo o valor principal, juros de mora e multa de ofício. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 24/68, as autuações tratam de contribuições incidentes sobre parcelas remuneratórias não submetidas à tributação, correspondentes aos ganhos decorrentes da aquisição de ações a preços abaixo do valor de mercado, em decorrência de opções de compras de ações oferecidas pela autuada aos trabalhadores (stock options). Transcreve o artigo 168, § 3o da Lei das S/A (Lei 6.404/76) como base legal das stock options: Artigo 168: O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. (...) § 3o.: O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembléiageral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou à sociedade sob seu controle.” Fl. 6839DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.840 4 Também colaciona informações sobre as stock options apresentadas pelo Ofício Circular/CVM/SNC/SEP 01/2007: “Na configuração mais comum, a opção de ações dá ao empregado o direito de comprar um certo número de ações da companhia a um preço fixo por um certo número de anos. O preço pelo qual a opção é concedida é usualmente o preço de mercado na data em que as opções são concedidas. A lógica deste benefício é a expectativa que o preço das ações subirá e os empregados poderão comprála pelo exercício (compra) a um preço mais baixo que foi referenciado no momento da concessão e vendêlo pelo preço corrente do mercado, por exemplo.” Na seqüência, transcreve disposições específicas encontradas nos planos de opções e nos instrumentos contratuais analisados no decorrer do procedimento fiscal, das quais podem ser extraídas as seguintes informações: um dos objetivos do plano é possibilitar à Companhia, ou outras sociedades sob o seu controle, atrair e manter a ela vinculados administradores e empregados; a outorga de opções de compra de ações nos termos do Plano é realizada mediante a celebração de contratos de outorga de opção entre a Companhia e os Beneficiários; será concedido um “desconto de até 20% (vinte por cento)”; o preço de exercício das opções não exercidas será deduzido do valor dos dividendos e juros sobre o capital próprio por ação pagos pela Companhia a partir da data da outorga; se o beneficiário se desligar da Companhia por vontade própria, ou mediante justa causa ou violação dos deveres e atribuições de administrador, restarão extintos de pleno direito todos os direitos já exercíveis ou não exercíveis, de acordo com o respectivo contrato de opção; se o desligamento ocorrer por vontade da Companhia e sem justa causa, será concedido prazo para exercício dos direitos exercíveis e, quanto àqueles ainda não exercíveis, caberá deliberação do Conselho de Administração; as opções outorgadas são pessoais e intransferíveis; Prossegue discorrendo acerca da natureza das contribuições previdenciárias patronais, citando o artigo 195, I, “a” da Constituição Federal e o artigo 22, incisos I e III da Lei 8.212/91. Enfatiza que os pagamentos e vantagens concedidos aos trabalhadores adquirem natureza remuneratória quando destinados a retribuir o trabalho prestado. A respeito, colaciona jurisprudência do TST. Afirma que o benefício advindo das stock options decorre da prestação de trabalho, vez que o trabalhador deve permanecer Fl. 6840DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.841 5 trabalhando para a companhia pelo prazo de 03 (três) anos, sendo este o período de carência (vesting) entre a outorga das opções e a data de vencimento dessas opções, quando o trabalhador então, pode exercer efetivamente o direito contido nas opções e adquirir as ações a um preço vantajoso em relação ao praticado no mercado. A prestação de serviços, portanto, é condição essencial na negociação. Discorre sobre as remunerações “em utilidades”, afirmando que “Ação também é ativo com valor econômico e a transferência de sua propriedade implica em acréscimo patrimonial ao trabalhador” (fls. 32). Explica que, havendo custo, a vantagem econômica será a diferença entre o valor de mercado e aquele pago pela aquisição. Em seguida, apresenta os números referentes aos valores de aquisição e valores praticados no mercado nas mesmas datas (quadro de fls. 34), demonstrando as diferenças importam em descontos que vão de 50% (cinqüenta por cento) a praticamente 100% (em 26/07/2012, o preço de mercado das ações era de R$ 10,73 e as mesmas foram adquiridas pelo plano de stock options pelo valor de R$ 0,01). Quanto à habitualidade, consigna que ela está presente. O plano foi criado em 2007 e estabeleceu as diretrizes básicas do benefício. Maiores detalhes são estabelecidos em contratos propostos periodicamente aos beneficiários. A fiscalização também apresenta considerações com o intuito de refutar a suposta natureza mercantil das stock options, elencando para tanto, as seguintes características dos negócios engendrados: (a) natureza de contraprestação por serviços prestados; (b) seleção criteriosa das contrapartes dos contratos; (c) valores evidentemente desvantajosos para a empresa. Afirma que não existe qualquer risco de perdas para o trabalhador. Explica que esta afirmação não se refere ao período posterior ao exercício da opção, quando as ações passam a pertencer aos trabalhadores. Cita a existência de cláusula restritiva para a venda (lock up) de parte das ações adquiridas por meio de stock options, conforme cláusula do plano instituído: “4.3.1 Sem prejuízo do disposto no item 4.3. acima, durante o prazo de 3 (três) anos contados da data de exercício da respectiva opção, os Beneficiários não poderão vender e/ou ofertar à venda um número de ações adquiridas com o exercício de opções calculado de acordo com a fórmula abaixo: N = 0,5 x Q x (1 – Pe / Pm) onde: N = quantidade de ações retidas para venda após 3 anos do exercício Q = quantidade de opções/ações disponíveis para o exercício Pm = preço de mercado da ação na data de exercício Pe = preço de exercício da opção (cotação de fechamento do dia anterior)” Fl. 6841DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.842 6 Em que pese a restrição para vendas, a partir da aquisição das ações, o beneficiário já poderá usufruir das vantagens de ser acionista, podendo participar de assembléias, alugar suas ações e receber proventos em dinheiro ou ações, destacando que a autuada tem sido bastante profícua na distribuição de proventos em dinheiro, conforme quadro apresentado no TVF. Também rechaça a existência da onerosidade, pois, o que está sendo tributado não é a parte do benefício pela qual o trabalhador está pagando, mas justamente a diferença deste valor, que representa a vantagem financeira que lhe é concedida gratuitamente pela empresa. Segue analisando os mecanismos de minimização dos riscos, discorrendo sobre: (a) desconto inicial de 20% do preço de exercício em relação ao preço de mercado; (b) desconto dos proventos concedidos pela empresa desde a assinatura do contrato; (c) política da empresa de distribuir integralmente seus resultados; (d) desconto gigante referente à devolução de capital e dividendo extraordinário; (e) programa de recompra de ações. Quanto à data da ocorrência do fato gerador, a fiscalização relata as várias etapas do negócio em questão, iniciandose pela “data da assinatura do contrato”, quando o trabalhador adquire a opção oferecida pela empresa, e com ela o direito de comprar futuramente as ações; a “data de vesting”, correspondente ao momento em que cumprido o prazo estabelecido de 03 (três) anos para que o trabalhador possa então, exercer a opção e comprar as ações; e a “data do exercício”, quando o trabalhador exerce seu direito e, efetivamente compra as ações, ocorrendo nessa ocasião o efetivo ganho patrimonial, caracterizandose então o fato gerador. Também trata da “data de venda das ações”, esclarecendo que se trata de evento futuro, já não relacionado com o fato gerador. Após tecer considerações sobre o lançamento da multa isolada referente ao Imposto de Renda na Fonte (lançada no processo 15983.720160/201514), a fiscalização apresenta suas conclusões: (a) o plano não alcança todos os funcionários da empresa; (b) o risco ficou afastado; (c) as aquisições se deram em valores muito inferiores aos preços de mercado; (d) a relação laboral pelo período de 03 (três) anos (vesting) é condição essencial para obtenção do direito de compra das ações a preços vantajosos; (e) as vantagens são incorporadas ao patrimônio do trabalhador no momento em que adquiridas as ações, independentemente de sua venda; (f) essas vantagens possuem natureza remuneratória, o que motivou a lavratura das autuações que integram o presente processo. Por fim, detalha os levantamentos realizados e as contribuições lançadas, relaciona os documentos anexados ao processo e discorre acerca da ciência do sujeito passivo. Impugnação: Fl. 6842DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.843 7 A empresa autuada apresentou impugnação tempestiva contendo os seguintes argumentos: O Plano de Outorga de Opções de Compra de Ações aprovado pela Assembléia Geral de 19/04/2007 (plano) representa ferramenta de administração de empresas e recursos humanos que foi instituída com a finalidade de atração e retenção de talentos alinhados ao objetivo de constante crescimento e melhoria no desempenho da Companhia, mediante a possibilidade de que os trabalhadores participem da valorização das ações, bem como correndo o risco de sua desvalorização, tudo sob a égide de um contrato mercantil, que não possui natureza remuneratória. A natureza mercantil existe, quando presentes os elementos: voluntariedade, onerosidade e risco. Só adquire natureza remuneratória o benefício concedido sem esses elementos, portanto, não se sustenta a premissa adotada pela fiscalização, no sentido de que qualquer plano de outorga de opções de compra de ações encerra a entrega de remuneração. Acrescenta que inexiste na legislação autorização para tributar tudo que o trabalhador recebe em decorrência de exercer seu trabalho numa empresa. A respeito, ao ser acionado, o Judiciário não adota automaticamente esse entendimento, mas tem analisado detidamente a natureza de cada verba paga aos trabalhadores. A autuada também cita e transcreve o artigo 195, I, “a” da Constituição Federal e o artigo 22, I e III da Lei 8.212/91, para mencionar a necessária retributividade caracterizada pela finalidade de retribuir o trabalho prestado para que determinado pagamento assuma a condição de remuneração. Afirma que existe distinção entre “rendimento do trabalho” e rendimento “destinado a retribuir o trabalho”, não sendo correto o entendimento fiscal de que “basta que o empregador repasse algum valor ou bem passível de quantificação econômica a seu empregado e imediatamente estará configurada a remuneração” (fls. 6.106). Não é suficiente à pretensão fiscal o fato de que a CVM atribui natureza remuneratória aos planos de opções de compra de ações. Deve ser feita uma análise crítica em cada caso e, ainda que o presente plano fosse destinado a remunerar os trabalhadores, tal remuneração não seria necessariamente destinada a retribuir o trabalho. Prossegue discorrendo sobre as características do plano em questão. Afirma que o plano decorre da deliberação dos acionistas que aceitaram conceder aos trabalhadores a oportunidade de participar da empresa. Discorre em detalhes sobre a outorga das opções e as condições para seu exercício, enfatizando que o Fl. 6843DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.844 8 pagamento integral do preço do exercício foi comprovado à autoridade fiscal. Discorre sobre os casos em que o trabalhador se desliga da companhia, por diversos motivos, e tem o direito de exercer as opções, concluindo que não se sustenta a afirmação da fiscalização no sentido de que, para exercer as opções, é necessário estar trabalhando para a empresa. Quanto à cláusula restritiva para a venda imediata de parte das ações (lock up), aduz que esta importa em risco do investimento realizado pelo trabalhador, pois, fica sujeito às variações do mercado nesse longo período de 03 (três) anos após a aquição das ações. Destaca que o risco existe desde o momento em que o trabalhador manifesta seu interesse de exercício, pois a partir de então, deverá aguardar o prazo até efetivamente exercer seu direito, ficando já nesse período, sujeito às oscilações de preço das ações. Assim, conclui pela presença dos requisitos: voluntariedade; onerosidade (preço do exercício), já que as ações não são dadas aos beneficiários de forma graciosa, e risco, pois o ganho destes decorrem da valorização do investimento realizado com seus próprios recursos. Aduz que a cobrança de prêmio seria incompatível com o fato de que os títulos não podem ser negociados no mercado. Além disso, aponta o fato de que o prêmio está vinculado a elemento que não existe no presente caso, qual seja, a natureza especulativa dos negócios do mercado financeiro. O contrato de outorga de opções representa mera promessa de compra/venda de ações, não sendo apreciável economicamente. Aponta a diferença entre as operações do mercado financeiro, referentes à especulação, do plano destinado aos trabalhadores, que visa o crescimento e a valorização da companhia a longo prazo. Ressalva que este encontrase previsto em dispositivo de lei específico. Alega que o lançamento é nulo por ter se fundamentado na incorreta premissa de que as opções de compra de ações outorgadas pela autuada seriam remuneração, por encerrarem uma vantagem financeira. Tal entendimento da fiscalização incorreu em grave contradição quando o mês do exercício das opções foi eleito como fato gerador. Afirma que a fiscalização incorreu em confusão, pois ora se refere às opções, ora às ações quando trata do fato gerador. Afirma que o período de carência para que o trabalhador possa exercer as opções de compra (vesting) representa condição resolutória. Assim, incorreto considerar o momento do exercício para a ocorrência do fato gerador, pois, segundo o artigo 117, II do Código Tributário Nacional CTN, havendo condição Fl. 6844DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.845 9 resolutória, o negócio jurídico reputase perfeito e acabado, sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Aduz que o exercício das opções representa novo negócio jurídico, um contrato de compra e venda absolutamente autônomo, em que pese ditas condições estarem previstas no contrato de opção. A fiscalização considerou como base de cálculo o valor das opções de compra. Não obstante, contraditoriamente, considerou que o valor dessas opções outorgadas gratuitamente corresponderia à diferença entre o valor de mercado das ações no momento do exercício e o preço do exercício. O preço das opções outorgadas gratuitamente não guarda relação com a diferença de valores apontada pela fiscalização. As opções são intransferíveis e inegociáveis, logo, não possuem valor comercial. Não há como se falar em remuneração em relação a algo que não possui valor comercial. Aponta violação ao artigo 52 da IN RFB 971/2009, pois a remuneração deve ter sido paga, devida ou creditada, por serviços previamente prestados. A empresa deve contabilizar o valor justo das opções, conforme Pronunciamento Técnico CPC 10 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, sendo que este deveria ser o valor utilizado como base de cálculo pela fiscalização. Prossegue discorrendo sobre o risco agregado ao negócio em questão, pois, o titular da opção de compra está sempre apostando na valorização do ativo e, certamente perderá caso este venha a se desvalorizar. O risco encontrase presente inclusive na perda da oportunidade de outros negócios, outras propostas de trabalho, etc. Nem o trabalhador nem a empresa têm controle sobre as oscilações do valor de mercado e o risco se caracteriza por esta incerteza. O risco de não ganhar equivale ao de perder, vez que todos entram em algum investimento com a intenção de ganhar e, se o investidor termina com as posições iniciais, sua empreitada foi frustrada. Não ganhar é um dano para o investidor, se considerarmos o custo de oportunidade que assumiu para a manutenção das condições do negócio. O titular sacrifica tempo e esforço para manter as condições que lhes garantam o exercício e pode nunca conseguir exercer as opções, dado o risco do mercado. Neste cenário, poderia o titular trabalhar “de graça” caso não exercesse sua opção de compra das ações. A fiscalização vincula a remuneração não ao labor, mas ao risco da variação do mercado acionário, e à voluntariedade do titular, de maneira que o trabalhador correria o risco de prestar serviços por longos 03 (três) anos e não perceber nenhum rendimento deste trabalho a título de retribuição. Tal situação não se coaduna com os rendimentos destinados a retribuir o trabalho, que devem ser certos e devidos uma vez que os serviços foram prestados. Fl. 6845DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.846 10 Assim, a impugnante alega que “O risco se verifica, portanto, desde o momento da outorga da opções, se estende pelo momento do exercício e só termina no caso de eventual alienação do ativo” (fls. 6.132). Tanto a fiscalização considerou o risco do negócio, que procurou demonstrar a existência de elementos “mitigadores de risco”, os quais, todavia, não são suficientes para desconfigurar sua natureza mercantil, apenas representando elementos que não influenciam no risco ou na onerosidade, ou até mesmo fatores que reforçam tais características ao negócio. A cláusula lock up (restrição parcial para venda das ações) contribui para o risco, pois, quanto menor o preço de exercício, maior o ganho potencial do beneficiário, de modo que este tem interesse em ofertar as ações no mercado imediatamente. Assim, pela fórmula aplicável de acordo com o plano, quanto menor o preço de exercício, maior a restrição da cláusula lock up, aumentando o risco inerente ao negócio. Após adquirir as ações, o beneficiário ficará sujeito quanto à parcela das ações que não podem ser negociadas de imediato às oscilações do mercado pelo prazo de 03 (três) anos, caracterizando também este fato, considerável risco. Há razões financeiras e gerenciais que motivam as partes negociantes, nem por isso o negócio deixa de ter natureza mercantil. É inerente à operação que se espere que o preço de exercício seja inferior ao preço de mercado, afinal, toda empresa espera a valorização de suas ações, da mesma maneira que os trabalhadores só adquirem opções (a adesão ao plano é voluntária) se houver a expectativa de adquirir futuramente as ações por preço inferior ao de mercado. O desconto inicial de 20% atende essa expectativa de aquisição futura das ações por um preço inferior ao de mercado, é inerente à composição do investimento e razoável considerando um vesting de 03 (três) anos. Quanto ao desconto de dividendos e juros sobre o capital próprio, a BOVESPA prevê operações com preços ajustados pela distribuição de dividendos. Portanto, também esta característica está atrelada à natureza mercantil, ao risco do negócio e à sua onerosidade, pois somente em razão da álea é que o pagamento, em situações específicas e imprevisíveis quando da outorga, poderá sofrer algum abatimento. O desconto de restituição de capital referese a valores devolvidos a todos os acionistas e foram concedidos aos titulares das opções para que estes recebessem tratamento isonômico em relação aos acionistas. A ausência de tal previsão no plano se justifica por se tratar de procedimento extraordinário O programa de recompra de ações foi adotado para garantir a existência de ações em tesouraria no momento do potencial exercício do direito de opção de compra outorgado aos trabalhadores, nada estando relacionado à mitigação dos riscos do negócio. Fl. 6846DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.847 11 Além disso, é vedada a negociação de ações pelos opcionistas durante períodos de recompra. O exercício representa um negócio jurídico complexo, decorrendo certo tempo entre a comunicação pelo detentor da opção de sua intenção de comprar ações (mediante compromisso irrevogável e irretratável) até que a titularidade do ativo lhe seja transferida. Durante esse período, existe o risco da desvalorização das ações. O plano tem como escopo o aumento do comprometimento dos beneficiários a longo prazo, que passam a compartilhar dos riscos do negócio. Portanto, não existe natureza remuneratória. A retributividade importa na contraprestação proporcional ao trabalho executado e à função desempenhada pelo trabalhador, não existindo lógica no raciocínio que leva à conclusão de que a assinatura de um contrato de opção, no qual o seu titular necessitará realizar o pagamento para o exercício, teria caráter contraprestativo. Tanto não existe natureza contraprestacional, que se o trabalhador prestar serviços durante 90% do período de vesting, nenhuma opção lhe será devida pela empresa, diferente do que ocorre com salários, que por terem essa natureza, seriam devidos proporcionalmente. A habitualidade que não está pura e simplesmente ligada ao número de vezes que algo se repete somente resta caracterizada quando existente a certeza por parte de alguém de que poderá contar com aquele pagamento como parte de sua remuneração. As outorgas ocorrem sem nenhuma periodicidade específica, não havendo expectativa por parte dos trabalhadores de serem outorgados em nenhum período de tempo. Mesmo a repetição de outorgas não pode ser entendida como habitualidade, pois as opções podem não ser exercidas. Também não se pode alegar que deveria existir norma expressa afastando as contribuições sobre o plano, pois, não cabe falar em norma isentiva quando não se verifica a ocorrência do fato gerador. Como o exercício das opções se trata de um ato complexo, o pagamento pela compra das ações não pode ser considerado isoladamente para definição do momento da ocorrência do fato gerador. Apresenta mais considerações sobre a ausência da natureza remuneratória do benefício, afirmando não se admitir que a remuneração seja paga por terceiros, o que ocorreria neste caso. É certo que existem remunerações variáveis, mas estas estão sob o controle da empresa, ainda que possuam algum fator externo Fl. 6847DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.848 12 que as influenciem, como o atingimento de determinados resultados, faturamentos ou lucros. No entanto, no caso aqui analisado, a remuneração fica completamente fora do controle da companhia, na dependência exclusiva dos valores negociados no mercado financeiro. A volatilidade característica do mercado financeiro e alheia à vontade da autuada, não pode representar elemento marcante da remuneração, pois, implicaria em tratamentos distintos para opções concedidas a trabalhadores ocupantes de funções idênticas ou equiparáveis. Assim, conclui que, mesmo que houvesse natureza remuneratória, a base de cálculo do benefício não poderia ser a diferença entre o valor de aquisição das ações e seu valor de mercado. A fiscalização utilizou o valor de fechamento do pregão como valor de mercado das ações, ignorando as variações ao longo do dia eleito como “data do exercício”. Desta maneira, a fiscalização aferiu indiretamente a base de cálculo, visto que, efetivamente, arbitrou o parâmetro que a estabelece. No entanto, não resta caracterizada qualquer das hipóteses previstas nos §§ 3o e 6o do artigo 33 da Lei 8.212/91, nada sendo mencionado a respeito no TVF, não havendo justificativa para a adoção do método de aferição indireta, caracterizandose a nulidade do lançamento em decorrência de vício de natureza material na constituição do crédito tributário. Não existe previsão legal para a incidência de juros sobre o valor da multa de ofício lançada. Ao final, requer o conhecimento e provimento da impugnação, protestando pela produção de provas, para que sejam cancelados os autos de infração, determinandose a extinção do crédito tributário. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme se observa, respectivamente, no seguinte acórdão e na seguinte ementa: Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade, julgar PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo em parte o crédito tributário lançado, para que seja excluída da base de cálculo a parcela do benefício ofertado aos trabalhadores correspondente às ações sujeitas à restrição de venda imediata imposta pela cláusula lock up. Decisão SUJEITA ao Recurso de Ofício. ......................................................................................................... DILAÇÃO PROBATÓRIA. NECESSIDADE. Fl. 6848DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.849 13 A produção de provas desenvolverseá de acordo com a necessidade à formação da convicção da autoridade julgadora, a quem cabe indeferilas quando se mostrarem desnecessárias. STOCK OPTIONS. BENEFÍCIO OFERECIDO COMO CONTRAPRESTAÇÃO AO TRABALHO. CARACTERÍSTICAS PRÓPRIAS COMPATÍVEIS COM SUA NATUREZA REMUNERATÓRIA. O benefício oferecido aos trabalhadores representado pelas ações da empresa negociadas a preços inferiores aos praticados pelo mercado em decorrência da adesão ao plano de opções de ações (stock options), destinase a remunerar os serviços prestados. As características próprias deste benefício não são incompatíveis com sua natureza remuneratória. STOCK OPTIONS. AUSÊNCIA DE PRÊMIO PARA AQUISIÇÃO DAS OPÇÕES. AUSÊNCIA DE ONEROSIDADE E RISCO. NATUREZA MERCANTIL AFASTADA. A operação de compra de ações pelos trabalhadores em virtude de sua adesão ao plano de opções oferecidos pela empresa (stock options) não se caracteriza como negócio mercantil quando ausente o pagamento de prêmio para a aquisição das opções, pois, ausentes nessas circunstâncias a onerosidade e o risco característicos do negócio mercantil. STOCK OPTIONS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DA REMUNERAÇÃO. A remuneração se consuma com a efetiva transferência aos trabalhadores das ações, desde que estas possam ser comercializadas no mercado financeiro de imediato, sendo irrelevante a futura destinação dessas ações. STOCK OPTIONS. AÇÕES COM CLÁUSULA RESTRITIVA DE VENDA IMEDIATA. LOCK UP. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CORRESPONDENTE, CALCULADO COM BASE NO VALOR DE MERCADO, QUANDO AINDA NÃO ERA POSSÍVEL A VENDA DESSAS AÇÕES. Não integra a base de cálculo os valores apurados em decorrência do ganho decorrente da aquisição pelos trabalhadores de ações oferecidas pela empresa a preços inferiores aos praticados pelo mercado, quando tais ações não poderiam ser negociadas pelos trabalhadores naquele momento, por estarem sujeitas à cláusula lock up (restrição para venda imediata). INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Após o lançamento, incidem juros sobre a multa de ofício, pois, esta integra o crédito tributário lançado, não havendo que se Fl. 6849DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.850 14 fazer distinção em relação à aplicação da regra contida no artigo 161 do Código Tributário Nacional CTN. A contribuinte foi intimada da decisão em 10/05/2016 (fl. 6320) e interpôs seu recurso voluntário em 07/06/2016, no qual basicamente reiterou os fundamentos de sua impugnação em relação à parcial improcedência da defesa. A contribuinte ainda acrescentou que a DRJ teria alterado o critério jurídico do lançamento, o que implicaria total improcedência da autuação. Foram apresentadas contrarrazões às fls. 6780 e seguintes, através das quais a União Fazenda Nacional defendeu a inexistência de nulidade e a existência de caráter remuneratório das Stock Options concedidas a empregados. Por fim, a Fazenda Pública sustentou ser admissível a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, requerendo, em desfecho, o desprovimento do recurso. Iniciado o julgamento neste Conselho, o representante do contribuinte apresentou petição requerendo a aplicação do DecretoLei nº 4.657/1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro LINDB), com as alterações dadas pela Lei nº 13.655/2018. Na sequência, a Fazenda Nacional requereu sua notificação formal de referida petição. Em virtude disso, o processo foi retirado de pauta com vista ao atendimento da solicitação da PGFN. Em sua manifestação, a Procuradoria basicamente pediu o indeferimento da aplicação do art. 24 da LINDB. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. O recurso de ofício também deve ser conhecido. Somandose os encargos de tributos e de multa exonerados pela DRJ, conforme demonstrativos de fls. 6317/6319, chegase ao montante total de R$ 9.317.104,27, o qual supera o limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria MF 63/2017: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 6850DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.851 15 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. A Súmula CARF nº 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância. Verbis: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. 2 LINDB Basicamente, e no entender da recorrente, a revisão quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, deve levar em consideração as orientações gerais da época, entre as quais se incluiria a jurisprudência judicial ou administrativa, tendo em vista a norma do art. 24 da LINDB. Vejase o texto legal: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas.(Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público.(Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Em sendo assim, e de acordo com a tese do sujeito passivo, a observância do artigo retro mencionado implicaria afastar os efeitos do lançamento. No entanto, entendo que o Código Tributário Nacional tem norma específica que regulamenta os efeitos das decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, os quais, inclusive, não coincidem com os efeitos a que se pretende atribuir através do art. 24 da LINDB. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Fl. 6851DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.852 16 Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Sobre esse dispositivo, segue a inexcedível doutrina do Prof. Luís Eduardo Schoueri: Devese atentar que meras decisões de órgãos julgadores administrativos não são as "normas complementares" a que se refere o Código. Apenas aquelas cuja eficácia normativa seja assegurada por lei é que ali estariam. Assim, por faltar lei federal que dê eficácia normativa às decisões administrativas, em processos administrativos em geral não pode o contribuinte invocar, como razão para a adoção de determinado comportamento, o fato de um colegiado administrativo, em determinado caso, ter adotado tal entendimento. A tal contribuinte não virá em socorro o parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Sua adoção consistente, entretanto, poderá indicar "prática reiterada", como se verá abaixo. Tratandose solução de consulta Cosit ou solução de divergência, seu efeito vinculante é assegurado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, respaldando o sujeito passivo que a aplicar, independentemente de ser o consulente, nos termos do artigo 9º da Instrução Normativa (RFB) n. 1.396/2013, na redação dada pela Instrução Normativa (RFB) n. 1.434/20131. Quer dizer, em confronto com o art. 100, a recorrente pretende atribuir eficácia normativa às decisões do Conselho, com efeitos ainda mais extensos do que aqueles atribuídos pelo Código (o art. 24 afastaria todo o lançamento, diferentemente do art. 100), o que me parece equivocado. Vejase que a observância das decisões a que a lei atribua eficácia normativa excluiria a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização monetária, mas não o próprio tributo; e a doutrina retro mencionada evidencia que, "por faltar lei federal que dê eficácia normativa às decisões administrativas, em processos administrativos em geral não pode o contribuinte invocar, como razão para a adoção de determinado comportamento, o fato de um colegiado administrativo, em determinado caso, ter adotado tal entendimento". O art. 146, inc. III, da Constituição Federal, preleciona que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, entre as quais se inclui a norma do art. 100 do CTN, que enumera as normas complementares das leis, das convenções internacionais e dos decretos. Além disso, o próprio art. 146 do Código é claro ao determinar que a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador 1 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 133. Fl. 6852DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.853 17 ocorrido posteriormente à sua introdução, de tal forma que tal modificação tem efeitos prospectivos, e não retroativos, ao contrário do que pretende fazer crer a recorrente. Por outro lado, a interpretação da recorrente não resiste às normas processuais que tratam, entre outras questões, das decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade, dos enunciados de súmula vinculante, dos acórdãos em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos, etc, estes sim de observância obrigatória por parte deste Conselho, ex vi do disposto no art. 62 do seu Regimento Interno. No mais, adiro às seguintes razões de decidir, do voto proferido pelo ilustre Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, no PAF 16561.720065/201382, neste ponto julgado por unanimidade de votos: Não há como negar que o valor que se busca com tal norma é nobre, qual seja, o de garantir a segurança jurídica, em especial aos contribuintes que acabam por serem obrigados a interpretar e aplicar uma legislação tributária absolutamente complexa. Entretanto, entendo que não se pode buscar, sob esse pretexto, ampliar o alcance ou impor a aplicação de uma norma (expressiva de um valor jurídico importante), sobre outras normas jurídicas já postas e absolutamente aplicáveis. Seria, a meu ver, buscar a segurança gerando ainda mais insegurança ao próprio sistema jurídico. É fato conhecido que o contexto de criação da norma tiveram como pano de fundo os processos de controle das contratações públicas, em especial aqueles das instâncias de controle dos gastos públicos, como o TCU e a CGU. Tal fato é manifestado claramente quando se aprecia a justificação do PL, de autoria do Senador Antônio Anastasia: Como fruto da consolidação da democracia e da crescente institucionalização do Poder Público, o Brasil desenvolveu, com o passar dos anos, ampla legislação administrativa que regula o funcionamento, a atuação dos mais diversos órgãos do Estado, bem como viabiliza o controle externo e interno do seu desempenho. Ocorre que, quanto mais se avança na produção dessa legislação, mais se retrocede em termos de segurança jurídica. O aumento de regras sobre processos e controle da administração têm provocado aumento da incerteza e da imprevisibilidade e esse efeito deletério pode colocar em risco os ganhos de estabilidade institucional. Outrossim, exatamente por isso que o texto da norma fala em ato administrativo, contrato administrativo, ajuste administrativo, processo administrativo ou norma administrativa. É a conclusão que se chega da concordância verbal do dispositivo, bem como da interpretação sistemática do seu parágrafo único e demais artigos inseridos da alteração legislativa. Fl. 6853DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.854 18 [...] Como bem manifestado pela Conselheira Livia Di Carli em voto sobre o tema: A entrega de declaração pelo contribuinte, pelo que se opera o "autolançamento" ou o "lançamento por homologação", não gera situação plenamente constituída, já que por definição a apuração feita pelo contribuinte é sempre provisória e precária, sujeita a homologação da autoridade competente, não havendo que se falar em "situação plenamente constituída" antes da homologação (expressa ou tácita) pela autoridade fiscal. [...] Entretanto, ressalto que o direito processual já estabelece uma lógica de precedentes (baseado no mesmo valor de segurança jurídica), a exemplo de decisões com repercussão geral ou as próprias súmulas administrativas vinculantes deste CARF. Entretanto, em todos esses casos há um procedimento específico para sua produção, e defender a aplicação direta do art. 24 da LINDB me parece ser tentar burlar um sistema de precedentes já posto. Ainda, necessário lembrar que o direito tributário possui regramento próprio na Constituição Federal que não pode ser ignorado, em especial quando se analisa a hierarquia das fontes normativas. O artigo 146 da Constituição Federal estabelece que a edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. E tem uma razão de ser em função da repartição de competências tributárias entre diversos entes federativos. É esse o status do Código Tributário Nacional e de qualquer norma que pretenda veicular norma geral em matéria tributária. Assim, já causa estranheza que o legislador tenha pretendido o alcance que defende a Recorrente por meio da edição de uma lei ordinária federal. Ademais, merece menção que o Núcleo de Estudos Fiscais (NEF) da FGV Direito SP realizou recente colóquio com o objetivo de debater os possíveis impactos da Nova Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro (LINDB) no direito tributário (https://direitosp.fgv.br/evento/novaleideintroducaonormasdireit obrasileirolindbobjetivandoprincipiosestruturantesd). No referido evento, um dos idealizadores do projeto de lei que gerou a alteração da LINDB (Prof. Carlos Ari Sundfeld) ao ser indagado sobre a aplicação do art. 24 da LINDB ao processo administrativo tributário, foi contundente ao afirmar que no direito tributário já existem os artigos 100 e 146 do CTN que trazem o "mesmo valor" buscado pela LINDB, e que o art. 24 não se prestaria como algo novo, mas sim um reforço de aplicação à norma já existente. Fl. 6854DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.855 19 Isto porque que o CTN possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Jamais o principal de tributo. Da mesma forma, o artigo 146 do CTN traz regramento próprio sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leiase, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário. Ou ainda, o próprio art. 112 do CTN determina a interpretação mais benéfica ao contribuinte de normas que cominem penalidade. Diante disso, dar ao artigo 24 da LINDB o alcance que a Recorrente pretende é, ao fim e ao cabo, acreditar que lei ordinária federal poderia trazer uma espécie de exceção à norma do artigo 100 do CTN, o que vai de encontro a regras básicas de interpretação das normas em um sistema constitucional complexo como o brasileiro. Permitome citar, novamente, trecho de voto da Conselheira Livia Di Carli sobre o tema: o alcance pretendido pela Recorrente em nome da "segurança jurídica" acabaria por "engessar" o contencioso administrativo, impossibilitandoo de evoluir com eficiência, retirando dos debates tributários a tecnicidade da especialização dos Tribunais/Conselhos de Recursos Fiscais, que diuturnamente lidam com casos que envolvem critérios contábeis, situações e documentos específicos que o Poder Judiciário não tem condição (e nem estrutura) para analisar, o que acabaria por aumentar a vulnerabilidade dos contribuintes trazendo, veja só, insegurança jurídica. Nesse contexto, entendo que uma interpretação do sistema jurídico constitucional, tributário e processual resulta na conclusão de que o art. 24 não tem os efeitos pretendidos pela recorrente. 3 Recurso de ofício Conforme se verá no exame do recurso voluntário, o entendimento deste relator acerca do fato jurídico controvertido implica o desprovimento do recurso de ofício, razão pela qual, por economia processual, este voto fará o exame dessa questão em momento oportuno. Fl. 6855DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.856 20 4 Recurso voluntário 4.1 INOVAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO PELA DRJ Preliminarmente, a contribuinte aventa a total improcedência da autuação, tendo em vista a alegada alteração do critério jurídico do lançamento pelo acórdão de impugnação. Equivocouse a recorrente. Baseandose nas mesmas premissas da fiscalização, a DRJ entendeu que ocorre o pagamento de remuneração tributável no momento que em foram exercidas as opções de ações e que a sua base de cálculo corresponderia à diferença positiva entre o preço de mercado de tais ativos na data do exercício e o seu preço de exercício fixado inicialmente. Isto é, os fundamentos utilizados pelo acórdão de impugnação coincidem com os fundamentos utilizados pela autoridade administrativa, não subsistindo qualquer inovação. A discordância manifestada no acórdão recorrido diz respeito, unicamente, àquelas ações submetidas à cláusula de lock up, o que resultou na parcial procedência da defesa apresentada pela contribuinte. Isto é, a DRJ discordou para afastar os efeitos do lançamento nesse tocante, e não para mantêlos. No entender da Turma a quo: Em que pese tais ações como bem colocado pela fiscalização – produzirem benefícios ao seu titular mesmo antes de alcançado o prazo para sua venda, é necessário considerar que, principalmente em decorrência da natureza desses bens, que têm como um de seus principais atrativos a possibilidade de ganhos decorrentes de sua negociação no mercado financeiro, a constrição imposta pela cláusula lock up interfere de maneira determinante, de modo que não se pode afirmar que tenha ocorrido a remuneração antes de destravada a cláusula impeditiva da venda, pois, só a partir de então é que se verifica a transferência das ações ao trabalhador, com todos os benefícios que lhes são inerentes, sendo esta a situação considerada para a definição da remuneração sujeita à tributação. Também se verifica uma incoerência quando a fiscalização calcula o benefício gerado por essas ações a partir do seu valor de mercado, sendo que naquele momento tais ações não poderiam ser negociadas. Portanto, houve equívoco no lançamento, quanto a este particular, em relação ao momento da ocorrência da remuneração e também na quantificação da base de cálculo das contribuições lançadas, que se amparou num valor de mercado impraticável naquele momento. Quanto à parcela do lançamento que foi mantida, o acórdão de impugnação em nenhum momento distanciouse das conclusões da autoridade fiscal. Por tais razões, deve ser rejeitada a preliminar de improcedência da autuação em decorrência da alegada inovação de critério jurídico. Fl. 6856DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.857 21 4.2 NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA DAS STOCK OPTIONS Pelas variadas razões esposadas em seu recurso voluntário, o sujeito passivo defende a tese de que as stock options não teriam natureza remuneratória. Com razão a contribuinte. Em planos de tal natureza, a fiscalização da Receita Federal do Brasil acaba tributando um ganho decorrente do mercado de capitais, pois toma por base a diferença positiva entre o preço de mercado das ações na data do exercício e o preço das ações na data da outorga das opções (preço de exercício). O rendimento, nessa hipótese, não é oferecido e nem pago ou creditado pela empresa, mas sim pelo mercado acionário, em decorrência do aumento do valor do ativo ação em razão de fatores mercantis, inclusive de fatores macro e microeconômicos, que fogem completamente ao controle da companhia. Desta forma, aquela utilidade à que se referiu a autoridade administrativa no termo de verificação fiscal não foi diretamente oferecida pela autuada, mas sim pelo mercado acionário, que atribui, desde a data da outorga até a data do exercício, uma valorização decorrente de mecanismos ou de fatores de oferta e procura que puxam para cima o valor do ativo em questão, em linha ascendente de valorização. As milhares de operações realizadas em bolsa de valores pelos diversos agentes (tais como investidores, especuladores, fundos de investimentos, corretores, etc) impactam diretamente o valor das ações, que, sabidamente, oscilam muito ao longo do dia. Essa oscilação, como dito, ocorre não apenas como resultado de fatores inerentes ao cotidiano da companhia (perspectivas gerais de longo prazo, qualidade da administração, força financeira, estrutura de capital, histórico de dividendos, taxa de dividendos, etc), mas também como resultado de fatores externos à empresa, atinentes ao mercado doméstico (juros internos, inflação, grau de endividamento, grau de investimento, avaliação setorial, estabilidade econômica e política, etc) e internacional (juros do tesouro americano, valor do dólar no mercado internacional, conflitos comerciais, estabilidade econômica mundial, maior ou menor aversão ao risco, etc). Ou seja, tributar a variação das ações nesse período é tributar um ganho que, em verdade, não foi realmente oferecido, pago ou creditado pela empresa que outorgou as opções, mas sim pelo mercado como um todo. Para terse uma noção exata do que se afirmou, bem como da complexidade e da variedade dos fatores que impactam o valor da ação, vale colacionar o excerto abaixo, extraído de um dos melhores livros de investimentos já escritos, de autoria de Benjamin Graham: O analista de títulos lida com o passado, o presente e o futuro de qualquer determinado valor mobiliário. Ele descreve a companhia; resume os resultados de suas operações e posição financeira; apresenta os pontos fortes e fracos, as perspectivas e os riscos; estima sua lucratividade futura com base em vários pressupostos ou como um "melhor palpite". Ele faz comparações detalhadas entre várias companhias ou analisa uma mesma Fl. 6857DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.858 22 companhia em momentos diversos. Finalmente, ele expressa opinião em relação à segurança do papel, caso seja uma obrigação ou ação preferencial de empresa com grau de investimento, ou em relação à sua atratividade, caso seja uma ação ordinária. Ao fazer tudo isso, o analista de títulos utiliza várias técnicas, abrangendo da mais elementar à mais obscura2. Em sendo assim, os planos de opções de ações outorgados no contexto da relação de trabalho são de natureza mercantil e, em regra, são acessórios ao contrato laborativo, com a finalidade de estimular os empregados a serem mais produtivos e comprometidos com o negócio da empresa, já que passam a ter uma participação acionária. Sobre a natureza mercantil dos planos, cabe acrescentar que, também em regra, eles são voluntários e onerosos, além de trazerem um certo risco ao trabalhador, sobretudo quando presente a cláusula de lock up, hipótese na qual o adquirente fica impossibilitado de vender as ações dentro de um período prédeterminado, sujeitandose às variações do ativo naquele tempo. A onerosidade decorre do fato de que o empregado paga o preço do exercício estipulado. No caso concreto, é incontroverso que os optantes do plano tiveram que pagar pelas ações que foram, assim, adquiridas, e não recebidas gratuitamente. O preço de exercício foi fixado pelo Conselho de Administração a partir do valor de mercado médio verificado nos pregões realizados no último mês que antecedeu à outorga, ajustado com um desconto de 20%, mas corrigido pelo IGPM. Esse desconto não implicou o afastamento da onerosidade, porque houve desembolso e também porque o preço do exercício foi corrigido por índice inflacionário. A voluntariedade, ou autonomia da vontade do empregado, decorre do fato de que o plano não lhe foi imposto, de forma que ele teve liberdade de escolha e somente participou do plano porque aderiu aos seus termos. Diferentemente dos salários, que decorrem da simples execução do contrato de trabalho, as stock options foram outorgadas apenas ao interessados que assinaram o contrato de opções e que exerceram as opções. Sob o ponto de vista da autonomia da vontade, a distinção entre os salários e as stock options é sutil, mas existente. O TST já reconheceu a inexistência de caráter contraprestacional às stock options e decidiu que o ganho, nesses casos, é oferecido pelo mercado, e não pela empresa. É o que se depreende da ementa abaixo, no ponto que interessa ao presente processo: [...] 5. PLANO DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. INTEGRAÇÃO.NÃO CONHECIMENTO. Em que pese a possibilidade da compra e venda de ações decorrer do contrato de trabalho, o trabalhador não possui 2 O investidor inteligente. 1 ed. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2017, p. 315/317. Fl. 6858DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.859 23 garantia de obtenção de lucro, podendo este ocorrer ou não, por consequência das variações do mercado acionário, consubstanciandose em vantagem eminentemente mercantil. Dessa forma, o referido direito não se encontra atrelado à força laboral, pois não possui natureza de contraprestação, não havendo se falar,assim,em natureza salarial. Precedente. [...] (Numeração Única: RR 20100002.2008.5.15.0140, Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos, Data de julgamento: 11/02/2015, Data de publicação: 27/02/2015, Órgão Julgador: 5ª Turma) Por tais razões, o recurso voluntário deve ser provido e deve ser negado provimento ao recurso de ofício. 4.3 CLÁUSULA LOCK UP Quanto ao recurso de ofício, vale acrescentar que a cláusula lock up acentua o risco para o trabalhador. No caso dos autos, após exercer o direito de compra, os trabalhadores ficaram proibidos de comercializar as ações pelo prazo de mais três anos, sujeitandose, assim, aos prejuízos decorrentes das oscilações negativas dos títulos nesse largo período. Isto é, muito embora eles pudessem exercer os demais direitos decorrentes de sua posição acionária (o que foi frisado pela fiscalização), eles correram o risco de, ou não auferir qualquer ganho com a compra, ou de terem perdas financeiras, caso as ações não valorizassem ou perdessem valor (o que, não raro, ocorre no mercado de capitais). Ademais, e como bem frisado pela DRJ, a cláusula de restrição de venda impacta no momento da ocorrência do fato gerador e na base de cálculo. É que, na data do exercício, em havendo lock up, o ganho apurado com base na diferença entre o preço da ação na sua data (data do exercício) e o preço da ação na data da outorga da opção não é sequer realizável pelo beneficiário, diante da restrição de venda, não podendo, portanto, tal diferença servir de base de cálculo para a apuração da suposta remuneração. O ganho, se houver, e quando houver, somente será realizado após o levantamento da restrição da venda do ativo. E nem se alegue que, no momento do exercício, "o beneficiário já poderá usufruir das vantagens de ser acionista, podendo participar de assembléias, alugar suas ações e receber proventos em dinheiro ou ações", pois a fiscalização não considerou tais "vantagens" como base de cálculo para o lançamento, mas sim a diferença referida anteriormente (preço na data do exercício menos o preço na data da outorga). No momento do exercício, os beneficiários estavam totalmente impossibilitados de realizar o ganho a que lhes atribuiu a fiscalização, para fins de calcular a remuneração que supostamente lhes foi paga. Eles somente puderam realizar tal ganho depois de levantada a restrição imposta pela cláusula lock up. Ou seja, tais ações obviamente estavam submetidas a um tratamento diferente das ações não sujeitas a essa restrição, e a possibilidade de usufruir de eventuais vantagens não tem a relevância atribuída pela fiscalização. Fl. 6859DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.860 24 Se a remuneração é correspondente à diferença entre o preço da ação na data do exercício e o preço da ação na data da outorga, mas, se, na data do exercício, o beneficiário não tinha qualquer possibilidade de realizar financeiramente essa diferença, é indubitável que ela não poderia servir de base de cálculo para o lançamento, tampouco se poderia considerar, por consequência, que na data do exercício teria ocorrido o fato gerador em relação às ações sujeitas àquela cláusula. Por concordar com os fundamentos abaixo, constantes do voto vencedor da DRJ, a eles adiro como razões de decidir: Em que pese tais ações como bem colocado pela fiscalização – produzirem benefícios ao seu titular mesmo antes de alcançado o prazo para sua venda, é necessário considerar que, principalmente em decorrência da natureza desses bens, que têm como um de seus principais atrativos a possibilidade de ganhos decorrentes de sua negociação no mercado financeiro, a constrição imposta pela cláusula lock up interfere de maneira determinante, de modo que não se pode afirmar que tenha ocorrido a remuneração antes de destravada a cláusula impeditiva da venda, pois, só a partir de então é que se verifica a transferência das ações ao trabalhador, com todos os benefícios que lhes são inerentes, sendo esta a situação considerada para a definição da remuneração sujeita à tributação. Também se verifica uma incoerência quando a fiscalização calcula o benefício gerado por essas ações a partir do seu valor de mercado, sendo que naquele momento tais ações não poderiam ser negociadas. Portanto, houve equívoco no lançamento, quanto a este particular, em relação ao momento da ocorrência da remuneração e também na quantificação da base de cálculo das contribuições lançadas, que se amparou num valor de mercado impraticável naquele momento. Logo, o lançamento deve ser cancelado. Se eu for vencido na tese principal, caberá analisar a tese sucessiva abaixo. 5 Juros de mora sobre a multa de ofício A tese da recorrente relativa à não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício é rechaçada pela Súmula CARF 108. Vejase: Súmula CARF 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Logo, o recurso voluntário deve ser desprovido neste tópico. Fl. 6860DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.861 25 6 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido conhecer e negar provimento ao recurso de ofício e de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio da Silva – Redator Designado Não obstante o costumeiro brilhantismo dos votos emitidos pelo nobre colega e relator, ouso discordar parcialmente de seu entendimento no caso vertente, especificamente quanto à não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pela empresa, a titulo de stock options, aos trabalhadores envolvidos no presente lançamento. Pois bem, é legítimo e desejado ao desenvolvimento da economia a formulação e implementação de planejamentos estratégicos, novas técnicas de produção e de gerenciamento que diminuam os custos, aumentem a eficiência, a produtividade e os resultados dos entes produtivos em geral (ainda que, reflexamente, isso possa resultar em diminuição da carga tributação incidente), possibilitando um melhor posicionamento no mercado. Justamente na busca desses melhores resultados temse percebido ao longo das últimas décadas um acirramento das grandes corporações na implementação de mecanismos remuneratórios indiretos visando atrair e manter a seu serviço os mais valorizados profissionais e gestores. No entanto, no que diz respeito à remuneração dos trabalhadores, não se pode considerar legítimo que a simples alteração na nomenclatura de uma rubrica seja capaz de excluir da tributação benefício nitidamente com caráter contraprestacional laborativo, mediante o forçado enquadramento de típica verba remuneratória como simples ganho decorrente de contrato mercantil, utilizandose tal meio indireto para incentivar, fidelizar e remunerar o trabalhador e ao mesmo tempo omitirse indevidamente da tributação incidente. Na espécie, não importa se o trabalhador é empregado ou prestador de serviço, o termo remuneração aqui utilizado deve ser entendido na sua acepção lata, de qualquer pagamento tendente a remunerar o trabalho ou tempo dedicado à atividade do empregador, nos termos do art. 28, III da lei 8212/91. Tendo como base essa idéia inicial, entende que O Stock Option Plan (Plano de Opção de Compra de Ações) representa um plano que fixa critérios para outorga de direito de opção de aquisição de ações da própria pessoa jurídica em favor de determinados trabalhadores (em regra, gestores e administradores) que a empresa tem interesse em manter ou atrair para a sua atividade. A adesão a tal plano concede ao beneficiário o direito de opção de compra de ações da empresa mediante o pagamento de um valor préfixado (preço de outorga), após o transcurso de um período de carência previamente estabelecido, no qual o beneficiário deve permanecer trabalhando para a entidade (vesting period), podendo exercer ao final a opção de Fl. 6861DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.862 26 compra em melhores condições que a ditada pelo mercado (exercício da opção) e ficando, a partir daí, livre para vender tais ações aos interessados ou à própria empresa concedente (que, no caso em apreço, manteve um programa específico de recompra de ações) pelo seu "real preço" fixado no mercado de capitais, auferindo ganhos. É importante destacar, no entanto, que o caso concreto não trata de simples relação mercantil, como a empresa afirma, pois não há qualquer risco ao outorgado, já que, passado o investing period, o beneficiário tem a possibilidade de somente exercer a opção se o valor de mercado da ação for superior ao preço de outorga por ele contratado, tendo o direito contratual, no presente caso, de aguardar o momento que julgar mais adequado ao exercício de tal opção, de forma que não há qualquer risco de perda, conforme pontua Mauro José da Silva em excelente artigo relacionado à matéria, transcrito no Termo de Verificação fiscal3: (...) Geralmente, num SOP é concedido ao empregado ou prestador de serviço o direito de comprar um certo número de ações da companhia a um preço fixo a partir de uma certa data. Normalmente, esse direito é concedido de forma gratuita. Se na data em que for possível fazer a compra das ações o preço fixado na opção de compra for inferior ao preço de mercado, então concretizase um benefício para aquele que possui a opção de compra. Se. por outro lado. o preço de mercado for inferior ao preço constante da opção de compra, obviamente, o empregado ou prestador de serviço não irá realizar a compra. Teria o empregado ou prestador de serviço perdido algum dinheiro nessa última hipótese? Não, pois a opção de compra foilhe concedida gratuitamente. Não perdeu nada, apenas deixou de ganhar. E óbvio que só corre risco aquele que pode perder algo. Deixar de ganhar não representa risco. Não podemos confundir o período que antecede a compra das ações com o período posterior à compra destas. Até o momento da compra das ações, o empregado ou prestador de serviço não corre risco algum. Se no momento de exercer a opção o valor de exercício desta for inferior ao valor da ação no mercado, o empregado ou prestador de serviço terá grande benefício, sendo que tal benefício foilhe concedido em virtude de sua prestação de serviço por um período de tempo na empresa, com nítido caráter contraprestativo e com habitualidade presente na prestação de serviços num período de tempo. Se, ao contrário, o valor de exercício desta for superior ao valor da ação no mercado, o titular da stock option deixa de exercêla e, como nada pagou para possuíla, nada perde." (grifei) (...) Tratase, assim, de concessão de benefício remuneratório para adquirir ou deter as competências de um determinado trabalhador de interesse da empresa, obtendo ou evitando perder valorizados profissionais para concorrentes. Esse, inclusive, é o entendimento 3 NATUREZA JURÍDICA E A INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÂRIAS SOBRE AS VANTAGENS ORIUNDAS DE PLANOS DE OPÇÕES DE AÇÕES (STOCKOPTIONS PLAN). Ã SITUAÇÃO BRASILEIRA E O DIREITO COMPARADO Revista da Receita Federal: estudos tributários e aduaneiros, BrasíliaDF. v.01, n.01, p. 189212, ago./dez. 2014. Fl. 6862DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.863 27 de Alan Greenspan4, ExPresidente do Banco Central do Estados Unidos da América, berço desse forma remuneratória: (...) concessão unilateral de valor por parte dos acionistas para um empregado. E uma transferência feita pela companhia de parte da capitalização de mercado detida pelos acionistas. A concessão é feita para adquirir os serviços do empregado e presumivelmente tem valor equivalente ao dinheiro ou outra compensação que teria sido necessária para obter esses serviços (...) Tal plano, no presente caso, foi além, pois os trabalhadores elegíveis ficavam sujeitos ao cumprimento de metas, o que seguramente reforça a natureza contraprestacional do benefício concedido, conforme expõe os termos de outorga juntados aos autos, em especial o item 3.2, alínea "a", abaixo transcrito: 3.2 Obedecidas as condições gerais do Plano e as diretrizes fixadas pela Assembléia Geral, o Conselho de Administração da Companhia, observação o disposto nos itens 3.2.1 e 3.2.2. abaixo, terá amplos poderes para tomar todas as medidas necessárias adequadas para a administração do Plano, incluindo: (...) (b) o estabelecimento de metas relacionadas ao desempenho dos administradores e empregados da Companhia ou outras sociedades sob o seu controle, de forma a estabelecer critérios objetivos para a eleição dos Beneficiários; (...) Percebase, ainda, que consta expressamente do Plano de Opção de Compra de Ações da empresa (item 6) que sobre o preço de exercício da opção é concedido ao beneficiário um desconto de 20% em relação ao efetivo valor de mercado da ação e se não for efetivamente exercida a opção na data final de aquisição do direito, tal preço passa a sofrer reduções relativas ao valor dos dividendos e juros sobre capital próprio pagos pela empresa a partir da data da outorga das ações, circunstâncias que são, por certo, extraordinariamente favoráveis ao beneficiário, não encontráveis no mercado de capitais, ainda mais quando a empresa garante recompra da ações pelo preço de mercado, fazendo com que tal acordo seja um excelente e seguro negócio ao beneficiário, fonte de remuneração do trabalhador eleito. Vale destacar, também, que em regra não há qualquer desembolso financeiro do beneficiário pois, ao exercer a sua opção, pode imediatamente vender as ações no mercado ou à própria empresa (docs. fls. 5898 a 5900), sem efetivamente desembolsar qualquer quantia à concedente, ficando consigo a diferença entre o preço de compra e o de venda, não havendo que se falar, portanto, em onerosidade contratual, já que o único investimento que o trabalhador de fato realizada é a prestação de seu trabalho ao empregador, obrigação natural dessa espécie de contratual. 4 GREENSPAN, Alan. "Stock Options and related matters". In Revista de Direito Bancário, do Mercado de Capitais c da Arbitragem. Ano 5 julho a setembro de 2002. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002, PS 13. Fl. 6863DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.864 28 Observase, inclusive, que a venda imediata das ações (certamente para quitação do preço de exercício) foi confirmado pela própria empresa no presente recurso (fls 6322): (...) a Autoridade Fiscal omite é que a quase totalidade dos beneficiários promoveu a alienação das ações no mesmo dia do exercício ou no dia seguinte (excetuadas, por óbvio, as ações retidas pela cláusula pela lock up, as quais também não são afetadas pela recompra alguns dias, semanas ou meses depois), tornando inócua a lógica sustentada pela Fiscalização de que a recompra visaria assegurar aos beneficiários o êxito na venda, mitigando riscos. Cabe pontuar, também, que quem arca com a remuneração ou ganho obtido pelo beneficiário é o próprio empregador e não o mercado, pois, por óbvio, o empregado somente exercerá a opção a que tem direito, se lhe for favorável a variação de preço entre a compra e a venda, ficando por conta da empresa cedente suportar tal diferença, recepcionandoa como custo do trabalho prestado pelo profissional no período contratado. Tal ônus é facilmente percebido na grande diferença entre o valor da ação no mercado e o efetivo preço de exercício junto ao empregador, conforme descrito no termo de verificação da auditoria e confirmado pela contribuinte em sua peça recursal: Data de Exercício e Pregão Código De Negociação Do Papel Preço Médio Do PapelMercado No Pregão Preço de Exercício Vantagem Financeira Vantagem Financeira (% do valor da Ação) 21/09/2010 ODPV3 19,36 9,75 9,61 50% 10/11/2010 ODPV3 23,20 10,02 13,18 57% 19/04/2011 ODPV3 26,57 5,65 20,92 79% 10/05/2011 ODPV3 27,87 5,71 22,16 80% 09/08/2011 ODPV3 25,22 5,70 19,52 77% 26/04/2012 ODPV3 10,14 0,16 9,98 98% 26/07/2012 ODPV3 10,73 0,01 10,72 100% Por fim, registrase que os julgados trabalhistas apontados pela recorrente, no mister de afastar a natureza salarial do benefício Stock Options, não servem de fundamento à sua pretensão, uma vez que naquela esfera judicial a matéria é tratada de acordo com o conceito salarial, nos termos regulados pela CLT, sem levar em consideração o contexto jurídicotributário das contribuições previdenciárias, cujo regramento legal é mais amplo e abarca não apenas o conceito de salário, tutelado pela justiça laboral, mas todos os rendimentos pagos ou creditados, a qualquer título, para a execução de trabalho por pessoa física. Assim, entendo que no caso sob exame o valor resultante do benefício concedido aos trabalhadores (Stock Option) representa verbas remuneratórias pagas pelo trabalho executado junto à empresa, sendo, portanto, base de cálculo previdenciária. Especificamente em relação à cláusula lock up, objeto do recurso de ofício, é importante esclarecer que o fato gerador do tributo em apreço se dá com o pagamento da remuneração ao trabalhador, ou seja, no caso concreto, com o exercício do direito de compra das ações com preço reduzido, tendo como base de cálculo a diferença entre o preço de Fl. 6864DF CARF MF Processo nº 15983.720159/201590 Acórdão n.º 2402007.208 S2C4T2 Fl. 6.865 29 exercício e o preço de mercado das ações vendidas, conforme bem destaca o Termo de Verificação Fiscal. O fato de o beneficiário, no caso específico, estar impedido de vender parte das ações por um determinado período (lock up) nada interfere na configuração do fato imponível da contribuição previdenciária, posto que, independentemente da existência da restrição à venda, a remuneração indireta paga já adentrou no patrimônio do trabalhador. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator designado Fl. 6865DF CARF MF
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