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Numero do processo: 18470.732907/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE ACÓRDÃO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE TODAS AS PROVAS CARREADAS NOS AUTOS.
É nulo o acórdão que deixa de analisar todo o conjunto probatório dos autos, em especial, documentos juntados pelo contribuinte, que, a princípio, poderiam comprovar as alegações lançadas em impugnação tempestivamente apresentada.
Numero da decisão: 1302-003.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão de primeiro grau e determinar o retorno à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), para a realização de novo julgamento, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO- Presidente.
(assinado digitalmente)
FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE ACÓRDÃO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE TODAS AS PROVAS CARREADAS NOS AUTOS. É nulo o acórdão que deixa de analisar todo o conjunto probatório dos autos, em especial, documentos juntados pelo contribuinte, que, a princípio, poderiam comprovar as alegações lançadas em impugnação tempestivamente apresentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão de primeiro grau e determinar o retorno à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), para a realização de novo julgamento, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 29 07 /2 01 2- 11 Fl. 4542DF CARF MF 2 Relatório Em resolução (fls. 4.394 à 4.401) emitida pela então conselheira relatora do feito neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a matéria posta em discussão ficou bem delimitada. Assim, como relatório, transcrevese o que constou daquela resolução, in verbis: SEREDE SERVIÇOS DE REDE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisões proferidas pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTES as impugnações interpostas contra lançamentos formalizados em 19/12/2012, exigindo créditos tributários pertinentes ao IRPJ e à CSLL devidos nos trimestres do anocalendário 2009 (valor total de R$ 8.648.008,66), bem como à Contribuição ao PIS e à COFINS devidas nos meses do anocalendário 2009 (valor total de R$ 1.404.470,46). Consta da decisão proferida nos autos do processo principal nº 18470.732803/201206 o seguinte relato: Este acórdão tem por objeto julgar as impugnações apresentadas pela interessada contra os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), cuja exigência total equivale a R$6.370.047,16, considerando consectários legais calculados até dezembro de 2012. Os lançamentos tributários foram efetuados com base na sistemática de apuração baseada no lucro real trimestral, tendo em conta opção formalizada pela fiscalizada. O auto de infração está juntado às fls. 3347, enquanto o “Termo de Verificações Fiscais”, que contém a descrição dos fatos que deram suporte à autuação, encontrase às fls. 3336/3346. A fiscalização realizou, no curso do mesmo procedimento de auditoria, lançamento de ofício de PIS e COFINS que, apesar de lastreado nos mesmos elementos de prova, foram formalizados em processo autônomo, de número 18470.732907/201211. De maneira a garantir efetividade ao disposto no art. 9º, §1º, do Decreto 70.235/1972 (redação dada pelo art. 113 da Lei 11.196/2005) e na Portaria RFB nº 666, de 24/04/2008, o processo de número 180470.8732907/201211 seguirá apensado ao presente processo, garantida a preservação de todos os efeitos processuais correspondentes. As infrações apontadas pela fiscalização no presente processo foram classificadas em dois grupos, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 3348: (a) custos não comprovados e (b) exclusões indevidas. Fl. 4543DF CARF MF Processo nº 18470.732907/201211 Acórdão n.º 1302003.427 S1C3T2 Fl. 4.543 3 Quanto ao tópico “custos não comprovados”, a fiscalização entendeu como não suficientemente comprovados vários lançamentos relativos às contas contábeis “aluguel de veículos”, “aluguel de equipamentos”, “combustíveis e lubrificantes” e “serviços 0800 empresas associadas”, de maneira que procedeu à glosa dos valores correspondentes e recomposição dos tributos devidos. O demonstrativo dos valores glosados, mês a mês, para cada uma das contas analisadas, está apresentado à fl. 3342. A discriminação das razões adotadas pela fiscalização em relação a cada um dos itens glosados está apresentada às fls. 3339/3341. Já o tópico “exclusões indevidas” diz respeito à análise de um único registro: a exclusão, pela contribuinte, do valor de R$536.193,00 a título de “outras exclusões”, na formação do lucro real do 2º trimestre de 2009. Após análise dos lançamentos contábeis que circunscreveram esta exclusão –originariamente associados a reversão do saldo da conta de provisão denominada “Grat Part Empreg” , a fiscalização entendeu que “a provisão não foi utilizada para absorver os gastos provisionados ‘participação dos empregados’, além de reduzir saldo inexistente da conta Outros Adicionais (...)”. Diante de tal interpretação, a fiscalização promoveu a recomposição do lucro real do período, desconsiderando a exclusão em tela. Na impugnação juntada às fls. 4625/4656, a autuada insurgese contra a totalidade do auto de infração. Em linhas gerais, a contribuinte alega o que segue (ver fl. 4627): 1) Com a devida vênia, o Fisco fez exigências absurdas para a comprovação de gastos corriqueiros, de baixo valor individual e absolutamente normais e usuais na atividadefim da impugnante, tais como combustível, aluguel de veículos, faturas telefônicas, etc. 2) Além disso, a despeito de ter fiscalizado apenas o primeiro trimestre de 2009 (o que se comprova pelos termos de intimação que precederam o lançamento), glosou custos e despesas incorridos em todo o anocalendário muito embora não tenha pedido sequer um documento para o 2º, 3º e 4º trimestre de 2009; 3) De todo modo, a impugnante possui documentação apta a demonstrar a efetividade dos custos e despesas necessárias incorridos ao logo do anocalendário 2009; e 4) Por fim, a exclusão da reversão de provisões não dedutíveis efetuada pela empresa (conta nº 21170200 – “Grat Part Empreg) é legítima, pois se trata de provisões comprovadamente oferecidas à tributação em período anterior, razão pela qual deve ser cancelada esta glosa”. Com forte no argumento listado no item “2” acima, a impugnante requer, preliminarmente, que seja reconhecida a nulidade da autuação, relativamente ao 2º, 3º e 4º trimestres de 2009. Fl. 4544DF CARF MF 4 Quanto ao mérito, e de acordo com argumentação apresentada de maneira pormenorizada nos itens 4 e 5 da impugnação (fls. 4631 a 4655), reclama a insubsistência de todas as glosas realizadas pelo auditor fiscal, de forma que requer o cancelamento integral do lançamento de ofício. Sucessivamente (item 4.6 da impugnação) reclama incorreção dos valores das glosas. Subsidiariamente, requer que o processo seja baixado em diligência para análise dos documentos juntados aos autos na fase de impugnação, caso o órgão julgador não reconheça de pronto a efetividade da argumentação apresentada. Protesta, ainda, “pela posterior juntada de documentos que eventualmente se façam necessários a esclarecer a autoridade julgadora, nos termos do art. 16, §4º, “a”, do Decreto nº 70.235/1972”. A exigência formalizada no processo apenso nº18470.732907/201211 decorre da repercussão, na apuração nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, da falta de comprovação dos registros antes mencionados consignados nas contas contábeis de “aluguel de veículos” e “aluguel de equipamentos”. A impugnação apresentada naqueles autos guardou os mesmos contornos daquela oposta contra as exigências formalizadas no processo principal. A Turma julgadora afastou apenas as glosas referentes a: 1) locação de veículos registrada na contas nº 21120120 (Fornecedores Pessoa Física); 2) alugueis de veículos celebrados com Companhia de Locação das Américas e com Unidas S/A; e 3) parte dos gastos com aquisições de combustível. A reversão das glosas do segundo item repercutiu nas exigências de IRPJ e CSLL, bem como de Contribuição ao PIS e da COFINS. As decisões foram assim ementadas: Processo principal nº 18470.732803/201206: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009 NULIDADE. AUTOS DE INFRAÇÃO. A preliminar de nulidade deve ser rejeitada se os autos de infração apresentam todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, e se não foram verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo normativo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: Fl. 4545DF CARF MF Processo nº 18470.732907/201211 Acórdão n.º 1302003.427 S1C3T2 Fl. 4.544 5 2009 GLOSA DE DESPESAS. Para que as despesas sejam admitidas como dedutíveis, devem ser atendidos os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. Além disso, devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos. Cabível a reforma do lançamento de ofício, nos casos em que a análise dos elementos de prova complementares trazidos aos autos na fase de impugnação certificaram o atendimento aos requisitos em questão. REVERSÃO DE PROVISÃO. No período em que a provisão não dedutível for revertida contabilmente, ela poderá ser excluída do lucro líquido para fins de determinação do lucro real. O direito à exclusão pressupõe, de um lado, a comprovação de que a despesa com a criação da provisão fora adicionada no exercício de sua geração e, de outro, a existência de lançamentos contábeis que certifiquem que houve a efetiva reversão contábil da provisão criada anteriormente. O lançamento contábil realizado a débito da conta de provisão e a crédito a contas de despesas distintas daquelas que deram origem à provisão não caracteriza “reversão” da provisão originalmente criada. Como conseqüência, os lançamentos havidos a crédito de contas de despesas são insuscetíveis de exclusão na apuração do lucro real. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. CSLL. As considerações aqui formuladas para o lançamento do IRPJ são extensíveis à CSLL, devido à identidade de causas. Processo reflexo nº 18470.732907/201211: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CUSTOS. PREVISÃO LEGAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO POR DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. Os custos necessários à realização da atividade e da manutenção da fonte produtora somente podem gerar créditos da contribuição se previstos na legislação e cuja escrituração contábil estiver devidamente comprovada por documentos hábeis e idôneos, de forma a confirmar a fidedignidade dos fatos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CUSTOS. PREVISÃO LEGAL. Fl. 4546DF CARF MF 6 NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO POR DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. Os custos necessários à realização da atividade e da manutenção da fonte produtora somente podem gerar créditos da contribuição se previstos na legislação e cuja escrituração contábil estiver devidamente comprovada por documentos hábeis e idôneos, de forma a confirmar a fidedignidade dos fatos. Ambas decisões foram submetidas a reexame necessário. Cientificada em 15/10/2014 (fl. 5371) da decisão de primeira instância proferida no processo principal nº 18470.732803/201206, a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 14/11/2014 (fls. 5384/5429). Relatando o procedimento fiscal, a contribuinte destaca que somente lhe foi exigida a apresentação de documentos pertinentes ao 1º trimestre de 2009, e ainda com referência a apenas parte dos lançamentos das contas 41500050, 41200200, 41500020 e 41302058. Assevera que, na medida do possível, atendeu às solicitações fiscais, pedindo dilação de prazo para levantar os demais documentos, mas a Fiscalização entendeu que a documentação apresentada não era hábil a comprovar as operações e assim glosou todos os custos e despesas registrados nas contas em referência e ao longo de todo o anocalendário 2009. Aduz que, além de impugnar a exigência em 18/01/2013, apresentou petição em aditamento à impugnação em 28/05/2013, juntando uma série de outros documentos, porém não sabe porque a Receita Federal não juntou esta petição aos autos. O julgamento de 1ª instância, assim, apreciou apenas a impugnação de 18/01/2013, e acertadamente cancelou parte das glosas promovidas, mantendo, porém, as glosas de outros custos e exclusão. Frente a tal contexto conclui que toda a autuação deve ser cancelada, pelos seguintes motivos: a) o auto de infração é parcialmente nulo, pois a despeito de a fiscalização ter rejeitado a documentação relativa a apenas parte dos custos e despesas registrados contabilmente para o primeiro trimestre de 2009, o Fisco glosou não só o total das contas fiscalizadas, mas também os gastos registrados nessas contas para todo o anocalendário, muito embora não tenha pedido sequer um único documento para o 2º, 3º e 4º trimestres de 2009; b) com a devida vênia, o Fisco fez exigências absurdas para a comprovação de gastos corriqueiros, de baixo valor individual e absolutamente normais e usuais na atividadefim da Recorrente, tais como combustível, aluguel de equipamentos e faturas telefônicas. c) de todo modo, a Recorrente possui documentação apta a demonstrar a efetividade dos custos e despesas necessárias incorridos ao longo do anocalendário 2009; Fl. 4547DF CARF MF Processo nº 18470.732907/201211 Acórdão n.º 1302003.427 S1C3T2 Fl. 4.545 7 d) subsidiariamente, o julgamento da DRJ é nulo, pois não levou em consideração toda a documentação juntada aos autos pela Recorrente; e) por fim, a exclusão da reversão de provisões não dedutíveis efetuada pela empresa (conta nº 21170200 " Grat Part Empreg) na apuração do lucro real é legítima, pois se trata de provisões comprovadamente oferecidas à tributação em período anterior, razão pela qual deve ser cancelada essa glosa. Em 14/01/2015 a contribuinte recebeu cópia parcial do processo apenso nº 18470.732907/201211 (fl. 3945 do processo apenso) e em 15/01/2015 seu patrono teve vistas dos autos (fl. 3953), tomando conhecimento da decisão de 1ª instância ali proferida e apresentando, em 10/02/2015, recurso voluntário (fls. 3960/3982 do processo apenso), no qual aduz razões semelhantes às acima expostas, pleiteando o cancelamento da exigência pelas razões sintetizadas às alíneas "b", "c" e "d", acima transcritas. Por meio de despacho de saneamento (fl. 13491 do processo principal) esta Conselheira e Presidente deste Colegiado, determinou o retorno dos autos à origem para que a contribuinte fosse regularmente cientificada da decisão de 1ª instância proferida no processo apenso nº 18470.732907/201212, promovendose também a atualização dos sistemas informatizados de controle do crédito tributário ali constituído. Promovida a ciência por via postal conforme aviso de recebimento de fls. 4253/4254 do qual não consta a data de recebimento, bem como a ciência pessoal em 17/11/2015 na forma do documento de fl. 4256 do processo apenso, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 25/11/2015, ratificando a defesa antes apresentada (fls. 4287/4351 do processo apenso). Tal petição foi recebida com a ressalva de que a procuração estaria vencida, mas em 30/11/2015, embora discordando da exigência feita, a contribuinte juntou novos documentos de representação para ratificar os atos antes praticados (fls. 4358/4379 do processo apenso). Por fim, em 02/03/2016 a contribuinte apresentou petição acompanhada de documentos juntados às fls. 13499/15784, denominados "Razões de Julgamento", discorrendo sobre os elementos apresentados e reiterando pedido de diligência para que se analise a documentação juntada no recurso, e seja dado provimento ao recurso voluntário. Após o relato do feito, a douta relatora, quando da apreciação da preliminar de nulidade da decisão de 1ª instância, demonstrou que, a princípio, não foi juntada aos autos petição protocolizada pela Recorrente, sendo que o protocolo foi realizado antes da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS). Assim, aquela DRJ não teria analisado os documentos apresentados pelo contribuinte quando do julgamento da Impugnação Administrativa. Fl. 4548DF CARF MF 8 Contudo, para estancar qualquer dúvida quanto ao efetivo protocolo da petição pelo contribuinte, tendo em vista que esta não foi juntada aos autos, entendeuse pela conversão do julgamento em diligência, para que: o CAC/Barra da Tijuca/RJ confirme se houve aditamento às impugnações por meio das petições juntadas por cópia às fls. 5459/5477 do processo principal e às fls. 4037/4043 do processo apenso, juntando os documentos correspondentes a estes autos. Caso a autoridade preparadora não localize na repartição, ou em juntada a outro processo administrativo, as petições que teriam sido apresentadas, a contribuinte deve ser intimada a apresentar, na unidade local, o original de suas contrafé para que a autoridade competente, examinandoas, manifestese acerca de sua autenticidade, além de juntar aos autos cópia das vias protocoladas detidas pela contribuinte e dos documentos a elas anexados.. Em despacho proferido (fl. 4.522), a Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II, através da Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário / Dicat Eqpej, certificou a autenticidade do comprovante de protocolo realizado pelo contribuinte no dia 28/05/2013, nos termos do documento original devidamente apresentado pelo Recorrente àquela repartição. Quando instado a se pronunciar acerca da certificação da não juntada de petição devidamente protocolizada, em manifestação apresentada (fl.s 4.530 e 4.538), o Recorrente reitera o pedido para que reste declarada como nula a decisão de 1ª instância, uma vez que a DRJ não analisou argumentos e documentos apresentados nos autos antes de ser realizado o julgamento da Impugnação Administrativa. Naquele petição, em caráter subsidiário, o Recorrente requer que, ao menos, "os autos sejam baixados em diligência, para que se analise a documentação juntada no presente recurso, de modo que não restem dúvidas acerca da legitimidade das deduções efetuadas e créditos de PIS/COFINS apropriados no decorrer do anocalendário 2009". Ato contínuo, os autos foram remetidos ao CARF e distribuídos a este relator para julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias DA NULIDADE DA DECISÃO PROFERIDA PELA DRJ. Nos termos do que restou demonstrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II, no cumprimento da resolução emitida por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é incontroverso o fato de que o Recorrente protocolizou petição, na qual apresentou provas que, supostamente, comprovariam os argumentos lançados em sede de Impugnação. Fl. 4549DF CARF MF Processo nº 18470.732907/201211 Acórdão n.º 1302003.427 S1C3T2 Fl. 4.546 9 Contudo, aquela petição e documentos, por motivo que se desconhece neste momento, não foram devidamente juntadas aos autos. Por isso, quando do julgamento da Impugnação Administrativa, a douta DRJ de Porto Alegre não se pronunciou acerca das alegações e, principalmente, sobre os documentos apresentados pelo Recorrente e se estes deveriam ser considerados ou não. Não há dúvidas, portanto, pela nulidade do acórdão recorrido, que deixou de se pronunciar expressamente sobre provas apresentadas pelo contribuinte, impondose, portanto, o retorno dos autos à instância a quo para que seja proferido novo julgamento, evitandose, assim, qualquer limitação no direito de ampla defesa e do contraditório, que são garantidos aos litigantes administrativos. Há de se ressaltar, ainda, que a valoração da prova e, em especial, sua aceitação, uma vez que apresentadas após a Impugnação Administrativa, deverão ser realizadas pela Delegacia de Julgamento a quo, sem que haja prejuízo ao Princípio da Verdade Material, princípio este que permeia todo o procedimento administrativo. Por todo o exposto, VOTASE POR ANULAR o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), para realização de novo julgamento. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 4550DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.916591/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2004
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Numero da decisão: 3302-006.761
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente)
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Recorrente VIX LOGÍSTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 65 91 /2 00 9- 79 Fl. 349DF CARF MF 2 Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Impugnação. DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório n° rastreamento 848533005 emitido eletronicamente em 07/10/2009, referente ao PER/DCOMP n° 10311.09266.250609.1.3.047566. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$73.414,95, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 14/01/2005. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 20/10/2009, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 18/11/2009, argumentando que a decisão não merece prosperar, tendo em vista que o crédito utilizado no PER/DCOMP em tela, no valor especificado, encontrase devidamente declarado conforme demonstrado nas cópias apresentadas da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificada em 29/07/2009. Diante do exposto, tendo sido demonstrado todos os fatos ocorridos, o contribuinte requer o "CANCELAMENTO" do referido despacho. Em 10 de setembro de 2013, através do Acórdão n° 0248.212, a 2a Turma de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar a compensação em litígio. Entendeu a Turma que: Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10783.916591/200979 Acórdão n.º 3302006.761 S3C3T2 Fl. 3 3 a compensação, incumbirá a ele o contribuinte , na qualidade de autor, demonstrar seu direito. A apuração da Cofins é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração, apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DIPJ e na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação. No caso, o valor correspondente ao pagamento a maior apurado com base na DIPJ ativa foi utilizado conforme especificação feita no Despacho Decisório, não restando crédito passível de compensação. O Contribuinte tomou conhecimento do teor do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, na data 08/11/2013, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (efolhas 244). Recurso Voluntário foi apresentado em 02/12/20013, de efolhas 246 a 252. Foi alegado: Na competência de dezembro/2004 a contribuinte apurou COFINS não cumulativo (código de arrecadação 5856) devido no importe de R$ 599.117,38, tendo recolhido o valor em DARF na data de 14/01/2005, já juntado aos autos. Todavia, posteriormente verificou equívoco em sua apuração e procedeu a retificação da DCTF e DACON na data de 29/07/2009, alterando para o valor devido correto de R$ 304.202,29. Nesse contexto, e amparada pela previsão do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, a Contribuinte procedeu à compensação dos referidos saldos pagos a maior com os débitos próprios (via PER/DCOMP), submetendo a homologação de referidas compensações ao crivo da Receita Federal do Brasil (RFB). De verse, portanto, que a origem do crédito declarado no PER/DCOMP transmitido pela Contribuinte é, exclusivamente, de valores pagos a indevidamente ou a maior. Ocorre que a RFB homologou apenas parcialmente as compensações efetuadas pela Contribuinte, alegando que o saldo de crédito decorrente do pagamento indevido não seria suficiente para tanto. Assim, de acordo com o referido despacho decisório, não haveria créditos suficientes para liquidação dos débitos compensados via PER/DCOMP. Irresignada, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade face aos débitos não homologados em 18/11/2009, a qual foi julgada improcedente pela suposta ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. DA CONCESSÃO DO EFEITO SUSPENSIVO Consoante o artigo 74, §11° da Lei n° 9.430/96 c/c artigo 33 do Decreto 70.235/72, apresentado recurso contra decisão administrativa que denega direito creditório em Fl. 351DF CARF MF 4 manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias, a mesma terá seus efeitos suspensos. Dessa forma, os valores compensados pela Contribuinte, ainda que as compensações não tenham sido homologadas, não podem ser exigidos enquanto não definitivamente julgado o presente recurso voluntário, vez que suspensa a exigibilidade dos débitos, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN. DOS VALORES INFORMADOS EM DCTF E DACON Segundo a referida decisão, existiam inconsistências nas informações prestadas na DCTF e DACON que afastavam a certeza relativamente aos débitos apurados de COFINS pelo regime cumulativo e não cumulativo. Todavia, data vênia, o relator do Acórdão combatido não observou que a apuração da COFINS na referida competência, que é a obrigação acessória a ser considerada para validação dos créditos e débitos, estava em consonância ao valor declarado como devido em DCTF. Frisese que eventuais divergências não têm o condão de obstaculizar a concessão do crédito, uma vez demonstrado que os valores são devidos e que possíveis erros tenham sido corrigidos. Deste modo, eventuais divergências entre DIPJ e DCTF não é razão suficiente para o indeferimento da compensação, mormente quando tais informações em DIPJ são meramente informativas, enquanto que a efetiva apuração do valor devido, com a discriminação detalhada dos débitos e créditos, se encontra corretamente informada na DACON. Deste modo, uma vez demonstrado que os valores são consistentes e que eventuais divergências foram corrigidas, não há outra medida senão o deferimento do crédito pleiteado. DO ERRO DE FATO CORREÇÃO DE OFÍCIO Consoante determina o artigo 147, §2° do Código Tributário Nacional1, eventuais erros podem ser corrigidos de ofício pela autoridade administrativa que realizar a revisão da declaração. Desta feita, na remota hipótese de se entender que as informações na DIPJ devem ser corrigidas, requerse desde já que seja realizada de ofício, tendo em vista que as informações prestadas em DACON e DCTF se encontram em consonância ao corretamente apurado de COFINS na competência 12/2004 (4o trimestre) e se prestam à verificação da regularidade da apuração do tributo. Ademais, demonstrase que a retificação ora apresentada se preza à correção de erro de fato, não sendo admissível que erro formal implique em total desconsideração dos atos praticados. Ressaltase que o referido equívoco não trouxe alteração nos valores de tributos anteriormente apurados e informados ao fisco, em especial quanto às informações prestadas através da obrigação acessória DCTF Declaração de débitos e créditos tributários federais. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10783.916591/200979 Acórdão n.º 3302006.761 S3C3T2 Fl. 4 5 Desta feita, não cabe outra medida senão a consideração da declaração DACON da competência 12/2004 retificada para corrigir o equívoco da informação prestada na DIPJ, a qual, conforme dito alhures, é posta a título meramente formal e não se presta, via de regra, à eventuais cobranças de PIS e COFINS, que devem ser apuradas nas declarações acessórias DACON e DCTF. DOS PEDIDOS Por todo exposto, requer o recebimento e total provimento do presente recurso voluntário, reformandose a decisão ora recorrida, para os fins de reconhecer a existência de crédito suficiente para a homologação da totalidade das compensações declaradas no presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. A Empresa VIX LOGÍSTICA S.A. foi cientificada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, por via eletrônica, em 08/11/2013, às efolhas 156. A Empresa VIX LOGÍSTICA S.A. ingressou com Recurso Voluntário em 02/12/2013, efolhas 158. O recurso voluntário é tempestivo. Da controvérsia. ü Da concessão do efeito suspensivo; ü Dos valores informados em DCTF e DACON; ü Do erro de fato correção de ofício. Passase à análise. Da concessão do efeito suspensivo Tratase de aplicação do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. Dos valores informados em DCTF e DACON É alegado às folhas 04 e 05 do Recurso Voluntário: Fl. 353DF CARF MF 6 Segundo a referida decisão, existiam inconsistências nas informações prestadas na DCTF e DACON que afastavam a certeza relativamente aos débitos apurados de COFINS pelo regime cumulativo e não cumulativo. Todavia, data vênia, o relator do Acórdão combatido não observou que a apuração da COFINS na referida competência, que é a obrigação acessória a ser considerada para validação dos créditos e débitos, estava em consonância ao valor declarado como devido em DCTF. Frisese que eventuais divergências não têm o condão de obstaculizar a concessão do crédito, uma vez demonstrado que os valores são devidos e que possíveis erros tenham sido corrigidos. Deste modo, eventuais divergências entre DIPJ e DCTF não é razão suficiente para o indeferimento da compensação, mormente quando tais informações em DIPJ são meramente informativas, enquanto que a efetiva apuração do valor devido, com a discriminação detalhada dos débitos e créditos, se encontra corretamente informada na DACON. (...) Deste modo, uma vez demonstrado que os valores são consistentes e que eventuais divergências foram corrigidas, não há outra medida senão o deferimento do crédito pleiteado. Em síntese, o contribuinte alega a existência de crédito suficiente para a homologação da totalidade das compensações declaradas no presente processo. Para tanto, faz a alegação de que os valores reclamados são consistentes e que eventuais divergências foram corrigidas. Nesse sentido, traz aos autos informações que podem ser sintetizadas nos seguintes quadros: Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10783.916591/200979 Acórdão n.º 3302006.761 S3C3T2 Fl. 5 7 Cópia de telas da DACON e DCTF foram anexada às fls. 234/236. Pelo teor do Recurso Voluntário depreendese que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. O fato é que a retificadora é irrelevante. O ônus do contribuinte é comprovar o direito levado à DCTF Retificadora, ou pelo menos sua verossemelhança. Prossegue o VOTO, tendo por esteio voto do Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302006.399, da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, de redação do i. Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho: Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na Fl. 355DF CARF MF 8 compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sendo assim, nego provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 356DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.721070/2016-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO QUANTUM.
No caso em tela, competiu ao Fisco, consoante o determinado judicialmente, a liquidação da compensação de débitos com o crédito de ILL reconhecido judicialmente.
COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO QUANTUM. ÔNUS DA PROVA.
O ônus de demonstrar a alegada incorreção dos cálculos de compensação do Fisco recai sobre aquele que alega.
DCTF. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. DECADÊNCIA.
O prazo para a convalidação de compensação sujeita a suficiência de créditos compensados é prescricional, e se suspende pela apresentação de recurso administrativo da contribuinte, na forma da lei ou em função de determinação judicial
Numero da decisão: 2402-006.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO QUANTUM. No caso em tela, competiu ao Fisco, consoante o determinado judicialmente, a liquidação da compensação de débitos com o crédito de ILL reconhecido judicialmente. COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO QUANTUM. ÔNUS DA PROVA. O ônus de demonstrar a alegada incorreção dos cálculos de compensação do Fisco recai sobre aquele que alega. DCTF. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. DECADÊNCIA. O prazo para a convalidação de compensação sujeita a suficiência de créditos compensados é prescricional, e se suspende pela apresentação de recurso administrativo da contribuinte, na forma da lei ou em função de determinação judicial
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
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APURAÇÃO DO QUANTUM. No caso em tela, competiu ao Fisco, consoante o determinado judicialmente, a liquidação da compensação de débitos com o crédito de ILL reconhecido judicialmente. COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO QUANTUM. ÔNUS DA PROVA. O ônus de demonstrar a alegada incorreção dos cálculos de compensação do Fisco recai sobre aquele que alega. DCTF. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. DECADÊNCIA. O prazo para a convalidação de compensação sujeita a suficiência de créditos compensados é prescricional, e se suspende pela apresentação de recurso administrativo da contribuinte, na forma da lei ou em função de determinação judicial Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 10 70 /2 01 6- 66 Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10880.721070/201666 Acórdão n.º 2402006.962 S2C4T2 Fl. 1.044 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. De forma bastante sui generis, o contencioso iniciouse da cobrança de débitos relativos aos anos de 2002 a 2004, declarados e confessados como compensados em DCTF com base da Ação Ordinária nº 200.61.00.0210690 da 2ª VF de SP. Referida ação versou sobre o reconhecimento de direito creditório em função do recolhimento do então indevido de ILL, bem como o direito à sua compensação. Por bem descrever a sequência dos acontecimentos, reproduzo o relatório do voto condutor de primeira instância. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10880.721070/201666 Acórdão n.º 2402006.962 S2C4T2 Fl. 1.045 3 Em sua impugnação, sustentou o sujeito passivo: Que em procedimento estranho ao artigo 74 da Lei 9.430/96, o fisco procedeu à aferição dos valores compensados e concluiu na insuficiência dos créditos, o que não pode ser aceito, eis que : Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10880.721070/201666 Acórdão n.º 2402006.962 S2C4T2 Fl. 1.046 4 1 o processo administrativo já se encerrou nos termos do artigo 74 da Lei 9.430/96, desde a inadmissão do recurso especial do Recorrente contra o acórdão do CARF, que negou provimento ao seu recurso voluntário, e a decisão recorrida carece de fundamento legal, pois pretende "ressuscitar" processo extinto ao arrepio da lei; 2 é vedada a inovação da fundamentação da cobrança ao argumento de insuficiência de créditos compensados, especialmente em vista da decadência (transcurso de mais e uma década desde a última compensação não convalidada); e 3 os valores dos créditos encontramse absolutamente corretos. A DRJ, como dito, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 997/1005). Regularmente notificado, apresentou Recurso Voluntário às fls. 1012/1019, no qual reitera e reforça as razões de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A autuada tomou ciência do acórdão de piso em 9.10.17, consoante se denota de fls. 1009 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 7.11.17 (fls. 1011). Nesse sentido, dele passo a conhecer. A principal discussão aqui travada, em especial revisitando os recursos do contribuinte, diz respeito à suposta inovação quanto ao fundamento utilizado por ultimo pelo Fisco para não validar suas compensações. No início, que não haveria trânsito em julgado; que as compensações não alcançariam débitos outros que não o IRPJ e, agora, que os créditos apurados seriam insuficientes à extinção da totalidade dos débitos confessados. De início, cumpre destacar que não se trata, aqui, de lançamento de ofício a reclamar a observância dos artigos 146, 149 e 150, todos do CTN, mas sim, de débitos confessados em DCTF e vinculados a compensações amparadas por decisão judicial. Em outras palavras, não se discute a constituição de crédito tributário, mas a sua extinção, em especial por meio de compensação. Nesse contexto, o que se busca, ao fim e ao cabo, é determinar o quantum a que tem direito o recorrente, em função do provimento judicial, bem como a sua suficiência para a extinção dos débitos por ele mesmo confessados, quando promovido, administrativamente, o respectivo encontro de contas. Oportuno ainda mencionar, que todo o contencioso administrativo se deu, ou está se dando, por força de ordem judicial, na medida em que a caminho trilhado pelo sujeito passivo não lhe garantiu, ao menos administrativamente, o rito do Dec 70.235/72 c/c § 11 do artigo 74 da Lei 9.430/96. Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10880.721070/201666 Acórdão n.º 2402006.962 S2C4T2 Fl. 1.047 5 De igual sorte, não se aplica ao caso o instituto da "homologação tácita" previsto no § 5º do artigo encimado, na medida em que não estamos a falar da Declaração de Compensação lá instituída, e sim de débitos constituídos e confessados em DCTF. Prosseguindo então, com fulcro no artigo 57, § 3º, do RICARF, passo a adotar a decisão de piso, por entender que bem analisa e resolve a discussão posta. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10880.721070/201666 Acórdão n.º 2402006.962 S2C4T2 Fl. 1.048 6 Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10880.721070/201666 Acórdão n.º 2402006.962 S2C4T2 Fl. 1.049 7 Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10880.721070/201666 Acórdão n.º 2402006.962 S2C4T2 Fl. 1.050 8 Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 1050DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.723160/2011-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
NULIDADE. NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. DECLARAÇÃO DO ESPÓLIO
A declaração de rendimentos, a partir do exercício correspondente ao ano-calendário do falecimento e até a data em que for homologada a partilha ou feita a adjudicação dos bens, será apresentada em nome do espólio
Numero da decisão: 2202-004.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente.
(Assinado digitalmente)
RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 NULIDADE. NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. DECLARAÇÃO DO ESPÓLIO A declaração de rendimentos, a partir do exercício correspondente ao ano-calendário do falecimento e até a data em que for homologada a partilha ou feita a adjudicação dos bens, será apresentada em nome do espólio
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente. (Assinado digitalmente) RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. DECLARAÇÃO DO ESPÓLIO A declaração de rendimentos, a partir do exercício correspondente ao ano calendário do falecimento e até a data em que for homologada a partilha ou feita a adjudicação dos bens, será apresentada em nome do espólio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente. (Assinado digitalmente) RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 31 60 /2 01 1- 57 Fl. 176DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 121/132), acompanhado de documentos comprobatórios (efls. 133/173) interposto contra o Acórdão 0953.210 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG – DRJ/JFA (efls. 113/117), que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Notificação de Lançamento retificada por Solicitação de Retificação do Lançamento (efls. 04/09), relativa ao ano calendário 2006, exercício 2007, o qual resultou na alteração do valor de imposto a restituir de R$ 65.577,80,00 para R$ 0,00 (zero), quando da lavratura da SRL em 31/01/2011. 2. Por bem retratar as alegações trazidas pela contribuinte na peça impugnatória, e por ser de interesse o exame da Decisão de Primeira Instância, reproduzemse os trechos correspondentes do Acórdão prolatado pela 6ª Turma da DRJ/JFA: Relatório Em nome da contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 05/09, relativa ao anocalendário 2006, que apurou alteração no imposto a restituir apurado pela interessada em Declaração de Ajuste Anual DAA retificadora, no valor de R$ 65.577,80 para R$ 487,44, já restituído no processamento da Declaração de Ajuste original, com ciência do resultado da Solicitação de Retificação do Lançamento – SRL pelo sujeito passivo em 08/04/2011. Motivou o lançamento de ofício a constatação de dedução indevida a título de contribuição à previdência oficial no valor de R$ 381,34 e de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte – IRRF no valor de R$ 128.013,98, tendo em vista que os rendimentos que ocasionaram as retenções foram decorrentes de ação judicial trabalhista movida pelo espólio de Sebastião Bonfim de Souza Alves, em cuja declaração deveriam ter sido tributados. Esclarece a autoridade lançadora que excluiu os rendimentos relativos à ação, no valor de R$ 229.194,49, nos cálculos que originaram a notificação. Inconformada, a interessada apresentou impugnação de fls. 02 em 03/05/2011, alegando que informou os valores em sua Declaração de Ajuste por terem sido transferidos por sucessão ao cônjuge meeiro e herdeiros.(grifei) É o relatório. Voto A impugnação é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela tomase conhecimento. O Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF e a previdência oficial, objetos do presente litígio, foram retidos por ocasião do êxito de uma ação judicial movida contra o Banco do Brasil S/A por Sebastião Bonfim de Souza Alves, falecido, excompanheiro da impugnante e inventariante do espólio com abertura de inventário em 24/07/1997 e ainda em curso em 05/01/2011 (fls. 106). O Juiz do Trabalho, conforme Alvará de fls. 15/18, determinou o pagamento dos rendimentos diretamente à inventariante e sucessora Sulivan Santos da Silva, que informou os rendimentos e deduções em sua Declaração de Ajuste Anual DAA/2007. O § 2º do art. 14 do Decreto 3.000/99 determina que “o lançamento do imposto será feito, até a partilha ou adjudicação dos bens, em nome do espólio”. Esta determinação de lançamento obedece ao estatuído no Código Tributário Nacional CTN, que posiciona o espólio como contribuinte das obrigações surgidas depois da abertura da sucessão e antes da partilha, assim como é o responsável por eventuais débitos do "de cujus" até a abertura da sucessão. No presente caso, a compensação do IRRF e a dedução de previdência oficial deveriam ter sido realizadas em DAA em nome do espolio de Sebastião Bonfim de Souza Alves e não na DAA da interessada, pois não se pode esquecer que o espólio tem obrigações fiscais e as mesmas não podem ser alteradas por acordo entre as partes, por mais adequado que possa parecer. O sujeito passivo da obrigação tributária é sempre objeto de determinação legal, conforme art. 123 do CTN: Art. 123. (...). Diante do exposto, mantémse o lançamento como efetuado após a SRL, com as glosas da compensação indevida de Imposto de Renda na Fonte e da dedução de previdência oficial, pois seu eventual aproveitamento sobre os rendimentos decorrentes do êxito na ação judicial deveriam ter sido realizados no Ajuste Anual do IRPF em nome Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10530.723160/201157 Acórdão n.º 2202004.942 S2C2T2 Fl. 177 3 do Espólio de Sebastião Bonfim de Souza Alves, que ainda têm direitos e obrigações tributárias até a partilha e a Declaração final do espólio. Como exemplo dessas obrigações citamse as constantes na Instrução Normativa SRF nº 81, de 11 de outubro de 2001 e atualizações, que dispõe sobre as declarações de espólio. Declarações Inicial e Intermediárias Art. 7º Nas declarações inicial e intermediárias, se obrigatórias, devem ser incluídos: I os rendimentos recebidos durante todo o anocalendário, observado o seguinte: a) no caso de falecimento de contribuinte casado: 1. todos os seus rendimentos próprios, inclusive os produzidos pelos seus bens particulares ou incomunicáveis; 2. as parcelas que lhe couberem dos rendimentos produzidos pelos bens possuídos em conjunto com terceiros; 3. cinqüenta por cento dos rendimentos produzidos pelos bens comuns que integrem o regime de comunhão universal ou parcial, adotado na sociedade conjugal ou, por opção, cem por cento desses rendimentos; II todos os bens e direitos que integram o regime de comunhão universal ou parcial, adotado na sociedade conjugal, e os possuídos em condomínio, inclusive na união estável, bem assim as obrigações do espólio, ainda que anteriormente constassem da declaração do cônjuge ou convivente sobrevivente. Declaração Final Art. 8° A declaração final deve abranger os rendimentos recebidos no período compreendido entre 1° de janeiro e a data da decisão judicial transitada em julgado da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens inventariados, aplicandoselhe as normas estabelecidas para o anocalendário em que ocorrer o termo final, observado o disposto no inciso I do art. 7º. § 1° O imposto de renda deve ser apurado mediante a utilização dos valores da tabela progressiva mensal, vigente no anocalendário a que corresponder a declaração final, multiplicados pelo número de meses a partir de janeiro até o da decisão judicial transitada em julgado, ainda que os rendimentos correspondam a apenas um ou alguns meses desse período. § 2º Na declaração final devem ser prestadas as seguintes informações, relativamente ao formal de partilha, sobrepartilha ou adjudicação, do seu termo de encerramento e do trânsito em julgado da decisão judicial: I número do processo judicial e da vara e seção judiciária onde tramitou; II data da decisão judicial e do seu trânsito em julgado. Por outro lado, correto também o procedimento da autoridade lançadora, que excluiu dos rendimentos tributáveis, no Ajuste Anual do IRPF da interessada, os rendimentos decorrentes da ação judicial, já que o beneficiário de tais rendimentos é o espólio. Se eventualmente houver novas obrigações ou novos recebimentos de rendimentos decorrente de direitos do "de cujus", devese obedecer ao estatuído na legislação tributária, ou seja, se ainda houver espólio é este que deve ocupar a posição de sujeito passivo ou beneficiário, seja como contribuinte ou responsável, no entanto, se já tiver ocorrido a partilha, o sujeito passivo ou beneficiário, na condição de responsável devem ser os herdeiros, no limite da parcela da herança recebida. Do exposto, encaminho o voto no sentido de considerar a IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE, resultando, por conseqüência, na manutenção da alteração do imposto a restituir. 3. Em seu recurso, protocolado em 17/10/2014, o sujeito passivo se insurge contra a Decisão da DRJ/JFA, a ela intimada em 19/09/2014 (efls 119), alegando, em síntese, que: i. Da preliminar: há falta de preenchimento de requisitos para instauração do processo administrativo fiscal porque, após a verificação do suposto equívoco na declaração de renda da contribuinte, não foi ofertada à recorrente a oportunidade de comprovar que os valores recebidos em reclamação trabalhista o foram como de sua titularidade; violouse a garantia constitucional da ampla defesa, já que não houve prévia oportunidade de comprovação adequada dos fatos que motivaram a Fl. 178DF CARF MF 4 restituição de imposto de renda, fazendose ausente o mínimo do grau de colaboração fisco x contribuinte; o processo administrativo tributário é um instrumento fundamental para solução de conflitos, de forma mais célere e menos dispendiosa, tendo sempre como escopo a imperiosa justiça fiscal (cita art 5o, LV da CF); não pôde a recorrente obter conhecimento prévio da suposta inidoneidade dos documentos apresentados, para viabilizar o saneamento do vício alegado, caracterizando a ilegalidade da instauração do processo administrativo fiscal (cita doutrina sobre o devido processo legal e sobre o processo administrativo); o auto de infração (sic) impugnado sequer atende à exigência constitucional de motivação das decisões administrativas, não demonstrando com argumentos e justificativas o porquê do não reconhecimento da recorrente como titular do crédito recebido por força de partilha em inventário; e o ônus da prova é do estado quanto a qual o critério adotado para definir a titularidade do crédito recebido em reclamação trabalhista, o que não foi feito, nem foi apresentada motivação legal para rejeitar os documentos apresentados, havendo violação do art. 93, IX, da Constituição Federal, por ausência de fundamentação da decisão recorrida o que denota em nulidade. ii. Do mérito: ao contrário do quanto asseverado no acórdão, todos os documentos apresentados são idôneos e hábeis a comprovar que a recorrente foi a efetiva titular do recebimento do crédito em reclamação trabalhista; a recorrente já tinha em seu quinhão o crédito decorrente da referida reclamação trabalhista, o qual foi liberado diretamente em seu favor; quanto às alegações em contrário, o ônus da prova é do próprio Fisco, que não se desincumbiu do mesmo, tendo deixado de promover diligencias complementares para constatar a falta de titularidade do crédito pela recorrente, nem apresentou motivação legal para rejeitar os documentos apresentados (transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais relativa a ônus da prova); em situações como esta, há que ser observado o princípio da boafé: não podem ter eficácia contra terceiros de boafé atos jurídicos, como os atinentes à emissão de documentos fiscais, em cuja consecução esses terceiros, por serem pessoas estranhas a tais atos, não têm como intervir. Falta, ao terceiro, poder de polícia para tanto, que é concedido apenas à Administração Tributária, porquanto esta é que detém competência para fiscalizar todos os contribuintes; requer seja reformado o acórdão, a fim de que seja julgado improcedente o auto de infração; a decisão recorrida pecou ao desconsiderar o fato de que o referido lançamento é defeituoso e eivado de nulidade, por desrespeitar aos requisitos e pressupostos legais que ditam o critério de validade a ser observado, cabendo à própria administração anular o lançamento em decorrência de ilegitimidade, do vício, o que não foi realizado; a Constituição Federal estabelece que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de lesão a direito (art. 5o, XXXV), assim como o devido procedimento legal administrativo e judicial (art. 5o, LV) e assim, qualquer lesão de direito, praticada pela autoridade lançadora, poderá Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10530.723160/201157 Acórdão n.º 2202004.942 S2C2T2 Fl. 178 5 ser anulada por iniciativa do sujeito passivo, quer na esfera administrativa, quer na judicial, diante do preceito contido no art. 145 do CTN; o Estado considerou a autuação como uma presunção, confundindo o auto de infração com ato determinador de um direito definitivo, violando o CTN, quanto a o princípio constitucional da legalidade tributária; os dias fixados como data da ocorrência do fato gerador e data do vencimento não guardam consonância com a realidade fática, e caracterizam a ausência de informações no auto de infração quanto à forma de apuração do fato gerador, da base de cálculo e do arbitramento da alíquota; por fim, impugna a multa aplicada em virtude de seu caráter confiscatório e abusivo, violando seriamente a Constituição Federal. é totalmente nulo o auto de infração mencionado e atacado nesta impugnação, pela sua flagrante inadequação com o ordenamento jurídico vigente, e principalmente com os princípios constitucionais da legalidade e legitimidade 4. Ante o exposto, requer seja recebido e provido o recurso voluntário para reformar a decisão, no sentido de julgar totalmente improcedente o auto de infração e desconstituir por completo o lançamento, para reconhecer como devida a compensação do imposto de renda retido na fonte e o imposto a restituir declarado. 5. A contribuinte apresentou ainda cópias dos seguintes documentos: Procuração, efl. 133; Carteira de identidade, efl. 134; Intimação e Acórdão, efls. 135/139; Termo de Intimação Fiscal 01/2010, efl. 140; Resultado da SRL, efls. 141/146; Certidão da Vara do Trabalho de Valença, TRT 5a. Região, efl. 147; Certidão do Juízo de Direito da Vara Cível de Valença, de 07/03/2013, efl.148; Sentença de partilha de 16/04/2012, efl. 149; Despacho judicial com cálculos trabalhistas de 30/05/2012, efls. 150/155; Alvará judicial 131/2007, efl. 156; Alvará judicial 505/2006, efls. 157/158; Cálculos trabalhistas, efls. 159/160; Notificação da Vara do Trabalho de Valença, efl.161; Ajuste particular, efls. 162/163; Recibo do espólio, efl. 164; Recibo do advogado, efl. 165; Nota fiscal de serviços, efl. 166; Recibo da advogada, efl. 167; Recibo do advogado, efl. 168; Consulta DIRF na base CPF, efl. 169; DARF, efl. 171; Certidão Judicial de transcurso de prazo de ação rescisória, efl. 172; e Certidão Judicial de arquivamento, efl.173. 6. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima 7. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo. Dessa forma, dele conheço. Preliminar 8. Em sede de recurso, a contribuinte carreia diversos argumentos preliminares, mas, compulsando os autos, verificase que todas as teses argumentativas apresentadas nesta fase Recursal não constam em sede de Impugnação (efl. 02). 9. Necessário destacar, então, que argumentos aduzidos tão somente em sede de recurso voluntário não devem ser conhecidos, em respeito às normas que regem o processo administrativo fiscal. 10. Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação dos princípios da congruência, estabilização da demanda e do duplo grau de jurisdição administrativa, em ofensa aos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72 (em especial o § 4º do art. 16), bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC), mormente quando não há motivo para só agora aduzir os questionamentos referidos. 11. Revelase, portanto, que as aduções recursais preliminares, não antes levantadas no curso do contencioso, tem fins precipuamente procrastinatórios, não merecendo ser conhecidas, à míngua de amparo normativo para tanto. Mérito 12. Novamente a contribuinte agrega diversos argumentos novos, agora no Mérito, que, ao serem compulsados os autos, verificase a ausência de tais teses argumentativas em sede de Impugnação. 13. Dessa forma, as únicas teses relativas ao mérito da lide que serão analisadas neste Acórdão são a de que os seus documentos não foram considerados provas hábeis e idôneas pela DRJ e a tese de que a notificada foi a efetiva titular do recebimento do crédito. Todas as demais teses não serão conhecidas, por aduzidas tão somente em sede deste recurso voluntário, em respeito às normas que regem o processo administrativo fiscal acima referidas. 14. Em nenhum momento a Decisão a quo questionou a idoneidade ou a habilidade dos documentos apresentados pela contribuinte em sua Impugnação, como pode ser constatado em seu corpo, acima transcrito, e foi justamente nos documentos judiciais de efls. 11/16, apresentado em fase impugnatória, onde pôde ser verificado que o reclamante na Justiça do Trabalho foi o espólio. 15. Na ação judicial trabalhista, processo 00726199643105007RT à época movida pelo ESPÓLIO de Sebastião Bonfim de Souza Alves, conforme documento judicial da Vara do Trabalho de efl. 147, a recorrente, cônjuge do de cujus, figurava como Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10530.723160/201157 Acórdão n.º 2202004.942 S2C2T2 Fl. 179 7 INVENTARIANTE do espólio, e destaquese que a sentença de partilha adveio apenas na data de 16/04/2012, efl. 149, posterior ao anocalendário a que ser refere este contencioso. 16. Recorrase, neste momento, ao embasamento legal imposto pelo Decreto 3.000 de 26/03/1999, o Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, no caput do seu artigo 12, abaixo transcrito Art. 12. A declaração de rendimentos, a partir do exercício correspondente ao anocalendário do falecimento e até a data em que for homologada a partilha ou feita a adjudicação dos bens, será apresentada em nome do espólio (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 45, e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). 17. Claro está, uma vez que a sentença final de partilha, proferida apenas na data de 16/04/2012, que os rendimentos obtidos pelo espólio durante o anocalendário 2006 deveriam ser declarados em Declaração de Ajuste Anual DAA deste, e não na DAA da inventariante. 18. Ademais, diversos documentos acostados a este processo claramente indicam que o espólio era detentor dos rendimentos e tinha obrigações, sendo a recursante apenas a inventariante nomeada judicialmente para viabilizar o recebimento de direitos e a quitação de obrigações, e por essa razão foi a recebedora dos valores liberados. 19. Senão vejamos: constatase na Notificação Judicial de efl. 16, que a Justiça do Trabalho notificou o ESPÓLIO de Sebastião Bonfim de Souza Alves, este apenas representado pela inventariante, para tomar ciência da liberação do seu crédito, e ainda com a obrigação de informação do número do processo de inventário, que continuava em trâmite à época. 20. Outros documentos apresentados pela própria recursante que trazem o espólio como participante de obrigações e direitos, com a simples viabilização pela inventariante, podem ser destacados: Ajuste particular, efls. 162/163; Recibo do espólio, efl. 164; Recibo do advogado, efl. 165; Nota fiscal de serviços, efl. 166; Recibo da advogada, e fl. 167; Recibo do advogado, efl. 168; DARF, efl. 171. 21. Portanto, legal e documentalmente está confirmado que o titular dos rendimentos é o espólio, e não a recorrente, que não poderia ter declarado os rendimentos do primeiro em sua DAA, e também não poderia pretender o beneficio da dedução do relativo IRRF para o ano calendário 2006. 22. Portanto, resta íntegro o Acórdão da DRJ/JFA, que considerou a exigência tributária totalmente mantida. DISPOSITIVO 23. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Ricardo CHiavegatto de Lima Relator Fl. 182DF CARF MF 8 Fl. 183DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.913765/2008-04
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de IRPJ apurado de 1998 até 31/12/2003, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 18922.21716.230804.1.3.04-1018 (e-fls. 04/08), transmitido em 23/08/2004, efetivando-se cálculo de juros e atualização monetária do direito creditório na forma própria para saldo negativo
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de IRPJ apurado de 1998 até 31/12/2003, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 18922.21716.230804.1.3.041018 (e fls. 04/08), transmitido em 23/08/2004, efetivandose cálculo de juros e atualização monetária do direito creditório na forma própria para saldo negativo (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes. RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (efls. 91 à 95) interposto contra o Acórdão n° 1228.356, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (efls. 86 à 87), que, por unanimidade de votos, julgou a exordial improcedente, não reconhecendo o direito creditório, suscitado no PER/DCOMP n.º 18922.21716.230804.1.3.041018 (efls. 04/08), transmitido em 23/08/2004. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 13 76 5/ 20 08 -0 4 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 15374.913765/200804 Resolução nº 1002000.061 S1C0T2 Fl. 230 2 Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: Versa este processo sobre compensação. Através do Despacho Decisório n° 781155931 (fl. 8), a DERAT/RJO não homologou a compensação declarada. O referido despacho contém a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/12. Nesta peça, alega, em síntese, que possuía créditos acumulados (os darf recolhidos superam os valores devidos), não prescritos, como demonstra, “todavia, a declaração deveria ter sido apresentada como saldo negativo”. É o relatório. Segundo se extrai do teor do Despacho Decisório (efl. 11), identificouse que os valores apresentados na DCOMP foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Contribuinte, não sendo possível acatar o pedido formulado nessa oportunidade, leiase: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 8743,55. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificam. foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de créditos do contribuinte. não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Fl. 230DF CARF MF Processo nº 15374.913765/200804 Resolução nº 1002000.061 S1C0T2 Fl. 231 3 Vale complementar tais informações com trechos da Manifestação de Inconformidade, onde ficam expressos os exercícios em que o Recorrente alega ter obtido seu Saldo Negativo: A empresa possuía créditos acumulados de imposto de renda dos exercícios de 1995 a 1998, o montante de R$ 100.902,27 (conforme apresentado em demonstrativo anexo No exercício de 1999, a empresa efetuou antecipações de IR, aumentando ainda mais o crédito existente, correspondentes ao montante de R$ 104.519,87 (conforme DARFs apresentados no anexo II). Destacase ainda que no exercício de 1999, a empresa apresentou Prejuízo Fiscal. No exercício de 2000, a empresa apresentou o imposto a pagar no montante de R$ 48.760,76, no qual foi compensado com os créditos existentes do período de 1996 a 1998. Cabe ressaltar que neste exercício de 2000, a empresa também efetuou antecipações de impostos, todavia, desnecessariamente, por possuir credito de exercícios anteriores. Face ao ocorrido 0 saldo do crédito se apresentou da seguinte forma, após o exercício de 2000: (...) Devido a explanação, os créditos correspondentes a cada ano, se configuravam da seguinte forma: Saldo Credito Remanescente anterior a 1998: R$ 52.141,51 Saldo Credito Remanescente 1999: R$ 74.085,90 Saldo Credito Remanescente 2000: R$ 38.973,23 Saldo Credito Remanescente 2001: R$ 22.880,92 Saldo Credito Remanescente 2002: R$ 9.384,39 Cabe ressaltar, que as compensações efetuadas até o mês de setembro de 2002, não estavam sujeitas a elaboração de procedimento formal para a Receita Federal, ou seja, não era necessária a elaboração do formulário de compensação. A PERDCOMP foi estabelecida pela IN 210 de 30/09/2002, não cabendo assim elaboração da mesma para os períodos supracitados. (...) Foram realizadas diversas PERDCOMPS no exercício de 2004, com o intuito de compensar os impostos devidos no exercício de 2003. Desta forma, foram utilizados os créditos supracitados para compensar os meses de março, junho e setembro. Corroboramos que na data de entrega das PERDCOMPS, os créditos eram passíveis de compensação e não estavam prescritos, todavia, a declaração deveria ter sido apresentada como saldo negativo. Naquela época, ainda existiam muitas dúvidas em relação ao preenchimento da declaração em questão (PERDCOMP), naquele momento, por uma interpretação, a declaração foi preenchida como pagamento indevido a maior. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 15374.913765/200804 Resolução nº 1002000.061 S1C0T2 Fl. 232 4 Anexamos a este requerimento a PERDCOMP, no qual o entendimento de V.Sas., seria as mais adequada para a compensação do imposto (Anexo IV) Ainda se faz importante ressaltar, que os DARFs recolhidos de IR, superaram os valores devidos nos períodos de 1998 a 2002, desta forma, sendo totalmente cabível e de direito, o crédito existente para compensação do tributo do exercício de 2003. A DRJ, por seu turno, negou provimento à exordial defensiva, sustentando a inexistência de elementos materiais aptos a corroborar a tese do Recorrente. Para evidenciar, transcrevo o teor meritório do Acórdão recorrido: Na manifestação de inconformidade, o interessado não elide os fatos apontados no Despacho Decisório. Alega, apenas, possuir crédito. Pretende, então, retificar o direito creditório informado (pagamento indevido ou a maior) para saldo negativo. O interessado introduz matéria nova, alheia ao presente processo, e que, assim, não pode ser conhecida neste momento processual. O interessado apresenta direito creditório novo, que não foi examinado pela DERAT. Crédito que não consta do PER/DCOMP analisado pela autoridade lançadora não integra a lide. A retificação da Declaração de Compensação somente pode ser admitida antes do Despacho Decisório que não homologou a compensação (art. 57 da IN n° 600/2005). Eventual pedido de retificação do PER/DCOMP não pode ser apreciado neste momento processual, no qual já foi denegada a compensação. Tal análise não se insere no rol de competências das Delegacias de Julgamento. O Despacho Decisório deve ser mantido, por não terem sido elididos os fatos nele apontados. Por sua vez, o Recurso Voluntário reitera os argumentos formulados na manifestação de inconformidade. Transcrevo as razões de direito veiculadas na peça recursal: 11. Ao contrário do exposto na decisão proferida pela Delegacia de Receita Federal de Julgamento, não apresentou a Recorrente, em sede de manifestação de inconformidade, qualquer direito creditório novo. 12. Ora, a origem do direito de crédito indicado na manifestação de inconformidade é exatamente a mesma declarada quando da apresentação do PERD/COMP: referido crédito decorre do fato de que as antecipações de recolhimento mensal por estimativa superaram o valor efetivamente apurado do IRPJ devido. 13. A Recorrente, quando da apresentação do PERD/COMP denominou referido crédito de “pagamento a maior ou indevido”. Isto porque a Recorrente teria recolhido um valor maior de tributos do que o efetivamente apurado. Contudo, com a edição da Instrução Normativa n° 600/2005 vigente à época da apresentação do pedido de compensação , foi determinado, mais precisamente em seu artigo 10, Fl. 232DF CARF MF Processo nº 15374.913765/200804 Resolução nº 1002000.061 S1C0T2 Fl. 233 5 que referidos créditos fossem classificados como saldo negativo. Observese: (...) 14. Este o motivo pelo qual a Recorrente nomeou, em sua manifestação de conformidade, o seu direito de crédito como saldo negativo. l5. De todo modo, pouco importa a nomenclatura que se dê para o direito creditório declarado. O simples erro de classificação do direito de crédito não deve ensejar a cobrança de valores que efetivamente inexistem. Isto porque o que de fato é relevante existência em si do crédito, sendo indiferente a classificação que lhe for atribuída. 16. E a existência de tal crédito é patente. Bastava, para tanto, que a Fiscalização exercesse seu dever de oficio de busca material e comparasse os valores efetivamente recolhidos pela Recorrente a titulo de antecipação (por meio dos DARFs) com os valores de IRPJ efetivamente apurados. 17. Ora, por se tratar de um espaço dominado pelo princípio da legalidade, tendente à proteção da esfera privada dos arbítrios do poder, a investigação dos fatos no processo administrativo fiscal está submetida a um principio inquisitório e a sua valoração a um principio da verdade material. Vejase, nesse sentido, a lição de Alberto Xavier: (...) 18. No caso em tela, se tivesse cumprido com o seu dever de oficio pela busca da verdade material, quando do exame do pedido de compensação, a Fiscalização teria facilmente verificado a existência de créditos suficientes para a homologação da compensação efetuada. 19. Seja como for, o fato é que a existência dos créditos alegados é facilmente depurada a partir da análise da planilha que ora se acosta ao presente (Doc. 02), na qual se verifica, de forma cristalina que a Recorrente recolheu, a titulo de antecipação mensal por estimativa, valores superiores ao que foi efetivamente apurado, no final de cada exercício. 20. Dessa forma, resta evidente que a r. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro não pode prevalecer, sendo necessária a sua integral reforma. Restaram juntadas cópias de diversos DARFs (de períodos de apuração entre 1999 e 2001), de parte da escrituração contábil do anocalendário de 1998, e de DIPJs de 1995 à 2003. É o Relatório. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 15374.913765/200804 Resolução nº 1002000.061 S1C0T2 Fl. 234 6 VOTO Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Anoto, de início, que a vigamestra utilizada no indeferimento do pleito do Recorrente foi a suposta inovação de tese defensiva (mudança de critério jurídico), cujo excerto do Acórdão reitero: Pretende, então, retificar o direito creditório informado (pagamento indevido ou a maior) para saldo negativo. O interessado introduz matéria nova, alheia ao presente processo, e que, assim, não pode ser conhecida neste momento processual. No entanto, esta 2ª Turma Extraordinária já firmou unânime entendimento pela proposta de diligência em ocasião semelhante, onde a busca da verdade material conduziu a uma ponderação casuística frente ao formalismo extremo. Nessa oportunidade e seguindo também o posicionamento existente na jurisprudência deste colendo CARF opinouse por acatar a alegação de mero erro na designação do direito creditório, por conta da verossimilhança dos elementos materiais acostados aos autos. Por assim ser, filiome à vertente da possibilidade de se compreender "pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal" como sendo um pedido de restituição fundamentado em "saldo negativo", naquelas ocasiões em que há acervo probatório suficiente a justificar a alegação do Contribuinte (tal como se extrai na presente circunstância). Para ilustrar o exposto, transcrevo trecho da Resolução proferida por esta 2ª T.E., nos autos do processo n° 10865.901821/200995: O CARF, aliás, vem se posicionando sobre a possibilidade de analisar o pedido de restituição transmitido como sendo fundamentado em "pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal" como sendo um pedido de restituição fundamentado em "saldo negativo", que é composto pelas estimativas recolhidas e considera o recolhimento a maior delas em comparação com o total do tributo devido encontrado na apuração final do exercício, quando restar demonstrada a verossimilhança das alegações do recorrente quanto a seu possível direito creditório. Neste caso, prestigiase a verdade material e considerase o erro de fato do contribuinte no preenchimento do PER/DCOMP, aplicandose o princípio do formalismo moderado no contencioso administrativo fiscal, de toda sorte, dáse o tratamento específico de análise de restituição de saldo negativo, pois contém, especialmente, particularidades quanto ao momento da atualização monetária, como outrora afirmado. Vejase precedentes do Egrégio Conselho, verbo ad verbum: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. PEDIDO CONVOLADO EM COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 15374.913765/200804 Resolução nº 1002000.061 S1C0T2 Fl. 235 7 A demonstração de certeza e liquidez quanto à existência de saldo negativo de IRPJ ao final do exercício, por meio de documentos hábeis e idôneos, autoriza a contribuinte a compensar o respectivo valor, ainda que o pedido formulado tenha se referido à pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. (Acórdão 1302003.171) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. TRANSFORMAÇÃO DO PLEITO ORIGINAL BASEADO EM PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM OUTRO, COM FUNDAMENTO NO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. POSSIBILIDADE. Reconhecese a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, (...). (Acórdão 1301003.324) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO. INDICAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE IRRF NO LUGAR DE SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO.Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido o pedido de restituição e de compensação de forma incorreta, indicando como crédito IRRF quando o correto seria saldo negativo de IRPJ, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora. (...). (Acórdão 1201001.344) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE. Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, (...). (Acórdão 1301 003.599) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO. CABIMENTO. O direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação. Este, o pedido, representa o meio e não Fl. 235DF CARF MF Processo nº 15374.913765/200804 Resolução nº 1002000.061 S1C0T2 Fl. 236 8 pode se confundir com o direito material que representa a existência do crédito utilizado para compensar o débito, com a extinção de ambos. O direito que se busca com o pedido de compensação não nasce com o requerimento, mas sim com a apuração do crédito por meio da DIPJ, levando em consideração as receitas, as despesas dedutíveis e os demais critérios fixados em lei para apuração do tributo devido. Assim, cabe à autoridade administrativa apreciar o pedido de compensação levando em consideração o efetivo crédito apurado em DIPJ, desconsiderando eventuais erros no preenchimento da Declaração Compensação DCOMP. Ao apresentar a retificação dos pedidos de compensação, fazendo constar destes o efetivo valor do saldo negativo apurado na DIPJ, a recorrente não está alterando o valor de seu crédito, mas sim corrigindo erro que se verificou quando do preenchimento do pedido de compensação. Recurso Voluntário em Parte. (Acórdão 1402001.667) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. (...). (Acórdão 1102001.125) O que especialmente se extrai do entendimento colegiado do Colendo CARF é que havendo erro na declaração a autoridade administrativa deveria retificálo, inclusive, de ofício, em virtude do quanto disposto no § 2.º do art. 147 do Código Tributário Nacional CTN. Afinal, os elementos nos autos indicam que o conteúdo do crédito pretendido é de saldo negativo. O erro é facilmente constatável diante do conjunto probatório e com a apresentação de argumentos e provas convincentes, pelo contribuinte, quanto a verdadeira natureza do direito creditório vindicado, pelo que devese analisar o pedido com fundamento no direito creditório efetivamente intencionado pelo recorrente, especialmente em homenagem ao princípio da verdade material, da eficiência, da economia processual, da razoável duração do processo e da satisfatividade na resolução do litígio, ainda que se possa, após diligência, ser negado o direito creditório do contribuinte, importando, nesta hipótese, que terá sido analisada a pretendida restituição do alegado crédito efetivamente pretendido. Além do mais, tãosomente com a efetiva análise documental, após exauriente verificação pela douta autoridade preparadora, terseá condições de se decidir, com base nas provas colacionadas e no Fl. 236DF CARF MF Processo nº 15374.913765/200804 Resolução nº 1002000.061 S1C0T2 Fl. 237 9 relatório de diligência a ser exarado, acerca do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, outorgandolhe ou não o pretendido direito vindicado nestes autos. Por ora, os elementos dos autos apenas apontam uma verossimilhança nas alegações, prescindindo de confirmação. Alinhome, outrossim, ao entendimento de que a diligência objetiva garantir o amplo exaurimento da análise da materialidade das provas constantes do processo em busca da verdade material, bem como o exaurimento da situação que dá direito efetivo ao crédito. Anotese, igualmente, que, o direito creditório só deve ser negado quando for constatado: (i) a sua efetiva não comprovação, seja porque a documentação é realmente insuficiente para materializar o crédito, seja porque é inidônea ou contraditória ou, simplesmente, por não ter aptidão para atestar a certeza e liquidez do crédito; (ii) a decadência do direito de postular a restituição/ressarcimento; e (iii) se o montante a restituir/ressarcir já tiver sido utilizado, inclusive em outra compensação. Destarte, a fim de dar celeridade ao deslinde desta lide e por economia processual, resolvo baixar o processo em diligência para aferição da suficiência do crédito de modo a permitir, ou não, a homologação da compensação. Somente diante da comprovação, pela autoridade fiscal, de uma dessas três hipóteses acima apontadas é que o direito creditório não deve ser reconhecido. Contudo, apenas ressalto que a vertente interpretativa adotada pela DRJ era justificável, pois a percepção da autoridade Julgadora a quo encontrava amparo na intelecção dominante do Fisco à época e nas normas vigentes. Outrossim, acatar de plano os argumentos do Contribuinte e julgar de imediato o caso, sem a prévia análise das provas pela Unidade de Origem, colmataria na inadmissível mácula de supressão de instância. Noutro giro, negar provimento agora seria inferir que, de fato, não se admite retificação após decisão administrativa, pois que o acórdão recorrido assim se amparou nas suas conclusões. O resultado da diligência solicitada demonstrará: 1) a existência do crédito pleiteado, evidenciando que, de fato, há uma verdade material a ser perseguida, o que no entender desta 2ª TE da 1ª Seção de Julgamento justifica o reconhecimento de erro em relação ao qual o pleiteante solicita retificação; ou 2) a falta de liquidez e certeza do crédito pleiteado, circunstância que opera a favor da decisão da DRJ, sob o alcance da posição desta Turma Julgadora pela impossibilidade de retificação ou reconhecimento de erro no preenchimento das declarações quando não há verdade real que os justifique. Procedimentos para efetivação da Diligência Para tanto, na diligência deverá a douta autoridade preparadora: a) Informar se houve declarações retificadoras relativas ao anoscalendário de 1998 a 2003 e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da RFB, indicando quais prevaleceram, especialmente quanto a DIPJs, DCTF´s, DACONs, LALURs, devendo juntar as cópias integrais das versões finais ao processo, se ainda não constarem dos autos, ou Fl. 237DF CARF MF Processo nº 15374.913765/200804 Resolução nº 1002000.061 S1C0T2 Fl. 238 10 intimar o Recorrente a apresentálas, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados; b) Verificar, a partir dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal no Brasil (RFB) e com base na escrita contábil e fiscal incluída nos autos, além de outras que possa requisitar, se o Contribuinte efetivamente apurou saldo negativo, inclusive verificando se realmente os pagamentos de estimativas estão registrados nos sistemas informatizados, verificando, ainda, se esse saldo negativo já não foi objeto de compensação ou de restituição em outro PER/DCOMP ou se não existem outros pedidos de compensação relativos a totalidade do montante do saldo negativo de 1998 a 2003 pleiteado pelo Recorrente. Em caso de dúvidas quanto à exatidão de informações prestadas pela contribuinte, a autoridade fiscal deve intimar o Recorrente para prestar esclarecimentos complementares acerca do PER/DCOMP em análise, inclusive, como já registrado, podendo requisitar a apresentação de cópia de eventual escrituração contábilfiscal que entenda necessária a verificação da comprovação e suficiência do crédito vindicado. Conclusão Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de IRPJ apurado de 1998 até 31/12/2003, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 18922.21716.230804.1.3.041018 (efls. 04/08), transmitido em 23/08/2004, efetivandose cálculo de atualização monetária do direito creditório na forma própria para saldo negativo. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. Posteriormente, retornemse os autos ao Egrégio CARF para julgamento. É como Voto. (Assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.963900/2009-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.953
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem.
Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIVERSAL MUSIC LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 39 00 /2 00 9- 35 Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 15374.963900/200935 Acórdão n.º 9303007.953 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3801003.607, 24 de julho de 2014, decisão que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte, lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido ou maior que o devido de PIS. O despacho decisório exarado não reconheceu o direito creditório informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido localizado, mas fora integralmente utilizado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese que: apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; a decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; as despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004. A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão de primeiro grau contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. O Acórdão 3801003.607 possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 15374.963900/200935 Acórdão n.º 9303007.953 CSRFT3 Fl. 4 3 Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃOCOMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência suscitando dissenso em relação ao conceito de insumo adotado no acórdão recorrido. Para comprovar a divergência apontou os acórdãos de nºs. 20312.448 e 20400.795. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, sob o argumento que no acórdão paradigma n.º 20312.448 foi julgado caso de empresa industrial, sendo analisados o direito de crédito de diversos tipos de aquisições de bens e serviços, cujas glosas foram mantidas pelo colegiado, que adotou o conceito de insumo próprio da legislação do IPI para analisar o direito de crédito da contribuição nãocumulativa. Por sua vez, na decisão recorrida adotouse um conceito mais amplo, que resultou em admitirse direito de crédito da contribuição em relação aos serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência, mas foi lhe negado seguimento, por ser intempestivo. Contrarrazões foram apresentadas pelo Contribuinte, manifestandose pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório em síntese. Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 15374.963900/200935 Acórdão n.º 9303007.953 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.943, de 22/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.951434/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.943): "Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A matérias enfrentadas pela Fazenda em sede de apelo especial é referente à aplicação do conceito de insumos. O Contribuinte dedicase à produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos, conforme se depreende do seu objeto social. E no exercício de suas atividades, entende que incorre em dispêndios diretamente relacionados ao seu objeto social: 1 o pagamento de royalties relativos a cessão de direitos autorais; e 2 custos de gravação. No acórdão paradigma n.º 20312.448 apresentado pela Fazenda Nacional traz a seguinte ementa: Ementa(s) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrinsica com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matériaprima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 15374.963900/200935 Acórdão n.º 9303007.953 CSRFT3 Fl. 6 5 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado. Argumentos contidos no acórdão paradigma não guardam relação com o presente caso concreto, pois trata de uma industria de tecidos que tem peculiaridade totalmente diferente de uma industria da produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos. Já no acórdão paradigma n.º 20400.795, verificase que a questão destinase a uma indústria de calçados. Vejase: "Decorrente de diligência na empresa, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal de fls. 724/733 propondo a glosa dos insumos adquiridos por pessoas físicas e cooperativas, uma vez que nesses casos não há incidência de PIS e COFINS. Também foi proposta a glosa de combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes sob fundamento que tais produtos, embora possam ser usados no processo produtivo, não são matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem." E verificase que no acórdão paradigma que questão destinase a outro caso, que não o presente. Vejase: "Os bens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido não atendem a esses requisitos. Com efeito, os materiais auxiliares de limpeza, por exemplo, não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Outrossim, as embalagens dos produtos de limpeza não guardam qualquer identidade com os insumos diretamente utilizados na fabricação do produto industrializado. Percebase: as embalagens em questão não acondicionam o produto final da recorrida (calçados), mas os materiais de limpeza, daí o descabimento de enquadrálos como insumos." (grifouse) Como informado acima a Contribuinte não produz calçados e nem tecido e sim é uma indústria de fonográfica e videofonográfica e os custos reconhecidos pelo v. acórdão recorrido como passíveis de creditamento não são de produtos de limpeza ou embalagens de produtos de limpeza, combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes como se observa pelos autos. Sendo assim, em face da completa dissociação entre o quanto discutido nos presentes autos, o entendimento consagrado pela Turma Recorrida e as alegações contidas no Especial Fazendário, evidenciase que este não poderia sequer ser admitido. Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 15374.963900/200935 Acórdão n.º 9303007.953 CSRFT3 Fl. 7 6 Diante do exposto, entendo que não ficou comprovada a divergência, não há semelhança fática entre o acórdão recorrido e o paradigma. Não há como afirmar que se as situações fáticas fossem iguais, se o colegiado paradigmático daria o mesmo entendimento . Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2047DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002796/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2004, 2005, 2006
LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM SUSPENSÃO DE INCIDÊNCIA DA COFINS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS. EFICÁCIA.
A suspensão da incidência da COFINS e o crédito presumido a que faziam direito os adquirentes de produtos a ela sujeitos, foram instituídos, e passaram a vigorar em 1º/08/2004, com a edição da lei nº 10.925/2004, sem interrupção, sendo que a partir desta data deveriam ser calculados os créditos presumidos nos percentuais definidos no § 3º do artigo 8º do mesmo diploma legal, apenas dependendo de disciplinamento quanto a formalização do aproveitamento dos créditos e suas obrigações acessórias, a ser feito por ato normativo, ato este materializado na IN SRF nº 636/2006, depois revogada pela IN SRF nº 660/2006.
A teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.434, de 30/12/2013, de que, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais básicos relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3301-005.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao crédito de COFINS á alíquota de 7,60%, devendo ser descontado o crédito presumido de 2,66%.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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ARTIGOS 8º E 9º. AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM SUSPENSÃO DE INCIDÊNCIA DA COFINS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS. EFICÁCIA. A suspensão da incidência da COFINS e o crédito presumido a que faziam direito os adquirentes de produtos a ela sujeitos, foram instituídos, e passaram a vigorar em 1º/08/2004, com a edição da lei nº 10.925/2004, sem interrupção, sendo que a partir desta data deveriam ser calculados os créditos presumidos nos percentuais definidos no § 3º do artigo 8º do mesmo diploma legal, apenas dependendo de disciplinamento quanto a formalização do aproveitamento dos créditos e suas obrigações acessórias, a ser feito por ato normativo, ato este materializado na IN SRF nº 636/2006, depois revogada pela IN SRF nº 660/2006. A teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.434, de 30/12/2013, de que, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais básicos relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao crédito de COFINS á alíquota de 7,60%, devendo ser descontado o crédito presumido de 2,66%. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 27 96 /2 00 9- 60 Fl. 6470DF CARF MF 2 Winderley Morais Pereira Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Versam os presentes autos sobre Pedidos Eletrônicos de Restituição – PER, de valores pagos a maior a título de COFINS não cumulativa, nos anos de 2004, 2005 e 2006, sob a alegação da requerente de que efetuou incorretamente a apropriação de valores de créditos presumidos originados de aquisições de insumos que estariam com a exigibilidade da Cofins não cumulativa suspensa, em virtude do contido no artigo 9º da Lei nº 10.925/2004, sendo que os créditos presumidos seriam calculados nos moldes estabelecidos pelo artigo 8º do mesmo dispositivo legal. 2. O recolhimento a maior, alega a recorrente, ocorreu em virtude no disposto no § 3º do artigo 15 da citada lei, que estabelecia que a exigibilidade das contribuições ficariam suspensas, mas que tal dependeria de regulamentação pela Secretaria da Receita Federal. 3. A regulamentação somente ocorreu com a edição da Instrução Normativa SRF nº 636/2006, quando foram regulamentados os artigos 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925/2004. 4. Este intervalo entre a entrada em vigor do texto legal e sua regulamentação pelo ato normativo suscitou uma batalha jurisprudencial e doutrinária, tanto que a IN SRF nº 636/2006 foi logo após revogada pela IN SRF nº 660/2006. 5. Neste intervalo, alega a recorrente que se apropriou de créditos presumidos, quando teria direito a créditos integrais, e que, portanto, teria como direito creditório a diferença entre as alíquotas dos créditos integrais de direito e as alíquotas dos créditos presumidos apropriados, que geraram o recolhimento a maior de Cofins não cumulativa. 6. Este é o cerne da questão, entretanto, em virtude de os presentes autos trazerem várias fases, adotamos, por economia processual e por bem elaborado, o relatório do Acórdão nº 3301002.653, desta C. Primeira Turma, relatado pela Ilustre Conselheira Sra. Mônica Elisa de Lima, em sessão de 20/03/2015 : Tratase de Recurso Voluntário em face do acórdão nº 0120.841, de 22 de fevereiro de 2011, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA). Os presentes autos estão retornando da Delegacia de origem, após cumprimento de diligência determinada pela Resolução nº 3301000.128, desta c. Primeira Turma, a partir de encaminhamento do Ilustre Relator Antônio Lisboa Cardoso, em sessão de 26 de janeiro de 2012. Fl. 6471DF CARF MF Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301005.687 S3C3T1 Fl. 6.471 3 Desta forma, colhese, por bem ilustrar os acontecimentos, o conteúdo do Relatório elaborado já em sede de Recurso Voluntário (fls. 254 a 256). Transcreve se: Cuida se de recurso em face da decisão que indeferiu o pedido de restituição de valores recolhidos a título de Cofins, nos anos calendários 2004, 2005 e 2006, tendo em vista que a contribuinte obteve decisão liminar no Mandado de Segurança n° 2009.71.07.0032277, para que os Pedidos Eletrônicos de Restituição(PER.) arrolados na petição inicial fossem processados no prazo máximo de 30 dias da ciência da decisão. O acórdão recorrido é assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anos calendário: 2004, 2005, 2006 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Em se tratando de pedido de restituição/compensação o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” De acordo com o acórdão recorrido, no presente processo foram incluídos também os PER 18513.57547.210708.12.044626 e 32977.88560.210708.1.2044715, embora não estivessem relacionados no Mandado de Segurança. A Unidade de Origem verificou que a procedência dos alegados pagamentos indevidos ou a maior da Cofins decorre do aumento de créditos de Cofins Não cumulativo Mercado Interno (art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002), resultando na redução ou inexistência de débitos de Cofins. Os valores pleiteados não foram reconhecidos porque no regime da não cumulatividade da Cofins, o aproveitamento de crédito, para dedução do valor a recolher dentro do período de apuração, é uma faculdade do sujeito passivo (...), o sujeito passivo claramente deixou de exercer a opção facultada em lei e que a "mera retificação do Dacon não pode ser aceita para justificar a existência de indébito, e, por consequência, reconhecer o direito creditório almejado". A recorrente alega que o pagamento a maior decorre da não aplicação da suspensão da exigibilidade da PIS/Pasep prevista no art. 9º, da Lei 10.925/2004, no período entre a produção de efeitos da lei (01.08.2004) e a publicação da IN SRF n° 636 (04.04.2006), e que havia providenciado a retificação de suas DCTF e Dacon. Todavia, a mesma não trouxe aos autos documentação que demonstrasse de forma inequívoca o seu enquadramento nos dispositivos citados. Vale salientar que em se tratando de pedido de restituição/compensação o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando, notadamente por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Cientificada em 26/04/2011 (AR fl. 232), a recorrente protocolou em 17/05/2011, o recurso voluntário de fls. 233/247, onde reitera os argumentos constantes de sua manifestação de inconformidade, requerendo, ao final, alternativamente, a realização de diligência com a finalidade de comprovação da veracidade de suas declarações e argumentações. Fl. 6472DF CARF MF 4 É o relatório. O voto condutor do Dr. Antônio Lisboa Cardoso foi proferido no seguinte sentido, em resumo (fl. 256): No presente processo, estão presentes a verossimilhança das alegações da contribuinte e, em homenagem aos princípios da formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, visto que o alegado pagamento a maior seria decorrente da não aplicação da suspensão da exigibilidade da PIS/Pasep prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/2004, no período entre a produção de efeitos da lei (01.08.2004) e a publicação da IN SRF n° 636 (04.04.2006), tendo sido promovida a retificação das respectivas DCTF e Dacon. Desta forma, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem cientifique a Recorrente, para que no prazo de trinta dias apresente os documentos julgados necessários ao confronto das informações constantes de suas DCTF e DACON retificadoras. Desta forma, o i. Relator propôs diligência a fim de que a DRF de origem cientificasse a Recorrente, para que, no prazo de trinta dias, apresentasse os documentos julgados necessários ao confronto das informações constantes de suas DCTF e DACON retificadoras. Após a análise dos documentos, o AFRFB deveria elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo nas PER/Dcomp apresentadas. Na sequência a Contribuinte deveria ser intimada para que apresentasse manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Como resultado da diligência, o Auditor Fiscal elaborou o relatório de fls. 6256 a 6266, mediante o qual, com base na Escrita da Contribuinte, aduz e conclui que: Com o fim de verificar a forma de tributação da Cofins das compras de trigo realizadas no período em questão, todos os fornecedores de trigo listados pela interessada, com exceção dos que informaram nas próprias notas fiscais que a venda foi realizada com suspensão da incidência da Cofins, dos produtores pessoa física e de empresa baixada, foram intimados a informar se as vendas de trigo foram realizadas com a suspensão da incidência da Cofins. Abaixo um resumo sobre a forma de tributação das vendas realizadas pelos 103 fornecedores: 70 vendas com suspensão / 9 vendas tributadas / 7 não responderam / 4 vendas com alíquota zero / 4 – AR devolvido – sem informação / 3 – vendas realizadas por pessoa física / 1 – não recolheu / 1 – não informou / 1 – venda com não incidência / 1 – empresa baixada sem informação / 1 – venda sem suspensão / 1 – venda sem retenção. 6.1. A origem do suposto crédito da empresa estariam nessas vendas, mas, como podese verificar desse resumo, apenas dez fornecedores (9 – vendas tributadas e 1 – venda sem suspensão) realizaram vendas com incidência da Cofins. Registre se que (…) a Cooperativa Tritícola Panambi Ltda, CNPJ nº 91.982.496/000100, que realizou diversas vendas, informou (fls. 6227) que as vendas foram realizadas com suspensão, mas com a edição da Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, retificou os Dacons considerando as tributadas. Fl. 6473DF CARF MF Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301005.687 S3C3T1 Fl. 6.472 5 Pelos valores envolvidos na compra de trigo, seguramente por ocasião da negociação com os fornecedores a interessada sabia se a operação iria realizarse com suspensão ou não da incidência da Cofins, porque o custo com a incidência seria um valor e sem outro. Então, ela tinha que apurar o seu crédito conforme a forma de tributação adotada pelo fornecedor. Registrese, ainda, neste ponto, que seis fornecedores informaram nas próprias Notas Fiscais que as vendas estavam sendo realizadas com a suspensão da incidência da Cofins. 10. Por meio das intimações mencionadas no item 4, retro, um dos fornecedores encaminhou junto com a resposta cópia da declaração (fls. 6222), abaixo transcrita, realizada pela interessada em 17 de novembro de 2005: “MOINHO DO NORDESTE S/A, pessoa jurídica de direito privado com sede na Av. dos Imigrantes, 105, na cidade de Antônio Prado, Estado RS, inscrita no CNPJ sob nº 87.274.817/000136, através de seu representante legal infra assinado, DECLARA, sob as penas da lei e para os fins previstos no artigo 9º da Lei nº 10.925, de 26 de julho de 2004 (suspensão do PIS da Cofins nas aquisições de produtos in natura de origem vegetal), e relativamente a sua forma de tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica, que é tributada com base no Lucro Real". Com a edição da Instrução Normativa SRF nº 636, de 4 de abril de 2006, a interessada alterou a forma de apuração de seus créditos, sem levar em consideração, por ocasião da compra do trigo, se a operação tinha ocorrido ou não com tributação da Cofins. Era essencial, para que ela fizesse o crédito integral, que a Cofins estivesse sido tributada. Se não o foi, não se tem como admitir o crédito integral, ainda mais se ela própria fez declarações para os fornecedores venderem o produto em tela com suspensão. 13. Em suma, podese afirmar que: se a operação da compra de trigo realizouse com suspensão da incidência da Cofins, utilizase do crédito presumido; se efetivada com incidência, utilizase do crédito integral. Se por ocasião das compras a interessada utilizouse do benefício previsto no artigo 9º da Lei nº 10.925, de 2004 – quer dizer, não pagou a contribuição não há como ampliar o seu crédito a não ser que posteriormente a tributação não realizada inicialmente seja regularizada, como ocorreu com as operações realizadas com a Cooperativa Tritícola Panambi Ltda., CNPJ nº 91.982.496/000100. 14. Sobre as compras de trigo tributadas, listadas na Tabela constante do item 7, acima, a meu ver a interessada tem direito ao crédito integral sobre as compras realizadas da Cooperativa Tritícola Panambi Ltda., que inicialmente vendeu o produto em questão com suspensão e mais adiante retificou os Dacons considerando a venda tributada. No que se refere as demais vendas tributadas, a requerente terá direito ao crédito integral desde que comprove que esse crédito não foi utilizado inicialmente, (…)(...), após uma nova análise dos documentos apresentados pela interessada em resposta à Intimação DRF/CXL/Seort nº 132, de 20 de novembro de 2012, verificouse que a cópia do Razão Analítico – Conta Cofins a Compensar Entrada Estoques comprova que a requerente não utilizou o crédito integral sobre as demais compras tributadas listadas na Tabela constante do item 7 da mencionada Informação, mas sim creditouse apenas do crédito presumido. Fl. 6474DF CARF MF 6 5. Dessa forma, a meu ver, a contribuinte tem direito ao crédito apurado no item 15 de tal Informação, ou seja, R$ 171.787,32 (cento e setenta e um mil, setecentos e oitenta e sete reais e trinta e dois centavos). Instada a se manifestar, a Contribuinte, em fls. 6269 a 6276, reitera seu pedido, e alega em adição: Dessa forma, como a maioria dos fornecedores informou que não submeteu as receitas das operações à tributação da referida contribuição em virtude de sua própria interpretação do art. 9º da Lei 10.925/04, a Autoridade Tributária concluiu que, quanto às compras de trigo em relação às quais não houve o recolhimento de COFINS, a Recorrente não possui direito ao crédito integral previsto no artigo 3º da Lei 10.833/03. Vale dizer, a Autoridade Tributária entendeu que a Recorrente deve apurar o crédito das aquisições de trigo efetuadas entre 01.08.2004 e 31.03.2006 de acordo com a forma de tributação do fornecedor, pouco importando se a aplicação da suspensão da incidência de COFINS sobre as referidas operações violou a legislação e as inúmeras orientações expedidas em diversas Soluções de Consultas da própria RFB. De fato, para espanto da Recorrente, a Autoridade Tributária, ao invés de examinar o direito ao crédito integral de Cofins oriundo das aquisições no período à luz das normas aplicáveis condicionou o a vontade dos respectivos fornecedores, mais especificamente ao modo de tributação por eles adotado em cada caso (venda com suspensão, tributada, com alíquota zero, com não incidência etc.), ainda que contra legem. A Autoridade Tributária asseverou, na hipótese, que se os fornecedores de trigo aplicaram a suspensão antes da referida data, mesmo que indevidamente, tal situação deveria determinar a forma de apuração do crédito da Recorrente. É incontroverso que a Recorrente possui o direito de restituição dos valores objetos dos pedidos de restituição, pois, em relação às aquisições de trigo efetuadas entre 01.08.2004 e 31.03.2006 aproveitou, na época, equivocadamente o crédito presumido previsto na Lei 10.925/04 (como se fosse aplicável a suspensão em exame), ao invés de utilizar o crédito integral a que fazia jus, recolhendo aos cofres públicos, a titulo de COFINS, valores maiores do que as efetivamente devidos. As vendas realizadas equivocadamente com suspensão da COFINS pelos fornecedores da Recorrente, no máximo, podem ser revistas com o Lançamento de eventual crédito tributário contra os vendedores em razão da incidência da contribuição nas operações, conforme, inclusive, destacado na Solução de Consulta nº 126/2008. A Recorrente retificou as DACONs originais para, em lugar do crédito presumido, aproveitar o crédito integral sobre o valor dos insumos adquiridos, em observância aos procedimento estabelecido no art. 11, da INSRF nº 590/2005. Da mesma forma, em atenção ao disposto no artigo 11, da INRFB nº 786/2007, retificou as DCTFs informando a redução de COFINS decorrente da utilização do crédito integral no lugar do presumido. Desse modo, como os débitos declarados nas DCTFs originais referentes ao período em análise (01.08.2004 a 31.03.2006) já haviam sido pagos mediante DARF, configurouse, em virtude Fl. 6475DF CARF MF Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301005.687 S3C3T1 Fl. 6.473 7 das fundamentadas retificações dos DACONs e das DCTFs, o pagamento a maior objeto dos pedidos de restituição vinculados ao feito. Cabe destacar que a Receita Federal do Brasil reconhece, pacificamente, o direito à restituição em casos análogos. A Recorrente, então, traz à colação Soluções de Consulta que, em seu entender, corroborariam seu entendimento: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 126 de 19 de Maio de 2008 9ª Região Fiscal ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: PERÍODO DE NÃO APLICABILIDADE DA SUSPENSÃO. DIREITO A CRÉDITO INTEGRAL. VENDAS EFETUADAS INDEVIDAMENTE COM SUSPENSÃO. LANÇAMENTO A DÉBITO DAS CONTRIBUIÇÕES E EVENTUAL PAGAMENTO. No período entre a publicação da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos indevidamente com suspensão e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, independentemente da regularidade fiscal do fornecedor. As vendas efetuadas indevidamente com suspensão, no mesmo período, devem ser revistas, com o lançamento a débito da COFINS e eventual pagamento do saldo devedor. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 214 de 01 de Junho de 2009 9ª Região Fiscal ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. EMENTA: PERÍODO DE NÃO APLICABILIDADE DA SUSPENSÃO. DIREITO A CRÉDITO INTEGRAL. OBRIGATORIEDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. No período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. É possível a alteração dos créditos descontados nesse período, sendo exigida a entrega de Dacons e DCTFs retificadoras relativas ao período com créditos alterados. Cabe a compensação com outros tributos e a restituição, bem como a correção pela Selic dos valores a compensar ou a restituir em relação a pagamentos indevidos ou a maior da COFINS. Descabe a compensação com outros tributos e o ressarcimento dos créditos da não cumulatividade, exceto quando oriundos de receita de exportação ou de vendas sujeitas à não incidência, isenção, suspensão ou alíquota zero. Em todos os casos, descabe a correção para créditos oriundos da sistemática não cumulativa. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: PERÍODO DE NÃO APLICABILIDADE DA SUSPENSÃO. DIREITO A CRÉDITO Fl. 6476DF CARF MF 8 INTEGRAL.OBRIGATORIEDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. No período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. É possível a alteração dos créditos descontados nesse período, sendo exigida a entrega de Dacons e DCTFs retificadoras relativas ao período com créditos alterados. Cabe a compensação com outros tributos e a restituição, bem como a correção pela Selic dos valores a compensar ou a restituir em relação a pagamentos indevidos ou a maior da contribuição. Descabe a compensação com outros tributos e o ressarcimento dos créditos da não cumulatividade, exceto quando oriundos de receita de exportação ou de vendas sujeitas à não incidência, isenção, suspensão ou alíquota zero. Em todos os casos, descabe a correção para créditos oriundos da sistemática não cumulativa. Solução de Consulta n° 413 de 30 de Novembro de 2010 8ª RF ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social EMENTA: PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade da Cofins, prevista no art. 9º da Lei no 10.925, de 2004, dependia do estabelecimento de termos e condições de sua aplicação, o que se deu somente com a edição da IN SRF no 636, de 2006, publicada no DOU de 4 de abril de 2006, posteriormente revogada pela IN SRF no 660, de 2006, somente a partir dessa data, 04.04.2006, é que foi possível efetuar vendas com a referida suspensão. Solução de Consulta n°. 57 de 14 de Julho de 2005 2ªRF ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social EMENTA: SUSPENSÃO. PENDÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1 Enquanto não expedida regulamentação por parte da Secretaria da Receita Federal, encontrase inaplicável a suspensão da incidência da Cofins prevista no art. 9° da Lei n° 10.925, de 2004. Solução de Consulta n°. 293 de 19 de Setembro de 2006 9ª RF ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social EMENTA: A suspensão da exigibilidade da Cofins, prevista no art. 9° da Lei n° 10.925, de 2004, dependia, nos termos do seu § 2°, do estabelecimento de termos e condições da sua aplicabilidade, o que se deu somente através da IN SRF n° 636, de 2006, publicada no D.O.U. de 4 de abril de 2006, posteriormente revogada pela IN SRF n° 660, de 2006. Assim, as vendas dos produtos agropecuários objeto do referido dispositivo legal, efetuadas até 3 de abril de 2006, submetiam se à exigibilidade da contribuição, por não aplicável a suspensão aludida. Solução de Consulta n° 39 de 04 de Abril de 2007 6ª RF ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Fl. 6477DF CARF MF Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301005.687 S3C3T1 Fl. 6.474 9 EMENTA: SUSPENSÃO. VENDAS DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS E CREDITO PRESUMIDO. Enquanto não expedida regulamentação por parte da Receita Federal do Brasil, encontravase inaplicável a suspensão da incidência da Cofins prevista no art.9° da Lei n° 10.925, de 2004. A regulamentação ocorreu com o advento da IN SRF n° 636, de 24 de marco de 2006, revogada pela IN SRF n° 660, de 17 de julho de 2006. É o Relatório. 7. Este Acórdão nº 3301002.653 restou assim ementado, decidindo a questão : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004, 2005, 2006 LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE COFINS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. De acordo com decisões reiteradas da Administração da SRF, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Soluções de Consulta que se estendem a terceiros, a teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013. 8. Em face deste Acórdão, a D. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, nos seguintes termos, em excertos extraídos do seu texto : Tratase de processo referente a decisão que indeferiu o pedido de restituição de valores recolhidos a título de Cofins, nos anos calendários 2004, 2005 e 2006. Segundo a contribuinte, o pagamento a maior decorreu da não aplicação da suspensão da exigibilidade da PIS/Pasep prevista no art. 9º, da Lei 10.925/2004, no período entre a produção de efeitos da lei (01.08.2004) e a publicação da IN SRF n° 636 (04.04.2006). Insurgese a Fazenda Nacional em face do acórdão nº 3301002.653, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, no qual decidiu: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Luiz Augusto Couto Chagas votou pelas conclusões.” ……………………………………….. Não obstante a argumentação do r. voto condutor, o aresto merece reforma, pois contrariou precedentes proferidos por outros órgãos julgadores deste Eg. Conselho. No que se refere à aplicação do crédito presumido entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), o acórdão recorrido entendeu pela não aplicação, mas pelo aproveitamento de crédito integral de PIS e COFINS na sistemática nãocumulativa. …………………………………. Diversamente, decidiu o Acórdão paradigma nº 3403003.507, ao Fl. 6478DF CARF MF 10 tratar(em) do início da aplicação da suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. ………………………………………. A(s) ementa(s) transcrita(s), por si só, já demonstra(m) a existência do dissídio jurisprudencial. ……………………………………….. Como se vê, é manifesta a identidade (ou similitude) fática entre as situações analisadas no acórdão recorrido e no(s) paradigma(s). Ambos tratam do lapso temporal de aplicação do disposto no art. 9º da Lei nº 10.925 de 2004 que instituiu a suspensão da incidência das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas sobre diversas operações com produtos agropecuários. Nada obstante a identidade fática dos casos confrontados, os Colegiados adotaram entendimento jurídico divergente. …………………………………………… O acórdão paradigma entendeu que a regulamentação demandada pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 foi realizada pela IN SRF nº 636 de 24/03/2006 (publicada no DOU de 04/04/2006) que permitiu a suspensão retroativamente a 01/08/2004. Concluiu que, nada obstante, a IN SRF nº 636/2006 tenha sido revogada pela IN SRF nº 660/2006, é inegável que ela produziu, antes da revogação, efeitos jurídicos, que não podem ser ignorado Por outro lado, a decisão recorrida entendeu no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006) podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, tendo em vista que não se havia de falar em crédito presumido antes dessa data. ……………………………………………. (a) seja conhecido o presente recurso, face à observância aos requisitos de admissibilidade previstos no Regimento Interno do CARF; (b) seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, negandose a restituição pleiteada. 9. Em despacho fundamentado, foi feito o exame de admissibilidade do recurso especial, do qual extraímos o seguinte trecho, por considerálo elucidador e resumir as razões do recurso especial interposto : O acórdão recorrido decidiu que a vigência da suspensão de que se trata somente teve efeitos a partir da publicação da Instrução Normativa da Receita Federal nº 636/2006 e 660/2006, e por consequência, o contribuinte teria o direito de crédito integral da Cofins no período entre a produção de efeitos da Lei 10.925/2004 e a produção de efeitos das citadas Instruções Normativas. Ao revés, o paradigma decidiu que a suspensão teve vigência desde a produção dos efeitos da Lei 10.925/2004, e por consequência, para o presente caso, equivale a que o contribuinte tenha direito somente ao crédito presumido de Cofins. 10. O despacho admitiu o recurso especial, dandolhe seguimento. 11. Foi exarado, então, o Acórdão 9303005.530, pela C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que ficou assim ementado : Fl. 6479DF CARF MF Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301005.687 S3C3T1 Fl. 6.475 11 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2004 a 31/03/2006 DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. O dissídio jurisprudencial hábil franquear a via recursal especial se comprova mediante a apresentação de acórdãos com posicionamentos distintos sobre matérias idênticas embasadas em fatos iguais ou semelhantes. Inatende tal pressuposto o acórdão que, ou comunga do mesmo entendimento, ou deixa de se manifestar sobre matéria abordada pela decisão recorrida. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. 12. Os autos, então, voltaram a unidade de origem para o cálculo do direito creditório, diante do seu reconhecimento pelo Acórdão 3301002.653. A DRF/CAXIAS DO SUL elaborou a Informação DRF/CXL/Seort nº 60, de 25/04/2018, com tabela de cálculo em anexo, de onde extraímos os trechos : 1. Tratase a presente Informação Fiscal da análise do direito creditório de Pedidos de Restituição de recolhimentos de COFINS, períodos de apuração entre 08/2004 e 03/2006, conforme discriminado na fl. 101 dos autos. ………………………… 15. Vencidos os prazos recursais, coube o encaminhamento do Processo a unidade de origem para o cumprimento da decisão proferida no Acórdão nº 3301002.653– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF. 16. Isto posto, elaborouse a Tabela 1, apresentando as informações referentes aos PER/DCOMPS transmitidos pela Interessada, os quais solicitam créditos de COFINS analisados nestes autos. ……………………………... 18. Desta forma, observase que a coluna H apresenta a soma das notas fiscais relativas as aquisições com suspensão de valores de COFINS, sendo estes a base de cálculo da contribuição. Por outro lado, a coluna I apresenta o valor de COFINS recolhido a alíquota integral de 7,6%. Por fim, a coluna J referese a memória de cálculo estipulada pelo Acórdão nº 3301002.654– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF (7,6% 4,56%). 19. Isto posto, atendendo a decisão exarada pelo CARF, cumprese aplicar a alíquota redutora em consonância com o provimento parcial do Recurso Voluntário, o qual reconheceu o direito ao aproveitamento do crédito do COFINS à alíquota de 7,6%, relativamente às notas fiscais das aquisições com suspensão das Contribuições, devendo ser descontados o crédito presumido de 4,56%, conforme apresentado a coluna J da Tabela 1. 20. Desta forma, considerando os recursos do contribuinte em instâncias administrativas superiores e em atendimento ao Acórdão nº 3301002.653– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, reconhecese o direito creditório no valor de R$ 1.631.285,01 (um milhão, seiscentos e trinta e um mil duzentos e oitenta e cinco reais e um centavo) referente ao recolhimento indevido ou maior de COFINS, conforme memória de cálculo apresentada na Tabela 1, em anexo a esta Informação Fiscal. 13. Em cumprimento á decisão veiculada no citado Acórdão e, diante dos cálculos efetuados, foram efetivadas as restituições a recorrente, conforme se verifica das Ordens Bancárias de nº 2018OB800545, emitida em 12/06/2018, no valor de R$ 3.903.620,24 (fls. Fl. 6480DF CARF MF 12 6.452 dos autos digitais) e de nº 2018OB800550, emitida em 12/06/2018, no valor de R$ 93.742,70 (fls. 6.454 dos autos digitais). 14. A recorrente apresentou petição, ás fls. 6.457/ 6.460 dos autos digitais, onde pleiteia a correção de erros materiais constantes do Acórdão nº 3301002.653, afirmando, em síntese, que o Acórdão ocorreu em erro material, no que tange ao percentual do crédito presumido a ser descontado no caso concreto, pois consta dos autos, em relação ao crédito integral da COFINS (7,6%) deveria ser descontado crédito presumido de 4,56%, e tal percentual corresponde a 60% da alíquota do crédito integral. Conforme disposto no texto legal, o crédito presumido de 60% (4,56% para a COFINS) aplicase apenas aos produtos de origem animal, como carnes e peixes, já pra os produtos de origem vegetal o crédito presumido previsto é de 35% (2,66% para a COFINS). As aquisições feitas pela recorrente referemse a trigo, assim é cristalino que o crédito presumido a ser descontado só pode ser aquele que seria aplicável a compras de trigo, qual seja, 35% da alíquota integral (2,66% para a COFINS). Assim, o fato de constar no Acórdão o percentual do crédito presumido previsto para produtos de origem vegetal consistiu em mero erro material que deve ser corrigido. 15. Tal petição foi admitida como Embargos Inominados, pelo Sr. Presidente desta C. Turma, assim estabelecendo ás fls. 6.465 dos presentes autos: Com essas considerações, para os fins previstos no § 7° do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho a petição de fls. 6.457 a 6.460 como embargos inominados, para que o Colegiado 3301 analise a ocorrência do equívoco alegado, prolatando novo acórdão. Em se tratando a relatora de Conselheira que não mais compõe os quadros do CARF, incluase o presente processo em lote a ser sorteado no âmbito do Colegiado 3301. 16. Os autos vieram a mim para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini 17. Em breve síntese, tratase de Pedidos de Restituição Eletrônicos – PER, de recolhimentos a maior de COFINS, referentes ao período de agosto/2004 a março/2006, sendo que a recorrente afirma que os recolhimentos a maior seriam oriundos da indevida aplicação de suspensão da exigibilidade da COFINS prevista no artigo 9º da lei nº 10.925/2004, no intervalo de tempo entre a produção de efeitos da lei (01/08/2004) e a publicação da IN SRF nº 636/2006, que regulamentou a referida suspensão (04/04/2006). A recorrente alega que, em razão da não aplicação da suspensão da incidência da COFINS, prevista no artigo 9º da lei nº 10.925/2004, no período entre agosto/2004 a março/2006, o trigo adquirido nesse interregno estava sujeito ao pagamento da referida COFINS, porque a suspensão da incidência da COFINS sobre o trigo adquirido estava condicionada á regulamentação da matéria pela Secretaria da Receita Federal, o que ocorreu com a publicação da IN SRF nº 636/2006, em Fl. 6481DF CARF MF Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301005.687 S3C3T1 Fl. 6.476 13 04/04/2006, momento este em que a mencionada suspensão passou a produzir efeitos. Portanto, o indébito teria origem no recolhimento da COFINS em valores maiores do que deveria ter sido pago, pois, ao invés de utilizar o crédito integral a que teria direito, em função da aquisição tributada do trigo (7,6% nos termos do 3º da lei nº 10.833/2003), utilizouse do crédito presumido, em função da suposta aquisição com suspensão da incidência da COFINS, previsto no artigo 8º da lei nº 10.925/2004. 18. Ás fls. 265/267 dos autos digitais, a recorrente traz planilhas onde lista os valores de aquisições de insumos, os valores do crédito presumido da COFINS utilizado, as datas e valores dos recolhimentos efetivados, o período de apuração, a data do recolhimento, finalizando com o confronto entre a utilização dos créditos presumidos a alíquota de 4,56% e o crédito regular a alíquota de 7,6%.Após realização de diligência, a unidade de origem reconheceu o valor de R$ 171.787,32como demonstra a apuração constante da Informação DRF/CXL/Seort nº 65, ás fls. 6.261 dos autos digitais, sendo que em relação á aquisição do trigo com suspensão da incidência da COFINS, houve a conclusão de que deveria se utilizar o crédito presumido, e na aquisição com incidência, o crédito integral. 19. A suspensão da incidência da COFINS foi instituída pelo artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 (com produção de efeitos estabelecida no artigo 17), com as alterações introduzidas pelo artigo 29 da Lei nº 11.051/2004 (com produção de efeitos estabelecida no artigo 34) : Lei nº 10.925/2004 Art. 9º A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Art. 17. Produz efeitos: III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; Lei nº 11.051/2004, publicada em 30.12.2004: Art. 29. Os arts. 1º, 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 , passam a vigorar com a seguinte redação: ……… "Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I – de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II – de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e III – de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. § 1º O disposto neste artigo: Fl. 6482DF CARF MF 14 I – aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF." Art. 34. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I – ao art. 7º, a partir de 1º de novembro de 2004; II – aos arts. 9º, 10 e 11, a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao de sua publicação; III – aos demais artigos, a partir da data da sua publicação 20. Quanto ao crédito presumido instituído pelo artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 (com produção de efeitos estabelecida no seu artigo 17), em função da suspensão, com as alterações promovidas pela Lei nº 11.051/2004 (com produção de efeitos estabelecida no seu artigo 34), assim dispunha a legislação : Lei nº 10.925, de 23.06.2004 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01,todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III – pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 6483DF CARF MF Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301005.687 S3C3T1 Fl. 6.477 15 § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I – 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I – do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. ……………… Art. 17. Produz efeitos: III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei. ………………………………………………………………………………… Lei nº 11.051/2004, publicada em 30.12.2004 : Art. 29. Os arts. 1º, 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 , passam a vigorar com a seguinte redação: (...) "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00,07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00,1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis n os 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º (....) III – pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. Fl. 6484DF CARF MF 16 .................................................................. § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. § 7º O disposto no § 6º deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas." ……………………………… Art. 34. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I – ao art. 7º, a partir de 1º de novembro de 2004; II – aos arts. 9º, 10 e 11, a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao de sua publicação; III – aos demais artigos, a partir da data da sua publicação. 21. Diante deste quadro, a recorrente, por ter adquirido trigo, faria jus ao crédito presumido de 2,66% a ser calculado sobre o valor do insumo adquirido (trigo), percentual este que corresponde a 35% de 7,6% que é a alíquota da COFINS definida no artigo 2º da Lei nº 10.833/2003, por força do determinado no Inciso II do § 2º do artigo 8º da lei nº 10.925/2004, a partir de 1º/08/2004. 22. Portanto, pelo todo exposto, devese reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito integral básico da COFINS, á alíquota de 7,6% no intervalo de tempo entre a produção de efeitos da Lei nº 10.925/2004 (1º/08/2004) e a publicação da Instrução Normativa SRF nº 636/2004 (04/04/2006), devendo ser descontado o crédito presumido de 2,66%. Conclusão 23. Assim, VOTO POR ACOLHER OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS, sem efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito de COFINS à alíquota de 7,60%, relativamente às notas fiscais das aquisições de trigo, no período de 1ª/08/2004 a 04/04/2006, com suspensão da COFINS, devendo ser descontado o crédito presumido de 2,66 %. É o meu voto. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 6485DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.004353/2005-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
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score : 1.0
Numero do processo: 10725.000860/2005-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA
A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado.
A suposta contradição no Acórdão guerreado não trouxe qualquer prejuízo ao contribuinte no seu direito de defesa.
IRPF. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. DESCONTO SIMPLIFICADO. LIVRO CAIXA. CONCOMITÂNCIA DAS DEDUÇÕES. IMPOSSIBILIDADE.
O desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas na legislação, não havendo que se falar, portanto, na possibilidade de dedução de livro caixa.
IRPF. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. ALTERAÇÃO DO MODELO DE DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N.º 86.
A escolha do modelo de declaração é uma opção do contribuinte, a qual se torna definitiva com a sua entrega. Não é permitida a retificação da Declaração de Ajuste Anual visando à troca de modelo.
IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE.
Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de ofício, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas.
Numero da decisão: 2401-006.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada por falta de recolhimento a título de carnê-leão.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. A suposta contradição no Acórdão guerreado não trouxe qualquer prejuízo ao contribuinte no seu direito de defesa. IRPF. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. DESCONTO SIMPLIFICADO. LIVRO CAIXA. CONCOMITÂNCIA DAS DEDUÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. O desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas na legislação, não havendo que se falar, portanto, na possibilidade de dedução de livro caixa. IRPF. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. ALTERAÇÃO DO MODELO DE DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N.º 86. A escolha do modelo de declaração é uma opção do contribuinte, a qual se torna definitiva com a sua entrega. Não é permitida a retificação da Declaração de Ajuste Anual visando à troca de modelo. IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de ofício, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas.
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada por falta de recolhimento a título de carnê-leão. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. A suposta contradição no Acórdão guerreado não trouxe qualquer prejuízo ao contribuinte no seu direito de defesa. IRPF. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. DESCONTO SIMPLIFICADO. LIVRO CAIXA. CONCOMITÂNCIA DAS DEDUÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. O desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas na legislação, não havendo que se falar, portanto, na possibilidade de dedução de livro caixa. IRPF. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. ALTERAÇÃO DO MODELO DE DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N.º 86. A escolha do modelo de declaração é uma opção do contribuinte, a qual se torna definitiva com a sua entrega. Não é permitida a retificação da Declaração de Ajuste Anual visando à troca de modelo. IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 08 60 /2 00 5- 44 Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10725.000860/200544 Acórdão n.º 2401006.070 S2C4T1 Fl. 3 2 leão, quando cumulada com a multa de ofício, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada por falta de recolhimento a título de carnêleão. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10725.000860/200544 Acórdão n.º 2401006.070 S2C4T1 Fl. 4 3 Relatório DOUGLAS CYSNEIROS MANSUR, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 9a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão nº 0231.481/2011, às efls. 390/404, que julgou procedente o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos a carnêleão e multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, em relação ao ano calendário 2002, conforme peça inaugural do feito, às efls. 195/202, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 20/09/2005, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes do seguinte fato gerador: a) omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas na DIRPF Simplificada/2003, ano calendário 2002 (fls. 190/192), gerando uma diferença de base tributável no montante de R$120.684,00, conforme relatado em Termo de Verificação Fiscal (fls.201/204), com fundamento nos arts. 1° 2° 3° e §§, e 8°, da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 4° da Lei no 8.134/90; arts. 45, 106, inciso 1, 109 e 111 do Decreto n° 3.000/1999 (RIR/1999); art. 1° da Medida Provisória n° 22/2002, convertida na Lei n° 10.451/2002; b) multa isolada por falta de recolhimento do imposto de renda pessoa física, no ano calendário 2002, devido a título de carnêleão, no montante de R$22.320,78, com fundamento no art. 8° da Lei n° 7.713/88 c/c arts. 43 e 44, § 1° inciso III, da Lei n° 9.430/96 e art. 957, parágrafo único, inciso III do RIR/99. Conforme Termo de Verificação Fiscal foi relatado o que se segue. O contribuinte foi intimado em 24/08/2004 pela DRF de Governador Valadares, que jurisdicionava o antigo endereço, a apresentar a documentação e os esclarecimentos constantes no Termo de Intimação Fiscal (fl. 07). Em resposta datada de 03/09/2004 foi apresentada a documentação de fls. 08/15 e informado que: "no tocante aos rendimentos do consultório odontológico, foi elaborada com apuração dos valores pelo sistema de Livro Caixa, consignando na declaração somente o resultado tributável apurado naquele exercício'. Tendo em vista mudança de domicílio do contribuinte, a documentação foi enviada para a jurisdição da Delegacia de Campos dos Goytacazes/RJ, para a continuidade da ação fiscal, que teve origem nas informações apresentadas pela Coordenação de Fiscalização, relativas à omissão de rendimento por parte dos profissionais da área da saúde. Tratase de dentista que prestou serviços e declarou rendimentos recebidos de pessoas físicas, no ano calendário 2002, em valores inferiores aos informados pelos usuários (clientes). Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10725.000860/200544 Acórdão n.º 2401006.070 S2C4T1 Fl. 5 4 O presente procedimento fiscal foi, iniciado em 14/10/2004, com ciência pela via postal, através de Aviso de Recebimento (fl. 18) do Termo de Início de Fiscalização (fl. 17) e do Mandado de Procedimento Fiscal n° 07.1.04.002004001709 (fl. 01). Na oportunidade foi solicitado ao contribuinte que apresentasse o Livro Caixa e a documentação comprobatória dos rendimentos recebidos de pessoas fisicas relativa ao ano calendário 2002. Em resposta, foram apresentados o Livro Caixa (fls. 21/47) e recibos médicos (fls. 48/114). Os usuários dos recibos médicos foram intimados a apresentar os comprovantes de despesas médicas conforme Mandados de Procedimento Fiscal Extensivos e Termos de Intimação Fiscal n°s 30/2005 (fls. 119/120); 31/2005 (fls. 139/140); 32/2005 (fls. 142/143); 33/2005 (fls. 147/148); 34/2005 (fls. 151/152); 35/2005 (fls. 155/156); 36/2005 (fls. 172/173). Foi enviado Termo de Constatação e Intimação (fls. 178/179) ao Sr. Douglas Cisneiros (autuado) para se pronunciar a respeito dos fatos constatados nos supra citados termos. Em resposta (fls. 181/183), o contribuinte informou que transferiu para a Declaração de Ajuste somente o valor encontrado como renda, depois de descontadas todas as despesas do exercício da sua atividade, impugnando o teor do Termo de Constatação. De posse de toda a documentação e informações disponibilizadas nos termos citados concluiu a autoridade fiscal que a DIRPF (fls. 190/192) foi apresentada pelo contribuinte no modelo simplificado, onde é utilizado o desconto de 20% dos rendimentos tributáveis, limitado ao valor de R$9.400,00, sendo que este desconto substitui todas as deduções legais da declaração completa, sem a necessidade de comprovação (artigo 10 da Lei 9.250 de 26/12/1995). Não é permitida a retificação da declaração de rendimentos visando a troca de modelo, após o prazo de entrega, consoante disciplinado no artigo 57 da IN 15/2001. Nesse contexto, o Livro Caixa não poderá ser considerado como dedução dos rendimentos recebidos. O contribuinte foi intimado em 15/06/2005, e reintimado em 20/07/2005, a apresentar os comprovantes das despesas escrituradas no livro caixa e, diante da ausência de resposta, não sendo apresentada a documentação solicitada, os valores não foram considerados para fins de dedução no cálculo da multa isolada do carnê leão. O valor total da receita escriturada no livro caixa é de R$126.684,00 (fl. 46) e o valor declarado a título de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas 11$6.000,00. O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Belo Horizonte/MG entendeu por bem julgar parcialmente procedente o lançamento, apenas para recalcular a multa isolada no percentual de 150%, conforme relato acima. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 419/433, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10725.000860/200544 Acórdão n.º 2401006.070 S2C4T1 Fl. 6 5 Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, preliminarmente pugnando pela nulidade da decisão de piso por apresentar vício insanável. Quanto ao mérito, esclarece que a movimentação do seu consultório particular, referente ao ano calendário 2002 foi registrada em Livro Caixa, escriturandose todas as receitas e despesas, pois a legislação do imposto de renda permite ;que o profissional liberal contabilize, sob a forma de livro caixa, as receitas/despesas de seu labor, tributandose o valor líquido apurado. Nesse caso, não se vislumbra confronto na forma de apuração dos rendimentos por meio do Livro Caixa com a Declaração Simplificada, já que a declaração de renda cuida da pessoa do contribuinte e o Livro Caixa da atividade do contribuinte. Foi apurado, como valor tributável, a quantia de R$6.000,00, tendo sido esse valor transferido para o campo próprio da Declaração de .Ajustes e tributado juntamente com seus outros rendimentos. Os demais descontos permitidos pela legislação do imposto de renda, como dependentes, despesas médicas e despesas com instrução não foram escriturados no Livro Caixa. No entendimento da auditora, o valor tributado deve ser o valor total da receita apurada no Livro Caixa, que foi de R$126.684,00, não sendo o correto, pois o imposto de renda visa tributar, como sua própria nomenclatura denota a "RENDA". Está acostada aos autos, cópia do Livro Caixa ano calendário 2002, bem como todos os comprovantes de receita e despesa devidamente escriturados, incluindo todos os recibos de prestação de serviços emitidos. Insurgese quanto a multa isolada, pois é diretamente vinculada à apuração de imposto no Carnê Leão. Compulsando os documentos apresentados podese constatar que não existiu base de cálculo de imposto de renda, durante o ano calendário de 2002 e, portanto, não estava sujeito ao pagamento do carnê leão, descabendo a aplicação da multa isolada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço dos recursos e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10725.000860/200544 Acórdão n.º 2401006.070 S2C4T1 Fl. 7 6 O Recorrente pleiteia a nulidade da decisão de primeira instância por contradição no fundamento do voto. No entanto, entendo que não assiste razão ao contribuinte. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade são as previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões preferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Em que pese a irresignação do contribuinte, foram enfrentados todos os argumentos defensivos apresentados em sede de impugnação e, consoante os elementos de fato e de direito contidos nos autos do processo administrativo o julgador formou seu livre convencimento, apresentando fundamentos suficientes e claros para refutar as alegações deduzidas. No que tange a alegação da contradição no acórdão recorrido, o remédio para enfrentar contradição/obscuridade/omissão na decisão é o embargo de declaração, não sendo cabível da decisão de primeira instância de acordo com o PAF. Ademais, a contradição apontada pelo contribuinte lhe foi favorável, pois, em um primeiro momento, a autoridade julgadora entendeu não ser cabível a dedução das despesas escrituradas no livro caixa por ter o contribuinte optado pela Declaração Simplificada e, posteriormente, deduziu da base de cálculo aquelas despesas entendidas como comprovadas. Neste diapasão, afasto a nulidade pleiteada. MÉRITO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Sobre a infração de omissão de rendimentos, digase que o art. 85 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999) determina que a pessoa física deve declarar todos os seus rendimentos tributáveis, fazendo a devida compensação do quantum de imposto retido correspondente a esses rendimentos declarados. Nesse sentido, constato que a autoridade fiscal de posse de toda a documentação e informações disponibilizadas, concluiu que a DIRPF (fls. 190/192) foi apresentada pelo contribuinte no modelo simplificado, onde é utilizado o desconto de 20% dos rendimentos tributáveis, limitado ao valor de R$9.400,00, sendo que este desconto substitui todas as deduções legais da declaração completa, sem a necessidade de comprovação consoante artigo 10 da Lei n° 9.250 de 26/12/1995 a seguir textuada: Art. 10. O contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que substituirá todas as deduções admitidas na legislação, correspondente à dedução de 20% (vinte por cento) do valor dos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10725.000860/200544 Acórdão n.º 2401006.070 S2C4T1 Fl. 8 7 independentemente do montante desses rendimentos, dispensadas a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie, limitada a: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007) Parágrafo único. O valor deduzido não poderá ser utilizado para comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido. (Incluído pela Lei nº 11.482, de 2007) A autoridade fiscal concluiu, também, não ser permitida a retificação da declaração de rendimentos visando a troca de modelo, após o prazo de entrega, consoante disciplinado no artigo 57 da IN 15 de 06/12/2001, a seguir transcrita: Art. 57. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Parágrafo único. Relativamente às declarações apresentadas até o exercício de 1998, inclusive, será permitida a sua retificação se o contribuinte, obrigado a utilizar o modelo completo, optou pelo modelo simplificado. Posteriormente, a IN da SRF n° 290, de 30.01.2003 também traz a mesma vedação, senão vejamos: Art. 2° Observadas as condições e requisitos estabelecidos por esta Instrução Normativa, a pessoa física pode optar pela apresentação da Declaração de Ajuste Anual Simplificada. § 1º A opção pela apresentação da Declaração de Ajuste Anual Simplificada implica a substituição das deduções previstas na legislação tributária pelo desconto simplificado de vinte por cento do valor dos rendimentos tributáveis na declaração, limitado a R$ 9.400,00 (nove mil e quatrocentos reais). Conforme depreendese da legislação encimada, não pode este órgão julgador acatar o pleito do Recorrente uma vez que fez a opção por apresentar a declaração no modelo Simplificado. Ademais, esse é o entendimento pacífico deste Colegiado, conforme enunciado da súmula CARF n° 86: É vedada a retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física que tenha por objeto a troca de forma de tributação dos rendimentos após o prazo previsto para a sua entrega. Neste diapasão, sendo a escolha do modelo de declaração uma opção do contribuinte, a qual se torna definitiva com a sua entrega, não sendo permitida, portanto, a mudança de formulário após a data final para a entrega, motivo pelo qual, nego provimento. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO Em que pesem os argumentos da autuação e da autoridade julgadora de primeira instância, o pleito do contribuinte neste aspecto merece acolhimento, vejamos: Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10725.000860/200544 Acórdão n.º 2401006.070 S2C4T1 Fl. 9 8 Com efeito, a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou em diversas ocasiões a propósito da matéria, decidindo pela inaplicabilidade da concomitância das multas de ofício e isolada, conforme se extrai dos Acórdãos n° 9202003.163, 9202 003.552, 920200.883 entre outros, e da mesma forma nas Turma Ordinárias, conforme se extraí do excerto do voto do ilustre Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, acolhido de forma unânime, exarado nos autos do processo nº 10830.006853/200630, o qual peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir, in verbis: [...] Concomitância na aplicação da multa isolada com a multa de ofício Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinadas condutas, tornase importante investigar se a penalidade prevista para punir uma delas pode absorver a outra. No caso em exame, o não recolhimento mensal devido a título de carnêleão pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto ao final do anocalendário. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetividade da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do imposto devido a título de carnêleão. Em se tratando de aplicação de penalidades, aplicase, aqui, a lógica do princípio penal da consunção. Pelo critério da consunção, ao se violar uma pluralidade de normas, passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, como sucede no caso em análise, prevalece a norma relativa à penalidade mais grave. Nessa linha de raciocínio, descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Cobrase apenas esta última, no percentual de 75% sobre o imposto devido. Acrescento que a cobrança da multa isolada referente aos rendimentos sujeitos ao carnêleão, concomitantemente com a multa de ofício de 75%, penaliza o contribuinte duplamente, em face da identidade das bases de cálculo de ambas. A jurisprudência deste Conselho é pacífica em relação a não imputação de dupla penalidade pecuniária ao contribuinte em decorrência da omissão de rendimentos. Nesse sentido, oportuna é a transcrição de excerto do voto condutor vencedor do Acórdão nº 9202002.073, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 22 de março de 2012, por Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10725.000860/200544 Acórdão n.º 2401006.070 S2C4T1 Fl. 10 9 intermédio do qual se negou provimento a recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: “O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, dever ser lançada a multa isolada, e somente ela. Na mesma linha: Acórdão nº 9202001.976 da CSRF. Em resumo: a denominada "multa isolada" do art. 44, II, “a” da Lei nº 9.430/1996 apenas deve ser aplicada aos casos em que não possa ser a multa exigida em conjunto com o tributo devido (Lei nº 9.430/1996, I), não havendo que se cogitar do cabimento concomitante das multas de ofício e isolada. Em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a multa isolada por aplicação concomitante com a multa de ofício. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Vale salientar ainda que, extrapola a competência desse Tribunal se manifestar acerca da inconstitucionalidade e ilegalidade. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar a preliminar e, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir a multa isolada por falta de recolhimento a título de carnêleão, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 467DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14112.001203/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. COMPENSAÇÃO.
O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo, desde que o serviço seja da mesma atividade econômica da cooperativa, não sendo, portanto tributável em relação ao IRPJ. Nestes casos, pode a cooperativa de trabalho usufruir o benefício de efetuar a compensação do imposto de renda retido na fonte incidente sobre os valores pagos a seus cooperados com o imposto de renda retido na fonte sobre as importâncias recebidas de pessoas jurídicas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados desta (art. 45 da Lei n° 8.541, de 1992, com nova redação dada pelo art. 64 da Lei n° 8.981, de 1995).
Numero da decisão: 1301-003.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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COMPENSAÇÃO. O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo, desde que o serviço seja da mesma atividade econômica da cooperativa, não sendo, portanto tributável em relação ao IRPJ. Nestes casos, pode a cooperativa de trabalho usufruir o benefício de efetuar a compensação do imposto de renda retido na fonte incidente sobre os valores pagos a seus cooperados com o imposto de renda retido na fonte sobre as importâncias recebidas de pessoas jurídicas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados desta (art. 45 da Lei n° 8.541, de 1992, com nova redação dada pelo art. 64 da Lei n° 8.981, de 1995). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 00 12 03 /2 00 8- 26 Fl. 453DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 14112.001203/200826 Acórdão n.º 1301003.718 S1C3T1 Fl. 454 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Unimed Campo Grande MS Cooperativa de Trabalho Médico, acima identificada, apresentou os PER/DCOMPs enumerados na tabela abaixo, com os quais pretendeu a compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) relativo a pagamentos recebidos de contratantes de seus serviços, no ano de 2003 conforme períodos indicados nas declarações, com o IRRF sobre pagamentos de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício a seus associados. 35851.74591.231203.1.3.052836 04677.41415.261203.1.3.054080 06249.07339.140104.1.3.058341 Os resultados da análise encontramse no Parecer n. 676/2008 DRFCGE e seu respectivo despacho decisório (f. 189 a 194). Pelo que ali consta, as compensações não foram homologadas, uma vez não haver um vínculo direto entre as retenções efetuadas pelas pessoas jurídicas contratantes e os pagamentos aos profissionais associados. A ciência quanto ao despacho decisório deuse em 28 de novembro de 2008 (AR àf. 199). Em 8 de dezembro de 2008, foi protocolada manifestação de inconformidade (f. 202 a 214 anexos às f. 215 a 258). Nesta, é alegado, em apertada síntese, que: a) a decisão atacada fulmina a disciplina das sociedades cooperativas e desconsidera os atos constitutivos da Unimed; b) as cooperativas médicas foram criadas para angariar trabalho aos seus cooperados; c) "os contratos de assistência médicohospitalar celebrados pela Unimed com determinadas pessoas físicas ou jurídicas, são pertinentes ao objeto da sociedade pois ela atua como MANDATÁRIA, representante de seus cooperados"; d) os valores que ingressam no caixa são repassados, integralmente, aos cooperados; e) a compensação está arrimada no art. 652 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) e no art. 21 da IN SRF n. 210/92. Foi trazida aos autos cópia de jurisprudência administrativa. Ao final, há requerimento para a homologação das compensações declaradas. Em 3 de setembro de 2009, foi protocolado o documento cuja cópia se encontra às f. 276 a 285. Fl. 455DF CARF MF 4 A decisão da autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja acórdão encontrase as efls. 399 e segs. e ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. COMPENSAÇÃO. As cooperativas de trabalho médico que comercializem planos de assistência médicohospitalar não podem efetuar compensações de IRRF nos moldes do disposto no art. 652 do RIR/99. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou, efl. 411 e segs, em 30/07/2010, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação, acrescentando razões para reforma na decisão recorrida. Em despacho de 14 de setembro de 2016, o então conselheiro relator do processo da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da Segunda Seção de Julgamento sugeriu o encaminhamento dos autos para distribuição a Relator da 1ª Seção nos seguintes termos (efl. 450): De acordo com o § 1º do art. 7º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado e, conforme o artigo 2º do referido anexo, cabe à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recursos de ofício e voluntário que versem sobre a aplicação do IRRF, quando se tratar de antecipação do IRPJ. Dessa forma, determino o encaminhamento dos presentes autos à Secretaria da Câmara para redistribuição à Primeira Seção de Julgamento do CARF, para julgamento, por se tratar de matéria de sua competência. É o relatório. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 14112.001203/200826 Acórdão n.º 1301003.718 S1C3T1 Fl. 455 5 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Admissibilidade O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos A contribuinte pugna pela homologação das compensações declaradas (IRRF de cooperativa com IRRF de trabalho sem vinculo empregatício), uma vez que se trata de cooperativa de trabalho, estando amparada, portanto, no art. 652 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Pelo parecer do Despacho Decisório atacado, não há essa possibilidade, mas apenas a de dedução do IRRF na apuração do IRPJ devido efetuada na DIPJ, já que nem todos os atos praticados pela contribuinte, em especial a contratação de planos de saúde, são "atos cooperativos". Aduz o Parecer 676/08 que embasou o despacho decisório que (efl. 194) propôs a não homologação das compensações declaradas e, ato continuo, a cobrança dos débitos indevidamente compensados: De acordo com os demonstrativos das Declarações de Compensação (fls. 28; 65; 105), a interessada utilizou crédito de IRRF de cooperativas para quitar IRRF sobre rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, supostamente amparadas pelos dispositivos legais expostos. A leitura do art. 45 da Lei n° 8.541, de 1992, nos leva a conclusão de que há um vínculo entre o valor recebido pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas, com o valor repassado a seus associados que executaram, em seu nome, o serviço contratado. Ocorre, no entanto, que a Declarante é administradora de Plano de Saúde, enquanto que o profissional o cooperado executa atos médicos, atividade inerente à sua habilitação profissional. Fl. 457DF CARF MF 6 Dessa forma, há entendimento de que não há relação direta entre os valores recebidos pela Unimed Campo Grande MS, na qualidade de administradora de plano de saúde, com os valores repassados a seus "conveniados". A administradora recebe, de pessoas físicas e jurídicas, pelo compromisso de possível (normalmente provável) assistência médicohospitalar aos contratantes, no caso de pessoa física, ou empregados, no caso de pessoas jurídicas. Por outro lado, repassa aos profissionais e entidades da área médica pela efetiva prestação de serviços, executados em função de seu compromisso. Não havendo relação direta entre os valores recebidos e os valores pagos, não se trata de ato cooperativo. O voto condutor da decisão de primeira instancia (efl. 401) assim fundamenta a improcedência da manifestação de inconformidade : Não há dúvidas que no caso de cooperativas de trabalho, há a possibilidade de compensação direta entre o IRRF retido pelos contratantes de seus serviços e o IRRF retido quando dos pagamentos (repasses) aos seus associados. Esse é o teor do art. 652 do RIR/99. Portanto, há que se analisar a atividade da contribuinte, e não somente o seu estatuto, para se concluir sobre a prática apenas de atos cooperativos ou se há outros atos realizados e que nessa classificação não se encaixam. (...) Como é sabido, a Unimed, além de cooperativa de trabalho, exerce atividade comercial de compra e venda de medicamentos, serviços médicos, laboratoriais e hospitalares, ficando sujeita às normas de tributação das pessoas jurídicas em geral. Especificamente no que tange à comercialização de planos de saúde, está sujeita aos riscos próprios dessa atividade, como aliás as demais empresas que também a exercem, dentre estas algumas instituições financeiras privadas (bancos comerciais). As alegações da recorrente se pautam, em síntese, nos seguintes argumentos (efl. 412): A Recorrente Unimed Campo Grande Cooperativa de Trabalho Médico é cooperativa que tem como sócios médicos cooperados nos termos da Lei n° 5.764/71 e seu Estatuto Social. Quando do desenvolvimento de sua atividade, firma contratos de plano de saúde, sempre na qualidade de mandatária de seus cooperados, com pessoas físicas e jurídicas, garantindo a prestação de serviços médicos, que é exercida pelos sócios cooperados. Em relação a esses contratos, repitase, firmados sempre na qualidade de mandatária de seus sócios, emite faturas relativas â contraprestação dos serviços prestados pelos cooperados às pessoas físicas e/ou jurídicas. Inexiste, portanto, qualquer serviço, prestado pela cooperativa a pessoa, física ou jurídica, que não se enquadre na condição de associada. Ela somente propicia melhores condições de serviços aos seus sócios, verdadeiros prestadores dos serviços médicos. A cooperativa, ao contrário . do exposto na decisão impugnada, presta serviço somente a seus sócios cooperados, já que, nos termos da lei 5.764/71 e de seu Estatuto Social, foi criada com a finalidade de viabilizar a atividade de prestação de* serviço de medicina que é realizada pelos seus sócios. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 14112.001203/200826 Acórdão n.º 1301003.718 S1C3T1 Fl. 456 7 Neste diapasão, as cooperativas médicas, como é o caso de Unimed, foram criadas para proporcionar ocasiões de trabalho aos seus médicos cooperados, auxiliandoos no exercício de sua profissão, evitando destarte, a exploração da atividade médica por pessoas estranhas, dotadas de puro interesse mercantilista. (...) Essa é única atividade desenvolvida pela Recorrente, qual seja, prestação de serviço a seus sócios, organizando a atividade dessas em comum e maior escala. Assim é que, quando do recebimento dessas faturas que emite na qualidade de mandatária de seus cooperados, nos termos do artigo 45 da Lei no 8.541/92, com redação conferida pela Lei n° 8.981/95, a ora Recorrente sofre a retenção na fonte do Imposto de Renda: b.. alíquota de 1,5%, sendo que o valor retido recolhido pelos contratantes dos serviços dos cooperados, ora sob o código 3280 ora 1708. Tal retenção, como já exposto, independentemente do código de receita declarado, é relativa a. contraprestação dos serviços dos cooperados as pessoas físicas e/ou jurídicas, jamais diretamente das cooperativas 5.s pessoas jurídicas contratantes. Os saldos devedores acumulados em decorrência dessas retenções que a cooperativa sofre os valores que são utilizados para compensação com o imposto retido por o caso dos repasses de produção efetuados aos seus sócios. Mérito É indubitável que no caso de cooperativas de trabalho, há a possibilidade de compensação direta entre o IRRF retido pelos contratantes de seus serviços e o IRRF retido quando dos pagamentos (repasses) aos seus associados. Esse é o teor do art. 652 do RIR199. O que devemos analisar, no entanto, é se a atividade da contribuinte e seu estatuto, para se concluir sobre a prática de atos cooperativos ou se há outros atos realizados e que nessa classificação não se encaixam. Entendo que no caso da recorrente não há subsunção do fato à norma do art. 652 do RIR/99 (Art. 45 da Lei 8.541/92) posto que não se enquadra exclusivamente como cooperativa de trabalho dado as atividades diversas que performa, pois não limitam apenas a atos cooperativos. Neste sentido, vejamos o que estabelece a Lei n° 9.656/98 Art. 1o Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pósestabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; (Incluido pela Medida Provisória n" 2.17744, de 2001) Fl. 459DF CARF MF 8 Daqui podese extrair que quando as pelas cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde obtém receitas decorrentes de contratos pactuados com pessoas jurídicas na modalidade prépagamcnto, que estipulem o pagamento mensal de valores fixos pelo contratante, independentemente da efetiva utilização dos serviços pelo segurado, da natureza dos serviços prestados, do número de procedimentos realizados, etc, não se confundem com as receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais de medicina ou correlatos. Em resumo a UNIMED obtém receitas advindas de fontes distintas: a) ato não cooperativo: as receitas por ela obtidas, na condição de operadora de planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos pactuados com pessoas jurídicas na modalidade de prépagamento, que estipulem o pagamento mensal de valores fixos pelo contratante; b) ato cooperativo: as importâncias a ela pagas ou creditadas por pessoas jurídicas, relativas a serviços pessoais prestados a tais pessoas jurídicas, ou colocados à disposição delas, pelos associados da cooperativa. Neste caso, a compensação somente poderia se dar em relação aos ato cooperativos, nos termos do artigo 652 do RIR/99: Art. 652. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte à alíquota de um e meio por cento as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição (Lei nº 8.541, de 1992, art. 45, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 64). § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados (Lei nº 8.981, de 1995, art. 64, § 1º). No entanto, no caso em questão não há segregação por parte da Recorrente no momento da compensação de pagamentos a associados dos recebimentos de terceiros. Vejamos o que diz o despacho decisório (fl. 194): De acordo com os demonstrativos das Declarações de Compensação (fls. 28; 65; 105), a interessada utilizou crédito de IRRF de cooperativas para quitar IRRF sobre rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, supostamente amparadas pelos dispositivos legais expostos. A leitura do art. 45 da Lei n° 8.541, de 1992, nos leva a conclusão de que há um vínculo entre o valor recebido pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas, com o valor repassado a seus associados que executaram, em seu nome, o serviço contratado. Ocorre, no entanto, que a Declarante é administradora de Plano de Saúde, enquanto que o profissional o cooperado executa atos médicos, atividade inerente à sua habilitação profissional. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 14112.001203/200826 Acórdão n.º 1301003.718 S1C3T1 Fl. 457 9 Dessa forma, há entendimento de que não há relação direta entre os valores recebidos pela Unimed Campo Grande MS, na qualidade de administradora de plano de saúde, com os valores repassados a seus "conveniados". A administradora recebe, de pessoas físicas e jurídicas, pelo compromisso de possível (normalmente provável) assistência médicohospitalar aos contratantes, no caso de pessoa física, ou empregados, no caso de pessoas jurídicas. Por outro lado, repassa aos profissionais e entidades da área médica pela efetiva prestação de serviços, executados em função de seu compromisso. Não havendo relação direta entre os valores recebidos e os valores pagos, não se trata de ato cooperativo. Tal entendimento já foi manifestado em julgamentos, na esfera administrativa e judicial, conforme ementas: COOPERATIVA UNIMED PLANO DE SAÚDE PAGAMENTOS EFETUADOS, AINDA QUE A COOPERADOS, CONSTITUEM RENDIMENTOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO, SUJEITO AO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE E NA DECLARAÇÃO A cooperativa de médicos que administra Plano de Saúde, exerce atividade comercial de compra e venda de serviços i médicos, laboratoriais e hospitalares, sujeita as normas de tributação das pessoas jurídicas em geral. O pagamento efetuado a médico associado pelo Plano de Saúde não é ato cooperativo, pois além de não constituir simples repasse (ato cooperado) do valor cobrado pela cooperativa diretamente do paciente, não tem qualquer relação com o valor da mensalidade paga pelo usuário do Plano de Saúde, constituindo remuneração pela prestação de serviço, sem vínculo empregatício, sujeito, portanto, à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração anual de ajuste. Io Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 10246.302 em 17.03.2004. Publicado no DOU em: 24.05.2004 E 10246.313 em 18.03.2004. Publicado no DOU em: 24.05.2004. COOPERATIVA MÉDICA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS 1. A UNIMED presta serviços privados de saúde, ficando evidenciada, assim sua natureza mercantil na relação com seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados 2. O fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros nãoassociados, caracterizase como atos nâo cooperativos, sujeitandose, portanto, à incidência do Imposto de renda. STJ RESP RECURSO ESPECIAL 199901003660 17/02/2004 SEGUNDA TURMA Espécie: RESP RECURSO ESPECIAL 237348. Data da Decisão: 17/02/2004. Data da Publicação: 17/05/2004. Acrescentase que os valores pagos pelos clientes da Unimed Campo Grande não são destinados apenas a cobertura de serviços pessoais. O artigo 10 de seu estatuto (fls. 121 e segs) prevê que o associado é o "médico", enquanto o art. 2o, §3°, prevê que "Para o desempenho das atividades profissionais dos cooperados, a Unimed poderá contratar serviços hospitalares, laboratoriais e afins, bem como fornecimento de materiais e medicamentos, tudo para o fim de se possibilitar a efetiva prestação do ato médico, como complementação das suas atividades de assistência médica." Desta forma, como não há relação direta entre os valores recebidos, que geraram as retenções sofridas, e os valores pagos aos profissionais, que ocasionou as retenções, as compensações ora analisadas não se enquadram perfeitamente na previsão legal informada pelo sujeito passivo, bem como no art. 45 da Lei n° 8.541, de 1992, acima transcrito. Fl. 461DF CARF MF 10 Dessa forma, as retenções sofridas somente poderiam ser utilizadas na dedução do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ao final do período de apuração. Dessa forma, não há previsão legal que ampare as compensações declaradas. Aplicação retroativa da Lei No 12.690/12 Por fim, e neste mesmo sentido, notase que em 2012 foi declarado pela Lei no. 12.690/12 que as cooperativas de assistência à saúde não são mais consideradas como cooperativas de trabalho. Vejamos: LEI No 12.690, DE 19 DE JULHO DE 2012 Dispõe sobre a organização e o funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei no 5.452, de 1º de maio de 1943. DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO Art. 1o A Cooperativa de Trabalho é regulada por esta Lei e, no que com ela não colidir, pelas Leis nos 5.764, de 16 de dezembro de 1971, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Parágrafo único. Estão excluídas do âmbito desta Lei: I as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; Justificativa do Projeto de Lei na Câmara dos Deputados (Projeto 4622/04) Após a edição do parágrafo único ao artigo 442 da CLT, multiplicaramse as cooperativas de mão de obra, organizadas de acordo com a lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas. A crescente utilização de cooperativas devese à necessidade de redução de custos, num cenário competitivo, e a busca de oportunidade de trabalho por pessoas que, não fossem as cooperativas, estariam na informalidade ou desocupadas. Devese reconhecer que a Lei 5.764/71, apresenta lacunas no que concerne as cooperativas de mão de obra, servindo de estímulo à formação de falsas cooperativas de trabalho. É indispensável se assegurar a formação de cooperativas de mãodeobra, pela contribuição que podem dar à geração de trabalho. O projeto ora apresentado visa suprir as ausências da lei, inspirandose na Lei 6019/74, que dispõe sobre o trabalho temporário nas empresas urbanas e insere o cooperado no programa de Alimentação do Trabalho (PAT). Face ao exposto, solicito aos demais parlamentares apoio para a aprovação da matéria em questão. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 14112.001203/200826 Acórdão n.º 1301003.718 S1C3T1 Fl. 458 11 Apesar da lei mencionada acima ser posterior ao período ora debatido, entendo que tem cunho declaratório e, portanto, poderia ser utilizado como balizador ao caso ora em analise. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de CONHECER o Recurso Voluntário e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 463DF CARF MF
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