Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10650.900549/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 14/03/2005
CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de compensação/restituição à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-001.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Jose de Oliveira Ferraz Correa, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 14/03/2005 CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de compensação/restituição à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10650.900549/2009-41
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5267505
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-001.663
nome_arquivo_s : Decisao_10650900549200941.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCIEL EDER COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 10650900549200941_5267505.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Jose de Oliveira Ferraz Correa, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
id : 4957349
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983299895296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 172 1 171 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.900549/200941 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802001.663 – 2ª Turma Especial Sessão de 11 de junho de 2013 Matéria NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente CERRAGRI COMERCIO DE DEFENSIVOS AGRICOLAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 14/03/2005 CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de compensação/restituição à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 05 49 /2 00 9- 41 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Jose de Oliveira Ferraz Correa, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900549/200941 Acórdão n.º 1802001.663 S1TE02 Fl. 173 3 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, cuja origem está em suposto pagamento a maior de estimativa de CSLL do período de apuração de fevereiro de 2005. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, colaciono a seguir o relatório proferido pela 1a Turma da DRJ/JFA, através do Acórdão n° 0933.926, constante às efls 59/60: Trata o presente processo da Declaração de Compensação Eletrônica Dcomp n° 00738.35826.130406.1.3.048192 (fls. 4 a 9), transmitida em 13/04/2006, visando compensar débito de IRPJ, código 5993, período de apuração dezembro de 2004, no valor de R$ 1.439,49, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior da CSLL, no valor original de R$1.736,68, efetuado por meio do DARF abaixo discriminado: Código de Receita Data de Arrecadação Período de Apuração Valor Total do Darf 2484 14/03/2005 28/02/2005 1.736,68 A DRF/UBB/MG, em 25/03/2009. emitiu Despacho Decisório Eletrônico de nãohomologação da compensação, atestando a improcedência do crédito informado no PERDCOMP por tratar se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) (sic) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período (fl. 3). A empresa contribuinte foi cientificada em 02/04/2009 (fls. 37 e 43). Inconformada com a não homologação da declaração de compensação, a requerente apresentou, em 30/04/2009. a manifestação de fls. 1 e 2, na qual esclarece que: 1.Diante das não HOMOLOGAÇÕES declaradas nos Despachos Decisórios em relação às PER/'DCOMP S citadas acima, gostaríamos de esclarecer que os créditos objetos de pedidos de compensações como pagamentos indevidos ou a maiores, foram oriundos de valores pagos por estimativa mensal durante o ano de 2005 e considerados no fechamento da apuração final do ano 2005. Tais valores, pagos por estimativa, compõem ao final da apuração do ano de 2005 o saldo negativo de IRPJ ou contribuição (CSLL), pois, a empresa neste ano fechou com prejuízo no resultado final, sendo apurados os créditos objetos dos pedidos de compensações. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 2. Conforme nosso entendimento na época do pedido de compensação, estávamos cumprindo o que determinava a legislação, no que diz respeito à IN 600 SRF de 28/12/2005 DOU de 30/12/2005, no seu artigo 10. Os créditos ora compensados se referiam especificamente ao saldo negativo em função dos julgamentos indevidos ou a maiores a título de estimativa mensal levantados o seu montante total após a devida apuração final do ano de 2005. Naquele momento entendemos se tratar de pagamento indevidos ou a maiores. Ao, nosso ver, não se justifica agora depois de todo este tempo simplesmente a não homologação, mas sim buscar uma forma de corrigir o possível procedimento adotado, uma vez que a Empresa possui os referidos créditos. Até mesmo porque os pedidos de compensação somente foram efetuados no ano de 2006 e não antes da devida apuração final do referido crédito. ............................ Assim, por todo o exposto, solicitamos que sejam analisadas as justificativas apresentadas e que possam nos orientar e dar oportunidade para que possamos corrigir as possíveis irregularidades. Caso sejam necessários maiores esclarecimentos, estaremos ao inteiro dispor e poderão contactarnos, através do telefone: 34367 l6276 ou no endereço acima citado. Para instrução do presente processo, foram anexados, às fls. 45 a 54 extratos dos sistemas informatizados da RFB. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora por unanimidade entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa (efls 58): Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 14/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. l.A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo da CSLL do período. 2. A improcedência do crédito utilizado cm compensação impõe o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da compensação. 3. A Declaração de Compensação somente poderá ser retificada pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 175DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900549/200941 Acórdão n.º 1802001.663 S1TE02 Fl. 174 5 Inconformada com a manutenção da exigência, da qual foi intimada em 23/03/2011, apresentou recurso voluntário em 15/04/2011, alegando em apertada síntese que o valor efetivamente foi recolhido indevidamente, tendo sido apurado em todos os meses do ano calendário prejuízo. Junta precedentes. Ao final, pede seja reconhecido o erro de fato em sua apuração de lançamento a pagar de CSLL e que surta os efeitos almejados a DCOMP apresentada. É o relato do essencial. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O Recurso Voluntário apresentado preenche aos requisitos de admissibilidade e tempestividade. Portanto, dele tomo conhecimento. Sem preliminares a serem atacadas, senão o da tempestividade, já enfrentada, passo a análise do mérito de seu pedido. Como se extrai do relatório, a recorrente alega possuir o crédito pleiteado, mas não logra êxito em comprovar o suposto pagamento indevido da estimativa de CSLL. Pede então que seja considerado seu pedido como sendo crédito relativo a saldo negativo da respectiva contribuição, fato que comprova possuir através da DIPJ. A autoridade julgadora a quo, entendeu pelo afastamento do erro de fato alegado e não analisando o aspecto quantitativo do crédito, afastou também a hipótese de retificação da compensação tendente a alterar o crédito (efls 60/61): O não reconhecimento do direito creditório ocorreu porque o crédito, indicado na Dcomp, referese a pagamento a título de estimativa mensal da contribuição social sobre o lucro líquido e somente pode ser utilizada na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo da CSLL, no caso, do anocalendário de 2005. [...] E mais, a pretensão da requerente, aduzida na manifestação de inconformidade, no sentido de alterar a origem do crédito, de pagamento a maior de estimativa para saldo negativo, equivale a um pedido de retificação do crédito. Tal solicitação não é possível nessa fase processual. [...] Tal conclusão a respeito da impossibilidade de compensação na modalidade de pagamento indevido ou a maior que o devido para saldo negativo, consta também do Despacho Decisório emitido, com fulcro no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900549/200941 Acórdão n.º 1802001.663 S1TE02 Fl. 175 7 Ora, conveniente destacar que a partir da edição da IN/RFB n° 900, de 2008, a restrição supracitada deixou de ocorrer, não havendo mais a expressa vedação à compensação de créditos relativos a pagamento indevido ou a maior nas estimativas de IRPJ e de CSLL. De outra sorte, previsão expressa e atualmente vigente é a contida no art. 74, da Lei n° 9.430/96, que ressalva tão somente as hipóteses do parágrafo 3° como não passíveis de compensação: Ar. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. [...] § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Fl. 178DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Como se observa, não há restrição legal da compensação quanto ao crédito pleiteado nos presentes autos. Além do mais, o art. 106 do Código Tributário Nacional prevê a possibilidade da retroatividade da norma, no caso desta resultar em penalidade menos severa ao contribuinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Pelo arrazoado, identificase que os fundamentos para indeferimento do PER/DCOMP não possuem amparo nas normas legais vigentes que regem a matéria. Ademais, ainda que não fosse o fato do crédito se tratar de recolhimento da estimativa do tributo, conclusão de que não poderia ser compensada na forma de pagamento indevido ou a maior que o devido, constatase que o pedido ventilado pela DCOMP em comento, com relação à existência de crédito passível de compensação, possui amparo nas provas apresentadas, sobretudo na DIPJ. Ocorre que, somente por esses elementos não é possível atestar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, quesito principal para validação da compensação, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento Isto porque, o instrumento utilizado (PER/DCOMP) na opção de pagamento indevido ou a maior, prejudica informações tidas como essenciais na apuração e atualização do crédito na modalidade de saldo negativo. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10650.900549/200941 Acórdão n.º 1802001.663 S1TE02 Fl. 176 9 Assim, não constando estes e outros elementos essenciais, como a completude das compensações com todos os créditos e débitos e todos os documentos que contém a informação (DCTF, DIPJ, livros Diário e Razão), tornase inviável nesta fase processual a análise quanto ao crédito alegado e a conseqüente compensação pleiteada. Por não haver análise nas instâncias anteriores com relação ao aspecto quantitativo do direito creditório objeto da DCOMP, e afastado o óbice do art. 10 da IN/SRF n° 600/2005 que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve se analisar o pedido ventilado à luz de elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado, seja ele de qual natureza for. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (DRF Uberaba/MG) para análise do DCOMP em comento e proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação, se for o caso. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000403/2007-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3102-000.227
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 15578.000403/2007-76
conteudo_id_s : 5256465
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-000.227
nome_arquivo_s : Decisao_15578000403200776.pdf
nome_relator_s : LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
nome_arquivo_pdf_s : 15578000403200776_5256465.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator
dt_sessao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
id : 4890682
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983311429632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2095; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11578.000403/200776 Recurso nº Resolução nº 3102000.227 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de outubro de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CIA NIPO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO NIBRASCO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luis Marcelo Guerra de Castro. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida. Presentes a Procuradora da Fazenda Nacional Ana Paula Ferreira de Almeida Vieira e o advogado Tarek Moussallem RELATÓRIO Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 137 a 140, lavrado contra a contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, referente aos períodos de apuração 02/2004, 04/2004, 05/2005, 06/2005 e 12/2005, no valor de R$14.693.283,53 incluído principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/11/2007. Na descrição dos fatos no auto de infração, a autoridade lançadora registra que o valor foi apurado conforme Parecer Seort, parte integrante do Auto de Infração, com cópia anexada às fls. 116/136. No citado parecer Seort nº 1499/2007, a autoridade fiscal registra que Fl. 945DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11578.000403/200776 Resolução n.º 3102000.227 S3C1T2 Fl. 2 2 1) A produção da Cia Nipo Brasileira de Pelotização – Nibrasco é comercializada tanto no mercado interno, com vendas para a Companhia Vale do Rio Doce – CVRD, como no mercado externo. A partir de 01/02/2004, a empresa interessada ficou sujeita ao regime de incidência não cumulativo da COFINS; 2) A análise da escrituração do sujeito passivo, notas fiscais de saída, dos demonstrativos de apuração da COFINS nãocumulativa e dos demais elementos apresentados pela empresa revelou inconsistências nos valores dos créditos compensados. Em face disso, foram realizados ajustes e adições à base de cálculo apurada pelo contribuinte, além de glosas dos créditos a descontar; 3) No DACON a empresa informa que praticamente toda a sua produção foi destinada ao mercado externo. Conforme registrado nos Livros Registro de Apuração do ICMS, nos balancetes e nas Notas Fiscais de venda, a Nibrasco destinou grande parte de sua produção para a sua coligada CVRD, estabelecimento de CNPJ 33.592.510/022042, registrando as operações sob o Código Fiscal de Operação CFOP 5.101, utilizado para vendas no mercado interno. Da mesma forma, na escrituração contábil os lançamentos fazem menção a vendas no mercado interno; 4) O código utilizado nas Notas Fiscais revela a ausência da finalidade exigida pela Lei 10.833/03 para a fruição do benefício da isenção fiscal, bem como dá suporte para que o destinatário de seus produtos aproveite os créditos de COFINS nãocumulativa vinculados às aquisições, o que em uma operação com fim específico de exportação não é admitido, de acordo com o art. 21, § 2º da IN 600/2005; 5) Em diligência realizada junto à CVRD, verificouse que em muitos casos, o estabelecimento escriturou as compras como aquisições no mercado interno, com CFOP 1.102. As vendas realizadas pela CVRD são registradas sob os 5.101 e 7.101, identificadas como vendas de produção própria, não havendo registros no código 7.501 que identifica as exportações de mercadorias recebidas com fim específico de exportação; 06) Depreendese dos registros, tratarse de operações normais no mercado interno, em que se tributa a receita auferida pelo produtor e mantémse o crédito na escrita do comprador; 7) A própria CVRD em resposta ao Termo de Solicitação de Documentos afirma estar utilizando os créditos decorrentes dessas vendas; 8) De acordo com a definição legal dada à expressão “fim específico de exportação”, para fazer jus ao benefício fiscal, as mercadorias vendidas devem ser remetidas diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. É o que dispõem a IN/SRF 247/02, art. 46, § 1º, a Lei 9.532/97, art. 39, § 2º e o Decretolei 1.248/72, art.1º, parágrafo único; 9) Intimada, a CVRD informou que as pelotas são entregues/recebidas no pátio da remetente. Cumpre observar que o estabelecimento Fl. 946DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11578.000403/200776 Resolução n.º 3102000.227 S3C1T2 Fl. 3 3 industrial da Nibrasco não está compreendido em área ou recinto alfandegado, conforme esclarecimento da Inspetoria da Receita Federal do Brasil; 10) Verificase, assim, que as vendas efetuadas pela Nibrasco à CVRD não estão amparadas pela isenção da COFINS, uma vez que não se enquadram na definição legal de fim específico de exportação; 11) O sujeito passivo não incluiu na base de cálculo da COFINS não cumulativa os valores decorrentes das variações cambiais dos passivos, conta esta de natureza devedora.Desse modo, os lançamentos registrados a crédito representam receita tributável; 12) O contribuinte apurou o saldo da conta de variações cambiais adotando um regime de contacorrente. A Lei 9.718/98 de forma alguma estipula que o valor tributável deva ser o saldo mensal positivo entre as variações ativas e passivas como entendeu o contribuinte. A Lei 10.833/2003 também não prevê tal abatimento; 13) Intimado, o contribuinte informou ter adotado o regime de competência no registro das variações cambiais. Assim sendo, para fins de apuração da base de cálculo da COFINS nãocumulativo, foram considerados os valores registrados no balancete nas contas de variações cambiais dos passivos e variações cambiais dos ativos; 14) Intimada a apresentar planilha de custo dos insumos (bens e serviços) utilizados na produção, o sujeito passivo apresentou planilhas mensais elencando os itens que compuseram a base de cálculo dos créditos da COFINS nãocumulativo; 15) Foram efetuadas glosas no item serviços contratados diretos – SAC, tendo em vista que alguns desses serviços não se enquadram na definição de insumos delineada pela legislação; 16) Para que o serviço prestado possa ser considerado insumo, deve necessariamente ser aplicado ou consumido na fabricação do produto; 17) Foi elaborada a Tabela de Serviços Contratados Diretos – Serviços Excluídos discriminando os contratos excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar; 18) A contribuinte também descontou créditos sobre serviços prestados pela CVRD, identificados como Fator C, Fator K, Fator Y e Fator T. O sujeito passivo aproveitou de forma integral os valores repassados pela CVRD. Foram glosadas partes desses serviços, conforme planilha de Apuração da BC dos Serviços Contratados CVRD e Planilha de Apuração da BC de Serviços Contratados; 19) No que tange ao Fator C foram glosados os serviços de apoio administrativo e serviços gerais, os gastos com pessoal e gastos diversos. Não foram glosados os gastos com materiais e energia elétrica, posto que tais valores já haviam sido excluídos pelo contribuinte; 20) O Fator K corresponde a despesas gerais e seus valores foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar por não serem aplicados diretamente na produção da empresa; Fl. 947DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11578.000403/200776 Resolução n.º 3102000.227 S3C1T2 Fl. 4 4 21) O Fator Y corresponde à remuneração do capital de giro provido pela CVRD. Não existe previsão legal que permita o aproveitamento de créditos sobre tais valores; 22) O Fator T corresponde a gastos realizados pela utilização de uma pilha adicional. Entendese que tal gasto enquadrase na definição legal de insumo, razão pela qual foi mantido na base de cálculo dos créditos a descontar; 23) Não houve correção a ser efetuada no que tange aos gastos Despesas Financeiras Mutuo– CVRD, Saldo de Insumos no Estoque em 30/11/02 (estoque de abertura) e Insumos Adquiridos; 24) Foram elaboradas as Planilhas de apuração da COFINS, anos calendário 2004 e 2005. Os campos Receita de Exportação, Receita de Venda no Mercado Interno e Receita de Prestação de Serviços foram preenchidos já com seus valores líquidos. No campo Receitas Financeiras foram incluídas as contas Variações Cambiais dos Passivos. Estão inseridos nesse campo o subgrupo 354 concernente a variação cambial dos passivos e o grupo 45 relativo a Receitas Financeiras; 25) O valor do crédito a descontar vinculado às receitas de exportação foi determinado com base no rateio proporcional entre as receitas de exportação e receitas no mercado interno, regime adotado pelo contribuinte; 26) Foi elaborada a planilha de compensação (fls. 1137/1139) ilustrando as compensações realizadas a partir dos valores de débitos e créditos apurados pela diligência, com destaque para os meses de fevereiro e abril de 2004, maio e junho de 2005 e quarto trimestre de 2005 onde foi apurado saldo de COFINS a pagar. Consequentemente foi emitido auto de infração para os referidos meses; 27) Foram descontados, primeiramente os créditos vinculados às vendas no mercado interno e depois os créditos vinculados às exportações. O saldo de créditos do mercado externo foi utilizado para fins de compensação, consoante as DCOMP apresentadas nos processos 11543.001631/200467 e 11543.000506/200511.De acordo com a planilha, grande parte das compensações não foi homologada por insuficiência de créditos. Não houve saldo de crédito suficiente para compensar os débitos informados nas DCOMPs transmitidas eletronicamente. O enquadramento legal citado no auto de infração foi: arts. 1º, 3º e 5º, da Lei 10.833/2004. O enquadramento legal da multa de ofício e dos juros de mora encontrase no demonstrativo de fl. 138. Após tomar ciência da autuação em 17/12/2007 (fl. 139), a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 159 a 188 em 10/01/2008 alegando, em síntese que: 1) A requerente não realiza operação de venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo; Fl. 948DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11578.000403/200776 Resolução n.º 3102000.227 S3C1T2 Fl. 5 5 2) A Carta Magna prescreve expressamente imunidade tributária atinente às receitas decorrentes de exportação (art. 149, § 2º, inciso I da CF). O art. 6º da Lei 10.833/2003 repete expressamente a determinação Constitucional; 3) O disposto no art. 6º da Lei 10.833/2003 referese diretamente à regra da imunidade constitucional das receitas de operações de exportação e, por isso, deve ser interpretado extensivamente; 4) Assim, para o aproveitamento da imunidade não importa que a venda seja destinada a recinto alfandegado ou mesmo que seja destinada diretamente ao embarque para exportação. Basta que o contribuinte comprove que figura na cadeia de exportação e que suas receitas decorrem de operações de exportação; 5) As vendas realizadas pela requerente para a CVRD são destinadas exclusivamente ao mercado externo, conforme os memorandos de exportação colacionados aos autos; 6) As variações monetárias ativas decorrentes do fechamento dos contratos de câmbio se subsumem ao conceito de “receita decorrente de operação de exportação”; 7) O crédito que goza a requerente com a variação cambial no fechamento do câmbio é direito creditório decorrente das operações de exportação imunes de tributação pela COFINS; 8) Com base no artigo 279 do Regulamento do Imposto de Renda, o crédito de ICMS não pode ser qualificado como receita, pois representa simplesmente um valor retificador do custo anteriormente suportado na aquisição de insumos; 9) Somente pode ser enquadrado no conceito de receita o ingresso de divisas proveniente de contraprestação decorrente do fornecimento de bens ou serviços; 10) Tanto o STJ como o STF têm entendimento pacificado no sentido de que a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP deve ser pautada pelos limites das Leis Complementares 07/70 e 70/91, ou seja, o resultado decorrente do fornecimento de bens e serviços; 11) O STJ entendeu que o crédito presumido de IPI não pode figurar na base de cálculo do PIS/PASEP; 12) Admitir a incidência do PIS sobre o crédito de ICMS equivaleria a nulificar a sistemática adotada pelo legislador, pois se restauraria a incidência em cascata daquele imposto sobre os insumos consumidos no processo produtivo voltado à exportação; 13) Ainda que se entenda que o crédito presumido é receita, seria incabível a sua inclusão na base de cálculo do PIS, uma vez que as receitas de exportação são isentas dessa contribuição; 14) O modo sob o qual os bens ou serviços são empregados no processo produtivo (se direta ou indiretamente) não é relevante para a ocorrência ou não do crédito. Tal interpretação se dá com base no art. 145, § 12 da CF e no art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/2003; Fl. 949DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11578.000403/200776 Resolução n.º 3102000.227 S3C1T2 Fl. 6 6 15) O conceito de insumo é muito mais amplo que os conceitos de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem, juntos ou isoladamente. Dessa forma, não pode prosperar o entendimento restritivo esposado pela autoridade fiscal; 16) A autoridade fiscal não aceitou os créditos computados pela requerente decorrentes da utilização de serviços relativos à operação das usinas da requerente. Tal entendimento não pode prosperar, pois o inciso II do art. 3º da Lei 10.833/2003 deve ser interpretado à luz do regime nãocumulativo imposto pelo art. 195, § 12 da CF; 17) Tendo o legislador federal eleito que determinado setor da atividade econômica ficará submetido ao sistema da não cumulatividade, ele não poderá ultrapassar certos limites jurídicos impostos pela matriz constitucional das contribuições; 18) Para que seja atingida a nãocumulatividade imposta pela sistemática constitucional, o art. 3º da Lei 10.833/2003 deve ser interpretado de modo apto a desfazer os malefícios causados pela cumulatividade, ou seja, a incidência do tributo em cascata sobre todas as fases de produção; 19) Os serviços de frete decorrentes da operação da indústria da requerente oneram a atividade empresarial, pois são tributados em razão do faturamento da empresa prestadora e em virtude do faturamento da empresa vendedora, existindo, então, evidente cumulatividade na incidência das contribuições. Portanto, a exclusão de tais valores viola as prescrições do art. 195, § 12 da CF; 20) Dessa forma, não tem razão a autoridade fiscal ao excluir da base de cálculo do crédito referente à COFINS relativa à aquisição dos serviços de operação das usinas de pelotização da requerente; 21) Por fim, requer seja dado provimento à impugnação, com a finalidade de reformar o auto de infração. Requer, ainda, a produção de todos os meios de prova cabíveis no processo administrativo fiscal. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004, 01/04/2004 a 30/04/2004, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/12/2005 a 31/12/2005 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11578.000403/200776 Resolução n.º 3102000.227 S3C1T2 Fl. 7 7 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. A exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da COFINS não alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, sofrer a incidência daquela contribuição. NÃOCUMULATIVIDADE.CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideram se insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. Impugnação Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Acrescenta, em síntese, que, em julgado posterior, a 5ª Turma da DRJ Rio de Janeiro reconhecera que as operações com a Companhia Vale do Rio Doce fariam jus ao tratamento diferenciado atribuído às vendas com o fim específico de exportação, em razão de que as mercadorias teriam sido remetidas para recinto alfandegado. Junta elementos que demonstrariam as premissas assumidas naquele julgado e defende que se tome conhecimento desse fato novo. Cita jurisprudência e doutrina que corroborariam com os fundamentos recursais. É o Relatório. VOTO Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Essencialmente, relembrese, argumenta o Fisco que a recorrente não faria jus à isenção veiculada no art. 6º, I1 da Lei nº 10.833, de 2003, pois as operações com a Companhia Vale do Rio Doce não atenderiam às exigências fixadas na legislação que rege o benefício, em especial no próprio art. 6º e no parágrafo único do art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 19722. 1 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. 2 Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11578.000403/200776 Resolução n.º 3102000.227 S3C1T2 Fl. 8 8 Tal conclusão, em síntese, está escorada em duas premissas pricipais: a) as informações extraídas nos códigos CFOP das notas fiscais de venda, da escrita da recorrente e, finalmente, de declarações obtidas à adquirente CVRD, que declarara apurar crédito nas operações, levariam à conclusão de que, na realidade, tratarseia de uma operação de venda do mercado interno; b) as mercadorias não teriam sido remetidas diretamente para embarque ou depósito em entreposto de exportação, sob regime aduaneiro. A discussão não é desconhecida deste Colegiado. De fato, em sessão recente, mais precisamente no dia 27/06/2012, foi votada e aprovada a proposta de diligência levada a efeito por meio da Resolução nº 3102000.216, de lavra do Conselheiro Winderley Morais Pereira. Sintetizando, em face da prolação do Acórdão 1334.003, oriundo da mesma turma julgadora que prolatou o acórdão recorrido, decidiuse, naquela oportunidade, que a busca da verdade material e perspectiva de uma solução definitiva para litígios que envolvam fatos idênticos, justificariam devolver o processo para a autoridade preparadora. Tal e qual me posicionei naquela oportunidade, imagino que o novo acórdão assume premissas tão diversas das que orientaram a prolação do acórdão recorrido, que passei a ter dúvidas acerca da matéria fática. Resumidamente, dentre outras considerações, assumiuse, no julgamento posterior, que as mercadorias deixavam o estabelecimento com destino à exportação, as notas fiscais que estampavam código de operação própria de revenda no mercado interno teriam sido retificadas e a adquirente se retratara da sua declaração, informando que não apurara crédito nas operações. Evidentemente, a revisão dessas premissas poderia influenciar sensivelmente o resultado do presente julgamento, pois as características da recorrente permitiriam que se considerasse que as conclusões de natureza fática ali assumidas se repetiriam nos fatos geradores debatidos no presente litígio. Ocorre que esses elementos não foram apresentados às autoridades fiscais, que não puderam, por exemplo, investigar se a adquirente teria ou não apurado crédito ou se, tal e qual naquele litígio, as notas fiscais teriam sido alvo de retificação eficaz. Tratamse de fatos só colacionados aos autos após a conclusão da investigação objeto deste litígio. Assim sendo, julgo prudente converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que tais questões sejam esclarecidas. A unidade preparadora poderá desenvolver as verificações que entender necessárias para confirmar essas premissas e tecer considerações que julgar pertinentes acerca dos fundamentos que orientaram a prolação do Acórdão nº 1334.003. Concluídas tais verificações, deverá ser franqueado o prazo de 30 dias para manifestação da recorrente e, findo tal prazo, devolvidos os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11578.000403/200776 Resolução n.º 3102000.227 S3C1T2 Fl. 9 9 Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 953DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.000612/99-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/10/1992 a 31/12/1995
PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, §4º DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 13/01/1999, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito do contribuinte pleitear restituição/compensação dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de abril de 1989 a outubro de 1995.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: NANCI GAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/10/1992 a 31/12/1995 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, §4º DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 13/01/1999, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito do contribuinte pleitear restituição/compensação dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de abril de 1989 a outubro de 1995. Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10768.000612/99-33
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5259784
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9303-002.193
nome_arquivo_s : Decisao_107680006129933.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : NANCI GAMA
nome_arquivo_pdf_s : 107680006129933_5259784.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
id : 4912379
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983332401152
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-02-22T11:23:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-02-22T11:23:27Z; Last-Modified: 2013-02-22T11:23:27Z; dcterms:modified: 2013-02-22T11:23:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2013-02-22T11:23:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-02-22T11:23:27Z; meta:save-date: 2013-02-22T11:23:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-02-22T11:23:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-02-22T11:23:27Z; created: 2013-02-22T11:23:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2013-02-22T11:23:27Z; pdf:charsPerPage: 2464; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: iText 2.1.7 by 1T3XT; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: iText 2.1.7 by 1T3XT; pdf:docinfo:created: 2013-02-22T11:23:27Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 460 1 459 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10768.000612/9933 Recurso nº 235.165 Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.193 – 3ª Turma Sessão de 07 de fevereiro de 2013 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MULTITERMINAIS ALFANDEGADOS DO BRASIL LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/1992 a 31/12/1995 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, §4º DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 13/01/1999, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito do contribuinte pleitear restituição/compensação dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de abril de 1989 a outubro de 1995. Recurso Especial do Procurador Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 06 12 /9 9- 33 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de número 20218.229, proferido pela Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte pleitear, em 13/01/1999, restituição/compensação de valores de PIS referentes ao período compreendido entre abril de 1989 e outubro de 1995 e, paralelamente, reconheceu a semestralidade da base do cálculo do PIS, afastando a correção da mesma, conforme ementa a seguir: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA QUINQUENAL. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, tem como prazo de decadência/prescrição aquele de cinco anos, contado a partir da edição da Resolução nº 49, do Senado (Precedente: Acórdão nº 20216.357). Recurso provido em parte.” Inconformada, a Fazenda Nacional, com fulcro no artigo 7º, incisos I e II do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria MF nº 147/2007, interpôs recurso especial para aduzir que o acórdão a quo teria violado à legislação tributária e que o prazo para pleitear restituição/compensação seria de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário conforme previsão dos artigos 165 e 168, I do CTN. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10768.000612/9933 Acórdão n.º 9303002.193 CSRFT3 Fl. 461 3 Além disso, aduziu também que o acórdão recorrido, ao reconhecer a semestralidade da base de cálculo do PIS de ofício, teria sido divergente do acórdão CSRF/02 01604, o qual não admitiria esse reconhecimento sem que, para tanto, houvesse expresso pedido do contribuinte nesse sentido. Em exame de admissibilidade de fls. 402/404, o i. Presidente da Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes negou seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em ambas as matérias. No que se refere à matéria relativa à decadência do pedido de restituição/compensação, o recurso foi inadmitido pelo fato de a Fazenda Nacional não ter apresentado decisão divergente e, no que se refere à semestralidade de ofício, o recurso foi inadmitido pelo fato de a decisão recorrida se coadunar com o entendimento respaldado na Súmula de nº 11, sendo, portanto, irrecorrível nessa parte. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional interpôs agravo para discutir a admissibilidade do seu recurso, o qual foi admitido no que se refere à decadência por meio do reexame de admissibilidade de fls. 416/417 prolatado pelo i. Presidente do CARF, o qual entendeu ter sido o recurso especial interposto, nesse ponto, por contrariedade à legislação tributária e não por divergência. Após ser intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões requerendo fosse negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional de forma que fosse integralmente mantida a decisão a quo. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial é tempestivo e, no que se refere à matéria relativa ao prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação dos valores de PIS, o mesmo preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Regimento Interno, razão pela qual dele conheço nesse aspecto. A controvérsia consiste em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos Decretos Leis nos 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de nº 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação de aludida Resolução do Senado Federal. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir das datas de extinção do crédito tributário, ocorridas no que se refere ao período compreendido entre abril de 1989 e outubro de 1995, e Fl. 551DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA 4 que, portanto, o pedido de restituição, protocolado em 13/01/1999, já estaria prescrito para os períodos de abril de 1989 a dezembro de 1993. Considerando que o artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I do CTN). E, em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 552DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10768.000612/9933 Acórdão n.º 9303002.193 CSRFT3 Fl. 462 5 se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Face ao exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe negar provimento para afastar a prescrição do pedido de restituição/compensação protocolado pelo contribuinte em 13/01/1999, mantendo, nesse sentido, o acórdão recorrido. Nanci Gama Fl. 553DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.007799/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator designado, Conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10120.007799/2009-07
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5269726
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3402-000.359
nome_arquivo_s : Decisao_10120007799200907.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10120007799200907_5269726.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator designado, Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4966185
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983335546880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1541; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 268 1 267 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.007799/200907 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.359 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de janeiro de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente MINERADORA SANTO EXPEDITO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator designado, Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 07 79 9/ 20 09 -0 7 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 269 ___________ RESOLUÇÃO Nº. 3402000.359 Tratam os autos de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, visando o cancelamento de Auto de Infração que constitui crédito tributário relativo a IOF, em decorrência da interpretação da Autoridade Fiscal de que valores escriturados nas contas 1.2.03.01.00022 Terra Goyana Mineradora Ltda. e 1.2.03.04.0018 Luiz Rodrigues Neto, eram operações financeiras tipificadas como mútuo/empréstimo, sustentando a recorrente que tais entregas de valores foram feitas a título de antecipações de lucros, posteriormente transferidos para a conta respectiva (de lucros). Antes de mais nada, importante observar o que consta da Sexta Alteração de Contrato Social do sujeito passivo, juntado as folhas 26 a 29 dos autos, de 04 de outubro de 2005, a qual aponta que o seu quadro social era composto pelos sócios Terra Goyana Mineradora Ltda., Marcos de Alencastro Curado, André Alencastro Curado, Luiz Antônio Vessani e José Lincoln Gambier Costa. Ou seja, não figurava dos quadros de sócios do sujeito passivo, a pessoa de Luiz Rodrigues Neto, que teve valores a ele entregues pela sociedade, segundo consta do “Demonstrativo de Apuração de IOF” (fls. 104 e ss). Assim, referido beneficiário não era sócio do sujeito passivo, a menos que tenha ingressado na sociedade em alteração social posterior, o que não se pode averiguar ante a falta de juntada de documento com esse objetivo, cujo ônus da prova caberia, em princípio, a recorrente. Porém, como o sujeito passivo juntou muitas cópias de documentos, além de ter disponibilizado documentos que estão relatados nos autos, mas não encontramse nele anexados, por possivelmente entender a Autoridade que não era necessário sua juntada (mas apenas sua análise), é possível que não se tivesse atido a juntada de todos os documentos, que para saciar o princípio da busca da verdade material, deveriam encontrarse juntados. De igual maneira, não consta dos autos o documento que deu suporte a transferência da quantia de R$ 17.815.741,00, da conta 1.2.03.01.00022 Terra Goyana Mineradora Ltda., para “Lucros Distr 2005”, em 02.01.06, assim como os demais documentos contábeis que sustentaram os lançamentos a crédito da empresa Terra Goyana Mineradora Ltda. Desta maneira, o que este Conselho possui de elementos para analisar o processo, são os Livros Diários acostados aos autos, os quais dão conta de que parte dos valores liberados o foram sob a rubrica de “Empréstimo”, pois que assim constou (ou sugeriu se constar) dos respectivos históricos. Essa denominação que se fez registrar nos Livros do contribuinte, feitos por ele próprio, fixam, em princípio, o “animus” que conduziu a operação, ou seja, a causa que justificou a liberação dos valores da sociedade para os beneficiários. Mas os documentos respectivos poderiam esclarecer melhor esse aspecto, além de não ser possível aplicar o mesmo critério para todos os lançamentos constantes dos Livros, o que, por si só, impediria compreender todas as liberações como fossem empréstimos. Isto porque há registros que não contém a expressão “empréstimo” ou mesmo a sigla “emp”, o que, no caso, poderia igualmente ser compreendido, aí sim, como sendo a Fl. 269DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10120.007799/200907 Resolução nº 3402000.359 S3C4T2 Fl. 270 3 movimentação de um “contacorrente” da sociedade para com o beneficiário, que podem ter outras motivações além de serem empréstimos, ou mesmo, distribuições antecipadas de lucros. Assim, no intuito de melhor instruir os autos para formação de convicção final sobre o assunto, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Preparadora tome as seguintes providências: 1 – Intime o sujeito passivo para que acoste a esses autos, cópia das suas alterações de Contrato Social, posteriores à Sexta Alteração, e que estavam em vigor até 31.12.2006; 2 – Intime o sujeito passivo para que acoste aos autos cópia de todos os documentos que sustentaram cada um dos lançamentos contábeis dos valores escriturados a débito nas contas 1.2.03.01.00022 Terra Goyana Mineradora Ltda. e 1.2.03.04.0018 Luiz Rodrigues Neto; 3 – Intime o sujeito passivo para que acoste aos autos cópia dos razões contábeis nos quais apareçam as contrapartidas das contas 1.2.03.01.00022 Terra Goyana Mineradora Ltda. e 1.2.03.04.0018 Luiz Rodrigues Neto, limitandose aos lançamentos objetos de autuação, constantes do “Demonstrativo de Apuração do IOF”; 4 – Intime o sujeito passivo para que acoste aos autos cópia do documento que deu suporte a transferência da quantia de R$ 17.815.741,00, da conta 1.2.03.01.00022 Terra Goyana Mineradora Ltda., para “Lucros Distr 2005”, em 02.01.06, assim como dos documentos que suportaram os demais registros contábeis lançados a crédito nas respectivas contas 1.2.03.01.00022 Terra Goyana Mineradora Ltda. e 1.2.03.04.0018; 5 – Manifestese, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos a serem prestados, concedendo vista a Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, querendo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, sendo que, após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 270DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10315.001075/2010-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
INTIMAÇÃO ANTERIOR À LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. DESNECESSIDADE.
É desnecessária a intimação do contribuinte antes da lavratura do Auto de Infração para que preste esclarecimentos acerca do débito, uma vez que seu direito de defesa é resguardado quando se estabelece o contraditório a partir da intimação acerca da autuação.
PARCELAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado, a fim de promover condições de convicção favoráveis à sua pretensão, sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO PERCENTUAL REFERENTE À CONTRIBUIÇÃO AO SEST/SENAT.
A legislação aplicável expressamente dispõe sobre a base de cálculo, referindo-se ao valor (percentual de 2,5%) incidente sobre a remuneração auferida pelo transportador autônomo, retida pelo tomador de serviço, não havendo previsão legal que determine a exclusão deste percentual para a apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária atinente à cota patronal.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. BASE DE CÁLCULO.
Não há qualquer vedação legal para a aplicação de mesma base de cálculo às contribuições sociais, ao contrário do que ocorre apenas em relação a impostos e taxas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 INTIMAÇÃO ANTERIOR À LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. DESNECESSIDADE. É desnecessária a intimação do contribuinte antes da lavratura do Auto de Infração para que preste esclarecimentos acerca do débito, uma vez que seu direito de defesa é resguardado quando se estabelece o contraditório a partir da intimação acerca da autuação. PARCELAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado, a fim de promover condições de convicção favoráveis à sua pretensão, sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO PERCENTUAL REFERENTE À CONTRIBUIÇÃO AO SEST/SENAT. A legislação aplicável expressamente dispõe sobre a base de cálculo, referindo-se ao valor (percentual de 2,5%) incidente sobre a remuneração auferida pelo transportador autônomo, retida pelo tomador de serviço, não havendo previsão legal que determine a exclusão deste percentual para a apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária atinente à cota patronal. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. BASE DE CÁLCULO. Não há qualquer vedação legal para a aplicação de mesma base de cálculo às contribuições sociais, ao contrário do que ocorre apenas em relação a impostos e taxas. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10315.001075/2010-06
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5267298
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-001.981
nome_arquivo_s : Decisao_10315001075201006.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 10315001075201006_5267298.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
id : 4957142
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983337644032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2245; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10315.001075/201006 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403001.981 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente MUNICIPIO DE PENAFORTE PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 INTIMAÇÃO ANTERIOR À LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. DESNECESSIDADE. É desnecessária a intimação do contribuinte antes da lavratura do Auto de Infração para que preste esclarecimentos acerca do débito, uma vez que seu direito de defesa é resguardado quando se estabelece o contraditório a partir da intimação acerca da autuação. PARCELAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado, a fim de promover condições de convicção favoráveis à sua pretensão, sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO PERCENTUAL REFERENTE À CONTRIBUIÇÃO AO SEST/SENAT. A legislação aplicável expressamente dispõe sobre a base de cálculo, referindose ao valor (percentual de 2,5%) incidente sobre a remuneração auferida pelo transportador autônomo, retida pelo tomador de serviço, não havendo previsão legal que determine a exclusão deste percentual para a apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária atinente à cota patronal. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. BASE DE CÁLCULO. Não há qualquer vedação legal para a aplicação de mesma base de cálculo às contribuições sociais, ao contrário do que ocorre apenas em relação a impostos e taxas. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 10 75 /2 01 0- 06 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10315.001075/201006 Acórdão n.º 2403001.981 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 08 22.807 fls. 60/66, que julgou totalmente improcedente a Impugnação apresentada para manter a integralidade das imputações dispostas na autuação fiscal consolidada em 16/12/1010, no AI DEBCAD 37.918.9753. O crédito previdenciário, cujo importe corresponde a R$ 2.321,18 (dois mil trezentos e vinte e um reais e dezoito centavos), referese ao período compreendido entre 01/2006 a 12/2006, e , segundo Relatório Fiscal, fls. 17/19, possui as seguintes imputações, in verbis: “3.1 No presente Auto de Infração foram lançadas as contribuições entidades e fundos (SEST/SENAT), não declaradas em GFIP, nem recolhidas: 1) Incidentes sobre os valores das remunerações pagas e ou creditadas a contribuintes individuais fretistas na alíquota de 2,5% para todo o período. 3.2. Seguem em anexo, em meio papel, a planilha ‘FRETISTA’ contendo as remunerações dos segurados. Os dados foram extraídos dos arquivos digitais da contabilidade fornecidos pelo contribuinte. 4. CRITÉRIOS DE LANÇAMENTO Os critérios de lançamento foram os seguintes: a) Para todo o período, sobre os valores das contribuições incidiram juros SELIC sem multa de mora. b) Os valores foram lançados tomando por base os valores constantes nos arquivos do SIM – Sistema de Informações dos Municípios para o TCM – Tribunal de Contas dos Municípios.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 40/47. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, DRJ/FOR, prolatou o Acórdão n° 0822.807 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 (Fls. 60/66), mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente está o fisco autorizado a apurar as contribuições devidas à Previdência Social e a Outras Entidades, com base no procedimento de aferição indireta. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS A TERCEIROS. SEST E SENAT. Sobre parte da remuneração atribuída a segurados contribuintes individuais transportadores autônomos, equivalente a 20% do valor bruto do frete, considerada base de cálculo tributária, incidem contribuições sociais destinadas a Outras Entidades, SEST/SENAT, cuja retenção constitui obrigação da empresa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Irresignado, o Município de Penaforte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 95/109, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Impossibilidade de defesa por ausência de identificação dos segurados 2. Nulidade do Auto de Infração, por ausência de indicação do modo de fiscalização utilizado pelo auditor, e pela ausência de intimação do contribuinte, antes da lavratura da autuação fiscal em epígrafe, para que prestasse esclarecimentos acerca do débito, violando, assim, os princípios do contraditório e da dupla instância administrativa; 3. A adesão ao parcelamento especial instituído pela Lei n. 11.196/2005 com as alterações da Lei n. 11.960/2009; 4. Utilização de base de cálculo incorreta, tendo em vista que o valor fixado encontrase acrescido do percentual de 2,5% devido ao SEST/SENAT; 5. Fiscalização em duplicidade pela utilização de mesmo objeto e base de cálculo nos AI’s DEBCAD 37.318.9745 e DEBCAD 37.318.9753; 6. Nulidade da autuação em virtude da aplicação irregular da alíquota de 11% para todos os fiscalizados; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10315.001075/201006 Acórdão n.º 2403001.981 S2C4T3 Fl. 4 5 7. Utilização incorreta da alíquota, por ser descabida a exigência de 11% mais 20% incidentes sobre as remunerações devidas ou pagas aos contribuintes individuais, cabendo apenas a incidência única de 20%, conforme estabelece o art. 21, da Lei n. 8.212/91. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls., temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA SUPOSTA IMPOSSIBILIDADE DE DEFESA POR AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DOS FORA DA GFIP – NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS SEGURADOS Alega o contribuinte que o fiscal não identificou quais seriam os contribuintes fretistas fora das GFIP`s e agrupamento nos empenhos de pagamento de folha de empregados e que também não fez referencia aos demonstrativos detalhado e onde identificou tais contribuintes. Concordo com a DRJ ao afirmar que não procede a alegação, uma vez que os nomes dos segurados e suas remunerações contam de planilhas anexas ao auto de infração, PLANILHA CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS FRETISTAS PM DE PENAFORTE" Fls. 20/26. Além de constar os dados nesta planilha, tais remunerações compõe a base de cálculo relacionada nos levantamentos CI Contribuinte Individual e FR Contribuinte Individual Fretista. À respeito dos segurados empregados, os valores foram apurados conforme descrição contida no tópico 4 do relatório fiscal, qual seja, pelo sistema SIM/TCM que deram condições à auditoria de elaborar a planilha FOLHA x GFIP PENAFORTE, com as diferenças encontradas. DA NULIDADE DO AUTO POR AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS EM MOMENTO ANTERIOR À LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Aduz a Recorrente em sua defesa que “caso o Agente do Fisco encontre qualquer suposta irregularidade, antes de autuar, deve, necessariamente, intimar o contribuinte, por escrito, e na pessoa de seu representante legal (que deve tomar ciência pessoalmente), para que preste todos os esclarecimentos devidos, conferindolhe prazo razoável para tanto, sob pena de nulidade do ato”. Neste sentido, alega que a ausência de tal ato acarretou afronta aos princípios do contraditório e da dupla instância administrativa. Ora, não há que falar em violação de tais princípios, uma vez que são perfeitamente respeitados na medida em que é concedido o direito de defesa ao autuado quando da intimação do Auto de Infração, momento em que lhe é conferido o prazo de 30 (trinta) dias para adimplir o valor ou contestálo por meio da Impugnação, instrumento este, inclusive, utilizado pelo contribuinte. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10315.001075/201006 Acórdão n.º 2403001.981 S2C4T3 Fl. 5 7 Ademais, não há previsão legal que vincule a autoridade fiscal à realização da intimação referida pela Recorrente. A fase que compreende a auditoria fiscal é inquisitória, a fase contraditória se dá com a oportunização de defesa via impugnação. DO PARCELAMENTO ESPECIAL NOS TERMOS DA LEI Nº. 11.196/05 E ALTERAÇÕES PELA LEI Nº. 11.960/09. A Recorrente colacionou aos autos protocolo de requerimento de adesão ao parcelamento especial conferido aos municípios (fls. 54/55), nos termos da Lei nº. 11.196/05 com as alterações introduzidas pela Lei nº. 11.960, dentro do prazo estipulado em seu art. 96, § 6o. Assim dispôs: “verificando o período de apuração dos débitos listados, observase que estão compreendidos débitos de períodos compreendidos no intervalo alcançado pela lei do parcelamento especial destinado aos Municípios – contribuições sociais de que tratam a alínea ‘a’ e ‘c’ parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/91, em 240 (duzentos e quarenta) prestações mensais, nos termos da Lei 11.196/05, alterada pela Lei 11.960/09”. Contudo, em que pese o documento colacionado, nele não se encontram dados que permitam identificar quais débitos foram alvos do parcelamento requerido, nem mesmo foram juntados os comprovantes de pagamento mensal para constatação de sua regularidade nos termos do art. 101, § 1o da Lei 11.196/05. Sendo assim, percebese que a alegação é frágil, por não encontrar respaldo em provas suficientes a atestar o alegado, razão pela qual tornase inviável a apreciação acerca da existência de parcelamento em relação aos débitos exigidos nas autuações em epígrafe. É que, mesmo em matéria tributária, cabe a ambos, ao Fisco e ao contribuinte, não só alegar, como, precipuamente, produzir provas que ofereçam condições de convicção favoráveis à sua pretensão. Por oportuno, transcrevese as palavras de Marcos Vinícius Neder (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª Edição, São Paulo: Dialética, 2010) , quando afirma que “no processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes” (g.n.). Sendo assim, afirmar a existência de celebração de parcelamento dos créditos previdenciários, quando ausentes provas que comprovem a sua regularidade bem como indique os débitos parcelados, inviabiliza qualquer consideração acerca do argumento expendido. UTILIZAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO INCORRETA Afirma a Recorrente que para apuração da base de cálculo a incidir o valor de 20% da contribuição previdenciária patronal devese observar a exclusão dos 2,5% referentes ao valor devido ao SEST/SENAT. A Lei 8.706/93 que dispõe sobre o SEST/SENAT expressamente dispõe em seu art. 7º, II, e parágrafo 2º, c/c art. 4º da Lei 10.666/03, sobre a base de cálculo, referindose Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 ao valor (percentual de 2,5%) incidente sobre a remuneração auferida pelo transportador autônomo, retida pelo tomador de serviço. Abaixo segue o texto da Lei 8.706/93: Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social da Indústria SESI, e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente; II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; III pelas receitas operacionais; IV pelas multas arrecadadas por infração de dispositivos, regulamentos e regimentos oriundos desta lei; V por outras contribuições, doações e legados, verbas ou subvenções decorrentes de convênios celebrados com entidades públicas ou privadas, nacionais ou internacionais. § 1º A arrecadação e fiscalização das contribuições previstas nos incisos I e II deste artigo serão feitas pela Previdência Social, podendo, ainda, ser recolhidas diretamente ao SEST e ao SENAT, através de convênios. § 2º As contribuições a que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS. A seguir, segue a Lei 10.666/03 que trata da retenção: Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. Já em relação a contribuição patronal, nos termos do art. 22, III, da Lei n. 8.212, incidirá sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços sem, contudo, fazer qualquer menção a eventual exclusão do valor a ser apurado a outras entidades. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10315.001075/201006 Acórdão n.º 2403001.981 S2C4T3 Fl. 6 9 Sendo assim, não prospera o argumento tecido pela Recorrente. DA UTILIZAÇÃO DE MESMA BASE DE CÁLCULO PARA OS AUTOS DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.318.9753 E DEBCAD 37.318.9745. A Recorrente argumenta a existência de fiscalização em duplicidade, em razão dos Autos de Infração supramencionados englobarem o mesmo objeto e base de cálculo. Ora, um exame mais acurado do Relatório Fiscal indicará que, inobstante a utilização de mesma base para o cálculo dos tributos autuados, é certo que cada qual se refere a contribuição previdenciária distinta com alíquotas e destinações diferentes, razão pela qual não merece propestar tal alegação. Enquanto o AI DEBCAD 37.318.9753 referese às contribuições destinadas ao SEST/SENAT, o AI DEBCAD 37.318.9745 remete às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores das remunerações pagas e ou creditadas a contribuintes individuais, correspondente à parte devida pelos seus segurados, bem como a segurados eletivos, efetivos, contratados e comissionados da Prefeitura Municipal de Penaforte. Importante salientar que não há qualquer vedação legal para a aplicação de mesma base de cálculo às contribuições sociais, ao contrário do que ocorre apenas em relação a impostos e taxas. DA SUPOSTA APLICAÇÃO IRREGULAR DA ALÍQUOTA DE 11% PARA TODOS OS FISCALIZADOS. Aduz a Recorrente que a autuação em epígrafe estaria eivada de vício pela utilização indiscriminada da alíquota de 11%. Cumpre esclarecer, neste ponto, conforme informação contida no Relatório Fiscal (Item 09 – Das alíquotas aplicadas, fl. 21), que a alíquota de 11% foi aplicada apenas em relação à contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações do contribuinte individual, já em relação ao contribuinte segurado empregado incidiu a aplicação de alíquota, correspondente à 8% (Conforme Planilha FOLHA X GFIP PENAFORTE, fl. 22). A fiscalização apurou a base de cálculo através dos valores consolidados de remunerações constantes no sistema SIM/TCM (Sistema de Informações dos Municípios/ Tribunal de Contas dos Municípios), de modo que não é possível identificar os valores auferidos por cada segurado a título de remuneração para se proceder com a determinação da alíquota aplicável, disposta na tabela alhures mencionada. Sendo assim, tratandose de aferição indireta (haja vista a não apresentação dos documentos solicitados no TIPF, fl. 46), passível de aplicação conforme o art. 33 da Lei 8.212/91, o fiscal utilizou a alíquota de 8% consoante a Instrução Normativa RFB n. 971/2009, não havendo que se falar em qualquer ilegalidade. DA ILEGALIDADE DE COBRANÇA SOBRE 1/3 DE FÉRIAS E OUTRAS VERBAS Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Infere a Recorrente acerca da ilegalidade da cobrança de contribuições previdenciárias incidentes sobre supostas verbas de caráter indenizatório incidentes sobre a remuneração devida ao contribuinte segurado empregado. Contudo, afastando a análise da legalidade de tais exações, importa esclarecer que o método de apuração da base de cálculo para a incidência da contribuição em relação ao segurado empregado, em virtude da não apresentação das folhas de pagamento por parte do contribuinte, se deu pela aferição indireta, tomando por base as informações contidas no SIM/TCM. Sendo assim, não é possível averiguar quais valores das remunerações dos empregados poderiam possuir caráter indenizatório, e por conseguinte, não integrariam a base de cálculo da contribuição. Logo, a não apresentação de documentos por parte do contribuinte, para que se proceda a análise das remunerações de cada empregado e conseguinte identificação de supostas verbas indenizatórias, inviabiliza qualquer apreciação do argumento expendido. DO LIMITE ÚNICO DE 20% PARA DESCONTO NAS CONTRIBUIÇÕES DOS AUTÔNOMOS, AVULSOS E TODOS OS CONSIDERADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A Recorrente argumenta ser descabida a exigência de 11% mais 20% incidentes sobre as remunerações devidas ou pagas aos contribuintes individuais, cabendo apenas a incidência única de 20%, conforme estabelece o art. 21, da Lei n. 8.212/91. É cediço que o recolhimento de contribuições previdenciárias se dá através da contribuição mensal por parte da empresa incidente na remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais, com a aplicação de alíquota no percentual de 20%, conforme dispõe o dispositivo indicado pela Recorrente. O mesmo ocorre em relação aos segurados empregados, com o acréscimo, em relação a esta categoria, de 2% a título de SAT/GILRAT (grau médio). Também devem ser recolhidos os valores retidos, a título de contribuição previdenciária, dos segurados contribuintes individuais no percentual de 11% da sua remuneração. Neste sentido, em relação aos segurados empregados e avulsos, o percentual cumpre uma tabela progressiva, a qual não foi utilizada pela autoridade fiscal em razão da aferição indireta da base de cálculo, aplicandose a alíquota mínima correspondente a 8% (questão já tratada no tópico que trata acerca da aferição indireta). Ora, pelo exposto, é claramente perceptível que apesar da empresa efetuar os dois pagamentos, o ônus econômico suportado recai tanto sobre ela como também ao segurado. A Contribuição da empresa e equiparados sobre as remunerações dos contribuintes individuais está disposta no art. 22, III, da Lei 8.212/91, art. 1º, parágrafo 2º da Lei 10.666/91 e art. 201, II e parágrafo 6º do Decreto 3.048/99. Já a contribuição que cabe ao contribuinte individual, está disposta no art. 21 da Lei 8.212/91, art. 4º e 5º da Lei 10.666/03, bem como nos arts. 199, 199A, do Decreto 3.048/99 Ademais, estas disposições regem realizam os princípios constitucionais da equidade na forma de participação do custeio da previdência social (art. 194, parágrafo único, V, da CF) e da diversidade da base de financiamento (art. 194, parágrafo único, VI da CF). Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10315.001075/201006 Acórdão n.º 2403001.981 S2C4T3 Fl. 7 11 Não há que se falar, portanto, em qualquer ilegalidade na exigência. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para negar provimento, nos termos do voto. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10380.723110/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PENALIDADES E INFRAÇÕES. ART. 112 DO CTN. TIPICIDADE.
Não se inclui nas hipóteses do art. 112 do CTN, para efeito da exclusão da multa de ofício, a divergência de entendimento sobre interpretação da legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado
A redução de 50% das alíquotas do IPI prevista para os produtos da posição 2202.10.00 depende de prévia emissão de ato declaratório da Receita Federal.
Numero da decisão: 3302-002.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, que dava provimento integral, Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento parcial. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto.
Fez Sustentação Oral pela Recorrente Ana Beatrice Lundgren M. Meireles OAB/PE nº 16777.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PENALIDADES E INFRAÇÕES. ART. 112 DO CTN. TIPICIDADE. Não se inclui nas hipóteses do art. 112 do CTN, para efeito da exclusão da multa de ofício, a divergência de entendimento sobre interpretação da legislação tributária. Recurso Voluntário Negado A redução de 50% das alíquotas do IPI prevista para os produtos da posição 2202.10.00 depende de prévia emissão de ato declaratório da Receita Federal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10380.723110/2009-16
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5284073
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-002.170
nome_arquivo_s : Decisao_10380723110200916.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE ANTONIO FRANCISCO
nome_arquivo_pdf_s : 10380723110200916_5284073.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, que dava provimento integral, Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento parcial. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto. Fez Sustentação Oral pela Recorrente Ana Beatrice Lundgren M. Meireles OAB/PE nº 16777. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5012833
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983355469824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2230; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.069 1 1.068 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.723110/200916 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.170 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI Recorrente NORSA REFRIGERANTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 MULTA. CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS. REALIZAÇÃO. HIPÓTESES. Descabe a realização de diligência ou perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO. Os produtos intermediários essenciais utilizados na fabricação de um produto novo, os quais sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação exercida sobre o produto em fabricação, proporcionam o direito ao aproveitamento de créditos de IPI. Não se incluem no conceito produtos não utilizados diretamente na produção, como os detergentes e sabões. REFRIGERANTES, REFRESCOS E NÉCTARES DA POSIÇÃO 2202.10.00. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. CONDIÇÕES. ATO DECLARATÓRIO. PRODUÇÃO DE EFEITOS RETROATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. A redução de 50% das alíquotas do IPI prevista para os produtos da posição 2202.10.00 depende de prévia emissão de ato declaratório da Receita Federal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PENALIDADES E INFRAÇÕES. ART. 112 DO CTN. TIPICIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 31 10 /2 00 9- 16 Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.070 2 Não se inclui nas hipóteses do art. 112 do CTN, para efeito da exclusão da multa de ofício, a divergência de entendimento sobre interpretação da legislação tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, que dava provimento integral, Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento parcial. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto. Fez Sustentação Oral pela Recorrente Ana Beatrice Lundgren M. Meireles – OAB/PE nº 16777. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1008 a 1064) apresentado em 09 de novembro de 2011 contra o Acórdão no 0122.492, de 02 de agosto de 2011, da 3ª Turma da DRJ/BEL (fls. 995 a 1002), cientificado em 14 de outubro de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro a março de 2005, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 IPI. ALÍQUOTA. REDUÇÃO. A redução de cinqüenta por cento das alíquotas do IPI relativas a refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.071 3 atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério, depende da expedição do competente Ato Declaratório pela Receita Federal do Brasil. IPI. CRÉDITO. GLOSAS. MATERIAL DE LIMPEZA. Os materiais de limpeza adquiridos pelo sujeito passivo que industrializa refrigerantes, apesar de constituírem despesa componente do custo da atividade, não integram efetivamente o produto final e nem sofrem a perda de suas propriedades físicas e químicas em ação direta sobre o mesmo, motivo pelo qual não geram direito a crédito do IPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, os quais gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade. Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 07 de dezembro de 2009, de acordo com o termo de fls. 26 a 28. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de lançamento referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ 1.810.246,90, aí incluídos principal, juros de mora, multa proporcional e multa isolada (multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito), em decorrência de a fiscalização haver detectado que o estabelecimento industrial promoveu a saída de produtos tributados com insuficiência de lançamento do imposto. As autoridades fiscais, em relatório de fiscalização, descrevem que (fls. 26/28): “(...) Examinando a relação de notas fiscais de saídas apresentada pela empresa, constatamos que a mesma (...) deu saída, de janeiro a março de 2005, a refrigerantes com redução na alíquota de IPI. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.072 4 A empresa esclareceu (...) que as mencionadas diferenças referiamse à redução de cinqüenta por cento das alíquotas do IPI referentes aos refrigerantes e refrescos contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná (...). (...) tal redução não é autoaplicável. Sua fruição depende de prévia declaração, feita pela Secretaria da Receita Federal, através de Ato Declaratório, reconhecendo que o produto satisfaz os requisitos legalmente exigidos. A empresa protocolizou apenas em 18/12/2006, após ser intimada durante os trabalhos da fiscalização (...), requerimento à Superintendência da Receita Federal para emissão de ‘ato, declarando o direito da signatária de redução de 50% das alíquotas de IPI’, ou seja, em data posterior ao período ora fiscalizado (...). Desta forma, procedeuse ao lançamento das diferenças de IPI devidas e não destacadas nas saídas dos produtos relacionados no Quadro Demonstrativo de Quantidades Saídas com Redução de IPI por Código de Produto (...). (...) A empresa apresentou (...) relação de insumos e sua utilização no processo, em anexo. Verificamos que vários dos produtos relacionados referemse a materiais adquiridos para limpeza. Verificamos, ainda, que a empresa creditouse, indevidamente, do IPI destacado nas notas fiscais de aquisição. Verificamos, também, a partir da relação de Notas Fiscais de aquisição para industrialização (...) que a empresa creditouse, indevidamente, do IPI destacado nas notas fiscais de aquisição daqueles materiais (...).” Cientificada, a contribuinte apresentou, em 11.01.2011, impugnação na qual alega: a) Na verdade, não ocorreu saída de produtos tributados com insuficiência do lançamento do imposto, visto que a impugnante vendeu produtos de sua fabricação tendo utilizado a redução de cinqüenta por cento das alíquotas do IPI relativas aos refrigerantes contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná. Assim, o direito da citada redução passou a existir para a impugnante em virtude do registro dos produtos no órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, prova oficial por escrito de que mencionados produtos estão conforme os padrões de identidade e qualidade exigidos por aquele Ministério, havendose de entender como assim comprovado o respectivo direito. b) A impugnante não cometeu qualquer ilícito de natureza fiscal, porquanto o seu direito tornouse constituído por efeito do cumprimento dos requisitos exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, sendo certo que as normas complementares aprovadas pela Portaria Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.073 5 Interministerial nº 113/1977 não decorrem de lei. Refere julgado administrativo, aduzindo que os requisitos ínsitos da NC 221 dizem respeito ao fato do produto ser classificado na posição 2202.10.00, que atenda aos padrões de identidade e qualidade exigidos para o consumo, o que é certificado pelo registro do produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. c) Foi anulado crédito legítimo da impugnante, proveniente de aquisições de materiais tributados pelo IPI, para serem utilizados no processo de industrialização de produtos igualmente tributados na saída. A Constituição e o Código Tributário Nacional preconizam que se pode deduzir do valor do imposto correspondente à saída dos produtos tributados, o valor do imposto pago referente aos produtos adquiridos, de modo que seja tributado tão somente o valor acrescido. Sobre o assunto, coerente com a nãocumulatividade, o art. 519 do RIPI/2002 considera bens de produção os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial. No recurso, a Interessada contestou as conclusões do acórdão de primeira instância. Primeiramente, citou o Acórdão n. 340200.517, da 3ª Seção do Carf, cuja ementa foi a seguinte: IPI. CRÉDITOS. PRODUTO QUE NÃO CONSTITUI MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO OU MATERIAL DE EMBALAGEM. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos arts. 25 e 27 da Lei n° 4.502/64 somente há créditos do imposto sobre as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, entendendose como produtos intermediários aqueles que se consumam no processo produtivo em decorrência de um contato físico com o produto em elaboração. Em se tratando da produção de bebidas, cabível o crédito também sobre itens empregados na limpeza dos vasilhames em que acondicionada a bebida fabricada. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito ao crédito dos produtos usados diretamente na limpeza dos vasilhames. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça (Relator), que reconhecia o direito ao crédito de todos os produtos glosados pelo Fisco. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos pra redigir o voto vencedor quanto ao direito de crédito reconhecido. Esteve presente ao julgamento o Dr. Ivo de Oliveira Lima OAB/PE n°25263. Citou, a seguir, opinião da doutrina e do Superior Tribunal de Justiça. Quanto à redução da alíquota, citou o Acórdão n. 20177.930: Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.074 6 IPI. REFRIGERANTES, REFRESCOS E NÉCTARES DA POSIÇÃO 2202.10.00. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. ARTIGO 57 DO RIPI/98, C/C A NC 221 DA TIPI/98. Não representa perda do direito à redução da alíquota a inexistência da declaração da SRF relativa à permissão ao exercício do direito, se este é patente pelo cumprimento dos requisitos ínsitos na NC 221 da TIPI/98. Recurso provido. (Recurso Voluntário n°. 226049. Processo n°. 13839.004154/200230. Turma: 1ª Câmara. Data da Sessão: 19/10/2004. Relator: Rogério Gustavo Dreyer. Acórdão n°. 201 77930). A seguir, analisou as disposições legais e normativas, concluindo que teria o direito à redução. Ainda afirmou ser confiscatória a multa de 75% e ser o caso de aplicação do art. 112 do Código Tributário Nacional. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, devese indeferir o pedido de perícia ou diligência formulado pela Interessada, por ser irrelevante à vista do estado do processo, que pode ser julgado imediatamente, por tratar o recurso apenas de matéria de direito. Da mesma forma, devese afastar a pretensão da Interessada de ver aplicada ao caso o disposto no art. 112 do CTN, uma vez que inexiste dúvida quanto à aplicação de penalidade. Ainda que existisse dúvida em relação a ser ou não exigível o imposto, tal situação não configuraria hipótese alguma das previstas no referido artigo, que diz respeito à lei que define infrações ou comine penalidade. Em relação à alegação de ser confiscatória a multa, aplicase o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009) e na Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No recurso, não repetiu a Interessada as alegações de nulidade da autuação. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.075 7 Assim, restam a analisar as questões relativas à redução da alíquota e ao direito de crédito. Em relação à primeira matéria, a Interessada citou acórdão da 1ª Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes. De fato, naquela ocasião, fui o único conselheiro a não acompanhar o voto do Eminente Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer. O Decreto n. 75.569, de 25 de abril de 1975, estabeleceu incondicionalmente a redução1. A Portaria Interministerial n. 113, de 04 de março de 1977, conforme relatado pela Fiscalização, estabeleceu que os benefícios do referido Decreto ficariam subordinados ao ato previsto no Decreto n. 78.289, de 18 de agosto de 1976. O referido Decreto dispôs o seguinte: Art. 1º. Consideramse incluídos no destaque ("ex") constante do Anexo V do Decreto nº 75.659, de 25 de abril de 1975, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto nº 75.808, de 2 de junho de 1975,os refrigerantes e refrescos, naturais, que contenham extrato de semente, de acordo com os padrões fixados pelo Ministério da Agricultura, e que possuam "Certificado de Registro" expedido pelo órgão competente daquele Ministério. Art. 2º. A redução de alíquota conferida pelo artigo 1º do Decreto número 75.659, de 25 de abril de 1975, relativas a bebidas incluídas no destaque constante no Anexo a que se refere o artigo anterior, será declarada pela Secretaria da Receita Federal, em cada caso, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto à conformidade do produto com as características exigidas nos padrões de identidade e qualidade estabelecidas pelo Decreto número 73.267, de 6 de dezembro de 1973, e pelos atos complementares baixados por aquele Ministério. Art. 3º. Os Ministros da Fazenda e Agricultura expedirão as normas complementares necessárias a execução do disposto neste Decreto. Art. 4º. Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, salvo quanto ao disposto em seu artigo 2º, que vigorará a partir de 1 de novembro de 1976. 1 Art. 1º. Ficam reduzidas aos percentuais constantes dos Anexos I a VII as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados relativas às mercadorias nos mesmos relacionadas, segundo a classificação específica na Tabela anexa ao Decreto nº 73.349, de 19 de dezembro de 1973, ou desdobrada dos respectivos códigos sob a forma de destaques ("EX"). Art. 2º. Fica reduzida a 6% (seis por cento), até 31 de dezembro de 1975, e a 12% (doze por cento) a partir de 1º de janeiro de 1976 a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados para os produtos classificados no Capítulo 58 da Tabela anexa ao Decreto nº 73.340, de 19 de dezembro de 1973. Art. 3º. Este Decreto entrará em vigor a partir de 1º de maio de 1975, revogadas as disposições em contrário. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.076 8 Portanto, o decreto, especificamente, determinou que a concessão da redução seria efetuada caso a caso, “após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto à conformidade do produto com as características exigidas nos padrões de identidade e qualidade estabelecidas pelo Decreto número 73.267, de 6 de dezembro de 1973, e pelos atos complementares baixados por aquele Ministério.” Dessa forma, não se trata, apenas, de formalidade, mas de condição para fruição do benefício. O RIPI/2002 (Decreto n. 4.544, de 2002) reproduziu a condição no art. 65, I. O já citado art. 62 do Ricarf impede que se afaste disposição constante de decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. Como se trata de matéria de competência de Decreto, à vista do disposto no Decretolei n. 1.199, de 1971, art. 4º, não se haveria que falar em ilegalidade. Vejase que a lei permite a decreto reduzir as alíquotas incondicionalmente. Assim, o decreto pode estabelecer condições para a redução das alíquotas, pelo princípio “a maiori, ad minus” (expressão vulgarmente conhecida por “quem pode o mais, pode o menos”). Por fim, para beneficiarse da redução, os produtos devem satisfazer aos padrões estabelecidos na Norma Complementar NC 221 da Tipi. Portanto, inexiste razão idônea para afastar a condição prevista no Decreto. Por esse contexto é que não adoto o entendimento do acórdão citado pela Interessada. No presente recurso, ainda há a questão da aplicação retroativa do ato declaratório, uma vez que se sabe que a Interessada requereu sua expedição após o início da ação fiscal e a obteve posteriormente para vários produtos. Segundo a Interessada, tratarseia dos mesmos produtos, segundo o que demonstraria a relação de produtos registrados no Ministério da Agricultura (documento 3 da impugnação de lançamento); o despacho decisório que precedeu a emissão do ato declaratório, por meio do qual se constatou que os referidos produtos enquadrarseiam nos padrões exigidos pela norma; despacho decisório, do qual constou ato declaratório a respeito da redução de 50% do IPI; Ato Declaratório DRF/STA n. 54, de 2007; outros despachos decisórios que reconheceram o direito à redução. Segundo a DRJ, o AD não teria efeito retroativo, uma vez que, para sua emissão, deve ser verificada a regularidade fiscal do contribuinte e haver a análise das condições pelo Ministério da Agricultura. O AD não é só pelo fato de ser denominado “declaratório” ato “meramente declaratório”, para efeito da distinção entre ato constitutivo e declaratório e caracterização do efeito, respectivamente, “ex tunc” e “ex nunc”. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.077 9 De fato, o efeito depende do que dispõe a legislação. Tanto é assim que há atos declaratórios, como os de declaração de documentação ineficaz para fins fiscais, que estabelecem a data específica à qual seus efeitos retroagem. No caso dos autos, os atos declaratórios em questão não estabeleceram a data de produção dos efeitos, mas apenas a data de vigência. Não havendo dúvidas de que a redução é cabível para os produtos especificados no ato declaratório a partir de sua publicação. Tratandose dos mesmos produtos que tenham saído do estabelecimento da Interessada antes da referida publicação, a questão é saber se caberia a redução. Dos autos não constam esclarecimentos suficientes para saber se todos os produtos objetos da autuação estão abrangidos por atos declaratórios. Embora a Fiscalização tenha relacionado o tipo de embalagem, capacidade e código do produto, não há referências expressas aos produtos constantes do AD. Entretanto, deve prevalecer, no caso dos autos, o entendimento da Primeira Instância. Primeiramente, porque se trata de condição para fruição do benefício como já se argumentou , de conhecimento da Interessada, em relação ao qual só tomou providências depois do início da ação fiscal. Notese, ainda, que outros estabelecimentos já detinham o ato declaratório. Ademais, a natureza específica dessa modalidade de ato declaratório não poderia produzir efeitos retroativos, uma vez que pressupõe a análise de uma série de requisitos a serem observados ao longo do tempo, como a situação fiscal do estabelecimento. O objetivo do AD é exatamente o de não ser necessário exigir prova da satisfação das condições caso a caso, tendo como efeito a presunção de que os produtos que saiam do estabelecimento com mesma denominação da constante no AD e com a informação, na nota fiscal, do seu número e data de publicação satisfaçam as condições. Portanto, o objetivo é de que as provas sejam efetuadas para a emissão do AD e não em momento posterior, fazendo ser do Fisco a prova sobre qualquer irregularidade. Por fim, tratase de um benefício, cuja fruição depende da ação do interessado, e não de um caso geral de redução de alíquota. O Código Tributário Nacional prevê procedimentos semelhantes nos arts. 155, 179 e 182. Não se pode admitir, assim, que somente agindo após o início de fiscalização, o benefício tenha efeitos “ex tunc”. Em relação aos insumos, o entendimento oficial da RFB considera que, nos termos do Parecer Normativo CST n. 65, de 1979, o produto intermediário que gera direito a crédito de IPI, quando não se incorpore ao produto fabricado, deve desgastarse em contato com ele no processo de fabricação e não de forma incidental. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.078 10 Nesse contexto, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (Resp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito de IPI, nos seguintes termos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.079 11 Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram ao produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Se, de um lado, tal entendimento, de aplicação obrigatória pelo Carf, nos termos do art. 62A de seu Regimento Interno (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009), afasta a condição de contato físico direto com o produto fabricado, de outro, estabelece de forma clara que o insumo deva sofrer desgaste de forma imediata e integral durante o processo de fabricação. Como consequência, o acórdão afastou a possibilidade de creditamento de qualquer insumo que seja utilizado em maquinário no parque industrial, como partes e peças de equipamentos e combustíveis neles empregados, que não sofrem desgaste ou que o sofram de forma mediata. Há, ainda, precedente do Supremo Tribunal Federal, no RE n. 90.205/RS, de relatoria do Ministro Soares Muñoz, cuja ementa foi a seguinte: IPI. AÇÃO DE EMPRESA FABRICANTE DE AÇO PARA CREDITARSE DO IMPOSTO RELATIVO AOS MATERIAIS REFRATÁRIOS QUE REVESTEM OS FORNOS ELÉTRICOS, ONDE É FABRICADO O PRODUTO FINAL. Interpretação que concilia o Decretolei n. 1.136/70 e o seu Regulamento, art. 32, aprovado pelo Decreto n. 70.162/72, com a Lei 4.503/64 e com o art. 21, paragrafo 3º, da Constituição da República. Ação julgada procedente pelo conhecimento e provimento do recurso extraordinário. (RE 90.205 / RS) Em seu voto, o relator destacou o seguinte: Estou em que, tendo o acórdão recorrido admitido o fato de que os refratários são consumidos na fabricação do aço, a circunstância de não se fazer essa consumição em cada fornada, mas em algumas sucessivas, não constitui causa impeditiva à incidência da regra constitucional ou legal que proíbe a cumulatividade do IPI. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.080 12 Posteriormente, o STF decidiu no RE 93.768/MG, de que foi relator o Ministro Cordeiro Guerra, que os fornos em si e as demais máquinas utilizadas na produção não geram direito de crédito, diferentemente dos refratários: IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. TIJOLOS REFRATÁRIOS. PRODUÇÃO DE AÇO. ART49 DO CTN. O desgaste natural do forno ou das máquinas não se sujeita à incidência do IPI, dedutível do imposto de renda, pelo que não pode ser deduzido do IPI a ser pago. RE não conhecido. (RE 93768 / MG) Constou o seguinte do voto do ministro Relator: Como observa o acórdão recorrido o ilustre relator Carlos Mário Veloso, há, no processamento da ação, refratários que se consomem, e nesse caso a dedução se impõe, e refratários que integram o meio de produção, que se não consomem, apenas se desgastam e devem ser substituídos. Portanto, podese concluir que que somente os insumos que se desgastem de forma imediata (direta) e integral no processo, ainda que não de uma só vez, geram direito de crédito, o que não ocorre com máquinas, equipamentos, produtos não utilizados diretamente na produção, como os dos autos, peças e partes de máquinas etc. Os detergentes e assemelhados são empregados para limpeza pessoal ou da área de produção, mesmo dos equipamentos que processam as bebidas, e, assim, não são consumidos no processo de produção em si. O material de higienização, que se refere aos vasilhames, também se enquadra como produto intermediário, uma vez que se trata de produto reciclado no processo de produção e que não sofre processo de industrialização. Portanto, descabe razão à Interessada, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Declaração de Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Divirjo do voto do ilustre Conselheiro Relator no que se refere à aplicação do ato declaratório que reconheceu a redução da alíquota. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.081 13 Conforme se depreende do voto apresentado, o D. Conselheiro Relator entende que o RIPI permite a redução das alíquotas, mas desde que atendidas determinadas condições e que o Ato Declaratório da SRF não é declaratório mas constitutivo. Certamente, para que os contribuintes obtenham a redução da alíquota fiscal, é preciso que atendam os requisitos exigidos pelo MAPA – Ministério da Agricultura, quanto a isso não resta dúvida. Inclusive, a meu ver, é este o ato constitutivo do benefício. Todavia, não coaduno com o entendimento de que o Ato Declaratório expedido pela Secretaria da Receita Federal não é declaratório, e a meu sentir, tal entendimento não representa análise de constitucionalidade de Decreto, mas ao contrário, reflete a sua devida interpretação. Explico. É fato incontroverso que a Recorrente atendeu aos requisitos exigidos pelo Ministério da Agricultura para a obtenção do benefício fiscal. Importante esclarecer que o registro do produto somente é conferido após o órgão atestar que o item submetido à sua análise atende a determinados padrões de identidade e qualidade. É apenas após este registro que se permite aos contribuintes apresentarem pedido perante a Receita Federal, visando a declaração do direito à redução do tributo objeto dos autos. Neste sentido, é de minha interpretação que o caráter meramente declaratório foi atribuído expressamente pela legislação, verbis: Decreto n° 84.637/80: “Art. 50: 0 artigo 336 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto n.° 83.263, de 9 de março de 1979, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 336: As reduções de alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (222) da Tabela serão declaradas, em cada caso, pela Secretaria da Receita Federal, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício. Parágrafo único. Os Ministros da Fazenda e da Agricultura poderão expedir normas complementares para execução do disposto neste artigo." (destaquei) Vale mencionar que disposição legal similar permaneceu nas alterações normativas posteriores, sendo que a redação dos Regulamentos do IPI de 1998 e de 2002 – aplicáveis ao período pleiteado, são no seguinte sentido, verbis: RIPI/98: “Art 57. Haverá redução: I – das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221), da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela Secretaria da Receita Federal, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.082 14 RIPI/98: NC 221. Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativas aos refrigerantes, refrescos e néctares, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento e esteja registrado no órgão competente desse Ministério.” (destaquei) RIPI/02: “Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; e (...)” (destaquei) A interpretação de que a natureza do Pedido de Redução de alíquota objeto dos autos é declaratória está em coerência com as demais disposições normativas, no sentido de que a Secretaria da Receita Federal não tem competência técnica para verificar o cumprimento dos requisitos exigidos dos produtos. Conforme já esclarecido, é o órgão técnico do Ministério que irá constatar a presença dos requisitos e a possibilidade de classificação do produto, com o seu conseqüente enquadramento nas Notas Complementares beneficiadas com a redução do imposto. E não poderia ser diferente, porque é preciso possuir competência técnica e material para efetivar as análises referentes às características, aos padrões de qualidade e identidade, que são exigíveis para classificação de produtos do gênero. Portanto, pareceme claro que o RIPI, quando mencionou expressamente “serão declaradas, em cada caso, pela SRF ...” estava se referindo, efetivamente, a um ATO de natureza DECLARATÓRIA. O Pedido de Redução perante a Receita Federal, a meu sentir, tem intenção de cientificar o órgão que determinado contribuinte, em cumprimento à legislação e com base em registro obtido perante o Ministério da Agricultura, faz jus ao aproveitamento do benefício. A natureza declaratória, e não constitutiva, do reconhecimento do Pedido de Redução pela Receita Federal já foi objeto de análise por este Conselho, verbis: “PRODUTOS POSIÇÃO TIPI 2202/90 Redução de alíquota em 50%. Tendo os produtos seus registros atualizados e estando dentro do prazo de concessão estabelecido pelo Ministério da Agricultura, é de se reconhecer o gozo do benefício de que trata a norma contida no art. 2º do Decreto 97.976/88, suplementada pelas NC 211 e 221 da TIPI/88. A não expedição do AD não fulmina o direito do contribuinte, porquanto os preceitos determinantes de fruição foram atendidos.” (Acórdão nº 202 07.657, de 05/04/95 DO de 17/05/96 destaquei). Coerente, portanto, a interpretação dos termos do Decreto no sentido de que, uma vez atendidos os requisitos para o gozo do benefício, conforme reconhecimento do órgão Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10380.723110/200916 Acórdão n.º 3302002.170 S3C3T2 Fl. 1.083 15 que possui competência técnica, material e legal para tanto – MAPA – o contribuinte já possa aproveitarse da redução de alíquota. Neste sentido, cito jurisprudência desta Casa, verbis: “REDUÇÃO DE ALÍQUOTA NC (223) DA TIPI/83 Baixado o Ato Declaratório pelo Departamento da Receita Federal, reconhecendo que o produto satisfaz pressupostos para a redução, esta alcançará as saídas desde a data em que o produto passou a atender aos requisitos legais. Recurso provido.” (Acórdão n° 20166.632/90, da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes destaquei). “IPI AUDITORIA DE PRODUÇÃO Cabível a presunção legal se a fiscalização serviuse de metodologia apropriada e idônea e, ainda, levou em consideração todas as informações prestadas pela empresa durante a realização dos trabalhos fiscais. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA NC (211) DA TIPI/88 Excluise do lançamento os valores referentes aos produtos relacionados em Atos Declaratórios da SRF, posto que o gozo do benefício fiscal retroage à data em que os mesmos passaram a atender aos requisitos legais.” (Acórdão n° 20209805, 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes destaquei) “IPI AUDITORIA DE PRODUÇÃO Cabível a presunção legal se a fiscalização serviuse de metodologia apropriada e idônea e, ainda, levou em consideração todas as informações prestadas pela empresa durante a realização dos trabalhos fiscais. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA NC (211) DA TIPI/88 Excluise do lançamento os valores referentes aos produtos relacionados em Atos Declaratórios da SRF, posto que o gozo do benefício fiscal retroage à data em que os mesmos passaram a atender os requisitos legais.” (Acórdão n° 20209806, 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes destaquei) Diante do exposto, divirjo do entendimento apresentado pelo Ilustre Conselheiro Relatora para o fim de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário do contribuinte, reconhecendo seu direito ao aproveitamento do benefício desde o momento em que ficou comprovado o cumprimento dos requisitos para o gozo da redução do IPI ora sob análise, quando foram expedidos os respectivos registros dos produtos, pelo Ministério da Agricultura. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908192/2009-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/01/2002
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
Numero da decisão: 3403-002.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2002 a 30/01/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10875.908192/2009-13
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5255820
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-002.157
nome_arquivo_s : Decisao_10875908192200913.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 10875908192200913_5255820.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
dt_sessao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
id : 4879578
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983397412864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1995; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 97 1 96 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.908192/200913 Recurso nº 2 Voluntário Acórdão nº 3403002.157 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria COFINS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente LABORATÓRIOS PFIZER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 30/01/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 30/01/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 81 92 /2 00 9- 13 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti, que converteriam o julgamento do recurso em diligência para apuração do crédito do contribuinte. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório LABORATÓRIOS PFIZER LTDA. transmitiu, em 10/01/2007, a Declaração de Compensação DComp nº 05709.49032.100107.1.3.040014, visando à extinção de débito de Cofins pela via de sua compensação com crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, por pagamento indevido ou maior do que o devido, referente ao período de apuração de 01/01/2002 a 30/01/2002, no valor de R$ 238.146,62. O Despacho Decisório Eletrônico nº 848680587 não homologou a compensação porque o pagamento indigitado como fonte do direito creditório foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em reclamação, instruída com cópias do recibo de entrega e das páginas 01 a 05 do PER/DCOMP; da DCTF do período de interesse; da DIPJ 2002 Ficha 19B e do DARF representativo do recolhimento indevido, o interessado reafirma seu direito ao crédito e à compensação e pugna pela realização de diligência tendente a comprovar o direito creditório alegado. Todavia, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 8ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 05035.958, de 23 de novembro de 2011, fls. 61 a 65 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 30/01/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908192/200913 Acórdão n.º 3403002.157 S3C4T3 Fl. 98 3 Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 70 a 77, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma o pedido de diligência para comprovação de seu direito creditório, em respeito aos princípios processuais que cita. Instrui sua peça recursal com planilhas demonstrativas da apuração do tributo no respectivo período de apuração e diferença apurada, objeto da compensação. Reafirma seu direito à compensação, nos termos dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Conclui, requerendo o conhecimento de seu recurso e o acolhimento de suas razões preliminares para, na hipótese deste Conselho entender que as informações fornecidas nos demonstrativos apensados ao recurso não sejam suficientes para o reconhecimento do pleito da Recorrente, determinar o retorno dos autos a Delegacia da Receita Federal do Brasil, da jurisdição da Recorrente, a fim de se realizar diligência em sua escrita fiscal e contábil, determinando, ao final, o efetivo valor do tributo devido no período de apuração aqui em deslinde, assim como o montante efetivo recolhido a maior, cancelandose as cobranças vinculadas. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 77 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS8ª Turma nº 05035.958, de 23 de novembro de 2011. Provas apresentadas somente na fase recursal No recurso voluntário, o interessado inova as explicações sobre a origem do direito creditório e aporta aos autos planilhas que, aparentemente, deduzem das bases declaradas os valores das receitas financeiras. Percebese que se trata, não de erro material, como fezse supor na Manifestação de Inconformidade, mas de verdadeira nova apuração da contribuição. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 99DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).’ De acordo com as normas processuais, com aplicação analógica determinada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, é no momento processual da reclamação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López1 asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Antônio da Silva Cabral, no seu livro “Processo Administrativo Fiscal” (Ed. Saraiva: São Paulo, 1993, p. 172), assim se manifestou sobre o assunto: ‘O termo latino é muito feliz para indicar que a preclusão significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a porta do tempo está fechada, quer porque o recinto onde esse direito poderia exercerse também está fechado. O titular do direito achase impedido de exercer o seu direito, assim como alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está fechada.’ 1 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908192/200913 Acórdão n.º 3403002.157 S3C4T3 Fl. 99 5 Na página seguinte, o mesmo autor, reportandose aos órgãos julgadores de segunda instância, completa: ‘Se o tribunal acolher tal espécie de recurso estará, na realidade, omitindo uma instância, já que o julgador singular não apreciou a parte que só é contestada na fase recursal.’ Cintra, Grinover e Dinamarco, no livro Teoria Geral do Processo, assim se posicionam sobre a preclusão: ‘o instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual; as causas dessa perda correspondem às diversas espécies de preclusão[..]’ Ensinam, também, estes doutrinadores que: ‘A preclusão não é sanção. Não provém de ilícito, mas de incompatibilidade do poder, faculdade ou direito com o desenvolvimento do processo, ou da consumação de um interesse. Seus efeitos confinamse à relação processual e exauremse no processo.’ As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. De acordo com o § 4º do art. 16 do PAF, supratranscrito, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: 1) relativas a direito superveniente; 2) competir ao julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. O § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. O recorrente todavia não comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justifique a apresentação tardia de documentos. A propósito dos documentos que instruem a peça recursal, devese sublinhar que os mesmos ainda não seriam suficientes para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na(s) compensação(ões) declaradas, principalmente porque encontramse desamparados da escrituração contábilfiscal, e demandariam a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Ônus da prova nos processos de repetição de indébito cumulado com compensação Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908192/200913 Acórdão n.º 3403002.157 S3C4T3 Fl. 100 7 [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, Fl. 103DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usandose o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação especifica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito). A razão pela qual estas considerações são feitas reside no fato de que, além da improcedente alegação do recorrente de que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova, o interessado não apresenta qualquer comprovação do direito creditório, limitandose a apresentar planilhas demonstrativas, desamparadas de qualquer formalidade e desacompanhadas da escrituração contábilfiscal, e, ainda assim, somente nesta fase recursal, quando já se encerrou a instrução processual. O que se quer aqui firmar, portanto, é que não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De Fl. 104DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.908192/200913 Acórdão n.º 3403002.157 S3C4T3 Fl. 101 9 acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte Fl. 105DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN 10 do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 106DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10983.904812/2008-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ATUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
No caso de compensação entre crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior com débito vencido, este será acrescido de multa e juros de mora até a data da transmissão da DCOMP (art. 28 da IN SRF n. 460/2004) e aquele será atualizado na forma prescrita no art. 51 da mesma IN.
Numero da decisão: 3403-002.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente ocasionalmente o conselheiro Domingos de Sá Filho.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ATUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. No caso de compensação entre crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior com débito vencido, este será acrescido de multa e juros de mora até a data da transmissão da DCOMP (art. 28 da IN SRF n. 460/2004) e aquele será atualizado na forma prescrita no art. 51 da mesma IN.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10983.904812/2008-29
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5283535
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-002.342
nome_arquivo_s : Decisao_10983904812200829.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10983904812200829_5283535.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente ocasionalmente o conselheiro Domingos de Sá Filho. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5007201
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983408947200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1725; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 130 1 129 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.904812/200829 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.342 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2013 Matéria COFINS Recorrente FUNDAÇÃO ELETROSUL DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ATUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. No caso de compensação entre crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior com débito vencido, este será acrescido de multa e juros de mora até a data da transmissão da DCOMP (art. 28 da IN SRF n. 460/2004) e aquele será atualizado na forma prescrita no art. 51 da mesma IN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente ocasionalmente o conselheiro Domingos de Sá Filho. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 48 12 /2 00 8- 29 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre a DCOMP no 06756.40452.191104.1.3.040040, transmitida em 19/11/2004 (fls. 64 a 741) para compensar valores pagos a maior ou indevidamente a título de Cofins (valor original utilizado de R$ 17.999,09, de um DARF com valor total de R$ 33.222,44, recolhido em 14/06/2002) com débitos da mesma contribuição vencidos em 14/03/2003 (valor principal de R$ 17.193,31). Por meio do Despacho Decisório (eletrônico) de fl. 38, a compensação não foi homologada diante da inexistência do direito creditório, tendo em vista que o pagamento informado foi integralmente utilizado para cobrir outras compensações efetuadas pela empresa: DCOMP no 11247.18362.191104.1.3.049052 (valor original utilizado de R$ 4.691,25) e no 22227.87642.191104.1.3.040010 (valor original utilizado de R$ 28.531,19). Em sua manifestação de inconformidade (fls. 4 a 10), alega a empresa, em síntese, que: (a) efetuou um pagamento indevido de Cofins em 14/06/2002, no valor de R$ 33.222,44; (b) para aproveitar o crédito, registrou 3 DCOMP (finais 9052, 0010 e 0040), na forma da IN SRF no 600/2005; (c) somando os créditos originais utilizados nas respectivas DCOMP (R$ 4.742,01 + R$ 10.481,34 + R$ 17.999,09), diferentemente daqueles atribuídos pela RFB (R$ 4.691,25 + R$ 28.531,19 + R$ 17.193,31), chegase ao valor pago indevidamente; e (d) “o valor da atualização foi utilizado para eventual compensação com multa e juros em virtude de envio da DCOMP após o vencimento do tributo compensado”, e, “portanto, constatase a inexistência de qualquer prejuízo ao Erário”. Em 26/03/2010, ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 80 a 84, no qual acordase unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que: (a) a apresentação de DCOMP produz um efeito principal equiparável ao pagamento a extinção do crédito tributário, sob a condição resolutória de homologação expressa pela Fazenda; e (b) a formalização da compensação depois do prazo regular de vencimento dos débitos a serem compensados obriga o sujeito passivo a declarar tais débitos com acréscimo de multa e juros de mora, tal qual nas hipóteses de recolhimento de DARF a destempo. Cientificada da decisão de piso em 18/05/2010 (AR à fl. 88), a empresa apresenta recurso voluntário em 16/06/2010 (fls. 90 a 98), no qual afirma que: (a) os débitos constantes das DCOMP “foram apresentados para compensação já devidamente acrescidos das correções, juros e multas incidentes em decorrência da apresentação com atraso”, o que se percebe facilmente pela comparação entre os valores de débitos originários e levados a compensação; (b) o crédito pago indevidamente, em atendimento expresso ao disposto no art. 52 da IN SRF no 600/2005, foi atualizado à data de transmissão das DCOMP, perfazendo R$ 47.282,18, valor igual à somatória dos débitos igualmente atualizados no mesmo marco temporal; (c) o débito constante da PER/DCOMP de final 0010 era de R$ 9.893,92 em 14/02/2003, e passou a representar, com acréscimos legais (à data de transmissão da DCOMP 19/11/2004), R$ 14.917,05, valor que difere substancialmente dos R$ 28.531,19 indicados no despacho decisório, sem qualquer justificativa; e (d) admitidos os acréscimos legais até novembro de 2004, depois de tal data não poderia ser a recorrente penalizada pela mora da análise pelo Fisco (nesse sentido inclusive o art. 28 da IN SRF no 600/2005). É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10983.904812/200829 Acórdão n.º 3403002.342 S3C4T3 Fl. 131 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No presente processo é inequívoco que se deseja compensar (em 19/11/2004) um pagamento indevido de Cofins efetuado em 14/06/2002, no valor de R$ 33.222,44, com três débitos da mesma contribuição: um de R$ 9.893,92 (com vencimento em 14/02/2003), outro de R$ 17.193,31 (com vencimento em 14/03/2003), e um último de R$ 4.587,30 (com vencimento em 15/04/2003). As discussões travadas no processo versam sobre os acréscimos legais cabíveis sobre tais montantes. Em momento algum se discute a existência ou a liquidez do direito creditório (o próprio despacho decisório de fl. 38 reconhece crédito exatamente no valor original pleiteado: R$ 33.222,44), pelo que se assume aqui que efetivamente o sujeito passivo tem um pagamento indevido no valor de R$ 33.222,44, efetuado em 14/06/2002. Verificando as DCOMP apresentadas (fls. 40 a 75), podese extrair o quadro a seguir, que espelha o encontro entre débitos e créditos informados, na data de transmissão das declarações de compensação (19/11/2004): DCOMP (num. final) Crédito original (14/6/2002) Crédito atualizado 2 (19/11/2004) Débito original (R$) Data do débito original Multa de mora (R$) Juros de mora (R$) Débito atualizado 3 (19/11/2004) 0010 R$ 10.481,34 R$ 14.917,05 9.893,92 14/02/2003 1.978,78 3.044,35 R$ 14.917,05 0040 R$ 17.999,09 R$ 25.616,31 17.193,31 14/03/2003 3.438,66 4.984,34 R$ 25.616,31 9052 R$ 4.742,01 R$ 6.748,83 4.587,30 15/04/2003 917,46 1.244,07 R$ 6.748,83 Total: R$ 33.222,44 R$ 47.282,19 R$ 47.282,19 Contudo, no despacho decisório de fl. 38, indicase que o pagamento de R$ 33.222,44, efetuado em 14/06/2002, foi suficiente apenas para cobrir os débitos relacionados nas DCOMP de final 9052 (R$ 4.691,25) e de final 0010 (R$ 28.531,19), restando ainda a recolher R$ 17.193,31 a título de principal (acrescido de R$ 3.438,66 de multa de mora e de R$ 14.108,83 como juros de mora). O despacho decisório não indica a forma utilizada para o cálculo. Apesar de o valor referente à DCOMP de final 0010 ser condizente com o calculado no quadro acima, há substancial discrepância (aparentemente sem justificativa) para o valor referente à DCOMP de final 0010. 2 Valor atualizado na DCOMP (art. 51, II da IN SRF n. 460/2004 art. 52, II da IN SRF n. 600/2005). Selic acumulada de 42,32%. 3 Valores acrescidos de multa e juros de mora, atualizados na DCOMP (art. 28 da IN SRF n. 460/2004 art. 28 da IN SRF n. 600/2005). Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 O julgador a quo não aprecia detalhadamente a questão, pois apesar de compreender que a recorrente efetuou a formalização da compensação apenas depois do prazo regular de vencimento dos débitos a serem compensados, parte do pressuposto (incorreto) de que o sujeito passivo não adicionou a tais débitos multa e juros de mora (e, como visto no quadro acima, houve efetivo acréscimo de juros e de multa de mora aos débitos compensados após seu vencimento). Sendo incontestável que o contribuinte possui o direito creditório, e sendo também cristalino que os débitos foram compensados após seu vencimento, cabe apenas promover o encontro de valores (devendo o montante pago indevidamente ser corrigido na forma do art. 51, II da IN SRF no 460/2004, e devendo os débitos compensados após seu vencimento serem acrescidos de multa e juros de mora, na forma do art. 28 da IN SRF no 460/2004). E a recorrente demonstra satisfatoriamente tal cálculo, ao contrário do despacho decisório de fl. 38. A dificuldade de interpretação de tal despacho decisório inegavelmente cerceia a defesa da recorrente, que teve que buscar (sem sucesso) interpretações alternativas do que poderia estar sendo computado pelo Fisco para se chegar aos valores ali indicados. Da mesma forma, o julgamento de primeira instância toma como argumento para sustentar a improcedência da manifestação de inconformidade a falta de inclusão de juros e multa de mora aos débitos, acréscmos estes que de fato foram efetuados pela recorrente. Esse cenário remete ao art. 59, II do Decreto no 70.235/1972, remissão essa que só afastamos com base no § 3o do mesmo artigo, pela possibilidade de decisão favorável à recorrente, pelo fato de esta ter satisfatoriamente demonstrado o mecanismo pelo qual atualizou seus créditos e débitos, para efeitos de compensação, na forma da legislação que rege a matéria. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721007/2009-85
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO.
Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS TRABALHISTAS PAGAS EM FUNÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. RECURSO ESPECIAL EDCL NO RESP 1227133 / RS, JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO.
Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça nos Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial
Embargos acolhidos parcialmente com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2802-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para re-ratificar o acórdão 2802-001.053, de 29 de setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$29.848,35, em cada um dos anos-calendários, discriminados como juros de mora, bem como a multa de ofício, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora), German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Redator designado.
EDITADO EM: 19/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator designado), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e German Alejandro San Martin Fernandez.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO. Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS TRABALHISTAS PAGAS EM FUNÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. RECURSO ESPECIAL EDCL NO RESP 1227133 / RS, JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça nos Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial Embargos acolhidos parcialmente com efeitos infringentes.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10580.721007/2009-85
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5282841
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2802-001.861
nome_arquivo_s : Decisao_10580721007200985.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : DAYSE FERNANDES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 10580721007200985_5282841.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para re-ratificar o acórdão 2802-001.053, de 29 de setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$29.848,35, em cada um dos anos-calendários, discriminados como juros de mora, bem como a multa de ofício, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora), German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Redator designado. EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator designado), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e German Alejandro San Martin Fernandez.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
id : 5001511
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983424675840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2426; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 10 1 9 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721007/200985 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2802001.861 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de setembro de 2012 Matéria IRPF Embargante ELANE MARIA PINTO DA ROCHA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO. Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS TRABALHISTAS PAGAS EM FUNÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. RECURSO ESPECIAL EDCL NO RESP 1227133 / RS, JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça nos Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial Embargos acolhidos parcialmente com efeitos infringentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 10 07 /2 00 9- 85 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para reratificar o acórdão 2802001.053, de 29 de setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$29.848,35, em cada um dos anos calendários, discriminados como juros de mora, bem como a multa de ofício, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora), German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Redator designado. EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator designado), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e German Alejandro San Martin Fernandez. Relatório Tratam os autos de embargos de declaração interpostos por ELANE MARIA PINTO DA ROCHA (fls. 26/273), em face do Acórdão 2802001.053, de 03 de março de 2011, fls. 81/86. de lavra desta relatora. No arrazoado, a embargante denuncia omissão/contradição no acórdão. Os fundamentos da denunciada omissão/contradição estão consubstanciados nos parágrafos, a saber: “No que tange à preliminar suscitada relativa `a falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado, esse tópico merece sim, data vênia, uma posição esclarecedora de V. Exa. No acórdão recorrido, a matéria em debate não é sequer ventilada, seno utilizado como argumento justificador que “a decisão colegiada de 1º grau enfrentou a infundada alegação sobre a ilegitimidade ativa da União Federal, ainda que de forma sucinta; portanto, é de se constatar que houve a sucinta, porém, suficiente abordagem, sendo desnecessário exigir do Fl. 306DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.721007/200985 Acórdão n.º 2802001.861 S2TE02 Fl. 11 3 órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido”. (grifos nossos) Ora, E. julgadores, não se pode negar a importância da matéria trazida a baila pelo Recorrente, a qual não fora elucidada de maneira fundamentada pela decisão guerreada. Deve, portanto, tal preliminar ser analisada de forma exaustiva, esclarecendo todos os pontos atacados e não de forma suscinta, como fora realizado em primeira instância e mantido no acórdão em discussão. A questão da ilegitimidade da União e, sem dúvidas, questão de suma importância para deslinde do embate, devendo ser deferido tratamento com a sua situação. Impende destacar a necessidade de analisar os princípios e limites constitucionalmente impostos, delineando, de fato, a competência para enfrentar a presente demanda. Nessa senda, é imperioso realizar a análise de previsão constitucional referente à matéria, vez que esta irá fornecer os limites balizadores da aplicação da norma ao caso concreto. Portanto, não é cabível a análise meramente sucinta acerca do quanto alegado e reiterado pelo Recorrente. No mais repisa as alegações já abordadas na peça recursal. Voto Vencido Conselheira Relatora. Dayse Fernandes Leite, Relatora. A despeito da tempestividade, os embargos de declaração carecem de seus pressupostos de admissibilidade. Com efeito, devese observar que “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65, do Anexo II, do RICARF). Nessa linha, obscuro é o acórdão que não explicita adequadamente os fundamentos da decisão e contraditório é aquele que tem fundamentos em oposição, total ou parcial, com sua decisão. O processo diz respeito à auto de infração lavrado devido à classificação indevida de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis.. O acórdão embargado, por unanimidade de votos rejeitou as preliminares e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Na fase recursal, em preliminar recorrente solicita a reabertura em primeira instância, onde deve ser analisada e decidida a questão suscitada, relativa à falta de legitimidade ativa da União para cobrar suposto imposto de renda que por determinação Fl. 307DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 constitucional pertence ao Estado da Bahia, sob pena de supressão de instância administrativa, e violação dos dispositivos constitucionais alegados, o que acarretaria nulidade do presente processo administrativo tributário, devendo na primeira instância, ser reconhecida a ilegitimidade ativa da União para cobrar o suposto imposto de renda, que não foi objeto de retenção pelo Estado da Bahia e que seja anulado o lançamento que originou o crédito tributário que ora se discute e deslocado o julgamento desse litígio instaurado, para o âmbito da Fazenda Estadual. Ao apreciar a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal, trazida pelo recorrente, o acórdão embargado asseverou que tal preliminar foi suficiente abordada, na decisão de primeira instâncias e entendeu como sendo desnecessário exigir do órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido. E, nessa conformidade, quando superou a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal, a decisão de primeira instância demonstrou suficientemente que a exigência contida nos autos se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Ainda, esclareceu que as nulidades argüidas sobre a decisão de primeira instância se repetiam nas razões do voluntário, de sorte a rejeitálas sob os mesmos argumento. Ora, o fato de o Acórdão embargado ter entendido que a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal,foi suficientemente combatida na decisão de primeira instância e adotar como razão de decidir os mesmos fundamentos nela contido, não pode ser visto como uma contradição ou obscuridade, a uma porque não há qualquer obscuridade no acórdão guerreado, que adotou como razão de decidir o mesmo entendimento explicitado, na decisão de primeira para a rejeição das preliminares argüidas pela recorrente; e a duas porque ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC) utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. No caso em debate, a Turma entendeu que as matérias argüidas como preliminares pela contribuinte, foram suficientemente abordadas, na decisão de primeira instância. Daí não se pode, na via dos embargos, querer obrigar a Turma a decidir de acordo com o pleiteado pela parte. Esclarecida essa situação e mantido o mesmo entendimento do acórdão embargado, vêse claramente que não há qualquer obscuridade ou contradição no Acórdão nº. 2802001.053, de 03 de março de 2011, razão que me leva a declarar os embargos improcedentes, rejeitandoos de forma definitiva, (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite. Voto Vencedor Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Redator designado. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.721007/200985 Acórdão n.º 2802001.861 S2TE02 Fl. 12 5 Em que pese o judicioso voto da Conselheira Relatora, a quem presto minhas homenagens, dele ouso divergir em uma pequena parte, por entender que a questão veiculada pelo Embargante em seu Recurso Voluntário acerca da incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia não foi devidamente apreciada quando do julgamento do recurso voluntário do Embargante. Com efeito, o Embargante pede a expressa manifestação desta Turma sobre esta tese, citando inclusive entendimento jurisprudencial que possui efeitos normativos de efeitos vinculantes aos conselheiros do CARF, segundo o art. 62A do seu Regimento Interno. E neste sentido, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça nos Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543 C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial. Conforme a Lei Estadual que autorizou o pagamento das verbas decorrentes de diferenças na remuneração da Embargante, está expressamente consignado que o mesmo se dá em função de uma decisão em processo judicial, consoante consigna a Ementa do Acórdão embargado. Isto posto, voto no sentido de acolher em parte os Embargos, e excluir da tributação os valores de R$29.848,35, em cada um dos anoscalendários, discriminados como juros de mora, bem como a respectiva multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10218.000011/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. INTIMAÇÃO COM INDIVIDUALIZAÇÃO DOS VALORES. VALIDADE.
A presunção de omissão de receita por depósitos bancários sem origem comprovada deve permitir que o contribuinte identifique quais valores estão sendo questionados pela fiscalziação, daí a necessidade de individualização. No caso dos autos, a individualização ocorreu por intimação detalhada, fato que torna o lançamento válido.
IRPJ. CSLL. FATO GERADOR. CRITÉRIO TEMPORAL.
O erro na identificação do critério temporal do fato gerador por parte da autoridade administrativa gera a nulidade do lançamento tributário, afronta ao art. 142, do Código Tributário Nacional
Numero da decisão: 1302-001.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 10/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. INTIMAÇÃO COM INDIVIDUALIZAÇÃO DOS VALORES. VALIDADE. A presunção de omissão de receita por depósitos bancários sem origem comprovada deve permitir que o contribuinte identifique quais valores estão sendo questionados pela fiscalziação, daí a necessidade de individualização. No caso dos autos, a individualização ocorreu por intimação detalhada, fato que torna o lançamento válido. IRPJ. CSLL. FATO GERADOR. CRITÉRIO TEMPORAL. O erro na identificação do critério temporal do fato gerador por parte da autoridade administrativa gera a nulidade do lançamento tributário, afronta ao art. 142, do Código Tributário Nacional
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10218.000011/2008-63
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5260590
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1302-001.081
nome_arquivo_s : Decisao_10218000011200863.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCIO RODRIGO FRIZZO
nome_arquivo_pdf_s : 10218000011200863_5260590.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. EDITADO EM: 10/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo.
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
id : 4917416
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983428870144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1837; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 4.314 1 4.313 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10218.000011/200863 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1302001.081 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2013 Matéria IRPJ e reflexos Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FRIGOXIN COMERCIAL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. INTIMAÇÃO COM INDIVIDUALIZAÇÃO DOS VALORES. VALIDADE. A presunção de omissão de receita por depósitos bancários sem origem comprovada deve permitir que o contribuinte identifique quais valores estão sendo questionados pela fiscalziação, daí a necessidade de individualização. No caso dos autos, a individualização ocorreu por intimação detalhada, fato que torna o lançamento válido. IRPJ. CSLL. FATO GERADOR. CRITÉRIO TEMPORAL. O erro na identificação do critério temporal do fato gerador por parte da autoridade administrativa gera a nulidade do lançamento tributário, afronta ao art. 142, do Código Tributário Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 10/06/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 00 11 /2 00 8- 63 Fl. 4314DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcio Rodrigo Frizzo. Fl. 4315DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10218.000011/200863 Acórdão n.º 1302001.081 S1C3T2 Fl. 4.315 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício remetido a este Conselho pela autoridade julgadora a quo nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 em face do acórdão nº 0125.231, proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ – Belém (fls. 4295/4308), que julgou totalmente procedente a Impugnação ao Auto de Infração. O presente PAF versa sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 779/812, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS, do anocalendário de 2003, com crédito total apurado no valor de R$ 19.316.252,84, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 28/12/2007. Também integra os Autos de Infração o Termo de Verificação Fiscal (fls. 747/777). De acordo com os fatos narrados pelo AFRFB, o sujeito passivo incorreu nas seguintes infrações: i) Omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; ii) Despesas não comprovadas. Para justificar a lavratura do PAF, assim como, a exação em comento, o AFRFB asseverou em síntese que: IV. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ATÍLIO GUSSON SÓCIO DE FATO A responsabilidade tributária solidária de Atílio Gusson restou comprovada, conforme os elementos de prova especificados no termo de sujeição passiva solidária, abaixo colimados. [...] V. APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA ART. 44, V, §2°, da Lei n° 9.430/96 Multa de ofício, em razão da conduta delitiva acima exposta, de acordo com o previsto no diploma legal abaixo, s/c: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 4316DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 4 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. VI. INFRAÇÕES APURADAS [...] VI. II. Omissão de receitas depósitos bancários de origem não comprovada Infração conhecida após cotejo levado a efeito entre os valores constantes nos lançamentos contábeis das contas Bancos e aqueles constantes nos extratos bancários da fiscalizada, referentes aos recursos depositados em contascorrentes e de aplicação financeira. [...] Com objetivo proporcionarlhe a produção de prova em contrário, a fiscalizada foi cientificada do termo de intimação fiscal lavrado em 26/09/2007, sendo intimada a comprovar com documentação hábil e idônea a origem dos recursos depositados em todas as suas contascorrentes, conforme lançamentos constantes no anexo ao citado termo, os quais foram extraídos dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras. Da análise levada a efeito, após expurgarmos os valores referentes a eventuais resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos e empréstimos bancários, apuramos omissão de receitas nos períodos e totais, caracterizados pelos depósitos em conta não comprovados a sua origem pela fiscalizada, posto que, embora regularmente intimada a fazêlo, conforme já dito, quedouse inerte. Ressaltamos que procedemos à seleção apenas dos depósitos/ingressos de valores iguais ou superiores a R$ 1.000,00, para que fossem justificadas as suas origens, tendo em vista a considerável movimentação financeira evidenciada, nos anos calendário em comento, evitandose, desta forma, que fosse onerado o trabalho fiscal com valores, in casu, irrelevantes. As infrações acima capituladas motivaram a lavratura do auto de infração IRPJ e reflexos, o qual se encontra acostado nos autos do processo fiscal n° 10218.001271/200775. [...] VI. IV. Omissão de receitas depósitos bancários de origem comprovada Após a adoção dos procedimentos de estilo, nos mesmos moldes do que do libelo transcrito no item VI. II., restou comprovada a omissão de receitas em comento, referente ao anocalendário 2003. Fl. 4317DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10218.000011/200863 Acórdão n.º 1302001.081 S1C3T2 Fl. 4.316 5 VI. V. Glosa de despesas operacionais Glosa de despesas deduzidas indevidamente da base de cálculo para apuração do IRPJ e CSLL, de acordo com a previsão esculpida nos arts. 249, inciso I, 299 e 300, do Decreto n° 3.000/99(Regulamento do Imposto de Renda). Por fim o AFRFB realizou um confronto entre os valores das despesas operacionais (frete; energia elétrica; despesas com manutenção; despesas com seguro) descritas no Diário e os valores das despesas comprovadas pela empresa ora Recorrida, glosando a diferença encontrada. A recorrida tomou ciência do lançamento em 15/01/2008 e apresentou a sua impugnação em 14/02/2008, na qual alegou em síntese: DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA IMPUGNANTE [...] embora possua a empresa documentação hábil e idônea para comprovar a autenticidade dos lançamentos efetuados em sua contabilidade, [...], está impossibilitada de fazêlo, uma vez que os seus livros fiscais. especificamente os livros Razão e Diário do ano calendário de 2003, bem como os demais documentos que foram fornecidos pela Impugnante, estão em poder da fiscalização [...] Diante dessa situação, [...] encontrase impossibilitada de elaborar sua defesa em virtude da falta de elementos necessários [...] para o exercício pleno do contraditório e ampla defesa [...], o que configura [...] a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. [...] é flagrante a nulidade do presente procedimento fiscal, face o cerceamento do direito de defesa da Impugnante, em virtude da falta de acesso aos seus livros contábeis e sobretudo aos documentos que foram utilizados para dar suporte à glosa de despesas que representa mais de 90% da presente autuação [...] DA SUPOSTA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DOS SÓCIOS E DA ALTERAÇÃO DO DOMICÍLIO FISCAL DA IMPUGNANTE [...] consta no depoimento prestado pelo sócio Luiz Menegon no bojo do Termo de Verificação Fiscal às fls. 10 e 11, "QUE é sócio proprietário do FR1GOX1N COMERCIAL LTDA", evidencia sua condição de sócio da Impugnante [...]. Ademais, não há nos autos nenhum elemento que descaracterize sua condição de sócio, sendo certo que sempre exerceu referida função, representando a empresa nas diversas situações. [...] os poderes conferidos ao Sr. Atílio Gusson na qualidade de Gerente Financeiro da Impugnante não suplantam as atribuições para tal cargo. Isso porque, no ambiente empresarial, o gerente financeiro desempenha dentre outras funções: monitoramento contábil e financeiro, tesouraria, fechamentos contábeis, Fl. 4318DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 6 balanços, lucros e perdas, aumento da eficiência da organização, gerenciamento de fluxo de caixa, contas a pagar e a receber, processos administrativos, controle de custos de produção com vendas, controle de aplicações financeiras, etc. [...] não existe nenhum impedimento legal para que o gerente financeiro na qualidade de mandatário da empresa no bojo de um instrumento de mandato [...] possa atuar como sua representante e desempenhar as funções ali atribuídas [...] [...] o Sr. Atílio foi admitido como gerente financeiro da Impugnante em setembro de 2002 e percebia o salário mensal inicial de R$ 2.500,00 [...] tendo atingido o montante de 8.900,00 [...] após quatro anos de trabalho (em 09/2006). Em 01 de novembro de 2007, o Sr. Atílio foi demitido da empresa. [...] resta claro que não há que se falar em interposição fraudulenta dos sócios Luís Menegon e Maria Aparecida Menegon no quadro societário da Impugnante, bem como da equiparação indevida do Sr. Atílio Gusson como sócio de fato da empresa. DA NUL1DADE DA AUTUAÇÃO FISCAL POR ILIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO E DA IMPROCEDÊNCIAS DAS INFRAÇÕES APURADAS No que diz respeito à suposta omissão caracterizada pelos valores constantes dos extratos bancários, [...] os auditores fiscais tãosomente se limitaram a mencionar a suposta incompatibilidade dos valores nos lançamentos contábeis e extratos bancários, sem apresentar nenhuma planilha dos valores que estariam sendo considerados nos extratos bancários e das divergências apontadas em relação aos lançamentos da conta Bancos. Em verdade, nos autos de infração constam valores fechados, de supostas infrações, apurados mês a mês, sem a menção detalhada da forma de apuração da provável infração, além de inexistir planilhas que demonstrem a ocorrência de tal fato. [...] tal omissão por parte dos auditores fiscais, dificultam sobremaneira o direito de ampla defesa e exercício do contraditório por parte da Impugnante, configurando no caso em tela, mais uma vez, um notório cerceamento do seu direito de defesa. [...] os agentes fiscais, ao apurarem o resultado tributável com base em omissão de receitas, teriam [...] que recompor o resultado tributável, e não simplesmente oferecerem tudo a tributação como se tais valores efetivamente correspondessem ao lucro da Impugnante [...] [...] No que concerne às glosas de despesas, [...] Realizando a confrontação entre as informações trazidas pela fiscalização no bojo do termo de verificação fiscal e os Balancetes da Impugnante dos meses de janeiro a dezembro do ano de 2003 (docs. 5 a 16 anexos), verificase o notório equívoco cometido pelas autoridades fiscais, ao se referir a valores supostamente constantes da contabilidade da Impugnante. Fl. 4319DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10218.000011/200863 Acórdão n.º 1302001.081 S1C3T2 Fl. 4.317 7 A título de exemplo, [...]Foi informado pelos fiscais que no mês de janeiro a Impugnante apresentou uma despesa de frete no montante de R$ 1.069.545,55 [...]. Ocorre que tal valor, diz respeito à soma de toda a coluna "Outros gastos", como é possível constatar no Balancete da empresa (Período 01/01/03 a 31/01/03 doc. 5 anexo) e não de despesas com frete. Ou seja, no mês de janeiro a Impugnante apresentou uma despesa com frete no valor de R$ 689.505,52 [...] e não no valor de R$ 1.069.545,55 [...], mencionado pelas autoridades fiscais. DO DESCABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA [...] não existiu intuito de fraude por parte da Impugnante. Isso porque, além de ter apresentado os documentos solicitados ao longo do trabalho fiscal, houve in casu um mero erro de escrituração contábil da empresa, que caso tivesse o alegado intuito de burlar o fisco jamais teria feito a escrituração correta no Livro Registro de Saídas e mais não teria efetuado sua declaração junto a Fazenda Estadual. [...] Em 11/11/2008, a autoridade julgadora a quo devolveu o processo à unidade de origem para que fossem adotas as seguintes providências: a) Apresentar termo de devolução dos livros e documentos apreendidos, relativos ao anocalendário 2003, ou do termo de fornecimento de cópia destes ao contribuinte. Em caso de impossibilidade de atendimento da exigência, fornecer para a impugnação ao lançamento; b) Apresentar termo de sujeição passiva solidária, ou documento equivalente, do Sr. ATÍLIO GUSSON, acompanhado do respectivo documento de ciência deste do lançamento/sujeição passiva. Em caso de impossibilidade de atendimento da exigência, dar ciência do lançamento e da responsabilidade solidária ao Sr. ATÍLIO GUSSON, reabrindo prazo para este impugnar o lançamento; c) Apresentar/demonstrar, com base na escrituração da recorrente, a origem dos valores tomados como despesas mensais contabilizadas a título de frete e energia elétrica; Em decorrência da diligência, foram anexados ao processo: i) Termo de Sujeição Passiva Solidária, lavrado em 22/06/2011 (fls. 944/945); ii) Termo de Constatação de Diligência Fiscal, lavrado em 22/06/2011, na qual consta a recusa de recebimento do Termo de Sujeição Passiva Solidária, por parte do Sr. Atílio Gusson (fls. 952); iii) Termo de Entrega de Cópias de Documentos (fls. 4242/4247), recebido pelo procurador do sujeito passivo em Fl. 4320DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 8 18/10/2011, na qual consta a entrega da cópia do processo (fls. 9544238) e a reabertura do prazo de defesa da recorrente; iv) Termo de Devolução de Livros e Documentos, lavrado em 26/06/2008, recebido pelo procurador do sujeito passivo (fls. 4250/4252); v) Demonstração dos valores de despesas de frete e energia elétrica, considerados não comprovados, corrigidos no curso da diligência (fls. 4278/4294); Diante dos fatos e argumentos apresentados, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ – Belém, por unanimidade de votos, em data de 27/06/2012 proferiu acórdão n° 0125.231 (fls. 4295/4308) dando total procedência à impugnação da ora Recorrida nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MEIOS HÁBEIS DE PROVA. A presunção legal de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, impõe à Administração Tributária a obrigação de individualizar os créditos bancários cuja origem deixou de ser comprovada pelo contribuinte. FATO GERADOR. BASE TEMPORAL. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO. É improcedente o lançamento, por erro de identificação do fato gerador, que não observa o critério temporal de apuração da base de cálculo do tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 Ementa: FATO GERADOR. BASE TEMPORAL. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO. É improcedente o lançamento, por erro de identificação do fato gerador, que não observa o critério temporal de apuração da base de cálculo do tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 Ementa: OMISSÃO RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MEIOS HÁBEIS DE PROVA. A presunção legal de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, impõe à Administração Tributária a obrigação de individualizar os créditos bancários cuja origem deixou de ser comprovada pelo contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 4321DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10218.000011/200863 Acórdão n.º 1302001.081 S1C3T2 Fl. 4.318 9 Anocalendário: 2003 Ementa: OMISSÃO RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MEIOS HÁBEIS DE PROVA. A presunção legal de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, impõe à Administração Tributária a obrigação de individualizar os créditos bancários cuja origem deixou de ser comprovada pelo contribuinte. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado É o relatório. Fl. 4322DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 10 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso de Oficio apresenta os requisitos de admissibilidade então dele conheço. 1. DA OMISSÃO DE RECEITA Os julgadores a quo ao proferirem o acórdão n° 0125.231 (fls. 4295/4308), ora recorrido, entenderam pela improcedência do lançamento de omissão de receita, haja vista, o AFRFB não ter individualizado os créditos bancários divergentes da apuração entre os valores depositados e aqueles lançados em escrituração contábil pela contribuinte, ora Recorrida. Senão, vejamos: “Do exposto, no procedimento adotado pela autoridade lançadora, não houve a individualização dos créditos bancários, nem a regular intimação ao sujeito passivo para comprovação da origem desses créditos. Exigir esclarecimentos a respeito da falta de contabilização dos créditos bancários não equivale exigir a comprovação da origem desses créditos. A falta de individualização dos créditos bancários deixa o fato indiciário ilíquido e incerto. O lançamento do crédito tributário exige determinação líquida e certa da matéria tributável, ainda que a liquidez e certeza decorram de expressa determinação legal, como é o caso das presunções legais. No caso corrente, não há liquidez no fato indiciário da presunção, o que torna impossível a liquidez da matéria tributável. A irregular intimação do sujeito passivo, por sua vez, não configura a situação de falta de comprovação da origem dos créditos bancários, pressuposto da presunção. Pelo que, considerase improcedente o lançamento da omissão de receita, pela falta de comprovação da situação que constitui do gerador do lançamento (art. 142, CTN)”. No entanto, ao compulsar atentamente o PAF em discussão, em especial às folhas 705 a 727, podemos vislumbrar que houve por parte do AFRFB a individualização dos créditos bancários, assim como, houve a intimação da Recorrida para manifestarse sobre os créditos bancários. Desse modo, entendo pelo reforma do acórdão n° 0125.231, ora recorrido, no que se refere a falta de individualização e intimação dos créditos bancários. 2. DO IRPJ E CSLL – NULIDADE DO LANÇAMENTO Fl. 4323DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10218.000011/200863 Acórdão n.º 1302001.081 S1C3T2 Fl. 4.319 11 Prima facie, importante dispor que o Código Tributário Nacional, em seu art. 142, dispõe sobre o lançamento tributário. Vejamos: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Em tempo, a Portaria do Ministério da Fazenda n. 203/2012, em seu art. 224, atribui a competência para lançamento às Delegacias Regionais, vejamos: Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: [...]. Nessa esteira, o ato administrativo de lançamento tributário está vinculado a verificar todos os critérios da regra matriz de incidência tributária, e entre eles está a verificação do critério temporal, o qual indica o exato momento em que o fato imponível ocorre. Todavia, conforme pode ser vislumbrado no(s) auto(s) de infração de IRPJ e CSLL (fls. 779/795), o AFRFB ao realizar o lançamento do crédito tributário, o fez sobre bases mensais, no entanto, como é sabido por todos, estes tributos (IRPJ e CSLL) têm as suas bases fixadas em apurações anuais ou trimestrais conforme disposto nos arts. 1º e 2º, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Senão, vejamos: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 Fl. 4324DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 12 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. (grifei) Desse modo, a apuração mensal dos tributos realizada pelo AFRFB incorreu em flagrante discrepância com legislação pátria e, consequentemente, com a regra matriz de incidência tributária, ferindo de morte o lançamento tributário. Nesse sentido caminha a jurisprudência deste e. Conselho. Senão, vejamos: ELEIÇÃO INCORRETA DO CRITÉRIO TEMPORAL. A adoção incorreta na eleição do critério temporal do fato gerador torna imprestável o lançamento de ofício realizado ainda que se possa suprir evidente equívoco na indicação do enquadramento legal da infração. (Acórdão 1803001.514 CARF – 1ª. Seção 3ª Turma Especial Data de publicação: 25/10/2012) (grifei) Não bastasse o exposto, a apuração e o lançamento tributário em bases mensais (estimativas) do IRPJ e CSLL realizado pelo AFRFB vai de encontro ao disposto na Súmula n° 82 deste Conselho. Vejamos: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Desse modo, entendo que não há reparos a serem feitos no r. acórdão recorrido, o qual entendeu pela nulidade do lançamento tributário. Nesse passo, em virtude da nulidade do lançamento tributário, as demais argumentações restam prejudicadas, perdendo assim o seu objeto. 3. CONCLUSÃO Ante ao exposto, julgo improcedente o recurso de ofício, para manter a exoneração do crédito tributário constituído em desfavor da recorrida, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 4325DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 10218.000011/200863 Acórdão n.º 1302001.081 S1C3T2 Fl. 4.320 13 Fl. 4326DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
score : 1.0
