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Numero do processo: 13971.722501/2011-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9303-000.112
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, com retorno dos autos ao relator, para prosseguimento. Vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que rejeitaram a preliminar de converção do julgamento em diligência.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Relatório
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que rejeitaram a preliminar de converção do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente de autos de infração (efls. 1305 a 1470) para lançamento de tributos de imposto de importação, lavrados para constituição de crédito tributário referente a multa pela impossibilidade de apreensão de mercadoria por não ter sido ela localizada, ou consumida, em importação subfaturada/superfaturada, com interposição fraudulenta da autuada importadora que era administrada por sócios de fato da empresa. O subfaturamento/superfaturamento implicou lançamento de imposto de importação, Cofins e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 22 50 1/ 20 11 -7 6 Fl. 5159DF CARF MF Processo nº 13971.722501/201176 Resolução nº 9303000.112 CSRFT3 Fl. 5.049 2 PIS, e respectivas mltas proporcionais Além da importadora em epígrafe, são também responsáveis solidários os sócios de fato: Caio M. Debossan, Erica Debossan Reinert, e a adquirente das mercadorias importadas, Textil Farbe Ltda. Foi dada ciência do Auto de Infração à todos os sujeitos passivos por meio de seu representante legal, em 24/11/2011. Os autos de infração em resumo, foram nos seguintes valores, com os juros de mora calculados até 31/10/2011: AUTO DE INFRAÇÃO VALORES (R$) Imposto 113.270,04 Juros de mora 61.909,58 Multa proporcional 169.905,06 Multa do controle Administrativo 1.821.013,82 Multa proporcional ao controle aduaneiro 487.374,44 Imposto de importação TOTAL 2.653.472,94 Multa regulamentar IPI TOTAL 14.801.173,64 Contribuição 73.373,79 Juros de mora 40.103,55 Multa proporcional 110.060,69 CofinsImportação TOTAL 223.538,03 Contribição 15.929,96 Juros de mora 8.706,53 Multa proporcional 23.894,94 PISImportação TOTAL 48.531,43 TOTAL LANÇADO NO PROCESSO 17.726.716,04 No que toca à multa proporcional ao controle aduaneiro substutiva da pena de perdimento, ela foi apurada em relação a seis DIs, no montante de valor CIF de R$ 487.374,44. Os valores que importaram nessa multa por interposição fraudulenta foram apurados conforme descrição de fatos e enquadramento legal às efls. 1494 a 1496, constando do tópico "5.1 Pela Infração da Interposição Fraudulenta em operações de comércio exterior", à efl. 1495, e estão resumidos no quadro abaixo: DATA NÚMERO DI REGISTRO DESEMBARAÇO VALOR CIF (R$) 07/00800845 18/01/2007 23/01/2007 95.535,44 07/02005449 14/02/2007 26/02/2007 94.185,36 07/02100310 15/02/2007 26/02/2007 89.600,34 07/12272407 11/09/2007 12/09/2007 87.177,36 07/13905993 10/10/2007 11/10/2007 80.854,90 08/09959113 02/07/2008 03/07/2008 40.021,03 TOTAL 487.374,44 Fl. 5160DF CARF MF Processo nº 13971.722501/201176 Resolução nº 9303000.112 CSRFT3 Fl. 5.050 3 Irresignada, em 22/12/2011, a Têxtil Farbe Ltda. apresentou impugnação, às e fls. 1814 a 1873. Em 26/12/2011, a importadora e seus sócios de fato impugnaram em conjunto a autuação, às efls. 4115 a 4191. Já a 11ª Turma da DRJ/SP1, apreciou a impugnação em 31/07/2013, e, no acórdão nº 1649.039, às efls. 4355 a 4400, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Recurso voluntário da adquirente das mercadorias A responsável solidária Têxtil Farbe Ltda., foi intimada (efl. 4571) do acórdão da DRJ em 19/08/2013 (efl. 4626), e apresentou recurso voluntário em 17/09/2013, às efls. 4628 aa 4652. Apresentarei os pontos arguidos no recurso por meio de seus tópicos: 1. DA INOCORRÊNCIA DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. 2. DA NULIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO, FUNDADA EM INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA, SEM QUE TENHA SIDO INSTAURADO O PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO PREVISTO NA INRFB 228/02. 3.DESCARACTERIZAÇÃO DO SUBFATURAMENTO /SUPERFATURAMENTO INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO AVA E DA INDEVIDA REJEIÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO (VALOR DE TRANSAÇÃO). 4. DA LEGALIDADE DOS PREÇOS PRATICADOS NAS IMPORTAÇÕES INEXISTÊNCIA DE SUBFATURAMENTO/SUPERFATURAMENTO E O DESCABIMENTO DA EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS E DA MULTA ADMINISTRATIVA. 5. DA EXCESSIVIDADE DA MULTA PROPORCIONAL AGRAVADA. 6. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA REGULAMENTAR DO IPI. Está informado nos autos, à efl. 4684, que D&A Comércio, Serviços de Importação e Exportação Ltda,, Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert, deixaram transcorrer o prazo legal para apresentar recurso voluntário contra a exigência fiscal, sobre a qual foram oportunamente intimados. De fato, compulsando o processo, não encontrei outro recurso. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 24/01/2017, dandolhe parcial provimento no acórdão de nº 3302003.506, às efls. 4690 a 4709, o qual teve as seguintes ementas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. PENALIDADES. Verificase que o art. 753, do Decreto nº 6.759/2009, prevê o prazo de cinco anos a contar da data da ocorrência da infração para impor penalidade. Fl. 5161DF CARF MF Processo nº 13971.722501/201176 Resolução nº 9303000.112 CSRFT3 Fl. 5.051 4 PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO. IN SRF228/2002. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE. Quando todas as provas já estão presentes para a elaboração do auto de infração, não há necessidade do procedimento especial. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2006, 2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. Quando há envio de depósitos para fechamentos de câmbio, emails e outras provas robustas, fica configurada a interposição fraudulenta de terceiros nas operações de importação. SUBFATURAMENTO/ SUPERFATURAMENTO. O subfaturamento e o superfaturamento ocorre quando os preços declarados nas faturas comerciais não consubstanciam a realidade, sendo que elas passaram por falsificações e há provas, nesse sentido, como a existência de carimbos de fornecedores, emails, notas de débito e de crédito. MULTA PROPORCIONAL AGRAVADA. DOLO. EXISTÊNCIA. O dolo de sonegação fica configurado quando expressamente provado por uma série de provas cabais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2006, 2007 MULTA REGULAMENTAR DO IPI. VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. AFASTAMENTO. Afastase a multa regulamentar do IPI, equivalente ao valor comercial da mercadoria, quando houver no Regulamento Aduaneiro Decreto 6.759/09multa com tipificação mais específica. No caso concreto, é o dispositivo que prevê a multa contida no § 1º, do inciso XXII, do artigo 689 do Regulamento, tipificada como infração por dano ao erário, por interposição fraudulenta. O acórdão foi assim lavrado: Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, conceder parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir a multa equivalente ao valor comercial da mercadoria e as multas cujos fatos geradores ocorreram de 01/01/2006 a 24/11/2006. Conforme consta no voto os valores excluídos se referiram à decadência em relação às penalidades das DIs registradas entre janeiro de 2006 e 24/11/2006, e, no mérito, a exclusão das multa regulamentar do IPI equivalente ao valor comercial da mercadoria. Recurso especial da Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 3302003.506 em 15/03/2017 (efl. 4711), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 26/04/2017, às efls. 4712 a 4733. A Procuradora indica existência de divergência em duas matérias: Fl. 5162DF CARF MF Processo nº 13971.722501/201176 Resolução nº 9303000.112 CSRFT3 Fl. 5.052 5 a) decadência com aplicação da regra do art. 139 do Decretolei nº 37/1966, para a qual apresenta como paradigmas os acórdãos nº 3201000.634 e nº 320100.315; e b) aplicação da multa regulamentar do IPI, trazendo como paradigma o acórdão nº 3202000.268. Assim demonstra o dissídio,para matéria a) à efl. 4720: Enquanto a e. Turma a qua aplicou, para efeito de contagem do prazo decadencial de multa aduaneira regra específica prevista nos arts. 138 e 139 do DecretoLei nº 37/1966, os paradigmas indicados manifestaram posição contrária, fazendo incidir as normas previstas no Código Tributário Nacional (em especial o artigo 173, inciso I) para a definição do prazo decadencial, em consonância com o disposto no art. 146 do referido Codex e de acordo com entendimento sufragado pelo Supremo Tribunal Federal na Súmula Vinculante nº 8. Fundamenta seu recurso especial pela premissa de que a matéria de decadência tributária tem que ser verificada com a prevalência do CTN, Lei Complementar, sobre a norma extraída do Decretolei nº 37/1966. Dessa premissa, conclui que o disposto nos arts. 138 e 139 do Decretolei nº 31/1966 e nos arts. 668 e 669 do decreto nº 4.543/2002 não seriam aplicáveis, pois a matéria de decadência é afeita à lei complementar por determinação constitucional. Tal entendimento já estaria pacificado no STF a partir da edição da Súmula Vinculante nº 8. Sendo um lançamento de multa, não há se falar na aplicação do § 4º do art.150 do CTN, mas sim do art. 173, inc. I, da mesma Lei, mormente em situação onde ocorreu dolo, fraude ou conluio, para a qual não se aplicaria nem mesmo o primeiro dispositivo citado, por exceção nele prevista. No tocante à matéria b), o paradigma, ao tratar de situação semelhante a destes autos, ao reconhecer que houve interposição fraudulenta em operações de importação, encampou o entendimento de que devia ser mantida a multa do art. 83 da Lei nº 4.502/1964, enquanto o aresto recorrido afastou tal multa em favor daquela definida no art. 689, § 1º, XII, do Decreto nº 6.759/2009, por ele conter tipificação mais específica. Argumenta nesse ponto que é cabível a aplicação conjunta dessas penalidades, pois aquela prevista no art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976 tem como elementar a ocultação do sujeito passivo, real responsável pela operação fraudulenta, sendo a entrega do bem a consumo ou sua não localização circunstância que enseja a comutação pela multa prevista no § 3º. A multa do art. 83, I, da Lei nº 4.502/1964 tem por elementar o consumir ou entregar a consumo produto importado de maneira irregular ou fraudulenta. Essas infrações, portanto, não se confundiriam, não havendo que se falar em penalidade específica, há duas ilicitudes distintas, penalizadas de maneira autônoma. Por fim, pleiteia o conhecimento e provimento do recurso especial, para que se reforme o acórdão recorrido. O Presidente da 3ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da Fazenda em 29/05/2017, no despacho de efls. 4817 a 4820, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Não se encontra nos autos documento com intimação para ciência desse despacho à Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 5163DF CARF MF Processo nº 13971.722501/201176 Resolução nº 9303000.112 CSRFT3 Fl. 5.053 6 Contrarrazões da adquirente das mercadorias A Têxtil Farbe Ltda foi intimada (efls. 4822) do acórdão nº 3302003.506, bem com do despacho de admissibilidade do recurso especial da Fazenda, em 12/06/2017 (efl. 4996), e apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da Procuradora em 26/06/2017, às efls. 4984 a 4994. Preliminarmente, afirma que, em face do despacho que apreciou o recurso especial de divergência da Fazenda, a matéria atinente à multa regulamentar do IPI não foi por ele admitida para seguimento, sendo matéria superada e dela não cabe reanálise na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Entretanto, caso a Turma venha a ter entendimento diverso, sustenta que de qualquer sorte o recurso quanto a tal matéria não deva ser conhecido, por ausência de similaridade fática entre as decisões paragonadas. Isso porque o aresto recorrido trata de duas penalidades: perdimento de mercadoria em sede de revisão aduaneira e multa regulamentar do IPI, afastando esta em razão de aquela ser mais específica, enquanto no paradigma a circunstância fática envolve apenas a imposição de multa regulamentar do IPI. Um trata de cumulação de multas e o outro de aplicação simples . Quanto a mesma multa, no mérito, afirma que ela trata de situação diversa da presente nestes autos, que tratam de interposição fraudulenta e subfaturamento não se enquadrando na legislação do IPI que trata de produtos estrangeiros introduzidos clandestinamente, de forma irregular ou fraudulenta. A própria norma na qual se funda o feito ressalva que esta penalidade não será aplicada quando houver tipificação mais específica no Decreto. Além disso, o procedimento implica em cumulatividade de multas para mesma situaçõ de fato, violando a proibição do bis in idem. No que concerne a decadência, não contesta o conhecimento do recurso, mas, no mérito, afirma que, com base no CTN, a norma aplicável seria a do § 4º do art. 150, que trata do lançamento por homologação, cinco anos contados do fato gerador, ressalvada a existência de dolo, fraude ou sonegação, entendido que isso vai além da existência de pagamento para homologar, alcançando o procedimento do contribuinte em apurar o quantum devido. Porém, ao tratarse de matéria aduaneira, há normas mais específicas que alcançam o feito, os arts. 138 e 139 do Decretolei nº 37/1966, assim, ainda que se entenda não aplicável o art. 150 do CTN, essas normas trariam o mesmo efeito à causa, levando à manutenção do acórdão recorrido. Recurso especial da adquirente das mercadorias Em face da intimação de efls. 4822, também em 26/06/2017, a Têxtil Farbe Ltda. interpôs recurso especial de divergência ao acórdão a quo, às efls. 4887 a 4909. Vê entendimento divergente em relação a duas matérias do aresto da câmara baixa: a) inocorrência de interposição fraudulenta de terceiros e o descabimento da multa proporcional ao valor aduaneiro; e b) inexistência de subfaturamento/superfaturamento e o descabimento da multa administrativa. O Presidente da 3ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência acima e, em 25/08/2017, no despacho de efls. 5035 a 5043, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, negoulhe seguimento. A recorrente foi intimada (efl. 5081) do resultado deste despacho em 23/10/2017 (efl. 5104) sem que dele agravasse nos prazos regimentais. É o relatório. Fl. 5164DF CARF MF Processo nº 13971.722501/201176 Resolução nº 9303000.112 CSRFT3 Fl. 5.054 7 VOTO Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da Procuradora é tempestivo. Inicialmente há que se tratar da ausência de manifestação no despacho de admissibilidade quanto à matéria: b) aplicação da multa regulamentar do IPI. Ela foi apontada pelo sujeito passivo, em suas contrarrazões, como evidência de que não haveria admissibilidade quanto a essa matéria. Se assim fosse, deveria o despacho ter sido encaminhado para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional, oportunizandolhe agravar da decisão. Não houve tal procedimento. Penso diferente, ou concluise que a matéria foi admitida, por isso não foi intimada a Fazenda, ou há vício processual pela falta dessa intimação. Defendo que a ausência da apreciação dessa matéria, associada à inexistência de intimação posterior à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência do despacho, acarreta supressão do direito de os procuradores da Fazenda agravarem da decisão, a teor do art. 71 do RICARF, e, eventualmente, até mesmo apresentarem embargos pela omissão, haja vista não ser possível agravar adequadamente sobre matéria não prequestionada no despacho. A solução formal para esse problema me parece ser a elaboração de resolução desta Turma para converter o julgamento em diligência, visando à intimação para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional do referido despacho. Por outro lado, as Turmas da Câmara Superior têm a competência para, ao apreciarem os recursos especiais admitidos nos despachos de admissibilidade dos Presidentes de Câmara, decidirem em relação à admissibilidade, e deixarem de conhecer matérias já admitidas pelos referidos despachos. Há quem possa defender que se proceda à análise quanto ao conhecimento do recurso na matéria omitida, sem prejuízo ao recorrente, porém, isso poderia causar prejuízo à outra parte, pois se o despacho decisório do Presidente de Câmara deixasse de admitir o recurso e houvesse agravo que fosse negado pelo Presidente do CARF, esta Turma não teria competência para analisar a matéria sob qualquer aspecto, pois nem mesmo teria o processo sob sua apreciação. Por essas razões, voto pela conversão do julgamento em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especialf. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 5165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917087/2013-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.597
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.917087/201374 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.597 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente ODEBRECHT AMBIENTAL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA. Trata o presente processo de DCOMP lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido da Cofins, segundo informações do contribuinte. Através de despacho decisório emitido pela DERAT/São Paulo a compensação resultou não homologada. Fundamentou a unidade de origem que, apesar de o DARF discriminado no PER/DCOMP ter sido localizado, fora integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 17 08 7/ 20 13 -7 4 Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10880.917087/201374 Resolução nº 3201001.597 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificada do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o indeferimento do crédito baseouse em mero equívoco no preenchimento da DCTF apresentada pela manifestante. Tal equívoco consistiria em ter declarado, em DCTF (original), valor da contribuição maior que o devido, do que resultou o recolhimento indevido. Informou que no DACON retificador consta o débito da contribuição igual a zero, ou seja, não que não havia valor da contribuição a ser recolhido no período em tela, e que apresentou a DCTF retificadora respectiva, para corrigir o equívoco, após a ciência do despacho decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: (...) COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE PROVA. CRÉDITO ALEGADO SEM LIQUIDEZ E CERTEZA. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Inexistindo certeza e liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação. DACON. RETIFICAÇÂO.PROVA. A retificação da Dacon, por si só, não demonstra a improcedência do despacho decisório, devendo ser acompanhada da comprovação do erro em que se funde. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Repisa o que suscitou em manifestação de inconformidade: que o pagamento indevido da Contribuição decorreu de erro material no preenchimento do Dacon, conquanto retificado antes da prolação do despacho decisório, entretanto, com a correspondente retificação da DCTF efetuada somente após a ciência do indeferimento do pleito. No Recurso Voluntário alega apresentar a demonstração detalhada do erro cometido e aduz a certeza do direito. Junta no recurso cópias de: extratos de Dacon e DCTF originais e retificadores, DARF, folhas do Razão e Memória de Cálculo da contribuição. Roga pela realização de diligência para a apuração da higidez do crédito que é decorrente de erro no preenchimento de Dacon e DCTF. É o relatório. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10880.917087/201374 Resolução nº 3201001.597 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.587, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10880.917075/201340, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.587): (...) "Inferese do despacho decisório que a não homologação da compensação pleiteada decorreu da ausência de crédito para a quitação de débito vincendo/vencido no momento do encontro de contas o crédito decorrente de pagamento indevido em confronto com o débito confessado em DCTF. Consta no corpo do despacho decisório que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. A decisão considerou a DCTF originalmente transmitida e não a sua retificadora, transmitida somente após a ciência no despacho decisório. Contudo, conforme aduz a contribuinte o pagamento indevido é decorrente de apuração incorreta informada em seu Dacon, quanto ao valor devido da Contribuição para PIS/Cofins. A retificação foi realizada e por conseguinte transmitiu o pedido de restituição cumulado com compensação. Ocorre que os valor do débito da Contribuição informado em Dacon não corresponde àquele lançado em DCTF (original, não retificada) e não prevalece sobre este (na DCTF) pois a Declaração1 tem efeito jurídico de confissão de dívida e o Demonstrativo2 apenas de informação. Assim, o encontro de contas (crédito x débitos), no que concerne ao pretenso crédito, foi realizado com base em valores divergentes de débitos de PIS/Cofins consignados no Dacon (retificador) e a DCTF (original). A decisão recorrida denegou o pedido sob o fundamento de que a DCTF não fora retificada a contribuinte não carreou aos autos provas do pagamento indevido. 1 IN SRF nº 14/2000 Art. 1º. O art. 1º, da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União 2 Solução de Consulta Interna nº 48 DIPJ e DACON. NATUREZA JURÍDICA. A Dipj e o Dacon tem caráter informativo. Estes documentos não estão enumerados como típicos de confissão de dívida, para efeito de inscrição do saldo a pagar em Dívida Ativa, pelos art. 1° da IN SRF n° 77, de 1998 e § 4°, art, 1°, da IN RFB n° 767, de 2007, nem por outro ato normativo. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10880.917087/201374 Resolução nº 3201001.597 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente alega, ainda em manifestação de inconformidade, que o pagamento indevido de PIS/Cofins decorreu de erro material no preenchimento do Dacon, conquanto retificado antes da prolação do despacho decisório, contudo, com a correspondente retificação da DCTF somente após a ciência do indeferimento do pleito. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à exigibilidade de retificação da DCTF para comprovação do direito creditório antes da prolação do despacho decisório, nas situações em o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que haja na instauração do contencioso (manifestação de inconformidade) elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tomase como premissa que a singela retificação de DCTF, isoladamente considerada, não ampara o direito à restituição de indébito, e de outra banda, também não pode, por si só, ser obstáculo à sua devolução. In casu, há indício de provas nos argumentos da recorrente e maior probabilidade de sua veracidade exsurge no recurso voluntário e os documentos anexos. Na defesa, a interessada apresenta suas "notas explicativas" para demonstrar que o Dacon original foi preenchido com erro no tocante a apuração do PIS a pagar. O ponto que importa à solução da lide é que, retificado ou não, o valor do saldo credor disponível era suficiente para liquidar o débito e ainda manter saldo credor para o período de apuração seguinte. O quadro demonstrativo de apuração de PIS extraídos das informações do Dacon confirmam o provável erro de apuração da Contribuição devida: Constatase que o saldo credor disponível (item 4) ainda no Dacon original era suficiente para liquidar o débito de PIS (item 3) e restar saldo remanescente. Nada obstante, a contribuinte consignou em sua DCTF original o valor apurado tendoo recolhido por intermédio de DARF. Entendo que de fato é plausível o cometimento de erro material na apuração do PIS pois evidenciouse, com os valores informados pela recorrente, a existência de saldo credor no período suficiente para liquidar o débito apurado. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10880.917087/201374 Resolução nº 3201001.597 S3C2T1 Fl. 6 5 A constatação de erro de fato na apuração de tributos que se transfere para a DCTF implica reconhecer o lapso e reapurar o efetivo valor devido. Mas não se pode tomar por verdadeiro o valor do crédito informado no Dacon retificado, pois há de ser confirmado pela Fiscalização quanto à composição tanto do saldo credor (item 4) como o Pis devido (item 3), por meio do confronto das informações e os documentos da contribuinte. Assim, para se fazer prevalecer o princípio da verdade material, proponho a conversão do julgamento em diligência e o retorno dos autos à Unidade de Origem para a análise do crédito pleiteado e manifestação do Fisco, quanto ao erro de preenchimento do Dacon e DCTF em face dos elementos do recurso voluntário e outras provas que o Fisco entender pertinentes e cabíveis. Do resultado da diligência, dêse ciência à contribuinte, com cópias dos elementos coligidos aos autos, concedendolhe o prazo, improrrogável, de 30 (trinta) dias para manifestação, se assim desejar. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento." Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou documentos fiscais e memórias de cálculo que embasam a alegação do equívoco que alega ter cometido. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência, com retorno dos autos à Unidade de Origem, para análise do crédito pleiteado e manifestação do Fisco quanto ao erro de preenchimento do Dacon e DCTF, em face dos elementos do recurso voluntário e outras provas que o Fisco entender pertinentes e cabíveis. Do resultado da diligência, dêse ciência à contribuinte, com cópias dos elementos coligidos aos autos, concedendolhe o prazo, improrrogável, de 30 (trinta) dias para manifestação, se assim desejar. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 436DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10245.900255/2009-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DIPJ. CARÁTER NÃO CONSTITUTIVO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INAPTIDÃO PARA, ISOLADAMENTE, AUTORIZAR RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO.
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado, não sendo instrumento legítimo para, isoladamente, autorizar o reconhecimento de direito creditório, devendo ser acompanhada de outros elementos de prova.
Exegese da Súmula CARF n.º 92.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE.
Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação.
Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
Numero da decisão: 1002-000.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DIPJ. CARÁTER NÃO CONSTITUTIVO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INAPTIDÃO PARA, ISOLADAMENTE, AUTORIZAR RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado, não sendo instrumento legítimo para, isoladamente, autorizar o reconhecimento de direito creditório, devendo ser acompanhada de outros elementos de prova. Exegese da Súmula CARF n.º 92. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1493; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 67 1 66 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10245.900255/200900 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.529 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 05 de dezembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente VIMEZER FORNC DE SERV LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DIPJ. CARÁTER NÃO CONSTITUTIVO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INAPTIDÃO PARA, ISOLADAMENTE, AUTORIZAR RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado, não sendo instrumento legítimo para, isoladamente, autorizar o reconhecimento de direito creditório, devendo ser acompanhada de outros elementos de prova. Exegese da Súmula CARF n.º 92. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 90 02 55 /2 00 9- 00 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10245.900255/200900 Acórdão n.º 1002000.529 S1C0T2 Fl. 68 2 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por retratar os fatos com propriedade até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BEL: "Tratase de declaração de compensação transmitida em 05/09/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2372, do período de apuração de 31/12/2001, no valor originário de R$ 36.035,88. A Delegacia de origem, em análise datada de 25/05/2009 (11. 28), constatou que 'a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos { informados no Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10245.900255/200900 Acórdão n.º 1002000.529 S1C0T2 Fl. 69 3 PER/DCOMP'. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou, em 01/07/2009, manifestação de inconformidade na qual alega: 'A empresa informou à Receita Federal do Brasil um débito relativo ao tributo CSLL (competência: 4o trimestre/2001), no valor de R$ 34.963,78 (...), conforme transcrição da Ficha 18A constante da (...) DIPJ exercício 2002, anocalcndário 2001 (...). A impugnante apurou e declarou em DIPJ o débito do tributo no valor de RS 34.963,78 (...) e recolheu para o mesmo tributo o valor de R$ 36.035.88 (...), recolhendo a maior R$ 1.072,10 (...). Por ter recolhido a maior o tributo em questão, conforme demonstrado anteriormente, a empresa enviou em 05/09/2006 a PER/DCOMP (...), solicitando a compensação de R$ 1.021,83, com débitos apurados do tributo COFINS (...). A Impugnante, quando do envio da PER/DCOMP, baseouse nas informações aqui demonstradas, não restando dúvidas quanto ao direito ao crédito por pagamento a maior do tributo. Em seu despacho decisório o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil informa que o(s) DARF(s) localizado(s) foi(ram) 'integralmente utilizados para a quitação de débitos', restando a dúvida para a impugnante sobre qual(is) débito(s) foi(ram) 'integralmente' quitados, uma vez que o relativo ao tributo CSLL (...) o valor recolhido do tributo foi maior que o valor apurado (...). (...) a autoridade fiscal (...) possuía condições de chegar à explicitada conclusão, seja pelas informações apresentadas nas peculiares declarações, bem como perquirir as bases de dados do órgão fazendário competente e comprovar as informações apresentadas. (...) No caso em tela, presenciase que a impugnante além de ter oferecido indevidamente valores à tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos (...). (Transcreve e comenta excertos do art. 74 da Lei n°9.430/1996) A vista do exposto e sendo tempestiva a presente impugnação, cujos argumentos e documentação demonstram a insubsistência e total improcedência do despacho decisório relativo ao processo de crédito supramencionado, por encontrarse inteiramente divorciado dos preceitos legais mencionados, o que se requer é o conhecimento e conseqüente provimento do presente apelo. ' " Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10245.900255/200900 Acórdão n.º 1002000.529 S1C0T2 Fl. 70 4 A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BEL, conforme acórdão n. 0120.046, de 01 de dezembro de 2010 (efl. 38), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Irresignado, o Recorrente apresenta extenso Recurso Voluntário (efls. 45), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados (grifos do original). Contesta a não homologação da compensação, sustentando que "Quem tem o ônus de aprovar ou não a compensação é o agente fiscal determinado pelo Fisco" e que "Compete ao contribuinte, assim que perceber que cometeu equívocos em sua declaração de rendas, providenciar a correção, apresentando uma nova, denominada de retificadora". Aduz que "O Fisco, assim que tiver ciência da existência da declaração retificadora deve, se assim considerar, intimar o contribuinte para que o mesmo apresente as provas que dêem sustentáculo aos valores informados" e que "Não existe na declaração, pelo menos até a presente data, campo onde o contribuinte possa enviar junto com a declaração a cópia de seus demonstrativos e livros contábeis", concluindo que "(...) até que o Fisco solicite que o contribuinte prove o declarado, os valores declarados pelo contribuinte estarão revestidos de veracidade" e que "Para perder esse caráter de veracidade é necessário que o Fisco exija as provas e as glose". Diz que "(...) a declaração retificadora (prova material que comprova o crédito) fora devidamente anexada na impugnação, mas que em momento algum fora mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram a aparente glosa injustificada". Sustenta que "não há de falar em ônus da prova, uma vez que a apresentação da declaração retificadora inverte esse ônus, ou seja, as informações são consideradas verdadeiras até que o fisco 'prove' o contrário' e que "A propalada declaração retificadora deve ser perscrutadas e só depois tomada às devidas decisões, pois ela evidencia a existência de um crédito, que depois de cinco anos será homologado". Salienta que, de acordo com o artigo 1º da Instrução Normativa SRF nº 166/99 "(...) a Recorrente poderia ter promovido à compensação ou restituição do tributo pago a maior, quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, sendo que o fez através do instrumento da PERDCOMP". Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10245.900255/200900 Acórdão n.º 1002000.529 S1C0T2 Fl. 71 5 Ainda sobre a questão da prova, cita como lastro normativo de sua arguição, dentre outros, os arts. 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72. Ao final, requer a reforma do acórdão nº 0120.046 e o cancelamento do débito cobrado no presente processo. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, constato que ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 23626.70096.050906.1.7.048170 transmitido em 05/09/2006, sob a alegação de que o crédito original de R$ 1.021,83 nele informado já havia sido utilizado integralmente no pagamento de outro débito (efls. 20), conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10245.900255/200900 Acórdão n.º 1002000.529 S1C0T2 Fl. 72 6 Como se observa, a circunstância fática que motivou o indeferimento do PER/DCOMP está inequivocamente registrada no Despacho Decisório Eletrônico, qual seja: a utilização anterior do crédito pleiteado no pagamento de tributo de código 2372, do período de apuração de 31/12/2001, sendo improcedentes, portanto, quaisquer alegações do Recorrente em sentido contrário. Aduzo que o Despacho Decisório Eletrônico foi emitido com base em informações constantes da base de dados da RFB e extraídas de documentos fiscais e declarações prestadas pelo próprio Recorrente, sendo, portanto, legalmente válidas, a não ser que tenham sido retificadas na forma da legislação tributária de regência, o que não ficou comprovado nos presentes autos. Sobre essa questão, o Recorrente afirma que apresentou DIPJ retificadora na qual informou os valores corretos que justificariam o suposto crédito vindicado, argüindo que "até que o Fisco solicite que o contribuinte prove o declarado, os valores declarados pelo contribuinte estarão revestidos de veracidade". O argumento do Recorrente não tem sustentação jurídica. A retificação da DIPJ é condição necessária, porém não é capaz, isoladamente, de comprovar a existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou maior, eis que possui apenas caráter informativo, devendo, por isso, ser corroborada com outros elementos probantes, entre os quais a DCTF, que é o documento fiscal constitutivo do crédito tributário discutido nos autos. Nesse sentido, vejase a súmula nº 92 do CARF: SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. A leitura dessa súmula nos faz concluir que, a DIPJ sozinha não é capaz de legitimar o direito de restituição de valores decorrentes de pagamento indevido ou maior apurado pelo exame de informações nela constantes, eis que não tem eles natureza jurídica de tributo lançado. Assim, além da DIPJ, deveria o Recorrente ter apresentado na defesa de seus interesses outros elementos probatórios indispensáveis que atestassem a legitimidade do direito vindicado, tais como, Livro Diário, Livro de Apuração do Lucro Real, os balancetes transcritos na sua escrita contábil, quadro analítico descritivo e detalhado do suposto crédito e as declarações fiscais do período com ele relacionadas (DCTF, DACON, etc). Neste sentido caminha a jurisprudência do CARF, conforme precedente abaixo colacionado: Acórdão n.º 3001000.312 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10245.900255/200900 Acórdão n.º 1002000.529 S1C0T2 Fl. 73 7 Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. O argumento do Recorrente de que o Fisco não se desincumbiu do ônus de demonstrar que a compensação estava errada também não procede. A uma, porque há comprovação evidente e insofismável nos autos de que o suposto crédito foi alocado a outro débito de origem em declaração constitutiva de crédito tributário prestada pelo Recorrente e, a duas, porque o ônus probatório do direito vindicado compete ao próprio Recorrente e não ao Fisco, conforme prevê a legislação1 e de acordo com forte corrente jurisprudencial deste CARF, da qual colaciono, como exemplo, o Acórdão 3201002.303 no qual a referida temática foi objeto de apreciação: ACÓRDÃO 3201002.303 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. (...) Recurso Voluntário Negado Sob outro aspecto, o Recorrente defende que o PER/DCOMP foi apresentado com lastro no artigo 1º da Instrução Normativa SRF nº 166/99, que, segundo afirma, autorizava a compensação ou restituição do tributo pago a maior, quando a retificação da declaração apresentasse imposto menor que o da declaração retificada. Sem razão o Recorrente quanto ao ponto abordado. Com relação ao tema, cumpre lembrar que, a partir do anocalendário de 1999, as informações prestadas na DIPJ deixaram de configurar confissão de dívida e passaram a ter caráter meramente informativo, porquanto a Instrução Normativa SRF n° 127/1998 1 Lei nº 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10245.900255/200900 Acórdão n.º 1002000.529 S1C0T2 Fl. 74 8 extinguiu a DIRPJ Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica2 e instituiu a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica3, a qual deixou de fazer referência ao caráter de confissão de tributos ou contribuições a pagar que anteriormente constava naquela declaração, ficando reservada esta função apenas à DCTF. Considerando que o crédito discutido nos autos tem origem no período de apuração de 31/12/2001 e em atenção ao princípio de direito tempus regit actum, claro está que neste período a DIPJ já tinha perdido o caráter de confissão de dívida e não mais era apta para legitimar sozinha o direito de repetição de indébito vindicado, sendo despiciendas maiores digressões sobre o assunto. Diante do quadro narrado, resta configurada a ausência dos requisitos de liquidez e certeza do crédito pleiteado, inviabilizando a homologação do pedido de compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Dispositivo Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; que o suposto crédito de R$ 1.021,83 constante do PER/DCOMP de nº 23626.70096.050906.1.7.04 8170 foi integralmente utilizado na quitação de débitos de tributo do código 2372 de período de apuração de 31/12/2001; e, ainda, que o Recorrente não traz nenhum elemento de prova 2 IN SRF Nº 127/98: Art. 6º Ficam extintas, a partir do exercício de 1999, observado o disposto nos §§ 3o e 4o do artigo anterior: I a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado; II (...); 3 IN SRF Nº 127/98: Art. 1º Fica instituída a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10245.900255/200900 Acórdão n.º 1002000.529 S1C0T2 Fl. 75 9 adicional capaz de infirmar os fatos aqui narrados, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 75DF CARF MF
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Numero do processo: 13981.000144/2005-24
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000, 2001
MULTA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF).
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada a tal apresentação, enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
Numero da decisão: 1003-000.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada a tal apresentação, enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 01 44 /2 00 5- 24 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13981.000144/200524 Acórdão n.º 1003000.339 S1C0T3 Fl. 71 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto visando a reforma do Acórdão 07 14.686, proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS, em de 28 de novembro de 2008 (fls 35/36), que julgou procedente os lançamentos efetuados mediante os Autos de Infração, fls. 02/03, relativos à multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao 1º, 2º, 3º e 4° Trimestre do anocalendário de 2000 e 1º e 2° Trimestre do anocalendário de 2001. A ementa da referida decisão recorrida segue transcrita nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2000, 2001 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Lançamento Procedente Inconformada com tal decisão, a Recorrente, às folhas 44/46, apresentou recurso voluntário, praticamente, reproduzindo os argumentos trazidos quando da impugnação, destacando, em síntese, que: (i) em 06 de setembro de 2003, a Recorrente impugnou lançamento da mesma espécie (Auto de infração n. 126005056; processo n° 13981.000172l200380), sendo que os julgadores decidiram pelo cancelamento daquele por suposta dúvida quanto a sua procedência; (ii) desde a sua constituição até a data de 30/06/2007, a Recorrente sempre calculou e pagou seus tributos com base no SIMPLES, nos termos da Lei 9.317/96 e; de 01/07/2007 em diante, apurou e pagou seus tributos com base no SIMPLES NACIONAL, conforme Lei Complementar n. 123/2006; (iv) deve ser reformada a decisão da primeira instância recursal, para que sejam considerados improcedentes os autos de infração 465180727 e 465180735 a fim de extinguir os créditos tributários dele decorrentes, com base no Art. 156, IX do Código Tributário Nacional. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13981.000144/200524 Acórdão n.º 1003000.339 S1C0T3 Fl. 72 3 Voto Conselheiro Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que a Recorrente foi cientificada do Acórdão 0714.686 DRJ/FNS em 05/01/2009 (fls. 43) e apresentou o recurso competente em 26/01/2009 (fls. 4446). O recurso voluntário interposto, portanto, atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Inicialmente, cabe ressaltar que a Recorrente nada trouxe de novo autos que pudesse comprovar a necessidade de reforma da decisão a quo. Assim, concordando com as razões de decidir do acórdão proferido pela DRJ, resta transcrevêlas no que se considera relevante, adotandoas no presente voto: "Em relação ao precedente desta Turma, a razão de decidir baseouse no que segue: “Não há nos autos provas de que a empresa foi excluída do Simples em 1999 ou em ano anterior. O extrato IRPJ .Consulta, anexo, não registra exclusão da empresa, tendo a mesma apresentado sua declaração de imposto de renda de 1999 pelo Simples.” (f. 6) Ouso, no presente caso, dissentir do entendimento expresso no voto parcialmente transcrito acima, pois a informação constante nos extratos do sistema de controle interno CNPJ, Consulta, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ora juntados aos autos, dá conta de que a impugnante apenas teve sua opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Federal a partir de 19 de janeiro de 2004 (f. 29, 30 e 32), por sua iniciativa direta, mediante apresentação de FCPJ Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica com 0 evento 301 Opção pelo Simples, às 15h51min do dia 21 de janeiro de 2004. A alegação relativa à informação contida na FCPJ às f. 8 e 9, não pode ser aceita por lhe faltar a indispensável declaração de recepção de disquete pelo órgão da Secretaria da Receita Federal. ou do envio via Internet, pelo Serviço Federal de Processamento de DadosSerpro. 'Conforme se constata em comparação entre a FCPJ trazida com a impugnação e o registro transcrito da FCPJ apresentada por ocasião do cadastramento inicial da requerente no CNPJ, percebemse nítidas divergências que, se não forem adequadamente justificadas, implicam a desqualificação da prova representada pela FCPJ juntada à impugnação prova representada pela FCPJ juntada à impugnação: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13981.000144/200524 Acórdão n.º 1003000.339 S1C0T3 Fl. 73 4 Destarte, o que parece fora de dúvida, no caso sob análise, é que por falta de constar o evento “301 Opção pelo Simples” na FCPJ originalmente apresentada, ou por falta de transcrição desse comando no processamento a cargo da SRF (hoje RFB), deixou a interessada de ser efetivamente incluída no Simples Federal em 1999: esta é a razão da exigência de apresentação/envio das DCTF, cujo atraso provocou a emissão automática, em malha, dos autos de infração impugnados. Atualmente, o Auto de Infração já é gerado automaticamente no próprio ato de envio da declaração (Maed Multa por Atraso na Entrega de Declaração). Destarte, mesmo que tenha entregue sua DAS Declaração Anual Simplificada Simples, como consta na Relação de Declarações, que ora se junta aos autos (f. 29 e 33), não estava a pessoa jurídica na condição de regular optante pelo Simples Federal e, assim, estava sujeita ao cumprimento das obrigações tributárias principal e acessórias (entre estas últimas, a entrega/envio das DCTF). Para os casos de simples omissão (erro de fato) no procedimento de opção e desde que não lhe faltassem as demais condições para tanto, e tivesse recolhido seus tributos federais pelo código de receita 6106 Simples, com Documento de Arrecadação de Receitas federais pelo código de receita 6106 Simples, com Documento de Arrecadação de Receitas Federais Darf Simples, além da entrega/envio da DAS, poderia a empresa ter solicitado sua inclusão retroativa no Simples Federal, por meio do procedimento instituído pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n º 16, de 2 de outubro de 2002 (precedido do Parecer Cosit nº 60, de 13 de outubro de 1999), que disciplina essa espécie de inclusão retroativa no Simples, conforme se transcreve, desse último: (...) Artigo único: O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal,comprovada a ocorrência de erro de foto, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. INFORMAÇÃO PEÇA DE F. 8 E 9 TRANSCRIÇÃO RFB Evento 101 Inscrição de matriz consta (f. 8) consta Evento 301 Opção pelo Simples consta (f. 8) não consta (fl. 32) Data Geração: 5/5/1999 Digitação: 17/5/1999 Data do Evento 5/5/1999 (f. 9) 10/5/1999 (fl. 32) Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13981.000144/200524 Acórdão n.º 1003000.339 S1C0T3 Fl. 74 5 Não consta, porém, que a requerente tenha utilizado a referida permissão regulamentar para solicitar sua inclusão retroativa ao anocalendário de 1999 no Simples Federal. Assim, hão de ser julgados procedentes os autos de infração referidos, eis que sua emissão não leva em consideração circunstâncias outras que não o só e exclusivo atraso verificado quando de sua apresentação/envio. Ademais, alega a Recorrente que, equivocadamente, estava recolhendo DARF SIMPLES e apresentando declaração simplificada, o que, segundo o relator da DRJ, referendaria o enquadramento do SIMPLES. Todavia, a Recorrente não comprovou tal afirmação nos presentes autos. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso e manter o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.722904/2013-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO.
O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado.
Numero da decisão: 3401-005.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 29 04 /2 01 3- 64 Fl. 144DF CARF MF 2 Relatório Versam os autos sobre PER/DCOMP de COFINS, anocalendário 2010, com Despacho Decisório Eletrônico DDE que, diante da inexistência de crédito, não homologou a compensação declarada, pois de acordo com o DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A empresa presentou Manifestação de Inconformidade na qual defendeu que as diferenças apontadas nos DDE referemse a não retificação das DCTF dos períodos analisados, razão pela qual retificou as Declarações, apresentando diferenças e créditos para cada período. Disse também que apresentou DACON retificadores muito antes das DCTF retificadoras, os quais poderiam ter sido confrontados oportunamente. Sobreveio decisão da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos de votos julgou procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos da ementa abaixo transcrita: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. A Contribuinte tomou ciência da referida decisão por meio AR, em 11/06/2013, vindo a interpor recurso voluntário em 11/07/2013, basicamente defendendo que possui suficiência de créditos não só para satisfazer os eventuais débitos existentes como também para compensálos com os débitos indicados no PER/DCOMP. Posteriormente, houve despacho para que houvesse explicação do porquê da mudança de numeração do processo, sobrevindo Despacho de Encaminhamento com o seguinte teor: Em atendimento ao Despacho de Devolução emitido pela Terceira Câmara da 3ª Seção do CARF, informamos que foi criado novo número de processo para prosseguimento do pleito do contribuinte em razão de o Acórdão da DRJ/BHE ter julgado a Manifestação de Inconformidade Procedente, o que ocasionou o encerramento do processo no SIEFPROCESSO. Porém , o crédito reconhecido pela DRJ não foi suficiente para quitar os débitos informados na DCOMP e o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando que "os pagamentos existentes eram suficientes para liquidar o débito apurado". Por não ser possível informar o questionamento no SIEF, foi criado o presente processo, vinculado no SIEF ao processo de crédito original. Retornese ao CARF para prosseguimento. Por fim, com o mesmo objeto e partes, pulverizados entre PIS e COFINS, alterandose apenas o anocalendário e número do PER/DCOMP, noticiese que há 18 (dezoito) processos, todos apreciados nesta sessão de julgamento, incluído o presente: (1) 10680.722899/201390, (2) 10680.722898/201345, (3) 10680.722900/201386, (4) Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10680.722904/201364 Acórdão n.º 3401005.444 S3C4T1 Fl. 145 3 10680.722901/201321, (5) 10680.722902/201375, (6) 10680.722908/201342, (7) 10680.722907/201306, (8) 10680.722896/201356, (9) 10680.722905/201317, (10) 10680.722904/201364, (11) 10680.722897/201309, (12) 10680.722892/201378, (13) 10680.722893/201312, (14) 10680.722894/201367, (15) 10680.722903/201310, (16) 10680.722895/201310, (17) 10680.722906/201353 e (18) 10680.722949/201339. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. Na versão inicial, o relator propunha a conversão em diligência, mas, após os debates no colegiado, adotou posicionamento pela negativa de provimento, como aclarado adiante. O recurso voluntário interposto é tempestivo, logo, dele tomo conhecimento. Viuse que a DRJ/BHE, à unanimidade de votos, julgou procedente a manifestação de inconformidade para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido e que a Contribuinte recorreu quanto à parte do crédito que diz existir, mas que a Administração entende inexistente, como sintetizado na parte final do acórdão da DRJ/BHE: As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: Fl. 146DF CARF MF 4 Em face do exposto, voto por julgar PROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada para: • reconhecer como pagamento indevido ou a maior a importância de R$ 3.115,02; • homologar a compensação em litígio até o limite do crédito reconhecido, observadas as normas legais estabelecidas. A DRF de origem, para fins de operacionalização nos sistemas da RFB, deverá atentar para a existência de DComp relacionadas à utilização do crédito acima apurado. Pelo que se percebe da tabela, antes da ciência do despacho decisório, DCTF e DACON indicavam débitos distintos. Após o despacho decisório, a DCTF foi retificada e ambas as declarações passaram a espelhar um mesmo débito, de R$ 3.419,58, com pagamento, em DARF de R$ 54.157,10, limitado pelo demandado de R$ 3.115,02, insuficiente para homologar integralmente as compensações. A empresa alega, em recurso voluntário, que os pagamentos efetuados para a competência foram de R$ 282.877,42. Ocorre que a compensação demandada pela empresa invoca o montante de R$ 3.115,02 (parte do pagamento de R$ 54.157,10), não cabendo a análise, neste processo administrativo, de crédito distinto do solicitado pela postulante da compensação. Tal análise, ainda que em procedimento próprio, distinto, obedecidos os prazos para a demanda, acarretaria nova apuração, e comprovação da certeza e da liquidez necessárias à compensação, a cargo do postulante. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, desde que respeitado o limite do crédito disponível invocado. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10680.722904/201364 Acórdão n.º 3401005.444 S3C4T1 Fl. 146 5 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000238/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS. INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Somente há que se falar em renúncia à esfera administrativa quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial. Se isso não ocorrer, então não há concomitância e a autoridade administrativa julgadora deve conhecer o mérito do litígio.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1301-003.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13827.000234/2010-65, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS. INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Somente há que se falar em renúncia à esfera administrativa quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial. Se isso não ocorrer, então não há concomitância e a autoridade administrativa julgadora deve conhecer o mérito do litígio. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13827.000234/2010-65, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
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CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS. INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Somente há que se falar em renúncia à esfera administrativa quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial. Se isso não ocorrer, então não há concomitância e a autoridade administrativa julgadora deve conhecer o mérito do litígio. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13827.000234/201065, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 02 38 /2 01 0- 43 Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13827.000238/201043 Acórdão n.º 1301003.637 S1C3T1 Fl. 3 2 e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Relatório COSAN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF) e nos §§ 9º e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior a título de Parcelamento da Lei nº 10.684/2003, Código Receita 7122, apresentado em formulário impresso. No formulário, o interessado alegou que o pedido teria por objeto “a restituição da parcela do PAES Parcelamento Especial de que trata a Lei 10.648/2003 10.684/2003, não utilizadas pela RFB na amortização da dívida consolidada no âmbito do PAES, por terem sido recolhidas após a data dos efeitos da exclusão do referido programa, conforme dispõe o § 1º do art. 12 da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3/2004”. O despacho decisório proferido pela Auditora Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP não reconheceu o direito creditório, pois verificou que o referido pagamento teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte inscrito em dívida ativa. No despacho, a autoridade ponderou que a exclusão do PAES teria ocorrido com efeitos a partir de 12/03/2005, mas a Fazenda Nacional teria ajuizado processo de execução fiscal nº 2005.61.09.0031397, no qual teria sido determinado que fossem feitos Redarfs dos recolhimentos referentes ao PAES para que fossem aproveitados na quitação de débitos inscritos em Dívida da União. Assim, em cumprimento à decisão judicial, foram emitidos os Redarfs, alterandose o Código Receita dos pagamentos para 4493 – Dívida Ativa Cofins. Como o pedido de restituição tratava de tributos e contribuições administrados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a ela, para que se manifestasse sobre a procedência do pedido do contribuinte. Em resposta, a PFN se manifestou pelo não reconhecimento do direito creditório, já que o pagamento teria sido imputado ao débito inscrito na CDA nº 80.6.05.04289850. Cientificado do despacho, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de alegando que teria sido excluída do PAES indevidamente, pois teria compensado algumas parcelas com crédito prêmio do IPI, mas que teria autorização judicial para tal procedimento e que também teria ação judicial para ser reincluído no parcelamento (processo nº 2008.61.00.0218613). Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13827.000238/201043 Acórdão n.º 1301003.637 S1C3T1 Fl. 4 3 Defendeu que antes mesmo de ser proferida decisão definitiva judicial, teriam entrado em vigor as Medidas Provisórias nº 449/2008 e 470/2009, as quais teriam permitido o parcelamento de débitos compensados com créditoprêmio de IPI. O interessado afirmou que teria optado por reparcelar os débitos, através da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, mas que teria sido obrigado a desistir e renunciar às ações judiciais para ser incluído em tal parcelamento. Alegou que o montante pago durante sua adesão ao Paes e os débitos consolidados deveriam ter sido aproveitados no novo parcelamento, conforme inc. II, art. 3º da Lei nº 11.941/2009, mas que isso não teria ocorrido. O contribuinte discordou do procedimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, por ter imputado os pagamentos sem antes consultálo, alegando ofensa ao contraditório, por não ter sido aberto prazo para impugnação. Atribuiu que teria ocorrido compensação de ofício, conforme o § 2º do art. 49 da IN RFB nº 900/2008, nas imputações de pagamentos levadas a efeito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mas que não teria sido concedido o prazo de quinze (15) dias para o contribuinte se manifestar. Afirmou que teria impetrado mandado de segurança, processo nº 0004232 59.2011.4.03.6108, para pleitear a nulidade da imputação dos pagamentos ocorridas nas execuções fiscais processo nº 2005.61.09.0031397, 2007.61.09.0060357, 2007.61.09.002017 7 e 2005.61.09.0039128. Alegou que os débitos executados estariam sendo discutidos judicialmente, garantidos por penhora e que não se poderia compensar de ofício débitos do sujeito passivo com a exigibilidade suspensa. Citou o art. 369 do Código Civil, dizendo ser indispensável para a compensação de ofício que o crédito estivesse vencido e fosse exigível. Defendeu que a imputação de débitos não seria permitida nos casos em que houvesse penhora e discussão em embargos à execução, pois haveria o risco da União receber o crédito duas vezes, pela via administrativa (compensação de ofício) e pela via judicial (execução fiscal). Por outro lado, afirmou que na manifestação de inconformidade visava o reconhecimento do crédito, que não deveria ser analisado pela óptica da execução fiscal, mas como crédito originário das parcelas do Paes. O interessado aduziu que o inc. II, do art. 3º, da Lei nº 11.941/2009, deveria prevalecer sobre a IN RFB nº 900/2008, pelo princípio da hierarquia das leis, de modo que o reparcelamento do débito pela Lei nº 11.941/2009 faria com que o as parcelas pagas durante sua opção pelo Paes fossem computadas para amortizar os débitos do novo parcelamento. Concluiu, para requerer a reforma da decisão e o reconhecimento integral do direito creditório. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13827.000238/201043 Acórdão n.º 1301003.637 S1C3T1 Fl. 5 4 Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. Entendeu o colegiado a quo que o contribuinte teria submetido ao Poder Judiciário a questão da utilização do pagamento a maior, ora requerido, de ofício por parte da PGFN para quitar outros débitos objeto de execução fiscal. E não havendo mais recolhimento disponível, entenderam os julgadores que não haveria liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do indébito. O contribuinte foi cientificado da decisão e apresentou tempestivamente recurso voluntário. Em síntese, além de reafirmar os argumentos de sua impugnação, questiona a conclusão da decisão de primeira instância de que haveria concomitância da matéria tratada nos presentes autos com o Mandado de Segurança n° 000423259.2011.4.03.6108, tratandose, de questão prejudicial ao deslinde da presente contenda. Requer o sobrestamento do presente julgamento até que seja proferida decisão definitiva no Mandado de Segurança por ela impetrado, e, ao final, seja provido seu recurso, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13827.000238/201043 Acórdão n.º 1301003.637 S1C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.634, de 12/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13827.000234/2010 65, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.634): "1 ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 MÉRITO Conforme relatado, a Recorrente pleiteia reconhecimento de direito creditório (restituição) de pagamento indevido a título do parcelamento a que se refere a Lei nº 10.684/2003 (PAES código de receita 7122). Contudo, no bojo da Execução Fiscal n° 2005.61.09.0031397, que tramitou perante a 2ª Vara Federal de Piracicaba, deferiuse o pedido formulado pela Fazenda Nacional determinandose que os valores recolhidos indevidamente a título de PAES fossem alocados aos débitos objeto de execução fiscal (por meio do denominado “REDARF”). Após a adoção, por parte da Receita Federal, do procedimento determinado pelo Poder Judiciário, a Fazenda Nacional requereu a extinção da execução, levando o E. Juiz Federal a prolatar sentença de mérito julgando extinta a execução com fundamento no art. 794, inciso I do Código de Processo Civil e a consequente extinção dos embargos à execução fiscal opostos pelo contribuinte (sem resolução de mérito, nos termos do artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil). Tais decisões transitaram em julgado. Posteriormente, a Recorrente impetrou o Mandado de Segurança n° 000423259.2011.4.03.6108 insurgindose contra o procedimento autorizado adotado na execução fiscal em questão, postulando a anulação das imputações realizadas mediante utilização do pagamento a maior realizado no âmbito do PAES. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13827.000238/201043 Acórdão n.º 1301003.637 S1C3T1 Fl. 7 6 Foi prolatada sentença denegando a segurança, conforme informado pela própria Recorrente. Interposto recurso de apelação, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, constatei que em 07 de junho de 2017 a 3ª Turma daquele Tribunal, por unanimidade de votos, negoulhe provimento1. Opostos embargos de declaração, os mesmos foram 1 DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO RETIDO NÃO REITERADO. MANDADO DE SEGURANÇA. SENTENÇA DE INADEQUAÇÃO DA VIA PROCESSUAL. MÉRITO PREJUDICADO. NULIDADE INEXISTENTE. IMPUGNAÇÃO À IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO FEITA PELO FISCO APÓS AUTORIZAÇÃO JUDICIAL DADA NO EXECUTIVO FISCAL. ALEGAÇÃO DE NULIDADE E DE ILEGALIDADE. VIA IMPRÓPRIA. DISCUSSÃO CABÍVEL EM CADA FEITO EXECUTIVO CONFORME EFEITOS DA DECISÃO E ESTADO DO PROCESSO. DESPROVIMENTO DA APELAÇÃO. 1. Não reiterado, em razões ou contrarrazões, não se conhece do agravo retido. 2. Rejeitada a preliminar de nulidade da sentença, pois assentada a inadequação da via eleita para a discussão proposta, o respectivo mérito resta prejudicado, não se cogitando de falta de motivação da sentença quanto a este pedido. 3. No mérito, as alocações de pagamento contra as quais se insurge a impetrante foram expressamente autorizadas, em 07/02/2007, pelo Juízo da execução fiscal 000313968.2005.4.03.6109, como se constata da cópia da decisão que, naqueles autos, rejeitou a exceção de préexecutividade oposta pelo contribuinte. Nesta medida, tratase de procedimento que, muito embora cabível e realizado, via de regra, na seara administrativa, incidiu, no caso, de maneira superveniente a executivos fiscais já em curso. É dizer, tratase de ato judicializado desde a sua origem, de modo que seus efeitos propriamente originamse nas execuções fiscais em relação às quais procedeu o órgão fazendário ao encontro de contas. 4. Concluise, daí, que correta a sentença, no que entendeu que as imputações de pagamento realizadas de ofício pelo Fisco deveriam ser discutidas nos autos em que foram observados seus efeitos, e não em ação mandamental de liame probatório alheio a tais feitos. 5. A discussão sobre o eventual excesso, por produção de efeitos em outra causa, além daquela em que restou deferida a medida, deve ser deduzida, precisamente, nos autos respectivos, a partir de fatos concretos, e não em sede de mandado de segurança para produzir efeitos genéricos em prejuízo de eventuais atos e decisões judiciais proferidas. 6. A inadequação da via eleita pelo contribuinte para discussão do ato impugnado resta patente da mera análise perfunctória de alguns dos executivos fiscais pertinentes às CDAs afetadas pelo procedimento. É de se observar, por exemplo, que a execução fiscal 000313968.2005.4.03.6109, referida pela sentença, foi extinta, por sentença datada de 07/02/2011 meses antes do ajuizamento do presente mandamus , sem notícia de interposição de recurso, a despeito da apelante reiteradamente referirse ao executivo como "em trâmite". Pretendese, portanto, provimento de viés rescisório, a desconstituir a coisa julgada, formada, aliás, muito depois da própria decisão que determinou as imputações ora contestadas. A hipótese é vedada expressamente pelo artigo 5º, III, da Lei 12.016/2009 e amplamente rejeitada pela jurisprudência. 7. De outra parte, como se constata da consulta ao sistema informatizado da Terceira Região, em decisão datada de 22/06/2015, a execução fiscal 000603516.2007.4.03.6109 foi suspensa, por adesão a parcelamento. Dado que as cópias mais recentes daqueles autos constantes da mídia acostada neste feito datam de 23/05/2011, não há informação disponível sequer para tomar conhecimento da totalidade dos eventos que seriam afetados pela hipotética procedência do pedido deduzido neste apelo, a evidenciar que o presente mandamus é meio impróprio para a análise que se requer. 8. Em ainda um terceiro exemplo, nos autos 000668563.2007.4.03.6109 (embargos à execução fiscal 0003912 16.2005.4.03.6109) os efeitos das alocações de pagamento aqui discutidas foram afastados em sede de apelação, para se reconhecer a existência de causa extintiva anterior do débito (a saber, compensação), rejeitandose, ali, a tese fazendária. 9. É inviável que se analise o ato tido como coator em abstrato e de maneira absolutamente desvinculada de sua própria eficácia, que se propaga diversamente em diferentes execuções fiscais. Portanto, não merece reforma a sentença. 10. Mesmo que assim não fosse, é de se observar que, deferidas judicialmente as imputações, o seu cabimento, se insatisfeito o contribuinte, deveria ter sido objeto de irresignação recursal, a tempo e modo, pela via própria para a articulação da questão. Dado que o agravo de instrumento interposto à decisão em foco (0025162 31.2007.4.03.0000) não veiculou nada a este respeito, é forçosa a conclusão de que o presente mandamus revestir seia de substitutivo recursal (caso o mérito não se encontrasse precluso), caso em que também não é admitido, conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça em caso análogo. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13827.000238/201043 Acórdão n.º 1301003.637 S1C3T1 Fl. 8 7 rejeitados. Houve interposição de recursos especial e extraordinário pelo contribuinte, e, até esta data, não consta no sítio do Tribunal o resultado de suas admissibilidades. No que diz respeito à possível concomitância entre o presente processo administrativo e o Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente, entendo assistir razão ao contribuinte, uma vez que inexiste identidade de objetos entre as demandas administrativa e judicial: enquanto no presente processo se requer o reconhecimento do pagamento indevido no âmbito do PAES, e a consequente restituição dos valores em questão, a discussão no âmbito do processo judicial diz respeito à possibilidade de utilização desse indébito, a pedido da PGFN, para quitação de débitos do contribuinte cobrados em sede de execução fiscal, pedido esse deferido pelo Poder Judiciário em decisão transitada em julgada e que o contribuinte procurou desconstituir por meio da impetração de Mandado de Segurança, sem sucesso até o momento em julgamentos já realizados em primeira e segunda instância. Conforme se observa, não há identidade de objetos entre a demanda, uma vez que não há, cumulativamente, identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativo e judicial, elementos essenciais para caracterização da concomitância. Corroborando tal entendimento, há também inúmeros precedentes do CARF: 11. É certo que, do acervo probatório, o Fisco pautouse, quanto às alocações de pagamento, pela autorização ampla dada pelo Juízo da execução fiscal nº 000313968.2005.4.03.6109, de modo que, nada obstante o ofício 84/2007EFADI tenha se restringido às CDAs 80.2.05.03099919, 80.4.05.00019188, 80.6.05.04289770, 80.6.05.04289850 e 80.7.05.01330458, o procedimento foi adotado também para as dívidas em cobro em outros executivos fiscais. Desta constatação, contudo, não decorre a viabilidade da presente ação mandamental, mas a necessidade de se suscitar este mérito em cada uma das execuções fiscais afetadas, caso entendida como abusiva a conduta do Fisco, pelas razões já expostas. 12. Neste tocante, devese distinguir o mérito das alocações de pagamento efetuadas da legalidade do procedimento adotado. Assim, de dizerse que a decisão que autorizou a realização do procedimento, em determinado âmbito, restou inatacada, não resulta, necessariamente, que tenha havido coisa julgada material quanto à regularidade das alocações de pagamento realizadas, como constou do parecer acadêmico entregue pela apelante à Turma. A matéria poderia ser veiculada, nos autos próprios, inclusive a título de defesa contra ato superveniente praticado pelo Fisco, se existente via processual para tanto, a partir de impugnação a cargo da parte interessada. Não seria possível, porém, usar de mandado de segurança como extensão impugnativa em relação às vias próprias e específicas, como pretendido. 13. Pelo contrário, o alicerce do raciocínio aqui desenvolvido, como se percebe, é justamente o de que a legalidade do procedimento adotado pelo Fisco, se posta em dúvida, deve ser discutida nos autos em que manifestados seus efeitos. É pressuposto lógico do raciocínio, pois, que não está a se considerar, em abstrato e como premissa inarredável, a existência de coisa julgada material a tornar as alocações de pagamento inatacáveis, independentemente da situação processual ocorrida em cada um dos executivos fiscais. 14. Apelação a que se nega provimento. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento ao apelo, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 07 de junho de 2017. CARLOS MUTA Desembargador Federal Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13827.000238/201043 Acórdão n.º 1301003.637 S1C3T1 Fl. 9 8 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do Carf. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracterizase pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Acórdão n° 9303003.348 – 3ª Turma da Câmara Superior, sessão de 10/12/2015, Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) PAF CONCOMITÂNCIA – INOCORRÊNCIA. Não há concomitância, quando não coincidentes os objetos dos processo judicial e administrativa. Precedente do STJ e da CSRF. (Acórdão n° 3402 002.084 – 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Relator Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça) PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza se a concomitância guando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. [...](Acórdão n° 3402 002.204 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Relator Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho) No mesmo sentido, assim decidiu o E. STJ: “TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2. A exegese dada ao dispositivo revela que: "O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13827.000238/201043 Acórdão n.º 1301003.637 S1C3T1 Fl. 10 9 com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003, p. 349). 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência. 4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) ¬ com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior (pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato). 5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. 6. Mutatis mutandis, mencionada exclusão não pode ser tomada com foros absolutos, porquanto, a contrario sensu, tornase possível demandas paralelas quando o objeto da instância administrativa for mais amplo que a judicial. 7. Outrossim, nada impede o reingresso da contribuinte na via administrativa, caso a demanda judicial seja extinto sem julgamento de mérito (CPC, art. 267), pelo que não estará solucionado a relação do direito material. 8. Recurso Especial provido, divergindo do ministro relator. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 840.556¬AM; Reg. nº 2006/0085196 9, em sessão de 26/09/06, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Rel p/Ac Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 20/11/06 p. 286) Tal entendimento é corroborado, inclusive, pela própria RFB, conforme Parecer Normativo Cosit nº 7 de 22 de agosto de 2014: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13827.000238/201043 Acórdão n.º 1301003.637 S1C3T1 Fl. 11 10 a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta;[grifos nossos] [...] Superada a questão da inexistência de renúncia à esfera administrativa, no mérito, entendo não assistir razão à Recorrente. No que diz respeito ao sobrestamento do feito até o trânsito em julgado no bojo do Mandado de Segurança n° 000423259.2011.4.03.6108, não havendo qualquer decisão que suspenda os efeitos da sentença na Execução Fiscal n° 2005.61.09.00313972 (com decisão transitada em julgado), na qual já se utilizou o crédito ora pleiteado pela Recorrente, há de se prosseguir o presente julgamento administrativo levandose em consideração que o crédito ora requerido não só já foi reconhecido pela própria PGFN ao requerer seu aproveitamento para quitação de débito do contribuinte objeto de execução fiscal, como também exaurido quando de seu aproveitamento integral no bojo daquela contenda executiva. Vejase que o imbróglio não se originou com o pedido da PGFN – em 2007 em aproveitar tais recolhidos, mas sim da tentativa do contribuinte, no ano de 2010, de requerer restituição de valores já utilizados no ano de 2007, ainda que a pedido da PGFN, para o adimplemento de débitos do contribuinte, sendo que tal encontro de contas se deu mediante sentença transitada em julgado e não contestada pela Recorrente. A mera tentativa do contribuinte de anular tal decisão não pode ter o condão de manter sobrestado o julgamento de um pedido de restituição natimorto, pois, no momento do pedido de restituição, os valores pagos a maior já haviam sido utilizados para quitação de outros débitos, e sequer o contribuinte havia impetrado o Mandado de Segurança (proposto somente em 23/05/2011) com objetivo de anular a decisão judicial, digase de passagem, transitada em julgado, que acolheu o pedido da PGFN para utilização dos valores ora requeridos para quitação de débitos do contribuinte. 2 Muito antes pelo contrário, pois, conforme já esclarecido, em 07/06/2017 a 3ª Turma do TRF da 3ª Região confirmou a sentença que denegou a segurança pleiteada. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13827.000238/201043 Acórdão n.º 1301003.637 S1C3T1 Fl. 12 11 No que diz respeito ao mérito do procedimento adotado pela PGFN e da decisão judicial transitada em julgado, por óbvio, este Tribunal Administrativo não possui competência para tal revisão. Como consequência, no mérito, não há mais qualquer indébito a se reconhecer nos presentes autos, sob pena de duplicidade de utilização por parte da Recorrente. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 342DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.904740/2011-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES.
A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES.
Numero da decisão: 3002-000.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. Recorrente ATHALAIA GRAFICA E EDITORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 82/83 dos autos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 47 40 /2 01 1- 49 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10166.904740/201149 Acórdão n.º 3002000.597 S3C0T2 Fl. 104,5 2 Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas, em razão da glosa dos créditos advindos de empresa optante pelo SIMPLES. Basicamente, a manifestante alega que nas consultas juntadas nenhuma das empresas consta como optante do SIMPLES NACIONAL, além disso os fornecedores eram atacadistas e o IPI foi creditado com base no artigo 165 do RIPI. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada (fls. 82/84): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 29/01/2015 (vide AR à fl. 86 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 27/02/2015, Recurso Voluntário (fls. 89/100). Em seu recurso, o contribuinte repisou os argumentos de sua impugnação, no sentido de que estaria demonstrado nos autos que a empresa emitente das notas fiscais originadoras do alegado crédito não constaria como optante do sistema do Simples Nacional à época dos fatos, mas em período diverso do compreendido no processo, e que era optante pelo Simples Candango, sistema que nada teria a ver com o Simples Nacional. Pediu, ao fim, a reforma do acórdão recorrido para que seja reconhecida a correção da compensação realizada e extinto o crédito tributário perseguido. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, o Recorrente repisa em seu recurso os mesmos argumento trazidos em sua manifestação de inconformidade apresentada, no sentido de que a Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10166.904740/201149 Acórdão n.º 3002000.597 S3C0T2 Fl. 105 3 empresa emitente das notas fiscais em tela não seria optante do sistema do SIMPLES NACIONAL. Verificase, contudo, que o contribuinte apresenta argumentação que não se adequa ao caso concreto aqui analisado. Ora, extraise do despacho decisório (fls. 13 e seguintes dos autos) que este deixou de homologar parte da compensação pretendida sob o fundamento de que a empresa emitente da nota fiscal seria optante do SIMPLES. Observese que em nenhum momento o despacho decisório indicou que a razão seria de que a empresa fosse optante do SIMPLES NACIONAL. E nem poderia ser diferente, visto que, como é cediço, embora o SIMPLES tenha sido criado em 1996, através de MP convertida na Lei º 9.317/1996, este fora substituído pelo SIMPLES NACIONAL tão somente em 2006, quando a referida lei foi revogada pela Lei Complementar nº 123/06. Nesse contexto, como os créditos aqui analisados estão relacionados à notas fiscais emitidas em 2002, é certo que não possui qualquer relação com o SIMPLES NACIONAL, mas sim com o SIMPLES vigente à época. Tanto que a DRJ, ao julgar o caso, fez uma pertinente distinção entre os referidos sistemas, tendo esclarecido que a razão para a não homologação de parte da compensação estava relacionada ao fato de a fornecedora ser optante do SIMPLES FEDERAL, que não se confunde com o SIMPLES NACIONAL. Sendo assim, diante da inadequação dos argumentos apresentados pela Recorrente em seu Recurso, somada à inexistência de combate quanto aos reais fundamentos apresentados pela DRJ, transcrevo o conteúdo da decisão recorrida a seguir, adotandoa como razão de decidir: De plano constato nos sistemas da Receita Federal do Brasil que, na época da emissão das notas fiscais, a empresa era optante do SIMPLES Federal, que não se confunde com o SIMPLES Nacional, até porque a opção por este último só se deu a partir de agosto de 2007, conseqüentemente, as consultas juntadas pela empresa no SIMPLES NACIONAL não produzem efeitos no presente processo Outrossim, vejamos a disposição do artigo art. 165 do RIPI de 2002 citado pela Manifestante, in verbis: Art. 165. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão, ainda, creditarse do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos de comerciante atacadista nãocontribuinte, calculado pelo adquirente mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinqüenta por cento do seu valor, constante da respectiva nota fiscal. (Decretolei nº 400, de 1968, art. 6º). A matriz legal da disposição acima é o art. 6º do DL 400, de 1968. Frisese: 1968. Nessa época, nem se cogitava da existência do regime de tributação dito SIMPLES. Todavia, em 1996 foi publicada a Lei n° 9.317, que, expressamente, fulminou o direito de crédito do IPI nas aquisições de insumos efetuadas perante empresa optante do Simples. Merece transcrição a disposição do § 5º do art. 5º da Lei n° 9.317, de 1996 (art. 166 do RIPI/2002): Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10166.904740/201149 Acórdão n.º 3002000.597 S3C0T2 Fl. 105,5 4 § 5º A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Portanto, a partir da publicação da Lei n° 9.317, de 1996, por certo que o artigo 165 do RIPI/2002 deve ser interpretado considerando a vedação imposta pela lei superveniente. Desta forma, se o comerciante atacadista não contribuinte do IPI for optante do SIMPLES, descabe o aproveitamento do crédito do imposto calculado na forma do mencionado artigo 165. Cabe lembrar que, fornecedores que recolhem seus tributos pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições – Simples, que é forma beneficiada e simplificada de tributação, o fazem de livre escolha. No entanto, quando feita a opção, deve este se sujeitar a todas as normas, restrições e obrigações impostas por lei. Neste sistema, a tributação do IPI também é diferenciada, não se seguindo as alíquotas dispostas na TIPI e sim, um acréscimo de percentual na alíquota aplicada sobre a receita bruta, sendo assim, a tributação já é favorecida e não há que se falar em sistemas de débitos e créditos, que só é aplicada na forma normal de tributação. Assim dispunha a Lei nº 9.317, de 1996: Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: .................................................................................................................. § 5º A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI e ao ICMS. § 6º O disposto no parágrafo anterior não se aplica relativamente ao ICMS, caso a Unidade Federada em que esteja localizada a microempresa ou empresa de pequeno porte não tenha aderido ao SIMPLES, nos termos do art. 4º. (g.n). Pela leitura do texto legal acima citado, depreendese que, ao optar pelo Simples, a contribuinte fica sujeita à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos ao IPI. A LC nº 123/2006 revogou a Lei nº 9.317/96, porém manteve a vedação ao crédito na aquisição de fornecedores optantes pelo SIMPLES: Art.23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional. Por fim, relativamente ao argumento de boa fé, cabe ponderar que o caso em comento, referese a uma relação negocial envolvendo de um lado empresa comercial que adquire insumos e de outro, suposta, empresa fornecedora, o que, de plano, exigese um dever mínimo de cautela entre as partes envolvidas, ou seja o dever acautelatório necessário às boas práticas comerciais. No caso, uma empresa optante do SIMPLES emite um documento onde isso não é mencionado. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10166.904740/201149 Acórdão n.º 3002000.597 S3C0T2 Fl. 106 5 Admitir que um documento inidôneo confere direito ao crédito do IPI resultaria em repassar ao Estado um ônus que não lhe é devido, pois, inerente ao risco da atividade mercantilista, ou mesmo, de qualquer negócio. Por outro lado, nada impede que a pessoa lesada busque no Poder Judiciário o ressarcimento das perdas e danos que o(s) vendedor(s) possa(m) ter causado. Contudo, se o fornecedor não agiu de má fé, como é optante do SIMPLES e não devia destacar e pagar o IPI, tratase de recolhimento indevido, o que não se enquadra como ressarcimento ao adquirente, mas, sim, como restituição ao vendedor nos termos dos artigos 165 e 166 do CTN. Assim, diante do exposto, voto que se julgue a manifestação como improcedente. Entendo, portanto, que a decisão acima transcrita deverá ser mantida por seus próprios fundamentos. Nesse mesmo sentido vem decidindo este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a exemplo das decisões a seguir colacionadas: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. DILIGÊNCIA. ANÁLISE. Tendo a fiscalização verificado na diligência que os documentos apresentados pela contribuinte eram suficientes para a comprovação parcial do crédito alegado, impõese o seu reconhecimento nessa medida. IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES. OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. Em face de determinação expressa na lei, é vedado o creditamento do IPI sobre aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES. Recurso Voluntário provido em parte. (Acórdão nº 3402003.182 de 21/07/2016). (Grifos apostos). *** Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. Recurso voluntário negado (Acórdão nº 3202001.592 de 18/03/2015). (Grifos apostos). Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10166.904740/201149 Acórdão n.º 3002000.597 S3C0T2 Fl. 106,5 6 Por oportuno, não é demais registrar que o ônus da prova quanto ao direito creditório em pedidos de compensação é do contribuinte, o qual não se desincumbiu deste ônus no caso concreto ora analisado. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.907603/2009-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1002-000.589
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 76 03 /2 00 9- 13 Fl. 148DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 121 à 125) interposto contra o Acórdão n° 0121.929, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (efls. 114 à 117), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo não homologação da compensação pretendida. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: Tratase de declaração de compensação transmitida em 23/03/2007 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 25.963,94, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 12/2003, no valor originário de R$ 25.963,94. A Delegacia de origem, em análise datada de 07/10/2009 (fl. 6), asseverou que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou, em 19/11/2009 manifestação de inconformidade (fls. 10/11) na qual alega, em síntese, que: a) Conforme DIPJ/2004 referente ano calendário de 2003, ficou isenta do pagamento da CSLL por ter neste período apurado um prejuízo fiscal durante todo o ano calendário, conforme consta nas paginas 14 a 18 da DIPJ/2004; b) Conforme DCTF do período de 2003, consta declarado o valor da CSLL do período de apuração 31.12.2003 e seu respectivo pagamento (pagina 05 da DCTF), b) Conforme DARF citado acima, porém, este débito não existe, pois conforme item anterior, a empresa estava isenta do pagamento das antecipações mensais, devido ao prejuízo fiscal apurado no período; Ao final, requer o deferimento da PERD/COMP citada no processo, para que seja efetivada a compensação dos tributos nela declarados. Em virtude do poder de síntese manifestado em Recurso Voluntário, transcrevo suas razões de mérito: 2 Mérito: 2.1 Da Declaração de Compensação: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10283.907603/200913 Acórdão n.º 1002000.589 S1C0T2 Fl. 149 3 Nobres julgadores verificase claramente no voto do r. Relator algumas obscuridades, bem como inúmeras divergências, conforme abaixo será demonstrado sistematicamente: É mencionado que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatouse que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pela própria Recorrente, não existindo crédito a compensar. Todavia, não foi demonstrado cabalmente, a qual débito teria sido efetuada a alocação, não sendo mencionando, por exemplo, o número da PERD/COMP, o valor já compensado, a data ou qualquer outra informação que demonstrasse que a compensação relativamente ao presente processo estaria a maior. Já com relação à confissão de dívida declarada pela Recorrente, da forma equivocadamente aludida pelo Relator, cabe consignar que parece sem sentido admitir que a própria contribuinte tome a iniciativa de confessar a existência de uma obrigação que primordialmente é decorrente da lei, bastando para que ela nasça a simples ocorrência do fato gerador. Repisese que o quantum declarado em DCTF não é confissão de dívida, mas apenas um instrumento para formalizar o recolhimento do tributo. A Administração Pública, em qualquer dos seus âmbitos, deve observar em seus atos, a aplicabilidade dos princípios básicos constantes no artigo 37, da Constituição Federal, destacando especialmente o da legalidade, motivação e segurança jurídica, bem como a atuação de acordo com a lei e o direito, devendo ser observadas as formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados. Desta feita, o ato administrativo deve ser vinculado, principalmente quando se trata de ato administrativo tributário e não pautada em uma suposta faculdade totalmente deturpada. Na sequência é mencionado pelo nobre Relator que " (...) deve restar provada a existência do direito creditório invocado. (...) Assinalese que a DCTF, por si só, não exprime nem materialize o indébito fiscal." Apontase, neste trecho da decisão a maior divergência encontrada, já que inicialmente fora narrado pelo próprio Relator que foi constatado nos próprios sistemas da SRFB a alocação do DARF, no importe de R$ 25.963,94. Assim, a menção de que apenas a DCTF não constitui o direito ao indébito é inquestionavelmente incongruente, pois num primeiro plano é afirmado que existe um DARF e posteriormente alegado que apenas a DCTF não é prova do direito constitutivo do indébito fiscal. Ressaltese que de fato, no ano calendário de 2003, conforme o informado na DIPJ/2004 foi apurada base negativa, havendo o recolhimento antecipado, por estimativa, a título de CSLL (período de apuração 12/2003), o que fora devidamente lançado Fl. 150DF CARF MF 4 em DCTF, estando, portanto, a Recorrente apta a repetir as antecipações mensais, devido ao prejuízo fiscal apurado durante todo o ano calendário de 2003. Deste modo, fica claramente provada pela Recorrente a existência de um crédito a seu favor, lhe sendo inerente a faculdade de compensálo com quaisquer outros débitos que por ventura viessem a existir. De fato, o que ocorreu foi uma compensação efetuada com base no recolhimento antecipado por estimativa da CSLL, sendo apurado, posteriormente, base negativa, ensejando a repetição, devidamente comprovada pelo DARF, DCTF e DIPJ. Os documentos compensatórios foram juntados às fls. do PTA, em especial o DARF e DIPJ. Concluise que a não homologação da PER/DCOMP, objeto desta discussão, consequentemente, com o não reconhecimento de seu direito creditório é um verdadeiro atentado ao direito cristalino da Recorrente em ter efetuada a referida compensação, já que, repisese, demonstrado o seu direito constitutivo por meio do DARF, juntado às fls. 25 do PTA, comprovado e informado o prejuízo no ano calendário de 2003 através da DIPJ/2004, bem como declarada a compensação através de DCTF. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, opino por seu conhecimento. Da impugnação ao crédito No entanto, quanto à compensação pretendida, não assiste razão ao Recorrente. Alega o Contribuinte possuir crédito contra a Administração Tributária, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal, para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10283.907603/200913 Acórdão n.º 1002000.589 S1C0T2 Fl. 150 5 Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. No entanto, o Recorrente não adimpliu tal mister documental. Deveria o Contribuinte ter apresentado coletânea probatória apta a confirmar seu pleito ou rechaçar os aspectos abordados na decisão de piso; contudo, não o fez. Nessa senda, tornase imperativo ressaltar que a autoridade preparadora identificou o aproveitamento do crédito já em outra circunstância, o que acaba por esvaziar a correção da DCOMP ora sob exame. Portanto, assiste razão o Acórdão a quo, o qual analisou com louvável detalhamento o pleito do Recorrente, pelo que transcrevo suas passagens relevantes, utilizando destas como fundamento para a presente decisão, em homenagem ao §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: (...) No caso presente, ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 12/2003. Ocorre que, em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatouse que o referido DARF encontravase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito passivo, não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. Neste ponto, vale referir que o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. Assim, é condição necessária embora não suficiente a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. Esclareça se, ainda em relação ao tema, que a desconstituição do crédito tributário formalizado pelo pagamento e confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido Fl. 152DF CARF MF 6 ou a maior. Ou seja, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário vinculado ao pagamento antecipado (lançamento por homologação1), não se mostra suficiente que o contribuinte promova a redução do débito confessado em DCTF, fazendose necessário, notadamente, que demonstre, por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Repisese que em hipótese tal qual a dos autos, deve restar provada a existência do direito creditório invocado, mediante demonstração inequívoca da base de cálculo e do tributo apurado no período. Logo, a certeza e liquidez do crédito reclamado, para fins de repetição tributária, não se apura em razão do QUANTUM do tributo declarado à Receita Federal do Brasil, mas sim em relação ao QUANTUM demonstrado, analiticamente, pela documentação contábil e fiscal. Assinalese que a DCTF, por si só, não exprime nem materializa o indébito fiscal. A constituição do crédito tributário também decorre do próprio pagamento, mediante a modalidade de lançamento dita por homologação, sendo que sua desconstituição depende de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento a maior ou indevido. Neste passo, observese que em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. Acrescendo a tudo o que se afirmou até aqui, o Decreto n° 70.235, de 1972, assim dispõe: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.° da Lei n.° 8.748/1993) (grifouse) Constatase, pois, que figura como ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua manifestação de inconformidade, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Toda declaração de compensação depende da existência de um crédito. Como o contribuinte não teve reconhecido seu hipotético direito creditório, em sede de manifestação de inconformidade, a Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10283.907603/200913 Acórdão n.º 1002000.589 S1C0T2 Fl. 151 7 declaração de compensação não homologada pela unidade de origem permanece nessa mesma situação (não homologada). Quanto ao mais, a alegação do Recorrente no sentido da DCTF não representar natureza de confissão de dívida, ressalto que a jurisprudência do CARF é pacífica em sentido oposto. Para ilustrar tal fato, transcrevo ementa do Acórdão nº 3301004.663, de 22 de maio de 2018, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. DCTF TEM NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. Apurada a falta de recolhimento do IPI não declarado em DCTF, ou cuja declaração foi entregue após o início da ação fiscal, devese constituir o crédito tributário como encargos legais correspondentes. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CABIMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular de ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. Recurso Voluntário Negado. Por fim, esta Turma Extraordinária já firmou entendimento que não cumpre ao Julgador proceder com uma análise contábil ou de auditoria nos pleitos efetuados pelo Recorrente, de modo que este deve apresentar seu direito de forma clara, objetiva e precisa. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Fl. 154DF CARF MF 8 Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10283.907603/200913 Acórdão n.º 1002000.589 S1C0T2 Fl. 152 9 realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 156DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.000754/92-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS (PIS/Dedução)
Exercício: 1987
EFEITOS DA POSTERGAÇÃO Tendo sido caracterizada a postergação,
imperiosa a aplicação das normas vinculantes contidas no PN CST n° 02/96, sob pena de improcedência do lançamento que as desatendeu, já que não se cumpriu a determinação do contido no art. 6° do Decreto-lei n° 1.598/77.
Contrariedade à lei não configurada.
Numero da decisão: 9101-001.284
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGADO provimento ao recurso. O Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior votou pelas conclusões
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ASSUNTO: Contribuição para o PIS (PIS/Dedução) Exercício: 1987 EFEITOS DA POSTERGAÇÃO Tendo sido caracterizada a postergação, imperiosa a aplicação das normas vinculantes contidas no PN CST n° 02/96, sob pena de improcedência do lançamento que as desatendeu, já que não se cumpriu a determinação do contido no art. 6° do Decretolei n° 1.598/77. Contrariedade à lei não configurada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGADO provimento ao recurso. O Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior votou pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Claudemir Rodrigues Malaquias, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI 2 Relatório Conforme se depreende dos autos, no presente processo discutese a exigência de contribuição para o PIS na modalidade “dedução do IR”, como reflexo do auto de infração discutido no processo n° 10855.000755/9281, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). Assim sendo, a Quinta Câmara, em virtude do principio da decorrência processual, aplicou ao acórdão de n° 10514.580 (proferido neste processo) o decidido pelo julgado principal, de n. 10514.331. Por sua vez, a Fazenda Nacional, inconformada com a decisão consubstanciada no Acórdão n° 10514.331 (Sessão de 18 de março de 2004), que, por maioria de votos deu provimento parcial ao recurso para excluir da tributação a parcela de CZ$ 133.908,14, referente ao item correção monetária do balanço por descumprimento dos efeitos da postergação, ingressou com Recurso Especial por contrariedade à lei. Argumenta o ilustre Procurador da Fazenda Nacional que a Câmara, ao assim decidir, não acolheu a correta exegese da postergação tributária, extrapolando o alcance daquele instituto. Aduz que o lançamento dos juros e multas pertinentes ao crédito tributário deve ser mantido, sob pena de "manifesta ofensa pelo r. acórdão ao disposto no Decretolei n° 1.598, art. 6°, § 7º, interpretado pelo PN COS1T n° 02/96." Em sede de agravo contra o despacho que não deu seguimento ao recurso, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitiuo. No Recurso Especial, a PFN defende que o não recolhimento de juros e multa correspondentes à postergação do pagamento do imposto colidiria com o § 7° do art. 6° do Decretolei n° 1.598/77, e, fazendo menção ao item 6.2 do Parecer Normativo Cosit n° 02/96, afirma que "a postergação pode elidir o lançamento do crédito tributário de per se, mas não os juros e multa. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10855.000754/9218 Acórdão n.º 9101001284 CSRFT1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Como relatado, a exigência discutida neste processo é reflexo daquele objeto do processo de n° 10855.000755/9281, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), e que, assim sendo, em virtude do principio da decorrência processual, a Quinta Câmara aplicou ao acórdão guerreado o decidido pelo julgado principal, de nº 10514.331, cuja ementa assim expressa, no que interessa ao recurso especial, verbis: “IRPJ DESCUMPRIMENTO DO REGIME DE COMPETÊNCIA APLICAÇÃO DO PN CST N° 02/96 FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DA PROVISÃO PARA O IMPOSTO DE RENDA A falta de contabilização da provisão para o imposto de renda provoca aumento do montante do patrimônio líquido a ser corrigido por ocasião do encerramento do período seguinte, provocando redução no montante do imposto de renda a ser recolhido naquele período. Como conseqüência, no próximo período, nova distorção contábil provocada por aquele erro, determinará redução do montante do patrimônio líquido com conseqüente aumento do imposto de renda a ser calculado, provocando notório caso de postergação do imposto de renda, que, deixado de ser recolhido em um período, será compensado parcial ou integralmente por recolhimentos nos períodos subseqüentes. Tendo sido caracterizada a postergação é imperiosa a aplicação das normas vinculantes contidas no PN CST n° 02/96, sob pena de improcedência do lançamento que as desatendeu, já que não se cumpriu a determinação do contido no art. 6º do Decretolei n° 1.598/77”. O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional está vazado nos seguintes termos: “O r. acórdão ao tempo em que reputa correta a acusação de falta de provisão afasta o ilícito fiscal em face de pretensa postergação. Data vertia, entende a FAZENDA NACIONAL que o r. acórdão não acolheu a correta exegese da postergação tributária, extrapolando, assim, o alcance daquele instituto. Nesse diapasão, nunca é demais lembrar o texto do Decretolei n° 1.598, art. 6º, § 7°, "o disposto nos §§ 4° e 6° não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência.” De igual sorte o Parecer Normativo COSIT n° 02/96 dispõe expressamente que a postergação pode elidir o lançamento do crédito tributário de per se, mas não os juros e multa, verbis: "6.2 0 fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em períodobase posterior, ao pagamento Fl. 121DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI 4 dos valores do imposto ou da contribuição social postergados deve ser considerado no momento do lançamento de oficio, o qual, em relação ás parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte já não os tenha pago.” No caso em tela, não há prova nos autos que a Recorrida tenha recolhido os juros e multas correspondentes à pretensa postergação, nem mesmo aquela suscitou isso em sua defesa. Assim, cabe ser mantido o lançamento dos juros e multas pertinentes ao crédito tributário, sobe pena de manifesta ofensa pelo r. acórdão ao disposto no Decretolei n° 1.598, art. 6°, § 7°, interpretado pelo PN COSIT n° 02/96.” Vêse que a Fazenda Nacional considera que o acórdão recorrido contrariou a lei porque deixou de exigir juros e correção monetária em relação ao período da postergação. Contudo, não é esse o sentido da decisão da Quinta Câmara. O que restou decidido é que, de acordo com o art. 6º do Decretolei nº 1.598/77, caberia exigir os juros e correção monetária decorrentes da postergação, mas que, para tanto, a fiscalização deveria apurálos, e não o fez. No voto condutor do acórdão recorrido, o relator fez uma minuciosa análise da lei e do parecer normativo que esclarece sua aplicação. Consta do voto: “...E o PN 02196 trouxe situação idêntica à que ora se aprecia, quando apreciou o art. 6° do Decretolei n° 1.598/77: (.. 5.1 O art. 6° de onde foram transcritos estes parágrafos, trata, em seu todo, de definir o que é o lucro real e de estabelecer os critérios para a sua correta determinação, seja pelo contribuinte, seja pelo fisco, como, aliás, esta CoordenaçãoGeral já se manifestou por intermédio do relendo Parecer Normativo CST n° 57/79.” Estabelecida a necessidade de harmonização dos valores tributáveis, ou do lucro real apurado, o PN cuidou de definir os mecanismos procedimentais a serem aplicados à espécie, quando assim se expressou: 5.3 Chamase a atenção para a letra da /e/ o comando é para se ajustar o lucro liquido, que será o ponto de partida para a determinação do lucro real não se trata, portanto, de simplesmente ajustar o lucro real, mas que este resulte ajustado quando considerados os efeitos das exclusões e adições procedidas no lucro liquido do exercício, na forma do subitem 5.2. Dessa forma, constatados quaisquer fatos que possam caracterizar postergação do pagamento do imposto ou da contribuição, devem ser observados os seguintes procedimentos: (...) Dessa forma, considerando que os efeitos provocados nos resultados contábeis e fiscais em todos os períodos de apuração posteriores ficam definitivamente alterados pelos efeitos Fl. 122DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10855.000754/9218 Acórdão n.º 9101001284 CSRFT1 Fl. 3 5 provocados pela falta de contabilização da provisão para o imposto de renda em determinado exercício, uma vez que isso provoca um aumento do saldo devedor de correção monetária de balanço do ano seguinte, seguido por uma diminuição do saldo devedor no próximo ano, que se segue de novo aumento que tem como seqüência de nova redução, os efeitos se reproduzem, não apenas no período seguinte, mas em todos os períodos compreendidos entre o período fiscalizado e o último período encerrado antes do procedimento fiscalizatório. Por isso, deveria a fiscalização, não apenas glosar o excesso de saldo devedor de 1996, mas recompor todos os resultados, e, na forma estabelecida pelo PN 02/96, proceder aos ajustes para eliminar as distorções da postergação procedida e, ao final, se fosse o caso, exigir o montante de tributo que correspondesse à insuficiente, se isso ocorrer, em seu recolhimento, tudo sem esquecer de imputar juros moratórios e penalidades por descumprimentos de prazo, etc. Resta um questionamento sobre a qual dos agentes compete efetuar a recomposição dos valores, se ao contribuinte ou ao fisco. Isso também ficou determinado, de forma vinculada aos servidores públicos encarregados de executar a fiscalização das empresas, como consta do item 5.2 do PN: 5.2 — O § 4°, transcrito, é um comando endereçado tanto ao contribuinte quanto ao fisco. Portanto, qualquer desses agentes, quando deparar com uma inexatidão quanto ao períodobase de reconhecimento de receita ou de apropriação de custo ou despesa deverá excluir a receita do lucro liquido correspondente ao períodobase indevido e adicionála ao lucro liquido do período base competente; em sentido contrário, deverá adicionar o custo ou a despesa ao lucro líquido do períodobase indevido e excluílo do lucro líquido do períodobase de competente," Portanto, cabia ao fisco proceder aos ajustes, já que a inexatidão contábil foi constatada e considerada pelo agente fiscal no exercício regular de sua função fiscalizadora. (...) Portanto, em 1992, a fiscalização deveria ter procedido à recomposição dos valores vinculados à correção monetária do balanço, especialmente dos reflexos provocados pela equivocada mensuração contábil do patrimônio líquido da empresa, compensando os valores que pudessem ser compensados e exigindo eventual diferença final do tributo. Tudo isso definido e claramente demonstrado, resta avaliar a forma de tratar tais efeitos no presente julgamento. (...) Assim, tendo concluído, pela própria sistemática de cálculo e apuração da correção monetária de balanço, que alguns erros Fl. 123DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI 6 nela constatados, inclusive a super avaliação de contas constantes do patrimônio líquido da empresa submetida a tal sistemática, implicam em cálculo indevido de despesas, no caso, saldo devedor (ou redução do saldo credor), fato que provoca redução do patrimônio liquido que se sujeita à correção no ano seguinte, estamos diante do instituto da postergação, o que exige a aplicação do contido no PN 02/96, em todos os períodos de apuração correspondentes ao período sobre o qual se instala a fiscalização, até o último período encerrado antes da data em que se encerra a fiscalização. Sem contar que no presente caso, a empresa alega ter efetuado o recolhimento do tributo com a atualização monetária e juros, o que representa recomposição do patrimônio líquido que reduz significativamente os efeitos da falta de apropriação da provisão para o imposto de renda, mas, como bem alega a autoridade recorrida, não é suficiente para recompôlo integralmente, uma vez que sua atualização é parcial, limitada ao período do atraso no pagamento, enquanto a sistemática da correção monetária do balanço reflete os efeitos inflacionários (de atualização de valores) de todo o ano (período) seguinte. O lançamento, além de desconsiderar os efeitos da postergação, tornando impossível constatar eventual efetiva insuficiência, apresenta por esses exatos reflexos, valor incompatível com a realidade, carecendo de liquidez e certeza. (...)”. Vêse que, diferentemente do alegado pela Fazenda Nacional, não se vislumbra, no Acórdão guerreado, contrariedade ao art. 6º do Decretolei nº 1.598/77, mas seu fiel cumprimento. Isto posto, NEGO provimento ao recurso da D. Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de janeiro de 2012 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 124DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/03/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 13678.000007/2005-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
DCTF. MULTA POR ATRASO.
A partir do ano-calendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz.
Numero da decisão: 1001-000.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidadeo e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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MULTA POR ATRASO. A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidadeo e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 8. 00 00 07 /2 00 5- 23 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13678.000007/200523 Acórdão n.º 1001000.999 S1C0T1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 77 a 81) interposto contra o Acórdão nº 0214.398, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls. 63 a 71), que, por unanimidade, julgou improcedente a Impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 DCTF. MULTA POR ATRASO. A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. Lançamento Procedente" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Contra o interessado acima identificado, foram lavrados quatro autos de infração, juntados nas fls. 9 a 12. Eles formalizam exigências de multas por atraso na entrega de Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). A soma dos valores exigidos nos quatro autos resulta em R$ 4.400,00. Este valor e os períodos a que se referem as DCTF são abaixo discriminados: Como enquadramento legal foram citados: § 3° do art. 113 e art. 160 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — C'TN); art. 4°, combinado com o art. 2°, da Instrução Normativa SRF n° 73, de 19 de dezembro de 1996; art. 2° e 6° da Instrução Normativa SRF n.° 126, de 30 de outubro de 1998, combinado com o item I da Portaria do Ministério da Fazenda n.° 118, de 26 de agosto de 1984; art. 50 do Decretolei n.°2.124, de 13 de junho de 1984; art. 7° da Media Provisória n.° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n.° 10.426, de 24 de abril de 2002. A ciência dos lançamentos se deu em 14/10/2004 (AR, fls. 13 a 16). Em 12/11/2004, foi apresentada a impugnação de fls. 1 a 4. Nela, pedese que seja declarada a nulidade ou a improcedência dos lançamentos. Fundamentam o pedido os seguintes argumentos: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13678.000007/200523 Acórdão n.º 1001000.999 S1C0T1 Fl. 4 3 • a contribuinte apresentou as DCTF dos quatro trimestres dos anos calendários de 2000 a • 2002, em atendimento a intimação do fisco; • entretanto, não estava obrigada, porque é pessoa física equiparada a pessoa jurídica, nos termos dos arts. 151 a 166 do Decreto n.° 3000, de 26 de março de 1999 (Regulamento de Imposto de Renda, RIR, de 1999): o a pessoa fisica equiparada não está obrigada a apresentar DCTF, porque o art. 160 do Regulamento, que cuida das obrigações acessórias, não prevê a obrigação de entregar DCTF; o conseqüentemente, os autos de infração são nulos de pleno direito, são improcedentes e não têm amparo legal; • os lançamentos referentes aos anos de 2000 a 2002 são improcedentes, porque não houve movimento; • as DCTF referentes ao anocalendário de 1999 são necessárias, porque houve retenção de imposto de renda na fonte, mas as multas correlatas foram calculadas de forma errada: o a contagem dos meses está incorreta; o o valor das multas, de acordo com a lei, deve ser mais benéfica, em razão do cumprimento da obrigação; o as multas devem ser recalculadas, considerando o número correto de meses e o percentual de 2%, incidente sobre os valores declarados; • a conduta do auditor contraria a Carta Magna e o CTN, porque não respeita o critério material da hipótese tributária.”. Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Impugnação, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base nos mesmos elementos que já havia apresentado em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13678.000007/200523 Acórdão n.º 1001000.999 S1C0T1 Fl. 5 4 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Quanto a argüição de nulidade do Auto de Infração, ela é descabida. A matéria é regida exclusivamente pelos arts. 59 e 60 do Dec. n.° 70.235, de 1972, abaixo transcritos: "Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influirem na solução do litígio." Como o auto de infração foi lavrado por pessoa competente e não é despacho nem decisão, as razões apresentadas não se enquadram nas hipóteses do art. 59 acima. Portanto, o ato não é nulo. Outras irregularidades, incorreções e omissões não importam nulidade, mas saneamento, quando muito. Entretanto, nada há que demande o saneamento previsto no art. 60 retro. No ato contestado não há o que prejudique o próprio processo, ou o estabelecimento da relação jurídica processual, nele constando todas as formalidades exigidas na legislação para que seja considerado válido ou juridicamente perfeito. Em verdade, não se verificam, no Auto de Infração, irregularidades, incorreções nem omissões que prejudiquem o reclamante, ou influam na solução do litígio. Quanto ao mérito, não se acolhe a alegação de que a contribuinte estava dispensada de apresentar DCTF. Ser pessoa fisica equipara a pessoa jurídica não afasta a obrigação. A partir de 1999, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, estavam obrigadas a apresentar DCTF. E o que determina o art. 2° da IN SRF n.° 126, de 30 de outubro de 1998, abaixo transcrito: "Art. 2° A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz." Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13678.000007/200523 Acórdão n.º 1001000.999 S1C0T1 Fl. 6 5 As exceções da obrigatoriedade foram listadas de forma exaustiva no art. 3° da IN SRF n.° 126, de 30 de outubro de 1998. A impugnante não comprova satisfazer nenhuma das condições nele estabelecidas, para que fosse dispensada da apresentação. Uma das hipóteses de dispensa, prevista no inciso III do art. 3 0 da IN SRF n.° 126, de 2001, é a inatividade. De acordo com esse dispositivo, consideramse inativas as pessoas jurídicas que não realizaram nenhuma atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial. Diz, ainda, o inciso III do parágrafo único do referido art. 3°, que a pessoa jurídica anteriormente inativa não está dispensada da apresentação da DCTF, a partir do trimestre em que realizar qualquer atividade. No caso, a condição não se verifica. Em relação aos anos calendários de 2000, 2001 e 2002, as DIPJ apresentadas pela contribuinte comprovam que houve receita de vendas em todos eles (fls. 23, 24 e 25). No anocalendário de 2000, houve apuração e recolhimento de imposto mensal por estimativa em todos os trimestres (fls. 18 a 22, 26 e 27). A contribuinte efetuou pagamento de salários a empregados no decorrer dos anos de 2001 e 2002, que somaram, respectivamente, R$ 14.040,00 e R$ 13.073,40 (fls. 28 e 29). Em 31/05/2002, houve recolhimento de multa, código de receita 5338 (fl. 27). Todas essas atividades, operacionais ou financeiras, são mais do que suficiente para demonstrar que não se aplica a alegada dispensa por inatividade. Relativamente ao atraso na entrega das DCTF do anocalendário de 1999, o cálculo das multas não está errado. A multa exigida é a prevista no art. 7° da Lei n.° 10.426, de 24 de abril de 2002. A aplicação retroativa dessa Lei é autorizado pelo art. 106 do CTN, tendo em vista que a penalidade por ela imposta é menos gravosa do que a da legislação anterior. Segundo a Lei n.° 10.426, de 2002, para o cálculo do valor da multa, aplicase, sobre o montante de tributos e contribuições declarado, o percentual de 2% ao mês calendário ou fração, limitado a 20%. Em conseqüência desse limite, para atrasos superiores a 10 meses, o percentual é sempre o mesmo, qual seja, 20%. A impugnante não contesta as datas de encerramento dos prazos de entrega das DCTF nem a data da efetiva entrega indicada no auto de infração. Limitase a dizer que o número de meses de atraso está errado. Ora, tratase de DCTF relativas a 1999 entregues em 01/11/2002. Independentemente da forma como se conte o lapso temporal entre os marcos indicados no auto de infração, sempre se obterá atraso superior a 10 meses. Conseqüentemente, o percentual a aplicar é invariável. Acrescentase que o § 30 do art. 7° da Lei n.° 10.426, de 2002, fixa limite mínimo para o valor da multa. No caso, o valor exigido já é o mínimo admitido, não sendo possível situação mais benéfica do que esta. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13678.000007/200523 Acórdão n.º 1001000.999 S1C0T1 Fl. 7 6 Finalmente, ao contrario do que alega a impugnante, não cabe para nenhum beneficio em razão do cumprimento da obrigação. 0 inciso II do § 2° do art. 7° da Lei n.° 10.426, de 2002, estabelece que, observado o disposto no § 3 0, as multas serão reduzidas a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Ainda que a fiscalizada tenha observado o prazo fixado na intimação, a redução não se aplica, porque o valor exigido já é o mínimo, estabelecido no § 3°. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR DE NULIDADE suscitada e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
