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Numero do processo: 13971.003491/2010-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 30/11/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE.
O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária.
Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao contraditório nem à ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura o contencioso fiscal.
AIOP. RELATÓRIO FISCAL. NÃO REPRODUÇÃO DOS DOCUMENTOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar de reproduzir os documentos de onde foram coletados os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos públicos, elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos fatos geradores tenham sido apurados, diretamente, nos documentos da empresa, e cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descrevam de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na autuação fiscal.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇOES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa aplicada deve obedecer ao disposto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, até a competência 11/2008, inclusive, e no artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, para as competências de 12/2008, inclusive, em diante.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Wilson Antonio de Souza Correa, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao contraditório nem à ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura o contencioso fiscal. AIOP. RELATÓRIO FISCAL. NÃO REPRODUÇÃO DOS DOCUMENTOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar de reproduzir os documentos de onde foram coletados os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos públicos, elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos fatos geradores tenham sido apurados, diretamente, nos documentos da empresa, e cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descrevam de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 34 91 /2 01 0- 95 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na autuação fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇOES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa aplicada deve obedecer ao disposto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, até a competência 11/2008, inclusive, e no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, para as competências de 12/2008, inclusive, em diante. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Wilson Antonio de Souza Correa, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 91 3 Período de apuração: 01/08/2005 a 30/11/2007 Data da lavratura do AIOP: 30/07/2010. Data da Ciência do AIOP: 30/07/2010 Tratase de auto de infração lançado em desfavor da empresa acima identificada, mediante o qual se formaliza o lançamento tributário de contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição mensal, as quais deveriam ter sido arrecadas pela empresa mediante desconto das respectivas remunerações mensais e recolhidas no prazo e na forma previstas na legislação previdenciária, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 39/40. Constituemse fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas “por fora” para o administrador contratado Charles Edouard Koehler, formalmente registrado na Indústria de Malhas Isensee ltda, e reconhecido pela ré no processo RT 04953/2008 da 1ª Vara do Trabalho de Blumenau, nos circunstâncias consignadas no Termo de Audiência, a fl. 41. De acordo com Relatório Fiscal, os saláriosdecontribuição (remunerações) lançados no presente Auto Infração foram declarados em GFIP da empresa Indústria de Malhas Isensee durante a ação fiscal. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 44/49. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa textualizada n o Acórdão a fls. 60/65, julgando procedente o lançamento em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04 de julho de 2011, conforme Avisos de Recebimento – AR, a fl. 68. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 235/243, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que é parte ilegítima para figurar no polo passivo, uma vez que toda a fiscalização realizada se deu sobre empresa distinta (Deth Malhas), possuidora de outro CNPJ, não possuindo qualquer relação com a Impugnante; · Cerceamento de defesa, uma vez que a Recorrente, em momento algum, teve disponibilizado pelo Auditor Fiscal os documentos utilizados para subsidiar os autos de infração, fazendo mera referência, ou seja, até no momento da entrega dos referidos autos de infração a Recorrente, não teve acesso a tal documentação, impedindo assim, o exercício do pleno direito de defesa, alijando a fruição dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que a empresa Deth Malhas Ltda teve seu CNPJ suspenso de ofício, verdadeira arbitrariedade, onde principio do contraditório e ampla defesa foram alijados, expurgados, em busca do interesse único da Recorrida; · Recorrida tem o poder de fiscalização, Entretanto, tal poder de polícia não pode prejudicar a manutenção e a viabilidade do próprio funcionamento da atividade, em respeito, repitase exaustivamente, ao princípio da preservação da empresa, que, como visto, foi erigido ao nível de garantia constitucional; · Que a criação do CNPJ se deu através do Decreto n° 3.000/99 e que somente um ato normativo de hierarquia igual ou superior poderia modificálo. Aduz que a decretação de suspensão do CNPJ, instituída por Instrução Normativa, extrapola os limites impostos pelo Decreto instituidor do CNPJ, que nada dispôs quanto a isso; · Que é inconcebível atribuir a existência de grupo econômico diante de pessoas jurídicas distintas e que possuem vínculos distintos. Ao fim, requer o cancelamento do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 04/07/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 02 de agosto do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Argumenta o Recorrente que a empresa Deth Malhas Ltda teve seu CNPJ suspenso de ofício, verdadeira arbitrariedade, onde principio do contraditório e da ampla defesa foram alijados, expurgados, em busca do interesse único da Recorrida. Aduz que a Secretaria da Receita Federal tem o poder de fiscalização, mas que tal poder de polícia não pode prejudicar a manutenção e a viabilidade do próprio Fl. 93DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 92 5 funcionamento da atividade, em respeito ao princípio da preservação da empresa, que foi erigido ao nível de garantia constitucional. Acrescenta que a criação do CNPJ se deu através do Decreto n° 3.000/99 e que somente um ato normativo de hierarquia igual ou superior poderia modificálo. Aduz que a decretação de suspensão do CNPJ, instituída por Instrução Normativa, extrapola os limites impostos pelo Decreto instituidor do CNPJ, que nada dispôs quanto a isso. Pondera, ainda, o Recorrente ser inconcebível atribuir a existência de grupo econômico diante de pessoas jurídicas distintas e que possuem vínculos distintos. Tais alegações, no entanto, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não integram o litígio em julgamento. O Recorrente aproveitou a oportunidade concedida pela lei para se manifestar nos autos para deduzir arrazoado a respeito de questões inerentes a outros Lançamentos Tributários lavrados na mesma ação fiscal, as quais somente poderão ser apreciadas e decidas nos autos dos Processos Administrativos Fiscais correspondentes, não detendo este Conselho competência para, nestes autos, proferir decisão sobre matéria que não lhe é atávica. Registrese que, no rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal contida em cada demanda administrativa, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Impugnante e que não tenham sido objeto da exigência fiscal contida na contenda de per se considerada, ou que não guardem relação direta com os fundamentos do lançamento em debate, como se consubstanciam, exatamente, as alegações deduzidas pelo Recorrente nos parágrafos preambulares deste tópico. Com efeito, o lançamento em questão decorreu da apuração de pagamentos de salário a segurado obrigatório do RGPS, reconhecidos pela Autuado em Termo de Audiência, e por esta declarados em suas GFIP na curso da ação fiscal, nada tendo a ver com a contratação de trabalhadores por interposta pessoa (Deth Malhas Ltda) ou com a caracterização de grupo econômico, fatos estes que são totalmente irrelevantes para o julgamento do presente Recurso Voluntário. Por tais motivos, esquivamonos de apreciar as questões acima ventiladas, eis que em seu obséquio não se houve por instaurado, nos vertentes autos, qualquer controvérsia ou litígio a ser dirimida por este Colegiado. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Alega o Recorrente o cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que não lhe foi disponibilizado pelo Auditor Fiscal os documentos utilizados para subsidiar os autos de infração, fazendo mera referência. Afirma que, até o momento da entrega dos presentes autos de infração, ele Recorrente não teve acesso a tal documentação, impedindo assim, o exercício do pleno direito de defesa, alijando a fruição dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. A razão, todavia, não lhe sorri. Em primeiro plano, mostrase auspicioso destacar que o lançamento tributário se configura legalmente como um procedimento administrativo, privativo da autoridade fiscal competente, com o objetivo de apurar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O procedimento administrativo delineado no parágrafo precedente é inaugurado, em regra, por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Durante a fase oficiosa, os atos ex officio praticados pelo agente fiscal bem como os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são unilaterais da fiscalização, sendo juridicamente inexigível a presença do contraditório na fase de formalização do lançamento. A fase oficiosa ou não contenciosa encerrase com a ciência do contribuinte do lançamento tributário levado a cabo, se for o caso, podendo ele, aquiescendo, nada alegar, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe é exigido, ou, numa atitude diametralmente oposta, discordando da exigência, impugnar o lançamento, exercendo assim o seu direito ao contraditório e à ampla defesa, inaugurando, assim, a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal, a teor do art. 14 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Nessa perspectiva, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem ao contraditório e à ampla defesa nessa fase inquisitorial, mas, sim, posteriormente, com a impugnação ao lançamento pelo sujeito passivo, quando então se instaura o contencioso fiscal. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 93 7 Ao contrário do que entende o Recorrente, em virtude de sua natureza inquisitiva, a ausência do contraditório na fase preparatória do lançamento não o nulifica. Anotese que o auditor fiscal possui a prerrogativa, mas não a obrigação, de exigir do sujeito passivo a prestação de esclarecimentos e informações de interesse da fiscalização. O contribuinte, sim, encontrase jungido pelo dever jurídico de prestar à autoridade fiscal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme assim preceitua o inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91. O Recorrente, de fato, demonstra total desconhecimento do rito utilizado no Processo Administrativo Fiscal. Com efeito, o forum próprio, específico e único, no âmbito administrativo, para o exercício do contraditório e da ampla defesa em face de lançamento tributário da natureza do presente é exatamente este, no qual ora nos encontramos, cuja fase litigiosa, conforme já salientado, se inaugura com o oferecimento de impugnação à exigência fiscal, no prazo de trinta dias contados da data da intimação da exigência, devendo ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, sendo certo que a matéria que não for expressamente contestada pelo Impugnante será tida, para todos os efeitos, como verdadeira, nos termos dos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72. Processo Administrativo Fiscal Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532/97) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) Não procede a alegação de cerceamento de defesa aviada pelo Recorrente, ao fundamento de não lhe terem sido disponibilizados, pelo Auditor Fiscal, os documentos utilizados para subsidiar os autos de infração, fazendo mera referência. Temse observado nos últimos tempos a banalização da alegação de “cerceamento de defesa” por aqueles que, não dispondo de argumentos substanciais para a impugnação do Auto de Infração, a levantam de maneira infundada, como se fosse uma panaceia universal hábil a afastar todos os efeitos decorrentes do lançamento tributário. Mas não é bem nesse tom que a banda toca. O cerceamento de defesa se configura quando ocorre uma limitação ilegal na produção de provas de uma das partes no processo, que acaba por prejudicar a parte em relação ao seu objetivo processual. Assim, qualquer obstáculo que impeça uma das partes de se defender, na forma e nas condições de contorno legalmente permitidas pela lei processual correspondente e fixa o rito processual específico em questão, gera o cerceamento da defesa, causando a nulidade do ato e dos que se seguirem, por violação ao devido processo legal. No caso dos autos, os fatos geradores houveramse por apurados diretamente dos assentamentos registrados nos documentos da própria empresa autuada, confeccionas sob sua responsabilidade, orientação e domínio, beirando ao escárnio a alegação de que “a Recorrente, em momento algum teve disponibilizado pelo Auditor Fiscal, os documentos utilizados para subsidiar os autos de infração, fazendo mera referência, ou seja, até no momento da entrega dos referidos autos de infração a Recorrente, não teve acesso a tal documentação, impedindo assim, o exercício do pleno direito de defesa, alijando a fruição dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa”. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 94 9 O vínculo formal entre a empresa e o trabalhador em questão houvese, também, por reconhecido no Termo de Audiência, a fl. 41, no qual consta, expressamente, o reconhecimento por parte da autuada do pagamento “por fora” de salário mensal de R$ 900,00 desde a admissão até dezembro/2005 e de R$ 1.800,00 desde janeiro/2006 até a rescisão contratual. O Relatório Fiscal descreve, de maneira clara e precisa os fatos geradores que compõem o presente lançamento, assim como as fontes documentais de onde foram coletados. Descreve, também, de maneira extremamente detalhada a motivação do lançamento em desfavor da empresa autuadas, discorrendo pausadamente sobre todos os elementos de convicção da autoridade fiscal para a imputação sobre a qual ora nos debruçamos. Aditese que o Relatório Fiscal, em seu item 18, elenca todos os documentos examinados pela fiscalização e que forneceram esteio fático ao presente lançamento: 18. Documentos examinados 18.1. Para apuração dos valores lançados neste AI, foram analisados os seguintes documentos: a) Folha de pagamento; b) Documentos de caixa; c) Livros contábeis de 2005 da Malhas Isensee; d) GFIP; e) Contratos Sociais e Alterações. OBS. Não foram apresentados pela Malhas Isensee os livros contábeis de 2006 a 2009 e autuada por isso. É de pueril percepção que os fatos geradores lançados pela fiscalização houveramse por apurados a partir de documentos da titularidade da Autuada, apresentados pelo sujeito passivo à fiscalização, elaborados sob o seu domínio e responsabilidade, e confeccionados sob seu comando e orientação. Nesse contexto, sendo do conhecimento do Recorrente a origem e materialidade dos fatos geradores que constituem o lançamento, e estando os documentos de apuração em sua posse e responsabilidade, despicienda se revela a reprodução de tais elementos de prova no corpo do Relatório Fiscal, sendo bastante e suficiente a mera referência. O Relatório Fiscal suso referido informa igualmente os procedimentos adotados pela Autoridade Lançadora na condução da ação fiscal, os documentos de fundamentação do procedimento administrativo assim desencadeado, os documentos exigidos para exame da fiscalização, bem como aqueles analisados e considerados na apuração do débito. De outro eito, as informações pertinentes às contribuições sociais objeto do presente lançamento encontram dispostas no Discriminativo Analítico de Débito, de forma discriminada por competência e estabelecimento, sendo especificadas as rubricas lançadas, os fatos geradores apurados, suas bases de cálculo, valores absolutos e as alíquotas Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 correspondentes a cada uma das contribuições sociais exigidas, de molde que sua correcção e consistência podem ser sindicadas a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo. O documento descrito no parágrafo precedente informa também, de forma individualizada por rubrica lançada, os valores dos créditos de titularidade do contribuinte que foram considerados no presente lançamento, as GPS recolhidas, os valores de dedução legal considerados e as diferenças a recolher, assim como os códigos de cada levantamento que integra a presente notificação fiscal e os códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social, de terceiros e a Classificação Nacional de Atividades Econômicas a que se enquadra a empresa recorrente. O Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA realiza de maneira discriminada por lançamento, estabelecimento e competência, a exposição de como os créditos em favor do contribuinte, constituídos segundo os seguintes documentos: GRPS, GPS, LDC, CRED (créditos diversos) e DNF (valores destacados em nota fiscal ainda não recolhidos), houveramse por apropriados pelo sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil e distribuídos pelos diversos documentos de constituição de crédito tributário lavrados pela fiscalização (autos de infração e notificações de lançamento), indicando para cada documento os valores apropriados para cada item de apuração e código de levantamento, assim como a prioridade de apropriação. De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado foram devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, assim como no relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD, o qual se houve por elaborado de maneira extremamente individualizada por lançamento, sendo estruturado de forma atomizada por tópicos específicos condizentes com os mais diversos e variados aspectos relacionados com procedimento fiscal e o crédito tributário ora em apreciação, descrevendo, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao Autuado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, favorecendo dessarte o contraditório e da ampla defesa. Não se mostra prolixidade destacar que o lançamento fiscal é constituído por uma diversidade de Termos, Relatórios e Discriminativos, sendo certo que a captação e compreensão das condições de contorno que individualizam e modelam a exação exigida decorrem não de um único relatório, mas, sim, da interpretação conjunta, sistemática e teleológica de todos os documentos que integram o lançamento de ofício, apreciados à luz da legislação de regência, atividade essa que exige profissionais capacitados e com conhecimento específico sobre o tema, como assim sói ocorrer em toda e qualquer área da atividade governamental, econômica e intelectual da era pósmoderna. A complexidade e a sinergia dos diversos ramos do conhecimento assim exigem. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIPF, TIF e TEPF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao Notificado. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 95 11 O relatório intitulado “Instruções para o Contribuinte – IPC” instrui o sujeito passivo quanto ao seu exercício de defesa, salientado, expressamente, que esta deve ser “formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamenta ou com as razões porque não os apresenta, especificando as provas que se pretenda produzir”. Especifica, ainda, o prazo legal para a impugnação, bem como o local para a sua apresentação, bem como os elementos essenciais à instrução de defesa. Inexiste, portanto, qualquer óbice procedimental da parte da fiscalização ao pleno exercício de defesa pelo Autuado. Malgrado as alegações apostas nesta preliminar de mérito, a empresa demonstrou, tanto em sua impugnação ao lançamento como no recurso em face da decisão de primeira instância, ter compreendido como perfeição os motivos ensejadores da vertente notificação de lançamento. Com efeito, os Diplomas Jurídicos e os preceitos normativos sobre os quais se alicerça a exação ora atacada foram enfrentados pelo Recorrente com precisão cirúrgica, da mesma forma que o fora a descrição dos fatos jurígenos tributários apurados pelo fisco, não se vislumbrando nos instrumentos de bloqueio acima delineados qualquer argumentação desvinculada ou alheia ao lançamento que tornasse verossímil a alegação de que, concretamente, houve por cerceado o direito de defesa do sujeito passivo recorrente, fato que revela terem os relatórios fiscais integrantes deste Processo Administrativo Fiscal cumprido fielmente o papel que lhe fora atribuído pela lei. 2.2. DA LEGITIMIDADE PASSIVA O Recorrente alega ser parte ilegítima para figurar no polo passivo, uma vez que toda a fiscalização realizada se deu sobre empresa distinta (Deth Malhas), possuidora de outro CNPJ, não possuindo qualquer relação com a Impugnante. Tal alegação beira à galhofa. Anotese que o Termo de Início de Procedimento Fiscal houvese lavrado em face da empresa Indústria de Malhas Isensee ltda, CNPJ 83.107.714/000120, intimando esta a apresentar uma miríade de documentos, havendo sido assinado, inclusive, pelo Sr. Otavio Isensee, diretor / sóciogerente, CPF 309.040.80900. Por outro lado, o Termo de Intimação Fiscal foi lavrado, igualmente, em face da empresa Indústria de Malhas Isensee ltda, CNPJ 83.107.714/000120, intimando esta a apresentar uma serie de outros documentos, havendo sido assinado pela Sra. Roberta Baptista Simas, Auxiliar de Recursos Humanos, CPF 003.696.22952. Além disso, o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal foi lavrado em louvor à empresa Indústria de Malhas Isensee ltda, CNPJ 83.107.714/000120, estando assinado, pelo Sr. Otavio Isensee, diretor / sóciogerente, CPF 309.040.80900. Alguém saberia dizer quem são essas pessoas? Registrese, ainda, que constituemse fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas “por fora” para o administrador contratado Charles Edouard Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Koehler, formalmente registrado na Indústria de Malhas Isensee ltda, e reconhecido pela ré no processo RT 04953/2008 da 1ª Vara do Trabalho de Blumenau, nos circunstâncias consignadas no Termo de Audiência, a fl. 41, no qual resta consignado, expressamente, o reconhecimento por parte da autuada do pagamento “por fora” de salário mensal de R$ 900,00 desde a admissão até dezembro/2005 e de R$ 1.800,00 desde janeiro/2006 até a rescisão contratual. Notem que a Reclamada na Reclamatória Trabalhista suso referida é a própria Indústria de Malhas Isensee ltda e não a Deth Malhas Ltda. O reconhecimento da filiação do segurado Charles Edouard Koehler com a Autuada é tão evidente que esta, no curso da ação fiscal, promoveu a declaração em GFIP dos saláriosdecontribuição lançados no presente Auto Infração. Com que fundamento vem então o Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, alegar a ilegitimidade passiva? Vencidas as preliminares, passamos a análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELA MORA NO RECOLHIMENTO. Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à multa de mora aplicada mediante lançamento de ofício. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, Fl. 101DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 96 13 neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promove a constituição formal do crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos em competências anteriores à vigência da MP nº 449/2008, ocasião em que fulgurava, vigente e eficaz, as normas atinentes à incidência de multa de mora irradiadas pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por ai. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de multa de ofício de 75%, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 103DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 97 15 III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária a ser aplicada ao recolhimento espontâneo feito a destempo e ao lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, agora se encontram dispostos em separado, respectivamente, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, coloquialmente falando, a lei que deu com uma mão, retirou com a outra. Se por um lado reduziu o percentual da multa moratória, incentivando dessarte a denúncia espontânea, pelo outro, fez inserir no ordenamento jurídico, em ádito, uma outra penalidade, assim denominada multa de ofício, visando a desencorajar o inadimplemento tempestivo da obrigação tributária principal. No novo regime legislativo, em se tratando de recolhimento espontâneo, o atraso no recolhimento de contribuições previdenciárias é apenado com a multa moratória assinalada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Dispensando agora um enfoque, exclusivamente, ao lançamento de ofício, que é a matéria posta em apreciação no vertente caso, observamos que a novel legislação severizou a penalidade a ser aplicada ao descumprimento total ou parcial da obrigação tributária principal. Com efeito, tratandose de lançamento de ofício, como assim se configura o presente caso, enquanto que a legislação anterior à MP nº 449/2008 previa multa pecuniária variando de 24% a 50%, em função da fase processual em que se encontrar o correspondente Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário, antes da inscrição em dívida ativa, a legislação atual prevê, em qualquer caso, a multa de ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 44 da Lei nº 9.430/96, à razão fixa de 75%, circunstância que demonstra que a novel legislação sempre se mostrará mais gravosa ao sujeito passivo do que a legislação então revogada, enquanto não ajuizada a execução fiscal. Diante de tal cenário, tratandose de lançamento de ofício, o atraso objetivo no recolhimento de contribuições previdenciárias pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, circunstância que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, devese observância aos comandos inscritos no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na sequência, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, incide a regra estampada nos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de Fl. 105DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 98 17 obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa de mora é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN, concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora de recolhimento trazida pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003031/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2006
IRPF. RENDIMENTOS DO CÔNJUGE. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO.
A inclusão do cônjuge como dependente caracteriza a opção pela tributação em conjunto, portanto, os rendimentos do cônjuge devem ser somados aos do declarante para efeito de ajuste na declaração anual.
Numero da decisão: 2201-001.683
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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RENDIMENTOS DO CÔNJUGE. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. A inclusão do cônjuge como dependente caracteriza a opção pela tributação em conjunto, portanto, os rendimentos do cônjuge devem ser somados aos do declarante para efeito de ajuste na declaração anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, consubstanciado na Notificação de Lançamento, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.519,10, calculados até 31/03/2008. Constatou a fiscalização, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 24: ... omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 8.784,63 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: O contribuinte apresentou impugnação tempestiva informando os rendimentos próprios e os rendimentos da esposa que declarou. Alega que não é declaração conjunta, que se trata de declaração individual, na qual apenas foram informados os rendimentos percebidos pela esposa, os quais são isentos de tributação. Que os rendimentos devem ser considerados isoladamente para fins de tributação. Solicita a restituição apurada em sua Declaração de Ajuste Anual anocalendário 2005 no valor de R$ 388,50 e o provimento à impugnação para declarar insubsistente a presente Notificação de Lançamento. A 8ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO CÔNJUGE DECLARADO COMO DEPENDENTE. A declaração incluindo esposa como dependente, sem que esta tenha apresentado declaração em separado, é opção feita pelo contribuinte e os rendimentos do cônjuge devem ser somados aos do declarante para efeito de ajuste na declaração anual. Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 18/05/2011 (fl. 53), Antonio Cirilo da Silva Santos apresenta Recurso Voluntário em 18/08/2009 (fl. 74), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: ... houve um erro de preenchimento, visto que os rendimentos de minha esposa foram indicados no campo destinado as informações do cônjuge, circunstância que demonstra que não havia a intenção de realizar declaração conjunta e muito menos de omitir rendimentos. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11020.003031/200866 Acórdão n.º 2201001.683 S2C2T1 Fl. 2 3 Então, há de ser dado provimento ao presente recurso, para o fim especial de declarar insubsistente a Notificação de Lançamento, considerando a declaração separado e a minha concordância em abrir mão das deduções correspondentes a indicação involuntária de minha esposa como dependente. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A matéria em debate nos autos é por demais conhecida pelos membros deste Conselho, já que se trata de solicitação para a exclusão do cônjuge da relação de dependência, após o lançamento de ofício. No julgamento de questões semelhantes este Órgão Administrativo pacificou entendimento, conforme se observa de alguns julgados idênticos ou similares que transcrevo: IRPF RENDIMENTOS DO CÔNJUGE DECLARAÇÃO EM CONJUNTO No caso de declaração em que um dos cônjuges figura como dependente na declaração apresentada em nome do outro cônjuge, os rendimentos do primeiro devem ser oferecidos à tributação nessa mesma declaração. As omissões poderão ser objeto de lançamento de ofício. (Acórdão nº: 10420.419) RPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS Se o contribuinte optou pela declaração de rendimentos em conjunto, incluindo sua esposa como dependente, os rendimentos tributáveis recebidos pela cônjuge devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração. (Acórdão 10246378) IRPF MANUTENÇÃO DA OPÇÃO FEITA. DECLARAÇÃO Tendo o contribuinte optado por apresentar a Declaração de Ajuste Anual em conjunto, incluindo sua esposa como dependente, cabe a autoridade fiscal respeitar a opção e não modificála; portanto, correta a tributação de rendimentos do trabalho assalariado comprovadamente omitido em nome do cônjuge varoa. (Acórdão 10613130) DECLARAÇÃO EM CONJUNTO – Na declaração em conjunto, os rendimentos do cônjuge e dependentes, devem ser somados aos do declarante para efeito de ajuste na declaração anual. (Acórdão 10616543) Com efeito, o contribuinte exerceu uma opção beneficiandose das deduções da base de cálculo e deseja alterar a sua opção após ser cientificado do auto de infração. Em verdade, essa opção não se confunde com erro, portanto, não tem abrigo no artigo 147 do Código Tributário Nacional. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Nessa conformidade, entendo que o lançamento foi efetuado corretamente e, conseqüentemente, não há que se falar em exclusão do rendimento da dependente da exigência fiscal. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 15563.000772/2009-90
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2005 COMPRA E VENDA DE JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS EM CONSIGNAÇÃO. RECEITA BRUTA. A receita bruta auferida pelo consignatário com a venda de mercadorias que lhe foram entregues em consignação, na modalidade de contrato estimatório, é o produto da venda destas mercadorias, aí incluído o valor de aquisição mais o lucro, se houver, podendo ser excluídos desse cômputo somente os valores correspondentes às vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos. EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DE RECEITA ACIMA DO LIMITE LEGAL. Apurada receita acima do limite legal, o Contribuinte é excluído da sistemática do Simples, com efeitos a partir do ano seguinte.
Numero da decisão: 1802-001.376
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2005 COMPRA E VENDA DE JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS EM CONSIGNAÇÃO. RECEITA BRUTA. A receita bruta auferida pelo consignatário com a venda de mercadorias que lhe foram entregues em consignação, na modalidade de contrato estimatório, é o produto da venda destas mercadorias, aí incluído o valor de aquisição mais o lucro, se houver, podendo ser excluídos desse cômputo somente os valores correspondentes às vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos. EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DE RECEITA ACIMA DO LIMITE LEGAL. Apurada receita acima do limite legal, o Contribuinte é excluído da sistemática do Simples, com efeitos a partir do ano seguinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 COMPRA E VENDA DE JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS EM CONSIGNAÇÃO. RECEITA BRUTA. A receita bruta auferida pelo consignatário com a venda de mercadorias que lhe foram entregues em consignação, na modalidade de contrato estimatório, é o produto da venda destas mercadorias, aí incluído o valor de aquisição mais o lucro, se houver, podendo ser excluídos desse cômputo somente os valores correspondentes às vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos. EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DE RECEITA ACIMA DO LIMITE LEGAL. Apurada receita acima do limite legal, o Contribuinte é excluído da sistemática do Simples, com efeitos a partir do ano seguinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I, que manteve lançamento para exigência de tributos no regime do Simples em 2005, bem como Ato de Exclusão do Simples com efeitos a partir de 01/01/2006, em razão de a Contribuinte ter ultrapasso o limite de receitas em 2005. A exigência fiscal abrange créditos tributários relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 98 a 162, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – Simples, com a rubrica principal nos valores de R$ 35.963,22, R$ 35.963,22, R$ 56.734,07, R$ 113.468,15 e R$ 232.431,34, respectivamente, aos quais foram ainda somados a multa de 75% e os juros moratórios. Os fatos geradores ocorreram ao longo do anocalendário 2005. Foram imputadas à Contribuinte duas infrações: diferenças em relação à base de cálculo oferecida à tributação (omissão de receitas) e insuficiência de recolhimento gerada pela mudança nos coeficientes para apuração do Simples, após a adição das receitas que não haviam sido declaradas. Em conseqüência do montante das receitas auferidas em 2005, a Contribuinte foi excluída do Simples a partir de 01/01/2006, conforme o Ato Declaratório Executivo nº 88, de 28/12/2009, às fls. 26. Os fundamentos para o lançamento e, conseqüentemente, para a exclusão do Simples, bem como os argumentos da primeira peça de defesa que foi apresentada após o procedimento fiscal estão muito bem descritos na decisão de primeira instância, Acórdão nº 12 38.548 (fls. 291 a 306): Conforme Termo de Verificação de fls. 43/50, a ação fiscal constatou que a movimentação financeira da interessada estava totalmente escriturada e que sua incompatibilização com as receitas declaradas decorria da forma e critérios de apuração das bases de cálculo do tributo. A interessada tem sua atividade ligada à distribuição de jornais, revistas e periódicos e entende que a receita a ser oferecida à tributação são as diferenças entre os valores recebidos e aqueles pagos a seus fornecedores, citando a Decisão 168 da SRRF/7ª RF, de 24/06/1998. Assim, segregou os valores totais recebidos de seus clientes jornaleiros entre as rubricas RECTO. POR CONTA DE TERCEIROS e DISTR. E MANUSEIO DE JORNAIS E REVISTAS, nºs 21110102 e 310202, sendo que apenas a última corresponderia à sua receita bruta oferecida à tributação. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 5 4 Ocorre que, em recurso especial de divergência a Coordenação Geral de Tributação reformou a Decisão citada, através da Solução de Divergência n° 9COSIT, cuja principal ementa é: “COMPRA E VENDA DE JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS EM CONSIGNAÇÃO. RECEITA BRUTA. A receita bruta das vendas de mercadorias em consignação é o produto da venda dos bens, aí incluído o valor de aquisição mais o lucro, se houver, podendo ser excluídos desse cômputo somente os valores correspondentes às vendas canceladas, aos descontos incondicionais concedidos e aos impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Dispositivos legais: Lei 5172/1966, art.44, Lei 8981/1995, art. 31; Decreto n° 3000/1999, art. 219 e 224;” A fiscalização apurou que tanto a interessada quanto seus clientesjornaleiros comercializavam as publicações por sua própria conta e risco, de tal sorte que se a restituição do encalhe não fosse possível, por quaisquer motivos, não se cogitaria em desoneração da obrigação de pagar o preço. Portanto, a natureza jurídica dos negócios é do contrato estimatório, caracterizado nos art. 534 e 535 do novo Código Civil. Assim, tratase de consignação por vendas, na qual a receita bruta advém da venda a terceiros das publicações recebidas em consignação, consideradas apenas as exclusões previstas: vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, já considerados. Foram apuradas omissão de receitas com base nos valores contabilizados na rubrica RECTO. POR CONTA DE TERCEIROS e DISTR. E MANUSEIO DE JORNAIS E REVISTAS, conta n°. 21110102 no Livro Razão n° 20, conforme Anexo I, fls. 51/56. Enquadramento legal da infração de omissão de receitas: art. 24 da Lei 9.249/95, art. 2°, §2°, 3°, §1°, alínea “a”, 5°, 7°, §1°, 18 da Lei 9.317/96, art. 3º da Lei 9.732/98 e arts. 186, 188 e 199 do RIR/99; Foi autuada também por insuficiência de recolhimento em virtude do art. 5° da Lei 9.317/96 c/c o art. 3° da Lei 9.732/98 e arts.186 e 188 do RIR/99. Considerandose os valores acumulados das receitas presumidas apuradas mês a mês, constantes da soma de valores declarados e de valores omitidos, conforme Planilha de fl. 49, a interessada está sendo objeto de representação fiscal fls. 21/25 para sua exclusão do SIMPLES, pois sua Receita total acumulada no ano calendário de 2005 atingiu R$ 5.180.014,52. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 6 5 O Ato Declaratório Executivo n° 88 de 28/12/2009 que comunica a Exclusão do Simples a partir de 01/01/2006 encontrase à fl. 26. Cientificada dos autos de infração e do Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES em 30/12/2009, fls. 169 e 26, respectivamente, a interessada apresentou a impugnação de fls. 174/178, em 29/01/2010, onde contesta o auto de infração e o Ato de exclusão, alegando, em síntese, o seguinte: • suas distribuições não são intermediações de vendas e considera como Receita bruta a soma dos valores recebidos de comissões pelas distribuições de jornais e revistas; • recebeu da "Editora Abril S/A” e Fernando Chinaglia Distribuidora S/A, principais distribuidoras de todas as revistas do país e ainda, Jornais “O Globo Infoglobo Comunicações Ltda.”, "Editora O Dia S/A” e outras empresas e editoras, jornais, revistas e periódicos em consignação, enviadas através de notas fiscais e outros documentos, para distribuição às bancas de jornais e revistas da cidade de Teresópolis e outros municípios do interior do Estado do Rio de Janeiro; • a fiscalização, ao tomar por base a Solução de Divergência n° 9 Cosit de 01/08/2007, autuou a empresa por valores muito maiores que a soma das comissões recebidas, tornando inviável a atividade; • a sua atividade é a consignação por comissão, onde consignantes remetem as mercadorias à distribuidora — consignatário — e esta vende por conta e ordem do consignante, ao preço previamente ajustado por este (preço de capa de jornais e revistas), ficando com direito a uma comissão pelo serviço prestado e devendo prestar conta pelo total do preço de venda, sendo a distribuidora apenas um comissionário; • na Solução de divergência n° 09Cosit foi citada a definição de Rubens Gomes de Souza, que diferencia “consignação por comissão” de “consignação por vendas”, onde nesta, o consignante fixa o preço que pretende pela mercadoria e o consignatário vende até mesmo acima desse preço, constituindo a diferença o lucro do consignatário, que fica obrigado a prestar conta apenas do preço fixado pelo consignante; • traça um paralelo com a Solução de consulta n° 112/2008 que trata da atividade de comércio sob consignação de veículos, para protestar que neste caso a Lei beneficia para dar tratamento de “por comissão”, quando deveria ser “por vendas”, já que a venda de veículos pode ser por preço superior ao contratado, e no caso dos jornais e revistas, tal não ocorre e não há o benefício da Lei; • recebeu em 2005 comissões por distribuição o total de R$ 440.181,18 e foi autuada em R$ 516.591,09, o que somando, teria que trabalhar 03 anos com entrega total das comissões Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 7 6 para pagar, o que esbarra no limite constitucional de utilização do tributo como confisco, citando a ADIN 551/RJ nesse sentido; • a fiscalização ainda fez os cálculos majorados pelo Simples quando até seria de melhor intenção e menos espoliação ter calculado sobre o regime do Lucro real, onde se deduzem as despesas e o custo das mercadorias vendidas, e o Pis e a Cofins seriam calculados 1,65% e 7,6% e ainda teriam direito ao crédito; Como mencionado, a DRJ Rio de Janeiro I manteve o lançamento e o ato de exclusão do Simples, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 DISTRIBUIÇÃO DE JORNAIS E REVISTAS. RECEITA BRUTA. Para efeito do pagamento devido mensalmente por empresa optante pelo Simples, considerase receita bruta na operação de distribuição de jornais e revistas, o produto da venda, excluídas apenas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. As insuficiências de recolhimentos, apuradas em decorrência de auditoria fiscal, sujeitamse a lançamento de oficio, cabendo à autoridade administrativa constituir o crédito tributário, nos termos do art. 142 do CTN. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. INSS. Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz em razão da relação de causa e efeito que os vincula. EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DE RECEITA ACIMA DO LIMITE LEGAL. Apurada receita acima do limite legal, o contribuinte será excluído da sistemática do Simples, com efeitos a partir do ano seguinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 8 7 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 26/01/2012 (quintafeira), a Contribuinte postou recurso voluntário em 27/02/2012 (segundafeira), onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 9 8 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples nos meses do anocalendário 2005, bem como à exclusão deste sistema a partir de 01/01/2006, em conseqüência do excesso de receitas no ano autuado. O lançamento está fundamentado em diferenças na base de cálculo oferecida à tributação (omissão de receitas), apuradas pelo confronte entre as receitas escrituradas e as receitas declaradas. Além disso, em razão da alteração nas faixas de receita bruta acumulada e, conseqüentemente, nos percentuais para a apuração do Simples, as diferenças acima mencionadas repercutiram em outra infração insuficiência de recolhimento sobre a receita declarada, que também foi objeto de lançamento. O aspecto central da controvérsia reside na interpretação que se dá à atividade desenvolvida pela Recorrente e a implicação disso na apuração da base de cálculo do Simples: O entendimento da Recorrente é que: (...) sua atividade é a consignação por comissão, onde consignantes remetem as mercadorias à distribuidora — consignatário — e esta vende por conta e ordem do consignante, ao preço previamente ajustado por este (preço de capa de jornais e revistas), ficando com direito a uma comissão pelo serviço prestado e devendo prestar conta pelo total do preço de venda, sendo a distribuidora apenas um comissionário; Sendo assim, sua receita bruta seria apenas a comissão recebida dos editores e fornecedores de jornais, revistas, etc., pela comercialização destes produtos. A Fiscalização, por sua vez, considera que a atividade da Contribuinte configura “consignação por vendas, na qual a receita bruta advém da venda a terceiros das publicações recebidas em consignação, consideradas apenas as exclusões previstas: vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, já considerados.” Nesse caso, a receita bruta corresponderia ao total recebido dos clientes, admitidas apenas as deduções normais, previstas na lei. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 10 9 A Lei 9.317/1996, que tratava do Simples Federal, dá os contornos para se compreender o conceito de receita bruta: Art. 2º (...) (...) § 2° Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. É interessante observar que para as “operações em conta alheia” a lei delimita o conceito de receita bruta ao “resultado” obtido nestas operações, restringindo a sua dimensão. O mesmo ocorre com a legislação normal do imposto de renda das pessoas jurídicas (Lei 8.981/1995, art. 31), relativamente à receita bruta nas operações de conta alheia, que também é caracterizada e medida pelo “resultado”. Assim, é necessário verificar se a receita bruta da Recorrente configurase como um “resultado”, representado na comissão recebida dos editores e fornecedores de jornais, revistas, etc., ou se, ao contrário, esta mesma receita bruta consiste no produto da venda de bens (jornais, revistas, etc.) em operações de conta própria. Para dirimir essa questão, a decisão recorrida buscou fundamento em uma solução de divergência em processos de consulta proferida pela Cosit (Solução de Divergência n° 09/2007), a qual reformou uma resposta de consulta dada pela 7ª Região Fiscal, que ia na linha do que está sendo sustentado pela Recorrente. É oportuno transcrever novamente o conteúdo desta solução de divergência em processos de consulta: 1. A Decisão SRRF/7ª RF/Disit nº 168, de 24 de junho de 1998, assim dispôs a respeito das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: “VENDAS SOB CONSIGNAÇÃO. A pessoa jurídica que realiza a venda de mercadorias em consignação deverá registrálas contabilmente de modo a caracterizar esta condição. Em decorrência, a receita bruta da empresa que opere exclusivamente com a distribuição de livros, jornais e periódicos recebidos em consignação constitui se no produto das comissões efetivamente recebidas de cada editor, relativas às vendas realizadas no período, respeitadas as condições pactuadas entre as partes (consignante e consignatário).” 2. Para bem caracterizar a divergência, a recorrente confronta as duas soluções de consulta por meio do seguinte quadro: Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 11 10 DIVERGÊNCIA Decisão n° 168, da 7ª Região Fiscal Solução de Consulta nº 75, da 8ª Região Fiscal A receita bruta da empresa que opere exclusivamente com a distribuição de livros, jornais e periódicos recebidos em consignação constituise no produto das comissões efetivamente recebidas de cada editor, relativas às vendas realizadas no período, respeitadas as condições pactuadas entre as partes (consignante e consignatário). A atividade de empresa que opere exclusivamente com a distribuição de livros, jornais e periódicos recebidos em consignação caracteriza operação de conta própria e, desse modo, sua receita bruta compreende o produto total da venda das publicações a terceiros. MATÉRIA Receita bruta de empresa que opere exclusivamente com a distribuição de livros, jornais e periódicos recebidos em consignação. Receita bruta de empresa que opere exclusivamente com a distribuição de livros, jornais e periódicos recebidos em consignação. NORMAS JURÍDICAS Consignação — não tinha regime jurídico específico antes do Código Civil em vigor. Decreto nº 1.041/94 (RIR/94), artigo 226, cuja cabeça e § 1º tinham como matrizes legais, respectivamente, o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/77 e o artigo 44 da Lei nº 4.506/64. Lei nº 5.172/66 (CTN), artigos 116 e 117. Contrato Estimatório — Código Civil (Lei nº 10.406/2002), artigos 534 a 537. Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), art. 279, cuja cabeça tem como matrizes legais o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/77 e o artigo 44 da Lei nº 4.506/64. Lei nº 5.172/66 (CTN), artigos 116 e 117. 3. Ressalta a recorrente que o demonstrativo acima transcrito evidencia apenas a identidade das normas jurídicas que solucionam ambas as consultas no tocante ao IRPJ, mas a identidade deve estar presente também nas normas pertinentes às contribuições sociais em questão. Salienta, entretanto, ser fundamental a inquestionável subsunção do negócio que caracteriza a atividade exclusiva da consulente — a consignação ou contrato estimatório — na concepção jurídica a que corresponde o conjunto vocabular operação de conta alheia, haja vista ser esta expressão empregada no art. 44 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964 que, combinado com o art. 12 do Decretolei n2 1.598, de 30 de dezembro de 1977, compõe a definição legal em vigor de receita bruta, definição que entende também ser aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, por força do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. 4. Pede, seja seu recurso conhecido e provido, para o fim de dirimirlhe as seguintes dúvidas: a) se “o negócio que caracteriza sua atividade exclusiva — a consignação ou contrato estimatório — como demonstrado no início da consulta, subsumese na concepção jurídica a que corresponde o conjunto Fl. 384DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 12 11 vocabular operações de conta alheia”, empregado no artigo 44 da Lei nº 4.506, de 1964”; b) se, “para efeito de incidência dos tributos sobre os quais versa a consulta, é correto, no seu caso, interpretar receita bruta como resultado das mencionadas operações de conta alheia”. 5. Entende a Disit da 8ª Região Fiscal estar configurada a divergência, tendo em vista que, enquanto a 7ª Região Fiscal, em sua Decisão SRRF/7ªRF/Disit nº 168, de 24 de junho de 1998, exarou o entendimento de que a receita bruta auferida pela pessoa jurídica cuja atividade seja a compra e venda de jornais, revistas e periódicos em consignação constituise no produto das comissões efetivamente recebidas de cada editor, relativas às vendas realizadas no período, a Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 75, de 2003, defende ser receita bruta, no caso, o valor total das vendas efetivadas, admitidas como exclusões e deduções somente aquelas expressamente previstas na legislação. Por essa razão, solicita a esta Cosit que dirima a dúvida em questão. Fundamentos: 6. Dispõe o art. 48 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 que, havendo diferença de conclusões entre soluções de consultas relativas a uma mesma matéria, fundada em idêntica norma jurídica, cabe recurso especial, sem efeito suspensivo, para o órgão emissor da solução de consulta impugnada, no prazo de trinta dias, contados da ciência da solução, cabendo a quem interpuser o recurso, comprovar a existência das soluções divergentes sobre idênticas situações. 7. Atendidos os pressupostos legais de admissibilidade, esta Cosit conhece do recurso especial de divergência, o qual passa a analisar. 8. Cabe, por primeiro, definir a natureza da atividade exercida pela recorrente. 9. A recorrente, em consulta protocolizada em 28 de maio de 2002, informou que atua no ramo de atividade de compra e venda de revistas, e declara realizar somente operações de conta alheia. Esclarece que as operações que efetua se repetem a cada fornecimento e em relação a cada fornecedor (consignante), segundo um contrato não escrito, rigorosamente respeitado pelas partes. Divide tal roteiro em doze operações, a saber: 1) Recebimento das publicações — ocorre todo dia útil, e a remessa é acompanhada de Nota Fiscal, com natureza de operação de “consignação”, contendo: DATA DE RECOLHIMENTO (data em que o jornaleiro deve devolver à consulente as publicações recebidas, mas não vendidas), VALOR UNITÁRIO (preço de capa — preço máximo admitido no contrato), DESCONTO (resultado bruto máximo que pode ser auferido com a venda, Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 13 12 compreendendo o resultado bruto máximo da distribuidora e do jornaleiro), e VALOR TOTAL (quantia a ser paga pela distribuidora caso não devolva nada até a data de recolhimento); 2) Distribuição das publicações aos jornaleiros — todo dia útil os jornaleiros recebem as publicações acompanhadas de um documento interno denominado Nota de Envio; 3) Chamada de Encalhe do Consignante — documento interno, de controle de devolução das publicações não vendidas, posto à disposição da consulente, semanalmente, pelo fornecedor (consignante), na qual se apura o valor total da devolução a preço de custo da distribuidora; 4) Chamada de Encalhe da Consulente — documento interno, de controle de devolução das publicações não vendidas pelos jornaleiros, posto à disposição dos mesmos, semanalmente pelo distribuidor (recorrente), em sistemática baseada na Chamada de Encalhe do Consignante; 5) Recebimento do Encalhe do jornaleiro — semanalmente, o jornaleiro devolve ao distribuidor as publicações não vendidas, acompanhadas de uma via da Chamada de Encalhe; 6) Levantamento da conta do jornaleiro — semanalmente, o distribuidor faz o levantamento da conta de cada jornaleiro, emitindo documento denominado “Lista de Recolhimento”. Nesse documento, de acordo com o que consta nas fls. 47 e 48 deste processo, se apura o valor total a ser pago pelo jornaleiro ao distribuidor da seguinte forma: Total Enviado () Total Devolvido (=) Venda Total () Desconto (=) Venda Liquida ou Valor a ser pago pelo jornaleiro à distribuidora; 7) Recebimento do preço — semanalmente, o jornaleiro paga ao distribuidor (recorrente) o débito apontado na Lista de Recolhimento; 8) Levantamento da conta do distribuidor (recorrente) — semanalmente o distribuidor procede ao levantamento de sua conta, devolvendo ao fornecedor (consignante), a última página da Chamada de Encalhe, na qual se apura Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 14 13 o Valor a ser pago pela distribuidora da seguinte maneira (conforme fl. 44): Valor Bruto a pagar () Valor das Devoluções () Diferença Chamada de Encalhe (+/) Acertos — Créd/Débito () Débito Disk Banca (=) Valor a Depositar Este levantamento gerará o boleto bancário a ser pago pela recorrente; 9) Emissão de Nota Fiscal de devolução de encalhe — no dia do levantamento da conta do distribuidor (consulente) é emitida Nota Fiscal correspondente à devolução do encalhe do distribuidor ao fornecedor (consignante), pelo preço de custo, isto é, o valor de capa menos 24 %; 10) Devolução do encalhe — semanal; 11) Pagamento das publicações vendidas — semanal, utilizando boleto bancário gerado na operação de Levantamento da conta do distribuidor; 12) Emissão da Nota Fiscal das vendas — mensalmente, conforme declara a recorrente distribuidora, é emitida Nota fiscal de venda a cada jornaleiro, pelo preço real de venda, geralmente o preço de capa da publicação, tudo, de acordo com alegação da recorrente, em consonância com o regime especial de emissão de documentos concedido pela Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo 10. Rubens Gomes de Souza, citado por Amilcar de Araújo Falcão, na Revista de Direito Administrativo, Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas, outdez de 1960, vol. 62, p. 36, analisando o instituto da consignação mercantil no sentido rigorosamente técnico do vocábulo, à luz da Lei nº 187, de 15 de janeiro de 1936, visualizara a existência de duas modalidades de consignação, a consignação por comissão e a consignação por venda, conceituandoas: “Consignação é a remessa de mercadorias por um comerciante a outro, para que este as venda, nas condições previamente ajustadas entre ambos. A Lei n° 187 prevê duas hipóteses diferentes nos arts. 8° e 9° , que podem ser designadas respectivamente consignação por comissão e consignação por venda. No primeiro caso (art. 82) o consignante remete a mercadoria ao consignatário para que este a venda por conta e ordem do consignante, ao preço previamente ajustado por este, Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 15 14 ficando com direito apenas a uma comissão pelo serviço prestado e devendo prestar contas ao consignante pelo total do preço da venda: nesta hipótese ocorre somente uma venda, do consignante ao comprador, porquanto o consignatário é simples representante ou comissário do vendedor consignante, e portanto o imposto [sobre vendas e consignações] incide uma só vez. No segundo caso, art. 92, o consignante remete a mercadoria ao consignatário para que este a venda por sua própria conta: o consignante fixa o preço que pretende pela mercadoria e o consignatário vende acima desse preço, constituindo a diferença o lucro do consignatário que fica obrigado a prestar contas ao consignante apenas do preço fixado por este. Nesta hipótese, como o consignatário vende em seu próprio nome, ocorrem evidentemente duas vendas simultâneas: uma do consignante ao consignatário e outra do consignatário ao comprador; sobre cada uma delas incide o imposto.” Negrito nosso 11. Pelos elementos conceituais expostos por Rubens Gomes de Souza, na “consignação por comissão”, o consignante remete a mercadoria ao consignatário, que vende por conta e ordem do consignante, a preço previamente ajustado por este. Nesse caso, o consignante tem apenas o direito a uma comissão pelo serviço prestado (de comercialização da mercadoria) e presta contas ao consignatário, pelo preço total da venda. Esta modalidade de consignação corresponde ao contrato de comissão mercantil, antes regulado pelo Código Comercial, na parte em que foi revogado, hoje contrato de comissão, regulado pelos arts. 683 a 709 do Novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002). 12. Na “consignação por vendas”, o consignante remete a mercadoria ao consignatário, que a vende por sua própria conta e ordem, a um preço geralmente acima do fixado pelo consignante. O consignatário fica obrigado a prestar contas ao consignante apenas pelo preço fixado por este, salvo se preferir, no prazo estabelecido, restituirlhe a mercadoria consignada. Esta modalidade corresponde ao contrato estimatório, hoje regulado pelo Novo Código Civil, nos seus arts. 534 a 537. 13. De acordo com o roteiro apresentado pela recorrente acerca de suas operações, recebe a mesma, mercadorias (jornais, revistas e periódicos) de seu fornecedor, pelas quais deverá pagar valores previamente fixados por este (preço de venda do fornecedor para o distribuidor), salvo se devolver essas mercadorias, o que ocorre normalmente nos casos de encalhe. No momento seguinte, a recorrente remete essas mercadorias aos jornaleiros, que deverão pagar pelas mesmas, valores previamente determinados (preço de venda do distribuidor para o jornaleiro), exceto pelas que devolver. E por fim, o jornaleiro vende esses jornais, revistas ou periódicos ao consumidor final, geralmente a preços de capa. Tanto a recorrente quanto o jornaleiro (seu cliente) comercializam referidas mercadorias por sua própria conta e ordem, tendo em vista que responderão por Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 16 15 quaisquer eventos que os impossibilitem de devolver aquelas mercadorias no prazo estipulado, estando sujeitos ao pagamento dos valores relativos às mercadorias não restituídas. Tal fato se evidencia em trecho da consulta da recorrente constante na fl. 04, transcrito abaixo, ao qual não caberia outra interpretação em relação às atividades da recorrente, senão a de que as mesmas são exercidas por sua própria conta e risco, respondendo à sua fornecedora, não pelo valor que receberá do jornaleiro ou pelo valor de capa de citadas publicações, mas sim pelo valor préestabelecido que constará no boleto bancário gerado pelo Levantamento de conta do distribuidor (item 13, subitem 08): “3ª operação: chamada de encalhe do consignante (...) (...) É importante destacar a cláusula contratual inserida nesse documento, vazada nos seguintes termos: “PRAZO LIMITE PARA CHEGADA EM NOSSO DEPÓSITO: 00/00/2002 — APÓS A DATA AO LADO INDICADA SERÃO CONSIDERADOS FORA DO PRAZO”. Noutras palavras: se o encalhe não chegar ao depósito do consignante até a data limite indicada, a consulente fica obrigada a pagar o preço ajustado, como se vendido fosse. A última página da Chamada de Encalhe destinase ao encontro de contas (consignante e consulente). (..)” 14. O mesmo também se pode dizer em relação ao jornaleiro, que responderá à distribuidora recorrente pelo valor apurado no “Levantamento de conta do jornaleiro” (item 13, subitem 06), pagando à distribuidora o valor correspondente aos exemplares que não restituir até o prazo estipulado, qualquer que seja o motivo. 15. Pelo exposto, a atividade de compra e venda de jornais, revistas e periódicos, praticada pela recorrente possui características do contrato estimatório, correspondente à “consignação por vendas”, tendo em vista que esta recebe do consignante (fornecedor) bens móveis (jornais, revistas e periódicos), os quais fica autorizada a vender, pagando a seu fornecedor um preço previamente ajustado, a não ser que prefira restituirlhe a coisa consignada, situação que ocorre, por exemplo, em caso de encalhe. Verificase ainda do exposto, ser a compra e venda de mercadorias em consignação por vendas — contrato estimatório — diferente da compra e venda de mercadorias única e tãosomente quanto ao momento da transferência do domínio do bem. Na compra e venda, ela ocorre com a tradição; no contrato estimatório, no momento em que o consignatário vende os bens a terceiro ou decide ficar com eles, pagando ao consignante o preço previamente ajustado. No momento da venda a terceiro dos bens recebidos em consignação, ocorrem duas operações simultâneas de venda: do consignante para o consignatário e deste para o terceiro. A receita bruta auferida pelo consignatário nessa modalidade de Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 17 16 consignação decorre assim, da venda a terceiros, por conta própria, dos bens recebidos em consignação, admitidas apenas as exclusões e deduções expressamente previstas na legislação. 16. As duas operações simultâneas de venda que ocorrem no momento da venda aos jornaleiros, dos jornais, revistas e periódicos recebidos em consignação, ficam bem caracterizadas nas disposições do Ajuste Sinief nº 2, de 1993, ao qual está sujeita a recorrente: "Cláusula primeira. Na saída de mercadoria a título de consignação mercantil: I. o consignante emitirá nota fiscal contendo, além dos demais requisitos exigidos, o seguinte: a) natureza da operação: Remessa em consignação '; (...) Cláusula terceira. Na venda da mercadoria remetida a título de consignação mercantil: I. o consignatário deverá: a) emitir nota fiscal contendo, além dos demais requisitos exigidos, como natureza da operação, a expressão 'Venda de mercadoria recebida em consignação'; (...) II. o consignante emitirá nota fiscal, sem destaque do ICMS e do IPI, contendo, além dos demais requisitos exigidos, o seguinte: a) natureza da operação: Venda; (...)” 17. Em relação ao art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, e à Instrução Normativa nº 152, de 16 de dezembro de 1998, informese que referidos dispositivos legais se prestam tão somente a fixar os efeitos da equiparação das operações de venda de veículos usados operação de consignação, equiparação esta feita por lei. Portanto, exceto por autorização legal, inexiste a possibilidade de interpretação extensiva desses dispositivos, no sentido de ampliar os efeitos de referida equiparação a outras operações, como por exemplo, a praticada pela recorrente. 18. Ademais, tendo em vista que: a) a operação de consignação a que se refere o art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, se considerada como contrato estimat6rio, seja enquanto venda sob condição suspensiva ou resolutiva, seja enquanto alternativa do comerciante de vender, comprar ou restituir, não resultaria em outro efeito sendo o da alteração do aspecto temporal nas Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 18 17 hipóteses de incidência tributária e tão somente em relação ao consignante, (em relação ao consignatário, sequer haveria tal alteração) e b) não se presumem na lei, palavras inúteis, entendese que a “consignação” de que trata o art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, é a consignação por comissão ou contrato de comissão. Isto porque a equiparação implicaria em considerarse como receita do revendedor de carros (e tão somente deste, em razão de expressa autorização legal), não a integralidade da sua receita de venda, mas o que seria do comissário, que nada mais é do que a comissão pelos serviços prestados. Esse foi o sentido do vocábulo “consignação” utilizado pelo legislador quando da edição de referido dispositivo legal. Portanto, por mais esse motivo, não há como equiparar a atividade exercida pela recorrente, que de acordo com roteiro apresentado se caracteriza como contrato estimatório, às operações de venda de veículos usados de que trata o art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998. 19. A base de cálculo do Imposto de Renda é o montante, real, presumido ou arbitrado, da renda ou dos proventos tributáveis (Lei nº 5.172, de 1966 — Código Tributário Nacional, art. 44), na forma do art. 219 do Decreto nº 3.000, de 1999 — Regulamento do Imposto de Renda. 20. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido tem como base de cálculo o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, apurado com observância das leis comerciais e ajustado pelas adições e exclusões previstas no art. 2º, § 1º, alínea 'c', da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. 21. A receita bruta da pessoa jurídica que tem como atividade a compra e venda de jornais, revistas e periódicos em consignação, para fins de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido é aquela definida pela Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, ipsis litteris: “Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia Parágrafo único. Na receita bruta, não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” 22. O art. 224 do Decreto nº 3.000, de 1999 — Regulamento do Imposto de Renda, regulamentou o dispositivo legal acima transcrito nos seus exatos termos. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 19 18 23. Concluise, desse modo, que, no cômputo da receita bruta da recorrente devem ser considerados os valores totais consignados nas Notas Fiscais das vendas das mercadorias aos jornaleiros, aí incluído o valor de aquisição mais o lucro, se houver, sendo admitidas somente as exclusões previstas no parágrafo único do art. 31 da Lei nº 8.981, de 1995, acima transcrito. Não é admissível, portanto, considerarse como receita bruta o valor equivalente ao lucro auferido nessas operações, como pretende a recorrente. 24. Em relação à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, de acordo com o inciso IX do art. 10 e inciso V do art. 15 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, as receitas decorrentes da venda de jornais e periódicos estão excluídas do regime não cumulativo dessas contribuições. 29. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para referidas receitas foi definida pela Lei nº 9.718 de 27 de novembro de 1998. Seu art. 2º estabelece que as contribuições devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado são calculadas com base no seu faturamento, o qual, nos termos do caput do art. 3º da mesma lei, corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, assim definida pelo § 1º do art. 3º de referida lei: “Art. 3º (...) §1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” 30. Ao tratar das exclusões da receita bruta, para a determinação da base de cálculo das referidas contribuições, assim prescreve o art. 3º, § 2º, da citada Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 2.158 35: “Art. 3º (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I. as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação — ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II. as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo Fl. 392DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 20 19 custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III. (revogado) IV. a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente.” 31. Observase, da leitura dos dispositivos acima, que, uma vez tenha determinada importância ingressado e sido contabilizada como receita da pessoa jurídica (ressalvadas apenas e tão somente as exclusões previstas no § 2º do art. 3º da aludida Lei), sobre a totalidade dessa receita incidirão a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins. De acordo com o roteiro apresentado, a importância ingressada e contabilizada como receita da recorrente não pode ser outra além do valor que a mesma recebe de seus clientes jornaleiros pelos exemplares não restituídos no prazo préestabelecido. 32. Adicionese também, que o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que permitia a exclusão da receita bruta dos valores que, computados como receita, tivessem sido transferidos para outra pessoa jurídica, além de não ter sido objeto de regulamentação por parte do Poder Executivo, foi expressamente revogado pelo art. 93, inciso V, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. 33. Salientese por fim, que o Comunicado DEATG, série “Regime Especial” n° 442/96 — DOE de 5/11/96 (fls. 35 e 36) apenas autoriza à recorrente, adotar documento interno para acompanhar as operações de saída e retorno de suas mercadorias, ordenando que até o final do mês, emita Nota Fiscal globalizando todas as operações do período. Nada versa a respeito do montante da definição da base de cálculo de quaisquer tributos. Conclusão: 34. Ante o exposto, concluise: a) segundo a legislação que rege o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, a receita bruta da pessoa jurídica cuja atividade seja a compra e venda de mercadorias em consignação é o produto da venda dos bens, aí compreendido o valor de aquisição mais o lucro, se houver. Podem ser excluídos desse cômputo somente os valores correspondentes às vendas canceladas, aos descontos incondicionais concedidos e aos impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário; b) em relação à Contribuição para o PIS/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, receita bruta é a totalidade das receitas Fl. 393DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 21 20 auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, admitidas somente as exclusões previstas no art. 3º, § 2º, da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001. Tal regra aplicase inclusive as operações de compra e venda de jornais, revistas e periódicos exercidas pela recorrente. 35. Nos termos do artigo 48 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é pressuposto de admissibilidade do recurso de divergência a existência de diferença de conclusões entre soluções de consulta relativas a uma mesma matéria, fundada em idêntica norma jurídica. Sendo assim, não se conhece do questionamento quanto à definição da expressão “operações de conta alheia”, suscitada pela recorrente, por não constituir divergência entre as conclusões das soluções de consultas trazidas a análise. 36. Diante do exposto, solucionase a divergência ratificandose as Soluções de Consulta nº 75, de 25 de abril de 2003, e nº 21, de 12 de fevereiro de 2003, ambas da Disit/SRRF/8ª RF, com as observações contidas nesta Solução de Divergência. 37. Fica, portanto, reformada a Decisão SRRF/7ªRF/Disit/Nº 168, de 24 de junho de 1998. Em vista de tudo o que foi acima exposto, a Delegacia de Julgamento teceu as seguintes considerações sobre o caso em análise: Constatase nos autos que a interessada contabilizou no Livro Razão a conta 21110102 “Recto. Por conta de terceiros”, fls. 58/96 com a seguinte Descrição: “VLR. RECEBIDO DOS JORNALEIROS REF. JORNAIS E REVISTAS VENDIDAS NO PERÍODO, PARA PAGTO. A EDITORA ....” Assim, entendeu a fiscalização que tanto a interessada quanto seus clientes, comercializavam as publicações por sua conta e risco, sendo a natureza jurídica dos seus negócios o do contrato estimatório, nos termos dos art. 534 e 535 do Novo Código Civil, conforme apreciado na Solução de Consulta acima exposta. Consta dos autos, a cópia do “Instrumento Particular de retificação e ratificação da alteração de Contrato para Venda e compra em regime de consignação e outras avenças”, firmado entre a interessada e a TREELOG, de fls. 32/39, datado de 30/10/2007, portanto, posterior ao anocalendário de 2005, objeto da autuação, porém, nele consta: “Considerando a) que as partes haviam firmado em 13 de dezembro de 2000, de forma equivocada, um instrumento de contrato de prestação de serviços de Fl. 394DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 22 21 distribuição, quando na verdade, de fato e de direito, tratavase de uma contratação de outra natureza jurídica, correspondente a uma Venda e Compra em Regime de Consignação de Mercadorias, por meio do qual a DINAP entregava à Distribuidora, em regime de consignação de mercadorias, Publicações que a mesma viesse a adquirir junto às Editoras, nacionais ou estrangeiras, para que a DISTRIBUIDORA, sem exclusividade, pudesse revendêlas a terceiros, bancas de jornais e revistas e/ou em pontos alternativos por ela tradiconalmente atendidos;” Ainda, consta também: “... Cláusula 3ª Todas as Publicações serão adquiridas pela DISTRIBUIDORA em regime de consignação de mercadorias suportada pelos documentos fiscais previstos na legislação respectiva. Parágrafo 1° Os documentos fiscais citados conterão, obrigatoriamente, as seguintes informações: .......... Parágrafo 2°.... Parágrafo 3° Expirado esse prazo, será tido entre as partes como correta a emissão da documentação fiscal correspondente às Publicações encaminhadas, presumindose como vendida a quantidade de exemplares que não for devolvida por ocasião do acerto das vendas em consignação, devendo a DISTRIBUIDORA pagar o preço correspondente líquido do percentual de desconto aplicável ...” Dessa forma, apesar de o Contrato apresentado pela interessada ser posterior aos fatos geradores do período autuado, ele menciona expressamente que se trata de uma reratificação de Contrato firmado no ano de 2000, e define o seu “modus operandi”, que é o tratado pela Administração na Solução de Consulta, e, ao contrário do que alega a interessada, se aproxima do conceito de “consignação por venda” e não de “consignação por comissão”, conforme os termos negritados no Contrato: “adquiridas”, “revendêlas”, “presumindose como vendida”, e “acerto de vendas”. Assim, entendo que a autuação é procedente, pois os valores recebidos dos clientes — jornaleiros, etc., pela interessada, devem compor a sua Receita Bruta, excetuados as deduções legais. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 23 22 Também entendo que a atividade da Recorrente se dá por meio de operações de “consignação por venda”, atualmente tipificadas no Código Civil Brasileiro como contrato estimatório (CCB, art. 534/537), não se caracterizando, portanto, a execução de contrato de comissão (CCB, art. 693/709), antigamente designado “consignação por comissão”. Nesse caso, conforme já restou esclarecido pelas transcrições anteriores, o consignatário realiza venda de mercadorias, por conta própria, e não prestação de serviços àquele que lhe enviou mercadorias em consignação. Não bastassem as considerações da DRJ sobre o conteúdo do “contrato para venda e compra em regime de consignação e outras avenças”, cabe mencionar também que esse contrato já foi elaborado na vigência do atual Código Civil Brasileiro, onde a expressão “consignação” não gera mais aquela antiga dubiedade de sentido, eis que os seus derivativos (consignante, consignatário e coisa consignada) são expressa e exclusivamente empregados no capítulo do contrato estimatório, e não no contrato de comissão. Com efeito, desde 10/01/2003 (data da vigência do atual CCB) só existe um tipo de contrato que pode ser chamado de contrato de consignação, que é justamente o contrato estimatório. Além disso, o referido contrato que tem a Recorrente como parte (fls. 32/39) em nenhum momento faz referência ao pagamento/recebimento de comissão, e nem define critérios ou percentuais para apuração de comissão, etc. Aliás, em todo o contrato a expressão “comissão” nem mesmo aparece. Deste modo, não se sustenta a afirmação de que a remuneração da Recorrente se dá por recebimento de comissões. Realmente, o ganho ou resultado produzido pelas atividades da Recorrente se dá, grosso modo, pela diferença entre o que ela recebe de seus clientes (bancas de jornais/revistas) e o que ela paga a seus fornecedores. Evidentemente que há outros custos/ despesas necessários à sua atividade. Mas ainda que a margem desse ganho esteja limitada pelo conjunto da cadeia de distribuição (porque os produtos tem um preço máximo no varejo – preço de capa), este ganho não configura remuneração por serviços de comissário (comissão). A distinção entre o contrato estimatório e o contrato de comissão nem sempre é tarefa fácil. Ambos, consignatário e comissário atuam em nome próprio. Mas o comissário, embora atue em seu próprio nome, realiza a compra ou venda de bens à conta do comitente (CCB, art. 693), ou seja, realiza “operação em conta alheia”, ao passo que o consignatário realiza operações em conta própria. É em razão disso que o comissário, via de regra, não responde junto ao comitente pela insolvência das pessoas com quem tratar, exceto em caso de culpa (CCB, art. 697). Fl. 396DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 24 23 No máximo, constando a cláusula del credere no contrato de comissão (CCB, art. 698), o comissário responde solidariamente com as pessoas com que houver tratado. O consignatário, ao contrário, responde junto ao consignante pela insolvência do cliente (comprador). No caso do contrato estimatório, vencido o prazo acordado para a venda da coisa consignada, o consignatário ou paga o preço anteriormente ajustado ou restitui a coisa ao consignante. Ele não se desonera destas obrigações, ainda que a restituição da coisa se torne impossível por fato a ele não imputável (CCB, art. 535). O contrato constante dos autos (fls. 32/39), do qual a Recorrente é parte, evidencia bem essa situação: DOS REGISTROS DE VENDA E COMPRA: CLÁUSULA 3º Todas as Publicações serão adquiridas pela DISTRIBUIDORA em regime de consignação de mercadorias suportada pelos documentos fiscais previstos na legislação respectiva. Parágrafo 1º (...) Parágrafo 2° A DISTRITBUIDORA terá 5 (cinco) dias úteis, a partir da data do recebimento das Publicações, para informar qualquer divergência encontrada entre os documentos fiscais e a quantidade de Publicações recebida; Parágrafo 3° Expirado esse prazo, será tido entre as partes como correta a emissão da documentação fiscal correspondente às Publicações encaminhadas, presumindose como vendida a quantidade de exemplares que não for devolvida por ocasião do acerto das vendas em consignação, devendo a DISTRIBUIDORA pagar o preço correspondente liquido do percentual de desconto aplicável. (...) DO PREÇO CLÁUSULA 6ª A DISTRIBUIDORA deverá pagar a TREELOG o preço correspondente às vendas das publicações a ser obtido mediante a adoção dos seguintes procedimentos: a) na Chamada de Encalhe a DISTRIBUIDORA fará constar a quantidade de exemplares que estão sendo devolvidos, e a venda apurada em relação a cada edição das Publicações entregues para venda; b) nessa Chamada de Encalhe constará também o percentual de desconto previamente ajustado entre as partes para cada Publicação que, via de regra, será de 27,84% sobre o preço de capa. Para as situações de exceção as partes deverão definir previamente o percentual de desconto aplicável sobre o preço de capa, fazendo constar essa informação da respectiva Chamada de Encalhe; Fl. 397DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 25 24 c) A Chamada de Encalhe conterá, ainda, a data de vencimento da obrigação de pagamento devida pela DISTRIBUIDORA à TREELOG; d) O pagamento devido pela DISTRIUIDORA à TREELOG poderá ser feito mediante boleto bancário ou depósito em conta corrente no prazo fixado conforme letra”"c” anterior. Parágrafo 1° Caso a DISTRIBUIDORA não pague o valor líquido das publicações vendidas ou não devolvidas à TREELOG no prazo estipulado na solicitação de devolução, deverá pagar esse valor, acrescido de juros de 1% (um por cento) ao mês, multa de 2% (dois por cento), sem prejuízo da compensação pela perda do poder aquisitivo da moeda no período da inadimplência, com base na variação do índice geral de Preços de Mercado IGPM, publicado pela. revista “Conjuntura Econômica”, da Fundação Getúlio Vargas, calculado pro rota dies, ou na falta deste, em outro índice que venha a substituílo. (...) DA VIGÊNCIA E RESCISÃO CLÁUSULA 9ª (...) CLÁUSULA 10ª No caso de rescisão ou término deste Contrato, a DISTRIBUIDORA pagará à TREELOG os valores devidos com relação às quantidades de Publicações por ela efetivamente revendidas, devendo a DISTRIBUIDORA devolver as publicações que ainda estejam em seu poder. Parágrafo 1º Para a verificação dos exemplares que ainda se encontrem em poder da DISTRIBUIDORA e o respectivo acerto final entre as partes, fica assegurado à TREELOG, às suas próprias custas, o direito de realizar auditoria sobre os registros físicos e digitais do movimento das publicações entregues nas dependências da DISTRIBUIDORA. Tal auditoria será conduzida pela TREELOG ou seu representante autorizado e não interferirá nas atividades normais da DISTRIBUIDORA. Caso tal auditoria identifique diferenças entre os dados apresentados e os efetivamente apurados ao término de seu trabalho, a DISTRIBUIDORA deverá efetuar, de imediato, o pagamento de todas as diferenças apuradas. A TREELOG utilizará as informações recebidas durante a auditoria unicamente dentro dos objetivos do contrato e, em outras circunstâncias, manterá a confidencialidade de tais informações. Vêse que, além das observações já feitas sobre o referido contrato, em nenhum momento ele prevê qualquer tipo de tratamento para a insolvência do comprador, ou seja, para a falta de pagamento por parte dos clientes da Recorrente (bancas de revistas, jornaleiros, etc.). Com efeito, vencido o prazo acordado para a venda da coisa consignada, só há mesmo duas alternativas para o consignatário (no caso, a Recorrente): ou paga o preço anteriormente ajustado ou restitui a coisa ao consignante. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 26 25 Nesse sentido, vale novamente transcrever trecho da referida solução de divergência em processos de consulta proferida pela Cosit, que também se aplica ao caso sob exame: Tanto a recorrente quanto o jornaleiro (seu cliente) comercializam referidas mercadorias por sua própria conta e ordem, tendo em vista que responderão por quaisquer eventos que os impossibilitem de devolver aquelas mercadorias no prazo estipulado, estando sujeitos ao pagamento dos valores relativos às mercadorias não restituídas. Tal fato se evidencia em trecho da consulta da recorrente constante na fl. 04, transcrito abaixo, ao qual não caberia outra interpretação em relação às atividades da recorrente, senão a de que as mesmas são exercidas por sua própria conta e risco, respondendo à sua fornecedora, não pelo valor que receberá do jornaleiro ou pelo valor de capa de citadas publicações, mas sim pelo valor pré estabelecido que constará no boleto bancário gerado pelo Levantamento de conta do distribuidor (...) Deste modo, adotando os mesmos fundamentos da decisão recorrida, com os comentários adicionais contidos neste voto, concluo que a Recorrente realiza a venda de mercadorias por conta própria, e que, sendo assim, todos os valores recebidos dos clientes (bancas de revistas, jornaleiros, etc.) devem compor a sua Receita Bruta para apuração do Simples, excetuadas apenas as deduções previstas no § 2º do art. 2º da Lei 9.317/1996 (vendas canceladas e descontos incondicionais concedidos). Portanto, mantenho integralmente o lançamento. Finalmente, quanto às demais questões suscitadas pela Recorrente, reproduzo abaixo os fundamentos da decisão recorrida, que também adoto nesta decisão: Quanto às suas alegações de que a fiscalização ainda fez os cálculos majorados pelo Simples quando até seria de melhor intenção e menos espoliação ter calculado sobre o regime do Lucro real, onde se deduzem as despesas e o custo das mercadorias vendidas, e o Pis e a Cofins seriam calculados 1,65% e 7,6% e ainda teriam direito ao crédito, observo que inexiste previsão legal para que o Fisco no lançamento de ofício altere a forma de tributação escolhida pelo contribuinte, ou que um contribuinte, ao constatar que não lhe convém ter estado no Simples, requeira ser tributado em outra sistemática porque assim lhe passou a ser mais conveniente. No presente caso, a previsão legal de exclusão do SIMPLES por excesso de receita somente produz efeito a partir do anocalendário seguinte. Em relação à sua menção de que a multa de ofício também é confiscatória, vale lembrar que ela é calculada sobre o valor do imposto, cuja falta de recolhimento se apurou, e está em consonância com a legislação de regência, uma vez que foi mantida nas alterações da Lei n° 9.430, de 1996, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, calculado sobre a totalidade de imposto ou contribuição no caso de falta de pagamento ou recolhimento ou de falta de declaração, de onde se evidencia a legalidade da sua aplicação. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 27 26 Importante frisar que a forma presumida ou simplificada de apuração de tributos nem sempre é a mais interessante, eis que o contribuinte deixa de deduzir gastos efetivamente incorridos (seja como custos/despesas, seja como créditos relacionados à não cumulatividade). Todavia, realizada esse tipo de opção, e sendo ela válida, realmente não pode o Fisco modificála de ofício, com o argumento de que estaria sendo economicamente desvantajosa para o Contribuinte. É oportuno também esclarecer que o CARF não está autorizado a apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei tributária. A matéria já foi inclusive sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em função de o lançamento ter sido mantido, caracterizouse a situação prevista para a exclusão do Simples, eis que apurada receita acima do limite legal para o ano de 2005. Assim, fica também mantido o ato de exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2006. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 400DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001870/2005-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002 INDÚSTRIA GRÁFICA. INCIDÊNCIA DO ISS OU DO IPI. PRODUÇÃO POR ENCOMENDA. PRODUTO PERSONALIZADO E PLASTIFICAÇÃO DE PRODUTOS DESTINADO AO CONSUMO DO ENCOMENDANTE. PRODUTO INSERVÍVEL PARA MERCANCIA. INCIDÊNCIA DO ISS. A produção (e posterior saída) por encomenda do consumidor final de impressos personalizados está sujeita apenas à incidência do ISS, e não à incidência do IPI. Estes impressos não possuem valor comercial algum para terceiros, exceto para o contratante do serviço. O mesmo raciocínio se aplica à plastificação de produtos que não se submeterão à posterior industrialização ou comercialização, pois também se destinam à utilização exclusiva do próprio encomendante do serviço. PRODUÇÃO DE EMBALAGENS PARA INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO INEQUÍVOCA. ELEMENTOS INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS DAS EMBALAGENS. Se o argumento utilizado pela fiscalização e pela DRJ, para determinar a incidência do IPI, é o de que o contribuinte não comprovou que os produtos por ele industrializados se destinavam a indústria alimentícia, e o contribuinte anexa aos autos prova inequívoca de que este era o destino dos produtos por ele fabricados, então não pode subsistir o lançamento. SUSPENSÃO DO IPI NA SAÍDA DE PRODUTOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO FORMAL. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL. Embora o contribuinte não tenha apresentado à Fiscalização as declarações de seus clientes, confirmando que industrializavam produtos alimentícios qualificados para gozar de entradas suspensas de IPI, expedidas à época dos fatos, apresenta declaração dos mesmos clientes, expedidas na época da fiscalização que confirmam o exercício de mesmo objeto social atual, qual seja, a industrialização de produtos alimentícios, na época da ocorrência dos fatos. Mero requisito formal de gozo da suspensão não se sobrepõe às
evidencias de que os produtos em questão qualificavam as saídas suspensas realizadas pelo contribuinte.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3302-001.709
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento integral. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002 INDÚSTRIA GRÁFICA. INCIDÊNCIA DO ISS OU DO IPI. PRODUÇÃO POR ENCOMENDA. PRODUTO PERSONALIZADO E PLASTIFICAÇÃO DE PRODUTOS DESTINADO AO CONSUMO DO ENCOMENDANTE. PRODUTO INSERVÍVEL PARA MERCANCIA. INCIDÊNCIA DO ISS. A produção (e posterior saída) por encomenda do consumidor final de impressos personalizados está sujeita apenas à incidência do ISS, e não à incidência do IPI. Estes impressos não possuem valor comercial algum para terceiros, exceto para o contratante do serviço. O mesmo raciocínio se aplica à plastificação de produtos que não se submeterão à posterior industrialização ou comercialização, pois também se destinam à utilização exclusiva do próprio encomendante do serviço. PRODUÇÃO DE EMBALAGENS PARA INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO INEQUÍVOCA. ELEMENTOS INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS DAS EMBALAGENS. Se o argumento utilizado pela fiscalização e pela DRJ, para determinar a incidência do IPI, é o de que o contribuinte não comprovou que os produtos por ele industrializados se destinavam a indústria alimentícia, e o contribuinte anexa aos autos prova inequívoca de que este era o destino dos produtos por ele fabricados, então não pode subsistir o lançamento. SUSPENSÃO DO IPI NA SAÍDA DE PRODUTOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO FORMAL. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL. Embora o contribuinte não tenha apresentado à Fiscalização as declarações de seus clientes, confirmando que industrializavam produtos alimentícios qualificados para gozar de entradas suspensas de IPI, expedidas à época dos fatos, apresenta declaração dos mesmos clientes, expedidas na época da fiscalização que confirmam o exercício de mesmo objeto social atual, qual seja, a industrialização de produtos alimentícios, na época da ocorrência dos fatos. Mero requisito formal de gozo da suspensão não se sobrepõe às evidencias de que os produtos em questão qualificavam as saídas suspensas realizadas pelo contribuinte. Recurso provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.001870/200510 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302001.709 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2012 Matéria IPI Recorrente INDÚSTRIA GRÁFICA SUL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002 INDÚSTRIA GRÁFICA. INCIDÊNCIA DO ISS OU DO IPI. PRODUÇÃO POR ENCOMENDA. PRODUTO PERSONALIZADO E PLASTIFICAÇÃO DE PRODUTOS DESTINADO AO CONSUMO DO ENCOMENDANTE. PRODUTO INSERVÍVEL PARA MERCANCIA. INCIDÊNCIA DO ISS. A produção (e posterior saída) por encomenda do consumidor final de impressos personalizados está sujeita apenas à incidência do ISS, e não à incidência do IPI. Estes impressos não possuem valor comercial algum para terceiros, exceto para o contratante do serviço. O mesmo raciocínio se aplica à plastificação de produtos que não se submeterão à posterior industrialização ou comercialização, pois também se destinam à utilização exclusiva do próprio encomendante do serviço. PRODUÇÃO DE EMBALAGENS PARA INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO INEQUÍVOCA. ELEMENTOS INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS DAS EMBALAGENS. Se o argumento utilizado pela fiscalização e pela DRJ, para determinar a incidência do IPI, é o de que o contribuinte não comprovou que os produtos por ele industrializados se destinavam a indústria alimentícia, e o contribuinte anexa aos autos prova inequívoca de que este era o destino dos produtos por ele fabricados, então não pode subsistir o lançamento. SUSPENSÃO DO IPI NA SAÍDA DE PRODUTOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO FORMAL. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL. Embora o contribuinte não tenha apresentado à Fiscalização as declarações de seus clientes, confirmando que industrializavam produtos alimentícios qualificados para gozar de entradas suspensas de IPI, expedidas à época dos fatos, apresenta declaração dos mesmos clientes, expedidas na época da fiscalização que confirmam o exercício de mesmo objeto social atual, qual Fl. 341DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11070.001870/200510 Acórdão n.º 3302001.709 S3C3T2 Fl. 2 2 seja, a industrialização de produtos alimentícios, na época da ocorrência dos fatos. Mero requisito formal de gozo da suspensão não se sobrepõe às evidencias de que os produtos em questão qualificavam as saídas suspensas realizadas pelo contribuinte. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento integral. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto Relatório Tratase de Auto de Infração para cobrança de IPI (fl. 131/149), derivado de procedimento fiscalizatório iniciado para verificação da regularidade dos créditos, que foram objeto de PER/DCOMP em outros processos administrativos. A fiscalização concluiu ter havido irregularidade na apuração do imposto, no período de 01/01/2001 a 31/12/2002, especialmente em relação à (i) saídas de produtos, com erro de classificação fiscal e/ou de alíquota do IPI; (ii) saídas de produtos, com descumprimento das condições da suspensão do IPI, pelo remetente (Recorrente); (iii) falta de Fl. 342DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11070.001870/200510 Acórdão n.º 3302001.709 S3C3T2 Fl. 3 3 estorno de créditos do IPI, relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na fabricação de produtos nãotributados, e/ou empregados em produtos devolvidos, que não foram objeto de nova saída tributada”; e (iv) contabilização de créditos indevidos, relativos à aquisição de produtos que não se enquadram nos conceitos de MP, PI ou ME. Promoveu, então, a reconstituição da escrita fiscal, o lançamento de valores supostamente devidos, e indicou, ainda, quais valores de créditos utilizados considerou indevidos, em relação a cada uma das Declarações de Compensação apresentadas pelo contribuinte – em outros processos. No que se refere ao primeiro item do lançamento (erro de classificação fiscal e/ou alíquota do IPI), a infração encontrase referenciada da seguinte forma: “1. Saídas de envelopes com classificação fiscal correta (4817.10.00), mas sem lançamento de imposto nas notas ficais; a classificação fiscal possui alíquota positiva na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI; 2. Saídas de caixas (caixas, displays e cestas) com classificação fiscal correta (4819.20.00) nos meses de outubro e novembro de 2002, sendo adotada indevidamente a alíquota de 8%; a alíquota correta na TIPI era de 15%; 3. Saídas de caixas, não destinadas a acondicionar produtos alimentícios, com classificação fiscal correta (4819.20.00), mas sem lançamento de imposto nas notas fiscais; a classificação fiscal possui alíquota positiva na TIPI; período de janeiro de 2001 até setembro de 2002; 4. Saídas de caixas diversas, com classificação fiscal correta (4819.20.00), mas sem lançamento de imposto nas notas fiscais; a classificação fiscal possui alíquota positiva na TIPI; período de outubro até dezembro de 2002; 5. Saídas de formulários diversos, sob a forma de blocos, com classificação fiscal correta (4820.10.00), mas sem lançamento de imposto nas notas fiscais; a classificação fiscal possui alíquota positiva na TIPI; 6. Saídas de pastas e folhas de ofício com classificação fiscal incorreta (4820.10.00 Livros de registro, blocos, etc.) e sem lançamento de imposto nas notas fiscais; as classificações fiscais corretas possuem alíquotas positivas na TIPI; 7. Saídas de caixas e capas com classificação fiscal incorreta (4821.10.00 – etiquetas impressas) e sem lançamento de imposto nas notas fiscais; as classificações fiscais corretas possuem alíquotas positivas na TIPI; 8. Saídas de materiais de cartão para embalagens (cartelas, fechos e encosto) e de capas de apostilas com classificação fiscal incorreta (4911.10.90 – impressos publicitários, catálogos Fl. 343DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11070.001870/200510 Acórdão n.º 3302001.709 S3C3T2 Fl. 4 4 comerciais e semelhantes outros) e sem lançamento de imposto nas notas fiscais; as classificações fiscais corretas possuem alíquotas positivas na TIPI; 9. Saídas de capas, pastas, caixas e recibos com classificação fiscal incorreta (4911.99.00 outros impressos) e sem lançamento de imposto nas notas fiscais; as classificações fiscais corretas possuem alíquotas positivas na TIPI; 10. Saídas de folhas de ofício, caixas (e displays), sacolas, formulários diversos em blocos, capas, pastas, materiais de cartão para embalagens (encosto, colarinho), facas e lâminas e plastificações de capas e de pastas, todos com classificação fiscal incorreta (4911.10.10 impressos publicitários, catálogos comerciais e semelhantes, contendo informações relativas ao funcionamento, ... ou utilização de máquinas, aparelhos ...) e sem lançamento de imposto nas notas fiscais; as classificações fiscais corretas possuem alíquotas positivas na TIPI.” O item 002 do lançamento se relaciona ao não cumprimento de requisitos necessários à aplicação da suspensão do IPI em suas saídas, mormente de produtos destinados à indústria alimentícia e de autopropulsados. Em relação à primeira, consta no Auto de Infração que a Recorrente não possuía a declaração, de seus clientes, de que os produtos objeto da suspensão seria utilizados como MP, PI ou ME, sendo que tal declaração é condição do aproveitamento da suspensão. Alega a fiscalização que em relação a 05 clientes foi apresentada declaração datada de 2005, e não da época dos fatos (outubro a dezembro/2002). No que se refere à venda para indústria de autopropulsados, a suspensão do IPI se aplica apenas para componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças adquiridos para emprego na industrialização dos produtos autopropulsados. Não sendo este o produto vendido pela Recorrente, inaplicável a suspensão do imposto. O terceiro item do lançamento diz respeito a estornos de créditos que o Fisco entendeu deveriam ter sido realizados pela Recorrente e não o foram. Tratase, especialmente, de créditos sobre MP, PI e ME utilizados na industrialização (pela Recorrente) de livros e os livretos da posição fiscal 4901 da TIPI – produtos não tributados, bem como na industrialização de produtos que foram objeto de devolução (apurados segundo demonstrativo elaborado pela Recorrente) e que, segundo o Fisco, não foram objeto de novas saídas tributadas. O quarto e último item do lançamento se refere à glosa de créditos apurados sobre aquisições que, segundo a fiscalização não se enquadram no conceito de MP, PI ou ME, e, portanto, não geram direito ao crédito. Intimada do lançamento a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 152/157), questionando apenas parcialmente o Auto de Infração. Em relação à reclassificação fiscal de produtos e aplicação de alíquotas diferenciadas do IPI, objeto do primeiro item do lançamento a Recorrente apresenta apenas os seguintes argumentos: (i) em relação aos produtos objeto do item 3 (embalagens para produtos alimentícios) a classificação por ela adotada (4819.20.00, Ex 01) está adequada, na medida em que se destina especificamente a produtos Fl. 344DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11070.001870/200510 Acórdão n.º 3302001.709 S3C3T2 Fl. 5 5 alimentícios, embora não tenha sido esta a interpretação fiscal. A alíquota vigente à época era de 0%; (ii) os produtos objeto de plastificação não se submetem à incidência do IPI, pois o serviço de plastificação constava da Lista de Serviços sujeitos ao ISS, vigente na época; (iii) os impressos personalizados, classificados como “Serviços de Impressão e composição gráfica” também não podem sofrer incidência do IPI, pois estão sujeitos apenas ao ISS, conforme determinava a Lista de Serviços sujeitos ao ISS vigente à época dos fatos. Cita a Súmula TFR n°143, e afirma, ainda, que por se tratar de produtos destinados ao "consumo" do adquirente e que, ainda que tributados como pretendido pela fiscalização, não poderão gerar crédito ao adquirente por não se tratar de produto a ser incorporado no processo de produção, não se submetem à incidência do IPI, razão pela qual o lançamento é inválido. A Recorrente discorda, ainda, do lançamento do IPI relativo à no valor de R$ 30,00, relativo à Nota Fiscal nº 11675, de 31 de dezembro de 2002, cujas vias foram reproduzidas nas fls. 195 a 199 (vol. I), pois tal documento foi cancelado. No que se refere ao lançamento do IPI por descumprimento de requisitos da suspensão do imposto a Recorrente esclarece que, em relação às declarações obtidas de clientes da indústria alimentícia, foram extraviadas aquelas declarações emitidas em relação às datas dos fatos geradores, e por isso foram apresentadas as mais recentes que, de todo modo, se referem, expressamente, ao período em que foram realizadas as operações objeto do lançamento (fls. 202/206), atestando que já naquela época as empresas atendiam os requisitos necessários para aplicação da suspensão. Todavia, ressalta que ao longo dos anos mantém o mesmo tipo de operação com tais empresas e que, evidentemente, se cumprem o requisito para a suspensão hoje, cumpriam anteriormente, por se tratar do mesmo tipo de produto que é comercializado. Ademais, embora a declaração seja uma garantia para o vendedor – de que a suspensão poderia ser aplicada, pois o comprador assim atesta – entende que, se o comprador recebeu as notas fiscais com suspensão do imposto, não teria interesse em fazêlo exceto se, de fato, se qualificasse para receber os produtos com referida suspensão. Logo, apesar da falta de declaração – o que representa um erro formal da operação – fato é que se tratam de operações sobre as quais, legalmente, pode ser aplicada a suspensão. Em relação às vendas à indústria de autopropulsados, a Recorrente concordou com o lançamento, ou seja, não é objeto da lide instaurada. Finalmente, quanto ao terceiro item do lançamento – relativo ao estorno de créditos que o Fisco entendeu deveria ter sido realizado – e ao quarto item – relativo a glosa de aquisições de produtos que o Fisco entendeu não se classificarem como MP, PI ou ME a Recorrente afirma que o lançamento está adequado, não sendo, portanto, objeto de discussão nestes autos. Requereu sejam acatados seus argumentos, o que acarretaria nova reconstituição da escrita, cancelamento de multa isolada sobre os valores cancelados e homologação das compensações pretendidas, além de parcelamento dos valores não impugnados. Apresentou, ainda, planilhas indicativas dos valores impugnados e daqueles cujo lançamento foi admitido. A DRJ julgou parcialmente procedente o lançamento (fls. 220/233), cancelando apenas R$ 30,00 do crédito lançado, relativo à NF que foi cancelada. No mais, Fl. 345DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11070.001870/200510 Acórdão n.º 3302001.709 S3C3T2 Fl. 6 6 manteve a autuação, por entender que, em relação aos impressos personalizados a DRJ entendeu que o fato de haver incidência do ISS não impede a incidência do IPI. Em relação aos produtos submetidos à “plastificação” entendeu que, por ter classificado o produto no mesmo item da TIPI (antes e depois da plastificação), haveria incidência do IPI (?!). No que se refere aos produtos/embalagens destinados ao acondicionamento de produtos alimentícios alegou não estar evidente nos autos que tais embalagens (caixas para chocolates, caixas para condimentos alimentícios, caixas para pizzas, caixas para sucos, caixas para mel e caixas para chámate) se destinavam mesmo a tal propósito, pois não restou claro se possuíam características intrínsecas e/ou extrínsecas (como forma e colocação de dizeres), que pudessem qualificalas como “adequadas para acondicionar determinado produto alimentar” – critério este adotado pela DRJ para caracterizála como embalagem para produto alimentício. Finalmente, quanto à suspensão do IPI sobre as saídas de produtos para indústria alimentícia a DRJ entendeu que as declarações dos clientes deveriam ser fornecidas com antecedência (à saída), para serem consideradas válidas. O Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte (fls. 235/242) insurgese contra a decisão da DRJ, e reitera os argumentos trazidos em sua Impugnação. Em especial no que se refere à comprovação de que as embalagens destinadas ao acondicionamento de produtos alimentícios, a Recorrente anexa as embalagens aos autos (fls. 245/307), para comprovar que possuem sim identificação intrínseca e extrínseca que demonstram a que tipo de produto se destinam (as caixas possuem impressão não apenas do nome do fabricante, mas também seu conteúdo – doces, geleia real, chá mate, extrato de própolis, chocolate, dentre outros). Alerta, ainda, que dentre o IPI lançado como não reconhecimento da suspensão aplicável aos produtos autopropulsados encontramse algumas saídas de impressos gráficos, correspondente ao valor de R$ 246,16, que foram destinadas a clientes da indústria de autopropulsados. Esta parcela do lançamento, portanto, deveria ser cancelada, na medida em que há não incidência do imposto, por se tratar de serviços gráficos personalizados, sujeitos ao ISS. Os autos foram remetidos para o então 3º Conselho de Contribuintes que julgou ser incompetente para proferir decisão sobre a matéria (fls. 324/334), razão pela qual os autos foram encaminhados para esta Seção, e submetidos a nova distribuição, quando, então, vieramme para decisão. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele o conheço. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11070.001870/200510 Acórdão n.º 3302001.709 S3C3T2 Fl. 7 7 Conforme relatado, a controvérsia se dá em relação à (i) cobrança de IPI sobre operações de impressão personalizada, (ii) plastificação de produto final (iii) embalagem destinada à industria alimentícia; e (vi) desconsideração da suspensão do imposto por descumprimento de requisito formal. Tratemos, inicialmente, do lançamento do IPI sobre a saída de produtos que foram submetidos ao processo de impressão personalizada, também descrito como serviço de composição gráfica, sujeito à incidência do ISS. Recentemente esta Turma analisou questão bastante similar, na qual discutiu se acerca da possibilidade de cobrança do IPI sobre a impressão personalizada de sacolas. Na ocasião ficou definido que não pode ser considerado fato gerador do IPI a saída de impressos personalizados, quando tais produtos – devido ao teor do impresso – não podem ser utilizados por nenhum outro consumidor. São produtos, portanto, destinados exclusivamente ao consumo final do encomendante. A personalização do produto impede que possa ser comercializado com outros clientes, o que indica se tratar de um serviço e não uma etapa do processo de industrialização, na medida em que personalíssimo. Neste sentido, destaco trecho do voto condutor proferido na ocasião, nos autos do Processo nº 15868000082201040, verbis: “Não é o que acontece com a produção por encomenda, pela indústria gráfica, de sacolas e envelopes de papel personalizados e destinados ao consumo do encomendante, a que se refere a letra “c”, acima (c) sacolas e envelopes com impressão gráfica personalizada). A produção e saída do bem, nestas condições, tem particularidades importantes para fins de incidência tributária, quais sejam: 1 destinase ao consumo do encomendante; 2 não tem utilidade para outras pessoas, portanto, não será comercializado; 3 não é exposto à venda e “vendido” pelo fabricante. É cobrado, do encomendante, um preço para a sua produção; É o caso dos envelopes timbrados que têm utilidade unicamente para o encomendante. Também é o caso de sacolas de papel com o nome do encomendante impresso ou marca dos produtos que vende também impresso. Tais sacolas não servem para outras empresas acondicionar produtos que vende. Estes produtos não têm valor comercial algum para as outras empresas. Portanto, a produção sob encomenda, e a subseqüente saída da indústria gráfica, de sacolas “personalizadas” e envelopes timbrados, destinado ao consumo final pelo encomendante, está dentro do campo de incidência do ISS e fora do campo de incidência do IPI. No caso dos autos, está amplamente provado que a recorrente produz sacolas de papel, por encomenda do consumidor final, com impressão gráfica definida pelo encomendante. Portanto, Fl. 347DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11070.001870/200510 Acórdão n.º 3302001.709 S3C3T2 Fl. 8 8 este Conselheiro Relator tem plena convicção que a operação realizada pela recorrente está fora do campo de incidência do IPI, sendo tributado exclusivamente pelo ISS. (...) No caso dos autos, a recorrente realiza as duas operações e a impressão gráfica é realizada por encomenda e personalizada, e o produto se destina ao consumo do encomendante. Portanto, incide o ISS e não o IPI.” No presente caso, a impressão realizada sob encomenda, personalizou os produtos de tal modo que podem ser utilizados somente pelo encomendante. Além disso, como bem salientou a Recorrente em seu Recurso Voluntário, o serviço de impressão gráfica personalizada, por ela desenvolvido, não integra um processo de industrialização, pois após a personalização dos produtos eles não serão mais vendidos, mas sim utilizados (exclusivamente) pelo encomendante, no desenvolvimento de suas atividades. É o que ocorreu, também, no caso anteriormente julgado por esta Turma, em que as sacolas que foram personalizadas eram usadas nas vendas dos produtos comercializados pelos encomendantes. Assim, seja porque a personalização dos impressos não permite a utilização dos produtos por outrem – senão pelo encomendante – seja porque os produtos submetidos à personalização não integrarão nenhum cadeia produtiva ou comercial, mas serão exclusivamente utilizados pelos encomendantes, entendo que deve ser afastada a incidência do IPI e, consequentemente, cancelado o lançamento em relação a estas operações. No que se refere à plastificação de produtos (capas e pastas), também entendida pelo Fisco como passível de cobrança do IPI, também pareceme ter razão a Recorrente, ao afirmar que não se trata de industrialização, mas prestação de serviço que não pode ser submetida à incidência do referido imposto. Em primeiro lugar vale ressaltar que a fiscalização promoveu o lançamento do IPI por entender que a plastificação é beneficiamento do produto plastificado, mantendo (inclusive) a mesma classificação fiscal que o produto possuía, antes de sua plastificação. Exatamente o mesmo argumento foi adotado pela DRJ. Em momento algum, portanto, foi questionado o fato de que a plastificação não teria sido realizada em objetos não destinados à industrialização ou comercialização. Importa destacar este ponto, pois a Recorrente submeteu os serviços de plastificação à incidência do ISS, classificandoos em item constante da então vigente Lista de Serviços (veiculada pelo DecretoLei nº 406/68). Referido serviço estava assim referenciado naquela Lista, verbis: “72. Recondicionamento, acondicionamento, pintura, beneficiamento, lavagem, secagem, tingimento, galvanoplastia, anodização, corte, recorte, polimento, plastificação e congêneres, de objetos não destinados à industrialização ou comercialização;” (destaquei) Fl. 348DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11070.001870/200510 Acórdão n.º 3302001.709 S3C3T2 Fl. 9 9 Da leitura da descrição do item acima constatase que era requisito para tributação pelo ISS, que a plastificação se desse sobre objetos não destinados à industrialização ou comercialização, característica que, por sua vez, não foi questionada pela fiscalização. Ou seja, os objetos que sofreram o processo de plastificação realizado pela Recorrente – ora questionado – não estavam inseridos em nenhum processo produtivo, tampouco seriam comercializados pela própria Recorrente ou por seus clientes. Neste sentido, ao serviço de plastificação realizado pela Recorrente (e questionado pelo Fisco) devem ser adotadas as mesmas premissas acima apresentadas, para reconhecer que sobre o processo de impressão não poderia haver a incidência do IPI. Afinal, tratase de questão similar: sobre referidos serviços pode haver incidência do IPI? Se afasto a incidência do IPI no caso da impressão por se tratar de impressão em material que não será objeto de venda posterior, pois a impressão é realizada sobre material que é utilizado exclusivamente pelo encomendante do serviço, a mesma análise deve se realizar no caso da plastificação. Quer dizer, constatado que os produtos plastificados também não serão utilizados (seja como insumo, seja como revenda) por ninguém mais além do próprio encomendante da plastificação, certo é que a atividade está, também, fora do campo de incidência do IPI. Mesmas premissas, mesmos critérios e, portanto, mesma conclusão: deve ser cancelado o lançamento do IPI em relação aos produtos que submeteramse ao serviço de plastificação, pois o imposto não incide sobre um serviço prestado em relação a produtos que não se inserem em cadeia produtiva/industrial e, tampouco, se destinam a comercialização pelo contratante do serviço. Em relação ao IPI que foi lançado sobre saídas de embalagens de produtos alimentícios, em relação aos quais a DRJ entendeu que não estava comprovada adequadamente a natureza das embalagens (vale dizer, se serviriam mesmo à indústria alimentícia), pareceme que a dúvida está afastada diante da comprovação evidente de que os produtos se destinavam única e exclusivamente ao acondicionamento de produtos da indústria alimentícia – presentes tanto na identificação intrínseca como extrínseca, que demonstram a que tipo de produto se destinam (conforme relatado, as caixas possuem impressão não apenas o nome do fabricante, mas também seu conteúdo – doces, geleia real, chá mate, extrato de própolis, chocolate, dentre outros). Assim, neste ponto creio que o lançamento não pode prosperar, pois seus fundamentos não se mantém. Finalmente, quanto à questão da suspensão do IPI em saídas de produtos destinados à indústria alimentícia, e a apresentação de declarações fornecidas por clientes em 2005, referindose ao período fiscalizado, em razão do extravio das declarações que haviam sido anteriormente fornecidas pelos clientes da Recorrente, entendo que a falta de cumprimento de mera formalidade não pode impedir a aplicação da suspensão do IPI, sob análise. Mormente porque a declaração em tela teria o condão de afirmar qual a atividade desenvolvida pelos clientes da Recorrente, no período em que se dessem as saídas suspensas. Se os próprios clientes confirmam que, no período em questão, desenvolviam a atividade sujeita à suspensão (que, aliás, é a mesma desenvolvida no momento em que formalizaram a declaração), não entendo questionável o conteúdo material do documento. Se sua finalidade é atestar qual atividade era desenvolvida pelo cliente e, ainda que posteriormente, ele (cliente) afirma que naquele determinado período desenvolvia a atividade elegível à suspensão, então não me parece haver qualquer prejuízo para nenhuma das partes, tampouco para o Fisco. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11070.001870/200510 Acórdão n.º 3302001.709 S3C3T2 Fl. 10 10 Além disso, o objetivo da suspensão era desonerar saídas (e entradas) da cadeia produtiva de alimentos o que, por sua vez, conforme declaração dos próprios clientes da Recorrente, aconteceu. Materialmente os requisitos da suspensão se fizeram presentes, e embora a declaração relacionada a tais operações, apresentada nestes autos, tenha sido emitida extemporaneamente, se refere ao período fiscalizado e foi conferida pelo mesmo cliente que, atualmente, desenvolve (ainda) a mesma atividade (industrialização de alimentos). Adicionalmente, em pesquisa realizada na internet pude constatar que os clientes que apresentaram as declarações em questão são de fato indústrias do ramo alimentício, trabalhando, em geral com produtos relacionados a chocolate. Ou seja, são empresas alimentícias, e as remessas de produtos fornecidos pela Recorrente a elas é objeto de questionamento, justamente por ausência de declaração que comprovasse que, à época eram empresas/indústrias do ramo de alimentos. Pareceme despropositado supor que não se dedicavam a este ramo de negócios em 2001/2002 e tivessem passado a se dedicar em 2005, dando uma declaração falsa a respeito do período questionado. Mais razoável é admitir que sempre foram empresas do ramo da produção de alimentos, por isso compravam os produtos da Recorrente – já que se trata de embalagens próprias para alimentos – e, portanto, estas vendas estavam habilitadas a gozar da suspensão do IPI, ora questionada. Portanto, entendo que não há como negar aplicabilidade à suspensão do IPI se seus requisitos materiais foram cumpridos, ainda que uma das formalidades exigidas não tenha, eventualmente, sido cumprida (a este respeito, vale notar que a fiscalização e a Recorrente somente constataram, em 2005, que as declarações de 2001/2002 não estavam sob a guarda da Recorrente, mas não se comprova se elas, de fato, jamais foram expedidas ou foram, simplesmente, extraviadas). Neste sentido, conheço do presente recurso para o fim de darlhe PROVIMENTO, cancelando o lançamento na parte ainda sob discussão nestes autos, mantendo o auto em relação apenas em relação aos valores incontroversos (seja aqueles que a Recorrente admitiu estarem corretamente constituídos, seja em relação ao valor já anteriormente cancelado pela DRJ). É como voto. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Voto Vencedor WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator designado. Acompanho o brilhante voto da Ilustre Conselheira Relatora, exceto em relação às seguintes matérias: plastificação de produtos e tributação das Notas Fiscais nº 11441 e 11448. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11070.001870/200510 Acórdão n.º 3302001.709 S3C3T2 Fl. 11 11 Com relação à plastificação de produtos verificase que os mesmos destinam se à empresas da indústria gráfica e, portanto, não é material de consumo dos encomendantes e sim matériaprima ou produtos intermediários utilizados pelo adquirentes para o emprego na produção de bens da indústria gráfica. Neste caso, fica evidente que a Recorrente realiza uma parte da industrialização dos produtos de seus clientes. O fato da plastificação ter sido encomendada pelo cliente da Recorrente não significa que o produto se destina ao consumo do encomendante e, portanto, sofre a tributação do ISS e não do IPI. Para caracterizar a prestação de serviço é necessário, além da encomenda personalizada, que o produto se destine ao exclusivo consumo do encomendante. Se o produto beneficiado (plastificado) se destina à produção de outro bem é matériaprima e não material de consumo. Como matériaprima, sofre a tributação do IPI. No caso concreto, o produto plastificado pela Recorrente destinase à outra indústria gráfica, que o aplicará na produção de bens da indústria gráfica (livros, por exemplo), tributados ou não pelo IPI. Com relação à nota fiscal nº 11441 não se trata de impresso personalizado e sim de pasta com suporte interno, produto tributado pelo IPI. Nestas condições, não há como excluir tal nota do lançamento. O fato da pasta ter sido produzida por encomenda não altera a natureza da operação de industrialização. Por último, a nota fiscal nº 11448 não foi objeto de lançamento. Se não foi lançado o IPI desta nota fiscal, não há como fazer a sua exclusão do lançamento. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter o lançamento em relação à receita da plastificação de produtos e à nota fiscal nº 11441, exonerando a Recorrente em relação às demais parcelas. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 351DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 04/0 9/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 18192.000192/2007-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2005
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos a partir da competência de dezembro de 2000.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 11/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 19 2. 00 01 92 /2 00 7- 94 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos a partir da competência de dezembro de 2000. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Comunidade Bom Pastor, foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 01/50, para cobrança de contribuições previdenciárias (empregador) destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão de grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do Trabalho (SAT/RAT) e as devidas a terceiros (SalárioEducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE).. A Terceira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 280300.169, que se encontra às fls. 135/138 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL Em face da declarada do art 45 da Lei. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federa por diversas vezes, inclusive na forma da Sumula Vinculante n° 08, o prazo decadencial para constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18192.000192/200794 Acórdão n.º 9202002.540 CSRFT2 Fl. 8 3 Somente se fará jus à isenção da cota patrimonial das contribuições previdenciárias a contribuinte, que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos no artigo 55 da Lei nº 8.212/1991. Sendo necessário da autoridade declarando o cumprimento dos termos legais, para benefício de isenções de caráter individual. (art. 179, do CTN). GFIP. INFORMAÇÕES PRESTADAS. EFEITO DECLARARATÓRIO E DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. PROVA PERICIAL. Com fulcro nos artigos 33, §§ 6º e 70, da Lei n. 8.212/1991, e 225, do Decreto nº 3.408/99, as informações prestadas em GFIP’s serão admitidas como base de cálculo das contribuições previdenciárias e como confissão de dívida na hipótese de não recolhimento. A falta de fundamentação e instrumentalização documental para basear o pedido de prova pericial demonstra a sua consonância com o art. 18, do Decreto 70.235, sendo a justificativa correta do indeferimento por prescindibilidade ou impraticabilidade do pedido. Não configura cerceamento de defesa, quando o ato de lançamento está em conformidade com os artigos 37, da Lei 8.212/1991, 142, 147 e 149 do CTN./ APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFICIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATORIA. PRINCIPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃOPELA LEI Nº 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da lei9.430/1998, é inferior à multa moratória aplicada aos valores dos créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei nº 8.212/1991, com redução anterior à Lei 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindose a multa moratória, ex officio. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência dos fatos geradores até a competência de agosto de 2001, e, por maioria de votos, determinar a aplicação de multas previstas no artigo 35 da Lei 8.212/91 com a redação dada pela Lei 11.941/2009. Intimada do acórdão em 24/01/2011 (fls. 139), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 180/187, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos n° 910100.460 e 20501.579, no tocante à decadência das contribuições sociais. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 222/2012, de 09/05/2012 (fls. 288/289). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 292/294. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como se verifica nos autos, o recurso foi interposto objetivando a reforma do v. acórdão no que diz respeito à declaração da decadência de parte do período em questão pela regra do artigo 150, § 4º, do CTN, para que seja aplicada a decadência com base no artigo 173, I, do CTN, em vista a divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nº 910100460 e 20501579. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados, in verbis: “EMENTA: DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do artigo 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP nº 973.733 – SC, submetido no regime do art. 543 – C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” EMENTA: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos gerados apurados pela fiscalização.” Pois bem. No âmbito do Código Tributário Nacional, cabe examinar se deve ser aplicado ao caso o §4º do art. 150 ou art. 173, inciso I, do CTN, ambos para se determinar o termo inicial para contagem do prazo de decadência de 5 anos. Em diversas oportunidades já manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18192.000192/200794 Acórdão n.º 9202002.540 CSRFT2 Fl. 9 5 decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existência de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, a partir de alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 22 de dezembro de 2010, introduziu no artigo 62A do Anexo II dispositivo que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar em 18/09/2009 o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. Na presente situação, entendo ser necessário o deslocamento da regra de contagem do prazo de decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, I, ambos do CTN, ante a total ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias relativamente aos períodos envolvidos (inclusive porque a contribuinte se considerava entidade filantrópica isenta das contribuições previdenciárias). Com base no referido raciocínio, aplicase ao presente caso o disposto no artigo 173, I do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso em questão, considerando que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 27/09/2006 (fls. 01), somente deve ser declarada a decadência em relação aos fatos geradores Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18192.000192/200794 Acórdão n.º 9202002.540 CSRFT2 Fl. 10 7 ocorridos até a competência de novembro/2000, em relação aos quais o início da contagem do prazo decadencial se dá em 1º de janeiro de 2001, encerrandose em 31/12/2005. Parcialmente reconhecida a decadência, cabe ainda verificar se há alegações no recurso voluntário que ainda não foram enfrentadas, hipótese em que os autos devem ser devolvidos para a turma de origem. No presente caso, o contribuinte sustenta a inconstitucionalidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, alegando que tal dispositivo não poderia restringir a imunidade prevista constitucionalmente. Verifico, no entanto, que o v. acórdão recorrido enfrentou a matéria, tendo reconhecido a impossibilidade deste Colegiado afastar essas exigências por inconstitucionalidade, razão pela qual não é necessária à devolução dos autos para novo julgamento. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para afastar a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos a partir da competência de dezembro de 2000. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 19515.002056/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2007
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. CIÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO SEM CÓPIA INTEGRAL DO PROCESSO.
REGULARIDADE DAS INTIMAÇÕES. INOCORRÊNCIA.
A ciência dos autos de infração sem apresentação de copia integral do processo à autuada não implica cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que podia compulsá-lo e obter as copias que entendes-se necessárias.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação foram plenamente assegurados no curso do processo.
Numero da decisão: 1201-000.711
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. CIÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO SEM CÓPIA INTEGRAL DO PROCESSO. REGULARIDADE DAS INTIMAÇÕES. INOCORRÊNCIA. A ciência dos autos de infração sem apresentação de copia integral do processo à autuada não implica cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que podia compulsálo e obter as copias que entendesse necessárias. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação foram plenamente assegurados no curso do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 19515.002056/201015 Acórdão n.º 120100.711 S1C2T1 Fl. 163 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Regis Magalhães Soares de Queiroz, Claudemir Rodrigues Malaquias, André Almeida Blanco e Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto com fundamento no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, em face do Acórdão nº 1431.671, de 25.11.2010, proferido pela e. 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Os autos de infração foram lavrados para constituir o crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) (fls. 45/48); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (fls. 68/71); Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 53/56) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) (fls.61/64), em decorrência de infrações apuradas no anocalendário de 2007. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 35/39), não foi comprovada a contabilização das operações de vendas relativas aos valores de vendas mensais constantes da Guia de Informações e Apuração do ICMS (GIA), entregue pela contribuinte à Fazenda Estadual. Tal fato ensejou o lançamento de ofício, a título de receita não declarada. Acrescenta, ainda, o agente fiscal, que a não apresentação de livros e documentos da escrituração comercial e fiscal impossibilitou a apuração do lucro real, sujeitando a pessoa jurídica a ter o seu lucro arbitrado pela autoridade tributária, por ter infringido o inciso III do art. 530 do RIR/1999. Foi aplicada multa de ofício de 75% para a receita declarada em GIA (RIR/1999, art. 957, I) e agravada em 50% para a receita não contabilizada (RIR/1999, art. 959, I e II), tendo em vista o não atendimento às intimações proferidas pela fiscalização, pela não apresentação dos livros e documentos fiscais. Após ciência do lançamento, a Recorrente apresentou impugnação (fls. 76/88) alegando, em síntese: a) cerceamento de defesa, uma vez que se trata de matéria eminentemente de verificação dos fatos ocorridos, sendo absolutamente necessária a análise detalhada pelo contribuinte de todos os documentos que eventualmente registram as operações a ele imputadas e, conforme o caso, que venham a comprovar atuação contrária à lei; b) a simples indicação da prática de fatos jurídicos tributários não configura fundamentação precisa e correta para imputar infração ao contribuinte, sem que ocorra a verificação profunda dos fatos; c) os documentos que serviram de base para a autuação não estão nos autos, sendo absolutamente necessário que o contribuinte tenha ciência de todos os documentos para que sobre eles possa se manifestar; Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 19515.002056/201015 Acórdão n.º 120100.711 S1C2T1 Fl. 164 3 d) cabia ao Fisco provar nos autos que a contribuinte praticou ilícitos tributários; e) poderia a fiscalização ter aguardado a apresentação de documentos ou informações da contribuinte, visando demonstrar e comprovar a origem dos valores supostamente encontrados pela fiscalização; f) o ônus de provar incumbe a quem alega, conforme demonstram o art. 9o do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, o art. 333 do Código de Processo Civil (CPC) e jurisprudência do Conselho de Contribuintes; g) não é admissível que a fiscalização fundamente toda ação fiscal (arbitramento) em informações obtidas por meio de GIA, DCTF e DIPJ, sem permitir que a contribuinte tenha ciência dessas informações; h) não é papel do contribuinte realizar prova negativa de um fato tributário. A autoridade julgadora de primeira instância, ao apreciar a argumentação da defesa, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, conforme decisão assim ementada, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Impugnação Improcedente.” Ante a decisão desfavorável, cientificada em 01.02.2011, a contribuinte recorre a este Conselho por meio do recurso voluntário (fls. 133/143), protocolizado em 03.03.2011. Repisa em seu recurso as alegações trazidas na impugnação, asseverando que ocorreu cerceamento do seu direito de defesa. E acrescenta: a) que toda a ação fiscal foi fundamentada em documentação não apresentada à contribuinte voluntariamente (fls. 136); b) que é absolutamente necessário que o contribuinte tenha ciência de todos os documentos que integram os autos e embasaram o Auto de Infração, para que sobre tais documentos possa se manifestar, exercendo, assim de forma ampla seu direito de defesa (fls. 137); c) que poderia a fiscalização ter intimado a contribuinte para manifestarse com relação aos documentos (GIA e DCTF) utilizados como base para lavratura deste auto de infração, o que não foi feito (fls. 137); d) que poderia a fiscalização ter encaminhado juntamente com o auto de infração a cópia dos referidos documentos para que a contribuinte tivesse pleno conhecimento da infração a ela imputada, o que não foi feito; Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 19515.002056/201015 Acórdão n.º 120100.711 S1C2T1 Fl. 165 4 e) que a vista do processo administrativo no endereço constante da intimação leva, pelo menos 15 dias para ser realizada e depende de agendamento prévio e do necessário pagamento da guia relativa às cópias que são fornecidas após sete dias; f) e que com isso, dos 30 dias de prazo para a impugnação sobram, em média, dez a cinco dias para a elaboração da defesa (fls. 138); g) que deve ser enviado um auto de infração instruído com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, o que não foi feito (fls. 139); h) que é indiscutível o cerceamento de defesa ocorrido no presente caso, haja vista a impossibilidade do contribuinte possuir todas as informações que deram suporte ao lançamento, ficando restrito às informações contidas no auto de infração (fls. 140); i) e que o arbitramento de lucro da contribuinte fundamentado em documentos que sequer ciência possui a Recorrente não prova qualquer infração à lei tributária, muito pelo contrário, revelase verdadeira tentativa de fazer uso do processo administrativo tributário para obter indícios de prática de infração, invertendo, com isso, o ônus da prova (fls. 143). Ao final, requer a reforma da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento, declarando nulo o auto de infração, seja pelo cerceamento do direito de defesa ou pela inversão do ônus da prova. É o relatório. Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/1972 (PAF), razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão a ser apreciada por este colegiado cingese em verificar se houve, no curso do processo, o alegado cerceamento do direito de defesa da Recorrente. De plano, cumpre consignar que a Recorrente, da mesma forma que o fez quando da impugnação, não questiona a situação fática que originou o lançamento, qual seja, a apuração de receitas não declaradas e o arbitramento do lucro em razão da não apresentação dos livros contábeis e fiscais. A insurgência da Recorrente voltase apenas para as alegações de “nulidade do lançamento, por cerceamento de defesa e inversão do ônus da prova, tendo em vista não estarem nos autos os documentos que serviram de base para a autuação (GIA, DIPJ e DCTF)”. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 19515.002056/201015 Acórdão n.º 120100.711 S1C2T1 Fl. 166 5 Quanto à alegação de que é necessária a ciência de todos os documentos e provas que fundamentam a autuação, a Recorrente não logrou apontar a inexistência de intimação no processo, indicando apenas que o acesso aos autos na repartição era demorado, restringindo o prazo para a defesa. Com efeito, a ciência dos autos de infração sem apresentação de cópia integral do processo à autuada não implica cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que poderia compulsálo e obter as copias que entendesse necessárias. A mesma consideração deve ser feita em relação às demais alegações tecidas no sentido de que a fiscalização não permitiu à Recorrente o conhecimento pleno dos elementos de prova sobre os quais fundamentouse a autuação. Contrário a esta alegação da defesa, consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 35/36), a informação de que a Recorrente foi regularmente intimada, mediante termo datado de 10.05.2010, cuja ciência por via postal ocorreu em 14.06.2010 (fls. 11/13), para apresentar o livro de apuração do IPI, bem como esclarecer a divergência existente entre a receita bruta declarada na DIPJ/2008 e os valores declarados em GIA para o ano de 2007. Em face do não atendimento no prazo estipulado, a fiscalização expediu novo termo em 13.07.2010, cuja ciência por via postal ocorreu em 16.07.2010, onde a autoridade fiscal reiterou a solicitação anterior (fls. 14/16), sem contudo obter qualquer manifestação por parte da Recorrente. Ante a inércia da Recorrente, verificada no curso do procedimento de fiscalização, não restou outra alternativa à autoridade lançadora que não constituir o crédito com base nos elementos de que dispunha. Assim, promoveu lançamento, a título de Receita Não Contabilizada, com base nos valores de Vendas Mensais constantes das GIA entregues à Fazenda Estadual. A não apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal impossibilitou a apuração do Lucro Real, sujeitando a pessoa jurídica ao arbitramento do lucro pela autoridade fiscal, conforme o disposto no art. 530 do RIR/1999, deduzindose os valores regularmente declarados em DCTF pela Recorrente. O auto de infração deve ser instruído com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito (art. 9º, caput, do Decreto nº 70.235/1972). A não anexação das provas que comprovam o ilícito constitui causa de nulidade do auto de infração. Porém, não foi o que se verificou no caso dos presentes autos. Constam do processo todos os elementos necessários para contestação quanto ao mérito da autuação. A apuração de receitas não contabilizadas se baseou na análise das GIA em confronto com as DCTF, no anocalendário de 2007, tendo em vista a informação de receita bruta zerada no referido anocalendário (fls. 18/22). As DCTF e GIA que embasaram o lançamento (fls. 19/34), diferentemente do que alega a Recorrente, foram objeto de termos de intimação específicos (fls. 11 e 14), nos quais a autoridade fiscal solicitou esclarecimentos acerca das divergências apontadas. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 19515.002056/201015 Acórdão n.º 120100.711 S1C2T1 Fl. 167 6 No entanto, transcorrido o prazo para atendimento às referidas intimações, sem qualquer manifestação da Recorrente, foi lavrado o auto de infração, do qual foi regularmente intimada, o que resulta por infirmar qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa. Ressaltese, também, que os autos estiveram à disposição da Recorrente para vistas durante o prazo para impugnação e para apresentação deste recurso, ocasiões em que foi oportunizado à defesa o amplo acesso a todos os documentos constantes do processo. Não se configura, portanto, cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação foram plenamente assegurados no curso do processo. Em suma, ante as circunstâncias fáticas verificadas nos autos, me parece que não restou caracterizado o alegado cerceamento do direito de defesa da Recorrente, porquanto não houve qualquer argumentação contrária aos fundamentos da autuação, apesar das comprovadas oportunidades oferecidas à defesa para se manifestar. Por todo o exposto, NEGO provimento ao recurso, mantendose integralmente a decisão de primeira instância. É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 13657.000397/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
DCTF. Transmissão Fora do Prazo. Interrupção Provedor Internet. Incidência de Multa.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. Problemas com provedores de internet são facilmente contornáveis e não impedem a transmissão da declaração no prazo.
Numero da decisão: 1801-001.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
______________________________________
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008 DCTF. Transmissão Fora do Prazo. Interrupção Provedor Internet. Incidência de Multa. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. Problemas com provedores de internet são facilmente contornáveis e não impedem a transmissão da declaração no prazo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
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TRANSMISSÃO FORA DO PRAZO. INTERRUPÇÃO PROVEDOR INTERNET. INCIDÊNCIA DE MULTA. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. Problemas com provedores de internet são facilmente contornáveis e não impedem a transmissão da declaração no prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 7. 00 03 97 /2 00 9- 11 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13657.000397/200911 Acórdão n.º 1801001.249 S1TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento consubstanciado no presente processo. Histórico. Tratase de notificação de lançamento (fl. 04) que exige multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF relativa ao 2o. semestre do anocalendário 2008. Segundo o que consta dos autos, a DCTF relativa ao 2o. semestre do ano calendário de 2008, cujo prazo de entrega teria exaurido em 7/4/2009, foi apresentada em 8/04/2009, ensejando a incidência de multa mínima calculada em R$ 500,00. A interessada apresentou impugnação tempestiva alegando que o atraso na entrega teria sido motivado por um problema em vários estados no provedor de serviços de internet SPEEDY da região do escritório de contabilidade responsável. O problema teria afetado todos os usuários dos serviços da empresa Telefônica. Anexou comunicado oficial da Telefônica, bem como noticiário da “Globo Online” confirmando o problema ocorrido entre os dias 6/4/2009 e 8/4/2009. Assim que restaurada a normalidade do sistema, no dia 8/4/2009, imediatamente procedeu à transmissão da declaração. A turma julgadora de 1a. instância, por unanimidade de votos, julgou procedente a exigência. Notificada da decisão, em 6/7/2011 e, irresignada, apresentou a interessada, em 1/08/2011, recurso voluntário no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação ao lançamento. Acrescenta que a Anatel teria reconhecido a interrupção de trasmissão de dados pelos usuários dos serviços de Speedy da Telefônica no período de 6/4/2009 a 8/4/2009 e que a SRF deveria publicar Ato Declaratório cancelando as multas aplicadas. É o relatório. Voto Fl. 40DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13657.000397/200911 Acórdão n.º 1801001.249 S1TE01 Fl. 4 3 Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como bem ressaltou a autoridade julgadora “a quo”, o fato de a contribuinte ter apresentado sua a DCTF relativa ao 2o. trimestre do anocalendário 2003 de forma espontânea, mas fora do prazo limite determinado pela legislação de regência, não a desobrigada da penalidade. É que a multa incide, justamente, pela demora, pelo atraso na apresentação da DCTF, de entrega obrigatória pelas pessoas jurídicas. Desnecessário, assim, transcrever, novamente, toda a legislação de regência do tema, já colacionada aos autos pela decisão da autoridade julgadora de primeira instância, para demonstrar que é a Lei que determina a entrega da DCTF no prazo por ela estabelecido e a aplicação de multa, no caso de inobservância desse prazo. Quanto à alegação de que os serviços de internet do escritório de contabilidade contratado pela empresa teria sofrido interrupção por conta de ataques cumpre observar, uma vez mais, que o problema foi pontual e não teria impedido a empresa de providenciar a transmissão da DCTF por intermédio de outro provedor e/ou computador, inclusive aqueles disponibilizados pelas próprias unidades da Receita Federal. Inexiste norma tributária estabelecendo exceções ao prazo originalmente fixado para cumprimento da obrigação acessória em litígio. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 08.04.2009 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do segundo semestre do anocalendário de 2008, com prazo final de entrega em 07.04.2009. Por tal razão o lançamento de ofício está correto. A afirmativa da defendente, por conseguinte, não deve ser acolhida. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 41DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13657.000397/200911 Acórdão n.º 1801001.249 S1TE01 Fl. 5 4 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/11/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720126/2009-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
INSUMOS. CRÉDITO DE COFINS
Incabível o desconto de crédito da COFINS em relação aos bens ou serviços que devem ser ativados no permanente ou aqueles que por suas características não são utilizados no processo de produção, além daqueles que são utilizados em atividades que ainda não estão em fase de produção.
Numero da decisão: 3803-004.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Alexandre Kern acompanharam o relator apenas em suas conclusões.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 INSUMOS. CRÉDITO DE COFINS Incabível o desconto de crédito da COFINS em relação aos bens ou serviços que devem ser ativados no permanente ou aqueles que por suas características não são utilizados no processo de produção, além daqueles que são utilizados em atividades que ainda não estão em fase de produção.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 INSUMOS. CRÉDITO DE COFINS Incabível o desconto de crédito da COFINS em relação aos bens ou serviços que devem ser ativados no permanente ou aqueles que por suas características não são utilizados no processo de produção, além daqueles que são utilizados em atividades que ainda não estão em fase de produção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Alexandre Kern acompanharam o relator apenas em suas conclusões. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 01 26 /2 00 9- 29 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Tratase de recurso contra decisão denegatória de pedido de ressarcimento eletrônico de crédito de PIS/COFINS não cumulativo, transmitido em 13/06/2008 e anexo às fls.06/08, no valor de R$ 28.854,64, PER/DCOMP nº 147 91.57871.130608.1.1.110656. À fl. 72 consta despacho decisório proferido em 29.01.2010, pela DRF de Caixas do Sul, que homologou a restituição de somente R$ 63.749,97 de PIS/COFINS, em relação ao montante integral de R$ 567.799,90, pleiteado pelo contribuinte em 28 pedidos de ressarcimento protocolizados. Às fls. 68/72 está anexa Informação Fiscal elaborada pelo agente fazendário incumbido de realizar a fiscalização da recorrente. Neste relatório, consta que a verificação fiscal abrangeu agosto/2004 a dezembro/2007, sendo relacionado todos os PAFs vinculados ao pedido, inclusive o processo em exame. O fiscal ainda elaborou planilha com valores de créditos informados nos DACONs referentes ao período. No item III de seu relatório, o agente fazendário apontou que a empresa realizou a apuração indevida de créditos sobre partes, peças, combustíveis, despesas diversas e bens sujeitos à alíquota zero. Assim, não reconheceu o direito aos créditos em relação aos custos e despesas relacionados a bens que não podem, em sua ótica, ser considerados insumos à luz da legislação vigente de PIS/COFINS, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Assim, retirase do relatório em exame que a fiscal embasou seu convencimento a respeito do conceito de insumo a partir do que preconizam as IN da SRF nº 247/2002, 358/2003 e 404/2004. Afirmou também que a definição de insumo exclui bens ou despesas que devam ser incluídas no ativo e por isso não aceitou os créditos referentes a lançamentos na conta 132, denominada “ativo fixo”, nem mesmo em relação a conta 132020002, correspondente aos valores das notas fiscais de aquisição emitidas no período de 17/08/2004 até 11/12/2007. Outro ponto de controversa diz respeito a forma de contabilização das despesas vinculadas aos pomares. Destaca o fiscal que na conta referente aos “imobilizados” não constatou lançamentos destas despesas, seja em relação a pomares próprios, seja em relação a pomares de terceiros. Destaca que nos diversos contratos de arrendamento celebrados com terceiros, há clausulas que impõe ao recorrente as despesas com máquinas, plantio de mudas, manutenção de cercas etc. O agente fiscal destaca que a maioria dos itens incluídos pelo contribuinte referese a óleo diesel utilizado em tratores, bem como manutenção de tratores e implementos agrícolas. Mas apontou que os tratores são utilizados tanto em pomares em produção, próprios e de terceiros, quanto em pomares ainda não produtivos, bem como na manutenção das propriedades de terceiros. E aqui está mais um ponto de discordância entre a Fazenda Nacional e o contribuinte. Na ótica fiscal, quando o recorrente tem despesas com óleo diesel em pomares “não produtivos”, mas que estão em formação tem a obrigação de imobilizar os valores dessas operações, tendo em vista que os pomares não produtivos, devem ter todos os seus custos e despesas imobilizadas em conta do ativo imobilizado até a sua primeira produção, por se tratar de “cultura em formação”. Argumenta o fiscal, que a empresa não segrega sua contabilidade, a fim de que fosse possível verificar quais despesas com tratores, mais especificamente diesel e manutenção, estão vinculadas ao “pomares em produção” e quais são as despesas relacionadas Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720126/200929 Acórdão n.º 3803004.083 S3TE03 Fl. 252 3 a “pomares não produtivos”. Desta forma, propôs que não fosse homologado o pedido de ressarcimento em relação as despesas de diesel e manutenção gastos com tratores. Já em relação a despesas com manutenção, comenta o fiscal em seu relatório anexo às fls. 68/72: Em relação às despesas com manutenções, ressaltamos ainda que entre as aquisições efetuadas pela contribuinte incluemse algumas que claramente deveriam ser destinadas ao ativo imobilizado, independentemente da situação acima apontada, visto que claramente aumentam o prazo de vida útil dos bens em mais de um ano, como é caso de recauchutagem de pneus, embreagem, bicos injetores, pistões, blocos e cabeçotes (reforma de motores), câmbio, amortecedores, motor de partida, freios e pneus. Outras aquisições, embora não sejam relacionadas a manutenções, também não podem ser consideradas insumos: estacas e palanques, proteção contra lebre, âncoras, fitilhos, arame farpado e arame galvanizado. Todos itens que não foram aceitos estão listados na forma do anexo a este relatório. Em relação aos itens não aceitos, observase, em adição ao aqui exposto, em relação ao período de agosto de 2004, a manutenção de crédito em data anterior a 09 de agosto, contrariando o disposto na MP n° 206, de 2004, posteriormente convertida na lei 11.033, de 2004.(grifo) Às fls.73/80 está anexa planilha contendo valores em que se recomenda a glosados pelo fiscal. Depois às fls. 93/111 o contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade por intermédio da qual se insurge contra o despacho denegatório proferido pela DRF. Em sua Manifestação de Inconformidade requereu a reforma do despacho decisório, sob a alegação a DRF utilizou o conceito de insumo aplicado para o IPI, bem como que o diesel e despesas com manutenção de tratores estão relacionadas com o processo produtivo da empresa. Pleiteou também créditos de PIS/COFINS com os gastos em empilhadeiras, considerando serem custos necessários à produção de maçãs Sobreveio às fls. 140 e seguintes o Acórdão nº 0429.065 2ª Turma da DRJ/Campo Grande, cuja ementa segue ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 CRÉDITO DE COFINS. INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Somente os insumos utilizados no processo produtivo poderão ser utilizados para compor créditos da COFINS e não os bens ou serviços que devem ser ativados no permanente ou aqueles que por suas características não são utilizados no processo de Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 produção, além daqueles que são utilizados em atividades que ainda não estão em fase de produção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os julgadores de primeiro grau indeferiram o pedido de restituição com fundamento no fato de que os valores lançados na contabilidade não é coincidente com os valores informados em DACON’s e que tal irregularidade impossibilita à Fazenda apurar as despesas vinculadas com a produção de maças e as despesas gastas com a implantação do pomar e que estariam relacionados com a fase não produtiva do pomar. Compreendeu a DRJ, que as glosas de despesas com tratores devem ser mantidas, tendo em vista serem despesas que deveriam ser ativadas no permanente da empresa até que os pomares próprios e de terceiros passem a produzir frutas. Acontece que no “ativo imobilizado” não foi verificado o lançamento dessas despesas. Os julgadores “a quo” compreenderam ainda que a falta de segregação das despesas na contabilidade, quanto a utilização de tratores e maquinários agrícolas na área de formação dos pomares, impede o reconhecimento dos créditos. Em relação as empilhadeiras, a DRJ negou creditamento por considerar que a recorrente não demonstrou em que medida são utilizadas no processo produtivo. No tocante as despesas com gastos com diesel, manutenção de máquinas e equipamentos, foram também glosados os créditos em razão de que a legislação não autoriza o reconhecimento de créditos em relação a bens gastos em pomares ainda em fase de implantação. Irresignado, o contribuinte apresenta recurso voluntário e repisa as alegações já mencionadas em sua Manifestação de Inconformidade e mostrase contrário a aplicação do conceito de IPI para definir “insumo”. Argumenta que o processo produtivo deve ser compreendido desde o plantio das mudas até o transporte da maça e cita decisões do CARF e acórdão do TRF 4ª para fundamentar o seu direito. Por fim, requer a reforma do acórdão hostilizado e a homologação integral dos créditos pleiteados no pedido de ressarcimento em exame. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani O recurso voluntário é tempestivo e por isso merece ser conhecido. A lide no presente processo administrativo, gira em torno do conceito de insumo em relação aquisições de produtos e serviços em função da produção maça, bem como em no tocante a maneira de realizar a contabilização das despesas em relação as culturas em formação e as culturas formadas, ou seja, em produção. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720126/200929 Acórdão n.º 3803004.083 S3TE03 Fl. 253 5 Conforme se extrai da decisão da DRJ, foi indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte e acolhido integralmente o parecer fiscal anexo aos autos. Analisando a linha de defesa adotada pelo contribuinte, notase que faz questão de trazer a discussão à extensão do processo produtivo em relação aos pomares de maça, isto é, em eu momento este inicia e em eu momento ele se encerra, justamente com o propósito de ver reconhecido o direito creditório a uma quantidade de despesas que lhe seja mais favorável. O problema é que a recorrente compreende que o processo produtivo, abrangido pelos gastos realizados em pomares sempre geram o creditamento, com base no art. 3º da Lei nº 10.833/2003, independentemente se estes gastos aconteceram em pomares em formação, ou pomares já formados. Ao que tudo indica, a recorrente parte do pressuposto de que as glosas ocorreram por conta exclusivamente da aplicação das Instruções Normativas da SRF nº 247/2002, 358/2003 e 404/2004, ou seja, em razão da aplicação do conceito de insumo a partir do que preconiza a legislação do IPI. Entretanto, ao meu sentir, a glosa está fundamentada em outra questão, ou seja, na falta de contabilização segregada dos custos para os pomares em formação e para os pomares formados. Isso em razão de que a DTJ negou o creditamento, com fundamento da falta de “segregação” das despesas em pomares em produção e em pomares que ainda estão sendo instalados. E o principal argumento utilizado para indeferir o pedido, consiste na verificação de que na contabilidade da recorrente conta denominada “imobilizado” não constam lançadas despesas com retirada de macieiras velhas, plantio de mudas, manutenção de cercas etc. Assim, segundo o entendimento fazendário, a definição de insumo exclui necessariamente bens ou despesas que devam ser incluídas no Ativo Imobilizado. E neste passo, a falta de segregação das despesas impede o creditamento. A decisão recorrida afirma que os pomares permanentes deveriam ser contabilizados em conta do “Ativo Permanente Imobilizado”. Acontece que a contribuinte não procedeu dessa forma, pois vale repetir que no Ativo Permanente – Imobilizado não há a contabilização dos pomares permanentes e nem mesmo dos custos despendidos para a sua manutenção. Mas qual é a forma contábil correta para se escriturar as culturas permanentes ? As culturas permanentes são aquelas não sujeitas ao replantio após a colheita, uma vez que propiciam mais de uma colheita ou produção, bem como apresentam prazo de vida útil superior a um ano, como é o caso em exame. Neste caso, o contribuinte deve proceder à escrituração das despesas no “Ativo Permanente Imobilizado”, quando estiverem gerando frutos, para poder gozar do beneficio da amortização do ativo. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Já em se tratando de despesas gastas para a formação da cultura e quando esta não estiver gerando frutos, recomendase que as mesmas sejam escriturados na conta "Cultura Permanente em Formação Imobilizado", para que seja permitido o desconto de créditos da COFINS, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Todavia, quando o pomar atingir a sua maturidade e estiver em condições de produzir, o saldo da conta da cultura em formação deverá ser transferido para a conta "Cultura Permanente Formada – Imobilizado”, sendo que esta conta está sujeita à depreciação, a partir do mês em que começar a produzir. O tratamento para a depreciação de bens do ativo imobilizado da atividade rural está disposto no Capítulo V, da Seção III, Custos, Despesas Operacionais e Encargos e Subseção III, denominada de Depreciação Acelerada Incentivada, mais especificamente no art.314 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3.000/99: Art.314.Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória n º 1.74937, de 1999, art. 5 º ). Neste passo, entendo que as despesas vinculadas à “constituição” de culturas permanentes, ou seja, gastos com cultura em formação, deveriam ter sido necessariamente ser contabilizadas pela recorrente em conta do Ativo Permanente em Formação, a fim de que ocorresse o desconto de créditos da COFINS, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Já em relação as despesas ocorridas em pomares formados, caberia a contribuinte , como mencionado, ter realizado a contabilização em conta "Cultura Permanente Formada – Imobilizado. Deste modo, entendo que assiste razão para a Fazenda Nacional, uma vez que a forma de contabilização adotada pelo recorrente impede a apuração de quais são as despesas vinculadas aos pomares em formação e pomares já formados. Ademais, a recorrente não contabilizou no imobilizado nem mesmo despesas com estacas e palanques, proteção contra lebre, âncoras, fitilhos, arame farpado e arame galvanizado, que se tratam de bens que deveriam ser imobilizados, por possuir vida útil superior a 1 (um) ano. Quanto às despesas com diesel, GLP, manutenção de tratores, equipamentos agrícolas, empilhadeiras também não há como conceder créditos, tendo em vista que não há como saber se estas estão vinculadas aos pomares em formação, ou aos pomares formados. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.720126/200929 Acórdão n.º 3803004.083 S3TE03 Fl. 254 7 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 36266.003428/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000, 01/04/2001 a 30/04/2001, 01/09/2002 a 30/09/2002, 01/02/2003 a 31/03/2003, 01/11/2005 a 31/12/2005
Ementa:
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
Verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição, art.28 da Lei n.( 8.212/91 e devem constar de GFIP.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000, 01/04/2001 a 30/04/2001, 01/09/2002 a 30/09/2002, 01/02/2003 a 31/03/2003, 01/11/2005 a 31/12/2005 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. Verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição, art.28 da Lei n.° 8.212/91 e devem constar de GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 00 34 28 /2 00 7- 15 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36266.003428/200715 Acórdão n.º 2302002.360 S2C3T2 Fl. 145 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração de obrigação acessória, lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em 20/03/2007 e cientificado em 23/03/2007, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s das competências alternadas de 04/2000 a 12/2005, as remunerações pagas a empregados, a título de prêmio, através de cartões eletrônicos com a intermediação da empresa Incentive House S/A.. Após a apresentação da defesa, Acórdão de fls. 83/91, julgou a autuação procedente em parte para excluir as competências até 11/2001, pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional Inconformada a autuada interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: a) a decadência quinquenal; b) que os pagmentos realizados foram verdadeiros prêmios; c) a continência desta autuação com os processos relativos às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito que tratam da obrigação principal; d) que o Auto de Infração carece de precisão, pois não tem a discriminação clara e precisa dos critérios utilizados para caracterizar apenalidade aplicada; e) que o relatório não demonstrou quais os segurados receberam as verbas pagas pela empresa Incentive House, se os pagamentos foram habituais,etc, ocorrendo ocerceamento de defesa; f) que é descabida a ocorrência de um fato e a imposição de duas multas; g) deve ser aplicado o princípio da consunção, onde as infrações mais abrangentes absorvem as multas mais específicas. Mantendose a multa da NFLD, a do AI deve ser cancelada. Requer a continência com as NFLD’s 37.021.6415 e 37.021.6440, a nulidade do autode infração, ou, alternativamente, a reforma do Acórdão para cancelar o crédito tributário. Por fim, requer que as intimações sejam feitas exclusivamente ao patrono da recorrente. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36266.003428/200715 Acórdão n.º 2302002.360 S2C3T2 Fl. 146 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido. A recorrente foi autuada por ter deixado de informar em GFIP a remuneração paga aos segurados a seu serviço, por meio de cartões de premiação, operacionalizados pela empresa Incentive House S/A, no período alternado de 04/2000 a 12/2005. Ao não informar os valores relativos à remuneração de todos os segurados que lhe prestaram serviço, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. Os valores pagos através de cartões de premiação foram considerados salário, e passíveis de inclusão em GFIP por se enquadrarem no conceito de salário de contribuição e por não constarem das excludentes legais de tal conceito. "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A Constituição Federal, no seu artigo 195, I, alínea “a”, estabelece: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) O dispositivo constitucional transcrito cuida não de “remuneração”, não de “folha de pagamento”, fala de “folha de salários”. A “folha de salários” é composta por lançamentos onde constam o nome dos trabalhadores e todas as parcelas devidas a estes em decorrência do serviço executado. Assim, qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados empregados faz parte da “folha de salários”, que, nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Ademais, para que não restasse dúvidas sobre a amplitude da base de incidência da contribuição social em questão, o dispositivo constitucional transcrito acrescentou “....e demais rendimentos do trabalho”. Além da “folha de salários e demais rendimentos do trabalho”, também integram a base de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do § 11 do artigo 201 da Constituição Federal, os “ganhos habituais do empregado, a qualquer título”. A seu turno, a Lei 8.212, de 24/07/1991, dispõe em seu artigo 22: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Assim, todas as parcelas que fazem parte da remuneração, creditadas a qualquer título, são base de incidência constitucional da contribuição em questão, devendo constar das GFIP’s, nas competências correspondentes ao pagamento efetuado, excluídas apenas as arroladas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, face à isenção concedida por lei, entre as quais não se encontram os prêmios concedidos para incremento da produtividade. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36266.003428/200715 Acórdão n.º 2302002.360 S2C3T2 Fl. 147 7 É inquestionável, portanto, a natureza salarial da verba premial de incentivo à produtividade, devendo constar de GFIP. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP, já foram objeto de inúmeros julgamentos por este colegiado que sempre os entendeu como passiveis de incidência contributiva previdenciária, sendo despiciendo, neste caso, o julgamento conjunto com as NFLD’s relativas à obrigação principal. Quanto à decadência, é de se observar que a decisão de primeira instância já excluiu da autuação as competências atingidas pela fluência do prazo decadencial. A alegação da recorrente acerca do descabimento na aplicação de duas multas, é inócua, pois à época da autuação, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou o responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O descumprimento da obrigação principal, acarreta a constituição do crédito da Seguridade Social, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. E, o descumprimento da obrigação acessória, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), acarreta a lavratura do Auto de Infração. A obrigação se diz acessória, quando se tem por objeto o fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização ou da arrecadação. Portanto, o não recolhimento do tributo acarreta a aplicação dos juros legais e da multa moratória, enquanto o descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em lei, acarreta a multa punitiva. Não há impedimento legal para a aplicação da multa quando do recolhimento por atraso das contribuições sociais incluídas em notificação fiscal de lançamento, conforme disposto no artigo 239, inciso III do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.º 3048/99 (descumprimento da obrigação principal) e a multa punitiva constante do artigo 283, inciso I do mesmo Regulamento, quando houver o descumprimento de obrigação acessória, no caso, a falta da informação em GFIP de toda a remuneração paga aos segurados que prestaram serviços à autuada. Ressalto a inexistência do cerceamento defesa, como alegado, posto que o relatório fiscal explicita que a autuação se deu pela falta de informação em GFIP dos valores pagos aos segurados a título de premiação de incentivo, tanto que foi possível à autuada contestar totalmente a autuação, o que demonstra perfeita compreensão da mesma. O direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição Federal, não foi maculado em razão do levantamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da notificada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que forçosamente, são de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Ainda, quanto ao contraditório e à ampla defesa, preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Portanto, a argumentação da recorrente não deve prosperar. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso ao Auto de Infração. Por fim, a autuação objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido, já que a recorrente não comprovou a correção da falta. Não há qualquer irregularidade na aplicação da multa que, rigorosamente, obedeceu ao disposto no artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social., vigente á época do lançamento: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo Fl. 151DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36266.003428/200715 Acórdão n.º 2302002.360 S2C3T2 Fl. 148 9 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Entretanto, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 152DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos." Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Por derradeiro, quanto à intimação dos atos administrativos, o parágrafo 4º, do artigo 23, do Decreto n.º 70.235/72, traz que será considerado o domicilio tributário do sujeito passivo o endereço postal do seu cadastro junto à administração tributária ou o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, autorizado pelo sujeito passivo, portanto é descabida a intimação do patrono da recorrente, como solicitado: § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36266.003428/200715 Acórdão n.º 2302002.360 S2C3T2 Fl. 149 11 Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa ser calculada considerando as disposições do artigo 32A , inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 154DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13864.000364/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2803-000.156
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que autoridade lançadora manifeste-se sobre o confronto informação a informação que fundamentou o lançamento com a documentação e diferenças das bases de cálculo apuradas e apontadas pela Recorrente. Após a manifestação da autoridade fiscal, determina-se que a recorrente seja intimada a manifestar-se no prazo de 30(trinta) dias, para somente depois, com ou sem manifestação, devolva-se os autos para julgamento.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que autoridade lançadora manifeste-se sobre o confronto informação a informação que fundamentou o lançamento com a documentação e diferenças das bases de cálculo apuradas e apontadas pela Recorrente. Após a manifestação da autoridade fiscal, determina-se que a recorrente seja intimada a manifestar-se no prazo de 30(trinta) dias, para somente depois, com ou sem manifestação, devolva-se os autos para julgamento. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O GE RA DA N O PG D- CA RF PR OC ES SO 13 86 4.0 00 36 4/2 00 9- 18 RE SO LU ÇÃ O GE RA DA N O PG D- CA RF PR OC ES SO 13 86 4.0 00 36 4/2 00 9- 18 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 13.864.000364200918Voluntário 13.864.000364200918Voluntário 3ª Turma Especial3ª Turma Especial 23 de janeiro de 2013 23 de janeiro de 2013 Solicitação de Diligência Solicitação de Diligência ENGESEG - EMPRESA DE VIGILÂNCIA COMPUTADORIZADA LTDA. ENGESEG - EMPRESA DE VIGILÂNCIA COMPUTADORIZADA LTDA. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que autoridade julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que autoridade lançadora manifeste-se sobre o confronto informação a informação que fundamentou o lançadora manifeste-se sobre o confronto informação a informação que fundamentou o lançamento com a documentação e diferenças das bases de cálculo apuradas e apontadas pela Fl. 80DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000364/2009-18 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2803-000.156 S2-TE03 Fl. 81 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão que manteve lançamento por AIs - Autos de Infraçções nº 37.180.842-1 (13864.000362/2009-29) e 37.180.843-0(13864.000364/2009-18), apensados entre si, os lançamentos referem-se a créditos relativos às contribuições previdenciárias (parte patronal) e destinadas a terceiras entidades, relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nas competências de janeiro de 2005 a dezembro de 2005. Tanto em impugnação quanto em recurso voluntário, a recorrente alega, em síntese, que: - as normas sindicais dos Estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul não dispõem sobre a assistência médica/odontológica; - houve erro material na apuração da base de cálculo, como se verifica do cotejo das folhas de pagamento com a Planilha 2, parte integrante do Auto de Infração; - deve ser reconhecida a incompetência material do Auditor-Fiscal para proceder a análise de escrituração contábil, uma vez que o mesmo não possui vínculo junto ao Conselho de Contabilidade; - há conexão do presente com os processos nº 13864.000364/2009-18 (anexado ao presente) e nº 13864.000363/2009-73, razão pela qual devem ser julgados em conjunto; - o legislador complementar, ao tratar das situações jurídicas tributárias afetas aos diferentes estabelecimentos, colacionou, no inciso II, do artigo 127 do Código Tributário Nacional, expressa autonomia e independência jurídica, sobretudo nas situações capazes de ensejar o nascimento de obrigação tributária; - o inciso IV do § 2º do art. 458 da CLT afastou, expressamente, qualquer tentativa de configurar assistência médica/odontológica como resquício de salário in natura; e - as decisões dos Tribunais têm sido nesse sentido, ou seja, que a assistência médica/odontológica possui natureza indenizatória. Assim, os autos vieram à apreciação desta Turma Especial. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000364/2009-18 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2803-000.156 S2-TE03 Fl. 82 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I - O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Contudo, a decisão a quo ao apreciar a alegação de diferenças de apuração da base de cálculo, apenas analisou a questão legal, deixando de diligenciar sobre a diferença apontada claramente pela parte, inclusive com apresentação de documentos. Devido ao grande volume de documentos e dados que fundamentam o auto de infração, de dados em contraposição colocados pela parte, bem como pela ausência de instrumentos computacionais de análise disponibilizados aos Conselheiros do CARF/MF, entende-se que o presente julgamento seja convertido em diligência. O objetivo de tal conversão seria a obtenção de manifestação por parte da autoridade lançadora sobre o confronto informação a informação que fundamentou o lançamento com a documentação trazida pela Recorrente. A negativa de tal diligência pode incorrer em ofensa ao princípio da verdade material. III – Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência, no sentido de que autoridade lançadora manifeste-se sobre o confronto informação a informação que fundamentou o lançamento com a documentação e diferenças das bases de cálculo apuradas e apontadas pela Recorrente. Após a manifestação da autoridade fiscal, determina-se que a recorrente seja intimada a manifestar-se no prazo de 30(trinta) dias, para somente depois, com ou sem manifestação, devolva-se os autos para julgamento. Sala de Sessões, 23 de janeiro de 2013. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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