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Numero do processo: 15504.017276/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1999
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1999 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1505; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 444 1 443 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.017276/200970 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.919 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente APERAM INOX AMERICA DO SUL S.A. (ANTIGA ACESITA S/A) E OUTRO. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 31/12/1999 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 72 76 /2 00 9- 70 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.017276/200970 Acórdão n.º 2401002.919 S2C4T1 Fl. 445 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo acima identificado contra o Acórdão n.º 0225.965 da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG), fls. 109/116, a qual considerou procedente em parte a impugnação apresentada contra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.077.2105, excluindo, por decadência, as competências de 05 a 11/1998. De acordo com o relatório fiscal, o lançamento foi efetuado em substituição à NFLD 36.612.4517, de 30/04/2004, julgada nula por vicio de formal através do Acórdão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS/4a Câmara n° 656/2005, de 18/04/2005. O crédito sob discussão foi lançado no sujeito passivo acima por responsabilidade solidária pelas contribuições previdenciárias (patronal e segurados) não adimplidas pela empresa IRMÃOS MENEZES ENGENHARIA CONSTRUÇÕES E MONTS. LTDA.,CNPJ 38.718.524/000195, que lhe prestou serviços mediante cessão de mão de obra. O saláriodecontribuição foi obtido por aferição indireta, com base nas notas fiscais emitidas em nome da autuada pela sua prestadora, no período maio de 1998 a janeiro de 1999. Apenas a empresa autuada interpôs recurso, fls. 138/161, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) para que se possa aferir a procedência do lançamento fazse necessária a juntada de todas as peças do processo relativo à NFLD n.º 35.612.4517, até porque na decisão recorrida são feitas menções a documentos do referido processo; b) a própria decisão da DRJ reconhece que os diretores não têm responsabilidade pelo crédito, portanto, não poderá no futuro haver redirecionamento de execução fiscal contra essas pessoas; c) não houve negativa da recorrente em apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, posto que foram exibidas folhas de pagamento e guias de recolhimento da prestadora relativas ao período do crédito; d) o lançamento não poderia ser refeito, posto que a NFLD foi nulificada por vício material insanável; e) o fisco não poderia deixar de relacionar os empregados da prestadora, cujas remunerações deram ensejo à apuração; f) o fato de terem sido apresentados os documentos da contratada, mesmo que genéricos, deveria desencadear uma maior investigação para que se verificasse se o débito lançado de fato existe; g) de acordo com o § 5.º do art. 150 do CTN, quando da lavratura da NFLD nulificada, a decadência já havia se operado para as contribuições lançadas; Fl. 446DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 h) o fisco não conseguiu demonstrar que os serviços prestados à recorrente foram na modalidade de cessão de mão de obra; i) os documentos juntados nos autos da NFLD que originou a presente a presente autuação comprovam que todas as contribuições previdenciárias foram recolhidas, em separado ou em conjunto, mas recolhidas, não cabendo a tributação em duplicidade, o bis in idem, enfim, o enriquecimento sem causa; j) o fato da recorrente não ter cumprido a obrigação acessória de exigir as folhas e guias específicas não pode dar origem a tributo; h) a elucidação dos fatos que ensejaram a autuação depende de perícia técnica; Ao final, pede o cancelamento da lavratura, seja pela decadência ou pela improcedência dos argumentos lançados pelo fisco para justificar a autuação. É o relatório. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.017276/200970 Acórdão n.º 2401002.919 S2C4T1 Fl. 446 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, é necessário que se verifique o transcurso do prazo decadencial já quando da lavratura da NFLD original. Verificase dos autos que o lançamento ocorreu em 30/04/2004. A empresa em seu recurso afirma que na defesa contra a NFLD original apresentou folhas de pagamento e guias genéricas que comprovariam a inexistência do débito. Todavia, como não foram acostadas ao presente processo os documentos que instruíram os autos anteriores, não há como se confirmar diretamente a existência dos recolhimentos. No entanto, há um dado lançado no voto condutor do acórdão que anulou a NFLD n.º 35.612.4517, que nos deixa à vontade para concluir pela existência de recolhimentos ainda que feitos de forma genérica pelo prestador. Vejamos o que disse o Relator, fl. 81/86: “A Tomadora de Serviços (ACESITA S.A.) apresentou defesa tempestiva de fls. 35 a 55. A ACESITA colaciona aos autos documentos enviados pela prestadora de serviços: GRPS e folhas de pagamento que, segundo a mesma, demonstram que as contribuições sociais foram devidamente recolhidas. A Prestadora de Serviços, mesmo intimada, se limitou a apresentar declaração de que não efetuou recolhimento em guia específica, mas o fez de forma genérica e junta aos autos uma série de GRPS (fls. 161). (...) Assim, em que pesem todos os esforços desprendidos pela tomadora de serviços e pela prestadora de serviços não há como elidir a responsabilidade solidária da tomadora apenas com a apresentação das guias e folhas de pagamento genéricas, posto que a lei é cristalina e somente reconhece o recolhimento efetuado em guias especificas a partir da respectiva folha de pagamento dos segurados que prestaram os serviços descritos nas notas fiscais.” Assim, seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência, posto que há evidências de que foram apresentadas guias de pagamento em nome prestadora de serviços correspondentes ao período do crédito. Esse posicionamento conduzme à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade também as competências até 12/1998 e 01/1999, haja vista que a data do lançamento é 30/04/2004. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.017276/200970 Acórdão n.º 2401002.919 S2C4T1 Fl. 447 7 Conclusão Voto pelo provimento do recurso, ao reconhecer a decadência para todas as competências lançadas. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 450DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11080.006729/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS-ODONTOLÓGICAS. RESTABELECIMENTO.
Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no valor de R$ 8.231,46.
Assinado digitalmente.
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 10/09/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS-ODONTOLÓGICAS. RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no valor de R$ 8.231,46. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho - Relator. EDITADO EM: 10/09/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontramse elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no valor de R$ 8.231,46. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 10/09/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 67 29 /2 00 7- 48 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11080.006729/200748 Acórdão n.º 2102002.160 S2C1T2 Fl. 11 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 20 a 23: Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 08/09, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física no valor de R$ 2.166,30, multa de ofício no valor de R$ 1.624,72 e juros de mora no valor de R$ 715,52 totalizando R$ 4.506,54, calculados até 31/07/2007, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004. A autoridade lançadora informa às fls. 09 que procedeu à glosa de despesas médicas no valor de R$ 10.721,52. Embora devidamente intimado, o contribuinte não comprovou a despesa com o Hospital Parque Belém e em relação ao plano de saúde “Sener Saúde” foram excluídos os valores relativos a srª Auxilia Oliveira e Freitas. O notificado apresentou impugnação, de fls. 01/05, primeiro concordando com a parte da glosa relativa a despesa com o plano de saúde. Quanto a glosa da despesa com o Hospital Parque Belém disse que a legislação não exige a apresentação da forma de pagamento. Deve apenas ser comprovada a despesa com os comprovantes originais, devendo ter a comprovação do beneficiário. Consta às fls. 18, cópia do DARF no valor de R$ 679,35, acrescidos de juros e multa, relativos a parte em que o contribuinte concorda com a glosa, remanescendo o valor do imposto equivalente a R$ 1.486,96 (valor principal). É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que o recibo apresentado, fl. 12, não seria prova suficiente para desconstituir o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 COMPROVAÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. A dedução das despesas médicas está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 27 a 31, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, insistindo que o recibo do Hospital Parque Belém no valor de R$ 8.231,46 é idôneo e atende a legislação vigente. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11080.006729/200748 Acórdão n.º 2102002.160 S2C1T2 Fl. 12 3 Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. DESPESAS MÉDICAS Discutese nesse processo glosas de despesas médicasodontológicas. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Desta forma, temse que no caso de deduções da base de cálculo do imposto de renda, que é o caso das despesas médicas, o ônus da prova da efetividade de tais despesas é do contribuinte, que se beneficia da dedução. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11080.006729/200748 Acórdão n.º 2102002.160 S2C1T2 Fl. 13 4 Nesse sentido, passemos a analisar a despesa glosada e a respectiva prova apresentada no processo. Hospital Parque Belém, Valor de R$ 8.231,46. Bem, a prova apresentada é o recibo emitido pelo Hospital à fl. 12, contendo identificação completa da Pessoa Jurídica e identificação nominal do contribuinte, além da descrição do serviço prestado. A Fiscalização procedeu o lançamento unicamente pela falta de comprovação do pagamento sem apontar qualquer indício que o recibo seria inidôneo, fl. 09. Considerando as formalidades intrínsecas de um Recibo emitido por Pessoa Jurídica e a facilidade de verificação da sua veracidade, o que poderia ter sido feito junto ao emitente, entendo que o recibo é o suficiente para a prova que se busca. Assim sendo, voto por restabelecer esta despesa. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 16349.000028/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITOS PRESUMIDOS. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO.
O saldo credor trimestral decorrente de crédito presumido da Cofins, apurado sobre aquisições de pessoas físicas, somente pode ser utilizado para dedução da contribuição apurada e devida mensalmente, inexistindo amparo legal para o seu ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos dos votos do relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Acompanhou o julgamento o advogado Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC 22.912.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Rodrigo da Costa Possas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Andréa Medrado Darzé Relatora.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Adão Vitorino de Morais Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O saldo credor trimestral decorrente de crédito presumido da Cofins, apurado sobre aquisições de pessoas físicas, somente pode ser utilizado para dedução da contribuição apurada e devida mensalmente, inexistindo amparo legal para o seu ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos dos votos do relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Acompanhou o julgamento o advogado Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC 22.912. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rodrigo da Costa Possas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Andréa Medrado Darzé – Relatora. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 00 28 /2 00 8- 10 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em São Paulo I que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por entender que o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/04 somente poderá utilizado para desconto dos valores das respectivas contribuições. A ora Recorrente apresentou Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) da COFINS não cumulativa, referente ao 2º trimestre de 2006. Para a verificação da procedência dos créditos objeto do pedido de ressarcimento, foi efetuada diligência junto à empresa. Com base no resultado da diligência, foi proferido Despacho Decisório, no qual restou assentado que: (i) o saldo credor do PIS/PASEP e da COFINS, apurado nos termos das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 e o art. 15 da Lei n° 10.865/2004, quando vinculado às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência dessas contribuições, poderá ser objeto de compensação ou ressarcimento. Todavia, os créditos vinculados às vendas tributadas no Mercado Interno somente podem ser utilizados para dedução das Contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS apuradas no regime de incidência não cumulativa. (ii) o crédito presumido proveniente de atividade agroindustrial, tratado no art. 8° da Lei nº 10.925/2004, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Por conta disso, foram refeitos os cálculos apresentados pelo contribuinte e pela fiscalização, concluindose pelo ressarcimento parcial, conforme planilha que junta. Contra esta decisão, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: (i)os produtos comercializados pela Manifestante estão sujeitos à alíquota zero, desde 26/07/04, em face da edição da Lei nº 10.925/04; (ii)apenas uma pequena parte da produção da Manifestante é tributada no mercado interno. Com efeito, a parcela tributada de suas vendas representa aproximadamente 5% do total produzido, sendo que os 95% remanescentes estão submetidos à venda beneficiada com alíquota zero; (iii)por conta disso, tem créditos acumulados de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS relativos às aquisições dos insumos adquiridos para utilização em sua produção; (iv)neste contexto, vedar a Manifestante de ressarcir ou a compensar tais importes é tornar o PIS/PASEP e a COFINS parcialmente cumulativos, o que contraria o desiderato perseguido pelas próprias Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000028/200810 Acórdão n.º 3301001.666 S3C3T1 Fl. 104 3 (v)ao promover uma incidência não cumulativa da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, o texto constitucional fez referência a instituto jurídico já existente no direito pátrio. Portanto, sua regulamentação por lei ordinária deve observância aos limites conceituais, não lhe sendo concedido o poder de chamar qualquer sistemática de apuração de tributos de não cumulativa; (vi)inutilizar o aproveitamento dos créditos é violar a Constituição Federal, que, ao permitir a instituição das referidas contribuições, impôs a elas a adoção do preceito da não cumulatividade como forma de assentar uma justiça fiscal adequada. Portanto, outorgar um crédito parcial é o mesmo que autorizar que o tributo seja apenas parcialmente não cumulativo, ferindo diretamente o texto constitucional. (vii)com relação à vedação ao direito de crédito de contribuição para o PIS/PASEP e de COFINS relativamente ao crédito presumido das atividades agroindustriais, o Legislador Federal previu, por meio do art. 16 da Lei nº 11.116/05, a possibilidade de compensar referido crédito acumulado ao final de cada trimestre com débitos próprios, vencidos e vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, ou de se proceder ao pedido de ressarcimento do mesmo. (viii)a Lei nº 11.033/04, em seu art. 17, estabelece que "as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações". (ix)cumpre salientar que, ao contrário do que foi afirmado no Despacho Decisório, inexiste na Lei nº 10.925/2004 qualquer vedação para utilização do crédito presumido de PIS/COFINS por meio de compensação, sendo o entendimento esposado no Despacho Decisório construído a partir de meras determinações infralegais. (x)todavia, instruções normativas e atos declaratórios interpretativos exarados pelo próprio fisco não criam direitos assim como também não impõe deveres novos ao contribuinte, não previstos em lei. (xi)a Receita Federal reforçou seu entendimento contrário à compensação e ao ressarcimento do crédito presumido por intermédio da IN SRF nº 636, revogada pela IN SRF nº 660/06, dispondo ambas sobre a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a venda de produtos agropecuários e sobre a utilização do crédito presumido decorrente das aquisições desses produtos. (xii)a IN SRF nº 660/06, ao estabelecer a vedação ao aproveitamento do saldo credor decorrente do crédito presumido das contribuições em evidência, via compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal ou ressarcimento em espécie, extravasou sua competência, incorrendo em patente violação ao principio da hierarquia das leis. (xiii)o principio constitucional da estrita legalidade (art. 150, I, da CF/88) exige que somente o Poder Legislativo pode impor norma matriz tributária, pormenorizando em sua plenitude todos os seus elementos, sendo vedado, pois, ao Executivo estabelecer restrições, como ocorre no caso em concreto, em que se delimita a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 4 (xiv)o posicionamento da Administração também viola o disposto nos artigos 3 e 97 do CTN. A DRJ em São Paulo I julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS NO MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO. Nas vendas no mercado interno, o ressarcimento de créditos é permitido apenas em relação aos dispêndios vinculados a operações efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Os créditos relacionados a demais receitas no mercado interno podem ser aproveitados exclusivamente para dedução da contribuição apurada. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/20045 somente poderá utilizado para desconto dos valores das respectivas contribuições, sendo afastada a hipótese de ressarcimento em dinheiro ou a compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Medrado Darzé, Relatora. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Como é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se resume à possibilidade de o contribuinte se ressarcir/compensar (i) o crédito básico da Contribuição ao PIS acumulado em face das vendas no mercado interno sujeitas à alíquota zero, bem como (ii) o crédito presumido da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/04. Pois bem. A atividade da Recorrente consiste na industrialização e comercialização de alguns cereais, em especial, o arroz e o feijão. Após a edição da Lei n° 10.925/04, a receita bruta de venda no mercado interno desses produtos está sujeita à alíquota zero da Contribuição para o PIS e da COFINS. Por conta disso, a Recorrente vem acumulando saldo credor de Contribuição ao PIS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/02, o qual pretende ressarcir no presente pedido. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000028/200810 Acórdão n.º 3301001.666 S3C3T1 Fl. 105 5 Conforme bem pontuado pelo despacho decisório, a presente matéria é regulada pelo art. 16 da Lei 11.116/05, que assim dispõe: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Da simples leitura do referido texto legal, inferese que o saldo credor de Contribuição ao PIS e da COFINS apurado nos termos do princípio da não cumulatividade, acumulado em virtude do disposto no art. 17 da Lei 11.033/04, poderá ser objeto de compensação ou ressarcimento. Já o referido art. 17, estabelece o seguinte: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em estreita síntese, o que referidos dispositivos legais, em conjunto, determinam é que o saldo credor de Contribuição ao PIS e da COFINS apurado nos termos do princípio da não cumulatividade, acumulado em virtude da manutenção dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas Contribuições, poderá ser objeto de compensação ou ressarcimento. Ou seja, acumulando saldo credor de Contribuição ao PIS ou da COFINS em face da venda de mercadorias com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas Contribuições – seja qual for a razão da “exoneração” tributária – autorizase o contribuinte a requerer o seu ressarcimento ou compensação. A presente matéria foi regulamentada pela IN SRF nº 900/08, a qual confirma a amplitude e o alcance da autorização legal relativa à compensação/ressarcimento do crédito acumulado dessas contribuições: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto Fl. 465DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 6 de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestre calendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. § 1º À empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação é vedado apurar créditos vinculados a essas aquisições. § 2º O disposto neste artigo não se aplica a custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação de produtos ou de prestação de serviços, nas hipóteses previstas no art. 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. § 3º O disposto no inciso II do caput aplicase aos créditos da Contribuição para o PIS/PasepImportação e à Cofins Importação apurados na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. § 4º O disposto no inciso II do caput não se aplica às aquisições, para revenda, dos seguintes produtos: I gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; II óleo diesel e suas correntes; III gás liquefeito de petróleo (GLP), derivado de petróleo ou de gás natural; IV querosene de aviação; V biodiesel; VI álcool hidratado para fins carburantes; VII produtos farmacêuticos classificados nos seguintes códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006: a) 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56; b) 30.04, exceto no código 3004.90.46; c) 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.30.1, 3006.30.2 e 3006.60.00; VIII produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00 da TIPI; Fl. 466DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000028/200810 Acórdão n.º 3301001.666 S3C3T1 Fl. 106 7 IX máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5 e 87.01 a 87.06 da TIPI; X pneus novos de borracha da posição 40.11 e câmarasdear de borracha da posição 40.13 da TIPI; e XI autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores. § 5º A vedação referida no § 4º não se aplica à pessoa jurídica fabricante das máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5 e 87.01 a 87.06 da Tipi que apure a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins no regime de nãocumulatividade, a qual poderá descontar créditos relativos à aquisição, para revenda, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, e alterações posteriores, podendo ainda darlhes a mesma utilização prevista no caput deste artigo, se incorrer nas hipóteses previstas nos seus incisos I e II. A transcrição foi longa, mas oportuna. Com efeito, a IN SRF nº 900/08 deixa bastante evidente a autorização para pedir de ressarcimento do crédito acumulado de Contribuição ao PIS e da COFINS decorrente da venda de mercadorias com alíquota zero, seja ela realizada no mercado externo ou no interno. Nem legislador, nem Receita Federal fez qualquer ressalva relativa ao destino das vendas para efeito de assegurar a manutenção do crédito ou mesmo de autorizar o ressarcimento. Pelo contrário, usaram sempre os termos “venda” e “vendedor” – não exportação e exportador – não cabendo ao intérprete reduzir seu campo de abrangência, como o fez a DRF e a DRJ, apenas para alcançar as operações dirigidas ao mercado externo. Diante de disposições tão claras não há espaço para dúvida: o art. 17 da Lei nº 11.033/04 assegura à Recorrente a manutenção dos créditos vinculados às operações de venda com isenção e o art. 16 da Lei nº 11.116/05 lhe autoriza a pedir o ressarcimento dos créditos acumulados em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/04. Ocorre que no caso concreto a insurgência do contribuinte não se dirige a este ponto, cujo direito ao crédito fora reconhecido pela fiscalização. O que pretende é se ressarcir do crédito básico acumulado nas saídas tributas. Ora, como vimos a lei autoriza o ressarcimento apenas nos casos de saldo credor de crédito básico acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, o que não é o caso. Por conta disso, não merece reforma a decisão neste ponto. Vale ressaltar, que a presente controvérsia não interfere na quantificação do crédito, haja vista que, como bem colocado pela decisão recorrida a totalidade dos créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno, apurados pela fiscalização, foi aproveitada para dedução da contribuição devida no período, não havendo saldo remanescente para ser ressarcido. Quanto aos créditos presumidos da agroindústria (art. 8º, § 6°, da Lei n° 10.925/04), alega a Recorrente que deveria ser reconhecido o direito à sua compensação/ressarcimento, uma vez que tal vedação seria manifestamente ilegal, vez que Fl. 467DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 8 inauguralmente prescrita no Ato Declaratório Interpretativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil nº 15/2005. Pois bem. A Lei n° 10.925/04 se resumiu a assegurar o crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Já o ADI SRF nº 15/2005 prescreveu que o valor do crédito presumido referido no art. 1° não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei n° 10.637, de 2002, art. 5º, § 1°, inciso II, e § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, art. 6, § 1°, inciso 11, e § 2°, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Ocorre que, como regra, o veículo introdutor de comandos inaugurais e autônomos no sistema de direito positivo há de ser sempre a lei em sentido formal (artigo 5°, II, CF). Essa máxima, conquista do Estado Democrático de Direito, afasta a possibilidade de se cogitar o estabelecimento de direitos e deveres senão em decorrência da manifestação de vontade do povo, concretizada em comandos legais. Ao dispor sobre o princípio da legalidade, nos ensina Paulo de Barros Carvalho: Também explícito em nosso sistema — art. 5.º, II — esse princípio assume o papel de absoluta preponderância. Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Efunde sua influência por todas as províncias do direito positivo brasileiro, não sendo possível pensar no surgimento de direitos subjetivos e de deveres correlatos sem que a lei os estipule. Como o objetivo primordial do direito é normar a conduta, e ele o faz criando direitos e deveres correlativos, a relevância desse cânone transcende qualquer argumentação que pretenda enaltecêlo. A diretriz da legalidade está naquela segunda acepção, isto é, a de norma jurídica de posição privilegiada que estipula limites objetivos. (Curso de direito Tributário, Ed. Saraiva, 22ª edição, 2010, p. 199) Neste ponto, é importante esclarecer que para este doutrinador os Atos Declaratórios Interpretativos se amoldam à definição do conceito “legislação tributária”, presente no art. 96, do CTN. A despeito disso, não se lhes autoriza introduzir direitos ou deveres novos no sistema, vez que se trata de veículos normativos secundários, estando por esta razão, subordinados ao que estabelece a lei. Sua função se resume a complementar as leis, não contrariálas ou substituílas. Esta conclusão pode ser extraída do próprio trecho transcrito na decisão recorrida: Tirante as leis, os decretos e, entre as normas complementares, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas e as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa a que a lei atribua eficácia normativa (art. 100, I e II), que são instrumentos introdutórios, primários ou secundários, no ordenamento positivo brasileiro, todos os outros, tratados e convenções internacionais, bem como as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas e os convênios que entre si celebram a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, esses últimos, na qualidade de normas complementares, são vazios de força jurídica vinculante, não integrando o complexo normativo. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000028/200810 Acórdão n.º 3301001.666 S3C3T1 Fl. 107 9 Ciente das confusões interpretativas que a redação do art. 96 do CTN poderia causar, por colocar lado a lado, instrumentos introdutórios primários e secundários, acrescenta Paulo de Barros Carvalho: Insere o legislador, no mesmo quadro, indiscriminadamente, atos normativos inaugurais, como as leis, ao lado dos tratados e convenções internacionais, que valem na ordem jurídica interna se e somente se acolhidos no conteúdo de decreto legislativo, como tivemos oportunidade de ver. Coloca, ombro a ombro, instrumentos introdutórios primários com entidades que não podem ser tidas sequer como instrumentos primários de introdução de regras tributárias. E, como se não bastasse, faz referência expressa às normas complementares e, dentro delas, às práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas e aos convênios que entre si celebram a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. (Curso de direito Tributário, Ed. Saraiva, 22ª edição, 2010, p. 109) A jurisprudência dos Tribunais Superiores também é pacífica no sentido de que as normas regulamentares, como é o caso dos Atos Declaratórios Interpretativos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não podem inovar: LEI 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS DESNECESSIDADE DE DECRETO REGULAMENTADOR. AUTOAPLICABILIDADE. VIGÊNCIA. (...) 3. No que concerne à contribuição sobre a folha de salários, a Lei 8.212/91 não tem sua eficácia subordinada à vigência de Decreto Regulamentador, já que trouxe a definição de todos os aspectos do fato gerador. Qualquer inovação trazida pela norma regulamentar, importaria violação ao princípio da legalidade estrita. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, não provido. (REsp 470198 / RS; Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 31.05.04, p. 180 – destacouse) Tecidas essas considerações e tendo em vista Ato Declaratório Interpretativo não é lei nem pode ser a ela equiparada, merece acolhida a insurgência da Recorrente no sentido de que a disposição do art. 2º da ADI SRF nº 15/05 poderia servir de fundamento jurídico para a não homologação da compensação declarada. Pelo exposto, voto por dar PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Fl. 469DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 10 Discordo da Ilustre Relatora quanto ao direito de a recorrente se ressarcir de créditos presumidos da Cofins sobre aquisições de pessoas físicas. O crédito presumido da Cofins, apurado sobre custos com aquisições de insumos de pessoas físicas residentes no País, foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, §§ 5º, 6º e 12, que assim dispunha: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 050400, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00. 18.03, 1804.00.00, 1805.00,00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 6º Relativamente ao crédito presumido referido no § 5º: I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do caput do art, 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. (...). § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 12. Relativamente ao crédito presumido referido no § 11: § 12. Relativamente ao crédito presumido referido no § 11: I o valor das aquisições que servir de base para cálculo do crédito presumido não poderá ser superior ao que vier a ser Fl. 470DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000028/200810 Acórdão n.º 3301001.666 S3C3T1 Fl. 108 11 fixado, por espécie de produto, pela Secretaria da Receita Federal SRF; e II a Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para regulamentálo.” Esta mesma lei estabelece, no § 4º do art. 3º, que o crédito, em geral, não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. As opções de compensação e/ ou ressarcimento não foram previstas. Posteriormente, todos aqueles parágrafos (5º, 6º, 11 e 12) foram revogados pela Lei nº 10.925, de 23/7/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004, literalmente: “Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: (...); e b) os §§ 5o, 6o, 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...).” No entanto, essa mesma Lei restaurou o crédito presumido da Cofins, assim dispondo: “Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 12 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (destaque não original) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...); § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: (destaque não original) I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal.” O ressarcimento e/ ou a compensação de créditos da Cofins não aproveitados, segundo a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, I, e § 2º, beneficia apenas o saldo credor trimestral de créditos decorrentes de exportações de mercadorias, assim dispondo: “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 16349.000028/200810 Acórdão n.º 3301001.666 S3C3T1 Fl. 109 13 § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.” A compensação de créditos de Cofins decorrentes de operações internas, envolvendo custos de aquisições de insumos no mercado interno e externo e vendas para o mercado interno, somente passou a ser permitida para o saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.8333, de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, conforme estabelece a Lei nº 11.116, de 18/5/2005, art. 16, literalmente: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” O que a legislação tributária garante é a manutenção dos créditos da Cofins, básicos e presumidos, decorrentes de operações (vendas) efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência desta contribuição, conforme previsto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, literalmente: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Fl. 473DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 14 Ora, segundo os dispositivos legais citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da Cofins somente pode ser utilizado para dedução da própria contribuição apurada mensalmente. Inexiste amparo legal para a compensação e/ ou ressarcimento de saldo credor trimestral desta contribuição. O ressarcimento/compensação beneficia somente o saldo credor trimestral de créditos decorrentes de exportações e do crédito básico normal, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116, de 18/5/2005, citado e transcrito anteriormente. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais – Relator Designado. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Numero do processo: 10680.002932/2007-13
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE RECEITA FINANCEIRA. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA.
Apurada em procedimento de fiscalização a falta de contabilização da receita financeira decorrente de variação cambial ativa, impõe-se o lançamento de ofício da diferença levantada, caracterizada como omissão de receita, com respectiva multa de ofício e juros de mora.
COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. RECEITAS FINANCEIRAS. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA.
Nos termos do art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Em decorrência, descabe a tributação das receitas financeiras - variações cambiais ativas incluídas na base de cálculo da Cofins por força do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS.
Dada a íntima relação de causa e efeito, os lançamentos decorrentes seguem a sorte do lançamento principal, se não houver razão para decidir diversamente.
Numero da decisão: 1802-001.338
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. Apurada em procedimento de fiscalização a falta de contabilização da receita financeira decorrente de variação cambial ativa, impõese o lançamento de ofício da diferença levantada, caracterizada como omissão de receita, com respectiva multa de ofício e juros de mora. COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. RECEITAS FINANCEIRAS. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. Nos termos do art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Em decorrência, descabe a tributação das receitas financeiras variações cambiais ativas incluídas na base de cálculo da Cofins por força do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS. Dada a íntima relação de causa e efeito, os lançamentos decorrentes seguem a sorte do lançamento principal, se não houver razão para decidir diversamente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 29 32 /2 00 7- 13 Fl. 868DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 869 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 870 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 838/853 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte (fls. 810/822) que manteve, em parte, o crédito tributário quanto aos autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins), anocalendário 2003. Quanto aos fatos, consta do autos de infração do IRPJ e reflexos do ano calendário 2003 (fls. 05/25), lavrados em 17/03/2007, a imputação da infração Omissão de Receitas Financeiras no valor de R$ 428.841,58, in verbis: (...) 001 OMISSÃO DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. VARIAÇÕES CAMBIAIS Insuficiência de receita financeira, caracterizada pela falta de contabilização e declaração de variação cambial, conforme Termo de Verificação Fiscal, gerando, em consequência, redução indevida do lucro sujeito à tributação. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/01/2003 R$ 52.963,71 75, 00 31/03/2003 R$ 51.671,82 75, 00 30/04/2003 R$ 34.579,68 75, 00 31/05/2003 R$ 191.224,07 75, 00 30/06/2003 R$ 69.130,00 75, 00 31/07/2003 R$ 29.272,30 75, 00 Enquadramento Legal: Art. 8º da Lei n° 9.249/95; Art. 9° da Lei n° 9.718/98; Arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, 277, 288, 375 e 378, do RIR/99; Art. 30 da Medida Provisória n° 1.858 10/99 e reedições. (...) Em complemento à descrição dos fatos (narrativa da infração), consta do Termo de Verificação Fiscal(fls. 26/33), o qual é parte integrante do lançamento fiscal, in verbis: (...) Tratase de pessoa jurídica cuja atividade principal é a fabricação de rações balanceadas para animais. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 871 4 Que no anocalendário de 2003, exercício de 2004, apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais sob a forma de Lucro Real com apuração trimestral. (...) Que a empresa não apresentou receitas de exportações, porém procedeu à importação de produtos para consumo e/ou industrialização na fabricação de rações para animais. Que, verificados os registros contábeis referentes às importações realizadas, constatamos que a empresa não reconheceu as variações cambiais ativas provenientes da variação da taxa de câmbio por ocasião das diversas importações efetuadas. Isto posto, procedemos a confecção dos demonstrativos em anexo, nos quais apuramos as importações realizadas no período, bem como aquelas realizadas em período anterior mas que se concretizaram no anocalendário sob verificação. Do levantamento ficou demonstrado que a empresa deixou de reconhecer o valor de R$ 428.841,58 correspondentes às variações cambias ativas, conforme demonstrativos e resumo em anexo. (...) O crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$ 351.260,73 (já inclusos multa de 75% e juros de mora calculados até 28/02/2007), assim discriminado por exação fiscal: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (R$) Multa de Ofício 75% (R$) Total (R$) IRPJ 92.283,15 53.181,68 69.212,35 214.677,18 PIS 7.075,86 4.216,98 5.306,88 16.599,72 COFINS 12.865,23 7.667,28 9.648,91 30.181,42 CSLL 38.595,72 22.259,91 28.946,78 89.802,41 Obs: Em anexo ao Termo de Verificação Fiscal constam as planilhas de cálculo de apuração do valor tributável (fls. 28/37). A contribuinte tomou ciência, pessoalmente, dos autos de infração, do Termo de Verificação Fiscal e do Termo de Encerramento da Fiscalização, por intermédio de seu representante legal, em 19/03/2007 (fls. 05/33 e 126), apresentando impugnação, em 17/04/2007, quanto ao IRPJ (fls. 129/134), à Contribuição para o PIS (fls.217/226), à CSLL (fls. 270/275) e à Cofins (fls. 322/327), juntando ainda os documentos de fls. 135/370), cujas razões estão resumidas no relatório da decisão a quo que transcrevo (fls. 812/813), in verbis: (...) Alegou que não cometeu qualquer infração à legislação tributária e toda a oposição da Fiscalização prendese a aspectos formais e à incorreta metodologia de trabalho, que se fixou apenas nas contas de receita, sem estenderse ao custo das matériasprimas, onde a variação cambial foi registrada. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 872 5 Salienta que a variação cambial não foi contabilizada como receita financeira, mas a crédito de custo das matériasprimas, como redução de seu valor e, portanto, afetaram o resultado e compõem o lucro real, bem como a base de cálculo das incidências decorrentes (PIS, COFINS e CSLL). A Impugnante, ainda, postulou pela realização de perícia. Como prova de suas alegações, a defesa juntou aos autos cópias dos Livros Razão e Diário. Das Diligências Realizadas Por meio da Resolução nº 1.076, da 2º Turma/DRJ/BHE, de 28 de abril de 2009 (documento de fls. 369/370), o julgamento do processo foi convertido em diligência para verificarse a pertinência das alegações da Impugnante, notadamente, que as variações monetárias não foram lançadas como receitas financeiras, mas a crédito do custo das matériasprimas importadas. Feitas as diligências acima solicitadas, a Fiscalização elaborou o “RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL” (documento de fls. 404/405). A Impugnante foi devidamente cientificada do resultado das diligências (vide despacho de fls. 409 e “AR” de fls. 410), com reabertura do prazo de 30 (trinta), para apresentar razões adicionais de defesa. Não foi apresentada contestação contra o resultado da referida diligência fiscal. (...) Saneados os autos do processo pela diligência fiscal, a DRF/Belo Horizonte julgou procedente, em parte, a impugnação, exonerando parcialmente o crédito tributário do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2003, mantendo, entretanto, integralmente, o crédito tributário a título da Contribuição para o PIS e da Cofins do anocalendário 2003, cuja ementa desse acórdão transcrevo a seguir (fl. 810), in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE RECEITA FINANCEIRA Apurada em procedimento de fiscalização a falta de contabilização da receita financeira decorrente de variação cambial ativa, impõese o lançamento de ofício da diferença levantada, caracterizada como omissão de receita. ACERTO DA BASE DE CÁLCULO. DILIGÊNCIA REALIZADA Fl. 872DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 873 6 É cabível promover acerto no valor lançado, em função do resultado do procedimento de diligência que indica ajustes nas bases de cálculo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OMISSÃO DE RECEITAS Verificada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, julgar procedente em parte a impugnação para, por unanimidade de votos, manter parcialmente o crédito tributário relativamente às exigências do IRPJ e da CSLL e manter integralmente a exigência do PIS; e, por maioria de votos, manter integralmente a exigência da Cofins, nos termos do relatório e do voto vencedor que passam a integrar o presente julgado; vencido o relator Marcos Antônio Pires que votou para exonerar a Cofins, de ofício; designado para redigir o voto vencedor o julgador Fernando César Barra. (...) Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência, por via postal, em 14/11/2011 (fl. 837), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/12/2011 (fls. 838/853), cuajs razões, em síntese, são as seguintes: Princípio da Verdade Material: que a decisão ora recorrida deve ser reformada, eis que não houve qualquer omissão de receitas, na medida em que toda a variação cambial identificada está regularmente refletida na contabilidade da contribuinte, expressamente registrada na conta de custos das matériasprimas, como redução de seu valor e, portanto, afetando diretamente o resultado e apuração do lucro tributável; que o lançamento fiscal, ora combatido, distanciouse do seu principal objetivo, qual seja, a busca da verdade material; que o lançamento é atividade plenamente vinculada e, em decorrência do princípio da legalidade, deve estar motivado/fundamentado; que a demonstração objetiva da realização do suporte fático tributário constitui o dever da fiscalização e que, se não for observado, tornará sem validade a atuação fiscal perpetrada; que o ônus da prova do fato constitutivo – fato gerador da exação fiscal – é do fisco, no caso; que o fisco não cumpriu seu dever constitucional de investigar e provar o suporte fático tributário, na medida em que não analisou, de forma integral, a contabilidade da contribuinte se limitando a verificar a sua conta de receitas, quando na verdade a variação Fl. 873DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 874 7 cambial ativa foi escriturada em conta de custos (redução dos custos das mercadorias importadas); que a fiscalização teve acesso a todos os livros contábeis, especialmente o Razão Analítico, pelo que poderia ter desenvolvido trabalho minucioso para apurar e verificar que não houve qualquer irregularidade na apuração do lucro, furtandose, dessa maneira, ao dever de investigar e provar. Regularidade da Escrituração Contábil da Variação Cambial Ativa. Ausência de Omissão de Receitas: que a infração imputada diz respeito a variações cambiais ativas pela variação da taxa de câmbio entre a data do desembaraço aduaneiro na importação de matérias primas e a data do fechamento do câmbio; que a recorrente não teria reconhecido, oferecido à tributação, as variações cambiais ativas (receitas) provenientes da variação da taxa de cambio; que a imputação da infração não reflete a realidade dos fatos, na medida em que o fisco não verificou os registros contábeis completos. Se limitou em verificar as questões ligadas a receitas, deixando de examinar as partes relacionadas ao custo, onde a recorrente registrou TODAS as variações cambiais ativas apontadas; que tais variações ativas foram registradas a crédito de custo das matérias primas, com redução de seu valor e, portanto, afetaram o resultado e compõe o lucro real; que a recorrente juntou aos autos cópia do livro Razão Analítico, cuja escrituração demonstra expressamente que todas as variações cambiais estão contempladas, consignadas, registradas a crédito nas contas contábeis 3.04.0.01.01.0358 e 3.06.04.02.02.002 3; que, por conseguinte, tais variações cambiais foram expressamente incluídas na apuração de resultados; que a realização da perícia contábil/diligência fiscal constante dos autos não trouxe qualquer resultado conclusivo, na medida em que não analisou detidamente os documentos contábeis da recorrente; que, ao contrário, trouxe conclusões que não possuem certeza e liquidez, suscitando duvidas a respeito das constatações; que estando registradas todas as variações cambiais referentes às importações, ainda que em conta contábil diversa daquele tida como correta pelo fisco, mas impactando corretamente a apuração do lucro tributável; que não há dúvida, portanto, de que inexiste crédito tributário a ser exigido da recorrente; Inconstitucionalidade da exigência da Cofins em relação ao período de apuração objeto do lançamento fiscal, quanto ao alargamento da base de cálculo: que a base de cálculo da Cofins sempre foi o faturamento bruto das pessoas jurídicas contribuintes e não a totalidade das receitas auferidas, como pretendeu instituir a Lei n° 9.718/98. Isto porque a Constituição Federal de 1988, em sua redação vigente à época da edição da lei citada, autorizava a instituição de contribuição previdenciária apenas sobre o faturamento da pessoa jurídica, e não sobre todas as suas receitas. que a EC n° 20/98 é destituída de efeito retroativo para reverter a inconstitucionalidade do período pretérito; Fl. 874DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 875 8 que é incabível falarse em validação retroativa da Lei n° 9.718/98 pela EC n° 20/98; que admitir a convalidação do art. 3o, § 1o, da Lei n° 9.718/98 pela EC n° 20/98 importaria em atribuir efeitos repristinatórios e retroativos, o que é vedado em nosso direito; que, além disso, o art. 3o, da Lei n° 9.718/98 seria inconstitucional (alargamento da base de cálculo). Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu provimento ao recurso e, por conseguinte, o cancelamento do lançamento fiscal (IRPJ e reflexos). É o relatório. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 876 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, a lide versa acerca dos autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) do anocalendário 2003, em face da infração imputada: Omissão de Receitas Financeiras (variações cambiais ativas não escrituradas/não oferecidas à tributação pela recorrente) no valor de R$ 428.841,58 (fls. 05/25). No anocalendário 2003, a recorrente estava submetida ao regime do lucro real trimestral. A CSLL, como exigência reflexa, segue o mesmo regime de apuração do IRPJ. Já, a Contribuição para o PIS e a Cofins observam o período de apuração mensal (também são exações reflexas da infração imputada omissão de receitas, anocalendário 2003). A decisão recorrida reduziu o valor tributável da infração Omissão de Receitas de R$ 428.841,58 para R$ 419.917,61 para efeito do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2003. Vale dizer, em face de diligência fiscal, foi constatado o registro na escrituração, com data de 31/01/2003, de variação cambial ativa de R$ 19.787,59 a crédito na CONTA : ( 2547) 3.04.0.01.01.0358 – Custo de Matéria Prima, referente importação nº 37/2002. Logo, a diferença tributável lançada de R$ 8.923,97 do PA janeiro/2003 foi excluída do valor da infração omissão de receitas pela decisão recorrida, para efeito do IRPJ e da CSLL. A propósito, consta do voto condutor da decisão recorrida (fl. 814): (...) Dessa forma, excetuandose janeiro/2003, em que foi excluído o valor lançado de R$ 8.923,97, correspondente à importação n° 37/2002. não há reparos a ser feito nos demais meses, porquanto não foram encontrados créditos suficientes na conta custos das matérias primas correspondentes às importações/exportações lançadas. (...) Quanto à Cofins e à Contribuição para o PIS, a decisão a quo manteve, integralmente, o valor da infração imputada, pois a base de cálculo dessas exações fiscais permaneceu sendo o total das receitas variações monetárias ou cambiais ativas não escrituradas/não oferecidas à tributação (fls. 404/407). Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito do litígio quanto às matérias controvertidas, agitadas nas razões do recurso. Fl. 876DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 877 10 OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. AUTOS DE INFRAÇÃO DO IRPJ E REFLEXO (CSLL). ANO CALENDÁRIO 2003 Nas razões do recurso, a recorrente alegou: que houve regular escrituração contábil da variação cambial ativa e ausência de Omissão de Receitas; que a imputação da infração Omissão de Receitas não reflete a realidade dos fatos, na medida em que o fisco não verificou os registros contábeis completos; que o fisco se limitou em verificar as questões ligadas a receitas, deixando de examinar as partes relacionadas ao custo, onde estão registradas as indigitadas variações cambiais ativas. que tais variações cambiais ativas foram registradas a crédito de custo das matérias primas, com redução do valor dos custos e, portanto, afetaram o resultado e compõem o lucro real; que juntou aos autos cópia do livro Razão Analítico, onde as variações cambiais ativas estão contempladas, consignadas, registradas a crédito nas contas contábeis 3.04.0.01.01.0358 e 3.06.04.02.02.0023 (fls. 392/403); que, por conseguinte, as variações cambiais ativas foram expressamente incluídas na apuração de resultados; que a realização da perícia contábil/diligência fiscal constante dos autos não trouxe qualquer resultado conclusivo, na medida em que não analisou detidamente os documentos contábeis da recorrente; que, ao contrário, trouxe conclusões que não possuem certeza e liquidez, suscitando dúvidas a respeito das constatações. Compulsando os autos, diversamente do alegado pela recorrente, consta do auto de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) que o fisco apurou diferenças de variação cambial ativa não escrituradas/não oferecidas à tributação relativas às importações, quanto aos contratos de câmbio fechados em 2003. A propósito, a fiscalização apurou omissão de receitas, a título de variação cambial ativa, no anocalendário 2003, no montante tributável de R$ 428.841,58, conforme valores mensais – Autos de Infração (fls. 05/25) já transcritos no relatório. Ainda, em complemento dos fatos/demonstração desses valores, consta do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal, planilhas analíticas, operação por operação (fls. 28/31) e, por fim, consta também planilha com valores mensais (fl.32). Na instância a quo a contribuinte já havia objetado razões contra a imputação da infração omissão de receitas, colocando dúvida na qualidade do trabalho e do resultado apurado pela fiscalização. Em face disso (das razões aduzidas pela contribuinte na sua peça de impugnação do lançamento fiscal), a 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, na sessão de Fl. 877DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 878 11 28/04/2009, converteu o julgamento em diligência pela Resolução nº 1076, cujos fundamentos constam do voto condutor que, a seguir, trancrevo (fls.372/374), in verbis: (...) Por sua vez, na impugnação, a Contribuinte, enfatizando que não cometeu qualquer infração à legislação tributária, alega que toda a oposição da Fiscalização prendese a aspectos formais e à incorreta metodologia de trabalho, que se fixou apenas nas contas de receita, sem estenderse ao custo das matériasprimas, onde a variação cambial foi registrada. Ou seja, disse a Impugnante que a variação cambial não foi cantabilizada como receita financeira, mas a crédito de custo das matériasprimas, como redução de seu valor e, portanto, afetaram o resultado e compõem o lucro real, bem como a base de cálculo das incidências decorrentes (PIS, COFINS e CSLL). Como prova de suas alegações, a defesa juntou aos autos cópias dos Livros Razão e Diário. Vale frisar que não se vê nos autos nenhuma menção da Fiscalização quanto à forma de contabilização das variações monetárias ativas decorrentes das importações do contribuinte. O que se levou em conta foi tãosomente a omissão no reconhecimento dessas receitas financeiras, sem analisarse a possibilidade de o contribuinte têlas contabilizado a crédito dos custos das matérias primas importadas. Acaso seja confirmada a hipótese que a contabilização das variações monetárias ativas tenha sido feita a crédito do custo das matérias primas importadas, o efeito disso, no presente lançamento, tem de ser devidamente analisado, notadamente em relação ao IRPJ e à CSLL. Logo, considerando, de um lado, que o Fisco lançou sem, contudo, analisar tal possibilidade; e, de outro, sopesando as alegações da defesa, bem como as provas anexadas aos autos, diligências devem ser realizadas para verificarse a pertinência das alegações da Impugnante, notadamente a de que as variações monetárias ativas não foram lançadas como receitas financeiras, mas a crédito do custo das matériasprimas importadas. E se, do resultado delas, forem constatadas alterações que modifiquem as exigências hão de ser elaborados novos demonstrativos e relatório conclusivo, indicando as bases de cálculo refeitas e os respectivos valores do imposto e da contribuição, a serem mantidos. Isto posto, com base no art. 18, do Decreto n° 70.235, de 1972, PROPONHO que esse julgamento seja convertido em diligência, retornando o processo à DRF de origem, para que sejam tomadas as providências cabíveis. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 879 12 Do resultado das diligências, deverá o Contribuinte ser cientificado, para, em querendo, apresentar novas razões de impugnação, no prazo de 30 (trinta) dias. Após os autos devem retornar a esta DRJ para julgamento. (...) No procedimento de diligência fiscal, a contribuinte foi intimada e reintimada, várias vezes, especificamene nos dias 04/03/2010 (fls. 375/376), 13/05/2010 (fls. 377/378) e 08/07/2010 (fl. 379), a apresentar planilha de cálculo da variação monetária ativa (com modelo anexo fornecido pela fiscalização) a qual (planilha) deveria ser preenchida com base nos livros de sua escrituração contábil. Em 22/07/2010, finalmente, a contribuinte acostou aos autos as seguintes explicações (fls.380/390), in verbis: (...) Vaccinar Industria e Comercio Ltda., CNPJ 21.820.014/0001 21, por seu representante abaixo assinado, em atendimento a Termo de Intimação, vem mui respeitosamente apresentar argumentos conforme abaixo e documentos anexos: 1 Foi apurado pelo Auditor fiscal da Receita federal divergências de valores referente variações cambiais de importações, através de verificação em primeiro momento das contas contábeis com títulos ‘importação’ ‘Variação Cambial Ativa’ e ‘Variação Cambial Passiva’. 2 Em verificação contatamos que as referidas variações cambiais, encontram em suas totalidades lançamentos (sic) na escrita contábil em contas diversas, sendo os valores levados à redução dos custos e ou a reduções dos mesmos custos de compras ficando dessa forma evidenciado a inclusão dos mesmos à apuração de resultados. Documentos em anexo: Razão Analítico (6 fls.) de 1 a 6 conta contábil 3.04.0.01.01.0358 onde se encontram registrados a créditos variações cambiais ativas de forma a reduzir custos de produtos, e levados a apurações de resultados. Razão Analítico (1 fl..) de nº 1 conta contábil 3.06.4.02.02.002 3 onde se encontram registrados a créditos variações cambiais ativas de forma a majorar receitas para apurações de resultados. (...) As cópias dessas folhas do Razão Analítico foram juntadas aos autos (fls. 384/390). Foi juntada aos autos, ainda, a planilha preenchida pela contribuinte, conforme solicitado pela fiscalização, no procedimento de diligência (fls.381/383). Fl. 879DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 880 13 Em 31/08/2010, a contribuinte foi intimada (fl. 391) a apresentar livro Razão Analítico completo do anocalendário 2003, cuja cópia consta dos autos (fls. 392/403). Por ocasião da realização da diligência fiscal, foram, também, juntados aos autos os documentos de fls. 375/391 e anexos (fls. 415/808). Por fim, em sede de diligência fiscal, diante dos elementos de prova colhidos, a fiscalização da RFB elaborou Demonstrativo de diferenças de receitas financeiras variação cambial ativa não escrituradas/não oferecidas à tributação pela contribuinte quanto ao ano calendário 2003 (fl. 404/405) e concluiu, conforme Demonstrativo Consolidado (fls. 406/407), que: a) em relação aos autos de infração da Cofins e da Contribuição para o PIS, o montante do valor tributável da infração Omissão de Receitas não merece reparo algum, persiste sendo R$ 428.841,58 (receitas financeiras – variações cambiais ativas não escrituradas/não oferecidas à tributação, dos PA janeiro/2003, março/2003, abril/2003, maio/2003, junho/2003 e julho/2003); b) atinente aos autos de infração do IRPJ e da CSLL, o valor tributável da infração omissão de receitas de R$ R$ 428.841,58 (receitas financeiras – variações cambiais ativas não escrituradas/não oferecidas à tributação) deve ser reduzido para R$ 419.917,61, pois: o valor de R$ 8.923,97 consta registrado na escrituração como crédito na conta custo de matéria prima e referese ao PA janeiro/2003. Vale dizer, a fiscalização, no procedimento de diligência, constatou registro na escrituração contábil, com data de 31/01/2003, de variação cambial ativa de R$ 19.787,59 a crédito na CONTA : (2547) 3.04.0.01.01.0358 – Custo de MatériaPrima, referente importação de mercadorias nº 37/2002. Logo, a diferença tributável lançada de R$ 8.923,97 do PA janeiro/2003, por ser indevida, deve ser excluída do valor da infração omissão de receitas desse PA, para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL. quanto aos demais meses dos anoscalendário 2003 (objeto da autuação), ou seja, março/2003, abril/2003, maio/2003, junho/2003 e julho/2003, as diferenças de variação monetária ou cambial tiva lançadas nos autos de infração restaram confirmadas pela diligência fiscal, não mererendo reparo. Nesse sentido, transcrevo as conclusões constantes do Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal de 15/09/2010 (fls.408/409), in verbis: (...) O contribuinte contesta o lançamento efetuado via Auto de Infração, processo n° 10680.002932/200713, alegando, em síntese, que no lançamento o fisco baseouse apenas nas contas de receita, sem estenderse ao custo das matérias primas, onde a variação cambial ativa foi registrada. Com base na propositura de defesa do ilustre advogado, inclusive documentação juntada aos autos, procedemos diligência junto à empresa em questão, constatando o seguinte: Fl. 880DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 881 14 Nos livros razão referentes aos 1º/4° trimestres disponibilizados, verificamos que nas contas de custos das matérias primas n° 3.04.0.01.01.0358, constam apenas alguns poucos lançamentos a crédito correspondentes à variação monetária ativa, sendo que a maioria dos registros correspondem ao fechamento de importações e/ou exportações. Isto posto, elaboramos planilha com todos os créditos de variações monetária registrados contabilmente, exclusivamente daqueles relacionados às importações alcançadas, constatando que praticamente não houve alteração no lançamento efetuado, porquanto os poucos registros correspondentes às variações cambiais não contemplam todas as operações de importação/exportação lançadas. No mês de fevereiro/2003, em vista de não ter sido lançado qualquer valor, não foram considerados os resultados apurados pelo fisco e pelo contribuinte, apenas mantida a compensação efetuada anteriormente, por sinal indevida, de R$ 802,10. Dessa forma, excetuandose janeiro/2003, em que foi excluído o valor lançado de R$ 8.923,97, correspondente à importação n° 37/2002. não há reparos a ser feito nos demais meses, porquanto não foram encontrados créditos suficientes na conta custos das matériasprimas correspondentes às importações/exportações lançadas. Entendemos, inclusive, que a própria documentação apresentada por ocasião da impugnação faz prova cabal da inconsistência do pleito, porquanto não se observa nelas registros de variação cambial redutora da conta matéria prima correspondentes à maioria dos casos, nem registros específicos na conta de variação cambial ativa, cujas folhas dos livros razão estão sendo juntadas ao presente termo. Isto posto, é nosso entendimento que o valor lançado somente no mês de janeiro/2003 deve ser retificado, excluindose o montante de R$ 8.923,97, ficando o valor tributável do IRPJ/CSLL conforme abaixo, devendo ser mantido o valor original do lançamento do PIS/COF1NS, correspondentes ao faturamento. Janeiro/2003 R$ 44.039,74 Fevereiro/2003 R$ ( 802,10) Março/2003 R$ 52.473,92 ( 802,10) = 51.671,82 Abril/2003 R$ 34.579,68 Maio/2003 R$ 191.224,07 Junho/2003 R$ 69.130,00 Julho/2003 R$ 29.272,30 (...) Fl. 881DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 882 15 A contribuinte tomou ciência do resultado da diligência fiscal por via postal – AR, em 18/04/2011 (fls. 413/414), com abertura de prazo de trinta dias dessa ciência para manifestarse nos autos, no sentido de apresentar contrarrazões; porém, deixou transcorrer o lapso temporal in albis, conforme despacho de 02/06/2011 (fl.809). A decisão a quo adotou, integralmente, o resultado da diligência fiscal: a) reduziu o valor da Omissão de Receitas de Janeiro/2003 de R$ 52.963,71 para R$ 44.039,74, pela exclusão do valor de R$ 8.923,97, para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL, e manteve para os demais meses objeto desses autos de infração os valores da infração inalterados; b) manteve, ainda, integralmente os autos de infração das contribuições (PIS e Cofins), cuja base tributável leva em conta apenas as receitas auferidas, e não os custos. Neste instância de julgamento, como já mencionado no início do voto, a recorrente repudia a decisão recorrida, alegando que o resultado da diligência seria imprestável e que a decisão a quo, por ter acatado integralmente o resultado da diligência, deve ser reformada. Nesta instância recursal, a recorrente não trouxe aos autos outras provas, para justificar ou comprovar suas alegações; nada acrescentou de concreto, nada demonstrou, especificamente, ponto por ponto, item por item, onde estaria o suposto erro ou equívoco da imputação fiscal. A recorrente limitase, de forma genérica, por negativa geral, a refutar o lançamento fiscal, sem provas de suas alegações, somente ficando na retórica. Vale dizer, a recorrente, nas razões do seu recurso, não demonstrou, de forma cabal: a) onde estaria o equívoco da fiscalização quando lavrou o auto de infração, imputando a infração Omissão de Receitas Financeiras (variações monetárias ativas não escriturada/não oferecidas à tributação pela contribuinte); b) onde estaria eventual erro de apuração dos resultados e das conclusões da diligência fiscal; c) onde estaria a incongruência da decisão recorrida. Nos presentes autos, em observância ao devido procecesso legal administrativo, ao princípio do contraditório e da ampla defesa e da verdade material, a contribuinte teve diversas oportunidades de provar suas alegações, entretanto, em momento algum, conseguiu comproválas. Não obstante, analisando os elementos de prova constantes dos autos, não constato, não vislumbro motivo algum para reparo da decisão recorrida, em relação ao valor tributável mantido da infração omissão de receitas do IRPJ e da CSLL (lançamento reflexo), pois a contribuinte não conseguiu comprovar que os valores lançados a crédito, na CONTA: (2547) 3.04.0.01.01.0358 – Custo de Matéria Prima, seriam variação cambial ativa. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 883 16 Na verdade, os lançamentos a crédito nessa Conta contábil, em regra, consignam valores, de forma expressa, a título de duas rubricas distintas e diversas, ou seja (fls. 384/390): “REF. A FECHAMENTO IMP.”; e, “REF. A VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA IMP.”. Ora, quando a recorrente apurou variação cambial ativa, ela registrou expressamente variação cambial ativa nessa Conta contábil; porém, quando não se tratava de variação cambial ativa, ela registrou valores a título “REF. A FECHAMENTO IMP.”. Então, é incabível, ou seja, não tem sentido a pretensão da recorrente de ver agora considerados ou reconhecidos os valores que consignara na escrituração dessa conta contábil a título “REF. A FECHAMENTO IMP.” como sendo, também, “variação cambial ativa”. Vale dizer, se a própria recorrente distinguiu, na sua escrituração contábil, como sendo diversas essas duas rubricas citadas acima (rubricas de naturezas diversas), não tem cabimento, agora, a alegação de que elas seriam ou poderiam ser a mesmo título, pois não o são, até prova em contrário. A recorrente, nesse sentido, não produziu nos autos prova em contrário. Cabe registrar: sempre que a recorrente lançou expressamente variação cambial ativa, a esse título, a crédito na Conta contábil 3.04.0.01.01.0358 – Custo de Matéria Prima, o fisco considerou os respectivos valores, sendo objeto de auto de infração apenas as diferenças não encontradas a título de variação cambial ativa, quanto aos períodos de apuração objeto do lançamento fiscal. As planilhas elaboradas pelo fisco (fls. 28/32), quando da lavratura dos autos de infração (fls. 05/25) e da diligência fiscal (fls. 404/407), são ricas em informações, apurando com precisão cada operação a que se referem. Já, a escrituração contábil da recorrente, além de ser superficial, é imprecisa e confusa, inexistindo, em relação aos valores lançados pelo fisco (receitas financeiras), escrituração contábil a título da rubrica “Variação Cambial Ativa” (fls. 381/386) e (fls. 392/403). Já, em relação à Conta contábil 3.06.04.02.02.0023 (fls. 392/403) a recorrente alegou que adicionava variação cambial ativa na apuração do resultado tributável, porém, também, não restou comprovado nos autos tal alegação, em relação aos valores lançados pelo fisco. Logo, a omissão de receitas lançada referese a diferenças de variação cambial ativa que não foram escrituradas/oferecidas à tributação. Por conseguinte, deve ser mantido o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, nos termos da decisão recorrida. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 884 17 OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. PIS E COFINS (EXAÇÕES REFLEXAS). ANOCALENDÁRIO 2003 O valor tributável da infração Omissão de Receitas R$ 428.841,58, já foi enfrentado, no mérito, quando da análise do IRPJ e da CSLL. Os contribuintes do regime do lucro real, a partir do no anocalendário 2003, inclusive, passaram a apurar a Contribuição para o PIS pelo regime não cumulativo, em face da Lei nº 10.637/2002. No caso, para o anocalendário 2003, houve lançamento da Contribuição para o PIS pelo regime não cumulativo da Lei nº 10.637/2002, conforme consta do auto de infração da Contribuição para o PIS. Por outro lado, para o anocalendário 2003, houve o lançamento da Cofins com base na Lei nº 9.718/98, conforme auto de infração da Cofins. Logo, em relação a esta infração imputada Omissão de Receitas Financeiras – autos de infração da Contribuição para o PIS e da Cofins do anocalendário 2003, valor tributável R$ 428.841,58, entendo cabível apenas a manutenção do auto de infração da Contribuição para o PIS. Não deve prosperar, por outro lado, o auto de infração da Cofins, conforme será demonstrado logo adiante. Auto de Infração – PIS (regime de apuração não cumulativo) Em relação ao valor tributável da infração Omissão de Receitas – Variação Cambial ativa não escriturada do anocalendário 2003, conforme resultado da diligência fiscal já transcrito alhures, não cabe ajuste algum. Ou seja, os valores da infração omissão de receita mensal, lançados no auto de infração da Contribuição para o PIS, restaram confirmados pela diligência fiscal. Logo, como razão de decidir pela manutenção integral do auto de infração da Contribuição para o PIS, adoto e transcrevo a fundamentação constante do voto condutor da decisão recorrida (fl. 816), in verbis: (...) 4. AUTO DE INFRAÇÃO. PIS. BASE DE CÁLCULO. Conforme relata o Fisco tanto na descrição dos fatos como no TVF, as exigências das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins decorrem da insuficiência de receita financeira decorrente da falta de contabilização de variação cambial, relativamente aos faturamentos compreendidos entre janeiro e julho de 2003. Inicialmente, a título de esclarecimento, sob a égide da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, com o advento da lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, seguida pela Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a contribuição ao PIS e à COFINS passaram a ser nãocumulativas, respectivamente, a partir de dezembro de 2002 e fevereiro de 2004. Essas leis estabeleceram a não Fl. 884DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 885 18 cumulatividade para essas contribuições, incluindo novamente as demais receitas em suas respectivas bases de cálculo. Nesse sentido, o lançamento deuse pela sistemática não cumulativa em relação à contribuição para o PIS/Pasep, com fundamento na Lei nº 10.637, de 2002; e pela sistemática cumulativa, à Cofins, cujas normas de apuração seguem a Lei nº 9.718, de 1998. No que toca ao PIS/Pasep, o fundamento legal da autuação, pela sistemática nãocumulativa (período de janeiro a julho de 2003), está na Lei nº 10.637, de 2002, notadamente, no seu art. 1º: “Art. 1º. A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º. Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no “caput””. (Grifos acrescentados) Como se vê, à luz do transcrito dispositivo legal, a tributação do PIS alcança a totalidade das receitas, independentemente da sua denominação ou classificação contábil. Portanto, não há nenhum reparo a ser feito no lançamento dessa contribuição. Enfim, feitas essas considerações, mantémse integralmente a exigência do PIS/Pasep, cujo fundamento legal, já sob a égide da sistemática nãocumulativa, alcança a totalidade das receitas. (...) Portanto, quanto ao auto de infração da Contribuição para o PIS deve ser mantida a decisão recorrida, pois não há reparo algum fazer nesse decisum. Auto de Infração – Cofins (regime de apuração cumulativo) O auto de infração da Cofins do anocalendário 2003 não merece prosperar, pois foi aplicado o regime de apuração cumulativo Lei nº 9.718/98 (art. 3º, §1º), cujo dispositivo legal, que determinava o alargamento da base de cálculo (abarcando as receitas financeiras), foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de forma reiterada, em sede Recursos Extraordinários. Para os contribuintes que estão no regime não cumulativo das contribuições a inconstitucionalidade do aumento da base de cálculo abarca somente o período compreendido entre fevereiro de 1999 e novembro de 2002 para o PIS e fevereiro de 1999 a janeiro de 2004 para a COFINS. Isso porque em 2002 e 2003 foram editadas as Leis 10.637 e 10.833 ampliando a base de cálculo das contribuições, já em consonância com a nova redação da Constituição dada pela Emenda Constitucional 20/1998. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 886 19 Para as empresas que estão no regime cumulativo das contribuições (como as que optaram pelo lucro presumido) a inconstitucionalidade perdeurou até a data de publicação da Lei nº 11.941, de 2009, quando revogou o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1999. Ainda, pela exoneração do crédito tributário da Cofins lançado de ofício do anocalendário 2003, objeto dos autos, adoto e transcrevo os fundamentos do voto vencido do Relator da decisão recorrida (fls. 817/820), in verbis: (...) 5. AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Quanto à Cofins, pela sistemática cumulativa, (período de janeiro a julho de 2003), a autuação fundase na Lei nº 9.718, de 1998: “Art. 2º. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. (Grifos acrescentados) (...) Assim, é preciso, pois, examinar a questão do alargamento da base de cálculo provocada pela Lei nº 9.718, de 1998, que a partir de fevereiro de 1999 define como base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins a receita bruta, considerada como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, nos termos acima transcrito. No entanto, no julgamento dos Recursos Extraordinários (RE) nºs 390.840, 346.084 e 358.273, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional a alteração trazida pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, relativamente à definição da base de cálculo das contribuições, por meio de acórdãos (...), transitados em julgado, mantendose, portanto, para este fim, o texto das normas anteriormente aplicáveis. (...) Também no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.2351, decidiu o STF reconhecer a repercussão geral da questão constitucional em tela, em acórdão proferido em sessão de 10/09/2008, publicado no DJE nº 227, de 28/11/2008, e transitado em julgado em 12/12/2008, nos seguintes termos: (...) Fl. 886DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 887 20 Das decisões acima transcritas, proferidas em sessão (...) do STF, concluise que o entendimento fixado no julgamento dos RE nºs 390.840, 346.084, 358.273 e 585.2351, relativamente à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) definido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, encontrase pacificado naquela Corte, reconhecendo o Tribunal tratarse de matéria de repercussão geral, reafirmando expressamente a jurisprudência acerca da questão e deliberando, inclusive, pela edição de súmula vinculante. O entendimento manifestado pelo STF autoriza, também, a sua adoção pelos tribunais inferiores, retratandose ou declarando prejudicados os recursos pendentes relativos à mesma matéria, nos termos da Lei nº 11.418, de 19 de dezembro de 2006. Em função dos efeitos dessas decisões, foram editados, pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492, de 22/03/2010, e a Portaria PGFN nº 294, de 2010, prevendo a dispensa de apresentação de recurso, ordinário e extraordinário, nos casos em que os precedentes sobre determinados assuntos, divulgados por meio de listas atualizadas periodicamente, oriundos do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, forem julgados com base nos artigos 543B (repercussão geral) e 543 C (repetitivos). E, da lista de temas julgados pelo STF sob a forma do art. 543B do CPC, e que não mais serão objeto de contestação/recurso pela PGFN, encontrase aquele objeto do RE nº 585.2351, que considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins promovido pelo art. 3º, §1º, da Lei n. 9.718, de 1998. Dessa forma, resta atingido o objetivo pretendido no texto do art. 26A do Decreto 70.235, de 1972, acima transcrito, ou seja, a não aplicação, pelo julgador administrativo, de dispositivo legal declarado inconstitucional por decisão (...) definitiva do STF, resguardando a Fazenda Nacional de futuros prejuízos quando da fase de execução fiscal do crédito tributário. Observese ainda que, em consonância com o entendimento pacificado no âmbito do Poder Judiciário, foi editada a já citada Lei nº 11.941, de 2009, revogando expressamente o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998: “Art. 79. Ficam revogados: (...) XII o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; (...)” Nesse contexto, uma vez que o lançamento da Cofins abrange os períodos de apuração de janeiro de a julho de 2003, estando plenamente em vigor para o contribuinte a tributação baseada na Lei nº 9.718, de 1998, impõese excluir a exigência da Fl. 887DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 888 21 referida contribuição incidente sobre as receitas que não se enquadrem no conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme o objeto social da empresa. Assim, como foi tributada exclusivamente receita financeira decorrente da falta de contabilização de variação cambial ativa, deve ser cancelado integralmente o Auto de Infração da Cofins. Recentemente, vejase acerca disso publicação do “BOLETIM DE DECISÕES ADMINISTRATIVAS DA 3ª TURMA DA CSRF – Nº 3, DE MAIO/2011”: “COFINS. Alargamento da base de cálculo. A 3ª Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso da PGFN contra o acórdão nº 20219201, que tem a seguinte ementa: “Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/1999, 01/01/2000 a 31/01/2000, 01/03/2000 a 30/09/2000, 01/11/2000 a 30/06/2001, 01/09/2001 a 31/10/2001, 01/12/2001 a 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA AMPLIAÇÃO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS DE EMPRÉSTIMOS, FINANCIAMENTOS E VARIAÇÕES CAMBIAIS. Nos termos do art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Em decorrência, descabe a tributação das receitas decorrentes de empréstimos, financiamentos e variações cambiais, incluídas na base de cálculo pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF. Recurso provido.” (Processo: 10166.007875/200354) Neste caso, o provimento ao recurso da PGFN foi negado, em virtude da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, pelo STF (Recurso Extraordinário nº 585.235/RS, julgado em 10/09/2008 – com repercussão geral reconhecida) e do art. 62 A no Regimento Interno do CARF.” (Grifos acrescentados). Enfim, feitas essas considerações, exonerase a exigência da Cofins, por falta de base legal que determine a tributação das demais receitas que não estejam dentro do conceito de faturamento, à luz da LC nº 70, de 1991. (...) Em face desses fundamentos, deve ser exonerado o crédito tributário do auto de infração da Cofins do anocalendário 2003, ficando afastada, nessa parte, a decisão recorrida. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10680.002932/200713 Acórdão n.º 1802001.338 S1TE02 Fl. 889 22 Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso para: a) manter o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ, CSLL e PIS do anocalendário 2003, nos termos da decisão recorrida; e, b) exonerar o crédito tributário do auto de infração da Cofins do ano calendário 2003, ficando reformada, nessa parte, a decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 889DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10166.908042/2009-06
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. REGIME MONOFÁSICO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei.
PROVAS EXTEMPORÂNEAS
O Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário, preceitua que todas as provas que instruirão o processo no âmbito administrativo-tributário e que sejam aptas a comprovar o direito do sujeito passivo, deverão ser colacionadas nos autos até o momento da impugnação sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3803-003.494
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. REGIME MONOFÁSICO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. PROVAS EXTEMPORÂNEAS O Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário, preceitua que todas as provas que instruirão o processo no âmbito administrativo-tributário e que sejam aptas a comprovar o direito do sujeito passivo, deverão ser colacionadas nos autos até o momento da impugnação sob pena de preclusão.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern - Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. REGIME MONOFÁSICO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. PROVAS EXTEMPORÂNEAS O Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário, preceitua que todas as provas que instruirão o processo no âmbito administrativotributário e que sejam aptas a comprovar o direito do sujeito passivo, deverão ser colacionadas nos autos até o momento da impugnação sob pena de preclusão. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 42 /2 00 9- 06 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de Declaração de Compensação n° 30323.49631.131106.1.7.04 0780 (fl. 03, numeração eletrônica.), transmitida eletronicamente em 13/11/2006, através da qual a contribuinte pretende compensar valores devidos a título de Cofins, com base em suposto crédito da mesma contribuição, oriundo de pagamento indevido ou a maior no valor original de R$ 509,72 e atualizado na data da PER/DCOMP de R$ 580,72. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentando na inexistência de crédito, afirmando haver um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos da contribuinte. Cientificada desse Despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando em síntese, que: I) de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, foram pagos Pis e Cofins sobre toda a receita de venda de mercadorias, sem a devida exclusão da base de calculo dos produtos monofásicos. II) esclarece que a atividade da empresa é bar e restaurante, com grande volume de venda de chopp, cervejas e refrigerantes, tendo sido pago Cofins a maior, haja vista a não observância do tratamento tributário adequado. III) informada do erro na apuração dos impostos, apresentou Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, DIPJ, retificadora do período, corrigindo as informações referentes ao Pis e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do Pis e Cofins dos meses seguintes, a partir de março/2006, por meio de PER/DCOMP. IV) inteirada do referido Despacho Decisório, procurou o plantão fiscal da Receita Federal, sendo informada da necessidade de apresentar DCTF retificadoras. V) com a apresentação das DCTF retificadoras, solicitou a baixa dos débitos referentes aos Despachos Decisórios. VI) que se necessário apresentaria outros documentos e providencias Destacamos que junto à Manifestação de Inconformidade, a contribuinte anexou apenas PER/DCOMP e comprovante de arrecadação no valor de R$ 6.611,30 da competência desembro/2005. A DRJ/BSB julgou improcedente a Manifestação e votou por negar provimento aos pedidos, alegando não haver provas suficientes a fim de comprovar as alegações da contribuinte, ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2005 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.908042/200906 Acórdão n.º 3803003.494 S3TE03 Fl. 11 3 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAISDCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábi f iscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.” Irresignada apresentou Recurso Voluntário a este conselho, onde alega que a juntada de novos documentes tem respaldo no processo administrativo legal, no principio da legalidade e verdade material que orienta a administração publica. Afirma que a DRF antes de não homologar sua DCOMP deveria ter solicitado a apresentação de documentos comprobatórios de seu credito. Traz conceito sucinto de tributação monofásica, e reitera o direito a restituição de pagamento indevido ou a maior. Anexa livro de entradas e saídas de mercadorias de agosto/04 e resumo das apurações do mesmo período. Ao final requer que a decisão da DRJ seja reformada, que seja reconhecido seu direito creditório e que sejam suspensas as cobranças. É o relatório. Voto Fl. 60DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. O recorrente, afirma ter direito ao crédito pleiteado em PER/DCOMP, com base em suposto crédito de Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso em análise, a contribuinte esclarece que teria cometido erro ao incluir produtos com regime monofásico para pagamento de PIS e COFINS. No entanto, na Manifestação de Inconformidade, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme previsto no art. 923 do RIR/99, transcrito a seguir: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Quanto ao ônus probandi, é pacífico e assim determina o Código de Processo Civil, que tem aplicação subsidiária ao processo tributário, no seu artigo 333, que cabe a quem alega o ônus da prova. No processo administrativo, entendemos que a ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. O Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário, preceitua que todas as provas que instruirão o processo no âmbito administrativotributário e que sejam aptas a comprovar o direito do sujeito passivo, deverão ser colacionadas nos autos até o momento da impugnação, sob pena de preclusão. Sabese que o Contribuinte contou com o momento oportuno para apresentar a devida documentação que comprovasse suas alegações, entretanto, mesmo que tais provas não tenham sido carreadas na impugnação, admitese, excepcionalmente, sua juntada após a impugnação nos caso em que excepcionou o Decreto n° 70.235, art. 16, inciso V, parágrafo 4°, ao que se lê: Fl. 61DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.908042/200906 Acórdão n.º 3803003.494 S3TE03 Fl. 12 5 “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Não se encaixa nenhum dos casos elencados no Decreto que rege os processos administrativos o narrado neste processo. O que se vê, são provas trazidas em momento posterior ao previsto em lei. No direito tributário cabe à administração fazendária o ônus da prova do ilícito tributário, entretanto, não conferiu a lei ao contribuinte o poder de se eximir de sua responsabilidade através da omissão da entrega dos elementos materiais à apreciação objetiva e subjetiva constitutiva do direito ao alegado crédito. Frisase que, em casos como este, em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária. A Recorrente anexou documentos, porem o fez em sede de Recurso Voluntário. Esta turma julgadora, em várias oportunidades, tem se manifestado no sentido da não apreciação de provas que poderiam ter sido apresentados no momento apropriado e que vieram tão somente no Recurso Voluntário. Por outro lado, a Contribuinte alega que transmitiu DCTFs retificadoras, entretanto, não as anexa aos autos, com isso, não foi possível atestar se as retificações se deram antes ou depois do despacho decisório de negativa de homologação do crédito pretendido, da mesma forma alega retificação da DIPJ e não a anexa a este processo administrativo, dificultando, ou mesmo impossibilitando a análise de tais documentos. Diante de todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório pretendido. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13826.000170/2005-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
COFINS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA.
Nos termos da Lei n° 9.718/98 e da Medida Provisória n° 1.807, de 28/01/1999, atual MP n° 2.158-35/2001, a partir de fevereiro de 1999 as cooperativas de crédito, na condição de instituição financeira, passaram a recolher a COFINS sobre o faturamento ou receita operacional, com as deduções específicas estabelecidas na leis nº 9.701 e 9.718, de 1998.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Helder Massaaki Kanamaru, Álvaro Almeida Filho e Nanci Gama, que davam provimento integral.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 COFINS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA. Nos termos da Lei n° 9.718/98 e da Medida Provisória n° 1.807, de 28/01/1999, atual MP n° 2.158-35/2001, a partir de fevereiro de 1999 as cooperativas de crédito, na condição de instituição financeira, passaram a recolher a COFINS sobre o faturamento ou receita operacional, com as deduções específicas estabelecidas na leis nº 9.701 e 9.718, de 1998. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Helder Massaaki Kanamaru, Álvaro Almeida Filho e Nanci Gama, que davam provimento integral. Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
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COOPERATIVA DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA. Nos termos da Lei n° 9.718/98 e da Medida Provisória n° 1.807, de 28/01/1999, atual MP n° 2.15835/2001, a partir de fevereiro de 1999 as cooperativas de crédito, na condição de instituição financeira, passaram a recolher a COFINS sobre o faturamento ou receita operacional, com as deduções específicas estabelecidas na leis nº 9.701 e 9.718, de 1998. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Helder Massaaki Kanamaru, Álvaro Almeida Filho e Nanci Gama, que davam provimento integral. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 01 70 /2 00 5- 45 Fl. 719DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão da primeira instância, com as devidas adições. "Conforme o Despacho Decisório de fls.557564, a Diort/Deinf/SP verificou em síntese que: 1. O presente processo trata do Pedido de Restituição de fls.01, documentos anexados às fls. 02107, protocolizado em 21/06/2005, relativo a valores de Cofins de períodos de apuração de 11/99 a 11/2004, conforme planilha de fls. 36 e Darf às fls. 3774. Cumulativamente, enviou PER/DCOMP eletrônicos, vinculados ao crédito em questão, relacionados no extrato de processo de fls. 565570. 2. A interessada alega que os recolhimentos de Cofins efetuados no período de 11/99 a 11/2004 seriam indevidos, pois as sociedades cooperativas de crédito gozariam da não incidência da Cofins por praticarem somente atos cooperativos, obedecendo as regras da Lei Cooperativista e do Banco Central (Bacen), tendo como fundamento os artigos 79, 84, 86, 87 e 111 da Lei n° 5.764/71, e o art.6° da Resolução BACEN n° 3.106/03. 3. Concluindo por não se enquadrar no disposto pelo art.3° da Lei n° 9.718/98, a interessada sustenta o direito de restituição dos valores recolhidos a título de Cofins, bem como de compensar o suposto crédito com outros débitos, em observância ao art.26 da IN SRF n° 460/04. 4. As cooperativas de crédito estavam excluídas do pagamento da Cofins porque o parágrafo único do art.11 da LC n° 70/91, excepcionou a incidência dessa contribuição relativamente às pessoas jurídicas referidas no §1°, do art.22, da Lei n° 8.212/91. 5. Entretanto, as cooperativas de crédito passaram a recolher o PIS e a Cofins a partir de 02/99, na forma determinada pelos art. 2° e 3° da Lei 9.718/98. 6. Constatase, com base nos art. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98; artigos 1° e 2° da MP n° 1.807/99, reeditada sob o n° 1.858 6/99; artigos 13 e 14 da MP n° 1.8586/99 e reedições; e art.15 da MP 2.15835, sucessora da MP 1.858/99, que o legislador incluiu as sociedades cooperativas de crédito no rol das pessoas jurídicas sujeitas aos recolhimentos para o PIS/Pasep e Cofins, inclusive autorizando a exclusão da base de cálculo de determinadas receitas específicas dessas instituições. Em função do exposto, a autoridade administrativa decidiu às fls.562: Fl. 720DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 3102001.587 S3C1T2 Fl. 674 3 INDEFERIR o Pedido de Restituição de fls.01, devido à inexistência de crédito; NÃO HOMOLOGAR Declarações de Compensação e de Pedidos de Restituição eletrônicos vinculados ao crédito do presente processo, conforme listagem [de fls .562564] DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls.574606, protocolizada em 12/04/2010, expondo, em síntese, que: 1. A manifestante é constituída como cooperativa de crédito rural, na forma estabelecida pela Lei n° 5.764/71, sendo também regida pela Lei n° 4.595/64 e normas baixadas pelo Banco Central do Brasil. 2. As sociedades cooperativas são constituídas sem a finalidade lucrativa (art.3° da Lei n° 5.764/71), porque seu objetivo é prestar serviço ao associado, fomentando sua atividade no mercado. Tais operações são genuínos atos cooperativos, fugindo de qualquer incidência tributária os resultados provenientes destas operações. 3. As sociedades cooperativas de crédito não podem manter operações com terceiros, diferentemente das cooperativas de produção, fato este que se conclui da impossibilidade de se falar em resultado tributável pela manifestante, haja vista que todo o seu resultado é proveniente de operações com associados. 4. O serviço que a sociedade cooperativa de crédito se dispôs a prestar ao associado é o puro ato cooperativo previsto no art.79 da Lei n° 5.764/71, logo, é prevista a não incidência tributária sobre o resultado destas operações, conforme dispõe o art.87, combinado com o art.111, do mesmo diploma legal. 5. A Lei n° 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da Cofins, afetando as sociedades cooperativas somente em relação aos atos nãocooperados, quando então deverão recolher as contribuições com base nas receitas totais auferidas provenientes dos atos nãocooperativos, permitidas as exclusões previstas no §6° do art.3° da Lei n° 9.718/98, com a redação dada pela MP n° 1.8586/99. 6. Não obstante a base de cálculo prevista na Lei n° 9.718/98, o STF declarou inconstitucional o §1 0 do art.3° da Lei n° 9.718/98, no que se refere ao conceito de receita bruta para fins de incidência das contribuições PIS e Cofins. Logo, é ilegítimo o fundamento utilizado pela Deinf para indeferir as compensações realizadas pela manifestante, pois este conceito de receita bruta foi afastado pelo pleno do STF. 7. Ademais, o §1° do art.3° da Lei n° 9.718/98, que deu ensejo à não homologação do crédito de pagamento indevido de Cofins, Fl. 721DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 foi expressamente revogado pelo art.79, XII, da Lei n° 11.941/2009, devendo ser aplicado ao caso em questão. 8. Requer: (i) o recebimento e processamento do recurso, suspendendose a exigibilidade do crédito nos termos do art.151, III, do CTN e art. 66, § 6°, da IN RFB 900/2008; (ii) o afastamento da aplicação do § 1° do art.3° da Lei 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF e revogado pela Lei 11.941/2009; (iii) o reconhecimento de que as sociedades cooperativa continuam gozando da nãoincidência de Cofins sobre seus atos cooperativos, conforme art. 79, 87 e 111 da Lei n°5.764/71; (iv) a homologação das compensações efetuadas no presente processo, com a consequente extinção dos débitos cobrados na carta cobrança recebida pela empresa, (v) com base nos princípios da eficiência e economia processual, a reunião deste processo com o processo 13826.000171/200590 (PIS), em vista da identidade em relação ao objeto de discussão." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ manteve o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão da DRJ foi assim ementada. “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 COFINS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. LEI N° 9.718/98. A base de cálculo da Cofins, conforme Lei n° 9.718/98, é a receita bruta da pessoa jurídica, sendo admitidas somente as exclusões e deduções expressamente previstas em lei. A norma não faz qualquer distinção entre atos cooperativos e não cooperativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 3102001.587 S3C1T2 Fl. 675 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A matéria em questão já é conhecida deste colegiado, sendo enfrentado em outras ocasiões. As decisões desta turma tem sido no sentido de considerar que as receitas auferidas pelas cooperativas de crédito sofrem a exigência da contribuição para o PIS e da COFINS. Neste mister transcrevo abaixo voto do i. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro que ao enfrentar a matéria no julgamento do processo administrativo nº 10905.002260/2006 45, de forma brilhante, que apesar de concluir pela exigência do PIS sobre as receitas das cooperativas de crédito os mesmos argumentos justificam a mesma posição sobre a COFINS. Assim, peço vênia para incluir parte daquele voto e dele fazer minhas razões de decidir. "1 Incidência da Contribuição para o PIS sobre as receitas auferidas por cooperativas de crédito Com a devida vênia não vejo como reconhecer às cooperativas de crédito o tratamento diferenciado consignado no parágrafo 4º do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 19701. A meu ver, as restrições à denominação da sociedade, ou seja, a vedação à expressão banco, não produz qualquer efeito na fixação da sua natureza jurídica. Com efeito, o parágrafo 1º do art. 18 da Lei nº 4.595, de 1964 é bastante claro: § 1º Além dos estabelecimentos bancários oficiais ou privados, das sociedades de crédito, financiamento e investimentos, das caixas econômicas e das cooperativas de crédito ou a seção de crédito das cooperativas que a tenham, também se subordinam às disposições e disciplina desta lei no que for aplicável, as bolsas de valores, companhias de seguros e de capitalização, as sociedades que efetuam distribuição de prêmios em imóveis, mercadorias ou dinheiro, mediante sorteio de títulos de sua emissão ou por qualquer forma, e as pessoas físicas ou jurídicas que exerçam, por conta própria ou de terceiros, atividade relacionada com a compra e venda de ações e outros quaisquer títulos, realizando nos mercados financeiros e de capitais 1 Art. 3º O Fundo de Participação será constituído por duas parcelas: (...) § 4º As entidades de fins não lucrativos, que tenham empregados assim definidos pela legislação trabalhista, contribuirão para o Fundo na forma da lei. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 operações ou serviços de natureza dos executados pelas instituições financeiras. Por outro lado, não vejo como reconhecer que essa equiparação se limite aos aspectos operacionais tal linha de raciocínio é acompanhada pelo § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 que, expressamente equipara tais sociedades a instituições financeiras, para efeito de tributação das receitas auferidas. Confirase (original não destacado): § 1oNo caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Por outro lado, como é cediço a isenção consignada no parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n° 70/91, que ao instituiu a COFINS foi tacitamente revogada pela Lei n° 9.718/98, em cujo art. 3º, §§ 5º e 6º, este último incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, se lê: § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5º, poderão excluir ou deduzir: Assim, penso, a vedação à utilização à expressão “banco” em sua denominação pouca relevância assume para a definição da tributação sobre as receitas auferidas por cooperativas de crédito. Aliás, a própria Constituição Federal, por ocasião da edição da Emenda Constitucional de Revisão nº 01/1994, previu expressamente: Art. 72. Integram o Fundo Social de Emergência: (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1994) (...) III a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da alíquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, passa a ser de trinta por cento, mantidas as demais Fl. 724DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 3102001.587 S3C1T2 Fl. 676 7 normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1994) (...) V a parcela do produto da arrecadação da contribuição de que trata a Lei Complementar n.º 7, de 7 de setembro de 1970, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o inciso III deste artigo, a qual será calculada, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, mediante a aplicação da alíquota de setenta e cinco centésimos por cento sobre a receita bruta operacional, como definida na legislação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza;(Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1994) É extreme de dúvidas, portanto, que, para efeito da legislação que rege a contribuição litigiosa os rendimentos auferidos por cooperativas de crédito efetivamente inseremse no conceito de receita e, como tal, sujeitamse à contribuição nos termos do arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1995: Art.2°As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art.3ºO faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. De se esclarecer que o Fisco considerou as deduções admitidas pelo art. 1º da Lei nº 97012 e pelos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/983, ambas de 1998 2 Art.1oPara efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no§ 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: Ireversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como prejuízo, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; II Revogado IIIno caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a)despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro, inclusive com títulos públicos; b)encargos com obrigações por refinanciamentos, empréstimos e repasses de recursos de órgãos e instituições oficiais; c)despesas de câmbio; d)despesas de arrendamento mercantil, restritas a empresas e instituições arrendadoras; e)despesas de operações especiais por conta e ordem do Tesouro Nacional; 3 § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 725DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 726DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10283.005297/2005-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 06/07/2004
SUSPENSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES COFINS-IMPORTAÇÃO E PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. EMPRESA AGUARDANDO ANÁLISE DA HABILITAÇÃO.
Para fins de fruição da suspensão da Cofins-Importação e da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação, na hipótese de importação de bens por estabelecimento situado na Zona Franca de Manaus, prevista no art. 14, da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, necessita de prévia habilitação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
No entanto, no caso específico, de transição; ou seja, para a importação, com tributo recolhido e que tenha solicitado a habilitação até 30/06/2004, esta formalidade substitui o Termo de Responsabilidade e serve para acatar a importação, cuja habilitação encontrava-se em análise e posteriormente deferida.
Numero da decisão: 3201-001.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 06/07/2004 SUSPENSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES COFINS-IMPORTAÇÃO E PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. EMPRESA AGUARDANDO ANÁLISE DA HABILITAÇÃO. Para fins de fruição da suspensão da Cofins-Importação e da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação, na hipótese de importação de bens por estabelecimento situado na Zona Franca de Manaus, prevista no art. 14, da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, necessita de prévia habilitação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No entanto, no caso específico, de transição; ou seja, para a importação, com tributo recolhido e que tenha solicitado a habilitação até 30/06/2004, esta formalidade substitui o Termo de Responsabilidade e serve para acatar a importação, cuja habilitação encontrava-se em análise e posteriormente deferida.
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EMPRESA AGUARDANDO ANÁLISE DA HABILITAÇÃO. Para fins de fruição da suspensão da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, na hipótese de importação de bens por estabelecimento situado na Zona Franca de Manaus, prevista no art. 14, da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, necessita de prévia habilitação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No entanto, no caso específico, de transição; ou seja, para a importação, com tributo recolhido e que tenha solicitado a habilitação até 30/06/2004, esta formalidade substitui o Termo de Responsabilidade e serve para acatar a importação, cuja habilitação encontravase em análise e posteriormente deferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 52 97 /2 00 5- 47 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 121/128, contra a Decisão do Inspetor da Alfândega da Receita Federal do Porto de Manaus, que, nos termos do Parecer SAORT n.º 038/2006 (fls. 111/119), não reconheceu o direito creditório do contribuinte, referente à Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS) e à Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambos incidentes na importação, no valor total de R$ 149.108,94. No pedido de restituição apresentado em 27/10/2005, o contribuinte alega que importou insumos para utilização em seu processo produtivo por meio das Declarações de Importação (DI) nos 04/04574801, 04/04739568 e 04/06541889, registradas, respectivamente, em 14/05/2004, 19/05/2004 e 06/07/2004, com o pagamento integral do PIS e da Cofins. No entanto, segundo o requerente, a tributação nas referidas operações de importação estaria suspensa, uma vez que as mesmas foram realizadas após a publicação da Lei no 10.865/04, de 30/04/2004, que, em seu art. 14A, suspendia a exigência do Pis e da Cofins nas importações de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego em processo de industrialização, realizadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, regra que lhe daria, portanto, direito à restituição dos valores recolhidos após o advento da mencionada lei, mesmo sem a devida habilitação ao regime imposta pela Instrução Normativa SRF no 424 (IN 424), de 20/05/2004, que veio a disciplinar a matéria. Em 25/01/2006, por meio da Informação no 005/2006 (fls. 41/45), o chefe da Saort da Alfândega do Porto de Manaus solicitou ao contribuinte que: Esclarecesse qual enquadramento legal deveria ser considerado correto na fundamentação do seu pedido de restituição, visto que o texto apresentado cita tanto o art. 14A da Lei no 10.865/04, como a IN 424, que dispõe sobre o art. 14 da mesma lei; Indicasse quais foram as despesas aduaneiras consideradas nas importações citadas no processo, juntando os seus respectivos comprovantes de pagamento; Fl. 238DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.005297/200547 Acórdão n.º 3201001.094 S3C2T1 Fl. 238 3 Juntasse as planilhas utilizadas no cálculo das contribuições objeto do pedido de restituição e prova de recolhimento do ICMS; Após ter deferido o pedido de dilação do prazo de entrega, o contribuinte, em 06/03/2006, atendeu parcialmente a intimação, apresentando os documentos de fls. 50/98 e fls. 109 e 110, onde afirma que: as importações foram realizadas sob o regime previsto no § 1o, do art. 14 da Lei no 10.865/04. No entanto, não foram apresentados os Termos de Responsabilidade, visto que os tributos foram recolhidos no momento do desembaraço; não há cobrança do ICMS sobre os produtos objeto de importação, conforme Decreto no 24.186/04, por meio do qual o Governo do Estado do Amazonas concedeu à Sanyo da Amazônia S.ª o benefício fiscal do diferimento do ICMS. Não havendo, portanto, notificação para pagamento de ICMS na importação; As despesas aduaneiras consideradas pelo contribuinte na importação foram apresentadas à fl. 51, e os documentos que comprovariam suas alegações foram juntados às fls. 53/98 e 109/110. A autoridade administrativa, nos termos do Parecer Saort nº 38/2006, em 14/07/2006, decidiu por não reconhecer o direito creditório do contribuinte (fls. 111/119), por força do previsto nos artigos 2o, 4o e 16 da IN 424, sob as seguintes alegações: a suspensão prevista na Lei no 10.865/04 seria opcional e que o contribuinte, ao recolher a contribuição, teria optado por não se enquadrar ao benefício; somente as empresas previamente habilitadas poderiam usufruir do mencionado benefício; e até 30 de junho de 2006 as empresas não habilitadas poderiam importar mercadorias com suspensão dos tributos, mediante formalização do Termo de Responsabilidade, que não foi apresentado pelo contribuinte. Ressaltou, ainda, que a IN 424 passou a produzir seus efeitos a partir de 01/05/2004, logo, todas as importações deveriam receber tratamento isonômico a partir desta data, inclusive as importações realizadas entre o dia 01/05/2004 e 20/05/2004, data de publicação da IN 424. Assim, afirma a Autoridade administrativa que, como a habilitação do contribuinte, exigida pela legislação, ocorreu somente em 07/07/2004, ou seja, após as importações em tela, o contribuinte não teria direito à suspensão prevista no art. 14 da Lei no 10.865/04. O contribuinte foi cientificado do indeferimento do pedido de restituição em 17/07/2006 (fl. 120), e apresentou a Manifestação de Inconformidade em 16/08/2006 (fls. 121/128), onde alega que: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 se enquadrava, à época, em todos os requisitos exigidos pela Lei no 10.865/04 para que pudesse usufruir do direito à suspensão prevista no art. 14 da referida lei; “...a lei que dispõe sobre o benefício de suspensão não menciona em seu dispositivo que as empresas “poderão”, mas sim, menciona que as normas de suspensão de pagamento de contribuição de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação serão as mesmas aplicadas aos benefícios de suspensão do Imposto de Importação e do IPI vinculado à importação. Desta forma, a empresa ao importar e estando enquadrada em conformidade com a legislação vigente “terá” direito ao benefício”; a decisão de recolher as contribuições relativas às importações em apreço não poderia ser entendida como uma opção de não enquadramento ao regime, mas como uma medida para evitar a paralisação de suas linhas de produção; a empresa não atendeu à exigência de formalização do Termo de Responsabilidade nas importações realizadas em 14/05/2004 e 19/05/2004 porque, nesse momento, não havia previsão normativa de utilização desse instrumento, o que veio a ocorrer somente com a edição da IN 424; “Quanto á importação efetuada através da DI n° 04/06541889, em 06/07/2004, a empresa também foi circunstancialmente levada a agir da mesma forma, ou seja, optou pelo recolhimento das contribuições, para futuro ressarcimento, visto, não poder mais se utilizar do instrumento Termo de Responsabilidade, uma vez que a validade deste, cessou em 30/06/2004” Por fim, a empresa enfatiza que se utilizou do Termo de Responsabilidade para liberação de suas importações durante o período compreendido entre 20/05/2004 e 30/06/2004, conforme definido na IN 424, e requer que a decisão denegatória do pleito em 1a instância seja reformada e que possa compensar os créditos originários do presente processo com seus débitos vincendos.” O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FOR no 0820.196, de 03/03/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/05/2004, 19/05/2004 PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. APLICABILIDADE AOS ATOS ADMINISTRATIVOS. O princípio da irretroatividade, consagrado pela Constituição Federal, de 1988 e pelo Código Tributário Nacional, aplicase também no âmbito do Poder Executivo. A retroatividade dos atos administrativos só se justifica para possibilitar a execução e o fiel cumprimento da norma hierarquicamente superior, sendo defeso usar a retroação para impor novos encargos aos contribuintes que venha a afastálos dos efeitos benéficos que a lei pretendeu instituir. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. INADMISSIBILIDADE. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.005297/200547 Acórdão n.º 3201001.094 S3C2T1 Fl. 239 5 O art. 165, do CTN, que trata da restituição do indébito tributário, está fundado no princípio, ínsito a todo direito positivo, que proíbe o enriquecimento sem causa. Se a União recebeu o que não tinha direito por inexistência da obrigação de pagar, o contribuinte que efetuou o pagamento tem o direito à restituição respectiva. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 06/07/2004 SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão do crédito tributário. SUSPENSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES COFINSIMPORTAÇÃO E PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. EMPRESA NÃO HABILITADA. INADMISSIBILIDADE. A suspensão da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/Pasep Importação, na importação de bens por estabelecimento situado na Zona Franca de Manaus, de que trata o art. 14, da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, será concedida somente à empresa previamente habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte.” O julgamento foi pela procedência em parte da manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 96.158,91, relacionado às Declarações de Importação nº 04/04574801 e 04/04739568 e; não reconhecer o direito creditório no valor de R$ 52.950,03, relacionado à Declaração de Importação nº 04/06541889. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Enfatiza que a importação efetuada através da DI n° 04/06541889, em 06/07/2004 e que a empresa optou pelo recolhimento das contribuições, para futuro ressarcimento, visto, não poder mais se utilizar do instrumento Termo de Responsabilidade, uma vez que a validade deste, cessou em 30/06/2004. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de pedido de Restituição de PIS/Cofins incidentes na importação. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 No pedido de restituição apresentado em 27/10/2005, a recorrente alega que importou insumos para utilização em seu processo produtivo por meio das Declarações de Importação (DI) nos 04/04574801, 04/04739568 e 04/06541889, registradas, respectivamente, em 14/05/2004, 19/05/2004 e 06/07/2004, com o pagamento integral do PIS e da Cofins. O litígio atual versa apenas sobre a DI 04/06541889, registrada em 06/07/2004. O julgamento a quo, comorelatado, foi pela procedência em parte da manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 96.158,91, relacionado às Declarações de Importação nº 04/04574801 e 04/04739568 e; não reconhecer o direito creditório no valor de R$ 52.950,03, relacionado à Declaração de Importação nº 04/06541889. A Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação foram instituídas pela Lei no 10.865, de 30/04/2004, que prevê, em seu artigo 14, a suspensão de tais contribuições na hipótese de importação realizadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, de bens a serem empregados na elaboração de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a emprego em processo de industrialização por estabelecimentos ali instalados, que dispõe: Art. 14. As normas relativas à suspensão do pagamento do imposto de importação ou do IPI vinculado à importação, relativas aos regimes aduaneiros especiais, aplicamse também às contribuições de que trata o art. 1º desta Lei. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às importações, efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, de bens a serem empregados na elaboração de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a emprego em processo de industrialização por estabelecimentos ali instalados, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, de que trata o art. 5ºA da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2º A Secretaria da Receita Federal estabelecerá os requisitos necessários para a suspensão de que trata o § 1º deste artigo. Tendo em vista o § 2º acima, a SRF, por meio da IN 424, em 19/05/2004, disciplinou o benefício, passando a exigir a prévia habilitação do contribuinte que desejasse usufruir da suspensão tributária. No entanto, temporariamente, permitia o desembaraço de mercadorias importadas até 30/06/2004, com o mesmo benefício, sem que o contribuinte estivesse habilitado, mediante formalização do Termo de Responsabilidade. A Declaração de Importação no 04/06541889 foi registrada em 06/07/2004, ou seja, entre a data de protocolo do requerimento de habilitação (17/06/2004) e a publicação do ato de concessão de habilitação ao regime (07/07/2004), num momento em que não havia previsão legal de utilização do Termo de Responsabilidade. Logo, quanto à alegada falta de apresentação do Termo de Responsabilidade questionada no Despacho Decisório, observase, que à época da importação em tela (06/07/04), não havia previsão normativa de formalização do termo reclamado pela autoridade autuante, uma vez que, conforme art. 16 da IN 424, o importador poderia importar mercadorias com Fl. 242DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.005297/200547 Acórdão n.º 3201001.094 S3C2T1 Fl. 240 7 suspensão das contribuições, mediante formalização do mencionado termo somente até 30/06/2004. Além do mais, considerando que o objetivo do Termo de Responsabilidade é assegurar o cumprimento das obrigações nele constituídas e que as contribuições foram devidamente recolhidas, não há que se falar em apresentação de referido instrumento legal, visto que não haveria objeto a ser garantido, sendo descabida, portanto, sua exigência. Não tinha sentido mais a apresentação doTermo. Percebese que a recorrente solicitou sua habilitação dentro do prazo previsto no art. 16 da IN 424, mas não havia ainda, no momento da importação, obtido uma resposta ao seu pleito, teria direito ou não à suspensão prevista na Lei no 10.985/04, relativo aos fatos geradores acorridos após o mencionado prazo. O art. 4o da IN 424 prescreve que as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, para que pudessem se beneficiar da suspensão prevista na Lei no 10.985/04, deveriam obrigatoriamente estar previamente habilitadas perante à SRF, conforme visto a seguir: “Art. 4o A suspensão do pagamento das contribuições será concedida somente à empresa previamente habilitada pela Secretaria da Receita Federal.” No entanto, o art. 16 da já citada IN, abaixo transcrito, permitia que, transitoriamente, o mesmo benefício fosse concedido às empresas não habilitadas, mas somente nos casos em que a mercadoria visse a ser desembaraçada até 30/06/2004 e mediante formalização de Termo de Responsabilidade: “Art. 16. Até 30 de junho de 2004 poderão ser desembaraçadas mercadorias importadas, com suspensão do pagamento da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação, mediante formalização de termo de responsabilidade para constituição das referidas contribuições, ao importador ainda não habilitado ao regime. § 1o O importador terá o prazo de 30 (trinta) dias, da assinatura do termo de responsabilidade, para solicitar sua habilitação ao regime. § 2o O deferimento da habilitação implica na baixa do termo de responsabilidade. § 3o Indeferido o pedido de habilitação ou o recurso de que trata o § 2o do art. 8o, procederseá nos termos dos arts. 676 a 682 do Decreto no 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento Aduaneiro.” Podese concluir que o referido artigo direcionava ao contribuinte que viesse a utilizar o Termo de Responsabilidade, o que não é o caso, logo, não se aplicando, portanto, à situação dos autos. Depreendese que a legislação permitia que os efeitos da habilitação alcançassem fatos geradores passados, ocorridos até 30/06/2004, garantidos por meio do Termo de Responsabilidade, beneficiando o contribuinte que se utilizou tal instrumento e que Fl. 243DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 ainda poderia solicitar sua habilitação dentro do prazo de 30 dias, pelo mesma linha de raciocínio deve, a fim de que seja observado o princípio da isonomia, acatar a solicitação da recorrente que requereu sua habilitação até 30/06/2004 e recolheu integralmente o tributo. Por tais razões, entendo que os efeitos da habilitação devem retroagir, alcançando todos os fatos geradores ocorridos até o deferimento da solicitação de habilitação do contribuinte, desde que o requerimento de habilitação tenha sido apresentado pelo contribuinte até 30/06/2004 e que o tributo tenha sido recolhido. Atendidas tais condições, não vejo razões para que o contribuinte não possa usufruir da suspensão tributária prevista no art. 14 da Lei no 10.865/04. Pois, essa formalidade pode perfeitamente vir a substituir o Termo de Responsabilidade. Caso o requerimento de habilitação viesse a ser negado, seria cabível a exigência das contribuições suspensas. No caso dos autos, a empresa solicitou sua habilitação em 17/06/2004, por meio do processo no 10283.100242/200469, e sem resposta da habilitação até a data do registro da Declaração de Importação no 04/06541889, logo, fazendo jus, à suspensão indicada na Lei no 10.865/04. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 244DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/11/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 19515.001947/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 31/07/2008, 31/07/2009
AÇÃO JUDICIAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF nº 01. Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Hipótese em que suspende-se a exigibilidade dos valores lançados até decisão final no processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2101-001.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância da discussão nas vias administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF nº 01. Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Hipótese em que suspendese a exigibilidade dos valores lançados até decisão final no processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância da discussão nas vias administrativa e judicial. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gonçalo Bonet Allage. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 47 /2 01 0- 46 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1748.333 proferido pela 3ª Turma da DRJ São Paulo II (fl. 306, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, reconhecendo a legalidade do lançamento tributário nos casos em que a exigibilidade do crédito tributário se encontre suspensa, não conhecendo das questões de mérito e mantendo integralmente o valor do crédito lançado. As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração (fls.160/164) com o lançamento de imposto de renda no valor de R$ 49.907.376,94 e de juros de mora de R$ 2.521.671,46 calculados até 30/06/2010. A presente ação fiscal iniciouse com o intuito de examinar a correta apuração do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital na venda de 66.745.912 ações ordinárias de emissão da Vicunha Steel, conforme Contrato de Compra e Venda de Ações de fls. 33/53, datado de 30 de junho de 2005, pelo preço de R$ 754.498.483,40, dividido em cinco parcelas. Uma parcela no valor máximo de R$ 130.498.483,40, com vencimento em 30/06/2006, e as demais de valor máximo R$ 156.000.000,00, cada uma, com vencimentos em 30 de junho de 2007, 2008, 2009 e 2010. O índice de correção monetária das parcelas estabelecido pelas partes tomou como base o DICETIP. Recebidas as parcelas referentes a 30 de junho de 2008 e 2009, o contribuinte apurou o ganho de capital da operação considerando como valor de alienação o valor do principal de cada parcela acrescido da correção monetária pactuada. Assim, no cálculo do imposto efetuado pelo contribuinte, aplicouse a alíquota de 15% sobre o total do valor pago, incluída a parte relativa à atualização monetária. A Fiscalização, entretanto, com base no disposto no art. 123, § 6º , do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, e no art. 19, §3°, da Instrução Normativa SRF 84 de 2001, verificou a incorreção dessa apuração já que "os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja a sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão). Neste caso, deve ser aplicada a tabela progressiva do imposto de renda, com alíquota máxima de 27,5%". No decorrer da ação fiscal, a Fiscalização tomou conhecimento, por meio de Mandado de Citação e Intimação, da Ação Cautelar de Depósito 2009.61.00.0138476 com pedido de liminar, e da Ação Declaratória 2009.61.00.0162120 da 6ª Vara Federal da Justiça Federal, de São Paulo. Na Ação Declaratória (fls. 84/103), o contribuinte entre os outros pedidos requer que: "seja reconhecida a inexistência de relação jurídicotributária que autorize a Ré a cobrar IR à alíquota de 27,5% (vinte e sete e meio por cento) sobre o montante de atualização monetária da parcela recebida em 30/06/2008, bem como sobre iguais montantes que integrem as parcelas posteriores (vencimentos a 30/06/2009 e 30/06/2010), devendo tais acréscimos serem considerados parte do principal para fins de apuração do ganho Fl. 351DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 19515.001947/201046 Acórdão n.º 2101001.906 S2C1T1 Fl. 351 3 de capital e tributados pelo IR à alíquota de 15% (quinze por cento) e não juros ". Na Decisão de fls. 18/19, o Juízo da 6ª Vara Federal autoriza o depósito e suspende a exigibilidade do débito discutido na petição inicial. O procedimento fiscal é, então, encerrado, com a lavratura do citado auto de infração, tendo em vista que foi apurada a seguinte infração à legislação tributária: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas Sujeitos a CarnêLeão. Omissão de rendimentos de atualização monetária em venda a prazo de participação societária, sujeita a carnêleão. Enquadramento legal: artigos 1º ao 3º e parágrafos, art. 8º e artigo 6º da Lei 7.713/88, artigos l° e 3º da Lei 8.134/90, artigo 1º, da Lei 9.887/99. Nas Considerações finais apresentadas no Termo de Constatação, a autoridade fiscal conclui que os depósitos não foram feitos no valor integral dos créditos e relata que não foi aplicada a multa de ofício, haja vista o disposto no art. 63, da Lei 9.430/96: "os valores depositados em juízo não correspondem aos valores integrais anuais do crédito tributário apurado, conforme calculado no item VI. Não será efetuado lançamento de ofício da multa isolada pelo não recolhimento integral do carnêleão, com relação aos valores depositados em juízo, por força do art. 63, da Lei 9.430/96. Cabe esclarecer que enquanto persistir a condição suspensiva, a autoridade administrativa deverá absterse de tomar qualquer medida tendente a exigir o crédito tributário. " O contribuinte toma ciência do auto de infração 15/07/2010, e, inconformado com o lançamento, apresenta impugnação, em 13/08/2010 de fls. 170/193, em que alega, em síntese, que: 1 propôs Medida Cautelar de Depósito com ajuizamento da posterior Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária relativa aos recebimentos de 2008, 2009 e 2010; 2 após a realização dos depósitos judiciais relativos a controvérsia da atualização monetária das parcelas recebidas pela venda das ações sobreveio decisão do Juízo da 6ª Vara Federal reconhecendo a integralidade dos depósitos; 3 a discussão judicial de crédito tributário, nos termos do parágrafo único, do art. 38, da Lei 6.830/80 implica na impossibilidade de discussão na esfera administrativa; 4 contrariando decisão judicial e a Lei 6.830/80, foi lavrado o presente auto de infração; 5 o Poder Judiciário já pacificou entendimento quanto a desnecessidade, em face da natureza constitutiva do depósito; 6 a Fiscalização entende que houve omissão de rendimentos de atualização monetária no pagamento das terceira e quarta parcelas da venda de ações do Grupo Vicunha; Fl. 352DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 7 embora o Contrato não estabeleça juros incidentes sobre as parcelas do preço, mas apenas índice de atualização monetária, entendeu a Fiscalização que os montantes de atualização monetária das parcelas deveriam ser objeto de recolhimento mensal; 8 a Fiscalização desconsiderou as disposições do contrato de compra e venda das ações relativamente às cláusulas de atualização monetária, considerandoas juros e não reposição do valor de compra; 9 os limites delineados no parágrafo primeiro do art. 38, da Lei 6.830/80, são claros ao afirmar que a propositura de ação judicial pelo contribuinte importa em renúncia da discussão na esfera administrativa; 10 qualquer discussão relativa ao crédito tributário discutido judicialmente deveria ser tratada nos autos do processo judicial; 11 não se alegue que a lavratura tem a finalidade de resguardar os interesses do Estado, isso porque todo o valor posto em debate encontrase depositado nos autos das ações judiciais e com a exigibilidade suspensa, mesmo que a fiscalização tributária não concorde com isso; 12 os próprios cálculos aqui apresentados já foram objeto de discussão nos autos da ação judicial, o que confirma a falta de proporcionalidade do presente auto de infração; 13 a falta de proporcionalidade fica mais patente quando a Fiscalização reconhece um crédito em favor do contribuinte, sugerindo inclusive sua devolução, e de outro exige praticamente o mesmo valor; 14 é certo que não se sustenta a tese da necessidade da lavratura para a constituição do crédito tributário. Essa discussão encontrase superada pela Primeira Seção do Egrégio Superior Tribunal de Justiça no julgamento do EResp 898.992, o qual decidiu pela natureza constitutiva do depósito judicial; 15o presente auto de infração não guarda relação com a Lei, tampouco com a jurisprudência, merecendo seu arquivamento; 16 é possível verificar nos autos do processo judicial que o Fisco, por meio de petição apresentada pela Procuradoria, sustentou que os depósitos realizados não seriam suficientes para a cobertura dos créditos tributários discutidos, questão esta que restou superada; 17 a diferença depositada decorre exatamente da qualificação adotada que ensejou a propositura das ações judiciais. A Fiscalização considera que na parcela recebida pela venda das ações houve a incidência de juros e o contrato de compra e venda não contemplou juros; 18não há diferença a ser depositada, já que os cálculos apresentados refletem a exatidão do valor depositado, tanto que há decisão judicial neste sentido; 19 como o contribuinte já recolheu 15% sobre a parcela integral e depositou a diferença de 12,5%, completaramse os 27,5%; 20 tal fato se confirma tanto pelos próprios cálculos da Receita Federal do Brasil Federal quanto pelas razões apresentadas pela Procuradoria ao afirmarem que há recolhimentos a maior. No ano 2008 de R$ 11.055.867,15 e no ano de 2009, de R$ 15.414.141,52; 21 não há recolhimento a maior tampouco valor a ser depositado. A divergência de qualificação é exatamente a causa de pedir; 22 a concordância relativa à necessidade de complementação do depósito eqüivaleria a decidir, desde já, a questão, antes mesmo da sentença judicial; Fl. 353DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 19515.001947/201046 Acórdão n.º 2101001.906 S2C1T1 Fl. 352 5 23 fica cabalmente demonstrada a impropriedade da presente lavratura, seja quanto a sua existência, seja quanto aos cálculos apresentados; 24 é pacífico na jurisprudência e na doutrina que a atualização monetária de valores é imune a qualquer tributação, visto não representar ganho real, mas mera modificação da quantidade de dinheiro representativa; 25 o contrato estipula um indexador para proceder a atualização monetária das parcelas. Não há juros embutido, pois a sua base de cálculo é exatamente igual a da taxa Selic. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 31/07/2008, 31/07/2009 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO CRÉDITO EXIGIBILIDADE SUSPENSA DEPÓSITOS JUDICIAIS MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO JUDICIAL. A ocorrência do fato gerador do tributo faz surgir não só a obrigação, mas também o crédito tributário. Uma vez existente o crédito, para tornálo exigível, cabe ao Fisco efetuar o lançamento tributário, nos moldes do art. 142, do Código Tributário Nacional. Nos casos em que houver depósito judicial, a legislação expressamente determina à autoridade fiscal que não se abstenha de constituir o crédito tributário por meio de lançamento de ofício, apenas exige que seja sem imposição da penalidade pecuniária, conforme o disposto no art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, mormente quando o valor total dos depósitos não é suficiente para quitar os créditos tributários. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF (fls. 327/347), o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, verificase que todas as matérias suscitadas em sede de recurso voluntário foram submetidas à apreciação do poder judiciário. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 Considerando o princípio da unicidade da jurisdição, adotado pela Constituição Federal vigente, entendo que este Colegiado não deve se pronunciar acerca destas matérias, submetidas que foram à apreciação do Poder Judiciário, pois a decisão judicial sempre irá prevalecer ante a decisão administrativa. Neste sentido dispõe a Súmula nº 01 deste CARF, com suporte em mansa e pacífica jurisprudência administrativa sobre o tema: Súmula CARF nº 01: importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com efeito, o regime de tributação aplicável aos juros ou atualização monetária (como denominado pelo recorrente) que incidiram sobre as parcelas recebidas pelo contribuinte nos anoscalendário de 2008 e 2009, decorrente da venda de ações ordinárias de emissão da Vicunha Steel (Contrato às fls. 33/53) e os depósitos judiciais realizados pelo contribuinte (cálculo, exatidão e integralidade dos depósitos) encontrase em discussão na Ação Cautelar de Depósito 2009.61.00.0138476 e na Ação Declaratória 2009.61.00.0162120, conforme indicam as peças extraídas dos processos judiciais às fls. 14/30 e 82/117. De fato, inclusive no que tange à necessidade da lavratura do auto de infração para constituição do crédito tributário, a decisão judicial às fls. 112/114 trata especificamente do pedido de reconsideração da Fazenda Nacional ao argumento de que a decisão liminar de fls. 15/15v merece aclaramento quanto a possibilidade de proceder ao lançamento dos valores discutidos nessa ação, nos moldes do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Naquela oportunidade, o juízo da 6ª Vara Federal de São Paulo entendeu, com arrimo em jurisprudência do STJ, que o requerido pela Fazenda Nacional fazse prescindível, vez que a autora ao efetuar o depósito visando suspender sua exigibilidade, constituiu "ipso facto” o crédito tributário. Entretanto, concluiu que não existe na decisão o que impeça a Fazenda Nacional de lançar os correspondentes créditos tributários, pois não está a isso desautorizada. Reconsiderou, portanto, a decisão liminar que determinava à ré se abster de proceder qualquer autuação. Assim, as questões tratadas nos processos administrativos e judiciais estão intrinsecamente interligadas, na medida em que a decisão que vier a transitar em julgado na esfera judicial necessariamente espraiará seus efeitos para este processo administrativo fiscal. Ou seja, somente cabe à Administração Fiscal se submeter ao decidido no processo judicial. Não pode a Administração Tributária, por seu contencioso administrativo, imiscuirse em matéria que deverá ser decidida pelo Poder Judiciário, pois cabe a este tutelar a Administração, e não o inverso. Por fim, resta esclarecer que a apresentação de defesa oral prescinde de qualquer petição neste sentido, sendo suficiente o comparecimento do interessado à sessão de julgamento, que é pública, nos termos do artigo 58 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. Em face ao exposto, não conheço do recurso, por concomitância da discussão nas vias administrativa e judicial. Ficará ao encargo da Delegacia da Receita Federal de origem Fl. 355DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 19515.001947/201046 Acórdão n.º 2101001.906 S2C1T1 Fl. 353 7 acompanhar o trâmite das ações judiciais e cumprir o que for ali decidido, após o trânsito em julgado da sentença. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Fl. 356DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/1 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 19509.000195/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1992 a 28/02/1997
DECADÊNCIA TOTAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Havendo pagamento antecipado, aplica-se o disposto no artigo 150, § 4º do CTN.
Numero da decisão: 2301-003.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que davam provimento parcial ao recurso. Redator: Adriano Gonzáles Silvério. Sustentação oral: Aires Gonçalves. OAB: 1342/MS.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros - Relator.
Adriano Gonzáles Silvério - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa , Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2092; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 626 1 625 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19509.000195/200861 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.059 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2012 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente FRIGONOSTRO INDUÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1992 a 28/02/1997 DECADÊNCIA TOTAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Havendo pagamento antecipado, aplicase o disposto no artigo 150, § 4º do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que davam provimento parcial ao recurso. Redator: Adriano Gonzáles Silvério. Sustentação oral: Aires Gonçalves. OAB: 1342/MS. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 50 9. 00 01 95 /2 00 8- 61 Fl. 686DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Adriano Gonzáles Silvério Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa , Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 687DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 19509.000195/200861 Acórdão n.º 2301003.059 S2C3T1 Fl. 627 3 Relatório Tratase de créditos previdenciários lançados contra a empresa acima identificada, referentes a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à contribuição dos empregados e à da empresa (NFLD DEBCAD 35.201.2153), e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão de maior incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho — SAT ( NFLD Debcad 35.201.0932). Conforme Relatório Fiscal (fls. 44 para a NFLD 35.201.0932 e fls. 48 para a NFLD 35.201.2153), os débitos se referem às contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados que prestaram serviços à empresa FRIPORÃ que, no entendimento da fiscalização, é a sucedida da notificada.. A autoridade lançadora informa que, apesar de intimada por meio de TIAD, a empresa sucedida não apresentou a documentação solicitada, motivo que levou a fiscalização a coletar os dados em outros documentos, como RAIS, RE, CAGED, movimento de admissão e demissão com a remuneração recebida, informada pela própria empresa, cópia das Guias de Recolhimento emitidas pelo sistema COGRPS, com valores de contribuições previdenciárias recolhidos e Cópias de documentos em Processos Trabalhistas. O agente notificante expõe, a seguir, os motivos que o levaram a incluir, como responsáveis da empresa notificada, na condição de legítimos proprietários, os senhores FRANCISCO CLAUDINEI CAPUCI, e JOSÉ CLARINDO CAPUCI, bem como os elementos de convicção da ocorrência de uma sucessão dissimulada da empresa. Junta relatório intitulado HISTÓRICO E PONTOS RELEVANTES DA AUDITORIA FISCAL para as duas NFLDs (fls. 75 e 80, respectivamente), por meio do qual narra os fatos que indicam a prática, em tese, de crime contra a ordem tributária, nos termos do art. 2, I, da Lei n° 8.137/90, ensejando a elaboração de "Representação Fiscal para Fins Penais", a ser encaminhada às autoridades competentes para a instauração das rotinas penais cabíveis. A empresa notificada e os Srs FRANCISCO CLAUDINEI CAPUCI e JOSÉ CLARINDO CAPUCI, considerados pela fiscalização como coresponsáveis, apresentaram defesa, sendo que a FRIGOJOSTRO impugnou, ainda, o relatório denominado HISTÓRICO E PONTOS RELEVANTES DA AUDITORIA FISCAL . O INSS, por meio DecisãoNotificação nº 06421.4/064/2003 (fls. 435), referente à NFLD 35.201.0932, e da DecisãoNotificação nº 06421.4/054/2003 (fls. 446), referente à NFLD 35.201.2153, julgou os lançamentos procedentes e a empresa notificada, inconformada com a decisão, apresentou recursos tempestivos (fls.443 e 486, respectivamente), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, alega que os auditores fiscais não comprovaram, nos autos, que a constituição da suposta sucessora tenha sido derivada do resultado de fusão, transformação ou incorporação da suposta sucedida e, ao contrário, a recorrente comprova, por meio dos Fl. 688DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 documentos 01, 02 e 03, anexos ao presente recurso, que a suposta sucedida não é empresa extinta e não esta inativa, bem como a suposta sucessora não deu continuidade às atividades da suposta sucedida, sendo que não consta, no quadro societário da recorrente, nenhum sócio da suposta sucedida. Afirma que o Complexo Industrial como o Fundo de Comércio da suposta sucedida não foram adquiridos pela recorrente e, sim, conforme relato dos próprios fiscais, os referidos bens foram adquiridos pela recorrente. Salienta que a recorrente, no exercício de suas atividades, utilizava o Complexo Industrial na condição de arrendatária, por meio de contrato de arrendamento devidamente registrado em cartório, sendo que a sucessão arbitrariamente imposta à recorrente pelos AFPS não encontra amparo legal nos art. 132 e 133 do CTN. Insurgese contra a imposição de responsabilidade relativa à obrigação acessória correspondente a entrega dos documentos da Friporã, esclarecendo que a suposta sucedida foi intimada em endereço estranho a sua administração, como também diverso da sua sede e das suas filiais. Esclarece que a recorrente não foi intimada para entregar documentos da suposta sucedida, restando patente que a obrigação acessória a ela atribuída deuse de forma inquisitorial, deliberada ao bel prazer dos AFPS. Entende que, também de forma arbitrária e inquisitorial, os Auditores atribuíram aos sócios e mandatários da recorrente a coresponsabilidade às obrigações previdenciárias da suposta sucedida, sendo que, após identificarem e relacionarem os verdadeiros responsáveis, procedese de forma arbitrária envolvendo pessoas estranhas ao quadro societário da suposta sucedida. Sustenta que os auditores, além de arbitrários, foram negligentes no procedimento administrativo, pois não deram seguimento às investigações na fiscalização da suposta sucedida e, de forma cômoda, impõe as obrigações previdenciárias à sucessora. Finaliza requerendo o provimento total do recurso, com a declaração da improcedência da sucessão e das obrigações acessórias atribuídas à recorrente, bem como da improcedência da coresponsabilidade atribuída aos sócios e aos mandatários da recorrente. O Sr. JOSÉ CLARINDO CAPUCI, considerado pela fiscalização como co responsável, apresentou recurso alegando, em apertada síntese, ilegalidade da sucessão atribuída à suposta sucessora e que, em hipótese alguma, se pode admitir a sua co responsabilidade nas obrigações da empresa FRIPORÃ, uma vez que a referida empresa não se encontra inativa e todos os seus verdadeiros responsáveis foram identificados e relacionados pelos auditores fiscais. O Sr. FRANCISCO CLAUDINEI CAPUCI, também indicado no relatório de Coresponsáveis, apresentou recurso insurgindose contra a sucessão atribuída à FRIGONOSTRO e contra a sua coresponsabilização pelo débito que, conforme entende, foi atribuída de forma ilegal pela fiscalização. Repete as alegações trazidas pela FRIGONSTRO em seu recurso e entende ser infundada a afirmação feita pelo fisco de que houve simulação para descaracterizar a sucessão e a responsabilidade tributária. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 19509.000195/200861 Acórdão n.º 2301003.059 S2C3T1 Fl. 628 5 Afirma serem inverídicos os fundamentos em que os auditores envolvem o recorrente na acusação de simulação e de ilícito penal que, em tese, constitui crime contra a Seguridade Social, argumentando que, se houve crime, tal fato é da responsabilidade das pessoas que constam no seu contrato social, uma vez que no crime não há sucessão. Defendese contra os débitos lançados por meio das NFLDs 35.201.0908, 35.201.0878 e 35.201.0886, bem como da acusação de descumprimento das demais obrigações acessórias, concluindo que a suposta empresa sucessora não pode ser responsabilizada pelo não cumprimento dessas obrigações. Finaliza reiterando que o complexo industrial, bem como o fundo de comércio da suposta empresa sucedida, não foram adquiridos pela suposta empresa sucessora, não existindo, portanto, fundamentos legais ou fáticos para que o Recorrente continue arrolado como coresponsável as obrigações constantes da NFLD n° 35.201.0932. O Sr. ADEMIR FILAZ também apresentou recurso (fls. 498), repetindo basicamente as alegações trazidas pela empresa recorrente, da qual é sóciogerente, e pelos outros considerados coresponsáveis, O INSS apresentou suas contrarazões aos recursos, concluindo pela manutenção da decisão recorrida e a 4a CAJ do CRPS, por meio dos Acórdãos 2345/2004 (fls. 555), e 2337/2004 (fls. 565) decidiu, por unanimidade, não conhecer do recurso por deserção. Após a inscrição do débito em Dívida Ativa, a empresa recorrente entrou com AÇÃO ANULATÓRIA DE ATO JURÍDICO COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPATÓRIA em face da União, requerendo que fossem admitidos os recursos administrativos interpostos, os quais foram rejeitados devido à ausência do prévio depósito recursal. A Justiça Federal acatou o pedido da recorrente, declarando a nulidade das decisões administrativas que não conheceram dos recursos interpostos nos autos administrativos ali indicados. Os autos foram encaminhados a esse Conselho, em cumprimento à determinação Judicial. É o relatório. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Os recursos apresentados pela empresa notificada e pelos Srs. FRANCISCO CLAUDINEI CAPUCI e JOSÉ CLARINDO CAPUCI são tempestivos e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Os recursos apresentados pelo coresponsável, Sr. ADEMIR FILAZ não serão conhecidos, uma vez que o interessado não se manifestou em sede de defesa, e sim apenas a empresa notificada, representada pelo seu sócio. É oportuno esclarecer que o contencioso administrativo fiscal só é instaurado mediante a apresentação de defesa tempestiva e, ainda que o referido coresponsáveis não integre o pólo passivo da notificação, não apresentou perante a primeira instância de julgamento qualquer questionamento, vindo a fazêlo somente em sede recursal. Dessa forma, entendo que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Em relação aos demais recursos, impõe suscitar, inicialmente, questão relativa ao prazo decadencial, não trazida pelas recorrentes em suas peças recursais, mas que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. Verificase que a fiscalização lavrou as presentes NFLDs com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, Fl. 691DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 19509.000195/200861 Acórdão n.º 2301003.059 S2C3T1 Fl. 629 7 que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. As NFLDs foram consolidadas em 12/07/2002, e suas cientificações ao sujeito passivo se deu em 22/07/2002. Constatase que, por qualquer regra do CTN, os levantamentos M02 e M03 encontramse totalmente decadentes. Para o levantamento M01, verificase que não consta que tenha havido adiantamento do tributo, tratandose, portanto, de lançamento de ofício, caso em que se aplica o disposto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para os valores lançados até a competência 11/1996, inclusive 13o de 1992 a 1996, para ambas as NFLDs objeto do presente processo administrativo fiscal (Debcads 35.201.0932 e 35.201.2153). Para a competência 12/1996, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/1997, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/1998, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Nesse sentido, reconheço a decadência parcial do débito. Os recursos apresentados contra as decisões do INSS, tanto pela empresa recorrente quanto pelas pessoas físicas consideradas pela fiscalização como coresponsáveis, serão analisados em conjunto, tendo em vista a semelhança das argumentações apresentadas. Constatase que todos os recorrentes insurgemse contra a caracterização da sucessão realizada pela autoridade lançadora. Sustentam, em síntese, que os auditores fiscais não comprovaram que a constituição da suposta sucessora tenha sido derivada do resultado de fusão, transformação ou incorporação da suposta sucedida. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 19509.000195/200861 Acórdão n.º 2301003.059 S2C3T1 Fl. 630 9 Contudo, o que a fiscalização constatou foi a presença dos elementos que caracterizam a sucessão, quais sejam, empresas que desenvolvem o mesmo ramo de atividade, no mesmo endereço, com a transferência de fundo de comércio. E, ao contrário do que sustenta as recorrentes, a autoridade fiscal não precisa comprovar a ocorrência de fusão, transformação ou incorporação da empresa sucedida para caracterizar a sucessão. A sucessão de empresas é caracterizada pela aquisição, pela empresa sucessora, a qualquer título, de fundo de comércio ou estabelecimento industrial, e continuar a mesma exploração. O art. 133, do CTN, estabelece que: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão A fiscalização verificou que a empresa FRIGONOSTRO passou a funcionar no mesmo local em que até então funcionava a empresa Friporã,, utilizando exatamente das mesmas máquinas e equipamentos e de mesmos empregados, além de ter assumindo débitos por ela contraídos. A própria empresa FRIGONOSTRO reconhece a mudança do pólo passivo da obrigação no processo trabalhista em que foi celebrado acordo entre a empregada da FRIPORÃ, Sra MEIRY LUCIANA MARTINS PERIGO, e a empresa recorrente, FRIGONOSTRO IND. E COM. DE CARNES LTDA, conforme comprovam documentos de fls 38 a 40. Os outros documentos acostados aos autos pela fiscalização, extraídos de ações trabalhistas movidas por empregados da FRIPORÃ, corroboram a afirmação de que a FRIGONOSTRO é a sucessora da FRIPORÃ. (ex. fls. 41 e fls. 184). Observase, da análise dos acordos trabalhistas juntados, que a empresa ora recorrente em nenhum momento nega, em juízo, que é a sucessora da Friporã, sempre figurando no pólo passivo das demandas trabalhistas dos exempregados da sucedida e fazendo acordos e arcando com o pagamento dos valores relativos a verbas salariais dos demandantes, referentes à época em que eram empregados da FRIPORÃ. Da mesma forma, a fiscalização narra, e comprova os fatos narrados com farta documentação, o histórico de aquisição e arrendamento do imóvel e todos os maquinários Fl. 694DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 da unidade industrial da sucedida, ressaltando pontos que sinalizam uma simulação no negócio do arrendamento, como valor mensal muito abaixo da realidade e incompatível com a magnitude do empreendimento e o oferecimento à penhora, pelo Sr Francisco Claudinei Capuci, procurador e Gerente Administrativo e Financeiro do Frigonostro, de bens da unidade industrial, o que é, no mínimo, inusitado, uma vez que todos os bens, em princípio, deveriam pertencer aos arrendantes e locadores, e não aos locatários/arrendatários. Observase que a própria notificada afirma, no item 2.2.5, de seu recurso (fls. 446), que “e sim, conforme relato dos próprios auditores constantes nos autos, os referidos bens foram adquiridos pela Recorrente”. A fiscalização expôs, com muita clareza e riqueza de detalhes, juntando, inclusive, farta documentação comprobatória de suas afirmações, os motivos pelos quais entendeu que houve a simulação no arrendamento do parque industrial da sucedida pela sucessora. Realmente, da análise dos fatos apresentados, verificase a existência de uma simulação no procedimento adotado pelos recorrentes. Fatos como a confissão de dívida cumulada com dação em pagamento de todos os bens da Friporã, o arrendamento do parque industrial a valores irrisórios para a Frigonostro, a assunção de dívidas trabalhistas pela Frigonostro, a relação estreita entre os sócios da Friporã e as pessoas físicas que assumiram as dívidas desta e os mandatários da Frigonostro, e o curto espaço de tempo em que todo o negócio se realizou, corroboram a afirmação de que houve uma sucessão de fato. Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado – 15ª Edição). O Código Civil Brasileiro de 2002 traz, no § 1o, do art. 167, as hipóteses em que fica configurada a ocorrência de simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados E, conforme demonstrado nos autos, a situação verificada pela auditoria fiscal se enquadra perfeitamente no dispositivo legal transcrito acima. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ª Edição). Fl. 695DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 19509.000195/200861 Acórdão n.º 2301003.059 S2C3T1 Fl. 631 11 E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. Nesse sentido, citase o entendimento de Heleno Tôrres em sua obra Direito Tributário e Direito Privado – Autonomia Privada, Simulação, Elusão Tributária – Ed. Revista dos Tribunais – 2003 – pág. 371: “Como é sabido, a Administração Tributária não tem nenhum interesse direto na desconstituição dos atos simulados, salvo para superarlhes a forma, visando a alcançar a substância negocial, nas hipóteses de simulação absoluta. Para a Administração Tributária, como bem recorda Alberto Xavier, é despiciendo que tais atos sejam considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. Eles são simplesmente inoponíveis à Administração, cabendo a esta o direito de superação, pelo regime de desconsideração do ato negocial, da personalidade jurídica ou da forma apresentada, quando em presença do respectivo “motivo” para o ato administrativo: o ato simulado” Portanto, na presença de simulação, a auditoria fiscal tem o deverpoder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento, que no caso em tela encontra respaldo ainda no artigo 149, inciso VII do CTN que dispõe o seguinte: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ......................................... VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Nesse sentido, por tudo que foi exposto, verificase que os auditores não foram nem arbitrários e muito menos negligentes, como quer fazer crer os recorrentes, uma vez que, nos termos dos normativos legais que tratam da matéria, o fisco não precisaria “dar seguimento às investigações na fiscalização da suposta sucedida”, já que, configurada a sucessão, a sucessora é a responsável pelos tributos devidos pela sucedida até à data do ato da sucessão. Restou demonstrado, pela fiscalização, que os expedientes utilizados pela recorrente tinham por objetivo simular negócio jurídico, no qual a intentio facti se divorcia da intentio iuris, ou seja, a intenção das partes é uma, a forma jurídica adotada é outra. As recorrentes afirmam, de forma inovadora em relação à defesa, que a empresa Friporã ainda se encontra em atividade, conforme documentos 01 e 02. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 No entanto, cabe observar que o argumento acima não foi apresentado em sede de defesa, o que, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, se consubstancia em matéria não impugnada, para a qual ocorreu a preclusão do direito de discussão. Porém, ainda que não se considerasse ocorrida a preclusão, verificase, no caso presente, que a empresa não prova o alegado. Os documentos juntados aos autos, às fls. 465/466, se referem a uma situação existente em 01/06/98, e não em 1999, quando da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária. E, segundo a fiscalização, o sóciogerente da Friporã informou que essa empresa cessou suas atividades no mês de agosto de 1999. Assim, pelo que foi trazido aos autos, tanto pela fiscalização quanto pela recorrente, entendo que restou caracterizada a sucessão, pois os elementos acima, presentes no caso em estudo, evidenciam a sucessão de fato, nos termos do art. 133, do CTN, e art. 242, da IN 70/2002, vigente à época do lançamento. As recorrentes insurgemse contra a imposição de responsabilidade relativa à obrigação acessória correspondente a entrega dos documentos da Friporã. Entretanto, cumpre observar que o débito discutido no presente processo administrativo fiscal não foi lançado por descumprimento de obrigação acessória e, sim, por descumprimento da obrigação principal de recolher, ao INSS, as contribuições devidas à Previdência Social e aos Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados que prestaram serviços à empresa Friporã, sucedida da Frigonostrom, e informadas em GFIPs.. Quanto ao argumento de que a sucedida foi intimada em endereço estranho a sua administração, como também diverso da sua sede e das suas filiais, apesar de também tratarse de matéria preclusa, uma vez que não foi trazida na impugnação, verificase que tal afirmação não invalida o labor fiscal, uma vez que a empresa sucedida recebeu as intimações em 01/06/2002, conforme AR de fls.23, e mesmo assim não apresentou a documentação solicitada pela fiscalização. Em relação aos argumentos contrários aos débitos lançados por meio das NFLDs 35.201.0908, 35.201.0878 e 35.201.0886, bem como de descumprimento das demais obrigações acessórias, entendo que o recorrente deve demonstrar seu inconformismo nos autos que discutem tais lançamentos, e não no presente processo, que discute a NFLD 35.201.2188, lançada, reiterase, por descumprimento de obrigação principal. Da mesma forma, relativamente às alegações para afastar o ilícito penal que, em tese, constitui crime contra a Seguridade Social, cumpre esclarecer que a autoridade fiscal notificante não é titular da pretensão punitiva estatal, cabendolhe apenas representar ao órgão competente — no caso, ao Ministério Público Federal — a quem caberá tipificar o fato e oferecer ou não a denúnncia. Logo, o que é pertinente na Representação Fiscal para Fins Penais é tão somente o relatório dos fatos e não a sua tipificação penal, devendose enfatizar, ainda, que o resultado da persecução penal não interfere no julgamento do processo administrativo fiscal, eis que distintos os seus objetos. Os recorrentes insurgemse ainda contra o relatório de coresponsáveis. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 19509.000195/200861 Acórdão n.º 2301003.059 S2C3T1 Fl. 632 13 Entenderam que, também de forma arbitrária e inquisitorial, os Auditores atribuíram aos sócios e mandatários da recorrente a coresponsabilidade às obrigações previdenciárias da suposta sucedida, sendo que, após identificarem e relacionarem os verdadeiros responsáveis, procedese de forma arbitrária envolvendo pessoas estranhas ao quadro societário da suposta sucedida. Porém, a fiscalização constatou, e comprovou, que os Srs. FRANCISCO CLAUDINEI CAPUCI e JOSÉ CLARINDO CAPUCI que constam como procuradores da empresa são, na realidade, de os verdadeiros sócios da notificada. O Sr. Francisco está registrado como “Gerente Administrativo e Financeiro da Frigonostro, e os proprietários formais, aqueles figuram no documento de constituição da empresa, são pessoas modestas e desprovidas de patrimônio, cujos atos se restringiram tão somente em apor suas assinaturas no contrato social, alterações contratuais, nas procurações e no contrato de arrendamento. Já os procuradores são pessoas notoriamente conhecidas na referida atividade econômica, advindas de família tradicional e abastadas, sendo eles que assinam todos os documentos e praticando todos os atos imprescindíveis às atividades operacionais da indústria.. Os sócios formais, Srs. Ademir Filaz e Antônio Lourenço de Lima Neto, antes da constituição do Frigonostro, foram empregados, desempenhando atividades de pouca qualificação e baixa remuneração, percebendo um salário médio mensal de R$309,00 e R$400,34, respectivamente, tendo sido elevados da condição de trabalhador empregado para comerciante industrial, concorrendo com o montante de R$150.000,00 para a abertura do empreendimento industrial "Frigonostro Ind. Com . de Carnes Ltda. A fiscalização observou que a Frigonostro, cujas atividades industriais se deu em 11/2001, com um capital social de apenas R$150.000,00, já registrou, no seu primeiro mês de atividade, o volume de compras em um valor total de R$3.870.211,17, basicamente com aquisição de gado bovino para abate, sendo que em 12/2001 esse valor foi de R$6.908.267,34, o que é totalmente incompatível com o capital social da empresa e a realidade econômica de seus sócios. Os documentos relativos à aquisição de gado da principal fornecedora da recorrente, a Fazenda Paquetá, estão assinados por José Clarindo Capuci ou Francisco C. Capuci, e a Certidão de fls. 186, na qual o Sr Ademar Capucci figura como sócioproprietário da reclamada, que no caso é a Frigonostro. Por esse motivo, e pelos demais expostos pela fiscalização, no relatório denominado HISTÓRICO E PONTOS RELEVANTES DA AUDITORIA FISCAL, às fls. 51, entendo que os verdadeiros sócios da recorrente são FRANCISCO CLAUDINEI CAPUCI e JOSÉ CLARINDO CAPUCI, tendo a autoridade fiscal agido em conformidade com as norma legais ao incluílos no relatório de CoResponsáveis. Todavia, em que pese a correção do labor fiscal, cumpre esclarecer que a inclusão do nome dos coresponsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito. O sujeito passivo que deve suporta o ônus contido na NFLD em tela é a própria empresa, sendo ela, em primeira análise, a responsável pelo crédito ora discutido, não Fl. 698DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 podendo se afirmar que sejam as pessoas arroladas no relatório de coresponsáveis, neste momento, o sujeito passivo da obrigação inadimplida. Desse modo, a indicação dos sócios e administradores no anexo denominado de CORESP nada mais representa do que documento instrutório da NFLD, previsto na legislação previdenciária. Como o art. 79, inciso VII, da Lei n.º 11.941/2009, revogou o art. 13 da Lei n.º 8.620/93, a simples indicação dos representantes legais da empresa por meio do CORESP não implica a sua inscrição de imediato em dívida ativa. Registrese que a lista nominal serve apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, para deixar claro que o fisco não pode incluir as pessoas físicas relacionadas no CORESP de pronto na certidão da dívida ativa, entendo que deva ser deixado consignado o provimento parcial do recurso, eis que necessário para o dispositivo final do julgado. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, excluindo do débito, por decadência, os valores lançados até 11/96, inclusive, e para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, podendo servir, posteriormente, de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Bernadete de Oliveira Barros Relator Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, Redator Designado No caso dos autos, há divergência em relação ao prazo decadencial incidente. Cabe salientar que, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 19509.000195/200861 Acórdão n.º 2301003.059 S2C3T1 Fl. 633 15 No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 16 § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 701DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 19509.000195/200861 Acórdão n.º 2301003.059 S2C3T1 Fl. 634 17 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos a autoridade fiscal, conforme se verifica no item 7 do Relatório Fiscal verificou durante o procedimento fiscalizatório os pagamentos efetuados mediante GPS, sendo todos considerados no levantamento. Assim afirmou a autoridade fiscal Fl. 702DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 18 no relatório fiscal: “Emitimos e consideramos todas as Guias de Recolhimento existentes na Conta Corrente.” Logo, divirjo parcialmente da posição adotada pela Ilustre Conselheira Relatora, pois a regra constante do artigo 150,§ 4º do CTN deve incidir em todo o período, pois não há dúvidas de que houve pagamento antecipado do tributo. Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre janeiro de 1992 a fevereiro de 1997 e que a ora recorrente foi intimada da NFLD em 22/07/2002, verificase que está decaído todo o lançamento. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso e DARLHE PROVIMENTO. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/11/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 10855.000850/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE PROVAS.
Caracterizada omissão de rendimentos, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea seu oferecimento à tributação, mantém-se o lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 05/09/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho - Relator. EDITADO EM: 05/09/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE PROVAS. Caracterizada omissão de rendimentos, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea seu oferecimento à tributação, mantémse o lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 08 50 /2 00 9- 57 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.000850/200957 Acórdão n.º 2102002.115 S2C1T2 Fl. 11 2 EDITADO EM: 06/09/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 30 a 37: Tratase de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2006, ano calendário 2005 em que o contribuinte, embora intimado, não comprovou oportunamente o efetivo pagamento das despesas médicas no valor de R$ 17.900,00 pleiteadas na declaração de ajuste anual e incorrido em omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 10.800,00. Na complementação da descrição dos fatos, fls. 18/19, a autoridade administrativa aponta, em síntese, que o contribuinte não comprovou o efetivo pagamento das despesas médicas com os profissionais Cecília Agostinho Duprat R$ 10.100,00 e Fabrício César Miguel Mendes no valor de R$ 7.800,00. Relata ainda que o contribuinte deixou de declarar R$ 10.800,00 recebidos da empresa Sanamed — Saúde Santo Antônio Ltda. Tendo em vista os fatos acima indicados, foi lavrada a presente Notificação de Lançamento que alcançou o montante de R$ 13.036,95, consolidado em 09/03/2009. O contribuinte impugnou o lançamento nos termos de fls. 01/14, em que depois de resumir os fatos, suscita preliminar de nulidade afirmando que não teriam sido observados os princípios da legalidade, finalidade, motivação e verdade material da Lei 9.784/99. Sob alegação de que não teria recebido valor da empresa Sanamed por ter deixado o cargo de médico chefe da UTI em dezembro de 2004 por questões societárias. Nesse sentido afirma que suas alegações teriam sido desconsideradas e não pode ser tributado por declaração de outro contribuinte, que teria sido por engano. Quanto ao mérito, afirma que os recibos que apresentou ao fiscal estão dentro dos parâmetros da Lei 9.250/95 e que o fiscal não teria apontado inexatidão ou falsidade, opondo o artigo 845 do RIR/99. Ao final pede acolhimento da preliminar, restabelecendo as deduções, realização de diligência para intimar a empresa Sanamed para que esta comprove o efetivo pagamento ao impugnante e ainda a suspensão da exigência até o julgamento. Junta declarações dos profissionais indicados na impugnação. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou a preliminar de nulidade e no mérito julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.000850/200957 Acórdão n.º 2102002.115 S2C1T2 Fl. 12 3 desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. O direito as deduções condicionase à comprovação não s6 da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos e ainda, que sejam relacionadas ao tratamento do próprio contribuinte ou seus dependentes. Recibos de pagamento não fazem prova absoluta, podendo a fiscalização exigir do contribuinte sob ação fiscal a comprovação do efetivo desembolso do valor pleiteado. Artigo 80, §1°, incisos II e III, e artigo 73 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os rendimentos tributáveis auferidos no ano calendário devem ser trazidos ao ajuste na declaração do exercício correspondente. A informação regularmente fornecida pela fonte pagadora com a qual o contribuinte possui vinculo e poderes de gestão, pode ser retificada por instrumento próprio, não bastando a mera negativa de recebimento por parte do beneficiário para elidir o lançamento. DILIGÊNCIAS. É indeferido o pedido de diligências quando for prescindível para a formação da convicção em julgamento e em desacordo com o art. 16, IV do Decreto 70. 235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 41 a 64 ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, alegando em síntese, que n”ao recebeu nenhum valor da fonte SANAMED e que os recibos e declarações apresentados são suficientes para o exercício legal das deduções da base de cálculo pleiteadas, cabendo a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar os recibos de despesas dedutíveis acostados aos autos pelo fiscalizado, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.000850/200957 Acórdão n.º 2102002.115 S2C1T2 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – SANAMED Consta na DIRPF do exercício anterior ao que se julga (2005), o mesmo valor, ora lançado como omisso, percebido pelo contribuinte, inclusive com o respectivo recolhimento de Contr. Prev. Oficial. Ainda, como bem ressaltou a DRJ, o contribuinte possui vinculo com a fonte pagadora, tanto que tem inserido nas suas declarações de bens a participação societária na referida empresa e bastaria ter solicitado a retificação dos dados da DIRF, que deram origem ao lançamento, comprovando que não teria sido beneficiário do referido pagamento, lembrando que o contribuinte possui poderes de gestão junto a esta empresa. Contudo, nada disso fez o recorrente, optando em apresentar alegações sem provas. Como mencionado, vejamos o que consta na DIRPF do ano autuado: Dessa forma, é imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, deve ser mantida a exigência tributária. Destarte, voto para manter o lançamento da omissão de rendimentos da fonte SANAMED. GLOSAS DESPESAS MÉDICAS Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.000850/200957 Acórdão n.º 2102002.115 S2C1T2 Fl. 14 5 Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Neste processo, discutese as seguintes glosas: Glosa por falta de comprovação do efetivo pagamento das seguintes despesas medicas: Cecília de Agostino DupratR$ 10.100,00 e Fabrício Cesar Miguel MendesR$ 7.800,00. Para comprovar tais despesas, foram juntados apenas as declarações de fls. 15/16. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Importante destacar que da sua DIRPF, fls. 24, verificamos rendimentos Tributáveis apenas percebidos de pessoas jurídicas e nenhum valor de pessoas físicas. O contribuinte, desde o início dessa fiscalização, para comprovar a efetividade das despesas juntou apenas as declarações indicadas Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.000850/200957 Acórdão n.º 2102002.115 S2C1T2 Fl. 15 6 Ora, somente a apresentação destas duas declarações não solidificam uma contraposição minimamente suficiente para rebater as provas e razões que embasaram o lançamento, não reforçando em matéria de prova a substância que se procura. A opção não usual pelo pagamento em espécie, de todas as despesas glosadas, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Saliento que dadas as quantias envolvidas, é pouco provável que os pagamentos tenham sido realizados todos em moeda corrente. E se o foram, em remota possibilidade, é certo que os saques correspondentes seriam de fácil identificação em extratos bancários, haja vista que o impugnante informou em sua DIRPF “rendimentos tributáveis” recebidos exclusivamente de pessoas jurídicas que usualmente fazem os pagamentos por meio de créditos em contas/correntes dos beneficiários. A comprovação citada no Decreto acima deve ser feita com a apresentação de documentos auxiliares para formar um conjunto probante convincente, como a apresentação de cópias de cheque e/ou extratos bancários ou, ainda, exames, fichas de atendimento e laudos médicos atestando e justificando o serviço prestado, o que até este ponto do processo não foi feito. Portanto, não há in casu justificativa para o deferimento do pedido, não se podendo olvidar que é da Recorrente o ônus de provar os fatos extintivos e modificativos do direito da Fazenda Nacional, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, c/c o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, que subsidia o Processo Administrativo Fiscal. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Não pode o contribuinte alegar simples forma jurídica, pleiteando a aceitação de simples recibos, como comprovação de despesas médicas pleiteadas, se o fenômeno econômico não ficar provado. É oportuno citar o art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333 O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. Desta forma, temse que no caso de deduções da base de cálculo do imposto de renda, que é o caso das despesas médicas, o ônus da prova da efetividade de tais despesas é do contribuinte, que se beneficia da dedução. Não pode, portanto, prevalecer a tese de que o Fisco deveria comprovar, p.ex., o não pagamento dos valores consignados nos recibos e a não efetivação dos serviços, ou ainda, verificar se os prestadores declararam os valores recebidos. Além disso, menciono a seguir julgado do Conselho de Contribuintes relativas à matéria, para reforçar o entendimento aqui manifestado: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.000850/200957 Acórdão n.º 2102002.115 S2C1T2 Fl. 16 7 IRPF – DESPESAS MÉDICAS – DEDUÇÃO – Inadmissível a dedução de despesas médicas, da declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1o CC 104 – 16647/1998) CONCLUSÃO Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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