Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10865.002400/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006, 01/12/2007 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP .
Toda empresa está obrigada a informar mensalmente, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária.
MULTA APLICADA
Os critérios estabelecidos pelada MP 449/08, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam aos atos ainda não julgados definitivamente, em observância ao disposto no art. 106, II, c, do CTN.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2301-003.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, da seguinte forma, nos termos do voto da Relatora: a) caso a autoridade preparadora verifique que ocorreu lançamento por ausência de recolhimento nestas competências, a multa deve ser recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; b) caso tenha ocorrido recolhimento total nestas competências - que não motivou, portanto, elaboração de lançamento de ofício - a multa deve ser calculada conforme disciplinado no I, Art. 32-A da Lei 8.212/1991, comparando-se com o valor da multa já aplicada, a fim de utilizar a forma mais benéfica. Vencidos os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em aplicar somente o disciplinado no I, Art. 32-A da Lei 8.212/1991, comparando-se com o valor da multa já aplicada, a fim de utilizar a forma mais benéfica; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Fabio Pallaretti Calcini
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006, 01/12/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP . Toda empresa está obrigada a informar mensalmente, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária. MULTA APLICADA Os critérios estabelecidos pelada MP 449/08, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam aos atos ainda não julgados definitivamente, em observância ao disposto no art. 106, II, c, do CTN. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10865.002400/2008-07
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5326007
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.864
nome_arquivo_s : Decisao_10865002400200807.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 10865002400200807_5326007.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, da seguinte forma, nos termos do voto da Relatora: a) caso a autoridade preparadora verifique que ocorreu lançamento por ausência de recolhimento nestas competências, a multa deve ser recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; b) caso tenha ocorrido recolhimento total nestas competências - que não motivou, portanto, elaboração de lançamento de ofício - a multa deve ser calculada conforme disciplinado no I, Art. 32-A da Lei 8.212/1991, comparando-se com o valor da multa já aplicada, a fim de utilizar a forma mais benéfica. Vencidos os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em aplicar somente o disciplinado no I, Art. 32-A da Lei 8.212/1991, comparando-se com o valor da multa já aplicada, a fim de utilizar a forma mais benéfica; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA - Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Fabio Pallaretti Calcini
dt_sessao_tdt : Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5306536
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371480633344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2597; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 171 1 170 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.002400/200807 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.864 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES Recorrente INVICTA VIGORELLI METALURGICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006, 01/12/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO NÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP . Toda empresa está obrigada a informar mensalmente, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária. MULTA APLICADA Os critérios estabelecidos pelada MP 449/08, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam aos atos ainda não julgados definitivamente, em observância ao disposto no art. 106, II, “c”, do CTN. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, da seguinte forma, nos termos do voto da Relatora: a) caso a autoridade preparadora verifique que ocorreu lançamento por ausência de recolhimento nestas competências, a multa deve ser recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; b) caso tenha ocorrido recolhimento total nestas competências que não motivou, portanto, elaboração de lançamento de ofício a multa deve ser calculada conforme disciplinado no I, Art. 32A da Lei 8.212/1991, comparandose com o valor da multa já aplicada, a fim de utilizar a forma mais benéfica. Vencidos os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em aplicar somente o disciplinado no I, Art. 32A da Lei 8.212/1991, comparandose com o valor da multa já aplicada, a fim de utilizar a forma mais benéfica; II) Por unanimidade de votos: a) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 24 00 /2 00 8- 07 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Fabio Pallaretti Calcini Fl. 59DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.002400/200807 Acórdão n.º 2301003.864 S2C3T1 Fl. 172 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/07/2008, por ter a empresa acima identificada deixado de informar ao INSS, por intermédio de GFIP/GRFP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e paragrafos 3. e 9., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, inciso IV e parágrafos 2., 3. e 4. do "caput" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 11), a recorrente deixou de apresentar as GFIPs relativas às competências 13/2006 e 13/2007. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1421.492 – 9a Turma da DRJ/RPO (fls. 40), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 48), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, reitera seu entendimento de que a autuação configurou um exagero em vista da não utilização do princípio da instrumentalidade de forma. onde questões formais poderiam ser relevadas quando se verificar o cumprimento da obrigação principal, tal qual constatou a fiscalização. Defende a possibilidade de os órgãos julgadores apreciarem a constitucional idade ou não das normas no ato de sua aplicação, argumentando que, em que pese o controle de constitucionalidade ser de atribuição principal dos órgãos jurisdicionais, tal fato não faz com que os mesmos detenham o monopólio desta atividade, sendo que os próprios doutrinadores pátrios constitucionalistas já defendem que não há mais três poderes que exercem somente suas funções tradicionais/típicas, e cita a doutrina para reforçar suas alegações. No mérito, reitera que, na autuação embatida, a Recorrente constatou que os lançamentos constantes da folha de pagamento relativa às parcelas do 13° salário de 2006 e 2007 foram registrados na GFIP, mas que a fiscalização considerou outras situações que imputou como fato gerador relativo a tais períodos, de modo que não poderia a empresa Recorrente lançar valores que não eram de seu conhecimento. Sustenta que não há que se falar em sonegação de informações de modo a configurar crime contra a ordem tributária, uma vez que o crime depende de uma ação dolosa e, no caso, é evidente que não houve dolo ou máfé por parte da recorrente, mas sim mera divergência quanto a interpretação da legislação vigente. Reafirma que corrigiu a falta apontada e transcreve o art. 291, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, ressaltando a circunstância atenuante da penalidade aplicada. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Finaliza asseverando que a multa aplicada afigurase de forma indevida, já que a interpretação dada pela fiscalização ao artigo 33, da Lei 8.212/91 enforcou apenas na leitura superficial de suas disposições, e requerendo que seja julgado insubsistente o auto DEBCAD n.° 37.122.7704, com as penalidades nele consignadas. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.002400/200807 Acórdão n.º 2301003.864 S2C3T1 Fl. 173 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada defende que a autuação configurou um exagero em vista da não utilização do princípio da instrumentalidade de forma, onde questões formais poderiam ser relevadas quando se verificar o cumprimento da obrigação principal, e defende a possibilidade de os órgãos julgadores apreciarem a constitucionalidade das normas no ato de sua aplicação. No entanto, é objeto do presente processo administrativo fiscal o Auto de Infração por descumprimento da obrigação acessória de apresentar GFIP. A fiscalização constatou que a empresa deixou de apresentar as GFIPs relativas aos décimos terceiros salários de 2006 e 2007. Ao agir dessa forma, a recorrente descumpriu obrigação acessória a todos imposta. E sendo a atividade da fiscalização vinculada aos mandamentos legais, ao constatar a infração à legislação previdenciária, a autoridade fiscal lavrou o competente auto, em observância aos normativos legais que tratam da matéria. Quanto aos argumentos para defender a possibilidade de os órgãos julgadores apreciarem a constitucionalidade das normas no ato de sua aplicação, é oportuno esclarecer que a Portaria RFB 10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os artigos 2° e 3° da Lei 11457, de 16 de março de 2007, determina, em seu art. 18, que: Art. 18. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional,lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal ('STF), em ação direta, após a publicaçãoda decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução doSenado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando aaplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cujaextensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente daRepública ou, nos termos do art, 40 do Decreto n° Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 2.346. de 10 deoutubro de 1997. pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelorocuradorGeral da Fazenda Nacional. Assim, a autoridade julgadora, como agente da Administração, não está obrigada a apreciar as alegações de inconstitucionalidade de dispositivos legais, já que está impedida de aplicálas. No mérito, insiste em afirmar que os lançamentos constantes da folha de pagamento relativa às parcelas do 13° salário de 2006 e 2007 foram registrados na GFIP, entendendo que a fiscalização considerou outras situações que imputou como fato gerador relativo a tais períodos, de modo que não poderia a empresa Recorrente lançar valores que não eram de seu conhecimento. No entanto, reiterase, o AI ora discutido foi lavrado por ter a empresa deixado de apresentar GFIPs para as competências 13/2006 e 13/2007 (CFL 67), e não por ter omitido fatos geradores em GFIPs apresentadas, o que ensejou a lavratura do AI no CFL 68, objeto de outro processo administrativo. Assim, o que se discute é a ausência de apresentação das GFIPs e, conforme telas extraídas dos sistemas informatizados do Ministério da Fazenda, às fls. 39 e 40, constata se que não existiam, até 30/10/2008, GFIPs para as competências objeto do AI em tela. Dessa forma, ao contrário do que afirma, a recorrente não faz jus à relevação ou atenuação da penalidade aplicada, uma vez que não foi constatada a ocorrência das circunstâncias atenuantes previstas no art. 291, do Decreto 3.048/99, transcrito em seu recurso. Com relação ao argumento de que não houve dolo ou máfé por parte da recorrente, mas sim mera divergência quanto a interpretação da legislação vigente., cumpre observar que, conforme exposto acima, a infração foi cometida e o auto não pode ser cancelado, pois conforme estabelecido pelo CTN em seu art. 136, “Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infração da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Mister lembrar que o descumprimento de obrigações legais, sejam elas acessórias ou principais, sempre prejudica o erário, e é com o objetivo do melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade pecuniária ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta. A recorrente tenta demonstrar, quenda, que não há que se falar em sonegação de informações de modo a configurar crime contra a ordem tributária. Entretanto, entendo que não cabe nesta instância administrativa discutir a ocorrência ou não de crime, devendo a recorrente apresentar suas alegações perante o órgão competente para a apuração do ilícito. A auditoria fiscal agiu no estrito dever funcional ao emitir a RFFP, uma vez que tomou ciência da ocorrência, em tese, de crime de sonegação. Cumpre esclarecer que a autoridade fiscal autuante não é titular da pretensão punitiva estatal, cabendolhe apenas representar ao órgão competente, no caso, ao Ministério Público Federal, a quem caberá tipificar o fato e oferecer ou não a denúncia. Logo, o que é pertinente na Representação Fiscal para Fins Penais é tãosomente o relatório dos fatos e não a Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10865.002400/200807 Acórdão n.º 2301003.864 S2C3T1 Fl. 174 7 sua tipificação penal, devendose enfatizar, ainda, que o resultado da persecução penal não interfere no julgamento do processo administrativo fiscal, eis que distintos os seus objetos. Dessa forma, sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização a quem compete o lançamento, ao verificar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, agiu corretamente lavrando o presente AI, em estrita observância aos ditames legais. No caso presente, constatase que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Assim, a autoridade autuante aplicou a multa prevista nos normativos legais vigentes à época da lavratura do AI. Contudo, não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos dos normativos vigentes à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/08, que revogou o art. 32, § 6o, da Lei 8.212/91. E, conforme disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”: Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, tratandose o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, concluise que os critérios por ela estabelecidos, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam ao AI em tela,. Não é possível saber, pelo que consta dos autos, se houve recolhimento ou lançamento das contribuições não declaradas em GFIP, relativo às competências 13/2006 e 13/2007 Dessa forma, no caso de ter havido lançamento para as referidas competências, caso se constate, no recálculo da multa com a observância do disposto no artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal. Da mesma forma, caso tenha havido recolhimento, há de se aplicar o disposto no art. 32A, caso seja mais benéfico ao contribuinte. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se aplique, caso seja mais benéfico para o contribuinte, o artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, caso tenha havido lançamento das contribuições não declaradas em GFIP, ou o art. 32A, do mesmo diploma legal, no caso de ter havido recolhimento total das contribuições para as competências objeto do presente Auto de Infração. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910763/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2001
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10880.910763/2008-11
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5324166
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.008
nome_arquivo_s : Decisao_10880910763200811.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 10880910763200811_5324166.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
dt_sessao_tdt : Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
id : 5295323
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371483779072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 202 1 201 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.910763/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.008 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de setembro de 2013 Matéria PIS/PASEPCOMPENSAÇÃO Recorrente FLEURY S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 63 /2 00 8- 11 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 64): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador30/11/2000 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento, em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Embora o contribuinte tenha retificando a Dctf após o despacho decisório, a DRJ não a admitiu, porquanto ocorrida após cinco anos do fato jurídico tributário, quando já operada a homologação tácita do pagamento. Entendeu ainda que o Darf indicado no PER/Dcomp como origem do crédito teria sido utilizado para quitar o débito confessado em Dctf; e que o contribuinte não logrou provar que a verdade material seria outra. O Recorrente, nas razões de fls. 74 e ss., alega que, após revisar os seus lançamento contábeis e declarações, verificou que o saldo devedor a título de PIS seria inferior ao que foi recolhido. Sustenta ter retificado a Dctf para que esta refletisse as informações que Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910763/200811 Acórdão n.º 3802002.008 S3TE02 Fl. 203 3 constavam de seus livros fiscais. Aduz ter direito à compensação, porquanto a Dctf seria apenas um obrigação acessória imposta para a declaração dos tributos pagos; que eventuais formalidades no preenchimento de documentos fiscais não devem prejudicar a compensação; que os atos anteriores a não homologação da compensação não influem na obrigação tributária. Requer, assim, diante da liquidez e da certeza do direito de crédito, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 23/01/2012 (fls. 73), interpondo recurso tempestivo em 22/02/2012 (fls. 74). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. No presente feito, consoante destacado, a compensação não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910763/200811 Acórdão n.º 3802002.008 S3TE02 Fl. 204 5 nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 15504.016615/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/10/2007
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. CFL 34. LEGALIDADE.
A empresa é obrigada a lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, em contas individualizadas, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do salário-de-contribuição, bem como o montante das contribuições descontadas dos segurados, o da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços.
Constitui infração ao Art. 32, II da Lei 8.212/91 deixar a empresa de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as quantias descontadas, as contribuições patronais e os totais recolhidos.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o Auto de Infração de Obrigação Acessória é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Bianca Delgado Pinheiro que entenderam pela conversão do julgamento em diligência. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor.
Liege Lacroix Thomasi Presidente da Turma
Juliana Campos de Carvalho Relatora
Arlindo da Costa e Silva Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/10/2007 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. CFL 34. LEGALIDADE. A empresa é obrigada a lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, em contas individualizadas, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do salário-de-contribuição, bem como o montante das contribuições descontadas dos segurados, o da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Constitui infração ao Art. 32, II da Lei 8.212/91 deixar a empresa de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as quantias descontadas, as contribuições patronais e os totais recolhidos. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o Auto de Infração de Obrigação Acessória é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15504.016615/2009-09
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5320805
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2302-002.823
nome_arquivo_s : Decisao_15504016615200909.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 15504016615200909_5320805.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Bianca Delgado Pinheiro que entenderam pela conversão do julgamento em diligência. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Liege Lacroix Thomasi Presidente da Turma Juliana Campos de Carvalho Relatora Arlindo da Costa e Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5275983
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371529916416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 255 1 254 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.016615/200909 Recurso nº 002.823 Voluntário Acórdão nº 2302002.823 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS AIOA CFL 34 Recorrente EMPRESA DE TRANSPORTE E TRÂNSITO DE BELO HORIZONTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2007 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. CFL 34. LEGALIDADE. A empresa é obrigada a lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, em contas individualizadas, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriode contribuição, bem como o montante das contribuições descontadas dos segurados, o da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Constitui infração ao Art. 32, II da Lei 8.212/91 deixar a empresa de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as quantias descontadas, as contribuições patronais e os totais recolhidos. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o Auto de Infração de Obrigação Acessória é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 66 15 /2 00 9- 09 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Bianca Delgado Pinheiro que entenderam pela conversão do julgamento em diligência. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Liege Lacroix Thomasi – Presidente da Turma Juliana Campos de Carvalho – Relatora Arlindo da Costa e Silva – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.016615/200909 Acórdão n.º 2302002.823 S2C3T2 Fl. 256 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 6º Turma da DRJ/BHE que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário consubstanciado no AI Auto de Infração sob o DEBCAD n.º 37.229.8664. O lançamento foi lavrado em 07/10/2009 em face da EMPRESA DE TRANSPORTE E TRÂNSITO DE B.H. S/A – BHTRANS por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto no art. 32, inciso II, da Lei 8212/91 c/c art. 225, inciso II e §§ 13 e 17 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Consta no Relatório Fiscal de fls. 39/43 que após análise dos livros contábeis e dos arquivos digitais gerados pelo próprio sistema de contabilidade da BHTRANS, o Autuante encontrou dificuldades para a verificação da correta contabilização de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias dentro do período fiscalizado (01/03/2004 a 15/05/2005), dificuldades estas relacionadas com a estrutura e procedimentos de contabilização adotados pela BHTRANS, a seguir delineados: Escriturações auxiliares – a BHTRANS mantém duas escriturações auxiliares à sua contabilidade oficial: a.1) CCT que tem por objetivo o controle da movimentação financeira vinculada à 'Câmara de Compensações Tarifárias', espécie de fundo financeiro das empresas concessionárias de transporte coletivo, no qual a BHTRANS atua como uma espécie de gerente, em cujos lançamentos a fiscalização não identificou fatos geradores de contribuição previdenciária; a.2) PAMEH vinculada ao Plano de Assistência Médica dos funcionários, que é financiado com contribuições dos seguradores e da BHTRANS e não tem personalidade jurídica própria, sendo que, os pagamentos efetuados pelo referido Plano a pessoas físicas e jurídicas prestadoras de serviços na assistência à saúde são controlados nessa contabilidade e a BHTRANS é a responsável pelos pagamentos das despesas. Os lançamentos relacionados com as contribuições previdenciárias estão detalhados somente na escrituração da PAMEH, transitando na contabilidade oficial apenas como um lançamento sintético, sem descrição clara, em uma sub conta vinculada à conta assistência Médica Odontológica, do grupo “Outras Despesas com Pessoal”. De acordo com a fiscalização, além de inaceitável não haver o detalhamento de todos os fatos geradores nos livros contábeis oficiais, tal procedimento está em desacordo com o Princípio Contábil da Entidade, pois ali confundemse patrimônio da empresa com o de seus funcionários; Ausência de Contabilização em Títulos Próprios Na análise do plano de contas da BHTRANS, foram encontradas parcelas integrantes e não integrantes do salário de contribuição contabilizadas dentro de um mesmo título. Como o histórico dos lançamentos Fl. 250DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 (que são gerados automaticamente pelo sistema de processamento de dados) são completamente genéricos, é praticamente impossível apurar a base de cálculo das contribuições previdenciárias pela análise contábil. A conta “301010500000 Férias e Abono Pecuniário” agrupa férias trabalhadas e férias indenizadas; as contas de despesas “30101040000 Salários e Adicionais” E “301010600000 – Décimo Terceiro Salário” não permitem a separação das parcelas integrantes e não integrantes do salário de contribuição previdenciário; a conta despesa “3010120100000 INSS” não permite a discriminação entre a parte patronal, o desconto dos segurados, nem a separação dos segurados por categoria, e, por sua vez, nas contas do Passivo, as provisões não são constituídas de maneira discriminada e têm históricos incompreensíveis; A multa aplicada atingiu o montante de R$ 13.291,66 (treze mi e duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), reajustado pela Portaria Interministerial MPS/MF N° 48 de 12 de Fevereiro de 2009 – DOU de 13/02/2009, prevista nos arts. 92 e 102 da Lei n.º 8212/91, combinado com o art. 283, inciso II, alínea “a”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. O Contribuinte, ciente em 19/10/2009, por via postal, conforme AR – Aviso de Recebimento à fl. 45, apresentou Impugnação (fls. 50/95), alegando em síntese: a) De início, pleiteou que as intimações fossem encaminhadas para o endereço do seu procurador, José Carlos Lopes Motta, na Rua João Lúcio Brandão, n.º 137, Bairro Prado, Belo Horizonte/MG; b) Alegou a existência de irregularidades no lançamento, vez que não poderia haver aplicação cumulativa de multa por descumprimento de obrigação acessória com multa de oficio, como restou na presente AI, em cotejo com a exigência de diferenças de SAT/RAT; c) Afirmou que possui contabilidade moderna com a utilização do sistema de gestão integrada – DATASUL, por módulos contábeis que são processados paralelamente ao módulo de contabilidade geral; d) Contestou os itens 6, 7, 8, 9, 10, 11 e 12 do relatório fiscal nos seguintes termos: “111.6. As escriturações auxiliares, não existem. Tem a Impugnante sistemas de contabilização separados de fatos econômicofinanceiros que não estão vinculados a seu patrimônio. 111.7. É o caso da CCT (Câmara de Compensação Tarifária) e do "Plano de Saúde", denominado "PAMEH Plano de Assistência Médica dos Empregados" que é operacionalizado pelo regime de "Autogestão". 111.8. O plano mantémse com as contribuições dos empregados associados e pela subvenção dada pela Impugnante. Por este motivo, possui contabilidade a parte, vez que seu patrimônio pertence aos empregados associados e não à Impugnante. Este procedimento atende o "Principio Contábil da Entidade". 111.9. Assim, todos pagamentos das prestações de serviços médicos e hospitalares, tanto das pessoas físicas, como das jurídicas, inclusive o INSS a recolher, são contabilizados no PAMEH. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.016615/200909 Acórdão n.º 2302002.823 S2C3T2 Fl. 257 5 111.10. O controle e liberação desses pagamentos são feitos pela contratada para auditar o Plano, a Cia. Mineira de Saúde, que apresenta relatório analítico, discriminado individualmente, os beneficiários dos pagamentos. 111.11. Contabilizados esses pagamentos pelos valores globais, tendo em vista que os relatórios que os acompanha são extremamente detalhados. Por este motivo que não utilizados "diário auxiliar". 111.12. São utilizadas para registro dos pagamentos aos médicos autônomos e também para registro das obrigações previdenciárias, as seguintes contas contábeis. 111.13. Como se observa, não existe qualquer dificuldade em identificar os valores das obrigações previdenciários geradas dentro do PAMEH. 111.14. É importante ressaltar que o PAMEH não possui personalidade jurídica própria, por ser um "plano de saúde" de autogestão, utilizando o CNPJ da Impugnante para suas operações. 111.15. Todas as informações para previdência social geradas no PAMEH estão consolidadas na GF1P da Impugnante. 111.16. A própria autoridade fiscalizadora declara no item 11, que os recolhimentos previdenciários correspondentes aos serviços gerados no PAMEH, bem como, as devidas declarações em GFIP, foram corretamente efetuados.” e) Requereu a produção de prova pericial nos termos do artigo 16 do Decreto n.º 70.235/72 redação dada pela Lei nº 8748/93, bem como, a improcedência do Auto de Infração n.º 37.229.8664; Na decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/BHE ACORDÃO 0231.546 (fls. 103/113) foi julgada improcedente a impugnação, sendo mantida a multa exigida no Auto de Infração – AI n.º 37.229.8664, pelas seguintes razões: a) Não teria como ser acolhido o argumento de que não poderia haver aplicação cumulativa de multa por descumprimento de obrigação acessória com a multa de ofício aplicada no AI em questão, lavrada na mesma data; b) Que o valor da multa fixado pela fiscalização obedeceu ao comando dos arts. 92 e 102 da Lei 8.212/91, e dos arts. 283, inciso II, alínea “a” e 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99; Fl. 252DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 c) Que através das informações contidas no Relatório Fiscal restou constatada que a Empresa misturou parcelas integrantes e parcelas não integrantes do salário de contribuição, contabilizados dentro de um mesmo título, com históricos genéricos, que não permitiram saber a origem dos lançamentos, sendo que o art. 225, §13, II do RPS/99 expressamente define que o alcance da expressão “lançar em títulos próprios” consiste em “registrar em contas individualizadas”, logo, traduz o descumprimento da obrigação acessória; d) Que apesar da Impugnante alegar que os detalhamentos desses lançamentos encontraremse nos Diários Auxiliares, especificamente nos módulos folha de pagamento e contas a pagar, não foram acostados nos autos tais documentos. e) Que o procedimento do Auditor Fiscal foi correto ao verificar o descumprimento da obrigação acessória insculpida nos artigos 32, II da Lei 8212/91; f) Quanto ao pedido de realização de prova pericial, entendeu ser desnecessária, vez que, o processo encontravase suficientemente instruído para decisão, por isso, indeferiu sua realização; g) Quanto ao pedido para as intimações serem efetuadas em nome do patrono, foi indeferido, tendo em vista que elas são feitas por via postal endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Intimado do acórdão, através de Intimação DRF BHE SECAT Nº 1900/2011 (fls. 221), encaminhado por via postal, em 25 de novembro de 2011 conforme AR – Aviso de Recebimento acostado em fl. 222, interpôs Recurso Voluntário (fls. 224/250). Em suas razões, suscitou os mesmos argumentos e pedidos elucidados na Impugnação salientando que o Acórdão guerreado não se sustentava, já que, a proposição fiscal é nitidamente abusiva, violadora da lei e dos princípios que informam a imposição tributária e a aplicação de penalidades. Aduziu, ainda, que o sistema pela Recorrente utilizado é mais moderno – e mais detalhado – diferente do método utilizado pela fiscalização, o que resultou na presente autuação. Quanto as alegações que não foram juntados documentos pela defesa, argüi que se ateve apenas aos casos levantados e não trouxe ao processo todo conjunto contábil em razão do grande volume de documentos, daí a necessidade da realização da perícia contábil. Eis o relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.016615/200909 Acórdão n.º 2302002.823 S2C3T2 Fl. 258 7 Voto Vencido Conselheira Juliana Campos de Carvalho – Relatora. Protocolado recurso dentro do prazo legal, passo a análise das questões suscitadas. O presente auto de infração foi lavrado em decorrência da empresa não ter lançado mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto no art. 32, inciso II, da Lei 8212/91 c/c art. 225, inciso II e §§ 13 e 17 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. No relatório fiscal afirmou o agente previdenciário que os lançamentos das contribuições previdenciárias estão detalhados na escrituração da PAMEH, transitando na contabilidade oficial apenas como lançamento sintético (fls. 40). Como se não bastasse, mais adiante, no tocante a segunda infração, aduziu o Notificante que na análise do plano de contas da BHTRANS foram encontradas parcelas integrantes e não integrantes do salário de contribuição contabilizadas dentro de um mesmo titulo, como o histórico dos lançamentos (que são gerados automaticamente pelo sistema de processamento de dados) são completamente genéricos (fls. 40). Intimado para apresentar defesa, afirmou a Recorrente que a autuação ora questionada ocorreu por não ter a fiscalização analisado corretamente a sua contabilidade uma vez que possui sistema moderno e detalhado das informações previdenciárias. Os módulos de folha de pagamento, contas a pagar, contas a receber, caixa e bancos, controle patrimonial e controle de estoque, têm seus registros contábeis processados analiticamente, com a utilização dos "diários auxiliares". Seus dados são transferidos, sinteticamente, ao módulo de contabilidade geral, através do "Diário Geral" (fls. 53). Em relação à segunda infração, informou a empresa que na conta contábil, "301.01.05Férias e abono pecuniário" recebe lançamentos de todos os gastos relativos a férias, independentemente se indenizadas ou não. Os lançamentos nessa conta são feitos pelo sistema de folha de pagamento, através de módulo próprio. O detalhamento desses lançamentos é encontrado no "diário auxiliar da folha de pagamento" (fls. 54). Diante do que expôs, defendeu a necessidade da realização de uma perícia contábil, lembrando que não anexou aos autos toda a sua documentação contábil em razão do grande volume de documentos. O pedido de provas foi efetivado em conformidade com o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (fls. 57). Conclusos para julgamento, dentre outros argumentos, foi dito que o contribuinte não comprovou a regularidade da escrita contábil por meio de prova hábil (fls. 111/112). Fl. 254DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Ora, de acordo com o art. 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, dispõe que a impugnação mencionará as diligências ou perícias que o Impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Isto porque no âmbito do processo administrativo tributário a realização da perícia, quando atendidos os requisitos legais, confere ao administrado o direito de constituir prova a favor do seu pleito a fim de descaracterizar a presunção de legitimidade de que goza os atos administrativos. Neste sentido, transcrevo as lições do insigne jurista José dos Santos Carvalho Filho1: “...não se trata de presunção absoluta e intocável . A hipótese é de presunção juris tantum (relativa), sabido que pode ceder à prova em contrário, no sentido de que o ato não se conformou às regras que lhe traçavam as linhas, como se supunha.” Desse modo, ciente que o sujeito passivo pleiteou a realização de perícia como um dos meios de fazer prova ao fato constitutivo de seu direito e, por outro lado, ressaltando que os atos administrativos embora se presumam legítimos não são absolutos, cabendo prova em contrário, nos termos do art. 5, inciso LV, da CF/88 não vislumbro qualquer prejuízo em deferir a prova pericial pleiteada pelo contribuinte. Por todo o exposto, Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA para que seja realizada a perícia contábil requerida pelo sujeito passivo na impugnação e ratificada nos recurso voluntário, garantindo, com isso, a obediência ao devido processo legal (art. 5º, inciso LV, da CF/880 Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser intimado o Recorrente para manifestação, se for do seu interesse. É como voto. Sala das Sessões de Julgamento, 16 de Outubro de 2013 Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. 1 C f . Manua l d e Di r e i t o Admin i s t r a t i vo . 13 ed . R i o d e Jan ei ro : Lúmen Ju r i s , 2005 , p ág . 98 . Fl. 255DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.016615/200909 Acórdão n.º 2302002.823 S2C3T2 Fl. 259 9 Voto Vencedor DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA VIOLADA Ouso discordar, data maxima venia, do entendimento comungado pela Ilustre Relatora quanto à consumação da infração à obrigação tributária acessória prevista no inciso II do art. 32 da Lei 8.212/91. Em primeiro lugar, mostrase alvissareiro deixar consignado que o auditor fiscal notificante, no item 13 do seu Relatório Fiscal, a fls. 81/85, informa ter apurado que, a partir do exame do plano de contas da BHTRANS, foram encontradas parcelas integrantes e não integrantes do salário de contribuição contabilizadas dentro de um mesmo título da Contabilidade. Alertou a Autoridade Fiscal que, em virtude de o histórico dos lançamentos (que são gerados automaticamente pelo sistema de processamento de dados) serem completamente genéricos, era praticamente impossível apurar a base de cálculo das contribuições previdenciárias pela análise contábil, descrevendo, na sequência, um resumo das principais irregularidades encontradas na escrituração contábil da empresa. A Autoridade Lançadora conclui seu relato consignando não haver “como apurar corretamente pela contabilidade as diversas parcelas relacionadas com os fatos geradores de contribuições previdenciárias, haja vista que não existe separação adequada às contas e os históricos dos lançamentos são incompreensíveis”. Remontando o texto da Autoridade Lançadora, com fundamento nas irregularidades apontadas no item 13 do Relatório Fiscal, considerou a Fiscalização que a que “a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo assim, ao disposto no artigo 32, inciso II da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99”. Abrimos um rápido parênteses para trazer a lume que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo Fl. 256DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou sem em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevê las. AgRg no RMS 19918 / SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.016615/200909 Acórdão n.º 2302002.823 S2C3T2 Fl. 260 11 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. EREsp 265552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte exadversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Embargos conhecidos e acolhidos. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do Órgão Tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Configurandose a Auto de Infração de Obrigação Acessória como um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo. Registrese que, de acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso em foco, encontrase o direito creditório do fisco plenamente consignado, com todos os seus elementos, no Relatório Fiscal do AIOA em debate e nos demais documentos que integram o lançamento em pauta. Reiterese que, por intermédio da Fl. 258DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 resenha fiscal assentada nos itens 03 a 13 do Relatório Fiscal, a fls. 9/85, a fiscalização demonstrou que a ocorrência de violação à obrigação acessória tributária estabelecida no inciso II do art. 32 da Lei nº 8.212/91, circunstância que motivou a lavratura do Auto de Infração ora em litígio. Dessarte, fulguram os assentamentos consignados no Auto de Infração de Obrigação Acessória em foco como bastantes e suficientes para fazer prova do fato afirmado pela Fiscalização, em razão da debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos. O Órgão Julgador de 1ª Instância já havia asserido no aresto recorrido que a empresa não havia logrado êxito em contrapor a ocorrência da infração, eis que não houvera comprovado a regularidade da sua escrita fiscal mediante prova hábil, a qual deveria ter sido acostada aos autos juntamente com a impugnação, a teor do art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Demonstrou, também, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, a desnecessidade da realização de prova pericial, eis que a empresa não apresentou nenhum aspecto inédito evidenciado após a auditoria fiscal cuja apreciação requeresse exame especial ou técnico, inexistindo na peça de impugnação ao lançamento qualquer argumentação que justificasse a peritagem. Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados em documentos e/ou na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento do auditor fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 259DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.016615/200909 Acórdão n.º 2302002.823 S2C3T2 Fl. 261 13 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Cabe enfatizar que, no que tange à apreciação da prova, o Direito Processual Brasileiro adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o sistema da persuasão racional do juiz, também designado por sistema do livre convencimento motivado do Julgador, o qual detém a prerrogativa de livremente apreciar a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes, mas deverá indicar, na decisão, os motivos que lhe formaram o convencimento. Chamamos a atenção para o fato de o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil ser, por força de lei, a autoridade pública competente para apreciar a documentação do sujeito passivo, aqui inserida sua escrita contábil, e dela extrair eventuais débitos previdenciários não devidamente adimplidos em suas épocas próprias, ou nela apurar a ocorrência de infrações à legislação tributária, circunstância que mostra ser despicienda a chamada de eventual perito, para auditar, em paralelo à autoridade em foco, o objeto do seu dever de ofício. Assim, entendendo a DRJ que o processo encontravase perfeitamente instruído para julgamento, houvese por indeferida a produção de prova pericial. Nada obstante, retorna à carga o Recorrente para exortar que “todas as informações estão disponíveis e não foram juntadas à defesa porque requerida a prova pericial ...”. A defesa por negativa geral não se apruma com a dinâmica do Processo Administrativo Fiscal cujo mecanismo de contradita às autuações do fisco exige que o sujeito passivo instrua o instrumento de bloqueio à imputação fiscal com todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentar a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Não procede a alegação de que “Como conduzido o feito, restou uma situação “kafkiana”, onde a prova foi exigida e, ao mesmo tempo, impedida sua produção”. Franz Kafka deve ter se estrebuchado no seu túmulo ante tal blasfêmia, como se a única maneira de ser provar o direito alegado fosse mediante perícia contábil. Ao revés, o Decreto nº 70.235/72 impõe ao Impugnante o ônus de rechear a peça de contestação ao lançamento com todas as provas documentais garantidoras de seu direito, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em lei. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 260DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a Fl. 261DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.016615/200909 Acórdão n.º 2302002.823 S2C3T2 Fl. 262 15 oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, salvo nas situações excepcionais, à prova do Sujeito Passivo. Houvesse ao menos lido o texto do preceito inscrito no inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, e dado a devida atenção às razões expendidas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, o nome de Kafka não teria sido invocado em vão. Nesse contexto, mesmo ciente de que sua impugnação houvera sido refutada pelo pela Autoridade Julgadora a quo em razão da carência da comprovação material, nos próprios autos, do Direito alegado, o Recorrente quedouse inerte no sentido de suprir a falta em destaque, não fazendo acostar ao processo as demonstrações substanciais e os elementos de prova aptos a contrapor o conjunto probatório trazido à balha pela Fiscalização, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores do lançamento tributário que ora se opera, não logrando se desincumbir, dessarte, do ônus que lhe era avesso. Assim, havendo um documento público devidamente fundamentado e com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em sentido contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Recorrente, o qual não logrou afastar a fidedignidade do teor do Auto de Infração em debate. Nesse sentido remansa a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: MS 12756 / DF Relator(a) Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJe 08/05/2008 MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. PROCURADOR FEDERAL. PROMOÇÃO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS CONTRACHEQUES E FOLHA DO SISTEMA SIAPE. RETIFICAÇÃO DOS ATOS DE PROMOÇÃO DO IMPETRANTE. EFEITOS RETROATIVOS DESDE A DATA EM QUE DEVERIA SER PROMOVIDO NAS CATEGORIAS APROPRIADAS. 1. Têm presunção de veracidade contracheques e folha do Sistema SIAPE apresentados por procurador federal que pretende ser promovido com base no enquadramento funcional previsto naqueles documentos públicos. Ausência de apresentação de prova, pelo impetrado, que afastasse a fé pública dos referidos documentos. 2. Segurança concedida. Retroativos a partir da data em que deveriam ter ocorrido as promoções do impetrante. REsp 1059007 / SC Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 20/10/2008 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ARTIGO 258 DA LEI Nº 8.069/90. AUTO INFRACIONAL LAVRADO POR COMISSÁRIO DE INFÂNCIA. DOCUMENTO PÚBLICO. FÉ PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. ÔNUS DA PROVA DO ADMINISTRADO. I O auto de infração lavrado por Comissário da Infância, em decorrência do descumprimento do artigo 258 da Lei nº 8.069/90, constituise em documento público, merecendo fé pública até prova em contrário. II O ato administrativo goza de presunção iuris tantum, cabendo ao administrado o ônus de provar a maioridade da pessoa que se encontrava no estabelecimento comercial recorrido, haja vista a legitimidade do auto infracional. III Recurso especial provido. DA CONDUTA INFRACIONAL O vertente lançamento tem por objeto crédito tributário decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória prevista no inciso II do art. 30 da Lei nº 8.212/91, consubstanciada no dever instrumental da empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) §11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) E diga o item 13 do Relatório Fiscal a fls. 81/85: “ a conta "301010500000 FERIAS E ABONO PECUNIARIO" e suas contas analíticas (centro de custo) vinculadas agrupam férias trabalhadas e indenizadas, que deveriam estar em contas separadas e devidamente identificadas. No quadro abaixo, encontrase um extrato dos lançamentos vinculados à uma das subcontas (centro de custos) em questão, apenas para poder ilustrar a impossibilidade de separação das parcelas relacionadas com incidência de contribuição sobre férias, dado ao fato de que a conta é única e os históricos totalmente genéricos: [...] Fl. 263DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.016615/200909 Acórdão n.º 2302002.823 S2C3T2 Fl. 263 17 De maneira análoga, as contas sintéticas de despesas "301010400000 SALARIOS E ADICIONAIS" e "301010600000 DECIMO TERCEIRO SALARIO" e suas subcontas analíticas (centro de custo) vinculadas não permitem a separação das parcelas integrantes e não integrantes do salário de contribuição previdenciário, aparecendo, mais uma vez, históricos genéricos que não permitem saber a origem dos lançamentos. a conta de despesa "301020100000 INSS" e suas subcontas analíticas (centro de custo) vinculadas, utilizadas para contabilizar as despesas com o recolhimento de contribuições previdenciárias, não permitem a discriminação entre a parte patronal e o desconto de segurados, tampouco a separação das despesas por categoria de segurados. Por outro lado, analisandose as contas do Passivo, verificase que as provisões também não são constituídas de maneira totalmente discriminada e, mais uma vez, os históricos não permitem a discriminação completa dos lançamentos. Para demonstrar a falta de discriminação dos lançamentos, o quadro abaixo traz um extrato dos lançamentos efetuados nas contas de aprovisionamento do Passivo relacionadas com as contribuições previdenciárias a recolher no período de 01103/2005 a 15/05/2005: [...] Os lançamentos efetuados no dia 02/03/2005 correspondem à reversão da provisão correspondente à folha de fevereiro de 2005. Embora os históricos sejam incompreensíveis, a fiscalização apurou pela folha de pagamentos o seguinte: • O lançamento de valor R$ 155.485, 42 corresponde ao desconto de segurados total na folha de fevereiro; • O lançamento de valor R$ 43.348,58 corresponde ao recolhimento de 2,5% para o FNDE, sendo que não deveria estar contabilizado como "INSS a Recolher", já que não é contribuição previdenciária; • O lançamento de valor R$ 427.217,60 corresponde à parte patronal da contribuição previdenciária. Como se pode concluir pela exposição acima, não há como apurar corretamente pela contabilidade as diversas parcelas relacionadas com os fatos geradores de contribuições previdenciárias, haja vista que não existe separação adequada das contas e os históricos dos lançamentos são incompreensíveis. 13. Isto posto, considera a fiscalização que deixou a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo assim, ao disposto no artigo 32, inciso II da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048, de 06.05.99”. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 No dizer eloquente da lei, a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, sendo certo que, em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento de tal obrigação acessória devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Mas... O que significa “lançar de forma discriminada”? Esclarecendo o comando legal, o Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, no exercício da competência que lhe foi conferida pela CF/88 e nos limites fixados pelo CTN, traçou o procedimento a ser seguido pelo obrigado, perante a administração tributária, visando à realização do comando normativo, assim dispondo: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IIlançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) §5º A empresa deverá manter à disposição da fiscalização, durante dez anos, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações referidas neste artigo, observados o disposto no §22 e as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) (...) §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: Iatender ao princípio contábil do regime de competência; e IIregistrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. §14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. §15. A exigência prevista no inciso II do caput não desobriga a empresa do cumprimento das demais normas legais e regulamentares referentes à escrituração contábil. §16. São desobrigadas de apresentação de escrituração contábil: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265/99) Fl. 265DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.016615/200909 Acórdão n.º 2302002.823 S2C3T2 Fl. 264 19 IO pequeno comerciante, nas condições estabelecidas pelo Decretolei nº 486, de 3 de março de 1969, e seu Regulamento; IIA pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, desde que mantenha a escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário; e IIIA pessoa jurídica que optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, desde que mantenha escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário. §17. A empresa, agência ou sucursal estabelecida no exterior deverá apresentar os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações referidas neste artigo à sua congênere no Brasil, observada a solidariedade de que trata o art. 222. (...) §22 A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Incluído pelo Decreto nº 4.729/2003) Revelase alvissareiro mencionar que a contabilidade tem como uma de suas finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a atender, de forma uniforme, às exigências das leis e regulamentos dos órgãos públicos. Na atualidade ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Contudo, a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Enganase aquele que acredita serem os livros contábeis exigíveis apenas pela legislação comercial. A legislação Tributária é aquela que mais impõe modulações e Fl. 266DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 padrões aos lançamentos contábeis e à estruturação e formalização dos livros, não sendo por outro motivo também conhecidos como “Livros Fiscais”. No tocante à escrituração contábil, a não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária sujeita o contribuinte ao pagamento de penalidades pecuniárias a lhe serem impostas mediante o competente Auto de Infração, como é o caso sobre o qual ora nos debruçamos. É bom que se esclareça que, até que os Livros Contábeis sejam devidamente autenticados pelo órgão designado pelo Estado como o competente para tal propósito, eles não se configuram como documentos fiscais para fins tributários, mas meros livros de informações empresariais para o seu escriturador, não fazendo qualquer prova em favor deste, a teor do art. 8º do DecretoLei nº 486/69. Dessarte, somente a autenticação formal aposta nos livros supra referidos tem o condão de atribuirlhes a qualificação de “documento fiscal”, elemento integrante da contabilidade da empresa, na denominação assim adotada pela legislação tributária. Anotese que o fato de os suso mencionados livros serem autenticados no órgão do Registro do Comércio ou do Registro Civil das Pessoas Jurídicas não lhes confere unicamente natureza jurídica comercial ou civil, respectivamente. Tais órgãos foram os designados pelo Ordenamento Jurídico como os competentes legalmente para, dentre outras funções, apreciar a observância das formalidades exigidas pela legislação, registrar oficialmente o cumprimento de sua escrituração e atribuirlhes a qualidade de documento fiscal, mediante sua autenticação formal. A contar dessa convolação substancial, os livros acima descritos passam a integrar formalmente a contabilidade da empresa, tendo como função precípua fornecer informações presumidamente verdadeiras das operações empresariais realizadas pelo contribuinte, as quais podem ser sindicadas tanto pelas demais entidades empresariais, como também, e principalmente, pelo Estado, máxime pelos órgãos fiscais da administração tributária. No âmbito das contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/91 atribuiu à fiscalização previdenciária a prerrogativa de examinar toda a contabilidade da empresa, não podendo lhe ser oposta qualquer disposição legal excludente ou limitativa do direito de examinar os livros, arquivos, documentos ou papéis comerciais ou fiscais. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) Fl. 267DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.016615/200909 Acórdão n.º 2302002.823 S2C3T2 Fl. 265 21 §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos encartados no Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte. Código Tributário Nacional CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Conforme já destacado em parágrafos precedentes, o art. 32 da Lei nº 8.212/91 fixou a obrigação acessória da empresa de lançar mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Dada a eventual impossibilidade de se apurar, imediatamente, o valor correspondente a cada operação a ser registrada na contabilidade, a legislação tributária concede um prazo de carência para que tais registros sejam lançados. Nessa toada, o §13º do art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, estipula que os lançamentos contábeis referentes aos fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, só serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo tais lançamentos atender ao princípio contábil do regime de competência, além de registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Regulamento da Previdência Social Fl. 268DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IIlançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; (grifos nossos) IIregistrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do salário decontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. §14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. Avulta nesse panorama que as prestações adjetivas ordenadas na legislação tributária têm por finalidade precípua permitir à fiscalização a sindicância ágil, segura e integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo, motivo pelo qual se exige que a escrituração seja: a) Mensal, em razão do critério de apuração das contribuições previdenciárias ser por competência; b) Em títulos próprios, que propicie uma fácil e rápida identificação pelos agentes fiscais das contas contábeis onde se encontram registrados os fatos geradores de contribuições previdenciárias; c) De forma discriminada, de molde a se identificar as rubricas integrantes da base de incidência das contribuições previdenciárias, eis que, a cada uma delas corresponde uma alíquota própria a ser empregada no cômputo da contribuição devida; d) Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos, de maneira que a fiscalização possa verificar a correcção das importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.016615/200909 Acórdão n.º 2302002.823 S2C3T2 Fl. 266 23 Não se mostra demasiado requinte sublinhar que o registro dessas informações na contabilidade não é uma faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação tributária a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da Constituição da República. Não se deve perder de vista, igualmente, que os livros contábeis equiparam se a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. No caso em debate, a Fiscalização apurou que a Recorrente mantém duas escriturações auxiliares à sua contabilidade formal, não apresentadas no sistema le Livros Diários Auxiliares, omitindose o detalhamento de fatos geradores de contribuições previdenciárias nos Livros Fiscais Formais. Houveramse, também, por apuradas parcelas integrantes e não integrantes do conceito jurídico de Salário de Contribuição contabilizadas em mesmo título da contabilidade. Em razão da generalidade e imprecisão dos históricos dos lançamentos contáveis, tornouse impossível para a Fiscalização a apuração ágil e precisa da matéria tributável pelo exame da escrita fiscal formal. Tivesse a empresa observado, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente a partir dos registros na escrituração contábil. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária frustrou os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação. A conduta omissiva assim perpetrada pela pessoa jurídica autuada configura se infração às disposições inscritas no art. 32, II da Lei de Custeio da Seguridade Social, punível com a multa variável prevista no art. 92 da Lei nº 8.212/91, na modulação fixada no art. 283, II, ‘a’ do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, com valores atualizados conforme mecanismo fixado no art. 102 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Regulamento da Previdência Social Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862/2003) Fl. 271DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.016615/200909 Acórdão n.º 2302002.823 S2C3T2 Fl. 267 25 (...) IIa partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto legal com um mecanismo arquitetado adrede, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; Nesse contexto, no dia 13 de fevereiro de 2009 foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 12 de Fevereiro de 2009 que atualizou o valor mínimo da penalidade pecuniária previsto no art. 92 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 283, caput, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, conforme informado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 04. Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 12/02/2009 Art. 8º A partir de 1º de fevereiro de 2009: (...) VI o valor da multa indicada no inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social é de R$ 13.291,66 (treze mil duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos); Fl. 273DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.016615/200909 Acórdão n.º 2302002.823 S2C3T2 Fl. 268 27 Todas essas informações encontramse consignadas no corpo do Auto de Infração nº 37.229.8664, que descreve com clareza a conduta infracional da empresa, o dispositivo legal violado, a fundamentação legal da multa aplicada, bem como os fatos que representaram violação à obrigação acessória prevista no art. 32, II da Lei nº 8.212/91. Diante dos aludidos dispositivos, exsurge, como decorrência lógica que, tanto a obrigação acessória ora infringida quanto a penalidade pecuniária associada ao seu descumprimento objetivo, encontramse, de fato, previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, cumprindo assim as formalidades exigidas pelo Código Tributário Nacional, no âmbito de competência que lhe foi outorgado pela Carta Magna Brasileira, sendo, por conseguinte, de observância obrigatória pelo sujeito passivo. Nessa vertente, no curso dos procedimentos de fiscalização, contatou a autoridade fiscal que o Contribuinte em foco não lançou em sua contabilidade, de forma discriminada, mês a mês e em títulos próprios, os fatos geradores de contribuições previdenciárias, como assim determina a lei. Dessarte, fruto de tais considerações, restou detalhadamente demonstrado que a imputação in comentum resultou de procedimentos administrativos conduzidos em perfeita sintonia com os comandos constitucionais e legais vigentes no Ordenamento Jurídico, impondose salientar não haver sido detectado qualquer vício, de jaez formal ou material, que possa macular o lançamento operado pela fiscalização. Procedente, então, o lançamento tributário levado ora a cabo pela autoridade fiscal fazendária. Do exame de tudo o quanto nos autos consta, concluímos não demandar reparos a decisão de 1ª Instância. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto Arlindo da Costa e Silva – Redator designado. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/ 2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722047/2009-29
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/01/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10280.722047/2009-29
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5320808
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-002.813
nome_arquivo_s : Decisao_10280722047200929.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SANDRO MACHADO DOS REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10280722047200929_5320808.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/01/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
id : 5275986
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371540402176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 82 1 81 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.722047/200929 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.813 – 1ª Turma Especial Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria ITR Recorrente ADAUTO KIYOTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (16/01/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/BSB/DF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 20 47 /2 00 9- 29 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722047/200929 Acórdão n.º 2801002.813 S2TE01 Fl. 83 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Por meio da Notificação de Lançamento nº 02101/00191/2009, de fls. 01/04, emitida em 06/07/2009, o contribuinte identificado no preâmbulo foi intimado a recolher o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício de 2004, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda São José”, cadastrado na RFB sob o nº 6.739.1737, com área declarada de 10.873,0 ha, localizado no município de Moju – PA. O crédito tributário apurado pela fiscalização compõese de diferença no valor do ITR de R$ 133.112,47 que, acrescida dos juros de mora, calculados até 30/07/2009 (R$ 86.456,54) e da multa proporcional (R$ 99.834,35), perfaz o montante de R$ 319.403,36. A ação fiscal iniciouse com intimação ao contribuinte (Termo de Intimação Fiscal nº 02101/00024/2007, de fls. 05/06, cuja ciência se deu por meio do Edital nº 03/2008, de fls. 08), para apresentar, relativamente a DITR, do exercício de 2004, os seguintes documentos de prova: 1º cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA, protocolado no IBAMA; 2º Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2º da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado de ART registrada no CREA, com memorial descritivo da propriedade, de acordo com o art. 9º do Decreto 4.449/2002; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei 4.771/65 (código florestal), acompanhado do ato do poder público que assim o declarou, e 4º Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, sob pena de arbitramento de novo VTN, com base no VTN médio, por hectare, apontado no SIPT da RFB. Por não ter sido apresentado, em tempo hábil, qualquer documento de prova a correspondência de fls. 24/26 e documentos de fls. 27/31, foram recepcionados em 21/07/2009, portanto, depois da data de emissão da presente Notificação , a autoridade fiscal resolveu lavrar a presente Notificação de Lançamento, com a glosa integral da área declarada de preservação permanente, de 8.696,4 ha, e rejeição do VTN declarado, de R$ 1.500,00 (R$ 0,14/ha), que entendeu subavaliado, arbitrandoo em R$ 665.862,00 ou R$ 61,24/ha, correspondente ao VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2004, para o município onde se localiza o imóvel, Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722047/200929 Acórdão n.º 2801002.813 S2TE01 Fl. 84 3 com conseqüentes aumentos da área tributável/aproveitável, VTN tributável e alíquota aplicada no lançamento, disto resultando imposto suplementar de R$ 133.112,47, conforme demonstrado às fls. 03. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 02 e 04. Da Impugnação Cientificado do lançamento, em 14/07/2009 (AR/cópia de fls. 52), o interessado postou sua impugnação, em 11/08/2009 (às fls. 33), anexada às fls. 34/36, instruída com os documentos de fls. 37/51. Em síntese, alega e requer o seguinte: informa que adquiriu, de boa fé, imóveis rurais que lhe foram oferecidos, localizados na Margem Esquerda do Furo Jabotinema, afluente do Pacajá, no município de Moju – PA, entre os quais consta a Fazenda São José, NIRF 6.739.1737; naquela ocasião lhe foram apresentados, pelas pessoas que intermediaram o negócio, documentos que certificavam a veracidade e regularidade no registro dos imóveis; para sua surpresa, soube a posteriori, por fontes não oficiosas, que corre ação judicial movida pelo Ministério Público do Estado do Pará, objetivando o cancelamento de falsas escrituras de imóveis rurais, dentre os quais havia grande probabilidade de estarem os imóveis que adquiriu, em face de ocorrência de indícios que tais imóveis foram vendidos a compradores distintos, por diversas vezes; achou por bem continuar cumprindo a obrigação acessória de entrega das declarações anuais do ITR, até o desfecho da situação, posto que uma investigação por sua própria conta no Estado do Pará o oneraria em demasia e ampliaria o prejuízo que é iminente; o lançamento não pode prevalecer, pois foi efetuado sem respeitar o prazo concedido para que o impugnante pudesse apresentar sua manifestação e/ou documentos (conforme despacho, datado de 23/06/2009, foi reaberto o prazo por mais vinte dias), portanto, o prazo concedido expiraria somente no dia 13/07/2009 e o lançamento foi realizado em 06/07/2009, em total desconsideração ao prazo então concedido; ainda, por razões que não pôde o impugnante ter acesso junto ao Cartório de Registro de Imóveis (e ao que acredita que se deu pela constatação pelos entes públicos competentes de irregularidade na venda do imóvel), foi cancelada a matrícula no Cartório de Registro de Imóveis; portanto, por inexistência do imóvel, conforme informado à Receita Federal, o lançamento cabe ser cancelado, bem como a declaração de ITR que lhe deu origem; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722047/200929 Acórdão n.º 2801002.813 S2TE01 Fl. 85 4 diante da declaração de inexistência do registro, fica demonstrado a inexistência do Imóvel Rural que acreditava o requerente ter adquirido, o que torna insubsistente qualquer acessório por inexistir o principal, e por fim, demonstrada a insubsistência e improcedência da Notificação, requer seja acolhida a presente impugnação, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o lançamento fiscal reclamado e qualquer outro efeito oriundo do seu objeto, além de protestar pela produção de outras provas, especialmente pela juntada de outros esclarecimentos e/ou documentos. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 55/63, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DO FATO GERADOR DO ITR E DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA O ITR tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Não comprovado nos autos, com documentos hábeis, que a matrícula do imóvel, constante do correspondente título translativo de propriedade, não existe no competente Cartório de Registro de Imóveis, tratandose de imóvel inexistente, cabe manter o lançamento e o contribuinte no pólo passivo da relação jurídicotributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com a autuação fiscal, mantida integralmente pela DRJ, o Recorrente sustenta, basicamente, (i) a nulidade do Auto de Infração, ante suposto cerceamento à ampla defesa em fase fiscalizatória; (ii) a impossibilidade de prosperar o lançamento, haja vista o cancelamento da inscrição imobiliária do imóvel ensejador do ITR em cobrança. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Apesar de a questão da decadência não ter sido suscitada pela recorrente, em se tratando de matéria de ordem pública, pode ser levantada de ofício, como ocorre no presente caso. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722047/200929 Acórdão n.º 2801002.813 S2TE01 Fl. 86 5 Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722047/200929 Acórdão n.º 2801002.813 S2TE01 Fl. 87 6 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Como essa decisão foi submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, ela deve obrigatoriamente ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Desta forma, este Colegiado deve aplicar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. No caso, verificase que ocorreu pagamento antecipado de ITR na forma de imposto a pagar apurado da Declaração do ITR do exercício de 2004 no valor de R$ 60,03 (fl. 13). Assim, tendo ocorrido pagamento antecipado, e não tendo havido a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, devese iniciar a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, que, no caso do ITR, ocorre em 1o de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1o da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Para o exercício 2004, ele se iniciou em 01/01/2004 e terminou em 01/01/2009. Como o lançamento se deu apenas em 14/07/2009 (fl. 52), o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Reconhecida a decadência, deixase de se analisar os demais argumentos do recurso. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722047/200929 Acórdão n.º 2801002.813 S2TE01 Fl. 88 7 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720972/2011-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Exercício: 2011
IOF. ISENÇÃO. FINANCIAMENTO NA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR DE ATÉ 127 HP POR DEFICIENTE FÍSICO.
Faz jus à isenção do IOF o portador de deficiência física que comprove, mediante laudo atestado pelo Departamento de Trânsito Estadual, o tipo do defeito físico e a necessidade de dirigir veículo com adaptação especial (artigo, 72, inciso IV, da Lei nº 8.383/91).
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-002.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado.
Vencido o conselheiro Paulo Sergio Celani, relator, que negava provimento ao recurso.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Redator designado
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Exercício: 2011 IOF. ISENÇÃO. FINANCIAMENTO NA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR DE ATÉ 127 HP POR DEFICIENTE FÍSICO. Faz jus à isenção do IOF o portador de deficiência física que comprove, mediante laudo atestado pelo Departamento de Trânsito Estadual, o tipo do defeito físico e a necessidade de dirigir veículo com adaptação especial (artigo, 72, inciso IV, da Lei nº 8.383/91). Recurso ao qual se dá provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10240.720972/2011-14
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5307276
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3802-002.122
nome_arquivo_s : Decisao_10240720972201114.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : PAULO SERGIO CELANI
nome_arquivo_pdf_s : 10240720972201114_5307276.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencido o conselheiro Paulo Sergio Celani, relator, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator designado Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
id : 5173673
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371555082240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2301; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 104 1 103 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10240.720972/201114 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.122 – 2ª Turma Especial Sessão de 22 de outubro de 2013 Matéria IPI na aquisição de veículo novo. Isenção. Deficiente físico. Recorrente Marli Vieira Saldanha Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2011 IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. Laudo oficial emitido por entidade integrante do SUS, que atesta ser a interessada portadora de “limitação de punhos por artrite reumatóide (adquirida)”, complementado por laudo expedido por junta de médicos credenciados junto a Departamento Estadual de Trânsito, segundo o qual a recorrente só está habilitada para dirigir veículos com transmissão automática e direção hidráulica, comprovam a condição de deficiente físico necessária ao reconhecimento do direito à aquisição de veículo com isenção do IPI, nos termos do artigo 1º, § 1º, da Lei nº 8.989/95, c/c o artigo 4º, inciso I, do Decreto nº 3.298/99. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Exercício: 2011 IOF. ISENÇÃO. FINANCIAMENTO NA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR DE ATÉ 127 HP POR DEFICIENTE FÍSICO. Faz jus à isenção do IOF o portador de deficiência física que comprove, mediante laudo atestado pelo Departamento de Trânsito Estadual, o tipo do defeito físico e a necessidade de dirigir veículo com adaptação especial (artigo, 72, inciso IV, da Lei nº 8.383/91). Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 09 72 /2 01 1- 14 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10240.720972/201114 Acórdão n.º 3802002.122 S3TE02 Fl. 105 2 Vencido o conselheiro Paulo Sergio Celani, relator, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. ‘A interessada acima qualificada requereu autorização para adquirir automóvel com isenção do IPI e IOF, com base na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, e alterações posteriores, benefícios estes concedidos a portadores de deficiência física. Os requerimentos, tanto de IPI quanto de IOF, foram indeferidos, pelo Despacho Decisório de fls. 35/41, sob os seguintes fundamentos. Evidenciase que a contribuinte deveria apresentar a declaração de disponibilidade financeira, nos termos do art. 3º, inc. II, da Instrução Normativa retrocitada. Salientase, também, que a CNH de um dos condutores autorizados está fora do prazo de validade (fl. 08). Quanto à regularidade fiscal da contribuinte, determinação contida no art. 3º, § 1º, cumpre informar que a interessada encontrase em dia com suas obrigações perante o Fisco Federal (fls. 16/26). Por fim, com relação ao laudo médico emitido pela Policlínica Oswaldo Cruz (fl.04), serviço público de saúde (fl. 34), cumpre salientar que deve o documento estar em consonância com os ditames da IN/RFB nº 988/2009... Ao se efetuar o cotejo entre a descrição da enfermidade da pleiteante e a norma legal acima, percebese que a deficiência não se enquadra, de forma literal, em nenhuma das hipóteses descritas no Decreto nº 3.298/1999, como se depreende com a análise do laudo médico acostado aos autos, que menciona que a requerente é portadora de deficiência física sem, no entanto, descrevêla à luz do ato legal acima transcrito (fl. 04) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10240.720972/201114 Acórdão n.º 3802002.122 S3TE02 Fl. 106 3 (...) Por todo o acima exposto, a contribuinte não encontrase apta a usufruir a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). (...) Portanto, por não ter apresentado laudo médico atestado pelo Detran, exigência do art. 72, inc. IV, da Lei n° 8.383/91, a contribuinte não faz jus à isenção do IOF. (...) Com fulcro no PARECER DRF/PVO/SAORT Nº 236/2011, o qual aprovo, e, no uso da competência delegada pela Portaria DRF/PVO nº 16/2011 (DOU 24/02/2011), INDEFIRO o requerimento de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI – fl. 02) na aquisição de veículo automotor classificado na posição 87.03 da tabela de incidência do IPI (TIPI), e INDEFIRO o pedido de isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF – fl. 03), por não terem sido atendidos os requisitos da Lei nº 8.989/1995, da IN/RFB nº 988/2009 e da Lei nº 8.383/91. Inconformada com o indeferimento do pleito, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 13/02/2012, informando que anexou documentos comprobatórios da deficiência física e Laudo Pericial do Detran, atendendo as todas as exigências da DRF.’ A DRJ/BEL decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2011 ISENÇÃO.IPI.DEFICIENTE FÍSICO. É de se indeferir o pedido de isenção de IPI de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista em seu art. 1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art.2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 607/2006. IOF. ISENÇÃO. OPERAÇÃO DE FINANCIAMENTO NA AQUISIÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR DE ATÉ 127 HP POR DEFICIENTE FÍSICO. DESCABIMENTO. A condição física da interessada não se enquadra nas hipóteses legais de deficiência física, para fins de isenção do IOF, no financiamento para a aquisição de automóvel.” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual reitera seu pedido, destacando a gravidade de sua enfermidade. Anexa vários documentos que justificariam seu direito à isenção do IPI. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10240.720972/201114 Acórdão n.º 3802002.122 S3TE02 Fl. 107 4 Voto Vencido Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a isenção do IPI Conforme assentado no acórdão recorrido, o indeferimento da solicitação se deu por dois motivos: falta de entrega da declaração de disponibilidade financeira ou patrimonial; nãoenquadramento da deficiência apontada no laudo médico dentre as constantes do Decreto nº 3.298, de 1999. Estas também foram as razões para o não provimento da manifestação de inconformidade. Quanto à disponibilidade financeira ou patrimonial, a recorrente informa ser proprietária de uma chácara e receber proventos de aposentadoria por invalidez. Apresenta o documento de folha 84, no qual consta o valor líquido de R$ 1.765,78, equivalente à aposentadoria referente ao mês de setembro de 2012 e o documento de folha 86, que é cópia de conta de luz do endereço onde se localizaria a chácara. Não apresentou a declaração exigida no art. 3º, da IN RFB nº 988, de 22/12/2009, que é um dos requisitos para a concessão da isenção. A legislação determina que a disponibilidade financeira ou patrimonial deve ser compatível com o veículo a ser adquirido. Assim, ainda que se considerasse desnecessária esta declaração, com base em documentos constantes dos autos, no caso, tal compatibilidade não poderia ser certificada, pois: a conta de energia elétrica não comprova propriedade do imóvel, que, ainda que comprovado, não caracteriza ativo disponível; não há referência ao veículo e não se pode dizer que os benefícios recebidos da previdência, folha 84, seriam suficientes para a aquisição de determinados veículos. Quanto ao enquadramento da deficiência apontada no laudo médico dentre as arroladas no art. 4º, I, do Decreto nº 3.298, de 1999, com redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004, nenhum dos documentos apresentados no recurvo voluntário atende à exigência. Os documentos são requisição de medicamentos controlados e de alto custo, requisições de exames diversos e ficha de encaminhamento para médico especialista. Nenhum deles acrescenta algo ao Laudo emitido pela Policlínica Oswaldo Cruz, nem o esclarece, de modo que o laudo médico constante dos autos, apesar de atestar que a contribuinte possui deficiência física caracterizada pela limitação de punhos por artrite reumatóide (adquirida), CID M06.8, M81.0 e M17.0, não expressa em que forma se apresenta a deficiência física da recorrente. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10240.720972/201114 Acórdão n.º 3802002.122 S3TE02 Fl. 108 5 Transcrevo a seguir as normas aplicáveis: A IN RFB nº 988, de 22/12/2009, à época dos fatos apresentava a seguinte redação: “Art. 2º As pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, ainda que menores de 18 (dezoito) anos, poderão adquirir, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, com isenção do IPI, automóvel de passageiros ou veículo de uso misto, de fabricação nacional, classificado na posição 87.03 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi). § 1º Para a verificação da condição de pessoa portadora de deficiência física e visual, deverá ser observado: I no caso de deficiência física, o disposto no art. 1º da Lei nº 8.989, de 1995 com redação dada pela Lei nº 10.690, de 16 de junho de 1995, e no Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, com alterações posteriores; e (...)” Art. 3º Para habilitarse à fruição da isenção, a pessoa portadora de deficiência física, visual, mental severa ou profunda ou o autista deverá apresentar, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, formulário de requerimento, conforme modelo constante do Anexo I, acompanhado dos documentos a seguir relacionados, à unidade da RFB de sua jurisdição, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat): I – Laudo de Avaliação, na forma dos Anexos IX, X ou XI, emitido por prestador de: a) serviço público de saúde; ou b) serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS); II – Declaração de Disponibilidade Financeira ou Patrimonial da pessoa portadora de deficiência ou do autista, apresentada diretamente ou por intermédio de seu representante legal, na forma do Anexo II, disponibilidade esta compatível com o valor do veículo a ser adquirido; III – cópia da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do beneficiário da isenção, caso seja ele o condutor do veículo; (...) A Lei nº 8.989, de 24/2/1995, dispõe: “Art.1º Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10240.720972/201114 Acórdão n.º 3802002.122 S3TE02 Fl. 109 6 fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei n ° 10.690, de 16 de junho de 2003) (Vide art. 5 ° da Lei n ° 10.690, de 16 de junho de 2003) (...) IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei n ° 10.690, de 16 de junho de 2003) (...) § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei n ° 10.690, de 16 de junho de 2003) O Decreto nº 3.298, de 20/12/1999, que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, diz: “Art.3º Para os efeitos deste Decreto, considerase: Ideficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano; IIdeficiência permanente – aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos; e IIIincapacidade – uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bemestar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida. Art.4º É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10240.720972/201114 Acórdão n.º 3802002.122 S3TE02 Fl. 110 7 Ideficiência física alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004) (...)” Sobre a isenção do IOF Para fazer jus à isenção de IOF, a recorrente deveria ter apresentado laudo de perícia médica do DETRAN que atestasse a deficiência física e especificasse o tipo de defeito físico, sua total incapacidade para dirigir automóveis convencionais, e sua habilitação para dirigir veículo com adaptações especiais. Vejase o art. 72, inciso IV, da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991: “Art. 72. Ficam isentas do IOF as operações de financiamento para a aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência bruta (SAE), quando adquiridos por: (...) IV pessoas portadoras de deficiência física, atestada pelo Departamento de Trânsito do Estado onde residirem em caráter permanente, cujo laudo de perícia médica especifique: a) o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais; b) a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais, descritas no referido laudo; (...)” O laudo apresentado, fls. 45/46, atesta que a recorrente poderá dirigir veículo automotor com transmissão automática e veículo automotor com direção hidráulica e que sua carteira de habilitação seria da categoria“B”. Logo, não foi especificada a total incapacidade para a direção de automóveis convencionais nem a necessidade de adaptações especiais. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não concedeu isenção de IPI e IOF à recorrente para aquisição de veículo automotor. (assinado digitalmente) Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10240.720972/201114 Acórdão n.º 3802002.122 S3TE02 Fl. 111 8 Paulo Sergio Celani. Voto Vencedor Peço vênia para divergir do entendimento proferido pelo i. relator. É que, entendo, a documentação acostada aos autos atesta que a recorrente faz jus à isenção tributária pleiteada. Consta às fls. 04 do processo eletrônico laudo oficial emitido pela Policlínica Oswaldo Cruz o qual atesta que a contribuinte possui deficiência física caracterizada pela “limitação de punhos por artrite reumatóide (adquirida)”, CID M06.8, M81.0 e M17.0. Referidos códigos dizem respeito, respectivamente, a “outras artrites reumatóides especificadas”, “osteoporose pósmenopáusica” e “gonartrose primária bilateral” (pesquisa realizada no site www.bulas.med.br/cid10). O Parecer DRF/PVO/SAORT nº 236/2011 (fls. 35/41), que subsidiou o despacho decisório que indeferiu o pleito da interessada, atesta que a Policlínica Oswaldo Cruz atende ao requisito de que trata o artigo 3º, inciso I, “a”, da IN RFB nº 988/2009, posto enquadrarse como serviço público de saúde (ver, notadamente, fls. 38). Às fls. 45/46 do eprocesso há um outro laudo médico emitido em 18/09/2009 por Alexandre Carlos M. Muller, Sidrônio Timóteo Silva e Sergio Cardoso Ferreira, todos autodenominados como médicos do tráfego. Referido laudo atesta que a recorrente, Marli Vieira Saldanha: a) em razão de seu estado de saúde, foi afastada do trabalho por junta médica em setembro de 2007; b) faz uso de medicamento e de fisioterapia; c) apresenta, nos membros superiores e inferiores, “força e movimentos diminuído”; d) em conclusão, que “a usuária poderá dirigir veículo automotor com transmissão automática código D e veículo automotor com direção hidráulica” (grifei). Na página na internet do Detran de Roraima (http://www.detran.ro.gov.br/medicosepsicologoscredenciados/) consta que os médicos Alexandre Carlos M. Muller, Sidrônio Timóteo Silva e Sergio Cardoso Ferreira são todos credenciados junto ao referido departamento de trânsito. Os documentos acima, sem dúvida, atestam que a reclamante é portadora de “limitação de punhos por artrite reumatóide (adquirida)”, e que só está habilitada para dirigir veículos com transmissão automática e direção hidráulica. Não obstante a pouca clareza dos laudos colacionados aos autos, estes são suficientes para comprovar que a suplicante se enquadra como portadora de deficiência física nos termos do artigo 1º, § 1º, da Lei nº 8.989/95, c/c o artigo 4º, inciso I, do Decreto nº 3.298/99, uma vez que “apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física”. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10240.720972/201114 Acórdão n.º 3802002.122 S3TE02 Fl. 112 9 Não obstante os laudos não se reportarem aos termos técnicos específicos elencados pela lei, como, por exemplo, a paraparesia e a monoparesia, que, por definição, englobam a perda parcial das funções motoras dos membros – o que é patente nos laudos – é inadmissível que a recorrente, comprovadamente amparada pelo direito, seja prejudicada pela pouca clareza de documentos periciais emitidos pelo próprio Estado, nas pessoas de entidade integrante do SUS e de profissionais médicos credenciados junto ao próprio DETRAN de Roraima. O direito à isenção tributária estendese ao IOF, uma vez que a documentação referenciada comprova que a reclamante é portadora de deficiência física nos termos do artigo, 72, inciso IV, da Lei nº 8.383/91, abaixo transcrito: Art. 72. Ficam isentas do IOF as operações de financiamento para a aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência bruta (SAE), quando adquiridos por: [...] IV pessoas portadoras de deficiência física, atestada pelo Departamento de Trânsito do Estado onde residirem em caráter permanente, cujo laudo de perícia médica especifique; a) o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais; b) a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais, descritas no referido laudo; Por fim, quanto à comprovação de disponibilidade financeira ou patrimonial, muito embora o aludido parecer fiscal tenha mencionado a necessidade de apresentação de declaração de disponibilidade financeira nos termos do artigo 3º, inciso II, da IN RFB 988/2009, a decisão pelo indeferimento do pleito foi pautada unicamente no entendimento de que o laudo médico apresentado não se referira, literalmente, às deficiências elencadas pelo artigo 4º, inciso I, do Decreto nº 3.298/99. Ainda assim, a recorrente apresenta declaração de que é segurada da previdência social (fls. 06), não constando dos autos nenhuma alusão específica ao veículo pretendido pela suplicante, razão pela qual também não se cogita de insuficiência de disponibilidade financeira para a aquisição do mesmo. Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 22 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10240.720972/201114 Acórdão n.º 3802002.122 S3TE02 Fl. 113 10 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 10945.007208/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
EMBARGOS - CONTRADIÇÃO - PROPOSITURA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL.
Existindo omissão no acordão face a não apreciação do recurso de ofício, a questão deve ser apreciada sanando a falta apontada.
PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Tratando-se de diferença de contribuições correto o posicionamento adotado pelo julgador que aplicou a decadência a luz do art. 150, §4º do CTN.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-003.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir a omissão apontada, para negar provimento ao recurso de ofício, mantendo inalterado o julgamento do recurso voluntário. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim e momentaneamente a conselheira Luciana Campos de Carvalho, convocada para substituir a primeira nesta sessão de julgamento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 EMBARGOS - CONTRADIÇÃO - PROPOSITURA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL. Existindo omissão no acordão face a não apreciação do recurso de ofício, a questão deve ser apreciada sanando a falta apontada. PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Tratando-se de diferença de contribuições correto o posicionamento adotado pelo julgador que aplicou a decadência a luz do art. 150, §4º do CTN. Embargos Acolhidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10945.007208/2007-28
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5322236
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.298
nome_arquivo_s : Decisao_10945007208200728.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10945007208200728_5322236.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir a omissão apontada, para negar provimento ao recurso de ofício, mantendo inalterado o julgamento do recurso voluntário. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim e momentaneamente a conselheira Luciana Campos de Carvalho, convocada para substituir a primeira nesta sessão de julgamento. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
id : 5281916
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371558227968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.007208/200728 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401003.298 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2013 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREFEITURA MUNICÍPAL DE ITAIPULANDIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 EMBARGOS CONTRADIÇÃO PROPOSITURA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL. Existindo omissão no acordão face a não apreciação do recurso de ofício, a questão deve ser apreciada sanando a falta apontada. PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: “Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Tratandose de diferença de contribuições correto o posicionamento adotado pelo julgador que aplicou a decadência a luz do art. 150, §4º do CTN. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 72 08 /2 00 7- 28 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir a omissão apontada, para negar provimento ao recurso de ofício, mantendo inalterado o julgamento do recurso voluntário. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim e momentaneamente a conselheira Luciana Campos de Carvalho, convocada para substituir a primeira nesta sessão de julgamento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007208/200728 Acórdão n.º 2401003.298 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Considerando a propositura de embargos com fulcro no art. 65 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, a Fazenda Nacional, opõe, tempestivamente, Embargos de Declaração contra o acordão 240101.820 de 12 de maio de 2011. Tratase de embargos opostos pela ilustre procuradora por entender que o acordão padece de omissão tendo em vista a não apreciação de recurso de ofício, mas tão somente do recurso voluntário. Esta Turma deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos seguintes termos: "ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, excluir do lançamento, por vicio material todos os levantamentos, exceto em relação as diferenças de retenção sobre a coleta de lixo. Vencida Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por excluir os mesmos levantamentos por vicio formal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo." Ante a leitura do dispositivo do julgado, bem como de seu inteiro teor, verificase que somente foi apreciado o recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face da decisão de 1 instância. Ocorre que, em face da exoneração de parte do crédito tributário, houve interposição de recurso de oficio pela DRJ, conforme se lê no seguinte trecho da decisão de fls. 663/674: "Submetase it apreciação do Segundo Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto ng 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei ng 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e art. 366 do regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n" 3.048/99, por se tratar de decisão sujeita a recurso de oficio, nos termos do § 2" do artigo 366 do RPS c/c inciso II do art. 1" da Portaria MPS ng 158. A exoneração do credito procedida por este acórdão só serit definitiva após o julgamento do recurso de oficio em segunda instância." Como não se manifestou sobre o recurso de oficio interposto, o julgado embargado incorre em relevante omissão, que merece ser sanada por meio desta via recursal. Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que sejam conhecidos e providos os presentes embargos de declaração, para suprir o vicio apontado. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Contudo para adentrar aos pontos que entende a relatora geraram o acatamento dos presente embargos, transcrevo abaixo o relatório do acordão que não sofreu qualquer alteração. A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.101.7726, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela de 11% sobre as notas fiscais, a cargo da empresa sobre a contratação de pessoas jurídicas mediante cessão de mão de obra ou empreitada, inclusive na construção civil. O lançamento compreende competências entre o período de 02/1999 a 12/2006. Segundo o relatório fiscal, fls. 606 a 608, no decorrer do procedimento fiscal foram apuradas situações em que as retenções de 11% foram feitas a menor, incidindo sobre uma base de cálculo reduzida, em desacordo com as normas do INSS. Em síntese, descreve a autoridade fiscal que as Notas Fiscais de Prestação de Serviços contendo exclusivamente valores de serviços, cuja retenção de 11% foi destacada e recolhida sobre uma base de cálculo inferior, bem como observou Notas Fiscais de Prestação de Serviços sem o destaque e/ou retenção de 11%. Ao quitar as notas fiscais/faturas apresentadas, o Município deixou de efetuar a retenção de 11% ou efetuoua sobre uma base de cálculo indevidamente reduzida, razão pela qual estão sendo lançadas as diferenças apuradas. As empresas contratadas deduziram valores referentes a materiais e equipamentos em desacordo com o disposto na legislação (art. 150 e 151 da IN MPS/SRP no. 03, de 14/07/2005, e alterações). As empresas prestadoras de serviços de coleta de lixo doméstico, são sujeitas ao adicional de 2% (11% +2% = 13%) na retenção em decorrência dos riscos ambientais do trabalho (aposentadoria especial aos 25 anos). Nas retenções efetuadas pelo Município, esses acréscimos não foram aplicados. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 19/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/12/2007. Não conformada com a notificação, a recorrente apresentou defesa, fls. 100 a 112. Foi emitida DecisãoNotificação confirmando a procedência parcial do lançamento, fls.126 a 137, excluindo as competências anteriores até 11/2001, face a aplicação da decadência qüinqüenal a luz do art. 173, I do CTN. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 159 a , alegando em síntese: Preliminarmente, que as contribuições anteriores a 12/2002, encontramse fulminadas pela decadência. No mérito, argumenta.que não há dúvidas de que a contribuição previdenciária que prevê a retenção de 11 % sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços é constitucional, vez que já restou pacificada pelo Supremo Tribunal Federal. Por sua vez, o rol constante do §4", do art. 31 da Lei 8.212/91, não é taxativo, tratando se de relação exemplificativa, o que vale dizer que outras atividades poderão ser abrangidas pela retenção, constituindose o contratante em substituto tributário da exação determinada pela lei, contanto que inserida dentro de uma mesma moldura pré ordenada e limitadora constante do parágrafo 3", do art.31, da mesma Lei. Por outro lado, argumenta que, quando o art. 31, § 4", da Lei 8.212/91, com conteúdo exemplificativo, diz que "além de outros estabelecidos em Regulamento" resulta na interpretação de que a enumeração de casos constantes dos incisos I a IV estão sujeitos a inclusões de outros, por meio de regulamento. No entanto, tais inclusões devem se encaixar, ou se enquadrar, perfeitamente às características encontradas no texto da própria lei, sob pena de confrontar. o princípio da legalidade tributária, não Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007208/200728 Acórdão n.º 2401003.298 S2C4T1 Fl. 4 5 sendo cabível que veículos normativos infralegais determinem os sujeitos passivos, nem n as hipóteses . das obrigações tributárias, conforme determina o 'art. 99 do CTN. Oportuno esclarecer que cessão de mão de obra, por empresa contratada, implica em disponibilização de recursos humanos para a Contratante executar sob sua orientação, os serviços pactuados. Na cessão de mão de obra, para efeitos do § 3° da Lei n° 8.212/91 terá que haver subordinação dos empregados da Contratada às determinações da Contratante e os serviços se realizarem de forma continua. Também há que se ponderar que Decreto Regulamentador e/ou Instrução Normativa não podem desbordar da lei. não é cabível que veículos normativos infralegais determinem os sujeitos passivos, nem as hipóteses das obrigações tributárias, conforme determina o Art. 99, do CTN. Com efeito, não há a menor possibilidade de o detentor da chefia do Poder Executivo emitir decreto inovando, criando obrigações ou extinguindo direitos, menos ainda a Secretaria da Receita Previdenciária, signatária da Instrução Normativa MPS/SRP n" 03/2005, criando précondição para i) exercício regular do direito; Os serviços profissionais regulamentados pela legislação federal, exercidos pelos próprios profissionais, com ou sem concursos de empregados colocados à disposição da Contratante, não se aplica o instituto da retenção, Pois decorrem de conhecimentos 'técnicos cuja responsabilidade pela execução não pode ser transferida para terceiros, contratantes; empregados ou não; Que o rol de empresas que não estão sujeitas ao regime de substituição tributária de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91, por não conter seu objeto, nem as notas fiscais/faturas emitidas, relação com a execução de serviços mediante cessão dc mão deobra, é significativo: No presente caso, existindo inequívocos conflitos entre a pretensão fiscal e os interesses do Município Recorrente, consubstanciado na aplicação INDEVIDA de exação fiscal relativa a retenção de 11% sobre o SERVIÇOS PRESTADOS PESSOALMENTE POR PROFISSIONAIS DE ATIVIDADES REGULADAS POR LEI, entre outros, a produção de prova pericial se torna imprescindível para que haja decisão justa compatível com a lei regente da material. Indevida retenção na contratação de empresas optantes pelo SIMPLES. Por sua vez a execução de obras ou serviços de engenharia implica na identificação do quantitativo de material empregado na execução. Existem casos de execução através de maquinários, variando o percentual de mão de obra, caso a caso, que quando o percentual relativo a mãodeobra, identificado no contrato, constituem cláusula pétrea, não ficando ao livre arbítrio do agente público quantificar subjetivamente. O entendimento de que uma retenção sobre determinada Nota Fiscal/Fatura, foi efetuada a menor, sem parâmetro técnico plausível e consistente, nada mais é do que arbitramento inconseqüente, inaceitável. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Os pressupostos já foram devidamente apreciados quando do julgamento realizado, ora objeto de embargos. DA ANÁLISE DOS EMBARGOS Da análise dos elementos expostos, entendo que razão assiste ao embargante, tendo em vista que no acórdão prolatado vislumbrase omissão apontadas. Realmente, o julgamento de primeira instância determinou a procedência parcial do crédito, exonerando parte do crédito apurado, razão pela qual, deveria ter o recurso de ofício sido apreciado por parte dessa turma, assim, como o fez em relação ao recurso de voluntário. Verificada a omissão passemos a analise do recurso de ofício: Submetase à apreciação do Segundo Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n" 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e art. 366 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por se tratar de decisão sujeita a recurso de oficio, nos termos do § 2" do artigo 366 do RPS c/c inciso II do art. 1" da Portaria MPS n° 158. A exoneração que ensejou o referido recurso, foi consubstanciada na aplicação da decadência quinquenal, conforme se extrai ded trecho do acordão: No caso sob exame, considerando que se trata de diferenças apuradas em razão de retenção inferior a 11%, ou seja: o contratante efetuou a retenção sobre uma base de cálculo indevidamente reduzida, e que o crédito previdenciário foi constituído com a ciência do contribuinte em 26/12/2007, a competência mais remota para a qual poderia haver lançamento é 12/2002. • Desse modo, considerando o prazo decadencial de cinco anos para a constituição do crédito tributário, contados do fato gerador, consoante estabelecido no §40 do art. 150 do CTN, impõese a retificação do presente lançamento para excluir as competências de 02/1999 a 11/2002. DA DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido , à decisão do STF utilizada pela autoridade julgadora para afastar os fatos geradores da base de cálculo.. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007208/200728 Acórdão n.º 2401003.298 S2C4T1 Fl. 5 7 O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. Em se tratando de diferença de contribuições, correto o posicionamento do julgador que aplicou o art. 150, § 4º do CTN, não havendo reparo a ser feito no acordão proferido. CONCLUSÃO Voto por acolher os embargos de declaração para suprir a omissão apontada, para negar provimento ao recurso de ofício, mantendo inalterado o julgamento do recurso voluntário. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13839.915821/2009-88
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS FISCAIS EMITIDOS. CONHECIMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
É ônus do contribuinte servir-se das cautelas necessárias em suas relações negociais, não podendo opor à Fazenda Pública o desconhecimento da regularidade fiscal de fornecedor nem a boa-fé negocial para creditar-se de imposto sem lastro em documento fiscal idôneo para este fim.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL DE IPI. DEMONSTRAÇÃO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO DO PROCEDIMENTO.
Mostra-se correta a apuração do menor saldo credor do imposto sobre produtos industrializados após o trimestre de formação. Sem a indicação de eventual erro contido no Demonstrativo de Apuração Após o Período de Ressarcimento considera-se hígido o seu resultado e o valor final deferido.
Numero da decisão: 3803-005.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS FISCAIS EMITIDOS. CONHECIMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte servir-se das cautelas necessárias em suas relações negociais, não podendo opor à Fazenda Pública o desconhecimento da regularidade fiscal de fornecedor nem a boa-fé negocial para creditar-se de imposto sem lastro em documento fiscal idôneo para este fim. SALDO CREDOR TRIMESTRAL DE IPI. DEMONSTRAÇÃO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO DO PROCEDIMENTO. Mostra-se correta a apuração do menor saldo credor do imposto sobre produtos industrializados após o trimestre de formação. Sem a indicação de eventual erro contido no Demonstrativo de Apuração Após o Período de Ressarcimento considera-se hígido o seu resultado e o valor final deferido.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13839.915821/2009-88
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5315604
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.082
nome_arquivo_s : Decisao_13839915821200988.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 13839915821200988_5315604.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5240928
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371583393792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2222; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 193 1 192 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.915821/200988 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.082 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO IPI Recorrente ACMACK INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÁQUINAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 NULIDADE. PRESSUPOSTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA A ausência de contraditório previamente ao despacho decisório eletrônico, que se funda em dados fornecidos pelo contribuinte não configura cerceamento do direito de defesa descabendo invocar a nulidade do ato. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. MANUTENÇÃO. APROVEITAMENTO.IMPOSSIBILIDADE. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. SALDO CREDOR TRIMESTRAL DE IPI. DEMONSTRAÇÃO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO DO PROCEDIMENTO. Mostrase correta a apuração do menor saldo credor do imposto sobre produtos industrializados após o trimestre de formação. Sem a indicação de eventual erro contido no Demonstrativo de Apuração Após o Período de Ressarcimento considerase hígido o seu resultado e o valor final deferido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS FISCAIS EMITIDOS. CONHECIMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte servirse das cautelas necessárias em suas relações negociais, não podendo opor à Fazenda Pública o desconhecimento da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 58 21 /2 00 9- 88 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 regularidade fiscal de fornecedor nem a boafé negocial para creditarse de imposto sem lastro em documento fiscal idôneo para este fim. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitira o Pedido de Ressarcimento cumulado com Declaração de Compensação em que utilizou saldo credor de IPI referente ao 1º trimestre de 2003, no valor de R$ 24.798,01. Despacho Decisório eletrônico da DRF/Jundiaí, de 28 de outubro de 2009 , não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a Compensação. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou: a) em preliminar, a nulidade do despacho decisório por falta de motivação e cerceamento do direito de defesa, conforme doutrina e julgados que cita; b) no mérito: (i) apontou para a nulidade da decisão, por vício formal, pelo fato de ter efetuado glosa de créditos supostamente adquiridos de empresas optantes pelo Simples sem concederlhe a oportunidade de defesa, e sem indicar o dispositivo legal violado, ferindo o disposto no inciso III do artigo 11 do Decreto nº 70.235/72; (ii) reclamou por erro na apuração do menor saldo credor ressarcível, em decorrência do que restoulhe o indeferimento do pedido de ressarcimento e consequente a não homologação dos débitos. Em julgamento da lide a DRJ/Ribeirão Preto, ao amparo dos arts. 14, 15 e 59 do Decreto nº 70.235/72 refutou a tese da nulidade do despacho decisório, informando o dispositivo legal indicado na decisão, o art. 74 da Lei nº 9.430/96. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13839.915821/200988 Acórdão n.º 3803005.082 S3TE03 Fl. 194 3 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura o cerceamento do direito de defesa quando os autos demonstrarem inequivocamente que foram preservados a ampla defesa e o contraditório. IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 28 de junho de 2013, sextafeira, irresignada, apresentou recurso voluntário em 29 de julho de 2013, em que reitera o mesmo argumento trazido na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Defesa reproduz em sua totalidade o que já viera na manifestação de inconformidade, sustentando o argumento de nulidade da decisão administrativa por falta de motivação e cerceamento do direito de defesa, nela inexistindo a fundamentação e ausente abertura prévia de espaço para que a Interessada se manifestasse. O despacho decisório eletrônico é um ato administrativo que se funda em informações prestadas pelo próprio contribuinte. É sobre este fato que ele se erige como o ápice de um procedimento automático que dispensa a participação prévia do contribuinte sem que se o tenha por nulo. Segundo o rito do processo administrativo fiscal, previsto no Decreto nº 70.235/72 a que se submetem também os processos de restituição, ressarcimento e compensação , é a manifestação de inconformidade que instaura o litígio, no âmbito do qual é que se deve desenvolver o contraditório e o exercício, pelo contribuinte, da ampla defesa. Não antes. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Para ser um ato válido o despacho decisório não precisa ser um documento descritivo, como não o é o emitido na forma eletrônica. Nem por isso se pode dizer, no presente caso, que é um ato imotivado, pois é seqüenciado dos inúmeros demonstrativos de apuração do ressarcimento pleiteado, cuja leitura conduz à exata percepção do que foi decidido. Por exemplo: · foi pleiteado o valor de R$ 24.798,01, indeferido; · há um quadro que integra o despacho decisório que demonstra o saldo credor ressarcível ao final do trimestre pleiteado; · há outro quadro que mostra a origem do que não foi considerado ressarcível, com as respectivas notas fiscais identificadas; · há um quadro que mostra os créditos e débitos ajustados dos períodos subseqüentes ao trimestre do ressarcimento, tendo como base o saldo credor deste. Neste quadro se vê o movimento de débitos e créditos posteriores ao trimestre do ressarcimento e o quanto do saldo credor deste é reduzido pelos valores dos débitos que excedem os créditos, resultando no menor saldo credor anterior ao pedido de ressarcimento, aquele que será objeto do deferimento. A linguagem constante dos quadros que integram o despacho decisório está ao perfeito alcance do setor contábilfiscal da empresa, pois tal controle é tarefa própria do seu ofício, sendo prescindível a manifestação de perito. Os quadros são aptos a servir como um mapa a conduzir ao desfecho do ato administrativo, não havendo, pois, qualquer nulidade, nem cerceamento do direito de defesa. Importa destacar que é elementar o pressuposto de que contribuinte do IPI que se sujeita às formalidades escriturais peculiares desse imposto , conheça as disposições legais que estão no âmbito do seu direito subjetivo de se creditar e do seu dever quanto à forma de apuração deste imposto, no regime de lançamento por homologação. O lançamento por homologação consiste em procedimento fiscaltributário transferido ex vi legis do Estado para o contribuinte, que, ao apurar o quantum debeatur sem a participação do ente tributante recebe, por isso e concomitantemente, o ônus de fazêlo sob as balizas legais, não cabendo alegar desconhecimento para elidir sua responsabilidade por equívocos em que incorridos. Ao afirmar, desde a manifestação de inconformidade, que “não caberia, tampouco teria condições de a Recorrente checar se esse ou aquele contribuinte era contribuinte do Simples”, deixa claro que sabe que o direito material ao crédito não lhe pertence. Noutra palavra, apenas pretende afastar a sua responsabilidade pela apuração indevida de crédito apropriado em sua escrita. Ademais, consignese que no campo abaixo do despacho decisório consta o enquadramento legal: Art. 11 da Lei no 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto no 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Quanto ao mérito das aquisições de insumos de fornecedor optante pelo Simples, afirma a Recorrente, em síntese da vasta argumentação, que não tinha condições de saber acerca da sua legitimidade para destacar IPI nas notas fiscais, e que não há norma legal que obrigue o contribuinte a confirmar ser essa inscrição do fornecedor. O seu Fl. 196DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13839.915821/200988 Acórdão n.º 3803005.082 S3TE03 Fl. 195 5 desconhecimento da regularidade fiscal do fornecedor e a sua boafé negocial não são argumentos que prevaleçam em oposição à Fazenda para legitimar os créditos de IPI sem lastro em documento fiscal idôneo para este fim. Por fim, não cabe neste processo dar relevo a sua alegação de que o peso de alguma penalidade deva recair apenas sobre o seu fornecedor. No tocante ao mérito da apuração equivocada do menor saldo credor, a Recorrente não aponta onde se encontra o erro, restando claro que não manuseou os demonstrativos que seguem o despacho decisório, e se o fez não os compreendeu. Tomandose como caminho a exemplificação dada acima, somente no cotejo dos números do Demonstrativo da Apuração Após o Período de Ressarcimento e no apontamento de quais registros de débitos e créditos estariam incorretos para se concluir por erro na apuração, sem o que a reputo correta. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 197DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.919718/2009-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Repartição de origem informe o resultado do processo nº 11080.000169/2007-18 e a repercussão do resultado dele na compensação do débito neste processo.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.919718/2009-91
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5315594
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-000.410
nome_arquivo_s : Decisao_11080919718200991.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 11080919718200991_5315594.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Repartição de origem informe o resultado do processo nº 11080.000169/2007-18 e a repercussão do resultado dele na compensação do débito neste processo. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5240918
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371586539520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1840; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 271 1 270 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.919718/200991 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.410 – 3ª Turma Especial Data 27 de novembro de 2013 Assunto COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Repartição de origem informe o resultado do processo nº 11080.000169/200718 e a repercussão do resultado dele na compensação do débito neste processo. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 37143.06242.300407.1.7.044478, fls. 2 a 4, utilizando como crédito pagamento supostamente a maior de Cofins Cumulativa, relativa ao mês de novembro de 2003. Em procedimento de revisão de análise e homologação da DComp supra, que fora objeto de homologação integral, a DRF/Porto Alegre (DRF/POA), por meio do Despacho RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 19 71 8/ 20 09 -9 1 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.919718/200991 Resolução nº 3803000.410 S3TE03 Fl. 272 2 Decisório de nº 646/2011, à fl. 15, anulou os procedimentos internos anteriormente levados a cabo, mediante os quais homologara a presente compensação e, passo seguinte, não homologou o débito nela compensado pela Contribuinte, motivada pelo fato de que o crédito indicado já tinha sido integralmente utilizado em outras compensações que foram objeto de apreciação no Despacho Decisório de nº 669, de 25 de maio de 2009, fls. 05 a 09, no processo 11080.000169/200718. Em Manifestação de Inconformidade apresentada, fls. 22/28, a Contribuinte: (i) alegou que a origem do pagamento indevido advinha do fato de ter considerado na base de cálculo da contribuição os efeitos do então vigente art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; (ii) relatou que refizera os cálculos excluindo da receita bruta as de natureza financeira, obtendo valor inferior ao efetivamente recolhido; (iii) observou que considerara ainda no recálculo a prerrogativa contida no art. 7º da Lei nº 9.718/98[1]; que permitia o diferimento de receitas (iv) discutiu a constitucionalidade das alterações implementadas pela Lei nº 9.718/1998 na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep; (v) requereu a improcedência da cobrança dos débitos declarados com a homologação da compensação e a conseqüente nulidade do Despacho Decisório. Em julgamento da lide a DRJ/Porto Alegre contrapôsse ao argumento da Manifestante de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 como origem do seu crédito: a) afirmando que a Autoridade administrativa e o Contencioso administrativo não têm competência legal para decidir sobre a inconstitucionalidade de leis vigentes no País; b) referindo que os mecanismos de controle da constitucionalidade das leis estão regulados na própria Constituição Federal, que deferiu essa prerrogativa exclusivamente ao Poder Judiciário; c) observando que o afastamento do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no âmbito administrativo, condicionase a provimento concreto do Poder Judiciário, ou, ainda, a edição de Resolução do Senado suspendendo a eficácia de referido dispositivo legal, uma vez que a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal se deu por meio de controle difuso. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 INCONSTITUCIONALIDADE – 1 Art. 7° No caso de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, o pagamento das contribuições de que trata o art. 2° desta Lei poderá ser diferido, pelo contratado, até a data do recebimento do preço. Parágrafo único. A utilização do tratamento tributário previsto no caput deste artigo é facultada ao subempreiteiro ou subcontratado, na hipótese de subcontratação parcial ou total da empreitada ou do fornecimento. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.919718/200991 Resolução nº 3803000.410 S3TE03 Fl. 273 3 A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. Cientificada da decisão em 10 de abril de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 29 de abril de 2013, em que bem manejou como único argumento a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, para sustentar o seu direito ao crédito utilizado na DComp sob análise, deixando novamente de se pronunciar sobre o seu crédito analisado no processo 11080.000169/200718. É o relatório. VOTO Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme relatado, este processo trata de compensação com crédito apreciado em outro processo. Assim, o deslinde da presente controvérsia deve transitar inicialmente pelo que consta do Despacho Decisório nº 669, de 25 de maio de 2009, no processo de compensação nº 11080.000169/200718, da DRF/Porto Alegre. Relatou o Chefe do Seort/DRF/POA: Trata o presente processo de declarações de compensação eletrônicas (fls. 131 a 317 e 319 a 323), transmitidas em 15/12/2005, a fim de compensar débitos de COFINS nãocumulativa, dos períodos de apuração de outubro e novembro/2005, totalizando R$ 8.303.781,56 (planilha de fl. 336), com créditos originados em pagamentos a maior ou indevidos de PIS/PASEP e de COFINS, nos períodos de apuração de dezembro/2000 a janeiro/2004 (requerimento de fls. 1 a 3).[grifei]... As referidas declarações de compensação tinham sido objeto de intimações pelo módulo Pagamento Indevido ou a Maior do SCC (fls. 5 a 41), pois não haviam sido localizados os DARFs dos pagamentos a maior. O contribuinte informou que os créditos utilizados não se. originaram somente de recolhimentos realizados por meio de DARFs, mas, também, por meio de compensações e de pagamentos realizados em PAES e por meio de depósitos judiciais, posteriormente convertidos em renda .da União (requerimento de fls. 1 a 3), Assim, após o cadastramento dos débitos no PROFISC, as declarações de compensação foram baixadas para tratamento manual no presente processo, para a análise dos créditos (fl. 318). Pela informação acima, naquelas DComps esta Contribuinte servirase de créditos de diversas origens, e deste fato decorreu a não localização de DARFs de pagamento a maior, pela DRF/POA. Naquele processo, do total pleiteado R$ 8.303.781,56 foi deferida a importância de R$ 1.451.965,00 e procedida a homologação parcial dos débitos compensados. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.919718/200991 Resolução nº 3803000.410 S3TE03 Fl. 274 4 Já na presente decisão recorrida o Colegiado assentou que a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório acima referido fora julgado por aquela mesma turma, por meio do Acórdão nº 1021.706, de 30 de outubro de 2009, e que este processo, nº 11080.000169/200718, encontravase aguardando julgamento no Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF. Registrou ainda que ”nesse caso, já foi verificado o direito creditório apontado pela empresa inexistindo previsão legal para uma nova análise do mesmo. A interessada não se pronunciou a respeito do assunto na manifestação ora analisada”. Assinalou que a interessada não se pronunciara na presente manifestação de inconformidade a respeito da concomitância na utilização do mesmo crédito. No recurso, a Interessada, de novo, nada menciona acerca da decisão administrativa que analisara os seus créditos cobrindo o período de dezembro de 2000 a janeiro de 2004. Por outro lado, também não ataca a decisão recorrida indicando em que ponto teria cometido erro em seu julgamento, cuidando apenas de defender o seu direito ao crédito, sob o pálio da inconstitucionalidade do art 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. De se ver que temos aqui um processo cujo objeto é uma compensação que utiliza crédito controvertido no processo nº 11080.000169/200718, antecedente a este, assim apontado pela DRF/Porto Alegre e confirmado pelo Colegiado de primeira instância, uma litispendência, a induzir a dependência deste ao que for decidido naquele. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Repartição de origem informe o desfecho que alcançou o processo nº 11080.000169/200718 e a repercussão do crédito, porventura, ali obtido na compensação do débito neste processo. Após proferir o resultado da diligência, seja dada ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, nos termos do art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, retornando, em seguida, os autos a este CARF. Sala das sessões, 27 de novembro 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 274DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720008/2011-57
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITA. CONFISSÃO DO CONTRIBUINTE. ÔNUS DA CONTRAPROVA.
Cabe ao contribuinte apresentar contraprova que infirme sua confissão de omissão de receita.
MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
LANÇAMENTOS REFLEXOS - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - CSLL, PIS, Cofins e INSS/Simples.
Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos outros a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1802-001.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro: Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. CONFISSÃO DO CONTRIBUINTE. ÔNUS DA CONTRAPROVA. Cabe ao contribuinte apresentar contraprova que infirme sua confissão de omissão de receita. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. LANÇAMENTOS REFLEXOS - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - CSLL, PIS, Cofins e INSS/Simples. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos outros a ensejar conclusões diversas.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10073.720008/2011-57
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5307200
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-001.881
nome_arquivo_s : Decisao_10073720008201157.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10073720008201157_5307200.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro: Marco Antonio Nunes Castilho.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
id : 5173597
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371590733824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.720008/201157 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802001.881 – 2ª Turma Especial Sessão de 5 de novembro de 2013 Matéria SIMPLES FEDERAL Recorrente LUMADE COMERCIAL E DISTRIBUIDORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. CONFISSÃO DO CONTRIBUINTE. ÔNUS DA CONTRAPROVA. Cabe ao contribuinte apresentar contraprova que infirme sua confissão de omissão de receita. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. LANÇAMENTOS REFLEXOS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS CSLL, PIS, Cofins e INSS/Simples. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos outros a ensejar conclusões diversas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 00 08 /2 01 1- 57 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro: Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, que considerou procedentes os lançamentos para exigir o crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, nos valores de R$ 33.744,55, 24.765,37, R$ 34.975,60, R$ 103.110,79 e R$ 294.894,45, respectivamente, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros moratórios. Por considerar pertinente adoto parte do relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: ... B PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO 2. Na resposta datada de 22/09/2010, fl. 27, o interessado assim se manifestou: Prezado Senhor Auditor: Em complemento das informações prestadas anteriormente, seguem as seguintes considerações. Como já é do conhecimento de V. Sas. a contabilidade da Requerente encontravase em atraso, o que levou à Requerente destituir o responsável pela contabilidade e fazer o registro de sua contabilidade referente ao período fiscalizado. Por este motivo, verificouse que a Requerente não poderia estar sendo considerada como pessoa jurídica optante pelo SIMPLES no período fiscalizado, mas sim, como pessoa jurídica optante pelo lucro presumido. Dessa forma, o atual responsável pela contabilidade da Requerente procedeu ao registro e apuração dos tributos com base no lucro presumido, sendo apurados os valores de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS conforme os mapas de apuração que seguem anexados. Tendo em vista que a Requerente encontrase sob procedimento fiscal, requer se digne V. Exa. a autorizar que seja apresentada a DIPJ retificadora para que os valores do IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS constantes da apuração que segue anexada sejam declarados e objeto de parcelamento conforme a legislação atualmente em vigor. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10073.720008/201157 Acórdão n.º 1802001.881 S1TE02 Fl. 3 3 3. Em anexo à resposta, a impugnante informou novos valores de receitas tributáveis para o 1° semestre de 2007, fls. 27/41, que são apresentados nas duas próximas tabelas. Para comparação, também foram tabulados os valores originais, declarados na DSPJ 2008, fls. 6/17: ... 4. Conforme respostas das fls. 44 e 45, datadas de 18 e 25 de outubro de 2010, o interessado encaminhou à fiscalização (i) o Livro Diário referente ao período de 01/01/2007 a 31/12/2007; e (ii) minuta de DIPJ 2008, com apuração dos tributos federais segundo o lucro presumido. Nesta declaração, às fls. 48 e 50, são ratificados os valores de receita bruta informados na resposta de 22/09/2010, para apuração do IRPJ e da CSLL. 5. No Auto de Infração, fl. 81, consta que: [Foi tributado o] Valor apurado através de documentação apresentada pelo contribuinte em carta datada de 22/09/2010, (...) de onde se extraiu a receita bruta do primeiro semestre do ano fiscalizado, deduzida a receita bruta do mesmo período constante da declaração entregue em 28/05/2008 (SIMPLES). 6. No Termo de Constatação da fl. 62, o autuante acrescenta que: O contribuinte em sua declaração entregue em 28/05/2008, SIMPLES, referente ao ano calendário 2007, informou receitas brutas inferiores às informadas em resposta aos termos emitidos no decorrer do procedimento fiscal (...). As receitas apresentadas em carta datada de 22/09/2010 demonstram que houve omissão de receitas na declaração original referida acima. Essas receitas estão coerentes com a movimentação financeira constante dos extratos apresentados. C IMPUGNAÇÃO 7. O Interessado tomou ciência dos Autos de Infração em 28/12/2010, fl. 122, e, em 26/01/2011, apresentou a Impugnação de fls. 124/130, alegando, em síntese, que: 7.1 O autuante considerou todos os depósitos como fatos geradores. Em vez disso, deveria diferenciar as operações financeiras tributáveis das operações financeiras interna corporis. Depósitos, bem como transferências entre suas contas, não são receita. 7.2 Cabe à autoridade fiscal amealhar provas cabais de que houve omissão de receita, caso não admita a declaração feita pelo contribuinte. O fiscal pautouse em prova indireta por presunção, utilizandoa como fonte segura para arbitrar o auto de infração. 7.3 As declarações entregues pelo impugnante, em especial a de 28/05/2008 (Simples), refletem todos os valores amealhados a título de receita, inexistindo omissão. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJ) julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 12 55.756, de 10 de maio de 2013 (fls.158/159), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. CONFISSÃO DO CONTRIBUINTE. ÔNUS DA CONTRAPROVA. Cabe ao contribuinte apresentar contraprova que infirme sua confissão de omissão de receita. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 21/05/2013 (Aviso de Recebimento AR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 18/06/2013. As razões expostas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na impugnação, acima relatadas, portanto desnecessário repetilas. Finalmente requer sejam os autos de infração insubsistentes e por conseqüência as dívidas fiscais apontadas nos mesmos sejam consideradas indevidas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo, e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Conforme relatado, os autos de infração decorrem de omissão de receitas no primeiro semestre de 2007 informadas pelo contribuinte em atendimento a termos de intimação da autoridade administrativa por ocasião da ação fiscal. A Recorrente alega que o autuante considerou todos os depósitos como fatos geradores. Em vez disso, deveria diferenciar as operações financeiras tributáveis das operações financeiras interna corporis. Diz que depósitos, bem como transferências entre suas contas, não são receita. Na descrição dos fatos dos autos de infração consta que no termo de início do procedimento fiscal foram solicitados os extratos bancários das contascorrentes mantidas no Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, cuja movimentação era incompatível com a receita originalmente declarada pelo contribuinte, a qual ficou também demonstrada na documentação apresentada, que reflete a real movimentação financeira ocorrida no período. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10073.720008/201157 Acórdão n.º 1802001.881 S1TE02 Fl. 4 5 Consta da decisão recorrida a seguinte síntese: Conforme respostas das fls. 44 e 45, datadas de 18 e 25 de outubro de 2010, o interessado encaminhou à fiscalização (i) o Livro Diário referente ao período de 01/01/2007 a 31/12/2007; e (ii) minuta de DIPJ 2008, com apuração dos tributos federais segundo o lucro presumido. Nesta declaração, às fls. 48 e 50, são ratificados os valores de receita bruta informados na resposta de 22/09/2010, para apuração do IRPJ e da CSLL. (Grifei) As receitas consideradas omitidas estão consentâneas com as receitas informadas na minuta de DIPJ 2008, com apuração dos tributos federais segundo o lucro presumido, pretendida pelo contribuinte que seja considerada como declaração retificadora da DSPJ/Simples. Como cediço, a declaração entregue no curso da ação fiscal, não produz efeitos, conforme súmula nº 33 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. E, a opção pelo lucro presumido não se faz pela entrega de declaração e sim, pelo pagamento efetuado do IRPJ e CSLL correspondente ao primeiro período de apuração do ano calendário em que apurados os tributos devidos, a teor do § 1º do artigo 26 da Lei nº 9.430/96. Ainda que por impedimento legal não seja aceita a tributação com base no lucro presumido, compulsandose os autos constatase que os valores considerados como receitas tributáveis nos meses de janeiro a junho de 2007, discriminados nos autos de infração não diferem dos valores indicados pelo contribuinte na “minuta” de DIPJ com opção pelo lucro presumido, apresentada no curso da ação fiscal em 25/10/2010, em que interessado pleiteia seja considerada como retificadora da Declaração Simplificada (DSPJ) apresentada em maio de 2008. Assim, concluise que as receitas tributadas não foram extraídas simplesmente dos extratos bancários apresentados mas de um conjunto probatório, notadamente das informações prestadas pelo próprio contribuinte como explicitado na descrição dos fatos dos autos de infração do seguinte modo: Valor apurado através de documentação apresentada pelo contribuinte em carta datada de 22/09/2010, em resposta aos termos emitidos durante o procedimento fiscal, recebidos nesta unidade em 28/09/2010, de onde se extraiu a receita bruta do primeiro semestre do ano fiscalizado, deduzida a receita bruta do mesmo período constante da declaração entregue em 28/05/2008 (SIMPLES). Constam da decisão recorrida (fl.160) duas tabelas em que são demonstrados os novos valores informados pelo contribuinte na “minuta” de DIPJ com opção pelo lucro Fl. 188DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 presumido, apresentada no curso da ação fiscal em 25/10/2010 comparados com os valores originais, declarados na DSPJ 2008, apresentada em maio de 2008. Dessa comparação resultou, mensalmente, a “Diferença não declarada na DSPJ 2008”, considerada como omissão de receitas nos autos de infração. As provas da omissão foram fornecidas pelo próprio Interessado, conforme expresso no voto condutor do acórdão recorrido, que também adoto como fundamento para decidir, ipsis litteris: ... 10. O lançamento se sustenta nas provas de omissão fornecidas pelo próprio Interessado. O valor omitido foi apurado pela diferença entre as receitas confessadas na resposta de fls. 27/41 e as receitas declaradas na DSPJ 2008. Portanto, não tem fundamento a alegação de que o autuante simplesmente considerou todos os depósitos como fatos geradores. 11. O Interessado alega também que a receita bruta do período fiscalizado não é a confessada na referida resposta — e ratificada na minuta de DIPJ 2008, fls. 48 e 50 — mas a que apresentou na DSPJ 2008. Contudo, para afastar a prova produzida durante a fiscalização, deveria ter apresentado contraprova que infirmasse sua confissão de omissão de receita. Quanto aos lançamentos reflexos, CSLL, PIS, Cofins e INSS/Simples, decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos outros a ensejar conclusões diversas. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11060.003481/2007-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 31/01/2003, 31/08/2005
IRPF. GANHO DE CAPITAL. VENDA PARCELADA. FATO GERADOR.
Na apuração do ganho de capital decorrente de venda parcelada de bens, deve ser considerado o fato gerador como ocorrido na data do recebimento de cada uma das parcelas pactuadas, à medida do seu recebimento.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS. CUSTO E DATA DE AQUISIÇÃO.
O custo de aquisição a ser considerado na apuração do ganho de capital incidente sobre bens recebidos através de herança deve ser aquele constante da Declaração Final de Espólio. A data de aquisição do bem, por outro lado, deve ser a data da abertura da sucessão.
Numero da decisão: 2102-002.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificamente a Conselheira Núbia Matos Moura.
Assinado Digitalmente
Rubens Mauricio Carvalho Presidente Substituto
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 30/10/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Data do fato gerador: 31/01/2003, 31/08/2005 IRPF. GANHO DE CAPITAL. VENDA PARCELADA. FATO GERADOR. Na apuração do ganho de capital decorrente de venda parcelada de bens, deve ser considerado o fato gerador como ocorrido na data do recebimento de cada uma das parcelas pactuadas, à medida do seu recebimento. IRPF. GANHO DE CAPITAL. TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS. CUSTO E DATA DE AQUISIÇÃO. O custo de aquisição a ser considerado na apuração do ganho de capital incidente sobre bens recebidos através de herança deve ser aquele constante da Declaração Final de Espólio. A data de aquisição do bem, por outro lado, deve ser a data da abertura da sucessão.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11060.003481/2007-00
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5309918
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2102-002.325
nome_arquivo_s : Decisao_11060003481200700.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
nome_arquivo_pdf_s : 11060003481200700_5309918.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificamente a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado Digitalmente Rubens Mauricio Carvalho Presidente Substituto Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 30/10/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
id : 5192655
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371600171008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1881; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 160 1 159 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.003481/200700 Recurso nº 111.111 Voluntário Acórdão nº 2102002.325 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria IRPF, Ganho de Capital Recorrente SIMONE RAMOS PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 31/01/2003, 31/08/2005 IRPF. GANHO DE CAPITAL. VENDA PARCELADA. FATO GERADOR. Na apuração do ganho de capital decorrente de venda parcelada de bens, deve ser considerado o fato gerador como ocorrido na data do recebimento de cada uma das parcelas pactuadas, à medida do seu recebimento. IRPF. GANHO DE CAPITAL. TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS. CUSTO E DATA DE AQUISIÇÃO. O custo de aquisição a ser considerado na apuração do ganho de capital incidente sobre bens recebidos através de herança deve ser aquele constante da Declaração Final de Espólio. A data de aquisição do bem, por outro lado, deve ser a data da abertura da sucessão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificamente a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado Digitalmente Rubens Mauricio Carvalho – Presidente Substituto Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 30/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 34 81 /2 00 7- 00 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 93/102) para exigência de IRPF incidente sobre ganhos de capital cujos fatos geradores teriam ocorrido em 31/01/2003 e 31/08/2005. O crédito tributário total então exigido foi de R$ 57.635,50. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 114 a 120, reconhecendo que não teria direito à isenção sobre o ganho de capital por não se tratar do único bem imóvel que possuía, mas que o valor do imposto devido deveria ser recalculado, levandose em consideração a data da lavratura da escritura (como data do fato gerador) e o custo de aquisição de R$ 274.712,30 (constante do formal de partilha). Na análise de suas alegações, os integrantes da DRJ em Santa Maria decidiram por manter integralmente o lançamento. Entenderam que estaria correta a apuração do fato gerador do ganho de capital em questão na data de 17.01.2003, por ter sido esta a data do recebimento da primeira parcela de pagamento do preço do referido imóvel – não importando que a escritura tivesse sido lavrada somente em 19.08.2005. Em relação ao custo de aquisição considerado, entenderam que o valor correto seria o valor de transferência indicado na Declaração Final de Espólio (R$174.790,00), e não o valor constante do formal de partilha e do Registro de Imóveis. Inconformada com a manutenção integral do lançamento, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 133/138, por meio do qual reitera os pedidos formulados em sua Impugnação, ressaltando que: a) a data correta da alienação seria a data da lavratura da escritura pública (19.08.2005), eis que em janeiro de 2003 a transmissão ainda estava “sub judice” (no Inventário); e b) o custo correto de aquisição para o referido imóvel deveria ser aquele tomado por base para pagamento do imposto de transmissão “causa mortis” (R$ 274.712,30), pois foi este o valor pago a ela na partilha. Afirmou ainda que estaria incorreta a data considerada como data de aquisição do bem, pois deveria ser considerada a data do trânsito em julgado para tanto, ou, caso assim não se entendesse, que fosse considerada a data da sentença. Caso este entendimento não prevalecesse, deveriam ser aplicadas também as regras da Lei nº 9.393/96 para correção do custo de aquisição. Os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 11060.003481/200700 Acórdão n.º 2102002.325 S2C1T2 Fl. 161 3 Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 07.05.2010, como atesta o AR de fls. 132. O Recurso Voluntário foi interposto em 28.05.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF incidente sobre ganho de capital auferido na alienação de bem imóvel de propriedade da Recorrente. A discussão se resume em duas questões: a correta data de ocorrência do fato gerador (já que a autoridade fiscal considerou que o recebimento da primeira parcela de pagamento do preço seria considerada para tanto), e o valor do custo de aquisição do bem (se deveria ser o constante do formal de partilha ou o da declaração final do espólio). Com relação ao primeiro item (data de ocorrência do fato gerador), a autoridade fiscal considerou que: O artigo 140 do RIR/99 dispõe que, nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento, sendo que o imposto devido, relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado da aplicação do percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida (Lei n.° 7.713, de 1988, art.21). (...) Não obstante o alvará de autorização tenha sido expedido no ano de 2005 e a escritura pública de compra e venda tenha sido lavrada na data de 19/08/2005, temse que, o recebimento da primeira parcela relativa à alienação efetuada, deuse na data de 1710112003, ocorrendo nesta data, o fato gerador do imposto de renda devido sobre o ganho de capital apurado, de acordo com a legislação de regência. Diante o exposto e documentos comprobatórios, considerase como data de alienação para efeitos do cálculo do imposto devido a titulo de ganho de capital, 17/01/2003. A Recorrente não se conforma com tal procedimento e insiste que não poderia ser considerada como data do fato gerador para o ganho de capital em questão um momento anterior à partilha dos bens deixados por sua mãe – a qual ocorreu somente em abril de 2003. Afirma que até então a própria propriedade do bem ainda estaria “sub judice”, não podendo por isso mesmo ser exigido o ganho de capital. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 4 Por outro lado, na esteira do entendimento esposado pela autoridade fiscal, a decisão recorrida manteve a referida data como fato gerador do ganho de capital em questão, baseada nos seguintes fundamentos: Pertencendo a contribuinte 50% do imóvel alienado, esta recebeu R$350.000,00, sendo R$124.875,00 em 17/01/2003 e R$225.125,00 em 19/08/2005. A Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), em seu artigo 43 estabelece: "Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: 1 — de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II — de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. " Ora, a disponibilidade econômica relativamente ao valor da parcela dada como entrada (R$ 124.875,00) ocorreu no mês de janeiro de 2003, conforme consta da Escritura Pública, sendo este o fato gerador da obrigação tributária em questão. Diante do exposto, verificase que o ganho de capital foi apurado de conformidade com as orientações normativas transcritas, não havendo, portanto, ressalvas ao lançamento. Tal entendimento deve ser mantido. No caso em análise, vale repetir, tratase de Imposto sobre a Renda incidente sobre ganho de capital auferido na alienação de bem imóvel, cujo fato gerador é (nos termos do disposto na Lei nº 7.713/88): (...) Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (...) § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. (...) Já o artigo 21 da mesma lei estabelece que: Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 11060.003481/200700 Acórdão n.º 2102002.325 S2C1T2 Fl. 162 5 Decorre daí que surgirá a hipótese “necessária e suficiente” à ocorrência do fato gerador do ganho de capital toda vez que um determinado contribuinte alienar quaisquer bens de sua propriedade e desta venda decorrer um acréscimo em seu patrimônio, ou seja, toda vez que for alienado um bem por um valor superior àquele pelo qual ele tenha sido adquirido (ganho de capital = valor de alienação – custo de aquisição). Assim sendo, o fato gerador do ganho de capital ocorrerá na medida em que o contribuinte receba este valor. Nos casos em que a alienação se dá com pagamento à vista, dúvidas não há de que o fato gerador surge naquele momento da alienação, quando o contribuinte recebe o montante pactuado e aufere esse “ganho”. Porém, o mesmo não ocorre nos casos de venda parcelada, quando este prazo deverá ser computado na medida do vencimento de cada uma das parcelas recebidas, já que o IR incidente sobre o ganho de capital tem como fato gerador não somente a alienação do bem – a qual, por si só, poderá ou não gerar um ganho – mas o efetivo recebimento dos valores decorrentes desta venda. Com base neste raciocínio, este Conselho já decidiu reiteradas vezes que o fato gerador, nos casos do ganho de capital, se dá a partir do recebimento de cada uma das parcelas pactuadas na operação de compra e venda (como é o caso aqui em exame). Neste sentido: IRPF DECADÊNCIA GANHOS DE CAPITAL O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, nos casos de ganhos de capital, ocorre no mês de sua percepção. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. (...) (Ac. nº 10616.176, julgado em 01.03.2007, Rel. Cons. Gonçalo Bonet Allage) DECADÊNCIA GANHO DE CAPITAL Sendo a tributação sobre o ganho de capital definitiva, não sujeita a ajuste na declaração e independente de prévio exame da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4° do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador que, nesse caso, ocorre na data do evento. No caso de alienação a prazo, a ocorrência do fato gerador é diferida ao momento do recebimento. (...) (Ac. nº10423.228, julgado em 29.05.2008, Rel. Cons. Antonio Lopo Martinez) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 6 Na hipótese que ora se analisa, as parcelas relativas à alienação do imóvel que gerou a exigência do ganho de capital foram recebidas na seguinte proporção: R$ 124.875,00 em 17/01/2003 e R$ 225.125,00 em 19/08/2005. Assim, são estas as datas a serem consideradas para apuração (proporcional) do imposto devido, estando correto o entendimento esposado pela autoridade fiscal e devendo ser mantido o lançamento. O segundo item do inconformismo da Recorrente diz respeito ao custo de aquisição considerado pela autoridade fiscal e também quanto à data de aquisição do imóvel cuja venda gerou o ganho de capital aqui em discussão. Conforme os esclarecimentos constantes do Relatório de Fiscalização: Relativamente ao custo de aquisição, trata a legislação, que no caso de herança, o valor se refere ao herdeiro ou legatário deverá incluir os bens ou direitos, na sua declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do anocalendário da homologação da partilha ou do recebimento da doação, pelo valor pelo qual houver sido efetuada a transferência, sendo este o valor considerado como custo de aquisição para efeito de apuração de ganho de capital. De acordo com a Declaração Final de Espólio apresentada (fl. 38), a transferência do imóvel ao contribuinte, deuse pelo valor de R$ 174.790,00, porém, diferente do valor constante da avaliação da partilha e declarado pelo contribuinte. Diante o exposto e documentos comprobatórios, o custo de aquisição do imóvel alienado corresponde a R$ 174.790,00 e a data de aquisição considerase 28/10/1992 (abertura da sucessão — morte). A Recorrente, por seu turno, defende que o custo de aquisição a ser considerado é de R$ 274.712,30, valor constante do formal de partilha e no Registro de Imóveis. Sua pretensão não merece acolhida. O art. 23 da Lei nº 9.532/97 assim dispõe acerca da apuração do ganho de capital em transferências por sucessão: Art. 23. Na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador. § 1º Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus ou do doador sujeitarseá à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento. §2o O imposto a que se referem os §§ 1o e 5o deverá ser pago: (Redação dada pela Lei nº 9.779, de 1999) I pelo inventariante, até a data prevista para entrega da declaração final de espólio, nas transmissões mortis causa, observado o disposto no art. 7o, § 4o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995; (Incluído pela Lei nº 9.779, de 1999) (...) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 11060.003481/200700 Acórdão n.º 2102002.325 S2C1T2 Fl. 163 7 § 3º O herdeiro, o legatário ou o donatário deverá incluir os bens ou direitos, na sua declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do anocalendário da homologação da partilha ou do recebimento da doação, pelo valor pelo qual houver sido efetuada a transferência. § 4º Para efeito de apuração de ganho de capital relativo aos bens e direitos de que trata este artigo, será considerado como custo de aquisição o valor pelo qual houverem sido transferidos. § 5º As disposições deste artigo aplicamse, também, aos bens ou direitos atribuídos a cada cônjuge, na hipótese de dissolução da sociedade conjugal ou da unidade familiar. Como se vê, para fins fiscais, o custo de aquisição deve ser para o sucessor herdeiro, como é o caso da Recorrente – o valor constante para o bem na Declaração final do Espólio. Para que fosse considerado aqui o valor do formal de partilha, como pretende a Recorrente, deveria o espólio ter feito constar este mesmo valor em sua declaração final – ocasião em que deveria ter também apurado e pago o ganho de capital então devido, o que não ocorreu. Assim, deve a decisão recorrida ser também mantida quanto a este ponto. Por fim, insurgese a Recorrente quanto à data considerada no lançamento como data de aquisição do imóvel para fins de apuração do ganho de capital. Quanto a este ponto, insta salientar que o parâmetro utilizado pela autoridade fiscal foi mais benéfico a ela, pois considerou que o bem fora adquirido em momento anterior ao pretendido por ela, o que implica em redução do valor devido a título de ganho de capital. Aqui, também agiu corretamente a autoridade fiscal, que assim justificou seu procedimento: A homologação da partilha deuse por sentença na data de 20/03/2003, com trânsito em julgado na data de 04/04/2003. Conforme certidão de óbito, a Sra. Circe Félix Pereira faleceu na data de 28/10/1992 (fl. 34). De acordo com a legislação de regência anteriormente citada, considerase data de aquisição, no caso de herança, a data do falecimento. No presente caso, considera se data de aquisição 28/10/1992. Com efeito, a legislação a que se referiu a autoridade fiscal foi o art. 21 da Instrução Normativa SRF n.° 84/2001, cujo inciso I assim dispunha: Art. 21. Considerase data de aquisição: I a da abertura da sucessão, na transferência causa mortis, inclusive na hipótese de cessão de direitos hereditários; (...) Fl. 166DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 8 Por fim, no que diz respeito ao pedido de correção do custo de aquisição no período entre 1992 e 2003, a decisão recorrida já esclareceu à Recorrente o motivo pelo qual tal correção não seria cabível, verbis: Outrossim, o custo do imóvel foi atribuído em 2003, não havendo previsão para correção do valor. Não tendo a Recorrente trazido qualquer argumento que pudesse implicar na revisão deste entendimento, deve o mesmo ser mantido. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 167DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 10/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO
score : 1.0
