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4508622 #
Numero do processo: 10480.004686/2002-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO E OBSCURIDADE INEXISTENTES. Merecem ser desprovidos os aclaratórios, uma vez que não existe qualquer omissão ou obscuridade no acórdão embargado.
Numero da decisão: 3101-001.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar os embargos de declaração. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Corintho Oliveira Machado - Relator. EDITADO EM: 15/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1553; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T1  Fl. 2          1 1  S3­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10480.004686/2002­86  Recurso nº  1   Embargos  Acórdão nº  3101­001.303  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de novembro de 2012            Matéria  IPI ­ CRÉDITO PRESUMIDO ­ COMPENSAÇÃO            Embargante  TCA TECNOLOGIA EM COMPONENTES AUTOMOTIVOS S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Ano­calendário: 2002  EMBARGOS  DECLARATÓRIOS.  OMISSÃO  E  OBSCURIDADE  INEXISTENTES.  Merecem  ser  desprovidos  os  aclaratórios,  uma vez  que não  existe  qualquer  omissão ou obscuridade no acórdão embargado.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar os  embargos de declaração.     Henrique Pinheiro Torres ­ Presidente.     Corintho Oliveira Machado ­ Relator.    EDITADO EM: 15/12/2012    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete  Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 46 86 /2 00 2- 86 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S     2   Relatório      Reporto­me ao relato de fls. 334v e seguintes, adotado quando do julgamento  por este Colegiado, que culminou na seguinte ementa:  Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI   Ano­calendário: 2002   CRÉDITO  PRESUMIDO  PARA  RESSARCIMENTO  DAS  CONTRIBUIÇÕES  PARA  O  PIS/PASEP  E  A  COFINS.  UTILIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO.  Os pedidos de  créditos presumidos de  IPI,  como  ressarcimento  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS,  instituídos  pela Lei n.º 9.440, de 1997, formulados até 09/09/2008, data de  vigência  do  Decreto  nº  6.556/2008,  somente  serão  objeto  de  ressarcimento, sob a forma de compensação, com débitos do IPI  da  mesma  pessoa  jurídica,  relativa  às  operações  no  mercado  interno,  não  sendo  possível  o  seu  ressarcimento  em espécie  ou  compensação com outros débitos tributários.  Recurso Voluntário Negado.     Em  01/06/2012,  foram  opostos  embargos  declaratórios,  tempestivos,  pela  supramencionada  embargante,  alegando  haver  omissão  e  obscuridade  no  acórdão  nº  3101­ 00.991. A  omissão  decorreria  da  falta  de manifestação  quanto  à  regularidade  do  pedido  de  ressarcimento nos termos do art. 179 do Decreto nº 2.637/98 (RIPI/98), e quanto ao alcance  do  seu  parágrafo  único.  Diz  que  o  pedido  de  ressarcimento  foi  indeferido  com  base  em  legislação revogada (RIPI/82). A obscuridade seria acerca da alteração do Decreto nº 2.179/97  pelo  Decreto  nº  6.556/2008.  Conclui  dizendo  o  seguinte:  a  Turma  foi  silente  a  respeito  da  evolução normativa, e obscura a respeito dos efeitos da alteração do Decreto nº 2.179/97 pelo  Decreto  nº  6.556/2008,  bem  como  da  função  normativa  do  Decreto.  O  pedido  é  para  o  recebimento dos aclaratórios com efeitos infringentes.    Ato seguido, são encaminhados os embargos a este Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais, para julgamento.     É o Relatório.    Fl. 465DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10480.004686/2002­86  Acórdão n.º 3101­001.303  S3­C1T1  Fl. 3          3 Voto             Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator      Os embargos declaratórios são tempestivos, e considerando o preenchimento  dos demais requisitos de sua admissibilidade, merecem ser apreciados.    Quanto à omissão apontada, não tem razão a embargante, uma vez que o  voto do acórdão embargado é explícito a respeito da impropriedade do pedido de ressarcimento  da  recorrente  com  base  no  art.  179  do  Decreto  nº  2.637/98  (RIPI/98),  e  quanto  ao  alcance  restrito  do  seu  parágrafo  único.  Trago  à  colação  excerto  do  voto  que  demonstra  o  quanto  afirmo:  (...)  Nos  termos  do  art.  179  do  mesmo  regulamento  do  IPI  (Decreto  nº  2.637/98)  apenas  os  créditos  incentivados  nominalmente  identificados  garantem  a  utilização  por  outras  formas que não o mero abatimento na conta gráfica, dentre eles,  não  figurando  o  crédito  presumido  do  art.  1º,  IX  da  Lei  nº  9.440/97, verbis:  “Art.  179.  Os  créditos  incentivados,  para  os  quais  a  lei  expressamente  assegurar  a  manutenção  e  utilização,  e  que  não  forem  absorvidos  no  período  de  apuração  do  imposto  em  que  foram  escriturados,  poderão  ser  utilizados  em  outras  formas  estabelecidas  pelo  Secretário  da  Receita  Federal,  inclusive  o  ressarcimento em dinheiro.  Parágrafo  único. Estão  amparados  pelo  disposto  neste  artigo  os  créditos a que se referem os arts. 71, 85, § 2º, 88, § 2º, 91, § 2º,  94, § 2º, 97, § 2º, 99, 103 e 159 a 162.”     A  alegada  obscuridade  a  respeito  dos  efeitos  da  alteração  do  Decreto  nº  2.179/97  pelo Decreto  nº  6.556/2008,  bem  como  da  função  normativa  do Decreto,  também  não merece acolhida, porquanto consta do voto ipsis litteris:  Reforça o raciocínio exposto, coincidente com o externado pela  decisão  recorrida,  consoante  o  qual  o  benefício  fiscal  não  permitia  o  seu  ressarcimento  ou  a  sua  utilização  para  compensação com outros tributos administrados pela Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  a  superveniente  alteração  do  Decreto nº 2.179/97 pelo Decreto nº 6.556/08, que, a meu sentir,  suprindo a falha, textualmente passou a prever outras formas de  utilização do crédito decorrente, senão veja­se:  “Art.1o O art. 6o do Decreto no 2.179, de 18 de março de 1997,  passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 466DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S     4 “Art.6o  ......................................................................................................... §1o O crédito presumido de que trata o inciso VI será escriturado  no  Livro  Registro  de  Apuração  do  IPI  e  utilizado  mediante  dedução do  imposto devido em razão das  saídas de produtos do  estabelecimento que apurar o referido crédito. §2o Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de  apuração do  imposto,  resultar saldo  credor,  será  este  transferido  para o período seguinte. §3o O crédito presumido de que trata o inciso VI, não aproveitado  na  forma  dos  §§  1o  e  2o,  poderá,  ao  final  de  cada  trimestre­ calendário,  ser  aproveitado de  conformidade com o disposto no  art.  208  do  Decreto  no  4.544,  de  26  de  dezembro  de  2002,  observadas as  regras específicas estabelecidas pela Secretaria da  Receita Federal do Brasil.”(NR) Art.2o  Este  Decreto  entra  em  vigor  na  data  de  sua  publicação,  alcançando o saldo credor de IPI existente nesta data.” No  entanto,  o  próprio  decreto  tratou  de  esclarecer  que  sua  eficácia  não  seria  retroativa,  não  albergando,  portanto,  os  pedidos  de  ressarcimento  e/ou  compensação  formalizados  em  data anterior à sua vigência, como no caso corrente.  Todavia,  o  direito  creditório  foi  preservado,  porquanto  o  dispositivo  que  encerra  a  vigência  das  alterações  é  claro  ao  dispor  que  alcançará  o  saldo  credor  acumulado  até  a  data  de  sua publicação, ou seja, o direito foi garantido, contudo, o  seu  exercício  foi  diferido  para  09/09/2008,  data  da  publicação  do  diploma,  o  que  exigirá  a  formalização  de  novo  pedido  de  ressarcimento, não sendo possível o aproveitamento deste feito.    Posto isso, e verificando que o manejo do presente recurso deu­se de modo  impróprio, porquanto tenta trazer à tona matéria de fundo bem discutida, apreciada e decidida  pela Turma, voto pelo DESPROVIMENTO dos embargos declaratórios.    Sala das Sessões, em 29 de novembro de 2012.    CORINTHO OLIVEIRA MACHADO                            Fl. 467DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10480.004686/2002­86  Acórdão n.º 3101­001.303  S3­C1T1  Fl. 4          5     Fl. 468DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/12 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S

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4420514 #
Numero do processo: 15563.000776/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos da Portaria nº 01/2012 do CARF, sobrestar o julgamento. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva– Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1337; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 2          1 1  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA              PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15563.000776/2009­78  Recurso nº  0.000.01Voluntário  Resolução nº  1401­000.177  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  4 de outubro de 2012  Assunto  Sobrestamento  Recorrente  SUPREMA DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS E DERIVADOS  LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos da  Portaria nº 01/2012 do CARF, sobrestar o julgamento.  (assinado digitalmente)  Jorge Celso Freire da Silva– Presidente   (assinado digitalmente)  Alexandre Antonio Alkmim Teixeira  ­ Relator     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Jorge  Celso  Freire  da  Silva  (Presidente),  Alexandre  Antonio  Alkmim  Teixeira,  Mauricio  Pereira  Faro,  Antonio  Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias               RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .0 00 77 6/ 20 09 -7 8 Fl. 927DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15563.000776/2009­78  Resolução nº  1401­000.177  S1­C4T1  Fl. 3          2   Dentre as questões  em discussão no presente  feito,  encontra­se  a utilização da  Requisição de Movimentação Financeiras – RMF, por parte da Autoridade Fiscal, como forma  de conhecer os extratos bancários da Recorrente.  A  constitucionalidade  de  referido  instrumento  está  em  julgamento  perante  o  Supremo  Tribunal  Federal,  nos  autos  do  RE  601.314.  Ainda,  no  RE  410.054  AgRg,  foi  determinado o sobrestamento do feito até o julgamento do processo em repercussão geral.   Segundo  o  art.  62,  §  1º  Código  de  Processo  Civil,  “Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­b, do  CPC”.  Ainda,  nos  termos  do  Regimento  Interno  do  Supremo  Tribunal  Federal,  o  reconhecimento da repercussão geral conduzirá |à aplicado no art. 543­B do CPC. Senão, veja­ se:  Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível  de  reproduzir­se  em  múltiplos  feitos,  o  Presidente  do  Tribunal  ou  o  Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará  o  fato  aos  tribunais  ou  turmas  de  juizado  especial,  a  fim  de  que  observem  o  disposto  no  art.  543­B  do  Código  de  Processo  Civil,  podendo  pedir­lhes  informações,  que  deverão  ser  prestadas  em  5  (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica.  Parágrafo  único.  Quando  se  verificar  subida  ou  distribuição  de  múltiplos  recursos  com  fundamento  em  idêntica  controvérsia,  o  Presidente  do  Tribunal  ou  o  Relator  selecionará  um  ou  mais  representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos  tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos  parágrafos do art. 543­B do Código de Processo Civil. (sem grifos no  original).  Ainda, a Portaria nº 138, de 23 de julho de 2009, do Supremo Tribunal Federal,  impõe  que  todo  processo  onde  tiver  havido  repercussão  geral  deverá  ser  sobrestado,  independentemente de determinação expressa nesse sentido. Leia­se o dispositivo, in verbis:  PORTARIA Nº 138, DE 23 DE JULHO DE 2009 O PRESIDENTE DO  SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso de suas atribuições legais e  tendo em vista o disposto no art. 543­B, § 5º, do Código de Processo  Civil,  com  a  redação  da  Lei  nº  11.418/06,  e  no  art.  328,  parágrafo  único, do Regimento  Interno,  com redação da Emenda Regimental nº  21/07, RESOLVE:  Art. 1º Determinar à Secretaria Judiciária que devolva aos Tribunais,  Turmas Recursais ou Turma Nacional de Uniformização dos Juizados  Especiais  os  processos  múltiplos  ainda  não  distribuídos  relativos  a  matérias  submetidas  à  análise  de  repercussão  geral  pelo  STF,  os  encaminhados em desacordo com o disposto no § 1º do art. 543­B, do  Código  de  Processo  Civil,bem  como  aqueles  em  que  os  Ministros  tenham determinado sobrestamento ou devolução.  Fl. 928DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15563.000776/2009­78  Resolução nº  1401­000.177  S1­C4T1  Fl. 4          3 Por  fim,  a  Portaria  nº  01/2012  deste  Conselho  determina  o  sobrestamento  do  feito, sempre que, cumulativamente, a matéria encontra­se em repercussão geral e tiver havido  ordem de sobrestamento de processos por força de referida situação. No caso, essa cumulação  de requisitos se apresenta pelos RE 601.314 e RE 410.054 AgRg, ambos do Supremo Tribunal  Federal.  Pelo exposto, nos termos da Portaria nº 1 do CARF, voto no sentido de sobrestar  o  julgamento  do  presente  feito  até  ulterior  análise  da  questão  constitucional  pelo  Supremo  Tribunal Federal.  Transitada  em  julgada  a  decisão  do  Excelso  Pretório,  retornem  os  autos  para  julgamento.  É como voto.   (assinado digitalmente)  Alexandre Antonio Alkmim Teixeira ­ Relator    Fl. 929DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA

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Numero do processo: 19515.002389/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. CO-RESPONSÁVEIS Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração, para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. CO-RESPONSÁVEIS Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração, para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. Recurso Voluntário Provido em Parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos, Adriana Sato.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI   2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda  Seção  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.  A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991,  para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008.  Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi  (Presidente),  Arlindo  da  Costa  e  Silva,  Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Juliana  Campos  de  Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos, Adriana Sato.  Fl. 277DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.002389/2009­01  Acórdão n.º 2302­002.255  S2­C3T2  Fl. 273          3     Relatório  O  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  lavrado  em  25/06/2009  e  cientificado ao sujeito passivo através de Registro Postal em 08/07/2009, documento de fls. 82,  refere­se  a  diferenças  de  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  remuneração  de  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  não  declaradas  em GFIP  e  apuradas  com  base nas folhas de pagamento da empresa, no período de 01/2004 a 12/2004.  O relatório fiscal de fls. 73/77, diz que no decurso da ação fiscal, a autuada  promoveu  a  declaração  que  faltava  em  GFIP  dos  valores  referentes  à  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  bem  como  procedeu  ao  recolhimento  das  contribuições devidas. Entretanto, frente a MP 449/2008 , convertida na Lei n.º11.941/2009, o  crédito  foi  lançado  neste  AIOP  porque  a  novel  legislação  retirou  a  espontaneidade  do  contribuinte, implicando na aplicação da multa de ofício para recolhimentos efetuados após o  início da ação fiscal.  Após  a  impugnação,  Acórdão  de  fls.  216/231,  julgou  o  lançamento  procedente.  Inconformado,  o  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  onde  alega  em  síntese:  a)  a decadência qüinqüenal;  b)  a  exclusão  das  pessoas  físicas  como  dos  relatórios  de  representantes  legais da autuada e de vínculos;  c)  que recolheu as contribuições lançadas, às vezes até em valores a maior;  d)  que recolheu os valores de multa e juros;  e)  que a  legislação superveniente não pode amparar a multa aplicada neste  AIOP;  f)  que deve ser acatado o princípio da irretroatividade da lei tributária;  g)  que  ainda que aplicada  a multa de ofício deveria  ser  reduzida  em 50%,  nos moldes do artigo 6º , inciso I, da Lei n.º 8212/91.  Requer  o  provimento  do  recurso  para  reconhecer  a  decadência  e  declarar  impertinente a aplicação da multa de ofício; que sejam reconhecidos os valores recolhidos e o  seu direito de reaver ou compensar valores recolhidos a maior. Alternativamente, requer que a  multa de ofício seja reduzida ou recalculado o débito frente aos  recolhimentos e excluídas as  pessoas físicas do REPLEG e da Relação de Vínculos.  É o relatório.  Fl. 278DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI   4 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.002389/2009­01  Acórdão n.º 2302­002.255  S2­C3T2  Fl. 274          5   Voto             Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora  O  recurso  cumpriu  com  o  requisito  de  admissibilidade,  frente  à  tempestividade, devendo ser conhecido.  Da Preliminar  O  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  foi  lavrado  em  25/06/2009  e  cientificado  ao  sujeito  passivo  em  08/07/2009,  conforme  AR  de  fls.  82,  compreendendo  o  período de 01/2004 a 12/2004.  A  recorrente  alega  a decadência  qüinqüenal  e  com  efeito,  deve­se  observar  que  nas  sessões  plenárias  dos  dias  11  e  12/06/2008,  respectivamente,  o  Supremo  Tribunal  Federal ­ STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212,  de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições:  Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar  Mendes, Relator:  Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº  8.212/91  e  o  parágrafo  único  do  art.5º  do  Decreto­lei  n°  1.569/77,  que  versando  sobre  normas  gerais  de  Direito  Tributário,  invadiram  conteúdo  material  sob  a  reserva  constitucional de lei complementar.  Sendo  inconstitucionais  os  dispositivos,  mantém­se  hígida  a  legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e  decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de  suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo  das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que,  como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social  sujeitam­se,  entre  outros,  aos  artigos  150,  §  4º,  173  e  174  do  CTN.  Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes  nego  provimento,  para  confirmar  a  proclamada  inconstitucionalidade  dos  arts.  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  por  violação  do  art.  146,  III,  b,  da  Constituição,  e  do  parágrafo  único do art. 5º do Decreto­lei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art.  18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda  Constitucional 01/69.  É como voto.  Súmula Vinculante n° 08:  “São  inconstitucionais  os  parágrafo  único  do  artigo  5º  do  Decreto­lei  1569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.  Fl. 280DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI   6 Os  efeitos  da  Súmula  Vinculante  são  previstos  no  artigo  103­A  da  Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis:  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído  pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).  Lei n° 11.417, de 19/12/2006:  Regulamenta o art. 103­A da Constituição Federal e altera a Lei  no  9.784,  de  29  de  janeiro  de  1999,  disciplinando  a  edição,  a  revisão  e  o  cancelamento  de  enunciado  de  súmula  vinculante  pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências.  ...  Art.  2o  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  após  reiteradas  decisões  sobre  matéria  constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua  publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual  e  municipal, bem como proceder à  sua  revisão ou cancelamento,  na forma prevista nesta Lei.  §  1o  O  enunciado  da  súmula  terá  por  objeto  a  validade,  a  interpretação e a  eficácia de normas  determinadas, acerca das  quais  haja,  entre  órgãos  judiciários  ou  entre  esses  e  a  administração  pública,  controvérsia  atual  que  acarrete  grave  insegurança  jurídica  e  relevante  multiplicação  de  processos  sobre idêntica questão.  Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em  20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula  Vinculante.   As  contribuições  previdenciárias  são  tributos  lançados  por  homologação,  devendo observar  a  regra prevista  no  art.  150,  parágrafo  4o  do CTN. Havendo o  pagamento  antecipado,  observar­se­á  a  regra  de  extinção  prevista  no  art.  156,  inciso  VII  do  CTN.  Entretanto,  somente  se  homologa  pagamento,  caso  esse  não  exista,  não  há  o  que  ser  homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o  crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha  ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do  CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173,  inciso  I,  independentemente de  ter havido o pagamento antecipado.  No caso presente, embora não conste do DAD – Discriminativo Analítico do  Débito,  fls.  05  a  09,  valores  a  serem  abatidos  do  débito,  o  levantamento  refere­se  a  “DIFERENÇAS DECLARADAS DURANTE A AÇÃO FISCAL” e o  relatório  fiscal  de  fls.  73/77,  também  é  explícito  ao  dizer  que  o  lançamento  é  relativo  a  diferenças  apuradas  nos  valores  constantes  das  folhas  de  pagamento  da  recorrente,  com  relação  à  remuneração  de  Fl. 281DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.002389/2009­01  Acórdão n.º 2302­002.255  S2­C3T2  Fl. 275          7 empregados  e  contribuintes  individuais,  e  os  valores  efetivamente  declarados  em  GFIP  e  recolhidos antes do início da ação fiscal.   Desta  forma,  deve  ser  observado  o  prazo  decadencial  exposto  no  Código  Tributário Nacional, artigo 150, § 4º, e excluídas as competências até 06/2004, inclusive:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  ...  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Quanto à solicitada exclusão dos sócios do pólo passivo da notificação, cabe  esclarecer  que  a  relação  de  co­responsáveis,  anexada  aos  autos  pela  Fiscalização,  não  tem  como  escopo  incluir  os  sócios  da  empresa  no  pólo  passivo  da  obrigação  tributária, mas  sim  listar  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  representantes  legais  do  sujeito  passivo  que,  eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição  do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução  fiscal,  em  consonância  com  o  parágrafo  3o  do  artigo  4o  da  Lei  no  6.830/80,  e  após  se  verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa.  A  responsabilização  dos  sócios  somente  ocorrerá  por  ordem  judicial,  nas  hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a  pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Assim,  esta  discussão  é  inócua  na  esfera  administrativa,  sendo mais  apropriada  na  via  da  execução  judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação  do crédito.   Ademais,  os  relatórios  de  Co­Responsáveis  e  de  Vínculos  fazem  parte  de  todos  processos  como  instrumento  de  informação,  a  fim  de  se  esclarecer  a  composição  societária  da  empresa  no  período  do  lançamento  ou  autuação,  relacionando  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas,  representantes  legais  do  sujeito  passivo,  indicando  sua  qualificação  e  período de atuação.  O  art.  660  da  Instrução  Normativa  SRP  n°  03  de  14/07/2005  determina  a  inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo­fiscais e esclarece:  Art.  660.  Constituem  peças  de  instrução  do  processo  administrativo­fiscal  previdenciário,  os  seguintes  relatórios  e  documentos:  (...)  Fl. 282DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI   8 X ­ Relação de Co­Responsáveis ­ CORESP, que  lista todas as  pessoas  físicas  e  jurídicas  representantes  legais  do  sujeito  passivo, indicando sua qualificação e período de atuação;  XI  ­  Relação  de  Vínculos  ­  VÍNCULOS,  que  lista  todas  as  pessoas  físicas  ou  jurídicas  de  interesse  da  administração  previdenciária em razão de  seu vínculo com o sujeito passivo,  representantes  legais  ou  não,  indicando  o  tipo  de  vínculo  existente e o período correspondente;    Do Mérito  Quanto ao mérito das contribuições lançadas, a recorrente não traz qualquer  contestação.  Assim,em  virtude  do  disposto  no  art.  17  do Decreto  n  º  70.235  de  1972,  onde  somente  será  conhecida  a matéria  expressamente  impugnada,  com exceção  das matérias  que  podem  ser  conhecidas  independentemente  de  impugnação,  como  a  decadência,  deixo  de me  manifestar sobre as exações lançadas:  Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação  dada pela Lei nº 9.532, de 1997)  A  questão  trazida  pela  recorrente  cinge­se  à  inaplicabilidade  da  multa  de  ofício para fatos geradores ocorridos em 2004.   Neste aspecto, é de se observar que à época do fatos geradores (2004) e até a  competência 11/2008, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação  previdenciária  previa  a  aplicação  de  multa  moratória,conforme  disposto  pelo  35  da  Lei  n°  8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99.  A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, excluiu  do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91,  conferindo­lhe  outras  condições,  eis  que  se  tratando  de  recolhimento  espontâneo  pelo  contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada  será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia  subsequente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento  do  tributo  ou  da  contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento:    Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009).    Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  Fl. 283DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.002389/2009­01  Acórdão n.º 2302­002.255  S2­C3T2  Fl. 276          9 1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  §1º A multa de que  trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subsequente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por  cento.  §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de  mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)  Quando  se  tratar  de  lançamento  de  ofício,  como  no  caso  da  presente  notificação  fiscal  de  lançamento  de  débito  –NFLD,  a  legislação  superveniente  determinou  a  incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou  contribuição  devidos  e  não  recolhidos,  podendo,  inclusive  ser  duplicado  o  valor  em  caso  de  fraude, simulação ou conluio:    Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009).    Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)    II ­ de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488,  de 2007)  a)  na  forma  do  art.  8º  da  Lei  nº  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)  b)  na  forma  do  art.  2º  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)  Fl. 284DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI   10   §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I ­ prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei  nº 11.488, de 2007)  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da  alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007)  III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta  Lei.  (Renumerado  da  alínea  "c",  com nova  redação  pela  Lei nº 11.488, de 2007)    §3º  Aplicam­se  às  multas  de  que  trata  este  artigo  as  reduções  previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e  no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.  §4º  As  disposições  deste  artigo  aplicam­se,  inclusive,  aos  contribuintes  que  derem  causa  a  ressarcimento  indevido  de  tributo  ou  contribuição  decorrente  de  qualquer  incentivo  ou  benefício fiscal.  Entretanto, é de se notar que no caso em tela, o fisco ao promover a aplicação  da  multa,  efetuou  uma  comparação  entre  a  multa  de  24%,  prevista  no  artigo  35,  inciso  II,  acrescida  da  multa  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória  e  pela  multa  imposta  pela  legislação vigente quando do lançamento, multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, da lei  n.º 9.430/96, a fim de apurar o percentual mais benéfico ao contribuinte, que do resultado se  mostrou a multa de ofício, sendo então aplicada.  Contudo,  meu  entendimento  é  que  à  luz  da  legislação  vigente,  as  multas  devem  ser  aplicadas  de  forma  isolada,  conforme  o  caso,  por  descumprimento  de  obrigação  principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o  disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional.   Embora,  em  algumas  vezes,  a  obrigação  acessória  descumprida  esteja  diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de  multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser  lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação  acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada.  O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre  a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata.  Portanto,  está  claro  que  as  três  condutas  não  precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  Fl. 285DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.002389/2009­01  Acórdão n.º 2302­002.255  S2­C3T2  Fl. 277          11  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  (...)  Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal,  não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430/96; porém, se apesar do  pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32­A  da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas.   Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da  Lei n º 9.430/96, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os  débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento.   A multa do art. 44 da Lei n º 9.430/96 somente se aplica nos lançamentos de  ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da  Lei  9.430/96  não  é  aplicado  pelo  motivo  de  o  contribuinte  não  ter  recolhido,  mas  ter  declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois  o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o  contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por  não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplica­se a multa de 75%; e por  não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32­A da Lei n º 8.212/91. Conforme já foi  dito,  a  multa  será  aplicada  ainda  que  o  contribuinte  tenha  pago  as  contribuições,  conforme  previsto no inciso I do art. 32 A.  Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar  o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44  da  Lei  nº  9.430/96.  A  lei  ao  tipificar  essas  infrações,  inclusive  em  dispositivos  distintos,  demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se  confundem e tampouco são excludentes.   Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo  35  da  Lei  n.º  8.212/91,  na  redação  vigente  à  época  da  ocorrência  dos  fatos  geradores  e  do  lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o  processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez  em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A  da  Lei  n.º  8.212/91,  o  valor  da  multa  seria  mais  oneroso  ao  contribuinte,  pois  deveria  ser  aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente.  Destarte,  no  caso  em  exame,  deve  ser  aplicado  o  artigo  35  da  Lei  n.º  8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, pois o artigo 35 A da  Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei  n.º  11.941/2009,  só  se  aplica  para  a  competência  12/2008  e  seguintes,  enquanto  o  presente  débito refere­se ao exercício de 2004.  Quanto  à  solicitação  de  reconhecimento  dos  valores  recolhidos,  a  própria  decisão  recorrida  já  tinha  se  pronunciado  que  o  setor  competente  da  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil jurisdicionante deve apropriá­los. Ressalvo apenas, que os valores recolhidos  Fl. 286DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI   12 em período  alcançado pela  fluência  do  prazo  decadencial  não  se  prestam  à  compensação  ou  restituição por não se tratarem de valores indevidos.  Por todo exposto,  Voto  pelo  provimento  parcial  do  recurso  para  excluir  do  lançamento  as  competências  até  06/2004,  pela  homologação  tácita  do  artigo  150  §4º  do Código  Tributário  Nacional, devendo, ainda, ser apropriados os valores recolhidos pela recorrente, e a multa a ser  aplicada  para  os  valores  remanescentes  deve  ser  aquela  contida  no  artigo  35,  da  Lei  n.º  8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores.    Liege Lacroix Thomasi ­ Relatora                                  Fl. 287DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI

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Numero do processo: 12269.004098/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO - PRECLUSÃO - NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva MPF - NULIDADE - INEXISTÊNCIA A lavratura o Auto de Infração ocorre no momento em que o contribuinte é intimado deste. Se essa data é posterior ao MPF não há que se falar em lançamento não precedido de MPF e muito menos nulidade Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Ana Maria Bandeira- Relatora. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA

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camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO - PRECLUSÃO - NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva MPF - NULIDADE - INEXISTÊNCIA A lavratura o Auto de Infração ocorre no momento em que o contribuinte é intimado deste. Se essa data é posterior ao MPF não há que se falar em lançamento não precedido de MPF e muito menos nulidade Recurso Voluntário Negado

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

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secao_s : Segunda Seção de Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Ana Maria Bandeira- Relatora. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 89          1 88  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12269.004098/2009­59  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­003.089  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de setembro de 2012  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE APRESENTAR LIVROS E  DOCUMENTOS  Recorrente  ANA LÚCIA DE MELLO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004  MATÉRIA  NÃO  IMPUGNADA  NO  PRAZO  ­  PRECLUSÃO  ­  NÃO  INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO  Considerar­se­á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente  contestada  pelo  impugnante  no  prazo  legal.  O  contencioso  administrativo  fiscal só se  instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na  impugnação apresentada de forma tempestiva  MPF ­ NULIDADE ­ INEXISTÊNCIA   A lavratura o Auto de Infração ocorre no momento em que o contribuinte é  intimado  deste.  Se  essa  data  é  posterior  ao  MPF  não  há  que  se  falar  em  lançamento não precedido de MPF e muito menos nulidade  Recurso Voluntário Negado                       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 40 98 /2 00 9- 59 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES   2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso     Ana Maria Bandeira­ Relatora.    Júlio César Vieira Gomes – Presidente       Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Júlio  César  Vieira  Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago  Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.   Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.004098/2009­59  Acórdão n.º 2402­003.089  S2­C4T2  Fl. 90          3   Relatório  Trata­se de Auto de Infração,  lavrado com fundamento na  inobservância da  obrigação tributária acessória prevista nos §§ 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212 de 1991 c/c  os artigos 232 e 233, § único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº  3.048/1999,  que  consiste  em  a  empresa  deixar  de  exibir  qualquer  documento  ou  livro  relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro  que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade  ou que omita a informação verdadeira.  Segundo o Relatório Fiscal da  Infração  (fls. 6),  com a extinção da empresa  MITRA  ASSESSORIA  INTEGRADA  EM  RECURSOS  HUMANOS  LTDA,  extinta  em  31/01/2005 , fica a sócia gerente ANA LÚCIA DE MELLO, conforme determina o art. 135 do  Código Tributário Nacional, responsável pelos lançamentos dos créditos porventura existentes  de obrigações decorrentes da extinta empresa.   Para lançar o valor do Auto de Infração, foi necessário atribuir uma matricula  CEI Ex­Oficio  de  nº  700134225/02  ,  em nome da  sócia Ana Lúcia  de Mello  que  deixou  de  apresentar o Livro Diário da empresa, relativo ao exercício de 2004.  A  autuada  teve  ciência  do  lançamento  em  08/09/2009  e  apresentou  defesa  (fls.26/29) alegando que a empresa Mitra Assessoria Integrada em Recursos Humanos Ltda. foi  extinta no mês de janeiro de 2005, há mais de 04 anos do início do procedimento fiscal.  Argumenta que permitiu que os livros fossem mantidos pelo profissional que  até então fazia a escrituração da empresa, por entender que ninguém melhor do que ele para  manter a guarda dos livros da empresa após seu encerramento pelo prazo legal.  Alega  que  quando  foi  intimada  para  a  apresentação  do  Livro  Diário  teve  imensa dificuldade em localizar o referido profissional.  Apresenta  a  cópia do Livro Diário do  ano de 2004 em anexo evidenciando  que não o fez antes não por capricho, mas por dificuldade em localizar o contador e entende  que a autuação se torna insubsistente.  Por fim, argumenta que o valor da multa não poderia ser definido por meio de  Portaria.  Pelo  Acórdão  nº  10­31.318  (fls.  68/71)  a  6ª  Turma  da  DRJ/Porto  Alegre  considerou a autuação procedente.  Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 77/81) onde  apresenta como único argumento a alegação de que o lançamento não teria sido precedido de  Mandado de Procedimento Fiscal, o que levaria à sua invalidade.  É o relatório.    Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES   4     Voto             Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora  O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento.  Observa­se  que  a  recorrente  apresenta  como  única  alegação  a  nulidade  da  autuação,  sob  o  argumento  de  que  esta  teria  sido  lavrada  em  31/08/2009,  ao  passo  que  o  Mandado de Procedimento Fiscal somente foi lavrado em 01/09/2009, ou seja, após a lavratura  do auto de infração.  Assevere­se que,  tal alegação não foi apresentada na defesa e, a meu ver, o  contencioso administrativo fiscal só é instaurado mediante apresentação de defesa tempestiva e  somente em relação às matérias expressamente impugnadas.  Dessa  forma,  entendo  que  encontra­se  precluído  o  direito  à  discussão  de  matéria  trazida  de  forma  inovadora  na  segunda  instância  administrativa,  em  razão  do  que  dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis:  “Art.17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”  No entanto, apenas a título de esclarecimento, cabe dizer que a data constante  na folha de rosto do auto de infração é apenas a data que o documento foi gerado no sistema  utilizado na ação fiscal.  A  lavratura do auto de  infração se dá no momento em que o contribuinte é  intimado do lançamento o que, no presente caso, ocorreu em 08/09/2009.  Portanto, não se verifica a nulidade apontada.  Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta.  Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso  e  NEGAR­LHE  PROVIMENTO.  Ana Maria Bandeira ­ Relatora                                Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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4463594 #
Numero do processo: 16327.001488/2005-62
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. EXISTÊNCIA NOS AUTOS DE ELEMENTOS DE PROVA QUE ATESTAM TAL FATO. Havendo nos autos elementos de prova que atestam a existência de regularidade fiscal do contribuinte, no período discutido, resta irrelevante a discussão acerca do respectivo ônus, impondo-se o não provimento ao recurso es pecial da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 9101-001.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN

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materia_s : IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)

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camara_s : 1ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. EXISTÊNCIA NOS AUTOS DE ELEMENTOS DE PROVA QUE ATESTAM TAL FATO. Havendo nos autos elementos de prova que atestam a existência de regularidade fiscal do contribuinte, no período discutido, resta irrelevante a discussão acerca do respectivo ônus, impondo-se o não provimento ao recurso es pecial da Fazenda Nacional.

turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

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secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1571; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 2          1 1  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  16327.001488/2005­62  Recurso nº  166.543   Especial do Procurador  Acórdão nº  9101­001.413  –  1ª Turma   Sessão de  18 de julho de 2012  Matéria  IRPJ  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  ALFA CORRETORA DE CÂMBIO E VALORES MOBILIÁRIOS S/A    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2002  BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL.  EXISTÊNCIA  NOS  AUTOS  DE  ELEMENTOS  DE  PROVA  QUE  ATESTAM TAL FATO.  Havendo  nos  autos  elementos  de  prova  que  atestam  a  existência  de  regularidade  fiscal  do  contribuinte,  no período discutido,  resta  irrelevante  a  discussão  acerca  do  respectivo  ônus,  impondo­se  o  não  provimento  ao  recurso es pecial da Fazenda Nacional.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  1ª  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos   FFIISSCCAAIISS,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  voto  do(a) Relator(a).      (assinado digitalmente)  Otacílio Dantas Cartaxo  Presidente  (assinado digitalmente)  Susy Gomes Hoffmann  Relatora     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 88 /2 00 5- 62 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 16327.001488/2005­62  Acórdão n.º 9101­001.413  CSRF­T1  Fl. 3          2 Participaram  do  julgamento  os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo,  Susy  Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva,  Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir  Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.       Relatório  Trata­se de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela Procuradoria  da  Fazenda Nacional.  O  processo  originou­se  de  Pedido  de  Ordem  de  Emissão  de  Incentivo  (PERC), formulado pelo contribuinte, em relação ao IRPJ/2003 (ano­calendário 2002).   Conforme Despacho Decisório presente  às  fls. 206/209 dos autos, o pedido  do contribuinte foi indeferido, nos termos da seguinte ementa:  Pedido  de  revisão  de  ordem  de  emissão  de  incentivo  (PERC),  relativo ao IRPJ/2003, ano base 2002.  Ementa:  INCENTIVOS  FISCAIS.  PERC.  A  legislação  veda  a  concessão de incentivos fiscais nas situações em que o pleiteante  não  estiver  regular  junto  à  Fazenda  Pública  ou  ao  Fundo  de  Garantia por Tempo de Serviço.  O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 227/233.  A Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  (fls.  382/392) manteve  a  o  indeferimento, conforme a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2002  INCENTIVO FISCAL. FINAM. REQUISITOS.  A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições  federais,  pelo  contribuinte,  impede  o  reconhecimento  ou  a  concessão de benefícios ou incentivos fiscais.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  SOBRESTAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE.  Não  há  previsão  legal  para  o  sobrestamento  do  julgamento  de  processo  administrativo  entre  as  normas  reguladoras  do  Processo Administrativo Fiscal. Pelo principio da oficialidade, a  administração pública tem o dever de impulsionar o processo até  sua decisão final.  Solicitação Indeferida  Fl. 511DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 16327.001488/2005­62  Acórdão n.º 9101­001.413  CSRF­T1  Fl. 4          3 O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 397/410).  A  2°  turma  Especial  da  Primeira  Seção  de  Julgamento  do  CARF  (fls.  463/465), por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa  do julgado:   ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2003  PERC  ­  MOMENTO  DE  COMPROVAÇÃO  DA  REGULARIDADE FISCAL  O momento em que deve ser comprovada a regularidade fiscal,  pelo  sujeito passivo,  com vistas ao gozo do beneficio  fiscal  é a  data  da  apresentação  da  DIRPJ,  na  qual  foi  manifestada  a  opção  pela  aplicação  nos  Fundos  de  Investimentos  correspondentes.  Entendeu­se, em suma, que é ônus do Fisco a comprovação de que, na data  da opção pelo benefício fiscal, o contribuinte encontrava­se com a sua situação fiscal irregular.   A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  interpôs  o  presente  recurso  especial,  com fundamento em divergência jurisprudencial (fls. 469/474).  Alegou que:  “A  decisão  exarada  pelo  Colegiado  a  quo,  tal  qual  posta,  representa, com a devida vênia, equivocada inversão do ônus da  prova.  Não  é  dever  do Fisco  provar  a  irregularidade  do  contribuinte  para que seja afastado o beneficio  fiscal. Pelo contrário, cabe  ao  contribuinte,  enquanto  interessado,  comprovar  sua  regularidade fiscal para, somente assim, fazer jus ao incentivo.  Basta começar pela exegese do artigo 60, da Lei 9065/95, que é  absolutamente claro nesse sentido:  "A  concessão  ou  reconhecimento  de  qualquer  incentivo  ou  beneficio  fiscal,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  fica  condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou  jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais".  Sendo assim,  deferir  o  pedido  formulado  porque  a  fiscalização  não  demonstrou  que  o  contribuinte  apresentava  pendências  fiscais à época da manifestação da opção em DIPJ consiste em  indevida inversão do ônus da prova.  Há quem afirme, precipitadamente, que o ônus da prova consiste  no dever de provar um fato. Mas a noção não é tão simples. Na  verdade,  trata­se  de  um  encargo  (responsabilidade)  que  recai  sobre  a  parte  pela  prova que  lhe  competia  produzir  e  que  não  produziu.  Na  precisa  lição  do Mestre  FREDIE DIDIER  JR.,  a  Fl. 512DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 16327.001488/2005­62  Acórdão n.º 9101­001.413  CSRF­T1  Fl. 5          4 "expressão  'ônus da prova'  sintetiza o problema de saber quem  responderá  pela  ausência  de  prova  de  determinado  fato".(Direito  Processual  Civil.  4°  ed.  Salvador:  JusPodivm,  2004, vol. I, p. 423.)  O  ônus  da  prova  tem  a  função  de  auxiliar  a  autoridade  que  ainda permanecer em estado de dúvida (possivelmente em razão  da deficiência de provas nos autos), oferecendo­lhe um critério  de julgamento capaz de evitar o "non liquet".  Deparando­se  com a  incerteza,  plenamente  possível  no  sistema  do  livre  convencimento motivado,  a  autoridade  julgadora  deve  socorrer­se  das  regras  de  distribuição  do  ônus  da  prova,  onerando aquela parte que carregava o encargo da prova, e que  não produziu a prova necessária a corroborar suas alegações.  Tais  regras  resolvem  a  controvérsia  nos  casos  de  produção  probatória  insuficiente,  guiando  a  autoridade  julgadora  a  decidir em desfavor daquele a quem incumbia o ônus da prova, e  não  o  cumpriu  satisfatoriamente.  E,  obviamente,  que  cabe  ao  contribuinte, aquele que se candidata ao beneficio fiscal e que se  afirma  detentor  das  condições  legalmente  exigidas  para  tanto,  prová­las.  O  art.  60  da  Lei  9.069/95,  que  dispõe  acerca  do  beneficio  em  exame, estabelece como condição essencial para o  seu gozo, a  comprovação  pelo  contribuinte,  pessoa  física  ou  jurídica,  da  quitação de tributos e contribuições federais. Assim, inexistindo  prova da regularidade fiscal, não há que se falar em incentivo.  Suscitou o disposto na súmula n° 37 do CARF, argumentando que:  Vê­se,  pois,  que  em  qualquer  momento  do  processo  administrativo, pode o contribuinte provar que na data da opção  pelo beneficio estava regular perante o Fisco Federal, a  fim de  ter  deferido  o  PERC.  Por  outro  lado,  caso  não  demonstre  ao  longo  do  processo,  por  documentos  hábeis,  a  quitação  dos  tributos e contribuições federais, impõe­se seu indeferimento.  Pois  bem.  Ao  se  analisar  os  documentos  constantes  dos  autos,  percebe­se  que  o  Recorrido,  enquanto  interessado,  não  se  desincumbiu da obrigação de comprovar sua regularidade fiscal,  à época da opção pelo beneficio.  Ora,  se  não  há  prova  da  regularidade  fiscal,  prova  essa  que  caberia ao contribuinte apresentar,  torna­se  impossível acolher  o seu pleito.  Sendo  assim,  e  uma  vez  não  demonstrada  pelo  contribuinte  a  quitação  dos  tributos  e  contribuições  federais  quando  de  sua  opção  pelo  incentivo  fiscal  e  diante  da  ausência  de  elementos  outros  de  prova  que  certifiquem  sua  regularidade,  torna­se  inviável o acolhimento da pretensão deduzida, sobretudo porque,  nessas  circunstâncias,  não  é  dever  do  Fisco  provar  eventual  pendência fiscal.  Fl. 513DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 16327.001488/2005­62  Acórdão n.º 9101­001.413  CSRF­T1  Fl. 6          5 O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 488/496 dos autos.        Voto             Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora  O presente recurso especial é tempestivo.  A  recorrente  suscita  divergência  jurisprudencial,  no  que  tange  ao  ônus  da  comprovação da regularidade fiscal, para gozo de incentivo fiscal.  No acórdão recorrido, em síntese, entendeu­se que o contribuinte tem o ônus  de comprovar a sua regularidade fiscal na data da entrega da DIPJ, isto é, na data da opção pelo  incentivo fiscal. O ônus de comprovação, a seu turno, da irregularidade fiscal do contribuinte,  quando da análise do pedido, e em relação à data da sua opção, é do Fisco.  É o que se depreende da seguinte passagem:  “A data da entrega da DIPJ representa a opção do contribuinte  ao  gozo  do  beneficio  fiscal.  E  nessa  data  que  o,contribuinte  exerce  o  seu  direito  de  optar  pelo  incentivo  fiscal.  Todos  os  demais  atos  processuais  'praticados  posteriormente  nada  mais  representam  do  que  uma  verificação  da  existência  ou  não  do  diieito à opção, que foi exercido pelo contribuinte naquela data.  Dai  porque  parece  lógico  concluir  que  a  regularidade  fiscal  deve  ser  comprovada  na  data  do  exercício  da  opção,  pelo  contribuinte.  O  despacho  decisório  tem  natureza meramente  declaratória.  0  direito  ao  incentivo  nasce  com a  opção  feita pelo  contribuinte,  desde que atendidas as condições previstas em lei. O despacho  decisório,  portanto,  verifica  o  preenchimento  das  condições  e  confirma a existência do direito antes constituído. E na data da  entrega da DIPJ, portanto, que deve ser verificada se a empresa  estava ou não regular perante o fisco federal.  E  a  quem  cabe  o  ônus  dessa  prova?  Ora,  a  meu  ver,  neste  momento, a produção dessa prova é ônus da fiscalização. Não se  poderia  exigir  agora,  passados  vários  anos  do  exercício  da  opção de  investimento,  que a  recorrente produzisse a prova de  sua  regularidade  fiscal.  Mesmo  porque,  quem  detém  o  conhecimento  da  situação  fiscal  da  recorrente  em  todas  as  épocas é a Unido.  Não  me  parece  razoável  exigir  da  recorrente  a  produção  de  prova  detida  pela  União.  Nem me  parece  igualmente  razoável  Fl. 514DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 16327.001488/2005­62  Acórdão n.º 9101­001.413  CSRF­T1  Fl. 7          6 condicionar  o  exercício  de  um  direito  pela  recorrente  à  produção de prova cujo teor é do conhecimento da União.”  No  caso,  o  PERC,  concernente  ao  exercício  financeiro  de  2003,  fora  indeferido,  com  fundamento  no  fato  de  que,  quando  da  análise  do  pedido  (março  de  2006)  havia pendências fiscais não regularizadas junto à Receita Federal.  A  recorrente  apresentou  como  acórdãos  paradigmas  os  julgados  correspondentes às seguintes ementas:  a) acórdão 107­09.288  PEDIDO  DE  REVISÃO  DE  ORDEM  DE  INCENTIVOS  FISCAIS.  EXIGÊNCIA  DE  REGULARIDADE  FISCAL.  INDEFERIMENTO  DIANTE  DA  EXISTÊNCIA  DE  DÉBITOS  DO  CONTRIBUINTE.  INEXISTÊNCIA  DE  PROVA  DE  REGULARIDADE FISCAL.  A  concessão  ou  reconhecimento  de  qualquer  incentivo  ou  benefício fiscal fica condicionada à comprovação da quitação de  tributos e contribuições federais (Lei n°. 9.069/95, art. 60).  A  comprovação  da  regularidade  fiscal  do  beneficiário  se  faz  mediante a apresentação de certidões emitidas pelos órgãos de  arrecadação, nos termos do que prescrevem os artigos 205 e 206  do  Código  Tributário  Nacional.  Omissão  do  contribuinte  de  apresentar as certidões exigíveis.  Indeferimento do Pedido.  Recurso voluntário improvido.  b) acórdão n° 9101­00.458  IRPJ.  INCENTIVOS  FISCAIS.  PEDIDO  DE  REVISÃO  DE  ORDEM  DE  EMISSÃO  DE  INCENTIVOS  FISCAIS.  PERC.  MOMENTO  DE  COMPROVAÇÃO  DA  REGULARIDADE.  Os  fatos  geradores  em  relação  aos  quais  deve  ser  comprovada  a  regularidade  fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao gozo do  beneficio  fiscal,  são  aqueles  ocorridos  até  a  data  da  apresentação  da DIRPJ,  na  qual  foi manifestada  a  opção  pela  aplicação nos Fundos  de  Investimentos  correspondentes,  sendo  do  contribuinte  o  ônus  da  comprovação  da  regularidade,  conforme art. 60 da Lei n. 9.069/95.   Caracterizada, desta forma, a divergência jurisprudencial alegada, na medida  em  que  os  acórdãos  paradigmas  apontam  no  sentido  de  que  cabe  ao  contribuinte  a  comprovação da regularidade fiscal, em relação ao período correspondente ao tempo do pleito  do benefício fiscal.  No presente caso, o indeferimento do pedido do contribuinte teve em vista a  sua  irregularidade  fiscal  no momento  da  análise  do  pedido,  em março  de  2006.  Contudo,  o  PERC refere­se ao exercício financeiro de 2003.  Fl. 515DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 16327.001488/2005­62  Acórdão n.º 9101­001.413  CSRF­T1  Fl. 8          7 O  fato  é  que,  não  obstante  a  divergência  suscitada,  acerca  do  ônus  de  comprovação da regularidade fiscal, depreende­se dos autos que esta realmente existia.  É o que se depreende do documento de fls. 198 dos autos, em que consta as  Certidões Negativas de Débito concernentes ao período cuja  regularidade fiscal competia­lhe  demonstrar. Consta,  ademais,  neste mesmo documento, CND’s  concernentes  ao  exercício de  2006, de modo que a discussão relativa ao ônus de comprovação da regularidade fiscal acaba  caindo por terra. Ademais, outros elementos de prova foram apresentados neste sentido.  Diante  do  exposto,  nego  provimento  ao  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional.    Sala das Sessões, em 18 de julho de 201218 de julho de 2012  (assinado digitalmente)  Susy Gomes Hoffmann                                Fl. 516DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN

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Numero do processo: 15956.000047/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos da Portaria nº 01/2012 do CARF, sobrestar o julgamento. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva– Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1351; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 2          1 1  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA              PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15956.000047/2011­12  Recurso nº  000.001Voluntário  Resolução nº  1401­000.190  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  08 de novembro de 2012  Assunto  Sobrestamento  Recorrente  O G ARTIGOS PARA INFORMÁTICA E APARELHOS ELTRO  ELETRÔNICOS LTDA­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos da  Portaria nº 01/2012 do CARF, sobrestar o julgamento.  (assinado digitalmente)  Jorge Celso Freire da Silva– Presidente   (assinado digitalmente)  Alexandre Antonio Alkmim Teixeira  ­ Relator     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Jorge  Celso  Freire  da  Silva  (Presidente),  Alexandre  Antonio  Alkmim  Teixeira,  Mauricio  Pereira  Faro,  Antonio  Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias               RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 56 .0 00 04 7/ 20 11 -1 2 Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.000047/2011­12  Resolução nº  1401­000.190  S1­C4T1  Fl. 3          2   Dentre as questões  em discussão no presente  feito,  encontra­se  a utilização da  Requisição de Movimentação Financeiras – RMF, por parte da Autoridade Fiscal, como forma  de conhecer os extratos bancários da Recorrente.  A  constitucionalidade  de  referido  instrumento  está  em  julgamento  perante  o  Supremo  Tribunal  Federal,  nos  autos  do  RE  601.314.  Ainda,  no  RE  410.054  AgRg,  foi  determinado o sobrestamento do feito até o julgamento do processo em repercussão geral.   Segundo  o  art.  62,  §  1º  Código  de  Processo  Civil,  “Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­b, do  CPC”.  Ainda,  nos  termos  do  Regimento  Interno  do  Supremo  Tribunal  Federal,  o  reconhecimento da repercussão geral conduzirá |à aplicado no art. 543­B do CPC. Senão, veja­ se:  Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível  de  reproduzir­se  em  múltiplos  feitos,  o  Presidente  do  Tribunal  ou  o  Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará  o  fato  aos  tribunais  ou  turmas  de  juizado  especial,  a  fim  de  que  observem  o  disposto  no  art.  543­B  do  Código  de  Processo  Civil,  podendo  pedir­lhes  informações,  que  deverão  ser  prestadas  em  5  (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica.  Parágrafo  único.  Quando  se  verificar  subida  ou  distribuição  de  múltiplos  recursos  com  fundamento  em  idêntica  controvérsia,  o  Presidente  do  Tribunal  ou  o  Relator  selecionará  um  ou  mais  representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos  tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos  parágrafos do art. 543­B do Código de Processo Civil. (sem grifos no  original).  Ainda, a Portaria nº 138, de 23 de julho de 2009, do Supremo Tribunal Federal,  impõe  que  todo  processo  onde  tiver  havido  repercussão  geral  deverá  ser  sobrestado,  independentemente de determinação expressa nesse sentido. Leia­se o dispositivo, in verbis:  PORTARIA Nº 138, DE 23 DE JULHO DE 2009 O PRESIDENTE DO  SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso de suas atribuições legais e  tendo em vista o disposto no art. 543­B, § 5º, do Código de Processo  Civil,  com  a  redação  da  Lei  nº  11.418/06,  e  no  art.  328,  parágrafo  único, do Regimento  Interno,  com redação da Emenda Regimental nº  21/07, RESOLVE:  Art. 1º Determinar à Secretaria Judiciária que devolva aos Tribunais,  Turmas Recursais ou Turma Nacional de Uniformização dos Juizados  Especiais  os  processos  múltiplos  ainda  não  distribuídos  relativos  a  matérias  submetidas  à  análise  de  repercussão  geral  pelo  STF,  os  encaminhados em desacordo com o disposto no § 1º do art. 543­B, do  Código  de  Processo  Civil,bem  como  aqueles  em  que  os  Ministros  tenham determinado sobrestamento ou devolução.  Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.000047/2011­12  Resolução nº  1401­000.190  S1­C4T1  Fl. 4          3 Por  fim,  a  Portaria  nº  01/2012  deste  Conselho  determina  o  sobrestamento  do  feito, sempre que, cumulativamente, a matéria encontra­se em repercussão geral e tiver havido  ordem de sobrestamento de processos por força de referida situação. No caso, essa cumulação  de requisitos se apresenta pelos RE 601.314 e RE 410.054 AgRg, ambos do Supremo Tribunal  Federal.  Pelo exposto, nos termos da Portaria nº 1 do CARF, voto no sentido de sobrestar  o  julgamento  do  presente  feito  até  ulterior  análise  da  questão  constitucional  pelo  Supremo  Tribunal Federal.  Transitada  em  julgada  a  decisão  do  Excelso  Pretório,  retornem  os  autos  para  julgamento.  É como voto.   (assinado digitalmente)  Alexandre Antonio Alkmim Teixeira ­ Relator    Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA

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Numero do processo: 10280.003594/2006-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.470
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente). RELATÓRIO Com o objetivo de elucidar os fatos ocorridos até a propositura deste recurso voluntário, reproduzo o relatório da decisão vergastada, verbis: Trata-se de Pedido de Ressarcimento de crédito da Contribuição para a Cofins não-cumulativa no valor de R$ 974.421,90, conforme PER nº 17013.43613.040806.1.1.096103, transmitido em 04/08/2006, relativo ao 3º trimestre de 2004, cumulado com apresentação de DCOMP nº 27478.62315.040806.1.3.09.8660 e nº 16793.78596.290107.1.3.090806. A DRF/Belém, por intermédio do Parecer/Despacho de fls. 151/155, resolveu: a) Reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 166.610,75 (cento e sessenta e seis mil, seiscentos e dez reais e setenta e cinco centavos); b) Homologar a compensação pretendia nas DCOMP nºs 27478.62315.040806.1.3.098660 e 16793.78596.290107.1.3.090806, até o limite do crédito reconhecido. Segundo a Informação Fiscal de fls. 133/138, apesar de não haver sido incluído indevidamente nenhum valor no cômputo da receita bruta no período, assim como não ter havido glosa que modificasse a relação entre a receita total e de exportação, foram apurados coeficientes diferentes dos utilizados pelo contribuinte em seu Dacon. A Fiscalização indica os valores de receita total e de exportação utilizados no seu cálculo. Além disso, foram glosados: a) os gastos com combustíveis e lubrificantes, sob o argumento de que os mesmos não podem ser considerados insumos por não entrarem em contato com o produto fabricado (caulim); b) despesas com serviços de terraplenagem, por não haverem sido aplicados ou consumidos na produção do caulim. c) outros custos com direito a credito por serem computados em duplicidade; d) créditos apurados sobre depreciação de bens do ativo imobilizado adquiridos a partir de 01/05/2004, por descumprimento do disposto no art. 31 da Lei nº 10.865/2004. Cientificada em 23.02.2011 (AR fl. 175), a interessada apresentou, tempestivamente, em 25.03.2011 , manifestação de inconformidade (fls. 176/208) na qual, em síntese: a) Indica ser nulo o Despacho por inexistência de descrição dos fatos e enquadramento legal. “A omissão é tão patente que em nenhum dos dois, parecer ou despacho, é feita sequer menção expressa ao RPF n° 0210100/201000599 (!), onde, de fato, encontram-se os fundamentos que acarretaram na homologação parcial do crédito da REQUERENTE.”; b) “Com efeito, a REQUERENTE teve que fazer um verdadeiro trabalho investigativo para conseguir vincular o Parecer SEORT/DRF/BEL n° 025/2011 e o despacho decisório ao RPF n° 0210100/201000599. Ao analisar este último, verificou que (i) possuía o mesmo número de Processo Administrativo (PA n° 10280.003594/200669) do parecer e do despacho decisório; (ii) fazia menção à mesma PER/DCOMP e período objeto de apuração do crédito (PER/DCOMP n° 17013.43613.040806.1.1.096103/3º Trimestre de 2004); e, por fim, (iii) reconhecia o mesmo valor de crédito de COFINS (R$ 166.610,75).”; c) Entende haver feito a correta apuração da base da contribuição, não tendo a fiscalização exposto as razões que a levaram a apurar suposto erro no cálculo dos coeficientes utilizados pela empresa, o que, por si só, inviabiliza a sua defesa; d) “Vê-se, pois, que a alteração dos coeficientes de cálculo pela Fiscalização está eivada de nulidade, nos termos do art. 59, II, Decreto n° 70.235/1 972, tendo em vista que a mesma não discrimina os motivos da referida alteração, cerceando o direito da REQUERENTE, por ausência de elementos para se defender.”; e) Defende que os valores pagos na aquisição de óleos combustível e lubrificante, e os despendidos com serviços de terraplanagem geram créditos por se caracterizarem como insumo; f) Argumenta que a definição de insumo trazida pelos atos normativos da Receita Federal foi pega de empréstimo, “de modo flagrantemente impróprio”, das legislações do ICMS e do IPI, não podendo ser utilizadas para a Cofins, uma vez que a materialidade desta última é muito maior que a dos impostos, devendo a possibilidade de creditamento também ser mais abrangente; g) “Por oportuno, ressalte-se que no RPF n° 0210100/201000599 é feita remissão ao art. 66, § 50, II da IN/SRF no 247/2002, para indeferir o creditamento dos valores recolhidos a título de serviços de terraplanagem, quando o correto seria a indicação do inciso I do referido artigo, pois é este que cuida do creditamento de serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto (o inciso II trata do serviço aplicado ou consumido na prestação de serviço), o que, por si só, enseja a nulidade do despacho decisório quanto aos créditos apurados relacionados com esse item.”; h) “Vê-se, pois, que, o conceito de insumo, para fins de apuração de crédito da COFINS, deve abranger todo e qualquer bem ou serviço utilizado na obtenção de receita, sendo ilegais, portanto, as restrições contidas no art. 8°, § 4°, I, “a”, da IN/SRF n° 404/2004 e no art. 66, § 50, II, “b”, da IN/SRF n° 247/2002.”; i) Cita a Solução de Divergência nº 37, de 2008, da Cosit, que entende ser aplicável ao presente caso, na qual a administração teria concluído que os óleos combustíveis e créditos de Cofins, não havendo necessidade de que os mesmos ajam diretamente sobre o produto fabricado. Transcreve trechos do documento; j) Destaca que o óleo combustível é consumido como combustível no processo de evaporação do caulim. “Isso porque o processo de evaporação, que tem por objetivo diminuir o teor de umidade da polpa redispersa para níveis de 30 35%. O sistema de evaporação é composto por um vaso cilíndrico, termo compressor e conjunto de trocadores de calor tipo placas e de uma caldeira flamotubular, que utiliza óleo BPF1 A, como combustível.”; k) “Como se isso não fosse o bastante, na secagem, um dos processos de produção do 'caulim', o gás quente responsável pelo aquecimento do ar de secagem é obtido pela queima de combustível em uma fornalha revestida com tijolos refratários.”; l) “Desse modo, pode-se ainda afirmar que não só os óleos lubrificantes e combustíveis são consumidos no processo de fabricação do produto, como também atuam diretamente sobre esse processo produtivo. De fato, como visto, o óleo combustível atua diretamente no processo de redução de umidade do caulim.”; m) “Com relação aos serviços de terraplanagem, esses são preparatórios para a exploração mineral, visto que têm como objetivo aplainar o terreno, para que se possa iniciar a extração do 'caulim', restando também extreme de dúvida a sua importância dentro do processo produtivo.”; n) “No entanto, basta uma simples análise da DACON relativa ao 3º trimestre de 2004 (Doc. Nº 7), para se verificar que não houve indicação em duplicidade de créditos por parte da REQUERENTE. Ressalte-se que aqui, mais uma vez, a Fiscalização faz afirmação de modo completamente arbitrário, sem elencar as razões pelas quais teria chegado a essa conclusão, repise-se, de todo absurda.”; o) “Ora, a ‘interpretação’ dada pela Fiscalização ao art. 31 da Lei nº 10.865/2004 é completamente absurda. Isso porque o referido artigo não só não veda, como expressamente autoriza o creditamento da COFINS sobre a depreciação de bens do ativo fixo adquiridos a partir de 01.05.2004, in verbis:”. p) Conclui: “Nas Seções anteriores encontra-se devidamente demonstrado que a REQUERENTE tem direito a se creditar dos valores relativos aos óleos combustível e lubrificante e ao serviço de terraplanagem, tendo em vista que tratam-se de bens e serviços utilizados para a obtenção de receita e, por conseguinte, podem ser classificados como insumos passíveis de creditamento, nos termos do art. 3º, II, da Lei n° 10.833/2003. No entanto, caso assim não se entenda, o que se admite apenas para argumentar, a REQUERENTE requer a realização de perícia, nos termos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/1 972, para que sejam respondidos os seguintes quesitos: a) Os óleos combustíveis e lubrificantes adquiridos pela REQUERENTE são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do 'caulim' ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? b) Os serviços de terraplanagem são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do 'caulim' ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? c) Os óleos combustíveis e lubrificantes adquiridos pela REQUERENTE têm ação direta no processo de fabricação do “caulim” ou de qualquer outro produto da REQUERENTE OU, ainda, os referidos bens integram de alguma forma o caulim ou qualquer outro produto final da REQUERENTE? Por oportuno, a REQUERENTE indica o Sr. Anselmo Duarte Pereira, engenheiro químico, inscrito no Conselho Regional de Química sob o n° 03.302.662 6ª Região, para atuar como seu perito. Por todo o exposto, a REQUERENTE requer a V.Sa. que seja dado integral provimento à sua manifestação de inconformidade, para que, ao final, seja homologado integralmente a compensação objeto da PER/DCOMP nº 17013.53613.040806.1.1.096103 (DCOMPS nºs 27478.62315.040806.1.3.098660 e 16793.78596.290107.1.3090806). A 3ª Turma da DRJ Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 01-22.574, de 09 de agosto de 2011, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITO. Do montante apurado para a contribuição, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores das aquisições efetuadas no mês de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os combustíveis e lubrificantes, assim como a energia elétrica, quando participantes do processo industrial, caracterizam-se como insumos indiretos para os quais há determinação específica na legislação que permite o aproveitamento de créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Descontente com o deferimento parcial decidido pela instância a quo, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, exceto quanto ao aproveitamento dos custos com combustíveis e lubrificantes como insumo para fins de creditamento da exação, pois essa matéria foi reconhecida como seu direito pela instância a quo. Termina sua peça recursal requerendo integral provimento ao seu recurso para fins de que seja deferido integralmente o pedido de ressarcimento e homologada integralmente a compensação por ele efetuada. É o relatório. VOTO
Nome do relator: Não se aplica

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RELATÓRIO Com o objetivo de elucidar os fatos ocorridos até a propositura deste recurso voluntário, reproduzo o relatório da decisão vergastada, verbis: Trata-se de Pedido de Ressarcimento de crédito da Contribuição para a Cofins não-cumulativa no valor de R$ 974.421,90, conforme PER nº 17013.43613.040806.1.1.096103, transmitido em 04/08/2006, relativo ao 3º trimestre de 2004, cumulado com apresentação de DCOMP nº 27478.62315.040806.1.3.09.8660 e nº 16793.78596.290107.1.3.090806. A DRF/Belém, por intermédio do Parecer/Despacho de fls. 151/155, resolveu: a) Reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 166.610,75 (cento e sessenta e seis mil, seiscentos e dez reais e setenta e cinco centavos); b) Homologar a compensação pretendia nas DCOMP nºs 27478.62315.040806.1.3.098660 e 16793.78596.290107.1.3.090806, até o limite do crédito reconhecido. Segundo a Informação Fiscal de fls. 133/138, apesar de não haver sido incluído indevidamente nenhum valor no cômputo da receita bruta no período, assim como não ter havido glosa que modificasse a relação entre a receita total e de exportação, foram apurados coeficientes diferentes dos utilizados pelo contribuinte em seu Dacon. A Fiscalização indica os valores de receita total e de exportação utilizados no seu cálculo. Além disso, foram glosados: a) os gastos com combustíveis e lubrificantes, sob o argumento de que os mesmos não podem ser considerados insumos por não entrarem em contato com o produto fabricado (caulim); b) despesas com serviços de terraplenagem, por não haverem sido aplicados ou consumidos na produção do caulim. c) outros custos com direito a credito por serem computados em duplicidade; d) créditos apurados sobre depreciação de bens do ativo imobilizado adquiridos a partir de 01/05/2004, por descumprimento do disposto no art. 31 da Lei nº 10.865/2004. Cientificada em 23.02.2011 (AR fl. 175), a interessada apresentou, tempestivamente, em 25.03.2011 , manifestação de inconformidade (fls. 176/208) na qual, em síntese: a) Indica ser nulo o Despacho por inexistência de descrição dos fatos e enquadramento legal. “A omissão é tão patente que em nenhum dos dois, parecer ou despacho, é feita sequer menção expressa ao RPF n° 0210100/201000599 (!), onde, de fato, encontram-se os fundamentos que acarretaram na homologação parcial do crédito da REQUERENTE.”; b) “Com efeito, a REQUERENTE teve que fazer um verdadeiro trabalho investigativo para conseguir vincular o Parecer SEORT/DRF/BEL n° 025/2011 e o despacho decisório ao RPF n° 0210100/201000599. Ao analisar este último, verificou que (i) possuía o mesmo número de Processo Administrativo (PA n° 10280.003594/200669) do parecer e do despacho decisório; (ii) fazia menção à mesma PER/DCOMP e período objeto de apuração do crédito (PER/DCOMP n° 17013.43613.040806.1.1.096103/3º Trimestre de 2004); e, por fim, (iii) reconhecia o mesmo valor de crédito de COFINS (R$ 166.610,75).”; c) Entende haver feito a correta apuração da base da contribuição, não tendo a fiscalização exposto as razões que a levaram a apurar suposto erro no cálculo dos coeficientes utilizados pela empresa, o que, por si só, inviabiliza a sua defesa; d) “Vê-se, pois, que a alteração dos coeficientes de cálculo pela Fiscalização está eivada de nulidade, nos termos do art. 59, II, Decreto n° 70.235/1 972, tendo em vista que a mesma não discrimina os motivos da referida alteração, cerceando o direito da REQUERENTE, por ausência de elementos para se defender.”; e) Defende que os valores pagos na aquisição de óleos combustível e lubrificante, e os despendidos com serviços de terraplanagem geram créditos por se caracterizarem como insumo; f) Argumenta que a definição de insumo trazida pelos atos normativos da Receita Federal foi pega de empréstimo, “de modo flagrantemente impróprio”, das legislações do ICMS e do IPI, não podendo ser utilizadas para a Cofins, uma vez que a materialidade desta última é muito maior que a dos impostos, devendo a possibilidade de creditamento também ser mais abrangente; g) “Por oportuno, ressalte-se que no RPF n° 0210100/201000599 é feita remissão ao art. 66, § 50, II da IN/SRF no 247/2002, para indeferir o creditamento dos valores recolhidos a título de serviços de terraplanagem, quando o correto seria a indicação do inciso I do referido artigo, pois é este que cuida do creditamento de serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto (o inciso II trata do serviço aplicado ou consumido na prestação de serviço), o que, por si só, enseja a nulidade do despacho decisório quanto aos créditos apurados relacionados com esse item.”; h) “Vê-se, pois, que, o conceito de insumo, para fins de apuração de crédito da COFINS, deve abranger todo e qualquer bem ou serviço utilizado na obtenção de receita, sendo ilegais, portanto, as restrições contidas no art. 8°, § 4°, I, “a”, da IN/SRF n° 404/2004 e no art. 66, § 50, II, “b”, da IN/SRF n° 247/2002.”; i) Cita a Solução de Divergência nº 37, de 2008, da Cosit, que entende ser aplicável ao presente caso, na qual a administração teria concluído que os óleos combustíveis e créditos de Cofins, não havendo necessidade de que os mesmos ajam diretamente sobre o produto fabricado. Transcreve trechos do documento; j) Destaca que o óleo combustível é consumido como combustível no processo de evaporação do caulim. “Isso porque o processo de evaporação, que tem por objetivo diminuir o teor de umidade da polpa redispersa para níveis de 30 35%. O sistema de evaporação é composto por um vaso cilíndrico, termo compressor e conjunto de trocadores de calor tipo placas e de uma caldeira flamotubular, que utiliza óleo BPF1 A, como combustível.”; k) “Como se isso não fosse o bastante, na secagem, um dos processos de produção do 'caulim', o gás quente responsável pelo aquecimento do ar de secagem é obtido pela queima de combustível em uma fornalha revestida com tijolos refratários.”; l) “Desse modo, pode-se ainda afirmar que não só os óleos lubrificantes e combustíveis são consumidos no processo de fabricação do produto, como também atuam diretamente sobre esse processo produtivo. De fato, como visto, o óleo combustível atua diretamente no processo de redução de umidade do caulim.”; m) “Com relação aos serviços de terraplanagem, esses são preparatórios para a exploração mineral, visto que têm como objetivo aplainar o terreno, para que se possa iniciar a extração do 'caulim', restando também extreme de dúvida a sua importância dentro do processo produtivo.”; n) “No entanto, basta uma simples análise da DACON relativa ao 3º trimestre de 2004 (Doc. Nº 7), para se verificar que não houve indicação em duplicidade de créditos por parte da REQUERENTE. Ressalte-se que aqui, mais uma vez, a Fiscalização faz afirmação de modo completamente arbitrário, sem elencar as razões pelas quais teria chegado a essa conclusão, repise-se, de todo absurda.”; o) “Ora, a ‘interpretação’ dada pela Fiscalização ao art. 31 da Lei nº 10.865/2004 é completamente absurda. Isso porque o referido artigo não só não veda, como expressamente autoriza o creditamento da COFINS sobre a depreciação de bens do ativo fixo adquiridos a partir de 01.05.2004, in verbis:”. p) Conclui: “Nas Seções anteriores encontra-se devidamente demonstrado que a REQUERENTE tem direito a se creditar dos valores relativos aos óleos combustível e lubrificante e ao serviço de terraplanagem, tendo em vista que tratam-se de bens e serviços utilizados para a obtenção de receita e, por conseguinte, podem ser classificados como insumos passíveis de creditamento, nos termos do art. 3º, II, da Lei n° 10.833/2003. No entanto, caso assim não se entenda, o que se admite apenas para argumentar, a REQUERENTE requer a realização de perícia, nos termos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/1 972, para que sejam respondidos os seguintes quesitos: a) Os óleos combustíveis e lubrificantes adquiridos pela REQUERENTE são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do 'caulim' ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? b) Os serviços de terraplanagem são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do 'caulim' ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? c) Os óleos combustíveis e lubrificantes adquiridos pela REQUERENTE têm ação direta no processo de fabricação do “caulim” ou de qualquer outro produto da REQUERENTE OU, ainda, os referidos bens integram de alguma forma o caulim ou qualquer outro produto final da REQUERENTE? Por oportuno, a REQUERENTE indica o Sr. Anselmo Duarte Pereira, engenheiro químico, inscrito no Conselho Regional de Química sob o n° 03.302.662 6ª Região, para atuar como seu perito. Por todo o exposto, a REQUERENTE requer a V.Sa. que seja dado integral provimento à sua manifestação de inconformidade, para que, ao final, seja homologado integralmente a compensação objeto da PER/DCOMP nº 17013.53613.040806.1.1.096103 (DCOMPS nºs 27478.62315.040806.1.3.098660 e 16793.78596.290107.1.3090806). A 3ª Turma da DRJ Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 01-22.574, de 09 de agosto de 2011, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITO. Do montante apurado para a contribuição, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores das aquisições efetuadas no mês de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os combustíveis e lubrificantes, assim como a energia elétrica, quando participantes do processo industrial, caracterizam-se como insumos indiretos para os quais há determinação específica na legislação que permite o aproveitamento de créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Descontente com o deferimento parcial decidido pela instância a quo, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, exceto quanto ao aproveitamento dos custos com combustíveis e lubrificantes como insumo para fins de creditamento da exação, pois essa matéria foi reconhecida como seu direito pela instância a quo. Termina sua peça recursal requerendo integral provimento ao seu recurso para fins de que seja deferido integralmente o pedido de ressarcimento e homologada integralmente a compensação por ele efetuada. É o relatório. VOTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003594/2006­69  Resolução nº  3402­000.470  S3­C4T2  Fl. 101          2 RELATÓRIO  Com  o  objetivo  de  elucidar  os  fatos  ocorridos  até  a  propositura  deste  recurso  voluntário, reproduzo o relatório da decisão vergastada, verbis:  Trata­se de Pedido de Ressarcimento de crédito da Contribuição para a  Cofins  não­cumulativa  no  valor  de  R$  974.421,90,  conforme  PER  nº  17013.43613.040806.1.1.096103,  transmitido  em  04/08/2006,  relativo  ao  3º  trimestre  de  2004,  cumulado  com  apresentação  de  DCOMP  nº  27478.62315.040806.1.3.09.8660 e nº 16793.78596.290107.1.3.090806.  A  DRF/Belém,  por  intermédio  do  Parecer/Despacho  de  fls.  151/155,  resolveu:  a) Reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 166.610,75 (cento e  sessenta e seis mil, seiscentos e dez reais e setenta e cinco centavos);  b)  Homologar  a  compensação  pretendia  nas  DCOMP  nºs  27478.62315.040806.1.3.098660  e  16793.78596.290107.1.3.090806,  até o limite do crédito reconhecido.  Segundo a Informação Fiscal de fls. 133/138, apesar de não haver sido  incluído indevidamente nenhum valor no cômputo da receita bruta no  período,  assim  como não  ter  havido  glosa  que modificasse  a  relação  entre  a  receita  total  e  de  exportação,  foram  apurados  coeficientes  diferentes  dos  utilizados  pelo  contribuinte  em  seu  Dacon.  A  Fiscalização  indica  os  valores  de  receita  total  e  de  exportação  utilizados no seu cálculo.  Além disso, foram glosados:  a) os gastos com combustíveis e lubrificantes, sob o argumento de que  os mesmos não podem ser considerados insumos por não entrarem em  contato com o produto fabricado (caulim);  b)  despesas  com  serviços  de  terraplenagem,  por  não  haverem  sido  aplicados ou consumidos na produção do caulim.  c)  outros  custos  com  direito  a  credito  por  serem  computados  em  duplicidade;  d) créditos apurados  sobre depreciação de bens do ativo  imobilizado  adquiridos a partir de 01/05/2004, por descumprimento do disposto no  art. 31 da Lei nº 10.865/2004.  Cientificada  em  23.02.2011  (AR  fl.  175),  a  interessada  apresentou,  tempestivamente, em 25.03.2011 , manifestação de inconformidade (fls.  176/208) na qual, em síntese:  a) Indica ser nulo o Despacho por inexistência de descrição dos fatos e  enquadramento  legal.  “A  omissão  é  tão  patente  que  em  nenhum  dos  dois, parecer ou despacho, é feita sequer menção expressa ao RPF n°  0210100/201000599  (!),  onde,  de  fato,  encontram­se  os  fundamentos  que  acarretaram  na  homologação  parcial  do  crédito  da  REQUERENTE.”;  Fl. 490DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003594/2006­69  Resolução nº  3402­000.470  S3­C4T2  Fl. 102          3 b)  “Com  efeito,  a  REQUERENTE  teve  que  fazer  um  verdadeiro  trabalho  investigativo  para  conseguir  vincular  o  Parecer  SEORT/DRF/BEL  n°  025/2011  e  o  despacho  decisório  ao  RPF  n°  0210100/201000599. Ao analisar este último, verificou que (i) possuía  o  mesmo  número  de  Processo  Administrativo  (PA  n°  10280.003594/200669) do parecer  e do despacho decisório;  (ii)  fazia  menção  à  mesma  PER/DCOMP  e  período  objeto  de  apuração  do  crédito  (PER/DCOMP  n°  17013.43613.040806.1.1.096103/3º  Trimestre  de  2004);  e,  por  fim,  (iii)  reconhecia  o  mesmo  valor  de  crédito de COFINS (R$ 166.610,75).”;  c) Entende haver feito a correta apuração da base da contribuição, não  tendo a fiscalização exposto as razões que a levaram a apurar suposto  erro no cálculo dos coeficientes utilizados pela empresa, o que, por si  só, inviabiliza a sua defesa;   d)  “Vê­se,  pois,  que  a  alteração  dos  coeficientes  de  cálculo  pela  Fiscalização está eivada de nulidade, nos termos do art. 59, II, Decreto  n°  70.235/1  972,  tendo  em  vista  que  a  mesma  não  discrimina  os  motivos da referida alteração, cerceando o direito da REQUERENTE,  por ausência de elementos para se defender.”;  e) Defende que os valores pagos na aquisição de óleos combustível e  lubrificante,  e  os  despendidos  com  serviços  de  terraplanagem  geram  créditos por se caracterizarem como insumo;  f) Argumenta que a definição de insumo trazida pelos atos normativos  da Receita Federal  foi pega de empréstimo, “de modo flagrantemente  impróprio”,  das  legislações  do  ICMS  e  do  IPI,  não  podendo  ser  utilizadas para a Cofins,  uma vez que a materialidade desta última é  muito  maior  que  a  dos  impostos,  devendo  a  possibilidade  de  creditamento também ser mais abrangente;  g)  “Por  oportuno,  ressalte­se  que  no  RPF  n°  0210100/201000599  é  feita  remissão  ao  art.  66,  §  50,  II  da  IN/SRF  no  247/2002,  para  indeferir o creditamento dos valores recolhidos a título de serviços de  terraplanagem,  quando  o  correto  seria  a  indicação  do  inciso  I  do  referido  artigo,  pois  é  este  que  cuida  do  creditamento  de  serviços  prestados por pessoa  jurídica,  aplicados ou  consumidos na produção  ou  fabricação  do  produto  (o  inciso  II  trata  do  serviço  aplicado  ou  consumido na prestação de serviço), o que, por si só, enseja a nulidade  do despacho decisório quanto aos créditos apurados relacionados com  esse item.”;  h) “Vê­se, pois, que, o conceito de  insumo, para  fins de apuração de  crédito  da  COFINS,  deve  abranger  todo  e  qualquer  bem  ou  serviço  utilizado na obtenção de receita, sendo ilegais, portanto, as restrições  contidas no art. 8°, § 4°, I, “a”, da IN/SRF n° 404/2004 e no art. 66, §  50, II, “b”, da IN/SRF n° 247/2002.”;  i) Cita a Solução de Divergência nº 37, de 2008, da Cosit, que entende  ser aplicável ao presente caso, na qual a administração teria concluído  que  os  óleos  combustíveis  e  créditos  de  Cofins,  não  havendo  necessidade  de  que  os  mesmos  ajam  diretamente  sobre  o  produto  fabricado. Transcreve trechos do documento;  Fl. 491DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003594/2006­69  Resolução nº  3402­000.470  S3­C4T2  Fl. 103          4 j) Destaca  que  o  óleo  combustível  é  consumido  como  combustível  no  processo  de  evaporação  do  caulim.  “Isso  porque  o  processo  de  evaporação, que tem por objetivo diminuir o teor de umidade da polpa  redispersa  para  níveis  de  30  35%.  O  sistema  de  evaporação  é  composto  por  um  vaso  cilíndrico,  termo  compressor  e  conjunto  de  trocadores  de  calor  tipo  placas  e  de  uma  caldeira  flamotubular,  que  utiliza óleo BPF1 A, como combustível.”;  k) “Como se isso não fosse o bastante, na secagem, um dos processos  de produção do 'caulim', o gás quente responsável pelo aquecimento do  ar de secagem é obtido pela queima de combustível em uma fornalha  revestida com tijolos refratários.”;  l)  “Desse  modo,  pode­se  ainda  afirmar  que  não  só  os  óleos  lubrificantes e combustíveis são consumidos no processo de fabricação  do  produto,  como  também  atuam  diretamente  sobre  esse  processo  produtivo. De fato, como visto, o óleo combustível atua diretamente no  processo de redução de umidade do caulim.”;  m)  “Com  relação  aos  serviços  de  terraplanagem,  esses  são  preparatórios para a exploração mineral, visto que têm como objetivo  aplainar  o  terreno,  para  que  se  possa  iniciar  a  extração do  'caulim',  restando  também  extreme  de  dúvida  a  sua  importância  dentro  do  processo produtivo.”;  n) “No entanto, basta uma simples análise da DACON relativa ao 3º  trimestre  de  2004  (Doc.  Nº  7),  para  se  verificar  que  não  houve  indicação  em  duplicidade  de  créditos  por  parte  da  REQUERENTE.  Ressalte­se  que  aqui, mais  uma  vez,  a  Fiscalização  faz  afirmação  de  modo  completamente  arbitrário,  sem  elencar  as  razões  pelas  quais  teria chegado a essa conclusão, repise­se, de todo absurda.”;  o) “Ora, a ‘interpretação’ dada pela Fiscalização ao art. 31 da Lei nº  10.865/2004  é  completamente  absurda.  Isso  porque  o  referido  artigo  não  só  não  veda,  como  expressamente  autoriza  o  creditamento  da  COFINS sobre a depreciação de bens do ativo fixo adquiridos a partir  de 01.05.2004, in verbis:”.  p) Conclui:  “Nas  Seções  anteriores  encontra­se  devidamente  demonstrado  que  a  REQUERENTE tem direito a se creditar dos valores relativos aos óleos  combustível  e  lubrificante  e  ao  serviço  de  terraplanagem,  tendo  em  vista  que  tratam­se  de  bens  e  serviços  utilizados  para  a  obtenção de  receita  e,  por  conseguinte,  podem  ser  classificados  como  insumos  passíveis  de  creditamento,  nos  termos  do  art.  3º,  II,  da  Lei  n°  10.833/2003.  No entanto, caso assim não se entenda, o que se admite apenas para  argumentar,  a  REQUERENTE  requer  a  realização  de  perícia,  nos  termos  do  art.  16,  IV,  do  Decreto  n°  70.235/1  972,  para  que  sejam  respondidos os seguintes quesitos:  a)  Os  óleos  combustíveis  e  lubrificantes  adquiridos  pela  REQUERENTE  são  utilizados  e/ou  consumidos  no  processo  de  Fl. 492DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003594/2006­69  Resolução nº  3402­000.470  S3­C4T2  Fl. 104          5 fabricação  do  'caulim'  ou  de  qualquer  outro  produto  da  REQUERENTE?  b)  Os  serviços  de  terraplanagem  são  utilizados  e/ou  consumidos  no  processo  de  fabricação  do  'caulim'  ou  de  qualquer  outro  produto  da  REQUERENTE?  c)  Os  óleos  combustíveis  e  lubrificantes  adquiridos  pela  REQUERENTE  têm  ação  direta  no  processo  de  fabricação  do  “caulim” ou de qualquer outro produto da REQUERENTE OU, ainda,  os  referidos  bens  integram  de  alguma  forma  o  caulim  ou  qualquer  outro produto final da REQUERENTE?  Por oportuno, a REQUERENTE indica o Sr. Anselmo Duarte Pereira,  engenheiro químico,  inscrito no Conselho Regional de Química sob o  n° 03.302.662 6ª Região, para atuar como seu perito.  Por  todo  o  exposto,  a  REQUERENTE  requer  a  V.Sa.  que  seja  dado  integral provimento à sua manifestação de inconformidade, para que,  ao  final,  seja  homologado  integralmente  a  compensação  objeto  da  PER/DCOMP  nº  17013.53613.040806.1.1.096103  (DCOMPS  nºs  27478.62315.040806.1.3.098660 e 16793.78596.290107.1.3090806).  A  3ª  Turma  da  DRJ  Belém  (PA)  julgou  a  manifestação  de  inconformidade  procedente  em  parte,  nos  termos  do  Acórdão  nº  01­22.574,  de  09  de  agosto  de  2011,  cuja  ementa abaixo transcrevo:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. CRÉDITO.  Do  montante  apurado  para  a  contribuição,  a  pessoa  jurídica  pode  descontar créditos sobre os valores das aquisições efetuadas no mês de  bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como  insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à  venda.  COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.  Os combustíveis e lubrificantes, assim como a energia elétrica, quando  participantes  do  processo  industrial,  caracterizam­se  como  insumos  indiretos para os quais há determinação específica na  legislação que  permite o aproveitamento de créditos.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte.  Descontente com o deferimento parcial decidido pela instância a quo, o sujeito  passivo  apresentou  recurso  voluntário  ao  CARF,  repisando  os  argumentos  apresentados  na  manifestação  de  inconformidade,  exceto  quanto  ao  aproveitamento  dos  custos  com  combustíveis  e  lubrificantes  como  insumo  para  fins  de  creditamento  da  exação,  pois  essa  matéria foi reconhecida como seu direito pela instância a quo.  Fl. 493DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003594/2006­69  Resolução nº  3402­000.470  S3­C4T2  Fl. 105          6 Termina sua peça recursal  requerendo  integral provimento ao seu recurso para  fins de que seja deferido integralmente o pedido de ressarcimento e homologada integralmente  a compensação por ele efetuada.  É o relatório.      VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator.  A  impugnação  foi  apresentada  com observância  do  prazo  previsto,  bem como  dos  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Sendo  assim,  dela  tomo  conhecimento  e  passo  a  apreciar.  A  Delegacia  de  Julgamento  parte  de  uma  premissa  de  que  para  serem  considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou  fabricação do bem. Conceito parecido com o utilizado pelo Parecer Normativo CST nº 65, de  30 de outubro de 1979.  Ao  meu  sentir,  o  conceito  utilizado  de  insumo  utilizado  pelo  Legislador  na  apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota  uma  abrangência  maior  do  que  MP,  PI  e  ME  relacionados  ao  IPI.  Por  outro  lado,  tal  abrangência não é  tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar  todos os custos de  produção e as despesas necessárias à atividade da empresa.  Por  isso,  entendo  que  em  todo  processo  administrativo  que  envolver  créditos  referentes a não­cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado  como  “insumos”  e  o  seu  envolvimento  no  processo  produtivo,  para  então  definir  a  possibilidade de aproveitamento do crédito.  Retornando  aos  autos,  para  uma  decisão  justa  e  precisa,  necessito  que  seja  clareado o seguinte ponto,  tendo por base os  fundamentos  jurídicos apresentados no Recurso  Voluntário:  1)  Qual a participação dos serviços de terraplanagem no processo  produtivo do recorrente?  Ao responder essas interrogações, peço que elabore um parecer conclusivo que  possibilite identificar cada custo/despesa acima descrita para fins de uma análise jurídica deste  Colegiado.   Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte,  abrindo­lhe o  prazo de trinta dias para, querendo, pronunciar­se sobre o feito.  Após  todos  os  procedimentos,  que  sejam  devolvidos  os  autos  ao  CARF  para  prosseguimento do rito processual.  Fl. 494DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.003594/2006­69  Resolução nº  3402­000.470  S3­C4T2  Fl. 106          7 É como voto.  Sala das Sessões, em 23/10/2012  GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO  Fl. 495DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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Numero do processo: 12269.000393/2010-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2008 a 31/05/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AJUDA DE CUSTO - MUDANÇA - INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Integra o Salário-de-Contribuição a ajuda de custo paga sem os requisitos previstos no art. 28, § 9°, g, da Lei 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS - REQUISITOS - INDEFERIMENTO. Quanto à solicitação de produção de provas, verifica-se que o momento processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto 70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, com as exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972. Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos previstos na legislação, considera-se não formulado. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso na questão da tributação da ajuda de custo. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto, que entenderam pela prevalência da convenção coletiva na isenção da tributação da ajuda de custo. E por maioria de votos determinar a exclusão da multa de ofício da competência 11/2008. Vencido o relator, designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Relator Designado Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2008 a 31/05/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AJUDA DE CUSTO - MUDANÇA - INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Integra o Salário-de-Contribuição a ajuda de custo paga sem os requisitos previstos no art. 28, § 9°, g, da Lei 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS - REQUISITOS - INDEFERIMENTO. Quanto à solicitação de produção de provas, verifica-se que o momento processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto 70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, com as exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972. Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos previstos na legislação, considera-se não formulado. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2368; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 165          1 164  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12269.000393/2010­70  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  2403­001.491  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de julho de 2012  Matéria  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  KUNZLER  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/11/2008 a 31/05/2009  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  IRREGULARIDADE  NA  LAVRATURA DO AIOP ­ INOCORRÊNCIA.   Tendo o  fiscal  autuante  demonstrado  de  forma  clara  e  precisa  os  fatos  que  suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e  do  contraditório,  bem  como  em  observância  aos  pressupostos  formais  e  materiais  do  ato  administrativo,  nos  termos  da  legislação  de  regência,  especialmente  artigo  142  do  CTN,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  do  lançamento.  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  ALEGAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  LEGISLAÇÃO  ORDINÁRIA  ­  NÃO  APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.  A  legislação  ordinária  de  custeio  previdenciário  não  pode  ser  afastada  em  âmbito  administrativo  por  alegações  de  inconstitucionalidade,  já  que  tais  questões  são  reservadas  à  competência,  constitucional  e  legal,  do  Poder  Judiciário.  Neste sentido, o art. 26­A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do  CARF,  publicada  no  D.O.U.  em  22/12/2009,  que  expressamente  veda  ao  CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  AJUDA  DE  CUSTO  ­  MUDANÇA  ­  INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO­DE­CONTRIBUIÇÃO.  Integra  o  Salário­de­Contribuição  a  ajuda  de  custo  paga  sem  os  requisitos  previstos no art. 28, § 9°, g, da Lei 8.212/1991.  PREVIDENCIÁRIO ­ CUSTEIO ­ PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS  ­ REQUISITOS ­ INDEFERIMENTO.  Quanto  à  solicitação  de  produção  de  provas,  verifica­se  que  o  momento  processual ocorre em sede de  Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 03 93 /2 01 0- 70 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     2 70.2351972  e  também  nos  arts.  55  e  56,  Decreto  7574/2011  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  com  as  exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972.  Como o  pedido  de  produção  de  prova documental  não  possui  os  requisitos  previstos na legislação, considera­se não formulado.  PREVIDENCIÁRIO ­ CUSTEIO ­ MULTA DE OFÍCIO ­ EXCLUSÃO  O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e  rege­se  pela  lei  então  vigente,  ainda  que  posteriormente  modificada  ou  revogada.  Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em  questão, ela deve ser excluída do lançamento.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por maioria de votos, em  negar  provimento  ao  recurso  na  questão  da  tributação  da  ajuda  de  custo.  Vencidos  os  conselheiros  Ivacir  Julio  de  Souza  e  Marcelo  Magalhães  Peixoto,  que  entenderam  pela  prevalência da convenção coletiva na isenção da tributação da ajuda de custo. E por maioria de  votos  determinar  a  exclusão  da multa  de  ofício  da  competência  11/2008. Vencido  o  relator,  designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.    Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Relator Designado    Paulo Maurício Pinheiro Monteiro ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Carlos  Alberto Mees  Stringari,  Ivacir  Júlio  de  Souza,  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro,  Marcelo  Magalhães  Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.  Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000393/2010­70  Acórdão n.º 2403­001.491  S2­C4T3  Fl. 166          3     Relatório      Trata­se de Recurso Voluntário,  fls.  99  a 115,  interposto pela Recorrente –  KUNZLER FILHO & CIA. LTDA. contra Acórdão nº 10­35.172 ­ 7ª Turma da Delegacia da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  Porto  Alegre  ­  RS,  fls.  84  a  91,  que  julgou  procedente  a  autuação  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  –  AIOP  nº.  37.273.157­0,  às  fls.  01,  com  valor  consolidado  de  R$  12.973,91.  O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas  à Seguridade Social, no período de 11/2008 a 05/2009, correspondentes a Terceiros incidentes  sobre a parcela paga a segurados empregados denominada "ajuda de custo":  ­  contribuições  destinadas  ao  Fundo  Nacional  de  Desenvolvimento  da  Educação  ­  FNDE  ,  Instituto  Nacional  de  Colonização  e  Reforma  Agrária  ­  INCRA,  Serviço  Social  da  Indústria ­ SESI, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial ­  SENAI  e  ao  Serviço  Brasileiro  de  Apoio  às Micro  e  Pequenas  Empresas  ­  SEBRAE,  incidentes  sobre  a  parcela  paga  a  segurados empregados denominada "ajuda de custo".    O Relatório  Fiscal,  às  fls.  18  a  22,  informa  os  fatos  geradores  verificados  durante a auditoria para a apuração da base de cálculo dos créditos previdenciários:  5.1 Rubrica "Ajuda de Custo" ­ por força de convenção coletiva  a  empresa  paga aos  seus  segurados  empregados,remuneração  denominada  'Ajuda  de  Custo",  expressa  como  08  (oito)  nas  cláusulas  econômicas  das  convenções  coletivas  de  trabalho  (transcrita  a  seguir,  cláusula  08,  convenção  2007).  ­Cláusula  econômica:  08  AJUDA  DE  CUSTO.  As  empresas  pagarão  a  todos  os  seus  empregados,  a  partir  de  julho  de  2007,  R$50,78  (cinqüenta  reais  e  setenta  e  oito  centavos) mensais,  a  título  de  ajuda de custo, não integrável ao salário, para qualquer efeito".  Analisando a tabela de eventos da folha de pagamento, o resumo  da folha e a guia da previdência social, verifica­se que a rubrica  não integra a base de cálculo do INSS. Condições de pagamento,  da rubrica "Ajuda de Custo" ­ paga/devida ou creditada a todos  segurados empregados (exceto motoristas) em todos os meses em  valor  fixo  e  reajustável,  nas  mesmas  épocas  dos  reajustes  salariais, sem a intenção de ressarcir despesas ou de reembolsar  gastos  feitos  pelos  empregados.  Portanto,  a  rubrica  "ajuda  de  custo"  se  enquadra  no  conceito  de  salário  de  contribuição  da  Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     4 previdência  social,  expresso  no  artigo  28,  inciso  I  da  Lei  N°  8.212/91,  e  integra  a  base  de  cálculo  do  INSS.  Em  anexo,  planilha excel com os valores pagos individualmente bem como  a base de incidência do INSS, por competência.    Foram  utilizados  os  seguintes  códigos  de  lançamento  correspondentes  ao  fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas:  6.1 Levantamento AC1 e AC2 ­ REMUNERAÇÃO AJUDA DE  CUSTO ­ valores devidos a título da contribuição dos Terceiros  incidente  sobre  a  remuneração  ajuda  de  custo  paga/devida  ou  creditada aos segurados empregados.  6.2  Levantamento  FP  ­  FOLHA  DE  PAGAMENTO  ­  o  levantamento folha de pagamento constante no RADA ­ relativo  às bases de cálculo e contribuições declaradas em GFIP, antes  do  Início  do  procedimento  fiscal,  foi  criado  para  fins  de  apropriação  dos  créditos  no  período,  sendo  que  não  houve  lançamento de débito para este levantamento.  Em relação ao cálculo da multa,  informa o Relatório Fiscal, às  fls. 18 a 22,  que foi realizado o comparativo de multas, conforme as alterações advindas da MP 449/2008  convertida na Lei 11.941/2009, com a incidência da mais benéfica ao contribuinte:  11.  A  multa  incidente  sobre  as  contribuições  devidas  à  Previdência  Social  acrescida  àquelas  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias  referentes  às  informações  prestadas  em  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  e  Tempo  de  Serviço  e  de  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP,  de  acordo com o contido na alínea "c" do inciso II do artigo 106 do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN,  foram  devidamente  comparadas,  por  competência,  entre  a  legislação  vigente  à  época dos  fatos geradores,  conforme o art.  35 da Lei 8212, de  1991, em sua redação anterior à dada pela Lei 11941, de 2009, e  a  calculada  na  forma  do  art.  35­A  da  Lei  8212,  de  1991,  acrescido  pela  Lei  11941,  de  2009,  aplicando­se  a  penalidade  mais  benéfica.  Vide  quadro  demonstrativo  abaixo  denominado  "Planilha ­ Comparativo de Multa" Multa de Ofício 75% Atual ­  Art.  35­A  da  Lei  8212/91,  acrescido  pela  Lei  11941/  2009,  aplicada  sobre  as  contribuições  devidas  à  Previdência  Social,  apuradas no DD ­ Discriminativo do Débito.  Multa  de  mora  de  24%  Anterior  ­  Art.  35  da  Lei  8212/91,  anterior à  redação dada pela Lei 11941/  2009 vigente à época  do  fato  gerador,  aplicada  sobre  as  contribuições  devidas  à  Previdência Social, apuradas no DD ­ Discriminativo do Débito.  AIOA 68 ­ Auto de Infração de Obrigações Acessórias, Código  de  Fundamentação  Legal  CFL  68  correspondente  a  100%  do  valor  da  contribuição  previdenciária  devida  relativa  à  contribuição não declarada em GFIP, apurada por competência,  observado  o  limite  mensal  previsto  no  §  4°  do  art.  32  da  Lei  n°8.212/  91,  que  considera  o  número  total  de  segurados  da  empresa.  Revogado  a  partir  das  alterações  implementadas  Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000393/2010­70  Acórdão n.º 2403­001.491  S2­C4T3  Fl. 167          5 através  Medida  Provisória  449  de  03  de  dezembro  de  2008,  transformada na Lei 11941 de 27 de maio de 2009    O Relatório Fiscal,  às  fls. 18 a 22,  informa que na presente  auditoria  fiscal  foram lavradas as seguintes autuações:  DOCUMENTOS NUMERO DO DOCUMENTO DESCRIÇÃO   Al­CFL30  ­  37.248.479­4  Deixar  de  preparar  a  folha  de  pagamento de acordo com padrões e normas estabelecidas pela  RFB ­ Receita Federal do Brasil   AI­CFL34  ­  37.248.483­2 Deixar  de  lançar  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  em  títulos  próprios  da  contabilidade   AI­CFL38  ­  37.248.484­0 Deixar  de  apresentar  documentos  de  caixa que deram cobertura a lançamentos em contas passivas de  valores pagos a contribuintes individuais.  AI­CFL68 – 37.248.485­9 Apresentar a GFIP omitindo total ou  parcialmente fatos geradores de contribuições previdenciárias  Al  37.248.486­7  ­  Contribuições  Previdenciárias  da  parte  patronal  Incidindo  sobre  mão  de  obra  direta,  de  contribuintes  individuais e fornecida por terceiros .Lançamento:03/05 a 10/08   Al  37.248.487­5  ­  Contribuições  Previdenciárias  da  parte  patronal  incidindo  sobre  mão  de  obra  direta,  de  contribuintes  individuais e fornecida por terceiros .Lançamento:11/08 a 05/09   Al  37.248.488­3  ­  Contribuições  Previdenciárias  da  parte  dos  segurados incidindo sobre mão de obra direta, de contribuintes  Individuais e fornecida por terceiros ,Lançamento:03/05 a 10/08  Al  37.273.155­4  ­  Contribuições  Previdenciárias  da  parte  dos  segurados incidindo sobre mão de obra direta, de contribuintes  individuais e fornecida por terceiros .Lançamento: 11/08 a 05/09   Al  37.273.156­2­  Contribuições  destinadas  aos  Terceiros.Lançamento:03/05 a 10/08   Al  37.273.157­0  Contribuições  destinadas  aos  Terceiros.  Lançamento: 11/08 a 05/09    A  Recorrente  teve  ciência  do  TIPF  –  Termo  de  Início  do  Procedimento  Fiscal,  às  fls.  25  a  26,  na  qual  consta  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  MPF  nº  1010100.2009.01136.  O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal, às fls.  18 a 22, é de 11/2008 a 05/2009.  Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     6 A Recorrente  teve ciência do auto de  infração  no dia 31.03.2010,  às  fls.  01.  A Recorrente  apresentou  Impugnação,  às  fls.  36  a  40,  com  as  seguintes  alegações, conforme o relatório da decisão de primeira instância:  Discorre sobre o dever da administração pública de anular atos  administrativos ilegais.  Afirma  que  a  administração  pública  deve  obediência  aos  princípios da legalidade, moralidade e eficiência, dentre outros,  conforme artigo 37 da Constituição Federal.  Nesse  sentido  é  a  Lei  n°  9.784/99,  artigo  53,  que  determina  à  Administração  Pública  o  dever  de  anular  seus  atos  quando  maculados  por  qualquer  ilegalidade,  cuja  competência  para  a  declaração da nulidade, encontra­se no artigo 61 do Decreto n°  70.235/72.  Assevera que, uma vez pautado por tais princípios, deve o agente  público  seguir  rigorosamente  os  ditames  legais,  conhecendo  e  observando  o  ordenamento  jurídico  como  um  todo  sistemático,  integrado  não  só  por  normas  administrativas  e  fiscais,  mas  também por aquelas de cunho trabalhista.  O  agente  fiscal  afastou­se  do  princípio  da  verdade  real  ao  desconsiderar os fatos regidos pela lei trabalhista, criando uma  artificialidade  jurídica  e  presumindo  que  a  impugnante  deixou  de recolher tributos sobre parte de sua folha de pagamento.  Ao exceder a  legalidade, o procedimento administrativo deixou  de  ser  razoável  e  desfez  o  liame  entre  a  sua  conduta  e  a  finalidade da norma ferindo o artigo 37 da Constituição Federal.  Entende  que  a  parcela  paga  a  título  de  ajuda  de  custo,  em  decorrência  de  previsão  contida  em  Convenção  Coletiva  de  Trabalho, itens 7 e 8 do título VI, não deve sofrer incidência das  contribuições  previdenciárias  em  razão  do  que  determina  a  legislação trabalhista. Aduz que não apenas a empresa, como os  agentes  fiscais,  devem  obediência  a  previsão  contida  no  inciso  XXVI  do  artigo  7o  da  Constituição  Federal,  reconhecendo  as  convenções  e  os  acordos  coletivos  de  trabalho,  eis  que  se  revestem na condição de lei entre os sindicatos dos empregados  e patronais, não podendo ser ignorados.  Ademais disso, afirma que os pagamentos de ajudas de custo não  se  sujeitam  à  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  em  razão  do  que  prescreve  o  parágrafo  2o  do  artigo  457  da  Consolidação  das  Leis  do  Trabalho­CLT,  que  exclui  da  composição  do  salário  as  ajudas  de  custo,  desde  que  não  excedentes a metade dos seus ganhos. Salienta que o artigo 457,  conceitua a remuneração "para todos os efeitos legais".  Assevera que tal parcela tem caráter indenizatório por tratar­se  de ressarcimento de custos tidos pelos empregados.  A  conduta  da  fiscalização  violou  a  norma  coletiva,  vindo  de  encontro  à  manifestação  da]  vontade  nela  disposta.  Além  da  obediência ao princípio da legalidade, não pode o Poder Público  Fl. 170DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000393/2010­70  Acórdão n.º 2403­001.491  S2­C4T3  Fl. 168          7 negar o Direito, nem a sistematização das regras, devendo ser o  primeiro a cumpri­las com a máxima exatidão, em consonância  com a Carta Política e a Lei n° 9.784/99.    A Recorrida  analisou  a  autuação  e  a  impugnação,  julgando procedente a  autuação, nos termos do Acórdão nº 10­35.172 ­ 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal  do Brasil de Julgamento de Porto Alegre ­ RS, fls. 99 a 115, conforme Ementa a seguir:  ASSUNTO : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/11/2008 a 31/05/2009   Auto de Infração ­ AI 37.273.157­0  CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE .  A  constitucionalidade  e  a  legalidade  das  leis  são  vinculadas  para a Administração Pública.  NULIDADE .  A  autuação  encontra­se  revestida  de  todas  as  formalidades  legais exigíveis, inexistindo motivos para a sua anulação.  SALÁRIO­DE­CONTRIBUIÇÃO .  A incidência de contribuição se dá sobre a remuneração total do  segurado  empregado,  com  exclusão,  apenas,  daquelas  parcelas  expressamente definidas em lei.  OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA .  A  obrigação  tributária  decorre  de  lei,  não  podendo  a  Administração  Pública  dispensar  o  seu  cumprimento,  quando  inexistente qualquer previsão em  lei  tributária que determine a  sua exclusão.  MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA . NOVA PREVISÃO  LEGAL . MULTA MAIS BENÉFICA. JUROS   As contribuições previdenciárias incluídas em lançamento fiscal,  sujeitam­se  à  incidência  de  multa  de  mora  ou  de  ofício,  na  competência,  prevalecendo  para  as  competências  anteriores  à  vigência da nova lei, a mais benéfica para o sujeito passivo.  Os  juros  incidentes  sobre  o  valor  originário  das  contribuições  devidas  obedecem  a  legislação  vigente  à  época  dos  fatos  geradores.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido    Fl. 171DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     8 Inconformada  com  a  decisão  de  1ª  instância,  a  Recorrente  apresentou  Recurso Voluntário,  fls. 99 a 115, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira  instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação, em apertada síntese:  Em sede Preliminar.  (i) DA CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE.   Portanto,  visando  o  bem  comum,  e  diante  de  vícios  de  legalidade,  a  Administração  Pública  deve  sim  anular  seus  próprios atos, dever este previsto pela Lei n° 9.784/99, artigo 53.  Portanto,  as  razões  jurídicas  expostas  ensejam  a  nulidade  do  Auto  de  Infração  ora  recorrido,  por  serem  inconstitucionais  e  ilegais,  não  havendo  que  se  falar  em  vinculação  da  Administração Pública.    No Mérito.  (ii) DA  INCIDÊNCIA SOBRE PAGAMENTOS DE AJUDAS  DE CUSTO.  A decisão ora recorrida afirma que a "ajuda de custo" fornecida  pela Recorrente não está prevista no artigo 9 da Lei n° 8.212/91,  mas  apenas  em  Convenção  Coletiva  de  Trabalho,  devendo  ser  tributada como salário­de­contribuição, por suposta distinção e  autonomia  do Direito Tributário  em  relação aos demais  ramos  do direito.  Assim,  embora  não  prevista  na  Lei  8.212/91,  a  ajuda  de  custo  fornecida  pela  Recorrente  está  corretamente  embasada  na  Convenção Coletiva de trabalho.  Ora,  se  a  própria  Constituição  Federal  prevê  o  direito  do  trabalhador  ao  reconhecimento  das Convenções Coletivas,  não  pode  a  Administração  Pública  alegar  a  distinção  do  Direito  Tributário em relação aos demais ramos do direito. Não se trata  apenas  de  direito  previsto  na  CLT,  ou  ainda  da  Convenção  Coletiva  de Trabalho, mas  principalmente  direito  previsto  pela  própria legislação constitucional.  A decisão atacada afirma que, embora as partes se sujeitem às  condições  acordadas  nas Convenções Coletivas  de Trabalho,  é  sem efeito qualquer  previsão  que  tenha a  intenção de  adentrar  no campo da incidência tributária.    (iii) DO RESSARCIMENTO DE CUSTOS  A  Recorrente  realiza  o  pagamento  de  ajuda  de  custo  aos  seus  funcionários, por decorrência de gastos médios que estes tenham  com ligações telefônicas, deslocamentos, alimentação, ou demais  despesas que porventura possam surgir no cotidiano.  Caso  Vossas  Senhorias  entendam  realmente  necessária  a  apresentação,  pela  Recorrente,  de  todos  os  comprovantes  Fl. 172DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000393/2010­70  Acórdão n.º 2403­001.491  S2­C4T3  Fl. 169          9 fornecidos  por  seus  funcionários,  quando  do  recebimento  da  ajuda de custo, requer então a abertura de prazo para que sejam  fornecidos  todos  estes  documentos,  os  quais  devem  ser  obtidos  junto  ao  escritório  terceirizado,  responsável  pela  contabilidade  da empresa.    (iv) DA NULIDADE   De  tudo  isso,  a  interpretação  literal  do  §2°  do  artigo  457  da  Consolidação  das  Leis  do  Trabalho  torna  indiscutível  a  legalidade da não tributação dos valores pagos aos funcionários  da  Recorrente  a  título  de  "ajuda  de  custo",  bem  como  a  não  realização de recolhimentos previdenciários, e por conseguinte,  deixa clara a nulidade do Auto de Infração, pelo que se requer a  sua exclusão, em conjunto com os encargos financeiros e multas.    (v) DA MULTA DE MORA, DA MULTA DE OFICIO E DOS  JUROS.  Um dos pontos sobre o qual recai a irresignação da Recorrente  é  quanto  aos  percentuais  exigidos  a  título  de  multa  de  mora,  multa  de  ofício  e  juros,  o^s  quais  são  flagrantemente  ilegais  e  inconstitucionais,  em  virtude  do  excesso  de  exação  neles  contidos.  Ora, multa  e  juros  em percentual  tão  elevado  sobre os  valores  não  recolhidos,  sobressaem­se  inconteste  tratar­se  de  evidente  confisco,  com  violação  flagrante  do  disposto  na  própria Carta  Magna, sem seu artigo 150, IV.      Ainda, foi colacionado aos autos informação de que o Recorrente encontra­se  em processo de recuperação judicial:  Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     10         Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão,  fls. 162.      É o Relatório.    Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000393/2010­70  Acórdão n.º 2403­001.491  S2­C4T3  Fl. 170          11   Voto Vencido  Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator    PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 162.  Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito.    DAS QUESTÕES PRELIMINARES  (A) Da regularidade do lançamento.   Analisemos.  Não  obstante  a  argumentação  do  Recorrente,  não  confiro  razão  ao  mesmo  pois, de plano, nota­se que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não  havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa.   Foi realizada auditoria­fiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração  de  Obrigação  Principal  –  AIOP,  de  contribuições  destinadas  à  Seguridade  Social  correspondente a Terceiros.  O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas  à Seguridade Social, no período de 11/2008 a 05/2009, correspondentes a Terceiros incidentes  sobre a parcela paga a segurados empregados denominada "ajuda de custo":  ­  contribuições  destinadas  ao  Fundo  Nacional  de  Desenvolvimento  da  Educação  ­  FNDE  ,  Instituto  Nacional  de  Colonização  e  Reforma  Agrária  ­  INCRA,  Serviço  Social  da  Indústria ­ SESI, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial ­  SENAI  e  ao  Serviço  Brasileiro  de  Apoio  às Micro  e  Pequenas  Empresas  ­  SEBRAE,  incidentes  sobre  a  parcela  paga  a  segurados empregados denominada "ajuda de custo".  O Relatório  Fiscal,  às  fls.  18  a  22,  informa  os  fatos  geradores  verificados  durante a auditoria para a apuração da base de cálculo dos créditos previdenciários:  5.1 Rubrica "Ajuda de Custo" ­ por força de convenção coletiva  a  empresa  paga aos  seus  segurados  empregados,remuneração  denominada  'Ajuda  de  Custo",  expressa  como  08  (oito)  nas  cláusulas  econômicas  das  convenções  coletivas  de  trabalho  (transcrita  a  seguir,  cláusula  08,  convenção  2007).  ­Cláusula  econômica:  08  AJUDA  DE  CUSTO.  As  empresas  pagarão  a  Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     12 todos  os  seus  empregados,  a  partir  de  julho  de  2007,  R$50,78  (cinqüenta  reais  e  setenta  e  oito  centavos) mensais,  a  título  de  ajuda de custo, não integrável ao salário, para qualquer efeito".  Analisando a tabela de eventos da folha de pagamento, o resumo  da folha e a guia da previdência social, verifica­se que a rubrica  não integra a base de cálculo do INSS. Condições de pagamento,  da rubrica "Ajuda de Custo" ­ paga/devida ou creditada a todos  segurados empregados (exceto motoristas) em todos os meses em  valor  fixo  e  reajustável,  nas  mesmas  épocas  dos  reajustes  salariais, sem a intenção de ressarcir despesas ou de reembolsar  gastos  feitos  pelos  empregados.  Portanto,  a  rubrica  "ajuda  de  custo"  se  enquadra  no  conceito  de  salário  de  contribuição  da  previdência  social,  expresso  no  artigo  28,  inciso  I  da  Lei  N°  8.212/91,  e  integra  a  base  de  cálculo  do  INSS.  Em  anexo,  planilha excel com os valores pagos individualmente bem como  a base de incidência do INSS, por competência.  Foram  utilizados  os  seguintes  códigos  de  lançamento  correspondentes  ao  fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas:  6.1 Levantamento AC1 e AC2 ­ REMUNERAÇÃO AJUDA DE  CUSTO ­ valores devidos a título da contribuição dos Terceiros  incidente  sobre  a  remuneração  ajuda  de  custo  paga/devida  ou  creditada aos segurados empregados.  6.2  Levantamento  FP  ­  FOLHA  DE  PAGAMENTO  ­  o  levantamento folha de pagamento constante no RADA ­ relativo  às bases de cálculo e contribuições declaradas em GFIP, antes  do  Início  do  procedimento  fiscal,  foi  criado  para  fins  de  apropriação  dos  créditos  no  período,  sendo  que  não  houve  lançamento de débito para este levantamento.  Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi  lavrado AIOP nº  37.273.157­0 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é  o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a  outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal:  (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.273.157­0)  Lei n° 8.212/91   Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  beneficio  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se referem, conforme dispuser o regulamento.  IN MPS/SRP n° 03/2005   Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário,  no âmbito da SRP:  IV ­ Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ­ NFLD, que é  o  documento  constitutivo  de  crédito  relativo  às  contribuições  devidas  à  Previdência  Social  e  a  outras  importâncias  arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal;  Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000393/2010­70  Acórdão n.º 2403­001.491  S2­C4T3  Fl. 171          13 Pode­se elencar as etapas necessárias à realização do procedimento:  · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de  Início  da  Ação  Fiscal,  o  qual  contém  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  MPF­  F,  com  a  competente  designação  do  Auditor­Fiscal  responsável  pelo  cumprimento do procedimento; · A  intimação  para  a  apresentação  dos  documentos  conforme  Termo  de  Intimação  para  Apresentação  de  Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que  apresentasse todos os documentos capazes de comprovar  o cumprimento da legislação previdenciária;   · A  autuação  dentro  do  prazo  autorizado  pelo  referido  Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos  geradores  e  fundamentação  legal  que  constituíram  a  lavratura  do  auto  de  infração  ora  contestado,  com  as  informações  necessárias  para  que  o  autuado  pudesse  efetuar as impugnações que considerasse pertinentes:  a. IPC ­ Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de  comunicar  ao  contribuinte  como  regularizar  seu  débito,  como  apresentar defesa e outras informações);  b. DD ­ Discriminativo do Débito;  c. RDA – Relatório de Documentos Apresentados.  d.  RADA  ­  Relatório  de  Apropriação  de  Documentos  Apresentados  e.  FLD­  Fundamentos  Legais  do  Débito  (que  indica  os  dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das  contribuições  exigidas,  de  acordo  com  a  legislação  vigente  à  época do respectivo fato gerador);  f. VÍNCULOS ­ Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas  físicas  ou  jurídicas  em  razão  de  seu  vínculo  com  o  sujeito  passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período);   g. TIPF – Termo do Procedimento Fiscal;  h. TEPF ­ Termo do Procedimento Fiscal;.  i. REFISC – Relatório Fiscal.    Cumpre­nos  esclarecer  ainda,  que  o  lançamento  fiscal  foi  elaborado  nos  termos  do  artigo  142  do Código Tributário Nacional,  especialmente  a  verificação  da  efetiva  ocorrência  do  fato  gerador  tributário,  a  matéria  sujeita  ao  tributo,  bem  como  o  montante  individualizado do tributo devido.  De plano, o art. 142, CTN, estabelece que:  Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     14 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.   Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.”  Analisando­se  o  AIOP  nº  37.273.157­0,  tem­se  que  foi  cumprido  integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN.  Ademais,  não  compete  ao  Auditor­Fiscal  agir  de  forma  discricionária  no  exercício  de  suas  atribuições.  Desta  forma,  em  constatando  a  falta  de  recolhimento,  face  a  ocorrência do fato gerador, cumpri­lhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de  débito  de  forma  vinculada,  constituindo  o  crédito  previdenciário.  O  art.  243  do  Decreto  3.048/99, assim dispõe neste sentido:  Art.243.  Constatada  a  falta  de  recolhimento  de  qualquer  contribuição  ou  outra  importância  devida  nos  termos  deste  Regulamento,  a  fiscalização  lavrará,  de  imediato,  notificação  fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos  geradores,  das  contribuições  devidas  e  dos  períodos  a  que  se  referem,  de  acordo  com  as  normas  estabelecidas  pelos  órgãos  competentes.    (i) DA CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE.   Portanto,  visando  o  bem  comum,  e  diante  de  vícios  de  legalidade,  a  Administração  Pública  deve  sim  anular  seus  próprios atos, dever este previsto pela Lei n° 9.784/99, artigo 53.  Portanto,  as  razões  jurídicas  expostas  ensejam  a  nulidade  do  Auto  de  Infração  ora  recorrido,  por  serem  inconstitucionais  e  ilegais,  não  havendo  que  se  falar  em  vinculação  da  Administração Pública.  Analisemos.  Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não  pode ser anulado na  instância administrativa por alegações de  inconstitucionalidade,  já  que  tais  questões  são  reservadas  à  competência,  constitucional  e  legal,  do  Poder  Judiciário.   Neste sentido, o art. 26­A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o  processo administrativo fiscal, e dá outras providências:  “Art.  26­A. No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade. (Redação  dada  pela  Lei  nº 11.941, de 2009)  Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000393/2010­70  Acórdão n.º 2403­001.491  S2­C4T3  Fl. 172          15 § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo: (Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009)  II  –  que  fundamente  crédito  tributário  objeto  de: (Incluído  pela  Lei nº 11.941, de 2009)  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº  11.941, de 2009)  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009)  c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.  (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009)”(gn).  Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009,  que  expressamente  veda  ao  CARF  se  pronunciar  acerca  da  inconstitucionalidade  de  lei  tributária.  Súmula  CARFnº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.    DO MÉRITO  (ii) DA  INCIDÊNCIA SOBRE PAGAMENTOS DE AJUDAS  DE CUSTO.  A decisão ora recorrida afirma que a "ajuda de custo" fornecida  pela Recorrente não está prevista no artigo 9 da Lei n° 8.212/91,  mas  apenas  em  Convenção  Coletiva  de  Trabalho,  devendo  ser  tributada como salário­de­contribuição, por suposta distinção e  autonomia  do Direito Tributário  em  relação aos demais  ramos  do direito.  (iii) DO RESSARCIMENTO DE CUSTOS  Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     16 A  Recorrente  realiza  o  pagamento  de  ajuda  de  custo  aos  seus  funcionários, por decorrência de gastos médios que estes tenham  com ligações telefônicas, deslocamentos, alimentação, ou demais  despesas que porventura possam surgir no cotidiano.  Caso  Vossas  Senhorias  entendam  realmente  necessária  a  apresentação,  pela  Recorrente,  de  todos  os  comprovantes  fornecidos  por  seus  funcionários,  quando  do  recebimento  da  ajuda de custo, requer então a abertura de prazo para que sejam  fornecidos  todos  estes  documentos,  os  quais  devem  ser  obtidos  junto  ao  escritório  terceirizado,  responsável  pela  contabilidade  da empresa.  (iv) DA NULIDADE   De  tudo  isso,  a  interpretação  literal  do  §2°  do  artigo  457  da  Consolidação  das  Leis  do  Trabalho  torna  indiscutível  a  legalidade da não tributação dos valores pagos aos funcionários  da  Recorrente  a  título  de  "ajuda  de  custo",  bem  como  a  não  realização de recolhimentos previdenciários, e por conseguinte,  deixa clara a nulidade do Auto de Infração, pelo que se requer a  sua exclusão, em conjunto com os encargos financeiros e multas.  Analisemos conjuntamente os itens (ii), (iii) e (iv).  De  plano,  temos  que  a  apreciação  de  inconstitucionalidade  em  sede  de  Recurso  Voluntário  já  foi  analisada  no  item  (i)  e  que  a  questão  de  nulidade  relacionada  à  regularidade do lançamento já foi analisada no tópico (A).  O  Relatório  Fiscal,  às  fls.  18  a  22,  informa  dentre  os  fatos  geradores  verificados durante a auditoria para a apuração da base de cálculo dos créditos previdenciários,  a ajuda de custo paga em desacordo com a legislação tributário­previdenciária:  5.1 Rubrica "Ajuda de Custo" ­ por força de convenção coletiva  a  empresa  paga aos  seus  segurados  empregados,remuneração  denominada  'Ajuda  de  Custo",  expressa  como  08  (oito)  nas  cláusulas  econômicas  das  convenções  coletivas  de  trabalho  (transcrita  a  seguir,  cláusula  08,  convenção  2007).  ­Cláusula  econômica:  08  AJUDA  DE  CUSTO.  As  empresas  pagarão  a  todos  os  seus  empregados,  a  partir  de  julho  de  2007,  R$50,78  (cinqüenta  reais  e  setenta  e  oito  centavos) mensais,  a  título  de  ajuda de custo, não integrável ao salário, para qualquer efeito".  Analisando a tabela de eventos da folha de pagamento, o resumo  da folha e a guia da previdência social, verifica­se que a rubrica  não integra a base de cálculo do INSS. Condições de pagamento,  da rubrica "Ajuda de Custo" ­ paga/devida ou creditada a todos  segurados empregados (exceto motoristas) em todos os meses em  valor  fixo  e  reajustável,  nas  mesmas  épocas  dos  reajustes  salariais, sem a intenção de ressarcir despesas ou de reembolsar  gastos  feitos  pelos  empregados.  Portanto,  a  rubrica  "ajuda  de  custo"  se  enquadra  no  conceito  de  salário  de  contribuição  da  previdência  social,  expresso  no  artigo  28,  inciso  I  da  Lei  N°  8.212/91,  e  integra  a  base  de  cálculo  do  INSS.  Em  anexo,  planilha excel com os valores pagos individualmente bem como  a base de incidência do INSS, por competência.  Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000393/2010­70  Acórdão n.º 2403­001.491  S2­C4T3  Fl. 173          17 Por  outro  lado,  a  Recorrente,  repetindo  o  argumento  utilizado  em  sede  de  Impugnação,  aduz que esta ajuda de custo  se  refere a pagamento de ajuda de custo aos  seus  funcionários,  por  decorrência  de  gastos  médios  que  estes  tenham  com  ligações  telefônicas,  deslocamentos, alimentação, ou demais despesas que porventura possam surgir no cotidiano.  No entanto, observa­se que a Recorrente não traz novos elementos de prova  que  possam  se  contrapor  à  decisão  de  primeira  instância  que  ratificou  o  entendimento  da  Auditoria Fiscal. Ou seja, a Recorrente não restou comprovado em sede de Recurso Voluntário  que  a  hipótese  dos  pagamentos  efetuados  a  título  de  ajuda  de  custo  se  referem  a  verbas  indenizatórias,  seja por motivo de mudança de  local de  trabalho do empregado ou ainda por  reembolso de despesas efetuadas pelos empregados na execução dos serviços.  Neste sentido, tem­se que a legislação previdenciária ao prever que a ajuda de  custo  não  integra  o  salário  de  contribuição  na  hipótese  disposta  no  art.  28,  §  9º,  g,  Lei  8.212/1991,  implica  então  afirmar  que  a  hipótese  concreta  do  presente  processo  não  se  enquadra no art. 28, § 9º, g, Lei 8.212/1991:  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:   (...)  §9º  Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de  10.12.97)  (...)  g)  a  ajuda  de  custo,  em  parcela  única,  recebida  exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho  do  empregado,  na  forma  do  art.  470  da  CLT;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  Ademais, o disposto em Convenção Coletiva de Trabalho não tem o condão  de afastar a exigência de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a isenção  de contribuições sociais previdenciárias, nos  termos do art. 97, CTN c/c art. 175,  I, CTN c/c  art. 176, CTN:  Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  (..)VI  ­  as  hipóteses  de  exclusão,  suspensão  e  extinção  de  créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.  Art. 175. Excluem o crédito tributário:   I ­ a isenção;    Art.  176.  A  isenção,  ainda  quando  prevista  em  contrato,  é  sempre  decorrente  de  lei  que  especifique  as  condições  e  requisitos  exigidos  para  a  sua  concessão,  os  tributos  a  que  se  aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração.   Parágrafo  único.  A  isenção  pode  ser  restrita  a  determinada  região  do  território  da  entidade  tributante,  em  função  de  condições a ela peculiares.  Quanto  ao  pedido  de  abertura  de  prazo  para  a  produção  de  provas  documentais, verificamos que a mesma encontra­se de acordo com o previsto na legislação:  Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     18 Decreto 70.235/1972 – Art. 16. A impugnação mencionará:  (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)   a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997)   b) refira­se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei  nº 9.532, de 1997)   c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)   §  5º  A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida  à  autoridade  julgadora,  mediante  petição  em  que  se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído  pela Lei nº 9.532, de 1997)   §  6º  Caso  já  tenha  sido  proferida  a  decisão,  os  documentos  apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda  instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  No entanto, considero que o atual pedido de produção de prova documental,  provas estas que deveriam ter sido produzidas em sede de Impugnação, contraria o disposto no  art.  16,  §  4º,  Decreto  70.235/1972  de  modo  que  como  o  pedido  de  produção  de  prova  documental não possui os requisitos previstos na legislação, considero­o não formulado.  Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente.    (v) DA MULTA DE MORA, DA MULTA DE OFICIO E DOS  JUROS.  Um dos pontos sobre o qual recai a irresignação da Recorrente  é  quanto  aos  percentuais  exigidos  a  título  de  multa  de  mora,  multa  de  ofício  e  juros,  o^s  quais  são  flagrantemente  ilegais  e  inconstitucionais,  em  virtude  do  excesso  de  exação  neles  contidos.  Ora, multa  e  juros  em percentual  tão  elevado  sobre os  valores  não  recolhidos,  sobressaem­se  inconteste  tratar­se  de  evidente  confisco,  com  violação  flagrante  do  disposto  na  própria Carta  Magna, sem seu artigo 150, IV.  Analisemos.  De  plano,  temos  que  a  apreciação  de  inconstitucionalidade  em  sede  de  Recurso Voluntário já foi analisada no item (i).  Outrossim, em relação ao cálculo da multa, informa o Relatório Fiscal, às fls.  18 a 22, que foi  realizado o comparativo de multas,  conforme as alterações advindas da MP  449/2008 convertida na Lei 11.941/2009, com a incidência da mais benéfica ao contribuinte:  Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000393/2010­70  Acórdão n.º 2403­001.491  S2­C4T3  Fl. 174          19 12.  A  multa  incidente  sobre  as  contribuições  devidas  à  Previdência  Social  acrescida  àquelas  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias  referentes  às  informações  prestadas  em  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  e  Tempo  de  Serviço  e  de  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP,  de  acordo com o contido na alínea "c" do inciso II do artigo 106 do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN,  foram  devidamente  comparadas,  por  competência,  entre  a  legislação  vigente  à  época dos  fatos geradores,  conforme o art.  35 da Lei 8212, de  1991, em sua redação anterior à dada pela Lei 11941, de 2009, e  a  calculada  na  forma  do  art.  35­A  da  Lei  8212,  de  1991,  acrescido  pela  Lei  11941,  de  2009,  aplicando­se  a  penalidade  mais  benéfica.  Vide  quadro  demonstrativo  abaixo  denominado  "Planilha ­ Comparativo de Multa" Multa de Ofício 75% Atual ­  Art.  35­A  da  Lei  8212/91,  acrescido  pela  Lei  11941/  2009,  aplicada  sobre  as  contribuições  devidas  à  Previdência  Social,  apuradas no DD ­ Discriminativo do Débito.  Multa  de  mora  de  24%  Anterior  ­  Art.  35  da  Lei  8212/91,  anterior à  redação dada pela Lei 11941/  2009 vigente à época  do  fato  gerador,  aplicada  sobre  as  contribuições  devidas  à  Previdência Social, apuradas no DD ­ Discriminativo do Débito.  AIOA 68 ­ Auto de Infração de Obrigações Acessórias, Código  de  Fundamentação  Legal  CFL  68  correspondente  a  100%  do  valor  da  contribuição  previdenciária  devida  relativa  à  contribuição não declarada em GFIP, apurada por competência,  observado  o  limite  mensal  previsto  no  §  4°  do  art.  32  da  Lei  n°8.212/  91,  que  considera  o  número  total  de  segurados  da  empresa.  Revogado  a  partir  das  alterações  implementadas  através  Medida  Provisória  449  de  03  de  dezembro  de  2008,  transformada na Lei 11941 de 27 de maio de 2009  Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente.    DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL  Foi  colacionado  aos  autos  informação  de  que  o Recorrente  encontra­se  em  processo de recuperação judicial:  Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     20   Desta  forma,  a  unidade  da  Receita  Federal  do  Brasil  deverá,  quando  da  execução  administrativa  do  julgado,  ter  ciência  do  processo  de  recuperação  judicial  a  que  o  Recorrente está submetido com vistas às providências cabíveis.    CONCLUSÃO    Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso,  NO  MÉRITO,  NEGAR  PROVIMENTO AO RECURSO.    É como voto.    Paulo Maurício Pinheiro Monteiro   Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.000393/2010­70  Acórdão n.º 2403­001.491  S2­C4T3  Fl. 175          21     Voto Vencedor  Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Redator Designado    MULTA DE OFÍCIO    A divergência com o voto do relator está restrita à questão da multa de ofício  aplicada na competência 11/2008.  Estabelece o CTN que o lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou  revogada.  Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  § 1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.  § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados  por  períodos  certos  de  tempo,  desde  que  a  respectiva  lei  fixe  expressamente  a  data  em  que  o  fato  gerador  se  considera  ocorrido.  Constata­se  que  à  época  dos  fatos  geradores  (competência  11/2008),  não  existia multa de ofício para as contribuições previdenciárias.  Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das  contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício.  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009).  No caso do presente processo, que trata de contribuições previdenciárias, em  novembro de 2008, a multa de ofício não existia.   Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI     22 Por  essa  inexistência  à  época  dos  fatos  geradores,  entendo  que  a multa  de  ofício não poderia ser aplicada  Entendo  ser  esse  motivo  suficiente  para  determinar  sua  exclusão  do  lançamento.      CONCLUSÃO  Voto pela exclusão da multa de ofício da competência 11/2008.      Carlos Alberto Mees Stringari                    Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 13876.000362/2007-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2007 MOMENTO DA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL Comprovada a regularidade fiscal no momento da apresentação do pedido de reconhecimento de redução de alíquota, deve ser o mesmo deferido. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 19/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     2 Relatório  Trata  o  presente  processo  administrativo  de  pedido  de  reconhecimento  e  declaração  de  redução  de  alíquota  do  IPI  –  exercício  de  2007­  (fls.  1/2)  incidente  sobre  a  produção de refrigerantes, com base no artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 (Regulamento do IPI  de  2002),  mais  precisamente  nos  termos  da  Norma  Complementar  “NC  22­1”,  que  restou  indeferido pela Delegacia da Receita Federal de origem (fls. 34/35) em razão de o contribuinte  se encontrar em situação irregular com relação a tributos e contribuições federais.   Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls.  59/66), a qual, todavia, foi julgada improcedente pela DRJ através do acórdão de fls. 94/98.  O  relatório  constante  do  acórdão  recorrido  é  suficiente  para  o  resumo  e  entendimento da presente discussão:  “Trata  o  processo  de  pedido  de  redução  de  alíquota  de  IPI  incidente sobre a produção de refrigerantes a base de frutas ou  com semente de guaraná, com fundamento no art. 65 do RIPI e,  por  conseqüência,  na  Norma  Complementar  NC  221  da  TIPI,  conforme requerimento (fl. 02), de 30/07/2007.  A  Unidade  d  Origem,  em  02/03/2009,  mediante  Despacho  Decisório  (fls.  36/37),  indeferiu  o  pedido  por  falta  de  regularidade fiscal da empresa.  A  Contribuinte  foi  cientificada,  em  06/03/2009  (fl.  38),  apresentou  manifestação  de  inconformidade  (fls.  63/70),  em  07/04/2009, na qual alega que:  a)  “Em  06  de  março  de  2009  a  requerente  foi  intimada  do  Despacho Decisório do Chefe da Seção de Orientação e análise  tributária – SEORT, que indeferiu seu pleito”;  b) O indeferimento de seu pedido foi motivado pela existência de  diversas pendências junto à RFB e PGFN;  c)  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Juiz  de  Fora MG,  em  caso  idêntico  ao  aqui  esposado,  já  decidiu  pelo  deferimento do benefício da redução da alíquota do IPI quando  há  comprovação  de  que  o  produto  atende  aos  padrões  de  identidade e qualidade exigidos pelo Ministério de Agricultura,  Pecuária e Abastecimento não há que se exigir a comprovação  de regularidade fiscal.  Ao  final  requer  a  reforma  da  decisão  recorrida  para  que  seja  reconhecido  seu  legítimo direito  à  redução da  alíquota  do  IPI,  nos  termos  originalmente  pleiteados,  bem  como  seja  intimado  também, por correspondência, no endereço de seu procurador,de  todas as decisões proferidas no presente processo.  Logo,  do  quanto  acima  exposto,  a  DRJ  entendeu  pela  improcedência  do  requerimento  apresentado  porque  (i)  os  julgados  trazidos  na  defesa  do  contribuinte  não  constituem normas complementares do direito tributário, razão pela qual a administração não  Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13876.000362/2007­28  Acórdão n.º 3801­001.603  S3­TE01  Fl. 130          3 deve a eles se vincular ao proferir decisão em outros casos, ainda que análogos, e (ii) conforme  a  Portaria  Interministerial  MF/MA  nº  113,  de  1977,  que  ao  tratar  de  requerimentos  de  benefícios  fiscais  relacionados  ao  IPI “obriga,  de  forma  expressa,  o  órgão  local  da Receita  Federal  a  informar  os  antecedentes  fiscais  do  requerente  no  processo  que  deverá  ser  encaminhado  ao  órgão  local  do  Ministério  da  Agricultura,  com  posterior  retorno  para  a  emissão do Ato Declaratório, deixando clara a necessidade prévia de expedição desse último  para o aproveitamento da redução, bem como a necessidade da regularidade fiscal.”  O acórdão recorrido, portanto, restou assim ementado:  “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  IPI  Ano  calendário:  2006  DECISÕES  ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.  São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito  passivo,  pois  tais  decisões  não  constituem  normas  complementares do Direito Tributário,  já  que  foram proferidas  por  órgãos  colegiados  sem,  entretanto,  uma  lei  que  lhes  atribuísse  eficácia  normativa,  na  forma  do  art.  100,  II,  do  Código Tributário Nacional.   REDUÇÃO  DE  ALÍQUOTA  DO  IPI  INCIDENTE  SOBRE  REFRIGERANTES  Para  o  reconhecimento  da  redução  de  alíquota  do  IPI  de  que  trata  o  inciso  I  do  art.  65  do  Decreto  nº  4.544,  de  26  de  dezembro de 2002, e Nota Complementar NC (221) da TIPI deve  ser considerada a regularidade fiscal da requerente.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Sem Crédito em Litígio.”  Inconformado, apresenta o Recorrente o Recurso Voluntário de fls. 101/110,  através do qual basicamente repete os termos de sua manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     4 Voto             Conselheiro Sidney Eduardo Stahl,  O  recurso  é  tempestivo  e  reúne os demais pressupostos  de admissibilidade,  razão pela qual dele se conhece.  A questão sob análise cinge­se à possibilidade de deferimento da redução de  alíquota do IPI incidente sobre a produção de refrigerantes e refrescos.   O  pedido  do  contribuinte  encontra  fundamento  no  artigo  65  do Decreto  nº  4.544/02 cumulado com a Norma Complementar “NC 22­1”, que assim dispõe:  “Art. 65. Haverá redução:  I  ­  das  alíquotas  de  que  tratam  as  Notas  Complementares  NC  (21­1) e NC (22­1) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso,  pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da  Agricultura,  Pecuária  e  Abastecimento  ­  MAPA,  quanto  ao  cumprimento  dos  requisitos  previstos  para  a  concessão  do  beneficio;”   “NC (22­1) Ficam reduzidas de cinquenta por cento as alíquotas  do IPI relativas aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de  fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código  2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade  exigidos  pelo  Ministério  da  Agricultura,  Pecuária  e  Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse  Ministério."  Em consonância com o teor das normas acima, apresentou o contribuinte às  fls.  08  o  “PARECER:  DBEB/CGVB/B/DIPOV”  exarado  pelo  Ministério  da  Agricultura,  Pecuária e Abastecimento – MAPA, que atesta as características do produto do qual se requer a  redução  da  alíquota  da  seguinte  forma:  “MINI  SCHIN  LARANJA,  registro  nº  SP  ­  00027  00060­0  concedido  em  03/03/2006,  enquadra­se  aos  Padrões  de  Identidade  e  Qualidade  exigidos para por este Ministério.”  A  autoridade  administrativa  de  origem,  nos  termos  do  despacho  de  fls.  149/150, entendeu que o contribuinte deveria comprovar, para a fruição de qualquer incentivo  ou beneficio fiscal, a quitação de tributos e contribuições federais, nos termos do artigo 60 da  Lei nº 9.069/95, assim disposto:  “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo  ou  beneficio  fiscal,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  fica  condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou  jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.”   O  acórdão  recorrido,  por  sua  vez,  a  despeito  de  também  velar  pelo  indeferimento  do  pleito  do  contribuinte,  se  valeu,  em  síntese,  do  disposto  em  legislações  relacionadas às reduções de alíquotas do IPI tal, como o Decreto nº 75.659/1975 e outros que  Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13876.000362/2007­28  Acórdão n.º 3801­001.603  S3­TE01  Fl. 131          5 lhe seguiram em edição, bem assim na Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 04 de março  de 1977, cumprindo destacar o “item 3” da referida norma:  “(...)  3.  O  Órgão  local  da  Secretaria  da  Receita  Federal  formalizará  o  processo  (1ª  via),  informando  acerca  dos  antecedentes  fiscais do requerente e o encaminhará, através da  respectiva Delegacia Federal,  ao  órgão  local  do Ministério  da  Agricultura, GEACO – Grupo Executivo de Economia Agrícola e  Comercialização Responsável pela análise do(s) produto(s) (...)”  Referida  fundamentação,  no  entanto,  não  é  suficiente  para  indeferir  o  requerimento do contribuinte.  Conforme  visto  a  Recorrente  apresentou  no  início  do  procedimento  a  sua  certidão  e  a  administração  não  demonstrou,  ao  contrário,  a  que  se  deve  a  alegada  irregularidade.  A  regularidade  fiscal  deve  ser  examinada  no  momento  da  opção  do  contribuinte  e  não  pode  a  contribuinte  ficar  à  mercê  da  demora  da  administração  para  realização dos atos processuais.  A  apresentação  da  certidão  de  tem  o  condão  de  comprovar  a  regularidade  fiscal da contribuinte na época da apreciação do pleito e a contribuinte apresentou a respectiva  certidão.  Além disso, o artigo 241 da Lei nº 9.784/1999 expressa que a autoridade teria  prazo de 5 (cinco) dias para examinar o pleito ou oito dias, nos termos do artigo 4º2 do Decreto  70.235/1972, não de “anos” como aqui o fez.  Vejamos  que  esse  conselho  já  examinou  assunto  semelhante  decidindo  conforme da seguinte forma:  INCENTIVOS  FISCAIS  ­  PERC  ­  COMPROVAÇÃO  DA  REGULARIDADE FISCAL. ­ Comprovada a regularidade fiscal  no momento  da  opção  ou  no  curso  do  processo  administrativo  deve ser deferido o PERC. 3  PEDIDO  DE  REVISÃO  DE  ORDEM  DE  EMISSÃO  DE  INCENTIVOS  FISCAIS  (PERC).  INCENTIVOS  FISCAIS  ­  COMPROVAÇÃO  DA  REGULARIDADE  FISCALA  COMPROVAÇÃO  DA  REGULARIDADE  FISCAL  DEVE  SE  REPORTAR  À  DATA  DA  OPÇÃO  DO  BENEFICIO,  PELO  CONTRIBUINTE,  COM  A  ENTREGA  DA  DECLARAÇÃO  DE  RENDIMENTOS. COMPROVADA A REGULARIDADE FISCAL  OU  NÃO  LOGRANDO  A  ADMINISTRAÇÃO  TRIBUTÁRIA  COMPROVAR IRREGULARIDADES QUE SE REPORTEM AO  MOMENTO  DA  OPÇÃO  PELO  BENEFICIO,  DEVE  SER                                                              1  Art.  24.  Inexistindo  disposição  específica,  os  atos  do  órgão  ou  autoridade  responsável  pelo  processo  e  dos  administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior.  2 Art. 4º Salvo disposição em contrário, o servidor executará os atos processuais no prazo de oito dias.  3 Acórdão nº 10709301 do Processo 16327000522200310, Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma  Ordinária.  Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     6 DEFERIDA  A  APRECIAÇÃO DO  PEDIDO DE  REVISÃO DE  ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS4.  Igualmente é o teor da Súmula 37 do CARF, assim expressa:  Súmula  CARF  nº  37:  Para  fins  de  deferimento  do  Pedido  de  Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de  comprovação  de  regularidade  fiscal  deve  se  ater  ao  período  a  que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica  na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo­se a prova da  quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos  termos do Decreto nº 70.235/72.  Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Sidney Eduardo Stahl                                                                4  Acórdão  nº  110200232  do  Processo  16327003778200389.  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais.  1ª  Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 2ª Turma Ordinária.                                Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 10980.012783/2006-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA E DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. APROVEITAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, a partir da constatação de imposto de renda retido na fonte informado/constante da Declaração de Ajuste Anual, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL DA DIRPF. DECADÊNCIA MENSAL. NÃO APLICABILIDADE. FATO GERADOR COMPLEXIVO. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. De conformidade com a jurisprudência consolidada neste Colegiado, tratando-se de tributo sujeito ao ajuste anual na DIRPF, ainda que submetidas a antecipações mensais no decorrer do período, o fato gerador do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF, exigido a partir da omissão de rendimentos é complexivo, operando-se em 31 de dezembro do correspondente ano-calendário, contando-se o prazo decadencial para constituição do crédito tributário a partir daquela data. Recursos especiais do Procurador e do Contribuinte negados.
Numero da decisão: 9202-002.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos da Fazenda Nacional e do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 12/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   2 Recursos especiais do Procurador e do Contribuinte negados.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento aos recursos da Fazenda Nacional e do Contribuinte.    (Assinado digitalmente)  Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente    (Assinado digitalmente)  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator  EDITADO EM: 12/11/2012  Participaram,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Otacílio  Dantas  Cartaxo  (Presidente),  Susy  Gomes  Hoffmann  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian  Haddad,  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira  e  Elias  Sampaio Freire.  Relatório  LUIZ ALBERTO DALCANALE, contribuinte, pessoa física, já devidamente  qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe,  teve contra si  lavrado Auto de  Infração,  em  15/12/2006  (Edital  de  fl.  937),  exigindo­lhe  crédito  tributário  concernente  ao  Imposto de Renda Pessoa Física  ­  IRPF, decorrente de omissão de rendimentos  recebidos de  pessoa jurídica; e outros não declarados em sua DIRPF, em relação aos anos­calendário 2000 e  2001, conforme peça inaugural do feito, às fls. 903/907, e demais documentos que instruem o  processo.  Após regular processamento,  interposto recurso voluntário à Segunda Seção  de Julgamento do CARF contra Decisão da 4a Turma da DRJ em Curitiba/PR, consubstanciada  no  Acórdão  nº  06­13.778/2007,  às  fls.  1.189/1.211,  que  julgou  procedente  em  parte  o  lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1a Turma Ordinária da 2a Câmara, em 11/03/2010,  por  maioria  de  votos,  achou  por  bem  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  AO  RECURSO  VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos  inseridos no  Acórdão nº 2201­00.554, sintetizados na seguinte ementa:  “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  ­ IRPF  Exercício: 2001  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA  ­  NULIDADE  ­  INOCORRÊNCIA.  Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10980.012783/2006­35  Acórdão n.º 9202­002.438  CSRF­T2  Fl. 14          3 Não  há  falar  em  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância  quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do  Decreto n°. 70.235, de 1972.  FATO  GERADOR.  MOMENTO  DA  OCORRÊNCIA.  DECADÊNCIA.  CONTAGEM  DO  PRAZO  DECADENCIAL.  TERMO INICIAL.  O  fato  gerador  do  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física,  sujeito ao ajuste anual, completa­se apenas em 31 de dezembro  de cada ano.  DECADÊNCIA.  IMPOSTO  DE  RENDA.  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial  para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos  a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF  se  perfaz  em  31  de  dezembro  de  cada  ano­calendário.  Não  ocorrendo  a  homologação  expressa,  o  crédito  tributário  é  atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato  gerador (art. 150, § 4o  , do CTN). Decadência reconhecida em  relação ao ano­calendário de 1998.  IRPF. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE.  A incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte exclui  a  possibilidade  de  exigência  de  imposto,  calculado  sobre  a  mesma base de cálculo, do beneficiário dos rendimentos.  LUCROS DISTRIBUÍDOS. ISENÇÃO. CONDIÇÕES.  Somente são isentos do imposto os lucros distribuídos apurados  segundo preceitos fundamentais da contabilidade. A apropriação  como  receitas  de  créditos  reconhecidos  por  decisão  judicial  provisória  fere  estes  princípios  e,  portanto,  a  distribuição  dos  lucros apurados em consequência deste procedimento não estão  albergados pela isenção.  JUROS MORATÓRIOS ­ SELIC.  A partir de I o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4).  Preliminar de nulidade rejeitada.  Recurso parcialmente provido.”  Irresignada,  a  Procuradoria  interpôs  Recurso  Especial,  às  fls.  1.390/1.399,  com  arrimo  no  artigo  67  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria MF  nº  256/2009,  procurando  demonstrar  a  insubsistência  do  Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões:  Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   4 Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo  fiscal,  insurge­se  contra  o Acórdão  atacado,  alegando  ter  contrariado  entendimento  levado  a  efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara  Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº  302­38.565, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a  divergência arguida.  Sustenta  que  a  jurisprudência  deste  Colegiado,  corroborada  pelo  entendimento  adotado  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  impõe  que  a  aplicação  do  prazo  decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda  que parcialmente.  Contrapõe­se ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do  Códex  Tributário,  estaria  dispondo  sobre  prazo  para  o  ato  de  “homologação”  de  um  procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento.  Assevera que  inexistindo  recolhimento,  ou  seja,  antecipação  de  pagamento,  não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do  CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na  peça recursal.  Em defesa de sua pretensão, infere que adotando­se o artigo 173, inciso I, do  CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  poderia  ter  sido  efetuado  o  lançamento.  In  casu,  para  o  fato  gerador  ocorrido  no  ano­ calendário de 2000, o lançamento somente poderia ser efetuado em 2001, fazendo com que o  início do prazo decadencial  fosse para o dia 1o  de  janeiro de 2002. Contando­se  cinco anos,  tem­se  que  a  decadência  ocorreria  em  31/12/2006.  Como  a  ciência  do  auto  de  seu  em  15/12/2006 (fls. 937), o lançamento não aconteceu a destempo.  Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo  a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados.  Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da  2a  SJ  do  CARF,  entendeu  por  bem  admitir  o  Recurso  Especial  da  Procuradoria,  sob  o  argumento  de  que  a  recorrente  logrou  comprovar  que  o  Acórdão  recorrido  divergiu  do  entendimento  consubstanciado  no Acórdão  nº  302­38.565,  em  relação  à  contagem  do  prazo  decadencial, conforme Despacho nº 2202­00.377/2010, às fls. 1.409/1.410.  Instado  a  se  manifestar  a  propósito  do  Recurso  Especial  do  Procurador,  o  contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 1.420/1.433, corroborando os fundamentos de  fato  e  de  direito  do  Acórdão  recorrido,  em  defesa  de  sua  manutenção,  trazendo  à  colação  jurisprudência judicial e administrativa ratificando seu entendimento.  Igualmente, o contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls.  1.534/1.568,  com  arrimo  no  artigo  67  do RICARF,  contra  parte  do Acórdão  ora  guerreado,  mais  precisamente  em  relação  à  pretensa  não  tributação  de  recursos  provenientes  de  distribuição  de  lucros,  à  nulidade  do  lançamento  em  razão  de  vício  insanável  no MPF,  bem  como no que  concerne  à ocorrência mensal dos  fatos  geradores do  imposto de  renda pessoa  física, reiterando as razões de fato e de direito esposadas em seu recurso voluntário, adotando  como  paradigmas  os  Acórdãos  nºs  102­45.546,  106­12.459,  106­12.713,  102­45.146,  106­ 16.362, 108­07.271 e 107­07.895, de maneira a comprovar as divergências suscitadas.  Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10980.012783/2006­35  Acórdão n.º 9202­002.438  CSRF­T2  Fl. 15          5 Levado,  o  Recurso  Especial  de  Divergência  do  contribuinte  à  análise  da  observância dos pressupostos de admissibilidade, o nobre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do  CARF,  vislumbrou  a  divergência  arguida,  somente  em  relação  à  contagem  do  prazo  decadencial,  dando  seguimento  parcial  ao  recurso  do  autuado,  nos  termos  do  Despacho  nº  2200­00.854/2011, às  fls. 1.648/1.655,  ratificado pelo Despacho n° 9202­00.854/2011, às  fls.  1.656/1.657, da  lavra do Presidente da CSRF, em face de reexame de admissibilidade,  razão  pela qual a Fazenda Nacional fora intimada para apresentar suas contrarrazões, assim o tendo  feito,  às  fls.  1.659/1.666,  requerendo  o  improvimento  do  recurso,  com  a  consequente  manutenção do Acórdão atacado.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator  RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  sendo  tempestivo  e  acatada  pelo  ilustre  Presidente  da  2ª  Câmara  da  2a  Seção  de  Julgamento  do  CARF  a  divergência  suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais.  Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o  contribuinte  fora  autuado,  com  arrimo  nos  artigos  1o  a  3o,  e  §§,  da  Lei  n°  7.713/88,  dentre  outros,  em virtude da constatação de omissão de  rendimentos  recebidos  de pessoa  jurídica e  outros, portanto, não submetidos à tributação.  Por  sua vez, ao analisar o caso, a Turma  recorrida achou por bem  rechaçar  em  parte  a  pretensão  fiscal,  acolhendo  a  preliminar  de  decadência  arguida  relativamente  ao  ano­calendário 2000, adotando o prazo decadencial  insculpido no artigo 150, §4º, do Código  Tributário Nacional, restando decaído parcialmente o crédito tributário.  Inconformada,  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  interpôs  Recurso  Especial, aduzindo, em síntese, que as  razões de decidir do decisum  recorrido contrariaram a  jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos Acórdãos mencionados alhures e, bem assim, do  Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos,  ou seja, a antecipação de pagamento, para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, §  4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os  ditames do  artigo 173,  inciso  I,  uma vez que  inexistindo autolançamento do  autuado,  com a  ocorrência de recolhimentos antecipados, não há o que se homologar.  Em  que  pesem  os  argumentos  da  recorrente,  seu  inconformismo,  contudo,  não  tem  o  condão  de  prosperar.  Da  simples  análise  dos  autos,  conclui­se  que  o  Acórdão  recorrido apresenta­se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos  a demonstrar.  Indispensável  ao  deslinde  da  controvérsia,  mister  se  faz  elucidar,  resumidamente,  as  espécies  de  lançamento  tributário  que  nosso  ordenamento  jurídico  contempla, como segue.  Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   6 Primeiramente  destaca­se  o  lançamento  de  ofício  ou  direto,  previsto  no  artigo  149  do  CTN,  onde  o  fisco  toma  a  iniciativa  de  sua  prática,  por  razões  inerentes  a  natureza  do  tributo  ou  quando  o  contribuinte  deixa  de  cumprir  suas  obrigações  legais.  Já  o  lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal,  é  aquele  em que o  contribuinte  toma a  iniciativa do procedimento,  ofertando  sua declaração  tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo  150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido  e  promove  o  pagamento,  ficando  sujeito  a  eventual  homologação  por  parte  das  autoridades  fazendárias.  Dessa  forma,  estando  o  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoas  Físicas  ­  IRPF  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  defende  parte  dos  julgadores  e  doutrinadores  que  a  decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levando­se em  consideração  a  natureza  do  tributo  atribuída  por  lei,  independentemente  da  ocorrência  de  pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro.  Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação  é o  artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual  somente não prevalecerá nas hipóteses de  ocorrência de dolo,  fraude ou  conluio,  o que  ensejaria o deslocamento do prazo decadencial  para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal.  Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza  tão  somente  pelo  pagamento.  Ao  contrário,  trata­se,  em  verdade,  de  um  procedimento  complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não.  Observe­se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o  lançamento  por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida  por  lei.  E,  esta,  em  momento  algum  afirma  que  assim  o  é  tão  somente  quando  houver  pagamento.  Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não  tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra­se beneficiado por isenções e/ou imunidades,  onde,  em  que  pese  haver  o  dever  de  elaborar  declarações  pertinentes,  informando  os  fatos  geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do  tributo em razão de uma benesse fiscal?  Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do  fato  gerador  do  tributo,  nos  termos  do  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  proceder  à  análise  das  informações  prestadas  pelo  contribuinte  homologando­as  ou  não,  quando  inexistir  concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar  devida.  Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por  homologação  é  o  prazo  decadencial  insculpido  no  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  o  qual  dispôs  expressamente  os  casos  em  que  referido  prazo  deslocar­se­á  para  o  artigo  173,  inciso  I,  na  ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação  específica  contempla  a  aplicação  de  outro  prazo  decadencial,  afastando­se  a  regra  do  artigo  150,  §  4º.  Como  se  constata,  a  toda  evidência,  a  contagem  do  lapso  temporal  em  comento  independe de pagamento.  Ou  seja,  comprovando­se  que o  contribuinte  deixou  efetuar  o  recolhimento  dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizando­se de instrumentos  ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso  Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10980.012783/2006­35  Acórdão n.º 9202­002.438  CSRF­T2  Fl. 16          7 I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se  extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema.  Por  outro  lado,  alguns  julgadores  e  doutrinadores  entendem  que  somente  aplicar­se­ia  o  artigo  150,  §  4º,  do CTN quando  comprovada  a  ocorrência  de  recolhimentos  relativamente  ao  fato  gerador  lançado,  seja  qual  for  o  valor.  Em  outras  palavras,  a  homologação dependeria de antecipação de pagamento para  se caracterizar,  e a  sua ausência  daria  ensejo  ao  lançamento  de  ofício,  com  observância  do  prazo  decadencial  do  artigo  173,  inciso I.  Ressalta­se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que  o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover  qualquer ato  tendente  a apuração da base de cálculo do  tributo devido,  seja pelo pagamento,  escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o  contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse  se cogitar em “homologação”.  Afora  posicionamento  pessoal  a  propósito  da  matéria,  por  entender  que  o  Imposto de Renda Pessoa Física deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do  Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada  a ocorrência de dolo,  fraude ou  simulação, o  certo  é que  a partir  da  alteração do Regimento  Interno do CARF (artigo 62­A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste  Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ  tomadas por  recurso repetitivo,  razão  pela  qual  deixaremos  de  abordar  aludida  discussão,  mantendo  o  entendimento  que  a  aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo  no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do  Resp n° 973.733/SC, assim ementado:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C,  DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   8 2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de  tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.   7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.”  Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo  Regimento  Interno  do  CARF  que  nos  lançamentos  por  homologação  a  antecipação  de  pagamento é  indispensável à aplicação do  instituto da decadência, nos  cabe  tão somente nos  quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência.  Entrementes,  a controvérsia em relação a  referido  tema encontra­se distante  de  remansoso  desfecho,  se  fixando  agora  em  determinar  o  que  pode  ser  considerado  como  antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Física, sobretudo em face das diversas  modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal.  In  casu,  porém,  despiciendas maiores  elucubrações  a  propósito  da matéria,  uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de  Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10980.012783/2006­35  Acórdão n.º 9202­002.438  CSRF­T2  Fl. 17          9 pagamento relativamente ao ano­calendário 2000, a partir da constatação de imposto de renda  retido na fonte informado e submetido ao ajuste na Declaração de Ajuste Anual ­ 2000, às fls.  08/12.  Na  esteira  dessas  considerações,  vislumbrando­se  a  ocorrência  de  recolhimentos – antecipação de pagamento ­, fato relevante para a aplicação do instituto da  decadência, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a  observar, é de se manter a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no  artigo 150, § 4o, do CTN.  Destarte,  tendo a fiscalização constituído o crédito  tributário em 15/12/2006,  com  a  devida  ciência  do  contribuinte  constante  do  Edital/SEFIS  n°  163/2006,  de  fl.  937,  a  exigência  fiscal  resta  parcialmente  fulminada  pela  decadência,  relativamente  ao  fato  gerador  ocorrido em 31/12/2000, fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do  Códex Tributário, impondo seja mantida a improcedência parcial do feito.  Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  do  contribuinte,  na  forma  decidida  pela  1ª  Turma  Ordinária da 2a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os  elementos que serviram de base ao decisório atacado.  Por  todo  o  exposto,  estando  o Acórdão  guerreado  em  consonância  com  os  dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO  AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas  razões de  fato  e de direito  acima  esposadas.  RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  sendo  tempestivo  e  acatada  pelo  ilustre Presidente  da 2a Câmara  da  2a  SJ  do CARF a  divergência  suscitada, quanto  ao  prazo decadencial, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais.  Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente  a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em suma, que as razões de decidir ali esposadas  contrariaram  outras  decisões  das  demais  Câmaras  do  Primeiro  Conselho  quanto  ao  mesmo  tema.  A  corroborar  seu  pleito,  infere  que  o  entendimento  consubstanciado  nos  Acórdãos nºs 106­12.713 e 102­45.146, ora adotados como paradigmas, determina que o fato  gerador  do  imposto  de  renda  pessoa  física  apurado  a  partir  da  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica  e  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  é  mensal,  impondo  seja  admitido  como  termo  inicial  do  prazo  decadencial  o  mês  em  que  o  imposto  deve  necessariamente incidir, ao contrário do que restou decidido na Turma recorrida.  Não  obstante  as  razões  de  fato  e  de  direito  aduzidas  pelo  recorrente,  seu  insurgimento  não  merece  acolhimento,  uma  vez  que  o  entendimento  inserido  no  Acórdão  guerreado  traduz  a  mansa  e  pacífica  jurisprudência  deste  Colegiado,  como  demonstraremos  adiante.  A  ilustre  autoridade  lançadora,  ao  promover  o  lançamento,  utilizou  como  fundamento  à  sua  empreitada  a  constatação  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   10 jurídica e outros, consoante restou devidamente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal,  às fls. 908/926.  Ao analisar a demanda a Câmara recorrida entendeu por bem dar provimento  parcial ao recurso voluntário, acolhendo a decadência da exigência fiscal relativamente ao ano­ calendário  2000,  rejeitando  os  argumentos  do  contribuinte  quanto  à  pretensa  decadência  do  período de 01/2001 a 11/2001, a pretexto da ocorrência do fato gerador mensal do imposto de  renda pessoa física, impondo a contagem do prazo decadencial mensalmente.  Em  que  pese  à  hipótese  contemplada  nos  autos  não  tratar  de  omissão  de  rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada,  insculpida no  artigo  42  da  Lei  n°  9.430/96,  o  mesmo  entendimento  adotado  para  a  contagem  do  prazo  decadencial  levado  a  efeito  naqueles  casos  deve  ser  admitido  no  presente,  consoante  jurisprudência firme a mansa neste sentido, senão vejamos.  Destarte,  enquanto  parte  da  jurisprudência  defende  que  o  fato  gerador  de  aludido  imposto se perfaz mensalmente, na medida em que ocorrem os depósitos  (in casu, o  próprio  rendimento  recebido  de  pessoa  jurídica),  outra  banda  dos  julgadores  administrativos  firmaram  o  posicionamento  de  que  o  fato  gerador  do  imposto  de  renda  pessoa  física  é  complexivo,  findando­se  no  dia  31  de  dezembro  de  cada  ano­calendário,  submetendo­se,  assim, a posterior ajuste anual, por meio da DIRPF.  Aliás,  referida  matéria  fora  objeto  de  proposta  de  Súmula,  que  veio  a  ser  aprovada pelo Pleno da CSRF, em Sessão realizada em 08/12/2009, afastando definitivamente  qualquer discussão quanto ao assunto, conforme se extrai do seguinte Enunciado:  “O  fato  gerador  do  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Física,  relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  ocorre  no  dia  31  de  dezembro do ano­calendário.”  Assim,  despiciendas maiores  elucubrações  quanto  ao  tema,  tendo  em  vista  que a jurisprudência consolidada neste Egrégio Conselho oferece guarida ao pleito da Fazenda  Nacional,  consoante  Súmula  CARF  n°  38  encimada,  a  qual,  segundo  o  artigo  72,  §  4º  do  Regimento  Interno do CARF, é  resultado de decisões unânimes,  reiteradas e uniformes, e de  aplicação  obrigatória  por  este  Conselho,  inexistindo  razão  para  maiores  discussões  nos  presentes autos.  Partindo­se da mesma premissa,  igualmente,  para os  rendimentos  recebidos  de pessoas  jurídicas e outros, o  fato gerador a  ser admitido é complexivo, ou seja, objeto de  antecipações no decorrer do ano­calendário, mas somente ajustado por ocasião da entrega da  Declaração do Imposto de Renda no ano subsequente, ocorrendo, portanto, o fato gerador em  31 de dezembro do respectivo ano.  A propósito da matéria, dissertou com muita propriedade o nobre Conselheiro  José Raimundo Tosta Santos no corpo do voto condutor do Acórdão abaixo transcrito, com os  seguintes argumentos, os quais peço vênia para adotar como razões de decidir, in verbis:  “[...]  Com  estas  orientações,  não  resta  dúvida  de  que  a  interpretação  sistemática  da  legislação  se  faz  necessária.  As  antecipações mensais,  previstas  na  Lei  n°  7.713,  de  1988,  não  suprimiram o  fato gerador anual do  tributo  (artigos 2° e 9° da  Lei  n°  8.134,  de  1990),  que  abarcam  todos  os  rendimentos  auferidos  no ano,  as  deduções,  sendo  esta  base de  cálculo  que  irá  prevalecer  para  a  apuração  do  quantum  debeatur,  com  a  Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10980.012783/2006­35  Acórdão n.º 9202­002.438  CSRF­T2  Fl. 18          11 conseqüente restituição do imposto retido durante o ano base ou  o pagamento suplementar do tributo. As exceções à regra são os  casos  de  tributação  definitiva  (renda  variável  e  ganho  de  capital)  e  os  rendimentos  tributados  exclusivamente  na  fonte  (prêmios, 13' salário etc). Não há no artigo 42 da Lei 9.430, de  1996, nenhuma disposição neste sentido.  No  decorrer  do  ano­calendário  o  contribuinte  antecipa,  mediante  a  retenção  na  fonte,  camê­leão  ou  por  meio  do  pagamento  espontâneo,  o  imposto  que  será  apurado  em  definitivo  após  o  encerramento  do  ano­calendário.  É  nessa  oportunidade  que  o  fato  gerador  do  imposto  de  renda  resta  concluído. Por ser do tipo complexo (complexivo, complessivo),  segundo a classificação doutrinária, o  fato gerador do  imposto  de  renda  surge  completo  no  último  dia  do  ano.  Não  seria  correta, portanto, a afirmação de que o IRPF possui como data  de  ocorrência  do  fato  gerador  o  último  dia  de  cada  mês  e  o  termo  inicial  de  contagem  da  decadência  o  1°  dia  útil  do mês  seguinte.  As  omissões  ocorridas  durante  os  meses  do  ano  comportam­se,  no  presente  caso,  no  fato  gerador  concluído  no  final do ano­calendário.  A  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  sem  comprovação  da  origem,  que  transitaram  pela  conta  bancária  do  recorrente  deve  ser  apurada,  portanto,  em  base  mensal  —  como  ocorre  com  vários  tipos  de  rendimentos  auferidos  pelas  pessoas  físicas,  em  consonância  com  as  disposições  das  Leis  n's  7.713/1988,  8.134/1990,  8.383/1991,  9.250/1995 e 9.430/1996 — e tributada no ajuste anual, pois não  se  pode  presumir  o  regime  de  tributação  dos  numerários  depositados.  Se  a  legislação  não  excepcionou  a  regra  de  tributação  para  esta  omissão,  impondo  uma  incidência  autônoma  e  definitiva,  deve­se  levá­la  à  regra  geral,  que  é  apuração  em  base  mensal,  sem  prejuízo  do  ajuste  anual,  coerentemente com o que dispõe a legislação já mencionada.  [...]  Leandro  Paulsen,  ministra  que  "o  imposto  de  renda  da  pessoa  física  tem  periodicidade  anual,  com  antecipações  de  pagamento mensais. O imposto de renda da pessoa jurídica pode  ser anual ou  trimestral,  dependendo de opção da empresa, nos  termos do que dispõe o art. 10 da Lei n° 9.430/1996", in Direito  tributário. Constituição e Código  tributário à  luz da doutrina e  da jurisprudência. Porto Alegre, 2001. Livraria do Advogado, p.  522.  O  Ministro  Franciulli  Netto,  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  no  RESP  584.195/PE,  julgado  em  19.02.2204,  deixa  assente  que  "o  conceito  de  renda  envolve  necessariamente  um  período, que, conforme determinado na Constituição Federal, é  anual.  Mais  a  mais,  é  complexa  a  hipótese  de  incidência  do  aludido imposto, cuja ocorrência da­se apenas ao final do ano­ base, quando poderá se verificar os últimos dos fatos requeridos  pela hipótese de incidência do tributo". [...]”  Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   12 Aliás, o entendimento acima esposado, objeto de contestação do contribuinte,  encontra  guarida  na  farta  e  mansa  jurisprudência  atual  do  CARF,  como  se  verifica  dos  Acórdãos com suas ementas abaixo citadas, senão vejamos:  “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  ­ 1RPF  Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999  [...]  IRPF  ­  DECADÊNCIA  ­  FATO  GERADOR  COMPLEXIVO  ­ APLICAÇÃO  DO  ART.  150,  §  4º  DO  CTN.O  lançamento  do  imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato  gerador  complexivo,  que  se  aperfeiçoa  em  31  de  dezembro  de  cada ano­calendário. Para esse tipo de lançamento o qüinqüênio  do  prazo  decadencial  tem  seu  inicio  em  31  de  dezembro,  aplicando­se o Art. 150, § 4º do CTN.  MULTA ISOLADA DO CARNÊ­LEÃO E MULTA DE OFÍCIO –  CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art.  44,  §  1º,  inciso  III,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996),  quando  em  concomitância  com  a  multa  de  oficio  (inciso  II  do  mesmo  dispositivo  legal),  ambas  incidindo  sobre  a  mesma  base  de  cálculo.  Recurso Voluntário Provido em Parte.” (1a TO da 4a Câmara da  3a  SJ  do  CARF  –  Acórdão  n°  3401­00.047  –  Processo  n°  10865.001229/00­64, Sessão de 06/05/2009 – Unânime)  “[...]  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA –  IRPF  Ano­calendário: 1997,1998  DECADÊNCIA.  RENDIMENTOS  SUJEITOS  AO  AJUSTE  ANUAL.  O  direito  de  a.  Fazenda  lançar  o  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  devido  no  ajuste  anual  decai  após  cinco  anos  contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em  31  de  dezembro  de  cada  ano,  desde  que  não  seja  constada  a  ocorrência de dolo, fraude ou simulação.  [...]  Recurso  provido  parcialmente.”  (Sexta  Câmara  do  Primeiro  Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 106­17.186 – Processo  n° 11070.002996/2002­51, Sessão de 16/12/2008)  Como  se  observa,  na  linha  da  jurisprudência  do  CARF,  tratando­se  de  rendimentos sujeitos ao ajuste anual, ainda que submetidos a antecipações no decorrer do ano­ calendário  a  título de  carnê­leão,  retenções,  etc,  o  fato gerador do  Imposto de Renda Pessoa  Física é complexivo, operando­se no dia 31 de dezembro do respectivo ano, termo de início da  contagem do prazo decadencial.  Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  do  contribuinte,  na  forma  decidida  pela  1a  Turma  Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10980.012783/2006­35  Acórdão n.º 9202­002.438  CSRF­T2  Fl. 19          13 Ordinária da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que o recorrente não logrou infirmar os  elementos que serviram de base ao decisório atacado.  Por  todo  o  exposto,  estando  o Acórdão  guerreado  em  consonância  com  os  dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO  AO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE,  pelas  razões  de  fato  e  de  direito  acima  esposadas.    (Assinado digitalmente)  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira                                Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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