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Numero do processo: 12898.000474/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD sob nº 37158236-9
Consolidados em 24/04/2009
Contribuição Previdenciária incidente em pagamento de vale transporte pago em dinheiro.
Matéria sumulada por esta corte. Súmula CARF 89 determina que não incide Contribuição Previdenciária sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Matéria sumulada por esta corte. Súmula CARF 89 determina que não incide Contribuição Previdenciária sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro Jose Silva e Leo Meirelles do Amaral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 04 74 /2 00 9- 20 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário aviado contra Acórdão sob n° 1229.427da 10ª Turma da DRJ/RJ1 onde julgou procedente o lançamento efetuado no AIOP acima identificado, sendo ele referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a parte dos empregados da empresa. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas os pagamentos em dinheiro de auxíliotransporte, em desacordo com a Lei n° 7.418, de 16/12/1985, registrados nas folhas de pagamento, rubrica código 0385 — INDENIZAÇÃO V.T. PROX/MÊS e lançados na contabilidade na conta 3211020 — VALE TRANSPORTE. Devidamente noticiada do lançamento aviou a sua impugnação, cuja qual foi julgada improcedente, mantendo o lançamento em sua integralidade. Em 04 de junho de 2010 aviou o presente remédio recursivo, diante da notificação da decisão de piso em 07 de maio de 2010, conforme informa certidão de fls. 275. É a síntese do necessário. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 12898.000474/200920 Acórdão n.º 2301004.140 S2C3T1 Fl. 186 3 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator O Recurso acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual dele conheço e passo a examinar as suas razões. O ponto nodal da testilha é a constituição de contribuição previdenciária sob os valores pagos à título de vale transporte em dinheiro a seus funcionários. Portanto, a questão já está sumulada nesta Corte, cuja qual curvome, aplicandolhe. Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço para DARLHE PROVIMENTO, excluindo do lançamento as contribuições relativas a pagamento de vale transporte pago em dinheiro, conforme autoriza Súmula CARF 89. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator (assinado digitalmente) Fl. 194DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003314/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O mero inconformismo da parte quanto aos argumentos e fundamentos de decidir do v. acórdão de primeira instância não tem o condão de caracterizar o cerceamento de seu direito de defesa.
AUTO DE INFRAÇÃO. DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO NÃO IMPUGNADO. PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. MANUTENÇÃO. Tendo em vista que a recorrente deixou de insurgir-se contra o mérito do lançamento contra em si efetuado, outra não pode ser a conclusão, senão pela sua manutenção, sobretudo quando a sua alegação de que os valores cobrados já foram objeto de pagamento não ter sido comprovada de forma cabal nos autos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O mero inconformismo da parte quanto aos argumentos e fundamentos de decidir do v. acórdão de primeira instância não tem o condão de caracterizar o cerceamento de seu direito de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO NÃO IMPUGNADO. PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. MANUTENÇÃO. Tendo em vista que a recorrente deixou de insurgir-se contra o mérito do lançamento contra em si efetuado, outra não pode ser a conclusão, senão pela sua manutenção, sobretudo quando a sua alegação de que os valores cobrados já foram objeto de pagamento não ter sido comprovada de forma cabal nos autos. Recurso Voluntário Negado.
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O mero inconformismo da parte quanto aos argumentos e fundamentos de decidir do v. acórdão de primeira instância não tem o condão de caracterizar o cerceamento de seu direito de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO NÃO IMPUGNADO. PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. MANUTENÇÃO. Tendo em vista que a recorrente deixou de insurgirse contra o mérito do lançamento contra em si efetuado, outra não pode ser a conclusão, senão pela sua manutenção, sobretudo quando a sua alegação de que os valores cobrados já foram objeto de pagamento não ter sido comprovada de forma cabal nos autos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 33 14 /2 01 0- 51 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 11516.003314/201051 Acórdão n.º 2401003.723 S2C4T1 Fl. 503 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SERVIÇO SOCIAL DA INDUSTRIA em face do acórdão de fls. 368/378 que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.263.2904 lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa e destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. O relatório fiscal apontou que a recorrente foi objeto de verificações Preliminares Obrigatórias sendo que, no cotejo declaração versus escrituração, com o auxilio do sistema Contágil, foi apurada a ocorrência de discrepâncias em relação a pagamentos efetuados a empregados e a trabalhadores autônomos, conforme abaixo: (i)Verificouse na escrita contábil a ocorrência de pagamentos a contribuintes individuais, a titulo de serviços de terceiros, sem a inclusão desses profissionais em folha de pagamentos de acordo com as normas e padrões estabelecidos pela legislação; (ii) Verificouse, também, que as folhas de pagamento apresentadas continham incorreções quanto ao pagamento de salário família, pagamento de férias, pagamento de rescisões de contrato de trabalho e do décimo terceiro salário. (iii)Verificouse ainda que uma parcela desses pagamentos (segurados empregados e contribuintes individuais) deixou de ser declarada em GFIP. A recorrente foi então intimada a apresentar esclarecimentos sobre as divergências de base de cálculo verificadas no confronto GFIP versus Folha de Pagamentos em relação à remuneração de empregados e de contribuintes individuais, bem como em relação aos descontos de contribuições dos respectivos segurados, bem como para apresentar GFIP com as remunerações não declaradas no período de 10/2005 a 13/2007. Mesmo prestados os esclarecimentos requeridos, a recorrente deixoud e apresentar as GFIP’s retificadoras, motivo pelo qual foram considerados como fatos geradores do lançamento em análise LEVANTAMENTO D1 — DIFERENÇA DE BC MULTA DE OFICIO referese as diferenças de contribuições a cargo da empresa relativas aos fatos arrolados nos itens 5 a 9 acima, destinadas à seguridade social e as contribuições para financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos' ambientais do trabalho (SAT/RAT) incidentes sobre as remunerações devidas ou creditadas a qualquer titulo aos empregados e/ou contribuintes individuais que lhe prestaram serviços nas competências Fl. 540DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 de 10/2005 e 13/2005; 01/2006 a 09/2006; 11/2006 a 02/2007; 04/2007 a10/2007; 12/2007 e 13/2007. LEVANTAMENTO D2 — DIFERENÇA DE BC MULTA DE MORA referese as diferenças de contribuições a cargo da empresa relativas aos fatos arrolados nos itens 5 a 9 acima, destinadas a seguridade social e às contribuições para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT) incidentes sobre as remunerações devidas ou creditadas a qualquer titulo aos empregados e/ou contribuintes individuais que lhe prestaram serviços nas competências de 11/2005 e 12/2005; 10/2006; 03/2007 e 11/2007. O período apurado compreende a competência de 10/2005 a 13/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 15/09/2010 (fls. 01). O lançamento foi impugnado, todavia, em sua peça a recorrente, dentre outros fundamentos, reconheceu a procedência do lançamento efetuado, todavia, defendendo se no sentido de que as diferenças apontadas no relatório fiscal foram devidamente quitadas, quando o mesmo fora intimado a apresentar esclarecimentos acerca das diferenças apuradas. Em seu recurso, sustenta o cerceamento de seu direito de defesa originado do fato do v. acórdão de primeira instância ter denegado o seu pedido de produção de provas para que os recolhimentos das diferenças por ela efetuados fossem objeto de apropriação, mesmo quando o julgamento de primeira instância veio a reconhecer que esta efetuou recolhimentos a maior. Acrescenta que a presente autuação pretende modificar matéria já discutida no Poder Judiciário, que em todas as instâncias reconheceu o seu direito de não efetuar os pagamentos de contribuições sobre o salárioeducação e INCRA. Que a realização de novo lançamento, quando já existente coisa julgada pelo Judiciário caracteriza o crime de excesso de exação. Defende ser entidade que goza de imunidade tributária, de acordo com o art. 195, 7o da CF/88, além de serem indevidas as contribuições ao INCRA e SALÁRIO EDUCAÇÃO. Finaliza argumentando que a multa aplicada possui caráter confiscatório. Na assentada de 11 de julho de 2012, esta Eg. Turma determinou a conversão do julgamento em diligência, para que viessem aos autos informações acerca dos pagamentos das diferenças lançadas no presente processo e que a recorrente sustenta ter efetuado o pagamento. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 11516.003314/201051 Acórdão n.º 2401003.723 S2C4T1 Fl. 504 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Em sede preliminar a recorrente sustenta a que o seu direito de defesa restou cerceado pelo v. acórdão de primeira instância , na medida em que este indeferiu o seu pedido de perícia, entendendo pela não apropriação dos pagamentos que efetuou, apesar de ter reconhecido que os mesmos ocorreram. Sem razão. O fato do julgamento de primeira instância ter deixado de apropriar os pagamentos efetuados, em nenhum momento pode vir a ser considerado como motivo que ensejou o cerceamento do direito de defesa da recorrente, pois a negativa na apropriação e do afastamento do pedido de perícia fora devidamente fundamentada pelo julgador, quando expôs os motivos pelos quais entendia que a tese levantada na impugnação da recorrente, deveria ser afastada. O mero inconformismo da parte relativamente ao resultado do julgamento de primeira instância, por si só, não autoriza o reconhecimento do cerceamento de seu direito de defesa, de modo a justificar a declaração de nulidade do julgamento a quo. Assim, rejeito a preliminar de nulidade. MÉRITO Quanto as diferenças apuradas no presente auto de Infração, a recorrente sequer contestou o lançamento. Ao contrário, com ele concordou, todavia, sustentando ter efetuado o pagamento das mesmas, de sorte que outra não poderia ser a conclusão, senão pela anulação do Auto de Infração em decorrência do pagamento. Ao levar a efeito o cumprimento do resultado de diligência solicitado, o ilustre auditor fiscal levou a efeito intimação da recorrente para que apresentasse planilha apontando as divergências entre os recolhimentos efetuados a maior e os valores declarados em GFIP, juntamente com a respectiva GFIP retificadora. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 Vejamos o que constou do pedido: 9. A pedido deste Auditor Fiscal, foi comandando Procedimento Fiscal de Diligência DRF 0951146, consubstanciado no Mandado de Procedimento Fiscal MPF 09.20100.2014.00334, sendo emitido Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, em 23/04/2014, recepcionado pelo Coordenador do Contencioso –DIJUR – FIESC, Dr. André Luiz de Carvalho Cordeiro, as 16:30 horas do dia 24/04/2014. A Diligência transcorreu da seguinte forma: 9.1. No referido TIPF constou a solicitação para apresentação dos seguintes documentos: Planilha de Cálculo demonstrando valores recolhidos a maior em relação àqueles declarados em GFIP, por competência, discriminados por estabelecimento; GFIP retificadora, com declaração dos valores corretos, para inclusão dos valores recolhidos à maior, por competência, de cada estabelecimento E a recorrente, em resposta apresentou dois CDS, sobre os quais, após analise, concluiuse o seguinte: 10. Em que pese a afirmação do SESI, em seu Ofício de encaminhamento dos arquivos digitais, que teria atendido as solicitações da Fiscalização, a realidade passou bem longe disso. Os dois (2) CDS entregues contem, cada um deles, três (3) arquivos digitais relativos aos períodos fiscalizados de 2005, 2006 e 2007, respectivamente. Entretanto, as planilhas constantes dos referidos arquivos referemse apenas ao desmembramento das Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS) de cada período. 11. Não houve, portanto, atendimento por parte do contribuinte às informações solicitadas pela fiscalização. Em face do não atendimento das solicitações do auditor, finalizou sua resposta no sentido da impossibilidade de atendimento ao que requerido por esta Turma, apontando não ter sido comprovada a existência dos recolhimentos relacionados com à míngua da existência de provas dos recolhimentos e esclarecimentos não prestados pelo contribuinte. Da análise de sua resposta, percebo que desta vez o mesmo levou a efeito as providências necessárias para efetuar a correlação entre eventuais pagamentos a maior e o objeto do presente lançamento, sem êxito, no entanto em efetuar tal correlação, diante do fato da própria recorrente não ter apresentado documentação dos recolhimentos a maior e esclarecimentos sobre as diferenças. Ressalto que as conclusões do fiscal também não foram especificadamente contestadas pela recorrente. Logo, realmente não restou possível efetuar eventual correlação no presente caso, de modo que entendo por não comprovada de forma cabal a existência de recolhimentos a maior que possam ou deveriam ter sido aproveitados no presente lançamento. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 11516.003314/201051 Acórdão n.º 2401003.723 S2C4T1 Fl. 505 7 Assim, considerando que a recorrente, deixou de impugnar a exigência fiscal, defendose sobre o mérito do lançamento tão somente no sentido de que teria efetuado o recolhimento dos valores lançados, outra não pode ser a conclusão senão pela sua manutenção. Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 15215.720148/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
IRPJ E IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. RECURSOS DESVIADO DE ÓRGÃO PÚBLICO.
Aquele que desvia recursos de órgão público obtém renda. No entanto, se estes recursos são depositados em conta em nome de pessoa jurídica e imediatamente devolvido ao agente, o ato da devolução não caracteriza pagamento sem causa. No caso concreto, o dinheiro depositado, sob o enfoque jurídico, sempre pertenceu a quem dele se apropriou.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membro do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência do IRRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 IRPJ E IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. RECURSOS DESVIADO DE ÓRGÃO PÚBLICO. Aquele que desvia recursos de órgão público obtém renda. No entanto, se estes recursos são depositados em conta em nome de pessoa jurídica e imediatamente devolvido ao agente, o ato da devolução não caracteriza pagamento sem causa. No caso concreto, o dinheiro depositado, sob o enfoque jurídico, sempre pertenceu a quem dele se apropriou. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membro do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência do IRRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 01 48 /2 01 2- 68 Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15215.720148/201268 Acórdão n.º 1402001.813 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Conforme auto de infração de fls. 02 e seguintes, tratase de exigência de crédito tributário a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em face das seguintes infrações: 0001 – OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Fato Gerador Valor apurado Multa 05/02/2007 248.620,41 150% 06/02/2007 521.158,07 150% 14/02/2007 128.899,89 150% Além da infração acima identificada, a fiscalizada foi autuada por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, nos valores abaixo indicados: Fato Gerador Valor apurado Multa 07/02/2007 403.620,00 150% 08/02/2007 80.000,00 150% 09/02/2007 100.000,00 150% 12/02/2007 26.000,00 150% 16/02/2007 124.000,00 150% Foram arrolados como corresponsáveis as pessoas acima indicadas e a notificação do lançamento deuse a partir de 28/06/2012 (fls. 73; 78; 82; 86; 89; 93; 97; 101 e 105). Segundo consta do TVF, no ano de 2007 a empresa Telecom Informática Ltda não apresentou declaração à Receita. Contudo, entre os meses de janeiro e julho de 2007 realizou alguns recolhimentos mensais utilizando o código 6106 (pagamento de microempresa Simples). À Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais, no ano de 2007, a Telecom declarou os valores indicados à fl. 27, no montante de R$ 4.370.932,82. Segundo consta dos itens 51 e 53 do TVF, foi realizado uma CPI na Câmara do Município de Governador Valadares que concluiu que houve um desvio de R$ 1.679.658,97 (um milhão seiscentos e setenta e nove mil e seiscentos e cinqüenta e oito reais e noventa e sete centavos). Desse total, R$ 898.678,37 foram depositados na conta da TELECOMP INFORMÁTICA LTDA. Neste sentido, a título de relatório, transcrevo na integra do itens 54 a 57 do TVF e, ao final, o quadro indicado à fl. "54. A TELECOMP INFORMÁTICA em uma Contestação de uma Ação Cautelar Inominada proposta pela Prefeitura de Governador Valadares (Processo n° Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15215.720148/201268 Acórdão n.º 1402001.813 S1C4T2 Fl. 0 3 105.07.218.1883), informou através de seu advogado que o Sr. WELLINGTON MARTINS, gestor da empresa, na última semana de janeiro, foi procurado pelo Sr. 55. A empresa ainda através de seu advogado declarou que no dia 06/02/2007, após o Sr.WELLINGTON lembrar que não havia verificado a conta no dia anterior, consultou via Internet o extrato da conta corrente da TELECOMP e constatou que haviam sido depositados, em depósito não identificado, R$ 769.778,48. No dia seguinte, 07/02/2007, o Sr. EDYR entrou em contato pedindo que o Sr. WELLINGTON retirasse R$ 403.620,00 em dinheiro, e ele sacou este dinheiro e entregou para o Sr. EDYR. 56. Contudo, foi possível identificar na fita detalhe do caixa do Banco do Brasil, que destes R$ 403.620,00, R$ 155.000,00 foram transferidos para a empresa CMPAC AUTOS LTDA (CNPJ 02.263.502/000645), e o restante levado em espécie. De acordo com o Sr. WELLINGTON, este recurso também foi transferido a pedido do Sr. EDYR. 57. De acordo com o Sr. WELLINGTON ele realizou outros 3 (três) saques nos dias 08, 09 e 12/02/2007, respectivamente de R$ 80.000,00, R$ 100.000,00 e R$ 26.000,00, a pedido do Sr. EDYR. Ainda de acordo com o Sr. WELLINGTON, posteriormente, no dia 14/02/2007, foram depositados R$ 128.899,89, na conta da TELECOMP, o que motivou o saque de R$ 124.000,00 no dia 16/02/2007, que foram entregues par o Sr. EDYR. Notificada a empresa e os corresponsáveis, somente Edyr Cordeiro de Paula Silva apresentou impugnação contestando sua condição de corresponsável. Igualmente, também pede a insubsistência do auto de infração. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15215.720148/201268 Acórdão n.º 1402001.813 S1C4T2 Fl. 0 4 A DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada por Edyr Cordeiro de Paula Silva, sendo que desta decisão a parte interessada foi intimada em 14/03/2013 e em 10/04/2013 apresentou o recurso de fls. alegando: a) que a fiscalização quer tributar o dinheiro que diz ter desviado dos cofres públicos por meio de conta bancária em nome da Telecomp; b) o contribuinte não tem vínculos com a TELECOMP e o depoimento prestado por Ricardo Alves da Silva nada vale; c) que Thassiane Neiva e Ederson Geraldo disseram que Wilson Martins e Welligton Martins são os verdadeiros donos da TELECOMP, para os quais emprestaram seus nomes e assinaram documentos, inclusive mantiveram na CPI a mando desses senhores; d) argumenta o recorrente que não é proprietário da empresa Datamicro (processo nº 106307316/200733); e) que o contribuinte foi surpreendido com o auto de infração, por depósito bancário, sem que sequer lhe foi dado ciência para comprovar a origem dos mesmos; d) ausência de prova de responsabilidade do contribuinte. É o relatório. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15215.720148/201268 Acórdão n.º 1402001.813 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima que pretende ver reformada a decisão da DRJ, razão pela qual dele conheço e passo ao exame do mérito. Inicialmente, dado ao fato de ser imputado ao recorrente EDYR a prática de conduta identificada nos artigos 121, 124 e 135 do CTN, como se dissessem respeito a mesma situação, destaco que se tratam de institutos diferentes, conforme passo a demonstrar pelo quadro que segue: contribuinte (art. 121, § único, I). Seção I Do sujeito passivo responsável (art. 121, § único, II). Capítulo IV interesse comum situação que constitua o FG. (124, I). Seção II – Solidariedade expressamente designada em lei (art. 124, II). LIVRO II Seção I – Disposição Geral Art. 128 (a lei pode atribuir responsabilidade a terceiro). Capítulo V Seção II – Responsabilidade dos sucessores – Art. 129 a 133. pais; tutores e curadores; adm. de bens de terceiros; Art. 134 inventariante; síndico; tabeliães ... sócios, nos caso de liquidação de sociedade e pessoas. Seção III – Responsabilidade de Terceiros pessoas relacionadas art. 134; Art. 135 mandatários, prepostos... diretores, gerentes ou representantes de PJ. Seção IV – Responsabilidade por infrações. Art. 137 É de responsabilidade do agente quando: I conceituadas como crime; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III – quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente do dolo específico: das pessoas referidas art. 134, contra aqueles a quem respondem; dos mandatários contra seus mandantes. dos diretores, gerentes de PJ de direito privado contra estas. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15215.720148/201268 Acórdão n.º 1402001.813 S1C4T2 Fl. 0 6 Do quadro acima depreendese que não pode confundir solidariedade tributária e responsabilidade de terceiros. São figuras jurídicas distintas e como tais decorrem de situações fáticas distintas. A solidariedade tributária inserese na Seção II do Capítulo IV do Livro II do Código Tributário, que trata do sujeito passivo. A responsabilidade tributária de terceiros, incluindo aqui os sócios de direito e de fato, está disciplinada na Seção III do Capitulo V, do Livro II, do CTN e a responsabilidade de terceiro, por infrações, é prevista na seção seguinte, conforme anteriormente demonstrado. Necessário distinguir o sujeito passivo do responsável tributário. O sujeito passivo de que trata o Capítulo IV pode ser o contribuinte (art. 121, § único I) ou o responsável, quando sem revestir a condição de contribuinte sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. Em relação à distinção entre contribuinte e responsável atenhamo nos às normas contidas no parágrafo único do artigo 121, “in verbis”: Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A solidariedade, que não se confunde com responsabilidade de terceiros, decorre das situações previstas no artigo 124, I e II, do CTN, sendo que o interesse comum de que trata o inciso I não se confunde com as situações contidas no inciso II em que a lei pode atribuir a condição de solidário. As hipóteses previstas no artigo 124, I, do CTN (interesse comum), tratam da solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito passivo da obrigação tributária (devedor originário art. 121, I). Ex. IPTU entre coproprietários; Por sua vez, o artigo 124, II, contempla situação em que a lei pode atribuir responsabilidade solidária a pessoas que não revestem a condição de contribuintes, mas por estarem vinculadas ao fato gerador praticado pelo contribuinte podem vir a ser chamadas a responderem pelo crédito tributário, como ocorre, por exemplo, na importação por conta e ordem de terceiros (o artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pelo artigo 77 da MP nº 2.15835, de 2001), ou nos casos de retenção de imposto de renda na fonte. O interesse comum de que trata o artigo 124, I, não é o interesse econômico, mas sim na questão relacionada à prática do fato gerador. Empresas de um mesmo grupo tem interesse econômico no resultado de suas operações, mas este interesse não serve para atribuir a uma delas a condição de solidária, visto que o interesse apto a qualificar a solidariedade é o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, como ocorre, por exemplo, em caso de copropriedade, com a exigência do IPTU e ITR1.. 1 Neste sentido é a posição do STJ. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. .... LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. [...]4. Na relação jurídicotributária, quando composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuinte, cada uma delas estará obrigada pelo pagamento integral da dívida, perfazendose o instituto da solidariedade passiva. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15215.720148/201268 Acórdão n.º 1402001.813 S1C4T2 Fl. 0 7 A solidariedade de que trata o artigo 124, incisos I e II, não está relacionada a atos ilícitos e se aplica a quem tem a qualidade para ser sujeito passivo da obrigação tributária, ainda que por responsabilidade decorrente de expressa disposição legal, como é dos exemplos já apontados (situações previstas no artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pela MP nº 2.11535, de 2001 e Lei nº 11.281, de 2006). A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nas hipóteses contidas no artigo 135 vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação) (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC). A responsabilidade de terceiro, por pressupor duas normas autônomas: a regramatriz de incidência tributária e a regramatriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios, nos casos de responsabilidade tributária por atos ilícitos, o auto de lançamento deve descrever, de forma direta e objetiva, a conduta do agente e a norma de incidência. Neste sentido, costumo ilustrar a situação com o seguinte quadro: Na solidariedade Na Responsabilidade de terceiro O fato Situação descrita na lei como suporte fático suficiente para exigência do crédito tributário. O fato Situação descrita na lei que impõe conduta omissiva ou comissiva a alguém, sob pena de responder pelo crédito tributário. A autuação Descreve situação que caracteriza a existência do fato gerador, a obrigação de pagar tributo e o quanto a ser pago. A autuação Descreve situação irregular praticada pelo terceiro da qual decorre a obrigação de, mesmo sem ter praticado o fato gerador, responder pelos tributos devidos. Os limites O valor total do crédito tributário decorrente do fato gerador. Os limites Responsabilidade limitada aos tributos decorrentes dos atos em que intervir com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos. A defesa Salvo nos casos de débito declarado, o autuado deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de nulidade da inscrição do débito em dívida ativa. A defesa Em qualquer situação o terceiro a quem se imputa infração que caracteriza responsabilidade tributária deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de ineficácia, em relação a ele, do ato administrativo ou judicial que lhe imputar a condição de responsável. A punição Decorre do ato de não pagar tributo. A punição Decorre do ato de praticar conduta omissiva ou comissiva contrária ao direito, da qual resulta o não pagamento de tributo pelo contribuinte direto. haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. .... 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. (REsp 859.616/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJU 15.10.2007). Grifei. Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15215.720148/201268 Acórdão n.º 1402001.813 S1C4T2 Fl. 0 8 Outro detalhe importante é ter presente que o terceiro ou o sócio é responsável não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas por praticar ato que caracteriza infração descrita em lei. Ademais, em face das controvérsias surgidas em relação ato tema, diferentemente do que pensam alguns Conselheiros, entendo que “o simples fato de colocar terceira pessoa no contrato social não é o suficiente para atribuir a solidariedade ao sócio de fato”. Ao meu sentir, a solidariedade não decorre do fato de alguém ser sócio de fato ou de direito, mas sim do ato de praticar conduta que resulta no inadimplemento do crédito tributário. A título de exemplo, citase a retirada de recursos em favor dos sócios de fato, em prejuízo do pagamento dos tributos devidos. Em síntese, é preciso ter presente que a solidariedade entre uma pessoa física e uma pessoa jurídica ou entre duas pessoas jurídicas ou duas pessoas físicas somente ocorre quando ambas participam da relação jurídico tributária. Nada impede, por exemplo, que uma empresa regularmente constituída celebre parceria com profissional, pessoa física, para realizarem pesquisa encomendada por terceiro, ou ainda, que uma empresa ligada à construção civil, junto com engenheiro não integrante da empresa, se unam para executar determinado projeto. Nestes casos, em relação à receita advinda dos serviços prestados haverá solidariedade. O mesmo pode ocorrer em relação ao comércio ou à indústria. Por outro lado, em atenção aos debates que esta matéria costuma suscitar, registro que o sócio de fato não é responsável pelo simples fato de ser sócio de fato, mas sim por praticar conduta comissiva ou omissiva relacionada a fato gerador do qual decorra tributo que resulte inadimplido. Isto se aplica, igualmente, nas situações em que o sócio de fato ou de direito apropriase dos lucros da empresa sem que esta, por primeiro, tenha pago os tributos devidos. Ademais, o artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Da tributação decorrente de fatos geradores relacionados a atividade ilícita Inicialmente, é preciso registrar que o caso dos autos não trata de depósito bancário de origem não comprovada. A origem dos valores, como sustenta o item 51 do TVF, advém do desvio ilícito de recursos a Câmara de Vereadores de Governador Valadares, do valor de R$ 898.678,37, que foram depositados na conta da empresa TELECOM INFORMÁTICA. Na lição do professor Lobo Torres, "com fundamento no princípio do "non olet", o tributo tem de incidir também sobre as atividades ilícitas ou imorais. É princípio, calcado no valor justiça, a cobrança do tributo daquele que tem capacidade contributiva, embora seja oriunda de jogo, lenocínio ou de alguma outra atividade proibida, pois, caso assim não o fosse, estarseia ferindo o princípio da isonomia, sem que houvesse, pois, autorização calcada no princípio da razoabilidade, porquanto seriam tratados preferencialmente os autores Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15215.720148/201268 Acórdão n.º 1402001.813 S1C4T2 Fl. 0 9 de ilícitos em detrimento dos trabalhadores e outros contribuintes com fontes lícitas de rendimentos"2. Na mesma linha aponto decisão do STF no 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do habeas corpus nº 77530, publicado em 18/09/1998, que consignou que é crime a sonegação fiscal de lucro advindo de atividade criminosa. "EMENTA: SONEGAÇÃO FISCAL DE LUCRO ADVINDO DE ATIVIDADE CRIMINOSA: NON OLET. Drogas: tráfico de drogas, envolvendo sociedades comerciais organizadas, com lucros vultuosos subtraídos à contabilização regular das empresas e subtraídos à declaração de rendimentos: caracterização, em tese, de crime de sonegação fiscal, a acarretar a competência da Justiça Federal e atrair pela conexão, o tráfico de entorpecentes: irrelevância da origem ilícita, mesmo quando criminal, da renda subtraída à tributação. A exoneração tributária dos resultados econômicos de fato criminoso antes de ser corolário do princípio da moralidade constitui violação do princípio de isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética". Dos fatos imputados a Edyr Cordeiro de Paula Silva No termo de sujeição passiva solidária encaminhado a Edyr Cordeiro de Paula Silva, lhes são imputadas as seguintes acusações: i) O Sr. Wellington Martins alega que permitiu que cheques da Prefeitura de Governador Valadares fossem depositados na conta da TELECOM a pedido do Sr. Edyr, que nega tal fato; ii) Apesar da negativa feita por Edyr, Ricardo Alves, funcionário da Telecom, confirmou a versão de Wellington Martins; iii) Ainda sobre a participação de Edyr Macedo, o TVF transcreve o seguinte trecho extraído do relatório da CPI: "Em diligência efetivada na cidade de Recife, restou ainda mais reforçado o envolvimento do senhor Edyr Cordeiro no malsinado desvio, tendo em vista que, apesar de ter negado veementemente, em seu depoimento, que conhecia a empresa Fidélis Cobrança Ltda, ou qualquer um de seus sócios, Abelardo Fidélis da Silva Neto ou Carolina Menezes de Aquino Fidélis, restou comprovado que uma de suas irmãs de nome Eniadja, é companheira de Abelardo Fidélis, e ainda, pelo fato de que o próprio Edyr afirmou em seu depoimento que seu pai reside na Rua Aprígio Alves n° 23, Bairro Afogados, Recife, e a cópia do contrato social da Fidélis Cobrança, constar como endereço residencial de ambos os sócios, o mesmo imóvel3. 2 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de Direito Financeiro e Tributário. 13 ed. Rio de Janeiro: Renovar. 2006, pág. 102. 3 No relatório extraído da CPI ainda const o seguinte trecho, não incluído no Termo de Sujeição Passiva Solidária: "Nesse sentido, resta evidenciada a existência de uma quadrilha organizada, criada no intuito de fraudar o Tesouro Municipal, sendo composta pelos seguintes membros: Alexsandra Soares Menezes Generoso, Noelza Rodrigues Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15215.720148/201268 Acórdão n.º 1402001.813 S1C4T2 Fl. 0 10 iv) No curso do procedimento fiscal em face da empresa FIDÉLIS beneficiária de depósitos de recursos desviados da Prefeitura de Governador Valadares, a sócia Carolina Fidelis informou que a empresa foi aberta por seu pai e que sabe que o Sr. Edyr era sócio de seu pai nesse negócio e que Edyr depositava dinheiro na conta da empresa Fidelis para seu pai sacar em Recife e fizesse diversos pagamentos. v) Os Esclarecimentos dos Srs. Wellington, Ricardo e Carolina, aliadas as evidências obtidas na CPI, indicam a participação do Sr. Edyr no desvio de verbas da Prefeitura. Inicialmente, observo que não pode se confundir a ligação do recorrente Edyr Cordeiro com a empresa FIDÉLIS COBRANÇA LTDA. A acusação dirigida ao recorrente Edyr, no que diz respeito à empresa TELECOM, cingese ao fato deste ter solicitado a Wellington Martins para fazer depósito em conta desta empresa de valores desviado da Prefeitura de Governador Valadares e que depois pegou estes recursos em pacotes de dinheiro, conforme afirmado por Ricardo Alves da Silva, funcionário da TELECOMP. O que não se pode, a pretexto de fazer justiça fiscal, é inserir neste processo as questões relacionadas à empresa FIDÉLIS COBRANÇA LTDA e à DATAMICRO INFORMÁTICA LTDA. Se no processo da DATAMICRO (processo 16630.720316/200733) há provas de que Edyr Cordeiro de Paula e Silva era o principal proprietário daquela empresa e quem dava a última palavra, o mesmo não ocorre, com a mesma abrangência, no que diz respeito aos fatos geradores objeto de lançamento neste processo. Explico. Pelo que se extrai do Relatório da CPI, Wellignton geria a empresa Telecomp por meio de procuração. Em conta desta empresa, a pedido de Edyr, foram feitos depósitos de valores desviados da Prefeitura de Governador Valadares, sacados e entregues a Edyr. Não me convence o depoimento de Wellignton, indicado à fl. 24 do relatório da CPI, quando diz: No final de janeiro Edyr entrou em contato dizendo que tinha um dinheiro para receber que não podia ser depositado em sua conta. Então o depoente autorizou que fosse depositado na conta da Telecomp. Que no dia 06 de fevereiro surpreendeuse com o valor de quase oitocentos mil reais em sua conta. ... Então o depoente sacou quatrocentos e quatro mil reais e entregou ao Sr. Edry e fez uma TED de cento e cinquenta e cinco mil reais em favor da CM PAX AUTO LTDA. No dia seguinte fez novo saque no valor de oitenta mil reais e novamente entregou a Edyr. Quando foi sextafeira o depoente fez mais um saque de cem mil reais e na segunda sacou mais vinte mil reais e entregou a Edyr, à vista de funcionário da empresa." O depoimento acima transcrito, à semelhança do que constou no item 51 do TVF, não deixam a menor dúvida de que os valores creditados na conta da empresa pertenciam a Edyr, devendo ser aplicado o disposto no artigo 5º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: dos Santos, Alejandro Omar Cuattrin, Sheila Campos Almeida Pires, Vladimir Fernandes Lara, Wésley Moura, Edyr Cordeiro de Paula Silva, Wellington Martins da Cruz, Abelardo Fidélis da Silva Neto, Carolina Menezes de Aquino Fidélis e Antônio Leite Silva Júnior”. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 15215.720148/201268 Acórdão n.º 1402001.813 S1C4T2 Fl. 0 11 § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O fato de ter sido utilizada a conta da empresa TELECOMP para efetuar depósito pertencente a terceiro, no caso Edyr, não transforma tais valores em receita da empresa, tanto assim o é que os mesmos foram imediatamente devolvidos ao real titular que só usou a empresa de forma interposta para receber os valores desviados dos cofres públicos. Por tudo o que destaquei na primeira parte deste voto e pelo quanto consta do § 5º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tenho que não se trata de situação, em relação ao recorrente Edyr, descrita no artigo 135 e sim no artigo 124, parágrafo único, I, do CTN, observando que não se trata de interesse econômico e sim jurídico, pois o fato gerador do imposto de renda deuse em face do recorrente Edyr que auferiu os recursos desviados da Prefeitura de Governador Valadares. No entanto, não subsiste a exigência de IRRF. A empresa Telecomp Informática Ltda nunca foi titular dos recursos e tampouco fez pagamento a Edyr Cordeiro de Paula Silva. Os recursos desviados da Prefeitura sempre estiveram na esfera jurídica de Edyr Cordeiro. O fato deste utilizar conta bancária da TELECOMP, procurando não deixar rastro, não quer dizer que tal empresa efetuou realização de pagamento sem em benefício a Edyr. A responsabilidade de Edyr, em relação à omissão de receita, mesmo sem que tivesse sido observado o disposto no art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, subsiste em virtude de ter sido imputado a este a situação descrita no art. 124, parágrafo único, I, do CTN. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência do IRRF (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 16/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 19515.722325/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/05/2007
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. CONTRIBUINTE EM DÉBITO COM A PREVIDÊNCIA SOCIAL NO MOMENTO DO PEDIDO. DÉBITOS SEM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LEGALIDADE. Tendo em que vista que a época do pedido de compensação a recorrente possuía débitos com a previdência social que não estavam com a sua exigibilidade suspensa, corretas as glosas de compensação efetuadas, conforme previsão do art. 193, II, da IN SRP 03/2005.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim que dava provimento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares- Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 31/05/2007 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. CONTRIBUINTE EM DÉBITO COM A PREVIDÊNCIA SOCIAL NO MOMENTO DO PEDIDO. DÉBITOS SEM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LEGALIDADE. Tendo em que vista que a época do pedido de compensação a recorrente possuía débitos com a previdência social que não estavam com a sua exigibilidade suspensa, corretas as glosas de compensação efetuadas, conforme previsão do art. 193, II, da IN SRP 03/2005. Recurso Voluntário Negado.
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CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. CONTRIBUINTE EM DÉBITO COM A PREVIDÊNCIA SOCIAL NO MOMENTO DO PEDIDO. DÉBITOS SEM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LEGALIDADE. Tendo em que vista que a época do pedido de compensação a recorrente possuía débitos com a previdência social que não estavam com a sua exigibilidade suspensa, corretas as glosas de compensação efetuadas, conforme previsão do art. 193, II, da IN SRP 03/2005. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim que dava provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 23 25 /2 01 1- 36 Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.722325/201136 Acórdão n.º 2401003.659 S2C4T1 Fl. 1.060 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SÃO PAULO TRANSPORTE SA, em face do acórdão de fls. 944/963, o qual manteve integralmente o crédito tributário objeto do Auto de Infração n° 37.351.7815, lavrado para a cobrança de contribuições devidas a Seguridade Social decorrentes de glosa de compensação efetuadas em GFIP no período de 11/2006 a 05/2007. Consta do relatório fiscal que as compensações efetuadas foram glosadas em razão da contribuinte não ter comprovado estar em situação regular no que se refere ao cumprimento das demais obrigações previdenciárias a seu cargo à época da compensação, pois restou verificado que os débitos objeto das NFLD´s 35.939.672, 35.940.174, 35.211.3537, 35.345.6217 estavam em com sua exigibilidade ativa junto PGFN. O período de apuração compreende a competência de 01/11/2006 a 31/05/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 27/12/2011 fls 758. Em seu recurso, o recorrente sustenta que é incontroverso o direto de compensação exercido, pois Segundo este o mesmo é válido e legítimo com base na declaração feita no r. acórdão recorrido. Sustenta ainda que as compensações realizadas se originaram de recolhimentos reputados indevidos pela Recorrente, nos termos do art 3° da Lei 7.787/89, considerada inconstitucional pelo STF no RE 177.296. Posteriormente a compensação argüida foi efetivada pautada na decisão proferida no RE 833.994, relativo ao MS 98.00491627, decisão esta que autorizava a recorrente a realizar as compensações dos débitos em discussão. Assim em decorrência de tais alegações afirma não ter infringido o art 193, II da IN MPS/SRP n° 3 de 14/07/2005, pois houve a comprovação de que os AI Debcad’s n° 03.593.9572, 03.594.0174, 35.211.3537 e 35.345.6268 e 35.345.6217 estavam com a exigibilidade do crédito suspensa, o que demonstra estar em situação regular perante o fisco. Aduz ainda que a exigência prevista no art 193, II da IN MPS/SRP n° 3 de 14/07/2005, o qual condiciona o direito de compensação à situação regular do sujeito passivo em relação as contribuições fere o princípio da legalidade. Ressalta que apesar dos débitos n° 03.593.9672 e 03.594.0174 terem sido apontados como pendentes no Auto de Infração, estes encontramse em situação regular, relata que tais débitos estavam abarcados pela prescrição, fato sequer foi levado em consideração pela autoridade julgadora, pois um referese ao ano de 1959 e o outro ao ano de 1962. Quanto ao Debcad’s 35.345.6217 insiste que a autoridade julgadora não considerou a regularidade fiscal do recorrente pelo período de 11/2006 a 05/2007, pois segundo esta tal exigibilidade só foi suspensa em 16/04/2009, momento em que foi proferida sentença de mérito no processo 2003.61.00.0035648 em trâmite na 22° Vara Federal de São Paulo. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 E neste sentido, sustenta que a autoridade responsável se apegou a ausência expressa de menção ao débito 35.345.6217 no dispositivo da decisão que concedeu a antecipação de tutela na ação anulatória que suspendeu somente a exigibilidade dos débitos referentes ao Debcad n° 35.345.6268 e 35.211.3537. Neste contexto segundo sua tese não há controvérsia acerca da suspensão da exigibilidade do crédito decorrente do Debcad n° 35.345.6217, e que tais créditos estariam suspensos desde a antecipação na ação anulatória que ocorreu em 09/02/2004 e que posteriormente foi reafirmada em sede de sentença em 16/04/2009. Salienta que decisão preferida pela autoridade responsável decorreu de erro material cometido no momento em que a recorrente apresentou a impugnação ao Auto de Infração e deixou de transcrever a NFLD 35.345.6217, mas que a mesma está mencionada na decisão. Ressalta que não há previsão legal que dê suporte à exigência determinada no art 193, II da citada Instrução Normativa, que condicione o direito de compensação à demonstração da regularidade fiscal do sujeito passivo da obrigação tributária. Indica que a compensação de créditos tributários decorre de Lei e pode ser feita com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, pois a Lei 8.212/91 seguindo a linha de raciocínio do art 170 do CTN estabeleceu a possibilidade de compensação tributária devida à Seguridade Social nas hipóteses de recolhimento indevido. Por fim requer que seja acolhido o presente recurso, cancelandose de forma definitiva o débito fiscal reclamado no Auto de Infração . Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eng. Conselho. É o relatório. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.722325/201136 Acórdão n.º 2401003.659 S2C4T1 Fl. 1.061 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, busca a recorrente demonstrar em seu recurso que levou a efeito a compensação de contribuições previdenciárias em conformidade com a legislação de regência, de modo que as glosas efetuadas pela fiscalização foram indevidas, na medida em que esta não se encontrava com débitos em aberto ou pendências junto à SRFB. Inicialmente, assinalo que as alegações recursais em torno da impossibilidade de aplicação ao caso do art. 193, II da IN MPS/SRP n° 03/2005 diante do malferimento do princípio da legalidade não tem o condão de prosperar. No que se refere à compensação tributária, o CTN dispôs em seu artigo 170 que a Lei poderá estipular condições necessárias para autorizar a compensação de créditos e débitos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, confirase: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Por sua vez, o procedimento de compensação administrativa de tributos e contribuições federais, inclusive as previdenciárias, veio a ser previsto pelo art. 66 da Lei 8.383/91, que apontou de forma expressa em seu §4o que as Secretarias da Receita Federal e do INSS deveriam expedir as instruções necessárias ao cumprimento da garantia do contribuinte em compensarse quando de eventual pagamento indevido. Vejamos o dispositivo ora sob comento: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995)(grifei) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (grifei) A previsão do §4o supra encontra guarida, ainda, a meu ver, no próprio art. 100 do CTN, o qual prevê que as Instruções Normativas promulgadas pela SRFB e no caso o próprio INSS, são consideradas como normas complementares à Lei tributária vigente no país. Assim reza o dispositivo: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;(grifei) E assim o INSS, ao regulamentar o procedimento de compensação das contribuições previdenciárias previsto também no art. 89 da Lei 8.212/91, expediu a IN MPS/SRP n° 03/2005, a qual, em seu artigo 193, II, trouxe a previsão de que a opção pela compensação somente poderia ser efetuada caso o sujeito passivo estivesse “em dia” ou em situação regular em relação às contribuições previdenciárias objeto de NFLD´s, AI´s e LDC´s eventualmente lavradas em seu desfavor, conforme previsão a seguir: Art. 193. Caso haja pagamento de valores indevidos à Previdência Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, é facultado ao sujeito passivo optar pela compensação ou pela formalização do pedido de restituição na forma da Seção II deste Capítulo, observadas, quanto à compensação, as seguintes condições: [...] II – o sujeito passivo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, em relação às contribuições objeto de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD e débito decorrente de Auto de Infração AI, cuja exigibilidade não esteja suspensa, de Lançamento de Débito Confessado LDC, de Lançamento de Débito Confessado em GFIP LDCG, de Débito Confessado em GFIP DCG;(grifei) Dessa forma, tendo em vista que a exigência fora determinada em conformidade com o que prevêem as normas legais que regem a matéria, sobretudo diante do fato de que esta não colide com qualquer outra condição expressa em Lei, a tenho por válida, Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.722325/201136 Acórdão n.º 2401003.659 S2C4T1 Fl. 1.062 7 de modo que deve ser cumprida pela contribuinte que pretendeu, à época, a compensação das contribuições objeto de glosa. E no que se refere às pendências que possuía à época, assim registrou o auditor que lavrou o Auto: Debcad (débitos cadastrados) em fase de Procuradoria Fase “616 CRÉDITO INSCRITO SEM CONDIÇÃO DE AJUIZAMENTO” a) Debcad 35939672, com exigibilidade assinalada pela fase acima descrita, de 09/12/2004 a 06/06/2010; b) b) Debcad 35940174, com exigibilidade assinalada pela fase acima descrita, de 09/12/2004 a 06/06/2010; 4 Fase "535 AJUIZAMENTO/ DISTRIBUIÇÃO" c) Debcad 352113537, com exigibilidade assinalada pela fase acima descrita, de 23/09/2003 a 07/04/2010 d) Debcad 353456217, com exigibilidade assinalada pela fase acima descrita, de 23/09/2003 a 07/04/2010 Inicialmente, no que se refere aos débitos objeto das NFLD´s DEBCAD 35.211.3537 e DEBCAD 35.345.6268, o v. acórdão de primeira instância já reconheceu que os mesmos estavam com exigibilidade suspensa à época da compensação, diante da concessão de tutela antecipada nos autos da ação judicial 2003.61.00.0035648, de modo que tais DEBCAD´s não poderiam ser considerados como óbice à compensação efetuada. Sobre o assunto aponto que a recorrente defende que da mesma forma, diante da decisão proferida na ação deveria ser considerada suspensa a exigibilidade do DEBCAD n. 35.345.6217. Sem razão no entanto. Fato é que referido DEBCAD (35.345.6217) também era objeto de contestação na ação judicial supra mencionada, mas, no entanto, a suspensão de sua exigibilidade somente veio a ser reconhecida pela justiça quando proferida a sentença de mérito, na data de 28/07/2009, e não quando proferida a decisão que antecipou a tutela e suspendeu a exigibilidade dos DEBCAD´s 35.345.6268 e 35.211.3537. Dessa forma a suspensão da exigibilidade do DEBCAD 35.345.6217 somente se deu em período posterior à compensação efetuada e glosada nos autos do presente processo, de modo que, à época da compensação efetuada, este, de fato, encontravase ativo, o que por si só, já enseja óbice à compensação ora sob análise. Com relação aos DEBCAD nº 03.593.9672 e DEBCAD 03.594.0174, verifiquei que, á época da compensação, tais débitos encontravamse inscritos em dívida ativa, na fase em análise para ajuizamento, mas ainda não tinha sido ajuizados em razão de seu valor. E tal condição se comprova mediante um dos documentos juntados pela própria contribuinte quando interpôs sua impugnação, no caso, da leitura de resposta da PGFN a uma consluta solicitada pela própria recorrente, na qual buscava informações sobre a situação de tais DEBCAD´s. O documento de fls. 888 deixa claro que tais débitos não estavam com sua exigibilidade suspensa, apesar de ainda não ajuizados. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Não vislumbrei da documentação trazida na impugnação, qualquer comprovação de qual tal conclusão estava equivocada, até mesmo porque sobre o assunto a recorrente defende que em razão de tais débitos estarem prescritos, não haveria que se falar em sua exigência. No entanto, a prescrição dos mesmos, somente veio a ser reconhecida posteriormente ao período da compensação objeto do presente processo, em 07/06/2010 houve o cadastramento destes no Sistema Dataprev – PGF – PGFN – Dívida Ativa como Fase 990 – como Cancelamento Com Extinção do Crédito. Diante de tais fatos, realmente, quando do pedido de compensação efetuado os DEBCAD´s 35.345.6217, 03.593.9672 e 03.594.0174 não estavam com sua exigibilidade suspensa. Assim, voto no sentido de conhecer do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10850.902028/2011-97
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 02 8/ 20 11 -9 7 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902028/201197 Resolução nº 3801000.812 S3TE01 Fl. 127 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, transmitido em 28 de outubro de 2005, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ 497,46, em 15 de agosto de 2003, relativo ao período de apuração de julho de 2003. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD), à folha 5, emitido em 6 de junho de 2011, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf discriminado no PER/Dcomp, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Inconformada com o indeferimento do pedido de restituição, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual alega que o pagamento informado na ficha Darf do Pedido de Restituição foi realizado por meio de compensação, conforme comprova a Declaração de Compensação eletrônica nº 30836.87198.240108.1.7.022900 que junta aos autos. A contribuinte argumenta, ainda, que não obstante o erro de preenchimento, tal fato não prejudica seu direito creditório, em razão dos princípios da estrita legalidade e da verdade material, entre outros. Por fim, a contribuinte requer a produção de perícia, realização de diligência e juntada de documentos. Em 09 de agosto de 2013, esta Turma proferiu o Acórdão nº 0732.228 equivocadamente, uma vez que o Despacho Decisório em litígio se refere a Pedido de Restituição. Este voto, portanto, tem como objetivo retificar o citado Acórdão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. INDEFERIMENTO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902028/201197 Resolução nº 3801000.812 S3TE01 Fl. 128 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ESPÉCIE DE PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. LIMITES DA APRECIAÇÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA No âmbito dos pedidos de restituição, a apreciação administrativa da regularidade do procedimento do contribuinte se limita à aferição da existência de crédito contra a Fazenda Nacional estritamente informado no Pedido de Restituição (PER) eletrônico. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, na essência: · que o crédito pleiteado se refere à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição Cofins, de receitas estranhas ao conceito de faturamento dada a inconstitucionalidade do artigo 3o, parágrafo 1o, da Lei n. 9718/98; · pede vénia para que, em observância ao princípio da economia processual, seja determinada a reunião dos processos que versam sobre a mesma matéria; · que a não retificação do pedido de restituição não interfere na obrigação principal (recolhimento do imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente; · que, por um escusável lapso por parte da ora Recorrente, deixou de ser informado no pedido de restituição em análise que o pagamento no qual se lastreia o crédito nele pleiteado não foi realizado por meio de recolhimento com guia DARF, mas através da declaração de compensação nº 30836.87198.240108.1.7.022900, cuja cópia foi oportunamente apresentada junto com sua manifestação de inconformidade; · que para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer, nos termos da alínea "c", do parágrafo 4o, do art. 16, do Decreto n. 70235/72, a juntada aos presentes autos do livro razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado; · que essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei n. 9718/98; bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902028/201197 Resolução nº 3801000.812 S3TE01 Fl. 129 4 · que a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9718/98, com fulcro no inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11941, de 27.5.2009 e também no Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), no seu art. 62, parágrafo 1o, inciso I, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22.6.2009; Assim, requer, requer que o seu recurso seja conhecido e provido, reformando se o v. acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3o, parágrafo 1o, da Lei n. 9718/98, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. É o Relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902028/201197 Resolução nº 3801000.812 S3TE01 Fl. 130 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre valores de COFINS pagos com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, nas PER/DCOMPs que utilizaram este crédito não houve pagamento no sentido estrito e sim compensação do débito informado como pagamento indevido. Diante disso, o pagamento não foi localizado, sendo exarado Despacho Decisório indeferindo a restituição pleiteada. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, caso o contribuinte não informe corretamente os dados do pagamento ele efetivamente não será localizado, o que de fato ocorreu conforme consta no Despacho Decisório. Nesse procedimento não se está adentrando efetivamente no mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Não obstante os equívocos cometidos pela recorrente na formalização do pedido de restituição, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, conforme ensina Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902028/201197 Resolução nº 3801000.812 S3TE01 Fl. 131 6 inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 1 Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados. Neste sentido, os documentos colacionados, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, estes devem ser aceitos em obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da restituição com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à demonstração e comprovação da existência do indébito, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. No mérito, entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Todavia, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que instituiu nova base de cálculo para a incidência de PIS e da Cofins, no julgamento dos RE 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, conforme ementa abaixo: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e 1 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 78. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902028/201197 Resolução nº 3801000.812 S3TE01 Fl. 132 7 faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF, RE 390.840, j. em 09/11/2005) Destaquese que o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJE nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral da questão constitucional e reafirmou a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF No mais, o artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941 de 27/05/2009 e o artigo 62 do RICARF, estabelecem estar vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, com exceção dos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, no que também se amolda o presente caso. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. No entanto, no caso vertente a recorrente informa que o indébito no qual se lastreia o crédito nele pleiteado não foi realizado por meio de recolhimento com guia DARF, mas através de compensação, formalizada por meio da declaração de compensação eletrônica Fl. 132DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.902028/201197 Resolução nº 3801000.812 S3TE01 Fl. 133 8 nº 30836.87198.240108.1.7.022900, cuja cópia foi oportunamente apresentada junto com sua manifestação de inconformidade. Não obstante a compensação declarada extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, necessário se faz a verificação da liquidez e certeza do crédito a ser restituído ou compensado, nos termos do artigo 170 do CTN. Para que se possa verificar se houve a extinção do crédito tributário e o atendimento aos pressupostos de certeza e a liquidez do crédito pleiteado, que possam ensejar a repetição do indébito, devese solicitar que a Delegacia de origem informe qual a situação do débito compensado. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Informe qual a situação do débito compensado por meio da declaração de compensação eletrônica nº 30836.87198.240108.1.7.022900 e colacione cópia do Despacho Decisório homologando ou não a compensação, caso haja; b) Caso tenha sido interposto recurso, aguarde o encerramento do contencioso no âmbito do respectivo processo administrativo e após a liquidação da decisão definitiva informe qual a situação do débito compensado relativo a Cofins (2172), apurado no período de julho de 2003; c) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10983.720732/2013-80
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 28/11/2011, 29/11/2011, 13/12/2011, 04/01/2012, 13/01/2012, 10/02/2012, 16/02/2012
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ORIGEM DOS RECURSOS. DANO AO ERÁRIO.
A Legislação prevê o dano ao erário, quando se verifica a ocultação do verdadeiro adquirente da mercadoria mediante interposição fraudulenta, hipótese em que a importadora não demonstra a origem, a disponibilidade e a transferência do recurso, presumindo-se, portanto, a fraude.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. AUSÊNCIA DE PROVA.
A ocultação e a fraude levam à aplicação da pena de perdimento e/ou sua conversão em multa proporcional ao valor das mercadorias. Nesse caso, em que há presunção de fraude pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos cabe a Recorrente fazer prova em sentido contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 28/11/2011, 29/11/2011, 13/12/2011, 04/01/2012, 13/01/2012, 10/02/2012, 16/02/2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ORIGEM DOS RECURSOS. DANO AO ERÁRIO. A Legislação prevê o dano ao erário, quando se verifica a ocultação do verdadeiro adquirente da mercadoria mediante interposição fraudulenta, hipótese em que a importadora não demonstra a origem, a disponibilidade e a transferência do recurso, presumindo-se, portanto, a fraude. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. AUSÊNCIA DE PROVA. A ocultação e a fraude levam à aplicação da pena de perdimento e/ou sua conversão em multa proporcional ao valor das mercadorias. Nesse caso, em que há presunção de fraude pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos cabe a Recorrente fazer prova em sentido contrário. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 28/11/2011, 29/11/2011, 13/12/2011, 04/01/2012, 13/01/2012, 10/02/2012, 16/02/2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ORIGEM DOS RECURSOS. DANO AO ERÁRIO. A Legislação prevê o dano ao erário, quando se verifica a ocultação do verdadeiro adquirente da mercadoria mediante interposição fraudulenta, hipótese em que a importadora não demonstra a origem, a disponibilidade e a transferência do recurso, presumindose, portanto, a fraude. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. AUSÊNCIA DE PROVA. A ocultação e a fraude levam à aplicação da pena de perdimento e/ou sua conversão em multa proporcional ao valor das mercadorias. Nesse caso, em que há presunção de fraude pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos cabe a Recorrente fazer prova em sentido contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 07 32 /2 01 3- 80 Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente em face da decisão que julgou procedente o Auto de Infração. O presente processo iniciouse mediante a lavratura de Auto de Infração, de fls. 02/35, em 04 de junho de 2013, com valor de R$ 929.353,99, referente à multa prevista no § 3º, artigo 23 do Decreto Lei 1.455/1076, com redação dada pelo artigo 59 da Lei 10.637/02 combinado com artigo 81, inciso III da lei 10.637/03, por interposição fraudulenta em importação. Iniciouse a auditoria para dar ciência do procedimento fiscal ao contribuinte, por meio do TERMO DE INICIO DA AÇÃO FISCAL, por via postal em conformidade ao MPF nº 09252002012002036. A contribuinte LIVE ONE IMPORTAÇÃO LTDA., fora intimada diversas vezes e solicitou prorrogações conforme fls 1147/1152. Conforme a fiscalização constatouse que a empresa LIVE ONE IMPORTAÇÃO LTDA., atuava como importador interposto da FOX W COMÉRCIO DE ELETRÔNICOS E IMPORTAÇÃO LTDA., real adquirente das mercadorias importadas. A fiscalização baseouse na auditória realizada nas operações comerciais e financeiras das duas empresas. Aplicouse a pena do perdimento das mercadorias importadas nos termos do artigo 23, V, §1 do Regulamento Aduaneiro de 2002, em conformidade ao consumo de bens importados o perdimento foi convertido em multa que se equivale ao valor aduaneiro das mercadorias, nos termos dos § 3º artigo 23(§1º, artigo 618 do RA 2002). A segunda empresa (Fox 2 Comércio de Eletrônicos e Importação Ltda.) foi autuada solidariamente pelos créditos lançados em fls 9. Formalizada a representação para fins penais através do processo 10983.720729/201324, seguido dos respectivos elementos de prova Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720732/201380 Acórdão n.º 3403003.169 S3C4T3 Fl. 13 3 conforme decreto 2730 de 10 de agosto de 1998 e artigo 1, § único da Portaria da Secretaria da Receita Federal nº 2439 de 21 de Dezembro de 2010. Em razão da não localização da matriz da real adquirente foi formalizada representação fiscal para fins de inaptidão do CNPJ da mesma, de acordo com a IN RF 1.183/2011. A contribuinte LIVE ONE IMPORTAÇÃO LTDA. e a FOX 2 tomaram ciência do auto de infração e apresentaram impugnação em conjunto, em que alegam: · A inviolabilidade do sigilo bancário e outros previsto no artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, configurando direito fundamental, não podendo o direito, a intimidade e privacidade ser violado como alega; · As operações da contribuinte, não são fraudulentas, conforme § 2º , inciso V, artigo 23 do Decreto Lei 1455/76, com a ausência de comprovação de origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação ou seja, a aplicação da pena foi sobre fato atípico em descompasso com a legalidade; · A tipificação da infração e a atribuição da penalidade deverá ser interpretada de forma mais benigna quanto a capitulação legal do fato, isso significa que o fato deverá se apresentar claramente tipificado como infração para assim gerar efeitos; · Ainda que os recursos sejam de terceiros, Lei 10637/02, admitese operações de importações dessa forma; ao revés do entendimento da autoridade não atribui a essas transações a condição de irregularidade de modo caracteriza interposição fraudulenta, para tanto se presume que a operação é por conta e ordem de terceiros; · As alegações de ilegalidade atribuídas as operações comerciais não possui base ou fundamento legal; · A autoridade não comprovou que a empresa deixou de comprovar recursos ou a disponibilidade e transferência dos recursos assim como não se provou a ilicitude; alega a fiscalizada que autoridade fiscal só descreveu os Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 indícios que não permitem de forma concreta, a existência ou não de interposição fraudulenta; · Não admite pena de multa vez que inexiste conduta ilícita. Fato este baseado na fiscalização pautarse em indícios, criado pelo órgão fiscalizador sem prova concreta; para tanto não há conduta punível; · O princípio da boa fé não se apresenta em normas penais que autorizam imposição de pena baseada na responsabilidade objetiva e sem que seja aparente um dano ilicito; · Quando recolhido os impostos do processo de importação, declarada a operação, autorizada pelo órgão competente, não se pode falar de dano ao erário público e ainda mais de ato ilícito passível de punição; A DRJ assim decidiu: Da BoaFé Alegada. Alegou a LIVE e a FOX 2 que o princípio da Boa Fé não convive com normas penais que autorizam a imposição de penalidades baseadas na responsabilidade objetiva e sem que seja demonstrada a ocorrência de um ilícito. Nesse sentido, a DRJ cita o artigo 136 do CTN, afirmando que a responsabilidade por infração é objetiva, sendo que a boafé alegada não tem o condão de afastar a responsabilidade por infrações da legislação tributária. Da Ilegalidade da Quebra do Sigilo Bancário. Segundo a DRJ, a Receita Federal, através de seus agentes fiscais, pode solicitar diretamente as instituições financeiras extratos bancários do sujeito passivo sem que se caracterize quebra de sigilo bancário. Este fornecimento é legal, e baseia se nos termos do inciso II do artigo 197 do Código Nacional Tributário; destacase também a Lei 9.311 de 1996, alterada pela Lei 10.174/2001, e a Lei Complementar nº 105/2001. A prestação, por parte das instituições financeiras, em fornecimento de documentos solicitados pela autoridade tributária NÃO É CONSIDERADA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO, é apenas e tão somente transferência de sua responsabilidade a autoridade administrativa solicitante e aos agentes fiscais e aos agentes fiscais que a eles tenham acesso no estrito exercício de suas funções, não podendo violálo salvo as ressalvas do § único do artigo 198 e do artigo 199 do CNT sob pena que incorrerem em infração administrativa e em crime (artigo 198do CNT; artigo 325 do Código Penal – CP). Ainda, de acordo com a DRJ, o objeto da lide é a interposição fraudulenta nas importações da impugnante, prevista no artigo 23, V, §1º do Decretolei nº 1.455/76. Nesse sentido, afirma que a interposição fraudulenta na importação é atividade combatida nas relações de comércio exterior brasileiro, que só tomou contorno jurídico com algumas normas Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720732/201380 Acórdão n.º 3403003.169 S3C4T3 Fl. 14 5 legais e infralegais como a Medida Provisória nº 66 de 29 de Agosto de 2002, nos seus artigos 59, 60 e 66 tal medida deu conformação jurídica autônoma à figura da interposição fraudulenta. O artigo 59 inclui a hipótese de dano ao erário púbico; o artigo 60 alterou o artigo 81 da Lei 9.430/96, permitindo a SRF a declaração de inaptidão da empresa que apresentasse incompatibilidade entre volume transacionado no comércio exterior e sua capacidade econômica financeira. Por sua vez o artigo 66 da MP de 2002, deu a SRF a competência de editar normas complementares permitindo a implementação dos controles referentes a interposição fraudulenta. A Medida Provisória 215835, de 24 de agosto de 2001, em seu artigo 80, traz previsão legal para autuação de pessoa jurídica na condição de importadores por “conta e ordem de terceiros”, vale a pena lembrar que essa medida é anterior a Medida Provisória 66/2002 ou seja já dispunha de dispositivo legal, revisto em lei, para regular atuação dos importadores por conta e ordem; Nessa linha, de acordo com a DRJ, são elementos essenciais para caracterizar a interposição: (i) a presença de um adquirente oculto que negocia com o exportador, qualifica o produto, a quantidade, preço e a arca com o ônus financeiro da operação; e (ii) a presença do importador interposto que realiza os tramites do despacho de importação como se estivesse importando por conta própria. Verificando os autos encontramos indícios e provas que apontam a ocorrência de interposição fraudulenta. Da alegada inexistência de interposição fraudulenta de terceiros. A DRJ afirma que tentando não caracterizar a ocorrência da infração, a defesa alegou que as conclusões da autoridade lançadora e o lançamento estavam galgados em frágeis indícios e desprovidos de qualquer comprovação material. E, nesse aspecto, a DRJ menciona que a discussão está focada na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações, e caso não ocorra, resultaria na interposição fraudulenta de terceiros; A autoridade fiscal carreou aos autos elementos (Declaração de Importação, contrato social e suas Alterações, fornecidos pelo sistema RADAR, requisições/informações movimentação financeira – RMF) certificando que a autuada não comprovou origem de seus recursos utilizados nas operações de comercio exterior, ficando assim, sem fundamento, a alegação que o lançamento estaria desprovido de qualquer comprovação material. A DRJ destaca que a Recorrente não respondeu à intimação 9/2013, que trata do questionamento da origem dos depósitos bancários realizados em conta por terceiros ocultos, suspeitos de serem adiantamentos de importações, promovidos por ela como se fosse por conta própria. Entre elas estão as listadas na tabela 1, fls 1137 do Auto de Infração. A Recorrente, observa a DRJ, não esclarece a origem dos recursos empregados nas operações de comercio exterior com isso acabou por dificultar a fiscalização, conforme destacou o fiscal autuante. Ainda que tais elementos apresentem caráter de prova indireta seria necessário que a Recorrente fizesse prova da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados através das razões e provas que possuir. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 A obrigação de provar é atribuída a quem dela se aproveita; tal mecanismo fora trazido do Código de Processo Civil, artigo 333, e adaptado para o processo administrativo fiscal. A obrigação de provar está atribuída ao autor do procedimento, autoridade fiscal (artigo 9 do PAF), quanto ao contribuinte que contesta o lançamento (artigo 16, III do PAF); Prossegue no seu raciocínio afirmando que a autoridade fiscal não presumiu que tais fatos (origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados) não estavam comprovados, Em verdade, concluir a DRJ, a presunção legal, diante da não comprovação, se deu em relação à caracterização da interposição fraudulenta de terceiros, cabendo destacar que a autoridade lançadora trouxe aos autos elementos que evidenciam a falta de respaldo financeiro para a efetivação das importações, visto que o perfil da empresa mostrouse incompatível com o montante de recursos empregados na importação dos bens, o que implicou necessidade de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Assim, seria plenamente cabível a presunção legal de intervenção fraudulenta de terceiros, que configura dano ao erário e consequente aplicação da pena de perdimento convertida em multa. Ainda, de acordo com a decisão, a alegação da Recorrente de que seria necessária a comprovação de fraude encontrase presente, uma vez que, em sua visão, a LIVE simulou uma importação direta quando de fato importava para um adquirente oculto/pré determinado. A LIVE ONE e a FOX 2 apresentaram Recurso Voluntário, no qual repetem as alegações constantes em sua Impugnação, em que se insurge contra a quebra de sigilo bancário, e defende a inexistência de interposição fraudulenta de terceiros, alegando a presunção da boafé, a atipicidade do ato punível, que os indícios seriam frágeis e também da ausência de dano ao erário e a desproporcionalidade da multa aplicada. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, O processo tem como cerne a ocorrência ou não de interposição fraudulenta por parte da LIVE ONE. Nas razões de seu Recurso Voluntário e na Impugnação da LIVE ONE E FOX 2, de início, alegam que houve ilegalidade na quebra de seu sigilo bancário. Nesse sentido, as Recorrentes citam um importante precedente do Pleno do Supremo Tribunal Federal, mais especificamente o Recurso Extraordinário nº 389.808PR, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, que foi julgado em 15 de dezembro de 2010 (RTJ 220/540). Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720732/201380 Acórdão n.º 3403003.169 S3C4T3 Fl. 15 7 Importante observar que nesse processo o Supremo Tribunal Federal afastou a aplicação do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. Tal julgado teria como resultado, em meu pensar, a nulidade do auto de infração, pois totalmente apoiado na quebra do sigilo bancário da Recorrente. Contudo, não posso deixar de ressaltar que a decisão havida no Recurso Extraordinário nº 389.808PR ainda não transitou em julgado, eis que a Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com Embargos de Declaração que, infelizmente, ainda não foram julgados, apesar do transcurso de tanto tempo. Por outro lado, pertine mencionar que a questão foi adotada pelo STF como de repercussão geral, por meio do Recurso Extraordinário nº 601.314, o que, no Regimento Interno do CARF, resultaria na suspensão do julgado. Porém, tendo em vista a recente revogação dos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno, o julgamento deve prosseguir, motivo pelo qual não tenho outra alternativa senão afastar a alegação das Recorrentes. Isso porque, como observado anteriormente, a importante decisão plenário do STF não se tornou ainda definitiva, o que me impede de aplicar tal jurisprudência, tornando aplicável o disposto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e o constante na legislação infralegal. Assim, considerando a legislação vigente, e até que se torne definitivo o julgamento pelo plenário do STF ou que o STF venha a decidir a questão colocada em repercussão geral, o procedimento adotado pela Fiscalização presumese válido. Relativamente à boafé presumida, alegada pelas Recorrentes, cabe mencionar que a Fiscalização colheu inúmeras evidências de que a importadora não teria condições financeiras de realizar as suas importações, tendo utilizado recursos de terceiros para tanto, os quais foram depositados no mesmo dia do cumprimento de suas obrigações ou em datas muito próximas. Tendose iniciado o procedimento de fiscalização, diante de tais evidências a Fiscalização intimou a Recorrente LIVE ONE para apresentar justificativas de suas operações, informando a origem dos depósitos em suas contas bancárias, depósitos estes suspeitos de terem sido depositados por terceiros ocultos. Porém, a Recorrente LIVE ONE silenciou a respeito, o que afasta a sua alegada boafé, pois estivesse mesmo agindo com boafé teria apresentado todas as informações quanto aos depositários e, sobretudo, origem de seus recursos. Ou seja, o levantamento da Fiscalização inverteu o ônus da prova, sendo que a ausência de resposta da Recorrente LIVE ONE acabou por, diante dos elementos coligidos, à lavratura do Auto de Infração. E diante da inversão do ônus da prova caberia à Recorrente LIVE ONE, em sua Impugnação, acostar aos autos elementos bastantes para contrariar as conclusões tiradas pela Fiscalização, mas ela não acostou nenhuma prova acerca da verdadeira origem dos recursos por ela empregados na importação. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 8 Nesse aspecto, passo a analisar a atipicidade do fato punível e a alegação da fragilidade dos indícios. Ora, me parece que a conduta da Recorrente LIVE ONE se insere na descrição legal, eis que apesar de figurar como importadora, ela não possuía recursos financeiras para fazer frente às suas obrigações, se utilizando de recursos de terceiros, os reais compradores, para tanto. E a Recorrente LIVE ONE foi intimada para se manifestar sobre a comprovação da origem, disponibilidade e transferência de seus recursos, tendo quedado silente, não trazendo em sua impugnação nenhum elemento para refutar o quanto consignado no Auto de Infração. Em outras palavras, a conduta praticada pela Recorrente LIVE ONE se subsume ao tipo constante no parágrafo 2º, do inciso V, do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, abaixo reproduzido: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Sob outro prisma, não posso deixar de transcrever trecho da decisão da DRJ, que faz referência às fls. 26 dos autos, e faz referência a tabelas em que constam os valores cujas origens não foram comprovadas e demonstram a ocorrência de depósitos de terceiros na contacorrente da Recorrente, nos seguintes termos: As fls. 26 descreve a fiscalização: “Em esquemas de ocultação dos reais adquirentes de mercadorias importadas é comum vermos aportes de recursos de terceiros, em conta da importadora interposta nas datas imediatamente anterior ou na própria data de fechamento dos contratos de câmbio, sendo os recursos próprios da importadora insuficientes para honrar seus compromissos de importação. De efeito, este foi exatamente o método adotado pela fiscalizada para promover as importações constantes da Tabela 1. Nas datas em que seus contratos de câmbio venceriam ou no dia imediatamente anterior a fiscalizada recebia de seu adquirente valores que cobririam de forma bastante próxima o contrato de câmbio. Sem estes valores não Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720732/201380 Acórdão n.º 3403003.169 S3C4T3 Fl. 16 9 haveria saldo suficiente próprio da fiscalizada que honrasse seu compromisso com a instituição financeira. Importante notar que os valores recebidos do adquirente têm valor muito próximo ao do contrato de câmbio, representando uma pequena margem de lucro para a importadora. Esta é mais uma evidência que as vendas no mercador interno trataramse na verdade de “serviços de importação” prestados pela fiscalizada e não de reais vendas, que trabalham normalmente com margens muito maiores devido ao risco comercial. A Tabela 5 abaixo demonstra as operações de contratos de câmbio em função das importações da Tabela 1, conforme informado pela própria fiscalizada ao responder a intimação inicial. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 10 Com base na Tabela 7 apresentada no Anexo I deste relatório, podese compreender como o fiscalizado cobrava de seu cliente, o real adquirente das mercadorias, os valores gastos com o fechamento de câmbio antes mesmo da mercadoria ser embarcada no exterior e portanto, muito antes do desembaraço das mesmas. Tal fato vem a demonstrar claramente a antecipação de recursos por parte deste cliente e comprovar que a mercadoria já havia sido negociada antes mesmo do embarque destas.” Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.720732/201380 Acórdão n.º 3403003.169 S3C4T3 Fl. 17 11 Tal levantamento da Fiscalização, longe de consistir em fragilidade de indício, indica claramente e de forma documentada que os recursos da Recorrente decorriam de terceiros, bem como que a Recorrente não teria disponibilidade financeira para realizar a importação. E mais, o levantamento comprova numericamente a identidade ou, quando muito, a proximidade dos valores, de maneira que, diversamente do alegado pela Recorrente, não se trata de frágeis indícios, mas sim de provas relevantes acerca da situação contábil e financeira da Recorrente. Face a todas essas evidências a Fiscalização presumiu, conforme a legislação lhe autoriza, que teria havido a prática de interposição fraudulenta de terceiros, lavrando o auto de infração. A Fiscalização não chegou a essa conclusão destituída de fundamento fático ou jurídico. Pelo contrário, coligiu documentos da própria Recorrente, principalmente documentos de sua movimentação financeira, e os comparou com os documentos de importação para, após questionar a Recorrente sobre a origem dos recursos, concluir que não havia comprovação da origem desses mesmos recursos, nem prova de disponibilidade ou de transferência. E somente após a tomada dessa conclusão, calcada nas tabelas acima mencionadas e em outros documentos, que a Fiscalização enquadrou a conduta na hipótese legal da interposição fraudulenta de terceiros. A respeito da ausência de dano ao erário, devidamente alegada pela Recorrente, tenho para mim que tal responsabilidade não se assenta no artigo 136 do Código Tributário Nacional, quando estabelece que a responsabilidade por infrações teria caráter objetivo, não estando atrelada à vontade do agente. De fato, analisando a operação em si não vejo, de antemão, dano ao erário, uma vez que todos os tributos teriam sido recolhidos. Porém, o próprio tipo legal faz a ressalva sobre o dano ao erário, pressuposto pela legislação que trata da interposição fraudulenta de terceiros. E tal se deve, em minha opinião, porque a regra objetiva evitar a utilização de recursos não contabilizados, recursos ilícitos no pagamento de importações, decorrendo o dano da utilização de tais recursos no pagamento das importações. Justamente por isso, penso, que o dispositivo do Decretolei nº 1.455/1976 dá relevância à comprovação da origem dos recursos e a prova de que a importadora tenha disponibilidade recursos para tanto. Por essa razão que a interposição fraudulenta de terceiros é relacionada como infração que resulta objetivamente dano ao erário e tem como penalidade a pena de perdimento dos bens, penalidade esta, sim, inegavelmente pesada, consequência própria de uma “fraude”, aplicável ao caso concreto. Ante o exposto, nego provimento aos Recurso Voluntários. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 12 É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 10620.000856/2005-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001, 2002
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. FATO GERADOR POSTERIOR AO EXERCÍCIO 2000. ADA. PROPRIEDADE LOCALIZADA EM APA. EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO. EXIGÊNCIA. NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DA ÁREA DECLARADA
As Áreas de Preservação Permanente devem estar devidamente comprovadas por meio de Ato Declaratório Ambiental, apresentados quando exigidos pela autoridade fiscal, dentro do prazo decadencial, visando à verificação do correto cumprimento da obrigação tributária.
No caso de propriedade localizada dentro de APA, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é fundamental que as áreas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos produzidos por órgãos de controle ambiental, nas condições definidas no Código Florestal ou assim declaradas por ato específico Poder Público e que sejam cumpridas as exigências legais para a sua exclusão da base tributária.
Numero da decisão: 2201-002.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade na publicação da pauta de julgamento, arguida pelo Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, vencida também a Conselheira Nathália Mesquita Ceia. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Eduardo Tadeu Farah. Presente aos Julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade na publicação da pauta de julgamento, arguida pelo Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, vencida também a Conselheira Nathália Mesquita Ceia. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Eduardo Tadeu Farah. Presente aos Julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva
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FATO GERADOR POSTERIOR AO EXERCÍCIO 2000. ADA. PROPRIEDADE LOCALIZADA EM APA. EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO. EXIGÊNCIA. NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DA ÁREA DECLARADA As Áreas de Preservação Permanente devem estar devidamente comprovadas por meio de Ato Declaratório Ambiental, apresentados quando exigidos pela autoridade fiscal, dentro do prazo decadencial, visando à verificação do correto cumprimento da obrigação tributária. No caso de propriedade localizada dentro de APA, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é fundamental que as áreas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos produzidos por órgãos de controle ambiental, nas condições definidas no Código Florestal ou assim declaradas por ato específico Poder Público e que sejam cumpridas as exigências legais para a sua exclusão da base tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade na publicação da pauta de julgamento, arguida pelo Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, vencida também a Conselheira Nathália Mesquita Ceia. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 08 56 /2 00 5- 54 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Eduardo Tadeu Farah. Presente aos Julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva Fl. 305DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10620.000856/200554 Acórdão n.º 2201002.544 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente processo Auto de Infração (fls. 2 a 8) para apurar a falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural nos exercícios 2001 e 2002, relativo ao imóvel rural Fazenda Santa Cruz do Gavião, NIRF 26702169, localizada no município dc Diamantina (MG) A autuação se refere à glosa das áreas de preservação permanente de 13.417,3 hectares nos dois exercícios, ambos não comprovados pelo contribuinte, apurandose o imposto de R$ R$ 457.630,06 (2001) R$ 457.630,06 75,00 (2002), com multa de ofício de 75%, sobre os quais incidem juros de mora. O contribuinte apresentou a impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim resumidos no relatório do acórdão recorrido (fls. 239 a 253): informa que o imóvel é uma área constituída em grande parte de cobertura vegetal considerada como de Preservação Permanente, que se encontra encravada no Parque Estadual do Pico do Itambé, e declaradas como de utilidade pública nos termos do Decreto Estadual nº 39.793, de 21.01.1998, com as alterações introduzidas pelo Decreto Estadual nº 44.176, de 20.12.2005, com área total de 6.520,3 ha, como também no Parque Estadual do Rio Preto, criado pela Lei Estadual nº 11.172, de 29.12.1993, com as alterações introduzidas pelo Decreto nº 44.175, de 20.12.2005, com área de 12.184,3 ha e ainda na Área de Proteção Ambiental (APA) Águas Vertentes, criada pelo Decreto Estadual nº 39.399, de 21.01.1998, com aproximadamente 76.310,0 ha, que abrange a totalidade da Fazenda Santa Cruz do Gavião, com área aproximada de 13.917,0 ha, não podendo tais áreas ser utilizadas para finalidades agrícolas ou agroflorestal; afirma que entregou todos os documentos solicitados, em 28.07.2005, na intimação inicial e mesmo assim teve glosadas as áreas de 12.000,0 ha declaradas como de preservação permanente, e demonstra indignação com o recebimento do Auto de Infração determinando o pagamento de quantia absurda e impagável; afirma que não recebeu, até a data da impugnação, os Termos de Intimação Fiscal ITR/2001/41 e 2002/39; conforme consta das laudas da autoridade fiscal; informa que o INCRA não foi favorável à desapropriação do imóvel para fins de reforma agrária, Processo em anexo, em função da baixa qualidade das terras; conforme Relatório de Verificação Fiscal, o que motivou sua lavratura foi o não cumprimento tempestivo do protocolo do ADA, mas o impugnante já tinha trazido aos autos Certidão expedida pelo IEF, dando conta de que o imóvel encontrase integralmente dentro dos limites do Parque Estadual Pico do Itambé, sem que tal documento fosse apreciado pela autoridade fiscal; salienta que a Certidão expedida pelo IEF, órgão do Governo do Estado, credenciado ao IBAMA, na forma da Lei, publicada no D.O., em 31.08.2004, tem fé pública; volta a afirmar que a totalidade de sua fazenda encontrase dentro dos perímetros dos Parques e da APA citados, conforme Certidões do IEF, anexas, e que há impossibilidade de utilização do referido imóvel; por fim, requer que a impugnação estanque as pretensões da Receita Federal, solicitando que sejam considerados todos os documentos juntados aos autos, excluindose a área declarada e comprovada por Lei e Decreto Estadual como sendo de Preservação Permanente e que seja aceito o ADA, como prova da condição física do imóvel e lista os documentos anexos à impugnação. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Com o fito de melhor instrução processual, foi expedida a Resolução nº 03143 da 1ª Turma da DRJ/BSA, de 20 de junho de 2007 (fls. 134 a 137), propondo a devolução dos autos ao Órgão de origem para consultar o Instituto Estadual de Florestas (IEF) sobre as informações prestadas na Declaração de folha 30 e na Certidão de folhas 102 e 103 e esclarecer as seguintes questões: a) qual a extensão de área do imóvel do presente processo está inserida, especificamente, em cada uma das Unidades de Conservação: Parque Estadual Pico do Itambé, Parque Estadual do Rio Preto e Área de Proteção Ambiental (APA) Águas Vertentes; b) caso haja área inserida nos Parques citados, especificar, de forma desmembrada, quais as áreas estavam inseridas na data de criação dos respectivos Parques e quais foram inseridas na ampliação das Unidades de Conservação, em 20.12.2005; c) informar se o contribuinte, em possuindo área rural dentro de Parque, está impedido de executar qualquer atividade econômica dentro desta área, e se em caso positivo, desde quando o contribuinte não mais pôde usufruir da área; d) quais as áreas do imóvel são objeto de Ações Discriminatórias Administrativas para fins de desapropriação e, se possível, o atual andamento dessas ações judiciais, e e) no caso de existência de área do imóvel rural em APA, qual a extensão de áreas ambientais de utilização limitada ou de preservação permanente, se for o caso, considerando que nem todas as áreas inseridas em APA estão impedidas de serem utilizadas para atividades econômicas, não podendo ser automaticamente excluídas do ITR. A DRF em Sete Lagoas (MG) emitiu, em 12 de janeiro de 2011, o Ofício nº 1/2011/SAFIS/DRF/STL (fls. 150 e 151) ao Instituto Estadual de Florestas (IEF), solicitando os esclarecimentos constantes da referida Resolução. A solicitação foi reiterada em 24 de março de 2011 pelo Ofício nº 6/2011/SAFIS/DRF/STL (fl. 155). Por meio do Ofício nº 12/2011/GEREF/DIAP/SISEMA (fls. 157 a 159) o IEF respondeu à solicitação, acompanhada dos documentos de fls. 160 a 199 e 202 a 220. Os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), por unanimidade de votos, consideraram procedente em parte a impugnação para restabelecer, para os dois exercícios abrangidos pela ação fiscal, uma área de preservação permanente de 2.313,3 ha, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização, de R$ 457.630,06 para R$ 381.502,41, tanto no exercício de 2001 quanto no exercício de 2002, totalizando um imposto suplementar no valor de R$ 763.004,81 (fls. 239 a 253).. À folha 272 foi anexada a Certidão de Óbito do Senhor Manoel Correia dos Reis e à folha 273 a Certidão que indica a senhora Lourdes Duarte dos Reis como inventariante. Cientificada em 10 de abril de 2012 (fl. 260), a inventariante, representada por procurador legalmente habilitado, questiona o acórdão recorrido, no qual foi aceito apenas 2.313,30 ha como áreas de parques estaduais, deixandose de acatar a parte remanescente da propriedade que se encontra em APA, e que isso seria uma contradição muito grande, já que foi juntada uma certidão emitida pelo IEF (fls. 102 e 103) informando que o imóvel estaria Fl. 307DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10620.000856/200554 Acórdão n.º 2201002.544 S2C2T1 Fl. 4 5 totalmente inserido em APA, considerada, por força da letra “b”, inciso II do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1993, Unidade de Conservação. Apesar de constar dos autos um termo de perempção, à folha 262, considerando o Aviso de Recebimento datado de 14 de abril, observase que o recurso foi apresentado no trigésimo dia. Portanto, no prazo regulamentar. O Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, na presente sessão, argui a preliminar de nulidade de intimação na publicação da pauta de julgamento, por erro na identificação do sujeito passivo, tendo em vista não constar o termo “espólio”. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe informar que a turma de julgamento, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de nulidade arguida pelo nobre Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. No lançamento foi glosada integralmente a área de preservação permanente declarada nos exercícios de 2001 e 2002, de 13.417,3 ha, sendo que a razão da não aceitação da área declarada não foi especificamente a falta de ADA, mas a não comprovação de que a área era de conservação ambiental, conforme se vê no Termo de Verificação Fiscal (Como o mesmo argumento vale para os dois exercício, optouse por transcrever apenas um deles): Em análise à documentação apresentada, foi constatado que o contribuinte forneceu cópia do Ato Declaratório Ambiental do IBAMA com 12.000ha de área de preservação permanente. No entanto, verificouse que na referida cópia não consta carimbo de recepção do Órgão Ambiental, mesmo assim ressaltase que a data de emissão do Ato é de 31/07/2003, portanto intempestivo, ou seja, posterior ao prazo de seis meses da data final do período da entrega da declaração do ITR, prazo este que findava em 28/03/2002. Quanto à Declaração de fls. 30 do Diretor de Proteção a Biodiversidade do Instituto Estadual de Florestas, atestando que a propriedade rural em questão está localizada dentro dos limites perimétricos do "Parque Estadual Pico do Itambé", criado através do Decreto n°39.398 (fls. 47), do dia 21/01/1998, cabe dizer primeiramente que essa declaração, por si só, não é suficiente para comprovar que a área total da propriedade ou, pelo menos, a área declarada como de preservação permanente, esteja realmente localizada dentro dos limites do referido Parque, não suprindo a necessidade de o contribuinte comprovar o cumprimento das exigências em relação ao ADA. Ademais, verificase no art. 2° do referido Decreto que a área destinada ao Parque, quando de sua criação, foi de aproximadamente 4.700,00ha, logo, bem inferior à área de preservação permanente declarada de 13.417,30ha. A mesma informação podemos obter em consulta aos dados atuais do Parque no "site" do IEF às fls. 148 (www.ief.mg.gov.br/parques/itambe/itambe.htm), em que a área reportada no texto é de 4.696,00 ha. (grifos nossos). Na Primeira Instância, o relator da decisão recorrida entendeu que, em relação a uma parte, não seria necessária a exigência do ADA, por haver comprovação inequívoca de que tais áreas estariam localizadas dentro dos limites do “Parque Estadual do Pico do Itambé” (1.346,9 ha) e do “Parque Estadual do Rio Preto” (966,4 ha), criados, respectivamente, por meio do Decreto Estadual nº 39.793, de 21 de janeiro de 1998 (fls. 192 a 196), e do Decreto Estadual nº 35.611, de 1º de junho 1994, (fls. 190 e 191). Portanto, à época dos fatos geradores do ITR, em 2001 e 2002, já havia sido comprovada a área de 2.313,3 ha como de relevante interesse ecológico, nos termos da legislação ambiental de regência. Essa decisão tomou com base a resposta do IEF apresentada por meio do Ofício nº 12/2011/GEREF/DIAP/SISEMA, em atendimento à solicitação da Receita Federal, bem como o Decreto Estadual (MG) nº 41.175, de 2005, que cria o Parque Rio Preto e informa a Fl. 309DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10620.000856/200554 Acórdão n.º 2201002.544 S2C2T1 Fl. 5 7 área de propriedade dentro do referido parque, e o Decreto Estadual nº 35.611, de 1º de junho 1994, que cria o Parque Estadual do Rio Preto. A recorrente alega contradição na decisão recorrida, já que foram aceitas as informações oficiadas pelo IEF/MG, porém recusada a certidão do mesmo órgão de que a propriedade estaria totalmente inserida em Unidade de Conservação. A questão, como se vê, está relacionada à comprovação das áreas da propriedade declaradas como de preservação permanente que estariam inclusas nas Unidade de Conservação Ambiental. O argumento inicial é de que o imóvel se encontra encravado no Parque Estadual do Pico do Itambé, como também no Parque Estadual do Rio Preto e na APA Águas Vertentes, que abrange a totalidade da Fazenda, não podendo tais áreas ser utilizadas para finalidades agrícolas ou agroflorestal, conforme Certidão expedida pelo IEF, órgão do Governo do Estado, credenciado ao IBAMA. Antes de adentrar na questão de fato, é importante destacar o que diz a legislação tributária quanto à concessão das isenção dos tributos e da comprovação das Áreas de Preservação Permanente e de Áreas de Proteção Ambiental. A Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) assim se refere à responsabilidade de fazer prova para concessão da isenção de tributos: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (grifei) Já o artigo 147 do mesmo diploma legal previu as situações em que o lançamento seria efetuado sem a necessidade de que a autoridade fiscal obtivesse, pelos seus próprios meios, as informações especificadas no artigo 142, conforme se observa a seguir: Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. [...] Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. O Imposto Territorial Rural se insere entre os impostos cujo lançamento se dá por homologação, ou seja, o sujeito passivo presta à autoridade administrativa informações, sobre matéria de fato, indispensáveis à efetivação do lançamento e antecipa o pagamento do tributo sem prévio exame de tal autoridade. E, com base nisso, o legislador atribuiu ao contribuinte a responsabilidade prevista nos artigos 8º e 10º da Lei nº 9.393, de 1996, in verbis: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. [...] Fl. 310DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Contudo, a sistemática do lançamento por homologação não desobriga o contribuinte a fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei, sempre que solicitado pela autoridade fiscal. No caso das APP, a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, essa comprovação passou a ser expressamente exigida, conforme transcrito abaixo: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)” (grifei) Do artigo acima, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é imprescindível para que o sujeito passivo usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de Preservação Permanente. Todavia, não há a exigência prévia para apresentação dos documentos definidos em lei, no caso o ADA, como necessários à fruição da isenção do ITR quanto às áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Contudo, inarredável é a competência da autoridade fiscal para solicitálo posteriormente, dentro do prazo decadencial, visando à verificação do correto cumprimento da obrigação tributária por parte da contribuinte. No caso das APAs, estas são tratadas como áreas de especial interesse para a preservação dos sistemas naturais de uma região, que apresentam, entre outros valores, ecossistemas preservados ou suscetíveis a riscos ambientais e, por isso, a sua exploração tem especial controle pelos órgãos ambientais. Entretanto, apenas a circunstância de uma propriedade localizarse dentro de uma APA não a torna, de forma automática, integralmente isenta. É fundamental que as áreas do imóvel rural sejam aquelas definidas no Código Florestal ou assim declaradas por ato específico Poder Público e cumpra as exigências legais para tal exclusão tributária. A Lei n° 9.985, de 18 de julho de 2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), cujo objetivo é a utilização racional dos recursos naturais, diz, no artigo 7º, que essas áreas se dividem em (I) Unidades de Proteção Integral e (II) Unidades de Uso Sustentável. As primeiras são compostas por estações ecológicas, reservas biológicas, parques nacionais, monumentos naturais e refúgios de vida satélites. Estas, quando permitidas a visitação pública, são de posse e domínio públicos. As áreas particulares incluídas em seus limites no momento da constituição são objeto de desapropriação. Às segundas é permitido compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. O art. 15 da Lei nº 9.985, de 2000, define as áreas de proteção como aquelas dotadas de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a Fl. 311DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10620.000856/200554 Acórdão n.º 2201002.544 S2C2T1 Fl. 6 9 qualidade de vida e o bemestar das populações humanas, e têm como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Não há impedimentos para a exploração econômica direta ou indireta, desde que observadas as normas e restrições para o seu uso, que variam de acordo com as peculiaridades de cada região e, dentro destas, do zoneamento ecológicoeconômico. Compulsando os autos, de fato, verificamse diversos documentos anexados. São eles: · Decreto Estadual nº 38.398/1998, cria o Parque Estadual do Pico do Itambé (fl.s 54 e 78); · 71 – Lei nº 11.172/1993, autoriza a criação do Parque Estadual do Ouro Preto. (fl. 71) · Decreto Estadual nº 44.175/2005, define novo perímetro e amplia a área parque estadual do Ouro Preto (fl. 73); · Decreto Estadual nº 44.176/2005, amplia o Parque Estadual Pico do Itambé (fl. 80); · Decreto Estadual nº 39.399/1998, cria a Apa das Águas Vertentes (fls. 84, 199 e 228); · Acordo de cooperação e gestão (fls. 91); · Edital de convocação para fins de discriminação do Parque Itambé (fl. 100); · Certidão IEF, indicando que a totalidade o imóvel seria isenta (fls. 108 e 159); · Parecer Jurídico IEF, indicando uma área da propriedade dentro do Parque de 1.346,95 ha (fl. 167); · Memorial descritivo da Fazenda Santa Cruz Gavião elaborado pelo IEF (fl.177); · Decreto Estadual nº 35.661/1994 (fl. 197); · Decreto Estadual nº 44.175/2005, amplia o Parque Estadual do Rio Preto (fl. 204); e · 213 – Projeto do Parque Estadual do Rio Preto, no qual consta as ocupações internas (anexo IV) 966,42ha da propriedade em questão (fls. 213 a 215). Porém, tais documentos confirmam apenas as 1.346,9ha inseridas no Parque Estadual do Pico do Itambé e as 966,4ha inserida no Parque Estadual do Rio Preto, totalizando 2.313,3ha incorporadas aos citados Parques Estaduais, áreas já consideradas na decisão recorrida. Assim, não procede a solicitação do recorrente para que se acate a totalidade da área do imóvel como de preservação permanente, como declarada na Certidão emitida pelo IEF (fls. 102 e 103), haja vista não ser possível considerar, em caráter geral, as áreas localizadas dentro dos limites da referida APA, como de interesse ambiental, para fins de exclusão do ITR. Isto posto, voto em rejeitar a preliminar de nulidade arguida na sessão de julgamento e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 312DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 10 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 15504.020568/2009-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.275
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 20 56 8/ 20 09 -9 0 Fl. 6492DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.020568/200990 Resolução nº 2403000.275 S2C4T3 Fl. 6.493 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente MUNICÍPIO DE NOVA LIMA PREFEITURA MUNICIPAL contra Acórdão nº 0229.423 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG que julgou procedente a autuação por descumprimento de: Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 37.229.8710 (CFL34) com valor consolidado de R$ 13.291,66; nas competências 01/2004 a 12/2004. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.229.8710, Código de Fundamentação Legal – CFL 34 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente pois a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo assim, ao disposto no artigo 32, inciso II da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048, de 06.05.99., no período de 01/2004 a 12/2004. Conforme o Relatório Fiscal, a Recorrente: 3. Na análise dos livros contábeis e dos arquivos digitais gerados pelo próprio sistema de contabilidade do MUNICIPIO DE NOVA LIMA PREFEITURA MUNICIPAL, a fiscalização encontrou dificuldades para a verificação da correta contabilização de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias dentro do período fiscalizado, dificuldades estas relacionadas com a estrutura e procedimentos de contabilização adotados pelo MUNICiP10 DE NOVA LIMA PREFEITURA MUNICIPAL, conforme será explanado a seguir. AUSÊNCIA DE CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS 4. Foi verificado que embora exista o elemento de despesas "33903600 OUT.SERV.TERC P.FISICA" que deveria ser utilizado apenas para classificar as liquidações relacionadas com o pagamento de serviços prestados por pessoas físicas, o mesmo continha lançamentos sem nenhuma relação com essa natureza de despesa, como restituição de impostos e taxas para contribuintes da Prefeitura, pagamento de aluguéis para os proprietários, pagamentos judiciais, adiantamento e reembolso de despesas para servidores, dificultando assim a apuração dos fatos geradores relacionados com os contribuintes individuais. 5. Existia um único elemento de despesas ("31901100VENC.E VANT.FIXASPESSOAL CIVIL"), utilizado para classificar as liquidações relacionadas com as folhas de pagamentos do quadro de Fl. 6493DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.020568/200990 Resolução nº 2403000.275 S2C4T3 Fl. 6.494 3 pessoal, sendo que o registro acontecia apenas pelos totais líquidos das folhas e os históricos das liquidações registravam apenas descrições genéricas como "Relatório de Folha de Pagamento Comissionados Janeiro/04", inexistindo portanto, separação entre as parcelas principais da remuneração trabalhista como, salário, férias, indenizações, etc. e tampouco separação entre as parcelas remunerat6rias inclusas e não inclusas na base de cálculo previdenciária e parcelas patronais e contribuição de segurados, dificultando verificação da correta contabilização da folha de pagamentos. 6. Os pagamentos das Guias da Previdência Social foram registrados, em sua maioria, no elemento de despesas "319013000BRIGACOES PATRONAIS", no entanto, foram encontrados registros de recolhimentos previdenciários classificados em elementos de despesas inapropriados como "33903900OUT.SERV.TERCP.JURIDICA", sendo que o uso de históricos genéricos não possibilitavam a vinculação do recolhimento a um fato ou grupo de fatos geradores de contribuições previdenciárias. 7. Isto posto, considera a fiscalização que deixou a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo assim, ao disposto no artigo 32, inciso II da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048, de 06.05.99. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "a" e art. 373. O valor da Multa aplicada foi R$ 13.291,66 reajustado pela Portaria Interministerial MPS/MF N° 48, de 12 de Fevereiro de 2009 DOU de 1310212009 O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 28.12.2009, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Na defesa de fls. 21/24, o contribuinte alega que foi fiscalizado em outras épocas, anteriores a essa e nunca houve nenhum Fl. 6494DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.020568/200990 Resolução nº 2403000.275 S2C4T3 Fl. 6.495 4 questionamento por parte dos auditores fiscais quanto à classificação do elemento de despesa — 339036 ( Out. Serv. Terceiros Pessoa Porém, as despesas tais como: restituição de impostos e taxas, pagamentos judiciais, adiantamento para despesas, reembolsos etc, foram corretamente classificados nos exercícios posteriores. O Município de Nova Lima, sempre procurando a transparência de seus atos tem proporcionado cursos de reciclagem e atualização para a sua equipe técnica. Existiam vários elementos de despesa para liquidação das folhas de pagamento do quadro de pessoal , porém o elemento de despesa 319011 (Venc e Vant. Fixas —Pessoal Civil) é o que englobava as remunerações , conforme balancete de despesa anexo. Prossegue discorrendo acerca da forma de contabilização, alegando que a mesma pode ser facilmente verificada e por fim, solicita o cancelamento da autuação. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0229.423 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os , membros da 6' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em considerar a impugnaçãO\ improcedente, mantendo a multa exigida no Auto de Infração AI n" 37.229.8710. _ Intimese para pagamento da multa no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário à 2' Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, em igual prazo, conforme facultado pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações. Encaminhese à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para cientificar o contribuinte do inteiro teor deste Acórdão e demais providências Fl. 6495DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.020568/200990 Resolução nº 2403000.275 S2C4T3 Fl. 6.496 5 Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação: (i) foi fiscalizado em outras épocas, anteriores a essa e nunca houve nenhum questionamento por parte dos auditores fiscais quanto à classificação do elemento de despesa — 339036 ( Out. Serv. Terceiros Pessoa Física. Porém, as despesas tais como: restituição de impostos e taxas, pagamentos judiciais, adiantamento para despesas, reembolsos etc, foram corretamente classificados nos exercícios posteriores. (ii) Existiam vários elementos de despesa para liquidação das folhas de pagamento do quadro de pessoal , porém o elemento de despesa 319011 (Venc e Vant. Fixas —Pessoal Civil) é o que englobava as remunerações , conforme balancete de despesa anexo. (iii) Discorre acerca da forma de contabilização, alegando que a mesma pode ser facilmente verificada e por fim, solicita o cancelamento da autuação. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 6496DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.020568/200990 Resolução nº 2403000.275 S2C4T3 Fl. 6.497 6 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DAS PRELIMINARES DA AUTUAÇÃO FISCAL Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente MUNICÍPIO DE NOVA LIMA PREFEITURA MUNICIPAL contra Acórdão nº 0229.423 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG que julgou procedente a autuação por descumprimento de: Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 37.229.8710 (CFL30) com valor consolidado de R$ 13.291,66; nas competências 01/2004 a 12/2004. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.229.8710, Código de Fundamentação Legal – CFL 34 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente pois a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo assim, ao disposto no artigo 32, inciso II da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048, de 06.05.99., no período de 01/2004 a 12/2004. O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 28.12.2009, conforme fls. 01. Observase que a Recorrente apresentou, tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, o argumento de que as obrigações patronais e os recolhimentos previdenciários foram classificados corretamente, conforme os anexos apresentados. Em relação à relevação e/ou atenuação da multa aplicada, devese observar a legislação aplicável à época dos fatos geradores (com fundamento no art. 150, III, a, CRFB/1988 c/c art. 105, CTN), a qual encontrase disciplinada no art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999: Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. Fl. 6497DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.020568/200990 Resolução nº 2403000.275 S2C4T3 Fl. 6.498 7 §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a necessidade de se verificar se o conjunto de provas documentais apresentadas pela Recorrente em sede de Impugnação e em sede de Recurso Voluntário tem o condão de corrigir a falta que originou a autuação. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe: (i) Se o conjunto de provas documentais apresentadas pelo contribuinte em sede de Impugnação e em sede de Recurso Voluntário corrigem totalmente a falta que ensejou a autuação fiscal; (ii) Em quais competências o contribuinte corrigiu a falta que ensejou a presente autuação; (iii) Em quais competências o contribuinte não corrigiu as faltas que ensejaram a presente autuação; (iv) Considerandose o art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999, se o contribuinte corrigiu a falta que ensejou a presente autuação fiscal. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 6498DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15771.720568/2013-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/02/2013
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
Numero da decisão: 3803-006.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/02/2013 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/02/2013 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 05 68 /2 01 3- 10 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: Fl. 283DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720568/201310 Acórdão n.º 3803006.486 S3TE03 Fl. 283 3 a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/02/2013 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 30/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720568/201310 Acórdão n.º 3803006.486 S3TE03 Fl. 284 5 Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720568/201310 Acórdão n.º 3803006.486 S3TE03 Fl. 285 7 concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10380.006113/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NFLD - RETENÇÃO DE 11% - EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - OBRIGAÇÃO DE EFETIVAR A RETENÇÃO
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal.
Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada.
O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.663-15, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98.
RETENÇÃO DE 11% - NATUREZA TRIBUTÁRIA - RECOLHIMENTOS NAS PRESTADORAS - APRESENTAÇÃO DE CND NÃO ELIDE A OBRIGAÇÃO DE RETER
O fato das empresas prestadoras possuírem recolhimentos ou mesmo CND não desobriga a empresa tomadora de efetuar a retenção, conforme descrito acima, nem tão pouco refuta o presente lançamento, ou seja, o desconto sempre se resume feito regularmente e é obrigação da tomadora de serviços.
-DECADÊNCIA - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - RETENÇÃO DE 11% - SÚMULA 99 DO CARF
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
De acordo com a Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre o mesmo fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 10/2001; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NFLD - RETENÇÃO DE 11% - EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - OBRIGAÇÃO DE EFETIVAR A RETENÇÃO Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.663-15, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98. RETENÇÃO DE 11% - NATUREZA TRIBUTÁRIA - RECOLHIMENTOS NAS PRESTADORAS - APRESENTAÇÃO DE CND NÃO ELIDE A OBRIGAÇÃO DE RETER O fato das empresas prestadoras possuírem recolhimentos ou mesmo CND não desobriga a empresa tomadora de efetuar a retenção, conforme descrito acima, nem tão pouco refuta o presente lançamento, ou seja, o desconto sempre se resume feito regularmente e é obrigação da tomadora de serviços. -DECADÊNCIA - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - RETENÇÃO DE 11% - SÚMULA 99 DO CARF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre o mesmo fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 10/2001; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: “A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãode obra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98.” RETENÇÃO DE 11% NATUREZA TRIBUTÁRIA RECOLHIMENTOS NAS PRESTADORAS APRESENTAÇÃO DE CND NÃO ELIDE A OBRIGAÇÃO DE RETER O fato das empresas prestadoras possuírem recolhimentos ou mesmo CND não desobriga a empresa tomadora de efetuar a retenção, conforme descrito acima, nem tão pouco refuta o presente lançamento, ou seja, o desconto sempre se resume feito regularmente e é obrigação da tomadora de serviços. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 61 13 /2 00 7- 20 Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL RETENÇÃO DE 11% SÚMULA 99 DO CARF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. De acordo com a Súmula CARF nº 99: “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre o mesmo fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 10/2001; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire – Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10380.006113/200720 Acórdão n.º 2401003.684 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.042.4654, em desfavor do recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa sobre a contratação de pessoas jurídicas mediante empreitada e cessão de mão de obra, apuradas no período compreendido entre as competências 02/1999 a 12/2005. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 131, Constatamos que o contribuinte, no período fiscalizado, contratou diversas empresas, relacionadas no Relatório de Lançamentos — RL, para realização de obras (empreitada parcial) e serviços de construção civil, previstos no anexo XIII da Instrução Normativa SRP n° 003, de 14 de julho de 2005, sujeitos a retenção de 11% sobre a base de cálculo apurada nas notas fiscais/faturas de prestação de serviços. Verificou a autoridade fiscal através da escrituração contábil e notas fiscais/faturas de prestação de serviços que o contribuinte deixou de reter os valores correspondentes a 11% sobre as notas fiscais de serviço, conforme está previsto no artigo 31 da Lei 8.212/91 (alterada pela Lei 9.711/98). Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 22/11/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 24/11/2006. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 171 a 200. Foi exarada a Decisão que confirmou a procedência parcial do lançamento, conforme fls. 935 e seguintes. Transcrevo a ementa da decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A decadência das contribuições devidas a Seguridade Social nos termos expressos na legislação previdenciária é decenal. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCABIMENTO NA ESFERA ADMINSITRATIVA. Arguições de inconstitucionalidade refogem competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. RETENÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. Constitui obrigação da empresa contratante de serviços, prestados mediante cessão de mãodeobra, reter 11% sobre o valor bruto dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo e recolher Seguridade Social, a importância devida em nome da empresa prestadora de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDARIA. NÃO ACEITAÇÃO. A Certidão negativa não é aceitável como meio para afastar a solidariedade do tomador. Em seu texto ressalva o direito de apuração e constituição de eventual crédito remanescente.Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 310. VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Em atendimento ao Principio da Verdade Material, a verificação de elementos capazes de alterar a base de cálculo do lançamento do crédito previdencidrio, obriga a administração Pública a promover sua retificação. Lançamento Procedente em Parte Inconformado o recorrente apresentou recurso, onde alega sinteticamente 1. operouse a decadência do direito do Fisco à constituição de grande parte dos pretensos créditos tributários apurados, face a publicação da sumula vinculante n. 08; 2. não há previsão legal que determine à empresa proceder à retenção e recolhimento de 11% na contratação de mão de obra por empreitada; 3. A Recorrente defende justamente que para nascer o dever de retenção, impera exista a cessão de mãodeobra, a qual por sua vez possui parâmetros definidos em lei para a sua caracterização, de modo que não poderia ser estendida indiscriminadamente a quaisquer contratações de serviços, tal qual o fez o Agente Fiscal. 4. houve flagrante irregularidade no procedimento de fiscalização, na medida que em nenhum momento buscouse verificar o adimplemento dos tributos junto às empresas prestadoras; e 5. houve recolhimento das contribuições previdenciárias por parte das prestadoras de serviços, o que elide eventual responsabilidade solidária da Recorrente. É o relatório. Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10380.006113/200720 Acórdão n.º 2401003.684 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 997. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DA DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido, à decisão do STF. Assim, profiro meu entendimento acerca da matéria. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas, bem como a existência de recolhimentos antecipados, para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiarse pelo seu “desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa” para sempre escusarse ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10380.006113/200720 Acórdão n.º 2401003.684 S2C4T1 Fl. 5 7 De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, caso em que entende que dito pagamento não constitui base de cálculo de contribuição e aqueles, onde tendo reconhecida a obrigação não efetivou o recolhimento da totalidade da contribuição. Assim, para os casos em que está obrigado a reter 11% do valor da nota fiscal em se tratando de empreitada ou cessão de mão de obra, ao não fazêlo, entendo que não houve por parte do recorrente qualquer recolhimento sobre o fato gerador ora lançado. Incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente porque não houve reconhecimento do fato gerador pelo recorrente e caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Contudo, embora, meu entendimento quanto a aplicação da decadência siga os parâmetros acima destacados, deixo de aplicar referido entendimento, tendo em vista posição unânime da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que ao apreciar por diversas vezes a questão firma entendimento de que existindo recolhimento parcial de contribuições a qualquer título, mesmo que a outro título ou sobre rubrica é suficiente para atender o comando legal de existência de pagamento antecipado, levando, por conseqüência, a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Nesse sentido, foi editada a Súmula n. 99 do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 22/11/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 24/11/2006. . Os fatos geradores ocorreram entre as competências 02/1999 a 12/2005, sendo assim a luz do 150, devem ser excluídos os fatos geradores até a competência 10/2001. Superadas as preliminares, passemos a analise do mérito. DO MÉRITO Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98.” Pelas informações trazidas no relatório fiscal, fl. 131, bem como pelo que restou demonstrado na informação fiscal, não foram efetuados os devidos destaques na notas, nem tão pouco cumpriu a recorrente a obrigação de reter e recolher as contribuições previdenciárias correspondentes. O relatório fiscal fez o cotejamento entre a documentação e a descrição das contratações mediante empreitada de mãodeobra, identificando um a um os prestadores de serviços. Desse modo, a recorrente deveria ter retido o valor de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura, observados os limites de deduções e recolher a importância até o dia dois do mês subseqüente à emissão da respectiva nota fiscal/fatura. De acordo com o previsto no art. 33, § 5º da Lei n° 8.212/1991, o desconto sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, sendo a responsabilidade direta de quem tinha o dever de realizálo. “Art. 33 (...). §5ºO desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” No caso da retenção de 11% não há que se falar em solidariedade, tampouco em benefício de ordem, pois o comando legal impôs a responsabilidade à tomadora de serviços, assim como o fez em relação ao desconto dos segurados empregados. Essa é uma presunção legal absoluta que milita em favor da fiscalização previdenciária. Da mesma forma, não há de se acatar o argumento de que na empreitada de mão de obra, necessário que ocorra a cessão de mão de obra, posto que o artigo 219 do Decreto 3.048/90, que regulamenta a lei 8212/91, é enfático em descrever que tanto no caso de cessão de mão de obra, como no caso de empreitada , Seção II Da Retenção e da Responsabilidade Solidária Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) Ao contrário dos argumentos trazidos pelo recorrente, entendo que no caso de retenção há duas obrigações: a primeira, acessória, que é o desconto dos 11%; a segunda é a principal, que é o recolhimento das contribuições retidas. Uma vez que as contribuições Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10380.006113/200720 Acórdão n.º 2401003.684 S2C4T1 Fl. 6 9 previdenciárias são tributos, o objeto da retenção dos 11% também possui natureza tributária, haja vista ser uma antecipação das contribuições, possuindo natureza de substituição tributária. O fato das empresas prestadoras possuírem recolhimentos ou mesmo CND não desobriga a empresa tomadora de efetuar a retenção, conforme descrito acima, nem tão pouco refuta o presente lançamento, ou seja, o desconto sempre se resume feito regularmente e é obrigação da tomadora de serviços. DAS ILEGALIDADES APONTADAS No que tange a argüição de ilegalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a exigência de retenção nos casos de empreitada de construção civil, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja legalidade ou mesmo constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as regras descritas na Lei n ° 8.212/1991, bem como no Decreto 3.048/90, que regulamenta a referida lei.. Toda lei ou decreto presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade/ilegalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumprenos esclarecer ainda, que a fiscalização previdenciária é competente para constituir os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. 1º da Lei 11.098/2005: “Art. 1º Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento.” Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: “Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.” Por todo o exposto, entendo que o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima propostos, haja vista os argumentos apontados pela recorrente serem incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para excluir do lançamento as contribuições até 10/2001, face a aplicação da decadência qüinqüenal e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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