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7437642 #
Numero do processo: 12571.000039/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1407; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 475          1 474  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12571.000039/2010­11  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3301­000.735  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  24 de julho de 2018  Assunto  PIS  Recorrente  DINIZ SEMENTES E DEFENSIVOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à  repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no  processo  nº  12571.000200/2010­57,  que  deverá  ser  juntada,  em  cópia  de  seu  inteiro teor, nestes autos.    (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Valcir Gassen ­ Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira,  Liziane  Angelotti  Meira,  Marcelo  Costa  Marques  D  Oliveira,  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão  Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira  Duro e Valcir Gassen.    Relatório  Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep ­ mercado  interno e exportação, apurados no  regime de incidência não­cumulativa, com base no art. 3º,  §1º da Lei nº 10.637/2002.      RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 03 9/ 20 10 -1 1 Fl. 475DF CARF MF Processo nº 12571.000039/2010­11  Resolução nº  3301­000.735  S3­C3T1  Fl. 476          2 Cabe  ressaltar  a  existência  dos  Processos  nºs.  12571.000200/2010­57  e  12571.000201/2010­00,  que  tratam  dos  Autos  de  Infração  de  PIS/Pasep  e  Cofins,  respectivamente,  lançados  em  decorrência  da  análise  do  direito  creditório  promovida  nos  créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi  verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas  pelo Contribuinte, motivo pelo qual  lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo,  então, lavrados os dois Autos de Infração citados.  No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/2010­57 e 12571.000201/2010­00,  proferiu­se  as  Resoluções  nº  3301­000.520  e  3301­000.521,  respectivamente.  Nestas  resoluções  decidiu­se  por  converter  os  julgamentos  em  diligências  para  fins  de  juntada  de  processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados  os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração  constantes dos processos referidos.  No cumprimento da Resolução nº 3301­000.520 assim constou do Despacho de  Encaminhamento:  DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO  Devolvam­se os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para  prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010­  53, 12571.000025/2010­06, 12571.000026/2010­42,  12571.000027/2010­97, 12571.000028/2010­31,  12571.000029/2010­86, 12571.000030/2010­19,  12571.000031/2010­55, 12571.000032/2010­08,  12571.000033/2010­44, 12571.000034/2010­99,  12571.000035/2010­33, 12571.000036/2010­88,  12571.000037/2010­22, 12571.000038/2010­77,  12571.000039/2010­11, 12571.000040/2010­46,  12571.000041/2010­91, 13931.000368/2008­74,  13931.000948/2008­61, 13931.000949/2008­14,  13931.000950/2008­31, 13931.000951/2008­85,  13931.000952/2008­20, 13931.000953/2008­74,  13931.000954/2008­19, 13931.000955/2008­63,  13931.000956/2008­16 e 13931.000957/2008­52, que tratam da  análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao  auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido  Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da  Resolução 3301­000.520, de 28/9/2017.  É o relatório.    Voto  Conselheiro Valcir Gassen ­ Relator  Quando  da  análise  dos  autos  para  julgamento  dos  Processos  nºs.  12571.000200/2010­57 e 12571.000201/2010­00, distribuídos a este relator, constatou­se que  os dois processos referem­se a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS  e o  segundo diz  respeito  a Cofins,  e que  existiam outros processos vinculados  a  estes  e que  Fl. 476DF CARF MF Processo nº 12571.000039/2010­11  Resolução nº  3301­000.735  S3­C3T1  Fl. 477          3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado  interno e exportação apurados no regime de incidência não­cumulativa.  Em  pesquisa  realizada  no  e­processo  verificou­se  que  esses  processos  vinculados  aos  autos  de  infração  encontravam­se  distribuídos  em  fases  distintas.  Por  intermédio  das  Resoluções  nº  3301­000.520  e  3301­000.521,  proferidas  nos  Processos  nºs.  12571.000200/2010­57  e  12571.000201/2010­00,  os  processos  vinculados  foram  reunidos  e  distribuídos a este Conselheiro prevento.  Assim,  entendo  que  foram  atendidas  as  Resoluções  nº  3301­000.520  e  3301­ 000.521.   Verificando os processos de PER/Dcomps, constata­se que o Auto de Infração  alcança  todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do  litígio  no  processo  do  lançamento  alcança  os  processos  de  ressarcimento/compensação  vinculados.  Assim,  voto  pela  conversão  do  julgamento  em diligência,  para  que  o  presente  processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida  a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/2010­57, que deverá ser juntada, em cópia de  seu inteiro teor, neste processo.   (assinado digitalmente)  Valcir Gassen  Fl. 477DF CARF MF

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7414110 #
Numero do processo: 10976.000475/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 TRIBUTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Deve ser excluída do lançamento do PIS e da COFINS a parcela do crédito constituído decorrente de Receitas auferidas com a comercialização de produto beneficiado com alíquota zero.
Numero da decisão: 1401-002.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da autuação relativa ao PIS e à COFINS, os valores constantes nas Notas Fiscais em que restou comprovada a saída de mercadorias pela venda de produtos sujeitos ao regime monofásico ou alíquota zero. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da autuação relativa ao PIS e à COFINS, os valores constantes nas Notas Fiscais em que restou comprovada a saída de mercadorias pela venda de produtos sujeitos ao regime monofásico ou alíquota zero. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).

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PPRRIIMMEEIIRRAA  SSEEÇÇÃÃOO  DDEE  JJUULLGGAAMMEENNTTOO      PPrroocceessssoo  nnºº   10976.000475/2009­79  RReeccuurrssoo  nnºº                Voluntário  AAccóórrddããoo  nnºº   1401­002.681  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   SSeessssããoo  ddee   12 de junho de 2018  MMaattéérriiaa   PIS e COFINS  RReeccoorrrreennttee   SUZANA CEREAIS LTDA  RReeccoorrrriiddaa   FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2005  TRIBUTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS.   Deve ser excluída do lançamento do PIS e da COFINS a parcela do crédito  constituído  decorrente  de  Receitas  auferidas  com  a  comercialização  de  produto beneficiado com alíquota zero.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  parcial  provimento ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da autuação relativa ao PIS e  à  COFINS,  os  valores  constantes  nas  Notas  Fiscais  em  que  restou  comprovada  a  saída  de  mercadorias pela venda de produtos sujeitos ao regime monofásico ou alíquota zero. Ausente  momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin­ Relatora.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Rodrigo  de  Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio  de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto  de Souza Gonçalves (Presidente).     AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 04 75 /2 00 9- 79 Fl. 3900DF CARF MF     2   Relatório  Trata­se de  recurso voluntário  interposto por Suzana Cereais Ltda. contra o  acórdão de nº 0224771, da DRJ­BH, que por unanimidade de votos,  rejeitou as preliminares  arguidas  para,  no  mérito,  julgar  improcedente  a  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário  exigido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.  Destaco  que  o  processo  retorna  para  julgamento  por  este  colegiado  por  determinação da 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, após dar provimento ao  Recurso Especial do Procurador e reformar o Acórdão 02­24.771, da 2a. Turma da DRJ/BHE,  especificamente  no  que  diz  respeito  à  exclusão  das  exigências  relativas  ao  PIS  e  Cofins,  conforme  esclarece  trecho  do  voto  do  Acórdão  9101002.608  –  1ª  Turma  da  CSRF,  abaixo  transcrito, na parte que interessa a solução da lide:  O  presente  processo  tem  por  objeto  lançamento  a  título  de  IRPJ  e  tributos  reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos no ano calendário  de 2005.  A apuração dos tributos está baseada em receitas de revenda de mercadorias  que não haviam sido oferecidas à tributação, e que foram apuradas de acordo com os  livros fiscais da contribuinte.  A apuração do IRPJ/CSLL se deu pelo lucro arbitrado, porque a escrituração  mantida  pela  contribuinte  era  imprestável  para  determinação  do  lucro  real,  em  virtude de erros e falhas que estão enumerados no Termo de Verificação Fiscal.  As mesmas  receitas de revenda de mercadorias que serviram de base para a  autuação  de  IRPJ/CSLL,  também  serviram  de  base  para  a  exigência  das  contribuições PIS/COFINS.  A  controvérsia  que  chega  a  essa  fase  de  recurso  especial  diz  respeito  à  divergência  jurisprudencial  relativamente  à  nulidade  dos  lançamentos  de  PIS  e  COFINS, por erro na periodicidade de apuração dessas contribuições.  O acórdão recorrido afastou a incidência de PIS e COFINS sob a justificativa  de que os lançamentos se deram em bases trimestrais, quando o correto seriam bases  mensais,  havendo,  portanto,  erro  jurídico,  que  inquinaria  de  nulidade  por  vício  substancial o lançamento.  A PGFN pretende reverter essa decisão, indicando paradigma que, diante da  mesma situação, ou seja, de erro na periodicidade de apuração de PIS e COFINS,  não cancelou os lançamentos por vício de nulidade, mas apenas retificou as bases de  cálculo.  O acórdão recorrido apresenta os seguintes fundamentos para o cancelamento  dos lançamentos de PIS e COFINS:  [...]  Tanto o lançamento de PIS como o de Cofins se deram em bases trimestrais.É  o que se constata das fls. 19 a 21, 24 a 26.   O dislate aqui é juridicamente incontornável. Não se trata de erro matemático,  mas de  erro  jurídico. A recondução em bases mensais,  conquanto  aritmeticamente  possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos autos de infração.  Por tal ordem de razão, dou provimento ao recurso sobre a questão de PIS e  de Cofins.  O acórdão paradigma, por sua vez, ao tratar de autuação com o mesmo tipo de  erro  na  apuração  de  PIS  e  COFINS,  não  cancelou  os  lançamentos  por  vício  de  nulidade,  mas  apenas  retificou  as  bases  de  cálculo,  de  acordo  com  os  meses  Fl. 3901DF CARF MF Processo nº 10976.000475/2009­79  Acórdão n.º 1401­002.681  S1­C4T1  Fl. 3901          3 correspondentes ao momento em que a autoridade fiscal considerou ocorrido o fato  gerador:  Considerou­se, na linha aqui esposada, que, não obstante a indicação incorreta  dos períodos de apuração, cada um dos meses correspondentes ao momento em que  a  autoridade  fiscal  considerou ocorrido o  fato gerador,  efetivamente  era  indicativo  de  tal  ocorrência,  porém,  em  montantes  inferiores  aos  apontados  nas  peças  acusatórias,  eis  que  ali  estavam  incluídas  receitas  que  correspondiam  a  meses  distintos do indicado como sendo o correspondente à concretização da hipótese de  incidência.  (grifos acrescidos)  O entendimento lá manifestado foi no sentido de que, como o auto de infração  apontava a ocorrência de fatos geradores em 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005 e  31/12/2005,  e  como  realmente  havia  ocorrido  fatos  geradores  nessas  datas,  era  correto manter a autuação para esses meses  (março,  junho,  setembro e dezembro),  apenas ajustando a base de cálculo para que ela representasse o faturamento do mês  indicado no auto de infração, e não do trimestre.  É isso o que a PGFN busca nos presentes autos.  Alguns  aspectos  são  importantes  para  examinar  a  questão  da  nulidade  dos  lançamentos de PIS e COFINS sob exame.  O primeiro deles, é que há uma tabela que acompanha os autos de infração,  intitulada  "DEMONSTRATIVO  DE  APURAÇÃO  DA  RECEITA  BRUTA  E  LUCRO ARBITRADO ANOCALENDÁRIO 2005", às  fls. 40, e que discrimina a  composição e o valor total da receita bruta mensal de vendas durante o referido ano.  Cabe observar  também que a  informação de períodos  trimestrais  ("trimestre  1", "trimestre 2", "trimestre 3" e "trimestre 4") só aparece nos autos de infração de  IRPJ e CSLL.  A  referência  temporal  que  consta  dos  autos  de  infração  de  PIS  e  COFINS  consiste  apenas  na  indicação  das  datas  de  ocorrência  dos  fatos  geradores,  assim  discriminadas: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005 e 31/12/2005.  Não  há  dúvida  de  que  ocorreram  fatos  geradores  das  contribuições  PIS  e  COFINS em 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005 e 31/12/2005.  Também não há dúvida de que houve erro no lançamento de PIS e COFINS  Mas esse erro consistiu em não indicar as datas de todos os fatos geradores ocorridos  em 2005, especificamente as  relativas aos meses de janeiro,  fevereiro, abril, maio,  julho, agosto, outubro e novembro de 2005. E englobar as receitas desses meses nos  fatos  geradores  ocorridos  em  31/03/2005,  30/06/2005,  30/09/2005  e  31/12/2005  (datas que constaram dos autos de infração de PIS e COFINS).  O que ocorreu é que o sistema eletrônico de apuração de tributos replicou nos  autos de infração de PIS e COFINS as mesmas datas dos fatos geradores de IRPJ e  CSLL, agrupando as bases mensais nessas datas.  O primeiro erro do lançamento foi não exigir as contribuições PIS e COFINS  que  seriam devidas  em  relação aos meses de  janeiro,  fevereiro,  abril, maio,  julho,  agosto, outubro e novembro de 2005.  E  o  segundo  erro  foi  inflar  equivocadamente  a  base  de  cálculo  dos  fatos  geradores  de  PIS  e  COFINS  ocorridos  em  31/03/2005,  30/06/2005,  30/09/2005  e  31/12/2005 (datas que constam dos autos de infração de PIS e COFINS).  Com  base  nessas  informações,  penso  que  foi  acertada  a  decisão  contida  no  acórdão paradigma, de modo que ela deve ser reproduzida neste processo.  Fl. 3902DF CARF MF     4 Como  já mencionado,  não  há  dúvida  de  que  ocorreram  fatos  geradores  das  contribuições PIS e COFINS em 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005 e 31/12/2005  (datas  que  constam  dos  autos  de  infração  dessas  contribuições),  cabendo  apenas  ajustar a base de cálculo desses fatos geradores aos valores das receitas auferidas em  março, junho, setembro e dezembro de 2005, respectivamente.  Há  ainda  um  outro  ponto  que  precisa  ser  examinado  em  relação  aos  lançamentos de PIS e COFINS.  É que o voto que orientou o acórdão recorrido, antes de declarar a nulidade do  lançamento de PIS e COFINS (que agora está sendo afastada), examinou alegação  da contribuinte de que boa parte das mercadorias por ela comercializadas estavam  sujeitas ao regime monofásico e à alíquota zero de PIS e de COFINS.  Em  seu  voto,  o  relator  do  acórdão  fez  considerações  sobre  a  comprovação  dessa alegação, apresentou planilhas constantes de laudo que teria sido elaborado a  partir das notas fiscais de entrada e de livros fiscais, e ainda adotou um critério para  apuração da base tributável, defendendo a proporcionalização das saídas em relação  às entradas.  Contudo, a análise dessa questão pelo colegiado acabou ficando prejudicada,  uma vez que se decidiu naquela oportunidade pela nulidade integral do lançamento  de PIS e COFINS.  Afastando­se  agora  a  nulidade,  e  visando  evitar  supressão  de  instância,  especialmente  porque  há  aspectos  relacionados  a  exame de  prova,  entendo que  os  autos devem retornar à fase anterior, para que essa questão referente às mercadorias  sujeitas  ao  regime  monofásico  e  à  alíquota  zero  de  PIS  e  de  COFINS  seja  devidamente apreciada pelo colegiado de turma ordinária.    Uma vez delimitada a matéria a ser objeto de apreciação neste momento, no  que diz respeito à impossibilidade de utilização da receita bruta como base de cálculo para Pis  e  Cofins,  na  Ocorrência  de  Incidência  Monofásica  e  Alíquota  Zero,  no  que  diz  respeito  exclusivamente  à  este  aspecto,  os  argumentos  do  contribuinte  no  momento  da  impugnação  foram os seguintes:  A  fiscalização  fez  incidir  sobre  a  receita  bruta  as  alíquotas  de  3%  para  .  apuração  da  Cofins  e  0,65%  para  apuração  do  PIS,  resultando  no  montante  a  recolher em relação a tais contribuições, decorrente das vendas efetivadas.  Ocorre, todavia, que o impugnante é sociedade que se dedica ao comércio de  produtos alimentícios em geral, em que grande parte dos produtos comercializados  possui sistemática de apuração de. PIS/Cofins monofásico, sujeitos a  incidência de  alíquota zero ou ainda alcançados pela isenção.  •  Destacou  que  uma  simples  leitura  das  notas  fiscais  de  entrada  das  mercadorias, que certamente estavam na posse da fiscalização, é possível identificar  que várias delas trazem a anotação "PISICOFINS RECOLHIDO NA FONTE ­ LEI  10.14712000'; pelo que não poderiam ser incluídas na base de cálculo das referidas  contribuições, sob pena de incorrer em bitributação, amplamente combatida na égide  do atual Estado Democrático de Direito.  Dessa forma, a fim de comprovar a argumentação ora desenvolvida, o ilustre  perito técnico responsável pela elaboração do laudo pericial preliminar que segue em  anexo, cuidou de demonstrar, nessa oportunidade por amostragem, várias situações  em que. houve incidência equivocada das contribuições sobre operações em que as  mercadorias  já  tinham  sofrido  a  incidência  monofásica  do  tributo  ou  ainda  eram  alcançadas pela incidência de . alíquota zero ou isenção.  Juntamente com o laudo preliminar seguem várias notas fiscais em que: está  claramente expresso que aquela operação não deveria compor a base de cálculo de  PIS  e  Cofins,  fato  que  foi  completamente  ignorado  pela  autoridade  fiscal,  Fl. 3903DF CARF MF Processo nº 10976.000475/2009­79  Acórdão n.º 1401­002.681  S1­C4T1  Fl. 3902          5 demonstrando a total o ausência de preocupação pela busca da verdade material que  norteou toda a autuação em comento.  Ressaltou  o  impugnante,  fazendo.  referência  ao  laudo  em  anexo,  que  o  trabalho  completo  será  desenvolvido  em  laudo  a  ser  juntado  posteriormente,  considerando  que  não.  houve  tempo  hábil  para,  minuciosa  e  detalhadamente  ser  demonstrada  a  relação  das  operações  que  foram  equivocadamente  tributadas  pelas  contribuições em destaque.    Apreciada  a  impugnação,  o  lançamento  relativo  ao  PIS  e  a  COFINS  foi  mantido pela DRJ ­ BH, nos termos a seguir:  Conforme  o  próprio  autuado  reconheceu  ao  sugerir  a  apresentação  de  levantamento complementar, o laudo pericial de fls. 1870/1882 evidencia limitações,  importantes, especialmente por se restringir à anexação, por amostragem, de cópias  de  notas  fiscais,  supostamente  representativas  dos  casos mencionados,  sendo  suas  conclusões, por si só insuficientes para que se promova qualquer alteração na base  de cálculo das contribuições lançadas.  No caso, é indispensável um trabalho completo, como o próprio impugnante  se prontificou a fazer, que demandaria, não só a indicação de todas as notas fiscais,  mas a identificação precisa do produto comercializado, dos valores envolvidos e da  legislação que lhe conferiu a condição de tributação monofásica, alíquota zero ou de  isenção, no período de autuação, em relação ao PIS e à Cofins.  Cumpre  salientar  ainda  que  não  se  pode  pretextar  falta  de  prazo  para,  o  levantamento pretendido, quando os dados a que se referiu o autuado, pertinentes ao  ano  calendário  de  2005,  já  deveriam  estar  disponíveis,  inclusive  para  fins  da  elaboração do competente Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais  ­  Dacon,  exigido,  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  no  ano­calendário  de  2005, consoante dispunha a . Instrução Normativa SRF n° 543, de 20/05/2005.  Neste contexto, conforme se observa pelas  telas de fls. 2166/2189, extraídas  do  sistema  que  controla  o  processamento  do  Dacon,  nas  Fichas  07  (PIS)  e  13  (Cofins),  na  Linha  13  —  "Receitas  Isentas,  não  Alcançadas  pela  Incidência  da  Contribuição, com Suspensão ou Sujeitas à Alíquota Zero",  todos os campos estão  zerados,  em  todos  os  meses  do  ano  de  2005,  sinalizando  a  inexistência,  na  composição  da  receita  informada  pelo  contribuinte  no  citado  demonstrativo,  de  produtos  sujeitos à  tributação monofásica,  alíquota  zero ou  isenção. Note­se  ainda  que as receitas  informadas no Dacon são compatíveis com os valores considerados  no levantamento fiscal (demonstrativo de fl. 40)  Portanto,  objetivamente,  com  base  nos  elementos  constantes  dos.  autos,  inclusive  em  informação  detalhada  pelo  contribuinte  no  Dacon,  não  há  receitas  a  serem  excluídas  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da Cofins,  tributadas,  no  caso,  pelo  regime cumulativo, em razão do arbitramento do lucro no período autuado.    Inconformada com a decisão,  a  recorrente  apresentou  recurso voluntário de  fls. 2633 a 2678 (e­processo), em 17/2/2010, reiterando o alegado em sede de impugnação.  Com  intuito  de  demonstrar  as  situações  em  que  houve  a  incidência  das  contribuições  sobre  operações  em  que  as mercadorias  já  tinham  sofrido,  ou  a  incidência  do  tributo monofasicamente, ou a incidência de alíquota zero, ou isenção, acresceu laudo pericial  contábil de análise de auto de infração acompanhado dos seguintes anexos:  Fl. 3904DF CARF MF     6 Anexo  I:  Levantamento  entradas  de mercadorias  –  produtos monofásicos  e  alíquota zero;  Anexo  II: Valores  revisão  lançamento  fiscal  –  exclusão  produtos  sujeitos  a  alíquota zero e regime monofásico PIS/Cofins;  Anexo III: Cópias de notas fiscais de entrada relativa a mercadorias sujeitas à  alíquota zero e o regime monofásico.  Com  relação  à  utilização  da  receita bruta  como base  de  cálculo  para PIS  e  Cofins, aduziu o abaixo transcrito (fl. 2667, e processo):  (...)  Nesse  sentido,  considerando  que  grande  parte  dos  produtos  comercializados  pela  Recorrente  estão  enquadrados  nos  casos  acima  indicados  (alíquota  zero  ou  isenção),  não  há  que  se  admitir,  como  pretendeu  fazer  a  fiscalização,  que  seja  utilizada  a  Receita  bruta  de  Vendas  como  base  de  cálculo  indiscriminada  para  apuração  de  PIS  e  Cofins.  Grande  parte  das  operações  desenvolvidas que resultaram em faturamento componente da receita bruta não estão  sujeitas  à  incidência  das  referidas  contribuições  eis  que  já  tributadas  em  regime  monofásico ou alcançadas pela incidência de alíquota zero ou isenção.  (...)  É  que  por  uma  simples  leitura  das  notas  fiscais  de  entrada  das  mercadorias, que certamente estavam na posse da Fiscalização, é possível identificar  que  várias  delas  trazem  a  anotação  “PIS/COFINS  RECOLHIDO NA  FONTE —  LEI  10.147/2000”,  pelo  que  não  poderiam  ser  incluídas  na  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições,  sob  pena  de  incorrer  em  bitributação,  amplamente  combatida na égide do atual Estado Democrático de Direito.  Ao  final,  requereu  o  provimento  do  recurso  com  a  decretação  da  improcedência  dos  lançamentos,  a  exoneração  da  recorrente  dos  gravames  do  litígio,  e,  alternativamente, a retirada das multas ou suas reduções.    É o relatório do essencial.  Tabela  do  plano  Voto             Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin ­ Relatora.  O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade,  por isso, dele conheço.  Aprecio  primeiramente  a  matéria  constante  do  Recurso  Voluntário,  registrando  que  a  contribuinte  tem  argumentado,  em  apertada  síntese,  que  a  Fiscalização  deveria  tê­la  intimado  a  reconstituir  sua  escrituração  antes  de  proceder  ao  arbitramento  do  lucro, de sorte que não o fazendo, implicou em cerceamento ao seu direito de defesa, sendo­lhe  vedado pelo procedimento da Fiscalização, ilidir a liquidez e certeza do valor do imposto que  lhe é cobrado, argumentando que não poderia prevalecer a presunção aplicada, ensejadora de  alíquota de 9,6 %, sobre a receita bruta, porquanto seria notório no comércio cerealista, a que  se dedica, que o lucro bruto operacional não atinge 3%.   Como registrado no  relatório acima,  a contribuinte  sustenta  ainda, que para  revelar  a  desnecessidade  do  arbitramento  bastaria  o  confronto  das  notas  fiscais  de  venda  de  mercadorias,  com  as  notas  fiscais  de  compras  de  mercadorias,  pois  jamais  impediu  que  a  Fiscalização  fizesse  tal  confronto,  tendo  apresentado  o  livro  de  Registro  de  Entradas  de  Mercadorias  n°  02,  relativo  ao  anocalendário  2005,  e  o  livro  de Saída  de Mercadorias,  bem  assim as notas fiscais de entrada de mercadorias, anocalendário 2005.   Fl. 3905DF CARF MF Processo nº 10976.000475/2009­79  Acórdão n.º 1401­002.681  S1­C4T1  Fl. 3903          7 A  decisão  recorrida,  por  seu  turno,  diante  dos  coincidentes  argumentos  apresentados pela contribuinte, firmou entendimento de que considerada a regra do artigo 47,  inciso  III,  da  Lei  8.981/91,  a  autoridade  fiscal  tem  o  dever  de  ofício  de  arbitrar  o  lucro  da  pessoa jurídica quando o contribuinte não mantém escrituração na forma das leis comerciais e  fiscais  ou  deixa  de  apresentar  os  livros  e  documentos  da  escrituração,  considerando  esta  a  precisa  hipótese  dos  autos,  porquanto  ficou  comprovado  que  a  recorrente  não  possuía  escrituração  regular que permitisse a apuração do  lucro quer pelo  regime do  lucro  real, quer  pelo lucro presumido, uma vez que não dispunha dos livros Caixa, Diário e Razão, bem como  do Registro de Inventário.  Em  voluntário  o Recorrente  questiona  justamente  tal  presunção,  apontando  ser, a princípio da autoridade fiscal o ônus de demonstrar a ocorrência do fato gerador com a  identificação das operações não  sujeitas  à  tributação,  seja porque não  alcançados pelos  fatos  imponíveis, seja porque, já tributados em outra fase da cadeia produtiva.  Contudo, afim de demonstrar a veracidade dos fatos por ele alegados, cuidou  de em sede de Recurso Voluntário, através da elaboração de Laudo Pericial (fls. ), demonstrar  as  situações em que houve a  incidência equivocada das contribuições  sobre as operações em  que houve a incidência equivocada das contribuições sobre operações em que as mercadorias já  tinham  sofrido  a  incidência  do  tributo  monofasicamente  ou  ainda  eram  alcançadas  pela  incidência de alíquota zero ou isenção.  Para  corroborar  o  laudo,  anexou  várias  Notas  Fiscais  demonstrando  as  operações que não deveriam compor a base de cálculo do PIS e da COFINS.  Com efeito, o fato motivador do arbitramento foi a ausência de escrituração  regular, de sorte que a contribuinte não afasta esta conclusão, ao contrário, confirma que não  dispunha dos elementos escriturados, contudo os anexa na fase recursal, momento em que não  vejo  motivo  para  negar­lhes  apreciação,  em  razão  da  busca  da  verdade  material  que  deve  nortear a atividade do julgador.  Em prol da verdade material, o fato da prova não ter sido feita em momento  oportuno, não impede que este órgão julgador a aprecie e lhe reconheça a validade.  Este E. Conselho já decidiu:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Exercício: 2004  Ementa: COMPENSAÇAO ­ ERRO NO PREENCHIMENTO DA  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  ­  DCOMP  –  Uma  vez  demonstrado  o  erro  no  preenchimento  da  declaração  de  compensação  (DCOMP)  e  a  existência  do  crédito,  deve  a  verdade  material  prevalecer  sobre  a  formal,  sendo  o  crédito  reconhecido  e  a  compensação  homologada.  Acórdão  nº  1803­ 000.751 – 3ª Turma Especial ­ Sessão de 16/12/2010  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  –  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL  –  NULIDADE.  A  não  apreciação  de  documentos  juntados  aos  autos  depois  da  impugnação  tempestiva  e  antes  da  decisão  fere  o  princípio  da  verdade  material,  com  ofensa  ao  princípio  constitucional  da  ampla  defesa.  No  processo  administrativo  predomina  o  princípio  da  verdade  material,  no  sentido  de  que  aí  se  busca  descobrir  se  realmente  ocorreu  ou  não  o  fato  gerador,  pois  o  que  está  em  jogo é a  legitimidade da  tributação. O  importante  é  saber  se o  Fl. 3906DF CARF MF     8 fato  gerador  ocorreu  e  se  a  obrigação  teve  seu  nascimento.Preliminar  acolhida.  Recurso  provido.  Acórdão  nº  103­19.789,  3ª  Câmara  do  1º  Conselho  de  Contribuintes,  prolatado  em  08  de  dezembro  de  1998,  relatora  Conselheira  Sandra Maria Dias Nunes.  No mesmo sentido, Alberto Xavier :  “afronta  ao  princípio  da  ampla  defesa  e  da  verdade  material  qualquer restrição ao exercício do direito à prova em função da  fase do processo, desde que anterior à decisão final  tomada na  segunda  instância”.  (Princípios  do  Processo  Administrativo  e  Judicial Tributário, 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.160).    Feitas tais considerações, observo que no Laudo Contábil de fls. 2388 e s.s.,  há conclusão no sentido de que, pode se concluir pelo excesso da autuação, após análise dos  documentos abaixo conforme segue trecho do laudo:      Isto porque, analisadas as entradas de produtos monofásicos e à alíquota zero,  o  auditor  independente,  teria  chegado à  conclusão de que elas  representam os montantes  em  relação as entradas totais de mercadorias conforme livros de apuração de ICMS, utilizados pela  fiscalização  para  mensuração  da  base  tributável  do  contribuinte,  conforme  constantes  no  quadro abaixo reproduzido:  Fl. 3907DF CARF MF Processo nº 10976.000475/2009­79  Acórdão n.º 1401­002.681  S1­C4T1  Fl. 3904          9     Com  base  nesses  percentuais,  o  auditor  independente  refez  os  cálculos  da  autuação,  excluindo  os montantes  percentuais  relativos  aos  produtos  alcançados  pelo  regime  monofásico e alíquota zero, apontando nova base tributável, fundada nas informações contidas  nas notas fiscais que relacionou às fls. 2397/2484:      Assim, considerado as notas  fiscais dos produtos contendo a  informação de  estarem  sujeitos  ao  regime monofásico  ou  alíquota  zero,  tais  valores  dever  ser  excluídos  da  tributação pelo arbitramento.  Quanto  ao  percentual  utilizado  no  arbitramento,  em  relação  ao  qual  a  recorrente  alega  impossibilidade  de manutenção  da  decisão  recorrida,  porquanto  referendou  autuação à alíquota de 9,6% sobre a receita bruta, sendo que no setor produtivo a que se dedica  o  lucro  bruto  operacional  não  atingiria  3%,  e  que  este  fato  seria  constatado  se  a  autoridade  confrontasse as notas  fiscais de venda  e  as notas  fiscais de  compra,  estampadas no Livro de  Registro de Entradas de Mercadorias, do ano­calendário de 2005, como também do Livro de  Saída  de  Mercadorias,  uma  vez  evidenciado  pelo  Recorrente  a  exceção  na  base  do  arbitramento, no que se refere ao PIS e COFINS.   Assim, acolho o Laudo Pericial Contábil de fls. e dou provimento parcial ao  Recurso Voluntário pra excluir  da  tributação do PIS  e COFINS por  arbitramento,  os valores  Fl. 3908DF CARF MF     10 constantes nas Notas Fiscais em que restou comprovada a saída de mercadorias pela venda de  produtos sujeitos ao regime monofásico ou alíquota zero.  É o meu voto.  (assinado digitalmente)  Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin                              Fl. 3909DF CARF MF

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Numero do processo: 15504.725722/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4°, DO CTN. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4°, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INEXISTÊNCIA DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. O pagamento do aviso prévio indenizado não tem caráter remuneratório, vez que o empregado, nessa hipótese, não presta serviço para o empregador e nem está à sua disposição. Não se trata de rendimento pago, devido ou creditado, destinado a retribuir o trabalho que não está sendo prestado. A contribuição não pode incidir sobre o aviso prévio indenizado, devendo a autoridade executora excluir da base de cálculo do lançamento os valores comprovadamente pagos a esse título. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EMGFIP. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONSISTÊNCIA DO LEVANTAMENTO FISCAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE VALORES PAGOS A TÍTULO DE ALUGUEL. Diante da consistência do levantamento fiscal, é indubitável que a recorrente deveria ter comprovado as eventuais informações prestadas em GFIP porventura desconsideradas pelo agente fazendário. No tocante aos pagamentos comprovadamente realizados a título de aluguel, mas indevidamente informados em DIRF como rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, deve ser retificado o lançamento, diante dos contratos e demais documentos juntados na impugnação e no recurso voluntário. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. Não atende aos requisitos legais para fins de fruição da isenção, o acordo firmado previamente ao período de apuração dos lucros e resultados quando nele não estão estabelecidas as metas a serem atingidas e os mecanismos de aferição de cumprimento do acordado.
Numero da decisão: 2201-004.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar parcial provimento ao recurso de ofício, mantendo a sujeição passiva solidária das empresas integrantes do grupo econômico, vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, que negou provimento. Em relação ao recurso voluntário, em dar-lhe provimento parcial para excluir as parcelas inerentes ao aviso prévio indenizado, vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator, e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento parcial em maior extensão, afastando a exigência fiscal relativa ao Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) do ano de 2010. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente  (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator (Assinado digitalmente)  Dione Jesabel Wasilewski - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA

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2201­004.552  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de junho de 2018  Matéria  Contribuições Sociais Previdenciárias  Recorrentes  CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A              FAZENDA NACIONAL      ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011  DECADÊNCIA.  INEXISTÊNCIA  DE  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  EXISTÊNCIA  DE  RECOLHIMENTOS  PARCIAIS.  REGRA DO ART. 150, § 4°, DO CTN.  O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4°, do CTN,  se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.  FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. AVISO PRÉVIO  INDENIZADO.  INEXISTÊNCIA  DE  CARÁTER  REMUNERATÓRIO.  NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.  O pagamento do aviso prévio indenizado não tem caráter remuneratório, vez  que  o  empregado,  nessa  hipótese,  não  presta  serviço  para  o  empregador  e  nem está à sua disposição.  Não se trata de rendimento pago, devido ou creditado, destinado a retribuir o  trabalho que não está sendo prestado.  A contribuição não pode incidir sobre o aviso prévio indenizado, devendo a  autoridade  executora  excluir  da  base  de  cálculo  do  lançamento  os  valores  comprovadamente pagos a esse título.  FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EMGFIP. CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS. CONSISTÊNCIA DO LEVANTAMENTO FISCAL. ÔNUS  DO CONTRIBUINTE. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE VALORES PAGOS A  TÍTULO DE ALUGUEL.  Diante da consistência do levantamento fiscal, é indubitável que a recorrente  deveria  ter  comprovado  as  eventuais  informações  prestadas  em  GFIP  porventura desconsideradas pelo agente fazendário.  No tocante aos pagamentos comprovadamente realizados a título de aluguel,  mas indevidamente informados em DIRF como rendimentos do trabalho sem     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 57 22 /2 01 4- 81 Fl. 3639DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.640          2 vínculo empregatício, deve ser retificado o lançamento, diante dos contratos e  demais documentos juntados na impugnação e no recurso voluntário.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  INFRINGÊNCIA  LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE.  O pagamento de participação nos  lucros ou  resultados em desacordo com a  lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade  Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em  razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos  ambientais  do  trabalho,  bem  como  das  contribuições  destinadas  a  outras  entidades ou fundos.  Não  atende  aos  requisitos  legais  para  fins  de  fruição  da  isenção,  o  acordo  firmado previamente ao período de apuração dos lucros e resultados quando  nele não estão estabelecidas as metas a serem atingidas e os mecanismos de  aferição de cumprimento do acordado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.         Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso  de  ofício,  mantendo  a  sujeição  passiva  solidária  das  empresas  integrantes do  grupo  econômico, vencido o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso,  que  negou  provimento.  Em  relação  ao  recurso  voluntário,  em  dar­lhe  provimento  parcial  para  excluir as parcelas inerentes ao aviso prévio indenizado, vencidos os Conselheiros Daniel Melo  Mendes  Bezerra,  Relator,  e Douglas Kakazu Kushiyama,  que  deram  provimento  parcial  em  maior extensão, afastando a exigência fiscal relativa ao Programa de Participação nos Lucros e  Resultados  (PLR)  do  ano  de  2010.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  a  Conselheira  Dione Jesabel Wasilewski.               (Assinado digitalmente)   Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator    (Assinado digitalmente)   Dione Jesabel Wasilewski ­ Redatora designada    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Dione  Jesabel  Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo  Mendes  Bezerra,  Marcelo  Milton  da  Silva  Risso,  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo  (Presidente).    Fl. 3640DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.641          3 Relatório   Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pelo  sujeito  passivo  contra  o  Acórdão  n.  04­42.096  ­  3ª  Turma  da  DRJ/CGE,  que  julgou  procedente  em  parte  a  sua  impugnação.       Adoto  o  relatório  do  acórdão  recorrido  por  sua  completude  e  capacidade  de  elucidação dos fatos:  Trata­se  de  processo  de  Impugnação  em  face  da  obrigação  tributária  relativa  a  Contribuições  Sociais  Previdenciárias  apurada mediante Auditoria Fiscal que resultou no  lançamento  de  crédito  fiscal  lavrado  na  data  de  12/08/2014,  referente  ao  período de apuração de 01/01/2010 a 31/12/2011.  LANÇAMENTO  Em  resumo,  segundo  o  Relatório  Fiscal  (fl.  20­52),  e  demais  relatórios  integrantes  e  complementares,  foram  consignados  os  seguintes pontos acerca do lançamento:  VALORES  TRANSITADOS  EM  FOLHAS  DE  PAGAMENTOS  SUPERIORES  ÀS  RESPECTIVAS  REMUNERAÇÕES  DECLARADAS EM GFIP (PERÍODO 01/2010 A 13/2010)  17.  ...  na  comparação  dos  valores  transitados  em  folha  de  pagamentos, apurados através dos arquivos digitais entregues pelo  contribuinte  em  formato  ”MANAD”,  com  os  respectivos  valores  declarados  em GFIP  (período  01/2010 A  13/2010),  a  fiscalização  encontrou situações onde as remunerações apuradas nas folhas de  pagamento  estavam  superiores  às  declaradas  em  GFIP.  As  diferenças foram motivadas por omissões na composição da base de  cálculo  de  rubricas  com  inequívoca  incidência  de  contribuições  previdenciárias.  Tendo  recebido  os  arquivos  digitais  das  folhas  de  pagamento  do  período em formato MANAD, a fiscalização efetuou a comparação  das  bases  de  cálculo  apuradas  com  as  respectivas  remunerações  declaras em GFIP.  A análise das diferenças encontradas apontava para a omissão de  algumas  rubricas  com  incidência  de  contribuições previdenciárias  nas bases declaradas. Em especial, as rubricas relacionadas com o  aviso  prévio,  ainda  que  outras  rubricas  também  sinalizassem  divergência, porém, em uma quantidade menor de ocorrências.  No  caso  do  aviso  prévio,  as  divergências  foram  encontradas  nas  competências de janeiro a setembro de 2010, sendo que as análises  indicavam que o  contribuinte passou a  declarar  corretamente  tais  rubricas a partir de outubro.  Foi  percebido  ainda  que  tais  omissões  não  aconteciam  de  forma  sistemática, acontecendo para alguns funcionários enquanto outros  tinham suas remunerações declaradas corretamente em GFIP.  Fl. 3641DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.642          4 [...]  No  caso  da  CEMIG,  a  implementação  da  folha  de  pagamentos  resultou dependente de uma complicada sistemática que faz uso do  impressionante quantitativo de quase 800 rubricas (verbas),  sendo  ainda que muitas dessas rubricas são utilizadas tanto para transitar  descontos quanto proventos, existindo ainda folhas separadas para  rescisões e ajustes. Tal realidade em uma empresa que possui cerca  de 2.000  funcionários  torna  bastante difícil  a auditoria das  folhas  de  pagamento,  principalmente  quando  os  arquivos  digitais  fornecidos apresentam incoerências.  Uma  característica  peculiar  do  sistema  SAP  é  o  uso  do  chamado  "retrocálculo”  no  processamento da  folha  de  pagamentos,  onde  a  ocorrência de determinados eventos induz a alterações nos valores  das  rubricas  de  competências  pregressas,  inviabilizando  a  exata  reconstituição histórica dos eventos da folha de pagamentos que é a  filosofia básica do padrão MANAD.  Nas  incoerências  apresentadas  pelos  arquivos  MANAD,  foi  observado  que,  em  algumas  circunstâncias,  o  sistema  gerava  registros duplicados para algumas rubricas, ainda que de maneira  não sistemática, ou seja, ocorriam apenas para alguns funcionários  e em certas  competências,  sem que se conseguisse  identificar uma  lógica para esses eventos.  As  divergências  encontradas  resultaram  em  um  pedido  de  esclarecimento  feito  através  do  TIFn°  004/2014  (em  anexo)  nos  seguinte s termos:  ­  "Apresentar  esclarecimentos  com  relação  às  divergências  apuradas entre as remunerações constantes da folha de pagamentos  fornecida  em  formato  MANAD  e  as  declarações  correspondentes  em GFIP. Essas divergências estão apontadas na planilha EXCEL  "2010 CEMIG DT DIVERGENCIAS.xls", entregue em meio digital,  conforme instruções em anexo ao presente Termo".  A  CEMIG,  porém,  não  apresentou  esclarecimentos  para  os  erros  encontrados nem corrigiu os arquivos. No entanto, tais erros foram  analisados conjuntamente pelo Auditor Fiscal e pelos Analistas de  Recursos  Humanos  da  CEMIG,  sendo  que  a  empresa  alegou  que  dependeria do  fornecedor do programa para a correção dos erros  encontrados,  ainda  que  intimada  através  do  TIFn°  006/2014  (em  anexo) para corrigir os erros nos arquivos digitais.  Na impossibilidade de apurar o quantitativo exato das divergências  encontradas no contexto supracitado, a fiscalização solicitou que a  CEMIG  apresentasse  os  resumos  das  folhas  de  pagamento  TIF  n°005/2014 (em anexo) nos seguintes termos:  "Apresentar os resumos das folhas de pagamento do exercício 2010,  contendo  todas  as  rubricas  transitadas  (proventos,  descontos  e  auxiliares)  e  incluindo  também  as  folhas  de  rescisão  e  complementares".  A CEMIG entregou então um conjunto de arquivos em formato PDF  contendo um relatório com o resumo mensal das rubricas da folha  intitulado "ZHRT0020".  Fl. 3642DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.643          5 Ocorre,  porém,  que  a  fiscalização  identificou  que  tais  relatórios  também  apresentavam  incoerências  semelhantes  aquelas  encontradas  nos  arquivos  MANAD,  fato  grave,  uma  vez  que  tais  relatórios  eram  utilizados  em  procedimentos  previdenciários  pela  CEMIG, inclusive para apuração dos valores a recolher em GPS.  Porém, nesse caso, como o tal relatório era gerado por um "script",  o  próprio  setor  de  informática  da  CEMIG  providenciou  as  correções,  entregando  um novo  conjunto  de  arquivos  contendo os  relatórios com os resumos corrigidos.  A fiscalização então processou novamente os resumos e reconstituiu  as bases de cálculo previdenciárias, tendo apresentado este cálculo  ao  contribuinte através  do TIF n°  006/2014  (em anexo),  onde  era  solicitado o seguinte:  "A  fiscalização  apurou  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias através dos resumos enviados. A totalização destas  bases estão na planilha Excel contida no CD­ROM em anexo."  "Considerando que o conjunto anterior dos resumos das  folhas de  pagamento recebidos pela  fiscalização em março continha valores  incorretos, solicito que a CEMIG verifique a exatidão das bases de  cálculo  apuradas  pela  fiscalização,  ressaltando  que  tais  bases  apresentam  valores  bastante  divergentes  com os  totais  declarados  em GFIP pela CEMIG no exercício 2010"  Conforme afirma o texto do TIF, as bases apuradas pelos resumos  corrigidos  apresentavam  divergências  com  as  remunerações  declaradas  em  GFIP,  assim  como  tinha  acontecido  com  aquelas  apuradas  nos  arquivos  MANAD.  E  ainda  existiam  divergências  entre  os  valores  declarados  e  os  recolhidos,  como  será  detalhado  mais à frente.  A  CEMIG  não  se  pronunciou  a  respeito  das  bases  de  cálculo  apuradas pela fiscalização constantes do TIFn°006/2014 .  Outrossim,  a  fiscalização  também  apurou  que  havia  valores  bastante divergentes entre as declarações em GFIP da CEMIG e os  valores efetivamente recolhidos pela empresa em GPS, conforme o  quadro comparativo abaixo: ... .  [...]  Ressalte­se que tais valores recolhidos a maior não eram suficientes  para  cobrir  inteiramente  os  valores  das  rubricas  cujos  valores  foram  omitidos  das  remunerações  declaradas  em GFIP,  podendo,  portanto,  satisfazer  apenas  parcialmente  os  valores  devidos.  O  quadro  acima  também  inclui  guias  que,  conforme  foi  verificado  posteriormente, não estavam vinculadas às folhas de pagamento.  Tendo intimado o contribuinte a apresentar esclarecimentos através  do TIF n° 004/2014 nos seguintes termos:  "A  fiscalização  confrontou  as  bases  de  cálculos  declaradas  em  GFIP pela CEMIG com os respectivos valores recolhidos em GPS e  constatou a existência de valores significativos recolhidos a maior."  Fl. 3643DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.644          6 "Fica a CEMIG intimada a apresentar os demonstrativos das bases  de cálculo  inclusas nos valores  recolhidos a maior acompanhados  de  justificativas  das divergências,  devendo  também,  se  for  o  caso,  preparar as devidas retificações das declarações em GFIP. "  A CEMIG então entregou a fiscalização um conjunto de planilhas e  anotações  utilizadas  para  apuração  dos  valores  a  recolher  no  exercício  fiscalizado.  Tal  conjunto,  porém,  abrangia  apenas  as  guias  de  recolhimento  vinculadas  a  folha  de  pagamentos,  nada  tendo sido apresentado em relação as demais guias.  A fiscalização considerou os instrumentos de controle apresentados  precários,  considerando  que  não  existiam  anotações  claras  a  respeito  dos  ajustes  efetuados  e  da  origem  de  números  considerados.  Ressalte­se  também  que  algumas  das  bases  de  cálculo  usadas  nesses  controles  vinham  do  supracitado  relatório  "ZHRT00020", que, como se sabe, continha erros. Da forma como  foram  apresentadas  para  o  exame  da  fiscalização,  tais  planilhas,  ajustes e anotações só seriam perfeitamente inteligíveis por quem as  fez, infelizmente os funcionários responsáveis pelos recolhimentos à  época  não  trabalhavam  mais  na  CEMIG,  o  que  dificultou  o  entendimento de como a empresa chegou em tais números, uma vez  que  nem  os  funcionários  atualmente  responsáveis  pelo  procedimento  conseguiam  entender  perfeitamente o que  tinha  sido  feito.   Em  um  esforço  para  entender  a  divergência  entre  os  valores  recolhidos e os declarados em GFIP, a  fiscalização consolidou as  informações contidas nos demonstrativos das guias apresentados e  outras  fontes  de  informação.  Este  demonstrativo  se  encontra  em  anexo. As conclusões dessa análise foram as seguintes:  Em  janeiro,  a  empresa  não  declarou  em  GFIP  os  valores  correspondentes  ao  aviso  prévio  indenizado,  porém  efetuou  os  recolhimentos;  De  fevereiro a  junho, a  empresa nem declarou e nem recolheu  os  valores correspondentes ao aviso prévio indenizado;  Nos meses  restantes  não  houve  como  chegar  a  conclusões  exatas  tomando  como  base  os  controles  apresentados,  possivelmente  os  recolhimentos ocorreram de forma parcial.  Nesse ponto, considerando que: 1) foram identificadas omissões de  rubricas  com  incidência  de  contribuições  nas  declarações  em  GFIP;  2)  o  contribuinte  tinha  recolhido  valores  a  maior;  3)  tais  valores  recolhidos  a  maior  não  eram  suficientes  para  cobrir  inteiramente os  valores  das  rubricas  cujos  valores  foram omitidos  nas  remunerações  declaradas  em  GFIP  e  4)  os  arquivos  digitais  fornecidos  apresentavam  incoerências  que  não  permitiam  sua  utilização  para  apuração  das  bases  de  cálculo,  a  fiscalização  adotou  o  seguinte  procedimento  para  a  apuração  dos  valores  devidos pela CEMIG:  •Considerou  para  o  levantamento  do  débito  as  bases  de  cálculo  apuradas através dos resumos corrigidos das folhas de pagamento,  bases estas que já haviam sido submetidas a apreciação da CEMIG,  Fl. 3644DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.645          7 conforme o TIF n°005/2014. Tais bases estão detalhadas no Anexo  Levantamento ”E”.  •Dessas bases, foram subtraídas as bases de cálculo declaradas em  GFIP  pela  CEMIG  (detalhadas  no  Anexo  Levantamento  "D"),  resultando em uma diferença que corresponde aos fatos geradores  apurados  não  declarados  em  GFIP.  Estas  diferenças  estão  detalhadas no Anexo Levantamento "F".  •A  seguir,  a  fiscalização  separou  as  guias  de  recolhimento  que  estavam  inequivocamente  vinculadas  a  folha  de  pagamentos  (conforme os demonstrativos apresentados). A relação destas guias  está  detalhada  no  demonstrativo  do  Anexo  RDA  ­  Relação  de  Documentos Apresentados".  •Finalmente,  foi efetuada uma apropriação das guias supracitadas  contra  os  valores  declarados  em  GFIP.  Como  existiam  recolhimentos a maior, estas sobras foram novamente apropriadas,  desta  vez  contra  o  Levantamento  "F",  que  corresponde  aos  fatos  geradores apurados não declarados em GFIP. O demonstrativo dos  valores  apropriados  das  guias da  previdência  social  consideradas  se  encontro  no  Anexo  "RADA  ­  Relatório  de  Apropriação  de  Documentos Apresentados "7  •As diferenças resultantes correspondem aos valores do débito ora  apurado.  Apesar das diferenças terem sido lançadas através de um encontro  de  contas  global,  as  diferenças  apuradas  pela metodologia  acima  correspondem  a  rubricas  que  possuem  inequívoca  incidência  de  contribuições  previdenciárias  e  ficaram  fora  das  remunerações  declaradas  em GFIP,  conforme demonstrado  nos  itens  anteriores.  Nesse  contexto,  a  fiscalização  constituiu  o  crédito  referente  á  diferença entre a base de cálculo apurada e os valores declarados  em GFIP, conforme o Art. 28, Inc Ida Lei 8.212 de 24/07/1991:  [...]  O  levantamento  "F"  (2010)  apresenta  os  valores  das  diferenças  encontradas.  PAGAMENTOS  EFETUADOS  A  CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS  NÃO  DECLARADOS  EM  GFIP  (PERÍODO  01/2010 A 13/2010):  Na  análise  dos  arquivos  digitais  em  formato  MANAD  entregues  pelo  contribuinte,  a  fiscalização  percebeu  que  não  transitaram  pelas  folhas de pagamentos as  remunerações  pagas  ou  creditadas  aos segurados contribuintes individuais.  Questionada sobre a omissão, a CEMIG confirmou que realmente  os  pagamentos  efetuados  aos  contribuintes  individuais  não  transitavam  pela  folha  sendo  controlados  por  um  procedimento  à  parte sob a responsabilidade da área financeira.  A  fiscalização  então  solicitou  a  apresentação  de  tais  pagamentos  através do TIF n° 006/2014.  Fl. 3645DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.646          8 A CEMIG então entregou um conjunto de doze planilhas, uma para  cada mês, onde constavam pagamentos a contribuintes individuais.  Tais  planilhas,  no  entanto,  eram  bastante  simplificadas,  não  continham sequer a descrição dos serviços prestados ou a data de  prestação, apenas estavam relacionados o nome do prestador, CPF,  NIT  e  ramo  de  atividade  ,  sendo  que  nas  planilhas  dos  meses  novembro e dezembro não constavam nem o CPF nem a atividade  do prestador, ou seja, não existia uma padronização nas planilhas.  A fiscalização então somou as remunerações contidas nas planilhas  entregues  e  comparou  com  as  remunerações  efetuadas  as  contribuintes individuais declaradas em GFIP8, identificando então  a  existência  de  divergências  entre  as  remunerações  pagas  e  as  declaradas, conforme o quadro abaixo.  [Tabela Comparativa]  despesas  que  registravam  os  serviços  prestados  por  terceiros  não  apresentavam separação entre  os serviços prestados por pessoas físicas e pessoas jurídicas.  A fiscalização passou então a examinar as declarações em DIRF do  contribuinte,  investigando  as  retenções  efetuadas  sob  o  código  ”0588” (Trabalho Sem Vínculo Empregatício), comparando com as  declarações  em  GFIP  do  período  e  também  com  as  planilhas  de  controle  supracitadas.  Dessa  análise,  foram  excluídos  os  estagiários que tinham sido informados nas folhas de pagamento.  Nesta  análise  foram  identificadas  várias  remunerações  a  pessoas  físicas declaradas  em DIRF9 que não constavam nas planilhas de  controle  apresentadas  ou  nos  valores  declarados  em  GFIP,  ou  ainda, os valores declarados em DIRF se mostravam superiores.  Diante  de  tal  situação,  a  fiscalização  elaborou  um  demonstrativo  nominal  das  divergências  apuradas  e  solicitou  através  do  TIF  n°  007/2014  que  a  CEMIG  apresentasse  esclarecimentos  sobre  as  divergências nos seguintes termos:  "Foi  observado  que  alguns  pagamentos  efetuados  a  contribuintes  individuais  declarados  na  DIRF  2010  no  código  0588  não  transitaram pela respectivas declarações em GFIP. ”  "Foram excluídos dessa análise os ESTAGIÁRIOS e aqueles  cuias  remunerações  foram declaradas  em GFIP, porém em competência  diversa”  "Apresentar  justificativas  para  a  ausência  na  GFIP  para  os  pagamentos  efetuados  a  pessoas  físicas  constantes  na  DIRF  relacionados na planilha Excel entregue em meio digitai”  No  entanto,  a  CEMIG  não  apresentou  nenhuma  resposta  para  os  questionamentos da fiscalização.  Nesse  contexto,  considerando:  1)  a  impossibilidade  de  se  apurar  individualmente na  contabilidade os pagamentos  em questão; 2) a  precariedade dos instrumentos de controle apresentados; 3) o nível  de  divergências  entre  declarações  em  GFIP  e  as  remunerações  Fl. 3646DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.647          9 constantes nas planilhas e nas DIRFs e 3) o fato da empresa não ter  respondido  os  questionamentos  da  fiscalização,  foi  adotada  a  seguinte metodologia para a apuração dos créditos devidos:  Foi  elaborado  um  demonstrativo  por  competência  contendo  a  relação  nominal  de  todos  os  nomes  de  segurados  contribuintes  individuais que  constavam das  planilhas  de  controle apresentadas  ou das DIRFs do período.  Para  cada  contribuinte  individual  foi  efetuada  uma  comparação  entre o valor da remuneração constante das planilhas de controle e  a remuneração constante na DIRF, tendo sido considerada então a  MAIOR entre as duas.  A  remuneração  apurada  conforme  o  item  anterior  foi  então  comparada com a respectiva declaração em GFIP, e, estando esta a  menor, a diferença foi apurada como débito.  Diferentemente  do  que  aconteceu  no  levantamento  anterior  das  diferenças  apuradas  nas  folhas  de  pagamento,  neste  levantamento  não efetuada nenhuma análise quanto aos valores recolhidos, uma  vez  que  os  demonstrativos  de  guias  de  recolhimento  apresentados  pela  empresa  abrangiam apenas  as  guias  vinculadas  as  folhas  de  pagamento, não sendo possível, portanto, vincular inequivocamente  as  demais  guias  de  recolhimento  aos  fatos  geradores  pertinentes  aos contribuintes individuais.  Assim,  a  fiscalização  constituiu  os  créditos  devidos  com  base  nos  valores  apurados  segundo  a  metodologia  supracitada,  conforme  disposto  na  Lei  n.  8.212/91,  art.  22,  III  e  Regulamento  da  Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, art. 12, I e  parágrafo único, art. 201, II, parágrafos 1., 2., 3., 5. e 8.  O Levantamento “G”  (2010) detalha os  valores  dessas diferenças  apuradas,  bem  como  os  segurados  contribuintes  individuais  associados.  PAGAMENTO  DE  PARTICIPAÇAO  EM  LUCROS  OU  RESULTADOS (PLR) EM DESACORDO COM A LEI N° 10.101  de 19/12/2000 (PERÍODO 01/2009 A 03/2011):  19.1.  De  início  cumpre  ressaltar  que,  diferentemente  dos  fatos  geradores  descritos  anteriormente,  cujo  período  fiscalizado  esteve  restrito às competências compreendidas entre 01/2010 a 13/2010, a  fiscalização  das  rubricas  transitadas  a  título  de  participação  em  lucros  ou  resultados  abrangeu  o  período  de  01/2009  a  03/2011,  conforme alteração constante do Mandado de Procedimento Fiscal  n° 06.1.01.00­2013­00544­8, nos termos da Portaria RFB n° de 29  de junho de 2011, assentada em 05/03/2014.  [...]  A documentação pertinente ao PLR 2010 apresentada pela CEMIG  consistia  de  um  instrumento  de  negociação  coletiva  (acordo  coletivo)  específico  denominado  "Acordo  Coletivo  Específico  Relativo ao Programa de Participação nos Lucros e Resultados da  CEMIG",  incluindo  as  disposições  para  os  biênios  2009/2010  e  para  o  biênio  2010/2011,  firmado  entre  as  empresas  do  grupo  CEMIG (Companhia Energética de Minas Gerais, CEMIG Geração  Fl. 3647DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.648          10 e  Transmissão  S/A  e  CEMIG  Distribuição  S/A)  com  várias  entidades  representativas  das  diversas  categorias  funcionais  dos  empregados  da  CEMIG.  Também  foi  entregue  documentação  adicional  composta  de  atas  de  reunião  entre  a  CEMIG  e  os  sindicatos  supracitados  e  também cópias  de boletins  sindicais das  correspondências entre a CEMIG e as entidades sindicais.  [Relaciona as premissas do acordo coletivo]  O  instrumento  de  negociação  coletiva,  conforme  sua  data  de  assinatura, tinha sido firmado em 20/11/2009.  Conforme se pode depreender da leitura dos dispositivos elencados  acima,  o  pagamento  do  PLR  para  os  biênios  2009/2010  e  2010/2011  estava  vinculado  ao  atingimento  de  metas  preestabelecidas, metas essas que eram resultado da composição de  indicadores  operacionais,  financeiros  e  funcionais.  Temos  então  uma  metodologia  complexa  estabelecida  onde  o  pagamento  das  parcelas fixas e variáveis definidas para o PLR estava vinculado a  parâmetros  quantitativos  e  qualitativos  que  implicavam  necessariamente em medições do desempenho corporativo em suas  pontas  operacional  e  financeira  e  também  de  parâmetros  individuais de desempenho.  Significativa  também é a cláusula que determina que um grupo de  trabalho  paritário,  formado  por  representantes  da  CEMIG  e  dos  empregados  deveria  até  31/03/2010  identificar  o  Indicador  de  Agregação  de  Valor  e  negociar  a  respectiva  meta,  definir  as  ausências que impactariam o índice de absenteísmo e estabelecer os  mecanismos  de  aferição  que  deveriam  medir  o  cumprimento  do  acordo.  19.11  O  próprio  parágrafo  único  da  Cláusula  9a  do  acordo  condiciona  o  pagamento  da  parcela  "B"  do  PLR  2010/2011  ao  estabelecimento  prévio  do  Indicador  de  Agregação  de Valor  e  de  sua meta, ou seja, ao resultado do que deveria ser estabelecido pelo  grupo de trabalho supracitado.  19.12. Ocorre  que  a  CEMIG  não  conseguiu  chegar  a  um  acordo  com  os  empregados  nesta  questão,  conforme  documentado  nas  cópias  das  correspondências  desta  com  as  entidades  sindicais.  Apesar do acordo prever que até 31/03/2010, o grupo de  trabalho  deveria  ter  concluído  suas  tarefas,  um  boletim  intitulado  "Informador  Gerencial  de  Relações  Trabalhistas",  datado  de  02/06/2010  informa  o  fracasso  das  negociações  entre  empresa  e  empregados no ponto em questão: ... .  [...]  Temos  aqui  então  uma  situação  onde  a  CEMIG,  diante  do  não  cumprimento  das  regras  previamente  estabelecidas,  adita  o  instrumento de negociação coletiva original e acorda novas regras  para  o  pagamento  do  PLR  2010  aos  empregados,  isso  na  última  quinzena de 2010.  [...]  Cabe  ressaltar  também a  atenção demonstrada pelo  legislador na  questão dos prazos  e de pactuação prévia das metas e  resultados,  Fl. 3648DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.649          11 conforme se depreende pelos grifos  (nossos) no dispositivo acima.  Tal  preocupação  é  plenamente  justificável,  sem  o  conhecimento  prévio das metas e índices a serem aferidos, como os trabalhadores  poderiam  se  esforçar  na  direção  correta  para  a  obtenção  da  almejada produtividade ? Significativa também é a exigência de que  a pactuação das regras aconteça previamente.  Ora,  no  pagamento  de  PLR  em  questão  fica  claro  que  qualquer  esforço adicional que tenha sido feito pelos empregados da CEMIG  ocorreu  em  um  contexto  de  indefinição  de  regras,  uma  vez  que  o  estabelecimento  definitivo  das mesas  que  deveria  ter  ocorrido  até  31/03/2010  não  foi  concretizado,  tendo  ainda  a  empresa  simplesmente  estabelecido  em  16/12/2010  uma  parcela  adicional  ”D”,  não  prevista  no  acordo  original,  sob  novas  regras  e  condições, apresentadas como já cumpridas.  Ressalte­se  ainda  que  para  o  PLR  2009,  as  regras  foram  estabelecidas  apenas  no  final  deste  exercício,  haja  vista  que  o  instrumento  de  negociação  coletiva,  conforme  sua  data  de  assinatura, somente foi firmado em 20/11/2009.  Conforme visto acima na análise da Lei N° 10.101 e também como  se depreende dos indicadores de desempenho claramente descritos  nos  instrumentos  de  negociação  coletiva  firmados  pela CEMIG,  a  essência de qualquer plano de participação em lucros ou resultados  é  a  medição  objetiva  de  indicadores  de  desempenho  e  índices  de  aferição.  A  fiscalização,  conforme  dito  anteriormente,  já  havia  solicitado  a  apresentação  de  "planilhas  analíticas  que  demonstrassem  o  cumprimento dos objetivos traçados e a aferição das metas, globais,  setoriais  e  individuais,  com  detalhamento  dos  indicadores  para  cumprimento  das  metas  estabelecidas,  com  as  respectivas  ponderações".  Ocorre que a CEMIG não apresentou nenhuma planilha  ou outro  instrumento  de  aferição  que  permitisse  a  fiscalização  verificar  os  cumprimentos dos requisitos estabelecidos nos seus instrumentos de  negociação coletiva e na Lei N° 10.101. Assim, tais instrumentos, se  existem, não foram apresentados para o exame da fiscalização.  Nesse  momento  da  ação  fiscal,  tendo  já  sido  identificadas  irregularidades  no  exame  do  PLR  2010,  o  período  de  apuração  para  o  presente  fato  gerador  foi  ampliado  para  a  inclusão  dos  exercícios 2009 e 2011, sendo que este último exercício foi incluído  para  apurar  a  segunda  parcela  do  PLR  2010  paga  em  2011,  conforme alteração constante do Mandado de Procedimento Fiscal  n° 06.1.01.00­2013­00129­9, nos termos da Portaria RFB n° 3.014,  de 29 de junho de 2011, assentada em 05/03/2014.  [...]  Nesse mesmo  termo, a  fiscalização solicitou ainda a apresentação  da documentação completa para o PLR 2009. Foi solicitado ainda  que a empresa discriminasse as verbas que  transitaram pela  folha  de pagamentos a título de PLR, vinculando as mesmas aos PLRs e  suas parcelas.  Fl. 3649DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.650          12 Ocorre  que  a  CEMIG,  a  exemplo  do  que  aconteceu  em  outros  momentos da presente ação fiscal, não apresentou a documentação  solicitada ou mesmo esclarecimentos para o exame da fiscalização.  Não  apresentou  nenhuma  planilha  ou  instrumento  de  controle,  medição ou aferição para os PLRs dos exercícios 2009 e 2010,  No  caso  do  PLR  2009,  nenhuma  documentação  foi  apresentada,  além  do  acordo  coletivo  original  que  englobava  os  biênios  2009/2010 e 2010/2011.  Os arquivos digitais em formato MANAD correspondentes às folhas  de  pagamentos  dos  exercícios  2009  e  2011,  solicitados  no  TIF  n°  003/2014,  foram  apresentados,  porém,  continham  também  incorreções  semelhantes  as  que  tinham  sido  encontradas  nos  arquivos do exercício 2010, conforme descrito em itens anteriores.  Na tentativa de suprir as informações que deveriam ser fornecidas  de forma confiável  através  dos  arquivos  digitais  em  formato MANAD,  a  fiscalização  emitiu  o  TIF  n°  008/2013  onde  solicitou  a  apresentação  de  dois  relatórios auxiliares, um contendo o resumo das rubricas das folhas  de pagamento e outro contendo a listagem nominal dos funcionários  e os pagamentos de PLR do período. Ocorre que, mais uma vez, os  demonstrativos  entregues  continham  inconsistências  que  inviabilizavam  o  seu  uso,  bastando  comparar  os  totais  dos  demonstrativos entregues para verificar que eram divergentes entre  si.  [...]  E  finalmente,  cumpre  ainda  ressaltar  a  magnitude  de  tais  pagamentos,  que  pode  ser  verificada  a  partir  de  demonstrativo  preparado pela área contábil da CEMIG a pedido da fiscalização:  Como  um  parâmetro  comparativo,  o  exercício  2010  registra  uma  remuneração  total  da  folha de  pagamentos de R$ 167.742.870,95,  sendo  que  esse  número  corresponde  ao  total  da  base  de  cálculo  previdenciária,  que  não  inclui  as  parcelas  indenizatórias  e  outras  exclusões.  Então,  se  formos  considerar  os  montantes  distribuídos  neste exercício a título de PLR (conforme o quadro acima), vemos  que a CEMIG distribuiu a título de PLR o equivalente a cerca 40%  de sua folha de pagamentos, o que corresponderia a uma média de  quase 5 salários extras por ano para cada empregado.  A  CEMIG  apresentou  ainda  para  o  exame  da  fiscalização  um  conjunto  de 10  cadernos  como documentação  "relacionada  com o  PLR"11. Tais cadernos  traziam apresentações  relacionadas com a  gestão  do  processo  estratégico  da  CEMIG  e  iniciativas  relacionadas  com  a  gestão  de  riscos,  qualidade,  prevenção  de  acidentes  e  planejamento  estratégico  da  companhia,  descrevendo  ainda  dezenas  de  indicadores  de  desempenho  e  sua  evolução.  Ressalte­se  que  tal  documentação  foi  entregue  apenas  no  final  de  julho de 2014, nos últimos dias da ação fiscal, mais de um ano após  o  TIF  n°  001/2013,  onde  a  documentação  inicial  do  PLR  foi  solicitada  e  mais  de  7 meses  após  o  TIF  n°002/2013,  em  foi  que  solicitada  a  complementação  da  documentação  do  PLR.  Ainda  assim,  o  conteúdo  dos  documentos  entregues  foi  examinado  e  Fl. 3650DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.651          13 levado em conta pela fiscalização, conforme descrito nos próximos  itens.  A  fiscalização  não  tem  dúvidas  de  que  a  CEMIG  tenha  implementado as melhores metodologias de planejamento e gestão,  afinal,  é  uma  das  maiores  empresas  do  Brasil,  com  merecida  reputação de  excelência  em  sua  área  de atuação. Ocorre que  tais  cadernos apresentados não estão relacionados com o pagamento de  PLR,  aliás,  não  existe  qualquer  menção  a  PLR  nos  mesmos,  são  documentos  utilizados  no  planejamento  estratégico  e  na  relação  com os investidores da CEMIG e os indicadores ali detalhados não  estão,  pelo  menos  de  forma  direta,  relacionados  com  aqueles  descritos  nas  cláusulas  dos  acordos  coletivos  relacionadas  com  o  pagamento de PLR e usados na apuração quantitativa do mesmo.  Dessa  forma, mesmo com a quantidade de  informações constantes  nos documentos apresentados, a CEMIG não consegue demonstrar  aquilo que seria o básico para subsidiar seus pagamentos de PLR,  ou seja, demonstrar que os indicadores definidos nas cláusulas dos  acordos  coletivos  foram  efetivamente  medidos,  acompanhados  e  avaliados  periodicamente  e  que  tais  medições  eram  levadas  ao  conhecimento  dos  seus  empregados  para  direcionar o  seu  esforço  adicional. Qual foi o resultado final dos PLRs da CEMIG ? Todos  os  seus  empregados  receberam  100%  do  valor  previsto  ?  Os  indicadores  definidos  atingiram  as  metas  propostas  ?  Qual  foi  a  composição  final  do  valor  recebido  por  cada  empregado  ?  São  perguntas para as quais a fiscalização não encontrou respostas nos  cadernos  apresentados  ou  em  qualquer  outro  documento  apresentado pela CEMIG.  DAS CONCLUSÕES  Conforme  exposto  no  itens  anteriores,  diversos  problemas  foram  identificados  com  relação  ao  pagamento  de  PLR  nos  exercícios  fiscalizados.  O PLR 2009 teve suas regras estabelecidas apenas em 20/11/2009,  ou  seja,  apenas  no  final  do  exercício  em  que  os  empregados  da  CEMIG  deveriam  através  de  esforço  adicional  contribuir  para  a  lucratividade da empresa.  O  PLR  2010,  contrariando  as  suas  próprias  regras,  distribuiu  parcela adicional não prevista nas regras inicialmente acordadas.  Em  nenhum  desses  dois  exercícios  foi  apresentada  documentação  ou  planilhas  de  controle  comprobatórias  de  que  os  indicadores  definidos  nas  cláusulas  dos  acordos  coletivos  foram  efetivamente  medidos  e  avaliados  periodicamente  e  que  tais  medições  eram  levadas  ao  conhecimento  dos  seus  empregados  para  direcionar  o  seu  esforço  adicional.  Também  não  foram  apresentadas  planilhas  demonstrativas de que os  valores pagos  foram  fundamentados nas  fórmulas acordadas e creditados de maneira individualizada.  Por  fim,  ressaltamos  que  o  PLR  2008  da  CEMIG  já  tinha  sido  objeto  de  fiscalização  pregressa  realizada  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  através  do Mandado  de  Procedimento  Fiscal  n°  06.10100.2011.00635  e  que  considerou  que  tais  pagamentos  também  foram  efetuados  em  desacordo  como  a  Fl. 3651DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.652          14 legislação previdenciária, constituindo os créditos correspondentes  através  dos  lançamentos  constantes  dos  Autos  de  Infração  integrantes dos processos COMPROTn° 15504­724.901/2011­58.  Sendo  assim,  considerando  a  impossibilidade  do  exame  da  documentação  completa  pela  falta  de  apresentação  da  mesma,  tendo  identificado  ainda  o  não  cumprimento  das  próprias  regras  acordadas no acordo coletivo firmado, a fiscalização considera que  os pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados, a título  de "Participação nos Lucros ou Resultados”, ante a insubsistência  dos  instrumentos  apresentados,  não  se  enquadram  no  previsto  no  art.  214,  §  9o,  inciso  X  do  Regulamento  da  Previdência  Social  ­ RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048, de 06 de maio de 1999.  Por  todo o exposto, o benefício concedido aos seus  trabalhadores,  por  estar  em  desacordo  com  a  legislação  pertinente,  integra  os  salário­de­contribuição  para  todos  os  fins  e  efeitos,  conforme art.  214, §  10 do  já  citado Regulamento da Previdência Social  ­ RPS,  aprovado pelo Decreto n°3.048 de 06/05/1999.  DAS MULTAS APLICADAS  Considerando  que  os  créditos  tributários  incluídos  neste  Auto  de  Infração  se  verificaram  após  entrada  em  vigor  da  Medida  Provisória n° 449, de 03/12/2008 (DOU de 04/12/2008), convertida  na  Lei  n°  11.941,  de  27/05/2009,  que  estipulou  novos  parâmetros  para a aplicação de penalidades por descumprimento de obrigações  acessórias  e multas  relativas  a  lançamento de ofício,  aplica­se ao  lançamento  de  ofício  relativo  às  contribuições  previdenciárias  as  mesmas regras dos demais  tributos,  incluindo­se a multa de ofício  de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430 de 27/12/1996.  DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS  A situação descrita neste relatório, em tese, configura a prática de  crime contra a Seguridade Social, motivo pelo qual se procedeu à  formalização  de  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  acompanhada com os respectivos elementos de prova.  SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA  Foi consignado pela Autoridade Fiscal o seguinte procedimento em  face da sujeição passiva solidária:  Exclusivamente  para  os  Autos  de  Infração  lavrados  no  Processo  COMPROT  N°  15504725.523/2014­72  estão  sendo  arroladas  as  empresas CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A ­ CNPJ 06.981.180/0001­16  e  COMPANHIA  ENERGÉTICA  DE  MINAS  GERAIS  ­  CEMIG  ­  CNPJ  17.155.730.0001­64,  componentes  do  grupo  econômico,  na  forma da legislação a seguir: ... .  Foi  lavrado  termo de Sujeição Passiva Solidária  em  face de  cada  uma das pessoas identificadas como partícipes.  Houve  aperfeiçoamento  do  presente  lançamento  mediante  a  cientificação  do  sujeito  passivo,  realizada  por  meio  pessoal  (Gerente  Adm.  Pessoal)  em  14/08/2014  (fl.  03)  e  de  cada  partícipe da Sujeição Passiva Solidária.  Fl. 3652DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.653          15 Termo  de  sujeição  passiva  solidária  n°  2  (fl.  98­99)  Companhia  Energética de Minas Gerais ­ Cemig 14/08/2014  Termo  de  sujeição  passiva  solidária  n°  1  (fl.  100­101)  Cemig  Distribuição S/A 14/08/2014  IMPUGNAÇÃO  O  sujeito  passivo  apresentou  Impugnação  com  a  juntada  de  documentos comprobatórios e alegação cujos pontos relevantes  para apreciação do litígio são os seguintes:  CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A. (fls. 2691­2727)  PRELIMINARMENTE ­ DA DECADÊNCIA:  14.  Preliminarmente,  importa  ter  presente  que  não  podem  ser  exigidos  os  créditos  tributários  relativos  ao  período  de  01/2009 a  07/2009 em razão da decadência do direito do Fisco de proceder ao  seu lançamento, tendo em vista o decurso de mais de 5 (cinco) anos  entre a data da ocorrência dos supostos fatos geradores e a data da  ciência do auto de infração à IMPUGNANTE (14.08.2014).  [...]  19. Após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal  Federal,  em  11.06.2008,  ao  julgar  os  RE's  n°s  556664,  559882  e  560626,  por  unanimidade  de  votos,  declarou  a  inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, oportunidade  em  que  aprovou  a  Súmula  Vinculante  n°  08,  abaixo  transcrita,  rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco:  "Súmula n° 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5­  do Decretolei  1569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. "  [...]  21. O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CARF), em  Sessão realizada em 09.12.2013, afastou qualquer dúvida quanto ao  tema, determinando em matéria previdenciária a adoção do prazo  decadencial inscrito no artigo 150, § 49, do CTN, como se verifica  da  Súmula  CARF  n°  99,  aprovada  naquela  oportunidade,  com  o  seguinte Enunciado:  Na  presente  autuação,  tendo  em  vista  que  a  própria  autoridade  lançadora  deixou  bem  claro  no  relatório  fiscal  que  os  valores  constantes  do  Al  resultam  das  diferenças  apuradas  pela  fiscalização, bem como que serviram de base para o lançamento as  GPS,  além  de  outros  documentos,  é  evidente  a  existência  de  pagamentos parciais realizados pela IMPUGNANTE.  Pelo  exposto,  tendo  em  vista  a  aplicação  inquestionável  do  prazo  decadencial  previsto  no  art.  150,  §  4°,  do  Código  Tributário  Nacional, necessário se faz que seja reconhecida a decadência dos  supostos créditos tributários relativos aos meses de janeiro a julho  de 2009.  Fl. 3653DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.654          16 VALORES  TRANSITADOS  EM  FOLHAS  DE  PAGAMENTOS  SUPERIORES  ÀS  RESPECTIVAS  REMUNERAÇÕES  DECLARADAS EM GFIP ­ PERÍODO DE 01/2010 A 13/2010:  Ressalte­se que a menor parte das divergências, apesar de não ter  sua  origem  comprovada  pelo  fiscal,  também  se  enquadram  na  rubrica relacionada ao pagamento de aviso prévio indenizado.  Em se tratando de valores pagos a título de aviso prévio, importante  destacar que a Fiscalização jamais poderia pleitear o recolhimento  de  contribuições  previdenciárias,  pois,  nos  termos  da  jurisprudência  pacífica  do  E.  Superior  Tribunal  de  Justiça  e  do  próprio  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  tal  pagamento  não  têm  natureza  remuneratória.  Isso  porque,  o  aviso  prévio indenizado tem como função reparar o trabalhador por não  ter sido alertado de sua dispensa e não de remunerá­lo pelo tempo  que ficou à disposição do empregador.  Com  efeito,  ao  apreciar  a  questão  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos, estabelecida pelo artigo 543­B, do Código de Processo  Civil, o STJ pacificou definitivamente a jurisprudência para fixar o  entendimento de que as  verbas  pagas  a  título de aviso prévio  têm  natureza  indenizatório  e,  por  isso,  não  estão  sujeitas  à  incidência  das contribuições previdenciárias.  [Cita jurisprudência administrativa e judicial]  Desse modo,  considerando  que  as  verbas  pagas  a  título  de  aviso  prévio  não  representam  remuneração  passível  de  incidência  das  contribuições  sociais  exigidas,  já  que  possuem  natureza  indenizatória, requer seja o lançamento julgado improcedente neste  ponto, cancelando­se a autuação.  Caso se entenda não ser possível aplicar tal entendimento à menor  parte  das  rubricas  não  identificadas  pela  fiscalização,  o  que  se  admite  apenas  para  fins  de  argumentação,  requer,  com  base  no  princípio  da  verdade  material,  seja  o  julgamento  convertido  em  diligência  para  que  se  comprove  que  a  totalidade  da  divergência  apontada  no  relatório  fiscal  tem  origem  no  pagamento  de  verbas  relacionadas  ao  aviso  prévio  indenizado  de  ex­empregados  da  IMPUGNANTE,  não  sujeitos  às  contribuições  previdenciárias  exigidas pelo auto de infração.  PAGAMENTOS  EFETUADOS  A  CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS  NÃO  DECLARADOS  EM  GFIP­PERÍODO  DE  01/2010 A 13/2010:  Conforme verificado anteriormente,  sustenta  a  fiscalização que as  retenções  relativas  às  remunerações  pagas  ou  creditadas  aos  segurados  contribuintes  individuais  no  período  de  01/2010  a  13/2010  não  correspondem  efetivamente  aos  valores  declarados  a  título de contribuições previdenciárias.  Essa divergência foi constatada pelo fiscal após a comparação das  informações integrantes da DIRF apresentada pela IMPUGNANTE  ­  especialmente  no  que  se  refere  às  retenções  realizadas  sob  o  código  ”0588”  (Trabalho  Sem  Vínculo  Empregatício)  ­  com  as  integrantes nas GFIPs do mesmo período. A partir dessa análise, o  Fl. 3654DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.655          17 fiscal  identificou  remunerações  declaradas  na  primeira  que  não  constam da segunda, assim como valores declarados em DiRF que  se  mostraram  superiores  aos  declarados  em  GFIP,  o  que  comprovaria  a  ausência  do  oferecimento  à  tributação  de  verbas  pagas  aos  prestadores  de  serviços  que  se  enquadram  como  contribuintes individuais.  Entretanto,  as  incongruências  verificadas  no  demonstrativo  elaborado  pela  fiscalização  não  têm  origem  na  ausência  de  recolhimento das contribuições previdenciárias devidas ­ que foram  corretamente  pagas  ­,  mas  nas  seguintes  situações:  (i)  os  valores  declarados em DIRF relativos  à  retenção  na  remuneração  dos  contribuintes  individuais  não  respeita  o  mesmo  regime  contábil  que  os  declarados  em  GF1P,  sendo o pagamento das contribuições previdenciárias realizado no  mês  da  respectiva  contratação  (regime  de  competência)  e  a  retenção do  IR apenas  no mês do efetivo pagamento do  prestador  (regime  de  caixa),  o  que  gerou  a  não  coincidência  dos  valores  mencionados;  e  (ii)  parte  dos  lançamentos  identificados  na DIRF  analisada, apesar de  terem sido enquadrados pela IMPUGNANTE  no código ”0588” (Trabalho Sem Vínculo Empregatício), referem­ se, em verdade, a pagamentos de outra natureza, especialmente de  alugueis  de  imóveis  de  pessoas  físicas,  não  estando,  portanto,  sujeitos às contribuições previdenciárias exigidas.  DIVERGÊNCIA GERADA PELA DIFERENÇA ENTRE OS REGIMES  CONTÁBEIS  DE  APURAÇÃO  DAS  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  E  DA  RETENÇÃO  DO  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  No que se refere à primeira situação descrita neste tópico, é preciso  esclarecer que a apuração das contribuições  cobradas no auto de  infração rege­se por um regime contábil diferente daquele que rege  o  IRRF.  No  primeiro  caso,  aplica­se  o  regime  de  competência,  devendo o  pagamento  realizado pela  contribuinte  ser efetivado no  momento  da  contratação  dos  serviços.  Já  no  segundo,  o  regime  aplicável é o de caixa, devendo a retenção do imposto sobre a renda  ser  efetivada  no mês  em  que  efetivamente  pago  o  serviço,  o  qual  pode ser diferente daquele no qual houve a contratação.  Ora,  não  é  incomum  que  as  empresas  contratem  serviços  de  contribuintes  segurados  individuais  num  determinado  mês  e  realizem  o  respectivo  pagamento  em  outro,  após  sua  conclusão.  Essa  situação,  entretanto,  não  foi  levada  em  consideração  pelo  fiscal, o que acabou por gerar a alegada incompatibilidade entre as  informações  contidas  na  DIRF  e  GFIPs  analisadas,  cujo  demonstrativo foi erroneamente efetuado num comparativo entre os  mesmos  meses  ­  conforme  demonstra  o  próprio  relatório  de  fiscalização5  ­,  ao  invés  de  contemplar  todo  o  período  em  que  a  retenção poderia ter sido efetivada.  A  título  de  exemplo,  é  possível  citar  os  casos  das  contratações  realizadas  no  mês  de  dezembro  de  2009  e  cujos  respectivos  pagamentos  foram  efetuados  apenas  no  mês  de  janeiro  de  2010.  Nesses  casos,  a DIRF  referente  a  janeiro  de  2010,  na  qual  estão  declarados os pagamentos efetuados nesse período, deveria ter sido  comparada a GFIP  relacionada ao mês  de dezembro  de 2009,  na  Fl. 3655DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.656          18 qual  estão  declaradas  as  contratações  efetivadas  nesse  período,  e  não com aquela referente ao mesmo mês de janeiro, como foi feito.  Essa  comparação  equivocada  é  que  acabou  por  gerar  a  inconsistência  ora  demonstrada  e  levou  o  fiscal  a  crer,  de  forma  infudada, na inexistência dos recolhimentos exigidos.  A  planilha  anexa  à  presente  impugnação,  elaborada  pela  IMPUGNANTE (doc. 4) com base na DIRF e nas GFIPs analisadas  pela  fiscalização,  demonstra  claramente  as  inconsistências  verificadas  nas  competências  de  janeiro  a  fevereiro  de  2010, mas  que  também  ocorreram  em  outros  períodos.  Nela  é  possível  verificar  com  clareza,  nas  colunas  ”F”  ("Data  Serviço”)  e  ”G”  ("Data  Pagamento”),  uma  série  de  pagamentos  realizados  em  competências  diferentes  daquelas  nas  quais  os  contribuintes  individuais  foram  contratados,  o  que,  na  visão  do  fiscal,  se  apresentou como a comprovação de que as contribuições lançadas  não haviam sido recolhidas.  A  comparação  por  amostragem  dos  dados  específicos  constantes  nas GFIPS anexadas à presente impugnação (doc. 5), referentes aos  períodos  de  dezembro  de  2009  a  fevereiro  de  2010,  com  a DIRF  auditada (doc. 6), comprovam a alegação da IMPUGNANTE, pois  demonstram,  mesmo  que  por  amostragem,  que  os  pagamentos  realizados aos contribuintes  individuais, cuja retenção encontra­se  declarada  na  DIRF,  foram,  de  fato,  objeto  de  declaração  e  incidência das contribuições previdenciárias exigidas pelo auto de  infração.  Com  efeito,  se  o  fiscal  tivesse  corretamente  comparado  todos  os  pagamentos declarados em DIRF referentes a um determinado mês  de  competência  (correspondente  ao  efetivo  pagamento)  com  as  GFIPs  anteriores  (correspondente  à  contratação),  teria,  sem  sombra de dúvidas, verificado que as contribuições previdenciárias  foram declaradas e recolhidas pela IMPUGNANTE, pelo que o auto  de infração nesse ponto é insubsistente e não deve persistir.  Note, por fim, que o erro incorrido pela Fiscalização, gerado pela  incompatibilidade de informações entre DIRF e GFIP, é comum em  casos  como  o  presente,  nos  quais  a  empresa  fiscalizada,  por  seu  tamanho, conta com um grande número de prestadores de serviços  autônomos.  Tanto  é  assim  que  a  própria  jurisprudência  administrativa  já  se  deparou  com  casos  semelhantes,  firmando­se  no sentido de considerar insubsistente o lançamento; veja­se:  DA PARTICIPAÇÃO NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  (”PLR')  NOS MOLDES DO DISPOSTO NA LEINS10.101/2000:  Ou  seja,  a  i.  Fiscalização  questionou  no  relatório  fiscal  o  lapso  temporal  utilizado  pela  IMPUGNANTE  e  pelos  Sindicatos  para  firmarem os  respectivos  acordos  coletivos  envolvendo o programa  de PLR (ano de 2009 e aditivo de 2010), entendendo por bem lavrar  o auto de infração ora impugnado tendo em vista que a celebração  desses acordos no final dos exercícios violaria os termos da Lei n°  10.101/2000.  Ademais,  a  i.  Autoridade Autuante  asseverou  que  em nenhum  dos  dois  exercícios  fiscalizados  (PLR's  de  2009  e  2010)  a  IMPUGNANTE  havia  comprovado  que  as  metas  e  os  indicadores  Fl. 3656DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.657          19 definidos nas cláusulas dos acordos coletivos foram efetivamente (i)  levados  ao  conhecimento  de  seus  empregados  e  (ii)  medidos  e  avaliados pela IMPUGNANTE.  [...]  38.  Importante  ressaltar  que  a  i.  Fiscalização,  ao  indicar  em  seu  relatório  fiscal  que  os  indicadores  definidos  nas  cláusulas  dos  acordos  coletivos  não  foram  medidos  e  avaliados  pela  IMPUGNANTE, deixou de especificar com clareza que há diferença  entre os indicadores elencados no PLR de 2009 e no PLR de 2010,  ou  seja,  a  i.  Autoridade  Tributária  quedou­se  genérica  em  questionar  e  cobrar da  IMPUGNANTE a  suposta não medição  de  indicadores  que,  como  adiante  a  ser  comprovado,  só  existia  nas  regras do PLR de 2010 e não no PLR de 2009.  DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DAS REMUNERAÇÕES PAGAS A  TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS  [Cita o arcabouço jurídico aplicável à PLR]  45. Sendo assim, observados os requisitos acima (artigos 29 e 39 da  Lei n° 10.101/2000), os pagamentos das remunerações, a  título de  PLR,  ficam desvinculados da remuneração, nos  termos do art.  79,  inciso XI, da Constituição Federal e do art. 28, § 99, alínea ”j”, da  Lei  n°  8.212/91,  não  podendo  sofrer  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  sob  pena  de  manifesta  inconstitucionalidade  e  ilegalidade.  DA OBSERVÂNCIA  AOS  REQUISITOS  DA  LEI  N°  10.101/2000­ PLR 2009  Em primeiro lugar, tenha­se presente que foi firmado acordo entre  a  IMPUGNANTE  e  seus  empregados  (Sindicatos),  conforme  se  verifica  do  "Acordo Coletivo  Específico Relativo  ao Programa  de  Participação nos Lucros e Resultados da CEMIG” (doc. 4). Sendo  assim, resta claro que a IMPUGNANTE, a priori,  já cumpriu com  um dos requisitos estabelecidos pela Lei n° 10.101/2000.  Com  efeito,  sobre  o  segundo  requisito  determinado  pela  mencionada legislação para a devida configuração de participação  dos  empregados  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  a  cláusula  primeira (Cláusula 1°) do anexo acordo coletivo estabelece:  ”I.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  DAS  EMPRESAS,  REFERENTE  A  2009,  A  SER  PAGA  EM  2010­PLR  2009/2010  CLÁUSULA  l°METAS E  INDICADORES PARA O ANO DE  2009  As metas e  indicadores pré­estabelecidos para o ano de 2009 são,  dentre  outros,  aqueles  definidos  pelo  Planejamento  Estratégico  Empresarial, acompanhadas através do BSC.”  Nesse  sentido,  as metas  e  indicadores  para  o  ano  de  2009  foram  pactuadas  pela  IMPUGNANTE  e  Sindicatos  como  sendo  aquelas  definidas pelo Planejamento Estratégico Empresarial.  Sobre  o  Planejamento  Estratégico  Empresarial,  desde  o  ano  de  2004, através da Circular DFN/01/2004, (doc. 5), a IMPUGNANTE  Fl. 3657DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.658          20 determinou  a  criação  da  Superintendência  de  Planejamento  Corporativo  e  Participação  (PP)4,  órgão  para  cuidar  especificamente  do  planejamento  estratégico  envolvendo  a  composição,  definição,  monitoramento  e  divulgação  das  metas  e  indicadores necessários à participação dos empregados nos lucros  ou resultados da empresa.  Nesses  termos,  a  disseminação  das  metas  e  regras  relativas  à  estratégia  a  ser  adotada  pelos  empregados  da  IMPUGNANTE  é  realizada  através  de  instrumento  próprio  denominado  "Visão  e  Ação”,  por meio  do  qual, mensalmente,  (doc.  6),  a  Assessoria  de  Planejamento  e  Gestão  da  Estratégia  ­  PG  (assessoria  essa  vinculada  e  hierarquicamente  inferior  à  Superintendência  de  Planejamento  Corporativo  e  Participação  (PP)),  envia  aos  Diretores (são os e­mails agrupados em "LPCE/DR ­Titulares Nível  B”,  Superintendentes  (são  os  e­mails  agrupados  em  "LPCE/SP  ­ Titulares  e  Cargos Especiais  Nível D”), Gerentes  (são  os  e­mails  agrupados em "LPCE/GR ­ Titulares Nível F”) e Gestores (são os  e­mails  agrupados  em "LPCE  ­GESTORES”),  ou  seja,  para  todos  os  níveis  hierárquicos  que  atuam  como  lideranças  de  grupos  dos  empregados  da  IMPUGNANTE,  a  totalidade  das  informações  necessárias  para  a  compreensão  e  atendimento  das  estratégias  a  serem  alcançadas  pelos  empregados  e  almejadas  pela  IMPUGNANTE.  Com efeito, em posse das metas e informações consubstanciadas no  ”Visão  e  Ação”,  mensalmente,  enviado  para  as  lideranças  da  IMPUGNANTE,  o  papel  desses  Diretores,  Superintendentes,  Gerentes e Gestores, é de reunir e repassar para seus funcionários  subordinados,  ou  seja:  totalidade  dos  empregados  da  IMPUGNANTE,  as  diretrizes  das  metas  e  indicadores,  esclarecendo,  eventualmente,  dúvidas  e/ou  questionamentos  realizados.  Ademais,  todos  os  funcionários  da  IMPUGNANTE,  através  do  sistema INTRANET (rede interna e privada de computadores de uso  exclusivo  dos  empregados  de  uma  empresa/corporação),  principal  veículo  de  comunicação  da  IMPUGNANTE,  possuem  acesso  às  íntegras dos citados relatórios mensais do ”Visão e Ação” enviados  pela  Assessoria  de  Planejamento  e  Gestão  da  Estratégia  da  IMPUGNANTE,  fazendo  com  que  essa  dispersão  das  metas  e  indicadores  alcance  e  esteja  disponível  para  a  ciência  e  conhecimento da totalidade dos empregados (doc. 7).  Assim, 24 (vinte e quatro) horas por dia,  todos os  funcionários da  IMPUGNANTE podem entrar no sistema (INTRANET) e encontrar  informações  do  ”Visão  e  Ação  ”,  classificadas  no  próprio  site  como: ”Bem vindo ao site do Planejamento e Gestão da Estratégia ­  Visão e Ação CEMIG. Neste espaço você vai encontrar informações  que  o  ajudarão  a  entender  melhor  a  estratégia  da  empresa.  Formulando  a  Estratégia;  Traduzindo  a  Estratégia;  Glossário;  Visão  e  Ação  Online;  Nova  Visão  do  Futuro  da  Cemig;  Mapas  Estratégicos ”.  Ainda, é mister mencionar a existência da  ferramenta denominada  ”GROE”,  Grau  de  Orientação  e  Estratégia,  através  do  qual  os  relatórios  envolvendo o ”Visão e Ação” dos meses  de  setembro e  novembro  de  2009,  trouxeram  o  resultado  de  uma  vasta  e  ampla  Fl. 3658DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.659          21 pesquisa  realizada  pela  IMPUGNANTE  (VOXPOPULI)  junto  aos  seus empregados que comprovou a existência e a ciência de metas,  indicadores,  e  do  planejamento/gestão  da  estratégia  da  IMPUGNANTE (doc. 8).  Portanto,  evidente  que  a  disseminação  da  estratégia  e  metas  a  serem atingidas pelos funcionários da IMPUGNANTE para fins de  PLR, eram, em 2009, de total conhecimento dos empregados, sendo  certo,  ainda,  que  nas  referidas  pesquisas  elaboradas  pela  IMPUGNANTE  no  próprio  ano  de  2009,  revela­se  a  aceitação  e  favorabilidade  dos  funcionários  em  (i)  traduzir  a  estratégia  em  termos  operacionais;  (ü)  mobilizar  a  mudança  por  meio  de  liderança  executiva;  (iii)  alinhar  a  organização  à  sua  estratégia;  (iv)  transformar  a  estratégia  em  processo  contínuo  e  (v)  motivar  para transformar a estratégia em tarefa de todos.  Por  fim,  conforme  se  verifica  da  leitura  da  cláusula  segunda  (CLAUSULA 29) do acordo coletivo envolvendo o PLR de 2009, a  base  de  cálculo  do  valor  distribuído  corresponderia  a  3,0%  (três  inteiros por cento) do Resultado da Atividade de 2009, composto de  uma  parcela  fixa  e  de  outra  variável.  A  parcela  fixa  foi  indicada  pela divisão entre 50% de 3% do Resultado da Atividade de 2009  pelo número total de empregados da IMPUGNANTE. Por sua vez, a  parcela variável apontou a equação entre 50% de 3% do Resultado  da Atividade x Salário­base dezembro 2009 ou mês de desligamento  pela  folha  salário­base  da  IMPUGNANTE  em  dezembro  do  ano­ base ou mês de desligamento.  Pelo  exposto,  tendo  em  vista  que  o  pagamento  feito  pela  IMPUGNANTE a título de PLR de 2009 foi realizado com base em  (i) negociação entre a empresa e seus empregados (Acordo Coletivo  firmado  entre  a  IMPUGNANTE  e  Sindicatos);  (ii)  houve  a  clara  fixação  de  metas  com  mecanismos  de  divulgação  e  informações  pertinentes ao cumprimento do acordado, bem como que (iü) a base  de  cálculo  e  critérios  do  pagamento  considerou  o  resultado  da  empresa  e  percentual  preestabelecido,  evidente  que  a  IMPUGNANTE  cumpriu  os  requisitos  de  pagamento  de  PLR  estabelecidos pela Lei n° 10.101/2000.  Nesses  termos,  através  da  argumentação  acima  despendida  e  da  documentação  até  aqui  acostada,  evidente  a  fragilidade  da  alegação  da  i.  Autoridade  Autuante  acerca  da  ausência  de  comprovação  por  parte  da  IMPUGNANTE  de  que  as  metas  e  os  indicadores definidos nas cláusulas do acordo coletivo do PLR do  ano  de  2009  não  foram  efetivamente  levados  ao  conhecimento  de  seus empregados.  Ademais,  também  não  merece  prosperar  a  alegação  da  i.  Fiscalização de que o PLR de 2009 teve suas regras estabelecidas  apenas  em  20.11.2009,  ou  seja:  definidas  apenas  no  final  do  exercício, sendo, em razão disso, capaz de violar os termos da Lei  n° 10.101/2000.  Isso  porque,  mesmo  que  o  acordo  coletivo  envolvendo  o  PLR  de  2009  tenha  sido  assinado  entre  a  IMPUGNANTE  e  os  Sindicatos  apenas em 20.11.2009, tal fato não desnatura o pagamento de PLR,  eis que a Lei n° 10.101/2000 não traz qualquer limite temporal para  a celebração dos acordos, o que seria mais um  fator  limitador de  Fl. 3659DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.660          22 aplicação  da  norma,  não  podendo  a  Fiscalização  instituir  novos  requisitos não previstos na legislação.  Inclusive,  essa  suposta  rigidez  e  excesso  de  formalismo  temporal  trazido pela Autoridade Tributária já foi rechaçada e não encontra  apoio na jurisprudência administrativa do Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  "CARF".  Cite­se  abaixo  o  trecho  do  voto  proferido  quando da  prolação  do Acórdão  n°  2803­00.254,  da  35  Turma  Especial,  nos  autos  do  Processo  Administrativo  n°  14485.000196/2007­26 (sessão de 21.09.2010): ... .  [...]  Ademais,  importante  ressaltar que a  IMPUGNANTE,  por  ser  uma  das maiores empresas do país,  tem em sua base de  trabalhadores,  diversos Sindicatos  com os quais necessário  se  faz  o diálogo e as  tratativas  no  intuito  de  melhor  adequar  as  cláusulas  do  acordo  coletivo  de  PLR  aos  múltiplos  interesses.  Assim,  como  bem  mencionou  a  decisão  acima  transcrita,  a  prática  de  negociações  acordadas no final do exercício é comum e apenas um reflexo das  indispensáveis conversas com um vasto número de Sindicatos até o  estabelecimento do acordo.  No presente caso, como pode ser observado do acordo de PLR de  2009,  mais  de  10  (dez)  Sindicatos,  juntamente  com  a  IMPUGNANTE,  assinam  o  instrumento  em  questão,  ou  seja,  tal  delonga é  resultado da  total  boa­fé da  IMPUGNANTE, bem como  comprova a anterioridade das negociações.  Importante destacar  que as metas  e o próprio  formato do PLR de  2009 possuíam características semelhantes com as do PLR de 2008  (doc. 9), o que por si só, gera expectativa no trabalhador, de sorte a  já incentivar a sua produtividade a maior, eis que já enraizada em  seu  conhecimento,  e,  portanto,  a  assinatura  no  final  do  exercício  não desnaturar o pagamento a título de PLR.  Ademais,  como  visto  acima,  a  despeito  da  assinatura  do  acordo  coletivo ter ocorrido em novembro de 2009, desde janeiro de 2009  os  empregados  da  IMPUGNANTE  já  vinham  recebendo  as  diretrizes  e metas  necessárias  através  do boletim mensal  "Visão e  Ação”.  [...]  Das considerações precedentes, sendo certo que as metas e a forma  de  distribuição  utilizada  pela  IMPUGNANTE  no  pagamento  do  PLR  de  2009  foram,  conforme  acima  demonstrado,  claras  e  de  acordo  com  o  previsto  na  Lei  n°  10.101/2000,  conclui­se  que  os  valores relativos à PLR de 2009 não podem ser incluídos na base de  cálculo das contribuições previdenciárias haja vista que a aferição  de tais valores, bem como a distribuição dos mesmos, foi precedida  de prévio acordo coletivo celebrado entre a IMPUGNANTE e seus  empregados, o qual encontra­se em consonância com a  legislação  que rege a matéria.  Por  fim,  apenas  para  fins  argumentativos,  caso  as  supracitadas  alegações  acerca  do  questionamento  do  PLR  de  2009  sejam  superadas,  a  IMPUGNANTE  acosta  à  presente  defesa  as  anexas  Fl. 3660DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.661          23 planilhas  (doc.  10)  através  das  quais  se  comprova  que  parte  dos  valores  pagos  entre as  competências de 01/2009 a 10/2009  foram  referentes não ao PLR de 2009, mas aos PLR's de 2007 e 2008 em  razão  de  rescisão  complementar  de  empregados  que  foram  desligados antes do pagamento total desses respectivos PLR's (2007  e 2008), pagos apenas entre 01/2009 e 10/2010.  Sendo assim, em razão dos PLR's de 2007 e 2008 não serem objeto  da  presente  fiscalização,  necessários  que  tais  valores  sejam  excluídos da base de cálculo de suposta incidência de contribuição  previdenciária envolvendo o PLR de 2009.  DA OBSERVÂNCIA  AOS  REQUISITOS  DA  LEI  N°  10.101/2000­  PLR 2010  Os  pagamentos  feitos  pela  IMPUGNANTE  a  título  de  PLR  2010  também  foram  realizados  em  perfeita  consonância  com  os  requisitos estabelecidos pela Lei n° 10.101/2000, de modo que esses  pagamentos  não  podem  sofrer  a  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  nos  termos  do  art.  7q,  inciso XI,  da Constituição  Federal, e do art. 28, § 99, alínea ”j”, da Lei n° 8.212/91.  Em primeiro lugar, tenha­se presente que foi firmado acordo entre  a  IMPUGNANTE  e  seus  empregados  (Sindicatos),  conforme  se  verifica  do  "Acordo Coletivo  Específico Relativo  ao Programa  de  Participação nos Lucros e Resultados da CEMIG” (doc. 11). Sendo  assim, resta claro que a IMPUGNANTE, a priori,  já cumpriu com  um dos requisitos estabelecidos pela Lei n5 10.101/2000.  Com  efeito,  sobre  o  segundo  requisito  determinado  pela  mencionada legislação para a devida configuração de participação  dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, as cláusulas  quinta e sexta (Cláusula 5° e Cláusula 6°) do anexo acordo coletivo  estabelecem:  [...]  Nesse sentido, diferentemente e inovando com o que estava previsto  para  o PLR  de  2009,  o  PLR  de  2010  trouxe  indicadores  e metas  próprias,  distintas  das  definidas  no  Planejamento  Estratégico  Empresarial ("Visão e Ação ”).  Entretanto,  importante  ressaltar  que,  conjuntamente  com as novas  metas  e  indicadores  trazidos  pelo  PLR  de  2010,  o  preâmbulo  do  Acordo Coletivo Específico Relativo ao Programa de Participação  nos  Lucros  e  Resultados  da  CEMIG  biênio  2009/2010,  trazia  em  destaque na preliminar "considerando: (...) as metas constantes do  orçamento  anual  definidas  pelo  Planejamento  Estratégico  Empresarial (...)”.  Dessa  maneira,  a  IMPUGNANTE  destaca  que,  assim  como  anteriormente  ocorrido  em  2009,  foram  enviados  pela  Superintendência  de  Planejamento  Corporativo  e  Participação  (PP), através de instrumento próprio denominado "Visão e Ação”,  mensalmente, (doc. 12),  informações envolvendo as diretrizes para  o ano de 2010, bem como havia a devida disponibilizações desses  dados na INTRANET.  Fl. 3661DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.662          24 Precisamente  sobre  os  novos  indicadores  trazidos  pelo  PLR  de  2010,  resta  claro  do  acordo  firmado  entre  a  IMPUGNANTE e  os  Sindicatos  que,  para  o  pagamento  dos  valores  a  título  de  PLR,  deveriam  ser  verificados,  analisados  e  medidos  os  indicadores  acerca  (i)  da  taxa  de  acidentes  (TFTp)  dos  empregados;  (ii)  das  despesas com os materiais e serviços (MSO) pelos funcionários dia­ a­dia manuseados; bem como os  indicadores  (iü) da qualidade do  serviço  público  de  energia  elétrica  traduzidos  pela  continuidade  DEC  (Duração  Equivalente  de  Interrupção  por  Unidade  Consumidora)  e FEC  (Frequência Equivalente  de  Interrupção por  Unidade Consumidora).  Sobre  a  devida  medição  do  indicador  envolvendo  a  Taxa  de  Frequência  de  Acidentados,  a  IMPUGNANTE  junta  o  anexo  resultado  dessa  avaliação  ­  Relatório  Anual  de  2010,  (doc.  13),  através  do  qual  há  a  clara  indicação  dos  dados  do  referido  indicador utilizado na apuração do pagamento do PLR de 2010.  A  IMPUGNANTE  não  só  comprova  através  do  referido  relatório  que  houve  a  apuração  e  medição  da  taxa  de  frequência  de  acidentados  (indicador  constante  do  PLR  2010),  bem  como  demonstra  (doc.  14)  que  durante  todo  o  ano  de  2010  foram  realizadas  diversas  reuniões  presenciais  e  por  videoconferência,  através das quais as áreas de Gerências da IMPUGNANTE levaram  aos empregados o conhecimento e cumprimento desse indicador.  Cite­se, por exemplo, o Informativo da Videoconferência ­ SD/SJ de  03.11.2010, na qual  foram expostos aos empregados os resultados  dos indicadores referentes a outubro/2010 (Cnf Doc. 14):  "O  indicador TFA  se  encontra  fora  da meta  em decorrência  de  2  acidentes em contratados, conforme abaixo relacionado:  28/08/2010  ­ O  eletricista  escalou  a  escada manual  amarrada  ao  poste,  posicionou  abaixo  do  mensageiro  para  testar  e  aterrar  as  ferragens,  ao movimentar  o  corpo  para  passar  o  talabarte  houve  torção na  escada  e  ele  escorregou do degrau e desceu deslizando  pela  escada  até  o  solo,  sem  que  o  trava  quedas  funcionasse.  ­  Afastamento de 30 dias.  28/09/2010 ­ Durante tarefa de substituição de para­raios, a equipe  de  manutenção  retirou  o  conjunto  de  fixação  ao  suporte  L  para  desmontagem  no  solo,  porque  o  parafuso  estava  emperrado.  O  eletricista  segurou  o  suporte  e  o  encarregado  tentou  remover  a  porca utilizando chave inglesa, momento em que ela soltou­se e sua  mão  atingiu  a  porcelana  quebrada,  cortando  a  luva  de  vaqueta  e  seu dedo polegar direito ­ Afastamento 60 dias.  Sobre o indicador MSO (despesas com materiais, serviços e outros),  a  IMPUGNANTE comprova através da anexa  tela extraída de  seu  SAP  (Sistema  de  Gestão  Empresarial),  (doc.  15),  que  houve  a  devida medição e comparação do  resultado das despesas e gastos  envolvendo  a  utilização  de  materiais  e  serviços  entre  os  anos  de  2009 e 2010, conferição necessária  e  fundamental  para  se  chegar  ao pagamento de PLR de 2010, conforme acordo coletivo firmado.  Ou  seja,  os  empregados  da  IMPUGNANTE,  através  do  comprometimento  e  de  em  esforço  que  transcendeu  ao  comum  e  Fl. 3662DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.663          25 habitual de suas funções salariais, atingiram a meta e o indicador  de economia de materiais e serviços, fazendo por merecer que esse  indicador (MSO) fosse positivamente alcançado no cálculo do PLR  de 2010.  Por fim, sobre os indicadores DEC e FEC, também expressamente  previstos no acordo envolvendo o PLR de 2010, a  IMPUGNANTE  ressalta que os  seus empregados  conseguiram atingir e manter no  decorrer do ano de 2010 a continuidade e padrão de excelência dos  serviços  da  IMPUGNANTE na  qualidade  da  prestação  do  serviço  público de energia elétrica.  Isso porque, esses indicadores são apurados pela IMPUGNANTE e  enviados  periodicamente  à  ANEEL  para  verificação  da  continuidade do  serviço prestado,  representando,  respectivamente,  o  tempo e o número de vezes que uma unidade consumidora  ficou  sem energia elétrica para o período considerado (mês, trimestre ou  ano),  o  que  permite  a  Agência  avaliar  a  continuidade  da  energia  oferecida à população.  Assim,  com  base  nessas  informações  prestadas  pela  IMPUGNANTE, a ANEEL disponibiliza em seu SITE da internet os  valores  realizados  de  DEC  e  FEC  da  totalidade  das  empresas  prestadoras de serviços de energia elétrica, como a IMPUGNANTE  (doc. 16). Nesses termos, a IMPUGNANTE acosta à presente defesa  os indicadores de continuidade por conjunto  (DEC e FEC) extraídos na página da ANEEL e que comprovam que  no  ano  de  2010  houve  a  devida  apuração  e  ciência  do  resultado  desses indicadores indispensáveis para o cálculo dos valores pagos  a título de PLR.  Ademais, para comprovar de uma vez por todas que houve a correta  e  devida  medição  e  obtenção  por  parte  da  IMPUGNANTE  dos  resultados da aferição dos indicadores constantes do PLR de 2010,  a  IMPUGNANTE  anexa  (doc.  17)  seu  "Relatório  Anual  e  de  Sustentabilidade  2010”,  documento  independentemente  auditado,  de  caráter  notório,  circulante  entre órgãos  públicos, Comissão  de  Valores  Mobiliários  ­  CVM,  Governos  de  todas  as  esferas  (Municipal,  Estadual  e  Federal),  funcionários  e  investidores,  através  do  qual,  além  dos  dados  financeiros  de  seu  Resultado  ("Dimensão Econômica"),  há  claramente os valores  expressos dos  resultados  de  DEC  e  FEC;  taxas  de  acidentes  e  premiação  na  qualidade dos materiais e serviços utilizados.  Sendo  assim,  descabida  e  fragilizada  a  alegação  da  Fiscalização  acerca da ausência de conhecimento dos empregados e da medição  e obtenção por parte da IMPUGNANTE dos indicadores utilizados  no pagamento do PLR de 2010.  Ainda,  a  ferramenta  "GROE",  Grau  de  Orientação  e  Estratégia,  assim como ocorreu em 2009, também trouxe para 2010, meses de  agosto  e  outubro,  o  resultado  de  uma  vasta  e  ampla  pesquisa  realizada  pela  IMPUGNANTE  (VOXPOPULI)  junto  aos  seus  empregados  que  comprovou  a  existência  e  a  ciência  de  metas,  indicadores,  e  do  planejamento/gestão  da  estratégia  da  IMPUGNANTE (doc. 18).  Fl. 3663DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.664          26 Em  continuidade  a  demonstração  da  real  existência  da  análise  e  medição  dos  indicadores  do  PLR  de  2010,  a  IMPUGNANTE  destaca  que apurou  e  apresentou  aos  seus  funcionários  durante  o  ano  de  2010  um  "Road  Show"  contendo  as  informações  e  dados  necessários sobre esses indicadores (DEC; FEC, TFA, entre outros)  (doc. 19).  Por  fim,  conforme  se  verifica  da  leitura  da  cláusula  terceira  (Cláusula 3a) do acordo coletivo envolvendo o PLR de 2010, a base  de  cálculo  do  valor  distribuído  corresponderia  a  percentual  do  Resultado  da  Atividade,  obedecendo  a  determinada  fórmula  de  cálculo, composta pelos indicadores mencionados (CLÁUSULA 5a),  ou  seja,  claro  e  factível  para  real  ciência  dos  empregados  que  o  pagamento do PLR de 2010 tinha o próprio resultado do ano, base  de cálculo essa consagrada e prevista na Lei n° 10.101/2000.  Pelo  exposto,  tendo  em  vista  que  o  pagamento  feito  pela  IMPUGNANTE a título de PLR de 2010 foi realizado com base em  (i) negociação entre a empresa e seus empregados (Acordo Coletivo  firmado  entre  a  IMPUGNANTE  e  Sindicatos);  (ii)  houve  a  clara  fixação  de  metas  e  indicadores  com mecanismos  de  divulgação  e  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  bem  como  que  (iii)  a  base de  cálculo e  critérios  do pagamento  considerou  o  resultado da empresa e percentual pré­estabelecido, evidente que a  IMPUGNANTE  cumpriu  os  requisitos  de  pagamento  de  PLR  estabelecidos pela Lei n° 10.101/2000.  DA OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DA LEI N° 10.101/2000  ­  PARCELA ADICIONAL DO PLR 2010  Ademais,  não merece  prosperar  a  alegação  da  i.  Fiscalização  de  que  no  PLR  de  2010  a  IMPUGNANTE,  contrariando  supostas  regras  do  PLR,  aditou  o  instrumento  de  negociação  coletiva  na  última  quinzena  de  2010,  distribuindo  parcela  adicional  não  prevista nas regras inicialmente acordadas.  Isso  porque,  como  já  visto  no  tópico  anterior,  mesmo  que  tal  aditamento  (doc.  20),  envolvendo  o  PLR  de  2010  tenha  sido  assinado entre a IMPUGNANTE e os Sindicatos apenas no final do  exercício,  no  presente  caso  em  16.12.2010,  tal  fato,  com  base  em  jurisprudência  já  consolidada  (acima  transcrita),  não  desnatura  o  pagamento de PLR, eis que a Lei n° 10.101/2000 não traz qualquer  limite  temporal  para  a  celebração  dos  acordos,  não  podendo  a  Fiscalização instituir novos requisitos não previstos na legislação.  Com efeito, apenas para fins de argumentação, caso a Fiscalização  realmente  tivesse  êxito  no  questionamento  da  parcela  adicional  paga no âmbito do acordo aditivo do PLR de 2010, eis que firmada  apenas  em  16.12.2010,  evidente  que  a  descaracterização  do  PLR  (com  a  consequente  incidência  de  contribuição  previdenciária)  deveria incidir apenas para essa parcela adicional aditada (Parcela  D) e não para todo PLR de 2010.  Por  fim, a própria Fiscalização reconhece a boa­fé e a  reputação  ilibada  da  IMPUGNANTE  nas  práticas  e  consecução  de  suas  obrigações. Cite­se o item 18.38. do relatório fiscal: ”A fiscalização  não tem dúvidas de que a CEMIG tenha implementado as melhores  metodologias de planejamento e gestão, afinal, é uma das maiores  Fl. 3664DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.665          27 empresas do Brasil, com merecida reputação de excelência em sua  área de atuação. "  Nesses termos, tendo em vista que as metas, indicadores e a forma  de  distribuição  utilizada  pela  IMPUGNANTE  no  pagamento  do  PLR  de  2010  foram,  conforme  acima  demonstrado,  claras  e  de  acordo  com  o  previsto  na  Lei  n°  10.101/2000,  conclui­se  que  os  valores  relativos à PLR de 2010  também não podem ser  incluídos  na base de cálculo das contribuições previdenciárias haja vista que  a aferição de tais valores, bem como a distribuição dos mesmos, foi  precedida  de  prévio  acordo  coletivo  celebrado  entre  a  IMPUGNANTE  e  seus  empregados,  o  qual  encontra­se  em  consonância com a legislação que rege a matéria.  PEDIDO  Ante todo o exposto, pelas razões de fato e de direito apresentadas  pela  IMPUGNANTE,  requer­se  sejam canceladas as  exigências de  contribuições  previdenciárias  constantes  do  auto  de  infração  n°  510523889,  determinando­se  o  cancelamento  dessas  exigências  fiscais e o conseqüente arquivamento do processo administrativo n°  15504­725.722/2014­81 instaurado.  Protesta  a  IMPUGNANTE  pela  apresentação  posterior  de  novos  documentos, provas, alegações para a perfeita elucidação dos fatos,  bem  como  por  perícia,  vistoria  e  quaisquer  outras  provas  necessárias  ao  mais  amplo  esclarecimento  do  presente  processo  administrativo.  CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A (FL. 2464­2473)  DA INEXISTÊNCIA DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA  O  instituto  da  solidariedade  encontra­se  consagrado  no  Código  Civil,  segundo  o  qual  "há  solidariedade,  quando  na  mesma  obrigação  concorre  mais  de  um  credor,  ou  mais  de  um  devedor,  cada  um  com  direito,  ou  obrigado,  à  dívida  toda"  (art.  264),  acrescentando, em matéria de solidariedade passiva, o art. 275 do  mesmo diploma que "o credor tem direito de exigir e receber de um  ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum;  (...)".  Na  doutrina  civilística,  Antunes  Varela  ensina  que  "a  obrigação  com vários devedores diz­se solidária, quando o credor pode exigir  de  qualquer  deles  a  prestação  por  inteiro  e  a  prestação  efetuada  por um dos devedores as libera a todos perante o credor" e que "o  principal  efeito  da  solidariedade  passiva  consiste  no  direito  reconhecido  ao  credor  de  exigir  de  qualquer  dos  devedores  o  cumprimento integral da prestação"*.  Características  essenciais  da  solidariedade  são,  pois,  a  unicidade  da obrigação, a pluralidade de devedores e o caráter paritário da  situação  jurídica  em  que  estes  se  encontram  perante  o  credor  decorrente do fundamento único das obrigações em causa.  [Cita legislação]  Da  unicidade  do  fundamento  da  obrigação  (a  ocorrência  de  um  mesmo  fato  gerador)  e  da  posição  paritária  que  em  face  desse  Fl. 3665DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.666          28 fundamento ocupam os sujeitos passivos, conclui­se que a figura da  solidariedade  passiva  só  pode  existir  entre  contribuintes,  isto  é,  entre  sujeitos que  tenham relação pessoal e direta com a situação  que  constitua  o  respectivo  fato  gerador,  relação  esta  que  se  caracteriza no conceito amplo de "interesse comum" (art. 124, I) ou  reveste uma outra forma peculiar, caso em que será designado, em  termos didáticos ou declaratórios por lei (art. 124, II).  Ao contrário do que afirmou a fiscalização, as IMPUGNANTES não  são devedoras solidárias das obrigações da CEMIG GERAÇÃO E  TRANSMISSÃO S.A., porque não são  também  contribuintes  das  obrigações  tributárias  da  CEMIG  GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A., afastando a aplicação do inciso  I do art. 124 do CTN.  Com efeito, o inciso I do artigo 124 do Código Tributário Nacional  refere­se aos co devedores de uma mesma obrigação tributária, isto  é, os  sujeitos que  tenham relação pessoal e direta com a situação  que  constitua  o  respectivo  fato  gerador,  relação  esta  que  caracteriza o "interesse comum".  Os  sujeitos  envolvidos  na  relação  de  solidariedade  passiva  são  apenas  os  que  podem qualificar­se  como  contribuintes,  como,  por  exemplo,  no  caso  dos  condomínios  de  um  imóvel  em  relação  ao  IPTU.  No  presente  caso,  o  único  contribuinte  das  supostas  obrigações  tributárias é a CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A., que  foi  quem  efetuou  os  pagamentos  de  seus  funcionários  e/ou  obteve  lucros/resultados  (PLR)  potencialmente  sujeitos  às  contribuições  previdenciárias.  17. Que os sujeitos envolvidos na relação de solidariedade passiva  tributária  são  apenas  os  que  podem  qualificar­se  como  contribuintes,  não  se admitindo  logicamente  a  solidariedade  entre  contribuinte  e  terceiros,  já  foi  confirmado  pela  jurisprudência  do  Superior Tribunal de Justiça, a que se dá relevo especial, tendo em  vista a profundidade doutrinária dos seus fundamentos.  [Cita jurisprudência administrativa e judicial]  Ou  seja,  não  faz  o  mínimo  sentido  as  IMPUGNANTES  estarem,  como  contribuintes  (responsáveis  principais)  se  defendendo  no  mérito de  supostas cobranças previdenciárias e, ao mesmo  tempo,  estarem respondendo de  forma solidária pelas supostas exigências  de  créditos  previdenciários  de  terceiro  (CEMIG  GERAÇÃO  E  TRANSMISSÃO S.A.) nos exatos mesmos períodos (fatos geradores  01/2009 a 03/2011).  Nesses termos, caso entendesse (o que não é o caso) que a CEMIG  GERAÇÃO  E  TRANSMISSÃO  S.A.  e  as  IMPUGNANTES  tinham  obrigações  decorrentes  de  um mesmo  fato  gerador  (sendo  ambas  contribuintes),  a Fiscalização deveria  ter  lavrado apenas um auto  de  infração  objetivando  a  cobrança  de  contribuições  previdenciárias  envolvendo  esses  fatos  geradores.  Não  poderia,  como fez,  ter  lavrado diversos autos de infração, e  ter  identificado  para os mesmos fatos geradores (01/2009 a 03/2011) responsáveis  Fl. 3666DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.667          29 principais  diferentes  e  arrolados  por  suposta  sujeição  passiva  solidária  esses  mesmos  contribuintes  que  outrora  figuram  como  principais contribuintes responsáveis na cobrança. Nesses termos, a  própria Fiscalização concluiu que, para os mesmos fatos geradores,  houve  a  necessidade  de  indicar  devedores  principais  distintos,  eis  que não há no presente caso duas ou mais empresas que participem  conjuntamente no mesmo fato gerador.  E  dessas  considerações  resulta  que  as  IMPUGNANTES  não  são  devedoras  solidárias  das  supostas  obrigações  tributárias  da  CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A.  PROPOSTA DE DILIGÊNCIA  PRIMEIRA DILIGÊNCIA  O  Despacho  n°  268  da  3°  Turma  da  DRJ/CGE  (4166­4168),  exarado  em  02/09/2015,  propôs  a  diligência  para  elaborar  informação fiscal acerca dos aspectos quantitativos contestados  devido  à  ocorrência  de  fatos  modificativos  relacionados  em  documento anexo (fl. 3634­3685).  Os  sujeitos  passivos  foram  intimados  e  apresentaram  manifestação complementar  (fl. 4299­4331) em que reiteram as  alegações  das  impugnações  anteriores  com  pedido  para  esclarecimento da questão suscitada na proposta de diligência.  PROPOSTA DE NOVA DILIGÊNCIA  Em  22/02/2016  foi  proferida  Informação  Fiscal  (4172­4191)  pela  autoridade  lançadora,  que  por  falta  de  destaque  na  proposta  de  diligência,  não  se  manifestou  sobre  o  objeto  específico  da  diligência  fiscal,  avaliar  se  os  documentos  apresentados  na  impugnação  (fl.  3634­3685)  são  pagamentos  relativos aos PLR's de 2007 e 2008 e que não estariam incluídos  na base de cálculo apurados no PLR de 2009.  Assim foi proposta a realização de diligência para as seguintes  providências:  Analisar  se os documentos apresentados na  impugnação (fl. 3634­ 3685)  são pagamentos  relativos  aos PLR's de  2007  e 2008.  e que  não  estariam  incluídos  na  base  de  cálculo  apurados  no  PLR  de  2009.  embasados  na  documentação  fiscal  do  sujeito  passivo  e  elaborar  informação  fiscal  acerca  dos  aspectos  quantitativos  contestados devido aos fatos tributários modificativos;  Cientificação do sujeito passivo com reabertura de prazo de trinta  (30) dias para manifestação do sujeito passivo sobre o conteúdo da  informação fiscal, como complementação da impugnação.  INFORMAÇÃO FISCAL  Em  resposta  datada  de  26/10/2016,  a  autoridade  lançadora  proferiu  a  informação  fiscal  (fl.  4438­4440),  em que  apresenta  argumentos sobre os pontos solicitados:  Fl. 3667DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.668          30 3. Na impossibilidade de associar inequivocamente os lançamentos  encontrados na contabilidade com as diversas parcelas do PLR de  cada  exercício,  haja  vista  os  históricos  contábeis  genéricos,  sem  qualquer  menção  ao  exercício  2008  e  a  não  apresentação  de  documentos solicitados, a fiscalização considerou como base todos  os  lançamentos  encontrados  na  contabilidade  do  período  fiscalizado,  apurados  na  forma  descrita  anteriormente,  considerados até a competência março de 2011, quando ocorreu o  pagamento da parcela final do PLR 2010.  [...]  Em sede de defesa, a CEMIG apresentou vários extratos contendo  nomes  e  valores  (folhas  3634  a  3685)  sendo  que  "notas  explicativas” vinculavam tais valores ao pagamento de parcelas do  PLRs  2007  e  2008,  correspondendo  a  diferenças  residuais  motivadas  por  reajustes  retroativos  de  salários  e  acertos  de  rescisões  de  contratos  de  trabalho  ocorridas  antes  do  pagamento  dos PLRs pagas através rescisão complementar, sendo ainda que a  parcela mais  significativa  (R$  20.139.707,99),  paga  em março  de  2009  corresponderia  ao  pagamento  do  PLR  2008  efetuado  aos  funcionários ativos.  Para  verificar  as  informações  apresentadas  em  sede  de  impugnação, a fiscalização emitiu Termo de Inicio de Procedimento  Fiscal  (em  anexo),  devidamente  cientificado  ao  contribuinte  em  07/06/2016 nos seguintes termos:  [Rol de documentos]  6.  No  entanto,  repetindo  a  mesma  postura  observada  durante  a  ação fiscal, vencido o prazo, a CEMIG não apresentou nenhum dos  documentos e demonstrativos  solicitados, obrigando a  fiscalização  a fazer uma reunião com a equipe de RH e emitir um novo termo,  dessa vez um Termo de Constatação e  Intimação  (em anexo) onde  ressaltava  que  mais  de  60  dias  tinham  se  passado  sem  que  os  documentos  tivessem  sido  apresentados  e  estabelecendo  um  novo  prazo com mais 30 dias para a apresentação dos documentos, sendo  que dessa vez a CEMIG atendeu à solicitação.  [...]  Considerando que os PLRs de 2009 e 2010 adotavam a sistemática  de  pagar  uma  parcela  de  adiantamento  no  exercício  ao  qual  se  referiam  e  uma  segunda  parcela  de  acerto  final  no  exercício  seguinte,  não  há  por  que  colocar  em  dúvida  as  alegações  do  contribuinte de que as parcelas que foram pagas a título de PLR no  período  de  01/2009  a  10/2009  correspondiam  a  pagamentos  de  acertos  e  resíduos  de  PLRs  anteriores,  haja  vista  que  os  demonstrativos  apresentados  batem  com  os  valores  exatos  do  crédito  apurado  e  as  GFIPs  do  período  confirmam  as  listagens  apresentadas pela CEMIG.  Nesse  contexto,  confirmo  que  os  seguintes  valores  lançados  de  01/2009  a  10/2009  no  Levantamento  ”I”  <2G09_ANEX_LEV_I)  não têm relação com o PLR 2009 e sim com o PLR 2008:  Fl. 3668DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.669          31 No entanto,  ressaltamos que o PLR 2008 da CEMIG  foi objeto de  outra  ação  fiscal  pregressa  realizada  pela  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil, através do Mandado de Procedimento Fiscal n°  06.10100.2011.00635  e  que  considerou  que  tais  pagamentos  também  foram  efetuados  em  desacordo  como  a  legislação  previdenciária,  constituindo  os  créditos  correspondentes  através  dos  lançamentos constantes dos Autos de  Infração  integrantes dos  processos  COMPROTn°  15504­724.901/2011­58,  porém,  o  lançamentopregresso não alcançou a parcela final paga em 2009.  IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR  Os  sujeitos  passivos  tiveram  ciência  da  informação  fiscal  da  diligência  realizada e apresentaram  impugnação complementar  (fl. 4457­4462), na data de 20/12/2016, nos seguintes termos:  Por  fim,  a  i.  Auditoria  confirmou  que  os  valores  lançados  de  01/2009  a  10/2009  no  Levantamento  I  (2009  ANEX  LEVI)  constantes da autuação fiscal não tem relação com o PLR de 2009 e  sim com o PLR de 2008, bem com que o PLR de 2008 já fora objeto  de outra ação fiscal por parte da Receita Federal através do MPF  n° 06.10100.2011.00635 (PA 15504­ 724.901/2011­58).  Nesses termos, tendo em vista que a própria i. Auditoria da Receita  Federal do Brasil confirmou que os valores lançados de 01/2009 a  10/2009 não tem relação com o PLR de 2009, necessário se faz que  tais montante sejam excluídos da presente autuação.  Isto porque, tais valores, pagos entre as competências de 01/2009 a  10/2009, não se referem ao PLR de 2009, mas sim ao PLR de 2008  em  razão  de  rescisão  complementar  de  empregados  que  foram  desligados antes do pagamento total do PLR 2008.  Pelo exposto, em razão do PLR de 2008 não ser objeto da presente  fiscalização, necessário que tais valores sejam excluídos da base de  cálculo  de  suposta  incidência  de  contribuição  previdenciária  envolvendo  o  PLR  de  2009,  como  acertadamente  concluiu  a  i.  Fiscalização da Receita.  IV ­ DO PEDIDO:  Ante todo o exposto, nos termos da conclusão extraída do resultado  da  diligência  fiscal  em  referência,  as  IMPUGNANTES  requerem  sejam  canceladas  as  exigências  de  contribuições  previdenciárias  constantes do auto de infração 510523862 que abrangem os valores  lançados  de  01/2009  a  10/2009  no  Levantamento  ”I”  (2009  ANEXLEVI) aos quais não tem relação com o PLR de 2009 e sim  com o PLR de 2008, bem como, com base nas demais razões de fato  e  de  direito  apresentadas  pelas  IMPUGNANTES  em  suas  impugnações  administrativas,  requer­se  que  seja  cancelada  a  totalidade da exigência de contribuições previdenciárias constantes  do  aludido  auto de  infração,  com  o  consequente  arquivamento  do  processo administrativo nº 15504­725.523/2014­72.  A DRJ julgou a impugnação procedente em parte (fls.3465/3501), nos termos  da seguinte ementa:  Fl. 3669DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.670          32 APRECIAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  E  ILEGALIDADE.   Não  cabe  a  esta  instância  julgadora  apreciar  argumentos  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  de  norma  por  ser  matéria  reservada ao Poder Judiciário.  DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS.  É  vedada  a  extensão  administrativa  dos  efeitos  de  decisões  judiciais  contrárias  à  orientação  estabelecida  para  a  administração direta e autárquica em atos de caráter normativo  ordinário.  DECADÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVTDENCIARIAS O  direito  da  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se após 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato  gerador visto que houve antecipação de pagamento parcial.  GRUPO  ECONÔMICO.  CONFIGURAÇÃO  NÃO  COMPROVADA  Somente  são  solidariamente  obrigadas  as  pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o  fato  gerador  da  obrigação  principal  ou  as  pessoas  expressamente designadas por lei.  O  interesse  comum  é  identificado  quando  há  participação  dos  sujeitos  da  relação  jurídica  na  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação. As hipóteses  fáticas  configuradoras da  formação de  grupo  econômico,  deve  ser  claramente  comprovada  pela  autoridade fiscal.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS.  ISENÇÃO  DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  A  parcela  paga  aos  empregados,  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  em  desacordo  com  as  diretrizes  fixadas  pela legislação, integra o salário de contribuição, para efeito de  cálculo das contribuições previdenciárias.  AVISO PRÉVIO INDENIZADO  O  aviso  prévio  indenizado  não  se  encontra  no  rol  de  verbas  isentas,  integrando,  pois,  a  base  de  cálculo  de  incidência  das  contribuições sociais.  DILAÇÃO PROBATÓRIA  Pelo princípio da concentração das provas na contestação, que  informa  o  processo  administrativo  fiscal,  devem  elas  ser  apresentadas  com  a  impugnação,  salvo  quando  fique  demonstrada a ocorrência de motivo de  força maior; decorram  de  fato  ou  direito  superveniente,  ou,  ainda,  destinem­se  a  contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.  VALIDADE DO LANÇAMENTO.  Fl. 3670DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.671          33 O Auto de  Infração é válido  e eficaz  visto que  foi  lavrado com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos  geradores,  das  contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme  dispuser o regulamento.        Em  face  do  valor  do  crédito  tributário  exonerado  foi  interposto  Recurso  de  ofício.       Cientificadas do acórdão em 09/03/2017 (contribuinte e responsáveis solidárias)  apenas  a  contribuinte  apresentou  Recurso Voluntário  (fls.  4549/4582),  tempestivamente,  em  10/04/2017,  reiterando  os  mesmos  argumentos  já  apresentados  por  ocasião  do  protocolo  da  peça impugnatória.       É o relatório.  Voto Vencido  Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator  Recurso de Ofício  Admissibilidade       O recurso de ofício deve ser conhecido, visto que a decisão recorrida exonerou o  sujeito passivo de crédito tributário superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil  reais), novo valor de alçada estabelecido pela Portaria MF n. 63, de 9 de fevereiro de 2017.   Decadência       A declaração de decadência das contribuições contidas no Levantamento PLR,  referentes  às  competências  01/2009  a  07/2009,  com  exoneração  de  valor  principal  em  valor  superior ao limite de alçada implicou no presente recurso de ofício.       Deve  ser mantida  a  decisão  da DRJ,  pois  em  nenhum momento  a  autoridade  lançadora  apontou  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação;  e  para  estas  competências  constam recolhimentos de contribuições; de tal  forma que é aplicável a  regra do § 4° do art.  150 do CTN.       A  contribuinte  foi  autuada  em  14/08/2014,  data  em  que  já  havia  transcorrido  mais  de  cinco  anos  desde  as  citadas  competências  e,  consequentemente,  quando  já  havia  decaído o direito de lançamento suplementar das contribuições.       Destarte, nego provimento ao recurso de ofício no tocante à decadência.  Caracterização de Grupo Econômico       Em  relação  ao  grupo  econômico,  por  concordância  de  entendimento,  utilizo  como razão de decidir o voto vencedor do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, exarado nos  autos  do  processo  n.  15504.725513/201437  (acórdão  n.  2402005.261­4ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária):  Fl. 3671DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.672          34  Coube­me  tratar  neste  voto  tão  somente  da  responsabilidade  solidária  atribuída  às  empresas  CEMIG  GERAÇÃO  E  TRANSMISSÃO  S/A  (CNPJ  n°  06.981.176/0001­58)  e  COMPANHIA  ENERGÉTICA  DE  MINAS  GERAIS  ­  CEMIG  (CNPJ  n°  17.155.730/0001­63),  as  quais,  juntamente  com  a  autuada, são componentes de grupo econômico.  Inicialmente cabe destacar que a existência de grupo econômico  formado  pela  autuada  e  pelas  citadas  empresas  é  fato  incontroverso,  posto  que  mencionado  no  relatório  fiscal,  não  tendo havido questionamento quanto a esse ponto nem na defesa,  tampouco no recurso.   A  fundamentação adotada no  excelente  voto  do  I. Conselheiro  João  Aldinucci  foi  no  sentido  de  que  o  fisco  teria  adotado  o  inciso  I  do  CTN  para  vincular  as  empresas  pelo  laço  da  solidariedade,  sem  que,  no  entanto,  tivesse  comprovado  a  existência  de  interesse  comum  daquelas  na  formação  do  fato  gerador.   Ouso discordar do Relator, posto que apreciando relato do fisco  verifico que expressamente há a  referência ao  inciso IX do art.  30 da Lei n.° 8.212/1991, bem como, ao art. 222 do Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  n.°  3.048/1999.  Estes  dois  dispositivos,  como  se  pode  ver  do  voto,  tratam  exatamente  da  responsabilidade  solidária  para  as  empresas  integrantes  de  grupo  econômico,  seja  de  fato  ou  de  direito.   Para a mim a menção da autoridade lançadora ao  inciso  I do  art.  124  do  CTN  está  descontextualizada,  posto  que  a  solidariedade  prevista  neste  dispositivo  pressupõe  interesse  comum e este de fato não foi mencionado no relatório.   Imagino que tenha constado por equívoco no relato fiscal, mas  essa  circunstância  para  mim  não  é  suficiente  para  desfazer  o  laço  de  solidariedade  imputado,  uma  vez  que  a  autoridade  mencionou a existência do grupo econômico e citou fundamentos  da  lei  previdenciária  que  atribuem  responsabilidade  solidária  neste caso.   Por outro lado, vale frisar, que o autuado se defende dos fatos,  pelo que a falta de indicação de dispositivo legal ou mesmo sua  indicação  errônea  não  invalida  a  autuação,  se,  de  todo  o  conjunto probatório, se extrai a imputação.   É  de  se  ressaltar  ainda  que  não  houve  qualquer  prejuízo  às  empresas incluídas na sujeição passiva por solidariedade, posto  que foram regularmente intimadas a se defenderem. É princípio  consagrado  no  direito  administrativo  aquele  traduzido  no  brocardo francês "pas de nullité sans grief', que na sua tradução  literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não havendo,  no  caso,  de  se  afastar  a  imputação  da  solidariedade  se  não  é  identificado qualquer prejuízo às partes.  Fl. 3672DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.673          35  Nesse sentido, encaminho pela manutenção no pólo passivo das  empresas  CEMIG  GERAÇÃO  E  TRANSMISSÃO  S/A  e  COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS ­ CEMIG.      Assim sendo, dou provimento ao recurso de ofício no tocante à manutenção do  grupo  econômico  no  pólo  passivo,  mantendo  a  responsabilização  solidária  nos  termos  empreendidos pela autoridade lançadora.  Recurso Voluntário  Admissibilidade      O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido.  Aviso prévio indenizado ­ valores transitados em folhas de pagamentos superiores às  remunerações declaradas em GFIP          Muito bem pontuou a recorrente ao asseverar que a fiscalização sustentou que os  valores  apurados  na  folha  de  pagamentos,  verificados  por meio  de  arquivos  fornecidos  pela  própria recorrente, são superiores aos declarados em GFIP, o que motivou a alegação de que  essas  diferenças  teriam  origem  em  omissões  na  composição  da  base  de  cálculo  de  contribuições previdenciárias exigidas.       De acordo com o relatório  fiscal, a análise das diferenças encontradas apontou  para  a  omissão  de  algumas  rubricas,  especificamente  as  relativas  ao  aviso  prévio. A  análise  apontou, ainda, para a existência de valores  recolhidos a maior pela  recorrente, mas que não  seriam suficientes para cobrir  inteiramente os valores omitidos, o que manteve a necessidade  da exigência.        Intimada  a  apresentar  informações  sobre  a  discrepância  desses  valores,  a  recorrente  trouxe  aos  autos  em  mais  de  uma  oportunidade  uma  série  de  documentos  relacionados  à  sua  folha  de  pagamentos,  em  arquivos  digitais,  nos  formatos  MANAD  e  posteriormente  em  PDF,  os  quais,  após  análise,  levaram  a  fiscalização  a  concluir  que  as  diferenças teriam origem nos seguintes motivos:  "A análise das diferenças encontradas apontava para a omissão  de  algumas  rubricas  com  incidência  de  contribuições  previdenciárias nas bases declaradas. Em especial,  as  rubricas  com  o  aviso  prévio,  ainda  que  outras  rubricas  também  sinalizassem divergência, porém,  em uma quantidade menor de  ocorrências.  (...)  recolhimentos;  De fevereiro a junho, a empresa nem declarou e nem recolheu os valores  correspondentes ao aviso prévio indenizado;  Nos meses restantes não houve como chegar a conclusões exatas tomando como  base os controles apresentados, possivelmente os recolhimentos ocorreram de  forma parcial."    Fl. 3673DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.674          36      Sendo  assim,  considerando  que  as  divergências  constatadas  teriam  origem  na  omissão de valores pagos a título de aviso prévio indenizado aos empregados da recorrente, o  fiscal, com base no artigo 28,  I, da Lei n.° 8.212/91,  lavrou o presente auto de  infração para  exigir as contribuições previdenciárias cabíveis sobre as diferenças apuradas.         Não obstante a  legislação de regência  (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as  importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a  tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária.       A  CLT  estabelece  que,  em  se  tratando  de  contrato  de  trabalho  por  prazo  indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a  sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce  para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a  integração  desse  período  no  seu  tempo  de  serviço  (art.  487,  §  1°,  da CLT). Desse modo,  o  pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar  o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a  antecedência mínima estipulada  na Constituição Federal  (atualmente  regulamentada pela Lei  12.506/2011).  Dessarte,  não  há  como  se  conferir  à  referida  verba  o  caráter  remuneratório  pretendido  pela  Fazenda  Nacional,  por  não  retribuir  o  trabalho,  mas  sim  reparar  um  dano.  Ressalte­se  que,  ”se  o  aviso  prévio  é  indenizado,  no  período  que  lhe  corresponderia  o  empregado não presta  A  verdade  é  que  o  tema  já  foi  objeto  de  julgamento  no  STJ  em  sede  de  recurso  repetitivo  no  REsp.  n°  1.230.957/RS,  no  qual  se  concluiu  pela  não  incidência  de  Contribuições  Sociais  Previdenciárias  sobre  as  verbas  pagas  a  título  de  aviso  prévio  indenizado. Entendeu­se que os valores não se referiam a contraprestação pelo trabalho, e sim  que eram pagos a  título de  indenização ao empregado que não  recebeu o aviso prévio. Eis a  ementa da decisão:  PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  A  CARGO  DA  EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL.  DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE  AS  SEGUINTES  VERBAS:  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS;  SALÁRIO  MATERNIDADE;  SALÁRIO  PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO;  IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM  O A UXÍLIO­DOENÇA.  (...)  2.2 Aviso prévio indenizado.  A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto  6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que  não  correspondam  a  serviços  prestados  nem  a  tempo  à  disposição  do  empregador,  não  ensejam  a  incidência  de  contribuição previdenciária.  A CLT  estabelece  que,  em  se  tratando  de  contrato  de  trabalho  por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a  Fl. 3674DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.675          37 sua  rescisão,  deverá  comunicar  a  outra  a  sua  intenção  com  a  devida  antecedência.  Não  concedido  o  aviso  prévio  pelo  empregador,  nasce  para  o  empregado  o  direito  aos  salários  correspondentes  ao  prazo  do  aviso,  garantida  sempre  a  integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1°,  da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso  prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano  causado  ao  trabalhador  que  não  fora  alertado  sobre  a  futura  rescisão  contratual  com  a  antecedência  mínima  estipulada  na  Constituição  Federal  (atualmente  regulamentada  pela  Lei  12.506/2011).  Dessarte,  não  há  como  se  conferir  à  referida  verba  o  caráter  remuneratório  pretendido  pela  Fazenda  Nacional,  por  não  retribuir  o  trabalho,  mas  sim  reparar  um  dano.  Ressalte­se  que,  ”se  o  aviso  prévio  é  indenizado,  no  período  que  lhe  corresponderia  o  empregado  não  presta  trabalho  algum,  nem  fica  à  disposição  do  empregador.  Assim,  por  ser  ela  estranha  à  hipótese  de  incidência,  é  irrelevante  a  circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação  a  tal  verba”  (REsp  1.221.665/PR,  1a  Turma,  Rel.  Min.  Teori  Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011).  A  corroborar  a  tese  sobre  a  natureza  indenizatória  do  aviso  prévio  indenizado,  destacam­se,  na  doutrina,  as  lições  de  Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento.  Precedentes:  REsp  1.198.964/PR,  2a  Turma,  Rel.  Min.  Mauro  Campbell  Marques,  DJe  de  4.10.2010;  REsp  1.213.133/SC,  2a  Turma,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJe  de  1°.12.2010;  AgRg  no  REsp 1.205.593/PR, 2a Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe  de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1a Turma, Rel. Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe  de  22.2.2011;  AgRg  no  REsp  1.220.119/RS,  2a  Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe  de  29.11.2011.  (...)  Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543­C do CPC, c/c a  Resolução 8/2008 ­ Presidência/STJ.  (REsp  1230957/RS,  Rel.  Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  26/02/2014,  DJe  18/03/2014)  O  REsp  n°  1230957/RS  está  suspenso  por  Recurso  Extraordinário  com  repercussão  geral  (Tema  163  ­  265),  mas  o  aviso  prévio  indenizado,  por  não  ter  caráter  remuneratório, não é salário de contribuição.  Dessarte,  merece  provimento  o  voluntário  no  tocante  ao  aviso  prévio  indenizado.     Pagamentos efetuados a contribuintes individuais não declarados em GFIP (período  01/2010 a 13/2010)   Fl. 3675DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.676          38 A  auditoria  fiscal  apurou  pagamentos  a  contribuintes  individuais  que  não  foram  declarados  em  GFIP.  A  recorrente,  por  sua  vez,  sustenta  que  as  incongruências  verificadas  no  demonstrativo  elaborado  pela  fiscalização  não  têm  origem  na  ausência  de  recolhimento das contribuições previdenciárias devidas ­ que foram corretamente pagas ­, mas  nas seguintes situações: (i) os valores declarados em DIRF relativos à retenção na remuneração  dos  contribuintes  individuais  não  respeita  o  mesmo  regime  contábil  que  os  declarados  em  GF1P,  sendo  o  pagamento  das  contribuições  previdenciárias  realizado  no mês  da  respectiva  contratação (regime de competência) e a retenção do IR apenas no mês do efetivo pagamento  do prestador (regime de caixa), o que gerou a não coincidência dos valores mencionados; e (ii)  parte dos lançamentos identificados na DIRF analisada, apesar de terem sido enquadrados pela  IMPUGNANTE  no  código  ”0588”  (Trabalho  Sem  Vínculo  Empregatício),  referem­se,  em  verdade,  a  pagamentos  de  outra  natureza,  especialmente  de  alugueis  de  imóveis  de  pessoas  físicas, não estando, portanto, sujeitos às contribuições previdenciárias exigidas.  Os pagamentos comprovados relacionados aos "contratos de arrendamentos"  foram  acatados  pela DRJ,  pois  caracterizam  e  provam  fatos  econômicos  sobre  os  quais  não  incidem contribuições previdenciárias.  Todavia,  em  relação  aos  pagamentos  remanescentes,  não  se  desincumbiu  o  recorrente  do  ônus  de  provar  que  não  se  relacionavam  a  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias, nos termos em que apurado pela autoridade lançadora.  Destarte,  diante  da  ausência  de  força  probante  suficiente  para  infirmar  o  lançamento  em  relação  aos  contribuintes  individuais, mantenho  a decisão de piso pelos  seus  próprios e doutos fundamentos.  Da Participação nos Lucros e Resultados         Considerando a matéria sob julgamento, temos a observar, preliminarmente, que  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  é  um  direito  social  de  matriz constitucional, e  regulada no plano  infraconstitucional pela Lei n° 10.101/2000, como  segue:  Constituição Federal ­ 1988  Art. 7° São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  (...)  XI  ­  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei;  (...) (grifos nossos)  Lei  n°  10.101/2000  (Texto  vigente  à  época  do  Período  de  Apuração)  Art.  1o  Esta  Lei  regula  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração  entre  o  capital  e  o  trabalho  e  como  incentivo  à  produtividade,  nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição.  Fl. 3676DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.677          39 Art.  2o  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II­ convenção ou acordo coletivo.  §  1  oDos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  §  2o  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade sindical dos trabalhadores.  (...)  Art.  3o  A  participação  de  que  trata  o  art.  2o  não  substitui  ou  complementa a  remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui  base  de incidência de  qualquer  encargo  trabalhista,  não  se  lhe  aplicando o  princípio  da habitualidade.  (...) (grifos nossos)  Embora a CF/88 assegure o direito dos empregados à participação nos lucros  ou  resultados  das  empresas,  tal  comando  é  de  eficácia  limitada,  ou  seja,  depende  de  lei  ordinária  federal  para  sua  aplicação  plena.  O  legislador  constituinte,  ao  estabelecer  aquele  direito  social, desvinculado da  remuneração,  remeteu à  lei ordinária o poder de disciplinar o  acesso dos empregados àquele direito, definindo o modo e os limites de sua participação, bem  como  o  caráter  jurídico  desse  benefício  para  fins  tributários,  seja  quanto  à  incidência  do  imposto de renda, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Assim, somente  com  a  superveniência  da  Medida  Provisória  n°  794/1994,  sucessivamente  reeditada  e  com  numeração  variada  até  a  MP  1.982­77,  de  23  de  novembro  de  2000,  convertida  na  Lei  n°  10.101/2000, é que foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito  dos trabalhadores àquela participação, desvinculada da remuneração.  A  Lei  n°  10.101/2000,  deixa  explícito  que  a  PLR  tem  como  um  dos  seus  objetivos  incentivar  a  produtividade,  e  o  §  1°  do  artigo  2°  determina  que  as  regras  para  o  pagamento  da  PLR  devem  constar  do  documento  que  fixa  os  termos  da  negociação.  Ora,  a  Fl. 3677DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.678          40 concessão da PLR sem a exigência de meta a ser atingida não cumpre o objetivo de incentivar  a produtividade.  Do instrumento de negociação firmado entre as partes devem constar regras  claras  e  objetivas  das  condições  a  serem  satisfeitas  (regras  adjetivas)  para  que  ocorra  o  pagamento ou crédito da parcela correspondente à participação nos lucros ou resultados (direito  substantivo),  conforme  disposto  no  §  1°  do  art.  2°  da  Lei  n°  10.101/2000.  Nesse  contexto,  logicamente, os trabalhadores precisam saber previamente dos critérios e condições acordados  com  a  empresa,  constantes  daquele  instrumento  de  negociação,  tais  como metas,  resultados,  índices  de  produtividade  ou  lucratividade,  dentre  outros,  de  forma  que  possam,  de  forma  periódica, acompanhar e avaliar a evolução dos indicadores vinculados ao pagamento da PLR.  Desta  forma,  na  hipótese  de  haver  outro  documento  detalhando  as  regras,  ele  fará  parte  integrante  do  primeiro  instrumento  e,  da  mesma  forma  que  este,  aquele  também  deve  ser  celebrado antes do início do cumprimento das condições para a PLR.  Do exame dos dispositivos contidos na Lei n° 10.101/2000, temos que, afora  os  parâmetros  nela  estabelecidos,  não  constam  regras  detalhadas  sobre  as  características  dos  acordos  a  serem  celebrados,  de  forma  que  os  sindicatos  envolvidos  ou  as  comissões,  nos  termos do art. 2°, tem liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação dos  trabalhadores nos lucros ou resultados.  As  disposições  contidas  na  Lei  n°  10.101/2000,  nos  permitem  inferir,  portanto, que o objeto do acordo não pode se limitar à simples concessão da parcela atinente à  PLR, independentemente de fixação dos objetivos a serem alcançados. Os exemplos reportados  na Lei em comento indicam que algum lucro ou resultado deve ser perseguido, de forma que a  natureza jurídica específica de tal verba seja preservada. Assim, o pagamento da PLR não se  constitui  em  mera  gratificação  legalmente  prevista,  mas  em  verdadeiro  mecanismo  de  integração  entre  o  capital  e  o  trabalho,  pois,  atingidas  as metas  estabelecidas  no  acordo  ou  convenção coletiva, tanto os trabalhadores como os empregadores sairão beneficiados.  Com as considerações acima, passa­se à análise da matéria sob o enfoque da  legislação  previdenciária,  notadamente  quanto  à  integração  ou  não  da  referida  verba  no  conceito  de  salário  de  contribuição  para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias. Nesse  contexto,  a Lei  n°  8.212/1991,  que  instituiu  o Plano  de  Custeio da Previdência Social, assim trata do conceito de salário de contribuição bem como das  hipóteses de não­incidência tributária, conforme segue:  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela  Lei n° 9.528, de 10.12.97)  (...)  Fl. 3678DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.679          41 § 9° Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  n°  9.528,  de  10.12.97)  (...)  j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;  (...) (grifos nossos).  Art.214. Entende­se por salário­de­contribuição:  (...)  § 9°Não integram o salário­de­contribuição, exclusivamente:  (...)  X  ­  a  participação  do  empregado  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  quando  paga  ou  creditada  de  acordo  com  lei  específica;  (...)  § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas  ou  creditadas  em  desacordo  com  a  legislação  pertinente,  integram o  salário­de­contribuição para  todos os  fins  e efeitos,  sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis.  (...) (grifos nossos)  Os Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho ­ CCT são instrumentos de  negociação e previsão de direitos  reconhecidos pela Constituição Federal, mas nunca podem  alterar  a  disciplina  que  a  lei,  previamente,  traz  em  relação  a  um  determinado  instituto.  O  conhecimento da lei, inescusável que é, contorna a atividade tanto do empregador quanto dos  trabalhadores, de modo que se os mesmos quiserem estipular a participação, não tributável, nos  lucros  e/ou  resultados  da  empresa  (PLR),  devem  estabelecer  condições  que  se  afinem  aos  postulados da norma regulamentadora, no caso, a Lei n° 10.101/2000.  O  Auditor­Fiscal  autuante  em  momento  algum  desconsiderou  o  Acordo  Coletivo apresentado pela impugnante, apenas constatou que os mesmos não se coadunam com  os  preceitos  estabelecidos  pela  Lei  10.101/2000  para  excluir  da  tributação  previdenciária  as  verbas distribuídas a título de PLR aos empregados.  A Lei n° 10.101/2000 permite a  livre negociação entre as partes, desde que  com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos (necessidade de o programa estar  vinculado ao alcance do lucro ou dos resultados), e quanto às regras adjetivas (possibilidade de  se aferir o cumprimento das metas da empresa, como um todo).  É, portanto, um acordo prévio quanto aos direitos e quanto às obrigações. O  Acórdão CARF n° 2401­00.545, de 19/08/2009, é nesse sentido:  Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação  nos  lucros  e  resultados  é  a  participação  do  empregado  no  capital  da  empresa,  de  forma  que  esse  se  sinta  estimulado  a  Fl. 3679DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.680          42 trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu  engajamento  resultará  em  sua  participação  (na  forma  de  distribuição  dos  lucros  alcançados).  Assim,  como  falar  em  engajamento  do  empregado  na  empresa,  se  o  mesmo  não  tem  conhecimento prévio do quanto a  sua dedicação  irá  refletir em  termos  de  participação. É nesse  sentido,  que  entendo que  a  lei  exigiu  não  apenas  o  acordo  prévio  ao  trabalho  do  empregado,  ou  seja,  no  início  do  exercício,  bem  como  o  conhecimento  por  parte do  trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que  deverá alcançar para fazer jus ao pagamento.       Com  essas  considerações,  pode­se  perceber  que  o  objetivo  do  legislador  é  a  integração do trabalhador na empresa, não de forma aleatória, mas efetiva, de modo que uma  melhor produtividade, melhor eficiência, ou melhores índices alcançados pelo empreendimento  resultem na participação dos empregados no capital social.       Para  tanto,  a  Lei  10.101/2000,  pressupõe  a  existência  de  regras,  as  quais,  efetivamente, devem ser cumpridas pelas partes acordantes.       As  partes  acordantes  são  os  empregados  e  o  empregador, mas  sempre  com  a  participação  do  Sindicato  dos  trabalhadores,  seja  através  de  um  representante  indicado  pela  entidade (inciso I do artigo 2° da Lei n° 10.101, de 2000), seja por instrumento de Convenção  ou Acordo Coletivo de trabalho (inciso II do referido artigo 2°).       Resta,  pois,  verificar,  para  a  situação  apresentada  nos  autos,  se  foram  perseguidos nos acordos celebrados os ditames estabelecidos pela lei de regência.       Aqui,  há  uma particularidade. A decisão  de piso,  com base  em  jurisprudência  desse Conselho decidiu que não há óbice quanto ao prazo de formalização do acordo de PLR.  Portanto, o aspecto temporal não é matéria controvertida.       A  controvérsia  se  limita  à  própria  existência  do  PLR,  uma  vez  que  várias  irregularidades foram constatadas, consoante narrado pela autoridade lançadora, que aponta:  O  instrumento  de  negociação  coletiva,  conforme  sua  data  de  assinatura, tinha sido firmado em 20/11/2009.  [...]  19.10. Significativa também é a cláusula que determina que um  grupo  de  trabalho  paritário,  formado  por  representantes  da  CEMIG e dos  empregados deveria até 31/03/2010  identificar o  Indicador de Agregação de Valor e negociar a respectiva meta,  definir as ausências que impactariam o índice de absenteísmo e  estabelecer  os  mecanismos  de  aferição  que  deveriam  medir  o  cumprimento do acordo.  19.11  O  próprio  parágrafo  único  da  Cláusula  9a  do  acordo  condiciona o pagamento da parcela ”B” do PLR 2010/2011 ao  estabelecimento prévio do Indicador de Agregação de Valor e de  sua meta, ou seja, ao resultado do que deveria ser estabelecido  pelo grupo de trabalho supracitado.  Fl. 3680DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.681          43 19.12. Ocorre que a CEMIG não conseguiu chegar a um acordo  com  os  empregados  nesta  questão,  conforme  documentado  nas  cópias  das  correspondências  desta  com  as  entidades  sindicais.  Apesar  do  acordo  prever  que  até  31/03/2010,  o  grupo  de  trabalho  deveria  ter  concluído  suas  tarefas,  um  boletim  intitulado  "Informador  Gerencial  de  Relações  Trabalhistas  ",  datado de 02/06/2010 informa o fracasso das negociações entre  empresa e empregados no ponto em questão: ... .  [...] Temos aqui então uma  situação onde a CEMIG, diante do  não cumprimento das regras previamente estabelecidas, adita o  instrumento  de  negociação  coletiva  original  e  acorda  novas  regras para o pagamento do PLR 2010 aos empregados, isso na  última quinzena de 2010.  A  fiscalização, conforme dito anteriormente,  já havia solicitado  a  apresentação  de  "planilhas  analíticas  que  demonstrassem  o  cumprimento  dos  objetivos  traçados  e  a  aferição  das  metas,  globais,  setoriais  e  individuais,  com  detalhamento  dos  indicadores para cumprimento das metas estabelecidas, com as  respectivas ponderações".  Ocorre  que  a  CEMIG  não  apresentou  nenhuma  planilha  ou  outro  instrumento  de  aferição  que  permitisse  a  fiscalização  verificar os cumprimentos dos requisitos estabelecidos nos seus  instrumentos de negociação coletiva e na Lei N° 10.101. Assim,  tais  instrumentos,  se  existem,  não  foram  apresentados  para  o  exame da fiscalização.  [...]  Nesse  mesmo  termo,  a  fiscalização  solicitou  ainda  a  apresentação da documentação completa para o PLR 2009. Foi  solicitado  ainda  que  a  empresa  discriminasse  as  verbas  que  transitaram  pela  folha  de  pagamentos  a  título  de  PLR,  vinculando as mesmas aos PLRs e suas parcelas.  Ocorre  que  a CEMIG,  a  exemplo  do  que  aconteceu  em  outros  momentos  da  presente  ação  fiscal,  não  apresentou  a  documentação  solicitada  ou  mesmo  esclarecimentos  para  o  exame  da  fiscalização.  Não  apresentou  nenhuma  planilha  ou  instrumento de controle, medição ou aferição para os PLRs dos  exercícios 2009 e 2010,  No caso do PLR 2009, nenhuma documentação foi apresentada,  além  do  acordo  coletivo  original  que  englobava  os  biênios  2009/2010 e 2010/2011.  19.37. A CEMIG apresentou ainda para o exame da fiscalização  um  conjunto  de  10  cadernos  como documentação  "relacionada  com  o  PLR"11.  Tais  cadernos  traziam  apresentações  relacionadas com a gestão do processo estratégico da CEMIG e  iniciativas  relacionadas  com  a  gestão  de  riscos,  qualidade,  prevenção  de  acidentes  e  planejamento  estratégico  da  companhia,  descrevendo  ainda  dezenas  de  indicadores  de  desempenho  e  sua  evolução.  Ressalte­se  que  tal  documentação  Fl. 3681DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.682          44 foi entregue apenas no  final de  julho de 2014, nos últimos dias  da ação fiscal, mais de um ano após o TIF n° 001/2013, onde a  documentação  inicial  do PLR  foi  solicitada  e mais  de  7 meses  após o TIF n°002/2013, em foi que solicitada a complementação  da  documentação  do  PLR.  Ainda  assim,  o  conteúdo  dos  documentos  entregues  foi  examinado  e  levado  em  conta  pela  fiscalização, conforme descrito nos próximos itens.  19.38.  A  fiscalização  não  tem  dúvidas  de  que  a CEMIG  tenha  implementado  as  melhores  metodologias  de  planejamento  e  gestão,  afinal,  é  uma  das  maiores  empresas  do  Brasil,  com  merecida  reputação  de  excelência  em  sua  área  de  atuação.  Ocorre  que  tais  cadernos apresentados  não estão  relacionados  com o pagamento de PLR, aliás, não existe qualquer menção a  PLR  nos  mesmos,  são  documentos  utilizados  no  planejamento  estratégico  e  na  relação  com  os  investidores  da  CEMIG  e  os  indicadores  ali  detalhados  não  estão,  pelo  menos  de  forma  direta,  relacionados  com  aqueles  descritos  nas  cláusulas  dos  acordos  coletivos  relacionadas  com  o  pagamento  de  PLR  e  usados na apuração quantitativa do mesmo.         A  fim  de  evitar  decisões  conflitantes  acerca  de  um  mesmo  PLR  e,  primordialmente, por concordar com os termos da decisão exarada (acórdão n. 2402005.261­4ª  Câmara  /  2ª  Turma Ordinária)  nos  autos  do  processo  n.  15504.725513/201437,  adoto  como  razão de decidir em relação aos PLR dos anos de 2009 e 2010, o voto condutor do Relator João  Victor Ribeiro Aldinucci proferido naquele processo, nos termos abaixo:  PLR  2009:  formalização  e  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados  O  lançamento  ocorreu  porque  o  PLR  2009  teve  suas  regras  estabelecidas apenas em novembro/2009.  A  recorrente  defende  a  tese  de  que  esse  fato  não  desnatura  o  plano,  eis  que  a  Lei  n°  10.101/2000  não  traz  qualquer  limite  temporal para a celebração dos acordos.  Essa  questão  é  extremamente  controvertida  neste  Conselho,  havendo  posicionamentos muito  bem  fundamentados  em ambos  os sentidos.  A  não  incidência  das  contribuições  sobre  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  é  uma  imunidade, vez que é uma norma de não  tributação prevista na  Constituição Federal (inc. XI do art. 7°).  Ao estabelecer que tal verba está desvinculada da remuneração,  a Lei Maior criou norma negativa de competência, impedindo o  próprio  exercício  de  atividade  legislativa  para  criar  imposição  fiscal a ela atinente. Veja­se:  Art. 7° São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  Fl. 3682DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.683          45 XI  ­  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei;  A  participação  do  trabalhador  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  não  é  apenas  um  instrumento  de  integração  entre  o  capital  e  o  trabalho,  visando  a  incrementar  a  produtividade  (como costumeiramente se diz), mas sobretudo um direito social  do trabalhador. Tanto o caput do artigo, como o capítulo no qual  ele  está  inserido  ("DOS  DIREITOS  SOCIAIS"),  não  deixam  margem para dúvidas.  Essa  circunstância  tem  passado  despercebida  às  vezes,  mormente porque a lei regulamentadora parece tê­la deixado em  segundo plano, nem mesmo fazendo menção à expressão direitos  sociais.  Por  outro  lado,  a  norma  constitucional  é  de  eficácia  limitada,  pois atribuiu à lei  ("conforme definido em lei"  ) a competência  para estabelecer os pressupostos dessa não vinculação.  No  plano  infraconstitucional,  a  regulamentação  está  na  Lei  n°  10.101/2000,  que  "dispõe  sobre  a  participação  dos  trabalhadores nos  lucros ou resultados da empresa e dá outras  providências".  Em  seu  art.  2°,  a  lei  prevê  que  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  através,  conforme  o  caso,  de  comissão  paritária  escolhida pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo.  Logo, é inquestionável que a lei prevê que essa partipação será  objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. Veja­ se:  Art.2  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  (destacou­se)  Todavia,  e  diferentemente  do  que  concluiu  a  autoridade  autuante,  bem  como  a  própria  DRJ,  a  lei  realmente  não  estabeleceu  uma  data  limite  para  a  formalização  dessa  negociação.  É  compreensível  que  ela  não  o  tenha  feito,  pois  as  normas  de  experiência  comum  demonstram  que  tais  negociações  não  raramente levam meses para serem concluídas, sendo, por vezes,  acirradas e conflituosas.  No  caso  concreto,  e  como  demonstrado  pela  recorrente,  o  acordo  coletivo  envolveu  dez  sindicatos  diferentes,  o  que  demonstra a plausibilidade da sua tese.  Fl. 3683DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.684          46 A  interpretação criativa é vedada pela tripartição dos poderes­ deveres  prevista  no  art.  2°  da  Lei  Maior,  tripartição  que  se  constitui em um verdadeiro princípio fundamental da República.  Uma  interpretação  mais  fiscalista,  com  criação  de  exigências  não  previstas  legalmente,  apenas  tem  o  condão  de  dificultar  a  efetiva  concretização  do  direito  social  do  trabalhador  à  participação  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  em  conflito  com as finalidades constitucionais.  Muito  embora  a  lei  regulamentadora  pareça  ter  deixado  em  segundo plano a participação nos lucros ou resultados como um  direito  social,  pois  nem  mesmo  faz  qualquer  menção  a  esse  respeito,  fato  é  que  a Constituição  outorgou  essa  participação  como um efetivo direito daquela natureza, o que deve ser levado  em  consideração  pelo  aplicador  da  lei,  na  busca  da  máxima  eficácia da norma constitucional.  Os  direitos  sociais  visam  a  criar  as  condições  materiais  necessárias ao alcance da igualdade real entre o dono do capital  e o trabalhador. Segundo José Afonso da Silva, "são prestações  positivas  proporcionadas  pelo  Estado  direta  ou  indiretamente,  enunciadas  em  normas  constitucionais,  que  possibilitam  melhores condições de vida aos mais fracos, direitos que tendem  a  realizar  a  igualização de  situações  sociais  desiguais"  (Curso  de  Direito  Constitucional  Positivo,  12a  ed.,  rev.,  Malheiros  Editores, 1996, p. 277, com destaques).  Buscando igualar o empregador e o trabalhador, a Constituição  outorgou a este o direito à participação nos lucros ou resultados  e  na  própria  gestão  da  empresa. Não  fosse  a Constituição  e  a  consequente  regra  imunizante,  é  óbvio  que  o  trabalhador  não  teria  as  condições  materiais  necessárias  para  participar  dos  lucros ou resultados, os quais, por consectário lógico, decorrem  do capital do qual ele não é dono.  Toda  interpretação,  portanto,  deve  ter  como  norte  os  direitos  sociais.  E  diante  de  interpretações  plausíveis  e  alternativas,  o  exegeta  deve adotar aquela que se amolda à Lei Maior. O ministro Luís  Roberto  Barroso  decompõe  o  princípio  da  interpretação  conforme a Constituição nos seguintes termos:  1) Trata­se da escolha de uma interpretação da norma legal que  a mantenha em harmonia com a Constituição, em meio a outra  ou outras possibilidades interpretativas que o preceito admita.  2) Tal interpretação busca encontrar um sentido possível para a  norma, que não é o que mais evidentemente resulta da leitura de  seu texto.  3) Além da eleição de uma linha de interpretação, procede­se à  exclusão  expressa  de  outra  ou  outras  interpretações  possíveis,  que conduziriam a resultado contrastante com a Constituição.  Fl. 3684DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.685          47 4)  Por  via  de  conseqüência,  a  interpretação  conforme  a  Constituição  não  é  mero  preceito  hermenêutico,  mas,  também,  um mecanismo  de  controle  de  constitucionalidade  pelo  qual  se  declara ilegítima uma determinada leitura da norma legal.  (Interpretação e aplicação da constituição  '.fundamentos de uma  dogmática constitucional transformadora. 3. ed. Saraiva, p. 181­ 182, com destaques)  Deve  ser  abandonado,  pois,  o  rigor  interpretativo,  para  compatibilizar  a  leitura  da  Lei  n°  10.101/2000  com  a  Constituição, a qual, lembre­se, visou a igualar materialmente o  trabalhador e o empregador.  Ainda que a compreensão mais óbvia da  lei  infraconstitucional  possa sugerir que o acordo deve ser formalizado antes do início  do período aquisitivo, como forma de incentivar a produtividade  e  o  comprometimento  dos  trabalhadores,  fato  é  que  a  Constituição trouxe como critério preponderante o direito social  do lado mais fraco da relação empregatícia, e não o incremento  da produtividade e do seu comprometimento.  A  interpretação de que o acordo deve ser  formalizado antes do  início  do  período  aquisitivo,  assim,  embora  possa  ser  a  mais  evidente diante da Lei n° 10.101/2000, não é a mais legítima.  Cria,  também,  um  requisito  formal  não  previsto  (pois  a  lei  menciona apenas a necessidade de negociação ­ "será objeto de  negociação")  e  que  está  em  descompasso  com  a  realidade  negocial,  podendo  até  mesmo  desestimular  a  concessão  da  participação  nos  lucros  ou  resultados  e,  por  conseguinte,  a  realização dos direitos sociais.  Essa  interpretação  não  é  apenas  teleológica, mas  sim  criativa,  pois  insere  um  requisito  formal  não  constante  da  norma  encimada, e que, para piorar, não está em conformidade com a  Constituição.  Como se vê, não se está declarando a  inconstitucionalidade da  Lei  n°  10.101/2000,  e  sim,  dentre  as  várias  interpretações  possíveis,  elegendo­se  aquela  mais  adequada  ao  texto  constitucional.  Sendo assim, deve ser acatada a tese já esboçada pelo CSRF, no  acórdão  n°  9202­003.370,  cuja  ementa  segue  abaixo,  com  destaques:  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  DA  EMPRESA  ­  PLR.  IMUNIDADE.  OBSERVÂNCIA  À  LEGISLAÇÃO  DE  REGÊNCIA.  ACORDO  PRÉVIO  AO  ANO  BASE.  DESNECESSIDADE.  A  Participação  nos  Lucros  e  Resultados ­ PLR concedida pela empresa aos seus funcionários,  como  forma de  integração  entre  capital  e  trabalho  e  ganho de  produtividade, não  integra a base de  cálculo das  contribuições  previdenciárias, por força do disposto no artigo 7°, inciso XI, da  CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando  Fl. 3685DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.686          48 ausentes  os  requisitos  da  habitualidade  e  contraprestação  pelo  trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba  intitulada de PLR não observar os  requisitos  legais  insculpidos  na  legislação específica,  notadamente artigo  28,  § 9°,  alínea  j,  da Lei n° 8.212/91, bem como MP n° 794/1994 e reedições, c/c  Lei  n°  10.101/2000,  é  que  incidirão  contribuições  previdenciárias  sobre  tais  importâncias,  em  face  de  sua  descaracterização  como Participação nos Lucros  e Resultados.  A  exigência  de  outros  pressupostos,  não  inscritos  objetivamente/literalmente  na  legislação  de  regência,  como  a  necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de  cunho  subjetivo do  aplicador/intérprete  da  lei,  extrapolando os  limitas  das  normas  específicas  em  total  afronta  à  lei  (Interpretação e aplicação da constituição '.fundamentos de uma  dogmática constitucional transformador . 3. ed. Saraiva, p. 181­ 182, com destaques)  Deve  ser  abandonado,  pois,  o  rigor  interpretativo,  para  compatibilizar  a  leitura  da  Lei  n°  10.101/2000  com  a  Constituição, a qual, lembre­se, visou a igualar materialmente o  trabalhador e o empregador.  Ainda que a compreensão mais óbvia da  lei  infraconstitucional  possa sugerir que o acordo deve ser formalizado antes do início  do período aquisitivo, como forma de incentivar a produtividade  e  o  comprometimento  dos  trabalhadores,  fato  é  que  a  Constituição trouxe como critério preponderante o direito social  do lado mais fraco da relação empregatícia, e não o incremento  da produtividade e do seu comprometimento.  A  interpretação de que o acordo deve ser  formalizado antes do  início  do  período  aquisitivo,  assim,  embora  possa  ser  a  mais  evidente diante da Lei n° 10.101/2000, não é a mais legítima.  Cria,  também,  um  requisito  formal  não  previsto  (pois  a  lei  menciona apenas a necessidade de negociação ­ "será objeto de  negociação")  e  que  está  em  descompasso  com  a  realidade  negocial,  podendo  até  mesmo  desestimular  a  concessão  da  participação  nos  lucros  ou  resultados  e,  por  conseguinte,  a  realização dos direitos sociais.  Essa  interpretação  não  é  apenas  teleológica, mas  sim  criativa,  pois  insere  um  requisito  formal  não  constante  da  norma  encimada, e que, para piorar, não está em conformidade com a  Constituição.  Como se vê, não se está declarando a  inconstitucionalidade da  Lei  n°  10.101/2000,  e  sim,  dentre  as  várias  interpretações  possíveis,  elegendo­se  aquela  mais  adequada  ao  texto  constitucional.  Sendo assim, deve ser acatada a tese já esboçada pelo CSRF, no  acórdão  n°  9202­003.370,  cuja  ementa  segue  abaixo,  com  destaques:  Fl. 3686DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.687          49 PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  DA  EMPRESA  ­  PLR.  IMUNIDADE.  OBSERVÂNCIA  À  LEGISLAÇÃO  DE  REGÊNCIA.  ACORDO  PRÉVIO  AO  ANO  BASE.  DESNECESSIDADE.  A  Participação  nos  Lucros  e  Resultados ­ PLR concedida pela empresa aos seus funcionários,  como  forma de  integração  entre  capital  e  trabalho  e  ganho de  produtividade, não  integra a base de  cálculo das  contribuições  previdenciárias, por força do disposto no artigo 7°, inciso XI, da  CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando  ausentes  os  requisitos  da  habitualidade  e  contraprestação  pelo  trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba  intitulada de PLR não observar os  requisitos  legais  insculpidos  na  legislação específica,  notadamente artigo  28,  § 9°,  alínea  j,  da Lei n° 8.212/91, bem como MP n° 794/1994 e reedições, c/c  Lei  n°  10.101/2000,  é  que  incidirão  contribuições  previdenciárias  sobre  tais  importâncias,  em  face  de  sua  descaracterização  como Participação nos Lucros  e Resultados.  A  exigência  de  outros  pressupostos,  não  inscritos  objetivamente/literalmente  na  legislação  de  regência,  como  a  necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de  cunho subjetivo do aplicador  intérprete da  lei,  extrapolando os  limitas  das  normas  específicas  em  total  afronta  à  própria  imunidade,  deve  ser  interpretado  de  maneira  ampla  e  não  restritiva. Recurso especial negado. (CSRF, 2a Turma, Relator(a)  RYCARDO  HENRIQUE  MAGALHÃES  DE  OLIVEIRA,  sessão  de 17 de setembro de 2014) (com destaques)  Logo,  o  fato  isolado  de  a  formalização  ter  ocorrido  em  novembro  não  desnatura  o  PLR  2009,  devendo  ser  analisados  outros aspectos, conforme adiante se fará.  A necessidade de comprovação da negociação entre a empresa e  seus empregados, por exemplo, é um requisito imposto pela Lei  n° 10.101/2000, que deve ser adequadamente observado.  O  plano  não  deve  ser  imposto  pela  empresa  e  deve  realmente  servir de instrumento de integração entre o capital e o trabalho.  A recorrente afirma que, a despeito de a assinatura ter ocorrido  em  novembro,  os  seus  empregados  já  vinham  recebendo  as  diretrizes  e  as  metas  necessárias  através  do  boletim  mensal  "Visão e Ação".  Muito  embora  o  recebimento  das  diretrizes  e  das  metas  não  comprove  a  existência  da  negociação,  mas  sim  da  eventual  divulgação das informações, o fato de o plano ter sido assinado  perante  dez  sindicatos  diferentes  comprova  efetivamente  a  existência prévia de discussões entre as partes interessadas.  Um plano de tal importância e grandeza é sempre precedido de  ajustes, como demonstram as regras de experiência comum.  Nessa toada, o art. 275 do CPC preleciona que "o juiz aplicará  as regras de experiência comum subministradas pela observação  do que ordinariamente acontece". As disposições do Código são  Fl. 3687DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.688          50 aplicáveis  supletiva  e  subsidiariamente  aos  processos  administrativos fiscais, como determina o seu art. 15.  É necessário, assim, verificar se a recorrente cometeu as demais  infringências relatadas no auto e acatadas pela DRJ.  10. PLR 2009 e 2010: Medição e divulgação dos indicadores  A  DRJ  afirma  que,  com  relação  aos  PLRs  2009  e  2010,  não  foram  apresentados  documentos  ou  planilhas  de  controle  comprobatórios  de  que  os  indicadores  definidos  nas  cláusulas  dos  acordos  coletivos  foram  efetivamente  medidos  e  avaliados  periodicamente  e  que  tais  medições  eram  levadas  ao  conhecimento  dos  seus  empregados  para  direcionar  o  seu  esforço adicional.  A  recorrente  controverte  afirmando  que  a  disseminação  das  metas  e  regras  era  realizada  por meio  de  instrumento  próprio  ("Visão  e  Ação").  Diz,  igualmente,  que  todos  os  seus  funcionários  possuíam  acesso  aos  relatórios  mensais  por  meio  da intranet.  Especificamente  no  tocante  ao  PLR  2010,  a  recorrente  afirma  que os indicadores estabelecidos no acordo (Taxa de Frequência  de Acidentados com Afastamento ­TFTp, despesas com Material,  Serviços e Outros ­ MSO, Resultado da Atividade, Número de de  Valor) foram regular e efetivamente medidos.  Ao  contrário  do  que  alega  a  recorrente,  no  entanto,  ela  não  comprovou  a  existência  dos  mecanismos  de  aferição  das  cláusulas do acordo coletivo referente ao PLR 2009.  A sua Cláusula 1a estabeleceu que "as metas e  indicadores pré­ estabelecidos  para  o  ano  de  2009  são,  dentre  outros,  aqueles  definidos pelo Planejamento Estratégico Empresarial, (fls. 4418 e  seguintes).  Em primeiro  lugar, a recorrente não demonstrou quais metas e  indicadores  teriam  sido  definidos,  o  que  já  prejudica  a  análise  acerca da existência de mecanismos de sua aferição.   Em  segundo  lugar,  e  de  qualquer  forma,  os  relatórios  de  fls.  4665 e  seguintes  ("Visão e Ação") não  fazem qualquer menção  ao PLR.  Ficam  corroboradas,  portanto,  as  seguintes  conclusões  da  fiscalização  (item  19.30  do  relatório  fiscal),  que  se  transcreve  para evitar tautologia:  Ocorre  que  tais  cadernos apresentados  não estão  relacionados  com o pagamento de PLR, aliás, não existe qualquer menção a  PLR  nos  mesmos,  são  documentos  utilizados  no  planejamento  estratégico  e  na  relação  com  os  investidores  da  CEMIG  e  os  indicadores  ali  detalhados  não  estão,  pelo  menos  de  forma  direta,  relacionados  com  aqueles  descritos  nas  cláusulas  dos  acordos  coletivos  relacionadas  com  o  pagamento  de  PLR  e  usados na apuração quantitativa do mesmo.  Fl. 3688DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.689          51 No mesmo sentido, os relatórios de fls. 5889 e seguintes.  Como se depreende do documento intitulado "Visão e Ação", ele  se  destina  à  "disseminação  de  temas  relativos  à  estratégia  a  todos  os  empregados".  Além  de  "auxiliar  na  comunicação  da  estratégia [...], permite uma troca de informações e experiências  entre  os  empregados,  tornando­se  um  importante  meio  de  comunicação corporativa" (vide fl. 5890).  Destarte,  é  indubitável  que  tal  boletim  está  relacionado  às  atividades de planejamento e gestão da estratégia da recorrente,  mas não ao PLR, conclusão esta reforçada pelo seguinte trecho  do documento de fl. 5898:  Neste  Visão  e  Ação  On­Line  iremos  abordar  as  atividades  do  planejamento  e  gestão  da  estratégia  previstas  para  o  ano  de  2009.  Para que não restem dúvidas, vale traçar a seguinte tabela:  VISÃO E AÇÃO  Mês/Ano  Assunto  Janeiro/2010  Leilões de energia elétrica  Fevereiro/2010 Comercialização de energia no mercado  livre e  os clientes corporativos da Cemig  Março/2010  Empresas  em  que  a  Cemig  detém  participação  Abril/2010  Panorama  do  movimento  mundial de fusões  e  aquisições  do  setor  elétrico  e  gás  A despeito da vasta documentação juntada pela recorrente, não  há como afastar as seguintes conclusões da DRJ (fls. 7039):  Destarte,  examinada  essa  documentação,  chega­se  a  mesma  conclusão  da  autoridade  lançadora,  de  que  esses  documentos,  com efeito, demonstram o empenho da CEMIG em implementar  metodologias de planejamento e gestão, todavia, os  indicadores  ali constantes não estão relacionados, diretamente, com aqueles  descritos nas cláusulas dos acordos coletivos.  Como frisado no relatório fiscal (fl. 36),  o  pagamento  do  PLR  para  os  biênios  2009/2010  e  2010/2011  estava  vinculado  ao  atingimento  de  metas  preestabelecidas,  metas  essas  que  eram  resultado  da  composição  de  indicadores  operacionais,  financeiros  e  funcionais.  Temos  então  uma  metodologia  complexa  estabelecida  onde  o  pagamento  das  Fl. 3689DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.690          52 parcelas fixas e variáveis definidas para o PLR estava vinculado  a  parâmetros  quantitativos  e  qualitativos  que  implicavam  necessariamente  em  medições  do  desempenho  corporativo  em  suas  pontas  operacional  e  financeira  e  também  de  parâmetros  individuais de desempenho.  Em terceiro lugar, a disponibilização de informações específicas  do PLR 2009 através da intranet não foi comprovada.  Logo,  a  recorrente  não  comprovou  que  divulgava  aos  seus  empregados as informações atinentes ao atingimento das metas e  dos  indicadores  necessários  para  a  obtenção  da  participação  nos lucros ou resultados de 2009.  Essas  informações  são  de  suma  importância  para  os  trabalhadores,  que  devem  ter  conhecimento  dos  direitos  substantivos  da  participação,  das  suas  regras  adjetivas  e,  ao  longo do período aquisitivo, do cumprimento ou não das metas e  indicadores estabelecidos no programa.  A  participação  requer  que  os  empregados  tenham  informações  claras  e  objetivas  desde  a  formalização  do  plano,  durante  o  período  de  aquisição  e  até  mesmo  depois  da  distribuição  dos  lucros ou resultados.  Essas  exigências  constantes  do  §  2°  do  art.  2°  da  Lei  são  plenamente  válidas,  pois  igualmente  visam  a  concretizar  os  direitos  sociais,  os  quais  somente  podem  ser  eficazmente  exercidos  se  cumpridos  os  deveres  de  informação  e  transparência.  Diante dessa  ilegalidade, a qual  é  suficiente para se chegar ao  resultado  do  julgamento,  pois macula  todo  o  plano  de  2009,  é  prescindível examinar os demais fundamentos recursais.  Expressando­se de outra forma, e na dicção do inc. IV, do § 1°,  do  art.  489,  do  CPC,  não  é  necessário  enfrentar  os  demais  argumentos deduzidos no processo, pois incapazes de infirmar a  conclusão do julgado.  No tocante ao PLR 2010, a conclusão é diversa.  através  dos  documentos  de  fls.  6384  e  seguintes,  a  recorrente  comprovou que aferia as metas e os indicadores estabelecidos no  acordo.  Como  se  vê  na  Cláusula  6a  do  instrumento  (vide  fl.  4422),  as  metas  para  a  participação  estavam diretamente  vinculadas  aos  indicadores TFTp, número de conjuntos DEC ou FEC violados,  MSO e indicador de resultado individual.  O Relatório Anual  2010  (vide  fls.  6384  e  seguintes)  contempla  informações  precisas  acerca  dos  dados  estatísticos  dos  acidentados  com  afastamento,  dados  estes  relacionados  ao  indicador  TFTp.  A  preocupação  com  esse  indicador  está  igualmente  estampada  nos  documentos  que  registram  as  Fl. 3690DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.691          53 reuniões  presenciais  e  as  videoconferências  de  fls.  6449  e  seguintes.  Os  indicadores  DEC  ou  FEC  estão  retratados  nos  dados  estatísticos  de  fls.  6543  e  seguintes,  observando­se,  ainda,  que  tais dados estão consolidados no próprio site da ANEEL (vide fl.  6542).  Já aqueles dados relacionados ao MSO estão comprovados nos  documentos de fls. 6541 e seguintes, assim como nos documentos  de fls. 5097, extraídos do sistema de gestão da recorrente, o qual  dá conta das despesas com material, serviços e outros.  Destarte, e ao contrário do que ocorreu no tocante ao PLR 2009,  a recorrente fez prova de que media e avaliava os indicadores e  as metas estabelecidas no acordo relativo ao ano de 2010, dando  conhecimento dessa avaliação aos seus empregados.  Nesse sentido, deve ser validado o PLR 2010.  11. PLR 2010: Parcela Adicional  Segundo  a  DRJ,  o  PLR  2010,  contrariando  as  suas  próprias  regras, distribuiu parcela adicional não prevista.  Já a recorrente afirma que o seu aditamento, em dezembro/2010,  com  distribuição  de  parcela  adicional  não  prevista  nas  regras  iniciais, não desnatura o plano, eis que a Lei n° 10.101/2000 não  traz qualquer limite temporal para a celebração dos acordos.  Como argumentado no tópico 9 desta decisão, ao qual apenas se  remete para evitar tautologia, tem razão a recorrente.    Nessa  toada,  tem­se  como  inválido  o  PLR  de  2009  e,  de  acordo  com  os  ditames da Lei n. 10.101/2000, o PLR de 2010, devendo ser declarado válido.    Conclusão      Diante de todo o exposto, voto por conhecer dos recursos de ofício e voluntário,  para,  no  mérito,  dar  parcial  provimento  ao  recurso  de  ofício,  mantendo  a  sujeição  passiva  solidária das  empresas  integrantes do  grupo  econômico e,  dar parcial  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  excluir  as  parcelas  inerentes  ao  aviso  prévio  indenizado  e  a  incidência  de  contribuição previdenciária sobre o Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR)  do ano de 2010.            (Assinado digitalmente)    Daniel Melo Mendes Bezerra  Fl. 3691DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.692          54 Voto Vencedor  Conselheira Dione Jesabel Wasilewski ­ Redatora designada  Apesar  de  o  voto  do  relator  refletir  a  lucidez  que  o  caracteriza,  ouso  dele  discordar no que diz respeito ao programa de participação nos lucros e resultados de 2010, que  entendo  estar  em  desacordo  com  a  legislação  que  estabelece  benefício  fiscal  para  os  pagamentos que tenham essa natureza, qual seja, a Lei nº 10.101, de 2000.  Partindo  do  pressuposto  de  que  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  estabelece  uma  modalidade de isenção e que uma das condições para sua fruição é a existência de instrumento  instituindo  o  programa  de  participação  nos  lucros  e  resultados,  há  divergência  na  jurisprudência deste Conselho a respeito da necessidade ou não de que esse ajuste seja anterior  ao período de obtenção do lucro/resultado a ser distribuído, havendo quem defenda que basta  seja anterior ao pagamento.   Sob o meu ponto de vista, a conclusão do ajuste deve anteceder ao período de  referência para sua apuração, pois  essa  é uma decorrência  lógica da finalidade para a qual o  benefício é instituído.  Com  efeito,  a  isenção  foi  conferida  como  instrumento  para  estimular  a  integração entre capital e trabalho, o que se obtém pela fixação em comum acordo de metas a  serem alcançadas e da premiação delas decorrentes.  Nesse  aspecto,  não  me  sensibilizam  argumentos  quanto  à  inexistência  de  expressa  previsão  legal  estabelecendo  prazo  para  que  o  acordo  seja  firmado,  pois  as  leis  contém  certa  racionalidade  em  sua  elaboração  e  exigem  a  mesma  racionalidade  em  sua  interpretação e aplicação. Ou seja, a lei não precisa estabelecer textualmente aquilo que decorre  naturalmente  do  bom  senso  e  da  função  social  dos  institutos  regulados.  Nesse  diapasão,  o  estabelecimento  de  metas  e  critérios  claros  para  a  obtenção  e  aferição  do  direito,  e  que  funcionem como estímulo à produtividade, só fazem sentido se estabelecidos previamente. O  que constitui também uma garantia para o trabalhador.  A despeito do que foi afirmado no parágrafo anterior, tem­se que o art. 2º da  Lei nº 10.101, de 2000, em seu parágrafo primeiro estabelece que entre os critérios e condições  passíveis de adoção estão "programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente".  Portanto,  decorre  também  da  literalidade  da  norma  que,  se  os  critérios  e  condições consistem em metas e resultados, a pactuação deve ser prévia.  Também  é  da  literalidade  da  norma  que  está  a  se  tratar  da  fixação  de  "critérios e condições". São critérios e são condições. Juridicamente, condição consiste em um  evento futuro e incerto, de cuja ocorrência depende a aquisição ou extinção de um direito. Ou  seja, a condição sempre remete a um evento de ocorrência futura e incerta.  Quando  os  critérios  são  fixados  segundo  fatos  já  ocorridos,  nenhuma  condição está sendo estabelecida. Na verdade, neste caso, o que está se fazendo é mera escolha.  Fl. 3692DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.693          55 Esse  entendimento  encontra  eco  na  jurisprudência  desse  colegiado,  do  que  serve como exemplo a seguinte manifestação da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva  Vieira, no voto condutor do Acórdão nº 2401­003.492 da 4ª Câmara/1ª TO,  sessão de 15 de  abril de 2014:  Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação  nos  lucros  e  resultados  e  a  participação  do  empregado  no  capital  da  empresa  (essa  é  a  base  do  texto  constitucional),  de  forma  que  esse  se  sinta  estimulado  a  trabalhar  em  prol  do  empreendimento,  tendo  em  vista  que  o  seu  engajamento,  resultará  em  sua  participação  no  capital  (na  forma  de  distribuição  dos  lucros  alcançados).  Assim,  como  falar  em  envolvimento  do  empregado  na  empresa,  se  o  mesmo  não  tem  conhecimento prévio do quanto a  sua dedicação  irá  refletir em  termos  de  participação. É nesse  sentido,  que  entendo que  a  lei  exigiu  não  apenas  o  acordo  prévio  ao  trabalho  do  empregado,  ou  seja,  no  início  do  exercício,  bem  como  o  conhecimento  por  parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas), que  deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Da mesma forma,  vislumbra­se a  necessidade  de critérios  para  que  se mensure  o  alcance  dos  resultados  inicialmente  estipulados,  assim,  como  descreveu a autoridade fiscal.  Assim, não acato de forma alguma o argumento do recorrente de  que as metas já eram conhecidas ou mesmo que não há grande  alteração  das  mesmas  razão,  pela  qual  a  pactuação,  mesmo  tardia,  não  fere  o  disposto  na  lei,  pelo  contrário  ao adotar  tal  entendimento estaria o julgador violando o texto constitucional e  o  reconhecimento  dos  acordos  coletivos,  o  que  não  venho  a  concordar. Novamente, entendo que o auditor não desconstitui o  pagamento  da  verba,  muito  menos  os  reflexos  trabalhistas  ajustados entre empregado e empregador, mas tão somente não  acata  o  acordo  ali  firmado  para  que  a  verba  paga  à  título  de  participação nos lucros esteja excluída do conceito de salário de  contribuição.  Se  assim,  não  fosse,  poder­se­ia  vislumbrar  que  o  trabalho  exaustivo do empregado durante  todo um ano, com a promessa  por parte do empregador de uma futura participação nos lucros,  resultasse  no  incremento  ínfimo  em  sua  remuneração. Ou  seja,  para que possa sentir­se estimulado o empregado, tem que ter a  mínima  noção  do  quanto  esse  seu  empenho,  trar­lhe­á  de  resultados,  até  para  que  o  mesmo  verifique  seu  interesse  em  dedicar­se  de  forma  mais  profícua.  Outro  ponto,  que  merece  destaque  é  o  fato  que  um  dos  requisitos  a  serem  apurados  diz  respeito  a  absenteísmo.  Ora,  em  julho,  ago,  set  ou  mesmo  dezembro  é  que  o  empregado  saberá  o  quanto  sua  faltas  irão  influenciar no PLR que já está em curso???  No mesmo sentido, extrai­se do voto do relator do Acórdão nº 9202­004.347  ­  2ª  Turma  da Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais, Conselheiro  Luiz Eduardo  de Oliveira  Santos:   Com  relação  à  data  de  assinatura  do  PLR,  acompanho  o  entendimento  do  voto  do  relator  da  decisão  recorrida.  Com  Fl. 3693DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.694          56 efeito, entendo que a assinatura do acordo em data posterior à  do  período  de  apuração  dos  lucros  ou  resultados  a  serem  distribuídos,  retira  da  verba  paga  uma  de  suas  características  essenciais, a recompensa pelo esforço conjunto entre o capital e  o trabalho, para alcance de metas, o que traria competitividade  à empresa e, em última análise ao país.  No  caso  dos  autos,  conforme  esclarecido  na  decisão  ora  recorrida, todos os acordos para os anos de 2006, 2007 e 2008,  foram pactuados no fim do exercício a que se referem, ou seja, o  cumprimento  ou  não  das  metas  já  eram  praticamente  fatos  pretéritos.  Acompanho o entendimento do acórdão recorrido e, para fins de  ilustração,  encontra­se  reproduzido  o  entendimento  do  conselheiro  relator  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido,  nesse ponto:  Não  procede,  portanto,  a  alegação  de  que  quando  a  Lei  nº  10.101/2000  fala  de  pactuação  prévia,  ela  o  faz  no  sentido  de  que  o  acordo  deve  ser  negociado  e  celebrado  previamente  ao  pagamento  de  qualquer  valor,  o  que  não  implica  a  impossibilidade de se assinar o instrumento no início do período  de  apuração;  Tendo  a  PLR  a  finalidade  de  incentivar  o  trabalhador  a  realizar  e  oferecer  à  empresa  um  plus  de  produtividade  que  exceda  ao  resultado  rotineiro  e  ordinário  decorrente do contrato de  trabalho, avulta que acordo  tem que  ser assinado antes do início do período de apuração, para que os  trabalhadores  saibam,  com  precisão,  o  quê,  como,  quando,  quanto  precisam  fazer,  para  auferir  o  ganho  patrimonial  que  lhes  é  prometido  por  intermédio  do  plano  ajustado.  Antes  do  início do período de apuração necessitam  ter o claro e preciso  conhecimento de quanto e quando irão ganhar, sob que forma, e  como  serão  avaliados,  para  poderem  decidir  se  vale  ou  não  a  pena  se  empenhar  de maneira  excessiva  à  ordinária  e  comum.  São  as  tais  das  REGRAS  CLARAS  E  OBJETIVAS  quanto  aos  direitos substantivos dos trabalhadores.  Portanto,  é  de  se  negar  provimento  do  Recurso  Especial  do  Sujeito passivo também quanto a esta matéria.    No  caso  em  análise,  o  acordo  coletivo  específico  relativo  ao  programa  de  participação nos lucros e resultados da Cemig, assinado em 20 de novembro de 2009, trata do  PLR referente a 2009 a ser pago em 2010 e do PLR referente a 2010 a ser paga em 2011.    À primeira vista, isso poderia levar à conclusão de que o acordo de PLR foi  prévio ao período de apuração 2010. Ocorre porém, que a leitura de suas cláusulas revela que  os  critérios  de  pagamento  não  estão  nele  estabelecidos.  De  fato,  a  cláusula  9ª  prevê  textualmente a criação de um grupo de trabalho para:  Fl. 3694DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.695          57 ­  identificar  o  Indicador  de  Agregação  de  Valor  e  também  negociar  a  respectiva meta para o ano de 2010, até a data de 31/03/2010;  ­  definir  as  ausências  que  impactariam  no  cálculo  do  indicador  de  absenteísmo;  ­  estabelecer  os  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento do acordado.  Ou  seja,  um  dos  componentes  na  formação  do  valor  a  ser  pago  a  título  de  PLR  não  foi  definido  no  acordo,  sendo  sua  definição  delegada  a  uma  segunda  instância.  O  mesmo pode ser dito em relação aos mecanismos de aferição das  informações pertinentes ao  cumprimento do acordado.  Não  é  demais  repetir:  não  se  pode  imputar  ao  acordo  firmado  em  2009  a  fixação de metas, porque ele não as estabeleceu para o ano de 2010.  E, de fato, não se realizou a definição das variáveis que tinha como prazo 31  de março  de  2010,  de  forma  que  se  tornou  necessário  um  termo  aditivo  firmado  em  16  de  dezembro do mesmo ano (2010), pelo qual a parcela B, prevista no acordo de 2009, deixou de  ser paga e foi estabelecido um adicional chamado de parcela D.  Note­se que a existência de negociação prévia à assinatura do acordo não é  suficiente para preencher os requisitos legais como pretende o voto vencido, isso porque lhes  falta o atributo da exigibilidade. A própria demora na conclusão dessas negociações revela a  existência de impasse que em nada serve como estímulo para os empregados.  Na verdade encerra uma contradição afirmar que durante as negociações os  empregados  já  teriam  condições  de  conhecer  as  metas  e  os  benefícios  que  receberiam  em  função delas, ao mesmo tempo em que justifica­se a demora no fechamento do acordo no fato  de haver desentendimento quanto à fixação desses parâmetros.  Como os empregados poderiam conhecer as metas a serem atingidas se não  há consenso sobre elas? Como poderiam sentir­se estimulados a empreenderem esforços para  atingimento de metas quando há resistência do empregador quanto aos valores a serem pagos?  Dessa  forma,  o  acordo  que  se  conclui  quando  os  resultados  já  foram  consolidados pela passagem do tempo serve apenas para legitimar o pagamento de uma parcela  fixa, incompatível com a álea que deve caracterizar essas avenças.  Pelas razões expostas, entendo que os valores pagos com base nos resultados  do ano de 2010 não estavam suportados por instrumento de negociação que atenda às regras da  Lei nº 10.101, de 2000, para fins de fruição do benefício fiscal estabelecido por essa lei.  Conclusão  Diante de todo o exposto e consolidando os entendimentos expressos no voto  vencido  e  no  voto  vencedor,  voto  por  conhecer  dos  recursos  de  ofício  e  voluntário  para  dar  parcial  provimento  ao  recurso de ofício, mantendo a  sujeição passiva  solidária das  empresas  integrantes do grupo econômico, e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir as  parcelas inerentes ao aviso prévio indenizado.  Fl. 3695DF CARF MF Processo nº 15504.725722/2014­81  Acórdão n.º 2201­004.552  S2­C2T1  Fl. 3.696          58       (assinado digitalmente)        Dione Jesabel Wasilewski                  Fl. 3696DF CARF MF

score : 1.0
7426821 #
Numero do processo: 10932.720120/2014-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. EXISTÊNCIA DE VÍCIO MATERIAL. O auto de infração se mostra insubsistente em razão de erro relacionado à um dos aspectos da hipótese de incidência, seja pessoal, material, espacial, temporal e quantitativo. PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. INAPLICABILIDADE. Não é cabível a produção de prova pericial no caso concreto já que o contribuinte, em seus instrumentos de defesa, não cumpriu os requisitos constantes do inciso IV, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE. A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CONTAGEM NA FORMA DO ART. 173, I, DO CTN. De acordo com a Súmula CARF nº 72, caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, consubstanciada na qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. São pessoalmente responsáveis apenas os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN. O elemento doloso deve ser demonstrado pela autoridade fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando a autoridade fiscal logra êxito em comprovar que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. No presente caso, restou caracterizada conduta dolosa do contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. A decisão prolatada no lançamento matriz estende-se aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1201-002.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos recursos voluntários apresentados pelos responsáveis tributários para excluir da base tributável os valores lançados à título de omissão de receitas constantes dos extratos bancários da conta do Banco Real, conta corrente 0.003066-7 da agência 1427, conforme explicitado nos itens 33 e 34 do voto da relatora; mantendo-se a responsabilidade tributária, conforme o art.124, inciso, I, do CTN, com relação aos recorrentes Francisco Coimbra de Macedo Neto, João Natal Cerqueira e Paulo Cesar Verly da Cruz, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA

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1201­002.358  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de agosto de 2018  Matéria  IRPJ e Reflexos  Recorrente  MAXI DISTRIBUIDORA DE METAIS LTDA ­ ME E OUTROS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2009  NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  EXISTÊNCIA  DE  VÍCIO  MATERIAL.  O auto de infração se mostra insubsistente em razão de erro relacionado à um  dos  aspectos  da  hipótese  de  incidência,  seja  pessoal,  material,  espacial,  temporal e quantitativo.  PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. INAPLICABILIDADE.   Não  é  cabível  a  produção  de  prova  pericial  no  caso  concreto  já  que  o  contribuinte,  em  seus  instrumentos  de  defesa,  não  cumpriu  os  requisitos  constantes do inciso IV, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009  PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM  NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE.   A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção  da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96:  respeitou os limites  legais ao individualizar os lançamentos considerados de  origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar  a origem dos depósitos bancários.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009  DECADÊNCIA.  QUALIFICAÇÃO  DA  MULTA  DE  OFÍCIO.  CONTAGEM NA FORMA DO ART. 173, I, DO CTN.  De acordo  com a Súmula CARF nº  72,  caracterizada  a ocorrência  de dolo,  fraude  ou  simulação,  consubstanciada na  qualificação  da multa  de  ofício,  a     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 20 /2 01 4- 73 Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 3          2 contagem do prazo decadencial rege­se pelo art. 173, I, do Código Tributário  Nacional.  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  INTERESSE COMUM.  São  solidariamente  responsáveis  pelo  crédito  tributário  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação principal. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN.  RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS.  São  pessoalmente  responsáveis  apenas  os  dirigentes  que  comprovadamente  praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da  sociedade,  conforme  dispõe  o  artigo  135,  III,  do CTN. O  elemento  doloso  deve ser demonstrado pela autoridade fiscal.   MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  CARACTERIZAÇÃO  DE  CONDUTA DOLOSA. CABIMENTO.  Cabível  a  imposição  da multa  qualificada  de  150%,  prevista  no  artigo  44,  parágrafo 1º,  da Lei nº 9.430/96, quando a  autoridade  fiscal  logra êxito em  comprovar que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra­se nas  hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. No presente  caso, restou caracterizada conduta dolosa do contribuinte.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS/PASEP. COFINS.  A  decisão  prolatada  no  lançamento  matriz  estende­se  aos  lançamentos  decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  aos  recursos  voluntários  apresentados  pelos  responsáveis  tributários  para  excluir da base tributável os valores lançados à título de omissão de receitas constantes dos extratos  bancários  da  conta  do  Banco  Real,  conta  corrente  0.003066­7  da  agência  1427,  conforme  explicitado  nos  itens  33  e  34  do  voto  da  relatora;  mantendo­se  a  responsabilidade  tributária,  conforme o art.124, inciso, I, do CTN, com relação aos recorrentes Francisco Coimbra de Macedo  Neto, João Natal Cerqueira e Paulo Cesar Verly da Cruz, nos termos do voto da relatora.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Gisele Barra Bossa ­ Relatora  Participaram da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Eva Maria  Los,  Luis  Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael  Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de  Sousa (Presidente).  Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 4          3   Relatório  1.  Trata­se  de  processo  administrativo  decorrente  de  autos  de  infração  lavrados para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, relativos ao ano­calendário  de  2009,  por não  ter  a  contribuinte  comprovado  a origem dos  depósitos  bancários  em  conta  corrente. O montante exigido foi acrescido de multa qualificada de 150% e totalizou a quantia  de R$ 3.117.785,64.  2.  Foram  incluídos  enquanto  responsáveis  solidários  as  seguintes  pessoas:  João Natal Cerqueira, Paulo César Verly da Cruz, Francisco Coimbra de Macedo Neto, Daniele  Trindade Rodrigues  e Olímpio  José  de Brito. O  Termo  de Verificação  Fiscal  (fls.  927/950)  aponta como base para a responsabilização os artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, ambos do  CTN  e  o  Demonstrativo  de  Responsáveis  Tributários  (fls.  953/954)  aponta  enquanto  enquadramento legal apenas o artigo 124, inciso I, do CTN.  3.  A  exigência  dos  tributos  está  amparada  pelos  dispositivos  legais  e  fundamentos descritos no Termo de Verificação e Constatação de Ação Fiscal que  instrui os  autos (fls. 927/950).  4.  A  contribuinte,  regularmente  intimada,  não  foi  capaz  de  apresentar  documentação hábil e  idônea que comprovasse a origem de recursos utilizados em operações  verificadas por meio de valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas  junto a instituições financeiras.  5.  A  referida  infração  integra  um  amplo  cenário  de  auditorias  fiscais  em  várias  empresas  conforme  descrito  no  Relatório  Geral  de  Auditorias  sobre  a  "Operação  Corrosão"  (fls.  3/117).  Por  bem  refletir  o  trabalho  fiscalizatório  da  matéria  pertinente  a  presente lide, adoto como parte deste relatório trechos do tópico desenvolvido no voto da DRJ  referente ao histórico da operação:  “108. O Termo de Verificação Fiscal (fls.927­950) que instrui o  presente  processo  menciona  já  na  Introdução,  que  todo  o  trabalho de auditoria que culminou com o lançamento contra a  pessoa jurídica titular do presente processo, bem como de outras  empresas,  foi  efetuado  sob  o  acompanhamento  do  Ministério  Público Federal.  109.  A  Seção  de  Programação,  Avaliação  e  Controle  da  Atividade Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em  Nova  Iguaçu/RJ,  elaborou  relatório  no  qual  dá  ciência  de  que  inúmeras  pessoas  jurídicas,  domiciliadas  em  sua  circunscrição  territorial, emitiram milhares de notas fiscais eletrônicas para as  quais  não  ocorreu  a  correspondente  prestação.  Tal  conclusão  decorre do confronto do valor total das notas fiscais eletrônicas  emitidas  e  depositadas  no  Sistema  Público  de  Escrituração  Digital  (SPED)  com  os  valores  descritos  nas  Declarações  de  Movimentação  Financeira  (DIMOF),  fornecidos  pelos  bancos,  comparado  ao  reduzido  número  de  trabalhadores  informados  Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 5          4 por aquelas pessoas jurídicas à Secretaria da Receita Federal do  Brasil.  110.  A  finalidade  da  emissão  de  tão  grande  número  de  notas  fiscais  frias era a criação de créditos fiscais podres de Imposto  sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Operações  Relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  prestação  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação,  ainda  que  as  operações  e  as  prestações  se  iniciassem  no  exterior  (ICMS),  Contribuição  para  o  Financiamento da Seguridade Social  (COFINS) e Contribuição  para o Programa de Integração Social (PIS).  111. Entre as destinatárias das notas fiscais  frias encontra­se a  empresa  Transforme  Indústria  e  Comércio  de Metais  e  Papéis  Ltda  CNPJ  08.904.157/0001­53,  contra  a  qual  inciou­se  o  procedimento  de  fiscalização  resultando  no  PAF  10932.720125/2014­04,  posto  ter  restado  comprovado  que  a  mesma escriturou inúmeras notas de compras de matéria prima  “adquirida”  das  pseudofornecedoras,  identificadas  no  fluxograma abaixo.    112. A análise das notas  fiscais destas pseudofornecedoras que  foram  apreendidas  na  empresa  Transforme,  demonstra  terem  elas as mesmas características de formatação, timbres e grafia,  o que permite classifica­las como sendo documentos inidôneos.  113. Diligências efetuadas “in loco” demonstram a inexistência  de  fato  dessas  pessoas  jurídicas  que  serviam,  apenas,  para  a  produção  de  notas  fiscais  para  o  acobertamento  da  saída  de  recursos  financeiros  para  outros  fins,  simulando  transações  comerciais que jamais existiram.  114.  Em  que  pese  a  inexistência  de  fato  dessas  empresas  pseudofornecedoras,  as  mesmas  foram  constituídas  e  eram  movimentadas  por  interpostas  pessoas  (laranjas),  já  que  os  respectivos  quadros  sociais  de  direito  era  composto  por  indivíduos  sem  representatividade  econômica,  ou  seja,  não  ostentavam  bens  de  raiz  mas,  no  entanto,  movimentavam  Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 6          5 significativos  recursos  financeiros  em  instituição  bancária  (Banco Bradesco S/A),  causando risco de abalo até ao Sistema  Financeiro Nacional, em face de inidoneidade das empresas e a  ilicitude de seus quadros societários.  115.  Essas  empresas  juntas,  conforme  consta  das  respectivas  Declarações de Movimentações Financeiras  ­ DIMOF, giraram  recursos  que  juntos  perfizeram  o  montante  de  R$3.629.320.077,03  (três  bilhões,  seiscentos  e  vinte  e  nove  milhões, trezentos e vinte mil, setenta e sete reais e três centavos)  em valores nominais:    116.  Situadas  em  várias  cidades  do  Estado  de  São  Paulo  e  algumas no Estado do Rio de Janeiro, essas empresas inidôneas  movimentavam  grande  parte  de  seus  ativos  financeiros  na  Agência 0559 ­SP ­USP ­ Radial Leste do Banco Bradesco S/A,  ainda  que  localizadas  distantes  da  referida  agência  bancária.  Este  fato  atenta  para  indícios  de  participação  de  um  ou  mais  funcionários  ligados ao banco para a  facilitação das aberturas  das  contas  corrente.  Uma  boa  técnica  bancária  impediria  a  abertura e a movimentação de tais contas­corrente,  já que, por  meio  da  exibição  das  declarações  de  imposto  de  renda  dos  sócios,  ficaria  comprovado  que  estes  não  teriam  condições  de  operar vultosas quantias.  117.  Uma  verificação  apurada  nas  contas­correntes  abertas  revela que algumas contas possuem numerações  seqüenciais. É  de causar estranheza uma empresa sediada no Estado do Rio de  Janeiro  movimentar  ativos  financeiros  de  valores  elevados  em  uma agência bancária no Estado de São Paulo.  Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 7          6   118. Conforme consta do Relatório Geral de Auditorias, do que  se  convencionou  chamar  “OPERAÇÃO  CORROSÃO”  fls.03/117, a pessoa jurídica Maxi Distribuidora de Metais Ltda­ ME,  foi  constituída  de  direito  em  11/12/2008,  em  nome  de  DANIELE  TRINDADE  RODRIGUES  ­  CPF  332.850.198­32  (situação  do CPF  “DEPENDENTE”do  pai)  e OLÍMPIO  JOSÉ  DE  BRITO  ­  CPF  066.507.488­38  ­  ISENTO.  Esta  empresa  figurava como uma das fornecedoras de produtos da Transforme  Indústria  e  Comércio  de  Metais  e  Papéis  Ltda  e  tinha  seu  domicílio  à  Rua  Cândido  da  Silva  nº  82,  Vila  Alpina  –  São  Paulo/SP.  119. Em que pese a plena  inexistência de  fato desta  empresa  e  seu  quadro  societário  ser  composto  por  interpostas  pessoas,  a  MAXI DISTRIBUIDORA DE METAIS movimentou  recursos  em  instituição financeira no importe de R$11.209.260,03. A autuada  simulava  ser  fornecedora  da  empresa  TRANSFORME  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO DE METAIS  E  PAPÉIS  LTDA,  já  anteriormente  citada  e  partícipe  deste  esquema  criminoso,  no  sentido de simular operações comerciais que jamais existiram de  fato,  visando  a  produção de  créditos  dos  tributos  IPI  ­Imposto  Sobre  Produtos  Industrializados  e/ou  ICMS  Imposto  Sobre  a  Circulação  de Mercadorias  e  Serviços,  as  chamadas  empresas  "noteiras", cujo esquema de fraudes já havia sido denunciado e  citado  nos  mananciais  deste  relatório.  A  empresa  Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 8          7 TRANSFORME,  teve  lavrado  contra  si  o  PAF  nº  10.932.720130/2014­17, já julgado por essa DRJ, Acórdão nº06­ 52.906.  120.  A  empresa  MAXI  DISTRIBUIDORA  DE  METAIS  é  inexistente  de  fato  e  jamais  apresentou  DIPJ  e  não  recolhe  tributos, contudo é responsável pela emissão das notas fiscais de  fls. 238­268.  121. Compulsando nos autos, percebe­se que em 26/04/2013 foi  expedido o Termo de Início de Procedimento Fiscal (fl.447­449)  face  à  ora  autuada,  oportunidade  em  que  foram  solicitados  os  seguintes documentos:  1 ­ Livros Caixa ou Diário e Razão (Lucro Presumido)  2 ­ Livros Diário e Razão (Lucro Real)  3 ­ Livro Registro de Entradas  4 ­ Livro Registro de Saídas  5 ­ Livro Registro de Apuração do Lucro Real (LALUR)  6 ­ Extratos bancários das contas correntes empresa  7 ­ Extratos bancários das contas poupança da empresa  8 ~ Extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras  122.  Em  26/08/2014  foi  emitido  o  Termo  de  Constatação  e  Reintimação Fiscal de fl.917 com o seguinte comando: No exame  dos  extratos  bancários,  constatamos  substancial  movimentação  financeira  que  não  foram  informados  em DIPJ  ,  bem  como  em  DCTF  referente  ao  ano  calendário  de  2009.,  razão  pela  qual,  estamos  intimando  o  contribuinte  através  do  presente  Termo  a  comprovar a origem dos depósitos/créditos efetuados nas contas  bancária de sua titularidade, banco BRADESCO, agência 5591,  c/c 50241 e Banco Real agência 1427 c/c 0.003066­7. conforme  planilhas anexas. (fls. 919­924)”.  6.  A  decisão  de  piso  prossegue  desenvolvendo  um  histórico  dos  trabalhos  fiscalizatórios, conforme segue abaixo:  “123.  A  ciência  ocorreu  via  publicação  no  Diário  Oficial  da  União nº 165, de 28 de agosto de 2014 (fl.926), mas não houve  qualquer  resposta,  razão  pela  qual  procedeu­se  à  autuação  ao  amparo do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430 de 1996.  124.  Em  extenso  trabalho  o  Relatório  Geral  de  Auditorias,  documento de fls. 03­117, faz uma minuciosa descrição sobre a  ação fiscal e concluiu o seguinte:  “(...)  foram  efetuados  trabalhos  de  verificação  em  22  (vinte  e  duas)  empresas,  em  sua  maioria  inexistentes  de  fato,  as  chamadas  "empresas  de  papel",  já  que  possuíam  existência  somente  documental  (de  direito)  e  sob  titularidade  de  quadros  Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 9          8 societários  constituídos  por  interpostas  pessoas,  (laranjas)  operando  todas  mediante  o  abuso  da  forma  jurídica  anômala,  visando com isso ocultar os reais beneficiários das riquezas, que  desde o ano de 2004 já eram denunciados pelos organismos de  fiscalização  de  tributos  Federal  e  Estaduais  como  mentores  intelectuais da constituição de várias empresas nessas condições  em  vários  estados  da  federação,  simulando  transações  comerciais  de  compra  e  venda  de  mercadorias  e/ou  serviços,  emitindo notas fiscais umas em favor das outras, como se fossem  atividades comerciais reais e que, em verdade, jamais existiram,  tanto  pela  própria  inexistência  das  empresas,  tanto  pela  inexistência das operações  subjacentes,  falsas em sua essência,  já  que  sucumbiram  diante  dos  criteriosos  exames  empregados  nas  respectivas  auditorias,  detectando  através  das  documentações  bancárias,  que  essas  operações,  muito  embora  quando  contabilizadas,  pretendendo  dar  aparência  de  legalidade,  de  fato  não  ocorriam,  sendo  que  os  cheques  destinados a quitar esses falsos fornecedores, tinham finalidades  outras, lastreando depósitos em contas correntes de terceiros de  interesse  da  organização,  com  valores  discrepantes  dos  que  haviam  sido  inseridos  nas  contabilidades,  visando  com  essa  engenharia  delituosa,  a  geração  de  créditos  tributários  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI  e  créditos  do  Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços ­ ICMS,  estadual  e  interestaduais,  já  que  entre  essas  21  empresas  examinadas, havia empresas com sede em São Paulo e no Rio de  Janeiro, com conotação em tantas outras, em vários estados da  federação  conforme  ficou  comprovado,  denominando­se  tal  atividade  "operações  de  noteiras",  que  além  da  geração  de  créditos fiscais podres, serviam também para aquisição de "bens  de  raiz"  em  favor  dos  reais  beneficiários,  tais  como  veículos,  imóveis,  investimentos  em  outras  sociedades,  pagos  com  recursos dessas empresas inidôneas, à margem da tributação, já  que  foram  detectadas  pela  auditoria,  operações  de  compra  de  ativos  em  nome  dos  reais  beneficiários,  utilizando­se  de  sociedades  não  personificadas,  que  denominava­se  "Sociedade  em Conta de Participação SCP" , composta de sócios ostensivos  e sócios ocultos, sendo que os reais beneficiários se valiam de tal  figura  jurídica  para  adquirirem  ativos  e  promoverem  investimentos com terceiros interessados na condição de "sócios  ocultos",  utilizando­se  de  recursos  das  empresas  inidôneas  objeto  das  auditorias,  por  eles  mantidas  sorrateiramente  em  nome das interpostas pessoas (laranjas) grande parte partícipes  coniventes  com  o  esquema  em  troca  de  favores,  fazendo­se  passar por empresários prósperos, em que pese a miserabilidade  dos  respectivos  patrimônios  individuais,  retratados  por  residências  alugadas,  protestos,  antecedentes  criminais,  dependência  financeira  de  cônjuge,  genitor  etc,  sendo  que  a  auditoria  comprovou  também  que  uma  parcela  dessas  interpostas pessoas tiveram seus nomes utilizados indevidamente  nas  fraudes,  já  que  alguns  ostentavam  a  situação  de  "analfabetos"  e outros  tinham o Cadastro  de Pessoas Físicas  ­  CPF registrados na condição de "suspensos", "isentos", e outros,  na condição de "idosos", se sujeitavam a emprestar seus nomes  Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 10          9 para  a  constituição  das  empresas  em  troca  de  favores  financeiros.  A  maior  parte  do  volume  de  recursos  que  ingressavam  nessas  empresas  para  a  geração  de  créditos  tributários  fictícios,  foi  processada  através  do  Banco  Bradesco  S\A  Agência  0559  SP/USP­Radial  Leste,  em  face  da  facilidade  encontrada  pela  organização  criminosa  para  abertura  das  contas  correntes  bancárias, muito provavelmente em decorrência do aliciamento  ao  "esquema  criminoso"  de  funcionários  da  referida  agência  bancária, haja vista que várias das empresas, algumas sediadas  no  Estado  do  Rio  de  Janeiro,  possuíam  conta  na  referida  agência  bancária,  e  os  exames  da  numeração  dessas  contas  revelavam  que  foram  abertas  simultaneamente,  algumas  com  numeração  sequencial,  algumas  contas  correntes  sequer  possuíam  cartões  de  autógrafos  ou  cadastros  como  ficou  comprovado,  tudo  contrapondo­se  à  boa  técnica  bancária,  aliada a percepção do "homus médius", que exigiria, no mínimo,  exames  das  declarações  de  imposto  de  renda  das  empresas  e  respectivos  sócios,  sendo  que  nos  casos  vertentes  nunca  existiram de fato, situação esta que vem alimentar ainda mais a  percepção  de  facilitação  por  funcionários  da  referida  agência  bancária na movimentação dessas contas pela quadrilha.”  125.  Impõe­se  transcrever  os  instrumentos  utilizados  pela  autoridade fiscal para apurar o modus operandi do esquema ora  sob análise e como se conseguiu chegar aos beneficiários reais  dos fatos:  “Com  a  identificação  das  fraudes  na  contabilidade  da  TRANSFORME,  simulando  pagamentos  de  títulos  inidôneos  à  pseudo­fornecedoras,  inexistentes  de  fato,  visando  com  isso  a  geração  de  créditos  na  contabilidade,  famigerada  prática  conhecida  como  "operação  de  noteiras",  já  que  tal  prática  a  princípio compreende a geração de créditos de ICMS ­ Imposto  sobre  a Circulação de Mercadorias  e  Serviços  e  IPI  ­  Imposto  Sobre  Produtos  Industrializados,  com  repercussão  nos  demais  tributos,  já  que  tal  prática  ocasiona  também  a  supressão  de  Imposto de Renda Pessoa Jurídica, além de ocultar a compra de  ativos para favorecer pessoas físicas e jurídicas, que atuam nos  bastidores das operações como reais beneficiários, à margem da  tributação, iniciamos operação de auditoria em outras 22 (vinte  e duas) empresas que se inter­relacionavam com a Transforme,  simulando  tanto  operações  de  compra  de  produtos,  bem  como  operações de vendas, sendo 18 delas sediadas no Estado de São  Paulo e quatro delas no Estado do Rio de Janeiro RJ.  No  decorrer  dos  trabalhos  de  auditoria  nessas  empresas,  constatamos  que  04  (quatro)  delas,  revestiam  o  "status"  de  "empresas de fachada", possuindo endereço certo, uma ou duas  pessoas que se intitulavam como funcionários e/ou representante  das  mesmas,  possuíam  contabilidade  e  dentro  no  contexto  organizacional  desse  grupo  criminoso,  ostentavam a  função de  serem  as  "empresas  geradoras  de  créditos",  sendo  elas,  TRANSFORME  INDÚSTRIA  E  COMERCIO  DE  METAIS  E  Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 11          10 PAPÉIS  LTDA,  PERFIBRAS  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  DE  ALUMÍNIO E METAIS LTDA, CARMAX COMERCIAL LTDA E  SPARTACO METAIS E LIGAS LTDA, muito embora todas elas  estivessem  sob  a  titularidade  de  direito  de  interpostas  pessoas  que figuravam como "testas de ferro" visando encobrir os reais  detentores das riquezas conforme será devidamente demonstrado  no decorrer deste relatório geral.  As  demais  empresas  partícipes  dessa  grandiosa  empreitada  criminosa,  eram  constituídas  de  direito  através  de  "laranjas",  grande  parte  deles  cônscios  e  coniventes  com  o  esquema  criminoso, ostentando a falsa imagem de prósperos empresários,  contrapondo­se  às  suas  humildes  situações  patrimoniais  retratadas  pelas  humildes  residências,  declarações  de  Imposto  de  Rendas  Pessoas  Físicas  sem  lastros  financeiros.  Essas  empresas inexistentes de fato, recebiam recursos financeiros em  transferência,  através  de  suas  respectivas  contas  correntes,  todas  mantidas  na  Agência  0559  ­  SP/USP  Radial  Leste  do  Banco  Bradesco,  em  face  evidentemente,  da  facilitação  proporcionada  pelos  administradores  da  referida  agência  bancária  na  abertura  e  movimentação  dessas  contos,  algumas  sem  possuir  até  mesmo  cartões  de  autógrafos/assinaturas  e  outras  contas  corrente  pertencentes  às  empresas  sediadas  no  Estado do Rio de Janeiro RJ.  No  rastreamento  dos  recursos  financeiros,  constatamos  que  as  empresas  inexistentes  de  fato  e mantidas  sob  a  interposição  de  pessoas,  além  de  atuarem  como  "noteiras",  emitentes  de  notas  fiscais para simular operações com as empresas "produtoras de  créditos",  também emitiam cheques e transferiam dinheiro para  compra  de  bens  de  raiz  de  interesse  dos  reais  beneficiário  do  esquema  criminoso,  tais  como  compra  de  imóveis,  veículos,  investimentos em novos negócios, sempre de forma dissimulada e  ao  arrepio  da  contabilidade  e  das  respectivas  declarações  de  IRPJ  e  IRPF  dessas  pessoas  físicas  e  jurídicas  reais  beneficiárias.  Entre  os  diversos  "modus  operandi"  identificados  e  que  serão  minuciosamente  descritos  no  decorrer  deste  relatório,  constatamos que os reais beneficiários deste gigantesco embuste,  que  possuem o  chamado "domínio  dos  fatos",  pessoas  físicas  e  jurídicas, abasteciam financeiramente essas empresas, injetando  recursos que peregrinavam entre as diversas contas  ­ correntes  mantidas em sua grande parte na Agência 0559 SP/USP Radial  Lesta  do  Banco  Bradesco  S\A  e  retornavam  ao  coração  financeiro  da  quadrilha,  seu  caixa,  mantido  através  de  várias  empresas  ligadas  aos  nacionais  e  empresários  JOÃO  NATAL  CERQUEIRA  e  PAULO  CESAR  VERLY  DA  CRUZ,  seus  familiares e suas empresas ....  Tendo  em  vista  o  extenso  volume  de  operações  que  se  processavam  diariamente  através  das  contas­correntes  bancárias,  visando  a  produção  de  créditos  podres  dos  tributos  ICMS  e  IPI,  com  reflexos  nas  demais  exações,  contava  a  organização criminosa, com a rigorosa assessoria de escritórios  Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 12          11 de contabilidade que tinham a função da abertura e controle das  empresas  inidôneas  e  empresa  de  processamento  de dados  que  tinha  a  função  também  de  controle,  vários  advogados  e  consultores  que  tinham  a  função  de  acompanhar  eventuais  fiscalizações  por  parte  dos  Fiscos  Federal  e  Estadual  nessas  empresas,  além  das  interpostas  pessoas,  (laranjas)  a  maioria  aliciadas  e  partícipes  dos  embustes,  que  simulavam  serem  empresários,  alguns  já  com  condenações  penais,  inclusive  por  Crimes  Contra  a  Ordem  Tributária  ­  Lei  8.137/90  por  movimentar  empresas  em  nome  de  "laranjas",  revelando  o  destemor dos meliantes ao Estado­Repressor,  face a fragilidade  da  atual  legislação  penal  no  combate  a  esses  crimes,  aliada  a  falta  de  rigor  do  Estado  ­  Juiz  na  aplicação  das  medidas  reprimendas adequadas”.  A sistemática é bem demonstrada pela visualização abaixo:    126.  Quanto  à  identificação  dos  reais  beneficiários  há  que  se  destacar o seguinte:  Após  a  organização  criminosa  promover  a  simulação  dos  pagamentos  dos  títulos  às  empresas  inidôneas,  partícipes  das  fraudes, com a emissão dos cheques e emissão das notas fiscais,  bem como as respectivas contabilizações desses eventos, visando  transparecer plena legalidade aos olhos dos Fiscos Estaduais e  Federal, já que haviam várias empresas constituídas em diversos  pontos do território nacional, os recursos retornavam às contas  correntes daqueles que possuíam o chamado "domínio do fato",  ou  seja,  o  clã  da  família  CERQUEIRA,  o  patriarca,  JOÃO  NATAL  CERQUEIRA  e  seu  sócio  PAULO  CESAR  VERLY  DA  CRUZ, bem como às empresas de direito e de fato desse nefasto  grupo econômico sorrateiro e dissimulado, às empresas:  · CIMEELI COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE METAIS E LIGAS  LTDA, inscrita no CNPJ 01.134.263/0001­56, constituída em  Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 13          12 20/03/1996, com endereço situado à Rua Luiz Ferreira 139,  Galpão  ­  Sala  "A"  ­  Bairro Maré  ­  Rio  de  Janeiro RJ,  que  tinha  como  quadro  societário  a  empresa  NATURE  EMPREENDIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES  LTDA  CNPJ  07.775.829/0001­05 com 99,99% de participação societária,  JOÃO  NATAL  CERQUEIRA  ­  CPF  652867828­68  com  0,01% de  participação  societária  e  PAULO CESAR VERLY  DA CRUZ, CPF  496131207­00  com  0,00%  de  participação  na  sociedade  e  FRANCISCO  COIMBRA  DE  MACEDO  NETO ­ CPF 500435107­44;  · NATURE  EMPREENDIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES  LTDA, inscrita no CNPJ 07.775.829/0001­05, constituída em  05/01/2006, com endereço a Rua Joaquim José, 1120 ­Sala 4  ­  Fonte  Grande  ­  Contagem  ­ MG,  que  tinha  como  quadro  societário  os  empresários  nacionais  JOÃO  NATAL  CERQUEIRA  ­  CPF  652867828­68  com  99,99%  de  participação societária e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ  –CPF 496131207­00, com 0,01% de participação societária  respectivamente;   · P.R.J.  PARTICIPAÇÕES,  EMPREENDIMENTOS  LTDA,  inscrita  no CNPJ  sob  o  n.°  06.030.272/0001­10,  constituída  em  13/11/2003,  com  endereço  situado a PC  JK  16, Centro­ Juquitiba  ­  MG,  tendo  como  quadro  societário  os  empresários  nacionais  PAULO  HENRIQUE  ESCOBAR  CERQUEIRA  ­  CPF  060046146­70  com  33,33%  de  participação  societária,  RAFAEL  ESCOBAR  CERUQIERA,  CPF 070444786­03 com 33,33% de participação societária e  JOÃO  ANDRÉ  ESCOBAR  CERQUEIRA,  com  33,33  de  participação  societária  respectivamente.  Tramitou  ainda  na  sociedade, JOÃO NATAL CERQUEIRA, CPF 652867828­68  no período de 01/04/2011 a 14/01/2014;  · XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES (...);  · ALCICLA ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA (...);  · KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (...);  · TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA (...);  · ELECTA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA  (...);  · RAFAEL ESCOBAR EMPREENDIMENTOS LTDA (...);  · MARALINDAN  EMPREENDIMENTOS  LTDA  inscrita  no  CNPJ  sob  o  n.°  07.701.183/0001­11,  constituída  em  12/09/2005, com endereço a Rua Desembargador Jaime, 255  ­  Sala  105  ­  Centro  ­  Anápolis  ­  GO,  possuindo  quadro  societário  composto  pelas  pessoas  físicas  PAULO  CESAR  VERLY  DA  CRUZ  ­  CPF  496131207­00  com  99,99%  de  participação societária e JOÃO NATAL CERQUEIRA ­ CPF  652867828­68  com  0,01%  e  participação  societária  respectivamente;  Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 14          13 · DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA ­ inscrita no  CNPJ  sob  o  n.°  10.407.133/0001­00,  constituída  em  16/07/2009, com endereço situado à Avenida Edméia Mattos  Lazarotti,  3195 Loja B,  Ingá  ­ Betim MG, que  tinha em seu  quadro  societário  familiares de PAULO CESAR VERLY DA  CRUZ  e  compunha  tal  empresa,  ao  mesmo  tempo,  a  participação  acionária  em  várias  outras  conforme  acima  demonstrado;  · EMPÓRIO DE METAIS LTDA ­  inscrita no CNPJ sob o n.°  01.571.597/0001  ­  97,  constituída  em  03/12/1996,  com  endereço  à  Rua  Delfim  de  Souza,  68­A  –  Bairro  Raiz  ­ Manaus AM, tinha em seu quadro societário os empresários  PAULO  CESAR  VERLY  DA  CRUZ  ­  CPF  496131207­00  e  JOÃO  NATAL  CERQUEIRA  –  CPF  652867828068  respectivamente.  127.  João  Natal  Cerqueira  e  Paulo  César  Verly  da  Cruz  buscaram sempre manter ocultos os nomes das empresas sob a  titularidade  da  família  Cerqueira,  tendo  em  vista  que  os  investimentos  realizados  tinham  como  origem  os  recursos  advindos  das  empresas  “noteiras”  que,  ao  abastecerem  as  empresas  inidôneas,  com  os  aportes  necessários  para  a  simulação das  transações  comerciais,  estes  valores  retornavam  ao  “caixa”  da  organização,  em  forma  de  transferências  bancárias  e/ou  depósitos,  em  algumas  das  empresas  com  sede  em  Minas  Gerais,  onde  a  organização  tinha  sua  base  operacional. Os recursos também podiam retornar em forma de  investimento  em  outra  empresa,  utilizando­se  de  uma  SCP,  na  qual  intervinham  o  proprietário  do  negócio  (sócio  ostensivo)  e  as empresas da  família Cerqueira como sócios ocultos, porque,  por  se  utilizarem  de  recursos  de  empresas  inidôneas,  não  poderiam  aparecer  nos  referidos  negócios.  Tudo  isso  está  fartamente  demonstrado  no  intitulado  Relatório  Geral  de  Auditorias, que instrui o presente processo”.  7.  A  Contribuinte  Maxi  Distribuidora,  devidamente  cientificada  da  autuação  por  meio  do  Edital  nº  109/2014  (fl.  1000),  não  apresentou  impugnação.  E  os  responsáveis  solidários Danieli Trindade Rodrigues  e Olímpio  José de Brito  também não  apresentaram  impugnação  apesar  de  devidamente  intimados  (Avisos  de  Recebimento  de  06/12/2014, fl. 1012 e fl. 1015).  8.  Por sua vez, os responsáveis Francisco Coimbra de Macedo Neto, Paulo  César Verly da Cruz e João Natal Cerqueira  interpuseram,  individualmente,  impugnações  (fls. 1043/1090, 1141/1185 e 1250/1294) e  trouxeram, em síntese, argumentos preliminares e  de mérito coincidentes, dentre eles:  I. Questões Preliminares: Decadência e Nulidades  8.1. Preliminarmente, alegam decadência parcial do crédito exigido em razão  dos  tributos estarem sujeitos ao prazo de cinco anos nos  termos do artigo 150, §4º, do CTN.  Apontam que o lançamento ocorreu em dezembro de 2014 enquanto o fato gerador se deu no  ano de 2009.  Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 15          14 8.2. Arguem que a inclusão no polo passivo da relação tributária é descabida  seja  em  virtude  de  erro  material,  que  enseja  nulidade  de  todo  o  procedimento  fiscal,  mas  também em face da inocorrência das situações fáticas que motivaram a responsabilização.  8.3.  Afirmam  que  a  nulidade  da  sujeição  passiva  solidária  é  evidente  em  razão da divergência entre a capitulação legal e a motivação fática, pois a fiscalização motiva a  responsabilidade do  Impugnante com base na  combinação dos  artigos 135,  inciso  III,  e 124,  inciso I, do CTN, como se os dispositivos citados dissessem respeito à mesma situação, quando  na verdade tratam de situações diferentes e excludentes.  8.4.  O  lançamento  do  crédito  tributário  é  nulo  diante  da  ausência  de  intimação do Impugnante para a comprovação dos depósitos questionados, conforme previsto  na  Súmula  29  do CARF,  e  pela  falta  de  delimitação  da  base  tributável  imputável  para  cada  sujeito passivo solidário.  II. Questões de Mérito  8.5. A  imputação  de  responsabilidade  nos  termos  do  artigo  124  do CTN  é  incabível  diante  da  ausência  de  demonstração  por  parte  da  fiscalização  da  existência  de  interesse comum dos Impugnantes nas situações que constituem os fatos geradores, tendo em  vista que a fiscalização amparou a responsabilização em meras presunções, sendo incapaz de  apresentar provas do envolvimento dos Impugnantes na suposta fraude fiscal.  8.6. Alegam ainda que a  ilegitimidade passiva é demonstrada pela  ausência  de  interesse  comum,  tendo  em  vista  que  os  sujeitos  passivos  não  ocupam o mesmo  lado  da  relação jurídica que constitui o fato gerador do tributo.  8.7.  Sobre  o mérito  do  lançamento,  afirmam que  não  foram  observados  os  critérios  legais  na  determinação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da COFINS,  pois  a  autoridade  fiscalizadora ao lavrar o auto de infração adotou como base tributável 100% dos lançamentos  nas contas bancárias da empresa autuada, sem considerar apenas a receita.  8.8.  No  mais,  alegam  que  a  fiscalização  agiu  em  desconformidade  com  o  disposto nos  artigos 2º  e 3º da Lei nº 9.718/98 ao  incluir  na base  tributável  todos os  valores  creditados  em  contas  de  depósito  ou  investimento,  sem  excluir  o  montante  relativo  a  empréstimos,  financiamentos  e  transferências  entre  contas  da  mesma  titularidade.  Afirmam  também que a fiscalização tributou mais de uma vez recursos que transitaram de forma circular  nas contas bancárias das 22 empresas investigadas.  8.9.  Apenas  em  sede  de  argumentação,  ainda  que  se  entendesse  válida  as  imputações  de  sujeição  passiva  aos  Impugnantes,  arguem  que  o  princípio  da  insignificância  deve ser aplicado, visto que o suposto envolvimento dos Impugnantes é relativo a um montante  inexpressivo diante dos valores supostamente envolvidos na fraude.  8.10. Alegam que os elevados valores exigidos a título de multa demonstram  um caráter confiscatório e abusivo, impedido pela Constituição Federal, e que a situação que a  enseja  é personalíssima e vinculada à pessoa  jurídica  autuada. Portanto,  os  Impugnantes não  devem arcar com a referida multa.   Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 16          15 8.11.  Ademais,  alega  ser  descabido  o  agravamento  da  multa  pela  não  apresentação de livros e documentos fiscais, pois se configura bis in idem tendo em vista que a  fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro.  9.   O  responsável  solidário Francisco Coimbra  de Macedo Neto,  em  sua  impugnação (fls. 1043/1090), alega, especificamente, que:  9.1. No mérito, argui que a imputação de responsabilidade a partir do artigo  135, III, do CTN é incabível visto que a fiscalização não imputou ao Impugnante a condição de  sócio de fato ou de administrador da empresa autuada.  9.2.  Afirma  que  o  Relatório  Geral  de Auditorias  só menciona  o  seu  nome  duas vezes: a primeira para vinculá­lo com a empresa Cimeeli Comércio e Indústria de Metais  e  Ligas  Ltda  e  a  segunda  para  apontar  seu  benefício  com  recursos  advindos  de  empresas  participantes do suposto esquema  fraudulento. Sobre os apontamentos, o  Impugnante explica  que  nunca  foi  acionista  da  companhia  Cimeeli  e  que  foi  eleito  presidente  com  poderes  de  administração  por  delegação,  sendo  que  várias  decisões  gerenciais  estavam  subordinadas  à  apreciação  do  Conselho  de Administração.  Em  relação  ao  suposto  benefício,  alega  que  tais  recursos foram transferidos em 2008 e estão fora do período de apuração.  10.  O  responsável  solidário  Paulo  César  Verly  da  Cruz,  em  sua  impugnação (fls. 1141/1185), alega, especificamente, que:  10.1.  Afirma  que  o  Relatório  Geral  de  Auditorias,  ao  tratar  sobre  o  Impugnante,  indica  somente que  este  era  sócio  de  pessoas  jurídicas,  que por  sua  vez  seriam  sócias  de  outras  pessoas  jurídicas  diretamente  envolvidas  na  fraude  apurada,  o  que  não  é  suficiente para a responsabilização do Impugnante.  10.2. Sua responsabilização por meio do artigo 135, III, do CTN é incabível,  pois  o  termo  de  verificação  fiscal  não  apresenta  fundamentos  suficientes  para  a  inclusão  do  Impugnante  e  se  limita  a  transcrever  participações  do  Impugnante  no  quadro  societário  de  outras  pessoas  jurídicas  que  não  foram  sequer  incluídas  na  autuação  fiscal,  quais  sejam:  Empório  de  Metais  Ltda,  Cimeeli  Comércio  e  Indústria  de  Metais  e  Ligas  Ltda,  Nature  Empreendimentos e Participações Ltda e DAMP Assessoria e Participações Ltda.  11.  O  responsável  solidário  João  Natal  Cerqueira,  em  sua  impugnação  (fls. 1250/1294), alega, especificamente, que:  11.1. Jamais pertenceu ao quadro social da empresa autuada, com a qual não  se  relacionou,  razão  pela  qual  deve  se  reconhecer  que  é  parte  ilegítima  para  figurar  como  responsável solidário.  11.2. A  imputação de  responsabilidade ao  Impugnante é  ilegítima visto que  inexiste qualquer comprovação de  relação direta sua com a empresa alvo, com a qual  jamais  teve contato. Aponta que não foi comprovado existir remessa da empresa para o impugnante ou  o contrário.  11.3.  Os  fatos  utilizados  pela  fiscalização  para  fundamentar  a  responsabilização do Impugnante são insuficientes por tratarem de fatos ocorridos em 2008 e  que demonstram apenas frágeis indícios de um envolvimento na fraude fiscal.  Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 17          16 12.  Por  fim,  os  Impugnantes  requerem  que:  (i)  seja  reconhecida  a  decadência;  (ii)  seja  declarada  a  nulidade  do  lançamento;  (iii)  se  reconheça  a  ilegitimidade  passiva dos Impugnantes, tendo em vista a impossibilidade de responsabilização com base nos  artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN e a aplicação do artigo 112 do CTN; (iv) seja  declarada a improcedência do lançamento em virtude do equívoco na determinação da base de  cálculo do PIS e da COFINS e diante do comprovado erro na determinação da receita omitida  por presunção legal; (vi) subsidiariamente, seja aplicado o princípio da insignificância no que  se refere aos eventuais recursos auferidos pela empresa autuada; (vii) a multa qualificada seja  excluída ou, subsidiariamente, reduzida para 75%; e (viii) seja deferida a produção de prova.  13.  Em  sessão  de  16  de  setembro  de  2015,  a  2ª  Turma  da DRJ/CTA,  por  unanimidade  dos  votos,  julgou  improcedentes  as  impugnações,  nos  termos  do  voto  relator,  Acórdão nº 06­53.337 (fls. 1392/1452), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis:  “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA – IRPJ  Data do fato gerador: 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009  AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  Não  havendo  impugnação  ao  crédito  tributário  este  deve  ser  exigido de imediato da contribuinte autuada.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  SEM  COMPROVAÇÃO DE ORIGEM.  Caracterizam­se  como  receitas  omitidas  os  valores  creditados  em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  AUSÊNCIA  DE  INTIMAÇÃO  DOS  RESPONSÁVEIS  SOLIDÁRIOS  PARA  COMPROVAR  A  ORIGEM  DOS  DEPÓSITOS BANCÁRIOS QUESTIONADOS.  À ausência de qualquer alegação por parte da autuada de que os  depósitos  bancários  questionados  pertenceriam  a  terceiros,  justificada  está  a  ausência  de  intimação  dos  responsáveis  solidários com vistas a comprovar a origem do numerário.  LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.  O  decidido  para  o  lançamento  de  IRPJ  estende­se  aos  lançamentos  que  com  ele  compartilham  o  mesmo  fundamento  factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica  que lhes recomende tratamento diverso.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.  Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 18          17 Os  atos  administrativos,  qualquer  que  seja  sua  categoria  ou  espécie,  nascem  com  a  presunção  de  legitimidade,  independentemente  de  norma  legal  que  a  estabeleça.  Essa  presunção decorre do princípio da legalidade da Administração.  Em  consequência,  as  matérias  que  deixaram  de  ser  expressamente questionadas na Impugnação não serão objeto de  análise, vez que não se  tornaram controvertidas, nos termos do  artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº  9.532/97.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009  DECADÊNCIA. REGRA GERAL. INAPLICABILIDADE  Para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  decadência  de  cinco  anos  conta­se  a  partir  da  data  da  ocorrência  do  fato  gerador,  nos  termos  do  art.  150,  §  4º,  do  CTN.  Esta  regra  é  excepcionada  nas  hipóteses  em  que  for  constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situações  em que o prazo de cinco anos é contado a partir do primeiro dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido efetuado, conforme prescreve o art. 173, I, do CTN.  RESPONSÁVEIS  SOLIDÁRIOS.  CONSTITUIÇÃO  DA  SOCIEDADE  MEDIANTE  UTILIZAÇÃO  DE  INTERPOSTAS  PESSOAS.  Tendo  sido  verificado  que  a  constituição  da  sociedade  fiscalizada  se  deu  mediante  utilização  de  interpostas  pessoas  (“laranjas”),  é  lícito  atribuir  responsabilidade  tributária,  em  caráter  solidário,  a  todas  as  pessoas  que  tiveram  interesse  comum nas situações que deram origem aos fatos geradores das  respectivas obrigações.  SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.  São  solidariamente  responsáveis  as  pessoas  físicas  que  participem  efetivamente  do  processo  decisório  para  engendrar  operações  com  o  objetivo  de  reduzir  a  carga  tributária,  demonstrando  o  interesse  comum  ao  auferir,  direta  ou  indiretamente, os benefícios delas decorrentes.  PEDIDO  DE  PERÍCIA  CONTÁBIL.  PRESCINDIBILIDADE  INDEFERIMENTO.  Indefere­se pedido de perícia que, apesar de que apresente seus  motivos  e  contenha a  formulação de  quesitos  e  a  indicação do  perito, seja prescindível para a composição da lide.  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  PRINCÍPIO DA  INSIGNIFICÂNCIA.  INAPLICABILIDADE.  Somente  a  lei  pode  estabelecer  as  hipóteses  de  exclusão,  suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou  Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 19          18 redução  de multas,  sendo  incabível,  para  a  consecução  dessas  finalidades,  a  aplicação  do  princípio  da  insignificância  ou  da  bagatela, por parte do órgão julgador administrativo.  SÚMULA  Nº  29  DO  CARF.  INAPLICABILIDADE  AO  CASO  SOB ANÁLISE.  Descabe invocar a aplicação da Súmula nº 29 do CARF ao caso  sob  análise,  quando  resta  comprovado  que  nenhum  dos  nominados  responsáveis  solidários  pelo  crédito  em  discussão,  consta  como  co­titular  da  conta  corrente  bancária mantida  em  instituição financeira pela empresa autuada.  INDIVIDUALIZAÇÃO  E  DELIMITAÇÃO  DA  BASE  A  SER  IMPUTADA A CADA UM DOS SOLIDÁRIOS.  Comprovado  que  os  indicados  como  responsáveis  solidários  auferiram  vantagens  pessoais  junto  ao  esquema  montado,  contudo, como no cômputo geral constatou­se que o grupo, via  utilização  de  SCP  e  outros  artifícios,  por  meio  dos  quais  tais  pessoas  físicas  permaneciam  ocultas,  tornou­os  beneficiários  integrais dos valores movimentados e impediu que a autoridade  fiscal procedesse à individualização e delimitação da base a ser  imputada a cada uma dessas pessoas.  PEDIDO DE REDUÇÃO DA MULTA.  Constatada  infração  à  legislação  tributária,  a  imposição  de  penalidades  pelo  fisco  obedece  ao  princípio  da  estrita  legalidade,  nos  termos  do  art.  97,  inciso  V,  do  CTN,  sendo  inerente  ao  lançamento  de  ofício,  não  cabendo  à  autoridade  tributária reduzir os percentuais aplicados segundo a legislação  tributária, nem afastar sua exigência, exceto quando há previsão  legal.  PRINCÍPIO  DA  INSIGNIFICÂNCIA  E  PRINCÍPIO  DA  INDIVIDUALIZAÇÃO  DA  PENA.  INSTITUTOS  DE  DIREITO  PENAL.  INAPLICABILIDADE  AO  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ATIVIDADE VINCULADA  E OBRIGATÓRIA.  A  lei  não  confere  discricionariedade  à  autoridade  julgadora  administrativa  para  aplicar,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  institutos próprios do Direito Penal,  face  tratar­se de atividade  vinculada e obrigatória, estando subordinado aos comandos que  estiverem expressamente previstos em lei.  MULTA QUALIFICADA  A ação dolosa para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o  conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência  do  fato  gerador  dos  tributos  lançados  autoriza  a  aplicação  de  multa qualificada.  NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE.  Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 20          19 Não  constatada  preterição  ao  direito  à  ampla  defesa,  ao  contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo  sido  lavrado  por  autoridade  competente  o  hostilizado  Auto  de  Infração,  não  se  cogita  de  possibilidade  capaz  de  nulificar  o  lançamento,  conforme  previsto  no  art.  59  do  Decreto  nº  70.235/72.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido”.  Fundamentos da DRJ  14.  A DRJ/ CTA julgou improcedentes as  impugnações, em síntese, sob os  seguintes fundamentos:   Questões Preliminares  14.1. Diferente do alegado pelos Impugnantes, não seria aplicável ao caso a  regra  decadencial  prevista  no  artigo  150,  §4º,  do  CTN,  em  razão  da  verificação  de  prática  dolosa ao atrasar o conhecimento por parte da Receita Federal do Brasil da ocorrência dos fatos  geradores. A regra decadencial correta a ser aplicada é a prevista no artigo 173 do CTN.   14.2.  In  casu,  houve  observância  dos  preceitos  contidos  no  artigo  59  do  Decreto Lei nº 70.235/72 e, portanto, não há que se falar em nulidade do lançamento. No mais,  a suposta  inadequação do enquadramento  legal utilizado para imputar a  responsabilidade dos  Impugnantes é matéria fática a ser apreciada quando da análise do mérito.   14.3. A  alegação  de  nulidade  por  falta  de  intimação  dos  Impugnantes  para  comprovar os depósitos não se sustenta, pois a Súmula nº 29 do CARF é aplicável somente em  casos  que  o  titular  da  conta  se  defende  da  imputação  de  omissão  de  receitas  atribuindo  a  outrem a propriedade dos depósitos não justificados, o que não ocorreu.  Questões de Mérito  14.4. O artigo 16, §4º,  do Decreto Lei nº 70.235/72 determina que  a prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação,  salvo  nas  hipóteses  constantes  das  alíneas  “a”, “b” e “c”. Os Impugnantes não atenderam às exigências previstas nas citadas alíneas e se  limitaram a protestar por futura apresentação de documentos.  14.5. A realização de perícia não se mostrou necessária, pois tanto as razões  que  levaram  ao  lançamento  quanto  as  provas  da  conduta  delituosa  dos  envolvidos  estão  perfeitamente descritas nos autos.  I. Da imputação de responsabilidade solidária  14.6.  Descabe  rebater  a  alegação  de  ausência  de  delimitação  da  base  tributável para cada um dos solidários, vez que grande parte do trânsito de recursos em favor  deles ocorreu de  forma  indireta, via utilização de  sociedade  em conta de participação,  sendo  impraticável a atribuição de benefícios individualmente aos Impugnantes.  14.7. A menção da combinação dos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, do  CTN não conflita com aquilo que foi desenvolvido pela auditoria, pois os detentores do poder  Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 21          20 de gestão de fato incidiram em prática prevista no artigo 135, além de terem interesse comum  na situação que constituiu o crédito tributário, conforme previsto pelo artigo 124.  14.8. O trabalho fiscal demonstrou que os sócios arrolados no contrato social  da  empresa  autuada  eram  interpostas  pessoas  sem  ingerência  alguma  na  empresa  e,  consequentemente, restou imputar a responsabilidade aos seus administradores de fato.  14.9.  Especificamente  o  Impugnante  Francisco  Coimbra  alega  não  ter  qualquer  participação  no  esquema,  entretanto  a  menção  dele  enquanto  sócio  da  empresa  Cimeeli justifica a imputação da responsabilidade que lhe foi atribuída.   14.10.  O  fato  dos  Impugnantes  não  constarem  no  quadro  societário  da  empresa  autuada  no  período  sob  análise  não  é  suficiente  para  afastar  a  imputação  de  responsabilidade. Verificou­se no curso do procedimento fiscal que as pessoas indicadas como  responsáveis  e  as  pessoas  jurídicas,  de  cujo  quadro  social  fazem  parte,  auferiram  vantagem  econômica  advinda  das  operações  fraudulentas,  tais  vantagens  foram  verificadas  pelos  ingressos de valores nas contas pessoais e nas contas das empresas.  II. Das Demais Alegações  14.11.  O  termo  de  verificação  fiscal  demonstra  que  a  empresa  autuada  remeteu valores de sua conta corrente para empresas e pessoas físicas integrantes do esquema  fraudulento, sendo dessa forma que os recursos sonegados retornaram aos Impugnantes.  14.12.  Incabível a aplicação do princípio da  insignificância neste caso, pois  além  de  ser  um  instituto  do  direito  penal,  no  âmbito  do  processo  administrativo  fica  caracterizada  a  infração  administrativa  quando  ocorrida  a  conduta  típica  prevista  na  lei,  independentemente da vontade do agente ou do grau de lesão provocado. Ademais, diante da  legislação  vigente,  o  julgador  administrativo  não  tem  competência  legal  para  dispensar  ou  reduzir multas com fundamento no referido princípio.  14.13. A alegação de  inobservância dos  critérios  legais na determinação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  não  se  sustenta,  visto  que  o  lançamento  decorre  de  presunção legal de omissão de receitas.   14.14.  Diante  da  ausência  de  justificação  para  os  depósitos  utilizados  no  lançamento, o que restou decidido em relação ao IRPJ se estende aos lançamentos relativos ao  PIS, a COFINS e a CSLL. O mesmo raciocínio se aplica aos valores movimentados de forma  circular entre as empresas envolvidas na fraude.  III. Da Multa qualificada e agravada  14.15. Por fim, as condutas comprovadamente dolosas dos sujeitos passivos  têm  efeitos  qualificadores,  sendo  incabível,  portanto,  a  exclusão  da  multa  qualificada.  A  fiscalização  comprovou  a  caracterização  de  ações  como  sonegação  e  fraude  a  partir  da  verificação de simulação de operações comerciais, da omissão de apresentação de declarações  tributárias e de ações executadas com animus doloso.  14.16. A  r. DRJ deixou de  analisar o  agravamento da multa posto que este  não restou caracterizado nos autos.  Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 22          21 15.  Cientificados da decisão (Editais nº 16/2016 e nº 26/2016,  fl. 1467 e  fl.  1475  e  AR  de  28/01/2016,  fl.  1472)  a  contribuinte Maxi  Distribuidora  e  os  responsáveis  solidários Olímpio José e Daniele Trindade não interpuseram Recursos Voluntários.   16.  Os responsáveis solidários João Natal Cerqueira, Francisco Coimbra  de Macedo Neto  e  Paulo Cesar Verly  da Cruz,  ora  Recorrentes,  cientificados  da  decisão  (Avisos  de  Recebimento  de  28/01/16,  fl.1468  e  fl.1471  e  Edital  nº 25/2016,  fl.  1476)  interpuseram, individualmente, Recursos Voluntários (fls. 1478/1486, 1489/1545 e 1549/1601)  respectivamente em 29/02/2016, 25/02/2016 e 20/04/2016, reiterando as razões já expostas em  suas Impugnações (fls. 1250/1294, 1043/1090 e 1141/1185), conforme relatado nos itens 8 a 11  deste relatório, e complementam a defesa com os seguintes pontos:  16.1. Em relação a preliminar de decadência, consideram que as autoridades  fiscal e julgadora aplicaram de forma equivocada a contagem do prazo de acordo com o artigo  173, I, do CTN, pressupondo a ocorrência dos elementos qualificadores (incidência das multas  agravada e qualificada). O Recorrente João Natal afirma que a suposta prática dolosa por parte  da empresa autuada não deve atingi­lo, pois não esteve envolvido diretamente em tal prática.  16.2. A r. decisão de piso mantém as pessoas físicas enquanto responsáveis  solidárias  sem  observar  os  princípios  e  normas  societárias  e  tributárias  referentes  à  personificação da pessoa jurídica, pois em momento algum foi questionada a existência de fato  e  de  direito  da  empresa  Cimeeli,  o  que  poderia  autorizar  a  inclusão  de  seu  sócio  como  responsável pelo crédito tributário.  16.3.  Consideram  aplicável  o  princípio  da  insignificância  por  encontrar  respaldo nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade.  16.4.  Quanto  à  perícia,  a  decisão  de  piso  não  observou  que,  em  sede  de  impugnação,  foram  demonstrados  os  requisitos  fundamentais  para  o  deferimento  de  prova  pericial. O indeferimento deste pedido acaba por cercear o direito de defesa dos solidários.  17.  Por fim, os Recorrentes requerem que: (i) seja declarada a decadência do  crédito  tributário;  (ii)  o  lançamento  seja  declarado  nulo  em  face  da  incompatibilidade  da  fundamentação  da  sujeição  passiva,  da  ausência  de  intimação  para  prestar  esclarecimentos  sobre os depósitos de origem não comprovada, e da falta de individualização e delimitação da  base  tributável  imputada  a  cada  sujeito;  (iii)  seja  declarada  a  ilegitimidade  passiva  de  cada  Recorrente;  (iv)  seja  declarada  a  improcedência  dos  lançamentos  de  PIS  e  COFINS;  (v)  se  determine  a  desconstituição  do  lançamento  fiscal;  (vi)  seja  aplicado  o  princípio  da  insignificância;  e  (vii)  seja  reconhecida  a  inexigibilidade  da  multa  qualificada;  e  (viii)  seja  deferido o pedido de prova pericial.  18.  A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se manifestou, em 13 de abril  de  2018  (fls.  1741/1742),  para  juntar  aos  autos  decisão  de  deferimento  (fls.  1620/1650)  da  medida  cautelar  nº  0190382­82.2017.4.02.5101  visando  o  arresto  dos  ativos  financeiros  e  indisponibilidade  de  bens.  O  presente  processo  administrativo  tributário  está  no  rol  dos  processos relacionados na medida cautelar fiscal.  É o relatório.   Voto             Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 23          22 Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora  19.  Os Recursos Voluntários interpostos pelos Recorrentes são tempestivos e  cumprem  os  demais  requisitos  legais  de  admissibilidade,  razão  pela  qual  deles  tomo  conhecimento e passo a apreciar.   20.  Em razão da inexistência de contestação das matérias relativas ao mérito  da constituição do crédito tributário pela ora autuada e à responsabilização de Olímpio José e  Daniele  Trindade,  a  presente  decisão  esta  adstrita  à  análise  das  matérias  preliminares  de  nulidade e dos fundamentos apresentados pelos responsáveis solidários João Natal Cerqueira,  Francisco Coimbra de Macedo Neto e Paulo Cesar Verly da Cruz.   Questões Preliminares  I.  Da  existência  de  Nulidade  Material  em  Parte  do  Lançamento:  Ausência  de  Individualização dos Lançamentos Bancários da Conta do Banco Real   21.  A fiscalização ao intimar a empresa autuada para comprovar o montante  constante nos extratos bancários das contas nos bancos Bradesco e Real, conta corrente 50241  da  agência  5591  e  conta  corrente  0.003066­7  da  agência  1427,  respectivamente,  listou  e  individualizou apenas parte dos valores.   22.  Consta no Termo de Verificação Fiscal o seguinte:  "Concluso  o  exame  da  movimentação  financeira  apresentada  pelos bancos, constatamos substancial movimentação financeira  referente ao ano calendário de 2009 razão pela qual lavramos o  Termo  de  Constatação  e  Intimação  Fiscal  em  26/08/2014,  intimando  o  contribuinte  a  comprovar  a  origem  dos  depósitos/créditos  efetuados  nas  contas  bancárias  de  sua  titularidade, através de documentos hábeis e idôneos.  Considerando que até a presente data não houve a apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea  que  pudesse  comprovar  a  origem dos créditos bancários e elidir o  lançamento do crédito  tributário,  os  valores  abaixo  discriminados  serão  considerados  como  Omissão  de  Rendimentos,  nos  termos  do  art.  42  da  Lei  9430  de  27/12/1996  e  art.  849  do  Decreto  n°  3.000  de  26  de  março  de  1.999  (Regulamento  do  Imposto  de  Renda),  sendo  objeto de lançamento de ofício, nos termos do art. 142 c/c inciso  I  do  art.  173  da  Lei  Complementar  n°  5.172/66  (Código  Tributário  Nacional)  e  Decreto  n°  70.235/72  (Processo  Administrativo Fiscal).  DEMONSTRATIVO  DE  APURA  CÃO  DE  CRÉDITOS  DE  ORIGEM NÃO COMPROVADA  MÊS  BRADESCO  AGÊNCIA 5591  C/C 50241  BANCO REAL  AGÊNCIA 1427  C/C 0003066­7  TOTAL  abr/09  441.050,57     441.050,57  mai/09  1.302.879,18     1.302.879,18  Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 24          23 jun/09  1.931.303,13  692.896,64  2.624.199,77  jul/09  1.714.738,48  720.775,88  2.435.514,36  ago/09  1.264.074,24  935.249,05  2.199.323,29  set/09  1.889.395,70  791.110,39  2.680.506,09  out/09  2.121.569,51     2.121.569,51  nov/09  836.796,56     836.796,56  dez/09  309.290,91     309.290,91  Total        14.951.130,24  23.  Entretanto, em análise da lista de fls. 917/924 (Termo de Constatação e  Reintimação  Fiscal)  verifica­se  que,  diferentemente  do  afirmado  no  termo,  estão  individualizadas  apenas  as  movimentações  da  conta  bancária  50241,  da  agência  5591,  do  Banco  Bradesco  (fls.  919/924),  deixando  de  apresentar  a  lista  com  individualização  dos  depósitos da conta bancária 0.003066­7, da agência 1427, do Banco Real. O auto de infração,  por  sua  vez,  utiliza  a  base  tributável  do  montante  total  relativo  às  duas  contas  de  R$  14.951.130,24.  24.  Vejam que, para que se adote a presunção  legal de omissão de receitas  considero  fundamental  a  observância  de  dois  pressupostos:  respeito  aos  limites  legais  constantes  do  artigo  42,  da  Lei  nº  9.430/96,  leia­se  individualização  dos  lançamentos  considerados de origem não comprovada e efetiva intimação do contribuinte para comprovar a  origem dos depósitos bancários.  25.  Primeiro, a autoridade deve cuidar de  respeitar as disposições e  limites  constantes, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, verbis:  "  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações   §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  §2º  Os  valores  cuja  origem  houver  sido  comprovada,  que  não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  I ­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;  II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso  anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00  (doze  mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 25          24 calendário, não ultrapasse 0 valor de R$ 80.000, 00 (oitenta mil  reais)."  26.  A  partir  da  análise  do  dispositivo  supra,  o  lançamento  com  base  em  depósito  bancário  de  origem  não  comprovada  tem  validade  apenas  se  a  autoridade  fiscal  individualiza os depósitos que entende como não comprovados, para que, com base nessa  segregação, o autuado se defenda e apresente provas.  27.  Nesse sentido, é o r. Acórdão nº 1302001.642, cuja ementa segue abaixo  transcrita, verbis:  "OMISSÃO  DE  RECEITAS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  INTIMAÇÃO  PARA  COMPROVAÇÃO  POR  VALORES  GLOBAIS.  FALTA  DE  INDIVIDUALIZAÇÃO  DOS  CRÉDITOS.  IMPROCEDÊNCIA  DO LANÇAMENTO.  Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  coincidente  em  datas  e  valores,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  A  ausência  de  intimação  que  discrimine  individualizadamente  os  créditos  a  serem  comprovados,  nos  termos  da  lei,  implica  a  improcedência  do  lançamento".  (Processo  nº  18471.001400/200736,  Acórdão  nº  1302001.642, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/ 1ª Seção, Sessão  de 5 de fevereiro de 2015, Relator Waldir Veiga Rocha). (grifos  nossos)  28.  Da leitura do julgado em questão, fica claro o dever da autoridade fiscal  de intimar regularmente o contribuinte para que esclareça a origem dos créditos bancários e de  fazer constar da intimação a discriminação individualizada dos valores a serem comprovados.  Tais deveres asseguram o direito dos contribuintes ao contraditório efetivo e a ampla defesa,  bem como convergem com o disposto no artigo 142, do CTN.   29.   Toda a presunção, ainda que estabelecida em lei, deve ter relação entre o  fato  adotado  como  indiciário  e  sua  consequência  lógica,  a  fim  de  que  se  realize  o  primado  básico de se partir de um fato conhecido para se provar um fato desconhecido.   30.  Os  indícios  em  questão  decorrem  de  questões  fáticas  levantadas  tanto  pela  autoridade  fiscal,  por  meio  de  suas  plataformas  tecnológicas  de  dados,  como  pelo  contribuinte,  que  legalmente  intimado,  deve  fazer  prova  da  origem  dos  créditos  bancários  recebidos  e  demonstrar  a  ocorrência  de  lançamentos  em  duplicidade  e/ou  que  não  correspondem  às  receitas  tributáveis,  como  é  o  caso  dos  resgates,  estornos  e  transferências  entre contas do mesmo titular.   31.  No  presente  caso,  tendo  em  vista  a  dinâmica  da  operação,  a  empresa  autuada, figurando na qualidade de empresa “noteira”, a priori e em termos práticos,  tende a  auferir ínfima receita tributável quando comparada com a empresa Transforme (suposta cliente  e centralizadora das receitas para envio) e demais beneficiárias de fato das receitas (empresas  alvo do direcionamento efetivo das receitas).   Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 26          25 32.  Portanto,  a  individualização  dos  lançamentos  considerados  de  origem  não comprovada é requisito legal e mostra­se fundamental diante das circunstâncias fáticas da  operação.   33.  Verifica­se  que,  a  autoridade  fiscal  não  foi  capaz  de  individualizar  a  totalidade dos lançamentos considerados de origem não comprovada, o que demonstra evidente  nulidade  material  do  lançamento  quanto  a  esta  parcela  (lançamentos  no  Banco  Real,  conta  corrente  0.003066­7,  da  agência  1427),  pois  a  contribuinte  não  foi  devidamente  intimada  a  comprovar a origem da totalidade dos lançamentos que foram incluídos na base tributável.  34.  Logo, os valores  lançados à  título de omissão de receitas constante dos  extratos bancários da conta do Banco Real, conta corrente 0.003066­7, da agência 1427, devem  ser devidamente excluídos da base tributável, em razão da nulidade material (vício insanável)  desta parte do lançamento.   II. Dos Lançamentos Bancários da Conta do Banco Bradesco  35.  Com relação a conta corrente do Banco Bradesco, conta corrente 50241,  da agência 5591, houve a devida individualização dos lançamentos.  36.  Sobre  a  suposta  existência  de  lançamentos  que  não  correspondem  a  receitas  tributáveis,  evidencio  serem,  essencialmente,  depósitos  e  cheques  para  o  próprio  favorecido.   37.  A rastreabilidade desta operação é por si só duvidosa, vez que terceiros  podem,  em  nome  do  próprio  favorecido,  efetuar  depósito  em  dinheiro  ou  cheque.  E,  pelo  modus operandi das noteiras, a prática sugerida resta evidenciada.   38.  Desse  modo,  considero  que  os  valores  com  as  citadas  rubricas  não  devem ser excluídos da base tributável.   III. Das demais Razões constantes dos Recursos Voluntários   39.  Ultrapassadas  essas  questões,  passemos  a  analisar  os  demais  pontos  constantes dos Recursos Voluntários.   III. 1. Da Preliminar de Decadência  40.  Preliminarmente,  os  Recorrentes  alegam  decadência  relativamente  aos  fatos geradores compreendidos nos períodos entre abril e dezembro de 2009, visto que o prazo  decadencial previsto pelo artigo 150, § 4º, do CTN já teria transcorrido antes da cientificação  dos sujeitos passivos do lançamento, o que ocorreu em dezembro de 2014.  41.  Entretanto,  diante  da  ocorrência  de  fraude  e  simulação,  não  cabe  a  aplicação da contagem prevista no § 4º do artigo 150 do CTN, mas sim da contagem prevista  no artigo 173 do CTN, verbis:  (...)  
 Art.  150.  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o  dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 27          26 tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa. 
   §  1º  O  pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação ao lançamento. 
 (...) 
   § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação. (...)" 
   "Art.  173. O  direito  de  a Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­ se após 5 (cinco) anos, contados:   I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado; (...)"  42.  Considerando o fato gerador relativo ao período de abril a dezembro de  2009,  ao  aplicarmos  o  artigo  173  do  CTN,  verifica­se  que  a  decadência  somente  operaria  efeitos a partir de 2015. Logo, como os sujeitos passivos foram intimados do lançamento em  08/12/2014 (Avisos de Recebimento de fls. 1003, 1006 e 1009), não há que se falar em perda  do  direito  de  proceder  ao  lançamento  com  relação  ao  IRPJ  e  a  CSLL,  por  terem  apuração  anual.   43.  No mais, mesmo quanto à parcela do PIS e da COFINS nos períodos de  abril  de 2009 a novembro de 2009  (tributos de apuração mensal),  aplicando o  artigo 173 do  CTN, evidencio que também não se operou a decadência (somente operaria efeitos a partir de  2015).   44.  Diante do exposto, deixo de acolher a preliminar de decadência, para fins  de afastar as incidências dos tributos em análise.   III. 2. Das Demais Arguições de Nulidade: Responsabilidade Solidária e Pessoal  45.  Os  Recorrentes  repetem,  em  sede  de  recurso  voluntário,  as  alegações  trazidas  em  suas  impugnações  e  enfrentadas  pela  decisão  de  piso  sobre  a  nulidade  do  lançamento  em  razão  da  (i)  incompatibilidade  na  fundamentação  legal  da  sujeição  passiva  solidária;  (ii)  ausência  de  intimação  para  comprovar  a  origem  dos  depósitos;  e  (iii)  falta  de  individualização e delimitação da base tributável imputada para cada sujeito passivo.  46.  A suposta incompatibilidade de fundamentação calcada nos artigos 124 e  135  do  CTN  não  se  verifica,  pois  a  fiscalização  detalhou  os  motivos  que  a  levaram  a  responsabilizar  os  Recorrentes.  Não  cabe  aqui,  em  sede  de  preliminar,  enfrentar  a  questão  meritória relativa à responsabilidade tributária solidária e pessoal.  47.  Sobre  a  alegação  de  ausência  de  intimação  dos  solidários  para  a  comprovação  da  origem  dos  depósitos,  existe  aqui  vício  insanável  decorrente  da  falta  de  individualização  dos  depósitos  da  conta  corrente  do  banco  real,  conforme  exposto  no  tópico  anterior. A nulidade desta parte do lançamento também afeta (“beneficia") os solidários.   Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 28          27 48.  Por  fim,  a  alegação  da  falta  de  individualização  e  delimitação  da  base  tributável  imputada  a  cada  sujeito  passivo  não  se  sustenta,  pois  a  responsabilidade  tributária  solidária  não  comporta  benefício  de  ordem.  Assim  sendo,  o  Fisco  pode  exigir  o  crédito  tributário em sua integralidade de qualquer um dos sujeitos passivos.   49.  Diferente  do  alegado  pelos  sujeitos  passivos,  a  lei  não  exige  a  delimitação da base tributável para cada sujeito passivo.   III. 3. Da Suposta Necessidade de Perícia   50.  Outro  argumento  trazido pelos Recorrentes,  em  sede de preliminar,  é a  necessidade de exame pericial contábil, sob pena de violação aos princípios do contraditório e  da ampla defesa, resguardados pelo artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal.  51.   Em  análise  aos  Recursos  Voluntários  e  Impugnações  apresentados,  evidencio  que,  apesar  do  citado  pedido  contar  com  a  formulação  de  quesitos,  indicação  e  qualificação  do  perito,  o  pleito  não  foi  devidamente motivado,  nos  termos  do  artigo  16,  do  Decreto nº 70. 235/72.  52.  A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de  conhecimento  técnico  especializado  e  que  esteja  fora  do  campo  de  atuação  das  autoridades  fiscais e julgadoras, o que não é o caso dos presentes autos.   53.  Questões  como  saber  se  o  crédito  foi  alcançado  pela  decadência;  se  o  montante dos recursos que foram transacionados entre as empresas fiscalizadas e se o dinheiro  que  circulou  entre  elas  foi  duplamente  tributado;  se  foi  incluído  como  receita  bruta  créditos  realizados na conta corrente que não deveriam integrar a receita; hipótese de incidência do PIS  e da COFINS, dentre outros, estão dentro do campo de atuação do julgador administrativo.  54.  A perícia se justifica num cenário onde a prova não pode ou não cabe ser  produzida por uma das partes, o que não ocorre neste caso. Verifica­se que os Recorrentes não  foram  capazes  de  apresentar  provas  hábeis  e  idôneas  em  sede  de  Impugnação  e  de Recurso  Voluntário e se limitam a apontar supostas falhas no trabalho da fiscalização.  55.  Sabemos  que  o  PAF  é  informado  pelo  princípio  da  concentração  das  provas e, portanto, o pedido de perícia não pode ser utilizado pelo contribuinte como artifício  para se furtar de apresentar o devido conjunto probatório em sede de Impugnação e/ou Recurso  Voluntário, nos termos do Decreto nº 70.235/72.  56.  Diante  do  exposto,  deixo  de  acolher  os  pedidos  de  produção  de  prova  pericial.  Mérito  I. Premissas técnicas  1. Pressupostos de Aplicação do Artigo 124 do CTN  57.  Com relação a responsabilidade solidária capitulada no artigo 124, inciso  I, do CTN, cabe trazer algumas ponderações de ordem técnico­interpretativas. Confira­se o teor  do dispositivo:  Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 29          28 “Art. 124 ­ São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;”  58.  Para  restar  configurada  a  responsabilidade  solidariedade  tributária  em  questão,  as  pessoas  constantes  do  dispositivo  devem  efetivamente  participar  do  negócio  jurídico que deflagra a  incidência  tributária no mesmo polo da relação  jurídica, como os co­ proprietários de um imóvel no caso do IPTU ou os herdeiros no caso do ITCMD incidente na  sucessão1.  59.  É nesse contexto de raciocínio que, o termo "interesse comum" não pode  ser considerado como um interesse qualquer, de fundo econômico, sancionador, monetário ou  de cunho inespecífico. Trata ­se de interesse exclusivamente jurídico, relativo à prática do fato  gerador da obrigação tributária.  60.  Com  efeito,  não  pode  ser  aplicado  às  pessoas  que  se  encontrem  em  posições diversas da relação jurídica (e.g. vendedor vs comprador) ou pessoas que não tenham  qualquer  ligação  com  a  "situação  que  constitui  o  fato  gerador".  A  chamada  comunhão  de  interesses  jurídicos  entre  duas  ou mais  pessoas,  que  tenham  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação que deflagra a obrigação de pagar o tributo, é condição sine qua non para aplicação do  artigo 124, inciso I, do CTN.  61.  Nesse sentido, são as lições de Luciano Amaro2 acerca da solidariedade  tributária:  "Sabendo­se  que  a  eleição  de  terceiro  como  responsável  supõe  que  ele  esteja  vinculado  ao  fato  gerador  (art.  128),  é  preciso  distinguir,  de  um  lado,  as  situações  em  que  a  responsabilidade  do  terceiro  deriva  do  fato  de  ter  ele  'interesse  comum  no  fato  gerador'  (o  que  dispensa  previsão  na lei instituidora do tributo) e, de outro, as situações em que  o  terceiro  tenha  algum  outro  interesse  (melhor  diria,  as  situações com as quais ele tenha algum vínculo) em razão do  qual  ele  possa  ser  eleito  como  responsável.  Neste  segundo  caso  é  que  a  responsabilidade  solidária  do  terceiro  dependerá de a lei expressamente estabelecer.  Por  outro  lado,  o  só  fato  de  o  Código  Tributário  Nacional  dizer  que,  em  determinada  operação  (p.  ex.  alienação  de  imóvel), a lei do tributo pode eleger qualquer das partes como  contribuinte não significa dizer que, tendo eleito uma delas, a  outra seja solidariamente responsável. Poderá sê­lo, mas isso  dependerá de expressa previsão da lei, nos termos do item II  do  art.  124).  Até  porque  nessa  hipótese  o  interesse  de  cada  uma das partes no negócio não é comum, não é o mesmo; o  interesse  do  vendedor  é  na  alienação,  o  interesse  do  comprador  é  na  aquisição.  Se,  porém,  houver  dois  vendedores  ou  dois  compradores  (co­propriedade),  aí  sim                                                              1  Sobre  o  tema,  vale  referenciar  DARZÉ,  Andréa  Medrado.  Responsabilidade  Tributária  Solidária.  Breves  Considerações sobre os Artigos 124 e 125 do Código Tributário Nacional. In: Grandes Questões em Discussão no  CARF. São Paulo: Foco Fiscal, 2014, p. 36­37.  2 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 22ª ed. São Paulo: Saraiva, 2017.  Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 30          29 teremos  interesse  comum  (dos  vendedores  ou  dos  compradores, respectivamente), de modo que se a lei definir  como  contribuinte  a  figura  do  comprador,  ambos  os  compradores serão responsáveis solidários, não porque a lei  tenha eventualmente  vindo a  proclamar  essa  solidariedade,  mas  sim  porque  ela  decorre  do  interesse  comum de  ambos  no  fato  da  aquisição.  O  mesmo  se  diga  em  relação  ao  imposto  predial.  Havendo  co­propriedade,  ambos  os  proprietários são devedores solidários".  62.  É,  também,  o  entendimento  já  fixado  em  definitivo  pelas  Turmas  de  Direito Público do Superior Tribunal de Justiça ­ STJ sobre a matéria:  "1.  A  solidariedade  passiva  ocorre  quando,  numa  relação  jurídico­tributária  composta  de  duas  ou  mais  pessoas  caracterizadas  como  contribuintes,  cada  uma  delas  está  obrigada  pelo  pagamento  integral  da  dívida.  Ad  exemplum,  no caso de duas ou mais pessoas  serem proprietárias de um  mesmo  imóvel  urbano,  haveria  uma  pluralidade  de  contribuintes  solidários  quanto  ao  adimplemento  do  IPTU,  uma  vez  que  a  situação  de  fato  ­  a  co­propriedade  ­  é­lhes  comum. (...)   Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124  do CTN, verbis: (...)  Conquanto  a  expressão  "interesse  comum"  ­  encarte  um  conceito  indeterminado,  é  mister  proceder­se  a  uma  interpretação  sistemática das  normas  tributárias,  de modo a  alcançar  a  ratio  essendi  do  referido  dispositivo  legal. Nesse  diapasão,  tem­se  que  o  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal  implica que  as  pessoas  solidariamente  obrigadas  sejam  sujeitos  da  relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível.  Isto  porque  feriria  a  lógica  jurídico­tributária  a  integração,  no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha  tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da  obrigação...   Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum  dos participantes no acontecimento factual não representa um  dado  satisfatório  para  a  definição  do  vínculo  da  solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o  legislador desse elo que aproxima os participantes do fato. o  que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I  do  art  124  do Código.  Vale  sim,  para  situações  em que  não  haja  bilateralidade  no  seio  do  fato  tributado,  como,  por  exemplo,  na  incidência  do  IPTU,  em  que  duas  ou  mais  pessoas  são  proprietárias  do  mesmo  imóvel.  Tratando­se,  porém, de ocorrências  em que o  fato  se consubstancie pela  presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos  antagônicos  , a  solidariedade vai  instalar­se entre  sujeitos que  estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o  lado  escolhido  pela  lei  para  receber  o  impacto  jurídico  da  exação.  E  o  que  se  dá  no  imposto  de  transmissão  de  imóveis,  Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 31          30 quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que  dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez  que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo  tomador."  (Paulo  de  Barros  Carvalho,  in  Curso  de  Direito  Tributário, Ed Saraiva, 8ª ed, 1996, p. 220)...  Destarte,  a  situação  que  evidencia  a  solidariedade,  quanto  ao  ISS,  é  a  existência  de  duas  ou  mais  pessoas  na  condição  de  prestadoras  de  apenas  um  único  serviço  para  o  mesmo  tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação.  Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei  não  há  de  ser  o  interesse  econômico  no  resultado  ou  no  proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação  principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum  ou conjunta da situação que constitui o fato imponível.  10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria  tributária  entre  duas  empresas  pertencentes  ao  mesmo  conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem  conjuntamente a situação configuradora do fato gerador sendo  irrelevante  a  mera  participação  no  resultado  dos  eventuais  lucros  auferidos  pela  outra  empresa  coligada  ou  do  mesmo  grupo  econômico."  (REsp  834044/RS,  Rel.  Ministra  DENISE  ARRUDA,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  11/11/2008,  DJe  15/12/2008).  (...)  13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo  passivo da  execução o Banco Safra S/A"  (REsp 884.845/SC, 1ª  T., Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJ: 18/02/2009).  "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMPRESA DE MESMO  GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA.  Inexiste  solidariedade  passiva  em  execução  fiscal  apenas  por pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico, já  que tal fato, por si só, não justifica a presença do 'interesse  comum'  previsto  no  artigo  124  do  Código  Tributário  Nacional.  Precedente  da  Primeira  Turma  (REsp  859.616/RS, Rei. Min. Luiz Fux, DJU de 15.10.07).  Recurso  especial  não  provido"  (REsp  1.001.450/RS,  2ª  T.,  Rel. Min. Castro Meira, DJ: 27/03/2008).  63.  Portanto, de acordo com a doutrina e a jurisprudência, somente se pode  cogitar de interesse comum nas situações em que duas ou mais pessoas concorrem, em pé de  igualdade, para a realização do fato descrito em lei como deflagrador da obrigação tributária.  64.  Ademais,  o  parágrafo  único  do  artigo  124,  do  CTN,  prevê  que  a  solidariedade referida no artigo não comporta benefício de ordem, o que significa que o Fisco  pode  exigir  o  crédito  tributário  em  sua  integralidade  de  qualquer  um  dos  sujeitos  passivos,  principal  e  solidários,  sem  seguir  ordem  de  preferência  ou  individualizar  valores  para  cada  devedor, pois todos os devedores respondem igualmente pelo crédito.  Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 32          31 2. Pressupostos de Aplicação do Artigo 135 do CTN  65.  A  responsabilidade  disciplinada  no  artigo  135,  III,  do  CTN,  não  considera a personalidade jurídica do contribuinte, mas cuida de incluir pessoalmente no polo  passivo  da  relação  jurídico­tributária,  o  administrador  responsável  pela  prática  de  atos  com  excesso de poderes ou infração à lei.   66.  Para  que  se  configurar  a  responsabilidade  prevista  no  referido  artigo,  devem  estar  presentes  duas  condições:  (i)  os  sócios,  os  acionistas,  os  gerentes  e/ou  administradores devem praticar atos de gestão e (ii) a obrigação tributária deve decorrer de  atos praticados com abuso de poder ou contrários à lei, contrato social ou estatutos. Logo,  o elemento doloso deve estar presente.  67.  Em  razão  da  gravidade  dessas  práticas,  o  legislador  apontou  expressamente quais pessoas devem ser pessoalmente responsabilizadas, verbis:  Art.  134.  Nos  casos  de  impossibilidade  de  exigência  do  cumprimento  da  obrigação  principal  pelo  contribuinte,  respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem  ou pelas omissões de que forem responsáveis:  I ­ os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores;  II  ­  os  tutores  e  curadores,  pelos  tributos  devidos  por  seus  tutelados ou curatelados;  III  ­  os  administradores  de  bens  de  terceiros,  pelos  tributos  devidos por estes;  IV ­ o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio;  V ­ o síndico e o comissário, pelos  tributos devidos pela massa  falida ou pelo concordatário;  VI  ­  os  tabeliães,  escrivães  e  demais  serventuários  de  ofício,  pelos  tributos  devidos  sobre  os  atos  praticados  por  eles,  ou  perante eles, em razão do seu ofício;  VII ­ os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas.  Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  só  se  aplica,  em  matéria de penalidades, às de caráter moratório.  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos:  I ­ as pessoas referidas no artigo anterior;  II ­ os mandatários, prepostos e empregados;  III ­ os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas  de direito privado. (grifos nossos)  Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 33          32 68.  A  partir  da  análise  do  dispositivo,  verifica­se  que  apenas  as  pessoas  elencadas podem ser responsabilizadas pessoalmente. No mais, caso a pessoa seja sócia, mas  não tenha poderes de gestão, deve ser afastada a responsabilidade pessoal. Da mesma forma,  ainda que tenha poderes de gestão, deve ser comprovado o nexo de causalidade entre a prática  de atos com excesso de poderes,  infração à  lei,  contrato  social ou estatutos e a exigência do  crédito tributário em litígio.   69.  Neste sentido, é o posicionamento já consolidado em sede de repercussão  geral pelo Supremo Tribunal Federal. Confira­se:  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  ART  146,  III,  DA  CF.  ART.  135,  III,  DO  CTN.  SÓCIOS  DE  SOCIEDADE  LIMITADA.  ART.  13  DA  LEI  8.620/93.  INCONSTITUCIONALIDADES  FORMAL  E  MATERIAL.  REPERCUSSÃO  GERAL.  APLICAÇÃO  DA  DECISÃO  PELOS  DEMAIS TRIBUNAIS. 1. Todas as espécies tributárias, entre as  quais  as  contribuições  de  seguridade  social,  estão  sujeitas  às  normas  gerais  de  direito  tributário.  2.  O  Código  Tributário  Nacional  estabelece  algumas  regras  matrizes  de  responsabilidade  tributária,  como a do art.  135,  III,  bem como  diretrizes para que o legislador de cada ente político estabeleça  outras  regras  específicas  de  responsabilidade  tributária  relativamente aos tributos da sua competência, conforme seu art.  128.  3.  O  preceito  do  art.  124,  II,  no  sentido  de  que  são  solidariamente  obrigadas  “as  pessoas  expressamente  designadas  por  lei”,  não  autoriza  o  legislador  a  criar  novos  casos  de  responsabilidade  tributária  sem  a  observância  dos  requisitos  exigidos  pelo  art.  128  do  CTN,  tampouco  a  desconsiderar  as  regras  matrizes  de  responsabilidade  de  terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 134 e 135 do  mesmo  diploma.  A  previsão  legal  de  solidariedade  entre  devedores  –  de  modo  que  o  pagamento  efetuado  por  um  aproveite aos demais, que a interrupção da prescrição, em favor  ou contra um dos obrigados, também lhes tenha efeitos comuns e  que  a  isenção  ou  remissão  de  crédito  exonere  a  todos  os  obrigados  quando  não  seja  pessoal  (art.  125  do  CTN)  –  pressupõe  que  a  própria  condição  de  devedor  tenha  sido  estabelecida  validamente.  4.  A  responsabilidade  tributária  pressupõe  duas  normas  autônomas:  a  regra  matriz  de  incidência  tributária  e  a  regra  matriz  de  responsabilidade  tributária,  cada  uma  com  seu  pressuposto  de  fato  e  seus  sujeitos  próprios.  A  referência  ao  responsável  enquanto  terceiro  (dritter  Persone,  terzo  ou  tercero)  evidencia  que  não  participa  da  relação  contributiva,  mas  de  uma  relação  específica  de  responsabilidade  tributária,  inconfundível  com  aquela. O “terceiro” só pode ser chamado responsabilizado na  hipótese  de  descumprimento  de  deveres  próprios  de  colaboração  para  com  a  Administração  Tributária,  estabelecidos, ainda que a contrario sensu, na regra matriz de  responsabilidade tributária, e desde que tenha contribuído para  a situação de inadimplemento pelo contribuinte. 5. O art. 135,  III,  do  CTN  responsabiliza  apenas  aqueles  que  estejam  na  direção,  gerência  ou  representação  da  pessoa  jurídica  e  tão­ Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 34          33 somente  quando  pratiquem  atos  com  excesso  de  poder  ou  infração à lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas  o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é  que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade  entre o  ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência  de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. 6. O art.  13 da Lei 8.620/93 não se limitou a repetir ou detalhar a regra  de  responsabilidade  constante  do  art.  135  do  CTN,  tampouco  cuidou de uma nova hipótese específica e distinta. Ao vincular à  simples  condição  de  sócio  a  obrigação  de  responder  solidariamente  pelos  débitos  da  sociedade  limitada  perante  a  Seguridade  Social,  tratou  a mesma  situação  genérica  regulada  pelo art. 135, III, do CTN, mas de modo diverso, incorrendo em  inconstitucionalidade por violação ao art. 146, III, da CF. 7. O  art.  13  da  Lei  8.620/93  também  se  reveste  de  inconstitucionalidade  material,  porquanto  não  é  dado  ao  legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas  física e jurídica, o que, além de impor desconsideração ex lege e  objetiva  da  personalidade  jurídica,  descaracterizando  as  sociedades limitadas, implica irrazoabilidade e inibe a iniciativa  privada, afrontando os arts. 5º, XIII, e 170, parágrafo único, da  Constituição. 8. Reconhecida a  inconstitucionalidade do art. 13  da Lei 8.620/93 na parte em que determinou que os  sócios das  empresas  por  cotas  de  responsabilidade  limitada  responderiam  solidariamente,  com  seus  bens  pessoais,  pelos  débitos  junto  à  Seguridade  Social.  9.  Recurso  extraordinário  da  União  desprovido.  10.  Aos  recursos  sobrestados,  que  aguardavam  a  análise da matéria por este STF, aplica­se o art. 543­B, § 3º, do  CPC.  (Recurso  Extraordinário  nº  562276/PR,  Tribunal  Pleno,  Relatora Ministra Ellen Gracie, Julgado em 03/11/2010, Dje nº  27, Publicado em 10/02/2011).   70.  O artigo 135 do CTN aponta a necessidade de elemento subjetivo, mais  especificamente,  dolo  ou  fraude  para  a  configuração  da  responsabilidade,  cabendo  à  fiscalização demonstrar e provar que as pessoas indicadas praticaram diretamente ou toleraram  o ato abusivo, ilegal ou contrário ao estatuto enquanto sócias com poder de gerência. Por fim,  deve comprovar que os diretores, gerentes (de fato ou de direito) ou representantes da pessoa  jurídica exerciam tais funções de gestão durante o período que ocorreu o fato gerador. Somente  a partir desta construção probatória é possível imputar a responsabilidade pessoal constante do  artigo 135, III, do CTN.  II. Das Circunstâncias Fáticas  71.  Todos os Recorrentes foram responsabilizados solidariamente por terem  interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, conforme o artigo 124, inciso I, do  CTN e também pela prática de atos ilícitos ou contrários aos contratos sociais enquanto sócios  com poder de gestão, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN.  72.  O  acórdão  recorrido  manteve  a  responsabilidade  solidária  dos  Recorrentes por entender que estavam presentes os requisitos de ambos os dispositivos citados  Fl. 1775DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 35          34 acima, e considerar o artigo 124 do CTN como “dispositivo mencionado no Termo de Sujeição  Passiva Solidária que prevalece na presente situação” (fl. 1429).  73.  No mais, antes de adentrar na análise fática de cada um dos Recorrentes,  importante  ressaltar  o  entendimento  trazido  nos  julgamentos  dos  processos  administrativos  fiscais  nº  10932.720125/2014­04  e  nº  10932.720130/2014­17  que  versam  sobre  a  mesma  operação tratada no presente processo.  74.  Nos acórdãos dos processos citados acima, a  responsabilidade solidária  prevista pelo artigo 135, inciso III, do CTN foi afastada, em consonância com os pressupostos  expostos  nos  itens  65  a  70  deste  voto. O  relator  Leonardo  de Andrade Couto  apresentou  os  seguintes elementos motivadores:   “Não  basta  ter  sido  beneficiado  pela  infração  cometida.  Tal  circunstância pode,  em  tese,  até gerar  consequências na  esfera  penal mas,  sem a  prova  do  poder  de gerência  e  da prática  do  ato, não pode haver o enquadramento no inciso III, do art., 135,  do  CTN”.  (Processo  nº  10932.720125/201404,  Acórdão  nº 1402002.458,  4ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária  /  1ª  Seção,  Sessão de 11 de abril de 2017) (grifos nossos).  75.  Contudo, acerca da caracterização da responsabilidade prevista no artigo  124,  inciso  I,  do  CTN,  o  douto  relator  dos  processos  correlatos  limitou­se  a  afastá­la  sem  enfrentar  as  circunstâncias  fáticas  apresentadas  pela  autoridade  fiscalizadora,  que  cuidou  de  reunir  elementos  específicos  suficientes  para  demonstrar  o  cabimento  da  responsabilidade  solidária por interesse comum com relação a cada um dos Recorrentes (solidários).  76.  Segue a singela motivação, verbis: “Justamente por não ter sido definida  pela  lei,  a  expressão  “interesse  comum”  é  imprecisa,  questionável,  abstrata  e  mostra­se  inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam  da realização do fator gerador.”   77.  Diante dos pressupostos constantes dos itens 57 a 64, registro, desde já,  que  tal  fundamento  não  serve  à  esta  relatoria  para  afastar  a  responsabilidade  solidária  dos  Recorrentes.   78.  No  presente  caso,  a  partir  das  premissas  técnicas  aqui  desenvolvidas  acerca  da  responsabilidade  prevista  nos  artigos  124  e  135  do  CTN,  passo  a  analisar  as  circunstâncias fáticas relativas a cada um dos solidários.  II. 1. Responsabilidade solidária do Sr. Francisco Coimbra de Macedo Neto  79.  O  Recorrente  fundamenta  ser  ilegítima  sua  inclusão  como  responsável  solidário e pessoal, nos termos dos artigos 135, inciso III, do CTN e 124, inciso I, do CTN.   80.  Afirma que a responsabilidade constante do artigo 135, III, do CTN, para  diretores de uma sociedade anônima, é subsidiária e que no seu caso deveria ter sido aplicado o  artigo 112 do CTN, pois existe dúvida quanto à sua participação na suposta fraude descrita pela  fiscalização.   Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 36          35 81.  Por  fim,  alega  que  a  responsabilidade  solidária  a  ele  imputada  foi  baseada em meras presunções e as únicas transferências de valores utilizadas para justificar sua  responsabilização foram realizadas em 2008 e não durante o período fiscalizado.  82.  A DRJ mantém sua responsabilidade solidária por entender que, apesar  de não ser sócio estatutário da empresa autuada, o Recorrente tinha interesse comum por ser  sócio da Cimeeli Comércio  e  Indústria de Metais  e Ligas Ltda,  uma das  empresas pela qual  eram  movimentados  valores  envolvidos  na  operação  fraudulenta,  conforme  constatado  pelo  vasto trabalho fiscalizatório.  83.  Em  análise  da  decisão  de  piso,  verifico  que  restou  demonstrado  o  racional  que  fundamentou  a  imputação  de  responsabilidade  realizada  pela  fiscalização  (fls. 1429/1436), conforme segue:  162.  Em  conformidade  com  o  que  foi  relatado  no  Termo  de  Verificação Fiscal, bem como no Relatório Geral das Auditorias,  verifica­se  que  os  fatos  apurados  representam  ofensa  à  lei,  materializada  na  figura  da  sonegação,  caracterizada  pela  utilização  de  empresas  que  não  possuíam  existência  de  fato,  denominadas “noteiras”, com as quais a autuada transacionou  ficticiamente,  durante  o  ano  calendário  de  2009,  totalizando  mais de R$29 milhões em notas fiscais fraudulentas.  163.  Da  análise  dos  elementos  que  constam  do  processo,  apurou­se de que forma as empresas envolvidas se prestavam a  produção  de  notas  fiscais  para  o  acobertamento  da  saída  de  recursos  financeiros  com  finalidades  distintas  das  operações  comerciais de compra e venda. Tais transações comerciais eram  meras simulações que em verdade, jamais existiram. E mais, tais  empresas  fornecedoras  foram  constituídas  por  interpostas  pessoas que não tinham poder econômico algum.  164.  As  pessoas  naturais,  descritas  como  sócias  nos  contratos  sociais  das  empresas  fornecedoras,  não  revelam  capacidade  econômica  e  nem  empresarial  para  criar  e  administrar  as  empresas das quais são sócias, ou seja, são interpostas pessoas,  cujo  objetivo  era  manter  os  reais  interessados  longe  de  quaisquer  interferências  por  parte  dos  Fiscos  Estaduais  e  Federal. Isso porque, comandavam operações não regulares.  165. As referidas empresas fornecedoras movimentavam grande  parte  dos  seus  recursos  no  Banco  Bradesco  Agência  0559  ­  Radial  Leste  –SP,  por  meio  de  contas  correntes  que,  nem  de  longe,  preenchiam  os  requisitos  básicos  para  sua  abertura  e  movimentação.  166. Dentre as empresas autuadas, o Banco Bradesco informou  que não foram localizadas as respectivas fichas cadastrais:  ­  1o  Matalazul  Comércio  de  Metais  Ltda­ME,  CNPJ  09.091.074/0001­55;  ­  2o  Metalins  Comércio  de  Sucatas  e  Metais  Ltda,  CNPJ  09.293.290/0001 ­ 83;  Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 37          36 ­ 3o Fraga Comércio de Metal Ltda, CNPJ 09.492.070/0001­89;  ­ 4o Cobmetais Comércio de Metais e Plásticos Ltda ­ Me, CNPJ  08.102.342/0001­97.  167. Conclui­se, portanto, que a ausência das  fichas cadastrais  das pessoas jurídicas acima mencionadas, além de contrariar as  normas  do Banco Central  do Brasil  no  tocante  á  identificação  dos  correntistas,  comprova  a  existência  do  esquema  ora  denunciado.  168. E mais, diligências, realizadas nestas empresas, revelaram  que correspondem a sociedades inexistentes de fato, criadas por  meio  de  interposição  de  pessoas,  não  encontradas  nos  nos  endereços  indicados  como  domicílio  tributário  constantes  do  Cadastro  de  Pessoa  Jurídica  da  SFRB.  Assim,  por  serem  sociedades  "inexistencias  de  fato"  existem  meramente  com  o  intuito  de  simular  transações  comerciais,  sem  possuírem,  contudo, estrutura operacional, armazéns, operários, máquinas e  equipamentos para explorar a atividade a que se destinam.  169.  Neste  esquema  também  apurou­se  que  os  recursos  após  circularem  entre  as  empresas  participantes  retornavam  às  contas correntes daqueles que possuíam o chamado "domínio do  fato",  de  toda  a  operação:  João  Natal  Cerqueira,  sócio  das  empresas  KOPRUM  INDUSTRIA E COMERCIO  LTDA,  CNPJ  08.759.416/0001­08  e  EMPÓRIO  DE  METAIS  LTDA  ­ 01.571.597/0001­97.  170. Tais informações constam do Relatório Geral de Auditorias,  elaborado  pela  chefia  do  SEFIS  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  São  Bernardo  do  Campo,  cuja  cópia  integra o presente processo, e do qual se transcrevem os tópicos  pertinentes  ao  presente  lançamento  para  melhor  entendimento  dos fatos.  •  KOPRUM  INDÚSTRIA  E  COMERCIO  LTDA,  inscrita  no  CNPJ sob o n. 08 759 416/0001­ 08, constituída em 13/04/2007,  com endereço informado Rua Santiago Ballesteros, 260 ­ Bairro  Cinco  ­  Contagem  ­  MG,  tendo  como  quadro  societário  as  empresas  TELLUS  ASSESSORIA  E  PARTICIPAÇÃO  LTDA  CNPJ  13.576.294/0001­46  com  0,01%  de  participação  societária,  XPTO  ASSESSORIA  E  PARTICIPAÇÕES  LTDA,  CNPJ  16.509.511/0001­73,  com  99,99%  de  participação  societária, as pessoas físicas de PAULO HENRIQUE ESCOBAR  CERQUEIRA,  CPF  060.046.146­70,  com  0%  de  participação  societária e RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA CPF 070444786­ 03,  como  responsável  pelo  CNPJ  na  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil.  •  EMPÓRIO DE METAIS  LTDA  ­  inscrita  no CNPJ  sob  o  n.°  01.571.597/0001­97, concluída em 03/12/1996, com endereço à  Rua Delfim de Souza, 68­A ­ Bairro Raiz ­ Manaus AM, tinha em  seu  quadro  societário  os  empresários  PAULO  CESAR  VERLY  DA CRUZ – CPF 496.131.207­00 e JOÃO NATAL CERQUEIRA  ­ CPF 652.867.828­68 respectivamente.  Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 38          37 • CIMEELI COMÉRCIO E  INDÚSTRIA DE METAIS E LIGAS  LTDA,  inscrita  no  CNPJ  01.134.263/0001­56,  constituída  em  20/03/1996,  com  endereço  situado  à  Rua  Luiz  Ferreira  139,  Galpão,  Sala  "A",  Bairro  Maré,  Rio  de  Janeiro/RJ,  que  tinha  como  quadro  societário  a  empresa  NATURE  EMPREENDIMENTOS  E  PARTICIPAÇÕES  LTDA  –  CNPJ  07.775.829/0001­05  com  99,99%  de  participação  societária,  JOÃO NATAL CERQUEIRA ­ CPF 652.867.828­68 com 0,01%  de participação societária e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ ­  CPF 496.131.207­00 com 0,00% de participação na sociedade, e  FRANCISCO  COIMBRA  DE  MACEDO  NETO  ­  CPF  500.435.107­44.  171.  Visando  sempre  manter­se  oculto  sob  os  nomes  das  empresas  acima,  JOÃO  NATAL  CERQUEIRA  principal  articulador  do  esquema  de  fraude,  realizava  investimentos  que  tinham  como  origem  os  recursos  advindos  dessas  empresas  "noteiras".  Ao  cumprirem  seus  respectivos  papéis  de  abastecerem  as  empresas  inidôneas  com  recursos  necessários  para  a  simulação  de  transações  comerciais  conforme  já  demonstrado, os recursos retomavam ao "caixa" da organização  em  forma de  transferências bancárias e/ou depósitos. No curso  dos trabalhos de auditorias, prosseguindo nos rastreamento dos  recursos  financeiros dessas  empresas  inidôneas, verificamos de  que  modo  os  recursos  circulavam  através  das  empresas  até  alcançar  os  destinatários  finais,  reais  beneficiários  de  toda  a  operação­ a família CERQUEIRA.  172. A base de operações da organização sediada no Estado de  Minas Gerais,  tendo como principal protagonista o empresário  JOÃO  NATAL  CERQUEIRA  sócio  em  várias  empresas  e  investimentos,  que  nessas  condições,  abasteciam  as  contas  correntes  mantidas  em  instituições  financeiras  em  nome  das  empresas  inidônea  e  "noteiras",  principalmente  as  contas  mantidas  na  agência  0559­SP/USP  ­  Radial  Leste  do  Banco  Bradesco, em face das facilidades encontradas tanto na abertura  dessas  contas,  como  pela  sua  movimentação,  pelos  referidos  funcionários  dessa  instituição  financeira,  seguindo  o  seu  itinerário ideológico, e retornavam aos "caixas" da organização,  em  forma  de  depósitos  e/ou  transferência  bancárias,  advindas  dessas empresas inidôneas, simulando operações comerciais que  jamais existiam, tanto pela própria inexistência dessas empresas,  tanto  pela  própria  mecânica  fraudulenta  das  operações  que  simulavam  a  quitação  de  títulos,  quando  em  verdade  destinavam­se  os  recursos  a  depósitos  favorecendo  os  reais  beneficiários. Uma das principais empresas dessa organização,  que tinha a função de atuar como uma espécie de "caixa", era a  KOPRUM  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  LTDA  ­  CNPJ  08.759.416/0001­08  a  qual  estava  sob  controle  da  família  "CERQUEIRA".  173.  Ao  percorrem  o  itinerário  os  recursos  eram  direcionados  principalmente  à  empresa  PERFIBRÁS  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  LTDA  CNPJ  01.035.995/0001­82  e  depois  redirecionados  a  KOPRUM  em  forma  de  depósitos  e/ou  Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 39          38 transferência  em  valores  elevadíssimos.  A KOPRUM possuía  a  denominação  antiga  de  COMERCIO  DE  METAIS  JARDINÓPOLIS LTDA.  174. Perceba­se que os  fatos anteriormente narrados  já  seriam  suficientes  para  responsabilizar  solidariamente  os  reais  beneficiários  do  esquema,  aqui  arrolados  como  responsáveis  solidários, pelos créditos tributários apurados pela fiscalização,  não  só  sob  a  óptica  da  regra  do  art.  124,  inciso  I,  que  atribui  responsabilidade pelos  créditos  decorrente  do  interesse  comum  na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária,  mas,  também,  pela  regra  prevista  no  caput  do  artigo  135,  conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal, que impõe  a  responsabilidade decorrente de atos praticados  com  infração  de  lei,  uma  vez  que  existe  comprovação  de  que  os  ora  impugnantes  são  os  reais  responsáveis  por  todo  o  esquema  apurado.  175. Portanto, face ao trabalho fiscal que demonstrou serem os  sócios  arrolados  no  contrato  social  e  as  diversas  alterações,  interpostas  pessoas  (“laranjas”),  sem  ingerência  alguma  na  empresa,  restou  atribuir  a  responsabilidade  aos  seus  administradores de fato. Acerca destes há indícios e provas que  levaram  à  elaboração  dos  termos  de  responsabilização  por  crédito tributário.  176. Aqui  impera  fazer uma ressalva para dizer que Francisco  Coimbra  de  Macedo  Neto,  que  alega  não  ter  qualquer  participação no esquema, é mencionado no quadro societário da  empresa Cimeeli o que justifica a imputação de responsabilidade  que lhe foi atribuída.  (...)  182.  No  curso  da  ação  fiscal  as  autoridades  já  deixaram  registrado que estas pessoas não constam a  frente de nenhuma  das empresas noteiras  (cuja constituição se deu por  interpostas  pessoas),  cuja  existência  se mostrou  irregular,  justamente para  não  serem  associados  ao  esquema  de  fraudes  que  agora  se  analisa.  E  mais,  também  registraram  que  eles  contavam  com  assessoramento  jurídico  contábil  eficiente  para  mantê­los  sempre à sombra dos acontecimentos.  (...)  9.3.1 Do retorno dos recursos sonegados aos reais beneficiários  184. O Termo de Verificação Fiscal demonstra claramente que a  MAXI  remeteu  valores  de  sua  conta  corrente  bancária  para  empresas e pessoas  físicas  integrantes do esquema  fraudulento,  conforme demonstramos abaixo.  Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 40          39   185. Na sequência, a autoridade fiscal estabelece a forma como  a transferência dos valores ocorreu:  JOÃO NATAL CERQUEIRA CPF 652.867.828­68  Cheque n° 390 de 16/09/2009 R$ 186.000,00  Depósito efetuado em 16/09/2009 Banco Bradesco S/A  Agência 1056 Belo Horizonte MG c/c 0000083­3  CIMEELI  COM.  E  IND.  DE  METAIS  E  LIGAS  LTDA  CNPJ  01.134.263/0001­56  Cheque n° 381 de 02/09/2009 RS 250.000.00  Cheque n° 384 de 04/09/2009 R$ 300.000,00  Cheque n° 386 de 11/09/2009 R$ 105.000,00  Deposito Banco Bradesco S/A  Agencia 3484 Belo Horizonte MG c/c 0004490­3  Titular Cimeeli Com. E Ind. De Metais e Ligas Ltda.  (...)  187.  Em  um  dos  "modus  operandi"  adotados,  constatou­se  que  os  reais beneficiários deste gigantesco embuste, que possuem o  chamado  "domínio  dos  fatos",  pessoas  físicas  e  jurídicas,  abasteciam  financeiramente  essas  empresas,  injetando  recursos  que  peregrinavam  entre  as  diversas  contas  correntes  mantidas  em sua grande parte na Agência 0559 SP/USP Radial Lesta do  Banco  Bradesco  S\A  e  retornavam  ao  coração  financeiro  da  quadrilha,  seu  caixa,  mantido  através  de  várias  empresas  ligadas  aos  nacionais  e  empresários  João  Natal  Cerqueira  e  Paulo  Cesar  Verly  da  Cruz,  seus  familiares  e  suas  empresas,  estas sediadas nos Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais.  188.  O  trabalho  fiscal  compreendeu  auditoria  em  22  (vinte  e  duas) empresas nessas condições, que se interligavam, devem ser  Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 41          40 vistas e compreendidas como uma célula econômica única, pois  as  empresas  foram criadas  para  favorecem um grupo único  de  pessoas,  possuindo  partícipes  de  primeiro,  segundo  e  terceiros  escalão, dentro dessa organização criminosa conforme consta de  cada uma dessas autuações.  189. Pois bem, a simples leitura dos parágrafos acima já mostra  que não há que se falar em valores insignificantes. Aquilo que foi  efetivamente  transferido  às  contas  pessoais  das  pessoas  físicas  dos  indicados  como  responsáveis  até  pode  parecer de  pequena  monta, contudo, quando se comprova que foram as empresas por  eles  geridas, mesmo que  via  interpostas  pessoas,  sem qualquer  representatividade,  as  maiores  beneficiárias  do  esquema  fraudulento afasta­se, de pronto, essa alegação”.  84.  No mérito, o Recorrente não foi capaz de apresentar documentação hábil  e  idônea  que  comprovasse  suas  alegações  e  enfrentassem  os  apontamentos  da  fiscalização  elencados no item anterior pela DRJ.  85.  É  verdadeira  a  afirmação  de  que  foi  apontada  pela  fiscalização  a  existência  de  transferências  feitas  para  o Recorrente  no  curso  do  ano  de  2008. Entretanto,  a  responsabilidade solidária do Recorrente não foi motivada apenas por essas transferências, mas  sim por um vasto conjunto de indícios que demonstram sua contínua participação na operação  de que trata o presente processo. O Recorrente  foi sócio administrador de empresa  (Cimeeli)  que recebia valores advindos da operação fraudulenta durante o período sob fiscalização.  86.  A partir da análise conjunta de todos os indícios apontados com o vasto  conjunto  de  provas  produzidas  pela  fiscalização,  evidencio  que  o  Recorrente  teve  interesse  comum na omissão de receitas que constituiu o crédito tributário em questão, não apenas por  possuir interesse econômico e aproveitar de benefícios financeiros, mas também por participar  da dinâmica operacional fraudulenta (interesse jurídico).   87.  Portanto,  merece  ser  mantida  a  responsabilidade  solidária  do  Sr.  Francisco Coimbra de Macedo Neto, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN.  88.  Cabe  ressaltar  que  o  fato  da  responsabilização  ser  fundamentada  por  indícios não é suficiente para caracterizar dúvida e, portanto, não considero cabível a aplicação  do artigo 112 do CTN (afasto o in dubio a favor do contribuinte).   89.  No mais, enquanto diretor presidente, com poderes de administração, da  empresa Cimeeli Comércio  e  Indústria de Metais  e Ligas Ltda,  ficou  demonstrado  que  o  Recorrente  praticou  atos  contrários  às  leis  societárias,  o  que  ensejaria  sua  responsabilização  pessoal  perante  eventuais  créditos  tributários  constituídos  em  face  da  empresa Cimeeli,  nos  termos do artigo 135, inciso III, do CTN.  90.   Contudo,  não  figurava  como  diretor,  gerente  ou  representante  da  autuada com poder de gestão efetiva (Maxi Distribuidora de Metais Ltda ME) e, em vista das  premissas técnicas desenvolvidas nos itens 65 a 70 (pressupostos de aplicação do artigo 135,  inciso  III,  do  CTN),  deve  ser  afastada  a  responsabilidade  pessoal  do  Sr.  Francisco  Coimbra de Macedo Neto.   II. 2. Responsabilidade solidária do Sr. João Natal Cerqueira  Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 42          41 91.  O  Recorrente  fundamenta  ser  ilegítima  sua  inclusão  como  responsável  solidário e pessoal, nos termos dos artigos 135, inciso III, do CTN e 124, inciso I, do CTN.   92.  Afirma  que  a  responsabilidade  constante  do  artigo  135,  inciso  III,  do  CTN, para diretores de uma sociedade anônima, é subsidiária e que no seu caso deveria ter sido  aplicado o artigo 112 do CTN, pois existe dúvida quanto à sua participação na suposta fraude  descrita pela fiscalização.   93.  Por  fim,  alega  que  a  responsabilidade  solidária  a  ele  imputada  foi  baseada em meras presunções e que existem inconsistências no trabalho fiscal.  94.  A DRJ mantém sua responsabilidade solidária por entender que, apesar  de  não  ser  sócio  estatutário  da  empresa  autuada,  o  Recorrente  tinha  interesse  comum  por  receber diretamente valores da empresa autuada, receber valores indiretamente pelas empresas  das  quais  era  sócio  e  também  por  estar  profundamente  envolvido  no  esquema  fraudulento  descrito pela fiscalização.  95.  Em  análise  da  decisão  de  piso,  verifico  que  restou  demonstrado  o  racional  que  fundamentou  a  imputação  de  responsabilidade  realizada  pela  fiscalização  (fls. 1429/1436), conforme transcrito no item 83.  96.  A partir da análise conjunta de todos os indícios apontados com o vasto  conjunto  de  provas  produzidas  pela  fiscalização,  evidencio  que  o  Recorrente  teve  interesse  comum na omissão de receitas que constituiu o crédito tributário em questão, não apenas por  possuir interesse econômico e aproveitar de benefícios financeiros, mas também por participar  da dinâmica operacional fraudulenta (interesse jurídico).   97.  Portanto,  merece  ser  mantida  a  responsabilidade  solidária  do  Sr.  Francisco Coimbra de Macedo Neto, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN.   98.   No mais, resta demonstrado que a aplicação do artigo 112 do CTN não é  cabível in casu, pois a fiscalização foi capaz de reunir indícios e vasto conjunto de provas que  demonstram o interesse comum do Recorrente. Ademais, não trouxe em seus instrumentos de  defesa provas capazes de confrontar as afirmações da fiscalização.  99.   Por  fim,  enquanto  sócio  (com  poder  de  gestão)  constante  no  contrato  social  das  empresas  Cimeeli  Comércio  e  Indústria  de  Metais  e  Ligas  Ltda,  Nature  Empreendimentos  e  Participações  Ltda,  P.R.J.  Participações  Empreendimentos  Ltda,  Maralindan Empreendimentos Ltda, Damp Assessoria e Participações Ltda e Empório de  Metais Ltda, ficou demonstrado que o Recorrente praticou atos contrários às leis societárias, o  que  ensejaria  sua  responsabilização  pessoal  perante  eventuais  créditos  tributário  constituídos  em face das empresas elencadas, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN.  100.  Contudo,  não  figurava  como  diretor,  gerente  ou  representante  da  autuada com poder de gestão efetiva (Maxi Distribuidora de Metais Ltda ME) e, em vista das  premissas técnicas desenvolvidas nos itens 65 a 70 (pressupostos de aplicação do artigo 135,  inciso  III,  do  CTN),  deve  ser  afastada  a  responsabilidade  pessoal  do  Sr.  João  Natal  Cerqueira.   II. 3. Responsabilidade solidária do Sr. Paulo Cesar Verly da Cruz  Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 43          42 101.  O Recorrente  fundamenta  ser  ilegítima  sua  inclusão  como  responsável  solidário e pessoal, nos termos dos artigos 135, inciso III, do CTN e 124, inciso I, do CTN.   102.  Afirma  que  a  responsabilidade  constante  do  artigo  135,  inciso  III,  do  CTN, para diretores de uma sociedade anônima, é subsidiária e que no seu caso deveria ter sido  aplicado o artigo 112 do CTN, pois existe dúvida quanto à sua participação na suposta fraude  descrita pela fiscalização.   103.  Por  fim,  alega  que  a  responsabilidade  solidária  a  ele  imputada  foi  baseada  em  meras  presunções  e  que  não  existe  prova  que  o  Recorrente  auferiu  qualquer  proveito  econômico.  Inclusive,  aponta  que  durante  o  período  fiscalizado  o  Recorrente  não  pertencia à Diretoria da empresa Cimeeli, sendo um mero acionista da mesma.  104.  A DRJ mantém sua responsabilidade solidária por entender que, apesar  de  não  ser  sócio  estatutário  da  empresa  autuada  e  das  empresas  “noteiras”  no  período  fiscalizado,  o  Recorrente  tinha  interesse  comum  por  receber  valores  indiretamente  pelas  empresas  das  quais  era  sócios  e  também  por  estar  profundamente  envolvido  no  esquema  fraudulento descrito pela fiscalização.  105.  Em  análise  da  decisão  de  piso,  verifico  que  restou  demonstrado  o  racional  que  fundamentou  a  imputação  de  responsabilidade  realizada  pela  fiscalização  (fls. 1429/1436), conforme transcrito no item 83.  106.  A partir da análise conjunta de todos os indícios apontados com o vasto  conjunto  de  provas  produzidas  pela  fiscalização,  evidencio  que  o  Recorrente  teve  interesse  comum na omissão de receitas que constituiu o crédito tributário em questão, não apenas por  possuir interesse econômico e aproveitar de benefícios financeiros, mas também por participar  da dinâmica operacional da operação fraudulenta.   107.  Portanto, merece  ser  mantida  a  responsabilidade  solidária  do  Sr.  Paulo César Verly da Cruz, nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN.  108.  No mais, resta demonstrado que a aplicação do artigo 112 do CTN não é  cabível in casu, pois a fiscalização foi capaz de reunir indícios e vasto conjunto de provas que  demonstram o interesse comum do Recorrente. Ademais, não trouxe em seus instrumentos de  defesa provas capazes de confrontar as afirmações da fiscalização.  109.  Por  fim,  enquanto  sócio  constante  no  contrato  social  das  empresas  Cimeeli  Comércio  e  Indústria  de  Metais  e  Ligas  Ltda,  Nature  Empreendimentos  e  Participações  Ltda,  Maralindan  Empreendimentos  Ltda,  Damp  Assessoria  e  Participações Ltda e Empório de Metais Ltda, ficou demonstrado que o Recorrente praticou  atos  contrários  às  leis  societárias,  o  que  ensejaria  sua  responsabilização  pessoal  perante  eventuais créditos tributário constituídos em face das empresas elencadas, nos termos do artigo  135, inciso III, do CTN.  110.  Contudo,  não  figurava  como  diretor,  gerente  ou  representante  da  autuada com poder de gestão efetiva (Maxi Distribuidora de Metais Ltda ME) e, em vista das  premissas técnicas desenvolvidas nos itens 65 a 70 (pressupostos de aplicação do artigo 135,  inciso III, do CTN), deve ser afastada a responsabilidade pessoal do Sr. Paulo Cesar Verly  da Cruz.   Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 44          43 III. Das Demais Alegações  III.1. Da Inaplicabilidade do Princípio da Insignificância e da Individualização da Pena  111.  Os Recorrentes trazem em sua defesa, novamente, que os princípios da  insignificância  e  da  individualização  da pena  deveriam  ser  aplicados  por  terem  respaldo  nos  princípios  da  razoabilidade  e  proporcionalidade,  tendo  em  vista  que  a  fiscalização  não  foi  capaz de provar e individualizar o aumento de patrimônio em função de uma suposta vantagem  auferida  pelos  responsáveis  solidários  nas  alegadas  operações  fraudulentas  e  que  os  valores  imputados a eles seriam proporcionalmente insignificantes ao todo da operação.   112.  O  acórdão  da  DRJ  afastou  a  aplicação  dos  referidos  princípios  sob  fundamentação bem construída e correta, demonstrando a devida aplicação da responsabilidade  objetiva para casos como este:  “191.  Outro  ponto  atacado  se  refere  à  “insignificância”  dos  valores  recebidos  individualmente  frente  ao  volume movimento  pelo  esquema,  razão  pela  qual  pedem  que  seja  aplicado  o  princípio da bagatela, com o  escopo de  excluir a  tipicidade da  infração administrativa e, por conseguinte, afastar a  imposição  da multa qualificada.  192. Por  primeiro,  cabe  salientar  que  os  impugnantes  estão  se  apegando apenas  e  tão  somente aos  valores que  eventualmente  tenham auferido como pessoas físicas, sendo que há quem alegue  não  ter  tido  qualquer  benefício  pessoal.  Ocorre  que  mesmo  aqueles que não obtiveram proveito pessoal no caso sob análise,  restaram  beneficiados  pelos  valores  que  transitaram  pelas  empresas de que  são  sócios  e  saliente­se que  estas  tem em seu  quadro  societário  os  aqui  relacionados  como  responsáveis  solidário.  193.  Como  se  sabe  do  estudo  jurisprudencial  da  matéria,  o  referido  princípio  é  instituto  de  direito  penal  e,  embora  não  contando  com  previsão  normativa  explícita  em  nosso  ordenamento jurídico, tem sido reconhecido pela jurisprudência,  quando atendidos certos requisitos. Pode ser definido como um  princípio implícito de interpretação do direito penal que permite  afastar  a  tipicidade material  de  condutas que  provocam  ínfima  lesão  ao  bem  jurídico  tutelado.  Ora,  essas  considerações  trazidas  a  lume  conduzem  à  conclusão  de  que  é  infundada  a  pretensão de aplicar mencionado princípio à espécie dos autos,  porquanto está fora do âmbito penal.  194.  A  regra  geral  acerca  da  responsabilidade  por  infrações  administrativas  da  legislação  tributária  está  estampada no  art.  136 do CTN:  “Art.  136.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. (destaquei)  195. Da disposição legal acima enunciada infere­se que impera  no Direito  Tributário  o  princípio  da  responsabilidade  objetiva,  Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 45          44 segundo o qual não é necessária a presença do aspecto volitivo  para  caracterizar  a  infração,  a  qual  independe  também  da  efetividade,  natureza  e  extensão  do  resultado  provocado  pela  conduta  ilícita,  ou  seja,  do  grau  de  lesão  ao  bem  jurídico  tutelado.  Nessa  espécie,  prevalece  o  elemento  objetivo  na  atribuição  de  responsabilidade  por  infração,  porquanto  sua  tipicidade  funda­se  unicamente  na  prática  da  ação  definida  como  ilícito na  lei. Uma vez ocorrida a conduta  típica descrita  na  norma,  não  é  preciso  considerar  a  vontade  do  agente  ou  o  grau  de  lesão  provocado,  ficando  caracterizado  a  infração  administrativa  qualquer  que  seja  a  intenção  ou  relevância  da  conduta ou do resultado.  196.  Na  esteira  desse  raciocínio,  ressalte­se  que  a  atividade  administrativa  do  lançamento  é  obrigatória  e  vinculada,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  consoante  disposição  expressa  do  art.  142,  parágrafo  único,  do  Código  Tributário  Nacional.  Portanto,  a  autoridade  fiscal  não  pode  eximir­se  de  cumprir  seu  dever  legal  de  aplicar  a  multa,  no  exato  quantum  previsto  em  lei,  sendo­lhe  vedado  dispensar  ou  reduzir  penalidades sem previsão legal. É o que dispõe o art. 97, inciso  VI, do Código Tributário Nacional (CTN):  “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  (...)  VI  ­ as hipóteses de exclusão,  suspensão e extinção de créditos  tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.”  197. Poder­se­ia argumentar que o CTN contém disposição que  abriga  instituto  de  natureza  similar  ao  princípio  da  insignificância penal, a qual, conquanto não exclua a tipicidade  da infração, prevê in abstrato a remissão do crédito tributário de  valor  diminuto,  conforme  art.  172,  inciso  III,  do  Códex  tributário:  “Art.  172. A  lei  pode  autorizar  a  autoridade  administrativa  a  conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial  do crédito tributário, atendendo:  (...)  III ­ à diminuta importância do crédito tributário;” (destaquei)  198.  Observe­se,  contudo,  que,  consoante  expressamente  preceitua a norma acima gizada, a remissão de crédito tributário  in  concreto  carece  de  previsão  legal  expressa  que  a  autorize.  Assim, a  referida norma,  isoladamente,  não produz a plenitude  de  seus  efeitos,  por  não  conter  todos  os  elementos  necessários  para  sua  executoriedade,  dependendo,  assim,  da  integração  de  outra  lei. Ocorre que não há, no ordenamento  jurídico,  lei  que  conceda  tal  autorização  ao  julgador  administrativo,  sendo  inócua  qualquer  pretensão  neste  sentido,  tendo  em  vista  o  princípio da legalidade a que se sujeita o agente público”.  Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 46          45 113.  Não  há  que  se  falar  em  princípio  da  proporcionalidade  e  da  razoabilidade  para  legitimar  uma  anistia  aos  responsáveis  solidários  por  se  tratar,  supostamente, de um valor não significativo em relação ao todo. O julgador administrativo não  tem autorização para remir o crédito tributário.  114.  Os  agentes  da  fiscalização  responsáveis  pela  lavratura  do  auto  de  infração também não podem arbitrariamente afastar a exigência do crédito tributário diante de  suposta  insignificância  de  lesão  ao  erário.  O  lançamento  do  crédito  tributário  é  ato  administrativo obrigatório e vinculado.  115.  Diante  do  exposto,  acompanho  a  decisão  de  piso  e,  portanto,  não  considero aplicáveis os princípios da insignificância e da individualização da pena ao presente  processo administrativo tributário.   III.2. Reflexos CSLL, PIS e COFINS  116.  A  nulidade  em  parte  do  lançamento,  bem  como  a  manutenção  dos  valores lançados, dada a íntima relação de causa e efeito, aplica­se aos lançamentos reflexos.  III.3. Da Presença de Pressupostos para Aplicação da Multa Qualificada  117.  Não podemos olvidar que a aplicação de multa qualificada é medida de  caráter  excepcional.  A  r.  autoridade  fiscal  deve  comprovar  que  a  Recorrente  teria  praticado  quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.   118.  Conforme disposto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, sonegar é toda ação  ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte  da  autoridade  fazendária  da  ocorrência  do  evento  tributário,  sua  natureza  ou  circunstâncias  materiais,  bem  como  das  condições  pessoais  de  contribuinte,  suscetíveis  de  afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente:  “Art. 71. Sonegação é  toda ação ou omissão dolosa  tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;   II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.”.  119.  Da  leitura,  é  possível  concluir  que  a  sonegação  implica  em  descumprimento por parte do sujeito passivo de dever instrumental prejudicando a constituição  da  obrigação  do  crédito  tributário.  Em  termos  fáticos,  a  autoridade  fiscal  deve  provar  que  a  conduta  do  contribuinte  impediu  a  apuração  dos  créditos  tributários  e,  consequentemente,  prejudicou o lançamento.   120.  A  segunda  hipótese  de  aplicação  de  multa  qualificada  é  a  fraude,  definida sobre a ótica tributária, do seguinte modo:  “Art.  72.  Fraude  é  tôda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 47          46 gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante  do  impôsto  devido  a  evitar  ou  diferir  o  seu  pagamento.”  121.  Fraude no sentido da lei é ato que busca ocultar algo para que possa o  contribuinte furtar­se do cumprimento da obrigação tributária. Ao contrário do dolo, que busca  induzir terceiro a praticar algo, a fraude é ato próprio do contribuinte que serve para lograr o  fisco.  122.  Apesar disso, o artigo 72 supra, utilizou­se do conceito de dolo para  a  definição de fraude. O "dolo" referido no artigo é o dolo penal, não o civil, porque o segundo  ocorre sempre com a participação da parte prejudicada. Não por acaso, tais ilícitos tributários  tem repercussões penais, nos termos dos artigos 1º e 2º, da Lei nº 8.137/90.  123.  Conforme o artigo 18 do Código Penal,  crime doloso ocorre quando o  agente  quis  o  resultado  ou  assumiu  o  risco  de  produzi­lo,  assim,  o  dispositivo  legal  está  conforme a teoria da vontade adotada pela lei penal brasileira. Para que o crime se configure, o  agente deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir  o  resultado  deles  decorrentes.  Assim,  a  responsabilidade  pessoal  do  agente  deve  ser  demonstrada/provada.   124.  Portanto,  é  imperioso  encontrar  evidenciado  nos  autos  o  intuito  de  fraude, não sendo possível presumir sua ocorrência. A própria Súmula CARF nº 14, afasta a  presunção de fraude e deixa clara a necessidade de comprovação do "evidente intuito de fraude  do sujeito passivo".  “Súmula CARF nº 14. A simples apuração de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito de fraude do sujeito passivo.”  125.  Em  linha  este  raciocínio,  para  o  Alberto  Xavier3,  a  figura  da  fraude  exige três requisitos. O um, que a conduta tenha finalidade de reduzir o montante do tributo  devido, evitar ou diferir o seu pagamento; o dois, o caráter doloso da conduta com intenção de  resultado contrário ao Direito; e, o três, que tal ato seja o meio que gerou o prejuízo ao fisco.  126.  Na  prática,  a  comprovação  da  finalidade  da  conduta,  do  seu  caráter  doloso e do nexo de causalidade entre a conduta ilícita do contribuinte e o prejuízo ao erário é  condição sine qua non para enquadrar determinada prática como fraudulenta.   127.  Logo,  para  restar  configurada  a  fraude,  a  autoridade  fiscal  deve  trazer  aos autos elementos probatórios capazes de demonstrar que o sujeito passivo praticou conduta  ilícita e intencional hábil a ocultar ou alterar o valor do crédito tributário, bem como que tal ato  afetou a própria ocorrência do fato gerador.   128.  A  terceira  hipótese  de  aplicação  da  multa  qualificada  é  a  prática  do  conluio que visa o dolo ou fraude por meio de ato intencional entre duas ou mais pessoas:                                                              3 XAVIER, Alberto. Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo: Dialética, 2000, p. 78.  Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 48          47 “Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.”  129.  Como se nota, o conluio é qualquer ato  intencional praticado por mais  uma  parte  visando  o  dolo  ou  a  fraude.  O  que  qualifica  o  conluio,  distinguindo­o  de  outra  espécie de conduta dolosa ou fraudulenta, é o aspecto subjetivo, isto é, a existência de mais de  um sujeito que ajustem atos que visem à sonegação ou fraude.  130.  É importante reforçar que o reconhecimento de quaisquer destas práticas  deve  ser  comprovado pela  autoridade  fiscal  através  do  nexo  entre  caso  concreto  e  a  suposta  sonegação, fraude ou conluio e caracterização efetiva do dolo.  131.  No  caso  concreto,  fica  evidente  a  presença  de  simulação,  conforme  descrito pela decisão de piso, verbis:  276. Ocorre que as irregularidades existentes que envolveram a  empresa  autuada,  e  todas  as  outras  empresas  envolvidas  no  esquema,  devidamente  apontadas  pela  Fiscalização  no  TVF,  indubitavelmente caracterizam a conduta dolosa perpetrada pela  Impugnante, no intuito de reduzir indevidamente o pagamento de  tributos,  notadamente  pelo(s):  (i)  ­  simulação  de  operações  comerciais  ordinárias  que  não  ocorreram  de  fato;  (ii) omissão  de  apresentação  de  declarações  tributárias  a  que  estava  obrigado,  deixando  de  apresentar  sua  real  movimentação  econômica  ao  fisco;  (iii)  –  situações  caracterizadoras  de  execução  de  atividades  de  todo  conscientes,  planejadas,  e  desejadas,  por  parte  dos  agentes  das  ações,  e  somente  admissíveis  de  serem  entendidas  como  decididas  e  executadas  com animus doloso por parte de seus beneficiários. As condutas  têm  efeitos  qualificadores  nos  atos  infracionais,  a  partir  da  constatação  que  o  sujeito  passivo,  fosse  por  ação  ou  omissão  dolosa,  praticou  atos  tendentes  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária de seu real movimento econômico.  132.  Portanto,  em vista dos elementos  trazidos pela autoridade  fiscal,  deixo  de acolher o pedido da Recorrente para que seja afastada a qualificação da multa de ofício.  III.4. Multa Agravada   133.  Diante  do  agravamento  da  multa  de  ofício  ter  sido  mencionado  na  decisão  de  piso  e  para  não  restarem  dúvidas,  cabe  afirmar  que  a  multa  agravada  não  foi  aplicada  no  presente  caso,  conforme  se  verifica  pela  leitura  dos  autos  de  infração  (fls.  951/997).   Conclusão  134.  Diante  do  exposto,  VOTO  no  sentido  de  CONHECER  do  presente  RECURSO  VOLUNTÁRIO,  e,  em  sede  de  preliminar,  reconheço  a  nulidade  de  parte  dos  lançamentos  por  vício  material  constantes  dos  extratos  bancários  do  Banco  Real,  ante  a  ausência de  individualização de  todos os  lançamentos bancários que foram incluídos na base  tributada e, no MÉRITO, para afastar a responsabilidade pessoal do artigo 135,  inciso III, do  Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 10932.720120/2014­73  Acórdão n.º 1201­002.358  S1­C2T1  Fl. 49          48 CTN, mas manter a responsabilidade solidária pelo artigo 124, inciso I, do CTN, com relação  aos solidários Francisco Coimbra de Macedo Neto, João Natal Cerqueira e Paulo Cesar Verly  da Cruz.   É como voto.  (assinado digitalmente)  Gisele Barra Bossa                            Fl. 1790DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.914178/2012-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 COMPENSAC¸A~O. DENU´NCIA ESPONTA^NEA. COMPENSAC¸A~O. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário.
Numero da decisão: 9101-003.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Nelso Kichel (suplente convocado) e Rafael Vidal de Arau´jo, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Lui´s Fla´vio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Fla´vio Franco Corre^a.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO

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Acórdão nº  9101­003.687  –  1ª Turma   Sessão de  7 de agosto de 2018  Matéria  Denúncia espontânea  Recorrente  AMBEV SA  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009  COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO.  A  regular  compensação  realizada  pelo  contribuinte  é  meio  hábil  para  a  caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja  eficácia normativa não se  restringe ao adimplemento em dinheiro do débito  tributário.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar­lhe provimento, vencidos os  conselheiros  Viviane  Vidal  Wagner,  Nelso  Kichel  (suplente  convocado)  e  Rafael  Vidal  de  Araújo, que lhe negaram provimento.    (assinado digitalmente)  Rafael Vidal de Araújo ­ Presidente em exercício.    (assinado digitalmente)  Luís Flávio Neto ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  André  Mendes  de  Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 41 78 /2 01 2- 77 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10880.914178/2012­77  Acórdão n.º 9101­003.687  CSRF­T1  Fl. 351          2 convocado),  Gerson  Macedo  Guerra,  Demetrius  Nichele  Macei,  Rafael  Vidal  de  Araújo  (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Flávio Franco Corrêa.     Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  interposto  por  AMBEV  SA  (doravante  “contribuinte”  ou  “recorrente”),  que  versa  sobre  a  caracterização  de  denúncia  espontânea,  nos termos do art. 138 do CTN, por meio de compensação tributária.    A decisão recorrida restou assim ementada:    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009  DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EQUIV ALÊNCIA ENTRE COMPENSAÇÃO  E PAGAMENTO NÃO RECONHECIDA. MULTA DE MORA MANTIDA.  A  compensação  tributária  sujeita  a  posterior  homologaçaõ  não  equivale  a  pagamento  para  fins  de  reconhecimento  da  denúncia  espontânea  prevista  no  artigo 138, do CTN, não podendo afastar, por consequência, também, a multa  de mora.    O  contribuinte,  então,  interpôs  recurso  especial,  arguindo  divergência  de  interpretação  quanto  à  possibilidade  de  configuração  de  denúncia  espontânea  por  meio  de  compesanção tributária (e­fls. 204 e seg.), o qual foi admitido por despacho (e­fls. 281 e seg.).   A  PFN  apresentou  contrarrazões  ao  recurso  especial,  em  que,  embora  requeira seja negado seguimento ao recurso especial do contribuinte, não apresentou qualquer  fundamento para tanto. Ademais, requer seja negado provimento ao recurso especial (e­fls. 286  e seg.).  Conclui­se, com isso, o relatório.    Voto             Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator.  Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento  dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual  não merece reparo, adotando­se neste voto os seus fundamentos.  O presente caso exige que se compreenda a hipótese de incidência do art. 138  do  CTN,  especialmente  quanto  à  exigência  de  extinção  do  crédito  tributário  por  meio  de  “pagamento” ou de “compensação”.   O art. 138 do CTN possui a seguinte redação:   Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontan̂ea da infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do pagamento  do  tributo  devido  e dos  juros de  Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10880.914178/2012­77  Acórdão n.º 9101­003.687  CSRF­T1  Fl. 352          3 mora, ou do depósito da  importância arbitrada pela autoridade administrativa,  quando o montante do tributo dependa de apuração.   Parágrafo  único. Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados com a infracã̧o.    O núcleo da presente discussão consiste em saber  se o  termo “pagamento”,  adotado pelo art. 138 do CTN (acima sublinhado), tem o sentido restritíssimo de “quitação em  dinheiro”  ou  se  contempla  acepcã̧o  mais  ampla  de  adimplemento,  abarcando,  no  caso,  a  compensação tributária.   De  início,  é  necessário  observar  que  o  legislador  nem  sempre  utiliza  o  vocábulo “pagamento” no sentido de quitação em dinheiro, valendo­se deste em sua acepção  mais ampla de adimplemento. É o que se verifica em variados exemplos colhidos tanto de leis  ordinárias  como  de  leis  complementares,  conforme  se  passa  a  analisar  antes  de  adentrar  ao  mérito em si do art. 138 do CTN.  Primeiramente, note­se a redação do art. 150 do CTN:   Art. 150. O lanca̧mento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida  autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado,  expressamente a homologa.   Note­se que o CTN utilizou a dicçaõ “antecipar o pagamento” no sentido de  antecipar  o  adimplemento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa.  Não  há  dúvidas  que  o  contribuinte,  mediante  declaracã̧o  e  compensacã̧o  regularmente  levadas  a  termo,  irá  consumar o típico “lançamento por homologação” tutelado pelo art. 150 do CTN.   Nesse  sentido,  merecem  destaque  os  seguintes  julgados,  proferidos  pela  Primeira  e  Segunda  Turma  do  STJ,  que  consideram  indiferente  o  adimplemento  dar­se  mediante pagamento em dinheiro ou compensação tributária para a incidência do art. 150 do  CTN:   PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  ART.  74  DA  LEI  9.430/96.  MODIFICAÇÕES  LEGISLATIVAS:  LEI  10.637/02  E  LEI  10.833/03.  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  NOV/1998.  INDEFERIMENTO  ADMINISTRATIVO  DA  COMPENSAÇÃO.  MAI/05.  TRANSCURSO  DE  PRAZO SUPERIOR AO QUINQUÊNIO LEGAL. ART. 150, §4o, DO CTN.  HOMOLOGAÇAÕ TÁCITA. PAGAMENTO ANTECIPADO.   1. No caso concreto, o crédito tributário foi constituído na data do protocolo do   pedido de compensaca̧õ (10/11/1998), por força do §4o do art. 74 da Lei n.  9.430/96.  Logo,  como  até  maio  de  2005,  a  Administração  não  havia  se  manifestado sobre o  referido pleito, ocorreu a homologação  tácita prevista no  §4o  do  art.  150  do  CTN.  2. Recurso especial provido.   (STJ,  REsp  1320994/RS,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/10/2014, DJe 22/10/2014)       TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  ICMS.  LANÇAMENTO  SUPLEMENTAR.  CREDITAMENTO  INDEVIDO.  Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10880.914178/2012­77  Acórdão n.º 9101­003.687  CSRF­T1  Fl. 353          4 PAGAMENTO  PARCIAL.  DECADÊNCIA.  TERMO  INICIAL.  FATO  GERADOR.  ART.  150,  §  4o,  DO  CTN.  1.  O  prazo  decadencial  para  o  lanca̧mento  suplementar  de  tributo  sujeito  a  homologação  recolhido  a menor  em  face  de  creditamento  indevido  é  de  cinco  anos  contados  do  fato  gerador,  conforme a  regra prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Precedentes: AgRg nos  EREsp 1.199.262/MG, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seçaõ, DJe  07/11/2011;  AgRg  no  REsp  1.238.000/MG,  Rel.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  SEGUNDA  TURMA,  DJe  29/06/2012.  2.  Agravo  regimental  não  provido.  (AgRg  no  REsp  1318020/RS,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  15/08/2013,  DJe  27/08/2013)   Prosseguindo a análise ora empreendida, verifica­se que o mesmo se verifica,  por  exemplo,  em  relação  ao  art.  9o,  §  2º,  da  Lei  n.  9.532/97.  Esse  enunciado  prescritivo  estabelece,  em  seu  caput,  que,  “à  opção  da  pessoa  jurídica,  o  saldo  do  lucro  inflacionário  acumulado, existente no último dia útil dos meses de novembro e dezembro de 1997, poderá  ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento”. Para que essa  opção  fosse  exercida, o  legislador  requereu a  sua manifestação mediante o adimplemento do  tributo correspondente, em quota única. Não há sinais de que o legislador procurou se referir a  quitação em dinheiro, mas sim às hipóteses que legitimamente conduzam ao adimplemento da  obrigaçaõ, como é o caso da compensação.   Esse foi precisamente o entendimento adotado por esta 1ª Turma da CSRF,  em julgamento recente sobre o tema:  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Ano­calendário: 2003, 2004  SALDO  ACUMULADO  DE  LUCRO  INFLACIONÁRIO.  REALIZAÇÃO  INTEGRAL EM COTA ÚNICA. COMPENSAÇÃO.  À opção da pessoa jurídica, o saldo do lucro inflacionário acumulado, existente  no  último  dia  útil  dos meses  de  novembro  e  dezembro  de  1997,  poderia  ser  considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento (Lei  n. 9.532/1997, art. 9º). Exercício da opção mediante o adimplemento do valor  correspondente.  A  regular  compensação,  assim  como  a  regular  quitação  em  dinheiro, era meio hábil para o exercício da opção.  DECADÊNCIA. SÚMULA CARF n. 10  O  prazo  decadencial  para  constituição  do  crédito  tributário  relativo  ao  lucro  inflacionário  diferido  é  contado  do  período  de  apuração  de  sua  efetiva  realização.  (CSRF, 9101­002.352, 14/06/2016)  Adentrando  no mérito  do  presente  recurso,  verifica­se  que,  tal  como  se  dá  com os outros dispositivos citados,  incluindo o art. 150 do CTN, embora o art. 138 do CTN,  textualmente  adote  o  termo  “pagamento”,  não  procura  restringir  o  instituto  da  denúncia  espontânea  às  hipóteses  de  quitação  em  dinheiro,  requerendo  o  adimplemento  em  sentido  amplo, o que inclui a compensação tributária.   A Nota Técnica n.  1 COSIT, de 18.01.2012, posteriormente cancelada pela  Nota Técnica no 1 COSIT, de 12.06.2012, chegou a reconhecer de ofício, com o propósito de  colocar  fim  aos  litígios  sobre  a  matéria,  o  sentido  amplo  de  “pagamento”,  para  abrager  hipóteses de adimplemento como a “compensacã̧o”, in verbis:    “18. Com relação à aplicabilidade da denúncia espontan̂ea na compensação de  tributos,  não  se  pode  perder  de  vista  que  pagamento  e  compensacã̧o  se  equivalem; ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são  Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10880.914178/2012­77  Acórdão n.º 9101­003.687  CSRF­T1  Fl. 354          5 exatamente  os  mesmos:  a  extinção  do  crédito  tributário.  Como  consequen̂cia,  a  compensação  também é  instrumento  apto  a  configurar  a  denúncia espontânea.   18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, ao  dar nova redaçaõ ao art. 6° da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991, conferiu à  compensação  o mesmo  tratamento dado ao pagamento para efeito de  redução  das multas de lançamento de ofício.   18.2 Essa  equiparaca̧õ  do  pagamento  e  compensação  na  denúncia  espontânea  resulta  da  aplicação  da  analogia,  prevista  como  método  de  integraçaõ  da  legislação pelo art. 108, I, do CTN.  18.3 Dessa  forma,  respondendo  às  indagações  formuladas  nas  letras  h  e  i  do  item 3 desta Nota Técnica:   a)  se  o  contribuinte  não  declara  o  débito  na  DCTF,  porém  efetua  a  compensação desse débito na Dcomp, sendo os atos de confessar e compensar  concomitantes, aplicasse o mesmo raciocínio previsto no item 10, ou seja, neste  caso resta configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN”     O entendimento esposado pela Nota Técnica n. 1 COSIT, de 18.01.2012 não  merece reparo.  Vale observar que a compensação efetuada pelo contribuinte possui efeito de  pagamento,  sob  condição  resolutória.  Significa  dizer  que,  se  porventura  a  compensação  não  vier  a  ser homologada, perderá a  eficácia a denúncia  espontânea,  com a  exigência do débito  tributário com a multa.   Não obstante  tratar­se de matéria controversa,  seja neste Conselho ou no e.  STJ,  é  importante  observar  as  decisões  deste  Tribunal  que  se  alinham  ao  entendimento  que  acolho no presente voto. A Primeira e a Segunda Turma do STJ apresentam precedentes em  que aplicam a norma do art. 138 do CTN de forma que o termo “pagamento” assuma a acepção  de  “adimplemento”.  Conforme  a  interpretação  levada  a  termo  nos  julgados  a  seguir,  há  denúncia  espontânea  mediante  o  adimplemento  integral  do  débito  tributário  antes  da  ação  fiscal, independentemente deste se dar mediante pagamento em dinheiro ou compensação:   PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  PRESENÇA  DE  OMISSÃO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇAÕ  ACOLHIDOS  COM  EFEITOS  INFRINGENTES.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  RECONHECIMENTO.  TRIBUTO  PAGO  SEM  PROCEDIMENTO  ADMINISTRATIVO  ANTERIOR  E  ANTES  DA  ENTREGA  DA  DCTF  REFERENTE AO IMPOSTO DEVIDO.  1. A decisão embargada afastou o instituto da denúncia espontânea, contudo se  omitiu  para  o  fato  de  que  a  hipótese  dos  autos,  tratada  pelas  instan̂cias  ordinárias, refere­se a  tributo sujeito a  lançamento por homologação,  tendo os  ora embargantes recolhido o imposto no prazo, antes de qualquer procedimento  fiscalizatório administrativo.   2. Verifica­se  estar  caracterizada  a  denúncia  espontânea,  pois  não  houve  constituição  do  crédito  tributário,  seja  mediante  declaração  do  contribuinte,  seja  mediante  procedimento  fiscalizatório  do  Fisco,  anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que,  in casu, se deu com a  compensação de  tributos. Ademais,  a  compensacã̧o  efetuada possui  efeito  de  pagamento  sob  condição  resolutória,  ou  seja,  a  denúncia  espontânea  será  válida  e  eficaz,  salvo  se  o  Fisco,  em  procedimento  homologatório,  verificar algum erro na operação de compensação. Nesse sentido, o seguinte  Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10880.914178/2012­77  Acórdão n.º 9101­003.687  CSRF­T1  Fl. 355          6 precedente:  AgRg  no  REsp  1.136.372/RS,  Rel.  Ministro  HAMILTON  CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, DJe 18/5/2010.   3. Ademais, inexistindo prévia declaração tributária e havendo o pagamento do  tributo antes de qualquer procedimento administrativo, cabível a exclusão das  multas moratórias e punitivas.  4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos.   (STJ,  EDcl  no  AgRg  no  REsp  1375380/SP,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe 11/09/2015)  AGRAVO  REGIMENTAL  EM  RECURSO  ESPECIAL.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇAÕ. VIOLAÇÃO DO  ARTIGO  557  DO  CÓDIGO  DE  PROCESSO  CIVIL.  INOCORRÊNCIA.  EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE.  IMPROVIMENTO.   1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em  óbice  para  que  o  relator  julgue  o  recurso  especial  com  fundamento  no  artigo  557 do Código de Processo Civil.  2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do  tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante  declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer  procedimento  fiscal,  as  multas  moratórias  ou  punitivas  devem  ser  excluídas.   3. Agravo regimental improvido.  (STJ,  AgRg  no  REsp  1136372/RS,  Rel.  Ministro  HAMILTON  CARVALHIDO,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  04/05/2010,  DJe  18/05/2010,   O mesmo  entendimento  tem  sido  adotado  por  este Tribunal  administrativo,  como se observa desta recente decisão da 1ª Turma Ordinaŕia da 4ª Câmara da 3a Seçaõ:   CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO  HOMOLOGADA.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA  CARACTERIZADA.  EXCLUSÃO  DA  MULTA  DE  MORA.  STJ.  RECURSO  REPETITIVO.  REPRODUÇÃO  NO  CARF  .  Extinto,  por  meio  de  Declaração  de  Compensação  homologada,  Crédito  tributário  antes  não  declarado  à  administraçaõ  tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no  art.  138  do  Código  Tributário  Nacional,  com  exclusão  da  multa  de  mora  segundo  interpretaçaõ  do  Superior  Tribunal  de  Justica̧  em  julgamento  de  recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF.   (Acórdão 3401002.706, Sessão de 21/08/2014)   Nesse cenário, a norma do art. 138 do CTN não se aplica apenas às hipóteses  de  pagamento  em  dinheiro:  a  norma  de  denúncia  espontânea  incide  igualmente  em  face  de  outras  hipóteses  em  que  haja  equivalente  adimplemento,  como  é  o  caso  da  regular  compensação  tributária.  Não  se  trata  de  interpretaçaõ  ampliativa  ou  restrintiva,  mas  de  reconhecimento  do  âmbito  de  incidência  prescrito  pelo  legislador.  Não  há  que  se  falar,  por  conseguinte, em ofensa ao art. 111 do CTN.   Por  todo  o  exposto,  voto  por  conhecer  e DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  especial.  (assinado digitalmente)  Luís Flávio Neto    Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10880.914178/2012­77  Acórdão n.º 9101­003.687  CSRF­T1  Fl. 356          7                                 Fl. 302DF CARF MF

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Numero do processo: 13603.724500/2011-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 INSUMOS. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Sendo o acórdão paradigma divergente do recorrido em matéria do critério jurídico de avaliação do que seja insumo para fins de PIS e Cofins não cumulativo, há que se admitir seu conhecimento. PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva. PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-007.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Demes Brito, Andrada Márcio Canuto Natal e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, quanto ao conhecimento do recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Acórdão nº  9303­007.229  –  3ª Turma   Sessão de  11 de julho de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.  DIREITO DE CRÉDITOS.  Recorrentes  FAZENDA NACIONAL E              CNH INDUSTRIAL LATIN AMÉRICA LTDA    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008  INSUMOS.  ADMISSIBILIDADE  DO  RECURSO  ESPECIAL  DE  DIVERGÊNCIA.   Sendo o  acórdão  paradigma divergente  do  recorrido  em matéria do  critério  jurídico  de  avaliação  do  que  seja  insumo  para  fins  de  PIS  e  Cofins  não  cumulativo, há que se admitir seu conhecimento.  PIS  E  COFINS.  CONCEITO  DE  INSUMO.  CRITÉRIO  DA  ESSENCIALIDADE.   De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do  art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser  interpretado  dentro  do  conceito  da  essencialidade,  desde  que  o  bem  ou  serviço seja essencial a atividade produtiva.  PIS  E  COFINS.  CRÉDITO.  FRETE  NA  TRANSFERÊNCIA  DE  PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA  EMPRESA. POSSIBILIDADE.   Cabe  a  constituição  de  crédito  de  PIS/Pasep  e  da  Cofins  sobre  os  valores  relativos a  fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da  mesma  empresa,  considerando  sua  essencialidade  à  atividade  do  sujeito  passivo.  Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar  ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art.  3º,  inciso  IX,  da  Lei  10.637/02  eis  que  a  inteligência  desses  dispositivos  considera  para  a  r.  constituição  de  crédito  os  serviços  intermediários  necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação”     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 45 00 /2 01 1- 54 Fl. 3979DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 3          2 de  venda.  O  que,  por  conseguinte,  cabe  refletir  que  tal  entendimento  se  harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação  de  venda”,  e  não  “frete  de  venda”  quando  impôs  dispositivo  tratando  da  constituição de crédito das r. contribuições.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros  do  colegiado,  por maioria  de  votos,  em  conhecer do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional,  vencidos  os  conselheiros  Demes  Brito,  Andrada  Márcio Canuto Natal e Tatiana Midori Migiyama, que não conheceram do recurso. No mérito,  por  maioria  de  votos,  em  negar­lhe  provimento,  vencidos  os  conselheiros  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Jorge  Olmiro  Lock  Freire  e  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  que  lhe  deram  provimento  parcial.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  conselheiro  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  quanto  ao  conhecimento  do  recurso.  Votou  pelas  conclusões  o  conselheiro  Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, os membros do colegiado, por unanimidade de  votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos em  dar­lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de  Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento.  (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas (Presidente em exercício).        Relatório  Trata­se  de  recursos  especiais  de  divergência  interpostos  pela  Fazenda  Nacional  e  pelo Contribuinte,  ao  amparo  do  art.  67,  do Anexo  II,  do Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343,  de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3301­002.796, de 29/01/2016, que deu parcial  provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: I) negar o direito ao creditamento do  PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF);  II)  reconhecer  em  parte  o  direito  a  creditamento  para  que  sejam  admitidos  os  créditos  calculados  pelo  sujeito  passivo  em  relação  aos  serviços  pagos  à  GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos  Ltda.  (item  3.2  do  TVF);  III)  manter  o  entendimento  da  fiscalização  pela  impossibilidade  de  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  (item  3.4  do  TVF),  ou  ainda,  pelos  fretes  do  transporte  de mercadorias  destinadas  ao  ativo  imobilizado  ou  a uso  e  consumo  (item 3.5  do  TVF); IV) quanto à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela “falta de identificação das  mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial provimento ao recurso, nos termos  Fl. 3980DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 4          3 dos  cálculos  apresentados  pela  autoridade  fiscal  no  relatório  de  diligência; V)  concernente  à  reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos  pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de  compensação  ou  de  ressarcimento,  em  vista  das  compras  das  máquinas  e  dos  veículos  destinadas  à  revenda; VI)  quanto  ao  reposicionamento  dos  créditos  (item  4.3  do  TVF),  dar  parcial  provimento  ao  recurso  para  permitir  o  ajuste  necessário  de  forma  a  considerar  a  incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas até o término de cada trimestre  data  a  partir  da  qual  a  contribuinte  passou  a  ter  direito  ao  crédito; VII)  negar  provimento  quanto à retificação dos erros de cálculo.  A decisão recorrida restou assim ementada:  ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008  COFINS.  REGIME  DA  NÃOCUMULATIVIDADE.  CREDITAMENTO  PELA  AQUISIÇÃO  DE  BENS  DESTINADOS  AO  ATIVO  IMOBILIZADO  E  NÃO  UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.  O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento  em  relação  a  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado além de seu emprego para locação a terceiros a seu uso “na produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços”.  Portanto,  o  legislador  restringiu  o  creditamento  da  contribuição  à  aquisição  de  bens  diretamente  empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não  sendo  razoável  admitir  que  seja  passível  do  cômputo  de  créditos  a  aquisição  irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo.   COFINS.  REGIME  DA  NÃOCUMULATIVIDADE.  UTILIZAÇÃO  DE  BENS  E  SERVIÇOS  COMO  INSUMOS.  CREDITAMENTO.  AMPLITUDE  DO  DIREITO.  REALIDADE  FÁTICA.  SERVIÇOS  ENQUADRADOS  PARCIALMENTE  COMO  INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO  EM PARTE.  No regime de incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637  de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário  pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens  ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas  ressalvas legais.   O  escopo  das  mencionadas  leis  não  se  restringe  à  acepção  de  insumo  tradicionalmente  proclamada  pela  legislação  do  IPI  e  espelhada  nas  Instruções  Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais  abrangente,  posto  que  não  há,  nas  Leis  nos  10.637/02  e  10.833/03,  qualquer  menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão  limitativa  à  tomada  de  créditos  relativos  somente  às  matérias­primas,  produtos  intermediários e materiais de embalagem.  Contudo,  deve  ser  afastada  a  interpretação  demasiadamente  elástica  e  sem  base  legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível  prevista  na  legislação  do  imposto  de  renda,  posto  que  a  Lei,  ao  se  referir  expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a  que  se  considerem  como  insumos  passíveis  de  creditamento  despesas  que  não  se  relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.  Fl. 3981DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 5          4 Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da  COFINS um sentido próprio,  extraído da materialidade desses  tributos  e atento à  sua  conformação  legal  expressa:  são  insumos  os  bens  e  serviços  utilizados  (aplicados  ou  consumidos)  diretamente  no  processo  produtivo  (fabril)  ou  na  prestação  de  serviços  da  empresa,  ainda  que,  no  caso  dos  bens,  não  sofram  alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação.  Realidade  em  que  a  empresa,  fabricante  de  máquinas  e  equipamentos  de  grande  porte,  busca  se  creditar  da  contribuição  em  função  de  serviços  com  despacho  aduaneiro,  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária  e  societária,  serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades  de  caráter  meramente  administrativo,  e  que,  por  não  estarem  relacionados  diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento.  Diferentemente,  poderão  alicerçar  creditamento  os  serviços  relacionados  ao  controle de fluxo de produção e de estoque nas  instalações  fabris  (sistema  just  in  time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS  CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA  DE  PRODUTO  ACABADO  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  INTERESSADA,  OU  AINDA,  PELOS  FRETES  DO  TRANSPORTE  DE  MERCADORIAS  DESTINADAS  AO  ATIVO  IMOBILIZADO  OU  A  USO  E  CONSUMO.  IMPOSSIBILIDADE.  No regime da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de  creditamento  em  relação  a  despesas  com  frete  e  armazenagem  de mercadorias  é  restrita  aos  casos  de  venda  de  bens  adquiridos  para  revenda  ou  produzidos  pelo  sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo.  Logo, por  falta de previsão  legal,  é  inadmissível o creditamento em  face de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo  imobilizado ou a uso e consumo.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS  CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE  INSUMOS  ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE.  O  regime  da  não  cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  admite  o  creditamento  calculado  a  partir  de  despesas  com  fretes  pagos  na  compra  de  insumos adquiridos de pessoas jurídicas.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL.  A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do  PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação  de  mercadorias  ou  de  serviços  para  o  exterior  (sobre  as  quais  não  incidem  as  contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do  artigo  3º  das  Leis  nos  10.637/2002  e  10.833/2003,  bem  como  os  créditos  decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações no caso  de  pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  regime  da  não­cumulatividade  nas  hipóteses  albergadas  pelo  artigo  15  da  Lei  nº  10.865/2004,  dentre  as  quais  se  inclui  a  aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004).  Fl. 3982DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 6          5 COFINS.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  SALDO  CREDOR.  COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO.  Poderá  ser  objeto  de  compensação  ou  de  ressarcimento  o  saldo  credor  da  Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das  Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004,  acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção,  pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção,  alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS  (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004).  Recurso ao qual se dá parcial provimento.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente  julgado.  Vencidos  os  Conselheiros  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Maria  Eduarda Alencar Câmara Simões  e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a  creditamento  também  inerente  aos  fretes  pelo  transporte  na  transferência  de  produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente  aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado".  O acórdão foi cientificado pelo e­processo à Fazenda, que interpôs embargos  declaratórios alegando omissões no julgado. Todavia, os embargos foram rejeitados.  Não conformada com tal decisão a Fazenda Nacional apresentou o presente  Recurso,  aduzindo  divergência  de  interpretação  da  legislação  tributária  referente  ao  conceito  geral de  insumos para  fins do direito à  tomada de créditos do PIS e da Cofins no  regime da  não­cumulatividade. Para comprovar a divergência apontou o acórdão nº 203­12.448.  Em  seguida,  mediante  despacho  de  admissibilidade,  o  Presidente  da  3ª  Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento parcial ao Recurso, apenas quanto ao conceito  geral de insumos para fins de tomada de créditos das contribuições não cumulativas.   Inconformada  com  o  seguimento  parcial  dado  ao  Recurso,  a  Fazenda  Nacional apresentou agravo. Contudo, o Presidente do CARF, com fundamento no artigo 71,  do Anexo II do RICARF, rejeitou o agravo interposto.  Por sua vez, a Contribuinte apresentou contrarrazões ao especial da Fazenda  e  também  interpôs  Recurso  Especial  aduzindo  divergência  de  interpretação  da  legislação  tributária  referente  a  quatro  matérias:  1)  creditamento  dos  valores  despendidos  com  o  treinamento  de  funcionários;  2)  crédito  relativo  a  serviços  terceirizados  nas  áreas  de  planejamento e gestão de sistemas de controles deve ser  reconhecido; 3) crédito  referente ao  transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos da Recorrente e 4) possibilidade de  juntada e da análise das provas apresentadas pelo contribuinte a qualquer tempo.   Para comprovar a divergência,  aponta os acórdãos nºs 3401­002.857, 3402­ 001.982, 3401­002.075.  O  Presidente  da  3º  Câmara  da  3º  Seção  do  CARF,  mediante  despacho  de  admissibilidade, deu seguimento parcial ao Recurso, admitindo apenas a rediscussão referente  ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos.   Fl. 3983DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 7          6 Inconformada  com  o  seguimento  parcial  de  seu  recurso,  a  Contribuinte  apresentou agravo no qual alega que as matérias referentes ao aproveitamento dos custos com  treinamento  de  pessoal,  com  serviços  terceirizados  nas  áreas  de  planejamento  e  gestão  de  sistemas  de  controle  e  com  a  juntada  e  análise  de  provas  a  qualquer  tempo,  foram  prequestionadas e que as respectivas divergências foram devidamente demonstradas.  O Presidente do CARF entendeu estar correto o despacho de admissibilidade,  e não conheceu do Agravo por ausência de prequestionamento, nos termos do inciso V, do §3º,  do art. 71, do RICARF.  Devidamente  cientificada,  a  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  pugnando pelo improvimento do Recurso.   No essencial, é o Relatório.        Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­007.068, de  11/07/2018, proferido no julgamento do processo 13603.724491/2011­00, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos  que  prevaleceram  naquela  decisão,  quanto  à  admissibilidade  dos  recursos  e  quanto ao mérito (Acórdão 9303­007.068):  Da admissibilidade  "Restrinjo­me  à  redação  do  presente  voto  vencedor  apenas  com  relação  ao  conhecimento do  recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, por,  também nesse ponto, respeitosamente, discordar do relator.  No recurso especial da Procuradora foram suscitadas duas divergências:  a) quanto ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de PIS e Cofins,  no regime da não cumulatividade; e  b) quanto ao direito de crédito de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade,  calculado sobre insumos que antecedem o processo produtivo.   O despacho do Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamentos admitiu  apenas a divergência descrita em a), que  trata do conceito genérico de  insumo para  fins dos  Fl. 3984DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 8          7 gastos geradores de créditos para as contribuições do PIS e Cofins não cumulativas. Inadmitida  essa divergência, caberia a segunda, que trata de um gasto específico com serviços de logística  considerados, ou não, antecedentes ao processo produtivo.  Inicio  por  salientar  que  a  própria  contribuinte  não  indica  qualquer  argumento  que  leva  ao  não  conhecimento  do  recurso  especial  da  Fazenda,  afirmando  apenas  sua  improcedência.  O trecho do voto condutor do acórdão paradigma de nº 203­12.448,  trazido a baila  pela Procuradora claramente demonstra um conceito mais restritivo de insumo do que aquele  utilizado no acórdão recorrido, ao tomar por base a legislação do IPI para tal, senão vejamos:  Assim,  a  legislação  do  IPI  é  a  mais  adequada  para  estabelecer  o  conceito de “insumos” no contexto da expressão “insumos utilizados  na fabricação de produtos”. E como é sabido, o conceito de “insumo”  já  foi  consagrado  pelo  Parecer  Normativo  nº  65/79,  nos  seguintes  termos: geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao  produto final (matérias­primas e produtos intermediários strito sensu e  material  de  embalagem),  quaisquer  outros  bens,  desde  que  não  contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram,  em  função  de  ação  exercida  diretamente  sobre  o  produto  em  fabricação,  ou  por  ele  diretamente  sofrida,  alterações  tais  como  o  desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas.”  (Negritei.)   Partindo desse entendimento, como bem argumentou a Procuradora, para considerar  bens  ou  serviços,  como  insumos,  faz­se  necessário  o  emprego  destes  diretamente  sobre  os  produtos  utilizados  na  fabricação,  e,  nesse  sentido,  desde  que  não  contabilizados  pelo  contribuinte  no  seu  ativo  permanente,  que  sofram,  em  função  de  ação  exercida  diretamente  sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste,  o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Claramente a vinculação com o critério  de insumo do IPI está posta no paradigma. Já o acórdão a quo se posiciona claramente noutro  sentido, o que já se observa no seguinte extrato de sua ementa:  O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo  tradicionalmente proclamada pela  legislação do IPI e espelhada nas  Instruções Normativas  SRF  nos  247/2002  (art.  66,  §  5º)  e  404/2004  (art. 8º, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos  10.637/02 e10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito  de  insumo  destinado  ao  IPI,  nem  previsão  limitativa  à  tomada  de  créditos relativos somente às matérias­primas, produtos intermediários  e materiais de embalagem.  (...)  (Negritei.)  Assim, há desde logo que se admitir a existência da divergência arguida no recurso  especial e analisar­se a posteriori a situação fática dos serviços de logística para utilização da  sistemática just in time. Nesse ponto, há discussão específica no paradigma que foi em seguida  apresentado, o acórdão nº 9303­002.659, especificidade esta que fica bem aparente no excerto  do voto vencedor abaixo transcrito:  Essa  posição  majoritária,  portanto,  acentua  a  necessidade  de  que  o  consumo  ocorra  durante  a  produção,  isto  é,  que  o  bem  (ou  serviço)  seja  consumido  enquanto  perdura  o  processo  produtivo,  entendido  este,  obviamente,  em  sentido  amplo  para  englobar  até  mesmo  a  “produção”  de  serviços.  Afastam­se,  em  conseqüência,  os  gastos  Fl. 3985DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 9          8 ocorridos  antes  ou  depois  de  iniciado  aquele  processo  por  mais  que  possam ser necessários à produção.  (Negritei.)  Nessa  quadra,  a  especificidade,  de  acordo  com  a  Procuradora  da  Fazenda  seria  a  prestação  de  serviços  anteriores  à  produção, mas  pela  leitura  adotada  pelo  Presidente  da  3ª  Câmara em seu despacho ás e­fls. 3683 a 3687, o acórdão recorrido entendia que os serviços  em questão estavam sendo aplicados na produção; inexistiria divergência por serem situações  fáticas distintas.   O  afastamento  desta  última divergência  em nada  afetaria  a  primeira,  que,  no meu  entender,  foi  corretamente  conhecida.  Assim,  a  divergência  quanto  ao  critério  de  insumo,  utilizando,  ou  não,  aquele  da  legislação  do  IPI,  estava  adequadamente  posta,  apesar  de  a  divergência específica quanto aos serviços da GFL ­ Gestão de Fatores Logísticos Ltda serem  anteriores à produção, não o estava por falta de similitude fática.  Concluindo, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria  da Fazenda Nacional relativamente ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos  de PIS e Cofins, no regime da não­cumulatividade."  (..)1  Do mérito  "1. Interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que  trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003  Com  efeito,  já  consignei  meu  entendimento  intermediário  sobre  o  conceito  de  insumos  no Sistema de Apuração Não­Cumulativo  das Contribuições,  penso  que  o  conceito  adotado  não  pode  ser  restritivo  quanto  o  determinado  pela  Fazenda,  mas  também  não  tão  amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes.   Sem  embargo,  a  jurisprudência  Administrativa  e  dos  Tribunais  Superiores  vem  admitindo  o  aproveitamento  de  crédito  calculado  com  base  nos  gastos  incorridos  pela  sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente  vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções  Normativas.  De  fato,  salvo  melhor  juízo,  não  se  vê  razão  para  que  conceito  de  insumo  seja  determinado  pelos  mesmos  critérios  utilizados  na  apuração  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados ­ IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários.  A  legislação  que  introduziu  o  Sistema  Não­Cumulativo  de  apuração  das  Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação  contábil,  compreendendo  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.  Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base  imponível.                                                              1 A  admissibilidade  do  recurso  especial  do  contribuinte  não  foi  contestada  pelo  relator  do  processo  paradigma  (Acórdão 9303­007.068). A divergência entre os Conselheiros, quanto ao conhecimento, foi apenas em relação ao  recurso da Fazenda Nacional, que restou conhecido por maioria de votos. Assim, ao final, os dois recursos foram  conhecidos pelo Colegiado.  Fl. 3986DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 10          9 Levando­se em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a  incidência  não  ocorra  ao  longo das  diversas  etapas  de  um determinado processo  sem que  o  contribuinte  possa  reduzir  de  seu  encargo  aquilo  do  que  foi  onerado  no momento  anterior,  ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo  próprio das Contribuições,  terminaríamos por  concluir  que,  a um débito  tributário  calculado  sobre  o  total  das  receitas,  haveria  de  fazer  frente  um  crédito  calculado  sobre  o  total  das  despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que  os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei.  Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite  apenas  que  se  considerem  as  despesas  com  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à venda,  jamais referindo­se à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos  que  não  se  incluem  nesse  conceito  e  dão  direito  ao  crédito  são  listados  um  a  um  nos  itens  seguintes, de forma exaustiva.  Neste  quadro,  para  corroborar  com minha  interpretação,  invoco  as  lições  do Prof.  Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica:   “Então,  ao  contrário  do  que  se  diz  na  dogmática  jurídica,  não  interpretamos  para,  só  depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a  explicitação  de  compreendido,  para  usar  as  palavras  de Gadamer,  em  seu Wahrheit  und  Method.  Essa  explicitação  (justificação  do  compreendido)  necessita  sempre  de  uma  estruturação no plano 2argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”).  A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação,  contendo  a  reconstrução  do  direito,  doutrinária  e  jurisprudencialmente,  confrontando  tradições,  enfim,  colocando  a  lume  a  fundamentação  jurídica  que,  ao  fim  e  ao  cabo,  legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete  no paradigma do Estado Democrático de Direito3”.  Outrossim,  se  admitíssemos  a  tese  de  que  insumo  denota  conceito  amplo,  abrangendo  todos  os  gastos  destinados  à  obtenção  do  resultado  da  pessoa  jurídica,  nos  depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de  crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para  o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda.  Insumos,  tal  como  definido  e  para  os  fins  a  que  se  propõe  o  artigo  3º  da  Lei  nº  10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços  que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o  negócio  da  empresa. Na  atividade  comercial,  sendo  o  negócio  a  venda  dos  bens  no mesmo  estado em que foram comprados, o direito ao crédito  restringe­se ao gasto na aquisição para  revenda.  Na  indústria,  uma  vez  que  a  transformação  é  intrínseca  à  atividade,  o  conceito  abrange  tudo  aquilo  que  é  diretamente  essencial  a  produção  do  produto  final,  conceito  igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços.  Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação  de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no  comércio.                                                              2   3  STRECK,  Lenio  Luiz.  Hermenêutica,  Estado  e  Política:  uma  visão  do  papel  da  Constituição  em  países  periféricos.  In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite  (org.). Reflexões sobre  Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis:  Conceito Editorial, 2008; p. 242.  Fl. 3987DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 11          10 Em  que  pese  esta  E.  Câmara  Superior  já  ter  definido  o  conceito  de  insumos,  a  matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça –  STJ sob julgamento no rito do art. 543­C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015),  estabeleceu  conceito  de  insumo  tomando  como diretrizes  os  critérios da  essencialidade  e/ou  relevância. Senão vejamos:   TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS.  DEFINIÇÃO  ADMINISTRATIVA  PELAS  INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO  RESTRITIVO  E  DESVIRTUADOR  DO  SEU  ALCANCE  LEGAL.  DESCABIMENTO.  DEFINIÇÃO  DO  CONCEITO  DE  INSUMOS  À  LUZ  DOS  CRITÉRIOS  DA  ESSENCIALIDADE  OU  RELEVÂNCIA.  RECURSO  ESPECIAL  DA  CONTRIBUINTE  PARCIALMENTE  CONHECIDO,  E,  NESTA  EXTENSÃO,  PARCIALMENTE  PROVIDO,  SOB O RITO DO ART. 543­C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015).  1.  Para  efeito  do  creditamento  relativo  às  contribuições  denominadas  PIS  e  COFINS,  a  definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004,  ambas  da  SRF,  efetivamente  desrespeita  o  comando  contido  no  art.  3o.,  II,  da  Lei  10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo.  2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância,  vale dizer, considerando­se a  imprescindibilidade ou a  importância de determinado  item –  bem  ou  serviço  –  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  contribuinte.  3.  Recurso  Especial  representativo  da  controvérsia  parcialmente  conhecido  e,  nesta  extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem,  a  fim  de  que  se  aprecie,  em  cotejo  com  o  objeto  social  da  empresa,  a  possibilidade  de  dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e  lubrificantes,  materiais  e  exames  laboratoriais,  materiais  de  limpeza  e  equipamentos  de  proteção  individual­EPI.  4. Sob o rito do art. 543­C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam­se  as  seguintes  teses:  (a)  é  ilegal  a  disciplina  de  creditamento  prevista  nas  Instruções  Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema  de  não­cumulatividade  da  contribuição  ao  PIS  e  da COFINS,  tal  como  definido  nas  Leis  10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios  de  essencialidade  ou  relevância,  ou  seja,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância  de  terminado  item  ­  bem  ou  serviço  ­  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica desempenhada pelo Contribuinte.  (Resp n.º Nº 1.221.170  ­ PR (2010/0209115­ 0), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho).  Como  visto,  a  Relatora  Ministra  Regina  Helena  Costa,  reiterou  os  conceitos  do  que  já  vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos:   Essencialidade  considera­se  o  item  do  qual  dependa,  intrínseca  e  fundamentalmente,  o  produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo  ou  da  execução  do  serviço,  ou,  quando  menos,  a  sua  falta  lhes  prive  de  qualidade,  quantidade e/ou suficiência;  Relevância  considerada  como  critério  definidor  de  insumo,  é  identificável  no  item  cuja  finalidade,  embora não  indispensável à  elaboração do próprio produto ou à prestação do  serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva  (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na  agroindústria),  seja por  imposição  legal  (v.g.,  equipamento de proteção  individual  ­ EPI),  distanciando­se,  nessa  medida,  da  acepção  de  pertinência,  caracterizada,  nos  termos  propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.  Deste modo, infere­se do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo  deve  “ser  aferido  à  luz  dos  critérios  da  essencialidade  ou  da  relevância,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  ainda  a  importância  de  determinado  item,  bem  ou  serviço  para  o  Fl. 3988DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 12          11 desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  contribuinte”,  ou  seja,  caracteriza­se  insumos,  para  fins  das  contribuições  do  PIS  e  da  COFINS,  todos  os  bens  e  serviços,  empregados  direta  ou  indiretamente  na  prestação  de  serviços,  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  e  que  se  caracterizem  como  essenciais  e/ou  relevantes  à  atividade econômica da empresa.  Sem embargo,  restou ainda decidido  ilegais as  IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que  tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que  somente  se  enquadrariam  os  bens  e  serviços  “aplicados  ou  consumidos”  diretamente  no  processo produtivo.  Desta  forma,  o  STJ  adotou  conceito  intermediário  de  insumo  para  fins  da  apropriação  de  créditos  de  PIS  e  COFINS,  o  qual  não  é  tão  restrito  como  definido  na  legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no  Regulamento  do  Imposto  de Renda, mas  que  privilegia  a  essencialidade  e/ou  relevância  de  determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma  particularizada. Neste aspecto, observa­se que se trata de matéria essencialmente de prova de  ônus do contribuinte.  Em  que  pese  a  matéria  estar  parcialmente  decidida  pelo  Poder  Judiciário,  pelo  menos ao meu juízo, mantenho meus critérios de julgamento para análise de caso a caso, para  que se possa aferir de fato se os insumos são essenciais atividade empresária.     Recurso da Procuradoria  Por sua vez, o exame de admissibilidade do Recurso, o examinador entendeu que a  divergência  instaurada  diz  respeito  quanto  aos  insumos  serem  diretamente  vinculados  à  produção, ou não, os serviços de controle de estoque “just  in  time” prestados pela GFL, que  segundo o acórdão recorrido são relativos a “controle de fluxo de componentes nas instalações  fabris”.  E  tal  divergência  existe  entre  o  acórdão  recorrido  e  a  Fazenda, mas  não  perante  o  paradigma, que não trata desse tipo de serviço especificamente.  Com  efeito,  a  decisão  recorrida  deu  parcial  provimento  ao  Recurso  Voluntário  referente  "à  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  fretes  pela  falta  de  identificação  das  mercadorias  transportadas”  (item  3.7  do  TVF),  nos  termos  dos  cálculos  apresentados  pela  autoridade fiscal no relatório de diligência de fls. 3565/3570".  A  matéria  aceita  como  divergente,  diz  respeito  a  interpretação  da  legislação  tributária referente ao conceito geral de insumos que geram direito a créditos de Pis e Cofins  no regime da não­cumulatividade.  Sem embargo, o conceito de  insumos  foi  levado ao poder judiciário e,  em recente  decisão  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  –  STJ  sob  julgamento  no  rito  do  art.  543­C  do  CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu o conceito tem como diretrizes  os critérios da essencialidade e/ou relevância.  A  jurisprudência  Administrativa  e  dos  Tribunais  Superiores  vem  admitindo  o  aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária  e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados.  A  legislação  que  introduziu  o  Sistema  Não­Cumulativo  de  apuração  das  Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação  ou  Fl. 3989DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 13          12 classificação  contábil,  compreendendo  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.  Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base  imponível.  Levando­se em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a  incidência  não  ocorra  ao  longo das  diversas  etapas  de  um determinado processo  sem que  o  contribuinte  possa  reduzir  de  seu  encargo  aquilo  do  que  foi  onerado  no momento  anterior,  ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo  próprio das Contribuições,  terminaríamos por  concluir  que,  a um débito  tributário  calculado  sobre  o  total  das  receitas,  haveria  de  fazer  frente  um  crédito  calculado  sobre  o  totaldas  despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que  os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei.  Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite  apenas  que  se  considerem  as  despesas  com  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à venda,  jamais referindo­se à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos  que  não  se  incluem  nesse  conceito  e  dão  direito  ao  crédito  são  listados  um  a  um  nos  itens  seguintes, de forma exaustiva.  Insumos,  tal  como  definido  e  para  os  fins  a  que  se  propõe  o  artigo  3º  da  Lei  nº  10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços  que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o  negócio  da  empresa. Na  atividade  comercial,  sendo  o  negócio  a  venda  dos  bens  no mesmo  estado em que foram comprados, o direito ao crédito  restringe­se ao gasto na aquisição para  revenda.  Na  indústria,  uma  vez  que  a  transformação  é  intrínseca  à  atividade,  o  conceito  abrange  tudo  aquilo  que  é  diretamente  essencial  a  produção  do  produto  final,  conceito  igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços.  Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação  de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no  comércio.  Recurso da Contribuinte   Créditos  inerentes  aos  fretes  pelo  transporte  na  transferência  de  produtos  acabados entre estabelecimentos  Conforme  depreende­se  do  despacho  de  admissibilidade  a  matéria  aceita  como  divergente  diz  respeito  ao  direito  de  crédito  de  fretes  pelo  transporte  na  transferência  de  produtos acabados entre estabelecimentos.  Em homenagem  ao  princípio  da Colegiabilidade,  a matéria  referente  ao  direito  de  crédito de PIS e COFINS em operações de frete na transferência de produtos acabados entre  estabelecimentos da mesma empresa, foi julgado por esta E. Câmara Superior pela sistemática  dos recursos repetitivos previsto nos §§ 1º e 2º do artigo 47 do RICARF, na sessão de 17 de  maio de 2017, acórdão nº 9303­005.132, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa  Pôssas, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevê­lo, o qual utilizo como  fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer  parte integrante do presente voto:  "O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada  pelo  art.  47,  §§  1º  e  2º,  do RICARF,  aprovado  pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no  Fl. 3990DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 14          13 Acórdão  9303005.116,  de  17/05/2017,  proferido  no  julgamento  do  processo  11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos  que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do  recurso  e quanto  ao mérito (Acórdão 9303005.116):  "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se  constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que  não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores  de  fretes  de  produtos  acabados  realizados  entre  os  estabelecimentos  da  mesma  empresa,  somente  tendo  direito  de  crédito  o  frete  contratado  para  entrega  de  mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor.  Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiu­se que as despesas com  fretes  para  transporte  de  produtos  em  elaboração  e,  ou  produtos  acabados  entre  estabelecimentos,  pagas  e/ou  creditadas  às  pessoas  jurídicas,  mediante  conhecimento  de  transporte  ou  de  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços,  geram  créditos  de  PIS  e  Cofins,  passiveis  de  dedução  da  contribuição  devida  e/ou  de  ressarcimento/compensação.  Quanto  às  Contrarrazões  apresentadas,  não  se  devem  ignorá­las,  pois  foram  apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional.  Ventiladas  tais  considerações,  importante,  a  priori,  discorrer  sobre  os  critérios  a  serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de  PIS  e  de  Cofins  trazida  pelas  Leis  10.637/02  e  10.833/03,  bem  como  para  a  aplicação  do  art.  3º,  inciso  IX,  das  referidas  Leis  (“IX  –  armazenagem  de  mercadoria  e  frete  na  operação de  venda, nos  casos  dos  incisos  I  e  II,  quando o  ônus for suportado pelo vendedor”).  Em  relação  ao  conceito  de  insumo,  para  fins  de  fruição  do  crédito  de  PIS  e  da  COFINS  não  cumulativos,  não  é  demais  enfatizar  que  se  trata  de  matéria  controvérsia.  Eis  que  a  Constituição  Federal  não  outorgou  poderes  para  a  autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade.  O que,  por  conseguinte,  concluo  que a devida observância  da  sistemática  da não  cumulatividade  exige  que  se  avalie  a  natureza  das  despesas  incorridas  pelo  contribuinte  –  considerando  a  legislação  vigente,  bem  como  a  natureza  da  sistemática da não cumulatividade.  Sempre  que  estas  despesas/custos  se  mostrarem  essenciais  ao  exercício  de  sua  atividade,  devem  implicar,  a  rigor,  no  abatimento  de  tais  despesas  como  créditos  descontados  junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se  tem  critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o  bem produzido ou  composição  ao  produto  final),  enquanto,  no PIS  e  na COFINS  essa definição sofre contornos subjetivos.  Tenho que, para se estabelecer o que é o  insumo gerador do crédito do PIS e da  COFINS, ao meu  sentir,  torna­se necessário analisar a  essencialidade do bem ao  processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente.  Continuando,  frise­se  tal  entendimento  que  vincula  o  bem  e  serviço  para  fins  de  instituição  do  crédito  do  PIS  e  da  Cofins  com  a  essencialidade  no  processo  produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa:  "O  conceito  de  insumo,  que  confere  o  direito  de  crédito  de  PIS/Cofins  não­ cumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria­prima, produto intermediário  e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração  Fl. 3991DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 15          14 de  insumo,  para  o  efeito  das  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003,  depende  da  demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente  desenvolvida pelo contribuinte."  Vê­seque na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico  de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do  que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que  integram o custo de produção.  Ademais, nota­se que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar  que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins  de  conceituação  de  insumo  o  que,  em  respeito  a  segurança  jurídica  das  jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a  observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo,  afastando  o  entendimento  restritivo  dado  pela  autoridade  fazendária  na  IN  SRF  247/02.  Não  obstante  a  esses  pontos,  ressurgindo­me  à  questão  posta,  passo  a  discorrer  sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições.  Em  30  de  agosto  de  2002,  foi  publicada  a Medida  Provisória  66/02,  que  dispôs  sobre  a  sistemática  não  cumulativa  do  PIS,  o  que  foi  reproduzido  pela  Lei  10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a  apropriação de  créditos  calculados  em  relação a  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos na fabricação de produtos destinados à venda.  É a seguinte a redação do referido dispositivo:  “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar  créditos calculados em relação a:  [...]  II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  exceto  em  relação  ao  pagamento  de  que  trata  o  art.  2º  da  Lei  no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições 87.03 e 87.04 da TIPI;”  Em relação à COFINS, tem­se que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP  135/03,  convertida  na  Lei  10.833/03,  que  dispôs  sobre  a  sistemática  não  cumulatividade  dessa  contribuição,  destacando  o  aproveitamento  de  créditos  decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica  àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus):  “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar  créditos calculados em relação a:  [...]  II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  exceto  em  relação  ao  pagamento  de  que  trata  o  art.  2º  da  Lei  nº10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”.  Posteriormente,  em  31  de  dezembro  de  2003,  foi  publicada  a  Emenda  Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195:  Fl. 3992DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 16          15 “Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  e  das  seguintes  contribuições:  [...]  §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições  incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.”  Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática  da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do  legislador ordinário.  Vê­se,portanto,  em  consonância  com  o  dispositivo  constitucional,  que  não  há  respaldo  legal  para  que  seja  adotado  conceito  excessivamente  restritivo  de  "utilização  na  produção"  (terminologia  legal),  tomando­o  por  "aplicação  ou  consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep  e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação  própria do IPI.  Nessa  lei,  há  previsão  para  que  sejam  utilizados  apenas  subsidiariamente  os  conceitos  de  produção,  matéria  prima,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem previstos na legislação do IPI.  É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo,  diferentemente  do  PIS  e  da  Cofins  que  são  contribuições  que  incidem  sobre  a  receita, nos termos da legislação vigente.  E  nessa  senda,  haja  vista  que  o  IPI  onera  efetivamente  o  consumo,  a  não  cumulatividade relaciona­se ao conceito de insumo como sendo o de bens que são  consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos.  Enquanto  a  sistemática  não  cumulativa  das  contribuições  ao PIS  e  a Cofins  está  diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos.  Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições  é  diversa  daquela  do  IPI,  visto  que  a  previsão  legal  possibilita  a  dedução  dos  valores  de  determinados  bens  e  serviços  suportados  pela  pessoa  jurídica  dos  valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação  da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas.  Não  menos  importante,  constata­se  que,  para  fins  de  creditamento  do  PIS  e  da  COFINS,  admitese  também  que  a  prestação  de  serviços  seja  considerada  como  insumo,  o  que  já  leva  à  conclusão  de  que  as  próprias  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  ampliaram  a  definição  de  "insumos",  não  se  limitando  apenas  aos  elementos físicos que compõem o produto.  Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de  PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003,  Belo  Horizonte:  Fórum,  2003)  diz  que  será  efetivamente  insumo  ou  serviço  com  direito  ao  crédito  sempre  que  a  atividade  ou  a  utilidade  forem  necessárias  à  existência  do  processo  ou do  produto  ou  agregarem (ao  processo  ou ao  produto)  alguma  qualidade  que  faça  com  que  um  dos  dois  adquira  determinado  padrão  desejado.  Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o  que, pode­se concluir que o conceito de  insumo efetivamente é amplo, alcançando  as  utilidades/necessidades  disponibilizadas  através  de  bens  e  serviços,  desde  que  Fl. 3993DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 17          16 essencial para o processo ou para o produto  finalizado,  e não restritivo  tal  como  traz a legislação do IPI.  Frise­se que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os  conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo.  O  que  seria  inexorável  se  concluir  também  pelo  entendimento  da  autoridade  fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva  incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de  bens ou prestação de  serviços, adotando o conceito de  insumos de  forma restrita,  em  analogia  à  conceituação  adotada  pela  legislação  do  IPI,  ferindo  os  termos  trazidos  pelas  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003,  que,  por  sua  vez,  não  tratou,  tampouco conceituou dessa forma.  Resta,  por  conseguinte,  indiscutível  a  ilegalidade  das  Instruções Normativas  SRF  247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação  do IPI.  As  Instruções  Normativas  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  que  restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa  equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos  de IPI.  Isso, ao dispor:  ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus):  “Art. 66. A pessoa  jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota  prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da  mesma alíquota, sobre os valores:  [...]  § 5º Para os efeitos da alínea "b" do  inciso  I do caput,  entendese como  insumos:  (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)  I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela  IN SRF 358, de 09/09/2003)   a.  Matérias  primas,  os  produtos  intermediários,  o  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens  que  sofram  alterações,  tais  como  o  desgaste,  o  dano  ou  a  perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo  imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)  b.  Os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados  ou  consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)  [...]”  ∙ art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):“Art. 8 º Do valor apurado na forma  do  art.  7  º,  a  pessoa  jurídica  pode  descontar  créditos,  determinados  mediante  a  aplicação da mesma alíquota, sobre os valores:   [...]   § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende­se como insumos:  utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda:  a) a matéria­prima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer  outros  bens  que  sofram  alterações,  tais  como  o  desgaste,  o  dano  ou  a  perda  de  Fl. 3994DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 18          17 propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o  produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;  b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados  ou  consumidos na produção ou fabricação do produto;  II utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde  que  não  estejam incluídos no ativo imobilizado; e  b)  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  país,  aplicados  ou  consumidos na prestação do serviço.  [...]”  Tais  normas  infraconstitucionais  restringiram  o  conceito  de  insumo  para  fins  de  geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos  já  trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional  não  poderia  extrapolar  essa  conceituação  frente  a  intenção  da  instituição  da  sistemática da não cumulatividade das r. contribuições.  A  Receita  Federal  do  Brasil  extrapolou  sua  competência  administrativa  ao  “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo.  Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo:  a. Serviços utilizados na prestação de serviços;  b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à  venda;  c. Bens utilizados na prestação de serviços;  d.  Bens  utilizados  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda;  e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços;   f.  Combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos destinados à venda.  Vê­se  claro,  portanto,  que  não  poder­se­ia  considerar  para  fins  de  definição  de  insumo  o  trazido  pela  legislação  do  IPI,  já  que  serviços  não  são  efetivamente  insumos, se considerássemos os termos dessa norma.  Não obstante, depreendendo­se da análise da legislação e seu histórico, bem como  intenção do  legislador, entendo  também não ser cabível adotar de  forma ampla o  conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo,  tendo em  vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de  IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como  essenciais à produção.  Ora,  o  termo  "insumo"  não  devem  necessariamente  estar  contidos  nos  custos  e  despesas  operacionais,  isso  porque  a  própria  legislação  previu  que  algumas  despesas  não  operacionais  fossem  passíveis  de  creditamento,  tais  como Despesas  Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc.  O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o  creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e  não  somente  os  custos  que  deveriam  ser  objeto  na  geração  do  crédito  dessas  contribuições.  Eis  que,  se  fossem  exemplificativos,  nem  poderiam  estender  a  Fl. 3995DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 19          18 conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e  serviços  –  o  que  até  prejudicaria  a  inclusão  de  algumas  despesas  que  não  contribuem de forma essencial na produção.  Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de  “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299  do  RIR/99  não  seria  a  mais  condizente,  pois  direciona  a  sistemática  da  não  cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada  para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir  que os  custos ou despesas destinadas à aferição e  lucro possam ser  considerados  como insumos necessários para o aferimento da receita.  Com efeito, por conseguinte, pode­se concluir que a definição de “insumos” para  efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue:  ∙  Se  o  bem  e  o  serviço  são  considerados  essenciais  na  prestação  de  serviço  ou  produção;  Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição  dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais.  Tanto  é assim que,  em  julgado  recente,  no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do  STJ  reconheceu  o  direito  de  uma  empresa  do  setor  de  alimentos  a  compensar  créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços  de dedetização, com base no critério da essencialidade.  Para melhor  transparecer  esse  entendimento,  trago  a  ementa  do  acórdão  (Grifos  meus):  “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535,  DO  CPC.  VIOLAÇÃO  AO  ART.  538,  PARÁGRAFO  ÚNICO,  DO  CPC.  INCIDÊNCIA  DA  SÚMULA  N.  98/STJ.  CONTRIBUIÇÕES  AO  PIS/PASEP  E  COFINS  NÃOCUMULATIVAS.  CREDITAMENTO.  CONCEITO  DE  INSUMOS.  ART.  3º,  II,  DA  LEI  N.  10.637/2002  E  ART.  3º,  II,  DA  LEI  N.  10.833/2003.  ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004.  1. Não  viola  o  art.  535,  do CPC,  o  acórdão que decide de  forma  suficientemente  fundamentada  a  lide,  muito  embora  não  faça  considerações  sobre  todas  as  teses  jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes.  2.  Agride  o  art.  538,  parágrafo  único,  do  CPC,  o  acórdão  que  aplica  multa  a  embargos  de  declaração  interpostos  notadamente  com  o  propósito  de  prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com  notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ".  3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002  Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I,  "a"  e  "b",  da  Instrução  Normativa  SRF  n.  404/2004  Cofins,  que  restringiram  indevidamente  o  conceito  de  "insumos"  previsto  no  art.  3º,  II,  das  Leis  n.  10.637/2002  e  n.  10.833/2003,  respectivamente,  para  efeitos  de  creditamento  na  sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições.  4. Conforme  interpretação  teleológica  e  sistemática  do  ordenamento  jurídico  em  vigor,  a  conceituação  de  "insumos",  para  efeitos  do  art.  3º,  II,  da  Lei  n.  10.637/2002,  e  art.  3º,  II,  da  Lei  n.  10.833/2003,  não  se  identifica  com  a  conceituação  adotada  na  legislação  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  IPI, posto que excessivamente restritiva.  Fl. 3996DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 20          19 Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas  Operacionais"  utilizados  na  legislação  do  Imposto  de  Renda  IR,  por  que  demasiadamente elastecidos.  5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da  Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam  o  processo  produtivo  e  a  prestação  de  serviços,  que  neles  possam  ser  direta  ou  indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da  prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a do produto ou  serviço daí resultantes.  6.  Hipótese  em  que  a  recorrente  é  empresa  fabricante  de  gêneros  alimentícios  sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as  exigências  de  condições  sanitárias  das  instalações  se  não  atendidas  implicam  na  própria  impossibilidade  da  produção  e  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto resultante. A assepsia é essencial e  imprescindível ao desenvolvimento de  suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de  microorganismos  na  maquinaria  e  no  ambiente  produtivo  que  agiriam  sobre  os  alimentos,  tornando­os impróprios para o consumo. Assim,  impõe­se considerar a  abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais  de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados  no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios.  7. Recurso especial provido. ”  Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente  ligada  ao  processo  produtivo,  é  medida  imprescindível  ao  desenvolvimento  das  atividades em uma empresa do ramo alimentício.  Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas  para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição  essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia,  para transcrever a ementa do acórdão:  COFINS  –  NÃO  CUMULATIVIDADE  –  INTERPRETAÇÃO  EXTENSIVA  –  POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A  PRESERVAR  AS  CARACTERÍSTICAS  DOS  BENS  DURANTE  O  TRANSPORTE,  QUANDO  O  VENDEDOR  ARCAR  COM  ESTE  CUSTO  –  É  INSUMO  NOS  TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003.  1.  Hipótese  de  aplicação  de  interpretação  extensiva  de  que  resulta  a  simples  inclusão  de  situação  fática  em  hipótese  legalmente  prevista,  que  não  ofende  a  legalidade estrita.  Precedentes.  2.  As  embalagens  de  acondicionamento,  utilizadas  para  a  preservação  das  características  dos  bens  durante  o  transporte,  deverão  ser  consideradas  como  insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003  sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor  arque com estes custos. ”  Torna­se necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do  conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento  ao PIS/Cofins nãocumulativos.  Fl. 3997DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 21          20 Sendo assim,  entendo não ser aplicável o  entendimento de que o  consumo de  tais  bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando  somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa.  Dessa  forma,  para  fins  de  se  elucidar  a  atividade  do  sujeito  passivo,  importante  recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio,  importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz.  Os  fretes  de  produtos  acabados  em  discussão,  para  sua  atividade  de  comercialização,  são  essenciais  para  a  sua  atividade  de  “comercialização”,  eis  que:  Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição  de sua propriedade; caso contrário, tornar­se­ia inviável a venda de seus produtos  para compradoresdas Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país;  Os  grandes  consumidores  dos  produtos  industrializados  e  comercializados  pelo  sujeito  passivo,  possuem  uma  logística  que  não mais  comporta  grandes  estoques,  devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades,  bem  como  devido  ao  custo  que  lhes  geraria  a  manutenção  de  locais  com  o  fito  exclusivo  de  estocagem,  visto  a  alta  rotatividade  dos  produtos  em  seus  estabelecimentos; O que, impõe­se para fins de comercialização e sobrevivência da  empresa, os Centros de Distribuição;  O  sujeito  passivo,  que  possui  sede  em  Porto  Alegre,  se  viu  obrigada  a  manter  Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade  dos maiores demandantes de seus produtos.  Considerando,  então,  a  atividade  do  sujeito  passivo,  devese  considerar  os  fretes  como essenciais e, aplicando­se o critério da essencialidade, é de se dar provimento  ao recurso interposto pelo sujeito passivo.  Não obstante à essa fundamentação e ignorando­a, cabe trazer que, tendo em vista  que:  A maioria  dos  fretes  são  destinados  ao Centro  de Distribuição  da  empresa,  para  que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de  15  dias  até  a  chegada  do  produto,  para  conseguir  atender  a  sua  demanda  de  pedidos,  o  sujeito  passivo,  devido  à  demora  no  trânsito  das  mercadorias,  já  transacionou  as mercadorias,  sendo  que  ao  chegarem  as  mercadorias  ao  destino  muitas já se encontram vendidas;  A  mercadoria  já  é  vendida  em  trânsito,  para  quando  chegar  ao  Centro  de  Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim,  um frete para mero estoque com venda posterior.  É  de  se  entender  que,  em  verdade,  se  trata  de  frete  para  a  venda,  passível  de  constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei  10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete  na  “operação”  de  venda.  A  venda  de  per  si  para  ser  efetuada  envolve  vários  eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de  venda.  Inclui,  portanto,  nesse  dispositivo  os  serviços  intermediários  necessários  para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão.  Em vista de  todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo  sujeito passivo, dando­lhe provimento.  Fl. 3998DF CARF MF Processo nº 13603.724500/2011­54  Acórdão n.º 9303­007.229  CSRF­T3  Fl. 22          21 "Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  conheço  do  recurso  especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento.  Rodrigo da Costa Pôssas".  Dispositivo  Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e dou provimento ao  Recurso da Contribuinte. "  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos  §§ 1º  e 2º do  art.  47 do RICARF, os  recursos  especiais da Fazenda  Nacional e do contribuinte  foram conhecidos  e, no mérito, o colegiado negou provimento ao  recurso da Fazenda e deu provimento ao recurso do contribuinte.   (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas                              Fl. 3999DF CARF MF

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7423054 #
Numero do processo: 10665.907679/2009-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide sobre a parcela revertida no contencioso a favor do contribuinte, mas somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência.
Numero da decisão: 9303-007.009
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para determinar a incidência da Taxa Selic a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento posteriores ao Despacho Decisório. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2153; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 2          1 1  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10665.907679/2009­46  Recurso nº  1   Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­007.009  –  3ª Turma   Sessão de  14 de junho de 2018  Matéria  CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC.  Recorrente  ALTIVO PEDRAS LTDA  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  ATUALIZAÇÃO.  TAXA  SELIC.  OPOSIÇÃO  ILEGÍTIMA  DO  FISCO.  TERMO INICIAL. 360 DIAS.  Não existe previsão  legal  para  a  incidência da Taxa SELIC nos  pedidos  de  ressarcimento  de  IPI.  O  reconhecimento  da  atualização  monetária  só  é  possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos,  quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente  os  pedidos,  e  o  entendimento  neles  consubstanciados  foi  revertido  nas  instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição  ilegítima  ao  seu  aproveitamento.  Configurada  esta  situação,  a  Taxa  SELIC  incide sobre a parcela revertida no contencioso a favor do contribuinte, mas  somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do  pedido,  pois,  antes  deste  prazo,  não  existe  permissivo,  nem  mesmo  jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência.       Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar­lhe provimento parcial, para  determinar a  incidência da Taxa Selic a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da  data  da  protocolização  do  pedido  de  ressarcimento,  a  incidir  somente  sobre  o  crédito  cujas  glosas  foram  revertidas  nas  instâncias  de  julgamento  posteriores  ao  Despacho  Decisório.  Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa  Marini Cecconello, que lhe deram provimento.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício e Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 76 79 /2 00 9- 46 Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10665.907679/2009­46  Acórdão n.º 9303­007.009  CSRF­T3  Fl. 3          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas.      Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  de  Divergência  interposto  pelo  contribuinte  contra o Acórdão 3202­000.660, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sejul  do  CARF,  que  negou  provimento  ao  recurso  voluntário  não  reconhecendo,  dentre  outras  questões, o direito à incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento pleiteado.  Em Exame e Reexame de Admissibilidade,  foi  dado  seguimento  parcial  ao  Recurso, apenas em relação à discussão sobre a atualização pela Taxa SELIC no ressarcimento  do Crédito Presumido de IPI.  A  PGFN  apresentou  Contrarrazões,  alegando  que,  a  teor  das  decisões  vinculantes do STJ, só cabe a atualização pela Taxa SELIC de créditos do IPI solicitados em  ressarcimento quando há oposição ilegítima do Fisco, ou seja, limitando­se assim à parcela que  foi  indeferida  pela  Unidade  de  Origem  e  posteriormente  reconhecida  nas  instâncias  administrativas de julgamento, em decisão definitiva.  É o Relatório.      Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­007.004, de  14/06/2018, proferido no julgamento do processo 10665.907676/2009­11, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303­007.004):  "Observados  os  requisitos  e  preenchidas  as  formalidades  regimentais,  conheço do  Recurso  Especial,  na  parte  admitida,  qual  seja,  a  atualização  pela  Taxa  SELIC  no  caso  de  Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI.  Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10665.907679/2009­46  Acórdão n.º 9303­007.009  CSRF­T3  Fl. 4          3 Utilizo­me  aqui  do  voto  vencedor  do  Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto  Natal, no Acórdão nº 9303­005.425, desta mesma 3ª Turma da CSRF:  A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de  IPI,  tem  rendido  inúmeras  discussões,  tanto  na  esfera  administrativa  como  judicial.  A  verdade  é  que  não  há  previsão  legal  para  o  seu  reconhecimento  na  análise  dos  pedidos  administrativos.  Vê­se  que  no  âmbito  das  turmas  de  julgamento  do  CARF,  tem  se  reconhecido  sua  incidência  em decorrência  da  aplicação  do  que  foi  decidido  pelo  STJ,  na  sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp n° 1.035.847 e no REsp n° 993.164.  Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela  aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado  em face de oposição ilegítima por parte do Fisco.  Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos  processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição  expressa  da  Lei.  Vê­se  que  o  STJ  nos  dois  julgados  acima  citados  reconhecem  expressamente  a  falta  de  previsão  legal  a  autorizar  tal  incidência.  Vejamos  o  que  dispôs  referidos julgados:  REsp 1.035.847/RS:  PROCESSO  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IPI.  PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.  1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade  (créditos  escriturais),  por  ausência de previsão legal.  2.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo  a  utilização  do  direito  de  crédito  oriundo  da  aplicação  do  princípio  da  não­cumulatividade,  descaracteriza  referido  crédito  como  escritural,  assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte em sua escrita contábil.  3.  Destarte,  a  vedação  legal  ao  aproveitamento  do  crédito  impele  o  contribuinte a socorrer­se do Judiciário, circunstância que acarreta demora  no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos  judiciais.  4.  Consectariamente,  ocorrendo  a  vedação  ao  aproveitamento  desses  créditos,  com  o  consequente  ingresso  no  Judiciário,  posterga­se  o  reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de  atualizá­los  monetariamente,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  EREsp  490.547/PR,  Rel.  Ministro  Luiz Fux,  julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel.  Ministro  José  Delgado,  julgado  em  09.11.2005,  DJ  05.12.2005;  EREsp  495.953/PR,  Rel.  Ministra  Denise  Arruda,  julgado  em  27.09.2006,  DJ  23.10.2006;  EREsp  522.796/PR,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  julgado  em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto  Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel.  Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008).  5.  Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido  ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  REsp n° 993.164:  Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10665.907679/2009­46  Acórdão n.º 9303­007.009  CSRF­T3  Fl. 5          4 PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO  DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E  EXPORTADORAS  DE  MERCADORIAS  NACIONAIS.  LEI  9.363/96.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  SRF  23/97.  CONDICIONAMENTO  DO  INCENTIVO  FISCAL  AOS  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DE  FORNECEDORES  SUJEITOS  À  TRIBUTAÇÃO  PELO  PIS  E  PELA  COFINS.  EXORBITÂNCIA  DOS  LIMITES  IMPOSTOS  PELA  LEI  ORDINÁRIA.  SÚMULA  VINCULANTE  10/STF.  OBSERVÂNCIA.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  (ATO  NORMATIVO  SECUNDÁRIO).  CORREÇÃO MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  TAXA  SELIC.  APLICAÇÃO.  VIOLAÇÃO  DO  ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA.  1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter  sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato  normativo  secundário,  que  não  pode  inovar  no  ordenamento  jurídico,  subordinando­se aos limites do texto legal.  (...)  12.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação  do princípio constitucional da não­cumulatividade), descaracteriza referido  crédito  como  escritural  (assim considerado aquele oportunamente  lançado  pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência  de  correção monetária,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do Fisco  (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito  do  artigo  543­C,  do  CPC:  REsp  1035847/RS,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).  13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de  Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação  da  Taxa  SELIC  (a  partir  de  janeiro  de  1996)  na  correção monetária  dos  créditos  extemporaneamente  aproveitados  por  óbice  do  Fisco  (REsp  1150188/SP,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  20.04.2010, DJe 03.05.2010).  (...)  15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de  correção monetária e a aplicação da Taxa Selic.  16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido.  17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução  STJ 08/2008.  Conclui­se  que  a  oposição  ilegítima  por  parte  do  Fisco,  ao  aproveitamento  de  referidos  créditos,  permite  que  seja  reconhecida  a  incidência  da  correção  monetária  pela  aplicação da Taxa Selic. Porém da  leitura que se  faz, para a  incidência da correção que se  pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como  ilegítimo.  No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes  atos  administrativos  só  se  tornam  ilegítimos  caso  seu  entendimento  seja  revertido  pelas  instâncias  administrativas  de  julgamento.  Portanto  somente  sobre  a  parcela  do  pedido  de  ressarcimento  que  foi  inicialmente  indeferida  e  depois  revertida  é  que  é  possível  o  reconhecimento  da  incidência  da Taxa  Selic.  Tudo  isso  por  força  do  efeito  vinculante  das  decisões do STJ acima citadas e transcritas.  Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10665.907679/2009­46  Acórdão n.º 9303­007.009  CSRF­T3  Fl. 6          5 Porém  resta uma discussão quanto ao prazo  inicial da  incidência da Taxa Selic. No  CARF  a  grande  maioria  das  decisões  dividem­se  em  duas  vertentes.  A  primeira  que  a  aplicação  da  correção  daria­se  somente  a  partir  da  edição  do  Despacho  Decisório,  pela  autoridade  administrativa da DRF de origem, que  teria denegado parte ou  integralmente o  pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria  nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é  reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese  que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF.  Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem  comando  vinculante  de  nossos  tribunais  a  autorizar  nenhuma  dessas  duas  hipóteses,  sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo  do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária  integral que nunca foi permitida  do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados.  Entendo  que  a  melhor  interpretação  está  vinculada  ao  que  dispôs  o  próprio  STJ,  também  em  sede  de  recurso  repetitivo,  no  REsp  n°  1.138.206,  abaixo  transcrito  com  destaques:  TRIBUTÁRIO.  CONSTITUCIONAL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C,  DO  CPC.  DURAÇÃO  RAZOÁVEL  DO  PROCESSO.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  FEDERAL.  PEDIDO  ADMINISTRATIVO  DE  RESTITUIÇÃO.  PRAZO  PARA  DECISÃO  DA  ADMINISTRAÇÃO  PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA  GERAL.  LEI  DO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  DECRETO  70.235/72.  ART.  24  DA  LEI  11.457/07.  NORMA  DE  NATUREZA  PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO  CPC NÃO CONFIGURADA.  1. A  duração  razoável dos  processos  foi  erigida  como  cláusula  pétrea e  direito  fundamental  pela  Emenda  Constitucional  45,  de  2004,  que  acresceu  ao  art.  5°,  o  inciso  LXXVIII,  in  verbis:  "a  todos,  no  âmbito  judicial  e  administrativo,  são  assegurados  a  razoável  duração  do  processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação."  2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário  dos  princípios  da  eficiência,  da  moralidade  e  da  razoabilidade.  (Precedentes:  MS  13.584/DF,  Rel.  Ministro  JORGE  MUSSI,  TERCEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  13/05/2009,  Dje  26/06/2009;  Resp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA,  julgado  em  06/08/2009,  Dje  21/08/2009;  MS  13.545/DF,  Rel.  MinistraMARIA  THEREZA  DE  ASSIS  MOURA,  TERCEIRA  SEÇÃO,  julgado em 29/10/2008, Dje 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro  JOSÉ  DELGADO,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  22/02/2005,  DJ  19/12/2005)  3.  O  processo  administrativo  tributário  encontra­se  regulado  pelo  Decreto 70.235/72 ­ Lei do Processo Administrativo Fiscal ­ , o que afasta  a  aplicação  da  Lei  9.784/99,  ainda  que  ausente,  na  lei  específica,  mandamento  legal relativo à  fixação de prazo razoável para a análise e  decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte.  4.  Ad  argumentandum  tantum,  dadas  as  peculiaridades  da  seara  fiscal,  quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia  incidir  à  espécie  o  próprio  Decreto  70.235/72,  cujo  art.  7°,  §  2°,  mais  se  aproxima  do  thema  judicandum, in verbis:  "Art. 7° O procedimento fiscal tem início com:  Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10665.907679/2009­46  Acórdão n.º 9303­007.009  CSRF­T3  Fl. 7          6 I  ­  o  primeiro  ato  de ofício,  escrito,  praticado por  servidor  competente,  cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto;  II ­ a apreensão de mercadorias, documentos ou livros;  III ­ o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada.  § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo  em relação aos atos anteriores e,  independentemente de intimação a dos  demais envolvidos nas infrações verificadas.  § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II  valerão  pelo  prazo  de  sessenta  dias,  prorrogável,  sucessivamente,  por  igual  período,  com  qualquer  outro  ato  escrito  que  indique  o  prosseguimento dos trabalhos."  5.  A  Lei  n.°  11.457/07,  com  o  escopo  de  suprir  a  lacuna  legislativa  existente,  em  seu  art.  24,  preceituou  a  obrigatoriedade  de  ser  proferida  decisão  administrativa  no  prazo  máximo  de  360  (trezentos  e  sessenta)  dias  a  contar  do  protocolo dos pedidos, litteris:  "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo  máximo  de  360  (trezentos  e  sessenta)  dias  a  contar  do  protocolo  de  petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte."  6. Deveras,  ostentando  o  referido  dispositivo  legal  natureza  processual  fiscal,  há  de  ser  aplicado  imediatamente  aos  pedidos,  defesas  ou  recursos administrativos pendentes.  7.  Destarte,  tanto  para  os  requerimentos  efetuados  anteriormente  à  vigência  da  Lei  11.457/07,  quanto  aos  pedidos  protocolados  após  o  advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a  partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07).  8. O art.  535  do CPC  resta  incólume  se  o  Tribunal  de  origem,  embora  sucintamente,  pronuncia­se  de  forma  clara  e  suficiente  sobre  a  questão  posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a  um,  os  argumentos  trazidos  pela  parte,  desde  que  os  fundamentos  utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.  9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência  ao  prazo  de  360  dias  para  conclusão  do  procedimento  sub  judice.  Acórdão submetido ao regime do art. 543­C do CPC e da Resolução STJ  08/2008.  Conclui­se da  leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei n°  11.457/2007  aos  processos  administrativos  fiscais,  inclusive  aos  requerimentos  efetuados  antes de sua vigência. Assim, manifestou­se de forma vinculante que o prazo razoável para  duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem  desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias.  Ora,  se  a  administração  tem  o  prazo  de  360  dias  para  solucionar  os  processos  administrativos  de  ressarcimento,  e  não  há  previsão  legal  para  incidência  da  correção  monetária sobre referidos pedidos, a conclusão  inequívoca  transmitida por esses  julgados é  que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que  este seria o prazo razoável determinado na lei.  Importante  ressaltar  que  referido  julgado  não  dispõe  absolutamente  nada  sobre  incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento.  Portanto,  como  não  há  previsão  legal  para  incidência  da  taxa  Selic  nos  processos  de  ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a  partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes.  Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10665.907679/2009­46  Acórdão n.º 9303­007.009  CSRF­T3  Fl. 8          7 Portanto,  para  reconhecimento  da  incidência  da  taxa  Selic  nos  processos  de  ressarcimento  de  IPI,  devemos  partir  de  duas  premissas:  1)  existe  ato  administrativo  que  indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da  decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas  importa  em  reconhecer  a  incidência  da  taxa Selic  somente  para  os  créditos  indeferidos  de  forma ilegítima, cujo termo inicial da  incidência da correção somente poderá ser contado a  partir dos 360 dias do protocolo do pedido.  Esta conclusão coaduna­se com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o  processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e  caso  seja  deferido  em  361  dias  haveria  incidência  integral  desta  correção.  Parece­me  um  casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria  aplicada  a  partir  de  360  dias  do  protocolo  do  pedido  e,  desde  que  exista  um  ato  administrativo  que  teria  sido  considerado  ilegítimo,  assim  considerado  aquele  cujo  entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento.  Assim, no presente processo,  tendo entendido a  turma de  julgamento, a despeito de  voto contrário deste  julgador, que é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI  sobre  os  serviços  de  industrialização  por  encomenda,  sobre  esta  parcela  permite­se  a  incidência da taxa Selic a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido  de ressarcimento até a sua efetiva utilização.  Somente  a  título  de  esclarecimento,  contesta­se  especificamente  o  argumento  da  ilustre relatora, em seu voto, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei nº 9.250/95, o  qual, segundo o entendimento dela, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento  de tributos.  O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento  indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei nº 9.363/96.  Ao  contrário  do  que  muitos  defendem,  o  ressarcimento  não  é  "espécie  do  gênero  restituição".  São  dois  institutos  completamente  distintos  (pois  senão  não  faria  qualquer  sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei  para a repetição do indébito).  O direito  à  restituição  é decorrência  "automática"  do pagamento  indevido  ou maior  que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei.  Neste  sentido,  voto  por  dar  parcial  provimento  ao  recurso  especial  do  contribuinte  para  estabelecer  a  incidência  da Taxa Selic  somente  a  partir  do  prazo  de  360  (trezentos  e  sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre  o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento.  Resta  saber,  então,  se  houve  oposição  ilegítima  estatal  na  análise,  pela  Unidade  de  Origem,  do  direito  creditório,  posteriormente  revertida  nas  instâncias  de  julgamento.  Sim, em parte.  A  decisão  da  DRJ  Juiz  de  Fora  (fls.  289  a  308),  julgando  a  Manifestação  de  Inconformidade,  reconheceu  um  valor  adicional  ao  já  reconhecido  no  Despacho  Decisório,  cabendo então a atualização pela Taxa SELIC, sobre esta parcela (*), mas somente a partir de  360 dias.  (*)  Importante  se  faz  ressaltar  que,  no  que  tange  à  parcela  que  foi  eventualmente  reconhecida  logo  de  início  (como  ocorreu  no  caso  concreto,  já  que  o  reconhecimento  foi  parcial,  conforme Despacho Decisório  à  fl.  2),  sobre  ela nunca  cabe  atualização monetária,  por ausência de previsão legal, pois claro está que a discussão que foi aqui trazida à tona só se  justifica quanto ao suposto direito creditório objeto de decisão denegatória.  Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10665.907679/2009­46  Acórdão n.º 9303­007.009  CSRF­T3  Fl. 9          8 À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto  pelo  contribuinte,  para  reconhecer  a  aplicação  da Taxa  SELIC  sobre  a  parcela  revertida  no  contencioso a favor do mesmo, a partir de 360 dias do protocolo do pedido."  Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma,  no  presente  processo  a DRJ  Juiz  de  Fora  também  reconheceu  um  valor  adicional  ao  direito  creditório já reconhecido no Despacho Decisório.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi  conhecido e, no mérito, o colegiado deu­lhe provimento parcial, para reconhecer a aplicação da  Taxa SELIC sobre a parcela revertida no contencioso a favor do mesmo, a partir de 360 dias do  protocolo do pedido.   (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas                              Fl. 417DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.007562/2008-78
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 SONEGAÇÃO ELEVADA. ESCRITA IMPRESTÁVEL. EXIGÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO EMPÍRICA. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. PROCEDÊNCIA. O argumento de que o volume elevado da receita omitida caracteriza escrituração imprestável carece de demonstração empírica da imprestabilidade. A despeito disso, o argumento sugere que a contabilidade gradativamente se torna imprestável na medida em que o contribuinte aumenta sua sonegação. Ou seja, segundo esse raciocínio, haveria um processo de tendência à imprestabilidade, tendência essa que, avançando junto com o acréscimo da sonegação, concretiza-se em imprestabilidade efetiva a partir de um determinado momento em que a sonegação atinge certo nível (não obstante, indefinido), ainda que ausentes sinais exteriores inequívocos da inutilidade da escrita, mormente diante da relevante circunstância segundo a qual o próprio contribuinte continua a efetuar registros contábeis. Nesse cenário, caso se admita que a sonegação elevada pode tornar a escrita definitivamente imprestável a partir de um determinado volume de receita sonegada, cabe atribuir a responsabilidade pelo defeito ao contribuinte, que deveria anunciar à Fiscalização que a contabilidade é inútil, de acordo com o dever de colaboração que ao contribuinte se impõe. De modo algum deve-se favorecer o infrator com a própria torpeza, subtraindo-o da incidência dos ônus que recaem exclusivamente sobre aquele pratica o ato ilegal. Considerar que o Fisco errou por não ter desclassificado a escrita, que, se imprestável estivesse, assim estaria por culpa do infrator, é o mesmo que pretender atribuir ao lesado o erro derivado da confiança na aparência.
Numero da decisão: 9101-003.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fla´vio Franco Corre^a. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto - Relator. (assinado digitalmente) Fla´vio Franco Corre^a - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fla´vio Franco Corre^a, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Fla´vio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Andre´ Mendes Moura, substitui´do pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO

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Acórdão nº  9101­003.653  –  1ª Turma   Sessão de  04 de julho de 2018  Matéria  ARBITRAMENTO DO LUCRO.  Recorrente  OBJETO ATUAL COMÉRCIO DE PRESENTES FINOS ­ EIRELI  FAZENDA NACIONAL   Interessado  UNIÃO (FAZENDA NACIONAL)    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004  SONEGAÇÃO  ELEVADA.  ESCRITA  IMPRESTÁVEL.  EXIGÊNCIA DE  DEMONSTRAÇÃO  EMPÍRICA.  TRIBUTAÇÃO  PELO  LUCRO  REAL.  PROCEDÊNCIA.   O  argumento  de  que  o  volume  elevado  da  receita  omitida  caracteriza  escrituração  imprestável  carece  de  demonstração  empírica  da  imprestabilidade. A despeito disso,  o  argumento  sugere que a contabilidade  gradativamente  se  torna  imprestável  na  medida  em  que  o  contribuinte  aumenta  sua  sonegação.  Ou  seja,  segundo  esse  raciocínio,  haveria  um  processo  de  tendência  à  imprestabilidade,  tendência  essa  que,  avançando  junto  com  o  acréscimo  da  sonegação,  concretiza­se  em  imprestabilidade  efetiva a partir de um determinado momento em que a sonegação atinge certo  nível  (não  obstante,  indefinido),  ainda  que  ausentes  sinais  exteriores  inequívocos  da  inutilidade  da  escrita,  mormente  diante  da  relevante  circunstância  segundo  a  qual  o  próprio  contribuinte  continua  a  efetuar  registros  contábeis. Nesse  cenário,  caso  se  admita que  a  sonegação  elevada  pode tornar a escrita definitivamente imprestável a partir de um determinado  volume de receita sonegada, cabe atribuir a responsabilidade pelo defeito ao  contribuinte, que deveria anunciar à Fiscalização que a contabilidade é inútil,  de  acordo  com  o  dever  de  colaboração  que  ao  contribuinte  se  impõe.  De  modo algum deve­se favorecer o infrator com a própria torpeza, subtraindo­o  da incidência dos ônus que recaem exclusivamente sobre aquele pratica o ato  ilegal. Considerar que o Fisco errou por não ter desclassificado a escrita, que,  se  imprestável estivesse, assim estaria por culpa do infrator, é o mesmo que  pretender atribuir ao lesado o erro derivado da confiança na aparência.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 75 62 /2 00 8- 78 Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 19515.007562/2008­78  Acórdão n.º 9101­003.653  CSRF­T1  Fl. 1.516          2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar­lhe provimento, vencidos os  conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe  deram  provimento.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  conselheiro  Flávio  Franco  Correâ.  (assinado digitalmente)  Rafael Vidal de Araújo ­ Presidente em exercício.    (assinado digitalmente)  Luís Flávio Neto ­ Relator.     (assinado digitalmente)  Flávio Franco Correâ ­ Redator designado    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Correâ,  Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil  de Oliveira  Pinto  (suplente  convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal  de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes  Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.  Relatório  Trata­se de recurso especial interposto por OBJETO ATUAL COMÉRCIO  DE PRESENTES FINOS ­ EIRELI (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), em face do  acórdão  n.  1402­001.390  (doravante  “acórdão  a  quo”  ou  “acórdão  recorrido”),  proferido  pela 2a Turma Ordinária, da 4a Câmara, desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”).  A matéria ora trazida à análise desta Colenda Turma versa sobre o dever da  autoridade fiscal realizar o lançamento de IRPJ e CSLL com base no regime no arbitramento  de lucros, na hipótese em que há substancial omissão de receitas pelo contribuinte.  A decisão recorrida restou assim ementada:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004  OMISSÃO  DE  RECEITA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  NÃO  COMPROVADOS. LEI 9.430/96, ART. 42.  A partir de 01 de janeiro de 1997, presume­se omissão de receitas, os valores  depositados e/ou creditados em conta de instituição financeira, quando a pessoa  jurídica,  regularmente  intimada,  não  comprova,  com  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  LUCRO  REAL.  MOVIMENTAÇAÕ  FINANCEIRA  INCOMPATÍVEL.  POSSIBILIDADE  DE  APURAÇÃO  DO  LUCRO  REAL.  INVIABILIDADE  DE ARBITRAMENTO.  Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 19515.007562/2008­78  Acórdão n.º 9101­003.653  CSRF­T1  Fl. 1.517          3 Ainda que apurada omissão de receitas em proporção relevante em relação às  receitas escrituradas e declaradas ao Fisco, havendo possibilidade de apuração  do lucro real, não se mostra necessário o arbitramento do lucro. Somente seria  cogente a desclassificação da escrita se restasse caracterizado que o imposto de  renda estivesse incidindo sobre a receita, e não sobre o lucro. Havendo custos e  despesas  não  escriturados,  caberia  ao  contribuinte  carrear  aos  autos  os  documentos comprobatórios.  MULTA  ISOLADA.  MULTA  DE  OFÍCIO  PROPORCIONAL.  CONCOMITÂNCIA.  É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando  há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no  ajuste  anual,  mesmo  após  a  vigência  da  nova  redação  do  art.  44  da  Lei  9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007.  LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.  A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica­se, no que couber,  aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar  decisão diversa.  Como se verifica, a Turma a quo decidiu dar provimento parcial ao recurso,  apenas para cancelar a multa isolada. (e­fls. 1353 e seg.).   A PFN interpôs recurso especial (e­fls. 1367 e seg.), o qual não foi admitido  por  despacho  (e­fls.  1375  e  seg.)  confirmado  em  sede  de  reexame de  admissibilidade  (e­fls.  1378 e seg.).  O contribuinte também interpôs recurso especial (e­fls. 1385 seg.), o qual foi  admitido por despacho (e­fls. 1500 e seg.).  A  PFN  apresentou  contrarrazões  ao  recurso  especial,  nas  quais  requer  não  seja conhecido o recurso especial do contribuinte e, no mérito, que lhe seja negado provimento  (e­fls. 1508 e seg.).   Conclui­se, com isso, o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Luís Flávio Neto, relator.   Conhecimento  Em  sede  de  contrarrazões,  requer  a  PFN  não  seja  conhecido  o  recurso  especial do contribuinte, nos seguintes termos:  “Incialmente, convém registrar que o Recurso Especial não deve ser conhecido,  pois não preencheu o requisito previsto no art. 67, §1o do novo RICARF. Eis a  redação do dispositivo:  §  1o  Não  será  conhecido  o  recurso  que  não  demonstrar  a  legislação  tributária interpretada de forma divergente. (Destaque nosso)  Pela análise do Recurso interposto em 31/05/2016, não se verifica a indicação  do  dispositivo  legal  que  foi  interpretado  de  modo  divergente  pelo  acórdão  recorrido, motivo pelo qual requer o seu não conhecimento.”  Fl. 1517DF CARF MF Processo nº 19515.007562/2008­78  Acórdão n.º 9101­003.653  CSRF­T1  Fl. 1.518          4 Não assiste razão à recorrida, sendo plenamente possível compreender qual a  legislação  tributária  cuja  interpretação  considera­se  divergente  dos  acórdãos  indicados  como  paradigma.  Em relação ao primeiro acórdão paradigma (1301­000.425), o recorrente fez  a transcrição e o cotejo de seus fundamentos, com destaque ao art. 530 do RIR/99 (e­fls. 1392 e  seg.).  Em  relação  ao  segundo  acórdão  paradigma  (1202­001.065),  a  recorrente  consignou  expressamente que haveria divergência com acórdão recorrido quanto à aplicação do art. 47 da  Lei n. 8.891/95 (e­fls. 1393 e seg.).  Compreendo,  assim,  que  o  despacho  de  admissibilidade  bem  analisou  o  cumprimento dos requisitos para a  interposição do recurso especial de divergência interposto,  razão pela qual não merece reparo, adotando­se neste voto os seus fundamentos.  Mérito  Quanto  ao  mérito  do  recurso,  é  fundamental  observar  que  a  Constituição  Federal atribuiu à lei complementar a função de definir o fatos geradores e bases de cálculo dos  impostos:   Art. 146. Cabe à lei complementar:  (...)  III  ­  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária,  especialmente sobre:  a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos  discriminados  nesta Constituição,  a  dos  respectivos  fatos  geradores,  bases de  cálculo e contribuintes;  Cumprindo  as  vezes  desta  lei  complementar  requerida  pela Constituição,  o  Código  Tributário  Nacional  (“CTN”)  define  abstratamente  não  apenas  o  fato  gerador  do  imposto sobre a renda (CTN, art. 43), mas também as suas bases de cálculo, como se observa  do art. 44:   Art.  44.  A  base  de  cálculo  do  imposto  é  o  montante,  real,  arbitrado  ou  presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.  Ainda cumprindo a sua função de estabelecer normas gerais, com a eficácia  de vincular a todos os entes tributantes, o CTN também delimita abstratamente as hipóteses em  que o recurso ao arbitramento poderá ser excepcionalmente adotado para o cálculo do tributo:  Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração,  o  valor  ou  o  preço  de  bens,  direitos,  serviços  ou  atos  jurídicos,  a  autoridade  lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre  que  sejam  omissos  ou  não mereçam  fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados,  ou  os  documentos  expedidos  pelo  sujeito  passivo  ou  pelo  terceiro  legalmente  obrigado,  ressalvada,  em  caso  de  contestação,  avaliação  contraditória, administrativa ou judicial.  No  caso  de  tributos  indiretos,  como  o  ICMS  ou  o  ISS,  o  preço  de  bens  e  serviços corresponde à própria base de cálculo do tributo. Para tributos diretos como o IRPJ e a  CSLL,  por  sua  vez,  “o  valor  ou  o  preço  de  bens,  direitos,  serviços  ou  atos  jurídicos”  são  componentes  positivos  ou  negativos  na  composição  da  base  de  cálculo,  tomando­os  em  obrigatoriamente em consideração.  Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 19515.007562/2008­78  Acórdão n.º 9101­003.653  CSRF­T1  Fl. 1.519          5 Nesses  termos,  o  CTN  prescreveu  vetores  fundamentais  quanto  ao  arbitramento da base de cálculo do imposto em tela:  i)  a  base  de  cálculo  poderá  ser  arbitrada  pela  autoridade  fiscal  (CTN, art. 44);  ii)  o arbitramento é cabível em hipóteses restritas, que têm como fim  proteger  o  legítimo  interesse  arrecadatório da União dependente  do  correto  conhecimento  quanto  ao  valor  de  bens,  direitos,  serviços  ou  atos  jurídicos  da  órbita  do  contribuinte  (CTN,  art.  148:  “Quando  o  cálculo  do  tributo  tenha  por  base,  ou  tome  em  consideração,  o  valor  ou  o  preço  de  bens,  direitos,  serviços  ou  atos jurídicos, (...) sempre que sejam omissos ou não mereçam fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados,  ou  os  documentos  expedidos  pelo  sujeito  passivo  ou  pelo  terceiro  legalmente obrigado”)  iii)  presente  a  hipótese  de  arbitramento,  este  passa  a  ser  dever  de  ofício  da  autoridade  fiscal  (CTN,  art.  148:  “sempre  que  (...)  a  autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará”).  iv)  Deve  ser  assegurado  ao  contribuinte  o direito  ao  contraditório  e  ampla  defesa  (CTN,  art.  148:  “ressalvada,  em  caso  de  contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial”).  Por  se  tratar  de uma norma geral,  ao  prescrever  as  normas de  arbitramento  para  a  tributação  da  renda  e  do  lucro,  a União  deverá  se  abster  aos  lindes  delimitados  pelo  CTN,  bem  como  os  intérpretes  das  leis  ordinárias  que  venham  a  ser  produzidas  por  esta  deverão interpretá­las com vistas à concretização dos referidos ditames do art. 148.   Prosseguindo o  ciclo de positivação  ínsito ao Direito  tributário brasileiro, o  legislador ordinário estabeleceu critérios menos abstratos para a identificação dos casos em que  a  autoridade  fiscal  deverá apurar  lucro da pessoa  jurídica pelo método do arbitramento, bem  como as fórmulas que devem ser utilizadas para tanto. É o que se observa dos arts. 47 e seg. da  Lei n. 8.981/95:  Lei n. 8.981/95   Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando:  I ­ o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao  regime de tributação de que trata o Decreto­Lei nº 2.397, de 1987, não mantiver  escrituração  na  forma  das  leis  comerciais  e  fiscais,  ou  deixar  de  elaborar  as  demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal;  II  ­  a  escrituração  a  que  estiver  obrigado  o  contribuinte  revelar  evidentes  indícios  de  fraude  ou  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências  que  a  tornem  imprestável para:  a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou  b) determinar o lucro real.  III  ­  o  contribuinte  deixar  de  apresentar  à  autoridade  tributária  os  livros  e  documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de  que trata o art. 45, parágrafo único;  IV  ­  o  contribuinte  optar  indevidamente  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido;  Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 19515.007562/2008­78  Acórdão n.º 9101­003.653  CSRF­T1  Fl. 1.520          6 V  ­  o  comissário  ou  representante  da  pessoa  jurídica  estrangeira  deixar  de  cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de  1958;  VI  ­  o  contribuinte  não  apresentar  os  arquivos ou  sistemas na  forma e prazo  previstos nos arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as  alterações  introduzidas  pelo  art.  62  da  Lei  nº  8.383,  de  30  de  dezembro  de  1991;   (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998)  VII  ­  o  contribuinte  não  mantiver,  em  boa  ordem  e  segundo  as  normas  contábeis  recomendadas,  livro  Razão  ou  fichas  utilizados  para  resumir  e  totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário.  VIII  ­  o  contribuinte  não  escriturar  ou  deixar  de  apresentar  à  autoridade  tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei  no  6.404,  de  15  de  dezembro  de  1976,  e  §  2o  do  art.  8o  do Decreto­Lei  no  1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  §  1º  Quando  conhecida  a  receita  bruta,  o  contribuinte  poderá  efetuar  o  pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas  nesta seção.  § 2º Na hipótese do parágrafo anterior:  a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo  o  ano­calendário,  assegurada  a  tributação com base no  lucro  real  relativa aos  meses  não  submetidos  ao  arbitramento,  se  a  pessoa  jurídica  dispuser  de  escrituração  exigida  pela  legislação  comercial  e  fiscal  que demonstre o  lucro  real  dos  períodos  não  abrangido  por  aquela  modalidade  de  tributação,  observado o disposto no § 5º do art. 37;  b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá  por  vencimento  o  último dia útil  do mês  subseqüente  ao de  encerramento do  referido período.  Vale  observar  que  os  dispositivos  da  Lei  n.  8.981/95  que  tratam  do  arbitramento foram reproduzidos pelo RIR/99 em seus arts. 530 e seg.  O  legislador  ordinário,  na  diretriz  do  legislador  complementar,  especificou  hipóteses  em  que  omissões  ou  inexatidões  atinentes  à  escrituração  contábil  e  fiscal  do  contribuinte prejudicariam o legítimo interesse arrecadatório da União, dependente do correto  conhecimento  quanto  ao  valor  de  bens,  direitos,  serviços  ou  atos  jurídicos  da  órbita  do  contribuinte.  Assim,  deve  haver  arbitramento  pela  autoridade  fiscal  se  o  contribuinte,  submetido ao lucro real, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da  escrituração comercial e fiscal. A regra se aplica tanto na hipótese em que o contribuinte sequer  os tenha elaborado ou mantido (Lei 8.981/95, art. 47, I), quanto nos casos em que ele a tenha  elaborado  mas  se  recuse  a  apresentá­la  ao  agente  fiscal  (Lei  8.981/95,  art.  47,  III;  Súmula  CARF n. 59). Em específico, deve o contribuinte manter, “em boa ordem e segundo as normas  contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou  subconta, os lançamentos efetuados no Diário” (Lei 8.981/95, art. 47, VII).  Note­se que os documentos obrigatórios, cuja ausência é capaz de ensejar o  arbitramento, incluem livros e registros auxiliares de natureza contábil ou fiscal. Ocorre que o  contribuinte  deverá  utilizar  exclusivamente  livros  ou  registros  auxiliares  para  evidenciar  hipóteses  a  utilização  de  métodos  ou  critérios  contábeis  diferentes  daqueles  que  geralmente  seriam  adotados  em  face  de  alguma  norma,  inclusive  tributária  que  lhe  tenha  exigidos  ou  induzido a tal prática ou, ainda, determinado registros, lançamentos ou ajustes ou a elaboração  de outras demonstrações financeiras (Lei n. 6.404, art. 177, § 2; Decreto­Lei no 1.598, art. 8o, §  Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 19515.007562/2008­78  Acórdão n.º 9101­003.653  CSRF­T1  Fl. 1.521          7 2o).  O  lucro  deverá  ser  arbitrado  pela  autoridade  fiscal  se  o  contribuinte  não  escriturar  ou  deixar  de  apresentar  à  autoridade  tributária  os  livros  ou  registros  auxiliares  em questão  (Lei  8.981/95, art. 47, VIII).  Também  pode  acontecer  de  o  contribuinte  apresentar  à  fiscalização  sua  escrituração  contábil  a  que  está  obrigado,  mas  esta  revelar  evidentes  indícios  de  fraude  ou  contiver vícios, erros ou deficiências que prejudiquem a apuração do tributo, hipótese em que  lucro  também  deve  ser  arbitrado  pela  autoridade  fiscal.  O  legislador,  contudo,  frisou  o  cabimento do arbitramento apenas na hipótese de alguma dessas máculas tornar a escrituração  contábil  do  contribuinte  imprestável  para:  “a)  identificar  a  efetiva movimentação  financeira,  inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real” (Lei 8.981/95, art. 47, II).   Se  o  contribuinte  optar  indevidamente  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido,  o  lucro  deverá  ser  arbitrado  pela  autoridade  fiscal  (Lei  8.981/95,  art.  47,  IV).  Ademais, o lucro também deverá ser arbitrado pela autoridade fiscal se o contribuinte, embora  seja  legitimado  a  optar  pelo  lucro  presumido,  deixe  de  apresentar  à  autoridade  tributária  os  livros  e documentos da  escrituração comercial e  fiscal  ou, no mínimo, o  livro Caixa em que  tenha escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei 8.981/95, art. 45 c/c  art. 47, III).   Há,  ainda,  previsões mais  específicas. Assim,  agentes  ou  representantes  do  comitente com domicílio fora do país deverá escriturar os seus livros comerciais de modo que  demonstre,  além  dos  próprios  rendimentos,  os  lucros  reais  apurados  nas  operações  de  conta  alheia,  em  cada  ano.  No  caso,  deve  arbitrado  o  lucro  se  o  contribuinte  o  comissário  ou  representante da pessoa jurídica estrangeira descumprir esse dever (Lei 8.981/95, art. 47, V).  Todas essas prescrições do legislador ordinário, como se pode observar, são  vocacionadas à concretização das diretrizes acima analisadas.   Merece  cautela  a  interpretação  do  inciso  II,  art.  47,  da  Lei  8.981/95,  que  deixa expresso que o cabimento do arbitramento apenas se as máculas nele tratadas tornarem a  escrituração contábil do contribuinte imprestável para: “a) identificar a efetiva movimentação  financeira,  inclusive  bancária;  ou  b)  determinar  o  lucro  real”.  Ocorre  que,  embora  esse  dispositivo apresente ressalva expressa, essa mesma diretriz é comum à generalidade dos casos  de arbitramento motivados em questões documentais.  Uma análise sistemática, que considere ao menos os arts. 146 da Constituição  e os arts. 44 e 148 do CTN, evidencia ser inaplicável uma interpretação a contrario sensu, no  sentido de que a ressalva contida no inciso II, art. 47, da Lei 8.981/95 seria restrita a este, de  forma  que  os  demais  incisos  deveriam  ser  aplicados  sem  os  aludidos  limites.  Interpretação  diversa castigaria o legislador por querer se fazer mais claro ao tutelar as hipóteses do inciso II,  art.  47,  da  Lei  8.981/95,  convertendo  uma  pretendida  garantia  dos  administrados  em  um  enfraquecimento  ou mesmo  negativa  de  eficácia  às  normas  que  já  seriam  decorrentes  da  lei  complementar pré­existente (CTN, arts. 44 e 148).  Todos  as  hipóteses  de  arbitramento  baseadas  em  questões  documentais,  previstas pelo art. 47 da Lei 8.981/95, portando, são aplicáveis com o propósito finalístico, qual  seja,  proteger  o  legítimo  interesse  da  União  em  aplicar  adequadamente  a  lei  tributária,  dependente  do  correto  conhecimento  quanto  ao  valor  de  bens,  direitos,  serviços  ou  atos  jurídicos da órbita do contribuinte.   Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 19515.007562/2008­78  Acórdão n.º 9101­003.653  CSRF­T1  Fl. 1.522          8 Significa dizer que, ausente risco ao legítimo interesse da União, em contexto  no  qual  reste  assegurado  à  administração  fiscal  o  razoável  conhecimento  quanto  ao  valor de  bens, direitos, serviços ou atos jurídicos da órbita do contribuinte, não há permissivo legal ao  arbitramento dos lucros.  No presente caso, é preciso decidir se a autoridade fiscal teria ou não o dever  de  realizar o  lançamento de  IRPJ  e CSLL pelo  arbitramento dos  lucros, com fundamento no  art.  47,  II  da  Lei  8.981/95,  em  face  de  substancial  omissão  de  receitas  pelo  contribuinte,  equivalente a aproximadamente 70% de suas receitas.  Compreendo  que  o  acórdão  indicado  como  paradigma  de  divergência  apresenta a interpretação mais adequada às normas que tutelam a hipótese em discussão.  O  art.  47,  II,  da  Lei  8.981/95,  estabelece  o  dever  de  a  autoridade  fiscal  realizar o arbitramento da base de cálculo para o lançamento do tributo quanto a escrituração  contábil deste contiver vícios que a tornem imprestáveis “a) identificar a efetiva movimentação  financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real”.  Se  a  escrituração  fiscal  mantida  pelo  contribuinte  deixou  de  evidenciar  aproximadamente  70%  das  receitas  auferidas  pelo  contribuinte,  parece  fora  de  dúvida  a  sua  imprestabilidade para  a determinação do  lucro  real ou mesmo para a  identificação da efetiva  movimentação  financeira,  sendo,  portanto,  mandatório  o  arbitramento,  tal  como  decidiu  a  Turma a quo.  Nesse  seguir,  voto  no  sentido  de  CONHECER  e DAR  PROVIMENTO  ao  recurso especial.  (assinado digitalmente)  Luís Flávio Neto    Voto Vencedor  Com a devida vênia ao ilustre Relator, ouso divergir.  A  recorrente,  optante  pelo  regime  de  tributação  do  lucro  real  anual,  relativamente ao ano­calendário de 2004, entregou à Fiscalização, em atendimento à intimação,  extratos bancários por meio dos quais pôde­se apurar o efetivo ingresso de créditos bancários  cuja  origem  não  foi  comprovada  por  documentos  hábeis  e  idôneos,  além  de  não  terem  sido  escriturados.   No presente Recurso Especial, a recorrente pleteia a anulação do lançamento,  ao  argumento  de  que  a  Fiscalização  deveria  arbitrar  seu  lucro,  considerando  que  a  receita  omitida corresponde a 70% da receita total.   Com  efeito,  essa  estratégia  da  defesa  deveria  constar  em  manuais  de  julgamento,  alertando  para  a  tese  que  advoga  a  tributação  pelo  lucro  arbitrado  em  caso  de  detecção de volumosa omissão de receitas, sempre que a Fiscalização efetuar a tributação com  base no lucro real. Mas se a Fiscalização houvesse imposto a sujeição ao IRPJ com fulcro no  lucro  arbitrado,  uma  vez  descoberto  o  mesmo  percentual  de  receita  omitida,  a  recorrente  Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 19515.007562/2008­78  Acórdão n.º 9101­003.653  CSRF­T1  Fl. 1.523          9 provavelmente  requereria  a  anulação  do  lançamento  sob  a  justificativa  de  que  se  deveria  calcular o IRPJ com base no lucro real. Isso porque, na prática das fiscalizações que descobrem  elevados  percentuais  de  sonegação,  a  própria  sonegação  elevada  constitui  uma  carta  coringa  para a estratégia da defesa, que pode ir para um lado ou para o outro, conforme a conveniência.  No  caso  concreto,  a  Fiscalização  não  detectou  vícios  na  escrituração.  Por  outro  lado, o argumento de que o volume elevado da  receita omitida caracteriza escrituração  imprestável  carece  de  demonstração  empírica  da  imprestabilidade.  A  despeito  disso,  o  argumento sugere que a contabilidade gradativamente se torna imprestável na medida em que o  contribuinte aumenta sua sonegação. Ou seja, segundo esse raciocínio, haveria um processo de  tendência  à  imprestabilidade,  tendência  essa  que,  avançando  junto  com  o  acréscimo  da  sonegação, concretiza­se em imprestabilidade efetiva a partir de um determinado momento em  que  a  sonegação  atinge  certo  nível  (não  obstante,  indefinido),  ainda  que  ausentes  sinais  exteriores  inequívocos  da  inutilidade  da  escrita,  mormente  diante  da  relevante  circunstância  verificada  na  situação  em  exame,  segundo  a  qual  o  próprio  contribuinte  continuou  a  efetuar  registros contábeis.   Nesse cenário, caso se admita que a sonegação elevada pode tornar a escrita  definitivamente  imprestável  a  partir  de  um  determinado  volume  de  receita  sonegada,  cabe  atribuir  a  responsabilidade  pelo  defeito  ao  contribuinte,  que  deveria  anunciar  à  Fiscalização  que  a  contabilidade  é  inútil,  de  acordo  com  o  dever  de  colaboração  que  ao  contribuinte  se  impõe. De modo  algum deve­se  favorecer  o  infrator  com  a  própria  torpeza,  subtraindo­o  da  incidência dos ônus que  recaem exclusivamente  sobre aquele pratica o ato  ilegal. Considerar  que  o  Fisco  errou  por  não  ter  desclassificado  a  escrita,  que,  se  imprestável  estivesse,  assim  estaria  por  culpa  do  infrator,  é o mesmo que pretender atribuir  ao  lesado o  erro derivado da  confiança na aparência.   Em suma, em face do exposto, correta é a cobrança do IRPJ determinado com  base no lucro real anual, a teor do artigo 24 da Lei nº 9.249/1995.  Em face do exposto, NEGO provimento ao apelo do contribuinte.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Flávio Franco Corrêa                  Fl. 1523DF CARF MF

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7465361 #
Numero do processo: 13602.720286/2016-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. EXIGÊNCIA DA CONTEMPORANEIDADE DOS SINTOMAS OU DA RECIDIVA DA ENFERMIDADE. ATO DECLARATÓRIO PGFN. O STJ pacificou entendimento no sentido de que a isenção do Imposto de Renda sobre os proventos da aposentadoria ou reforma percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos do art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, não exige a demonstração da contemporaneidade dos sintomas, nem a indicação de validade do laudo pericial ou a comprovação de recidiva da enfermidade. Por decorrência, a PGFN editou o Ato Declaratório nº5, de 2016, para enunciar e sintetizar a orientação jurisprudencial pacífica, que deve ser observada pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 2002-000.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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2002­000.330  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  25 de setembro de 2018  Matéria  IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.  Recorrente  ANA TERESA VIANNA PAMPLONA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2011  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. EXIGÊNCIA DA  CONTEMPORANEIDADE  DOS  SINTOMAS  OU  DA  RECIDIVA  DA  ENFERMIDADE. ATO DECLARATÓRIO PGFN.  O  STJ  pacificou  entendimento  no  sentido  de  que  a  isenção  do  Imposto  de  Renda  sobre  os  proventos  da  aposentadoria  ou  reforma  percebidos  por  portadores de moléstias graves, nos termos do art. 6º,  inciso XIV, da Lei nº  7.713,  de  1988,  não  exige  a  demonstração  da  contemporaneidade  dos  sintomas, nem a indicação de validade do laudo pericial ou a comprovação de  recidiva da enfermidade.   Por  decorrência,  a  PGFN  editou  o  Ato  Declaratório  nº5,  de  2016,  para  enunciar  e  sintetizar  a  orientação  jurisprudencial  pacífica,  que  deve  ser  observada pela Administração Tributária.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 2. 72 02 86 /2 01 6- 81 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13602.720286/2016­81  Acórdão n.º 2002­000.330  S2­C0T2  Fl. 107          2   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  ­  Presidente  e  Relatora  Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira  Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e  Virgílio Cansino Gil.    Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face de decisão da 5ª Turma da  DRJ/REC,  que  considerou  improcedente  a  impugnação,  em  decisão  assim  ementada  (fls.70/74):  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Ano­calendário: 2011  ISENÇÃO.  PROVENTOS  DE  APOSENTADORIA,  REFORMA  OU PENSÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.  Somente são isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física  os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, assim como  suas  complementações,  percebidos  por  portador  de  moléstia  grave  definida  em  lei,  desde  que  comprovada  mediante  laudo  pericial emitido por serviço médico oficial.  Em face do sujeito passivo foi emitida a Notificação de Lançamento de fls.  4/8, relativa ao ano­calendário 2011, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de  Imposto  sobre a Renda da Pessoa Física  (DIRPF),  em que a  fiscalização apurou omissão de  rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$212.013,90.  A  Notificação  de  Lançamento  alterou  o  resultado  de  saldo  de  imposto  a  restituir declarado de R$42.580,77, para saldo de imposto a pagar de R$1.443,06. Como já lhe  fora restituído o valor de R$463,25, a NL exige imposto suplementar de R$1.906,25.  Cientificada  da  notificação  por  edital  (fls.31/61),  a  contribuinte  protocolou  Solicitação de Retificação de Lançamento  ­ SRL,  a qual  foi  indeferida nos  seguintes  termos  (fl.63):  Segundo o relatório da perícia médica realizada em 03.06.2015  pela  Junta Médica do Tribunal de  Justiça de Minas Gerais,  "a  funcionária  aposentada  teve  um  diagnóstico  de  neoplasia  Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13602.720286/2016­81  Acórdão n.º 2002­000.330  S2­C0T2  Fl. 108          3 maligna de mama (CID C50) firmado em 15.01.2001, quando foi  submetida  a  tratamento  radioterápico  e  quimioterápico.  Na  perícia  de  avaliação  para  concessão  de  isenção  de  imposto  de  renda,  em 17.10.2007,  foi­lhe negado o benefício,  uma vez que  não  havia  sinais  da  doença,  decorrido  o  prazo  de  05  (cinco)  anos  pós­tratamento.  Pelo  exposto,  consideramos  que  a  servidora aposentada continua não preenchendo os critérios de  portadora de neoplasia maligna para ter o direito ao benefício".  Cientificada  do  indeferimento  da  SRL  (fl.67),  a  contribuinte  impugnou  a  exigência fiscal em 27/7/2016 (fls. 2/11).  Intimada  da  decisão  do  colegiado  de  primeira  instância  em  11/10/2016  (fl.  79),  a  recorrente  apresentou  recurso  voluntário  em  7/11/2016  (fls.  82/99),  em  que  alega  os  seguintes argumentos de defesa:  ­ é aposentada desde 2007, conforme atesta cópia de contracheque juntada a  sua defesa.  ­  é  portadora  de  neoplasia  maligna  desde  2001,  informação  constante  de  laudo emitido por peritos do TJMG.  ­  em  junho  de  2015,  teve  seu  direito  à  isenção  reconhecido  pelo  Parecer  TJMG nº 3, de 2014.  ­ seguindo orientação da fonte pagadora, para ter restituído o IR, procedeu à  retificação de suas declarações de ajuste dos anos anteriores.  Processo  distribuído  para  julgamento  em  Turma  Extraordinária,  tendo  sido  observadas as disposições do artigo 23­B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de  2015, e suas alterações (fl.76).  Voto             Conselheira  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  ­  Relatora  Admissibilidade  O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele  tomo conhecimento.  Mérito  O  litígio  recai  sobre  rendimentos  recebidos  pela  recorrente  do  Tribunal  da  Justiça do Estado de Minas Gerais, os quais ela alega serem isentos por serem decorrentes de  aposentadoria e ser ela portadora de moléstia grave.  O  colegiado  de  primeira  instância  entendeu  que  nenhuma  das  condições  necessárias para o reconhecimento da isenção pleiteada foi cumprida pela contribuinte, como  registrado no trecho reproduzido a seguir:  Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13602.720286/2016­81  Acórdão n.º 2002­000.330  S2­C0T2  Fl. 109          4 9.1 Pela  leitura  dos  comandos  normativos  acima,  fica  evidente  que  o  benefício  da  isenção  em  decorrência  de  moléstia  grave  depende do cumprimento de duas condições cumulativas:  a)  rendimentos  oriundos  de  aposentadoria,  reforma ou  pensão,  assim  como  suas  complementações  (condição  de  caráter  objetivo); e  b) sujeito passivo portador de alguma das moléstias previstas no  texto  legal,  comprovada  mediante  laudo  pericial  emitido  por  serviço médico oficial (condição de caráter subjetivo).  10. De antemão, verifica­se que não consta dos autos prova de  isenção concedida judicialmente, como alega a contribuinte. Por  outro lado, não há documento comprovando que os rendimentos  em tela (ano­calendário de 2011) são oriundos de aposentadoria  e, adicionalmente, o único laudo médico oficial (fl. 9) juntado ao  processo  atesta,  ao  contrário  das  pretensões  da  defesa,  que  o  caso não preenche os critérios para caracterização da moléstia  grave  em  questão,  qual  seja,  neoplasia maligna.  Logo,  não  há  como reconhecer a isenção pleiteada.  Em sede de  recurso voluntário a contribuinte  juntou novos documentos  aos  autos. O  art.  16,  §  4º,  alínea  c,  do Decreto  nº70.235/72,  prevê que  a  prova  documental  será  apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual,  a menos que  a nova prova se destine  a  contrapor  fatos  ou  razões posteriormente  trazidas aos autos. Verifica­se que os documentos apresentados pela parte encaixam­se nesta  previsão,  visto  que  destinam­se  a  contrapor  razões  trazidas  aos  autos  pela  DRJ  que  fundamentou  sua  decisão  de  improcedência  da  impugnação  na  falta  de  comprovação  da  condição de aposentada e na ausência de comprovação da existência de moléstia grave. Diante  disso, a nova documentação será analisada.  Sobre a condição de aposentada, a cópia de despacho emitido por sua fonte  pagadora  à  fl.  94  consigna  que  a  contribuinte  se  aposentou  em  3/5/2007.  O  contracheque  relativo ao ano de 2007 registra essa condição (fl.85).  A existência da moléstia  foi questionada uma vez que o relatório da perícia  médica, emitido em 2015, aponta que a  recorrente  teve diagnóstico de neoplasia maligna em  2001, mas que, em 2007, já não havia sinais da doença (fl.9).  A  legislação  de  regência  exige  a  indicação  no  laudo médico  oficial  da  sua  data  de  validade,  o  que me  leva  a  interpretar  que  somente  fazem  jus  ao  benefício  fiscal  os  contribuintes efetivamente portadores de moléstia grave.  No entanto, tendo em vista a existência de decisões reiteradas das turmas do  STJ, no sentido de que a isenção do Imposto de Renda sobre os proventos da aposentadoria ou  reforma percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos do art. 6º,  inciso XIV, da  Lei nº 7.713, de 1988, não exige a demonstração da contemporaneidade dos sintomas, nem a  indicação de validade do  laudo pericial ou a comprovação de recidiva da enfermidade,  tendo  em vista que a finalidade desse benefício é diminuir o sacrifícios dos beneficiários, aliviando­ os dos encargos financeiros relativos ao acompanhamento médico e às medicações ministradas,  a PGFN emitiu o Ato Declaratório o 5, de 2016:  Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13602.720286/2016­81  Acórdão n.º 2002­000.330  S2­C0T2  Fl. 110          5 O PROCURADOR­GERAL DA FAZENDA NACIONAL,  no  uso  da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso  II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º  do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a  aprovação  do  Parecer  PGFN/CRJ/Nº  701/2016,  desta  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro  de Estado  da Fazenda,  conforme  despacho  publicado  no DOU  de  17  de  novembro  de  2016, DECLARA  que  fica  autorizada  a  dispensa  de  apresentação  de  contestação,  de  interposição  de  recursos  e  a  desistência  dos  já  interpostos,  desde  que  inexista  outro fundamento relevante:  “nas  ações  judiciais  fundadas  no  entendimento  de  que  a  isenção  do  Imposto  de  Renda  sobre  os  proventos  de  aposentadoria,  reforma  ou  pensão,  percebidos  por  portadores  de moléstias graves, nos termos do art. 6º,  incisos XIV e XXI,  da  Lei  nº  7.713,  de  1988,  não  exige  a  demonstração  da  contemporaneidade dos sintomas, nem a indicação de validade  do  laudo  pericial  ou  a  comprovação  da  recidiva  da  enfermidade”.  (destaques acrescidos)  Isto posto, considerando o disposto no artigo 62, §1º,  inciso  II,  alínea c, do  RICARF,  aprovado  pela  Portaria MF  nº343,  de  2015,  e  que  a  recorrente  foi  acometida  de  moléstia grave tipificada em lei no ano de 2001, é de se reconhecer que os rendimentos objeto  da autuação são isentos.  Conclusão  Pelo  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso,  para,  no  mérito,  dar­lhe  provimento, para cancelar a omissão de rendimentos apontada na autuação.  (assinado digitalmente)  Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez                                Fl. 110DF CARF MF

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7439417 #
Numero do processo: 10855.724560/2014-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 IPI. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se ao processo decorrente de IPI a mesma solução dada pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF ao processo principal de IRPJ. IPI. DIREITO CREDITÓRIO. SUSPENSÃO. Para perpetuar o regime da não cumulatividade, a suspensão do IPI deve ser procedida de não aproveitamento do respectivo crédito. São fatos concomitantes, necessariamente, salvo as exceções legalmente definidas.
Numero da decisão: 1201-002.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários para afastar a multa qualificada, reduzindo-a para 75%, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marque Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente),
Nome do relator: Relator

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Para perpetuar o regime da não cumulatividade, a suspensão do IPI deve ser  procedida  de  não  aproveitamento  do  respectivo  crédito.  São  fatos  concomitantes, necessariamente, salvo as exceções legalmente definidas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial provimento aos recursos voluntários para afastar a multa qualificada, reduzindo­a para  75%, nos termos do voto do relator.     (assinado digitalmente)  Ester Marque Lins de Sousa ­ Presidente      (assinado digitalmente)  Luis Fabiano Alves Penteado ­ Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 45 60 /2 01 4- 60 Fl. 2609DF CARF MF   2   Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis  Fabiano  Alves  Penteado,  José  Carlos  de  Assis  Guimarães,  Luis  Henrique  Marotti  Toselli,  Rafael  Gasparello  Lima,  Paulo  Cezar  Fernandes  de  Aguiar,  Gisele  Barra  Bossa  e  Ester  Marques Lins de Sousa (Presidente),     Relatório  Trata­se  de  Auto  de  Infração  relativo  ao  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI)  cujo  valor  em  cobro  fora  acompanhado  de  multa  qualificada  no  percentual de 150%, além de juros de mora, totalizando o montante de R$ 19.296.571,81.  A infração apurada concerne às inconsistências na escrituração das operações  comerciais do contribuinte e, ato contínuo, ao IPI efetivamente incidente, nos seguintes termos:    IPI  LANÇADO  E  NÃO  ESCRITURADO.  DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO DO SALDO DEVEDOR DO  IPI ESCRITURADO (TOTAL OU PARCIAL) – VERIFICAÇÕES  OBRIGATÓRIAS.  O  contribuinte  deu  saída  de  seu  estabelecimento  industrial  a  produtos  tributados  e  emitiu  as  respectivas  Notas  Fiscais  de  Saídas, durante o ano­calendário de 2010.   As Notas Fiscais encontram­se escrituradas no Livro de Registro  de Saídas, apresentado pelo contribuinte durante o procedimento  fiscal. Foram apresentadas  também cópias de Notas Fiscais de  entradas.   Durante  o  Procedimento  Fiscal,  o  contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  o  Livro  de  Registro  de  Entradas  e  o  Livro  de  Apuração  do  IPI  e  outros  documentos,  porém,  não  os  apresentou.   A partir do Livro de Registro de Saídas e das Notas Fiscais de  Entradas,  apresentados  pelo  contribuinte,  e  das  Notas  Fiscais  Eletrônicas,  obtidas  pelo  Sped  NF­e,  apuramos  o  IPI  do  contribuinte, resultando em saldo devedor nos meses de janeiro  a dezembro de 2010.   Importante  salientar  que  o  trabalho  fiscal  ensejador  do  lançamento  de  IPI  concomitantemente  e  espontaneamente  identificou  uma  monta  significativa  de  receitas  omitidas pelo contribuinte, culminando na constituição definitiva do crédito tributário referente  ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS.   Por meio do Relatório Fiscal que acompanha o Auto de Infração é possível  observar­se  de  forma  abrangente  os  fatos  apurados  pela  autoridade  administrativa,  especificamente enveredados à cobrança do IPI apenas.    Fl. 2610DF CARF MF Processo nº 10855.724560/2014­60  Acórdão n.º 1201­002.350  S1­C2T1  Fl. 3          3 Pois bem.  Cumpriu­se  expor,  inicialmente,  que  o  contribuinte  fora  intimado  a  esclarecer/justificar  a  divergência  de  R$143.965.056,81,  constatada  entre  o  total  da  Receita  Declarada na DIPJ 2011, ano­calendário de 2010, e o total da Receita Informada na DACON.  A fiscalização, então, analisou as DACON´s apresentadas e constatou que não foram apurados  saldos a pagar para o PIS e para a Cofins, durante os meses de janeiro a dezembro de 2010, em  virtude de créditos descontados referentes a aquisições no mercado interno.  Em seguida, a autoridade administrativa promoveu a análise do Balancete da  fiscalizada, concluindo que o contribuinte contabilizou suas  receitas na conta contábil  “4.1 –  Receitas”, porém, não escriturou os valores de IPI destacados nas Notas Fiscais de Vendas.   A partir dessa escrituração contábil, fora gerado o “Razão” com contrapartida  da conta contábil “2.1.02.01.0001 – Fornecedores Nacionais”. Deste demonstrativo, constatou­ se  que  havia  12  (doze)  lançamentos  a  crédito  da  conta  contábil  “2.1.02.01.0001  –  Fornecedores  Nacionais”,  um  lançamento  a  cada  mês,  no  montante  de  R$  155.168.094,60,  com o histórico “VLR REF COMPRA”.   O  contribuinte  informara  na  ficha  04  A  da  sua  DIPJ/2011,  o  montante  de  R$120.520.000,00 de Compras de Insumos a Prazo no Mercado  Interno (item04) e o mesmo  valor como Custo dos Produtos de Fabricação Própria Vendidos (item 21).  O  montante  debitado  na  conta  contábil  “1.1.03.0001  –  Mercadorias  para  Revenda”, durante o ano­calendário de 2010, foi de R$143.739.642,64.   Desse montante, R$130.530.037,62,  referiam­se aos 12 (doze)  lançamentos,  não comprovados pelo contribuinte. Se desconsiderássemos os doze  lançamentos, o  saldo da  conta  contábil  “1.1.03.0001  ­  Mercadorias  para  Revenda”  passaria  para  R$13.209.605,00  (R$143.739.642,64  ­  R$130.530.037,62),  e  consequentemente,  o  CPV  (Custo  do  Produto  Vendido)  apurado  no  período  representaria,  no  máximo,  esta  diferença,  e  não  os  R$120.520.000,00  contabilizado  pelo  contribuinte,  dado  que  a  revenda  de  mercadorias,  naturalmente, não as aloca como custo.   Paralelamente à análise dos documentos cont´pabeis e fiscais da fiscalizada,  foram obtidos, através do Receitanet BX, os arquivos das notas fiscais de vendas (SPED­NFe)  emitidas por entidades que destinaram as mercadorias à empresa denominada Braschon Ltda.,  relativamente ao ano­calendário de 2010.   Analisando  as  notas  fiscais  observou  a  fiscalização  que  houve  aproximadamente R$122 milhões de vendas à Braschon Ltda. As empresas Real Plastic Ltda,  Gabiplast  Distr  Plásticos  Export.  Import.  Ltda  e  Plasnox  Ind  e  Com  de  Plásticos  Ltda,  venderam,  respectivamente,  R$74,7  milhões,  R$23,5  milhões  e  R$7,5  milhões  à  Braschon.  Estas empresas, juntas, representam cerca de 87% das compras efetuadas pela Braschon.    Do  exame  dos  documentos  fornecidos  pelo  Bradesco  S/A,  mais  especificamente  os  extratos  bancários  e  as  cópias  dos  pagamentos  de  cobrança,  juntamente  com as planilhas denominadas “Relação de Duplicatas Liquidadas”, fornecidos pelas empresas  Real Plastic Ltda, Gabiplast Ltda e Planox Ltda percebeu­se que vários boletos de cobrança  Fl. 2611DF CARF MF   4 foram  debitados  da  conta  corrente  nº  199.580­4,  agência  0152  –  Sorocaba,  Bradesco  S/A,  titular a empresa Saferpak Plásticos Ltda, ora fiscalizada, porém, referem­se às cobranças das  supracitadas vendas efetuadas à Braschon Ltda.   Ressalve­se  que  todas  as  vendas  efetuadas  pelas  empresas,  supostamente  à  Braschon Ltda, saíram com IPI suspenso ou sem destaque, conforme informação no corpo de  todas as Notas Fiscais emitidas.  Aliado a estes fatos, constatou­se, ulteriormente, que, durante o procedimento  fiscal, a Saferpak Ltda foi intimada várias vezes a apresentar a documentação que comprovasse  os  12  (doze)  lançamentos  a  crédito  da  Conta  Contábil  2.1.02.01.0001  –  Fornecedores  Nacionais,  um  lançamento  a  cada mês,  no montante  de R$ 155.168.094,60,  com o  histórico  “VLR REF COMPRA”, porém, não apresentou qualquer documento.   Além  de  compor  o  Custo,  sobre  esse  montante  foram  contabilizados  a  recuperação dos seguintes tributos:  1.1.02.09.0001 – ICMS A RECUPERAR  1.1.02.09.0002 – PIS A RECUPERAR  1.1.02.09.0003 – COFINS A RECUPERAR  Com  a  contabilização  dos  créditos  de  PIS  e  de  COFINS  e  apropriação  do  Custo, relativos aos 12 (doze) lançamentos acima, a fiscalizada não apurou saldo a pagar destas  contribuições, tampouco de IRPJ e CSLL (apurou Prejuízo de R$ 208.091,51), durante o ano­ calendário de 2010.  Diante  de  todo  o  exposto,  entendeu  a  fiscalização  que  as  mercadorias  acompanhadas de Notas Fiscais destinadas à Braschon Ltda eram remetidas pelos fornecedores  (Real  Plastic/Gabiplast/Planox)  às  transportadoras,  localizadas  em Sorocaba­SP  (Logmax)  e  Votorantim­SP (Valvi), para serem redespachadas à Braschon, porém, isso não ocorria, pois as  mercadorias  pertenciam  à  Saferpak  Ltda,  real  compradora  das  mercadorias  e  pagadora  dos  respectivos fornecedores.  Os fatos acima comprovariam que a Braschon Ltda foi criada pela Saferpak  Ltda,  ora  fiscalizada,  com  o  intuito  de  diminuir  a  carga  tributária,  mediante  o  benefício  da  redução do ICMS, de 12% (UF­SP) para 7% (UF­BA).  A empresa Saferpak Plásticos Ltda teria dado saída de seu estabelecimento a  produtos  tributados  de  IPI  e  emitira  Notas  Fiscais  de  Vendas,  durante  o  ano­calendário  de  2010, não apurando o IPI correspondente.   O contribuinte foi intimado a apresentar o Livro de Registro de Entradas e o  Livro de Apuração do IPI e outros documentos, porém, não os apresentou.   Desta forma, a partir do Livro de Registro de Saídas e das Notas Fiscais de  Entradas,  apresentados  pelo  contribuinte,  e  das Notas  Fiscais  Eletrônicas,  obtidas  pelo  Sped  NF­e,  fora  apurado  o  IPI  do  contribuinte,  resultando  em  saldo  devedor  de  IPI  a  recolher,  relativamente aos meses de janeiro a dezembro de 2010.  Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 10855.724560/2014­60  Acórdão n.º 1201­002.350  S1­C2T1  Fl. 4          5 O conjunto de fatos  relatados  indicou  flagrante violação dolosa ou  culposa,  comissiva  ou  omissiva,  das  leis  civis,  comerciais  e  tributárias,  praticadas  pelos  sócios  administradores ou em nome deles.   Deste modo, ficou caracterizado o vínculo de responsabilidade, por ação ou  omissão, dos sócios, Srº EVANDRO FRANCO DE ALMEIDA, CPF 202.602.118­00, e a Srª  MARCELA DE FÁTIMA MOMESSO FRANCO DE ALMEIDA, CPF: 202.450.618­60, nos  termos do  artigo 135,  caput e  III,  do Código Tributário Nacional  (Lei nº 5.172/1966), o que  ensejou a lavratura dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária.  Segundo a fiscalização, ainda, os atos praticados pela fiscalizada, impediram  a  ocorrência  do  Fato  Gerador  da  Obrigação  Tributária  Principal  e  modificaram  suas  características,  resultando  na  redução  do  montante  do  imposto  devido,  portanto,  tipificado  como crime tributário, previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64 e ensejando, desta  forma, aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), nos  termos do  artigo  44,  inciso  I,  e  §  1º,  da  Lei  9.430/96,  com  a  redação  dada  pelo  artigo  14  da  Lei  nº  11.488/07.    Impugnação  Os  argumentos  constantes  nas  peças  de  defesa  da  contribuinte  e  dos  responsáveis  tributários  foram  oportunamente  sintetizados  pela  autoridade  julgadora  de  primeira instância, de modo que peço vênia para aqui reproduzi­los:    “A contribuinte alega o seguinte, em resumo:   ­  a  apuração  do  IPI  foi  realizada  através  do  acesso  não  autorizado  do  Poder  Judiciário  às  informações  bancárias  da  Impugnante,  já  que  é  assegurada  a  inviolabilidade  dos  dados,  conforme o art. 5º, incisos X e XII, da Constituição Federal, e a  Lei  Complementar  nº  105,  de  2001,  desprezou  totalmente  os  direitos  e  garantias  constitucionais,  inclusive  o  direito  à  intimidade  à  privacidade.  Referindo­se  ao  julgamento  do  Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, considera que o Auditor­ Fiscal "quebrou o sigilo bancário da impugnante sem pleitear o  respectivo  direito  ao  acesso  ao  Poder  Judiciário,  maculando,  dessarte,  o  acesso  as  informações  bancárias  sigilosa  daquela."  Também cita acórdãos dos Tribunais Regionais Federais de 3ª e  5º  Regiões,  bem  com  acórdão  do  CARF,  este  sobrestando  a  análise do tema até que o STF o decida em sede de repercussão  geral;   ­  o  principio  da  não­cumulatividade  foi  violado,  ao  não  terem  sido  considerados  pela  fiscalização  na  apuração  do  IPI  os  valores  referentes  ao  crédito  desse  tributo,  ponto  no  qual  defende  o  direito  aos  créditos  das  Braschon,  mesmo  com  o  "suposto  afastamento  das operações  realizadas",  até porque  se  as  vendas  fossem  diretas  dos  fornecedores  Real  Plastic,  Gabiplast  e  Plasnox  à  autuada  esta  teria  direito  aos  créditos  mesmo tendo havido a suspensão. Cita o art. 29, § 5º, da Lei nº  Fl. 2613DF CARF MF   6 10.637,  de  2002.  Cita  julgados  STF  referente  aquisições  de  insumos  isentos,  não­tributáveis  (NT)  com  alíquota  zero,  alegando ainda que, por ter o autuante deixado de aproveitar os  créditos,  cometeu  ofensa  aos  princípios  da  legalidade,  proporcionalidade e razoabilidade;   ­  irretroatividade  da  declaração  de  inaptidão  da  empresa  Braschon  (referência  ao  ADE  nº  45,  de  26  de  novembro  de  2014),  que  segundo  a  pessoa  jurídica  autuada  não  pode  lhe  atingir porque em 2010, realizou "a operação pautada pela boa­ fé"; e   ­  equivocada aplicação da multa de ofício qualificada, por não  sido  provada  conduta  fraudulenta.  Transcreve  ementas  de  acórdãos  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes  e  do  CARF  segundo os quais a fraude não se presume e a multa qualificada  (ou agravada, como prefere dizer a Impugnante) não se aplica à  simples omissão de rendimentos) e invoca o art. 112, II, do CTN,  arguindo a improcedência do lançamento;   Ao  final  requer  seja  declarado  nulo  o  Auto  de  Infração  ou  o  sobrestamento  do  julgamento,  caso  se  compreenda  como  estritamente  necessário  o  trânsito  em  julgado  do  Recurso  Extraordinário  nº  389.808/PR  em  trâmite  no  Egrégio  Supremo  Tribunal Federal sob os efeitos da Repercussão Geral.   O  responsável  tributário  Evandro  Franco  de  Almeida,  na  sua  peça impugnatória, alega:   ­ a  ilegitimidade passiva na obrigação tributária, visto que não  praticou qualquer dos atos previstos no art. 135, III, do CTN e  nem detinha em 2010 poderes de gerência ou administração;   ­  conforme  a  cláusula  VII  da  3ª  alteração  social  da  empresa  autuada  (como  prova  menciona  o  documento  02)  a  administração competia única e exclusivamente a Marcela de F.  M. Franco de Almeida e somente em 2011 houve nova alteração  contratual (4º alteração, quando menciona o documento 03), que  de todo modo não alterou a administração societária;   ­ além de a situação fática não recair em hipóteses de excesso de  poderes  ou  infração  à  lei,  o  Impugnante  não  exercia  a  administração  ou  gerência  da  sociedade  empresarial,  de modo  que não foram atendidos os requisitos do art. 135, III, do CTN; e   ­ o simples fato de terceiros terem relacionado o seu nome com a  empresa Braschon não autoriza o redirecionamento da exigência  fiscal, seja porque embasado em meros indícios, seja porque não  possuía  poderes  de gerência  (cita  julgados  dos  TRF da  1ª  e  3ª  Regiões e do CARF).   Requer,  no  pedido,  seja  declarada  nula  a  inclusão  do  Impugnante na sujeição passiva em questão.   Por  último,  a  responsável  tributária  Marcela  de  Fátima  Momesso  Franco  de  Almeida  alega,  na  Impugnação  própria,  que:   Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 10855.724560/2014­60  Acórdão n.º 1201­002.350  S1­C2T1  Fl. 5          7 ­  inexistem  nos  autos  prova  cabal  do  excesso  de  poderes  ou  infração à lei por ela;   ­  depreende­se  do  relato  fiscal  a  adoção  de  presunção  para  responsabilizá­la, o que o art. 135, III, do CTN, não admite;   ­ o simples fato de terceiros terem relacionado o seu nome com a  empresa Braschon não autoriza o redirecionamento da exigência  fiscal (repete alegação posta na peça impugnatória de Evandro  Franco de Almeida);   ­  a  imposição  de  multa  qualificada  não  é  suficiente  para  autorizar a solidariedade tributária;   ­  segundo  jurisprudência  do  CARF  (transcreve  ementas  de  julgados da Primeira Seção) há necessidade de comprovação do  intuito sonegador ou de fraude, que não se presume e escapa à  simples  alegação  de  que  a  Impugnante  teria  deixado  de  escriturar nos Livros Registro de Entradas e de Apuração do IPI  as operações em questão;   ­  sem  a  prova  contundente  e  cabal  da  fraude  o  Fisco  jamais  poderá  impor  sanções  qualificadas,  à  vista,  inclusive,  do  art.  112, II, do CTN; e  ­  o  Auditor­Fiscal,  sem  se  ater  aos  requisitos  da  responsabilidade  tributária,  recaiu  em  arbitrariedade  e  em  ofensa  aos  princípios  da  legalidade,  proporcionalidade  e  razoabilidade.   Requer,  tal  como  o  responsável  Evandro  Franco  de  Almeida,  seja  declarada  nula  a  inclusão  da  Impugnante  na  sujeição  passiva em questão.”    Acórdão nº 11­049.680 – 2ª Turma da DRJ/REC  Quebra de Sigilo Bancário  Entendeu­se que não houve "quebra"  ilegal do sigilo bancário, mas simples  transferência dos dados  à  autoridade  fiscal. Esse procedimento  estaria  autorizado pela LC nº  105, de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 2001 e não fora afastado pelo STF.    Mérito  Segundo a autoridade julgadora, extraíra­se dos autos o seguinte:   “­  a  Braschon  LTDA  tinha  como  fornecedoras  Real  Plastic,  Gabiplast  LTDA  e  Planox  LTDA,  estas  três  entregando  as  mercadorias  à  transportadora,  que  redespachava.  Os  pagamentos dessas mercadorias eram realizados pela autuada, a  Saferpak Plásticos LTDA;   Fl. 2615DF CARF MF   8 ­ a Dievo Distribuição e Comércio S/A, uma quarta fornecedora  da  Braschon,  informou  à  fiscalização  que  a  empresa  compradora era representada pelo Sr. Evandro Franco;   ­  as DIPJ/2011 da  Saferpak Plásticos LTDA  e  da BRASCHON  foram  transmitidas  da  mesma  máquina  (mesmo MAC  e  IP)  no  mesmo  dia,  com  algumas  horas  de  diferença,  da  cidade  de  Sorocaba;   ­  a  autuada,  durante  o  ano  de  2010,  transferiu  mediante  movimentação bancária a expressiva quantia de R$53,6 milhões  à empresa Safer Indústria e Comércio Atacadista de Embalagens  Plasticas  LTDA  ­  ME,  que  por  sua  vez  transferiu  à  Braschon  36,9  milhões  durante  o  mesmo  ano,  montante  este  correspondente praticamente a todo fluxo financeiro bancário da  empresa Braschon. Isto, apesar de a Safer LTDA (não confundir  com a autuada, a Saferpak Plásticos LTDA) se encontrar inativa  no ano­calendário de 2008 e não ter apresentado DIRPJ do ano­ calendário de 2009 e dos posteriores;   ­  a  DIPJ  da  autuada  informa  "NÃO"  no  campo  Apuração  e  Informações de IPI no Período da DIPJ EX 2011 AC 2010;   ­  a  autuada,  mesmo  intimada  várias  vezes  a  apresentar  a  documentação  que  comprovasse  os  12  (doze)  lançamentos  a  crédito  da  Conta  Contábil  2.1.02.01.0001  –  Fornecedores  Nacionais,  um  lançamento  a  cada  mês,  no  montante  de  R$  155.168.094,60,  com  o  histórico  “VLR  REF  COMPRA”,  não  apresentou qualquer documento.”    Concluiu­se,  então,  que,  diante  dos  fatos  e  provas  apresentados  pela  fiscalização, não infirmadas pelos Impugnantes, a Braschon LTDA  teria sido criada, de modo  fraudulento,  pela  Saferpak  Plásticos  LTDA  com  o  intuito  de  diminuir  a  carga  tributária,  incluindo  o  IPI,  imposto  que  não  fora  contabilizado  nem  registrado  nos  livros  fiscais  obrigatórios  (a  autuada  não  teria  apresentado  até  então os Livros Diário, Razão, Registro de  Entradas, de Apuração do IPI, Inventário, nem o Livro de Controle da Produção e Estoque).   Sustenta­se, ainda, que apurado o valor do IPI devido, com base no Livro de  Registro de Saídas e das Notas Fiscais de Entradas, apresentados pelo contribuinte, e das Notas  Fiscais Eletrônicas,  obtidas  pelo Sped NF­e,  a  fiscalização  não  teria  considerado  os  créditos  provenientes das mercadorias adquiridas pela Braschon em face da fraude. Além de  inexistir  qualquer escrituração, necessária à comprovação e utilização dos créditos, a Saferpak Plásticos  LTDA, mesmo depois de intimada várias vezes a apresentar a documentação que comprovasse  os  12  (doze)  lançamentos  a  crédito  da  Conta  Contábil  2.1.02.01.0001  –  Fornecedores  Nacionais,  um  lançamento  a  cada mês,  no montante  de R$ 155.168.094,60,  com o  histórico  “VLR REF COMPRA”, não teria apresentado qualquer documento.   Quanto à alegação de irretroatividade do Ato Declaratório Executivo (ADE)  nº  45,  de  26  de  novembro  de  2014,  que  patenteou  a  inaptidão  da  inscrição  da Braschon  no  CNPJ, tal ponto fora desconsiderado de pronto pela autoridade julgadora, sob a justificativa de  que a declaração seria irrelevante diante das provas apresentadas pela fiscalização.  Ao final deste tópico rejeitou­se a alegação de que as saídas com suspensão,  das  fornecedoras  Real  Plastic,  Gabiplast  LTDA,  Planox  LTDA  ­  supostamente  para  a  Fl. 2616DF CARF MF Processo nº 10855.724560/2014­60  Acórdão n.º 1201­002.350  S1­C2T1  Fl. 6          9 Braschon, mas  de  fato  para  a  autuada  ­  seria  irrelevante  para  fins  dos  créditos  pretendidos.  Entendeu­se que ainda que inexistisse a fraude, na situação de insumos isentos, não­tributados  (NT) ou com alíquota zero, bem como com suspensão, não haveria direito ao crédito.    Responsabilidade  Neste ponto concluiu­se que, mais uma vez diante das provas levantadas pela  fiscalização, a responsabilidade tributária não estaria amparada em meros indícios, mas em um  conjunto de fatos e provas que se mantêm, de modo a acarretar a responsabilidade solidária dos  dois sócios administradores.   Não  havendo  dúvida  quanto  a  esses  fatos,  reputou­se  inaplicável  a  interpretação benigna determinada pelo art. 112, II, do CTN.    Recurso Voluntário   Os  recorrentes  repisam,  em  exatos  termos,  os  mesmos  argumentos  dispendidos em sede de impugnação, aqui já reproduzidos em momento anterior.    Resolução nº 3402­000.835 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária  À este Conselho coube constatar, prontamente, que a demanda envolve Auto  de Infração de IPI, com reflexo de autuação de IRPJ/CSLL.   Nesse contexto, concluiu­se que aquela 2ª Turma Ordinária, 4ª Câmara, da 3ª  Seção  de  Julgamento,  seria  incompetente  para  conhecer  e  julgar  o  feito,  preservando  a  coerência e uniformidade das decisões administrativas e invocando os preceitos do art. 2º, IV,  do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015,  com a alteração promovida pela Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016.   Desta forma, não conheceu­se do recurso voluntário, de modo que o processo  fora encaminhado à esta 1ª Seção de julgamento, nos termos do art. 2º, inciso IV, do RICARF,  já com a redação que lhe fora atribuída pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016.  É o relatório.      Voto             Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator  Fl. 2617DF CARF MF   10 O  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encontra­se  revestido  das  formalidades  legais cabíveis, merecendo ser apreciado.    Mérito  Conforme  ressaltado na Resolução nº 3402­000.835, os  lançamentos de  IPI  de  que  tratam  o  presente  PAF  n°  10855.724560/201460,  decorrem,  no  mesmo  período  de  apuração  (2010),  dos  procedimentos  levados  a  efeito  em  face  da mesma  pessoa  jurídica  na  órbita do Auto de Infração de IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, fundamentado no PAF nº  10855.724536/2014­21.  Tal demanda correlata já fora objeto de julgamento pelo CARF (3ª Câmara/1ª  Turma  Ordinária  da  1ª  Seção  de  Julgamento),  por  meio  do  Acórdão  nº  1301002.079,  de  09/07/2016,  que  resolveu  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  apresentado  pela  empresa Saferpak Plástico Ltda.,  para  reduzir  a multa  de ofício  ao  percentual  de  75%,  bem  como para excluir a imputação da responsabilidade aos sócios.   Reafirme­se que o trabalho fiscal, como um todo, evidenciou duas omissões:  abstenção da escrituração integral e correta da movimentação bancária; e falta de apresentação  dos  livros  à  autoridade  fiscal;  o  que  desencadeou,  de  um  lado,  a  aplicação  da  presunção  de  omissão  de  receitas  e  a  ausência  de  apuração/recolhimento  do  IPI  incidente  sobre  as  respectivas operações comerciais e, de outro lado, a concretização do arbitramento.  Tais  conclusões  trouxeram  aos  autos  conjunto  probante  suficiente  para  proporcionar a constituição definitiva do crédito tributário correspondente ao IRPJ, CSLL, PIS,  COFINS e IPI. Portanto, a materialização de todos os autos de infração tem um significativo  ponto em comum.  Apesar das especificidades concernentes à sistemática de incidência de cada  tributo,  o  que  enviesa  a  cobrança  de  cada  um  para  questões  peculiares  e  individualizadas,  a  origem do signo de riqueza representativo da capacidade contributiva da entidade fiscalizada é  idêntica para todos os casos.  A movimentação bancária, as notas fiscais e parte da escrituração comercial  indicam  a  efetividade  de  uma  operação  comercial,  a  saída  de  produtos  industrializados  do  estabelecimento  da  entidade  e  o  consequente  fluxo  de  acréscimos  patrimoniais.  Há,  nesta  assertiva, o conjunto de fatos que fundamentam a validade dos lançamentos perpetuados.  Neste sentido, é imprescindível constatar­se que formalização do lançamento  com base nos mesmos elementos de prova estabelece uma relação direta, conexa e reflexa entre  os tributos. As infrações apuradas são oriundas dos mesmos fatos, de modo que estabelece­se  um nexo de causa e efeito: o decidido em referência ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às  exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa.  Dado este cenário, cumpre concluir que o já decidido por esta Primeira Seção  de  Julgamento  em  relação  ao  IRPJ,  e  consequentemente  no  que  concerne  à  CSLL,  PIS  e  COFINS, deve, por extensão, ser aplicado também ao IPI.   O racional aqui adotado ratifica o posicionamento do recorrente de que deve  prevalecer  a  observância  da  máxima  jurídica  “venire  contra  factum  proprium”  (conduta  contraditória  consigo  mesmo),  prática  que  escancara  o  exercício  de  posição  jurídica  em  contradição com o comportamento exercido anteriormente, verificando­se a ocorrência de duas  Fl. 2618DF CARF MF Processo nº 10855.724560/2014­60  Acórdão n.º 1201­002.350  S1­C2T1  Fl. 7          11 condutas  do  poder  público,  diferidas  no  tempo,  sendo  a  primeira  (o  factum  proprium)  contrariada pela segunda.  Ora, não faria sentido lógico aplicar entendimento discrepante do já definido  por  este  Conselho,  em  razão  do  suporte  fático  em  comum  entre  as  causas.  Tratar­se­ia  de  afronta  a  efetividade  e  uniformidade  das  decisões  no  âmbito  deste  órgão  da  Administração  Pública, o que proporcionaria, consequentemente,  total  instabilidade jurídica e  incertezas que  deveras comprometem a consecução de direitos e garantias inerentes ao contribuinte.  Apesar da subjetividade natural e essencial que envolve a análise das provas  dispostas  nos  autos,  estas  trouxeram  um  conjunto  objetivo  de  fatos  que,  se  levassem  a  conclusões  diversas  das  já  atingidas  por  esta  Seção  de  Julgamento,  representariam  sua  total  relativização e ineficácia.  Ademais,  a  jurisprudência  deste  Conselho  indica  o  mesmo  caminho  aqui  seguido:  IPI. LANÇAMENTO REFLEXO.  Aplica­se ao processo decorrente de IPI a mesma solução dada  pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF ao processo  principal de IRPJ.  IPI.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  DECORRENTE.  OMISSÃO  DE RECEITAS.  Comprovada  a  omissão  de  receitas  em  lançamento  de  ofício  respeitante  ao  IRPJ,  é  devida,  por  decorrência,  a  exigência  do  IPI  correspondente  e  dos  respectivos  consectários  legais,  em  virtude da irrefutável relação de causa e efeito.  (Acórdão  nº  1301002.691  –  3ª  Câmara/1ª  Turma  Ordinária  –  Sessão de 19/10/2017)    Diante  de  todo  o  exposto,  adoto  para  razões  de  decidir,  no  que  cabe  à  presente, os termos delineados na ocasião do Acórdão nº 1301002.079, de 09/07/2016:  “(...)  Prosseguindo,  inicia­se  o  presente  voto  com  a  rejeição  aos  argumentos  da  Saferpak  lançados  em  prol  do  controle  de  constitucionalidade  em sede administrativa,  pelos quais veicula  a  pretensão  de  afastar  a  Súmula  nº  2  do  CARF  ao  caso  em  exame.  Definitivamente,  não  há  como  acolher  sua  tese.  A  doutrina  do  Direito  Constitucional  revela  que  nosso  sistema  abriga  duas  espécies  de  controle  de  constitucionalidade:  o  político  e  o  judicial.  O  primeiro  deles  é  essencialmente  preventivo,  enquanto  o  segundo  é  repressivo.  A  preventividade  do controle político requer, como é óbvio, um controle anterior à  criação legislativa. Em nosso País, na esfera federal, exercem o  controle  preventivo,  apenas,  o  Congresso  Nacional  –  por  intermédio  da  Comissão  de  Constituição  e  Justiça  –  e  o  Presidente  da  República,  este  último  dotado  de  poderes  Fl. 2619DF CARF MF   12 conferidos  pela  Carta Magna  para  vetar  o  projeto  de  lei,  por  razão de  interesse público ou por  considera­lo  inconstitucional  (art.  66,  §  1º,  CR/88).  Não  há  outro  preceito  pelo  qual  a  Constituição tenha atribuído ao Poder Executivo a competência  para o exercício do controle de constitucionalidade de uma lei,  assim compreendido o ato do Poder Legislativo que percorreu as  fases precedentes do processo  legislativo,  na  forma dos artigos  64  a  66  da  Carta  Política,  antes  da  sanção  do  Presidente  da  República,  que  poderia,  se  visível  a  inconstitucionalidade,  consignar o seu veto na ocasião oportuna, quando o que havia,  até então, não era nada além de um simples projeto de lei. Ora,  se  houve  a  sanção  presidencial,  a  lei  nasceu,  depois  de  submetido o respectivo projeto ao controle preventivo do Chefe  Supremo do Poder Executivo.  O  que  pretende  a  Recorrente  é  o  exercício  de  um  controle  a  posteriori, de cunho repressivo, tipicamente judicial, embora em  sede administrativa. A fiscalizada quer valer­se, pelo exposto, de  um  meio  de  controle  que  não  se  coaduna  com  os  modelos  constitucionais,  clamando  ao  Poder  Executivo  pelo  reconhecimento  da  inconstitucionalidade  de  uma  lei  cuja  aplicação  lhe  desagrada. Nesse  desejo,  todavia,  alberga­se  um  risco não dimensionado no momento e na ânsia de defender­se,  tais  as  implicações  para  a  coletividade,  porque,  se  houvesse  a  possibilidade  jurídica  de  concedê­lo,  a  lei,  por  outro  lado,  poderia  ser  descumprida  pelo  Poder  Executivo,  sempre  com  o  alegado argumento de que, em vez de infringi­la, estar­se­ia, tão  somente,  prestigiando a Constituição da República, mediante a  prática de um controle repressivo.  A  imperatividade  da  lei  vigente  é  decorrência  da  presunção  relativa de sua constitucionalidade. Se assim não se presumisse,  a lei não seria imperativa. Entretanto, adentrando­se puramente  no campo das hipóteses, é de se admitir que uma lei, sancionada  por  um  Presidente  da  República,  possa  aparentar  vícios  de  inconstitucionalidade  somente  observados  por  outro Presidente  da  República,  posterior  àquele  que  a  sancionou.  Na  jurisprudência  do  Supremo  Tribunal  Federal,  o  Ministro  Moreira  Alves,  em  liminar  deferida  na  ADIN  nº  221  –  DF,  explicitou  que  “os  Poderes  Executivo  e  Legislativo,  por  sua  Chefia – e isso mesmo tem sido questionado com o alargamento  da  legitimação  ativa  na  ação  direta  de  inconstitucionalidade,  podem  tão­só  determinar  aos  seus  órgãos  subordinados  que  deixem de aplicar administrativamente as leis ou atos com força  de  lei  que  considerem  inconstitucionais”  (RTJ  151/331)  (grifos  nossos).  Essas  palavras  remetem,  de  imediato,  à  necessária  existência  de  uma  ordem  emanada  do  próprio  Presidente  da  República aos órgãos subordinados, no sentido de determinar o  afastamento  da  lei  que  lhe  pareça  inconstitucional.  Essa  conclusão, como já se descreveu, traz o risco de fazer do Poder  Legislativo  um  Poder  sem  expressão,  afora  a  geração  de  um  Poder  Administrativo  hipertrofiado,  dotado  de  poderes  jurisdicionais e de legislador negativo, potencialmente capaz de  derrubar a  teoria da  presunção de  constitucionalidade  das  leis  em  solo  pátrio.  Ressalte­se,  porém,  que  não  houve  qualquer  ordem  de  descumprimento  da  Lei  Complementar  nº  105/2001,  ora  questionada,  por  parte  dos  Presidentes  da  República  que  assumiram o comando do Executivo Federal.  Fl. 2620DF CARF MF Processo nº 10855.724560/2014­60  Acórdão n.º 1201­002.350  S1­C2T1  Fl. 8          13   A tal respeito, é preciso esclarecer que o Poder Executivo baixou  o Decreto nº 2.346, de 1997, estabelecendo que o Presidente da  República, mediante  proposta  de Ministro  de  Estado,  dirigente  de  órgão  integrante  da  Presidência  da  República  ou  do  Advogado­Geral  da  União,  poderá  autorizar  a  extensão  dos  efeitos de decisão proferida pelo STF em caso concreto. O que se  observa,  no  referido  ato  presidencial,  é  a  cautela  do Chefe  do  Executivo,  que  cuidou  de  resguardar  os  demais  Poderes  constituídos, impondo aos órgãos subordinados a obediência aos  atos  com  força  de  lei,  expedidos  pelo  Poder  Legislativo,  enquanto  o  Supremo  Pretório,  guardião  máximo  da  Constituição, não declarar a inconstitucionalidade do ato.  Também  para  reforçar  a  preocupação  com  a  eventualidade  do  exercício  ilegítimo  dos  poderes  alheios,  vale  recordar  que  o  Decreto  supramencionado,  a  teor  de  seu  artigo  4º,  parágrafo  único, determina aos órgãos julgadores, coletivos ou singulares,  da Administração Fazendária,  o  afastamento de  lei,  tratado  ou  ato  normativo  federal,  desde  que  considerado  inconstitucional  pelo  STF,  quando  houver  impugnação  ou  recurso,  ainda  não  definitivamente  julgado,  contra  a  constituição  de  crédito  tributário.  O ajuizamento de ação direta de inconstitucionalidade (ADI) é a  única via constitucionalmente prevista para o Chefe Supremo do  Executivo postular a inconstitucionalidade de ato normativo, em  controle a posteriori. Em outras palavras, se a Constituição da  República  confere  ao  Chefe  Supremo  do  Executivo  Federal  a  legitimação  para  a  propositura  de  ADI,  não  há  amparo,  com  base  na  mesma  Constituição  da  República,  à  tese  de  que  o  Executivo  poderia,  ao  seu  alvedrio,  descumprir  atos  com  força  de lei, por sua livre convicção. Se assim o fosse, o art. 103, I, da  Constituição da República, não teria o menor sentido.  Os  órgãos  da  Administração  devem  aplicar  a  lei  vigente.  Se  deixassem de fazê­lo, estariam invadindo a competência alheia.  A sólida jurisprudência administrativa que repudia o pretendido  controle de constitucionalidade de ato com força de lei, em sede  administrativa, acabou se cristalizando no enunciado da Súmula  nº 2, já citada, de acordo com a qual “o CARF não é competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária.”  No  que  toca,  especificamente,  à  quebra  de  sigilo  bancário  conduzida  com  espeque  no  artigo  6º  da  Lei  Complementar  nº  105/2001 e no Decreto nº 3.724, de 2001, cabe assinalar que o  Supremo Tribunal Federal, na sessão de 24 de fevereiro de 2016,  garantiu  ao  Fisco  o  acesso  a  dados  dos  contribuintes  sem  a  necessidade de autorização judicial. As decisões a esse respeito  ainda  não  estão  disponíveis  ao  público,  em  geral.  Contudo,  a  Corte  Suprema  divulgou  a  notícia  em  sua  página  na  Internet,  transmitindo  à  coletividade  o  entendimento  que  passou  a  Fl. 2621DF CARF MF   14 prevalecer desde a prolação dessas decisões noticiadas. Confira­ se:  "O  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  concluiu  na  sessão  desta  quarta­feira  (24)  o  julgamento  conjunto  de  cinco  processos  que  questionavam  dispositivos  da  Lei  Complementar  (LC) 105/2001,  que permitem à Receita Federal  receber  dados  bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos,  sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – ,  prevaleceu  o  entendimento  de  que  a  norma  não  resulta  em  quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da  órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso  de  terceiros. A  transferência de  informações é  feita dos bancos  ao  Fisco,  que  tem  o  dever  de  preservar  o  sigilo  dos  dados,  portanto não há ofensa à Constituição Federal.  Na  semana  passada,  foram  proferidos  seis  votos  pela  constitucionalidade da lei, e um em sentido contrário, prolatado  pelo  ministro  Marco  Aurélio.  Na  decisão,  foi  enfatizado  que  estados  e municípios devem estabelecer em  regulamento,  assim  como  fez  a  União  no  Decreto  3.724/2001,  a  necessidade  de  haver  processo  administrativo  instaurado  para  a  obtenção  das  informações  bancárias  dos  contribuintes,  devendo­se  adotar  sistemas  certificados  de  segurança  e  registro  de  acesso  do  agente público para evitar a manipulação indevida dos dados e  desvio  de  finalidade,  garantindo­se  ao  contribuinte  a  prévia  notificação de abertura do processo  e amplo acesso aos autos,  inclusive com possibilidade de obter cópia das peças.  Na sessão desta tarde, o ministro Luiz Fux proferiu o sétimo voto  pela  constitucionalidade  da  norma.  O  ministro  somou­se  às  preocupações apresentadas pelo ministro Luís Roberto Barroso  quanto  às  providências  a  serem  adotadas  por  estados  e  municípios para a salvaguarda dos direitos dos contribuintes. O  ministro  Gilmar  Mendes  também  acompanhou  a  maioria,  mas  proferiu  voto  apenas  no Recurso Extraordinário  (RE)  601.314,  de  relatoria  do  ministro  Edson  Fachin,  e  na  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade  2859,  uma  vez  que  estava  impedido  de  participar  do  julgamento  das  ADIs  2390,  2386  e  2397,  em  decorrência de sua atuação como advogado­geral da União.  O  ministro  afirmou  que  os  instrumentos  previstos  na  lei  impugnada  conferem  efetividade  ao  dever  geral  de  pagar  impostos, não sendo medidas  isoladas no contexto da autuação  fazendária,  que  tem  poderes  e  prerrogativas  específicas  para  fazer valer esse dever. Gilmar Mendes  lembrou que a  inspeção  de  bagagens  em  aeroportos  não  é  contestada,  embora  seja  um  procedimento  bastante  invasivo,  mas  é  medida  necessária  e  indispensável  para  que  as  autoridades  alfandegárias  possam  fiscalizar e cobrar tributos.  O  decano  do  STF,  ministro  Celso  de  Mello,  acompanhou  a  divergência  aberta  na  semana  passada  pelo  ministro  Marco  Aurélio, votando pela indispensabilidade de ordem judicial para  que  a  Receita  Federal  tenha  acesso  aos  dados  bancários  dos  contribuintes.  Para  ele,  embora  o  direito  fundamental  à  intimidade e à privacidade não tenha caráter absoluto, isso não  significa  que  possa  ser  desrespeitado  por  qualquer  órgão  do  Fl. 2622DF CARF MF Processo nº 10855.724560/2014­60  Acórdão n.º 1201­002.350  S1­C2T1  Fl. 9          15 Estado.  Nesse  contexto,  em  sua  opinião,  o  sigilo  bancário  não  está  sujeito  a  intervenções  estatais  e  a  intrusões  do  poder  público destituídas de base jurídica idônea.  “A  administração  tributária,  embora  podendo muito,  não  pode  tudo”, asseverou. O decano afirmou que a quebra de sigilo deve  se  submeter ao postulado da reserva de  jurisdição,  só podendo  ser  decretada  pelo  Poder  Judiciário,  que  é  terceiro  desinteressado,  devendo  sempre  ser  concedida  em  caráter  de  absoluta excepcionalidade. “Não faz sentido que uma das partes  diretamente  envolvida  na  relação  litigiosa  seja  o  órgão  competente para solucionar essa litigiosidade”, afirmou.  O  presidente  do  STF, ministro Ricardo  Lewandowski,  último  a  votar  na  sessão  desta  quarta,  modificou  o  entendimento  que  havia adotado em 2010, no julgamento do RE 389808, quando a  Corte  entendeu  que  o  acesso  ao  sigilo  bancário  dependia  de  prévia  autorização  judicial.  “Tendo  em  conta  os  intensos,  sólidos e profundos debates que ocorreram nas  três sessões em  que a matéria foi debatida, me convenci de que estava na senda  errada,  não  apenas  pelos  argumentos  veiculados  por  aqueles  que adotaram a posição vencedora, mas sobretudo porque, de lá  pra  cá,  o  mundo  evoluiu  e  ficou  evidenciada  a  efetiva  necessidade  de  repressão  aos  crimes  como  narcotráfico,  lavagem de dinheiro e terrorismo, delitos que exigem uma ação  mais eficaz do Estado, que precisa ter instrumentos para acessar  o sigilo para evitar ações ilícitas”, afirmou.  O  relator  das  ADIs, ministro Dias  Toffoli,  adotou  observações  dos  demais  ministros  para  explicitar  o  entendimento  da  Corte  sobre  a  aplicação  da  lei:  “Os  estados  e  municípios  somente  poderão  obter  as  informações  previstas  no  artigo  6º  da  LC  105/2001, uma vez regulamentada a matéria, de forma análoga  ao Decreto Federal 3.724/2001, tal regulamentação deve conter  as  seguintes  garantias:  pertinência  temática  entre  a  obtenção  das  informações  bancárias  e  o  tributo  objeto  de  cobrança  no  procedimento administrativo instaurado; a prévia notificação do  contribuinte  quanto  a  instauração  do  processo  e  a  todos  os  demais  atos;  sujeição  do  pedido  de  acesso  a  um  superior  hierárquico; existência de sistemas eletrônicos de segurança que  sejam certificados e com registro de acesso; estabelecimento de  instrumentos efetivos de apuração e correção de desvios.”  Faltou dizer que o julgamento do antedito RE 601.314 curvou­se  à  sistemática  da  Repercussão  Geral  a  que  se  referia  o  artigo  543­B do Código de Processo Civil de 1973, verbis:  "EMENTA:  CONSTITUCIONAL.  SIGILO  BANCÁRIO.  FORNECIMENTO  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA  DE  CONTRIBUINTES,  PELAS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS,  DIRETAMENTE  AO  FISCO,  SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI  COMPLEMENTAR  105/2001).  POSSIBILIDADE  DE  APLICAÇÃO  DA  LEI  10.174/2001  PARA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS  REFERENTES  A  EXERCÍCIOS  Fl. 2623DF CARF MF   16 ANTERIORES  AO  DE  SUA  VIGÊNCIA.  RELEVÂNCIA  JURÍDICA  DA  QUESTÃO  CONSTITUCIONAL.  EXISTÊNCIA  DE REPERCUSSÃO GERAL."  Portanto, consideram­se repelidos todos os argumentos erigidos  com  a  pretensão  de  afastar  a  Lei  Complementar  nº  105/2001,  por inconstitucionalidade. Porém, não fosse o respaldo do STF à  quebra  de  sigilo  bancário  fundada  na  Lei  Complementar  nº  105/2001,  ainda  assim  haveria  como,  de  fato,  há  o  obstáculo  intransponível que impede a revisão, por este Colegiado, de ato  normativo  aprovado  pelo  Congresso  Nacional  e  devidamente  sancionado pelo Chefe do Poder Executivo federal, no curso de  regular processo legislativo. Tal obstáculo, como já se adiantou,  é  o  déficit  institucional  do  CARF,  em  relação  ao  nível  de  autoridade  exigido  pela  Constituição  da  República,  o  que  não  lhe  confere  poder  bastante  para  sustentar  oposição  à  Lei  Complementar n 105/2001.  A Recorrente também ataca a quebra de sigilo ao argumento de  que  o  agente  fiscal  descurou­se  do  dever  de  justificá­la,  previamente. Não é verdade! Perceba­se que o artigo 6º da Lei  Complementar  nº  105/2001  autoriza  o  acesso  aos  dados  bancários,  por  parte  dos  agentes  fazendários,  quando  “houver  processo  administrativo  instaurado  ou  procedimento  fiscal  em  curso  e  tais  exames  sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  competente”.  É  inegável  que  a  Saferpak  sabia  do  procedimento  fiscal  em  curso,  afinal  havia  sido cientificada da abertura da fiscalização no dia 21/10/2013,  conforme fls. 85/89.  Também é irretocável que, após o exame dos extratos bancários  apresentados  em atendimento ao Termo de  Intimação Fiscal nº  005,  às  fls.  946/948,  descortinou­se  um  cardápio  de  irregularidades  contábeis,  ora  decorrentes  da  falta  do  registro  completo  ou  parcial  de  algumas  contas  de  depósito,  ora  derivadas  de  divergências  entre  os  lançamentos  nos  extratos  bancários e a contabilidade, a teor do que está revelado às  fls.  2.190/2.191. Mas o que verdadeiramente deu causa à emissão de  Requisição  de Movimentação  Financeira  –  RMF  –  aos  bancos  Bradesco  e  Santander Brasil  foi  o  descumprimento  ao  antedito  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  005,  pelo  qual  exigiu­se  a  apresentação  dos  extratos  bancários  relativos  a  contas  de  depósito  mantidas  nessas  instituições  financeiras.  Logo,  está  cristalina  a  regularidade  da  emissão  de  RMF,  porquanto  antecedida  de  intimação  à  Recorrente  para  apresentar  a  movimentação bancária, de acordo com o disposto no artigo 4º,  § 2º, do Decreto nº 3.724/2001.  No  mesmo  diapasão,  pode­se  afirmar  que  a  Fiscalização  cumpriu  o  imperativo  da  indispensabilidade  do  exame  dessas  contas,  consoante  o  artigo  3º,  inciso  VII,  do  Decreto  nº  3.724/2001, considerando que a Recorrente deixara de entregar  à Fiscalização os extratos bancários comentados, bem como os  livros  diário,  de  entradas,  de  apuração  do  lucro  real,  de  inventário  e de  registro de  controle da  produção e  do  estoque,  todos  referentes  ao  ano­calendário  de  2010,  conforme  fls.  2.195/2.196.  Fl. 2624DF CARF MF Processo nº 10855.724560/2014­60  Acórdão n.º 1201­002.350  S1­C2T1  Fl. 10          17   No  entanto,  pode  parecer,  ao  fim  e  ao  cabo,  que  a  quebra  de  sigilo  bancário  foi  desnecessária,  tendo  em  conta  que  o  arbitramento do lucro está apoiado na receita bruta descoberta  no  Livro  de  Saídas.  Tal  impressão,  contudo,  não  prospera  em  face da revelação de que a  falta de registros, na contabilidade,  das contas de depósito no Banco do Brasil e nos Bancos Safra e  Daycoval  (fl.  2.194),  e  as  divergências  entre  os  registros  contábeis  e  os  extratos  bancários  dos  Bancos  Bradeco,  Itau  e  Mercantil  (fl.  2.195),  emprestaram  fundamento  fático  ao  arbitramento do lucro. Se tal não fosse motivo suficiente para o  arbitramento do lucro, outra razão justificadora para a referida  modalidade  de  tributação  encontraria  o  Fisco  –  como,  em  realidade, encontra na omissão da Recorrente quanto à exibição  dos livros supracitados e dos comprovantes de doze lançamentos  mensais na conta nº 2.1.02.01.0001.  Assim, por um lado mostrou­se inequívoco que a escrita contábil  está  infectada  por  erros  e  deficiências  que  a  tornaram  imprestável; por outro lado, patenteou­se que a Recorrente quis  impedir  –  e  impediu  o  exame  daqueles  livros,  porque  não  apresentados à auditoria contábil­fiscal da União. Esse conjunto  de circunstâncias direcionou a Fiscalização para o arbitramento  do lucro, no rumo do artigo 47, incisos I, alíneas “a” e “b”, e II,  da  Lei  nº  8.981,  de  1995.  Todavia,  a  base  de  cálculo  do  arbitramento é a  receita bruta conhecida, nos termos do artigo  16 da Lei nº 9.249, de 1995. Eis, portanto, a causa do abandono  dos  extratos  bancários  como  fonte  subsidiária de  inferência  da  receita  bruta,  afinal  esta  grandeza  (a  receita  bruta),  que  constitui a base de cálculo primordial do lucro arbitrado, podia  ser diretamente apurada dos Livros de Saídas. E assim se fez.  Quanto  à  sanção,  entendo  que  não  se  deve  aplicar  a multa  de  150%. Explico­me:  a  receita  bruta  conhecida,  que  deu  suporte  ao  cálculo do  lucro arbitrado,  foi  extraída do Livro de Saídas,  em relação ao qual não há sequer uma alusão desairosa. Aí não  se viu  fraude ou sonegação. Anoto, a partir disso, a quebra da  proporcionalidade  entre  a  gravidade  da  conduta  e  o  resultado  produzido  pela  mesma  conduta,  nos  termos  constantes  da  lei.  Repare­se, para tanto, no texto do artigo 44, inciso I e parágrafo  1º, verbis:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  [...]  § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Fl. 2625DF CARF MF   18 Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.”  Vislumbre­se,  por  exemplo,  o  caso  de  declaração  inexata.  O  inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 estabelece multa sobre  a totalidade ou diferença de tributo que deixou de ser recolhido  em consequência da inexatidão. Portanto, a inexatidão é a causa  da sanção punitiva a incidir sobre o resultado danoso da própria  inexatidão descoberta,  e não  sobre o  resultado de outra  causa.  Isso porque o  tipo  legal constrange a ação punitiva do Estado,  contendo­a  numa  proporção  determinada  sobre  o  resultado  (diferença  de  tributo)  da  conduta  juridicamente  indesejada  (inexatidão), causadora do resultado.  O  que  deve  prevalecer,  na  espécie,  é  o  princípio  que  requer  a  necessária proporção entre a gravidade da conduta e a sanção a  ser  cominada  sobre o  resultado danoso provocado pela mesma  conduta  desvalorada.  Esse  raciocínio  rejeita  a  aplicação  da  multa  mais  grave,  prevista  para  as  hipóteses  de  fraude  ou  sonegação, a  incidir – não  sobre o  tributo  calculado com base  na receita sonegada – e, sim, sobre o tributo calculado com base  na  receita  não  sonegada,  escriturada  no  Livro  de  Saídas,  corrompendo  a  proporcionalidade,  que  é  função  da  gravidade.  Em termos mais simples, não se deve aplicar a multa mais grave,  contemplada  no  §  1º  do  artigo  44  da  Lei  nº  9.430/1996,  aos  resultados  de  condutas  não  qualificadas  pelo  dolo  específico,  assim  como  não  se  deve  aplicar  a  multa  menos  grave,  contemplada  no  inciso  I  do  caput  do  mesmo  artigo,  aos  resultados  de  condutas  mais  graves,  qualificadas  pelo  dolo  específico. Se a Fiscalização serviu­se da receita não sonegada  para  aplicar  a  sanção,  então  deveria  adotar  a  sanção  que  lhe  seja correspondente, isto é, a multa de 75%.  No que toca à responsabilidade dos sócios, a solução da questão  não  livra  aqueles  que  deram  causa  ao  arbitramento,  pela  omissão  do  registro  contábil  da  movimentação  financeira,  tornando a escrita  imprestável. Também não se deve perder de  vista que, a par da omissão do registro de contas bancárias na  contabilidade,  subsiste  outra  causa  determinante  do  arbitramento, que é autônoma em relação à primeira: a falta de  exibição de livros da escrita fiscal e comercial à Fiscalização.  A inexistência de qualquer outro fato que mantém relação causal  direta com os créditos tributários surgidos com a autuação leva  à  conclusão de que  tais créditos  são unicamente  resultantes do  arbitramento.  Em  última  instância,  os  autos  de  infração  são  consequências  de  duas  omissões  juridicamente  desvaloradas:  deixar  de  escriturar  integral  e  corretamente  a  movimentação  bancária  e  não  apresentar  os  livros  à  autoridade  fiscal.  Estas  são  as  infrações  à  lei,  relacionadas  às  exigências  fiscais  ora  constituídas,  que  poderiam  determinar  o  redirecionamento  da  cobrança, na forma do artigo 135, III, do CTN.  No  entanto,  imputou­se  aos  sócios  administradores  a  responsabilidade tributária em razão de outra infração à lei, sem  vínculo  com  os  créditos  constituídos  de  ofício:  o  emprego  de  pessoa  jurídica  inativa,  a  Braschom,  para  fazer  compras  no  Fl. 2626DF CARF MF Processo nº 10855.724560/2014­60  Acórdão n.º 1201­002.350  S1­C2T1  Fl. 11          19 próprio nome, porém pagas pela Saferpak, conforme  item X do  Relatório Fiscal, às fls. 2.206/2.207.  Ao  citar  Leandro  Paulsen,  em  sua  defesa,  os  Recorrentes  imputados sustentam que a responsabilidade pessoal decorre do  ato praticado com  ilicitude,  por  conta  e  risco do gestor. Nessa  linha,  colhe­se  a  seguinte  orientação  que  emana  do  Superior  Tribunal de Justiça:  “3. A ofensa à lei, que pode ensejar a responsabilidade do sócio,  nos termos do art. 135, III, do CTN, é a que tem relação direta  com a obrigação tributária objeto da execução. Não se enquadra  nessa  hipótese  o  descumprimento  do  dever  legal  do  administrador de requerer a autofalência (art. 8º do Decreto­lei  nº 7661/45). 4. Recurso Especial improvido.” (Resp nº 513.555,  rel. Ministro Teori Zavascki, DJ de 06/10/2003)  Diante  do  exposto,  dou  razão  aos  Recorrentes  quanto  à  imputação  de  responsabilidade  tributária,  porque  fundada  em  fato não relacionado com o surgimento dos créditos  tributários  constituídos de ofício, nos presentes autos.”    Neste  passo,  é  refutada  a  alegação  do  recorrente  (contribuinte)  quanta  a  suposta quebra de sigilo bancário e acatado o seu argumento quanto a desqualificação da multa  aplicada, concedendo­se a este recurso voluntário, parcial provimento.  Ainda, a responsabilidade solidária de EVANDRO FRANCO DE ALMEIDA  e MARCELA DE FÁTIMA MOMESSO FRANCO DE ALMEIDA é afastada, de modo que  concede­se  provimento  integral  ao  recurso  voluntário  apresentado  pelos  referidos  sujeitos  passivos.  No  entanto,  remanesce  a  pendência  de  análise  de  pontos  não  enfrentados  naquela ocasião, concernentes ao mérito da autuação fiscal, os quais serão pormenorizados a  seguir.   Cabe  ressaltar  que  na  ocasião  do  voto  supracitado  não  há menção  direta  à  alegação  lançada  pela  recorrente  quanto  a  irretroatividade  do Ato Declaratório Executivo  nº  45/2014. Segundo a entidade autuada, a respectiva declaração de inaptidão teia sido utilizada  como mecanismo probatório para comprovar a suposta atividade fraudulenta da recorrente.  Ocorre que este ponto perde objeto nesta discussão quando a Primeira Seção  de  Julgamento  expressamente  exclui  a  ocorrência  de  qualquer  conduta  eivada  de  dolo  ou  fraude por parte da recorrente. De fato, o relator rejeita a ocorrência concreta de quaisquer das  hipóteses  ensejadoras  da  qualificação  da  multa  e,  neste  passo,  patenteia,  de  modo  geral,  a  ausência de fraude nesta demanda.   Entendeu­se  que  a  quantificação  do  crédito  tributário  nestes  autos  se  deu  através de um conjunto  probante não  infectado  por  sonegação, de modo que qualquer prova  isolada em sentido favorável ou contrário não atinge a desqualificação da multa.   Fl. 2627DF CARF MF   20 Diante do exposto, é de se considerar o Ato Declaratório como apenas mais  uma prova frágil que aponta para a suposta conduta dolosa do recorrente, mas que não prospera  e  não  culmina  para  a  verdade  dos  autos,  a  qual  se materializa  na  delimitação  do  quantum  a  pagar em termos legais, afastado de qualquer conduta maléfica do contribuinte no sentido de  frustrar a tributação.       Do Direito ao Crédito de IPI  A questão evidenciada pela recorrente deve ser enfrentada de maneira direta e  simples, dadas as circunstâncias fáticas e o entendimento literal e sistemático da legislação que  disciplina o regime de não­cumulatividade.  Pois bem.  A autoridade administrativa, por meio do Relatório Fiscal, deixa claro que as  Notas  Fiscais  fornecidas  pelos  participantes  da  operação  comercial  que  envolvia  a  ora  recorrente, estavam com o IPI suspenso ou sem destaque. Vejamos as considerações constantes  às fls. 2226 a 2228:  “(...)  (*) Todas as vendas efetuadas pela Real Plastic Ltda à Braschon  Ltda  saíram  com  IPI  suspenso,  conforme  informação  no  corpo  de todas as Notas Fiscais emitidas, abaixo descrita:   “IPI  SUSPENSO  CFME  ART.  29  DA  LEI  10.637  DE  30/12/2002”/  “DIFERIMENTO  PARCIAL  DO  IMPOSTO  –  RESOLUÇÃO  Nº  080/2007  –  SEF””PRO­EMPREGO  DECRETO 105 DE 14/03/2007”  (...)  (*) Todas as  vendas  efetuadas pela Gabiplast Ltda à Braschon  saíram sem destaque de IPI.  (...)  (*)  Todas  as  vendas  efetuadas  pela  Plasnox  Ltda  à  Braschon  Ltda  saíram  com  IPI  suspenso,  conforme  informação  no  corpo  de todas as Notas Fiscais emitidas, abaixo descrita:   “SUSPENSÃO DE IPI CONFORME ART. 29 DA LEI 10.637”  (...)”    Portanto,  independente  do  direito  ao  crédito  ser  oriundo  da  venda  das  mercadorias pela Braschon Ltda. ou diretamente pelas empresas Real Plastic Ltda., Gabiplast  Distribuidora de Plásticos e Export. Importação Ltda. e Plasnox Ind. E Com. de Plástico Ltda.,  o certo é que tal transação não fora onerada com a tributação por fora do IPI.  Tendo  em  vista  que  a  não­cumulatividade  do  imposto  é  efetivada  pelo  sistema de  crédito  atribuído  ao  contribuinte,  do  imposto  relativo  a  produtos  entrados  no  seu  Fl. 2628DF CARF MF Processo nº 10855.724560/2014­60  Acórdão n.º 1201­002.350  S1­C2T1  Fl. 12          21 estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, e que não há,  nos casos de isenção, alíquota zero e não tributação, imposto efetivamente pago (CTN, art. 49),  não é legítimo o referido aproveitamento.  O fato é que o contribuinte fora desonerado do impacto fiscal na entrada dos  insumos, de modo que, sob a sistemática da não­cumulatividade, não há substrato lógico para a  formação  de  um  direito  creditório  a  ser  aproveitado  quando  da  saída  dos  produtos  industrializados.  O crédito deve referir­se exatamente ao IPI destacado na Nota Fiscal, ou seja,  ao valor que  incide por  fora do produto, mas que compõe o efetivo preço de aquisição. Se o  montante  não  fora  efetivamente  pago,  por  estar  suspenso,  não  há  que  se  falar  em  qualquer  direito creditório.  Neste  sentido  é essencial a  leitura dos ensinamentos  transmitidos por Hugo  de Brito Machado, em seu artigo “Planejamento Tributário e Suspensão do IPI”:  “(...)  O mesmo resultado que se alcança com a suspensão do imposto  em  etapas  anteriores  é  alcançado  pela  autorização  para  uso  do  crédito. Inadmissível, assim, em princípio, a cumulação das duas  coisas:  suspensão  nas  etapas  anteriores mais  uso  do  crédito  de  imposto  que  não  foi  cobrado.  Em  qualquer  caso  a  suspensão  funciona  como  técnica  destinada  a  viabilizar  a  exigência  do  imposto na hipótese de desvio do produto.  Este  sai  do  estabelecimento  do  fornecedor  com  suspensão  do  imposto, o qual,  entretanto, é desde logo devido, porque se deu  sua  incidência.  Sua  exigência,  porém,  fica  suspensa.  Será  cobrado integralmente na operação seguinte, vale dizer, na venda  do produto. Assim, se aquele insumo que teve o IPI  suspenso é  desviado de seu destino, e de qualquer forma vendido para outros  fins,  que  não  a  industrialização  de  produto  tributado,  o  fisco  poderá exigir do vendedor o imposto correspondente.  Com a entrada do produto (insumo) no estabelecimento que vai  utilizá­lo em seu processo produtivo, cessa a responsabilidade do  vendedor, pelo  imposto que estava suspenso, porque se entende  que  este  será  recolhido  pelo  adquirente.  Será  recolhido,  exatamente  porque  este  não  utilizará  crédito,  e  o  valor  do  imposto, antes devido pelo fornecedor da matéria prima, integra­ se automaticamente no valor do imposto por ele devido no ato da  venda do produto tributado.  Tal  procedimento  não  contraria  de  modo  nenhum  o  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade,  porque  não  implica  recolhimento  de  imposto  a  final  maior  do  que  o  resultante  da  aplicação  da  alíquota  sobre  a  base  de  cálculo  na  operação  tributada final.  (...)”    Fl. 2629DF CARF MF   22   Portanto  para  perpetuar  o  regime da não  cumulatividade,  a  suspensão  deve  ser procedida de não aproveitamento do crédito. São fatos concomitantes, necessariamente.  Cabe ressaltar, por último, que o trabalho fiscal excepciona a Nota fiscal nº  2773,  cujo o  IPI  estaria  destacado no valor de R$ 2.728,46. No entanto,  a  recorrente não  se  esforçou  para  demonstrar  a  apuração,  recolhimento  ou  pagamento  deste montante,  de modo  que o acatamento do direito creditório correspondente padece, uma vez sem lastro documental.  Deste modo,  sob  qualquer  prisma,  não  há  que  se  falar  na  consideração  de  créditos à  recorrente que adquiriu os produtos  sem a oneração do  IPI, não havendo  respaldo  para a formação de seu suposto direito.  Rejeito as alegações defendidas neste ponto.    Conclusão  Diante  de  todo  o  exposto,  CONHEÇO  dos  RECURSOS  VOLUNTÁRIOS  ara  DAR­LHES  PARCIAL  PROVIMENTO  para  afastar  a  aplicação  da  multa  qualificada,  devendo ser  reduzida para o 75% e para afastar  a  responsabilidade  tributária de EVANDRO  FRANCO DE ALMEIDA e MARCELA DE FÁTIMA MOMESSO FRANCO DE ALMEIDA.   É como voto.  (assinado digitalmente)  Luis Fabiano Alves Penteado ­ Relator                                      Fl. 2630DF CARF MF

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