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Numero do processo: 16349.000404/2008-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1993, 1994
DCOMP. CRÉDITO FINANCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM QUAISQUER TRIBUTOS.
Embora a decisão judicial transitada em julgado, que reconheceu do direito à repetição/compensação do crédito financeiro tenha limitado a compensação com débitos tributários da mesma espécie, inexiste impedimento legal para sua compensação com quaisquer débitos fiscais do contribuinte.
Numero da decisão: 9303-004.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos à turma a quo para análise da existência do crédito tributário, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: DEMES BRITO
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CRÉDITO FINANCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM QUAISQUER TRIBUTOS. Embora a decisão judicial transitada em julgado, que reconheceu do direito à repetição/compensação do crédito financeiro tenha limitado a compensação com débitos tributários da mesma espécie, inexiste impedimento legal para sua compensação com quaisquer débitos fiscais do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos à turma a quo para análise da existência do crédito tributário, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Demes Brito Relator. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 04 04 /2 00 8- 68 Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 9303004.600 CSRFT3 Fl. 3 2 Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 9303004.600 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3102001.673, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, por entender inaplicável legislação superveniente em face de decisão judicial transitada em julgado, a qual determinou a compensação de créditos do PIS com débitos do próprio PIS. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994 DECISÃO JUDICIAL. OBSERVÂNCIA DA SENTENÇA. Ocorrendo a sentença final com trânsito em julgado, a decisão judicial é de cumprimento obrigatório pela Administração Tributária. Recurso Voluntário Negado O presente processo administrativo trata de Declarações de Compensação DCOMP apresentadas pelo contribuinte em epígrafe (fls. 02/141) com base em decisão judicial transitada em julgado em 26/08/2002 proferida nos autos da Ação Ordinária n° 94.00301421. As referidas DCOMP não foram homologadas, conforme Despacho Decisório de fls. 557/563, do qual foi dada ciência ao contribuinte em 15/06/2009 por meio do Termo de Intimação n° 3756/2009 (fls. 565/565v). Em que pese as questões aduzidas no Despacho Decisório, o motivo que justificou a não homologação das DCOMP's foi a ausência de autorização judicial para as compensações declaradas. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpôs o presente Recurso Especial (fls. 935 e ss.), sustentando que, equivocase o v. acórdão recorrido ao invocar a coisa julgada e a sua literal disposição para justificar a glosa da compensação. Aduz ainda, que: "os autos retratam a superveniência de norma jurídica inexistente à época em que se decidiu a lide no Poder Judiciário, norma esta que, diferentemente daquela vigente ao tempo do processo judicial, veio a permitir a compensação do crédito reconhecido por decisão judicial para aproveitamento contra débitos relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil". Para comprovar o dissenso, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 9303002.225 – 3ª Turma, de 14/03/2013 e 9303002.238 – 3ª Turma, de 07/05/2013.Em seguida, Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 9303004.600 CSRFT3 Fl. 5 4 por ter sido comprovada a divergência, por meio do Despacho de fls. 1048/1051, foi dado seguimento total ao recurso. Cientificada do Recurso da Contribuinte, a Fazenda Nacional informa que esta ciente do despacho exarado e não apresentará contrarrazões, fl.1053. É o relatório. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 9303004.600 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Demes Brito, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento. A matéria aceita como divergente no Recurso Especial, cingese exclusivamente quanto a possibilidade da Contribuinte compensar créditos de PIS com outros tributos na forma constante da legislação superveniente. Passo ao julgamento do Recurso. Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com pedidos de compensação, cujos créditos referemse a pagamentos indevidos de PIS em razão da exclusão na base de cálculo, dos valores recolhidos nos moldes do Decretolei nº 2.445/88 e Decretolei nº 2.449/88. A Contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n° 94.00104707 (fls. 177/186), distribuído em 02/05/1994, requerendo liminar e a segurança para efetuar o pagamento da contribuição ao PIS nos moldes da Lei Complementar (LC) n° 07/1970 em razão da inconstitucionalidade dos Decretoslei n°2.445/1998 e n° 2.449/1988, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, IV, do CTN (fls. 185/186). Como se observa, em 05/05/1994, foi concedida liminar para que o recolhimento da contribuição ao PIS se fizesse somente com fulcro na LC n° 07/1970 (fls. 187). Posteriormente, em 05/07/1994, foi prolatada sentença (fls. 188/190), concedendo a segurança e tornando definitiva a liminar (fls. 189). Após apelação da União, o Tribunal Regional Federal da 3º Região, proferiu, em 29/11/1995, acórdão rejeitando a preliminar e negando provimento a apelação (fls. 196/199 e 202/203), ocorrendo a baixa definitiva em 30/09/1996 (fls. 191). Após a impetração do Mandado de Segurança, a Contribuinte ingressou em juízo com a Ação de Conhecimento de Rito Ordinário n° 94.00301421 (fls. 212/223), distribuída em 21/11/1994, pela qual requereu o seguinte: "a) declarar a inconstitucionalidade dos Dec. Leis n° 2.445 e 2.449/88 e reconhecer o direito de crédito da Autora no valor de 4.580.531,12 UFIR's, nesta data correspondente a R$ 2.944.365,40 (dois milhões, novecentos e quarenta e quatro mil, trezentos e sessenta e cinco reais e quarenta centavos), relativo aos pagamentos a maior da contribuição do PIS realizados nos meses de janeiro de 1990 a março de 1994; b) declarar, reconhecer e assegurar o direito da Autora de compensar os valores relativos a contribuição ao PIS efetuados a maior, no período de janeiro de 1990 a março de 1994, no valor de 4.580.531,12 UF1R's, nesta data correspondente a R$ 2.944.365,40, com os recolhimentos de igual Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 9303004.600 CSRFT3 Fl. 7 6 espécie e natureza devidos partir independentemente de prévia solicitação e calculada a correção monetária do crédito da Autora, no período anterior a janeiro de 1992, nos mesmos moldes em que atualizado o crédito tributário da Unido, observandose no período de 1° de fevereiro de 1991 a 31 de dezembro de 1991, os indicadores de atualização monetária reconhecidos no Ato Declaratório n° 26, de 30.12.91, do Diretor da Receita Federal (doc. 47)" fls. 222/223)". Nada obstante, foi proferida sentença em 04/10/1995 (fls. 224/229), o pedido foi julgado parcialmente procedente, sendo declarada somente a inexigibilidade dos valores devidos a titulo de PIS sobre a receita bruta operacional na forma dos citados decretos lei (fls. 229). Inconformada com esta decisão judicial, a Autora interpôs o recurso de apelação. Em 10/09/1997, foi prolatado acórdão (fls. 238/247) negando provimento à remessa oficial e dando provimento à apelação da Contribuinte, garantindolhe a compensação pleiteada (fls. 247). Este acórdão transitou em julgado em 26/08/2002, conforme certidão de fls. 256. Quanto a homologação das compensações, verifico no Despacho Decisório de fls. 557/563, que as Declarações de Compensação (DCOMP) de CSLL, IRRF e CSRF apresentadas pela Contribuinte (fls. 02/141) não foram homologadas "tendo em vista que não houve autorização judicial para a sua compensação, nos termos do determinado na ação judicial n° 94.00301421, transitada em julgado. A compensação autorizada foi somente de créditos do PIS com débitos do PIS" (fls. 563). Destacase, assim, que a decisão proferida no referido Despacho Decisório, não homologou as DCOMP apresentadas, com fundamento na ausência de autorização judicial para as compensações declaradas. Nesta mesma trilha, decidiu o acórdão recorrido. Quanto a tese da Contribuinte de que administração tributária pode aplicar legislação superveniente, mas favorável ao contribuinte. Discordo e explico: Compulsando os autos, verifico no inteiro teor do acórdão proferido em 10/09/1997 (fls. 238/247), que garantiu a compensação pleiteada (fls. 239), destacamse do voto da ilustre relatora (fls. 241/245) as seguintes disposições contidas, respectivamente, nas fls. 243, 244 e 245: "Pelo exposto, nego provimento a remessa oficial e dou provimento à apelação, para autorizar a compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS com parcelas dessa mesma exação, corrigidos monetariamente pelos índices utilizados pelo Fisco, condenando a ré ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, conforme acima explicitado." Portanto, não há o que se falar em aplicação de legislação superveniente, a decisão judicial foi clara e cristalina no sentido de que garantir a compensação na forma pleiteada pela contribuinte, ou seja, com tributo de igual natureza e espécie, nos termos do pedido formulado na Ação Ordinária n° 94.00301421. Contudo, para que não reste qualquer dúvida, o artigo art. 74 da Lei n° 9.430/1996, em sua redação original, conforme observado pela relatora do acórdão judicial, já Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 9303004.600 CSRFT3 Fl. 8 7 previa a compensação de créditos com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Sem embargo, a nova redação dada pela Lei n° 10.637/2002 (conversão da MP n° 66, de 29/08/2002) ao caput do art. 74 da Lei no 9.430/1996, não alterou a essência conferida por lei a Contribuinte compensar seus créditos com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Vejamos: Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão.Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002. Nada obstante, a Contribuinte optou em ajuizar uma ação judicial para obter o reconhecimento do direito de compensar os recolhimentos realizados nos moldes dos Decretos lei n° 2.445/1988 e n° 2.449/1988, com tributos da mesma natureza e espécie, portanto, nada a ser modificado no que tange o provimento judicial. Neste sentido, o artigo 503 do Novo Código de Processo Civil, dispõe que: Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. Neste passo, a decisão judicial transitada em julgada não permitiu a Contribuinte o direito de compensar créditos de PIS com quaisquer outros tributos administrados pela Receita Federal, em que pese entendimento diverso, não cabe este relator, sob pena de ofensa a coisa julgada, proceder de modo distinto do que foi decidido judicialmente. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto é como penso (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 9303004.600 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Com o devido respeito ao voto do ilustre relator, entendo que a conclusão da análise do presente recurso especial deve ser diferente. A decisão recorrida negou provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, mantendo o entendimento da Derat/SP de que o contribuinte não poderia efetuar compensações de eventuais valores pagos a maior de PIS com débitos de outros tributos. No entendimento do que foi decidido, o contribuinte tinha provimento judicial autorizando expressamente a compensação de créditos de PIS com débitos do próprio PIS, sendo que a autoridade administrativa não poderia afastarse do cumprimento do provimento judicial. Efetivamente o provimento judicial conseguido pelo contribuinte foi no sentido de poder compensar os valores pagos a maior do PIS, em face da inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, exclusivamente com débitos do próprio PIS. Transcrevese abaixo trecho do relatório do Despacho Decisório da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo, efl. 560: (...) Conforme consta na decisão judicial foi admitida a compensação dos valores recolhidos indevidamente a titulo do PIS com parcelas vincendas do próprio PIS e atualização monetária pela aplicação dos indices utilizados pelo Fisco. (...) Quando da interposição da ação judicial havia efetivamente restrição legal a este respeito. Originariamente, os dispositivos legais que autorizavam a compensação só permitia que fossem compensados tributos e contribuições da mesma espécie. Art. 66 da Lei 8.383/91: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie.(grifei) Art. 39 da Lei 9.250/95: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 9303004.600 CSRFT3 Fl. 10 9 mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (Grifei) Somente a partir de janeiro/2003, com a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é que foram retiradas quaisquer restrições nas compensações entre tributos de espécies diferentes. Art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (grifei). Neste sentido, também vem decidindo o CARF, inclusive esta turma conforme ementa abaixo colacionada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004 DCOMP. FORMULÁRIOPAPEL. VEDAÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. LEGALIDADE. No silêncio da lei quanto ao modus operandi de o contribuinte implementar a declaração de compensação, o poder discricionário da administração autoriza a regulação da matéria por meio de atos administrativos. DCOMP. PAPEL. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerase não declarada a compensação de débitos tributários informadas em Declaração de Compensação apresentada em formuláriopapel, sem a justificativa para sua apresentação em meio eletrônico. DCOMP. CRÉDITO FINANCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM QUAISQUER TRIBUTOS. Embora a decisão judicial transitada em julgado, que reconheceu do direito à repetição/compensação do crédito financeiro tenha limitado a compensação com débitos tributários da mesma espécie, inexiste impedimento legal para sua compensação com quaisquer débitos fiscais do contribuinte. (grifei) Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. .(CSRF, 3ª Turma, Acórdão nº 9303002.453, Cons. Relator Henrique Pinheiro Torres, julgado em 08/12/2013). Portanto, estando o contribuinte autorizado por decisão judicial transitada em julgado, a compensar os valores pagos a maior relativos ao PIS, não há impedimento legal que Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 16349.000404/200868 Acórdão n.º 9303004.600 CSRFT3 Fl. 11 10 ele utilize este crédito para compensação com quaisquer débitos tributários que lhe sejam próprios. Ressaltese que como o acórdão recorrido não adentrou nas demais questões de mérito, devolvase o presente processo a turma a quo para que realize um novo julgamento afastando o óbice aqui decidido. Assim, voto por dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, determinando o retorno dos autos à Turma Ordinária para análise das demais questões de mérito. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1064DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.008810/2003-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula CARF nº 38).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e receitas da atividade rural, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, salvo se demonstrada a incompatibilidade da questionada omissão de rendimentos com a percepção dos valores declarados.
CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS - ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO DA RECEITA - Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada.
Numero da decisão: 2201-003.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$113.150,45 da base de cálculo da infração referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, e para reduzir a base de cálculo do imposto a 20% da omissão de rendimentos que sobejar.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 01/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário (Súmula CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e receitas da atividade rural, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, salvo se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 88 10 /2 00 3- 46 Fl. 496DF CARF MF 2 demonstrada a incompatibilidade da questionada omissão de rendimentos com a percepção dos valores declarados. CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS ATIVIDADE RURAL COMPROVAÇÃO DA RECEITA Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$113.150,45 da base de cálculo da infração referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, e para reduzir a base de cálculo do imposto a 20% da omissão de rendimentos que sobejar. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 01/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o auto de infração de fls. 10/12 acompanhado da planilha de fls. 09, dos demonstrativos de fls. 13 e 14 e do Termo de Constatação de fls. 04/08, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas ano calendário de 1998, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 94.078,24, sendo: Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10830.008810/200346 Acórdão n.º 2201003.460 S2C2T1 Fl. 3 3 Imposto R$ 36.726,36 Juros de Mora R$ 29.807,11 Multa proporcional R$ 27.544,77 Conforme descrição dos fatos contida no corpo do auto de infração, às fls. 11/12, a exigência decorreu de omissão de rendimentos de atividade rural e de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos ou de investimento mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Constatação que faz parte do auto de infração. No referido Termo de Constatação, às fls. 04/08, consta em resumo o seguinte: A presente ação fiscal foi decorrente de outra procedida no contribuinte Odécio Toratti, CPF n.º 045.335.07808, onde este informou que sua movimentação bancária teve origem na exploração agrícola em imóveis rurais em condomínio do qual a sra. Iracy faz parte; (...) Cabe salientar que esta Turma realizou o julgamento do processo n.º 10830.008804/200399 decorrente da mesma ação fiscal (contribuinte Odécio Toratti), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido No que concerne à impugnação, narra o relato da Delegacia de Julgamento a sustentação por parte do contribuinte das seguintes alegações: a) decadência; b) nulidade do lançamento; c) inexistência de omissão; e d) a necessidade de arbitramento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA Fl. 498DF CARF MF 4 FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. APURAÇÃO MENSAL OBRIGATORIEDADE DE AJUSTE ANUAL. A partir do anocalendário de 1991, o imposto de renda das pessoas físicas continuou a ser exigida mensalmente, à medida que os rendimentos fosse sendo auferidos, sem prejuízo, contudo, anual estabelecido pela Lei n° 8.134/90, qual o fato l gerador somente se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de oficio, O prazo de cinco anos para Constituir crédito tributário é contado do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter si efetuado. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando nos autos causas apontadas no art. 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que posteriormente à ocorrência do fato gerador obrigação, tenha instituído novos critérios apuração ou processos de fiscalização, ampliando poderes de investigação das autoridades administrativas, nos termos do artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correpondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Lançamento Procedente. Posteriormente, dentro do lapso temporal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte reitera, em síntese, os argumentos dispostos em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10830.008810/200346 Acórdão n.º 2201003.460 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme consta do Termo de Verificação, a presente ação fiscal foi decorrente de fiscalização referente ao contribuinte Odécio Toratti (MPF 08104002002 004853), nos termos abaixo transcritos: 2) Conforme veremos a seguir, os rendimentos declarados são provenientes da exploração imóveis rurais em forma de condomínio, sendo os condôminos os Srs. ODÉCIO TORATTI, CARLOS TURAT ACÁCIO TORATTI e LUIZ TORATTI, NETO, e suas respectivas esposas MARL HENRIQUE TORATTI, ROSANGELA TURGANTI TURATI, ROSIMAR PAN TORATTI e IRACY BORDIGNON TORATTI. Cabe destacar que esta Turma julgou o recurso voluntário do contribuinte Luiz Toratti, em caso similar, decorrente da situação descrita (condomínio para exploração de imóveis rurais) inclusive com mesmos valores da exigência, mas não conheceu do recurso do contribuinte Odécio Toratti, pois apresentado intempestivamente. Considerando que, naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Carlos Pierre, utilizome das razões de decidir proferidas na sessão do dia 15 de fevereiro de 2016. De início, verifico que a contribuinte não recorre da parte do acórdão da DRJ que manteve a omissão de rendimentos de atividade rural; restando em litígio apenas a omissão de rendimentos em razão dos depósitos bancários de origem não comprovada. O interessado argumenta, preliminarmente, decadência do direito de a Fazenda constituir créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos antes de 17/11/1998. Cumpre destacar que a ciência do lançamento se deu em 17/11/2003 (e os depósitos considerados no lançamento ocorreram de janeiro a dezembro de 1998. Ora, o entendimento deste Conselho acerca da contagem de prazo decadencial em se tratando de omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada já se encontra pacificada na Súmula CARF nº 38, a saber: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, incabível acatar a tese do interessada que pretende contar o prazo decadencial, no caso, mensalmente. Rejeito, dessa forma, a preliminar invocada. Fl. 500DF CARF MF 6 Quanto ao mérito, insurgese o interessado contra a presunção que embasa o lançamento. Entende que caberia ao Fisco comprovar a utilização dos valores dos depósitos tidos como não explicados como renda auferida. Insta frisar que a matéria em questão já vem sendo apreciada por este Conselho desde longa data e o entendimento pacificado encontrase, atualmente, sumulado. Assim, confiramse o disposto na Súmula CARF nº 26, que afasta a tese do recorrente: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Prossegue o contribuinte defendendo que os rendimentos declarados por ele e os demais condôminos justificam plenamente toda a movimentação financeira, não podendo ser alegado qualquer omissão de receita. Ainda aduz que, estando as pessoas físicas desobrigadas de escrituração, os recursos com origem comprovada servem para justificar os valores depositados ou creditados em contas bancárias, independentemente de coincidência perfeita de datas e valores. Reitero que não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem. Entretanto, destaco que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de mitigar o rigor da análise individualizada dos créditos, permitindo, por exemplo, que os rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização, sejam excluídos em bloco. Neste sentido, cito os Acórdãos nº 210200.430 (2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por unanimidade; 220200.415 (2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria. A questão é que não parece plausível defender que somente os rendimentos informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e receitas da atividade rural, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, salvo se demonstrada a incompatibilidade da questionada omissão de rendimentos com a percepção dos valores declarados, o que não se verifica no presente caso. Na DIRPF sob exame (fls. 150 e seguintes), observase que os recursos declarados restringemse a receita bruta total da atividade rural de R$ 177.171,32, haja vista que o rendimento tributável informado de R$ 27.734,20 corresponde ao resultado da atividade rural apurado pela diferença entre receita bruta da atividade rural e despesas de custeio e investimento. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10830.008810/200346 Acórdão n.º 2201003.460 S2C2T1 Fl. 5 7 Aliás, o referido resultado (R$ 27.734,20) não foi aceito pela autoridade fiscal, eis que não considerou válido o livrocaixa apresentado. Por esse motivo, o rendimento tributável da atividade rural foi arbitrado à razão de 20% da receita bruta declarada (R$ 177.171,32), conforme o disposto no parágrafo 22 do artigo 18 da Lei 9.250/95, que resultou no valor de R$ 35.434,26 (Rendimento Arbitrado da Atividade Rural). Neste sentido, tendo em vista que a fiscalização tomou por base a receita bruta da atividade rural declarada, no importe de R$ 177.171,32, para proceder ao arbitramento do resultado da atividade rural sujeito à tributação, entendo que tais recursos restaram confirmados. Assim, foi tido como depósito não justificado do condomínio rural o importe de R$ 1.006.802,72 (um milhão, seis mil, oitocentos e dois reais e setenta e dois centavos), conforme planilha 06, que dividido entre os condôminos (oito), daria um valor de RS 125.850,34 (cento e vinte e cinco mil oitocentos e cinqüenta reais e trinta e quatro centavos) para cada um. A recorrente admite que a parcela de R$ 64.020,87 (R$ 512.167,01 dividido por 8 condôminos) da referida receita da atividade rural já foi levada em conta pela fiscalização no que diz respeito aos depósitos bancários considerados justificados durante o procedimento fiscal. Dessa forma, devese proceder a exclusão da parcela restante da receita da atividade rural declarada (R$ 113.150,45) da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada (R$ 125.850,34). Sobre a parcela que restar de depósitos de origem desconhecida (R$ 12.699,89), pede o recorrente a aplicação da legislação prevista para a atividade rural (tributação de 20% do montante). No seu inconformismo o suplicante alega, entre outras, que a única atividade que exerce é a de produtor rural. É de se levar em conta, que o nosso ordenamento jurídico prevê para o produtor rural que não possuir escrituração regular, a tributação via arbitramento de sua receita bruta, declarada ou não, identificada ou não, ao limite máximo de 20%. Não tenho dúvidas, que muitos entendem, que somente é passível de tributação pelo regime especial (atividade rural) os valores omitidos que comprovadamente através da apresentação de documentação hábil e idônea, decorressem da atividade rural. No âmbito da teoria geral da prova, nenhuma dúvida há de que o ônus probante, em princípio, cabe a quem alega determinado fato. Mas algumas aferições complementares, por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do ônus da prova. Não se pode esquecer que o direito tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis). Fl. 502DF CARF MF 8 Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como à jurisprudência administrativa e judicial a respeito da questão se vê que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. No caso vertente, o levantamento fiscal demonstra que o suplicante inquestionavelmente exerce a atividade rural, e que as receitas/rendimentos declaradas decorrem desta. Da análise dos autos, principalmente da Declaração de Ajuste Anual do exercício questionado, se constata, que as origens de recursos do contribuinte são originários da atividade rural e que todos os negócios desenvolvidos pela suplicante tem relação direta com a atividade rural. Em assim sendo, não me parece correto tributar a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como sendo omissão de rendimentos de uma outra atividade qualquer, por mera presunção, quando o contribuinte, como é o caso em questão, tem rendimentos tributáveis originados exclusivamente da atividade rural, já que as receitas da atividade rural pelas suas peculiaridades gozam de tributação mais favorecida. Neste contexto, quando se tratar de contribuintes cuja atividade exercida é exclusivamente a rural, qualquer omissão deveria ser tributada nos termos da Lei n.° 8.023, 1990, sendo certo que na hipótese presente a própria Lei n.° 7.713, 1988, art. 49, exclui os rendimentos da atividade agrícola e pastoril, já que serão tributados na forma da legislação especifica. Nunca é demais ressaltar, que quando se tratar de rendimentos cuja origem é exclusiva da atividade rural, apuração de omissão de rendimentos deve ser de forma anual, como atividade rural. Esta forma de apuração constitui, no ponto de vista deste relator, a metodologia mais apropriada a fim de ser apurada a omissão de rendimentos real, com devido amparo legal na legislação em vigor. É, sem sobra de dúvidas, aquela mais próxima da realidade dos fatos porquanto se apura, quando for o caso, a evasão do tributo na própria atividade exercida pelo contribuinte. Tratase, pois, de procedimento admitido pela legislação tributária. Outrossim, a verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a observância da legislação de regência do tributo. Dessa forma, a vinculação é uma das características essenciais do lançamento tributário, que só é eficaz se realizado nos estritos termos que a lei o admite, presidido pelo princípio da legalidade e pela situação de fato preexistente. Na esteira destas considerações a exigência de crédito tributário, mediante lançamento regularmente constituído por servidor competente da administração tributária, deve estar subordinada ao principio da legalidade. A obediência a esse princípio é expresso nos arts. 37, caput e 150, I, da Constituição Federal. O mesmo entendimento foi adotado em julgamentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, dos quais são exemplos aqueles materializados nos Acórdãos CSRF/04.00801 e CSRF/04.00802. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10830.008810/200346 Acórdão n.º 2201003.460 S2C2T1 Fl. 6 9 Assim sendo e considerando as suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a principio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede à pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$113.150,45 da base de cálculo da infração referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, e para reduzir a base de cálculo do imposto a 20% da omissão de rendimentos que sobejar. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 504DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.900043/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/03/2007
FONTES PAGADORAS. DILIGÊNCIA.
Indefere-se pedido de diligência a ser realizada junto a fontes pagadora, considerado injustificado.
PETIÇÃO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS
Inócua a petição para posterior juntada de documentos comprobatórios, se não foram após julgamento de 1ª instância e se não estão presentes as condições previstas nas alíneas do parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, que o justifiquem.
PROVAS. ANÁLISE.
Descabe reconhecer crédito adicional de Saldo Negativo de IRPJ decorrente de retenções na fonte, se os documentos comprobatórios apresentados não o comprovam.
Numero da decisão: 1201-001.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora, vencido o Conselheiro Luis Henrique, que lhe dava parcial provimento.
Fez sustentação oral o Dr. Vitor Negreiros Feitosa, OAB/SP 246.837.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS- Relator.
EDITADO EM: 02/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Declarou-se impedido o conselheiro José Roberto Adelino. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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DILIGÊNCIA. Indeferese pedido de diligência a ser realizada junto a fontes pagadora, considerado injustificado. PETIÇÃO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS Inócua a petição para posterior juntada de documentos comprobatórios, se não foram após julgamento de 1ª instância e se não estão presentes as condições previstas nas alíneas do parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, que o justifiquem. PROVAS. ANÁLISE. Descabe reconhecer crédito adicional de Saldo Negativo de IRPJ decorrente de retenções na fonte, se os documentos comprobatórios apresentados não o comprovam. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora, vencido o Conselheiro Luis Henrique, que lhe dava parcial provimento. Fez sustentação oral o Dr. Vitor Negreiros Feitosa, OAB/SP 246.837. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 00 43 /2 01 0- 11 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13884.900043/201011 Acórdão n.º 1201001.568 S1C2T1 Fl. 3 2 EVA MARIA LOS Relator. EDITADO EM: 02/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Declarouse impedido o conselheiro José Roberto Adelino. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o processo das Declarações de Compensação PER/DComp nº 39086.61470.270309.1.3.034126, págs. 224/228, em que o contribuinte requer o crédito no total de R$141.005,72 de Saldo Negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL do período de apuração 1º trim/2007, para compensação de débitos. 2. O Despacho Decisório págs. 279/828, reconheceu o crédito de SN CSLL de R$67.014,20 e homologou em parte a PER/Dcomp, restando saldo devedor de R$89.333,18, exigido com multa e juros de mora; o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de págs. 2/12, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte DRJ/BHE emitiu o Acórdão nº 0248.415, de 11 de setembro de 2013, págs. 326/332, reconhecendo o direito creditório adicional de R$44.210,04 e a homologação de compensação até este limite. 3. Cientificado em 21/02/2014, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 21/03/2014, o recurso voluntário de págs. 342/354. 4. Que haja vista não ter sido reconhecido totalmente o crédito requerido, porque parte das retenções de IR na fonte (sic) não foi reconhecida, relata que apresentou sua Manifestação de Inconformidade demonstrando que i) ocorreu a retenção de IRRF (sic) pelas fontes pagadoras o que comprova a legitimidade dos créditos utilizados, independentemente das declarações/informações prestadas pelas empresas retentoras, consoante remansosa jurisprudência administrativa sobre a matéria; (ii) o Sr. Agente Fiscal, glosou parcialidade dos créditos pleiteados sem a análise exauriente da documentação fiscal da Recorrente, que comprova a retenção de IRRF(sic)e o cumprimento da obrigação tributária pela mesma; e (iii) em qualquer das hipóteses, pela regularidade dos procedimentos da Recorrente, esta não pode ser responsabilizada por inconsistências nas informações e nos pagamentos processados pelas fontes pagadoras, restando intocável do IRRF (sic) apropriado. 5. Advoga que, contrariamente ao decidido pela DRJ, i) os documentos que apresentou comprovam o crédito; ii) são imprescindíveis diligências nas fonte pagadoras, a fim de identificar as razões das divergências entre os documentos da recorrente e os registros da RFB, sob pena de violar os princípios do devido processo legal e verdade material. 6. Como o SN CSLL pleiteado se originou de retenções pelas fontes pagadoras, reclama que a Autoridade Fiscal não analisou as informações contábeis, livros fiscais e documentos, que acosta, a fim de verificar os valores retidos. 7. Assevera que os débitos do PER/Dcomp estão extintos pela compensação. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13884.900043/201011 Acórdão n.º 1201001.568 S1C2T1 Fl. 4 3 8. Ao desconsiderar os documentos que a Recorrente apresentou e ao indeferir o pedido de posterior juntada de provas, o Acórdão violou os princípios da ampla defesa e devido processo legal; por isso, reitera o pedido de produção de provas, caso o entendimento do relator seja de que as apresentadas não são hábeis para provar as retenções. 9. Assevera que o pedido de diligência não significa transferir o ônus da comprovação à Autoridade Administrativa e requer a reforma do Acórdão, nesse sentido, deferindose a realização 10. Diz que a verdade real dos fatos prepondera sobre potenciais irregularidades formais prestadas pelas fontes pagadoras, que não possuem o condão de afastar direito líquido e certo do contribuinte, assegurado pela legislação vigente e a Receita Federal do Brasil possui o dever de averiguar materialmente os fatos ocorridos, não podendo se amparar em circunstâncias formais ou fatores alheios e especulativos para determinar a inexistência do crédito declarado em PER/OCOMP, quiçá limitarse a cruzar dados eletronicamente como meio de exaurir os requisitos inerentes à compensação prevista no artigo 74, da Lei n° 9.430/96. 11. Transcreve textos e jurisprudência do CARF. 12. Assevera que não se trata de situação de inexistência do crédito declarado, mas sim de meros desencontros dos lançamentos contábeis efetuados pela Recorrente o das declarações prestadas pelas fontes pagadoras, que inviabilizariam a comprovação do saldo credor em questão, por força de desvios perpetrados no processamento eletrônico das declarações apresentadas à Autoridade Fiscal possivelmente por equívocos das próprias fontes pagadoras, que não pode se sobrepor a real apuração contábil da Recorrente. 13. Mas que Douta Autoridade Fiscal pretende, de maneira ilegal, não exercer com a devida diligência e cuidado o seu dever de fiscalizar as empresas retentoras e as respectivas declarações/recolhimentos efetuados pelas mesmas, transferindo à Recorrente a obrigatoriedade de demonstrar o cumprimento de obrigações tributárias de terceiros; mas tal atitude viola frontalmente os princípios da verdade material. 14. Dessa forma, necessário se faz reconhecer o direito aos créditos pleiteados. Voto Conselheiro Relator Eva Maria Los 15. À pág. 281, foram listadas no DD, as retenções de IRRF não confirmadas nos registros da RFB; e à pág. 287, retenções de IRRF adicionais reconhecidas pela DRJ: Despacho Decisório Acórdão DRJ CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOMP Valor Confirmado Valor Não Confirmado Valor confirmado 00.394.429/005927 6190 31.108,65 00.394.429/003045 6147 79.300,35 49.518,87 29.781,48 00.394.429/007202 6190 31.108,65 0,00 31.108,65 Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13884.900043/201011 Acórdão n.º 1201001.568 S1C2T1 Fl. 5 4 00.394.429/011650 6147 13.101,39 0,00 13.101,39 00.394.429/011650 8767 13.101,39 Total 123.510,39 49.518,87 73.991,52 44.210,04 6147 PRODUTOS RETENÇÃO EM PAGAMENTOS POR ÓRGÃO PÚBLICO IRPJ (var); CSLL 1%; Cofins 3%; PIS 0,65% 6190 SERVIÇOS RETENÇÃO EM PAGAMENTO POR ÓRGÃO PÚBLICO IRPJ (var); CSLL 1%; Cofins 3%; PIS 0,65% 8767 MEDICAMENTO ADQUIR DISTRIB/VAREJRET ORG PUBL IRPJ 1,2% ; CSLL 1% 1 Documentos, análise. 16. A Recorrente pleiteia que se analisem os documentos que acostou que assevera comprovarem o crédito que requer. Tais documentos foram apresentados junto com a impugnação e estão às págs. 23/260: a. págs. 23/26 listagem Notas Fiscais faturas emitidas para: i. CNPJ 00.394.429/11650 Ministério da Aeronáutica Comissão Aeronáutica Brasileira em São Paulo, com retenção de 1% de CSLL; ii. CNPJ 00.394.429/007202 Ministério da Aeronáutica Subdepartamento de Desenvolvimento e Programas, com retenção de 1% de CSLL; iii. CNPJ 00.394.429/003045 Ministério da Aeronáutica Diretoria de Material de Aeronáutica, com retenção de 1% de CSLL; b. pág. 27 registro interno de lançamentos de recebimentos, da empresa c. págs. 28/43 e 52/232 cópias de Notas Fiscais de Prestação de Serviços: i. para CNPJ 00.394.429/005927 Comando da Aeronáutica, Equipamento e Apoio de Brasilia (em relação à qual não consta falta de comprovação no quadro supra), em confronto com registros internos de recebimentos/compensação; ii. para o CNPJ 00.394.429/003045, do quadro, contendo a anotação: "Reter 2,20% de IR e CSLL conf. art. 6º da Lei nº 9.430/96": 1. porém a maioria referente a outros períodos (por exemplo, 08/11/2006pág. 52/59, 01/11/2006, 13/11/2006, 15/11/2006, 25/08/2006, 30/08/2006, 09/11/2006, 10/11/2006, 14/06/2006 pág. 89, 08/12/2006pág. 107, 11/12/2006pág. 114, e não ao 1º trim/2007; 2. referentes ao 1º trimestre de 2007, somente as notas fiscais de págs. 115/125, 133/153, 161/194, 199/200, 211/232, que totalizaram a receita bruta de R$1.453.800,82, o que corresponderia à retenção de R$14.538,01 de CSLL; planilha detalhando as notas fiscais, datas, nºs e valores Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13884.900043/201011 Acórdão n.º 1201001.568 S1C2T1 Fl. 6 5 pág. data nº NF valor Bruto 115 17/01/2007 832355 17.817,50 116/117 17/01/2007 832359 955,88 118 17/01/2007 832360 63.211,49 119 17/01/2007 832362 2.384,76 120 17/01/2007 832363 3.410,55 121 17/01/2007 832366 2.245,88 122 17/01/2007 832365 2.575,49 123 17/01/2007 832364 5.056,05 124 17/01/2008 832367 31.846,63 125 09/02/2007 843089 86.042,44 133 18/01/2007 832846 1.036,05 134/135 10/01/2007 828558 10.400,40 136 11/01/2007 828829 2.156,62 137/138 05/02/2007 841087 13.938,53 139 12/01/2007 829312 67.883,53 140 12/01/2007 829324 316,96 141 12/01/2007 829359 48.779,10 142 12/01/2007 829360 13.593,46 143 15/01/2007 830173 1.137,60 144 15/01/2007 830174 2.575,49 145/147 08/01/2007 826376 77.991,06 148 08/01/2007 826583 5.419,41 149 08/01/2007 826881 203.050,26 150 09/01/2007 827366 53.254,43 151 09/01/2007 827367 3.566,53 152 09/01/2007 827373 3.190,03 153 09/01/2007 827692 107.485,18 161 03/01/2007 823187 29.658,01 162/163 03/01/2007 823188 6.737,12 164 03/01/2007 823815 61.239,61 165/166 17/01/2007 823744 111,35 167/168, 195/196 06/02/2007 841850 4.952,60 169/170, 197/198 06/02/2007 841951 1.104,50 1071/172 19/01/2007 833416 43.185,90 173/174 19/01/2007 833684 43.218,91 175/176 19/01/2007 833685 96.180,94 177/178 19/01/2007 833569 5.515,23 179/180 22/01/2007 834449 1.510,82 181/182 22/01/2007 834452 4.128,32 183/184 22/01/2007 834476 96.180,94 185/186 22/01/2007 834477 2.266,23 187/188 22/01/2007 834478 1.099,41 189/190 23/01/2007 834976 16.082,88 191/192 23/01/2007 835001 60.530,48 193/194 23/01/2007 835048 365,70 199/200 06/02/2007 841852 7.217,76 211/212 07/02/2007 842633 1.855,14 213/214 07/02/2007 842647 1.892,70 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13884.900043/201011 Acórdão n.º 1201001.568 S1C2T1 Fl. 7 6 215/216 17/01/2007 832742 3.877,24 217/218 17/01/2007 832743 5.150,98 219/220 22/01/2017 835299 21.443,67 221/222 22/01/2017 835300 66.694,84 223/224 31/01/2007 839058 6.574,96 225/226 31/01/2007 839059 2.618,23 227/228 31/01/2007 839061 27.495,10 229/230 31/01/2007 839062 2.902,30 231/232 31/01/2007 839063 687,64 CSLL 1.453.800,82 14.538,01 d. págs. 234/264 Registro de Saídas/Registro de Serviços Prestados, onde constam as notas fiscais . 17. Dos elementos apresentados: i. listagem Notas Fiscais faturas emitidas, mesmo especificando "Reter 2,20% de IR e CSLL conf. art. 6º da Lei nº 9.430/96", não comprova que a retenção efetivamente tivesse ocorrido, dado que a informação da fonte pagadora é divergente; ii. registro interno de lançamentos de recebimentos, da empresa se a empresa tivesse apresentado as Notas Fiscais, com o valor bruto, e pudesse correlacionar com os correspondentes ingressos dos pagamentos (comprovados em extratos bancários) nos valores líquidos das retenções, então talvez pudesse comprovar as retenções que alega, mas não o fez; iii. cópias de Notas Fiscais de Prestação de Serviços como relatado, apenas parte se refere ao período em análise, 1º trim/2007 e a empresa, cuja CSLL retida n afonte foi reconhecido apenas em parte, CNPJ 00.394.429/003045, as Notas Fiscais correspondem a CSLL fonte de R$14.538,01; no entanto, a interessada requereu R$79.300,35, dos quais, foram confirmados R$49.518,87 portanto, nenhuma retenção a mais foi confirmada. iv. Registro de Saídas/Registro de Serviços Prestados, confirma as notas fiscais emitidas mas não a retenção. 2 Pedido de diligências nas fontes pagadoras. 18. Tivesse a interessada apresentado elementos como as Notas Fiscais, com o valor bruto, correlacionadas com os correspondentes ingressos dos pagamentos (comprovados em extratos bancários) nos valores líquidos das retenções, mesmo que uma amostragem, haveria motivo para deferir diligência, para confirmar a retenção e não informação em DIRF. 19. Em não existindo tal indício, descabe à Administração executar diligências relativas a provas que cabe ao contribuinte apresentar. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13884.900043/201011 Acórdão n.º 1201001.568 S1C2T1 Fl. 8 7 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 3 Pedido de produção de provas. 20. Reitera o pedido de produção de provas, caso o entendimento do relator seja de que as apresentadas não são hábeis para provar as retenções. 21. Observese que a petição foi apresentada na impugnação e repetida no recurso voluntário, sem apresentação de novas provas, apesar de o Acórdão DRJ ter considerado que eram insuficientes. 22. O Decreto nº 70.235, de 1972, disciplinou a questão nos seguintes termos: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º o A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. 23. Verificase que nenhuma das circunstâncias mencionadas está presente. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13884.900043/201011 Acórdão n.º 1201001.568 S1C2T1 Fl. 9 8 Voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Relator EvaMaria Los Relator Fl. 374DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.720848/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2009
RENDIMENTOS DE AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
Não tendo o contribuinte comprovado o pagamento de honorários
advocatícios sobre rendimentos decorrentes de ação judicial, é devida a glosa de deduções efetuadas a este título.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AÇÃO JUDICIAL.
Estando claramente evidenciadas em planilha de cálculos elaborada por perito judicial, devidamente homologada pelo juízo, é devida a tributação dos rendimentos segundo a natureza dos rendimentos lá apontadas, bem assim a utilização do IRRF devidamente recolhido.
Numero da decisão: 2201-003.529
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário para considerar os rendimentos decorrentes de ação judicial e respectivo imposto de renda retido na fonte, alterando o valor lançado para R$
4.221,42.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Não tendo o contribuinte comprovado o pagamento de honorários advocatícios sobre rendimentos decorrentes de ação judicial, é devida a glosa de deduções efetuadas a este título. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AÇÃO JUDICIAL. Estando claramente evidenciadas em planilha de cálculos elaborada por perito judicial, devidamente homologada pelo juízo, é devida a tributação dos rendimentos segundo a natureza dos rendimentos lá apontadas, bem assim a utilização do IRRF devidamente recolhido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar os rendimentos decorrentes de ação judicial e respectivo imposto de renda retido na fonte, alterando o valor lançado para R$ 4.221,42, Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 31/03/2017 A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 38 19 .7 20 84 8/ 20 13 -1 7 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária março de 2017 março de 2017 RICARDO JOSÉ MARGONARI RICARDO JOSÉ MARGONARI FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 98DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente da Notificação de Lançamento nº 2009/712033894837861, fl. 10 a 14, a qual teve origem em procedimento de Revisão de Declaração de Rendimentos da Pessoa Física relativa ao exercício de 2009, ano-calendário de 2008. A Autoridade Fiscal identificou infrações à legislação tributária que levaram a alterações nos valores declarados, conforme resumo abaixo: a) omissão de rendimentos no valor de R$ 8.079,37, relativo a diferença entre o declarado e o valor contido em DIRF apresentada pela respectiva fonte pagadora, Caixa Econômica Federal; b) compensação indevida de R$ 17.193,08, declarado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre os rendimentos recebidos do Banco Do Brasil; c) ajuste nos rendimentos tributáveis declarados para excluir o rendimento de R$ 49.079,47 que, supostamente, teriam dado causa à retenção na fonte glosada no item precedente. Ciente do lançamento em 18 de março de 2013, inconformado, o contribuinte, tempestivamente, apresentou a Impugnação de fl. 2 e 5 a 10, na qual buscou demonstrar a regularidade dos valores declarados. Inicialmente destacou que o valor da omissão de rendimentos de R$ 8.079,37 seria relativo a honorários pagos, apresentando o recibo emitido pelo advogado, bem assim comprovante de depósito, fl. 6. Em relação aos valores recebidos do Banco do Brasil, que também seriam relativos a rendimentos decorrentes de ação judicial, o contribuinte fez alguns cálculos em sua impugnação, segregando o montante recebido entre tributáveis e não tributáveis e promovendo uma equivalência dos valores pagos ao advogados entre rendimentos tributáveis e não tributáveis, com a ressalva de que não apresentou recibos emitidos pelo advogado, solicitando que tal profissional fosse intimada para confirmar os pagamentos efetuados, fl. 7 e 8. No julgamento de 1ª Instância, a 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I exarou o Acórdão de fl. 66 a 70, onde julgou procedente em parte a impugnação, nos termos das conclusões abaixo resumidas: (...) Os documentos de fls. 27, 28, 39 e 40 evidenciam o desconto de honorários advocatícios na importância de R$ 8.079,37, do rendimento bruto de R$ 40.396,85, correspondente a precatório recebido pelo contribuinte em janeiro de 2008 (consulta processual de fls. 54 a 60). Desse modo, não subsiste a apuração de omissão de rendimentos. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13819.720848/2013-17 Acórdão n.º 2201-003.529 S2-C2T1 Fl. 99 3 No que concerne à apuração de compensação indevida do imposto retido na fonte, no valor de R$ 17.193,08, não procede o entendimento da defesa de que a glosa decorreria da falta de prestação de informações ao Fisco por parte da instituição financeira depositária. (...) Verifica-se que não foram trazidas aos autos as planilhas com a discriminação das verbas devidas, tendo sido apresentados somente os Anexos 13 e 14 elaborados pelo perito judicial (fls. 36 e 37), onde constam os montantes por ele computados como tributáveis e como não tributáveis, para fins de cálculo do imposto a ser retido na fonte. Ressalte-se que a homologação dos cálculos periciais não implica em manifestação do Juízo quanto à natureza tributária dos rendimentos, mesmo porque tal matéria não foi submetida ao crivo do Poder Judiciário.(...) No que tange à alegação de que as advogadas que teriam atuado na causa se recusaram a fornecer o recibo de honorários, observe-se que poderiam ser aceitos como prova o contrato de honorários advocatícios juntamente com a comprovação do depósito do valor líquido em conta do contribuinte. (...) Todavia, indefere-se o pedido de realização de diligências com vistas à confirmação do pagamento dos aludidos honorários, pois a comprovação de despesas que reduziriam a base de cálculo do imposto constitui ônus exclusivo do sujeito passivo. Ciente do Acórdão da DRJ, o qual foi encaminhado ao contribuinte via postal em 12 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 75 a 77, cujas razões serão tratadas no curso do voto abaixo. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Por ser tempestivo e por apresentar os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. O contribuinte contesta as conclusões da DRJ por entender que a mesma não decidiu de forma razoável, em particular porque entendeu que a homologação judicial dos cálculos periciais que fixou o valor bruto da condenação, o valor da contribuição previdenciária e do IRRF, juntamente como extratos do Banco do Brasil com a discriminação de valores depositados e levantados não seriam suficientes para conferir direito ao contribuinte de compensar o IRRF. Sustenta que, embora a DRJ tenha afirmado que seria necessária a apresentação de todas as planilhas que compõem o cálculo pericial, solicitou tais documentos a sua advogada e a mesma só forneceu os relatórios já apresentados na impugnação. Fl. 100DF CARF MF 4 Afirma o contribuinte que os documentos já apresentados são suficientes para a comprovação dos rendimentos recebidos, tanto tributáveis como não tributáveis. Alega que o processo trabalhista está arquivado, requerendo, caso necessário, prazo de 120 dias para apresentação de tais planilhas. Requer, ainda, ofício ao Banco do Brasil para comprovação dos valores pagos ao contribuinte e intimação dos advogados para confirmação de pagamento de honorários. Inicialmente, cumpre destacar a absoluta desnecessidade de ofício ao Banco do Brasil, já que os rendimentos recebidos pelo contribuinte estão devidamente evidenciados nos autos. Em relação ao recibo dos Advogados, trata-se de exclusão da base de cálculo do tributo pretendida. Lembrando que, em termos tributários, a regra é a incidência do tributo, sendo as exclusões da base de cálculo meras exceções que devem ser provadas por quem delas aproveita. Portanto, de plano, indefiro tais pedidos. Já em relação ao mérito efetivo da demanda, está correta a DRJ em não acatar os argumentos do contribuinte, pois não foram juntados aos autos a comprovação da natureza dos rendimentos recebidos pelo contribuinte. Sabe-se que recebeu, o quanto recebeu, o quanto pagou de IRRF, o quanto pagou de Contribuição Previdenciária, mas não há nada que demonstre o porque de parte dos valores recebidos ter sido considerada tributável e parte não tributável. O fato do Perito judicial elaborar uma planilha de atualização com a segregação de valores entre tributáveis e não tributáveis, ainda que homologada pelo judiciário, não é suficiente para identificarmos o que integra tais montantes, até porque, neste caso, o contribuinte declarou como tributável o valor de R$ 49.079,47, com IRRF de R$ 17.193,08. Partindo-se exclusivamente desses dois números, temos que o valor retido monta mais de 35% do rendimento tributável, o que se mostra muito superior ao que seria razoável se aplicada a tabela progressiva regular. Tendo em vista a apresentação do Recurso Voluntário em novembro de 2013, penso que o de tramitação do presente processo se mostra mais que suficiente para que o interessado `promovesse, autonomamente, a juntada dos documentos sabidamente necessários. Não obstante, penso que já há informações suficientes ao presente julgamento. Analisando o documento contido em fl. 37, nota-se que o perito judicial efetuou cálculos de atualização dos montantes devidos ao recorrente, os quais segregaram os rendimentos a partir de sua natureza tributável e não tributável, concluindo, também, pelo valor de Imposto de Renda Retido na Fonte que seria devido. As conclusões do perito judicial foram referendadas pelo Juízo, conforme se verifica em fl. 32, guardando estreita compatibilidade com os valores contidos no extrato de fl. 29. Ademais, neste caso, não vejo como indispensável a confirmação da correção da natureza dos rendimentos (tributáveis ou não), já que a regra é que as fontes pagadoras promovam tal segregação, sem necessidade de homologação da Receita Federal. Naturalmente, podem haver erros, contudo, a comprovação deveria se dar no lançamento, mas não foi isso Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13819.720848/2013-17 Acórdão n.º 2201-003.529 S2-C2T1 Fl. 100 5 que vimos, já que mesmo o rendimento declarado foi excluído do ajuste pela autoridade lançadora. Desta forma, já considerando as conclusões do julgamento em 1ª Instância, entendo absolutamente razoável considerar que o contribuinte, no ano-calendário em tela, recebeu os rendimentos e teve retidos os valores listados no quadro abaixo, com a ressalva de que a primeira e a segunda fonte pagadora não são objeto do presente Recurso Voluntário: Fonte Pagadora Rendimentos tributáveis IRRF INSS 24.381,03 440,88 CEF 32.317,48 1.211,91 BB (proc. jud) 63.706,06 16.993,98 Total 120.404,57 18.646,77 A partir de tais valores de rendimentos e de IRRF, considerando o insucesso do contribuinte em comprovar a efetividade dos honorários advocatícios relativos aos rendimentos recebidos do processo judicial ainda em discussão, assim teríamos a tributação do período: Apuração do IR 2009 Rendimentos tributáveis 120.404,57 Desconto Simplficado 12.194,86 Base de Cálculo 108.209,71 Imposto devido 23.171,74 IRRF 18.646,77 IAP 4.524,97 IAP Declarado 303,55 IAP Suplementar 4.221,42 Conclusão Por tudo que consta dos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do recurso voluntário e, no mérito, dou-lhe parcial provimento para considerar os rendimentos decorrentes de ação judicial e respectivo imposto de renda retido na fonte, alterando o valor lançado para R$ 4.221,42, sobre o qual deverão incidir os acréscimos legais descritos na Notificação de Lançamento contestada. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.729420/2014-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
NULIDADE. MPF.
O MPF é mecanismo de controle administrativo não acarretando algum vícios nele detectado em nulidade do procedimento fiscal, além de que, neste caso, nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado ao sujeito passivo.
RELATÓRIO FISCAL. FORNECIMENTO DOS ELEMENTOS NECESSÁRIOS AO SUJEITO PASSIVO PARA SE CONTRAPOR A EXIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência, quais sejam: identificação do sujeito passivo, com relato dos fatos e do direito aplicável, além de perfeita apresentação do cálculo do tributo e acréscimos devidos.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010
PAGAMENTOS SEM INDICAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. INCIDÊNCIA DE IRRF.
Ainda que os beneficiários dos pagamentos sejam identificados, é cabível a exigência do IRRF quando não se comprove a operação ou causa que justifique os desembolsos.
PAGAMENTOS SEM CAUSA. PAGAMENTOS A PESSOAS JURÍDICAS.
A incidência do IRRF sobre "pagamentos sem causa" alcança tanto os sócios e administradores, quanto terceiros pessoas físicas e jurídicas.
PAGAMENTOS SEM CAUSA A PESSOA FÍSICA. APLICAÇÃO DA TABELA PROGRESSIVA.
Os "pagamentos sem causa" feitos a pessoas físicas sujeita-se à tributação exclusiva na fonte à alíquota de 35% e não à tabela progressiva anual.
PAGAMENTO A SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA. INCIDÊNCIA DO IRRF.
Os "pagamentos sem causa" efetuados a pessoas que sejam consideradas sócias da pessoa jurídica sofrem a tributação prevista no art. 674 do RIR/99, não sendo tratados como distribuição de lucros ou resultados.
FALHAS CONTÁBEIS. EXCLUSÃO DA INFRAÇÃO.
A alegação da ocorrência de falhas contábeis não tem o condão de afastar as autuações tributárias.
FATOS ALEGADOS NO RECURSO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
É encargo do contribuinte comprovar os fatos trazidos no recurso no sentido de impedir, alterar ou extinguir o lançamento tributário.
PAGAMENTOS SEM CAUSA.IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES.
A falta de apresentação de provas hábeis a desconstituir o lançamento fiscal, torna improcedentes as alegações dos recorrentes.
GRUPO ECONÔMICO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Na espécie não se configurou a formação do grupo econômico pretendido pelo fisco, uma vez que não se demonstrou a contento a existência de controle único, confusão patrimonial e administrativa e/ou conjugação de esforços para alcance de um interesse do grupo de empresas.
GERÊNCIA DE EMPRESA CONSTITUÍDA EM NOME DE SÓCIOS DE FACHADA. ATO CONTRÁRIO AO CONTRATO SOCIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Devem ser responsabilizados pelos créditos tributários, com esteio no inciso III do art. 135 do CTN, as pessoas físicas que administram, em afronta ao contrato social, empresas constituídas em nome de sócios de fachada. Deve, todavia, ser afastada responsabilidade de pessoa que o fisco não conseguiu demonstrar sua participação na criação, tampouco na administração das empresas irregularmente constituídas.
UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA NO QUADRO SOCIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE RELATIVA AO FATO GERADOR. AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA.
A transferência de quotas representativas de participação no capital social da empresa autuada, ainda que a pessoas consideradas "laranjas" pela fiscalização, não constitui fundamento para aplicação da multa qualificada de 150% de que trata o § 1º do artigo 44 da Lei 9430/96, pois a fraude ao contrato social não se confunde com fraude relativa ao fato gerador do tributo. Constatado-se o descumprimento da obrigação tributária e procedido o lançamento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de 75% nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
Numero da decisão: 2402-005.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso e afastar a preliminar de nulidade e, por maioria, dar-lhe provimento parcial para afastar a qualificação da multa, mantendo-a em seu patamar ordinário e excluir do polo passivo as empresas Agatha Patrimonial S/A e Anapurus Patrimonial S/A, vencidos os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Mário Pereira de Pinho Filho. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Julgado em 07/04/2017, no período da manhã.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 NULIDADE. MPF. O MPF é mecanismo de controle administrativo não acarretando algum vícios nele detectado em nulidade do procedimento fiscal, além de que, neste caso, nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado ao sujeito passivo. RELATÓRIO FISCAL. FORNECIMENTO DOS ELEMENTOS NECESSÁRIOS AO SUJEITO PASSIVO PARA SE CONTRAPOR A EXIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência, quais sejam: identificação do sujeito passivo, com relato dos fatos e do direito aplicável, além de perfeita apresentação do cálculo do tributo e acréscimos devidos. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2010 PAGAMENTOS SEM INDICAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. INCIDÊNCIA DE IRRF. Ainda que os beneficiários dos pagamentos sejam identificados, é cabível a exigência do IRRF quando não se comprove a operação ou causa que justifique os desembolsos. PAGAMENTOS SEM CAUSA. PAGAMENTOS A PESSOAS JURÍDICAS. A incidência do IRRF sobre "pagamentos sem causa" alcança tanto os sócios e administradores, quanto terceiros pessoas físicas e jurídicas. PAGAMENTOS SEM CAUSA A PESSOA FÍSICA. APLICAÇÃO DA TABELA PROGRESSIVA. Os "pagamentos sem causa" feitos a pessoas físicas sujeita-se à tributação exclusiva na fonte à alíquota de 35% e não à tabela progressiva anual. PAGAMENTO A SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA. INCIDÊNCIA DO IRRF. Os "pagamentos sem causa" efetuados a pessoas que sejam consideradas sócias da pessoa jurídica sofrem a tributação prevista no art. 674 do RIR/99, não sendo tratados como distribuição de lucros ou resultados. FALHAS CONTÁBEIS. EXCLUSÃO DA INFRAÇÃO. A alegação da ocorrência de falhas contábeis não tem o condão de afastar as autuações tributárias. FATOS ALEGADOS NO RECURSO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É encargo do contribuinte comprovar os fatos trazidos no recurso no sentido de impedir, alterar ou extinguir o lançamento tributário. PAGAMENTOS SEM CAUSA.IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES. A falta de apresentação de provas hábeis a desconstituir o lançamento fiscal, torna improcedentes as alegações dos recorrentes. GRUPO ECONÔMICO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Na espécie não se configurou a formação do grupo econômico pretendido pelo fisco, uma vez que não se demonstrou a contento a existência de controle único, confusão patrimonial e administrativa e/ou conjugação de esforços para alcance de um interesse do grupo de empresas. GERÊNCIA DE EMPRESA CONSTITUÍDA EM NOME DE SÓCIOS DE FACHADA. ATO CONTRÁRIO AO CONTRATO SOCIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Devem ser responsabilizados pelos créditos tributários, com esteio no inciso III do art. 135 do CTN, as pessoas físicas que administram, em afronta ao contrato social, empresas constituídas em nome de sócios de fachada. Deve, todavia, ser afastada responsabilidade de pessoa que o fisco não conseguiu demonstrar sua participação na criação, tampouco na administração das empresas irregularmente constituídas. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA NO QUADRO SOCIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE RELATIVA AO FATO GERADOR. AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA. A transferência de quotas representativas de participação no capital social da empresa autuada, ainda que a pessoas consideradas "laranjas" pela fiscalização, não constitui fundamento para aplicação da multa qualificada de 150% de que trata o § 1º do artigo 44 da Lei 9430/96, pois a fraude ao contrato social não se confunde com fraude relativa ao fato gerador do tributo. Constatado-se o descumprimento da obrigação tributária e procedido o lançamento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de 75% nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
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PAGAMENTO SEM CAUSA. Recorrente BAHIA STELLA HOTEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 NULIDADE. MPF. O MPF é mecanismo de controle administrativo não acarretando algum vícios nele detectado em nulidade do procedimento fiscal, além de que, neste caso, nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado ao sujeito passivo. RELATÓRIO FISCAL. FORNECIMENTO DOS ELEMENTOS NECESSÁRIOS AO SUJEITO PASSIVO PARA SE CONTRAPOR A EXIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência, quais sejam: identificação do sujeito passivo, com relato dos fatos e do direito aplicável, além de perfeita apresentação do cálculo do tributo e acréscimos devidos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010 PAGAMENTOS SEM INDICAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. INCIDÊNCIA DE IRRF. Ainda que os beneficiários dos pagamentos sejam identificados, é cabível a exigência do IRRF quando não se comprove a operação ou causa que justifique os desembolsos. PAGAMENTOS SEM CAUSA. PAGAMENTOS A PESSOAS JURÍDICAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 94 20 /2 01 4- 55 Fl. 674DF CARF MF 2 A incidência do IRRF sobre "pagamentos sem causa" alcança tanto os sócios e administradores, quanto terceiros pessoas físicas e jurídicas. PAGAMENTOS SEM CAUSA A PESSOA FÍSICA. APLICAÇÃO DA TABELA PROGRESSIVA. Os "pagamentos sem causa" feitos a pessoas físicas sujeitase à tributação exclusiva na fonte à alíquota de 35% e não à tabela progressiva anual. PAGAMENTO A SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA. INCIDÊNCIA DO IRRF. Os "pagamentos sem causa" efetuados a pessoas que sejam consideradas sócias da pessoa jurídica sofrem a tributação prevista no art. 674 do RIR/99, não sendo tratados como distribuição de lucros ou resultados. FALHAS CONTÁBEIS. EXCLUSÃO DA INFRAÇÃO. A alegação da ocorrência de falhas contábeis não tem o condão de afastar as autuações tributárias. FATOS ALEGADOS NO RECURSO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É encargo do contribuinte comprovar os fatos trazidos no recurso no sentido de impedir, alterar ou extinguir o lançamento tributário. PAGAMENTOS SEM CAUSA.IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES. A falta de apresentação de provas hábeis a desconstituir o lançamento fiscal, torna improcedentes as alegações dos recorrentes. GRUPO ECONÔMICO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Na espécie não se configurou a formação do grupo econômico pretendido pelo fisco, uma vez que não se demonstrou a contento a existência de controle único, confusão patrimonial e administrativa e/ou conjugação de esforços para alcance de um interesse do grupo de empresas. GERÊNCIA DE EMPRESA CONSTITUÍDA EM NOME DE SÓCIOS DE FACHADA. ATO CONTRÁRIO AO CONTRATO SOCIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Devem ser responsabilizados pelos créditos tributários, com esteio no inciso III do art. 135 do CTN, as pessoas físicas que administram, em afronta ao contrato social, empresas constituídas em nome de sócios de fachada. Deve, todavia, ser afastada responsabilidade de pessoa que o fisco não conseguiu demonstrar sua participação na criação, tampouco na administração das empresas irregularmente constituídas. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA NO QUADRO SOCIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE RELATIVA AO FATO GERADOR. AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA. A transferência de quotas representativas de participação no capital social da empresa autuada, ainda que a pessoas consideradas "laranjas" pela fiscalização, não constitui fundamento para aplicação da multa qualificada de 150% de que trata o § 1º do artigo 44 da Lei 9430/96, pois a fraude ao contrato social não se confunde com fraude relativa ao fato gerador do tributo. Constatadose o descumprimento da obrigação tributária e procedido o lançamento de ofício, impõese a aplicação da multa de 75% nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10580.729420/201455 Acórdão n.º 2402005.776 S2C4T2 Fl. 3 3 REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso e afastar a preliminar de nulidade e, por maioria, darlhe provimento parcial para afastar a qualificação da multa, mantendoa em seu patamar ordinário e excluir do polo passivo as empresas Agatha Patrimonial S/A e Anapurus Patrimonial S/A, vencidos os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Mário Pereira de Pinho Filho. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Julgado em 07/04/2017, no período da manhã. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 676DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recurso voluntário, em peça única, interposto pelo sujeito passivo acima identificado e codevedores contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI que integra o presente processo. De acordo com o Relatório Explicativo de fl. 136 o AI sob análise, cujo objeto é exigência de IRRF, foi lavrado em substituição a lavratura anterior para que a multa fosse majorada, tendo em vista a existência de fatos que justificariam a sua qualificação. O Relatório de Fiscalização, fls. 144/154, esclarece que o IRRF foi aplicado sobre pagamentos sem causa ou de operações não comprovadas. Conforme a seguir descrito. a) Empréstimo a sócio: estes valores dizem respeito a transferências para Fábio Ramos Ribeiro, o qual não é sócio da autuada, mas possui procuração com amplos e irrestritos poderes conferida pelo administrador de direito da empresa, o sócio majoritário Jamilton Pinto Veloso. Este afirmou em Termo de Declaração não exercer nenhuma atividade na sociedade, a qual é gerida exclusivamente Fábio Ramos Ribeiro. Acerca das saídas de recursos, o fisco ponderou: "A saída dos recursos verificouse da seguinte forma: os valores debitados nessa conta do Ativo (Empréstimo Sócio, código 1.03.01.01.02.01), eram creditados numa conta homônima, “Empréstimo Sócio”, código 2.02.01.01.02.01, do Passivo Não Circulante, Exigível a Longo Prazo, a baixa desses valores se deu por débitos nesta conta e créditos a Bancos e Caixa Geral, em valores de R$ 2.339.587,29 e R$ 639.318,91, respectivamente, totalizando o montante de R$ 2.978.906,20, que configurase como pagamento sem causa e sujeito a tributação, posto que não foram devidamente comprovados. Referidos valores e lançamentos podem ser verificados pelas planilhas de números 1, 1A, 1B anexas, extraídas do RAZÃO do contribuinte, cuja contabilidade se encontra no sistema SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, do ano calendário de 2010, onde, também, podem ser devidamente verificados." b) Empréstimo sol barra: sob a rubrica desta conta do Ativo Realizável a Longo Prazo, o sujeito passivo efetuou diversos pagamentos em operações não devidamente comprovadas e esclarecidas. Segundo o fisco, empresa afirmou que parte dos saldo remanescente de 2008 referese a compra de mercadorias em nome de Sol Barra Hotel para consumo do Bahia Stella Hotel e que o saldo do anocalendário de 2010 diz respeito a lançamentos efetuados erroneamente a título de transferência de valores da conta "Empréstimo Sol Barra Passivo Não Circulante" para a conta "Empréstimo Sol Barra Ativo Não Circulante", duplicando, assim, o saldo das referidas contas. O fisco afirma que o contribuinte não produziu provas hábeis a comprovar suas afirmações, além de que os documentos apresentados não se harmonizam com as contas contábeis. Afirmouse ainda: "...O que ocorreu foi a saída de recursos da seguinte forma: a conta “Empréstimo Sol Barra”, código 1.03.01.01.03.01, recebeu débitos no total de R$ Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10580.729420/201455 Acórdão n.º 2402005.776 S2C4T2 Fl. 4 5 1.186.077,45 dos quais R$ 594.947,50 tiveram como contrapartidas a conta Bancos, verificandose, assim, a saída de recursos nesse montante, entretanto, esta última é debitada em R$ 234.500,00 cujas contrapartidas são créditos da primeira (“Empréstimo Sol Barra”), indicando a entrada ou retorno desse valor em Bancos, (conforme planilhas anexas, extraídas do sistema SPED). Concluise que o montante dos pagamentos sem causa e/ou não comprovados totalizaram R$ 360.447,50 (594.947,50 – 234.500,00), conforme planilhas números 1.2 e 1.2A anexas." c) Empréstimo Unidade Mar Atlântico: esta conta do ativo foi debitada no período de março a agosto de 2010 no montante de R$ 1.023.286,42, com as contrapartidas sendo creditadas na conta Bancos Bradesco. A saída de tais recursos não teria sido devidamente esclarecida ou comprovada. Sobre a justificativa apresentada pelo contribuinte, o fisco asseverou: "O contribuinte afirma que os lançamentos se referem a pagamentos do financiamento do Banco do Nordeste – BNB, para construção do imóvel, cujo arrendatário é o Bahia Stella Hotel, conforme boleto, entretanto, não é apresentada documentação idônea, da época, que comprove ou justifique a obrigação do contribuinte efetuar referidos pagamentos." d) Aghata Patrimonial: nesta conta do ativo foram registrados lançamentos a débito num total de R$ 4.259.152,09, para o período de agosto a dezembro de 2010, tendo como contrapartidas as contas Bancos Bradesco e Bancos Banco Real. Segundo o fisco, o sujeito passivo não apresentou documentos idôneos, da época, que pudessem justificar os referidos pagamentos. Foram arrolados como devedores solidários Fábio Ramos Ribeiro, Aghata Patrimonial S/A e Anapurus Patrimonial S/A. O fisco concluiu que a pessoa física seria proprietário de fato da autuada e as pessoas jurídicas formariam com esta grupo econômico de fato. A imposição da multa qualificada foi justificada pela utilização de interpostas pessoas no quadro societário, o que configuraria conduta dolosa enquadrada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Apresentada a impugnação por todos os devedores, a instância a quo manteve integralmente o lançamento, o que provocou a interposição do recurso acima mencionado, o qual, após relatar todas as autuações sofridas na ocasião, aborda, em síntese, os pontos abaixo relatados. Irregularidades no procedimento de fiscalização O fisco sem justificativa plausível cancelou o MPF original encerrando a fiscalização em curso, todavia, contrariando a legislação, deu origem a novo mandado, simplesmente importando todas as informações do MPF anterior. Ocorre que a lavratura de novo MPF não convalida as nulidades existentes na origem. Há fortes indícios de irregularidades no MPF original, posto que foi encerrado, sugerindo a completa nulidade do procedimento. Fl. 678DF CARF MF 6 O primeiro MPF previa a fiscalização exclusiva do PIS e da COFINS, mas com a emissão do novo MPF foram lavrados AI de IRPJ e CSLL, o que demonstra outra irregularidade. A recorrente sequer tem notícia do histórico do procedimento fiscalizatório, o que viola sem piedade um dos princípios norteadores da fiscalização, o documental. Além de que a legislação não permite que um MPF aproveite os registros e diligências decorrentes de MPF encerrado. Diversos julgados do antigo Conselho de Contribuintes adotam o entendimento de que os vícios insanáveis constantes do MPF tornam nulo o procedimento fiscal. Todo lançamento decorrente de procedimento fiscal nulo é imprestável, não produzindo quaisquer efeitos. Pede que, ao menos, o julgamento seja convertido em diligência para que se averigue o histórico do MPF original, de modo que se verifique a regularidade de toda a fiscalização. Nulidade da peça acusatória Afirma que os autos de infração decorrentes do procedimento em tela são nulos, por absoluta inobservância da legislação de regência. O fisco apontou infrações supostamente cometidas pela recorrente sem descrever o procedimento adotado para correta apuração do suposto crédito tributário, fazendo o em completa inobservância das normas aplicáveis. Cita as infrações mencionadas no relatório fiscal para concluir que a quantificação das mesmas não foi realizada, notadamente no que tange à apuração dos tributos supostamente devidos. Apresenta considerações sobre a apuração do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, para concluir pela ilegalidade dos lançamentos correspondentes. Responsabilidade solidária O Fiscal, para desqualificar os sócios da autuada, sem justificar suas ilações em qualquer fundamento válido, ancorou suas conclusões apenas em conjecturas e subjetivismo, o que torna muito frágeis as suas imputações. Acerca dos pagamentos à proprietária do imóvel, o fisco não levou em conta o investimento vultoso feito na obra e o financiamento obtido perante instituição financeira idônea, mediante estudos de viabilidade, com capacitadas análises com vistas a assegurar a sustentabilidade do empreendimento e a escolha criteriosa acerca do modo de desenvolvimento da exploração da atividade. É extremamente corriqueiro na sua atividade a existência de empresas patrimoniais que administram a propriedade imobiliária, contratando com outras focadas na exploração hoteleira. Nada disso tem o significado extraído pelo fiscal de que haja formação de grupo econômico, sociedade de fato ou outra, de qualquer natureza entre tais empreendimentos, cada qual no seu ramo de atuação, que embora interligados direta ou indiretamente por vínculos contratuais, atuam de modo perfeitamente lícito e consentâneo com o princípio constitucional da livre iniciativa. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10580.729420/201455 Acórdão n.º 2402005.776 S2C4T2 Fl. 5 7 No caso da Bahia Stella, justificase o "parco imobilizado", propalado pela autoridade lançadora, pelo fato da empresa ter sua atuação voltada para exploração da atividade hoteleira, onde promove a sua administração, mediante arrendamento de imóveis devidamente mobiliados e aparelhados para o exercício da atividade, sendo seu negócio justamente o exercício da expertise na exploração do empreendimento, o que não é vedado pela lei. Ao contrário do que apontou o agente do fisco como indícios de suas suposições, a obtenção de empréstimo e o estabelecimento de parcerias não significa e nem pode significar nenhum tipo de ilícito, formação de grupo econômico de fato ou de direito, desde quando perfeitamente definidos os papeis de cada elemento componente da estrutura de exploração do negócio. A conclusão do fisco de que os sócios da autuada não possuem movimentação financeira e que a integralização da participação no capital social em espécie pelo sócio majoritária seria estranha é frágil e não se ampara na lei, mas em meras suposições. Também não há nada de extravagante no fato do sócio majoritário não se envolver na administração da empresa. Isto porque está comprovado nos autos que Fábio Ribeiro, administrador de empresas, devidamente habilitado no CRA para o exercício dessa profissão regulamentada, mantém contrato de prestação de serviços com a empresa Bahia Stella, documento que foi objeto de análise pelo auditor, que dele nada extraiu de ilegal, além de que o contrato possui procuração com amplos e irrestritos poderes para movimentar os recursos da empresa. Se não foi apontada nenhuma ilegalidade ou irregularidade na contração, não poderia o fisco concluir pela extrapolação dos limites legais da atuação do administrador, tampouco qualquer indício de excesso no cumprimento do mandato. Além de que, a substituição do mandante pelo mandatário em absoluto importa na subtração da condição de dono do primeiro. Outro equívoco do fisco é querer tirar suas conclusões quanto à verdadeira propriedade do negócio com base na localização nos domicílios declarados dos sócios e do procurador da empresa. Essa ilação chega a ser fantasiosa. No Direito Tributário, para que se responsabilize um administrador, de fato ou de direito, é necessário que se comprove a ocorrência de conduta que importe em abusos, excessos ou infrações à lei, estatuto ou contrato social. Tal situação não restou demonstrada pelo fisco. Apresenta textos doutrinários e jurisprudenciais que abonariam sua tese. Grupo econômico Outra afirmação improcedente da fiscalização é que o fato da autuada exercer suas atividades de hotelaria no imóvel de propriedade da empresa Agatha Patrimonial S/A, denotaria que a primeira seria dependente e controlada pela segunda. É comum no ramo hoteleiro que a propriedade de certos empreendimentos pertença a uma empresa, que nada tenha haver com outra que lhe promove a exploração da atividade hoteleira. Nessa situação há vínculo contratual, jamais confusão patrimonial. Ao contrário da conclusão do fisco, o fato de haver pagamentos à Agatha não se caracteriza "desembolsos sem causa", mas remessas lastreadas em contratos de Fl. 680DF CARF MF 8 arrendamento e outras avenças que foram devidamente exibidas durante a ação fiscal e que não foram mencionadas na peça de acusação. Não se pode cogitar também da existência de atividades assemelhadas entre as empresas que integrariam o suposto grupo econômico, haja vista que uma tem atuação no ramo de hotelaria, outra na administração de imóveis e holdings de instituições não financeiras. Isso encontrase comprovado pela situação cadastral no CNPJ. Identificação dos pagamento apontados Observase que o próprio fiscal dá conta de discriminar pormenorizadamente os beneficiários dos pagamentos escriturados pela recorrente. Cada valor reputado como "pagamento sem causa" teve destinatário certo, havendo suspeição sobre a operação que fez nascer a exigibilidade do desembolso. Fenece, portanto, a subsunção quanto ao enquadramento legal adotado. Ainda que o autuante considerasse efetivamente inexistente a causa justificadora dos pagamentos, é indiscutível a plena identificação de seus beneficiários, com a exata escrituração de todas as saídas. Nesse sentido, é inválido o lançamento por falta de enquadramento legal. Ainda que se mantivesse a alegação de que as escriturações configuram "pagamento sem causa", caberia o lançamento de IRRF apenas no caso dos pagamentos feitos ao administrador, o qual seria incidente à alíquota progressiva dos pagamentos feitos à pessoa física. Ou ainda, se prevalecesse a tese de que o dito prestador de serviços é sócio e que a recorrente teria auferido resultados positivos no período em apreço, as saídas seriam configuradas como distribuição de lucros ou resultados. Pagamentos sem causa As ilações do fisco são estribadas em anotações confusas da escrituração fiscal que o induziram ao equivocado lançamento que aqui se discute. A todas saídas escrituradas há legítimas causa e exigibilidade, as quais são aferíveis da análise da documentação disponibilizada à perícia que requer. a) pagamento a sócio A escrituração dos fatos lançados a conta "empréstimo a sócios" foi empregada de maneira infeliz, posto que não se referiam a pagamentos ou empréstimos a sócio, mas a adiantamentos para cobertura ou ordenamento de despesas por parte do administrador ou gerentes da empresa. Os valores eram escriturados a tal título quando disponibilizados para quitação de débitos com fornecedores ou pagamentos vários de outra natureza. O montante não utilizado era novamente revertido a crédito da empresa e, ao invés de ser escriturado na mesma conta do ativo em que se indicava a saída do capital, era lançado nesta conta do passivo, em retorno do capital saído. Tal situação revela apenas escrituração na conta inapropriada, impassível de ser confundida com omissão de receita por presunção legal. Os valores creditados nesta conta do passivo estão apropriados na correspondente conta do ativo, a qual serve de contrapartida. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10580.729420/201455 Acórdão n.º 2402005.776 S2C4T2 Fl. 6 9 Fábio Ramos Ribeiro é empresário experiente do ramo de administração hoteleira e se apresentava como executivo e ordenador de despesas do hotel. Levese em conta que a autuada constituiu um pool de compras com outras empresas que ostentavam a mesma bandeira de sua franqueadora, "Sol Express", para conseguir melhor negociação com os fornecedores de insumos. Fábio Ribeiro era quem coordenava e geria o referido pool e recebia adiantamentos de valores a serem utilizados na operacionalização deste consórcio de compradores, todavia, estes desembolsos eram confusamente lançados como adiantamentos rubricados como pagamentos ou empréstimos a sócio e nem sempre tinham seus estornos e baixas escriturados. Cita diversos equívocos contábeis verificados em sua escrituração, os quais seriam facilmente aferidos mediante perícia técnica, afirma que diversos estornos não foram levados em conta pelo fisco, o que gerou a conclusão da existência de pagamentos ao administrador, os quais, na verdade, eram adiantamentos ou provisões para cobertura de débitos ordenados ou adimplidos pelo gestor. b) pagamentos ao Sol Barra O fiscal atribuiu à recorrente a realização de diversos "pagamentos sem causa" ao Sol Barra Hotel, os quais são lançados em uma conta do ativo. Ocorre que tais pagamentos não são mais do que compensações decorrentes das compras feitas por uma ou outra empresa em decorrência do pool de que ambas fazem parte. Igualmente, por vezes, era o Sol Barra quem devia valores à recorrente, em compensação das compras feitas por esta ou mesmo em utilidades por aquele adquiridas e a esta remetidas sem imediata contrapartida. Como se vê, tratase de lançamentos que se compensam e se abatem, não havendo nisto qualquer irregularidade que justifique o lançamento combatido. Tais pagamentos podem ter seu lastro perfeitamente reconhecido pela realização de perícia contábil. c) pagamentos ao Mar Atlântico Hotel O imóvel em que a autuada exerce suas atividades pertencia em 2010 ao Mar Atlântico Administração Ltda, mediante negócio em que as duas empresas firmaram em 2008, no qual a recorrente se obrigava a conceder crédito pré aprovado e limitado a sua arrendante, que, em troca, oferecialhe carência moratória para que só se obrigasse a lhe pagar o ajustado pelo uso do seu bem quando o negócio passasse a ser rentável. O imóvel arrendado era objeto de hipoteca decorrente de financiamento pelo proprietário com o Banco do Nordeste. Em meados de 2010 duas duplicatas venceram, tendo a recorrente quitado tais parcelas e lançado os valores correspondentes como conta do seu ativo como empréstimo. Esses fato podem ser comprovados conforme a documentação acostada. Quando o Mar Atlântico devolveu os valores em questão, tal operação erroneamente foi creditada em conta do passivo, quando deveria ter sido debitada em conta do ativo. Ressalta que o contrato permitia que, a qualquer tempo, as partes requisitassem mutuamente a realização de ajuste de contas. Sendo certo que, vencida a carência, competiria à recorrente repassar os valores a título de remuneração pelo arrendamento. Fl. 682DF CARF MF 10 Afirma que assim restou comprovada a operação, malgrado o vício contábil mencionado, o que torna inaceitável a presunção de omissão de receita edificada pelo fisco. d) pagamentos à Agatha Patrimonial A Agatha Patrimonial era garantidora do financiamento por meio do qual o Mar Atlântico viabilizou a construção do imóvel utilizado pela recorrente. Como o arrendante se mostrou incapaz de arcar com o pagamento das parcelas do empréstimo contraído junto ao Banco do Nordeste, a Agatha assumiu a propriedade do imóvel, subrogandose no arrendamento, bem com no financiamento. No ano de 2010, venceu a carência inicialmente firmada para exploração do hotel pelo recorrente, cabendo a este acertar o pagamento do débito acumulado. Assim, é induvidoso que a quantia que totaliza R$ 4.529.152,09, pagos pelo autuada à Agatha Patrimonial, no curso do ano de 2010, tem lastro no contrato de arrendamento e exploração do imóvel em que opera suas atividades, descabendo o lançamento quanto a esse ponto. Multa qualificada O recorrente afirma que a multa qualificada não pode ser exigida, tendo em vista que não se comprovou a ocorrências das hipóteses elencadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/1964. Observase que a autoridade lançadora ao revisar o MPF não imputou novas infrações, competências ou tributos, mas apenas qualificou a multa imputando ao autuada às condutas de sonegação e conluio, o que não pode ser admitido, posto que na espécie foram apresentados todos os documentos comprobatórios das operações e o máximo que se conseguiu comprovar foi a ocorrência de erros contábeis. Caráter confiscatório da multa A multa no patamar de 150% é inquestionavelmente inconstitucional dado o seu caráter confiscatório, representando confisco e agressão ao direito de propriedade, que são expressamente vedados pela Carta Magna. O próprio STF já se pronunciou que a multa quando suplanta o valor do tributo devido deve ser anulada em razão de desrespeitar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Pedido de perícia Alega que o fisco passou mais de 18 meses analisando a documentação do recorrente, o que revela a grande complexidade da apuração. Diante das alegações apresentadas no recurso, resta patente que seja instaurada perícia contábil como o objetivo de confirmar os erros e as negligências cometidas durante a ação fiscal. Nesse sentido, formula as questões que pretende solucionadas e o indica o perito para acompanhar o procedimento pericial. Ao final, pede que se declare a nulidade do lançamento ou se reconheça a sua improcedência e, caso não seja esse o entendimento, que se defira o pedido para realização da perícia técnica. É o relatório. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10580.729420/201455 Acórdão n.º 2402005.776 S2C4T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade A ciência da decisão da DRJ por todos os codevedores ocorreu em 15/05/2015 (sextafeira), fls. 596/599, tendo estes apresentado recurso voluntário conjunto de fls. 601/655 em 16/06/2015, portanto, dentro do prazo legal. Por estarem presentes os demais requisitos de admissibilidade, devese conhecêlo. Delimitação da lide Antes de iniciarmos a apreciação das razões recursais, é recomendável definirmos os limites da lide, uma vez que os recorrentes trouxeram à discussão matérias estranhas ao processo sob análise. Foram apresentadas no recurso diversas razões, destinadas aos processos 10580.721238/201456, 10580.728934/201493 e 10580.729420/201455 (lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), as quais não compõem o presente processo, que trata unicamente do lançamento IRRF apurado em lançamento de ofício, acrescido de multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora regulamentares. Nesse sentido, somente serão aqui apreciadas as razões destinadas a se contrapor ao lançamento de ofício cadastrado neste processo 10580.729420/201455, sendo que o litígio instaurado em relação aos demais lançamentos será apreciado em cada um dos processos correspondentes, de forma individualizada. Irregularidades no procedimento de fiscalização Para o sujeito passivo, o lançamento estaria eivado de nulidade, posto que calcado em MPF lavrado em substituição a outro em que há fortes indícios de irregularidades. Por outro lado, houve acréscimo de tributos no segundo MPF e o contribuinte não tem o histórico de documentos do mandato original. Assevera ainda que a legislação não permite que numa ação fiscal sejam aproveitados registros e diligências decorrentes de MPF encerrado. Pede que, caso não se determine a nulidade da fiscalização, o julgamento seja convertido em diligência para que se obtenha o histórico do MPF original. Vejamos. A jurisprudência do CARF sedimentou o entendimento de que o MPF é mero instrumento de controle interno de atividade dos Auditores Fiscais da RFB e que algum vício detectado no mandato, seja na emissão ou na execução, não acarreta em nulidade do procedimento fiscal e, consequentemente, do lançamento. Fl. 684DF CARF MF 12 Vale a pena reproduzir ementa de acórdão da 2.ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por unanimidade, manifestou o entendimento registrado na ementa nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. Acórdão n.º 9202003.956, de 12/04/2016 Por outro lado, concordo com a decisão recorrida no ponto em que deixou bem claro que inexistiu qualquer mácula no MPF. Não há comprovação de que tenha havido irregularidades no MPF original como sugere o sujeito passivo, a emissão de novo MPF teve como desiderato a lavratura de AI complementar para contemplar a qualificação da multa, não observada anteriormente. Nesse sentido, tendo se vencido o MPF original, por decurso de tempo, haveria a possibilidade de se lavrar novo mandato em substituição, conforme previa a Portaria RFB nº 3014, de 29 de junho de 2011, que regulava a matéria quando do procedimento fiscal. Eis os dispositivos que tratam da extinção do MPF: DA EXTINÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; ou II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela expedição do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Como se percebe há sim possibilidade de emissão de MPF para conclusão de procedimento autorizado por MPF anterior, não representando tal fato qualquer irregularidade. Por outro lado a inclusão de tributos não originalmente contemplados em MPF é juridicamente possível, conforme prevê o art. 8.º da referida Portaria: Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10580.729420/201455 Acórdão n.º 2402005.776 S2C4T2 Fl. 8 13 outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. Em adição, concluo também que não cabe determinação de diligência para verificação do histórico do MPF original, posto que tal providência não teria qualquer serventia para alterar o destino desta contenda. De se afastar, portanto, essa preliminar. Nulidade da peça acusatória Para o recorrente, o fisco apontou infrações supostamente cometidas pela recorrente sem descrever o procedimento adotado para correta apuração do suposto crédito tributário, fazendoo em completa inobservância das normas aplicáveis. Cita as infrações mencionadas no relatório fiscal para concluir que a quantificação das mesmas não foi realizada, notadamente no que tange à apuração dos tributos supostamente devidos. Apresenta considerações sobre a apuração do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, para concluir pela ilegalidade dos lançamentos correspondentes. Essa preliminar foi rejeitada pela DRJ, sob o fundamento de que não teria ocorrido quaisquer irregularidade, incorreção ou omissão que pudesse importar em nulidade do lançamento. Devo dar razão ao órgão recorrido. Muitas das razões trazidas neste tópico servem para se contrapor a lançamentos estranhos ao processo sob cuidado, sendo que o único argumento que talvez possa ser aproveitado para desconstituir o AI em questão seria o cerceamento ao direito de defesa em razão da emissão de lavratura complementar/substitutiva. Ocorre que, como muito bem demonstrado na decisão a quo, há permissivo legal para emissão de lançamento substitutivo, o que é o caso analisado. O Decreto n.º 7.574/2011 dispõe: Do Lançamento Complementar Art. 41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3o, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1.º O lançamento complementar será formalizado nos casos: Fl. 686DF CARF MF 14 I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou II em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. § 2.º O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I complementar o lançamento original; ou II substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. § 3.º Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. § 4.º O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. § 5.º O julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no § 4.º será objeto de um único acórdão. Assim, verificandose que na espécie foi observada omissão consistente na falta de agravamento da multa, cabível o lançamento substitutivo, não representando em absoluto tal procedimento numa agressão ao direito de defesa do contribuinte, posto que os integrantes do polo passivo foram cientificados da alteração e tiveram o prazo de defesa reiniciado para que pudessem compreender o novo lançamento e exercitar o seu direito de defesa com amplitude. Todos os elementos de observância obrigatória nos termos do art. 142 do CTN foram mencionados e explicitados no relatório fiscal, a exemplo da conduta infracional e da fundamentação legal do débito, além da identificação do sujeito passivo, indicação do fato gerador, mensuração da base tributável e cálculo do tributo devido constam do AI, não havendo motivo para a alegação de cerceamento de direito de defesa do sujeito passivo. Identificação dos pagamento apontados Afirmam os recorrentes que não deve prevalecer a subsunção quanto ao enquadramento legal adotado, posto que ainda que se considerasse inexistente a causa dos pagamentos, é indiscutível a plena identificação de seus beneficiários, com a exata escrituração de todas as saídas. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10580.729420/201455 Acórdão n.º 2402005.776 S2C4T2 Fl. 9 15 Nesse sentido, seria inválido o lançamento por deficiência no enquadramento legal. Vejo que o AI sob apreciação decorreu da identificação pelo fisco de pagamentos efetuados a terceiros, sem que fosse comprovada a causa do pagamento. É de se observar que os destinatários dos desembolsos em questão foram identificados, não havendo nos autos questionamentos quanto à realização dos pagamentos e das pessoas que os receberam. Para o fisco, o contribuinte não conseguiu comprovar as operações que originaram os pagamentos ou a causa destes. Neste momento não irei me debruçar sobre as justificativas apresentadas no recurso, apenas apreciarei a questão do alegado descompasso entre os fatos e fundamentação apresentada pelo fisco para embasar o lançamento. O Regulamento do Imposto de Renda consubstanciado no Decreto nº 3.000/1999 RIR/99, ao tratar da tributação de pagamentos não identificados, assim dispõe: Pagamento a Beneficiário não Identificado Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). (grifei) Interpretando o texto sublinhado, observase que não tem razão os recorrentes. É que não apenas os pagamentos a beneficiários não identificados estão sujeitos à exigência de IRRF, mas também os desembolsos a pessoas identificadas para os quais não haja a comprovação da sua causa ou não se possa visualizar a operação que os ensejou. Nessa toada, a apuração fiscal sob análise está em perfeita consonância com a norma mencionada no AI, não procedendo esse inconformismo expresso no recurso. Outra tese apresentada no recurso é a de que, mesmo que se entenda pela configuração de "pagamentos sem causa", o lançamento do IRRF seria cabível apenas em relação aos valores repassados ao administrador, o qual deveria ser calculado com base na alíquota progressiva aplicável às pessoas físicas. Fl. 688DF CARF MF 16 Este é outro equívoco dos recorrentes. Os pagamentos sem causa atraem a aplicação do citado § 1.º do art. 674 do RIR/99, não só para os administradores e sócios mas para terceiros, que podem ser pessoas físicas ou jurídicas. Por outro lado, aplicação do dispositivo independe dos desembolsos terem ou não sido contabilizados. Neste sentido, caso a conclusão quanto ao mérito da causa seja no sentido de que não houve a justificativa dos pagamentos, é cabível a exigência do IRRF para todos os pagamentos indicados pelo fisco como "sem causa". Também não há de se cogitar da aplicação da tabela progressiva utilizada no cálculo do imposto de renda das pessoas físicas para a situação sobre debate. O próprio "caput" do art. 674 do RIR/99 deixa claro todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário não identificado "está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento". Conjugandose esse dispositivo com o § 1.º do mesmo artigo, concluise que a essa regra se sujeita também aquele que faz pagamento sem comprovar a operação ou a causa, de modo que não se deve acatar a alegação de que a tributação dos valores à pessoa física deveria levar em conta as alíquotas progressivas. Também não se sustenta a afirmação de que os pagamentos ao administrador Fábio Ribeiro deveriam ser tratados como distribuição de lucros ou resultados, uma vez que este foi tratado pelo fisco como sócio da empresa. É que não sendo identificada a causa do pagamento, mesmo que seja para sócio, há de se impor a incidência do IRRF à alíquota de 35%, conforme determina o § 1.º do art. 674 do RIR/99. Nesse sentido a presunção legal constante neste dispositivo afasta a interpretação pretendida pelos recorrentes, devendo prevalecer a tributação da forma como levada a efeito pela autoridade lançadora. Pagamentos sem causa Passemos então a análise de cada uma das alegações utilizadas pelos recorrentes para justificar a causa dos pagamentos. Afirmam que as ilações do fisco são estribadas em anotações confusas da escrituração fiscal que o induziram ao equivocado lançamento que aqui se discute. A todas saídas escrituradas há legítimas causa e exigibilidade, as quais são aferíveis da análise da documentação disponibilizada à perícia que requer. a) pagamento a Fábio Ribeiro Asseveram os recorrentes que escrituração dos fatos lançados a conta "empréstimo a sócios" foi empregada de maneira infeliz, posto que não se referiam a pagamentos ou empréstimos a sócio, mas a adiantamentos para cobertura ou ordenamento de despesas por parte do administrador ou gerentes da empresa. Os recorrentes defendem que Fábio Ramos Ribeiro se apresentava como executivo e ordenador de despesas do hotel, sendo responsável pela coordenação e gerenciamento de um Pool de compras com outras empresas que ostentavam a mesma bandeira de sua franqueadora, "Sol Express". Assim, este recebia adiantamentos de valores a serem utilizados na operacionalização deste consórcio de compradores, todavia, estes desembolsos eram confusamente lançados como pagamentos ou empréstimos a sócio e nem sempre tinham seus estornos e baixas escriturados. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10580.729420/201455 Acórdão n.º 2402005.776 S2C4T2 Fl. 10 17 Conclui que os pagamentos a esse administrador na verdade eram adiantamentos ou provisões para cobertura de débitos ordenados ou adimplidos pelo gestor, que foram tomados pelo fisco como "pagamentos sem causa" em razão de equívocos cometidos na escrituração. Aduz que diversos estornos não foram levados em conta pelo fisco e que somente uma perícia contábil poderia esclarecer totalmente os fatos. De fato, sob a intitulação "Empréstimo Sócio", o fisco identificou pagamentos no montante de R$ 2.978.906,20, cuja justificativa da empresa é que se tratavam de valores repassados ao seu administrador Fábio Ribeiro para efetuar pagamentos no interesse da empresa, mais especificamente gerir um consórcio de compradores de insumos do qual a autuada era integrante. Os recorrentes alegam que o fisco foi induzido a erro em razão de equívocos contábeis. Nesse quesito vou dar razão a DRJ, que não acatou as alegações em razão da falta de provas hábeis a comprovar o alegado. Acertou o órgão a quo quando mencionou que não basta ao autuada alegar a existência de erros na escrita para afastar a infração, até porque o erro in elegendo relativo ao profissional da contabilidade não serve de escusa para afastar a infração imputada. De se assinalar também que os pagamentos em si não foram contestados pelos recorrentes e que as alegações apresentadas não foram acompanhadas da devida comprovação nem durante a ação fiscal, tampouco no transcurso do contencioso administrativo. Os recorrentes se limitam a requerer a realização de prova pericial para suprir sua deficiência na produção dos elementos capazes de afastar a acusação fiscal. Como veremos mais adiante, esse pedido de dilação probatória não há de ser atendido, posto que são comprovações que a teor do art. 16 do Decreto n.º 70.235 já deveriam ter sido apresentados na impugnação. Por outro lado, o ônus de provar cabe ao sujeito passivo que deve apresentar na sua peça defensória os fatos e o direito que possam modificar ou extinguir a pretensão do fisco, isso conforme o art. 373 do Código de Processo Civil CPC, utilizado de forma subsidiária no processo administrativo: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Encaminho, então, por afastar essa alegação acerca dos pagamentos feitos ao administrador. b) pagamentos ao Sol Barra Fl. 690DF CARF MF 18 Para os recorrentes, os pagamentos lançados em contas do ativo e tidos pelo fisco como operações não comprovadas referemse a compensações decorrentes das compras feitas por uma ou outra empresa em decorrência do Pool de que ambas fazem parte. Sustentam que, por vezes, era o Sol Barra quem devia valores à recorrente, em contrapartida das compras feitas por esta. Alegam que se trata de lançamentos que se compensam e se abatem, não havendo nisto qualquer irregularidade que justifique o lançamento combatido. Tais pagamentos podem ter seu lastro perfeitamente reconhecido pela realização de perícia contábil. Foi trazido aos autos "Instrumento de contrato particular de Pool para compra de mercadorias ou serviços". Verificase que acerca da prestação de contas o referido contrato prevê o seguinte, conforme consta da decisão recorrida: "DA PRESTAÇÃO DE CONTAS Mensalmente, caberá às partes, mediante a apresentação das notas fiscais respectivas, prestar contas, umas às outras, dos valores gastos com a aquisição das mercadorias para fins de reembolso ou compensação de valores mediante ENCONTRO DE CONTAS". Tal instrumento de fato comprova a existência do alegado Pool, todavia, tal fato não foi ignorado pelo fisco que ao se pronunciar sobre esse item da sua apuração mencionou que os documentos apresentados não se harmonizavam com os registros contábeis. De forma que, ao confrontar débitos e créditos das contas envolvidas, verificou que houve saídas de recursos sob a denominação "Empréstimo Sol Barra" no montante de R$ 594.947,50, dos quais foram computados como "pagamentos sem causa" o total de R$ 360.447,60. Verificase, assim, que a autoridade fiscal, mesmo verificando o descompasso entre os documentos e os registros contábeis, deduziu da quantia repassada ao Sol Barra o valor que retornou para a empresa autuada, o qual totalizou R$ 234.500,00. Mais uma vez as recorrentes buscam o caminho fácil de requerer a perícia para comprovar o alegado, quando deveriam ter apresentado as suas provas ao fisco ou na impugnação. Por esses motivos, entendemos que deva ser mantida a tributação sobre os pagamentos a título de "Empréstimo Sol Barra", por falta de justificativa para a causa das transferências de recursos. c) pagamentos ao Mar Atlântico Hotel Segundo o recurso, o autuada firmou em 2008 com o Mar Atlântico Administração Ltda contrato de arrendamento do imóvel onde aquele exerce suas atividades. De acordo com a avença, o Bahia Stella se obrigava a conceder crédito pré aprovado e limitado a sua arrendante, que, em troca, oferecialhe carência moratória para que só se obrigasse a lhe pagar o ajustado pelo uso do seu bem quando o negócio passasse a ser rentável. Prossegue afirmando que o imóvel arrendado era objeto de hipoteca decorrente de financiamento pelo proprietário com o Banco do Nordeste. Em meados de 2010 duas duplicatas venceram, tendo a recorrente quitado tais parcelas e lançado os valores Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10580.729420/201455 Acórdão n.º 2402005.776 S2C4T2 Fl. 11 19 correspondentes como conta do seu ativo como empréstimo. Esses fato podem ser comprovados conforme a documentação acostada. Aduz que quando o Mar Atlântico devolveu os valores em questão, tal operação erroneamente foi creditada em conta do passivo, quando deveria ter sido debitada em conta do ativo. Ressalta que o contrato permitia que, a qualquer tempo, as partes requisitassem mutuamente a realização de ajuste de contas. Sendo certo que, vencida a carência, competiria à arrendatária repassar os valores a título de remuneração pelo arrendamento. Afirma que assim restou comprovada a operação, malgrado o vício contábil mencionado, o que torna inaceitável a presunção de omissão de receita edificada pelo fisco. Transcrevamos da decisão de primeira instância cláusulas do mencionado contrato de arrendamento de imóvel: Cláusula Terceira: Pelo arrendamento do Imóvel, a BAHIA STELLA pagará à MAR ATLÂNTICO a remuneração mensal de R$ 150.000,00, que será pago todo dia 10 do mês subseqüente ao vencido no período de vigência do arrendamento. (...) Parágrafo Primeiro As partes ajustam o prazo de carência para pagamento da remuneração da data da assinatura do instrumento, fichado em 30 meses, prazo em que se presume que o empreendimento alcançará o período de equilíbrio e rentabilidade desde a sua implantação, não sendo cobrado neste período a REMUNERAÇÃO, que, no entanto, deverá ser objeto de compensação com outros créditos da BAHIA STELLA venha a ter perante a proprietária do imóvel, em função da consecução deste contrato. [...]Cláusula Quinta [...]A BAHIA STELLA abre, em favor da MAR ATLÂNTICO o crédito rotativo até o limite de R$ 5.000.000,00, que poderá ser utilizado em moeda corrente do país, no todo ou em parte, de uma só vez ou em parcelas, no custeio das OBRAS, desde a assinatura deste contrato até 12/2018. De acordo com a DRJ, o que não foi questionado pelos recorrentes, não havia nesse contrato qualquer cláusula acerca de pagamentos pela autuada de parcelas relativas ao financiamento do BNB contraído pelo Mar Atlântico. De fato, pelo contrato, a Bahia Stella estaria dispensada até 08/2010 de pagar as parcelas relativas ao arrendamento do imóvel, oferecendo em contrapartida empréstimo rotativo no valor de R$ 5.000.000,00 para realização de obras até 12/2018. Assim, não resta justificada a causa dos pagamentos escriturados como "Empréstimo Unidade Mar Atlântico". d) pagamentos à Agatha Patrimonial Fl. 692DF CARF MF 20 A Agatha Patrimonial, afirmam as recorrentes, era garantidora do financiamento por meio do qual o Mar Atlântico viabilizou a construção do imóvel utilizado pela recorrente. Como o arrendante se mostrou incapaz de arcar com o pagamento das parcelas do empréstimo contraído junto ao Banco do Nordeste, a Agatha assumiu a propriedade do imóvel, subrogandose no arrendamento, bem como no financiamento. Asseveram que no ano de 2010 venceu a carência inicialmente firmada para exploração do hotel pelo recorrente, cabendo a este acertar o pagamento do débito acumulado. Seria, portanto, induvidoso que a quantia que totaliza R$ 4.529.152,09, pagos pelo autuada à Agatha Patrimonial, no curso do ano de 2010, tem lastro no contrato de arrendamento e exploração do imóvel em que opera suas atividades, descabendo o lançamento quanto a esse ponto. A DRJ não acatou os argumentos das recorrentes, em razão do contrato firmado entre a Bahia Stella e a Mar Atlântico nada mencionar acerca da Agatha Patrimonial, ao contrário havia cláusula vedando alterações contratuais ou cessão de direitos relativos à avença sem a expressa anuência das partes. Vêse que não foram acostados documentos que viessem em socorro da tese do recurso. Nenhum elemento que pudesse comprovar a participação da Agatha neste negócio foi colacionado. Por outro lado, como bem afirmouse na decisão recorrida, houve o acerto de um prazo de 30 meses de carência para pagamento da remuneração ajustada, nada se dispondo acerca do pagamento ao término desse prazo de valores acumulados durante o período. Nesse sentido, não devemos também acatar a justificativa apresentada para os pagamentos efetuados à Agatha Patrimonial. Grupo econômico Para o fisco a autuada faria parte de um grupo econômico pelo menos com duas outras empresas: a Agatha Patrimonial S/A e a Anapurus Patrimonial S/A. Enfatiza que esta última é controladora da primeira, eis que é proprietária de 100% do seu capital, conforme registrado na Ata de Assembleia Geral da Agatha, realizada em 11/03/2010, onde seu únicos acionistas, Fábio Ramos Ribeiro e Alessandro Ramos Ribeiro, ajustaram a venda de todas as ações da Agatha para Anapurus. Seguindo, a autoridade lançadora afirma que a Bahia Stella seria dependente e controlada, de fato, pela Agatha Patrimonial, posto que aquela está localizada e exerce suas atividades em imóvel pertencente a primeira, além de que suas instalações de hotelaria são também pertencentes a sua suposta controladora. Afirma que os "pagamentos sem causa" feitos pela autuada à Agatha seriam também um forte indício da interligação entre as empresas, cujas atividades são idênticas ou assemelhadas, conforme se pode verificar do contrato social das supostas integrantes do grupo econômico. Para rebater essas conclusões, as recorrentes afirmam não procedente a suposição do fisco de que o fato da autuada exercer suas atividades de hotelaria no imóvel de propriedade da empresa Agatha Patrimonial S/A, denotaria que a primeira seria dependente e controlada pela segunda. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10580.729420/201455 Acórdão n.º 2402005.776 S2C4T2 Fl. 12 21 Asseveram ser comum no ramo hoteleiro que a propriedade de certos empreendimentos pertença a uma empresa, que nada tenha haver com outra que lhe promove a exploração da atividade hoteleira, além do vínculo contratual, o qual jamais pode ser tachado como confusão patrimonial. Sustenta que não se pode cogitar também da existência de atividades assemelhadas entre as empresas que integrariam o suposto grupo econômico, haja vista que uma tem atuação no ramo de hotelaria, outra na administração de imóveis e holdings de instituições não financeiras. Isso encontrase comprovado pela situação cadastral constante no banco de dados do CNPJ. Vejamos. A DRJ não trata diretamente da questão de existência do grupo econômico de fato, fazendo referência indireta a esse tema, todavia, quando analisa a imputação da responsabilidade solidária às empresas Agatha e Anapurus. Eis as considerações lançadas no voto condutor do acórdão de primeira instância: 107.1.1 Cabe ressaltar que, apesar de não figurar oficialmente como sócias da autuada, as empresas AGATHA PATRIMONIAL S.A. e ANAPURUS PATRIMONIAL S/A estiveram envolvidas sistematicamente nas atividades da BAHIA STELLA HOTEL, quer seja no fornecimento de toda estrutura necessária para o seu funcionamento, sem contrapartida oficial no período mínimo de 30 meses carência conforme contrato quer seja através de seu controle operacional, sendo que, todos os envolvidos AGATHA, ANAPURUS E FÁBIO ao contrário dos sócios constantes do contrato social beneficiaramse das atividades desenvolvidas pela entidade, com o recebimento de recursos financeiros substanciais freqüentes e sem causa comprovada. Cabenos, então, aprofundar a análise do caso para verificar se efetivamente, a partir dos fatos comprovados nos autos, é possível se concluir pela existência de grupo econômico de fato. Uma primeira questão a ser enfrentada é como era administrada a empresa Bahia Stella Hotel. No seu quadro societário constam Jamilton Pinto Veloso e Jilma dos Santos Pureza que, segundo o fisco, não teriam capacidade financeira ou econômica para constituir uma empresa cuja receita declarada no anocalendário de 2010 atingiu a cifra de 17,5 milhões de reais. Para dar força a esta conclusão, a autoridade lançadora mencionou que nas declarações de imposto de renda das pessoas dos sócios, anteriores e posteriores à constituição da empresa, não apresentavam rendimentos ou declarações de bens, exceto o valor da participação societária de cada um, conforme documentos acostados. Notase ainda que estes sócios não possuem movimentação em contas bancárias e que o sócio Jamilton Pinto declarou haver integralizado a sua participação no capital da empresa em espécie e que não se envolvia na administração do Hotel. É de se ressaltar que Jamilton Pinto possui 90% de participação no capital social e nos, termos do contrato social, seria administrador da empresa, contudo, a administração é exercida integralmente por Fábio Ramos Ribeiro, que é detentor de procuração que lhe outorga amplos e irrestritos poderes para movimentar os recursos da pessoa jurídica. Fl. 694DF CARF MF 22 Assim, é incontroverso que Fábio Ribeiro era quem de fato detinha em suas mãos todo o controle operacional e financeiro do Bahia Stella Hotel. Por outro lado, esta mesma pessoa era um dos dois acionistas da Agatha Participações, empresa que, ao suceder o Mar Hotel, forneceu o imóvel e as instalações onde funciona o Hotel, em contrato que previa um prazo de carência de 30 meses para início dos pagamentos pela utilização dos bens. Em Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária (fls. 280/293) realizada em 11/03/2010 , todas as ações da Agatha foram adquiridas pela Anapurus Patrimonial S/A, cujos únicos administradores são Hilmar de Souza Barbosa (Diretor Presidente) e Antonibaldo Lima Mendes (Diretor Administrativo). Diante dos fatos acima narrados, é necessário, assim, que se busque o conceito de grupo econômico de modo que seja possível decidir com segurança se as conclusões do fisco são procedentes. Este conceito pode ser extraído da Lei 6.404/1976: Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Natureza Art. 266. As relações entre as sociedades, a estrutura administrativa do grupo e a coordenação ou subordinação dos administradores das sociedades filiadas serão estabelecidas na convenção do grupo, mas cada sociedade conservará personalidade e patrimônios distintos. Designação Art. 267. O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo único. Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade". Em outra via o § 2.º do art. 2.º da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, trata desse conceito nos seguintes termos: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10580.729420/201455 Acórdão n.º 2402005.776 S2C4T2 Fl. 13 23 § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. (...) Como se vê, para a caracterização de grupo econômico as normas acima exigem que haja um comando centralizado das empresas envolvidas. A moderna doutrina do Direito Laboral, avançando na interpretação destes dispositivos, lança mão do "princípio da primazia da realidade", para acolher o entendimento de que para configuração de grupo econômico de fato, basta a existência de provas nos autos demonstrando que entre as empresas constantes da relação jurídica processual trabalhista haja direção ou controle ou administração, ainda que seja coordenação horizontal, tendo um objeto social que evidencie o propósito comum das empresas. No caso sob enfoque, verifico que não há como caracterizar o grupo econômico pretendido pelo fisco. É que a empresa supostamente tida como líder do grupo, a Anapurus, é comandada por pessoas que sequer são citadas no relato do fisco. Observase que há um liame inquestionável entre a autuada e a Agatha, posto que esta, ao suceder a empresa Mar Atlântico no contrato de arrendamento do imóvel onde funciona o Hotel e das suas instalações, passou a se relacionar de maneira próxima da Bahia Stella, todavia, essa vinculação tem como lastro o contrato de arrendamento já mencionado, não havendo comprovação de confusão patrimonial ou de comando de uma empresa sobre a outra. É certo que Fábio Ribeiro era o administrador da autuada e tinha sido Diretor da Agatha, mas no momento em que esta foi integralmente adquirida pela Anapurus, o controle saiu das suas mãos e não há nos autos qualquer elemento que vincule à Diretoria da Anapurus a Fábio Ribeiro. Para mim, somente restaria configurado o grupo econômico de fato caso se constatasse que Fábio Ribeiro controlaria a Anapurus, pois nesta posição ele teria o controle da Agatha e também da autuada, esta em razão da procuração que lhe foi conferida Vale ressaltar que o grupo econômico formado pela Anapurus e pela Agatha é inquestionável, posto que submetidas a direção única, todavia, não há nos autos qualquer vinculação entre o comando daquelas empresas e a autuada. Sem essa vinculação não hei de reconhecer a existência do grupo econômico imaginado pelo fisco, mesmo verificando nos recursos administrativos que todos os codevedores foram representados pelo mesmo patrono. Tal fato sugere, a princípio, uma íntima ligação entre todos os recorrentes, todavia, para mim, não é suficiente para configurar a existência de grupo econômico, posto que vejo como imprescindível a ocorrência de confusão patrimonial e atuação coordenada das empresas no sentido de se atingir uma finalidade comum. Observese, por derradeiro, que os pagamentos efetuados pela autuada à Agatha Patrimonial somente passaram a ocorrer a partir de 06/2010 (ver demonstrativo de fl. Fl. 696DF CARF MF 24 16). Ocorre que neste mês o controle desta já não era mais do Sr. Fábio Ribeiro, administrador da Bahia Stella, mas pertencia à Anapurus Participação. Também não consigo vislumbrar que o simples fato de uma empresa efetuar pagamentos que o fisco reputou sem causa possa vir a configurar a existência de grupo econômico formado por quem pagou e pela beneficiária dos desembolsos. Assim, não há como caracterizar o grupo econômico de fato supostamente formado pelas empresas Anapurus, Agatha e Bahia Stella. Responsabilidade Solidária Tendo rejeitado a imputação de existência de grupo econômico, naturalmente devo afastar a responsabilidade solidária atribuída às empresas Agatha e Anapurus, posto que não há como identificar o interesse comum no fato que constitui o fato gerador, previsto no inciso I do art. 124 do CTN. Passo, então, a apreciar a solidariedade atribuída a Fábio Ribeiro, tido pelo fisco como verdadeiro proprietário da Bahia Stella. O art. 135 do CTN assim dispõe: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. No caso sob apreço, verificase que quem dirigia de fato a empresa autuada era Fábio Ribeiro, mediante procuração com poderes amplos e irrestritos que lhe foram conferidos pelo sócio de direito Jamilton Pinto. Este, por tudo que foi apresentado pelo fisco, era um componente figurativo do quadro social, posto que não administrava a empresa, não recebia dividendos e tinha duvidosa capacidade financeira de ser sócio majoritário de um empreendimento dessa monta. O administrador de fato, ao revés, recebeu da empresa expressivas quantias, que, a contribuinte não conseguiu justificar a causa, nem na ação fiscal, tampouco no transcurso do processo administrativo de discussão do crédito tributário. Ora, a constatação do emprego de pessoas físicas para aparentar uma situação jurídica irreal, no sentido de ocultar o verdadeiro proprietário da pessoa jurídica, é situação que atrai a aplicação do inciso III acima, levando à responsabilização pessoal do administrador que atuou infrigindo os dispositivos do contrato social. Esse entendimento está em consonância com a jurisprudência dessa Turma, como se pode ver o acórdão assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10580.729420/201455 Acórdão n.º 2402005.776 S2C4T2 Fl. 14 25 Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. O principal efeito da exclusão do Simples é que, a partir da sua produção de efeitos, a empresa excluída do regime tornase obrigada ao recolhimento das contribuições sociais dentro da sistemática aplicada às empresas em geral. PROVAS OBTIDAS MEDIANTE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADAS JUDICIALMENTE E MENÇÃO A INQUÉRITO POLICIAL. POSSIBILIDADE. NULIDADE AFASTADA. São lícitas as provas obtidas mediante procedimento de busca e apreensão autorizado judicialmente, não sendo também vedado ao fisco, para fundamentar o lançamento fiscal, utilizarse de evidências narradas em inquérito policial. CRIAÇÃO DE EMPRESAS DE FACHADA COM QUADRO SOCIAL COMPOSTO DE "LARANJAS". Representa fraude tributária a criação de pessoa jurídica optante pelo Simples, registrada em nome de "laranjas", unicamente com o fim de formalizar mãodeobra utilizada por empresa submetida à sistemática normal de pagamento de tributos, de modo a reduzir o recolhimento das contribuições sociais. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE TRIBUTÁRIA. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. Verificandose a ocorrência de fraude tributária, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, a norma encartada no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS OBRIGAÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único sobre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias. GERÊNCIA DE EMPRESA CONSTITUÍDA EM NOME DE SÓCIOS DE FACHADA. ATO CONTRÁRIO AO CONTRATO SOCIAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Devem ser responsabilizados pelos créditos tributários, com esteio no inciso III do art. 135 do CTN, as pessoas físicas que administram, em afronta ao contrato social, empresas Fl. 698DF CARF MF 26 constituídas em nome de sócios de fachada.Deve, todavia, ser afastada responsabilidade de pessoa que o fisco não conseguiu demonstrar sua participação na criação, tampouco na administração das empresas irregularmente constituídas. (grifei) Recursos Voluntários Providos em Parte. Acórdão n.º 2402004.843, de 26/01/2016 Nesse sentido, encaminho para que seja mantida a responsabilidade solidária de Fábio Ribeiro com espeque no inciso III do art. 135 do CTN. Multa qualificada O recorrente afirma que a multa qualificada não pode ser exigida, tendo em vista que não se comprovou a ocorrência das hipóteses elencadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/1964. Observa que a autoridade lançadora ao revisar o MPF não imputou novas infrações, competências ou tributos, mas apenas qualificou a multa imputando ao autuada às condutas de sonegação e conluio, o que não pode ser admitido, posto que na espécie foram apresentados todos os documentos comprobatórios das operações e o máximo que se conseguiu comprovar foi a ocorrência de erros contábeis. Vejamos. O fato do sujeito passivo haver apresentado a documentação requerida pelo fisco não milita em seu favor quanto à imposição da multa qualificada, posto que os próprios documentos apresentados podem revelar a existência das condutas que dão ensejo a exacerbação da penalidade, prevista na Lei 9.430/1996, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Nessa toada, caso o fisco comprove a ocorrência dos tipos previsto no § 1.º acima, abrese a possibilidade da aplicação da multa no patamar de 150% do tributo devido. A conduta que levou o fisco a qualificar a multa foi o fato do contribuinte haver se utilizado de interpostas pessoas, Jamilton Pinto Veloso e Jilma dos Santos Pureza como sócios da autuada, enquanto os fatos e circunstâncias do processo indicam que o sr. Fábio Ramos Ribeiro é o, ou um dos, verdadeiros donos do negócio. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10580.729420/201455 Acórdão n.º 2402005.776 S2C4T2 Fl. 15 27 Competenos avaliar se tal conduta poderia ser enquadrada nas hipóteses legais que autorizam a imposição da multa qualificada. Para tal pesquisemos os artigos da Lei 4.502/1964, que descrevem os delitos de sonegação, fraude e conluio: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Nesse ponto, entendo que a fraude ao contrato social da pessoa jurídica, com a utilização de interpostas pessoas no quadro social, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, é fato que repercute na responsabilidade tributária mas por si só não configura fraude e sonegação de tributos, mormente quando se verificou que tal fato não teve o efeito de impedir o lançamento de ofício, e sua tributação se deu por incidência do IRRF sobre "pagamentos sem causa" para beneficiários que não se configuraram como interpostas pessoas. Na esteira do entendimento trazse à colação o Acórdão da CSRF/0400.096, decorrente de julgamento de recurso da Fazenda Nacional, com o seguinte conteúdo que também adoto como razão de decidir, assim ementado: MULTA QUALIFICADA DE 150% – LEI 9430/96, ART. 44, II – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO – A hipótese prevista no art. 44, II, da Lei 9430/96, deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de evidente intuito fraude em que tenha sido tipificada a ação em um dos institutos dos artigos 71 a 73 da Lei 4502/94, e desde que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. DECLARAÇÃO INCORRETA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – APLICAÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO – As declarações inexatas do contribuinte, que diferem dos documentos e elementos contábeis e fiscais colocados à disposição do Fisco, não são, por si só, razão para aplicarseá multa qualificada. O lançamento de ofício desconsidera o ato do contribuinte denominado lançamento por homologação e deve se basear nos livros contábeis e fiscais, agindo nos termos do art. 142 do CTN; se não há vício nos livros e documentos contábeis e fiscais, não há que se falar em fraude. Fl. 700DF CARF MF 28 TRANSFERÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA A TERCEIRO – NÃO CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE RELATIVA AO FATO GERADOR – A transferência de quotas representativas de participação no capital social da empresa autuada, ainda que a pessoas consideradas "laranjas" pela fiscalização, não encontra fundamento legal para aplicação da multa qualificada de 150% do inciso II do art. 44 da Lei 9430/96, pois não pode ser considerada como fraude relativa ao fato gerador. Recurso especial negado. Esse mesmo entendimento prevaleceu no Acórdão n.º 1402002.290, referente à mesma ação fiscal que deu ensejo ao lançamento sob o qual estamos debruçados, como se pode ver da ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2010 (...) MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. REQUISITOS. A utilização de interpostas pessoas (“laranjas”), em geral, visa disfarçar a responsabilidade dos verdadeiros gestores da empresa frente aos atos por eles praticados. O impacto dessa conduta certamente ocorrerá na fase de execução desta ou de qualquer outra decisão, tanto administrativa como judicial, desfavorável à empresa. Todavia, a sua utilização, de per si, sem que fique demonstrado cabalmente de que forma a conduta teria impedido ou retardado a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal,ou,ainda,seu conhecimento pela autoridade tributária, não leva a qualificação da multa de ofício ao patamar de 150%, ainda mais quando, como nos autos, ficar comprovado que os lançamentos perpetrados pelo Fisco foram feitos à vista dos documentos e escrituração da contribuinte. Multa que se reduz a 75%. imposta (...) Destarte, considerando que o lançamento tributário se deu com base na contabilidade do sujeito passivo, onde o fisco relatou a ocorrência de pagamentos sem causa justificada, sem, todavia, utilizar essa narrativa para qualificar a multa, entendo que não se justifica a aplicação da multa exasperada, devendo ser imposta no patamar ordinário de 75% do tributo não recolhido. Pedido de perícia As recorrentes alegam que o fisco passou mais de 18 meses analisando a documentação da autuada, o que revela a grande complexidade da apuração. Diante das alegações apresentadas no recurso, resta necessário que seja instaurada perícia contábil como o objetivo de confirmar os erros e as negligências cometidas durante a ação fiscal. Como já me pronunciei alhures, os recorrentes buscam a todo custo obter a realização de prova pericial para suprir um encargo probatório que seria de sua alçada tanto no transcorrer da ação fiscal, como na apresentação da defesa. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10580.729420/201455 Acórdão n.º 2402005.776 S2C4T2 Fl. 16 29 Não vislumbro cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de novas provas. Entendo que este pedido não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela ocorrência da infração. Encaminho, então, por indeferir o pedido de perícia. Conclusão Voto por conhecer do recurso, para afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, por darlhe provimento parcial para afastar a qualificação da multa, mantendoa em seu patamar ordinário e excluir do polo passivo as empresas Agatha Patrimonial S/A e Anapurus Patrimonial S/A. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Fl. 702DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726359/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO.
O crédito presumido do ICMS, quando não atrelado ao investimento na aquisição de bens ou de direitos referentes à implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitando-se, portanto, à incidência do imposto sobre a renda.
GLOSA DE PROVISÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Não será admitida a dedução de provisão sem amparo legal.
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. CRÉDITO DO CONTROLADOR. VEDAÇÃO.
Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
A decisão de mérito prolatada no lançamento do IRPJ aplica-se à CSLL, pois se trata de exigência reflexa, apoiada nos mesmos fatos que ensejaram o lançamento daquele.
Numero da decisão: 1401-001.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, NEGARAM provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin apenas quanto à infração ligada à subvenção para investimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido de votar.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. O crédito presumido do ICMS, quando não atrelado ao investimento na aquisição de bens ou de direitos referentes à implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. GLOSA DE PROVISÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não será admitida a dedução de provisão sem amparo legal. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. CRÉDITO DO CONTROLADOR. VEDAÇÃO. Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão de mérito prolatada no lançamento do IRPJ aplicase à CSLL, pois se trata de exigência reflexa, apoiada nos mesmos fatos que ensejaram o lançamento daquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 63 59 /2 01 3- 11 Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 68 2 Acordam os membros do Colegiado, NEGARAM provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin apenas quanto à infração ligada à subvenção para investimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarouse impedido de votar. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 02053.779, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteMG. Adoto o relatório constante na decisão de primeira instância para compor em parte este relatório: Contra o contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o auto de infração de fls. 2/27, que exige o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, valores a seguir: TABELA (...) Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, a autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício, nos termos dos art. 904 e 926 do Decreto 3.000, de 1999, em face da apuração das seguintes infrações: dedução indevida de provisões; inobservância dos requisitos legais relativos a perdas no recebimento de créditos e exclusões indevidas na apuração do lucro real. Termo de Verificação Fiscal Glosa de exclusões indevidas no LALUR. Subvenção para investimento. Informa que a Lei Estadual 8.967, de 2003, e o Decreto 6.734, de 1997, não estabelecem vinculação do crédito presumido concedido a investimentos. Acrescenta que pelo Parecer Normativo CST 112, de 1978, as subvenções para investimentos devem apresentar características referentes a intenção do subvencionador de destinálas a investimentos e a efetiva e específica aplicação da subvenção pelo beneficiário nos investimentos previstos na implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado. Aduz que por ser o Parecer Normativo, norma complementar das leis, elencado no artigo 100 do CTN, não pode deixar de aplicálo. A autoridade fiscal define, no caso concreto, o benefício fiscal recebido como subvenção para custeio, nos seguintes termos: 19 Em nenhum momento a Lei, e também o Decreto regulador, estipula a vinculação do incentivo com a aplicação em implantação de projetos ou expansão. Os incentivos obtidos pela empresa não constituem transferência de recursos de fora para a pessoa jurídica, o crédito presumido se evidencia pelo não desembolso financeiro, integra o capital de giro e dele dispõe o beneficiário como bem lhe aprouver. Assim, tal benefício se subvenção fosse se enquadraria no conceito de subvenção para custeio ou operação, não de subvenção para investimento. O artigo 392 do Decreto li" 3.000/99 RIR/99 dispõe que serão computadas na determinação do lucro operacional as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 70 4 20 Várias Soluções de Consulta tratam do tema Subvenções, entre elas: SC n° 28 da 5a RF de 30/06/2003, SC n° 02 da 5* RF de 09/01/2004, SC n° 15 da 5a RF de 22/06/1998, SC n° 47 da 5n RF de 06/12/2002, SC n° 32 da 5a RF de 17/08/2011 e SC n° 41 da 5a RF de 01/10/2012. 21 Determinado o caráter da subvenção anulamos os efeitos das exclusões efetuadas pelo contribuinte na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL e apuramos os valores do imposto e da contribuição social lavrados de ofício através de Auto de Infração. Os demonstrativos de apuração e a fundamentação legal da infração, consta no corpo do Auto de Infração do TRPJ e do Auto de Infração da CSLL. Glosas de despesas não dedutíveis Informa que parte das despesas contabilizadas como Perdas no recebimento de créditos referiamse a clientes do poder público estadual, controlador do contribuinte, ensejando a glosa desta parcela de perdas devido a vedação contida no art. 340, §6° do Decreto 3.000, de 1999, RIR/99. Também foi efetuada a glosa de despesas referentes a Provisão para Perdas na Realização de Investimentos no valor de R$ 3.629,96 e Perdas Plano Recuperação Receita no valor de R$ 190.978,60, por não terem amparo legal que sustentem sua dedutibilidade na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Ciência O sujeito passivo teve ciência em 09/08/2013, fl. 4, e impugnou o lançamento, em 09/09/2013, fls. 858/870, alegando em síntese o que se segue: Impugnação Glosa de provisões não dedutíveis Fato Gerador Vaior R$ 31.12.2010 (item 24 do Termo de Verificação) 3.629,96 Informa que uma das glosas referese à Nota Fiscal 2624, emitida pela empresa Alternativa Serviços e Empreendimentos Ltda, atinente a serviços necessários ao desempenho de suas atividades, portanto despesa operacional. Esclarece que o pagamento da referida nota fiscal foi feito em parcelas, dentre as quais o valor objeto da glosa e que houve erro na contabilização desta operação. O valor foi contabilizado na conta Provisão para Perdas na Realização de Investimento quando deveria ter sido contabilizado como despesa operacional e levado à conta de resultados, afetando a apuração do lucro da mesma forma, não havendo, portanto razão para a glosa. Perdas no recebimento de créditos inobservância dos requisitos legais Fato Gerador Valor R$ 31.12.2010 (itens 24 do Termo de Verificação) 190.978,60 Fl. 1539DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 71 5 O fato apontado diz respeito à contabilização em conta de provisão relacionada à perda no recebimento de créditos, cujo credor é o Estado da Bahia, acionista majoritário da impugnante, fato que contraria a legislação pertinente. Informa que é fato incontroverso que os valores foram oferecidos à tributação, nos exercícios seguintes, por conta dos recebimentos e conseqüente reversão das respectivas provisões. Logo, cuidase, tãosomente, de postergação no pagamento do tributo. Glosa de exclusões indevidas no LALUR. Subvenção para investimento. ritem 003 Giosa de exclusões indevidas na apuração do lucro real ''Fato Gerador 31.12.2008 32.109.895,52 31.12.2009 40.959.560,62 31.12.2010 58.993.928,59 Tratamse de créditos presumidos do ICMS, concedidos pelo Estado da Bahia e que, no entendimento da impugnante, caracterizam subvenções para investimentos. Afirma que não se pode optar pela forma em detrimento da substância para defender que a natureza jurídica das subvenções recebidas é de investimento. Isso porque é responsabilidade constitucional do Estado da Bahia a prestação dos serviços atinentes ao Saneamento Básico, competindolhe desenvolver mecanismos institucionais e financeiros destinados a garantir os benefícios do saneamento básico à totalidade da população (cita a Constituição Estadual da Bahia). Para dar cumprimento a esse conteúdo programático constitucional, o Governador do Estado da Bahia inseriu no Decreto Estadual 6.734/1997, artigo que autoriza a impugnante a utilizarse de crédito presumido do ICMS de 100% do saldo devedor desse tributo, em cada período de apuração. Acrescenta que não se pode conceber que a melhoria dos serviços de saneamento básico possa ser alcançada sem a realização de investimentos. Dessa forma, conclui que o benefício fiscal concedido com o objetivo de cumprir as atribuições previstas na Constituição Estadual permite à concessionária a capitalização de recursos indispensáveis à consecução dos seus objetivos. A seguir, descreve a forma utilizada para o tratamento contábil dos recursos recebidos: Entendido que os créditos presumidos de ICMS/ são dotados de natureza de subvenções para investimentos, vem a Impugnante adotando tratamento contábil adequado a essa situação, qual seja: foi criada a conta bancária (conta corrente) BBConta 991.4196 ICMS, para onde são transferidos os valores correspondentes ao crédito presumido do ICMS, apropriados, mensalmente, pela EMBASA, por contrapartida da conta do BB 9900319 fconta bancária de movimento). Foi criada, também, a conta bancária (conta aplicação) BB Conta Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 72 6 991.4196 ICMS Aplicação, para a qual são transferidos os recursos. Na medida das necessidades, são procedidos os resgates, quando, então, voltam para a conta corrente de ICMS acima mencionada. A saída da conta corrente ICMS dáse para quitar os fornecedores relativos a investimentos, já previamente definidos — obras em andamento, mantidos pela empresa. A contabilização considerada por quitação do Passivo ICMS a Pagar era: Reserva de Capital no PL com posterior capitalização. Com o advento das novas normas contábeis (convergência às normas internacionais), a tratativa passou a ser: contabilizada como Receita de Subvenção Resultado e, posteriormente, transferência para a conta de Reserva de Lucros (Lei 11.638/07, 11.941/09 e CPC 07). A exclusão da receita de subvenção ICMS da base de cálculo do IR e CSLL tem fundamento no artigo 18 da Lei 11.941/2009, inciso II, enquanto a manutenção dos valores da subvenção de ICMS na conta de Reserva de Lucros, assegura a não tributação pelo IR e CSLL, por não caracterizar devolução de capital ou distribuição de dividendos aos sócios (art. 18 da lei 11.941/2009, inciso III e IV e seus parágrafos, bem como art. 443 do RIR). Defende que o procedimento adotado coincide com o entendimento exposto na Solução de Consulta 324, de 2012. Conclui que a consulta define como requisito principal para a caracterização do benefício fiscal como subvenção para investimento, a aplicação na implantação ou na expansão do investimento, ou seja, a consecução do investimento. Em elucubração contrária, considera absurda a conclusão de que se a lei é expressa em conceder a subvenção destinada a investimento, os recursos estariam isentos ainda que não efetuados os investimentos. Em reforço a sua tese, informa que está impedida de aplicar os recursos recebidos em atividades de custeio, o que a enquadraria na condição de empresa dependente prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal. Acrescenta que não consta na relação de empresa dependente segundo a Nota Técnica 001/2012 SAF DICOP, publicada pelo Estado da Bahia. Ademais, tal situação a impediria de celebrar contratos com BNDES, a exemplo do contrato de financiamento 12.2.0525.1. Apresenta por amostragem comprovação de operações de investimentos realizados e quadro resumo. Também, demonstra o crescimento líquido das contas que registram, na empresa, obras em andamento, bem como quadros demonstrativos com indicação das fontes de recursos e investimentos realizados. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Informa que valem as mesmas alegações relativas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica para a exigência da Contribuição Social. Pedido. Pede a improcedência do lançamento fiscal. Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 73 7 A DRJ manteve o lançamento, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA. O crédito presumido do ICMS, quando não atrelado ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. GLOSA DE PROVISÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não será admitida a dedução de provisão sem amparo legal. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. CRÉDITO DO CONTROLADOR. VEDAÇÃO. Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão de mérito prolatada no lançamento do IRPJ aplicase à CSLL, pois se trata de exigência reflexa, apoiada nos mesmos fatos que ensejaram o lançamento daquele. Irresignada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos aduzidos anteriormente na respectiva impugnação. É o relatório. Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 74 8 Voto O recurso voluntário preenche os requisitos legais para admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. DAS PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS Foram glosados dois valores contabilizados como provisões dedutíveis por falta de amparo legal. conforme se extrai do auto de infração abaixo: 0001 PROVISÕES PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS Descrição dos fatos no Termo de Verificação Fiscal lavrado nesta mesma data e parte integrante e indissociável deste Aulo de Infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2010 3.629,96 75,00 31/12/2010 190.978,60 75,00 a) Em relação à primeira provisão de 3.629,,96, a DRJ negou provimento porque a Recorrente trouxe uma prova inconsistente de suposto erro de contabilização: Em relação ao primeiro, argumenta o impugnante que houve erro na contabilização e que o valor referese a parte de uma despesa necessária no valor de R$ 38.257,61. Para provar o que diz, anexa o documento 03. No suposto lançamento equivocado, as parcelas que compõe o valor lançado são outras e não conferem com o demonstrado na planilha: Nele há uma nota fiscal referente a pagamento de serviços de horas extras de motorista. A suposta despesa contabilizada como provisão por perdas na realização de investimentos está assim discriminada em planilha anexa à nota fiscal: Portanto, o documento anexado não consegue convencer da ocorrência do equívoco pelas inconsistências apontadas. Dessa forma, fica mantida a glosa. Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 75 9 Ao apontar equívoco na contabilização em conta contábil totalmente desconexa (Provisão para Perdas para realização Investimento) é de se esperar que a nova versão seja íntegra e convincente. Como se viu, não o foi. De fato a prova é inconsistente. Na planilha que vem conciliar os valores em referência com a nota fiscal no valor de R$ 38.257,61, aparecem 2(dois) valores que somados batem com o valor glosado de R$3.629,96. Até aí, tudo certo. O problema é que o valor de R$3.629,96 que foi glosado como sendo de uma provisão não dedutível na contabilidade, como demonstrado pela DRJ acima, é composto de duas outros valores não coincidentes com aqueles da planilha (R$ 852,47 e R$2.77,49). Caberia aqui na fase recursal, uma vez apontado pela DRJ tal inconsistência, uma explicação. Porém, ela não veio. A Recorrente contentouse em repetir a mesma versão dos fatos: A decisão manteve a glosa sob o argumento de que a documentação acostada não convence quanto aos equívocos apontados. Entretanto, reconhece que a nota fiscal referese ao pagamento de horas extras de motorista. Ora, em se tratando de despesa operacional, tal valor, se contabilizado de forma correta, seria levado à conta de resultados, afetando a apuração do lucro. Entretanto, por mero equívoco contábil, foi alocada em conta de provisão de sorte que, ainda que de forma transversa, alcançou o mesmo resultado, uma vez que afetou a apuração do lucro. Daí porque, repitase, sem razão a glosa. E quanto ao seu argumento de que a DRJ reconheceu que a nota fiscal referese ao pagamento de horas extras, é um argumento que foge do ponto central da lide, que seria explicar aquelas inconsistências, pois só a partir disso é que se pode aproveitar o fato de que os valores são mesmo aqueles que compõem aquela nota fiscal de despesa e não uma provisão indedutível. Porém, como se viu a Recorrente não logrou êxito em vincular uma coisa com outra. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. b)Em relação ao segundo valor, R$ 190.978,60 e R$ 3.826.702,59 relativa à segunda infração Perdas em operações de crédito A fiscalização assim fundamentou o lançamento: Para o ano 2010 efetivamos glosas de despesas referentes (...) Perdas Plano Recuperação Receita conta 284612 no valor de R$ 190.978,60, por não terem amparo legal que sustentem sua dedutibilidade na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Na impugnação, aponta como justificativa o fato de se tratar supostamente de perdas no recebimento de créditos por inobservância dos requisitos legais e justifica a não tributação por se tratar de provisões cujo credor é o Estado da Bahia, revertidas em anos posteriores. Essa também é a defesa para a outra glosa no valor de R$ 3.826.702,59 A DRJ aponta essa inconsistência na impugnação e em seu recurso defendese agora de forma ainda vaga, aduzindo que: Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 76 10 CUIDASE DE GLOSA QUANTO A BAIXAS POR PERDAS CONCERNENTES A CLIENTES PARTICULARES E CLIENTES PODER PÚBLICO MUNICIPAL DE VALORES INFERIORES A R$ 5.000,00, POR CLIENTE, VENCIDAS E NÃO LI QUIDADAS HÁ MAIS DE 06 MESES. DE FATO, AS CONTAS 284441 E 284457 SÃO CONTAS DE RESULTADO E RECEBERAM BAIXAS POR PERDAS CUJAS CONTRAPARTIDAS FORAM AS SEGUINTES: CLIENTES PARTICULARES, CONTA 1324, E CLIENTES PODER PÚBLICO MUNICIPAL, CONTA 118227, TUDO COMO SE VERIFICA NO ANEXO 1.1, doe. 12 Ora, o fundamento da glosa da provisão por Perdas no recebimento de créditos, não foi contestado pela Recorrente, pelo contrário até o admite por via indireta, que é a vedação estabelecida no art. 340, § 6°, do RIR/99: Art. 340. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo (Lei n°9.430, de 1996, art. 9°). (...) § 6° Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas (Lei n° 9.430, de 1996, art. 9°, § 6°). Outrossim, como bem colocou a DRJ também não trouxe nenhuma prova convincente da reversão alegada em períodos posteriores tanto do valor de R$ 3.826.702,59 quanto do valor de R$190.978,60, o que também não foi infirmado em seu recurso. Entretanto, o documento 04 apresenta uma planilha com os saldos de perdas no recebimento de crédito Poder Público Estadual desde 2009, sendo que nesse ano a perda líquida com clientes poder público seria de R$ 3.826.702,59, equivalente ao glosado no auto e supostos valores recuperados somando R$ 3.315.539,31. Em seguida, apresenta o resumo da conta razão Perdas Plano Recuperação Receita, agora, novamente, no valor de R$ 190.978,60. O documento anexado não traz nenhuma informação contábil que comprove a alegada reversão da provisão de perdas com clientes poder público nos anos seguintes, portanto é insuficiente para alterar o lançamento relativo a qualquer das citadas glosas, seja a relativa a Perdas Plano Recuperação Receita no valor de R$ 190.978,60, seja a relativa a Perdas no recebimento de créditos inobservância dos requisitos legais clientes do Poder Público Estadual, R$ 3.826.702,59. Por fim,, caberia à recorrente provar a sua alegação de ocorrência da postergação, pois não basta alegar que foi "tributado" em anos subsequentes, mas tem que provar também que redundou em imposto a pagar nesses anos, prova essa que também não foi feito no presente processo. Ademais, é pacífico no CARF que esse ônus é do Contribuinte e feito no momento da defesa, o que, repitase não aconteceu. Portanto, nego provimento a este item. Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 77 11 3) SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO/CUSTEIO CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS Tratase de créditos presumidos do ICMS, concedidos pelo Estado da Bahia e que, no entendimento da Recorrente, caracterizam subvenções para investimentos e que, no entendimento da autoridade fiscal, não caracterizam: tratarseia de subvenções para custeio, e, portanto, tributáveis. Os critérios que devem ser considerados para determinar se um valor registrado como subvenção se enquadra como investimento foram estabelecidos pela Administração Tributária através do Parecer Normativo CST n° 112, de 1978. A Lei das Sociedades Anônimas em seu art. 44 já dispunha, literalmente, que as subvenções integram a receita bruta operacional. Por outro lado, o DecretoLei 1.598/77, dispondo sobre a tributação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estipulou apenas que as subvenções para investimento estariam fora do campo de incidência desse tributo. É o que reza o § 2° de seu art. 38 DO DECRETOLEI N° 1.598/77, ALTERADO PELO DECRETOLEI N° 1.730/79: Art. 38. [...] § 2° As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei n° 1.730, 1979) (Vigência) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3° e 4° do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei n° 1.730, 1979) O que já denota que a interpretação deva ser mais restritiva para efeito de concessão do referido benefício fiscal. Necessário também passar em revista a legislação estadual específica do Estado da Bahia para averiguação da intenção do ente subvencionador em que os recursos sejam efetivamente aplicados em investimentos. A Lei Estadual 8.967, de 2003, incluiu o artigo 1°A na Lei Estadual 7.025, de 1997, autorizando a concessão de crédito presumido nas operações efetuadas por estabelecimentos que exerçam atividade de captação, tratamento e distribuição de água, nos seguintes termos: Art. 1°A. Fica o Poder Executivo autorizado a conceder crédito presumido de ICMS incidente nas operações efetuadas por estabelecimentos que exerçam atividade de captação, tratamento e distribuição de água em valor equivalente a até 100% (cem por cento) do saldo devedor em cada período de apuração do imposto. (Artigo acrescentado pela Lei n° 8.967, de 29.12.2003, DOE BA de 30.12.2003, com efeitos a partir de 01.01.2004) O Decreto 6.734, de 1997, após a autorização dada pela lei, assim dispôs: Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 78 12 Art. 1°A Nas operações efetuadas por estabelecimentos que exerçam a atividade de captação, tratamento e distribuição de água canalizada, fica concedido crédito presumido de 100% (cem por cento) do saldo devedor em cada período de apuração do imposto. Redação de acordo com o art. 3° do Decreto n° 9.068, de 12 de abril de 2004. Para saber se esta espécie de subvenção deve compor a base de cálculo do IRPJ e CSLL é preciso primeiramente se fazer algumas considerações epistemológicas, lógicas e jurídicas. Entrando primeiramente num discurso de natureza epistemológica, o que se vê é que a doutrina e a jurisprudência tem se enredado nessa difícil missão de extrair “definibilidade” e “precisão” das regras e dos conceitos jurídicos, em “casos fronteiriços”, ou seja em casos tais em que ocorre uma indeterminação semântica no uso de termos gerais, inerente a toda e qualquer linguagem, justamente em função do fenômeno da textura aberta da linguagem. No caso, os famosos juristas do Direito Analítico, Alchourron e Bulygin, em seu clássico “Normative Systems”, no âmbito do Direito, foram os que mais se debruçaram sobre essa problemática, vindo a classificar tais indeterminações como sendo uma "Lacuna de Reconhecimento", que por sua vez, estaria representada tanto por dois outros conceitos: tanto ou por uma “vaguidade de grau” ou por uma “vaguidade combinatória”. A primeira se refere a dúvidas quanto à quantidade ou grau de presença de uma das propriedades constitutivas de um conceito que deve estar presente no caso particular para que a aplicação do conceito seja possível. A segunda lacuna, a de ”vaguidade combinatória”, referirseia à imprecisão a respeito de quais são as propriedades constitutivas de um conceito e a maneira pela qual elas devem estar combinadas para que o uso do termo geral possa ser empregado de forma legítima, o que me parece ser a dificuldade do caso que ora se enfrenta: quais critérios se combinariam para perfazer o conceito de "subvenção para investimento", diferenciandoo do conceito de "subvenção para custeio". Por esse motivo, ou seja, por uma questão epistemológica, subestimo o papel que os conceitos devem representar no âmbito do Direito Positivo. Acho que a legislação complementar e ordinária devem desempenhar um papel mais relevante na construção desses conceitos do que a doutrina geralmente tolera. Isso em função desse aspecto epistemológico traçado, ou seja, em função da natureza intrínseca dos conceitos que são geralmente vagos. Data maxima venia, tenho pra mim que a doutrina tradicional trabalha em cima de premissas já superadas e utópicas, ainda centradas no "paradigma da subjetividade" pretendendo fazer crer que no mundo da linguagem, na qual necessariamente o direito está calcado, características tais inerentes à realidade dos conceitos, como "indeterminação", “impureza” ou "complexidade" sejam totalmente desprezados. O que eu quero transmitir é simplesmente que é inescapável a incumbência de o direito positivo (legislação complementar e ordinária) projetar com mais detalhes as tão almejadas “definibilidade” e “precisão” que estão por natureza carentes nos "conceitos" de uma forma geral. É nesse contexto, permissa venia, que se enquadram os Pareceres Normativos expedidos pela Administração Tributária que se inserem no âmbito das normas complementares das leis, tratados e convenções internacionais e dos decretos, nos termos do art. 100, do CTN e que, apesar de não vincularem o CARF, ainda assim a interpretação exarada em um parecer normativo merece ser levada em conta justamente para efeito de conferir precisão e determinabilidade a determinados conceitos, como é o caso de se pretender definir/destinguir o conceito de "subvenção para investimento" Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 79 13 do conceito de "subvenção para custeio". Ainda mais, tendo em vista que o Parecer Federal em referência (Parecer Normativo CST nº 112/78) traz critérios de distinção perfeitamente razoáveis, não tendo sido infirmados com solidez pela doutrina. O que se percebe e o que se pretende demonstrar mais adiante com vagar é que as tentativas de flexibilizar os critérios desse Parecer conduzem necessariamente à uma falta de distinção entre os conceitos de subvenção para investimento e subvenção para custeio, o que torna essas tentativas falhas. Como ficou pressuposto no meu voto, o ponto polêmico aqui em discussão não é o conceito de "subvenção" propriamente dito, pois nesse sentido discordo daqueles que pensam que essa ajuda/auxílio do poder público sem contrapartida não abarcaria o conceito de isenção, como é o caso concreto, da isenção do ICMS. Ora, a origem, se através de isenções ou não, da transferência do dinheiro público para o beneficiário não é ponto relevante para caracterizar ou não uma "subvenção". Como é sabido as definições legais geralmente são estipulatórias, pois estipulam definições dogmáticas com força cogente, mesmo que esteja em dissonância com a realidade. Nesse sentido, ínsito ao conceito legal de subvenção dotado pelo legislador federal estão as notas relativas à finalidade ou aplicação do uso daquele recurso: se para investimento ou custeio. Disse que é ínsito, porque e sabido que para definir algo é precisa dividir, é preciso distinguir. E foi o que fez o legislador federal. O filósofo e logicista Pascal Ide, em seu clássico “A arte de Pensar”(Ed. Martins Fontes, 2ª Ed.,p.165) assim trata da divisão como forma suprir a “definição”: Um quarto instrumento é necessário para aprender a pensar: a divisão. Quantas vezes esta simples palavra, “Distingamos”, dissipou as trevas e apaziguou os espíritos inflamados por polêmicas estéreis. (...) A divisão tem três grandes aplicações no funcionamento do pensar: a definição, o raciocínio, a ordenação dos textos. (...) Para definir é preciso dividir, distinguir. Com efeito, a definição é um conhecimento distinto do ser de uma coisa; ora, vimos que, no ponto de partida, nosso conhecimento é confuso, e não distinto. Como passar do confuso ao distinto a não ser distinguindo, ordenando esse confuso? Então vamos lá a essa nobre tarefa: distingamos. Sendo assim, se faz mister primeiro fazermos uma rápida digressão no sentido de indicar os critérios rigorosos que geralmente se usam para fazer as distinções ou classificação. No caso, estamos diante de uma classificação dicotômica feita pelo legislador onde se espera que razoavelmente se respeite as regras naturais e lógicas de uma classificação/divisão, o que não ocorrerá se alargarmos ou flexibilizarmos o conceito de "subvenção para investimentos", fazendo letra morta o conceito de "subvenção para custeio". E isso acontecerá principalmente em face do desrespeito aos critérios segundo e terceiro, abaixo traçados. Novamente invocando Pascal Ide, em sua famosa obra “A Arte de Pensar”1, nos ensina que toda divisão rigorosa deve obedecer a quatro critérios ou regras: 1 Ide PASCAL, A Arte de Pensar, São Paulo, Martins Fontes, 2000, p. 171/173 Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 80 14 1) A diferença deve ser intrínsica: a distinção deve ser feita no interior e não no exterior do gênero, isto é, da noção mais universal a partir da qual se divide; 2) A diferença deve ser exclusiva, noutros termos, os dois membros da divisão devem se excluir, não devendo haver “sobreposição de telhas”; 3) A diferença deve ser exaustiva, ao se excluírem os membros em presença devem esgotar a divisão e portanto fornecer uma distinção exaustiva; 4) A diferença deve ser estabelecida segundo o mesmo ponto de vista, por outras palavras, deve conservar a mesma perspectiva. Este é o modelo de regras geralmente seguidas que faz com que uma determinada classificação seja considerada “rigorosa”. Posto isso, façamos agora uma análise rigorosa dos critérios traçados pela legislação complementar, pelo Parecer Normativo CST nº 112/78, a fim de verificar a consistência lógica de seus critérios. Destacamse, assim, os seguintes trechos: 2.11 Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendose um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST Nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. 2.13 Outra característica bem nítida da SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO, para os fins do gozo dos favores previstos no Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 81 15 § 2º do art. 38 do DL nº 1.598/77, de que seu beneficiário terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Em outras palavras quem está suportando a ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico é que deverá ser tido como beneficiário da subvenção, e, por decorrência, dos favores legais. Essa característica está muito bem observada nos desdobramentos do item 5 do PN CST nº 2/78. 2.14 Com o objetivo de promover a interação dos dois diplomas legais ora dissecados [Lei nº 4.506/64 e DL nº 1.598/77] podemos resumir a matéria relacionada com as SUBVENÇÕES nos seguintes termos: As SUBVENÇÕES, em princípio, serão, todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, como parcelas do resultado nãooperacional. As primeiras integram sempre o resultado do exercício e devem ser contabilizadas como tal; as últimas, se efetivamente aplicadas em investimentos, podem ser registradas como reserva de capital, e, neste caso, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições. para a utilização dessa reserva. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) 7.1 Ante o exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item 1, letra "b", do Decretolei nº 1.598/77, pode ser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional; II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 82 16 a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES, PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; Do exposto, cabe observar que as "subvenções para investimento" são identificadas a partir das seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Ou seja, a natureza jurídica de subvenção para investimento está condicionada ao atendimento desses três critérios acima de forma cumulativa. Isso quer dizer que basta a falta do atendimento de um critério para não se perfazer o conceito de Subvenção para Investimento, caindo necessariamente na outra categoria: subvenção para custeio. Como se vê também, o Parecer delimita muito bem através desses critérios o que seja subvenção para investimento, e respeitando os critérios lógico de classificação inclusive o segundo (a diferença deve ser exclusiva) e o terceiro (a diferença deve ser exaustiva). O tem "c" não se discute no caso concreto, portanto, deixemolo de lado, uma vez que o fiscal fundamentou a glosa apenas na falta da intenção expressa do subvencionador de vincular a aplicação dos recursos para investimento. De fato, se não há nem a intenção do ente subvencionador de que os recursos se destinem ao investimento, não há que se falar em subvenção para investimento, nem muito menos se perquirir se o beneficiário a seu bel prazer destinou ou não os recursos a investimento. É necessário que o ente subvencionador revele esse objetivo de forma macro, estabelecendo parâmetros mínimos a serem cumpridos para efeito de expansão do empreendimento econômico projetado. Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 83 17 De outra banda, se há intenção do ente subvencionador demonstrado na legislação, mas o beneficiário dos recursos não promove a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos de implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, não há também que se falar em subvenção para investimento, pois os recursos foram drenados necessariamente para o custeio. Retornemos ao caso concreto. Na situação posta nos autos o Fiscal se ateve a constatar o descumprimento do primeiro critério, ou seja, a falta da intenção do subvencionador de destinálas para investimento, intenção essa não expressa na legislação correlata. Eis os teor do TVF: A Lei do Estado da Bahia n° 8.967/2003 acrescentando o Art. Io A à Lei do Estado da Bahia n° 7.025/97, autoriza o Poder Executivo a conceder crédito presumido de ICMS incidente nas operações efetuadas por estabelecimentos que exerçam atividades de captação, tratamento e distribuição de água em valor equivalente a até 100% do saldo devedor do imposto. O fiscalizado computa na apuração de seu resultado operacional para os anos 2008, 2009 e 2010 estes créditos presumidos, porém os exclui da apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social, entendendo que estes créditos presumidos teriam características de Subvenções p/Investimentos. 18 Analisando a Lei Estadual concessiva do benefício fiscal, verificamos que esta Lei não estabelece vinculação do crédito presumido a investimentos. Também o Decreto n° 6.734/97 do Estado da Bahia, com redação dada pelo Art. 3o do Decreto n° 8.868/2004 do Estado da Bahia não estabelece vinculação do benefício a uma destinação (investimentos). Pelo Parecer Normativo CST n° 112/78 as subvenções para investimentos devem apresentar características referentes a intenção do subvencionador de destinalas a investimentos e a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado. A autoridade administrativa tributária está vinculada às leis e às normas complementares das leis, elencadas no artigo 100 do CTN, dentre as quais estão os atos normativos, expedidos pelas autoridades administrativas, a exemplo do Parecer Normativo CST n° 112/78, o que significa que deve agir estritamente de acordo com eles, não podendo deixar de aplicálos. 19 Em nenhum momento a Lei, e também o Decreto regulador, estipula a vinculação do incentivo com a aplicação em implantação de projetos ou expansão. Os incentivos obtidos pela empresa não constituem transferência de recursos de fora para a pessoa jurídica, o crédito presumido se evidencia pelo não desembolso financeiro, integra o capital de giro e dele dispõe o beneficiário como bem lhe aprouver. Assim, tal benefício se subvenção fosse se enquadraria no conceito de subvenção para custeio ou operação, não de subvenção para investimento. O artigo 392 do Decreto n° 3.000/99 RIR/99 dispõe que serão computadas na determinação do lucro operacional as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 20 Várias Soluções de Consulta tratam do tema Subvenções, entre elas: SC n° 28 da 5a RF de 30/06/2003, SC n° 02 da 5a RF de 09/01/2004, SC n° 15 da 5a RF de 22/06/1998, SC n° 47 da 5a RF de 06/12/2002, SC n° 32 da 5a RF de 17/08/2011 e SC n° 41 da 5a RF de 01/10/2012. 21 Determinado o caráter da subvenção anulamos os efeitos das exclusões efetuadas pelo contribuinte na apuração do lucro real e da base de cálculo Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 84 18 da CSLL e apuramos os valores do imposto e da contribuição social lavrados de ofício através de Auto de Infração. Os demonstrativos de apuração e a fundamentação legal da infração, consta no corpo do Auto de Infração do IRPJ e do Auto de Infração da CSLL. Em relação ao preenchimento do primeiro requisito para a caracterização de subvenção para investimentos cristalino está que não há nenhuma vinculação na lei concessiva que garanta a destinação dos recursos ou que revele a intenção do subvencionador. A própria Recorrente admite isso, como bem colocou a DRJ: (,...) conhecedora disso busca construir por meios indiretos essa vinculação. Entretanto, o fato de o Estado ser responsável constitucionalmente pela prestação dos serviços de saneamento básico e o fato de a empresa não constar na condição de empresa dependente na Nota Técnica 001/2012 SAF DICOP não implica o cumprimento do requisito normativo. O que a DRJ quis dizer com meios indiretos, na verdade é uma construção silogística válida feita pela Recorrente em seu recurso, utilizandose de uma premissa oculta (entimema), mas cuja conclusão é falsa, ou seja, não se pode extrair a conclusão das suas premissas. Temos aqui duas premissas factuais a partir das quais o contribuinte extrai uma determinada conclusão. A primeira premissa é expressa, a segunda está oculta: 1a Premissa: A Lei estadual autoriza o Poder Executivo a conceder crédito presumido de ICMS incidente nas operações efetuadas por estabelecimentos que exerçam atividades de captação, tratamento e distribuição de água em valor equivalente a até 100% do saldo devedor do imposto. 2a Premissa (oculta): Toda empresa que exerce a atividade de captação, tratamento e distribuição de água faz investimentos maciços por conta do exercício desta atividade Conclusão FALSA: Portanto, expresso está a intenção do ente subvencionador de atrelar os recursos transferidos à expansão dos investimentos da Recorrente. De fato, não se pode extrair da premissa de que a simples autorização do Poder Executivo para empresa que por acaso faz grande investimento por conta da natureza de suas atividades, a conclusão que o ente subvencionador possui o "animus" de que todos os recursos transferidos sejam aplicados em investimento. E mesmo que isso aconteça, como já foi explicado retro, a natureza de "subvenção para investimento" estaria automaticamente descaracterizada. Dessa forma, irrelevante a tentativa da Recorrente em sede de defesa de tentar demonstrar que os recursos foram investidos. Outrossim, a falta do "animus" de forma expressa na lei, não se trata de mera formalidade, como quis fazer crer a Recorrente em seu recurso, pois por trás disso vem a reboque a necessidade esperada pelo Ente Federal que está abrindo mão de recursos oriundos de uma possível tributação (doações) de que o ente subvencionador estabeleça critérios mínimos de vinculação e controle dessas transferências para investimento e se encarregue de fazer a fiscalização. Ora, se não existe nem o "animus" expresso em Lei não haverá Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 85 19 necessariamente esse controle e o ente subvencionado está livre para aplicar os recursos no que lhe aprouver, no caso também para custeio de suas atividades. E isso ficou bastante claro no voto do então Conselheiro Claudemir, conforme se extrai do julgamento em sede de recurso especial na CSRF, acórdão 910101.239 1a Turma, sessão de 21 de novembro de 2011:: Voto Vencedor (...) O fato da lei que institui o beneficio revelar a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público de transferir capital para a iniciativa privada, é apenas indicativo de tratarse de subvenção para investimento, pois sua correta qualificação, inequivocamente, depende dos requisitos e exigências estipuladas para a fruição do beneficio, cujas características permitem assegurar o efetivo cumprimento dos objetivos da norma concessiva. Assim, verificar se tal beneficio pode ser considerado, para fins fiscais, como subvenção para investimento, ou para custeio, implica investigar a natureza juridica do beneficio, com destaque para os pontos da lei concessiva que estabelecem os critérios quantitativos e qualitativos, bem como os requisitos e mecanismos que assegurem a efetiva "implantação ou expansão de empreendimentos econômicos", tal como preconizado pelo Decreto Lei n° 1.598/77. Portanto, NEGO provimento a este item TRIBUTAÇÃO REFLEXA Os mesmos fundamentos aqui expostos aplicamse no tocante ao auto de infração da CSLL que consta do presente processo administrativo, tendo em vista que a referida infração também é reflexa dos mesmos fatos. Por todo o exposto, Nego provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 10580.726359/201311 Acórdão n.º 1401001.767 S1C4T1 Fl. 86 20 Fl. 1555DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.723154/2012-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/05/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.528
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 31 54 /2 01 2- 52 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10711.723154/201252 Acórdão n.º 3201002.528 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujo principal argumento de defesa foi assim sintetizado pela DRJ: Bis in Idem. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma conduta, uma vez que foram cobradas multas pelo atraso na entrega de informações referentes a cargas transportadas no mesmo navio/viagem, conforme processos administrativos indicados, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.103. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10711.723154/201252 Acórdão n.º 3201002.528 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10711.723154/201252 Acórdão n.º 3201002.528 S3C2T1 Fl. 5 4 Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, da mesma forma que no caso do paradigma a contribuinte não juntou ao presente processo "cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso". Não comprovada a ocorrência de duplicidade da exigência, não há como acolher o pleito de nulidade do presente lançamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.906399/2009-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2005
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.866, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 63 99 /2 00 9- 41 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10166.906399/200941 Acórdão n.º 9101002.615 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10166.906399/200941 Acórdão n.º 9101002.615 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10166.906399/200941 Acórdão n.º 9101002.615 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910534/2012-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.697
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 34 /2 01 2- 96 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10480.910534/201296 Acórdão n.º 3302003.697 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.563. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10480.910534/201296 Acórdão n.º 3302003.697 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10480.910534/201296 Acórdão n.º 3302003.697 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000453/2006-60
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2002
OMISSÃO DE RECEITA. LIMITE DE FATURAMENTO QUE ULTRAPASSA O DISPOSTO EM LEI PARA PEQUENAS E MICRO EMPRESAS.
A empresa que, regularmente intimada, não comprova, com documentação hábil e idônea os recursos financeiros utilizados no pagamento das aquisições de mercadorias/despesas, enquadrase
no dispositivo de omissão de rendimentos e se ultrapassar o limite de faturamento disposto legalmente para as pequenas e micro empresas deve ser excluída do SIMPLES.
MULTA QUALIFICADA.
A simples argumentação de dolo, fraude ou simulação sem fundamentação em provas não é suficiente para manter a qualificação da penalidade.
Numero da decisão: 1803-001.041
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento em parte ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2002 OMISSÃO DE RECEITA. LIMITE DE FATURAMENTO QUE ULTRAPASSA O DISPOSTO EM LEI PARA PEQUENAS E MICRO EMPRESAS. A empresa que, regularmente intimada, não comprova, com documentação hábil e idônea os recursos financeiros utilizados no pagamento das aquisições de mercadorias/despesas, enquadrase no dispositivo de omissão de rendimentos e se ultrapassar o limite de faturamento disposto legalmente para as pequenas e micro empresas deve ser excluída do SIMPLES. MULTA QUALIFICADA. A simples argumentação de dolo, fraude ou simulação sem fundamentação em provas não é suficiente para manter a qualificação da penalidade.
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LIMITE DE FATURAMENTO QUE ULTRAPASSA O DISPOSTO EM LEI PARA PEQUENAS E MICRO EMPRESAS. A empresa que, regularmente intimada, não comprova, com documentação hábil e idônea os recursos financeiros utilizados no pagamento das aquisições de mercadorias/despesas, enquadrase no dispositivo de omissão de rendimentos e se ultrapassar o limite de faturamento disposto legalmente para as pequenas e micro empresas deve ser excluída do SIMPLES. MULTA QUALIFICADA. A simples argumentação de dolo, fraude ou simulação sem fundamentação em provas não é suficiente para manter a qualificação da penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 796DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/11/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10909.000453/200660 Acórdão n.º 180301.041 S1TE03 Fl. 742 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase o presente feito de auto de infração de exclusão do Simples em função de omissão de receita de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS. Isso, porque regularmente intimada a empresa recorrente não consegue comprovar, com documentação hábil e idônea a origem dos recursos financeiros utilizados no pagamento das aquisições de mercadorias/despesas da empresa Nacional Gás Butano Distribuidora Ltda. A Declaração Anual Simplificada foi apresentada com receita anual de R$ 58.138,57, porém a recorrente não consegue comprovar a origem dos recursos financeiros no valor total de R$ 1.243.486,74 para o mesmo período, imputandose como Receita Bruta omitida nos termos do art.40 da Lei n° 9.430/96. Ultrapassando assim o limite estabelecido para opção ao SIMPLES. Foi excluída ex officio da tributação Simplificada por situação excludente nos termos da legislação. Nas exações mencionadas acima foram aplicadas multas de lançamento de ofício de 75% na infração tida por insuficiência de recolhimento e de 150% para a infração tida como pagamento efetuado com recurso estranho à escrituração e juros de mora. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta Impugnação em que se defende alegando, em apertada síntese, que por ser pressionada pela fiscalização acabou confessando inverdades, ferindo com isso os princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, todos dispostos na Constituição Pátria. Isso, porque a Impugnação não teve a intenção de reconhecer a emissão das notas fiscais pagas à sua credora Nacional Gás Butano Distribuidora Ltda e com isso nega a existência dos referidos documentos. Prossegue a recorrente aduzindo que outro princípio Constitucional foi ferido pela fiscalização, qual seja o da Ordem Econômica e Financeira, conforme se verifica no Titulo VII, da Constituição Federal, artigo 170, inciso IX, onde o Legislador Constituinte quis dar tratamento diferenciado às entidades, visto que o governo Federal oferece proteção à microempresa. E nesse caminho, a recorrente indaga qual a razão de aplicar multas em níveis tão altos que, provavelmente, inviabilizarão suas atividades, e na certa, levarão a mesma à insolvência? No tocante ao auto de infração, a empresa recorrente atenta para o fato de haver omissão de receita e receitas não escrituras que não devem ser levadas a efeito, porquanto constar como base de cálculo o valor de R$ 1.301.625,31'(hum milhão, trezentos e um mil, seiscentos e vinte e cinco reais e trinta e um centavos), porém, conforme se demonstra nas páginas 02 de 04 do Termo de Encerramento e Ação Fiscal, consta como omissão de receita, o valor de R$ 1.243.486,74 (hum milhão, duzentos e quarenta e três mil, quatrocentos e oitenta e seis reais e setenta e quatro centavos). E face essa diferença, requer a recorrente o recálculo da base de cálculo do tributo. Fl. 797DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/11/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10909.000453/200660 Acórdão n.º 180301.041 S1TE03 Fl. 743 3 Prossegue a recorrente afirmando que não foram mencionadas as devoluções de compras no período fiscalizado e requer que a fiscalização comprove a inexistência de tais devoluções, solicitando de ofício à empresa Nacional Gás Butano, relação contendo as notas fiscais de devolução de compra no período e havendo deverão ser diminuída do referido demonstrativo do período. Neste sentido, requer a desconstituição do Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre a Receita Bruta e ainda, a anulação do Auto de Infração, pela incorreta apuração dos valores utilizados como base de cálculo dos tributos estipulados no auto. Em ato contínuo, solicita a empresa a abertura de prazo para a reconstituição de sua contabilidade, pela aplicação do Lucro real, Presumido ou Arbitrado, pois a aplicação arbitrária de percentuais em níveis de 7,40% a 10,32% se tornará insuportável para a mesma, resultando sem efeito futura execução fiscal. Isso porque entende que as características inerentes à atividade do comércio de gás foram desconsideradas pelo fisco. Argumenta a recorrente que a notificação é nula por não atender às prescrições constitucionais e legais, estando assentada em presunção tão somente. Prossegue aferindo que o auto está em desalinho com os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade e contrapõese à multa como confiscatória. Cita jurisprudência e doutrina. Entende a empresa recorrente tratarse de um caso de confisco, vez que considera como lucro líquido real o total da operação lançada, sem considerar o seu custo de aquisição. E nesse mesmo caminho deve ser considerado também como ofensa ao principio da Dignidade da Pessoa Humana e ao Principio da continuidade da empresa. Segue aduzindo ser uma verdadeira liquidação de empresa, um caso de indevida anexação ao erário, um caso de predatorismo e voracidade fiscal, não aceitável pelas normas constitucionais. Cita doutrina. Contrapõese a recorrente à notificação quanto à prova, alegando que incumbe ao fisco provar que tem um crédito a receber. Cita doutrina. Aduz que a notificação baseada em suposições é nula, pois transfere indevidamente o ônus da prova para o contribuinte. E, por fim, requer o cancelamento do auto. A autoridade de primeira instância, ao julgar o feito entendeu por manter o auto de infração em sua integralidade. Aferiu que a fiscalização agiu no estrito cumprimento do dever legal, qual seja, intimou a empresa recorrente a manifestarse a respeito da emissão das notas em nome da empresa Nacional Gás Butano Distribuidora Ltda e esta devidamente acatou e na sua compreensão prevalece sobre sua confissão e retratação. No tocante à inconsistência no valor da matéria tributável, alegada pela recorrente, a autoridade afirma que não houve, posto que o valor de R$ 1.301.625,31 tratase do total das receitas: as declaras (R$ 58.138,57) e as omitidas (R$ 1.243.486,74). Já no que diz respeito às alegações da recorrente quanto à desconsideração das devoluções de compra de mercadoria, competia a esta a prova e não ao fisco. Prossegue a autoridade aduzindo que referente à questão de que sua atividade apresenta margem de venda de 20% e que a matéria tributável deveria seguir este percentual e que só se considerou as receitas e não as despesas, de se dizer apenas que tais questões são irrelevantes, uma vez que o valor devido (mensalmente) pelas microempresas e empresas de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, é determinado mediante a aplicação de percentuais sobre a receita bruta mensal auferida (art.188 do RIR/99, com base na Lei 9.317/96, vigente à época do fato gerador). Ainda, referente à solicitação de abertura de prazo para reconstituição Fl. 798DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/11/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10909.000453/200660 Acórdão n.º 180301.041 S1TE03 Fl. 744 4 de escrita contábil e opção pelo Lucro Real, Presumido ou Arbitrado, entende a autoridade que a empresa está enganada no seu entendimento, posto não fazer jus, haja vista que no ano em comento (2002), encontravase submetida às regras do Simples e de acordo com as normas da Lei 9.317 (artigo 8°), a opção assim exercida submeterá a pessoa jurídica à sistemática do Simples a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. Em ato contínuo, descreve a autoridade sobre a presunção e mais especificamente, no caso presente, das presunções legais relativas, citando doutrina. Ademais, compõe o julgador que a empresa recorrente, por ser optante do Simples, aumentava ainda mais a gravidade da situação, uma vez que agia de maneira desigual com as outras empresas do gênero, pois subtraia, intencionalmente, do Fisco Federal o conhecimento de grande parte de suas receitas tributáveis em todos os meses do ano calendário de 2002, omissão esta farta e materialmente comprovada e, conseqüentemente, não recolhia os impostos e contribuições devidos, no caso, de recolhimento segundo as regras do SIMPLES. Já quanto à multa de ofício, aduz a autoridade “a quo” que com relação aos argumentos trazidos pela recorrente acerca do caráter confiscatório das multas aplicadas, que reclamações desta natureza não cabem sua apreciação nas instâncias administrativas. O julgador de primeira instância discorre brevemente sobre o tema do princípio do confisco e a direção que deve ser voltada ao judiciário e não à administração tributária, até porque no seu entender a autoridade lançadora não deve nem pode fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento, posto que o que interessa é a ocorrência do fato gerador e não a repercussão no patrimônio do contribuinte. Entende que em se tratando de falta de pagamento ou recolhimento de imposto/contribuição, apurada em procedimento de ofício, a autoridade lançadora deve aplicar a multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. Ainda, como as multas de oficio estão previstas em ato legal, vigente, regularmente editado, descabida mostrase qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia. No mais, a apreciação de argüições de inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação tributária foge a alçada das autoridades administrativas de qualquer instância, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente apresenta suas razões em recurso voluntário tempestivamente, alegando cerceamento do direito de defesa, porquanto acreditar que autoridade “a quo” deixou de examinar a matéria e errou ao entender como confissão quando a recorrente reconheceu que a emissão de notas fiscais contra a mesma, pela fornecedora, queira dizer que tenha aceitado a pretensão do fisco em efetuar o lançamento do tributo como receita tributável. Em ato contínuo, abrange o conceito de receita bruta, citando doutrina, principalmente voltada para a seara do sistema Simples, requerendo por fim que seja reformado o acórdão, deixando de ser levado a efeito o auto de infração para fins de lançamento. Quanto à presunção de omissão de receita, argumenta a recorrente que não há como prosperar a autuação com base unicamente em apuração de custos envolvidos como já foi exposto anteriormente, carece de fundamento legal, enquadrar aquisições de mercadorias como receita bruta. Ademais em nenhuma parte do auto de infração se verifica o pedido para a recorrente comprovar a origem dos recursos. Fl. 799DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/11/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10909.000453/200660 Acórdão n.º 180301.041 S1TE03 Fl. 745 5 Prossegue referindo que compra não é receita e que houve várias devoluções durante o período fiscalizado e pede novamente que a empresa Nacional Gás Butano forneça as notas das devoluções para que sejam abatidas e com isso recalculado o referido demonstrativo. A empresa recorrente novamente faz alusão ao tratamento dado pela Constituição às empresas de pequeno porte e às microempresas. Trata da nulidade da notificação. Tudo já disposto em razões de Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Meigan Sack Rodrigues, Relatora O recurso preenche os requisitos de sua admissibilidade, e dele tomo conhecimento. Tratase o presente feito de auto de infração de exclusão do Simples em função de omissão de receita de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS que extrapolaria os limites de faturamento dispostos em lei para as pequenas e micro empresas. De um lado o fisco argumenta que a empresa recorrente, regularmente intimada, não conseguiu comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos financeiros, utilizados no pagamento das aquisições de mercadorias/despesas da empresa Nacional Gás Butano Distribuidora Ltda, no montante de R$ 1.243.486,74 (hum milhão, duzentos e quarenta e três mil, quatrocentos e oitenta e seis reais e setenta e quatro centavos), de outro lado, a empresa recorrente, admitindo a compra da mercadoria, argumenta tratarse apenas de custos não contabilizados e não receita, e requer que o fisco peça para a empresa Nacional Gás Butano Distribuidora Ltda que esta apresente as notas de devolução de mercadoria, com o escopo de chegar a um número real de bens adquiridos pela mesma. Diante do impasse, entendo que cumpria à empresa recorrente apresentar as notas de devolução, caso as mesmas existissem, para comprovar as suas argumentações, haja vista ter condição de assim o proceder, caso fosse essa a situação da empresa há época. Em assim não procedendo não há como basearse na idéia de que se trata tão somente de uma presunção da presunção, como intenta fazer crer a empresa recorrente, sem contudo apresentar provas em sua defesa. A compra de mercadoria, com emissão de notas fiscais, realmente significa receita não contabilizada, gerando omissão, em não se enquadrando nesse caso, cumpre à empresa apresentar suas provas, em sua defesa, oportunidade esta fortemente oferecida no decorrer do procedimento administrativo. Porém, a recorrente, embora tenha trazido de livre e espontânea vontade os extratos, tendo inclusive utilizado isso em sua defesa, fundamentando suas justificativas quanto à multa aplicada, deixou de aprofundar suas explicações, perpetrando o contraditório tão somente com argumentações sem consolidálas em provas. Motivo esse pelo qual entendo que, no mérito, a decisão “a quo” encontrase em perfeita harmonia com o ordenamento pátrio. Fl. 800DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/11/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10909.000453/200660 Acórdão n.º 180301.041 S1TE03 Fl. 746 6 No entanto, não vejo como manter a qualificação da multa, posto que a simples argumentação da fiscalização, sem a comprovação efetiva do dolo, da fraude ou da simulação, não pode prosperar. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso do contribuinte para desqualificar a multa de 150% para 75%. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 801DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/11/201 1 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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