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Numero do processo: 10680.021816/99-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. É de se acolher os embargos de declaração opostos, determinando-se que a Câmara a quo se pronuncie sobre questões de mérito que não foram objeto do apelo especial interposto ao Colegiado Superior, provido, sob pena de supressão de instância.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: CSRF/02-02.503
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, a fim de sanar a obscuridade e suprir a omissão apontadas no Acórdão nº CSRF/02-01.873, de 11 de abril de 2005, para rerratificar a decisão, no sentido de dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao crédito presumido e determinar o retorno dos autos à DRJ competente para o exame da pertinência da base de cálculo do incentivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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C.44 -" • . Ir MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA Processo n. 2 :10680.021816/99-12 Recurso n.2 : 203-113898 Matéria : RESSARCIMENTO DE IPI Embargante : FAZENDA NACIONAL Embargada : 2a TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Interessada : FERTECO MINERAÇÃO S.A. Sessão de :17 de outubro de 2006 Acórdão n2 : CSRF/02-02.503 NORMAS PROCESSUAIS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. É de se acolher os embargos de declaração opostos, determinando-se que a Câmara a quo se pronuncie sobre questões de mérito que não foram objeto do apelo especial interposto ao Colegiado Superior, provido, sob pena de supressão de instância. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de embargos interpostos pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração opostos, a fim de sanar a obscuridade e suprir a omissão apontadas no Acórdão n.2 CSRF/02-01.873, de 11 de abril de 2005, para rerratificar a decisão, no sentido de dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao crédito presumido e determinar o retorno dos autos à DRJ competente para o exame da pertinência da base de cálculo do incentivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS -: SIDENTE 44~-, DALTON C • - COR b -- -O DE IRANDA RELATOR FORMALIZADO EM: O 7 MAI 2007 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, GILENO GURJÃO BARRETO (Substituto convocado), ANTONIO CARLOS ATULIM, MARIA TERESA MARTíNEZ LOPEZ, ANTONIO BEZERRA NETO, HENRIQUE PINHEIRO TORRES, ADRIENE MARIA DE MIRANDA e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. Ausente o Conselheiro GUSTAVO VIEIRA DE MELO MONTEIRO. v Processo n. 2 :10680.021816/99-12 Acórdão n2 : CSRF/02-02.503 Recurso n.2 :203-113898 Embargante : FAZENDA NACIONAL Embargada :2' TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Interessada : FERTECO MINERAÇÃO SÃ. RELATÓRIO Trata-se de recurso de embargos de declaração oposto pela FAZENDA NACIONAL contra acórdão deste Colegiado Superior e de fls. 2251229, acórdão esse que consubstancia decisão - provimento de apelo voluntário interposto pela Embargada, FERTECO MINERAÇO S.A. Com o provimento do recurso da Embargada quanto ao reconhecimento de créditos referente à exportação de produtos NT, este Colegiado Superior, segundo razões de embargos opostos, teria suprimido instância administrativa. As demais matérias de mérito (exclusão de gastos com energia elétrica, combustíveis e outros, no cálculo do crédito presumido de EPI), que também foram alçadas ao Segundo Conselho de Contribuintes e segundo a Embargante, não poderiam ser providas na esteira da mencionada decisão, pois não aventadas quando do julgamento do recurso voluntário interposto. Pelo DESPACHO CSRF N° 285/2005, restou determinada a inclusão do feito em Mesa, para análise e deliberação da Turma. É o relatório. 2 li Processo n.2 :10680.021816/99-12 -Acórdão n 2 : CSRF/02-02.503 VOTO Conselheiro DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, Relator. Com razão a FAZENDA NACIONAL, deve ser acolhido o recurso de embargos de declaração oposto. Explico. Quando do julgamento do recurso de divergência interposto pela Embargada, FERTECO MINERAÇÃO S.A., este Colegiado Superior, ao prover o apelo em comento quanto à possibilidade da contribuinte se creditar presumidamente do IPI na exportação de produtos NT, implicitamente, também acabou por prover as demais matérias de mérito que foram objeto de inconformidade no apelo interposto ao Segundo Conselho de Contribuintes; matérias essas, friso, que não foram tratadas no apelo especial a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Então, para evitar a supressão de instância administrativa' apontada é que se faz necessário prover o presente apelo, determinando-se a remessa dos autos à Câmara a quo2, para que a mesma, expressamente, emita pronunciamento a respeito das demais matérias de mérito ventiladas em grau de recurso voluntário (energia elétrica, óleo combustível, fretes, serviços de comunicação e outros). Excluir-se-á desta análise a questão de creditamento do IPI na exportação de mercadorias NT, posto que já decidida nesta Câmara Superior. Assim, voto por acolher os embargos opostos, provendo-os para determinar o retomo dos autos à DRJ de origem para que se pronuncie sobre as demais matérias de mérito anteriormente alçadas ao seu conhecimento. É como voto. Sala das Sessões — DF em 17 de outubro de 2006. LTO '111114N: !? • • MIRANDA "NORMAS PROCESSUAIS — DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO — SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA — Não pode a segunda instância conhecer e decidir matéria que não foi posta ao conhecimento da instância inferior, sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição e, com ele, o devido processo legal. Recurso não conhecido." Acórdão 201-72569, RV 104492, Conselheiro relator Jorge Freire 2 TERCEIRA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 3 Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13896.722755/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
VENDA DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. PREVISÃO NOS ESTATUTOS. TRIBUTAÇÃO COMO RECEITA DA ATIVIDADE.
Descabe falar em ganho de capital na alienação de imóveis próprios quando sua compra e venda for atividade da empresa reconhecida em seus estatutos na data da alienação, não importando que o bem esteja contabilizado no ativo permanente, podendo tal receita, portanto, ser tributada como receita da atividade, mormente quando a fiscalização não logrou êxito em provar que a alteração do objeto social da empresa seria apenas de fachada.
Numero da decisão: 1401-001.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 VENDA DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. PREVISÃO NOS ESTATUTOS. TRIBUTAÇÃO COMO RECEITA DA ATIVIDADE. Descabe falar em ganho de capital na alienação de imóveis próprios quando sua compra e venda for atividade da empresa reconhecida em seus estatutos na data da alienação, não importando que o bem esteja contabilizado no ativo permanente, podendo tal receita, portanto, ser tributada como receita da atividade, mormente quando a fiscalização não logrou êxito em provar que a alteração do objeto social da empresa seria apenas de fachada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
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PREVISÃO NOS ESTATUTOS. TRIBUTAÇÃO COMO RECEITA DA ATIVIDADE. Descabe falar em ganho de capital na alienação de imóveis próprios quando sua compra e venda for atividade da empresa reconhecida em seus estatutos na data da alienação, não importando que o bem esteja contabilizado no ativo permanente, podendo tal receita, portanto, ser tributada como receita da atividade, mormente quando a fiscalização não logrou êxito em provar que a alteração do objeto social da empresa seria apenas de fachada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 27 55 /2 01 3- 04 Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13896.722755/201304 Acórdão n.º 1401001.789 S1C4T1 Fl. 532 2 Relatório Tratase de recurso de ofício no Acórdão nº 1269.816 da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de JaneiroRJ. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Do lançamento: O presente processo tem origem nos seguintes autos de infração, lavrados pela DRF/BarueriSP e cientificados à interessada acima identificada em 19/12/2013, conforme Aviso de RecebimentoAR de fl. 315: De Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, no valor de R$ 9.590.367,74 (fls. 302/307), e de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, no valor de R$ 3.302.028,32 (fls. 308/314), acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais encargos moratórios. A autuação, conforme a descrição dos fatos dos autos de infração, decorre de apuração de ganho de capital no segundo trimestre de 2009, pela interessada tributada com base no Lucro Presumido, referente à venda de imóvel, pelo valor de R$ 41.806.685,23, uma vez estar o mesmo escriturado na conta contábil 1.5.2.010.205042, de Ativo Permanente Imobilizado, pelo valor de R$ 100.679,44, conforme fl. 286 do Livro Razão Contábil. A interessada alegou na fase fiscalizatória que, conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 22/12/2006, aprovou a alteração do seu objeto social, passando o art. 3° do Estatuto Social a prever também a compra e venda de bens próprios e de terceiros, devendo ser considerada a venda de tal imóvel, portanto, como receita bruta oriunda de sua atividade. A Fiscalização entendeu, no entanto, que estando o imóvel escriturado em conta do Ativo Permanente Imobilizado, a sua venda não se encontraria respaldada no conceito tratado no art. 224 do RIR/1999 (receita da atividade), mas no § 2° do art. 225, que trata de ganhos de capital e demais receitas da empresa tributada com base no Lucro Presumido, transcrevendo a forma de apuração da base de cálculo, constante do art. 521, § 1°, do RIR/1999. Ressaltou a Fiscalização, também, que o imóvel em questão teria sido adquirido em 05/03/1987, quando não constava nos estatutos da interessada, como seu objeto, a compra e venda de imóveis próprios, que só foi incluída em 22/12/2006, assim, corroborando que a operação em tela se trataria de venda de bem imobilizado, e não receita de venda de bens em operação de conta própria. Na apuração do IRPJ e da CSLL foi considerada como base de cálculo o diferença entre o valor da alienação do imóvel (R$ 41.806.685,23) e o valor contábil (R$ 100.679,44), descontando o montante oferecido à tributação pelo sujeito passivo quando da aplicação do percentual de 8% sobre o valor de venda para cálculo da base tributável (R$ 3.344.534,82). Enquadramento Legal: IRPJ: art. 3° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e arts. 521, 522 e 528 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999; CSLL: Art. 2° (com as alterações introduzidas pelo art. 2° da Lei n° 8.034/1990) e 3° (com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei n° 11.727/2008) da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 2° e 24, §° (com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei n° 11.941, de 27 de Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13896.722755/201304 Acórdão n.º 1401001.789 S1C4T1 Fl. 533 3 maio de 2009) da Lei n° 9.249/1995 ; art. 29, inciso II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 22 da Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003. Da Impugnação: Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 16/01/2014, sua impugnação de fls. 319/338, na qual argui a tempestividade descreve a autuação e alega, em síntese, que: Estaria consumada a decadência do lançamento, tendo como início da contagem do prazo decadencial os recebimentos oriundos do contrato denominado Instrumento Particular de Promessa de Venda e Compra celebrado em 08/06/2007, tendo como adquirente Klabin Segall São Paulo 17 Empreendimentos Imobiliários Ltda. A promitente compradora honrou regularmente as cláusulas pactuadas, tendo os pagamento sido contabilizados como recebimentos antecipados nos anos de 2007 (R$ 26.536.031,55) e 2008 (R$ 12.859.927,21), sendo zero em 2009, totalizando R$ 39.395.958,76. Em 19/12/2013 (data dos autos de infração), portanto, estaria decorrido o prazo de cinco anos e quatro meses do ano base de 2008 e seis anos para o ano base de 2007, não havendo, portanto, que se falar em direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento. Discorre sobre o instituto da decadência, em especial dos lançamentos por homologação, que se aplicaria ao caso em litígio, uma vez que recolheu regularmente o IRPJ e a CSLL naqueles anos. Discorre sobre o contrato de compra e venda com a Klabin Segall São Paulo 17 Empreendimentos Imobiliários Ltda., repetindo que a parcela final do cumprimento do mesmo se deu em 08/08/2008, e alegando que, conforme jurisprudência que transcreve, a base de incidência tributária originada por contratos particulares de compra e venda não exige escritura pública. Transcreve diversas Soluções de Consulta sobre o assunto. Reconhece que entendeu decorrerem as obrigações tributárias da lavratura da escritura pública de compra e venda e não do Instrumento Particular de Compra e Venda, daí a razão do recolhimento dos impostos correspondentes no mês de junho de 2009. Mesmo que as obrigações decorressem de escritura pública de compra e venda, por sua opção pelo lucro presumido e em que pese o imóvel constar em conta de ativo imobilizado, sua disponibilidade à venda encontravase em consonância com seu objeto social (compra e venda de bens próprios). Atendendo seus objetivos estatutários, portanto, seria irrelevante que o bem estivesse contabilizado nesta ou naquela classificação contábil. Que, assim sendo, a tributação com base na alíquota de 8%, prevista no art. 224 do RIR/1999, estaria amparada pela legalidade. Argui a inconstitucionalidade da multa de ofício, em face do seu caráter confiscatório e por ferir o princípio da capacidade contributiva. Encerra pedindo sejam julgados nulos os lançamentos e reconhecida a inconstitucionalidade das penalidades impostas. É o relatório. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13896.722755/201304 Acórdão n.º 1401001.789 S1C4T1 Fl. 534 4 A DRJ CANCELOU integralmente os lançamentos e RECORREU DE OFÍCIO, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 VENDA DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. PREVISÃO NOS ESTATUTOS. TRIBUTAÇÃO COMO RECEITA DA ATIVIDADE. Descabe falar em ganho de capital na alienação de imóveis próprios quando sua compra e venda for atividade da empresa reconhecida em seus estatutos na data da alienação, não importando que o bem esteja contabilizado no ativo permanente, podendo tal receita, portanto, ser tributada como receita da atividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO COM SUPORTE FÁTICO COMUM. MESMA DECISÃO. Por não apresentar fato novo que suscite conclusão diversa, deve o lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL acompanhar o decidido quanto ao lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, por terem suporte fático comum. É o relatório. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13896.722755/201304 Acórdão n.º 1401001.789 S1C4T1 Fl. 535 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade. RECURSO DE OFÍCIO A DRJ cancelou integralmente os autos de infração, nos seguintes termos: No mérito, no entanto, não deve prosperar a autuação, uma vez que, de conformidade com a relação de Declarações sobre Operações ImobiliáriasDOI da interessada, juntadas às fls. 405/412, a mesma efetuou diversas operações de compra e venda de imóveis próprios, de setembro de 2006 até maio deste ano, incluindo a alienação que originou a autuação, em 09/04/2009 (DOI às fls. 413/415), o que demonstra ser esta uma atividade efetivamente exercida pela interessada, mesmo antes de constar de seus estatutos. A cláusula 3a de seu Estatuto Social, por força da Assembléia Geral Extraordinária de 22/12/2006, definiu como objeto social da empresa também a atividade de compra e venda de bens próprios e de terceiros. Desta forma, a partir de tal data, tal atividade passou a ser um de seus objetivos sociais e a venda em 09/04/2009, portanto, se deu como receita da atividade, conforme ofereceu à tributação a interessada, não havendo previsão legal para que a aquisição do imóvel alienado tenha que ter ocorrido também após a alteração contratual para que a venda seja considerada atividade da empresa, nem mesmo que o bem esteja necessariamente contabilizado fora do ativo permanente para que não seja considerado ganho de capital. Desta forma, a interessada tributou corretamente a receita pela venda de tal imóvel, aplicando a alíquota de oito por cento sobre a mesma, para apuração do lucro presumido, uma vez que se trata de receita de atividades próprias, não havendo que se falar em apuração de ganho de capital, o que motivou o lançamento que ora julgo improcedente. Da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL: Com relação ao lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por não apresentar fato novo que suscite conclusão diversa, deve o mesmo acompanhar o decidido quanto ao lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, por terem suporte fático comum. Conclusão: Face a todo o exposto, VOTO por DAR PROVIMENTO À IMPUGNAÇÃO e EXONERAR OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS exigidos de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, no valor de R$ 9.590.367,74, e de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, no valor de R$ 3.302.028,32, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais encargos moratórios. Conforme Ata da Assembléia Geral extraordinária realizada em 22 de Dezembro de 2006, foi aprovada a alteração do objeto social da empresa, passando o Artigo 3o do Estatuto Social a ter a seguinte redação: Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13896.722755/201304 Acórdão n.º 1401001.789 S1C4T1 Fl. 536 6 "Art. 3o A sociedade tem como objeto social a intermediação de negócios, a assessoria e consultoria empresarial e financeira, a administração, compra e venda de bens próprios e de terceiros e a participação em outras empresas." Revisados os autos, alinhome com todos os fundamentos utilizados pela DRJ para infirmar à autuação de ocorrência de ganho de capital na indigitada operação. Afinal, não há sentido se tributar ganho de capital na alienação de imóveis próprios quando a atividade de compra e venda for atividade da empresa reconhecida em seus estatutos na data da alienação, não tendo trazido aos autos outros elementos que possam comprometer essa situação. Ademais, também se descarta a possibilidade de que o objeto social foi alterado meramente para acobertar essa operação, conforme deixou bem claro a DRJ: (...) não deve prosperar a autuação, uma vez que, de conformidade com a relação de Declarações sobre Operações ImobiliáriasDOI da interessada, juntadas às fls. 405/412, a mesma efetuou diversas operações de compra e venda de imóveis próprios, de setembro de 2006 até maio deste ano, incluindo a alienação que originou a autuação, em 09/04/2009 (DOI às fls. 413/415), o que demonstra ser esta uma atividade efetivamente exercida pela interessada, mesmo antes de constar de seus estatutos. Também não socorre à fiscalização ter pinçado de forma isolada apenas o fato de o bem ter sido contabilizado no seu ativo permanente, pois tal é irrelevante para fins tributários se a referida comercialização atendeu seus objetivos estatutários. No caso, era ônus da fiscalização provar que a alteração do objeto social da empresa seria apenas de fachada e que a referida venda seria apenas um caso isolado. Porém, isso como já se demonstrou não foi o caso e precisaria de maiores esforços investigativos por parte da fiscalização, o que não ocorreu. Não considero também que seja suficiente a afirmativa genérica e superficial da fiscalização no sentido de que a aquisição do imóvel tendo sido em data bastante anterior à inclusão no objeto da empresa da atividade de "compra e venda de bens próprios e de terceiros", corroboraria que a operação em tela se trata de venda de bem imobilizado e não receita de venda de bens em operação de conta própria. Como já coloquei, essa conclusão ensejaria uma maior investigação e não há previsão legal para se enveredar por essa conclusão. Dessa forma, em se tratando de receita da própria atividade e que foi perfeitamente tributada na alíquota correta do lucro presumido, não cabe se invocar a figura da tributação do ganho de capital. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO RECURSO DE OFÍCIO (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13896.722755/201304 Acórdão n.º 1401001.789 S1C4T1 Fl. 537 7 Fl. 431DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.004269/2003-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/1998 a 30/09/2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 9.781.
O conceito de faturamento previsto na Lei 9.718 corresponde ao "con junto das receitas decorrentes das atividades empresariais", incluindo-se aí, pois, todos aqueles que são cobrados dos permissionários por determinação contratual, ainda que contabilmente registrados como "recuperação de despesas".
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9303-003.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para excluir do lançamento o período de janeiro e fevereiro/1998, em face da decadência. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Possas - Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: NANCI GAMA
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BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 9.781. O conceito de faturamento previsto na Lei 9.718 corresponde ao "con junto das receitas decorrentes das atividades empresariais", incluindose aí, pois, todos aqueles que são cobrados dos permissionários por determinação contratual, ainda que contabilmente registrados como "recuperação de despesas". Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para excluir do lançamento o período de janeiro e fevereiro/1998, em face da decadência. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Redator ad hoc (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 42 69 /2 00 3- 68 Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10680.004269/200368 Acórdão n.º 9303003.179 CSRFT3 Fl. 919 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Nos termos do art. 17, III1, do RICARF, o Senhor Presidente deste Colegiado nomeoume redator ad hoc para formalizar o relatório e o voto vencido do presente acórdão, tendo em vista que a relatora originária, Nanci Gama, deixou de integrar o Colegiado antes da sua formalização. Para fins de formalização deste acórdão, adoto o relatório da Conselheira Nanci Gama, disponibilizado após a sessão de julgamento, verbis: Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pelo contribuinte com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, em face do acórdão de n.º 20312.994, cuja ementa é a seguinte: “BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Cofins é o faturamento mensal, assim entendido a totalidade das receitas da pessoa jurídica, independentemente, de sua natureza e classificação contábil. DIFERENÇAS. VALORES DECLARADOS/ESCRITURADOS. As diferenças de contribuição entre os valores declarados nas respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e os apurados com base nas receitas contabilizadas estão sujeitas a lançamento de ofício, acrescido das cominações legais. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Prazo para a Fazenda Nacional exigir crédito tributário relativo a contribuições sociais é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Recursos negado.” 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10680.004269/200368 Acórdão n.º 9303003.179 CSRFT3 Fl. 920 3 A matéria em divergência no recurso especial ora em exame diz respeito a decadência e à tributação da recuperação de despesa por rateio condominial, sustentando, quanto a esta última, não haver que se falar em receita para fins de enquadramento como faturamentos nos termos da Lei nº 9.718/98. Conforme despacho de admissibilidade às fls 908/909, devidamente demonstrada a divergência quanto à alegada decadência, eis que o acórdão paradigma firmou entendimento diverso do acórdão recorrido, com base na Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212/91. Quanto à divergência pertinente a recuperação de despesas por rateio condominial, segundo o despacho que examinou a admissibilidade do recurso, o entendimento consignado no acórdão paradigma de nº 10708.710 foi substituído pelo Acórdão nº 910100.357 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que fixou os requisitos necessários para que a recuperação de despesas por rateio condominial não fosse considerada receita. Analisando o referido acórdão paradigma com o recorrido, o ilustre Presidente da Quarta Câmara não conheceu da divergência suscitada, afirmado que: “não se está diante de casos análogos, suficiente para demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária pelas Turmas julgadoras”. Todavia, reconheceu que o paradigma remanescente, Acórdão 20181.416, por oferecer um dissenso jurisprudencial administrativo reflexo, porquanto lastreado em decisão plenário definitiva do STF que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS, suportava o recurso especial interposto pelo contribuinte. Assim, o recurso especial foi admitido quanto à questão da decadência e inclusão das receitas distintas de faturamento, nos termos do artigo 3º, § 1º, da Lei 9.718/98. Devidamente cientificada a Fazenda Nacional não apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator ad hoc Adoto, igualmente, o voto vencido da Conselheira Nanci Gama, também disponibilizado após a sessão de julgamento, conforme a seguir: Conheço do Recurso Especial interposto pelo contribuinte, eis que tempestivo e, a meu ver, atendidas as condições de admissibilidade de acordo com o Regimento Interno desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Conforme se infere do relatório, a divergência trazida aos presentes autos referese à determinação do prazo, para que seja homologado o lançamento referente à COFINS, como em sendo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, conforme determinado pelo § 4º do artigo 150 do CTN, ou de 10 (dez) anos contados do Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10680.004269/200368 Acórdão n.º 9303003.179 CSRFT3 Fl. 921 4 exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, conforme estipulado pelo artigo 45, I, da Lei 8.212/91. A relevância da presente discussão se dá, portanto, no que se refere ao período compreendido entre janeiro e fevereiro de 1998, eis que a ciência do lançamento ocorreu em março de 2003. Primeiramente, considerando que, segundo o artigo 62A2 do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, mister se faz que esta Relatora reproduza o teor exarado pela Súmula Vinculante de nº 083, a qual respaldou o entendimento do STF de que o artigo 45 da Lei 8.212/91 é inconstitucional. Feitas essas considerações, sendo certo que houve antecipação do pagamento por parte do contribuinte quanto a COFINS devida no período, forçoso concluir pela decadência do direito da fiscalização exigir referida contribuição após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Outro ponto a ser examinado, referese a divergência aduzida nos presentes autos acerca da ampliação da base de cálculo da COFINS, em conformidade com o disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/984, no que se refere aos fatos geradores ocorridos entre março de 1999 a setembro de 2002, isto é, sob a vigência do referido diploma legal. Considerando que o Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do Recurso Extraordinário de n.º 390.840, declarou, em seção plenária, a inconstitucionalidade do §1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, não há que se falar na aplicação de referido dispositivo para incluir à base de cálculo da COFINS outras receitas que não as provenientes do faturamento do contribuinte, a saber: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito 2 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” 3 Súmula Vinculante nº 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” 4“Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” (Revogado pela Lei n.º 11.941/09) Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10680.004269/200368 Acórdão n.º 9303003.179 CSRFT3 Fl. 922 5 privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe se ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214 215) Em observância ao contido no inciso primeiro do parágrafo único do artigo 34 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais5, a declaração de inconstitucionalidade realizada em seção plenária do STF deve ser observada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, como assim o faço. Vale mencionar, ainda, que não obstante a declaração de inconstitucionalidade de aludido dispositivo ter sido declarada pelo STF, o mesmo já foi, inclusive, revogado pela Lei n.º 11.941/09. Em face do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pelo contribuinte para, no mérito, darlhe provimento para reconhecer a decadência do crédito tributário relativo aos meses de janeiro e fevereiro de 1998, bem assim afastar a aplicação do dispositivo revogado que autoriza a incidência da COFINS sobre outras receitas, exonerando as exigências do auto de infração referentes ao período de março de 1999 setembro de 2002. Com base nesses fundamentos, a Relatora votou por dar provimento integral ao recurso. 5 “Art.34. Fica vedado à Câmara Superior de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.” Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10680.004269/200368 Acórdão n.º 9303003.179 CSRFT3 Fl. 923 6 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Designoume o Presidente para redigir o acórdão relativamente à matéria em que o voto da relatora não foi acolhido pelo colegiado, nomeadamente, a tributação das parcelas que a empresa entende serem recuperação de despesas. O colegiado, no entanto, validou, inteiramente, a interpretação feita na decisão recorrida, que vale ser aqui transcrita: (...) as cópias dos contratos apresentados pela recorrente, ao contrário do seu entendimento, provam que, além do aluguel cobrado dos permissiondrios, também é cobrado, a titulo de rateio de despesas, um custo adicional mensal estipulado em valores por metro quadrado ou valor mensal independente de metragem. Todos os valores, tanto os estipulados em função da área locada quanto os fixados independentemente do tamanho da área locada, estão acordados nos contratos e integram o custo total a ser pago à recorrente, independentemente do total efetivo das despesas incorridas no mês. Ressaltese, que em alguns contratos existe uma cláusula de rateio de despesas cujos valores não foram estipulados. Contudo, na maioria deles estão fixados os valores devidos mensalmente a titulo de rateio de despesas, independentemente dos valores reais efetivamente desembolsados pela recorrente. Alem disso, da leitura dos contratos nos quais está estipulado o rateio de despesas a serem apurados mensalmente, constatase que tais despesas são inerentes ao terminal rodoviário e de responsabilidade da permitente, no caso, da recorrente, que independentemente das locações efetuadas por ela, tais despesas existem. Na realidade, são despesas do terminal rodoviário, administrado por ela, que integram o custo dos serviços prestados aos permissionários. Não se trata de despesas dos permissionários, pagas pela recorrente para posterior reembolso. Independentemente de locação de áreas do terminal, tais despesas existirão. O fato de ter acordado com os pennissionários o seu rateio e, ainda, de contabilizálas sob determinadas rubricas não descaracterizam suas naturezas de receitas nem justificam suas exclusões dar‘base de cálculo da Co fins sob a alegação de que foram transferidas a terceiros. Na realidade, em qualquer atividade econômica, a maioria dos custos incorridos para a produção e a comercialização de Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10680.004269/200368 Acórdão n.º 9303003.179 CSRFT3 Fl. 924 7 produtos e/ou a prestação de serviços são transferidos a terceiros indiretamente embutidos nos pregos de venda dos produtos e/ ou dos serviços prestados. Contudo, nem por isto deixam de integrar o faturamento da pessoa jurídica. No caso de indústria, os custos de aquisição de matériasprimas, insurnos e outros materiais adquiridos de terceiros para a industrialização dos produtos integram o preço de sua venda, no caso de comerciantes varejistas o custo de aquisição de mercadorias integra o preço da mercadoria vendida e também, no caso da prestação de serviços, os custos incorridos para a sua prestação integram o preço do serviço prestado e, portanto, a base de cálculo da Cofins. Os acórdãos da l a Câmara do 1" de Contribuintes referente aos julgamentos dos lançamentos da CSLL e do IRPJ não se aplicam ao presente caso. A Cofins possui legislação especifica, diferente da legislação aplicada aqueles tributos. Além disto, conforme provam as cópias anexadas aos autos, naqueles acórdãos se reconheceu que valores relativos ressarcimento de despesas pagas por conta e ordem dos efetivos titulares e entre eles rateados posteriormente não representam recuperação de custos ou despesas. No presente caso, conforme consta dos contratos, tratase de valores cobrados independentemente de ocorrência de despesas e de seu rateio. Assim, também, para os meses de competência de abril, outubro e novembro de 1999, abril e agosto a dezembro de 2000, março a junho, setembro, novembro e dezembro de 2001, janeiro, e abril a setembro de 2002, não ha que se falar em cancelamento do lançamento. Em suma, mesmo que se afaste o § 1º do art. 3º da Lei 9.718, julgado inconstituicional pelo Plenário do STF e já revogado, ainda subsiste motivação para a exigência na medida em que os valores discutidos integram o faturamento da empresa, entendido este como "a soma das receitas provenientes das atividades empresariais". Essa definição, como se sabe, foi a proposta pelo ministro Cezar Peluso e é a que vem prevalecendo no âmbito do STJ, embora, também sabido, haja discussão quanto a seu alcance no que tange às instituições financeiras. No caso da autuada, porém, esse alcance parece claro: seu faturamento corresponde aos valores que exige dos permissionários para que possam locar os espaços, pouco importando, como disse o dr. José Adão, a denominação que ela dê a eles em sua contabilidade. Com essas considerações, decidiu o colegiado negar provimento ao recurso do contribuinte quanto a esse ponto, sendo esse o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 924DF CARF MF
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Numero do processo: 19395.720084/2011-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS.
Não restando comprovado por parte da contribuinte ser a efetiva responsável pelos custos/despesas glosados, correta a interpretação dada pela fiscalização quanto ao caráter de falta de necessidade das mesmas, haja vista ter assumido obrigações que não lhe cabiam por força contratual. Em assim fazendo, a recorrente reduziu indevidamente a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS.
GLOSA DE EXCLUSÃO. DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS.
A exclusão objeto de glosa, tendo por origem e natureza os mesmos custos/despesas considerados desnecessários pela fiscalização, apesar de relativos ao ano calendário imediatamente anterior, deve ser mantida com base nos mesmos fundamentos.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2007
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS.
Aplica-se aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles.
Numero da decisão: 1402-002.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. Não restando comprovado por parte da contribuinte ser a efetiva responsável pelos custos/despesas glosados, correta a interpretação dada pela fiscalização quanto ao caráter de falta de necessidade das mesmas, haja vista ter assumido obrigações que não lhe cabiam por força contratual. Em assim fazendo, a recorrente reduziu indevidamente a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. GLOSA DE EXCLUSÃO. DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. A exclusão objeto de glosa, tendo por origem e natureza os mesmos custos/despesas considerados desnecessários pela fiscalização, apesar de relativos ao ano calendário imediatamente anterior, deve ser mantida com base nos mesmos fundamentos. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2007 LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. Não restando comprovado por parte da contribuinte ser a efetiva responsável pelos custos/despesas glosados, correta a interpretação dada pela fiscalização quanto ao caráter de falta de necessidade das mesmas, haja vista ter assumido obrigações que não lhe cabiam por força contratual. Em assim fazendo, a recorrente reduziu indevidamente a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. GLOSA DE EXCLUSÃO. DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. A exclusão objeto de glosa, tendo por origem e natureza os mesmos custos/despesas considerados desnecessários pela fiscalização, apesar de relativos ao ano calendário imediatamente anterior, deve ser mantida com base nos mesmos fundamentos. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 72 00 84 /2 01 1- 02 Fl. 7590DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 7591DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.591 3 Relatório Tratase de processo de exigência de crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, através do qual foram apontadas as seguintes infrações relativas ao ano calendário de 2007: a) Glosa de custos, despesas operacionais e encargos não necessários valor glosado de R$10.933.997,19; b) Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real valor glosado de R$6.259.597,19; c) Em decorrência das infrações acima foram apuradas glosas de créditos de PIS e COFINS, a partir da insuficiência das respectivas bases de cálculos destas contribuições, tendo em vista que, de cada nota fiscal emitida contra si, a recorrente teria contabilizado o equivalente a 90,75% como despesa; 7,6% como crédito de Cofins e 1,65 como crédito de PIS. Assim, os créditos de PIS e COFINS, objeto de creditamento em face das despesas glosadas, não subsistiriam. Os R$17.193.594,38 relativos às glosas de despesas e de exclusões foram objeto de compensação com saldos negativos do período objeto do auto de infração (2007) e do período anterior, a partir das informações constantes da DIPJ, restando, após as compensações, um valor tributável exigível de R$4.204.409,21. A autuação perfaz o montante de R$ 4.788.713,93, conforme demonstrativo de fls. 02. Conforme o que consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1578/1615, as glosas de custos foram realizadas em função do aproveitamento, por parte da recorrente, de diversos valores considerados indedutíveis pela fiscalização, por se referirem a importâncias cujo ônus deveria ser imputado a outra empresa, vinculada à fiscalizada, denominada de LOUISIANA OVERSEAS INC. As despesas glosadas foram divididas em dois grupos: o primeiro deles se refere a “reparos e manutenção”, e o segundo a “outros custos operacionais”, incluindo ICMS, impostos, taxas, aluguel de equipamentos, imposto de importação, IPI, despachantes e fretes (fl. 1580). A soma dos valores correspondentes aos grupos acima referidos, integrantes do item 001 da autuação, importou em R$ 18.161.334,50. Contudo, como a empresa adicionou ao lucro líquido apurado o valor de R$ 7.227.337,31, pois considerou que este valor estaria vinculado a receitas que foram recebidas da PETROBRÁS somente em 2008, o valor da glosa correspondente às despesas referentes à receita de 2007, foi deduzido, conforme cálculo a seguir: (v. fl. 1580) Despesas a glosar R$ 18.161.344,50 Valor adicionado pela empresa R$ 7.227.337,31 Fl. 7592DF CARF MF 4 Valor a glosar neste auto de infração R$ 10.933.997,19 Quanto ao item 002 do auto de infração, o Termo de Verificação Fiscal, à fl. 1581, aponta que no anocalendário de 2006 a empresa apropriou em sua contabilidade “despesas de manutenção e reparos” que seriam indevidas por serem de responsabilidade da empresa LOUISIANA OVERSEAS INC. Após relacionar os valores referentes a este item, a autoridade fiscal destaca: a) na DIPJ do anocalendário de 2006, na apuração do lucro real, a empresa adicionou ao lucro líquido o valor de R$ 6.259.597,19, por considerar que este valor estava vinculado a receitas que seriam recebidas em 2007 da PETROBRÁS. b) Na DIPJ do anocalendário de 2007, na apuração do lucro real, a empresa efetuou a operação inversa, ou seja, excluiu o valor de R$ 6.259.597,19. Segundo a fiscalização, a glosa foi realizada “tendo em vista que estas despesas que foram pagas em 2006 e que influíram no lucro tributável da empresa em 2007 são indedutíveis por não pertencer à empresa fiscalizada, mas sim a Louisiana Overseas INC.” No mais, o termo de verificação fiscal destaca: (i) Que empresas sediadas em Macaé/RJ, com contratos com a PETROBRÁS e ótima qualidade estrutural e recursos humanos, ano após ano, vem apresentando prejuízos, sem contudo deixarem de honrar suas dívidas e compromissos; (ii) Segundo a fiscalização, empresas estrangeiras, interessadas em prestarem serviços à PETROBRÁS firmam contratos distintos: um, com a empresa estrangeira, a controladora, específico para o afretamento de embarcações, e que representa cerca de 80% da soma dos dois contratos; outro, com a empresa criada no Brasil, para a prestação de serviços, que prevê pagamentos da ordem de 20% da soma dos dois contratos, podendo a situação específica da recorrente ser representada pelo seguinte desenho: (iii) o propósito do seccionamento do serviço a ser prestado é o escoamento para o exterior da maior parte dos valores envolvidos, já que, dessa maneira, "é possível enquadrar quase que a totalidade do valor sob o alcance de alíquota zero, que obsta a retenção na fonte para afretamento de embarcações (Lei nº 9.481/97, art. 12, inciso I)"; (iv) no caso, "uma vez criada artificialmente uma enorme defasagem entre os valores dos serviços a serem prestados e o afretamento da embarcação", a controladora LOUISIANA OVERSEAS INC, no anocalendário de 2007, efetuou transferências bancárias para a controlada brasileira (sem as quais, esta abriria falência), no total de R$25.159.290,00, que esta contabilizou na conta contábil 12.457 – Empréstimos (Lousiana); (v) para as contratadas, evitar a tributação no Brasil faz diferença relevante, "vez que pode(m) buscar tributação mais favorecida no País sede da controladora" (a Fl. 7593DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.592 5 controladora da interessada, LOUISIANA OVERSEAS INC, tem sede nas Ilhas Virgens Britânicas). Após tais considerações, a autoridade fiscal examina o CONTRATO N° 101.2.155.96‐0 ‐ Contrato de Afretamento da Embarcação e o CONTRATO N° 101.2.156.96‐3 ‐ Contrato de Prestação de Serviços, que a PETROBRÁS firmou, respectivamente, com a controladora estrangeira e sua controlada brasileira; da leitura da cláusula 3.8 e de seu subitem 3.8.1 (v. fl. 1586), ambas referentes ao contrato de afretamento, chega a conclusão de que as despesas que foram glosadas deviam ter sido suportadas pela LOUSIANA OVERSEAS INC. Notificada, a recorrente apresentou a impugnação de fls. 1699/1729, em que analisa as cláusulas dos contratos firmados sustentando que as despesas objeto da glosa eram de responsabilidade da recorrente, e que a controladora no exterior sequer teria condições de prestar tais serviços, dentre os quais a importação, substituição e reparos de equipamentos, ferramentas etc. A impugnação, conforme demonstra a planilha de fls. 1712 e seguintes, trata de inúmeros detalhes acerca das despesas glosadas, despesas estas que vão de simples itens de segurança, fretes, aluguel de equipamentos a despesas com despachantes. Assevera que as licitações de que participaram a impugnante e a controladora tinham por objeto duas atividades distintas, a saber: a) afretamento de plataforma com características próprias; e, b) prestação de serviços de perfuração, avaliação, complementação e workover de poços de petróleo e/ou gás. Argumenta que as regras da licitante, no caso a PETROBRÁS, impõem que seja observado o "split" de 80% (oitenta por cento) no caso do contrato de afretamento da Unidade e de 20% (vinte por cento) no caso do Contrato de Prestação de Serviços, sendo que o descumprimento desta regra resultaria na desqualificação automática da licitante (fl. 1717). Assim, diversamente do que consta do Termo, a IMPUGNANTE e a CONTROLADORA não "criaram" qualquer defasagem nos valores a serem pagos sob cada um dos contratos. A participação dos valores do contrato seria obrigatória para elas; vale dizer, é condição imposta pela Petrobrás. A DRJ, por meio do acórdão de fls. 1820/1862, julgou IMPROCEDENTE a impugnação, sendo que desta decisão a parte interessada foi intimada em 1/10/2012 e em 29/10/2012 protocolizou o recurso de fls. 1866 e seguintes, repisando os fatos alegados quando da impugnação. Vindo o processo ao CARF foi o mesmo distribuído inicialmente ao Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que propôs o envio do processo à unidade de origem para que fosse empreendida diligência fiscal. A seguir, reproduzimos os elementos considerados pelo Conselheiro Moisés em sua proposta de Resolução. "I Das peculiaridades apontadas pelo acórdão recorrido Fl. 7594DF CARF MF 6 Conforme encontrase destacado à fl. 1847 do acórdão recorrido, dado as peculiaridades relacionadas aos contratos de afretamento e prestação de serviços para exploração de petróleo "as autuações relativas a esta matéria têm se deparado com a dificuldade de distinguir os valores envolvidos relativos ao afretamento da embarcação e à prestação de serviço." Assim o é, continua o acórdão recorrido, porque o contrato de afretamento, nos termos da Lei nº 9.432, de 1997, em especial o "afretamento por tempo ou por viagem", "são complexos e além da embarcação, com a transferência do bem, há a prestação de uma diversidade de serviços" II Dos motivos da glosa das despesas Conforme destacado à fl. 16 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 1593), foi glosado R$ 10.933.997,19 a título de despesas não necessárias e R$ 6.259.597,19 correspondentes a despesas efetuadas em 2006 e excluídas pela empresa em 2007, conforme indicadas no item 2 da fl. 1581. Da análise das razões contidas no Termo de Verificação Fiscal, os valores acima referidos foram glosados sob o fundamento de que "os mesmos se referiamse a despesas que não pertenciam à fiscalizada, mas sim à empresa Lousiana Overseas INC." Inicialmente, destaco que os custos referidos tanto no item 001 quanto no item 002 do auto de infração foram glosadas não por serem inexistentes ou não habituais, mas porque a autoridade fiscal, da interpretação da cláusula 3.8 e de seu subitem 3.8.1 do contrato de afretamento, entendeu que as mesmas eram de responsabilidade da empresa proprietária da plataforma. III Da análise do mérito Na sessão que se realizou no mês de setembro de 2013 analisei e confrontei as cláusulas do contrato de prestação de serviços com as cláusulas do contrato de afretamento e apresentei proposta de voto em que enfrentava o mérito. O Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar pediu vista e, após análise detalhada, formou convicção, no que eu e os demais pares do colegiado concordamos, que deveria ser realizado perícia para se apurar se efetivamente os valores que foram glosados tratamse de gastos inerentes à Plataforma e não dizem respeito aos custos e despesas necessários à execução/prestação dos serviços de perfuração. No total, conforme apontado no relatório e no item 1 da fl. 1822 dos autos, a glosa de custos/despesas atribuídas à Plataforma e não aos serviços de perfuração importou em R$ 18.161.344,50. A Planilha de fls. 1822, a título de exemplo, destaco os seguintes itens e valores: Fl. 7595DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.593 7 Se de um lado valores indicados como "casco" fazem parecer que só podem dizer respeito a custos com a Plataforma e não a serviços de perfuração, há questões que precisam ser esclarecidas, tais como o valor de R$ 2.578.612,83, indicados como OUTROS SERVIÇOS; R$ 2.473.038,65 descrito como ARTIGOS DE CONSUMO EM GERAL e assim sucessivamente. À toda evidência artigos de consumo em geral tanto podem dizer respeito à Plataforma ou aos Serviços de Perfuração, isto para citar um único exemplo. Na realização da perícia, dentre outros elementos a serem considerados pelo expert, ao meu sentir, pode se partir dos produtos/serviços indicados nas notas fiscais objeto de glosa e identificar se estes foram utilizados na operação/manutenção da Plataforma ou se eram necessários à execução/perfuração de poços de petróleo relacionados às atividades da fiscalizada em favor da Petrobrás. No caso de eventuais custos rateados, tais como, para citar apenas dois exemplos, sistema de segurança e fretes relacionados à locomoção de técnicos e trabalhadores até o local onde se encontrava a Plataforma, deve o perito quantificar o que corresponde a cada parte. No caso concreto caberá à Delegacia de Origem, nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235, de 1972, designar servidor para, como perito da União, proceder a perícia, sendo facultado à fiscalizada, no prazo de 30 (trinta) dias apresentar quesitos e, se desejar, indicar perito para, em conjunto com o perito da União, ou em separado, apresentar o competente laudo. Em síntese, tendo por parâmetro os valores que foram glosados e os documentos fiscais a eles correspondentes, sejam notas fiscais ou recibos, deverá a perícia indicar se todos os custos efetivamente estão relacionados à Plataforma ou se, dentre estes existem custos relacionados e necessários aos serviços executados pela fiscalizada em favor da Petrobrás, quantificandoos. ISSO POSTO, tendo por parâmetro os valores que foram glosados e os documentos fiscais a eles correspondentes, sejam notas fiscais ou recibos, voto por converter o julgamento em diligência para que seja realizado perícia que deverá Fl. 7596DF CARF MF 8 indicar se todos os custos glosados estão relacionados à Plataforma ou se dentre estes existem custos relacionados e necessários aos serviços executados pela fiscalizada em favor da Petrobrás, caso em que deverão ser quantificados. Caso seja constatado situação em que não seja possível identificar se determinados insumos, peças ou serviços foram utilizados na Plataforma ou nos serviços de perfuração deverá a autoridade fiscal identificálos e quantificálos. Os autos foram então encaminhados à unidade de origem para que providenciasse a realização da diligência solicitada pela Resolução nº 1402000.220. A autoridade fiscal, após a conclusão dos trabalhos, exarou o Relatório de fls. 7454/7477, de onde retiramos os seguintes trechos considerados mais relevantes ao deslinde do processo: No total, conforme apontado no relatório e no item 1 da fl. 1822 dos autos, a glosa de custos/despesas atribuídas à Plataforma e não aos serviços de perfuração importou em R$ 18.161.344,50, sendo o R$ 12.765.799,76 a título de Reparos/ Manutenção Geral e R$ 5.395.534,74 a título de Outros Custos Operacionais. ARTIGOS DE CONSUMOS GERAIS Inicialmente vale destacar que a empresa utiliza a expressão “ARTIGOS DE CONSUMOS GERAIS” ou simplesmente “CONSUMOS GERAIS” como subcontas de diversas contas, isto é, a conta 23478 – OUTROS SERVIÇOS possui a subconta 23640 – Artigos de Consumo em Geral com saldo de R$ 2.473.612,65; a conta 23662 –DRILING possui a subconta 24390 – Artigos de Consumo em Geral, com saldo de R$ 483.403,29. Já a conta 24093 – EMBARCAÇÃO possui a subconta 24220 – Consumo em Geral com saldo de R$ 738.976,41. A conta 23478 – Outros Serviços no valor total de R$ 2.578.612,83 é composto pelas subcontas abaixo relacionadas. Como se verifica se destaca a subconta “Artigos de Consumo em Geral”.Pelo razão da conta anexado a este Relatório, constatase que consta 3 (três) lançamentos no total de R$ 943.250,65 (389.156,87; 330.142,20 e 223.951,58) que se refere a pagamento efetuados a Petrobras, em razão das notas fiscais nº 790.211, 802.193 e 802.222, respectivamente, todas corresponde a aquisição de “Óleo Diesel Marítimo”, conforme se constata nas cópias anexadas ao presente Relatório. Constam também diversos lançamentos correspondentes a pagamentos efetuados a Lumar de Macaé Comércio e Representação Ltda., os quais totalizam o valor de R$ 1.080.989,50, conforme se verifica nas cópias das notas fiscais acostadas a este processo se trata de aquisição de combustível ( exemplo nota fiscal nº 13.334 fls. Fl. 7597DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.594 9 831, no valor de R$ 94.182,70; nota fiscal nº 11.891 fls. 932, no valor de R$ 31.337,70). No contrato de afretamento da embarcação (contrato internacional), os gastos com docagens, com combustível e água necessários à operação, e com a água destinada à limpeza da Unidade foram atribuídos à Louisiana. Tanto é assim, que foi pactuado que, caso a Petrobras arque com tais gastos, Louisiana os ressarciria à Petrobras, senão vejamos (fls. 240): 4.6 Combustível e Água – Fornecer, por sua conta, todo o combustível e água necessários às operações, observandose o disposto no subitem 4.6.1 a partir do início do contrato, até o seu término, conforme definidos nos subitens 2.2.1 e 2.2.2, respectivamente. 4.6.1. O fornecimento de água mencionado no item 4.6 inclui também a água industrial destinada à limpeza da Unidade, observandose o disposto no item 3.23. 4.6.3. Durante os períodos de docagem da UNIDADE, todo o combustível consumido será de inteira responsabilidade e custo da CONTRATADA, a partir da interrupção das operações até o retorno à mesma situação anterior. O custo do combustível neste período será debitado à CONTRATADA, após levantamento do consumo, e a preço definido conforme critério citado em 4.6.2.1. Também no anexo B, na linha 33 menciona que o Óleo Diesel será fornecido pela Petrobras ate o limite estabelecido na cláusula 4.6.2 e quando acima deste limite seria fornecido pela afretadora. (Fls. 275) (...) CONTAS DIVERSAS Com relação às despesas efetuadas e contabilizadas nas contas abaixo, serão apresentadas a título de exemplo notas fiscais que se encontram anexadas ao presente processo. 23662 – DRILLING a.1 – Nota fiscal nº. 002359 emitida pela empresa SMITH – International do Brasil Ltda, na qual consta a discriminação dos seguintes serviços: eletromag em drill Fl. 7598DF CARF MF 10 pipe, refaceam em torno, usinagem, retirada de hardbarnco, deposição de hardbanding, etc, no valor de R$ 183.340,00, fls. 803 a.2 – Nota fiscal nº 4390, emitida pela empresa MI SWACO DO BRASIL – Comercio, Serviços e Mineração Ltda, na qual consta na descrição de mercadorias aquisição de diversas telas L2DXR MESH BRAND, no total de R$ 140.270,67, fls. 814 a.3 – Nota fiscal nº 627, emitida pela empresa CONTROTERMI – Serviços Industriais Ltda, na qual consta na descrição dos serviços que tratase de “serviços de caldeiraria e soldagem da plataforma” no valor de R$ 82.282,00, fls. 834; (...) Na cláusula 3.8 do contrato de afretamento, está pactuado que os custos de reposição dos equipamentos, materiais e acessórios, necessários ao perfeito funcionamento da UNIDADE, bem como as despesas com reparos de qualquer natureza correm por conta da contratada (fls.233), ou seja, cabe à Louisiana, a cedente, arcar com todos os gastos e despesas com equipamentos, materiais e acessórios, senão vejamos: Contrato de Afretamento 3.8. Substituição e Reparos – O custo de reposição dos equipamentos, materiais e acessórios necessários ao perfeito funcionamento da UNIDADE, bem como as despesas com reparos de qualquer natureza correrão por conta da CONTRATADA. Na subcláusula 3.8.1 do contrato de afretamento, lêse que o sobredito custo de reposição “abrange todas e quaisquer despesas, inclusive impostos e taxas devidos desde a aquisição dos equipamentos, sobressalentes e materiais, até a instalação ou colocação destes na Unidade” (fls.233), ou seja, também cabe à Louisiana todas as despesas tidas com a embarcação, senão vejamos: 3.8.1. O custo de reposição acima referido abrange todas e quaisquer despesas, inclusive impostos e taxas devidos desde a aquisição dos equipamentos, sobressalentes e materiais até a instalação ou colocação destes na UNIDADE, excetuandose as despesas de transporte entre o porto de operação das embarcações de apoio e a UNIDADE, observado o disposto no ANEXO B. Não é demais observar que estão incluídas nas obrigações da Petrobras reembolsar a Louisiana pelo custo de reposição ou reparo dos tubos de perfuração, comandos e outros componentes de perfuração, coluna de produção e coluna de pescaria, que sejam perdidos ou danificados, nos casos de acidente, sem ação/omissão dolosa da contratada (cláusula quarta do Anexo IV, às fls.238): 4.4. A PETROBRAS reembolsará a CONTRATADA, mediante a apresentação por parte desta, da documentação comprobatória, na moeda da aquisição, o custo de reposição ou reparo dos tubos de perfuração, comandos e outros componentes da coluna de perfuração, coluna de produção e coluna de pescaria pertencentes à CONTRATADA, que sejam perdidos ou danificados, por acidente não devido ao desgaste normal ou à ação ou omissão culposa da CONTRATADA devidamente comprovada, deduzido da depreciação de 25% por ano contratual, com valor residual de 20%, aplicandose para o cálculo o menor custo de indenização (Ci) obtido através das seguintes fórmulas: (...) Fl. 7599DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.595 11 4.4.2. A PETROBRAS poderá a seu critério e custo realizar inspeções na coluna de perfuração, seus componentes e acessórios, ficando a CONTRATADA obrigada a reparar ou substituir às suas custas os equipamentos rejeitados. (grifos, sublinhas, nossos) Podese concluir das sobreditas cláusulas, que os custos de reparo ou reposição de tubos de perfuração, comandos e outros componentes das colunas de perfuração, de produção e de pescaria são de responsabilidade da proprietária da embarcação, ou da que a substitui, a cedente Louisiana. Outros Custos Operacionais Na conta “Outros Custos Operacionais”, foi contabilizado o total de R$ 5.395.534,74, conforme discriminado abaixo: Com exerção da rubrica “Aluguel de Equipamentos” todas as outras se trata de pagamento de imposto relativo à importação de máquinas e /ou equipamentos. Os custos com impostos e desembaraço aduaneiro estão subordinado ao item 4.2 do Aditivo 04, fls. 353 dá como responsabilidade do contratado “todas as despesas alfandegárias, taxas, inclusive as de agenciamento, licenças, tributos ou encargos similares com relação à importação ou embarque para a UNIDADE de todos os equipamentos, sobressalentes e bens consumíveis da CONTRATADA”. Os sobreditos gastos foram classificados em subcontas próprias (Desembaraço Aduaneiro, Imposto Importação, IPI e ICMS), na conta Outros Custos Operacionais. Como já se viu à controladora cabe arcar com os custos de substituição e reparos dos equipamentos, materiais e acessórios necessários ao perfeito funcionamento da Unidade. No contrato de afretamento, o custo de reposição a cargo da controladora (Louisania) abrange as despesas de impostos e taxas devidos, senão vejamos: 3.8.1. O custo de reposição acima referido abrange todas e quaisquer despesas, inclusive impostos e taxas devidos desde a aquisição dos equipamentos, sobressalentes e materiais até a instalação ou colocação destes na UNIDADE, excetuandose as despesas de transporte entre o porto de operação das Fl. 7600DF CARF MF 12 embarcações de apoio e a UNIDADE, observado o disposto no ANEXO B. Para tais gastos, o interessado aponta como única finalidade o desembaraço aduaneiro, e nada esclarece acerca do material a que tais gastos se referem. Sendo assim, a glosa deve ser mantida. Como Aluguel de Equipamentos, a título de exemplo, citamos as notas fiscais abaixo relacionadas, onde se constata que se trata de despesas de responsabilidade da afretadora: i. Nota fiscal nº 14 221 emitida pela empresa SUPERPESA –Cia de Transportes Especiais e Intermodais anexada às fls. 454, tratase conforme consta na própria nota fiscal de “mobilização e desmobilização da balsa SPV III com guindaste LG1280 para substituição de 02 thuruster`s na baia de Guanabara, no valor de R$ 109 473,68”; ii. Nota fiscal nº 6298 emitida pela PREAMAR – Serviços Marítimos Ltda, anexada às fls. 467, tratase conforme consta na própria nota fiscal de “Locação de Yokohamas para proteção do navio Plataforma “Lousiana” no porto do Rio de Janeiro, no valor de R$ 72.480,00, destacase ainda que na mesma consta como usuária a Lousiana A/C da Ventura Petróleo Ltda iii. Nota fiscal nº 2034 emitida pela empresa POLOMAR – Serviços Técnicos Maritimos & Terrestre, anexada às fls. 473, tratase conforme consta na própria nota fiscal de “ Serviços de Proteção ambiental durante operação da plataforma “Lousiana” na baia de Guanabara”, no valor de R$ 57.960,00” Assim, a glosa deve ser mantida porque, como já visto, o custo de substituição e reparo de equipamentos, materiais e acessórios abrange toda e qualquer despesa, nas quais, portanto, compreendese estejam incluídas as despesas de proteção da plataforma, do meio ambiente e substituição de qualquer peça, a cargo, portanto, de Louisiana (item 3.8.1. do contrato de afretamento). (...) A seguir, o Auditor Fiscal responsável pelo procedimento de diligência faz uma análise de cada um dos pontos levantados pelo perito da recorrente, chegando à conclusão, em todos eles, que não assiste razão à empresa em nenhum quesito, atribuindo à afretadora a responsabilidade por todos os custos/despesas glosados. O questionamento do Perito, smj, já foi por demais debatido tanto por ocasião da lavratura do auto de infração, quando no voto da relatora, AFRFB Rosanda Pereira da Silva Passos na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro. Os custos de reparos e manutenção de plataforma e outros custos operacionais estão previstos tanto no contrato com o interessado, quanto no contrato de afretamento da embarcação, porém, há uma diferença entre os dois contratos, já que no contrato internacional de afretamento, despesas com materiais, equipamentos, etc, são obrigações da empresa estrangeira e correm por conta desta; de outro lado, nos contratos nacionais, a empresa VENTURA PETRÓLEO LTDA está livre deste ônus, pois a PETROBRAS garante o ressarcimento dos eventuais desembolsos nesta rubrica”. O Superior Tribunal de Justiça, nos autos do RECURSO ESPECIAL Nº 1.054.144 RJ (2008/00977978), destacar a dificuldade de separação das atividades de Fl. 7601DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.596 13 afretamento e prestação de serviços envolvendo os contratos com a Petrobras e, portanto dos custos e despesas envolvidos da autuação. Por se tratar de autuação referente a glosa de custos e despesas, como já destacado, o ônus da prova recai sobre o contribuinte. Então, havendo três responsáveis pelo pagamento de despesas da plataforma, cabe a ela comprovar a responsabilidade daquelas de sua responsabilidade, para, então, poder utilizálas para reduzir o seu resultado. Como exemplo consta no contrato de prestação de serviço que a interessada seria responsável pelo reparo e substituição da coluna de perfuração, com fundamento no item 1.1. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços, a seguir: “1.1. A CONTRATADA deverá providenciar, a seu custo, inspeção tubular, conforme Norma APIRP7 G para os elementos da coluna de perfuração em utilização,Observandose ainda o item 3.1. deste contrato. Esta inspeção deverá ser, necessariamente, realizada por pessoal credenciado pela PETROBRAS, e acompanhada pela Fiscalização da PETROBRAS, que atestará as condições da coluna de acordo com os resultados da aludida inspeção. Os componentes da coluna de perfuração rejeitados pela inspeção serão imediatamente reparados e/ ou substituídos pela CONTRATADA, assumindo esta os custos correspondentes.” (grifei) A cláusula acima se refere à inspeção tubular, que, evidentemente, foi o serviço contratado. Assim, pelos custos dos serviços de inspeção tubular, o interessado devese responsabilizar. Entretanto, como já visto, os custos de reposição de equipamentos e materiais foram contratados com a arrendadora, como dispõem as cláusulas 3.8 e 3.8.1 do contrato de afretamento, que vale reproduzir mais uma vez: “3.8. Substituição e Reparos – O custo de reposição dos equipamentos, materiais e acessórios necessários ao perfeito funcionamento da UNIDADE, bem como as despesas com reparos de qualquer natureza correrão por conta da CONTRATADA. 3.8.1. O custo de reposição acima referido abrange todas e quaisquer despesas, inclusive impostos e taxas devidos desde a aquisição dos equipamentos, sobressalentes e materiais até a instalação ou colocação destes na UNIDADE, excetuandose as despesas de transporte entre o porto de operação das embarcações de apoio e a UNIDADE, observado o disposto no ANEXO B.” (sublinhei) Assim, não cabe acatar os argumentos do contribuinte, ademais porque não foi juntado qualquer informação que assegure ter havido inspeções de colunas realizadas por pessoal credenciado pela PETROBRAS, e acompanhada pelas Fiscalização da PETROBRAS, como previsto na cláusula 1.1 antes reproduzida. Os reparos ou substituições de todos os equipamentos de manuseio de coluna de perfuração, tais como, porém não restritos a: cunhas, elevadores, chaves flutuantes, gancho, braços de elevador, spiders, guincho de perfuração, etc. (item 1.1.5. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços – fl. 107;.) esta substituição, depende da rejeição dos equipamentos pela Petrobras, mediante inspeção que Fl. 7602DF CARF MF 14 “deverá ser, necessariamente, acompanhada pela Fiscalização da PETROBRAS, que atestará as condições dos equipamentos de acordo com os resultados da referida inspeção.”De modo análogo ao primeiro item não há nos autos qualquer informação que permita concluir ter havido inspeções da Petrobras determinando substituição de equipamentos. Ainda no contrato de prestação de serviço consta que a impugnante seria responsável pelo reparo ou substituição da coluna de riser e suas ferramentas de manuseio (observação ao item 1.1.5. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços). Todavia, esta substituição também está condicionada à inspeção pela Petrobras, que determinará a substituição dos equipamentos, o que também não se encontra comprovado segundo os documentos anexos aos autos. Defende a interessada ser responsável pela manutenção dos equipamentos de segurança, inclusive os auxiliares, necessários para evitar a contaminação do fluido de perfuração ou completação por hidrocarbonetos e os incêndios em consequência de erupções, com fundamento no item 1.4. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços), a seguir: “1.4. Pressões de Subsuperfície – A CONTRATADA envidará todos os esforços para controlar as pressões de subsuperfície, mantendo sempre em boas condições de operação todos os equipamentos de segurança, inclusive os auxiliares, a fim de evitar a contaminação do fluido de perfuração ou completação por hidrocarbonetos e os incêndios em consequência de erupções.” Manter em boas condições os equipamentos de segurança não implica, necessariamente, para quem os usa arcar com os gastos de reposição ou de manutenção. Mas, se dúvida existisse acerca de tal redação, seria dissipada pela cláusula 3.8 do contrato de afretamento, firmado com Louisiana, que vale mais uma vez reprisar: “3.8. Substituição e Reparos – O custo de reposição dos equipamentos, materiais e acessórios necessários ao perfeito funcionamento da UNIDADE, bem como as despesas com reparos de qualquer natureza correrão por conta da CONTRATADA.” (sublinhei) A interessada seria também responsável pela “manutenção, conservação e limpeza da Unidade e de todos os equipamentos e instalações nela existentes”, com fundamento no item 1.8 do Anexo B ao contrato de prestação de serviços, no qual se lê: “1.8. Manutenção e Conservação – A CONTRATADA se responsabilizará pelos serviços de manutenção, de conservação e de limpeza da UNIDADE e de todos os equipamentos e instalações existentes, mantendo em perfeitas condições de operação e ajustagem todos os dispositivos de segurança.” A cláusula versa sobre os serviços de limpar, conservar e manter, serviços que não se confundem com “Reparos e Manutenção da Plataforma” (estes últimos, como já se viu, são de responsabilidade da afretadora). Ademais, a cláusula 3.3 do contrato reza que se o interessado precisar de outros materiais necessários à prestação dos serviços contratados, a Petrobras o reembolsará, senão vejamos: Fl. 7603DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.597 15 “3.3. Fornecimento de Materiais – Responsabilizarse pela aquisição, quando solicitada pela Petrobras, no mercado nacional, de outros materiais necessários à prestação dos serviços objeto deste Contrato. A aquisição dos materiais mencionados neste item deverá ser submetida à prévia aprovação da Petrobras, que os reembolsará na forma do item 4.2, devendo ser observado o limite de dispensa de licitação para “compras e outros serviços” (inciso II do artigo 24 da Lei n. 8.666/93).” (grifei) O Perito questiona sobre a responsabilidade pelo seguro de bens, nos termos da cláusula 3.12. do contrato de prestação de serviços, a seguir: “3.12 Seguros Providenciar, às suas expensas, a contratação dos seguros necessários ao cumprimento deste CONTRATO e da legislação brasileira, destinados à cobertura de seus bens e de seu pessoal, mesmo quando estiverem em transporte efetuado sob a responsabilidade da PETROBRAS, bem como a do seguro de Responsabilidade Civil por danos e prejuízos causados a terceiros, o que não importará em limitação da responsabilidade da CONTRATADA, devendo ainda incluir a PETROBRAS na qualidade de terceiro para os efeitos desta cobertura.” A despeito da existência da cláusula a interessada não juntou aos autos qualquer apólice seguro, a fim de demonstrar quais bens foram assegurados, ou ainda, em se tratando de pessoas, os funcionários ou beneficiários dos seguros, nem o objeto de eventuais contratos de seguro, razão pela qual seu argumento não pode ser aceito. ! Quanto às despesas de docagem, estas não estão abrangidas pela glosa no valor de R$ 18.161.344,50, portanto, descaberia a análise da argumentação expendida pelo contribuinte. De todo modo, no contrato de afretamento, conta a seguinte cláusula (fl. 229): “1.1.1. Incluise como objeto do CONTRATO a execução, pela CONTRATADA, de todas e quaisquer operações necessárias ao perfeito cumprimento do afretamento objeto do CONTRATO, tais como, porém não limitadas à execução e supervisão do posicionamento, lastreamento e movimentação da UNIDADE" (grifei/ sublinhei) A utilização do verbo executar demonstra que a empresa contratada para afretar as plataformas, está obrigada a realizar outras operações além das operações de movimentar, lastrear e posicionar as plataformas, que são as operações inerentes à gestão náutica das plataformas enquanto embarcação. Por consequência, como o termo docagem referese à colocação da embarcação na doca ou dique seco, pareceme ser esta obrigação afeta à empresa afretadora e não à prestadora de serviços. Como se não bastassem estas dificuldades, a empresa sustenta que os materiais utilizados não se destinam a substituição de peças da própria Unidade, mas a despesas de reparos e manutenção. Entretanto, a observação das notas fiscais juntadas aos autos não favorecem esta conclusão, senão vejamos. Por exemplo: Fl. 7604DF CARF MF 16 i. nota fiscal 384, emitida pela Controtermi Serviços Industriais Ltda (fl. 447), indica a aquisição de diversos materiais (tubos, flanges, conexões, válvulas, etc...). Segundo argumenta o contribuinte a aquisição de tais materiais decorreriam de obrigações contratuais. Ainda que assim possa ser, à primeira vista, podem se destinar perfeitamente a tanto para substituição de peças a encargo da arrendadora, como para si própria. Assim, não há como assegurar que seja uma despesa própria. ii. nota fiscal 0248, emitida pela Sistac – Sistemas Industriais (fl. 448), descreve o seguinte serviço prestado: “Prestação de serviços em estruturas metálicas navais de unidades marítimas dedicadas à exploração de petróleo, com emprego de mão de obra, equipamentos, , ferramentas e materiais, através de escalador industrial”. Segundo parece, o serviço prestado destinase a reparos e manutenção da Unidade, obrigação da arrendadora, apesar de constar a interessada como destinatária dos serviços. Como se não bastasse isso, a jurisprudência administrativa tem sido assente quanto à necessidade de demonstração da efetiva prestação dos serviços, como demonstram os seguintes acórdãos do Conselho de Contribuintes neste sentido: “PROVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – Indedutíveis despesas com prestação de serviços (tais como serviços de assessoria de imprensa) se não comprovada a efetiva prestação dos serviços (AC. 1º CC 10306/70385)” “PROVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – Somente são admissíveis como operacionais as despesas efetivamente comprovadas, não bastando como elemento probante apenas a apresentação de notas fiscais emitidas pela prestadora de serviços que nada especificam. (AC. 1º CC 10178.260/89 DO 22/06/89)” As mesmas considerações aplicamse às notas fiscais de prestação de serviço anexadas pelo contribuinte, como por exemplo: i. a fatura RJ – 546/07 (fl. 454), que discrimina o seguinte serviço:“Mobilização e desmobilização da balsa SPVIII, guindaste LG –1280, para a substituição 02 thruster na baía de Guanabara.” ii. As notas fiscais de fls. 467/468 descrevem como serviço prestado a “LOCAÇÃO DE YOKOHAMAS PARA PROTEÇÃO DO NAVIO PLATAFORMA "LOUISIANA", NO PORTO DO RIO DE JANEIRO.” Na inexistência de outras informações, não há como saber se tais serviços decorrem da obrigação da arrendadora da Unidade ou da prestadora de serviços. O perito questiona sobre as despesas e custos registrado nas contas abaixo são relacionados ao serviço de "perfuração, avaliação e/ou completação e/ou workover de poços de petróleo e/ou gás" prestado pela PETICIONÁRIA à PETROBRAS; e i) 3.1.2.1.5 OUTROS CUSTOS OPERACIONAIS. a) 3.1.2.1.4 REPAROS E MANUTENÇÃO EM GERAL; b) 3.1.2.1.4 100 OUTROS SERVIÇOS; c) 3.1.2.1.4 200 DRILLING; d) 3.1.2.1.4 300 SUBSEA; e) 3.1.2.1.4 400 MÁQUINA; Fl. 7605DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.598 17 f) 3.1.2.1.4 500 EMBARCAÇÃO; g) 3.1.2.1.4 600 ELÉTRICA; h) – 3.1.2.1.4 700 ELETRÔNICA; e A própria denominação da maioria das despesas glosadas não deixa dúvidas de que se tratam de despesas relativas a reparo e substituição de peças da plataforma, como por exemplo as despesas relacionadas com os serviços de Maquinas, embarcação, drilling prestados (perfuração, avaliação e/ou completação e/ou workover de poços de petróleo e/ou gás), contabilizadas nas contas contábeis n°s 3.1.2.1.4.100 " OUTROS SERVIÇOS", 3.1.2.1.4.200 "DRILLING" e 3.1.2.1.4.300 "SUBSEA". Entretanto, se a simples denominação não auxilia a demonstração do que pretende o contribuinte, posto se tratar de termos especializados da indústria petrolífera. Destarte, como o ônus da prova quanto à comprovação de despesas é do contribuinte não há como se aceitar o seu argumento. Não pode prevalecer a sustentação que mesmo os desconhecedores dos termos relacionados à indústria petrolífera não terão dificuldade em identificar alguns dos termos usados na denominação das despesas glosadas no ANEXO B do contrato de prestação de serviços, como BOP, riser, cimentagem etc. Pela mesma razão apontada anteriormente, não há como se aceitar sua argumentação, por caber ao próprio explicar a razão das despesas, bem como elucidar a terminologia das tarefas envolvidas na prestação se serviço. Entretanto a tipo de elucidação vejase o conceito de gestão náutica, vinculado à atividade de afretamento obtido de artigo publicado na internet: “armador (“owner”) é o sujeito que detém a gestão náutica do navio, ou seja, o sujeito que em seu nome e sob sua responsabilidade, apresta a embarcação com fins comerciais, pondoa ou não a navegar por sua conta. A gestão náutica (GN) referese ao equipamento e armação do navio, salários da tripulação, manutenção do navio, custo de reparos e seguros.” (REVISTA ÂMBITO JURÍDICO) Elucidado o conceito, resta induvidoso que as despesas relativas a máquinas e embarcações são conexas ao contrato de afretamento e não ao contrato de prestação de serviços. Como se não bastasse isso, a condução marítima da Unidade é de responsabilidade da empresa afretadora, como dispõe a cláusula 3.6 do contrato de afretamento (fl. 232): “3.6. Operações Marítimas Conduzir a UNIDADE com estrita observância às leis, normas, regulamentos e portarias, bem como às instruções emanadas da Capitania dos Portos ou de outras autoridades competentes, notadamente aquelas que dizem respeito ao despejo de óleo e outros resíduos da UNIDADE para o mar, respondendo, em consequência, por quaisquer ônus decorrentes de infração de tais leis, normas, regulamentos, portarias e instruções, observado o limite estipulado no subitem 3.6.2 e excetuandose os casos previstos no item 3.20 deste CONTRATO.” (grifei/sublinhei) Fl. 7606DF CARF MF 18 Esta a razão pela qual deve ser afastado o argumento de que as despesas contabilizadas nas contas acima elencadas, não podem ser aceitas como vinculadas ao contrato de prestação de serviços, mas sim ao de afretamento. Quanto a solicitação para esclarecer se há despesas e custos rateados e quais seriam essas despesas e custos como também qual seria o percentual da despesa/custo alocado a cada atividade, acreditamos haver uma inversão dos fatos, não cabe a fiscalização fazer tal levantamento, e sim a empresa a qual tem a obrigação de apresentar todos os atos e fatos praticados pela empresa devidamente comprovado, através de documentos hábeis e idôneas Conclusões (grifei) CONCLUSÕES Os gastos glosados, foram contabilizados como Custos Operacionais, os quais foram divididos em duas contas contábeis: a) Reparos/Manutenção Plataforma (3.1.2.1.4); e b) Outros Custos Operacionais (3.1.2.1.5). Na forma do art. 923 do RIR/1999, a escrituração mantida com observância da legislação vigente só faz prova dos fatos nela registrados, se lastreada em documentação hábil, habilidade que, com relação aos custos, só se verificará se estes configurarem contrapartida dos serviços contratados. Do total dos gastos glosados, R$ 12.765.799,76 (70,30%) foram contabilizados na conta “Reparos/Manutenção Plataforma”, o que faz prova contra o interessado de que são gastos com reparos e manutenção da Unidade. Mas, como já se viu, os reparos e a manutenção da plataforma constituem o objeto do contrato de afretamento cedido à controladora do interessado, Louisiana (que detém 98% das cotas do interessado). Não havendo prova de erro em tais classificações contábeis, milita, a teor do art. 293 do RIR/1999, contra o interessado, a prova de que tais gastos se referem a Reparos e à Manutenção da Plataforma, cujos custos, como visto, não são de responsabilidade do interessado. Há cláusula vinculando o contrato de afretamento ao contrato de prestação de serviços. Se, no contrato de afretamento, há previsão expressa de que o custo de reposição dos equipamentos, materiais e acessórios necessários ao perfeito funcionamento da Unidade, bem como as despesas com reparos de qualquer natureza correm por conta da controladora, os gastos glosados não se referem ao contrato de prestação de serviços. Ainda que no rol dos gastos glosados figurassem gastos comuns à controladora (Louisiana) e à controlada (o interessado), as cláusulas contratuais asseguram a este o reembolso dos gastos. As cláusulas contratuais do contrato de arrendamento, de um lado, e as cláusulas do contrato de prestação de serviços, de outro, registram que o interessado é mero prestador de serviços em embarcação objeto de afretamento, cujo contrato dispõe que cabe à controladora, e não ao interessado, arcar com os gastos, que compõem o total da glosa. Em resumo e atendendo especificamente a questão levantada pelo Relator Sr. Moisés Giacomelli Nunes da Silva do CARF informamos que todas as despesas glosadas, segundo os contratos firmados entre as partes pertencem a INTERESSADA. (grifei) O contribuinte foi intimado a tomar ciência deste despacho, através do Termo de Intimação Fiscal, enviado através da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, Fl. 7607DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.599 19 com aviso de recebimento número JG 037 912 734 BR, e entregue em 07/01/2015, e se julgar necessário, apresentar suas alegações no prazo de 30 dias. A recorrente foi cientificada do Relatório elaborado pela autoridade fiscal que empreendeu a diligência, apresentando suas considerações a respeito do mesmo através do documento de fls. 7510/7528. Abaixo reproduzo alguns trechos de sua manifestação, considerados relevantes para a análise do mérito. 1.4. A RECORRENTE demonstrou na sua impugnação que: a) os contratos de prestação de serviços e de afretamento prevêem três tipos distintos de despesas, cujo ônus é atribuído, em razão de sua natureza, à RECORRENTE, à PETROBRAS ou à AFRETADORA; b) com exceção das despesas de reparo e substituição das peças da plataforma (previstas no contrato de afretamento), e daquelas decorrentes de solicitação extraordinária pela PETROBRAS (cláusulas 3.3., 3.4. e 4.2. do contrato de prestação de serviços), todas as demais devem ser suportadas pela RECORRENTE; c) as despesas glosadas pela fiscalização se referem a reparo, substituição, manutenção, pintura, solda etc. de determinados equipamentos (e não da plataforma em si), cujo uso é necessário à execução do contrato de prestação de serviços celebrado com a PETROBRAS, e cuja responsabilidade foi atribuída à RECORRENTE em cláusulas especificas do contrato de prestação de serviços; d) com efeito, o contrato de prestação de serviços prevê que as seguintes despesas são de responsabilidade da RECORRENTE: reparo e substituição da coluna de perfuração (item 1.1. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços); reparo ou substituição de todos os equipamentos de manuseio de coluna de perfuração, tais como, porém não restritos a: cunhas, elevadores, chaves flutuantes, gancho, braços de elevador, spiders, guincho de perfuração, etc. (item 1.1.5. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços); reparo ou substituição da coluna de riser e suas ferramentas de manuseio (observação ao item 1.1.5. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços); manutenção dos equipamentos de segurança, inclusive os auxiliares, necessários para evitar a contaminação do fluido de perfuração ou completação por hidrocarbonetos e os incêndios em consequência de erupções (item 1.4. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços); manutenção e conservação e limpeza da UNIDADE e de todos os equipamentos e instalações nela existentes (item 1.8. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços); manutenção e limpeza do riser de perfuração (item 1.15. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços); manutenção, custeio, contratação, transporte e assistência hospitalar de pessoal (cláusulas 3.5.2., 3.6 e 3.7. do contrato de prestação de serviços) seguro de bens (cláusula 3.12. do contrato de prestação de serviços) Fl. 7608DF CARF MF 20 docagem da UNIDADE, incluindo combustível e transporte (cláusula 3.23. do contrato de prestação de serviços). e) a execução dos serviços para o qual a RECORRENTE foi contratada pela PETROBRAS, quais sejam, perfuração, avaliação e/ou completação e/ou workover de poços de petróleo e/ou gás, acarreta o desgaste de determinados equipamentos contidos na plataforma, que, por essa razão, devem ser reparados ou substituidos; sendo tais reparos e substituições decorrentes do uso da plataforma na prestação dos serviços, nada mais lógico do que serem suportados pela prestadora dos serviços, que, no caso, é a RECORRENTE, e não pela AFRETADORA da plataforma; f) a vinculação das despesas glosadas aos serviços prestados pela RECORRENTE é também evidenciada a partir da própria descrição das contas contábeis em que lançadas (3.1.2.1.4.100 "OUTROS SERVIÇOS", 3.1.2.1.4.200 "DRILLING" e 3.1.2.1.4.300 "SUBSEA") e da descrição dos lançamentos, que deixam claro não se tratar de gastos relacionados com a reposição de peças da plataforma em si; g) ou seja, na medida em que o contrato de prestação de serviços tem como objeto serviços de drilling, e, ao elencar as responsabilidades da RECORRENTE,identifica determinadas despesas pelo jargão utilizado na indústria petrolífera, o fato de parte das despesas glosadas terem sido contabilizadas sob essa denominação já seria um indicio da sua natureza; h) assim, seria da fiscalização o dever de, a fim de justificar a glosa, demonstrar que a contabilização efetuada pela RECORRENTE não correspondeu à realidade dos fatos, e que as despesas glosadas referemse à substituição e reparo de peças da própria plataforma, de responsabilidade da AFRETADORA, e não a despesas de outra natureza, de responsabilidade da RECORRENTE, o que não foi feito, já que a autuação tem como pressuposto uma interpretação equivocada das cláusulas dos contratos de afretamento e de prestação de serviços celebrados com a PETROBRAS; i) nesse sentido é o art. 9°, §§ Io a 3o, do DL. 1.598/77, que dispõem que a contabilidade em ordem, acompanhada de documentos hábeis, faz prova a favor do contribuinte, cabendo à fiscalização o ônus de provar a inveracidade dos fatos, e também o art. 112, II, do CTN, que dispõe que a dúvida quanto as circunstâncias materiais do fato deve favorecer ao contribuinte; j) as despesas lançadas nas contas "3.1.2.1.4.400 MÁQUINA" e "3.1.2.1.4.500 EMBARCAÇÃO" também são de responsabilidade da RECORRENTE, conforme Anexo B do contrato de prestação de serviços, uma vez que não se referem a reparo e substituição de peças, mas sim a manutenção e conservação da plataforma. (...) 2 .DO RELATÓRIO FISCAL (...) 2.3. O RELATÓRIO não analisou as notas fiscais objeto de glosa de modo a apurar se elas estariam atreladas a gastos inerentes à plataforma ou a despesas necessárias à prestação dos serviços de perfuração, conforme requisitado pelo CARF; apenas se limitou a mencionar, a titulo exemplificativo, algumas notas para reforçar a sua interpretação de que todos os produtos/serviços glosados estariam enquadrados nas cláusulas 3.8 e 3.8.1 do contrato de AFRETAMENTO. 2.4. Em outras palavras, o RELATÓRIO fugiu completamente ao escopo da diligência solicitada, que visava à verificação da natureza das despesas glosadas e não a uma nova manifestação do auditor fiscal sobre a sua interpretação dos Fl. 7609DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.600 21 contratos e sobre os motivos que ensejaram a lavratura do AUTO. Ressaltese que o RELATÓRIO sequer chegou a responder os quesitos formulados pela RECORRENTE e pelo perito por ela indicado. 2.5. Ainda que não tenha sido objeto da diligência, cabe reiterar, como já havia feito a IMPUGNANTE em sua impugnação e recurso voluntário, que a interpretação dada aos contratos pelo RELATÓRIO está completamente equivocada. Com efeito, conforme alegado pela RECORRENTE na impugnação e no recurso voluntário, os contratos de prestação de serviços e de afretamento prevêem três tipos distintos de despesas, cujo ônus é atribuído, em razão de sua natureza, à RECORRENTE, à AFRETADORA ou à PETROBRAS, como segue: 1) despesas de responsabilidade da AFRETADORA: reparo ou substituição de peças da UNIDADE (cláusula 3.8. do contrato de Afretamento); 2) despesas responsabilidade da RECORRENTE: 2.1.) reparo e substituição da coluna de perfuração (item 1.1. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços); 2.2.) reparo ou substituição de todos os equipamentos de manuseio de coluna de perfuração, tais como, porém não restritos a: cunhas, elevadores, chaves flutuantes, gancho, braços de elevador, spiders, guincho de perfuração, etc. (item 1.1.5. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços); 2.3.) reparo ou substituição da coluna de riser e suas ferramentas de manuseio (observação ao item 1.1.5. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços); 2.4.) manutenção dos equipamentos de segurança, inclusive os auxiliares, necessários para evitar a contaminação do fluido de perfuração ou completação por hidrocarbonetos e os incêndios em consequência de erupções (item 1.4. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços); 2.5.) manutenção e conservação e limpeza da UNIDADE e de todos os equipamentos e instalações nela existentes (item 1.8. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços); 2.6.) manutenção e limpeza do riser de perfuração (item 1.15. do do ANEXO B do contrato de prestação de serviços) ; 2.7.) manutenção, custeio, contratação, transporte e assistência hospitalar de pessoal (cláusulas 3.5.2., 3.6 e 3.7. do contrato de prestação de serviços) ; 2.8.) seguro de bens (cláusula 3.12. do contrato de prestação de serviços); 2.9.) docagem da UNIDADE, incluindo combustível e transporte (cláusula 3.23. do contrato de prestação de serviços); 3) despesas de responsabilidade da PETROBRAS: despesas extraordinárias com a aquisição de materiais e contratação de serviços de terceiros, não decorrentes do contrato de prestação de serviços, mas sim de solicitação expressa da PETROBRAS (cláusulas 3.3., 3.4. e 4.4. do contrato de Prestação de Serviços). Fl. 7610DF CARF MF 22 (...) 2.9. 0 primeiro deles é que, conforme ressaltado na impugnação e no recurso voluntário, não há três responsáveis pela mesma despesa, mas sim responsabilidades que, em função da natureza da despesa, são atribuídas a apenas uma das três pessoas jurídicas envolvidas no afretamento e uso da plataforma para a prestação de serviços relacionados à indústria petrolífera: a RECORRENTE, a AFRETADORA ou a PETROBRAS. Por essa razão, aliás, é que o CARF solicitou a diligência. 2.10. O RELATÓRIO admite que determinadas despesas poderiam referirse tanto ao contrato de prestação de serviço, como ao contrato de afretamento; entretanto, na dúvida, atribui a responsabilidade das despesas ao afretamento. (...) 2.13. Outro equivoco cometido pelo RELATÓRIO foi inverter o ônus da prova. 2.14. A contabilidade em ordem, acompanhada de documentos hábeis, faz prova a favor dos contribuintes, exceto nas hipóteses em que há previsão legal de inversão do ônus da prova, conforme dispõem os §§ 1° a 3° do seu artigo 9o: " § I o . A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2 o . Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no parágrafo 1° . § 3 o . O disposto no parágrafo 2 o não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração." (Destaques não constam do original.) 2.15. Portanto, a contabilização regular das despesas incorridas pelo contribuinte, calcada em documentos comerciais e fiscais hábeis, faz prova a seu favor, sendo do fisco (e não da RECORRENTE, como afirma o RELATÓRIO) o ônus de provar a inveracidade dos fatos registrados na escrituração (§ 2° do art. 9° do DL n° 1.598/77, acima transcrito). (...) 3. DO LAUDO ELABORADO PELO PERITO INDICADO PELA RECORRENTE 3.1. 0 laudo apresentado pela RECORRENTE para comprovar a natureza das despesas glosadas pelo AUTO foi elaborado pelo Sr. José Roberto Adelino da Silva, indicado na petição de 26.05.2014, da empresa KPMG Assessores Tributários LTDA. ("KPMG") (DOC. 0 1 ) . 3.2. 0 trabalho realizado pela KPMG consistiu na análise de 795 notas fiscais, que representam cerca de 70% das glosas; tendo a KPMG concluído que dessas 795 notas analisadas, 653 estão relacionadas à prestação dos serviços de perfuração e estariam assim distribuídas: Despesa (anos de 2006 e 2007) Quantidade de Notas Fiscais Valor envolvido Inspeção da torre de perfuração 45 R$ 2.774.749,00 Manutenção e conservação 347 R$ 7.896.103,00 Despesas de importação 132 R$ 3.005.729,00 Demais itens 129 R$ 1.463.630,00 Total: 653 R$ 15.020.712,00 Fl. 7611DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.601 23 3.5. Ao contrário do que conclui o RELATÓRIO, segundo o laudo elaborado pela KPMG, a quase totalidade das despesas glosadas pelo AUTO referese ao contrato de prestação de serviço sendo, portanto, de responsabilidade da RECORRENTE e não da AFRETADORA, como será adiante demonstrado com maior detalhamento. 4 . DA ANÁLISE DAS NOTAS FISCAIS PELO RELATÓRIO 4.1. Na página 09 do RELATÓRIO, o auditor fiscal faz referência a algumas notas fiscais registradas na conta 23640 ("Artigos de Consumo em Geral"), correspondentes à aquisição de óleo diesel marítimo e combustível (como, por exemplo, as notas fiscais n°s 13334 e 11891, emitidas pela empresa Lumas Macaé Comércio e Representação Ltda.) e conclui que tais despesas seriam de responsabilidade da AFRETADORA, sob o fundamento de que a cláusula 4.6. do contrato de afretamento atribuiria à afretadora os gastos com docagens, combustível e água, necessários à operação e à limpeza da plataforma UNIDADE). 4.2. 0 RELATÓRIO simplesmente desconsidera a cláusula 3.23. do contrato de prestação de serviços, que atribui à RECORRENTE a obrigação de "arcar com todas as despesas, inclusive óleo diesel e transporte da UNIDADE, para docagens", bem como o item 1.8 do ANEXO B do mesmo contrato, que também atribui à RECORRENTE a responsabilidade pelos "serviços de manutenção, de conservação e de limpeza da UNIDADE [plataforma]". 4.3. As notas fiscais n°s 13334 e 11891, citadas a titulo exemplificativo pelo RELATÓRIO, constam do laudo da KPMG como despesas relativas à aquisição de óleo lubrificante utilizado na manutenção dos equipamentos da plataforma, de responsabilidade da RECORRENTE, na forma do item 1.8. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços. 4.4 Logo em seguida, na página 10 do RELATÓRIO, o auditor fiscal faz referência a algumas notas fiscais registradas pela RECORRENTE nas contas "Drilling 23662", "Subsea 23797", "Máquina 23946", "Embarcação 24093", "Elétrica 24242" e "Eletrônica 24271", correspondentes à prestação de serviços e aquisições de materiais relacionados com o reparo e a reposição dos tubos de perfuração, comandos e outros componentes das colunas de perfuração, de produção e de pescaria; os quais seriam de responsabilidade da proprietária da embarcação, ou seja, da AFRETADORA, nos termos das cláusulas 3.8. e 3.8.1 do contrato de afretamento. 4.5 De acordo com o laudo da KPMG, os custos relativos à inspeção da torre de perfuração seriam de responsabilidade da RECORRENTE, nos termos dos itens 1.1., 1.1.5., 1.1.15. e 1.1.15.1 do ANEXO B do contrato de prestação de serviços. 4.6. Das 16 notas fiscais citadas nesta parte do RELATÓRIO, 13 constam do laudo da KPMG como despesas relacionadas ao contrato de prestação de serviços, como segue: "23662 DRILLING": Nota Fiscal n° 2359: de acordo com o laudo da KPMG referese à manutenção das colunas de perfuração, de responsabilidade da RECORRENTE, nos termos do item 1.1. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços; Nota Fiscal n° 627: segundo o laudo da KPMG,os serviços de solda necessários às operaçõesde perfuração, completação, abandono de poços e manutenção devem ser fornecidos e serão por conta da RECORRENTE; Fl. 7612DF CARF MF 24 23797 SUBSEA": Nota Fiscal n° 934: referese a serviços em flutuados; pelo laudo da KPMG, o flutuador mantém a coluna de riser submersa em determinada posição; tratase de um serviço de acordo com o item 1.1.5. do contrato de prestação de serviços e, portanto, de responsabilidade da RECORRENTE; Nota Fiscal n° 17173: referese a serviços de reparo do conector do sistema BOP, os quais são de responsabilidade da RECORRENTE em conformidade com o disposto no item 10.2. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços; "23946 MÁQUINA": Nota Fiscal n° 2109: referese a serviços técnicos para manutenção dos equipamentos da UNIDADE, de responsabilidade da RECORRENTE nos termos do item 1.8. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços; Nota Fiscal n° 622: de acordo com a KPMG referese a serviços de reparação, montagem, sondagem, inspeção e pintura em 3 spools de 12 (trecho da tubulação, contendo tubos, curvas, reduções, prémontado que será soldado a outros spools para completar uma linha), os quais seriam de responsabilidade da RECORRENTE em conformidade com o item 1.8. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços; Nota Fiscal n° 181: tratase de material necessário para limpeza dos dutos do ar condicionado e dutos de exaustão da cozinha, os quais, segundo o laudo da KPMG, seriam de responsabilidade da RECORRENTE na forma do item 1.8. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços; "2 4 0 93 EMBARCAÇÃO": Nota Fiscal n° 1545: de acordo com o laudo da KPMG, tratase de serviço de reciclagem (recarga/manutenção) do HALON (composto químico utilizado em sistemas de supressão de incêndio), de responsabilidade da RECORRENTE, uma vez que o item 1.8. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços atribui à RECORRENTE a obrigação de manutenção e conservação de todos os equipamentos e instalações existentes na UNIDADE, inclusive dispositivos de segurança; Nota Fiscal n° 3385: tratase de serviços para proteção das colunas da plataforma, de responsabilidade da RECORRENTE em conformidade com o item 1.8 do AENXO B do contrato de prestação de serviços; Nota Fiscal n° 37094: tratase de aquisição de grade de piso para substituição da existente a bordo, e que, de acordo com o laudo da KPMG, seria de responsabilidade da RECORRENTE em razão do item 1.8. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços. (...) 4.7. O laudo da KPMG comprova que essas despesas não se referem ao reparo ou à substituição de peças da própria plataforma (UNIDADE), que seriam de responsabilidade da AFRETADORA, mas sim a despesas de reparo, substituição, manutenção, pintura, solda etc de equipamentos, as quais são inerentes ao contrato de prestação de serviços, conforme ANEXO B do contrato de prestação de serviços. 4.8. Ao que parece, o auditor fiscal não admite que a execução dos serviços de perfuração, avaliação e/ou completação e/ou workover de poços de petróleo e/ou gás (objeto do contrato de prestação de serviço celebrado entre a RECORRENTE e a PETROBRAS) acarreta o desgaste de equipamentos contidos na plataforma, que, por essa razão, devem ser reparados ou substituídos. Repitase, sendo tais reparos e Fl. 7613DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.602 25 substituições decorrentes do uso da plataforma na prestação dos serviços, nada mais lógico do que serem suportados pela prestadora dos serviços, que, no caso, é a RECORRENTE, e não pela afretadora da plataforma. 4.9. Nesse aspecto, como bem asseverado pelo laudo, o fato de a fiscalização por parte da PETROBRAS (item 1.1. do referido ANEXO B) não ter sido realizada, não desqualifica a natureza dos custos incorridos pela RECORRENTE, tendo em vista que o foram no propósito de cumprir uma obrigação contratual. (...) 4.12. Segundo o RELATÓRIO, na conta 10317 ("Outros Custos Operacionais"), teriam sido registradas despesas com aluguel de equipamentos, impostos decorrentes da importação de máquinas, e serviços de proteção ambiental, as quais seriam de responsabilidade da AFRETADORA, na medida em que, nos termos da cláusula 3.8.1 do contrato de afretamento, caberia a ela (AFRETADORA) arcar com os custos de substituição e reparos de equipamentos da plataforma, incluindo as respectivas despesas com impostos e taxas. 4.13. O laudo da KPMG conclui que o item 2.17 do ANEXO B do contrato de prestação de serviços não deixa dúvidas quanto à responsabilidade da RECORRENTE pelas despesas alfandegárias, taxas, inclusive as de agenciamento, licenças, tributos ou encargos similares relativos à importação ou embarque para a plataforma de todos os equipamentos e bens utilizados pela RECORRENTE. (...) 4.15. A Nota Fiscal n° 14221 referese à locação de guindaste para manuseio de equipamentos, de responsabilidade da RECORRENTE nos termos do item 2.5. do ANEXO B do contrato de prestação de serviços, o qual determina ser da RECORRENTE a obrigação de manuseio e armazenamento dos materiais e equipamentos por ela fornecidos. 4.16. Já as notas fiscais n°s 6298 e 2034 referemse, respectivamente, à locação de Yokohamas para proteção do casco e a serviços de barreiras de contenção ambientação, ambos, segundo o laudo, necessários durante a docagem na Baia de Guanabara e de responsabilidade da RECORRENTE em razão do disposto na cláusula 3.23. do contrato de prestação de serviços. (...) 4.20. Como se verifica, o RELATÓRIO e o laudo da KPMG chegam a conclusões divergentes. Tal divergência decorre do fato de ter o auditor fiscal desconsiderado por completo as obrigações atribuidas à RECORRENTE pelo contrato de prestação de serviços. Finalmente, foram os autos a mim distribuídos para relato e elaboração do voto. É o relatório. Fl. 7614DF CARF MF 26 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto n° 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Conforme podemos verificar do extenso relatório, que contextualiza os aspectos mais relevantes do processo, desde o seu nascedouro, com a lavratura do auto de infração, passando pela impugnação da recorrente, pela decisão de 1ª instância, pelo recurso voluntário e pela diligência requerida por esta Turma Julgadora, a questão fulcral para o deslinde da controvérsia posta em julgamento é determinar se os custos e as despesas objeto de glosa pela autoridade fiscal são de responsabilidade da recorrente (prestadora de serviços) ou de sua controladora no exterior (afretadora). Se chegarmos à conclusão de que as glosas incidiram sobre custos/despesas de responsabilidade da afretadora da plataforma de petróleo, conforme o contrato que firmou com a PETROBRÁS, nenhum reparo deve ser feito ao auto de infração, que fundamentou a constituição do crédito tributário na apropriação de custos/despesas consideradas desnecessárias. Assim, partiremos da análise dos contratos, tanto o de afretamento, quanto o de prestação de serviços, como etapa primeira para a elaboração de nosso raciocínio. Após a verificação dos contratos, fazse necessário identificar, para cada grupo de custos/despesas, quais se adequam a um ou a outro contrato. Mas, antes de tudo, relembremos alguns fatos, já apontados no relatório, é bem verdade, mas que se fazem necessários para entender a conjuntura em que inserida a presente matéria. Temos como atores nesse contexto a empresa PETROBRAS (que dispensa apresentações), contratante dos serviços de afretamento e dos serviços de perfuração, avaliação (avaliar qualitativamente e quantitativamente o potencial de uma jazida petrolífera, ou seja, a sua capacidade produtiva e a valoração das suas reservas) e/ou completação (instalação de todo aparelhamento necessário para que o poço possa produzir com segurança o petróleo e/ou gás) e/ou "workover" (intervenções futuras para a manutenção do poço) de poços de petróleo e/ou gás. A plataforma pertence à empresa LOUISIANA OVERSEAS INC (daqui em diante denominada apenas de LOUISIANA), com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, tendo sido afretada à PETROBRÁS, pelo contrato nº 101.2.155.96.0. Já o contrato de prestação de serviços de perfuração, avaliação e/ou completação e/ou workover de poços de petróleo e/ou gás foi firmado com a empresa PETROSERV S/A, tendo esta cedido todos os direitos relativos à avença para a empresa VENTURA PETRÓLEO S/A (recorrente, daqui em diante denominada de VENTURA), ambas sediadas no Brasil. Ambos os contratos possuem cláusulas que os vinculam entre si. Fl. 7615DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.603 27 A empresa estrangeira, afretadora da plataforma, é controladora direta da empresa VENTURA (com mais de 99% de participação societária); ambas possuem os mesmos dirigentes, que assinam todos os contratos e aditivos realizados com a PETROBRÁS. Os contratos firmados com a PETROBRÁS seguem um padrão de contratação estabelecido pela empresa e que se repete com inúmeros outros prestadores de serviço da petroleira. Nesse tipo de contratação, a empresa estrangeira firma com a PETROBRÁS dois contratos distintos: um de afretamento de embarcações/plataformas, firmado com a empresa controladora no exterior, e outro com a empresa sediada no Brasil, responsável pela prestação de serviços de perfuração, avaliação etc. O primeiro contrato, de afretamento, representa cerca de 80% do somatório dos valores envolvidos; já o segundo, de prestação de serviços, importa no complemento, ou seja, cerca de 20% do total contratado. A empresa VENTURA tem operado, sistematicamente, no prejuízo, ano após ano, mantendose apenas graças a aportes financeiros de sua controladora no exterior (ingressos esses contabilizados como empréstimos). Em 2007 esse empréstimos importaram em R$25.159.290,00. O direcionamento ao exterior da maior parte dos valores contratados, é isento do pagamento do imposto de renda retido na fonte, haja vista que em tais operações (afretamento de embarcações) a alíquota é zero, por força do disposto no art. 12, inciso I, da Lei nº 9.481/97. Além do mais, a controladora no exterior, para onde é direcionada a maior parte dos valores contratados, está localizada em paraíso fiscal. Análise dos contratos Abaixo reproduzo as principais cláusulas constantes do contrato de afretamento (v. fls. 228/395), firmado entre a PETROBRÁS e a empresa LOUISIANA. Fl. 7616DF CARF MF 28 Talvez o grande ponto de discórdia entre a fiscalização e a contribuinte resida nestas cláusulas acima, mais especificamente as de nº 3.8 e 3.8.1, que prevêem ser de inteira responsabilidade da afretadora, LOUISIANA, a reposição dos equipamentos, materiais e acessórios, necessários ao perfeito funcionamento da UNIDADE, bem assim as despesas com reparos de qualquer natureza. A cláusula 3.8.1 vai mais além, atribuindo a responsabilidade à afretadora por todas e quaisquer despesas, inclusive impostos e taxas devidos desde a Fl. 7617DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.604 29 aquisição dos equipamentos, sobressalentes e materiais, até a instalação ou colocação destes na UNIDADE. Ora, tais cláusulas têm um peso considerável para a resolução da pendenga, haja vista que a UNIDADE deve ser entregue à PETROBRÁS pronta para entrar em operação, com todos os equipamentos necessários aos procedimentos de perfuração, avaliação e/ou completação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás. E a responsabilidade da afretadora não se resume à entrega da embarcação pronta para uso, mas também à sua perfeita condição de uso durante todo o período de duração do contrato. É o que se abstrai da cláusula 3.2, que determina ser responsabilidade da afretadora a manutenção da UNIDADE, seus pertences, acessórios e elementos de substituição, durante TODO O PERÍODO CONTRATUAL, em perfeitas condições de funcionamento. Da leitura atenta de tais cláusulas, concluise que toda e qualquer intervenção realizada no sentido de manter a plataforma em perfeitas condições de uso, através de reparos e/ou substituições dos equipamentos que integram seus vários sistemas, conforme foram entregues ao princípio do contrato, são de inteira responsabilidade da afretadora. Fl. 7618DF CARF MF 30 Fl. 7619DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.605 31 Fl. 7620DF CARF MF 32 Da mesma forma, em relação ao contrato de prestação de serviços firmado entre a PETROBRÁS e a VENTURA, destacamos as seguintes cláusulas: Esta cláusula é praticamente idêntica à cláusula nº 3.1 do contrato de afretamento. A única diferença, é que no caso do contrato de afretamento, consta a expressão "liberada para navegar", enquanto que neste contrato consta "liberada para iniciar as operações". Também são bastante citadas estas cláusulas, a 3.3 e 3.4, em conjunto com a 4.2, apresentada mais adiante, haja vista que lastreiam uma das principais alegações da fiscalização para fundamentar as glosas que foram empreendidas. Estas cláusulas determinam que os materiais necessários à prestação dos serviços objeto deste contrato (perfuração, avaliação, completação etc) bem assim a contratação de serviços de terceiros, especializados, também vinculados ao objeto do contrato, disponíveis no país, serão objeto de ressarcimento por parte da PETROBRÁS. Assim, de um lado a manutenção e a reposição de peças, equipamentos etc, seria de responsabilidade da afretadora (LOUISIANIA), e de outro, o fornecimento de materiais e serviços especializados necessários para a execução do contrato com a VENTURA, seriam arcados pela PETROBRÁS. Fl. 7621DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.606 33 Aqui também está prevista a responsabilidade da VENTURA pela contratação de seguros, porém destinados à cobertura de seus bens e de seu pessoal. Já no contrato de afretamento, também existe cláusula semelhante, a de nº 3.15, porém, prevendo a cobertura da UNIDADE e de seus pertences. Assim, quaisquer despesas de seguros que porventura venham a estar contidas nas glosas deverão estar perfeitamente atreladas às suas coberturas específicas. As cláusulas 3.21, 3.21.1 e 3.21.2 acima são praticamente idênticas às de nº 3.6, 3.6.1 e 3.6.2 do contrato de afretamento. Esta cláusula, a princípio, poderia colidir com o disposto no item 4.6 e seus subitens, do contrato de afretamento, e no item 4.5 deste contrato (ambas obrigações assumidas pela PETROBRÁS junto aos contratados). No contrato de afretamento está claramente estabelecido que todo o combustível necessário às operações será de responsabilidade da PETROBRÁS, a não ser nos períodos de docagem da UNIDADE, em que a responsabilidade por tais despesas passariam a ser da empresa LOUISIANA (afretadora), desde a interrupção das operações até o seu retorno à situação anterior. A interpretação conjunta de todas essas cláusulas nos faz concluir que o dispositivo acima aplicarseia apenas e tão somente nos casos em que a plataforma tenha que suspender suas operações, sendo transportada à docagem, na ocorrência de caso fortuito ou força maior, o que deverá estar perfeitamente caracterizado para efeito de dedução das respectivas despesas. Notese que o pessoal mencionado nas cláusulas acima e constantes do Anexo E são exatamente os mesmos, em quantidade e qualificação, daqueles constantes do Anexo E do contrato de afretamento. Abaixo reproduzo esse anexo: Fl. 7622DF CARF MF 34 Fl. 7623DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.607 35 Comparando essas cláusulas com as de nº 4.4, 4.4.1 e 4.4.2 do contrato de afretamento, chegase à conclusão que a responsabilidade da VENTURA, neste ponto, se limita aos custos com a INSPEÇÃO tubular da coluna de perfuração, bem assim de todos os equipamentos que realizem o seu manuseio (cunhas, elevadores, chaves flutuantes etc). Já os custos com a REPOSIÇÃO OU REPARO de tais equipamentos, no caso de acidentes não devidos a desgastes normais ou à ação ou omissão culposa da afretadora (LOUISIANA), são de responsabilidade da PETROBRÁS; nos demais casos essa responsabilidade é da LOUISIANA (vide cláusulas 4.4 e 4.4.2 do contrato de afretamento). A recorrente se apega muito a esta cláusula para justificar alguns dos gastos glosados pela fiscalização. Entretanto, devese ter em mente o perfeito alcance das expressões manter e conservar, além do significado a ser dado à oração "se responsabilizará pelos serviços Fl. 7624DF CARF MF 36 de manutenção, de conservação e limpeza da UNIDADE e de todos os equipamentos e instalações existentes...". Das Glosas efetuadas – Ano calendário de 2007 Vistas as cláusulas principais dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, passemos à análise das glosas efetuadas. No ano calendário de 2007, o total de custos/despesas glosados importou em R$18.161.344,50. Deste total, R$12.765.799,76 referemse à conta 3.1.2.1.4 "Reparos/Manutenção Geral SS51" (que diz respeito à plataforma), e os demais R$5.395.534,74 dizem respeito à conta 3.1.2.1.5 "Outros Custos Operacionais". Fl. 7625DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.608 37 Já a glosa das exclusões, relativas a despesas incorridas em 2006 mas que tiveram reflexo tributário apenas em 2007, importaram em R$6.259.597,19, e foram contabilizadas nas mesmas contas acima referidas. Quando intimada a justificar a característica/finalidade das referidas contas a interessada limitouse a informar que nelas são escriturados os custos operacionais referentes aos materiais e serviços de terceiros necessários ao cumprimento de suas obrigações contratuais (v. fls. 1591). Como já tivemos oportunidade de verificar, a fiscalização enquadrou a infração nos arts. 249, inciso I, 251, parágrafo único, 299 e 300 do RIR/1999. Já a glosa da exclusão, referente às despesas incorridas no ano de 2006 (de mesma natureza das despesas glosadas em 2007), foram enquadradas no art. 250 do RIR/1999. Fundamentalmente, as glosas se deram por terem os custos e despesas sido considerados desnecessários. A legislação tributária determina que os gastos para os quais não houver prova da contrapartida do serviço prestado configuram mera liberalidade, para efeitos fiscais, sendo vedado a sua dedução no cálculo do lucro real. Importa determinar, então, se os custos/despesas glosados tem a ver com a prestação de serviços para o qual a recorrente foi contratada junto à PETROBRÁS. Se chegarmos à conclusão de que os respectivos custos/despesas não são atribuíveis à atividade para o qual o contrato foi firmado, nenhum reparo haverá que se fazer ao auto de infração. Abaixo destacamos os valores glosados em 2007: Fl. 7626DF CARF MF 38 O objeto da diligência solicitada por esta Turma era de, fundamentalmente, verificar se os custos/despesas acima, glosados pela fiscalização, referirseiam à operação/manutenção da plataforma ou se eram necessários à execução dos serviços contratados junto à recorrente. Ainda, se houvessem custos/despesas rateados, quantificar o que corresponderia a cada parte. Assim, partindo da análise empreendida pelo perito da Fazenda Nacional, Auditor Fiscal Alexandre Ferrari Araújo, consubstanciada no Relatório de fls. 7454/7477, e confrontandoa com a manifestação da recorrente, anexada às fls. 7510/7528, e no laudo do perito por ela indicado, constante de fls. 7532/7586, e ainda, considerando os aspectos já Fl. 7627DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.609 39 apontados em relação às principais cláusulas de ambos os contratos firmados, devemos chegar à conclusão se as glosas são devidas ou não. Inicialmente, cabe informar que as conclusões a que chegaram as partes após a perícia requerida por esta Turma foram diametralmente opostas, conforme poderemos facilmente observar. O primeiro grupo de despesas objeto de análise por parte da perícia da Fazenda Nacional é o denominado de "Outros Serviços", conta 23478, que importou em R$2.578.612,83. Neste grupo de custos e despesas realça o valor de R$2.473.038,65, correspondente à conta 23640 Artigos de Consumo em Geral. Segundo a perícia da Fazenda Nacional, deste valor foram pinçados R$943.250,65 que se refeririam a pagamentos efetuados à PETROBRÁS a título de Óleo Diesel Marítimo (combustível). Ainda, outros R$1.080.989,50, referirseiam a pagamentos realizados à empresa Lumar Macaé Com. Repres. Ltda. a título de aquisição de combustível. Com relação ao combustível, a perícia da Fazenda Nacional atribui a responsabilidade à PETROBRÁS, por força da cláusula de nº 4.6 do contrato de afretamento, que versa, de forma textual, "Fornecer, por sua conta, todo o combustível e água necessários às operações, observandose o disposto no subitem 4.6.1 a partir do início do contrato, até o seu término, conforme definidos nos subitens 2.2.1 e 2.2.2, respectivamente". E durante os períodos de docagem da UNIDADE, essa responsabilidade seria de inteira responsabilidade e custo da afretadora, LOUISIANA (item 4.6.3 do contrato de afretamento). Já a recorrente, em relação a essas despesas com combustível, avoca o disposto no item 3.23 do contrato de prestação de serviços, que assim dispõe: "arcar com todas as despesas, inclusive óleo diesel e transporte da UNIDADE, para docagens"(grifei). Ora, contrastando todos as cláusulas levantadas pelas partes, e relembrando os comentários que fizemos anteriormente quando da análise da cláusula 3.23, verificase que a VENTURA somente seria a responsável pelo combustível no caso de transporte da UNIDADE para docagens quando a plataforma tiver que suspender suas operações, por ocasião de caso fortuito ou força maior, o que deverá estar perfeitamente caracterizado para efeito de dedução das respectivas despesas. Portanto, neste caso, não assiste razão à recorrente, haja vista que não demonstrou que tais gastos foram realizados quando do transporte da UNIDADE para docagem na situação acima indicada. Já com relação aos pagamentos realizados à empresa LUMAR, tem razão a recorrente quando alega trataremse de despesas com óleos lubrificantes, e não combustível, como assentou a perícia da Fazenda Nacional. Verificamos junto aos respectivos fabricantes dos produtos constantes das Notas Fiscais de nº 13334 e 11891 (fls. 831 e 932 respectivamente) e constatamos tratarse de óleos lubrificantes, tanto para máquinas quanto para motores marítimos. Ocorre que as despesas com óleos lubrificantes são de inteira responsabilidade da afretadora, conforme se verifica no "Anexo B Obrigações Mútuas", item 6, do contrato de afretamento (já reproduzido anteriormente neste voto). Assim, apesar do erro da perícia, isso não isenta a recorrente desta glosa, que tentou argumentar serem despesas inseridas no item 1.8 do Anexo B de seu contrato ("serviços de manutenção, de conservação e de limpeza da UNIDADE"). Evidentemente, óleos lubrificantes utilizados em máquinas e motores não são itens de manutenção, conservação ou muito menos de limpeza. Razões pelas quais mantidas as glosas desta conta. Fl. 7628DF CARF MF 40 Em relação à despesa com seguros , verificamos da análise dos contratos, que tanto a afretadora quanto a prestadora de serviços são as responsáveis pela contratação de tais despesas para cobrir eventuais sinistros sobre os seus bens em particular (cláusula 3.15 do contrato de afretamento e 3.12 do de prestação de serviços). Assim caberia à recorrente comprovar que as despesas com seguros estão atreladas às suas coberturas específicas, o que ela não fez. Portanto, a glosa de tais custos/despesas também deve ser mantida. Em relação às demais contas, a perícia da Fazenda Nacional elencou, a título ilustrativo, algumas notas fiscais relativas a cada grupo de custo/despesa para, ao final, firmar sua convicção de que as glosas são devidas. O primeiro grupo de custos/despesas, lembrando que estamos tratando de uma conta denominada de REPAROS E MANUTENÇÃO, é denominado de "23662 DRILLING" (sistema de perfuração). Neste grupo, a perícia indicou 03 notas fiscais para exemplificar a natureza das despesas. a) NF nº 002359 Smith International do Brasil Ltda serviços de eletromag em drill pipe, refaceamento em torno, usinagem, retirada de hardbarnco, deposição de hardbanding; valor de R$183.340,00; b) NF nº 4390 MI SWACO do Brasil aquisição de telas L2DXR MESH BRAND; valor de R$140.270,67; c) NF nº 627 CONTROTERMI serviços de caldeiraria e soldagem da plataforma; valor de R$82.282,00. A perícia considerou que tais despesas/custos são de responsabilidade da afretadora (LOUISIANA), com base no disposto nos itens nº 3.8, 3.8.1, 4.4 e 4.4.2. Argumenta que o item 3.8 determina à afretadora a reposição dos equipamentos, materiais e acessórios, necessários ao perfeito funcionamento da UNIDADE. Já o item 3.8.1, abrangeria todas e quaisquer despesas, inclusive impostos e taxas devidos desde a aquisição dos equipamentos, sobressalentes e materiais, até a instalação ou colocação destes na UNIDADE. Assevera ainda que estão incluídas nas obrigações da PETROBRÁS reembolsar a LOUISIANA pelo custo de reposição ou reparo dos tubos de perfuração, comandos e outros componentes de perfuração, coluna de produção e coluna de pescaria, quando perdidos ou danificados em acidentes ocorridos durante as operações (vide item 4.4). O item 4.4.2 vai mais além para atribuir a responsabilidade da afretadora em relação a estes custos/despesas, determinando que no caso de identificado qualquer problema na coluna de perfuração por conta de inspeções realizadas pela PETROBRÁS, os custos com sua reparação serão arcados pela afretadora. A recorrente alega que tais custos/despesas, segundo o laudo de sua perícia contratada (KPMG, fls. 7532/7586), são de inteira responsabilidade da prestadora de serviços, avocando as cláusulas nº 1.1, 1.1.5, 1.1.15 e 1.1.15.1 do Anexo B do contrato de prestação de serviços. A recorrente contesta a interpretação dada pela perícia da Fazenda Nacional, que lastreou suas conclusões nas cláusulas nº 3.8, 3.8.1, 4.4 e 4.4.2. Entretanto, não traz nenhuma justificativa, técnica que seja, para ancorar o argumento de que tais custos/despesas estão albergados pelas cláusulas nº 1.1, 1.1.5, 1.1.15 e 1.1.15.1 do Anexo B do contrato de prestação de serviços. Simplesmente diz que estão cobertas por estas cláusulas, nada mais. O relatório da KPMG, igualmente, não traz nenhuma justificativa técnica para alicerçar suas Fl. 7629DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.610 41 conclusões, simplesmente diz que as notas fiscais verificadas estão cobertas por um ou por outro dispositivo contratual. Neste caso, as cláusulas levantadas pela recorrente referemse a custos com serviços de inspeção. Como já tivemos oportunidade de comentar, ao analisar o contrato de prestação de serviços, da comparação com as cláusulas de nº 4.4, 4.4.1 e 4.4.2 do contrato de afretamento, chegase à conclusão que a responsabilidade da VENTURA, neste ponto, se limita aos custos com a INSPEÇÃO TUBULAR DA COLUNA DE PERFURAÇÃO, bem assim de todos os equipamentos que realizem o seu manuseio (cunhas, elevadores, chaves flutuantes etc). Já os custos com a REPOSIÇÃO OU REPARO de tais equipamentos, no caso de acidentes não devidos a desgastes normais ou à ação ou omissão culposa da afretadora (LOUISIANA), são de responsabilidade da PETROBRÁS; nos demais casos essa responsabilidade é da LOUISIANA (vide cláusulas 4.4 e 4.4.2 do contrato de afretamento). Portanto, correta a conclusão a que chegaram tanto a fiscalização quanto a perícia da Fazenda Nacional em relação à glosa desses custos/despesas. Poderíamos avançar e tratar individualizadamente dos demais grupos de custos/despesas integrantes desta conta de manutenção e reparos da plataforma (SUBSEA, MÁQUINA, EMBARCAÇÃO, ELÉTRICA e ELETRÔNICA), entretanto, o raciocínio lógico e a conclusão final é a mesma, ou seja, que tais custos/despesas são efetivamente aplicados ou decorrentes de manutenção e reparos/substituição de equipamentos e/ou estruturas e sistemas integrantes da UNIDADE, sendo, portanto, de responsabilidade da afretadora ou, em alguns casos, da própria PETROBRÁS, arcar com os desembolsos respectivos. Esperavase que a recorrente, uma empresa especializada em operações de exploração de petróleo/gás se defendesse com argumentos técnicos, identificando, para cada gasto realizado, o serviço ao qual estaria vinculado, de acordo com suas atribuições contratuais. Entretanto, quando questionada pela fiscalização, ainda à época do procedimento fiscal, a justificar a característica/finalidade das contas nº 3.1.2.1.4 Reparo e Manutenção da Plataforma e nº 3.1.2.1.5 Outros Custos Operacionais, respondeu, laconicamente, que nelas são escriturados os custos operacionais referentes aos materiais e serviços de terceiros necessários ao cumprimento de suas obrigações contratuais. Deveria ter detalhado quais os serviços que realiza efetivamente e para o qual foi contratado, identificando quais os equipamentos que utiliza e que lhe são próprios (estes sim, passíveis de apropriação dos custos de manutenção e reparos). Mas não o fez, preferindo o caminho fácil de simplesmente dizer que os custos/despesas glosados são de sua responsabilidade por força desta ou daquela cláusula contratual. Por essas razões, ganham força as argumentações expendidas tanto pela autoridade fiscal quanto pela perícia da Fazenda Nacional, haja vista que da leitura da discriminação dos produtos e/ou serviços constantes das notas fiscais analisadas, chegase à conclusão de que tais gastos foram incorridos com a substituição/reparo dos equipamentos e/ou sistemas que fazem parte da plataforma como um todo. E nesse caso, é patente a responsabilidade da afretadora (LOUISIANA), de acordo com as cláusulas contratuais anteriormente citadas. A recorrente alega que caberia à fiscalização o ônus de provar que a contabilização dos custos/despesas não corresponde à realidade dos fatos, pois a escrituração Fl. 7630DF CARF MF 42 mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. Em momento algum a fiscalização lançou suspeitas sobre a validade ou autenticidade dos documentos fiscais regularmente contabilizados. Se insurgiu a fiscalização contra a vinculação desses documentos/lançamentos contábeis às receitas da recorrente, o que lhe autorizaria a considerálas dedutíveis para efeito de apuração do Lucro Real. Como bem assentou a decisão da DRJ (v. fls. 1849), tais documentos/lançamentos "devem comprovar que os dispêndios correspondem efetivamente à contrapartida de algo recebido, além de serem inerentes às operações da empresa, ou delas decorrerem ou com elas se relacionarem". Então, neste ponto, caberia, sim, à recorrente, a prova de que tais custos/despesas estão intrinsecamente relacionadas ao contrato que firmou com a PETROBRÁS, de prestação de serviços. Por essa razão descabe a alegação da recorrente de que a Decisão da DRJ teria inovado ao por em dúvida a própria existência da despesa, "na medida em que afirma que a RECORRENTE não teria fornecido documentos que comprovassem a efetividade da despesa" (v. fls. 1877). Inovação por parte da DRJ, efetivamente não houve, conforme podemos verificar da leitura do parágrafo anterior e do teor da respectiva Decisão (v. fls. 1820/1862). A conta 10317 Outros Custos Operacionais, também glosada pela fiscalização, soma o valor de R$5.395.534,74, estando assim estruturada: Segundo o relatório elaborado pela perícia da Fazenda Nacional, à exceção da conta "Aluguel de Equipamentos", todas as demais contas se referem ao pagamento de impostos, taxas e despesas vinculadas à importação de máquinas e equipamentos. Segundo a perícia, tais custos/despesas estariam albergados pela cláusula 3.8.1 do contrato de afretamento: Fl. 7631DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.611 43 Como a recorrente não esclareceu à perícia a quais gastos tais despesas se refeririam, aduziu o Auditor Fiscal responsável pelos trabalhos que tais valores deveriam ter sua glosa mantida. Já em relação ao aluguel de equipamentos, a perícia citou, a título exemplificativo, as seguintes notas fiscais para fundamentar suas conclusões: 1) NF nº 14221 SUPERPESA Cia de Transportes Especiais e Intermodais "mobilização e desmobilização da balsa SPV III com guindaste LG1280 para substituição de 02 thuruster's na baía de Guanabara"; valor de R$109.473,68; 2) NF nº 6298 PREAMAR Serviços Marítimos Ltda locação de YOKOHAMAS para proteção da plataforma; valor de R$72.480,00; 3) NF nº 2034 POLOMAR Serviços Técnicos Marítimos & Terrestres serviços de proteção ambiental durante a operação da plataforma na baía de Guanabara; valor de R$57.960,00. Segundo a perícia, a glosa dessa espécie de custo/despesa deve ser mantida haja vista o disposto na cláusula nº 3.8.1 do contrato de afretamento. Já a recorrente alega, em relação a cada uma das notas fiscais apontadas pela perícia, o seguinte: 1) em relação à despesa com a locação de guindaste, defende estar albergada pela cláusula de nº 2.5 do Anexo B do contrato de prestação de serviços, que estabelece ser da recorrente a obrigação de manuseio e armazenamento dos materiais e equipamentos por ela fornecidos; 2) em relação à locação de YOKOHAMAS para proteção do casco e os serviços de barreiras para contenção ambiental, estariam albergados pelo item 3.23 do contrato de prestação de serviços, eis que necessários à docagem da plataforma na baía de Guanabara. Mais uma vez equivocamse, tanto a recorrente quanto a sua perícia, em atribuir tais despesas ao contrato de prestação de serviços. Os “Thrusters” são propulsores utilizados para auxiliar as embarcações no seu posicionamento dinâmico, evitando que ela se desloque além do necessário (em função dos ventos, ondas e correntes marítimas) para o seu perfeito funcionamento. Assim, pertencem, por óbvio, aos sistemas da própria plataforma. Também por óbvio, toda e qualquer despesa necessária ao seu reparo ou substituição, forçosamente, por força do contrato de afretamento, é de responsabilidade da LOUISIANA. Da mesma forma, YOKOHAMAS são grandes defensas pneumáticas, flutuadores utilizados para evitar que o casco da embarcação colida com outras embarcações ou com as docas. São acessórios à própria plataforma, constituindose em equipamentos de segurança da mesma. Portanto, são atribuíveis ao contrato de afretamento e não ao de prestação de serviços como quer fazer crer a recorrente. Em relação aos demais itens de custo/despesa, discriminados como impostos, taxas e despesas vinculadas à importação de máquinas e equipamentos, também considero ser devida a glosa empreendida. A recorrente não trouxe aos autos provas de que tais itens Fl. 7632DF CARF MF 44 estariam vinculados a custos/despesas decorrentes do seu contrato de prestação de serviços com a PETROBRÁS. Além do mais, conforme assentado pela perícia da Fazenda Nacional, todos esses itens estariam vinculados a pagamentos decorrentes da importação de máquinas e/ou equipamentos. Ora, se da análise que empreendemos até agora, chegamos à conclusão de que todas as glosas são devidas, por uma questão de lógica, os impostos, taxas e despesas vinculadas à importação dos equipamentos reparados e/ou repostos também correspondem ao contrato de afretamento, sendo de responsabilidade da empresa LOUISIANA. A recorrente em sua manifestação ao relatório da perícia da Fazenda Nacional (v. fls. 7510/7528), alega que o Auditor Fiscal responsável pela diligência não teria respondido aos quesitos formulados por ela e por seu perito contratado. Isso não é verdade. O perito da Fazenda Nacional dedicou um capítulo inteiro de seu relatório para responder aos quesitos da recorrente (vide item 5 do relatório fiscal, fls. 7467/7475). Aduz ainda a requerente que o relatório admitiria que determinadas despesas poderiam referirse tanto ao contrato de prestação de serviços quanto ao de afretamento. Entretanto, na dúvida, a perícia fiscal teria atribuído a responsabilidade das despesas ao afretamento. Também não é verdade que o relatório tenha adotado tal postura. Pelo menos, não encontro no referido Relatório tal assertiva. O que o Relatório Fiscal aduz é que existem três atores intervindo nos dois contratos analisados, VENTURA, LOUISIANA e PETROBRÁS, cada um deles responsável pelo pagamento de determinados custos/despesas, de acordo com as respectivas previsões contratuais (v. fls. 7470). O perito fiscal, diante deste quadro, reitera o entendimento da autoridade autuante e da DRJ, no sentido de que caberia à recorrente fazer prova de que essa ou aquela despesa é efetivamente de sua responsabilidade, diante dos contratos existentes. A recorrente em sua manifestação ao Relatório Fiscal alega que, segundo o laudo da KPMG, "a quase totalidade das despesas glosadas pelo AUTO referese ao contrato de prestação de serviço, sendo, portanto, de responsabilidade da RECORRENTE e não da AFRETADORA". Segundo a KPMG esse percentual seria de 82%. Em seu laudo, a KPMG atesta que analisou cerca de 70% do total das despesas/custos glosados, em termos de valor (considerando os anos de 2006 e 2007), o que perfaz um total de R$15.140.211,00 (v. fls. 7521, 7534 e 7585). Às fls. 7537, item 14, Conclusão, a KPMG aduz que do total destas Notas Fiscais analisadas (795 NFs), "649 estão relacionados à prestação de serviços, assim distribuídos" (posteriormente esse número foi retificado pela Auditoria, para 653 NFs, v. fls 7585): Ocorre, que o valor glosado nestes dois anos calendários importou em R$18.161.334,50 relativos a 2007 e R$6.259.597,19 referentes ao ano de 2006 (glosa de exclusões), perfazendo um total de R$24.420.931,69. Então, se no laudo da KPMG estaria comprovada a higidez na dedução de R$15.140.211,00, o percentual de despesas/custos Fl. 7633DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.612 45 dedutíveis importaria em 62%, muito longe dos 82% apregoados pela KPMG e ainda mais distantes da "quase totalidade" apregoada pela recorrente. Diante destes números nos perguntamos: e os demais R$9.280.720,69 que não teriam sido comprovados? Seriam afetos a quem? Essas inconsistências, acima apontadas, em relação às alegações da recorrente em face do Relatório elaborado pela perícia fiscal, só contribuem para enfraquecer os seus argumentos de que os custos/despesas glosados o foram de forma indevida pela fiscalização. O próprio laudo da KPMG carece de consistência, à medida que para cada nota fiscal analisada, limitase a descrever a compra ou o serviço vinculandoa com determinada cláusula contratual de interesse da recorrente (contrato de prestação de serviços), sem apresentar uma justificativa minimamente plausível para enquadrar o respectivo gasto como inerente aos serviços de perfuração, avaliação, completação etc. Percebam que nesse excerto do laudo da KPMG, o perito da recorrente limitase a afirmar que tais despesas/custos referemse a "Manutenção e conservação (conforme a cláusula 1.8 do Anexo B do contrato de prestação de serviços)". Vejam a aplicação da mercadoria: "Tratase de material de tubulação, materiais de reposição para manutenção dos equipamentos da plataforma". Ora, é evidente, não precisa ser um especialista no assunto, para concluir que os materiais adquiridos o foram para repor e manter equipamentos da plataforma, o que à luz do disposto no contrato de afretamento, em seu item 3.8 e 3.8.1, é de única e exclusiva responsabilidade da afretadora. Alternativamente alguém poderia alegar ser responsabilidade da PETROBRÁS (item 4.4), mas nunca da prestadora de serviços. Outra alegação infundada da recorrente (v. fls. 7526): "a execução dos serviços de perfuração, avaliação e/ou completação e/ou workover de poços de petróleo e/ou gás (objeto do contrato de prestação de serviço celebrado entre a RECORRENTE e a PETROBRAS) acarreta o desgaste de equipamentos contidos na plataforma, que, por essa razão, devem ser reparados ou substituídos. Repitase, sendo tais reparos e substituições decorrentes do uso da plataforma na prestação dos serviços, nada mais lógico do que serem suportados pela prestadora dos serviços, que, no caso, é a RECORRENTE, e não pela afretadora da plataforma. Ora, tal alegação é totalmente descabida. Como já vimos, a responsabilidade pela reposição dos equipamentos, materiais e acessórios necessários ao perfeito funcionamento da UNIDADE, bem como as despesas com reparos de qualquer natureza são de responsabilidade da afretadora. Então, atribuir à prestadora de serviços a responsabilidade pelos gastos com o uso/desgaste dos equipamentos contidos na plataforma é totalmente fora de propósito. Fl. 7634DF CARF MF 46 Por último, conclui o Relatório elaborado pela perícia fiscal, em atendimento à solicitação do CARF, de forma peremptória, e diante das várias considerações/constatações extraídas da diligência que "todas as despesas glosadas, segundo os contratos firmados entre as partes pertencem à INTERESSADA" (no caso, a recorrente VENTURA). Por todo o exposto, mantenho as glosas de custos/despesas relativas à primeira infração apontada pela fiscalização, correspondente ao ano calendário de 2007. Glosa da Exclusão relativa ao ano calendário de 2006 A segunda infração referese à glosa de exclusão realizada pela recorrente no ano calendário de 2007, porém relativa a custos/despesas incorridos em 2006. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, v. fl. 1581, no anocalendário de 2006 a empresa apropriou em sua contabilidade “despesas de manutenção e reparos” que seriam indevidos por serem de responsabilidade da empresa LOUISIANA OVERSEAS INC. Após relacionar os valores referentes a este item, a autoridade fiscal destaca: a) na DIPJ do anocalendário de 2006, na apuração do lucro real, a empresa adicionou ao lucro líquido o valor de R$ 6.259.597,19, por considerar que este valor estava vinculado a receitas que seriam recebidas em 2007 da PETROBRÁS. b) Na DIPJ do anocalendário de 2007, na apuração do lucro real, a empresa efetuou a operação inversa, ou seja, excluiu o valor de R$ 6.259.597,19. Segundo a fiscalização, a glosa foi realizada “tendo em vista que estas despesas que foram pagas em 2006 e que influíram no lucro tributável da empresa em 2007 são indedutíveis por não pertencer à empresa fiscalizada, mas sim a Louisiana Overseas INC.” Ou seja, a glosa da exclusão tem origem e causa nos mesmos fatos analisados até este ponto, pois dizem respeito a custos/despesas também atribuíveis à empresa LOUISIANA, por força do contrato de afretamento, e que teriam sido indevidamente apropriadas pela recorrente em sua contabilidade fiscal, constituindose em deduções indevidas do ponto de vista tributário. As despesas objeto de glosa da exclusão são as mesmas (por sua natureza) e constam dos mesmos agrupamentos contábeis em que registradas as despesas/custos incorridos em 2007, perfazendo um total de R$6.259.597,19 (v. fls. 1644/1659). Do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR de 2006, v. fl. 1656, observa se que tal importância foi adicionada na linha 2.2 – custos referentes a receitas não realizadas. Já no LALUR do ano calendário de 2007, a recorrente excluiu exatamente o mesmo valor. Dessa forma, reduziu o valor tributável desse período. Assim, e considerando tudo o que foi objeto de análise neste voto até aqui, deve ser mantida a glosa da exclusão, haja vista que os custos/despesas que lhe dão origem não podem ser atribuídos à recorrente por serem de responsabilidade da empresa LOUISIANA. Quanto aos demais tributos exigidos neste auto de infração (CSLL, PIS e COFINS), por serem reflexos do lançamento de IRPJ e, ainda, por inexistir matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles, devese aplicar as mesmas conclusões Fl. 7635DF CARF MF Processo nº 19395.720084/201102 Acórdão n.º 1402002.362 S1C4T2 Fl. 7.613 47 até aqui expendidas, ficando mantidas as exigências, na forma e valores conforme foram constituídas. Por todo o exposto, voto pelo não provimento do recurso voluntário. Em 24 de janeiro de 2017. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator Fl. 7636DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.924502/2009-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 45 02 /2 00 9- 48 Fl. 546DF CARF MF Processo nº 11080.924502/200948 Acórdão n.º 9303004.502 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.947, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 11080.924502/200948 Acórdão n.º 9303004.502 CSRFT3 Fl. 4 3 Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 11080.924502/200948 Acórdão n.º 9303004.502 CSRFT3 Fl. 5 4 É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 11080.924502/200948 Acórdão n.º 9303004.502 CSRFT3 Fl. 6 5 Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 550DF CARF MF Processo nº 11080.924502/200948 Acórdão n.º 9303004.502 CSRFT3 Fl. 7 6 No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 551DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001351/2006-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002
SIMULAÇÃO
Verificado que a criação de empresas escriturais em paraíso fiscal foi meio para possibilitar a captação de recursos no exterior a curto prazo e os aportes realizados a título de aumento de capital dessas empresas foram, na verdade, remessas para a quitação dessas obrigações, fica caracterizada a simulação que autoriza o lançamento tributário sobre o fato real, tributável.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
GLOSA DE DESPESAS
As despesas com encargos financeiros atribuídos a dívida que se provou quitada não devem ser consideradas na apuração do lucro real.
Numero da decisão: 9101-002.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Solicitaram apresentar declaração de voto os Conselheiros André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto e Rafael Vidal de Araújo. Encerrado o prazo regimental, o Conselheiro Luís Flávio Neto não apresentou a declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Solicitaram apresentar declaração de voto os Conselheiros André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto e Rafael Vidal de Araújo. Encerrado o prazo regimental, o Conselheiro Luís Flávio Neto não apresentou a declaração de voto. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 GLOSA DE DESPESAS As despesas com encargos financeiros atribuídos a dívida que se provou quitada não devem ser consideradas na apuração do lucro real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Solicitaram apresentar declaração de voto os Conselheiros André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto e Rafael Vidal de Araújo. Encerrado o prazo regimental, o Conselheiro Luís Flávio Neto não apresentou a declaração de voto. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 51 /2 00 6- 51 Fl. 809DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 810 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 704 e ss., contra o acórdão nº 1301001.206 (efls. 676 e ss.), de 08/05/2013, o qual negou provimento ao recurso de ofício, por unanimidade de votos. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001, 31/12/2002 DESPESAS FINANCEIRAS. GLOSA. AMORTIZAÇÃO DE EMPRÉSTIMO ANTERIOR À APROPRIAÇÃO DE SEUS ENCARGOS FINANCEIROS. INOCORRÉNCIA. São dedutiveis do lucro real as despesas de juros e variações cambiais passivas decorrentes de empréstimos contraídos pelo autuado junto a duas empresas controladas no exterior. Inocorre amortização antecipada do empréstimo em razão da transferência de recursos do autuado para as empresas controladas a titulo de aumento de capital. O aumento de capital não pode ser descaracterizado e considerado como amortização dos empréstimos, por se tratar de transações distintas e regularmente formalizadas. Não ha disposição legal que afaste da regra geral de dedutibilidade os juros incorridos sobre empréstimos entre controlada e controladora, na hipótese de ocorrer aumento de capital. DECORRÊNCIA. CSLL. A improcedência do lançamento do IRPJ implica o cancelamento da exigência dele decorrente. O cenário fático trazido pela Fiscalização por meio do Termo de Verificação Fiscal (efls. 330 a 353) e outros documentos referidos demonstra que a contribuinte tinha interesse em adquirir o controle societário da Eletropaulo Metropolitana S/A, que seria privatizada, e adotou uma série de providências visando à captação de recursos financeiros no exterior, conforme se detalha: 1 Light Overseas Investment Limited (LOI) Fl. 810DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 811 3 1.1 Em julho de 1997, a contribuinte (LIGHT) constituiu a empresa Light Overseas Investment Limited (LOI), com sede nas Ilhas Cayman, local considerado de tributação favorecida (paraíso fiscal), com a finalidade exclusiva de captar recursos no exterior. 1.2 Em setembro de 1997, a LOI captou US$ 135 milhões no mercado internacional por meio da emissão de títulos commercial papers com vencimento em março de 1998 (6 meses) e tendo como garantidor a sua controladora, ou seja, a presente contribuinte (LIGHT). 1.3 No mesmo mês, a LIGHT também emitiu títulos no exterior (Eurobonds), no valor de US$ 130,5 milhões, pagando juros semestrais até março de 2008 (10,5 anos). 1.4 Esses títulos foram integralmente adquiridos pela LOI. 1.5 Em março de 1999, a LIGHT aumentou o capital social da LOI em US$ 135.775.559,57. O aporte correspondente foi utilizado pela LOI para resgatar a integralidade dos títulos emitidos por ela em 1997. 1.6 Em 2001, a LIGHT contabilizou como encargos financeiros o valor de R$ 81.775.092,66, deduzindoo da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esse valor havia sido transferido para a LOI a título de juros sobre os Eurobonds emitidos em 1997 (conforme item 1.3). O mesmo ocorreu em 2002, pelo valor de R$ 215.578.348,35. 2 LIR ENERGY LIMITED (LIR) 2.1 Em abril de 1998, a contribuinte (LIGHT) constituiu a empresa LIR Energy Limited (LIR), também com sede nas Ilhas Cayman, com a finalidade exclusiva de captar recursos financeiros no exterior. 2.2 No mesmo mês, a LIR captou US$ 875 milhões no mercado internacional por meio de empréstimo, com prazo de um ano, também tendo como garantidor a sua controladora (LIGHT). 2.3 No mesmo mês, a LIGHT emitiu títulos no exterior (Intercompany Bonds), no valor de US$ 875 milhões, pagando juros anuais até abril de 2010 (12 anos). 2.4 Esses títulos foram integralmente adquiridos pela LIR. 2.5 Em abril de 1999, a LIGHT aumentou o capital social da LIR em US$ 195.690.489,00. O aporte correspondente foi utilizado para quitar parte do empréstimo supracitado, contraído pela LIR (US$ 175.000.000,00), sendo renegociado o restante da dívida. 2.6 Em novembro de 1999, a LIGHT aumentou novamente o capital social da LIR, agora em US$ 301.500.000,00. O aporte correspondente foi totalmente utilizado para quitar outra parte do empréstimo supracitado. 2.7 Em 2001, a contribuinte contabilizou como encargos financeiros o valor de R$ 564.889.330,56, deduzindoo da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esse valor havia sido transferido para a LIR a título de juros sobre os Intercompany Bonds emitidos em 1998. O mesmo ocorreu em 2002, pelo valor de R$ 1.405.133.852,68. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 812 4 AÇÃO FISCAL Em dezembro de 2004, foi lavrado auto de infração em desfavor da contribuinte, para exigir IRRF incidente sobre os valores remetidos para a LOI e para a LIR a título de aumento de capital (efl. 327). A fiscalização entendeu que a criação das referidas empresas nas Ilhas Cayman e os aportes para o aumento de seu capital constituíram uma simulação com a finalidade de dissimular o pagamento de juros sobre empréstimos de curto prazo e, assim, elidir o pagamento de IRRF, que seria devido em razão do disposto no artigo 1º, IX da Lei nº 9.481/97, conforme o seguinte excerto (efl. 333): Segundo o que foi relatado anteriormente, podemos concluir que a operação realizada pela LlGHT de aumento de capital de suas subsidiárias LOI e LIR situadas nas Ilhas Cayman visava, verdadeiramente, amortizar os empréstimos contraídos com a aquisição por parte de suas subsidiárias dos notes emitidos pela empresa. Essa é a conclusão a que podemos chegar, após termos em mente a seguinte situação: a) Os notes emitidos pela LIGHT e adquiridos pelas subsidiárias LOI e LIR venciam em 10,5 e 12 anos, respectivamente, ao passo que os empréstimos contraídos por estas últimas venciam, inicialmente, em no máximo um ano25; b) Os valores relativos aos aumentos de capital realizados pela LIGHT em suas subsidiadas foram integralmente utilizados por estas para quitação do todo ou parte de suas dívidas com os credores internacionais26; c) Os auditores independentes do escritório Deloitte Touche Tohmatsu Auditores Independentes, em parecer, observaram que a dívida entre a LlGHT e sua subsidiária não deve ser considerada no cálculo do endividamento da companhia27; d) Tão logo não houve mais a necessidade de quitar parte de sua dívida, foi realizada a redução no capital da LIR; e) A verdadeira destinação dos recursos enviados para o exterior foi a de liquidação dos empréstimos existentes; e f) Os recursos internados por via do empréstimo contraído pela LIGHT junto às suas subsidiárias não permaneceram no país pelo período de 8 anos estabelecido em lei para isentar de IR os juros remetidos ao exterior. Esse lançamento foi formalizado no processo administrativo fiscal nº 18471.002113/200409. Em 27/11/2006, foram lavrados novos autos de infração em desfavor da contribuinte (efl. 359), desta vez para exigir IRPJ e CSLL devidos em 2001 e 2002, em razão da glosa de despesas relativas a encargos financeiros, atribuídos ao pagamento de juros às empresas LOI e LIR. A fiscalização esposou o entendimento adotado na ação fiscal de 2004 de que houve a simulação acima apontada e, conseqüentemente, entendeu que a contribuinte já havia Fl. 812DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 813 5 quitado as suas obrigações perante terceiros, de forma que as remessas ocorridas em 2001 e 2002 não poderiam sofrer encargos financeiros, conforme o seguinte excerto (efl. 351, do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal): Portanto, não restam dúvidas de que os passivos sobre os quais as despesas financeiras foram calculadas nos anoscalendários 2001 e 2002, já teriam sido quitados (no anocalendário 1999) quando da apropriação das despesas financeiras: integralmente na LOI e 56,82% na LIR. Neste sentido, o Termo de Intimação Fiscal de fls. 344 veio buscar a correta identificação das respectivas bases de cálculo das despesas financeiras indevidamente apropriadas nos resultados dos anoscalendários 2001 e 2002, compostas pelos juros, pela variação cambial sobre juros e pela variação cambial sobre principal, incidentes sobre os passivos já anteriormente quitados do contribuinte junto as suas subsidiárias integrais LOI e LIR, localizadas nas Ilhas Cayman. Estes últimos autos de infração foram formalizados no presente processo e constituem a lide em apreço. O lançamento de IRRF foi exonerado em decisão contida no Acórdão nº 920202.239, de 07/08/2012, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Naquela ocasião, por seis votos a quatro, a Turma afastou a ocorrência de simulação, o que afastou o fato gerador do tributo. A decisão adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 IRF ALÍQUOTA ZERO RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR JUROS DE TÍTULOS DE CRÉDITO INTERNACIONAIS PRAZO MÉDIO DE AMORTIZAÇÃO IGUAL OU SUPERIOR A 96 MESES REGRA PRETENSAMENTE DESCUMPRIDA PELA AUTUADA SITUAÇÃO NÃO COMPROVADA DECISÃO MANTIDA. De acordo com o artigo 1°, inciso IX, da Lei n° 9.481/97, com a redação dada pelo artigo 20 da Lei n° 9.532/97, os rendimentos auferidos no Brasil por residentes ou domiciliados no exterior com a natureza de juros decorrentes de colocações no exterior de títulos de crédito internacionais, previamente autorizados pelo Banco Central do Brasil, estão sujeitos à alíquota zero do imposto de renda na fonte, desde que o prazo médio de amortização corresponda, no mínimo, a 96 (noventa e seis) meses. No caso, a partir da decisão recorrida, restou incontroversa a inexistência de simulação quanto às operações que deram causa ao lançamento. Disso decorre que os aumentos de capital efetivados pela interessada em suas subsidiárias sediadas no exterior não ocultaram amortizações antecipadas dos empréstimos que lhe foram concedidos por elas. O Banco Central do Brasil analisou a operação e concluiu de forma categórica e definitiva que os fatos em apreço não podem e não devem ser interpretados como simulação de pagamento dos Fl. 813DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 814 6 títulos de longo prazo de responsabilidade da autuada. Tal posicionamento é de fundamental importância para o deslinde desta controvérsia, pois eventuais efeitos tributários de determinada relação jurídica de natureza cambial dependem da conotação dada a ela pelo Banco Central. Não tem aplicação a este feito a regra do artigo 8° da Lei n° 9.779/99. Na impugnação ao lançamento ora em análise (efls. 386 e ss, vol. 3), a contribuinte informa que os recursos captados foram efetivamente usados para a aquisição da Eletropaulo Metropolitana S.A., que os títulos emitidos tinham prazo de amortização superior a 96 meses (sendo beneficiada com a redução à zero da alíquota do IRF sobre remessa), que as subsidiárias no exterior precisavam captar recursos no mercado externo a curto prazo em razão da conjuntura econômica de 1997, o que as obrigou a “refinanciar” esses financiamentos ou substituílos por outras fontes de recursos ao longo do prazo de vencimento dos títulos adquiridos; porém, em 1999, os credores estrangeiros exigiram que a contribuinte realizasse uma maior capitalização das subsidiárias como garantia de novos empréstimos. Tendo em vista a necessidade de recursos para a realização da capitalização das subsidiárias, a Requerente obteve um empréstimo junto a bancos nacionais, que foi substituído por novos recursos captados no mercado brasileiro e junto aos acionistas estrangeiros, com a emissão de R$ 400 milhões em novas ações, em abril de 1999, conforme doc. 10 (efl. 498) e R$ 650 milhões em debêntures, em novembro de 1999, conforme doc. 11 (efl. 499). A partir dos argumentos aduzidos pela impugnação, a DRJ exonerou o lançamento por meio do acórdão nº 1214.119 (efls. 629 e seguintes), por entender que o aumento de capital não pode ser descaracterizado e considerado como amortização dos empréstimos, por se tratar de transações distintas e regularmente formalizadas. Analisando o recurso de ofício, a 1ª Turma da 3ª Câmara proferiu o acórdão recorrido, o qual, considerando a íntima relação do lançamento em análise com aquele relativo ao IRRF, tomou como fundamento a decisão definitiva da CSRF a respeito daquela exigência, relativa aos mesmos fatos (acórdão nº 920202.239), a qual, por sua vez, se manifestou pela ausência de simulação e, por conseguinte, cancelamento da exigência. No presente recurso especial, a Fazenda Pública afirma que o acórdão recorrido, calcado nessa decisão, diverge de outra decisão, também da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que considerou como simulação situação fática equivalente. Para tanto, aponta como paradigma o Acórdão nº 9202002.382, que adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2004 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. TEMPESTIVIDADE Prevê o art. 23, § 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007, que os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os Fl. 814DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 815 7 respectivos autos forem entregues à Procuradoria. Recurso tempestivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2004 REMESSA DE JUROS. CRÉDITOS INTERNACIONAIS. PRAZO MÍNIMO MÉDIO PARA AMORTIZAÇÃO DE 96 MESES DESCUMPRIDO. ALÍQUOTA 25%. SIMULAÇÃO. O que se discute no presente caso é incidência ou não, no caso concreto, de uma norma, excepcional, o art. 1°, IX da Lei n° 9.481, de 1997, que reduz a zero a alíquota aplicável na apuração do imposto devido, sujeito à retenção na fonte, no caso de remessa de juros e outros encargos financeiros relacionados a títulos de crédito internacionais colocados no exterior, desde que o seu prazo médio de amortização seja superior a 96 meses. Para adquirir os títulos internacionais de longo prazo, a subsidiária integral do Contribuinte Recorrido se comprometeu no exterior, no curto prazo, através de empréstimo junto a bancos internacionais. O êxito dessa operação, evidentemente, dependia da possibilidade de sucessivas rolagens dos empréstimos captados no exterior, até o resgate dos títulos de emissão da controladora, quando, então, aqueles poderiam, enfim, ser liquidados definitivamente. As remessas de recursos ao exterior, a título contratos de mútuo entre a Recorrida e a sua subsidiária integral, a CERJ Overseas, se destinaram à quitação dos empréstimos contraídos por esta e repassados para a ora Recorrida, representando, de fato, o retorno de parte dos recursos captados no exterior antes do prazo de 96 meses. Para adquirir os títulos internacionais de longo prazo, a subsidiária integral do Contribuinte Recorrido comprometeuse no exterior, no curto prazo, através de empréstimo junto a bancos internacionais. Entretanto, em virtude das ditas modificações drásticas no cenário financeiro internacional, provocadas pela crise cambial, a reestruturação da divida CERJ Overseas não se deu pela captação de recursos no exterior, mas, em grande parte, pela captação de recursos no mercado interno. Os recursos enviados para a subsidiária se destinavam, portanto, à devolução de recursos captados pela Recorrida por intermédio de sua subsidiária, no mercado externo. Isto é, os recursos captados de instituição financeira internacional por intermédio de sua subsidiária passaram a fazer o caminho de volta. A alíquota aplicável no presente caso é a de 25%, por aplicação do disposto no art. 8° da Lei n° 9.779, de 1999. O ato realizado pela Recorrida, qual seja, o mútuo, serviu na realidade, para disfarçar sua real intenção de amortizar os empréstimos contraídos, fugindo de ter que recolher IRRF sobre Fl. 815DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 816 8 os juros remetidos ao exterior, mascarando um empréstimo que, em verdade, foi amortizado em prazo inferior a 96 meses, simulando que o mesmo só teve o principal pago após 10 anos. Em verdade, a Recorrida valeuse de um ato simulado, (mútuo), para ocultar outro (amortização de empréstimo). Quanto ao mérito, a Recorrente reafirma que as remessas realizadas pela LIGHT para a LOI e para a LIR foram quitações das dívidas existentes entre elas, embora simuladas com o nome de aumento de capital, conforme o seguinte trecho (efl. 719 e ss.): Significa dizer que, sob a roupagem de aumento de capital das controladas, a contribuinte terminou antecipando, sim, o pagamento da dívida que com elas contraiu ao emitir os títulos de crédito internacionais (Eurobonds e os Intercompany bonds). Vários indícios apontam para essa conclusão, como se passa a demonstrar: a) Tanto os empréstimos celebrados pelas subsidiárias no exterior quanto as emissões de títulos pela controladora no Brasil se deram pelos mesmos valores, consoante se verifica no TVCF (fls. 326/349); b) Da mesma maneira, os aumentos de capital das subsidiárias se deram nos montantes das dívidas contraídas por essas junto a instituições financeiras no exterior; c) É desprovido de razoabilidade e irracional que uma empresa venda títulos resgatáveis em 10 ou 12 anos a suas subsidiárias que, por sua vez, os adquirem com recursos captados no curto prazo, de apenas um ano, e que a controladora ainda aumente o capital dessas empresas offshores, sem que se vislumbre qualquer receita dessas subsidiárias, que não a advinda da própria despesa de sua proprietária. Despesa, esta, que a controladora faz questão de manter, pois bastaria utilizar o montante da integralização do capital para quitação do todo ou parte do empréstimo contraído; d) A autuada reconhece, em sua defesa, que "os recursos depositados no exterior (...) foram utilizados para capitalizar as subsidiárias, possibilitando a rolagem ou quitação das dívidas de curto prazo tomadas no exterior por estas sociedades" (fl. 386), o que torna claro que os recursos enviados para as subsidiárias se destinavam à devolução de recursos captados, por meio de suas controladas, no mercado externo e, conseqüentemente, a amortizar a dívida entre ela (autuada) e suas subsidiárias. A recorrente também ataca os fundamentos da decisão recorrida, afirmando a autonomia da Administração Tributária em relação ao Banco Central, no que diz respeito à apreciação dos efeitos tributários dos fatos analisados, conforme resumido no seguinte parágrafo (efl. 724): Dessa forma, seja porque um mesmo fato pode ter efeitos diversos previstos pelo ordenamento jurídico, seja porque compete à RFB analisar os fatos ocorridos e darlhes o adequado tratamento Fl. 816DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 817 9 previsto na legislação tributária, não pode ser aceito o argumento de que não cabe à Receita Federal, unilateralmente, desconsiderar pronunciamento formal e conclusivo do Banco Central que deu às condutas realizadas a qualificação jurídica de nãoconfiguradoras de resgate antecipado. Ainda nesse mister, a recorrente afirma que o julgamento do presente processo não está atrelado ao julgamento do processo nº 18471.002113/200409, conforme o seguinte trecho (efl. 724): Por fim, considerando que o acórdão ora recorrido faz expressa menção ao resultado do processo nº 18471.002113/200409, relativo ao IRRF, cumpre destacar que, por ocasião da interposição do recurso especial da Fazenda Nacional, nem todas as matérias foram devolvidas à apreciação da CSRF, conforme se extrai da declaração de voto emitida pelo Conselheiro Elias Sampaio Freire. No presente feito, entretanto, não há qualquer óbice processual ao conhecimento de toda a operação realizada, relatada no termo de verificação fiscal, não havendo que se falar, pois, em posição definitiva do Conselho sobre a natureza da operação de remessa de recursos ao exterior efetuada pela contribuinte, não havendo qualquer impedimento a que se chegue a conclusão diferente da adotada no processo supra mencionado, até porque se tratam de feitos distintos. Por fim, pede a Fazenda pela reforma do acórdão recorrido, restabelecendo se o lançamento em sua integralidade. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de efls. 751 e ss. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional (efls. 733 e ss.), inclusive abordando a admissibilidade do recurso, conforme a seguinte síntese: i) O Acórdão nº 920202.239, exarado no processo nº 18471.002113/2004 09, superou a tese contida no acórdão paradigma, de forma que este não poderia sustentar a divergência de interpretação requerida, conforme o artigo 67, §10, do Anexo II do RICARF, que dispõe: "o acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado". ii) O presente processo deve obter o mesmo pronunciamento dado no processo nº 18471.002113/200409 (IRF), por ser reflexo deste, no qual foi decidido, por meio do Acórdão nº 920202.239, que os aumentos de capital efetivados pela LIGHT em suas subsidiárias sediadas no exterior não ocultaram amortizações antecipadas de empréstimos, restando incontroversa a inexistência de simulação. iii) O presente processo deve resultar em decisão sobre a dedutibilidade de juros pagos pela LIGHT às suas controladas no exterior, em face de lançamento tributário com fundamento legal nos artigos 251, 299 e 371, I, do RIR/99. Já o processo apontado como paradigma decidiu sobre a aplicação do artigo 1°, inciso IX, da Lei n° 9.481/97, que dispõe sobre o benefício de alíquota zero de IRF sobre juros remetidos ao exterior em caso de Fl. 817DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 818 10 empréstimos com prazo mínimo de 96 meses, discussão alheia aos presentes autos. A aplicação de diferentes normas afasta a requerida divergência de interpretação. iv) A capitalização da subsidiárias LOI e LIR resultou de exigências dos seus credores estrangeiros que solicitaram mais garantias para rolar as dívidas de curto prazo. Na qualidade de garantidora das obrigações contraídas pela LOI e LIR no mercado externo, a LIGHT correria o risco de ter de honrar com essas dívidas, o que não ocorreu somente por conta do aumento de capital realizado pela Recorrida. v) O BACEN, no Parecer 2004/00254/DEJUR/PRPIN, de 21.6.2004, concluiu pela regularidade das operações de remessa de divisas. Assim, a capitalização das subsidiárias, além de não poder ser considerada elemento caracterizador do pagamento antecipado de uma dívida, sequer poderia ser questionada pela D.D. Autoridades Fiscais. vi) Toda a construção realizada pela Fiscalização decorre da premissa de que a dívida da recorrida com suas subsidiárias estrangeiras foi quitada no ano de 1999, pelos aumentos de capital realizados nesse período. Todavia, isso não é verdadeiro, conforme a decisão proferida por essa Câmara Superior de Recursos Fiscais de forma definitiva e também pelo BACEN. vii) A análise conjunta dos artigos 299, 243, caput e §4º, e do artigo 374, todos do RIR/99, leva à conclusão de que a dedução de despesas de juros incorridos em decorrência de contratos de empréstimo que tenham como finalidade atender aos interesses das sociedades é absolutamente legal. Como essas contrarrazões foram apresentadas antes da admissibilidade do recurso, por meio do Despacho de Saneamento de efls. 763/764, foi dada ciência da admissibilidade à recorrida para eventualmente complementar suas contrarrazões. Não foi apresentada complementação e os autos foram devolvidos para o presente julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo e foi apresentado por pessoa hábil a representar a parte. A configuração dos demais requisitos de admissibilidade depende da análise das contrarrazões. Pressupostos de Admissibilidade A contribuinte afirma que o recurso especial da Fazenda Nacional não deve ser admitido, apresentando dois argumentos para sustentar seu entendimento. No primeiro deles, afirma que a tese da simulação contida no acórdão paradigma, Acórdão nº 9202002.382, já foi superada pelo referido Acórdão nº 920202.239 (a decisão sobre o IRRF), devendo ser aplicado o artigo 67, §10, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, que tinha a seguinte redação: Fl. 818DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 819 11 § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. De fato, há uma divergência entre os entendimentos desses dois acórdãos da 2ª Turma da CSRF, mas não se pode dizer que o referido Acórdão nº 920202.239 superou a tese contida no acórdão paradigma. Isso porque o acórdão citado pelo acórdão recorrido foi prolatado pela 2ª Turma da CSRF em 12/09/2012, enquanto o acórdão paradigma foi prolatado posteriormente, pela mesma turma de julgamento, em 05/12/2012. Assim, se fosse possível falar em superação de tese, seria o acórdão paradigma que teria superado a tese do acórdão citado pelo acórdão recorrido. No segundo argumento da contribuinte para sustentar a inadmissibilidade do recurso, esta afirma que o acórdão paradigma decidiu sobre a incidência do IRRF diante da situação especial prevista no artigo 1°, inciso IX, da Lei n° 9.481/97 (remessa de divisas ao exterior em caso de empréstimos com prazo mínimo de 96 meses), enquanto o presente processo está decidindo sobre a dedutibilidade de despesas com encargos financeiros, com fundamento legal nos artigos 251, 299 e 371, I, do RIR/99. Assim, a diferença na legislação aplicada afastaria a possibilidade de divergência na interpretação da legislação. Não assiste razão à contribuinte, porque a discussão em ambos os processos não está em torno da norma de incidência dos tributos ou de exceção a essas normas, pois quanto a isso, não há dúvidas. A discussão está em torno da possibilidade de se aplicar a norma geral prevista no artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional (CTN), que autoriza a Administração Tributária a efetuar lançamento tributário em caso de simulação. As situações fáticas entre o presente processo e o processo paradigma são perfeitamente equivalentes, embora o acórdão paradigma tenha decidido pela aplicação da norma geral, reconhecendo a simulação, enquanto o acórdão recorrido afastou essa norma, por não reconhecer a simulação. O Recurso da Fazenda traz à tona divergências de entendimento em torno da remessa de valores enviados ao exterior com o objetivo expresso de quitar dívidas, no sentido de discutir se essa remessa, dada as características da operação, constitui ou não amortização de empréstimo contraído. O acórdão recorrido entendeu que não caracterizava a amortização antecipada de dívida. Porém, analisando caso similar, a 2ª Turma da CSRF, por meio do acórdão paradigma nº 9202002.382 decidiu de forma diversa. A similaridade encontrase no fato de ambas as autuadas serem do mesmo ramo de atividade econômica, ambas tiveram a ação fiscal instaurada a partir de comunicação do BACEN, justamente por causa das remessas ao exterior, ambas praticaram atos com a interveniência de pessoa jurídica vinculada e domiciliada em paraíso fiscal e ambas foram acusadas de terem captado recursos de curto prazo, porém terem simulado empréstimos de longo prazo com o intuito de obter o benefício fiscal de que trata o art. 1º, inciso IX, da Lei nº 9.481/97, que reduziu à alíquota zero, a alíquota do IRRF relativa ao pagamento de juros, comissões, despesas e descontos sobre valores tomados do exterior, desde que a amortização corresponda a mais de 96 meses. Com relação ao fato de este processo tratar de glosa de despesas financeiras, e o paradigma de IRRF, é preciso observar que tanto o fundamento da autuação, como o fundamento da decisão recorrida estão completamente atrelados à caracterização de simulação Fl. 819DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 820 12 tratada no processo nº 18471.002113/200409, glosa de IRRF sobre os mesmos fatos, conforme registros no Termo de Constatação de fls. 346/349. Assim, o acórdão paradigma não poderia ser outro, senão aquele que interpreta os fatos relativos ao surgimento da despesa financeira. Aliás, a divergência é tão marcante que até em relação ao posicionamento quando ao parecer do BACEN, verificase a adoção de ponderações diferentes: enquanto o acórdão recorrido adota entendimento de que não se pode desqualificar o entendimento manifestado pelo Banco Central, sem a clara comprovação dos fins escusos perseguidos pelo contribuinte, o acórdão paradigma, analisando pronunciamento similar do BACEN aduz que cada órgão tem atuação específica, de forma que em matéria tributária, a competência seria da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Desta feita, entendo que o recurso especial deve ser admitido. Mérito Processo decorrente Quanto ao mérito, a primeira questão a ser resolvida é a natureza da relação entre o presente processo e o processo nº 18471.002113/200409. Como já dito, a decisão recorrida reconheceu uma relação entre esses dois processos, nos seguintes termos (efl. 687): Considerando a íntima relação mantida entre a questão discutida nestes autos e a matéria tratada naquele feito, adoto, aqui, os fundamentos utilizados pelo voto condutor daquele julgamento como razões de decidir, destacando: ... A recorrente também reconhece que existe uma relação fática entre esses dois processos, mas afirma que não há uma vinculação de resultados entre o presente feito e o julgamento daquele processo, seja porque a matéria conhecida naquele processo foi restringida no momento do exame de admissibilidade do respectivo recurso especial, seja porque se está tratando, aqui, de fatos geradores distintos. A contribuinte, por seu turno, defende a vinculação do resultado do presente processo ao resultado do processo referido (Acórdão nº 920202.239), que já transitou em julgado administrativamente, por ser dele “reflexo”, pois, “uma decisão diferente dada no presente processo, faria com que a mesma operação de contratação de empréstimos de longo prazo no exterior seja declarada válida nos autos de processo principal e inválida no processo reflexo”. Com efeito, assiste razão à contribuinte quando afirma que existe uma relação fática entre os dois processos comparados e isso está coerente com a decisão recorrida, que utilizou essa congruência fática para adotar a mesma análise feita no processo referido, levando à conclusão ora atacada. Como também está coerente quando se analisou a admissibilidade dos recursos por divergência jurisprudencial. Todavia, não assiste razão à contribuinte quando afirma que existe uma vinculação de resultados. Observese que a decisão recorrida não afirma uma vinculação de Fl. 820DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 821 13 resultados; pelo contrário, constrói a sua própria conclusão utilizando, como instrumento, a análise dos fatos realizada no outro processo. A existência de uma congruência fática não é suficiente para que haja a vinculação de resultados requerida pelo contribuinte, uma vez que são prerrogativas do julgador a liberdade de valoração dos fatos provados e a liberdade de interpretação das normas aplicáveis. Tais prerrogativas representam a materialização do princípio do livre convencimento motivado do julgador, basilar do Direito Processual e válido em todas as instâncias. Qualquer exceção à liberdade de apreciar as provas e interpretar a legislação deve ser expressamente posta na legislação. No âmbito do CARF, as exceções existentes estão no seu Regimento Interno, a saber, nos artigos 621 e 722, que tratam do necessário atendimento às súmulas do CARF e às decisões vinculantes do Poder Judiciário. Quando há uma congruência fática entre processos distintos, o Regimento Interno determina o julgamento conjunto dos feitos, na medida do possível, nos termos do artigo 6º3, mas isso não obriga que os processos conexos, decorrentes ou reflexos tenham o mesmo resultado. Assim, como já houve a decisão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, prolatada por meio do Acórdão nº 920202.239, fazse necessária a revisão de sua análise e, na medida do possível, devese buscar o alinhamento com a sua ratio decidendi. Simulação O acórdão recorrido acolhe como razão de decidir a análise de mérito promovida por meio do Acórdão nº 920202.239. Este, por sua vez, se inicia com uma extensa transcrição do voto condutor do acórdão proferido pela Quarta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. Assim, para que se possa compreender os fundamentos da decisão combatida, tornase necessário visitar a decisão proferida em segunda instância nos autos do 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. 3 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 822 14 processo administrativo nº 18471.002113/200409 (acórdão nº 10421.953). Transcrevemse os trechos que exprimem a motivação da decisão: Entendo, que não há possibilidade de se considerar tais operações como prépagamento de dívidas. Embora subsidiárias integrais, as duas empresas LOI e LIR não se confundem com a matriz. O investimento realizado pela suplicante nas suas subsidiárias não se confunde com o pagamento dos empréstimos, pois suas características econômicas são totalmente distintas. O fato de os recursos terem sido usados por LOI e LIR para saldar seus compromissos de curto prazo não significa que os compromissos de longo prazo da suplicante para com as suas subsidiárias tenham sido saldados. Ao refinanciarse no curto prazo no exterior, LOI e LIR conseguiram manter inalteradas as condições pactuadas nas emissões das Notes adquiridas da suplicante, ou seja, os passivos de longo prazo da suplicante com as suas subsidiárias LOI e LIR continuaram existindo, devidamente registrados em seus balanços. Aliás, o próprio BACEN, no seu parecer datado de 11/05/04 (fls.308/329), relaciona os fatos vivenciados pela suplicante e rechaça a possibilidade de ter havido simulação nestas operações: [...] Ora, não cabe à Receita Federal, unilateralmente, desconsiderar pronunciamento formal e conclusivo do Banco Central que deu às condutas realizadas a qualificação jurídica de não configuradoras de resgate antecipado. Tanto não houve resgate antecipado que, para fins cambiais e de capital estrangeiro, as operações permanecem registradas como operações com prazo de amortização superior a 96 meses e, por isso, continuam a produzir todos os efeitos que lhes são próprios. Não há, na realização das mencionadas operações, qualquer espécie de desvio na declaração de vontade dos participantes. A declaração é real, verdadeira e efetiva, condizente, portanto, com a vontade das partes. Inexiste, conseqüentemente, o objetivo de burlar o Fisco ou de ocultar a ocorrência do fato gerador de imposto. Na situação descrita não se vislumbra a existência de provas que caracterizem a ilicitude tributária. O auditor fiscal ao lavrar o Auto de Infração não demonstrou a existência de atos simulados, tal como a ausência de captação de recursos externos a longo prazo. Pelo contrário, os autos confirmam a efetiva emissão de Fixed Rate Notes no exterior, devidamente autorizada pelo Banco Central do Brasil. Ficou demonstrado que o aumento de capital das subsidiárias não ocorreu com o intuito de amortizar a dívida da suplicante, a qual permanece inalterada. A referida capitalização deuse para cumprir exigências das instituições financeiras estrangeiras, credoras das subsidiárias, que, em face da conjuntura econômica brasileira, demandaram mais capital das empresas brasileiras como garantia aos empréstimos de curto prazo que estas pretendiam prorrogar ou repactuar. Fl. 822DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 823 15 A leitura dessa fundamentação permite afirmar que o correspondente acórdão atingiu tal conclusão em razão de ter adotado, pelo menos, três premissas, que considero equivocadas. A primeira premissa equivocada é o entendimento de que as remessas realizadas pela LIGHT para aumentar o capital social de suas sucursais nas Ilhas Cayman, se deram em razão das exigências dos seus credores, como condição para o refinanciamento de suas dívidas. Antes de mais nada, não é crível que instituições financeiras internacionais exijam o aumento de capital de empresas escriturais existentes em paraísos fiscais, quando a garantia de seus créditos estava, de fato, no patrimônio da LIGHT. Ademais, os fatos negam essa premissa, pois o que houve foi a quitação das referidas dívidas. Na verdade, toda a dívida da LOI foi quitada pelo exato valor aportado pela LIGHT e todo o aporte feito na LIR foi utilizado para quitar mais da metade de sua dívida, sendo repactuado apenas o valor que excedia ao montante da remessa. É bastante evidente que LOI e LIR foram constituídas nas Ilhas Caymann com o único propósito de captar esses recursos externos e, conforme expediente emitido pela LIGHT, endereçado ao BACEN, o posterior aumento de capital nessas empresas teve como objetivo possibilitar que suas subsidiárias repactuassem suas dívidas. Destaca a Fiscalização, inclusive, que a própria Deloite, em seu Parecer, constante das Demonstrações Contábeis Consolidadas Referentes aos Exercícios Findos em 31/12/1998 e 31/12/1999, "assinalou que a dívida entre a LIGHT e a LIGHT OVERSEAS não deveria ser considerada no cálculo do endividamento da companhia". Também é de se observar que a LIR, após receber o aumento de capital e quitar em abril de 1999, 20% de sua dívida, e em novembro de 1999, em virtude do outro aumento, ter quitado outra parte de seu empréstimo, reduziu, nos meses de junho e setembro de 2000, o seu capital. Ou seja, tudo tinha o conteúdo de uma captação de recursos de curto prazo. Mas, para não sofrer a incidência do IRRF, procurouse dar a forma de captação de recursos de longo prazo, de forma a incidir na hipótese de que trata o art. 1º, inciso IX, da Lei nº 9.481/97. O fato de a LIGHT ter efetuado um empréstimo junto a bancos nacionais, que foi substituído por novos recursos captados no mercado brasileiro e junto aos acionistas estrangeiros, com a emissão de R$ 400 milhões em novas ações, em abril de 1999, e R$ 650 milhões em debêntures, em novembro de 1999, em nada infirma a tese trazida pela Fiscalização de que se simulou uma captação de recursos de curto prazo com essas operações. Pois o que a recorrida apenas demonstra é que captou recursos aqui em 1999 para enviar ao exterior e isso não está em discussão. O que se discute é a natureza e o fim desta remessa. Por essas razões, entendo, sim, que remessas foram realizadas para a quitação das dívidas da LOI e da LIR e não para possibilitar o seu refinanciamento. A segunda premissa equivocada está no entendimento de que a prova da simulação exige que se aponte um ato que foi declarado, mas seja inexistente. A inexistência de algum ato declarado não é condição para a caracterização da simulação. Muito pelo contrário, o que se deseja na simulação é exatamente que os efeitos jurídicos dos passos que a compõem atraia todas as conseqüências jurídicas que lhe são próprias, pois são esses efeitos que irão permitir o que era proibido ou impedir o que era esperado, satisfazendo uma vontade Fl. 823DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 824 16 do sujeito que não seria satisfeita se não houvesse o negócio simulado. Contudo, dentre todos os efeitos jurídicos do negócio simulado, um deles é injusto. Na espécie, o injusto é a redução da carga tributária, nas mesmas situações de mercado a que está exposta a concorrência (preço e prazo). Assim é a lição de Ives Gandra da Silva Martins: "... na simulação temse a pactuação de algo distinto daquilo que realmente se almeja, com o fito de se obter alguma vantagem.... duas realidades distintas ocorrem na simulação: existe uma verdade aparente (jurídica), que se exterioriza para o mundo, e existe uma outra realidade (real), que não é perceptível, ao menos à primeira vista, e que se restringe ao círculo de partícipes do engodo.” No mesmo sentido, a lição de Orlando Gomes: "Há simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencionalmente divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar a terceiros. É uma deformação voluntária para escapar à disciplina normal do negócio, prevista na lei.” Na espécie, a vontade aparente das remessas de 1999 foi o aumento de capital das subsidiárias nas Ilhas Cayman, enquanto a vontade real foi a quitação das dívidas de curto prazo obtidas no exterior. Com isso, a LIGHT escapou da disciplina normal da tributação, que seria o IRRF sobre remessas, obtendo uma vantagem em relação aos seus concorrentes. O voto vencido da decisão de 1ª instância do presente processo cita, no seu item 30, a decisão da 4ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes relativamente à exigência do fonte, fazendo referência ao voto vencido do Cons. Pedro Paulo Pereira Barbosa. Deste trecho, tenho como oportuno destacar: No presente caso, o próprio Contribuinte reconhece que, para beneficiarse da vantagem oferecida pela norma, de natureza extrafiscal, lançou mão de um artificio, para, indiretamente, cumprir formalmente o requisito para o gozo de tal beneficio, conforme já exaustivamente descrito. Desde que por esse artifício se viabilizasse a permanência dos recursos captados no exterior por prazo médio superior a 96 meses, não haveria razão para que o Fisco recusasse a aplicação da norma excepcional. Ocorre que, como era de se esperar, o plano de rolar os empréstimos captados no exterior malogrou e, como estas não tinham recursos próprios para fazer frente aos débitos, pois foram constituídas para serem meras intermediárias, a única fonte de recursos para liquidar esses compromissos era a empresa controladora, ora Recorrente. E é isso que justifica a remessa dos recursos a título de aumento de capital. A questão central é: esses aumentos de capital, nas circunstâncias em que ocorreram, são oponíveis ao Fisco, para legitimar a pretensão da Contribuinte de usufruir a vantagem oferecida pela norma excepcional? Ou, por outro ângulo, essas remessas de recursos ao exterior podem não ser consideradas como devolução dos recursos que ingressaram no pais? A resposta é negativa para ambas as indagações. Fl. 824DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 825 17 É evidente que, embora a saída dos recursos tenha se dado sob a rubrica de aumento de capital, se destinaram ao pagamento dos empréstimos captados no exterior cujos recursos foram repassados para a Recorrente. A remessa dos recursos, para a liquidação desses empréstimos, portanto, representa, ipso facto, o retorno, antes do prazo médio dos 96 meses, dos recursos ingressados no Pais. Não há como desconsiderar o fato de que o aumento de capital das empresas Lir e Loi visavam alcançar um outro objetivo: contornar a norma que exigia a permanência dos recursos captados no exterior por prazo longo. Embora do ponto de vista formal, a operação se processe de acordo com a letra da lei, a convivência entre a saída antecipada dos recursos e o gozo da vantagem oferecida pelo legislador, afronta o seu espírito. Tratase de hipótese típica da chamada fraude à lei, isto é, a observância da letra da lei (verba legis) para alcançar fim contrário ao seu espírito (mens legis). No caso sob exame, a Contribuinte, para usufruir da vantagem oferecida pela lei, deveria oferecer uma contrapartida, conforme discutido acima. Usufruir a primeira sem oferecer a segunda viola indiretamente a lei. E o que se verifica neste caso é que a Recorrente, para beneficiarse da vantagem sem entregar a contrapartida, procedeu à remessa dos recursos como aumento de capital, o que, embora sendo negócio jurídico com efeitos próprio distintos da amortização de empréstimo, representou, efetivamente, a devolução de cerca de 60% dos recursos captados no exterior. Assim, embora a Contribuinte pretenda usufruir a vantagem oferecida pela Lei, com esse artifício, privou o Estado da sua contrapartida por essa vantagem: a permanência dos recursos no Pais por tempo prolongado. Portanto, o que sem tem neste caso, como nos exemplos acima, é que a Recorrente driblou a norma excepcional. Ao assim proceder não violou nenhuma lei diretamente, mas, como nos ensina Moreira Alves, violou a lei indiretamente, violou o ordenamento jurídico. Portanto, repito, considerar que não houve o pagamento antecipado do empréstimo ou, por outro lado, que a operação realizada atende aos requisitos do art. 1°, XI, da Lei n° 9.481, de 1997, apenas porque os atos praticados estão de acordo com a letra da lei, contempla apenas uma parte do problema. O cerne da questão, entretanto, é se o procedimento da Contribuinte atende ao espírito da lei ou se, como penso que ocorreu, visava, precisamente, contornálo. A terceira premissa equivocada é o entendimento de que o Banco Central do Brasil (BACEN) teria rechaçado a possibilidade de simulação. Por ocasião de sua impugnação, a contribuinte fez juntar aos autos vários documentos da lavra do BACEN (efls. 448 e ss.), dentre os quais se destaca o PARECER/2004/000254/DEJUR/PRFIN, de 21 de junho de 2004 (efls. 463 e ss.), por ser um parecer do Departamento Jurídico daquele órgão e que deu a palavra final sobre a investigação que o BACEN realizou sobre as operações de captação de recursos no exterior realizadas pela LIGHT. O relatório desse parecer é bem Fl. 825DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 826 18 sintético e elucidativo quanto às providências adotadas pelo BACEN, razão pela qual reproduzo os seguintes fragmentos: Tratase de consulta oriunda do Departamento de Capitais Estrangeiros e Cambio (Decec) acerca de pedido de reabertura de processo formulado pela Light Serviços de Eletricidade S/A (doravante Light), que teve Certificados de Registros (CRs) de operações financeiras cancelados pelo Banco Central, sob o argumento de que o resgate das respectivas fixed rated notes (FRNs) por ela emitidas haveria sido indevidamente antecipado. 2. As operações ora analisadas destinaramse, em última análise, à obtenção de recursos, no exterior, para a aquisição da Eletropaulo Metropolitana S/A, pela Light, em leilão de privatização, pelo valor de RS 2,026 bilhões. 3. Em síntese, as movimentações de capitais, com esse intuito, foram as seguintes: [...] 4. Em novembro de 2001, foi cancelado integralmente o CR 341/10453 e parcialmente o CR 341/10439, por proposta contida no expediente DECEC/GABIN2001/210, de 22 de novembro de 2001, aprovado pelo Sr. Diretor da Direx (fls. 229/233), "por não restarem dúvidas quanto à prática adotada pela empresa de, par meio de artifício, transformar captações de curto prazo feitas por suas subsidiárias no exterior em operações de longo prazo, num esquema que funcionou enquanto as rolagens externas foram exeqüíveis, mas que a obrigou a remeter os recursos via TIR como disponibilidades, para constituição do que só depois ficou caracterizado como Capital Brasileiro no Exterior a título de investimento, em cumprimento a regulamentação então vigente" (fl. 231, item 2). Na ocasião, também foi determinada "a repatriação dos juros indevidamente encaminhados ao exterior ou, alternativamente, redução do CR pelo valor correspondente" (fl. 232, item 2, b), bem como "a cobrança de multa prevista na Resolução 2.275/96 c 2.883/01" (fl. 232, item 3). 5. Encaminhados os autos para esta ProcuradoriaGeral, foi exarado o Parecer 2002/00082(DEJUR/PRCPA) (fls. 241/244), de 7 de março de 2002, que gerou a comunicação dos fatos à Receita Federal (fls. 254/255) e ao Ministério Público Federal (fls. 247/248), em vista de indícios de pratica de ilícitos fiscais (decorrentes da perda de benefício fiscal por pagamento antecipado da divida) e penais (inexistência das operações com tbills). 6. A Light, então, requereu a reabertura do processo, em petição datada de 5 de janeiro de 2004 (fls. 270/299), para "rediscussão da matéria" e "prestação dos esclarecimentos que forem considerados devidos, tudo com o objetivo de obter o restabelecimento integral dos certificados de registro 341/10453 (relativo à operação de USS 130,5 milhões) e 341/10429 (relativo à operação de USS 875 milhões), para que a empresa possa fazer face aos compromissos internacionais assumidos", bem como para que sejam encaminhados ofícios ao Ministério Fl. 826DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 827 19 Publico e à Secretaria da Receita Federal, informando a revisão da matéria (fls. 273/274, item 16). 7. Diante disso, o Decec formulou as indagações constantes às fls. 318/320, item 4, a serem transcritas e respondidas a seguir, neste parecer (negritei as transcrições). Após uma extensa apreciação, esse parecer jurídico adotou a seguinte conclusão: 27. Desse modo, em resposta à consulta formulada, de acordo com os precedentes em anexo (Parecer 2003/00280(DEJUR/ PRPIN) e Parecer 2004/00054(DEJUR/PRPIN), concluo que: a) Light, Lir e Loi são pessoas jurídicas distintas aquela sócia integral e estas suas subsidiárias; b) as operações de captação (realizadas entre subsidiária e banqueiros internacionais) não se confundem com as operações de empréstimo realizadas entre as subsidiárias no exterior e a empresa controladora no Brasil são negócios jurídicos distintos; c) não houve resgate antecipado das FRN, pois não foram adquiridas pela própria emitente (Light); d) não se praticaram ilícitos afetos à matéria de câmbio e capital estrangeiro, de modo que falta respaldo legal e regulamentar para o cancelamento dos ROFs, embora reste aos órgãos públicos competentes, já comunicados, formar sua opinião acerca da prática de ilícitos fiscais e penais. (Negritei). Portanto, não é verdade que o BACEN rechaçou a existência de uma simulação; pelo contrário, foi aquele órgão que primeiro constatou este fato, o que levou à aplicação de sanções à LIGHT e à representação ao Ministério Público e à Receita Federal. Todavia, mediante a reclamação da interessada, foi feita uma análise jurídica da situação e chegouse à conclusão de que não haviam "ilícitos afetos à matéria de câmbio e capital estrangeiro", mas que restava "aos órgãos públicos competentes, já comunicados, formar sua opinião acerca da prática de ilícitos fiscais e penais". Em outras palavras, o BACEN constatou que as remessas de divisas feitas pela LIGHT ocorreram nos valores declarados, para as pessoas declaradas, com a finalidade aceita pela legislação cambial, de forma que não havia suporte legal para o cancelamento dos registros daquelas remessas ao exterior. Todavia, isso em nada restringe o alcance da Administração Tributária no seu mister de investigar ilícitos de natureza tributária. Nunca é demais lembrar o artigo 195 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes, industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Fl. 827DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 828 20 Também não é desconhecido o fato de que a Administração Tributária pode desconsiderar as declarações prestadas pelo contribuinte e sair em buscar da verdade material, em procedimento investigatório de colheita de provas, conforme autorização do artigo 9º do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. Nesse mister, a Administração Tributária está autorizada, inclusive, a desconsiderar negócio jurídico formalmente constituído e efetuar lançamento tributário, quando verificar que esse negócio é elemento de uma simulação, nos termos do artigo 149 do CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ... VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Salientese que tais prerrogativas são dadas à Administração Tributária pela lei e sem ressalvas quanto à manifestação de outros órgãos públicos. Ademais, mesmo que houvesse essa limitação, o próprio BACEN afirma que a manutenção dos registros de transferência de divisas em nada impede a investigação de ilícitos tributários. Diante de tantas vulnerabilidades na fundamentação da decisão veiculada pelo Acórdão nº 920202.239, entendo que aquela autoridade julgadora não alcançou o melhor direito, de forma que afasto a possibilidade de utilizála como fundamento de decidir. Pelas mesmas razões, entendo que os autos trazem evidências suficientes de que a contribuinte simulou um financiamento de longo prazo por meio da criação de empresas escriturais em paraíso fiscal, remetendo para o exterior, sob a denominação de aumento de capital, os recursos necessários para a quitação do real financiamento de curto prazo. Em suma, tomandose por base o Termo de Verificação e Constatação Fiscal correspondente ao IRRF, fls. 326/343, os fatos são os seguintes: com o intuito de buscar recursos que possibilitasse a aquisição do controle da ELETROPAULO METROPOLITANA S/A, a LIGHT realizou duas operações de emissão de FIXED RATES NOTES no exterior em setembro de 1997 e abril de 1998. Referidos títulos foram adquiridos por suas subsidiárias (Light Overseas Investment Limited LOI e LIR Energy Limited LIR), constituídas, respectivamente, em julho de 1997 e abril de 1998, em um paraíso fiscal (Ilhas Cayman), que haviam captado recursos no exterior. Nos meses de março, abril e novembro de 1999, a LIGHT remeteu recursos para o exterior, com o intuito de aumentar o capital da LOI e da LIR, no valor dos compromissos assumidos. Conforme expediente emitido pela LIGHT e endereçado ao BACEN, o aumento de capital teve por objetivo possibilitar que suas subsidiárias repactuassem suas Fl. 828DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 829 21 dívidas. Com o aumento de capital, a LOI saldou o total de sua dívida, a LIR, também aproveitandose do aumento de capital, quitou, em abril de 1999, 20% do total de sua dívida, e, em virtude de novo aumento de capital realizado e integralizado em novembro de 1999, liquidou outra parte do seu empréstimo. Nos meses de junho e setembro de 2000, houve redução do capital da LIR. Inicialmente, o BACEN cancelou parcialmente o Certificado de Registro (CR) nº 341/10439 (US$ 476,5 milhões), e totalmente o de nº 341/1/453; porém, após solicitação formal da LIGHT, o BACEN reconsiderou sua posição para autorizar as remessas de juros para o exterior, baseandose, para tanto, no fato de que não haveria norma que lhe autorizasse a, identificando artifício para obter benefício fiscal supostamente indevido, procedesse à glosa dos CRs. Em seu PARECER/2004/00254/DEJUR/PRPIN, em que reconsidera a sua posição, o BACEN destaca que a autoridade fiscal, ao contrário da autoridade monetária, detém poder para pronunciarse quanto aos efeitos tributários decorrentes das operações realizadas pela LIGHT. A conclusão no sentido de que os aumentos de capital realizados pela LIGHT nas suas subsidiárias (LOI e LIR) objetivaram amortizar os empréstimos contraídos com a aquisição por parte destas dos títulos anteriormente emitidos, a meu ver, encontramse bem delineados no já citado Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 323/343, e podem assim ser resumidos: 1. os notes emitidos pela LIGHT e adquiridos pelas subsidiárias LOI e LIR venciam em 10,5 e 12 anos, respectivamente, ao passo que os empréstimos contraídos por estas últimas venciam, inicialmente, em no máximo um ano; 2. os valores relativos aos aumentos de capital realizados pela LIGHT em suas subsidiárias foram integralmente utilizados por estas para quitação do todo ou parte de suas dívidas com os credores internacionais; 3. a DELOITE, em Parecer constante das Demonstrações Contábeis Consolidadas Referentes aos Exercícios Findos em 31/12/1998 e 31/12/1999, assinalou que a dívida entre a LIGHT e a LIGHT OVERSEAS não deveria ser considerada no cálculo do endividamento da companhia; 4. a partir do momento em que desapareceu a necessidade de quitar parte da dívida, foi realizada a redução do capital de uma das subsidiárias; 5. os recursos enviados ao exterior foram efetivamente destinados à liquidação dos empréstimos; 6. os recursos internados no país aqui não permaneceram pelo prazo exigido pela lei para que a norma isentiva operasse; 7. a descaracterização, em virtude do ato simulado realizado, tem efeitos estritamente tributários, pouco importando, assim, os efeitos civis advindos, de modo que o fato de o contribuinte continuar a realizar remessas objetivando quitar os juros devidos é IRRELEVANTE, desde que esses juros tenham o enquadramento tributário de se referirem a empréstimo de curto prazo; Fl. 829DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 830 22 8. uma empresa, sem recursos próprios, contrair um empréstimo de curto prazo e emprestar esses recursos a longo prazo, configura uma situação insustentável e foge de uma racional organização empresarial e societária; 9. LOI e LIR foram constituídas exclusivamente para captar recursos no exterior e para emprestálos à sua controladora (conforme Balanços Patrimoniais, os únicos empréstimos realizados pelas subsidiárias em referência foram para a própria LIGHT); 10. a operação poderia ter sido desenvolvida diretamente pela LIGHT, não cabendo a alegação de que ela era inviável em virtude do denominado CUSTO BRASIL, vez que a garantia que o financiadores internacionais detinham foi dada pela própria empresa brasileira; 11. aumentos de capital seguidos de redução não são expedientes normais dentro de uma organização societária; 12. que vantagem teria uma companhia ao aumentar o capital de sua subsidiária, quando esta tem, como única fonte de recursos, os juros do empréstimo realizado para a sua própria controladora? Com que intenção uma empresa utilizaria grande parte de empréstimo contraído no exterior junto a controladas para aumentar o capital destas, quando a única receita desta decorre de sua própria despesa? (a Fiscalização assinala e eu concordo que, no caso, o racional seria liquidar logo o empréstimo para não ter que arcar com os juros); 13. o mecanismo utilizado não se constituiu apenas em uma pequena inadequação entre a estrutura do negócio realizado e a finalidade almejada, mas numa total incompatibilidade, suficiente para caracterizar a simulação; 14. é irracional que uma empresa venda títulos resgatáveis em 10 ou 12 anos a suas subsidiárias que, por sua vez, os adquirem com recursos captados no curto prazo, de apenas um ano, e que a controladora ainda aumente o capital dessas empresas off shore, sem que se vislumbre qualquer receita dessas subsidiárias, que não a advinda da própria despesa de sua proprietária; 15. a intenção da lei, ao reduzir a zero a tributação sobre os juros remetidos em decorrência de empréstimo contraído no exterior a longo prazo (por mais de oito anos), era a de manter o capital no país, de modo que "os malabarismos contábeis e societários que repassam capital para o exterior ferem a finalidade da norma benéfica". Assim, retirado o véu da simulação, constatase que o pagamento das obrigações da LIGHT perante seus credores no exterior se deu em 1999, de forma que os pagamentos realizados em 2001 e 2002 não são dedutíveis porque foram calculados sobre empréstimos que já tinham sido quitados anteriormente. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendo os lançamentos na sua integralidade. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 830DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 831 23 Declaração de Voto Conselheiro André Mendes de Moura. Acompanhei a i. Relatora no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso de PGFN. Em relação à admissibilidade, venho tecer considerações complementares. Aduz a Contribuinte que o acórdão paradigma decidiu sobre a incidência do IRRF diante da situação especial prevista no artigo 1°, inciso IX, da Lei n° 9.481/97 (remessa de divisas ao exterior em caso de empréstimos com prazo mínimo de 96 meses), enquanto o presente processo está decidindo sobre a dedutibilidade de despesas com encargos financeiros, com fundamento legal nos artigos 251, 299 e 371, I, do RIR/99. Assim, a diferença na legislação aplicada afastaria a possibilidade de divergência na interpretação da legislação. Discorre ainda que há decisão na 2ª Turma da CSRF sobre o IRRF (Acórdão nº 920202.239), o que teria o condão de vincular o presente Colegiado. Em relação à questão da vinculação dos presentes autos com a decisão proferida pela 2ª Turma da CSRF sobre o IRRF, não assiste razão à Contribuinte. O Colegiado da 1ª Turma da CSRF tem liberdade de firmar livremente sua convicção. Não há dispositivo regimental que obrigue uma turma da CSRF seguir decisão de outra turma da CSRF. Sobre a admissibilidade, de fato o dispositivo normativo tratado na decisão da 2ª Seção é diferente do tratado na decisão da 1ª Seção. Contudo, o suporte fático é o mesmo, e se amoldou à hipótese de incidência de duas infrações tributárias distintas. Uma, sobre o IRRF (tratado na 2ª Seção), e outra, sobre o IRPJ (glosa de despesas tratada no presente Colegiado). Ocorre que para a incidência de ambas as infrações, o aspecto subjetivo (dolo) foi determinante para a imputação fiscal. Observase que nos autos do IRRF (tratado na 2ª Seção), foi afastada a acusação de dolo, e por consequência consideradas idôneas as operações, razão pela qual foi afastada a incidência do imposto: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 IRF ALÍQUOTA ZERO RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR JUROS DE TÍTULOS DE CRÉDITO INTERNACIONAIS PRAZO MÉDIO DE AMORTIZAÇÃO IGUAL OU SUPERIOR A 96 MESES REGRA PRETENSAMENTE DESCUMPRIDA PELA AUTUADA SITUAÇÃO NÃO COMPROVADA DECISÃO MANTIDA. De Fl. 831DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 832 24 acordo com o artigo 1°, inciso IX, da Lei n° 9.481/97, com a redação dada pelo artigo 20 da Lei n° 9.532/97, os rendimentos auferidos no Brasil por residentes ou domiciliados no exterior com a natureza de juros decorrentes de colocações no exterior de títulos de crédito internacionais, previamente autorizados pelo Banco Central do Brasil, estão sujeitos à alíquota zero do imposto de renda na fonte, desde que o prazo médio de amortização corresponda, no mínimo, a 96 (noventa e seis) meses. No caso, a partir da decisão recorrida, restou incontroversa a inexistência de simulação quanto às operações que deram causa ao lançamento. Disso decorre que os aumentos de capital efetivados pela interessada em suas subsidiárias sediadas no exterior não ocultaram amortizações antecipadas dos empréstimos que lhe foram concedidos por elas. O Banco Central do Brasil analisou a operação e concluiu de forma categórica e definitiva que os fatos em apreço não podem e não devem ser interpretados como simulação de pagamento dos títulos de longo prazo de responsabilidade da autuada. Tal posicionamento é de fundamental importância para o deslinde desta controvérsia, pois eventuais efeitos tributários de determinada relação jurídica de natureza cambial dependem da conotação dada a ela pelo Banco Central. Não tem aplicação a este feito a regra do artigo 8° da Lei n° 9.779/99. Recurso especial negado. (grifei) Nos presentes autos (IRPJ), na câmara baixa, a caracterização do dolo também foi afastada, o por consequência as operações foram consideradas regulares: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001, 31/12/2002 DESPESAS FINANCEIRAS. GLOSA. AMORTIZAÇÃO DE EMPRÉSTIMO ANTERIOR À APROPRIAÇÃO DE SEUS ENCARGOS FINANCEIROS. INOCORRÊNCIA. São dedutíveis do lucro real as despesas de juros e variações cambiais passivas decorrentes de empréstimos contraídos pelo autuado junto a duas empresas controladas no exterior. Inocorre amortização antecipada do empréstimo em razão da transferência de recursos do autuado para as empresas controladas a titulo de aumento de capital. O aumento de capital não pode ser descaracterizado e considerado como amortização dos empréstimos, por se tratar de transações distintas e regularmente formalizadas. Não ha disposição legal que afaste da regra geral de dedutibilidade os juros incorridos sobre empréstimos entre controlada e controladora, na hipótese de ocorrer aumento de capital. (grifei) Questão que se coloca é se o aspecto subjetivo da infração é independente a ponto de poder receber tratamento dissociado do tipo objetivo, e, por consequência, se a divergência da interpretação de legislação tributária pode tratar, individualmente, apenas o tipo subjetivo, ou apenas o objetivo. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 833 25 Ou, por outro lado, se a caracterização de infração demanda conexão indissociável entre o tipo objetivo e o aspecto subjetivo, e, por isso, a divergência da interpretação da legislação tributária deve considerar o tipo objetivo e o aspecto subjetivo como um todo. Entendo que devem ser tratados de maneira autônoma. Tanto que, em várias ocasiões, o Colegiado não julga o tipo objetivo da infração (ex.: glosa de ágio. glosa de despesas desnecessárias, omissão de receitas), já precluso, mas se debruça sobre o aspecto subjetivo (qualificação da multa). Ou seja, na seara tributária, apreciação do tipo objetivo e aspecto subjetivo é independente, autônoma. Nesse contexto, não há óbice para que apreciar, individualmente, a decisão que trata do aspecto subjetivo da conduta, ainda mais quando o aspecto subjetivo da conduta é determinante para a qualificação do tipo objetivo, caso em que o aspecto subjetivo é a ratio decidendi (e não um mero obter dictum). Tanto que é a ratio decidendi, que vale transcrever novamente excerto da ementa da decisão sobre o IRRF: O Banco Central do Brasil analisou a operação e concluiu de forma categórica e definitiva que os fatos em apreço não podem e não devem ser interpretados como simulação de pagamento dos títulos de longo prazo de responsabilidade da autuada. Tal posicionamento é de fundamental importância para o deslinde desta controvérsia (...) (grifei) A interpretação se debruça sobre os fatos, e os fatos são os mesmos. E sobre o paradigma, trata de autuação relativa ao IRRF, mesmo caso da decisão da 2ª Seção. E, em operação similar à dos fatos tratados nos presentes autos, concluiuse pela ocorrência de simulação (a multa foi qualificada e mantida pelo CARF) e presença do dolo, que foi determinante para a incidência do IRRF, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2004 REMESSA DE JUROS. CRÉDITOS INTERNACIONAIS. PRAZO MÍNIMO MÉDIO PARA AMORTIZAÇÃO DE 96 MESES DESCUMPRIDO. ALÍQUOTA 25%. SIMULAÇÃO. O que se discute no presente caso é incidência ou não, no caso concreto, de uma norma, excepcional, o art. 1°, IX da Lei n° 9.481, de 1997, que reduz a zero a alíquota aplicável na apuração do imposto devido, sujeito à retenção na fonte, no caso de remessa de juros e outros encargos financeiros relacionados a títulos de crédito internacionais colocados no exterior, desde que o seu prazo médio de amortização seja superior a 96 meses. Para adquirir os títulos internacionais de longo prazo, a subsidiária integral do Contribuinte Recorrido se comprometeu no exterior, no curto prazo, através de empréstimo junto a bancos internacionais. O êxito dessa operação, evidentemente, dependia da possibilidade de sucessivas rolagens dos empréstimos captados Fl. 833DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 834 26 no exterior, até o resgate dos títulos de emissão da controladora, quando, então, aqueles poderiam, enfim, ser liquidados definitivamente. As remessas de recursos ao exterior, a título contratos de mútuo entre a Recorrida e a sua subsidiária integral, a CERJ Overseas, se destinaram à quitação dos empréstimos contraídos por esta e repassados para a ora Recorrida, representando, de fato, o retorno de parte dos recursos captados no exterior antes do prazo de 96 meses. Para adquirir os títulos internacionais de longo prazo, a subsidiária integral do Contribuinte Recorrido comprometeuse no exterior, no curto prazo, através de empréstimo junto a bancos internacionais. Entretanto, em virtude das ditas modificações drásticas no cenário financeiro internacional, provocadas pela crise cambial, a reestruturação da divida CERJ Overseas não se deu pela captação de recursos no exterior, mas, em grande parte, pela captação de recursos no mercado interno. Os recursos enviados para a subsidiária se destinavam, portanto, à devolução de recursos captados pela Recorrida por intermédio de sua subsidiária, no mercado externo. Isto é, os recursos captados de instituição financeira internacional por intermédio de sua subsidiária passaram a fazer o caminho de volta. A alíquota aplicável no presente caso é a de 25%, por aplicação do disposto no art. 8° da Lei n° 9.779, de 1999. O ato realizado pela Recorrida, qual seja, o mútuo, serviu na realidade, para disfarçar sua real intenção de amortizar os empréstimos contraídos, fugindo de ter que recolher IRRF sobre os juros remetidos ao exterior, mascarando um empréstimo que, em verdade, foi amortizado em prazo inferior a 96 meses, simulando que o mesmo só teve o principal pago após 10 anos. Em verdade, a Recorrida valeuse de um ato simulado, (mútuo), para ocultar outro (amortização de empréstimo). (grifei) Na realidade, a coincidência do enquadramento legal (artigo 1°, inciso IX, da Lei n° 9.481/97) do paradigma e da decisão decorrente do IRRF (da 2ª Seção) só confirma, com maior precisão, a identidade dos fatos tratados, e a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à simulação. Isso porque foi afastouse o dolo na decisão recorrida, e mantevese a caracterização da conduta dolosa no paradigma. Nesse sentido, voto com a i. Relatora. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Declaração de Voto Fl. 834DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 835 27 Conselheiro Rafael Vidal de Araújo. A matéria é a glosa de despesa financeira juros sobre empréstimos contraídos no exterior, por desnecessidade da despesa, simulação, etc. Esses casos também envolvem lançamento de IR/Fonte, porque o pagamento dos juros, via remessa ao exterior, quando o empréstimo é de longo prazo (maior que 96 meses) não tem incidência do IR/Fonte. Mas quando se considera que ouve quitação antecipada do empréstimo (retorno dos recursos ao exterior antes do prazo legal determinado para a fruição do benefício fiscal em relação ao IR/Fonte), há lançamento para a exigência do IR/Fonte que deixou de ser recolhido pela tomadora dos empréstimos (empresa no Brasil). Realmente esse caso envolve questões de mérito bem semelhantes àquele da Bunge Alimentos, mas há diferenças em relação às questões de admissibilidade. Nos dois casos, o resp é da PGFN, que tenta restabelecer o lançamento. Nesse caso da Light, a DRJ tinha cancelado o lançamento. A TO negou provimento ao recurso de ofício, adotando razões de decidir do lançamento de IR/Fonte relacionado. Em sede de recurso especial, a PGFN tenta restabelecer o lançamento. Caso da Bunge Alimentos: (9101002.431) É importante lembrar algumas coisas do caso da Bunge. No caso da Bunge, o meu voto foi pelo não conhecimento do resp, por falta de comprovação da divergência. O processo tratava de lançamento de IRPJ/CSLL por glosa das despesas com juros sobre os empréstimos contraídos no exterior, e o paradigma apresentado pela PGFN era referente a lançamento de IR/FONTE que deveria incidir sobre as remessas referentes aos pagamentos desses mesmos juros. O paradigma era referente à mesma empresa, aos mesmos fatosbase, mesmo período, etc. Era o processo do IR/Fonte da própria Bunge. O lançamento de IR/FONTE já tinha sido inclusive mantido na 2ª Seção do CARF, quando a TO da 1ª Seção examinou o caso, e mesmo assim a 1ª Seção cancelou o lançamento de IRPJ/CSLL, entendendo que não estava vinculada à decisão da 2ª Seção sobre o IR/Fonte. O meu voto analisou os aspectos das decisões cotejadas, para fins de caracterização de divergência jurisprudencial, e esses aspectos são diferentes desse caso que está sendo relatado pela Dra. Adriana (Light). No caso Bunge, a decisão da TO que manteve o lançamento de IR/Fonte (que era o acórdão paradigma) deixou bem claro que isso se dava em razão de ter ocorrido o retorno dos recursos ao exterior antes do prazo de 96 meses. A própria decisão do IR/Fonte indicava que as questões sobre o IRPJ/CSLL iam além desse aspecto do retorno dos recursos antes do prazo (os lançamentos de IRPJ/CSLL naquele caso envolviam debate sobre a necessidade da despesa, sobre a comparação das taxas de juros sobre os empréstimos tomados nos dois sentidos a empresa no Brasil emprestava e ao mesmo tempo tomava empréstimo de sua controlada no exterior). O fiscal havia lançado a diferença dos montantes calculado considerando as taxas de juros, chegando inclusive a afirmar que se as taxas fossem as mesma, nada seria devido. Tudo isso dependia de uma análise além do que havia sido feito para o julgamento do IR/Fonte. O meu voto inclusive observa que, mesmo que o pagamento do Fl. 835DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 836 28 empréstimo tomado no exterior fosse feito com recursos próprios da controlada no exterior (sem qualquer implicação para o IRPJ da controladora no Brasil), ainda assim o lançamento do IR/Fonte subsistiria porque não teria sido observado o prazo mínimo de 96 meses para que os recursos captados voltassem ao exterior. No caso da Bunge, a conclusão da TO da 1ª Seção (correta na minha forma de ver) foi que a manutenção do lançamento do IR/Fonte pela 2ª Seção não implicava diretamente na manutenção do lançamento de IRPJ/CSLL, porque esses lançamentos exigiam aspectos adicionais em relação ao IR/Fonte. E foi justamente a falta desses aspectos adicionais no paradigma (que tratava do IR/Fonte) que acabou comprometendo a caracterização da divergência jurisprudencial naquele caso. No caso da Bunge, a análise de admissibilidade do resp da PGFN focou muito nestas questões, que são bem diferentes desse caso da Light. Caso da Light No caso da Light, já há uma primeira diferença do precedente da Bunge, porque não há essa questão de empréstimos nos dois sentidos, com taxas desiguais. A remessa ao exterior para quitar os empréstimos antes do prazo de 96 meses foi via aumento de capital da controlada no exterior. Nesse caso da Light, o paradigma também trata de lançamento de IR/fonte, mas de outra empresa (Ampla Energia e Serviços). É que o lançamento de IR/Fonte da própria Light foi cancelado pela 2ª Turma da CSRF. Mas há uma diferença importante em relação ao paradigma apresentado no caso da Bunge. No caso da Light, o paradigma, ao julgar o IR/Fonte, não ficou apenas na questão da quitação antecipada do empréstimo no exterior, antes do prazo de 96 meses. O paradigma adentrou nas questões de simulação, e condenou os empréstimos feitos pela controladora brasileira à controlada no exterior (com a finalidade específica de quitar os empréstimos antes tomados com terceiros), independentemente do aval do Bacen (que só decide sobre as questões de câmbio, da remessa de valores para o exterior, etc., mas não define os reflexos tributários dessas remessas). Tem razão o despacho de admissibilidade (que adoto adicionalmente às razões da relatora) quando diz: As situações fáticas apresentadas no acórdão recorrido e no acórdão paradigma são, no meu entendimento, perfeitamente equivalentes, a saber: (i) o contribuinte cria uma empresa subsidiária integral em paraíso fiscal; (ii) a subsidiária capta recursos financeiros no exterior com vencimento de curto prazo; (iii) esses recursos são enviados para o contribuinte mediante obrigações de longo prazo, sobre as quais a alíquota do IRRF é zero; iv) o contribuinte faz aporte financeiro na subsidiária, em operação não tributável, para que ela honre seus compromissos de curto prazo. Fl. 836DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 837 29 É certo que existem diferenças entre essas duas situações. Os títulos emitidos pelas subsidiarias possuem denominações diferentes, todavia isso não afasta a semelhança das situações na espécie, pois a característica relevante da operação de captação de recursos é o fato de serem de curto prazo. Os títulos emitidos pelos contribuintes e adquiridos integralmente pelas subsidiárias possuem denominações diferentes, porém isso também não afasta a semelhança em análise, uma vez que a sua característica relevante é o fato de serem de longo prazo, de forma a evitar a tributação do IRRF. As remessas feitas pelos contribuinte às suas subsidiárias, para que pudessem honrar as suas obrigações de curto prazo, também possuem denominações diferentes, mas isso também não é relevante, sendo determinante o fato de serem remessas não tributáveis. Verificase que os acórdãos contrapostos tratam de lançamentos tributários de espécies tributárias diferentes. O acórdão recorrido trata da exigência de IRPJ e CSLL enquanto o acórdão paradigma trata da exigência de IRRF. Todavia, isso também não afasta a divergência apontada, uma vez que essa divergência não reside na interpretação das regras matrizes desses tributos, mas sim na interpretação/aplicação do dispositivo legal que permite ao Fisco efetuar lançamento tributário diante de uma simulação, ou seja, tributar um fato gerador que foi dissimulado por um fato não tributável. Tratase de divergência quanto à interpretação de norma geral, aplicável a qualquer espécie tributária, a saber, o artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional (CTN). Além disso, verificase que, em ambos os casos, todas as remessas de divisas entre o contribuinte e suas subsidiárias foram realizadas mediante autorização do Banco Central do Brasil (BACEN). Entretanto, no acórdão recorrido, a Turma entendeu que a regularidade das transferências internacionais é prova da inexistência de infração tributária, ... Por outro lado, o entendimento exarado no acórdão paradigma é no sentido de que a existência de documentos emitidos pelo BACEN não elidem a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em pronunciarse sobre os efeitos tributários das correspondentes operações financeiras, ... Portanto, há conflito entre as valorações realizadas sobre os certificados de registro emitidos pelo BACEN para as remessas financeiras em apreço. Desta feita, entendo que há divergência na interpretação da legislação tributária entre o acórdão recorrido, que entendeu não haver simulação em situação análoga àquela que deu suporte à decisão do acórdão paradigma, o qual entendeu ter ocorrido simulação. A diferença mais chamativa, a meu ver, entre o recorrido e o paradigma é que enquanto este se utilizou de mútuo, aquele optou pelo aumento de capital. A meu ver, esse não é um fato relevante que permita afirmar que: se, no paradigma, ao invés de mútuo fosse utilizado aumento de capital; ou, no recorrido, ao invés de aumento de capital fosse utilizado mútuo, as decisões teriam tomado caminhos diferentes por esse só fato. Assim, essa diferença é um fato não relevante que não obsta o conhecimento do recurso especial. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 9101002.533 CSRFT1 Fl. 838 30 Agregando essas decisões, voto por conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 838DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.001221/2005-40
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2002
SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES.
EXCLUSÃO POR EXERCÍCIO DE ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA.
Havendo comprovação nos autos de que a Recorrente realiza atividade de prestação de serviço de terraplanagem e escavações de açudes serviços auxiliares e complementares da construção civil, com cessão de mão de obra, deve ser determinada a sua exclusão do Simples, por incorrer na vedação do inciso V e Aline “f”, inciso XII, ambos do art. 9°, da Lei n° 9.317/96.
Numero da decisão: 1803-001.200
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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EXCLUSÃO POR EXERCÍCIO DE ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. Havendo comprovação nos autos de que a Recorrente realiza atividade de prestação de serviço de terraplanagem e escavações de açudes serviços auxiliares e complementares da construção civil, com cessão de mãodeobra, deve ser determinada a sua exclusão do Simples, por incorrer na vedação do inciso V e Aline “f”, inciso XII, ambos do art. 9°, da Lei n° 9.317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.001221/200540 Acórdão n.º 180301.200 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase da exclusão da Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, mediante o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/JOA n° 37 de 27 de setembro de 2006, fl. 31, ao fundamento de que a empresa realiza atividade prestação de serviço de terraplanagem e escavações de açudes serviços auxiliares e complementares da construção civil, com cessão de mãodeobra, incompatível com o Simples, haja vista a vedação expressa do art. 9° ao 16, da Lei 9.317/96, bem como Instrução Normativa SRF n° 608, de 09 de janeiro de 2006, com efeitos a partir de 01.01.2002. Por medida de economia processual, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ, que descreve com riqueza de detalhes os principais fatos a serem considerados: Contribuinte argumenta: • Objeto social é a prestação de serviços de terraplanagem e escavações de açudes • Sempre desenvolveu a mesma atividade e a opção pelo SIMPLES foi homologada pela SRF. • O artigo 9° da Lei 9.317/96 deve ser interpretado literal e restritivamente, conforme art.111 do CTN. • Não se dedica a locação de mão de obra. • Exclusão retroativa provocará desequilíbrio financeiro e fere o princípio da segurança jurídica. • Ato próprio, caso SRF entendesse que atividade impeditiva existia desde a opção, seria indeferimento da opção e não exclusão. • Exclusão deveria produzir efeitos a partir do mês subseqüente ao da exclusão. Contribuinte requer: • Reexame do ADE de Exclusão. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.001221/200540 Acórdão n.º 180301.200 S1TE03 Fl. 113 3 • Caso não aceitas as argumentações, exclusão com efeitos a partir do mês subseqüente e não efeitos retroativos a partir de 01/01/2002. A autoridade de primeira instância entendeu que o lançamento era procedente, vez que a atividade exercida pela recorrente realmente encontrase nas vedações previstas pelo artigo 9° da Lei 9.317/96 e assim o transcreve. Completa seu entendimento referindo que a questão da locação de mão de obra não constou do ADE de exclusão e portanto não será examinada. Ademais, reflete que o alegado desequilíbrio econômico ocorre em toda situação de vantagem concorrencial obtida de forma indevida e se manifesta negativamente nas empresas que atuam conforme a lei, cabendo ao Estado, quando verifica situação de irregularidade agir para tornar o ambiente regular. Quanto à retroatividade dos efeitos da exclusão, prossegue o julgador afirmando que a recorrente questiona os efeitos retroativos do ato declaratório, para 01/01/2002, no qual sustenta a tese de que este deveria surtir efeito a partir do mês subseqüente ao da exclusão. Rebate a autoridade a quo salientando o §1°, inciso II do art. 24 da Instrução Normativa SRF n. 608, de 09.01.2006 que firmouse no artigo 15 da Lei 9317/96 ao disciplinar a matéria e considerando que a empresa optou pelo SIMPLES em 03/02/1999, cabe observar ainda que o efeito do ato declaratório a partir de 01/01/2002 foi inclusive benéfico ao contribuinte. Isto porque, ao invés de retroagir à data da opção indevida da empresa, para o qual tinha amparo legal, a instrução normativa adotou, em decorrência de diversos enquadramentos equivocados pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, nos anos que seguiram após a edição da Lei 9.317/96, uma situação mais benéfica para o contribuinte, com relação aos efeitos da exclusão, vez que observando os dispositivos da Instrução citada, os efeitos da exclusão retroagiram a partir de 1° de janeiro de 2002, o que foi extremamente vantajoso para a recorrente. Cientificada da decisão, a recorrente apresentou de forma tempestiva recurso voluntário em que aduz de forma sintética o já disposto na inicial, contrapondose novamente à exclusão do SIMPLES, bem como a retroatividade do ato. No entanto, expõe de forma enfática que a Norma que vedava a empresa de estar no SIMPLES era infralegal, posto tratarse apenas de uma Instrução Normativa, já que na Lei 9.317/96 nada constava efetivamente. Cita para corroborar sua assertiva que participa efetivamente do SIMPLES novamente, de forma legítima, desde 2007, posto que na atualidade sua atividade não se encontra mais vedada e agora é aceita, por força da Lei Complementar 123. Ainda, entende a recorrente que por força da Lei Complementar referida, qual seja, a LC123, que permitiu expressamente a adesão da recorrente ao SIMPLES, o presente processo administrativo teria perdido seu objeto quanto à exclusão propriamente dito, ficando a controvérsia tão somente em relação à retroatividade ou não da pretendida exclusão. Prossegue na sua defesa requerendo, mais uma vez que não haja a cobrança dos anos anteriores, porquanto que ao ingressar e ser admitida no programa SIMPLES pela Secretaria da Receita Federal e lá permanecendo por anos, entende que não pode agora por um ato ser excluída e cobrada retroativamente os anos que se passaram sob a égide e anuência da Administração. Nesse caminho junta farta jurisprudência do STJ. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.001221/200540 Acórdão n.º 180301.200 S1TE03 Fl. 114 4 Observa que durante todos os anos que se passaram, nunca houve alteração contratual que modificasse o objeto social ou ramo atividade da recorrente, portanto, sua opção pelo SIMPLES, foi de boa fé, pois tal opção foi admitida pela Receita Federal através de ato administrativo, o que gerou presunção de legitimidade. Aduz que a exclusão da mesma, sem que tenha havido máfe de sua parte e, ainda, com efeito retroativo, fere o principio da confiança e agride o da segurança jurídica, pois havia um ato administrativo, expedido pela autoridade competente assegurando o direito ao SIMPLES. Cita jurisprudência nesse sentido. É o relatório Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Depreendese da decisão de primeira instância que, no entendimento da DRJ, a questão se resume ao fato de a atividade exercida pela Recorrente ser de prestação de serviço de terraplanagem e escavações de açudes serviços auxiliares e complementares da construção civil, o que invalidaria sua opção pelo SIMPLES. Em confronto à aludida decisão, a Recorrente sustenta que foi admitida no SIMPLES pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e que sua exclusão não poderia se dar de forma retroativa, por ferir a segurança jurídica, ainda refere que em virtude da publicação da Lei Complementar 123/2006 a sua atividade, na atualidade, se encontra permitida e superada e referida questão, restando tão somente a discussão quanto à retroatividade da cobrança dos tributos. A exclusão da Recorrente do SIMPLES ocorreu com embasamento no inciso V, do artigo 9°, da Lei n° 9.317/96, conforme transcrito abaixo: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis E também pelo embasamento no inciso XII, letra “f”, do artigo 9°, da Lei 9.317/96, conforme transcrito abaixo: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII que realize operações relativas a: (...) f) prestação de serviços de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.001221/200540 Acórdão n.º 180301.200 S1TE03 Fl. 115 5 Da leitura das cláusulas contratuais abaixo e das notas fiscais juntadas aos autos, verificase claramente que a Recorrente presta serviços de terraplanagem, bem como atividade de prestação de serviços de escavações de açudes e locação de mãodeobra. Confira se: CLÁUSULA PRIMEIRA – DO OBJETO Este contrato tem origem do Edital de convite n." 39/2004 no qual, a contratada, Se compromete em efetuar.200 Horas de Prestação de serviços com retroescavadeira, com potência mínima de 70hp, duas conchas ' (larga c estreita) e com no máximo 15 anos de uso, hora máquina trabalhada, com fornecimento de combustível e todos os demais componentes necessários para a prestação dos serviços, conforme o cronograma estabelecido pela secretaria municipal da agricultura, destinado ao programa de desenvolvimento rural, visando a execução de serviços gerais nas propriedades rurais do município. CLAUSULA SEGUNDA DO REGIME DE EXECUÇÃO O serviço licitado deverá ser prestado nos locais determinados pela Secretaria j da Agricultura desta Municipalidade, a qual manterá cronograma de execução com vistas à atender: os agricultores deste Município. As despesas decorrentes da execução do presente contrato, como transporte do equipamento da sede da Contratada até os locais informados pela Secretaria da Agricultura correrão por conta da Contratada. CLÁUSULA TERCEIRA — DO PREÇO E CONDIÇÕES DE PAGAMENTO E REAJUSTE: O preço ajustado para a prestação dos serviços de retroescavação será de R$: 58,00 (cinqüenta e oito reais) por hora de efetivo serviço prestado, perfazendo um total,, de R$ 11.60,00 (onze mil e seiscentos reais). O pagamento será efetuado até o 5' dia útil do mês subseqüente ao do serviço prestado, mediante apresentação, por parte da contratada, de nota fiscal do serviço efetuado, GFIP quitada do período, GPS quitada e folha de pagamento dos empregados; e mediante apresentação por p arte da Secretaria da Agricultura .do, relatório dos serviços prestados. Na vigência deste contrato não haverá reajuste dos preços pactuados. Somente serão efetuados os pagamentos dos serviços efetivamente prestados. . Do valor acima mencionado, ficará a encargo da contratante, 50% do valor por hora contratada, sendo que o restante será Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.001221/200540 Acórdão n.º 180301.200 S1TE03 Fl. 116 6 pago à Contratada diretamente pelo beneficiário, não cabendo qualquer ônus ao Município pelo descumprimento da obrigação do pagamento por parte do beneficiário. Em seu recurso a Recorrente admitiu a prestação de serviços de terraplanagem caracterizada. A questão em discussão sequer gira em torno da demanda de que a atividade era ou não vedada na época, a recorrente apenas atenta para a questão de que a atividade não era vedada em lei, mas tão somente por uma Instrução Normativa e que na atualidade encontrase amparada por uma Lei Complementar que lhe dá guarida dentro da sistemática da legislação do SIMPLES. Ocorre que entendo de forma divergente, posto que na época dos fatos, a empresa encontravase desde sempre impedida pela norma que disciplinava o SIMPLES, qual seja a Lei 9.317/96, impedida de tributar por essa legislação, segundo disciplinado no seu artigo 9°. Segundo o meu entendimento, independentemente da empresa, na atualidade, poder optar pelo SIMPLES, não invalida a autuação realizada no passado, quando então a mesma não podia fazer essa mesma opção. Ainda que ela tenha feito essa opção e recolhido sem que a Secretaria da Receita Federal se manifestasse a respeito, tenho que a opção corre por conta e risco da empresa que interpreta a norma. Convém lembrar que a consulta, instrumento disponibilizado e alcançado a todo e qualquer contribuinte, assim também o foi para a recorrente, que poderia ter questionado através da mesma à Secretaria da Receita Federal quanto à opção realizada pelo SIMPLES e sua atividade, ao interpretar a norma e também a Instrução Normativa, obtendo resposta, antes mesmo de ingressar nessa forma de tributação. Ainda que a recorrente entenda que a Instrução Normativa não faça frente às normas legais, esta no presente caso somente esclareceu, de forma pormenorizada, o que a Lei Ordinária pátria já havia mencionado, segundo o meu entendimento, haja vista que a Lei 9.317/96 já mencionou em seu artigo 9°, inciso V, a vedação às empresas do ramo em que se encontra a recorrente. Desse modo, não é possível admitir a permanência da mesma, no período em comento, devendo prevalecer a cobrança dos tributos. Isso sem mencionar a questão da locação de mãodeobra, posto que este instituto tem a sua definição legal no parágrafo 3° do artigo 31 da Lei 8.212/91, segundo o qual “entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação”. Dando continuidade, a empresa, em várias notas fiscais também se auto intitulava “Empreiteiros e Locadores de Mão de Obra”, configurando o disciplinado no parágrafo 4° deste mesmo artigo: § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.001221/200540 Acórdão n.º 180301.200 S1TE03 Fl. 117 7 III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Já no tocante à cobrança retroatividade, em virtude da exclusão, questionada pela recorrente, conforme exposto acima, entendo que não pode valerse a mesma da própria torpeza para desculpar o seu comportamento. Na conformidade do que disciplina a norma, disposta no artigo 24 da Instrução Normativa SRF n.° 608, de 09 de janeiro de 2006, a cobrança realizada pela primeira instância encontrase correta e mais benéfica, tal desde 01.01.20002, tal como segue: Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: (...) § 1° Para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XIII e XVI a XVII do art. 20, que tenham optado pelo Simples até 27 julho de 2001, o efeito da exclusão darseá a partir: I do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001; II de 1° de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Em consulta realizada ao CNPJ da recorrente, temse que a mesma é optante pelo Simples desde 3/02/1999. As situações excludentes constatadas pela autoridade lançadora foram referentes aos períodos de 1999, 2003, 2004 e 2005. Dessa modo, temse que a exclusão deve reportarse a 01/01/2002, tal como calculado pela autoridade fiscalizadora. Diante das considerações expostas, nego provimento ao recurso voluntário interposto e mantenho a decisão que determinou a sua exclusão do SIMPLES. É como voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Conselheira Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.001221/200540 Acórdão n.º 180301.200 S1TE03 Fl. 118 8 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 13896.910964/2011-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.909
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Consta no referido Despacho Decisório o seguinte motivo para indeferimento do Pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 96 4/ 20 11 -3 3 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13896.910964/201133 Resolução nº 3402000.909 S3C4T2 Fl. 112 2 Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus – ZFM se equiparam, para todos os efeitos fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º da Decretolei nº 288/1967. O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que garante a manutenção do referido benefício por prazo determinado. No entanto, o § 2º, inciso I, do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858/1999, posteriormente reeditada pela Medida Provisória nº 2.037/2000, excluiu da isenção das receitas de exportação das Contribuições PIS/COFINS, as vendas efetuadas a Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348, em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a liminar pleiteada, para “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo 14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”. Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14, § 2º, inciso I, quanto às Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das Contribuições PIS/COFINS sobre a receita de vendas efetuadas à Empresa estabelecida na citada região. Com efeito, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo Manifestante. Sobreveio então o Acórdão 0831.104, da 3ª Turma da FOR/CE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Mantémse o Despacho Decisório de não homologação da compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do crédito pretendido. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, bem como apresentando notas fiscais por amostragem que dizem respeito às vendas à Zona Franca de Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13896.910964/201133 Resolução nº 3402000.909 S3C4T2 Fl. 113 3 É o relatório Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.905, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 13896.910963/201199, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.905: "Como se depreende do relato acima, o pedido de restituição da Recorrente fundase na alegação de ter tributado indevidamente a Contribuição ao PIS sobre receitas de vendas de produtos à estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, sendo que tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967). Tal direito ao indébito, em tese, foi reconhecido pelo julgamento da DRJ, que somente não conferiu o direito em concreto por falta de provas a certeza e liquidez do crédito pretendido. Para suprir tal falta, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402002.881. 1 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13896.910964/201133 Resolução nº 3402000.909 S3C4T2 Fl. 114 4 do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante registrar que os documentos apresentados pelo contribuinte no paradigma são os mesmos que instruem o presente processo, de tal sorte que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso daquele também se justificam neste. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do autos em diligência para que a Repartição Fiscal de origem adote as seguintes providências: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS/COFINS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900423/2006-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. OMISSÃO.INEXISTÊNCIA.
Deixa-se de conhecer os embargos de declaração apresentados pelo embargante, quando não comprovada a existência do alegado vício de omissão no Acórdão embargado.
Numero da decisão: 3302-003.511
Decisão: Embargos Não Conhecidos
Direito Creditório Não Reconhecido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer os Embargos de Declaração.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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decisao_txt : Embargos Não Conhecidos Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer os Embargos de Declaração. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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NÃO CONHECIMENTO. OMISSÃO.INEXISTÊNCIA. Deixase de conhecer os embargos de declaração apresentados pelo embargante, quando não comprovada a existência do alegado vício de omissão no Acórdão embargado. Embargos Não Conhecidos Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer os Embargos de Declaração. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 04 23 /2 00 6- 51 Fl. 214DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela Recorrente com o objetivo de sanar suposta omissão no Acórdão nº 3802000.765 de 22 de novembro de 2011, em que, por voto de qualidade, decidiu negar provimento ao recurso voluntário interposto perante este E. Conselho, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃOTRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE DE GOZO DO INCENTIVO. O caput do art. 1º da Lei 9.363/96, ao dispor que “a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados [...]” revela, de antemão, que o direito a aludido crédito se restringe a pessoa jurídica que, cumulativamente, satisfaça às seguintes condições: seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O alcance conceitual do termo “empresa produtora”, por expressa disposição legal contida no parágrafo único do artigo 3° da Lei n° 9.363/96, deverá ser aquele objeto da legislação do IPI, aplicável para a definição “[...] de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem”. Nesse âmbito, o artigo 6º da Lei nº 10.451/02 exclui do campo de incidência do IPI os produtos relacionados na TIPI com a notação “NT” (nãotributado). Ainda, o artigo 3º da Lei nº 4.502/64 considera “estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Como os produtos gravados na TIPI como “NT” estão fora do campo de incidência do IPI, tais produtos, portanto, para fins do referido imposto, não podem ser considerados como advindos de um processo de industrialização, não sendo, pois, abrangidos, pelo incentivo de que trata o crédito presumido do IPI. Recurso ao qual se nega provimento. Em 26/01/2012 a interessada apresentou solicitação de cópia do processo. Em Em 31/01/2012 apresentou os embargos de declaração de fls. 200/206. Em 06/02/2012, a interessada foi cientificada do referido acórdão, por AR, fl.207. A Embargante alega vício de omissão nos seguintes termos: a) o acórdão recorrido não aborda o núcleo central da questão: os produtos aqui exportados têm rotulagem promocional, nos termos do PN 408/71 com alíquota zero, no que preenchem o regramento "nãoNT", isto é, classificamse como tributados à alíquota zero, tal como estão registrados nas notas fiscais de exportação. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3302003.511 S3C3T2 Fl. 215 3 O voto vencido refere a questão do PN 408/71, trazida à lide desde a inicial, (...); Já o voto vencedor, entendeu que o processo, ainda que industrial, obtinha um produto NT, deixando também ao relento o argumento da embalagem de apresentação. b) um outro ponto sobre o qual devia se pronunciar a turma, visto que não foi abordado no voto vencido, tampouco no voto vencedor é quanto ao direito à imunidade sobre as receitas da exportação, em sua plenitude, inclusos os créditos da aquisição, independentemente de sua tipificação fiscal. Com base nas razões aduzidas no despacho de fls. 211/212, com fundamento no art. 65, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 259/2009 (RICARF/2009), o então presidente da extinta 2ª Turma Especial desta 3ª Seção de Julgamento admitiu os embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade Os embargos embora tempestivos, para que todos os requisitos de admissibilidade sejam preenchidos, há que se verificar a existência da omissão apontada no Acórdão embargado. Da análise do acórdão vergastado não se constata o alegado vício de omissão, como se demonstra a seguir, através de excertos dos votos, vencido e vencedor. Excertos do voto vencido: (...) Vêse que o benefício fiscal concedido pela Lei n° 9.363/96, foi instituído com a finalidade de ressarcimento, às empresas produtoras e exportadoras, das contribuições para o PIS e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), para utilização no processo produtivo, como estabelece o art. 1° e seu parágrafo único, abaixo reproduzidos, em conjunto com o art. 40, também transcritos pela interessada em sua manifestação de inconformidade: (...) Vêse que a Lei é bastante precisa ao se referir a: (i) Utilização de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para a utilização no “processo produtivo”, e não processo industrial; e (ii) que a empresa “produtora e exportadora” de mercadorias nacionais fará jus ao Fl. 216DF CARF MF 4 crédito presumido do IPI – para fins de ressarcimento dos valores do PIS e da Cofins. (...) Ou seja, de acordo com o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI . O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, sendo que estar no campo de incidência do IPI não é indispensável para fruição do crédito – o essencial é que as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem estejam no campo de incidência do PIS e da Cofins, porque o ressarcimento é desta contribuição, e não do IPI. Para melhor elucidar, vêse que a recorrente promove o beneficiamento das castanhas in natura para obtêlas sem casca e sem película, classificandoas por tipo, qualidade e tamanho; e, numa etapa final, promove o seu acondicionamento. O que efetivamente seria caracterizado tal processo como sendo tais matériasprimas utilizadas no processo de produção. (...) Ainda que o produto não se classificasse à alíquota zero, não seria possível negar que o processo de beneficiamento da castanha in natura se encaixa perfeitamente no conceito de produção.(grifei). Sendo assim, a meu sentir, entendo que não há óbice à fruição do benefício na exportação de produtos classificados na TIPI como N/T, posto que a lei concede o benefício à exportação de mercadorias nacionais, haja vista ser essencial é que as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem estejam no campo de incidência do PIS e da Cofins.(grifei). Observase que o voto vencido pela própria natureza argumentativa da matéria, que ao final deu provimento ao recurso voluntário, acolheu in totum a tese defendida pela Recorrente, sendo explícito nos excertos acima a abordagem ampla da matéria já que a fundamentação é bem clara ao entender cabível o benefício ainda que se trate de "...exportação de produtos classificados na TIPI como N/T". Excertos do voto vencedor: O mérito da lide diz respeito a pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 13/12/1996. A parte indeferida do pleito – que se refere ao 4º trimestre de 2002 – foi fundamentada no fato de a empresa beneficiar produtos nãotributados– NT. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3302003.511 S3C3T2 Fl. 216 5 Sobre a questão, peço vênia para discordar do entendimento da i. Relatora. Inicialmente, quanto à classificação fiscal da mercadoria, adoto as razões de decidir colacionadas na decisão de primeira instância, posto entender igualmente que o produto– castanha de caju sem casca não acondicionada em embalagem de apresentação, mas sim de transporte –, deve ser classificada na posição da TIPI que corresponde à notação “NT”.(grifei). Relativamente ao direito, faço as considerações abaixo. O caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, ao dispor que “a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados [...]” revela, de antemão, que o direito a aludido crédito se restringe a pessoa jurídica que, cumulativamente, satisfaça às seguintes condições: seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Tais requisitos demonstram nítida intenção do legislador de conceder o favor fiscal para o setor produtor e exportador de mercadorias elaboradas, v. g. indústria, em detrimento dos setores que se dedicam a produtos primários. E aqui o pleito da reclamante já esbarra na não satisfação do primeiro desses requisitos – a produção/industrialização da mercadoria – uma vez que os produtos saídos de seu estabelecimento – envolvidos na lide – são classificados como nãotributados– NT, estabelecimento que, para fins da legislação fiscal, não é considerado como produtor.(grifos do original). E o alcance conceitual do termo em destaque – “empresa produtora” –, por expressa determinação legal contida no parágrafo único do artigo 3° da Lei n° 9.363/96, deverá, sim, ser aquele objeto da legislação do IPI, aplicável para a definição “[...] de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem” (grifei). Neste comenos, estabelece o artigo 6º da Lei no 10.451, de 10/05/2002, que o campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado).(grifo nosso) Não há nenhuma dúvida, pois, com respeito ao alcance conceitual do termo “produção” para fins de legislação do IPI e, por expressa disposição legal, também para a legislação de que trata o direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da COFINS. Em tais casos, como demonstrado, o legislador quis excluir do alcance do incentivo os produtos gravados na TIPI com a notação “NT”. Fl. 218DF CARF MF 6 E a necessidade de anulação do crédito do IPI decorrente da aquisição de insumos empregados em mercadorias não tributadas, prescrita pelo Regulamento do IPI, está em prefeita harmonia com o alcance conceitual do processo de industrialização/produção no âmbito tributário aqui estudado.(grifei). Com efeito, o Regulamento do IPI então vigente (aprovado pelo Decreto no 2.637, de 25/06/1998), prescrevia, em seu artigo 174, inciso I, alínea “a”, a necessária anulação, “mediante estorno na escrita fiscal”, do crédito do IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados em mercadorias nãotributadas. Tal regramento, mantido no RIPI aprovado pelo Decreto no 4.544, de 26/12/2002 (artigo 193, inciso I, alínea “a”), permanece plenamente vigente no atual Regulamento do IPI – Decreto no 7.212, de 15/06/2010 (artigo 254, inciso I, alínea “a”), e todos tem como raiz legal o artigo 25, § 3o, da Lei no 4.502/64, segundo o qual: § 3º O regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento do débito, correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo, ou os resultantes da industrialização gozem de isenção ou não estejam tributados. (grifouse) Importa lembrar ainda o disposto na Súmula CARF nº 20, segundo a qual “não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT”. Referida súmula, pelos seus paradigmas, aplicase especialmente aos casos de ressarcimento do IPI nos moldes do artigo 11 da Lei no 9.779/99. Contudo, a mesma se presta para reforçar a impossibilidade de creditamento do IPI decorrente da aquisição de insumos empregados em mercadorias nãotributadas.(grifei) Portanto, dada a não caracterização da atividade da recorrente como processo produtivo para fins de legislação do IPI e, por expressa disposição legal, também para fins da legislação de que trata o direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da COFINS, concluise pela impossibilidade de gozo do pleiteado crédito presumido em evidência.(grifei). Pelos excertos acima, em um outro viés interpretativo, o voto vencedor refuta as matérias suscitadas no recurso voluntário, tanto com relação à embalagem e respectiva forma de tributação, utilizandose nesse caso, da fundamentação da decisão de piso, bem como com relação ao direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Com efeito, constatase que as matérias trazidas na peça recursal, pontuadas nos embargos de declaração, fundamentadas em diferentes interpretações, foram explicitamente abordadas seja no voto vencido ou no voto vencedor, não se vislumbrando as suscitadas omissões. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10380.900423/200651 Acórdão n.º 3302003.511 S3C3T2 Fl. 217 7 Ante as considerações acima, voto por NÃO CONHECER dos presentes embargos, uma vez que ausente a omissão apontada no Acórdão embargado. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.000133/2012-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
RECURSOS NÃO CONHECIDOS. JULGAMENTO JÁ CONCLUÍDO EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DUPLICIDADE.
Não devem ser conhecidos recursos já definitivamente julgados nos autos de outro processo administrativo, remetidos a novo julgamento por engano. Ordem judicial para o julgamento do recurso do contribuinte já cumprida.
Numero da decisão: 9101-002.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos Especiais do Contribuinte e da Fazenda Nacional.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 RECURSOS NÃO CONHECIDOS. JULGAMENTO JÁ CONCLUÍDO EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DUPLICIDADE. Não devem ser conhecidos recursos já definitivamente julgados nos autos de outro processo administrativo, remetidos a novo julgamento por engano. Ordem judicial para o julgamento do recurso do contribuinte já cumprida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos Especiais do Contribuinte e da Fazenda Nacional. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto, Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 01 33 /2 01 2- 34 Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 11516.000133/201234 Acórdão n.º 9101002.599 CSRFT1 Fl. 1.686 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN”) e por CÍRIO ADMINISTRADORA DE VALORES LTDA. (doravante “CÍRIO”, ou “contribuinte”), em face do acórdão nº 10516.397 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 5a Câmara do extinto 1º Conselho de Contribuintes (doravante “Turma a quo”). Foi lavrado AIIM para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2003, que teriam sido omitidos nas declarações do contribuinte, além de multa de ofício agravada (225%) e juros de mora. Ao analisar a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte, a DRJ/SC a julgou parcialmente procedente em relação ao lançamento de IRPJ e CSLL, para fins de manter apenas as parcelas relativas ao anocalendário de 2003, e procedente no que concerne aos lançamentos de PIS e COFINS (efls. 659 e seg.),. A decisão restou assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MATÉRIA PROCEDIMENTAL. RETROATIVIDADE – Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE As informações referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). AUSÊNCIA DO RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO – Verificandose dos autos que a RMF foi emitida nas situações previstas na legislação e foi expedida por agente competente, não há que se falar em nulidade do procedimento ainda que não conste um relatório circunstanciando a hipótese de indispensabilidade da RMF. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE. MANDADO JUDICIAL DE BUSCA E APREENSÃO. INCOMPETÊNCIA DAS — INSTÂNCIAS Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 11516.000133/201234 Acórdão n.º 9101002.599 CSRFT1 Fl. 1.687 3 ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO – A apreciação de arguições de ilegalidade de mandado judicial extrapola a esfera de competência do juízo administrativo, ante à supremacia das decisões judiciais sobre as decisões proferidas em processo administrativo. ARGUIÇÃO DE ILICITUDE DAS PROVAS. MANDADO JUDICIAL. LEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO É legítimo o lançamento decorrente de procedimento de fiscalização em que são utilizadas provas obtidas a partir de execução de Mandado de Busca e Apreensão, expedido por autoridade judicial. AÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCARACTERIZAÇÃO Além de a ação fiscal estar predominantemente submetida ao princípio inquisitório, ainda mais descaracterizado fica o cerceamento do direito de defesa nos procedimentos ex officio, quando resta demonstrado que os levantamentos fiscais limitaramse aos arquivos do próprio contribuinte. MATÉRIA DE FATO. COMPROVAÇÃO MATERIAL. CARACTERIZAÇÃO – A comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a inequivocidade de uma dada situação de fato. Nestes casos, a comprovação é deduzida como consequência lógica destes vários elementos de prova, não confundindo com as hipóteses de presunção. RECEITA OMITIDA. CARACTERIZAÇÃO Provado nos autos que os arquivos magnéticos apreendidos registram receitas efetivamente auferidas pela pessoa jurídica, em montante superior aos valores declarados espontaneamente, resta configurada a existência de receita subtraída ao crivo da tributação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000,2001, 2002 Ementa: ARBITRAMENTO DE LUCROS. INEXISTÊNCIA OU NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. CABIMENTO. A inexistência ou a não apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais impõe o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. RECEITA BRUTA. CONCEITO A receita bruta, como definida pelo art. 279 do RIR/99, denota conceito de ingressos de numerários de forma permanente (produto das vendas/prestação de serviços), inaplicandose, em sua composição, as demais receitas transitórias ou incertas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO POR FRAUDE. APLICABILIDADE É aplicável a multa de ofício agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. APLICABILIDADE Acarreta o agravamento da multa de ofício a falta de apresentação dos arquivos ou sistemas previstos o art. 265 do RIR/99, ou da documentação técnica de que trata o art. 267 do RIR/99. PRAZO DECADENCIAL O direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos relativos ao PIS e à Cofíns extinguese após dez anos, contados Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 11516.000133/201234 Acórdão n.º 9101002.599 CSRFT1 Fl. 1.688 4 do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente em Parte O Presidente da 3ª Turma de Julgamento da DRF/Florianópolis/SC interpôs recurso relativamente aos lançamentos julgados improcedentes, ou seja, a tributação de IRPJ e CSLL na forma de lucro real e lucro líquido nos anosbase de 1999, 2000, 2001 e 2002. Cientificado da decisão, o contribuinte opôs embargos declaratórios, os quais tiveram conhecimento negado por meio de despacho emitido em 21/09/05 (efls. 766 e seg.). Ato contínuo, o contribuinte interpôs seu recurso voluntário versando sobre a tributação, no ano calendário de 2003, com base no lucro arbitrado (IRPJ/CSLL) e tributação da COFINS e do PIS/FATURAMENTO, nos anoscalendário de 1999 a 2003, com base na receita bruta adicional apurada nos valores registrados nas planilhas auxiliares dos arquivos magnéticos apreendidos pelo Departamento de Polícia Federal, em cumprimento a determinação da autoridade judicial (efls. 773 e seg.). Ao julgar os aludidos recursos, a Turma a quo decidiu, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício; e, no que concerne ao voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; por maioria de votos, afastar a tributação de PIS e da COFINS bases de cálculo referentes aos anos de 2002 e 2003; por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação ao IRPJ e CSLL e por maioria de votos, rejeitar as preliminares de decadência do PIS e COFINS, e manter a multa de 225%. O acórdão recorrido, proferido no bojo do processo nº 11516.001989/2004 17 restou assim ementado (efls. 944 e seg.): RECURSO DE OFICIO IRPJ CSLL TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO REAL Se a fiscalizada afirma não possuir a escrituração contábil, não há como sustentar a tributação com base no lucro real, ainda que tenha apresentado a DIPJ naquela modalidade de apuração de resultados. Recurso de ofício conhecido e improvido. RECURSO VOLUNTÁRIO PRELIMINAR MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO – Eventuais irregularidades constatadas na emissão de MPF, sua prorrogação ou sua execução não acarretam a nulidade do lançamento posto que o auditor fiscal da receita federal tenha competência legal para formalizar a exigência de crédito tributário. Os lançamentos reflexivos com base nos mesmos elementos de prova estão incluídos no procedimento de fiscalização independentemente de menção expressa no MPF (Art. 9º da Portaria SRF n° 1.265/99). PRELIMINAR NULIDADE DO LANÇAMENTO – DOCUMENTÁRIO FISCAL E ARQUIVOS MAGNÉTICOS O documentário fiscal e arquivos magnéticos encaminhados pelo Departamento de Polícia Federal constitui prova lícita para a formalização da exigência de créditos tributários. Não cabe a autoridade julgadora administrativa julgar a legalidade ou não dos mandados expedidos pela autoridade judicial para a ação dos policiais federais. IRPJ CSLL ARBITRAMENTO DE LUCRO Quando o sujeito passivo apresentou a DIPJ tributando os resultados apurados na modalidade de lucro arbitrado e diante da confissão expressa de que não tem escrituração contábil, é cabível o lançamento de ofício com base no lucro arbitrado. IRPJ CSLL ARBITRAMENTO DE LUCRO RECEITA BRUTA CONHECIDA Inexistindo escrituração contábil, considerase receita bruta conhecida, os resultados apurados nas operações de 'factoring' registrados nos arquivos magnéticos, como livros auxiliares. Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 11516.000133/201234 Acórdão n.º 9101002.599 CSRFT1 Fl. 1.689 5 IRPJ CSLL ARBITRAMENTO DE LUCRO RECEITA DE JUROS E DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS As receitas líquidas de aplicações financeiras e de juros, por força do disposto no artigo 536, do RIR/99, devem ser adicionadas ao lucro arbitrado para constituir a base de cálculo de IRPJ e CSLL. COFINS PIS/FATURAMENTO LANÇAMENTO BASE DE CÁLCULO ART. 3º, § 1º, DA LEI N° 9.718, DE 1998 – INCONSTITUCIONALIDADE DECRETADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL DECRETO N° 2.346, DE 10/10/1997 Face ao decidido pelo Tribunal Pleno Supremo Tribunal Federal decretando a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n° 9.718, de 1998, não pode subsistir o lançamento da COFINS e do PIS/FATURAMENTO incidente sobre receitas financeiras. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA QUALIFICADA – No lançamento de ofício, quando o contribuinte além de sonegar informações para a fiscalização utiliza de meios para dificultar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência dos fatos geradores, justificam a aplicação da multa de 225%. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS: Mantida a multa qualificada o início da contagem do prazo decadencial deslocase do fato gerador (art. 150 § 4º do CTN) para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ter sido realizado (art. 1731 do CTN). JUROS DE MORA TAXA SELIC A cobrança de juros moratórios sobre débitos de tributos e contribuições pela taxa Selic está consoante com a legislação tributária vigente e consagrada pela jurisprudência administrativa. Recurso voluntário conhecido e parcialmente provido. A PFN interpôs recurso especial (efls. 994 e seg.), com fulcro no art. 7º, I do RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007 (contrariedade à lei ou à evidência de prova), aduzindo que a questão posta nos autos teria violado o quanto estabelecido no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal e o art. 3º, §1º, da Lei 9.718/98, bem como as provas constantes dos autos. Em 26/05/2008, foi proferido despacho dando seguimento ao recurso especial da PFN (efls. 1.011 e segs.). Para demonstrar a aludida contrariedade, a PFN traz suas razões, a seguir resumidas: estaria equivocado o entendimento da Turma a quo de que, a vista do que dispõe o art. 530, inciso I, do RIR/99, a fiscalização deveria ter arbitrado o lucro para os anoscalendário de 1999 a 2002, uma vez que a legislação e a jurisprudência que regem a matéria manifestamse no sentido de que, antes da adoção do arbitramento, deveriam ser verificadas a ausência de qualquer possibilidade de se apurar o lucro real, procedimento que teria sido adotado pela fiscalização; afirma que não haveria razão pata arbitramento do lucro, uma vez que “os arquivos magnéticos eram consistentes e correspondiam à realidade das operações efetuadas pela autuada, e ainda que tais documentos eram hábeis à apuração do lucro real e do lucro líquido da empresa”; Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 11516.000133/201234 Acórdão n.º 9101002.599 CSRFT1 Fl. 1.690 6 que os arquivos denominados "LUCPRE99.xls", "LUCPRE00.xls", "LUCPRE01.xls", "LUCPRE2002.xls", conteriam planilhas com as receitas mensais por Banco (Banco do Brasil e BCN) com os respectivos cálculos do imposto de renda e das contribuições para o PIS e COFINS, relativos aos anoscalendário de 1999 a 2002, e que esses valores teriam sido confrontados com os aqueles informados nas DIPJs do contribuinte e também nas planilhas "Informações Prestadas à SRF", sendo verificado que a fiscalizada declarou e pagou imposto e contribuições basicamente sobre o valor das receitas demonstradas nas planilhas denominadas Banco BCN, cujo valor representaria menos da metade das receitas auferidas. Aduz que tal fato, somente vem a corroborar a circunstância de que a contribuinte utilizavase dos valores contidos nas mencionadas planilhas para fins de apuração do seu lucro, só que de forma parcial, ou seja, a contribuinte omitia as receitas que transitavam pela conta bancária mantida junto ao Banco do Brasil; aduz que o acórdão a quo também deveria ser reformado na parte que determinou a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS das receitas registradas como “Receita Financeira Omitida” nos meses dos anos de 2002 e 2003, sob o argumento de que o §1º, do art. 3º da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo STF mediante controle difuso, e que diante da inexistência de Resolução do Senado que suspendesse a execução da referida norma do ordenamento jurídico (art. 52, X, da CF/88), haveria presunção de conformidade do mencionado dispositivo com a Constituição. e que, além da questão da presunção de constitucionalidade, as alterações produzidas na legislação da COFINS e do PIS pela Lei n .9.718/98 seriam constitucionais, uma vez que: “conceito de receita bruta há muito é considerado pela jurisprudência como equivalente ao conceito de faturamento, não tendo a EC n° 20/98, neste ponto, introduzido mudança significativa, senão no sentido de explicitar a identidade entre os dois conceitos, o que já derivava implicitamente, da redação original do art. 195,' da CF/88.” e que “a Lei 9.718/98 só produziu efeitos, no que tange às mudanças na base de cálculo e na alíquota da COFINS e do PIS, em relação a fatos geradores ocorridos após a vigência da EC n° 20/98;” Em suas contrarrazões, aduz o contribuinte (efls. 1.228 e seg.): em caráter preliminar, que o recurso da PFN cumpriria o requisito da decisão vergastada não ser unânime, mas não demonstraria a contrariedade à lei ou evidência de prova, uma vez que a questão da qualidade e consistência das informações contidas nas planilhas apreendidas não teriam sequer sido questionadas pela DRJ. Para corroborar, afirma que a CSRF já teria se deparado com situações similares e decidido pelo não conhecimento do Recurso Especial (ex vi do Acórdão CSRF/0400.222); em análise ao corpo do recurso, aponta ausência de interesse de recorrer da Fazenda no tocante a defesa da prova constituída nos autos; aduz que não há conexão lógica entre a peça recursal e a decisão recorrida; Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 11516.000133/201234 Acórdão n.º 9101002.599 CSRFT1 Fl. 1.691 7 quanto a hipótese de desrespeito a lei, afirma que a PFN não teria apontado expressamente o dispositivo que teria sido violado, que teria feito apenas menção à “legislação e à jurisprudência que regem a matéria”. Para corroborar, afirma que são vastas e uniformes as decisões da CSRF em negar seguimento a recursos que deixam de indicar a lei e prova violadas (ex vi do Acórdão CSRF/0104.713 e Acórdão CSRF/02 02.291); no mérito, que o art. 530 do RIR/99 seria expresso e impositivo no sentido de que o agente fiscal não teria liberdade para aplicação do arbitramento, que o próprio art. 142 do CTN determinaria a característica do lançamento como ato administrativo vinculado, de modo que não caberia ao fiscal optar pela forma da tributação mais gravosa, mas pela determinada em lei; que o levantamento apenas das receitas não seria suficiente para apuração do lucro real, do modo que seria também necessário o cotejo de despesas, nos termos dos arts. 278 a 280 do RIR/99. Para corroborar, cita jurisprudência do CARF neste sentido; afirma que não haveria reparos a serem feitos na decisão recorrida, que excluiu a base de cálculo das contribuições sociais e receitas não operacionais, com base em reiterados julgados do STF quanto a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n. 9.718/98; que o Parecer PGFN/CRF n. 439/96 autorizaria as autoridades julgadoras do contencioso administrativo a seguirem as orientações relativas à inconstitucionalidade das leis, fixadas no âmbito do Poder Judiciário. Neste sentido aduz que estaria caracterizado pelo acórdão recorrido que os precedentes uniformes do Tribunal Pleno (RE 390.840/MG) e de outras turmas do STF, todos citados no voto vencedor, haviam norteado a decisão pela referida exclusão. que os agentes fiscais teriam incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas financeiras do contribuinte, desrespeitando o conceito de faturamento para fins de tributação e levando ao cancelamento em parte do lançamento fiscal. Afirma que a ilegalidade residiria, justamente, na tentativa do art. 3º da Lei 9.718/98 de ampliar o conceito de faturamento, equiparando à “receita bruta”. Afirma que tratamse de conceitos contábeis distintos, conforme explicitado pelo STF no julgamento da ADI nº 11/DF, ou seja, receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços. Em 09/10/2008, o contribuinte interpôs Recurso Especial (efls. 1.031 e seg.), alegando que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe foi dada por outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, em relação às seguintes matérias: 1) impossibilidade de manutenção dos lançamentos reflexos diante do cancelamento do IRPJ para os anos de 1999 a 2002; 2) Inexistência de MPF para a exigência autônoma de PIS e COFINS; 3) Ilicitude da prova; 3.1) da competência do órgão administrativo para análise da legitimidade e licitude da prova sob o enfoque da legislação processual e da Constituição Federal; 3.2) da inexistência de prévia autorização judicial para a análise dos meios eletrônicos pela fiscalização; 3.3) da ausência de lacre nos materiais apreendidos; 3.4) da realização de perícia sem a presença ou o conhecimento do Contribuinte; 3.5) da insegurança jurídica da prova consubstanciada em planilhas de computador; 4) Agravamento da multa; 4.1) da aplicação dó artigo 112 do CTN; 4.2) da inaplicabilidade da multa agravada em virtude da Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 11516.000133/201234 Acórdão n.º 9101002.599 CSRFT1 Fl. 1.692 8 obtenção dos arquivos de controle operacional de títulos e da ausência de prejuízo à fiscalização; 4.3) da impossibilidade de agravamento da multa pela inexistência de documentos a serem disponibilizados; 5) Qualificação da multa. Realizado o exame de admissibilidade em 11/04/2011, o Presidente da 3ª Câmara negou seguimento ao recurso especial por entender que não foram atendidos os pressupostos necessários para sua admissibilidade à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, diante da indicação de acórdãos paradigmas que não refletiriam divergência jurisprudencial e, por via de consequência, não se prestariam à comprovação da divergência de tese em relação àquela adotada o acórdão recorrido. (fls. 1.255 e seg. do eprocesso). A decisão foi mantida em sede de reexame de admissibilidade (fls. 1.272 e seg. do eprocesso). O contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 005466597.2011.401.3400, em face do despacho do i. Presidente da CSRF que manteve a decisão do presidente da 3ª Câmara desta 1ª Seção do CARF, que havia negado seguimento ao recurso especial interposto em face do acórdão nº 10516.397. A respectiva sentença acolheu parcialmente o pedido e concedeu a segurança determinando a apreciação do recurso especial interposto no processo n. 11516.001989/200417 quanto à divergência no que se refere “à realização de perícia sem a presença ou o conhecimento da Contribuinte bem como a insegurança jurídica da prova consubstanciada em planilhas de computador”. (efls. 1.623 a 1.627). Em atenção à decisão, em 07/07/2014, foi emitido despacho propondo o encaminhamento do processo a CSRF para a apreciação do recurso especial do sujeito passivo, nos aspectos determinados pela autoridade judicial, juntamente com o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, que havia sido anteriormente admitido. Nesse despacho constou o número do processo administrativo pertinente como 11516.001989/200417 (efls. 1.640 e seg.). Notese que, originalmente, a presente discussão se instaurou no bojo do processo n. 11516.001989/200417. Contudo, houve desmembramento e parte dos débitos foi transferida para o processo nº 11516.000133/201234 (efls. 1.295 e seg.), para inscrição em dívida ativa, que corresponde ao processo ora em análise. Em 25/03/2015, foi proferido para reratificar o Despacho nº 88/2014, de 07/07/2014 (efls. 1640/1641), bem como determinar o encaminhamento do presente à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para a ciência da admissão parcial do recurso especial do sujeito passivo, nos termos determinado pela r. sentença judicial proferida no âmbito do TRF/1a. Região (fls. 1623/1627), para, querendo, apresentar contrarrazões, nos termos do art. 70 do anexo II do RICARF. Nesse despacho constou, então, o número do processo administrativo como 1516.000133/201234 (efls. 1.646). Cientificada da admissão do recurso especial do contribuinte, a PFN apresentou suas contrarrazões (efls. 1.649 e seg.), aduzindo, em síntese: quanto ao primeiro tema admitido “realização de perícia sem a presença ou o conhecimento da contribuinte”, que nulidade apontada pelo contribuinte não existe, uma vez que os termos do dispositivo constitucional (art. 5º, LV) o contraditório e a ampla defesa seriam assegurados aos “litigantes”, e no caso dos autos “o exame dos arquivos foi realizada antes da instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal que, como se sabe, é instaurada com a impugnação do sujeito passivo à exigência fiscal (Decreto nº 70.235/72, Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 11516.000133/201234 Acórdão n.º 9101002.599 CSRFT1 Fl. 1.693 9 Art. 14). Antes da fase litigiosa, ou seja, na fase inquisitiva, não há que se falar em contraditório e ampla defesa, pois esta é composta de diligências unilaterais da Fiscalização para a apuração de eventual crédito tributário.” que o art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72 determina que “A impugnação mencionará: [...] IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.”, mas que em momento algum se teria negado ao contribuinte a possibilidade de requerer e participar da realização da perícia, contanto que esta fosse efetivada na fase litigiosa do processo fiscal. Segundo ele o contribuinte deveria ter indicado os elementos falsos ou inexatos nos documentos e requerer a perícia para comprovar a falsidade ou inexatidão, e não simplesmente alegar, de forma genérica, a nulidade da prova por violação à ampla defesa e contraditório. que consubstanciaria princípio geral da prova que não há nulidade sem prejuízo (art. 60, Decreto nº 70.235/72), sendo que o contribuinte não teria indicado tal prejuízo, motivo pelo qual não se poderia acatar a sua alegação de nulidade. em relação à “insegurança jurídica da prova”, aduz que a defesa do contribuinte foi genérica, e para rebatêlas, se vale dos argumentos das DRJ, que em breve resumo, buscam retratar a suficiente credibilidade das planilhas de computador obtidas pela fiscalização para fins de realizar o cálculo do tributo devido. Em 31/03/2016, a PFN apresentou petição noticiando que a CSRF já teria julgado o recurso especial do contribuinte, em cumprimento à referida ordem judicial no mandado de segurança nº 005466597.2011.401.3400, no bojo do processo nº 11516.001989/200417, em que lhe foi negado provimento. Requereu a procuradoria, então, “o cancelamento do segundo despacho de admissibilidade do recurso especial, proferido nos presentes autos, com a consequente remessa destes à Receita Federal, para que prossiga na execução dos débitos.” Concluise, com isso, o relatório. Voto Compulsando o sítio eletrônico do CARF, é possível constatar que o Recurso Especial do contribuinte já foi efetivamente julgado por esta CSRF em sessão de 11.11.2014, no autos do processo n. 11516.001989/200417. Na oportunidade, os membros do colegiado decidiram, por maioria dos votos, negar provimento ao aludido recurso. O acórdão n. 9101 002.051 restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EXERCÍCIO: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 EMENTA: ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE. MANDADO JUDICIAL DE BUSCA E APREENSÃO. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. A apreciação de argüições de ilegalidade de mandado judicial extrapola a esfera de competência do juízo administrativo, ante a supremacia das decisões Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 11516.000133/201234 Acórdão n.º 9101002.599 CSRFT1 Fl. 1.694 10 judiciais sobre as decisões proferidas em processo administrativo. LICITUDE DE PROVAS. São lícitas as provas obtidas por meio de ação fiscal sob o manto de ordem judicial. A auditoria efetuada após a apreensão de efeitos fiscias, lacrados à época da apreensão, independe da presença do contribuinte autuado quando da sua deslacração para efeito de se proceder à auditoria fiscal, não ficando essas provas inquinadas de ilegalidade, mormente quando aprendidas anteriomente pela Polícia Federal sob ordem judicial. LICITUDE DA AUDITORIA. A realização da auditoria tributária a partir de efeitos fiscais sem a presença do Contribuinte não a inquina de nulidade. Não há que se alegar insegurança jurídica da prova produzida pela fiscalização consubstanciada em planilhas de computador, quando elaboradas a partir de dados obtidos em documentação do próprio contribuinte, cabendo ao contribuinte contrapor seus cálculos aos levantados pelo Fisco Recurso Especial do Contribuinte Negado. A ordem judicial emanada do mandado de segurança n. 005466597.2011.401.3400, portanto, já foi cumprida. Em 11.11.2014, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão opôs Embargos de Declaração em face do referido acórdão, para que fosse julgado o recurso especial interposto pela PFN, tendo em vista que a decisão embargada teria se restringido ao julgamento do recurso especial do contribuinte, embora o recurso também fazendário tivesse sua admissibilidade reconhecida. Diante disso, em 18.01.2016, os embargos de declaração foram conhecidos e providos com efeitos infringente, a fim de dar provimento ao pedido da PFN em seu recurso especial (acórdão n. 9101002.163). A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Acolhemse Embargos de Declaração visando a complementar acórdão embargado que tenha decidido somente em relação ao recurso especial do Contribuinte, sem se pronunciar sobre o recurso especial da Fazenda Nacional, cuja admissibilidade havia sido reconhecida, mas que não foi objeto de análise pelo Relator, afinal vencido. RECURSO ESPECIAL. ART. 7º, INCISO I, DO RI/CSRF APROVADO PELA PORTARIA MF Nº 147, DE 2007. CONHECIMENTO. Conhecese de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RI/CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, quando se tratar de decisão não¬unânime de Câmara relativamente às matérias recorridas, tendo sido, ainda, apontadas, no recurso especial, tanto a legislação, quanto as provas tidas como contrariadas pelo acórdão recorrido, devidamente acompanhadas da fundamentação pertinente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ¬ IRPJ Ano calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 LUCRO REAL. MANUTENÇÃO DA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Admitese a manutenção da forma de tributação com base no lucro real quando, além de a fiscalizada estar legalmente obrigada a esse regime de tributação e ter apresentado as DIPJs nessa modalidade de apuração, são apreendidos arquivos eletrônicos com planilhas contendo as receitas mensais e respectivos cálculos do imposto de renda e das contribuições Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 11516.000133/201234 Acórdão n.º 9101002.599 CSRFT1 Fl. 1.695 11 sociais, os quais serviram para o preenchimento daquelas DIPJs, na parte em que pretendeu a fiscalizada pagar os respectivos tributos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ¬ CSLL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 LUCRO REAL. MANUTENÇÃO DA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2002, 2003 LEI Nº 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998 não alcança as empresas que possuem, entre suas atividades principais, o auferimento de receitas financeiras. Nesse cenário, voto por NÃO CONHECER os recursos especiais no bojo deste processo administrativo, tendo em vista que já foram definitivamente julgados nos autos do processo n. 11516.001989/200417, com a consequente remessa destes autos à Receita Federal, para que prossiga com a execução dos débitos. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 1696DF CARF MF
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