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Numero do processo: 18471.000121/2007-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa: LUCRO REAL. DESPESAS E CUSTOS. CONDIÇÕES PARA
DEDUÇÃO. Custos e despesas dedutíveis são aqueles necessários à atividade da pessoa jurídica, relativos à efetiva contraprestação de algo recebido, corroborados por documentação própria e devidamente registrados na contabilidade.
DESPESAS FINANCEIRAS. RECURSOS CAPTADOS E REPASSADOS
A SÓCIO COMO EMPRÉSTIMO. Não são dedutíveis para fins de apuração
do lucro real as despesas financeiras decorrentes de empréstimos tomados por pessoa jurídica não financeira cujos recursos foram repassados a sócio como empréstimo.
Numero da decisão: 1103-000.643
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Aloysio José Percínio da Silva
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: LUCRO REAL. DESPESAS E CUSTOS. CONDIÇÕES PARA DEDUÇÃO. Custos e despesas dedutíveis são aqueles necessários à atividade da pessoa jurídica, relativos à efetiva contraprestação de algo recebido, corroborados por documentação própria e devidamente registrados na contabilidade. DESPESAS FINANCEIRAS. RECURSOS CAPTADOS E REPASSADOS A SÓCIO COMO EMPRÉSTIMO. Não são dedutíveis para fins de apuração do lucro real as despesas financeiras decorrentes de empréstimos tomados por pessoa jurídica não financeira cujos recursos foram repassados a sócio como empréstimo.
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DESPESAS E CUSTOS. CONDIÇÕES PARA DEDUÇÃO. Custos e despesas dedutíveis são aqueles necessários à atividade da pessoa jurídica, relativos à efetiva contraprestação de algo recebido, corroborados por documentação própria e devidamente registrados na contabilidade. DESPESAS FINANCEIRAS. RECURSOS CAPTADOS E REPASSADOS A SÓCIO COMO EMPRÉSTIMO. Não são dedutíveis para fins de apuração do lucro real as despesas financeiras decorrentes de empréstimos tomados por pessoa jurídica não financeira cujos recursos foram repassados a sócio como empréstimo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000121/200755 Acórdão n.º 110300.643 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1224.921/2009 (fls. 184), da 6ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro IRJ, relativo a autos de infração de IRPJ – imposto de renda pessoa jurídica (fls. 110) e, como tributação reflexa, de CSLL – contribuição social sobre o lucro líquido (fls. 116), com imposição de multa de ofício no percentual de 75% previsto no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Segundo consta do termo de constatação fiscal (TVF – fls. 108), o lançamento tributário decorreu de despesa desnecessária deduzida na apuração do lucro real do anocalendário 2003, assim descrita pela autoridade fiscal: “Os encargos financeiros lançados como despesas relativas a operações registradas como empréstimos e repassados a sócios são indevidos em sua diferença dos empréstimos bancários do período, porque se caracterizam como despesas não necessárias às atividades da empresa. No caso em tela, foi a empresa intimada a apresentar os extratos bancários e a documentação comprobatória dos valores registrados nas contas Empréstimos/Sócios, bem como de seu pagamento/recebimento. Também foi o contribuinte intimado a apresentar cópia do Razão das contas Despesa Financeira com Empréstimos e Empréstimos Bancários. Pela análise dos contratos de mútuo e da documentação apresentada, verificamos que os encargos incidentes sobre empréstimos bancários eram proporcionalmente maiores que aqueles incidentes sobre os valores repassados aos sócios. Além disso, não houve registro contábil de qualquer receita referente a pagamento de juros efetuado pelos sócios. Assim sendo procedemos à glosa das despesas financeiras decorrentes de tais operações registradas como empréstimos e repassadas aos sócios, no valor total de R$ 86.894,28 no anocalendário de 2003, atendendo à proporcionalidade entre os empréstimos tomados junto aos bancos e os valores repassados aos sócios ...” Em face de tempestiva impugnação apresentada pela autuada (fls. 122), o órgão julgador de primeiro grau decidiu pela procedência dos autos de infração, por unanimidade, resumindo o acórdão nos seguintes termos: Fl. 484DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000121/200755 Acórdão n.º 110300.643 S1C1T3 Fl. 3 3 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS. CONTRATOS DE MÚTUO ENTRE EMPRESA E PROPRIETÁRIOS. INDEDUTIBILIDADE DA DESPESA FINANCEIRA COM PAGAMENTO DE JUROS.Fazse mister a glosa de despesas com juros decorrentes de empréstimos bancários repassados aos proprietários a título de contrato de mútuo.” No recurso, a contribuinte suscitou preliminar de nulidade do lançamento por falta de descrição dos fatos e de indicação da disposição legal infringida e da penalidade aplicável. Ainda sobre a preliminar, acrescentou: “Destacase que a referida Lei 9.713, dispõe sobre a ‘ORGANIZAÇÃO BÁSICA DA POLÍCIA MILITAR DO DISTRITO FEDERAL E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS’, não existindo na referida na o citado parágrafo 4º, na verdade o art 3º da referida lei não contém nenhum parágrafo.” No mérito, em síntese, afirmou que a celebração de contratos de mútuo com os sócios “é absolutamente legal, não representando por si transgressão a legislação pátria, seja ela fiscal ou civil”, inexistindo fundamento para caracterização de distribuição de valores aos sócios como adiantamentos de lucros. A DIPJ/2004 contém indicação de apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime do lucro real anual (fls. 04). É o relatório. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000121/200755 Acórdão n.º 110300.643 S1C1T3 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. A descrição da infração e as indicações da disposição legal infringida e da penalidade aplicada se encontram clara e objetivamente indicadas no TVF e nos autos de infração. A referência feita pela recorrente à Lei nº 9.713 é estranha às matérias objeto deste processo. Deve, portanto, ser rejeitada a preliminar de nulidade do lançamento. No mérito, registrese inicialmente que a infração descrita pela autoridade fiscal é relativa a glosa de despesa financeira, conforme relatado, e não a suposta distribuição de valores aos sócios como adiantamentos de lucros, como equivocadamente alegado no recurso. Passando ao exame da questão central, sabese que o art. 299 do RIR/19991 define como operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. Necessárias são aquelas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade desenvolvida. As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, segundo prescreve o §2º do referido dispositivo legal. A longa e consolidada jurisprudência administrativa acolhe o entendimento de que custos e despesas são dedutíveis quando necessários à atividade da pessoa jurídica, relativos à contraprestação de algo recebido (efetividade), corroborados por documentação adequada (idônea) e regularmente registrados na contabilidade. Tratandose de custo ou despesa, itens redutores da base de cálculo tributável, cabe ao sujeito passivo comprovar a legitimidade do seu lançamento contábil. Segundo a prestigiosa orientação de Antônio da Silva Cabral22, “em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte.” Com efeito, o que se discute é a necessidade de uma pessoa jurídica não financeira obter empréstimos para utilização dos recursos por terceiros, via repasse, deduzindo os encargos financeiros na apuração do seu resultado tributável. 1 Matriz legal: art. 47 da Lei 4.506/1964. 2 “Processo Administrativo Fiscal”, São Paulo, Saraiva, 1993, pág. 298. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000121/200755 Acórdão n.º 110300.643 S1C1T3 Fl. 5 5 São desnecessárias as despesas financeiras decorrentes de tais operações, tendo em vista que nada contribuíram para a atividade operacional da pessoa jurídica. A recorrente atuou fora do seu âmbito de atuação empresarial, como se instituição financeira fosse, ao contrair e conceder empréstimos, a um só tempo. A Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes adotou tal entendimento no exame de caso semelhante tratado no Recurso nº 146545 (processo nº 13971.000124/200491): DESPESAS FINANCEIRAS. RECURSOS CAPTADOS E REPASSADOS A OUTRAS EMPRESAS DO GRUPO. Não são dedutíveis para fins de apuração do lucro real as despesas financeiras decorrentes de empréstimos tomados por pessoa jurídica não financeira, cujos recursos foram repassados a outras empresas do mesmo grupo empresarial. (Acórdão nº 10197.029/2008) Dessa forma, deve ser mantida a glosa das despesas financeiras, em razão da desnecessidade da despesa para o esforço empresarial da contribuinte. Conclusão Pelo exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, nego provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 487DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.004460/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO.
O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento.
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Não invalida o lançamento a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos.
FALTA DE TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios na emissão do Termo de Início de Ação Fiscal ou Mandado de Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 46 estabelece que lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RITO PROCEDIMENTAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46).
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal.
MULTA APLICADA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119.
Nos termos da Súmula CARF nº 119, no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 2401-005.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que a multa seja recalculada, aplicando-se o disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14/09.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do Auditor-Fiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Não invalida o lançamento a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. FALTA DE TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios na emissão do Termo de Início de Ação Fiscal ou Mandado de Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 46 estabelece que lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RITO PROCEDIMENTAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46). NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal. MULTA APLICADA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119. Nos termos da Súmula CARF nº 119, no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. Não invalida o lançamento a ausência de intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos. FALTA DE TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios na emissão do Termo de Início de Ação Fiscal ou Mandado de Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 46 estabelece que lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 44 60 /2 00 7- 11 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10675.004460/200711 Acórdão n.º 2401005.964 S2C4T1 Fl. 140 2 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RITO PROCEDIMENTAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46). NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal. MULTA APLICADA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119. Nos termos da Súmula CARF nº 119, no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que a multa seja recalculada, aplicandose o disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14/09. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10675.004460/200711 Acórdão n.º 2401005.964 S2C4T1 Fl. 141 3 Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Versa o presente processo sobre Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n° 37.134.5049 emitida em 30/10/2007, no valor de R$ 71.567,73 (setenta e um mil e quinhentos e sessenta e sete reais e setenta e três centavos). A Ação Fiscal se iniciou com a entrega de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) em 15/05/2007, com a observação em campo próprio de ciência e recebimento “AUSENTE” e “Procurador recusou se assinar em data anterior a 27/09/07” folhas 23 e 31. E, com a ciência mediante assinatura do contribuinte no MPF C02 e TIAF em 27/09/2007, conforme fls. 25 e 29/30 respectivamente. Sendo considerado pela Autoridade Fiscal como início da ação fiscal a data de 27/09/2007. Conforme Relatório Fiscal, de fls. 34/40 e anexos, referese o presente débito a contribuição descontada dos segurados trabalhadores empregados e segurados contribuintes individuais. O valor originário do débito apurado corresponde ao montante das contribuições sociais arrecadadas, mediante desconto, pelo empregador, dos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período, abatida a parcela correspondente às contribuições sociais recolhidas, mediante Guia da Previdência Social GPS, pelo contribuinte, nas competências 01/2005 a 07/2007. Ainda relata que serviram de base para apuração do lançamento os documentos: Folhas soltas do livro de registro de empregados; Folhas de Pagamento; Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e GPS. E, o contribuinte deixou de apresentar à fiscalização, apesar de regularmente intimado para tanto através do Termo de Início da Ação Fiscal TIAF, o Livro Diário dos exercícios de 2004 a julho de 2007, razão pela qual foi lavrado o auto de infração, Código de Fundamento Legal 38. Verificada a ausência do repasse à Seguridade Social de parte das contribuições sociais dos segurados empregados, arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração nas competências já mencionadas, fato que, em tese, configura o ilícito tipificado na Lei n 8.212/91, sendo este fato objeto de comunicação à Autoridade Pública competente para a proposição de eventual ação penal Ministério Público Federal. As alíquotas aplicadas na apuração do débito se encontram detalhadas no Discriminativo Analítico de Débito DAD, no que se refere a parte descontada de segurados e retida de contribuintes individuais. O presente lançamento tem por fundamento os dispositivos legais descritos no anexo Fundamentos Legais do Débito FLD e destaca em seu relatório que a norma legal determina que sejam cobrados acréscimos legais, de caráter irrelevável, até a data da Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10675.004460/200711 Acórdão n.º 2401005.964 S2C4T1 Fl. 142 4 consolidação, de acordo com o artigo 34; e nos percentuais previstos no artigo 35 e seus incisos, dispositivos da Lei n° 8.212/91. Em relação aos documentos que se encontram anexos à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, relacionados em fls. 37/38, afirma a Autoridade Fiscal que recebeu o contribuinte a segunda via do Termo de Início da Ação Fiscal TIAF, do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD e do Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF. Quanto aos demais documentos relacionados, cujas cópias instruem o processo administrativo de débito, encontramse todos sob a posse do contribuinte. Dentro do prazo regulamentar a Impugnante contestou o lançamento, através do instrumento de fls. 87/92 em 06/12/2007, alegando em síntese: (a) “Todo o processo de fiscalização está maculado desde o início, devido à confusão documental e de cronologia feitas pelos AuditoresFiscais”. Fls. 87. (b) O MPF n° 09399385F00 datado de 27/04/2007, indicando a Auditora Fiscal da Previdência Social Maria de Fátima de Almeida Sobreira, tinha prazo para execução até 25/08/2007, todavia a impugnante não teve ciência do mesmo. Fls. 57/88. (c) Em 24/08/2007, o MPF foi alterado por meio de MPFC. Novamente este documento não foi assinado por qualquer sócio ou preposto da impugnante. Fls. 88. (d) Conforme Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF foi prorrogado até 24/10/2007, citando o nome do Auditor Fiscal Cloves Francisco Braga. Fls. 88. (e) Em 19/09/2007, foi elaborado MPFC e, em 27/09/2007, a impugnante teve ciência do processo, conforme a devida assinatura no referido documento. Neste MPF se estabeleceu que Shirlei Ferreira dos Santos, seria responsável pela execução do Mandado. Fls. 88. (f) Somente nesta data que foi assinado pelo representante da impugnante o Termo de Início da Ação Fiscal TIAF, apontando Shirlei Ferreira dos Santos como Auditor Fiscal responsável. Fls. 88. (g) Destaca que a Autoridade Fiscal solicitou ao representante da empresa, em 27/09/2007, que também assinasse o TIAD de 15/07/2007, no qual constava o nome da Auditora Fiscal Maria de Fátima de Almeida Sobreira. Fls. 88. (h) O representante da empresa recusouse a assinar tal documento, pois se tratava de data retroativa, para apresentação de diversos documentos. Fls. 88. (i) O prazo da fiscalização foi prorrogado em mais duas oportunidades, até 3l/10/2007 e até 09/11/2007. Fls. 88. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10675.004460/200711 Acórdão n.º 2401005.964 S2C4T1 Fl. 143 5 (j) “O Mandado de Procedimento Fiscal deve ser emitido na forma dos modelos constantes dos Anexos I a XIII, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto 11° 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da lei n° 9.532, de 10 de novembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal, conforme determina o artigo 4°”. Portaria RFB n” 4.328, de 05 de setembro de 2005”. Fls. 89. (k) “Farseá a intimação determinada na legislação retrocitada de pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 10/12/97). A intimação também poderia ter sido feita por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Lei n° 9.532, de 10/12/97)”. Fls. 89. (l) AuditorFiscal ainda poderia utilizar o meio eletrônico, ou mediante registro em meio magnético ou equivalente, fls. 89. (m) “Apesar da existência de tantas opções, nenhuma delas foi utilizada”. Fls. 89. (n) “Neste cenário fica evidente que todo o processo de fiscalização não pode ter continuidade, pois a MPF inicial se extinguiu sem que tivesse sido formalizado a entrega à Impugnante”. Também se esqueceram de formalizar o TIAD, logo não se pode questionar eventual documento não entregue, muito menos justificar qualquer arbitramento. Fls. 89. (o) Vários princípios constitucionais foram feridos: princípio do devido processo legal, princípio do contraditório, da ampla defesa e da publicidade. Fls. 90. (p) O procedimento fiscal tem início com a emissão do MPF. Fls. 90. (q) O MPF é necessário para o controle da execução da fiscalização e destinase a publicidade da autorização emitida para realização dos procedimentos de fiscalização e elemento indispensável para se dar validade ao lançamento tributário. Fls. 90. (r) Das multas aplicadas, vedação ao confisco, fls. 90/92. (s) “À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado”. Fls. 92. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ/JFA), por meio do Acórdão nº 0918.904 (fls. 99/115), de 27/02/2008, cujo dispositivo considerou o lançamento procedente, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10675.004460/200711 Acórdão n.º 2401005.964 S2C4T1 Fl. 144 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2007 NFLD DEBCAD N° 37.134.5049 de 30/10/2007. NFLD – NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. NÃO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS E DESTINADAS À SEGURIDADE SOCIAL. APROPRIAÇÃO INDÉBITA. DECLARADO EM GFIP. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. APLICAÇÃO DA MULTA. CONFISCO. DEFESA TEMPESTIVA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta lei, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e do período a que se referem. Art. 37 da Lei n° 8.212/1991. Não caracteriza vício formal do lançamento se os atos e termos processuais são emitidos com a observância de normas administrativas e legais; e, efetuado em consonância com o artigo 142 do CTN e com o artigo 10 do Decreto n° 70.235/72. O sujeito passivo fica cientificado do início da auditoria fiscal a ser desenvolvida através da ciência do MPF e do TIAF. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS/RFB, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Art. 34 e art. 35 da Lei n° 8.212/1991. A multa moratória está prevista em lei e não caracteriza confisco. A lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surte os seus efeitos enquanto estiver vigente e deve obrigatoriamente ser cumprida pela autoridade administrativa por forca do ato administrativo vinculado. A Administração Pública está sujeita ao princípio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Não é possível, em sede administrativa, afastarse a aplicação de lei, decreto ou ato normativo em vigor. Lançamento Procedente Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou, em síntese, os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, em referência, encontrase devidamente instruída, tendo sido observados os requisitos Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10675.004460/200711 Acórdão n.º 2401005.964 S2C4T1 Fl. 145 7 essências à sua formalização e instrução, conforme os termos dos artigos 2° e 3° da Lei n° 11.457 de 16/03/2007, e artigo 37 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. 2. A controvérsia no presente processo cingese a argumentação “da não ciência da Impugnante no Mandado de Procedimento Fiscal, a não entrega do Termo de Intimação para Apresentação de Documento Fiscal e culminando com a formalização tardia do Termo de Início de Ação Fiscal, tornam nulos todos os lançamentos efetuados” e das multas aplicadas. 3. A atividade de fiscalização destinada a verificação do cumprimento da legislação previdenciária pelo sujeito passivo, foi exercida com observância dos princípios jurídicos inerentes ao processo administrativo fiscal. A Autoridade Fiscal praticou os atos de fiscalização dentro das prerrogativas e limitações estabelecidas na legislação tributária e previdenciária, em respeito ao princípio da legalidade objetiva e, para tanto, executou os procedimentos fiscais concernentes ao objeto da fiscalização determinado no MPF; exigiu do sujeito passivo o cumprimento de obrigações previdenciárias de acordo com o previsto na legislação aplicável; constituiu o crédito tributário, por meio de NFLD, ao constatar a falta de recolhimento das contribuições previdenciárias; emitiu RFFP ao constatar a prática de conduta que caracterize, em tese, ilícito penal. 4. O direito de defesa no processo administrativo fiscal é exercido após a instauração da fase litigiosa, com a impugnação, e, posteriormente, com o recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, nos prazos estabelecidos. Durante a ação fiscal, destinada a verificar a regularidade da situação fiscal do contribuinte, inexiste litígio que enseje alegação de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. 5. Durante o procedimento fiscal, a Autoridade Fiscal emitiu os termos quando do Início dos Procedimentos (TIAF), da Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) e quando do Encerramento da Fiscalização (TEAF). Tais termos têm como objetivo registrar, informar, orientar e, documentar e instruir processo administrativo fiscal. 6. O ato processual só tem eficácia após a ciência do interessado. A ciência será dada da forma Pessoal, comprovada com a assinatura do representante legal, do mandatário ou do preposto do sujeito passivo. Ocorrendo recusa do recebimento, a Autoridade Fiscal deve deixar a via destinada ao sujeito passivo no local da ocorrência e registrar nas demais, no campo destinado ao recibo, a expressão "recusouse a assinar", identificar o responsável pela recusa, fazendo constar no próprio documento, ou no Relatório Fiscal, a observação de que a Via destinada ao sujeito passivo foi deixada no local da ocorrência da recusa e que se considerou o sujeito passivo cientificado. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10675.004460/200711 Acórdão n.º 2401005.964 S2C4T1 Fl. 146 8 7. No presente processo a Autoridade Fiscal considerou o início da ação fiscal com a assinatura do contribuinte no MPF C02 e TIAF em 27/09/2007. 8. Quanto as objeções levantadas pela impugnante não procedem, pois, considerando o início da ação fiscal quando da sua ciência em 27/09/2007, teve tempo hábil para apresentação da documentação. E, conforme já demonstrado não se justifica a não emissão do TIAD posteriormente, pois com a nova portaria a documentação inicialmente solicitada é através do TIAF, sendo o TIAD complementar. E, tanto o MPF complementar quanto o TIAF foram assinados pelo contribuinte. Não há como alegar qualquer possibilidade de desrespeito aos princípios constitucionais citados. 9. Não foram detectados quaisquer vícios, defeitos ou irregularidades que acarretassem a nulidade do Auto de Infração em questão. E, mesmo se ocorresse a inobservância de normas administrativas relativas ao MPF seria insuficiente para caracterizar o alegado vicio formal do lançamento, efetuado em consonância com o artigo 142 do CTN e com o artigo 10 do Decreto n° 70.235/72. 10. Quanto à alegação pela impugnante de confisco das multas aplicadas, deve ser observado que, conforme já relatado pela Autoridade Fiscal em fls. 36, o presente lançamento tem por fundamento os dispositivos legais descritos no anexo Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 17/18) e determina a norma legal que sejam cobrados acréscimos legais juros e multa, de caráter irrelevável, de acordo com o artigo 34 e nos percentuais previstos no artigo 35 e seus incisos, dispositivos da Lei n° 8.212/91. 11. Sendo assim, temse que os juros estão expressamente previstos na legislação previdenciária, no artigo 34 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997. 12. Consta na legislação a cobrança de multa, sendo o permissivo legal estabelecido no artigo 35 da Lei n° 8.212/1991, com redação dada pela Lei n° 9.876/1999, ao determinar que ficam sujeitas à incidência de multa de mora, as contribuições sociais em atraso. 13. Não merece acolhida o entendimento de ser confiscatória, uma vez que a multa e os juros de mora foram aplicados de acordo com a legislação previdenciária vigente em cada competência a que se referem (art. 34 e 35 da Lei n° 8.212/1991 c/c art. 239, § 6° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. 3.048/1999). 14. E, quanto a discutir a ilegalidade ou inconstitucionalidade, os argumentos oferecidos se esbarram na legislação ainda eficaz no mundo jurídico e nos atos administrativos em prática. 15. Ao contribuinte é oferecida a oportunidade de apresentar a impugnação onde mencionará "os motivos de fato e de direito em que se fundam, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir", precluindo o Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10675.004460/200711 Acórdão n.º 2401005.964 S2C4T1 Fl. 147 9 direito de o fazêlo em outro momento processual. A impugnante não apresentou outros argumentos e provas pertinentes ao Auto de infração em questão. 16. Não há o que atender o intento da impugnante seja, em razão da Falta de suporte legal, seja em decorrência da falta de sustentação fática que pudesse acarretar a nulidade ou modificar o posicionamento da Auditoria Fiscal que se reveste de legalidade e de materialidade em seus parâmetros e elementos constitutivos. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 119/124), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos, que, basicamente, reforçam sua tese defensiva: a. Conforme citado pelos nobres julgadores, a Ação Fiscal teria se iniciado em 15/05/2007, mas no MPF, no campo que identificaria o recebimento, foi colocado o termo AUSENTE. Considerando que a empresa exerce regularmente suas atividades em sua sede, onde sempre esteve para receber e assinar qualquer documento, este ausente não pode se referir a mesma. b. O MP n° 09399385F00 datado de 27/04/2007, indicando a Auditora Fiscal da Previdência Social Maria de Fátima de Almeida Sobreira, matrícula 0954879, tinha prazo para execução até 25 de agosto de 2007, todavia, a recorrente não teve ciência do mesmo. c. Em 24 de agosto de 2007, o Sr. Marco Antônio de Melo Breves, alterou o MPF n° 09399385, por meio de MPF Complementar. Novamente, este documento não foi assinado por qualquer sócio ou preposto da recorrente. d. Conforme Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF – Auditoria Previdenciária, o MPF n° 09399385 foi prorrogado até 24 de outubro de 2007, citando o nome do AuditorFiscal da RFB Cloves Francisco Braga, matrícula 0954874. e. Em 19 de setembro de 2007, foi elaborado o MPF Complementar e, em 27 de setembro de 2007, a recorrente teve ciência do processo, conforme a devida assinatura no referido documento. Neste MPF se estabeleceu que o Sr. Shirlei Ferreira dos Santos, matrícula 1140035, AuditorFiscal da RFB, seria o responsável pela execução do Mandado. f. Neste cenário, fica evidente que todo o processo de fiscalização não pode ter continuidade, pois a MPF inicial se extinguiu sem que tivesse sido formalizado a entrega à recorrente. Além disso, os fiscais esqueceram de formalizar Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, logo não se pode questionar eventual documento não entregue, muito menos justificar qualquer arbitramento. g. O MPF é sumamente necessário para o controle da execução da fiscalização, visando a garantir direitos e obrigações dos contribuintes e Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10675.004460/200711 Acórdão n.º 2401005.964 S2C4T1 Fl. 148 10 dos AuditoresFiscais envolvidos no processo. O MPF destinase à publicidade da autorização emitida para realização dos procedimentos de fiscalização, no contexto dos atos privativos da Administração Tributária, sendo hoje elemento indispensável para se dar validade ao lançamento tributário. h. No caso em tela, a não ciência da recorrente no MPF, a não entrega do Termo de Intimação para Apresentação de Documento Fiscal e culminando com a formalização tardia do Termo de Início de Ação Fiscal, tornam nulos todos os lançamentos efetuados. i. A multa decorrente do descumprimento da obrigação tributária também se submete à vedação ao confisco. A pena não deve ser igual ao gravame, mesmo que ela seja primordialmente repreensiva e sancionatória. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10675.004460/200711 Acórdão n.º 2401005.964 S2C4T1 Fl. 149 11 instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Por fim, cumpre assentar que falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo Tribunal Federal, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Caso o recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 3. Preliminares. Preliminarmente, a recorrente questiona a ausência de sua ciência a respeito do Mandado de Procedimento Fiscal, bem como a não entrega do Termo de Intimação para Apresentação de Documento Fiscal, além da formalização tardia do Termo de Início de Ação Fiscal, que, no seu entendimento, ocasionariam a nulidade do lançamento efetuado. Contudo, entendo que não assiste razão à recorrente. Conforme bem pontuado pela decisão de piso, o Decreto n° 70.235/72, em seu artigo 7°, determina que o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. Feita a intimação ao sujeito passivo, dáse início à ação fiscal, com as consequências daí advindas como a perda da espontaneidade. No presente processo, a Autoridade Fiscal considerou o início da ação fiscal com a assinatura do contribuinte no MPF C02 e TIAF em 27/09/2007, não havendo qualquer irregularidade no procedimento fiscal. E, ainda que assim não o fosse, eventuais omissões ou incorreções afligindo os citados documentos não têm o condão de culminar na nulidade do lançamento tributário, disciplinado pelo artigo 142 do CTN, que se constitui em ato obrigatório e vinculado, sob pena de responsabilidade funcional por parte do agente fiscal. Somente na hipótese de o contribuinte provar que a presença do vício ocasionou prejuízo em sua defesa é que, eventualmente, tais vícios poderão acarretar na nulidade do crédito tributário. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10675.004460/200711 Acórdão n.º 2401005.964 S2C4T1 Fl. 150 12 Ademais, já está sumulado, no âmbito deste Conselho, o entendimento segundo o qual o lançamento de ofício pode ser realizado, inclusive, sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF n° 46 Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Não há, pois, que se falar de contraditório na fase inquisitorial do procedimento prévio ao eventual lançamento de ofício. O contraditório é exercido durante o curso do processo administrativo, nas instâncias de julgamento, não tendo sido identificado qualquer hipótese de embaraço ao direito de defesa do recorrente. Cabe destacar, ainda, que na fase oficiosa, a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. O princípio do contraditório é garantido pela fase litigiosa do processo administrativo (fase contenciosa), a qual se inicia com o oferecimento da impugnação. Nesse sentido, vale ressaltar que a oportunidade de manifestação do contribuinte não se exaure na etapa anterior à efetivação do lançamento. Pelo contrário, na busca da preservação do direito de defesa do contribuinte, o processo administrativo fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235/72, estendese por outra fase, a fase litigiosa, na qual o autuado, inconformado com o lançamento que lhe foi imputado, instaura o contencioso fiscal mediante apresentação de impugnação ao lançamento, quando as suas razões de discordância serão levadas à consideração dos órgãos julgadores administrativos, sendolhe facultado pleno acesso à toda documentação constante do presente processo. Caberia ao recorrente refutar a acusação fiscal, notadamente os motivos exarados para o presente lançamento tributário, todos bem descritos no Auto de Infração e nos documentos anexos. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente arts. 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Dessa forma, afasto as preliminares levantadas pelo recorrente e passo a examinar a única questão de mérito trazida ao debate e que diz respeito à multa aplicada. 4. Mérito. 4.1. Da Multa Aplicada. Conforme narrado, o presente crédito tributário se refere a contribuição descontada dos segurados trabalhadores empregados e segurados contribuintes individuais. O valor originário do débito apurado corresponde ao montante das contribuições sociais arrecadadas, mediante desconto, pelo empregador, dos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período, abatida a parcela correspondente às contribuições sociais recolhidas, mediante Guia da Previdência Social GPS, pelo contribuinte, nas competências 01/2005 a 07/2007. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10675.004460/200711 Acórdão n.º 2401005.964 S2C4T1 Fl. 151 13 Em decorrência da infração praticada, foi aplicada a multa prevista no artigo 35, incisos I, II, III, da Lei n° 8.212/1991, de acordo com os percentuais ali estipulados. Alega a recorrente que a multa aplicada estaria em patamar confiscatório, o que seria vedado pelo artigo 150, IV, da Constituição Federal. Inicialmente, oportuno observar que já está sumulado o entendimento segundo o qual falece competência a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo Tribunal Federal, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Enfrentada as questões acima, apenas faço um pequeno reparo na decisão de piso, determinando, de ofício e por força do art. 106, II, “c”, do Código Tributário nacional, sobretudo considerando que o Recurso Voluntário foi apresentado pela recorrente no ano de 2008, o recálculo da multa aplicada, tomandose em consideração as disposições previstas na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009, a qual lastreou o art. 476A da IN RFB nº 971, de 2009, incluído pela IN RFB nº 1.027, de 2010. Isso porque, em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a aplicação da penalidade mais benéfica deve observar regramento a ser traçado em portaria conjunta da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009. Tratase da orientação mais recente deste Conselho, a qual me curvo, sobretudo após a edição da Súmula CARF n° 119, e que, inclusive, foi inspirada nos dispositivos citados acima. É de se ver: Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Ante o exposto, voto no sentido de determinar, de ofício e por força do art. 106, II, “c”, do Código Tributário nacional, o recálculo da multa aplicada, tomandose em consideração as disposições previstas na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10675.004460/200711 Acórdão n.º 2401005.964 S2C4T1 Fl. 152 14 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, afastar as preliminares e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de determinar o recálculo da multa aplicada, tomandose em consideração as disposições previstas na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001867/2005-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003
CSLL — SOCIEDADES COOPERATIVAS — OPERAÇÕES COM COOPERADOS — SOBRAS LÍQUIDAS — NÃO INCIDÊNCIA
A base de cálculo da Contribuição Social é o lucro líquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operações com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição.
Numero da decisão: 1103-000.828
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
recurso.
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
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Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operações com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 67 /2 00 5- 52 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001867/200552 Acórdão n.º 1103000.828 S1C1T3 Fl. 447 2 Conforme o Termo de Verificação de fls.05/07, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada, o autuante verificou que: 1. Nos anoscalendário de 2002 e 2003, a contribuinte exerceu atividades relacionadas no art.79 da Lei n° 5.764/71, na qualidade de cooperativa de crédito. 2. Ocorre que a contribuinte deixou de recolher a CSLL referente aos períodos em questão. No entanto, o art.2° e §§ da Lei n° 7.689/88 impõem a apuração e o recolhimento da CSLL. Em decorrência das constatações feitas pela Fiscalização, em 16/11/2005 foi lavrado o Auto de Infração de CSLL de fls.08/11, no valor total de R$1.650.808,03. Da impugnação A contribuinte apresentou a impugnação de fls.443/458, acompanhada dos documentos de fls.459/485 e protocolizada em 16/12/2005 (conforme informa o despacho da SACAT/DRJ/SJC/SP de fls.487), alegando em síntese que: 1. As cooperativas buscam para si, enquanto pessoas jurídicas, somente a satisfação dos custos administrativos, nunca o lucro. Tributar os atos cooperativos de forma equiparada aos atos do comércio, que visam somente o lucro, é ofender os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da isonomia, além de ferir o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo. 2. As cooperativas não auferem qualquer tipo de lucro e não têm qualquer tipo de receita, seja operacional ou financeira. Inclusive, as suas operações não têm caráter de mercado, conforme disposição do art.79, da Lei n° 5.764/71. Nesse sentido, não há base de cálculo para a CSLL. 3. A matéria em comento não poderia ser tratada por meio de lei ordinária, como é o caso da Lei n° 7.689/88, por expressa disposição constitucional determinando que o tratamento tributário das cooperativas será diferenciado e disposto por lei complementar conforme o at.146 da Constituição Federal. A 10.ª Turma da DRJ de São Paulo I, decidiu (ementa): “CSLL. COOPERATIVA. INCIDÊNCIA. A Contribuição Social sobre o Lucro é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre todos os seus resultados, sejam eles relativos as operações com associados ou não. (Lei n 8.212, de 1991, art. 10, Lei n' 7.689, de 1988, art. 4, e IN SRF n' 198, de 1988). ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. LEI N° 7.689/88. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001867/200552 Acórdão n.º 1103000.828 S1C1T3 Fl. 448 3 Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário.” A contribuinte, ora recorrente, praticamente repete as razões da impugnação, destacandose ementas de acórdão do STJ e dos antigo 1.º Conselho de Contribuintes. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A matéria em litígio não é nova no CARF, tratase da incidência da CSLL sobre atos cooperativos. A decisão de 1a. instância foi no sentido de que a CSLL incide tanto sobre os atoscooperativos como sobre as operações com não cooperados. A contribuinte alega que não aufere lucro, e que à luz da jurisprudência está fora do campo de incidência da CSLL. De fato, do Termo de Verificação Fiscal é isso que consta, ou seja a recorrente apenas realizou atos cooperados. Da matéria em si inúmeros são os acórdãos referentes ao tema como por exemplo o acórdão n.º 140200.417, da 2.ª Turma ordinária da 4.ª Câmara, da lavra do Ilustre relator Antônio José Praga de Souza, em 28 de janeiro de 2011 a saber (ementa): “CSLL. COOPERATIVAS. OPERAÇÕES COM COOPERADOS. SOBRAS LÍQUIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. Em relação aos atos cooperativos, os resultados positivos da sociedade cooperativa não tem natureza de lucros como definido na legislação tributária e comercial, não se subsumindo a norma de incidência da contribuição social sobre o lucro.” A CSRF já a muito tempo consolidado o tema, como por exemplo, citese o acórdão CSRF/0105.874, proferido na sessão de 11/08/2008, da relatoria do Douto ex conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima: CSLL SOCIEDADES COOPERATIVAS OPERAÇÕES COM COOPERADOS SOBRAS LÍQUIDAS NÃO INCIDÊNCIA Em relação aos atos cooperativos, os resultados positivos da sociedade cooperativa não tem natureza de lucros como definido na legislação tributária e comercial, não se subsumindo a norma de incidência da contribuição social sobre o lucro. Recurso especial negado. (Recurso especial do Procuradoria da Fazenda Nacional negado provimento) Do voto condutor do aludido acórdão extraise os seguintes fundamentos: Fl. 448DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001867/200552 Acórdão n.º 1103000.828 S1C1T3 Fl. 449 4 “(..) Depreendese do relatado que a Recorrente ingressou com recurso especial a esta Colenda Câmara insurgindose contra decisão do Conselho de Contribuintes que deu provimento ao recurso para afastar a tributação da CSLL de sociedades cooperativas. Essa matéria vem sendo decidida, reiteradas vezes, por essa Turma, sempre no sentido de afastar a exigência da CSLL sobre o resultado auferido com atos cooperados. De fato, a hipótese de incidência tributária descreve a ocorrência de "lucro", termo de conteúdo semântico bem definido em nosso ordenamento jurídico e relacionado sempre à atividade mercantil. Como o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias como explicitado na própria lei das cooperativas (art. 19 da Lei n° 5.764/99), não há como se aceitar a possibilidade de subsunção do resultado positivo apurado pela sociedade cooperativa à Lei n°7.689, de 1988, norma de incidência da CSLL.” Por fim temos a Súmula CARF n.º 83 que determina: “Súmula CARF nº 83: O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004.” Dessa forma, quando ocorre atos entre cooperados não há lucro, e por isso, não há base de cálculo da CSLL. De todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 07 de março de 2013 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 449DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13896.721004/2011-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL.
Uma vez comprovadas, parcialmente, despesas médicas do contribuinte, conforme previsão contida na legislação pertinente, há de se restabelecer, em parte, o valor informado na correspondente declaração de rendimentos.
Numero da decisão: 2402-006.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, cancelando a glosa de R$ 25.200,00, referente à prótese de joelho, bem como para cancelar a glosa de R$ 11.437,01, referente ao Plano de Saúde Ana Costa.
Julgamento realizado na sessão de 17/1/19, com início às 14h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, cancelando a glosa de R$ 25.200,00, referente à prótese de joelho, bem como para cancelar a glosa de R$ 11.437,01, referente ao Plano de Saúde Ana Costa. Julgamento realizado na sessão de 17/1/19, com início às 14h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
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DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO Recorrente JOSÉ ROBERTO BRANCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Uma vez comprovadas, parcialmente, despesas médicas do contribuinte, conforme previsão contida na legislação pertinente, há de se restabelecer, em parte, o valor informado na correspondente declaração de rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, cancelando a glosa de R$ 25.200,00, referente à prótese de joelho, bem como para cancelar a glosa de R$ 11.437,01, referente ao Plano de Saúde Ana Costa. Julgamento realizado na sessão de 17/1/19, com início às 14h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Cláudia Cristina Noira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 10 04 /2 01 1- 09 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 121 2 Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 19ª Tuma da DRJ/RJ1, consubstanciada no Acórdão nº 1259.014, que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra o sujeito passivo foi emitida Notificação de Lançamento nº 2010/137881576433788, relativa ao anocalendário 2009, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada pela fiscalização dedução indevida de despesas médicas, na importância de R$ 82.987,86 (fls.21). A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco a diferença apurada, acrescida de juros de mora e multa de ofício. Cientificado da notificação, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls.2/13), esclarecendo a natureza e origem das despesas médicas cujas deduções foram glosadas pela fiscalização, colacionando respectiva documentação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo reproduzida: Acórdão 1259.014 19ª Turma da DRJ/RJ1 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Uma vez comprovadas, parcialmente, despesas médicas do contribuinte, conforme previsão contida na legislação pertinente, há de se restabelecer, em parte, o valor informado na correspondente declaração de rendimentos. PLANO DE SAÚDE. BENEFICIÁRIO. Uma vez não comprovados, com documentos hábeis, os beneficiários dos planos de saúde, quando este foi o motivo da apuração da infração, procede a glosa efetuada. APARELHOS ORTOPÉDICOS. PRÓTESES. RECEITUÁRIO MÉDICO. NOTA FISCAL. No caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário, por expressa determinação legal. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 122 3 IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 61/65, por meio do qual reitera, em síntese, o quanto aduzido na impugnação apresentada em relação às glosas mantidas pela DRJ, colacionando novos documentos. Na sessão de julgamento realiza em 10 de maio de 2018, este Colegiado converteu o julgamento do processo em diligência para que a autoridade administrativa fiscal da DRF Barueri, responsável pela lavratura da Notificação de Lançamento que deu origem ao presente PAF, anexe aos autos todos os documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização (tais como recibos de pagamento, dentre outros), referentes aos gastos com os Planos de Saúde “Ana Costa” e “Bradesco Saúde”. Caso não possua, por qualquer motivo, tais documentos em seu poder, que proceda à intimação do contribuinte para reapresentálos. Em atenção ao quanto solicitado, a Unidade de Origem intimou o contribuinte para apresentar os recibos de pagamento e outros documentos que julgar necessários referentes aos gastos com os Planos de Saúde “Ana Costa” e “Bradesco Saúde”. Em resposta, o contribuinte apresentou o expediente de fls. 92, trazendo aos autos os comprovantes referentes aos gastos com os susoditos planos de saúde de fls. 101 a 114. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. A Notificação de Lançamento guerreada foi motivada em decorrência da glosa de deduções de despesas médicas. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 123 4 I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Sobre a matéria, assim dispõe o art. 80 do Decreto nº 3.000/1999, vigente à época dos fatos geradores, in verbis: Seção I Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 124 5 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Na espécie, a Notificação de Lançamento guerreada foi motivada em decorrência da glosa de deduções de despesas médicas, abaixo descritas para melhor análise: Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 125 6 DESCRIÇÃO VALOR MOTIVO DA GLOSA MARISTELA PEREIRA 450,00 1 FERNANDA FAVERAN ROVARON 1.000,00 1 MARIA FERNANDA DOMINGUES 1.550,00 1 CRISTIANE DE JESUS PEDROSO 6.000,00 1 MARIA FERNANDA DOMINGUES 1.350,00 1 MARIA FERNANDA DOMINGUES 1.200,00 1 ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 9.730,00 2 ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 25.200,00 3 PLANO DE SAÚDE ANA COSTA LTDA 11.437,01 4 BRADESCO SAÚDE S/A 25.070,85 4 1 – recibos sem identificação do endereço do prestador; 2 – dedução sem previsão legal; 3 – despesa com prótese exige comprovação com receituário médico, além da nota fiscal em nome do beneficiário; 4 – não foram discriminados os pagamentos por beneficiário. Com o julgamento de primeira instância, remanesceram as glosas referentes aos motivos “2”, “3” e “4”, abaixo reproduzidos: DESCRIÇÃO VALOR MOTIVO DA GLOSA ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 9.730,00 2 ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 25.200,00 3 PLANO DE SAÚDE ANA COSTA LTDA 11.437,01 4 BRADESCO SAÚDE S/A 25.070,85 4 Impõese, portanto, a análise de cada uma das despesas em destaque: * Alexandre de Oliveira ITU – ME – R$ 9.730,00 De acordo com a fiscalização, o montante de R$ 9.730,00 foi glosado por falta de previsão legal. Analisandose a cópia da Nota Fiscal de fls. 30, verificase que razão assiste à fiscalização. De fato, tratase de despesas com cama hospitalar, cadeiras de rodas, escada, suporte para soro, andador, esparadrapo, atadura e gazes, conforme imagem abaixo: Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 126 7 Registrese, conforme constatado pela própria DRJ, constam na NF em destaque elementos que o art. 43, §7º, da Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, considera como aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas, tais como cadeira de rodas e andador. No entanto, ao contrário do alegado pelo contribuinte, a Lei nº 9.250, de 1995, exige a comprovação dessas despesas com receituário médico, requisito este não comprovado pelo interessado no curso da ação fiscal, tampouco na impugnação. Com relação aos demais itens constantes da nota fiscal, não há previsão legal para dedução como despesas médicas na declaração de rendimentos, como afirmou a autoridade fiscal na descrição dos fatos da notificação de lançamento, pelo que fica mantida a respectiva glosa. * Alexandre de Oliveira ITU – ME – R$ 25.200,00 No que tange à despesa de R$ 25.200,00, tratase de gasto com prótese de joelho, conforme se infere da Nota Fiscal de fls. 29, parcialmente reproduzida abaixo: Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 127 8 A fiscalização efetuou a glosa da referida despesa aduzindo que despesa com prótese exige comprovação com receituário médico, além da nota fiscal em nome do beneficiário. Pois bem! Como se vê, dois foram os fundamentos utilizados pela fiscalização para glosar a despesa em análise: (i) comprovação com receituário médico e (ii) nota fiscal em nome do beneficiário. No que tange à comprovação com receituário médico, o contribuinte esclareceu que deixou de apresentar o referido documento oportunamente, uma vez que o mesmo ficou retido pelo fornecedor quando da aquisição da prótese, pelo que, notificado pela RFB, acreditou o contribuinte que uma vez apresentada a NF de compra, em caso de dúvidas, o próprio fisco se encarregaria de sanálas junto aos mesmos. Assim, mantida a glosa em análise pelo órgão julgador de primeira instância, logrou o contribuinte trazer aos autos cópia do receituário médico que deu origem à compra da prótese de joelho objeto da NF de fls. 29, reapresentada às fls. 67. O referido receituário está às fls. 69. No que diz respeito à apresentação de nota fiscal em nome do beneficiário, verificase que o referido documento foi apresentado pelo contribuinte ainda no curso do procedimento fiscal, tendo sido emitida em nome de Adriano Branco – mesmo nome do receituário médico – o qual consta como dependente do Sr. Jose Roberto Branco, ora Recorrente, na sua Declaração de Ajuste Anual de fls. 43, fato incontroverso nos presentes autos. Neste espeque, restando superadas as razões que motivaram a glosa da dedução em análise, impõese o restabelecimento da mesma, no valor de R$ 25.200,00, referente a despesa com prótese ortopédica. * Bradesco Saúde S/A – R$ 25.070,85 Com relação às despesas com Bradesco Saúde S/A, no valor de R$ 25.070,85, a motivação da glosa foi o fato do contribuinte não ter apresentado documentos que discriminassem os beneficiários do plano de saúde e os respectivos valores individualizados. Em seu recurso voluntário, o contribuinte se limitou a aduzir que quanto ao Plano Bradesco Saúde, também anexouse os comprovantes de pagamento. Se paira alguma dúvida por parte do fisco, é dever do mesmo notificar o plano de saúde exigindo uma relação dos beneficiários, partindose do princípio da boafé. Como se vê, o contribuinte não se desincumbiu de demonstrar os beneficiários do plano de saúde em questão, bem como os valores individualizados por beneficiário. Ao revés, entende o contribuinte que deveria o Fisco intimar o Plano de Saúde para que este apresentasse a relação dos beneficiários. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 128 9 Olvida o Recorrente, entretanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que alega se detentor / titular de determinado direito. No caso concreto, foi o contribuinte que informou, na sua Declaração de Ajuste Anual, ser detentor de um direito, ficando a seu cargo, portanto, o ônus de comprovar a existência e idoneidade de tal direito. Como não o fez, não há qualquer reparo a ser feito na decisão de primeira instância neste particular, mantendose a glosa realizada pela fiscalização no valor de R$ 25.070,85, referente ao plano de saúde Bradesco. * Plano de Saúde Ana Costa LTDA – R$ 11.437,01 Tal como em relação ao Plano de Saúde Bradesco, a Fiscalização também glosou os valores referentes ao Plano de Saúde Ana Costa por não ter sido apresentado documentos que discriminassem os beneficiários do plano de saúde e os respectivos valores individualizados. Bem, em relação ao Plano de Saúde em destaque, o contribuinte trouxe aos autos declaração da Companhia de Docas do Estado de São Paulo – CODESP (fls. 66), informando que o Sr. Adriano Branco – dependente do Recorrente, registrese foi participante do plano de saúde, patrocinado e subsidiado por essa CODESP até dezembro de 2010 (...) e que esta inscrita na condição de dependente do titular a Sra. Zilda Ferreira Branco – igualmente dependente do Recorrente na sua DAA (fls. 43). Por fim, mas não menos importante, o contribuinte, em sede de diligência fiscal, (re)apresentou os efetivos comprovantes de pagamento, conforme evidenciam os comprovantes bancários acostados aos autos a partir das fls. 107. Assim, tratandose de despesas com plano de saúde cujos beneficiários – Sr. Adriano Branco e Sra. Zilda Ferreira Branco – foram declarados como dependentes do Sr. José Roberto Branco na DAA deste e que tal fato restou incontroverso nos presentes autos, impõe se o restabelecimento da dedução em análise. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer a dedução das despesas médicas, conforme quaro resumo abaixo: DESCRIÇÃO GLOSA Reestabelecido Pela DRJ Reestabelecido Pelo CARF MARSTELA PEREIRA 450,00 450,00 FERNANDA FAVERAN ROVARON 1.000,00 1.000,00 MARIA FERNANDA DOMINGUES 1.550,00 1.550,00 CRISTIANE DE JESUS PEDROSO 6.000,00 6.000,00 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13896.721004/201109 Acórdão n.º 2402006.868 S2C4T2 Fl. 129 10 DESCRIÇÃO GLOSA Reestabelecido Pela DRJ Reestabelecido Pelo CARF MARIA FERNANDA DOMINGUES 1.350,00 1.350,00 MARIA FERNANDA DOMINGUES 1.200,00 1.200,00 ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 9.730,00 ALEXANDRE DE OLIVEIRA ITU – ME 25.200,00 25.200,00 PLANO DE SAÚDE ANA COSTA LTDA 11.437,01 11.437,01 BRADESCO SAÚDE S/A 25.070,85 (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.903082/2012-42
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito.
Numero da decisão: 1003-000.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 30 82 /2 01 2- 42 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10280.903082/201242 Acórdão n.º 1003000.365 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1152.787, de 29 de abril de 2016, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório. A Recorrente apresentou pedido de compensação, PER/DCOMP nº 20233.78640.170510.1.3.047170, vinculada ao PER/DCOMP nº 16069.02420.290410.1.3.04 3551 (Proc. nº 10280.909330/201204), em razão de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo da CSLL paga por estimativa, código 2484. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 5.960,22, seria decorrente de pagamento indevido relativo ao DARF de valor R$ 69.914,11, recolhido em 30/10/2009. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº de rastreamento 031025501, emitido em 04/09/2012, às fls. 06, a Autoridade Competente decidiu não homologar a compensação fundamentando que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade e defendeu o seguinte: (i) que a empresa enviou PER/DCOMP nº 20233.78640.170510.1.3.047170, na qual requer a compensação do débito de CSLL referente ao mês de abril de 2010, totalizando R$ 10.244,43, utilizando crédito do mês de julho de 2004 por pagamento indevido no valor original de R$ 5.960,22, que corrigido totalizaria R$ 10.244,43; (ii) que o crédito em questão ocorreu em conseqüência de pagamento em duplicidade, o qual iniciou num processo de parcelamento, que, posteriormente, foi quitado à vista (30/10/2009), fazendo parte do processo de nº 10280006088/200893; (iii) pelo exposto, requereu a improcedência da cobrança e a homologação da compensação pleiteada. A DRJ/REC analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EXISTENTE Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização na extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10280.903082/201242 Acórdão n.º 1003000.365 S1C0T3 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que repetiu os argumentos e provas acostados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente fundamenta seu recurso sob a alegação de que o crédito em análise foi gerado em razão de pagamento em duplicidade, que teria se iniciado num processo de parcelamento que veio a ser quitado à vista em 30/10/2009, fazendo parte do processo nº 10280.006088/200893. A PER/DCOMP apresentada pela Recorrente de nº 20233.78640.170510.1.3.047170 (fls. 2 a 5), vinculada ao PER/DCOMP nº 16069.02420.290410.1.3.043551, informa ser o crédito originado a partir do DARF, CSLL, código de receita 2484, com vencimento em 30/10/2009, no valor de R$ 69.914,11. A Autoridade administrativa, ao analisar a liquidez e certeza do crédito, identificou, através do Despacho Decisório (fls. 06), que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi utilizado para realização de um ou mais pagamentos, não restando créditos disponíveis para compensação dos débitos pleiteados. A DRJ, ao analisar as informações da manifestação de inconformidade e confrontar com as informações constantes nos sistemas da RFB, verificou o seguinte: a contribuinte apresentou, em 18/04/2008, a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2005 –, relativa ao anocalendário de 2004, onde consta, no período de Julho/2004, na FICHA 16 CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO MENSAL POR ESTIMATIVA , CSLL a pagar no valor apurado de R$ 8.962,03: a contribuinte apresentou, em 02/09/2008, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF Retificadora relativa a Julho/2004, onde consta no período CSLL cód. 2484 no valor apurado de R$ 8.962,03: Por essa razão, a contribuinte formalizou o Processo nº 10280.006088/200893 com pedido de parcelamento, por meio do qual quitou o débito de CSLL, cód. 2484, do período de apuração julho/2004, no valor originário de R$ 8.214,19 (mesmo valor informado na DCTF) Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10280.903082/201242 Acórdão n.º 1003000.365 S1C0T3 Fl. 5 4 O DARF no valor de R$ 69.914,11 também se encontra integralmente alocado no Processo nº 10280.006088/200893, conforme tela abaixo: Verificase, assim, que tanto a Impugnante quanto a Autoridade Fiscal somente se referiram ao Processo nº 10280.006088/2008 93, sendo justamente nesse processo onde se encontra vinculado o DARF no valor de R$ 69.914,11, recolhido em 30/10/2009. A Impugnante reconheceu a existência desse processo e não apresentou outros dados que supostamente caracterizassem pagamento em duplicidade de CSLL, cód. 2484, no período de apuração julho/2004. A Impugnante apenas se referiu a outro processo de parcelamento por meio da Lei nº 11.941/2009, mas não o especificou. Constatase, portanto, que a Autoridade Fiscal procedeu corretamente ao não reconhecer o direito creditório pleiteado. Assiste razão à DRJ. Não há nos autos informações ou provas que pudessem corroborar as alegações de pagamento em duplicidade realizado pela contribuinte. Pelas informações constantes no processo, o DARF está alocado no processo de nº 10280.006088/200893 e o parcelamento informado foi realizado para quitar o débito de CSLL do período. Não há outros documentos nos autos que suportem a alegação de pagamento em duplicidade. Ademais, todos os argumentos de defesa e as provas devem ser colacionadas na Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão do direito, nos moldes determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, art.16. No presente caso, nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário esclarecem como foi realizado o pagamento em duplicidade e nem traz documentos que possam corroborar a tese ventilada nas defesas. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10280.903082/201242 Acórdão n.º 1003000.365 S1C0T3 Fl. 6 5 O extrato do Processo de nº 10280903141/201282 e o DARF de recolhimento de CSLL do período de apuração 07/07/1980 acostados no Recurso Voluntário, desprovidos de outras informações que o integrem à demanda, não ajudam na solução da questão. A Lei nº 11.941/2009 alterou a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários e concedeu remissão nos casos em que especificados na citada norma. A Recorrente, contudo, não informou se estava enquadrada nos requisitos da Lei, nem juntou qualquer documento que comprovasse ter havido a remissão no caso concreto, fato que também não foi identificado pelas autoridades administrativas que instruíram o processo. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/REC. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13738.001007/2007-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 8. 00 10 07 /2 00 7- 51 Fl. 77DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, anocalendário de 2004, quando foram constatadas as seguintes irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, especialmente pela falta de detalhamento dos beneficiários (valor R$5.311,11), dedução Indevida de Dependentes (valor R$ 2.544,00), dedução Indevida de Despesas com Instrução ( valor R$ 1.998,00) e dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial (valor: R$ 23.600,00). O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação juntando toda a documentação possível para tentar evidenciar a efetividade das suas despesas. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes e documentos fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte foram suficientes para comprovar as despesas com pensão alimentícia bem como as despesas com instrução. Com relação a despesa com dependentes, não é possível utilizar esta dedução eis que os filhos do Contribuinte já são seus alimentados e estas despesas não são cumulativas. Com relação a despesas médicas, com plano de saúde, a DRJ mantece a glosa apenas por não ter o contribuinte juntado o detalhamento das despesas por beneficiário. Em sede de Recurso Voluntário, junta o contribuinte o detalhamento das despesas médicas, com plano de saúde, por beneficiário, esclarecendo totalmente a duvida levantada pela DRJ. Com relação a despesa com dependente, não foi mais objeto de questionamento em sede de Recurso, o que torna a matéria não mais litigiosa.. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13738.001007/200751 Acórdão n.º 2001000.981 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou despesa com plano de saúde, Unimed, no valor total de R$5.311,11 e a DRJ não tinha considerado como passível de dedução haja vista que não havia detalhamento de despesa por beneficiário. Ocorre que em sede de Recurso, juntou o contribuinte o extrato da Unimed NOVA FRIBURGO, no total de RS 5.845.62, onde constam os valores pagos individualmente pelo declarante no ano de 2004 em beneficio próprio e da senhora SONNIA MARIA SANTOS BRASIL (exesposa), HELENA DOS SANTOS BRASIL e HELLEN DOS SANTOS BRASIL (filhas), por força de DECISÃO JUDICIAL em audiência de 27/ l 1/2001, no JUÍZO DE DIREITO DA COMARCA DE NOVA FRIBURGO VARA DE FAMÍLIA, DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE, cuja cópia foi anexada. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. Fl. 79DF CARF MF 4 A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na prova documental do Recorrente, bem como sua postura colaborativa e visivelmente de boa fé, entendo, que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para serem acatadas as despesas médicas anteriormente glosadas. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas glosadas anteriormente. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13738.001007/200751 Acórdão n.º 2001000.981 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 17878.000148/2009-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 3201-004.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para não reconhecer o pagamento a maior e não homologar a declaração de compensação. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para não reconhecer o pagamento a maior e não homologar a declaração de compensação. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para não reconhecer o pagamento a maior e não homologar a declaração de compensação. Votou pelas conclusões o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 87 8. 00 01 48 /2 00 9- 74 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 256 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação da Declaração de Compensação nº 28264.45744.030505.1.3.04 9838, nos termos do Despacho Decisório (fls. 92/94) emitido em 16/04/2010 pela DRF de Volta Redonda/RJ. No aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 03/05/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 698.143,15, que corresponde à parcela do DARF recolhido em 14/03/2003, de PIS, código de receita 8109, no valor total de R$ 2.436.559,05. Segundo o Despacho Decisório recorrido, a interessada informou que: O presente crédito originouse de retificação na sistematização da apuração do débito de PIS, sem o trânsito pela sua escrita contábil, de valores em dinheiro recebidos mensalmente de sua matriz na França no inicio de suas operações no Brasil. Segundo ela, tais valores eram originalmente classificados na contabilidade como receitas financeiras, conforme orientação da própria matriz na França, integrando a base de cálculo do PIS e da COFINS, e que, em 2003, ao se perceber o equívoco naquela classificação contábil, procedeuse à apuração dos tributos recolhidos a maior. Relata que a interessada, apesar de intimada, não esclareceu, por meio de sua escrita contábil, a natureza dos valores recebidos mensalmente da matriz e nem especificou o montante mensal de cada remessa. Diz que ela apenas alegou que teria recebido de sua matriz valores que originalmente teriam sido escriturados como receita financeira, mas que posteriormente, em 2003, teriam sido remanejados para outra conta, sem qualquer registro na escrituração contábil, de modo que tais valores não comporiam a base de calculo do PIS e da Cofins. Informa que a manifestante não demonstrou como obteve o valor por ela indicado na DCTF retificadora que geraria o pagamento indevido. Conclui que, por falta de provas e pelo fato do procedimento adotado pela interessada não se coadunar com a sistemática de Fl. 256DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 257 3 restituição de pagamento indevido na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional, o crédito padece de certeza e liquidez. Cientificada em 28/04/2010, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 137/141, alegando, em síntese, o seguinte. Esclarece que o PIS é tributo sujeito ao lançamento por homologação, razão pela qual cabe ao sujeito passivo antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Aduz que retificou sua DCTF antes da ciência do despacho decisório, informando corretamente o tributo devido, de modo a evidenciar o pagamento indevido. Ressalta que o crédito foi verificado em virtude da reclassificação contábil dos valores recebidos de sua matriz no exterior, os quais deixaram de ser considerados como receitas financeiras, ocasionando o pagamento a maior. Entende que a retificação da DCTF é capaz, por si só, de evidenciar o pagamento indevido ou a maior. Protesta ainda pela posterior juntada da comprovação de sua escrita fiscal, de modo a provar o crédito pleiteado. Requer a reforma do despacho decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0660.372, sessão de 21/09/2017, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não homologou sua compensação. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera alegação do direito desacompanhada da escrituração contábil/fiscal do período não é suficiente para comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário (fls. 229/238), no qual vem renovar seus argumentos para reformar a decisão recorrida, reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a compensação declarada. É o relatório. Voto Fl. 257DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 258 4 Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. A irresignação suscitada em recurso voluntário referese à acusação pela autoridade fiscal da ausência de comprovação da origem do pagamento a maior do PIS, informado na DCTF original, que após retificações em 14/09/2004, 20/04/2005, 16/02/2007 e 26/03/2007, fez exsurgir um valor de pretenso crédito. A recorrente rechaça a conclusão do Fisco sob o argumento de que as DCTFs foram retificadas em data anterior à emissão do despacho decisório e, portanto, fazem prova dos requisitos da certeza e liquidez do crédito proveniente de pagamento de tributo maior que o devido. Aduz que as declarações retificadoras foram "aceitas" pelo Fisco; assim e por conseguinte, há de ser reconhecido a existência do crédito por pagamento a maior do PIS apurado. Colaciona decisões do CARF que entende validar tal raciocínio. Sustenta, ainda, que a decisão recorrida atentouse tão somente à questão formal das retificações e seus julgadores omitiramse de perquirir sobre a existência do direito creditório, faltando com seu dever de ofício, em desprezo ao Princípio da Verdade Material, de apurar todos os fatos que lhe foram apresentados. Traz doutrina e jurisprudência que alega corroborar esse entendimento. Como se vê, para a contribuinte, a transmissão de DCTF retificadora consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Essa tese não tem amparo legal e sequer é corroborado pela jurisprudência do CARF ou doutrina. Mister colacionar os dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 258DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 259 5 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Fl. 259DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 260 6 Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de sucessivas retificações de DCTFs (quatro, em verdade), com a redução do PIS devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular (conforme admite a contribuinte) e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da autoridade fiscal em não homologar a compensação declarada. Assim se manifestou a autoridade fiscal no despacho decisório (fls. 71/73): [...] Após a transmissão da DCTF original, a interessada transmitiu duas DCTF retificadoras do 1º Trimestre de 2003, em 14/09/2004 e 20/04/2005, nas quais manteve o valor original do débito apurado de PIS do período de apuração fevereiro/2003 (fls. 22 e 26). Entretanto, posteriormente à apresentação da declaração de compensação em comento, a interessada transmitiu duas novas DCTF retificadoras, em 16/02/2007 e 26/03/2007, nas quais reduziu o valor do saldo a pagar do PIS no referido período de apuração para R$ 1.883.748,32, na primeira, e para R$ 1.185.605,17, na segunda, o que originou o valor de R$ 1.250.953,88, a titulo de pagamento indevido ou a maior de PIS, do qual utilizou R$ 698.143,15 para compensar débitos seus (fls. 30 e 34, respectivamente). A interessada, conforme relatado, alega que o seu direito creditório teria se originado da retificação da forma de apuração do PIS, mais precisamente do estorno, sem o trânsito pela sua escrita contábil, de valores em dinheiro recebidos mensalmente da matriz na França que originalmente teriam sido escriturados como receita financeira. No caso, a interessada, apesar de intimada, não esclareceu, por meio de sua escrita contábil, a natureza desses valores em dinheiro recebidos mensalmente da matriz localizada na França, nem especificou o montante mensal de cada remessa. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 261 7 Apenas alegou que teria recebido de sua matriz na França valores que originalmente teriam sido escriturados como receita financeira, mas que posteriormente, em 2003, teriam sido remanejados para outra conta, sem qualquer registro na sua escrituração contábil, de modo que tais valores não mais comporiam a base de calculo do PIS e da COFINS, sem, contudo, demonstrar como obteve o valor por ela indicado na DCTF retificadora que geraria o crédito a titulo de pagamento indevido. Como se vê, a interessada não apresentou qualquer documentação contábilfiscal relativamente ao período de apuração em questão, em que demonstraria a recuperação desses valores da conta receita financeira, para reduzir o valor do saldo devedor do PIS daquele período de apuração para R$ 1.185.605,17, o que, por consequência, tornaria indevido uma parcela do pagamento efetuado, da qual utiliza uma parte para compensar débitos seus. [...] Em suma, apesar de intimada, a interessada não logrou comprovar, por meio de seus livros contábeisfiscais, quer por meio de seus livros obrigatórios quer por meio de seus livros auxiliares, como encontrou tal valor consolidado, nem como utilizou esse valor consolidado para reduzir o valor do saldo devedor originalmente apurado a titulo de PIS no período de apuração fevereiro/2003, de R$ 2.436.559,05, como informado na DCTF original, para R$ 1.185.605,17, conforme consta na sua DCTF retificadora, e, por conseqüência, que o valor da diferença teria sido pago indevidamente ou a maior. Dessa forma, alem de o procedimento adotado pela interessada não se coadunar com a sistemática da restituição de pagamento indevido na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional, o crédito por ela pleiteado padece de falta de certeza e liquidez. [...] Iniciado então o contencioso com a manifestação de inconformidade era dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Em sede de despacho decisório, a autoridade fiscal explicitou as razões do indeferimento do direito creditório e não homologação da compensação, pois o crédito padece de falta de certeza e liquidez. Nas peças de defesa (manifestação de inconformidade e recurso voluntário) nada acrescentou em matéria de prova, isto é, inexiste comprovação do indébito com suporte na escrituração contábil e fiscal da contribuinte. Os esclarecimentos prestados em sede de Fl. 261DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 262 8 auditoria da Dcomp para justificar o procedimento de estorno de valores recebidos de sua matriz e que "geraram" o crédito alegado estão à margem da escrituração contábil e sem qualquer lastro documental. Diante dessa circunstância não há reconhecimento de direito creditório decorrente de qualquer pagamento indevido ou a maior. Evidenciase que o recorrente não se preocupou, em momento algum, em apresentar os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal2, o PAF e o CPC. Quanto às alegações do dever da Administração perquirir acerca do direito creditório em face do princípio da verdade material, é de se esclarecer que tal princípio destina se à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Na situação dos autos em que a contribuinte alega um pretenso direito creditório incumbelhe a apresentação de todas os documentos e evidências destinados à sua comprovação. Destarte, não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, e sua compensação para extinção de crédito tributário, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. A busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Em matéria de comprovação do direito creditório pleiteado, o processo administrativo fiscal, conquanto admita flexibilização na apresentação de provas, não se coaduna com a inversão do ônus da prova, como pretende a contribuinte. Os precedentes do CARF trazidos pelo contribuinte, além de não lhes socorrer em sua tese, são firmes em explicitar que a declaração retificadora, com supedâneo no princípio da verdade material, é aceita quando restar demonstrado o que se alega com provas irrefutáveis. Transcrevo a ementa colacionada às folhas 236/237 do recurso: “NORMAS PROCESSUAIS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material se mostra apto a aceitar que a declaração comunicada à SRF não é desejada pela contribuinte, quando este demonstra, com provas irrefutáveis, ter siso outra a compensação efetivamente realizada. Realizada a retificação da DIPJ original, com a consequente alteração da DComp formulada, e desde que o contribuinte tenha logrado comprovar, cabalmente a origem e a liquidez de seu crédito, não há óbice legitimo à homologação da compensação. Prevalência dos princípios da economia processual e da verdade material. 2 Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 17878.000148/200974 Acórdão n.º 3201004.712 S3C2T1 Fl. 263 9 “COMPENSAÇÃO – ERRO NO PREENCHMENTO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração de compensação (DCOMP) e a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, sendo o crédito reconhecido e a compensação homologada." Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.730808/2013-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2008
INTIMAÇÃO. MEIO ELETRÔNICO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO. NÃO CONHECIDO.
Considera-se Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) a Caixa Postal atribuída ao contribuinte pela Administração Tributária e disponibilizada no e-CAC. A contribuinte cientificada por meio eletrônico na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.
IRPF. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
Numero da decisão: 2401-005.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2008 INTIMAÇÃO. MEIO ELETRÔNICO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO. NÃO CONHECIDO. Considera-se Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) a Caixa Postal atribuída ao contribuinte pela Administração Tributária e disponibilizada no e-CAC. A contribuinte cientificada por meio eletrônico na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. IRPF. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1642; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.730808/201344 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.923 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de dezembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SEI ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2008 INTIMAÇÃO. MEIO ELETRÔNICO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO. NÃO CONHECIDO. Considerase Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) a Caixa Postal atribuída ao contribuinte pela Administração Tributária e disponibilizada no eCAC. A contribuinte cientificada por meio eletrônico na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. IRPF. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 08 08 /2 01 3- 44 Fl. 818DF CARF MF Processo nº 15504.730808/201344 Acórdão n.º 2401005.923 S2C4T1 Fl. 3 2 Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório SEI ENGENHARIA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 17a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 1451.704/2014, às efls. 683/733, que julgou procedente o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias para outras entidades (terceiros), em relação ao período de 01/2008 a 12/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 12/24 e demais documentos que instruem o processo. Consoante Relatório Fiscal o lançamento foi efetivado para constituir créditos tributários relativos a contribuições previdenciárias sobre valores pagos pelo Contribuinte a prestadores de serviços, formalmente constituídos como pessoas jurídicas (doravante designadas apenas “PJ”), mas cujos serviços a Fiscalização caracterizou como realizados por pessoas físicas (doravante designadas como “PF”), com as quais considerou que o Contribuinte mantinha, na realidade, relação empregatícia, conforme relata a Fiscalização (não tendo sido os respectivos valores declarados em GFIP): 4.1.1 A SEI Engenharia Ltda, doravante denominada SEI Engenharia, contrata diversas pessoas físicas na forma de empresas (pessoas jurídicas), quando deveria registrálas como seus empregados de acordo com a legislação pertinente. 4.1.2 Constatouse que, a SEI Engenharia incorreu em uma sistemática irregular de contratação de diversos empregados – profissionais de áreas diversas. Esta pactuação se deu por meio de Contratos de Prestação de Serviços celebrados com aqueles profissionais figurando como empresários (sócios das pessoas jurídicas). Fl. 819DF CARF MF Processo nº 15504.730808/201344 Acórdão n.º 2401005.923 S2C4T1 Fl. 4 3 4.1.3 A relação de emprego foi atestada pela auditoria fiscal mediante análise de diversos elementos que identificaram os pressupostos de tal vínculo: prestação de serviço, pessoalidade, remuneração, nãoeventualidade e subordinação na forma como preceitua a Lei nº. 8.212/91 em seu Art. 12, inciso I, alínea “a”: (...). 4.1.10.2 Na ação fiscal e através dos elementos deste relatório, restou comprovado que a SEI Engenharia, contratou trabalhadores mediante remuneração, para realização dos serviços permanentes da empresa, com atribuições estabelecidas em contratos de prestação de serviços que importam em pessoalidade e subordinação no exercício das atividades, além de exigir o comprometimento profissional da pessoa física e não da pessoa jurídica. Quanto aos contratos de prestação de serviços firmados com as PJ, cujos sóciosgerentes foram considerados empregados do Contribuinte, a Fiscalização explana acerca da nãoeventualidade, da subordinação, da pessoalidade e da honerosidade. A Fiscalização acrescenta que, além da contratação de serviços diretamente relacionados com suas atividadesfim, o Contribuinte foi além: contratou PJ para realizar até mesmo serviços “de áreas típicas de uma organização empresarial: Gestão Financeira e Coordenação/Gestão de Contratos, dentre outros”, informando as PJ (Cosan Engenharia, para gestão de contratos e operações e Elo Consultoria e Projetos, para gestão financeira) e respectivas PF consideradas empregadas: João Henrique da Costa Santos e Angelo Lima. Finalmente, a Fiscalização informa que foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), para os devidos fins e efeitos legais. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto/SP entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 738/774, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as razões da impugnação, aduzindo ser ilegal a desconsideração das personalidades jurídicas das empresas que figuram como prestadoras de serviços, “bem como a alegação de suposta formação de grupo econômico”. Menciona manifestações doutrinárias e jurisprudência, defende que houve cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório, não sendo possível a decretação da desconsideração da personalidade jurídica da forma que foi realizada. Fl. 820DF CARF MF Processo nº 15504.730808/201344 Acórdão n.º 2401005.923 S2C4T1 Fl. 5 4 Defende que a Secretaria da Receita Federal do Brasil (doravante referido simplesmente como “RFB”) não tem competência para “reconhecer vínculos trabalhistas”, o que cabe exclusivamente à Justiça do Trabalho, desde que provocada pelo “jurisdicionado ou do MPT OU MTE”. Neste contexto, o lançamento fiscal somente deve se dar “após o reconhecimento da relação de emprego por juiz competente”. Trata dos elementos caracterizadores do vínculo empregatício: a) Trabalho realizado por pessoa física; b) prestação efetuada com pessoalidade pelo trabalhador; c) não eventualidade; d) subordinação; e) onerosidade, dissertando sobre cada um. Ressalva que não há nenhuma manifestação dos prestadores de serviços quanto à caracterização dos vínculos empregatícios. Insurgese quanto os valores lançados a título de juros e multa, que carecem de legalidade, além de implicar em violação a diversos princípios e dispositivos constitucionais, devendose, portanto, serem drasticamente reduzidos. Alfim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator ADMISSIBILIDADE Para conhecimento e analise do recurso voluntário, este deve obedecer o pressuposto de admissibilidade contido nos artigos 5° e 33 do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como se extraí dos dispositivos encimados, o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias. No presente caso, a intimação aconteceu por via eletrônica. Nesse caso, há normas específicas expressas no Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 821DF CARF MF Processo nº 15504.730808/201344 Acórdão n.º 2401005.923 S2C4T1 Fl. 6 5 (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013)(...) Depreendese da legislação encimada, em se tratando de intimação eletrônica, há, portanto, duas hipóteses principais: a) ou o contribuinte é intimado de forma ficta após 15 dias desde o registro da intimação no seu sistema eletrônico, ou b) ele acessa o sistema, é intimado e, a partir dali, o prazo começa a ser contado. Pois bem, o registro da intimação no sistema aconteceu em 15/10/2014, de acordo com o documento "Intimação de Resultado de Julgamento" à efl. 735. Em 16/10/2014, a contribuinte tomou ciência ao ter aberto os arquivos enviados, informação constante no "Termo de Abertura de Documento" (efl. 736), iniciandose o prazo recursal. Também consta dos autos o "Termo de Ciência por Decurso de Prazo" (efl 737), considerando a data da ciência em 30/10/2014. Conforme as datas relatadas, o recurso é intempestivo. A contribuinte foi cientificada do acórdão de impugnação em 16/10/2014, conforme Termo de Abertura de Documento, o prazo para a interposição se iniciou em 17/10/2014; portanto, seu termo final foi o dia 15/11/2014 (sábado), conseqüentemente dilatado para o dia 17/11/2014 (segundafeira). Entretanto o recurso foi protocolado em 10/12/2014, ou seja, após o prazo legal para interposição do recurso. Fl. 822DF CARF MF Processo nº 15504.730808/201344 Acórdão n.º 2401005.923 S2C4T1 Fl. 7 6 A título de elucidação, mesmo que considerássemos a intimação realizado por decurso de tempo em 30/10/2014, o recurso também não obedeceria o prazo legal. Assim, seja pela data de abertura ou pelo decurso de tempo, o recurso é intempestivo. Por todo o exposto, não preenchidos os pressupostos de admissibilidade, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO POR SER INTEMPESTIVO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 823DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.902606/2015-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 06 /2 01 5- 18 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2362, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 591.219,08. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de IRPJ a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902606/201518 Acórdão n.º 1301003.530 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 05/06/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 252DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902606/201518 Acórdão n.º 1301003.530 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 254DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.720960/2011-01
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 09 60 /2 01 1- 01 Fl. 248DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 138 a 143), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.535,22, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 154 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: O (A) contribuinte, cientificado(a) apresentou defesa (fls. 02) tempestiva, alegando em breve síntese que: apresenta novos recibos médicos com os requisitos estabelecidos pela legislação tributária e anexa extratos bancários da Caixa Econômica Federal (fls. 144/154), para comprovar a efetividade dos pagamentos das despesas médicas. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 15/01/2015, no acórdão 0365.607, às efls. 158 a 162, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 168 a 242, alegando, em síntese, que há provas suficientes nos autos que comprovam as despesas médicas, como recibos e declarações dos prestadores de serviços. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 05/02/2015, efls. 166, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 03/03/2015, efls. 168, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · Fábio Altem Carpi R$12.000,00; Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10850.720960/201101 Acórdão n.º 2002000.735 S2C0T2 Fl. 249 3 · Vanessa Carla da Costa R$5.000,00. A DRJ manteve a glosa sob os fundamentos abaixo narrados: Dessa forma, tendo em vista que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade fiscal e que estas não foram realizadas satisfatoriamente, concluise que a glosa objeto deste lançamento encontrase perfeitamente embasada. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 250DF CARF MF 4 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10850.720960/201101 Acórdão n.º 2002000.735 S2C0T2 Fl. 250 5 É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de Fl. 252DF CARF MF 6 comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10850.720960/201101 Acórdão n.º 2002000.735 S2C0T2 Fl. 251 7 seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Às efls. 172 a 175 há recibos emitidos pela profissional Vanessa Carla da Costa, no importe de R$5.000,00. Às efls. 179 a 181 há ficha de avaliação e evolução fisioterápica elaborada pela fisioterapeuta. Ainda, às efls. 14 há declaração confirmando os serviços prestados. Às efls. 176 a 178 há recibos de Fábio Altem Carpi que somam R$12.000,00. Ainda, Às efls. 10 há declaração do profissional ratificando a prestação de serviços. Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto à comprovação das despesas médicas em litígio. Extraise da Notificação de Lançamento (efls. 06/07) que a autoridade fiscal procedeu à glosa das despesas declaradas para Fábio Altem Carpi e Vanessa Carla da Costa por não ter o contribuinte, devidamente intimado, comprovado o seu efetivo pagamento. A decisão de primeira instância manteve a glosa efetuada, corroborando as razões expostas pela fiscalização conforme trecho a seguir reproduzido (efls. 161): Em sua impugnação, o contribuinte anexa recibos das despesas glosadas e extratos bancários referentes ao anocalendário de 2009, no intuito de comprovar a liquidez para promover pagamentos em moeda corrente do país. Contudo, os documentos apresentados não são suficientes para demonstrar o efetivo pagamento, requisito solicitado pela autoridade fiscal. Não é possível concluir que os saques em conta apresentados nos extratos bancários referemse às despesas declaradas, pois, da análise dos extratos bancários e dos recibos médicos apresentados, não é possível fazer o confronto entre os referidos saques com os recibos apresentados (datas e valores). Fl. 254DF CARF MF 8 Ademais, o contribuinte não apresentou nenhuma planilha relacionando quais saques teriam sido utilizados para os recibos apresentados, limitandose a juntar seu extrato bancário. Ressaltese que, ainda que o montante global dos saques tenha sido superior ao valor das despesas declaradas, os pagamentos propriamente ditos não restaram comprovados. A disponibilidade financeira, por si só, não comprova o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas. Tal comprovação requer a coincidência de datas e valores, e o impugnante não logrou êxito em fazer a vinculação entre as despesas realizadas e os saques efetuados. Em seu Recurso Voluntário o interessado apresenta cópias de extratos bancários sem apontar qualquer correspondência de datas e valores entre as movimentações realizadas e os recibos de despesas médicas já apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressaltese que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10850.720960/201101 Acórdão n.º 2002000.735 S2C0T2 Fl. 252 9 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o recorrente tenha feito seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, como exposto no acórdão de primeira instância, cabia a ele demonstrar a correspondência de datas e valores entre os saques efetuados em sua conta e os recibos apresentados, o que não ocorreu no presente caso. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 256DF CARF MF
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