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Numero do processo: 10880.903040/2012-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/07/2002
REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62-A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/07/2002
BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. EXCLUSÃO DO ICMS. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto em virtude de operações ou prestações próprias compõe o preço da mercadoria e, logo, o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.632
Decisão: Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, e Tiago Guerra Machado, em afastar a proposta, presente na parte inicial do voto do relator, de sobrestar o julgamento de mérito até o trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário (RE) n. 574.706. Por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge DOliveira e André Henrique Lemos, ambos defendendo a exclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas este em função da notoriedade da decisão proferida pela Suprema Corte no citado RE.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/07/2002 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62-A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/07/2002 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. EXCLUSÃO DO ICMS. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto em virtude de operações ou prestações próprias compõe o preço da mercadoria e, logo, o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno. Recurso Voluntário Negado.
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RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2002 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. EXCLUSÃO DO ICMS. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto em virtude de operações ou prestações próprias compõe o preço da mercadoria e, logo, o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, e Tiago Guerra Machado, em afastar a proposta, presente na parte inicial do voto do relator, de sobrestar o julgamento de mérito até o trânsito em julgado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 30 40 /2 01 2- 42 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 3 2 da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário (RE) n. 574.706. Por maioria de votos, negouse provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D’Oliveira e André Henrique Lemos, ambos defendendo a exclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas este em função da notoriedade da decisão proferida pela Suprema Corte no citado RE. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl e André Henrique Lemos. Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, apurou incorretamente a contribuição ao PIS, pois efetuou o recolhimento sobre o ICMS, cujos valores não compõem a base de cálculo das contribuições sociais, o que resultou em recolhimento indevido com base no art. 165 do Código Tributário Nacional; (ii) não procedeu à retificação de suas declarações (DIPJ e DCTF) para que restasse evidenciado o pagamento indevido, o que levou a autoridade fiscal a não constatar o recolhimento a maior; (iii) o mero erro de preenchimento da DCTF não possui o efeito de constituir a obrigação tributária, devendo a Administração, em prestígio à verdade material, rever de ofício os erros formais quando constatados. Foi proferido Acórdão DRJ nº 14053.271, julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2002 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 4 3 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade do despacho decisório só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitase a alegação de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada à existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo, no domicílio fiscal eleito por ele. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos.Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. PIS. COFINS. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS e COFINS. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 5 4 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.627 de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.903037/201229, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, (Acórdão 3401003.627): "7. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 8. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, que a DCTF é um instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, em conformidade com o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a obrigação acessória em referência. Desta forma, quando da transmissão da PER/DComp, diante da inexistência do crédito em virtude de o pagamento estar integralmente alocado ao débito, não houve outra possibilidade à autoridade fiscal senão indeferir o pleito formulado. 9. Contudo, ainda que transposto tal obstáculo, e ainda que se compreenda que a DCTF apresentada com erro jamais poderá afastar a existência de pagamento indevido, justamente por não guardar entre seus predicados o condão de definir o conteúdo material e quantitativo do fato gerador, cabendolhe unicamente refletir a obrigação tributária, declarandoa, e não criála, ainda que constitua o crédito correspondente, há de se perquirir a questão de fundo que fundamentou a pretensão da contribuinte: a possibilidade ou não da exclusão dos valores correspondentes ao ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS. 1 Da necessidade do sobrestamento do presente feito (...)1 Nada obstante as bem lançadas razões do eminente Cons. Relator, peço vênia para dele divergir quanto à proposta de sobrestamento deste processo administrativo, a fim de se aguardar a publicação da decisão exarada no RE nº 574.706RG, que fixou a tese consoante a qual o ICMS não compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins. Nesse passo, a remissão ao RE nº 566.622/RS, como paradigma da providência indicada, a meu sentir, não serve ao caso dos autos, haja vista que naquela situação, como destacado pelo próprio Relator, houve ordem expressa do Min. Marco Aurélio, a pedido de parte interessada, para que o presidente do CARF suspendesse o curso de todos os processos administrativos que versassem sobre a matéria discutida no recurso extraordinário, o que inocorre em relação ao RE 574.706RG, não podendo serlhe estendido os efeitos daquele por analogia. 1 Não foi transcrita a parte do voto do relator do paradigma que tratou do sobrestamento por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tão somente, o entendimento que prevaleceu sobre a questão. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 6 5 Respeitante às disposições do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015, arts. 927 e 928), não é demais lembrar que sua admissão no processo contencioso administrativo se faz de maneira subsidiária, acaso inexistente norma que regule a questão processual. No caso vertente, a possibilidade de sobrestamento dos processos administrativos, ante o reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, encontrava expressa previsão no art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, incluído pela Portaria MF nº 586/2010, verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” (destacado) Aludida previsão de sobrestamento, no entanto, foi posteriormente revogada pela Portaria MF 545, de 18/11/2013: “Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.” Com o advento da Portaria MF nº 343/2015, que veiculou o novo regimento interno do sodalício, não foi reproduzido o instituto, o que demonstra a opção por não acolher, nesse ponto, as determinações do Código de Processo Civil, de modo que a sua reimplantação significaria, por via oblíqua, repristinálo na contramão das disposições e alterações regimentais havidas ao longo do tempo. A ausência de referência ao sobrestamento, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema, não denota omissão regimental, como pode parecer, mas intenção deliberada de não adotar a providência em sede administrativa, o que implica no necessário julgamento do processo no estado em que se encontra, à luz da legislação e jurisprudência vinculante vigentes nessa ocasião. Oportuno destacar que a observância obrigatória das decisões prolatadas pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ex vi do art. 62 do RICARF/15, somente é exigível após o respectivo trânsito em julgado, consoante inteligência do art. 1.040, caput, do CPC (Lei nº Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 7 6 13.105/15) e art. 28 da Lei nº 9.868/99, o que não ocorre com o RE 574.706RG, cuja decisão plenária sequer foi publicada e ainda sujeita a recursos. Com essas considerações, voto por não acolher o sobrestamento proposto. ... 2. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS 20. Uma vez não acolhida a proposta de resolução deste relator, em conformidade com o resultado do julgamento registrado em ata, passa se ao exame do mérito. 21. Excelentes argumentos militam em favor das contribuintes no sentido da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, entre os quais se destacam: (i) a existência de destaque do ICMS que torna possível se aferir o montante exato que se inclui na base de cálculo das contribuições, (ii) a existência de repercussão jurídica, no sentido de que o imposto se materializa em um valor repassado juridicamente à contribuinte tendo como destino os cofres públicos, o que implica a ideia de mera transferência ou repercussão, (iii) configuração de situação nãoisonômica, uma vez que contribuintes que exercem a mesma atividade passam a ser tratados desigualmente a depender da alíquota aplicável de ICMS. 22. Entendemos, contudo, que o ICMS integra o valor final da operação de venda e compra, e a chamada "incidência por dentro" não é vedada, salvo nos casos específicos previstos pela legislação. Assim, não há vedação genérica para que um tributo inclua outro, ou até mesmo ele próprio, em sua base de cálculo, e este é o caso do IPI ao incidir sobre o ICMS ou do ICMS, ao incidir não apenas sobre o próprio ICMS, como também sobre o IPI. Tal circularidade em nada destoa das normas de regência do sistema tributário nacional: a incidência por dentro convive em igualdade de condições com a incidência por fora, como ocorre no caso da CSL, hipótese em que se verifica a exclusão do tributo da sua base de cálculo. Há de se destacar, ainda, que a Lei nº 10.637/2002 (arts. 1o ao 11) e a Lei nº 10.833/2003 (arts. 1o ao 16) não contemplam a hipótese da exclusão do ICMS incluído no preço de venda. Destacase trecho do voto do Ministro Gilmar Mendes para subsidiar a argumentação do presente voto: "(...) a COFINS não incide sobre a renda, sobre o incremento patrimonial líquido, que considera custos e demais gastos que viabilizaram a operação (como o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro), mas sobre o produto das operações (antes da EC 20/1998: as operações restringiamse a vendas e prestações de serviços), da mesma maneira que outros tributos como o ICMS e o ISS. Com efeito, a imposição sobre o produto de vendas e prestação de serviços como ocorre com a COFINS, o ICMS e o ISS cuida de tributo real (Objektsteuer), que não exige a observação das circunstâncias pessoais do contribuinte (...). Logo, a receita bruta (faturamento, produto das operações) em oposição à receita líquida compreende a importância total recebida pelo contribuinte sem exclusão a priori de quaisquer componentes independentemente de sua destinação ou natureza como margem de lucro, custos diretos, custos indiretos ou ônus tributário. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 8 7 Ora, se a importância correspondente ao ICMS integra o valor da operação final, na linha do decidido pelo Plenário no RE 212.209/RS, constitui também produto da venda ou da prestação de serviço e faturamento do contribuinte, da mesma maneira que os outros fatores do preço das mercadorias e serviços. Em outras palavras, o montante relativo ao ICMS incorporase ao preço, de forma que é pago pelo comprador e é recebido pelo vendedor ou pelo prestador de serviço, ingressando em seu domínio, em consequência da respectiva operação. Em se tratando de tributos reais, como a COFINS, a exclusão de qualquer fator que componha seu objeto na espécie, o produto da operação, deve ser expressamente prevista , seja por meio de imunidade, como no art. 155, § 2º, XI, da Carta Magna que retira o montante do IPI da base de cálculo do ICMS; seja por meio de isenção, como disposto no art2º, parágrafo único, da Lei Complementar 70/1991, que excepciona o valor correspondente ao IPI da base de cálculo da COFINS. De fato, as expressões faturamento e receita bruta, por si só, não distinguem quaisquer ingressos operacionais percebidos nem excluem de antemão qualquer elemento do resultado da operação. Portanto, montante subtraído do resultado das operações, a qualquer título, é exceção à base de cálculo e depende de previsão legal. Interpretação diversa entenderia como inócuos os citados arts. 155, § 2º, XI, a Carta Magna e 2º, parágrafo único, da LC 70/1991, o que não é razoável. (...) Com efeito, se excluída da base de cálculo da COFINS a importância correspondente ao ICMS, questiono: por que não retirar o valor do ISS, do Imposto de Renda, do Imposto de Importação, do Imposto de Exportação, das taxas de fiscalização, da taxa do IBAMA, do PIS, além da própria COFINS? Obviamente, o simples fato de fundarse em ônus tributário não desqualifica a parte do preço como receita bruta. Além disso, também não impressiona o argumento de que o valor do ICMS seja destinado não ao contribuinte, mas ao estado federado. De fato, é necessário dissociar o preço das mercadorias e serviços, ou seja, o quantum entregue pelo comprador e recebido pelo vendedor, das obrigações decorrentes e atreladas à operação. Caso contrário, também as comissões de intermediários, a participação dos empregados, royalties, licenças, direitos autorais, seguro, frete, despesas aduaneiras, além de tarifas de crédito, por exemplo, também deveriam ser subtraídas do resultado. Na verdade, o acolhimento do entendimento da recorrente abrirá diversas fragilidades no sistema da COFINS, criando outro tributo pautado pelas circunstâncias pessoais do contribuinte e de cada parcela que integra o resultado das operações. Indevidamente, passase a tratar a presente contribuição como tributo pessoal, aproximandoa de tributo sobre a renda ou sobre o lucro. Rigorosamente, os fundamentos aqui apresentados para excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS poderiam também ser aplicados para afastar diversos custos que viabilizam as operações de compra e venda e de prestação de serviço, sejam de natureza tributária, sejam de natureza civil. Ainda que transferido apenas temporariamente ao contribuinte, qualquer parcela do valor do preço das vendas e dos serviços (após a EC Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 9 8 20/1998, também outras operações) irrefutavelmente faz parte do faturamento. De fato, após a entrega do numerário, o contribuinte dispõe dela da forma que entender conveniente: utilizando para quitar outros débitos que vencem primeiro, movimentando como capital de giro até a apuração, investindo em aplicações financeiras, etc. Repitase que a COFINS cuida de tributação sobre o faturamento, a receita bruta, o produto das vendas, não de imposição sobre a renda ou o lucro. O fundamento ou a destinação final do quantum não é relevante para a base de cálculo da COFINS, apenas o recebimento pelo contribuinte no curso de suas atividades. (...) Em primeiro lugar, conforme já destacado, esta Corte reconheceu no RE 212.209/RS, Redator para o acórdão Min. Nelson Jobim, DJ 14.2.2003, que o quantum referente ao ICMS compõe o valor da operação e, por isso, também está incluído, como outros custos de viabilização, em sua própria base de cálculo . Consequentemente, o destaque do ICMS é apenas para controle fiscal, não para diferenciar a natureza da parcela. Em segundo lugar, frisese que o ICMS não funciona como imposto retido. De fato, o ICMS não é recolhido automaticamente com a ocorrência da operação, mas é recebido pelo vendedor, que o integra ao seu caixa, ao seu patrimônio e, apenas ao término do período de apuração, repassao ao Estado federado, depois de considerada a compensação de créditos. Em terceiro lugar, é importante destacar que nem sempre a totalidade do valor correspondente ao ICMS recebido pelo contribuinte será repassado ao Estado , seja porque em muitos casos há crédito de operações anteriores a serem considerados, consoante o princípio da não cumulatividade, seja porque o fenômeno da substituição tributária pode ter exigido antes o recolhimento do tributo" (seleção e grifos nossos). 23. Logo, insubsistente é o crédito, pois amparado em concepção equivocada do vocábulo "receita": o ICMS, pelos motivos acima dispostos, integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. 24. De toda sorte, diante da inexistência de amparo legal que fundamente a pretensão da contribuinte, ou tampouco de decisão judicial (norma individual e concreta) que a lastreie, o que se observa é que, no momento da transmissão da PER/DComp, a recorrente não apenas não procedeu à retificação de seus registros contábeis e fiscais, como tampouco comprovou o erro que fundamentaria a oportuna retificação da declaração, não restando, portanto, saldo de crédito de tributo indevido a compensar no momento do encontro de contas, o que milita em favor da correção do despacho decisório que não homologou o pleito formulado. 25. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.903040/201242 Acórdão n.º 3401003.632 S3C4T1 Fl. 10 9 ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".2 26. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 27. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da inexistência de crédito a compensar. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator 2 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 138DF CARF MF
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Numero do processo: 13854.000019/2005-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3301-003.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS. Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 19 /2 00 5- 70 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13854.000019/200570 Acórdão n.º 3301003.906 S3C3T1 Fl. 189 2 Relatório Foram opostos embargos de declaração em face do Acórdão n° 3801 004.608, datado de 11 de novembro de 2014, cujo relatório reproduzo, para fins de economia processual: "Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. 'A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à Contribuição para o PIS/Pasep, não cumulativo, do mês de junho de 2004, apurado de conformidade com o § 1º, do artigo 5°, da Lei n° 10.637/2002, que após a dedução devida, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$47.929,52. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio da Informação Fiscal ( fls 79/85), constatou créditos indevidos de bens que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; procedeu ao rateio proporcional, por não encontrar sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; receita de álcool para fins carburantes e despesas indevidas de depreciação de máquinas e equipamentos. O Auditor fiscal juntou à informação fiscal, além da cópia do DACON entregue pela empresa via internet (fls. 42/46) e cópia parcial dos balancetes mensais analíticos contábil (fl. 47), os seguintes demonstrativos: I Demonstrativo de Apuração da Proporcionalidade entre as Vendas de Álcool para Fins Carburantes e as Receitas de Vendas no Mercado Interno e Externo (fl. 72); II Demonstrativo de Apuração do Crédito da Contribuição para o PIS não Cumulativa (fl. 73); III Demonstrativo de Apuração do Débito da Contribuição para o PIS não Cumulativa (fl. 74); IV Demonstrativo de Apuração da Contribuição Devida a Contribuição para o PIS não Cumulativa (fl. 75); V Demonstrativo Mensal de Vendas Equiparadas à Exportação (fl.49/50). VI – Demonstrativo de Receitas de Exportação de Produtos de Fabricação Própria (fls. 49/51) Por fim, foi reconhecido o crédito de R$ R$ 42.751,70, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fls. 86/87, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 98/107. Preliminarmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e alega cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista que “referida informação fiscal Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13854.000019/200570 Acórdão n.º 3301003.906 S3C3T1 Fl. 190 3 faltalhe especificações fáticas, no sentido de demonstrar a conduta adotada pelo fiscal e de como se chegou aos resultados informados, faltandolhes substâncias.” Na mesma esteira, alega “ausência de elementos substanciosos” na apuração das despesas de depreciação de máquinas e equipamentos e na glosa de insumos. No mérito, a contribuinte afirma que tem direito ao regime não cumulativo quanto ao álcool comercializado no mercado interno e externo e tem direito ao crédito de todos os insumos, inclusive canadeaçúcar, por estarem inseridos no artigo 149 da Constituição Federal. Sustenta que os créditos de canadeaçúcar adquiridas de pessoa física e jurídica são devidos, e que as normas consideradas pelo Auditor fiscal, inclusive a IN SRF nº 660/2006, são ilegais e inconstitucionais, por ferirem o “princípio da irretroatividade”. Por fim, pede o deferimento da manifestação de inconformidade.' A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: 'Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime não cumulativo de apuração. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13854.000019/200570 Acórdão n.º 3301003.906 S3C3T1 Fl. 191 4 A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.' Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação, acrescentando que houve cerceamento do direito de defesa, pois, a DRJ não apreciou argumento de que a fiscalização não discriminou os insumos, máquinas e equipamentos glosados na apuração dos créditos. Apresenta também argumentos quanto à variação cambial, depreciação, aquisições de pessoas físicas e jurídicas referentes à atividade agropastoril. É o relatório." A 1° Turma Especial do CARF negou provimento ao recurso voluntário. Assim foram redigidos os Acórdão n° 3801004.608 (fls. 180 a 200) e dispositivo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que apreciou matéria que no recurso voluntário afirmase não apreciada. NÃO CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não cumulativo de apuração. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13854.000019/200570 Acórdão n.º 3301003.906 S3C3T1 Fl. 192 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; II) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator." Foram opostos embargos de declaração (fls. 177 a 201), em face do acima colacionado Acórdão n° 3801004.608 (fls. 151 a 167), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF (fls. 185 e 186), em razão de a turma do CARF ter supostamente deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro de créditos de PIS no mês de junho de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13854.000019/200570 Acórdão n.º 3301003.906 S3C3T1 Fl. 193 6 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Foram opostos embargos de declaração (fls. 177 a 201), em face do Acórdão n° 3801004.607 (fls. 151 a 167), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF. De acordo com o Despacho de Admissibilidade (fls. 185 e 186), a respectiva turma do CARF teria deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que supostamente legitimariam o registro de créditos de PIS no mês de junho de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". Nos embargos de declaração, o contribuinte trouxe sua leitura acerca da legislação, doutrina e decisões administrativas e judiciais que abordam a controvérsia acerca do conceito de insumos, apontando como omissão a falta de análise documentos concernentes a custos com combustíveis e lubrificantes e depreciação de bens do ativo fixo. Não aponta, todavia, as parcelas que não teriam sido admitidas nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS. Reproduzo trecho da parte final dos embargos: "(. . .) No recurso voluntário, em sede de preliminar, a embargante demonstrou contrariedade em relação à suposta falta de clareza acerca das glosas de créditos e dos valores calculados pela fiscalização e indicados nos demonstrativos de cálculo (fls. 49 a 75) que acompanham a Informação Fiscal (fls. 76 a 82) e o Despacho Decisório (fls. 83 e 84). Adicionalmente, enfrentou, apenas no plano conceitual, os critérios de rateio, o conceito de insumos adotado pelo Fisco e, especificamente, a legitimidade dos créditos calculados sobre óleos e lubrificantes e depreciação de máquinas e equipamentos. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13854.000019/200570 Acórdão n.º 3301003.906 S3C3T1 Fl. 194 7 O colegiado do CARF, por unanimidade, negou provimento à preliminar. Basicamente, concluiu que os demonstrativos elaborados pela fiscalização permitiam o pleno conhecimento do resultado da ação fiscal e, por conseguinte, o exercício dos direitos à ampla defesa e ao contraditório. Também enfrentou as discussões de mérito. Negou provimento a todos os tópicos. Contudo, nos concernentes a óleos e lubrificantes e depreciação, admitiu que, em princípio, os argumentos procediam, mas tinha de negar provimento, pois não haviam sido indicados os valores glosados. De pronto, consigno que não identifiquei qualquer vício de omissão no ora embargado Acórdão n° 3801004.608. De início, compulsei os autos, para consultar os documentos apresentados pela embargante, que alega não terem sido analisados pelo colegiado que proferiu o acórdão embargado, e os cálculos da fiscalização. E, em seguida, debruceime sobre o teor da decisão. Nos demonstrativos dos cálculos dos créditos, a fiscalização criou uma coluna titulada "Valor Ajustado", na qual indicou os produtos de seus cálculos para cada um dos valores indicados pela embargante nos quadros de apuração de créditos constante do correspondente Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). E carreou aos autos demonstrativos complementares, nos quais detalhou os critérios de apuração e listou todos os insumos, serviços e bens que extraiu dos documentos fornecidos pela embargante. Se aplicada uma leitura atenta dos autos, depreendese, sem maiores esforços, os critérios adotados pela fiscalização, inclusive quais insumos admitiu nas bases de cálculo. E o resultado de minha consulta aos autos apenas confirma os argumentos utilizados pelo colegiado do CARF para negar a preliminar de nulidade o contribuinte aduziu que houvera falta de indicação dos erros cometidos na apuração dos créditos dos quais extraio o seguinte excerto: "Acrescento que a análise dos demonstrativos elaborados pela autoridade fiscal em conjunto com as relações de notas fiscais e documentos da própria contribuinte permitem o exercício da ampla defesa e do contraditório." (fl. 155) O trecho do recurso voluntário, por si só, já traz evidência de que todos os documentos apresentados pelo contribuinte e os cálculos do Fisco foram revisados pelo colegiado que proferiu o Acórdão n° 3801004.608, mesmo que estes últimos não tenham sido objetivamente contestados pela embargante. E, a meu ver, este elemento já seria suficiente para rejeitar os embargos. Contudo, estendome um pouco mais, com o objetivo de robustecer meu posicionamento. Com a devida vênia, pareceme que a embargante não perscrutou os demonstrativos de cálculo preparados pela fiscalização, com o fito de compreendêlos e, assim, enfrentálos plenamente. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13854.000019/200570 Acórdão n.º 3301003.906 S3C3T1 Fl. 195 8 Pelo contrário, na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, optou por oferecer argumentos gerais e, nos embargos, acusar omissão do colegiado do CARF, talvez esperando que os julgadores complementassem o trabalho de defesa. Não há uma única indicação de valor, nota fiscal ou folha do processo, em que constem os insumos ou custos com depreciação supostamente não computados pela fiscalização. Em suma, a embargante apresentou tão somente contestações sobre os conceitos aplicados pela fiscalização e todas foram devidamente enfrentadas. Portanto, concluo o colegiado que proferiu o Acórdão n° 3801004.608 não cometeu omissão alguma, motivo pelo qual proponho a rejeição dos presentes embargos de declaração. É como voto. Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900657/2012-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 57 /2 01 2- 90 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900657/201290 Acórdão n.º 1302002.188 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900657/201290 Acórdão n.º 1302002.188 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900657/201290 Acórdão n.º 1302002.188 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721316/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2011
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE PLANOS DIFERENCIADOS ENTRE OS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE.
A discrepância de valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados, em função do cargo do trabalhador e da área que atua é motivo insuficiente para desqualificar a natureza dos pagamentos realizados. Segundo a lei de regência, não há óbice que se estabeleçam metas e critérios diferenciados segundo a faixa salarial do empregado, considerando o cargo ocupado ou a função desempenhada pelo trabalhador, valorizando-se, desse modo, o papel do colaborador na empresa.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO.
Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. A clareza e objetividade destinam-se, precipuamente, à necessidade de compreensão dos termos ajustados pelas partes envolvidas, e não à fiscalização tributária. Por isso, via de regra é inviável que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação limite-se ao plano abstrato dos acordos celebrados, devendo aprofundar-se no conhecimento da própria execução dos programas de participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa.
Não há imposição da disciplina integral do programa de participação nos lucros ou resultados no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, admitindo-se o detalhamento, como mecanismo para viabilizar a operacionalização do regramento, em documentos apartados, desde que mantida a harmonia com as regras gerais.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PRAZO PARA ASSINATURA DO AJUSTE ENTRE AS PARTES. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE DE FLEXIBILIZAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO.
É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados.
No caso sob exame, os acordos coletivos foram assinados nos meses de junho ou setembro do ano-calendário de apuração, não restando comprovado nos autos o início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura do acordo, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade, o que impõe considerar os instrumentos de negociação em desconformidade com os preceitos legais relativos à matéria.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM VALORES DESPROPORCIONAIS ENTRE OS EMPREGADOS DA EMPRESA. PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO ANUAL.
A Lei nº 10.101, de 2000, não contemplou a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou um valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins tributários, na hipótese de demonstração pela fiscalização da sua utilização como substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado, ou quando em desacordo com as próprias regras estabelecidas pelo Programa de Participação nos Lucros ou Resultados.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS.
Não há óbice na lei de regência ao pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados mediante dois planos distintos, tais como convenção e acordo coletivo. Nada obstante, é obrigatória a compatibilização entre os instrumentos coletivos de negociação para a realização dos pagamentos a um mesmo segurado em frequência igual ou superior ao prazo legalmente estipulado e, no máximo, duas vezes no mesmo ano civil, sob pena de incidência da tributação sobre os valores pagos.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA.
A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus segurados empregados. A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, ainda que nos termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
AVISO PRÉVIO INDENIZADO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.230.957/RS. SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. MATÉRIA DE NATUREZA INFRACONSTITUCIONAL.
É de índole infraconstitucional a controvérsia sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado. A decisão de mérito no Recurso Especial nº 1.230.957/RS, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática dos recursos repetitivos, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Escapam à incidência da contribuição previdenciária os valores que são pagos a título de aviso prévio indenizado, dada a ausência de natureza salarial.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
Numero da decisão: 2401-004.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para excluir o levantamento "A2" relativo a aviso prévio indenizado. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento em maior extensão para excluir os dois primeiros pagamentos a título de PLR de empregados, o PLR pago a diretores e os juros sobre a multa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para excluir o levantamento "A2" relativo a aviso prévio indenizado. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento em maior extensão para excluir os dois primeiros pagamentos a título de PLR de empregados, o PLR pago a diretores e os juros sobre a multa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2011 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE PLANOS DIFERENCIADOS ENTRE OS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. A discrepância de valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados, em função do cargo do trabalhador e da área que atua é motivo insuficiente para desqualificar a natureza dos pagamentos realizados. Segundo a lei de regência, não há óbice que se estabeleçam metas e critérios diferenciados segundo a faixa salarial do empregado, considerando o cargo ocupado ou a função desempenhada pelo trabalhador, valorizando-se, desse modo, o papel do colaborador na empresa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. A clareza e objetividade destinam-se, precipuamente, à necessidade de compreensão dos termos ajustados pelas partes envolvidas, e não à fiscalização tributária. Por isso, via de regra é inviável que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação limite-se ao plano abstrato dos acordos celebrados, devendo aprofundar-se no conhecimento da própria execução dos programas de participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa. Não há imposição da disciplina integral do programa de participação nos lucros ou resultados no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, admitindo-se o detalhamento, como mecanismo para viabilizar a operacionalização do regramento, em documentos apartados, desde que mantida a harmonia com as regras gerais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PRAZO PARA ASSINATURA DO AJUSTE ENTRE AS PARTES. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE DE FLEXIBILIZAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados. No caso sob exame, os acordos coletivos foram assinados nos meses de junho ou setembro do ano-calendário de apuração, não restando comprovado nos autos o início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura do acordo, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade, o que impõe considerar os instrumentos de negociação em desconformidade com os preceitos legais relativos à matéria. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM VALORES DESPROPORCIONAIS ENTRE OS EMPREGADOS DA EMPRESA. PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO ANUAL. A Lei nº 10.101, de 2000, não contemplou a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou um valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins tributários, na hipótese de demonstração pela fiscalização da sua utilização como substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado, ou quando em desacordo com as próprias regras estabelecidas pelo Programa de Participação nos Lucros ou Resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS. Não há óbice na lei de regência ao pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados mediante dois planos distintos, tais como convenção e acordo coletivo. Nada obstante, é obrigatória a compatibilização entre os instrumentos coletivos de negociação para a realização dos pagamentos a um mesmo segurado em frequência igual ou superior ao prazo legalmente estipulado e, no máximo, duas vezes no mesmo ano civil, sob pena de incidência da tributação sobre os valores pagos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA. A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus segurados empregados. A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, ainda que nos termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.230.957/RS. SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. MATÉRIA DE NATUREZA INFRACONSTITUCIONAL. É de índole infraconstitucional a controvérsia sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado. A decisão de mérito no Recurso Especial nº 1.230.957/RS, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática dos recursos repetitivos, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Escapam à incidência da contribuição previdenciária os valores que são pagos a título de aviso prévio indenizado, dada a ausência de natureza salarial. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2011 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE PLANOS DIFERENCIADOS ENTRE OS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. A discrepância de valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados, em função do cargo do trabalhador e da área que atua é motivo insuficiente para desqualificar a natureza dos pagamentos realizados. Segundo a lei de regência, não há óbice que se estabeleçam metas e critérios diferenciados segundo a faixa salarial do empregado, considerando o cargo ocupado ou a função desempenhada pelo trabalhador, valorizandose, desse modo, o papel do colaborador na empresa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS NO ACORDO. Por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da participação nos lucros ou resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. A clareza e objetividade destinamse, precipuamente, à necessidade de compreensão dos termos ajustados pelas partes envolvidas, e não à fiscalização tributária. Por isso, via de regra é inviável que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação limitese ao plano abstrato dos acordos celebrados, devendo aprofundarse no conhecimento da própria execução dos programas de participação nos lucros ou resultados no âmbito da empresa. Não há imposição da disciplina integral do programa de participação nos lucros ou resultados no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, admitindose o detalhamento, como mecanismo para viabilizar a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 16 /2 01 3- 19 Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.065 2 operacionalização do regramento, em documentos apartados, desde que mantida a harmonia com as regras gerais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PRAZO PARA ASSINATURA DO AJUSTE ENTRE AS PARTES. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE DE FLEXIBILIZAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados. No caso sob exame, os acordos coletivos foram assinados nos meses de junho ou setembro do anocalendário de apuração, não restando comprovado nos autos o início das negociações sindicais em momento anterior à assinatura do acordo, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade, o que impõe considerar os instrumentos de negociação em desconformidade com os preceitos legais relativos à matéria. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM VALORES DESPROPORCIONAIS ENTRE OS EMPREGADOS DA EMPRESA. PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO ANUAL. A Lei nº 10.101, de 2000, não contemplou a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou um valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins tributários, na hipótese de demonstração pela fiscalização da sua utilização como substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado, ou quando em desacordo com as próprias regras estabelecidas pelo Programa de Participação nos Lucros ou Resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS. Não há óbice na lei de regência ao pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados mediante dois planos distintos, tais como convenção e acordo coletivo. Nada obstante, é obrigatória a compatibilização entre os instrumentos coletivos de negociação para a realização dos pagamentos a um mesmo segurado em frequência igual ou superior ao prazo legalmente estipulado e, no máximo, duas vezes no mesmo ano civil, sob pena de incidência da tributação sobre os valores pagos. Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.066 3 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA. A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus segurados empregados. A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, ainda que nos termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.230.957/RS. SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. MATÉRIA DE NATUREZA INFRACONSTITUCIONAL. É de índole infraconstitucional a controvérsia sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado. A decisão de mérito no Recurso Especial nº 1.230.957/RS, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática dos recursos repetitivos, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Escapam à incidência da contribuição previdenciária os valores que são pagos a título de aviso prévio indenizado, dada a ausência de natureza salarial. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.067 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para excluir o levantamento "A2" relativo a aviso prévio indenizado. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento em maior extensão para excluir os dois primeiros pagamentos a título de PLR de empregados, o PLR pago a diretores e os juros sobre a multa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.068 5 Relatório Cuidase de recurso voluntário manejado em face da decisão da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1269.780 (fls. 663/686): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2011 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. As verbas pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados, para serem isentas das contribuições previdenciárias, devem obedecer as regras contidas na lei isentiva específica, a saber, a lei nº 10.101/2000. AVISO PRÉVIO "INDENIZADO". CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. O aviso prévio conhecido como “indenizado” e a parcela a ele correspondente da gratificação natalina (décimo terceiro salário) passaram a sofrer incidência de contribuições previdenciárias com a edição da Lei nº 9.528/1997 que alterou a alínea “e” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. A auditoria tributária abrangeu o período de 2008 a 2011. Para os créditos tributários vinculados às competências do ano de 2008, formalizouse o Processo nº 16327.721315/201374. 3. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 329/372, que este processo administrativo é composto por 2 (dois) Autos de Infração (AI), compreendendo as competências de 02/2009 a 12/2011, a saber: (i) AI nº 51.032.9098, referente à contribuição previdenciária da empresa, incidente incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, além daquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (fls. 295/312); e (ii) AI nº 51.032.9101, relativo às contribuições devidas a terceiros, assim compreendidos entidades e fundos, incidentes Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.069 6 sobre a remuneração dos segurados empregados FPAS 736, código 0003 (fls. 313/328). 4. Quanto às obrigações principais, expõe a fiscalização que o crédito tributário tem sua origem em: (i) Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) paga a segurados empregados, nas competências 02/2009, 03/2009, 09/2009, 10/2009, 11/2009, 02/2010 a 06/2010, 08/2010, 10/2010 a 12/2010, 03/2011, 04/2011, 06/2011, 08/2011, 10/2011 e 12/2011 (Levantamento Fiscal "P2"); (ii) Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) paga a contribuintes individuais (diretores não empregados), nos meses de 02/2009, 09/2009, 02/2010, 08/2010, 03/2011 e 08/2011 (Levantamento Fiscal "PA2"); e (iii) Aviso prévio indenizado pago a segurados empregados, no período de 06/2009, 10/2009, 11/2009, 02/2010, 03/2010 e 05/2010 a 11/2011 (Levantamento Fiscal "A2"). 5. Especificamente no que tange à Participação nos Lucros ou Resultados, os pagamentos durante os exercícios fiscalizados foram regidos por diferentes instrumentos entre as partes: (i) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT), às fls. 159/203; (ii) Acordos Coletivos de Trabalho do Programa da Participação Complementar nos Resultados (PCR), às fls. 204/232; e (iii) Programas Próprios (PR), fls. 233/267. 6. A autoridade fiscal identificou problemas específicos e gerais no Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, que resultam na inobservância do regramento previsto na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. 6.1 Relativamente às irregularidades específicas nos instrumentos de vontade, a fiscalização aponta: Programas Próprios (itens 5.17 a 5.45, às fls. 335/347) (i) não consta qualquer assinatura, qualificação ou data de celebração em nenhum dos instrumentos; (ii) durante a auditoria fiscal, não foi comprovada a participação de representante sindical nas negociações, tampouco os atos estão devidamente registrados e arquivados na competente entidade sindical; (iii) os instrumentos decorrentes da negociação não contêm regras claras e objetivas, os mecanismos de aferição das Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.070 7 informações pertinentes ao cumprimento do acordado ou qualquer tipo de programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente; e (iv) os programas próprios não são extensivos a todos os empregados, restando adstritos aos superintendentes, gerentes e coordenadores. Acordos Coletivos de Trabalho (itens 5.46 a 5.61, às fls. 348/352) (i) os documentos foram assinados retroativamente ao início do período de avaliação a que se referem os lucros ou resultados, ou seja, os instrumentos de negociação não foram elaborados antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados; e (ii) os instrumentos decorrentes da negociação não contêm regras claras e objetivas; 6.2 Os problemas gerais detectados pelo agente fiscal, a seguir enumerados, dizem respeito a todos os instrumentos de pactuação, ou seja, Convenções, Acordos e Planos Próprios (itens 5.62 a 5.82, às fls. 352/356): (i) desrespeito à periodicidade de pagamentos estabelecida em lei, visto que, para o mesmo beneficiário, a empresa realizou mais de dois pagamentos no mesmo ano civil; e (ii) valores diferenciados da participação nos resultados pagos aos segurados empregados nos anos de 2009 a 2011, que equivalem a uma significativa variação com relação ao montante do salário anual dos beneficiários. A relação entre participação e salário anual assinala a existência de diferentes "castas" de empregados. 7. Cientificado da autuação, em 25/11/2013, às fls. 295 e 313, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 384/401). 8. Intimada da decisão de piso em 5/11/2014, data em que efetuou consulta no endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, segundo fls. 687/694, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 4/12/2014 (fls. 696/714). 8.1 Em síntese, aduz as seguintes razões de fato e direito contra a decisão de piso que manteve intacta a pretensão fiscal: (i) o sindicato participou das negociações de todos os programas de participação nos resultados mantidos pela recorrente; (ii) os instrumentos coletivos foram firmados antes do final dos respectivos períodos de apuração e antes do pagamento das verbas. Em alguns casos, inclusive, a celebração ocorreu Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.071 8 antes do início do período de apuração a que se refere o instrumento de negociação; (iii) os instrumentos de negociação fixam, de forma clara e objetiva, os direitos substantivos da participação nos resultados e as regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição. As regras e os requisitos, incluindo os programas de metas, eram de total conhecimento dos funcionários da recorrente; (iv) foi obedecida a periodicidade legal para o pagamento da participação nos resultados, nos termos do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000. A parcela de pagamento apontada pela fiscalização, supostamente efetuada acima da periodicidade, decorre de peculiaridades que buscaram a correta quitação dos valores, observada a compatibilização entre os instrumentos coletivos. Nada obstante, se a conduta do contribuinte fosse considerada irregular, caberia manter a autuação tão somente sobre os pagamentos excedentes ao primeiro pagamento de cada semestre; (v) não há incompatibilidade do valor da participação nos resultados com o correspondente salário recebido pelo empregado, até porque a legislação de regência da matéria não traz qualquer limite de percentual a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados; (vi) o pagamento de participações aos diretores não empregados escapa à incidência da tributação, aplicandose as disposições previstas na Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; (vii) o aviso prévio indenizado está fora do campo de incidência da tributação da contribuição previdenciária, na medida em que a parcela não compõe a remuneração. Nesse sentido, o Recurso Especial (RESp) nº 1.230.957/RS, julgado pela Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob a sistemática dos recursos repetitivos; e (viii) não há incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Se cabíveis, no entanto, estariam limitados à taxa mensal de 1% (um por cento). É o relatório. Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.072 9 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Admissibilidade 9. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Julgamento em conjunto 10. A apreciação dos recursos voluntários interpostos nos Processos nº 16327.721315/201374 e 16327.721316/201319 acontece na mesma sessão de julgamento deste Colegiado, a fim de manter a congruência decisória. Mérito a) Participação nos Lucros ou Resultados (Empregados) a.1) Considerações Iniciais 11. Antes de embrenharse nas questões controvertidas, cabe salientar que, ao disciplinar a Participação nos Lucros ou Resultados desvinculada da remuneração, prevista no inciso XI da Constituição da República de 1988, a Lei nº 10.101, de 2000, estabeleceu a observância obrigatória de requisitos formais e materiais para que as parcelas pagas aos trabalhadores gozem de benefício fiscal. 12. Embora consista a Participação nos Lucros ou Resultados um tema único, os requisitos da Lei nº 10.101, de 2000, são tidos como matérias autônomas, pois o descumprimento de um, dois ou mais deles pode levar à caracterização das parcelas pagas aos empregados como de natureza remuneratória e, por conseguinte, passam a compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 13. Assim como é exigida da acusação fiscal, no Termo de Verificação Fiscal, especificar e detalhar os requisitos em descompasso com as prescrições da Lei nº 10.101, de 2000, compete ao julgador administrativo analisar também separadamente as irregularidades apontadas pela autoridade lançadora. Tal procedimento não é alterado pelo fato de que o desrespeito a um único requisito, por si só, já possui aptidão para comprometer a integridade do Plano de Participação nos Lucros ou Resultados. 14. Até porque, não custa lembrar, o enfrentamento de todos os pontos reprovados pelo agente fiscal, devolvidos a exame para o órgão "ad quem", permitirá às partes a possibilidade de interposição de recurso especial, observada a disciplina regimental, uma vez identificada e configurada a divergência interpretativa quanto à matéria específica. Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.073 10 15. Fixadas tais premissas, passo à análise dos requisitos apontados pela fiscalização em desalinho à Lei nº 10.101, de 2000, mantidos pela decisão de piso e contestados na petição recursal, iniciando pelos problemas denominados específicos, identificados nos instrumentos de negociação. Programas Próprios de Participação nos Resultados (PR) a.2) Falta de participação sindical e arquivamento dos programas 16. A autoridade lançadora questiona a falta de comprovação da participação do sindicato nas negociações relacionadas aos Programas Próprios de Participação nos Resultados, bem como a ausência de registro e arquivamento dos instrumentos na entidade sindical dos trabalhadores. 17. No que tange à participação da entidade sindical nas negociações e na assinatura do acordo de Participação nos Lucros ou Resultados, assim como da exigência de arquivamento do programa celebrado junto ao sindicato, tratou o art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000. Reproduzo abaixo a sua redação à época dos fatos geradores: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) 18. Compulsando os autos, verifico que o Programa de Participação nos Lucros ou Resultados implementado pela empresa, no período abrangido pela auditoria fiscal, está amparado em dois instrumentos básicos de negociação coletiva, a saber: convenção e acordo coletivo (fls. 159/267). 18.1 As convenções coletivas, usualmente celebradas entre sindicato de empregados e sindicato de empregadores, não consideram necessariamente as peculiaridades de cada empresa da categoria econômica representada. Ao revés, os acordos coletivos, com participação direta da empresa, têm o propósito de estabelecer metas ou resultados de interesse específico das partes, inclusive mais benéficos aos empregados, contribuindo para incentivar a concepção de integração entre capital e trabalho. 19. As convenções coletivas (CCT´s) estão juntadas às fls. 159/203, cuja participação nos resultados, composta por um valor básico e outro adicional, calculados mediante aplicação de regras distintas, é extensível a todos os segurados empregados da empresa. Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.074 11 19.1 Por meio dos acordos coletivos (ACT´s), firmado entre sindicato dos trabalhadores e empresas, dáse o pagamento da participação complementar nos resultados, com base em critérios diferenciados de aferição, tais como lucro líquido, percentual de retorno sobre o patrimônio líquido ou resultados gerenciais institucionais (fls. 204/229). Os respectivos instrumentos de acordo celebrado foram arquivados na entidade sindical dos trabalhadores (fls. 230/232) 20. Os Programas Próprios (PR) estão previstos na Cláusula Sexta dos ACT´s, denominados de programas específicos mantidos pelos bancos acordantes. A título de exemplo, reproduzo a cláusula do ACT 2009 (fls. 211): Cláusula Sexta Programas Específicos mantidos pelos Bancos Acordantes Ficam expressamente reconhecidos e ratificados os Programas de Participação nos Lucros ou Resultados próprios, referentes ao exercício de 2009, mantidos pelos BANCOS ACORDANTES com os objetivos, indicadores e forma de aferição já estabelecidos e inseridos nos próprios programas, bem como as respectivas vigências, nos moldes do parágrafo 1º, do art. 2º, da Lei nº 10.101/00, conforme relação em Anexo. 20.1 Tais programas específicos estão direcionados a determinado grupo de empregados, ocupantes de cargos gerenciais ou estratégicos na empresa, como superintendentes, gerentes, coordenadores e equivalentes. A finalidade é o estímulo ao alcance de resultados institucionais, com condições financeiras diferenciadas, avaliados a partir do desempenho individual e corporativo (fls. 233/267). 21. Em nenhuma parte do Relatório Fiscal, a autoridade lançadora faz alusão a que os Programas Próprios são, na verdade, um anexo dos ACT´s, ou seja, uma parte integrante dos acordos coletivos. Tampouco menciona a anuência expressa do sindicato, na forma da Cláusula Sexta, com declaração do conhecimento e concordância com o conteúdo dos programas de participação nos resultados. 22. É compreensível a preocupação do agente fiscal, no contexto da sua função fiscalizatória, quanto à comprovação de uma participação ativa do sindicato nas negociações, conforme previsto na Lei nº 10.101, de 2000, evitandose a predominância do abuso da força econômica do empregador na condução dos termos, que resulta, ao final, na elaboração unilateral dos documentos pertinentes ao ajuste, em prejuízo, evidente, aos interesses dos trabalhadores. 23. Todavia, no caso concreto, é inviável afirmar, como fez a autoridade lançadora, só com base nos documentos entregues pela empresa, que não restou comprovada a participação sindical nas negociações dos Programas Próprios, ante a falta de iniciativa no sentido de um aprofundamento da investigação sobre a questão. 24. Não localizei nos autos, intimações complementares para que a empresa comprovasse a efetiva atuação do sindicato, de modo a afastar a hipótese, presumida pelo agente fiscal, que as negociações dos Programas Próprios deixaram de ser realizadas com a participação de representante sindical e, por conseguinte, que a anuência nos acordos coletivos pelo órgão de classe constituiuse apenas em mera formalidade, despedida de conteúdo material. Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.075 12 25. Assim, não prospera a pretensão fiscal. a.3) Não extensividade a todos os empregados 26. Diz a autoridade fiscal que os benefícios relacionados aos Programas Próprios não são extensivos a todos os empregados, eis que restritos a superintendentes, gerentes e coordenadores, contrariando o propósito da Lei nº 10.101, de 2000, voltado ao incentivo à produtividade e à integração entre o capital e o trabalho. 27. Conforme já exposto alhures, o Programa de Participação nos Lucros ou Resultados da recorrente, avaliado em conjunto, não exclui colaboradores empregados do benefício fiscal. O modelo concebido pela empresa apenas fez opção pela concessão diferenciada da participação, em algumas situações, o que não é vedado pela Lei nº 10.101, de 2000. 28. Pela natureza da matéria disciplinada pela Lei nº 10.101, de 2000, seria inviável a determinação de normas rígidas para a fixação dos valores de Participação nos Lucros ou Resultados, de maneira que o legislador optou em exigir a elaboração das regras tão somente de forma clara e objetiva. 29. Há uma natural liberdade conferida às partes para a confecção do ajuste, condicionada, evidentemente, à mínima observância dos ditames legais, autorizandose a variação das regras que podem ser estabelecidas, conforme exigir as peculiaridades do caso concreto. 30. A discrepância de valores pagos a título de participação, em função do cargo do trabalhador e da área que atua, ainda que para alguns possa causar sentimento de injustiça em relação aos demais empregados, é motivo insuficiente para desqualificar os planos e descaracterizar a natureza dos pagamentos realizados. 31. Segundo a Lei nº 10.101, de 2000, não há óbice que se estabeleçam metas e critérios diferenciados segundo a faixa salarial do empregado, considerando o cargo ocupado ou a função desempenhada pelo trabalhador, valorizandose, desse modo, o papel do colaborador na empresa. 31.1 Em princípio, quanto maior o nível hierárquico ou a importância estratégica da função, também maior será a sua responsabilidade pelo esforço da atividade empresarial e alcance de resultados, exigindose critérios de avaliação distintos, observadas a atividade econômica e demais especificidades de cada empresa. 32. Mais uma vez, sem razão a acusação fiscal. a.4) Inexistência de regras claras e objetivas 33. Nessa questão, a autoridade lançadora assevera que os Programas Próprios não contêm regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos segurados empregados, deixando margem à adoção pelo empregador de critérios de índole subjetiva para a avaliação da participação. Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.076 13 33.1 Como forma de demonstrar sua percepção dos fatos, o agente fazendário cita, com relação aos Programas de Resultado de 2009, 2010 e 2011, que tais Planos Próprios não trazem, nem explicam, no âmbito da avaliação do desempenho individual, as metas a serem atingidas pelos empregados para alcançarem o benefício. 33.2 Chamou a atenção também da fiscalização a previsão nos Programas de um "Fator de Contribuição Global", que poderá até diminuir o valor da participação, formatado, na visão da autoridade fiscal, com base em fatores de cunho subjetivo, tais como alteração de cenário econômico ou mudança estratégia na política da instituição financeira. 34. Pois bem. A respeito da adoção de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação, prescreve o § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000: Art. 2º (...) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) 35. Em linhas gerais, por exigência da lei específica, as regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições do recebimento da Participação nos Lucros ou Resultados possam ser passíveis de aferição, reduzindo a possibilidade de discricionariedade do empregador, mediante avaliações de cunho subjetivo. 36. Os instrumentos de negociação deverão conter regras inequívocas e de fácil compreensão para os trabalhadores no que tange à aquisição do direito ao pagamento das parcelas, inclusive quanto aos critérios de aferição do cumprimento das metas acordadas, de modo a que se possa atestar com segurança que os valores pagos equivalem à participação prevista no acordo. 37. É de assinalar, no entanto, que a Lei nº 10.101, de 2000, previu apenas os contornos básicos dos instrumentos de negociação, deixando de fixar normas rígidas e pré definidas para a elaboração dos documentos. 37.1 Acredito que não poderia ser diferente, dado que a participação é um direito social exercido com base na autonomia de vontade de atores que, muitas vezes, possuem interesses antagônicos, empresários e trabalhadores, aliado às diversidades de realidade empresarial quanto à necessidade de integração capital e trabalho. Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.077 14 37.2 Somase a tal característica própria, a presença dos sindicatos representativos das categorias dos trabalhadores, outro agente social dotado de suas peculiaridades, cuja presença nos acordos não só é conveniente, como também desejável para a proteção dos direitos dos empregados. 38. De tudo isso, pareceme bem evidente que a exigência de regras claras e objetivas não se destina, precipuamente, à compreensão do Fisco. Embora importante para a garantia do interesse público, é nítido o papel secundário exercido pela fiscalização tributária neste processo, a qual não lhe foi concedida a função de avaliação do mérito das regras aprovadas na negociação entre as partes. 38.1 Por essa razão, a interferência na autonomia privada é medida excepcional, exigindose a certeza da autoridade fiscal, apoiada em elementos objetivos, quanto à desconformidade do acordado frente aos preceitos legais da Participação nos Lucros ou Resultados. 39. O agente fiscal não participa do dia a dia da vida laboral da empresa e de seus empregados, de maneira que as questões que lhe configuram obscuras podem estar perfeitamente claras para o empresário e os trabalhadores. De maneira análoga, um critério e/ou informação que lhe pareça omisso no instrumento de negociação, podem estar univocamente delimitados pelos atores sociais principais, tendo em conta a proximidade com os fatos. 40. Desse modo, inviável, via de regra, que a análise fiscal sobre a inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação fique restrita ao plano abstrato dos acordos celebrados. É inerente ao processo, dadas as suas características, o avanço da fiscalização no conhecimento da execução dos programas de Participação nos Lucros ou Resultados. Caso contrário, não é exagero afirmar, haverá sérios riscos de cometimento de equívocos pelo agente fiscal. 41. Na linha das ponderações trazidas no recurso voluntário, a lei de regência não é impositiva no sentido de que a disciplina integral do programa de participação deve figurar, necessariamente, no próprio corpo do instrumento de negociação coletiva, podendo o detalhamento pormenorizado estar estipulado em documentos apartados ou, até mesmo, em outros canais de comunicação, desde que mantida a harmonia com as regras gerais e sempre com pleno acesso e conhecimento dos trabalhadores. 41.1 A inclusão em documento apartado é mecanismo para viabilizar a operacionalização do regramento, contemplando com mais especificidade as condições e formas de cálculo, bem como os critérios de avaliação para concessão da verba de remuneração variável. 42. Especialmente em empresas estruturadas, como aparenta enquadrarse a recorrente, é comum a disponibilização de mecanismos internos de divulgação e esclarecimentos a respeito do programa de participação mantido, inclusive com o uso de plataformas digitais para avaliações de desempenho dos trabalhadores. 42.1 No caso dos autos, por exemplo, a recorrente junta telas do "Sistema Gestão de Performance", relacionado aos Programas Próprios, procurando demonstrar que por meio do qual, entre outros aspectos, são acordadas metas de "perfomance", realizado o Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.078 15 acompanhamento de desempenho e registradas as avaliações individuais dos empregados (fls. 824/845). 43. Tenho para mim, portanto, equivocado o procedimento fiscal, o qual, sem buscar esclarecimentos e/ou explicações adicionais da empresa, trabalhadores e/ou sindicato, ao menos não há elementos nesse sentido, fez a opção singela de analisar solitariamente, no âmbito do Fisco, os instrumentos de negociação coletiva. 43.1 A toda a evidência, os esclarecimentos e/ou explicações seriam dispensáveis, por óbvia desnecessidade, naqueles casos de "fratura exposta", em que é explícito o descompasso com a Lei nº 10.101, de 2000. Contudo, não é a hipótese dos Programas de Próprios da recorrente, conforme se pode verificar da leitura atenta dos documentos acostados às fls. 233/267. 44. De posse das informações adicionais, aliado as memórias de cálculo da avaliação da participação do trabalhador, a fiscalização poderia obter, se fosse o caso, dados sérios e contundentes a respeito do descumprimento do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, entre tantas possibilidades: a aplicação de critérios não previamente conhecidos pelo avaliado, existência de avaliações unilaterais, valoração predominantemente subjetiva do avaliador, ausência de critérios objetivos na fixação das metas e impossibilidade de aferição do cumprimento das metas acordadas entre as partes. 45. À vista do exposto, concluo que os elementos de prova colhidos pela fiscalização são insuficientes para demonstrar a falta de clareza e objetividade nos instrumentos de negociação vinculados aos Programas Próprios. Acordos Coletivos de Trabalho (ACT) do Programa de Participação Complementar nos Resultados (PCR) 46. Ressalto que o tópico diz respeito aos valores de participação complementar nos resultados pagos aos segurados empregados decorrentes do atingimento dos critérios vinculados ao "Lucro Líquido" e "Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio Recorrente Anualizado", consoante previsão na Cláusula Terceira dos ACT´s. 46.1 Não envolve, portanto, os Programas Corporativos, os quais, embora integrantes dos acordos coletivos, consoante estabelece a Cláusula Sexta dos ACT´s, foram objeto de análise separada pela autoridade lançadora. a.5) Falta de negociação prévia 47. A acusação fiscal é no sentido de que os acordos coletivos não foram objeto de negociação prévia, eis que a formalização dos instrumentos ocorreu após o início do período a que se referem os lucros ou resultados. 48. Em contraposição, a recorrente defende a tese de que são legítimos os pagamentos realizados a título de participação com fundamento em negociações coletivas realizadas antes do fim do período de apuração e do pagamento das respectivas parcelas, situação plenamente atendida nos acordos coletivos. Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.079 16 49. Pois bem. Na sequência, elaborei um resumo das datas de assinatura e períodos de avaliação da participação contidos nos ACT´s (fls. 204/229): Quadro 1 ACT Período de aferição Pagamento da PLR Assinatura 1º/01/2007 a 31/12/2007 Junto com a 2ª parcela da CCT/2007, até 03/2008. Antecipação, de até 40%, em 2007 2007/2008 1º/01/2008 a 31/12/2008 Junto com a 2ª parcela da CCT/2008, até 03/2009. Antecipação, de R$ 750,00, em 08/2008 14/09/2007 2009 1º/01/2009 a 31/12/2009 Junto com a 2ª parcela da CCT/2009, até 03/2010. Antecipação, de R$ 700,00, em 09/2009 04/09/2009 1º/01/2010 a 31/12/2010 Junto com a 2ª parcela da CCT/2010, até 02/2011. Antecipação, de R$ 1.800,00, em 06/2010 2010/2011 1º/01/2011 a 31/12/2011 Junto com a 2ª parcela da CCT/2011, até 02/2012. Antecipação, de R$ 1.600,00, em 05/2011 07/06/2010 50. Mesmo com a adoção do critério da fiscalização, isto é, a indispensabilidade de elaboração dos instrumentos de negociação antes do início do período a que se referem os lucros e resultados, haja vista a necessidade do conhecimento prévio dos direitos e obrigações para o recebimento da verba ajustada, a existência de negociação prévia estará atendida para os pagamentos realizados no ano de 2009, com base no ACT 2007/2008, assim como para os pagamentos do ano de 2011, a título de antecipação, com base no ACT 2010/2011. 51. Restam para a análise do julgador, sob o fundamento de ausência de negociação prévia ao período pactuado, os valores pagos com base no ACT 2009 e ACT 2010/2011, relacionados aos períodos de avaliação, respectivamente, de 1º/01/2009 a 31/12/2009 e 1º/01/2010 a 31/12/2010. 52. Pois bem. A participação nos lucros ou resultados é um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, constituindose em ferramenta à disposição da empresa para motivar e integrar o trabalhador no objeto empresarial, com vistas ao alcance de uma meta ou resultado futuro. 53. Quero dizer que o acordo entre as partes deve incentivar, via de regra, o alcance de resultados pactuados previamente, com regras claras e objetivas a respeito da contribuição dos empregados, delimitadas individual ou coletivamente, com mecanismos de aferição do acordado, requisitos os quais, se cumpridos, darão direito à retribuição financeira ao trabalhador. Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.080 17 54. É da essência do instituto que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, extraído da própria interpretação sistemática do ordenamento jurídico, a partir do inciso XI do art. 7º da Constituição da República de 1988, que instituiu a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, em conjunto com a regulamentação dada à matéria pela via da Lei nº 10.101, de 2000. 55. É verdade que a lei não impõe de modo expresso qualquer momento para a assinatura do instrumento de negociação. Porém, tal característica da legislação não tem o condão de levar o intérprete à conclusão extrema de que é suficiente tão somente a formalização do acordo, devido ao término das negociações, não suceder ao pagamento da parcela da participação nos lucros ou resultados. 55.1 A exigência de formalização do instrumento antes do pagamento, tal como defende a recorrente, é até mesmo óbvia, porquanto devese garantir ao trabalhador a possibilidade de examinar se o montante recebido está conforme as metas e critérios pré estabelecidos entre as partes para o respectivo pagamento. 56. A prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, para autorizar a fruição do benefício fiscal é uma situação ideal para a garantia dos direitos dos trabalhadores e o incentivo ao aumento de produtividade. Nada obstante, é limitada pelo mundo real brasileiro, dadas as dificuldades práticas de negociação e conclusão a tempo da sua formalização por escrito. 57. Daí porque é inevitável certa flexibilidade, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto que visa à melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. 58. Essa possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração. 59. Nesse raciocínio finalístico, é possível, portanto, aceitar a assinatura depois de iniciado o período de aferição, sem que implique um desvirtuamento integral em face da legislação de regência, desde que evidenciada, considerando o tipo de metas e/ou resultados estabelecidos, a negociação em curso e o amplo conhecimento pelos empregados das regras discutidas, de maneira que os trabalhadores possam desde já adotar medidas práticas para atingir as metas ou os resultados que adiante restarão acordados entre as partes. 60. Tendo em conta as finalidades da Lei nº 10.101, de 2000, penso inviável, contudo, legitimar a situação identificada pela fiscalização nos autos, mesmo que se adote a flexibilidade de prazo para assinatura do ajuste a que fiz menção há pouco. 60.1. Com efeito, não há prova documental nos autos a respeito do início das negociações sindicais em momento anterior, atestando o seu alongamento durante alguns meses, tampouco que os segurados empregados tinham amplo conhecimento das regras que estavam sendo discutidas, de sorte a já incentivar a produtividade. Tais aspectos, sem prejuízo da avaliação conjunta com outros fatores relevantes, são fundamentais para a decisão de validar a data da assinatura do acordo. 61. Do ponto de vista pessoal, acredito que a existência de ajuste anterior, com características semelhantes, pode gerar expectativa do trabalhador, de forma a contribuir para o Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.081 18 incentivo da sua produtividade. Porém, essa circunstância não é suficiente, por si só, para considerar o instrumento coletivo formalizado ao longo do período de avaliação em consonância com os preceitos legais. 61.1 Caso contrário, se estaria admitindo uma presunção indevida, em desfavor do interesse do trabalhador protegido pela lei, consistente na possibilidade de definição das regras para aquisição do direito de receber a participação por meio dos costumes ou verbalmente, em detrimento da sua implementação mediante instrumentos normativos previamente negociados para o período de avaliação, que não deixem margem à discricionariedade do empregador, conforme prescrito na Lei nº 10.101, de 2000. 61.2 Além do que, não custa lembrar, apenas quando da assinatura do termo de acordo, com a participação do respectivo sindicato, concretizase a negociação entre as partes e o ato consensual está apto a produzir efeitos jurídicos que lhe são próprios para o respectivo período a que se refere. 62. Também a fixação de metas com base no desempenho da empresa como um todo, e não considerando o trabalhador individualmente, não valida a assinatura do acordo laboral ao final do período de avaliação. 62.1 A avaliação coletiva, com participação geral dos trabalhadores, não afasta o esforço individual, em menor ou maior grau, para a construção do resultado pretendido, mesmo que atrelado a parâmetros vinculados ao lucro da empresa ou a outro índice patrimonial da instituição financeira. 63. Concluo, portanto, que a autoridade fiscal procedeu de modo escorreito ao considerar os valores pagos com base no ACT 2009 e ACT 2010/2011, neste último caso apenas quanto ao período de avaliação de 1º/1/2010 a 31/12/2010, como integrantes da remuneração e do saláriodecontribuição dos segurados empregados, por estarem em desconformidade com o que prescreve a Lei nº 10.101, de 2000. a.6) Inexistência de regras claras e objetivas 64. Mais uma vez, agora especificamente acerca do conteúdo dos ACT´s, a autoridade lançadora discorre a respeito da falta de regras claras e objetivas sobre as metas a serem atingidas para o recebimento da Participação nos Lucros ou Resultados. 64.1 Para melhor compreensão do teor da acusação fiscal, reproduzo o excerto correspondente do Relatório Fiscal (fls. 352): "5.61 (...) Não se sabe, por exemplo, o significado do Índice de Eficiência encontrado nos anos base 2007/2008. Ademais, no ano base de 2009, o único índice é o Lucro Líquido, o qual sozinho não pode ser considerado como uma meta em si, uma vez que já faz parte do próprio conceito da participação dos empregados nos lucros das empresas. E nos anos de 2010/2011 temos como índice o Retorno sobre o Patrimônio Líquido. Em nenhum dos casos temos metas claras e objetivas a serem seguidas pelos empregados para que possam se candidatar ao recebimento do benefício da participação." Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.082 19 65. Pois bem. Os argumentos da autoridade lançadora são visivelmente insuficientes para o propósito de desqualificar os instrumentos de negociação coletiva, sendo aplicáveis, em sua integralidade, as razões de decidir expostas por mim no Tópico "a.4)" deste voto, relativas à análise do idêntico requisito, porém voltado aos Programas Próprios da empresa. 66. Adiciono, considerando o ponto de vista do agente fiscal, que o § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, reproduzido linhas acima, enumera de forma exemplificativa, e não taxativa ou exaustiva, os critérios para a fixação dos direitos de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, tais como índice de produtividade, qualidade e programas de metas e resultados. 66.1 Embora condicionado às finalidades e exigências da lei, as partes têm liberdade para fixar os critérios e condições da fruição da participação, sendo válida, a princípio, a escolha de qualquer resultado que interesse à pessoa jurídica. 67. A opção das partes em estabelecer para apuração dos valores da participação unicamente o critério associado ao valor do lucro líquido da empresa ao final do exercício de aferição não está em descompasso com a Lei nº 10.101, de 2000, porquanto não deixa de expressar um resultado compatível com a ideia de incentivo ao aumento de produtividade e integração entre capital/trabalho. Problemas Gerais, que estão afetos a todos os instrumentos de negociação 68. No contexto do problemas gerais do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, a autoridade lançadora expõe que não restaram atendidos os requisitos previsto na Lei nº 10.101, de 2000, tendo em vista: (i) incompatibilidade de valores da Participação nos Lucros ou Resultados com o montante anual de salários dos segurados empregados; e (ii) descumprimento da periodicidade legal para o pagamento da participação nos Lucros ou Resultados. a.7) Existência de pagamentos desiguais entre os trabalhadores e, em alguns casos, em valores superiores ao respectivo salário anual 69. Para fins de desconsiderar os planos de Participação nos Lucros ou Resultados, a autoridade lançadora questiona a distribuição desigual de valores entre os empregados nos anos de 2009 a 2011, tomando como parâmetro de comparação a relação de proporção com o salário. Aponta também situações de recebimento por alguns empregados de valores, na forma de participação, superiores à sua remuneração anual. 70. As ponderações do agente fiscal estão baseadas nas Planilhas de fls. 286/288, as quais contêm um comparativo, por amostragem, entre montante da participação recebida e o salário anual do trabalhador. 70.1 Explica a autoridade lançadora que detectou a existência de diferentes "castas" de empregados, dada a significativa variação da relação entre Participação nos Lucros ou Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.083 20 Resultados e salário anual do trabalhador: (i) ano de 2009, 9,24% a 228,95%; (ii) ano de 2010, 8,43% a 197,77%; e (iii) ano de 2011, 15,61% a 273,96% 70.2 Por fim, assevera a fiscalização tributária que, apesar da nomenclatura, os pagamentos realizados pela instituição bancária são utilizados como substituição de parcela salarial, em contrariedade, portanto, à Lei nº 10.101, de 2000. 71. Em contraposição à autoridade lançadora, a recorrente sustenta, basicamente, que a Lei nº 10.101, de 2000, não impõe como requisito a equivalência nos valores de participação aos empregados, nem veda o pagamento em montante superior ao salário do trabalhador. 72. Pois bem. Conforme afirmei antes, com mais detalhes, a lei de regência não faz restrições para a negociação diferenciada de participação entre os trabalhadores, podendo o instrumento de pactuação estabelecer critérios diversos entre cada um dos cargos e níveis hierárquicos, resultando, na maior parte das vezes, pagamentos desiguais a título de participação. 73. Nem mesmo de maneira implícita a Lei nº 10.101, de 2000, estabeleceu a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. 74. Haja vista que a Lei nº 10.101, de 2000, não instituiu um percentual limitador para a relação entre participação e salário, o recebimento de valores a título de participação superiores ao valor da remuneração só estará em descompasso com a legislação de regência quando comprovada pela fiscalização a utilização dos pagamentos como forma de substituição ou complementação da salário do trabalhador. 74.1 Para o fim de comprovar que as parcelas pagas estão em desacordo com a lei específica, passando a integrar o saláriodecontribuição, é tarefa da fiscalização certificar que os próprios instrumentos de negociação foram originalmente formulados em desarmonia com a legislação de regência, no que tange à metodologia prevista para o cálculo dos valores devidos aos trabalhadores a título de Participação nos Lucros ou Resultados, caracterizando pagamentos de natureza remuneratória. 74.2 Outra possibilidade para dar relevância tributária à participação em montante superior ao salário anual do trabalhador, seria o agente fazendário evidenciar que as quantias pagas aos empregados não guardavam correspondência com os valores previamente estipulados no Programa de Participação de Lucros ou Resultados, representando o montante excedente aos limites acordados pelas partes remuneração submetida à incidência da tributação. 75. Atento aos termos da acusação fiscal, observo que a autoridade lançadora escolheu realizar uma análise subjetiva da questão, mediante avaliações de ordem pessoal que se afastam da aplicação do texto de lei, passando ao largo da comprovação da natureza remuneratória de tais parcelas. 75.1 Não há evidências que os funcionários da empresa recebiam salários incompatíveis com suas funções e responsabilidades, discrepando com os valores praticados Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.084 21 pelo mercado, de modo a sugerir a utilização da Participação nos Lucros ou Resultados como substituto ou complemento da remuneração principal do trabalhador. 76. Quanto à alegação de existência de altos valores pagos a determinados beneficiários, chegando a mais de 100% do seu salário anual, as conclusões da autoridade fiscal, com respaldo nas Planilhas de fls. 286/288, não condizem com uma apreciação razoável dos dados ali registrados. 76.1 Para a maior parte dos casos apontados, a relação entre participação e salário anual não supera o percentual de 60%. Com relação aos trabalhadores cujo valor da participação ultrapassa o respectivo salário anual, a análise não dispensa o exame casuístico, de modo a verificar possível desvirtuamento do programa de Participação nos Lucros ou Resultados. 76.2 Ao contrário do raciocínio simplista da autoridade fiscal, a conclusão no sentido da utilização da participação como substituto ou complemento da remuneração do empregado não deve estar baseada unicamente no aspecto matemático da relação participação/salário anual. É necessário comprovar que o pagamento, na forma efetuada, transformou o valor em parcela salarial. 77. Em resumo, na minha avaliação o agente lançador priorizou uma análise subjetiva dos dados obtidos na documentação da empresa e deixou de aprofundar a auditoria fiscal para efetivamente demonstrar, por meio de linguagem de provas, a existência de pagamentos camuflados de remuneração, se fosse o caso. 78. O só fato de existir desproporção entre os pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados para o conjunto de empregados, tendo em conta o comparativo com o respectivo salário anual, não tem o condão de fazer incidir sobre os valores pagos as contribuições previdenciárias. 79. Para fins de incidência da tributação, é vital a fiscalização convencer o julgador administrativo que os valores estão sendo disponibilizados pela empresa aos segurados empregados a título salarial, razão pela qual possui natureza remuneratória. 80. Portanto, com razão a recorrente. a.8) Periodicidade dos pagamentos 81. Para a fruição do benefício fiscal, o § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, estabeleceu regras quanto à periodicidade dos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados. Na redação vigente à época dos fatos geradores, o legislador fixou o limite anual de 2 (dois) pagamentos, desde que efetuados num intervalo mínimo de um semestre: Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.085 22 § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (...) (GRIFEI) 82. A finalidade da instituição pelo legislador desse critério básico para a não incidência da contribuição previdenciária foi buscar evitar a utilização da parcela como uma forma disfarçada de substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado. 83. De acordo com o agente fiscal, o contribuinte não seguiu a determinação do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, e realizou, para o mesmo beneficiário, mais de dois pagamentos nos anos de 2009 a 2011. Para ilustrar os fatos, anexou as Planilhas "PLR Múltiplos Pagamentos", que contêm, por amostragem, os pagamentos efetuados aos segurados empregados (fls. 272/284). 84. Por sua vez, a recorrente sustenta que o suposto pagamento acima da periodicidade é decorrente de peculiaridades que buscam possibilitar a correta quitação dos valores a título de Participação nos Lucros ou Resultados, em cumprimento da legislação vigente. A parcela excedente é mero ajuste nos primeiros pagamentos efetuados aos segurados empregados. 85. Pois bem. É possível que determinadas situações excepcionais, quando devidamente comprovadas, não tenho o condão de caracterizar a existência de pagamentos autônomos, implicando o desrespeito à periodicidade exigida em lei. Desse modo, privilegiase a substância sobre a forma. 86. Porém, no caso sob exame, a recorrente não explica exatamente, nem faz prova, as circunstâncias em que foram realizados os denominados ajustes de pagamento aos segurados empregados, alegando, de maneira genérica, a origem no cumprimento da legislação ou decorrentes de imposição do sindicato da categoria. 87. Mesmo em desacordo com o § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, prossegue o recurso voluntário, não poderia a fiscalização descaracterizar por completo os pagamentos efetuados pela empresa, devendo a incidência da contribuição previdenciária atingir apenas os valores pagos além do interregno previsto na legislação. 88. Desde já ressalto, com base na disciplina estabelecida pela Lei nº 10.101, de 2000, que não vislumbro obstáculo à coexistência simultânea de diferentes instrumentos de negociação coletiva para regulamentar o pagamento pela empresa da Participação nos Lucros ou Resultados, tais como convenção e acordo coletivo, como forma de adequação às peculiaridades empresariais e aos interesses específicos das partes envolvidas. Da mesma forma, inexiste qualquer vedação no texto legal de regência à fixação de uma parcela de antecipação a título de Participação nos Lucros ou Resultados. 89. Em qualquer caso, contudo, é obrigatório o respeito ao critério de periodicidade dos pagamentos disposto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, uma vez que o legislador ordinário elegeu, como regra cogente, para afastar a incidência da norma tributária, o cumprimento de determinado parâmetro objetivo no que diz respeito à Participação nos Lucros ou Resultados. Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.086 23 90. A partir da documentação que instrui os autos, verifico a existência de vício na própria formulação das regras do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, quando avaliados, em conjunto, os instrumentos de negociação coletiva firmados pelas partes, relativamente ao requisito da periodicidade dos pagamentos. 91. Com efeito, por intermédio das CCT´s, aplicáveis a todos os segurados empregados, convencionouse os seguintes pagamentos (fls. 169/203): (i) no ano de 2009, em seu primeiro semestre, o pagamento da participação nos resultados ao anocalendário 2008, diminuído do montante que havia sido antecipado no próprio ano de 2008. No semestre seguinte, o pagamento da antecipação da participação devida para o anocalendário de 2009; (ii) no ano de 2010, em seu primeiro semestre, o pagamento da participação nos resultados ao anocalendário 2009, diminuído do montante que havia sido antecipado no próprio ano de 2009. No semestre seguinte, o pagamento da antecipação da participação devida para o anocalendário de 2010; e (iii) no ano de 2011, em seu primeiro semestre, o pagamento da participação nos resultados ao anocalendário 2010, diminuído do montante que havia sido antecipado no próprio ano de 2010. No semestre seguinte, o pagamento da antecipação da participação devida para o anocalendário de 2011. 91.1 Os valores da participação com base na CCT´s correspondem ao somatório de uma parte básica e outra adicional, porém ambas com previsão de pagamento aos empregados no mesmo mês. Quanto ao montante calculado pela "regra básica", a convenção estabelece a possibilidade de compensação com os valores pagos em razão dos planos próprios. 92. A seu turno, os ACT´s tiveram como objetivo estabelecer uma participação complementar nos resultados para os trabalhadores, cujo pagamento seria efetuado anualmente, juntamente com a segunda parcela da Participação nos Lucros ou Resultados prevista nas CCT´s (fls. 204/229). 92.1 Ocorre que, em todos os anos, foi concedida uma antecipação da participação complementar, segundo a Cláusula Quarta dos ACT´s, descontada do segurado empregado quando do pagamento final: (i) no ano de 2009, antecipação no mês de 09/2009, no valor de R$ 700,00; (ii) no ano de 2010, antecipação no mês de 06/2010, no valor de R$ 1.800,00; e (iii) no ano de 2011, antecipação no mês de 05/2011, no valor de R$ 1.600,00. Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.087 24 93. Por fim, no tocante àqueles funcionários elegíveis aos denominados Programas Próprios, nos termos da Cláusula Sexta dos ACT´s, tais como os segurados empregados pertencentes aos níveis de gerente e superintendente, o programa complementar estabeleceu o pagamento semestral, ou anual com antecipação semestral, da participação nos resultados institucional (fls. 233/267). 93.1 Quer dizer, a antecipação era paga entre agosto e setembro do ano da avaliação, enquanto o pagamento final realizavase entre fevereiro e março do ano subsequente ao da apuração. 94. Como se percebe, os pagamentos nos anos de 2009 a 2011, para um mesmo trabalhador, de acordo com os exemplos reproduzidos nas Planilhas "PLR Múltiplos Pagamentos", às fls. 268/271, espelham os compromissos assumidos por meio dos instrumentos de negociação coletiva, cuja formatação original, pelo que se depreende dos autos, extrapola a frequência anual de, no máximo, dois pagamentos no mesmo ano civil. 95. Em consequência, à luz do contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, os pagamentos realizados não são reflexos de uma mácula restrita à execução do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, o que poderia justificar, em tese, a tributação apenas sobre as quantias pagas excedentes à periodicidade anual. 96. É obrigatória a compatibilização entre os instrumentos coletivos de negociação para a realização dos pagamentos ao mesmo trabalhador em frequência igual ou superior ao prazo legalmente estipulado e, no máximo, até duas vezes no mesmo ano civil, sob pena de incidência da tributação sobre os valores pagos. 97. Logo, todos os pagamentos, com base nas CCT´s, nos ACT´s, inclusive Programas Próprios, previstos na Claúsula Sexta, estão submetidos à incidência da contribuição previdenciária, assim como à tributação reflexa pelas contribuições devidas a terceiros. Resumo da análise 98. Com a finalidade de proporcionar maior clareza ao resultado final da minha avaliação sobre a Participação nos Lucros ou Resultados, paga aos segurados empregados, reproduzo, no quadro abaixo, a totalidade das infrações imputadas pela autoridade lançadora, as quais restaram mantidas pelo acórdão de primeira instância, acompanhado das conclusões deste voto quanto ao descumprimento ou não dos requisitos previstos na Lei nº 10.101, de 2000, para fins de manutenção da exigência fiscal: Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.088 25 Quadro 2 Análise do Relator: o requisito foi descumprido? Infração (segundo a acusação fiscal, com base na Lei nº 10.101, de 2000) CCT ACT "Programa Específico" (Anexo ao CCT, Cláusula Sexta) Falta de participação sindical e arquivamento dos programas (art. 2º, I e II e § 2º) NÃO Não extensividade a todos os empregados (art. 1º) NÃO Inexistência de regras claras e objetivas (art. 2º, § 1º) NÃO Falta de negociação prévia (art. 2º, "caput", e § 1º) SIM. Pagamentos relacionados aos períodos de apuração de 1º/01/2009 a 31/12/2009 e 1º/01/2010 a 31/12/2010 Inexistência de regras claras e objetivas (art. 2º, § 1º) NÃO Falta de proporcionalidade dos pagamentos entre os empregados (art. 3º, "caput") NÃO NÃO NÃO Periodicidade dos pagamentos (art. 3º, § 2º) SIM. Todos os pagamentos SIM. Todos os pagamentos SIM. Todos os pagamentos b) Pagamentos a diretor não empregado (contribuinte individual) 99. Segundo a autoridade fiscal, o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados somente estará desvinculado da remuneração e, por conseguinte, fora do campo de incidência da tributação previdenciária, quando realizado nos termos da Lei nº 10.101, de 2000. As disposições da lei não abrangem a hipótese de valores pagos a administradores ou diretores não empregados, na condição de contribuintes individuais. 100. Defende a empresa, por outro lado, que a própria Lei nº 6.404, de 1976, norma especial que regula as sociedades anônimas, dá guarida ao pagamento da participação aos administradores e diretores não empregados, cumprindo, desse modo, o requisito estabelecido pela Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para o fim de escapar à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. 101. Pois bem. A alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, reproduzida abaixo, ao afastar a incidência tributária sobre a participação nos lucros ou resultados da Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.089 26 empresa paga ou creditada, de acordo com lei específica, está referindose à Lei nº 10.101, de 2000, a qual é destinada tão somente aos segurados empregados: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) 102. De fato, ao explicitar a norma de não incidência, o inciso X do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, toma o cuidado de acrescentar a expressão "empregado": Art. 214 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (GRIFEI) 103. Isso porque a Lei nº 10.101, de 2000, não trata de pagamentos a trabalhadores não empregados, haja vista constar expressamente em seu corpo o regramento destinado à negociação entre empresa e seus empregados: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) (GRIFEI) 104. Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisou a disciplina jurídica relativa à participação nos lucros ou resultados prevista no inciso XI do art. 7º da Carta Política de 1988. 104.1 Concluiu a Corte Suprema que sendo o preceito constitucional de eficácia limitada, a regulamentação somente se operou com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada inúmeras vezes até a conversão na Lei nº 10.101, de 2000, Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.090 27 incidindo contribuição previdenciária relativamente aos fatos geradores concretizados antes da vigência daquele ato normativo. 104.2 Eis a ementa do Recurso Extraordinário (RE) nº 569.441/RS, submetido a sistemática de repercussão geral, Relator Ministro Dias Toffoli e Redator do Acórdão Ministro Teori Zavascki, julgado na sessão de 30/10/2014: EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários – depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento. 105. De modo que não há como acolher o entendimento de que a expressão "lei específica", contida na alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, referese a mais de uma lei ordinária, além da Lei nº 10.101, de 2000, abarcando a distribuição de valores também com base na Lei nº 6.404, de 1976. 106. Menciona a recorrente, ainda, que as parcelas não podem compor o saláriode contribuição do trabalhador em razão do cumprimento de todos os requisitos para a distribuição da participação nos lucros aos administradores elencados no art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976. 107. Para melhor compreensão da previsão contida na Lei das sociedades anônimas, transcrevo o art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976: Remuneração Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.091 28 § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. 108. Os pagamentos realizados a título de "atribuição estatutária", também conhecidos como "participação estatutária", como ora se cuida, não se equiparam a valores decorrentes da remuneração de capital. 109. A remuneração do administrador pode ser composta por duas parcelas, uma fixa, conhecida como prólabore (art. 150, "caput") e outra variável, consistente na participação nos lucros da companhia por ações, conforme definido pelos acionistas (art. 150, § 1º). Em um e outro caso, não há como liberar a empresa da tributação, porquanto as verbas possuem natureza remuneratória. 110. É verdade que a participação estatutária dos administradores, assim como o pagamento de dividendos aos acionistas, são contabilizadas em contas de patrimônio líquido, mediante redução do lucro acumulado, e não mediante débito em contas de resultado do exercício social. 111. Porém, tal característica contábil comum é insuficiente para agregar a natureza de remuneração do capital à participação estatutária. O dividendo pago a acionista decorre da participação acionária na sociedade, ao passo que a participação estatutária ao diretor não empregado é paga em razão da prestação do trabalho. 112. Logo, escorreito o lançamento fiscal que entendeu pela incidência da tributação sobre os pagamentos aos administradores/diretores não empregados, a título de Participação nos Lucros ou Resultados. c) Aviso Prévio Indenizado 113. Discutese nos autos a incidência de contribuições previdenciárias e aquelas devidas a terceiros sobre o aviso prévio indenizado pago pela empresa ao trabalhador segurado empregado. 114. A respeito da matéria, no julgamento do REsp nº 1.230.957/RS, na sistemática dos recursos repetitivos, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, realizado no dia 26/2/2014, a 1ª Seção do STJ firmou a tese da não incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba de natureza salarial. 114.1 Transcrevo a ementa do julgado, na parte que interessa ao feito submetido à apreciação neste processo administrativo: Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.092 29 PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. (...) 2. Recurso especial da Fazenda Nacional. 2.1 Preliminar de ofensa ao art. 535 do CPC. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade ou contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC. 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.093 30 REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. (...) (GRIFOUSE) 115. Em face do reconhecimento da natureza indenizatória dos valores pagos a título de aviso prévio indenizado e, portanto, não integrando a remuneração e o saláriode contribuição do trabalhador, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração. No entanto, foram rejeitados, por unanimidade, na sessão de 23/4/2014. 116. A despeito de esgotados os recursos no âmbito do STJ, o Tribunal infraconstitucional decidiu pela suspensão do processo devido à pendência de Recurso Extraordinário nº 593.068/SC, com repercussão geral reconhecida pelo STF, em que se debate a incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, a gratificação natalina, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade. 116.1 No caso do REsp nº 1.230.957/RS, além do aviso prévio indenizado, foi igualmente afastada a incidência da contribuição sobre o terço constitucional de férias e a remuneração paga pelo empregador durante os primeiros quinze dias de afastamento do trabalho por incapacidade. 117. Acontece que, em decisões recentes, a Corte Suprema tem assentado reiteradamente a ausência da existência de repercussão geral na controvérsia relacionada ao aviso prévio indenizado, haja vista a incidência da contribuição previdenciária estar fundada exclusivamente na interpretação de legislação de natureza infraconstitucional, o que inviabiliza o exame da questão em sede de recurso extraordinário. 117.1 Nessa linha de entendimento, copio a ementa do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) nº 745.901/PR, de relatoria do Ministro Teori Zavascki, julgado em 4/9/2014: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NATUREZA JURÍDICA DA VERBA. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. 1. A controvérsia relativa à incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de aviso prévio indenizado, fundada na interpretação da Lei 8.212/91 e do Decreto 6.727/09, é de natureza infraconstitucional. 2. É cabível a atribuição dos efeitos da declaração de ausência de repercussão geral quando não há matéria constitucional a ser apreciada ou quando eventual ofensa à Carta Magna ocorra de forma indireta ou reflexa (RE 584.608 RG, Min. ELLEN GRACIE, DJe de 13/03/2009). 3. Ausência de repercussão geral da questão suscitada, nos termos do art. 543A do CPC. Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.094 31 118. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF , aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 119. Como se nota, quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado, o STF entende tratarse de matéria infraconstitucional e, assim, sem repercussão geral, o que implica reputar a decisão proferida no REsp nº 1.230.957/RS como definitiva de mérito, na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, devendo tal entendimento do STJ ser reproduzido no âmbito deste Conselho. 120. Acresço que a Nota PGFN/CRJ nº 485/2016, de lavra da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, manifestouse pela vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para fins do cumprimento ao disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, à decisão desfavorável à Fazenda Nacional proferida no REsp nº 1.230.957/RS, tão somente na parte vinculada ao aviso prévio indenizado. 1 120.1 Via de regra, aqueles contribuintes em idêntica situação jurídica, sob pena de inaceitável discriminação, devem ser tratados uniformemente pelo Poder Público. 121. No que tange às contribuições apuradas pela fiscalização e devidas a terceiros, assim compreendidas outras entidades e fundos, decorrente do lançamento reflexo em relação às contribuições previdenciárias, a solução do litígio administrativo é idêntica, porquanto a base de tributação é a mesma sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias, calculada sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados. 122. Logo, tendo em conta o entendimento no REsp nº 1.230.957/RS, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, cabe afastar a tributação sobre o aviso prévio indenizado (Levantamento Fiscal "A2"). d) Aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício 123. Ressalvo minha posição particular no sentido de que a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício não é matéria que compõe o lançamento de ofício, o que resultaria, a rigor, na impossibilidade de apreciála no âmbito restrito ao litígio instaurado com a impugnação da exigência fiscal. 124. Todavia, é sabido que a maioria dos conselheiros da Turma é adepta do conhecimento da matéria. Portanto, por economia processual, passo diretamente a análise do mérito. 1 Disponível em www.receita.fazenda.gov.br Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.095 32 125. A incidência de juros de mora sobre multa encontra suporte no art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (GRIFEI) 126. O art. 161 está inserido no Capítulo IV do Título III do Livro Segundo do CTN, que versa sobre extinção do crédito tributário, especificamente na Seção II, a qual trata do pagamento, uma das formas de extinção do crédito tributário. A análise sistêmica não pode levar a outra conclusão senão que a expressão "crédito não integralmente pago no vencimento" referese ao crédito tributário em atraso, composto por tributo e multa, ou tão somente pela penalidade pecuniária. 126.1 É certo que multa não é tributo. Porém, a obrigação de pagar a multa tem natureza tributária, tendo recebido do legislador o mesmo regime jurídico, isto é, aplicandose os mesmo procedimentos e critérios da cobrança do tributo, a teor do previsto no § 1º do art. 113 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 126.2 Completo a avaliação inicial destacando que o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação tributária principal, na dicção do art. 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 127. Por seu turno, o § 1º do art. 161 do CTN estabelece que os juros de mora serão calculados à taxa de um por cento ao mês, salvo se a lei dispuser de modo diverso. 128. Em nível de lei ordinária, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, está assim redigido: Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.096 33 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (GRIFEI) 128.1 Já o § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430, de 1996, citado no § 3º do seu art. 61, acima reproduzido, contém a seguinte redação: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. 129. A expressão "débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições", contida no "caput" do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, tem sido alvo de interpretações distintas. Acredito inapropriada, com a devida vênia, uma simples exegese literal e isolada desse dispositivo, devendose compreender o conteúdo e o alcance da norma jurídica nele contido como parte de um conjunto normativo mais amplo. 129.1 Como visto, o débito, ou o crédito tributário, não é composto apenas pelo tributo. Constatado o inadimplemento do tributo pelo sujeito passivo, no prazo concedido pela legislação, há a aplicação da multa punitiva, a qual passa a integrar o crédito fiscal. O atraso na quitação da dívida atinge não só o tributo como a multa de ofício. 129.2 Logo, tendo em conta que a finalidade dos juros de mora é compensar o credor pela demora no pagamento, tais acréscimos devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário. 129.3 Ademais, o raciocínio exposto não implica a incidência da multa de mora sobre a multa de ofício, como parece dizer o art. 61. Ambas com viés punitivo, multa de mora e de Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 16327.721316/201319 Acórdão n.º 2401004.797 S2C4T1 Fl. 1.097 34 ofício se excluem mutuamente, de maneira tal que a aplicação de uma afasta, necessariamente, a incidência da outra. 130. Concluo, portanto, devida e permitida por lei a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, calculados com base na Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia (Selic), quando não recolhida dentro do prazo. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir o crédito tributário incidente sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado (Levantamento Fiscal "A2"). É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1097DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901112/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 11 12 /2 01 3- 81 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901112/201381 Acórdão n.º 1302002.266 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901112/201381 Acórdão n.º 1302002.266 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901112/201381 Acórdão n.º 1302002.266 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.902779/2011-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.361
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado.
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente COTRIL MOTORS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 79 /2 01 1- 58 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10120.902779/201158 Acórdão n.º 3301003.361 S3C3T1 Fl. 3 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/Pasep NãoCumulativo – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de PIS/Pasep nãoCumulativo, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.400. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10120.902779/201158 Acórdão n.º 3301003.361 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10120.902779/201158 Acórdão n.º 3301003.361 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10120.902779/201158 Acórdão n.º 3301003.361 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10120.902779/201158 Acórdão n.º 3301003.361 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900350/2014-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 06/06/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 06/06/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 50 /2 01 4- 95 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900350/201495 Acórdão n.º 3401003.722 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 06/06/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900350/201495 Acórdão n.º 3401003.722 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900350/201495 Acórdão n.º 3401003.722 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 15758.000163/2010-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1991 a 28/02/2000, 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL E FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL DE CONTAGEM. JURISPRUDÊNCIA DO STF E DO STJ DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF.
A Fazenda Nacional dispõe do prazo de cinco anos para exercer seu direito potestativo de constituição do crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça fixou, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733-SC, em 12/08/2009, afetado à sistemática dos recursos repetitivos, que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGADOS DO CARF. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
A decisão definitiva de mérito no RE n° 598.838/SP, de 23/04/2014, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária da empresa, prevista no art. 22, inc. IV da Lei n° 8.212/91, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto em seu Regimento Interno.
Numero da decisão: 2301-004.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1991 a 28/02/2000, 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL E FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL DE CONTAGEM. JURISPRUDÊNCIA DO STF E DO STJ DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF. A Fazenda Nacional dispõe do prazo de cinco anos para exercer seu direito potestativo de constituição do crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça fixou, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, em 12/08/2009, afetado à sistemática dos recursos repetitivos, que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGADOS DO CARF. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. A decisão definitiva de mérito no RE n° 598.838/SP, de 23/04/2014, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária da empresa, prevista no art. 22, inc. IV da Lei n° 8.212/91, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto em seu Regimento Interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 01 63 /2 01 0- 97 Fl. 1578DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para darlhe provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Relatório O presente processo administrativo versa sobre a cobrança de contribuição previdenciária sobre diversas verbas, a saber: pagamento de aluguéis a funcionários, pagamento a cooperativa de trabalho médico, diferença de GILRAT, pagamento em reclamatória trabalhista. A contribuinte tomou ciência da autuação em 26/05/2010. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração em face do acórdão nº 2301 003.495, de 14/05/2013, que julgou parcialmente procedente o recurso voluntário interposto. A ementa e a parte dispositiva do julgado estão assim redigidas (os grifos são nossos): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1991 a 28/02/2000, 01/01/2005 a 31/12/2005 QUANTO DECADÊNCIA LEVANTAMENTO CO1 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Julgamento que entende não ter ocorrido a decadência, pois os períodos a serem analisados são de janeiro de 2005 a maio de 2005, iniciandose o prazo decadencial em 01.01.2006, encerrandose em 31.12.2010, uma vez que o lançamento de ofício ocorreu em 26.05.2010 deve ser analisado em grau de recurso. Segundo a decisão singular a remuneração prevista no inciso I, do art. 28, da Lei nº 8.212/91 englobaria os Planos de Saúde oferecidos pela Empresa aos seus Empregados, já que a literalidade do mencionado disposto e Artigo 458, da CLT assim autorizam. No caso em tela equivocada a decisão de piso ante a redação do art. 458, § 2º, da CLT pela Lei 10.243/01. COBRANÇA DA DIFERENÇA DO SAT/GILRAT NO MONTANTE DE 1,0% DA FOLHA DE PAGAMENTO EM Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 15758.000163/201097 Acórdão n.º 2301004.970 S2C3T1 Fl. 1.579 3 DECORRÊNCIA DE DIVERGÊNCIAS QUANTO AO ENQUADRAMENTO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE. Previsão contida em lei. Artigo 22, II da Lei no. 8.212/1991, alterada pela Lei no. 9.732/1998, onde: “.... e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11/12/98). Sendo a) I% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. No caso em tela há controvérsia, a despeito da explícita referência do art. 22, inciso II, alíneas “a”, “b” e “c”, bem do art. 202 do Decreto 3.048/99 a atividade preponderante da empresa e não do estabelecimento, é alimentada pela existência da Súmula 351 do STJ que tem o seguinte conteúdo: “A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” (GN) Assim, a atividade preponderante da empresa, no caso em tela, é aquela que, na empresa, ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, em consonância com o §3º do art. 202 do Decreto 3.048/99. Definida a atividade preponderante, a alíquota aplicável na incidência da contribuição será definida pela consulta à tabela do Anexo V do mesmo Decreto. PAGAMENTO DE CONDOMÍNIO, ALUGUÉIS E IMPOSTOS Pagamentos de benesses que atendem o caráter habitual e não consta legislação e ou jurisprudência que acuda a sua isenção previdenciária há de ser conhecida como fato gerador. No caso em tela há pagamentos a alguns funcionários, habitualmente, de IPTU, condomínio e aluguéis que devem fazer parte da base de cálculo das contribuições previdenciárias. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. Fl. 1580DF CARF MF 4 LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 04/2005, anteriores a 05/2005, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; c) em negar provimento ao recurso, na questão da cooperativa de trabalho médico, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Arruda Coelho Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em dar provimento ao recurso, na questão do cálculo de SAT, por estabelecimento, nos termos do voto do Relator; d) em não conhecer do recurso, na questão do pagamento de aluguéis, condomínios, IPTU, devido a Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 15758.000163/201097 Acórdão n.º 2301004.970 S2C3T1 Fl. 1.580 5 pagamento, nos termos do voto do Relator; III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Mauro José Silva. Aduz a Embargante a existência de contradição e omissão no referido acórdão, uma vez que, ao analisar a questão da decadência, o voto do relator (vencedor nessa matéria) deixou de se manifestar sobre a existência de pagamentos parciais das contribuições devidas. Esse seria o único evento apto a atrair a aplicação da regra inserta no art. 150, §4º do CTN, nos termos da jurisprudência consolidada, notadamente do RESP nº 973.733/SC, julgado de acordo com a sistemática de recurso repetitivo. Requer, assim, seja sanada a omissão apontada, acolhendo e emprestando efeitos modificativos aos presentes embargos de declaração. O presente recurso foi admitido pelo presidente de turma, em despacho exarado em 24/10/2014. É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Piovesan Bozza A Embargante tem razão quanto à contradição e à omissão suscitadas. A parte dispositiva do julgado assevera que a maioria dos membros do colegiado votou por “excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 04/2005, anteriores a 05/2005, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN”. Isso significa que, na conclusão do julgamento, o relator aderiu à posição majoritária. Mas a ementa e o teor do voto do relator não foram ajustados, destoando da conclusão tomada pela maioria da turma. Nesse sentido, diz a Embargante que “o voto do Fl. 1582DF CARF MF 6 Relator, a seu turno, nada disse sobre a existência de pagamento no caso concreto, limitando se a citar o posicionamento do julgador de piso e a desnecessidade de tratar da decadência”. Eis a contradição e a omissão. Acontece que, consoante informação fiscal acostada às fls. 1394 e seguintes, foram juntadas GFIP (fls. 13961416) e tela do sistema de arrecadação com a comprovação de pagamento de contribuições previdenciárias (fls. 14171419), relativamente ao ano de 2005. Com isso, considero demonstrado o requisito para aplicação do disposto no art. 150, §4º do CTN. Adicionalmente, percebo que uma das matérias em discussão, cuja cobrança foi mantida pelo acórdão recorrido, diz respeito à incidência de contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de cooperativas de trabalho médico (“CO1 – Cooperativa de Trabalho Médico”). Acontece que posteriormente à prolação do acórdão recorrido, o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional tal exação, no regime de repercussão geral (RE 595.838, de 23/04/2014), havendo, inclusive resolução do Senado Federal suspendendo a execução do art. 22, inc. IV da Lei nº 8.212/91 (Resolução SF nº 10/2016). Desse modo, com fundamento no art. 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, reconheço, de ofício, a invalidade da referida cobrança em relação às competências não decaídas (grifos nossos): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes neste ponto, com o objetivo de reconhecer a existência de contradição e omissão no acórdão embargado, sanandoas mediante o reconhecimento da aplicação do art. 150, §4º do CTN quanto à contagem do prazo decadencial. Consequentemente, devem ser excluídas do lançamento as competências 01/1999 a 05/1999 (inclusive), mantendose a cobrança quanto às demais. A ementa do acórdão recorrido, nessa parte, fica assim ajustada: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL E FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL DE CONTAGEM. JURISPRUDÊNCIA DO STF E DO STJ DE OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF. A Fazenda Nacional dispõe do prazo de cinco anos para exercer seu direito potestativo de constituição do crédito tributário. O Superior Tribunal de Justiça fixou, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, em 12/08/2009, afetado à sistemática dos recursos repetitivos, que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 15758.000163/201097 Acórdão n.º 2301004.970 S2C3T1 Fl. 1.581 7 houver pagamento antecipado do tributo; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. No caso, há comprovação do pagamento parcial das contribuições. Com fundamento no art. 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, reconheço, de ofício, a invalidade da cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de cooperativas de trabalho médico (“CO1 – Cooperativa de Trabalho Médico”), em relação às competências não decaídas. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator. Fl. 1584DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000007/2005-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3301-003.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS. Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 07 /2 00 5- 45 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13854.000007/200545 Acórdão n.º 3301003.904 S3C3T1 Fl. 261 2 Relatório Foram opostos embargos de declaração em face do Acórdão n° 3801 004.606, datado de 11 de novembro de 2014, cujo relatório reproduzo, para fins de economia processual: "Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. 'A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à Contribuição para o PIS/Pasep, não cumulativo, do mês de dezembro de 2004, apurado de conformidade com o § 1º, do artigo 5°, da Lei n° 10.637/2002, que após a dedução devida, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$837,39. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio da Informação Fiscal (fls. 88/96), constatou créditos indevidos de bens que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; procedeu ao rateio proporcional, por não encontrar sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; receita de álcool para fins carburantes; créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa física; créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica que exerce atividade agropecuária; diferenças quanto à variação cambial e despesas indevidas de depreciação de máquinas e equipamentos. O Auditorfiscal juntou à informação fiscal, além da cópia do DACON entregue pele empresa via internet (fls. 54/58) e cópia parcial dos balancetes mensais analíticos contábil (fl. 59), os seguintes demonstrativos: I Demonstrativo de Apuração da Proporcionalidade entre as Vendas de Álcool para Fins Carburantes e as Receitas de Vendas no Mercado Interno e Externo (fl. 80); II Demonstrativo de Apuração do Crédito da Contribuição para o PIS não Cumulativa (fl. 81); III Demonstrativo de Apuração do Débito da Contribuição para o PIS não Cumulativa (fl. 82); IV Demonstrativo de Apuração da Contribuição Devida a Contribuição para o PIS não Cumulativa (fl. 83); V Demonstrativo Mensal de Vendas Equiparadas à Exportação (fl. 79). VI – Demonstrativo da Variação Cambial e Cópia, por amostragem, de Notas Fiscais de Complemento de Preço – Variação Cambial (fls. 78/79 e 60/62) Por fim, foi reconhecido o crédito de R$ R$ 837,39, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fls. 97/98, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 117/133. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13854.000007/200545 Acórdão n.º 3301003.904 S3C3T1 Fl. 262 3 Preliminarmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e alega cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista que “referida informação fiscal faltalhe especificações fáticas, no sentido de demonstrar a conduta adotada pelo fiscal e de como se chegou aos resultados informados, faltandolhes substâncias.” Na mesma esteira, alega “ausência de elementos substanciosos” na apuração das despesas de depreciação de máquinas e equipamentos, na glosa de insumos e na análise dos créditos relativos à cana de açúcar adquiridas de pessoas físicas e jurídicas. No mérito, a contribuinte afirma que tem direito ao regime não cumulativo quanto ao álcool comercializado no mercado interno e externo e tem direito ao crédito de todos os insumos, inclusive canadeaçúcar, por estarem inseridos no artigo 149 da Constituição Federal. Sustenta que os créditos de canadeaçúcar adquiridas de pessoa física e jurídica são devidos, e que as normas consideradas pelo Auditor Fiscal, inclusive a IN SRF nº 660/2006, são ilegais e inconstitucionais, por ferirem o “princípio da irretroatividade”. Por fim, alega inconstitucionalidade na aplicação das normas que tratam da variação cambial, defendendo que “o legislador infraconstitucional extrapolou a sua competência para instituir PIS/COFINS, equiparando e incluindo na base de cálculo o evento – variação cambial que não possui, essencialmente, natureza de “receita” ao qual se refere a Constituição Federal.” e pede o deferimento da manifestação de inconformidade.' A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/ RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: 'Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime não cumulativo de apuração. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13854.000007/200545 Acórdão n.º 3301003.904 S3C3T1 Fl. 263 4 Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, são consideradas receitas financeiras. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.' Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação e acrescenta que houve cerceamento do direito de defesa, pois, a DRJ não apreciou argumento de que a fiscalização não discriminou os insumos, máquinas e equipamentos glosados na apuração dos créditos. É o relatório." A 1° Turma Especial do CARF julgou o recurso voluntário parcialmente procedente. Assim foram redigidos os Acórdão n° 3801004.606 (fls. 180 a 200) e dispositivo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que apreciou matéria que no recurso voluntário afirmase não apreciada. NÃO CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13854.000007/200545 Acórdão n.º 3301003.904 S3C3T1 Fl. 264 5 No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseouse no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime nãocumulativo de apuração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; II) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; III) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13854.000007/200545 Acórdão n.º 3301003.904 S3C3T1 Fl. 265 6 Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso, em face das demais matérias. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator." Foram opostos embargos de declaração (fls. 214 a 218), em face do acima colacionado Acórdão n° 3801004.606 (fls. 180 a 200), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF (fls. 223 e 224), em razão de a turma do CARF ter supostamente deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro de créditos de PIS no mês de dezembro de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13854.000007/200545 Acórdão n.º 3301003.904 S3C3T1 Fl. 266 7 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Foram opostos embargos de declaração (fls. 214 a 218), em face do Acórdão n° 3801004.606 (fls. 180 a 200), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF. De acordo com o Despacho de Admissibilidade (fls. 223 e 224), a respectiva turma do CARF teria deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro de créditos de PIS no mês de dezembro de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". Nos embargos de declaração, o contribuinte apontou que as supostas omissões teriam ocorrido em relação à análise de dois tipos específicos de custo: compras de lubrificantes e depreciação de torre de processamento de massa. Como não obtivera êxito no recurso voluntário, justamente por não ter apresentado os valores dos custos que teriam sido glosados, nos embargos menciona os valores e os correspondentes documentos apresentados ao Fisco durante a fiscalização e que supostamente não teriam sido analisados pela autoridade julgadora de segunda instância: a) Nota fiscal n° 415.684, referente à compra de óleo da Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga, datada de 02/12/2004, no valor de R$ 2.979,00. Referência a esta nota fiscal encontrase na "Relação de Notas Fiscais de Aquisição de Insumos e Serviços Pessoa Jurídica PISPASEP" (fl. 75), preparada pela embargante e revisada pelo agente fiscal. b) Nota fiscal n° 2.871, referente à compra de Torre de Processamento de Massa da Planusi Equipamentos Industriais Ltda., datada de 19/05/2004, no valor de R$ 1.207.500,00. Este documento acompanha demonstrativo preparado pela embargante (fl. 76), onde indica que o crédito de PIS do mês de dezembro de 2004, calculado sobre a respectiva quota mensal de depreciação do bem, seria de R$ 415,08. Os trabalhos das fiscalização e DRJ não merecem qualquer reparo. E não houve omissão alguma do colegiado do CARF. Na peça recursal, a Recorrente alegou que o Fisco ajustou as bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS, porém não indicou os insumos que nelas teriam sido indevidamente computados. Discorreu acerca da possibilidade de calcular créditos de PIS e COFINS sobre bens e serviços necessários ao desenvolvimento de suas atividades. E fez menção específica à imprescindibilidade dos custos com óleos e lubrificantes. Não relatou, contudo, ter sofrido glosa de gastos desta natureza. Dispôs, de forma semelhante, acerca dos custos com depreciação de máquinas e equipamentos indispensáveis à produção do açúcar., dando como exemplos a torre Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13854.000007/200545 Acórdão n.º 3301003.904 S3C3T1 Fl. 267 8 de processamento de açúcar, a caldeiras etc.. Entretanto, desta feita, afirma que houve glosas de créditos, porém não indicou os valores dos custos, cujos créditos teriam sido negados. O relator do voto condutor do Acórdão embargado, sob o ponto de vista conceitual, concordou com a então recorrente. Contudo, em razão de a então recorrente não ter mencionado os valores glosados pelo Fisco, assim concluiu: tópico "gastos com óleo diesel e lubrificantes" (fls 194 e 195): "(. . .) uma vez que a recorrente não apontou exclusões de gastos com aquisição destes bens, não há reparo a fazer na decisão administrativa". tópico ao "depreciação" (fl. 195): "(. . .) Também neste caso, não foi apontada nenhuma exclusão na apuração dos custos, despesas e encargos passíveis de gerarem crédito da contribuição social, motivo pelo qual não há que se alterar o despacho decisório (. . .)". Fui aos autos e compulsei os demonstrativos de cálculo e documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização (fls. 53 a 78). E também os cálculos realizados pela fiscalização (fls 78 a 83). E depareime com o seguinte: não houve glosa dos valores de lubrificantes e depreciação de torre de processamento apontados pela embargante, porém adoção de critérios para a apropriação destes créditos que divergiram dos adotados pela embargante. O Fisco, com base nos elementos providos pelo contribuinte, segregou as receitas da embargante em tributadas pelos regimes cumulativo e não cumulativo. Identificou os custos que não davam direito a créditos integrais, porém presumidos (35% da alíquota regular, art. 8° da Lei n° 10.925/04) compras de canadeaçúcar de pessoas físicas e jurídicas pois estes, ainda que dessem origem a exportações, os excedentes de créditos à época não podiam ser objeto de ressarcimento ou compensação. Por fim, no âmbito das receitas tributadas sob o regime não cumulativo, identificou as relativas a vendas nos mercados interno e externo (neste último caso, o excedente de créditos podia ser objeto de ressarcimento ou compensação) e apurou as respectivas participações percentuais na receita total. E realizou os pertinentes rateios proporcionais dos custos que poderiam gerar créditos de PIS e COFINS e identificação dos saldos a serem ressarcidos ou compensados. Com efeito, vale mencionar, inclusive, que a decisão embargada alterou o cálculo do referido rateio, de forma favorável ao contribuinte, promovendo a inclusão das variações cambiais como receita no mercado externo. Tratase de evidência de que o julgador de segunda instância revisou os cálculos da fiscalização. Assim sendo, o Acórdão não foi omisso quanto à análise dos documentos indicados nos embargos como suportes de custos glosados, relativos a compras de lubrificantes e depreciação de torre de processamento. Se a totalidade dos valores daqueles custos não foram computados nos cálculos dos créditos passíveis de ressarcimento ou compensação, o motivo, definitivamente, não foi a falta de análise de documentos tempestivamente carreados aos autos. Foi, todavia, a Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13854.000007/200545 Acórdão n.º 3301003.904 S3C3T1 Fl. 268 9 divergência entre os critérios adotados pela fiscalização, detalhadamente descritos nos demonstrativos de cálculo e na Informação Fiscal, e pelo contribuinte. Dos recurso voluntário (fls. 157 a 175) e acórdão embargado (fls. 180 a 200), constatase que tais critérios foram contestados pelo contribuinte e os respectivos argumentos devidamente enfrentados pelo colegiado do CARF. Contudo, não foram acatados. E, em sede de embargos, não há que se reabrir discussões já exauridas nos momentos processuais devidos. De todo o exposto, concluo, consignando meu voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração, opostos em face do Acórdão CARF n° 3801004.621, uma vez que não ocorreram as omissões apontadas pela embargante. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.003406/2010-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por maioria de votos, converteu-se o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d´Oliveira que votou pelo retorno do processo à DRJ para que analisasse os documentos.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por maioria de votos, converteu-se o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d´Oliveira que votou pelo retorno do processo à DRJ para que analisasse os documentos. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
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Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d´Oliveira que votou pelo retorno do processo à DRJ para que analisasse os documentos. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 03 40 6/ 20 10 -9 9 Fl. 902DF CARF MF Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.361 S3C3T1 Fl. 903 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão de fls. 516/576 dos autos, cujo teor transcrevo abaixo: Trata o presente processo de Auto de Infração, no valor de R$ 15.604.125,75, acrescido de juros de mora e multa proporcional, relativo à insuficiência de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos períodos de apuração de janeiro, fevereiro, junho e dezembro de 2005. Conforme o Termo de Verificação da Infração, em relação ao período 01/2005 a 06/2005, a constatação da infração deuse durante a análise fiscal dos processos de números 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, relativos à análise de Declarações de Compensação – DCOMP do sujeito passivo, no período de janeiro a junho de 2005, feita a partir dos arquivos digitais, demonstrativos e documentos fiscais entregues pelo sujeito passivo no âmbito daqueles processos de análise do direito creditório de Cofins/PIS/Pasep. O Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 14/43) identifica as glosas dos créditos dos dois primeiros trimestres, as quais implicaram em insuficiências nos descontos de créditos informados no Dacon. A insuficiência de contribuições de dezembro foi verificada após a apuração dos créditos e sua utilização em desconto constante do Dacon do 4º. trimestre de 2005, transmitido em 20/07/2009. Na seqüência, a autoridade fiscalizadora expõe a planilha dos créditos apurados após a análise do direito creditório, com os créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às receitas no mercado interno e de exportação, antes dos descontos e compensações. No item “Desconto de Créditos e Apuração da Insuficiência”, consta: a apuração em janeiro e fevereiro (planilha), após os descontos de créditos efetuados pelo sujeito passivo contidos no Dacon transmitido em 08/07/2010, considerando os créditos apurados pela fiscalização; os saldos de créditos de novembro e dezembro de 2004 estão de acordo com o apurado no processo nº. 13971.000132/200519 (Cofins 4º. trimestre/2004) após as compensações (processo apensado ao presente, com o devido relatório fiscal); o saldo de março (mercado externo) foi utilizado em compensação e pedido de ressarcimento, conforme Parecer Saort nº. 059/2010 do processo nº. 13971.001036/200598; a apuração da insuficiência em junho foi feita a partir dos créditos apurados pela fiscalização em abril e maio, do crédito apurado pela contribuinte em junho, e com a sua utilização em desconto constante do Dacon do 2º. trimestre de 2005, transmitido em 08/07/2010 (planilha no item 12 – fl. 12 do relatório fiscal); os saldos de créditos de abril e maio (mercado externo) foram utilizados em compensação, conforme Parecer Saort nº. 060/2010, relativo ao processo nº. 13971.001475/200509 para o saldo de crédito de setembro utilizado no 4º. trimestre (R$ 8.868.850,86) foram considerados os dados constantes do Dacon do Fl. 903DF CARF MF Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.361 S3C3T1 Fl. 904 3 3º. trimestre de 2005, transmitido em 20/07/2009 (planilha do item 13 do relatório fiscal à fl. 12); a insuficiência em dezembro foi apurada após a utilização dos créditos em desconto, constante do Dacon do 4º. trimestre de 2005, transmitido em 20/07/2009 (planilha); No item “Da Infração Verificada”, a autoridade fiscalizadora traz uma planilha com as insuficiências apuradas nos respectivos meses. Constam em anexo do termo: DVD contendo o Relatório de Auditoria Fiscal com a discriminação das glosas e seus demonstrativos, bem como as intimações fiscais realizadas no âmbito dos processos nº. 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509; e o Relatório de Auditoria Fiscal referente à análise dos créditos da Cofins do 1º. e do 2º. trimestres de 2005. Ressalta o fisco que as glosas constantes deste Auto de Infração são as mesmas constantes no Relatório de Auditoria Fiscal (Anexo I) dos processos de nº. 13971.001036/200598 e nº.13971.001475/200509, referentes à análise de compensações e pedidos de ressarcimento da COFINS no 1º. e 2º. trimestres de 2005, motivo pelo qual esses processos foram apensados para análise e exame de mérito conjunto. Constam apensados, ainda, os processos nº. 13971.000132/2005 19 e nº. 13971.001375/200493, cujas compensações, objeto de análise fiscal, foram homologadas. Às fls. 14/43, consta o Relatório de Auditoria Fiscal dos processos 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509. A contribuinte impugna o lançamento, alegando, preliminarmente, a decadência do crédito tributário exigido e reportase ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos do CTN. Aduz que o Auto de Infração foi recebido em 18/08/2010, com a exigência da Cofins e consectários legais, referente aos fatos geradores de janeiro (vencimento em 15/02/2005), fevereiro (vencimento em 15/03/2005) e junho (vencimento em 15/07/2005). No item seguinte de sua defesa “Da Observação do Efeito Suspensivo – Desconsideração do saldo credor do período anterior – Não objeto de fiscalização do período – Processos Reflexivos”, a contribuinte alega, em síntese, que, face às glosas levadas a efeito na análise das declarações de compensação, objeto de verificação em outros procedimentos fiscais, o saldo credor relativo a períodos anteriores a junho de 2005 não poderia ser desconsiderado para fins de apuração do efetivo valor devido, visto que os processos de ressarcimento, de compensação e de auto de infração dos períodos anteriores foram impugnados e se encontram em fase de processo administrativo, o que suspenderia a exigência do crédito tributário, conforme previsão do art. 151, III, do CTN. Quanto à exigência referente ao mês de dezembro de 2005, alega que não está suportada nem mesmo pela análise do pedido de ressarcimento, tampouco das DCOMP correspondentes, mas simplesmente pelo reflexo das análises de períodos anteriores, cujas glosas alteraram o resultado dos saldos de créditos apurados. Sustenta que os demais processos envolvendo a Cofins, e que refletem no presente auto de infração estão sendo discutidos nos processos 13971.001375/2004 93 (1º. trimestre 2004); 13971.001080/200417 (2º. trimestre de 2004); Fl. 904DF CARF MF Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.361 S3C3T1 Fl. 905 4 13971.001568/200444 (Cofins julho/2004), 13971.005306/200963 (Cofins agosto e setembro de 2004); 13971.000132/200519 (Cofins do 4º. trimestre de 2004); que somente poderiam ser cobrados ou exigidos quando do trânsito em julgado na fase administrativa, motivo pelo qual deveria ser anulada a cobrança exarada; e que, ainda que assim não fosse, caberia a suspensão do presente feito face o caráter reflexivo com àqueles mencionados processos. Sob o tópico “III – Do Direito”, a contribuinte se reporta ao relatório fiscal da infração, ao tópico ‘Da Infração Verificada’, onde consta que os processos 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509 devem ser juntados por apensação para análise e exame de mérito conjunto. Desta forma, alega ser desnecessário repetir os argumentos jurídicos que suportam as manifestações de inconformidade, face à necessária apensação. Aduz, ainda, que tal pretensão também se aplica aos processos de nº. 13971.001475/200509 (DCOMP – crédito de Cofins 2º. trimestre de 2005) e 13971.000132/200519 (DCOMP – crédito de Cofins – 4º. trimestre de 2004), o qual, por terem por homologadas totalmente a compensação pretendida, não permitiu a apresentação de qualquer manifestação de inconformidade. Reitera e ratifica os argumentos expendidos nas Manifestações de Inconformidade nos processos nº. 13971.001036/200598 e 13971.001474/200556, de forma que se apliquem integralmente a análise dos efeitos das glosas levadas a efeito quanto aos créditos apurados naquele processo, que as matérias envolvidas são exatamente as mesmas, e que, quanto ao Processo nº. 13971.001475/200509, as provas documentais são equivalentes. Por fim, requer que se acolha as preliminares argüidas e, caso superadas, no mérito, que se cancele o Auto de Infração, reconhecendo o direito creditório pleiteado. Constam anexados aos autos (conforme despacho de fl. 103 – dig) cópias das Manifestações de Inconformidade/impugnação dos processos n°. 13971.001036/200598 (1º. trimestre 2005), 13971.001475/200509 (2° trimestre 2005), 13971.001375/200493 (1° trimestre de 2004), 13971.001080/200417 (2°.trimestre de 2004), 13971.001568/200444 (Cofins julho/2004), 13971.005306/200963 (Cofins agosto e setembro/2004). Consta na Informação Fiscal (em 19/10/2010) de fls. 359/ss (dig) a sugestão da apensação dos processos nºs. 13971.001375/200493, 13971.000132/200519, 13971.001036/200598, 13971.001475/200509, bem como um histórico dos créditos da Cofins nãocumulativa do 1º. trimestre de 2004 ao 4º trimestre de 2005, evidenciando os valores requeridos em Dacon, as glosas fiscais destes períodos, os valores utilizados em descontos das contribuições, os valores homologados ou não, as insuficiências e a vinculação entre os saldos transferidos para os períodos seguintes. Em 30/06/2011, foi proferido o Acórdão 0725.044 (fls. 370/ssdig) emanado da 4ª. Turma da DRJ/FNS, o qual restou anulado pelo Acórdão nº. 3301.002.104 – 3ª. Câmara/1ª. Turma Ordinária (fls. 464/ssdig), retornando o processo para que nova decisão seja proferida. Desta feita, houve o encaminhamento de diligência à DRF/Blumenau/SC, a qual foi atendida , conforme Informação Fiscal de fls. 494/ssdig. Fl. 905DF CARF MF Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.361 S3C3T1 Fl. 906 5 Houve reabertura de prazo para a impugnante, a qual não mais se manifestou. Ao reanalisar o caso, face à nulidade da primeira decisão (fls. 370 e seguintes) proferida pela DRJ em Florianópolis, esta mesma Delegacia concluiu em sessão realizada no dia 24/04/2015 pela procedência em parte do pleito do contribuinte (vide decisão de fls. 516/576 dos autos), acolhendo a preliminar de decadência tão somente quanto ao mês de janeiro de 2005, e acolhendo parcialmente os argumentos de mérito, determinando a redução dos valores lançados conforme tabela a seguir reproduzida: MÊS DE PARA Janeiro/2005 4.166.396,87 0,00 Fevereiro/2005 2.084.149,48 2.084.149,48 Junho/2005 3.550.171,44 3.546.982,72 Dezembro/2005 5.803.407,96 5.803.407,96 Os fundamentos constantes do voto proferido pela Relatora Marisa Soares Mondadori podem ser assim resumidos: (i) quanto à preliminar de decadência, entendeu que o parágrafo 4º do art. 150 do CTN seria aplicável tão somente no que concerne ao mês de janeiro de 2005, face à existência de pagamento antecipado no referido mês (vide comprovante juntado no pedido de restituição Processo 13971.005210/200903, apenso à presente demanda). Quanto às demais competências, entendeu que seria aplicável a regra disposta no art. 173, inciso I, do CTN, pelo que afastou o argumento de decadência em tais meses. (ii) no mérito, entendeu que o valor lançado deveria ser reduzido para os valores indicados na planilha acima, em razão das decisões proferidas nos autos dos processos nº 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, cujos fundamentos adotou como razão de decidir. Assim procedeu visto que o presente lançamento se originou da constatação efetuada pela DRF/Blumenau/SC, em sede de tais Declarações de Compensação, de que o contribuinte não detinha créditos em montante suficiente para cobrir a íntegra dos descontos efetuados em relação aos débitos de COFINS do respectivo período de apuração. Ou seja, de um mesmo procedimento de ofício, resultou a necessidade da prática de dois atos administrativos distintos: o despacho decisório, para fins de formalizar o deferimento parcial das compensação, e o auto de infração (objeto do presente processo), para fins de formalizar a exigência do crédito tributário da COFINS que restou inadimplido. A referida decisão, portanto, restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO. GLOSA DE CRÉDITO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento de contribuição não cumulativa, decorrente da glosa de créditos utilizados para desconto da contribuição, constitui infração que autoriza a lavratura de auto de infração para a formalização do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. DECADÊNCIA. PRAZO. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.361 S3C3T1 Fl. 907 6 A decadência do direito de constituir o crédito tributário ocorre em cinco contados do fato gerador, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, desde que tenha havido antecipação do pagamento, na forma do caput do art. 150 do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Insatisfeito com o teor desta última decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 02/06/2015 (fls. 645 e seguintes dos autos), por meio do qual alega, resumidamente, que deveria ter sido: (i) reconhecida a decadência não apenas quanto ao mês de janeiro de 2005, como também quanto aos meses de fevereiro e junho de 2005, visto que o parágrafo 4º do art. 150 do CTN seria aplicável também quanto a tais competências, em razão da compensação/desconto do crédito em face dos débitos apurados, apto a extinguir o crédito tributário nos moldes do art. 156, II, do CTN. Destacou que tais compensações encontramse comprovadas por intermédio das DACONs e DCTFs anexadas ao processo; (ii) aplicado o caráter reflexivo e, no mérito, cancelada a exigência decorrente da suposta e indevida insuficiência de crédito; (iii) determinada a suspensão da tramitação da presente demanda, até a decisão final de todos os processos envolvendo os pedidos de ressarcimento/compensação realizados. O processo, então, foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para fins de análise tanto do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, quanto do recurso de ofício. Inicialmente, encontravamse apensados à presente demanda os seguintes processos administrativos: 1. Processo nº 13971.000132/200519; 2. Processo nº 13971.001375/200493; 3. Processo nº 13971.005210/200903; 4. Processo nº 13971.001036/200598; 5. Processo nº 13971.001475/200509. Quanto aos três primeiros processos acima indicados (Processo nº 13971.000132/200519, Processo nº 13971.001375/200493 e Processo nº 13971.000132/2005 19), verifiquei que a qualidade de apensados estava correta. Isso porque, da análise dos referidos autos constatouse que o contencioso administrativo tributário já teve fim em tais casos, não havendo recurso a ser apreciado. Ou seja, tais processos encontravamse apensados à presente demanda não para que sejam analisados e julgados, mas apenas para fins de subsidiar a análise do presente processo. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.361 S3C3T1 Fl. 908 7 De outro norte, no que tange aos Processos nº 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, verificavase que o encaminhamento de tais processos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na qualidade de apensados havia se dado equivocadamente. Isso porque, para que se chegasse a um desfecho quanto à esta demanda em que se exige as diferenças apuradas pela fiscalização em razão dos indeferimentos dos pedidos de compensação/ressarcimento , havia de ser observado um pressuposto indispensável: a análise quanto à correção de tais indeferimentos. Tanto que na própria decisão da DRJ em Florianópolis a Relatora fez questão de destacar que o Auto de Infração estava sendo julgado após a decisão proferida nos autos dos pedidos de compensação/ressarcimento nº 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, tendo inclusive adotado as decisões proferidas nos referidos processos como razão de decidir. Por fim, registrou o contribuinte que o auto de infração em tela foi lavrado não apenas em decorrência dos Processos nº 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, como também do Processo nº 13971.001474/200556, pelo que o desfecho deste último processo também seria essencial à solução da presente contenda. Constatei, então, que procedia o argumento do contribuinte. Consoante se extrai do termo de verificação da infração de fl. 10 dos autos, bem como do termo de fl. 258, a constatação da infração deuse durante a análise fiscal dos Processos nº 13971.001036/200598, 13971.001475/200509 e Processo nº 13971.001474/200556. Logo, entendi naquela oportunidade que o desfecho deste último caso também se apresentava relevante ao deslinde desta demanda. Sendo assim, em sessão realizada em 26/04/2016, foi determinada a conversão do presente julgamento em diligência, para fins de determinar: (i) que os processos de compensação/ressarcimento nº 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509 fossem saneados, no sentido de retirar dos mesmos a qualidade de apensados, determinandose a distribuição dos mesmos perante este Conselho, para que tenham andamento e julgamento próprios; (ii) determinar a vinculação de tais processos ao presente processo, para que sejam julgados em conjunto; (iii) determinar também a vinculação do Processo nº 13971.001474/200556 à presente demanda, para que também seja julgado em conjunto. Ocorre que o Processo nº 13971.00/200556, antes do cumprimento da diligência em questão, foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de julgamento em sessão realizada no dia 19 de maio de 2016 (Acórdão nº 3302003.218). Naquela oportunidade, acordaram os membros daquele Colegiado: (i) por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, vencida a Conselheira Lenisa Prado: (ii) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a glosa de créditos calculados sobre aquisição de bens destinados à venda por falta de comprovação, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déreulède, Domingos de Sá e José Fernandes do Nascimento, Relator, que davam provimento ao Recurso; (iii) por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer o direito de crédito na aquisição do insumo acobertado pela NF nº 187744 e os valores de R$ 46.202,77 e R$ 300,00, relativos à base de cálculo dos créditos estornados no mês de fevereiro de 2005. Atendida a diligência em questão quanto aos demais processos, os autos retornaram a esta julgadora, para fins de julgamento. É o relatório. Fl. 908DF CARF MF Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.361 S3C3T1 Fl. 909 8 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: No caso dos autos, é cabível Recurso de Ofício, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972 e da Portaria MF nº 63/2017. O Recurso Voluntário, por seu turno, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Do Recurso Voluntário Preliminar de nulidade apresentada nos processos n. 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509 Conforme acima relatado, o presente auto de infração deverá ser julgado em conjunto com os processos n. 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, pois a cobrança aqui realizada só se sustenta na medida em que os referidos processos de compensação sejam julgados. Da análise de ditos processos de compensação, verificase que consta dos Recursos Voluntários ali apresentados um pedido preliminar no sentido de que seja reconhecida a nulidade da decisão de primeiro grau, por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que aquele DRJ teria, através de resolução da DRJ (vide fl. 825 do Proc. 13971.001036/200598), se recusado, sem razões legais, a analisar novos documentos e determinar diligências quando houvesse dúvida quanto aos documentos acostados. Alegou, ainda, que a negativa constante da Resolução iria de encontro com o entendimento do CARF sobre o tema. Assim, requereu a decretação da nulidade do acórdão recorrido, para que novo seja proferido, oportunizando a diligência e esclarecimentos necessários aos pontos de dúvida elencados, o que se requer. Em sessão de julgamento realizada em 24/10/2013, este Conselho entendeu por decretar a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2005, 28/02/2005, 30/06/2005 DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE A apensação de processos e a falta de uma decisão única, levandose em conta os processos apensados, o total dos créditos financeiros, as glosas dos valores, os débitos cuja compensação foram homologadas, em parte, os débitos remanescentes da compensação e o ressarcimento deferido, bem como a não apreciação das provas apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade implicam cerceamento do direito de defesa do contribuinte e fundamento de nulidade da decisão recorrida. Processo Anulado Fl. 909DF CARF MF Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.361 S3C3T1 Fl. 910 9 Verificase, contudo, que o Relator entendeu, naquela oportunidade, que configuraria cerceamento do direito de defesa do contribuinte a não apreciação da documentação acostada junto com a impugnação. Sendo assim, na nova decisão proferida, a Julgadora fez questão de consignar que toda a documentação juntada com a impugnação fora apreciada, não tendo sido considerada a documentação intempestivamente apresentada, por deliberação unânime da DRJ. Neste ponto, entendo que o não acatamento da documentação apresentada intempestivamente pelo contribuinte não leva à nulidade da decisão outrora proferida. Isso porque tal negativa não se deu "sem razões legais". Ao contrário, constatase da leitura da referida resolução que o não acatamento da juntada posterior de documentos deuse em razão da falta de comprovação de uma das causas indicadas no parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior, necessidade de atestar fato ou direito superveniente ou necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos). Ou seja, a fiscalização possuía respaldo normativo para assim proceder. Não vislumbro, portanto, causa de nulidade do acórdão recorrido. De outro norte, é cediço que este Conselho, em atenção ao princípio da verdade material, tem admitido, em determinadas situações, a juntada de documentos a posteriori pelo sujeito passivo, desde que a documentação apresentada seja relevante à solução da lide. No caso específico aqui analisado, o contribuinte anexou aos autos, antes mesmo do julgamento de primeira instância administrativa, uma série de notas fiscais relativas à comprovação atinente à Linha 1 (Glosa 1), Linha 2 (Glosa 2), Linha 3 (Glosa 1), Linha 7 (Glosa 1) e Linha 18 (Glosa 2). Acontece que ditos documentos, de fato, não chegaram a ser considerados pela fiscalização, exclusivamente em razão do entendimento acerca da extemporaneidade da sua apresentação. E o reconhecimento da nulidade determinada no Acórdão proferido por este Conselho em 24/10/2013 não supriu tal omissão, pois determinou que fossem apreciados os documentos juntados juntamente com a impugnação. Ou seja, até o momento, não foram apreciados os documentos apresentados pelo contribuinte após a impugnação. Ademais, de uma análise superficial de tais documentos, verificase que estes são relevantes à solução desta lide, podendo configurar provas suficientes à comprovação de parte do direito creditório pleiteado. Sendo assim, em observância aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da verdade material, entendo que a presente demanda deverá ser convertida em diligência, para que a autoridade fiscal competente analise os documentos anexados aos autos pelo contribuinte e não admitidos pela decisão recorrida conforme Resolução de fls. 825 dos autos, pronunciandose expressamente sobre a aptidão de tais documentos a comprovar parte do direito creditório objeto da presente demanda, bem como indicando os valores a serem admitidos. Após, o contribuinte deverá ser intimado para se manifestar quanto ao conteúdo dessa diligência, para que possa se manifestar sobre a mesma no prazo legal. Tendo em vista a conexão da presente demanda com os processos n. 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, destaquese que estes também deverão ser Fl. 910DF CARF MF Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.361 S3C3T1 Fl. 911 10 baixados em diligência, até porque, a conclusão obtida em um caso está intrinsecamente ligada à solução dos demais. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 911DF CARF MF
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