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Numero do processo: 10840.004396/2003-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 30/12/1993 a 10/12/1998
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados".
Numero da decisão: 9303-002.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 12/06/2015
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo, Presidente à época do julgamento.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 43 96 /2 00 3- 87 Fl. 952DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/06/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 12/06/2015 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo, Presidente à época do julgamento. Relatório Insurgese a sociedade empresária acima contra decisão que apontou ter ocorrido a prescrição do seu direito a postular administrativamente restituição do PIS recolhido com base na Medida Provisória 1.212/1995 no período compreendido entre dezembro de 1993 e dezembro de 1998. Para tanto, entendeu o colegiado que o prazo prescricional é de cinco anos e se conta a partir de cada recolhimento efetuado, consoante disposições dos arts. 165 e 168 do CTN corroborados pelos arts. 3º e 4º da Lei Complementar 118/2005. O pedido administrativo deu entrada em 11 de dezembro de 2003. O recurso foi instruído com cópia de decisão que aplicou a tese dos cinco mais cinco, e pugna pela sua aplicação ao caso com concomitante afastamento da Lei Complementar. Tempestivas contrarazões postulam a manutenção do julgado pelos seus próprios fundamentos. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi, a meu sentir, bem admitido, porquanto demonstrada a divergência de entendimentos. Dele conheço. E a ele cabe dar integral provimento. Isso porque já definido pelo e. Supremo Tribunal Federal que a regra oriunda da Lei Complementar nº 118/2005 não é meramente interpretativa e, pois, não se aplica a pedidos de restituição que lhe sejam anteriores. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/06/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10840.004396/200387 Acórdão n.º 9303002.417 CSRFT3 Fl. 6 3 Por ocasião do julgamento pelo Pleno do CARF, entre outros, do recurso extraordinário interposto no processo 13832.000210/9914, assim me pronunciei quanto à matéria: A matéria ora discutida, contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS. Nele discutiuse a constitucionalidade dos arts. 3º e 4º do referido diploma legal, que o pretendiam expressamente interpretativo de modo a poder ser aplicado mesmo às restituições requeridas judicialmente antes de sua publicação. Não se trata disso aqui, é certo, visto que a pretensão fazendária é apenas desconstituir a tese que prevaleceu no julgado administrativo segundo a qual o marco inicial é o dia de publicação de ato legal que “reconheceu” a inconstitucionalidade do dispositivo em que se baseou o recolhimento. Em outras palavras, não pugna a Fazenda pela aplicação retroativa da referida Lei, embora a forma de contagem do prazo prescricional por ela defendida isso implique. Isso não obstante, a ilustre Relatora no STF não deixa de enfrentar a discussão aqui posta. Com efeito, são suas palavras: “...Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra. Em suma, deve ser afastada a tese que demarca o início do prazo no “reconhecimento de inconstitucionalidade”. Ele é, sem mais discussão, a data de extinção do crédito tributário, consoante norma do art. 168, I do CTN como pretendido pela Procuradoria. O que isso implica, porém, não é, na inteireza, o que deseja a representação da Fazenda Nacional. Deveras, a mesma decisão reitera, como já se disse, que a interpretação que prevalecia no STJ era a dos cinco mais cinco mesmo para esses casos de declaração de inconstitucionalidade do ato legal instituidor ou majorador da exação. E que esse entendimento deve ser respeitado, em louvor ao princípio da Fl. 954DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/06/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 segurança jurídica, quando a postulação seja anterior à edição da Lei Complementar. Sendo essa a expressa conclusão do acórdão, prolatado pelo STF já na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, é obrigatória sua adoção pelos Conselheiros Membros do CARF, por força do art. 62A do Regimento Interno. No presente caso, indubitável que a petição do contribuinte deu entrada administrativamente em data bem anterior à edição daquela Lei Complementar. É de rigor, pois, reconhecer, que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN somente tem início após findo aquele que vem estipulado no art. 150, § 4º do mesmo Código. A aplicação ao caso concreto leva à conclusão de que não estava prescrito o direito do contribuinte à restituição de quantias atinentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 15 de dezembro de 1989, dado que o seu pedido ingressou administrativamente apenas em 15 de dezembro de 1999. Voto, assim, pelo não provimento do apelo fazendário de modo a manter o afastamento da prescrição com respeito aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, embora por fundamento diverso daquele adotado nos julgados já ocorridos. A situação deste recurso especial se ajusta exatamente àquela a que faz referência a douta Ministra: a Câmara recorrida considerou o dies a quo da contagem do prazo a data do recolhimento, quando o deveria ser a da homologação tácita, dado que o pedido é anterior à entrada em vigor da Lei Complementar 118. Assim considerado, todavia, impõese a reforma do julgado, visto que nenhum período está afetado pela prescrição. Deveras, mesmo o mais antigo, dezembro de 1993, poderia ser postulado até 31 de dezembro de 2003. Como já informado, o pedido deu entrada vinte dias antes. Com essas considerações, voto por dar provimento integral ao apelo do contribuinte e determino o retorno dos autos à Câmara recorrida para exame do mérito da postulação. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 955DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/06/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10840.004396/200387 Acórdão n.º 9303002.417 CSRFT3 Fl. 7 5 Fl. 956DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 15/06/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/06/2015 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
score : 1.0
Numero do processo: 13963.000662/2002-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 26/09/2002 a 01/10/2002
IPI.CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção juris et de jure, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ.
Recurso do contribuinte provido.
Numero da decisão: 9303-003.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Maria Teresa Martínez López - Relatora.
EDITADO EM: 11/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 26/09/2002 a 01/10/2002 IPI.CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção juris et de jure, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ. Recurso do contribuinte provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Maria Teresa Martínez López - Relatora. EDITADO EM: 11/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
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RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ. Recurso do contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 06 62 /2 00 2- 13 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Maria Teresa Martínez López Relatora. EDITADO EM: 11/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, interposto pela contribuinte contra Acórdão n° 20180.528, de 17/08/2007, às fls. 89/98, cuja ementa está assim redigida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados WI Período de apuração: 26/09/2002 a 01/10/2002 "IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A lei não autoriza o ressarcimento referente às aquisições que não sofreram incidência da contribuição ao PIS e da Cofins no fornecimento ao produtor exportador." A recorrente insurgiuse contra o não reconhecimento de seu direito ao crédito presumido do IPI sobre aquisições de matériasprima, produtos intermediários e material de embalagem que não sofreram a incidência do PIS e da Cofins na etapa anterior. Como paradigmas de divergências apresentou para as cópias de inteiro teor dos acórdãos n°20214.639, às fls. 143/147, e n° 20306.482, às fl. 149/162. Por meio do Despacho nº 33000311, sob o entendimento de terem sido observados todos os requisitos legais, foi dado seguimento ao recurso interposto quanto a Fl. 207DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13963.000662/200213 Acórdão n.º 9303003.212 CSRFT3 Fl. 7 3 divergência suscitada pertinente à possibilidade de se incluírem na base de cálculo do crédito presumido do IPI os insumos que não tenham sofrido incidência da Cofins e do PIS. Contrarrazões apresentadas pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional, onde pede a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Presentes os pressupostos legais para admissibilidade do recurso, dele tomo conhecimento. O acórdão recorrido entende que não pode ser incluído na base de calculo de credito presumido de IPI as aquisições de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS, enquanto o acórdão paradigma ente entende ser possível, restando, assim, demonstrada a divergência jurisprudencial necessária para seguimento do recurso especial interposto. Muito embora o assunto já se encontre pacificado no âmbito desta Eg. Câmara Superior, conforme jurisprudência trazida pela interessada, pertinentes são as conclusões do respeitável doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira em trabalho divulgado em 2000, quando o assunto era ainda polêmico.1 Para melhor clareza, peço vênia para reproduzir as suas conclusões como se minhas fossem: VII CONCLUSÃO: AS AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS INTEGRAM O CÁLCULO DO INCENTIVO, SENDO ILEGAIS AS INSTRUÇÕES NORMATIVAS FAZENDÁRIAS EM CONTRÁRIO De tudo se conclui que as aquisições de insumos que não tenham sofrido a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS também integram a determinação da base de cálculo do crédito presumido a que alude a Lei nº. 9363/96. Isto porque, e em síntese: a expressão legal “contribuições incidentes” não pode ser vinculada a cada operação de aquisição de insumos, pois tal vinculação não faz qualquer sentido lógico, além de impor condição a incidência sobre cada aquisição, isoladamente considerada de realização impossível, porque as contribuições não incidem na base de 5,37%, que é a porcentagem para cálculo do crédito presumido segundo a respectiva fórmula legal; seja pela literalidade da norma do art. 1o da Lei nº 9363, seja por sua consideração em conjunto com os demais dispositivos dessa mesma lei, especialmente com os que estatuem a fórmula 1 Em 20/06/200, sob o título: Crédito presumido de ipi para ressarcimento de PIS e COFINS direito ao cálculo sobre aquisições de insumos não tributadas. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 4 de cálculo do crédito presumido, verificase que a alusão ao ressarcimento das contribuições incidentes somente pode ser referida a todas as incidências que possivelmente tenham ocorrido em qualquer anterior etapa do ciclo econômico do produto exportado e dos seus insumos; o incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte; a fórmula legal de cálculo do incentivo manda considerar o valor total das aquisições de insumos, sem distinção entre as tributadas e as não tributadas; o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras, e não se confunde com restituição de contribuições, não havendo, assim, razão para exigir a incidência de contribuições para que uma aquisição de insumos seja integrada ao respectivo cálculo; o ressarcimento do crédito presumido, em moeda corrente, é uma forma alternativa de pagamento da subvenção, sendo que ressarcimento significa provimento do incentivo, em cobertura de parte das despesas de custeio, e não restituição de contribuições, também por isto sendo irrelevante ter ou não ter havido incidência sobre cada aquisição de insumos, isoladamente considerada; a prova da incidência e dos recolhimentos sobre cada aquisição de insumos era exigida pela legislação anterior, mas foi tacitamente revogada, não, podendo, pois, ser feita na vigência da nova lei, revogadora da anterior; o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, as quais integram o custo do produto exportado; tudo isto é confirmado pelas regras de hermenêutica, que excluem a interpretação pela literalidade da norma legal e a consideração de apenas um dispositivo isolado das demais normas da mesma lei e do ordenamento jurídico, que exigem resultado derivado da interpretação que seja coerente com os objetivos da lei, que excluem resultado ilógico e de realização impossível, e que requerem o emprego de todos os métodos de exegese, notadamente o sistemático, o teleológico e o histórico; não obstante, mesmo a letra da lei comporta perfeitamente a interpretação no sentido de que não é necessária a incidência sobre a aquisição de insumos, propriamente dita, referindose, antes, às possíveis incidências em quaisquer outras operações que tenham onerado as aquisições dos insumos e o custo do produto exportado. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 13963.000662/200213 Acórdão n.º 9303003.212 CSRFT3 Fl. 8 5 Em vista disso tudo, concluise de modo inarredável que carecem de base legal o parágrafo 2o do art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 23/97 (que limita o crédito às aquisições feitas à pessoas jurídicas e que tenham sido tributadas) e o art. 2o da Instrução Normativa SRF nº 103/97 (que exclui as aquisições feitas à cooperativas). Na verdade, o crédito presumido de IPI, por ser presumido, independe do valor que efetivamente tenha sido recolhido a título daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto vendido. Mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/PASEP e COFINS em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do benefício. Da posição atual do STJ Por fim, noticiase que a matéria, conforme jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, já se encontra pacificada 2. O Tribunal vem, repetidamente, entendido que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, (v. Lei nº 10.276/01) não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (RESP 993164, Min. Luiz Fux). O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou 2 Matérias Julgadas pelo STJ no Regime do art. 543C e Resolução STJ nº 08/08 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 6 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...) Verificase, assim, que a decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em caráter de definitividade, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CONCLUSÃO: Em face ao acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte, de forma a admitir o ressarcimento do valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. Sala das Sessões, em 27 de novembro de 2014 MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Fl. 211DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732426/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
RECURSO DE OFÍCIO.IMPROCEDENCIA
A parcela exonerada resulta de recálculo promovido pela própria Fiscalização na diligência efetuada relativamente aos equívocos apontados no relatório.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FUNDAMENTOS. PROCEDÊNCIA.
Há de se manter o lançamento tributário na circunstância em que a autoridade fiscal colaciona aos autos elementos suficientes à convicção de que, em virtude de generalizada retificação, a escrituração apresentada pelo contribuinte fiscalizado, diante de inúmeras e graves irregularidades, mostra-se imprestável para determinação do lucro real, justificando, assim, o arbitramento do lucro.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Presente o intuito deliberado de o contribuinte, por meio de retificações contábeis, reduzir o montante dos tributos e contribuições devidos ao Fisco, fato confirmado, inclusive, na conduta adotada no curso do procedimento fiscal e na estratégia utilizada nas peças de defesa, a exasperação da penalidade revela-se procedente.
CADUCIDADE. INOCORRÊNCIA.
Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional).
Numero da decisão: 1301-001.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, 1) Recurso de Ofício: Por unanimidade de votos, negado provimento. 2) Recurso Voluntário: Pelo voto de qualidade, negar provimento, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior (Relator) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 RECURSO DE OFÍCIO.IMPROCEDENCIA A parcela exonerada resulta de recálculo promovido pela própria Fiscalização na diligência efetuada relativamente aos equívocos apontados no relatório. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FUNDAMENTOS. PROCEDÊNCIA. Há de se manter o lançamento tributário na circunstância em que a autoridade fiscal colaciona aos autos elementos suficientes à convicção de que, em virtude de generalizada retificação, a escrituração apresentada pelo contribuinte fiscalizado, diante de inúmeras e graves irregularidades, mostra-se imprestável para determinação do lucro real, justificando, assim, o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Presente o intuito deliberado de o contribuinte, por meio de retificações contábeis, reduzir o montante dos tributos e contribuições devidos ao Fisco, fato confirmado, inclusive, na conduta adotada no curso do procedimento fiscal e na estratégia utilizada nas peças de defesa, a exasperação da penalidade revela-se procedente. CADUCIDADE. INOCORRÊNCIA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional).
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Recorrente DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA.I Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 RECURSO DE OFÍCIO.IMPROCEDENCIA A parcela exonerada resulta de recálculo promovido pela própria Fiscalização na diligência efetuada relativamente aos equívocos apontados no relatório. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FUNDAMENTOS. PROCEDÊNCIA. Há de se manter o lançamento tributário na circunstância em que a autoridade fiscal colaciona aos autos elementos suficientes à convicção de que, em virtude de generalizada retificação, a escrituração apresentada pelo contribuinte fiscalizado, diante de inúmeras e graves irregularidades, mostra se imprestável para determinação do lucro real, justificando, assim, o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Presente o intuito deliberado de o contribuinte, por meio de retificações contábeis, reduzir o montante dos tributos e contribuições devidos ao Fisco, fato confirmado, inclusive, na conduta adotada no curso do procedimento fiscal e na estratégia utilizada nas peças de defesa, a exasperação da penalidade revelase procedente. CADUCIDADE. INOCORRÊNCIA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 24 26 /2 01 1- 61 Fl. 92690DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, 1) Recurso de Ofício: Por unanimidade de votos, negado provimento. 2) Recurso Voluntário: Pelo voto de qualidade, negar provimento, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior (Relator) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Fl. 92691DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 3 3 Cuidase de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS. Depreendese da análise do presente processo administrativo que em desfavor da contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração de IRPJ e reflexos atinentes ao anocalendário 2006. Verificase que os tributos lançados incidiram sobre base de cálculo arbitrada, afastandose o lucro real utilizada pela contribuinte, ante a constatada imprestabilidade da sua escrita. Dessa forma, uma adotada a sistemática do lucro arbitrado, inviável a manutenção do regime de apuração nãocumulativo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, consoante disposto no art. 8º, II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Houve, assim, o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro CSL, da Cofins e do PIS. Consta ainda que a multa de ofício foi aplicada com a qualificação (150%), uma vez que o contribuinte teria agido de forma dolosa com a finalidade de ocultar pendências e obter vantagens fiscais ilícitas. Tendo em vista o bem articulado e minudente relatório elaborado pela decisão recorrida, considerada ainda a extensão, adotoo na íntegra conforme segue: [...] Relatório O presente processo contempla o lançamento de tributos, sendo que os tributos incidentes sobre a renda e o lucro tiveram as bases de cálculo arbitradas. A motivação para a adoção da sistemática do lucro arbitrado, afastandose a do lucro real utilizada pelo contribuinte, repousa sobre a imprestabilidade da escrita. Dessa forma, uma vez que adotada a sistemática do lucro arbitrado, inviável a manutenção do regime de apuração nãocumulativo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, consoante disposto no art. 8º, II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Houve, assim, o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ,da Contribuição Social sobre o Lucro CSL, da Cofins e do PIS. A multa de ofício aplicada foi a qualificada (150%), uma vez que o contribuinte teria agido de forma dolosa com a finalidade de ocultar pendências e obter vantagens fiscais ilícitas. Esse o resumo da questão ventilada nos autos. Segundo aponta a Fiscalização (fl. 8.707), a principal atividade do contribuinte é a montagem de computadores. As peças utilizadas na produção dos computadores são, quase que integralmente, importadas. Essas importações são preponderantemente provenientes de sociedades ligadas ao contribuinte (6070%). O próprio contribuinte também exporta produtos e serviços para sociedades ligadas (menos de 20% do total das receitas). O software vendido juntamente com os computadores também é adquirido juntamente a empresa ligada (Dell americana), que negocia Fl. 92692DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 diretamente com a titular dos direitos (Microsoft). Esse o cenário negocial. Passo aos detalhes do trabalho fiscal. Em 13 de dezembro de 2010 foi dado início ao trabalho fiscal que culminou no lançamento objeto da impugnação ora em análise (fls. 4 a 7). Na oportunidade, foram requeridos (a) os registros contábeis relativos aos anoscalendário 2003 a 2006 (fl. 4, item 5) e (b) esclarecimentos quanto à exclusão de R$ 52.692.848,36 na apuração do lucro real do anocalendário 2006 (fl. 5, item 12). No que diz respeito à exclusão (fl. 5, item 12), foi solicitada pelo contribuinte, em 12 de janeiro de 2011, a prorrogação do prazo para o oferecimento da resposta (fl. 11). Foi, então, concedido o prazo extra solicitado (30 dias – fls. 11 e 12). Em 11 de fevereiro de 2011, o contribuinte apresentou relação de contas e valores que montavam o valor lançado como “Outras Exclusões” na apuração do lucro real do anocalendário 2006 (fl.14). A manifestação do contribuinte, na oportunidade, foi a seguinte (fl. 14): “Referente a este item a Dell informa que foi efetuada a revisão de alguns processos resultando nos ajustes de R$ 52.692848,36 e de R$ 15.187.230,29, anoscalendário 2006 e 2008 respectivamente, os quais estão abaixo demonstrados:” Em 24 de fevereiro de 2011, a Fiscalização intimou o contribuinte a apresentar esclarecimentos quanto às exclusões antes noticiadas, embasando a resposta com registros contábeis, apontamentos no Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur e documentos. Confirase os termos da intimação (fls. 19 e 20): “10 Na primeira intimação, a empresa foi chamada a justificar a origem dosvalores lançados como Outras Exclusões nas DIPJs AC 2006 (52.692.848,36) e 2008 (15.187.230,29), o prazo inicial da intimação foi de 30 dias. Foi solicitado mais 30 dias de prazo, e ao final desses 60 dias foi apresentada uma lista de contas e saldos para cada ano, na tentativa de comprovar aqueles valores. A seguir algumas colocações sobre cada ano: 10.1 – Ano 2006: é apresentada uma listagem de contas, dentre estas, foram incluídas contas de Ativo e de Passivo, as quais sendo contas patrimoniais não influenciam no resultado de período, logo não servem como argumento para justificar exclusão do lucro real. Para citar uma rubrica mais relevante, comentaremos sobre a Provisão de Garantia. A situação registrada na contabilidade e na DIPJ é a seguinte: a empresa apropria uma provisão no Passivo (231022042 – PROV GARANTIA EQUIPINSTA), e como contrapartida lança uma conta de Despesa (331053205 – PROVISÃO DE GARANTIA) dentro do subgrupo Despesas Indedutíveis. No encerramento do exercício o saldo da conta de despesa (56.225.361,90) é levado a resultado diminuindo o lucro contábil. Como o próprio nome do Subgrupo sugere tratase de uma despesa não dedutível para fins tributários, assim, deve ser adicionada na ficha de apuração do lucro real, e foi dessa forma que aempresa procedeu em sua declaração. Contabilidade e DIPJ ficaram alinhadas e de acordo com a legislação tributária. Fl. 92693DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 4 5 Na listagem de contas apresentadas, a contribuinte considerou que o saldo de Passivo (231022042 – PROV GARANTIA EQUIP INSTA), no valor de R$ 113.408.653,54 como passível de exclusão do lucro real; e o saldo da conta Despesa (331053205 – PROVISÃO DE GARANTIA) no valor de R$ 57.183.291,64 como passível de adição. Desta forma restaria um saldo de exclusão de R$ 56.225.361,90, ou seja, nesta composição extra contábil e extra Lalur a empresa estaria anulando aquela adição corretamente apropriada na DIPJ. Além das contas citadas a empresa apresenta uma série de outras contas com ajustes de saldos sem trânsito pela contabilidade ou pelo Lalur, chegando ao extremo de retirar uma fatia de R$ 65.530.743,00 do lucro do exercício, isso tudo sem qualquer comentário ou explicação. ... 10.3 – No rol de ajustes apresentados para o ano calendário de 2006, a empresa inclui a adição de renda variável e a reversão das adições e exclusões de variação cambial na tentativa de justificar questionamentos da fiscalização na intimação inicial, e objetos de indagação nos itens 9 e 10 deste termo. 10.4 – Pelos motivos apresentados neste item 10, os ajustes apresentados não sevem para comprovar os valores lançados em outras exclusões nas DIPJs 2006 e 2008, também não justificam as exclusões de Variação Cambial e a falta de adição de Renda Variável na DIPJ 2006. A empresa fica intimada a manifestarse a respeito, lembrando que qualquer explicação deve ser embasada em registros contábeis e/ou registros no Lalur e base documental.” Em 16 de março de 2011, o contribuinte lavrou a seguinte resposta (fls. 28, 29, 34 e 35): “8 – Na intimação anterior a empresa foi questionada sobre a apuração de ganhos/perdas em aplicações de renda variável. Em sua resposta apresentou planilha demonstrativa da apuração dos ganhos/perdas dedutíveis e não dedutíveis nos anos 2004 a 2008. A esse respeito requeremse os seguintes esclarecimentos:” (transcrição do questionamento) “Gostaríamos de esclarecer que no ano de 2009 a Dell efetuou a revisão de seus controles internos e identificou que algumas contas contábeis apresentavam inconsistências nos respectivos saldos. Com o objetivo de aprimorar seus controles internos, a Dell efetuou a conciliação destas. Como resultado da conciliação, foram identificados determinados ajustes, os quais foram registrados contabilmente no encerramento do mês de janeiro de 2009, mês de encerramento do exercício social da empresa, conforme dispõe o contrato social. Vale ressaltar que a empresa atentou para a determinação legal presente na Instrução Normativa DNRC 107/08 (instrumento da legislação comercial que rege a escrituração dos livros contábeis das empresas), a qual não Fl. 92694DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 permite que sejam retificados os livros da escrituração comercial (Diários) que já tenham sido escriturados. Deste modo, os lançamento ocorreram contra Lucros Acumulados do período de janeiro de 2009 que até aquela data não havia sido encerrado, tudo conforme determina a legislação societária. Respeitando o regime de competência conforme disposto no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/2009, a Dell retificou as bases fiscais nos respectivos exercícios, conforme evidenciado nas declarações retificadoras devidamente entregues à Receita Federal. Como a Dell estava obrigada a preservar nas DIPJs retificadas (Fichas 04, 05, e 06) os montantes contabilizados e registrados no Livro Diário, para manter a consistência com as informações contábeis, os reflexos fiscais dos ajustes contábeis foram em sua totalidade efetuados na linha de outras adições/exclusões da ficha 09A de cada ano calendário. Notese que caso fossem efetuadas em linhas próprias não ocorreria uma correspondência com os valores contemplados na ficha de demonstração do resultado, a qual não pode ser alterada conforme esclarecido. Por fim encontrase no CD ROM no formato “xls”, planilhas demonstrando os saldos contábeis originais e ajustados, bem como respectivas apurações fiscais.” Relativamente ao item 10 da intimação (antes transcrito) “Esclareçase que no trabalho de conciliação já mencionado todos os valores de provisão de adicionados ao lucro líquido quando se referiam a saldo do exercício e excluídos quando referentes a exercício anterior. Uma vez que ambos foram revertidos, tal reversão deuse pelo lançamento contrário, ou seja, aquilo que havia sido adicionado agora foi excluído e o que havia sido excluído agora foi adicionado. Assim, se pegarmos o exemplo do valor da provisão de garantia de R$ 113.408.653,54, que havia sido adicionada ao lucro líquido de 2006, agora, por força do ajuste contábil, a mesma foi excluída para efetivar a sua reversão. Da mesma forma, se pegarmos o valor da provisão de garantia de R$ 57.183.291,64 (saldo de exercício anterior) que havia sido excluída do lucro líquido de 2006, verificase que a mesma foi agora adicionada ao lucro líquido ajustado a fim de que sua reversão fosse efetivada. Notese, portanto, que não houve nenhum lançamento extra contábil ou extra lalur. Relativamente ao item 10.4 da intimação (antes transcrito): “Os valores lançados em outras adições/exclusões nas DIPJs 2006 a 2008 podem ser comprovados pelos demonstrativos de apuração dos impostos e ajustes contábeis apresentados em formato “xls” no CD ROM. Vale lembrar que os mencionados ajustes contábeis estão embasados em registros contábeis efetuados em janeiro de 2009 pelos motivos já expostos na introdução do item 8 desta cartaresposta, bem como no LALUR entregue à fiscalização que demonstra a apuração do imposto de renda após o reflexo fiscal dos ajustes contábeis.” Fl. 92695DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 5 7 Frente às considerações do contribuinte, acima reprisadas, a Fiscalização intimou o contribuinte a prestar novos esclarecimentos em 20 de maio de 2011. Confirase a redação da referida intimação (fls. 1.195 a 1.204): “1 – No Termo de Início da Fiscalização e no Termo de Intimação 01, a empresa foi questionada sobre a origem de valores lançados como outras exclusões nas DIPJ AC 2006 e 2008, sendo que em resposta à última intimação informou que no ano de 2009 efetuou revisão de seus controles internos e efetuou conciliação de algumas contas contábeis, contabilizando os ajustes em 01/2009. Para demonstrar a dita conciliação foram apresentados balancetes de ajustes, os quais contemplam alterações desde o ano calendário 2002 até o ano calendário 2008. Ao contrário do que afirmou a fiscalizada, não se trata de um ajuste em “algumas contas”, mas alterações relevantes em praticamente todas as contas do elenco, onde em grande parte delas há modificações na casa de dezenas de milhões. Nesse sentido, no intuito de esclarecer este verdadeiro refazimento contábil, a empresa fica intimada a responder os itens abaixo: 1.1 Qual foi o motivo que levou a empresa a refazer sua contabilidade desde 2002 Até 2008? 1.2 De quem partiu a decisão para a efetivação desta conciliação? Apresentar cópias de atas de reuniões, ou outros documentos deliberando sobre o assunto. 1.3 Em que data começaram os trabalhos de conciliação e quando terminaram? 1.4 A reforma contábil foi efetivada por empregados da Dell ou por empresa terceirizada? Se por empresa terceirizada apresentar os contratos de prestação de serviço. 1.5 Os papéis de trabalho gerados na conciliação estão armazenados na sede da empresa? Deixar à disposição da fiscalização, na sede da empresa, para eventual consulta e/ou cópia. 1.6 Somente são passíveis de conciliação as contas patrimoniais, pois são estas que abrigam bens, direitos e obrigações e têm uma base documental a ser comparada com os registros contábeis, as contas de resultado apenas refletem os ajustes patrimoniais. Com base nisso, apresentamos para manifestação, questões extraídas dos balancetes de ajustes. 1.7 Os questionamentos a seguir referemse aos ajustes constantes do balancete de 2006:” Em 13 de junho de 2011, o contribuinte apresentou suas respostas aos questionamentos fiscais (fls. 1.266 a 1.277), nos seguintes termos: 1.1 Fl. 92696DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 “A identificação de algumas inconsistências em seus lançamentos contábeis, os quais foram corrigidos com a revisão de controles internos e conciliação dessas contas. Os ajustes e conciliação contábeis efetuados foram realizados observandose rigorosamente a legislação societária e fiscal brasileira.” 1.2 “A decisão foi da administração da empresa. Não existem atas ou outros documentos formalizando tal decisão.” 1.3 “Os trabalhos começaram no primeiro trimestre de 2007 e terminaram com ajustes fiscais em março de 2009 através da apresentação das retificações de DCTFs, DACON e DIPJ e contábeis em junho de 2009 através da inclusão dos referidos ajustes no sistema de contabilidade da empresa.” 1.4 “Pela equipe da Dell. Os ajustes contábeis foram efetivados pela equipe da Dell. Entretanto, ocasionalmente, no decorrer dos trabalhos, a Empresa contou com o suporte de consultores contábeis, tais como DELOITTE TOUCHE TOHMATSU CONSULTORES LTDA e ERNEST & YOUNG ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA.” 1.5 “Os papéis de trabalho estão à sua disposição na sede da Empresa” 1.7 “Comentário. Importante ressaltar que nas planilhas apresentadas os valores de contrapartida lançados nas contas de resultados foram incorporados no Patrimônio Líquido de cada ano, ou seja, as diferença entre Ativo e Passivo, se referem ao Resultado do Exercício em análise.” A planilha a qual se refere o contribuinte, relativamente ao ano calendário 2006, encontrase às fls. 1.105 a 1.118. Esse documento contempla as contas da escrita do contribuinte (ativo, passivo, patrimônio líquido, receitas e despesas), indicando o saldo que teria constado dos livros comerciais em 31 de dezembro de 2006 e os ajustes implementados em função da conciliação. Segundo indicado na fl. 1.118, o resultado dos ajustes foi uma perda de R$ 65.530.734,00, que transformaram o anterior lucro societário de R$ 60.863.410,00 em um prejuízo de R$ 4.667.324,00. O ajuste implementado no resultado comercial (R$ 65.530.734,00) foi lançado na ficha 09A (“Demonstração do Lucro Real”), consoante informado pelo contribuinte à fl. 14. O ajuste de R$ 65.530.734,00, objeto do parágrafo anterior, não foi o único. O documento da fl. 14 aponta extensa relação de ajustes, dentre os quais se inclui o de R$ 65.530.734,00. A soma de todos os ajustes indicados na fl. 14 (novas adições e exclusões) monta o valor de R$ 52.692.847,00. Fl. 92697DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 6 9 Relativamente ao ano calendário 2006, o contribuinte efetuou a entrega de duas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. A primeira, original, foi entregue em 29 de junho de 2007 (fl. 4.227). Nessa declaração houve a indicação de lucro líquido antes do IRPJ no valor de R$ 81.170.273,29. Esse lucro líquido, ajustado por adições e exclusões, montou R$ 107.351.647,84 de lucro real antes da compensação de prejuízos fiscais. Efetuada a compensação de prejuízos fiscais no valor de R$ 3.733.675,56, o contribuinte declarou lucro real após a compensação de prejuízos no montante de R$ 103.617.972,28 (fl. 4.232). A segunda, retificadora, foi entregue em 23 de março de 2009 (fl. 4.359). Nessa declaração houve a indicação de lucro líquido antes do IRPJ no valor de R$ 81.170.273,29. Esse lucro líquido, ajustado por adições e exclusões, montou R$ 92.896.173,63 de lucro real antes da compensação de prejuízos fiscais. A diferença entre os ajustes apontados nessa declaração e na anterior está na rubrica “Outras Exclusões”, que passou de R$ 38.237.374,15 para R$ 52.692.848,36 (aumento de R$ 14.455.474,21). Efetuada a compensação de prejuízos fiscais no valor de R$ 9.573.016,34 (aumento de R$ 5.839.340,78), o contribuinte declarou lucro real após a compensação de prejuízos no montante de R$ 83.323.157,29 (fl. 4.364). A Fiscalização, no “Relatório da Ação Fiscal” (fl. 8.7057), tratou de demonstrar a envergadura do trabalho de conciliação levado a efeito pelo contribuinte. Apresentou levantamento segundo o qual, no ano calendário 2006, o contribuinte havia realizado ajustes em 94% das contas da sua escrituração. O resultado dos ajustes, decorrente da conciliação, foi lançado em 31 de janeiro de 2009 na conta Lucros Acumulados (ajuste de exercícios anteriores) relativamente aos anoscalendário de 2002 a 2008. Os lançamentos a débito naquela conta totalizaram R$ 11.777.532.322,99, enquanto os a crédito montaram R$ 11.551.946.765,19. Contabilmente, então, houve um decréscimo patrimonial de R$ 225.585.557,80. Frente a isso, a Fiscalização conclui que “a Empresa assume claramente que a sua contabilidade formalizada e registrada desde o início de suas atividades no Brasil estava completamente errada e não merece crédito” (fl. 8.707). Para que se possa ter uma idéia das alterações registrais implementadas, os agentes do Fisco relataram algumas mais relevantes. Confirase (fl. 8.711): .... Quanto à eficácia dos ajustes operados, a Fiscalização apresentou a seguinte manifestação (fl. 8.709): “Não há maiores óbices quanto aos procedimentos de registro praticado pela Fiscalizada sob ponto de vista formal, os problemas surgem no tocante à materialidade, quando se verifica o período ajustado, a quantidade de contas retificadas, os montantes modificados, e principalmente quando analisados os dados das contas. Fl. 92698DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Na análise dos lançamentos de ajustes verificamse, registros sem base documental, alterações indevidas em contas de estoques, exclusões de pagamentos efetivamente realizados, adoção de regime de caixa para alguns contratos, adulterações em planilhas de variações cambiais, etc. Há graves incorreções tanto nos lançamentos contábeis, quanto nos balancetes fiscais usados para apurar os novos resultados societários e fiscais.” A Fiscalização identificou desrespeito aos princípios contábeis da Competência e do Registro pelo Valor Original, evocando a Resolução nº 750, de 29 de dezembro de 1993, do Conselho Federal de Contabilidade. Apontou recorrente erro temporal dos registros, porquanto datados em função do pagamento (regime de caixa). Segundo o acusador, os lançamentos não estariam embasados em documentos hábeis e idôneos. Outros erros, entretanto, seriam bem mais contundentes. Confirase trecho do Relatório da Ação Fiscal (fl. 8.712): “Diante de todos os milhões de lançamentos que compuseram o refazimento contábil, com a finalidade de averiguarmos a veracidade das informações registradas, foram selecionados vários pontos considerados relevantes dentro das operações da Empresa para uma análise mais aprofundada. Adentrandose na contabilidade Sped 2009, por meio de análise detalhada de todo o conjunto de lançamentos de ajustes praticados pela Empresa, constatamos inúmeras irregularidades que, devido a sua abrangência tanto em quantidade quanto em valores, maculam de tal forma todo o refazimento contábil que o tornam inaceitável para fins tributários. A Fiscalizada conduziu seus registros contábeis durante uma década de forma irregular, mantendo lançamentos errados e deixando de fazer outros, com falta de controle contábil de suas contas a pagar e a receber de pessoas ligadas, de onde surgem passivos irreais na casa de centenas de milhões de reais. Em 2009, momento em que refaz sua contabilidade, esperavase um perfeito ajuste de forma a não restar qualquer pendência, porém, o que se constata é a geração de outras irregularidades ainda maiores.” Segundo aponta a Fiscalização, a escrita do contribuinte apresentava “total descontrole de sua movimentação financeira e da contabilização de pagamentos e recebimentos, especialmente no que diz respeito às importações e exportações de pessoas ligadas” (fl. 8.713). O contribuinte teria contabilizado ajustes em 31 de janeiro de 2009 com a finalidade de afastar passivos fictícios decorrentes do descontrole antes referido, fazendo referência aos anoscalendário de 1999 a 2003. A Fiscalização solicitou a apresentação dos documentos que suportaram os referidos lançamentos, mas o contribuinte não os apresentou (fl. 8.713). As planilhas preparadas pelo contribuinte (balancetes fiscais) relativamente aos anoscalendário 2002 e 2003 apontam ganho com os ajustes no valor de R$ 135.604.219,00 (fls 1.020, 1.034, 1.048, 1.062 e 1.076). A Fiscalização, sem ter tido a possibilidade de verificar o acerto dos ajustes antes citados (o contribuinte não apresentou documentos suporte), protestou por isso, dando destaque ao não oferecimento do valor de R$ 135.604.219,00 à tributação, tendo em vista a decadência, bem como a manutenção dos prejuízos fiscais originalmente registrados e declarados. Elencou vários lançamentos contábeis contemplando valores expressivos (fl. 8.714). Esses lançamentos diriam Fl. 92699DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 7 11 respeito a importações e exportações envolvendo sociedades ligadas. A falta de apresentação dos documentos que dariam sustentação aos lançamentos, requeridos por meio do “Termo de Intimação 03”, tornaram impossível comprovar o acerto do ajuste, tanto no aspecto valorativo quanto temporal. Mesmo que lançado relativamente ao anocalendário 2002, dizia respeito àquele anocalendário? Ou deveria ter sido efetuado o ajuste relativamente ao anocalendário 2006? Sem os documentos não seria possível efetuar a necessária verificação. Não bastasse a falta de documentação, os históricos adotados nos lançamentos seriam genéricos, dificultando a ligação de eventuais documentos, caso tivessem sido apresentados, com os lançamentos contábeis. Citouse o seguinte exemplo relativamente às operações de comércio exterior: “diversos processos de 1999 a 2001” (fl. 8.714). Além disso, da forma como demonstrados os ajustes, impossível a análise de um dos anos dissociada dos demais. Isso ocorre em função dos critérios adotados pelo contribuinte. Os ajustes retratados nas planilhas (balancetes fiscais) tomam os valores da contabilidade como base a ser ajustada. Se tomarmos como exemplo o anocalendário 2006, teremos saldos contábeis que já foram objeto de ajustes em anos anteriores (2002, 2003, 2004 e 2005). Como procedeu o contribuinte? Criou uma conta no patrimônio líquido apontado nas planilhas (balancetes fiscais), denominada “Encerramento Exercício Ajustes” (nº 249019999), na qual acumula o valor dos ajustes efetuados nos anos anteriores. Em 2006, o valor dos ajustes efetuados nos anos anteriores era de R$ 113.105.586,34 (fl. 1.111). Esse valor equivale à soma dos ajustes efetuados em 2002 e 2003, já esclarecido acima (R$ 135.604.219,00 ), com os ajustes operados em 2004 (R$ 26.083.726,00 – fl. 1.090) e 2005 (R$ 3.585.093,00 fl. 1.104). Assim, os ajustes indicados ano a ano nas planilhas (balancetes fiscais) dizem respeito aos valores acumulados no curso dos anos objeto dos ajustes, de 2002 até o ano em questão, no caso dos autos, 2006. Dessa forma, só se pode aquilatar a correção dos ajustes operados em 2006 quando se atesta a correção dos ajustes do passado e a distribuição desses ajustes no tempo, tendo em vista o princípio da competência. A Fiscalização aponta equívoco no estorno do lançamento de receita com serviços que teria sido auferida em 2003 e lançada, originalmente, em 2004 (fls. 8.7156). Indica que o lançamento foi efetuado sem respeitar o princípio da competência e a legislação tributária, tendo em vista erro evidente no cálculo dos tributos federais devidos (IRPJ e CSL – calculados em 5,84% e 1,87% quando o correto seria 25% e 9%). Estornado o valor, é feito novo lançamento em 31 de janeiro de 2009, contemplando somente a receita, sem tributos (efeito da decadência). Solicitados os documentos suporte (“Termo de Intimação Fiscal 03 – item 10.4), o contribuinte apresenta uma “invoice” (fatura) redigida em inglês, dando conta da prestação de serviços para sociedade portuguesa no valor de US$ 3.914.949,00 em dezembro de 2004 (fl. 2.405). Não foi apresentada nenhuma nota fiscal relativamente ao referido serviço. São apontadas falhas quanto à Fl. 92700DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 contabilização original e ajustada tanto no que diz respeito ao princípio da competência quanto à documentação suporte. Estornos de pagamentos comprovadamente realizados Na contabilidade original, o contribuinte registrou as aquisições de peças utilizadas na produção dos computadores e dos programas vendidos juntamente com os equipamentos da seguinte forma: débito da conta de “MatériaPrima” (estoque no ativo) e crédito das contas “Intercia Fornecimentos” e “Despesas Aduaneiras” (dívida no passivo); quando do pagamento das dívidas, débito das contas do passivo (“Intercia Fornecimentos” e “Despesas Aduaneiras”) e crédito da conta “Bancos”. A conta “Bancos”, que registra a movimentação bancária, tem, por natureza, saldo devedor, o que indica depósitos em favor da sociedade. O lançamento a crédito reduz o saldo devedor em função do pagamento da dívida. A Fiscalização deu destaque a seguinte constatação (fl. 8.718): “Os extratos bancários apresentados pela Fiscalizada demonstram que efetivamente ocorreu a transferência financeira nos exatos valores contabilizados com adição ou redução das variações cambiais.” O contribuinte, mesmo diante da comprovação do pagamento das aquisições, efetuou lançamentos de ajuste relativamente às operações antes referidas. O lançamento efetuado foi o seguinte: foi debitada a conta “Lucros/Prejuízos Acumulados Anos Anteriores” e creditada a conta “Intercia Fornecimentos”. A dívida paga voltou a constar do passivo, como uma dívida a pagar. O resultado foi diminuído (impactado negativamente) em função do débito (contas de resultado devedoras apontam perdas, enquanto as credoras, ganhos). Relativamente ao anocalendário 2006, a Fiscalização apontou que os ajustes operados pelo contribuinte redundaram no completo estorno (reversão) dos lançamentos contábeis de registro das importações de mercadorias, seja de sociedades ligadas, seja de terceiros. Na efetivação dos ajustes, o contribuinte teria abandonado o critério de lançar em função dos processos de importação para tomar as notas fiscais. Ocorre, entretanto, que os lançamentos de estorno não foram efetuados pela simples reversão dos lançamentos originais. O contribuinte tomou os saldos das contas do passivo (“Intercia Fornecimentos” e “Despesas Aduaneiras”), concentradoos em outra conta do passivo chamada “Fornecedores Estrangeiros” (debitou as primeiras e creditou a última). A esse respeito, assim se manifestou a equipe fiscal (fl. 8.719): “Os estornos das importações de 2006 somaram a quantia de R$ 785.514.993,47. A Empresa foi intimada especificamente sobre isso no item 10.11 do Termo de Intimação 03, quando foi juntada listagem de todos os estornos e solicitados os documentos originais de dez lançamentos como amostragem. No entanto, apesar de toda a relevância da situação onde quase um bilhão de reais foi objeto de estorno, não houve manifestação da Empresa para a intimação. A planilha constante do Termo 03, com todos os lançamentos de estorno extraídos da contabilidade SPED, é juntada às fls. 2229/2364.” Fl. 92701DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 8 13 Aumentos dos custos pelo novo registro de compras já pagas A Fiscalização identificou lançamentos de ajuste (operados em 31 de janeiro de 2009 – fls. 5.132 a 5.173) que importaram no reconhecimento pela sociedade de dívidas que já haviam sido pagas, importando no aumento dos custos de produção (elemento redutor do resultado). As contas movimentadas foram as seguintes: foi debitada a conta “Lucros/Prejuízos Acumulados Anos Anteriores” e creditada a conta “Intercia Fornecimentos”. Os agentes do Fisco comprovaram, por via de extratos bancários, que as dívidas já estavam quitadas, motivo pelo qual não seria possível a indicação daqueles valores como pendentes de quitação (passivo – valores a pagar – fl. 8.720). Consoante apontado pela Fiscalização, a contabilização original foi efetuada em função dos processos de importação. Na oportunidade, o contribuinte teria debitado uma conta de resultado (custos com matériaprima) e creditado o passivo em função das dívidas contraídas com a aquisição do material. Mais adiante, quando do pagamento das dívidas, teria havido a baixa do passivo e a redução do saldo bancário. O lançamento de ajuste, deu nova vida a uma dívida já extinta e aumentou, indevidamente, os custos de produção (redutores do resultado). Detalhes e exemplos constam das fls. 8.720 a 8.724. Quanto a esse tópico, a acusação é a seguinte: “No refazimento contábil de 31/01/2009, resolve estornar tudo e lançar novamente. Porém, após os estornos lança apenas as entradas pelas notas fiscais. Os pagamentos são estornados contra resultado do exercício, aumentando os custos do período, e não são restabelecidos dentro da reforma contábil. Dessa prática resulta a geração de passivos fictícios, uma vez que são lançadas as notas fiscais a crédito de fornecedores, relativas a processos de importação já liquidados, e ao mesmo tempo são estornados os pagamentos correspondentes. A geração de passivos fictícios é comprovada por outros ajustes que a Empresa obrigouse a fazer, citados no item 9 deste tópico “V” – Sistema Contábil X Sistema Gerencial. Lá é demonstrada a ocorrência de baixa do passivo de forma global e sem base documental. Sobre este tema a Empresa foi intimada no Termo 02 item 2.1, porém em sua resposta tergiversou, dando a entender que o questionamento era sobre a contabilização dos royalties, enquanto que o quesito era claro ao referir todos os demais processos de importação – com anexação de listagem. Resposta Fls. 1386/1393.” Não bastasse isso, o contribuinte foi intimado por mais uma vez para esclarecer a presente questão. Isso se deu por meio do “Termo de Intimação Fiscal 04 – item 6” transcrito às fls. 8.725/6. Consoante aponta a Fiscalização, não houve resposta para o questionamento. Fl. 92702DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 Quanto aos documentos solicitados pela Fiscalização, os agentes públicos informam que a entrega foi parcial, uma vez que apresentadas, essencialmente, “invoices” (faturas) e declarações de importação, tendo sido apresentadas apenas 8 notas fiscais de entrada de um total de 34 requeridas (fl. 8.726). Justamente essas notas fiscais teriam servido de lastro para os lançamentos contábeis. A Fiscalização entende que o comportamento do contribuinte “caracteriza claro intuito de dificultar a análise de todo o processo irregular” (fl. 8.728), assim se manifestando (fl. 8.729): “Essa transformação de pagamento de fornecedores em custo é algo absolutamente irregular, não há qualquer norma contábil e muito menos lei fiscal que dê amparo a tal procedimento. Isso é meramente manipulação de dados contábeis para a obtenção de menor base tributável.” Dito isso, a Fiscalização conclui que o contribuinte deu azo a “manobra contábil” com a finalidade de “ocultar pendências fiscais. Confirase: “A citada manobra contábil deixa claro que todo esse refazimento contábil não teve o intuito de regularizar a escrituração, mas apenas ocultar pendências fiscais. Num primeiro momento a Fiscalizada baixa, sem tributação, centenas de milhões de passivos fictícios relacionados aos anos 2002 e 2003, dando uma aparência de acerto em suas contas. Porém, logo a seguir, gera novos passivos fictícios, pois isso foi o que ocorreu. Se existiam os registros de entradas dos processos de importação em Fornecedores, e também existiam os registros de pagamentos correspondentes, ao estornar estes pagamentos contra Resultado, as obrigações já liquidadas voltam a ficar em aberto de forma irreal. ... Importante frisar que os citados pagamentos foram feitos contra a conta Lucros/Prejuízos Acumulados Anos Anteriores, mas os históricos citam a conta de custo 321013022 – Materiais Produtivos Mercado Interno teve aumentos relevantes dos saldos em todos os anos ajustados , conforme segue: 2004 = R$ 100.555.306,16; 2005 = 246.537.445,48; 2006 = 66.816.540,30. Isso pode ser conferido nos balancetes fiscais anexos às fls. 1009/1189.” Das falhas na contabilização dos royalties O software vendido juntamente com os computadores é adquirido frente a empresa ligada (Dell americana), que negocia diretamente com a titular dos direitos (Microsoft). Os valores devidos pelo contribuinte em função desses negócios são contabilizados a título de royalties. O interessado foi intimado a apresentar os contratos que regem a relação comercial em comento e, por conseguinte, dão lastro aos valores apontados na escrita (item 14 do “Termo de Início” e item 3.3 do “Termo de Intimação 02”). Não houve a apresentação do contrato firmado pela Dell americana com a Microsoft, tendo em vista o alegado sigilo contratual (fls. 1.282 a 1.308), mas apenas o contrato firmado entre as sociedades ligadas, que “não trata de preço” (fl. 8.731). Assim, a comprovação dos dispêndios escriturados se deu Fl. 92703DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 9 15 em função de contrato com pessoa ligada e faturas emitidas por essa mesma pessoa “onde consta apenas um valor global por período, sem descrição da quantidade ou do valor unitário da licenças reembolsadas” (fl. 8.731). O lançamento efetuado pelo contribuinte em razão da utilização do software é o seguinte: débito da conta de resultado “Royalties e Assistência Técnica” (despesa) e crédito da conta de passivo “Intercia Fornecimentos” (dívida a pagar). A Fiscalização identificou transferência de saldo a pagar a título das operações em tela da conta “Intercia Mídias” para a conta “Intercia Fornecimentos” efetuada em 2 de janeiro de 2003 no montante total de R$ 44.900.000,00. Esse saldo não foi objeto de baixa (pagamento, por exemplo) até a realização dos ajustes operados em 31 de janeiro de 2009. Quando dos ajustes, os valores são baixados a crédito da conta Lucros Acumulados, aumentando o resultado do anocalendário 2002, que não foi oferecido à tributação. No anocalendário 2003, houve diversos lançamentos a débito da conta de resultado “Royalties e Assistência Técnica” (despesa) e crédito da conta de passivo “Intercia Fornecimentos” (dívida a pagar), tomando por base documental as faturas de reembolso emitidas pela Dell americana. O valor dessas operações montou R$ 46.412.591,57. No período em questão, houve apenas um pagamento no valor de R$ 4.288.831,69, que fez referência à fatura “brazoy 0903”, que apontava o valor de R$ 1.923.677,86. Importante destacar que o pagamento foi registrado antes (24 de setembro de 2003) do registro da dívida (30 de setembro de 2003). No anocalendário 2004, houve lançamentos mensais a débito da conta de resultado “Royalties e Assistência Técnica” (despesa) e crédito da conta de passivo “Intercia Fornecimentos” (dívida a pagar), tomando por base documental as faturas de reembolso emitidas pela Dell americana. O valor dessas operações montou R$ 59.686.615,20. Houve o registro, também, de pagamentos no valor total de R$ 56.960.069,87, sendo que a maior do pagamentos dizia respeito ao anocalendário 2003. Quando dos ajustes, houve o estorno das faturas relativas ao anocalendário 2003, de tal sorte que o resultado daquele período foi aumentado em razão da extinção daquela dívida. Esse resultado maior não foi oferecido à tributação. Os custos em tela passaram, então, a ser considerados em função do pagamento, de tal forma que os pagamentos operados no anocalendário 2004, relativos em maior parte ao anocalendário 2003, foram considerados no anocalendário 2004. Na adoção do regime de caixa, segundo a Fiscalização, o contribuinte teria registrados custos duplos (fl. 8.733). No anocalendário 2005, as faturas lançadas montaram R$ 98.395.397,24, enquanto os pagamentos chegaram à casa dos R$ 112.089.029,96. Esse último valor foi deduzido do resultado em razão da adoção do regime de caixa. No anocalendário 2006, das faturas apropriadas (R$ 113.073.649,79), apenas parte (R$ 23.985.950,21) foi liquidada (fl. 8.733). Fl. 92704DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 No anocalendário 2007, foram apropriadas faturas no valor de R$ 131.971.657,50. Houve pagamentos no valor de R$ 107.623.477,37, do qual a maior parte (R$ 63 milhões) dizia respeito ao anocalendário 2006. Além das irregularidades acima descritas, a Fiscalização cotejou os lançamentos contábeis originais com os documentos que lhes deram suporte (faturas) relativamente ao anocalendário 2006. Desse trabalho restou a identificação de erros nos registros contábeis quanto às datas e quanto aos valores (fl. 8.735). Verificouse caso no qual não houve o lançamento da fatura, outro no qual a fatura foi lançada em dobro e outro no qual a fatura lançada foi emitida no anocalendário 2007. Há, portanto, descompasso. Quanto aos pagamentos, a conclusão não foi diferente, tendo a Fiscalização identificado a continuidade do descompasso (fl. 8.735). Diante desses elementos, a Fiscalização consignou desrespeito a normas contábeis e fiscais, tendo em vista a adoção do regime de caixa para a apropriação de gastos com a aquisição de software. Resumiu a prática do contribuinte da seguinte forma (fl. 8.737): “1º) Na contabilidade original a apropriação dos custos tinha sido de acordo com a emissão das faturas, onde era creditado Fornecedores e debitado Resultado do Exercício. Nos ajustes foi feito o inverso, debitandose fornecedores e creditandose Lucros/Prejuízos Acumulados Anos Anteriores. Com isso, estornaramse todos os custos que estavam alinhados com o período de competência das faturas. Isso foi praticado para os anos 2002 a 2006 inclusive. 2º) Cada um dos pagamentos relativos às faturas de softwares, que estavam a débito de fornecedores na contabilidade original, foram creditados nos ajustes, debitandose em contrapartida a Conta de Lucros/Prejuízos Acumulados Anos Anteriores. Assim, os custos que foram estornados na primeira etapa acima, são reconstituídos pela data e valor de pagamentos, ou seja, pelo regime de caixa.” Especificamente quanto ao anocalendário de 2006, assim se manifestou o agente do Fisco (fl. 8.739): “Ano de 2006: aqui aparece outra grande distorção no tocante a apropriações de custos fora do ano de competência. Nesse ano de 2006 foram lançados R$ 113.073.649,79 de faturas a crédito de Fornecedores e a débito de Resultado do Exercício (conta Royalties e Assistência Técnica). No mesmo período foram lançados apenas R$ 23.985.950,21 de pagamentos de softwares a débito de Fornecedores, a maior parte das liquidações relativas a 2006 efetuaramse apenas em 2007 e em 2008. No momento dos ajustes, foi aplicado o regime de caixa, permanecendo como custo em 2006 apenas o que foi pago neste ano, assim grande parte das faturas de 2006 passaram a somar custo de 2007, conforme tabela abaixo: ... Fl. 92705DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 10 17 O total da tabela acima mais outros pequenos ajustes, onde tudo soma R$ 63.777.585,50 foi o montante relativo a despesas de software transferido da competência 2006 para o ano de 2007. Isso é admitido pela empresa em planilhas auxiliares apresentadas em resposta ao Termo de Intimação 02 – (itens 1.7.13 e 1.8.8) e ao Termo de Intimação 03 (item 15.1). Num primeiro momento isso parece apenas postergação de custo, no entanto tem dois fatores relevantes a destacar, primeiro que esta alteração 2006/2007 faz parte da transformação de todas as despesas de reembolso de software do regime de competência para o regime de caixa, inadmissível legalmente; segundo, e o mais importante, é o fato da Empresa ter interesse fiscal nessa transferência de custos de 2006 para 2007. Lá no início deste relatório (III, 2, “C”) foram citadas as pendências fiscais existentes antes do refazimento contábil, e uma delas era a falta de contabilização das variações cambiais pelo regime de competência no ano de 2007, pois dentro dos ajustes praticados a Empresa refez suas planilhas de variações cambiais e, embora ainda com erros, no ano de 2007 apurou um aumento de receita de 44 milhões a essas variações monetárias. Se não houvesse a apropriação irregular destes custos de 2006 em 2007, teria de tributar toda essa parcela nova de receita.” A mudança de procedimento contábil operada relativamente ao anocalendário 2007 teria deixado patente a intenção do contribuinte. Confirase (fl. 8.740): “No ajuste do ano de 2007, as faturas emitidas neste ano não foram estornadas, mantendose os custos dentro do regime de competência, porém, os pagamentos de faturas de 2006 – realizados dentro do ano de 2007, que constavam a débito de Fornecedores foram creditados, e também foi debitada a conta de Lucros/Prejuízos Acumulados Anos Anteriores. Porém, aqui reside aquele detalhe sutil citado acima. Os históricos dos lançamentos de ajustes desses pagamentos indicaram a conta de custos 321013030 – Royalties e Assistência Técnica, ou seja os pagamentos das faturas de 2006 realizados dentro de 2007 (os 63 milhões informados acima), com a concretização dos ajustes lá no balancete fiscal passaram a somar o saldo da conta 321013030 – Royalties e Assistência Técnica. Com essa ação diferente do tratamento dado nos ajustes dos anos anteriores, a Empresa quis fazer parecer que os pagamentos das faturas de 2006 eram novas faturas de 2007 lançadas apenas nos ajustes.” O contribuinte, inquirido a respeito do acréscimo dos gastos registrados a título de Royalties e Assistência Técnica, no valor de R$ 63.777.585,50, apresentou planilhas que contemplam os gastos operados no anoscalendário 2006 e 2007. O inusitado é que algumas faturas são consideradas nas duas planilhas (faturas BRAZROY 0406, 0806, 0906 e 1006 – fls. 8.742/3). Questionado a respeito o contribuinte apresentou resposta evasiva (fl. 8.743), que ensejou a seguinte manifestação fiscal: “O que a Fiscalizada tenta dizer em sua resposta é que as faturas de 2006 não foram usadas em dobro, ou seja, não compuseram os custos de 2006 e Fl. 92706DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 18 2007, pois as faturas emitidas em 2006, que passaram para dentro de 2007, foram, no conjunto dos ajustes, estornadas contra a conta 321013022 – Materiais Produtivos – Mercado Interno no mesmo ano de 2006. Esses estornos das faturas emitidas em 2006, realmente ocorreram no ajuste deste ano. Mas depois foram lançadas pelo valor de pagamento dentro do exercício 2007. Portanto não há utilização de custo em duplicidade, porém há aplicação do regime de caixa. A empresa foi ainda intimada especificamente sobre esta prática de regime de caixa na contabilização dos reembolsos de software (Termo de Intimação 04 – item 5), no entanto, silenciou sobre o assunto. Desta forma, fica plenamente comprovado que a Empresa utilizouse de prática contábil rejeitada pelos Princípios e Normas Contábeis, ou seja, o uso do regime de caixa, apenas com o intuito de obter vantagem fiscal. Transferiu 38 milhões de reais de custos de 2003 (ajuste não tributado) para o ano de 2004. Também transferiu 63 milhões de custos de 2006 para o ano de 2007 com o objetivo de contrapor o ganho apurado nas variações cambiais deste período, e ainda tentou ludibriar a Fiscalização fazenda parecer que os pagamentos de 2006 eram novas faturas de 2007.” Das irregularidades na apuração das variações cambiais A apuração do resultado contábil é realizada mediante a adoção do regime de competência, que determina sejam os efeitos das transações reconhecidos quando da ocorrência do fatos. Essa sistemática contrapõese ao regime de caixa, que toma por base os recebimentos e os pagamentos efetuados em razão das transações objeto de registro. A legislação tributária adotava, como regra, o regime de competência para o reconhecimento das variações monetárias (dentre essas as variações cambiais positivas/receitas e negativas/despesas), tal qual a contabilidade comercial, através da qual se mensura o lucro líquido. As variações cambiais seguiam essa rotina até a edição da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999, que fixou, em seu art. 30, a adoção do regime de caixa para a apuração do resultados decorrentes das “variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte”. Mais adiante, o art. 30, §§ 1º e 2º, da Medida Provisória nº 1.99114, de 11 de fevereiro de 2000, fixou a utilização do regime de caixa para a apuração dos resultados decorrentes das variações monetárias, abrindo a possibilidade da adoção, por opção do contribuinte, do regime de competência para a referida apuração. Essa opção colocada à disposição do contribuinte (a regra geral é o regime de caixa para as variações monetárias) será aplicada para todo o ano calendário. As declarações de rendimentos contemplam, em linha com a legislação acima referida, informações a respeito dos resultados das variações monetárias escrituradas pelo regime de competência, que de regra são estornados para fins de apuração do lucro real, e informações a respeito dos resultados das variações monetárias apurados consoante o regime de caixa. Na hipótese da adoção do regime de competência, os ajustes antes referidos não são necessários. Fl. 92707DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 11 19 No caso dos autos, o contribuinte teria apurado seus resultados fiscais em função do regime de caixa (fl. 8.744), uma vez que preencheu suas declarações de rendimentos relativas aos anoscalendário 2006 e 2007 apontado os ajustes antes citados. Relativamente ao ano calendário 2006, o contribuinte informou que sua contabilidade registrou 45 milhões de variações monetárias positivas e 25 milhões de negativas, apurando um ganho líquido integrado ao resultado comercial no valor de R$ 20 milhões. Para fins de apuração do lucro real, tendo em vista a disposição do art. 30 da Medida Provisória nº 1.85810, de 1999 (regime de caixa), foram lançados ajustes positivos de R$ 8 milhões e negativos R$ 38 milhões, bem como outro ajuste negativo, a título de “Outras Exclusões”, também no montante de R$ 38 milhões. Dessa forma, considerado o resultado contábil de R$ 20 milhões positivo e os ajustes fiscais de R$ 67 milhões, chegase ao resultado negativo de R$ 47 milhões originalmente informado ao Fisco (fl. 8.746). Mais adiante, após o refazimento contábil, o contribuinte aumentou o valor informado a título de “Outras Exclusões”, que passou de R$ 38 milhões para R$ 52 milhões. O contribuinte, em que pese os elementos acima descritos, respondeu a intimação fiscal a respeito do regime por ele adotado na apuração das variações monetárias afirmando que não praticava o regime de caixa. Afirmou que o preenchimento da declaração de rendimentos apontando ajustes teria se dado por equívoco (fl. 8.746). Dessa forma, o resultado final informado ao Fisco a título de variações monetárias foi de R$ 52 milhões negativos. Quanto ao anocalendário 2007, a contabilidade do contribuinte “deixou de registrar os ajustes de variação cambial pelo regime de competência para as contas de fornecedores” (fl. 8.747). As variações cambiais só foram registradas quando da realização dos pagamentos. Nesse período o dólar apresentou queda significativa em relação ao real, tendo o interessado efetuado “ajustes mensais de variações cambiais apenas em alguns meses para a conta Intercia Serviços, onde teve perdas; já para as contas Intercia Fornecimentos e Fornecedores Estrangeiros, onde os saldos são mais relevantes e teria ganho com a queda da moeda estrangeira ignorou as normas vigentes e deixou de lançar os ajustes” (fl.8.747). Na escrita comercial, o saldo médio das contas do passivo de fornecedores (que teriam ganho com a queda do dólar) monta R$ 250 milhões, enquanto o saldo médio das contas do ativo de clientes (que teriam perda com a queda do dólar) monta 1/3 daquele valor. Paralelamente a isso, o contribuinte informou em sua declaração de rendimentos variações ativas (ganhos) de R$ 4.232.918,99 e passivas (perdas) de R$ 6.378.269,68 (fl. 8.747). Frente a isso, a Fiscalização fez a seguinte afirmativa (fl. 8.747): “Mesmo com os registros contábeis falhos, e a Empresa estando ciente disso, registrou seus livros Diários na Junta Comercial.” Relativamente a esse anocalendário (2007), o contribuinte também alega erro no preenchimento das declarações de rendimentos, porquanto contemplam ajustes inerentes ao regime de caixa, enquanto o Fl. 92708DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 20 sujeito passivo alega ter optado pelo regime de competência. Analisemos, então, os valores apontados nas declarações de rendimentos. O contribuinte informou que sua contabilidade registrou 4 milhões de variações monetárias positivas e 6 milhões de negativas, apurando uma perda líquida integrada ao resultado comercial no valor de R$ 2 milhões. Para fins de apuração do lucro real, tendo em vista a disposição do art. 30 da Medida Provisória nº 1.85810, de 1999 (regime de caixa), foram lançados ajustes positivos de R$ 1,5 milhão e negativos R$ 1 milhão. Dessa forma, considerado o resultado contábil de R$ 2 milhões negativo e os ajustes fiscais positivos de R$ 0,5 milhão, chegase ao resultado negativo de R$ 1,5 milhão originalmente informado ao Fisco (fl. 8.748). Mais adiante, após o refazimento contábil, o contribuinte preencheu duas novas linhas da declaração, informando novos ajustes R$ 3 milhões positivos e R$ 6 milhões negativos, aumentou, ainda mais o anterior saldo negativo (fl. 8.749), motivando seguinte manifestação da Fiscalização (fl. 8.749): “Assim, a Empresa diz que não optou pelo regime de caixa, que preencheu por equívoco as linhas correspondentes, no entanto, fez isso em sua DIPJ original e reforçou a opção na DIPJ retificadora, preenchendo as quatro linhas. Ao ser intimada a apresentar as planilhas de apuração pelo regime de caixa, disse não possuir, porém inseriu valores desconhecidos em sua DIPJ. .... A Empresa alega erro para 2006, o mesmo erro para DIPJ original de 2007, e o mesmo erro para DIPJ retificadora de 2007. Diante disso, a única conclusão a que se pode chegar é que essas linhas foram preenchidas deliberadamente apenas com o intuito de confundir qualquer tipo de análise por parte do Fisco, dando a entender que sua apuração de variações cambiais seria extracontábil, evitando uma análise em sua contabilidade para tal fim.” Além disso, o agente do Fisco identificou irregularidades na apuração das variações cambiais. Como o saldo médio das contas que registram as dívidas com os fornecedores estrangeiros gira em torno de R$ 175 milhões e o saldo médio das contas que registram os haveres com clientes estrangeiros giram em torno de R$ 82 milhões, o lógico seria a apuração de ganho com a oscilação negativa do dólar no anocalendário 2006 (a cotação do dólar variou de R$ 2,32 no início do ano para R$ 2,16 ao final – vide tabela da fl. 8.750). As dívidas, em montante maior, registraram redução também maior frente à redução menor registrada em relação aos haveres. Isso, no todo, deveria significar um ganho. Estranhamente, depois da contabilidade original do contribuinte ter apontado um ganho de R$ 20 milhões com a variação cambial, o que era esperável, os ajustes implementados transformaram o ganho em uma perda de R$ 36 milhões. A Fiscalização, após repetir os procedimentos do contribuinte quando do refazimento contábil relativamente aos fornecedores estrangeiros, apontou a origem das irregularidades identificadas quanto às variações cambiais. Confirase:“Conforme já afirmado, o resultado das variações cambiais em 2006 passou de receita de 20 milhões (ctb original) Fl. 92709DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 12 21 para uma despesa de 36 milhões, ou seja uma variação de 56 milhões. Isso decorreu da eliminação dos passivos fictícios (ainda não comprovados), estornos indevidos de pagamentos comprovadamente realizados, transformação das faturas de softwares em regime de caixa. Além destas causas já detalhadas nos tópicos anteriores, e com supremacia a todas elas, a maior irregularidade na apuração das variações cambiais decorreu dos estornos citados acima.” A irregularidade dita maior é explicada pela Fiscalização. No cálculo das variações cambiais, o contribuinte incorreu em erro reiterado. Ao adotar as notas fiscais de entrada das mercadorias importadas como base documental para os lançamentos, em detrimento das declarações de importação, o contribuinte sistematicamente equivocouse ao apurar o valor em dólares de uma das notas fiscais (podem existir uma ou mais notas fiscais de entrada para cada processo de importação). Confirase o exemplo dado pelo agente fiscal: Consoante se verifica, o cálculo do valor em dólares da nota fiscal de entrada nº 6288 está completamente equivocado, tendo sido adotada taxa de conversão de R$ 0,1733 para cada dólar. Dessa forma, um desembolso de R$ 170.653,74 transformouse em US$ 984.963,22. Esse erro do contribuinte posse ser atestado no documento da folha 322, de lavra do interessado. Qual a consequência do referido erro para fins do cálculo das variações cambiais? Para o cálculo das referidas variações, o contribuinte converteu o saldo em dólares das compras registradas na notas fiscais de entrada para reais, assumindo que a diferença entre esse valor e aquele contabilizado em reais seria a variação cambial observada no período. Como o valor em dólares está calculado reiteradamente de forma errada e a maior, o cálculo da variação cambial é erroneamente negativo (uma despesa). Confirase o resultado colhido na operação antes exemplificada (fl. 8.756): Saldo US$ 1.940.815,56 X Taxa R$ 2.1754 R$ 4.222.050,17 Saldo Contábil em Reais R$ 2.284.807,94 Variação Cambial Passiva (Despesa) R$ 1.937.242,23 Caso inexistisse o erro na operação em tela, o resultado teria sido o seguinte (fl. 8.756): Data Nota Fiscal Fl. Valor US$ Saldo US$ Taxa US$ Valor R$ Saldo R$ 17/07/2006 6288 1.394 984.963,22 984.963,22 0,1733 170.653,74 170.653,74 17/07/2006 6289 1.395 443.184,55 428.147,77 2,2118 980.235,59 1.150.889,33 17/07/2006 6290 1.396 512.667,79 1.940.815,56 2,2118 1.133.918,61 2.284.807,94 Fl. 92710DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 22 Dada essa explicação, a Fiscalização esclareceu a dimensão do equívoco (fl. 8.757): “Notemos a relevância e a gravidade dessas irregularidades nas planilhas de variações cambiais, pois como vimos acima em apenas um processo de importação houve uma distorção de milhões de reais. Essa mesma prática foi usada para outras centenas de importações constantes das planilhas de variações cambiais das contas Intercia Fornecimentos (sobretudo essa) e Fornecedor e Estrangeiros.” A Fiscalização relata ter feito amostragem na qual restou evidenciado que o erro sistemático se dava em torno dos valores em dólares das importações, consoante anteriormente relatado. Como são centenas de processos de importação, o agente do Fisco tomou para análise aqueles em que a discrepância entre a taxa de cotação do dólar utilizada e a efetiva fosse superior a 5% (havia casos nos quais as taxas apontadas eram de 1, 5, 10 ou 50 centavos). Refeitos os cálculos apenas com essa parcela selecionada de processos de importação, a Fiscalização identificou que as despesas de variação monetária obtidas irregularmente montavam R$ 56.782.467,47 (fl. 8.758). Esse valor aproximase do ajuste operado pelo contribuinte (objeto das planilhas) que transformou a original receita com variação cambial registrada na contabilidade no valor de R$ 20.235.291,40 em uma despesa de variação cambial no valor de R$ 36.082.836,76 (fl. 8.751 c/c 8.759), ou seja, um ajuste negativo de R$ 56.318.128,16. A respeito do reiterados erros a Fiscalização assim se manifestou fl. 8.760): “Não se pode aqui admitir que estas novas infrações nas planilhas de variações cambiais também sejam fruto de erro. As taxas discrepantes estão lá visíveis ao longo das planilhas, os valores apurados contrariam a lógica, não precisa ser perito no assunto para perceber de plano as incorreções. Sobre esse assunto a Fiscalizada foi intimada no Termo de Intimação Fiscal 02 – item 2, com data de ciência em 20/05/2011. Depois disso pediu prorrogação de prazo três vezes, sendo concedidas todas até o limite de 06/09/2011. Alegava que estava construindo novas planilhas de variação para explicar as planilhas que tinha apresentado inicialmente, embora conforme demonstrado, não há explicação dentro de parâmetros legais para isso. Mesmo depois de a Fiscalização ter consignado em termo que o último prazo seria improrrogável, continuou pedindo prorrogação, mas até a presente data nada explicou sobre o assunto.” Saldo US$ 1.033.008,38 X Taxa R$ 2.1754 R$ 2.247.206,43 Saldo Contábil em Reais R$ 2.284.807,94 Variação Cambial Ativa (Receita) R$ 37.601,51 Fl. 92711DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 13 23 Segundo a Fiscalização, no anocalendário 2007 foram verificadas as mesmas irregularidades, afirmando que o “que se fez nessas apurações de variações cambiais de 2006 e 2007 é um verdadeira atentado contra as normas fiscais, contábeis, societárias, econômicas, e tudo mais considerado razoável” (fl. 8.763). Dos ajustes nas contas de estoques A Fiscalização informa que a escrita do contribuinte continha dez contas retratando a movimentação econômica atinente aos estoques. Quando da realização do “debatido ajuste contábil a empresa diz que a maioria destas contas possuía saldo zero” (fl. 8.763). A baixa dos estoques acarretou o aumento dos custos e a conseqüente redução da base de cálculo do IRPJ e da CSL. Diante disso, o agente do Fisco acusa falta de documentação que dê suporte ao ajuste contábil, posto que o contribuinte, após duas intimações, restringiuse a afirmar que “em decorrência do processo produtivo próprio da Dell não existem produtos em elaboração, sempre matériaprima ou produto acabado” (fl. 8.764). Em que pese tal informação, o contribuinte voltou, após a realização dos ajustes, a movimentar a conta “Produtos em Processo”. Confirase trecho do trabalho fiscal (fl. 8.765): “Durante uma década a Empresa procedeu assim, contabilizou os estoques em títulos próprios nas várias contas que criou para tal fim, registrou seus livros na Junta Comercial, apurou balanço, declarou ao Fisco em DIPJ. No entanto, vem agora dizendo que aqueles saldos que registrou desde 2002 até 2008 naquelas contas não existiam, eram zero. A Empresa foi questionada de forma objetiva, no item 5 do Termo de Intimação 03, sobre o que a levou a tais modificações, conforme texto colocado a seguir: “(...) se por uma década a empresa contabilizou estoques de forma discriminada por conta, como que agora em sua conciliação vem dizendo que isso não existia. Como a empresa pode comprovar que ao final de cada ano esses estoques estavam zerados? Ao analisarmos os lançamentos de ajustes constantes do Sped 2009, verificamos que grande parte destes estoques simplesmente é zerado diretamente contra resultado do exercício, outra parte transita pela conta de estoques de matériaprima, mas acaba indo para o resultado também. Qual foi o embasamento utilizado para realizar esses estoques de períodos passados?”. Não houve resposta a estes questionamentos, tampouco foi apresentado livros ou documentos que justificassem o feito.” Após analisar algumas das contas de estoque que foram objeto de ajuste, o agente do Fisco dá destaque para a conta “Matéria Prima”, “que centralizou a grande maioria dos ajustes de estoques realizados durante o refazimento contábil...recebeu 75 mil lançamentos de ajuste” (fl. 8.767). Quanto a essa conta, aponta que os ajustes operados no anocalendário 2006 Fl. 92712DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 24 redundaram em um aumento de custos da ordem de R$ 73.487.795,23 (fl. 8.768). Dos extratos bancários Os ajustes levados a efeito pelo contribuinte, relativamente ao anocalendário 2006, fizeram com que os saldos das contas do Citibank e do BankBoston passassem, respectivamente, de R$ 21.210.485,03 e R$ 12.491.279,55 para R$ 67.095,34 e R$ 1.630.016,03. A reduções foram, portanto, de R$ 21.143.389,69 e R$ 10.861.263,52. Os saldos de outras contas que retratam o movimento bancário do contribuinte também foram ajustados, mas em valores inferiores aos verificados relativamente ao Citibank e ao BankBoston. Segundo o agente do Fisco, “isso nos dá idéia da desorganização que a Fiscalizada mantinha no controle de sua movimentação financeira” (fl. 8.769). Solicitados os extratos bancários e colocados os referidos extratos em contraste com a contabilidade, observouse que os saldos são iguais somente ao final dos anoscalendário, permanecendo diferenças no curso dos períodos (fl. 8.769). Requeridos os documentos atinentes às conciliações ditas efetuadas, constatouse “que foram feitos apenas ajustes nos meses de dezembro e não uma efetiva conciliação de toda a movimentação bancária” (fl. 8.770). Além disso, tendo em vista a magnitude da movimentação bancária e dos ajustes efetuados, seria de esperar um trabalho de vulto, que identificasse motivadamente os ajustes empreendidos. Ocorre, entretanto, que as “ditas conciliações bancárias consistem em meia dúzia de folhas por ano, literalmente, onde apresenta alguns ajustes de saldos de forma global (doctos. às fls. 2153/2185)” (fl. 8.771). Dos descontos concedidos em 2007 A Fiscalização identificou lançamento a débito na conta Lucros/Prejuízos de Anos Anteriores (resultado) tendo por contrapartida crédito na conta Intercia Fornecimentos (passivo) no valor de R$ 8.998.417,74, efetuado em dezembro de 2007. O histórico do lançamento tinha a seguinte redação: “transf dell américa latina corp 26/12/2007 D351013086”. O lançamento contempla desconto concedido. O contribuinte, inquirido a respeito, respondeu após 72 dias da seguinte forma (fl. 8.771): “O valor de R$ 8.998.417,74 corresponde em verdade a ajuste de preço referente a exportação de produtos para a Dell América Latina Corp – Sucursal Argentina “Dell Argentina”. Conforme negociação com a Dell Argentina, a cada 10 mil produtos adquiridos pela Dell Argentina haveria um crédito cumulativo de 5% (cinco) sobre o valor das aquisições. Ao longo do ano somouse a exportação de produtos que refletiram um ajuste na ordem de 18%. Em anexo segue planilha detalhando a alocação desse crédito a cada uma das faturas de exportação de produtos que deram causa ao mesmo.” O Fisco, então, efetuou trabalho por amostragem sobre as notas fiscais de vendas que teriam originado o desconto em tela, tendo efetuado, também, cotejo das referidas notas com os fechamentos de câmbio. Fl. 92713DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 14 25 Desse trabalho resultou a constatação de que não teria havido o desconto, uma vez que o desconto não constou das notas e não seria incondicional (dependia do atingimento de uma cota), bem como ausência de propósito do referido desconto no âmbito de relação com sociedades ligadas. Não bastasse tudo, como o desconto teria sido concedido em função de uma venda, não haveria sentido na afetação de uma conta de passivo (fornecedores). A conta que deveria ter sido movimentada, no caso de um desconto sobre o valor devido ao contribuinte em função de venda, seria a conta que registra o direito a receber em razão da venda, qual seja a conta do ativo que registra o recebível. O agente do Fisco apresentou, então, a seguinte conclusão (fl. 8.772): “Desta forma, concluise que foi inserido propositalmente um valor na contabilidade sem o devido amparo documental. Ainda que a Empresa demonstre que recebeu os valores deduzidos daquela parcela de 18%, isso seria considerado mero acerto de contacorrente entre empresas ligadas, nada tendo a ver com descontos incondicionais.” Dos ajustes nas contas Clientes Nacionais em 2008 A Fiscalização esclareceu que os ajustes efetuados na contabilidade poderiam ser divididos em dois blocos. O primeiro bloco (janeiro de 2002 a janeiro de 2008) contempla ajustes efetuados em relação a períodos já encerrados. Quanto a esse bloco, os ajustes que afetaram o resultado foram lançados diretamente em conta do patrimônio líquido denominada “Lucros/Prejuízos Acumulados Anos Anteriores”, sem a movimentação de contas de resultado. Quantos aos períodos ainda não encerrados quando da efetivação dos ajustes (segundo bloco – fevereiro de 2008 a janeiro de 2009), os lançamentos que modificaram o resultado foram efetuados em conta de resultado específica. Relativamente ao segundo bloco, houve 103 lançamentos envolvendo contas patrimoniais. O saldo das alterações (resultado), no valor de R$ 52 milhões, foi transferido para a conta 381033202 – Ajustes de Exercícios Anteriores (fls. 5.317 a 5.323). Dentre os lançamentos, chama atenção um no valor de R$ 40 milhões “com o seguinte histórico “transf ajuste conta clientes 30/6/2008” (fl. 8.773). Intimado a respeito, o contribuinte afirmou que o ajuste decorre da diferença por ele identificada entre o saldo constante da contabilidade e os valores apontados nos documentos em poder do interessado. O agente fiscal esclarece (fl. 8.774): “Resumindo, a Empresa somou os seus títulos a receber e, percebendo que a soma dos mesmos era menor que o saldo contábil, não teve dúvidas, contabilizou como perdas, deixando de tributar uma fatia de 40 milhões do seu lucro em função disso. Simples assim. Ou seja, se já tinha recebido e não dera baixa, se extraviou documentos, se existia algum título realmente incobrável, nada foi verificado, apenas confrontadas as somas.” Fl. 92714DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 26 Frente nova intimação, o contribuinte exemplificou a origem da distorção, citando três causas, quais sejam: “(i) Baixa da contas a receber devido fraude de cartão de crédito; (ii) devoluções de vendas sem retorno físico; (iii) Refaturamento sem emissão de nota fiscal de entrada ou cancelamento da nota fiscal de saída” (fl. 8.775). O interessado apresentou planilhas para os dois últimos casos. Quanto às devoluções, a planilha aponta valor de quase R$ 4 milhões, mas o contribuinte não comprova a devolução ou o cancelamento da venda. O próprio interessado afirma que não houve o retorno físico (fl. 8.775). Quanto ao refaturamento, a planilha aponta valor de R$ 2 milhões, mas o contribuinte não comprova o cancelamento da nota fiscal original ou a emissão de nota fiscal de entrada. O próprio interessado afirma que não houve emissão de nota fiscal de entrada ou o cancelamento da nota fiscal de saída (fl. 8.775). Assim, o contribuinte tenta justificarse com exemplo de R$ 6 milhões em um universo de R$ 52 milhões, não apresentando documentos que dêem sustentação aos seus exemplos. A Fiscalização afirma que foi “elaborada como uma planilha auxiliar, inserindose valores de acordo com os interesses fiscais, sem qualquer base documental” (fl. 8.776), dando ênfase os termos do art. 1.179 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, o Código Civil, que exige a correspondência da escrita com os documentos que lhe dão lastro. Do sistema contábil Nesse item, o agente do Fisco destaca que a revisão da contabilidade levada a efeito pelo contribuinte há de ser compreendida na sua totalidade, ou seja, do anocalendário 2002 ao anocalendário 2009. A revisão seria única e indissociável, devendo ser avaliada no seu todo. A conciliação, objetivo maior da revisão, teria por meta “comparar e harmonizar, ajustar os registros contábeis com os documentos que lhe deram origem” (fl. 8.778). Dessa forma, terminada a revisão seria de se esperar que não houvesse mais novos ajustes a realizar. Ocorre, entretanto, que, após a efetivação dos ajustes em 31 de janeiro de 2009, o contribuinte efetuou novo ajuste, que culminou na baixa, de uma só vez, de R$ 98 milhões de reais da conta Intercia Fornecimentos (débito de conta do passivo), indicando o seguinte histórico nos lançamentos: “conciliação Estatutário X Gerencial” (vide rol de lançamentos nas fls. 8.778/9). As contas creditadas foram Ajustes de Exercícios Anteriores e Custo do Produto Vendido. A Fiscalização explica o histórico dos lançamentos. Confirase (fl. 8.779): “As nomenclaturas citadas tem os seguintes significados: Estatutário é o sistema contábil de acordo com as normas brasileiras; e Gerencial é o sistema de controle e gerenciamento usado pela Empresa e integrado com as demais empresas do grupo.” Fl. 92715DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 15 27 No entender do agente fiscal, o contribuinte “utilizouse do seu sistema gerencial, durante toda uma década de operação no Brasil, em detrimento do seu sistema contábil, o qual ficou à margem sem a devida correição exigida pela leis brasileiras” (fl. 8.780). Feita essa consideração, a autoridade lançadora efetua dois questionamentos e apresenta suas respostas. Verifiquese (fls. 8.780/2): “1ª) A Empresa demonstrou por meio desses lançamentos globalizados e sem base documental (estatutário X gerencial e redução de clientes em 2008, p. ex.), com soma de centena de milhões de reais, que não tem pudores em desprezar as normas societárias e fiscais. Por que então procedeu a todo este refazimento contábil originando milhões de lançamentos? Por que não fez apenas um ajuste global em cada conta? Como já afirmado e reafirmado a Empresa não demonstra qualquer respeito pelas normas vigentes, tanto na contabilidade original quanto no refazimento foram desprezados princípio contábeis e ignoradas as leis civis e tributárias. Então, este súbito interesse da Fiscalizada em reformar sua contabilidade com retroação de uma década, nada tem a ver com a preocupação em seguir normas do País, mas unicamente em ocultar as pendências fiscais existentes. Não se discute a existência de erros na sua contabilidade original, erros existiam, graves e relevantes. No entanto, o objetivo principal desse refazimento não foi o de corrigir as divergências préexistentes, mas ocultar bases tributáveis. Se fossem feitos apenas lançamentos globais ajustando cada conta não teria como ocultar todas as irregularidades citadas aqui neste tópico: lançamentos sem base documental, estornos de pagamentos comprovadamente existentes aplicação de regime de caixa para as faturas de reembolso de software, distorção das variações cambiais, realização retroativa de estoques, entre outros. 2ª) Se foram realizados milhões de lançamentos, segundo a Empresa uma conciliação para ajustar todas as pendências, por que depois de todos esses lançamentos ainda houve necessidade de se fazer novos ajustes globalizados de centenas de milhões? A empresa registrou milhares/milhões de lançamentos de ajustes para corrigir as distorções existentes em cada ano calendário. Lançamentos entre contas patrimoniais e em contrapartida de Lucros/Prejuízos Acumulados Anos Anteriores, quando envolveram modificação no resultado. Depois de tudo isso, não se pode admitir que ainda existam montantes de grande relevância sem identificação que precisem ser ajustados de forma globalizada como ocorreu com os citados lançamentos de 98 milhões. Não se pode precisar todas as causas que motivaram a Empresa a fazer esse enxugamento na conta Intercia Fornecimentos, mas pelo menos duas são aquelas que estão no rol das irregularidades apontadas pela Fiscalização. Fl. 92716DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 28 As contas de fornecedores têm natureza credora, ou seja, dentro de uma contabilidade com padrões considerados normais, o saldo tende a ser sempre credor, representando a existência de obrigações a serem liquidadas. Nesses lançamentos globais que somaram 98 milhões, a conta de fornecedores, como pode ser observado no quadro acima, foi debitada. Com isso a Empresa está dizendo que existiam obrigações irreais, ou passivos fictícios, por isso foram retirados do saldo existente. Cabe lembrar que lá no item 2 deste tópico “V” – Estornos de Pagamentos Comprovadamente Realizados – foi mencionado que a exclusão de pagamentos comprovadamente existentes nos extratos bancários significa a geração de passivos fictícios. Foi demonstrado lá que centenas de milhões que estava, a débito de fornecedores foram creditados no refazimento e debitado resultado do exercício, com isso as obrigações que tinham sido quitadas voltaram a ficar em aberto, passivo ficto. Outra irregularidade que inflacionou indevidamente o saldo de fornecedores foram as modificações descabidas inseridas nas planilhas de variações cambiais. No item 4 deste tópico “V” – Variações Cambiais – comprovouse que a Fiscalizada utilizou de subterfúgios ilegais para gerar perdas em variações cambiais. Essas perdas irreais lançadas a crédito de fornecedores e a débito de resultado. Assim, podese afirmar que as duas irregularidades citadas, geradas durante o refazimento contábil contribuíram para a existência desses passivos fictícios que foram baixados no dia 31/01/2009. A Empresa foi questionada de forma clara e objetiva sobre esses lançamentos (Estatutário X Gerencial) no item 7 do Termo de Intimação 04, porém não houve resposta até o momento.” Mais adiante, a Fiscalização sustenta que o contribuinte, após efetuar o ajuste de R$ 98 milhões no mês de janeiro de anocalendário 2009 de forma a aumentar o lucro, efetuou novos ajustes com efeito contrário relativamente àquele anocalendário. R$ 17 milhões a débito (redutores do lucro) foram lançados ainda no mês de janeiro de 2009 em função dos novos ajustes nos saldos das contas que registram relações com sociedades ligadas (fl. 8.782). Em fevereiro de 2009, R$ 16 milhões foram lançados a débito sob mesmo pretexto. Com os referidos lançamentos a débito ainda haveria um saldo credor a tributar. Entretanto, o contribuinte efetuou lançamento complementar a título de dispêndios com royalties no montante de quase R$ 60 milhões. O fundamento desse lançamento não foi comprovado. Confira se, então, a manifestação fiscal (fls. 8.783/4): “Os históricos mencionam complemento de royalties de fevereiro/08 a janeiro/09. Numa primeira análise já se percebe que, no mínimo, há desrespeito ao Princípio Contábil da Competência, pois cita o período de 02/2008 a 01/2009, sendo lançado tudo em 01/2009. No entanto, nem a apresentação dos documentos que embasaram tais lançamentos foi feita. Fl. 92717DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 16 29 A Empresa foi intimada, por meio do item 8 do Termo de Intimação 04, a apresentar os documentos que embasaram os citados lançamentos, porém até a presente data nada foi entregue à Fiscalização. Desta forma, confirmase o que foi dito, para sustentar uma infração, criase outra. Estes lançamentos juntamse ao rol de tantos outros com valores relevantes e sem base documental que os sustente. Ainda que a Empresa venha a apresentar algumas faturas, estas devem obedecer rigorosamente o regime de competência.” ... “Aparentemente a Empresa estaria tributando essa quantia, mas, como pontuado ao longo deste relatório para cobrir uma pendência fiscal sempre é gerada uma outra irregularidade, evitandose a tributação.” Dos balancetes fiscais Os balancetes fiscais preparados pelo contribuinte, que consistem de planilhas nas quais são apontados os ajustes por ele realizados na contabilidade dos anoscalendário de 2002 a 2009 (fls. 1.009 a 1.189), contemplam vícios que, segundo a Fiscalização, maculam os resultados apurados por via das referidas planilhas. A importância dos referidos documentos é assim enfatizada pelo agente do Fisco (fl. 8.784): “São os únicos documentos que demonstram a nova composição patrimonial e o novo lucro societário, que na visão da empresa seriam os dados corretos (embora a Fiscalização tenha provado o contrário).” Diante da importância dos documentos, a Fiscalização esclarece o conteúdo de cada uma das colunas da planilha, nos seguintes termos (fl. 8.785): “Original P&L: Contabilidade original contas antes do encerramento do resultado (contas resultado com saldo); Original: Contabilidade original contas após encerramento do resultado; Adjusted: saldos ajustados após lançamentos de 31/01/2009; Original Check: apenas um check de saldos; Adjustments: ajustes, ou seja, a diferença entre saldos após o lançamento de ajustes e os préexistentes;” Consoante se observa, os chamados balancetes fiscais são documentos extracontábeis, que partem dos saldos da contabilidade original, Fl. 92718DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 30 registrada nos livros comerciais, contemplam ajustes e culminam em novos saldos. Esses novos saldos seriam, no entender do contribuinte, os corretos. A Fiscalização, entretanto, identificou erros, relativamente ao anocalendário 2006, nos saldos indicados nas planilhas (balancetes fiscais) como sendo aqueles registrados nos livros comerciais. Os saldos de contas patrimoniais (“IRPJ Antecipação”, “CSLL Antecipação”, “IRPJ” devido e “CSLL” – devida) e de resultado (“Resultado do Exercício”) eram outros. A conta de resultado apontava o valor de R$ 60.863.410,35, enquanto o resultado registrado nos livros comerciais era de R$ 40.818.289,55 (fl. 8.785). A diferença no resultado monta R$ 20.045.120,80. O contribuinte foi perguntado a respeito. O trabalho fiscal indica seguinte resposta (fl. 8.787): “Em sua resposta (fls. 2365/2386) a Fiscalizada admite que os números usados estão incorretos, mas que isso não teria influência na apuração do lucro tributável.” A resposta acima referida deu ensejo à seguinte manifestação fiscal (fl. 8.787): “Isso demonstra claramente a importância que a Fiscalizada dá aos seus registros contábeis. Trata os mesmos como mera planilha de cálculo, onde uma coisa compensa a outra. Se o lucro registrado era de 40 milhões e Ela refletiu 60 milhões em seu balancete, por retirar isso de uma outra base de dados, deixa claro que isso não tem a menor relevância.” Qual o efeito desse erro? Vejamos os ajustes que seriam cabíveis, seguida a linha de raciocínio do contribuinte, caso não houvesse os erros na indicação dos saldos das contas patrimoniais, tendo presente, nessa hipótese, que o aumento de um ativo e a redução de um passivo importam em uma receita : Conta Saldo Original Ajuste Saldo do Balancete Folhas IRPJ (Ativo) R$ 0,00 R$16.250.649,38 R$ 16.250.649,38 1.106 e 8.785 CSL (Ativo) R$ 0,00 R$ 6.048.237,24 R$ 6.048.237,24 1.106 e 8.785 IRPJ (Passivo) R$5.992.599,51 R$5.992.599,51 R$ 0,00 1.110 e 8.785 CSL (Passivo) R$7.338.602,20 R$7.338.602,20 R$ 0,00 1.110 e 8.785 Total R$35.630.088,33 Observase, então, que caso informados os saldos registrados na contabilidade e admitidos como certos os saldos finais apontados nos balancetes fiscais, o contribuinte teria reconhecido uma receita por via dos balancetes fiscais de R$ 35.630.088,33. Fl. 92719DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 17 31 Mas isso não se deu dessa forma. Verifiquese o registrado nos balancetes fiscais, seguida a linha de raciocínio do contribuinte, tendo presente, nesse hipótese, que a redução de um ativo importa em despesa e a redução de um passivo importa em uma receita: Conta Saldo Original Ajuste Saldo do Balancete Folhas IRPJ (Ativo) R$34.359.384,11 R$ 18.108.734,73 R$16.250.649,38 1.106 CSL (Ativo) R$12.229.726,2 R$ 6.181.489,04 R$ 6.048.237,24 1.106 IRPJ (Passivo) R$25.613.453,62 R$ 25.613.453,62 R$ 0,00 1.110 CSL (Passivo) R$ 9.066.122,29 R$ 9.066.122,29 R$ 0,00 1.110 Total R$ 10.389.352,14 Consoante se observa, alterados os saldos nos balancetes fiscais, o contribuinte deixou de reconhecer receita no montante de R$ 25.240.736,19 (a diferença entre R$ 35.630.088,33 e R$ 10.389.352,14). Cabível lembrar, nesse passo, que o valor líquido dos ajustes operados nas contas patrimoniais redundou no ajuste redutor do resultado tributável de R$ 65.530.734,00 (vide documentos das folhas 14 e 1.118). Esse ajuste levou em conta saldos equivocados apontados nos balancetes fiscais que acabaram por determinar despesa extra de R$ 25.240.736,19. Caso esses equívocos não tivessem existido, o ajuste, seguida a linha de raciocínio do contribuinte, teria sido redutor de R$ 40.289.997,81 do lucro tributável. Esse o motivo da manifestação fiscal da folha 8.789, confirase: “Portanto, ao contrário do que afirma a Fiscalizada, esses valores podem impactar sim nas bases tributáveis, pois qualquer quantia inserida a crédito do Patrimônio Líquido sem justificativa legal deve ser oferecida à tributação.” Seguindo na análise dos balancetes fiscais, a Fiscalização esclareceu a sistemática adotada pelo contribuinte no chamado refazimento contábil. O contribuinte ajustou os saldos das contas patrimoniais (bens e dívidas, ativo e passivo), registrando, ano a ano, o saldo líquido desses ajustes em conta somente existente nesses balancetes fiscais denominada “Encerramento Exercício Ajustes”. No decorrer dos anos, essa conta registra o saldo acumulado dos ajustes efetuados naquele ano e nos anos anteriores. Assim, para se poder verificar os ajustes de um determinado ano, fundamental atestar os ajustes que teriam impactado anos anteriores. Cita como exemplo um saldo acumulado na conta “Encerramento Exercício Ajustes” no valor de 113 milhões de reais. Fl. 92720DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 32 Diante dessa sistemática, o total dos ajustes operados nas contas patrimoniais durante o anocalendário 2006 somente seria passível de tributação quando ultrapassado o valor já reconhecido anteriormente, ou seja, um aumento patrimonial de 113 milhões de reais. Por esse motivo, o agente Fiscal protestou, em seu relatório, contra a não “comprovação documental exigida em amostragem” relativamente ao anoscalendário 2002 e 2003, porquanto o valor dos ajustes líquidos daqueles anos montaram 135 milhões de reais e passaram a “compor o saldo acumulado dessa conta [“Encerramento Exercício Ajustes”] influenciando os ajustes dos anos seguintes” (fl. 8.790). A Fiscalização identificou, também, inconsistência nos saldos da conta “Encerramento Exercício Ajustes”. O saldo acumulado na referida conta em 31 de janeiro de 2008 (início do ano societário da Fiscalizada) era de R$ 80.035.795,48 (fl. 1.068). Ao final daquele ano calendário o total dos ajustes foi de – R$ 52.939.524,67 (fl. 1.175 ). Assim, a conta “Encerramento Exercício Ajustes” deveria conter saldo de – R$ 132.975.320,15 em janeiro de 2009. O valor apontado no balancete fiscal relativa a janeiro de 2009, entretanto, era de R$ 202.913.140,21 (fl. 1.182). Frente a isso, assim concluiu o agente do Fisco (fl. 8.790): “Mesmo com valores estranhos a compor o saldo acumulado dos ajustes em 31/01/2009, a equação patrimonial está fechada, indicando a alteração irregular de contas para possibilitar o fechamento.” Por fim, a Fiscalização apontou incompatibilidade entre os saldos dos balancetes fiscais de janeiro de 2009 e os saldos contábeis na mesma data. Como os ajustes foram efetuados tendo por data de finalização dos trabalhos o dia 31 de janeiro de 2009, era de se esperar que naquela data os saldos dos balancetes fiscais e da escrita comercial fossem os mesmos. Ocorre, entretanto, que a Fiscalização encontrou as seguintes divergências (fl. 8.791): Grupo Balancete Fiscal Contabilidade Sped Ativo R$ 1.163.418.486,00 R$ 1.167.011.067,17 Passivo R$ 714.545.105,00 R$ 951.023.365,30 Patrimônio Líquido R$ 448.873.382,00 R$ 215.987.701,87 Diante disso, o interessado foi intimado a se manifestar. A justificativa apresentada foi a orientação de auditor externo para que fossem constituídas provisões de garantia e de contingências, além de receita diferida. Para o agente do Fisco “o balancete já está contemplando os ajustes sugeridos pela auditoria”, motivo pelo qual “aquelas divergências de saldos entre o balancete e a Contabilidade Sped continuam sem explicação” (fl. 8.792). Da auditoria externa Fl. 92721DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 18 33 A Fiscalização esclarece que o período objeto de auditoria externa inicia em 1º de fevereiro de 2008 e termina em 31 de janeiro de 2009, tendo em vista o ano societário adotado pelo contribuinte. Nesse período foram lançados “centenas de milhões” de “registros de grande relevância”, relativos ao “refazimento da contabilidade de uma década” (fl. 8.793). A auditoria externa, em seu parecer, teria sido superficial a respeito, informando “alterações nas provisões para contingências, provisões para garantias, receitas diferidas e despesas com royalties”, referindo a realização de ajustes nos saldos contábeis “conforme a norma NPC nº 12 – Práticas Contábeis, Mudanças nas Estimativas e Correção de Erros” (fl. 8.794). O agente do Fisco cotejou os saldos do balanço patrimonial auditado com aqueles informados por via do Sistema Público de Escrituração Digital – Sped. Identificou diferenças da ordem de R$ 47 milhões de reais (fl. 8.794), tendo questionado o contribuinte a respeito. O interessado respondeu que as diferenças deviamse aos “ajustes determinados pela auditoria” (fl. 8.795). Diante disso, assim se manifestou a Fiscalização (fls. 8.795/6): “A Fiscalizada possui duas contabilidades uma auditada e outra constante do Sped, admite isso e aparentemente considera normal, apenas apressase em afirmar que isso não afeta o lucro real. Ou seja, as normas civis, societárias e contábeis ficam relegadas a terceiro plano. Outra questão importante tirada desta resposta é a contradição em relação ao que a Empresa afirmou em manifestação ao item 9.1 do Termo de Intimação Fiscal 03 (fls. 2365/2386), a qual foi reproduzida no item 4 do tópico “VI”, deste, ocasião em que afirma: “O balancete constante na contabilidade Sped referente ao ano societário da Dell findo em 31/01/2009 é fruto da auditoria PwC, finalizada em agosto de 2009, (...) Assim o relatório emitido pela PwC entregue a esta fiscalização em 16/03/2011 é exatamente igual aquele entregue via Sped.” ... Independente de todas as contradições é inadmissível que qualquer empresa possua balanços diferentes para o mesmo período de apuração. No entanto, o que temos aqui são, no mínimo três balanços diferentes para saldos contábeis de 31/01/2009, um na contabilidade enviada ao banco de dados do Sped, outro no relatório de auditoria das Demonstrações Financeiras e um terceiro no balancete fiscal (Dctos às fls. 5327/5342).” Da renda variável (hedge) O contribuinte opera com o mercado exterior, importando materiais e exportando mercadorias. Dessa forma, registra ativos (créditos perante clientes do exterior) e passivos (débitos perante fornecedores do exterior) vinculados ao dólar. Indagado a respeito da realização de operações no mercado de renda variável com a finalidade protegerse da exposição decorrente da flutuação do câmbio, uma vez que o saldo do passivo é maior Fl. 92722DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 34 do que do ativo, apresentou planilha de apuração dos ganhos e perdas com as operações de renda variável, cobrindo o período de 2004 a 2008. A referida planilha não vincula as operações aos contratos protegidos. Diante desse cenário, a Fiscalização identificou os saldos do passivo e os diminuiu dos saldo do ativo, uma vez que esse era o valor a ser protegido. O saldo obtido desse cálculo foi convertido em dólares e comparado com os negócios de renda variável. Os negócios excessivos em relação à necessidade tiveram as respectivas perdas desconsideradas (vide quadro da fl. 8.798, indicativo da despesa indedutível). Relativamente ao ano calendário 2006, do total de perdas no montante de R$ 42.184.847,85, R$ 16.698.560,77 foi considerado não dedutível. Relativamente aos anos calendário 2004 e 2005 também foram encontrados valores não dedutíveis. A esse respeito assim se manifestou o agente do Fisco (fls. 8.798 a 8.800): “Essas perdas não dedutíveis deveriam ter sido adicionadas no Lalur e na Apuração do Lucro Real, porém isso não foi feito nos documentos originais. Na DIPJ, ficha de Demonstração do Resultado do Exercício, foi inserida a totalidade das perdas em cada ano, linha "() Perdas Incor. Merc. Renda Variável, exceto DayTrade", e não houve a devida adição ao lucro real. DIPJs originais às fls. 3704/4358. Quando do refazimento contábil e consequente reedição do Lalur essas perdas indedutíveis foram adicionadas nestes Livros de Apuração do Lucro Real. Nas DIPJs retificadoras não aparecem de forma discriminada em linha própria de adição ao lucro real, mas são consideradas dentro das linhas de "outras exclusões / adições". Apesar de terem sido adicionadas nos Lalur refeitos, essas diminuições de despesas não acarretaram qualquer desembolso a mais de tributos. Tudo isso "sumiu" em meio à reforma contábil. Como vimos, com exceção do ano de 2005, onde foi apurado ganho no refazimento contábil (mas sem desembolso pecuniário), nos outros dois, mesmo com as adições, houve diminuição do lucro real. ... Eis aí mais um motivo para o refazimento contábil. Se tivesse adicionado as perdas na DIPJ original teria desembolso em cada ano (2004, 2005 e 2006); se tivesse mantido sem adicionar teria um desembolso maior em 2008. Com a reforma contábil considerou adicionadas as despesas indedutíveis sem qualquer desembolso, e ainda abateu dos ganhos obtidos em 2008. Dentro da enorme gama de inconsistências já citadas, aqui neste tópico surge mais uma. Conforme citado acima, as planilhas de apuração dos ganhos/ perdas com renda variável são baseadas nos saldos das contas fornecedores (Fornecedores Estrangeiros e Intercia) e de clientes (Clientes do Exterior, Clientes Intercia e Intercia Serviços). Os saldos que a Fiscalizada está utilizando para fazer os cálculos são os constantes da contabilidade original. Fl. 92723DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 19 35 ... Desta forma, a Fiscalizada adota os saldos da nova contabilidade para alguns fins, e da contabilidade original para outros. É clara a falta de coerência, nem mesmo a Empresa acredita inteiramente no refazimento contábil que implementou.” Do Lalur Inicialmente a Fiscalização refere atraso na entrega dos Lalur solicitados. A pendência da encadernação não seria justificativa para atraso de sessenta dias. Observouse, ainda, que o profissional signatário dos livros somente foi contratado pelo contribuinte em 12 de julho de 2010, data posterior à “conclusão do refazimento contábil e retificação das DIPJs” (fl. 8.801). Diante disso, assim conclui o agente do Fisco (fl. 8.801): “Antes disso [sessenta dias após o início da ação fiscal] não existiam livros de Apuração do Lucro Real, poderiam existir planilhas eletrônicas contendo cálculos, mas os Lalur juridicamente válidos para embasar as DIPJs retificadoras não existiam.” Além disso, os ajustes implementados em 31 de janeiro de 2009 não foram refletidos nos Lalur, “permanecem as adições de provisões que foram eliminadas no refazimento contábil, permanecem adições e exclusões de variações cambiais pelo regime de caixa, enfim ficou tudo como era no livro original, sendo mudada apenas a apuração de 31/12 de cada exercício” (fl. 8.802). Apresentados os Lalur originais dos anoscalendário 2004, 2005 e 2006 foi solicitado prazo extra para a entrega do livro relativo ao ano calendário 2007, porquanto não estaria assinado e o contador estaria viajando. Entregue o livro do anocalendário 2007, além de se constatar que à época da entrega da DIPJ não haver Lalur adequadamente escriturado, identificouse que os dados do profissional signatário do livro estavam preenchidos com erros grosseiros. Confirase (fl. 8.803): Informações Correto Lalur Nome Fabiano Baroni Larrea Fabiano Larrea Baroni CPF 939.031.89049 052.937.36884 CRC/RS 67569 67659 Fabiano foi contratado pelo contribuinte em 2 de janeiro de 2006 e, à época da fiscalização, ainda era empregado da interessada. Em que pese a assinatura ser semelhante àquela constante da escrituração comercial, seria “inimaginável que uma pessoa assine 14 vezes um documento e não Fl. 92724DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 36 perceba que seus dados pessoais, inclusive o nome estão incorretos” (fl. 8.803). Das DIPJ retificadoras A Fiscalização reclama da forma como foram retificadas as DIPJ, mantendose os dados da contabilidade original e “inserindo apenas extrato de todas as modificações ocorridas em cada exercício nas linhas de outras exclusões” (fl. 8.803). Confirase a conclusão do agente fiscal (fl. 8.804): “A Empresa tinha as novas composições patrimoniais e os novos lucros,constantes de balancetes baseados em contabilidade registrada. Com isso,possuía os elementos para a alteração de todos os campos das DIPJs Retificadoras, mas preferiu não fazer para dificultar o conhecimento do Fisco.” Das outras manifestações do contribuinte O agente do Fisco inquiriu o contribuinte a respeito a respeito da movimentação registrada na conta “Fornecedores em Geral (Adto.)”, solicitando os documentos que embasaram cinco lançamentos, dentre mais de mil, que afetaram a referida conta. A resposta colhida foi a seguinte (fl. 8.805): “Esclareçase que na conciliação efetuada o ajuste procedido na referida conta correspondeu ao estorno de uma provisão cuja documentação que poderia lhe embasar não foi identificada. Assim, como consequência procedeuse ao seu estorno, o que veio a afetar positivamente o resultado do exercício. Nesse sentido, salientese que o ajuste veio em beneficio do fisco.” Frente à resposta, a Fiscalização assim se manifesta (fls. 8.805/6): “Além disso, cabe frisar que estes valores estavam compondo os saldos contábeis em 31/01/2009. Nos lançamentos de ajustes, a Empresa credita a conta de Lucros/ Prejuízos Acumulados Anos Anteriores dizendo que se tratam de valores de 2002, porém admite que não tem como provar que sejam realmente daquele exercício. Ora, se são identificados passivos fictícios em 2009 e não há provas documentais hábeis e idôneas para demonstrar em que exercício foram gerados, estes devem ser oferecidos à tributação no momento da identificação.” Quanto à conta “Intercia Mídias”, que registrava valores que seriamdevidos em função do fornecimento de software,o agente fiscal identificou saldo de quase R$ 45 milhões acumulado até o final do ano calendário 2002. Esse saldo foi transferido para a conta “Fornecedores Intercia” e, após a liquidação de R$ 3,6 milhões, foi estornado. O estorno apagou o passivo (dívida) e reconheceu uma receita relativa ao ano calendário 2002. Lembra a Fiscalização que “esse total de 44,9 milhões aumentou positivamente o resultado do exercício [2002], mas não foi oferecido à tributação” (fl. 8.806). O contribuinte, intimado a apresentar os documentos que deram suporte ao lançamento, assim se manifestou (fl. 8.807): Fl. 92725DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 20 37 “Estes ajustes correspondem a estornos de despesas lançadas na oportunidade para as quais não se identificou documentação suporte. Como o reflexo fiscal dos estornos já havia prescrevido quando da oportunidade da conciliação, o único efeito dos ajustes foi a recomposição do Patrimônio Líquido para os exercícios subseqüentes.” Por fim, nesse item, a Fiscalização aponta erros evidentes e conhecidos pelo contribuinte na escrita comercial. Confirase (fls. 8.807/8): “Outra questão, ao analisarmos as cópias dos extratos bancários entregues pela Fiscalizada (fls. 1426/2152), constatase que os mesmos apresentam data de extração da época dos fatos. Os extratos do Citibank e HSBC são diários, os do Bankboston são mensais, com impressão no início do mês seguinte. As datas podem ser conferidas no rodapé ou cabeçalho dos referidos documentos. Para relembrar, a Fiscalizada ajustou seus saldos bancários, diminuindo em mais de 30 milhões em 2006 (Citibank e Bankboston), em mais de 15 milhões em 2007 (HSBC), e em mais de 20 milhões em janeiro de 2009 (Citibank). Desta forma fica claro que a Empresa tinha conhecimento, antes de encaminhar os livros para registro, que as informações ali contidas não eram verídicas. Não possuía aqueles saldos bancários, a composição patrimonial era irreal, o lucro societário estava distorcido. No entanto, assim mesmo os documentos foram firmados pelo representante legal e pelo contador, foram registrados na Junta Comercial, e embasaram as declarações entregues ao Fisco. Diante destas constatações a Fiscalizada foi intimada a responder por que procedeu dessa forma (Termo de Intimação 03 item 12): “Mesmo com o conhecimento que a contabilidade continha relevantes erros, os livros contábeis foram assinados pelos dirigentes da Empresa e registrados na Junta Comercial. Por que procedeu dessa forma?” A resposta (fls. 2365/2386): “Conforme disposição legal é obrigatório o registro dos Livros Contábeis, o qual deve ser efetivado antes mesmo da entrega da DIPJ. Em atenção a esta obrigação legal efetuouse o registro dos Livros Contábeis, os quais refletiam a movimentação patrimonial da empresa apesar de eventual divergência que por ventura possa ser identificada.” Das dificuldades impostas ao conhecimento do Fisco A Fiscalização aponta diversos fatores que demonstrariam a “clara tentativa [do contribuinte] de ocultar” (fl. 8.809)os ajustes contábeis efetuados, quais sejam: 1) retificação das DIPJ mediante ajuste único na linha “outras exclusões”, mantendose dados da contabilidade original; Fl. 92726DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 38 2) entrega ao Fisco de dados contábeis desatualizados (sem os ajustes) relativamente ao anocalendário 2007, “sem nada mencionar que esta havia sido completamente modificada” (fl. 8.809); 3) entrega, quando do início dos trabalhos de fiscalização, da contabilidade relativa aos anoscalendário 2003 a 2006 sem qualquer referência aos ajustes; 4) ao ser questionada a respeito dos valores apontados na linha “outras exclusões” da DIPJ, solicitou prorrogação do prazo por mais 30 dias e apresentou resposta “nada esclarecedora”, informando “que foi efetuada a revisão de alguns processos resultando nos ajustes de R$ 52.692.848,36 e R$ 15.187.230,29, nos anoscalendário 2006 e 2008” (fl. 8.810); 5) como os valores indicados acima faziam referência a um rol de ajustes, a Fiscalização questionou um dos ajustes, que chamou a atenção em função da denominação (“Demonstração do Resultado do Período”). A resposta a essa intimação trouxe à tona os ajustes efetuados, sua envergadura e amplitude. Frente a esses elementos, assim concluiu a Fiscalização (fl. 8.811): “Somente aqui, não tendo mais como ocultar ao conhecimento do Fisco, obrigouse a esclarecer que havia refeito suas contabilidades desde 2002. Apresentou os já explicitados balancetes fiscais, que não deixam dúvida do refazimento total de suas contas em todos os anos passados. Assim comprovase a clara tentativa de ocultar ao conhecimento do Fisco todo esse refazimento contábil. O qual foi divulgado somente após não haver mais outra possibilidade. Embora os registros da reforma contábil estejam dentro da contabilidade Sped 2009, isso não serve como argumento de que foram disponibilizados ao Fisco, pois seria ilógico a busca de bases fiscais dos anos de 2006 a 2008 dentro da contabilidade de 2009. Também é natural, e os contribuintes sabem disso, que a Receita Federal examine com prioridade os anos mais antigos. Nessa situação, em princípio, não se adentraria aos registros de 2009, e quando fosse examinada a contabilidade de 2009 dentro de uma programação temporal adequada, certamente já estaria decaído o direito ao lançamento dos créditos tributários aqui apurados.” O agente do Fisco refere, também, dificuldades no atendimento prestado à Fiscalização pelo contribuinte. Esclarece que os contatos diretos foram mantidos, na maior parte das vezes, com as Sras. Cláudia Linck e Tatiana Paim, empregadas da interessada desde dezembro e outubro de 2012, respectivamente. Por esse motivo, quando questionadas a respeito dos ajustes efetuados em 31 de janeiro de 2009, “alegavam que não tinham participado da elaboração e que precisavam contatar o setor responsável” (fl. 8.812). O contato com o Sr. Fernando Schmitt, Responsável Fl. 92727DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 21 39 pelo Departamento Fiscal, “foi feito apenas um contato pessoal, logo no início da fiscalização, e antes da descoberta do refazimento contábil” (fl. 8.812). Frente a isso, assim se manifestou o agente do Fisco (fl. 8.813): “Numa situação dessas, totalmente atípica, envolvendo uma reforma contábil de uma década, a única atitude esperada da parte fiscalizada é que colocasse a disposição da Fiscalização pessoas que realmente participaram do planejamento e condução dos trabalhos para esclarecimentos pontuais e objetivos. Desta forma, por absoluta falta de vontade por parte da Empresa, todos os esclarecimentos sobre refazimento contábil tiveram de ser levados a termo, ocasionando aumento do tempo empregado no procedimento fiscal.” Quanto ao atendimento das intimações, o agente do Fisco apresentou extenso rol de intimações satisfeitas em prazos largamente prorrogados ou não satisfeitas mesmo após o deferimento de prorrogações (vide relação das folhas 8.813 a 8.816). A esse respeito assim se manifestou a Fiscalização (fls. 8.813 e 8.817): “A Empresa não quis fazer os esclarecimentos de forma pessoal, exigindo a formalização por escrito de cada item. Embora estranho para quem não tem nada a ocultar, é um direito que tem. Porém ao serem lavrados os termos de intimação, passou a pedir sucessivos aditamentos de prazo e, mesmo sendo concedidos a maioria dos pedidos, deixou de apresentar grande parte dos documentos e esclarecimentos requeridos. ... Mas, as razões para isso estão aqui expostas, a inserção de forma deliberada de inúmeras irregularidades dentro do refazimento contábil apenas com o objetivo de obter vantagem fiscal. Como a Empresa não tinha justificativas a apresentar, intentou o tempo todo com o objetivo de não ser lançada dentro do ano de 2011, e assim poder argüir futuramente a decadência do ano de 2006. Por isso as respostas fracionadas, falta de atendimento a intimações, tentativa de adiar a ciência em termo de intimação.” Das vantagens fiscais colhidas A Fiscalização refere a existência das pendências fiscais já relatadas (fl. 8.817), notadamente perdas cambiais não dedutíveis (falta de adição de perda com variação cambial não dedutível, tratada no 2º § do item “Da renda variável (hedge)” do presente relatório), exclusões indevidas na apuração do lucro real (tratadas no 5º § do item “Das irregularidades na apuração das variações cambiais” do presente relatório) e variações cambiais não apuradas no anocalendário 2007 (tratadas no 13º § do item “Das falhas na contabilização dos royalties” do presente relatório). Os valores das pendências, somados, montam “173 milhões de reais de base de cálculo não declarada, apenas em relação ao IRPJ e CSL, nos anos 2004 a 2007 (para isso está sendo considerado o saldo de variações cambiais de 2007 apurado pela Empresa, onde há comprovação de irregularidades)” (fl. 8.817). Assim Fl. 92728DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 40 concluindo a respeito da meta do contribuinte com os ajustes operados em 31 de janeiro de 2009 (fl. 8.817): “Com o evento da revisão contábil todas essas pendências fiscais sumiram sem qualquer pagamento extra de tributos, e ainda houve diminuição do lucro real nos AC 2004,2006,2007 e 2008.” Especificamente quanto ao lucro real, o agente do Fisco cotejou a base de cálculo do IRPJ originalmente informada com aquela apontada nas DIPJ retificadoras. Confirase o resultado (fl. 8.818): Ano Calendário Original Retificadora Diferença 2004 R$ 69.566.759,26 R$ 66.846.125,65 R$ 2.720.633,61 2005 R$ 80.959.933,32 R$ 91.693.859,82 R$ 10.733.926,50 2006 R$ 103.617.972,28 R$ 83.323.157,29 R$ 20.294.814,99 2007 R$ 159.452.136,36 R$ 159.366.862,26 R$ 85.274,10 2008 R$ 325.313.628,03 R$ 322.466.672,49 R$ 2.846.955,54 Total R$ 15.213.751,74 A Fiscalização apontou, também, vantagem indevida resultante do ajuste operado pelo contribuinte nas contas que registram seus créditos perante clientes nacionais. No anocalendário 2008, o interessado baixou créditos no montante de R$ 40 milhões de reais, debitando (despesa) o resultado do período. Segundo o agente do Fisco, do valor baixado somente 15% restou “demonstrado, e ainda de forma precária, carecendo maiores esclarecimentos” (fl. 8.818). Outra vantagem indevida observada foi a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas apurados no anoscalendário de 1999 a 2003. Esses valores, entretanto, sofreram ajustes em função do chamado “refazimento contábil”, tendo havido “mudança no resultado contábil de prejuízo para lucro, ou houve diminuição do prejuízo” (fl. 8.819). Implementadas as mudanças, a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas permaneceu a mesma (vide quadro da fl. 8.819). Confirase a posição da Fiscalização a respeito do procedimento adotado pelo contribuinte (fl. 8.820): “Ora, esse é o melhor dos mundos. Depois de sete anos, quando já decaiu o direito de ação do Fisco, reforma sua contabilidade, baixando passivos fictícios para os anos já decaídos (e sem prova documental), apura lucros no lugar de prejuízos, mas continua beneficiandose dos prejuízos fiscais declarados em DIPJ.” Da conclusão da Fiscalização a respeito do “Refazimento Contábil” Fl. 92729DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 22 41 A Fiscalização realizou suma do seu trabalho que merece reprise completa. Confirase (fls. 8.821 a 8.825): “Durante uma década de operação no Brasil a Empresa manteve seus registros de forma adequada à realidade fática apenas em seus sistemas gerenciais. A contabilidade de acordo com as normas brasileiras foi relegada a um segundo plano, acumulando erros generalizados, graves e relevantes em todas as contas. Em paralelo à sua contabilidade errada, a Fiscalizada intentou graves infrações nas suas Declarações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, onde, além de refletir as apurações contábeis errôneas, ainda modificou indevidamente o lucro real, da seguinte forma: inseriu exclusões inexistentes; deixou de fazer adições devidas; declarou opção pelo regime de caixa nas variações cambiais, enquanto não praticava isso, entre outros. Todo o mencionado acima ocorreu em seus registros originais. No procedimento fiscal em curso, a Fiscalização deparouse com um refazimento de toda a contabilidade da Empresa, com alterações de centenas de milhões de reais envolvendo todas as contas do seu elenco. Essa reforma contábil incluiu, estornou, modificou lançamentos desde 1999 até janeiro/2009. Tendo sido apurados balancetes fiscais a partir do ano calendário 2002, e retificadas as DIPJs somente a partir do 2004. Diante desse refazimento contábil de uma década, a Fiscalização selecionou pontos considerados relevantes dentro das operações da Fiscalizada para estimar a justeza e a confiabilidade dos lançamentos de ajustes. Para isso foram analisados, fornecedores, lientes, estoques, variações cambiais, operações com partes relacionadas, movimentação bancária, renda variável, entre muitos outros citados ao longo deste relatório. Da análise dos citados lançamentos observouse a existência de graves irregularidades de forma abrangente em praticamente todos os pontos examinados. Grande quantidade de lançamentos não teve base documental comprovada, houve estornos de centenas de milhões de pagamentos comprovadamente existentes, não foi respeitado o regime de competência na apropriação de despesas com softwares, foram implementadas graves irregularidades nas planilhas de variações cambiais, há ajustes vultosos em clientes e fornecedores de forma globalizada e sem documentos de suporte, tudo conforme finamente detalhado neste relatório e nas planilhas anexas. Resumindo, a Fiscalizada cometeu as seguintes infrações: a) estornou saldos existentes em 31/01/2009, dizendo terem origem no período de 1999 a 2003, no entanto, quando solicitados os documentos que embasaram os lançamentos, deixa de apresentar e até mesmo admite que não possui. Os ajustes atribuídos a esse período somam 135 milhões a crédito de resultado, (item 1 do tópico "V" e itens 1 e 2 do tópico XI); Fl. 92730DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 42 b) procedeu a estornos de pagamentos comprovadamente realizados por meio dos extratos bancários, sendo que os valores estornados foram lançados a débito do resultado do período. Essa prática ilegal gerou débitos no resultado dos exercícios de 2004, 2005 e 2006, onde somaram R$ 86.894.942,19, R$ 133.849.952,28 e RS 67.111.844,69, respectivamente, (item 2 do tópico "V"); c) modificou a contabilização das faturas de reembolso de softwares (royalties) do regime de competência para o regime de caixa, com isso aproveitouse duplamente de faturas emitidas em 2002 e em 2003, também transferiu custos de 2006 para 2007 dentro do seu interesse fiscal. Além das implicações nos demais anos podemos citar o valor de 38 milhões relativos a 2002/2003 e 63 milhões transferidos de 2006 para 2007. (item 3 do tópico "V"); d) fez a opção de tributação das variações cambiais pelo regime de caixa nas DIPJs originais de 2006 e 2007, também escriturou adições e exclusões relativas a variações cambiais mensalmente nos livros Lalur. Nas DIPJs retificadoras manteve essa opção, inclusive alterando valores na declaração base 2007. No entanto, ao ser intimada a apresentar as planilhas de apuração pelo regime de caixa, alegou praticar apenas regime de competência, (item 4 do tópico "V"); e) inseriu dados de forma irregular em suas planilhas de variações cambiais, de maneira que, contrariando toda ordem econômicofinanceira,transformou uma receita de 20 milhões em uma despesa de 36 milhões, ou seja, gerou de forma fictícia um custo financeiro de, no mínimo, 56 milhões em 2006 e 17 milhões em 2007 (item 4 do tópico “V”); f) depois de quase uma década modificou a realização dos seus estoques em todos os anos passados, e com isso obteve vantagem fiscal. No ano de 2006, essas modificações proporcionaram um aumento de custo de 73 milhões de reais, (item 5 do tópico "V"); g) fez ajustes em seus extratos bancários apenas para ficarem alinhados com a contabilidade ao final do ano, sem realizar uma efetiva conciliação bancária, (item 6 do tópico "V"); h) inseriu em sua contabilidade, nos ajustes de 2007, de forma lobalizada, ais de 8 milhões de reais a título de descontos concedidos, descontos esses não comprovados (item 7 do tópico "V"); i) inseriu em sua contabilidade, nos ajustes de 2008, de forma globalizada, a crédito de Clientes e a débito de Resultado do Exercício, mais de 40 milhões de reais, sem qualquer comprovação documental da procedência desse ato. (item 8 do tópico "V"); j) baixou de sua contabilidade, em 31/01/2009, mais de 98 milhões de reais da conta de Intercia Fornecimentos, de forma globalizada e sem base documental, (item 9.1 e 9.2 do tópico "V"); k) inseriu, em 31/01/2009, lançamentos a crédito de Intercia Fornecimentos e a débito de Resultado do Exercício a título de complementação de royalties, Fl. 92731DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 23 43 os quais somam mais de 59 milhões, e não houve comprovação da origem dos mesmos, (item 9.3 do tópico "V"); 1) inseriu inúmeras irregularidades em seus balancetes fiscais, os quais embasaram as DIPJs retificadoras. (tópico "VI"); m) apresentou três balanços diferentes para o fechamento de 31/01/2009, um na contabilidade Sped, outro nas demonstrações auditadas, e um terceiro nos balancetes fiscais, (tópicos "VI" e "VII"); n) utilizou os saldos das contas da contabilidade original para fins de apuração das parcelas dedutíveis de despesas incorridas em aplicações de renda variável (hedge), com isso contraria sua própria posição, quando diz que o correto são os novos saldos resultantes de sua "conciliação", (tópico VIII); o) não existiam livros Lalur formalizados que embasassem as DIPJs retificadoras, quando do início da fiscalização. O livro Lalur original de 2007 foi apresentado com todos os dados pessoais do contador incorretos (tópico "IX"); p) deixou de refletir em suas DIPJs retificadoras todas as modificações contábeis implementadas no refazimento de 31/01/2009. (tópico "X"); q) agiu em vários momentos, antes do início e após o começo da fiscalização, com intenção de dificultar o conhecimento do Fisco sobre as reais modificações implementadas em sua contabilidade (tópico "XII"); r) diminuiu as pendências fiscais existentes antes do refazimento contábil (mínimo de 173 milhões de base de IRPJ e CSLL), e ainda diminuiu em 15 milhões a soma do lucro real em todos os anos reformados, (itens 1 e 2 do tópico "XIII"); s) aproveitouse de prejuízos fiscais (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL) gerados nas DIPJs originais de 2002 e 2003, os quais somam mais de 51 milhões de reais. No seu refazimento contábil a Fiscalizada apurou lucros nos dois anos, assim mais uma vez contradizse em seus posicionamentos, (item 3 do tópico "XIII"). A Empresa diz que começou sua reforma contábil no primeiro trimestre de 2007 a partir da identificação de falhas em seus controles internos. No entanto, pelos lançamentos citados nos itens 8 e 9 do tópico "V" acima, fica comprovado que em 31/01/2009 a referência mor, a única base confiável, continuava sendo o seu sistema gerencial. Todo esse refazimento contábil é ato único, em uma mesma ação foram ajustados todos os registros contábeis desde 1999 até 01/2009, vindo a desaguar nos lançamentos da contabilidade Sped em 31/01/2009 e em alguns consignados dentro do exercício 2008 – tudo consolidado nos balancetes fiscais elaborados pela Empresa. Foi com essa visão que foram selecionados pontos considerados relevantes dentro das operações da Fiscalizada para verificação, por amostragem, da confiabilidade dessa reforma. Fl. 92732DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 44 Diante de todas as irregularidades identificadas nos lançamentos de ajustes, todas em pontos considerados chaves dentro das operações da Empresa, irregularidades essas que se espraiam pelos vários anos reformados, o refazimento contábil como um todo perde completamente sua confiabilidade, assim não há como ser aceito. Perante essa situação grave, onde os registros contábeis de ajuste não merecem confiança, para saber exatamente o que é certo e o que é errado a Fiscalização teria conferir documento a documento de todas as operações da Empresa desde o início de suas operações em 1999, pois conforme mencionado foram baixados saldos de fornecedores referindo aquele ano, e esses saldos influenciam nas apurações das variações cambiais pelo regime de competência no presente, além de embasarem cálculo de renda variável. Não é obrigação do Fisco refazer a contabilidade que o contribuinte manteve falha. Cabe mais uma vez lembrar que a Empresa tinha a obrigação legal de fazer corretamente sua contabilidade original, não o fez. Depois por iniciativa própria, antes do meio da fiscalização, teve a oportunidade de corrigir aqueles erros originais e adequar seus livros aos quesitos legais, porém, ao invés de acertar, preferiu inserir inúmeros lançamentos com valores irregulares apenas buscando ocultar as bases tributáveis. Desta forma, todo o refazimento contábil, que a Fiscalizada chamou de"conciliação", está sendo desconsiderado. Como consequência disso os livros Lalur, as DIPJs Retificadoras e demais declarações entregues ao Fisco que tiveram como base esse refazimento contábil (anos calendário 2004 a 2008) deixam de produzir seus efeitos.” Do arbitramento A Fiscalização, diante dos elementos resumidos do tópico anterior manifestou pelo cabimento do arbitramento em razão da imprestabilidade da escrita do contribuinte, seja a original, seja a ajustada. Confirase a fundamentação (fls. 8.825 e 8.827): “Diante da situação apresentada, onde a Empresa refaz sua contabilidade com retroação de uma década, e onde há modificação em todas as contas do seu elenco, a grande maioria com alterações relevantes onde somam dezenas de milhões de reais, fica claro que aquela contabilidade original estava completamente errada, pois foi radicalmente alterada, modificando substancialmente os saldos patrimoniais.” “Perante esta situação, onde a contabilidade original foi radicalmente modificada pela Empresa, com várias demonstrações que realmente estava incorreta, e onde o refazimento desta contabilidade não tem como ser aceito, devido ao grande numero de irregularidades ali inseridas, não resta outra solução que não seja o arbitramento do lucro.” “O artigo 7º , caput, do mesmo Decreto Lei 1.598/77 impõe que "O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais ". Fl. 92733DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 24 45 Por tudo que foi exposto nesse relatório, podese perceber que foram completamente esquecidas as normas comerciais e fiscais. O tratamento dado aos registros contábeis foi o de uma mera planilha de cálculo aonde iam sendo alocados os custos conforme a necessidade, sendo que a maioria destes custos gerados de forma artificial. O arbitramento tratase de uma medida extrema, mas legal, e dentro do caso concreto, também necessária. Assim procedemos na forma da lei.” A base legal para a adoção do lucro arbitrado no caso dos autos foi o art. 530, inciso II, letras “a” e “b”, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. Confirase o texto normativo: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário,será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): ... II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real;” O valor das receitas utilizado para o cálculo do lucro arbitrado foi aquele indicado pelo contribuinte nos Livros de Apuração do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), nos Livros de Apuração do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) e nos Livros de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), “Em função da total impossibilidade de aproveitamento dos registros contábeis” (fl. 8.828). O valor das receitas está demonstrado nas planilhas das folhas 8.829 e 8.830. Para a apuração do lucro arbitrado foi observado o disposto no art. 532 do RIR/1999, segundo o qual o lucro arbitrado é calculado em razão da receita bruta conhecida, aplicados os percentuais fixados no art. 519 Regulamento do Imposto de Renda, acrescidos de 20%. Os percentuais aplicados para fins do IRPJ foram os seguintes (fl. 8.831): a) 9,6% sobre as receitas auferidas com a venda e produtos e mercadorias; b) 38,4% sobre as receitas auferidas com a prestação de serviços. Fl. 92734DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 46 A apuração da base de cálculo do IRPJ consta da folha 8.831. Sobre a referida base de cálculo foi aplicada a alíquota de 15% e incidiu o adicional de 10% (fl. 8.831). Para fins da CSL, o lucro arbitrado foi calculado em função da aplicação dos percentuais fixados no art. 29, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com os arts. 15, § 1º, III, e 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Os percentuais aplicados na apuração do lucro arbitrado para fins da CSL foram os seguintes (fl. 8.833): c) 12% sobre as receitas auferidas com a venda de produtos e mercadorias; d) 32% sobre as receitas auferidas com a prestação de serviços. A apuração da base de cálculo da CSL consta da folha 8.833. Sobre a referida base de cálculo foi aplicada a alíquota de 9% (fl. 8.834). Dos valores apurados de IRPJ e CSL foram descontados os recolhimentos efetuados pelo contribuinte que não haviam sido objeto de compensação por ele formalizada em função de pretenso pagamento a maior ou indevido (fls. 8.832 e 8.834). Quanto à Cofins e ao PIS, restou afastado o regime da não cumulatividade em função do arbitramento do lucro (art. 8º, II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e art. 10, II, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Dessa forma, a base de cálculo dessas contribuições passou a ser o faturamento, consoante fixado nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. A metodologia da apuração da base de cálculo das contribuições a partir dos livros fiscais do ICMS, do ISS e do IPI consta das folhas 8.835 a 8.842). Da aplicação da multa qualificada A acusação é clara (fls. 8.842/3): “A conclusão a que se chega do procedimento fiscal em curso, é que todo esse refazimento contábil de uma década teve como intuito principal de ocultar pendências fiscais preexistes e de obter vantagens fiscais de forma ilícita. Para isso foram inseridas inúmeras irregularidades nos registros contábeis e em planilhas auxiliares.” “Por todo o exposto fica claro que a Empresa, por meio de seus administradores quis praticar esses atos em busca de benefícios ilícitos. Intentou com dolo para obtenção dos resultados e beneficiouse disso. Portanto, a multa de ofício a ser aplicada é aquela prevista no Art. 44, II da Lei 9.430 de 27/12/1996, ...” Do prazo para lançar Fl. 92735DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 25 47 A Fiscalização aponta a aplicabilidade do prazo decadencial previsto no art. 173, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, o Código Tributário Nacional – CTN. Sustenta isso em função do registro da escrita contábil perante a Junta Comercial ocorrida em 22 de maio de 2007 (vide Livro Diário às fls. 3.371 a 3.430 – pág. 35). Considerações finais da Fiscalização “Diante da situação verificada nesta fiscalização, onde uma empresa do porte da Dell, multinacional com representação em vários países do mundo, faturamento bilionário, mantém sua contabilidade com graves erros durante uma década, levando a registro os seus livros, mesmo sabendo das incorreções, e depois reforma todas essas contabilidades, inserindo irregularidades de forma a ocultar as bases tributáveis, a primeira reação é de espanto, de incredulidade. Mas depois, analisando todo o contexto e os dados disponíveis isso vai ficando claro e não deixa margem a dúvidas. A Empresa tem capacidade econômicofinanceira para contratar os melhores profissionais do Brasil, e tem em seus quadros contadores capacitados oriundo de grandes empresas de auditoria externa. Portanto, fica nítido que este total descontrole contábil é algo que vem da alta cúpula, que prioriza seus sistemas gerenciais deixandose de lado os quesitos normativos relacionados à contabilidade brasileira. A Fiscalizada levou a efeito essa reforma contábil e implementou irregularidades contando com dois fatores relacionados à quantidade de informações: a dificuldade de análise por parte do Fisco, e a dificuldade de transmitir isso aos julgadores em uma eventual formalização de processo. No entanto, esses dois obstáculos estão sendo superados. As ferramentas disponíveis pela Receita Federal hoje, para análise de registros contábeis, são de altíssima qualidade, permitindo filtros avançados e cruzamentos de dados com muita precisão. Este relatório apresentou as principais irregularidades de forma detalhada e o processo foi instruído com os elementos de prova suficientes para que o julgador tenha a clara percepção do que ocorreu. Além disso, a contabilidade Sped pode ser acessada por qualquer AuditorFiscal para eventual esclarecimento. Nos procedimentos fiscais executados pela Receita Federal do Brasil, não é comum o exame de um período temporal tão longo e de tantas contas, mas a situação fática, da forma como se apresentou, obrigou a esta extensão e profundidade nas análises em pauta. Porém, isso tudo decorreu única e exclusivamente em função dos atos praticados pela Empresa.” (fl. 8.845) O auto de infração foi cientificado ao contribuinte no dia 15 de dezembro de 2011, consoante se verifica dos documentos das folhas 8.848/9. No dia 16 de janeiro de 2012, o contribuinte apresentou sua impugnação ao lançamento (fl. 8.851). Fl. 92736DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 48 Da impugnação A “Introdução” da impugnação contempla resumo da tese da defesa. Confirase (fl. 8.852): “Insurgese a Impugnante contra Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS lavrados em função do arbitramento de ofício do lucro por ter a Fiscalização considerado imprestável a contabilidade da empresa para a apuração do lucro real. O valor total dos lançamentos por arbitramento ultrapassa R$320.000.000,00 (trezentos e vinte milhões de reais)! A guisa de introdução já convém registrar que, de plano, saltam aos olhos profundas incoerências decorrentes da própria fundamentação constante da autuação fiscal. É que ela, ao invés de se assentar na ausência da escrituração (seja em decorrência de extravio, inexistência ou simples recusa na entrega) ou na ausência ou imprestabilidade da documentação que a lastreia, aponta (e quantifica) uma série de supostas irregularidades incorridas pela Impugnante na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Sabendose que o arbitramento é medida extrema, somente admitida em caso de inexistência de escrita ou, havendo escrituração, essa seja infundada, falsa ou de máfé, é desconcertante que a Fiscalização tenha tirado ilações somente possíveis a partir do exame minucioso da escrita e da documentação que a lastreia. E, se houve exame minucioso da escrita e da documentação, perdemse no vazio as alegações de imprestabilidade da escrituração contábil da Impugnante. De fato, demonstrarseá na presente impugnação que o lançamento combatido não tem condições de prosperar, seja por força da decadência em relação aos valores de IRPJ e CSLL do 1º, 2° e 3º trimestres de 2006 e do PIS e COFINS de janeiro a novembro daquele ano, seja pelo fato de o arbitramento ter sido aplicado de forma totalmente indevida. A fiscalização teve acesso a todos os elementos que necessitava para apurar (o que de fato apurou) as bases de cálculo que entendeu devidas. Não existe comprovação de fraude. Não há sequer alegação de que a empresa teria se valido de documentos viciados ou notas calçadas ou, ainda, contrafatadas. Ainda, demonstrarseá que todas as supostas irregularidades apontadas pela fiscalização são plenamente justificáveis a partir de uma análise minuciosa dos lançamentos contábeis e documentos suporte que compõem a documentação contábil da empresa. Uma análise mais acurada do auto de infração e do seu contexto demonstra que a vasta argumentação trazida não passa de um instrumento retórico, todo delineado para justificar a aplicação do arbitramento com uma finalidade manifestamente ilegal, qual seja: punir a Impugnante. Portanto, impõese seja o mesmo integralmente cancelado.” Feito o resumo, o impugnante passa ao detalhamento da defesa. Da tempestividade O impugnante confirma ter tomado ciência do lançamento em 15 de dezembro de 2011, sustentando ser tempestiva a impugnação Fl. 92737DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 26 49 apresentada no dia 16 de janeiro de 2012. Protestou contra a escassez de tempo para a formulação da defesa, uma vez que o “Relatório da Ação Fiscal” conta com 150 páginas e o processo possui mais de 8.500 páginas. O prazo impugnatório de 30 dias não seria suficiente para a contestação adequada, motivo pelo qual requereu a juntada posterior de provas, inclusive pericial, com base no art. 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação que lhe foi dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Fatos antecedentes ao lançamento A Impugnante dá destaque à envergadura do conjunto de sociedades do qual faz parte. Informa que a Dell “nasceu e cresceu baseada na qualidade de seus produtos e serviços”, motivo pelo qual hoje conta com mais de 100.000 colaboradores no mundo, tendo sido “reconhecida em 2005 como a 28ª maior empresa do mundo e no ano como a empresa mais admirada nos EUA” (fl. 8.855). No Brasil, conta com 3.800 colaboradores, possuindo 3 estabelecimentos. As ações da Dell são “comercializadas na bolsa de valores Nasdaq e, portanto, é auditada por terceiros desde o ano 1988” (fl. 8.855). Sobre auditoria externa no Brasil, assim se manifesta (fl. 8.856): “E não se diga que a empresa estaria submetida somente à auditoria externa nos EUA. Isso porque desde de 2008 a empresa é também auditada no Brasil, conforme se verifica pelos pareceres da Pricewaterhouse ("PWC") anexos (Doc. 05), os quais foram emitidos após mais de 10.000 horas de trabalho desenvolvidos por uma equipe média de mais de 10 auditores em cada ano. Além disso, por se tratar de uma empresa global, as demonstrações financeiras de suas subsidiárias, inclusive a brasileira, são consolidadas e formam uma única demonstração financeira, a qual é então submetida à auditoria.” Referiu a realização de auditoria fiscal anterior, nos seguintes termos (fl. 8.857): “A própria Receita Federal do Brasil auditou a Dell relativamente aos períodos de 2006 a 2008 em fiscalização realizada no ano de 2010 para apuração do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade procedeu a ampla verificação da contabilidade e registros fiscais da empresa, e concluiu com o lançamento de pequenas diferenças no recolhimento das contribuições relativas ao anocalendário de 2007, sem fazer OBVIAMENTE qualquer indicação quanto à imprestabilidade da contabilidade da empresa (Doe. 07), fundamento do arbitramento do lucro de 2006 determinado no auto de infração ora impugnado. E não se diga que a contabilidade e registros fiscais da empresa dos anos de 2006 e demais não foram analisados, pois conforme se verifica pelo Termo de Intimação anexo (Doc.08) a fiscal solicitou os livros e registros relativos a esse período conforme edição exigida nos termos da IN86.” Fl. 92738DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 50 Após, ainda nesse tópico, enfatizou as conclusões da auditoria externa. Confirase (fls. 8.857/8): “Ora, conforme prescreve o item 11.3.5.2 da NBC Técnica 11 "O auditor deve emitir parecer adverso quando verificar que as demonstrações contábeis estão incorretas ou incompletas, em tal magnitude que impossibilite a emissão do parecer com ressalva". Além disso, "o auditor deve planejar seu trabalho de forma a detectar fraudes e erros que impliquem efeitos relevantes nas demonstrações financeiras" (item 11.1.4.3 da NBC Técnica 11). Portanto, se a PWC não emitiu ressalva em seus pareceres quanto à imprestabilidade da contabilidade da Dell para apuração do lucro e patrimônio, é porque a Dell, em consonância com o que dela se exige e espera, possui contabilidade que obviamente se presta para tanto. E, salientese, que mesmo não tendo auditado o ano de 2006, conforme reconhecido no auto de infração, os saldos contábeis desse ano afetam os saldos do ano de 2008, até porque nesse ano contábil foram lançados os ajustes do processo de reconciliação realizado pela empresa. Assim, não tendo havido qualquer ressalva nesse sentido, é porque a contabilidade da empresa não apresenta erros de tal magnitude que a tornem imprestável, como se acusa no auto de infração.” Por fim, arremata quanto às provas (fls. 8.858/9): “No Direito, é por meio das provas que a verdade se estabelece. Não basta a alegação do agente da fiscalização de que a escrita é imprestável. É preciso que isso fique plenamente comprovado nos autos do processo administrativo. No caso dos autos, o arbitramento deve ser desconstituído e o lançamento declarado nulo, porquanto claramente demonstrado, por meio de provas, que existia a efetiva possibilidade de apurar o lucro real e que houve irregularidade no procedimento de fiscalização. De fato, as provas apresentadas a seguir nesta defesa permitem evidenciar a invalidade da aplicação da presunção legal do arbitramento do lucro da Impugnante e dos equívocos das conclusões apresentadas pela peça acusatória.” Do fatos atinentes à fiscalização A impugnante relata o início da fiscalização em 13 de dezembro de 2010, que teria como finalidade verificar “regularidade de suas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ relativas aos anoscalendário 2006 a 2008” (fl. 8.859). Em função desse trabalho adveio o lançamento objeto de impugnação que diz respeito ao ano calendário 2006. “A fiscalização relativa aos anoscalendário 2007 e 2008 continua em aberto” (fl. 8.859). No entender do contribuinte, a provável motivação da fiscalização foi a retificação de diversas declarações encaminhadas pelo interessado ao Fisco. Confirase (fl. 8.859): “Tais retificações haviam decorrido de ajustes de saldos de determinadas contas da contabilidade da empresa, lançados em janeiro de 2009. Como os referidos ajustes envolveram vários exercícios e alteraram valores expressivos de determinadas contas, todos eles reportados no SPED, era Fl. 92739DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 27 51 natural e esperado que a empresa fosse auditada pela Receita Federal quanto aos efeitos tributários dos mesmos, já que a Receita possui, e possuía, mesmo antes de iniciada a fiscalização em evidência, amplo acesso não só às informações fiscais da empresa, mas também à contabilidade ajustada e à contabilidade resultante do ajuste.” Defende o impugnante que os lançamentos de ajuste jamais foram escondidos da Fiscalização. Teria ocorrido o oposto. No curso de fiscalização federal anterior, durante o ano de 2009, o Fisco teve “acesso ao SPED, que contém o lançamento dos ajustes em janeiro de 2009 com a descrição do período correspondente no nível de cada transação” (fl. 8.860). Não bastasse isso, “os resultados dos ajustes promovidos pela empresa em sua contabilidade original foram refletidos nas "linhas de ajustes positivos e ajustes negativos de crédito" na DACON, as quais só conseguiram ser explicadas e entendidas a partir da verificação dos ajustes promovidos na contabilidade original” (fl. 8.860). Sob esse prisma, foram os agentes do Fisco que teriam conduzido os trabalhos de sorte a “construir a incriminação da fiscalizada, voltada desde o princípio ao arbitramento do lucro, como forma de punição pela suposta falta de pagamento de tributos atingidos pela decadência” (fl. 8.860). Tanto essa seria a verdade dos fatos, que o Termo de Intimação que abriu os procedimentos de fiscalização já faria referência aos ajustes (item 12 do documento da fl. 5). A solicitação, à época, de esclarecimentos quanto à variação cambial também permitiriam concluir pelo conhecimento dos ajustes. O interessado aponta indignação dos agentes do Fisco com o fato dos ajustes terem promovido aumento de lucro em anos cujo lançamento já estaria decaído, bem como com o fato de prejuízos fiscais terem sido tacitamente homologados e aproveitados. Por esse motivo, a Fiscalização teria “construído” acervo probatório tendente ao arbitramento do lucro. Nessa trilha, os agentes do Fisco teriam solicitado “milhares de documentos e informações que certamente não poderiam ser atendidos dentro dos prazos concedidos” (fl. 8.862).Os “fiscais responsáveis pela fiscalização em evidência passaram menos de 24 horas de trabalho dentro das dependências da empresa” (fl. 8.862), tempo que seria diminuto para uma equipe interessada em conhecer os fatos. A pretensa falta de colaboração com o Fisco seria mais uma das “construções maldosas” levadas a efeito pelos agentes do Fisco. Referiu duas oportunidades nas quais o interessado foi até a repartição pública prestar esclarecimentos, afirmando só não ter repetido o comportamento por mais vezes em função da falta de solicitação fiscal para tanto. Assim, o arbitramento teria sido o “resultado desde o princípio foi planejado e desejado pela fiscalização como forma de compensação do Fisco e de punição da Impugnante diante das perdas associadas à decadência dos exercícios anteriores aos fiscalizados” (fl. 8.863). Após, o impugnante historia os ajustes efetuados na sua escrita comercial. Refere a existência de inconsistências que poderiam deixar de ser sanadas, tendo em vista tratarse “de uma empresa cumpridora de suas responsabilidades sociais” (fl.8.865). Informa ter contado com a assessoria da auditoria Ernest & Young e a Deloite, bem como da “empresa de Fl. 92740DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 52 contabilidade Pryor Consulting Services Ltda, hoje incorporada à empresa Grant Thornton, para executar a reconciliação e correção de eventuais erros de lançamentos” (fl. 8.865). Esse trabalho foi denominado “Reconciliação Estatutária”, tendo abrangido os anoscalendário de 2002 a 2007. A realização do trabalho se deu entre fevereiro de 2007 a julho de 2008, tendo colimado eliminar “inconsistências nos saldos de certas contas da contabilidade, em especial as contas de estoque e de fornecedores (Intercia Fornecimentos e Fornecedores Estrangeiros), devido ao grande volume de operações realizadas, falta de integração com sistemas gerenciais e mudanças de sistemas” (fl. 8.865). Reprisa, então, trechos do relatório emitido pela Grant Thornton a respeito. Vale reprisar (fls. 8.865/6): “Em decorrência do extraordinário volume de operações realizadas pela empresa desde o início de suas operações no Brasil, da mudança de sistemas de contabilidade ao longo desse período (Oracle e Microsiga), e da falta de integração com os sistemas gerenciais, os quais trouxeram por vezes insegurança para a conciliação de certas de suas contas, a Dell verificou a necessidade de promover a reconciliação das mesmas para uma melhor identificação de seus fluxos patrimoniais e melhoria de seus controles.” “A Dell registrava os lançamentos de recebimentos e pagamentos efetuados pelos bancos através de lançamentos "fechados". A utilização dessa técnica implicava em adoção de procedimentos adicionais que não estavam sendo observados pela Dell. De acordo com o estabelecido no art. 258 Decreto 3000/99 RIR, é admitida a escrituração por totais, desde que utilizados livros auxiliares para registro individualizado e pormenorizado. A Dell não possuía os livros auxiliares que contivessem os registros individualizados e, de acordo com o que observamos nas conciliações, é obrigatória a utilização dos livros auxiliares de clientes, fornecedores e contacorrente em forma de Diário e Razão, bem como sua autenticação na junta comercial.” O contribuinte aponta sua intenção com o chamado “processo de reconciliação”: eliminar passivos fiscais eventualmente decorrentes de inconsistência contábeis (fl.8.866). Com esse desiderato, objetivou “corrigir saldos contábeis e qualquer risco deles advindos” (fl. 8.866). Esse trabalho, que inicialmente se estenderia por 83 contas da escrita, tomou mais vulto, atingindo 104 contas. O interessado reprisa, mais uma vez, o relatório da empresa Grant Thornton, dando destaque para a necessidade de ajustes em relação às contas de receitas, folha de pagamento, bancos e ativo permanente (fls. 8.866/7). Vale reprisar o trecho relativo às contas bancárias (fl. 8.867): “Bancos Contas Movimento — Não foram incluídas no escopo original do trabalho devido ao fato de que as mesmas eram consideradas pela Dell como conciliadas pela sua equipe interna. O fato da inclusão das contas de Bancos no escopo se deu pela verificação em outras conciliações da falta de registros identificados nos extratos bancários e não registrados na contabilidade, causando impacto direto nas conciliações.” Fl. 92741DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 28 53 O interessado, então, dá o seu entendimento a respeito da dimensão do trabalho (fl. 8.867): “Num total foram reconciliadas 187 contas no ano de 2006, sendo que destas, 114 eram patrimoniais e correspondiam a 52% do plano de contas patrimoniais daquele ano e não os 94% (fls. 10 do Relatório da Fiscalização), conforme referido no auto de infração. Notese que a reconciliação das contas necessariamente refletia em contrapartidas, o que gerava um número considerável de lançamentos e ajustes. Daí porque é inadequada a afirmação contida no auto de infração de que todas as contas da contabilidade da empresa foram reconciliadas. Tratase de afirmação precipitada e que só se justifica para tentar induzir o intérprete a acreditar na falaciosa argumentação de imprestabilidade da contabilidade da empresa. Nesse sentido, notese que de um total de 2.925.505 de registros na contabilidade original de 2006, 155.340 foram objeto de ajuste em janeiro de 2009, ou seja, os ajustes relativos ao ano de 2006 representaram menos de 6% dos registros originais.” Mais adiante, o contribuinte sustenta a seriedade do trabalho de reconciliação, destacando a fidedignidade dos participantes do referido trabalho. Confirase (fl. 8.868): “Salientese que nenhum processo dessa magnitude, considerando que a Dell vendeu só no ano de 2006 mais de 6 milhões de mercadorias, emitiu 443.133 notas fiscais, procedeu a mais de 2,9 milhões de registros contábeis em seu livro diário e que faturou a quantia de R$ 2,1 bilhões, é imune de erros e concluído com o apertar de um botão. Entretanto, o que o relatório apresentado pela Grant Thornton demonstra é que a empresa adotou um procedimento sério, profissional e metódico para eliminar as inconsistências contábeis então existentes em sua contabilidade, envolvendo para tanto uma das maiores empresas de contabilidade e auditoria do Brasil. Assim, não é absolutamente crível que após esse trabalho a contabilidade da empresa resultasse imprestável para apuração do lucro real. Não é absolutamente crível que essa contabilidade ajustada com toda essa metodologia e dedicação de 12 analistas externos por mês, durante mais de dois anos (sem contar a equipe da própria Dell), submetida à auditoria externa da PWC, habilitada no RECOF, auditada por empresa capacitada pela Receita Federal do Brasil para o Programa Linha Azul e fiscalizada em 2009 pela mesma auditora fiscal que compartilhou a fiscalização ora em evidência, seja considerada imprestável para apuração do lucro real, quando todos os controles externos anteriormente mencionados jamais chegaram a essa conclusão.” No entender do contribuinte, como o Fisco o habilitou como beneficiário do Linha Azul”, que permite despacho aduaneiro expresso, o arbitramento representaria incoerência do Fisco com a referida habilitação. Quanto aos ajustes efetuados, o interessado informa que os relativos ao período de 1º de fevereiro de 2002 a 30 de janeiro de 2008 foram Fl. 92742DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 54 lançados como ajustes de exercícios anteriores, tendo em vista o disposto no art. 186 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Já os ajustes posteriores foram lançados nas contas de resultado do próprio exercício. Os livros dos períodos em que efetuados ajustes de exercícios anteriores não foram reabertos em função da disposição do art. 5º da Instrução Normativa DNRC nº 107, de 23 de maio de 2008. Os lançamentos de ajuste, entretanto, identificariam de forma clara o período ao qual se referem. O SPED, obrigatório a partir de 1º de janeiro de 2008, contemplou os ajustes de exercícios anteriores operados em janeiro de 2009. A respeito dos ajustes, assim se manifesta o contribuinte (fl. 8.870): “Assim, há que mais uma vez refutarse veementemente a alegação de que a Impugnante tentou esconder algo da Receita. Está tudo lá dentro; DETALHADAMENTE para cada lançamento.” Após essas considerações, o interessado passa a apontar as razões para a improcedência do lançamento. Da decadência O contribuinte defende a aplicação ao caso vertente da disposição do art. 150, § 4º, do CTN. Assim, o lançamento dos fatos geradores do IRPJ e da CSL atinentes aos três primeiros trimestres do ano calendário 2006, ocorridos em 31 de março, 30 de junho e 30 de setembro, já estaria fulminado pela decadência quando da efetivação do ato administrativo ora guerreado. Junta jurisprudência administrativa a respeito da contagem do prazo decadencial no caso do lançamento por homologação, a sistemática adotada para IRPJ e a CSL, que é de cinco anos da ocorrência do fato gerador. A apuração do lucro por do arbitramento não modifica esse raciocínio. Na hipótese do arbitramento do lucro não há previsão para a apuração anual do lucro, como no lucro real, motivo pelo qual resta inviável a contagem do prazo para lançar a partir do final do ano. A eventual consideração de que o lucro teria sido apurado em 31 de dezembro seria um equívoco. Junta jurisprudência emanada da então Primeira Turma da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda a esse respeito quando apreciado o processo nº 18.471.001.082/200711, dando destaque para o voto proferido pela Conselheira Sandra Faroni. Confirase (fl. 8.875): “Ocorre que a fiscalização desqualificou a apuração pelo lucro real efetuada pela empresa, e procedeu ao arbitramento. Uma vez que os períodos de apuração do lucro arbitrado são trimestrais, em setembro de 2007 estavam alcançados pela decadência os dois primeiros trimestres de 2002.” Alega o impugnante que “efetuou o pagamento das antecipações devidas ao final do anocalendário 2006” (fl. 8.875), não podendo ser alegada a falta de pagamento. Não bastasse isso, mesmo que aplicado o art. 173, I, do CTN, a decadência do direito de lançar também teria se verificado. O contribuinte sustenta que o fato gerador ocorre, no caso do IRPJ e da CSL, ao Fl. 92743DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 29 55 final de cada trimestre. Dessa forma, “o primeiro dia do exercício seguinte corresponderia ao primeiro dia do trimestre seguinte, marco inicial do prazo decadencial de cinco anos” (fl. 8.876). Forte nessa interpretação, reafirma a decadência do IRPJ e da CSL relativamente aos três primeiros trimestres de 2006. Quanto à Cofins e ao PIS, o interessado defende que, mesmo na hipótese do arbitramento, não há modificação na data em que ocorre o fato gerador das contribuições. O fato gerador ocorre mensalmente. Por esse motivo, estariam fulminadas pela decadência as exigências relativas aos meses de janeiro a novembro do anocalendário 2006, tendo em vista os termos do art. 150, § 4º, do CTN. Juntou jurisprudência administrativa a respeito. Reprisou, quanto às contribuições em tela, a tese da verificação da decadência mesmo que aplicada a disposição do art. 173, I, do CTN, uma vez que “o exercício dessas contribuições é mensal” (fl. 8.879). Da indevida aplicação do arbitramento O contribuinte aduz que o arbitramento do lucro somente pode ser levado a efeito quando, de forma segura, houver “comprovação de que não é possível apurar o lucro a partir da escrita fiscal do contribuinte” (fl. 8.880). O termo arbitramento não é uma opção da autoridade administrativa, mas uma imposição legal, vinculada a sua aplicação aos casos previstos em lei. Qualifica a apuração do lucro com base no arbitramento como “método excepcional de apuração da renda”, que “só pode ser aplicado nos casos em que não for possível a apuração do lucro por um dos outros dois métodos [real e presumido]” (fl. 8.881). Forte em Alberto Xavier, afirma que a base de cálculo do imposto é sempre o lucro, só variando o método segundo o qual é aferido. Dessa forma, errado interpretar o arbitramento do lucro como sendo uma penalidade. Não é. Tratase de método de apuração do lucro aplicável em hipóteses restritas. Após referir o art. 148 do CTN, assim se manifesta (fl. 8.882): “Conforme se infere do citado dispositivo, o arbitramento tem lugar nas situações em que quantificação da materialidade tributária não é possível de se auferir através das declarações ou informações prestadas ou, ainda, dos documentos expedidos pelo sujeito passivo ou por terceiro legalmente obrigado.” Reprisa, então, o art. 530 do RIR/1999, defendendo que somente quando verificada a inexistência ou imprestabilidade da escrita é possível a adoção do arbitramento, “medida de exceção” (fl. 8.882). Retoma o art. 148 do CTN para assim se manifestar (fl.8.882): “Segundo a mais autorizada doutrina, a utilização do arbitramento, nos moldes do previsto no art. 148 do CTN, pressupõe a presença de dois Fl. 92744DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 56 requisitos indispensáveis: (i) a omissão do contribuinte na emissão de declarações e documentos exigidos como suporte físico (prova direta) das transações realizadas ou, ainda, caso emitidos estes não mereçam fé; e (ii) que a referida omissão implique na total impossibilidade de mensuração do fato jurídico tributário.” Refere, então, doutrina e jurisprudência farta, concluindo que “o arbitramento não constitui hipótese de sanção e somente pode ser utilizado de forma subsidiária (ou seja, nas hipóteses em que restar impossível a utilização do critério do lucro real por força da ausência ou imprestabilidade da documentação a que está obrigado o sujeito passivo)” (fl. 8.885). O contribuinte interpreta que o lançamento ora em análise não foi motivado por omissão na prestação de declarações ou esclarecimentos, muito menos na falta da emissão de documentos obrigatórios. A motivação do ato, no entender do interessado, repousa sobre a imprestabilidade da escrita. Dito isso, conclui o contribuinte que a vasta retórica fiscal a respeito da falta de apresentação de documentos não foi determinante para a apuração do lucro pela sistemática do lucro arbitrado. O interessado defende a existência de dois requisitos para que a apuração do lucro possa ser efetivada por via do arbitramento, quais sejam (fl. 8.886): “(i) inicialmente, comprovar a "imprestabilidade" da contabilidade da empresa; e, ainda, (ii) comprovar que o lucro real não poderia ser apurado por outros documentos.” Dessa forma, o contribuinte, sem concordar com a existência de vícios e inconsistências em sua escrita, entende incabível o lançamento pela sistemática do lucro arbitrado em função da viabilidade da qualificação e da quantificação das irregularidades. Confirase a manifestação do impugnante (fl. 8.887): “De início, percebese que todas as supostas infrações encontradas pela Fiscalização foram identificadas a partir das informações contidas na contabilidade e documentação suporte apresentada pela Impugnante. E mais importante, todas as supostas infrações foram quantificadas no auto de infração combatido. Portanto, não há que se falar em "imprestabilidade" da contabilidade da empresa, uma vez que a mesma se mostrou apta para a verificação e quantificação de todas as supostas infrações idealizadas pela fiscalização.” Após referir como exemplo a quantificação das irregularidades indicadas “nos pontos “III.2” e “V” do auto de infração”, tachou o trabalho fiscal de contraditório, nos seguintes termos (fl. 8.888): “...de um lado classifica a contabilidade da Impugnante como "imprestável", mas por outro lado realiza minuciosa apuração de todos os lançamentos e Fl. 92745DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 30 57 valores que entende indevidamente deduzidos ou acrescidos na base de cálculo pela Impugnante. Desta forma, considerando que a Fiscalização foi plenamente capaz de qualificar e quantificar as supostas irregularidades cometidas pela Impugnante, mostrase indevida a opção pelo arbitramento. No caso, deveria o Fisco ter adicionado os valores apurados ao lucro líquido para fins de lançamento de ofício, conforme ensina o entendimento pacífico da jurisprudência administrativa.” Protesta, também, contra a acusação fiscal sob o aspecto do levantamento de supostas infrações que “não dizem respeito ao ano calendário 2006” (fl. 8.889). O objetivo do trabalho teria sido “engendrar uma imagem de “imprestável” à contabilidade da Impugnante quando, na verdade, as alegadas irregularidades referentes ao ano de 2006 são pontuais e, inclusive, foram plenamente identificadas e quantificadas” (fl. 8.889). Não bastasse isso, seguindo a argumentação do contribuinte, as irregularidades apontadas pela Fiscalização estão tipificadas na legislação (omissão de receitas, despesas não necessárias, passivo fictício e inobservância do regime de competência). Não podem, portanto, dar azo ao arbitramento do lucro. Refere jurisprudência administrativa a respeito. Mesmo não admitindo que a escrita seja imprestável, o impugnante alega que o Fisco teria outros meios para apurar a base de cálculo dos tributos na sistemática do lucro real. Destaca que a própria Fiscalização admitiu que a impugnante “manteve seus registros de forma adequada à realidade fática apenas em seus registros gerenciais” (fl. 8.892). Sob a ótica do impugnante, esse não foi o caminho trilhado pela Fiscalização pelos seguintes motivos (fl. 8.892): “A resposta, data máxima venia, é óbvia: porque a Fiscalização não estava interessada em apurar o lucro real da Impugnante para o ano de 2006, ela estava interessada em punir a empresa e, assim, tentar compensar a Fazenda Nacional pelos valores que a Impugnante eventualmente deixou de recolher relativos aos anos de 2002 e 2003 que restaram atingidos pela decadência.” O agir fiscal, então, teria violado o art. 148 do CTN, tendo em vista a não configuração da completa impossibilidade da apuração do lucro a partir da escrita. Refere doutrina a respeito. Se existia uma base confiável (sistema gerencial), essa base deveria ter sido utilizada. O impugnante resumiu seu protesto relativamente à adoção do arbitramento da seguinte forma (fl. 8.894): “Por todo o exposto no presente tópico, concluise que o lançamento por arbitramento foi indevidamente utilizado pela d. fiscalização e, por isso, deve ser totalmente cancelado, uma vez que: (i) o arbitramento não é instrumento de sanção; (ii) o arbitramento pressupõe prova contundente da Fl. 92746DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 58 imprestabilidade da contabilidade da empresa como um todo e não de partes isoladas; (iii) o arbitramento não se aplica em situações em que as irregularidades são plenamente qualificadas e quantificadas; (iv) o arbitramento não serve como meio alternativo para tratamento de infrações que possuam tratamento legal específico; e, ainda, (v) o arbitramento não tem cabimento em hipóteses em que o lucro real possa ser apurado através de outras provas diretas, situação que se encontrava presente conforme reconhecimento expresso do próprio auto de infração.” Das supostas irregularidades apontadas Do passivo fictício O interessado contesta a abrangência temporal das pretensas irregularidades indicadas pelo Fisco como forma de imputar a escrita comercial de imprestável. São tomados “supostos erros em lançamentos contábeis relativos aos exercícios de 2002, 2003, 2004 e 2005, já decaídos” (fl. 8.895), bem como “descontos concedidos, ajustes de clientes nacionais e bancos, todas elas dizem respeito aos balanços de 2007 e 2008” (fl. 8.896). Esses fatos não teriam relação com os ocorridos no anocalendário 2006, aqueles que deram ensejo ao lançamento ora atacado. Circunscreve as supostas deficiências da escrita ao movimento de duas contas. Confirase (fl. 8.895): “Assim, o que se verifica a partir de uma análise mais detalhada das supostas irregularidades apontadas no auto de infração é que a absoluta maioria delas está relacionada a duas contas da contabilidade da empresa: Intercia Fornecimentos (211122063) e Fornecedores Estrangeiros (211022004). Ou seja, a partir dos lançamentos realizados nessas duas contas a Fiscalização lança suspeita sobre diversas outras contas da contabilidade, as quais nada mais são do que as contrapartidas dos lançamentos realizados naquelas duas contas do passivo. Daí que a reconciliação dessas duas contas é explorada pela Fiscalização para construir a absoluta maioria das supostas irregularidades apontadas no auto de infração, e que em síntese dizem respeito (1) à constituição de passivos fictícios; (2) à variação cambial das obrigações registradas naquelas contas, (3) aos limites de dedutibilidade dos hedges contratados pela empresa para protegêla das obrigações registradas naquelas contas, (4) aos saldos das contas de estoque cuja contrapartida está vinculada naturalmente àquelas duas contas, e (5) à contabilização, pelo regime de caixa, de royalties reembolsados à Dell Americana relativos à aquisição de direitos de reprodução de softwares, obrigação essa registrada em uma daquelas contas (Intercia Fornecimentos).” Especificamente quanto aos pretensos passivos fictícios, que teriam sido originados em função do “estorno do pagamento de certas obrigações e o lançamento dessas obrigações a crédito de fornecedores (Intercia Fornecimentos e Fornecedores Estrangeiros)” (fl. 8.896), o impugnante alega que os agentes do Fisco não compreenderam o registro dos fatos. À folha 8.897, o contribuinte reprisa os lançamentos que teria efetuado, alegando que os lançamentos de conciliação teriam tido como objetivo a identificação dos fornecedores das matériasprimas. Isso anteriormente não Fl. 92747DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 31 59 seria possível em função da deficiência dos lançamentos originalmente procedidos. Confirase a manifestação do contribuinte (fls. 8.896/7): “a Impugnante efetuou inicialmente a reconciliação de suas contas de estoque, fazendo a abertura dos lançamentos por notas fiscais de entrada quando esses registros tinham sido feitos de forma fechada, agrupados por processo de importação e nem sempre com a identificação do número do processo, o que dificultava à Impugnante identificar automaticamente em qual conta de fornecedores havia sido registrada originalmente a contrapartida. Pelo exposto acima fica claro que a forma como a Impugnante reconciliou suas contas de estoques deuse pelo fato de ter dificuldades de identificar automaticamente a conta de fornecedores em que havia sido registrada a contrapartida originariamente. Daí que nunca teve a intenção de esconder nada.” A aparente existência de passivos fictícios seria uma decorrência do estorno de pagamentos efetuados a fornecedores e do lançamento desses valores a débito das contas de resultado (lucros e prejuízos acumulados). O impugnante, inicialmente, questiona por qual motivo não houve a exigência dos tributos incidentes sobre essa infração, tendo em vista a perfeita valoração constante no trabalho fiscal. Não haveria motivo para o arbitramento. Após, defende que os passivos fictícios não existiriam, nos seguintes termos (fl. 8.898): “A prova de que tais passivos fictícios não existem está no próprio auto de infração. Basta que seja confrontada a relação de lançamentos mencionada no auto de infração a pág. 24 (fls.5132/5173 do PA) com a relação de lançamentos mencionada nas págs. 37, 41 e 42, para que se constate que a Fiscalização identificou, ela própria, a absoluta maioria dos estornos dos custos dos alegados passivos fictícios, lançados originalmente a débito da conta de resultados. Daí que a reentrada desses lançamentos em outros exercícios a débito de resultado não significou lançamento em duplicidade.” Alega que “a maior parte dos alegados passivos fictícios teve seus custos estornados em exercícios anteriores, não se configurando de fato como passivos fictícios” (fl. 8.899). Apresenta, então, relação dos lançamentos que teriam tido o efeito de estornar os custos das obrigações originalmente lançadas, que somam valores devedores de R$ 51.851.872,56, R$ 59.021.198,36, R$ 98.395.387,24, relativos a, respectivamente, 2003, 2004 e 2005 (fls. 8.899/8.901). Alega, ainda, que parte dos pagamentos que a Fiscalização acusa como ensejadores de passivo fictício sequer foi objeto de provisionamento (registro no passivo), de tal sorte que não poderia redundar em passivo fictício. Fl. 92748DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 60 Alega, ainda quanto ao pretenso passivo fictício, que parte dos valores levados a débito do resultado no anos 2004 a 2006 também teria sido creditado em outras contas de resultado, anulando, portanto, os efeitos quanto ao resultado. Por fim, quanto ao passivo fictício, assim conclui (fl. 8.902): “Portanto, o que se conclui é que faltou à Fiscalização o aprofundamento da análise da contabilidade da empresa e do processo de reconciliação, que face a sua complexidade facilmente foi utilizado para dar azo à aparente imprestabilidade da contabilidade. De qualquer forma, se algumas das obrigações junto a fornecedores remanesceram impropriamente em aberto dando a ilusão de que a empresa teria criado passivos fictícios, essas obrigações definitivamente foram por fim excluídas no encerramento do processo de reconciliação em janeiro de 2009, quando a empresa lançou a crédito de resultados desse exercício o valor de R$ 98.568.676,61, conforme reconhecido a folhas 29 e 82 do Relatório anexado ao auto de infração. Tal procedimento pode não ter sido tecnicamente o mais adequado. Porém, não há como se negar que o passivo foi ajustado, remanescendo no máximo penalidade de juros e multa decorrente sobre o aproveitamento extemporâneo de despesa.” Da variação cambial O contribuinte reclama da identificação pelo Fisco de erros na apuração das variações cambiais relativamente ao anocalendário 2007. Tais fatos, caso existentes, não guardariam relação com o fatos ocorridos no anocalendário 2006, o objeto do lançamento ora contestado. Segundo o impugnante, “A mistura desses fatos tem claramente o único propósito de induzir a presunção de erros generalizados” (fl. 8.903). O arbitramento, entretanto, não poderia ser aplicado em função de presunções. Não bastasse isso, o contribuinte discorda da conclusão fiscal de que o sujeito passivo não teria corrigido o regime de apuração das variações cambiais. Afirma o impugnante que “A correção foi feita, pois, de fato, conforme informado à Fiscalização, o preenchimento das linhas que demonstrariam a adoção da opção pelo regime de caixa foi um equívoco” (fl. 8.903). Presta, então, o seguinte esclarecimento (fls. 8.903/4): “Assim, na retificação da DIPJ de 2006, esse erro foi eliminado pela exclusão do valor de R$ 8.677.071,65 correspondente à variação cambial passiva não realizada, como também pela adição do valor de R$ 76.474.748,30 correspondente à variação cambial ativa não realizada e que havia sido registrada em duplicidade na declaração original (2 x o valor de R$ 38.237.374,15 conforme se verifica inclusive pela transcrição de fls. 50 no Relatório do auto de infração). Esses valores de variação cambial não realizadas estão inclusos no valor fechado de R$ 52.692.848,36 inseridos Fl. 92749DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 32 61 como outras exclusões na linha 37 da ficha 09 da retificação, conforme inclusive mencionado no próprio auto de infração (fls. 51 do Relatório).” Assim, a acusação fiscal não teria procedência. O regime adotado não seria o de caixa, mas o de competência. Os ajustes cabíveis teriam sido feitos e a acusação seria descabida. Ademais, caso houvesse a irregularidade acusada, perfeitamente identificada, deveria ter sido exigido o tributo faltante sem o apelo ao arbitramento. Destaca o impugnante que ele não teria se beneficiado com o erro, porquanto os recolhimentos estimados teriam sido bastante superiores aos devidos consoante regime de competência para a apuração das variações cambiais. Por fim reafirma o não cabimento do arbitramento em função do presente erro, uma vez que a escrita “poderia ter erros, mas certamente esses erros não são de tal magnitude a comprometer a possibilidade de, a partir dela, apurarse o lucro” (fl. 8.905). Do hedge O contribuinte relata que a acusação fiscal estaria baseada em erro quanto ao cálculo das perdas indedutíveis apuradas pelo impugnante com suas operações de cobertura de riscos cambiais. As perdas seriam excessivas relativamente às necessidades do impugnante. A esse respeito ele assim se manifesta (fl. 8.907): “Sem querer entrar no mérito do efetivo montante das perdas adicionadas, o fato é que a discussão aqui é meramente quanto a cálculo e quanto à dedutibilidade fiscal de certas perdas. Nenhum desses questionamentos poderia dar margem à imprestabilidade da contabilidade da Impugnante e ao arbitramento.” Defende, portanto, a especificidade da eventual irregularidade, que não poderia dar azo ao arbitramento. Do estoque O impugnante alega que os agentes do Fisco não compreenderam o trabalha de reconciliação por ele levado a efeito. De todos os pontos incompreendidos, o pior eria sido o presente. Na tentativa de explicar, apresentou o seguinte histórico (fl. 8.908): “Preliminarmente é importante que se esclareça que o projeto de reconciliação teve como um dos seus objetivos principais o necessário ajuste nas contas de estoque, eis que, conforme anteriormente relatado, os lançamentos de entrada de produtos e matériaprima não eram feitos, até então, no nível de transação ou seja, não havia o detalhamento e o histórico Fl. 92750DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 62 de cada transação, porque a empresa fazia lançamentos fechados que englobavam um total de transações a cada período. Como a empresa não possuía livro auxiliar, além de violação ao artigo 258 do RIR/99, tal circunstância trazia insegurança quanto aos controles e valores lançados a estoque.” Para corrigir as falhas acima referidas, o contribuinte lançou mão do seu sistema de controle físico de estoques, denominado Glovia, que avaliaria os estoques consoante o custo de aquisição. Segundo relata a impugnante, os agentes do Fisco teriam reclamado da falta da contagem física dos estoques quando do ajuste das contas. Essa reclamação não teria sentido frente à existência do Glovia. Confirase a argumentação (fl. 8.909): “Ora, para conciliar e validar os dados do Glovia e, consequentemente, atestar os saldos físicos a empresa procedia periodicamente com a contagem dos estoques (Doc. 13). Se após essa contagem houvesse a necessidade de ajustes, esses eram então levados a registro no Glovia.” Os estoques, portanto, teriam sido contados, sendo “que nenhuma pergunta oi feita pela Fiscalização quanto ao funcionamento do Glovia” (fl. 8.908). Frente aos dados do Glovia, o contribuinte informa que reclassificou seus estoques levando em consideração não mais a localização física dos bens, mas seu estado de transformação. Como a industrialização por ele efetuada tem um ciclo médio de duas horas, restou sem saldo a conta que registrava os produtos em produção. Somente existiriam matériasprimas ou produtos acabados. Os valores lançados a título de custos com a produção foram ajustados em função dos saldos dos estoques e cada período de apuração. Assim, o custo de produção foi calculado em função da fórmula “estoque inicial mais compras do período menos devoluções e menos estoque final, tudo isso depois de estornados os débitos originalmente lançados na conta de resultados e advindos da conta de matériaprima original” (fl. 8.911). Frente a isso, o impugnante conclui (fl. 8.911): “Portanto, em face do exposto, fica claro que a reconciliação realizada pela Impugnante nos saldos de suas contas de estoque jamais poderia ter dado azo ao arbitramento, eis que (1) o procedimento se justificava, (2) foi realizado com boa técnica, (3) todos os ajustes foram identificados pela Fiscalização e qualquer erro que possa ter efeitos sobre a apuração do lucro real é perfeitamente quantificável.” Dos royalties O contribuinte relata que a acusação fiscal estaria baseada em erro quanto ao regime de reconhecimento dos gastos com softwares. O software é adquirido dos detentores dos bens por intermédio da Dell americana. A impugnante reembolsa a Dell americana. Originalmente os Fl. 92751DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 33 63 lançamentos teriam sido feitos segundo o regime de competência. Na reconciliação, os lançamentos teriam tomado por referência as “faturas no exercício do pagamento”, tendo tido “tratamento de caixa” (fl. 8.911). Esse procedimento, no entender do impugnante, jamais acarretaria a formação de passivos fictícios, uma vez que “o crédito desses valores à conta de resultados do exercício de sua competência, demonstra que não há que se falar em passivos fictícios” (fl. 8.912). Defendese, então, nos seguintes termos (fl. 8.912): “No que tange ao tratamento de caixa dado às despesas de royalties, sem querer entrar no mérito dessa acusação, o fato é que os efeitos desse procedimento não maculam a contabilidade de tal forma a tornála imprestável. Isso porque tais despesas poderiam facilmente ter sido adicionadas aos respectivos exercícios em que lançadas pelo regime de caixa. Toda essa despesa não só é identificável, como também quantificável a partir dos lançamentos realizados pela Impugnante em sua contabilidade. Estão todas elas nos registros do SPED e destacadas pela própria Fiscalização no auto de infração.” Defendese, também, da acusação de que teria colhido benefício com eventual dedução mais conveniente das despesas em períodos diversos dos corretos. Apresenta simulação para alicerçar suas razões (fl. 8.912). Com relação às despesas com royalties incorridas em janeiro de 2009, no valor de quase R$ 60 milhões, que os agentes do Fisco imputam de ficção, o contribuinte afirma que foram efetivamente incorridas. Anexa “invoices”, contratos de câmbio e outros documentos (fl. 8.913). Das contas bancárias “No que tange às alegadas inconsistências na conciliação dos saldos das contas bancárias e dos lançamentos relativos a descontos concedidos e ajustes de clientes nacionais, sem querer entrar no mérito das impropriedades contidas nas acusações da Fiscalização, há que salientar que todas elas dizem respeito a lançamentos nos balanços de 2007 e seguintes e que nenhum efeito tem sobre o balanço de 2006, razão pela qual não servem como fundamento de imprestabilidade da contabilidade da Impugnante referente ao ano objeto do arbitramento. Tais acusações exemplos da utilização da retórica pelo auto de infração como instrumento para induzir o intérprete ao equivocado entendimento pela imprestabilidade da Impugnante.”(fl. 8.914) Das divergências entre os balancetes fiscais e a escrita Alega o impugnante que as diferenças apontadas pela Fiscalização decorrem da constituição de provisões para o pagamento do IRPJ e da CSL. Isso já teria sido explicado ao Fisco em resposta ao Termo de Fl. 92752DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 64 Intimação nº 3 (item 4), momento no qual o contribuinte teria apresentado versão atualizada do balancete fiscal. Confirase os termos da impugnação (fl. 8.915): “Com esta alteração, a coluna original P&L passou a estar alinhada com o livro diário e DIPJ. No entanto, conforme informado pela Impugnante à Fiscalização em sua resposta ao Termo de Intimação 03, este valor em nada interferiu no lucro real tributável daquele exercício, uma vez que as provisões de IR e CSLL são lançadas a resultado após do lucro de partida utilizado para apuração do lucro tributável, não incidindo sobre sua própria base.” Como as referidas provisões somam R$ 20 milhões, também justificam a diferença de saldo observada pelos agentes do Fisco na conta “Resultado do Exercício” (249012082). Em razão disso, assim se manifestou o contribuinte (fls. 8.915/6): “Esta acusação reforça mais uma vez a falta de interesse da Fiscalização em buscar a verdade dos fatos, pois mesmo com a resposta apresentada pela Impugnante no Termo de Intimação 3, item 4, e consequente apresentação de balancete fiscal atualizado, a Fiscalização não percebeu que nesse balancete apresentado houve a correção mencionada nos parágrafos acima, a qual teve reflexo direto na conta de patrimônio líquido e no saldo acumulado da conta 249012082, na coluna "Adjusted", a qual passou a ser exatamente os R$ 87.961.103,88 citados pela Fiscalização; para verificar que não havia divergência bastava que a Fiscalização tivesse analisado o balancete atualizado que lhe fora entregue. Não, preferiu ainda analisar o primeiro balancete que lhe fora entregue e cujas divergências haviam sido já esclarecidas pela Impugnante.” O mesmo teria se verificado com relação às divergências encontradas pelos agentes do Fisco relativamente (a) à conta “Encerramento Exercício Ajustes” (24901999) e (b) a soma das contas do ativo em contraste com as contas do passivo e do patrimônio líquido. A utilização de balancetes desatualizados teria sido a causa das aparentes divergências. Da higidez da contabilidade O impugnante defende a regularidade da sua escrita diante das Normas Brasileiras de Contabilidade. Os livros contábeis do contribuinte estariam de acordo com a Resolução nº 597/1985 do Conselho Federal de Contabilidade, tendo sido observadas as formalidades intrínsecas e extrínsecas preconizadas pelo referido ato, quais sejam (fl. 8.918): “Formalidades EXTRÍNSECAS dos Livros Contábeis: Serem encadernados; Terem as folhas numeradas sequencialmente; e conterem termo de abertura e de encerramento assinados pelo titular ou representante legal da entidade e pelo profissional da Fl. 92753DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 34 65 contabilidade regularmente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade. Formalidades INTRÍNSECAS dos Livros Contábeis: a utilização do idioma nacional e da moeda corrente do País; o uso da forma contábil; o registro dos fatos em ordem cronológica de dia, mês e ano; a ausência de espaços em branco, entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para margens; e a base em documentos de origem externa ou interna ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou evidenciem fatos e a prática de atos administrativos.” Os livros contábeis hábeis perante o sistema jurídico teriam sido todos apresentados ao Fisco. Os livros sempre foram hábeis. A denominada reconciliação teve por meta melhorálos. Confirase (fl. 8.919): “Entretanto, conforme já referido, não obstante a Impugnante manter o Livro Diário, esta não mantinha o livro auxiliar no qual deveriam estar detalhadas, no nível da operação, todas as transações realizadas pela Impugnante em 2006. Justamente para alcançar tal objetivo e, assim, melhorar os registros contábeis do período é que a Impugnante levou adiante o projeto de reconciliação contábil já descrito.” No entender do contribuinte, a Fiscalização não evocou vícios intrínsecos ou extrínsecos. Identificou a imprestabilidade da escrita tendo por prova a reconciliação. Essa reconciliação deveria ter sido valorizada. Não foi. Afirma que a irresignação fiscal quanto aos livros fiscais do contribuinte resumemse ao Lalur. Que os erros quanto à identificação do profissional signatário dos livros não afastou a correta identificação do profissional. Tais livros não são imprestáveis. A entrega tardia dos livros não permite o arbitramento. O preenchimento com dados originais da escrita também não. Arremata com a seguinte consideração (fl. 8.921): “Pelo exposto, não há que se falar em imprestabilidade dos livros comerciais e fiscais da Impugnante. Nesse sentido, resta evidente, data máxima venia, mais uma contradição constante do auto de infração, pois inicialmente reconhece a regularidade, sob o aspecto formal, dos procedimentos de registros praticados pela Impugnante no trabalho de reconciliação, mas por outro lado tenta justificar a desconsideração dos registros originais sob o argumento de que o mesmo trabalho de reconciliação os teria tornado imprestáveis ou. ainda, supostamente "reconhecido" a sua imprestabilidade. Fl. 92754DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 66 Ora, Ilustres Julgadores, há que se diferenciar (i) equívocos na escrituração contábil (ii) de equívocos na apuração da base tributária. Por tudo o que foi exposto na presente impugnação e, inclusive, no auto de infração, é fácil perceber que as alegadas irregularidades apontadas limitamse, quando muito, à segunda hipótese, ou seja: equívocos na apuração da base tributária pela Impugnante. Em outras palavras, o que se evidencia no caso concreto é uma insatisfação da Fiscalização com o tratamento fiscal e contábil dado pela Impugnante aos dados constantes na escrituração. Entretanto, é fato que eventual tratamento tributário indevidamente dado aos registros constantes na escrituração não torna estes registros inválidos ou imprestáveis. O alegado problema resumirseia ao tratamento que lhe foi dado.” Da colaboração com a Fiscalização O contribuinte refuta a acusação de tentativa de omissão de informações quanto à reconciliação. Afirma que apresentou a escrita com os ajustes (atinente a 2009) antes do início dos procedimentos de fiscalização e que solicitou o cancelamento de declarações de compensações que não seriam cabíveis em razão da inexistência de débitos fiscais em decorrência da reconciliação. As solicitações fiscais só não foram atendidas de forma mais rápida em razão dos agentes do Fisco terem lotado o contribuinte de solicitações de informações que a própria Fiscalização poderia ter obtido junto à escrita. Confirase parte do protesto (fl. 8.924): “De qualquer forma, salientese mais uma vez, que a grande maioria dos documentos solicitados pela Fiscalização foram entregues, e muitos deles referentes a outros exercícios não lançados e cuja fiscalização continua em aberto. E não estamos falando de meia dúzia de documentos. Estamos falando de centenas de documentos e esclarecimentos, que resultaram em um processo administrativo com mais de 8.500 páginas. Estamos falando de uma empresa que só no ano de 2006 fez mais de 2,9 milhões de lançamentos contábeis. Pode isso ser classificado como falta de colaboração/atendimento à fiscalização? Sendo assim, não há que se falar em falta de atendimento à fiscalização pela empresa Impugnante. A verdade é que a estratégia da Fiscalização foi solicitar uma infinidade de informações, documentos e planilhas para manter os funcionários da Impugnante plenamente ocupados e assim ocultar sua verdadeira intenção de buscar justificativa para arbitrar o lucro da empresa. Entretanto, tal atitude não encontra guarida no ordenamento jurídico tributário pátrio. De fato, conforme já demonstrado, era dever da fiscalização buscar, por quaisquer meios, a apuração do lucro real da empresa. Portanto, se estivesse encontrando maiores dificuldades, deveria, ao invés de ficar solicitando informações repetitivas, ter intimado a Impugnante para retificar a contabilidade nos pontos que entendesse necessário, respeitando assim ao já mencionado princípio da verdade material, assim como o caráter subsidiário do lançamento por arbitramento. Fl. 92755DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 35 67 Conforme se depreende dos tópicos anteriores da presente impugnação (itens 4.3 e seguintes), os supostos equívocos apontados pelo auto de infração são todos quantificáveis e apurados a partir dos próprios lançamentos efetuados pela Impugnante situação que evidentemente não torna a contabilidade imprestável como um todo, especialmente porque a documentação suporte para a mesma (p.ex. notas fiscais de entradas e saídas de mercadorias) refletia a realidade das operações da Impugnante. Além disso, não afeta um universo de contas que tornaria toda a contabilidade imprestável. Restringe se, na sua maioria, a contas de passivo Intercia Fornecimentos e Fornecedores Estrangeiros e seus reflexos de contrapartidas nas contas de estoques.” Refere doutrina e jurisprudência que dariam guarida aos seus interesses. Repisa, então, que a própria Fiscalização reconheceu a confiabilidade dos sistemas gerenciais do impugnante e que jamais houve intimação para que o contribuinte refizesse sua escrita. Do cancelamento da multa qualificada O contribuinte refuta a aplicação da multa qualificada em função dos seguintes motivos (fl. 8.927): “(a) houve violação dos princípios da motivação e do ônus da prova ao não serem apresentadas as razões e as provas que justificariam a aplicação da multa qualificada, em especial quanto à presença do dolo nas condutas incorridas pela Impugnante; (b) a Impugnante não incorreu em quaisquer das práticas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64; e, ainda, (c) não houve conduta dolosa da Impugnante, tendo em vista sua absoluta boafé ao executar a reconciliação contábil levado a efeito, bem como ao longo de todo o procedimento de fiscalização.” O impugnante reclama acusação fiscal em razão de que “não sabe a Impugnante se ela está sendo acusada de sonegação, fraude ou conluio, o que, por óbvio, dificulta a apresentação de uma defesa na medida em que cada uma das situações elencadas na Lei n. 4.502/64 implica na apresentação de uma linha de defesa diversa” (fl. 8.927). Por tal motivo, o ato administrativo teria violado o art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, tendo em vista a falta de motivação, bem como o art. 10, IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, porquanto não identificado o dispositivo legal aplicado (71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1974). A omissão da Fiscalização quanto a identificação da conduta dolosa acarretaria a nulidade do ato administrativo. Cita farta doutrina e jurisprudência a respeito. Fl. 92756DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 68 Retoma a questão da prova para afirmar que as provas dos autos demonstram que o agir do contribuinte foi contrário ao impedimento ou retardo do conhecimento pelo Fisco dos fatos que envolvem a obrigação tributária. Todos os fatos estavam registrados na escrita em janeiro de 2009 e a escrita foi entregue ao Fisco antes do início da ação fiscal. As declaração cabíveis também foram regularmente retificadas. Conclui seu protesto quanto a esse aspecto nos seguintes termos (fl. 8.937): “Destarte, seja pelo Fisco ter falhado no dever de trazer aos autos as provas que confirmassem a prática de quaisquer das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, seja pelo fato de a Impugnante ter demonstrado de forma categórica que não incorreu em nenhuma daquelas situações, é imperativo que seja cancelada a multa agravada de 150% aplicada no auto de infração em evidência. Ressaltese, ainda, que a falta de motivação pelos autuantes para qualificação da multa é matéria muito conhecida dos órgãos julgadores. A Súmula n° 14 do CARF, por exemplo, teve como origem precedentes que versavam sobre autuações fiscais realizadas com multa qualificada sem que haja comprovação expressa do dolo. Não basta indicar a capitulação legal multa e da infração, deve haver explicita fundamentação do evidente intuito doloso. O enunciado está assim redigido: "a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude ". Alega, ainda, sua boafé durante todo o procedimento fiscal, conduta que se contrapõe ao alegado dolo. Defendese da seguinte forma (fl. 8.937): “Conforme exposto, a prática de uma conduta dolosa é elemento essencial a justificar a aplicação da multa qualificada. O dolo em casos de não pagamento de tributos, por sua vez, é caracterizado a partir de embaraços ao processo investigatório levado a efeito pelo Fisco, adulteração de documentação, ou mesmo práticas anteriores a qualquer processo de fiscalização e que visem ocultação ou retardamento do Fisco quanto ao conhecimento de fatos geradores (postergação do registro de fatos geradores, lançamento a menor de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, notas calçadas, etc). No entanto, nenhuma das situações que configuram indícios de condutas dolosas Identificase na espécie.” Os dados considerados pelos agentes do Fisco estavam todos eles na escrita, razão pela qual inviável a identificação de máfé ou dolo no agir do impugnante, que teria prestado “751 esclarecimentos e documentos solicitados ao longo da fiscalização” (fl. 8.938). Por fim, evoca o art. 37 da Constituição Federal, bem como doutrina, para afirmar que a ação do Fisco deveria ser guiada tendo por foco a Fl. 92757DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 36 69 orientação dos contribuintes, nunca a perseguição deles. Ação contrária a isso estaria ferindo o princípio da moralidade. Da perícia O impugnante assim sustenta a necessidade da realização de perícia (fl.8.940): “Diante de tudo o que foi exposto, verificase que a solução de mérito do presente processo recai sobre a verificação da prestabilidade ou imprestabilidade da contabilidade da Impugnante para fins de apuração do lucro real. Em que pese a Impugnante ter demonstrado exaustivamente que sua contabilidade prestase para a apuração do lucro real, mesmo assim entende que seria necessário a realização de perícia contábil na espécie para comprovar o alegado e demonstrado em sua impugnação. Somente a perícia contábil espancaria qualquer dúvida quanto à higidez da contabilidade da empresa em 2006.” O contribuinte busca abrigo no princípio da verdade material, querendo que a perícia traga a prova da prestabilidade da escrita. Afirma que o indeferimento da perícia geraria evidente cerceamento do direito de defesa. Alega, então, que a Fiscalização foi açodada em suas conclusões. Confirase (fl. 8.942): “Neste aspecto, a ora Impugnante entende que não era factível à Fiscalização avaliar a higidez da contabilidade da empresa tendo passado somente 24 horas em um dos seus estabelecimentos, quando a empresa de auditoria externa contratada para auditar os anos de 2008, 2009 e 2010 dedicou mais de 10.000 horas de trabalho para essa tarefa.” Lança, então, os seguintes quesitos (fls. 8.942/4): “1. Quais são os livros contábeis e fiscais que a Dell Computadores do Brasil Ltda. estaria obrigada a possuir, de acordo com a legislação comercial brasileira para os anos de 2006 e 2009? 2. Encontramse os livros de escrituração mercantil da Impugnante obedecendo as formalidades previstas em Lei (Termo de Abertura e Encerramento devidamente registrados na junta comercial do Estado, folhas numeradas, sequenciais e identificado data dos registros e número do volume) para o Ano de 2006 e 2009? Sendo positiva a resposta, estaria a DELL em conformidade com as disposições legais exigidas? 3. Considerando os livros obrigatórios de escrituração mercantil da Impugnante em conjunto aos documentos que dão suporte aos seus registros para o ano de 2006 e também os erros apontados no Auto de Infração, seria possível ao Sr. Perito apurar o Lucro Real para o ano de 2006? 4. Os registros nos Livro Diário e Razão de 2006 e 2009 são feitos com os dados relativos a data do evento, histórico e valores de débito ou crédito? Os registros são feitos na forma de partidas dobradas? Fl. 92758DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 70 5. Referente ao ano de 2006, o Sr. Perito poderia examinar e descrever os procedimentos de guarda dos documentos de suporte aos lançamentos contábeis e por amostragem certificar que os mesmos obedecem a boa técnica contábil? 6. Além dos documentos identificados na resposta oferecida ao quesito anterior, diga o Sr. Perito se é possível afirmar que os registros contábeis de compras e pagamentos nas contas de Fornecedores Estrangeiros e Intercia Fornecimentos dos anos de 2006 e 2009 permitem a identificação de documentos como as notas fiscais, as declaração de importação e invoices? Considerando a resposta anterior, diga o Sr. Perito se tais registros permitem a rastreabilidade das operações comerciais da empresa e servem a atestar a sua existência. 7. Poderia o Sr. Perito examinar o plano de contas e a estrutura de contas do balanço e demais demonstrações financeiras da Impugnante para os anos de 2006 e 2009 e certificar que os mesmos estão de acordo com as exigências legais? 8. O registro no Livro Diário de 2006 era efetuado de forma resumida, por totais mensais? A empresa apresentava livro auxiliar nessa oportunidade conforme prescreve o artigo 258 do RIR? Eventual deficiência nessa forma de registro Foi corrigida com o processo de reconciliação realizado pela empresa e registrado no balanço de janeiro de 2009? 9. A partir de qual período a Impugnante começou a ter suas demonstrações financeiras auditadas e publicadas? A data da opinião de auditoria abrange o período no qual ocorreram os ajustes, objeto dos Autos de Infração lavrados pela Superintendência da Receita Federal da 10ª Região Fiscal, em 09 de Dezembro de 2011? Transcreva o Sr. Perito a referida opinião publicada e diga em que modalidade de parecer ela se enquadra. 10. Queira o Sr. Perito informar se a Impugnante teve as suas demonstrações financeiras auditadas posteriormente ao período em que ocorreram os ajustes contábeis (2009)? Sendo positiva a resposta, favor transcrever quais foram os anos auditados e qual a opinião de auditoria apresentada no parecer dos auditores. Adicionalmente, favor informar em qual modalidade de parecer se encaixam as referidas opiniões de auditoria. 11. Apresente o Sr. Perito, de forma resumida, um histórico e o perfil da empresa que emitiu a opinião de auditoria transcrita na resposta oferecida ao quesito anterior. 12. Consta no parecer de auditoria transcrito na resposta oferecida ao quesito 8 alguma menção sobre a imprestabilidade ou falta de escrituração mercantil da Impugnante? 13. Queira o Sr. Perito informar quais são os procedimentos obrigatórios de auditoria dispostos na NPA 01, (Instrução vigente na data da auditoria de 2009) com relação ao primeiro ano de auditoria de uma empresa que não fora auditada anteriormente. Favor informar como deve se portar o auditor caso os exames adicionais por si promovidos sobre os saldos de abertura não Fl. 92759DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 37 71 tiverem a extensão necessária que lhe assegurem segurança quanto à não existência de efeitos relevantes sobre as demonstrações financeiras. 14. Queira o Sr. Perito informar se a PWC efetuou os referidos procedimentos para os saldos de abertura. 15. Levando em consideração as respostas oferecidas aos quesitos anteriores, pode o Sr. Perito afirmar que, ao avaliar os saldos iniciais do balanço de 31 de janeiro de 2009, ou seja, os saldos em 01 de fevereiro de 2008, a PWC já tinha conhecimento dos ajustes efetuados peta Impugnante? 16. Os auditores independentes estão sujeitos a NBC T11 Se positiva a resposta, favor informar o que dispõe a NBC T11 no que tange aos seguintes temas: (i) fraude ou erro nas demonstrações financeiras e (ii) Avaliação do Sistema Contábil e de Controles Internos. 17. Queira o Sr. Perito informar se, segundo a NBC T11, pode uma empresa de auditoria emitir uma opinião de auditoria para uma empresa que possui contabilidade "imprestável"? 18. Queira o Sr. Perito informar qual foi o total de horas despendidas pela Auditoria promovida pela empresa PWC e quantas pessoas participaram do processo de auditoria. Além disso, queira o Sr. Perito informar qual foi o tempo despendido pelo Auditor Fiscal dentro da Dell ao promover suas diligências. 19. Considerando que a PwC auditou todas contas e demonstrações financeiras da Impugnante (com as horas e a equipe listadas na resposta oferecida ao quesito anterior) e considerando as horas de campo que teriam sido incorridas pelo auditor fiscal nas instalações da Impugnante examinando apenas as contas ajustadas, queira o Sr. Perito atestar se o procedimento adotado pelo auditorfiscal mostrase apto à desqualificação dos livros e registros contábeis da Impugnante". 20. O resultado da reconciliação promovida pela Impugnante é identificável no SPED? Como e em que grau de detalhe? Queira o Sr. Perito documentar com exemplos sua reposta. 21. O procedimento da empresa de lançar o resultado da reconciliação dos saldos das contas de 2006 em janeiro de 2009 está de acordo com as normas e a boa prática contábil, considerando que esse processo concluiuse após o fechamento do exercício de 2006? Explique detalhadamente o Sr. Perito como se deu o referido ajuste, apontando as contas movimentadas e os valores envolvidos. 22. Diga o Sr. Perito se os lançamentos realizados pela Impugnante no ano de 2009, oriundos do processo de reconciliação de 2006, foram registrados com a descrição apropriada e serviram para detalhar as transações comercias conforme exigido pelo artigo 258 do RIR. Fl. 92760DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 72 23. Descreva o Sr. Perito qual foi o procedimento contábil adotado pela Impugnante para a realização da reconciliação das contas de estoques Este procedimento foi adotado segundo critérios adequados sob a ótica da técnica contábil. Ao adotar tal procedimento era esperado que as contas de lucros e prejuízos acumulados fossem igualmente ajustadas?” E, então, indica perito, nos seguintes termos (fl. 8.944): “Por fim, e atendendo aos requisitos exigidos pela legislação no que tange ao pedido de perícia, desde logo a Impugnante indica o senhor José Francisco Compagno, contabilista inscrito no CRC/SP sob o n° 1SP168744, sócio da empresa Ernst & Young Terco, com endereço à Av. Juscelino Kubtscheck, 1830 Torre 1 1 0 ° andar, Bairro Itaim, São Paulo/SP, CEP 04543900, como perito para a realização da perícia ora requisitada. O mesmo pode ser contatado pelos telefones (11) 25733215 ou (11)75431683 ou, ainda, pelo email josefrancisco.compagno@br.ey.com.” Dos equívocos na apuração da Cofins e do PIS O impugnante acusa os seguintes equívocos: a) não consideração, para fins da aplicação da alíquota zero prevista no art. 28 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, de todas as unidades em vendas que contemplaram mais de uma unidade, segundo exemplo indicado no último parágrafo da folha 8.947; b) não consideração de monitores indicados pelo contribuinte com os códigos 8528.41.20 e 8528.51.20 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, que estariam albergados pela aplicação da alíquota zero prevista no art. 28 da Lei nº 11.196, de 2005; c) não exclusão do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI no cálculo dos valores dos produtos vendidos que fariam jus aos benefícios da Lei nº 11.196, de 2005; d) tributação de diversas operações que estariam amparadas pela aplicação da alíquota zero, segundo relação de notas fiscais apresentada pelo contribuinte (referida no item II do documento da fl. 82.690); e) afastamento do benefício da alíquota zero em operações envolvendo vendedores atacadistas e varejistas de equipamentos de informática identificados pelo Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, que contempla códigos de atividade econômica; f) não exclusão da base de cálculo dos valores das vendas realizadas a clientes localizados em Manaus, tendo em vista os benefícios atribuídos às operações efetuadas em relação à Zona Franca de Manaus. Dos juros de mora sobre a multa de ofício Fl. 92761DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 38 73 O contribuinte protesta contra a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício por entendêla ilegal frente aos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A lei somente autorizaria a exigência de juros “sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições”. Não haveria margem para interpretar a lei de sorte a exigir juros sobre a multa de ofício. A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais teria se pronunciado nesse sentido quando da apreciação do Recurso Especial nº 10.316.1331, quando da adoção do acórdão nº 910100.722, em 8 de novembro de 2010. Defende, em suma, o seguinte (fl. 8.956): “a incidência de juros calculados à taxa SELIC sobre "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal" não contempla a incidência de juros sobre multas de ofício, pois estas penalidades não são decorrentes de tributos ou contribuições, mas decorrentes do descumprimento do dever legal de recolhêlas” Dessa forma, o procedimento fiscal padeceria de falta de base legal para a sua aplicação. Entende o contribuinte que o Fisco somente poderia exigir juros incidentes sobre as multas decorrentes da inobservância de obrigação acessória, quando cobrada a multa de forma isolada, tendo em vista a redação do art. 43 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19’96. Das conclusões e do pedido O impugnante conclui sua petição lançando o seguinte pedido (fls. 8.957/8): “preliminarmente: a) que se operou a decadência sobre todos os lançamentos realizados pelo auto de infração impugnado relativos ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro relativos ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2006; e b) igualmente, que se operou a decadência do direito do Fisco de lançar as contribuições para o PIS e COFINS relativas aos meses que vão de janeiro a novembro de 2006; no mérito; c) que não se encontram presentes os pressupostos para utilização do lançamento por arbitramento, eis que não comprovadas a imprestabilidade da contabilidade da Impugnante, assim como a impossibilidade de se apurar o lucro real por outros documentos (provas diretas); d) que não cabe a utilização do arbitramento quando as irregularidades podem ser qualificadas e quantificadas pela fiscalização; e) que não cabe a utilização do arbitramento quando as irregularidades apontadas constituem infrações tipificadas na legislação; Fl. 92762DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 74 f) que, no caso concreto, a própria Fiscalização reconheceu a existência de "base confiável" (fl. 125) no Sistema Gerencial da empresa e, por isso, negligenciou em apurar o lucro real; g) que a Fiscalização omitiuse no seu dever de intimar a Impugnante para retificar sua escrita fiscal antes de realizar o lançamento por arbitramento; h) que o arbitramento foi utilizado indevidamente como instrumento de punição à Impugnante e como forma de compensar a Fazenda Nacional dos valores que a Fiscalização entende foram inadimplidos pela Impugnante; e, ainda sucessivamente: i) que a multa majorada foi aplicada sem a devida motivação e/ou comprovação da existência de dolo; j ) que as bases de PIS e COFINS foram indevidamente apuradas e que, na remota hipótese de manutenção do auto de infração, devem as referidas contribuições serem recalculadas excluindose a integralidade dos valores relativos às vendas sujeitas à alíquota zero, bem como do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e das vendas para a Zona Franca de Manaus. REQUER a Impugnante seja inteiramente provida a presente impugnação para, preliminarmente, acolher a decadência argüida, assim como, no mérito, seja julgado improcedente o lançamento ora combatido. Na eventualidade de ser mantido o lançamento ora combatido, requerse, sucessivamente, seja afastada a multa qualificada imposta no auto de lançamento impugnado. Ainda, protestase pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a prova pericial j á requerida e a juntada de outros documentos e laudos que eventualmente se fizerem necessários à comprovação dos argumentos lançados na presente impugnação.” Dos documentos juntados após a impugnação Em 12 de março de 2012, o contribuinte juntou aos autos planilhas de cálculo com o objetivo de mensurar os erros apontados na impugnação relativamente à apuração da Cofins e do PIS (fl. 82.690). Mais adiante, em 3 de junho de 2012, o contribuinte juntou aos autos laudo emitido por Ernest & Young Terco (fls. 82.786 a 82.911), contemplando respostas aos quesitos lançados na impugnação (fls. 8.942/4). Na oportunidade, o contribuinte reafirmou sua convicção quanto ao não cabimento do arbitramento, por falta de pressupostos para tanto, e pela possibilidade da quantificação dos tributos eventualmente devidos por meio da contabilidade, que não seria imprestável. O contribuinte deu destaque aos seguintes aspectos do laudo: a) os testes efetuados identificaram “a possibilidade de rastrear o documento suporte dos lançamentos contábeis” (fl. 82.773/4); b) “as inconsistências e divergências identificadas nas realização dos nossos trabalhos referentes a Variação Cambial e Fl. 92763DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 39 75 Royalties...são quantificáveis e permitem a mensuração dos seus respectivos impactos na apuração do Lucro Tributável” (fl. 82.774); c) “Durante a nossa análise não foi identificado nenhum procedimento adotado para a reconciliação contábil da empresa que não estivesse de acordo com as boas práticas contábeis, independente de eventuais inconsistências identificadas na contabilidade da companhia, o processo adotado para a conciliação contábil estava de acordo com as boas práticas contábeis” (fl. 82.775); d) “os valores ajustados de 2002 a 2005 identificados nas contas de balanço não afetaram o resultado de 2006 e sim dos seus respectivos anos, portanto não tiveram efeito na base de cálculo da apuração do Imposto de Renda e Contribuição social de 2006, por este motivo não foram efetuados testes destes valores” (fl. 82.777); e) “Não consta no parecer de auditoria de 31 de janeiro de 2009 qualquer menção sobre a imprestabilidade ou falta de escrituração mercantil da impugnante. Cabe salientar que caso a contabilidade da Impugnante apresentasse características de imprestabilidade, a NPA 01 indica que a opinião tecnicamente adequada seria a Abstenção de Opinião já que a empresa auditada não estaria em conformidade com os requerimentos legais conforme determina o parágrafo 04 da NPA 01” (fl. 82.778); f) “não é possível confirmar se o procedimento adotado pelo AuditorFiscal mostrase apto ou não para a desqualificação dos registros contábeis da impugnante. Cabe mencionar que considerando (a) Histórico e "knowhow" da empresa PwC, (b) Abrangência dos testes efetuados, (c) Volume total de horas incorridas, e (d) quantidade de profissionais envolvidos com o processo de auditoria, (e) extensão dos procedimentos efetuados pelo auditor Fiscal (que somente analisou um grupo específico de Contas Contábeis, conforme demonstrado em seu Auto de Infração), verificamos que a análise procedida pela PwC da contabilidade da Dell para fins de emissão de seu parecer em 009 foi mais abrangente do que a inspeção efetuada para emissão do auto de infração lavrado contra a Dell” (fl. 82.779); g) quanto às inconsistências apontadas pela Fiscalização na escrita do contribuinte no que diz respeito às variações cambiais e aos royalties, o laudo confirmaria os erros, mas esses erros seriam mensuráveis e não dariam azo ao arbitramento (fls. 82.779 a 82.781). Requer, por fim, a juntada da prova documental nova com lastro no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhe foi dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 1997. Analisandose o laudo (fls. 82.786 a 82.912), é possível colher outros elementos além daqueles explorados pelo impugnante. Fl. 92764DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 76 Quanto aos livros comerciais do impugnante, o signatário do laudo percorre caminho formal para concluir pela adequação dos referidos livros. Confirase (fls. 82.795/6): “Para o ano de 2006, foram analisados os 76 Livros Diário. Verificamos que os mesmos se encontram devidamente encadernados, possuem Termo de Abertura e Encerramento, estão escriturados na forma de partidas dobradas, estão registrados e autenticados pela junta comercial e estão devidamente assinados pelo representante legal e contador da Companhia.” Mesmo louvandose em formalidades, refere problemas em relação ao livro registro de inventário, nos seguintes termos (fls. 82.794/5): “Livro Registro de Inventário Destinase a arrolar, pelos seus valores e com especificações que permitam sua perfeita identificação, as mercadorias, as matériasprimas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem, os produtos manufaturados e os produtos em fabricação, existentes em cada estabelecimento do contribuinte na data do balanço e por ocasião de transferência ou baixa do estabelecimento. ... Para os anos de 2006 e 2009 a Companhia possui o Livro de Inventário escriturado, porém os mesmos não foram registrados em Junta Comercial.” O trabalho juntado aos autos indica a metodologia seguida que permitiu concluir pela existência de sólida base documental a alicerçar a escrita do contribuinte. Confirase (fls. 82.800 e 82.798): “Conforme detalhado abaixo, com base na análise da estrutura e processo de rastreamento da Archivum (Empresa Responsável pela guarda de documentos da Dell) e nos testes efetuados, onde foram analisadas 30 Transações saindo do Razão Contábil e se chegando ao documento suporte e 30 Transações saindo do documento suporte e se chegando ao lançamento contábil, entendemos que os procedimentos de guarda dos documentos de suporte aos lançamentos contábeis e seu devido processo de rastreamento estão de acordo com as boas práticas contábeis e requerimentos exigidos pelo RIR/99.” “a) Todos os testes efetuados para as respostas aos quesitos apresentados neste laudo confirmaram a possibilidade de rastrear o documento suporte dos lançamentos contábeis efetuados. Ou seja, para cada lançamento contábil testado, foi possível identificar um documento suporte e o procedimento inverso (partir de um documento suporte e o identificar o respectivo lançamento no registro contábil) também se mostrou efetivo.” Os testes acima referidos, consoante se observa das planilhas constantes das folhas 82.801 a 82.803, tomaram por foco notas fiscais. Quanto aos ajustes operados nas contas da escrita que deveriam retratar a movimentação financeira por meio de instituições Fl. 92765DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 40 77 financeiras, se colhem as seguintes afirmações, relativamente à situação pretérita aos ajustes (fls. 82.831 a 82.833): “Conforme demonstrado abaixo, os ajustes do processo de reconciliação contábil afetaram o saldo da conta de Disponível em R$ 32.718.708 (partindo de um saldo de R$ 73.483.217 para um saldo de R$ 40.764.509), deste total R$ 32.735.371 se referem a ajustes que ocorreram no ano de 2006.” “Os ajustes desta classificação se referem a lançamentos realizados na contabilidade original que a Dell não conseguiu identificar no extrato bancário. Segundo a companhia, o procedimento adotado no processo de reconciliação contábil foi estornar todos lançamentos que não possuíam documento suporte.” “Durante a execução dos nossos procedimentos identificamos que todos os lançamentos selecionados para teste se tratavam de lançamentos contábeis que afetaram a conta contábil do Disponível e que não estavam suportados por nenhum valor listado no extrato bancário.” A respeito dos ajustes efetuados nas contas atinentes ao estoques, são efetuados os seguintes esclarecimentos (fls. 82.838 a 82.840): “Outro ajuste que foi efetuado no processo de reconciliação do ano de 2006 na conta de estoques está relacionado com a revisão do cálculo do Custo do Produto Vendido (CPV), visto que a companhia utiliza o critério fiscal para a valorização do estoque e com as alterações ocorridas nas contas de estoque durante o processo de reconciliação, se fez necessário o recalculo do CPV. Inicialmente, para proceder com o recalculo do CPV a Dell estornou todos os lançamentos de CPV calculados na contabilidade préajustes, sendo que este processo totalizou 188 lançamentos e um total ajustado a débito foi de R$ 2.053.760.714 e a crédito 958.280.251, tendo ambos como contrapartida a conta de estoques. Estes ajustes foram classificados dentro da classificação "Reversão de CPV anterior". Após a reversão dos lançamentos originais de CPV, a Dell recalculou o estoque final e o inicial pelo critério fiscal e o valor do CPV, através da fórmula abaixo: CPV = El + C EF Onde, El = Estoque Inicial C = Compras EF = Estoque Final Fl. 92766DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 78 Este procedimento totalizou 12 lançamentos (um para cada mês de 2006) que somaram R$ 1.153.992.228 lançados a crédito na conta de estoques. Estes lançamentos foram classificados como "Apuração de CPV Critério Fiscal". “Considerando o procedimento efetuado pela Dell, efetuamos procedimentos específicos para cada parte da fórmula, segue abaixo o procedimento efetuado para cada conta: Estoque Inicial: Não foram efetuados testes uma vez que o saldo é a posição final do exercício de 2005, fora do escopo de nossas análises e do processo de Autuação da Receita Federal. 0 valor do estoque inicial de 2006 era de R$ 104.580.801. ... Estoque Final: O saldo de estoque final da Dell também foi objeto de análise durante o processo de reconciliação. O valor do estoque final foi construído através da multiplicação da quantidade física extraída do sistema de estoque da Dell (Sistema Glóvia) com o maior custo de aquisição calculado pela Dell.” Esses os aspectos mais relevantes do laudo juntado aos autos pelo impugnante. Em 31 de julho de 2012, houve a determinação da realização de diligência. O ato então adotado teve a seguinte redação (fls. 82.915/6): “O presente processo contempla o lançamento de tributos, sendo que os tributos incidentes sobre a renda e o lucro tiveram as bases de cálculo arbitradas. Uma vez que adotada a sistemática do lucro arbitrado, restou afastado o regime de apuração não cumulativo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, consoante disposto no art. 8º, II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. O contribuinte, em sua impugnação (fls. 8.945 a 8.954), reclama de equívocos fiscais na apuração da Cofins e do PIS segundo o regime cumulativo, com o qual não concorda (labora protesto alternativo). Diante das alegações apresentadas, solicitase à unidade preparadora que, observadas as limitações impostas pela legislação, sejam apurados os valores devidos a título de Cofins e PIS, segundo o regime cumulativo, resultantes da adoção dos seguintes critérios: a) consideração, para fins da aplicação da alíquota zero prevista no art. 28 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, de todas as unidades em vendas que contemplaram mais de uma unidade, segundo exemplo indicado no último parágrafo da folha 8.947; b) consideração de monitores indicados pelo contribuinte com os códigos 8528.41.20 e 8528.51.20 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro Fl. 92767DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 41 79 de 2006, quando compatíveis com a aplicação da alíquota zero prevista no art. 28 da Lei nº 11.196, de 2005. Determino, também, que seja efetuado trabalho de avaliação, por amostragem, da relação de notas fiscais apresentada pelo contribuinte (referida no item II do documento da fl. 82.690). Essa relação de notas fiscais contemplaria diversas vendas que fariam jus aos benefícios da Lei nº 11.196, de 2005. A manifestação da autoridade administrativa, fruto da presente diligência, deverá ser cientificada ao interessado. Restará, então, reaberto ao contribuinte o prazo de trinta dias para que se manifeste exclusivamente a respeito dos termos da manifestação da autoridade administrativa. Após, os autos deverão retornar à Delegacia de Julgamento para a continuidade do julgamento.” O resultado da diligência consta das folhas 88.891 a 88.901. À folha 88.895 consta planilha indicativa dos valores exigidos de Cofins e PIS após os ajustes indicados nas letras “a” e “b” da Diligência, acima transcritos. Esses valores se contrapõe aos valores apontados na folha 8.842 (integrante do “Relatório da Ação Fiscal”). Posteriormente a esse cálculo, a autoridade administrativa relatou seu trabalho de avaliação, por amostragem, da relação de notas fiscais apresentada pelo contribuinte (referida no item II do documento da fl. 82.690). A conclusão fiscal foi de que, excetuados os casos já abarcados pelo recálculo antes referido, o contribuinte não fazia jus aos benefícios por ele alegados. Cientificado o contribuinte, ele manifestou sua concordância com o novos cálculos relativamente (1) à aplicação da alíquota zero sobre a venda de monitores e (2) à aplicação da alíquota zero sobre a venda de conjuntos de CPU, monitor, teclado e mouse. Confirase, a respeito, os precisos termos adotados pelo impugnante (fls. 88.908 e 88.909): “4. O recálculo foi realizado pela diligência e a impugnante nada tem a opor ao mesmo nesse particular aspecto da aplicação da alíquota zero sobre os códigos TIPI 8528.4120 e 8528.5120, ressalvado o fato de que tratase de pedido subsidiário ao cancelamento integral do auto de infração face a absoluta ilegalidade do arbitramento na espécie. 5. A contribuinte também demonstrou na impugnação que para a apuração das vendas sujeitas a alíquota zero foram desconsideradas inadvertidamente o valor total de certas notas fiscais que representavam a venda de mais de um conjunto de CPU+Monitor+Mouse+Teclado, os quais se considerados individualmente sujeitarseiam ao benefício. Esse recálculo foi feito e a Impugnante nada tem a opor senão que, da mesma forma, tratase de pedido subsidiário ao total cancelamento do auto de infração.” Apresentou, a seguir, reclamação quanto à inclusão do IPI no cálculo do benefício assegurado pelo art. 28 da Lei nº 11.196, de 2005, uma vez que a receita bruta de vendas não contemplaria o valor daquele Fl. 92768DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 80 tributo nos termos do art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda. Ademais, reprisou protesto quanto ao arbitramento, que entende descabido. Colhida essa manifestação, os autos retornaram a esta Delegacia de Julgamento para a continuidade dos trabalhos. Observouse, então, a necessidade da realização de nova diligência, tendo por foco a dissonância entre os termos do trabalho fiscal e a manifestação do impugnante. Confirase a redação da referida diligência adotada em 4 de outubro de 2012 (fls. 88.913 a 88.915): “O processo contempla o lançamento de tributos, sendo que os tributos incidentes sobre a renda e o lucro tiveram as bases de cálculo arbitradas. No caso em exame, o contribuinte efetuou ajustes em sua contabilidade com a finalidade de tornála prestável. Verifiquese a palavra do contribuinte a respeito dos trabalhos de recuperação da escrita, denominado “reconciliação”: “O trabalho de reconciliação que foi então executado entre fevereiro de 2007 e julho de 2008, tinha por objetivo eliminar inconsistências nos saldos de certas contas da contabilidade...” (fl. 8.865) “Do relatório da Grant Thornton, portanto, fica evidente que a motivação da Dell para executar o processo de reconciliação da contabilidade não era ocultar passivos fiscais. Ao contrário: sua intenção certamente era eliminá los Caso decorressem de inconsistências contábeis. Sua intenção era corrigir saldos contábeis e qualquer risco deles advindos, em especial considerando sua condição de empresa com ações comercializadas em bolsa (Nasdaq).” (fl. 8.866) Especificamente quanto às contas bancárias, o contribuinte reproduziu relatório emitido por seu consultor para fins do trabalho de recuperação da escrita. Confirase: “Bancos Contas Movimento —Não foram incluídas no escopo original do trabalho devido ao fato de que as mesmas eram consideradas pela Dell como conciliadas pela sua equipe interna. O fato da inclusão das contas de Bancos no escopo se deu pela verificação em outras conciliações da falta de registros identificados nos extratos bancários e não registrados na contabilidade, causando impacto direto nas conciliações.” (fl. 8.867) A Fiscalização confirmou que o escopo do trabalho de “reconciliação” restringiuse ao saldo das contas contábeis relativamente às operações bancárias. Repriso “Relatório da Ação Fiscal”: “Ao serem conferidos os extratos bancários dos meses de dezembro de cada ano com a contabilidade ajustada, os mesmos conferem, confirmando que a contabilidade original estava errada. Porém, quando adentramos em outros meses para os quais foram apresentados balancetes fiscais da contabilidade ajustada (p.ex. janeiro de 2007) e comparamos com os extratos bancários correspondentes, o alinhamento deixa de existir.” (fl. 8.769) Fl. 92769DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 42 81 A Fiscalização requereu os documentos atinentes às conciliações ditas efetuadas, tendo constatado “que foram feitos apenas ajustes nos meses de dezembro e não uma efetiva conciliação de toda a movimentação bancária” (fl. 8.770). Além disso, tendo em vista a magnitude da movimentação bancária e dos ajustes efetuados, seria de esperar um trabalho de vulto, que identificasse motivadamente os ajustes empreendidos. Ocorre, entretanto, que as “ditas conciliações bancárias consistem em meia dúzia de folhas por ano, literalmente, onde apresenta alguns ajustes de saldos de forma global (doctos. às fls. 2153/2185).” (fl. 8.771) Quanto aos ajustes operados pelo contribuinte em sua escrituração relativamente ao anocalendário 2006, assim se manifestou o impugnante: “No que tange às alegadas inconsistências na conciliação dos saldos das contas bancárias e dos lançamentos relativos a descontos concedidos e ajustes de clientes nacionais, [1]sem querer entrar no mérito das impropriedades contidas nas acusações da Fiscalização, [2]há que salientar que todas elas dizem respeito a lançamentos nos balanços de 2007 e seguintes e que nenhum efeito tem sobre o balanço de 2006, razão pela qual não servem como fundamento de imprestabilidade da contabilidade da Impugnante referente ao ano objeto do arbitramento. Tais acusações exemplos da utilização da retórica pelo auto de infração como instrumento para induzir o intérprete ao equivocado entendimento pela imprestabilidade da Impugnante.”(fl. 8.914) Após a impugnação, o contribuinte juntou aos autos “Laudo Pericial Contábil Extrajudicial”. Do referido documento extraise o seguinte trecho: “Considerando os livros obrigatórios de escrituração mercantil da Impugnante em conjunto aos documentos que dão suporte aos seus registros para o ano de 2006 e também os erros apontados no Auto de Infração, seria possível ao Sr. Perito apurar o Lucro Real para o ano de 2006? Sim. As premissas assumidas para suportar nossa conclusão foram as seguintes: a) Todos os testes efetuados para as respostas aos quesitos apresentados neste laudo confirmaram a possibilidade de rastrear o documento suporte dos lançamentos contábeis efetuados. Ou seja, para cada lançamento contábil testado, foi possível identificar um documento suporte e o procedimento inverso (partir de um documento suporte e o identificar o respectivo lançamento no registro contábil) também se mostrou efetivo.” (fl. 82.798). Diante dos elementos expostos, solicitase à unidade preparadora que, à luz de trabalho de auditoria, se manifeste conclusivamente a respeito dos ajustes operados na escrita do contribuinte relativamente às contas que registram a movimentação bancária por ele desenvolvida no anocalendário 2006, esclarecendo quanto à integralidade ou não dos registros. Em outras palavras, a contabilidade do anocalendário 2006 ajustada contempla toda a Fl. 92770DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 82 movimentação bancária ou os ajustes somente alinharam os saldos contábeis com aqueles indicados nos extratos emitidos pelas instituições financeiras? Paralelamente, solicitase sejam juntados aos autos cópias dos livros registro de inventário do contribuinte que retratem seus estoques ao final dos anoscalendário 2005 e 2006, tanto para a contabilidade original quanto para a ajustada. A manifestação da autoridade administrativa, fruto da presente diligência, deverá ser cientificada ao interessado. Restará, então, reaberto ao contribuinte o prazo de trinta dias para que se manifeste exclusivamente a respeito dos termos da manifestação da autoridade administrativa. Após, os autos deverão retornar à Delegacia de Julgamento para a continuidade do julgamento.” O trabalho então desenvolvido apresentou as seguintes conclusões (fl. 92.007 a 92.010): “2.6.2 Resumo das irregularidades identificadas por amostragem Depois de fazermos a análise por amostragem de toda a contabilidade da Empresa, incluindo a contabilidade original e os ajustes lançados pela reconciliação, identificamos vários pontos em desacordo com as normas contábeis. Lembrando que os livro Diário deveria refletir, como seu próprio nome sugere, diariamente, toda a movimentação bancária contida nos extratos. Ou seja, o fluxo financeiro, necessariamente, deveria estar contido nos registros contábeis na mesma data de sua ocorrência. As inconsistências encontradas foram detalhadas ao longo desta informação, a seguir elencamos alguns itens que resumem o que foi constatado: a) Não contabilização da movimentação bancária de aplicações e resgates, entre conta corrente e conta de aplicação float do Citibank em todo o primeiro semestre de 2006, envolvendo centenas de registros bancários, e centenas de milhões de reais – item 2.4.2.2. b) Não contabilização diária da movimentação bancária de aplicações e resgates, entre conta corrente e conta de aplicação float do Citibank nos meses de julho a outubro e dezembro de 2006, envolvendo centenas de registros bancários, e centenas de milhões de reais – sendo contabilizada apenas por partidas mensais item 2.4.2.3. c) Não contabilização diária da movimentação bancária de transferências entre os vários bancos distintos no mês de dezembro/06, nos quais a empresa mantinha conta, envolvendo dezenas de registros bancários e dezenas de milhões de reais, sendo feito apenas por partidas mensais – itens 2.4.2.4, 2.4.3.2 e 2.4.4.2. d) Lançamentos de aplicações e resgates para os meses de agosto e setembro, além de serem por partidas mensais, foram registrados no início do mês, antes da ocorrência dos fatos – item 2.4.2.4. Fl. 92771DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 43 83 e) Não contabilização diária da movimentação bancária de aplicações e resgates, entre conta corrente e conta de aplicação float do Bankboston no mês de dezembro de 2006, envolvendo dezenas de registros bancários, e dezenas de milhões de reais – sendo contabilizada apenas por partidas mensais item 2.4.3 e 2.4.3.2. f) Contabilização em data posterior ao fato contábil, sem mencionar no histórico a data de origem – item 2.4.3.2 e 2.4.4.2. g) Não contabilização de valores transitados em conta corrente do HSBC, que seriam transferências de recursos de empregados para o exterior – item 2.4.4.2. h) Ajuste globalizado no valor de R$ 7.483.769,26 lançado em 06/2007 na conta 111031038 – Bankboston Rend. Flutuan, cuja origem foram 3 lançamentos a maior no total de R$ 10.156.151, e 6 registros bancários de recebimento de clientes/ aplicações que deixaram de ser contabilizados, somando R$ 17.638.920,13. Todas as inconsistências têm origem em 2006, e deixaram de ter o tratamento de ajuste individualizado como prescrevem as normas contábeis – itens 2.5.1 e 2.5.2. i) O ajuste globalizado no valor de R$ 7.483.769,26 citado acima, reflete uma série de inconsistências que só podem ser identificadas em planilha extracontábil, o seu histórico deixa de fazer qualquer referência à origem deste valor, e a conta de contrapartida usada não guardava qualquer relação com os fatos ajustados j) Ainda sobre o ajuste globalizado acima, como se deixou de tratar individualmente cada uma das inconsistências, e as quais envolviam diretamente recebimentos de clientes, a Empresa precisou fazer um outro ajuste globalizado de 7 milhões em 31/01/2009 para ajustar o saldo da conta clientes nacionais, com isso, várias centenas de documentos fiscais teriam ficado sem o reconhecimento contábil de baixa, de forma individualizada, como exigem as normas contábeis. k) Na reconciliação de 31/01/2009, foi feito lançamento de ajuste em relação à operação financeira de contratos futuros, originária de 2006, de forma a desvirtuar o efetivo aproveitamento das perdas para fins fiscais, gerando um custo indevido dentro do ano de 2007 no valor de R$ 3.722.167,91. Para isso foi usada de forma indevida a conta 111031084 Citibank Conta Vinculada – item 2.5.3.2. l) Em função do uso indevido da conta 111031084 Citibank Conta Vinculada para ajustes que não deveria participar, e em função de uma série de outros lançamentos indevidos ou falta de lançamentos, a referida conta sofreu um ajuste globalizado no valor de R$ 3.537.643,07. Com isso, mais uma vez contraria as normas contábeis, pois deixa de tratar cada irregularidade individualmente para fazer um ajuste único com base em planilha extra contábil. Fl. 92772DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 84 O resumo acima não substitui o que é detalhado em cada uma dos itens ao longo deste relatório. 2.6.3 Resposta aos questionamentos da DRJ Para concluir, voltemos ao questionamento da DRJ: “Diante dos elementos expostos, solicitase à unidade preparadora que, à luz de trabalho de auditoria, se manifeste conclusivamente a respeito dos ajustes operados na escrita do contribuinte relativamente às contas que registram a movimentação bancária por ele desenvolvida no anocalendário 2006, esclarecendo quanto à integralidade ou não dos registros. Em outras palavras, a contabilidade do anocalendário 2006 ajustada contempla toda a movimentação bancária ou os ajustes somente alinharam os saldos contábeis com aqueles indicados nos extratos emitidos pelas instituições financeiras?” Da indagação acima, entendese que há duas perguntas a serem respondidas: 1º) se os ajustes lançados na reconciliação foram feitos de forma detalhada por fato contábil, ou se foram feitos apenas registros globais ao final do período; 2º) se a contabilidade ajustada (registros originais + ajustes da reconciliação) contempla toda a movimentação bancária. No tocante aos ajustes lançados na reconciliação de 31/01/2009, a grande maioria destes foi feito por documento fiscal, identificando em seu histórico a data de origem do fato contábil ajustado. O que pode ser visualizado, por exemplo, na extração feita da conta 111021004 – Citibank – fls. 90.846/ 90.925. Mas há exceção a estes ajustes contabilmente adequados em 31/01/2009. Em menor quantidade, mas com relevância em valores envolvidos, como é o caso do ajuste global na conta 111031084 – Citibank Conta Vinculada no valor de R$ 3.537.643,07, o qual seria o extrato de vários outros lançamentos indevidos ou falta de lançamentos de 2006, 2007, 2008 e da própria data de 31/01/09, como se observa da planilha trazida pela Empresa (fls. 89.822/ 89.823) e da extração dos registros contábeis (fl. 89.869). Nos mesmos ajustes de 31/01/2009, o estorno no valor de R$ 3.722.167,91 usando indevidamente a conta 111031084 – Citibank Conta Vinculada, possibilitou o aproveitamento indevido desta quantia como custo de 2007. Ainda podese destacar como ajuste irregular, aquele procedido em 04/06/2007, embora seja anterior à reconciliação de 2009, foi feito fora do ano de competência. Como amplamente detalhado, o valor de R$ 7.483.769,26 foi feito de forma globalizada para ajustar a conta 111031038 Bankboston Rend. Flutuan, e usou de forma indevida como contrapartida a conta 111031084 – Citibank Conta Vinculada. Quanto à segunda questão, com base nos fatos constatados ao longo deste relatório, e resumidos nas letras “a” a “l” deste item de conclusão, à luz dos Fl. 92773DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 44 85 princípios e normas contábeis, concluímos que a contabilidade do ano calendário 2006 (original + ajustes de reconciliação) não contempla a integralidade da movimentação bancária ocorrida no mesmo período, pois, várias ocorrências de movimentação financeira nas contas bancárias deixaram de ser refletidas nos registros contábeis de forma diária na data da sua ocorrência.” Quanto aos livros para Registro do Inventário, houve a juntada dos documentos original e ajustado para o anocalendário 2005 e apenas ajustado para o anocalendário 2006. A par desses documentos a Fiscalização efetuou as seguintes constatações (fl. 92.011): “3.1 Constatações sobre os Registros de Inventário Da contabilidade original para a contabilidade ajustada, a Empresa modificou os valores de estoques finais e conseqüentes estoques iniciais do período seguinte em todos os exercícios revisados. Isso pode ser visualizado nos balancetes fiscais constantes das fls. 1009/ 1147. Dos registros de inventários citados acima, apenas o livro original de 2005 tem registro de autenticação na Junta Comercial. O livro ajustado de 2005 não possui qualquer registro, e o inventário de 2006 apresenta apenas um protocolo, mas sem a devida autenticação do órgão. As formalizações (ou a falta) citadas acima são comprovadas por meio de resposta de ofício da Junta Comercial do Rio Grande do Sul, onde anexa listagem de todos os livros autenticados por aquele órgão (fls. 91.521/ 91.522), constando como último livro de inventário registrado o original de 2005 (livro com 492 folhas – autenticado em 28/07/2006). Assim, os livros de 2005 (original e ajustado) passam a ser a referência formalizada para analisarmos as modificações implementadas pela Empresa no tocante a apuração dos estoques. Essa análise apontará os fatores que levaram à modificação dos estoques finais em cada exercício.” Ao analisar os registros atinentes ao início (31 de dezembro de 2005) e ao final do período (31 de dezembro de 2006), o agente do Fisco teceu os seguintes comentários (fls. 92.016, 92.016 e 92.017): Sobre os Registros de Inventário de 2005: “Em resumo, a Empresa diz que as contagens foram feitas em suas devidas épocas, que não houve recontagem, que a base de inventário foi a mesma, tanto para a contabilidade original quanto para a ajustada, e que não houve mudança no critério de valoração dos estoques. No entanto, contrariando as afirmações da Empresa, conforme apresentamos nas duas tabelas acima, no comparativo do livro registro de inventário original com o ajustado do AC 2005, há alteração no valor unitário (R$) de cada item de estoque, há modificação nas quantidades de alguns itens de estoques, e há inserção de vários itens de estoques que não constavam do Fl. 92774DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 86 registro original. Em função de todas estas alterações, os valores de estoque final restaram modificados. Assim, entendese que avaliação acima poderia ser estendida a todos os anos revisados (2002 a 2007), pois se trata de um mesmo projeto de revisão, e em todos os exercícios há modificações dos saldos de estoques.” Sobre o Registro de Inventário de 2006 “3.1.4 Registro de Inventário de 2006 Embora a Empresa não tenha apresentado um livro de inventário de estoques que demonstre os valores registrados na contabilidade original, a existência de uma base diferente para tais lançamentos é evidente, pois necessariamente teria de ter um documento suporte para os registros contábeis. Durante o ano calendário 2006, conforme DIPJ e Lalur, foram apurados balanços de redução/ suspensão mensalmente para fins de apuração de IRPJ/ CSLL por estimativa. Depois, ao final do exercício, foi apurado o lucro líquido e conseqüente lucro real, tudo isso tendo como referência uma apuração de estoques original, a qual foi modificada de forma relevante quando da revisão contábil. Se observarmos no balancete fiscal apresentado pela Empresa (fl. 1.107), os estoques finais de 2006 foram modificados em todas as contas contábeis. Para ficarmos apenas nos estoques de matérias primas, levando em conta que foram considerados como tal os saldos das contas contábeis 114011031 – Matéria Prima, 114011043 – Deposito Fechado PAMC, 114011044 – Produtos em Processo, na contabilidade original os saldos das três contas totalizavam R$ 118.034.543,00, já na contabilidade ajustada, os saldos, agora unificados na conta Matéria Prima, passaram a R$ 105.367.873,06, ou seja, houve uma diminuição de saldo final de estoques em mais de 12 milhões de reais.” Adicionalmente, a Fiscalização trouxe à baila (1) fatos ocorridos em relação ao controlador do contribuinte e (2) elementos atinentes à habilitação do contribuinte para o despacho aduaneiro expresso (Linha Azul). Confirase (fls. 92.017 a 92.020): “4.1 Investigação sobre Fraude Contábil nos EUA Na continuidade desta fiscalização, após o encerramento parcial, observou se que na impugnação a este lançamento a Empresa propala que é uma organização com ações negociadas em bolsa nos Estados Unidos, que participa da Nasdaq (fls. 8854/ 8856). Com base nisso, buscaramse maiores informações sobre a posição da Dell no mercado acionário americano, sendo usado como meio de pesquisa sítios de busca na internet. Nesta procura de informações, surgiram inúmeras matérias de órgãos de imprensa nacionais e estrangeiros, onde foram publicadas notícias aventando a existência de fraudes nas demonstrações financeiras de Dell Inc. (empresa de comando do grupo, que consolida os resultados das demais Dell). Essas Fl. 92775DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 45 87 publicações tiveram três momentos de destaque, em abril de 2007, em agosto de 2007 e em junho de 2010, no primeiro momento veio a público a detecção de irregularidades nos balanços; no segundo, foram publicadas em atraso as demonstrações financeiras do ano fiscal 2007; e no terceiro, foi divulgada a autuação milionária imposta pela SEC (Securities and Exchange Commission) à Dell Inc. e aos seus administradores. Analisandose as informações contidas nas matérias jornalísticas e no website da companhia Dell Inc., verificamos divulgações sobre implementação de uma revisão contábil na Dell Americana. Ao compararmos os dados divulgados da reforma contábil nos Estados Unidos com os do refazimento contábil aqui no Brasil, identificamos vários pontos em comum, dentre eles o período de início da revisão e os exercícios revisados. Esse assunto foi levado para o processo de encerramento parcial relativo ao ano calendário 2007 (nº 11080.731521/201228), onde o item 1.1 do Relatório da Ação Fiscal traz uma série de constatações relativas ao tema. Para mantermos o alinhamento das informações, o que facilita as manifestações tanto do julgador quanto da empresa, juntamos, neste processo, cópia do Relatório da Ação Fiscal relativo ao lançamento do AC 2007 e cópias dos mesmos anexos relativos à questão juntados naquele processo. Listamos a seguir os documentos juntados sobre o referido tema: Relatório da Ação Fiscal – lançamento AC 2007 – fls. 91.535/ 91.874; Intimação Fiscal 09 (fiscalização) – fls. 91.875/ 91.884; Resposta Intimação 09 – fls. 91.885/ 91.888; Notícia da imprensa – Globo – G1 – fl. 91.889; Notícia da imprensa – Uol – IDG – fl. 91.890; Notícia da imprensa – Forbes – fl. 91.891; Notícia da imprensa – Forbes traduzido – fl. 91.892; Notícia da imprensa – New York Times – fls. 91.893/ 91.894; Notícia da imprensa – New York Times traduzido – fls. 91.895/ 91.896; Notícia da imprensa – The Economist fls. 91.897/ 91.899; Notícia da imprensa The Economist traduzido 91.900/91.901; Relat. Dell Inc. Ano Fiscal 2007 – fls. 91.902/ 91.904; Fl. 92776DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 88 Relat. Dell Inc. Ano Fiscal 2007 traduzido – fls. 91.905/ 91.910; Relat. Dell Inc. F10k 07 – special note – fl. 91.911; Relat. Dell Inc. F10k 07 – special note traduzido fl. 91.912; Relat. Dell Inc. F10k 07 – item I – 3 – fls. 91.913/ 91.914; Relat. Dell Inc. F10k 07 – item I – 3 traduzido – fl. 91.915; Relat. Dell Inc. F10k 07 – II item 6 – fls. 91.916/ 91.917; Relat. Dell Inc. F10k 07 II item 6 traduzido – fls. 91.918/ 91.920; Relat. Dell Inc. F10k 07 – item 8 note 2 – fls. 91.921/ 91.922; Relat. Dell Inc. F10k 07 – item 8 note 2 traduzido – fls. 91.923/ 91.924; Relat. Dell Inc. F10k 08 – item 8 note 10 – fl. 91.925; Relat. Dell Inc. F10k 08 – item 8 note 10 traduzido – fl. 91.926; Relat. Dell Inc. F10k 08 – item 9A – fl. 91.927; Relat. Dell Inc. F10k 08 item 9A traduzido – fl. 91.928; Relat. SEC – fls. 91.929/ 91.931; Relat. SEC traduzido – fls. 91.929/ 91.931. 4.2 Processo de Habilitação à Linha Azul Objetivando mais uma vez trazer luz ao Contraditório, tendo em vista manifestação da Empresa em sua impugnação (fl. 8857), quando aventa que fora auditada para obtenção de habilitação ao despacho expresso Linha Azul: “Mas não foram somente estas as auditorias externas realizadas junto à Dell. Em 2009 o Consórcio Linha Azul auditou a contabilidade da empresa referente ao anos de 2007/08 para fins de habilitação da mesma junto ao Linha Azul e concluiu pela regularidade em termos gerais. A Dell é uma das poucas empresas no Brasil habilitada nesse programa (Doc. 6).” O Despacho Aduaneiro Expresso Linha Azul é um procedimento especial de facilitação aduaneira, criado pela Receita Federal do Brasil que consiste no tratamento de despacho aduaneiro expresso nas operações de importação, exportação e trânsito aduaneiro, mediante habilitação prévia da empresa interessada junto à Receita Federal. Como esta habilitação é de interesse da área aduaneira, e não fazia parte do escopo deste procedimento fiscal para apurar tributos internos, inicialmente a Fiscalização deixou de buscar qualquer informação sobre o tema até o encerramento parcial que gerou este processo. No entanto, como a Dell trouxe o assunto em sua impugnação, fomos até o processo físico (nº Fl. 92777DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 46 89 10.521000008/201021) que concedeu a referida habilitação para conhecimento de todo o teor do mesmo. Do referido processo constatamos que a Dell passou por auditoria externa executada por empresas participantes do chamado Consórcio Linha Azul, necessária ao atendimento da legislação atinente ao Linha Azul. Essa auditoria externa apontou uma série de inconsistências em seus registros contábeis e fiscais. Dentre as quais podemos citar o que foi dito sobre a valorização dos estoques finais (fl. 91.943): “Para a valorização dos estoques finais de matériaprima, notamos que o critério não atende ao disposto na legislação vigente aplicável, pois a empresa adota um critério arbitrário, em contraposição ao que determina o artigo 295 do RIR/99.” Em função do grande rol de irregularidades a serem corrigidas pela Dell, o Ato Declaratório concedendo a referida habilitação foi emitido somente em 10/06/2010. Assim como o procedimento adotado no item anterior, para manter o alinhamento com as informações contidas no processo de encerramento parcial do AC 2007, o conteúdo completo dos dados apontados pela Fiscalização para o referido tema está contido no item 1.2 do Relatório da Ação Fiscal daquele lançamento (fls. 91.583/ 91.597). Também juntamos as partes do processo de habilitação ao Linha Azul citadas pela Fiscalização (fls 91.935/91.957).” Repriso, então, trecho do Relatório da Ação Fiscal adotado no curso do processo 11080.731521/201228 que trata da fraude identificada pelas autoridades norteamericanas: “Nesta procura de informações, surgiram inúmeras matérias de órgãos de imprensa nacionais e estrangeiros, onde foram publicadas notícias aventando a existência de fraudes nas demonstrações financeiras de Dell Inc. (empresa de comando do grupo, que consolida os resultados das demais Dell). Essas publicações tiveram três momentos de destaque, em abril de 2007, em agosto de 2007 e em junho de 2010, no primeiro momento veio a público a detecção de irregularidades nos balanços; no segundo, foram publicadas em atraso as demonstrações financeiras do ano fiscal 2007; e no terceiro, foi divulgada a autuação milionária imposta pela SEC (Securities and Exchange Commission) à Dell Inc. e aos seus administradores. Seguem alguns trechos de algumas notícias publicadas a respeito da questão: a) G1 – Portal Globo (02/04/2007) Dell investiga irregularidades nas contas da empresa Foram encontradas "evidências de falta grave" na contabilidade da companhia. Fabricante de computadores poderá ter que revisar suas demonstrações financeiras. Fl. 92778DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 90 (...) A companhia, que tem sede no Texas, EUA, avisou que está trabalhando com auditores independentes para determinar se terá de revisar e republicar suas demonstrações financeiras. Em razão disso, a Dell vai adiar a divulgação de seus números de 2007 fiscal, que estava marcada para terçafeira(3). (...) Além do conselho da Dell, quem também está investigando as práticas contábeis da companhia é a Securities and Exchange Commission (SEC), que regula o mercado de ações nos EUA. A companhia tem ações negociadas nas bolsas norteamericanas. (http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL172409356,00. html) b) UOL – IDG Now (30/03/2007) Dell vai adiar divulgação do balanço em função da auditoria nas finanças São Paulo – Companhia informa que auditoria nas finanças ainda não está concluída e, por isso, não conseguirá atender prazo legal de divulgação. A Dell informou ontem que vai adiar a divulgação do balanço consolidado do seu ano fiscal, encerrado em 2 de fevereiro, em relação à data previamente anunciada, de 3 de abril, e mesmo sobre a extensão normalmente concedida ao prazo, que seria 18 de abril. (...) O grupo identificou uma série de erros contábeis, evidências de comportamento impróprio e deficiências no controle do ambiente financeiro da empresa. O Comitê trabalha com a direção da fabricante e com auditores independentes para apurar se precisa republicar os balanços financeiros e definir se as deficiências constituem uma fraqueza da companhia no controle interno dos relatórios financeiros. (http://idgnow.uol.com.br/mercado/2007/03/30/idgnoticia.200703.30.8839661 244) c) Forbes (17/08/2007 – em tradução livre) Investigação da Dell chega ao fim A investigação terminou e os resultados apontam que a Dell estava tentando bater suas metas financeiras, mas, para isso, manipulado seus livros. (...) O lucro líquido do ano fiscal de 2003 a 2006 e primeiro trimestre de 2007 será reduzido em entre US$ 50 milhões e US $ 150 milhões, ou entre 2 centavos e 7 centavos por ação. Fl. 92779DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 47 91 (...) A investigação começou como um resultado das preocupações levantadas por documentos e elementos descobertos no decurso da resposta para solicitações da Securities and Exchange Comission. A companhia acrescentou que a investigação da SEC está em curso. http://www.forbes.com/2007/08/17/dellcomputerinvestigationmarketsequitycx _b jl_0817markets19.html d) New York Times (10/06/2010 – em tradução livre) Dell em Negociações para resolver a reivindicações da Intel com a S.E.C. (...) Dell também disse que havia reservado US $ 100 milhões para uma possível resolução destas alegações, em função de uma longa investigação procedida pela SEC em suas práticas contábeis. Essa investigação, que começou em 2005 sendo formalizada em 2006, já levou à admissão de má conduta por parte da Dell e levou a fabricante de computadores para republicar os resultados financeiros de 2003 ao primeiro trimestre de 2007. (...) A empresa disse que o acordo do Sr. Dell com a SEC estaria relacionada com a "divulgação da empresa e omissões alegadas" e "envolveria supostas violações de disposições negligência baseados em fraudes das leis federais de valores mobiliários, bem como outros nonfraud baseados em provisões." A Dell também informou que iria provisionar um passivo $ 100 milhões para a resolução de seus problemas de longa data de contabilidade. Como resultado, vai reduzir seu lucro líquido no primeiro trimestre do ano fiscal de 2011 pelo mesmo valor, ou 5 centavos por ação. http://www.nytimes.com/2010/06/11/technology/11dell.html e) The Economist (23/07/2010 – em tradução livre) Tirando a mamata da Dell O feitiço foi quebrado. Durante anos, o poder aparentemente mágico da Dell para extrair a eficiência de sua cadeia de suprimentos e reduzir os custos a tornou um dos queridinhos dos mercados financeiros. Agora, parece que a mágica foi, pelo menos parcialmente, o resultado de uma ilusão financeira. Em 22 de julho Dell concordou em pagar uma multa de US $ 100 milhões para resolver acusações da Comissão de Valores Mobiliários e Câmbio dos EUA (SEC) que, nas palavras da SEC, a empresa havia "manipulado sua contabilidade durante um longo período para projetar resultados financeiros que a empresa queria que fosse conseguido.” A empresa não admitiu nem Fl. 92780DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 92 negou a culpa como parte da solução, uma fraseologia comum em tais negócios. A pena parece bastante leve dada à gravidade das acusações da SEC. Segundo a comissão, a Dell não teria as avaliações positivas dos analistas de mercado em cada trimestre entre 2002 e 2006 se não fosse por manobras contábeis. Isso envolveu um acordo com a Intel, um grande fabricante de microchips, em que a Dell concordou em usar exclusivamente chips da Intel e unidades centrais de processamento em seus computadores em troca de uma série de pagamentos não divulgados (...). http://www.economist.com/blogs/newsbook/2010/07/dells_sec_settlement As matérias citadas acima servem para confirmar que realmente ocorreu essa revisão contábil na Dell Americana e que o período revisto é o mesmo modificado aqui no Brasil, portanto, depois de vários meses, surge o que seria o real motivo a dar origem ao refazimento contábil na Fiscalizada. As notícias completas, com as respectivas traduções, quando o original é em inglês, são juntadas às folhas 9747/9759. 1.1.1 Revisão nos Estados Unidos da América As notícias citadas no item anterior davam conta que a Dell Inc. começou a ser investigada pela SEC em meados de 2005, tendo sido notificada formalmente em 2006. Isso fez com que a Companhia adiasse a publicação de suas demonstrações financeiras encerradas em 02/02/2007 (ano fiscal 2007), o que seria feito em abril de 2007. Neste mês, veio a público reconhecer a existência de irregularidades e que teria iniciado uma revisão em suas contas. Na nossa fiscalização em curso, a Empresa afirmou que a reconciliação contábil iniciou no primeiro trimestre de 2007, e o período modificado aqui coincide com aquele divulgado nos Estados Unidos. Diante dos fatos constatados, e sabendo que por ser uma empresa de capital aberto nos EUA a Dell Inc. teria de publicar todos os citados fatos, buscamos maiores informações no site da própria Companhia e no site da SEC. No site da Dell Inc., portal de relações com investidores (investor relations), páginas de relatórios financeiros (financial reporting) http:// content.dell.com/us/en/corp/investorfinancialreporting. aspx, é possível acessar as demonstrações financeiras publicadas pela Companhia, onde em seu texto de abertura expõe a seguinte informação (em tradução livre): A Dell revisou as suas demonstrações financeiras relativas aos exercícios 2003, 2004, 2005 e 2006 (incluindo os períodos intermediários dentro desses anos) e no primeiro trimestre do ano fiscal de 2007. A informação financeira é atualizado em nosso Relatório Anual no Formulário 10K para o ano fiscal (AF), que terminou em 2 de fevereiro de 2007, disponível neste site ou em www.sec.gov. Fl. 92781DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 48 93 O citado Form 10k, cujo link está disponível na mesma página. Em uma comparação simplificada, equivale ao Formulário de Referência, exigido pela CVM para empresas de capital aberto aqui no Brasil, cuja publicação deve trazer uma série de informações econômicofiscais e de políticas corporativas adotadas, sendo direcionado mais especificamente aos investidores. O Form 10K da Dell Inc. relativo ao ano fiscal 2007 (encerrado em 02/02/2007) foi publicado em 30/10/2007, trazendo as informações do último ano e de todos os anos anteriores que foram revisados – isso incluiu desde fevereiro de 2002 (ano fiscal 2003). Seguindo a busca de informações pertinentes à fiscalização, foram lidas as informações publicadas pela Dell Inc., o que ratifica as notícias dos meios jornalísticos e confirma que a reforma contábil no Brasil teria origem na investigação da SEC e conseqüente revisão nos EUA. No item 6 da parte II do form 10K 07 (fls. 9774/9778) verificamos demonstrações financeiras originais e ajustadas para os anos ficais 2003 a 2007, muito semelhantes aos balancetes da Empresa apresentados à Fiscalização. Na abertura do Form 10K ano fiscal 2007 (fls. 9769/9770), foi inserta uma nota especial fazendo referência aos anos anteriores revisados, bem como os motivos que levaram a isso. Abaixo segue a transcrição da referida special note em tradução livre: Special Note Junto com este relatório, estamos arquivando nosso relatório alterado para o primeiro trimestre de 2007 e nossos relatórios trimestrais, atrasados, para o segundo e terceiro trimestres do ano fiscal de 2007 e para o primeiro e segundo trimestres do ano fiscal de 2008. Estes relatórios foram alterados ou atrasados devido a questões que vieram a tona em uma investigação independente em certos problemas contábeis e financeiros que foram conduzidos pelo comitê de auditoria. A investigação tem sido completada, e os investigadores têm relatado os resultados ao comitê de auditoria. Como resultado das questões identificadas nesta investigação, vem como questões identificadas em procedimentos e revisões adicionais conduzidas pela diretoria, o comitê de auditoria, junto com a PriceWaterhouse, nossa empresa de auditoria independente, concluiu em 13 de agosto de 2007, que as nossas demonstrações financeiras, previamente divulgadas, dos anos fiscais de 2003 a 2006 e do primeiro trimestre fiscal de 2007, não deveriam mais ser consideradas devido a alguns erros e irregularidades contábeis nestas demonstrações. Por isso, temos corrigido nossas demonstrações financeiras para estes períodos. Os ajustes feitos como resultado desta correção são discutidos a fundo na Nota 2 da Notes to Consolidated Financial Statements incluída na "Part IIItem 8 _ Financial Statements and Supplementary Data", e os impactos cumulativos da revisão dos resultados financeiros no começo do ano fiscal de 2003 são apresentados na "Part II Item 6 Selected Financial Data". Para discussões adicionais da investigação dos erros e irregularidades contábeis identificados, e dos ajustes da revisão, veja "Part II Item 7 Management's Discussion and Analysis of Financial Condition and Results of Operations AuditoComitee Independent Investigation and Restatement" e Note Fl. 92782DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 94 2 do Notes to Consolidated Financial Statements incluido na "Part II Item 8 Financial Statements and Supplementary Data". Para uma descrição das deficiências de controle identificadas pela diretoria como resultado da investigação e de nossa revisão interna, e o plano da diretoria para corrigir estas deficiências, veja "Part II – Item 9A Control and Procedures." A nota acima refere que maiores esclarecimentos quanto à revisão contábil devem ser lidas no item 8 da Parte II do mesmo Form 10K. Na análise do referido item (fls. 9779/9782), percebese que as informações pertinentes ao assunto em voga estão concentradas na “Note 2 Audit Committee Independent Investigation and Restatement”, pela relevância desta nota a transcrevemos abaixo (tradução livre): NOTE 2 — Audit Committee Independent Investigation and Restatement Background and Scope of the Investigation Em agosto de 2005, a Divisão de Execuções da SEC iniciou um inquérito sobre alguns problemas de demonstrações financeiras e contábeis da Dell e intimou a Dell a providenciar alguns documentos. No curso de muitos meses, a Dell produziu documentos e providenciou informações em resposta a intimação inicial e subseqüentes da SEC. Em junho de 2006, a Sec enviou a Dell uma intimação adicional para documentos e informações que expandiram o escopo do inquérito, com respeito a questões e períodos. Enquanto as informações e documentos foram coletados na resposta a intimação adicional, a direção da Dell teve conhecimento de informações que aumentaram os problemas a respeito de demonstrações contábeis e financeiras, incluindo acréscimos, reservas e outros elementos de balanço que foram registrados corretamente. Após avaliar esta informação e junto com a consultoria PWC, a direção determinou que as questões levantadas justificavam uma investigação independente e recomendaram esta ação ao Comitê de Auditoria do conselho de administração da Dell. Em 26 de agosto de 2006, o Comitê de Auditoria, agindo sob recomendação da direção, aprovou o início de uma investigação independente. O comitê de auditoria contratou Willkie Farr & Gallagher LLP (“Willkie Farr”) a liderar a investigação como conselheiro independente do comitê de auditoria. Willkie Farr, por sua vez, contratou a KPMG para servir como sua consultoria contábil forense independente. O escopo da investigação foi determinado por Willkie Farr, em consulta com o comitê de auditoria e a kpmg. A investigação envolveu um programa de análise forense e uma pesquisa avançada em aspectos da prática da Dell de demonstrações financeiras e contábeis através do mundo, e avaliou aspectos de suas demonstrações históricas desde 2002 e, com respeito a algumas questões, em anos anteriores. Summary of Investigation Findings A investigação levantou questões relativas a numerosas questões contábeis, a maioria delas envolvendo ajustes a várias reservas e contas do passivo Fl. 92783DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 49 95 acumuladas, e identificou evidências de que certos ajustes pareceram ter sido motivados pelo objetivo de atingir metas financeiras. De acordo com a investigação, estas atividades tipicamente ocorrem em dias imediatamente posterior ao fim de trimestre, quando os livros contábeis haviam sido fechados e os resultados do trimestre sido compilados. A investigação achou evidência de que, naquele prazo, balanços contábeis foram revistos, algumas vezes, por requisição ou com o conhecimento de executivos seniors, com a meta de procurar ajustes de modos que os objetivos de performance trimestral fossem atingidos. A investigação concluiu que o número destes ajustes foram indevidos, incluindo a criação e liberação de provisões e reservas que parecem ter sido feitas com o propósito de melhorar as medidas de performance interna resultados anunciados, bem como transferir o excesso de provisões de uma conta de passivo para outra e o uso de excesso de balanços para equilibrar despesas não relatadas em períodos subseqüentes. A investigação achou que algumas unidades de negócio não forneceram informações completas para a direção e, em um número de instância, informações propositalmente incorretas ou incompletas sobre estas atividades foram fornecidas para os auditores internos e externos. A investigação identificou evidências que os ajustes contábeis foram vistos nestas vezes como mecanismos aceitáveis para compensação para rendimentos de curto prazo que não poderiam ser fechados através de maneiras operacionais. Frequentemente, estes ajustes iam de algumas centenas a muitos milhões de dólares, no contexto de uma empresa com receita anual na faixa de 35.3 a 55.8 bilhões de dólares e lucro líquido anual de 2 a 3.6 bilhões nos períodos em questão. Os erros e irregularidades identificados no curso da investigação revelaram deficiências no controle financeiro e contábil da Dell, algumas das quais foram determinantes na fraqueza material, que requereram ações corretivas. Other Company Identified Adjustments Concorrentemente com a investigação, a dell também conduziu revisões internas com o propósito de preparar e certificar para as demonstrações financeiras do ano fiscal de 2007 e a avaliação de controles internos sobre demonstrações financeiras. Os procedimentos da Dell incluiram revisões contábeis expandidas e reconciliações de balanço expandidas para assegurar que todas contabilidades foram totalmente reconciliadas e apropriadamente documentadas. A Dell também implementou melhorias no fechamento de sua contabilidade anual e trimestral para prover uma mais completa análise do resultado financeiro de suas várias unidades de negócios. Restatement Adjustments Como resultado das questões identificadas pelo comitê independente de auditoria, bem como as questões identificadas em procedimentos e revisões adicionais conduzidos pela direção, o comitê de auditoria, em consulta com a direção e a PWC, concluiu em 13 de agosto de 2007 que as demonstrações Fl. 92784DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 96 financeiras dos anos de 2003 a 2006 (incluindo períodos menores dentro destes anos) e o primeiro trimestre do ano fiscal de 2007, não deveriam mais ser confiáveis devido a erros e irregularidades contábeis nestas demonstrações. Portanto, Dell tem atualizado as demonstrações financeiras para estes períodos. Informações financeiras atualizadas são apresentados neste relatório. Ajustes cumulativos requeridos para corrigir os erros e irregularidades das demonstrações financeiras anteriores a 2005 estão refletidas nos lucros acumulados no final do ano de 2004, como mostrado no Statement of Stockholders’ Equity. O efeito cumulativo destes ajustes reduziram o lucro em 52 milhões em 31 de Janeiro de 2004. (sublinhamos). Não obstante a relevância de todas as informações trazidas pela nota acima, destacamos alguns pontos: a auditoria interna começou com a formação de Comitê em agosto de 2006; a revisão que embasou a republicação das demonstrações financeiras de anos anteriores foi concluída em agosto de 2007; A investigação envolveu os aspectos da contabilidade da Dell e elaboração de relatórios financeiros em todo o mundo; A investigação contemplou a avaliação de práticas contábeis e financeiras desde o ano fiscal 2002 e, em relação a certas questões, anos fiscais anteriores. Apesar da Dell Inc. ter informado no Form 10K do ano fiscal 2007 (nota acima) que a investigação interna estava encerrada, no Form 10K do ano fiscal 2008, publicado em março de 2008, ainda faz menção a revisões que teriam ocorrido dentro deste período (02/2007 a 01/2008), remetendo a conclusão para o terceiro trimestre do ano fiscal 2008 (31/10/2007), conforme note 10 da item 8 abaixo (tradução livre): (...) Investigações e litígio relacionado em agosto de 2005, a SEC iniciou um inquérito em certos problemas contábeis e financeiros da Dell e requisitou que a Dell providenciasse certos documentos. A SEC expandiu o inquérito em junho de 2006 e iniciou uma investigação formal em outubro de 2006. A intimação da SEC veio se juntar a uma requisição similar da Procuradoria Federal do Distrito Sul de New York (SDNY), que intimou a documentos relacionados às Demonstrações Financeiras da Dell a partir do ano fiscal de 2002. Em agosto de 2006, devido a problemas potenciais identificados no curso das respostas às requisições de informação da SEC, o Comitê de Auditoria da Dell, por recomendação da direção e concordância da PriceWaerhouse, iniciou uma investigação independente, que foi completada no terceiro trimestre do ano fiscal de 2008. Embora a investigação do Comitê de Auditoria tenha sido finalizada, as investigações conduzidas pela SEC e SDNY continuam, e a Dell continua a cooperar com a SEC e SDNY. (sublinhamos)” Diante desses elementos, o contribuinte apresentou nova manifestação em 22 de abril de 2013, dentro, portanto, do prazo de trinta dias. Fl. 92785DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 50 97 O impugnante contesta a acusação de falta de colaboração para com a Fiscalização, motivo que teria sido alegado para justificar o não conhecimento das contas “float”. Segundo ele, as referidas contas constam do plano de contas ao qual o Fisco teve acesso. Se não foram fornecidos extratos específicos, isso decorre da simples não solicitação. Arremata (fl. 92.121): “não procede a tentativa da Fiscalização de justificar a deficiência de seu lançamento decorrente da falta de oportuna e adequada análise da movimentação bancária da Impugnante. Não fez essa análise porque não quis. E não quis, porque a análise revelaria que as inconsistências são meramente aparentes e que a contabilidade da empresa contempla toda a movimentação bancária da Impugnante, nada justificando o arbitramento do lucro no ano calendário de 2006.” Quanto ao resultado da diligência relativamente às contas bancárias, assim se manifesta o contribuinte (fl. 92.122): “9. Todo esse processo de fiscalização da movimentação bancária da Impugnante e respectivos lançamentos contábeis não identificou nenhuma omissão de receita por parte da Impugnante, nenhum pagamento que não tivesse documentação suporte e origem, nenhuma conta bancária que não estivesse contabilizada, nenhum lançamento sem documentação de suporte, nada que impedisse a apuração do lucro real da empresa. 10. Se inconsistências foram alegadas ao longo do extenso relatório elaborado pela Fiscalização, foram todas elas relativas à forma de contabilização. E se o relatório é extenso nessas alegações, é porque a Fiscalização explora determinados lançamentos sob diversos ângulos, tudo para tentar enfatizar as alegadas inconsistências.” Alega que as conclusões fiscais em torno da falta de contabilização da movimentação levada a efeito por meio das contas “float” devese “unicamente a alguns lançamentos fechados ... , no mesmo banco, e que não tem qualquer impacto patrimonial e no resultado tributável” (fl. 92.122). A respeito da prova da regularidade dos lançamentos, faz a seguinte afirmação (fl. 92.123): “13. A prova disso é que de todos os lançamentos fechados identificados na amostragem da fiscalização, citados no relatório conclusivo e alegados como inconsistentes, somente para dois deles podese notar que a contrapartida utilizada não foi a mais adequada. A correção de tais exceções foi identificada pela própria Fiscalização ao longo de seus trabalhos.” Sobre os dois lançamentos inconsistentes referidos acima, assim se manifesta o impugnante (fls. 92.123 a 92.126): “14. A primeira dessas exceções foi o lançamento contábil no valor de R$ 7.482.769,26 realizado em junho de 2007 na conta contábil 111031038 Bankboston Rend. Flutuante para estornar alguns registros de recebimento de clientes não identificados no extrato da respectiva conta Fl. 92786DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 98 bancária e registrar outros recebimentos de clientes identificados no extrato bancário da mesma conta, todos relativos ao ano de 2006. TODA a composição diária desse lançamento de R$ 7.482.769,26 foi disponibilizada para a Fiscalização. A falta desses registros contábeis no ano de 2006 acarretou divergência no saldo da conta de clientes nacionais, o qual foi ajustado em dezembro de 2006 com contrapartida em conta de resultado despesa não dedutível. Como o ajuste da conta de clientes nacionais foi realizado contra resultado, quando deveria ter sido feito contra a conta 111031038 Bankboston Rend. Flutuante, a empresa em junho de 2007 procedeu com a regularização da referida conta. Ocorre que tal regularização, que deveria ter sido feita contra resultados acumulados, foi feita com contrapartida a crédito da conta 111031084 Citibank Conta Vinculada. Assim, ao invés de corrigir o lançamento equivocado na conta de resultado, transferiu a divergência para a conta 111031084 Citibank Conta Vinculada. Tal irregularidade na conta de resultado só foi corrigida posteriormente, quando da reconciliação em janeiro de 2009. Justamente porque aquele procedimento de conciliação da conta de clientes nacionais em 2006 havia afetado o resultado contábil, efetuouse em 2009 a correção mediante lançamento a crédito de resultados, oferecendose a tributação aquilo que inclusive não havia sido deduzido na oportunidade. Conclusão: o procedimento de ajuste que iniciouse inconsistentemente foi corrigido posteriormente, e com ganho para o fisco, pois se primeiramente havia se reduzido o resultado sem deixar de oferecer essa parcela reduzida a tributação, quando da efetiva correção ofereceuse o mesmo valor novamente a tributação!!” “21. O único caso de lançamento fechado nas contas do Citibank, apontado pela Fiscalização, que não observou adequadamente a natureza das transações e, portanto, configurou a segunda exceção mencionada no item 13 acima, foi o lançamento de R$ 3.537.643,07 em 31/01/2009 a débito da conta 111031084 e a crédito da conta 372013161 Outras Receitas. 22. Conforme esclarecido pela Impugnante à Fiscalização, o valor de R$ 3.537.643,07 foi um lançamento fechado, realizado quando da reconciliação, necessário a ajustar lançamentos a crédito e a débito da conta 111031084 Citibank conta Vinculada, identificados em conciliação entre essa conta bancária e o respectivo extrato desta conta. Dentre os lançamentos pendentes de ajuste encontravase o lançamento de R$ 7.482.769,26, equivocadamente realizado na referida conta conforme relatado no tópico 14 acima, bem como o valor de R$ 3.722.167,91 relativo a despesa de hedge indevidamente registrada como despesa no ano de 2007. Todos esses lançamentos foram plenamente identificados na planilha alcançada à Fiscalização em resposta ao item 13 do Termo de Intimação 02, citada à fl. 40 da informação fiscal conclusiva da diligência. 23. Notese que o valor de R$ 3.537.643,07 foi levado em 31/01/2009 a crédito de resultado em contrapartida do lançamento realizado a débito da conta 111031084 Citibank Conta Vinculada, de tal forma que todos os registros incluídos neste lançamento obviamente impactaram o resultado, incluindo nestes o estorno da despesa de hedge indevidamente registrada em 2007. Contrariando a lógica contábil, a Fiscalização contesta que a correção do valor da despesa com hedge de R$ 3.722.167,91 fora corrigida no Fl. 92787DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 51 99 lançamento de R$ 3.537.643,07 pois haveria uma diferença de R$ 184.525,00. Ora, o que não quer aceitar a Fiscalização é que o ajuste de R$ 3.537.643,07 é um ajuste fechado que abrangeu outros valores, inclusive a reversão desta despesa de hedge, entre outros. Daí que o efeito líquido a impactar o resultado foi de R$ R$ 3.537.643,07. Todos esses valores estão detalhadamente discriminados na planilha entregue à Fiscalização anteriormente mencionada abaixo transcrita.” Lastreado nesses elementos, o contribuinte aponta qual seria a resposta correta ao questionamento efetuado no âmbito da diligência (fl. 92.127/8): “27. Por conseguinte, a resposta que deveria ter sido dada a pergunta da DRJ após a diligência realizada pela Fiscalização é a de que os ajustes operados na escrita da Dell relativamente às contas que registram a movimentação bancária no anocalendário 2006 foram feitos de tal forma que a contabilidade da empresa passou a contemplar toda a sua movimentação bancária. Tais ajustes foram feitos na sua grande maioria individualmente para cada operação e continham informação quanto ao dia/mês/ano e quanto a natureza da movimentação. Os lançamentos que foram feitos de forma fechada o foram na maioria dos casos, para ajustar movimentações entre as contas correntes bancárias e as respectivas contas vinculadas (aplicação//7oa/) de um mesmo banco sem que isso afetasse o resultado. Os únicos dois ajustes fechados relativos a movimentações bancárias que foram indevidamente refletidas no resultado, tiveram sua correção com contrapartida no próprio resultado e a documentação suporte foi apresentada. Além disso, as movimentações financeiras abrangidas por esses lançamentos fechados foram identificadas na contabilidade e informadas pela Impugnante à Fiscalização. 28. Ora, não tendo sido sequer apontada e muito menos identificada qualquer omissão de receita na contabilização da movimentação financeira da Impugnante; estando toda a movimentação registrada na contabilidade, mesmo que por vezes através de lançamentos fechados; e podendo todas as movimentações financeiras ser identificadas, inclusive aquelas abrangidas por lançamentos fechados, não há qualquer razão para que se arbitre o lucro do contribuinte, como o fez a Fiscalização na espécie, conforme atestam a jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do CARF sobre o assunto, a seguir transcrita” Quanto aos livros Registro de Inventário, o impugnante alega que a “Fiscalização sustentase apenas em presunções desenvolvidas a partir da análise do livro original de 2005” (fl. 92.129). Esclarece que o fundamento dos Livros Registro de Inventário do ano 2005 é o sistema Glovia. As diferenças encontradas entre os livros decorrem da falta de consideração de alguns itens, bem como da não consideração, no livro original, “de itens para os estoques de ARB e em poder de terceiros” (fl. 92.130). Entende inatacável o livro referente ao ano 2006 por não conter diferenças em relação à escrita reconciliada. Quanto aos fatos novos, entende o contribuinte que não passam de fatos retóricos, criado para dar sustentação a um trabalho fiscal Fl. 92788DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 100 fraco. O contribuinte aponta contradições entre o trabalho fiscal e as práticas contábeis adotadas pelo ora interessado. Segundo o impugnante, suas demonstrações contábeis não passam por conversão para fins de consolidação. Confirase (fl. 92.134): “53. Ou seja, a consolidação das demonstrações financeiras da Dell Brasil junto a Dell Inc. não se dá pelo ajuste das demonstrações financeiras feitas localmente em Brasil GAAP e a sua conversão em US$, mas sim pela elaboração de demonstrações financeiras próprias em US$ e de acordo com os padrões do US GAAP. 54. Assim, toda e qualquer manipulação que eventualmente fosse feita na contabilidade brasileira, tal como estorno de provisões de garantia e estorno de fretes, conforme alegado pela autoridade fiscalizadora, não era passível de afetar as demonstrações financeiras da Dell Inc., a qual prepara as demonstrações e a contabilidade da subsidiária brasileira diretamente a partir dos princípios contábeis americanos. 55. A partir do registro das operações locais no chamado sistema gerencial, toda a contabilidade da Dell Brasil para fins de consolidação nas demonstrações da Dell Inc. é efetuado pela própria Dell Inc.. À Dell Brasil cabe a responsabilidade de preparar a contabilidade brasileira, de acordo com os princípios contábeis brasileiros, para fins societários e fiscais brasileiros.” Com base nas considerações acima, o contribuinte afastou as ilações fiscais, nos seguintes termos (fl. 92.135): “58. Por conseguinte, a ilação feita pela autoridade fiscalizadora de que a Impugnante teria feito a reconciliação de sua contabilidade, manipulandoa para compensar, via conversão e consolidação, ajustes na contabilidade da controladora Dell Inc. não tem qualquer procedência, pois a autoridade fiscalizadora sabia que nenhuma conversão era feita e foi avisada de que existe um sistema gerencial a partir do qual a contabilidade da Impugnante é elaborada em US$, com base em US GAAP para fins de consolidação das demonstrações da Dell Inc..” Não bastasse isso, caso houvesse a conversão das demonstrações contábeis locais para fins de consolidação, os ajustes contábeis contestados foram realizados em 2009, enquanto a consolidação foi efetuada em 2007. Dessa forma, seria impossível, pelo aspecto temporal, a realização fática da hipótese aventada pelo agente do Fisco. Além disso, o contribuinte alega a irrelevância dos negócios levados a efeito no Brasil frente à envergadura mundial da controladora. Não seria possível ao contribuinte, que “representa menos de 2% da receita líquida e do lucro líquido global do grupo econômico” (fl. 92.136), afetar os resultados da entidade global. Conclui, assim, que as ilações são irreais, decorrentes da manipulação dos fatos. Fl. 92789DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 52 101 Quanto à habilitação ao Linha Azul, questiona como poderia o Fisco habilitar o contribuinte ao despacho expresso, que exige controles contábeis eficazes, e, ao mesmo tempo, desqualificar a escrita para fins de apuração do lucro real? Indica que os aprimoramentos contábeis requeridos para fins de concessão do regime diziam respeito “à introdução de um sistema integrado de controle de custos de estoque, o que salientese é uma exigência específica para a habilitação ao Linha Azul e que acabou sendo implantado pela empresa conforme plano de ação acordado com o Consórcio do Linha Azul” (fl. 92.139). Mais adiante, apontou o sistema arbitrário do qual fazia uso (fl. 92.141): “87. Ora, como os auditores do Consórcio Linha Azul verificaram que a Impugnante fazia a valoração de seu estoque de produtos acabados com base no artigo 296, porque não possuía ela um sistema de controle integrado de custos, e como a habilitação para o Linha Azul requer o controle integrado de custos, a conclusão foi de que para fins de Linha Azul o cálculo do custo médio desse estoque davase de modo arbitrário ou seja, arbitrário aos propósitos do Linha Azul.” Quanto às deficiências do sistema de valoração dos seus estoques, o contribuinte acusou a Fiscalização de manipulação dos dados na tentativa de fragilizar os registros do contribuinte. O impugnante defende seu sistema com as seguintes palavras (fl. 92.141): “89. E finalmente, ainda nessa mesma linha, a autoridade fiscalizadora distorce as conclusões e efeitos do relatório elaborado pelo Consórcio Linha Azul quanto ao controle de produtos acabados. De acordo com a autoridade fiscalizadora, o relatório do Linha Azul confirmaria a fragilidade dos registros da Impugnante, eis que ela não faria o controle desses produtos através de seu sistema corporativo, mas mediante a utilização de planilhas eletrônicas (fls. 61 e 62 do Relatório). 90. Ora, em que pese a Impugnante não fizesse o controle do estoque desses produtos através do seu sistema, isso não significa que os seus controles sejam deficientes. Esses controles simplesmente estão fora do seu sistema corporativo, mas apresentam todos os elementos necessários à rastreabilidade e contabilidade desse estoque. Além disso, conforme destacado no próprio relatório do Consórcio Linha Azul (item 4.2.9.7), "notamos que a empresa não mantém controle dos estoques de produtos acabados, pois devido a sua atividade, os produtos acabados não são mantidos pela empresa, ou seja, toda a produção é faturada e expedida, não havendo saldos de estoques físicos dessa natureza". Após essa consideração, o impugnante conclui sua manifestação da seguinte forma (fl. 92.142): “V. Conclusão e Requerimento 95. Assim, em face de todo o exposto e em especial, diante do fato de a diligência em evidência demonstrar que a contabilidade da Impugnante Fl. 92790DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 102 abrange a integralidade de sua movimentação financeira, e tendo em vista que os laudos realizados pela PricewaterhouseCoopers e pela Ernst & Yonug, juntados pela Impugnante, confirmaram a prestabilidade da contabilidade da empresa, não fazendo qualquer ressalva quanto aos lançamentos contábeis relativos à movimentação bancária, reiterase o pedido para que seja o presente auto de infração cancelado em sua integralidade.” [...] A 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS, nos termos do acórdão nº 10 44.242, julgou o lançamento parcialmente procedente para os fins de reconhecer cabível o arbitramento, realizando apenas ajustes relativos ao PIS e à COFINS. Em relação à viabilidade do arbitramento a decisão recorrida, após a relatada diligência, valeuse de três fundamentos: i) a contabilização das contas bancárias revelaria que a recorrente não contabilizava a integralidade da movimentação financeira; ii) haveria vícios na contabilização dos estoques e iii) a escrita revelaria indícios de fraude. No mais, afastouse a preliminar de decadência, considerada a fraude e o cômputo consequente pela regra do artigo 173, do CTN. A parcela exonerada foi submetida a Recurso de Ofício e a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando seus argumentos e formulando preliminar de parcial nulidade da decisão recorrida ante a alegada inovação no critério da imputação. É o relatório. Fl. 92791DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 53 103 Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator. O Recuso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade, bem assim, o Recurso de Ofício atende aos pressupostos legais e regimentais, admitoos para julgamento. Tal como se verifica do exaustivo e bem elaborado relatório da DRJ em Porto Alegre/RS, o qual adoto na íntegra e assinalo fazer parte do presente voto para todos os fins, inclusive reservando o direito de fazer mera referência para assim evitar repetições desnecessárias, a contribuinte foi autuada por verificada omissão de receitas, constatada, a dita omissão, mediante expediente de arbitramento do lucro, considerando a Fiscalização ser imprestável sua contabilidade para os fins de apurarse o Lucro Real do período. O conteúdo decisório da DRJ em Porto Alegre/RS, ora recorrida de ofício e voluntariamente, em síntese manteve a viabilidade do arbitramento do lucro e a qualificação da multa de oficio aplicada, matérias de que se ocupa o Recurso Voluntário, sendo que a parte relativa à parcial procedência da Impugnação deveuse à exoneração das exigências parciais de PIS e da Cofins, ante o recálculo promovido pela Fiscalização, com anuência da contribuinte em pleito meramente alternativo e com chancela da decisão recorrida e que, mesmo assim subsiste para reexame de ofício. I – RECURSO VOLUNTÁRIO – ARBITRAMENTO DO LUCRO De início, é imperioso marcar aos limites objetivos do enfrentamento a ser promovido na apreciação do Recurso Voluntário, consideradas, por óbvio, as imputações e o quanto decidido no acórdão recorrido. Nesse passo, conquanto muitos sejam os tópicos ventilados, muitas as páginas dedicadas a relatórios e recursos, e complexas as abordagens contábeis e de escrituração versadas na espécie, é fato que a questão jurídica subjacente, mas determinante, é sobremodo singela, cuidase de perquirir se deuse uma (ou mais) hipótese de arbitramento do lucro. Concordo com a decisão recorrida, portanto, ao dispor que “são essencialmente duas as questões ventiladas nos autos: o cabimento da adoção da sistemática do lucro arbitrado e a presença do evidente intuito de fraude no agir do contribuinte”, em verdade, considero que a questão central mesmo seja a viabilidade do arbitramento do lucro, porquanto ele, arbitramento, é que lastreia a exigência. Tal como se extrai dos autos, a base legal para a adoção do lucro arbitrado foi o art. 530, inciso II, letras “a” e “b”, do RIR/1999, que assim dispõe: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Fl. 92792DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 104 [...] II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; [...] Os fundamentos que levaram a Fiscalização a concluir pelo arbitramento do lucro foram dispostos no resumo constante das folhas 8.821 a 8.825, que a despeito de comporem o relatório do presente voto, considero relevante a transcrição para firmar as premissas fáticas pelas quais reputouse “imprestável” a contabilidade da recorrente no período em questão, confirase: [...] “Durante uma década de operação no Brasil a Empresa manteve seus registros de forma adequada à realidade fática apenas em seus sistemas gerenciais. A contabilidade de acordo com as normas brasileiras foi relegada a um segundo plano, acumulando erros generalizados, graves e relevantes em todas as contas. Em paralelo à sua contabilidade errada, a Fiscalizada intentou graves infrações nas suas Declarações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, onde, além de refletir as apurações contábeis errôneas, ainda modificou indevidamente o lucro real, da seguinte forma: inseriu exclusões inexistentes; deixou de fazer adições devidas; declarou opção pelo regime de caixa nas variações cambiais, enquanto não praticava isso, entre outros. Todo o mencionado acima ocorreu em seus registros originais. No procedimento fiscal em curso, a Fiscalização deparouse com um refazimento de toda a contabilidade da Empresa, com alterações de centenas de milhões de reais envolvendo todas as contas do seu elenco. Essa reforma contábil incluiu, estornou, modificou lançamentos desde 1999 até janeiro/2009. Tendo sido apurados balancetes fiscais a partir do ano calendário 2002, e retificadas as DIPJs somente a partir do 2004. Diante desse refazimento contábil de uma década, a Fiscalização selecionou pontos considerados relevantes dentro das operações da Fiscalizada para estimar a justeza e a confiabilidade dos lançamentos de ajustes. Para isso foram analisados, fornecedores, clientes, estoques, variações cambiais, operações com partes relacionadas, movimentação bancária, renda variável, entre muitos outros citados ao longo deste relatório. Da análise dos citados lançamentos observouse a existência de graves irregularidades de forma abrangente em praticamente todos os pontos examinados. Grande quantidade de lançamentos não teve base documental comprovada, houve estornos de centenas de milhões de pagamentos comprovadamente existentes, não foi respeitado o regime de competência na apropriação de despesas com softwares, foram implementadas graves Fl. 92793DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 54 105 irregularidades nas planilhas de variações cambiais, há ajustes vultosos em clientes e fornecedores de forma globalizada e sem documentos de suporte, tudo conforme finamente detalhado neste relatório e nas planilhas anexas. Resumindo, a Fiscalizada cometeu as seguintes infrações: a) estornou saldos existentes em 31/01/2009, dizendo terem origem no período de 1999 a 2003, no entanto, quando solicitados os documentos que embasaram os lançamentos, deixa de apresentar e até mesmo admite que não possui. Os ajustes atribuídos a esse período somam 135 milhões a crédito de resultado, (item 1 do tópico "V" e itens 1 e 2 do tópico XI); b) procedeu a estornos de pagamentos comprovadamente realizados por meio dos extratos bancários, sendo que os valores estornados foram lançados a débito do resultado do período. Essa prática ilegal gerou débitos no resultado dos exercícios de 2004, 2005 e 2006, onde somaram R$ 86.894.942,19, R$ 133.849.952,28 e RS 67.111.844,69, respectivamente, (item 2 do tópico "V"); c) modificou a contabilização das faturas de reembolso de softwares (royalties) do regime de competência para o regime de caixa, com isso aproveitouse duplamente de faturas emitidas em 2002 e em 2003, também transferiu custos de 2006 para 2007 dentro do seu interesse fiscal. Além das implicações nos demais anos podemos citar o valor de 38 milhões relativos a 2002/2003 e 63 milhões transferidos de 2006 para 2007. (item 3 do tópico "V"); d) fez a opção de tributação das variações cambiais pelo regime de caixa nas DIPJs originais de 2006 e 2007, também escriturou adições e exclusões relativas a variações cambiais mensalmente nos livros Lalur. Nas DIPJs retificadoras manteve essa opção, inclusive alterando valores na declaração base 2007. No entanto, ao ser intimada a apresentar as planilhas de apuração pelo regime de caixa, alegou praticar apenas regime de competência, (item 4 do tópico "V"); e) inseriu dados de forma irregular em suas planilhas de variações cambiais, de maneira que, contrariando toda ordem econômicofinanceira,transformou uma receita de 20 milhões em uma despesa de 36 milhões, ou seja, gerou de forma fictícia um custo financeiro de, no mínimo, 56 milhões em 2006 e 17 milhões em 2007 (item 4 do tópico “V”); f) depois de quase uma década modificou a realização dos seus estoques em todos os anos passados, e com isso obteve vantagem fiscal. No ano de 2006, essas modificações proporcionaram um aumento de custo de 73 milhões de reais, (item 5 do tópico "V"); g) fez ajustes em seus extratos bancários apenas para ficarem alinhados com a contabilidade ao final do ano, sem realizar uma efetiva conciliação bancária, (item 6 do tópico "V"); Fl. 92794DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 106 h) inseriu em sua contabilidade, nos ajustes de 2007, de forma globalizada, mais de 8 milhões de reais a título de descontos concedidos, descontos esses não comprovados (item 7 do tópico "V"); i) inseriu em sua contabilidade, nos ajustes de 2008, de forma globalizada, a crédito de Clientes e a débito de Resultado do Exercício, mais de 40 milhões de reais, sem qualquer comprovação documental da procedência desse ato. (item 8 do tópico "V"); j) baixou de sua contabilidade, em 31/01/2009, mais de 98 milhões de reais da conta de Intercia Fornecimentos, de forma globalizada e sem base documental, (item 9.1 e 9.2 do tópico "V"); k) inseriu, em 31/01/2009, lançamentos a crédito de Intercia Fornecimentos e a débito de Resultado do Exercício a título de complementação de royalties, os quais somam mais de 59 milhões, e não houve comprovação da origem dos mesmos, (item 9.3 do tópico "V"); 1) inseriu inúmeras irregularidades em seus balancetes fiscais, os quais embasaram as DIPJs retificadoras. (tópico "VI"); m) apresentou três balanços diferentes para o fechamento de 31/01/2009, um na contabilidade Sped, outro nas demonstrações auditadas, e um terceiro nos balancetes fiscais, (tópicos "VI" e "VII"); n) utilizou os saldos das contas da contabilidade original para fins de apuração das parcelas dedutíveis de despesas incorridas em aplicações de renda variável (hedge), com isso contraria sua própria posição, quando diz que o correto são os novos saldos resultantes de sua "conciliação", (tópico VIII); o) não existiam livros Lalur formalizados que embasassem as DIPJs retificadoras, quando do início da fiscalização. O livro Lalur original de 2007 foi apresentado com todos os dados pessoais do contador incorretos (tópico "IX"); p) deixou de refletir em suas DIPJs retificadoras todas as modificações contábeis implementadas no refazimento de 31/01/2009. (tópico "X"); q) agiu em vários momentos, antes do início e após o começo da fiscalização, com intenção de dificultar o conhecimento do Fisco sobre as reais modificações implementadas em sua contabilidade (tópico "XII"); r) diminuiu as pendências fiscais existentes antes do refazimento contábil (mínimo de 173 milhões de base de IRPJ e CSLL), e ainda diminuiu em 15 milhões a soma do lucro real em todos os anos reformados, (itens 1 e 2 do tópico "XIII"); s) aproveitouse de prejuízos fiscais (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL) gerados nas DIPJs originais de 2002 e 2003, os quais somam mais de 51 milhões de reais. No seu refazimento contábil a Fiscalizada apurou lucros nos dois anos, assim mais uma vez contradizse em seus posicionamentos, (item 3 do tópico "XIII"). Fl. 92795DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 55 107 A Empresa diz que começou sua reforma contábil no primeiro trimestre de 2007 a partir da identificação de falhas em seus controles internos. No entanto, pelos lançamentos citados nos itens 8 e 9 do tópico "V" acima, fica comprovado que em 31/01/2009 a referência mor, a única base confiável, continuava sendo o seu sistema gerencial. Todo esse refazimento contábil é ato único, em uma mesma ação foram ajustados todos os registros contábeis desde 1999 até 01/2009, vindo a desaguar nos lançamentos da contabilidade Sped em 31/01/2009 e em alguns consignados dentro do exercício 2008 – tudo consolidado nos balancetes fiscais elaborados pela Empresa. Foi com essa visão que foram selecionados pontos considerados relevantes dentro das operações da Fiscalizada para verificação, por amostragem, da confiabilidade dessa reforma. Diante de todas as irregularidades identificadas nos lançamentos de ajustes, todas em pontos considerados chaves dentro das operações da Empresa, irregularidades essas que se espraiam pelos vários anos reformados, o refazimento contábil como um todo perde completamente sua confiabilidade, assim não há como ser aceito. Perante essa situação grave, onde os registros contábeis de ajuste não merecem confiança, para saber exatamente o que é certo e o que é errado a Fiscalização teria que conferir documento a documento de todas as operações da Empresa desde o início de suas operações em 1999, pois conforme mencionado foram baixados saldos de fornecedores referindo aquele ano, e esses saldos influenciam nas apurações das variações cambiais pelo regime de competência no presente, além de embasarem cálculo de renda variável. Não é obrigação do Fisco refazer a contabilidade que o contribuinte manteve falha. Cabe mais uma vez lembrar que a Empresa tinha a obrigação legal de fazer corretamente sua contabilidade original, não o fez. Depois por iniciativa própria, antes do meio da fiscalização, teve a oportunidade de corrigir aqueles erros originais e adequar seus livros aos quesitos legais, porém, ao invés de acertar, preferiu inserir inúmeros lançamentos com valores irregulares apenas buscando ocultar as bases tributáveis. Desta forma, todo o refazimento contábil, que a Fiscalizada chamou de "conciliação", está sendo desconsiderado. Como consequência disso os livros Lalur, as DIPJs Retificadoras e demais declarações entregues ao Fisco que tiveram como base esse refazimento contábil (anos calendário 2004 a 2008) deixam de produzir seus efeitos.” [...] A decisão recorrida, por seu turno, não se valeu da individualização de cada item apresentado pela Fiscalização, de sorte que após determinar a realização das diligências relatadas alhures, fundou o arbitramento no verificado vício da contabilização das contas bancárias, para concluir que a escrituração não contemplaria a íntegra da movimentação, bem como apurou vícios na contabilização dos estoques, concluindo ao fim, estar evidenciado o evidente intuito de fraude. Fl. 92796DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 108 Sendo este o cenário do acórdão recorrido, verifico assistir razão à contribuinte ao propagar que os demais “vícios” apontados parecem superados pela decisão recorrida ou, no mínimo, sem relevância após configuradas as duas hipóteses que ao juízo da decisão impugnada já seriam bastantes a impor o arbitramento. Sendo este o cenário factual (vícios da escrituração da movimentação bancária e estoques), seja um cenário mais amplo traçado pela Fiscalização, o que de fato se deve perquirir é se ficou configurada a impossibilidade de apuração da base tributável, no ano calendário em referência, pela metodologia do lucro real. Digo isso, porquanto os fatos apresentados pela Fiscalização são graves e evidenciam erros procedimentais da contribuinte, ninguém mesmo questiona que a contabilidade primitiva da contribuinte era inservível, como, aliás, a decisão recorrida frisou já de saída, contudo, para prevalência do arbitramento, medida que se afigura extrema, é preciso saber com segurança que estes erros procedimentais – graves, repito – não eram passíveis de glosa mediante a modalidade de tributação pela qual o contribuinte optou, o lucro real. É ponto sobremodo pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo que o arbitramento do lucro é medida excepcional, a ser adotada apenas na impossibilidade de apuração da base de cálculo do imposto, de sorte que, podendo as receitas omitidas ser identificadas e quantificadas, não servem elas como fundamento para arbitrarse o lucro. Veja se o que decidido nos acórdãos 10194.227/2003 – DOU de 05/08/03 e 0104.557/2003 – DOU de 12/08/2003, exemplificativamente). O que se deve deixar bem claro, portanto, é que este colegiado sempre tem primado pela excepcionalidades da medida de arbitramento do lucro. Observese no exemplo abaixo e digo exemplo porque diversos casos poderiam ser aventados – enfrentado no acórdão nº 10516.887, na Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, em sede de Recurso de Ofício, no qual o eminente Conselheiro Waldir Veiga Rocha, analisou a questão a importância de demonstrar a impossibilidade de apurarse a base tributável na modalidade do lucro real, in verbis: [...] Não se trata, por certo, de valores desprezíveis. Ao contrário, os montantes omitidos são expressivos, e revelam regularidade ao longo dos três anos examinados, o que denota o intuito doloso, conforme se discutirá adiante, quando da análise do recurso voluntário. Mas para fins de desqualificação da escrita, não vejo claramente demonstrada sua imprestabilidade. No anocalendário 2001, em que o contribuinte optou pelo Lucro Presumido, bastaria aplicar o percentual correspondente à atividade da interessada sobre as receitas omitidas, e ai estaria o lucro tributável. Nos dois anos seguintes, tendo o contribuinte optado pelo Lucro Real, a questão deve ser analisada com mais cautela. Pelo que consta dos autos, e à vista dos valores omitidos e de sua relação percentual com os totais declarados, não vislumbro desproporção tal que permita afirmar de plano que a escrita não se prestaria à apuração Fl. 92797DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 56 109 do Lucro Real, apenas adicionandose ao lucro contábil as omissões apuradas. Mas, mesmo firmando seu convencimento sobre a imprestabilidade da escrita, caberia à fiscalização dar à então fiscalizada a oportunidade de refazêla, em boa devida forma, incluindo as operações omitidas, mediante intimação formal com prazo razoável. A menção da fiscalização à existência de conta bancária não escriturada não restou comprovada no processo. O Fisco supõe que assim tenha sido, possivelmente em face dos valores envolvidos e do que ocorre normalmente em termos de pagamentos de quantias elevadas, mas as investigações não foram aprofundadas nesse sentido. Também o argumento de que seria impossível apurar os custos das compras não se sustenta, já que a acusação foi de omissão de receitas, quantificada em face dos pagamentos não escriturados, os quais foram minuciosamente apurados e comprovados. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio. [...] (meus os destaques) Antes de analisar as minúcias do caso concreto, portanto, é preciso ter mente duas premissas: i) o arbitramento é medida excepcional; ii) é inarredável a comprovação de que seria impossível aferir a base tributável pela modalidade do lucro real. Com essas premissas assentadas é que passo ao exame da decisão recorrida propriamente dita, para os fins de avaliar se merece trânsito o entendimento da viabilidade da medida de arbitramento. Iniciase o dito enfrentamento como uma discordância que revelase preponderante, pois a decisão recorrida menciona que a contribuinte teria confessado que seus registros originais eram imprestáveis e por isso já se imporia a aplicação do art. 47, VII, da Lei nº 8.981/95. Ao partir com tal afirmação, podese ter a falsa impressão de o que o desencadeamento da hipótese do arbitramento a ser verificada é anterior ao processo espontâneo de refazimento da escrituração a que se submeteu a contribuinte, quando de fato não é. Me parece equivocado o raciocínio inicial da decisão recorrida e mesmo que não tenha comprometido o seu posicionamento final, pode corromper a correta compreensão do que se precisa aferir. Feita esta ressalva, anoto que a decisão recorrida, para avaliar os efeitos dos ajustes contábeis promovidos pela recorrente, no âmbito da escrituração da movimentação financeira, determinou a realização de Diligência, visando, como dito, analisar a movimentação financeira, e saber se a escrita ajustada contemplava ou não a integralidade da movimentação financeira do contribuinte. Segundo a decisão recorrida, o trabalho fiscal então desenvolvido apontou irregularidades que maculariam a escrita para fins da identificação da movimentação financeira Fl. 92798DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 110 e, as irregularidades, em resumo, seriam duas: i) deficiências na contabilização das operações “float” (aplicação financeira dos valores recebidos dos clientes) e ii) ajustes contábeis globais nas contas bancárias mantidas perante o Citibank e o BankBoston com a finalidade de alinhar saldos contábeis com aqueles apontados nos extratos bancários. De acordo com a decisão recorrida, quanto aos ajustes globais nas contas bancárias, foi identificado inicialmente um ajuste de R$ 7.482.769,26, efetuado na “BankBoston Rendimentos Flutuantes” no dia 4 de junho de 2007, sendo que a conta antes referida, que havia sido encerrada em 16 de março de 2007, foi debitada, tendo por contrapartida lançamento a crédito na conta “Citibank Conta Vinculada”, o que significaria um depósito na conta mantida perante o BankBoston com recursos oriundos da conta mantida perante o Citibank. Seguindo a decisão recorrida na construção dos seus fundamentos, frisouse que foram solicitados esclarecimentos ao contribuinte, o qual informou que se tratava de um equívoco, porquanto não teria havido a transferência de recursos, e que “tal lançamento em duplicidade foi ao fim e ao cabo corrigido mediante lançamento a débito na conta 111031084 – Citibank Conta Vinculada no valor de R$ 3.537.643,07, conforme demonstrado no item 13 do termo de intimação de diligência fiscal 02” (fl. 89.842). Contudo, segundo a decisão recorrida, a demonstração referida no parágrafo anterior, constante da folha 89.822, apresenta uma série de ajustes operados na conta “BankBoston Rendimentos Flutuantes” em função de “recebimentos de boletos” (pagamento de clientes) e aplicações, que não foram contabilizados na época própria, e que o lançamento, efetuado em 4 de junho de 2007, faz referência a fatos ocorridos em junho, agosto, setembro e novembro de 2006 e que o saldo remanescente na conta “BankBoston Rendimentos Flutuantes” após a contabilização dos “recebimentos de boletos” e aplicações, no montante de R$ 7.482.769,26 credor (uma dívida na escrita), foi transferido para a conta “Citibank Conta Vinculada”, sendo que esse o motivo do lançamento a débito da conta “BankBoston Rendimentos Flutuantes” e a crédito da conta “Citibank Conta Vinculada”, efetuado em 4 de junho de 2007, no valor de R$ 7.482.769,26, ou seja, reduziu a zero o saldo de uma conta que já havia sido encerrada em 16 de março de 2007, levando o saldo anterior para a conta “Citibank Conta Vinculada”, adotando o histórico “ajuste lançamento errado investimentos”. Para a decisão recorrida, no entanto, não se tratava do estorno (retificação) de um lançamento em duplicidade, mas do acerto do saldo de uma conta extinta cumulada com a transferência do saldo contábil para outra conta da escrita, frisando que o referido lançamento se deu entre contas contábeis que registram a movimentação bancária efetuada em duas instituições financeiras distintas (BankBoston e Citibank) e que a conta “Citibank Conta Vinculada”, destinatária do saldo da conta “BankBoston Rendimentos Flutuantes”, também passou por ajuste tendente à correção do seu saldo, em janeiro de 2009, o que ficou explicitado em demonstração constante das folhas 89.822 e 89.823. Ainda de acordo com a decisão recorrida, no enfretamento da questão relativa à escrituração da movimentação bancária após os ajustes promovidos, na referida composição se constata a existência de acertos em função de aplicações, resgates, incidência de CPMF, estornos e outros, que fariam referência a fatos ocorridos em agosto, novembro e dezembro de 2006, bem como meses de 2007, 2008 e 2009. Pois bem, o valor líquido desses ajustes montou R$ 3.537.643,07 credor, sendo esse o motivo lançamento a débito da conta “Citibank Conta Vinculada” e a crédito de uma conta de receita, identificada pelo código 3.7.2.01.3161, efetuado em janeiro de 2009, no valor de R$ 3.537.643,07, cujo histórico adotado foi “ajuste referente diferença reconciliação”. Fl. 92799DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 57 111 Segundo a decisão recorrida, para dar fim a um saldo contábil sem lastro, lançou o indesejado valor em uma conta de resultado, pelo que, ficaria fácil concluir que a escrita do contribuinte, relativamente ao anocalendário 2006, não retrata a sua movimentação financeira, uma vez que o seu titular se viu forçado a efetuar lançamentos com a única finalidade de corrigir os saldos das contas bancárias, alinhandoos com aqueles constantes dos extratos bancários, de sorte que a necessidade desses lançamentos se explicaria pela parcialidade da escrita, em razão do que que, indagou de forma retórica quantos lançamentos deixaram de ser registrados de sorte a forçar lançamentos desse jaez? Reavivados os fundamentos da decisão recorrida para verificar imprestável a escrituração por ausência de contemplação total da movimentação financeira da contribuinte, o que verifico, ao contrário, é a perfeita identificação do apontado vício, o que permitia ao Fisco valerse dos expedientes próprios para impor eventual censura sem a necessidade de arbitrar o lucro. Percebase que a decisão recorrida foi capaz de percorrer todo o histórico da recomposição, identificou valores com exatidão numérica, identificou as competências, de sorte que a rigor era viável lançar mão inclusive de presunções legais para impor a glosa, nada justificando a medida extrema de arbitramento. E mesmo que se transcenda a investigação para as primitivas imputações da Fiscalização, igualmente se vai verificar que as ditas inconsistências foram passíveis de mensuração, valendo lembrar que em relação, por exemplo, ao estorno de pagamentos realizados a fornecedores, chegou a Fiscalização ao valor exato de R$ 67.111.844,69 (fl. 8.720), a despesa de variação cambial tida como irregular, foi de R$ 36.082.836,77 (fl. 8.751), enquanto que os registros com royalties, também indicados como motivos para desqualificar a escrita, foram de R$ 89.087.690,58 (fl. 8.733), ou seja, a rigor, todas as imperfeições na escrituração da contribuinte, eram passíveis de apuração e quantificação numericamente exatas, em nada impondo a excepcional medida de arbitramento. Demais disso, a contribuinte tem defendido, com acerto a meu juízo, que o fato de algumas movimentações financeiras terem sido registradas em lançamentos fechados, não significa que a contabilidade não as tenha levado em conta, mas o que é determinante para mim, é que igualmente não significa que toda a escrituração deva ser desprezada por isso, eis que esta parcela, eventualmente omitida, poderia ser lançada facilmente no âmbito de uma exigência fiscal, sem a necessidade de arbitramento, ainda mais por se tratar de movimentação financeira. Impressiona o fato de que não foi apontada nenhuma omissão de receita na contabilização da movimentação financeira, de sorte que as justificativas da contribuinte conduzem à afirmação de que estava ela, movimentação financeira, toda contabilizada, ainda que por lançamentos fechados, porém, podiam ser identificadas, mesmo aquelas objetos de lançamentos fechados, ou seja, não há justificativa, ao menos não pela alegada deficiência da escrituração da movimentação financeira, para o arbitramento do lucro. Discordo, portanto, com a afirmação da decisão recorrida de que “o fato do ajuste ter redundado no reconhecimento de uma receita é irrelevante. Se a escrita não permite a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, é cabível o arbitramento (art. 530, II, “a”, do RIR/1999)”, a prevalecer a tese da decisão recorrida, bastará certa dose de retórica à Fiscalização e todo lançamento tributário poderá ser feito mediante arbitramento, cenário que se afiguraria impensável. Fl. 92800DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 112 Torno a dizer, em conclusão, a premissa da decisão recorrida é equivocada, porquanto “verifica” que a totalidade da movimentação financeira do contribuinte não estaria contemplada na contabilidade, “identifica” quais seriam os valores alegadamente ausentes, mas prestigia ainda a excepcional medida de arbitramento. Resta saber se o outro fundamento invocado pela decisão recorrida, atinente aos efeitos dos ajustes promovidos, quanto aos estoques, é capaz de sustentar a prevalência do arbitramento. Quanto a este item específico, a decisão recorrida, após tecer considerações genéricas sobre a forma de apuração e registro do inventário, bem como discorrer sobre o procedimento da contribuinte, que denominou como “híbrido”, assinalou que o principal elemento de prova quanto aos estoques é o livro Registro de Inventário, que aponta o estoque do seu titular ao final do período de apuração (“inventário das matérias primas, das mercadorias ou produtos manufaturados existentes na época do balanço” – art. 2º, “a”, da Lei nº 154, de 1947), devendo contemplar, além das existências, os valores dos bens, adotando “especificações que facilitem sua identificação”. Segundo assinalou a decisão recorrida, os registros constantes do livro Registro de Inventário configuram, então, a prova de um fato, qual seja a existência de estoques (com especificações que permitam a sua identificação) em determinada data (na época do balanço). Adicionalmente, o registros contemplam, também, a valorização das existências físicas e tendo em vista a importância dos registros escriturados no livro Registro de Inventário, a legislação exigiu o seu registro e autenticação perante a Junta Comercial, sendo que esse procedimento administrativo tem por foco garantir a contemporaneidade da escrituração, eis que a Junta Comercial não confere os registros, mas garante a data em que a ela foram apresentados. Ainda para a decisão recorrida, como forma de garantir o registro sucessivo no tempo dos livros, o legislador determinou que a autenticação de um novo livro só se faria “mediante a exibição do livro ou registro anterior a ser encerrado”. Após essa digressão, em análise dos elementos de prova que constam dos autos, reputou a decisão recorrida, que para fins da apuração do resultado do anocalendário 2006, o contribuinte apresentou três livros Registro de Inventário: dois atinentes ao ano 2005 (31 de dezembro de 2005) e um relativo ao ano 2006 (31 de dezembro de 2006), sendo que, dos três livros apresentados, apenas um foi submetido ao rito da autenticação e do registro. A Junta Comercial informou, em 12 de junho de 2012, que o último livro Registro de Inventário do contribuinte que havia sido registrado e autenticado perante aquela repartição pública foi o Livro nº 8 (fls. 91.504 e 91.522). Mencionouse que o registro e a autenticação desse livro se deu no dia 28 de julho de 2006. O Livro nº 8 diz respeito ao ano 2005 (31 de dezembro de 2005 – fls. 90.993 e 91.040), o qual apontaria um valor total do estoque de R$ 98.051.175,78 (fl. 91.039), e posteriormente, a Junta Comercial não efetuou o registro ou a autenticação de qualquer outro livro Registro de Inventário, sendo que os outros dois livros apresentados pelo contribuinte, desprovidos de autenticação e registro, contemplam seus estoques em 31 de dezembro de 2005 e 2006 consoante ajustes operados na escrita. Sendo assim, para a decisão recorrida, seria evidente que os livros escriturados em função dos ajustes contábeis, operados em 2009, não preenchem os requisitos de validade exigidos legalmente. Esse fato é motivo suficiente para desconsiderar os livros consoante a contabilidade ajustada, mas vamos além, passemos à análise dos registros e que a Fiscalização cotejou os dois livros apresentados relativamente ao anocalendário 2005 (31 de Fl. 92801DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 58 113 dezembro de 2005), identificando alterações (1) nos valores unitários dos itens e (2) nas quantidades dos itens, bem como (3) a inserção de novos itens no estoque (fl. 92.016). Concluiuse assim (por falta de registro dos livros de inventário na Junta Comercial), que os registros do contribuinte quanto aos seus estoques se constituem em um verdadeiro terreno pantanoso, e que esses registros quanto a um fato verificado em 31 de dezembro de 2005 (existência físicas) não são confiáveis, como também não o seria, a informação constante do sistema Glovia, uma vez que diversos da informação constante do livro Registro de Inventário registrado e autenticado, documento formalmente válido segundo a lei. Foi diante disso que se considerou cabível o arbitramento e impossível se determinar o lucro real, uma vez que não se conheceria o valor dos estoques no início e no final do anocalendário 2006. Confirase a oportuna passagem da decisão recorrida, extraída da página 98 e 99: [...] Para fins da apuração do resultado do anocalendário 2006, o contribuinte apresentou três livros Registro de Inventário: dois atinentes ao ano 2005 (31 de dezembro de 2005) e um relativo ao ano 2006 (31 de dezembro de 2006). Dos três livros apresentados, apenas um foi submetido ao rito da autenticação e do registro. A Junta Comercial informou, em 12 de junho de 2012, que o último livro Registro de Inventário do contribuinte que havia sido registrado e autenticado perante aquela repartição pública foi o Livro nº 8 (fls. 91.504 e 91.522). O registro e a autenticação desse livro se deu no dia 28 de julho de 2006. O Livro nº 8 diz respeito ao ano 2005 (31 de dezembro de 2005 – fls. 90.993 e 91.040). Esse livro aponta um valor total do estoque de R$ 98.051.175,78 (fl. 91.039). Posteriormente, a Junta Comercial não efetuou o registro ou a autenticação de qualquer outro livro Registro de Inventário. Os outros dois livros apresentados pelo contribuinte, desprovidos de autenticação e registro, contemplam seus estoques em 31 de dezembro de 2005 e 2006 consoante ajustes operados na escrita. É evidente que os livros escriturados em função dos ajustes contábeis, operados em 2009, não preenchem os requisitos de validade exigidos legalmente. Esse fato é motivo suficiente para desconsiderar os livros consoante a contabilidade ajustada, mas vamos além, passemos à análise dos registros. A Fiscalização cotejou os dois livros apresentados relativamente ao anocalendário 2005 (31 de dezembro de 2005), identificando alterações (1) nos valores unitários Fl. 92802DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 114 dos itens e (2) nas quantidades dos itens, bem como (3) a inserção de novos itens no estoque (fl. 92.016). O contribuinte se escuda na desconsideração, no livro Registro de Inventário registrado e autenticado, de itens identificados pelo sistema Glovia (fl. 92.130). Ou seja, o livro válido formalmente seria falho materialmente. Diante disso, só posso concluir que os registros do contribuinte quanto aos seus estoques se constituem em um verdadeiro terreno pantanoso. Esses registros quanto a um fato verificado em 31 de dezembro de 2005 (existência físicas) não são confiáveis. Não é confiável, também, a informação constante do sistema Glovia, uma vez que radicalmente díspare (quantidades unitárias e valores unitários) da informação constante do livro Registro de Inventário registrado e autenticado, documento formalmente válido segundo a lei. Frente a isso, cabível o arbitramento pela impossibilidade de se determinar o lucro real, uma vez que não se conhece o valor dos estoques no início e no final do anocalendário 2006, seja no plano formal (livros adequadamente autenticados e registrados), seja no plano material (registros confiáveis). Consoante inicialmente explanado no presente tópico, o valor dos estoques é determinante para a apuração do lucro. O ato administrativo do lançamento aponta justamente a imprestabilidade da escrita em razão de deficiências que inviabilizam a identificação da movimentação financeira e a determinação do lucro (art. 530, II, do RIR/1999 fls. 8.659 e 8.675). [...] Outra vez me parece que o esforço da decisão recorrida em prestigiar um arbitramento, que revelouse açodado, esbarra na flagrante viabilidade de imporse eventual censura ao registro do inventário da contribuinte sem a necessidade de valerse da medida extremada de arbitramento. Tem razão a contribuinte ao propagar que se a Fiscalização e a decisão recorrida não aceitaram o ajuste promovido por ocasião dos procedimentos relatados neste processo, os quais ajustaram o estoque inicial no importe de R$ 6.529.625,67, cumprialhes glosar o valor dos custos levados a débito do resultado, não se afigurando necessário arbitralhe o lucro. Ademais, ignorar os registros de inventário unicamente porque não foram levados a registro e a partir daí imporse um arbitramento de lucro, me parece medida um tanto desproporcional e incongruente com a sistemática do processo administrativo fiscal. Considero, portanto, que por qualquer ângulo que se queira abordar o arbitramento promovido no presente processo, se vai chegar à conclusão de que os vícios apontados, todos indicadores de efetivo equívoco de escrituração da contribuinte, nem mesmo se considerados juntos, foram capazes de indicar que a Fiscalização não poderia ter promovido ajustes pontuais, sem a necessidade de desconsiderarse o lucro real. Fl. 92803DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 59 115 A rigor o lançamento é improcedente, e as alegações de fraude ficam por certo comprometidas, bem como a aplicação da multa qualificada. Em vista de todo o exposto, voto no sentido de DAR integral provimento ao Recurso Voluntário, considerando incabível, na espécie, o arbitramento do lucro promovido. Preliminar de Decadência: Considerando que o arbitramento por si não é suficiente para qualificar a multa, acato a Decadência dos lançamentos relativos ao IRPJ e a CSLL para os três trimestres do ano calendário 2006, bem como dos lançamentos de PIS e Cofins relativos aos 11 primeiros meses daquele ano. Multa Qualificada: Considerando que o arbitramento por si não é suficiente para qualificar a multa, afasto a qualificação. II – DO RECURSO DE OFÍCIO A rigor o objeto do recurso de ofício fica esvaziado ao terse conta que o auto de infração é improcedente, eis que não se afigurou na hipótese causa de arbitramento. Contudo, acaso fique superado o entendimento contido no enfrentamento do Recurso Voluntário, o desprovimento do Recurso de Ofício é medida que se impõe. Em verdade, a parcela exonerada se refere a equívocos da Cofins e Pis que foram apontados em relatório de Diligência. Assim se manifestou a decisão recorrida: [...] Relativamente aos equívocos “a” e “b” apontados no relatório foi efetuada diligência, que culminou em recálculo da dívida por parte da Fiscalização. Quanto a esse recálculo (fl. 88.895), o contribuinte manifestou sua concordância (fls. 88.908 e 88.909), tendo ressalvado que se tratava de argumento alternativo. Dessa forma, adoto as alterações implementadas pela Fiscalização, passando o valor das dívidas de PIS e Cofins para os seguintes valores (fl. 88.895) [...] Vêse assim, que a parcela exonerada resulta de recálculo promovido pela própria Fiscalização, com o qual a contribuinte anuiu, em pleito alternativo, e a decisão recorrida apenas chancelou. Sendo assim, prevalecendo a medida de arbitramento, o desprovimento do Recurso de Ofício é medida que se impõe. Sala das Sessões, em 04 de Fevereiro de 2015. Fl. 92804DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 116 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 92805DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 60 117 Voto Vencedor Wilson Fernandes Guimarães, redator designado. Rendendo homenagens ao bem fundamentado pronunciamento, o Colegiado, pelo voto de qualidade, divergiu das conclusões trazidas ao processo pelo Ilustre Conselheiro Relator, relativamente ao arbitramento do lucro e à qualificação da multa de ofício aplicada. De início, é importante registrar que, diferentemente do esposado no pronunciamento do Ilustre Conselheiro Relator, o que se encontra em discussão é a peça acusatória elaborada pela autoridade autuante, e não, exatamente, o ato decisório de primeiro grau. A decisão prolatada em primeira instância poderia, por exemplo, servirse de fundamentos não declinados na peça de autuação para entender que determinado lançamento tributário é procedente, o que, à evidência, representaria inovação que, por revelar cerceamento do direito de defesa, faria com que ela, a decisão, fosse passível de nulidade. Todavia, se os fundamentos esposados na peça de autuação em referência mostramse subsistentes, o lançamento tributário deve ser mantido, independentemente do fato de a autoridade revisional de primeiro grau entender que ele, o lançamento, só poderia subsistir com base nos argumentos declinados por ela. Não obstante, tenho por absolutamente improcedente a alegação da Recorrente de que, no caso, houve inovação por parte do acórdão recorrido, capaz de ensejar a sua nulidade parcial, eis que, como admite ela própria, o auto de infração cita o art. 530 do RIR/99 “como um todo” e, além disso, não se pode olvidar que, tratandose de conduta dolosa, a decretação da imprestabilidade da escrituração com base no pressuposto da existência de vícios e deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real, à evidência, atrai a caracterização da existência de fraude em tais vícios e deficiências. Ademais, mais relevante do que o enquadramento legal utilizado pela autoridade autuante são os fatos retratados na peça acusatória, sendo relevante destacar que, quanto a esse aspecto, a Fiscalização descreveu de forma clara as deficiências detectadas nos registros contábeis, o que demonstra de forma cabal que os motivos justificadores do arbitramento foram muito além do apontado pela alínea “b”, inciso II, do art. 530 do RIR/99. Incorre em certa impropriedade o Ilustre Conselheiro Relator quando, para “avaliar se merece trânsito o entendimento da viabilidade da medida de arbitramento”, dirige o foco da sua análise tão somente para o que foi espelhado na decisão de primeiro grau, deixando de lado todo o conjunto fático trazido pela Fiscalização. A estratégia adotada pela defesa foi simplesmente a de abandonar inúmeras irregularidades apontadas pela Fiscalização, que igualmente serviram de suporte para o arbitramento e para a exasperação da penalidade, e centrar suas alegações para aquelas que, isoladamente, não poderiam ser utilizadas como lastro para as medidas (arbitramento e qualificação). Diante de tal estratégia, a decisão de primeira instância cuidou de rebater cada uma das alegações da autuada, cingindose, obviamente, às matérias relacionadas aos argumentos expendidos na peça impugnatória. Fl. 92806DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 118 Com efeito, na impugnação interposta, os argumentos da fiscalizada foram direcionados tão somente para as seguintes matérias: decadência; arbitramento; passivo fictício; variação cambial, hedge; royalties; movimentação financeira; “balancetes fiscais” e escrituração (higidez da contabilidade e colaboração com a Fiscalização); multa qualificada; perícia; equívoco na apuração do PIS e da COFINS; e juros sobre a multa de ofício. Ora, tratando a impugnação desse número limitado de matérias, o ato decisório de primeiro grau cuidou, apenas, de enfrentar os argumentos a elas associadas. O fragmento abaixo reproduzido, extraído do voto condutor da decisão de primeiro grau, revela que, diferentemente do alegado pela Recorrente e que aparentemente foi acolhido pelo Conselheiro Relator, a Turma Julgadora de primeira instância não entendeu que, excluídas as questões associadas à movimentação bancária e aos estoques, os demais elementos trazidos ao processo não autorizavam o arbitramento do lucro, senão vejamos: [...] Não bastasse isso, como muito bem apontou a Fiscalização, a escrita do contribuinte revela “evidentes indícios de fraude” que a tornam “imprestável para determinar o lucro real”. As irregularidades encontradas no chamado refazimento contábil possuem unidade. Os ajustes relativos ao período que vai de 2002 até 2009 foram realizados de forma a registrar receitas e despesas com evidente intuito de reduzir o encargo tributário. Isso fica evidente nos casos da variação cambial e dos royalties tratados acima. Não são casos isolados. A Fiscalização apontou diversos outros. Por tal motivo, além da fundamentação para a adoção da sistemática do lucro arbitrado ligada à movimentação financeira e aos estoques, adequada, também, a fundamentação de que a escrita revela “evidentes indícios de fraude ... que a tornem imprestável para a determinação do lucro real”. Repriso trecho do trabalho fiscal que trata do tema (fl. 8.827): “...a contabilidade original foi radicalmente modificada pela Empresa, com várias demonstrações que realmente estava incorreta, e onde o refazimento desta contabilidade não tem como ser aceito, devido ao grande número de irregularidades ali inseridas, não resta outra solução que não seja o arbitramento do lucro. ... conforme demonstrado nenhuma das duas apurações podem ser aceitas, e, com base nos registros contábeis da Empresa não há como se chegar ao um novo lucro líquido do exercício de forma confiável.” (GRIFEI) São merecedoras de destaque ainda as seguintes passagens do ato decisório recorrido: Quanto ao arbitramento do lucro [...] Correto o contribuinte em seu protesto: o arbitramento não é uma opção da autoridade administrativa, mas uma imposição legal. A lei determina quando a sistemática do arbitramento deva ser aplicada para a apuração do lucro. No caso dos autos, consoante explanado no início do voto, a adoção da sistemática do arbitramento se impôs diante da comprovação de que a escrita era imprestável, nos Fl. 92807DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 61 119 termos da lei. Como era inviável a aferição do lucro a partir da escrita, tendo em vista a inobservância dos requisitos legais, a autoridade administrativa seguiu a prescrição legal: apurou o lucro arbitrandoo a partir da receita conhecida (art. 532 do RIR/1999). Não fosse conhecida a receita, teria adotado alternativas legais (art. 535 do RIR/1999). A sistemática do arbitramento busca a maior aproximação possível do lucro do contribuinte, esse o motivo pelo qual antes se apela à receita conhecida para somente depois tomar o valor das compras, da folha de pagamentos ou outros parâmetros. Dessa forma, correto também o contribuinte ao afirmar que o arbitramento não é uma penalidade. O lucro não é uma penalidade. A penalidade pelo inadimplemento do dever de recolher tributos é a multa pecuniária incidente sobre o tributo faltante prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso dos autos, foi aplicada a multa qualificada (150%). Quanto à reclamada adoção de outras provas diretas para a identificação do lucro, não vejo margem legal para o procedimento. O lucro real é calculado a partir do lucro contábil. O lucro contábil advém da escrita. Se a escrita é imprestável, a lei determina o arbitramento do lucro em função da receita conhecida. O impugnante deseja adoção de seus registros gerenciais. Não há previsão legal para tanto. (GRIFEI) Quanto às irregularidades referenciadas na peça impugnatória [...] Do passivo fictício Inicialmente é dever esclarecer que o presente processo não contempla a presunção de omissão de receitas prevista no art. 281 do RIR/1999. A receita considerada para fins da apuração do lucro arbitrado foi a constante “dos Livros de Apuração do ICMS (vendas de mercadorias e produtos) e de Apuração do ISS (vendas de serviços), e ainda os livros de Apuração do IPI para conhecimento de quanto foi pago em relação a este tributo e diminuir da receita apurada” (fl. 8.828). Não houve qualquer presunção de receitas. A referência fiscal a passivos fictícios diz respeito a lançamentos a crédito em contas de fornecedores (aumento das dívidas) relativamente a operações já quitadas (fl. 8.725). A contrapartida (débito) foi efetuada em conta de resultado (custos), diminuindo o resultado. Vejase a respeito tópico “Aumento dos custos pelo novo registro de compras já pagas” do relatório, que aponta acusação fiscal quanto ao aumento indevido dos custos (fator redutor do resultado). Segundo alega o impugnante, a revisão contábil (ajustes) por ele levada a efeito teria objetivado registrar as aquisições a partir das notas fiscais, e não mais dos processos de importação (“Efetuado o estorno da conta de estoques, a Impugnante procedeu então com o lançamento nessa conta de cada aquisição a partir da respectiva nota fiscal de entrada e com a contrapartida registrada na respectiva conta de fornecedores – fls. 8.896/7). Com o intuito de comprovar o alegado, o impugnante aponta uma série de lançamentos de ajustes que não teriam sido considerados pela autoridade lançadora em sua acusação (fls. 8.898/9). Segundo defende, esses registros seriam o estorno de custos anteriormente apropriados, referidos aos processos de importação. Esses registros são lançamentos a crédito em conta do passivo (“Intercia Fornecimentos” conta nº 211122063), ou seja, lançamentos que aumentam o passivo. Esses lançamentos de nada servem para provar contra um passivo inexistente, porquanto estão aumentando o saldo de uma dívida que foi comprovadamente quitada por meio dos extratos bancários. Fl. 92808DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 120 Mais adiante, o impugnante apresenta nova relação de lançamentos, que seriam relativos ao estorno de custos atinentes aos anos calendário 2002, 2003, 2004 e 2005 (fls. 8.900/1). Esses lançamentos são preponderantemente a débito de conta do passivo (conta nº 211122063). A conta movimentada não é de custos, mas de passivo. Com esse elemento o impugnante não consegue comprovar que os custos não foram aumentados indevidamente. A conta não é de custos. Ademais, se houve apenas alteração do referencial do lançamento (processo de importação X nota fiscal), por qual motivo ocorreu o acusado vultoso acréscimo de custos? Por fim, o contribuinte ainda apresenta uma terceira relação de lançamentos. Esses registros movimentam a mesma conta “Intercia Fornecimentos” (conta nº 211122063) em lançamentos opostos no valor total de R$ 12.122.154,80, apontados pela Fiscalização e pelo contribuinte. Tudo indica que seja um estorno, em valores bem inferiores aos referidos pela Fiscalização, mas não se comprova seja infundada a acusação de aumento irregular dos custos. Em que pese a precariedade da prova trazida aos autos pelo impugnante, o resultado do julgamento não seria alterado em função da eventual comprovação de que o registro das aquisições a partir das notas fiscais, e não mais dos processos de importação, tivesse sido perfeito. O lançamento, consoante a sistemática do lucro arbitrado, se sustentaria mesmo assim, tendo em vista as razões apontadas no início do voto. Da variação cambial O contribuinte preencheu suas declarações de rendimentos dos anos calendário 2006 e 2007 como se tivesse adotado a apuração das variações cambiais pelo regime de caixa (a regra geral, por exceção, para as variações cambiais). O impugnante acusou erro no preenchimento da declaração do ano calendário 2006, afirmando que o correto seria a adoção do regime de competência (fl. 8.746), uma opção. O momento da opção se dá, atualmente, no mês de janeiro de cada ano (art. 3º, § 2º, da Instrução Normativa nº 1.079, de 3 de novembro de 2010). Na época (anos calendário 2006 e 2007), a opção poderia ser exercida em prazo mais largo. Esse prazo é o da entrega da declaração de rendimentos para as pessoas tributadas de forma anual, o caso do contribuinte nos anos calendário 2006 e 2007 (fls. 4.359 e 4.600). Querer alterar o exercício da opção em função da retificação da declaração de rendimentos equivale à inexistência de prazo para o exercício da opção. Interpretação desse jaez não se coaduna com a redação do art. 30, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Assim, não seria possível mais a troca da opção exercida mediante a entrega da declaração original, aquela que o impugnante diz conter erro. A indicação pelo agente do Fisco de “erro” equivalente no ano calendário 2007 não desqualifica o trabalho fiscal. Pelo contrário, demonstra uma ação reiterada. Por mais que o impugnante não queira, não há como afastar a existência de erros generalizados. Quanto às variações cambiais, muito mais relevante do que o regime de reconhecimento das receitas para fins do presente processo é a fraude no cálculo das referidas variações, tratada no início do presente voto, que foi efetuada no ano calendário 2006 e repetida no ano calendário 2007 (fl. 8.763). A esse respeito o impugnante cala. O lançamento, consoante a sistemática do lucro arbitrado, se sustenta em função das razões apontadas no início do voto. Inviável, por esse motivo, o cálculo do tributo faltante consoante sistemática do lucro real. O tributo recolhido, no qual se considerada o recolhimento estimado, foi deduzido da dívida para fins da cobrança de ofício (fls. 8.831 a 8.835). Fl. 92809DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 62 121 Do hedge O impugnante não se manifesta quanto ao erro no cálculo das perdas indedutíveis em operações de cobertura cambial. Contesta a imprestabilidade da escrita em função desse erro. Não concorda com o arbitramento. O lançamento, consoante a sistemática do lucro arbitrado, se sustenta em função das razões apontadas no início do voto. Do estoque O contribuinte defende seu sistema de controle físico de estoques, denominado Glovia. Afirma a existência de contagens físicas periódicas para a conferência dos registros relativamente ao referido sistema. Diz ter desconsiderado bens em transformação em razão de seu rápido processo produtivo (duas horas). Adotados os valores indicados pelo Glovia, teria apurado seus custos em função da fórmula “estoque inicial mais compras do período menos devoluções e menos estoque final, tudo isso depois de estornados os débitos originalmente lançados na conta de resultados e advindos da conta de Matériaprima original” (fl. 8.911). O impugnante afasta por completo os registros lançados no seu livro Registro de Inventário, lavrado em função do estoque existente em 31 de dezembro de 2005. Esse elemento é fundamental para o cálculo dos custos. Referido livro, da lavra dele, foi registrado e autenticado perante a Junta Comercial em 28 de julho de 2006. O livro adequadamente formalizado contempla dados completamente distintos do novo livro Registro de Inventário, baseado nos dados do Glovia. Há diferenças nas quantidades de itens equivalentes. Há diferenças nos valores unitários de itens equivalentes. Existem itens diferentes. Frente a dois documentos que retratam um mesmo fato com tantas diferenças, só se pode concluir pela total insegurança dos assentamentos, motivo suficiente para a adoção da sistemática do arbitramento, consoante já explicado, de forma minudente, no início do voto. Dos royalties Já tratei da questão do royalties no início do voto. A adoção do regime de competência para o registro das receitas e despesas é uma regra básica da contabilidade. Para fins fiscais, podem ser adotadas exceções a essa regra, como o caso das variações cambiais. O contribuinte adotou o regime de caixa para o registro dos gastos com a aquisição de software, um item relevantíssimo na operação por ele explorada, de forma completamente inusitada. É evidente o “equívoco” de contabilização. De nada adianta trazer aos autos prova dos desembolsos (“invoices”, contratos de câmbio e outros documentos), pois o método de contabilização é que macula o procedimento. Adoto, quanto a esse tópico, as razões expendidas no início do voto. Das contas bancárias Inicialmente, o contribuinte não quis “entrar no mérito das impropriedades” por entender que elas diziam respeito ao anocalendário 2007. Mais adiante, colhido o resultado da diligência, o impugnante defendeu a completa contabilização da movimentação bancária, que estaria alicerçada em documentação comprobatória. Quanto às contas “float”, não contabilizadas de forma completa no Fl. 92810DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 122 anocalendário 2006, escudouse na realização de lançamentos fechados, que não teriam tido impacto patrimonial. Sobre os efeitos da adoção de lançamentos fechados na escrita, confirase a opinião do próprio impugnante (fl. 8.908): “Preliminarmente é importante que se esclareça que o projeto de reconciliação teve como um dos seus objetivos principais o necessário ajuste nas contas de estoque, eis que, conforme anteriormente relatado, os lançamentos de entrada de produtos e matériaprima não eram feitos, até então, no nível de transação ou seja, não havia o detalhamento e o histórico de cada transação, porque a empresa fazia lançamentos fechados que englobavam um total de transações a cada período. Como a empresa não possuía livro auxiliar, além de violação ao artigo 258 do RIR/99, tal circunstância trazia insegurança quanto aos controles e valores lançados a estoque.” Consoante o contribuinte, os lançamentos fechados são irregulares, porquanto contrários à lei, e geradores de “insegurança quanto aos controles e valores lançados”. É a palavra do impugnante. A questão dos estoques, entretanto, já foi tratada no início do voto. Demonstrei, então, que a contabilidade não contemplava a integralidade da movimentação financeira do contribuinte. Ficou claro que o impugnante efetuou lançamento com a única finalidade de ajustar, por diferença, o saldo da conta à realidade fática. Frente a isso, cabível o arbitramento. Das divergências entre os balancetes fiscais e a escrita A discussão aqui gira em torno da fidedignidade dos balancetes fiscais preparados pelo impugnante. Esses documentos extracontábeis tem por objetivo segregar, por períodos, os efeitos dos ajustes lançados em janeiro de 2009. Por tal motivo, a Fiscalização reclamou da não apresentação desses documentos, bem como do suporte documental, relativamente aos períodos decaídos, uma vez que objetivava verificar a efetiva pertinência temporal daqueles ajustes. Diziam respeito aos períodos decaídos ou não? Por menos que o contribuinte aceite, não se pode negar que os ajustes lançados em janeiro de 2009 estejam imbricados, ou seja, ajustes efetuados relativamente a um período repercutem no seguinte e assim por diante. Especificamente quanto aos erros apontados pela Fiscalização no preparo dos balancetes fiscais, erros esses reconhecidos pelo impugnante, só posso concluir pela falta de zelo no preparo de peças tão importantes, definidoras das novas bases de cálculo do IRPJ e da CSL. Lamentável essa falta de cuidado. Não tomo esses erros como ensejadores do arbitramento, uma vez que o lançamento por esse sistemática mantémse pelas razões expendidas no início do voto. Da higidez da contabilidade O contribuinte prendese a critérios formais para defender sua escrita. Seus livros não conteriam vícios extrínsecos e intrínsecos ditados pela legislação. Ocorre, entretanto, que a escrita está viciada em função do seu conteúdo. Já esclareci, no início do presente voto, que a escrita não retrata a movimentação financeira e contém vícios materiais que a tornam imprestável para fins de apuração do lucro real. Da colaboração com a Fiscalização Quanto à reclamada colaboração, entendo pertinente referir as circunstâncias nas quais os procedimentos de fiscalização foram realizados. O contribuinte havia Fl. 92811DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 63 123 empreendido, consoante já relatado, revisão completa da sua escrita. Os lançamentos de ajuste, que retroagiram 7 anos, foram efetuados em janeiro de 2009. Os procedimentos de fiscalização iniciam tomando por foco os anoscalendário 2006 e 2008 (fls. 4 a 6), que são períodos ajustados. O contribuinte, de início, responde as intimações sem mencionar a radical alteração do cenário em decorrência dos ajustes efetuados. Escudase na entrega da escrita de forma digital. Três meses após o início do procedimento de fiscalização, em função da investigação efetuada, o contribuinte finalmente refere a realização dos ajustes. Isso não me parece razoável em função da magnitude dos ajustes levados a efeito. Essa questão, entretanto, não foi determinante para fins do lançamento, ou seja, não alterou a exigência fiscal ora objeto de impugnação. O mesmo pode ser dito relativamente às rusgas em torno do atraso no atendimento das solicitações fiscais. Os registros acima demonstram que a apreciação feita em primeira instância, muito embora tenha sido direcionada para as alegações trazidas por meio da peça impugnatória, não deixou de mencionar a existência de inúmeras outras irregularidades que, apesar de sequer terem sido tangenciadas na peça de defesa, também concorreram diretamente tanto para o arbitramento do lucro quanto para a exasperação da multa de ofício aplicada. A premissa, pois, apontada pela contribuinte em sua peça recursal no sentido de que “o acórdão utilizase de três argumentos para manter o Auto de Infração lavrado”, quais sejam, vícios na contabilização das contas bancárias; vícios na contabilização dos estoques; e indícios de fraude da escrituração, com o devido respeito, além de revelarse tendenciosa, eis que fruto de mera associação entre os argumentos expendidos na peça impugnatória e a análise efetuada em sede de julgamento de primeira instância em relação a esses mesmos argumentos, efetivamente não encontra lastro nos autos. Extraise dos autos que em 31 de dezembro de 2009, a contribuinte refez toda a sua contabilidade do período de 2002 até 2008. Não obstante, no denominado “refazimento da escrituração” foram identificadas citações a retificações efetuadas em relação aos anos de 1999 a 2001, cabendo destacar que 1999 corresponde ao ano em que efetivamente a fiscalizada iniciou as suas atividades operacionais no Brasil. As declarações apresentadas à Receita Federal, de natureza retificadora, haja vista o refazimento da escrituração, não refletiram as modificações promovidas nos saldos das contas patrimoniais e as alterações dos resultados contábeis, vez que nelas preencheuse uma única linha para retratar as retificações. A ação fiscal empreendida na Recorrente foi iniciada sem conhecimento da revisão contábil que havia sido efetuada, e mais: intimada a entregar os arquivos contábeis do período de 2003 a 2006, a contribuinte simplesmente enviou os dados da contabilidade original, sem fazem qualquer menção às retificações efetuadas por ela. Analisando os registros contábeis originais da contribuinte, a Fiscalização detectou inúmeras irregularidades, que desapareceram com a revisão efetuada (o que não significa dizer que outras não foram verificadas, como adiante restará demonstrado). A alegação da contribuinte foi de que a revisão contábil mostrouse necessária, em razão da constatação de inconsistências na escrituração original. Indagada acerca da responsabilidade pela decisão de promover referida revisão, ela informou que era da administração da empresa, não oferecendo, contudo, qualquer documento para confirmar a assertiva. Fl. 92812DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 124 Alegou ainda a contribuinte que a revisão contábil em referência foi efetuada por equipe dela própria, com a colaboração ocasional das empresas DELOITTE e ERNST & YOUNG, entretanto, intimada a apresentar os contratos eventualmente assinados com as referidas empresas, nada trouxe, e, posteriormente, informou que os documentos requisitados não estavam previstos no art. 919 do RIR/99, abaixo reproduzido. Art. 919. Os que desacatarem, por qualquer maneira, os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções e os que, por qualquer meio, impedirem a fiscalização serão punidos na forma do Código Penal, lavrando o funcionário ofendido o competente auto que, acompanhado do rol das testemunhas, será remetido ao Procurador da República pela repartição competente (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Parágrafo único. Considerase como embaraço à fiscalização a recusa não justificada da exibição de livros auxiliares de escrituração, tais como o Razão, o Livro Caixa, o Livro Registro de Inventário, o ContasCorrentes e outros registros específicos pertinentes ao ramo de negócio da empresa. Para os anos de 2002 e de 2003, períodos em relação aos quais o Fisco já não detinha meios legais para promover revisão de qualquer natureza, haja vista a caducidade, a Recorrente simplesmente aumentou o lucro em algo em torno de cento e trinta e cinco milhões, considerando, contudo, os prejuízos fiscais que foram registrados nas declarações originais. Diante da constatação que a escrituração original apresentava, de fato, inconsistências, fato admitido pela própria Recorrente, a expectativa da Fiscalização era a de que, promovida a revisão contábil, o problema seria sanado, porém, tomandose por base o Termo de Verificação Fiscal (fls. 8.697 e seguintes) o que restou apurado foi o seguinte: i) existência de registros sem base documental; ii) alterações indevidas em contas de estoque; iii) exclusões de pagamentos efetivamente realizados; iv) adoção de regime de caixa para alguns contratos; v) adulterações em planilhas relativas a variações cambiais; vi) incorreção em lançamentos contábeis; vii) incorreções nos balancetes apresentados; viii) ausência de observância de princípios contábeis básicos; ix) registro de fornecedores sem comprovação de pagamento; x) realização de ajustes genéricos (exemplo: diversos processos de 1999 a 2001); xi) inclusão no Patrimônio Líquido de conta transitória (249019999 – ENCERRAMENTO EXERCÍCIO AJUSTES), representativa de saldos líquidos dos ajustes praticados nas contas de resultado dos anos anteriores; Fl. 92813DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 64 125 xii) ajustes realizados nos anos de 2002 e de 2003, desprovidos de documentos de suporte, que não foram tributados mas influenciaram os valores tributáveis nos anos subseqüentes; xiii) estornos indevidos de passivos tributários; xiv) transformação de pagamentos a fornecedores em custo na apuração do resultado, gerando passivos fictícios; xv) estorno de importações em 2006 na ordem R$ 785.514.993,47, em que, requisitada a documentação para uma amostra constituída por dez lançamentos, nada foi apresentado; xvi) transformação da contabilização de royalties para o regime de caixa; xvii) ajustes nos registros de variações cambiais direcionados, apenas, para os meses em que houve perda; xviii) realização retroativa de estoques (a contabilidade original registrava saldo nas dez contas que refletiam o estoque, mas, na retificação da escrituração, a fiscalizada informou que a maioria das contas possuía saldo “zero”); xix) registros irregulares da movimentação bancária (exemplificadamente: 2006 – conta do CITIBANK – saldo reduzido de R$ 21.210.485,03 para R$ 67.095,34; BANKBOSTON – saldo reduzido de R$ 12.491.279,55 para R$ 1.630.016,03; foram identificadas também divergências entre os lançamentos contábeis e os extratos bancários); xx) descontos concedidos em 2007 que, na contabilidade original não existiam (intimada a apresentar as notas fiscais, a contribuinte, depois de transcorridos setenta e dois dias, disse que se tratava de ajuste de preço na exportação e, tendo apresentado uma listagem, embora intimada, não apresentou as notas fiscais e os “fechamentos de câmbio” correspondentes). As irregularidades acima apontadas, na visão do Colegiado, suficientes para demonstrar a imprestabilidade da escrituração, não representam lista exaustiva do que foi apontado no Termo de Verificação Fiscal. Diante desse contexto, em que múltiplas irregularidades foram constatadas, o Colegiado concluiu que a contribuinte efetivamente, nos termos em que foi assinalado pela Fiscalização, pretendeu com o chamado “refazimento contábil” eliminar pendências fiscais e reduzir o lucro real por meio de geração de custos indevidos e apropriação, também indevida, de prejuízos fiscais e bases negativas. Contrariando, até certo ponto, a linha de argumentação adotada pelo Ilustre Conselheiro Relator, andou bem a Fiscalização quando afirmou que “não há maiores óbices quanto aos procedimentos de registro adotado pela fiscalizada sob o ponto de vista formal, os problemas surgem no tocante à materialidade, quando se verifica o período ajustado, a quantidade de contas retificadas, os montantes modificados e principalmente quando analisados os dados das principais contas”. Fl. 92814DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 126 Reporta também o ato decisório recorrido registro feito em decorrência de diligência fiscal promovida na contribuinte, acerca de fatos relacionados ao seu controlador e à habilitação dela no denominado despacho aduaneiro expresso (linha azul) que, certamente, não colabora com o juízo de idoneidade que se poderia fazer sobre os procedimentos por ela adotado no refazimento da escrituração, senão vejamos: [...] Adicionalmente, a Fiscalização trouxe à baila (1) fatos ocorridos em relação ao controlador do contribuinte e (2) elementos atinentes à habilitação do contribuinte para o despacho aduaneiro expresso (Linha Azul). Confirase (fls. 92.017 a 92.020): “4.1 Investigação sobre Fraude Contábil nos EUA Na continuidade desta fiscalização, após o encerramento parcial, observouse que na impugnação a este lançamento a Empresa propala que é uma organização com ações negociadas em bolsa nos Estados Unidos, que participa da Nasdaq (fls. 8854/ 8856). Com base nisso, buscaramse maiores informações sobre a posição da Dell no mercado acionário americano, sendo usado como meio de pesquisa sítios de busca na internet. Nesta procura de informações, surgiram inúmeras matérias de órgãos de imprensa nacionais e estrangeiros, onde foram publicadas notícias aventando a existência de fraudes nas demonstrações financeiras de Dell Inc. (empresa de comando do grupo, que consolida os resultados das demais Dell). Essas publicações tiveram três momentos de destaque, em abril de 2007, em agosto de 2007 e em junho de 2010, no primeiro momento veio a público a detecção de irregularidades nos balanços; no segundo, foram publicadas em atraso as demonstrações financeiras do ano fiscal 2007; e no terceiro, foi divulgada a autuação milionária imposta pela SEC (Securities and Exchange Commission) à Dell Inc. e aos seus administradores. Analisandose as informações contidas nas matérias jornalísticas e no website da companhia Dell Inc., verificamos divulgações sobre implementação de uma revisão contábil na Dell Americana. Ao compararmos os dados divulgados da reforma contábil nos Estados Unidos com os do refazimento contábil aqui no Brasil, identificamos vários pontos em comum, dentre eles o período de início da revisão e os exercícios revisados. Esse assunto foi levado para o processo de encerramento parcial relativo ao ano calendário 2007 (nº 11080.731521/201228), onde o item 1.1 do Relatório da Ação Fiscal traz uma série de constatações relativas ao tema. Para mantermos o alinhamento das informações, o que facilita as manifestações tanto do julgador quanto da empresa, juntamos, neste processo, cópia do Relatório da Ação Fiscal relativo ao lançamento do AC 2007 e cópias dos mesmos anexos relativos à questão juntados naquele processo. Listamos a seguir os documentos juntados sobre o referido tema: ... 4.2 Processo de Habilitação à Linha Azul Objetivando mais uma vez trazer luz ao Contraditório, tendo em vista manifestação da Empresa em sua impugnação (fl. 8857), quando aventa que fora auditada para obtenção de habilitação ao despacho expresso Linha Azul: “Mas não foram somente estas as auditorias externas realizadas junto à Dell. Em 2009 o Consórcio Linha Azul auditou a contabilidade da empresa referente ao anos de Fl. 92815DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 65 127 2007/08 para fins de habilitação da mesma junto ao Linha Azul e concluiu pela regularidade em termos gerais. A Dell é uma das poucas empresas no Brasil habilitada nesse programa (Doc. 6).” O Despacho Aduaneiro Expresso Linha Azul é um procedimento especial de facilitação aduaneira, criado pela Receita Federal do Brasil que consiste no tratamento de despacho aduaneiro expresso nas operações de importação, exportação e trânsito aduaneiro, mediante habilitação prévia da empresa interessada junto à Receita Federal. Como esta habilitação é de interesse da área aduaneira, e não fazia parte do escopo deste procedimento fiscal para apurar tributos internos, inicialmente a Fiscalização deixou de buscar qualquer informação sobre o tema até o encerramento parcial que gerou este processo. No entanto, como a Dell trouxe o assunto em sua impugnação, fomos até o processo físico (nº 10.521000008/201021) que concedeu a referida habilitação para conhecimento de todo o teor do mesmo. Do referido processo constatamos que a Dell passou por auditoria externa executada por empresas participantes do chamado Consórcio Linha Azul, necessária ao atendimento da legislação atinente ao Linha Azul. Essa auditoria externa apontou uma série de inconsistências em seus registros contábeis e fiscais. Dentre as quais podemos citar o que foi dito sobre a valorização dos estoques finais (fl. 91.943): “Para a valorização dos estoques finais de matériaprima, notamos que o critério não atende ao disposto na legislação vigente aplicável, pois a empresa adota um critério arbitrário, em contraposição ao que determina o artigo 295 do RIR/99.” Em função do grande rol de irregularidades a serem corrigidas pela Dell, o Ato Declaratório concedendo a referida habilitação foi emitido somente em 10/06/2010. Assim como o procedimento adotado no item anterior, para manter o alinhamento com as informações contidas no processo de encerramento parcial do AC 2007, o conteúdo completo dos dados apontados pela Fiscalização para o referido tema está contido no item 1.2 do Relatório da Ação Fiscal daquele lançamento (fls. 91.583/ 91.597). Também juntamos as partes do processo de habilitação ao Linha Azul citadas pela Fiscalização (fls 91.935/91.957).” No que tange à qualificação da penalidade, os fatos colacionados aos autos, apreciados em seu conjunto, levaram o Colegiado à convicção de que a intenção da Recorrente foi, a partir das retificações contábeis, efetivamente fazer desaparecer pendências fiscais e reduzir a incidência tributária. Concorreram para referida convicção o fato de a Recorrente, em sua peça recursal, sequer tangenciar algumas das graves irregularidades apontadas na peça acusatória, bem como os fatos trazidos por meio da diligência fiscal realizada posteriormente. Nesse contexto, não foram identificados argumentos específicos relacionados à existência de registros sem base documental; às exclusões de pagamentos efetivamente realizados; às incorreções em lançamentos contábeis; às incorreções nos balancetes apresentados; à ausência de observância de princípios contábeis básicos; a registro de Fl. 92816DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 128 fornecedores sem comprovação de pagamento; à realização de ajustes genéricos; aos ajustes realizados nos anos de 2002 e de 2003; aos estornos indevidos de passivos tributários; aos registros de descontos concedidos em 2007 que, na contabilidade original não existiam; ao aproveitamento indevido de prejuízos fiscais e bases negativas; à conduta de, no atendimento inicial à Fiscalização, simplesmente apresentar a documentação relativa à contabilidade original, sem fazer qualquer consideração acerca do denominado “refazimento da escrituração”; aos fatos associados à DELL americana, que, por envolver também retificações contábeis em período similar ao objeto de retificação no Brasil, guarda inteira relação com as irregularidades apontadas pelo procedimento de fiscalização; e à auditoria promovida no processo de admissão à chamada LINHA RÁPIDA, que, ao menos no que diz respeito aos estoques, identificou irregularidades de igual gravidade das que foram indicadas pela Fiscalização. É importante destacar que a argumentação direcionada na peça recursal (para apenas algumas das irregularidades apontadas na autuação, como já dito), em boa parte, não torna insubsistente a irregularidade detectada pela Fiscalização, visa, tão somente, sustentar que seria possível a partir da sua quantificação promover a tributação com base no lucro real, isto é, sem o arbitramento do lucro. Contudo, como reiteradamente esclarecido, as irregularidades apuradas no curso do procedimento fiscal vão muito além das que foram contestadas por meio do recurso voluntário interposto. Aproveito aqui citação que tem sido comum nos julgamentos realizados no âmbito deste Colegiado: seja para apreciar a procedência do arbitramento do lucro, seja para identificar motivos capazes de justificar a qualificação da penalidade, é necessário, no presente caso, não se prender a cenas episódicas, mas, sim, fazer uma leitura do”filme” como um todo. A estratégia adotada pela Recorrente, sem sombra de dúvida, foi exatamente a de pinçar determinadas “cenas” com o intuito de demonstrar a insubsistência do arbitramento do lucro, circunstância que simplesmente cancelaria as exigências formalizadas, tornando despicienda, assim, maiores considerações acerca da exasperação da penalidade. Contudo, visitados os fatos como um todo, restou indubitável a imprestabilidade da escrituração resultante do refazimento e o intuito deliberado da autuada de, com isso, impedir ou menos retardar o conhecimento por parte do Fisco da sua verdadeira capacidade contributiva. Presente o dolo na conduta, descabe falar em aplicação, para fins de caducidade do direito de se efetuar o lançamento, das disposições do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. No caso, a decadência é regida pelo disposto no inciso I do art. 173 do mesmo diploma legal. Assim, considerando que a contribuinte foi cientificada dos lançamentos tributários em 15 de dezembro de 2011, não merece acolhimento a alegação de que, relativamente a fatos geradores ocorridos no ano de 2006, teria ocorrido caducidade do direito de a Fazenda constituir créditos tributários, vez que, para eles, considerada a regra estampada no já citado inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, a data fatal seria 31 de dezembro de 2011. Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado, rejeitar a caducidade do direito de se efetuar os lançamentos tributários, manter o arbitramento do lucro e a penalidade qualificada de 150%. “assinado digitalmente” Fl. 92817DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 1301001.757 S1C3T1 Fl. 66 129 Wilson Fernandes Guimarães Redator Designado Fl. 92818DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 14/05/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2015 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10875.004023/00-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/11/1991 a 31/03/1992
Finsocial. Restituição e Compensação.
A restituição do indébito e consequentemente, da compensação a partir desses créditos, pressupõe a demonstração de que o sujeito passivo efetuou pagamentos em montante superior ao devido e que não utilizou esse crédito para outra finalidade.
Demonstrado que o alegado direito creditório decorreria de depósitos judiciais e, o que é mais relevante, que tais depósitos foram levantados, não há como reconhecer o pedido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.780
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/11/1991 a 31/03/1992 Finsocial. Restituição e Compensação. A restituição do indébito e consequentemente, da compensação a partir desses créditos, pressupõe a demonstração de que o sujeito passivo efetuou pagamentos em montante superior ao devido e que não utilizou esse crédito para outra finalidade. Demonstrado que o alegado direito creditório decorreria de depósitos judiciais e, o que é mais relevante, que tais depósitos foram levantados, não há como reconhecer o pedido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jaques Maurício Veloso de Melo, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 40 23 /0 0- 02 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 27/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.004023/0002 Acórdão n.º 3102001.780 S3C1T2 Fl. 256 2 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Em 27/11/2000, a contribuinte em epígrafe protocolou o pedido de fl. 01, pelo qual pleiteia a restituição de R$ 832.878,15 relativos ao Finsocial apurado no período de novembro de 1991 a março de 1992, conforme planilha de fl. 06. Foram juntados aos autos, como subsídio ao pedido, os comprovantes de depósitos judiciais, fls. 07/16. Na peça que acompanha o Pedido, fls. 02/03, a contribuinte requer a restituição e compensação do FINSOCIAL com COFINS, vencido, caso haja em época, e com COFINS a pagar, por se tratar de empresa comercial, de acordo com seu objetivo social, conforme consta em cópia anexa do Contrato Social [...] tendo em vista tratarse de matéria transitada em julgado e de acordo com o acórdão, o acréscimo que excede 0,5 do FINSOCIAL, no período de 01/90 a 03/92, é plenamente compensável e tratase de matéria normatizada pela IN/SRF 032/97, solicita o imediato aproveitamento do crédito através de compensação e o reconhecimento dos cálculos ora apresentados. Ao direito creditório pleiteado, a interessada vinculou os débitos constantes dos pedidos de compensação de fls. 87/88, apresentados em 30/11/2000, relativos à Cofins. No curso do exame do pedido, o chefe do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (Secat) da Delegacia de origem, em expediente de fl. 109, anota que pesquisa no TRF da 3ª Região (fls. 93/100), apontou que a interessada figura como pólo ativo em vários processos referentes ao Finsocial. Mediante a intimação de fls. 111, datada de 11/05/2005, solicitouse da contribuinte a apresentação, no prazo de dez dias, da documentação relacionada à demanda judicial (cópias de sentença, votos, acórdãos, trânsito em julgado e certidão de objeto e pé). A interessada, em 13/05/2005, solicitou prazo adicional de trinta dias para cumprir o solicitado. Em 22/10/2005, o chefe do Seort da Delegacia local, acatando parecer de fls. 114/116, decidiu pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado e pela não homologação das compensações vinculadas. Como fundamento ao indeferimento do pedido, a autoridade relacionou a expiração do prazo para a formulação do pleito de restituição em razão do transcurso de mais de cinco anos da data dos pagamentos supostamente indevidos. Também se referiu ao fato de que as quantias sobre as quais a interessada reclama o direito à restituição foram pagas através de Guias de Depósito à ordem da Justiça Federal, consubstanciando recolhimento de recursos não administrados pela Secretaria da Receita Federal, não existindo previsão legal para a restituição e compensação pleiteadas. Cientificada da decisão em 29/12/2005, em 23/01/2006 a contribuinte protocolou a Manifestação de Inconformidade de Fl. 306DF CARF MF Impresso em 27/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.004023/0002 Acórdão n.º 3102001.780 S3C1T2 Fl. 257 3 fls. 135/144, na qual alega, em suma, que o pleito de restituição foi formalizado dentro prazo de cinco anos contados dos atos administrativos que reconheceram o caráter indevido do Finsocial cobrado com excesso de alíquota, a saber, a Instrução Normativa SRF nº 31, de 1997 e nº 006, de 2000. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão recorrido pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/11/1991 a 31/03/1992 Restituição de indébito. Extinção do Direito. AD SRF 96/99. Vinculação. Consoante Ato Declaratório SRF 96/99, que vincula este órgão, o direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento, inclusive nos casos de tributos sujeito à homologação ou de declaração de inconstitucionalidade. Restituição. Guias de Depósito Judicial. Depósitos judiciais são valores administrados pela Justiça Federal e somente o juízo competente pode cogitar da sua destinação como renda da União ou autorizar o levantamento pelo depositante. Pedido de Compensação. Conversão em Declaração de Compensação. Não Ocorrência. Somente foram convertidos em declarações de compensação os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 que atendessem aos requisitos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637, de 2002. Solicitação Indeferida Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Acrescenta a tais fundamentos suas razões acerca da inaplicabilidade da Lei Complementar nº 118, de 2005. Julgando não se encontrarem presentes os elementos necessários ao julgamento do feito, decidiu este Colegiado, por meio da Resolução nº 310200.095, de 03/12/2009, converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que o órgão preparador: a) verificasse se as ações judiciais citadas no presente processo administrativo transitaram em julgado. Se a resposta for positiva, informar o conteúdo do(s) titulo(s) executivo(s); Fl. 307DF CARF MF Impresso em 27/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.004023/0002 Acórdão n.º 3102001.780 S3C1T2 Fl. 258 4 b) apurasse o crédito de FINSOCIAL a compensar; c) conferisse os valores a serem compensados/restituídos, se for o caso. Cumprida a diligência, mediante a juntada dos documentos de fls.209 a 251, retornaram os autos a este Colegiado. Em face do encerramento do mandato da Relatora original, Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, foram os autos objeto de nova distribuição, mediante sorteio, por meio da qual a tarefa de relatar o feito foi atribuída a este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Após o resultado da diligência, penso que não há dúvida acerca da inexistência de créditos a restituir/compensar, mesmo que a prejudicial de decadência viesse a ser inteiramente superada. Confirase o teor da certidão de objeto e pé colacionada à fl. 251: A sentença da Medida Cautelar transitou em julgado em 01/12/1994. Em 03/08/1994, a parte autora efetuou o levantamento referente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor depositado nestes autos, sendo os 25% (vinte e cinco por cento) restantes convertidos em renda da União Federal. Cabe aqui recordar, nessa linha, que os alegados recolhimentos realizados em montante superior ao devido foram realizados por meio de depósito judicial. Recordese, ainda, que a discussão sempre girou em torno da alíquota a ser empregada: O Fisco defendia a aplicação do percentual de 2,0% e o Poder Judiciário, ao fim, fixou que a Contribuição seria devida no percentual de 0,5%. Ora, após a certidão de objeto e pé resta claro que, mesmo se superada a discussão acerca do meio adequado para que o contribuinte recebesse de volta o montante depositado em percentual acima de 0,5%, ou seja, se por meio de levantamento de depósito ou restituição, não haveria como acolher o pedido que é alvo do presente processo. Conforme claramente demonstrado, a recorrente já levantou os depósitos. Com efeito, se o depósito foi realizado no percentual de 2% e a recorrente promoveu o levantamento de 75% do montante depositado é porque todo o percentual superior a 0,5% (alíquota tida como constitucional) já foi devolvido ao contribuinte. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 27/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10875.004023/0002 Acórdão n.º 3102001.780 S3C1T2 Fl. 259 5 Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 309DF CARF MF Impresso em 27/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10830.004856/2005-58
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
PAGAMENTO DE DESPESAS DE DIRETOR. SALÁRIOS INDIRETOS. O pagamento, pela pessoa jurídica, de despesas pessoais do sócio diretor caracteriza rendimentos da pessoa física, sujeitos à tributação pelo imposto de renda.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-001.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negado provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Ricardo da Silva, Valmir Sandri, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado) e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc - Designado
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno (Suplente Convocado), José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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SALÁRIOS INDIRETOS. O pagamento, pela pessoa jurídica, de despesas pessoais do sócio diretor caracteriza rendimentos da pessoa física, sujeitos à tributação pelo imposto de renda. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negado provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Ricardo da Silva, Valmir Sandri, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado) e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Designado (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 48 56 /2 00 5- 58 Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004856/200558 Acórdão n.º 9101001.419 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno (Suplente Convocado), José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pelo contribuinte em face do Acórdão n° 120100.065, proferido pela Segunda Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O Auto de Infração exige IRPF, relativo aos anoscalendário de 1999 a 2004, e foi notificado ao contribuinte em 11/07/2005. Houve a imposição de multa qualificada de 150%. Segundo o Termo de Verificação Fiscal: “A fiscalização constatou que não é verdadeira a afirmação de que "os valores questionados correspondem a lucros distribuídos", uma vez que tais valores não foram encontrados na contabilidade da empresa Construtora Simoso Ltda., CNPJ 48.169.536/000161, a qualquer titulo, em quaisquer períodos de apuração lançados através deste Auto de Infração. Além do mais, o próprio histórico dos valores, encontrados nas listagens do CAIXA 2, bem como os documentos apreendidos, que constam do ANEXO I ao processo, demonstram que os valores debitados se referem a despesas pessoais do Sr. OLIVO (cartões de crédito, mensalidades de clubes, despesas com veículos, telefones, energia elétrica, aquisição de bens, etc.), não havendo qualquer referência a "lucros distribuídos". Temse, desta maneira, que esses valores provenientes do CAIXA 2 da Construtora Simoso Ltda. em realidade referemse a remunerações indiretas ou diretas do sócio Olivo Simoso, ainda não tributadas pelo IRPF.” O contribuinte apresentou Impugnação ao Auto de Infração, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgado o lançamento procedente. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o Acórdão nº 120100.065, o qual, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário. A decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Ano calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: PAGAMENTO DE DESPESAS DE DIRETOR. SALÁRIOS INDIRETOS. O pagamento, pela pessoa jurídica, de despesas pessoais do sócio diretor caracteriza rendimentos da pessoa física, sujeitos à tributação pelo imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A manutenção de escrituração paralela impedindo o conhecimento pela autoridade tributária das operações realizadas pela pessoa Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004856/200558 Acórdão n.º 9101001.419 CSRFT1 Fl. 4 3 jurídica, caracteriza a fraude sujeita à imputação da multa de oficio no percentual qualificado. Em face do acórdão, o contribuinte opôs Embargos de Declaração, os quais restaram rejeitados pelo Despacho de fls. 392/393. O contribuinte interpôs, então, Recurso Especial, alegando divergência em relação às seguintes matérias: (i) nulidade do auto de infração, em razão de que a qualificação da remuneração da autuada pela fiscalização ter sido realizada no julgamento de segunda instância (houve aperfeiçoamento do lançamento pela autoridade julgadora); (ii) distribuição automática de lucros; e (iii) impropriedade da aplicação da multa qualificada nos casos de mera omissão de receita. O Despacho de fls. 490/496 deu seguimento ao Recurso Especial do contribuinte apenas no tocante à segunda alegação: distribuição automática de lucros. No tocante às demais matérias, entendeu não ter sido demonstrada a divergência necessária ao conhecimento do Recurso. Em reexame de admissibilidade (fls. 497/498), não houve qualquer alteração quanto ao conhecimento do recurso. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 502/507. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que a Conselheira Karem Jureidini Dias, relatora do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 18 de julho de 2012 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pelo relator original quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em julho de 2012, passo a formalizar seu voto: O Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte é tempestivo e a ele foi dado seguimento parcial, em exame de admissibilidade de fls. 490/496, apenas quanto à matéria da distribuição automática de lucros. Tendo em vista que houve reexame de admissibilidade, confirmando o despacho anterior, passo à análise do mérito apenas em relação ao item conhecido. Argumenta a recorrente que os valores tributados como omissão de receita na pessoa jurídica, quando detectados na pessoa física dos sócios, tornamse lucros a serem distribuídos aos sócios, razão pela qual não haveria que se falar em incidência de IRPF. No acórdão apontado como paradigma, restou consignado que “não se pode argumentar de maneira simplista que a não tributação dos lucros distribuídos por pessoa jurídica a seus sócios, Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004856/200558 Acórdão n.º 9101001.419 CSRFT1 Fl. 5 4 prevista no artigo 10 da Lei no 9.249/95, somente alcançaria os lucros devidamente contabilizados e, por isso, só seriam tributáveis os efetivos pagamentos a sócios, não contabilizados, comprovadamente originados de recursos mantidos pela pessoa jurídica à margem da escrituração, pois a tributação de receitas omitidas na pessoa jurídica equivale a trazer para a legalidade, com as devidas penalidades e acréscimos legais, recursos até então mantidos à margem da tributação, criando assim uma reserva livre em seu patrimônio liquido. Esse lucro agora tributado, deve ter o mesmo tratamento dispensado ao lucro apurado contabilmente pela pessoa jurídica." Dispõe o artigo 10 da Lei nº 9.249/95: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. De outro lado, o acórdão recorrido entendeu que “o pagamento, pela pessoa jurídica, de despesas pessoais do sócio diretor, caracteriza rendimentos da pessoa física, sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda”. A decisão restou fundamentada no artigo 43, XVII, ‘b’, do RIR/99, que assim determina: Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como: XVII benefícios e vantagens concedidos a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, ou a terceiros em relação à pessoa jurídica, tais como: b) as despesas pagas diretamente ou mediante a contratação de terceiros, tais como a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa, os pagamentos relativos a clubes e assemelhados, os salários e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos pela empresa, a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos na alínea "a". É bem verdade que o artigo 43 do RIR/99 estabelece a tributação, pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, dos benefícios concedidos aos administradores da pessoa jurídica, inclusive das despesas pagas pela pessoa jurídica em benefício deste. No entanto, não é esse o rendimento que restou caracterizado no presente caso. No presente caso, o lançamento teve origem em fiscalização contra a empresa Construtora Simoso Ltda., do qual o autuado era sócio, e na qual foram identificadas valores à margem da contabilidade, os quais foram autuados como omissão de receitas. Dentre as receitas omitidas, verificaramse valores que, segundo a acusação, referiamse a despesas pessoais do autuado. Daí a autoridade fiscal ter efetuado o lançamento do IRPF sobre remuneração indireta. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004856/200558 Acórdão n.º 9101001.419 CSRFT1 Fl. 6 5 Ocorre que para esta última acusação não há previsão legal capaz de permitir que se presumam como remuneração indireta da pessoa física, justamente os valores por aquela pessoa utilizados, e que foram caixa 2, vale dizer, valores omitidos pela pessoa jurídica. Ao contrário, se a omissão de receitas representa um lucro tributável na pessoa jurídica, isto quer significar que se trata de lucro “distribuível” ao sócio, o que não é tributado na pessoa física. Ou bem se tem pagamento em benefício do sócio, este tributável nos termos do artigo 43 do RIR/99, ou bem se tem pagamento para o sócio, mas cuja natureza é de receita omitida na pessoa jurídica, sendo esta a atuação principal da qual o presente processo é reflexo. Conforme o artigo 10 da Lei nº 9.249, os “lucros calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário”. Especificamente no tocante à omissão de receitas, determina o Regulamento do Imposto sobre a Renda atualmente vigente que “a partir de 1º de janeiro de 1996, verificada omissão de receita, a tributação deverá ser efetuada na forma dos arts. 288, 528 e 537, conforme o caso” (artigo 673). Nenhuma das normas mencionadas pelo artigo 673 do RIR/99 estabelecem uma presunção de que a receita omitida, cujos valores transitaram em benefício do sócios, correspondem a salários indiretos. Ao contrário, a previsão, vigente para os anoscalendário de 1993 a 1995, quando o IRRF incidia sobre a distribuição de lucros e dividendos era justamente outra. No referido período, detectada a omissão de receitas, automaticamente tributavase pelo IRRF (artigo 673 do RIR/99), uma vez que se presumia que a receita omitida pela pessoa jurídica correspondia a lucro “distribuível” aos sócios. Tal presunção não mais é prevista pela legislação justamente porque o Imposto sobre a Renda na Fonte não incide, desde 1996, sobre os lucros distribuídos. Daí não é possível aferir que a omissão de receitas passou a ser considerada como salários indiretos, ao contrário, a presunção como raciocínio lógico, permanece no sentido de que, omitida a receita, considerase o lucro dela oriunda, automaticamente distribuído ao sócio se utilizado em benefício deste. Desta forma, a previsão legal mencionada pelo acórdão recorrido (artigo 43, XVII, b do RIR/99) apenas estabelece a tributação pela IRPF dos salários indiretos, mas esta não é capaz de transformar as receitas omitidas pela pessoa jurídica em remuneração, partindo do mesmo fato no mesmo evento para evidenciar duas naturezas contraditórias: a natureza de remuneração do sócio e, ao mesmo tempo, de receita omitida da pessoa jurídica. Esta presunção não se verifica no ordenamento jurídico. Ao contrário, a presunção legal, durante o período de incidência do IRRF sobre distribuição de lucros sempre foi de que as receitas omitidas correspondiam a lucros distribuídos, sendo apenas nessa medida tributadas. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004856/200558 Acórdão n.º 9101001.419 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Vencedor Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Redator Designado Com as devidas vênias, esta Câmara, após exaustivos debates, decidiu por manter o entendimento da decisão recorrida, consubstanciada no voto condutor do eminente Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, o qual transcrevo, a seguir, na parte que interessa à solução da lide: “(…) Nas razões de defesa, a interessada insiste na tese de que os valores sobre os quais incidiu o IRPF representam lucros distribuídos, já tributados na pessoa jurídica. Assim, não houve questionamentos no que se refere ao repasse de valores da empresa ao sócio diretor, apurados no exame da escrituração paralela da pessoa jurídica cerne da querela consiste em definir a natureza jurídica desses valores. Analisandose a planilha de fls. 32/40 constatase que os lançamentos referemse ou a pagamentos de despesas do sócio (em sua maioria mensalidades de clubes, telefones, cartões de créditos, televisão por assinatura e outros) ou a retiradas diretas, nesse ultimo caso muitas vezes com depósito do valor na conta particular do sócio. Em nenhuma disposição normativa ou manifestação jurisprudencial consegui encontrar amparo à tese da defesa segundo a qual o pagamento de despesas do sócio diretor representaria distribuição de lucro. Ao contrário, a legislação é clara em definilos como rendimento da pessoa física, conforme RIR199: Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como. XVII — benefícios e vantagens concedidos a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, ou a terceiros em relação pessoa jurídica, tais como: b) as despesas pagas diretamente ou mediante a contratação de terceiros, tais como a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens parci utilização, pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa, os pagamentos relativos a clubes e assemelhados, os salários e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos pela empresa, a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos na alínea "a". O teor do dispositivo supra transcrito é ratificado no art. 358 do RIR/99 Esses valores representam o que se denomina de salários indiretos e a tributação nos moldes efetuados mostrase correta. Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.004856/200558 Acórdão n.º 9101001.419 CSRFT1 Fl. 8 7 No que se refere aos valores transferidos diretamente ao sócio diretor, a situação é ainda mais clara pois se trata de remuneração direta. Também aqui, não há reparo decisão recorrida. (…) ” Diante de tão bem fundamentadas razões, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10240.000313/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Redator Designado
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Victor Humberto da Silva Maizman, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Victor Humberto da Silva Maizman, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 40 .0 00 31 3/ 20 10 -7 9 Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos contra o acórdão nº 01 20.546, proferido pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Omissão de receitas de revenda de mercadorias. O lucro do contribuinte foi arbitrado em razão (i) da falta de apresentação dos livros e documentos de sua escrituração e (ii) da apresentação de documentos fiscais inidôneos. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício, qualificada e agravada, de 225 %. Extraio ainda do Termo de Verificação de Infração Fiscal que: [...] 5. JUSTIFICATIVA DAS PENALIDADES APLICADAS A conduta do sujeito passivo, conforme item 3., demonstra ânimo de fraude, pois inseriu elementos inexatos em seus livros fiscais, utilizandose de documentos inidôneos e/ou inexistentes, em conluio com outras pessoas físicas e jurídicas, conforme declarado pela Gerente Administrativa, Contadora e outras pessoas com vínculos com a empresa e/ou sócios. Acrescentese, por relevante, que tais fatos estão também inseridos em contexto de declaração falsa do efetivo valor pago por mercadorias importadas, conforme autos da “Operação Titanic” e respectivos processos compulsados, já informado no item 3.2.2 deste Termo. Simultaneamente, procurou omitir e ocultar, de forma deliberada, o conhecimento do Fisco em relação a fatos geradores de tributos, adotando conduta dissimulada ao declarar apreensão de documentação/escrituração contábil, por parte de autoridade policial/judicial. Ressaltese que as Intimações continham orientações claras para a empresa caso realmente estivesse apreendida a escrituração/documentação pendentes de entrega à Fiscalização solicitar cópias às autoridade policial/judicial. Porém, tal providência foi sequer tentada pela empresa. Assim, está perfeitamente justificada a imposição de multa qualificada e gravada, conforme previsão no § 2° do art. 44 da Lei 9.430/1996. [...] 7. CONCLUSÕES As provas obtidas e constantes do Processo do qual faz parte este Termo, permitiram concluir que: Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 4 3 1. A melhor base de cálculo possível de ser utilizada como receita bruta no arbitramento é aquela que o próprio sujeito passivo declarou ao Fisco Estadual, conforme Anexo II a este Termo, haja vista o interesse da própria empresa em assim proceder, em função de Termo de Acordo com aquele Fisco, no sentido de obter beneficio fiscal no ICMS devido na saída das mercadorias. Também, pela ampla legislação que alicerça o aproveitamento da receita declarada pelo contribuinte ao Fisco Estadual, para sustentar o lançamento de oficio pelo Fisco Federal. Relativamente aos Códigos Fiscais de Operação (CFOP), informados na GIAM/ICMS e adotados como base de cálculo no auto de infração do qual faz parte este Termo, ressaltese que, devido às declarações da própria Gerente Administrativa, da Contadora e outras duas pessoas com vínculos com a empresa e/ou sócios da empresa fiscalizada, foram considerados também como tributáveis aqueles relativos às operações de remessas para demonstração/exposição/conserto. 2. O método adotado para apurar a base de cálculo dos tributos devidos sobre o lucro, nos anos calendário de 2005, 2006 e 2007, foi o “arbitramento do lucro” haja vista estar perfeitamente configurada as hipóteses previstas no art. 530 do Decreto 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), ou seja, em 2005 e 2006 a escrituração apresentada foi desconsiderada, por inservível para apurar lucro real e, em 2007, não foi apresentada escrituração alguma. O montante de IRPJ calculado como devido por arbitramento teve compensado os valores de IRPJ e CSLL declarados em DCTF, de acordo com os períodos consignados nas declarações (jan/ago/set/out/dez 2006 e jul/ago/set 2007). Em função do arbitramento do lucro, fica o contribuinte cientificado das providências a serem adotadas para as correções necessárias no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). 3. As Contribuições Sociais apuradas pela pessoa jurídica originalmente no regime nãocumulativo, em razão da opção de apuração do Imposto de Renda com base no lucro real formalizada e demonstrada através da entrega da DCTF passam, em função do arbitramento de oficio do Imposto de Renda, a serem devidas no regime cumulativo no período objeto de arbitramento. Da mesma forma que o IRPJ, foram compensados os valores das Contribuições declaradas em DCTF, porém limitados aos valores calculados como devidos e no período em que houve tal declaração (janeiro/2006). 4. Caracterizouse a necessidade de aplicação de multa qualificada e agravada, conforme devidamente explicado no Item 5. deste termo, haja vista a conduta da empresa ao utilizar documentos fiscais inidôneos em sua escrituração, assim como deixar de atender diversas intimações, evidenciando descaso premeditado com a Fiscalização da Receita Federal do Brasil, não se vislumbrando outra intenção senão atrasar e embaraçar a continuidade do procedimento fiscal. 5. Tipificouse a responsabilidade solidária do sócio ADRIANO MARIANO SCOPEL, pois as declarações por escrito de sua Gerente Administrativa foram no sentido de que as Notas Fiscais inidôneas, geralmente adquiridas de terceiras pessoas sem a efetiva Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 5 4 contraprestação de fornecimento de bens e/ou serviços, tinham como objetivo justificar pagamentos feitos com cheques da empresa TAG Importação e Exportação de Veículos Ltda, relativos a bens/despesas cujo beneficiário real era somente a pessoa física do sócio. A responsabilidade solidária foi materializada em Termo de Responsabilidade Solidária. [...] O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 19/03/2010 (fls. 78). Também foi responsabilizado pelo cumprimento da obrigação tributária o sócio da pessoa jurídica, ADRIANO MARIANO SCOPEL, CPF 076.693.60747, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 001 (fls. 7980), entregue em 20/03/2010 (fl. 81). O responsável solidário apresentou sua impugnação em 22/04/2010 (fls. 305341), na qual alega em síntese que: Do arbitramento 1. A fiscalização desconsiderou a contabilidade da empresa com base apenas nos depoimentos de FERNANDO COUTO, MAURENICE GONZAGA, ALDENIR PORTELA e FABIANO FURTADO, constantes do inquérito policial, sem sequer se preocupar com a veracidade das informações destes; 2. Os depoimentos foram colhidos sem assistência de advogado, o que por si derruba todo o lançamento vez que se os depoimentos, prestados sem inquérito e sem observância do contraditório, são imprestáveis para respaldar a condenação criminal (art. 155 do CPP), também são imprestáveis para respaldar o lançamento tributário; 3. O arbitramento só é válido se for efetuado na forma do art. 148 do CTN; 4. O arbitramento é um procedimento excepcional que só pode ser utilizado quando os documentos e informações prestados pelo contribuinte não mereçam credibilidade. O que não ficou demonstrado. Ao contrário, as informações fornecidas ao fisco estadual foram utilizadas para fundamentar o lançamento; 5. Ademais, a maioria dos interrogatórios prestados só dá conta de irregularidades na emissão de algumas notas fiscais específicas. Assim, se admitido o arbitramento, ele só deveria abranger os períodos onde ocorreram as supostas irregularidades; 6. Por tais razões, o arbitramento, assim como o Termo de Responsabilidade Solidária, deve ser declarado nulo; Da multa de ofício 7. Meros depoimentos prestados em fase de inquérito, desacompanhados de advogados, e durante o período de prisão temporária do depoente, não servem para comprovar a fraude que motivou a qualificação da multa (150%); 8. Uma vez que os documentos solicitados ao contribuinte foram apreendidos por ordem da Justiça Federal, era ônus do fisco diligenciar os órgãos federais competentes a fim de obter a referida Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 6 5 documentação, nos termos do art. 37 da Lei n 9.784/99. Razão porque descabido o agravamento da multa; 9. O arbitramento também não autoriza o agravamento da multa; 10. O conselho de contribuintes afirma não ser insuficiente para justificar o agravamento a circunstância do contribuinte deixar de apresentar tempestivamente os livros fiscais e contábeis de escrituração obrigatória; 11. A insuficiência da resposta do contribuinte não justifica o agravamento da multa, nos moldes pretendidos pela exação; Do regime de apuração do IRPJ e das contribuições 12. A desconsideração da opção do contribuinte pelo Lucro Real e a transferência ao regime da nãocumulatividade do PIS e COFINS, desrespeita o art. 24 da Lei nº 9.249/95; Da bitributação 13. Mesmo que se admita que as mercadorias (carros) constantes das notas fiscais de saída para demonstração, exposição e conserto, não retornariam ao contribuinte, não se pode tributar estas operações, sob pena de tributar duas vezes o mesmo fato, porque no momento da venda dessas mercadorias era emitida uma nova nota fiscal de revenda da mercadoria. O contribuinte encaminhou, por via postal, sua impugnação ao lançamento (fls. 424473), em 22/04/2001 (fls. 824825), na qual, em outras palavras, apresenta os mesmos argumentos do responsável solidário e ainda acrescenta: Do arbitramento 14. Ficara impossibilitada de apresentar os documentos solicitados em razão da apreensão destes determinada pela Justiça. Que pediu restituição da coisa apreendida, todavia esta ainda se encontra em poder da Justiça Federal do Espírito Santo; 15. Não há nos autos a expressa motivação para a desconsideração da documentação contábil da recorrente; 16. No caso de considerar inaproveitáveis os documentos apresentados pela recorrente, caberia à fiscalização utilizarse de outros documentos e diligências para demonstrar a imprestabilidade da escrituração contábil; 17. A provas obtidas em interrogatórios policiais não podem ser utilizadas para outras finalidades que não as penais; 18. O inquérito policial utilizado fundamentar o lançamento está sedimentado em dados coletados em interceptações telefônicas, cuja utilização é restrita à investigação criminal e instrução penal; 19. Não há provas que as mercadorias saídas para demonstração/exposição/concerto foram, de fato, comercializadas; Da multa de ofício 20. A multa aplicada viola é inconstitucional pois viola os princípios do não confisco e da proporcionalidade; Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 7 6 21. Não houve comprovação de dolo, fraude ou simulação na conduta da recorrente; 22. O arbitramento do lucro e aplicação simultânea da multa representa uma “dupla penalidade”; Dos juros moratórios 23. As taxas de juros SELIC cobradas são inconstitucionais por ofenderem os princípios da legalidade, da isonomia e da segurança jurídica. Ilegais, por estarem definidas em circulares do BACEN. Anti isonomicas, por não permitir que os contribuintes deixem de pagar imposto para aplicar no mercado, o que é um erro pois muitos não pagam o imposto porquê não tem recursos. Inseguras, por serem modificadas de acordo com as conveniências do Executivo; Da instrução processual 24. Pede (i) prazo de 60 dias para apresentar dos documentos mencionados na impugnação e (ii) nomeação de perito contábil para analisar os documentos apresentados. É o relatório. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, esta proferiu o acórdão nº 0120.546 (fls. 859/878), assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas em casos concretos não se constituem em normas gerais. Inaplicável, portanto, a extensão de seus efeitos, de forma genérica, a outros casos. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova cabe a quem ela aproveita. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ATO VINCULADO. O arbitramento do lucro do contribuinte, nas hipóteses de que fala o art. 47 da Lei nº 8.981/95, é ato vinculado da administração tributária, devendo ser fielmente seguida pela autoridade administrativa, mormente quando do exercício do lançamento tributário, sob pena de responsabilidade funcional. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro é medida necessária quando o contribuinte, sob intimação, não apresenta os livros exigidos para apuração do lucro real ou presumido, conforme o caso. Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 8 7 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a intenção dolosa do contribuinte de omitir suas receitas tributáveis, com o fim de impedir, ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, devese aplicar a multa qualificada sobre os tributos decorrentes da receita omitida. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível a majoração da multa de ofício pela metade quando a pessoa jurídica, por intermédio de seu administrador, não presta os esclarecimentos necessários para o bom andamento do procedimento fiscal. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar argüição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária aos empregados, prepostos, procuradores, diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de ofício decorrem de infração dolosa à lei ao tempo que aqueles exerciam poderes de gestão sobre as atividades desta. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Ementa: REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. VEDAÇÃO. As empresas tributadas com base no lucro arbitrado não se submetem ao regime da nãocumulatividade, instituído pela Lei nº 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Ementa: REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. VEDAÇÃO. As empresas tributadas com base no lucro arbitrado não se submetem ao regime da nãocumulatividade, instituído pela Lei nº 10.637/2002. Inconformada com o acórdão proferido pela DRJ, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário, no qual reiterou os fundamentos da sua impugnação e que, neste momento, passa a ser analisado por esta Turma Julgadora. É o relatório. Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 9 8 Voto vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. Os recursos preenchem as condições de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Recurso de Ofício Como detalhado no relatório, a instância a quo cancelou os autos de infração referentes aos anos calendários de 2005 e 2006 em função de não restar configurada a hipótese de arbitramento do lucro. Basicamente, o arbitramento do lucro referente aos anoscalendário de 2005 e 2006 foi fundado na imprestabilidade da escrituração para apurar o lucro real e identificar a movimentação bancária. Extraise do Termo de Verificação Fiscal as razões pelas quais o Auditor Fiscal entendeu que a escrituração referente aos anos calendário de 2005 e 2006 eram imprestáveis: Os depoimentos de testemunhas que afirmaram ter havido a escrituração de despesas inexistentes, subfaturamento de vendas nos documentos fiscais e simulação do retorno das mercadorias saídas sob o CFOP 6912, 6914 e 6915 (remessas para demonstração, exposição ou reparo); A significativa diferença entre a receita declarada ao Fisco Estadual, por meio da Guia de Informação e Apuração Mensal do ICMS e Guias de Liberação de Mercadorias Estrangeiras e a receita declarada ao Fisco Federal; A falta de comprovação dos eventuais serviços prestados nas operações de saídas de “remessa para teste”. Em relação à impossibilidade de arbitramento do lucro referente aos anos calendário 2005 e 2006, transcrevo abaixo e acolho os fundamentos da instância a quo mantendo o cancelamento do auto de infração neste particular: Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 10 9 A respeito das despesas do sócio da pessoa jurídica, não foi apresentada pela fiscalização qualquer outra prova material (notas fiscais, recibos, etc.), além das provas testemunhais, que permitam assegurar a ocorrência do ilícito, menos ainda mensurar o impacto da irregularidade na determinação do lucro real. É que, para desprezar a escrituração fiscal com base nesse argumento, é imprescindível que se demonstre que a recorrência da irregularidade é de tal monta que torne impossível a apuração do resultado do exercício. O que definitivamente não restou demonstrado nos autos. No que tange a simulação das saídas de mercadorias para demonstração, exposição ou reparo, também não há provas materiais do ocorrido, além das provas testemunhais. A falta de atendimento da intimação para justificar as saídas de “remessa para teste” não serve de prova da comercialização da mercadoria. Leva no máximo a falta de comprovação da operação, deixando incerto a efetividade ou a natureza da operação. Assim, sendo a venda de mercadoria um fato que aproveita ao fisco, fica ao encargo deste o ônus de sua comprovação. Do contrário, estarseia imputando ao sujeito passivo o ônus de provar a inexistência de um fato não comprovado, uma verdadeira prova diabólica. Outrossim, de acordo com a razão social da empresa “TAG IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA”, parece que a principal atividade do sujeito passivo é a comercialização de veículos importados. De efeito, não parece razoável que haja vendas dos veículos sem as respectivas notas fiscais de venda, quando, salvo melhor juízo, o registro do veículo tem como requisito a apresentação destes documentos. O subfaturamento das notas fiscais, em si, também não está comprovado. Todavia, uma expressiva omissão de receita pode ser um elemento corroborador do fato testemunhado e suficiente para justificar o arbitramento do lucro. Ocorre que receita omitida comprovada pela fiscalização é inexistente (ano 2005) ou insuficiente (ano 2006) para justificar o arbitramento. É o que se depreende da análise da Tabela 1. Tabela 1 – Percentual da receita omitida (valore em R$) Ano Receita apurada e comprovada(GIAM) Receita Declarada (DIPJ) Percentual da receita omitida 2005 2006 10.967.437,25 9.644.250,46 12,06% Assim, pelas razões acima considerase não comprovada a imprestabilidade da escrituração fiscal do contribuinte, relativa ao anocalendário 2005 e 2006, e, portanto, insubsistente o arbitramento do lucro referente a estes períodos. Por conseguinte, a exigência dos créditos de IRPJ e CSLL, referentes ao ano calendário 2005 e 2006, deve ser considerada improcedente por erro na identificação da base de cálculo do fato gerador do lançamento. Deixase de apreciar os demais argumentos relacionados à imprestabilidade da escrituração por haverem perdido seu objeto. Diante desses fundamentos, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 11 10 Recurso Voluntário O arbitramento do lucro relativo ao ano calendário de 2007 foi fundamentado na falta de apresentação da escrituração (art. 530, III), cuja hipótese remete ao fato de o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. A instância a quo entendeu por bem manter o arbitramento relativo ao ano calendário de 2007 sob o seguinte argumento: no que tange a falta de apresentação dos livros contábeis, relativos ao ano calendário 2007, a recorrente não traz prova da apreensão judicial destes livros. Ou seja, não comprova a impossibilidade de apresentação dos livros. Pelo que, cabível o arbitramento do lucro, nos termos do art. 47, III, Lei nº 8.981/95. Entretanto, a Recorrente afirma que estava impossibilitada de apresentar à fiscalização a documentação exigida, tendo em vista a apreensão judicial de diversos documentos e computadores. Compulsando os autos (fls. 112 a 150), verificase o cumprimento de várias ordens judiciais emanadas pelos Mandados de Busca e Apreensão direcionados à Recorrente, seus sócios e outras pessoas jurídicas a ela relacionadas. Todos os Mandados de Busca e Apreensão tiveram por escopo a busca e apreensão de documentos e tudo o mais quanto tenha relação com os crimes em apuração (crime de evasão de divisas, contra o sistema financeiro nacional, de falsidade ideológica, contra a ordem tributária a incolumidade pública e a fé pública, além da lavagem de bens e capitais). Conforme pode ser constatado do Auto de Apreensão e Circunstanciado de Busca, às folhas 114 a 118, foi apreendido o seguinte material na sede da Recorrente: 1. Disco rígido, marca Western, Digital, Modelo WD800, S/N, WMAM9A646138, 80 0 GB (SERVIDOR); 2. Disco rígido, marca Samsung, Modelo SP0411N PZZCVAN1A70777, 40 0 GB (computador Fernado Operacional); 3. Disco rígido, marca Western, Digital, Modelo WD800, S/N, WMAM9A646138, 80 0 GB (gaveta externa computador Fernando); 4. Disco rígido, marca Samsung, modelo SP0411N, S/N, PZZCX5N1B70232, 40 0 GB (computador Rodolfo). 5. Disco rígido, marca Maxtor, modelo STM38021SAS, S/N: 60Z3RNZN, 60 0 GB (computador Marcos Vinícius operacional); 6. Disco rígido, marca Samsung, modelo SP08002N, S/N, PZCDY9D1C40089, 80 0 GB (computador Denise); 7. Disco rígido, marca Western, Digital, Modelo WD740, S/N, WMAKE 1881611, 74.3 GB (computador Adriano – conectado); Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 12 11 8. Disco rígido, marca Western, Digital, Modelo WD800, S/N, WMAMD1609715, 80 0 GB (computador Adriano Desconectado); 9. Disco rígido, marca Maxtor, modelo diamondmax plus 8, S/N E13Q922E, 40.0 GB (computador Maurenice – Financeiro;) 10. Disco rígido, marca Maxtor, modelo 6V080E0, S/N, V221PVG, 80.0 GB (computador Maurenice Financeiro); 11. 05 (cinco) caixas arquivo contendo processos de importação da empresa TAG IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA. (SALA OPERACIONAL); 12. Caixa de CD contendo 04 (quatro) CDRs (com um deles contendo a inscrição GLOBAL); 13. Pendrive Kingston, modelo DTI/1GB, capacidade de 1GB, com numeração CN 05250704183301 A00LF; 14. 11 (onze) fichários contendo diversas notas fiscais da empresa TAG IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (sala operacional); 15. 3 (três) fichários contendo documentos diversos (sala operacional); 16. 01 (uma) caixa arquivo contendo notas fiscais e documentos diversos (sala operacional); 17. 01 (uma) pasta contendo certificados de veículos diversos (sala operacional); 18. 01 (uma) pasta contendo comprovantes de depósitos e documentos diversos (sala operacional); 19. 01 (uma) caixa arquivo contendo notas fiscais diversas (emitidas para empresa TAG) e documentos diversos (sala operacional); 20. 04 (quatro) caixas arquivo contendo documentos diversos de importação (sala operacional); 21. 09 (nove) caixas arquivo contendo documentos diversos de importação, referentes a comprovantes de importação, processos de veículos, comprovantes de pagamentos de compradores, comprovantes de operações de câmbio e demais documentos referentes a importação de diversos produtos (sala operacional); 22. 05 (cinco) caixas arquivo, com documentos retirados do arquivo (móvel de aço com pastas suspensas) da sala da Maurenice, contendo comprovantes de pagamento, comprovantes de depósitos em conta, emissão de TED para outras contas e gastos em geral; 23. 06 (seis) caixas arquivo, com documentos retirados da sala da Maurenice, contendo comprovantes de pagamento, comprovantes de depósitos em conta, emissão de TED para outras contas, boletos bancários emitidos pela empresa Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 13 12 TAG, relatórios de notas e demais despesas, processos de importação, cópias de cheques emitidos e gastos em geral. Pela relação de materiais e documentos descrita no Auto de Apreensão e Circunstanciado de Busca, é possível verificar que a Recorrente restou impossibilidade de realizar sua escrituração em relação ao ano calendário de 2007, tendo em vista que foram apreendidos documentos que revelavam a receita da empresa (notas fiscais), os seus custos e suas despesas (documentos de importação, comprovantes de pagamento, de emissão de TED, de depósitos). Fazse necessário destacar que a busca e apreensão de todo material relacionado acima ocorreu em 07.04.2008, data em que a empresa poderia não ter finalizado a escrituração contábil conforme as regras definidas pela legislação de regência, referente ao ano calendário de 2007, evento que a todo momento foi ressaltado pela empresa durante o processo de fiscalização. Neste ponto, incumbe ressaltar que a legislação não prevê data limite para elaboração da escrituração contábil (Livro Diário e Razão). Entretanto, como na DIPJ deve ser informado o número das folhas do Livro Diário em que o balanço estaria transcrito, o número do próprio Livro Diário, bem como o número de registro do Livro, concluise que os livros deveriam estar escriturados até o prazo de entrega da DIPJ (apesar de não haver norma específica determinando esse prazo). O prazo de entrega da DIPJ relativa ao anocalendário de 2007, exercício 2008, era até o último dia útil do mês de junho de 2008 (art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 849/2008). É dizer: no dia da apreensão dos documentos a empresa poderia não ter concluído sua escrituração contábil. Diante dessa situação, quando a Recorrente foi intimada do Termo de Início de Fiscalização (07.08.2008 – fl. 86), alertou à Autoridade Fiscal (fl. 91) que estava sendo investigada pela Polícia Federal e que foram apreendidos diversos documentos desta empresa tais como livros fiscais, notas fiscais e dados utilizados para elaboração de documentos contábeis (inclusive HD´S – onde acreditamos estarem as informações que V.Sa almeja), ainda encontramse apreendidos em depósito judicial, motivo pelo qual pleiteouse, perante o mesmo juízo, dois incidentes de RESTITUIÇÃO DE COISA APREENDIDA, respectivamente sob os números 2008.50.01.0094563 (requerente Adriano Scopel – Doc. 02) e 2008.50.01.0131894 (requerente TAG IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA. Doc. 03). Apesar do pleito, a Recorrente não obteve êxito na restituição de coisa apreendida, e, assim, os documentos e materiais apreendidos continuaram no processo investigativo. Empenhandose na fiscalização que ensejou a lavratura dos autos de infração em discussão, a Autoridade Fiscal expediu Ofício de nº 038/2009/GAB/DRF/PVO, no qual requereu à Procuradora da República com o objetivo de imprimir celeridade aos procedimentos, otimizando tempo e força de trabalho, e, ainda, proporcionar maior certeza relativamente à identificação de omissão de receitas, de bens para arrolamento e de sujeitos passivos solidários, solicitados a Vossa Excelência verificar a possibilidade junto à Justiça federal no Espírito Santo de serem fornecidas cópias dos documentos contábeis/fiscais Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 14 13 apreendidos de interesse ao escopo da Fiscalização, bem como os respectivos arquivos digitais, relativos ao período de 2005 a 2007 (fls. 164 e 165). Em resposta ao pleito da Autoridade Fiscal, o Ministério Público requereu à d. Juíza que fosse autorizado à Delegacia da Receita Federal em Porto VelhoRO a obtenção de cópias dos documentos contábeis/fiscais, bem como dos respectivos arquivos digitais, apreendidos na empresa TAG IMP. EXP. LTDA, na ocasião do cumprimento dos mandados de busca e apreensão expedidos no bojo dos autos do IPL 138/2008 (tal como requerido no ofício em anexo), para fins de subsidiar eventuais procedimentos administrativos fiscais que, futuramente, poderão também contribuir com as investigações levadas a efeito nos presentes autos (fl.167). Em despacho exarado na própria petição, o Juiz federal Pablo Coelho Charles Gomes deferiu o requerimento em 30.03.2009. Assim, dando andamento à Fiscalização, os Auditores Fiscais Pedro Eugênio Barbosa Machado e Nemer Bosco Damous compareceram na Vara Criminal da Seção Judiciária do Estado do Espírito Santo e, conforme consta no Ofício nº 95/2009/GAB/DRF/PVO (fl. 176), compulsaram os autos do Processo acima referenciado, no período de 18 a 21 de maio de 2009, com o objetivo de verificar documentos que possam constituir provas de infrações fiscais. E, analisando os autos, solicitaram a obtenção de cópias para conclusão dos trabalhos fiscais, conforme se verifica do pleito transcrito (fl. 176): 2.A análise documental realizada pelos Auditores Fiscais, relativamente à pessoa jurídica domiciliada no Estado de Rondônia, resultou na tabela anexa onde estão relacionadas as folhas dos respectivos Processos cujas cópias seriam de grande importância à conclusão dos trabalhos de auditoria fiscal. 3. Assim, com o objetivo de racionalizar os procedimentos administrativos decorrentes, solicitamos ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES designar servidor para comparecer a essa Vara para receber tais documentos e enviar para esta Unidade. A extração das cópias solicitadas na fl. 177 foi deferida (fl. 179). Em prosseguimento à Fiscalização, a Autoridade Fiscal intimou a Recorrente a apresentar as Guias para Liberação de Mercadorias Estrangeiras sem Comprovação de Recolhimento do ICMS – GLME (Termo de Intimação nº 004, fl. 210) e comprovar, mediante documentação fiscal hábil e idônea, o histórico das contas a seguir: Adiantamentos a Fornecedores, Custo das Mercadorias Importadas Revendidas, Outros Custos com Importação, Serviços Prestados por Terceiros, Despesa com Pessoa, Revenda de Mercadorias Importadas, relativas aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007. Em resposta, a Recorrente alertou que os documentos solicitados do ano calendário 2007 não poderão ser encaminhados devido à retenção dos documentos contábeis em Ação da Polícia Federal (ocorrido em ABRIL/2008) e que até o momento não foram devolvidos a empresa. O mesmo se procede com as notas fiscais de ENTRADA e SAÍDAS de 2005/2006 e 2007 que também foram retidas na referida ação fiscal e até o momento não foram devolvidas (fl. 218). Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 15 14 Diante da referida resposta, a Autoridade Fiscal encaminhou o Ofício nº 306/2009/GAB/DRF/PVO ao Juiz Federal da 1ª Vara Criminal da Seção Judiciária do Espírito Santo, informando e solicitando (fls. 225 e 226): Meritíssimo Juiz, Conforme observado nos documentos referenciados, os Auditores Fiscais responsáveis pela condução de ação fiscal na empresa TAG IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA., compulsaram autos de Processos e formularam relação para obter cópias de documentos que poderiam subsidiar/constituir provas de infrações fiscais. Durante os trabalhos de auditoria fiscal, constatouse omissão de receita à tributação. No entanto, o quantum devido depende do regime de tributação a ser observado no caso concreto (art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto 3.000, de 26/03/1999). Acontece que empresa sob fiscalização reiteradamente declara ser impossível atender às intimações pare entregar parte da escrituração contábil/fiscal e o total das notas discais, haja vista que tais documentos foram objeto de apreensão e que teria solicitado a restituição – inclusive para atender às Intimações da Receita Federal , conforme Processo 2008.50.01.0131894. Por ocasião da estada dos Auditores Fiscais nesta Vara Criminal tal Processo não foi compulsado, vez que já estava “baixado” – conforme se pode observar na “consulta processual”. Isto posto, solicitamos a V.Exa mandar informar se persiste a apreensão dos Livros Diários e Razão (2007) e, especialmente, Notas Fiscais emitidas pela e para a empresa sob fiscalização. Caso positivo, solicitamos que seja indicado o local onde tais documentos se encontram para que possamos deslocar AuditorFiscal com o objetivo de obter cópias, haja vista a proximidade de que tais fatos geradores sejam fulminados pela decadência. Caso negativo, solicitamos informação a respeito da data de devolução e a qualificação do responsável pelo recebimento para que possamos adotar as providências cabíveis em relação à empresa fiscalizada. Em cumprimento ao Ofício nº 306/2009/GAB/PVO, o Ministério Público Federal encaminhou cópia do Relatório de Análise de Documentos e Mídias apreendidas na sede da empresa Recorrente, conforme se verifica na folha 230. O Relatório de Análise de Documentos e Mídias (fls. 234 a 267) detalha alguns documentos relativos ao ano de 2007 e ressalta que diversos documentos, principalmente mídias digitais, foram encaminhados para perícia e não consta qualquer menção do conteúdo de tais arquivos. Não houve mais tentativa de obtenção das informações relativas ao ano calendário de 2007, lavrandose, em seguida, o Auto de Infração. Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 16 15 Diante do conjunto probatório que pôde ser analisado, verificase que a Recorrente, perante a apreensão de todos os documentos relacionados no Auto de Apreensão e Circunstanciado de Busca, às folhas 114 a 118, estava impossibilitada de realizar a escrituração contábil relativa ao ano calendário de 2007, uma vez que foram apreendidos documentos que revelavam a receita da empresa (notas fiscais), os seus custos e suas despesas (documentos de importação, comprovantes de pagamento, de emissão de TED, de depósitos). Verificase, ainda, que a Recorrente diligenciou e tentou obter tais documentos por meio de Restituição de Coisa Apreendida, sendo obstada pelo juízo. Neste cenário, não vislumbro a possibilidade de a Recorrente cumprir com as exigências fiscais, já que estava, por determinação judicial, impossibilitada de realizar sua própria escrituração contábil relativa ao anocalendário de 2007. Lado outro, a Autoridade Fiscal tentou diligenciar para obter os documentos relativos ao ano calendário de 2007 perante o juízo criminal. Entretanto, não conseguiu acessar os autos que, conforme relata no Ofício nº 306/2009/GAB/DRF/PVO, o processo “estava baixado”. Em função disso, solicitou informações ao Juiz sobre os documentos relativos ao anocalendário de 2007. Em resposta, obteve acesso apenas ao Relatório de Análise de Documentos e Mídias (fls. 234 a 267) que detalha diversos documentos e afirma que as mídias estavam em procedimento de perícia. É dizer: a Recorrente comprovou que a documentação necessária à escrituração contábil relativa ao ano calendário de 2007 fora apreendida. Comprovou, ainda, sua intenção em obtêlas mediante procedimento de restituição de coisa apreendida, que fora indeferido. Diante desse cenário, questiono: qual seria o procedimento a ser adotado pela Recorrente que teve sua documentação, bem como mídias digitais apreendidas e não restituídas durante a fiscalização? Penso que as Autoridades Fiscais deveriam ter se empenhado em acessar a documentação apreendida, o que foi franqueado pelo juízo criminal. Ocorre que no comparecimento à Vara Criminal não conseguiram acessar os autos. Deveriam, então, se esforçar para alcançar essa documentação e não simplesmente arbitrar o lucro da Recorrente pelo fato de o processo não se encontrar na Vara quando da presença dos auditores. Poderseia, ainda, alegar que, diante da situação narrada, a Recorrente deveria realizar o auto arbitramento para apurar sua própria base de cálculo, já que estava sem acesso a seus documentos contábeis? Penso que não. Primeiramente porque é direito do contribuinte ver o imposto sobre a renda incidindo sobre a verdadeira grandeza do seu aumento patrimonial1 e, havendo possibilidade de ser determinado e comprovado, o lucro real deve servir de base de cálculo para apuração do imposto sobre a renda. Dessa forma, não há como admitir que, nessa situação, o contribuinte deveria ser obrigado a arbitrar o seu lucro, sem que tenha concorrido para qualquer causa de arbitramento. Neste ponto, salientase que, é também direito do Fisco lançar o tributo sobre a base real de acréscimo patrimonial do contribuinte, pois este é o verdadeiro substrato econômico que se constitui no fato gerador do imposto. 1 Conforme lições de Ricardo Mariz de Oliveira em seu livro Fundamentos do Imposto de Renda, 2008, p. 402. Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 17 16 É neste sentido que Alberto Xavier ensina que não basta uma simples dificuldade ou maior onerosidade do exercício do dever de investigação, em decorrência de vícios isolados da escrita, para exonerar o Fisco do cumprimento de seu dever funcional, autorizandoo desde logo ao recurso ao instituto do arbitramento. Enquanto essa possibilidade subsiste, deve o Fisco prosseguir no cumprimento do seu dever, seja qual for a complexidade e o custo de tal investigação. 2 Como doutrina Ricardo Mariz de Oliveira, o fato de haver na Lei Complementar as hipóteses de definição da base de cálculo do imposto sobre a renda de forma real, presumida e arbitrada não pode significar que a lei comum tenha liberdade arbitrária de adotar a renda real, arbitrada ou presumida, ao seu talante. E nem deve animar qualquer defensor de que a lei pode dizer o que quiser quanto ao que seja renda tributável, agora sob o pretexto de que o lucro pode ser presumido ou arbitrado, porque mesmo estes critérios de quantificação têm sólidos preceitos que os iluminam e que cerceiam os abusos e os devaneios. Conclui, portanto, que há preceitos implícitos nesse dispositivo – hauridos da totalidade do ordenamento jurídico – que atribuem a primazia da renda real para ser, por excelência, a base de cálculo do imposto e que dirigem a ação do legislador ordinário quanto às circunstâncias em que as outras duas bases podem e devem ser adotadas. Isso porque, o lucro arbitrado é o que mais se distancia da capacidade contributiva. Dessa forma, há de ser reconhecido o direito subjetivo de o contribuinte ter seu patrimônio usurpado em seu real acréscimo. Lado outro, reconhecese também um direito de a Fiscalização tributar – quando for possível – o real acréscimo patrimonial do contribuinte (desconstituindo um auto arbitramento quando for possível a apuração do lucro real). Ademais, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99) apenas prevê a possibilidade de auto arbitramento na hipótese de ser conhecida a receita bruta, conforme se depreende dos artigos citados abaixo: CAPÍTULO II BASE DE CÁLCULO Arbitramento pelo Contribuinte Art.531. Quando conhecida a receita bruta (art. 279 e parágrafo único) e desde que ocorridas as hipóteses do artigo anterior, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto correspondente com base no lucro arbitrado, observadas as seguintes regras (Lei nº8.981, de 1995, art. 47, §§1ºe 2º, e Lei nº9.430, de 1996, art. 1º): I a apuração com base no lucro arbitrado abrangerá todo o ano calendário, assegurada, ainda, a tributação com base no lucro real relativa aos trimestres não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangidos por aquela modalidade de tributação; II o imposto apurado na forma do inciso anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento de cada período de apuração. 2 Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro, p. 152. Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 18 17 Além de a hipótese de auto arbitramento ter como requisito o conhecimento da receita bruta, o artigo do RIR/99 que especifica a base de cálculo do arbitramento quando não conhecida a receita bruta impõe sua determinação por meio de procedimento de ofício. Confirase: Base de Cálculo quando não conhecida a Receita Bruta Art.535. O lucro arbitrado, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo (Lei nº8.981, de 1995, art. 51): Assim sendo, entendo incabível o auto arbitramento já que os documentos comprobatórios da receita bruta estavam apreendidos na investigação policial. Improcede, também, o arbitramento por meio do lançamento de ofício quando o contribuinte estava impossibilitado de fornecer as informações requeridas pela Autoridade Fiscal. Caberia, portanto, aos Auditores persistirem para obtenção dos documentos e mídias apreendidos e realizar a fiscalização e apuração do lucro real da Recorrente. Apenas após acessar toda documentação apreendida e caso ficasse comprovada a impossibilidade de apuração do lucro real, seria cabível o arbitramento. Isso porque, sendo o arbitramento uma medida extrema, deve ser cabalmente comprovada a impossibilidade da apuração do lucro real da empresa, em uma detida busca da verdade material, consubstanciada por um conjunto probatório que afaste a possibilidade de ser alcançado. Por consequência, cancelo os autos de infração para exigência de CSLL, PIS e COFINS. Por essas razões, procede o Recurso Voluntário devendo ser cancelado o auto de infração em análise e improcede o Recurso de Ofício. Em razão do cancelamento, deixase de apreciar os demais pedidos. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 19 18 Voto vencedor Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado O ilustre Conselheiro Relator, ao apreciar o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, proferiu voto cancelando o lançamento, por entender que o contribuinte estava impossibilitado de fornecer as informações requeridas pela Autoridade Fiscal, em razão da apreensão de diversos documentos por parte da Polícia Federal. No entender do ilustre Relator, no presente caso deveriam os Auditores Fiscais persistirem para obtenção dos documentos e mídias apreendidos e realizar a fiscalização e apuração do lucro real da Recorrente. No seu entender, apenas após acessar toda documentação apreendida e caso ficasse comprovada a impossibilidade de apuração do lucro real, seria cabível o arbitramento. O colegiado, contudo, por ampla maioria de votos, não concordou com este posicionamento, por considerar que foi o próprio contribuinte quem deu azo à apreensão judicial dos seus documentos contábeis, ao praticar atos que ensejaram a instauração de Inquérito Policial para apuração de possíveis crimes de evasão de divisas, contra o sistema financeiro nacional, de falsidade ideológica, contra a ordem tributária, a incolumidade pública e a fé pública, além da lavagem de bens e capitais. Forte neste raciocínio, entendeu este colegiado que o recorrente não poderia se beneficiar de sua própria torpeza. Decidiu, então, o colegiado converter o presente julgamento em diligência, por considerar que, decorridos vários anos, é muito provável que todos os documentos apreendidos pela Justiça Federal já tenham sido devolvidos ao recorrente. Assim, na condição de Redator Designado, proponho que o presente processo retorne à unidade de origem, para adoção das seguintes providências: a) Verificar, junto ao recorrente e/ou junto ao Poder Judiciário, se todos os documentos apreendidos pela Justiça Federal já foram devolvidos ao contribuinte. Caso tais documentos ainda não tenham sido devolvidos, deve a autoridade diligenciante empreender novos esforços junto ao Poder Judiciário, visando disponibilizar os referidos documentos ao contribuinte; b) Confirmada a disponibilidade dos aludidos documentos, deve a autoridade diligenciante intimar o contribuinte a, no prazo de 30 dias, apresentar a escrituração contábil e fiscal completa referente ao anocalendário de 2007, colocando à disposição do Fisco toda a documentação que embasou a referida escrituração; c) Após a análise da escrituração contábil e fiscal da recorrente, deve a autoridade diligenciante elaborar relatório circunstanciado, informando se a escrituração e a correspondente documentação apresentada pelo contribuinte são suficientes para a apuração do lucro real relativo ao anocalendário de 2007. Caso a escrituração/documentação seja considerada imprestável para esta finalidade, deve a autoridade diligenciante informar os Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10240.000313/201079 Resolução nº 1401000.260 S1C4T1 Fl. 20 19 motivos que impedem a apuração do lucro real (consoante a legislação vigente à época dos fatos); d) Dar ciência do citado relatório ao contribuinte, concedendolhe o prazo de 20 dias para se manifestar acerca das conclusões do relatório fiscal. Após, deve o processo retornar a este colegiado, para julgamento do presente litígio. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 08/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 10680.017927/2002-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
Numero da decisão: 1401-001.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausente, justificadamente, a conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os embargos de declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausente, justificadamente, a conselheira Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 79 27 /2 00 2- 09 Fl. 676DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 1401001.311 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte acima identificado, ora embargante, apresentou diversas Declarações de Compensação (DCOMP's), utilizandose de "pagamentos indevidos ou a maior", mediante a indicação de diversos DARF's destinados ao pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ano calendário de 1998. A somatória dos créditos utilizados e dos débitos compensados importava em R$ 445.736,85. Ao analisar os documentos protocolizados pelo contribuinte, assim se manifestou a DRF/Belo Horizonte – MG, em seu despacho emitido em 18/12/2007: Após análise mais apurada do processo e dos documentos que dele constam, constatamos que na realidade o contribuinte fez num só pedido/processo a compensação de vários débitos com créditos oriundos de SALDO NEGATIVO DE IRPJ AC 1998 E SALDO NEGATIVO DE CSLL AC 1998. Assim, apresentaremos nosso trabalho discriminando os saldos negativos apurados de IRPJ e CSLL ano calendário de 1998. A DRF considerou os créditos utilizados nas DCOMP's como decorrentes do "Saldo Negativo de IRPJ" e "Saldo Negativo de CSLL" apurado em 1998, uma vez que os DARF's discriminados elo contribuinte são destinados ao pagamento das estimativas mensais apuradas naquele período. Neste contexto, diante dos diversos documentos protocolizados pelo contribuinte, operacionalmente, a DRF considerou: a) neste processo (10680.017927/200209), a análise das DCOMP's mediante a utilização de "saldo negativo de IRPJ" apurado no ano calendário de 1998. b) no processo 10680.001293/200345, a análise das DCOMP's mediante a utilização de "saldo negativo de CSLL" apurada no ano calendário de 1998. Especificamente no que tange à análise do crédito referente ao "Saldo Negativo de IRPJ" AC 1998, assim se pronunciou a DRF Belo Horizonte: Na composição deste saldo negativo, o contribuinte utilizou nas estimativas e no ajuste: pagamentos via DARF's; imposto de renda retido na fonte; saldo negativo de períodos anteriores e exigibilidade suspensa (.)" Verificando os componentes deste saldo negativo, apurou a DRF Belo Horizonte: a) As estimativas referentes aos meses de junho, julho, setembro, outubro e novembro foram quitadas mediante DARF. Os pagamentos foram confirmados e a importância correspondente foi validada como dedutível da apuração do IR ao final do período. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 1401001.311 S1C4T1 Fl. 4 3 b) O contribuinte utilizouse do IRF no valor de R$ 257.447,83. As informações prestadas pelas fontes pagadoras em DIRF confirmaram esta retenção. A importância correspondente foi validada como dedutível da apuração do IR ao final do período. c) Compensação com saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 1997, na extinção de parte das estimativas mensais apuradas nos meses de março, abril, maio e junho de 1998. Confirmouse o saldo negativo de IRPJ AC 1997 no valor de R$ 69.780,57. O direito de crédito reconhecido foi insuficiente para validar a compensação indicada em sua totalidade. Assim sendo, procedeuse à glosa da importância de R$ 96.321,46. Parte das estimativas mensais apuradas nos meses de setembro, novembro e dezembro/98 foi compensada com pretensos créditos com "exigibilidade suspensa". Esta compensação não foi validada pela DRF mediante a seguinte alegação: O não reconhecimento destes valores na composição do saldo negativo se dá por não se tratar de crédito líquido e certo, passível de compensação, como exigido em legislação. Nestes termos, procedeuse à glosa da importância de R$ 192.343,50, correspondente à compensação mencionada neste tópico. A DRF constatou a ocorrência de alguns pagamentos indevidos/a maior efetuados durante o ano calendário, a título de "estimativa mensal". O valor pago a maior, conforme planilha à fl. 206 importou em R$ 264.167,26. Parte deste valor R$ 23.728,32 foi utilizada na compensação indicada pelo contribuinte na planilha à fl. 04. Nestes termos, a DRF validou a importância de R$ 240.438,94 como componente do saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 1998. Verificadas as antecipações mensais ocorridas durante o ano calendário, a DRF então passou a verificar a apuração do Saldo Negativo de IRPJ/AC 1998. Mencionou que "o contribuinte apresentou Ficha 13 da DIPJ Ajuste com preenchimento incorreto". Com esta informação, reproduziu a apuração do IRPJ/AC 1998 da forma como achou correta, conforme planilhas às fls. 207/208. Deste recálculo, apurou o crédito referente ao "saldo negativo de IRPJ" AC 1998 no valor de R$ 12.225.15. Apurado o saldo negativo de IRPJ/AC 1998 no valor de R$ 12.225,15, a DRF constatou ainda a utilização deste crédito em compensações espontâneas, informadas em DCTF, na extinção do IRPJ apurado no mês de junho/1999. Apurou ainda que o crédito apurado sequer foi suficiente para a validação desta compensação. Por fim: "Assim, não há Saldo Negativo de IRPJ disponível para efetuar as demais compensaçães pleiteadas". Na seqüência, a DRF teceu diversas considerações acerca do "Saldo Negativo de CSLL" AC 1998, reconhecendo como válida a importância de R$ 94.045,81. Constatou ainda a utilização do crédito validado em compensações espontâneas informadas em DCTF. Deduzidas as compensações efetuadas, reconhece: "Ante ao exposto, reconhecemos o Saldo Negativo de CSLL – ano calendário 1998 disponível para efetuar as demais compensações pleiteadas, no valor de R$ 73.520,59". Concluindo, a DRF reconheceu ao contribuinte o direito à utilização do crédito no valor de R$ 73.520,59, a título de "Saldo Negativo de CSLL" AC 1998 e a Fl. 678DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 1401001.311 S1C4T1 Fl. 5 4 inexistência do "Saldo Negativo de IRPJ" para o mesmo período, homologando parcialmente as compensações declaradas pelo contribuinte. Considerando que este processo trata somente das DCOMP's mediante a utilização de Saldo Negativo de IRPJ AC 1998, todas as compensações cadastradas neste processo foram "NÃO HOMOLOGADAS", conforme documento à fl. 224. O contribuinte foi cientificado da Decisão prolatada pela DRF em 22/12/2007, conforme AR Aviso de Recebimento à fl. 227. Em resposta, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aos 22/01/2008, anexada às fls. 228 a 253 [...], acompanhada dos documentos de fls. 254 a 363, por meio da qual formulou os seguintes pedidos: a) O recebimento da manifestação de inconformidade com efeito suspensivo. b) A Nulidade do Despacho Decisório e das Cartas de Cobrança, às quais atribuiu o título de "Notificações de Lançamento". c) Quanto ao "saldo negativo de períodos anteriores", propugnou pela validação da importância de R$ 86.690,15 e pela suspensão da glosa no valor de R$ 96.321,46. d) Quanto aos tributos com exigibilidade suspensa, propugnou ela validação da importância de R$ 192.343,50, a homologação das compensações decorrentes deste crédito e a emissão de DARF para recolhimento de multa e juros de mora. e) O reconhecimento do pagamento indevido no valor de R$ 81.823,14 e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário no valor de R$ 23.728,32. f) A validação do saldo negativo de CSLL pelo valor de R$ 94.803,45. g) O cancelamento das cartas de cobrança no valor total de R$ 870.336,39. A 3ª Turma da DRJ Belo Horizonte, por unanimidade, deferiu parcialmente a solicitação da contribuinte, considerando homologada tacitamente a compensação de débito declarada na DCOMP apresentada em 18/12/2002 (fl. 01, período de apuração 14/12/2002, vencimento 18/12/2002, valor declarado R$ 6.727,20). Foi mantida a não homologação de todas as demais compensações pleiteadas, pela inexistência do crédito utilizado. O Acórdão 0218.053, recebeu a seguinte ementa (fls. 455): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 1401001.311 S1C4T1 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de crédito, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Será considerada tacitamente homologada, a compensação dos débitos constantes de DCOMP não apreciada pela RFB no prazo de cinco anos, contados da data da protocolização do documento, independentemente da procedência e do montante do crédito utilizado. Solicitação Deferida em Parte Cientificada do Acórdão em 20/06/2008 (fls. 488), a contribuinte, em 21/07/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 506519, com base nos seguintes argumentos: a) Decadência do direito da Fazenda a refazer a apuração do IRPJ dos anos calendário 1996, 1997 e 1998 (v. fls. 508511); b) Comprovação dos créditos apurados: saldo negativo de IRPJ dos anos calendário de 1996, 1997 e 1998 (v. fls. 512516, com análises individualizadas por ano calendário); c) Ocorrência de efetivo recolhimento do valor glosado, no valor de R$ 23.728,32, referente a pagamentos indevidos ou a maior, informados pela Recorrente na linha 21/Ficha 13 da DIPJ/99 (fls. 317/318) retificadora do anocalendário 1998, recepcionada em 28.11.2002. Tais valores foram utilizados para compensar parte das estimativas de setembro/98 e dezembro/98, no valor de R$ 15.803,81 e R$ 7.924,51, respectivamente (v. fls. 516517); d) Impossibilidade da exigência do imposto de renda na fonte incidente sobre trabalho assalariado da fonte pagadora, após o encerramento do ano calendário. Nos autos, por se tratar de imposto de renda retido na fonte referente aos anoscalendário de 2002 (dez/2002) e 2003 (01/2003), é ilegítima a Constituição do presente crédito tributário contra a fonte pagadora. (v. fls. 517518). Nestes termos, a Recorrente requereu a procedência do recurso a fim de que fossem homologadas as compensações efetuadas, reconhecendose o direito creditório ora demonstrado, devidamente atualizado, bem como a insubsistência da carta de cobrança e a extinção do crédito tributário consubstanciado na carta cobrança de fls. 218 a 223. Requereu ainda, relativamente ao pagamento indevido no valor de R$ 192.343,50, que fossem acatados os procedimentos adotados pela Recorrente tendo em vista a desistência formulada em 22.11.02. Se assim não entendesse este Colegiado, requereu que fosse acatada a compensação a partir da conversão em renda dos valores depositados. Este colegiado, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, por meio de Acórdão nº 140100.686, assim ementado: Fl. 680DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 1401001.311 S1C4T1 Fl. 7 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras para sua utilização, previstas pela legislação vigente. COMPENSAÇÃO CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de crédito, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Devidamente cientificada do referido Acórdão em 20/06/2011 (v. fls. 625), a contribuinte apresentou embargos declaratórios em 25/06/2012, argüindo a ocorrência de omissões e contradições, abaixo evidenciadas. a) o acórdão embargado teria sido contraditório ao afirmar que “o Fisco validou integralmente o saldo negativo do IRPJ apurado pelo contribuinte na DIPJ/1999 (AC 1997)”, quando o litígio versa exatamente sobre os créditos apurados pela Embargante e não reconhecidos nas compensações declaradas; b) o acórdão embargado teria se omitido em apreciar a cópia da DIRPJ retificadora do anocalendário 1997, transmitida em 23/09/2002 (fls. 320321); c) o acórdão embargado não teria apreciado os documentos juntados pela Embargante (docs 05 e 06 do recurso voluntário). Em sua opinião, tais documentos comprovariam o saldo negativo referente ao anocalendário de 1996. Em relação a este tema, esclareceu a contribuinte, em sua peça de embargos, fls. 631: Houve, na verdade, equívoco na apreciação da matéria. Conforme afirmado no Recurso Voluntário, a Embargante utilizou, para extinguir os débitos de 1998 (IRPJ por estimativa), saldos negativos de IRPJ apurados nos anos calendários de 1996 e 1997, respectivamente nos valores de R$ 70.755,92 e R$ 73.390,07. Este o cerne da questão: composição dos saldos negativos de IRPJ utilizados na compensação dos débitos tributários, matéria não apreciada pelo acórdão embargado. d) o acórdão embargado não teria se pronunciado sobre a composição do resultado de 1998, fatalmente influenciado pela renúncia do MS nº 38.00.0573836, origem dos depósitos judiciais e do indébito de R$ 192.343,50. Sobre o tema, assim se manifestou a embargante (fls. 632): Daí porque não há falar em trânsito em julgado da decisão como condição para a compensação dos valores depositados em juízo. A uma porque houve desistência e renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação (fls) e com este fundamento, EXTINTO o processo (ver andamento processual anexo). A duas porque o débito objeto do Mandado de Segurança foi menor que os Fl. 681DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 1401001.311 S1C4T1 Fl. 8 7 valores depositados eis que a empresa usufruiu dos benefícios instituídos pela MP 38 (Doc. 09 do Recurso Voluntário). Parte dos depósitos, na verdade, transformaramse em pagamentos indevidos. Convertido em renda, a Embargante optou por compensar o indébito, cujo valor restou materializado na DIPJ retificadora do ano calendário de 1998 (DIPJ 1999). É o relatório. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 1401001.311 S1C4T1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Os embargos são tempestivos, razão pela qual merecem ser apreciados. Alegada contradição No entender da contribuinte, o acórdão embargado teria sido contraditório ao afirmar que “o Fisco validou integralmente o saldo negativo do IRPJ apurado pelo contribuinte na DIPJ/1999 (AC 1997)”, quando o litígio versa exatamente sobre os créditos apurados pela Embargante e não reconhecidos nas compensações declaradas. Não assiste razão à recorrente. O seguinte trecho, extraído da decisão da piso e transcrito no acórdão embargado bem esclarece esta questão, fls.608 (grifado): 49. A DRF assim se manifestou acerca das compensações efetuadas mediante a utilização do "saldo negativo de períodos anteriores": Saldo Negativo de ano calendário de 1997 O Saldo Negativo em DIPJ é de R$ 69.780,57 (...) confirmamos o valor do Saldo Negativo de IRPJ — ano calendário de 1997, apurado em DIPJ, no valor de R$ 69.780,57. Às fls. 159/161 anexamos planilhas no nosso sistema operacional, com os valores das compensações das estimativas de IRPJ ano calendário 1998, quitadas com o saldo negativo de IRPJ ano calendário de 1997. Tendo em vista o valor do crédito reconhecido ser insuficiente para quitar os débitos compensados, procedemos à glosa de R$ 96.321,46 (...) Ou seja, a DRF considerou como válido o saldo negativo de IRPJ apurado pelo contribuinte na DIPJ, contudo, apurou que tal crédito é insuficiente para a homologação de todas as compensações informadas pelo contribuinte na DIPJ. [...] 51. [...] Tal como já mencionado anteriormente, a DRF considerou como válido todo o saldo negativo de IRPJ apurado pelo contribuinte em sua DIPJ/1998 – AC 1997. Apesar desta validação, informou claramente no Despacho Decisório que a importância encontrada pelo próprio contribuinte e utilizada Fl. 683DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 1401001.311 S1C4T1 Fl. 10 9 na compensação informada na DIPJ/1999 – AC 1998 é insuficiente para homologação da totalidade destas compensações, remetendo a cálculos anexados ao processo. [...] Notese que, diferente do alegado pelo impugnante, o fisco demonstrou com clareza a origem da glosa efetuada, ou seja, tão somente foram considerados válidos os valores correspondentes às estimativas mensais efetivamente compensadas, considerando o crédito identificado pelo próprio contribuinte. Diante do exposto, é forçoso concluir pela inocorrência da contradição alegada pela embargante. Conseqüentemente, em relação ao presente tema, os presentes embargos merecem ser rejeitados. Primeira alegação de omissão No entender da contribuinte, o acórdão embargado teria se omitido em apreciar a cópia da DIRPJ retificadora do anocalendário 1997, transmitida em 23/09/2002 (fls. 320321). No entanto, na seqüência de sua peça de embargos, a contribuinte acabou por revelar perfeita compreensão de que a aludida DIRPJ foi, sim, analisada, porém foi considerada não apresentada por este colegiado, pelo fato de a mesma não ter sido validada como retificadora pelo Fisco. Para maior clareza, transcrevo o seguinte trecho da peça de embargos, fls. 630: [...] De mais a mais, ultrapassado o prazo fixado para entrega, não existe a mínima possibilidade de se transmitir uma segunda declaração como se original fosse como quer acreditar a DRJ e o acórdão embargado: “a última DIPJ apresentada em 23/09/2002 como “original”, conforme espelho à fl 381; em função desta informação – prestada pelo próprio contribuinte – esta declaração não se sobrepõe àquela apresentada em 13/04/2000 como retificadora” (fls. 476) Notese que o documento de fls. 381 citado pela autoridade a quo referese à consulta de declarações de IRPJ, documento interno da Receita Federal o qual a Embargante não reconhece as informações nele consignadas por ser divergente daquelas transmitidas em 23/09/2002 (fls.320). Ora, resulta bem claro que o acórdão embargado apreciou, sim, completamente a matéria argüida pela recorrente. O que ocorre, de fato, é que a embargante simplesmente discorda do entendimento adotado por este colegiado. No entanto, os embargos declaratórios não constituem meio processual adequado para veicular discordâncias desta natureza. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 1401001.311 S1C4T1 Fl. 11 10 Os embargos de declaração servem, tão somente, para sanar eventuais omissões, contradições ou obscuridades contidas no acórdão previamente prolatado. No caso presente, o acórdão embargado não padece de nenhum destes vícios (omissão, contradição ou obscuridade). Por esta razão, em relação a este tema também considero que os presentes embargos merecem ser rejeitados. Segunda alegação de omissão No entender da embargante, o acórdão embargado não teria apreciado os documentos juntados pela Embargante (docs 05 e 06 do recurso voluntário). Em sua opinião, tais documentos comprovariam o saldo negativo referente ao anocalendário de 1996. Em relação a este tema, esclareceu a contribuinte, em sua peça de embargos, fls. 631: Houve, na verdade, equívoco na apreciação da matéria. Conforme afirmado no Recurso Voluntário, a Embargante utilizou, para extinguir os débitos de 1998 (IRPJ por estimativa), saldos negativos de IRPJ apurados nos anos calendários de 1996 e 1997, respectivamente nos valores de R$ 70.755,92 e R$ 73.390,07. Este o cerne da questão: composição dos saldos negativos de IRPJ utilizados na compensação dos débitos tributários, matéria não apreciada pelo acórdão embargado. Não assiste razão à embargante. O acórdão embargado apreciou, sim, a questão relativa à utilização dos saldos negativos dos anoscalendário de 1996 e 1997 para extinguir débitos de 1998, conforme se verifica por meio do seguinte trecho, extraído do voto condutor do acórdão embargado, fls. 610: 53.4 Em resumo, o contribuinte pleiteia a utilização de saldo negativo apurado em períodos anteriores a 1997, como se correspondente àquele ano calendário na validação das compensações efetuadas no decorrer do ano calendário de 1998. [...] 53.7 Diante dos esclarecimentos acima, percebese que inexiste previsão para a "transferência" de crédito decorrente de "saldo negativo de IRPJ" de um período para outro. As instruções disponibilizadas pela SRF no "Manual de Instruções da DIPJ" são expressas acerca deste impedimento. Dessa forma, não há como computar como "Saldo Negativo de IRPJ — AC 1997" a importância de R$ 70.755,92, mencionada pelo impugnante como "Saldo Negativo de IRPJ AC 1996" e consequentemente a atualização pela SELIC aplicada sobre este mesmo valor. 54. Enfim, acerca das estimativas informadas pelo contribuinte como extintas pela compensação do "saldo negativo apurado em 1997", somente podem ser validadas aquelas já computadas pelo fisco, conforme demonstrativo do item 51.1. Em face da inocorrência da omissão alegada, considero que em relação a este os presentes embargos também merecem ser rejeitados. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 1401001.311 S1C4T1 Fl. 12 11 Terceira alegação de omissão Por fim, a embargante afirmou que o acórdão embargado não teria se pronunciado sobre a composição do resultado de 1998, fatalmente influenciado pela renúncia do MS nº 38.00.0573836, origem dos depósitos judiciais e do indébito de R$ 192.343,50. Sobre o tema, assim se manifestou a embargante (fls. 632): Daí porque não há falar em trânsito em julgado da decisão como condição para a compensação dos valores depositados em juízo. A uma porque houve desistência e renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação (fls) e com este fundamento, EXTINTO o processo (ver andamento processual anexo). A duas porque o débito objeto do Mandado de Segurança foi menor que os valores depositados eis que a empresa usufruiu dos benefícios instituídos pela MP 38 (Doc. 09 do Recurso Voluntário). Parte dos depósitos, na verdade, transformaramse em pagamentos indevidos. Convertido em renda, a Embargante optou por compensar o indébito, cujo valor restou materializado na DIPJ retificadora do ano calendário de 1998 (DIPJ 1999). Ora, a simples leitura do acórdão embargado demonstra que tal alegação foi, sim, devidamente analisada, nos seguintes termos (fls. 611612): No tocante ao cômputo do valor suspenso na apuração do saldo negativo de IRPJ, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 483484: 59. Ao apurar o "saldo negativo de IRPJ AC 1998" a DRF desconsiderou a importância de R$ 192.343,50, considerando a inexistência de "liquidez e certeza" do crédito mencionado. O contribuinte se insurge quanto à glosa efetuada, nos seguintes termos: A autoridade fiscal glosou o montante de R$ 192.343,50 (..) referente a crédito fiscal constituído com depósitos judiciais de IRPJ efetuados pela recorrente(...) Os depósitos judiciais de IRPJ referemse ao Processo nº 1997. 38.00. 0573836 (...) O referido processo judicial transitou em julgado em 28 de julho de 2003(...) Em síntese, o contribuinte informa que desistiu de discutir o mérito da ação judicial e defende que o trânsito em julgado da ação ocorreu em 28/07/2003 buscando amparo em manifestações do Poder Judiciário. 60. Considerando o "transito em julgado" em 28/07/2003, argumenta: "a recorrente reconhece que as compensações realizadas (...) ocorreram antes da desistência e trânsito em julgado da ação judicial, que se deu com o protocolo da recorrente do pedido de conversão em renda da União Federal dos valores depositados judicialmente em 28 de julho de 2003". "contudo, é fato que após o trânsito em julgado e o pedido de conversão dos depósitos judiciais em renda da União, Fl. 686DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 1401001.311 S1C4T1 Fl. 13 12 em 28 de julho de 2003, os depósitos passaram a ser considerados como pagamento efetivo e, conseqüentemente, "créditos líquido e certo, passível de compensação ". 61. As DCOMP's em análise neste processo foram protocolizadas no período de dezembro/2002 a março/2003. Considerando as informações prestadas pelo próprio contribuinte, nesta data, os depósitos judiciais correspondentes ao IRPJestimativa mensal apurada em 1998 ainda estavam em litígio[perante o] Poder Judiciário. Acerca deste assunto, o CTN (Código Tributário Nacional) não deixa dúvida. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LCp 104, de 10/01/01) Notese então que, ainda que comprovado o trânsito em julgado da ação judicial mencionada pelo contribuinte em julho de 2003, e não foi, qualquer compensação aventada antes desta data está expressamente vedada pela legislação vigente. Assim sendo, não há como considerar como componente do saldo negativo de IRPJ apurado em 1998 a importância de R$ 192.343,50, contestada judicialmente na data da apresentação das DCOMP's. Mais uma vez resulta evidente que a embargante, na realidade, discorda do entendimento adotado por este colegiado. No entanto, conforme mencionado alhures, os embargos declaratórios não constituem meio processual adequado para veicular discordâncias desta natureza. Por esta razão, considero que em relação a este tema, os embargos também são dignos de rejeição. Conclusão Nestes termos, voto peja rejeição dos presentes embargos de declaração. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 687DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 13839.000937/2002-44
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Somente se configura a homologação tácita dos débitos declarados em DCFT, relativos a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do fato gerador.
Numero da decisão: 3803-006.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Demes Brito, Paulo Renato Mothes de Moraes e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Demes Brito, Paulo Renato Mothes de Moraes e João Alfredo Eduão Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1757; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 162 1 161 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.000937/200244 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.962 – 3ª Turma Especial Sessão de 19 de março de 2015 Matéria IPI AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SDK ELÉTRICA E ELETRÔNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DO LANÇAMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Somente se configura a homologação tácita dos débitos declarados em DCFT, relativos a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 09 37 /2 00 2- 44 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13839.000937/200244 Acórdão n.º 3803006.962 S3TE03 Fl. 163 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Demes Brito, Paulo Renato Mothes de Moraes e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou procedente em parte a Impugnação manejada pelo contribuinte supra identificado em decorrência da lavratura de auto de infração eletrônico em que se exigiram parcelas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)), no montante de R$ 95.357,26, incluídos os acréscimos legais, tendo por fundamento a não comprovação do processo judicial informado em DCTF para justificar a suspensão da exigibilidade do imposto. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu o cancelamento do auto de infração, alegando que interpusera Medida Cautelar Inominada, na 2ª Vara Federal da Seção Judiciária de Campinas/SP, sob o n° 97.06095950, e Ação Ordinária. Declaratória n° 96.06111662, visando à exclusão da multa moratória no parcelamento do IPI. Segundo o então Impugnante, a referida Ação Ordinária Declaratória se encontrava em fase de apelação junto ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, restando sub judice, portanto, a matéria dos presentes autos. Ressaltouse, também, que fora entregue em 05/06/1998 a DCTF retificadora, informando sobre a obtenção de Medida Liminar no referido processo n° 97.6095950. Junto à Impugnação, o contribuinte trouxe aos autos cópias da DCTF e das petições iniciais propostas nas ações judiciais referenciadas. Posteriormente, por provocação da DRJ Ribeirão Preto/SP, a repartição de origem procedeu à revisão do auto de infração, tendo consignado que, não obstante a efetiva existência da ação judicial informada em DCFT, o contribuinte não se eximira de comprovar a obtenção de qualquer decisão judicial, liminar ou não, favorável a sua tese, não servindo o mero peticionamento junto ao Poder Judiciário à suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Cientificado da decisão, o contribuinte contestou o resultado da revisão do lançamento, alegando que (i) o ato judicial devia prevalecer sobre o ato administrativo, que (ii) ele era credor da União, fato esse que amparava a compensação declarada, com fulcro no art. 368 do Código Civil, independentemente de outorga judicial e que (iii) havia ocorrido a “prescrição” qüinqüenal. O acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/1997 a 21/06/1997 FALTA DE RECOLHIMENTO. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13839.000937/200244 Acórdão n.º 3803006.962 S3TE03 Fl. 164 3 A falta ou insuficiência de recolhimento do IPI, apurado em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXONERAÇÃO. Exonerase a multa de oficio imposta sobre diferença apurada em débito declarado na DCTF, tendo em vista a retroatividade benigna do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação do art. 18 da Lei n° 11.488, de 2007. Lançamento Procedente em Parte Preliminarmente, atestou o julgador de primeira instância que a prescrição alegada tratavase na verdade de prazo decadencial, uma vez que dizia respeito à constituição do crédito tributário, e que, em razão da inexistência de pagamento antecipado do tributo declarado em DCTF, o prazo decadencial contavase a partir do 1° dia do exercício seguinte ao que poderia ser lançado. No mérito, destacou o julgador que o contribuinte podia efetuar a compensação sem DARF, mas desde que se tratasse de indébitos líquidos e certos, ainda que decorrentes de ação judicial. Na ação cautelar, atestou o julgador, o autor postulara os valores pagos a título de multa e correção monetária em parcelamento anterior de débitos do IPI para fins de compensação com débitos vincendos do mesmo tributo, lastreado apenas nas petições judiciais, sem fundamento em qualquer decisão judicial a ele favorável. Destacou o julgador que, no processo judicial nº 97.06111646, o juiz de primeira instância havia deslindado a estratégia do contribuinte de postergar o pagamento de tributos através da litigância judicial, dada a falta de identificação do fundamento jurídico do pedido, valendose da proposição da ação para se ter por consignada a tese de confissão espontânea e, dessa forma, se esquivar de multa e demais encargos. Cientificado da decisão em 30/10/2008, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido de cancelamento do auto de infração, alegando a ocorrência de prescrição judicial e administrativa, sob o fundamento de que o transcurso do prazo para se efetivar o lançamento de ofício devia ser contado a partir da data do fato gerador. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis De início, registrese que o carimbo contendo a data de recepção do Recurso Voluntário encontrase ilegível (fl. 144), mas que, considerando a data da juntada nos autos do recurso (fl. 152), ocorrida em 01/12/2008, concluise pela tempestividade da peça recursal apresentada em 30/10/2008. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13839.000937/200244 Acórdão n.º 3803006.962 S3TE03 Fl. 165 4 Conforme acima relatado, restou caracterizada, insofismavelmente, tanto neste processo, quanto no processo judicial, a tentativa do Recorrente de se valer de meras petições judiciais, desprovidas de fundamento jurídico e de qualquer provimento favorável à tese defendida, para postergar o pagamento de tributos por meio de litigância judicial. Mesmo após ter sido instigado pela repartição de origem e pela Delegacia de Julgamento a comprovar a obtenção de qualquer decisão judicial que amparasse a compensação declarada em DCTF, ele se desincumbiu do seu dever de comprovar o direito pleiteado. Cabe à pessoa que alega o dever de provar o direito pleiteado ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea, nos termos exigidos pelo art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF). Em relação ao prazo qüinqüenal para a constituição do crédito tributário, há que se registrar que, não havendo pagamento antecipado do débito declarado em DCTF, a decadência é aferida com base no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN) 1, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, e não no art. 150, § 4º, do mesmo Código2, que estipula a data do fato gerador como termo inicial da homologação tácita. No presente caso, de acordo com as cópias de DCTFs e do DARF trazidas aos autos pelo Recorrente (fls. 27 a 44), constatase que, com exceção do período de apuração relativo ao 2º decêndio do mês de abril de 1997, nos demais períodos, não houve pagamento antecipado, tendo sido os débitos apurados nesses casos considerados como extintos por compensação, procedimento esse demonstrado como inidôneo por falta de fundamento. Em relação ao 2º decêndio de abril de 1997, houve o pagamento antecipado no valor de R$ 3.520,82, conforme se verifica da página 14 da DCTF retificadora (fl. 39) e da cópia do DARF presente à fl. 29. Contudo, tendo sido o auto de infração cientificado pelo Recorrente em 15/03/2002 (fl. 63), nessa data, independentemente da regra de decadência aplicável, temse 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 2 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13839.000937/200244 Acórdão n.º 3803006.962 S3TE03 Fl. 166 5 por não configurada a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos no 2º trimestre de 1997. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/06/2015 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000890/2002-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 19/05/2000 a 08/06/2000
Eenta:
MULTA - Presentes nos autos comprovação de valores subfaturados, após comparação com preços utilizados no mercado. Recurso provido.
Numero da decisão: 9303-003.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 19/05/2000 a 08/06/2000 Eenta: MULTA - Presentes nos autos comprovação de valores subfaturados, após comparação com preços utilizados no mercado. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1743; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 961 1 960 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12466.000890/200231 Recurso nº 128.701 Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.177 – 3ª Turma Sessão de 25 de novembro de 2014 Matéria Imposto Sobre a Importação II Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WESTLAND TRADERS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO E OUTROS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 19/05/2000 a 08/06/2000 Eenta: MULTA Presentes nos autos comprovação de valores subfaturados, após comparação com preços utilizados no mercado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 08 90 /2 00 2- 31 Fl. 961DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Em Recurso Especial, fls. 821/829, admitido pelo Despacho nº 3020.240 – 2ª Câmara / 3º Conselho de Contribuintes (fl. 830/832), datado de 01.10.2008, insurge a Fazenda Nacional contra o Acórdão 30237.031 (fls. 779/799), que I) Por unanimidade de votos, a) rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento por preterição do direito de defesa, b) rejeitou a preliminar de ilegitimidade de parte passiva ad causam e c) rejeitou a preliminar de decadência. No mérito, II) Por maioria de votos, negou provimento ao recurso em relação aos tributos e III) Pelo voto de qualidade, deu provimento para excluir as penalidades. O Acórdão 30237.031 (fls. 779/799), após embargos declaratórios da Fazenda Nacional (fls. 804/805), foi reformulado pelo Acórdão 30238.850 (fls. 812/816), passando a trazer a seguinte ementa: PRELIMINARES DE NULIDADE DO LANÇAMENTO, DE ILEGITIMIDADE DE PARTE PASSIVA AD CAUSAM E DE DECADÊNCIA. Inexiste nulidade do lançamento por preterição do direito de defesa, uma vez que a imputação surge com o auto de infração, e esse sim é a primeira pega de um eventual processo, que tem de prestigiar os consagrados princípios da ampla defesa e do contraditório. São partes legitimas, tanto a pessoa jurídica que importou, art. 121 do Código Tributário Nacional, quanto a responsável solidária, art. 124, I, do Código Tributário Nacional, dai porque afastamse as preliminares de ilegitimidade de parte passiva ad causam argüidas pelas recorrentes. Inexiste decadência no lançamento, uma vez que efetuado com lastro nos arts. 455 a 457, do Regulamento Aduaneiro/ 1985, que tratam da Revisão Aduaneira, a qual tem prazo decadencial de cinco anos a partir do fato gerador, nos casos de imposto sobre a importação, por ser este um caso típico de lançamento na modalidade por homologação, aplicandose, por conseguinte, o §4°, do art. 150 do Código Tributário Nacional. DA FRAUDE E DA MULTA QUALIFICADA. A multa qualificada não pode subsistir, ante a carência de provas inequívocas de fraude no processo, e neste caso milita em favor do recorrente o principio do "in dubio pro reo". VALORAÇÃO ADUANEIRA. A valoração aduaneira efetivada pela autoridade autuante foi procedida usando critérios razoáveis, com base em dados disponíveis no pais de importação, onde constam pregos médios de mercadorias similares aos importados pela autuada, conforme artigo 7° do Acordo de Valoração, visto que a legislação determina que para a valoração podese utilizar preço de importação baseado em dados disponíveis. Não havendo, portanto, nenhuma violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, no caso vertente, decorrente da aplicação de outro método que não o do valor de transação. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.000890/200231 Acórdão n.º 9303003.177 CSRFT3 Fl. 962 3 RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Pretende a Fazenda Nacional a reforma do julgado, quanto à qualificação da multa de ofício de que trata o art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, por entender ter restado evidente a ocorrência de sonegação fiscal, fraude e conluio. Sonegação fiscal por ter ficado caracterizado a importação por pessoa interposta com indicação de importador “laranja” para impedir o conhecimento pela autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador do Imposto sobre a Importação. Fraude à lei por utilizarse a recorrida JÁ&A, importadora de fato, de empresa beneficiária do Sistema Fundap para promover importações que estava impedida legalmente de realizar e por ter modificado características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal com o objetivo de reduzir o pagamento do Imposto sobre a Importação. Além disso, fraude por ter declarado preços inferiores ao de mercadorias similares. Conluio por terem as recorridas unido esforços para, juntas, reduzir o montante do tributo devido. Pugna pela imposição da multa agravada e, alternativamente, a imposição de multa de ofício no percentual de 75%. Contrarrazões apresentada pela Westland Traders Importação e Exportação LTDA às fls. 886/909. A recorrida alega, preliminarmente, ausência de pressuposto de admissibilidade do Recurso Especial interposto pela PGFN por confrontar súmula ou jurisprudência dominante do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, motivando seu pleito no art. 557 do Código de Processo Civil e art. 38, da Lei nº 8038/90. Argumenta, ainda, a não admissibilidade do recurso por falta de pressuposto processual e vício de forma. Aduz que a exposição do fato e do direito encontramse embaralhadas e ininteligíveis de modo a prejudicar o bom julgamento da causa por este Colegiado. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 No mérito, ressalta a ausência de provas e até mesmo indícios que comprovem a participação da Westland nos fatos descritos pela Fazenda Nacional. Alega cerceamento do direito de defesa em razão de referência genérica a 59 DI’s, que também foram citadas em outros processos, impossibilitando a recorrida identificar quais as 13 DI’s que foram objeto de revisão aduaneira e que deu origem ao lançamento tributário. Salienta que a fiscalização não comprovou nem sequer identificou a importação para qual não foi possível obter a Licença de Importação, dificultando, mais uma vez, seu exercício do direito de defesa. Afirma que os auditores fiscais se limitaram a efetuar simples comparação com preços de mercadorias similares, fato que vem sendo repudiado pela doutrina, jurisprudência pelas e normas que regem o procedimento. Defende a ilegalidade do procedimento adotado pela fiscalização, que nunca a notificou para pagar eventuais diferenças tributárias decorrentes dos atos de revisão ou até mesmo para discutir em sede própria os preços questionários, contrariando o art. 50 da IN SRF nº 16/98. Destaca que, não há como justificar a imposição de multa agravada, seja porque não agiu em momento algum com dolo ou qualquer intuito de burlar a tributação, seja porque referida penalidade possui nítido caráter confiscatório. Com isso, requereu o acolhimento das preliminares para a rejeição do Recurso Especial da Fazenda Nacional ou para que seja negado provimento ao recurso fazendário quanto à exclusão das multas de ofício. Apenas a título informativo, a Westland Traders Importação e Exportação LTDA. Interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 841/875) pleiteando a nulidade do lançamento. Ocorre que, através do Despacho 3100025 (fls. 919/921) e Reexame Necessário (fls. 922/923) as autoridades judicantes entenderam que o dissídio jurisprudencial não restou devidamente comprovado pelos acórdãos colacionados. É o relatório. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.000890/200231 Acórdão n.º 9303003.177 CSRFT3 Fl. 963 5 Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tudo originouse de revisão aduaneira de Declarações de Importação – DI, registradas em nome da ora Recorrente, no período de abril/2000 a março/2001. Busca a Fazenda Nacional a imposição da multa de ofício na forma qualificada sob o argumento da existência de fraude por ação ou omissão dolosa com enquadramento no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. Alega estar comprovada nos autos a hipótese de sonegação fiscal no momento em que os ora Recorridos tentaram impedir dolosamente o conhecimento da autoridade fazendária às circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, tudo isto quanto a identificação inverídica do importador, do exportador e do valor aduaneiro das mercadorias. Informa que a empresa com registro estadual no Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias – Fundap, dita fundapiana, denominada WESTLAND, consta das DI´s como suposta importadora, enquanto que as empresas PRÓ ORION COM. IMP. EXP. LTDA, LEGUS COM.IMP.EXP.LTDA e VIA SUL COMÉRICO E REPRESENTAÇÕES LTDA., aparecem como supostos liquidantes dos contratos de câmbio mesmo que estando as mesmas em situação irregular à época do registro das operações. A primeira, ora Recorrente, foi autuada na qualidade de contribuinte e a Pró Orion e J&A na qualidade de responsáveis solidários sendo que a PróOrion teve termo de revelia lavrado na fl. 455 e cientificada da decisão, por edital, fl. 738 (fl. 739), portanto, somente a Westland e J&A promoveram interposição de recurso voluntário. Expende a Contribuinte em seu Recurso, que não é de sua responsabilidade o pagamento do tributo e as penalidades decorrentes registrando que a própria Autoridade lançadora reconhece que a importadora de fato foi a empresa JÁ&A responsável pelo fechamento do câmbio, despacho aduaneiro, estrutura da operação, contato com a exportadora MADILER S. A. e, finalmente, pela nacionalização e comercialização das mercadorias importadas, não tendo ela, ora Recorrente, nenhuma participação nesses atos. Diz a Recorrente, segundo consta às fls. 752, que no ambiente que se cuida neste processo atuou apenas e tão somente na qualidade de TRADING COMPANY por conta e ordem de terceiro, contratada para trazer mercadorias, desembaraçálas e entregálas nos endereços indicados pelo importador não sendo possível, também, a sua responsabilidade por qualquer subfaturamento. Aproveito o registro do Ilustre Conselheiro Relator Corintho Oliveira Machado, (fls.754/755) quando afirma no voto que nega provimento ao Recurso Voluntário: “...vislumbro perfeitamente caracterizada a participação da recorrente JÁ&A Serviços de Comércio Exterior Ltda., como importadora de fato, pois há nos autos um conjunto probatório que milita em prol de tal conclusão: 1) as declarações dos dirigentes da Westland Traders Fl. 965DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Importação e Exportação Lda.( fls. 36 a 38) onde evidenciase a inexistência de contato direto da Westland com o exportador, e, de outro lado, o contato direito feito pelo Sr. Alencar da JÁ&A, inclusive determinando para quem seriam emitidas as notas fiscais de saídas das mercadorias nacionalizada (item 17 da fl. 38); 2) as empresas atacadistas (fls. 68 a 80) que adquiriram as mercadorias importadas em nome da empresa Westland Traders Importação e Exportação Ltda, também confirmam a participação da JÁ&A nas tratativas com o exportador, empresa de transporte interno, despachante aduaneiro e fundapiana, bem com oferecendo as mercadorias nacionalizadas e negociando seus preços em moeda nacional, inclusive recebendo inclusive recebendo as quantias em suas contas, fls. 69 (item 6), depósitos às fls. 72 a 74.” Do Recurso interposto pela Fazenda Nacional extraio considerações sobre declarações inexatas que acarretaram redução inadequada nos valores das mercadorias isto comprovado quando se faz a comparação com os preços utilizados no mercado. Para tanto, oferece tabelas das mercadorias importadas onde registro por oportuno itens como blusa para uso feminino (fl. 790) com valor declarado de 0,12 sendo o de mercado igual a 2,48; gravatas de seda, 0,14 e com valor de mercado 0,80 e calça de fibras sintéticas de 0,35 a 1,20 para valor de mercado de 2,10. Vejo no desempenho da autuação (35 laudas) muita eficiência além da preocupação em obter várias declarações dos envolvidos porque buscando os elementos que envolvem o lançamento principalmente quanto às características dos produtos importados visando um correto tratamento administrativo(fls.06/07), inclusive envolvendo levantamento de valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares (fl.16/17) com dezesseis itens, tendo sido a valoração aduaneira operada em consonância com o art. 3º (mercadoria similar) do AVA com a utilização do valor mais reduzido nas importações de mercadorias similares realizadas à mesma época das importações da ora Recorrente, tudo constante de tabelas nas fls. 107 a 139. Nas Contra Razões (fls. 850/872) a Westland reafirma a inadequação do lançamento por ausência de oportunização para esclarecimentos acerca dos preços praticados porém, nelas também não insere esclarecimentos acerca dos valores declarados apesar de conceituar o lançamento como totalmente ilegal, inadmissível e um absurdo sem precedentes principalmente porque a fiscalização não comprovou a inexistência de licença de importação e, ainda, que os preços declarados foram aceitos pelo sistema e não contestados pelos fiscais A Recorrente reverbera em várias ocasiões neste processo o fato de não haver sido chamada, durante a confecção do auto de infração, para “discutir, em sede própria” (fl. 309) os aspectos que envolviam a valoração aduaneira. De fato, nesse particular assiste razão à Recorrente uma vez que presente no art. 32 da IN 327/2003, a possibilidade de serem solicitados esclarecimentos sobre a veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados, ou ainda outras provas de que o valor declarado representa o montante efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Mesmo assim o desenvolvimento dos trabalhos transcorreu sem prejuízo com relação à verdade dos fatos. No entanto, não se posicionou nas várias fazes onde após a lavratura do auto de infração o contraditório se instalou, para comprovar por declaração do vendedor e/ou de outros fornecedores por exemplo, a confirmação, mesmo que aproximada, dos valores declarados. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.000890/200231 Acórdão n.º 9303003.177 CSRFT3 Fl. 964 7 Ainda que a Recorrente tenha operado como Trading Company e nessa condição colocando sua estrutura legal à disposição de terceiro, não teve o necessário cuidado quanto à verificação dos valores praticados na internalização das mercadorias cujas formalidades fiscais foram por ela materializadas. Diante de todo o exposto, voto no sentido da dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 25 de novembro de 2014. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Fl. 967DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11080.904867/2013-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/04/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 48 67 /2 01 3- 32 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904867/201332 Acórdão n.º 3801005.061 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904867/201332 Acórdão n.º 3801005.061 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904867/201332 Acórdão n.º 3801005.061 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904867/201332 Acórdão n.º 3801005.061 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904867/201332 Acórdão n.º 3801005.061 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904867/201332 Acórdão n.º 3801005.061 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904867/201332 Acórdão n.º 3801005.061 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904867/201332 Acórdão n.º 3801005.061 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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