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Numero do processo: 13603.002650/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FATO GERADOR COMPLEXIVO.
O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que, por ser considerado complexivo, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano (artigo 150, § 4º do CTN). Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, I do CTN).
Numero da decisão: 2201-006.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
Débora Fófano dos Santos - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FATO GERADOR COMPLEXIVO. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que, por ser considerado complexivo, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano (artigo 150, § 4º do CTN). Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, I do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 26 50 /2 00 8- 16 Fl. 203DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-006.066 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.002650/2008-16 Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 189/201) interposto contra decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) de fls. 174/180, a qual julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito formalizado no auto de infração – Imposto de Renda Pessoa Física, lavrado em 20/6/2008 (fls. 3/14), acompanhado do Termo de Verificação Fiscal (fls. 15/21), decorrente de procedimento de verificação do cumprimento de obrigações tributárias em razão da incompatibilidade entre a movimentação financeira informada pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal e os rendimentos declarados pelo contribuinte na declaração de ajuste anual do exercício de 2004, ano-calendário de 2003, entregue em 8/3/2006 (fls. 24/26). Do Lançamento O crédito tributário objeto do presente processo, no montante de R$ 2.949.435,28, já incluídos juros de mora (calculados até 30/5/2008) e multa proporcional (passível de redução) de 75%, refere-se à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada no montante de R$ 4.631.062,19. Da Impugnação Cientificado do lançamento em 23/7/2008 (AR de fl. 154), o contribuinte apresentou impugnação em 21/8/2008 (fls. 155/166), alegando em síntese, conforme resumo extraído do acórdão recorrido (fls. 176/177): Inicialmente, diz que a pretensão fiscal é totalmente descabida porque, além de os depósitos bancários não se ajustarem ao conceito de renda, a fundamentação legal citada não autoriza lançamento por omissão de rendimentos e encontra-se, em parte, atingida pela decadência. Alega que a Lei n° 7.713/88 trouxe profundas modificações ao imposto de renda das pessoas físicas. Abandonou-se a base anual do imposto, passando o tributo a bases correntes, com a liquidação mensal do imposto devido, anulando-se a defasagem entre o período de percepção do rendimento e o momento da arrecadação. Não obstante a incidência mensal do imposto, o legislador instituiu obrigação acessória para os contribuintes ao determinar a apuração do saldo em reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído mediante apresentação de declaração de rendimentos (art. 7º da Lei n° 9.250/95). Contudo, entende que esse mecanismo não retira do mundo jurídico o momento da ocorrência do fato gerador definido em lei. Com efeito, a legislação determinou, com extrema clareza e precisão, a ocorrência mensal do fato gerador do imposto de renda das pessoas físicas. Isto porque existindo renda (produto do capital e/ou trabalho) ou acréscimo patrimonial, mensalmente, estes haverão de ser tributados na exata medida em que se inserem na esfera de disponibilidade do contribuinte, pois neste momento surge o fato gerador do imposto, fazendo nascer a obrigação tributária. Fl. 204DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-006.066 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.002650/2008-16 Considera que a declaração de rendimentos é mera obrigação acessória e não tem o condão de alterar o momento de ocorrência do fato gerador do imposto, que é mensal, a teor da Lei n° 7.713/88. Portanto, o lançamento de ofício que considera a apuração do imposto em base anual afronta o texto legal e dá causa a sua nulidade, tratando-se de vício insanável na constituição do crédito tributário. Cita jurisprudência. Aduz que a fiscalização tributou o somatório dos depósitos na declaração de ajuste anual, ferindo frontalmente a legislação que determina a apuração no mês em que considerados recebidos - art. 2° da Lei n° 7.713/88. Alega ainda que o depósito bancário, embora possa demonstrar movimentação de riqueza em nome do contribuinte, não pode ser aceito, por si só, como produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e nem como acréscimo patrimonial por não ser capaz de medir o patrimônio em dois momentos distintos (no início e no final do período de apuração). É sabido que nem tudo que passa pela conta corrente configura renda. Colaciona ementas de julgados que cancelaram lançamentos baseados apenas em depósitos bancários. Suscita a decadência do direito de lançar o débito com base no art. 150 do Código Tributário Nacional, colacionando doutrina sobre o assunto. Entende que no caso dos autos, o lançamento referente ao ano-calendário de 2003 foi efetuado em 20.06.2008, tendo o Impugnante dele tomado ciência em 23.07.2008. Daí porque o lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos de janeiro a junho de 2003 não pode prevalecer porque já havia decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. Junta jurisprudência. No mérito, alega que a análise da definição do fato gerador do imposto de renda a que se refere o art. 43 do CTN, contendo, implícita, a idéia da existência necessária de um acréscimo patrimonial, nos leva a concluir que a ocorrência do fato gerador está condicionada à disponibilidade de acréscimo patrimonial. O Código efetivamente adotou o conceito de renda acréscimo. Sem acréscimo patrimonial não há nem renda, nem proventos. Assim, guardadas as exceções legalmente previstas, pode-se afirmar que estamos na presença de uma realidade e não de uma presunção. Entende que depósitos bancários feitos durante o ano-calendário não constituem em prova de omissão de rendimentos, não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos e nem podem ser tomados como valores representativos de acréscimos patrimoniais. Cita doutrina. Transcreve os dispositivos legais citados no auto de infração e conclui que nenhum deles autoriza o lançamento de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada. Diz que as hipóteses de incidência tributária listadas referem- se a rendimentos especificamente definidos dentro de uma realidade fática e não a somatório de depósitos bancários cujos valores sequer caracterizam renda. Requer o acolhimento da impugnação a fim de reconhecer-se a nulidade do auto de infração e a insubsistência do lançamento. Sucessivamente, se mantido o lançamento, pede a exclusão das parcelas decaídas. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, em sessão de 4 de janeiro de 2011, a 9ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a impugnação improcedente, conforme ementa do acórdão nº 02-36.900 - 9ª Turma da DRJ/BHE, a seguir reproduzida (fl. 174): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2003 Fl. 205DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-006.066 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.002650/2008-16 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. O fato gerador do imposto de renda, em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, ocorre em 31 de dezembro e não mensalmente; dessa forma, quando da ciência do lançamento, em 23/07/2008, ainda não havia transcorrido o prazo decadencial para fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2003. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracteriza-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Devidamente cientificado da decisão da DRJ em 16/3/2012 (AR de fls. 187/188), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 16/4/2012 (fls. 189/201), com os seguintes argumentos: II - PRELIMINAR Preliminarmente o referido auto de infração não pode prosperar por falta de respaldo legal e principalmente por ferir o Principio da Legalidade, visto que o enquadramento legal citado pelo Auditor Fiscal (fls. 03/04) não autorizam o lançamento de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada. (...) Com base da Lei 9784/99 o Auditor Fiscal tem por dever fundamentar de forma clara e precisa o dispositivo legal infrigido (sic) pelo Contribuinte sempre que a este impor deveres, encargos ou sanções. (...) A falta do enquadramento legal correto e preciso, impossibilita o contribuinte de reconhecer dentro do âmbito legal suas infrações e penalidades, tornando o ato administrativo eivado de vicio de legalidade, devendo este ser na sua integralidade ANULADO, como obediência ao art 53 da Lei 9784/99. (...) Apesar da relatora as fls. 179 citar o art. 42 da Lei 9430/96 justificando os lançamentos do Auditor Fiscal com base na omissão de receitas, tal procedimento não poderá ser considerado como fundamentação legal pois, o momento para este dever somente pode ser aceito quando realizado no auto de infração, sob pena de ferir os Princípios da Legalidade e da Ampla Defesa e do Contraditório pela não observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados previstas no art. 2º, VIII. Fl. 206DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-006.066 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.002650/2008-16 III - DIREITO 3.1 - DA OMISSÃO DE RECEITA Ainda que o auto de infração não estivesse eivado de vício, o fato gerador do imposto de renda a que se refere o art. 43 do CTN firma a idéia da necessária existência de acréscimo patrimonial. O Código Tributário Nacional adotou o conceito de renda acréscimo, ou seja, não havendo acréscimo patrimonial não há de se cogitar nem renda nem provento, e sim, mera movimentação financeira. Os simples depósitos bancários não constituem prova de omissão de receitas, não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos pois, não existiu decorrente destas movimentações aumento patrimonial. (...) 3.2 DECADÊNCIA Considerando as modificações ocorridas com a Lei 7713/88 , em que a incidência do imposto de renda passou a ter sua apuração mensal com arrecadação também nesta periodicidade, literalmente transformou o exercício de apuração e constituição de crédito tributário de anual em mensal. Sendo assim, a decadência do direito de constituição do crédito tributário, por lógica, extingue-se 5 (cinco) anos após o encerramento de cada exercício mensal. Basta para tanto observar o próprio artigo 173, I do CTN citado pela turma julgadora às fls. 178, (...) Fica claro, que o Fisco tem o poder/dever de através dos seus mecanismos de fiscalização confrontar as movimentações bancárias com as declarações de rendimentos dos contribuintes, para intimá-los a apresentar seus esclarecimentos, porém o prazo decadencial começa a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Se os prazos começam a contar da primeira possibilidade de acesso do Fisco ao crédito, esta data não poderia ser outra senão o primeiro dia do exercício seguinte, pois desde então com as apurações mensais do IRRF e com acesso as movimentações bancárias do contribuinte o Fisco já teria condições de verificar a ocorrência ou não de omissão de rendimentos. No caso em tela as apurações dos tributos dos meses janeiro a junho de 2003, deveriam ter sido realizadas no máximo nos primeiros dias dos meses de fevereiro a julho de 2008, respectivamente. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 23/07/2008 não cabe direito ao Fisco de constituir créditos tributários relativos a estes exercícios, pois aceitar tal prática seria permitir que o instituto da decadência fosse algo flexível e ajustável a casos específicos, o que não pode ocorrer em face dos Princípios da Legalidade e da Segurança Jurídica. IV - A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido a nulidade do auto de infração com o cancelamento do débito fiscal reclamado na sua integralidade, e caso mantido o lançamento que sejam excluídas as parcelas decaídas. O presente recurso compôs lote sorteado para esta relatora em sessão pública. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora. Fl. 207DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-006.066 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.002650/2008-16 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Da Omissão de Rendimentos O Recorrente alega que o auto de infração não pode prosperar por falta de respaldo legal, tendo em vista que o enquadramento citado não autoriza o lançamento de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada. No âmbito do processo administrativo fiscal são tidos como nulos os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235 de 1972: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Esclareça-se que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Para serem considerados nulos os atos, termos e a decisão têm que ter sido lavrados por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte. Ademais, a violação à ampla defesa deve sempre ser comprovada, ou ao menos existir fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. No presente caso, o auto de infração foi lavrado por autoridade competente (Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil), estão presentes os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal e contra os quais o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa. Pertinente deixar consignado que no Termo de Intimação Fiscal nº 835/2007 de 19/11/2007 (fls. 126/130), o contribuinte foi intimado a comprovar: (...) mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos creditados, no ano-calendário de 2003, na Conta Corrente n° 10.7041.68, administrada pela agência São Lucas (Belo Horizonte) do BankBoston e, na Conta Corrente n° 32088493 administrada pelo Citibank S.A., consoante extratos fornecidos pelo citado contribuinte (...) Constando no campo de “observações” do referido termo de intimação a seguinte informação (fl. 130): A não comprovação da origem dos recursos supracitados ensejará lançamento tributário por omissão de rendimentos consoante art. 42 da Lei nº 9.430/96; (...) Ademais, na descrição do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal foi relatado que a infração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados nas Fl. 208DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-006.066 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.002650/2008-16 contas de titularidade do contribuinte, decorreu do fato de, regularmente intimado, não ter comprovado mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal disposição está expressa no caput do artigo 42 da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.563-7, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 5 o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 6 o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Pertinente deixar consignado que a Lei nº 9.430 de 1996, revogou o § 5º do artigo 6º da Lei nº 8.021 de 12 de abril de 1990, abaixo reproduzido, que exigia a prévia demonstração Fl. 209DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas/1563-7.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas/1563-7.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9481.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2002/66.htm#art58 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2002/66.htm#art58 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm#art58 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm#art58 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2002/66.htm#art58 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas_2002/66.htm#art58 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm#art58 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm#art58 Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-006.066 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.002650/2008-16 de sinais exteriores de riqueza pelo agente fiscal para o lançamento de ofício com base na renda presumida decorrente de depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Com o advento do artigo 42 da Lei nº 9.430 de 1996, o agente fazendário ficou dispensado de demonstrar, a partir dos fatos geradores do ano de 1997, a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo contribuinte. Os extratos bancários possuem força probatória, recaindo o ônus de comprovar a origem dos depósitos sobre o contribuinte, por meio de documentação hábil e idônea, sob pena de presumir-se rendimentos tributáveis omitidos em seu nome. Nessa linha de entendimento, o enunciado sumulado nº 26 deste Tribunal Administrativo: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Do exposto, por definição legal, a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações constitui-se em fato gerador do imposto de renda, nos termos do disposto no artigo 43 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional)1. Logo, não há qualquer ilegalidade a utilização de valores depositados em conta do contribuinte fiscalizado, quando regularmente intimado, deixa de comprovar a origem de tais recursos. Nos termos do § 3º do artigo 42 da Lei nº 9.430 de 1996, é ônus do contribuinte para elidir a tributação, a comprovação individualizada, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos depositados nas contas. O artigo 15 do Decreto nº 70.235 de 19722 determina que a impugnação deve estar acompanhada de toda a documentação em que se fundamentar. Deste modo, cabia ao Recorrente comprovar a origem dos recursos depositados na(s) sua(s) conta(s) bancária(s) durante a ação 1 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) 2 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 210DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-006.066 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.002650/2008-16 fiscal, ou quando da apresentação de sua impugnação ou recurso, pois o crédito em seu favor é incontestável. Nesse sentido, não prosperam as alegações do Recorrente não havendo que se cogitar da nulidade do lançamento. Da Decadência O Recorrente alega ainda a nulidade do lançamento sob o argumento de que o auto de infração foi lavrado depois de transcorrido o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário. É importante destacar que o IRPF é um tributo cujo fato gerador é complexivo. Isso significa que, a despeito de sua apuração ser mensal, ele está submetido ao ajuste anual, momento no qual é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva do tributo, pelo que o seu fato gerador apenas é aperfeiçoado na data de 31/12 de cada ano-calendário. Em relação ao fato gerador do imposto de renda relativo à omissão de rendimentos caracterizada por depósito de origem não comprovada pertinente a transcrição da Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. O STJ já se pronunciou acerca da decadência no Recurso Especial n° 973.733 SC (2007/01769940), julgado pelo STJ em 12/8/2009, vinculante a este CARF, nos termos do artigo 62, §2° do Anexo II ao RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, posto que a decisão foi submetida à técnica dos recursos repetitivos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao Fl. 211DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-006.066 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.002650/2008-16 primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Documento: 5496751 - RELATÓRIO, EMENTA E VOTO - Site certificado Página 5 de 12 Superior Tribunal de Justiça Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 Depreende-se da referida decisão que ao analisar o tema decadência, cabe ao intérprete aplicar a regra da contagem do artigo 150, § 4º do CTN3, apenas se, cumulativamente, estiverem presentes os seguintes requisitos: 1) ter ocorrido alguma antecipação de pagamento do tributo devido e 2) o caso não envolver dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte. Em não concorrendo tais circunstâncias, prevalece a aplicação do artigo 173, I do CTN4, ou seja, a contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Analisado o caso concreto, constata-se que na declaração de ajuste anual do exercício de 2004, ano-calendário de 2003 houve antecipação de pagamento caracterizada pela retenção de imposto por fonte pagadora de rendimento tributável (fl. 25), o que atrai a aplicação da regra do artigo 150, § 4º do CTN. Portanto, referindo-se o lançamento ao exercício de 2004, ano-calendário 2003, a data da ocorrência do fato gerador a ser considerada corresponde ao dia 31/12/2003. Ao se aplicar a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no artigo 150, § 4º do CTN, qual seja, cinco anos da data do fato gerador, conclui-se que o crédito tributário teria decaído apenas em 31/12/2008. A ciência do auto de infração ocorreu no dia 23/7/2008 (AR de fl. 154), ou seja, dentro do prazo decadencial, razão pela qual não pode ser acatado o argumento do contribuinte. Conclusão 3 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 4 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Fl. 212DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-006.066 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.002650/2008-16 Diante do exposto, vota-se em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto em epigrafe. Débora Fófano dos Santos Fl. 213DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000995/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 15 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006
ALIMENTAÇÃO IN NATURA PAT.
O fornecimento de alimentação aos segurados empregados não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias
Numero da decisão: 2201-005.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisco Nogueira Guarita Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: FRANCISCO NOGUEIRA GUARITA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
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O fornecimento de alimentação aos segurados empregados não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão nº 12-23.182 - 13ª Turma da DRJ/RJOI, fls. 79 a 89. Trata de autuação referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 95 /2 00 8- 16 Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.901 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.000995/2008-16 Trata-se de Crédito Tributário lançado destinado ao custeio da seguridade social (Terceiros — Art. 94 da Lei 8.212/91 e alterações), com fatos geradores relativos à remuneração de contribuintes segurados empregados, relativo ao fornecimento de alimentação sem inscrição no PAT. 2. 0 valor consolidado deste lançamento é de R$ 1.374,95 , em 09/07/08. Da Impugnação 3. Cita Celso Ribeiro Bastos, quanto ao tratamento que a Constituição da • República dispensou as cooperativas. 4. A empresa paga diretamente os valores das refeições aos restaurantes onde os funcionários fazem suas refeições, sem nada descontar em suas respectivas folhas de pagamento. 5. Alguns funcionários moram muito longe e não têm tempo para irem até as suas residências para almoçarem entre os dois turnos. 6. Remete ao Art. 28, §9°, "c", da Lei 8.212/91 e alterações. As parcelas têm cunho nitidamente indenizatório. 7. Cita ainda os Arts. 3° da Lei 6.321/76 e 457, §2°, da CLT. 8. Acosta arestos jurisprudenciais e pugna pela improcedência do lançamento. 9. Ê o Relatório Em sua decisão, o órgão julgador de 1ª instância, decidiu que não assiste razão a contribuinte, de acordo com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – NÃO INCIDÊNCIA REQUISITOS ESPECÍFICOS Auxilio alimentação pago em dinheiro. Concedido em desacordo com a lei própria integra o salário de contribuição. Para que o Art.28, § 90, alínea "c", tenha o efeito relativo à não incidência de contribuição previdenciária, os requisitos do Art. 3° da Lei n.° 6.321, de 14 de abril de 1976, devem ser contemplados. Considerando que o contribuinte apresentou tempestivamente este recurso voluntário às fls. 99 a 105, conheço do mesmo, que será analisado conforme o voto apresentado a seguir. Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.901 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.000995/2008-16 Voto Conselheiro Francisco Nogueira Guarita, Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Ao iniciar seu recurso, a contribuinte faz uma síntese da autuação nos seguintes termos: Conforme consta dos autos foi lavrado ao auto de infração em causa, RELATIVO AO PERÍODO DE APURAÇÃO compreendido entre 01/04/2006 e 31/12/2006, referente ao fornecimento de alimentação 'in natura' para empregados sem inscrição no PAT após prévia aprovação do Ministério do Trabalho e Emprego, que restou impugnado por defesa da cooperativa ora recorrente relativamente à imposição de penalidades administrativas (multa de R$1.374,95 em 09/07/2008). Em seguida, começa a discorrer se insurgindo contra a autuação em relação ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), para no final solicitar que sejam consideradas as razões da defesa, com a respectiva anulação da autuação em análise. Apesar de nos rendermos às justificativas e argumentos da decisão recorrida, divergimos da mesma, haja vista a existência de várias decisões judiciais que corroboram com as alegações da recorrente, além da existência do parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011, onde orienta os Procuradores da Fazenda Nacional a serem dispensados de recorrer em causas afetas ao tema. Tanto é assim, que a própria Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) reconheceu que o tema encontra-se pacificado no Superior Tribunal de Justiça através do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, manifestando-se pela edição de ato declaratório da Procuradora- Geral da Fazenda Nacional que dispensasse a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional da interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, bem como de apresentar contestação acerca da matéria ora abordada, in verbis: Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílio-alimentação in natura. Nao incidência. Jurisprudência pacífica no Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da lei n° 10.522. de 19 de julho de 2002. e do Decreto nª 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a nao contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Com efeito, foi expedido o Ato Declaratório n.° 03/2011, pelo qual a PGFN ficou autorizada a não apresentar contestação, interpor recurso, bem como de desistir dos já interpostos, quanto às ações judiciais Neste questionamento, entendo que deve ser acatada a exclusão da autuação efetuada a título de Contribuição Previdenciária no que diz respeito à não incidência no caso do auxílio-alimentação in natura. A referida exclusão da autuação é baseada no citado parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011, onde defende que nas decisões que envolvam o auxílio-alimentação in natura a PGFN seja dispensada de contestar e recorrer das decisões contrárias. Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.901 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.000995/2008-16 Portanto, de acordo com o parecer acima, não tem por que manter autuação por temas em que a PGFN já se manifestou no sentido de não mais contestar ou recorrer, devendo portanto, ser acatado o recurso voluntário no sentido de provê-lo para que seja reformada a decisão na parte relacionada ao auxílio-alimentação in natura, restando portanto razão à recorrente. Conclusão Assim, tendo em vista tudo o que consta nos autos, bem como na descrição dos fatos e fundamentos legais que integram o presente, conheço do presente recurso, para no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10930.900003/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
MATÉRIA PRECLUSA. VEDAÇÃO DE JULGAMENTO. ART 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Decreta-se de ofício a nulidade de decisão recorrida que extrapola os limites da lide e profere julgamento em matéria considerada preclusa nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 - PAF.
Numero da decisão: 3201-006.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular de ofício a decisão de primeira instância para que outra seja proferida, suprimindo do julgamento matéria que restou preclusa em sede de manifestação de conformidade.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Laercio Cruz Uliana Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocada).
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 MATÉRIA PRECLUSA. VEDAÇÃO DE JULGAMENTO. ART 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Decreta-se de ofício a nulidade de decisão recorrida que extrapola os limites da lide e profere julgamento em matéria considerada preclusa nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 - PAF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular de ofício a decisão de primeira instância para que outra seja proferida, suprimindo do julgamento matéria que restou preclusa em sede de manifestação de conformidade. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Laercio Cruz Uliana Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocada). Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 00 03 /2 01 4- 10 Fl. 289DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-006.545 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.900003/2014-10 Para bem relatar os fatos, transcreve-se o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Em 30/09/2013 a contribuinte acima identificada transmitiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimento de fls. 05/08. No documento, a pessoa jurídica reivindica crédito de R$ 2.451.139,98 que entende possuir com origem na legislação da Cofins Não Cumulativa, apurado em relação ao 3º trimestre de 2011, com fundamento no §1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003. O direito de crédito pleiteado no mencionado Pedido de Ressarcimento foi utilizado em compensação por meio de DCOMP. Abriu-se procedimento visando a aferição do direito pleiteado cujo resultado foi relatado na Informação Fiscal de fls. 146/165. A auditoria da Seção de Fiscalização da DRF em Londrina - PR, depois de feitas algumas considerações sobre os documentos solicitados à contribuinte e à legitimidade do emprego da técnica da amostragem na correspondente análise, inicia por identificar a forma de atuação da contribuinte: A empresa tem por atividade econômica principal o comércio atacadista de café em grão para o mercado interno e externo, sendo predominante e prioritária a atividade de exportação de café verde, conforme informação sobre a atividade econômica exercida pela empresa [...], na qual é importante destacar os seguintes pontos, haja vista a sua inclusão no conceito de produção constante do artigo 8º da Lei 10.925/2004 pelo § 6º do mesmo artigo: 1. A Comexim compra café beneficiado de qualquer localização do país transfere para a sua filial em Minas Gerais - filial 58.150.087/0005-97 para o processo de rebenefício e padronização dos grãos, procedendo nova redução à nomenclatura COB, e produzindo Blends segundo as características requeridas por cada cliente. CRÉDITOS DA AGROINDÚSTRIA - CRÉDITOS PRESUMIDOS AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS, CEREALISTAS E PESSOAS JURÍDICAS DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA Passando à análise da formação dos créditos da contribuinte, as autoridades fiscais que assinam o documento discorrem sobre a possibilidade de apuração de créditos presumidos para as pessoas jurídicas que atuam na área agroindustrial quando adquirem insumos de pessoas físicas, cooperativas, cerealistas e pessoas jurídicas que exerçam atividades agropecuárias, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. O texto da informação fiscal prossegue pontuando que o crédito presumido calculado sobre as aquisições de insumos de cooperativas, cerealistas e pessoas jurídicas que exerçam atividade agropecuária está vinculado à suspensão da incidência de PIS e de Cofins prevista no artigo 9º da mesma Lei nº 10.925, de 2004 que tem caráter obrigatório. Assim, conclui o documento, não existe a possibilidade, nas citadas operações, de apuração de créditos básicos ou integrais pela pessoa jurídica agroindustrial quando adquire insumos de pessoas físicas, cooperativas, cerealistas e pessoas jurídicas que exerçam atividades agropecuárias. O auditor explica a lógica que vincula a mencionada suspensão da incidência de PIS e de Cofins à apuração de créditos presumidos: Fl. 290DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-006.545 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.900003/2014-10 É sabido que no setor agroindustrial as pessoas físicas (produtores rurais) fornecem insumos agropecuários a pessoas jurídicas que estejam apurando a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins de forma não cumulativa. Essas pessoas físicas (fornecedoras) não são contribuintes dessas contribuições e, portanto, suas vendas não produziam direito ao creditamento pelos adquirentes. Esse fato desequilibrou as relações comerciais no agronegócio, uma vez que se dava preferência para aquisição de insumos de pessoas jurídicas e isto é facilmente constatado nas relações apresentadas pela requerente em que se percebe que as aquisições de café cru de pessoas físicas é muito pequena. A instituição do crédito presumido na aquisição de pessoas físicas foi feita para minimizar os efeitos desse desequilíbrio, todavia não o eliminou, porque no agronegócio operam também como fornecedoras pessoas jurídicas (cerealistas, cooperativas) cujas vendas da mesma espécie davam direito à apuração de créditos normais (ou integrais), em valor superior aos créditos presumidos gerados nas aquisições de insumos de pessoas físicas. A alternativa adotada para que o mercado readquirisse o equilíbrio era suspender a incidência das contribuições nas vendas realizadas por pessoas jurídicas daqueles produtos, visando afastar a apuração dos créditos normais, e possibilitar a apuração e dedução de créditos presumidos não- cumulativos originados nas vendas efetuadas com suspensão. Não consta na legislação, portanto, a possibilidade de, ao efetuarem vendas de produtos agropecuários às pessoas jurídicas relacionadas no caput do art. 8º, as pessoas jurídicas relacionadas nos incisos I a III do § 1º do mesmo artigo recolham as contribuições, gerando assim o crédito normal (art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003). Se isto acontecesse representaria uma volta à origem do problema, uma vez que as pessoas físicas não têm essa possibilidade. Assim, revela-se a sabedoria da Lei que forçou um equilíbrio por justiça fiscal. É de se destacar que, mesmo nas aquisições de pessoas jurídicas, as empresas adquirentes tentam contornar as normas impostas pela legislação para se aproveitar, além do crédito integral das contribuições, da possibilidade de compensar ou ressarcir o saldo porventura apurado no trimestre. Um exemplo disso é que “desapareceram” do mercado cafeeiro as empresas cerealistas que exercem cumulativamente as atividades previstas no inciso I do artigo 8º da Lei 10.925/2004, justamente aquelas que efetuam vendas com suspensão das contribuições ao Pis e Cofins. Em seu lugar existem apenas empresas “atacadistas de café em grão”. Outro exemplo significativo desta situação é perceptível nos documentos apresentados pela empresas do setor, mais especificamente aqueles emitidos pelos corretores de café em que estão consignadas observações para constar nas notas fiscais que a “operação é tributada pelo Pis e Cofins”. Afinal qual a razão de se exigir tal observação? O objetivo óbvio é possibilitar à empresa adquirente o crédito integral daquelas contribuições. Em algumas operações fiscais realizadas por diversas Delegacias da Receita Federal (principalmente Vitória, no Espírito Santo), foi constatado que a orientação para colocar observação na nota fiscal de que a venda é tributada pelo Pis e Cofins foi feita pela empresa adquirente e que, caso o vendedor se recuse a tomar tal providência não consegue efetivar a venda. Este fato também pôde ser confirmado no presente procedimento, entre os documentos apresentados pela empresa, no qual orienta as empresas vendedoras como deverão ser feitos os faturamentos. Fl. 291DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-006.545 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.900003/2014-10 Com base nesse entendimento, a fiscalização glosou a tomada de créditos integrais sobre as aquisições realizadas pela contribuinte de pessoas jurídicas cuja atividade econômica é agropecuária (maioria cultivo de café), conforme consulta ao cadastro disponível à Administração Fiscal. São elas: 1. Cooperativa dos Pequenos Cafeicultores de Poço Fundo e Região 2. Adeco Agropecuária Brasil Ltda 3. Icail – Indústria e Comércio de Prod. Agrícolas Ltda – EPP 4. Jaguar – Mercantil de Café Ltda 5. Agronol Agroindustrial S.A. 6. Bovo Comércio de Café e Cereais Ltda - ME Em razão do já explicitado, continua a autoridade, as citadas pessoas jurídicas devem dar saída com suspensão de PIS e de Cofins quando a destinação dos produtos são as pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas ao consumo humano nos termos do caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Na sequência, o fiscal justifica a glosa de créditos calculados sobre aquisições de pessoas jurídicas inexistentes de fato ou que se afiguram como pseudoatacadistas de café. Nessa situação se enquadrariam as pessoas jurídicas: 1) Ilha Café Comércio Importação e Exportação Ltda - ME 2) Grande Minas Comércio de Café Ltda 3) Prime Comércio e Exportação de Café Ltda – ME 4) C.M.E. Comércio de Café – Eireli 5) Comércio de Café e Cereais Monte Negro Ltda 6) Agrícola Agrocampo Ltda 7) Comércio de Cereais Cabo Verde Ltda - ME 8) M M Agro Mercantil Ltda 9) Santa Branca Exportadora e Comércio de Café Ltda 10) Comércio de Café e Cereais Cerialli Ltda - EPP 11) Comimex – Comércio de Café e Cereais Ltda – ME No corpo do documento, detalha-se o resultado de diligências fiscais encetadas no domicílios fiscais bem como o resultado de análise das declarações apresentadas, do quadro de funcionários, da evolução da composição societária, de depoimentos de testemunhas, todo um conjunto que, na visão da fiscalização, comprovaria que as citadas pessoas jurídicas se caracterizariam como empresas de fachada, ou noteiras, interpostas entre os verdadeiros produtores rurais pessoas físicas e a interessada para fins de possibilitar a artificial geração de créditos básicos em operações que autorizariam apenas a apuração de créditos presumidos. Fl. 292DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-006.545 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.900003/2014-10 Prosseguindo, a autoridade menciona que os créditos presumidos tem restrição de aproveitamento podendo somente ser utilizados para desconto da própria contribuição devida sendo vedados o ressarcimento e a compensação, nos termos do §3º do art. 8º da IN RFB nº 660, de 2006.. CRÉDITOS VINCULADOS AO MERCADO EXTERNO – AJUSTE NO PERCENTUAL DE RATEIO Segundo o relatório fiscal, a contribuinte, que tem operações no mercado interno e externo, considerou como critério para determinação dos créditos a proporção entre as receitas auferidas nos dois mercados. A segregação, prossegue o documento fiscal, é necessária porque somente os créditos vinculados ao mercado externo ou às vendas não tributadas no mercado interno podem ser objeto de compensação com outros tributos e contribuições federais ou ressarcimento em dinheiro conforme determinação contida no artigo 27 da Instrução Normativa 900, de 2008. Aponta a auditoria que deve ser ajustado o percentual de rateio apurado pela fiscalizada tendo em vista a atuação da contribuinte como empresa comercial exportadora e o recebimento de mercadorias com o fim específico de exportação. Diz a autoridade: As receitas de exportação auferidas pela contribuinte e informadas em seus DACON referem-se às operações classificados nos CFOP 7102 - venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros e 7501 - exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação (café), conforme verificação nos arquivos magnéticos apresentados pela empresa (IN SRF 86/2001 – [...]). No entanto foi verificado que grande parte das vendas efetuadas sob o CFOP 7.501 na realidade foram oriundas de transferências das filiais (CFOP 6.502) que, por sua vez tiveram origem em aquisições para revenda (CFOP 1102). Dessa forma efetuamos o ajuste conforme informação apresentada pela requerente na qual indicou as vendas oriundas de aquisições com fim específico de exportação [...]. Ao proceder a análise das compras da contribuinte (relações e arquivos magnéticos gerados com base na IN SRF 86/2001 apresentados pela requerente) verificamos aquisições cujas entradas foram por ela classificadas no código CFOP 2501 - “Entrada de mercadoria recebida com fim específico de exportação”. GLOSA DE CRÉDITOS –DIFERENÇA NO REGISTRO DE ENTRADAS E DEVOLUÇÃO DE COMPRAS Anota a auditoria que a contribuinte efetuou diversas devoluções de compra de mercadorias sem que houvesse, contudo, considerado o efeito da devolução no demonstrativo de apuração do crédito. Dessa forma, estornaram-se os créditos tomados sobre as mercadorias devolvidas. Também foi objeto de glosa, diz o Relato Fiscal, a diferença entre o valor do crédito aproveitado e o apurado sobre o total de entradas constantes do Livro Registro de Entradas. Em quadro demonstrativo, a fiscalização consolida os créditos detidos pela contribuinte em relação ao trimestre em questão e aponta o valor do crédito vinculado ao mercado externo o qual a interessada tem direito de ressarcir ou compensar. A auditoria ainda aponta o crédito presumido relativo às atividades agroindustriais apurado no trimestre cuja utilização restringe-se ao desconto do tributo apurado nos períodos subseqüentes. Fl. 293DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-006.545 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.900003/2014-10 Ao fim da Informação Fiscal, propõe-se o reconhecimento parcial de direito de crédito relativo à Cofins não cumulativa sobre as receitas de exportação no valor de R$ 1.127.381,53 para o 3º trimestre de 2011. A Informação Fiscal foi encaminhada ao titular da Delegacia da Receita Federal em Londrina – PR que emitiu o Despacho Decisório confirmando o proposto na Informação Fiscal. O despacho decisório foi postado ao domicílio fiscal da contribuinte em 09/12/2014. Em 22/12/2014 o eCAC da DRF em Santos-SP encaminhou à DRF em Londrina- PR manifestação de inconformidade de fl. 175/187 na qual a interessada alega o que segue. De início, contesta as glosas praticadas sobre a tomada integral dos créditos relativos às aquisições de cooperativas, empresas cerealistas e empresas agropecuárias. Argumenta que a suspensão da incidência de PIS e de Cofins não se aplica ao café beneficiado. Nas palavras da interessada: Quando o AFRFB diz que por produzirmos, na verdade rebeneficiamos, temos que adquirir obrigatoriamente suspenso, o mesmo comete um erro por desconhecer como funciona a cadeia do produto em questão. [...] Outrossim, as empresas agrícolas - que dentre uma de suas atividades, realizam o cultivo do café - que mencionou venderam-nos café beneficiado - beneficiamento de café outra de suas atividades - e por tanto fica descaracterizada a hipótese de suspensão, posto que a Receita Federal do Brasil esclarece no seu “perguntas e respostas” que o beneficiamento de café não constitui atividade rural e não constituindo-se atividade rural o que impossibilita a aplicação da suspensão sustentada pelo AFRFB. Para ver que café vendido por estas empresas agrícolas foi beneficiado basta uma olhada na nota fiscal. Quanto às supostas aquisições de cerealistas de café, temos que este é o que tem direito a apropriar o crédito presumido em contrapartida tem que realizar a venda do produto obrigatoriamente tributada. Este benefício de equiparação do cerealista a condição de produtor foi concedido pela Lei 11.054/2004, que introduziu os parágrafos 6º e 7º da no artigo 8º da Lei 10.925/2004, esta lei também introduziu o inciso II no parágrafo 1º do artigo 9º da Lei 10.925/2004, que por equívoco não foi mencionado na informação fiscal, que impediu que estes cerealistas vendessem com suspensão. O cerealista de café é a pessoa que beneficia o mesmo realiza as atividades descritas no inciso I do parágrafo 1º da do artigo 8º da Lei 10.925/2004, posto que como explicaremos abaixo este processo redunda na redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Na cadeia isto acontece inúmeras vezes posto que um café 6 pode ser transformado num café 4 e o resto será um café 8 na COB. Por este motivo adquirimos café beneficiado e o rebeneficiamos. Quanto a aquisição de café beneficiado de cooperativas com suspensão admitida pelo AFRFB a mesma além de encontrar vedação na Lei tem vedação expressa no parágrafo 1º do artigo 34 da IN/SRF 635/2006: [...] Reiteramos que o café que adquirimos é beneficiado, ou seja, já com a redução dos tipos da classificação oficial (COB), então temos que a operação não pode se dar ao Fl. 294DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-006.545 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.900003/2014-10 abrigo da suspensão em razão do que dispõe o inciso segundo do parágrafo primeiro do artigo nono da Lei 10.925/2004. Contesta, na sequência, as glosas praticadas sobre as aquisições de insumos de pessoas jurídicas inaptas. Alega que, quando comprovado o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, o adquirente tem direito a todos os efeitos tributários da operação como garantiriam o parágrafo único da Lei nº 9.430, de 1996, o art. 217 do RIR/1999 e o §5º do artigo 44 da IN RFB nº 1.183, de 2011. Diz terem sido juntados todos os comprovantes com as mencionadas empresas. Acrescenta que o ente tributante não pode querer transferir ao contribuinte o ônus de verificar a idoneidade fiscal das pessoas jurídicas. Afirma ainda, que cópia dos cartões CNPJ indica que a declaração de inaptidão das empresas envolvidas se deu posteriormente às operações realizadas. Pleiteia ao final da manifestação, a reversão das glosas de créditos sobre as compras de cooperativas, cerealistas, empresas agropecuárias, assim como os relacionados com empresas inexistentes de fato, o restabelecimento do crédito indicado no pedido, a homologação das compensações e o ressarcimento do saldo credor. Requer ainda a suspensão da exigibilidade das compensações não homologadas neste processo, conforme previsto no § 11, do artigo 74, da Lei 9.430/1996. Em 15/07/2016, foi expedida ordem de intimação ao titular desta Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Ribeirão Preto dando-lhe ciência da liminar concedida pelo Juiz Federal da 4ª Vara da Justiça Federal em Ribeirão Preto nos autos do Mandado de Segurança, processo nº 0006074-19.2016.403.6102, determinando o exame da manifestação de inconformidade no prazo de trinta dias contados da intimação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, por intermédio da 14ª Turma, no Acórdão nº 14-62.373, sessão de 12/08/2016, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, para não reconhecer o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. INSUMO. AQUISIÇÕES DE CAFÉ EM OPERAÇÕES SUJEITAS À SUSPENSÃO DE PIS E COFINS. CRÉDITOS PRESUMIDOS. O café in natura utilizado como insumo por empresa que industrializa mercadorias destinadas à alimentação humana, adquirido de pessoas físicas, cerealistas, cooperativas de produção agropecuária e pessoas jurídicas cuja atividade seja a produção agropecuária gera créditos presumidos no regime da não cumulatividade. O beneficiamento do café não se enquadra no conceito de produção a que se refere o §6º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, sendo obrigatória a suspensão da incidência do PIS e de Cofins nas vendas de café beneficiado. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. COMPRAS DE CAFÉ DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS. GLOSA. Correta a glosa de créditos do regime da não cumulatividade apurados sobre aquisições de pessoas jurídicas em relação às quais a Administração colheu informações que comprovam serem empresas de fachada, atuando apenas como emissoras de documentos fiscais que artificialmente indicavam serem pessoas jurídicas os fornecedores que na realidade eram produtores rurais pessoas físicas. Fl. 295DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-006.545 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.900003/2014-10 VENDAS NOS MERCADOS INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. RATEIO. No cálculo do percentual de rateio dos custos, despesas e encargos comuns à geração das receitas dos mercados interno e externo não se incluem as receitas decorrentes de vendas de mercadorias recebidas com fins exclusivos de exportação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual aduz a incorreção da conclusão do acórdão pela improcedência da manifestação de inconformidade, que se verifica nos temas: i) dos créditos referentes a bens utilizados como insumos (da inaplicabilidade da suspensão nas aquisições de café beneficiado); ii) dos créditos referentes a aquisição de café de empresas consideradas inaptas. (iii) cômputo na receita de suposta receita com fim específico de exportação – o rateio proporcional dos créditos vínculos à receita de exportação É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O julgamento da DRJ extrapolou os limites do contencioso posto na manifestação de inconformidade, uma vez que enfrentou matéria versada no procedimento fiscal para a qual não houve qualquer contestação da recorrente. Verifica-se no Acórdão recorrido o tópico “DO RATEIO DOS CRÉDITOS COMUNS” (fls. 265/266) no qual o relator discorreu acerca de suas razões para manter os ajustes realizados no procedimento fiscal. Ocorre que, na matéria, a contribuinte não teceu qualquer argumento para infirmar a retificação dos ajustes no rateio dos créditos vinculados ao mercado interno e os decorrentes de exportação. Nos termos art. 17 do Decreto nº 70.235/72 – PAF 1 , consuma-se a preclusão em relação à matéria não suscitada em defesa (impugnação ou manifestação de inconformidade). Dessa forma, para que não permaneça o vício no Acórdão nº 14-62.373, deve ser proferida nova decisão de 1ª instância, limitando-se ao enfrentamento das matérias suscitadas em manifestação de inconformidade, com a supressão da matéria “DO RATEIO DOS CRÉDITOS COMUNS”. Dispositivo 1 Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 296DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-006.545 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.900003/2014-10 Diante do exposto, voto para anular de ofício a decisão de primeira instância, para que outra seja proferida suprimindo do julgamento matéria que restou preclusa em sede de manifestação de conformidade. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 297DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11080.904191/2014-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Data do fato gerador: 23/10/2009
NULIDADES.
As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária.
MULTAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
O CARF não possui competência para impor a inconstitucionalidade de normas, conforme Súmula Vinculante n.º 2.
Numero da decisão: 3201-006.177
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11080.900805/2014-32, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Laercio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Ausente o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Data do fato gerador: 23/10/2009 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. MULTAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O CARF não possui competência para impor a inconstitucionalidade de normas, conforme Súmula Vinculante n.º 2.
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As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. MULTAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O CARF não possui competência para impor a inconstitucionalidade de normas, conforme Súmula Vinculante n.º 2. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11080.900805/2014-32, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Laercio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Ausente o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 41 91 /2 01 4- 68 Fl. 132DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-006.177 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.904191/2014-68 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 3201-006.166, de 21 de novembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário apresentado em face da decisão de primeira instância do contencioso administrativo fiscal, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em face ao Despacho Decisório combatido, constante dos autos, que adotou como razão de decidir o fato de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. A decisão de primeira instância foi publicada com a seguinte Ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI [...]NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. MULTAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-las nos moldes da legislação que a instituiu. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” Em Recurso Voluntário o contribuinte reforçou os argumentos de impugnação. É o Relatório. Fl. 133DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-006.177 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.904191/2014-68 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3201-006.166, de 21 de novembro de 2019, paradigma desta decisão. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e preencher os requisitos de admissibilidade, o Recurso deve ser conhecido. Os despachos decisórios, ainda que eletrônicos, são revestidos de legalidade. O motivo da negativa é a inexistência de crédito. Portanto, com base no Art. 59 do Decreto 70.235/72, não há qualquer nulidade no presente procedimento administrativo fiscal. O contribuinte não demonstra, não descreve e não comprova a origem de seu crédito, seja em Manifestação de Inconformidade ou seja no Recurso Voluntário. Solicitou a possibilidade apresentar provas “posteriormente” desde a Manifestação de Inconformidade, mas não apresentou nenhuma prova ou indício até o presente momento. A verdade material esteve presente na possibilidade de descrever seu crédito e juntar provas ao longo do procedimento administrativo fiscal, mas o contribuinte não aproveitou, não utilizou do princípio da verdade material para favorecer seu pedido. Logo, não cumpriu com que foi determinado no Art. 16 do Decreto 70.235/72 e por isso, seu Recurso Voluntário não merece provimento. Ao solicitar o reconhecimento de um crédito, conforme Art. 165 e 170 do CTN, os créditos devem ser líquidos e certos, ônus que compete inicialmente ao contribuinte. Por fim, a multa também é revestida de legalidade e este Conselho não possui competência para impor a inconstitucionalidade de normas, conforme Súmula Vinculante n.º 2. Diante de todo o exposto, com base nos mesmos fundamentos da decisão de primeira instância. vota-se para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. Fl. 134DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-006.177 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.904191/2014-68 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.000428/2004-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2002
DEPENDENTE. FILHO DE PAIS NÃO CASADOS ENTRE SI. TERMO DE GUARDA. PRESCINDIBILIDADE.
A guarda do filho menor de pais não casados entre si é inerente ao poder familiar, exercida em igualdade de direitos, e, portanto, ele pode ser considerado dependente de um dos pais para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, sem que seja necessário apresentar termo de guarda judicial, não se admitindo, contudo, a concomitância da dedução.
Numero da decisão: 2202-001.038
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2002 DEPENDENTE. FILHO DE PAIS NÃO CASADOS ENTRE SI. TERMO DE GUARDA. PRESCINDIBILIDADE. A guarda do filho menor de pais não casados entre si é inerente ao poder familiar, exercida em igualdade de direitos, e, portanto, ele pode ser considerado dependente de um dos pais para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, sem que seja necessário apresentar termo de guarda judicial, não se admitindo, contudo, a concomitância da dedução.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13707.000428/200489 Recurso nº 172.301 Voluntário Acórdão nº 220201.038 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2011 Matéria IRPF Depedente Recorrente SANDRA DE ARAUJO BARBOSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEPENDENTE. FILHO DE PAIS NÃO CASADOS ENTRE SI. TERMO DE GUARDA. PRESCINDIBILIDADE. A guarda do filho menor de pais não casados entre si é inerente ao poder familiar, exercida em igualdade de direitos, e, portanto, ele pode ser considerado dependente de um dos pais para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, sem que seja necessário apresentar termo de guarda judicial, não se admitindo, contudo, a concomitância da dedução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 45DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por NELSON MALLMANN, 29/03/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 2 e 3, pela qual se exige a importância de R$930,57, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, anocalendário 2002, acrescida de multa e juros de mora. Verificase que o presente lançamento decorre da glosa integral das deduções declaradas relativas a dependente e despesas com instrução (fl. 3). DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fl. 1, instruída com os documentos de fls. 2 a 18, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 26): 3. Cientificada da Notificação em 23/01/2004 (fl. 20), a contribuinte protocolizou impugnação em 17/02/2004 (fl. 01), em apresenta as seguintes razões. 4. Afirma que tem um filho de nome Diogo de Araújo Cunha, nascido em 27 de setembro de 1985, conforme cópia de certidão em anexo à sua impugnação, que não recebe nenhuma pensão alimentícia, cabendo à requerente custear todas as despesas de alimentação, vestuário, educação e livros escolares, saúde, etc. 5. Além do filho, alega que contribui na alimentação de um menor de três anos, filho de uma sobrinha, carente de recursos financeiros, arcando com o valor mensal de R$100,00. 6. Assim sendo, requer a revisão dos cálculos com vistas a considerarem se os valores correspondentes. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro II (RJ) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 1318.193 (fls. 25 a 27), de 14/12/2007, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DESPESAS DEDUTÍVEIS.COMPROVAÇÃO. As despesas dedutíveis aquelas comprovadas nos termos da legislação em vigor à época dos fatos. A decisão a quo manteve a glosa dos dependentes, uma vez que a contribuinte não comprovou que detinha a guarda judicial de seu filho nem de seu sobrinho, requisito essencial para considerálos como dependentes e, consequentemente, a glosa das despesas com instrução relativa aos dois menores também foi mantida. Fl. 46DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por NELSON MALLMANN, 29/03/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 13707.000428/200489 Acórdão n.º 220201.038 S2C2T2 Fl. 2 3 DO RECURSO Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 19/05/2008 (vide AR de fl. 30 verso), a contribuinte apresentou, em 04/06/2008, tempestivamente, o recurso de fls. 33 e 34, no qual apresenta os seguintes argumentos: 1. ratifica que é mãe de Diogo de Araújo Cunha, nascido em 27/09/1985, fruto de relacionamento com uma pessoa que apenas reconheceu a paternidade, conforme consta da certidão de nascimento, que desde então encontrase em local ignorado e jamais contribuiu para manutenção do filho; 2. todas as despesas com alimentação, vestuário, educação, saúde, e ainda, livros escolares e lazer de seu filho foram diretamente suportadas pela requerente; 3. na qualidade de mãe solteira, alega que desconhecia a obrigação de ter a guarda judicial de seu filho, até mesmo porque jamais teve marido de quem deveria estar separada e, portanto, não tem qualquer possibilidade de apresentar a prova requerida pela decisão recorrida, requisito considerado essencial para dedução dos gastos com dependentes menores de idade, no caso de pais separados. 4. por fim, requer o restabelecimento das dedução das despesas com o seu dependente direto, por ser da mais cristalina. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 07, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 29/11/2010, veio numerado até à fl. 37 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 47DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por NELSON MALLMANN, 29/03/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 4 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Limites do litígio Na declaração apresentada originalmente a contribuinte havia declarado dois dependentes, os quais foram excluídos no lançamento consubstanciado na Notificação de Lançamento em discussão, assim como as despesas com instrução a eles relacionadas. Muito embora a contribuinte tenha contestados as deduções referentes aos dois dependentes (filho e sobrinho neto) em sua impugnação (fl. 1), em sede de recurso, manifestouse apenas em relação a seu filho. Destarte, o presente litígio restringese a exclusão do filho da contribuinte como seu dependente e a correspondente glosa da dedução com despesas com instrução. para restabelecer as deduções relativas a dependente e despesas com instrução, nos valores de R$1.272,00 e R$1.998,00. Dependente No que se refere à relação de dependência, importa transcrever o art. 35 da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; Fl. 48DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por NELSON MALLMANN, 29/03/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 13707.000428/200489 Acórdão n.º 220201.038 S2C2T2 Fl. 3 5 VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1o Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2o Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3o No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4o É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. À luz da legislação transcrita e dos documentos apresentados pela recorrente, há que se analisar a possibilidade de seu filho da ser considerado seu dependente para fins de dedução do imposto de renda. De acordo com a certidão de nascimento anexada à fl. 8, o menor Diogo de Araújo Cunha, nascido em 27/09/1985, é filho do Sr. Paulo Roberto Pereira Cunha e da contribuinte, contando com 17 anos no anocalendário fiscalizado e, portanto, poderia, a princípio, ser considerado dependente da recorrente (art. 35, inciso III, da Lei no 9.250, de 1995). A decisão recorrida negou o pleito da contribuinte sob o argumento de que, “no caso de pais separados (art. 35, § 3o), somente podem ser considerados dependentes os filhos que ficam sob a guarda da contribuinte” (fl. 26). Verificase que a contribuinte era solteira e o pai de seu filho, separado judicialmente, à época do nascimento do menor (vide certidão de nascimento de fl. 8). Tratase, portanto, de filho havido fora da relação do casamento não se aplicando, no meu entender, o disposto no art. 35, §3o, da Lei no 9.250, de 1995, pois não se pode atribuir a condição de pais separados para aqueles que sequer foram casados. Convém recordar, que “os filhos legítimos, ou legitimados, os legalmente reconhecidos e os adotivos estão sujeitos ao pátrio poder, enquanto menores” (art. 379 da Lei no 3.071, de 1o de janeiro de 1916, antigo Código Civil, vigente à época do lançamento). O pátrio poder ou poder familiar (denominação dada pelo novo Código Civil Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002) constitui num conjunto de responsabilidades e direitos que regulam a relação entre pais e filhos, dente eles, a guarda do filho menor, extinguindose apenas pela morte (dos pais ou do filho), emancipação, maioridade ou adoção (vide arts. 384, inciso II, e art. 392 da Lei no 3.071, de 1916). A perda do pátrio poderia, ainda, ser decretada judicialmente nos casos previstos no art. 395 do antigo Código Civil. De acordo com a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), “os filhos havidos fora do casamento poderão ser reconhecidos pelos pais, Fl. 49DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por NELSON MALLMANN, 29/03/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 6 conjunta ou separadamente, no próprio termo de nascimento, por testamento, mediante escritura ou outro documento público, qualquer que seja a origem da filiação” (art. 26). Determina, ainda, o mesmo diploma legal que: Art. 21. O poder familiar será exercido, em igualdade de condições, pelo pai e pela mãe, na forma do que dispuser a legislação civil, assegurado a qualquer deles o direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária competente para a solução da divergência. Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendolhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais. [...] Art. 24. A perda e a suspensão poder familiar serão decretadas judicialmente, em procedimento contraditório, nos casos previstos na legislação civil, bem como na hipótese de descumprimento injustificado dos deveres e obrigações a que alude o art. 22. Como se vê, a guarda do filho menor é exercida em igualdade de condições, havendo apenas a interferência judicial no caso de discordância, descumprimento dos deveres e obrigações que incumbem aos pais e outros previstos na legislação civil, como no caso da dissolução da sociedade conjugal. Assim, quando os pais nunca foram casados entre si, a guarda do filho menor é inerente ao poder familiar, exercida em igualdade de direitos, só havendo a necessidade de termo de guarda caso exista algum motivo para a discussão judicial. No caso dos autos, a contribuinte é mãe solteira do então menor Diogo de Araújo Cunha, com 17 anos no anocalendário fiscalizado, não havendo prova nos autos de que ela tenha perdido a guarda do filho ou que o pai o tenha declarado como dependente. Destarte, há que se restabelecer a dedução referente ao dependente Diogo de Araújo Cunha, no valor de R$1.272,00 (art. 8o, inciso II, alínea “c”, da Lei no 9.250, de 1995, com a redação dada pela Lei no 10.451, de 10 de maio de 2002). Despesas com instrução A legislação permite que o contribuinte deduza, a título de despesas com instrução, os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes, até o limite legal de previsto, desde que sejam relativos ao próprio contribuinte ou a um de seus dependentes (Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “b”). De acordo com o decidido no item anterior, a relação de dependência do menor Diogo de Araújo Cunha, filho da contribuinte, foi restabelecida e, portanto, tem a mesma o direito de pleitear a dedução de despesas com instrução do referido dependente, cujo limite anual para o anocalendário 2002 era de R$1.998,00 (vide alteração introduzida pela Lei no 10.451, de 10 de maio de 2002). Fl. 50DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por NELSON MALLMANN, 29/03/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 13707.000428/200489 Acórdão n.º 220201.038 S2C2T2 Fl. 4 7 O contrato de prestação de serviços de educação (fls. 6 e 7) e os comprovantes juntados às fls. 9 a 17, confirmam o pagamento de R$3.420,35 referente a despesas com instrução pagas ao Colégio Santa Mônica relativas a seu filho Diogo, no ano calendário 2002. Destarte, há que restabelecer dedução a título de despesa com instrução no montante de R$1.988,00, considerandose o limite anual por dependente. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 51DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por NELSON MALLMANN, 29/03/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724631/2015-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Exercício: 2016
ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO DA DEFICIÊNCIA. LAUDO MÉDICO.
É de se indeferir pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional, quando o laudo de avaliação médica não informa hipótese de deficiência prescrita na legislação de regência e não atesta o comprometimento da função física dos membros.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS (IOF)
Exercício: 2016
ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. LAUDO DO DETRAN. VEÍCULO ADAPTADO.
O benefício de isenção do IOF a pessoas portadoras de deficiência física está condicionado à apresentação de laudo do Detran que a ateste e indique a necessidade de veículo adaptado.
Numero da decisão: 3302-007.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Exercício: 2016 ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO DA DEFICIÊNCIA. LAUDO MÉDICO. É de se indeferir pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional, quando o laudo de avaliação médica não informa hipótese de deficiência prescrita na legislação de regência e não atesta o comprometimento da função física dos membros. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS (IOF) Exercício: 2016 ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. LAUDO DO DETRAN. VEÍCULO ADAPTADO. O benefício de isenção do IOF a pessoas portadoras de deficiência física está condicionado à apresentação de laudo do Detran que a ateste e indique a necessidade de veículo adaptado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
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DEFICIENTE FÍSICO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO DA DEFICIÊNCIA. LAUDO MÉDICO. É de se indeferir pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional, quando o laudo de avaliação médica não informa hipótese de deficiência prescrita na legislação de regência e não atesta o comprometimento da função física dos membros. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS (IOF) Exercício: 2016 ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. LAUDO DO DETRAN. VEÍCULO ADAPTADO. O benefício de isenção do IOF a pessoas portadoras de deficiência física está condicionado à apresentação de laudo do Detran que a ateste e indique a necessidade de veículo adaptado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 46 31 /2 01 5- 73 Fl. 79DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.978 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.724631/2015-73 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Por bem esclareccr a lide, adoto o relato da decisão recorrida: A pessoa física em epígrafe pleiteou, na qualidade de portadora de deficiência física, na aquisição de automóvel de passageiros, de fabricação nacional, a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, prevista na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, e do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e/ou relativos a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF) incidente sobre a operação de financiamento, prevista na Lei nº 8.383 , de 30 de dezembro de 1991, art. 72, IV. Mediante o Despacho Decisório de fls. 19/22, a Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília indeferiu o pedido, tendo em vista que no laudo não constam nenhuma das deficiências que estão contempladas na legislação para a obtenção de isenção de IPI e, quanto ao pedido de isenção de IOF, o laudo do Detran não há o ateste da total incapacidade da requerente para dirigir automóveis convencionais Regularmente cientificada (fl. 29), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 32/37), por meio da qual alegou que apresenta deformidade adquirida que lhe acarreta comprometimento da função física. Em 28/04/2016, a DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Exercício: 2016 ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO DA DEFICIÊNCIA. LAUDO MÉDICO. É de se indeferir pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional, quando o laudo de avaliação médica não informa hipótese de deficiência prescrita na legislação de regência e não atesta o comprometimento da função física dos membros. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS - IOF Exercício: 2016 ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. LAUDO DO DETRAN. VEÍCULO ADAPTADO. O benefício de isenção do IOF a pessoas portadoras de deficiência física está condicionado à apresentação de laudo do Detran que a ateste e indique a necessidade de veículo adaptado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 80DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.978 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.724631/2015-73 Sem Crédito em Litígio Intimado da decisão, em 13/06/2016, consoante AR constante dos autos, a recorrente supra mencionada interpôs recurso voluntário, tempestivo, em 13/07/2016, consoante Termo de solicitação de juntada de documentos, no qual reprisou as alegações ofertadas na manifestação de inconformidade ao tempo que criticava as razões de decidir do acórdão guerreado e aduzia demonstrações de artrose de quadril e correspondente cirurgia corretiva, bem como jurisprudência do STJ e TRF1. Por fim, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento do direito às isenções. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado e conhecido. A decisão recorrida assim ratificou a negativa aos pleitos de isenção: Trata-se de analisar manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu pedido de reconhecimento de isenção de IPI e IOF para aquisição de veículo destinado a portadores de deficiência. Como visto, a razão do indeferimento do pedido de isenção de IPI foi a falta de verossimilhança entre a deficiência apontada no laudo médico e aquelas arroladas na Lei nº 8.989, de 1995, art. 1º, IV e § 1º, alterada pela Lei nº 10.690, de 16 de junho de 2003. Em sede recurso, veio a interessada protestar contra o indeferimento de seu pleito, por entender que seu quadro de deficiências pode ser enquadrado nas hipóteses legais ensejadoras do favor fiscal pleiteado. A apreciação do pleito da interessada materializa atividade de natureza plenamente vinculada, isto é, conforma-se num ato administrativo da autoridade competente com total sujeição aos estritos dispositivos da legislação que rege a matéria sob análise, deles não se podendo, sob pena de responsabilidade, afastar, desviar, estender ou inovar. Fl. 81DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.978 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.724631/2015-73 Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), art. 111 e seu inciso II, determina expressamente a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. E esta vinculação, por óbvio, também se aplica a esta autoridade julgadora. Portanto, atuando sob o império da lei, devem mesmo ser zelosas as autoridades administrativas, especialmente diante de casos de renúncia fiscal, porque agem em nome do difuso e indisponível interesse público. O laudo de avaliação médica (fl. 13) que serviu de base para o despacho decisório descreve assim a deficiência: Tipo de deficiência = Deficiência Física. Código Internacional de Doenças (CID-10) = M16 (Coxartrose - artrose do quadril). Descrição detalhada da deficiência = Marcha claudicante sem auxílio. Força muscular e movimentos preservados nos tornozelos. Limitação leve na rotação dos quadris. No momento não foi necessário uso de adaptações veiculares. Do ponto de vista evolutivo as limitações são de caráter "Indefinidas".. E são essas as informações que devem nortear a decisão da autoridade administrativa. Nesse sentido, o quadro descrito pela própria interessada, por mais fiel que tenha sido na representação da realidade dos fatos, não é balizador da referida decisão, que, como visto, vincula-se às normas que regem a matéria. E a Lei nº 8.989, de 1995, art. 1o, § 1o, inserido pela Lei nº 10.690, de 2003, estabelece que, para a concessão do benefício, é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Ora, em concordância com o entendimento esposado pela autoridade que proferiu o despacho decisório, avalio que tais informações não permitem considerar a interessada destinatária do favor fiscal pleiteado. Isto porque, além de a doença efetivamente não poder ser correlacionada com as hipóteses expressamente descritas “no tipo legal”, sequer restou inequivocamente atestado que sua doença tenha ocasionado qualquer comprometimento da função física de seu membro, condição essencial para o deferimento do pleito. Ademais, nas definições constantes do Anexo IX da IN RFB nº 988, de 2009, introduzido pela IN RFB nº 1.369, de 26 de junho de 2013, consta que o laudo só poderá ser emitido se a deficiência atender ao critério de ser permanente, o que não ocorre no presente caso, conforme laudo acima transcrito. A análise do pleito deve limitar-se ao que estabelece a lei, ou seja, às informações constantes do laudo médico apresentado como requisito para o pedido. Assim, os demais documentos trazidos pela requerente em nada alteram essa conclusão, porque também não são hábeis a comprovar a deficiência. Quanto à isenção de IOF, o benefício está condicionado à apresentação de laudo do Departamento de Trânsito (Detran), que ateste a deficiência física e que especifique o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para Fl. 82DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.978 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.724631/2015-73 dirigir automóveis convencionais e, ainda, a habilitação do requerente para dirigir veículos com adaptações especiais, as quais devem estar descritas no referido laudo, conforme Lei nº 8.383 , de 1991, art. 72, IV. O laudo apresentado pela interessada não atesta sua total incapacidade para dirigir veículos convencionais. O recorrente não traz nada de novo aos autos e nem rebate especificamente as razões de fato e de direito lançadas pela decisão recorrida, pois entende que apesar do rol taxativo das deficiências indutoras de isenção disposto no inc. IV, do art. 1º, da Lei n° 8.989/95, o § 1º afirma que se considera pessoa portadora de deficiência física aquela que tem comprometimento da função física. Ao meu sentir, com a devida vênia ao pensamento do recorrente, a única questão controversa nesta lide vem a ser uma questão de fato, a saber, se os laudos médicos trazidos pelo solicitante das isenções atendem os requisitos normativos previstos na Lei nº 8.989/95 e Lei nº 8.383/91, que embasam seus pedidos de isenção de IPI e IOF, respectivamente. E como se viu da fundamentação da decisão recorrida colacionada supra, que endosso in totum, os laudos trazidos não atendem, daí não ser possível o reconhecimento da isenções. Nessa moldura, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001805/2010-89
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. ERRO NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS. ACÓRDÃOS CONVERGENTES. Não se conhece de recurso especial se o acórdão recorrido, assim como o paradigma, exoneram os créditos tributários correspondentes às bases de cálculo do primeiro e do segundo mês do trimestre acumuladas na determinação da exigência do terceiro mês do trimestre.
MULTA QUALIFICADA. REITERADA OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE OPERADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO EM VALORES SIGNIFICATIVAMENTE SUPERIORES ÀS RECEITAS DECLARADAS.
A prática reiterada de omitir valores significativos de receitas da atividade evidenciadas em créditos bancários de operadoras de cartões de crédito, constatada nas apurações dos tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento ao longo do ano-calendário, caracteriza a conduta dolosa e justifica a imputação da multa qualificada.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN (Súmula CARF nº 72).
Numero da decisão: 9101-004.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à multa e à decadência e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar-lhe provimento para restabelecer a multa e afastar a decadência, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano e Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(documento assinado digitalmente)
ANDREA DUEK SIMANTOB Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Lívia de Carli Germano, Viviane Vidal Wagner, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Andrea Duek Simantob (Presidente em Exercício).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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CONHECIMENTO. ERRO NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS. ACÓRDÃOS CONVERGENTES. Não se conhece de recurso especial se o acórdão recorrido, assim como o paradigma, exoneram os créditos tributários correspondentes às bases de cálculo do primeiro e do segundo mês do trimestre acumuladas na determinação da exigência do terceiro mês do trimestre. MULTA QUALIFICADA. REITERADA OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE OPERADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO EM VALORES SIGNIFICATIVAMENTE SUPERIORES ÀS RECEITAS DECLARADAS. A prática reiterada de omitir valores significativos de receitas da atividade evidenciadas em créditos bancários de operadoras de cartões de crédito, constatada nas apurações dos tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento ao longo do ano-calendário, caracteriza a conduta dolosa e justifica a imputação da multa qualificada. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN (Súmula CARF nº 72). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à multa e à decadência e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar-lhe provimento para restabelecer a multa e afastar a decadência, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano e Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (documento assinado digitalmente) ANDREA DUEK SIMANTOB – Presidente em exercício. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 05 /2 01 0- 89 Fl. 3082DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Lívia de Carli Germano, Viviane Vidal Wagner, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Andrea Duek Simantob (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ("PGFN", e-fls. 3025/3047) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1301-001.248 (e-fls. 3006/3023), na sessão de 9 de julho de 2013, no qual o Colegiado a quo negou provimento a recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. ÓBICE AO ACESSO AOS AUTOS NÃO COMPROVADO. Apesar de alegar suposta dificuldade de acesso aos autos no âmbito da DRF, a contribuinte não apresentou nenhuma prova de que tivesse tentado obter cópias e essas lhe teriam sido negadas/obstadas pelos respectivos representantes fazendários. Não restando comprovada a oposição ao acesso, e não se verificando nos autos qualquer indício de cerceamento ao direito de defesa, descabe a pretendida nulidade. PIS e COFINS. APURAÇÃO IRREGULAR. Restando demonstrado nos autos que os doutos agentes da fiscalização não promoveram a apuração do PIS e da COFINS com base nos procedimentos a eles especificamente aplicáveis (apuração mensal, e não trimestral), inválido o lançamento efetivado, nos termos reconhecidos pela decisão administrativa de primeira instância. DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS SEM A ANÁLISE DA CONTABILIDADE. Inexistindo nos autos qualquer comprovação de oposição ou impedimento da fiscalizada em relação aos seus livros contábeis (diário e razão), a apuração dos montantes indicados como devidos decorrem, exclusivamente, da aplicação da hipótese de presunção de receitas, de que tratam os arts. 40 a 42 da Lei 9.430/96. DA DECADÊNCIA PARCIAL Restando demonstrado que, no ano-calendário de 2005, teria a contribuinte efetivamente apurado e recolhido (mesmo que parcialmente) os tributos objeto do lançamento efetivado, devem então ser aplicadas as disposições do Art. 150, par. 4º do CTN, reconhecendo-se a decadência parcial em relação aos fatos apurados no período anterior a 10/06/2005. DA DESCONSTITUIÇÃO DA HIPÓTESE QUALIFICADORA DAS PENALIDADES APLICADAS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Fl. 3083DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 Sem a comprovação fática do “evidente intuito de fraude”, inaplicável se apresenta a qualificação da penalidade pecuniária indicada no lançamento, devendo esta ser definida apenas no percentual mínimo de 75% (setenta e cinco por cento). O litígio decorreu de lançamentos dos tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento apurados no ano-calendário 2005 a partir da constatação de omissão de receitas evidenciadas em face do movimento de vendas por cartões de crédito, com imputação de multa qualificada, bem como omissão de receitas presumidas a partir de débitos bancários de origem não comprovada. A autoridade julgadora de 1ª instância cancelou parcialmente as exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS calculadas trimestralmente, mantendo apenas os valores apurados em março, junho, setembro e dezembro de 2005, sendo que esta exoneração se sujeitou a reexame necessário (e-fls. 2905/2922). O Colegiado a quo, por sua vez, manteve as exonerações promovidas em 1ª instância, afastou a qualificação da penalidade e reconheceu a decadência parcial do crédito tributário, relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 10/06/2005. Os autos do processo foram recebidos na PGFN em 09/04/2014 (e-fl. 3024) e foram restituídos ao CARF em 09/05/2014 veiculando o recurso especial de e-fls. 3025/3047, no qual a Fazenda aponta divergências assim examinadas em sede de admissibilidade do recurso especial, às e-fls. 3025/3047: Encaminhados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional em 09/04/2013 [09/05/2014], para fins de ciência do acórdão, nos termos do § 3º do art. 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, restou configurada a intimação do Procurador da Fazenda Nacional em 08/05/2012 [08/05/2014], nos termos do § 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972. Cientificada, a recorrente interpôs recurso especial em 09/05/2013[09/05/2014], alegando divergência jurisprudencial; I) em relação ao entendimento do acórdão recorrido que cancelou a exigência do PIS e da Cofins por terem sido lançados em bases trimestrais e não mensais; II) em relação à redução multa de ofício, que havia sido qualificada, para 75%; e III) ao reconhecimento da decadência parcial do lançamento, por ter havido pagamento parcial, considerando inexistente dolo, fraude ou simulação. A recorrente indica como paradigmas hábeis para sustentar a divergência em relação ao primeiro ponto o Acórdão nº 1302-00.163, proferido em 29/01/2010, pela 2ª Turma 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Em relação ao segundo ponto, a recorrente indica como paradigmas: o Acórdão nº 1202-00.186, de 17/06/2009, proferido pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF e o Acórdão nº 1803-01.343, de 12/06/2012, proferido pela 3ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Por fim, em relação ao terceiro aspecto a recorrente registra “que o provimento do recurso no presente ponto depende da caracterização de dolo, fraude ou simulação, que será verificada quando da análise da qualificação da multa de ofício, que também é objeto do presente recurso. Havendo provimento em relação à qualificação da multa de ofício, por decorrência lógica, deverá haver provimento em relação à decadência”. Indica como paradigma o Acórdão nº 1102-00.242, de 28/08/2009, proferido pela 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. [...] Examino o primeiro ponto do recurso. Para melhor compreensão da matéria, transcrevo abaixo a ementa do acórdão apresentado como paradigma, na parte que interessa ao presente exame: Acórdão nº 1302-00.163 PIS, COFINS, MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Fl. 3084DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 RETIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. O fato de a autoridade autuante ter considerado períodos de apuração trimestrais na determinação do montante devido a título de PIS e COFINS, não impede que, em sede de revisão, a autoridade administrativa julgadora retifique as bases de cálculo correspondentes a cada um dos meses de encerramento do referido período de apuração, vez que, concretizada a hipótese de incidência, ainda que disso decorram exações inferiores as que foram consignadas nas peças acusatórias, remanesce o dever do contribuinte de cumprir com a obrigação tributária principal correspondente. De outra parte, o acórdão recorrido traz a seguinte ementa quanto à matéria: PIS e COFINS. APURAÇÃO IRREGULAR. Restando demonstrado nos autos que os doutos agentes da fiscalização não promoveram a apuração do PIS e da COFINS com base nos procedimentos a eles especificamente aplicáveis (apuração mensal, e não trimestral), inválido o lançamento efetivado, nos termos reconhecidos pela decisão administrativa de primeira instância. O acórdão paradigma traz o entendimento de que o fato do lançamento do PIS e da COFINS ter sido realizado em bases trimestrais não impede a autoridade julgadora retificar as bases de cálculo limitando-as ao valor apurado no último mês de cada trimestre, não sendo o caso de cancelar integralmente a exigência. De outra parte, o acórdão recorrido diverge dessa conclusão ao entender que, a incorreta apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins, em montantes trimestrais e não mensais, invalida o lançamento realizado. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelam- se divergentes, restando configurada a primeira divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Passo ao exame do segundo ponto do recurso. Para melhor compreensão da matéria, transcrevo abaixo as ementas dos acórdãos apresentados como paradigmas, na parte que interessa ao presente exame: Acórdão nº 1202-00.086 APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA - A conduta da contribuinte de manter as vendas pagas com cartão de crédito à margem da tributação, não informando a totalidade de suas receitas na declaração de rendimentos entregue ao Fisco, durante períodos consecutivos, praticando omissão de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Acórdão nº 1803-01.343 APURAÇÃO DIRETA DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARTÕES DE CRÉDITO E DE DÉBITO. PROCEDÊNCIA. Procede a apuração direta de omissão de receitas consistente na comparação dos extratos de recebimentos de vendas realizadas por meio de cartões de crédito e de débito com a respectiva receita bruta declarada e a correspondente escrituração contábil e fiscal. INFRAÇÃO REITERADA. MULTA QUALIFICADA. O sujeito passivo que, sistematicamente, insere elementos inexatos em sua declaração, afasta a possibilidade de desatenção eventual, justificando a aplicação da multa qualificada. Por outro lado, o acórdão recorrido traz a seguinte ementa sobre a matéria: DA DESCONSTITUIÇÃO DA HIPÓTESE QUALIFICADORA DAS PENALIDADES APLICADAS. Fl. 3085DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF no 2) A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF no 14) Sem a comprovação fática do “evidente intuito de fraude”, inaplicável se apresenta a qualificação da penalidade pecuniária indicada no lançamento, devendo esta ser definida apenas no percentual mínimo de 75% (setenta e cinco por cento). A recorrente transcreve, ainda, trechos do acórdão recorrido no qual a matéria é analisada, dos quais destaco os que me parecem relevantes para a plena compreensão da matéria recorrida. [...] Ocorre que, conforme aqui destacado, o fundamento da aplicação da presunção legal de omissão de receitas fez-se a partir da exclusiva confrontação entre os montantes apontados nos extratos das operadoras de cartões de crédito e das movimentações financeiras com as informações globais apresentadas na respectiva DIPJ-2006 apresentadas (voluntariamente inclusive) pela própria contribuinte. Nessa linha, forçoso reconhecer que, de fato, não se chegou a verificar qualquer informação contida nos livros contábeis específicos (diário e razão) passando a simplesmente presumir a não-contabilização para, a partir desta, aplicar a presunção legal de omissão de receitas e, daí, imputar a exigência dos tributos e respectivos consectários legais (juros e multa). [...] Analisando os acórdãos paradigmas, especialmente o primeiro, verifica-se que os mesmos analisaram situações semelhantes à discutida no acórdão recorrido, tendo concluído que era cabível a aplicação da multa qualificada em face da apuração de omissão de receitas mediante o confronto dos valores recebidos por vendas feitas com cartões de crédito e as receitas informadas nas declarações de rendimentos apresentadas. O acórdão recorrido, ao analisar situação semelhante concluiu que não cabia a aplicação da multa qualificada na medida em que a receita apurada seria decorrente de mera presunção, sem ficar comprovada a existência de evidente intuito de fraude. Entendo que ficou caracterizada a divergência jurisprudencial arguida, uma vez que diante de situações muito semelhantes as decisões cotejadas adotaram entendimentos diametralmente opostos no que concerne ao cabimento da multa qualificada. Assim, opino no sentido de dar seguimento ao recurso quanto ao segundo ponto. Com relação ao terceiro ponto do recurso, como bem destacou a recorrente, sua análise depende essencialmente da decisão que vier a ser proferida em relação ao segundo ponto do recurso, não existindo propriamente uma divergência jurisprudencial em relação ao entendimento trazido no acórdão recorrido. Com efeito, na medida em que o acórdão recorrido exonerou a aplicação da multa qualificada, por entender que não restou comprovado o dolo, fraude ou sonegação e, tendo existido pagamento, ainda que parcial dos tributos lançados, revelou-se coerente com a jurisprudência apontada pela recorrente o reconhecimento da decadência parcial com base na aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Da mesma sorte, no exame do recurso especial caberá ao colegiado observar o prazo decadencial a ser aplicado ao caso concreto, conforme venha a ser o seu entendimento com relação ao restabelecimento ou não da penalidade qualificada. Desta feita, entendo que a discussão do terceiro ponto do recurso está implicitamente admitida ao ser dado seguimento ao segundo ponto, conforme acima examinado. Fl. 3086DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso. A PGFN defende a aplicação do art. 60 do Decreto nº 70.235/72 para correção das irregularidades na apuração dos débitos de Contribuição ao PIS e de COFINS, vez que não houve prejuízo ao contribuinte, o que impede a declaração de nulidade do lançamento e consequente exoneração do crédito tributário correspondente. Em suas palavras: Trata-se de mero ato para salvaguardar eventual crédito tributário representado pelo presente lançamento, não havendo razão plausível para de declarar a sua nulidade, se o mesmo pode ser ajustado. Portanto, desnecessária e ilegal a anulação do presente lançamento, bastando que se proceda à sua revisão pela autoridade julgadora, excluindo-se os valores indevidos, até mesmo em sede de execução do julgado, para sanar eventuais equívocos na determinação da matéria tributável. Quanto à qualificação da penalidade, aponta que a fiscalização apresentou exaustivamente os elementos caracterizadores da sonegação do contribuinte, indicando os motivos concretos e plausíveis de sua convicção. Assim aduz: Como se sabe, no processo administrativo em geral, e no fiscal em particular, não há necessidade de demonstração absoluta da vontade íntima do contribuinte de fraudar o Fisco, sendo suficiente apresentar dados objetivos que façam presumir com certo grau de certeza a conduta fraudulenta, pois, caso se exija prova cabal do elemento íntimo subjetivo doloso do contribuinte, estarse retirando, na prática, a possibilidade de aplicação da multa qualificada na hipótese de omissão de receitas decorrentes de vendas por meio de cartões de crédito pois, nesse caso, o elemento subjetivo constituise na própria omissão reiterada e de expressivas quantias, bem como ausência de regular escrituração contábil. Exigir que fiscalização adentre no íntimo do contribuinte, a fim de demonstrar a sua vontade livre e consciente de fraudar o fisco constitui prova macabra, de difícil confecção, senão impossível. [...] Pela conduta praticada pela contribuinte, o intuito fraudatório e sonegatório está evidente, pois, no caso, além de ter havido omissão reiterada de vultosas quantias, durante todo o exercício de 2005, não houve regular escrituração contábil, o que impediu a autoridade fiscal de conhecer o fato gerador dos tributos lançados. Conforme se observa, essa conduta se subsume com perfeição ao art. 71 da Lei nº 4.502/66, que conceitua sonegação. Além do mais, não se pode afirmar que a contribuinte estava de boa fé, pois os valores movimentados são exageradamente expressivos, além de a conduta ter sido praticada de forma reiterada. O intuito sonegatório, portanto, é perfeitamente perceptível, devendo ser restabelecida a qualificação da multa imposta à contribuinte, posto que o dolo está perfeitamente demonstrado nos elementos probatórios que instruem os presentes autos, sendo de rigor a reforma do acórdão recorrido. Finaliza observando que deve ser aplicado o prazo do art. 173, I do CTN para contagem do prazo decadencial caso se verifique dolo, fraude ou simulação, com destaque ao termo inicial da contagem, e asseverando que: Pois bem. No caso do autos, em relação aos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2005, o termo inicial do prazo decadencial contar-se-á do primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o tributo poderia ser lançado, ou seja, em 1º/01/2006, nos termos do art. 173, I, do CTN, encerrando-se em 31/12/2010. No caso Fl. 3087DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 dos autos, a ciência do lançamento ocorreu em 10/06/2010, não havendo, portanto, que se falar em decadência dos créditos tributários. Como muito mais razão, também não há que se falar em decadência no tocante aos créditos cujos fatos geradores ocorrerem em dezembro de 2005, haja vista o prazo decadencial somente ter sido deflagrado em 1º/01/2007, encerrando em 31/12/2011. Saliente-se, mais uma vez, que o prazo decadencial somente será contado dessa forma caso se reconheça a presença de dolo, fraude ou simulação, que são efetivamente demonstrados no tópico referente à qualificação da multa de ofício. Cientificada do acórdão recorrido e do recurso especial interposto pela PGFN por meio de edital afixado em 05/02/2015 (e-fl. 3061), em razão de se encontrar inapta junto ao CNPJ (e-fl. 3058), a Contribuinte não apresentou contrarrazões, nem interpôs recurso especial. O crédito tributário mantido no acórdão recorrido foi transferido para o processo administrativo nº 10880.722112/2015-03 (e-fls. 3062/3063). Em 19/06/2015 a Contribuinte requereu cópia do processo administrativo (e-fls. 3073/3076), mas nada apresentou nos autos, para além da procuração juntada às e-fls. 3079/3080). Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA, Relatora. Recurso especial da PGFN - Admissibilidade No primeiro ponto de seu recurso, a PGFN suscita divergência em face do paradigma nº 1302-00.163 que, em face de exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS em bases trimestrais, afirmou regular a retificação, pela autoridade julgadora de 1ª instância, das bases de cálculo para nelas manter os valores correspondentes a cada um dos meses de encerramento do referido período de apuração. O voto condutor do paradigma é claro no sentido de que foram expurgadas das bases de cálculo do último mês do trimestre os valores pertinentes aos dois primeiros meses do trimestre: Considerou-se, na linha aqui esposada, que, não obstante a indicação incorreta dos períodos de apuração, cada um dos meses correspondentes ao momento em que a autoridade fiscal considerou ocorrido o fato gerador, efetivamente era indicativo de tal ocorrência, porém, em montantes inferiores aos apontados nas peças acusatórias, eis que ali estavam incluídas receitas que correspondiam a meses distintos do indicado como sendo o correspondente à concretização da hipótese de incidência. No caso vertente, em que foi reconhecida, por unanimidade, a caducidade do direito de a Fazenda constituir créditos relativos aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2001, remanescem, apenas, os créditos tributários relativos às contribuições para o PIS e para COFINS do mês de dezembro de 2001, devendo-se, contudo, excluir-se das matérias tributáveis consignadas nos autos de infração as receitas correspondentes aos meses de outubro e novembro ali computadas.” Ocorre que esta mesma providência foi adotada no presente caso, como se vê no voto condutor da decisão de 1ª instância: 49. Como se nota, as normas legais citadas são claras ao dizer que as contribuições sociais COFINS e PIS incidem mensalmente. Dito de outra forma: a data do fato gerador da COFINS e do PIS é o último dia do mês e seu período de apuração é o mês civil. Fl. 3088DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 50. No presente processo, as receitas omitidas foram tributadas trimestralmente, inclusive para determinação do PIS e da COFINS devidos conforme demonstrado pela autoridade lançadora As fls. 2470 e 2473. Observe-se que as receitas omitidas podem ser segregadas mensalmente, conforme os demonstrativos de fls. 2461 e 2462, e as receitas declaradas também, conforme o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (pesquisa As fls. 2536 a 2556). Assim, o PIS e a COFINS foram em parte indevidamente lançados sobre os totais trimestrais com fato gerador no último dia de cada trimestre. Segundo as normas legais acima reproduzidas, em 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005 e 31/12/2005 somente ocorreram fatos geradores de PIS e de COFINS incidentes sobre as receitas omitidas respectivamente em março, junho, setembro e dezembro de 2005. Assim, devem ser exoneradas as parcelas destes tributos que foram lançadas sobre receitas que não foram omitidas nos períodos de apuração das respectivas datas dos fatos geradores que constam nos autos de infração. Este entendimento também é compartilhado pelo extinto Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARP), conforme demonstram as seguintes ementas de Acórdãos proferidos por aquele órgão de julgamento administrativo: [...] Os demonstrativos de cálculo apresentados na sequência confirmam a manutenção parcial das exigências: Fl. 3089DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 Fl. 3090DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 O acórdão recorrido, por sua vez, limitou-se a negar provimento ao recurso de ofício, nos seguintes termos: Analisando os termos da decisão ora recorrida, verifica-se que a autoridade julgadora de primeira instância reconheceu, no julgamento efetivado, a invalidade da aplicação da incidência do PIS e da COFINS sobre os montantes trimestrais apurados pelos agentes da fiscalização, sobretudo porque, conforme ali apontado, a indicação dos montantes mensais restaria, de fato, perfeitamente possível em face das análises realizadas. Nesse sentido, em respeito às específicas regras aplicáveis aos tributos apontados, entendeu a douta DRJ pela impossibilidade de admissão da apuração do PIS e da COFINS da forma como realizado pelas autoridades fiscais, reconhecendo-se, no caso, a necessária exoneração dos valores indicados como devidos. Da decisão exarada, destaca-se o seguinte e específico trecho: [...] Pelas disposições apresentadas, com o destaque, inclusive, ao entendimento próprio deste Conselho a respeito da impossibilidade de admissão do procedimento estabelecido, entendo, no caso, irrefutáveis as alegações apresentadas pela r. decisão de origem, especificamente no que diz respeito ao reconhecimento da invalidade do procedimento adotado pelos agentes da fiscalização na apuração (equivocada) dos montantes indicados de PIS e COFINS apurados de forma trimestral, devendo, assim, ser mantida então a exoneração efetivada. O provimento parcial ao recurso voluntário não se prestou a exonerar as exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS mantidas no último mês do trimestre, mas apenas a afastar a qualificação da penalidade e, em consequência, declarar a decadência parcial dos créditos tributários exigidos, como exposto na conclusão do voto condutor do acórdão recorrido: Em face de todas as considerações aqui apresentadas, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e, ainda, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, no sentido de: i) reconhecer, de ofício, a ocorrência da decadência parcial do crédito tributário, exonerando, assim, os montantes relativos aos fatos geradores ocorridos antes de 10/06/2005; e, ainda ii) pela aplicação da Súmula CARF nº 14, reconhecer, no caso, a impossibilidade de aplicação da qualificação da penalidade, tendo em vista a inexistência de demonstração, pelos agentes da fiscalização, do evidente intuito de fraude nas atuações da contribuinte, determinando, portanto, o afastamento da qualificação da multa aplicada, limitando, destarte, o percentual da penalidade aplicada para o patamar específico de 75% (setenta e cinco por cento), de que trata o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Possivelmente a PGFN interpretou equivocadamente a conclusão do acórdão recorrido na apreciação do recurso de ofício, por confirmar a invalidade do procedimento adotado pelos agentes da fiscalização na apuração (equivocada) dos montantes indicados de PIS e COFINS apurados de forma trimestral. Não atentou que a decisão de 1ª instância, frente a este equívoco, exonerara apenas o crédito tributário correspondente à base de cálculo apurada nos dois primeiros meses do trimestre. Neste sentido, basta confirmar no extrato do processo, emitido depois do julgamento de 1ª instância, a manutenção de parte do crédito tributário lançado, em todos os períodos autuados, sob os códigos 2960 (COFINS) e 2986 (Contribuição ao PIS). Assim, sendo convergentes os acórdãos comparados, não se confirma o dissídio jurisprudencial suscitado, razão pela qual deve ser NEGADO CONHECIMENTO ao recurso especial neste ponto. Fl. 3091DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 Quanto à segunda divergência, a qualificação da penalidade foi aplicada, nestes autos, apenas em relação aos créditos tributários decorrentes de repasses de cartões de crédito não registrados nos livros fiscais e contábeis e não informados na declaração de rendimentos, sob as justificativas assim expressas no Termo de Verificação Fiscal (e-fls. 2807/2810): Considerando que houve o cometimento, em tese, de Crime Contra a Ordem Tributária, previsto no inciso II, do Art. 1° da Lei 8137/90, tendo sido constatada pela fiscalização a realização de operações comerciais, caracterizada pelas vendas por intermédio de empresas administradoras de cartões de crédito/débito, que fazem prova indireta da realização da operação, pelo fato de que tais empresas contratam com seus clientes o pagamento garantido de suas operações mercantis de vendas realizados para seus clientes, operando apenas diante da existência de transações dessa natureza. Considerando também que as referidas vendas não foram registradas nos livros contábeis e fiscais da empresa, não sendo também informadas na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, do ano calendário fiscalizado. A autuação será realizada com o agravamento da multa de oficio, previsto no Art. 957, inciso II, e inciso I do parágrafo único do mesmo artigo, do Decreto n° 3000/99 (RIR199), pela presença da dolosa intenção do contribuinte de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador dos tributos, prevista nos Artigos 71 e 72 da Lei n° 4502/64, lavrando-se nesta mesma oportunidade a Representação Fiscal para Fins Penais, em obediência ao disposto na Portaria SRF n° 665/2008. O Colegiado a quo, porém, afastou o gravame em referência por entender que: Ocorre que, conforme aqui destacado, o fundamento da aplicação da presunção legal de omissão de receitas fez-se a partir da exclusiva confrontação entre os montantes apontados nos extratos das operadoras de cartões de crédito e das movimentações financeiras com as informações globais apresentadas na respectiva DIPJ2006 apresentadas (voluntariamente inclusive) pela própria contribuinte. Nessa linha, forçoso reconhecer que, de fato, não se chegou a verificar qualquer informação contida nos livros contábeis específicos (diário e razão) passando a simplesmente presumir a não-contabilização para, a partir desta, aplicar a presunção legal de omissão de receitas e, daí, imputar a exigência dos tributos e respectivos consectários legais (juros e multa). Diante dessa verificação, relevante destacar que, a princípio, a qualificação da penalidade, com a nova redação das disposições do Art. 44 da Lei 9.430/96, é estabelecida a partir dos seguintes e específicos parâmetros legais: [...] Conforme se verifica, a qualificação da penalidade aplicada decorre, necessariamente, da configuração específica de uma das hipóteses constantes nas disposições dos Art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, que, por sua vez, estabelecendo os parâmetros específicos das hipóteses de sonegação fiscal, assim especificamente apontam: [...] A partir dessas disposições, verifica-se que, para a admissão da pretendida qualificação da penalidade aplicada, da forma como apontada, necessária seria a demonstração das especificas atuações próprias da contribuinte, voltadas, no caso, a impedir o conhecimento pela fiscalização da ocorrência dos respectivos fatos geradores, sendo esse, inclusive, essencial para a materialização da hipótese aventada. Ocorre que, conforme já apontado, não se chegou a verificar sequer os demais livros fiscais da contribuinte além daqueles apresentados, não havendo, inclusive, o encaminhamento de pedido específico de sua apresentação ou mesmo o comparecimento dos agentes fiscais ao estabelecimento apontado, restando, pois, Fl. 3092DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 presumida a não-contabilização para que, sobre esta, fosse então aplicada a presunção de omissão de receitas. Para a configuração das hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, como se verifica, é essencial que se verifique, no caso, a específica atuação da contribuinte e, a partir daí, demonstre-se a efetiva presença do “dolo” o que, nos presentes autos, efetivamente não fora especificamente percorrido pelas autoridades fiscalizadoras, não se admitindo, assim, de forma alguma, a qualificação da penalidade da forma como apontada. Nesse sentido, aliás, é relevante destacar que não basta a aplicação da hipótese de presunção da omissão de receitas para que dela decorra, imediata e exclusivamente, a aplicação da qualificação da penalidade. Nesse sentido, é importante também destacar, assim inclusive determinam as expressas disposições da Súmula CARF no 14, que, sobre o assunto, especificamente destaca: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Diante dessas considerações, entendo, no caso, a ausência de comprovação, pela fiscalização, do “evidente intuito de fraude” por parte da contribuinte, e, por essa razão, afasto a aplicação da qualificação da penalidade apontada, determinando a redução do percentual aplicado para 75% (setenta e cinco por cento), que seria, no caso, a penalidade mínima aplicável na espécie. (destaques do original) No paradigma nº 1202-00.086 nota-se, em sua ementa, que a qualificação da penalidade foi mantida, não só em razão da manutenção de vendas pagas com cartão de crédito à margem da tributação, mas também em razão da reiteração da conduta: APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA – A conduta da contribuinte de manter as vendas pagas com cartão de crédito à margem da tributação, não informando a totalidade de suas receitas na declaração de rendimentos entregue ao Fisco, durante períodos consecutivos, praticando omissão de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Contudo, o relatório do referido paradigma evidencia que, à semelhança do presente caso, a exigência lá analisada se reportara, apenas, a um ano-calendário, e a reiteração não foi suscitada pela autoridade lançadora, que assim consignou no Termo de Verificação Fiscal: Em razão de não ter sido recolhido e nem assumida a responsabilidade sobre os valores devidos constantes na respectiva DIPJ, lavramos o respectivo Auto de Infração com a finalidade de ser constituído o respectivo crédito tributário. Diante do exposto e das irregularidades fiscais constatadas no curso da ação fiscal, lavramos Auto de Infração com exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos, que deixaram de ser recolhidos pelo contribuinte no ano-calendário de 2004, acrescidos de multa e juros de mora, de acordo com a legislação vigente. Será efetuada a devida Representação Fiscal para Fins Penais, por ter ocorrido, em tese, o crime contra a ordem tributária, por omissão de receitas. Com a finalidade de se eximir do pagamento e/ou recolhimento dos Tributos Federais, a fiscalizada omitiu receitas de sua atividade para a RFB Secretaria da Receita Federal do Brasil, na DIPJ apresentada espontaneamente correspondente ao ano-calendário de 2004, correspondente ao recebimento de vendas efetuadas através de cartões de crédito, constantes dos extratos bancários às folhas 27 a 287." Apesar disso, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento acolheu o entendimento assim expresso no voto condutor do paradigma: Fl. 3093DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 No que concerne à imposição da multa qualificada, prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, vejo que foi perfeitamente aplicada ao caso em voga, haja vista a conduta dolosa da contribuinte ao utilizar do artificio de praticar sistematicamente omissão de receitas, durante meses consecutivos, relativa a vendas com recebimento por meio de cartão de crédito. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 está assim redigido: [...] Fica claro, que a infração submetida à hipótese da multa do inciso II do artigo 44 é a ação ou omissão com intenção de retardar ou impedir o pagamento do tributo, cujo fato gerador tenha ocorrido. Alberto Xavier traduz com clareza, apoiado em Rubens Gomes de Sousa, a noção deste instituto: [...] O artigo 72 da Lei n° 4.502/64 traz a definição de fraude citada no art. 44 da Lei n° 9.430/96: [...] Ao definir que fraude é a ação ou omissão dolosa para impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do tributo, o legislador entendeu que tal procedimento seria motivado por artificio engendrado para impossibilitar a exteriorização completa de um fato que efetivamente aconteceu ou vai acontecer na hipótese de incidência tributária. Novamente Alberto Xavier, com apoio em Galvão Teles, define assim o conceito do dolo no campo tributário: [...] As irregularidades apuradas pelo Fisco justificam a imposição da multa qualificada: a empresa manteve durante meses consecutivos movimentação financeira em conta- corrente bancária relativa a faturamento com cartão de crédito, sem declará-la. Incabível, portanto, a alegação de que a multa qualificada teria sido imposta tendo por base a presunção legal de omissão de receitas pela falta de comprovação da origem de depósitos bancários, tendo a fiscalização indicado como motivo caracterizador da fraude a sistemática omissão de receitas de valores relativos a venda por meio de cartão de crédito. Por pertinente, do Relatório da Ação Fiscal transcrevo os seguintes fundamentos que levaram o autuante a qualificar a multa para o percentual de 150%: [...] Assim, não conseguindo a recorrente demonstrar a inconsistência do lançamento fiscal, não trazendo à colação nenhuma prova que descaracterize a infração que lhe está sendo imputada, fica denotada a intenção de reduzir o pagamento do tributo por artificio doloso, sendo aplicável a multa qualificada de 150%. Aquela circunstância adicional também está presente na ementa do segundo paradigma indicado pela PGFN (1803-001.343): APURAÇÃO DIRETA DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARTÕES DE CRÉDITO E DE DÉBITO. PROCEDÊNCIA. Procede a apuração direta de omissão de receitas consistente na comparação dos extratos de recebimentos de vendas realizadas por meio de cartões de crédito e de débito com a respectiva receita bruta declarada e a correspondente escrituração contábil e fiscal. [...] INFRAÇÃO REITERADA. MULTA QUALIFICADA. Fl. 3094DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 O sujeito passivo que, sistematicamente, insere elementos inexatos em sua declaração, afasta a possibilidade de desatenção eventual, justificando a aplicação da multa qualificada. Contudo, no relatório do referido paradigma inexiste qualquer referência, que tenha sido feita pela autoridade lançadora acerca da reiteração, sendo que a exigência também se reportava a, apenas, um ano-calendário. Apesar disso, a 3ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento decidiu que: 6. É que não houve, no presente caso, qualquer tipo de “arbitramento” (fls. 356) ou “presunção” (fls. 355) ou, ainda, “prova mediante aferição indireta” (fls. 349), mas apuração direta de omissão de receitas, consistente na comparação dos extratos de recebimentos de vendas realizadas por meio de cartões de crédito e de débito com a respectiva receita bruta declarada e a correspondente escrituração contábil e fiscal. 7. Não se trata, por outro lado, de “mero movimento de cartão de crédito” (fls. 356), mas de receitas comprovadamente ingressadas nas contas-correntes da autuada, relativas às vendas cujos pagamentos foram efetuados com cartões de crédito e de débito e que não foram regularmente escrituradas nem declaradas ao Fisco. Descabe, assim, se falar em “estabelecimento de pauta fiscal” (fls. 356). 8. Com relação ao alegado cotejo com as despesas (no caso do IRPJ e da CSLL) ou com os créditos (no caso do Pis e da Cofins), não procede, em vista de que se está diante de omissão de receitas, o que pressupõe naturalmente – salvo prova em contrário a cargo da Recorrente – já terem sido aqueles (despesas e créditos), confrontados, respectivamente, com as receitas e os débitos já declarados. 9. No tocante à multa qualificada, estando-se diante de apuração direta de omissão de receitas, como já se disse, e mais, reiterada no decorrer de todos os meses do ano- calendário de 2005, é esta plenamente cabível. 10. Tem-se que a hipótese de erro escusável fica prejudicada quando há habitualidade na prática da infração. Dessa forma, os chamados erros escusáveis se distinguem daqueles cometidos intencionalmente. 11. O sujeito passivo que, sistematicamente, insere elementos inexatos em sua declaração, afasta a possibilidade de desatenção eventual, justificando a aplicação da multa qualificada. 12. Menciona-se, a respeito, o seguinte precedente administrativo, unânime: [...] 13. Descabe, afirmar, por fim, que “a própria declaração da empresa de cartão de crédito importa confissão da renda do contribuinte!” (fls. 360). 14. Na realidade, os valores lançados pelo uso dos cartões de crédito e de débito deixaram de compor a escrituração e a declaração de rendimentos da Recorrente, vindo a ser constituídos, apenas, por força do procedimento fiscal ora em exame. (destaques do original) Assim, caracterizado está o dissídio jurisprudencial, o que impõe o conhecimento do recurso especial não só em relação à matéria “Omissão de receitas. Vendas com cartões de crédito. Multa qualificada”, como também quanto à matéria “Decadência. Fraude, dolo ou simulação. Art. 173, I x art. 150, §4º, ambos do CTN”, vez que o afastamento da configuração de dolo, fraude ou simulação foi motivo para aplicação, no acórdão recorrido, do prazo decadencial mais estreito, como expresso em seu voto condutor: No caso tratado nos presentes autos, além da inexistência de discussão quanto ao recolhimento, pela contribuinte, dos tributos devidos e declarados ao longo do ano- calendário de 2005, urge ainda destacar que, apesar de eventualmente configurada – na hipótese , a possibilidade de aplicação da presunção legal de omissão de receitas, necessário se faz o destaque de que tal consideração, se aqui apontada, não adota como Fl. 3095DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 base qualquer registro contábil efetivamente mantido pela contribuinte, mas apenas, e tão somente, a confrontação entre os montantes globais apurados pela fiscalização e os registros por ela mantidos, exclusivamente, em seu Livro de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias, e, também, os montantes globais apontados na respectiva DIPJ- 2006. Tais considerações aqui se fazem relevantes, sobretudo ante a necessidade de identificação, no caso, da regra de decadência a ser aplicada à hipótese, sendo certo que, restando inconteste a efetiva ocorrência de recolhimento pela contribuinte do tributo no exercício e, ainda, completamente afastada a configuração de dolo, fraude ou simulação, devem então ser aplicadas na hipótese as especificas disposições do art. 150 do CTN, que, em seu parágrafo 4o, inclusive, assim especificamente destaca: [...] O lançamento efetivado, insista-se, funda-se na exclusiva aplicação da presunção legal de omissão de receitas, não tecendo qualquer consideração à atuação efetiva da contribuinte, o que importa na necessária conclusão da impossibilidade de configuração e/ou enquadramento de dolo, fraude e/ou simulação, de forma a afastar, no caso, a aplicação dessas disposições. [...] Em face dessas considerações, verificando-se, no caso, o afastamento das hipóteses impeditivas para a aplicação daquelas apontadas disposições do Art. 150, par. 4º, do CTN, verifica-se, no caso, a essencial verificação da ocorrência da decadência em relação aos fatos geradores ocorridos fora do período qüinqüenal ali apontado, restando, assim, impossibilitada a atuação fazendária. Nos presentes autos, tendo sido intimada a contribuinte no dia 10/06/2010, verifica-se a ocorrência da decadência parcial sobre os fatos apurados, excluindo-se, assim, aqueles a que se referem os fatos ocorridos antes de 10/06/2005. Ademais, a PGFN indicou como paradigma, neste terceiro ponto, o Acórdão nº 1102-00.042 que, como já resta claro em sua ementa, adotou o entendimento de que a omissão de receitas dolosa promovida pelo sujeito passivo impõe a aplicação do art. 173, I do CTN para contagem do prazo decadencial. Veja-se: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. PRAZO. O direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário extingue-se no prazo de cinco anos, inclusive para as contribuições sociais (CTN, art. 173, caput, e Súmula Vinculante STF n° 8) DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial do prazo de decadência é a data de ocorrência do gato gerador, conforme art. 150, § 4°, do CTN, exceto nos casos de dolo fraude ou simulação, quando esse termo passa a ser regido pelo art. 173, I do mesmo Código. DOLO. O comportamento consistente do contribuinte, ao longo dos anos, de deixar de escriturar parcela da arrecadação e, por conseqüência, reiteradamente omitir receitas à tributação, representa omissão dolosa tendente a impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador justificando a qualificação da penalidade e deslocando o termo inicial da contagem da decadência para o art. 173, I, do CTN. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados, autoriza a presunção de que os recursos Fl. 3096DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 utilizados para esses pagamentos eram provenientes de receitas mantidas à margem da escrituração. OMISSÃO DE RECEITA. JOGO DE BINGO. Caracterizam-se como omissão de receita, os valores arrecadados na venda de cartelas do jogo de bingo que deixaram de ser escrituradas. LANÇAMENTOS DECORRENTES: PIS, COFINS, CSLL Uma vez que as receitas omitidas atingem, de igual forma, o IRPJ, a CSLL, o PIS e a COFINS, o decidido quanto ao IRPJ aplica-se aos demais lançamentos, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO. A multa de oficio é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de tributos decorrentes de lançamentos de oficio, não podendo ser aplicado o percentual de 20%, limite aplicável para pagamentos espontâneos em atraso. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4). No referido paradigma, por vincular a definição do prazo decadencial à decisão acerca da acusação de evidente intuito de fraude na omissão de receitas, a Conselheira Relatora primeiro analisou o comportamento do sujeito passivo, concluindo tratar-se de omissão dolosa compatível com o art. 71 da Lei nº 4.502/64, para então rejeitar a arguição de decadência. Por tais razões, o presente voto é no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial da PGFN, negando-lhe seguimento em relação à primeira matéria (“Erro na apuração do PIS e da COFINS”). Recurso especial da PGFN - Mérito No que se refere à segunda matéria (“Omissão de receitas. Vendas com cartões de crédito. Multa qualificada”), esta Conselheira, em declaração de voto juntada ao Acórdão nº 1101-00.725, assim firmou seus parâmetros para qualificação da penalidade em lançamentos decorrentes da constatação de omissão de receitas: Concordo integralmente com a I. Relatora no que tange aos efeitos do Ato Declaratório de Exclusão e à exigência do crédito tributário principal. Mas tenho outras razões para concluir pelo afastamento da multa de ofício qualificada, de forma que subsistam apenas os acréscimos de multa de ofício no percentual de 75% e de juros de mora. Os debates havidos durante as sessões de julgamento permitiram-me bem delinear os critérios que adoto para exigência da multa de ofício qualificada. No primeiro caso apreciado, estivemos frente a um contribuinte que havia omitido significativo volume de receitas, apuradas com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ou seja, frente a depósitos bancários de origem não comprovada, concluiu a autoridade lançadora pela existência de valores tributáveis. A contribuinte apresentara livros contábeis que precariamente reproduziam a movimentação bancária questionada, fazendo transitar a maior parte dos valores apenas por contas patrimoniais, e reconhecendo como receita de vendas somente os valores expressos nas notas fiscais emitidas. Consoante reproduzido pelo I. Relator, a contribuinte limitou-se a argüir, sem qualquer prova documental, que em virtude da natureza perecível das mercadorias, havia operações de revenda de mercadorias que seguiam diretamente do produtor rural para os clientes da empresa, acobertadas pela Nota Fiscal de Produtor Rural; o pagamento ocorria de forma informal, de vez que realizava pagamentos aos produtores rurais e posteriormente recebia de seus clientes a quitação das mercadorias revendidas. Fl. 3097DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 A qualificação da penalidade decorreu do fato de a contribuinte não ter emitido notas fiscais, não ter escriturado a maior parte de suas receitas e não ter declarado à Receita Federal sua efetiva receita, tentando passar a falsa impressão que a sua receita de vendas de mercadorias foi de apenas R$ 1.107.598,81, quando na realidade foi de R$ 7.109.024,52. Entendi, frente a estes elementos, que se tratava da simples apuração de omissão de receitas, à qual se reporta à Súmula CARF nº 14. O volume de receitas presumidamente omitidas era significativo, e deficiências na escrituração demonstravam a desídia da contribuinte na manutenção de seus assentamentos contábeis. Todavia, embora estes elementos permitissem a imputação de omissão de receitas, eles ainda eram insuficientes para afirmar a intenção dolosa de deixar de recolher tributo. Necessário seria que a Fiscalização investigasse um pouco mais, estabelecendo vínculos concretos entre a movimentação bancária e a atividade operacional da empresa, para assim afirmar que houve a intenção de ocultar receitas tributáveis do Fisco Federal. Evidências como a apuração de depósitos decorrentes de liquidação de títulos de cobrança, ou circularização de alguns depositantes, já permitiriam criar esta inferência. No segundo caso apreciado, as receitas omitidas foram apuradas a partir das informações do Livro Registro de Saídas, que apresentava expressivo volume de operações, ao passo que as DIPJ, DACON e DCTF não continham qualquer registro de resultados tributáveis ou débitos apurados. Ainda assim, a Fiscalização circularizou um dos clientes da fiscalizada, e identificou outras operações que sequer haviam sido escrituradas no Livro Registro de Saídas. Ao final, concluiu a autoridade fiscal que apesar de ter auferido vultosa receita, a contribuinte agiu dolosamente com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias principais, apresentando declarações zeradas. Acompanhei a Turma que, à unanimidade, manteve integralmente o crédito tributário ali exigido, com a aplicação da multa qualificada. No presente caso, também está presente o significativo volume de receita omitida, à semelhança dos demais casos. Além disso, a constatação de que receitas foram subtraídas à tributação decorre de fatos coletados da própria escrituração contábil/fiscal da contribuinte: seus registros escriturais e as informações prestadas à Fazenda Estadual prestaram-se como prova direta dos valores tributados. E, no meu entender, estes aspectos já são suficientes para afastar a Súmula CARF nº 14, como antes mencionei A distinção deste caso, em relação ao anterior, está na acusação fiscal. A autoridade lançadora justifica a qualificação da penalidade em razão da omissão mediante declaração ao Fisco Federal de somente R$ 129.557,60 do total de R$ 13.947.987,53 das vendas registradas em sua contabilidade, cujo total foi registrado em sua escrituração fiscal e contábil e informado ao Fisco do Estado do Paraná, conforme demonstrado nos subitens "2.3.1", "2.3.2" e "2.3.3", nos quais limita-se a descrever os valores extraídos da escrituração contábil, da escrituração fiscal e das GIAS/ICMS e da declaração simplificada apresentada à Receita Federal. A autoridade lançadora não acusou a contribuinte de ocultar receitas sabidamente tributáveis, de modo que o litígio não se estabeleceu em relação à intenção da contribuinte em deixar de recolher tributos. A dúvida ganha maior relevo quando observo, no Termo de Verificação Fiscal, que cerca de 50% dos valores omitidos decorrem de CAFÉ DESTIN EXPORTAÇÃO e CAFÉ C/ SUSP PIS-COFINS, cuja exclusão da base de cálculo do SIMPLES Federal poderia decorrer de interpretação da legislação tributária. Assim, embora entenda que não é o caso de aplicação da Súmula CARF nº 14, concordo com o afastamento da qualificação da penalidade, proposto pela I. Relatora. Também contrário à qualificação da penalidade foi o entendimento expresso no voto condutor do Acórdão nº 1101-001.267: Com referência à qualificação da penalidade em razão da omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, é certo que a contribuinte Fl. 3098DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 não contabilizou integralmente sua movimentação financeira, assim como a presunção de omissão de receitas se verificou em todos os períodos fiscalizados. Todavia, para se afirmar que os depósitos bancários correspondem a receitas da atividade é necessário que a Fiscalização reúna outras evidências, como por exemplo o creditamento bancário a título de cobrança ou desconto, ou indícios outros que vinculem os depósitos bancários a clientes da contribuinte, de modo a demonstrar que o sujeito passivo, ao deixar de escriturá-los e de comprovar sua origem no curso do procedimento fiscal, tinha a intenção de não recolher os tributos decorrentes daquelas bases de cálculo sabidamente tributáveis. A presunção legal permite que o Fisco promova a exigência ainda que o sujeito passivo não se desincumba de seu dever de escriturar, porém a reiterada constatação de receitas presumidamente omitidas não é suficiente para qualificação da penalidade, pois não permite concluir que o sujeito passivo agiu ou se omitiu dolosamente para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador, ou mesmo para impedir ou retardar sua ocorrência. Ainda que por indícios esta intenção deve estar, ao menos, presumida, de modo que a sua reiteração a ocorrência conduza à caracterização do intuito de fraude presente nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, como exige o art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. Se a presunção de omissão de receitas não está associada a outros elementos que a vinculem a receitas sabidamente tributáveis, a jurisprudência deste Conselho já está consolidada no seguinte sentido: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73. Esclareça-se que, como consignado neste voto, a recorrente invocou a descrição "auto explicativa" contida nos extratos bancários para vincular outros depósitos bancários a operações de compra e venda de veículos usados, evidência de vendas sem emissão de nota fiscal, na medida em que as operações assim comprovadas foram admitidas pela Fiscalização como origem de parte dos depósitos bancários. Ocorre que esta circunstância não foi integrada à acusação fiscal acima exposta, acrescida apenas por referências ao significativo descompasso entre a movimentação financeira e as receitas declaradas pelo sujeito passivo, e pela menção ao grande volume de rendimentos tributáveis omitidos, mas aí tendo em conta, também, a significativa parcela de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Assim, além da reiteração, a acusação fiscal apenas afirma que a omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada apresenta valores expressivos, constatações que não se prestam como indícios da intenção de omitir receitas sabidamente tributáveis. Em tais circunstâncias, a presunção legal de omissão de receitas subsiste, mas a qualificação da penalidade não se sustenta. Desnecessário, portanto, apreciar as demais alegações da recorrente acerca da ausência de embaraços à investigação fiscal, da validade da documentação apresentada e necessária desconstituição por parte da Fiscalização, do regular registro contábil dos rendimentos tributáveis, do indevido uso da presunção hominis para qualificação da penalidade e das inconsistências verificadas na acusação de sonegação, pois tais argumentos já foram antes refutados no que importa à caracterização da omissão de receitas, bem como para manutenção da multa qualificada sobre a omissão de receitas de intermediação financeira. Por estas razões, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a qualificação da penalidade aplicada sobre os créditos tributários decorrentes da presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. De outro lado, esta Conselheira manteve a qualificação da penalidade no voto condutor do Acórdão nº 1101-001.144, porque agregados outros elementos às apurações feitas a partir dos depósitos bancários que favoreceram a contribuinte no período fiscalizado: Fl. 3099DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 Já no que se refere à multa de ofício mantida no percentual de 150%, cumpre ter em conta que a base de cálculo autuada decorre da constatação de receitas auferidas no período fiscalizado, mediante confronto dos depósitos bancários com os documentos apresentados pela contribuinte durante o procedimento fiscal, a partir dos quais foi possível constatar que apenas parte das operações foram contabilizadas pela autuada, e que nem mesmo em relação a esta parcela foram declarados ou recolhidos os valores devidos. Diante deste contexto, a autoridade lançadora expôs que: No que concerne à aplicação da multa proporcional ao valor do imposto, a mesma foi de 150%, por prática, em tese, de infração qualificada como: 1 – Sonegação (art. 71 da Lei n° 4.502/1964), tendo em vista que a contribuinte agiu e omitiu com dolo para impedir e retardar totalmente em relação ao ano-calendário 2001 o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1.1 – Da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (por três anos consecutivos, não entregou a DIPJ, deixando de informar o resultado do exercício, a base de cálculo e o regime de tributação; não informou nenhum valor nas DCTF; não apresentou a escrituração comercial para que houvesse possibilidade de apuração da base de cálculo; não comprovou a origem dos créditos em contas mantidas em instituições financeiras, tendo cabido tal tarefa à fiscalização, tudo evidenciando o intuito de omitir informações, com o fito de eximir-se do pagamento do imposto/contribuições); 1.2 – Das suas condições pessoais, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal e o crédito tributário correspondente (na condição de rede de lojas na exploração do comércio varejista de móveis e eletrodomésticos, deixou de informar o total das receitas típicas da atividade, inclusive deixando de apresentar declarações, como se não mais estivesse em atividade, sem se importar em esclarecer se os créditos em suas contas bancárias se referiam a esse tipo de atividade ou a outra, levando a fiscalização a apurar os valores pelo regime de lucro arbitrado; ainda, passou toda a rede de lojas a empresa sucessora que, como demonstrado nos anexos, muitas vezes é solidária, ao passo que ambas operaram nos mesmos estabelecimentos comercias às mesmas épocas; nesse sentido, a autuada desfez-se de todo seu patrimônio comercial, reduzindo a ampla rede a apenas um pequeno estabelecimento no endereço constante do cabeçalho). Acrescente-se a esta acusação as referências, também trazidas pela Fiscalização, acerca da reiteração desta conduta omissiva por parte da pessoa jurídica SANTEX que, antes da autuada (IMPELCO), foi constituída para operação da marca GR ELETRO: No ano de 2000 foi requisitado procedimento de fiscalização pelo Ministério Público Federal, onde foi constatada a sucessão de SANTEX por IMPELCO – processos números 10183.004979/00-11 (arquivado por decadência) e 10183.002620/2001-25 (créditos inscritos na Dívida Ativa da União). Em ambas as ocasiões os procedimentos de fiscalização foram precedidos de ações policiais de busca e apreensão nos estabelecimentos da contribuinte, que sempre usa a marca GR ELETRO, mudando apenas o CNPJ dos estabelecimentos e abandonando o anterior, categoria em que se inclui IMPELCO, furtando-se ao cumprimento das obrigações tributárias. Contudo, no sistema CNPJ os estabelecimentos matriz e filiais de IMPELCO continuam ativos, em vários dos mesmos endereços da empresa sucessora/solidária, além de haver movimentação financeira em 2002 no valor de R$ 49.283.060,04, de R$ 42.620.634,83 em 2003, de R$ 11.790.083,53 em 2004 e de R$ 58.836,41 em 2005, não havendo entrega de declarações também para esses anos, confirmando a assertiva de que IMPELCO foi "substituída" paulatinamente por VESLE MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA (vide fls. 02 a 04 do ANEXO IV – QUATRO)., aberta em 06/06/2000, considerando que a marca GR ELETRO continuou no mercado, inclusive com inserções na mídia televisiva e propaganda contínua em listas telefônicas, sendo mais recentemente substituída pela marca FACILAR, adotada no início de 2007 por VESLE. Considerando a forma de apuração, nestes autos, dos fatos tributáveis, não são aplicáveis as Súmula CARF nº 14 e 25, porque não se trata de presunção legal de Fl. 3100DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 omissão de receitas, ou de simples apuração de omissão de receitas, e ainda que tenha havido arbitramento dos lucros, outras evidências foram agregadas para demonstração do intuito de fraude. Observe-se, ainda, que a recorrente limita-se a argumentar que não houve embaraço à fiscalização (aspecto antes apreciado em sede de recurso de ofício), e nega a existência de dolo apenas em razão da autuação de fundar em presunção. No mais, afirma confiscatória a penalidade subsistente, ao final pleiteando sua redução para 75% uma vez que reconhecida pelos Nobres Julgadores a quo que: “a contribuinte não causou embaraço à fiscalização, prestando os esclarecimentos que lhe eram possíveis”. Ocorre que o percentual de 150% está previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 para as exigências de ofício nas quais restar caracterizado o intuito de fraude, aqui presente em razão das evidências reunidas pela Fiscalização acerca da deliberada intenção da contribuinte de, reiteradamente praticando fatos jurídicos tributáveis, deixar de escriturá-los adequadamente de modo a subtraí-los da incidência tributária. Tais parâmetros orientaram os votos desta Conselheira, contrários à qualificação da penalidade em face de significativa e/ou reiterada omissão de receitas presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, dissociada de outras evidências de os depósitos bancários corresponderem a receitas da atividade do sujeito passivo, como são exemplos as decisões veiculadas nos Acórdãos nº 9101-004.596 (Diadorim Participações Ltda, Relatora Viviane Vidal Wagner), 9101-004.458 (Frigorífico Foresta Ltda, Relatora Cristiane Silva Costa), 9101-004.456 (Tumelini Fomento Mercantil Ltda, Relatora Cristiane Silva Costa), 9101-004.423 (Frigorífico Ilha Solteira Ltda, Relatora Lívia De Carli Germano). No presente caso, porém, o lançamento foi formalizado em face de pessoa jurídica que, no ano-calendário 2005, exerceu a atividade de comércio atacadista de produtos alimentícios, informando receitas da atividade equivalentes a montantes trimestrais oscilando entre R$ 732.000,00 e R$ 740.000,00, ao passo que os créditos bancários promovidos pelas operadoras de cartões de crédito (Visa e Redecard) em contas correntes da matriz e da filial totalizaram, no ano, R$ 7.652.419,43, como evidenciado no quadro comparativo às e-fls. 361: Fl. 3101DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 A Contribuinte foi intimada e reintimada a esclarecer as divergências assim constatadas a partir dos extratos bancários que ela própria fornecera à autoridade fiscal, nos seguintes termos: Tendo cm vista as diferenças apuradas entre os valores constantes dos extratos apresentados pelo contribuinte, referentes às operações de vendas da empresa realizadas por intermédio de cartões de crédito, devidamente resumidas no anexo “MOVIMENTAÇÃO CARTÃO DE CRÉDITO - ANO CALENDÁRIO DE 2005" e os valores das receitas informadas pelo contribuinte na sua Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, do mesmo ano calendário de 2005. Pede-se: - Esclarecer o motivo das diferenças encontradas pela fiscalização, especificadamente, o total anual de R$7.652.419,43 dos referidos extratos de operações de vendas por cartões de crédito e o total anual de R$2.943.353,18, informado trimestralmente na sua DIPJ/2006, referente ao ano calendário de 2005. [...] Em resposta, consignou, apenas, que: RIO VERMELHO DISTRIBUIDOR LTDA, pessoa jurídica de direito privado, com sede à Rua Simão Alvares, 356 Sala 01 102 Andar Conjunto 101 — Pinheiro — São Paulo/SP, CNPJ/MF n.º 03.688.310/0001-39, vem por meio desta através de seu sócio administrador, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal MPF n.º 08.1.90.00- 2009.05269-6 de 22/02/2010 e ao Termo de Reintimação Fiscal MPF n.° 08.1.90.00- 2009-05269-6 de 20/04/2010, informar-lhes que não temos conhecimento aos valores de R$7.652.419,43 referente aos extratos de operações de vendas por cartões de crédito e R$164.177.513,63 referente à créditos nos extratos de movimentação das contas bancárias, levantado em auditoria pelo fisco. Fl. 3102DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 Ou seja, a partir dos extratos bancários fornecidos pela própria Contribuinte, a autoridade fiscal, para além de créditos bancários com outros históricos, no total anual de R$ 164.177.513,63, identificou o montante de R$ 7.652.419,43 decorrente de créditos de operadoras de cartões de crédito, significativamente superior às receitas uniformemente declaradas ao longo do ano-calendário 2005, nos montantes trimestrais entre R$ 732.000,00 e R$ 740.000,00. Em se tratando de pessoa jurídica que exerce atividade comercial – diversamente de algumas atividades de prestação de serviço que podem gerar recebimentos decorrentes de atividades de terceiros –, não há dúvida razoável que permita dissociar os aportes promovidos por operadoras de cartões de crédito do recebimento de receitas da atividade. E a intenção de omiti-las nas bases de cálculo dos tributos declarados e recolhidos resta evidente frente à anormal uniformidade dos valores omitidos, quando comparados com as receitas declaradas. Em todos os meses do ano, no que se refere à apuração das contribuições incidentes sobre o faturamento, e em todos os trimestres do ano, quando apurado o IRPJ e CSLL devidos sobre o lucro presumido trimestral, a Contribuinte reconheceu receitas equivalentes a menos da metade dos valores recebidos de operadoras de cartões de crédito. Há evidências suficientes de que receitas da atividade em montantes significativos foram reiteradamente omitidas na apuração dos tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento, ao longo do ano-calendário 2005, em conduta incompatível com qualquer cogitação de erro escusável que afaste a intenção dolosa de assim proceder, com vistas a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador dos tributos na forma prevista nos Artigos 71 e 72 da Lei nº 4502/64, como indicado no lançamento. É certo que a Fiscalização, supondo-se possível uma prova direta do dolo do agente no presente caso, não a alcançou. Contudo, foi reunido um conjunto de indícios consistentes e convergentes que autorizaram a presunção da intenção de sonegação e fraude na apuração das bases dos tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento ao longo do ano- calendário 2005. Veja-se que a imperatividade do uso da presunção, na esfera tributária, é defendida com sólidos argumentos por Maria Rita Ferragut (in Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação, Revista Dialética de Direito Tributário nº 67, Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120): Por outro lado, insistimos que a preservação dos interesses públicos em causa não só requer, mas impõe, a utilização da presunção no caso de dissimulação, já que a arrecadação pública não pode ser prejudicada com a alegação de que a segurança jurídica, a legalidade, a tipicidade, dentre outros princípios, estariam sendo desrespeitados. Dentre as possíveis acepções do termo, definimos presunção como sendo norma jurídica lato sensu, de natureza probatória (prova indiciária), que a partir da comprovação do fato diretamente provado (fato indiciário), implica juridicamente o fato indiretamente provado (fato indiciado), descritor de evento de ocorrência fenomênica provável, e passível de refutação probatória. É a comprovação indireta que distingue a presunção dos demais meios de prova (exceção feita ao arbitramento, que também é meio de prova indireta), e não o conhecimento ou não do evento. Com isso, não se trata de considerar que a prova direta veicula um fato conhecido, ao passo que a presunção um fato meramente presumido. Só a manifestação do evento é atingida pelo direito e, portanto, o real não tem como ser alcançado de forma objetiva: independentemente da prova ser direta ou indireta, o fato que se quer provar será ao máximo jurídica certo e fenomenicamente provável. É a realidade impondo limites ao conhecimento. Fl. 3103DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 Com base nessas premissas, entendemos que as presunções nada “presumem” juridicamente, mas prescrevem o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Faticamente, tanto elas quanto as provas diretas (perícias, documentos, depoimentos pessoais etc.) apenas “presumem”. E, mais à frente, abordando diretamente a questão da prova da fraude, a mesma autora acrescenta: As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e má-fe em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertem-se em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa. Como se vê, a exigência imposta à verificação de fraude, para atribuir-lhe uma conseqüência é a prova, e esta pode se dar por meio de presunção. Por tais razões, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN neste ponto e restabelecida a qualificação da penalidade. Com o restabelecimento da multa qualificada, também deve ser revertida a decadência declarada no acórdão recorrido, mediante provimento ao recurso especial da PGFN, também, no que se refere à matéria “Decadência. Fraude, dolo ou simulação. Art. 173, I x art. 150, §4º, ambos do CTN”, inclusive em observância ao que dispõe a Súmula CARF nº 72, complementada pela Súmula CARF nº 101: Súmula CARF nº 72 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 104-22564, de 14/06/2007 Acórdão nº 2401-00249, de 08/09/2009 Acórdão nº 1402-00506, de 31/03/2011 Acórdão nº 2102-01186, de 18/03/2011 Acórdão nº 105- 17083, de 25/06/2008 Acórdão nº 1103-00486, de 29/06/2011. Súmula CARF nº 101 Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: 9202-003.067, de 13/02/2014; 9202-003.130, de 27/03/2014; 9202-003.245, de 29/07/2014; 9303-002.857, de 18/02/2014; 1102-000.939, de 08/10/2013; 2102- 003.046, de 18/07/2014; 2201-002.433, de 16/07/2014; 2802-001.581, de 15/05/2012; 3102- 002.211, de 27/05/2014; 3202-001.239, de 23/07/2014. A jurisprudência desta Turma é consistente neste sentido: DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO. SÚMULA CARF 72. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Acórdão nº 9101-003.037 - Sessão de 10 de agosto de 2017). DECADÊNCIA. REGRA DE CONTAGEM Nos casos em que se verifica o dolo, a fraude e a simulação, a regra de contagem do prazo decadencial a ser aplicada é aquela prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, o Fl. 3104DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 prazo tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Súmula CARF nº 72). (Acórdão nº 9101-003.208 - Sessão de 8 de novembro de 2017). DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. Quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o transcurso do prazo decadencial ocorrerá em 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na forma do artigo 173, I do CTN. (Súmula CARF nº 72). (Acórdão nº 9101-003.310 - Sessão de 17 de janeiro de 2018). MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. A omissão reiterada de informações ao Fisco (recorrência) em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância) pode caracterizar o dolo ensejador da multa qualificada. Se a contribuinte, ao longo de três anos seguidos (2003/2005), apresenta sistematicamente declarações com valores de receitas muito menores que as efetivamente auferidas, e até mesmo com valores zerados, como se estivesse em inatividade, enquanto operava normalmente, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias, provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício. DECADÊNCIA. A manutenção da multa qualificada produz reflexos na questão da decadência. Isso porque a caracterização do dolo, por si só, desloca o prazo de decadência do art. 150, §4º, para o do art. 173, I, ambos do CTN. (Acórdão nº 9101-003.477 - Sessão de 8 de março de 2018). MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. A omissão reiterada de informações ao Fisco (recorrência) em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância) pode caracterizar o dolo ensejador da multa qualificada. Se a contribuinte, ao longo de cinco anos (1999/2003), apresenta sistematicamente declarações em branco à Secretaria da Receita Federal (ou mesmo nem as apresenta), e não efetua qualquer recolhimento quando ela própria sabia que tinha tributos a recolher, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício. DECADÊNCIA. 1º, 2º e 3º TRIMESTRES DE 1999. O restabelecimento da multa qualificada produz reflexos na questão da decadência. Isso porque a caracterização do dolo, por si só, desloca o prazo de decadência do art. 150, §4º, para o do art. 173, I, ambos do CTN. Não bastasse isso, os documentos e demonstrativos apresentados pela Fiscalização evidenciam que não houve qualquer recolhimento de CSLL ao longo do período fiscalizado. E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, já decidiu que se não houve nenhum pagamento e nem declaração/confissão de parte do tributo, a regra de decadência a ser aplicada é a prevista no art. 173, I, do CTN. (Acórdão nº 9101-003.479 - Sessão de 8 de março de 2018). MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. PROCEDÊNCIA A prática reiterada, durante todo o ano-calendário de 2008, de omitir valores relevantes de receitas auferidas, apuradas conforme movimentações financeiras em contas bancárias mantidas à margem da escrituração contábil, caracteriza a conduta dolosa e justifica a imputação da multa qualificada. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Fl. 3105DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 9101-004.724 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001805/2010-89 A contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra estabelecida pelo art. 173, inciso I, do CTN, nos casos de conduta dolosa, conforme a Súmula CARF nº 72. (Acórdão nº 9101-003.581 - Sessão de 9 de maio de 2018). MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150% quando ficar constatada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizando-se para esse fim de interpostas pessoas jurídicas. Estando configurada a ação dolosa na simulação, para evitar o pagamento do tributo, mantém-se a multa qualificada de 150%. DECADÊNCIA. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF vinculante nº 72). (Acórdão nº 9101-004.333 – Sessão de 7 de agosto de 2019). O voto condutor do acórdão recorrido afirmou que restando inconteste a efetiva ocorrência de recolhimento pela contribuinte do tributo no exercício e, ainda, completamente afastada a configuração de dolo, fraude ou simulação, devem então ser aplicadas na hipótese as especificas disposições do art. 150 do CTN. Todavia, restabelecida a qualificação da penalidade e configurada a ressalva do §4º do art. 150 do CTN, deve ser aplicada a regra do art. 173, I do CTN, de modo que para as exigência mais remotas, pertinentes ao 1º trimestre/2005, admitindo-se possível o lançamento no próprio ano-calendário 2005, o prazo decadencial tem início em 01/01/2006 e término em 31/12/2010, de modo que subsiste integralmente o lançamento cientificado à contribuinte em 10/01/2010. Conclusão O presente voto, portanto, é no sentido de; CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial da PGFN, negando- lhe seguimento em relação à primeira matéria (“Erro na apuração do PIS e da COFINS”). DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN na parte conhecida, para restabelecer a qualificação da penalidade e afastar a decadência declarada no acórdão recorrido, restabelecendo na íntegra o crédito tributário mantido na decisão de 1ª instância. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Fl. 3106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.011347/2008-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
PAF. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO VOLUNTÁRIO ADSTRITO À ANÁLISE DA INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO
A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade quando questionada.
Numero da decisão: 2003-000.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 PAF. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO VOLUNTÁRIO ADSTRITO À ANÁLISE DA INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade quando questionada.
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO VOLUNTÁRIO ADSTRITO À ANÁLISE DA INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade quando questionada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF referente ao ano-calendário de 2003, exercício de 2004, no valor de R$ 13.347,31, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, em razão da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 20.863,04, conforme se depreende da notificação de lançamento constante dos autos, importando na apuração do imposto suplementar no valor de R$ 5.737,33 (fls. 38/41). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância - Acórdão nº 03-38.815, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília - DRJ/BSB (fls. 45/49): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 13 47 /2 00 8- 12 Fl. 90DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.533 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.011347/2008-12 Da Autuação Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foi emitida, em 26/05/2008, a Notificação de Lançamento n° 2004/601450764414086, de fls. 35/38, consubstanciando o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF, do exercício de 2004, ano- calendário 2003, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), com exercício na DRF em Brasília - DF. O valor do Crédito Tributário apurado pela autoridade fiscal está assim constituído, em Reais: Imposto de Renda Pessoa Física - Suplementar ........... 5.737,33 Multa de Oficio .............................................................. 4.302,99 Juros de Mora (calculados até 30/05/2008) ................... 3.306,99 Valor do Crédito Tributário .......................................... 13.347,31 O cálculo do Imposto suplementar apurado encontra-se demonstrado às fls. 37, a descrição dos fatos e enquadramento legal da infração às fls. 36. Em síntese, foi glosado R$ 20.863,04 referente à dedução indevida a título de despesas médicas por falta de comprovação ou falta de previsão legal. Complementa informando que não comprovou as seguintes despesas: - IMH - Instituto de Medicina Holística Ltda, no valor de R$ 180,00; - Vídeo Clinica Médico Cirúrgica S/C Ltda, no valor de RS 1.700,00; - Sr. Luis Flávio Marconi, no valor de R$ 4.000,00, não possui o CRO; - Dra. Luciana Rodrigues Silva, no valor de R$ 8.000,00 foram efetuadas no ano- calendário de 2004; e, - Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, no valor de R$ 6.983,04. Da Impugnação. Cientificada do lançamento, a interessada protocolou sua impugnação, em 20/08/2008, anexada às fls. 01/02, instruída com os documentos de fis. 03/08, 09/10, 11, 12, 13, 14, 15 e 16. Em síntese, alega e requer o seguinte: - com relação a contestação da despesa Vídeo Clinica Médico Cirúrgica S/C Ltda, no valor de R$ 1.700,00, houve um equívoco, uma vez que foram somadas três notas fiscais de uma mesma empresa, onde deveria ter usado somente uma. As outras duas são objeto do exercício seguinte; - apresenta a descrição dos fatos da notificação; - mostra para cada item as provas anexadas ao processo informando que as despesas relativas à Dra. Luciana Rodrigues Silva agora estão com o ano-calendário correto; e, - solicita a improcedência do procedimento fiscal com o cancelamento do débito. Depois de instruído com os documentos/extratos de fl. 17/20, 21/23, 24/27, 28/29, 30/32, 33/34 e 35/38, o presente processo, para fins de julgamento, foi encaminhado para esta DRJ, conforme despacho de fls. 39. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/BSB, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação por ser intempestiva, haja vista a apresentação da mesma ter ocorrido após o prazo legal. Recurso Voluntário Fl. 91DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.533 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.011347/2008-12 Cientificada da decisão, em 07/10/2010 (fls. 54), a contribuinte, em 27/10/2010, interpôs recurso voluntário (fls. 55/57), trazendo os seguintes argumentos, a seguir brevemente sintetizados: DA PRELIMINAR A apresentação da impugnação administrativa foi considerada intempestiva, uma vez que a mesma foi protocolada junto à Receita Federal do Brasil na data de 20/08/2008 e o prazo máximo tendo por base o “Aviso de Recebimento - AR” era 14/07/2008, ocorre que por motivo de viagem só tomei conhecimento disto depois de expirado o prazo. Conforme prescreve o art. 319 do CPC/1973, o réu que não contesta a ação, reputar-se- ão verdadeiros os fatos afirmados pelo autor. Contudo, o art. 320 do CPC, trás que a revelia não induz, contudo, o efeito mencionado no artigo antecedente. Há por si só, elementos suficientes para comprovar o que está sendo solicitado, pois a revelia alcança o fato e não o direito. Não pode e nem deve o órgão fiscalizador de posse da documentação comprobatória lançar o imposto e simplesmente desprezar as provas apresentadas, alegando simplesmente o descumprimento de prazo. Houve a perda do prazo, isso é fato, mas não houve a intenção de lesar o erário, pois mesmo tendo sido expirado o prazo legal foi apresentado provas que corroboram com a solicitação em questão. DO MÉRITO O presente recurso visa comprovar despesas incorridas no exercício em questão e tem por finalidade comprovar a improcedência parcial do lançamento, uma vez que houve um equívoco no preenchimento da declaração já informado no 1° parágrafo do item anterior: DO DIREITO - DA PRELIMINAR. Estão anexados a este Recurso os seguintes documentos: 1- Cópia da nota fiscal; 2- Cópia da nota fiscal n° 6227 no valor de R$ 100,00. 3- Declaração de Habilitação Legal, expedida pelo CRO-DF; 4- Cópia dos recibos no ano-calendário correto; 5- Cópia do demonstrativo de Pagamento de Faturas expedido pela Cassi; 6- Cópia das notificações iniciais e recurso direcionado ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Requer, ao final, demonstrada a improcedência parcial do lançamento, o cancelamento parcial do débito lançado. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 61/89. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminarmente, cabe a análise da intempestividade da peça impugnatória, haja vista que, se reconhecida a sua apresentação a destempo restará prejudicada a apreciação das demais questões recursais. Fl. 92DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.533 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.011347/2008-12 Pois bem. A notificação de lançamento para cobrança do imposto suplementar foi encaminhada para o domicílio tributário do Recorrente sendo ali recepcionada no dia 12/06/2008 (quinta-feira), conforme AR juntado aos autos (fl. 43/44). Logo, a contagem de prazo para apresentação de impugnação iniciou, impreterivelmente, no dia 13/06/2008 (sexta-feira), se encerrando no dia 14/07/2008 (segunda-feira). Assim, a impugnação apresentada em 20/08/2008 (fls. 86), é intempestiva. Este fato, inclusive, é reconhecido pela própria Recorrente em sua peça recursal. Nada obstante, no que pertine ao prazo para a apresentação de impugnação urge transcrever os arts. 14, 15 e 23 do Decreto nº 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 23. Far-se-á a intimação: (...) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) No presente caso, tem-se que o AR enviado ao domicílio fiscal da contribuinte foi efetivamente juntado aos autos (fls. 44). Há no aludido documento assinatura aposta pelo recebedor no local de destino, além da certificação da data de recebimento em 12/06/08, com assinatura, nome e matrícula do carteiro responsável pela entrega. Diante dos fatos, e norteado pelos dispositivos legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, uma vez ocorrido, em 12/06/2008, via postal, a ciência regular e válida da notificação de lançamento lavrada (fls. 43/44), deve-se contar a partir dessa data o prazo para impugnar o débito, trintídio este encerrado no dia 14/07/2008. Portanto, em que pese as razões recursais, não há como considerar tempestiva a peça impugnatória apresentada somente em 20/08/2008 (fls. 2/3). Por fim, caber salientar que, uma vez firmado o entendimento de que a decisão recorrida deve ser mantida quanto ao não conhecimento da impugnação em razão de sua intempestividade, descabe a apreciação de quaisquer outras matérias submetidas, ainda que de ordem pública. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, em razão da intempestividade da impugnação apresentada. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 93DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13853.720194/2015-69
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL - GFIP. DECISÃO QUE NÃO ANALISA A DOCUMENTAÇÃO JUNTADA AOS AUTOS.
É anulável a decisão que não se manifesta a respeito de documentos trazidos aos autos.
Numero da decisão: 2002-001.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à autoridade julgadora, para que esta se manifeste sobre todos os argumentos apresentados pelo sujeito passivo.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL - GFIP. DECISÃO QUE NÃO ANALISA A DOCUMENTAÇÃO JUNTADA AOS AUTOS. É anulável a decisão que não se manifesta a respeito de documentos trazidos aos autos.
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score : 1.0
Numero do processo: 10283.723533/2016-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2016
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO.
Enseja o lançamento da multa isolada de ofício, por Declarações de Compensação não homologadas, desde que apresentadas após a vigência do art. 62 da Lei nº 12.249/2010, independentemente da existência de dolo ou fraude.
Numero da decisão: 1201-003.386
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10283.723539/2016-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto e Bárbara Melo Carneiro.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2016 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. Enseja o lançamento da multa isolada de ofício, por Declarações de Compensação não homologadas, desde que apresentadas após a vigência do art. 62 da Lei nº 12.249/2010, independentemente da existência de dolo ou fraude.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10283.723539/2016-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto e Bárbara Melo Carneiro.
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INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. Enseja o lançamento da multa isolada de ofício, por Declarações de Compensação não homologadas, desde que apresentadas após a vigência do art. 62 da Lei nº 12.249/2010, independentemente da existência de dolo ou fraude. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10283.723539/2016-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Júnior, Alexandre Evaristo Pinto e Bárbara Melo Carneiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 35 33 /2 01 6- 63 Fl. 217DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.386 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.723533/2016-63 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 1201-003.385, de 10 de dezembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração - AI para a aplicação de Multa em decorrência de declaração de compensação não homologada, conforme Parecer e Despacho Decisório, que se encontram nos autos do processo 10283.720906/2014-82. Por bem resumir o litígio, remete-se ao relatório que integra a decisão recorrida, constante dos autos, sendo desnecessária a sua transcrição. A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação, afastando a preliminar de nulidade e mantendo o crédito tributário exigido. Entendeu a DRJ que não há motivo para declaração da Nulidade do Auto de Infração tendo-se em vista a plena vigência do § 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 (base legal do Lançamento), que foi, como informado pelo AI, efetivamente "introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249/10", mesmo que alterado pela Lei n° 13.907/2015. Acrescentou que se constatado que o montante de tributos exigidos no lançamento fiscal é superior ao devido pela contribuinte, a solução que se impõe é a retificação do crédito tributário constituído, não a sua anulação, em vista do disposto no artigo 145 do CTN. Tendo em vista a impossibilidade do agravamento do lançamento em sede de julgamento, mantém-se a multa pelo valor lançado. Aduziu ainda: (i) não se constatou a "equivocada" indicação pela Fiscalização da disposição legal infringida; (ii) no âmbito do PAF as hipóteses de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972; (iii) que não há, portanto, que se falar em nulidade do ato administrativo, visto que, além de atender aos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não se verifica a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto; eventual deficiência no enquadramento legal da infração não acarreta a nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos permite ao contribuinte conhecer as razões de autuação e delas se defender; que porventura, se constando que o montante de tributos exigidos no lançamento fiscal é superior ao devido pela contribuinte, a solução que se impõe é a retificação do crédito tributário constituído, não a sua anulação, em vista do princípio da revisibilidade dos atos administrativos, que se manifesta no inciso I do art. 145 do CTN, e da falta de previsão desta possibilidade no art. 59 do Decreto nº 70.235/72; (iv) a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada ao Poder Judiciário; (v) as decisões judiciais e também administrativas, mesmo que reiteradas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário, e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicando-se somente à questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios; (vi) é procedente a aplicação da multa isolada de 50% sobre o valor dos débitos cujas compensações declaradas pela contribuinte não foram homologadas; (vii) no caso, entende procedente a alegação da Interessada do equívoco no método de apuração (cálculo) da penalidade, isto é, o critério quantitativo da base de cálculo; constata-se que pela "Descrição dos Fatos" constante no AI, não fica demonstrado o citado equívoco, alegado, corretamente, pela Impugnante; (viii) conforme colocado na demonstração da Contribuinte, ao se considerar os débitos considerados na PERDCOMP objeto da presente contenda, vê-se que o débito compensado perfaz o montante determinado, o que levaria a se exigir uma multa isolada (50% Fl. 218DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.386 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.723533/2016-63 do débito), superior ao montante exigido no AI; (ix) se constando que o montante de tributos exigidos no lançamento fiscal é superior, ou inferior, ao devido pela Contribuinte, a solução que se impõe é a retificação do crédito tributário constituído, não a sua anulação, em vista do princípio da revisibilidade dos atos administrativos, que no Direito Tributário se manifesta no inciso I do artigo 145 do CTN, e da falta de previsão desta possibilidade no art. 59 do Decreto nº 70.235/72; (x) contudo, neste caso, uma correção na apuração da base de cálculo da multa acarretaria no agravamento da penalidade (elevando o valor da multa lançada); todavia, tendo em vista a impossibilidade do agravamento do lançamento em sede de julgamento, mantém-se a multa pelo valor lançado. Por fim, quanto ao pedido para apresentação de provas, com a juntada de novos documentos, sabe-se que o momento oportuno dá-se no prazo de impugnação, sob pena de preclusão, exceção feita às hipóteses previstas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do § 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72, cuja ocorrência deve ser demonstrada pela Impugnante. Cientificada da decisão de primeira instância a autuada interpôs recurso voluntário em que repete os argumentos da impugnação e colaciona decisões administrativas e judiciais para apoiar seu pleito. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 1201-003.385, de 10 de dezembro de 2019, paradigma desta decisão. O Auto de Infração - AI [...] combatido aplicou Multa em decorrência de declaração de compensação não homologada, conforme o PARECER c/c DESPACHO DECISÓRIO SEORT/DRF/MNS Nº 00075/2016, que não reconheceu o Direito Creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 39519.08146.181113.1.3.04-0059, e Não Homologou a(s) Declaração(ões) de Compensação(ões) nº 39519.08146.181113.1.3.04- 0059. Os documentos citados (PER/DCOMP e PARECER c/c DESPACHO DECISÓRIO SEORT/DRF/MNS Nº00075/2016) se encontram nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 10283.720906/2014-82. Segundo Descrição dos Fatos do AI (e-fls. 03) o Fato Gerador da Multa, de 24/03/2016, somou R$ 4.500.000,00 e o Enquadramento Legal refere-se ao § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249/10. In verbis: Fl. 219DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.386 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.723533/2016-63 Entendo que a referência ao § 17 da Lei n° 9.430/96 deve-se por ser a própria base legal do lançamento. Como não há a transcrição dos termos daquele parágrafo entendo que se deve considerar o texto válido na data do fato gerador da infração. Quanto à descrição, contida no auto de infração, de que o § 17 foi "introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249/10", atribuo-a ao fato de que antes desta data não havia o citado parágrafo 17, com o objetivo de prescrever a citada multa isolada. Desta forma, entendo que o fato do AI não citar que a alteração da redação se deu pela Lei n° 13.907/2015 não é motivo para declaração da Nulidade do Auto de Infração. Resta providencial, então, reproduzir o dispositivo citado no enquadramento legal do auto de infração (e-fl. 03), para constatar que a previsão de que a base de cálculo para a aplicação da multa só passou a ser o valor do débito a partir da edição da Medida Provisória nº 656, de 2014: 17. Aplica-se a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 656, de 2014) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) Importa evidenciar que a PER/DCOMP nº 39519.08146.181113.1.3.04- 0059 foi apresentada em 18/11/2013 (e-fl. 03 do processo apenso 10283.720906/2014-82). Ou seja, confirma-se a afirmação da Recorrente de que a Fiscalização aplicou multa isolada de 50% sobre o crédito pleiteado. Mas, devido ter sido esta a data da apresentação (irregular) da PERDCOMP, acertada a previsão legal eleita para embasar a autuação, conforme prescrito pelo art. 144 do CTN. Alega também a Recorrente que a base de cálculo utilizada foi o crédito porque o valor somou R$ 9.000.000,00 (sem a Selic). E este é o valor do Fl. 220DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12249.htm#art62 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12249.htm#art62 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Mpv/mpv656.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Mpv/mpv656.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm#art8 Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.386 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.723533/2016-63 crédito na PerDcomp nº: 39519.08146.181113.1.3.04-0059 (e-fl. 04 do processo nº 10283.720906/2014-82). A verdade é que em valores débito e crédito tinham o mesmo montante na PerDcomp nº: 39519.08146.181113.1.3.04-0059 (R$ 9.000.000,00, mais a Selic). Como o auto de infração refere-se ao crédito, afasta-se o alegado erro. Argumenta ainda a Recorrente haver equívoco cristalino no método de apuração da penalidade, isto é, o critério quantitativo da base de cálculo, o que afrontaria o disposto no caput do art. 142 do CTN. Transcreve trechos da jurisprudência administrativa e da doutrina para embasar que: "...o erro no critério quantitativo da base de cálculo do tributo configura vício material, que, como se sabe, ocorre quando há erro relacionado aos aspectos materiais, temporais, espaciais, pessoais ou quantitativos". Isto porque o montante aposto como base de cálculo da multa somou R$ 9.000.000,00, valor do débito compensado indevidamente, e não R$ 9.000.000,00 + Selic, o que montaria R$ 9.522.900,00. Constato que o montante da base de cálculo da multa refletiu o valor do crédito compensado indevidamente em 18/11/2013, R$ 9.000.000,00, razão pela qual não há erro no critério quantitativo da base de cálculo do tributo, e nem, consequentemente, vício material no lançamento. Ou seja, constato a adequação do preceito legal ao caso sub-judice, não havendo por que se defender a ocorrência de vício material. Mas não posso negar que faltou a imposição de multa sobre o restante do crédito, equivalente a atualização crédito (R$ 9.000.000,00) pela Selic (R$ 522.900,00). Ou seja, houve uma autuação com todos os elementos fundamentais e intrínsecos ao lançamento prescritos no art. 142 do CTN, mas a menor. O lançamento da diferença poder-se-ia dar em outros autos, Fl. 221DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-003.386 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.723533/2016-63 mas não neste, tendo-se em vista que configuraria um resultado de julgamento que agravaria a autuação (reformatio in pejus), vedado pelo nosso ordenamento. Nesse caso, seria de fato necessária a constituição dos créditos tributários por meio de lançamento complementar, pela autoridade lançadora, conforme determina o § 3º, art. 18, do Decreto 70.235, de 1972 (com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Reclama ainda a Recorrente que o § 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 responsabiliza o contribuinte em virtude do mero requerimento, em procedimento administrativo, com vistas à compensação de crédito tributário recolhido indevidamente ao Fisco, independentemente de ter o sujeito passivo da obrigação tributária cometido qualquer ato ilícito. O simples exercício do direito de petição penalizaria o contribuinte. A aplicação da referida norma afrontaria aos princípios administrativos da proporcionalidade e da razoabilidade, além de violar o direito constitucional de petição. A respeito cabe observar o que dispõe a Súmula nº 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Observo que as decisões e pareceres trazidos pelo Recorrente, que refletem entendimentos diversos do aqui defendido por esta relatoria, não trazem efeito vinculante, razão pela qual não podem aqui serem observadas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 222DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-003.386 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.723533/2016-63 Fl. 223DF CARF MF
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