Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13603.001113/2007-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calenddrio: 2003
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA.
Demonstrado que na conduta da fiscalizada estão presentes as condições
previstas nos arts, 71, 72 e 7.3, da Lei n° 4,502/64, cabível a aplicação da
multa prevista no art. 44, inciso I e § 1°, da Lei n° 9.4.30/96.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL CORNS
Periodo de apuração: .31/01/200.3 a 31/12/2003
BASE DE CÁLCULO. ICMS.
A base de cálculo da CONNS é a receita bruta de venda de mercadorias,
admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei, dentre as quais
não se insere o ICMS na medida em que incluso no preço da mercadoria e,
assim, compõe a receita bruta de vendas.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP
Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003
BASE DE CALCULO. ICMS.
A base de cálculo do PIS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas
apenas as exclusões expressamente previstas na lei, dentre as quais não se
insere o ICMS na medida em que incluso no preço da mercadoria e, assim,
compõe a receita bruta de vendas.
Numero da decisão: 1102-000.324
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos o Conselheiro Relator, Silvana Rescigno Guerra Satreto e João Carlos de Lima Júnior. Designado para redigir o voto vencedor. o Conselheiro João Otavio 0ppennann Thorne
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: José Sérgio Gomes
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro arbitrado
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calenddrio: 2003 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. Demonstrado que na conduta da fiscalizada estão presentes as condições previstas nos arts, 71, 72 e 7.3, da Lei n° 4,502/64, cabível a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I e § 1°, da Lei n° 9.4.30/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL CORNS Periodo de apuração: .31/01/200.3 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. A base de cálculo da CONNS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei, dentre as quais não se insere o ICMS na medida em que incluso no preço da mercadoria e, assim, compõe a receita bruta de vendas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003 BASE DE CALCULO. ICMS. A base de cálculo do PIS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei, dentre as quais não se insere o ICMS na medida em que incluso no preço da mercadoria e, assim, compõe a receita bruta de vendas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13603.001113/2007-60
conteudo_id_s : 5486429
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1102-000.324
nome_arquivo_s : Decisao_13603001113200760.pdf
nome_relator_s : José Sérgio Gomes
nome_arquivo_pdf_s : 13603001113200760_5486429.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos o Conselheiro Relator, Silvana Rescigno Guerra Satreto e João Carlos de Lima Júnior. Designado para redigir o voto vencedor. o Conselheiro João Otavio 0ppennann Thorne
dt_sessao_tdt : Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
id : 6043469
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890385960960
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-10T13:07:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-10T13:07:44Z; Last-Modified: 2011-03-10T13:07:44Z; dcterms:modified: 2011-03-10T13:07:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:6579c49f-09c9-4350-beac-897730807362; Last-Save-Date: 2011-03-10T13:07:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-10T13:07:44Z; meta:save-date: 2011-03-10T13:07:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-10T13:07:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-10T13:07:44Z; created: 2011-03-10T13:07:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2011-03-10T13:07:44Z; pdf:charsPerPage: 1592; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-10T13:07:44Z | Conteúdo => Fl 596 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 1.360.3.001113/2007-60 Recurso n° 167,956 Voluntário Acórdão n" 1102-00.324 — 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 10 de novembro de 2010 Matéria IRPJ e outros Recorrente NUTRIMILHO INDÚSTRIA COMÉRCIO E BENEFICIAMENTO DE CEREAIS LIDA, Recorrida 2 TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ EM BELO HORIZONTE-MG ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calenddrio: 200.3 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. Demonstrado que na conduta da fiscalizada estão presentes as condições previstas nos arts, 71, 72 e 7.3, da Lei n° 4,502/64, cabível a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I e § 1°, da Lei n° 9.4.30/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL CORNS Periodo de apuração: .31/01/200.3 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. A base de cálculo da CONNS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei, dentre as quais não se insere o ICMS na medida em que incluso no preço da mercadoria e, assim, compõe a receita bruta de vendas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003 BASE DE CALCULO. ICMS. A base de cálculo do PIS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei, dentre as quais não se insere o ICMS na medida em que incluso no preço da mercadoria e, assim, compõe a receita bruta de vendas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos o Conselheiro Relator, Silvana Rescigno Guerra Satreto e João Carlos de Lima Júnior. ignado para redigir o voto vencedor . o Conselheiro João Otavio 0 pp enn ann Thorne. S PESSOA MONTEIRO - Presidente. JOSE ER JOGO - Relator. JO 0 OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ. Redator designado. EDITADO EM: 03/01/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), Joao Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), José Sérgio Gomes (Relator), Silvana Rescigno Guerra Barreto, João Otávio Oppermann Thorné e Manoel Mota Fonseca. IVE 2 Processo n*13603.0011 13/2007-60 S1-C1T2 AcOrdilo a." 1102-00324 Fl 597 Relatátio Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da Turma de Julgamento da DR.I em Belo Horizonte/MG que julgou procedentes os lançamentos efetuados em 31/05/2007 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG com vistas a exigência de Imposto sabre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (CORNS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), acrescidos de multa de oficio de 150% (cento e cinqüenta por cento) e juros moratórias calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). A ação fiscal, para fins do IRPJ e CSLL, consistiu em arbitrar o lucro da empresa nos quatro trimestres civis do ano-calendário de 2003 em decorrência da não escrituração e apresentação do livro "Caixa" e documentos àquela afetos, nem tampouco os livros "Diário" e "Razão", colhendo-se a receita constante nos livros "Registro de Apuração do ICMS", bem assim, em tributar ditas receitas mensais na seara das contribuições ao PIS e COFINS.. O Fisco consignou que a multa de oficio foi agravada para 150% (canto e cinquenta por cento) ante o fato da empresa ter entregue sua Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIN) do exercício de 2004, na qual indicou sua opção pelo regime do lucro presumido, informando bases de cálculo e débitos da COFINS, CSSL, PIS e 1RPJ em valores bastante inferiores aos apurados, em verdade iguais a zero, como se nada houvesse auferido naquele, o que caracteriza a sonegação e a fraude previstas nos artigos 71 e 72 da lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. Impugnando os lançamentos a contribuinte alegou ser incabível a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) porque não teria sido verificada gravidade tamanha que merecesse pena tão pesada e que o Administrador deveria pautar-se nos principias da razoabilidade, proporcionalidade e não-eonfiseo. Também discorreu, longamente, sobre a ilegalidade da aplicação de juros à taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) a créditos fiscais. Quanto ao mérito, aduziu que os valores cobrados por conta do IRPJ e CSLL são absurdos e que da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS deveria ser excluído o ICMS, já que se trata de tributo repassado ao Erário estadual, não integrando o faturamento da empresa. Ao final, requereu a relevaçâo da multa ou sua redução a patamares condizentes aos fatos apurados, a não aplicação de juros à taxa SELIC, a desconstituição do arrolamento dos bens descritos na relação de bens e direitos do impugnante e a improcedência das exigências fiscais. Aquela 2' Turma de Julgamento admitiu a impugnação e acatou o entendimento fiscal no sentido do agravamento da multa em razão da conduta dolosa da contribuinte em ter declarado na DIPJ valores de seu faturamento inferiores aos escriturados no . z.: ,,yivro do ICMS, impedindo ou retardando, assim, o conhecimento, por parte da autoridade 3 fazenddria, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, bem assim, que os juros de mora foram calculados em percentual equivalente a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), conforme determinado no art, 61, § 3 ° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também consignou entendimento que o ICMS incidente sobre as vendas so pode ser excluído da receita bruta, para fins de determinação da base de calculo das contribuições ao PIS e COFTNS, quando o contribuinte figurar na condição de substituto tributário, o que não foi comprovado, como ainda, que falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da constitucionalidade ou legalidade das normas regularmente editadas segundo o processo legislativo. Finalmente, destacou que a manifestação do Supremo Tribunal Federal acerca do arrolamento de bens para fins de recurso administrativo difere da situação em causa, a qual trata de arrolamento de bens para acompanhamento do patrimônio do sujeito passivo, consoante comando do art. 64 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997 e dos arts. 4° e 7 ° da Instrução Normativa SRF n° 264, de 20 de dezembro de 2002, bem assim, que lhe falta competência, ante o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF IV 95, de 30 de abril de 2007, e alterações posteriores, para se pronunciar sobre o terna. Ciente do decisório em 17 de agosto de 2007, fl. 444, a contribuinte apresentou em 13 do mês seguinte os recursos de fls. 447/466, 485/499, 518/532 e 551/569, nos quais reafirma as razões apresentadas na peça impugnatória. Ao final, requer a relevação ou redução da multa aplicada e a desconstituição do arrolamento dos bens. Consta as fls 589/595 o Acórdão 202-18.983, da Colenda 2" Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, declinando da competência de julgamento. E o relatório, em apertada síntese. 4 Process() rf 13603.001113/2007-60 S1-CIT2 Acárcklo n" 1102-00324 Fl 598 Voto Vencido Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintidio legal. Assim sendo, dele torno conhecimento . Primeiramente, a questão da qualificação da multa em 150% (cento e cinqüenta por cento)„ época da apresentação da DIPJ (2004) assim dizia a Lei IV 9.430 de 27 de dezembro de 1996, verbis: "Art, 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de inulta moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de . fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4,502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, 1.1 As disposições legais referidas no parágrafo indicado têm a seguinte redação: "Lei n"4.502 de 1964: Art: 71 - Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstcincias materiais, . II - das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente Art, 72 - Fraude é toda ação ou omissão, dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parciahnente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o ‘.‘ montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. 5 Art. 73 — Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou juridicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72". A sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal diante da ocultação de bens ou fatos jurídicos à incidência fiscal, incólume, portanto, o fato gerador', enquanto na figura da fraude a ação ou omissão esta direcionada ao obscurecimento da própria ocorrência do fato gerador. O Fisco, bem assim a decisão recorrida, adotaram a tese de sonegação em vista da declaração anual não ter apresentado o verdadeiro faturamento naquele ano de 2003, impedindo ou retardando, assim, o conhecimento da ocorrência do fato gerador. Ocorre, todavia, que dita declaração de informações econômico-fiscais (DIPJ) não se presta ao lançamento fiscal a que alude o artigo 147 do Código Tributário Nacional-CTN (lançamento por declaração), segundo o qual o sujeito passivo ou terceiro prestam informações sobre matéria de fato indispensáveis à sua efetivação. Por sua vez, a declaração de créditos e débitos tributários federais (DCTF) constitui autêntica confissão de divida, instituto estranho ao direito tributário, instituída para operacionalizar a administração dos tributos cobrados pela Receita Federal porque a legislação atualmente vigente adotou a modalidade de lançamento conhecida por homologação (impropriamente chamado autolançamento), pela qual o próprio sujeito passivo recolhe antecipadamente ou periodicamente o quantum do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, ressalvado o controle posterior desta . De piano, pois, a conduta do sujeito passivo em omitir-se na confissão da divida, ou de confessd-la em cifra de monta inferior A realidade, não soa perfeitamente sintonizada no tipo fraudulento descrito na norma, Em se tratando de pessoa jurídica, e tendo-se em mente a sistemática de lançamento por homologação adotada pela Administração, bem como, o fato da receita auferida exprimir-se na base de cálculo ou integrar a conceituação do fato gerador do PIS, COF1NS, IRPT e da CSLL, afigura-me que à contribuinte cumpre emitir a nota fiscal de venda ou documento equivalente, escriturar a operação, calcular o tributo devido e declará-la ao Fisco. Assim, penso que a conduta fraudulenta, para fins de gradação da multa pecuniária, so se caracteriza corn a omissão das duas primeiras ou, se praticadas, tenham sido com falsidade . Id as práticas de omissão no dever de declarar, ou da declaração inexata, v..te, SO se exteriorizam quando regularmente cumpridas aquelas primeiras, também foram textualmente qualificadas pelo legislador como reprováveis, de forma que apenadas, em pecúnia, h razão de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do tributo que deixou de ser pago . Reprise-se: o ordenamento diz, textualmente, que a ausência de declaração ou a prestação de declaração inexata atrai a pena pecuniária de 75% (setenta e cinco por cento). Uma vez previstas, não há como o intérprete delas desconhecer. No caso dos autos restou inconteste que não foram escrituradas quaisquer operações indicativas de receitas, aliás, não há nenhuma escrituração, seja a comercial ou fiscal, tanto que o remédio para a apuração dos tributos foi o arbitramento do lucro. Os livros fiscais exigidos por outros entes tributantes (v,g, livro de apuração do ICMS ou livro de apuração do ISS), quando apresentados isoladamente pela defesa não se prestam e nem tampouco poderiam prestar como instrumentos de regularidade escritural porque não requisitados pela legislação tributária federal, que se encarregou de exigir outros, 6 Processo n" 13603 001113/2007-60 SI-C1T2 AcOrdilo n." 1102-00324 Fl 599 como os livros "diário", "razão" e "lalur" no caso do regime do lucro real e os livros "caixa" e "registro de inventário" na hipótese de regime do lucro presumido. Todavia, a Fiscalização entendeu pela eficácia da escrituração fiscal levada a efeito no livro "Registro de Apuração do ICMS", tanto que justamente essas escritas alicerçaram a imputação fiscal de omissão de receita e/ou insuficiência de recolhimentos. Ora, se assim 6, não há como validá-la apenas parcialmente, no ponto que serve aos interesses do IRP,J, CSLL, CORNS e do PIS. Hi também de produzir efeitos no que diz respeito à matéria aqui debatida, isto 6, implica reconhecer que escrituração existe, ainda que precária, mas suficiente para depreender que houve inexatidão na DIM em face da escrita fiscal do ICMS. Filio-me, assim, ao entendimento esposado pela douta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do Acórdão CSRF/01-05A81, de 19/06/2006, quando asseverou: "As declarações inexatas do contribuime, que diferem dos documentos e elementos contribeis e fiscais colocados disposição do Fisco, min silo, por si só, razão para aplicar-se a multa qualificada O lançamento de oficio desconsidera o ato do contribuinte denominado lançamento por homologação e deve se basear nos livros contábeis e .fiscais, agindo nos termos do art. 142 do CTN; se não bá vicio nos livros e documentos contábeis efiscais, não há que se falar em,fraude, "(ênfase acrescida) Em vista do exposto, sou pela redução da multa de oficio à ordem de 75% (setenta e cinco por cento) . No que diz respeito h expressão dos juros de mora se darem pela taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) a que alude o § 3' do artigo 61, da Lei n° 9,4.30, de 27 de dezembro de 1996, regularmente vigente no ordenamento jurídico, observe que a matéria já se encontra sumulada por esta Corte, de sorte que não mais comporta discussões, Veja-se: Súmula CARF n 0 4 A partir de 1" de abril de 1995, os Juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa rgferencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SEL1C para títulos federais. Noutro giro, e como bem assentado pela decisão recorrida, inexiste espaço para dedução do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS e A coFrNs. Com efeito, conforme estatui o art. 3" da Lei n" 9.718, de 27 de novembro de 1998, especificamente o § 2' e seus incises, excluem-se da base de cálculo do PIS e da COF1NS as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPT), o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados 7 corno perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita, a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de 1CMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1 do art, 25 da Lei Complementar n ° 87, de 13 de setembro de 1996. Assim, inexiste qualquer fundamento para a exclusão do ICMS em suas respectivas apurações, mesmo porque esse tributo é parte integrante do preço da mercadoria vendida. Esse também é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, de cuja jurisprudência cita-se a ementa abaixo: TRIBUTÁRIO COFINS. BASE DE CALCULO. ICMS Tudo quanto entra na empresa a titulo de preço pela venda de mercadorias é receita dela, não tendo qualquer relevancia, am termos jurídicos, a parte que vai ser destinada ao pagamento de tributos. Conseqüentemente, os valores devidos a conta do ICMS integram a base de calculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, Recurso especial não conhecido, (RESP 152 736 / SP; RECURSO ESPECIAL 1997/0075789-7 - Min An Pargendler — 2" Turma ST) E no que toca As discussões travadas no Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo dessas contribuições trazidas pela Lei n°9.718, de 1998, em face da definição do conceito de faturamento como sendo a receita bruta auferida pela empresa, tenho que elas não interferem no raciocínio aqui deduzido na medida em que qualquer um dos conceitos que se leve em conta — faturamento ou receita bruta — abarca o ICMS como parte integrante do preço de venda . Finalmente, penso que a decisão recorrida também acertou ao não apreciar o pedido de exclusão do arrolamento de bens. que não se trata de arrolamento de bens e direitos como condição reeursal, assim previsto no artigo art. 32 da Lei re) 10.522, de 19 de julho de 2002, julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal na ADIN n° 1,976 e sim do arrolamento de bens e direitos para acompanhamento do patrimônio do sujeito passivo visando eventual medida cautelar fiscal, cuja matriz legal é o artigo 64 da Lei ri° 9,532, de 10 de dezembro de 1997, fera, portanto, da competência das instâncias julgadoras, jungidas, exclusivamente, As questões de exigência dos créditos tributários da União, ai incluídas as condições processuais como, por exempla, os requisitos de admissibilidade resursal, consoante artigos 1° e 25 do Decreto n°70.235, de 6 de março de 1972. Coemtais razões, VOTO pelo parcial provimento do recurso voluntário para patamar de 75% (setenta e cinco por cento).. itutikalitU J s erg o Gomes reduzir a multa dc o 8 Processo n" 13603 001113/2007-60 SI-CIT2 Acárd1io n 1102-00.324 Fl 600 Voto Vencedor Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, Redator designado, Colhidos os votos no julgamento do recurso, a Turma decidiu, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, contrariando o entendimento do i. Relator, que defendia que a multa aplicada deveria ser reduzida ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento), ante a inexistência do intuito de fraude . Assim, o presente voto cinge-se apenas a esta circunstância . O artigo 44 da Lei n° 9,430/96, à época dos fatos, previa que a ausência de declaração ou a prestação de declaração inexata seriam punidas com a aplicação da multa pecuniária de 75%, ressalvada, porém, a hipótese de evidente intuito de fraude, caso em que a multa aplicada deveria ser de 150%. O evidente intuito de fraude, por sua vez, possui um amplo conceito onde se inserem as condutas dolosas tipificadas como sonegação, fraude ou conluio, conforme previsto nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4,502/64, já antes transcritos, Para a constatação da ocorrência de dolo, tanto em sua acepção penal, quanto aqui, como elemento subjetivo do tipo qualificado tributário, diz a mais balizada doutrina que é necessário verificar se havia, por parte do agente, a consciência (conhecimento do agente das circunstancias caracterizadoras do ilícito) e a vontade para a pratica da conduta (positiva ou omissiva) contrária ao ordenamento. Em outras palavras, é preciso demonstrar que o agente previu e quis o resultado ilícito . Por outro lado, é certo que o elemento subjetivo cloio não há de ser extraído da mente do seu autor, mas sim das circunstâncias que envolvem os fatos a serem analisados . Ora, a circunstância de o contribuinte apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Juridica — DIPJ/2004 informando à Fazenda Nacional bases de cálculo de IRPJ, CSSL, PIS e COFINS, todas iguais a zero, assim como valores devidos destes tributos, também iguais a zero, como se nada houvesse auferido no ano calendário de 2003, quando, de outra banda, escritura para o Fisco Estadual o Livro Registro de Apuração do ICMS, no qual demonstra a sua efetiva receita, não pode ser tomada como simples erro material. Antes ao contrário, revela que o contribuinte tinha pleno conhecimento de qual era sua receita, e que, de forma deliberada, decidiu furtar-se ao cumprimento de suas obrigações para com o Fisco Federal, valendo-se do artificio enganoso de tentar fazes-10 crer que se encontrava regular, ao apresentar declarações zeradas. Não lid como se admitir mero equivoco . Ao assim agir, o contribuinte intencionalmente visou a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazenddria federal, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, pratica esta definida como sonegação à luz da legislação antes citada, o que atrai para as infrações apuradas a aplicação do percentual de 150%. Em reforço, cumpre observar que o contribuinte não apresentou, em nenhum momento, qualquer justificativa plausível para ter apresentado as declarações zeradas, corno 9 fez, e, ainda, que sequer mantinha escrituração comercial ou fiscal exigida pela legislação tributária federal, pois não escriturou ou não apresentou nem o livro "Caixa" nem tampouco os livros "Diário" e "Razão", tanto que o fisco teve de valer-se dos livros do Fisco Estadual para apurar a sua receita . Concluindo, não compartilho do entendimento esposado pelo i. Relator', e amparado na jurisprudência por ele citada, de que a fraude ou a sonegação só ocorrem quando os documentos fiscais, ou os lançamentos contábeis e fiscais, se encontram eivados de vicios deliberados pelo contribuinte, e que o fato de o fisco valer-se, para a apuração da infração, de livros mantidos pelo próprio contribuinte (no caso, Livros fiscais do ICMS), seria suficiente para descaracterizar a imputação do intuito doloso de sonegação. Aliás, a jurisprudência da la Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais também tem-se posicionado, mais recentemente, em sentido oposto a esta tese, e no mesmo sentido do presente voto . Apenas a titulo ilustrativo, cito os seguintes precedentes: Acórdão 9101-00.362, de 01 de outubro de 2009: "MULTA QUALIFICADA DE 150%, A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do art„ 44, inciso II, da Lei n° 9430/96, vigente à época O fato de o contribuinte ter apresentado ao fisco federal, de forma reiterada, declaração com valores significativamente menores do que o apurado a partir de documentação obtida junto ao fisco estadual, bem como ter omitido receitas para se manter no regime do SIMPLES, legitima a aplicação da multa qualificada," Acórdão 9101-00 417, de 03 de novembro de 2009: "MULTA DE OFICIO QUALIFICADA, Cabivel quando o Contribuinte presta declaração, em três anos consecutivos, com os valores zerados, não apresenta DCT"F nem realiza qualquer pagamento, Este conjunto de fatos demonstra a materialidade da conduta, configurado o dolo especifico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo," Assim, demonstrado no caso concreto a conduta dolosa do contribuinte tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstancias materiais, é de ser mantida a multa aplicada no percentual de 150%, pelo que deve ser negado provimento ao recurso voluntário. como voto. ( J ao távio Oppennann Thomé — Redator designado 10
score : 1.0
Numero do processo: 10805.908234/2011-56
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA.
1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade.
2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
Numero da decisão: 1803-002.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10805.908234/2011-56
anomes_publicacao_s : 201507
conteudo_id_s : 5484287
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1803-002.634
nome_arquivo_s : Decisao_10805908234201156.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
nome_arquivo_pdf_s : 10805908234201156_5484287.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
id : 6033476
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890419515392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2053; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 99 1 98 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.908234/201156 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.634 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2015 Matéria PERD/COMP Recorrente LAB HORN Laboratório Especializado em dosagens hormonais Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 82 34 /2 01 1- 56 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908234/201156 Acórdão n.º 1803002.634 S1TE03 Fl. 100 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de restituição (PER/DComp) 04279.76482.190106.1.2.040107, em 19.01.2006, com base em pagamento a maior de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código 2089, referente ao período de apuração de fevereiro de 2002, apurado pelo lucro presumido. No despacho decisório, proferido em 03/01/2012, foi identificada a utilização do valor integral da DARF de referência do pedido de restituição, qual seja, R$ 11.329,39, não existindo, dessa forma, qualquer crédito a ser restituído. Cientificada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade. Esclarece, inicialmente, tratarse de empresa que desenvolve atividades de análises clínicas, laboratoriais, patologia clínica e ultrassonografia. Seu objeto, em seu contrato, é descrito como “prestação de sérvios de laboratórios de análises e medicina diagnóstica”. Alega, a recorrente, que é optante do regime de tributação pelo lucro presumido, tendo recolhido, regularmente, IRPJ e CSLL a partir de bases de cálculo presumidas correspondentes aos percentuais de 32%. Após a edição da Instrução Normativa IN/SRF nº 539/2005 e da resposta de consulta realizada pela recorrente, anexada aos autos, entendeu ter realizado recolhimentos a maior, durante o período de 30/10/2000 a 28/07/2005, na medida em que poderia ter utilizado as bases presumidas reduzidas, respectivamente em 8% e 12%. Por força de sua interpretação, apresentou inúmeros pedidos de restituição, mediante PER/DCOMP, para cada DARF mensal recolhido a maior, assim como os posteriores pedidos de compensação com os valores futuros, mediantes novos PER/DCOMP. Defende, a recorrente, que após a edição da IN/SRF 539/2005, suas atividades de análises laboratoriais foram equiparadas a serviços hospitalares, de forma que a tributação nos patamares elevados de 32% de lucro presumido é ilegal, devendose aplicar, retroativamente, as alíquotas diminuídas. Em suas palavras temos que: Com a edição da IN/SRF nº 539/2005, em 25/04/2005, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF nº 480/2004, a interessada foi equiparada a “serviços hospitalares”. Sendo assim, a interessada começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente. Os impostos e as contribuições já pagas e declaradas em DCTF foram recalculadas e se verificou que a interessada pagou à maior os tributos. Assim, o contribuinte providenciou o pedido de restituição eletrônica através do programa PER/DCOMP. Uma vez que a IN/SRF nº 539/2005 atribuiu nova interpretação à lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908234/201156 Acórdão n.º 1803002.634 S1TE03 Fl. 101 3 O recorrente, ainda, explica que realizou o pagamento dos DARF conforme lançamentos em DCTF, de acordo com a apuração pelo lucro presumido com base nos patamares majorados de 32%. Isso implicou na impossibilidade de identificação, pelo sistema de mero cruzamento dos dados, dos valores indevidamente recolhidos. Defende que a fiscalização deveria examinar a aplicação da nova interpretação, recalculando, a partir de cada DCTF, o valor a maior constante em cada DARF. Esclarece que o decurso do prazo legal impediria a retificação das DCTF’s. Salienta, ainda, que foi realizada consulta formal e específica pelo contribuinte, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas, devendo ser adotada, obrigatoriamente, a solução, pela fiscalização. Acusa que o único elemento analisado pela autoridade fiscal, para fundamentar o despacho decisório de indeferimento, foi a correspondência de valores constantes de DCTF e DARF. Ressalta a inaplicabilidade dos efeitos da IN/SRF nº 791, de 10/12/2007, que revoga a IN/SRF nº 539/2005, por tratarse de regra prejudicial ao contribuinte. Continua sua argumentação, demonstrando, contabilmente, invocando os dados informados em DIPJ 2004, a apuração efetivamente realizada, assim com os cálculos necessários para a identificação do seu crédito. Basicamente, refaz os cálculos do imposto devido, alterando a base presumida de 32%, para os 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Anexa planilhas de cálculo. Conclui, ao final, requerendo a procedência do pedido de restituição. Junta, ao processo, contrato social, solução de consulta citada, planilha demonstrativa do cálculo do IRPJ com base presumida de 32%, de apuração do IRPJ no período, de novo cálculo do IRPJ com base presumida de 8%, assim como nova apuração, demonstrativa do crédito recolhido a maior (fls. 28 a 49). Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSB nº 03 54.235, de 22/08/2013, decisão, por unanimidade, de improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos em que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908234/201156 Acórdão n.º 1803002.634 S1TE03 Fl. 102 4 Direito Creditório Não Reconhecido A Delegacia de Julgamento utiliza como fundamento de sua decisão, inicialmente, a faculdade, e não obrigatoriedade, da administração tributária intimar o contribuinte para esclarecimentos ou realizar diligencias diretas. Nos termos da decisão, temos: De início, cabe esclarecer que o despacho decisório foi formalizado com base nas informações prestadas pela contribuinte em Per/Dcomp e DCTF apresentadas a Receita Federal. Eventual intimação para prestar esclarecimentos ou realização de diligência fiscal é uma faculdade da autoridade fiscal competente, haja vista ela dispor das informações prestadas em declarações, não havendo, assim, se falar em nulidade do ato questionado. Continua, a decisão, argumentando que o procedimento de compensação, nos termos do art. 170 do Código tributário nacional, exige a existência de créditos líquido e certo do sujeito passivo. No caso em tela, não existiria crédito a ser compensado, já que a totalidade do valor constante da DARF está alocada para a quitação de IRPJ confessado em DCTF. Nos termos da decisão da DRJ, temos: Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo. O crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido o seu exato valor. Sendo líquido e certo o crédito (premissa básica à compensação), procederseá ao encontro das contas devedora e credora. In casu, a compensação realizada na DCOMP 04279.76482.190106.1.2.04 0107 não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ do PA 30/09/2001, confessado em DCTF, conforme consta no despacho decisório. Analisa, ainda, sequencia de normas que regulam a aplicação da alíquota diferenciada de presunção de lucro para os serviços hospitalares, demonstrando os requisitos para sua aplicação. Vejamos: Como se nota no dispositivo acima, na vigência dos referidos normativos, a definição de serviços hospitalares abrange aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN SRF 360/2003; aqueles que atendam ao requisito do art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, e aos requisitos implementados pela alteração do art. 27 da IN 480/2004, dada pela IN SRF n.º 539, de 2005. Vale consignar que no exame de matéria controvérsia relativa à aplicação da legislação tributária, o julgador administrativo devese ater aos exatos limites da norma, não podendo ser extensiva para não alcançar exação não prevista em lei ou fazer desonerações ou estender benefício sem previsão legal. Daí, a sábia Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908234/201156 Acórdão n.º 1803002.634 S1TE03 Fl. 103 5 inteligência do legislador complementar ao prever a interpretação restritiva da legislação tributária. Portanto, para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos atos normativos, transcritos em linhas pretéritas, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Destaca, ainda, que mesmo que cumpridos os requisitos para a eventual utilização da alíquota diferenciada, o procedimento correta para isso seria a retificação das DCTF e DIPJ. De outro lado, cumprida todas exigências/requisitos, para ter direito a eventual direito creditório, a manifestante antes de apresentar os Per/Dcomp, nas hipóteses em que admitidas pela legislação tributária de regência, deveria ter retificado em tempo hábil suas declarações (DCTF e DIPJ), cuja competência para apreciálas é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Concluiu, ao final, que a consulta anexada pelo recorrente não autoriza a aplicação da alíquota diferenciada pelo recorrente, limitandose a indicar os requisitos necessários para isso. Destaca, por fim, a ausência de força vinculante das decisões judiciais e administrativas citadas pelo recorrente. Notificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.12.2013. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, destacando que o único argumento para a improcedência, pela Delegacia de Julgamento, referese ao suposto não preenchimento dos requisitos necessários para a aplicação da equiparação a serviços hospitalares. Inova, tão somente, ao trazer uma série de documentos dos órgãos de vigilância, atestando sua condição de estabelecimento equiparado a hospitalar, como forma de justificar a utilização das alíquotas reduzidas de lucro presumido. Conclui alegando que a divergência resumese, nessa etapa, a mera comprovação da situação de fato. Vale dizer, ainda, que existem, ao todo, sessenta e seis recursos voluntários do contribuinte, versando sobre o mesmo assunto, relativos a totalidade das PER/DCOMP apresentadas na mesma oportunidade, relativa aos 60 meses anteriores a percepção da alteração da interpretação da norma, em suposto respeito às regras de decadência tributária. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 430, de 01.07.2015, DOU de 02.07.2015 e do art. 17 e do art. 18, do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. É o Relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908234/201156 Acórdão n.º 1803002.634 S1TE03 Fl. 104 6 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A discussão do caso em tela referese ao reconhecimento de crédito tributário, decorrente de aplicação retroativa de interpretação acerca da legislação tributária, no tocante aos diferentes percentuais de presunção de lucro. Mais que isso, versa acerca da prova dos requisitos para tal aplicação, além da regularidade da própria via eleita, qual seja, pedido de restituição de créditos não identificáveis na escrituração, diante de ausência de retificação. A análise do presente caso, engloba, assim, três diferentes pontos: i. sujeição ou não do recorrente às alíquotas diferenciadas de lucro presumido; ii. Comprovação dos requisitos; iii. Adequação da via eleita. Passemos aos pontos. Inicialmente, vale dizer, que o contribuinte, laboratório de análises, pode ser beneficiado pelo sistema de percentuais reduzidos do lucro presumido, aplicável as atividades hospitalares. Alertese para o fato de que não tratarei, ainda, da comprovação dos requisitos fáticos para tal sujeição, mas apenas seus aspectos normativos. Durante os exercícios de 2000 a 2005, o recorrente ofereceu a tributação seus resultados com base na presunção de 32%, regra geral para os prestadores de serviços. Em 2005, com a edição da IN/SRF nº 539/2005, norma que alterou a IN/SRF 480/2004, efetivamente explicitouse a possibilidade de aplicação do percentual de 8% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e a CSLL, para as instituições de assistência de saúde, auxiliares das hospitalares, dentre elas os laboratórios de análises estruturados empresarialmente. IN/SRF 480, com redação dada pela IN/SRF 539/2005: (...) Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n º 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n º 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908234/201156 Acórdão n.º 1803002.634 S1TE03 Fl. 105 7 c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). Vale dizer que esse diploma foi posteriormente alterado pela IN RFB nº 791, de 2007, passando a ter nova redação. Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. A norma em questão, por sua própria natureza, tem nítido viés interpretativo, na medida em que não poderia, de forma alguma, alterar conteúdo de lei tributária. Não poderia definir nova hipótese de incidência, ou mesmo modificala em qualquer aspecto. As duas situações dependem da observância da estrita legalidade. Por exclusão, portanto, somente resta à instrução normativa, no contexto do presente caso, a possibilidade de mero conteúdo interpretativo. Assim, a norma inserida na IN SRF 539/2005 é norma interpretativa, regulada pelo mandamento expresso no art. 106, I do Código Tributário Nacional. Em outras palavras, sujeitase ao efeito retroativo no tempo. Desta forma, correta a interpretação do contribuinte de que se sujeitaria, em tese, aos percentuais diminuídos de presunção do lucro e, com isso, seria credor de valores recolhidos indevidamente aos cofres públicos. No que tange a existência de consulta formal à administração, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas ao contribuinte, vale dizer que sua conclusão, pela forma extremamente reticente e pouco objetiva, nada atesta. Não afirma, confirma ou infirma a Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908234/201156 Acórdão n.º 1803002.634 S1TE03 Fl. 106 8 aplicação da norma ao contribuinte consulente. Apenas explicita o critério legal, dizendo quais os requisitos que devem ser satisfeitos. Com isso, ela nada conclui, mas apenas direciona a discussão para a análise fática de seus requisitos. Vejamos o teor da resposta a consulta, comunicada ao contribuinte pela Comunicação SEORT nº 831/2006, fls 37 a 45. CONCLUSÃO 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase a presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, respectivamente. 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retro citada resolução, devidamente comprovados por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a sua pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido, aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Reafirmase, então, que a solução da consulta citada pelo contribuinte não soluciona a questão concreta. Apenas indica a necessidade de preenchimento de alguns requisitos para a subsunção aos termos da lei. Nada mais. Houvesse cumprido, a consulta, seu dever normativo, restaria claro a que norma estaria sujeito o contribuinte. Não bastassem esses argumentos, vale ressaltar que o STJ pacificou seu entendimento acerca do assunto, por intermédio do Recurso Especial 1.116.399, sujeito a sistemática dos recursos repetitivos, com a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908234/201156 Acórdão n.º 1803002.634 S1TE03 Fl. 107 9 PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908234/201156 Acórdão n.º 1803002.634 S1TE03 Fl. 108 10 Percebese, portanto, que a exigência das licenças e outros requisitos são, a rigor, irrelevantes, bastando, portanto, o mero enquadramento pela descrição do objeto social. A eventual desconsideração de sua natureza depende de construção de prova robusta de elementos concretos para caracterizar eventual simulação e fraude (falsidade de objeto social). Desta forma, no primeiro aspecto de análise do presente voto, de viés estritamente normativo, concluo absolutamente correta a pretensão do contribuinte de enquadrarse na aplicação dos percentuais de 8% e 12%, adrede citados, pela equiparação aos serviços hospitalares. A retroatividade no tempo, da interpretação, encontra respaldo em nosso sistema normativo. Passemos a análise do preenchimento dos requisitos necessários, agora em sua dimensão fática, à equiparação pleiteada. O recorrente é pessoa jurídica da espécie sociedade limitada, regularmente constituída segundo as leis de regência. Para o enquadramento pleiteado, precisa cumprir uma série de exigências de prestação de serviço de forma específica, com natureza empresarial. Esse requisito, ainda, depende de confirmação pela autoridade sanitária a qual esteja vinculada. Preenchidos esses requisitos, possível a equiparação. O recorrente preenche os requisitos exigidos pela lei. De fato, como bem alertado, a r. decisão da Delegacia de Julgamento tem por principal fundamento a não comprovação de existência de atestado da Vigilância Sanitária acerca do preenchimento de tais requisitos. Em sede de recurso voluntário do contribuinte, foram juntados diversos documentos para a comprovação dessa condição, tais como as licenças sanitárias das Prefeituras de São Bernardo do Campo, de Santo André e do Órgão Federal responsável (SIVISA – Sistema de informação em vigilância sanitária), além de contratos de prestação de serviços com diversas instituições. A rigor, essas licenças sanitárias somente são concedidas aos estabelecimentos que preenchem os requisitos mínimos descritos na legislação de regência, com especial atenção à Resolução – RDC nº 50, de 2002, emitida pela Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com o objetivo de aprovar o Regulamento Técnico destinado ao planejamento, programação, elaboração, avaliação e aprovação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, a ser observado em todo território nacional, na área pública e privada. Em assim sendo, fica presumivelmente comprovado em favor do contribuinte o requisito exigido pela legislação, em função dos documentos carreados aos presentes autos. Afasto, assim, este específico impeditivo lembrado pela Delegacia de Julgamento para o reconhecimento do crédito pleiteado. Desta forma, entendo que o contribuinte traz prova da presença dos requisitos necessários para a aplicação dos percentuais de 8% e 12% aqui aludidos, equiparado à unidade hospitalar. Resta, por fim, analisar se a existência do direito de crédito pleiteado pode ser reconhecida pelo instrumento jurídico utilizado, assim como seu manejo no caso concreto. Tratase, exatamente, do último ponto de análise. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908234/201156 Acórdão n.º 1803002.634 S1TE03 Fl. 109 11 O recorrente utilizouse de pedido de restituição eletrônica de crédito (PER/DCOMP). O crédito apontado decorre de incorreta interpretação e aplicação da legislação tributária, já que tratase de recolhimentos de tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação, ou seja, pelo contribuinte definidos e apurados. Dessa forma, por evidente, a “contabilidade fiscal” do sujeito passivo não identificaria, de imediato, a existência do crédito. O caminho natural para a identificação de tais créditos pela administração tributária seria a retificação das declarações (DIPJ ou DCTF), o que geraria nova apuração, a menor do que os recolhimentos realizados. O confronto, posterior, com os valores recolhidos (DARF), mostraria o crédito. Optou, contudo, o recorrente, pela utilização direta do pedido de restituição, eletrônico, indicando, em sede de manifestação de inconformidade, a origem de seu crédito, tanto no aspecto interpretativo (fundamento), como operacional (apresenta planilhas de calculo do valor devido e recolhido a maior). Há de se entender que o contribuinte não optou pela melhor via. A administração tributária negou a restituição, tanto pelo despacho decisório, quanto pelo v. acórdão da D. Delegacia de Julgamento, basicamente, pela impossibilidade de identificação do crédito, pelo simples confronto dos dados da contabilidade fiscal do recorrente. Em sede de análise da manifestação, inclusive, alerta o julgador ser faculdade da administração realizar intimações ou mesmo diligenciar pela busca da verdade dos fatos. Por força disso, o pleito foi simplesmente indeferido. Assim, uma primeira impressão, formalista, concluiria pela improcedência, também, do recurso voluntário, já que inadequado o procedimento. Contudo, o presente caso merece análise mais detalhada. Entendo que as regras do processo administrativo não podem ser ignoradas ou flexibilizadas de maneira inconsequente. Regras formais e processuais existem para atingir determinadas finalidades e não por mero capricho do legislador. As regras processuais não guardam um fim em si mesmas. Devem ser, em regra, cumpridas e observadas. O rigor formal, contudo, no processo administrativo, pode e deve ser pontualmente adequado as demandas específicas, de forma a permitir que ao contribuinte não lhe seja negado seu direito. De maneira muito mais perceptível do que no processo judicial, a esfera administrativa pode analisar as diferentes situações, tentando identificar graus de desvio de forma, passíveis ou não de relevação, em confronto com o direito pleiteado e sem afronta às normas de competência. Certamente, existirão desvios de forma ou de procedimento contornáveis, e outros, contudo, incontornáveis. De qualquer forma, o rigor da dinâmica administrativa processual deve ser pautado, sempre, no princípio da verdade real e em suas implicações para o resguardo do direito material. Em assim sendo, a negativa da administração de diligenciar a busca da verdade material, ou mesmo permitir, ou exigir, a comprovação do preenchimento do requisito formal (documentos da vigilância sanitária) parece incompatível, ou, ao menos, muito Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.908234/201156 Acórdão n.º 1803002.634 S1TE03 Fl. 110 12 inadequada, frente aos princípios norteadores do processo administrativo fiscal e aos objetivos que tais princípios perseguem. O caso em tela envolve situação que, a rigor, a administração poderia ter solucionado com diligência, já na instância inicial. A busca da verdade real, especialmente em situações em que o contribuinte pleiteia sua verificação, não são mera faculdade da administração; ao contrário, são obrigações, ainda que não explicitadas em norma de competência funcional, mas decorrentes das regras processuais e das garantias do contribuinte. Somese o fato de que o tempo decorrido, no presente caso, entre o pedido de restituição e o despacho decisório negativo, inviabilizou a retificação das obrigações acessórias respectivas, pelo decurso do prazo legal de 5 anos. Fosse despachado em prazo razoável a negativa de crédito pela inexistência de linguagem adequada (DIPJ/DCTF) para demonstrálo, poderia o contribuinte atender aos desígnios da administração e o presente processo sequer chegaria a este Corte. A demora da administração tributária não pode implicar em cerceamento do exercício do direito de crédito do contribuinte. Desta forma, por todo o exposto, entendo que o sujeito passivo está abrangido pela regra da incidência do percentual de lucro presumido reduzido, comprovou os requisitos necessários e, apesar da evidente inadequação formal inicial, pode ter seu pleito atendido, em claro equilíbrio entre o rigor formal e a verdade material. Procedente, assim, em sua totalidade o recurso voluntário e, em consequência, reconhecido o direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10314.013543/2010-97
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/10/2010
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/10/2010 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10314.013543/2010-97
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5474053
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.808
nome_arquivo_s : Decisao_10314013543201097.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10314013543201097_5474053.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
id : 5960087
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890426855424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.013543/201097 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.808 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de janeiro de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO ADUANEIRO Recorrente ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/10/2010 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 35 43 /2 01 0- 97 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Aplicase a multa do artigo 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decreto Lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, por prestação intempestiva de informação sobre o veículo ou carga por ele transportada. Nos termos da disposição prevista no § 3º do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, não se considera espontânea a denúncia apresentada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior. INFRAÇÕES. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 5 4 A responsabilidade pela infração tem natureza objetiva e independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, consoante o art. 94, § 2º, do DL 37/66 e art. 136 do CTN Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: · Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; · Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; · Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; · Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; · Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; · Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 7 6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 9 8 a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu § 3o que a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no § 3o , do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 10 9 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 11 10 Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 12 11 Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifo nosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 13 12 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 14 13 alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 16 15 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 17 16 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10314.013543/201097 Acórdão n.º 3801004.808 S3TE01 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10814.009732/2005-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 09/01/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.068
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 09/01/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10814.009732/2005-67
conteudo_id_s : 5513955
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3102-001.068
nome_arquivo_s : Decisao_10814009732200567.pdf
nome_relator_s : Ricardo Paulo Rosa
nome_arquivo_pdf_s : 10814009732200567_5513955.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
id : 6109183
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890442584064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1748; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.009732/200567 Recurso nº 875.079 Voluntário Acórdão nº 310201.068 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de junho de 2011 Matéria Retificação de DI Recorrente SIEMENS VDO AUTOMOTIVE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/01/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 03/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n° 03/03754626, em 06/05/2003 (fls. 6/9), no valor de R$ 445,83 (quatrocentos e quarenta e cinco reais e oitenta e três centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao beneficio fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias n°s. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal beneficio consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de n° 10814006.463/200587. Posteriormente constatouse que parte dos processos apensados ao de n° 10814006.463/200587 apresentam registro no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratam apenas de restituição, como é o caso do presente PAF) , o que exige rito processual deferente. OptouSe 'pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10814006.463/200587 (fls. 41), para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva). PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 06/05/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/03754626, tendo deixado de pleitear o beneficio em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 24/11/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 445,83 (quatrocentos e quarenta e cinco reais e oitenta e três centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 21 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o beneficio da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo — (IRF SP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Voltemos à síntese dos fatos. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In n° 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Divida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI.. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009732/200567 Acórdão n.º 310201.068 S3C1T2 Fl. 2 3 certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 44). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 44). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º . art; n° 45 da IN/SRF n° 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Noticia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1º e 2º Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, beneficio este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um beneficio condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito . O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 45/46 — Despacho Decisório IRF/SPO n° 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO — INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo — Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 47/50). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 54/68, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 — A Lei 10.182/01, que instituiu o beneficio da redução de 40% do II na importação de determinados produtos, para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 — Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de beneficio fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do beneficio. 03 — Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 — Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; 05 — Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 54/68 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado beneficio de redução ou isenção de tributo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/05/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITORIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009732/200567 Acórdão n.º 310201.068 S3C1T2 Fl. 3 5 Conforme art. 165 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO/REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Não assiste razão à recorrente. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Código estáse referindo à aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009732/200567 Acórdão n.º 310201.068 S3C1T2 Fl. 4 7 Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 03 de junho de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009247/2001-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3301-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Ivana R. S. Marco, OAB/SP 299195.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
EDITADO EM: 05/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Monica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas, Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10980.009247/2001-48
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5478584
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3301-000.206
nome_arquivo_s : Decisao_10980009247200148.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10980009247200148_5478584.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Ivana R. S. Marco, OAB/SP 299195. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Fábia Regina Freitas - Relatora. EDITADO EM: 05/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Monica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas, Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora).
dt_sessao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
id : 6004354
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890446778368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.009247/200148 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.206 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 11 de dezembro de 2014 Assunto PIS Recorrente KRAFT FOODSBRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Ivana R. S. Marco, OAB/SP 299195. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. EDITADO EM: 05/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Monica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas, Sidney Eduardo Stahl e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Tratase de auto de infração para a exigência de PIS não declarada ou recolhida, no valor de R$ 14.344.232,90, acrescido de multa de ofício e juros. Os motivos da autuação apontados pela Fiscalização foram os seguintes: a) porque constatouse falta ou recolhimento a menor de Pis; b) que as bases de cálculo, fls. 43/81, foram apresentadas pela fiscalizada atendendo a intimação; a fiscalização atesta que esses valores foram extraídos da escrita contábil; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 09 24 7/ 20 01 -4 8 Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS Processo nº 10980.009247/200148 Resolução nº 3301000.206 S3C3T1 Fl. 3 2 c) quanto aos períodos de 01 a 12/1997, que a autuada alegou que não houve os recolhimentos de Pis, pela empresa incorporada Indústria de Chocolates Lacta S/A, correspondiam a valores compensados com o próprio Pis recolhido a maior pela Lacta, direito este obtido mediante a Ação Ordinária n°95.00569124; d) quanto aos períodos de apuração 10/1996 a 02/1999, que também alegou que os nãorecolhimentos de Pis, pela Kraft, correspondiam a valores compensados com o próprio Pis recolhido a maior pela Lacta, direito este obtido mediante a mencionada ação ordinária; e) que, de acordo com os cálculos de fls. 154/185, atinentes à AO n° 95.00569124, não se apuraram recolhimentos de valores de Pis a maior apurados pelos Decretosleis n°2.445, de 29 de junho de 1988 e n°2.449, de 21 de julho de 1988, quando confrontados com os valores de Pis apurados pela Lei Complementar n° 07, de1970; esclarece que a divergência entre os cálculos da contribuinte e os do fisco decorre do entendimento da contribuinte de que seria de 6 (seis) meses o prazo entre o fato gerador e o pagamento; f) portanto, as compensações foram indevidas; g) em relação aos períodos de 02/1999 a 03, 05, 07, 08 e 10/2000 a 09/2001, que a contribuinte obteve liminar no MS n° 1999.61.00.0132971, na 60 Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo/SP, em 04/1999, garantindolhe o direito de recolhimento de Pis sobre o faturamento, conforme definido na Lei Complementar n° 70, de 1991, sem as ampliação da base de cálculo da Lei n° 9.718, de 1998; • que a sentença de 1° instância, em 09/2000, lhe foi favorável, uma vez que manteve a vedação quanto à ampliação da base de cálculo; • que nem todos os valores dos demonstrativo de fls. 94/96, ou seja, atinentes aos fatos geradores de 02/1999 a 09/2001, que deixaram de ser recolhidos, são relativos à ação; que, a partir de 01/2001, a contribuinte teria informado em DCTF os valores como se a exigibilidade estivesse suspensa, apesar da decisão desfavorável em 18/09/2000; • considerouse, na apuração de cada saldo devido de Pis autuado, ou o valor recolhido ou o declarado em DCTF, dos dois o maior. O contribuinte, ora Recorrente, reconheceu parte do crédito, tendo efetuado o recolhimento do tributo com redução da multa de ofício em 50%. Impugnou o restante do crédito, tendo a DRJ acolhido parte da impugnação para: "a) períodos de 10 e 11/1996, rejeitar a preliminar de decadência; b) períodos de 10/1996 a 05/1997, 06/1997 a 01/1999, considerar procedente o lançamento, e determinar o prosseguimento na cobrança de R$ 12.444.701,99 de contribuição ao Pis impugnada, multa de oficio de 75% e juros de mora, inclusive os apurados pela Selic; c) período de 02/1999, considerar definitiva na esfera administrativa a constituição do crédito, no que tange à matéria questionada judicialmente, referente à contribuição ao Pis, no valor de R$ 499.150,79 e determinar o prosseguimento na cobrança da exação bem como de R$ 370.283,49 de multa de oficio de 75% e juros de mora inclusive os apurados pela Selic, observada a sentença judicial definitiva, excluindose R$ 4.079,60 de multa de oficio incidente sobre a parcela com exigibilidade suspensa; Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS Processo nº 10980.009247/200148 Resolução nº 3301000.206 S3C3T1 Fl. 4 3 d) períodos de 03/1999 a 03/2000, 05, 07, 08, e 10/2000 a 09/2001, cancelar os valores correspondentes ao Pis com a exigibilidade suspensa, declarados como tal pela contribuinte, no total de R$ 83.669,02 e os correspondentes multa de oficio e juros de mora; cancelar a multa de oficio, no valor de R$ 241.544,75, indevidamente lançada sobre valores com suspensão de exigibilidade, porém não declarados como tais, pela contribuinte; considerar definitiva na esfera administrativa a constituição do crédito, no que tange à matéria questionada judicialmente e determinar o prosseguimento na cobrança de R$ 1.143.047,45 de Pis impugnada e da multa de oficio de 75%, no valor de R$ 615.740,84, incidente sobre os débitos com a a exigibilidade não suspensa, e dos juros de mora, inclusive os apurados pela Selic, observada a sentença judicial definitiva." Interposto Recurso Voluntário para esse Eg. CARF foi convertido em diligência, por meio de Resolução (fls. 1263/) para: Assim, em resumo, na apuração dos indébitos oriundos da LACTA deverá ser adotado o seguinte procedimento: cálculo do valor nominal da contribuição em tela considerando como base de calculo o faturamento do sexto mês que antecedeu A ocorrência do fato gerador com relação Aqueles correspondentes aos períodos de apuração de outubro/90 a outubro/95; e na eventualidade de diferenças a maior entre o que foi efetivamente recolhido pela Recorrente e o que seria devido com adoção do critério acima, no período enfocado, apure: 1) o saldo acumulado desses pagamentos a maior, a partir de 10/90, atualizados monetariamente*, até a data da primeira compensação indicada neste processo, valendose desse indébitos (fato gerador de 11/96); 2) o saldo acumulado desses pagamentos a maior, a partir de 11/90, atualizados monetariamente*, até a data da primeira compensação indicada neste processo valendose desses indébitos (fato gerador de 11/96). No que diz respeito aos indébitos originários da KRAFT, de se notar que as ações judiciais promovidas pelas suas sucedidas (Q Refresco e Kibon) se limitaram à questão da inconstitucionalidade dos malsinados decretosleis, não tratando da questão da compensação. Portanto, neste caso, deverá ser adotado o seguinte procedimento: cálculo do valor nominal da contribuição em tela considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês que antecedeu A ocorrência do fato gerador com relação Aqueles correspondentes aos períodos de apuração em que foram efetuados recolhimentos com base nos DecretosLeis n°' 2.445/88 e 2.449/88; e na eventualidade de diferenças a maior entre o que foi efetivamente recolhido pela Recorrente e o que seria devido com adoção do critério acima, no período enfocado, apure o saldo acumulado desses pagamentos a maior, atualizados monetariamente*, até a data da primeira compensação indicada neste processo (fato gerador de 11/96) valendose desses indébitos. (*) Nas atualizações monetárias acima assinaladas os indébitos deverão ser corrigidos segundo os índices formadores dos coeficientes da tabela anexa A Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27.06.97, até 31.12.1995, sendo que a partir desta data passa a incidir exclusivamente juros equivalentes A Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS Processo nº 10980.009247/200148 Resolução nº 3301000.206 S3C3T1 Fl. 5 4 Considerando que se trata de ativos fungíveis e da titularidade da Recorrente, deverão ser apurados os saldos consolidados desses indébitos na data da primeira compensação indicada neste processo (fato gerador de 11/96), tendo em vista as duas hipóteses no que concerne aos indébitos originários da LACTA. Em seguida, deverá ser verificada a suficiência desses saldos consolidados, nas duas hipóteses, para dar cobertura aos valores utilizados pela Recorrente para abater, por compensação, os débitos do PIS, próprios e da empresa incorporada, referentes aos fatos geradores ocorridos de 11/96 a 02/99, nas respectivas datas de vencimento, e promovido o bloqueio dos créditos confirmados e ainda não aproveitados em outras destinações até o montante necessário para a aludida cobertura, total ou parcialmente. Essas apurações deverão ser demonstradas em planilhas apropriadas e acompanhadas ou com indicação da documentação de suporte. No que diz respeito às demais compensações, envolvendo fatos geradores objetos deste lançamento, com base em pedidos específicos de que tratam os processos acima indicados, as respectivas exigências logicamente estão vinculadas A. sorte dos correspondentes pedidos e, eventualmente, a litígios concernentes àqueles processos, tornando necessário, portanto, que a repartição de origem apresente a solução final dos indigitados processos, para somente após fazer retornarem os autos a este Colegiado, acompanhados de cópias das decisões finais naqueles processos. Por último, impende que a repartição de origem apure conclusivamente com base em elementos contábeis e societários, se as receitas oriundas dos ativos di operação de sorvetes da KRAFT já não mais integravam o seu patrimônio e sim ao da sociedade controlada — BONKI, nos meses de outubro e novembro de 1997, haja vista das ocorrências societárias e negociais relatadas no recurso. O resultado da diligência de fls. 1657/1663 cumpriu, em parte, o que solicitado por esse Eg. CARF e apresentou cálculos, sem haver juntado as planilhas demonstrativas desses cálculos e sem haver constatado, outrossim, se as receitas oriundas dos ativos de operação de sorvetes da KRAFT já não mais integravam o seu patrimônio e sim ao da sociedade controlada — BONKI, nos meses de outubro e novembro de 1997, haja vista das ocorrências societárias e negociais relatadas no recurso.. Tais cálculos foram devidamente impugnados pela recorrente (fls. 1681 a 1853). O ponto é que, além de não haver respondido grande parte do que solicitado por esse Eg. CARF na Resolução de diligência acima transcrita, parcela considerável do crédito, atinente ao valor da Lacta, ainda está em análise nos autos do PA n. 10980.001649/200871 (Informação Fiscal de fls. 1955/1859), que ainda está em andamento perante esse Eg. CARF, junto à 2ª. Turma da 2ª. Câmara dessa Eg. 3ª. Seção, na relatoria da Conselheira Tatiana Midori Migyiama. É nítido o descumprimento, pela DRF, da Resolução de diligência supra, ainda mais evidente na parte em que determina que no que diz respeito às demais compensações, envolvendo fatos geradores objetos deste lançamento, com base em pedidos específicos de que tratam os processos acima indicados, as respectivas exigências logicamente estão vinculadas A. sorte dos correspondentes pedidos e, eventualmente, a litígios concernentes àqueles processos, tornando necessário, portanto, que a repartição de origem apresente a solução Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS Processo nº 10980.009247/200148 Resolução nº 3301000.206 S3C3T1 Fl. 6 5 final dos indigitados processos, para somente após fazer retornarem os autos a este Colegiado, acompanhados de cópias das decisões finais naqueles processos. VOTO Conselheira Fábia Regina Freitas Entendo que as questões propostas na diligência são essenciais para o julgado, especialmente no que tange ao crédito da Lacta, em debate no PA n. 10980.001649/200871. Diante dessas considerações proponho retorno dos autos para complementação da diligência para: 1 – Anexação, pela Fiscalização, de planilhas demonstrativas dos seguintes cálculos, em relação aos indébitos da LACTA: cálculo do valor nominal da contribuição em tela considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês que antecedeu à ocorrência do fato gerador com relação àqueles correspondentes aos períodos de apuração em que foram efetuados recolhimentos com base nos DecretosLeis n°' 2.445/88 e 2.449/88; e havendo diferença a maior entre o que foi efetivamente recolhido pela contribuinte e o que seria devido com adoção do critério acima, no período enfocado, cálculo do saldo acumulado desses pagamentos a maior, atualizados monetariamente, até a data da primeira compensação indicada neste processo (fato gerador de 11/96) 2 – Informar a Fiscalização a respeito da situação dos processos relacionados aos pedidos de compensação atinentes aos fatos geradores objetos deste lançamento; e 3 Informar a Fiscalização, com base em elementos contábeis e societários, se as receitas oriundas dos ativos di operação de sorvetes da KRAFT já não mais integravam o seu patrimônio e sim ao da sociedade controlada — BONKI, nos meses de outubro e novembro de 1997, haja vista das ocorrências societárias e negociais relatadas no recurso. Fábia Regina Freitas Relatora. Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/06/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por FABIA REGINA FREITAS
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721109/2010-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM:
Participaram da sessão de julgamento: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10983.721109/2010-00
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5472867
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2202-000.601
nome_arquivo_s : Decisao_10983721109201000.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
nome_arquivo_pdf_s : 10983721109201000_5472867.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5958901
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890464604160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1313; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 15 1 14 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.721109/201000 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.601 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 03 de dezembro de 2014 Assunto Recorrentes FNC COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .7 21 10 9/ 20 10 -0 0 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10983.721109/201000 Resolução nº 2202000.601 S2C2T2 Fl. 16 2 Relatório Processo de Fiscalização A recorrente foi intimada (fl. 05), em 17/06/2010, para apresentar os seguintes documentos referentes às Declarações do ITR dos exercícios de 2005, 2006 e 2007: Identificação do contribuinte; Matricula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural; Certificado de Cadastro de Imóvel Rural CCIR do INCRA; Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido pela ABNT, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Não tendo sido apresentados os documentos solicitados, foi publicado o “Edital nº 3”, em 20/10/2010, reiterando a intimando da empresa FNC Comércio e Participações Ltda acerca dos documentos solicitado no Termo de Intimação Fiscal nº 09201/00010/2010. Em face da ausência de resposta por parte da referida empresa, entendeu a SRF pela lavratura do Auto de Infração nº 09201/00010/2010, relativamente ao ITR de 2007. Notificação de Lançamento A recorrente foi notificada em 01/12/2010 (fl. 12), do lançamento do crédito tributário de ITR do exercício de 2007, incidente sobre o imóvel rural com área total de 1.230,0 ha, Nirf – 0.337.1220, localizado no município de Laguna/SC, no valor de R$ 987.827,85, já acrescido de juros moratórios e multa de 75%. A autuação foi motivado pela discordância por parte da fiscalização acerca do Valor da Terra Nua – VTN apontado pela autuada em sua Declaração, tendo sido adotado para fins de lançamento do VTN referente à região onde se localiza o imóvel, observada a aptidão agrícola (fl. 11). Impugnação Cientificada do lançamento em 01/12/2010, Banco Citibank S/A, na condição de incorporadora de FNC Comércio e Representações Ltda, apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 17/39) erigida sobre os seguintes argumentos: Fl. 558DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10983.721109/201000 Resolução nº 2202000.601 S2C2T2 Fl. 17 3 preliminarmente, alega que não é contribuinte do ITR porque não seria é nem proprietária do imóvel e nem detém o domínio útil, e também não é responsável por sucessão porque seus antecessores também não eram contribuintes e não tinham o dever jurídico de pagar o ITR, pois nunca tiveram posse, propriedade ou domínio útil do imóvel; esclarece que o imóvel está registrado no Registro de Imóveis e Hipotecário da Comarca de Laguna, no Livro n° 2 BM Registro Geral fls. 133, sob n° 12.754, em nome do Banco Crefisul de Investimento S.A, o qual recebeu o imóvel em "dação em pagamento", sendo que, em face da extinção do referido banco, os direitos sobre o imóvel passaram, em tese, para a impugnante; sustenta que é inválida a dação em pagamento ao banco sucedido porque o imóvel não pertencia aos devedores contratantes que transferiram o imóvel ao Banco Crefisul, nominados no Registro Imobiliário (Cecrisa, Klace S/A e Cominas), pois a primeira proprietária, Companhia Siderúrgica Nacional CSN, antes das transferências dominiais, já havia perdido demandas judiciais em face dos posseiros da área, sendo que os processos judiciais estão em vias de ser identificados pela impugnante por meio de diligência na Comarca de Tubarão; afirma que no "google maps" se constata que o imóvel foi fracionado pelos posseiros em áreas rurais menores e que o imóvel há muito tempo está ocupado por posseiros e por pessoas com títulos de propriedade sobre a mesma área os quais foram obtidos em ações de usucapião transitadas em julgado, citando como exemplo o caso do Senhor Itamar Sebastião Mattos, dono do CTG Preto Velho (anexa fotografia), instalado no local há mais de trinta e cinco anos; alega que outros moradores, ainda que não possuam o título aquisitivo da propriedade, já possuem tempo suficiente para requerer judicialmente a declaração de aquisição da propriedade por usucapião; havendo, ainda, aqueles que não sabem que o imóvel tem outra matrícula no RI de Laguna; sustenta que sobre o imóvel existia um lixão que hoje é denominado de aterro sanitário, conforme consulta ao "google maps", e que o Senhor Itamar Sebastião Mattos, para que o Poder Público criasse o aterro sanitário, doou para a FATMA, da parte que lhe pertence do imóvel fiscalizado, cerca de 10 a 12 hectares, sendo que antes disso havia doado a referida área ao IBAMA; informa que também são proprietários atuais do imóvel fiscalizado Vilson Carrara, Hélio Flor e Pozolana Industria e Comércio Ltda, dentre outros; conclui que os possuidores do imóvel devem estar pagando o ITR ou estão isentos ou imunes, considerando a divisão do imóvel; alega que a partir de 2012 o imóvel passou a integrar o novo município de "Pescaria Brava", cuja emancipação foi aprovada pela Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, e que a área do imóvel já é considerada urbana; no mérito, esclarece que necessitava obter a Certidão de regularidade fiscal e para isso foi orientada a apresentar a Declaração do ITR do imóvel mesmo não sendo proprietária ou possuidora, reconhecendo que agiu com erro, pois deveria ter solicitado o cancelamento da inscrição de imóvel rural CAFIR junto à Secretaria da Receita Federal do Fl. 559DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10983.721109/201000 Resolução nº 2202000.601 S2C2T2 Fl. 18 4 Brasil, conforme instruções publicadas no site da Receita Federal, e, após, solicitar a expedição da certidão negativa; sustenta que este erro não tem o condão de impor a responsabilidade pelo ITR lançado, conforme art. 31 do CTN e entendimento da doutrina e da jurisprudência. alega que a área é isenta, nos termos da Lei 9.393/96, porque é imprestável para fins de exploração agrícola, pecuária, granjeita, aquicola ou florestal, uma vez que há grande ocupação do imóvel com casas de moradia, comércios, pequenos sítios, aterro sanitário, Centro de Tradições Gaúchas CTG, depósito de resíduos de carvão mineral, área de preservação permanente e de reserva legal (IBAMA e FATMA). Há também área de interesse ecológico na área de recuperação ambiental; entende que, subsidiariamente, ao menos deve ser aplicada a alíquota de 0,3% para fins de cálculo do ITR , considerando grau de utilização do imóvel de 80% por se tratar de área imprestável para exploração (art. 11 parágrafo 1º, da Lei 9.393/96); postula pela juntada de outros documentos os quais não foram possíveis de ser obtidos por força maior, assim como requer a realização de perícia e avaliação do imóvel, levantamento topográfico e identificação do imóvel e seus posseiros, bem como diligências junto à DRFB, ao INCRA, ao IBAMA e FATMA; ao final, postula pela improcedência do lançamento, ou, subsidiariamente, que o valor seja revisto aplicandose a alíquota de 0 3 % a título de grau de utilização da área. Juntamente com a impugnação foram juntados pela autuada para comprovar suas alegações, além da procuração e dos atos constitutivos da Companhia: Ata da Assembléia Geral que aprovou o protocolo de incorporação da FNC COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA (fls. 52/55); Ata de aprovação da Incorporação da FNC COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA (56/55); Requerimento de Aprovação da Incorporação pelo Banco Central da FNC COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA (59/62); Matrícula do Imóvel 12.754 (63/64); Extrato de Apoio para emissão de certidão SRFB 30.05.2006 (65/71); Fotografias da área de terras (73/100); Petição das ações de protesto ajuizada por Itamar Sebastião Matos e outros (fls. 104/107) e de usucapião ajuizada por Zacarias Rodrigues Gonçalves (fl. 160/161); além de Registros, Certidões e Transcrições relativos a diversas áreas de terra. Posteriormente, às fls. 210/213, a impugnante apresentou petição e certidão expedida pelo INCRA, com o intuito de demonstrar que o imóvel objeto do lançamento do ITR não está cadastrado junto ao Instituto em nome do BANCO CITIBANK S.A. CNPJ/MF sob n° 33.479.023/000180 e também não está cadastrado em nome da FNC COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Acórdão de Impugnação A 1ª Turma da DRJ/Campo Grande (MS), por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário, com base nos seguintes fundamentos (fls. 215/229): indeferimento do pedido de diligências e perícia, eis que tais se prestam a esclarecer pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados e não para substituir o Fl. 560DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10983.721109/201000 Resolução nº 2202000.601 S2C2T2 Fl. 19 5 ônus do sujeito passivo, relativamente à produção de provas que, por sua natureza, já poderiam ter sido juntadas aos autos no momento da apresentação da impugnação pela autuada, como seria o caso dos autos, não sendo igualmente cabível a concessão de prazo supletivo para juntada de provas, eis que entre a impugnação e o julgamento pela DRJ transcorreramse 1 ano e 9 meses, tempo suficiente para que a autuada trouxesse outros documentos que entendesse pertinentes para comprovar suas alegações; a matrícula do imóvel constitui prova eficaz da propriedade do imóvel fiscalizado pelo Banco Crefisul, sucedido por Banco Citibank SA, o qual integra o polo passivo do lançamento na condição de sucessor de FNC Comércio e Participações Ltda, tendo sido reconhecida a sucessão na impugnação, sendo a impugnante a responsável tributária pelos tributos devidos pelo antecessor até a data da sucessão (nos termos do art. 130 e 132 do Código Tributário Nacional), e, após a data da sucessão, é contribuinte do ITR, independentemente da atualização do registro na matrícula do imóvel, não sendo o Ofício do INCRA de fls. 212/213 prova suficiente para afastar a responsabilidade tributária; o exercício da posse sobre o bem imóvel por terceiros, a fim de afastar a responsabilidade do proprietário pelo pagamento do ITR, deve ser comprovado, o que não foi feito pela impugnante uma vez que: (i) a matrícula apresentada não contém averbação de eventuais sentenças judiciais reconhecendo em favor de terceiros a titularidade da área ou o direito de posse, salvo informação de Registro anterior sob nº 25.446 o qual refere a “direitos de posse de Eulália Maria de Jesus que mantinha atravéz (sic) de s/ esposo Otacílio de Souza Costa, desde 27/07/1938 e todos os demais direitos oriundos das ações de reivindicação nº 4.770 de 24/04/1967 nº 6.872 de 17/05/1969”; (ii) relativamente às ações judiciais que reivindicariam a posse da área, não foram juntadas todas as decisões e as que foram juntadas não servem para comprovar que se referem inequivocadamente ao imóvel fiscalizado; (iii) somente com as matrículas juntadas (fls. 88/92, 106/111. 113/114. 136/140. 141/178) não é possível concluir que tais se referem a desmembramentos da matrícula n° 12.754, relativa ao imóvel fiscalizado; (iv) o mapa apresentado à fl. 179, expedido pela Inspetoria do 2º Distrito de Terras Sede em Tubarão (referente à "restauração e fixação de marcos na medida procedida em maio de 1948 nos banhados da "Estiva dos Pregos" nos Municípios de Tubarão e Laguna para a Comp. Siderúrgica Nacional", área 1.775,7 hectares, Laguna 1.330,3 hectares e Tubarão 445,4 hectares), apenas indica a situação do imóvel no ano de 1957; (v) não há nos autos prova de desapropriação do imóvel fiscalizado pelo Poder Público com a finalidade de se instalar um aterro sanitário, nem de outro modo de aquisição pelo Poder Público. para provar a alegada condição de imóvel urbano, o contribuinte deve apresentar documento expedido pela Prefeitura Municipal, comprovando o cadastramento do imóvel para fins de lançamento do Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU no período do lançamento, o que não foi feito no caso dos autos; no mérito, relativamente à postulada isenção do ITR sobre o imóvel por se tratar de área de interesse ambiental, tal alegação deveria ter sido comprovada pela autuada mediante (i) a apresentação de Laudo confeccionado por profissional habilitado e conforme as Fl. 561DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10983.721109/201000 Resolução nº 2202000.601 S2C2T2 Fl. 20 6 normas estabelecidas pela ABNT, (ii) a comprovação da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA perante o Ibama; (iii) a averbação na matrícula, em caso de Área de Reserva Legal – ARL; (iv) ato específico do órgão competente, relativamente à propriedade em questão declarandoa Área de Interesse Ecológico ou Área Imprestável; (v) ato do Poder Público decretando calamidade pública em relação especificamente à área autuada; sendo que, (vi) em relação às área alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público, tais passaram a ser isentas somente a partir do exercício 2009 (o lançamento referese ao ano de 2007). Não tendo apresentado nenhum dos documentos referidos, não merece prosperar tal argumento da impugnante; em relação o VTN, a impugnante deixou de apresentar o laudo técnico de avaliação ou qualquer outro elemento de prova capaz de refutar o valor arbitrado pela fiscalização, o qual foi teve por base os valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura no Sistema de Preços de Terras SIPT para o Município de LagunaSC, nos exercícios 2007 em função da aptidão agrícola. Recurso Voluntário O contribuinte foi notificada do resultado do julgamento de sua impugnação em 08/04/2013 (fl. 240), tendo interposto recurso voluntário em 06/05/2013 (fls. 242/268), no qual, preliminarmente, postula a anulação da decisão eis que o indeferimento de realização das diligências e perícia solicitadas, bem como a ausência de intimação para apresentação de novos documentos previamente ao julgamento pela DRJ implicaram em cerceamento de defesa. No mérito, repisa os argumentos postos em sede de impugnação, juntando novos documentos para comprovar suas alegações, entre eles, levantamentos topográfico e documentoscópico trazidos às fls; 319/554 destes autos, cujos originais constam do dossiê papel nº 16327.000152/201392, conforme certificado à fls. 241. É o relatório. Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt O recurso é tempestivo e atende todos os requisitos de admissibilidade. Comprovação da existência de posseiros Consoante bem destacado na decisão proferida pela DRJ, até o momento da prolação da sua decisão os documentos apresentados pelo contribuinte não se mostravam aptos a comprovar, suficientemente, a alegação de que a área objeto do ITR em questão estaria habitada por posseiros. Até então, constavam dos autos apenas matrículas e registros de diversas áreas, bem como alguns documentos referentes a algumas ações possessórias e de protesto, sem que restasse comprovado que tais documentos se referiam, de fato, à mesma área objeto da autuação. Entretanto, ao apresentar seu recurso voluntário, a recorrente cuidou de trazer aos autos, além de alguns documentos que já haviam sido juntados com a impugnação, Laudos Fl. 562DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10983.721109/201000 Resolução nº 2202000.601 S2C2T2 Fl. 21 7 Topográficos nos quais restaram mapeados: (a) o imóvel em nome de Banco Crefisul, sucedido pela FNC Comércio e Participações, a qual foi sucedida pelo Banco Citi, com base nas informações constantes da matrícula 12.754, e (ii) os imóveis que pertenceriam aos aludidos posseiros, com base nas informações constantes em outras diversas matrículas e registros juntados pela recorrente. Cotejando as conclusões do Laudo, é possível verificar a correspondência entre as áreas, como demonstram os quadros abaixo: Área em nome da Recorrente e sobre a qual está cobrado o ITR em questão (vide registro do perito à fl. 478) Área ocupada pelos posseiros originários (compilação dos registros do perito de fls. 488, 496, 504, 512, 520 e 527) De outro lado, conforme se depreende das matrículas e transcrições juntadas aos autos, os aludidos posseiros encontravamse comprovadamente na quase integralidade área (na qualidade de titulares/proprietários nas matrículas) (i) em período anterior a 31/01/1986 (quando o imóvel em questão teria sido transferido ao Banco Crefisul), ou, no mínimo (ii) em época anterior aos fatos gerador em questão (2007), como demonstram as tabelas abaixo: Posseiro Matríc/Transc Data Posseiro Matríc/Transc Data Itamar Sebastião Matos 9.381 (fl. 404) 09/02/1982 Claudionor Mota 2.735 (fl. 430) 11/07/1977 Itamar Sebastião Matos 15.303 (fl. 405) 17/08/1989 Claudionor Mota 166 (fls. 432/433) 10/02/1976 Itamar Sebastião Matos 15.301 (fl. 406) 17/08/1989 Claudionor Mota 21.346 (fl. 434) 28/04/1999 Itamar Sebastião Matos 15.300 (fl. 407) 17/08/1989 Claudionor Mota 10.774 (fls. 435/436) 14/07/41983 Fl. 563DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10983.721109/201000 Resolução nº 2202000.601 S2C2T2 Fl. 22 8 Itamar Sebastião Matos 15.299 (fl. 408) 17/08/1939 Claudionor Mota 8.035 (fls. 437/438) 16/12/1980 Itamar Sebastião Matos 14.532 (fl. 409) 18/05/1988 Claudionor Mota 2.192 (fls. 439/440) 02/03/1977 Itamar Sebastião Matos 10.472 (fl. 411) 18/02/1983 Claudionor Mota 15.826 (fl. 441) 28/06/1990 Itamar Sebastião Matos 2.782 (fl. 412) 25/07/1977 Claudionor Mota 13.134 (fl. 443) 16/07/1986 Itamar Sebastião Matos 2.217 (fl. 413) 09/03/1977 Claudionor Mota 13.133(fl. 445) 16/07/1986 Itamar Sebastião Matos 2.203 (fl. 414) 07/03/1977 Claudionor Mota 5.577 (fl. 447) 12/07/1979 Itamar Sebastião Matos 2.163 (fl. 415) 24/02/1977 Claudionor Mota 16.016 (fl. 448) 12/11/1990 Itamar Sebastião Matos 2.125 (fl. 416) 14/02/1977 Iris Fernandes 11.480 (fl. 454) 16/04/1984 Itamar Sebastião Matos 1.974 (fl. 417) 18/01/1977 Iris Fernandes 5.519 (fls. 460/461) 02/06/1979 Itamar Sebastião Matos 782 (fl. 418) 27/05/1976 Iris Fernandes 30.404 (fl. 456) 23/11/2011 Itamar Sebastião Matos 628 (fl. 419) 07/05/1976 Iris Fernandes 6.163 (fls. 458/459) 30/11/1979 Itamar Sebastião Matos 545 (fls. 420/421) 23/04/1976 Iris Fernandes 24.950 (fl. 453) 14/10/1971 Itamar Sebastião Matos 12.765 (fl. 422) 12/02/1986 Iris Fernandes 24.800 Não localiz Itamar Sebastião Matos 23.823 (fls. 423/424) 01/04/2003 Iris Fernandes 24.772 (fl. 452) 17/09/1971 Itamar Sebastião Matos 21.186 (fls. 425/426) 20/11/1965 Guido Paulo Michels 15.283 (fl. 463) 15/08/1988 Itamar Sebastião Matos 22.876 (fls. 427/428) 05/01/1968 Zacarias Gonçalves 17.149 (fl. 475) 08/04/1992 Posseiro Matríc/Transc Data Aristides da Rosa Lemos 13.277 (fl. 467) 02/10/1986 Aristides da Rosa Lemos 244 (fl. 481) 16/02/1976 Aristides da Rosa Lemos 13.726 (fls. 474/472) 02/10/1986 Aristides da Rosa Lemos 13.139 (fl. 469) 17/07/1986 Aristides da Rosa Lemos 3.725 (fl. 139) 19/04/1978 Aristides da Rosa Lemos 10.757 (fl. 473) 05/07/1983 Como se depreende da tabela acima, das 46 matrículas que serviram de base para o Laudo Topográfico apresentado, apenas 2 delas, referentes a pequenas frações da área pertencente ao senhor Iris Fernandes, não se encontram suficientemente documentadas para comprovar a posse da área antes da ocorrência do fato gerador, em 2007, eis que (i) em relação ao registro “24.800” (referente a 4% da área total de 239.000 m2 em posse do senhor Iris), tal não constou dos autos e (ii) quanto à matrícula 30.404, tal informa que a área encontrase em nome de terceiros desde 23/11/2011, fazendo referência, contudo, à existência de Registro anterior relativo àquela área, sob o nº 13.941 – Livro 3L, o qual não foi trazido aos autos. Consoante diversas decisões já proferidas por esse Conselho, nas hipóteses em que o autuado alega ser ilegítima a exigência de ITR em face da existência de posseiros ao tempo do fato gerador, cumpre a ele trazer prova inequívoca de tal afirmação. Nesse sentido, vejase o seguinte julgado trazido por amostragem: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL E SUJEITO PASSIVO. CONTRIBUIÇÕES. RETIFICAÇÃO DE CPF E NOME DO CONTRIBUINTE. PRELIMINAR ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA REJEITADA. MANTIDO O LANÇAMENTO. AUSÈNCIA DE PROVAS DE PRESENÇA DE POSSEIROS. O contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel. Para que possa ser alegada a nulidade do lançamento do ITR em vista da existência de posseiros, há que ser provado, por qualquer meio, a presença dos mesmos sobre as terras. Não existindo tais provas, não pode ser alegado cerceamento de Fl. 564DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10983.721109/201000 Resolução nº 2202000.601 S2C2T2 Fl. 23 9 defesa, posto que tal ônus cabe ao Recorrente. RECURSO IMPROVIDO (Acórdão nº 30132134, Número do Processo:10768.004329/200111, Data de Publicação:13/09/2005, Relatora:Susy Gomes Hoffmann) No caso em questão, em sede de recurso voluntário, o contribuinte cuidou de trazer aos autos documentos detalhados e elucidativos para comprovar a existência de posseiros em quase toda a área. Cumpre destacar que não se localizou nos autos a ART referente ao Laudo Topográfico apresentado. Todavia, nele consta a identificação do perito (nome completo, número de inscrição no Conselho), bem como dados e informações detalhadas da área periciada, além de outros documentos dotados fé pública (como, por exemplo, as cópias das matrículas juntadas) que embasam e confirmam as conclusões do Laudo, no sentido de que, dos 12.300.000 m2 registrados na matrícula do imóvel em nome da recorrente, 10.923.459,19 m2 estão efetivamente ocupados por posseiros. Além disso, como bem destacado pelo contribuinte, somandose as áreas descritas em todas as matrículas apresentadas (9.597,475,05 m2 – fl. 323), efetivamente tal não corresponde exatamente à metragem da área descrita na matrícula do imóvel em nome do contribuinte (12.300.000 m2), ou ainda, à metragem das áreas efetivamente ocupadas pelos posseiros (10.923.459,19 – fl. 323) . Entretanto, entendo que tal divergência decorre justamente do fato do imóvel ter sido tomado por posseiros, que, durante anos e em etapas, foram conseguindo fazer os registros das áreas invadidas, de partes em partes, partindo a descrição dos imóveis “do zero”, sem haver qualquer vinculação ou referência ao registro original do terreno. Entretanto, a partir do momento em que todas as matrículas foram agrupadas e a área foi presencialmente periciada (vejase que foram juntadas ao Laudo diversas fotos do local), verificouse que a invasão por posseiros ocupou quase a integralidade do terreno. Outrossim, como destacado anteriormente, ainda que em relação a 2 das 46 matrículas referidas pelo Perito, não seja possível comprovar que as áreas encontravamse em nome de terceiros ao tempo do fato gerador em tela (seja por não constar nos autos cópia do Registro 24.800, seja por não constar o Registro nº 13.941 – Livro 3L, referente à área objeto da matrícula 30.404), tais documentos referemse a 9.522 m2 da área em nome de Iris Fernandes, que, representa a menos 0,078% dos 12.300.000 m2 da área autuada, o que, no meu entender não justifica a desconsideração da integralidade da prova produzida e tampouco coloca em xeque a existência de posseiros já no ano de 2007 na área. Por todo o exposto, entendo que os documentos juntados em sede de recurso voluntário comprovam sim que a área objeto da presente autuação encontravase quase que integralmente sob o domínio de posseiros desde muito antes da ocorrência do fato gerador (2007), não podendo a recorrente ser considerada sujeito passivo para fins do ITR exigido sobre o total da área em questão, em face da verdade real que deve imperar nesses casos. Em casos análogos, o Conselho já se manifestou no sentido de que, tendo sido comprovada a impossibilidade do dito proprietário de usar, gozar, dispor ou reaver a propriedade rural em face da existência de posseiros e/ou invasores, há de se considerado nulo o lançamento para fins de cobrança do ITR. Vejase: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR EXERCÍCIO: 1998 SUJEITO PASSIVO DO ITR. Posse dos posseiros sem terra. impossibilidade de usar, gozar, dispor ou reaver o imóvel. propriedade descaracterizada. RECURSO Fl. 565DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10983.721109/201000 Resolução nº 2202000.601 S2C2T2 Fl. 24 10 VOLUNTÁRIO PROVIDO (Acórdão nº 39200004, Número do Processo:10215.000663/200232, Data de Publicação:23/09/2008) Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1994 ITR – Posseiros. Comprovada nos autos a posse do imóvel para terceiros à época da ocorrência do fato gerador, há de ser afastada a cobrança do tributo daquele que detinha apenas a propriedade sem dela poder usar, gozar ou fruir. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Acórdão nº 30134058, Número do Processo:10280.000036/200137, Data de Publicação:12/09/2007, Relator:Susy Gomes Hoffmann) Todavia, como é requisito essencial para validar o laudo topográfico a apresentação de ART, voto no sentido de intimar o contribuinte para que traga aos autos, no prazo de 30 dias: (i) a ART relativa ao Laudo Topográfico apresentado, (ii) cópia do Registro nº 24.800 referido no Laudo apresentado e (iii) cópia do Registro nº 13.941 – Livro 3L (e eventuais Registros anteriores), referido na Matrícula 30.404, para fins de verificar, inclusive, se a totalidade do terreno foi realmente ocupada por posseiros, tendo em vista que a certeza reside, em vista da documentação apresentada, que quase toda a extensão encontrase ocupada. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Fl. 566DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 13/04/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000133/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2004, 30/11/2005, 31/12/2005
DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO.
Havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial é contado de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, ressalvado a prática de dolo, fraude ou simulação.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972.
DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE.
A simples discordância quanto ao resultado da decisão não gera sua nulidade.
PIS. COFINS. CRÉDITOS. NÃO-CUMULATIVIDADE.
É ônus do contribuinte comprovar de forma inequívoca a existência de créditos de PIS e Cofins apurados na sistemática da não cumulatividade.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-002.655
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Mônica Elisa de Lima, que defendiam a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2004, 30/11/2005, 31/12/2005 DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial é contado de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, ressalvado a prática de dolo, fraude ou simulação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. A simples discordância quanto ao resultado da decisão não gera sua nulidade. PIS. COFINS. CRÉDITOS. NÃO-CUMULATIVIDADE. É ônus do contribuinte comprovar de forma inequívoca a existência de créditos de PIS e Cofins apurados na sistemática da não cumulatividade. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16024.000133/2009-94
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5473524
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3301-002.655
nome_arquivo_s : Decisao_16024000133200994.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 16024000133200994_5473524.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Mônica Elisa de Lima, que defendiam a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
id : 5959558
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890491867136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2161; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.403 1 1.402 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16024.000133/200994 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.655 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2015 Matéria Cofins e PIS/PASEP não Cumulativas Recorrente PRAIAMAR INDÚSTRIA COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2004, 30/11/2005, 31/12/2005 DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial é contado de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, ressalvado a prática de dolo, fraude ou simulação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. A simples discordância quanto ao resultado da decisão não gera sua nulidade. PIS. COFINS. CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. É ônus do contribuinte comprovar de forma inequívoca a existência de créditos de PIS e Cofins apurados na sistemática da não cumulatividade. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Mônica Elisa de Lima, que defendiam a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 01 33 /2 00 9- 94 Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.404 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.405 3 Relatório Por economia processual adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ, de Ribeirão PretoSP, que assim dispôs sobre os Autos de Infração de Cofins e PIS/Pasep lavrados em 17/06/2009: Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 452/466, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep dos períodos de 2004 e 2005, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$5.580.443,7. Conforme Relatório Fiscal de fls. 443/450, a fiscalização fez diversas intimações para a empresa prestar esclarecimentos a respeito dos bens para revenda e bens utilizados como insumos nos anoscalendários de 2004 e 2005. A respeito do produto denominado PCNA — Preparado Composto Não Alcoólico, foram apresentadas notas fiscais de aquisição das empresas Stratus Indústria e Comércio Ltda. e Cervejaria São Paulo S/A. Ainda sobre esse produto, adquirido da empresa Stratus, a fiscalizada informou que ele fora encaminhado para industrialização na Cervejaria Petrópolis S/A e, posteriormente, exportado. Também teriam sido apresentadas notas fiscais de aquisição desse produto da Distribuidora de Bebidas ABC Ind. e Com. Ltda. Respondendo a intimação para "esclarecimento minucioso do processo produtivo, a empresa declarou: Recepção do xarope composto em tanque de aço inox denominado dosador; Mistura e dosagem dos produtos no tanque dosador; Transferência para tanque de homogenização onde este processo (homogenização) dáse por meio de recirculação; Após a homogenização o produto acabado é transferido para o tanque de produto acabado; Em seguida, o produto é envasado, lacrado e rotulado conforme determinação do cliente; Todo o processo segue estrita norma técnica com acompanhamento do técnico responsável. No que se refere ao item 1, o mesmo não poderá ser apresentado em virtude de segredo industrial. No tocante à intimação para apresentação das notas fiscais de venda do PCNAA, a fiscalizada informou que grande parte de seus documentos, que se encontravam sob a guarda de uma terceira (Serapavel), haviam sido molhados e não puderam ser recuperados, por ocasião de forte tempestade ocorrida em meados de janeiro de 2009, na cidade de Boituva, apresentando contrato de prestação de Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.406 4 serviços com a "empresa de arquivamento' e Boletim de Ocorrência. Assim, não teria sido possível localizar as notas fiscais solicitadas. Como resposta à solicitação de apresentação dos conhecimentos de transporte rodoviário e aquaviário de carga das operações de compra e venda, a empresa informou ter realizado tal transporte por conta própria, com seus veículos. Segue relato, baseado no "Relatório de Informações n° D13F07L9 da Diretoria Executiva da Administração Tributária — DEAT da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo', sobre a empresa Stratus, descrevendo suas condições e informações sobre a pessoa física fornecedora de extrato de guaraná para a fabricação do PCNAA (o qual não reportou tais operações à Receita Federal). Com base nessas apurações, a fiscalização indicou que "tais operações podem ter sido simuladas e, mais que isso, artificialmente elevadas, com a finalidade de gerar, irregularmente, grandes volumes de créditos na conta fiscal da Stratus ( ... ) para dar suporte, em momento posterior, às maciças transferências de crédito em favor das empresas atraídas para o esquema." Prosseguiu indicando indícios da referida simulação, tais como: a) variação do preço unitário do litro do extrato de guaraná que, de maio de 2003 a março de 2004, foi de R$13,10, mas em agosto de 2004 subiu para R$33,10, muito acima do valor médio de R$5,00 praticado no mercado, segundo fontes da SUFRAMA; b) a empresa Stratus fez constar nas notas fiscais de sua emissão que a transportadora das mercadorias de Manaus(AM) a Boituva (SP) teria sido a PB Transportes, empresa que não declarou movimento em 2003, declarouse inativa em 2004 (informações confirmadas pelo contador) e possuía apenas um empregado à época dos supostos transportes; c) a fornecedora Stratus teria vendido 290.000 quilos de PCNAA para a Praiamar e, ao final de dois anos, não havia recebido R$17,5 milhões, não tendo adotado providência alguma contra a inadimplência; d) ao contrário do respondido pela fiscalizada, os pagamentos à Stratus não foram feitos à vista, por transferência bancária, pois constaram de sua contabilidade saldos credores na conta "Stratus", nos valores de R$11,9 milhões em 2004 e R$17,5 milhões em 2005. e) não foram apresentadas comprovações do recebimento pelas exportações, sob alegação de destruição dos documentos, sendo que no período de 12/03/2004 a 13/12/2006 a fiscalizada teve, como sócia majoritária, empresa sediada no Uruguai, conhecido paraíso fiscal para onde teria sido remetida a quase totalidade do preparado vendido pela Praiamar. f) apesar da alegada industrialização do produto, na realidade ela teria exportado o mesmo PCNAA, com a mesma classificação fiscal. g) as operações com esse produto teriam gerado um prejuízo, em 2004, de R$15 milhões, além da empresa não ter justificado o que foi feito com mais de 19 mil litros restantes do produto. h) o PCNAA foi classificado em código da TIPI correspondente a "preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para a elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.407 5 diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado". Porém, o mencionado Relatório de Informações n° D13F07L9 informa que o preparado continha teor de umidade superior a 97%, conforme análises técnicas, sendo impossível classificálo no código adotado. Concluiu a fiscalização que "as operações da PRAIAMAR com o PCNAA foram simuladas em prejuízo do fisco, tendo em vista que a vontade real, por trás do negócio aparentemente legal, mas inconsistente, era evadirse do pagamento de tributos", configurandose sua prática, ainda, em conluio para sonegação fiscal e concorrência desleal. Assim, foram lançados os créditos utilizados para a dedução das próprias contribuições, glosa de valores pela não apresentação de notas fiscais relacionadas ao termo de intimação n° 4 (de fl. 119) e inclusão indevida nos cálculos de créditos de aquisições de produtos com incidência monofásica (cerveja). O enquadramento legal encontrase a fls. 454, 456, 461 e 465. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 490/517, acompanhada dos documentos de fls. 518/957. Em sede de preliminar, suscitou a decadência da Contribuição para o PIS/Pasep dos períodos de janeiro a abril de 2004, por força do art. 150, § 4% do CTN. Argüiu nulidade por cerceamento do direito de defesa, por total discrepância entre a infração destacada nos autos de infração e os fatos trazidos no Relatório Fiscal, transcrevendo doutrina e jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes. Também na seara da nulidade por cerceamento do direito de defesa, argumentou que o Relatório Fiscal faz remissão a diversas folhas do processo, sem no entanto anexálas juntamente com os autos de infração e os relatórios fiscais entregues na ocasião da intimação. Discorreu sobre suas tentativas de obter cópia das folhas mencionadas, primeiramente com o fiscal autuante — que informou que os autos haviam sido encaminhados para a Agência da Receita Federal em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro (novo domicílio fiscal da empresa), depois na referida Agência — na qual uma servidora informou que o processo não havia chegado e, portanto, não seria possível disponibilizálo; novo contato com o autuante e obtenção da informação de que o processo fora encaminhado no dia 13/07/2009, seguido de novo comparecimento à Agência, que informou que o processo estaria em trânsito, situação em que se encontrava à data da apresentação da impugnação, conforme pesquisa no sistema Comprot que anexa. Assim, sua insurgência teve que ser apresentada sem acesso "a esses importantes documentos que serviram de base à autuação", configurandose a nulidade por cerceamento do direito de defesa. Classificou o Relatório Fiscal de confuso, configurando mais uma forma de cerceamento de defesa, taxando as conclusões do autuante de absurdas, equivocadas e maliciosas, vez que, conforme documentação que anexa, a referida mercadoria (PCNAA) efetivamente entrou em seu estabelecimento e, após os beneficiamentos necessários, foi em sua totalidade comercializada com clientes fora do território nacional, o que comprova sua utilidade econômica e seu alto valor de mercado. Alegou ter comprovado pagamentos feitos à fornecedora, através de transferências bancárias, injustificadamente desconsiderados pelo autuante, bem Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.408 6 como que as exportações obedeceram as exigências legais da época, tendo os pagamentos sido feitos através de agentes públicos autorizados. Mesmo que tais comprovações não tivessem sido feitas, o autuante "teria como ingressar nos sites próprios para verificar a efetividade de transações", tendo preferido "presumir de forma temerária, resvalando no tipo penal previsto no artigo 316, § 1° do Código Penal brasileiro (excesso de exação)". Registrou que a mercadoria foi adquirida de empresa ativa (documentação de regularidade fiscal em anexo) e regularmente inscrita nos órgãos competentes, promoveu os beneficiamentos por meio de terceiros, remeteu para seu cliente no exterior e recebeu "as divisas contratadas". Fez indagações sobre o entendimento do autuante quanto à classificação fiscal do produto, perguntando se ele seria "autoridade técnica para emitir avaliação sobre um Ministério que tem classificação legal e científica e teve ainda autorização de produção" pelo da Agricultura, se desprovido dessa qualificação o autuante teria se louvado em opinião alheia, se esta terceira pessoa teria qualificação técnica e legal para tanto, lembrando que o Decreto n° 2.314, de 1997, determina a competência a inspetores credenciados pelo Ministério da Agricultura para sua inspeção e fiscalização. Afirmou que o autuante "louvouse em apreciação subjetiva de agente fiscal do Estado de São Paulo", "não viu nada, não constatou nada, apenas copiou conclusões alheias, emitidas por quem não tinha competência para essa apreciação". Prosseguiu repisando alegações nesse sentido. Questionou a avaliação da DEAT da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo sobre o estabelecimento fornecedor do produto, classificandoa de "meras opiniões e relatórios", contrariando ato legal do Ministério da Agricultura que concedeu o Registro do estabelecimento. Sobre o produto PCNAA, refutou a avaliação do agente paulista, que daria suporte ao auto de infração, em contraposição a seu registro no Ministério da Agricultura (documento anexo), no qual consta todas suas características, o que caracterizaria usurpação de da competência exclusiva do Ministério da Agricultura, por aquele agente. Atacou o uso de prova emprestada, o Relatório de Informações do DEAT, o qual ainda por cima faz referência a produtos de outra empresa (Indústria de Bebidas Paris Ltda), não nos adquiridos e vendido pela impugnante. Tratou dos requisitos da prova emprestada (a ter sido colhida em outro processo entre as mesmas partes; b que na sua produção tenham sido observadas as formalidades estabelecidas em lei; c e que o fato probando seja idêntico), citando doutrina e jurisprudência, para concluir pela falta de comprovação do "fato base da autuação". Discorreu sobre o preço do PCNAA, apresentado nota técnica da Suframa em que consta o faturamento "impressionante" de empresas com tal produto, mencionando valores praticados por essas empresas, que guardariam relação de similaridade com os praticados em suas compras. Reclamou da diferença de tratamento a ela dispensado, indagando se "multinacional tem presunção de veracidade". Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.409 7 Argumentou que seus procedimentos contábeis e fiscais encontramse devidamente comprovados através dos documentos juntados à impugnação, os quais só teriam sido "recuperados recentemente, tendo em vista a forte tempestade ocorrida em Boituva, conforme resposta à intimação n. 11". Relacionouos à fl. 509. Apresentou planilha em que estariam demonstrados "todos os procedimentos tomados, bem como detalhes da documentação fiscal e comercial requerida em estrita e total obediência as regras fiscais e de comércio exterior" (sic). Alegou que possuía rico acervo documental, mas que o mesmo fora "parcialmente consumido pelo evento da natureza", conforme parecer técnico de transcrição subscrito por perito criminal, estando tal acervo em fase de recuperação. Boa parte desses documentos estaria juntada a defesa fiscal perante o Estado de São Paulo, no Tribunal de Impostos e Taxas, ao qual ficou de solicitar extração de cópias, pelo quê protestou pela sua juntada ulterior. Defendeu seu direito à compensação do crédito decorrente de suas operações mercantis, que teriam sido devidamente escrituradas no seu Livro Fiscal de Entrada. Discorreu sobre a nãocumulatividade das contribuições, repisando alegações sobre "juízo de valor" efetuado pelo autuante. Taxou de absurda a conclusão da fiscalização de ter havido simulação, uma vez que suas operações estariam exaustivamente comprovadas, discorrendo sobre o conceito de simulação no Código Civil, concluindo que em nenhum momento ela ficou demonstrada. Requereu, ao final, a declaração de nulidade do lançamento ou sua improcedência. A despeito das alegações constantes da impugnação, a DRJ manteve a integralidade das glosas dos créditos decorrentes do PIS/Pasep e Cofins não cumulativas, julgando improcedente a impugnação, conforme sintetiza a ementa do acórdão a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2004, 30/11/2005, 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. A utilização de créditos na apuração das contribuições nãocumulativas pressupõe a comprovação da autenticidade das operações que os geraram. SÚMULA VINCULANTE N'8 DO STF. Em razão da Súmula Vinculante n° 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.410 8 Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. A utilização de créditos na apuração das contribuições nãocumulativas pressupõe a comprovação da autenticidade das operações que os geraram. SÚMULA VINCULANTE N'8 DO STF. Em razão da Súmula Vinculante n° 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Cientificada do resultado do julgamento em 28/09/2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) juntado às fls. 1051 (fls. 1079 do processo digital), foi interposto o recurso voluntário de fls. 1052 e seguintes, em 27/10/2010, em síntese, reiterando as alegações constantes da impugnação, merecendo destacar os seguintes pontos: 1) Alega, preliminarmente a nulidade da decisão recorrida por não ter aplicado o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, uma vez tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação, devendo sua contagem iniciar se a partir da ocorrência do fato gerador, estando decadente os fatos geradores relativos ao período de apuração 01/2004 a 04/2004; 2) Suscita nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, vez que apesar dos autos decorrerem de prova emprestada do Fisco Estadual de São Paulo, não foi franqueado o Relatório da DEAT elaborado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo à Recorrente, bem como em razão do Relatório Fiscal não contemplar a real situação dos fatos ocorridos no presente processo, dificultando o exercício da plena defesa; 3) Alega a nulidade do julgamento por violação à regra legal de inversão do ônus da prova — Art.. 37 da Lei n° 9.784/99, especialmente porque o eminente Julgador partiu da equivocada suposição de que o contribuinte não teria apresentado documentação fiscal regular, o que de nenhuma maneira corresponde à realidade dos fatos, especialmente porque acolheu, sem fazer nenhuma avaliação crítica, a íntegra da motivação contida no relatório fiscal de fls. 443/450, que passou a fazer parte integrante do lançamento. Solicita também a nulidade do acórdão recorrido porque: “transferiu ao contribuinte, de forma arbitrária e ilegal, o ônus da realização da prova”. Em relação ao mérito, aduz que, os autos de infração e a decisão recorrida estão baseados na questão da classificação do PCNAA — Composto NãoAlcoólico da Amazônia, produto que, no equivocado entendimento do Relatório da DEAT da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, não poderia ser classificado com o código TIPI 2106.90.10 "Ex 01", cuja análise se fez em produto de empresa completamente estranha à pessoa da Recorrente e ao objeto da presente autuação, alegando que conforme restou consignado no Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.411 9 Relatório da DEAT que os produtos analisados pelos laboratórios contratados (FUNCAMP e Food Intelligence) não são da recorrente, ou seja, o produto analisado por aludidos laboratórios referemse a amostras extraídas de outra empresa, sem nenhuma vinculação com a Recorrente. Em relação ao estabelecimento produtor ou fornecedor O Auditor Fiscal acostou em seu relatório, como sustentáculo, o conteúdo do Relatório de Informações D13F07L9 da DEAT, da Secretaria de Fazenda Paulista, no qual se afirma que o imóvel da Stratus (empresa que vendeu os produtos) seria "inadequado" à produção do produto em referência, por apresentar "instalações bastante modestas. Os equipamentos existentes no local são tanques obsoletos, muito diferentes dos equipamentos de aço inoxidável encontrados nos estabelecimentos de fabricantes mais modernos", e que tal circunstância não diz respeito à Recorrente e, por si só, não autoriza a ilação feita da ocorrência de fraude. Com a permissão do Auditor Fiscal e do ilustre julgador, afigurase em verdadeiro paradoxo, o mesmo ter deixado de se louvar no registro emitido pelo Ministério da Agricultura, órgão também federal, única autoridade competente para inspeção e registro, e ter se louvado em mera "opinião", desprovida de competência e rigor técnico de agente da Fazenda do Estado de São Paulo (aliás, cuja decisão já foi anulada). Sobre o produto (PCNAA), a autuação e a decisão recorrida se louvaram no relatório do agente paulista, o relatório que suporta o Auto de Infração e que foi acolhido pelo julgado recorrido, para concluir seu juízo de simulação, afirma que o produto em referência objeto da exportação é uma solução demasiadamente aquosa, cuja diluição supostamente não seria condizente com a tipificação 2106.90.10, ex 01, a pretexto de que "o PCNAA manipulado pelas empresas citadas no Relatório de Informações n D13F07L9 continha teor de umidade superior a 97%, conforme análises técnicas." Tal conclusão, além de não ser razoável não se fundamenta em prova técnica e essencial nas circunstâncias. Contesta a utilização da prova emprestada, sobretudo porque o fisco do Estado de São Paulo afirma que as espúrias análises foram realizadas não nos produtos adquiridos e vendidos pela Praiamar, mas em produtos de outra empresa (Indústria de Bebidas Paris Ltda) que não tem qualquer vinculo com a Recorrente, o que configura inobservância ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Sobre o preço da matéria prima utilizada (PCNAA), anexa nota técnica n° 179/2007 da Superintendência da Zona Franca de Manaus (fls. 555/560 doc. 07), que trata da "Situação operacional das empresas do segmento de Concentrado na Zona Franca de Manaus, destacando o Quadro IV, do mencionado documento, que os "Dados gerais de produção X faturamento, inclusive de cadeia produtiva", onde se vê que a Arosuco (Vinculada a AMBEV) faturou em 2006 a cifra de R$ 482.025.831,00 com PCNAA e a Recofarma (vinculada a Coca Cola) obteve a impressionante cifra de R$ 2.439.382.281,00 de faturamento, no mesmo período, com o mesmo produto. A Recofarma praticou preços na ordem de R$ 83,45 o quilo, enquanto os preços da Arosuco somam R$ 146,07 por quilo, para o mesmo tipo de produto aqui relacionado. E mais, o relatório aponta que "a média de faturamento por unidade do segmento é da ordem de 75,34/Kgl". Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.412 10 Nas notas fiscais de compra do PCNAA dos autos, o preço por quilo foi de R$ 98,50, dentro de todos os parâmetros de razoabilidade possíveis. Afirma ainda que o transporte do produto do fabricante (em Manaus) até a sede da empresa (em BoituvaSP), foi realizado pela empresa PB Transporte Ltda, com CNPJ ativo na Receita Federal do Brasil desde 29/04/2002 (é o que consta do site da própria Receita Federal do Brasil) (doc. 08), e que o transporte da sede da Recorrente até o porto, o mesmo foi feito por sua conta própria e risco, através de empresa terceirizada, como consta lançado nas notas fiscais já constante dos autos, fls. 232/250. Sobre a industrialização e exportação do produto, apesar do acórdão pretender esquivarse do Relatório da DEAT na sustentação do auto de infração, todavia, seu processo produtivo está adequadamente caracterizado como industrialização nos exatos termos do artigo 4º do Decreto n° 7.212, de 15 de junho de 2010, o qual prescreve como industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo. Dos pagamentos a sua fornecedora Stratus Embora o senhor auditor fiscal questione o pagamento feito à fornecedora Stratus, admiravelmente essa prova estava em mãos da própria Receita Federal, ao que tudo indica antes mesmo da lavratura do auto de infração. Nesses documentos se encontra a notificação da Stratus cobrando referido valor em aberto da Recorrente (R$ 19.293.370,63) e, ao mesmo tempo, o "Balanço da CPMF" que é mais específico ainda, demonstrando a movimentação da CPMF da Recorrente, em pagamento do valor da cobrança efetuada pela fornecedora (R$ 19.293.410,51), o que seria suficiente para a comprovação do pagamento. Sobre os câmbios fechados (recebíveis da exportação) já analisados pela Receita Federal, diz que seguindo na esteira do famigerado Relatório da DEAT (que o julgado procura negar seja o fundamento único da autuação), o julgador nega que a Recorrente tenha comprovado o recebimento dos valores correspondentes às exportações realizadas, querendo com isso dizer que tais exportações seriam fictícias, diz que o processo autuado sob n° 10168.002945/200872, cópia anexa (doc. 12), que trata dos mesmos fechamentos de câmbio objeto da presente autuação foi analisada pelo próprio Fisco que chegou a conclusão totalmente adversa à do auditor fiscal e do ilustre julgador, confirmando a regularidade da comprovação dos recebimentos. Além de ter sido colhida de maneira indevida, a prova emprestada, no caso em apreço, é a única prova existente em desfavor da empresa autuada, de maneira que a autuação que lhe foi imposta deve ser considerada insubsistente, porquanto sem lastro probatório idôneo, ou seja, no caso concreto inexiste base empírica idônea para que qualquer autuação seja imposta, de sorte que, o lançamento merece ser anulado, uma vez que impassíveis de engendrar uma condenação hígida sob a perspectiva jurídicoconstitucional. Digase, por oportuno, que no âmbito do Estado essa anulação já ocorreu pelo julgado anexo do Tribunal de Impostos e Taxas. Faz referência Auto de Infração n° 10074.000506/201099 lavrado pelo Fisco Federal, consubstanciado nas mesmas provas utilizadas pelo Auditor Fiscal, com as mesmas partes, envolvendo o PCNAA — Preparado Composto Não Alcoólico da Amazônia, foi que a autuação está lastreada na conclusão de que as notas fiscais apresentadas à fiscalização, por Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.413 11 ocasião da apresentação das mercadorias para despacho de exportação, estão eivadas de falsidade ideológica, falsidade decorrente da conclusão apresentada pela fiscalização de que as mercadorias efetivamente exportadas eram outras que não a descrita nos documentos instrutivo (o recurso de ofício foi negado através do Acórdão 310201.325, em 10/11/2011, rel. conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho). (doc. 13): "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2004, 16/09/2004, 24/11/2004, 07/12/2004,25/07/2005 DECADÊNCIA. PENALIDADES. O direito de impor penalidade extinguese em 5 (cinco) anos, a contar da data da infração. EXPORTAÇÃO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. PROVAS. Inexistindo elementos objetivo que autorizem concluir que as mercadorias efetivamente exportadas foram divergentes das mercadorias descritas nas notas fiscais e respectivas declarações de exportação, o lançamento não deve prosperar por falta de suporte probatório. É ônus da autoridade autuante instruir o lançamento com todos os elementos de prova de fatos constituintes do direito da Fazenda. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado.” Em relação aos Autos de Infração n° 3.090.8644 e 3.099.9984 lavrados pelo Fisco do Estado de São Paulo, consubstanciados nas mesmas provas utilizadas pelo Auditor Fiscal, afirma que os mesmos foram cancelados pelo Tribunal de Impostos e Taxas (docs. 14 e 15). Reclama a observância aos limites para desconsideração de atos e negócios jurídicos praticados pelo particular, vez que tem se tornado prática comum a lavratura de Autos de Infração onde os auditores fiscais, a seu livre arbítrio, desconsideraram atos e negócios jurídicos realizados pelo contribuinte, presumindo a ocorrência de fraude ou simulação, o que é, evidentemente, vedado pelo nosso ordenamento jurídico, conforme se passa a demonstrar. Com efeito, a Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, introduziu um Parágrafo Único ao artigo 116 do Código Tributário Nacional, todavia, o Poder Público tem procurado criar instrumentos jurídicos para combater a chamada elisão fiscal (prática de atos lícitos, com a finalidade de obter vantagem tributária), mas até o presente momento não existe a regulamentação de tal norma. Requerendo por fim seja julgado improcedente os autos de infração. É o relatório. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.414 12 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. O recurso é tempestivo e revestido das demais formalidades legais pertinentes, devendo o mesmo ser conhecido. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA O contribuinte defende o transcurso do prazo decadencial em relação ao período de apuração de 01 a 04/2004, uma vez transcorridos mais de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, uma vez que a ciência do presente lançamento deuse em 24/06/2009. A este respeito assim dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(grifei) De acordo com este dispositivo do CTN, se houver antecipação do pagamento, e não ocorrendo as situações de dolo, fraude ou simulação, o prazo para a fazenda pública efetuar o lançamento decai em cinco anos contados do fato gerador. Não havendo antecipação do pagamento a regra aplicável para contagem do prazo decadencial é a do art. 173, inc. I do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.415 13 No caso, está demonstrado que não houve qualquer antecipação de pagamento, conforme demonstra o extrato de fl. 1037 (fl. 1059 do processo digitalizado). Neste mesmo sentido decidiu o Acórdão recorrido, sendo que o contribuinte não apresentou nenhuma prova em contrário. Portanto, para os períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2004, o início do prazo decadencial deu se a partir de 1º/01/2005. Patente então que na data do lançamento, 24/06/2009, não havia transcorrido o prazo decadencial e poderia ter sido efetuado o lançamento. Por estas razões nego provimento à preliminar de decadência suscitada. NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Neste ponto, suscita em síntese a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, vez que apesar dos autos decorrerem de prova emprestada do Fisco Estadual de São Paulo, não foi franqueado o Relatório da DEAT elaborado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo à Recorrente, bem como em razão do Relatório Fiscal não contemplar a real situação dos fatos ocorridos no presente processo, dificultando o exercício da plena defesa. Esclareço que não vislumbrei no auto de infração constante do presente processo, qualquer mácula que pudesse tornálo nulo. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem preterição do direito de defesa. Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...). III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Concordo com a decisão recorrida que assim se pronunciou quanto à alegada falta de conhecimento do Relatório da DEAT elaborado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo: (...) Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.416 14 “O único documento que poderia não ser de seu conhecimento, e que talvez impusesse o fornecimento de cópias, seria o relatório de informações da DEAT da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. No entanto, pelos termos da impugnação é possível concluirse que a interessada tinha conhecimento de seu inteiro teor pois, além de referirse a empresa não citada no Relatório Fiscal do autuante (mas tratada no relatório da DEAT), discutiu pormenores desse documento.” O contribuinte afirma que o relatório fiscal não contempla a real situação dos fatos ocorridos, dificultando também o seu direito de defesa. Pois bem da leitura do relatório fiscal e dos correspondentes autos de infração, não vislumbrei nenhum ponto pelo qual pudesse ter dificultado a defesa do contribuinte. Ao contrário, verifiquei que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ O recorrente alega a nulidade do julgamento por violação à regra legal de inversão do ônus da prova, especialmente porque o eminente Julgador partiu da equivocada suposição de que o contribuinte não teria apresentado documentação fiscal regular, o que de nenhuma maneira corresponde à realidade dos fatos, especialmente porque acolheu, sem fazer nenhuma avaliação crítica, a íntegra da motivação contida no relatório fiscal que passou a fazer parte integrante do lançamento. Solicita também a nulidade do acórdão recorrido porque: “transferiu ao contribuinte, de forma arbitrária e ilegal, o ônus da realização da prova”. O objetivo do julgamento no processo administrativo é aferir a legalidade dos atos administrativos praticados, para que estes coadunemse o mais próximo possível com a legislação tributária. O art. 31 do Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, assim dispõe sobre o conteúdo da decisão de 1ª instância: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Por sua vez, o art. 59, inc. II do mesmo decreto aborda as situações quanto à nulidade dos atos adminsitrativos: Art. 59 São nulos: (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.417 15 No presente caso o que ocorreu foi a discordância do contribuinte em relação ao que foi decidido na decisão de 1ª instância administrativa, sendo que as razões de sua discordância foram colocadas em seu recurso voluntário e serão objeto de análise neste julgamento. Vêse que a decisão a quo foi proferida por autoridade competente, está devidamente fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Não houve preterimento do direito de defesa, tanto é que o contribuinte em seu recurso voluntário denota perfeita compreensão do que foi decidido. Desta forma, afasto a preliminar de nulidade da decisão recorrida, suscitada pelo contribuinte em seu recurso voluntário. MÉRITO Em sua defesa o contribuinte apresenta uma série de questões que seriam prejudiciais ao lançamento tributário objetivando naturalmente que seja declarada a sua improcedência. Entendo que o lançamento foi corretamente elaborado e antes de adentrar às questões apresentadas pelo contribuinte pretendo fazer uma síntese da apuração efetuada pela fiscalização. Tratase no caso de apuração do PIS e Cofins no regime da não cumulatividade inserida pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Os lançamentos abrangem fatos geradores de 2004 e 2005. A acusação efetuada pela fiscalização, em síntese, é que o contribuinte não logrou comprovar créditos das contribuições relativas a aquisição de insumos na industrialização e na aquisição de bens para revenda. Os insumos glosados são PCNAA – Preparado Composto Não Alcoólico da Amazônia adquiridos da fornecedora Stratus Indústria e Comércio Ltda, sediada na cidade de ManausAM e remetidos para industrialização por conta e ordem de terceiros para a Cervejaria Petrópolis S/A. A descrição dos fatos e dos procedimentos adotados para comprovação dos créditos estão relatados no relatório fiscal de fls. 443/450 (Fls 446/453 do processo digitalizado). Em suas razões de defesa o contribuinte alega em síntese que a acusação está fundamentada somente no Relatório da DEAT da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Que este relatório, por se tratar de prova emprestada não poderia ter validade e que as amostras recolhidas para os testes de laboratório do PCNAA neste relatório não são válidas pois não pertenciam à empresa fiscalizada. Argumenta que se tirar o citado relatório do processo não sobra nada a ser autuado. Não concordo com estas alegações. Da leitura da descrição dos fatos e dos elementos acostados ao presente processo, constatase que a fiscalização citou sim o relatório produzido pela DEAT da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, porém ele foi o ponto de partida para a verificação da existência ou não dos créditos apropriados no Dacom, utilizados na apuração do PIS e da Cofins no sistema da nãocumulatividade. A partir dos indícios apontados no relatório da DEAT, a fiscalização efetuou uma série de intimações ao contribuinte oportunizandolhe a comprovação dos citados créditos. Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.418 16 Portanto, para o presente lançamento, pouco importa o resultado dos autos de infração lavrados pelo Fisco do Estado de São Paulo e que teriam citado relatório como fundamento. O contribuinte junta em sua defesa o resultado de julgamento do Tribunal de Impostos e Taxas do Estado de São Paulo, o qual deu por insubsistente o lançamento. Porém no processo estadual, pela ementa do julgamento abaixo transcrito, verificase que o fundamento do lançamento lá foi diferente do daqui. ICMS. CRÉDITO INDEVIDO. PELA ESCRITURAÇÃO DE NOTAS FISCAIS REFERENTES À SUPOSTAS AQUISIÇÕES DE SOLUÇÃO AQUOSA TIDA PELA FISCALIZAÇÃO COMO INSERVÍVEL PARA A FINALIDADE A QUE SE DESTINAVA. Diante da incerteza referente à prática da infração descrita no AIIM inicial, por parte da presente empresa autuada, uma vez que as amostras dos produtos foram colhidas em local diverso do seu estabelecimento. Recurso conhecido e provido. Em resumo, no presente processo os créditos foram indeferidos por ausência de sua comprovação e não pela acusação de aquisição de solução aquosa. O relatório do DEAT/SP definitivamente não foi o fundamento essencial do lançamento, mas sim o elemento que motivou o início da fiscalização da Receita Federal, com o fim de verificar a correta apuração dos créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins. Da mesma forma que o julgamento favorável que o contribuinte teve no processo administrativo fiscal nº 10074.000506/201099 não lhe socorre no presente caso. Nele a acusação foi insubsistente por falta de provas. Veja a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2004, 16/09/2004, 24/11/2004, 07/12/2004, 25/07/2005 DECADÊNCIA. PENALIDADES. O direito de impor penalidade extinguese em 5 (cinco) anos. a contar da data da infração. EXPORTAÇÃO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. PROVAS. Inexistindo elementos objetivos que autorizem concluir que as mercadorias efetivamente exportadas foram divergentes das mercadorias descritas nas notas fiscais e respectivas declarações de exportação, o lançamento não deve prosperar por falta de suporte probatório. É ônus da autoridade autuante instruir o lançamento com todos os elementos de prova de fatos constituintes do direito da Fazenda. Impugnação Procedente. A falta de provas daquele processo não pode ser transposta automaticamente para o presente processo. Aquele processo não tem vínculo de validade com o lançamento aqui tratado. Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.419 17 A auditoria que resultou no auto de infração aqui discutido está baseada unicamente na apuração dos créditos na apuração do PIS e Cofins. As planilhas demonstrativas, fls. 439/442 (fls. 442/445 do processo digitalizado) reproduzem os ajustes efetuados no saldo das contribuições. Constatase que houve ajustes somente na parte dos créditos da apuração. Não houve ajustes na parte de débitos. O contribuinte havia apurado saldo credor na maioria dos meses de apuração e com a glosa de créditos passou a ter saldo devedor em alguns meses, sendo estes o objeto do atual lançamento. O contribuinte argumenta que está sendo prejudicado porque houve inversão do ônus da prova, o que seria incabível sob as regras que regem o lançamento tributário. Porém, no caso, a discussão que se coloca é sobre a comprovação dos créditos apropriados de PIS e Cofins, cujo ônus da prova é sim do contribuinte. A ele cabe demonstrar de forma inequívoca o seu direito creditório, por força do que dispõe o art. 333 do CPC e art. 170 do CTN, abaixo transcritos. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Se o contribuinte apura sistematicamente saldo credor das contribuições, cabe a ele demonstrar de forma inequívoca a certeza e liquidez deste crédito apropriado em sua escrita fiscal. No caso o contribuinte centra a maior parte de sua defesa em descaracterizar o relatório da DEAT da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo. Durante toda a ação fiscal, não teve o mesmo impulso, quando a questão era apresentar documentos capazes de demonstrar a certeza e liquidez do crédito apurado. A fiscalização intimou o contribuinte a apresentar o conhecimento de transporte rodoviário e aquaviário de carga das operações de compra e venda. Em resposta o contribuinte informou que o frete foi realizado por conta própria em seus veículos. Naturalmente que com esta resposta estaria dispensada de apresentar o conhecimento de transporte de cargas. Porém foi constatado pela fiscalização que nas notas fiscais de compras constava que o transporte teria sido efetuado pela empresa PB Transportes, a qual declarouse inativa para a Receita Federal no ano de 2004. Portanto se estava inativa, não teria como ter prestado estes serviços ao contribuinte. Já em sua impugnação e recurso voluntário muda a versão inicial para informar que o frete foi mesmo realizado pela PB Transportes, que isto consta da nota fiscal de compra e como teria sido na modalidade CIF, não haveria porque complementar qualquer informação a este respeito. Não concordo, já que a própria empresa afirmou por escrito duas situações totalmente antagônicas, caberia a ela trazer documentos sim para comprovar que o transporte das cargas foi efetuado pela PB Transportes, apresentando o correspondente conhecimento de transporte de carga. Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.420 18 Por outro lado, foi intimado a comprovar os pagamentos efetuados na aquisição dos produtos. Em sua resposta informou que o pagamento foi efetuado a vista, em transferências bancárias, sem emissão de recibo, apenas emissão da nota fiscal. Simples assim, sem apresentar os comprovantes de transferência bancária relativos a cada nota fiscal de aquisição. Para contraditar esta informação a fiscalização demonstrou que a fiscalizada tinha um passivo em favor da sua fornecedora no montante de R$ 11,9 milhões em 2004 que foi aumentado em 2005 para 17,5 milhões. Se por alguma razão o sujeito passivo se furtou de fazer estas demonstrações durante a ação fiscal, poderia têlo feito em sua defesa, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário. Pois bem, no recurso voluntário ele inicia dizendo que estes comprovantes faziam parte do acervo de documentos que foi consumido pelo evento da natureza, conforme bem noticiado nos autos. Em seguida afirma que estes pagamentos eram de conhecimento da própria Receita Federal, quando da fiscalização relativa ao MPF nº 07103002009004920, o qual continha balanço da CPMF demonstrando pagamento do valor da cobrança efetuada pela fornecedora no montante de R$ 19.293.410,51. Para comprovar esta afirmação ele apresenta o que chama de DOC. 10, onde consta um documento de uso interno da Receita Federal denominado Dossiê Integrado, fl. 1283 (fl. 1313 do processo digitalizado), onde há um espelho de movimentações financeiras realizadas pelo contribuinte a partir das informações coletadas nas declarações prestadas pelos bancos a título e com base na CPMF. Lá consta que no mês de setembro de 2007 houve um movimento de R$ 19.293.410,51, que é um valor aproximado da dívida cobrada pela sua fornecedora por meio de uma notificação extrajudicial. Impressionante, mas o contribuinte pretende demonstrar um pagamento de R$ 19.293.410,51 por meio de um extrato de valores pagos a título de CPMF. Para a fiscalização o contribuinte afirmou que os pagamentos foram efetuados a vista, por meio de transferências bancárias, agora o pagamento foi efetuado de uma vez só aproximadamente três anos após a realização das operações. O contribuinte contesta sistematicamente vários elementos constantes do relatório elaborado pela DEAT da Secretaria de Fiscalização do Estado de São Paulo. Contesta, entre outras coisas, competências para elaboração de conclusões constantes do laudo, como a classificação fiscal do produto, sua composição química, o processo de industrialização aplicado ao PCNAA e os preços de mercado aplicados à matéria prima. Não entrarei nestes méritos, pois não são essenciais para a análise do recurso voluntário. Como disse, o laudo e suas conclusões foram o ponto de partida, mas o fundamento da autuação foi a falta de comprovação dos créditos pleiteados. Quanto à comprovação do recebimento das exportações, o contribuinte junta os documentos de fls. 565/867 (569/873 do processo digitalizado). Realmente os documentos demonstram que recebeu valores a título de exportação. Porém, quando intimado a apresentar as correspondentes notas fiscais de venda e comprovantes de recebimentos das vendas, respondeu que “em decorrência de uma forte tempestade ocorrida em meados de janeiro/2009 na cidade de Boituva (...) tais documentos não puderam ser recuperados”. Quando da impugnação apresenta estes documentos com vários contratos de câmbio, quase todos firmados a partir de 2006, somente um firmado em 8/4/2005. Outra curiosidade é o contrato de compra e venda para exportação efetuada entre a importadora e a contribuinte, fls. 867/873 (fls. 873/879 do processo digitalizado). Nele consta na cláusula sexta que “o preço ajustado na cláusula quinta, acima, deverá ser pago à vista pela GALLXEN à PRAIAMAR, num único pagamento”. Nas Invoices apresentadas também constam que a forma de pagamento será a vista. Apesar da cláusula de violação contratual, cláusula décima, ser bastante rigorosa, os pagamentos ora demonstrados foram efetuados com bastante atraso e sem que houvesse qualquer compensação Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 16024.000133/200994 Acórdão n.º 3301002.655 S3C3T1 Fl. 1.421 19 por mora. Observe a planilha de fl. 565 (fl. 569 do processo digitalizado) que todos os pagamentos foram efetuados com muito atraso. Assim as exportações realizadas em 09/2004 foram recebidas em 04/2005, as exportações realizadas entre 09/2004 e 11/2004 foram recebidas em 05/2006, e assim por diante. Apesar da estranheza acima demonstrada, não creio que a comprovação de recebimento das exportações, afasta a necessidade de demonstrar de forma inequívoca o direito ao crédito nas operações de aquisições do produto. Este também não foi o fundamento básico do lançamento. Por fim, o contribuinte faz uma abordagem sobre a prática da simulação e a desconsideração de atos jurídicos por parte da fiscalização. Neste contexto, entendo correta a decisão recorrida, pois apesar de a fiscalização ter descrito que as operações foram simuladas em prejuízo ao fisco, ela não levou adiante esta acusação. Provavelmente, por não têla comprovado de forma cabalística. Caso tivesse levado adiante, teria que ter aplicado a multa de ofício duplicada, nos termos do inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Portanto não há que se fazer considerações não levadas em conta na concretização do lançamento. Diante do exposto, concluo que não houve a comprovação dos créditos pleiteados a título da apuração nãocumulativa do PIS e Cofins e, por conseqüência, nego provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 26/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002397/2003-63
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que os autos sejam encaminhados para apuração contábil.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11610.002397/2003-63
anomes_publicacao_s : 201508
conteudo_id_s : 5510228
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1802-000.548
nome_arquivo_s : Decisao_11610002397200363.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11610002397200363_5510228.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que os autos sejam encaminhados para apuração contábil. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
id : 6098170
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890503401472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1532; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.002397/200363 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 1802000.548 – 2ª Turma Especial Data 26 de agosto de 2014 Assunto IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente SCHMOLZ + BICKENBACH DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AÇOS LTDA (SUCESSORA DE THYSSEN COMERCIAL BRASIL EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que os autos sejam encaminhados para apuração contábil. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 02 39 7/ 20 03 -6 3 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/08/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 11610.002397/200363 Resolução nº 1802000.548 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão 1626.152, proferido em sessão de 28 de julho de 2010 pela 1ª Turma da DRJ/SP1, o qual não reconheceu totalmente o direito creditório pleiteado pela Recorrente, por entender não comprovado o crédito declarado. Parte desse crédito, composto por valores de suposta retenção indevida de IR fonte careceu de comprovação do regular oferecimento à tributação das receitas sobre as quais incidiu a retenção ou pagamento na fonte do imposto de renda. Entendeu o V. Acórdão, também, não ter a Recorrente conseguido comprovar a posse dos respectivos comprovantes de pagamentos e de retenção emitidos em seu nome, tudo isso condição necessária para que a pessoa jurídica, tributada pelo lucro real, possa deduzir do imposto devido os valores pagos ou retidos, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar, a ser restituído ou compensado. Histórico Para historiar o caso concreto, adoto parcialmente o relatório da DRJ ao descrever o trabalho da DERAT//SP, que passo a transcrever: "A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 171/183, em face do despacho decisório de fls. 162/168, exarado pela Eqpir/Diort/Derat/SPO, mediante o qual foi reconhecido parcialmente o crédito apontado pela contribuinte e, até este limite, homologadas a declaração de compensação de fls. 01/02 e as PER/Dcomp's 35449.44119.170304.1.7.025987, 30026.36044.140404.1.3.021830 e 19351.62299.150904.1.7.028602, cujos extratos estão encartados As fls. 104/119. Consoante consignado nos autos, a compensação foi declarada com base em direito de crédito de R$ 876.130,43, correspondente ao saldo negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica referente ao anocalendário 2000. A Autoridade Fiscal designada para analisar o pedido da contribuinte fundamentou o despacho decisório, em breve síntese, consoante se segue: (i) A compensação efetuada sem processo do débito de estimativa de IRPJ relativo a novembro de 2000, no valor de R$ 39.044,76, com saldo negativo do anocalendário de 1999 foi aceita, conforme constou da decisão exarada nos autos do processo administrativo n° 16306.000129/200889 (fls. 133/135); (ii) Não foram constatados pagamentos no período no Sistema Rede Receita Sinal08, IRPJ (Consulta Pagamento), conforme fls. 136; (iii) Foram conferidos os valores declarados pela contribuinte nas Linhas 21 e 24 da Ficha 06A da DIPJ/2001 — AC 2000 às fls. 125, e os mesmos foram confrontados com os valores da Dirf e da Ficha 43 da DIPJ/2001 do AC 2000, confirmandose um IRRF proporcional à receita oferecida à tributação de R$ 282.821,63; Fl. 423DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/08/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 11610.002397/200363 Resolução nº 1802000.548 S1TE02 Fl. 4 3 (iv) Desta forma, comprovouse um saldo negativo de IRPJ do AC 2000 no montante de R$ 321.866,39." Ou seja, extraise da decisão da DERAT, em resumo, que: * A Recorrente efetuou compensação, sem abertura de processo administrativo, de débito de estimativa IRPJ de novembro de 2000, no valor de R$ 39.044,76 com saldo negativo do mesmo tributo, do ano calendário de 1999, o que foi aceito e consolidado no processo administrativo n. 16306.000129/200889; * A Autoridade Fiscal confrontou a DIPJ 2001 com a Dirf 2001 apresentadas pela Recorrente e encontrou proporcionalidade nos valores alí declarados apenas para comprovar saldo negativo de IRPJ do AC 2000 no montante de R$ 321.866,39 e não R$ 876.130,43, como pleiteado. Intimada do despacho decisório em 17.02.2009, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 19.03.2009, alegando, em resumo, que: "(a) Não merece prosperar o argumento de que teria conseguido comprovar apenas o montante de R$ 282.812,63 a título de IRRF no ano, uma vez que a requerente, mediante os comprovantes de pagamentos acostados aos autos, apurou todos os valores retidos, resultando no montante de R$ 508.514,28; (b) Somandose o montante de R$ 508.514,28 com o débito de estimativa de R$ 39.044,76, chegase a um montante creditório de R$ 547.559,47, devendo ser homologadas as compensações realizadas até esse limite." A Recorrente, portanto, defende ter formado seu crédito de saldo negativo de Imposto de Renda do AC 2000 com retenções de IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras e com a estimativa de novembro, do mesmo ano. O Acórdão proferido pela DRJ/SP1 entendeu que, EM TESE, a compensação com créditos de IRRF e de estimativa seria possível. Confirase: " ...... Por sua vez, as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real podem excluir do imposto devido, para fins de apuração do saldo do imposto a pagar, o IRRF incidente sobre receitas computadas na base de cálculo do tributo, bem como o imposto pago com base em estimativas, consoante consignado nos transcritos dispositivos legais. O reconhecimento do direito creditório com base em saldo credor de IRPJ fica condicionado, portanto, à confirmação dos itens que o compõem, dentre eles, os pagamentos de estimativas mensais, da retenção do imposto a titulo de antecipações, devendo o contribuinte apresentar os documentos hábeis a demonstrar tais fatos. No caso de percepção de rendimentos pagos por terceiros, a beneficiária deve demonstrar a regular tributação desses valores, bem como apresentar o respectivo comprovante de pagamento e de retenção do imposto, consoante apontado no art. 55 da Lei no 7.450, de 1985: Fl. 424DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/08/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 11610.002397/200363 Resolução nº 1802000.548 S1TE02 Fl. 5 4 "Art. 55. 0 imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa fisica ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos." Portanto, não basta a contribuinte possuir os comprovantes de pagamentos e de retenção do imposto de renda emitidos em seu nome para efetuar a pretendida compensação do IRRF com .o devido ao final do período de apuração, sendo necessário, também, demonstrar que os respectivos rendimentos também foram devidamente declarados e tributados." . Mas, ao aplicar as citadas regras de Direito ao caso concreto, o V. Acórdão da DRJ entendeu haver inconsistência nas informações trazidas pelo Recorrente na sua DIPJ, quando comparada à Dirf, o que impedia o reconhecimento de crédito decorrente do IRRF supostamente devido. Confirase: " Segundo apurou a autora do despacho decisório, as fontes pagadoras de rendimentos, mediante Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — Dirf e a própria contribuinte, mediante a Ficha 43 (Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte) de sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (Dipj/2001), informaram rendimentos financeiros de R$ 2.542.575,75 e respectiva retenção de imposto de renda de R$ 508515,61, assim distribuídos: R$ 2.537.480,39, de aplicações financeiras de renda fixa, com retenção de R$ 507.495,58 (códigos 6800: Aplicações financeiras em fundos de investimentos de renda fixa, 3426: Aplicações Financeiras de renda fixa — pessoa jurídica e 3251: Juros de Caderneta de Poupança e letras Hipotecárias — pessoa Jurídica) e R$ 4.513,77, de aplicações de renda variável, com retenção de R$ 902,75 (código 5273: Operações de swap). A autoridade fiscal a quo não colocou em dúvida a efetividade da retenção do imposto de renda incidente sobre os valores recebidos pela contribuinte, como parece crer a manifestante. Os informes de rendimentos, juntados às fls. 220/241, indicam pagamentos de rendimentos financeiros num montante de R$ 2.541.995,70 e uma retenção de imposto de renda de R$ 508.398,70, assim discriminados: Rendimento Nominal IRRF Especificação 852.427,93 170.485,56f1. 220: Aplic. Financeiras de Renda Fixa 21.991,00 4.398,18fl. 221: Real Fag Empresa II D1 49.145,97 9.829,19fl. 222: Real Fag Empresa 11 DI 1.035,30 207,04 fl. 223: Real Faq Empresa II DI 216,12 43,22 fl. 224: Real Fag Empresa II Dl 36.186,47 7.237,39fl 225: Fac Real Empresa II DI 1.095,02 218,99 fl.226: Fac Real Empresa II DI 605,30 121,06 fl. 227: Fac Real Empresa II DI 1.062,69 212,52 fl. 228: Fac Real Em.resa II DI 23.144,73 4.628,90 fl. 229: Fac Real Empresa II DI 24.438,51 4.887,69 fl. 230: Fac Real Empresa H DI 10.170,27 2.034,04 fl. 231: Fac Real Empresa II DI 39.840,03 7.967,96 fl. 232: Fac Real Empresa II DI 185.147, 50 37.029 46 fl. 233: Fac Real Empresa II DI 14.211,38 2.842,27f1. 234: Fac Real Empresa II DI 2.723.,03 544,60fl. 235: Fac. Real Empresa II DI 14.492,35 99,852.898,46fl. 236: Fac. Real Empresa II DI 99,8519,97fl. 239: Caderneta de Poupança 480,20 96,04fl. 239:Caderneta de Poupança 439,9988,00fl. 239: Caderneta de Poupança 90,18 18,04fl.239: Caderneta de Poupança 0,23 0,04fl. 240: Debêntures 0,22 0,04f1. 240: Autonomus LD FACDI 0,22 0,04f1. 240: Autonomus LO FACDI 0,20 0,04 fl. 240: Autonomus LO FACDI 0,23 0,04f1.240: Autonomus LO FACDI 0,19 0,03f1. 240: Autonomus LO FACDI 0,12 0,02 fl. 240: Autonomus LO FACDI 0,07 0,01f1. 240: Autonomus LO FACDI 0,06 0,01 fl. 240: Autonomus LO FACDI 46.889,46 9.377, 88 fl. 241: Fundos de Investimento 41.840,51 8.368,08f1. 241: Fundos de Investimento 367.724,97 73.544,99f1. 241: Aplicações de Renda Fl. 425DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/08/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 11610.002397/200363 Resolução nº 1802000.548 S1TE02 Fl. 6 5 Fixa 44.107,90 8.821,57f1. 241: Fundos de Investimento 34.019,76 6.803,92 fl. 241: Fundos de Investimento 30.841,82 5.168,35f1. 241: Fundos de Investimento 372.514,05 74.502,81f1. 241: Aplicações de Renda Fixa 63.950,84 12.790,14f1. 241: Fundos de Investimento 75.412,80 15.082,56 fl. 241: Aplicações de Renda Fixa 46.695,48 9.339,09 fl. 241: Fundos de Investimento 32.106,54 6.421,28 fl. 241: Fundos de Investimento 25.004,10 5.000,81 f1. 241: Fundos de Investimento 26.542,51 5.308,49 fl. 241: Fundos de Investimento 25.482.44 5.096,47 fl. 241: Fundos de Investimento 25.303.39 5.060,66 fl. 241: Fundos de Investimento 2.537.481,93 507.495,95 RENDIMENTOS DE APLIC. FINANC. RENDA FIXA 4.513,77 902,750. fl.241: Operações de swap (RENDA VARIÁVEL) 2.541.995,70 508.398,70 MONTANTE DOS RENDIMENTOS FINANCEIROS Consoante se percebe, os valores constantes dos informes de rendimentos trazidos pela manifestante são praticamente idênticos aos valores utilizados nos cálculos efetuados pela autora do despacho decisório para apurar o saldo credor. Todavia, os valores de IRRF não foram integralmente aceitos, da maneira como entendia a contribuinte, porque a autora do despacho decisório verificou que as informações prestadas à Ficha 06A (Demonstração do Resultado) de sua DIPJ/2001 indicaram que as receitas financeiras não foram corretamente submetidas à tributação. A manifestante apresentou um único informe de rendimentos, relativo a aplicações de renda variável, no valor de R$ 4.513,77, com uma retenção de R$ 902,75 de imposto de renda. Assim, para que fosse aceito o respectivo IRRF informado nesse documento, seria necessário que a contribuinte tivesse submetido à tributação, no mínimo o valor dessa receita financeira. Na DIPJ/2001, os rendimentos decorrentes de aplicações de renda variável deveriam ser declarados à linha 21 da Ficha 06A (Ganhos Auferidos no Mercado Renda Variável, exceto Day Trade) que, no caso da contribuinte, consta informado um montante de RS 1.017.271,22. Uma vez que o valor oferecido à tributação, a titulo de rendimentos decorrentes de aplicações financeiras de renda variável, foi substancialmente acima daquele constante do respectivo informe de rendimentos, foi possível aceitar a compensação de IRRF oriundo de rendimentos dessa natureza no montante de R$ 902,75. As aplicações financeiras de renda fixa, por outro lado, proporcionaram rendimentos de R$ 2.537.480,39, para uma retenção de imposto de renda de R$ 507.495,58, seguido informações contidas nas Dirt's, em valores praticamente coincidentes com os informes de rendimentos juntados pela manifestante, R$ 2.537.481,93 e R$ 507.495,95, respectivamente. Todavia, os rendimentos decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa,, que devem ser declarados à linha 24 da Ficha 06A da DIPJ/2001 (Outras Receitas Financeiras), somaram R$ 1.409.595,77. Embora a contribuinte tenha apresentado informes de rendimentos que comprovariam a retenção de IRRF de R$ 507.495,58, verificase que o correspondente rendimento decorrente de aplicação de renda fixa não foi integralmente oferecido à tributação, razão pela qual a autoridade fiscal a quo aceitou apenas uma compensação do imposto de R$ 281.918,88, proporcionalmente as receitas dessa natureza que foram declaradas (R$ 1.409.595,77 x R$ 507.495,58 = R$ 2.537.480,39). Conforme determina a legislação de regência, além da posse dos informes de rendimentos, é também necessário que os valores recebidos tenham sido regularmente Fl. 426DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/08/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 11610.002397/200363 Resolução nº 1802000.548 S1TE02 Fl. 7 6 tributados para que o respectivo IRRF seja deduzido do imposto devido e, assim, compor o saldo a pagar, restituir ou compensar. No caso dos autos, a manifestante não trouxe elementos que pudessem infirmar a constatação da autoridade fiscal a quo de que apenas parte dos rendimentos decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa fora levada ao resultado. " Ou seja, afirmaram os I. Julgadores, para concluírem pela improcedência da manifestação de inconformidade, terem encontrado inconsistência na ficha 6 A da DIPJ/2001 da Recorrente, mais precisamente na rubrica das receitas financeiras. Enquanto teria a Recorrente, por exemplo, apresentado apenas um informe de rendimentos com receita financeira aplicações em renda variável declarada de R$ 4.513,77, teria declarado, em sua DIPJ/2001 o montante de RS 1.017.271,22. Teria havido também inconsistência nas informações sobre rendimentos auferidos com aplicação em renda fixa. Recurso Voluntário Intimada da decisão em 26 de agosto de 2010, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 27 de setembro de do mesmo , onde aduz, em síntese, o quanto segue: A Recorrente trouxe aos autos, em sua Manifestação de Inconformidade, todos os informes de rendimento correspondentes aos valores de IRRF declarados na DIPJ/2001, retenção esta comprovada no montante de R$ 508.514,28, valor suficiente de Saldo Negativo de IRPJ para proceder com as compensações lastreadas pelas DCOMP's relacionadas. Em atenção ao princípio da verdade material, o que ocorreu foi um mero erro de preenchimento da DIPJ/2001, eis que na Ficha 43, a Recorrente informou os rendimentos e retenções corretamente, mas equivocouse ao preencher a Ficha 6A, inserindo rendimento menor quanto às aplicações de renda fixa e preencheu com valor maior as aplicações de renda variável, mas, no entanto, como os rendimentos e retenções foram devidamente comprovados, a Recorrida deve retificar, de oficio, a DIPJ/2001. A 1ª Turma da DRJ/SP1 houve por bem julgar improcedente a Manifestação apresentada pela Recorrente sob o fundamento de que os valores utilizados a titulo de IRRF incidentes sobre as aplicações financeiras, não foram devidamente levados à tributação, o que, no seu entendimento, glosaria a utilização de tais valores como Saldo Negativo de IRPJ, reafirmando que houve um erro de preenchimento da Ficha 6À, linhas 21 e 24. A autoridade fiscal comprovou a retenção do imposto de renda no montante de R$ 508.514,74 (renda fixa R$507.495,58 e renda variável R$ 902,75) e, também, afirma que o que houve foi um equívoco no preenchimento da Ficha 6A, em comparação com as informações constantes da Ficha 43, da DIPJ/2001. A Recorrente não deixou de levar os valores à tributação, o que ocorreu, apenas, foi o desmembramento dos rendimentos entre as Linhas 21 e 24. Alega o Nobre Julgador que na Linha 24 (outras receitas), da Ficha 6A, a Recorrente informou o rendimento de R$ 1.409.595,77, ao passo que o seu rendimento correspondente a aplicações de renda fixa chegou ao montante de R$ 2.537.481,93. Prosseguindo o raciocínio, a Recorrente, na Linha 21 (renda variável), da Ficha 6A, informou o rendimento de R$ 1.017.271,71, sendo que o seu rendimento de renda variável não ultrapassou R$ 4.513,77, concluindo, que em razão do valor Fl. 427DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/08/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 11610.002397/200363 Resolução nº 1802000.548 S1TE02 Fl. 8 7 a menor preenchido na Linha 24, os valores não foram levados à tributação em sua totalidade. Portanto, a Recorrente, ao preencher as Linhas 21 e 24, da Ficha 6A, acrescentou, na Linha 21 (renda variável), rendimento correspondente às aplicações de renda fixa, o qual deveria estar destacado na Linha 24. Para provar referida alegação, a Recorrente anexa quadro explicativo. Conclui que o rendimento reconhecido pela r.decisão ainda é superior ao informado pela Recorrente na Ficha 6A e que a única inconsistência existente na Ficha 6A, não foi que os valores não foram levados à tributação, pelo contrário, eles foram, só que o montante reconhecido na r. decisão foi preenchido incorretamente pela Recorrente. Ao invés de ter informado R$ 2.537.481,93, de renda fixa e R$ 4.513,77, de renda variável, segregou os rendimentos de forma incorreta declarando R$ 1.409.595,77, de renda fixa e R$ 1.017.271,71, de renda variável. O montante de R$ 2.426.867,48 foi devidamente levado à tributação, mas distribuído de forma incorreta entre o conceito de renda fixa e de renda variável, e isso não pode ser fundamento para a glosa dos créditos. Vale dizer, o preenchimento correto seria R$ 2.537.481,93, de renda fixa e R$ 4.513,77, de renda variável. Até porque o montante apurado de receita financeira está devidamente inserido no Balancete Analítico da Recorrente, o que, certamente, demonstra que a Recorrente levou à tributação os respectivos valores. Pela conta 3.5.1.02, constatase que o rendimento bruto apurado pela Recorrente corresponde a R$ 2.246.867,48, exatamente a soma entre os valores discriminados nas Linhas 21 e 24, da Ficha 6A. Da análise do Razão Analítico da Recorrente, período janeiro a dezembro de 2000, pela soma das receitas financeiras destacadas no grupo 351.02 constatase o rendimento bruto de R$ 2.426.867,48. Ao passo que, subtraindo do grupo 351.1.02 as despesas financeiras discriminadas no grupo 351.01, no montante de R$ 532.810,86, bem como o montante de variação cambial no montante de R$ 18.069,38, inserido no grupo 351.03, concluise que o rendimento liquido apurado pela Recorrente perfazia o montante de R$ 1.875.987,24. Objetivando facilitar a compreensão da soma das receitas financeiras apuradas pela Recorrente e que originaram o montante de IRRF utilizado como Saldo Negativo de IRPJ, correspondente a R$ R$ 508.514,74, retenção esta comprovada através dos Informes de Rendimento, fica evidenciado que a Recorrente levou à tributação o rendimento financeiro de R$ 2.426.867, 48. Tanto é que discriminou corretamente no seu Razão Analítico: Receitas Financeiras Contas Grupo 351.02 351.02.001 1.017.271,71 419 351.02.003 7.545,43 419 351.02.004 479.382,97 420 351.02.011 415.068,96 420 351.02.015 507.598,41 420 Total das Contas 2.426.867,48 A Recorrente anexa alguns julgados proferidos pelo antigo Conselho de Contribuintes, no sentido de que (a) comprovado erro de preenchimento da DCTF, cancelase a exigência fiscal, tornada frágil, pela ausência de liquidez e certeza do crédito tributário e de que (b) mero erro no preenchimento da Ficha 6A da DIPJ/2001 não pode ser fundamento para o impedimento da utilização do Saldo Negativo de IRPJ, eis que os rendimentos foram efetivamente levados à tributação. Para embasar suas alegações, invoca o artigo 231, III, do RIR199: “Art. 231 — Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei n° 9.430/96, a art. 2°, § 4°):Ill — do imposto pago ou retido na fonte, incidentes sobre receitas computadas na determinação do lucro real." Aduz que independentemente do equívoco cometido pela Recorrente no preenchimento da Ficha 6A, o fato é que ela efetivamente levou à tributação o montante de R$ Fl. 428DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/08/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 11610.002397/200363 Resolução nº 1802000.548 S1TE02 Fl. 9 8 2.426.867,48, mas apenas em "linhas" erradas, o que, certamente, pode ser retificado de oficio por este Colendo Conselho ou, ao menos, deve ser determinada a baixa dos autos em diligência para a apuração contábil apresentada pela Recorrente. Invoca, ainda, o princípio da Verdade Material, solicitando que o Conselho aprecie a documentação acostada ao processo e reconheça o mero erro formal no preenchimento da declaração, vez que o crédito utilizado pela Recorrente é legitimo para a compensação dos débitos apontados nas DCOMP's. Pede, ao final, que o CARF reconheça o Saldo Negativo de IRPJ no montante de R$ 508.398,70 e, consequentemente, homologue as compensações formalizadas nas PER/DCOMP's n's 35449.44119.170304.1.7.025987, 30026.36044.140404.1.3.021830 e 19351.62299.150904.1.7.028602, na proporção do crédito reconhecido. Requer que seja retificada de ofício a DIPJ/2001, para regularização de seu direito creditório. Ou que, alternativamente, seja determinada a baixa dos autos em diligência para a análise da apuração contábil apresentada pela Recorrente. Esse o Relatório. Segue meu Voto. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/08/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 11610.002397/200363 Resolução nº 1802000.548 S1TE02 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão 1626.152, proferido em sessão de 28 de julho de 2010, pela 1ª Turma da DRJ/SP1, o qual não reconheceu integralmente o direito creditório declarado pela Recorrente em pleito de compensação, sob o argumento de inconsistência na apuração do IRRF que comporia o crédito que se buscou compensar. Tal inconsistência, segundo a Autoridade Julgadora, impediria o reconhecimento da validade do crédito e, portanto, da compensação. Justifica a decisão o fato de que a comprovação do regular oferecimento à tributação das receitas sobre as quais incidiu a retenção ou pagamento na fonte do imposto de renda, assim como a posse dos respectivos comprovantes de pagamentos e de retenção emitidos em seu nome, são condições necessárias para que a pessoa jurídica, tributada pelo lucro real, possa deduzir do imposto devido os valores pagos ou retidos, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar, a ser restituído ou compensado. Alega a autoridade fiscal que as informações prestadas à Ficha 06A (Demonstração do Resultado) da Dipj/2001 indicaram que as receitas financeiras não foram corretamente submetidas à tributação e que a legislação de regência determina que, além da posse dos informes de rendimentos, é também necessário que os valores recebidos tenham sido regularmente tributados para que o respectivo IRRF seja deduzido do imposto devido e, assim, compor o saldo a pagar, restituir ou compensar. Entendeu a turma julgadora que no caso dos autos, a manifestante não trouxe elementos que pudessem infirmar a constatação da autoridade fiscal a quo de que apenas parte dos rendimentos decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa fora levada ao resultado. Assim, decidiu que se as receitas financeiras de renda fixa compuseram apenas parcialmente o lucro tributável, conforme valor informado à linha 24 da Ficha 06A da Dipj/2001, no mesmo sentido devem seguir os respectivos valores de IRRF. Destaco, entretanto, que a Recorrente afirma ter trazido aos autos, juntamente com sua Manifestação de Inconformidade, todos os informes de rendimento correspondentes aos valores de IRRF declarados na DIPJ/2001, retenção esta comprovada no montante de R$ 508.514,28, valor suficiente de Saldo Negativo de IRPJ para proceder com as compensações lastreadas pelas DCOMP's relacionadas. Afirma, ainda, que tributou toda a receita objeto de discussão no feito, tendo ocorrido mero erro de preenchimento da DIPJ/2001, eis que na Ficha 43, a Recorrente informou os rendimentos e retenções corretamente, mas equivocouse ao preencher a Ficha 6 A, inserindo rendimento menor quanto às aplicações de renda fixa e preencheu com valor maior as aplicações de renda variável. Ao analisar as alegações da Recorrente e a documentação trazida aos autos, entendo estar razoavelmente demonstrado o alegado equívoco no preenchimento das declarações. Não concordo que seja dever de oficio da Autoridade Fiscal retificar a DIPJ do contribuinte, como assevera a Recorrente. Ao contrário, durante o transcurso do processo, Fl. 430DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/08/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 11610.002397/200363 Resolução nº 1802000.548 S1TE02 Fl. 11 10 poderia a empresa ter procedido a tal retificação, para minimizar seu equívoco e propiciar à Autoridade Fiscal, à vista das informações tidas como corretas, o correto entendimento da questão. A própria peça recursal traz à baila diversas informações que buscam "retificar" os lançamentos tidos como equivocados, informações essas que poderiam, perfeitamente, constar de uma declaração retificadora. Não consta dos autos informação sobre a existência de tal declaração que em muito ajudaria a desvendar a questão posta nos autos. Entretanto, é dever da Administração perseguir a verdade material, mesmo não tendo o contribuinte agido exatamente como deveria agir, do ponto de vista formal, entregando ao Fisco na "forma adequada", as declarações fiscais que levariam à verificação da existência e validade de seu crédito, que pretendeu compensar. Bem por isso e, buscando dar ao contribuinte, em nome do princípio da busca da verdade material, uma última oportunidade de fazer valer seu pretenso direito à compensação, voto por converter o presente julgamento em diligência, retornando os autos à origem a fim de que a Autoridade Fiscal informe se existe, em seus arquivos, declaração retificadora da DIPJ/2001 entregue pelo Recorrente. Em caso afirmativo, solicita à autoridade fiscal sua anexação ao processo, para futuro exame desta Corte. Após tal verificação, entendo ser possível o definitivo julgamento do caso. Esse o meu voto. (assinado digitalmente) LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Fl. 431DF CARF MF Impresso em 24/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/08/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.900831/2006-30
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jul 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALEGADO ERRO DE PREENCHIMENTO. DESCABIMENTO.
Somente seria admissível o alegado erro de preenchimento da Declaração de Compensação original se o valor nela indicado, como pagamento indevido, correspondesse exatamente ao valor do saldo negativo de ano-calendário anterior, apurado na DIPJ, ou, ao menos, se a data apontada como sendo a do fato gerador, a de recolhimento ou a de vencimento equivalesse a 31/12.
Numero da decisão: 1803-002.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALEGADO ERRO DE PREENCHIMENTO. DESCABIMENTO. Somente seria admissível o alegado erro de preenchimento da Declaração de Compensação original se o valor nela indicado, como pagamento indevido, correspondesse exatamente ao valor do saldo negativo de ano-calendário anterior, apurado na DIPJ, ou, ao menos, se a data apontada como sendo a do fato gerador, a de recolhimento ou a de vencimento equivalesse a 31/12.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10183.900831/2006-30
anomes_publicacao_s : 201507
conteudo_id_s : 5481082
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 03 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1803-002.505
nome_arquivo_s : Decisao_10183900831200630.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : SERGIO RODRIGUES MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 10183900831200630_5481082.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Arthur José André Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
id : 6014262
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890513887232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1277; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 185 1 184 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.900831/200630 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.505 – 3ª Turma Especial Sessão de 4 de fevereiro de 2015 Matéria CSLL COMPENSAÇÃO Recorrente CONSTRUTORA ITAPUÃ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALEGADO ERRO DE PREENCHIMENTO. DESCABIMENTO. Somente seria admissível o alegado erro de preenchimento da Declaração de Compensação original se o valor nela indicado, como “pagamento indevido”, correspondesse exatamente ao valor do “saldo negativo de anocalendário anterior”, apurado na DIPJ, ou, ao menos, se a data apontada como sendo a do fato gerador, a de recolhimento ou a de vencimento equivalesse a 31/12. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 08 31 /2 00 6- 30 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.900831/200630 Acórdão n.º 1803002.505 S1TE03 Fl. 186 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Arthur José André Neto. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.900831/200630 Acórdão n.º 1803002.505 S1TE03 Fl. 187 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 129 e 130): Construtora Itapuã Ltda., acima qualificada, apresentou PER/DCOMP nº 16159.03921.140803.1.3.041863 (cópia às f. 23 a 30) pelo qual pretendeu a compensação de débitos de estimativa da CSLL dos meses de abril, maio e junho de 2003. Consignou, como crédito, “pagamento indevido ou a maior de CSLL”, no valor de R$ 3.534,87. Os dados informados relativamente ao Darf foram: a) período de apuração: 30/06/2003; b) código de receita: 2484; c) data de vencimento: 31/07/2003; d) valor do principal e valor total do Darf: R$ 3.534,37 e e) data de arrecadação: 31/07/2003. Foi emitido o Termo de Intimação (cópia à f. 32), para que fosse apresentado o Darf respectivo, em face de ele não ter sido localizado nos sistemas da Receita Federal. Em resposta, a contribuinte informou que o crédito não era decorrente de pagamento indevido ou a maior, mas de saldo negativo de CSLL. Apresentou, também, Declaração de Compensação retificadora, em formulário, acostada à f. 07 dos autos do processo nº 10183.003533/200608, em apenso. Neste, também constam outras declarações de compensação retificadoras. Relativamente às declarações retificadoras referidas acima, foi emitido o Despacho Decisório DRFBCBA nº 693/2007 (f. 183 a 187 do processo apensado e cópia às f. 17 a 21 deste), decidindose pela nãoadmissão das declarações de compensação retificadoras. A ciência deuse em 19 de dezembro de 2007, conforme AR acostado à f. 189 dos autos do processo 10183.003533/200608. Quanto ao PER/DCOMP a que se refere [este] processo, houve a expedição do Despacho Decisório nº de rastreamento 733296832, em 27 de novembro de 2007 (f. 14), com a seguinte conclusão: “Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada”. Segundo o “Histórico da(s) Comunicação(ções)” acostado à f. 114, a ciência quanto a esse segundo despacho decisório, relativo ao PER/DCOMP, ocorreu em 4 de dezembro de 2007. Após isso, em 2 de janeiro de 2008, a contribuinte apresentou o documento de f. 01 a 12, ao qual denominou de “recurso”, alegando, em apertada síntese, que: a) para as compensações efetuadas pelo PER/DCOMP nº 16159.03921.140803.1.3.041863, foi utilizado o saldo de créditos provenientes do exercício de 2002, conforme demonstrativo; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.900831/200630 Acórdão n.º 1803002.505 S1TE03 Fl. 188 4 b) é possível a retificação do PER/DCOMP, por ter havido mero erro material, e que os créditos existem efetivamente, como comprovado. Ao final, é requerido seja reconhecido o crédito, aceita a declaração retificadora e cancelado o despacho decisório, com a consequente homologação da compensação declarada. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 127): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. No caso de declarações de compensação, o litígio no âmbito do Processo Administrativo Fiscal regulado pelo Decreto nº 70.235/1972 somente se instaura se as razões da manifestação de inconformidade forem pertinentes e versarem sobre assuntos sobre os quais recaia a competência das delegacias de julgamento. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de CSLL por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do ano calendário. Compensação não Homologada 3. Cientificada da referida decisão em 15/06/2009 (fls. 136), a tempo, em 08/07/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 138 a 156, instruído com os documentos de fls. 157 a 182, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. 4. Requer, ao final: a) Seja reconhecido o crédito da recorrente, determinandose a homologação da compensação constante da PER/DCOMP e posterior Declaração de Compensação Retificadora e, corolário lógico, declarando, esse Colendo Conselho, extinto definitivamente o débito tributário, nos termos do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional; a.1) Ou, alternativamente, seja considerada possível a retificação apresentada, por estar alterando apenas erro formal (de preenchimento), e que seja determinada à autoridade julgadora nova análise do processo, considerando as alterações introduzidas pelo pedido retificador desta PER/DCOMP; b) Em não sendo julgado procedente nenhum dos pedidos supra descritos, reconheça a possibilidade de utilização dos créditos de Saldo Negativo do Imposto de Renda e da Contribuição Social em períodos futuros, pelo prazo de 5 (cinco) anos da decisão definitiva, ou seja, que durante o processo administrativo, ocorra a suspensão da prescrição, conforme definido já na majoritária decisão deste órgão. Em mesa para julgamento. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.900831/200630 Acórdão n.º 1803002.505 S1TE03 Fl. 189 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 5. Somente seria admissível o alegado erro de preenchimento da Declaração de Compensação original se o valor nela indicado, como “pagamento indevido”, correspondesse exatamente ao valor do “saldo negativo de anocalendário anterior”, apurado na DIPJ, ou, ao menos, se a data apontada como sendo a do fato gerador, a de recolhimento ou a de vencimento equivalesse a 31/12 do próprio anocalendário que se pretende existir o direito creditório (2001). 6. Nenhuma dessas situações, porém, ocorreu no presente caso, ao contrário do observado em outros casos já julgados por esta Turma e por outras Turmas do CARF, envolvendo, inclusive, a própria Recorrente (processos nºs 10183.900943/200852 e 10183.901713/200819). 7. Acrescentese, ainda, que a DComp retificadora, apresentada pela Recorrente, não foi acatada pelo órgão de origem no uso da sua competência regimental (fls. 17 a 21), decisão, essa, administrativamente irrecorrível, e que inviabiliza, por si só, o acolhimento do alegado erro de fato. 8. Por fim, com relação ao pedido de “suspensão da prescrição”, tratase de pleito sem base legal, já que prevista pelo Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) apenas a hipótese de “interrupção da prescrição”, nas situações expressamente listadas em seu art. 174, parágrafo único. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 204DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.900831/200630 Acórdão n.º 1803002.505 S1TE03 Fl. 190 6 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.902548/2008-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não se desincumbindo deste ônus, impossível apurar direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: Não informado
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não se desincumbindo deste ônus, impossível apurar direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11020.902548/2008-30
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5473520
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.943
nome_arquivo_s : Decisao_11020902548200830.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não informado
nome_arquivo_pdf_s : 11020902548200830_5473520.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
id : 5959554
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047890519130112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.902548/200830 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801004.943 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASE Recorrente GEOESTE CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não se desincumbindo deste ônus, impossível apurar direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 25 48 /2 00 8- 30 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.902548/200830 Acórdão n.º 3801004.943 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11020.902548/200830, contra o acórdão nº 04.24790, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campo Grande (DRJ/CGR), na sessão de julgamento de 03 de junho de 2011, em que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim os relatou: “Foi exarado despacho decisório não homologando a compensação declarada pelo contribuinte acima identificado de PIS com crédito de mesma contribuição do ano calendário de 2003 no valor original, de R$2.005,24 conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 04. A autoridade fiscal não homologou a compensação declarada pelo contribuinte em face de não ter encontrado saldo disponível no sistema da SRFB e o crédito indicado na D/COMP estava totalmente alocado a débito declarado. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese que a não homologação de sua compensação ocorreu pelo fato de ter indicado como dada de arrecadação 30/07/2004 e nãocomo efetivamente ocorreu em 01/07/2004.” A DRJ de Campo Grande (DRJ/CGE) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fl.42/43, no qual afirma que recolheu PIS referente a fevereiro de 2003 o valor de R$2.513,31, recolhido por DARF código 8109 em 14.03.2003,quando era devido na realidade o valor de R$1.274. Posteriormente teria apresentado REDARF para a modificação do código para 6012, com multa e juros na data de R$3.617, na data de 01/04/2004, entendendo que tem crédito sobre este valor, mesmo não tendo sido mencionado em qualquer DCTF do período correspondente. É o sucinto relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.902548/200830 Acórdão n.º 3801004.943 S3TE01 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. O recorrente afirma que teria feito pagamento não apenas a maior como também dobrado do valor de R$2.513,31, referente ao mês de fevereiro de 2003 da Contribuição para o Financiamento do PIS/PASEP, conforme DCTF fl. 71, ao invés de R$1.274,00 conforme ficou expresso na DIPJ de 2004 no que se refere ao mês de fevereiro. Argui que apesar de não ter comprovado por DCTF o segunda pagamento do valor de R$2.513,31, afirma que tem direito a crédito a este valor igualmente. Percebese, ao consultar os autos, que ao invés de um segundo recolhimento de PIS no valor de R$2.513,31, o que a recorrente promoveu foi a correção da DARF anteriormente paga, alterando o código de arrecadação e incluindo multa e juros na referida, gerando o valor de R$3.617,90, promovendo novamente o seu pagamento. Nestes termos, no ponto quanto ao valor realmente devido, fica vazio o argumento de que era o valor de R$1.274,00, ao invés de R$2.513,31, pois o contribuinte não promoveu a retificadora da DCTF, nem ao menos promoveu a juntada de documentação contábil que demonstrasse que possui crédito equivalente a diferença dos valores, não obstante tenha colacionado a DIPJ, esta não seria suficiente para se chegar a conclusão sobre o crédito. Em um segundo ponto, quanto ao recolhimento em tese em duplicidade, tenho que a partir do momento em que se faz o procedimento de REDARF o que se faz é a correção de dados da guia antiga já paga para que fique correta. Como não foi localizado pela receita o pagamento em duplicidade, mas o valor realmente devido de acordo com a DCTF, presumisse que houve realmente só um pagamento e, como o contribuinte não apresentou documentação contábil que comprovasse o recolhimento em duplicidade, os seus argumentos carecem de comprovação, sendo ônus do contribuinte comprovar a existência do crédito no que se refere aos pedidos de compensação. Portanto, com fundamento no artigo 333 do CPC e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese considerar correto o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar o que alega. Neste sentido, a jurisprudência está já sedimentada neste Conselho. Desta forma, encaminho o voto para negar provimento ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
