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Numero do processo: 15374.722486/2008-25
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003,2004
PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A partir de 1º de outubro de 2002 para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação a legislação fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica.
Numero da decisão: 1803-001.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a prescrição dos débitos remanescentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Marcos Antonio Pires, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003,2004 PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A partir de 1º de outubro de 2002 para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação a legislação fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A partir de 1º de outubro de 2002 para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação a legislação fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a prescrição dos débitos remanescentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 24 86 /2 00 8- 25 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722486/200825 Acórdão n.º 1803001.889 S1TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Marcos Antonio Pires, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva. Relatório Em 11/08/2003, a Interessada transmitiu a Declaração de Compensação n° 29584.31562.110803.1.7.044029 (fls. 02/06), na qual é informado: crédito referente a pagamento indevido, em 31/10/2002 (DARF com período de apuração em 30/09/2002, código de receita 5993, vencimento em 31/10/2002, valor do principal R$ 3.472,24 e de zero o valor da multa e dos juros, sendo que a data de arrecadação se deu em 31/10/2002), de Estimativa mensal de IRPJ (código 59931), no valor de R$ 3.472,24 em 30/09/2002, tendo sido utilizado nesta DCOMP parte do crédito, no valor de R$ 1.411,86, para compensar débito informado de Estimativa mensal de IRPJ (código 59931), período de apuração de abril de 2003, vencimento em 31/05/2003, no valor de R$ 2.090,45. Em 25/08/2008 (fls. 07/08 e 10), a Interessada foi cientificada do Despacho Decisório de n° de rastreamento 781153184 (fl. 09), emitido em 12/08/2008, no qual a DERAT RJO, com fulcro no que dispõem os arts! 165 e 170, da Lei n° 5.172/1966 (CTN) e o art. 74 da Lei n° 9.430/1996, não homologou a referida compensação declarada diante da inexistência do crédito, uma vez que, a partir das características do DARF discriminado na Declaração de Compensação, foi localizado o pagamento n° 0596504689, arrecadado em 31/10/2002, no valor de R$ 3.472,24, integralmente utilizado para pagamento da Estimativa mensal de IRPJ apurada em setembro de 2002, com vencimento em 31/10/2002, tendo sido, portanto, indevidamente compensado o débito de estimativa mensal de IRPJ de abril de 2003, com vencimento em 31/05/2003, no valor de R$ 2.090,45, o qual deverá ser pago até 29/08/2008, acrescido da multa de mora de R$ 418,08 e dos juros de mora de R$ 1.613,82 (calculado até 29/08/2008). Inconformada, a Interessada apresentou Manifestação de Inconformidade na qual insiste ter o crédito a compensar. Em sede de cognição ampla a DRJ manteve o despacho impugnado, resultando na interposição de Recurso Voluntário interposto pela empresa contribuinte, oportunidade em que reitera os argumentos quanto a insistência do crédito apontado. Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722486/200825 Acórdão n.º 1803001.889 S1TE03 Fl. 4 3 Aos oito dias do mês de outubro do ano de dois mil e treze, às quatorze horas , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes WALTER ADOLFO MARESCH (Presidente), MARCOS ANTONIO PIRES, MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 15374.722486/200825 Recorrente: O BICHO COMEU BIJOUTERIAS LTDA EPP e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803001.889 Decisão: Por unanimidade de votos deram provimento ao recurso para reconhecer a prescrição dos débitos remanescentes. Ausência momentânea: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Provido Outros Valores Controlados É o Relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722486/200825 Acórdão n.º 1803001.889 S1TE03 Fl. 5 4 A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Comungo com os fundamentos da r. decisão no sentido de que a Recorrente utilizou o crédito informado de R$ 1.411,86 em 31/10/2002 para compensar, no limite deste crédito, o débito informado de estimativa de IRPJ de abril de 2003, vencível em 31/05/2003, no valor de R$ 2.090,45. Destarte, a partir das características do DARF discriminado na Declaração de Compensação, foi localizado o pagamento n° 0596504689, arrecadado em 31/10/2002, no valor de R$ 3.472,24, integralmente utilizado para pagamento da Estimativa mensal de IRPJ apurada em setembro de 2002, com vencimento em 31/10/2002, tendo sido, portanto, indevidamente compensado o débito de estimativa mensal de IRPJ de abril de 2003, com vencimento em 31/05/2003, no valor de R$ 2.090,45, o qual deverá ser pago até 29/08/2008, acrescido da multa de mora de R$ 418,08 e dos juros de mora de R$ 1.613,82 (calculado até 29/08/2008). Entrementes, a Recorrente se insurge apontando que há débito ainda a ser compensado. Pois bem, no momento do pedido de compensação houve a inequívoca confissão do débito, iniciandose assim, o prazo prescricional. Desse modo, considerando que decorreu o prazo legal para a exigência do crédito tributário (débito) é de ser reconhecido de ofício a prescrição. A pessoa jurídica que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 1º de outubro de 2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30 de dezembro de 2003, ficou estabelecido que a PERDCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação também fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio da segurança jurídica, embora não se possa inferir que este instituto tenha o efeito de fazer nascer qualquer direito creditório1. No presente caso verificase que o pedido formalizado pendente de apreciação se converteu em declaração de sorte que foi abrangido pelo efeito temporal da homologação tácita. A pretensão da defendente, por esta razão, tem cabimento. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A Constituição Federal, art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 15374.722486/200825 Acórdão n.º 1803001.889 S1TE03 Fl. 6 5 Em assim sucedendo voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 13736.000140/99-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1993
PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA - PDV. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
Programa de Demissão Voluntária PDV não comprovado. Autuação mantida. Pedido de Restituição de imposto de renda do PDV. Direito negado por ausência de comprovação do preenchimento dos requisitos do PDV.
Numero da decisão: 2101-001.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício à época da formalização.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR- Redator Ad Hoc designado.
EDITADO EM: 16/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1993 PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA - PDV. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Programa de Demissão Voluntária PDV não comprovado. Autuação mantida. Pedido de Restituição de imposto de renda do PDV. Direito negado por ausência de comprovação do preenchimento dos requisitos do PDV.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício à época da formalização. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR- Redator Ad Hoc designado. EDITADO EM: 16/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Programa de Demissão Voluntária PDV não comprovado. Autuação mantida. Pedido de Restituição de imposto de renda do PDV. Direito negado por ausência de comprovação do preenchimento dos requisitos do PDV. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente em exercício à época da formalização. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator Ad Hoc designado. EDITADO EM: 16/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 01 40 /9 9- 75 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, insurgindose contra decisão da autoridade julgadora de 1a, instância que manteve a exigência do Imposto sobre a Renda sobre a omissão de rendimentos do Plano de Demissão Voluntária – PDV e contra a negativa de restituição de imposto de renda retido na fonte, em manifestação de inconformidade, a partir da consideração da natureza tributável dos rendimentos alegados como oriundos do referido PDV. Inicialmente, indeferiuse o pedido de restituição por se entender extinto esse direito, na forma do Ato Declaratório SRF n. 96, de 26 de novembro de 1999 e arts. 165, I, e 168, I, do CTN, tendose ali, em conseqüência, se negado a retificação da declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte (efl. 72). Cientificada a autuada em 13/07/2000 (efl. 73), seguiuse manifestação de inconformidade da contribuinte, arquivada à efl. 74, datada de 02/10/2000, informando que o pedido de restituição indeferido já havia sido pleiteado no Proc. 13706.000672/9563. Assim, a autoridade fiscal toma conhecimento da existência de outro processo com o mesmo objeto e determina, em 17/10/2000 (efl. 76), o apensamento, ao presente, dos autos do Processo no. 13706.000672/9563 (efls. 108 a 161). Versa este outro feito sobre notificação de lançamento (efl.109), anulada em 20.11.1997, por determinação de efl. 132, cientificada a recorrente em 18/12/97 (efl. 136). Todavia, em decisão de 16/04/1999, houve por bem se restabelecer o lançamento (efls. 140/141), com a ciência à contribuinte acerca deste restabelecimento ocorrendo somente em 18/01/2001, consoante efls. 79/80. Diante de tal cenário, em decisão de 06/12/2002 (efls. 82 a 87), a Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro decidiu por manter a autuação, por entender não estarem comprovadas as condições da não incidência do IR nos rendimentos do alegado PDV, com a conseqüente negativa da restituição pleiteada. Cientificada da decisão de 1a. instância em 18/03/03 (efl. 91), a contribuinte ingressa com recurso voluntário de efls. 95 a 101, onde comprova a existência de envio da intimação sobre o resultado do julgamento para endereço diverso do constante da base de dados CPF (efl. 99), bem como reitera o teor de sua DIRPF retificadora, no sentido de possuir rendimentos tributáveis somente de 35.667 UFIRs e montante de IRRF a restituir no valor de 7.080 UFIRs. Em 15 de março de 2011, o presente recurso foi objeto de julgamento pela 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF, oportunidade em que o Colegiado decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Entretanto, o Conselheiro Relator deixou o Colegiado sem que tivesse formalizado o referido Acórdão. Assim, foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro Redator Ad Hoc Heitor de Souza Lima Junior Para colocar termo aos autos dos Processos 13736.000140/9975 e 13706.0006729563, que se arrastam por mais de 15 anos, iniciados no mês de abril de 1995, em prejuízo causado, em parte, pelo próprio contribuinte, necessário saneálos para apreciação Fl. 167DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13736.000140/9975 Acórdão n.º 2101001.004 S2C1T1 Fl. 167 3 e decisão conjunta. No Processo 13736.000140/9975, aqui sob análise, foi negada a restituição por se entender extinto esse direito e indeferida a retificação da declaração anual de ajuste (efl. 72). Já no Proc. 13706.000672/9563, houve, inicialmente decisão anulando a Notificação de Lançamento de efl. 109, em 20/11/1997 (efl. 132), posteriormente restabelecida a notificação em decisão de 16/04/1999 (efls. 140/141). A decisão de 1a. instância julgou tanto a notificação em questão como a negativa de restituição procedentes. Contra as mesmas se insurge a recorrente. Passo a analisar. Inicialmente, considerada a comprovação de envio para o endereço errado, diferente daquele constante da base de dados CPF, mas tendo demonstrado o contribuinte, através de seu recurso de efls. 95 a 101, conhecer plenamente das acusações que lhe foram imputadas, afasto assim qualquer cerceamento de seu direito de defesa quanto à decisão recorrida, mas conheço do recurso, ainda que protocolizado somente em 07/10/2003 (efl. 95). Passase, desta forma, à análise de mérito. O recurso do contribuinte vem manuscrito em uma lauda e não ataca os fundamentos da decisão recorrida, que manteve a autuação e negou a restituição por não estarem comprovadas as condições de isenção do IR do alegado PDV para efeito de restituição do imposto pago na fonte. Tanto o cancelamento da autuação como o pedido de restituição exigem comprovação de que os rendimentos omitidos são de fato isentos do imposto de renda por decorrerem de Programa de Demissão Voluntária PDV. Contudo, não há nos autos qualquer comprovação de que os rendimentos decorrem de Programa de Demissão Voluntária PDV preenchendo os requisitos necessários à isenção do Imposto de Renda e à restituição, em especial ao se considerar que os elementos probatórios trazidos pela contribuinte se referem a critérios de desligamento válidos para o ano de 1999, sendo que o desligamento da recorrente se deu em 1993. Na falta de provas das condições e requisitos da isenção, prevalece a decisão recorrida, no sentido de considerar os rendimentos em questão tributáveis. Assim, conheço do recurso e nego provimento ao mesmo, para manter a decisão recorrida, a autuação e decisão na manifestação de inconformidade. É como voto. Redator AdHoc Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Fl. 168DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/ 06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11444.001051/2008-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em DILIGÊNCIA.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos, Jhonata Ribeiro da Silva Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Magalhaes Peixoto
RELATÓRIO.
DO RELATÓRIO FISCAL
Conforme Relatório Fiscal de fls. 18, O presente Auto de infração AI, refere-se às contribuições da empresa devidas a Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados ..
(...)
1.3 - Tendo em vista o disposto no art. 2°, inc.III da Portaria RFB n° . 666 de 24 de abril de 2008, que dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ficarão apensados ao presente os seguintes Autos: 37.179.099-9, 37.179.091-3 , por se tratarem de exigência de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizada com base nos mesmos elementos de prova e fatos geradores.
O Auditor Fiscal registra , ainda, que :
2.1 - Delegado da Receita Federal do Brasil em Marília, expediu o ato declaratório Executivo DRF/MRA n° 49, de 30 de novembro de 2008, cancelando a partir de 01 /10/1997 a isenção das contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei n. 8° . 212/91
(..)
2.3. Ficou comprovado na ação fiscal anterior desenvolvida junto a entidade no período 01/96 a 08/06, que a mesma, embora beneficiada com a isenção da contribuição patronal, deixou de recolher a contribuição descontada dos segurados empregados (v. item 6.1.1 abaixo) , resultando na perda do benefício com fulcro no dispositivo, acima descrito.
DA IMPUGNAÇÃO
Na impugnação de fls. 27, entre outras alegações, a então impugnante afirma que houvera interposto ação no judiciário questionando as assertivas que motivaram o lançamento em apreço. Na oportunidade registrou que :
sendo aviado instrumento hábil a restabelecer a imunidade tributária que faz jus o Hospital, em tramite pela 1ª Vara Federal de Marília sob n.° 2008.61.11.000893-5. .... De qualquer sorte, evidente a imperiosidade do sobrestamento de qualquer ato fiscalizatório atinente aos tributos neste ventilados, eis que pendente de análise definitiva a demanda judicial retro, pois a sua solução repercute neste Auto de Infração, em evidente questão prejudicial a seu intento.( grifos do Relator)
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em DILIGÊNCIA. Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente Ivacir Júlio de Souza-Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos, Jhonata Ribeiro da Silva Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Magalhaes Peixoto RELATÓRIO. DO RELATÓRIO FISCAL Conforme Relatório Fiscal de fls. 18, O presente Auto de infração AI, refere-se às contribuições da empresa devidas a Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados .. (...) 1.3 - Tendo em vista o disposto no art. 2°, inc.III da Portaria RFB n° . 666 de 24 de abril de 2008, que dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ficarão apensados ao presente os seguintes Autos: 37.179.099-9, 37.179.091-3 , por se tratarem de exigência de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizada com base nos mesmos elementos de prova e fatos geradores. O Auditor Fiscal registra , ainda, que : 2.1 - Delegado da Receita Federal do Brasil em Marília, expediu o ato declaratório Executivo DRF/MRA n° 49, de 30 de novembro de 2008, cancelando a partir de 01 /10/1997 a isenção das contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei n. 8° . 212/91 (..) 2.3. Ficou comprovado na ação fiscal anterior desenvolvida junto a entidade no período 01/96 a 08/06, que a mesma, embora beneficiada com a isenção da contribuição patronal, deixou de recolher a contribuição descontada dos segurados empregados (v. item 6.1.1 abaixo) , resultando na perda do benefício com fulcro no dispositivo, acima descrito. DA IMPUGNAÇÃO Na impugnação de fls. 27, entre outras alegações, a então impugnante afirma que houvera interposto ação no judiciário questionando as assertivas que motivaram o lançamento em apreço. Na oportunidade registrou que : sendo aviado instrumento hábil a restabelecer a imunidade tributária que faz jus o Hospital, em tramite pela 1ª Vara Federal de Marília sob n.° 2008.61.11.000893-5. .... De qualquer sorte, evidente a imperiosidade do sobrestamento de qualquer ato fiscalizatório atinente aos tributos neste ventilados, eis que pendente de análise definitiva a demanda judicial retro, pois a sua solução repercute neste Auto de Infração, em evidente questão prejudicial a seu intento.( grifos do Relator)
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RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em DILIGÊNCIA. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos, Jhonata Ribeiro da Silva Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Magalhaes Peixoto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 14 44 .0 01 05 1/ 20 08 -1 1 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/201 4 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.001051/200811 Resolução nº 2403000.213 S2C4T3 Fl. 162 2 RELATÓRIO. DO RELATÓRIO FISCAL Conforme Relatório Fiscal de fls. 18, “ O presente Auto de infração AI, refere se às contribuições da empresa devidas a Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados ..” (...) “1.3 Tendo em vista o disposto no art. 2°, inc.III da Portaria RFB n° . 666 de 24 de abril de 2008, que dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ficarão apensados ao presente os seguintes Autos: 37.179.0999, 37.179.0913 , por se tratarem de exigência de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizada com base nos mesmos elementos de prova e fatos geradores.” O Auditor Fiscal registra , ainda, que : “ 2.1 Delegado da Receita Federal do Brasil em Marília, expediu o ato declaratório Executivo DRF/MRA n° 49, de 30 de novembro de 2008, cancelando a partir de 01 /10/1997 a isenção das contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei n. 8° . 212/91 ” (..) “ 2.3. Ficou comprovado na ação fiscal anterior desenvolvida junto a entidade no período 01/96 a 08/06, que a mesma, embora beneficiada com a isenção da contribuição patronal, deixou de recolher a contribuição descontada dos segurados empregados (v. item 6.1.1 abaixo) , resultando na perda do benefício com fulcro no dispositivo, acima descrito.” DA IMPUGNAÇÃO Na impugnação de fls. 27, entre outras alegações, a então impugnante afirma que houvera interposto ação no judiciário questionando as assertivas que motivaram o lançamento em apreço. Na oportunidade registrou que : “ sendo aviado instrumento hábil a restabelecer a imunidade tributária que faz jus o Hospital, em tramite pela 1ª Vara Federal de Marília sob n.° 2008.61.11.0008935. .... De qualquer sorte, evidente a imperiosidade do sobrestamento de qualquer ato fiscalizatório atinente aos tributos neste ventilados, eis que pendente de análise definitiva a demanda judicial retro, pois a sua solução repercute neste Auto de Infração, em evidente questão prejudicial a seu intento.”( grifos do Relator) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/201 4 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.001051/200811 Resolução nº 2403000.213 S2C4T3 Fl. 163 3 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.56, a 11 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro – RJ DRJ/RJ1 ,em 29/09/2010, exarou o Acórdão n° 1233.482, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.67, onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório. VOTO. DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls. 78, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA CONDUÇÃO DO VOTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Às fls. 61, na condução do voto, a i. julgador “ a quo ” afirma que o lançamento fora motivado pela perda de isenção com a edição do Ato Declaratório Executivo DRF/MRA n° 49 , verbis: “ 12. O presente crédito foi lançado em função de ter sido emitido, para a entidade em tela, o Ato Declaratório Executivo DRF/MRA n° 49 cancelando a Isenção de Contribuições Sociais de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n° 8.212/91. Tal cancelamento se deu em função de infração ao parágrafo 6° do artigo 55 da Lei n° 8.212/91 c/c o parágrafo 12, do art. 206 do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99”9( grifos do Relator) Ressaltese que não constam nos autos cópia do Ato Declaratório Executivo DRF/MRA n° 49. Adiante registra a Julgadora, que naquela oportunidade foi emitida Informação Fiscal, impugnada pela entidade : “ Dessa forma, foi emitida Informação Fiscal, impugnada pela entidade, que culminou com o Despacho Decisório DRF/MRA n° 2007/776, de 28/11/2007, cujo parecer foi no sentido de cancelamento da Isenção. Assim foi emitido o Ato Declaratório Executivo DRF/MRA n° 49, cancelando a isenção. ” Do exposto, é lícito supor que autuada se irresignara mediante interposição de impugnação e recurso voluntário. Assim é compulsório saber da sobredita hipótese bem como na eventual materialidade conhecer do trâmite do processo cujas informações não constam nos autos. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/201 4 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.001051/200811 Resolução nº 2403000.213 S2C4T3 Fl. 164 4 Na seqüência o voto “a quo” , enfrentando a alegação de que a empresa interpusera ação judicial, registra que aquela estaria em trânsito e que tal fato não constituíra óbice para o lançamento : “16. Verifiquei, através dos sítios da justiça federal na internet, que a ação judicial se encontra ainda em trânsito, uma vez que foi impetrado recurso de apelação pela autora ao TRF3 contra decisão que indeferiu a antecipação de tutela. Sendo assim, como foi indeferida a antecipação de tutela, nunca houve qualquer decisão que impedisse o lançamento do crédito ora em exame. (cópias das telas anexas de fls.102/109 do processo principal 11444.001048/200806). 17. Cabe esclarecer, que o ajuizamento de ação pelo contribuinte visando afastar a cobrança de determinada contribuição não impede a Administração de proceder ao lançamento, ainda que haja causa de suspensão da exigibilidade do crédito, ficando, neste caso, suspensos tão somente os atos executórios de cobrança.” Embora tenha sido destacado no julgamento de primeira instância, que a interposição de ação judicial pela Recorrente, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa renúncia ao contencioso fiscal, ainda assim, foi dado andamento ao julgamento da impugnação interposta, verbis: “20. Como já citado, a entidade teve cassada a sua isenção e está questionando judicialmente tal matéria. Portanto, não caberia aqui tecer qualquer comentário sobre a mesma, conforme artigo 62 do Decreto n° 70.235 de 6 de março de 1972 DOU DE 7/3/72, que dispõe que a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto, idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso fiscal.” Em 29/09/2010, exarou a primeira instância exarou o Acórdão n° 1233.482, mantendo procedente o lançamento. Consulta ao sítio do TRF em 06 de janeiro de 2014, revelou que em 29/07/2009 , antes do julgamento “a quo”, ocorrera a baixa definitiva em razão do trânsito em julgado da sobredita ação judiciária, verbis: PROCESSO 000089388.2008.4.03.6111[Consulte este processo no TRF] NUM.ANTIGA 2008.61.11.0008935 DATA PROTOCOLO 29/02/2008 CLASSE 29 . PROCEDIMENTO ORDINARIO AUTOR ASSOCIACAO BENEFICENTE ESPIRITA DE GARCA ADV. SP037920 MARINO MORGATO e outro REU UNIAO FEDERAL Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/201 4 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.001051/200811 Resolução nº 2403000.213 S2C4T3 Fl. 165 5 ADV. Proc. SEM PROCURADOR ASSUNTO CONTRIBUICAO SOCIAL DIVIDA ATIVA TRIBUTARIO REF CANCELAMENTO DA ISENCAO SECRETARIA 1a Vara / SP Marilia SITUAÇÃO NORMAL TIPO DISTRIBUIÇÃO DISTR. AUTOMATICA em 29/02/2008 VOLUME(S) 1 LOCALIZAÇÃO TRF em 31/03/2009 VALOR CAUSA 50.000,00 Consulta da Movimentação Número 46 : PROCESSO 000089388.2008.4.03.6111 Autos com (Conclusão) ao Juiz em 19/02/2009 p/ Despacho/Decisão Sentença/Despacho/Decisão/Ato Ordinátorio Recebo o recurso de apelação regularmente interposto pela parte autora em seus legais e regulares efeitos, devolutivo e suspensivo.Ao apelado para contrarrazões.Após, remetamse os autos ao Eg. Tribunal Regional Federal da 3ª Região, com as nossas homenagens.Int. 29/07/2009 BAIXA DEFINITIVA A SECAO JUDICIARIA DE ORIGEM GRPJ N. GR.2009157675 Destino: JUIZO FEDERAL DA 1 VARA DE MARÍLIA >11ªSSJ>SP 27/07/2009 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2009154511 ORIGEM : SUBSECRETARIA DA QUINTA TURMA 24/07/2009 REMESSA À DPAS PARA BAIXA DEFINITIVA VARAS FEDERAIS CÍVEIS INTERIOR/SP 22/07/2009 TRANSITOU EM JULGADO A DECISÃO PARA AS PARTES Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/201 4 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.001051/200811 Resolução nº 2403000.213 S2C4T3 Fl. 166 6 Aduz que também não constam nos autos cópia da ação judiciária, exigência esta imposta na forma do comando do art. 16, V , do Decreto 70.235/72, incluído pela Lei n° 11.196, de 2005, art. 113, verbis: “ V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) ” ( grifos do Relator) O legislador entendeu tratarse de documento indispensável e reiterou a exigência no art. 57, V, do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011, verbis : “ Art.57.A impugnação mencionará ( Decreto n 70.235, de 1972, art 16, ) com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113)” Vse a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.”(grifos do Relator) A ausência da sobredita cópia da ação judicial prejudica conhecer o inteiro teor da petição que eventualmente possa ter por objeto idêntico pedido sobre o qual trata o processo administrativo em tela o que poria fim a lide por renúncia ao contencioso fiscal na forma do previsto na súmula n° 1 deste Conselho, verbis: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.”( grifos do Relator) Convém ressaltar que sob o preceituado no §1odo art. 38 , do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011 é compulsório colacionar documentos probantes , verbis: “ §1oOs autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência.” No exercício da prerrogativa estatuída no art. 29 do Decreto 70.235/72, a autoridade julgadora tem a prerrogativa legal para determinar diligências que entender necessárias para formar sua convicção: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias” Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/201 4 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11444.001051/200811 Resolução nº 2403000.213 S2C4T3 Fl. 167 7 CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto determino CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para informar se foram juntadas cópias da petição inicial da ação judiciária com trâmite na 1ª Vara Federal de Marília sob n.° 2008.61.11.0008935; do Ato Declaratório Executivo DRF/MRA n° 49, que cancelou a isenção bem como a informação de sua vigência e registro de interposição de eventual recurso voluntário sobre o cancelamento da isenção assim como, se for o caso, o número do processo. Antes de retornar o processo a este Conselho, deve o contribuinte ser notificado desta RESOLUÇÃO bem como das informações eventualmente produzidas em resposta É como voto Ivacir Júlio de Souza Conselheiro. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 26/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/07/201 4 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13629.001138/2003-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996, 2002, 2003
FALTA DE RECOLHIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
Correto procedimento fiscal que promoveu o lançamento de oficio do crédito tributário, tendo em vista a não homologação compensação apresentada à SRF até 30/10/2003.
CONTRIBUIÇÕES. PRAZO DECADENCIAL. PRAZO QUINQUENAL.
É de cinco anos, regido pelo Código Tributário Nacional, o prazo para a constituição de créditos tributários relativos a todos os tributos, inclusive contribuições. Orientação firmada pela Súmula n.º 8 do STF.
Numero da decisão: 3102-00.823
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência relativamente aos fatos geradores de data anterior a 09/10/1998.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Luciano Pontes de Maya Gomes
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NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Correto procedimento fiscal que promoveu o lançamento de oficio do crédito tributário, tendo em vista a não homologação compensação apresentada à SRF até 30/10/2003. CONTRIBUIÇÕES. PRAZO DECADENCIAL. PRAZO QUINQUENAL. É de cinco anos, regido pelo Código Tributário Nacional, o prazo para a constituição de créditos tributários relativos a todos os tributos, inclusive contribuições. Orientação firmada pela Súmula n.º 8 do STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência relativamente aos fatos geradores de data anterior a 09/10/1998. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator. EDITADO EM: 07/07/2011 Fl. 323DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama, Luciano Pontes de Maya Gomes e Ricardo Rosa. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 09 14.499, da 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora/MG. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos, seus respectivos conteúdos, e fases processuais já vencidas. Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fls. 214 215): Em exame o Auto de infração de fls. 16430, referente à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, lavrado em 07/10/2003, com ciência pessoal da interessada em 09/10/2003, exigindolhe um crédito tributário no montante de R$ 403.003,64 (quatrocentos e três mil, três reais e sessenta e quatro centavos), com juros de mora calculados até 30/09/2003, conforme demonstrativo consolidado de fls. 15. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, de fls. 18/21 e Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 31/34, em procedimento de verificação das obrigatórias tributárias pela contribuinte acima identificada, foi efetuado o presente lançamento de oficio, tendo em vista que foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados: 001PIS (FATURAMENTO). FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS. Valores apurados em virtude de análise da Ação Ordinária 1997.38.00.0558227, resultando em constatação de insuficiência de recolhimento do PIS, e da não homologação da compensação nos Processos Administrativos 13629.001110/200223, 13629.0012801200216, 13629.000300/200312 e 13629.0004367200314, conforme despacho decisório de fls. 44 a 89. Os fatos geradores, ocorridos no intervalo de 31/03/1993 a 31/03/2003, bem como os respectivos valores tributáveis apurados, encontramse discriminados às fis. 18 e 19. 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS. Valores apurados pela fiscalização, conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 31 a 34, e Demonstrativo de fis. 35 e 36, sujeitos à Contribuição para o PIS, não recolhido pelo contribuinte. Fl. 324DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 13629.001138/200341 Acórdão n.º 310200.823 S3C1T2 Fl. 292 3 Fato Gerador Valor tributável ou contribuição Multa 30/04/1999 R$ 1.233,85 75% 31/08/1999 R$ 2.343,08 75% O enquadramento legal encontrase à fl. 20. 002 – PIS FATURAMENTO. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS). Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme Termo de Verificação Fiscal, fis. 31 a 34, e Demonstrativos de fls. 37 a 40, sujeitos à Contribuição para o PIS, não recolhida pelo contribuinte. Fato Gerador Valor tributável ou contribuição Multa 31/05/2002 R$169,23 75% 31/03/2003 R$11.412,12 75% O enquadramento legal encontramse às fls. 20e 21. Instruem o presente processo o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 31/34, as planilhas de fls. 35/40, cópia do Despacho Decisório da SACAT DRF/Coronel FabricianoMG, de fls. 41/50, proferido em 26/09/2003 nos processos 13629.001110/200223, 13629.001280/200216, 13629.000300/200312 e 13629.000436/200314, relativos a pedidos de compensação formulados pela interessada, e demais demonstrativos e documentos de fls. 51/156. Às fls. 158 a 170, a peça impugnatória apresentada pela interessada em 07 de novembro de 2003, por intermédio dos procuradores nomeados pelo instrumento de fls. 180. A autuada contesta o lançamento do crédito tributário levado a efeito no presente processo, pela falta de recolhimento do PIS, tendo em vista a não homologação do pedido de compensação, argüindo, em síntese, que "não merece prosperar o entendimento exarado no despacho decisório na parte em que entende que com edição da Resolução 49/95 e conseqüente suspensão dos Decretosleis, o que passou a viger foi a Lei Complementar 07/70 com as alterações posteriores, e não apenas e tão somente a Lei Complementar". Informa, por fim, que "as diferenças apuradas nos demonstrativos de situação fiscal, nos meses de abril/99, agosto/99 e maio/2002 são devidas e, portanto, foram devidamente recolhidas, como se comprova com os documentos anexos". Fl. 325DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 4 Requer, por último, a produção de todos os meios de prova em direito admitidas. À defesa foram juntados os documentos de fls. 171 a 200. Ao analisar a impugnação oposta à ação fiscal, a 1ª. Turma da DRJ de Juiz de Fora entendeu pela sua manutenção, motivando seu decreto no reconhecimento de que acertado o lançamento de ofício após a decisão administrativa, em pedidos de compensações anteriores, que teria deixado de reconhecer os créditos nela informados. Atentese à ementa do julgado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/1999, 31/08/1999, 31/05/2002, 31/03/2003. Ementa: IMPUGNAÇÃO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep. Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996, 2002, 2003. Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Correto procedimento fiscal que promoveu o lançamento de oficio do crédito tributário, tendo em vista a não homologação compensação apresentada à SRF até 30/10/2003. Lançamento Procedente. Finalmente no Recurso Voluntário (fls. 221229), que ora é objeto de exame, a empresa epigrafada se indispõe contra o acórdão a quo, pelo qual reitera os seus argumentos já lançados por ocasião da impugnação inicial ao auto de infração. Enfim, basicamente defendendo o equívoco das decisões lançadas nos autos dos processos de compensação, dos quais o presente lançamento foi originado pela negativa, naqueles feitos, aos créditos relacionados ao regime da semestralidade, os quais teriam reconhecimento judicial. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. É o que interessa ao julgamento. Voto Conselheiro LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES. Fl. 326DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 13629.001138/200341 Acórdão n.º 310200.823 S3C1T2 Fl. 293 5 Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, passo ao respectivo exame. Consoante disposto em nosso relato, a reforma que pretende o contribuinte impor a decisão recorrida se lastreia em suposto equívoco no julgamento dos Processos Administrativos 13629.001110/200223, 13629.0012801200216, 13629.000300/200312 e 13629.0004367200314, argüindo que nestes haveria sido negado o reconhecimento de créditos decorrente da não aplicação do regime da semestralidade, enquanto da sua respectiva vigência. O que se vê nos autos é que a Recorrente insiste em ver rediscutido no presente processo administrativo, cujo lançamento de fato se originou a partir das glosas dos créditos informados nos processos de compensação mencionados no parágrafo anterior, matéria já decidida naqueles autos. Ocorre, todavia, que o núcleo do lançamento tributário não diz respeito aqueles créditos, cujo julgamento administrativo se deu no âmbito de cada um daqueles processos, não tendo espaço para nova discussão nos presentes autos. Aqui, discutese o débito respectivo, decorrente dos despachos que resolveu não homologar as pretensas compensações, o qual em momento algum fora objeto de impugnação, razão pela qual não motivos para afastar o lançamento perpetrado pelo auto de infração em julgamento. D’outra banda, observo que a ciência ao contribuinte do auto de infração ocorreu em 09/10/2003, sendo por ele pretendida a constituição de crédito decorrente de fatos geradores verificados entre 31/03/1993 à 31/03/2003, o que faz imperioso o reconhecimento da decadência parcial dos créditos relativos aos eventos verificados em momento anterior aos cinco anos da regular notificação a Recorrente. Embora durante anos tenha sido calorosamente discutido, na doutrina e tribunais, o tema quanto à aplicação do prazo quinquenal (CTN) ou decenal (arts. 45 e 46, da Lei n.º 8.212/91), restou ele pacificado com a edição da Súmula Vinculante n.º 8 pelo STF na sessão plenária de 12/06/2008, cujo texto segue reproduzido: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Pelo enunciado sumular de aplicação obrigatória pela Administração em geral, resta esclarecida a aplicação do prazo quinquenal do CTN. Isto posto, conheço do recurso voluntário para darlhe parcial provimento, no sentido de reconhecer a extinção do crédito tributário lançado nos autos pela decadência, nos moldes do art. 156, inciso V, do CTN, para os fatos geradores verificados em data anterior a 09/10/1998. Sala de Sessões, em 08 de dezembro de 2010. LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES – Relator Fl. 327DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 6 Fl. 328DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Assinado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10814.005081/2005-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 17/07/2000
ISENÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO. EXIGÊNCIAS.
Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afasta-se o beneficio.
MOMENTO DO RECONHECIMENTO
Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.997
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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EXIGÊNCIAS. Na vigência da Lei n° 9.069, de 1995, o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não comprovada tal regularidade, afastase o beneficio. MOMENTO DO RECONHECIMENTO Em consonância com o art. 179 do CTN, a isenção em caráter especial é reconhecida a cada fato gerador, mediante aquiescência da autoridade tributária competente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Wilson Sampaio Sahade Filho e Nanci Gama, que davam provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Wilson Sampaio Sahade Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em contacorrente bancária na data do registro da DI nº 00/06487607, em 17/07/2000 (fls. 6/9), no valor de R$ 2.432,75 (Dois mil, quatrocentos e trinta e dois reais e setenta e cinco centavos ). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias nºs. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei nº 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de nº 10814 006.463/200587. Posteriormente constatouse que parte dos processos apensados ao de nº 10814006.463/200587 apresentam registro no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratam apenas de restituição, como é o caso do presente PAF) , o que exige rito processual diferente. Optouse pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10814006.463/200587 (fls. 41), para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva). Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.005081/200536 Acórdão n.º 3102000.997 S3C1T2 Fl. 2 3 Em 17/07/2000 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação nº 00/06487607, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 05/07/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 2.432,75 (Dois mil, quatrocentos e trinta e dois reais e setenta e cinco centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 20 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo – (IRFSP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In nº 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI.. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 44). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 44). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º . art; nº 45 da IN/SRF nº 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei inº 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex nº 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei nº 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivo subjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 134 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 05/03/85, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito . O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 45/46 – Despacho Decisório IRF/SPO nº 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009.. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO – INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo – Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 47/50). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.005081/200536 Acórdão n.º 3102000.997 S3C1T2 Fl. 3 5 Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 54/68, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 – A Lei 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 – Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND’s quando da habilitação do benefício. 03 – Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 – Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei nº 9.784/99; 05 – Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 54/68 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado benefício de redução ou isenção de tributo.. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/07/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art. 165 da Lei nº 5..172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção O ponto fulcral do litígio, como se percebe da leitura da ementa da decisão recorrida, é definir se, no momento do reconhecimento da isenção, o sujeito passivo reunia as condições exigidas pela legislação de regência. Para se chegar a tal definição é necessário que se responda a duas indagações: se o art. 60 da Lei nº 9.069/951 incide sobre a modalidade de isenção debatida e, caso incida, em qual momento se dá o reconhecimento da isenção de caráter subjetivo. Definido tal momento, definese, por consequência, quando o sujeito passivo deverá comprovar a quitação dos tributos federais. A redução em litígio encontrase prevista no art. 5º da Lei nº 10.181, de 2001, que criou o que se convencionou denominar “Novo Regime Automotivo”, em substituição àquele disciplinado pela Lei nº 9.449, de 1997, transcrevoos: 1 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.005081/200536 Acórdão n.º 3102000.997 S3C1T2 Fl. 4 7 Art. 5º Fica reduzido em quarenta por cento o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. §1oO disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: (...) X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. §2o O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. O parágrafo 2º acima transcrito, a meu ver, enumera taxativamente quais são as condições de caráter geral excepcionadas pela norma que disciplina especificamente os benefícios do Novo Regime Automotivo: exame de similaridade (art. 17 e 18 do DL nº 37/66)2 e transporte em navio de bandeira brasileira (art. 2º do DL nº 666/69) 3: Como é possível verificar, o dispositivo é silente quanto às demais exigências de caráter geral, dentre as quais, evidentemente, está a comprovação da regularidade no pagamento dos tributos e contribuições, o que leva à conclusão de que tal exigência não foi afastada. Por outro lado, não vejo como aplicar a regra geral do art. 37 da Lei nº 9.784, de 19994 em detrimento da específica do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, categórico ao determinar que o ônus de fazer prova da quitação de tributos federais é do Administrado. Subsistiria, portanto, dúvida acerca do momento em que o benefício é reconhecido, máxime em razão de que, a lei que o instituiu prevê a realização de um procedimento de habilitação prévia do importador, disciplinada no do seu art. 6º, que reza: (os grifos não constam do original) 2 Art. 17 A isenção do impôsto de importação somente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado. Art. 18 O Conselho de Política Aduaneira formulará critérios, gerais ou específicos, para julgamento da similaridade, à vista das condições de oferta do produto nacional, e observadas as seguintes normas básicas: 3 Art 2º Será feito, obrigatoriamente, em navios de bandeira brasileira, respeitado o princípio da reciprocidade, o transporte de mercadorias importadas por qualquer Órgão da administração pública federal, estadual e municipal, direta ou indireta inclusive emprêsas públicas e sociedades de economia mista, bem como as importadas com quaisquer favores governamentais e, ainda, as adquiridas com financiamento, total ou parcial, de estabelecimento oficial de crédito, assim também com financiamento externos, concedidos a órgãos da administração pública federal, direta ou indireta. 4 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Art.6º A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único.A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: Icomprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. Diferentemente do que se tem invocado, não vejo como reconhecer que a comprovação levada a efeito no momento da habilitação ao regime dispense a importadora de comprovar a regularidade fiscal no momento do fato gerador. Para entender os efeitos da conclusão do procedimento realizado pela Secex, mais relevante do que o nome que lhe foi atribuído (habilitação) é preciso lembrar do que diz o art. 179 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. Com efeito, como é possível concluir, a partir da leitura conjunta dos dois dispositivos, o procedimento de habilitação constituise mais uma exigência para reconhecimento da isenção e, não o próprio reconhecimento do benefício. Em primeiro lugar, a leitura do caput do art. 179, lido conjuntamente com seu parágrafo 1º, deixa claro que a autoridade competente para reconhecimento do benefício deve ser manifestar a cada fato gerador ou, tratandose de tributo lançado por período certo, antes do encerramento de cada período. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10814.005081/200536 Acórdão n.º 3102000.997 S3C1T2 Fl. 5 9 Ora, como é cediço, nos termos do art. 23 do DL 37/665, para efeito de cálculo do imposto de importação incidente sobre mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro da correspondente DI. Assim, ainda que se admita que a Secretaria de Comércio Exterior possuísse competência para conceder isenção, certamente a habilitação não preencheria a exigência do dispositivo insculpido no art. 179 do CTN. Como se percebe, a habilitação ocorre uma única vez. Finalmente, mesmo se superada a exigência de manifestação prévia, equiparando a habilitação ao despacho da autoridade competente, não haveria como reconhecer a definitividade dessa manifestação. Cabe relembrar o que dizem o parágrafo 2º do art. 179 e o art. 155 do CTN: § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Ou seja, ainda que se considerasse que a isenção teria sido previamente concedida, verificado que a recorrente deixara de atender um dos requisitos para a sua concessão, revogado estaria o benefício. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 5 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro 5 Art. 23 Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13822.000120/2005-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Aug 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.
A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.
Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins.
DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE.
No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
Numero da decisão: 3401-002.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori (Relatora) e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Este recurso voluntário, juntamente com outros quinze da mesma empresa e que versavam as mesmas matérias deste, foi julgado na sessão de 18 de março de 2015 com base em relatório, voto e ementa únicos, elaborados pela Relatora, Conselheira Angela Sartori, lidos na sessão com respeito apenas ao processo 13822000177/2005-05 aqui transcritos na íntegra. A Conselheira renunciou ao mandato antes que pudesse formalizar os acórdãos correspondentes, motivo pelo que auto-designei-me para a tarefa, no que valho-me das peças por ela elaboradas e entregues à Secretaria.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
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COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 01 20 /2 00 5- 06 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori (Relatora) e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Este recurso voluntário, juntamente com outros quinze da mesma empresa e que versavam as mesmas matérias deste, foi julgado na sessão de 18 de março de 2015 com base em relatório, voto e ementa únicos, elaborados pela Relatora, Conselheira Angela Sartori, lidos na sessão com respeito apenas ao processo 13822000177/200505 aqui transcritos na íntegra. A Conselheira renunciou ao mandato antes que pudesse formalizar os acórdãos correspondentes, motivo pelo que autodesigneime para a tarefa, no que valhome das peças por ela elaboradas e entregues à Secretaria. Relatório O Relatório a seguir é o que foi entregue à Secretaria pela relatora Angela: Trata o presente de Pedido de Ressarcimento de créditos apurados pela sistemática da não cumulatividade, compensado com créditos tributários do próprio interessado através de PER/DCOMP: Crédito: PIS não cumulativa, Período de apuração: 4º trimestre de 2005 cujo Valor pleiteado: R$ 295.007,33. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado Auto de Infração para formalização da glosa dos créditos, onde foram apuradas irregularidades na formação do crédito objeto do presente processo, a saber: a) Bens utilizados como insumos. Baseado no conceito de insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, dado pelo art. 8º, § 4º c/c § 9º, da Instrução Normativa nº 404, de 2004 a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades químicas ou físicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não esteja incluído no ativo imobilizado – o auditor fiscal verificou a existência de registros de despesas não incluídos nesse conceito. Inicialmente, verificou diferenças entre os valores informados na planilha “Livro do PIS e Cofins Consolidado 2007” e no Fl. 337DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 3401002.976 S3C4T1 Fl. 123 3 DACON. Intimado, o interessado informou que no DACON informou que, além dos insumos relacionados nas planilhas, incluiu as aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas. A fiscalização ressaltou que, de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON e, portanto, não serão considerados nesse item e serão analisados em item próprio, do Auto de Infração. A seguir, efetuou a análise referente aos grupos que compuseram a planilha de cálculo dos insumos. a.1) Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Da análise da planilha correspondente e das notas fiscais nela relacionadas, verificou que parte dos gastos não se refere à aquisição de insumos, matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar, referindo se a partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e aquisição de pneus, assim como despesas diversas tais como: locação de veículos para uso administrativo e obras de recuperação de rodovias. Ressalta que tais gastos não se dão no âmbito do processo produtivo, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. Ressalta, também, que considerou somente os gastos referentes a combustíveis e lubrificantes, para os quais há expressa autorização para a inclusão no conceito de insumos. a.2) Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Que efetuou a glosa referente a gastos com bens não diretamente consumidos na fabricação de bens destinados à venda, tais como gastos com construção civil, com reparação de caminhões, reboques, com tintas vernizes diluentes (Estoque tintas), cimento, etc. a.3) Fretes Glosou as despesas com fretes referentes a transporte de pessoas, por não se enquadrarem no disposto no art. 3º, § 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 b) Do método da apropriação do crédito presumido. Verificou que o interessado informou que o método de determinação dos créditos foi com base na proporção dos custos diretamente apropriados. Assim, intimou o interessado a comprovar que os valores dos créditos informados nos DACON e nos livros auxiliares do PIS e Cofins são referentes apenas aos custos, despesas e encargos vinculados à receita sujeita ao regime não cumulativo da exportação. Examinando a documentação apresentada, verificouse que, no preenchimento dos DACON, o interessado não utilizou o método de apropriação direta, uma vez que todo o custo da cana de açúcar (insumo), do preparo e processamento da cana, da extração do caldo e do suporte a produção industrial foram apropriados, na sua totalidade, para o produto açúcar, ou seja, todos os custos comuns, vinculados ás receitas sujeitas aos regimes cumulativos e não cumulativo foram aproveitados integralmente como sendo regime não cumulativo. Em resumo, nos DACON entendeu o interessado apropriar todo o gasto com a aquisição do insumo cana de açúcar para o produto açúcar, independentemente se dela foi produzido álcool. Verificou, também: a) Que a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON, para o que somou valores de materiais em estoque. conforme resumo de fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); b) Inconsistências nas informações das planilhas apresentadas, demonstrando que os Razões não comprovam o método de apropriação direta e nem condizem com os valores dos DACON, pois: b.1) conforme esclarecimento do interessado, no valor dos insumos informados nos DACON está incluído o valor da cana adquirida de pessoas jurídicas e na planilha de fls 24 a 26 (numeração constante no relatório do Auto de Infração), não consta a conta correspondente a tal insumo; b.2) a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON (e diferente do valor da cana adquirida de pessoa jurídica) e para chegar ao valor informado nos DACON, o interessado somou o valor dos materiais em estoque, conforme consta no resumo apresentado às fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); e b.3) na planilha há contas estranhas ao conceito de insumo, tais como “Consultoria”, Copa, cozinha e limpeza”, Gêneros Fl. 339DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 3401002.976 S3C4T1 Fl. 124 5 Alimentícios”, Lanches e Refeições”, “Uniformes” e “Seguros Gerais”. Pelos fatos expostos, constatase que o método de aproveitamento dos créditos, informado nos DACON, não pode ser caracterizado como de apropriação direta, pois os custos comuns á receita sujeita ao regime não cumulativo e ao cumulativo foram informados integralmente como sendo de receita de exportação e os Razões apresentados não comprovam o declarado nos DACON e nas planilhas com a descrição dos insumos e, considerando que o interessado aufere receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação, com base no disposto nos arts. 3º, §§ 7º e 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, deve ser utilizado o método de rateio proporcional da receita bruta. Assim, calculou os percentuais aplicáveis a cada regime de tributação e aplicou os aos valores dos gastos considerados como insumos, apurando o valor do crédito a aproveitar no período. b.1) Energia Elétrica e Contraprestações de arrendamento mercantil. Considerando a utilização do método de rateio proporcional para a apuração dos créditos, recalculou os valores dos gastos com energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil considerados como créditos apurados no regime não cumulativo. c) Base de cálculo do crédito a descontar referente ao Ativo Imobilizado– com base no valor de aquisição (linha 10 da Ficha 16 A do DACON) Cita A legislação regência e constatou que o interessado incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: a) 1/48 de valores de aquisição de bens adquiridos antes de 01/05/2004, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; b) 1/24 de valores de aquisição de bens diferentes de máquinas equipamentos, tais como edificações, veículos, motos, micro ônibus, caminhões, etc, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; c) bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc, contrariando o disposto no art. 3º, inciso VI, e § 1º, inciso II, da Lei nº 10.837, de 2002, e art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 2º da Lei 11.051, de 2004, e demais dispositivos legacia acima citados; Fl. 340DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 d) bens vinculados ás receitas sujeitas ao regime cumulativo, tais como destilaria, tanque de álcool, fábrica de álcool, etc; e) bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo e não cumulativo, tais como balanças, picadores de cana, moendas, meã alimentadora, etc. Com base nas verificações, efetuou a glosa referente aos valores relacionados nos itens “a” a “d” acima. Aos valores referentes ao item “e”, aplicouse o percentual de rateio proporcional apurado para os períodos. d) Créditos presumidos – Atividades Agroindustriais. d.1) Apuração Conforme destacado no item “A”, e de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa (IN) SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON. Assim, relativamente aos valores das aquisições de cana efetuadas junto a pessoas jurídicas, aplicouse o percentual apurado para o rateio proporcional entre as receitas sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo da contribuição. d.2) Forma de utilização do crédito Ressalta que, com base no disposto no art. 8º, caput, da Lei nº 10.925,de 2004, e no art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 660, de 2006, o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, e que a apreciação desse item será feita pela Saort da DRF. e) Outros Créditos a descontar (linha 25 da ficha 12 do DACON Verificou que o interessado registrou créditos da contribuição, referente a valor do frete nas operações de venda, pago a pessoas físicas, contrariando as disposições do inciso IX, do art. 3º c/c art 15, ambos da Lei n º 10.833, de 2003. PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araçatuba, através do Parecer Saort, reproduziu as informações do Auto de Infração e propôs o deferimento do valor de R$ 190.764,88, como direito creditório do interessado passível de compensação. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 3401002.976 S3C4T1 Fl. 125 7 Através do Despacho Decisório (DD), acataramse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto no Parecer, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente das conclusões do Despacho Decisório (DD), o interessado apresentou manifestação de inconformidade (MI), onde relata os fatos e faz as suas contrárias alegações onde, preliminarmente, alega que os créditos objeto do presente processo já foram apreciados nos autos do processo 15868.000039/201084 e, assim, constatase a duplicidade das glosas de créditos e da cobrança dos valores atinentes às referidas glosas. Junta cópia do Auto de Infração que seria objeto do referido processo. Em seguida, faz longa exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de não cumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornamse cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no § 12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo pois glosou mais de 85% dos créditos levantados, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente, a saber: Fl. 342DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Que o conceito de insumos, adotado pelo fisco, em totalmente distorcido, uma vez que é desconsiderado parte do processo industrial do requerente, qual seja, a produção do insumo cana de açúcar, onde temse o preparo do solo, o plantio da cana, os tratos culturais, o corte, e o transporte da cana para a fabricação dos produtos. Que nesse processo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que as disposições da IN SRF nº 247, de 2002 está eivada de inconstitucionalidade, uma vez que subverte o estabelecido em lei e que, ao incluir os combustíveis e lubrificantes como insumos que dão direito a crédito, o objetivo do legislador foi estabelecer um rol exemplificativo de bens e serviços, e não taxativos, como quer o fisco. Assim, é de se reconsiderar tal glosa, pois o bens expressamente impugnados são materiais intermediários inseridos e que se desgastam no decorrer do processo produtivo. Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Alega o mesmo entendimento do item anterior, contestando especificamente as glosas dos serviços de reparação de equipamentos, manutenção de moenda e outros pois são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo e que sem esse insumos o processo não decorre sem prejuízo para o requerente e que a falta dos mesmos inviabilizaria a continuidade empresarial. Que deve ser revisada a glosa, haja vista a existência de erro material, bem como equívoco conceitual sobre a interpretação da norma, e que as notas fiscais e fornecedores mencionados estão inseridos no processo produtivo. Do direito ao crédito do frete. Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003., que faz referência aos incisos I e II do próprio art. 3º, que definem o direito a crédito sobre os bens adquiridos para revenda ou bens e serviços utilizados como insumos, daí a razão Fl. 343DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 3401002.976 S3C4T1 Fl. 126 9 para a inclusão dos serviços de transporte gasto em seu processo produtivo. Do método de Apuração de Créditos (Créditos Presumidos da CanadeAçúcar) Que a fiscalização, ao arrepio da lei, desconsiderou o método de apropriação de créditos elaborado pelo contribuinte, optando pelo mais oneroso, argumentando que todos os custos de cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar, e que os Razões não permitem identificar quais os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, bem como há Razões em que as notas fiscais e fornecedores não constam dos livros auxiliares de PIS/Cofins. Que a legislação é clara quanto ao direito do contribuinte optar entre o método de apropriação direta e o método de rateio proporcional, no caso de existência de receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação Que o sistema de custo integrado separa os custos destinados à fabricação de açúcar e álcool, de modo que os insumos destinados a cada processo sejam diretamente direcionados a seus respectivos centros de requisição contábeis. Que todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial são exatamente custos de fabricação de açúcar, vez que cem pro cento do caldo resultante desse processo é destinado à fábrica de açúcar e que para a fábrica de álcool somente é destinado o “mel final” que resulta do processo de fabricação de açúcar, o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial, e que não houve fabricação de álcool direto da cana. Quanto a outra alegação, de falta de identificação de fornecedores, produtos, insumos dos custos apropriados, alega que adota há trinta anos tal procedimento, nunca senso questionado pela fiscalização e que tal procedimento é reconhecido a adotado como parte integrante das melhores técnicas de escrituração, que todas as requisições e notas fiscais foram apresentadas, o que deu margem à discussão sobre o conceito de insumos. Quanto a argumentação de que há Razões nos quais notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, Fl. 344DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 que tais livros não são obrigatórios e não possuem regramento específico para se preenchimento. Que inexistem custos comuns que são apropriados somente para a parte de produção não cumulativa, conforme mostra o trabalho pericial anexo que o processo de fabricação de açúcar e de álcool são independentes e partem de pontos totalmente distintos e que deve ser respeitado o sistema de custo integrado existente e mantido pelo interessado, e que a fiscalização obteve acesso a todos os documentos atinentes aos créditos. Da energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil Nesses itens, reitera as alegações acima quanto a apropriação do crédito presumidos. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados á venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto a limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maiô e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito pré constituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. E que não há o que se falar em proporcionalidade de receitas, haja vista o sistema de custo integrado, conforme acima explanado. Da utilização do crédito presumido Que a requerente sempre se utilizou dos referidos créditos para compensar com débitos das próprias contribuições sociais, de modo que a acusação dos autos improcede. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 3401002.976 S3C4T1 Fl. 127 11 PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO RERATIFICADO– A DRF em Araçatuba, através do Parecer, reformulou o Parecer anteriormente exarado, para ressaltar que o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, á vista do disposto no art. 8º, caput, da Lei nº 10.925,de 2004, e no art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 660, de 2006. Assim, glosouse o valor do crédito presumido da agroindústria – R$ 116.236,43 reduzindo o direito creditório anteriormente deferido, R$ 190.764,87, para R$ 74.528,44, Através do Despacho Decisório (DD), acatouse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido, abrindose prazo para o interessado para a apresentação de nova manifestação de inconformidade (MI). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (MI) – fls. 337188 Na sua nova MI, inicialmente, o interessado reafirma a preliminar anteriormente esposada, a respeito da apreciação anterior dos créditos no processo 15868.000039/201084. No mérito, também reafirma que sempre se utilizou dos referidos créditos para compensar com débitos das próprias contribuições, conforme pode se verificar nas próprias PER/DCOMP utilizadas no presente processo, e que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 serve a garantir ao contribuinte o direito de compensar quaisquer créditos fiscais que possua com quaisquer débitos federais. A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 57, do Decreto nº 7.574, de 2011. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo Fl. 347DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 3401002.976 S3C4T1 Fl. 128 13 produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃOCUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser utilizados para a dedução dos valores devidos das contribuições para o PIS/Cofins, vedada a sua utilização para ressarcimento ou compensação com demais tributos. ADN SRF nº 15 de 2005. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” A Recorrente apresentou recurso voluntário, com as mesmas alegações acima. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Como acima indicado, transcrevo, ipsis litteris, o voto entregue pela relatora à Secretaria. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os pressupostos para sua admissibilidade, por isso, dele conheço. No presente caso, o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. A argumentação da interessada encontrase desprovida de qualquer elemento concreto de sua Fl. 348DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 necessidade. Logo, diante do convencimento da desnecessidade de quaisquer esclarecimentos adicionais para o julgamento em tela, concluo pelo indeferimento do pedido de perícia. Das alegações de inconstitucionalidade Quanto à alegação de inconstitucionalidade da IN SRF nº 247, de 2002, e das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 cabe esclarecer que não cabe a apreciação dos dispositivos legais sob o ponto de vista de sua constitucionalidade pela autoridade administrativa. Dos Bens utilizados como insumos Da glosa dos bens utilizados como insumos A recorrente é uma empresa agroindustrial que tem por objeto social a produção e comercialização de açúcar, de álcool, de canadeaçúcar e demais derivados desta, entre outras atividades. Da análise do exposto nos prolegômenos acima, concluo que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3o, II, da Lei 10.637, de 2002, com redação dada pelo art. 37 da Lei 10.865/2005, considero "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação do açúcar e dos outros produtos não cumulativos, como o álcool industrial. Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo que produz açúcar e álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Mas os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não pode prosperar a argumentação da recorrente de que os custos e despesas de operação orientados pelo entendimento do Imposto de Renda sejam critérios suficientes para justificar o creditamento. E também que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Cabe esclarecer qual o conceito de insumos para as contribuições não cumulativas: Fl. 349DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 3401002.976 S3C4T1 Fl. 129 15 Em relação a Cofins não cumulativa, o inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Definido o conceito de insumos, cabe analisar se os itens glosados estão enquadrados no conceito legal. Foi glosado partes e peças de manutenção de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem, aquisição de pneus, gastos com construção civil, com serviços e peças para veículos, tratores, máquinas agrícolas, tintas. Foi glosado também o frete relativo a transporte de pessoas e a transporte de equipamentos do ativo permanente. A legislação adota, para fins de apuração de créditos na modalidade da não cumulatividade, a enumeração exaustiva dos bens e serviços capazes de gerar crédito e os vinculou a determinadas atividades, assim como ao modo de produção, no que respeita à questão do insumo. Dessa forma, a aquisição de um bem ou serviço poderá ou não gerar crédito a ser descontado da contribuição, dependendo da situação concreta do emprego ou aplicação do bem ou serviço na respectiva atividade econômica. Para qualquer análise sobre aquisições de bens e serviços que vise determinar a geração de crédito são indispensáveis o exato conhecimento da atividade e a forma de aplicação, em especial no caso de insumo. A Recorrente produz açúcar bruto e álcool carburante. Considerando a atividade da Recorrente é possível concluir que os itens glosados não se enquadram como insumos de sua produção. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Os itens relacionados no Auto de Infração, referente ao Material Intermediário – Serviços de Manutenção: partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus, manutenção de veículos, locação de veículos para uso administrativo, obras de recuperação de rodovias, etc, não podem efetivamente ser enquadrados na conceituação de insumos acima transcrita, porquanto não se tratam de matérias primas ou materiais de embalagem e tampouco utilizado no processo produtivo da recorrente portanto, mantenho a glosa. Em relação à glosa efetuada referente ao item Material Intermediário – Serviços de Manutenção Industrial, foram contabilizadas despesas referentes a gastos com construção civil, reparação de caminhões, reboques, e com tintas, vernizes e diluentes, e cimento que também não podem efetivamente ser enquadrados na conceituação de insumos acima transcrita. O mesmo se aplica ao frete relativo a transporte de pessoal e de ativo permanente, que também não se enquadram no conceito acima. Quanto à alegação de que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, cabe esclarecer que: Com o advento da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que criou o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o legislador, além de permitir a apuração de créditos calculados sobre o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, passou a admitir também o aproveitamento de créditos sobre o valor do gasto efetuado com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece em seu art. 3o, caput, e incisos I, II e IX. O art. 15 da citada Lei no 10.833, de 2003, estendeu o benefício previsto no inciso IX do citado art. 3º acima transcrito também para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep. Conforme já visto, tratase do direito de apuração de crédito calculado sobre despesas com armazenagem de mercadorias e frete pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, na operação de venda. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 3401002.976 S3C4T1 Fl. 130 17 A fiscalização juntou lista e Notas fiscais (fls. 217/220). Verifica se que as Notas se referem a transporte com pessoal e de ativo imobilizado, que não geram crédito, por não se tratar de operações de venda de mercadoria. A interessada não comprova ou aponta quais Notas seriam referentes à venda e tampouco foi identificada qualquer nesta condição que tenha sido glosada. Portanto mantenho a glosa neste item. Do método de apuração do crédito comum O §§ 7º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003 regulamentam a matéria e nos casos em que a pessoa jurídica se sujeita a incidência não cumulativa em relação a parte de suas receitas, deverá ser adotado um dos dois métodos em relação aos custos, despesas, e encargos comuns. O Recorrente informou no DACON que teria utilizado a apropriação direta e a fiscalização desconsiderou o critério adotado e aplicou o rateio proporcional já que todos os custos comuns foram vinculados ao produto açúcar. Apurouse também que foram incluídos valores que não são insumos. Inicialmente cabe esclarecer que apurado o custo do produto sujeito à sistemática da não cumulatividade pelo custeio por absorção, deve ser apurado o percentual deste perante o custo total. Apurado o percentual que representa o produto sujeito à sistemática não cumulativa, este percentual deve ser aplicado nos custos, encargos, despesas comuns que dão direito ao crédito da não cumulatividade. Assim, não será o custo apurado na contabilidade que irá gerar crédito, mesmo porque compõe o seu valor os custos fixos e variáveis, que abrangem elementos que não geram credito. Ressalte – se também que tal sistemática somente se aplica se existem custos, encargos ou despesas comuns e a pessoa jurídica se sujeita à incidência não cumulativa em relação a parte de suas receitas. A interessada produz açúcar, produto sujeito à sistemática não cumulativa, e álcool, produto sujeito a sistemática cumulativa. Assim, cabe apurar se existem custos, encargos ou despesas comuns aos dois produtos. A Recorrente alega que os processos produtivos são independentes, na primeira etapa é produzido o açúcar, este processo gera um resíduo chamado de “mel pobre”. A partir do mel se produz o álcool. Os custos incorridos numa produção conjunta até o ponto de cisão (inclusive), são chamados de custos conjuntos. É possível concluir que o processo produtivo da interessada é uma produção conjunta até o ponto de cisão, ou seja, até o momento que é produzido o açúcar e o mel final, a Fl. 352DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 partir daí, o processo produtivo segue em relação ao mel final sendo considerado um processo único até a fabricação do álcool. Não é possível considerar que o mel final (matéria prima) do álcool seja apenas resíduo, mesmo porque este é produto que não tem mercado certo, o que não ocorre com o mel final. A produção do mel final é onde ocorre o ponto de cisão da produção do açúcar e do álcool. Assim a produção do álcool somente é possível se realizado todo o processo produtivo desde a extração do caldo da cana. Estabelecido que se trata de processo de produção conjunta, cabe relatar brevemente o que seria o custeio por absorção. Na obra citada acima assim se define o custeio por absorção: Custeio por absorção é um processo de apuração de custos, cujo objetivo é ratear todos os seus elementos (fixos ou variáveis) em cada fase da produção. Logo um custo é absorvido quando for atribuído a um produto ou unidade de produção, assim cada unidade ou produto receberá sua parcela no custo até que o valor aplicado seja totalmente absorvido pelo custo dos produtos vendidos ou pelos estoques finais. Concluise que a produção da Recorrente é uma produção conjunta, e como tal, possui custos, encargos e despesas comuns, então o contribuinte poderia optar entre as duas formas de rateio quais sejam: custeio direto por absorção ou o rateio proporcional a receita. Para optar pelo custeio direto por absorção a interessada deve ter o sistema de custos integrado e coordenado com o restante da contabilidade. Contudo, analisando a contabilidade da interessada, constatouse que os custos da produção conjunta foram integralmente direcionados para a produção do açúcar, portanto, não houve um rateio, não sendo possível aceitar que tal sistemática seja considerada custeio por absorção, já que neste processo a empresa utilizase de métodos (valor das vendas, volume produzido, igualdade do lucro bruto, etc.) para atribuir os custos conjuntos aos produtos. Para a fabricação do álcool, é absolutamente necessária a existência da matéria prima, no caso, a cana, assim como todos os demais produtos e bens utilizados no processo. Sem a cana e todo o processo posterior para a produção do “mel final” não haveria a produção de álcool que gera receitas significantes para a empresa. Assim, sendo a cana de açúcar insumo necessário para a fabricação tanto do álcool como do açúcar, inferese que tal custo é comum, e deve ser apropriado proporcionalmente, uma vez que não há possibilidade de distinção de custos no Fl. 353DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 3401002.976 S3C4T1 Fl. 131 19 processamento para fabricação de ambos os produtos. Tal entendimento aplicase a todos os custos, despesas e encargos envolvidos na produção de tais produtos. Quanto à verificação nos Razões, que não permitiram identificar quais os produtos, insumos, ou fornecedores dos custos apropriados, a empresa alega que adota há trinta anos tal procedimento e nunca foi questionada. Nos termos da lei, toda a escrituração deve ser fundamentada com documentação hábil e idônea e as aquisições de produtos e insumos devem ser comprovadas com a apresentação das notas fiscais correspondentes. Quanto às alegações a respeito da escrituração dos livros auxiliares, que não registraram dados a respeito de produtos, fornecedores e notas fiscais constantes dos Razões, o fato de tais livros não serem obrigatórios e não possuírem regramento específico para o seu preenchimento não muda o fato de que, se são complementares à escrituração e base para apuração de bases de cálculo de créditos das contribuições, obrigatoriamente os seus registros deverão ser baseados em documentação hábil e idônea. A falta de registros os inabilita para o objetivo a que se pretende – a comprovação da correta contabilização dos custos, despesas e encargos para apropriação por sistema integrado com a contabilidade. Correto, portanto, a decisão da DRJ de desqualificação do método de apropriado direta utilizado pelo interessado, pelas irregularidades na escrituração e pela inadequação do sistema adotado à vista do processo fabril da empresa, que tem uma única matéria prima(cana), que passa por procedimentos também únicos, para gerar, ao final, dois produtos tributados por sistemáticas diferentes. Em função da apropriação dos créditos da agroindústria pelo método do rateio proporcional, cujo percentual foi calculado de acordo com as normas legais, correta a glosa dos valores dos créditos referente aos gastos com insumos, energia elétrica, e demais custos comuns considerados na verificação fiscal. Cabe destacar que não foram alterados os valores da linha despesas de contraprestação de arrendamento mercantil Ressaltese que bens de natureza permanente, copa, cozinha e limpeza, gêneros alimentícios, lanches e refeições, uniformes, correios e malotes, comunicações, outros serviços, serviços de manutenção e reparos, não se enquadram no conceito de Fl. 354DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 insumo, portanto, não geram crédito, conforme já tratado neste voto. Do aproveitamento do crédito presumido das atividades industriais. O art. 8º da Lei nº 10.925/2004, assim dispõe: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ). O crédito presumido aplicase sobre o valor dos bens do inciso II do art. 3º da Lei 10.637 e 10.833, isto é, bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de pessoa física. Portanto, não se aplica ao frete adquirido de pessoa física, já que frete não é insumo, e somente é possível apurar crédito em relação ao frete na venda se adquirido de pessoa jurídica, conforme art. 3º,inciso IX e §3º da Lei 10.833/2003 c/c art. 15 da mesma lei. Dos encargos de depreciação do ativo Nesse item, temos duas situações distintas – (i) a contabilização de encargos referentes a bens não utilizados no processo de fabricação dos produtos, e (ii) a contabilização de encargos referentes a bens adquiridos anteriormente às datas previstas em lei. A discriminação dos bens para os quais foram apurados encargos de depreciação, constante do Auto de Infração – edificações, veículos, motos , microonibus, caminhões, etc, rádios motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc não deixa duvidas que os mesmos não são utilizados no processo industrial de fabricação de açúcar e álcool. Assim, por Fl. 355DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 3401002.976 S3C4T1 Fl. 132 21 infringência ao dispositivo legal acima transcrito, devem ser glosados. Correta, também, a glosa dos encargos de depreciação dos bens vinculados a receitas sujeitas ao regime cumulativo da contribuição – destilaria, fábrica de álcool, tanque de álcool – uma vez que não podem gerar créditos relativamente à apuração no regime não cumulativo. As disposições legais são expressas quanto aos períodos de aproveitamento dos créditos referentes aos encargos de depreciação, vedando expressamente, a partir de 1º de agosto de 2004, o desconto referente à depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado adquirido até 30/04/2004 e autorizando o aproveitamento desse tipo de crédito para os bens adquiridos a partir de 01/05/2004 (art. 31 e § 1º, da Lei nº 10.865). O aproveitamento dos créditos mediante a depreciação acelerada, somente é possível para as aquisições efetuadas após 1º de outubro de 2004 (art. 2 º e § 2º, da Lei nº 11,051, de 2004). Por todo exposto, mantenho a decisão da DRJ e nego provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o colegiado, em sua integralidade, o voto acima, negando provimento, por unanimidade, ao recurso do contribuinte. Esse o acórdão que me exigi redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Fl. 356DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 11080.918951/2012-52
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/01/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 51 /2 01 2- 52 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918951/201252 Acórdão n.º 3801005.134 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918951/201252 Acórdão n.º 3801005.134 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918951/201252 Acórdão n.º 3801005.134 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918951/201252 Acórdão n.º 3801005.134 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918951/201252 Acórdão n.º 3801005.134 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918951/201252 Acórdão n.º 3801005.134 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918951/201252 Acórdão n.º 3801005.134 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918951/201252 Acórdão n.º 3801005.134 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11128.002222/2005-60
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 06/08/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de restituição é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Em especial, se há diligência concluindo pela inexistência do direito creditório, o esforço do contribuinte deve ser muito maior em confrontar a conclusão da autoridade tributária sobre a documentação analisada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator) e Francisco Jose Barroso Rios.
O Conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Efetuou sustentação oral pela Recorrente o Dr. Eduardo Borges, OAB/SP nº 153.881.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/08/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de restituição é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Em especial, se há diligência concluindo pela inexistência do direito creditório, o esforço do contribuinte deve ser muito maior em confrontar a conclusão da autoridade tributária sobre a documentação analisada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 22 22 /2 00 5- 60 Fl. 2891DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator) e Francisco Jose Barroso Rios. O Conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Efetuou sustentação oral pela Recorrente o Dr. Eduardo Borges, OAB/SP nº 153.881. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 2.405), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1757.131, proferido em primeira instância pela 1ª Turma da DRJ de São Paulo II, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da peça impugnatória, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: "(...) Trata o presente processo de pedido de restituição de PIS e COFINS, vinculados a importação de mercadorias de que trata a Declaração de Importação nº 04/07722950, registrada em 06/08/2004. As mercadorias importadas na ocasião foram beneficiadas pelo art. 1º da Lei nº 10.925, publicada no DOU de 26/07/2004 e regulamentada pelo Decreto nº 5.195, de 26 de agosto de 2004, que reduziu a zero a alíquotas do PIS e COFINS incidentes na importação das mesmas. Embora publicado em data posterior ao registro da DI, no art. 2º do Decreto em evidência deixou claro que o mesmo entrou em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir do dia 26 de julho de 2004 (data da publicação da lei já referida). Tendo a Declaração de Importação sido registrada em 06/08/2004, entendeu o interessado fazer jus à restituição dos tributos que efetivamente recolhera , conforme telas do SINAL08 de fls. 66/68. Em 31/03/2005 o interessado solicitou restituição dos valores recolhidos indevidamente , conforme Pedido de Restituição (fls. 1) e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório (fls. 2/3), bem como requerimento de fls. 4, explicando em detalhes o ocorrido. Fl. 2892DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002222/200560 Acórdão n.º 3802003.040 S3TE02 Fl. 2.892 3 Em 14/06/2006, com base no PCI GRET/Seort 005/500.860, foi aceita a retificação da DI, alterando para ZERO a alíquota do PIS e COFINS, gerando diferença entre os tributos inicialmente pagos e os de fato devidos (fls. 192/193). A seguir, passouse à análise do pedido de restituição dos tributos pagos indevidamente, tendo em vista o determinado no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que assim preceitua: “Art. 15 – As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (...) “ (grifos acrescentados) Objetivando verificar se a empresa já se beneficiara (ou não) do desconto de que trata o dispositivo legal acima referido, foi expedido do Termo de Intimação Fiscal nº 050/2010 (fls. 197), solicitando documentos para instrução do feito. Como a empresa deixou de apresentar parte da documentação solicitada (último Balanço Patrimonial e último Balancete de Verificação Analítico), para comprovar que os créditos pleiteados permanecem contabilizados em conta do Ativo, discriminando em documento à parte a composição do saldo da conta, caso estivessem totalizados com outros, foi proferido, em 08/06/10 (fls. 215/217) DESPACHO DECISÓRIO DE INDEFERIMENTO do pleito. Ciente da decisão que lhe foi adversa, e inconformado com a mesma, o interessado apresentou , tempestivamente, MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE de fls. 222/224, à qual junta os dois documentos que deram base ao indeferimento de seu pedido, e alega estar comprovado , pelos mesmos, que os valores dos créditos cuja restituição pleiteia permanecem contabilizados na conta do Ativo nº 234085, e que não houve o desconto a que se refere o art. 15 da Lei nº 10.865/2004. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA – RESOLUÇÃO Nº 17978, DE 21/12/2010 (FLS. 280/283). No estado em que se encontrava o presente processo, prejudicado estava o seu julgamento, tendo em vista que o pleito de restituição fora indeferido por força da não apresentação de dois documentos necessários à confirmação de que os créditos cujo reconhecimento o interessado ora pleiteava permaneciam contabilizados em conta de Ativo da empresa, e que tais documentos foram juntados na Manifestação de Inconformidade. Em seu arrazoado de defesa, o interessado alegava que os dois documentos referidos comprovavam não ter ocorrido o aproveitamento dos créditos em discussão. Fl. 2893DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Diante dessa alegação, foi o julgamento convertido em diligência (art. 29 da Lei nº 9.748/99 e art. 18 do Decreto nº 70.235/72), para fins do retorno dos autos à repartição de origem (ALF/RECEITA FEDERAL DO PORTO DE SANTOS – SP), para que a autoridade competente esclarecesse se, à vista das referidas peças contábeis, seria possível o acolhimento da argumentação do autuado em sua Manifestação de Inconformidade (ou seja, se pelo exame dos dois documentos poderseia afirmar se ocorreu ou não o desconto previsto no art. 15 da Lei 10.865/2004). Realizada a diligência acima referida, foi seu resultado consignado na informação de fls. 284 , abaixo transcrita: “Em cumprimento à decisão contida na Resolução n° 17 978 Ia Turma da DRJ/SPOII às fls. 263/266, procedi ao exame dos documentos contábeis apresentados pelo interessado em sua Manifestação de Inconformidade: Balancete de Verificação e Balanço Patrimonial, ambos levantados em 31.12.2009, conforme fls. 241 a 253 e 255, respectivamente, e o demonstrativo de fls. 257. Preliminarmente, cabe observar que os valores objeto de pedido de restituição no presente processo foram contabilizados pelo interessado a débito das contas n°s: 376000 Pis a Recolher e 376001 Cofins a Recolher, no PASSIVO, ficando assim caracterizado de forma clara e objetiva que o interessado já efetuou o desconto de que trata o artigo 15 da Lei n° 10.865/2004, conforme j á explicitado no item 2 do despacho decisório às fls. 215/217. Ressaltase também que não consta dos autos a prova documental de que os valores contabilizados na forma descrita acima foram estornados ou transferidos para a conta n° 234085 Impostos a Recuperar, no Ativo, conforme alega a requerente em sua Manifestação de Inconformidade. Além disso, os documentos trazidos aos autos em sua Manifestação de Inconformidade não revelam de forma inequívoca se os valores em questão demonstram o saldo em 31.12.2009, sem, contudo, demonstrar a sua composição. A decomposição deveria ser efetuada de forma a trazer a lume a lista contendo a data, histórico e valores de todos os lançamentos "em aberto" que o compõe, isto é, lhe dão origem, de maneira a não deixar dúvidas de que os valores estão nele contidos. Portanto, por todo o exposto concluise que ao contrário do que alega o interessado este já utilizou o crédito tributário pleiteado na forma de desconto preconizado na norma legal supracitada. Fl. 2894DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002222/200560 Acórdão n.º 3802003.040 S3TE02 Fl. 2.893 5 Encerrada a instrução processual, foi reaberto prazo para que a interessada se manifestasse em relação aos fatos trazidos aos autos, sendo que a mesma alegou ter tido prazo insuficiente para desdobramento dos demonstrativos contábeis de forma a que se prestassem os mesmos à comprovação de suas alegações, e protestando pela concessão de novo prazo, mais dilatado, para providências e juntada de provas. A seguir, retornou o processo a esta DRJ/SPO II para julgamento. É o relatório. Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/08/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS / CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR PELA NÃO UTILIZAÇÃO DE BENEFÍCIO CABÍVEL À ÉPOCA DA IMPORTAÇÃO. PREJUDICADO O RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO PELA FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO INSTRUTÓRIA SOLICITADA Conforme art. 165 da Lei nº 5..172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/08/2004 IMPUGNAÇÃO. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, é inadmissível pedido pela juntada posterior de documentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada acerca da decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ de São Paulo II, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade e apresenta ainda documentos livro razão analítico relativo ao período considerado. Fl. 2895DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 2.405), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. O caso envolve eminentemente matéria de prova. Como bem frisado pela Recorrente em suas razões de recurso, o direito material à restituição é incontroverso, e decorre da própria aceitação da retificação da DI, com efeitos retroativos, para 26 de julho de 2004 (data da ocorrência do fato gerador do imposto de importação). No entanto, a preocupação esposada pela autoridade administrativa, desde a manifestação de inconformidade, perpassando pela diligência realizada e pela decisão recorrida, é o fato de que, havendo sido autorizada a retificação da DI para redução da alíquota a zero após a ocorrência da importação, há o risco de a materialidade do crédito – não do direito em tese – já haver sido utilizado, como desconto, na apuração regular do sujeito passivo. Noutras palavras, tornase imprescindível verificar se o contribuinte pleiteia duplo benefício (a uma, pelo aproveitamento como desconto na apuração de PIS e COFINS, e a duas, pela restituição ‘surgida’ com a diminuição retroativa da carga tributária). Todo o propósito do procedimento de restituição que ora se examina é conferir se houve, ou não, o aproveitamento das aquisições, então tributadas, na apuração do PIS e da COFINS do sujeito passivo. A conclusão a que chegou a autoridade administrativa, em sede de diligência, foi a seguinte (fl. 290): "(...) Em cumprimento à decisão contida na Resolução n° 17 978 1ªa Turma da DRJ/SPOII às fls. 263/266, procedi ao exame dos documentos contábeis apresentados pelo interessado em sua Manifestação de Inconformidade: Balancete de Verificação e Balanço Patrimonial, ambos levantados em 31.12.2009, conforme fls. 241 a 253 e 255, respectivamente, e o demonstrativo de fls. 257. Preliminarmente, cabe observar que os valores objeto de pedido de restituição no presente processo foram contabilizados pelo interessado a débito das contas n°s: 376000 Pis a Recolher e 376001 Cofins a Recolher, no PASSIVO, ficando assim Fl. 2896DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002222/200560 Acórdão n.º 3802003.040 S3TE02 Fl. 2.894 7 caracterizado de forma clara e objetiva que o interessado já efetuou o desconto de que trata o artigo 15 da Lei n° 10.865/2004, conforme j á explicitado no item 2 do despacho decisório às fls. 215/217. Ressaltase também que não consta dos autos a prova documental de que os valores contabilizados na forma descrita acima foram estornados ou transferidos para a conta n° 234085 Impostos a Recuperar, no Ativo, conforme alega a requerente em sua Manifestação de Inconformidade. Além disso, os documentos trazidos aos autos em sua Manifestação de Inconformidade não revelam de forma inequívoca se os valores em questão encontramse inseridos na conta n° 234085 Impostos a Recuperar. Apenas demonstram o saldo em 31.12.2009, sem, contudo, demonstrar a sua composição. A decomposição deveria ser efetuada de forma a trazer a lume a lista contendo a data, histórico e valores de todos os lançamentos "em aberto" que o compõe, isto é, lhe dão origem, de maneira a não deixar dúvidas de que os valores estão nele contidos. Portanto, por todo o exposto concluise que ao contrário do que alega o interessado este já utilizou o crédito tributário pleiteado na forma de desconto preconizado na norma legal supracitada. A Recorrente, ao invés de apresentar suas razões para confrontar essa afirmação contundente da autoridade administrativa, limitouse a pedir prazo complementar para apresentar mais documentação. A rigor, bastaria explicar, com base nos mesmos documentos analisados pela autoridade administrativa (apontada como simplista em sede recursal) por que os valores não se encontravam registrados na conta Impostos a Recuperar – consideração levantada pelo expert que fragiliza enormemente o pedido de restituição. Em sede recursal, o contribuinte traz diversos argumentos explicativos quanto à migração de saldos entre suas contas contábeis, e junta seu livro razão analítico para tentar dar mais subsídios de comprovação do seu direito creditório. Entendo, porém, que o livro razão analítico nem seria necessário, desde que houvesse uma explicação razoável para a ausência de registro do direito pleiteado na conta de ativo como impostos a recuperar, à época da realização da diligência. Vale destacar que é possível, em tese, que o contribuinte, a posteriori, realize reclassificação contábil de valor equivalente ao saldo da época. Ainda que matematicamente o resultado seja o mesmo, em termos fiscais esse procedimento não me parece razoável. Até para evitar mais essa dúvida acerca do seu direito creditório, era imprescindível que a Recorrente confrontasse o resultado da diligência de modo inescapável mostrando que, à época do pedido de restituição, não houve aproveitamento do montante pleiteado. E nessa tarefa ela não me parece ter logrado êxito. Vejase. A Recorrente aduz o seguinte: Fl. 2897DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 13. Ademais, trimestralmente é realizada uma reclassificação contábil onde os saldos da conta 157011 são transferidos para a conta 234085. Ora, se trimestralmente há reclassificação contábil da conta 157011 para a conta 234085 (Impostos a Recuperar), e considerando que o pedido de restituição foi feito somente em 2005, pareceme claro que o saldo já deveria estar recomposto quando do pleito inicial. A própria Recorrente, no entanto, indica que somente em dezembro de 2005 houve transferência de um determinado montante para a conta de impostos a recuperar. No entanto, se esse saldo é decorrente daqueles fatos geradores que motivam o pedido de restituição, tal já não resta imune a dúvidas. De fato, é importante destacar que a Recorrente afirma em sede recursal que No entanto, se a Recorrente, ao invés de simplesmente juntar seu livro razão analítico buscando uma segunda diligência no processo, tivesse tido a cautela de apresentar a composição das contas contábeis a que se refere no excerto colacionado acima, possivelmente haveria um confronto que suscitasse dúvida ao julgador. Cabe destacar que, às vésperas da sessão de julgamento, a Recorrente apresentou Laudo de auditoria externa que tem como função confirmar a existência do indébito, além de detalhar como se deu a movimentação das contas contábeis (juntado aos autos às fls. 2.597 e seguintes). Todavia, o laudo apenas explicita que as diversas movimentações de contas contábeis ocorreram inclusive (e principalmente) após a negativa do pedido inicial, de modo retroativo; além disso, aponta que houve equivocadamente, e por mais de uma vez, o registro de valores em conta de passivo, ao invés de conta de ativo. Trago à baila o seguinte excerto do laudo, que assim sintetiza a questão após já indicar três movimentações de saldos entre contas: 7.5 Das Reclassificações posteriores A partir de julho de 2006 a Dow promoveu sucessivas reclassificações do crédito pleiteado (indébito), entre as contas de ativo n° 157011 (Impostos em Litígio), 234085 (Impostos a Recuperar) e 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos), sendo que o montante de R$3.035.510,21 passou a compor o saldo da referida conta15 (Doc. 13). Em setembro de 2006, o saldo da conta 157011, no montante de R$15.078.592,84, onde estão incluídos os créditos de PIS/COFINSImportação objetos do presente trabalho, foi Fl. 2898DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11128.002222/200560 Acórdão n.º 3802003.040 S3TE02 Fl. 2.895 9 reclassificado para conta de ativo n° 234085 (Impostos a Recuperar), passando a compor o saldo da mencionada conta (R$41.248.352,52). Posteriormente, em outubro de 2006, o montante de R$15.078.592,84, devidamente destacado na conta n° 234085 (Impostos a Recuperar), foi novamente reclassificado para conta de ativo 157011 (Impostos em Litígio), permanecendo nessa conta até dezembro de 2006. No referido mês, houve nova reclassificação desses valores, passando novamente a integrar o saldo da conta n° 234085 (Impostos a Recuperar). Ato continuo, em janeiro de 2007 houve nova reclassificação desses valores, passando a serem controlados novamente na conta 157001 (Impostos em Litígio), permanecendo na mencionada conta até março de 2007 e integrando o seu saldo 16 . Nesse mês, houve nova reclassificação contábil, sendo os valores novamente transferidos para conta n° 234085 (Impostos a Recuperar). Em abril de 2007 foi realizada nova reclassificação dos citados valores, que foram novamente remanejadas para conta 157011 (Impostos em Litigio). O laudo prossegue, após apresentar tabela de cronologia iniciada em dezembro de 2005, com as primeiras movimentações entre saldos de contas: (...) Em janeiro de 2012, o saldo da conta n" 157011 (Impostos R$ 17.975.255,00, no qual estão contidos os créditos ora tratados, por alguns dias, para a conta n° 235200 (Saldo Negativo de CSLL) conta de origem (Impostos em Litígio) logo no inicio de fevereiro. Em março de 2012, o saldo da conta n° 157011 (Impostos em Litígio) foi transferido para a Conta n° 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos). Neste cenário, desde abril de 2012, a Dow tem movimentado os créditos fiscais que possui entre as contas n° 157011 (Impostos em Litígio) e n° 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos). (...) Por fim, analisamos relatório fornecido pela Companhia contendo a composição da conta 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos), comprovando a manutenção dos créditos de PIS e de COF1NS nos registros contábeis da Dow (Doc. 16). Podese, depreender, pela movimentação das contas, que os créditos de PIS e de COFINS ora tratados estão contabilizados na conta de ativo n° 235204 (Dep. Judiciais s/ Tributos), não tendo sido escriturada qualquer compensação pela Dow em oportunidades diversas das aqui analisadas, conforme os registros contábeis analisados. Fl. 2899DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Pelo exposto nos itens acima, tendo em vista que os saldos mensais, bem como o final são superiores ao valor do crédito pleiteado, inferese que este (crédito) está contido no saldo final e não foi utilizado pela Dow. Ora, com a devida vênia ao zeloso trabalho desenvolvido no laudo acostado aos autos pela Recorrente, ele apenas retrata a via tortuosa dos créditos pleiteados. Há diversos equívocos indicados e sucessivas movimentações de saldos entre contas, com a conclusão de que, na existência de saldo a maior, isso é significado que o valor pleiteado (a menor) está contido ali, sugerindo a procedência do pedido. Não me parece que todos os problemas relativos à demonstração da materialidade dos créditos, já exaustivamente debatidos nos autos, tenham sido resolvidos pelo Laudo Técnico. Sem embargo, entendo que eventual equívoco na contabilização do saldo, ou ainda na movimentação em si, não seriam razão suficiente – consideradas de modo isolado – para negar o pedido do contribuinte. Todavia, a situação sob exame é excepcional, pois há uma série de movimentações entre contas contábeis, feitas para rubricas equivocadas, sem que houvesse um único momento de segurança quanto à adequação do valor e da conta correta. Isso dificulta deveras a análise da materialidade do crédito. Até porque em último caso o que se tem é, de um lado, uma análise feita à documentação apresentada pelo sujeito passivo, indicando que o crédito pleiteado já foi aproveitado doutra maneira; e, de outro, alegações e um apanhado de documentos fiscais que, de per si, não trazem qualquer dado pulsante que ponha em xeque a conclusão da autoridade administrativa. Assim, entendo que cabe refutar o pleito da Recorrente, por ausência de demonstração da materialidade do crédito. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 2900DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/08/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 16327.000981/2004-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/1999 a 03/04/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO EXISTENTE.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente a omissão apontada.
LANÇAMENTO. PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO SEM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. DECISÃO DO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC.
Conforme decisão do STJ no julgamento do Resp. nº 973.733, apreciado como recurso repetitivo, quando não há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele no qual poderia ter sido lançado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 3401-002.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇCA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 28/02/1999 a 03/04/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO EXISTENTE. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente a omissão apontada. LANÇAMENTO. PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO SEM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. DECISÃO DO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC. Conforme decisão do STJ no julgamento do Resp. nº 973.733, apreciado como recurso repetitivo, quando não há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele no qual poderia ter sido lançado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.
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OMISSÃO EXISTENTE. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente a omissão apontada. LANÇAMENTO. PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO SEM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. DECISÃO DO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. Conforme decisão do STJ no julgamento do Resp. nº 973.733, apreciado como recurso repetitivo, quando não há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele no qual poderia ter sido lançado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 81 /2 00 4- 84 Fl. 972DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 RELATOR JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇCA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Tratase de embargos de declaração oposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 220100.172, proferido por esta turma em maio de 2009. No julgamento do recurso voluntário, foi analisado um auto de infração, pelo qual se exigia a COFINS dos fatos geradores ocorridos entre 28/02/1999 e 31/12/2003. A ciência do auto de infração foi dada em 03/08/2004. Pelo acórdão embargado, mantevese o lançamento parcialmente, declarando se, ex officio, a decadência dos fatos geradores ocorridos antes de agosto de 1999. A Fazenda apresentou embargos de declaração (fls. 1.783/1.794), alegando omissão, em razão de no acórdão não ter sido analisado se houve ou não antecipação de parte do pagamento da COFINS para consideração do termo inicial de contagem do prazo decadencial. Em análise feita pelo Conselheiro Robson José Bayerl e aprovada pelo Presidente desta Câmara (fls. 1.796/1798), chegouse à conclusão de cabimento dos aludidos embargos declaratórios. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Jean Cleuter Simões Mendonça Constatado o cabimento dos embargos e sua tempestividade, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Embargante sustenta omissão, em razão de não ter sido analisado se existiu antecipação do pagamento ou não, a fim considerar o termo inicial para contagem do prazo decadencial. O objeto do presente processo administrativo fiscal é o lançamento da COFINS dos fatos geradores ocorridos entre 28/02/1999 e 31/12/2003. A ciência do auto de infração foi dada somente em 03/08/2004 (fl. 128). Fl. 973DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000981/200484 Acórdão n.º 3401002.913 S3C4T1 Fl. 1.800 3 Conforme consta no termo de verificação fiscal (fls. 23/26), não houve recolhimento antecipado da contribuição. Insta salientar que na época do julgamento do recurso voluntário, maio de 2009, ainda não era consolidado o entendimento de que a falta de antecipação do recolhimento alterava a contagem do prazo decadencial. Todavia, em agosto de 2009, o STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733, o reconhecido como recurso repetitivo, pela sistemática do art. 543C, do CPC, editando a seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...).2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário,importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, Fl. 974DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001.6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo.7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (STJ, 1a Seção.. Resp. 973.733. Rel.Ministro Luiz Fux) (grifo nosso) Como no julgamento do STJ foi reconhecida a sistemática do art. 543C, do CPC, é o caso da aplicação do art. 62A, caput, do Regimento Interno do CARF, cujo teor é o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Dessa forma, seguindo o entendimento pacificado do STJ, apesar de a COFINS ser tributo sujeito à homologação, como, in casu, não houve recolhimento antecipado, o prazo a ser contado é o inserido no art. 173, inciso I, do CTN, pelo qual o prazo para a Fazenda constituir o crédito tributário é de cinco anos, “a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, devendo ser levado em consideração o exercício do tributo devido. Portanto, se os tributos devidos são do exercício de 1999 a 2003 e a ciência do lançamento foi dada em agosto 2004, não ocorreu a decadência. Sendo assim, é o caso de aplicação dos efeitos infringentes aos presentes embargos declaratórios, a fim de que seja desconsiderada a decadência aplicada no acórdão embargado. Ex positis, acolho os embargos de declaração para sanar a omissão apontada e aplicar os efeitos infringentes, a fim de que seja desconsiderada a decadência apontada nos embargos e se altere o resultado do julgamento para “negar provimento ao recurso voluntário, mantendose integralmente o lançamento”. É como voto. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000981/200484 Acórdão n.º 3401002.913 S3C4T1 Fl. 1.801 5 Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 976DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 16327.001000/2006-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
CONTRATO DE MÚTUO. DESPESAS COM JUROS E VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE.
Comprovada a necessidade da contratação do mútuo para a complementação de recursos destinados ao pagamento de aquisição de participação societária e, consequentemente, expansão dos negócios da pessoa jurídica, as despesas com juros e variação cambial decorrentes deste contrato são consideradas dedutíveis para fins de determinação da base de cálculo da CSLL.
CONTRATO DE MÚTUO. DECADÊNCIA. VERIFICAÇÃO DOS FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REFLEXOS TRIBUTÁRIOS FUTUROS.
A celebração do contrato de mútuo não atrai o termo inicial do prazo decadencial para a data do negócio, pois esse ato, por si só, não gera efeito constitutivo de crédito tributário. Esse efeito sobre a apuração do IRPJ e da CSLL somente nasce quando o sujeito passivo escritura as despesas (caso entenda dedutíveis), o que então repercute na formação da base de cálculo dos tributos, seja na formação de prejuízo fiscal ou base negativa, seja na redução do lucro tributável.
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. AUTUAÇÃO POR PRESUNÇÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Preliminar de nulidade afastada porque a autuação fiscal não foi baseada em indícios ou presunções, mas decorreu da não apresentação de documentos comprobatórios das informações escrituradas pela pessoa jurídica. Nos termos do artigo 264 do RIR/99, a pessoa jurídica é obrigada a conservar, em ordem, os documentos que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial.
CONTRATO DE MÚTUO. PRECLUSÃO LÓGICA. REABERTURA DE FISCALIZAÇÃO SOBRE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA
Não há ofensa ao art. 906 do RIR/99 quando inexistir coincidência de matéria e período fiscalizado entre os processos administrativos.
Numero da decisão: 1103-001.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
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RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO ILÍCITO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade quando a autoridade fiscal descreve claramente a justificativa para a realização dos lançamentos e a pessoa jurídica demonstra pleno conhecimento do ilícito fiscal a ela imputado, rebatendoo em suas peças de defesa. A mera divergência entre os dispositivos legais indicados no termo de verificação fiscal e no auto de infração, por si só, não implica cerceamento do direito de defesa. CONTRATO DE MÚTUO. DECADÊNCIA. VERIFICAÇÃO DOS FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REFLEXOS TRIBUTÁRIOS FUTUROS. A celebração do contrato de mútuo não atrai o termo inicial do prazo decadencial para a data do negócio, pois esse ato, por si só, não gera efeito constitutivo de crédito tributário. Esse efeito sobre a apuração do IRPJ e da CSLL somente nasce quando o sujeito passivo escritura as despesas (caso entenda dedutíveis), o que então repercute na formação da base de cálculo dos tributos, seja na formação de prejuízo fiscal ou base negativa, seja na redução do lucro tributável. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. AUTUAÇÃO POR PRESUNÇÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Preliminar de nulidade afastada porque a autuação fiscal não foi baseada em indícios ou presunções, mas decorreu da não apresentação de documentos comprobatórios das informações escrituradas pela pessoa jurídica. Nos termos do artigo 264 do RIR/99, a pessoa jurídica é obrigada a conservar, em ordem, os documentos que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 10 00 /2 00 6- 88 Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.056 2 CONTRATO DE MÚTUO. PRECLUSÃO LÓGICA. REABERTURA DE FISCALIZAÇÃO SOBRE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA Não há ofensa ao art. 906 do RIR/99 quando inexistir coincidência de matéria e período fiscalizado entre os processos administrativos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 CONTRATO DE MÚTUO. DESPESAS COM JUROS E VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE. Comprovada a necessidade da contratação do mútuo para a complementação de recursos destinados ao pagamento de aquisição de participação societária e, consequentemente, expansão dos negócios da pessoa jurídica, as despesas com juros e variação cambial decorrentes deste contrato são consideradas dedutíveis para fins de determinação do lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 CONTRATO DE MÚTUO. DESPESAS COM JUROS E VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE. Comprovada a necessidade da contratação do mútuo para a complementação de recursos destinados ao pagamento de aquisição de participação societária e, consequentemente, expansão dos negócios da pessoa jurídica, as despesas com juros e variação cambial decorrentes deste contrato são consideradas dedutíveis para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.057 3 Relatório Lançamento A questão sob análise diz respeito a autos de infração lavrados em 28/07/2006 para a exigência de débitos de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício e juros de mora (fls. 545 568). Em 30/10/1997, a contribuinte, então denominada Indústrias Gessy Lever Ltda. (atual Unilever Brasil Ltda.), firmou contrato de mútuo com a Unilever NV, sediada na Holanda e detentora, à época dos fatos, de 0,01% de seu capital social, no montante de US$730.000.000,00 (equivalentes a R$805.482.000,00), devidamente registrado no Banco Central do Brasil, cujo ingresso de recursos no País se deu de maneira simbólica. Ainda, nesta mesma data, a Unilever NV aumentou, em US$14.698.875,83 (equivalentes a R$16.218.739,59), o capital social da então denominada Unilever Brasil Ltda. (atual Mavibel Brasil Ltda.), que, à época dos fatos, detinha 99,99% do capital social da contribuinte. Referida operação simbólica também foi registrada no Banco Central do Brasil. Paralelamente, conforme consta do Termo de Verificação e Constatação Fiscal – “TVF” (fls. 570572), a contribuinte adquiriu da Philip Morris Latin America Inc., sediada nos Estados Unidos, as ações detidas na Finest Comercial S.A., a qual, após absorção de patrimônio líquido cindido da Kraft Suchard Brasil S.A., referente à produção e comercialização de sorvetes e produtos relacionados, passou a ser denominada de Kibon S.A. – Indústrias Alimentícias.(fls. 385455) (doravante tratada como “aquisição das indústrias de sorvete Kibon”), pelo montante de US$929.700.000,00 (equivalentes a R$1.025.830.980,00), cuja quitação ocorreu da seguinte maneira: (i) US$744.698.875,83 transferidos diretamente da Unilever NV (Holanda) à Philip Morris (Estados Unidos), em virtude do ingresso simbólico no Brasil dos recursos oriundos do contrato de mútuo e do aumento de capital acima mencionados; e (ii) US$185.301.124,17 decorrentes de recursos próprios da contribuinte, “cujo recurso foi aplicado no pagamento de imposto de renda e depósito CC5, conforme consta às fls. 233”. Diante deste cenário, a autoridade fiscal entendeu que, além de o contrato de mútuo ter sido registrado no Banco Central do Brasil com a finalidade de capital de giro, e não de investimento, conforme constava no pedido de autorização para o empréstimo, não ficou comprovada a real necessidade da geração das despesas de juros e variação cambial dele decorrentes, não guardando relação com a atividade exercida pela contribuinte e com a manutenção da respectiva fonte produtora, sendo, portanto, consideradas indedutíveis para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, por não estarem revestidas de usualidade e normalidade (fls. 575577). A autoridade fiscal, ainda, em razão da indedutibilidade de referidas despesas, intimou a contribuinte a retificar o seu Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR para correção do seu saldo de prejuízo fiscal e de base de negativa de CSLL. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.058 4 Impugnação da contribuinte (fls. 611854) Pela sua pertinência, transcrevo parte do relatório do acórdão nº 1611.406 proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, em 27/10/2006: “(...)14 A empresa apresentou impugnação...alegando, em resumo, que: 14.1 os autos de infração são nulos e devem ser arquivados, em razão de cerceamento do direito de defesa, causado pelas três diferentes capitulações legais consignadas nos autos de infração e no TV, sendo que neste a divergência ocorre tanto no enquadramento legal, à fl. 542, como no item 6, à fl. 571; 14.2 ocorreu a decadência, pois a fiscalização pretende desconstituir o mútuo realizado em 30/10/1997; 14.3 os autos de infração são nulos e devem ser arquivados, pois são fundados em meros indícios, presunções e conclusões arbitrárias e injustificadas, com diversos erros, vícios e imperfeições, como por exemplo, a tese de que a atual controladora “realizou investimentos diretos no Brasil” e que a mesma tomou a “decisão de investimentos...que tenha por objetivo, a diversificação de seus negócios e, portanto, gastos de caráter permanente e de longo prazo”, à fl. 570, capítulo IV, item 3; 14.4. os autos de infração devem ser cancelados pois a contabilidade lastreada em documentos comprova que a operação realizada foi efetivamente de mútuo e a fiscalização pretendeu inverter o ônus da prova, sem a devida base legal; 14.5. os autos de infração são nulos e devem ser extintos, pois a descrição do fato passa ora pela simulação de mútuo, ora pela remessa simbólica dos recursos ao Brasil, ora pela não necessidade da despesa, ora pelas perdas tributárias do procedimento adotado, sem descrever a conduta infracionária, prejudicando, assim, a defesa; 14.6 não há norma legal que vede o planejamento tributário, pois a Lei Complementar n.º 104, de 10/01/2001, que acrescentou o parágrafo único ao art. 116 do CTN, não pode ser aplicada, pois: a) depende, por disposição expressa, de lei ordinária, ainda inexistente, que a regulamente; b) não houve a dissimulação (ocultação, encobrimento com astúcia), que é sempre ato ilícito, entendendo a impugnante que a norma trata de vedar a evasão e não a elisão de tributo; c) o parágrafo único do art. 116 do CTN é inconstitucional, pois a realização do princípio da capacidade contributiva e da isonomia é tarefa do legislador e não da administração tributária; 14.7 os autos de infração são nulos, pois a fiscalização alega simulação do negócio jurídico sem provala, muito embora “todos os documentos solicitados” tenham sido providenciados; ou seja, não houve simulação e o mútuo é lícito e real; Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.059 5 14.8 os autos de infração devem ser anulados, pois ocorreu a preclusão lógica, visto que o exame de mútuo já se deu no processo administrativo de n.º 13808.001534/0019, relativo aos anos calendário de 1997 e 1998, que trata da glosa de despesa com ágio em face da não incorporação da empresa adquirida em parte com recursos do mútuo em tela, cuja efetividade e ocorrência não foram questionadas por aquela fiscalização, de forma que houve uma homologação implícita da ocorrência e validade do mútuo; corrobora este entendimento a ordem escrita exigida pelo art. 906 do RIR/99, ausente, neste caso, quando se trata de reabertura de fiscalização de período já fiscalizado; 14.9 a CSLL é inexigível, pois não há previsão legal para a indedutibilidade de despesas não necessárias; 14.10 o mútuo financeiro não é descaracterizado se o mutuário solicita ao mutuante que, por sua conta e ordem, remeta o dinheiro a terceiro, o que foi validado expressamente pelo BACEN, nada impedindo a contratação de mútuo para a aquisição de investimento; 14.11 a remessa direta aos EUA e a operação simbólica de câmbio foram prévia e expressamente autorizadas pelo BACEN, conforme fls. 368 a 370, o que confirma o mútuo e afasta a presunção fiscal de investimento direto no Brasil; 14.12 a contabilidade, ao contrário do que diz a fiscalização, não indica que o mútuo é um investimento direto, pois inexiste o registro mencionado pela fiscalização, visto que o recebimento do valor foi lançado na conta “Trens c/c Mútuo” (sic), 2221171, conforme o Diário Geral n.º 10, à fl. 308, com o respaldo nos seguintes documentos: a) carta da atual controladora ao BACEN, de 15/10/97, consularizada em 21/10/97, declarando o empréstimo e suas condições, às fls. 101 a 103 e 259 a 261; b) pedido de registro de empréstimo em moeda, efetuado pelo interessado junto ao BACEN, às fls. 838 e 839; c) autorização prévia do BACEN, de n.º 10297/01025, de 24/10/97, para o ingresso do valor em tela para “capital de giro”, às fls. 840 e 841; d) contrato de fechamento de câmbio, de n.º 97/032000, de 30/10/97, com a declaração de que se trata de empréstimo do valor em tela como capital estrangeiro de longo prazo, às fls. 368 a 370; e) certificado de registro de entrada de capital estrangeiro, do BACEN, de n.º 241/34602, com o valor em tela e a declaração de que se trata de “capital de giro”; 14.13 além da preclusão lógica do exame do mútuo, implicitamente homologado na ação fiscal anterior, o mútuo foi corretamente operacionalizado, conforme demonstram: Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.060 6 a) os registros de entrada e de saída do numerário junto ao BACEN (contratos de fechamento de câmbio, de fls. 368 a 370 e 842 a 847, e ao DARF de IRRF pela aquisição efetuada, de fls. 380 e “doc. 12”, não apresentado), sendo que os contratos de câmbio mostram: (I) entradas simbólicas de US$730.000.000,00 como empréstimo para o interessado (fls. 368 a 370) e de US$14.698.875,83 como investimento direto na então controladora (fls. 371 a 373) e (II) saídas simbólicas de US$719.591.468,49 e de US$25.475.141,47 do interessado como investimento (fls. 374 a 379 e 842 a 847); b) os pagamentos de IRRF nas remessas dos numerários referentes aos juros pagos (todos registrados no Anexo I do certificado de registro de empréstimo), conforme DARF’s de fls. 848 a 853, que totalizam R$77.528.821,11, convalidam o mútuo e afastam a tese da indedutibilidade dos juros; 14.14 do exposto, concluise “que não houve ‘pagamento simbólico’, mas sim pagamento da Impugnante” para a vendedora da empresa adquirida, conforme contrato de câmbio e registros no BACEN, de forma que o mútuo existiu e o seu registro como “capital de giro” significa que a impugnante não devia nenhuma satisfação sobre o que faria como dinheiro, cabendo destacar que esse lapso “decorreu de erro de expressão típica de uma situação especial, e não tributária, que não tem o condão de alterar a natureza jurídica da despesa incorrida”; 14.15 havendo o mútuo, como foi demonstrado, os juros e a variação cambial são decorrências necessárias, cabendo destacar que o negócio de sorvetes já fazia parte da sua atividade, seja como fabricante, seja como proprietária de empresas dedicadas ao ramo; 14.16 o “contribuinte pode optar pela forma de negócio com menor impacto tributário, desde que tal redução não seja artificial, isto é, dissimulando o fato gerador”, não podendo o Fisco “interferir na administração da empresa (ingerência), pois a lei não lhe outorga esse poder”, sendo que o mútuo é usual e normal, apoiado em causa real e com legítimo propósito negocial; portanto, as despesas em tela são necessárias, usuais e normais, e dessa forma, dedutíveis, mesmo que os recursos tenham sido dirigidos para a realização de investimentos; 14.17 nada impede a utilização do planejamento tributário, desde que respeitados os limites da lei, mesmo que o plano tenha como único e exclusivo motivo a redução ou eliminação da carga tributária; 14.18 o parágrafo único do art. 116 do CTN não foi violado pelos motivos já expostos; 14.19 não houve simulação na “cisão” (sic) sofrida pelo interessado, pois “o conceito de simulação envolve sempre uma realidade fática destoante da realidade jurídica”, o que não ocorre neste caso, visto que “nenhuma das três hipóteses que caracterizam ato simulado está presente (aparência da transmissão de coisas ou direitos a pessoas diferentes, declaração falsa ou atos prédatados ou pósdatados)”, além de que “a Administração Pública não tem poderes para, Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.061 7 isoladamente, anular ou declarar nula uma certa situação”, “prerrogativa do Poder Judiciário”, em resumo: se o ato é lícito, não há que se falar em simulação; 14.20 caso seja mantida a atuação, o IRRF de R$77.528.281,11 pago sobre as remessas de juros, conforme fls. 848 a 853, deve ser compensado “com eventual valor remanescente deste caso, quer quanto ao IRPJ, quer quanto à CSLL”. Decisão da DRJ (fls. 882899) No tocante às preliminares, os julgadores decidiram que: (i) o lançamento não foi atingido pela decadência, pois não se desconstituiu o contrato de mútuo e, sim, analisouse os efeitos tributários dele decorrentes. Nesse sentido, em virtude de, em 2001 (anocalendário fiscalizado mais antigo), a contribuinte ter optado pelo regime de tributação do lucro real anual, seu fato gerador ocorreu em 31/12/2001, de modo que o lançamento efetuado em 28/07/2006 estava dentro do prazo decadencial de 5 anos; (ii) a despeito de a contribuinte alegar que houve cerceamento de seu direito de defesa, conforme se verifica na impugnação, as supostas falhas na capitulação legal e de imprecisão da descrição dos fatos não foram impedimentos para tanto. Complementa, ainda, que em nenhum momento fez menção à simulação; (iii) o processo nº 13808.001534/0019 tinha como objeto a glosa de despesa com ágio e a palavra “mútuo” sequer foi mencionada na decisão, de modo que não há se falar em preclusão do exame do mútuo se não houve a efetiva análise de seu contrato. Já em relação ao mérito, concluiu que: (i) embora tenham ocorrido eventuais imprecisões, elas não são relevantes para a discussão da autuação, pois se tratam de mera contextualização do contrato de mútuo, cujos reflexos são, efetivamente, o objeto da discussão, não sendo, portanto, nulos os autos em análise; (ii) não há que se falar em inversão do ônus da prova e, sim, em satisfação da obrigação legal que a contribuinte tem de apresentar à fiscalização os documentos hábeis a respaldar sua escrituração. Quando intimada a apresentar aqueles que, coincidentes em valores e datas, comprovassem a entrega efetiva dos recursos nos Estados Unidos, ela não o fez; (iii) não se falou, nos autos de infração, em planejamento tributário, simulação e/ou dissimulação, de modo que os argumentos a eles relativos são improcedentes. Ainda, ressalta que não cabe à instância administrativa a análise de eventual inconstitucionalidade e, ou, ilegalidade de normas; Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.062 8 (iv) no tocante a todas as alegações sobre a existência efetiva do mútuo, a autoridade fiscal argumenta que elas são improcedentes, pois, em razão da natureza simbólica dos contratos registrados no BACEN, a contribuinte deveria comprovar (e não o fez) a efetividade da entrega dos recursos nos Estados Unidos, de modo que as despesas de juros e variação cambial devem ser consideradas indedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, por não serem necessárias; (v) a despeito da alegação de inexistência de base legal para a indedutibilidade de despesas não necessárias para a CSLL, ela não deve prosperar, pois restouse comprovada a inexistência do mútuo financeiro. Nesse sentido, não há que se falar em respaldo jurídico para as remessas efetuadas ao exterior, tampouco contábil para o registro das despesas com juros e variação cambial; e (vi) é improcedente o pedido de compensação dos lançamentos de IRPJ e CSLL, se mantidos, com o IRRF pago sobre as remessas de juros, pois se presume que estes valores (juros) foram efetivamente remetidos ao exterior. Nesse sentido, a DRJ julgou totalmente procedente o lançamento. Do Recurso Voluntário (fls. 914972) Com exceção das preliminares e dos argumentos de mérito referentes à simulação e ao planejamento tributário, que não constam da peça recursal, o recurso voluntário apresentado pela recorrente reproduziu os argumentos articulados na impugnação. Juntada de documentos (fls. 976996 e 1.0211.031) Em 05/11/2007, a fim de comprovar a efetiva transferência de recursos aos Estados Unidos, a contribuinte solicitou que fossem juntados aos autos (i) recibo recíproco emitido pelas empresas Philip Morris Latin America Inc. e Indústrias Gessy Lever Ltda. (atual Unilever Brasil Ltda.) e (ii) consentimento em reunião de conselho de administração, ambos devidamente traduzidos por tradutor público. Em 28/05/2014, a recorrente apresentou petição reforçando a efetividade do contrato de mútuo pelo recibo acima mencionado, bem como traz aos autos o acórdão nº 10709.420 da Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do qual o voto proferido pelo Conselheiro relator Hugo Correia Sotero (e seguido por unanimidade pelos demais conselheiros) deu provimento ao recurso voluntário no processo nº 16327.0028085/200531, considerando dedutíveis as despesas com juros passivos, referentes ao anocalendário 2001 e também decorrentes do contrato de mútuo firmado pela recorrente com a Unilever NV. É o relatório. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.063 9 Voto Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. Ressalvo, no entanto, as indicações contidas em trechos transcritos, as quais se referem à numeração dos autos do processo físico (em papel). I. Preliminares Da falta de consonância entre a capitulação consignada nos autos de infração e no Termo de Verificação e Constatação Fiscal – “TVF” A recorrente alega que a autoridade fiscal identificou o mesmo ilícito fiscal com diversos conjuntos de tipificações tributárias, substancialmente diferentes, impedindoa de conhecer, em sua plenitude, os argumentos e raciocínio da autuação sofrida. Isso porque, no campo intitulado como “enquadramento legal”, o auto de infração de IRPJ estaria suportado pelos artigos 247, 249, inciso I, 251, parágrafo único, e 299 do RIR/99, e, por sua vez, no TVF é possível verificar duas fundamentações, a saber: (i) artigos 380, 277, 374, 299 e seus parágrafos do RIR/99; e (ii) artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300 do RIR/99. Em relação à CSLL, a recorrente alega que a mesma situação se verificou, pois o auto de infração a ela relativo foi justificado pela infringência ao disposto no artigo 20 e parágrafos da Lei nº 7.689/88, no artigo 19 da Lei nº 9.249/95, no artigo 10º da Lei nº 9.316/96, no artigo 28 da Lei nº 9.430/96 e no artigo 6º da Medida Provisória nº 1.858/99. Nesse sentido, a recorrente pede que os autos de infração sejam considerados nulos, pois tais imprecisões e confusões na tipificação do ilícito fiscal cercearam seu direito de defesa. Inicialmente, cumpre esclarecer que a recorrente, ao mencionar os fundamentos constantes no TVF, informou, no item (i) acima, um dispositivo errado: onde se lê artigo 380, referese, em verdade, ao artigo 377, conforme se verifica na fl. 575. Já nos dispositivos legais relativos à CSLL, onde se lê artigo 20 e §§ da Lei nº 7.689/88 e artigo 10º da Lei nº 9.316/96, referemse, respectivamente, aos artigo 2º e §§ e artigo 1º. De fato, possui razão a recorrente em alegar falta de consonância entre os enquadramentos legais descritos no auto de infração e no TVF, no entanto, não entendo que mereça prosperar a alegação de cerceamento do seu direito de defesa. Isso porque, a partir da leitura do TVF, a despeito de a autoridade fiscal fazer menção aos artigos 377, 277, 374, 299 e seus parágrafos do RIR/99, conforme mencionado no item (i) acima, verificase que restou clara a justificativa dos lançamentos efetuados, permitindo, portanto, que a recorrente exercesse o contraditório e a ampla defesa. Vejamos trecho do TVF (fls. 575 e 576): “(...)6. Em relação à infração, vale dizer que do exame da necessidade das despesas financeiras (juros e variação cambial passiva), verifiquei que em harmonia com o disposto no Regulamento Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.064 10 do Imposto de Renda, não há de se contemplar como dedutível qualquer despesa financeira contabilizada na pessoa jurídica, mas tãosomente aquelas despesas que, sendo operacionais, estejam revestidas dos predicados da usualidade e normalidade, que, guardem uma natural e íntima relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora, que, em suma, sejam despesas indispensáveis. Todo esse conjunto de conceitos, cuja integral materialização é imprescindível à legitimação da dedutibilidade decorre da combinação dos dispositivos contidos nos artigos 377, 277, 374, 299 e seus parágrafos, do RIR, Decreto nº 3000, de 26/03/1999.” (grifos não originais) Em relação ao item (ii) tal alegação de cerceamento também não merece prosperar, pois embora tenha mencionado dispositivo novo no TVF (se comparado ao auto de infração), qual seja, o artigo 300 do RIR/99, também restou claro que o objetivo da glosa era a indedutibilidade das despesas com juros e variação cambial passiva (fl. 577): “Assim, por tudo exposto, no presente termo, concluo que as despesas financeiras contabilizadas, a título de variações cambiais e juros passivos, conforme consta à fls. 497 do processo, são indedutíveis, tendo em vista, a falta de legitimidade da dedutibilidade decorrente da combinação dos dispositivos contido nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300 do RIR, Decreto nº 3000, de 26/03/1999 e falta de comprovação do valor de us$ 730 milhões remetidos diretamente à Phillip Morris, Usa, razão pela qual é lavrado o presente auto de infração.” (grifos não originais) Nesse sentido, a despeito de o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 determinar que, dentre outros, o auto de infração deverá conter obrigatoriamente a disposição legal infringida, entendo que a falta de consonância entre os dispositivos mencionados nos autos de infração e no TVF não cerceou o direito de defesa da recorrente, pois, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, ela demonstrou conhecimento do ilícito fiscal a ela imputado. A 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho recentemente se pronunciou em situação semelhante: “NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.” (Acórdão nº 1802002.146, em sessão de 06/05/14, Rel. Cons. Nelson Kichel) (grifos não originais). Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.065 11 Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López, em reconhecida obra sobre o processo administrativo fiscal1, assim lecionam quanto aos elementos nucleares do ato administrativo de lançamento “é necessário, portanto, que o auditor relate, com clareza, os fatos ocorridos, as provas, e evidencie a relação lógica entre estes elementos de convicção e a conclusão advinda deles. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos do fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada ao contribuinte.” Diante do exposto, rejeito a arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa da recorrente. Da decadência quanto ao questionamento da operação de mútuo A recorrente alega que a pretensão fiscal havia decaído quando da lavratura do auto de infração, pois o contrato de mútuo que originou as despesas de juros e variações cambiais, ora glosadas, foi firmado em 30/10/1997. Nesse sentido, a despeito da existência de reflexos tributários futuros, quais sejam, pagamentos de juros e variação cambial, a recorrente aduz que eles nascem e decorrem de tal contrato, o qual, no momento do lançamento (28/07/2006), já tinha sido atingido pelo prazo decadencial, devendo, portanto, ser anulado o processo administrativo em questão. Conforme disposição expressa dos artigos 150, §4º e 173 do CTN, a autoridade fiscal possui o prazo de 5 anos para constituir exigências tributárias, de modo que, em 2006, não mais poderia formalizar lançamento para exigência de crédito tributário quanto a infrações ocorridas em 1997. Entendo, mais uma vez, que não assiste razão à recorrente. A celebração do contrato de mútuo não atrai o termo inicial para a data do negócio, pois ele não gera efeito constitutivo de crédito tributário. Esse efeito sobre a apuração dos tributos IRPJ e CSLL somente nascerá quando o sujeito passivo escriturar as despesas (caso entenda dedutíveis), o que então repercutirá na formação da base de cálculo dos tributos, seja na formação de prejuízo fiscal ou base negativa, seja na redução do lucro tributável. O artigo 37 da Lei nº 9.430/96 determina, inclusive, que “os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esse exercício”. Assim, cabe à recorrente comprovar a regularidade das despesas ora discutidas e utilizadas para reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL nos períodos fiscalizados, podendo a autoridade fiscal, por sua vez, delas discordar, desde que não atingida a decadência para a constituição do crédito tributário, podendo, inclusive, efetuar verificações em períodos anteriores, já atingidos pela decadência, vedandose, no entanto, a constituição de créditos tributários sobre eles. Nesse sentido já se manifestou este Conselho: “AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DOS FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E 1 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 2ª edição. São Paulo: Dialética, 2004, p. 167. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.066 12 ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro líquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para a constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN).” (Acórdão nº 1101000.863, da 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento, em sessão de 07/03/13, Cons. Rel. Edeli Pereira Bessa) (grifos não originais) Considerando, então, que (i) as despesas de juros e variação cambial mais antigas glosadas pela autoridade fiscal influenciaram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano calendário de 2001, (ii) a recorrente optou, para referido ano, pelo regime de tributação do lucro real anual (fl.23), e (iii) em decorrência desta opção, o fato gerador do IRPJ e da CSLL ocorreu em 31/12/2001; o lançamento efetuado pela autoridade fiscal em 28/07/2006 estava dentro do prazo decadencial de 5 anos. Rejeito, assim, a preliminar de decadência alegada pela recorrente. Da autuação por presunção e da inversão do ônus da prova A recorrente alega que o processo administrativo ora em discussão deve ser anulado, pois o lançamento efetuado pela autoridade fiscal se baseou em meros indícios e presunções, além de ter sido lavrado com diversos erros, vícios e imperfeições, ferindo, portanto, os princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa. Adicionalmente, a recorrente aduz que a autoridade fiscal deve comprovar o lançamento efetuado, cabendo a ela (recorrente) realizar a respectiva contraprova. Ocorre, no entanto, que a autoridade fiscal entendeu que as despesas de juros e variação cambial não eram necessárias, pois não foi comprovado pela recorrente que a Unilever NV efetivamente enviou os recursos aos Estados Unidos (os quais foram remetidos simbolicamente ao País), para pagamento à Philip Morris da aquisição das indústrias de sorvetes Kibon (fls. 385455). Isso porque a autoridade fiscal entendeu, nos termos do artigo 246 do RIR/99, que tal prova era necessária à escrituração do mútuo firmado pela recorrente, devendo conservála por força do disposto no artigo 264 do RIR/99. Pois bem. Em resposta ao Termo de Constatação e Intimação recebido em 29/06/05, no qual a autoridade fiscal solicitou informações sobre a aplicação dos recursos emprestados pela Unilever NV, a recorrente apresentou os contratos de câmbio registrados no BACEN, todos datados de 30/10/1997, justificando que os recursos ingressados simbolicamente no País, seja a título de mútuo, seja a título de aumento de capital de sua controladora, foram, em sua totalidade, remetidos simbolicamente à Philip Morris (fls. 240251). Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.067 13 Como todas as operações acima ocorreram com ingresso simbólico de recursos, a autoridade fiscal solicitou, no Termo de Intimação recebido em 15/09/05, comprovação da entrega efetiva dos US$730.000.000,00 pela Unilever NV à Philip Morris, a qual não foi apresentada, à época dos fatos, pela recorrente. Apenas em 05/11/2007, ou seja, após a apresentação do recurso voluntário, a recorrente solicitou, na tentativa de fazer referida comprovação, a juntada de um recibo recíproco emitido pela Philip Morris, acusando o recebimento dos US$730.000.000,00 (fls. 976978). Nesse sentido, verificase que a autuação sofrida pela recorrente não foi baseada em meros indícios e, sim, pela não apresentação de documentos requisitados pela autoridade fiscal que comprovassem a efetiva entrega dos recursos à Philip Morris, a qual ocorreu apenas 2 anos e 2 meses após sua requisição, muito embora o documento esteja datado de 30/10/1997 e, portanto, existente naquela ocasião. Diante do exposto, rejeito a arguição de nulidade por autuação decorrente de meros indícios e inversão do ônus da prova. Da falta de identificação do ilícito fiscal A recorrente alega que, quando da elaboração do TVF, a autoridade fiscal não foi uniforme em seus argumentos, ora dizendo que: (i) não houve a comprovação da contratação do mútuo, concluindose que a verdadeira intenção da operação era investimento; (ii) não foi comprovado o direcionamento dos recursos recebidos para terceiro no exterior; (iii) as despesas de juros e variação cambial não são necessárias, pois não guardam relação de usualidade e normalidade com a atividade exercida pela recorrente; e (iv) o erário federal sofreu enormes perdas com as despesas acima mencionadas. Nesse sentido, a recorrente aduz que não foi possível identificar a verdadeira infração a ela imputada, para, então, apresentar sua defesa. No entanto, conforme demonstrado na preliminar referente à falta de consonância entre a capitulação legal dos autos de infração e das fundamentações contidas no TVF, apesar das deficiências do trabalho fiscal, restou claro, pela relação lógica entre as provas colhidas e o raciocínio construído pela autoridade fiscal, que o objetivo da glosa era a indedutibilidade das despesas com juros e variação cambial. Isso porque a recorrente não comprovou a efetiva entrega de recursos à Philip Morris, a qual, consequentemente, corroboraria a real existência do contrato de mútuo que ensejou as despesas ora discutidas. Desse modo, entendo que as justificativas para rejeitar a preliminar arguida pela recorrente são as mesmas daquelas referentes à capitulação legal, razão pela qual rejeito também este argumento da recorrente. Da preclusão lógica – reabertura de fiscalização sobre período já fiscalizado A recorrente alega que, por meio do processo administrativo nº 13808.001534/0019, que tinha como objeto a glosa de despesas de amortização de ágio oriundo da aquisição das indústrias de sorvetes Kibon, o contrato de mútuo firmado com a Unilever NV foi efetivamente Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.068 14 analisado pela autoridade fiscal, não sendo questionada a sua efetividade e ocorrência, sendo, portanto, implicitamente homologado. Nesse sentido, alega que “não há qualquer ordem para a reabertura do procedimento fiscalizatório do ano de 1.997 e 1.998, o que impede a conclusão desconstitutiva do contrato de mútuo e, consequentemente, impede o seguimento meritório do auto de infração ora atacado, que deve ser anulado de pleno direito” (fl. 942). Com efeito, o artigo 906 do RIR/99 determina que o reexame de período fiscalizado somente é possível mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. Mas o argumento da recorrente, mais uma vez, não convence. Em primeiro lugar, da análise do processo administrativo mencionado pela recorrente, mais especificamente dos autos de infração, da impugnação, da decisão da DRJ, do recurso voluntário e do acórdão proferido pela Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, verificase não haver nenhuma menção à efetiva análise do contrato de mútuo (fls. 715838). Referido processo teve como objeto a glosa de despesas de amortização de ágio aproveitadas pela recorrente nos anoscalendários de 1997 e 1998, de modo que, a partir dos documentos acima mencionados, discutiuse apenas a ocorrência, ou não, de ato societário (incorporação, fusão ou cisão) que justificasse tal amortização: Relatório do acórdão da DRJ no processo administrativo nº 13808.001534/0019 A fiscalização constatou que os procedimentos adotados pela contribuinte não poderiam estar baseados na legislação supracitada, haja vista que a mesma adquiriu o controle da Kibon S.A. (fls. 52 a 64), sem que tenha ocorrido, entretanto, a fusão, cisão ou incorporação (fls 65 a 68), como determina a lei ora mencionada, como fator preponderante para que a contribuinte possa apropriar o ágio na aquisição da Kibon S.A. (fl 768) Além disso, é importante esclarecer, como escrevi acima, que a celebração do contrato de mútuo não gera efeito constitutivo de crédito tributário relativo ao IRPJ e à CSLL. Esse efeito sobre a apuração do IRPJ e da CSLL somente nascerá quando o sujeito passivo escriturar as despesas (caso entenda dedutíveis), o que então repercutirá na formação da base de cálculo dos tributos, seja na formação de prejuízo fiscal ou base negativa, seja na redução do lucro tributável. Vale dizer: os reflexos tributários analisados neste julgamento, quais sejam, as despesas de juros e variação cambial deduzidas pela recorrente da base de cálculo do IRPJ e da CSLL referemse aos anoscalendários de 2000 a 2004, não havendo coincidência, portanto, com o período fiscalizado no processo administrativo nº 13808.001534/0019 (1997 e 1998), sendo inaplicável o artigo 906 do RIR. Diante do exposto, rejeito também a preliminar de reabertura de procedimento fiscalizatório arguida pela recorrente. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.069 15 II. Mérito Inicialmente, cumpre esclarecer que, para o deslinde da questão, não será analisada a operação de mútuo entre a recorrente e a Unilever NV sob a ótica de planejamento tributário. Isso porque, muito embora a ideia de simulação possa ser extraída implicitamente do TVF em trechos como “A Unilever NV, que por controlar a sua afiliada Indústrias Gessy Lever Brasil, deliberadamente, decidiu por emprestar recursos em vez de capitalizar” (fls. 576), não houve a imputação expressa desta conduta à recorrente. Nesse sentido, ao julgar a impugnação apresentada pela recorrente, na qual esta alegou a inexistência de planejamento tributário, a DRJ consignou expressamente não haver razão para julgar as alegações da contribuinte, pois “A autuação não aponta como sua causa o planejamento tributário efetuado, mas, sim, a desnecessidade da despesa e a falta da comprovação do mútuo.” (fl. 898). Assim, à ausência de imputação da infração no TVF, esta matéria não compõe a lide. Pois bem. A recorrente alega que a operação de contratação de mútuo com a Unilever preencheu todas as características que o conceito de mútuo exige, sendo, inclusive, registrado no Banco Central do Brasil, não havendo que se falar, portanto, em investimento direto por integralização de capital. Inicialmente, cumpre esclarecer que, nos termos da Lei nº 4.131/62, a captação de recursos no exterior, inclusive por meio de empréstimos, deve ser registrada no Banco Central do Brasil. À época dos fatos, referido registro era feito junto ao FIRCE (antigo Departamento de Capitais Estrangeiros) do Banco Central, com a consequente obtenção de certificado por ele emitida.2 Em 15/10/1997, a Unilever NV, sediada na Holanda, solicitou, ao Banco Central do Brasil, pedido de autorização prévia para empréstimo, no qual seriam emprestados à recorrente US$730.000.000,00 (equivalentes a R$805.482.000,00), a serem pagos em 5 parcelas de US$146.000.000,00, com taxa de juros préfixada em 10% ao ano (fls. 102103). Tal autorização prévia foi concedida em 24/10/1997, sob o nº 10297/01025. O valor tomado pela recorrente seria destinado à Philip Morris, sediada nos Estados Unidos, como parte do pagamento pela aquisição das indústrias de sorvetes Kibon, de modo que o ingresso e a saída deste recurso, no País, seriam simbólicos, sendo transferidos diretamente da Unilever NV para a Philip Morris. Em 28/10/1997, a recorrente recebeu, por meio do DESPA/RECAM 8097/337, a anuência do Banco Central do Brasil para as contratações e liquidações simultâneas das operações de câmbio, sem expedição e recepção de ordens de pagamento em moeda estrangeira (fl. 367). Assim, a recorrente, em 30/10/1997, registrou no Banco Central do Brasil os seguintes contratos de câmbio: (i) nº 97/032000, por meio do qual a recorrente vendeu ao Banco Citibank US$730.000.000,00 (equivalentes a R$805.482.000,00) oriundos do empréstimo contratado com a Unilever NV (fls. 369371); 2 Atualmente, por força da Circular BACEN 3.027/01, o registro passou a ser eletrônico, por meio dos módulos ROF (Registro de Operações Financeiras) e RDE (Registro Declaratório Eletrônico). Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.070 16 (ii) nº 97/032007, por meio do qual a recorrente vendeu ao Banco Citibank US$14.698.875,83 (equivalentes a R$16.218.739,59) oriundos de aumento de capital realizado pela sua controladora; (iii) nº 97/035124, por meio do qual a recorrente comprou do Banco Citibank US$719.223.734,36 (equivalentes a R$793.591.468,49) para pagamento parcial à Philip Morris (fls. 375377); e (iv) nº 97/035123, por meio do qual a recorrente comprou do Banco Citibank US$25.475.141,47 (equivalentes a R$28.109.271,10) para pagamento parcial à Philip Morris (fls. 378380). O montante residual do valor a pagar à Philip Morris foi efetuado mediante depósito em sua conta corrente (fls. 382384) e pagamento de DARF do IRRF incidente sobre a operação (fl. 381). A operação ora retratada foi escriturada pela recorrente, em sua contabilidade, no Livro Diário Geral nº 10, da seguinte maneira: (i) contabilização do mútuo (fls. 308309) D Bancos conta transitória (1113010): R$805.482.000,00 C – Bancos conta transitória (2221171): R$805.482.000,00 (ii) contabilização do aumento de capital (fls.306/309) D Bancos conta transitória (1113010): R$16.218.739,59 C – Bancos conta transitória (2410010): R$16.218.739,59 (iii) contabilização do pagamento à Philip Morris (fls. 306309) D – Investimentos (1312010): R$793.591.468,49 C – Bancos conta transitória (1113010): R$793.591.468,49 D – Investimentos (1312010): R$28.109.271,10 C – Bancos conta transitória (1113010): R$28.109.271,10 D Investimentos (1312010): R$149.658.256,32 C – Citibank – Ag. Ipiranga (1113140): R$149.658.256,32 D Investimentos (1312010): R$54.471.984,08 C – Citibank – Ag. Ipiranga (1113140): R$54.471.984,08 Importante mencionar que, em decorrência da autorização prévia nº 10297/01025, de 24/10/1997, que embasou toda a operação de mútuo contratada pela recorrente, esta recebeu do Banco Central do Brasil, em 19/08/1998, o certificado de registro nº 241/34602 (fls.105106.). Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.071 17 Vale lembrar também – a demonstrar a relevância, inclusive para fins tributários, do registro da operação junto ao Banco Central – que até o final de 2012, para o controle dos preços de transferência para juros decorrentes de mútuos celebrados entre partes vinculadas, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 22, §4º, previa um safe harbour para contratos registrados no Banco Central. Ou seja, a própria lei tributária outorgava o controle da taxa de juros em operações de crédito, inclusive para fins de dedutibilidade, ao Banco Central. Carlos Pelá, Conselheiro desta Casa, em artigo sobre o tema, assim explica a regra de preços de transferência para juros na sistemática anterior à vigente Lei 12.715/2012: Como se pode ver do texto vigente até o final de 2012, a disciplina dos preços de transferência para juros era de certo modo simplificada. A Lei determinava um limite objetivo (libor de seis meses proporcional, mas 3% de spread) e um safe harbour (qualquer taxa para contratos registrados no Banco Central do Brasil). Como praticamente todos os contratos eram registrados no Banco Central, a preocupação dos contribuintes e da Receita Federal era bem pequena. Enganase, todavia, quem imagina que “qualquer taxa” era aceita pelo Banco Central para registro das operações de crédito. As operações registradas via Registro Declaratório Eletrônico (RDE), tanto na modalidade de Registro de Operações Financeiras (ROF) quanto na modalidade de Investimento Estrangeiro Direto (IED), eram frequentemente questionadas pela autoridade reguladora sempre que as taxas registradas destoavam das taxas usualmente praticadas nas demais operações registradas no sistema. A fundamentação para o acompanhamento efetuado pelo Banco Central remonta à publicação da Lei nº 4.131/1962, que previu a criação do sistema de controle de capitais e que virou sinônimo de operação de crédito no jargão do mercado financeiro. Esta Lei prevê também que à autoridade monetária (denominada Sumoc àquela época) cabe “impugnar e recusar a parte da taxa que exceder à taxa vigorante no mercado financeiro de onde procede o empréstimo, crédito ou financiamento, na data de sua realização, para operações do mesmo tipo e condições”. (Juros e Preços de Transferência. Nova Sistemática Introduzida pela Lei nº 12.766/2012. In: SCHOUERI, Luís Eduardo. Tributos e Preços de Transferência. 4º volume. São Paulo: Dialética, 2013, p. 89) Ainda, importante mencionar que o Banco Central do Brasil possui, dentre outras, competência privativa para controlar os capitais estrangeiros no País (artigo 10º, inciso VII, da Lei nº 4.595/64), e que para o registro dos câmbios simbólicos é necessária a comprovação de toda a operação efetuada, que, após análise de sua efetividade, pode ser anuída ou não. No caso em tela, o Banco Central do Brasil anuiu expressamente, em 28/10/1997, a operação pretendida pela recorrente (Indústrias Gessy Lever Ltda.), a Unilever NV e a Philip Morris Latin America Inc., qual seja, “as contratações e liquidações simultâneas das operações de câmbio, sem expedição e recepção de ordens de pagamento em moeda estrangeira” (fl. 367). Por meio da anuência expressa em referência, e dos elementos probatórios trazidos aos autos pela recorrente, entendo estar comprovada a existência e efetividade da contratação de mútuo, pois, conforme dito acima, essa é uma das competências privativas do Bacen, não Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.072 18 cabendo à Receita Federal do Brasil descaracterizar algo que o órgão competente considerou como mútuo. Nesse mesmo sentido, já houve manifestação do extinto Segundo Conselho de Contribuintes: IOF. OPERAÇÕES DE AQUISIÇÃO DE TÍTULOS DE DÍVIDA PÚBLICA ESTRANGEIRA E POSTERIOR VENDA DELES A EMPRESAS BRASILEIRAS, COM PAGAMENTO EM REAIS, SEM REGISTRO NO BANCO CENTRAL DO BRASIL. ALEGAÇÃO DE ILÍCITO CAMBIAL. INCOMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Compete ao Banco Central do Brasil a verificação do cumprimento das normas relativas ao registro de operações que envolvam a entrada e saída de recursos financeiros do país, cabendo à Administração Tributária somente analisar a ocorrência do fato gerador e promover o cumprimento das obrigações então surgidas. (Acórdão nº 20177.174, Cons. Rel. Antonio Mario de Abreu Pinto, publicado no DOU 13/05/04) (grifouse) Superados esses obstáculos da efetividade do contrato de mútuo, passo a analisar a necessidade das despesas com juros e variação cambial, à luz da legislação e da jurisprudência deste Conselho sobre o assunto. Inicialmente, cumpre esclarecer que o já citado artigo 22, §4º, da Lei nº 9.430/96 (vigente à época dos fatos) determinava que os juros pagos a pessoa vinculada, decorrentes de contrato registrado no Banco Central do Brasil, seriam dedutíveis para fins de determinação do lucro real com base na taxa registrada. No tocante à CSLL, este dispositivo é também aplicável em virtude de expressa remissão feita pelo artigo 28 da mesma lei. O parágrafo único do artigo 18 do Decretolei nº 1.598/77, por sua vez, determinou que “as contrapartidas de variações monetárias de obrigações e perdas cambiais e monetárias na realização de créditos poderão ser deduzidas para efeito de determinar o lucro operacional”. Conforme se verifica no TVF, a despeito dos dispositivos acima mencionados, a autoridade fiscal glosou as despesas financeiras de juros e variação cambial, pois entendeu que estas não estavam revestidas da legitimidade da dedutibilidade, por não serem necessárias à atividade empresarial da recorrente (fl. 577). Segundo a doutrina de Mariz de Oliveira3, para as despesas operacionais ou não operacionais serem consideradas dedutíveis nas apurações de IRPJ e CSLL, o contribuinte deve submetêlas a quatro regras básicas de verificação, quais sejam, (i) não serem custos, (ii) serem despesas necessárias, (iii) serem comprovadas e escrituradas, e (iv) serem debitadas no períodobase competente. Dentre as referidas regras, apenas o critério de necessidade das despesas foi questionado pela autoridade fiscal, tornando, portanto, imprescindível analisar o conceito de “necessidade” trazido pelo artigo 47 da Lei nº 4.506/64, in verbis4: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. 3 Fundamentos do Imposto de Renda. Quartier Latin, 2008, p. 684722 4 Conceito incorporado ao RIR/99, no artigo 299. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.073 19 § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. Em resumo, considerando as diretrizes de hermenêutica jurídica de que os parágrafos se subordinam ao caput do dispositivo legal, como normas jurídicas dependentes ou complementares a este, podemos concluir pela existência de um conceito de necessidade abrangente, em que as despesas operacionais podem ser definidas como aquelas necessárias às atividades da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (caput), entendidas como tais, as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (parágrafo 1º), desde que sejam usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (parágrafo 2º). Nesse sentido, importante ressaltar que, a despeito de a conceituação de despesas operacionais estar contida em dispositivo referente apenas ao IRPJ, ela também é aplicável à CSLL, pois o artigo 13 da Lei nº 9.249/95, ao estabelecer quais deduções estavam expressamente vedadas, para efeitos de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, foi categórico ao ressalvar o artigo 47 da Lei nº 4.509/64. A Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou sobre o tema: “CSLL. DESPESAS NECESSÁRIAS. NÃO DEDUTIBILIDADE. Se fosse para manter o art. 47 da Lei nº 4.506/64 aplicável apenas para o IRPJ, não necessitava o legislador fazer referência a ele no caput no art. 13 da Lei nº 9.249/95, mesmo porque, ao vedar a dedutibilidade de algumas despesas, não estaria a regra do art. 13 derrogando a norma de caráter principiológico do art. 47. Fica, clara, a intenção do legislador de submeter a CSLL às disposições do art. 47 da Lei nº 4.506/64.” (Acórdão nº 910101.312, da 1ª Turma, em sessão de 24/04/12, Rel. Cons. Karem Jureidini Dias). Ainda de acordo com Mariz de Oliveira5, “podese dizer, sem medo de errar, que uma despesa é necessária quando ela for inerente à atividade da empresa ou à sua fonte produtora, ou for dela decorrente, ou com ela for relacionada, ou surgir em virtude de simples existência da empresa e do papel social que ela desempenha”. Em sentido semelhante, Bulhões Pedreira6 esclarece que “a lei define como necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (L 4.506, art. 47, §1º; RIR, art. 162, §1º). Não estabelece, pois, critérios gerais em função da atividade da empresa mas, por assim dizer, atomiza essa atividade nas transações ou operações por ela exigidas. As despesas são ditas necessárias em cada uma das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa”. O ilustre doutrinador7 também esclarece que para “ser dedutível, além de necessária a despesa deve ser usual, ou normal, no tipo de transações, operações e atividade da empresa. Notese que o critério legal de normalidade não se baseia na experiência da própria empresa, mas do tipo de atividades que ela exerce: a despesa é dedutível para determinada empresa 5 Fundamentos do Imposto de Renda. Quartier Latin, 2008, p. 696. 6 Impôsto de Renda. Rio de Janeiro: APEC Editora, 1969, tópico 622. 7 Op. cit. tópico 626. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.074 20 ainda que ocorra excepcional ou esporadicamente no curso dos seus negócios, mas desde que possa ser tida como usual ou normal no tipo de atividade que explora”. A norma do artigo 47 da Lei nº 4.506/64 (ou artigo 299 do RIR/99) deve ser interpretada à luz da competência constitucional atribuída a União para tributar a renda, nos limites estabelecidos pelo artigo 43 do CTN, cujas disposições impõem que o IRPJ e a CSLL somente incidem quando ocorrer acréscimo patrimonial. Assim, via de regra, ao confrontar as receitas e despesas das atividades do contribuinte, deverão ser considerados dedutíveis os custos e despesas necessários para a produção do acréscimo patrimonial, sob pena de se tributar outra grandeza que não esta. Partindo dessas considerações e aplicandoas ao caso em tela, concluo que as despesas de juros e variação cambial da recorrente estão de acordo com as regras básicas de dedutibilidade das despesas operacionais. Sobre a dedutibilidade desses juros pagos a pessoa jurídica vinculada, qual seja, Unilever NV, importante mencionar que as chamadas regras de subcapitalização foram positivadas no ordenamento jurídico brasileiro apenas com a edição da Medida Provisória nº 472/09, posteriormente convertida na Lei nº 12.249/10 (que regula a matéria em seus artigos 24 e 25). Conforme se verifica na exposição de motivos de referida Medida Provisória, o objetivo da criação de regras de subcapitalização era “evitar a erosão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL mediante o endividamento abusivo”. Isso porque, até aquele momento, tinhase a visão de que a utilização excessiva de empréstimos entre pessoa jurídica domiciliada no exterior e subsidiária no Brasil (constituída com capital social de baixo valor) decorria de tributação menos onerosa ao pagamento dos juros, se comparado ao de dividendos. Cumpre registrar, porém, que tais regras de subcapitalização não são aplicáveis ao caso ora discutido, pelo simples fato de serem posteriores ao período fiscalizado. Ademais, retornando à análise da necessidade de tais despesas, a Constituição Federal, por meio de seus artigos 1º, inciso VIII e 170 garante a liberdade de contratar e o livre exercício de qualquer atividade econômica, sendo permitido ao empresário buscar, portanto, as mais diversas formas de conduzir o seu próprio negócio. Baseandose nessa livre iniciativa, a recorrente, uma das maiores empresas de bens de consumo do mundo, explorando, inclusive, a atividade de fabrico de sorvetes, buscou ampliar seus negócios com a aquisição das indústrias de sorvetes Kibon no Brasil, sendo, no entanto, necessário contrair empréstimo com a Unilever NV para a quitação de tal operação. Tal contratação de empréstimo, por ser passo intermediário e complementar à aquisição, tendo em vista que a recorrente também dispôs de recursos próprios para quitála, tornouse essencial para que esta se concretizasse, e, portanto, indispensável para a conclusão do negócio pretendido pela recorrente. Consequentemente, por se tratar de empréstimo contraído de pessoa jurídica domiciliada no exterior, o qual foi devidamente registrado no Banco Central do Brasil, e fixado em dólar americano, além das despesas de juros, contratualmente préfixadas em 10% ao ano, a recorrente estava sujeita também às despesas de variação cambial, decorrente da conversão de moedas. Ademais, não há dúvidas de que o empréstimo contraído no exterior está relacionado às atividades exercidas pela recorrente, contando, inclusive, em seu objeto social (fl. 318). Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.075 21 Esse foi o entendimento manifestado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em casos análogos. Vejamos: “IRPJ – DESPESAS FINANCEIRAS – GLOSA – IMPROCEDÊNCIA. O negócio jurídico de mútuo, mesmo celebrado entre pessoas jurídicas interligadas, quando efetivamente realizado e de cujo contrato haja previsão da cobrança de juros e/ou atualização monetária, faculta ao mutuário a dedutibilidade de tais encargos, como despesas operacionais. Ao negar a dedutibilidade dos juros contratados também deveriam ser negadas as receitas tributáveis posteriormente produzidas por esses mesmos empréstimos.” (Acórdão nº 9101 001.394, da 1ª Turma, em sessão de 17/07/12, Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez). “IRPJ. DESPESA FINANCEIRA. DEDUÇÃO DO LUCRO REAL. O Decreto nº 3.000/99, em seu art. 299, determina que são dedutíveis na apuração do lucro real as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. A despesa financeira é, em regra, uma despesa operacional, salvo quando utilizado o recurso para fins estranhos à atividade. Se inexistente qualquer elemento de prova que descaracterize a normalidade e usualidade da contratação do empréstimo, a respectiva despesa com juros é dedutível na apuração do lucro real.” (Acórdão nº 910100.589, da 1ª Turma, em sessão de 18/05/10, Rel. Cons. Alexandre de Andrade Lima da Fonte Filho). Diante de todo o exposto, entendo que as despesas de juros e variação cambial decorrentes do contrato de mútuo firmado entre a recorrente e a Unilever NV são despesas necessárias e, consequentemente, consideradas dedutíveis para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Por fim, ressalto que, diante do cancelamento dos autos de infração, resta prejudicada a análise do item III.7 do recurso voluntário interposto pela recorrente, referente à compensação do crédito tributário com o IRRF pago nas remessas dos juros. Conclusão Pelo exposto, dou integral provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 03 de março de 2015. (assinado digitalmente) Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.076 22 Declaração de Voto De início, ressaltese o judicioso voto proferido pelo Relator, I. Cons. Breno Ferreira Martins Vasconcelos, que, com costumeiro esmero, abordou detalhadamente as questões fáticas e jurídicas envolvidas, conferindolhes adequadas soluções. Sem discordar do voto condutor, esta declaração de voto apenas objetiva ressaltar algumas peculiaridades do caso concreto que repercutem na análise meritória. Ainda que se entendesse que os fatos arrolados pela autoridade fazendária autuante pudessem ter sido por ela diferentemente valorados, não se pode em sede de julgamento desbordar do quadro traçado no auto de infração, sob pena de inovação na fundamentação, atividade para a qual os julgadores não são competentes, além de caracterizar cerceamento ao direito de defesa, o que fulminaria de nulidade a decisão adotada pelo colegiado. Como afirmei em outra oportunidade, nesta mesma Terceira Turma Ordinária, a análise pelos julgadores não deve se ater à eventualidade. O intérprete debruçase sobre o caso concreto, ao que aconteceu, à imputação da fiscalização; não ao que poderia ter ocorrido ou ter sido indicado como razão do lançamento tributário. Uma nova situação fática e jurídica dotarseia de particularidades que orientariam o respectivo rumo decisório. O caso concreto é que tem o condão de informar sobre a oponibilidade ou não ao Fisco do planejamento tributário implementado, possibilitando ao julgador definir a norma, diria especialíssima, a regêlo. Não se pode olvidar que o sistema jurídico impõe consequências ao que foi acordado/implementado, não ao que poderia ter sido realizado. Na espécie, a própria fiscalização não afastou o propósito negocial inerente à aquisição da Kibon pela atual Unilever Brasil. Ao revés, o confirmou. Senão, vejamos: “1. Da análise da escrituração do Livro Diário Geral e informações prestadas pelo contribuinte às fls.260 e 308, observouse que: a) as Indústrias Gessy Lever Ltda (atual Unilever Brasil), Cnpj nº 61.068.276/000104, recebeu a título de mútuo o valor de US$ 730.000.000,00 (R$ 805.482.000,00), e b) o valor de US$ 14.698.875,83 (R$16.218.739,59) que foram registrados como aumento de capital social. 2. Além dos recursos aportados pela Unilever NV, Holanda, verificouse um aumento no capital social da afiliada Indústrias Gessy Lever Brasil (recursos próprios), no valor de R$204.461.260,41, que corretamente foi escriturado no Livro Diário da empresa, tendo em vista, os investimentos de longo prazo na aquisição de fábricas de sorvetes (Kibon). 3. Dessa operação de compra da empresa Kibon, constatouse que a decisão de investimentos foi realizada pela empresa matriz (ver fls.260), localizada na Holanda, no caso a Unilever NV, que tinha por objetivo, a diversificação de seus negócios e, portanto, gastos de caráter permanente e de longo prazo.” Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.077 23 O cerne da discussão referese à possibilidade de serem deduzidos da apuração tributária os juros referentes ao referido contrato de mútuo firmado com a matriz (Unilever NV). Quanto à “...falta de comprovação do valor de US$ 730 milhões remetidos diretamente à Phillip Morris, Usa”, um dos seus fundamentos da autuação, o contribuinte apresentou o recibo de tal transação (fls.989/990). A propósito, vale observar que na decisão de primeira instância as alegações de defesa, em diversas oportunidades, foram rechaçadas em razão exatamente da não comprovação do efetivo pagamento à Phillip Morris, providência que, reiterese, efetivouse em sede de recurso voluntário. Reproduzo, abaixo, alguns excertos do acórdão proferido pela Quarta Turma da DRJ – São Paulo I (SP): “45 Houve a intimação para o interessado comprovar, por meio de documentos hábeis, coincidentes em datas e valores, a efetividade da entrega dos recursos diretamente nos EUA, de modo a provar o mútuo financeiro (fls. 455 e 572). Isso não é inversão do ônus da prova mas, apenas, satisfazer a obrigação legal que o contribuinte tem que é a de apresentar fiscalização os documentos hábeis a respaldar sua escrituração. ..... 50 Por outro lado, não é verdadeira a assertiva de que ‘todos os documentos solicitados’ foram providenciados, pois a intimação de fl. 455 foi simplesmente ignorada (fl.572, item 9). 51 A impugnante sustenta que o mútuo financeiro não é descaracterizado se o mutuário solicita ao mutuante que, por sua conta e ordem, remeta o dinheiro a terceiro, o que foi validado expressamente pelo BACEN, nada impedindo a contratação de mútuo para a aquisição de investimento. 52 De fato, nada impede a contratação de mútuo para investir. E também, nada impede que o mutuário solicite ao mutuante que remeta o dinheiro diretamente a terceiro. O ponto é que essa remessa direta, em dinheiro, deve ser comprovada pelo mutuário, para que o mútuo financeiro, que justifica o pagamento de juros e a dedução da variação cambial, fique perfeitamente caracterizado. ..... 54 Portanto, é óbvio que a opção do mutuário pela remessa diretamente do mutuante ao terceiro não o desobriga da necessidade de comprovar a remessa do dinheiro, para provar a efetividade do mútuo financeiro. ..... 61 Já os documentos relacionados pela impugnante não incluem a comprovação de que o dinheiro foi pago no exterior, e sem isso, o mutuo financeiro não se caracteriza. ..... 64 Já quanto ao argumento de que o mútuo foi corretamente operacionalizado, ha que se repetir que não foi comprovado, pois a entrega do numerário, no exterior, não foi demonstrada, por meio de documentos hábeis, coincidentes em datas e valores, o que é essencial em operações de mútuo financeiro, mesmo que Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.078 24 se trate de operações ‘triangulares’ e de remessas internacionais. ..... 68 Como o câmbio, no Brasil, foi, sim, simbólico, há que ser feita a prova do efetivo pagamento, no exterior, pois o BACEN não tem como saber se o dinheiro foi remetido ou não da Holanda para os EUA. ..... 71 Repitase: a comprovação do mútuo financeiro há que ser efetuada pela demonstração da efetiva entrega dos recursos, da Holanda para os EUA, por meio de documentos hábeis, coincidentes em datas e valores. Sem isso, não há prova do mútuo e, assim, os juros e as variações cambiais que lhe seriam decorrências necessárias, restam configuradas como despesas não necessárias. ..... 84 Há que se observar, de plano, que a autuação no IRPJ se deu não apenas em razão de a despesa ter sido considerada não necessária, mas, também, por falta de comprovação da efetiva realização do mútuo financeiro. 85 O exame dos argumentos e provas relativos ao IRPJ levou à conclusão de que, de fato, o mútuo financeiro não foi comprovado.” Para a fiscalização, as despesas financeiras não se revestiriam dos predicados da usualidade e normalidade, não guardando natural e íntima relação com a atividade empresarial. No seu entender, em razão dos recursos terem sido direcionados a investimento, não a financiamento de capital de giro, como informado ao Banco Central do Brasil (Bacen), a necessidade das despesas restaria sem comprovação, verbis: “[...] No caso em tela, não ficaram comprovadas as reais necessidades da geração de despesas de juros, pois, os gastos foram com investimentos e não para financiamento de capital de giro. 8 – O aporte de recursos disponibilizados, simbolicamente, pela empresa matriz Unilever NV, Holanda, não foram efetivamente utilizados como capital de giro na atividade da afiliada Indústrias Gessy Lever Brasil, e sim, remetidos para o exterior em nome da Phillip Morris Latin América, pela aquisição dos investimentos da empresa Kibon. ..... 10 – A Unilever NV, que por controlar a sua afiliada Indústrias Gessy Lever Brasil, deliberadamente, decidiu por emprestar recursos em vez de capitalizar. 11 – Diante dessa situação, temos um fato inusitado, isto é, a Unilever NV, Holanda emprestou recursos financeiros (mútuos) a sua afiliada para realizar investimentos e, simultaneamente, como proprietária da afiliada Indústrias Gessy Lever Brasil, passou a ser a dona do investimento e, ainda assim, passou a auferir um fluxo de rendimentos futuros por conta dos juros pagos por sua afiliada. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.079 25 ..... 13 – Esse procedimento trouxe enormes perdas tributárias ao governo federal. 14 – Foram geradas despesas de juros e variações cambiais passivas, reduzindo sensivelmente os lucros e recolhimentos de tributos, tais como: Irpj e Csll. 15 – Da análise da movimentação dos recursos financeiros ocorridos entre a empresa matriz Unilever NV, afiliada Gessy Lever Brasil, Kibon e Phillip Morris, verificouse que na realidade houve aporte de capital da empresa matriz, localizada no exterior, para a sua afiliada Indústrias Gessy Lever Brasil, objetivando a aquisição de novos investimentos”. Com a devida vênia à autoridade fiscal, as autuações não podem subsistir à vista de tais argumentos. Comprovouse, com documentação hábil e idônea, a existência do empréstimo, do qual decorreram os juros deduzidos pelo sujeito passivo. A incongruência entre a finalidade informada ao Bacen (“capital de giro”) e a realidade (realização de investimentos), não descaracteriza o empréstimo tomado por Unilever Brasil, podendo, eventualmente, definir infração em outra área distinta da tributária, a ensejar a aplicação de penalidade por parte daquela autarquia federal. Em momento algum a opção empresarial de a matriz Unilever NV realizar a entrega do numerário (US$ 730.000.000,00) à Phillip Morris USA, pela aquisição da Kibon, foi considerada pela fiscalização como simulada, tendo como único ou preponderante intuito a redução tributária. Particularmente, entendo que o I. AuditorFiscal poderia até ter enveredado por tal fundamentação, mormente quando o vendedor recebeu 78,52% do valor diretamente da matriz holandesa. Contudo, como visto anteriormente, outra foi a motivação contemplada no Termo de Verificação e Constatação Fiscal. Os julgadores de primeira instância igualmente tiveram a mesma percepção, verbis: “47 A fiscalização não se reportou à Lei Complementar n.° 104, de 10/01/2001, que acrescentou o parágrafo único ao art. 116 do CTN, não falou em planejamento tributário e nem em simulação e/ou dissimulação. ..... 49 Repitase que a palavra ‘simulação’ não foi utilizada pela fiscalização. ..... 76 Novamente, o argumento resume teses jurídicas. A autuação não aponta como sua causa o planejamento tributário efetuado, mas, sim, a desnecessidade da despesa e a falta da comprovação do mútuo. ..... 80 Não há cisão em discussão, nesta autuação, e a palavra ‘simulação’, há que se repetir, não foi utilizada pela fiscalização.” Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.080 26 Na minha compreensão, caso houvesse sido distinta a fundamentação dos autos de infração, com a conclusão de que o contribuinte buscou única ou preponderantemente a economia tributária, os procedimentos adotados não poderiam ser oponíveis ao Fisco, como destaquei no Acórdão nº 1103001.102, de 27/8/14: “Em conformidade com o Código Civil, o abuso de direito é considerado ato ilícito, conforme art.187: ‘Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes’. A partir de sua vigência, diante de tal patologia, cai por terra o argumento da regularidade do planejamento tributário, pois a premissa deste é ancorarse em atos lícitos. Reconhecese ser tênue o limite que separa a licitude de determinadas operações do excesso/abuso, mormente porque ninguém é obrigado a submeterse a uma determinada carga tributária, quando pode enveredar por caminho que conduza à sua redução. Mas sempre, é importante ressaltar, quando se esteja diante de uma razão consistente extratributária, como muito bem leciona Marco Aurélio Grego em importante estudo sobre o tema, a conformar com propriedade, à luz da Constituição Federal de 1998, o abuso de direito ao ramo tributário (in Planejamento tributário, 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2011, pp.212/217): ‘[...] sempre que o exercício de autoorganização se apoiar em causas reais e não unicamente fiscais, a atividade do contribuinte será irrepreensível e contra ela o Fisco nada poderá objetar, devendo aceitar os efeitos jurídicos dos negócios realizados. ..... No entanto, os negócios jurídicos que não tiverem nenhuma causa real e predominante, a não ser conduzir a um menor imposto, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo; neste caso, o Fisco a eles pode se opor, desqualificandoos fiscalmente [...]. Ou seja, se o objetivo predominante for a redução da carga tributária, terseá um uso abusivo do direito. ..... Com a tese do abuso de direito aplicado ao planejamento fiscal, se o motivo predominante é fugir à tributação, o negócio jurídico será abusivo e seus efeitos fiscais poderão ser neutralizados perante o Fisco. Ou seja, sua aplicação não se volta a obrigar ao pagamento de maior imposto, mas a inibir as práticas sem causa, que impliquem menor tributação. ..... No âmbito civil, falase em ‘perdas e danos’ porque pelo uso abusivo alguém poderá ter sofrido diminuição patrimonial, especialmente aquele que tiver sido a contraparte no negócio abusivo ou um terceiro atingido Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.081 27 pelos seus efeitos jurídicos ou materiais. Em matéria fiscal, o prejudicado pelo ato abusivo terá sido o Fisco, pois a receita tributária terá sido menor do que a que decorreria se não tivesse havido o abuso. Daí a neutralização como forma de recompor a diminuição patrimonial do Fisco. ..... Não nego a existência do direito de o contribuinte se auto organizar; afirmo apenas que o exercício deste direito é dependente de uma razão extratributária, econômica, empresarial, familiar etc., que seja a causa fundamental do negócio e que o justifique [...]. Não afirmo que o Fisco possa, a seu belprazer, desqualificar as operações realizadas; afirmo, isto sim, e peremptoriamente, que cabe ao Fisco o ônus da prova de que o motivo predominante da operação foi a busca de menor carga tributária. ..... O abuso de direito em matéria fiscal caracterizase por implicar ‘inoperância’ ou ‘ineficácia’ do ato em relação ao Fisco, independente de ser ilegal ou ilícita a operação.’ Como ressaltei no início, não cabe em sede de julgamento alterar a fundamentação dos lançamentos tributários, seja porque tal proceder caracterizaria cerceamento ao constitucional direito de defesa, pois o contribuinte apenas tomaria notícia de tal motivação com o presente acórdão, ou seja, ao apagar das luzes do processo administrativo tributário; e violação da competência afeta à Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos tributários. Considerandose que a fiscalização não infirmou a existência e validade do empréstimo, tendo inclusive afirmado que o mútuo objetivou a realização de investimentos diretos no Brasil, especificamente, na aquisição da Kibon, não há como desconsiderar os dispêndios a título de juros como despesas passíveis de dedução da apuração, conforme bem expôs o I. Relator. Investimentos, inclusive com a aquisição de terceiros, são inerentes à atividade empresarial lucrativa. As remessas a título de juros, então, consistiram em consequência do mútuo realizado para a realização do investimento (aquisição da Kibon), que, repitase, não foi infirmado pela fiscalização, de tal sorte que as despesas com juros e variação cambial passaram inevitavelmente a ser consideradas como necessárias à atividade empresarial. Como afirmado em primeira instância, “...Quanto ao registro do empréstimo como ‘capital de giro’ ou ‘investimento’, há que se dizer, por um lado, que obviamente foram os trâmites finais da aquisição que justificaram o alegado mútuo”. A respeito do fato de o empréstimo ter se concretizado entre sociedades interligadas, também não consistiu na motivação das glosas das despesas financeiras, razão pela qual, ainda que o colegiado eventualmente entendesse que não produziria efeitos para fins de dedução, não poderia avançar em tal discussão, como de fato não o fez. Apenas a título informativo, até porque tal questão não foi debatida pela Turma, reproduzo abaixo decisão da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que autorizou a dedutibilidade dos juros contratados em tal hipótese: Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.082 28 IRPJ – DESPESAS FINANCEIRAS – GLOSA – IMPROCEDÊNCIA. O negócio jurídico de mútuo celebrado entre pessoas jurídicas interligadas, quando efetivamente realizado e de cujo contrato haja previsão da cobrança de juros e/ou atualização monetária, faculta ao mutuário a dedutibilidade de tais encargos, como despesas operacionais. Ao negar a dedutibilidade dos juros contratados também deveriam ser negadas as receitas tributáveis posteriormente produzidas por esses mesmos empréstimos. (Acórdão nº 9101001.394, de 17/7/12). Por fim, cabe lembrar que a mesma operação já havia sido apreciada no âmbito administrativo pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 107 09.420, de 25/6/08), que, ao negar provimento a recurso de ofício, confirmou a decisão de primeira instância para legitimar o empréstimo realizado entre Unilever do Brasil Ltda (Recorrente) e Unilever NV (controladora estrangeira) para fins de aquisição da Kibon, tendo sido autorizada a dedução das despesas com juros. Tal decisão recebeu a seguinte ementa: “IRPJ. CSLL. CONTRATO DE MÚTUO. JUROS PASSIVOS. DEDUTIBILIDADE. LANÇAMENTO FUNDADO EM SUPOSTA SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Os juros pagos em razão de contrato de empréstimo internacional, devidamente registrado no Banco Central do Brasil, são dedutíveis no procedimento de determinação do lucro real, nos termos da disposição inscrita no art. 22, § 4°, da Lei nº 9.430/96. A desconsideração de negócio jurídico demanda a existência de provas contundentes de simulação. Precedentes deste Conselho. O art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, não se aplica a negócios jurídicos celebrados anteriormente à sua vigência.” Na oportunidade, o respectivo voto condutor, de lavra do I. Cons. Hugo Correia Sotero, assim fundamentou a dedutibilidade das quantias glosadas pela fiscalização: “[...] Remanesce a questão da possibilidade de dedução dos juros pagos à mutuante da apuração do resultado do período, dedução glosada pela autoridade lançadora sob o argumento de que são ‘dedutíveis somente as despesas operacionais usuais e normais, que guardem natural e íntima relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora (despesas indispensáveis)’, não se enquadrando no conceito as despesas realizadas com investimentos (aquisição de empresas). O entendimento verberado pela autoridade lançadora colide com o entendimento deste Conselho, assim: ‘RECURSO EX OFFICIO DESPESAS OPERACIONAIS GLOSA DE DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS As despesas efetivamente suportadas pela pessoa jurídica, que guardem conexão com as atividades por ela desenvolvidas, sendo usuais e normais devem ser consideradas dedutíveis para efeito de determinar o lucro tributável. DESPESAS COM JUROS E VARIAÇÃO MONETÁRIA DECORRENTES DE AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA As despesas com Juros e Variação Monetária decorrentes da assunção da dívida permutada Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001000/200688 Acórdão n.º 1103001.181 S1C1T3 Fl. 1.083 29 pela participação societária no caso de empresas cujo objeto é a participação em outras empresas, são dedutíveis por serem necessárias à aquisição do investimento.’ (Acórdão n.10196152, 1ª Câmara, rel. Conselheiro Paulo Roberto Cortez). Mais que isso, como bem consignado pela decisão impugnada, a dedutibilidade de juros contratos de empréstimo tomados no exterior encontra regulamentação específica (art.22 da Lei n°. 9.430/96), assim: ‘Art.22. Os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central do Brasil, somente serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real até o montante que não exceda ao valor calculado com base na taxa Libar, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros. ... §4°. Nos casos de contratos registrados no Banco Central do Brasil, serão admitidos os juros determinados com base na taxa registrada.’ No caso, tendo a Recorrente registrado o contrato de empréstimo no Banco Central do Brasil, aplicase à hipótese o art.22, § 4°, da Lei no. 9.430/96, sendo admitida a dedução dos juros para fins de determinação do lucro real com esteio na taxa registrada.” Por todas as razões expostas, que complementam as pertinentes considerações do I. Relator, voto, diante das particularidades do quadro acusatório delineado pela fiscalização, por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por BRENO FERREIR A MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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