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Numero do processo: 10680.902618/2015-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 18 /2 01 5- 42 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2362, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 591.219,08. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de IRPJ a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902618/201542 Acórdão n.º 1301003.542 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 31/05/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 252DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902618/201542 Acórdão n.º 1301003.542 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.902632/2015-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 32 /2 01 5- 46 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2484, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 236.273,46. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de CSLL a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902632/201546 Acórdão n.º 1301003.555 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 05/06/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 252DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902632/201546 Acórdão n.º 1301003.555 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000093/2002-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE.
A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária.
Recurso especial do Procurador não conhecido.
Numero da decisão: 9303-007.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. Recurso especial do Procurador não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. Recurso especial do Procurador não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 00 93 /2 00 2- 56 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13888.000093/200256 Acórdão n.º 9303007.919 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Procurador (fls. 156/161), admitido pelo despacho de fls. 193/196, contra o Acórdão 380301.276 (fls. 146/152), de 01/03/2011, que anulou o auto de infração eletrônico de exigência de IPI, motivado em "Proc jud não comprova" (fls. 13/14), tendo em vista que restou comprovado a existência da ação judicial. Em suma, alega a Fazenda que sendo o saldo a pagar igual a zero nas DCTF, deveria ter sido constituído de ofício o valor de IPI, no caso, para poder ser exigível. Ademais, entende que "o lançamento não poderia ter sido cancelado tãosomente porque foi localizado o processo informado em DCTF porque os valores do principal lançado têm sua base principal na falta de recolhimento e não na inexatidão da declaração, e a dois porque esse último fundamento apenas seria capaz de ocasionar a aplicação da multa de ofício nos termos do art. 90 da MP 2.15835/2001". Colaciona os arestos 20312.427 e 20310.006 como paradigmas. Pede, ao final, o provimento do recurso com o consequente reconhecimento da validade do auto de infração. Em contrarrazões (fls. 201/207), o contribuinte postula preliminarmente pelo não conhecimento do recurso porque um dos fundamentos para o provimento do mesmo fundouse na motivação inadequada do auto de infração, tendo em vista que se calcou na suposta inexistência de medida judicial que amparasse o não pagamento do imposto. Ademais, afirma, o recorrido reconheceu que existia à época da lavratura do auto de infração, medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito, pelo que não poderia a DRJ ter alterado o fundamento do lançamento. Alega que no paragonado 20312.427 não se discutiu "absolutamente nada sobre a motivação", tendo o voto vencedor referido que competiria, no âmbito administrativo, verificar se a compensação realizada tinha amparo em medida judicial e nada mais. Quanto ao outro paradigma, 20310.006, assevera que a discussão é de matéria "ainda mais alheia" àquela discutida no recorrido, referindose que a despeito de medida judicial autorizando a compensação de tributos, poderia haver lavratura de auto de infração, o que, a seu juízo, "em nada se parece com aquela relativa à falta de motivação/possibilidade de modificação do auto de infração, matéria controvertida no recorrido. Aduz, ainda, que o recorrido foi provido, também, por ter a autuada comprovado que comercializou no período da exação (janeiro a junho de 1997) unicamente açúcares abrangidos pela IN SRF 67/98, a qual reconheceu não ser devido o IPI, face à sua alíquota zero, exceção feita ao açúcar do tipo cristal standard. No mérito, pede o improvimento do especial. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator CONHECIMENTO Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13888.000093/200256 Acórdão n.º 9303007.919 CSRFT3 Fl. 4 3 Entendo que o especial não deva ser conhecido. A matéria travada que deu azo ao recorrido ser provido foi erro na motivação do lançamento, uma vez que embora o mesmo tenha cobrado os valores em aberto de IPI, o motivo indiscutível foi que o contribuinte declarou que não estava pagando com base em decisão judicial que suspendia o recolhimento daquele imposto para o tipo de açúcar que a empresa vinha dando saída. A DRJ, de sua feita, como bem demonstrado na declaração de voto do recorrido tentou emendar a motivação do lançamento ao reconhecer a existência da ação judicial, expungindo a multa. Não foi esta a matéria objeto dos paragonados. No 20312.427 foi exclusivamente a possibilidade de haver lançamento quando o saldo a pagar na DCTF foi, erroneamente no entender do Fisco, declarado como zerado. Na fundamentação do voto aclara que a questão não é o fato de ter ação judicial, mas sim a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial. De sua feita, no acórdão 20310.006, cingese a questão acerca da possibilidade de lançamento de ofício de valores declarados em DCTF quando os valores informados nesta declaração para os quais foram vinculados créditos indevidos resultam em saldo a pagar zerado. Portanto, entendo que não há a devida similitude fática a ensejar o conhecimento do especial. Contudo, obter dictum, verdade inconteste, como bem pontuado no recorrido, a autuada ajustou todas as DCTF do período abrangido pela IN SRF nº 67/1998 e pelo Ato Declaratório Executivo SRF 28/01, que veicularam entendimento da Administração Tributária reconhecendo que sobre os açúcares cristais, incluindo os comercializados pela empresa, não incidia IPI. Portanto, se tivéssemos que adentrar no mérito, seria para negar provimento ao especial porque o lançamento careceria de fundamento jurídico. DISPOSITIVO Ante o exposto, não conheço do recurso do Procurador por falta de similitude fática. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13888.000093/200256 Acórdão n.º 9303007.919 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15979.000020/2005-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA DE ATIVIDADE VEDADA.
SERVIÇOS DE ENGENHARIA.
Comprovada a prestação de serviços de engenharia, atividade expressamente vedada pela legislação de regência, deve ser mantido o ato de exclusão.
Numero da decisão: 1102-000.696
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA DE ATIVIDADE VEDADA. SERVIÇOS DE ENGENHARIA. Comprovada a prestação de serviços de engenharia, atividade expressamente vedada pela legislação de regência, deve ser mantido o ato de exclusão.
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ME Recorrida 1ª TURMA DRJ/SPOI ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA DE ATIVIDADE VEDADA. SERVIÇOS DE ENGENHARIA. Comprovada a prestação de serviços de engenharia, atividade expressamente vedada pela legislação de regência, deve ser mantido o ato de exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa de Monteiro (presidente da turma à época), Antônio Carlos Guidoni Filho (vice presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto e Gleydson Kleber Lopes de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 97 9. 00 00 20 /2 00 5- 13 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 07/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15979.000020/200513 Acórdão n.º 1102000.696 S1C1T2 Fl. 198 2 Relatório Cientificada do Ato Declaratório Executivo n.º3, de 04 de janeiro de 2006, que determinou a sua exclusão do SIMPLES, em razão da prática de atividades vedadas pelo art. 9º, XIII, da Lei n.º 9.317/96, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo, em síntese, que: i) exerce atividade puramente comercial, sendo esporádica a prestação de serviços de manutenção; ii) da totalidade das notas fiscais emitidas, menos de 10% seria referente a serviços simples de instalação e manutenção efetuados por técnicos e não por engenheiros; iii) a ausência de ART e de responsabilidade técnica de engenheiro afastaria a exclusão do SIMPLES; iv) a instalação de material hidráulico e elétricos exercidas por encanadores e eletricistas não exigiria engenheiros; v) os sócios não tem a formação de engenharia, o que autorizaria a anulação da exclusão determinada. A DRJ de São Paulo I manteve a exclusão, sob o entendimento de que a prestação de serviços de engenharia impede a opção pelo SIMPLES, além de registrar que a vedação legal persiste independentemente da qualificação profissional dos sócios. Inconformada, a Recorrente interpôs o presente recurso repetindo as razões expostas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 07/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15979.000020/200513 Acórdão n.º 1102000.696 S1C1T2 Fl. 199 3 Voto Conselheira SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO O recurso é tempestivo, passo a apreciálo. Tratase de exclusão do Simples, amparada no art. 9º, XIII, da Lei n.º 9.317/96, de sociedade cujo objeto social é de comércio varejista de bombas, filtros, motores, equipamentos de incêndios, máquinas, materiais elétricos e hidráulicos, produtos para piscina em geral, prestação de serviços de eletricidade, bombas de água e motores elétricos em geral. Em que pese defender a Recorrente não possuir em seus quadros engenheiros e representar a prestação de serviços apenas 10% (dez por cento) de suas atividades, consta nos autos (fl. 07) nota fiscal de serviços por ela emitida, que discrimina a prestação de serviços de engenharia. Configurada a prestação de serviços de engenharia, inaplicável o comando da Súmula n.º 57, desse Conselho a seguir reproduzida e inexorável a manutenção do ato de exclusão, verbis: “Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.” Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 199DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 07/03/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10980.723165/2014-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2013
EMPRESA ARTIFICIAL. SIMULAÇÃO. VÍNCULO DIRETO.
Diante de empresa prestadora de serviços sem substrato real, mantida de modo artificial e justamente por seu contratante, impõe-se o reconhecimento da simulação tendente a ocultar o real titular da posição jurídica de empregador ou de contratante dos segurados contribuintes individuais.
Numero da decisão: 2401-005.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial ao recurso voluntário para que fossem aproveitados os recolhimentos efetuados na sistemática do Simples.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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SIMULAÇÃO. VÍNCULO DIRETO. Diante de empresa prestadora de serviços sem substrato real, mantida de modo artificial e justamente por seu contratante, impõese o reconhecimento da simulação tendente a ocultar o real titular da posição jurídica de empregador ou de contratante dos segurados contribuintes individuais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial ao recurso voluntário para que fossem aproveitados os recolhimentos efetuados na sistemática do Simples. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 31 65 /2 01 4- 24 Fl. 913DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 914 2 Relatório O presente processo envolve Recurso Voluntário e Recurso de Ofício contra decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte Impugnação apresentada contra os seguintes Auto de Infração: DEBCAD N° COMP MATÉRIA CÓDIGO LEVANTAMENTO VALOR TOTAL 51.064.2861 01/2009 a 13/2013 Contribuições previdenciárias parte patronal, inclusive SAT/RAT, incidentes sobre as remunerações de empregados pagas pela empresa e contribuições previdenciárias parte patronal, incidentes sobre as remunerações de contribuintes individuais pagas pela empresa. SP – REMUNERAÇÕES MALTA SP. R$8.343.771,09 51.064.2870 (fls. 20) 01/2009 a 13/2013 Contribuições previdenciárias parte dos segurados empregados e contribuintes individuais. SP – REMUNERAÇÕES MALTA SP. V.Atual.: 1.342.980,95 Juros: 340.666,29 Multa Of.: 2.014.471,64 Total: 3.698.118,88 51.064.2888 01/2009 a 13/2013 Contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos (terceiros). SP – REMUNERAÇÕES MALTA SP. R$2.093.348,88 Segundo o Relatório Fiscal (fls. 46/64), a empresa autuada, TML Transportes Ltda e Malta Serviços de Encomendas EIRELI – EPP (TML), simulou o fracionamento de parte de suas atividades para a empresa Malta Transportes São Paulo Ltda (Malta). Haveria unicidade empresarial. Haveria unicidade empresarial, ou seja, a Malta (Simples) não teria existência autônoma no mundo dos fatos, a integrar totalmente as atividades e o objeto social da TML, resultando como existente apenas a empresa TML (Lucro Real). As contribuições foram apuradas a partir das remunerações pagas aos empregados e contribuintes individuais informadas pela empresa Malta nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP) e em suas folhas de pagamento. Para a fiscalização, revelariam a inexistência de fato da Malta (unicidade empresarial) e o fracionamento das atividades para fraudar a legislação tributária: (1) existência de vínculos de parentesco e confiança dos sócios da Malta com os sócios administradores da TML, empresas com mesma atividade; (2) dependência econômica (TML único cliente da Malta = 100% do faturamento, conforme Livro Caixa e Notas Fiscais); (3) receita bruta da Malta é inferior ao montante de remuneração paga a empregados e contribuintes individuais; (4) inexistência de atividade comercial na Malta; (5) Malta não possui qualquer veículo, mas registra grande quantidade de motoristas (CBO 7825), logo trabalham nos caminhões da TML; (6) conforme relação de empregados e respectivos cargos, extraídos das GFIP da Malta SP, notase a inexistência de empregados em cargos relacionados a recursos humanos, compras, vendas ou contabilidade; (8) o imóvel onde se situa a Malta, é uma casa comum sem qualquer indicação de ser uma empresa, bem como sem espaço para abrigar Fl. 914DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 915 3 qualquer veículo pesado, mercadorias, nem o contingente de empregados declarados em GFIP pela Malta; (9) elaboração e envio das GFIP das empresas Malta e da TML são feitas no mesmo local, no mesmo endereço IP, tratandose do mesmo computador, o mesmo endereço de contato, domínio de email (@maltatransportes.com.br) e telefone. A partir da competência 10/2012, ambas empresas passam a ter suas GFIP remetidas por outro responsável, idêntico para a TML e para a Malta. (10) TML pagou despesas da empresa Malta, conforme contabilidade da TML; (11) não há contrato de prestação de serviços por escrito entre Malta e a TML. Os "serviços prestados" nada têm de pontuais ou esporádicos. Conforme relatado no item 13.3, a média anual de serviços prestados é superior a um milhão de reais e as notas fiscais demonstram "pagamentos" feitos de forma habitual, com periodicidade mensal. É emitida uma única nota fiscal mensal contendo a simplória descrição dos serviços como "serviços prestados" e não contém, como ordinariamente acontece, qualquer detalhamento, indicação de relatório de apuração de valores devidos, retenção de tributos, indicação de conta corrente para depósito ou boleto bancário para pagamento; (12) a décima quinta alteração do contrato social da TML, de 31/01/2014, contém em sua cláusula segunda, a declaração de incorporação da Malta pela TML. Na cláusula terceira consta a previsão de extinção da Malta. Não foram aproveitados como créditos da TML eventuais recolhimentos previdenciários ou dos tributos do Simples Nacional da Malta em razão de ausência de previsão legal, bem como em razão de a apropriação desses valores consistir em prêmio à torpeza do fraudador do Fisco Previdenciário e um estímulo à prática de ilícitos tributários. Por fim, sustentando haver simulação, fraude e conluio, este entre os dirigentes da Malta e da TML, a multa de ofício foi qualificada. A TML apresentou impugnação (fls. 659/687) alegando, em síntese, que: a) Ilegalidade formal. Houve imputação de responsabilidade tributária por unicidade empresarial, ou seja, por grupo econômico, mas não há tal fundamentação nos Fundamentos Legais do Débito (FLD). b) Inexistência de fato gerador. Não ocorreu e a fiscalização não comprovou a existência dos elementos da relação laboral (subordinação; habitualidade; onerosidade/remuneração e pessoalidade). Logo, há improcedência do feito e/ou nulidade material do lançamento (CTN, art. 142; e jurisprudência). c) Inexistência de grupo econômico ou unicidade empresarial. A Malta iniciou suas atividades muito antes da impugnante. Parentesco não prova o grupo econômico. Não há prova de controle de direito e nem de controle ou influência significativa de fato. Ser a receita bruta da Malta inferior à remuneração dos segurados se justifica em face dos Relatórios de Horas Trabalhadas e acordo operacional, conforme resposta aos Termos de Fl. 915DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 916 4 Intimação Fiscal. Possuía atividade comercial autônoma, com funcionários próprios em vendas, departamento administrativo e operacional, não fazendo prova em sentido contrário pesquisa no "google". Os motoristas usavam caminhões próprios, logo não precisava de escritório, garagem ou depósito de mercadorias. Só era contratada nos picos de encomendas. O emprego de mesmo computador para algumas GFIPs não prova "simulação". Funcionário da era lotado no Departamento de Pessoal da autuada, a usar seus sistemas de folha de pagamento e prestar serviços autônomos de elaboração da folha de pagamento e GFIP da Impugnante. Não houve qualquer comprovação de integração com a Malta e, muito menos, domínio de uma sobre a gestão de outra. Alguns gastos da Malta foram saldados a título de adiantamento. O contrato de prestação de serviços não demanda forma especial (Código Civil, art. 107), havendo contrato verbal. A Malta foi incorporada por estar em dificuldades financeiras, com risco de falência, o que traria dificuldades operacionais para a TML pela dificuldade de se encontrar prestadoras de serviços de transporte. Malta e TML não funcionavam no mesmo endereço; não possuem sinalização de marca em comum; não possuem sócios em comum; possuíam seus próprios quadros de funcionários; os empregados de uma empresa não trabalhavam com uniforme ou crachá de outra e os exames laborais eram realizados separadamente. Esses fatos comprovam a inexistência de formação de grupo econômico. Transcreve jurisprudência. d) Inexistência de responsabilidade tributária por fatos geradores de outra sociedade. Mesmo que se conclua que uma empresa pertence a um grupo de sociedades, esse fato não transfere validamente a responsabilidade tributária a outra empresa de tal suposto grupo por fatos geradores que não realizou ou cuja realização e respectivo cumprimento de obrigações tributárias não determinou concretamente. e) Apropriação de recolhimentos da empresa e dos segurados. Os pagamentos efetuados no âmbito do SIMPLES devem ser considerados para fins de apuração de tributos quando o contribuinte é desconsiderado de tal sistemática, sob pena de erro na apuração do crédito tributário constituído de ofício e de apropriação indébita e enriquecimento ilícito do erário público. Não se trata de compensação a ser realizada nos moldes do artigo 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, mas de mero abatimento dos valores já recolhidos, razão pela qual não procede a alegação de ausência de previsão legal. Invoca decisões administrativas e judiciais e conclui ser obrigatório, bem como dever funcional, quando da constituição do novo fato jurídico tributário, considerar os valores já recolhidos dentro da sistemática do Simples Nacional e os atinentes à cota dos segurados (GPS), conforme apurados nos cálculos/planilhas em anexo. f) Multa. Não houve fraude ou simulação e, muito menos, a necessária e cabal comprovação de intuito doloso em tais supostas práticas (Lei n. 9.430/96, art. 44; e jurisprudência), logo indevida a qualificação da multa de ofício. Fl. 916DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 917 5 Do Acórdão prolatado pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fls. 833/850), em síntese, se extrai:´ a) Os Fundamentos Legais do Débito – FLD expõem de modo detalhado os dispositivos legais lastreadores do lançamento. Não houve imputação de grupo econômico. Os FLD citam a legislação que trata de sonegação, fraude e conluio (art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964). b) Além do parentesco, as duas empresas possuem a mesma atividade. Não se atendeu apenas a picos de encomendas. Sem contrato escrito, valores elevados eram lançados nas notas fiscais com a simplória descrição: "serviços prestados. Malta não possuía estrutura, conforme prova. Livro caixa, notas fiscais, etc revelam que era mera fração, eis que totalmente dependente da TML e acordo operacional e Relatórios de Horas Trabalhadas não afastam constatações da fiscalização. Não se discute a caracterização da relação laboral, pois a relação de emprego dos referidos segurados é reconhecida pela Malta e a unicidade empresarial revela que a verdadeira empregadora é a TML. Isolados fatos apontados pela fiscalização não provariam, mas somados revelam unicidade das empresas. Somese ainda reconhecimento do envio comum das GFIPs por funcionário da Malta na TML, a utilizar estrutura da TML e a prestar serviços "autônomos" para a TML. Pagamento de despesas da Malta como adiantamento não é prática comum no mundo dos negócios, a revelar ausência de concorrência. Até mesmo para o pagamento de tributos a Malta dependia da TML, o que demonstra o conhecimento da empresa dominante da rotina empresarial da dominada, como custos, despesas, dívidas tributárias, folha de salários, etc, caracterizando o domínio da TML sobre a gestão da Malta, conforme afirmado pela fiscalização. A incorporação ocorreu após a edição da Lei nº 12.844, de 2013, que modificou a Lei nº 12.546, de 2011, dispondo em seu art. 8º, §3º, inciso XIV, sobre a substituição de alíquotas e bases de cálculo das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a folha de pagamento de empregados para o valor da receita bruta auferida pelo contribuinte, no caso das empresas de transporte rodoviário de cargas, com produção de efeitos a partir de 01/01/2014. Ou seja, no momento em que o fracionamento das atividades nas duas empresas deixou de ser vantajoso em termos tributários, ocorreu a incorporação. Como a simulação deixou de ser vantajosa, pelo contrário, as duas empresas separadas pagariam mais tributos do que juntas, assim, a empresa TML incorporou a empresa Malta, até porque de fato apenas existia a empresa TML. c) Não houve a caracterização de responsabilidade tributária solidária da empresa TML e sim de haver uma única empresa, sendo ela obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviço, havendo uma simulação na declaração desses segurados em GFIP pela empresa Malta (CC, art. 167; CTN, art. 149, VII). Houve simulação no intuito de se pagar menos tributos, restando caracterizadas as condutas dos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº Lei nº 4.502, de 1964. Correta a qualificação da multa. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 918 6 d) Não cabe aproveitamento de recolhimentos do Simples, pois não houve exclusão (LC n° 123, de 2006, art. 21, § 10). Além disso, o § 6º do art. 56 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, expressamente impede a compensação de contribuições previdenciárias com os valores recolhidos indevidamente para o Simples Nacional. e) Quanto ao aproveitamento dos valores pagos através de GPS relativos à cota dos segurados, assiste razão à impugnante. As contribuições de segurados, correspondente ao período de 01/2009 a 13/2013, declaradas nas GFIP da empresa Malta, foram devidamente recolhidas e/ou lançadas em LDCG/DCG (competências 06/2010; 07/2010; 08/2010; 09/2010; 11/2010; 13/2010; 06/2011; 08/2011; 09/2011; 10/2011; 12/2011; 13/2011; 01/2012; 03/2012; 04/2012; 05/2012; 11/2012; 13/2012; 01/2013; 03/2013; 04/2013; 05/2013; 06/2013), conforme consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (CCORGFIP – consulta de valores a recolher x valores recolhidos x LDCG/DCG). g) Diante da procedência em parte da impugnação, resta cancelado o AI n° 51.064.2870 e mantidos os demais. Recorrese de ofício. Cientificada em 07/06/2016 (fls. 872), a autuada apresentou recurso voluntário e contrarrazões ao recurso de ofício (fls. 876/901) em 06/07/2016 (fls. 875) alegando, em síntese: a) Inexistência de fato gerador. A fiscalização não se desincumbiu em demonstrar e comprovar a existência dos elementos da relação laboral entre os empregados registrados da Malta e a recorrente (Lei n° 8.212/91, arts. 12, I, 22, I e II, e 37; Lei n° 8.213/91, art. 11, I; CLT, art. 3°; RPS, art. 229, § 2°; e CTN, art. 142). Logo, há total improcedência e nulidade dos Autos de Infração lavrados. b) Inexistência de grupo econômico ou unicidade empresarial. Há absoluto desencontro entre os “indícios” construídos pela fiscalização e a realidade de fato. Embora ignorado na decisão recorrida, a Malta iniciou suas atividades quase dez anos antes da impugnante, a demonstrar inexistência de simulação. Sócios não comuns membros de uma mesma família não caracterizam grupo econômico ou unicidade empresaria entre duas pessoas jurídicas distintas, sendo fato normal entre empresas de um mesmo ramo de atividade e não há vedação legal. Não restou comprovado controle de direito e nem controle ou influência significativa de fato. A Malta prestava serviços a outras empresas e a Nota Fiscal foi apresentada meramente a título exemplificativo. O fato de a receita bruta da Malta ser inferior ao montante de remuneração paga aos segurados se justifica em face dos Relatórios de Horas Trabalhadas e acordo operacional, conforme resposta aos Termos de Intimação Fiscal, tendo a decisão recorrida equiparado informalidade comercial com unicidade empresarial. A Malta possuía atividade comercial autônoma, tanto que contava com funcionários para vendas, administração e atividades operacionais e a fiscalização não comprova que as instalações não comportariam os funcionários. A pesquisa no "google" não prova inexistência, mas ser Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 919 7 empresa pequena e sem sobras para investimentos em propaganda e publicidade. O comparativo entre a relação de funcionários da Malta e pesquisa junto ao DETRAN (já anexada aos autos) revela que os motoristas trabalhavam usando veículos próprios, não tendo a Malta necessidade de espaço para abrigar veículos pesados, mercadorias ou motoristas. O fato de o mesmo computador elaborar GFIPs de ambas as empresas se justifica por funcionário da Malta ter sido lotado no Departamento de Pessoal da TML para utilizar o sistema de folha de pagamento da TML na elaboração da folha da Malta, tendo também prestado serviços autônomos de elaboração da folha da TML. Não há qualquer irregularidade. Não houve integração ou domínio na gestão da Malta, mas pagamento de gastos esporádicos da Malta (eventualmente em meses seguidos) a título de adiantamentos por serviços de transporte. A legislação admite contrato verbal de prestação de serviços, logo tal fato não configura prova de "grupo econômico" ou "unicidade empresarial". Eventual falência da Malta prejudicaria as atividades da recorrente. Assim, diante da oportunidade comercial e por consciência social, em observância ao princípio da livre iniciativa, a recorrente optou por incorporar a Malta, não havendo que se falar em simulação. Comprovam inexistência de grupo ou unicidade empresarial e a existência de autonomia funcional e econômica entre as empresas: (1) não estarem registradas e nem funcionar em mesmo endereço, conforme contratos de locação; (2) não possuírem sócio ou sinalização de marca em comum; (3) possuírem quadro funcional próprio com uniforme ou crachá próprio; e (4) exames laborais realizados separadamente, conforme contratos. Transcreve jurisprudência, a exigir prova cabal para caracterização de grupo econômico. c) Inexistência de responsabilidade tributária por fatos geradores de outra sociedade. A Constituição e a legislação exigem observância de requisitos para a atribuição/transferência de responsabilidade de uma sociedade para outra. (CF, arts. 145, § 1º, e 150, I; e CTN, arts. 121, 124, 128 e 97, III). Mesmo a existência de um grupo sociedades não transfere validamente a responsabilidade tributária a outra empresa por fatos geradores que não realizou ou cuja realização e respectivo cumprimento de obrigações tributárias não determinou concretamente. d) Planejamento tributário. Segundo a decisão atacada, houve simulação ao se realizar planejamento tributário. Não houve no mundo dos fatos simulação. Ainda que se admitisse a existência de planejamento tributário, a jurisprudência aceita a economia/redução de tributos por meios lícitos, sendo incorreta a imputação de simulação. e) Apropriação de recolhimentos. Os pagamentos efetuados no âmbito do SIMPLES devem ser considerados para fins de apuração de tributos quando o contribuinte é desconsiderado de tal sistemática, sob pena de erro na apuração do crédito tributário constituído de ofício e de apropriação indébita e enriquecimento ilícito do erário público. Não se trata de compensação a ser realizada nos moldes do artigo 73 e 74 da Lei n° 9.430/96 ou art. 56, §6°, da IN RFB n° 1.300/12, mas de mero Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 920 8 abatimento dos valores já recolhidos, razão pela qual não procede a alegação de ausência de previsão legal. Da mesma forma, não prospera a invocação pela decisão recorrida do art. 21, §10, da LC n° 123/06. Invoca decisões administrativas e judiciais e conclui ser obrigatório, bem como dever funcional, quando da constituição do novo fato jurídico tributário sob responsabilidade da recorrente, considerar os valores já recolhidos dentro da sistemática do Simples Nacional. f) Contrarrazões ao recurso de ofício. Pelas mesmas razões do tópico anterior (dever da autoridade fiscal em realizar a imputação dos pagamentos efetuados, sob pena de erro na apuração do crédito tributário constituído de ofício, além de se configurar apropriação indébita e enriquecimento ilícito do erário público), deve ser mantida a improcedência do AI n° 51.064.2870. g) Multa. Não houve fraude ou simulação e, muito menos, a necessária e cabal comprovação de intuito doloso em tais supostas práticas (Lei n. 9.430/96, art. 44; e jurisprudência), logo indevida a qualificação da multa de ofício. g) Pedido. Requer o recebimento e provimento ao recurso para (1) reconhecimento da insubsistência/improcedência da ação fiscal e cancelamento dos autos de infração; (2) sucessivamente, apropriação de valores recolhidos na sistemática do Simples; (3) sucessiva e subsidiariamente, o afastamento da multa qualificada por ausência de comprovação de dolo; e (4) por fim, o desprovimento do recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Presentes as condições de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso de ofício e do recurso voluntário. Inexistência de fato gerador. Segundo o recurso, não teria havido demonstração e nem comprovação da existência de relação laboral entre o recorrente e os empregados, sendo os Autos de Infração nulos ou improcedentes. Devemos ponderar que a fiscalização e o Acórdão recorrido consideraram que a Malta tinha existência meramente formal, ou seja, seria empresa de fachada mantida de forma artificial para a ocultação do real contratante dos trabalhadores formalmente vinculados à Malta. Provada a simulação acerca de quem se apresentava formalmente como contratante dos segurados empregados e dos segurados contribuintes individuais, a Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 921 9 argumentação do recorrente não prospera. Isso porque, é o recorrente quem ocupa a posição jurídica de contratante da mão de obra apenas aparentemente vinculada à Malta em razão da simulação havida. Não se cogita, portanto, de nulidade, estando o lançamento amparado nos arts.142 e 149, II, do CTN. Havendo provas da imputação fiscal, não há que se falar também em improcedência dos Autos de Infração. Essa questão, contudo, será apreciada no próximo item. Da unicidade empresarial ou da intermediação de mãodeobra por empresa artificial. A recorrente nega a titularidade dos fatos geradores apurados pela fiscalização, não seria sujeito passivo das obrigações tributárias e inexistiria nos autos prova dos elementos caracterizadores de vínculo direto dos trabalhadores, sendo irrelevantes os fatos apontados pela fiscalização. Além disso, não existiria grupo econômico e nem qualquer outra hipótese de responsabilização tributária. No seu entender, teria havido planejamento tributário caracterizado pela terceirização lícita de atividade fim mediante contrato verbal para atender picos de encomendas. No caso concreto, a fiscalização não atacou simplesmente o contrato de prestação de serviços verbal (nada impede ser verbal, contudo resta dificultada sua prova), mas a efetiva existência da empresa Malta, uma vez que a considerou como empresa de fachada mantida de forma artificial para a ocultação do real contratante dos trabalhadores e a indevida redução da carga tributária. Destarte, a fiscalização: (1) não desconsiderou a personalidade jurídica das empresas, eis que não se afastou a pessoa jurídica para se atingir os sócios (Código Civil, art. 50); (2) não imputou prática conjunta pelas sociedades dos fatos geradores, ou seja, não imputou a qualidade de coempregadores ou de cocontratantes para invocar a incidência do art. 124, I, do CTN; e (3) nem imputou a configuração de um grupo econômico para invocar a incidência do art. 124, II, do CTN conjugado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991. O Relatório Fiscal é claro quanto à imputação à recorrente da titularidade da posição jurídica de única empregadora ou de única contratante dos contribuintes individuais, tendo a Cincar, segundo a fiscalização, existência meramente formal para a ocultação do real titular das posições jurídicas em tela. De fato, vista isoladamente, a titularidade da Malta por parentes e pessoas de confiança constituise em indício não conclusivo. Da mesma forma, a anterior constituição da Cincar, isoladamente, não é prova de inexistir simulação. A inexistência de atividade comercial em empresa que se propõe a prestar serviços para um único contratante, assumindo o risco de uma total dependência econômica, pode também ser tida, isoladamente, como não conclusiva. Nesse contexto, é extremamente significativo o fato de a receita bruta da Malta ser inferior ao montante da remuneração paga aos segurados. Os Relatórios de Horas Trabalhadas (fls. 296/299 e 359/364) revelam a ponderação de custos diversos acordados e de lucro acordado calculados a partir do custo das horas trabalhadas para a emissão das notas fiscais, ou seja, evidenciariam o alegado acordo operacional, ainda que num contexto de um contrato verbal. Tal situação, contudo, não tem o condão de afastar a constatação de a receita Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 922 10 bruta da Malta, declarada em DASN e confirmada nas notas fiscais de prestação de serviços, ser inferior à remuneração dos segurados informada em GFIP. Somese o fato de não possuir bens de produção (veículos) e de pretender provar a locação de veículos dos segurados mediante mera pesquisa junto ao Detran. A invocação em questão é totalmente inapta para comprovar a alegada locação, ainda que associada a um contrato de emprego ou de serviços autônomo também não carreados aos autos. O local onde se situava a Malta era casa comum e pequena sem qualquer identificação, sem espaço para abrigar veículo pesado, mercadorias ou o contingente de empregados declarados, conforme fotos de fls. 56. Entre 02/08/2010 e 12/03/2013, situouse em local diverso, mas próximo a filial da TML. Acrescentese ainda que o próprio recorrente reconhece de que empregado da Malta trabalhava dentro da TML a se utilizar do sistema da folha de pagamento da TML para elaborar as GFIPs da Malta e da TML, supostamente prestando serviços autônomos para a TML. Portanto, aflora dos autos que a Malta não possuía bens de produção e nem ao menos possuía um sistema de folha de pagamento, a empregar a estrutura organizacional da TML. Nos autos não identifiquei trabalhadores em departamento comercial ou de vendas e nem vendedores, não tendo a recorrente infirmado a constatação de não possuir nem telefone. Nesse ponto, já não estamos diante de elementos probatórios isolados, mas de um conjunto probatório indicativo de a Malta não exercer uma atividade econômica organizada, mas de ser meramente depositária de apenas um dos fatores de produção, ou seja, do fator de produção trabalho pertinente à empresa TML. Acrescentese ainda que não é verossímil a alegação de a prestação de serviços se dar apenas nos picos de encomendas, eis que a prestação de serviços se operou mensalmente e em valores significativos e sem a formalização de um contrato escrito, sendo a descrição das notas fiscais absolutamente lacônica. Em tal contexto, a total dependência econômica e a ausência de uma atividade comercial de captação de clientes, bem como a despreocupação com propaganda e publicidade, atestada pela presença insignificante da Malta na internet, a contrastar com a intensa presença da TML, ganham relevo. O fato de a receita bruta da Malta ser sistematicamente inferior ao montante da remuneração paga aos segurados somada à total dependência da TML e aos demais elementos presentes no conjunto probatório, em especial ao fato de a TML muitas vezes arcar diretamente com gastos de pessoal e tributos revela não haver omissão de receita ou supostos adiantamentos, mas a deliberada e calculada manutenção artificial da Malta para a indevida redução da carga tributária pela ocultação dolosa do real contratante dos trabalhadores. Assim, os elementos probatórios colhidos revelam não haver simplesmente vínculo de parentesco e confiança entre os sócios da Malta e os da TML, mas efetivo conluio entre os administradores da Malta e os administradores da TML para a instrumentalização da Malta em benefício de interesses ilícitos da TML. Por fim, resta patente a simulação quando, em razão de alteração legislativa, a TML absorve sua faceta artificialmente mantida. A artificialidade é tão gritante que a própria Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 923 11 recorrente tem de admitir que a Malta se consubstanciava em empresa insustentável e que sua falência prejudicaria as atividades da recorrente (acaba por reconhecer não suprir meros picos de encomenda) para tentar justificar a incorporação. Diante desse contexto fático, não se vislumbra a existência de uma regular cadeia produtiva em regime de terceirização lícita. Pelo contrário, há uma série consistente de provas a demonstrar que a Malta atuava em simbiose forçada, incapaz de subsistir enquanto empreendimento autônomo por ser mera faceta artificial do fator de produção trabalho integrante da organização dos fatores produtivos da TML, a fraudar, impedir e dificultar a aplicação da legislação tributária e previdenciária. Os fatos invocados pelo recorrente (estarem registradas e não funcionarem em mesmo endereço; não possuírem sócio, marca ou sinalização comum; quadro funcional formalmente distinto com uniforme e crachá próprio; e exames laborais separados) revelam a tentativa de se caracterizar a existência de autonomia funcional e econômica das empresas, contudo o conjunto probatório constante dos autos é consistente, como supra explicitado, no sentido de ter havido efetivamente simulação. Nesse contexto de fraude e evasão fiscal, admitese como cabível a vinculação direta da mãodeobra para com a TML, ainda que os segurados empregados e contribuintes individuais tenham sido formalmente contratados/inscritos pela Malta, eis que constatada a simulação. Reiterese ser desnecessária a explicitação dos elementos caracterizadores das relações de trabalho, já reconhecidas nas GFIPs da Malta, empresa de existência meramente formal e empregada apenas para ocultar o real contratante da mãode obra. Inexistência de responsabilidade tributária. Não se imputou fato gerador de outra sociedade. Provada a simulação, é o recorrente o contribuinte dos tributos lançados. Não se cogita de transferência de responsabilidade tributária. Planejamento Tributário. Conforme já demonstrado, houve simulação e não planejamento tributário lícito. Apropriação de recolhimentos. As contribuições de titularidade dos segurados (contribuintes) foram retidas e recolhidas em nome dos mesmos ainda que pelo contratante aparente, logo correta a retificação do lançamento empreendida pelo Acórdão de piso (cancelamento do AI n° 51.064.2870), pois restaram quitadas. O real contratante não efetuou em seu nome o recolhimento espontâneo das contribuições da empresa. Há formalmente recolhimento efetuado no âmbito do Simples Nacional pelo contratante simulado da mãodeobra, formalmente terceiro ao tempo dos fatos ainda que posteriormente tenha havido sua incorporação. Não houve exclusão do Simples Nacional, por conseguinte não se aplica o art. 21, § 10, da Lei Complementar n° 123, de 2006. Não há que se cogitar em compensação impeditiva do lançamento, eis que, como já observado pela decisão recorrida, as regras de regência da matéria não são compatíveis com tal postulação. Eventual compensação com o débito lançado deve ser devidamente formalizada pelo titular do recolhimento, no caso o próprio recorrente em razão da incorporação, perante o órgão competente e a ser por este devidamente apreciada. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10980.723165/201424 Acórdão n.º 2401005.950 S2C4T1 Fl. 924 12 Não se deve cogitar de pagamento espontâneo das contribuições da empresa, eis que os recolhimentos foram feitos por pessoa jurídica formalmente diversa ao tempo dos fatos e com base de incidência diversa do fato gerador do lançamento (prestação de serviços). Logo, não se configura erro na apuração do crédito tributário, apropriação indébita ou enriquecimento sem causa do erário, tendo a própria conduta ilícita do recorrente dado causa à situação em tela. Multa. Diante das provas constantes dos autos, impõese a conclusão de ter havido a prática de diversos atos simulados, como acima detalhado, a se ocultar o real contratante dos trabalhadores com o nítido intuito doloso de se obter indevida redução da carga tributária. Acertada, destarte, a qualificação da multa de ofício (Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, I e § 1°). Isso posto, voto por conhecer e negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 924DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.721968/2017-57
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IRPF. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
Conforme o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.
Numero da decisão: 2002-000.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. Conforme o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 19 68 /2 01 7- 57 Fl. 71DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 08 a 11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.033,44, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 16 dos autos, que conforme decisão da DRJ: 3. Cientificada do lançamento em 07/06/2017, conforme documento "AR Digital" (fl. 18), a interessada ingressou, por meio de seu procurador, com a impugnação de folhas 2 a 5, em 07/07/2017, alegando que: Infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO [...] Valor da Infração: R$ 35.407,84. Não concordo com essa infração. Outras alegações: A declaração Exercício 2014 calendário 2013 foi retificada pleiteando a isenção nos Rendimentos recebidos junto ao MINISTÉRIO DA SAÚDE (APOSENTADORIA), TENDO COMO BASE O LAUDO PERICIAL DE MOLÉSTIA GRAVE (ANEXO), ASSINADO PELO DR. RICARDO FERREIRA DE BRITO, SOB CRM 47.666. INFORMO QUE POR CONTA DA MOLÉSTIA GRAVE, ME FOI CONCEDIDO O DIREITO A CNH ESPECIAL PARA PORTADORES DE DEFEITO FÍSICO E DA AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS COM ISENÇÃO DE IMPOSTOS JUNTO AOS ÓRGÃOS FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS. (FORMULÁRIO RENACH) ANEXO. DECLARO AINDA QUE O IMPOSTOS APURADOS NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO ORIGINAL JÁ FORAM RECONHECIDOS E PAGOS SEM NENHUMA CONTESTAÇÃO E QUE SÓ ESTOU PLEITEANDO UM RESSARCIMENTO COM BASE NA LEGISLAÇÃO VIGENTE. 4. Ao finalizar a sua peça de defesa, a Impugnante requer o acolhimento da impugnação e o cancelamento da atuação fiscal, bem como prioridade na análise desta impugnação por conta da previsão contida nos arts. 69A, incisos I e IV, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13819.721968/201757 Acórdão n.º 2002000.539 S2C0T2 Fl. 72 3 5. Em 27/09/2017, a Impugnante anexou aos autos cópia de Laudo Médico Pericial e cópia da publicação da sua aposentadoria no Diário Oficial da União, conforme atestam os documentos de folhas 34 a 39. A impugnação foi apreciada pela 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 11/10/2017, no acórdão 0660.656, às efls. 40 a 50, julgou a impugnação parcialmente procedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 58 a 68 no qual alega, em síntese, que: · é portadora de moléstia grave conforme laudos apresentados; · retificou sua declaração objetivando recuperar o imposto pago indevidamente; É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator O presente recurso é intempestivo, vez que, conforme efls. 55, o contribuinte foi intimado da decisão da DRJ no dia 25/10/2017, apresentando recurso voluntário no dia 28/12/2017, efls. 58, desrespeitando requisito essencial de admissibilidade, conforme artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, cuja redação é: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Diante do exposto, não conheço do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, visto que intempestivo. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 73DF CARF MF 4 Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900066/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo - no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado -, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
Numero da decisão: 3402-006.076
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, não conhecer em parte do Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto aos argumentos da ilegalidade da aplicação da SELIC e a inconstitucionalidade da multa aplicada; e (ii) por maioria de votos, quanto a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo - no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado -, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, não conhecer em parte do Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto aos argumentos da ilegalidade da aplicação da SELIC e a inconstitucionalidade da multa aplicada; e (ii) por maioria de votos, quanto a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado , de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão. Acordam os membros do Colegiado, não conhecer em parte do Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto aos argumentos da ilegalidade da aplicação da SELIC e a inconstitucionalidade da multa aplicada; e (ii) por maioria de votos, quanto a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 66 /2 00 8- 31 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1016.099, proferido pela DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo assim a negativa de homologação da compensação pretendida. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente contestou o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, afirmou que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo tributável com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/1998, gerando assim, indébitos compensáveis. Devidamente cientificada da decisão da DRJ, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde repisou os fundamentos desenvolvidos em sua manifestação de inconformidade, bem como acresceu os seguintes fundamentos: (i) a inclusão do ICMS na base de cálculo da exação em comento seria indevida; (ii) a ilegalidade da SELIC como fator de correção do crédito tributário; e, ainda (iii) a multa aplicada apresentaria caráter confiscatório, motivo pelo qual deveria ser afastada. É o relatório Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.073, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.900040/200892, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.073): "I. Do não conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 5. Conforme destacado no relatório desenvolvido no presente voto, parte dos fundamentos desenvolvidos no presente recurso voluntário inovam a lide, na medida em que externados apenas em sede de recurso voluntário. É o caso dos seguintes tópicos da peça recursal: (i) a inclusão do ICMS na base de cálculo da exação em comento seria indevida; (ii) a ilegalidade da SELIC como fator de correção do crédito tributário; e, ainda (iii) a multa aplicada apresentaria caráter confiscatório, motivo pelo qual deveria ser afastada. 6. Acontece que, em sua manifestação de inconformidade, o ora recorrente não desenvolveu tais fundamentos. Dessa feita, está precluso o direito do contribuinte, em sede de recurso voluntário, debater as exigências tratadas nos itens "ii" e "iii" alhures, nos exatos termos do disposto no art. 17 do Decreto n. 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 7. Não se tratando de questões de ordem pública, que poderiam ser reconhecidas de ofício e em qualquer grau de jurisdição, em razão da aplicação subsidiária do art. 485, § 3o, c.c. o art. 15, ambos do Novo Código de Processo Civil1, não 1 "Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...). 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. (...)." Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 4 poderia o recorrente, em grau recursal, inovar a lide, sob pena de haver notória supressão de instância judicativa. 8. Neste sentido, não conheço dos fundamentos desenvolvidos pelo recorrente no sentido de combater (i) a ilegalidade da aplicação da SELIC, bem como (ii) a inconstitucionalidade da multa aplicada no caso em tela. (...)2 Lembremos que o presente processo fiscal iniciouse por manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de Porto Alegre relativo à COFINS, em virtude exame de declaração de compensação, a qual não foi homologada por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. Foi essa a motivação adotada pela Administração Tributária no despacho decisório, o qual impõe os limites do processo administrativo e a impossibilidade de sua alteração, nos moldes esculpidos pelo artigo 146 do CTN. A Recorrente, por sua vez, contestou o referido Parecer alegando que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título da Contribuição ao PIS e da COFINS, conforme disposição da Lei 9.718/98, constatou valores pagos a maior. O cerne da inconformidade da Recorrente foi o conceito de receita bruta, instituído pela lei acima referida, alegando ser o indébito que pleiteia decorrente da tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também afirma que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. Ou seja: segundo a própria Recorrente, o indébito tributário pleiteado, que fora utilizado para compensar débitos via declaração de compensação, são decorrentes de pagamentos indevidos porque fundados em interpretação equivocada do conceito de receita, discussão essa amplamente conhecida a respeito da Lei n. 9.718/98. Como poderia agora, nesse pé do processo administrativo, vir alegar que o indébito, na realidade, o crédito decorre da indevida inclusão do ICMS na base da cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS? Isso só demonstra a iliquidez e incerteza do crédito tributário utilizado pelo contribuinte, inclusive no que tange à sua base legal, tudo indo na contramão das determinações que regem a matéria (artigos 165 e 170 do "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." 2 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu na discussão sobre o conhecimento do recurso voluntário quanto a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Íntegra do voto pode ser consultada no processo paradigma (11080.900040/200892) Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 5 Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 e seguintes da Lei n. 9.430/96). Mas a verdade é que nem isso a Recorrente alega. Em seu longo Recurso Voluntário, de repente passa a discorrer sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS (fls 54), em nenhum momento apontando nem provando como essa discussão implicaria no presente processo administrativo, no crédito utilizado na declaração de compensação ou porque foi extemporaneamente apresentada. Enfim, na hipótese de efetivamente a Recorrente ter direito à restituição de indébito tributário, decorrente da imprópria tributação das contribuições sociais com o ICMS compondo a sua base, deverá iniciar outro processo administrativo, requerendo pelas vias cabíveis a devolução de tais valores, demonstrando e provando a pertinência da decisão proferida pelo STF no RE n. 574.706. Eis aí o correto caminho processual a ter tomado. Tratase, portanto, de questão que além de extrapolar os limites do presente dissídio, é preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, e não vejo razão para o afastamento da citada regra in casu. Desta feita, a mencionada matéria de defesa não deve ser conhecida por este Colegiado. Por essas razões, especificamente com relação ao tópico da defesa atinente inclusão do ICMS na base da cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, voto no sentido de não conhêlo. (...) (ii.b) Do mérito propriamente dito 35. Superada a proposta acima, mister se faz a análise do mérito propriamente dito do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, o que faz nos seguintes termos. (...)3 (2) Do crédito vindicado pelo contribuinte com fundamento no inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998 39. A questão de fundo não é nova neste Tribunal e diz respeito a (in)aplicabilidade imediata do inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998, que assim prescreve: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). 3 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento do mérito. Íntegra do voto pode ser consultada no processo paradigma (11080.900040/200892) Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...). (grifos nosso). 40. A questão aqui travada foi bem tratada pelo acórdão n. 3302004.903, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que assim prescreveu em seu voto acompanhado a unanimidade pela turma julgadora: Esclarecida a situação a fática, examinase a seguir as normas objeto da controvérsia: Lei nº 9.718, de 1998: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(grifei) A norma em destaque foi expressamente revogada pela alínea b do inciso IV da art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000: • Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000 (DOU, de 10/06/2000): Art.47.Ficam revogados: [...] IV a partir da publicação desta Medida Provisória: (...); b) o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.(grifei). Dos atos acima transcritos constatase que o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718, de 1998 é uma norma que depende de regulamentação, tipificada portanto segundo Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 7 a doutrina abalizada como norma de eficácia limitada, que é aquela que depende de uma regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. É digno de nota que a matéria em tela foi objeto de vários precedentes nesse E. Conselho, a exemplo dos acórdãos: 380200.893, de 20/03/2012, 3302002.174, de 26/06/2013 e 3202001.051, de 20/01/2014. Nesse sentido, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão 3202001.051, de 20/01/2014, ex vi do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 9.718/98 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, exclusão esta, contudo, condicionada à edição de norma regulamentadora. Tal norma de eficácia limitada, embora vigente, nunca chegou a ter eficácia, já que não editado o decreto regulamentador.(grifei) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Excertos do voto: Como visto, a decisão recorrida indeferiu o restituição solicitada e não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente, fundamentalmente, em decorrência da ausência de regulamentação, pelo Poder Executivo, da norma que previa a exclusão de valores computados como receitas e transferidos para terceiros (art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98). Por conseguinte, a declaração de compensação apresentada não pode ser homologada por Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 8 falta de certeza e liquidez dos indébitos utilizados. Não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, o dispositivo legal acima referenciado – que, posteriormente, foi expressamente revogado pelo artigo 47, inciso IV, alínea “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, posteriormente convertido na Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – tratava da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, contudo, “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, conforme se observa da simples leitura do preceito em comento, verbis: (...) Tais normas regulamentadoras, no entanto, nunca chegaram a ser editadas. Destarte, a norma em comento, embora vigente, nunca produziu efeitos.(grifei). Por esse motivo, a Secretaria da Receita Federal, inclusive, editou o Ato Declaratório nº 056, de 20 de julho de 2000, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. A meu ver, o próprio Poder Legislativo, ao criar a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas para outra pessoa jurídica, condicionando a sua aplicação à edição de normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo, demonstrou sua intenção de dar ao citado dispositivo natureza de norma de eficácia limitada. Por ausência de regulamentação tal norma tornouse inaplicável, já que não acompanhada dos comandos Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 9 operacionais e disciplinadores que o Poder Legislativo outorgara ao Poder Executivo para tanto.(grifei) Desse modo, não cabe a este órgão de julgamento, ao alvedrio de norma regulamentadora específica, dada sua inexistência, usurpar de competência que não é a sua para fixar, segundo seu juízo, as particularidades necessárias à eficácia do comando então previsto em lei. Nesse sentido, é remansosa a jurisprudência do CARF. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 20180596, de 20/09/2007; nº 20218928, de 09/04/2008; nº 220100.334, de 05/06/2009; nº 3302000.725, de 08/12/2010; 380200.893, de 20/03/2012. O mesmo cunho decisório tem sido adotado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, a exemplo do AgRg no Ag 977750 SC, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 22/03/2011, cuja ementa e excertos do voto a seguir se transcrevem: PROCESSUAL CIVIL. VÍCIO DE OMISSÃO. ALEGAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNICIDADE RECURSAL. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, INC. III, DA LEI N. 9.718/98. NECESSIDADE DE REGULAMENTAÇÃO. 1. A via apropriada para questionar a existência de omissão, contradição ou obscuridade em decisão monocrática é a dos embargos de declaração, dirigido ao relator, e não a do agravo regimental. As finalidades dos recursos são diversas e a Segunda Turma não vem permitindo nestes casos a mescla de espécies recursais distintas, em atenção ao princípio da unicidade recursal. Precedentes. 2. O art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, que excluía da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores que, computados como receita, foram transferidos a outra pessoa jurídica , nunca teve eficácia, em virtude da ausência de norma regulamentadora exigida em tal dispositivo, posteriormente revogado com a edição da MP 1.99118/2000. (grifei). 3. Precedentes: AgRg no REsp 1074304/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 1.7.2010; AgRg no REsp 1072533/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25.5.2009; AgRg no REsp 969.967/RS, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 26.11.2007; AgRg no Ag 913.463/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.10.2007; e AgRg no REsp 708.619/SC, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 23.10.2006. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 10 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido Excertos do voto: Quanto ao mérito, a decisão merece ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais transcrevo. Dessumese do exame dos autos que o entendimento sufragado pelo Tribunal de origem está perfeitamente alinhado com o posicionamento do STJ no sentido de não ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que fossem transferidos a outra pessoa jurídica, ao integrarem a receita da empresa, pois tal procedimento dependia de regulamentação sobre a matéria, em atenção ao princípio da legalidade. (grifei). Entrementes, com o advento da MP n. 1.99118/2000, houve a revogação da norma que previa a exclusão pretendida (art. 3º, §2º, III, da Lei n. 9.718/98), o que retirou totalmente a sua eficácia no plano jurídico.(grifei). E mais recentemente no AgInt no AREsp 288345/ RN, AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2013/00189748: Data do Julgamento 02/02/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2017 EMENTA [...]PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: [...] 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11080.900066/200831 Acórdão n.º 3402006.076 S3C4T2 Fl. 0 11 [...] (REsp 1144469 PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) (...). 41. Ademais, convém destacar que, em outros períodos que não o aqui tratado, o próprio contribuinte já possui decisões no sentido de afastar sua pretensão. É o que se observa dos seguintes acórdão deste Tribunal: 3803006.885, 3803006.876 e 3803006.884, dentre outros. 42. Assim, empregando como meu as razões de decidir externadas no acórdão n. 3302004.903 acima reproduzido e, ainda, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18490.720183/2015-69
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito.
Numero da decisão: 1003-000.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 49 0. 72 01 83 /2 01 5- 69 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 18490.720183/201569 Acórdão n.º 1003000.377 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1152.801, de 29 de abril de 2016, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório. A Recorrente apresentou pedido de compensação, PER/DCOMP nº 10579.97799.291210.1.3.048725, em razão de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo da CSLL paga por estimativa, código 2484, período de apuração 08/08/1980. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 7.748,66, seria decorrente de pagamento indevido relativo ao DARF de valor R$ 7.851,47, recolhido em 30/10/2009. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº 292, de 13/05/2015, às fls. 16 e 17, a Autoridade Competente decidiu não homologar a compensação fundamentando o seguinte: O presente processo trata da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 10579.97799.291210.1.3.048725 (fls. 02/06), por meio da qual o contribuinte compensa débito com crédito proveniente de Pagamento Indevido ou a Maior, efetuado sob o código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, discriminado à fl. 04. À fl. 07, constatase que a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, foi localizado o pagamento, mas integralmente utilizado para amortização de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP (...):. Diante do exposto, com base nas informações e documentos constantes deste processo e no uso da competência estabelecida pelo art. 302, inciso VI, da Portaria MF nº 203/2012, DOU de 17/5/2012, c/c a delegação prevista no art. 3°, III da Portaria DRF/BEL nº 107/2012, DOU de 22/8/2012 resolvo: a) NÃO RECONHECER o direito creditório correspondente a pagamento indevido ou a maior, código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, no valor original de R$ 7.748,66, por inexistência de crédito; b) NÃO HOMOLOGAR a compensação pretendida na DCOMP no 10579.97799.291210.1.3.04 8725; c) DETERMINAR A COBRANÇA do débito confessado na DCOMP acima mencionada, uma vez que a DCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para cobrança dos débitos nela declarados, nos termos do art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996. A contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade e defendeu o seguinte: (i) que efetuou pagamento indevido CSLLEstimativa (2484), referente ao mês de abril de 2006, no valor de R$ 7.748,66, via DARF, através de parcelamento PEPAR Fl. 82DF CARF MF Processo nº 18490.720183/201569 Acórdão n.º 1003000.377 S1C0T3 Fl. 4 3 (Proc. 10280901228/200839) e posteriormente sendo quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 30/10/2009, sendo esse pagamento indevido compensado através do PER/DCOMP nº 10579.97799.291210.1.3.048725; (ii) pelo exposto, requereu a improcedência da cobrança e a homologação da compensação pleiteada. A DRJ/REC analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EXISTENTE Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização na extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que repetiu os argumentos e provas acostados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente fundamenta seu recurso sob a alegação de que o crédito em análise foi gerado em razão de pagamento indevido de parcela relativa a CSLL (2484), referente ao mês de abril de 2006, no valor de R$ 7.748,66. Contudo, afirma que teria efetuado o pagamento do citado valor indevidamente, via DARF, e que foi posteriormente quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 30/10/2009. A PER/DCOMP apresentada pela Recorrente de nº 10579.97799.291210.1.3.048725 (fls. 2 a 6), informa ser o crédito originado a partir do DARF, CSLL, código de receita 2484, com vencimento em 30/10/2009, no valor de R$ 7.851,47. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 18490.720183/201569 Acórdão n.º 1003000.377 S1C0T3 Fl. 5 4 A Autoridade administrativa, ao analisar a liquidez e certeza do crédito, identificou, através do Despacho Decisório (fls. 16 e 17), que o DARF informado no PER/DCOMP como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débito do processo nº 10280.901.228/200839, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP. A DRJ, ao analisar as informações da manifestação de inconformidade e confrontar com as informações constantes nos sistemas da RFB, verificou o seguinte: a contribuinte apresentou, em 14/06/2008, a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2007 –, relativa ao anocalendário de 2006, onde consta, no período de Abril/2006, na FICHA 16 CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO MENSAL POR ESTIMATIVA , CSLL a pagar no valor apurado de R$ 7.748,66: a contribuinte apresentou, em 25/10/2008, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF Retificadora relativa a Abril/2006, onde consta no período CSLL cód. 2484 no valor apurado de R$ 7.748,66: Por essa razão, a contribuinte formalizou o Processo nº 10280.901228/200839 com pedido de parcelamento, por meio do qual quitou o débito de CSLL, cód. 2484, do período de apuração abril/2006, no valor originário de R$ 7.748,66 (mesmo valor informado na DCTF),(...): Verificase que tanto a Impugnante quanto a Autoridade Fiscal somente se referiram ao Processo nº 10280.901228/200839, sendo justamente nesse processo onde se encontra vinculado o DARF no valor de R$ 7.851,47, recolhido em 30/10/2009. A Impugnante reconheceu a existência desse processo e não apresentou outros dados que supostamente caracterizassem pagamento em duplicidade de CSLL, cód. 2484, no período de apuração abril/2006. Constatase, portanto, que a Autoridade Fiscal procedeu corretamente ao não reconhecer o direito creditório pleiteado. Assiste razão à DRJ. Não há nos autos informações ou provas que pudessem corroborar as alegações de pagamento em duplicidade realizado pela contribuinte. Pelas informações constantes no processo, o DARF está alocado no processo de nº 10280.901.228/200839 e o parcelamento informado foi realizado para quitar o débito de CSLL do período. Não há outros documentos nos autos que suportem a alegação de pagamento em duplicidade. Ademais, todos os argumentos de defesa e as provas devem ser colacionadas na Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão do direito, nos moldes determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, art.16. No presente caso, nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário esclarecem como foi realizado o pagamento em duplicidade e nem traz documentos que possam corroborar a tese ventilada nas defesas. A Lei nº 11.941/2009 alterou a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários e concedeu remissão nos casos em que Fl. 84DF CARF MF Processo nº 18490.720183/201569 Acórdão n.º 1003000.377 S1C0T3 Fl. 6 5 especificados na citada norma. A Recorrente, contudo, não informou se estava enquadrada nos requisitos da Lei, nem juntou qualquer documento que comprovasse ter havido a remissão no caso concreto, fato que também não foi identificado pelas autoridades administrativas que instruíram o processo. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/REC. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723693/2010-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM PARCELA FIXA E COM BASE NA ASSIDUIDADE. AUSÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
A parte da PLR paga em valor fixo, bem como a parte variável paga de acordo com a frequência do empregado, peremptoriamente, não atendem às disposições contidas na Lei n.º 10.101/2001, pois não atingem a finalidade da norma que é servir como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade.
Numero da decisão: 9202-007.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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PAGAMENTO EM PARCELA FIXA E COM BASE NA ASSIDUIDADE. AUSÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. A parte da PLR paga em valor fixo, bem como a parte variável paga de acordo com a frequência do empregado, peremptoriamente, não atendem às disposições contidas na Lei n.º 10.101/2001, pois não atingem a finalidade da norma que é servir como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 36 93 /2 01 0- 45 Fl. 162DF CARF MF 2 Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte contra o Acórdão n.º 2803003.689 proferido pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 7 de outubro de 2014, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 96: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2007 NÃO INCIDÊNCIA. INDENIZAÇÃO POR SUPRESSÃO DE HORAS EXTRAS HABITUAIS, A indenização prevista na súmula n. 291 do tribunal superior do trabalho, em face da natureza que ostenta, não atrai a incidência de contribuições previdenciárias ABONO DE FÉRIAS. ACORDO COLETIVO. NÃO INCIDÊNCIA. Abono de férias reduzido em razão da assiduidade do empregado, concedido em virtude de convenção coletiva, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integra a remuneração do empregado para os efeitos da previdência social, conforme dispõe o artigo144 da CLT, não estando, portanto, sujeito à incidência da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. No que se refere ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte referido anteriormente, fls. 109 a 134, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 149 a 151, para rediscutir o pagamento de participação nos lucros e resultados em valor fixo e com base na assiduidade. Sobre a matéria, a Contribuinte sustenta, em síntese, que: a) a Lei 10.101 é muito clara ao deixar a critério dos envolvidos os procedimentos a serem realizados par apuração dos objetivos; b) em momento algum a fiscalização colocou em dúvida a juridicidade, legalidade e forma das convenções coletivas envolvidas no caso, logo se encontram em plena conformidade com a norma vigente; c) o empregador e empregados fizeram uso dos critérios de qualidade e assiduidade descritos no Anexo do Acordo Coletivo, Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13603.723693/201045 Acórdão n.º 9202007.477 CSRFT2 Fl. 3 3 o que ao final do período, resultou na manutenção da certificação ISO 9.000 e ISO 14.000, que, como é sabida, possui regras claras e que se não estiverem bem difundidas entre os participantes, dificilmente a certificação se sustentaria; d) deve ser reformado o acórdão recorrido para afastar a cobrança da contribuição previdenciária. A Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, fls. 153 e seguintes, assim argüiu: a) admitir que a verba “participação nos lucros ou resultados” não estivesse condicionada ao alcance de metas e resultados ou a qualquer outro critério objetivo dependente do trabalho, seria admitir o desvirtuamento da rubrica permitindo ao empregador instituir pagamentos, através de acordo ou convenção coletiva de trabalho, mascarados com o rótulo de “participação nos lucros ou resultados” sem que os mesmos tivessem essa natureza; b) pela análise das cópias dos Acordos Coletivos de Trabalho às fls. 164/171 e pelas informações prestadas pela fiscalização nos autos do processo dos nº 13603.723688/201032, que no presente caso, parte do pagamento a título de PLR ocorreu de forma, praticamente, sucessiva à assinatura dos Acordos Coletivos de Trabalho ACT que regulamentavam tal verba; c) não houve negociação prévia fixando metas e resultados que deveriam ser perseguidos pelos empregados em favor do empregador durante um determinado lapso temporal. Tal circunstância não se coaduna com a natureza da PLR prevista pela Constituição da República de 1988, segundo a qual, conforme já mencionado, a concessão desse direito pressupõe o envolvimento/participação dos empregados por um determinado período de tal forma a influenciar os lucros ou resultados favoráveis à empresa; d) constatase que para que o empregado recebesse integralmente a parcela restante da verba denominada PLR, além de ter obtido pontuação máxima em relação à meta assiduidade (nenhuma falta), deveria inexistir o registro, em documento específico, de irregularidades (advertência ou não conformidade). Sendo que, o registro de uma a três irregularidades resultaria no estabelecimento de uma pontuação menor e, por conseqüência, o empregado receberia menores valores relativamente à segunda parcela de PLR; e) os valores da última parcela da verba denominada PLR foram estabelecidos à revelia dos critérios previstos no instrumento de negociação coletiva, sob a justificativa de que, em face dos resultados positivos relativos à renovação das Fl. 164DF CARF MF 4 certificações ISO, todos os empregados seriam avaliados com a nota máxima em relação à meta “irregularidades”; f) fica demonstrado, de forma inequívoca, que o único elemento considerado para pagamento da segunda e última parcela da verba PLR foi o grau de assiduidade do empregado; g) o pagamento de uma verba em razão de um fator como assiduidade não se configura como participação nos lucros ou resultados possuindo uma natureza mais próxima de uma premiação ou de remuneração extra devidas em razão de maior disponibilidade do empregado; h) tratase, portanto, de pagamento extra de salário e a citada rubrica se enquadra no conceito de salário de contribuição não constituindo hipótese liberada da tributação pelo disposto na Lei nº 8.212/1991, artigo 28, § 9º. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora No mesmo procedimento fiscal, foram lavrados os autos abaixo identificados: DEBCAD TIPO DE OBRIGAÇÃO DESCRIÇÃO 37.299.0444 Principal Contribuições Patronais 37.299.0460 Principal Contribuições para Terceiros 37.299.0479 Acessória (CFL 68) Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias 37.299.0487 Acessória (CFL 59) Deixar de arrecadar, mediante desconto, contribuição de segurados empregados 1. Do Recurso especial interposto pela Contribuinte. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. O presente lançamento ocorreu em razão de a Contribuinte deixar de descontar e arrecadar as contribuições devidas pelos segurados empregados. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13603.723693/201045 Acórdão n.º 9202007.477 CSRFT2 Fl. 4 5 Em sede de Recurso Especial, foi suscitada pela Contribuinte a rediscussão relativa ao pagamento de participação nos lucros e resultados em valor fixo, bem como atrelada à assiduidade. No que se refere ao tema, o acórdão recorrido assim dispôs: 4) Quanto ao lançamento com base no PLR, passase a considerar: O procedimento adotado para fins de formalização das vontades entre empregador e empregado, o mesmo foi feito de forma adequada na forma do art. 2º, II, da Lei n. 10101/2001. Observese que a lei coloca que o acordo deve ser feito de forma alternativa, ou por uma comissão de empregados, ou convenção ou acordo coletivo. A sua assinatura sucessiva não afeta a forma legal, como tenta demonstrar a decisão a quo. No tangente aos critérios serem claros ou não há várias nuances. Efetivamente, a pactuação de valores fixos de pagamento aos funcionários, desnatura a finalidade da legislação, que vincula tais pagamentos aos resultados e lucros da empresa. A determinação de valores fixos, desnatura a forma definida em lei, que determina no art. 2º, da Lei n. 10.101/2001 e art. 28, §9º, j, da Lei n. 8.212/1991, que são claros a vinculação dos valores aos lucros ou ao resultado. Assim, tais valores fixos efetivamente são remuneração (contraprestação) pelos serviços, na forma do art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991, constituindo hipótese de incidência das contribuições previdenciárias em questão. Quanto à parte variável, vinculada a manutenção das certificações ISO9000/ISO14000 e assiduidade, efetivamente não foi identificada a forma de cumprimento de metas individuais, assim adotamos o voto da decisão recorrida: Portanto, em relação a essas quantias é inconteste que não houve negociação prévia fixando metas e resultados que deveriam ser perseguidos pelos empregados em favor do empregador durante um determinado lapso temporal. Tal circunstância não se coaduna com a natureza da PLR prevista pela Constituição da República de 1988, segundo a qual, conforme já mencionado, a concessão desse direito pressupõe o envolvimento/participação dos empregados por um determinado período de tal forma a influenciar os lucros ou resultados favoráveis à empresa. As informações contidas nos ACT (juntados aos autos) corroborando as informações prestadas pela fiscalização indicam que uma das metas fixadas nos instrumentos de negociação coletiva foi denominada “irregularidades”. Da análise dos documentos denominados “Anexo I” que detalhariam as metas nomeadas nos ACT, constatase que para que o empregado recebesse integralmente a parcela restante da verba denominada PLR, além de ter obtido pontuação máxima Fl. 166DF CARF MF 6 em relação à meta assiduidade (nenhuma falta), deveria inexistir o registro, em documento específico, de irregularidades (advertência ou não conformidade). Sendo que, o registro de uma a três irregularidades resultaria no estabelecimento de uma pontuação menor e, por conseqüência, o empregado receberia menores valores relativamente à segunda parcela de PLR. Verificase, porém, conforme comprovam cópias das atas das reuniões de apuração das metas individuais da PLR às fls. 180/197, que apesar de constarem tais parâmetros nas ACT, os valores da última parcela da verba denominada PLR foram estabelecidos à revelia dos critérios previstos no instrumento de negociação coletiva, sob a justificativa de que, em face dos resultados positivos relativos à renovação das certificações ISO, todos os empregados seriam avaliados com a nota máxima em relação à meta “irregularidades”. Portanto, fica demonstrado, de forma inequívoca, que o único elemento considerado para pagamento da segunda e última parcela da verba PLR foi o grau de assiduidade do empregado. Ora, considerandose o exposto relativamente a finalidade da PLR, o pagamento de uma verba em razão de um fator como assiduidade não se configura como participação nos lucros ou resultados. (...). Assim, neste ponto, não se pode acolher o pedido. A Recorrente aduz, consoante narrado, essencialmente, que a Lei 10.101/2001 é muito clara ao deixar a critério dos envolvidos os procedimentos a serem realizados par apuração dos objetivos. Além disso, sustenta que o empregador e empregados fizeram uso dos critérios de qualidade e assiduidade descritos no Anexo do Acordo Coletivo, o que ao final do período, resultou na manutenção da certificação ISO 9.000 e ISO 14.000, que, como é sabida, possui regras claras e que se não estiverem bem difundidas entre os participantes, dificilmente a certificação se sustentaria. Em suas contrarrazões, a procuradoria argumenta: Constatase, pela análise das cópias dos Acordos Coletivos de Trabalho às fls. 164/171 e pelas informações prestadas pela fiscalização nos autos do processo dos nº 13603.723688/2010 32, que no presente caso, parte do pagamento a título de PLR ocorreu de forma, praticamente, sucessiva à assinatura dos Acordos Coletivos de Trabalho ACT que regulamentavam tal verba. Especificamente, o ACT assinado em 12/7/2006, conforme cláusulas 1 e 2, determinava que, independentemente de qualquer resultado, meta ou avaliação, cada empregado faria jus à um valor de no mínimo R$ 215,00, e tal importância deveria ser paga em 15/7/2006. Seguindo a mesma política de remuneração, o ACT assinado em 10/8/2007 previa que, segundo o conteúdo de suas cláusulas 1 e 2, independentemente de qualquer resultado, meta ou avaliação, cada empregado faria jus à um valor de no mínimo R$400,00, e essa quantia deveria ser paga em 17/8/2007. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13603.723693/201045 Acórdão n.º 9202007.477 CSRFT2 Fl. 5 7 Nesse contexto, notase que a parte da PLR paga em valor fixo, peremptoriamente, não atende às disposições contidas na Lei n.º 10.101/2001, pois não atinge a finalidade da norma que é servir "como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade". No que se refere ao pagamento variável com base no critério de assiduidade, também não identifico o cumprimento do diploma legal regente da matéria, pois tal critério, por si só, não é suficiente para justificar a PLR como o instrumento apto ao cumprimento da finalidade normativa mencionada. No meu entender, a questão referida atinente à freqüência do empregado é decorrência lógica do cumprimento do contrato de trabalho, razão pela qual, da maneira como foi utilizada, não atende aos requisitos legais. Quanto ao argumento da Procuradoria sobre os pagamentos sucessivos à assinatura dos acordos, o acórdão recorrido refuta esse argumento, de modo que, como a matéria foi levantada em contrarrazões da Fazenda Nacional, não há como, em prejuízo da Recorrente, alterar matéria não objeto do recurso. Assim, mantenho o acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Nesse contexto, voto por conhecer do recurso especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.912497/2009-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 24 97 /2 00 9- 18 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10166.912497/200918 Acórdão n.º 3003000.047 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 11481.48553.250309.1.3.047903, transmitida eletronicamente em 25/03/2009, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 07/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 124), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 31.926,27. Cientificado dessa decisão em 21/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 19/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 9, acrescida de documentação anexa. Em suma, a contribuinte alega erro no preenchimento da DCTF e do Dacon transmitidos originalmente, que não foram retificados antes da emissão do Despacho Decisório. Acrescenta que a declaração e o demonstrativo foram retificados antes da ciência do referido despacho e que as informações retificadas demonstrariam o direito ao crédito pleiteado pela interessada. Argumenta, ainda, que o erro em retificar a DCTF após o pedido de compensação não seria suficiente, por si só, para afastar o direito à quitação do débito compensado. Cita doutrinadores, princípios constitucionais e jurisprudência administrativa para ilustrar sua argumentação. Trata ainda da multa imposta em razão da não homologação, no percentual de 150%, apresentando o entendimento de que esta não deveria ser aplicada por inexistir subsunção do fato concreto à norma jurídica e não ter sido demonstrado que a declaração era falsa. Ao final, apresenta os seguinte pedidos: a) suspensão da exigibilidade do crédito tributário; b) deferimento da manifestação de inconformidade; Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10166.912497/200918 Acórdão n.º 3003000.047 S3C0T3 Fl. 4 3 c) homologação do PER/DCOMP objeto dos autos; d) baixa do débito, face a sua compensação; e) afastamento da aplicação da multa de 150% sobre o débito. A 4ª Turma da DRJ em Brasília proferiu decisão, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DE CORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, pugnando o seguinte: 1. Que as normas da RFB cita as INs 900/08 e 1300/12 que estabelecem critérios para compensação tributária não deixam claro a necessidade de apresentação de outros documentos, além das PER/DCOMPs, DCTFs e DACONs, para a comprovação do crédito pleiteado; 2. Que, visando não deixar dúvidas quanto à legitimidade do crédito pleiteado, traz, além dos documentos já apresentados na impugnação, planilha de apuração da contribuição social, utilizada como memória de cálculo da compensação efetuada, livros fiscais de apuração do IPI e do ICMS, colocandose à disposição para fornecer informações adicionais. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10166.912497/200918 Acórdão n.º 3003000.047 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito efetivamente em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as características apontadas no referido relatório. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse, pelas características do DARF informado pelo contribuinte, que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento relativo ao DARF indicado já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido eletronicamente Despacho Decisório cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Na impugnação, a recorrente alega que cometeu erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito de COFINS foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de COFINS a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação de que as declarações originais continham apuração errônea dos débitos de COFINS de onde decorreria o crédito efetivamente litigioso. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10166.912497/200918 Acórdão n.º 3003000.047 S3C0T3 Fl. 6 5 No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório, por meio da apresentação de escrituração contábil fiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a COFINS devida era realmente menor do que o valor constante das declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalado pela decisão recorrida, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. É o que o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10166.912497/200918 Acórdão n.º 3003000.047 S3C0T3 Fl. 7 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação trazidos como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, podendose aplicar, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os autos, observase que a recorrente não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Explico. Apesar de ter trazido aos autos planilha de apuração da COFINS, além de páginas dos livros de Apuração de IPI e ICMS, a recorrente não demonstrou a natureza e a extensão dos valores atinentes à exclusão e deduções na apuração da COFINS devida, das quais resultou o débito a menor que teria fundamentado a retificação da DCTF e da DACON. De fato, não há, nos autos, provas que demonstrem a natureza e os valores concernentes às deduções nãocumulativas e aqui são várias rubricas, entre as quais, "compras revenda", "compras PJ", "frete PJ", "embalagens", etc., deduções presumidas "milho pessoa física" e "sorgo pessoa física" e exclusões "Zona Franca", "IPI saída" e "S.Trib." , constantes do demonstrativo de apuração da COFINS devida no período de apuração da DCOMP. Para demonstrar seu direito, a recorrente deveria ter trazido aos autos documentos hábeis e idôneos para comprovar cada rubrica que compõe as deduções não cumulativas, deduções presumidas e exclusões. Poderia, por exemplo, ter trazido notas fiscais de frete, embalagens, além de outros documentos, a fim de provar a natureza e valor das deduções e se são, de fato, aplicáveis a seu caso. Do material probatório apresentado, não há como aferir e atestar a natureza e valores das deduções e exclusões na apuração da COFINS de que resultou o crédito pleiteado nos autos. As planilhas apresentadas e as páginas de livros apuração de IPI e ICMS não são suficientes para comprovar o direito alegado. Se o crédito pleiteado pela recorrente é derivado de pagamento indevido ou a maior em face de apuração errônea da COFINS, deveria a recorrente ter demonstrado a natureza e extensão de cada conta contábil que teria levado à redução do débito da referida contribuição social. Há que se destacar que planilhas, declarações ou demonstrativos apresentados pelo próprio contribuinte, quando desacompanhados de outros elementos que ratifiquem o seu conteúdo, sua natureza e sua exatidão, não possuem força probatória para demonstração de direito creditório oponível à fazenda pública. É de se assinalar, ainda, que a recorrente, apesar de juntar páginas dos livros de apuração de IPI e ICMS sem documentos que os lastreiem, vale registrar , não faz qualquer vinculação de tais escriturações às contas expressas no demonstrativo de apuração apresentado, de maneira a demonstrar a redução da COFINS devida e, por consequência, justificar o direito creditório alegado: ocorreu simples juntada de escrituração, sem esclarecimentos analíticos e específicos para demonstrar a certeza e liquidez do direito alegado. Deveria a recorrente ter trazido descrição minuciosa da apuração da COFINS, estabelecendo conexões entre os documentos contábeis e fiscais apresentados, a fim de demonstrar o direito alegado. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10166.912497/200918 Acórdão n.º 3003000.047 S3C0T3 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 218DF CARF MF
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