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Numero do processo: 18471.000639/2004-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. APLICAÇÃO. Tratando-se de lançamento de crédito tributário efetuado com arrimo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991 aplica-se a súmula vinculante nº 8 do STF: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta-corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1103-000.326
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NÃO CONHECER do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por maioria, ACOLHER a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores anteriores a 26/06/1999, vencido o Conselheiro Mário Sergio Fernandes Barroso (Relator), e, no mérito, por unanimidade NEGAR provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Aloysio José Percinio da Silva.
Nome do relator: MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO
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DECADÊNCIA. O Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. APLICAÇÃO. Tratandose de lançamento de crédito tributário efetuado com arrimo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991 aplicase a súmula vinculante nº 8 do STF: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Fl. 256DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18471.000639/200446 Acórdão n.º 110300.326 S1C1T3 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NÃO CONHECER do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por maioria, ACOLHER a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores anteriores a 26/06/1999, vencido o Conselheiro Mário Sergio Fernandes Barroso (Relator), e, no mérito, por unanimidade NEGAR provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Aloysio José Percinio da Silva. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA – Presidente e Redador Designado MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigeo Takata, Gervásio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correa Sotero (vicepresidente) e Aloysio José Percínio da Silva (Presidente). Relatório Trata de recurso de ofício, e recurso voluntário da decisão da DRJ que deu parcial provimento a impugnação da contribuinte. O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 51/92, lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro, em 23/06/2004, do qual a interessada acima foi cientificada em 24/06/2004, consubstanciando exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$139.503,66; além das autuações reflexas referentes as contribuições "Social sobre o Lucro Líquido" — CSLL, no valor de R$67.554,00; "Financiamento da Seguridade Social" — COFINS, no valor de R$171.921,77, "Programa de Integração Social" — PIS, no valor de R$44.927,86. Estes tributos, acrescido da correspondente multa de oficio de 75% e dos juros de mora, referemse aos fatos geradores ocorridos entre os anos calendário 1998 e 2000. Fl. 257DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18471.000639/200446 Acórdão n.º 110300.326 S1C1T3 Fl. 3 3 Da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal 2. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela interessada, efetuou o autuante o lançamento de oficio do IRPJ, que, de acordo com a descrição dos fatos contida no corpo do auto de inflação, resultaram na apuração das infrações denominadas: "Depósitos Bancários Não Contabilizados — Depósitos Bancários de Origens Não Comprovada"— Arts, 27, inciso I, do 42 da Lei n.º 9.430/96; arts.532 e 537 do RIR/99. Os lançamentos da CSLL. COFINS e PIS são mera decorrência do de IRPJ; As razões que motivaram os lançamentos estão descritas no próprio corpo do auto de infração fls. 52 e 53 e atentam para o seguinte: A fiscalizada foi instada, mediante intimação anexada às fls. 46, a esclarecer a origem de depósitos em conta corrente, conforme valores consolidados na planilha de fls. 47/48, tendo o contribuinte respondido, a teor do documento de fls. 49, que em decorrência da baixa da empresa ocorrida em 1999, "os documentos e livros comerciais foram extraviados e/ou inutilizados, impossibilitando com isto, qualquer comprovação ou informação sobre as operações realizadas", acrescentando, ainda, não ter guardado nenhum registro das operações financeiras relacionadas na intimação; Em conseqüência da resposta, a impugnante teve o seu lucro arbitrado; Inconformada com o lançamento, do qual tomou ciência no próprio auto de infração, em 23/06/2004, às fls. 51, apresentou a interessada, em 23/07/2004, a impugnação de fls. 99/111, instruída com os documentos de fls. 112/115, alegando, em síntese, o seguinte: Argúi, em sede preliminar, a decadência do direito da Fazenda de efetuar as autuações relativas ao ano calendário de 1998 e P trimestre de 1999, tendo em vista tratarse de tributo sujeito ao lançamento sob a modalidade de homologação previsto no § 4.º, do artigo 150, do CTN; No mérito, hão de ser excluídos da base de cálculo do lucro arbitrado as meras transferências patrimoniais, a saber: a) o valor de R$ 1.106.532,53, depositado, cm 15/01/99, no Banco Bradesco é decorrente de cheque emitido pela própria autuada contra o Banco Boavista S/A; b) O valor de R$ 2.724.724,58, depositado em 19/02/99, saiu da mesma conta, via cheque administrativo, cru 29/01/99 5.3 — no mais, aduz que não existe nenhum dispositivo legal que configure depósito bancário como eventual receita omitida; Admitindose que depósitos bancários significam, por si só, receitas tributáveis, as omissões de receitas detectadas em um mês deveriam servir para justificar os depósitos ocorridos no mês seguinte, conforme disposto nos demonstrativos às fls. 104/109, resultando, desta forma, em redução da base de cálculo; Que em face da enorme dificuldade em conseguir cópia de todas as operações junto ao banco, protesta pela posterior juntada de razões aditivas e extratos e • documentos bancários; Fl. 258DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18471.000639/200446 Acórdão n.º 110300.326 S1C1T3 Fl. 4 4 Que as razões acima mencionadas se aplicam à tributação reflexa; Requer que seja declarada a total improcedência do lançamento; Do Aditamento à Impugnação A impugnante apresentou em 15/03/2005, razões adicionais à sua peça de defesa, alegando que devem ser excluídos também da base de cálculo do lucro arbitrado outras transferências patrimoniais, conforme disposto abaixo: a) o valor de R$893.034,52, depositado em 02/09/98 no Banco Bradesco é decorrente do saque realizado no Fundo de investimento Financeiro do Banco Boavista, em 01/09/98, a teor do demonstrativo de movimentação anexada às fls. 135 e cópia do cheque acostado às fls. 136; b) junta cópias de cheques administrativos nos valores de R$1.106.532,53 (fls. 140) e R$2.724.724,58 (fls. 148), de forma a justificar o alegado na sua impugnação principal; c) o valor de RS157. 908,00, depositado em 21/01/99 no Banco Bradesco também ê mera transferência bancária conforme se comprova pela Ficha de Depósito/Transferência acostada ás fls. 145; Atendendo determinação expressa do CAC Ipanema, conforme documento de fls.128, a defendente acostou, às fls. 156/159, as cópias autenticadas do seu contrato social; Em razão da impossibilidade de apresentação anterior de prova documental, aditou novas provas de defesa à impugnação, em 01/0612006, em face das transferências bancárias entre contas do Banco Boavista e Bradesco, abaixo discriminadas: a) o valor de R$893.034,52, depositado em 02/09/98, a teor dos documentos de Lis. 164/168; b) o valor de R$ 2.724.724,58, depositado cm 29/01/99, a teor dos documentos de fls. 1691172; c) o valor de R$ 1.106.532,53, depositado em 15/01/99, a teor dos documentos de fls. 174/181; d) o valor de R$ 157.908,00, depositado em 21/01/99, a teor dos documentos de fls. 182/185; e) o valor de R$ 82.666,00, depositado em 08/02/99, tratase de mera transferência bancaria entre contas da titularidade da autuada, conforme comprova o próprio extrato do Banco Bradesco, a teor dos documentos de fls.186/188; Em documento, anexado às fls. 190, informa a impugnante ter mudado de patrono, bem como pede que as intimações pertinentes ao presente feito sejam encaminhadas a novo endereço; A DRJ decidiu (ementa): Fl. 259DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18471.000639/200446 Acórdão n.º 110300.326 S1C1T3 Fl. 5 5 “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999, 2000 DECADÊNCIA. LUCRO ARBITRADO, I RN. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para contagem do prazo de decadência, quando não ocorre pagamento de imposto, Mio é a data do fato gerador, mas o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para os três primeiros trimestres do ano calendário 1998, o prazo para efetuar o lançamento de oficio esgotouse em 31 de dezembro de 2003. Para os demais períodos, subsiste o lançamento efetuado em 24 de junho de 2004. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos relativos à COFINS, PIS e da CSLL extinguese após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO RISCAI, Ano calendário: 1998, 1999, 2000 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. ASSENTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JUR1DICA –IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para os efeitos do art. 42, §3 0, 1, da Lei 9.430/96, os depósitos que se revestem de natureza de simples transferência entre contas correntes de mesmo titular, devem ser desconsiderados. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 1998, 1999, 2000 LANÇAMENTOS REFLEXOS. Ressalvada a aplicação do prazo &cadenciai diferenciado, os lançamentos reflexivos colhem a sorte daquele que lhes deu origem, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Lançamento Procedente em Parte” Fl. 260DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18471.000639/200446 Acórdão n.º 110300.326 S1C1T3 Fl. 6 6 A contribuinte, ora recorrente, alega (resumo): Preliminar de Decadência (IRPJ – CSLL/decorrência) Não mais existem dúvidas de que o IRPJ é lançamento por homologação regrado pelo art. 150, § 4° do CTN, vez que a apuração trimestral do tributo é feita sem o prévio conhecimento da autoridade administrativa e, portanto, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos e tem inicio no fato gerador, e mais, independentemente de ter havido ou não pagamento. Em sendo assim e como o lançamento ocorreu somente em 24.06.2004, mais de cinco anos após a ocorrência dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL (decorrente), ocorridos em 31.12.1998 e 31.03.1999, o direito da Fazenda para constituir o crédito tributário já estava extinto para os citados períodos. Preliminar de Decadência (CSLL — COFINS PIS) Em que pesem as afirmações da decisão recorrida ao apreciar a decadência das contribuições, sustentando que o prazo seria de 10 (dez) anos e não de 5 (cinco) anos, evidentemente não é deixar de aplicar a lei, mas sim prestigiar o CTN Art. 150, § 4°, que é Lei Complementar Em sendo assim e como o lançamento ocorreu somente em 24.06.2004, mais de cinco anos após a ocorrência dos fatos geradores da COFINS e do PIS ocorridos no período de janeiro/1998 a maio/1999 e da CSLL ocorridos em 31.12.1998 e 31.03.1999, o direito da Fazenda para constituir a crédito tributário já estava extinto. Mérito Em primeiro lugar, insiste nas alegações de que os depósitos tributados em períodos pretéritos constituem origem para os seguintes, tal como detalhadamente demonstrado e fundamentado na peça impugnatória, que aqui valem como se estivessem reproduzidas. Em segundo lugar, a teor do que preceitua a Lei n.º 9.430/96, somente podem ser tributados os depósitos tidos como não comprovados aqueles superiores a R$.12.000,00 e os inferiores desde que, no ano, ultrapassem o montante de R$.80.000,00. Pois bem, o fato é que nos anos base de 1999 e 2000, os depósitos inferiores à RS.12.000,00, não ultrapassam a R$.80.000,00 no ano e que podem ser perfeitamente identificados no termo de intimação que antecedeu a lavratura do auto de infração, devem ser excluídos da tributação, que se deu ao arrepio do comando contido na norma. Anexa jurisprudência. Fl. 261DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18471.000639/200446 Acórdão n.º 110300.326 S1C1T3 Fl. 7 7 Voto Vencido Conselheiro MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO – Relator DO RECURSO DE OFÍCIO Não preenche o requisito do limite de alçada para a sua aceitação, pois, não fora cancelado principal e multa no montante de R$ 1.000.000,00. O recurso voluntário preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O lançamento foi cientificado em 26/06/2004, para o IRPJ temos que a DRJ reconheceu como decaído os três primeiros tri mestres de 1998 haja vista: “17. Inexiste, todavia, na hipótese, conforme pesquisas de fls. 204/205, a consecução de pagamentos a título de imposto de renda, como, também se verifica que a impugnante não apresentou declaração de imposto de renda desde o exercício 1994, a teor do extrato de fls. 07;” Assim, correto foi a utilização do art. 173 do CTN, pois, além de não ter pagamento, não houve também declarações de IRPJ desde 1994. Assim, tendo sido cientificada em 26/06/2004, somente os três trimestre já reconhecidos pela DRJ estão decaídos, pois, o quarto semestre somente poderia ser lançado em 1999, e de acordo com o 173 do CTN, a contagem só se iniciou em 01/01/2000, encerrandose em 31/12/2004. Quanto as contribuições, o Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 publicou o enunciado da Súmula vinculante nº 8, expedida pelo Supremo Tribunal Federal, verbis: “Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Assim, para o CSLL, o PIS e a COFINS, temos que reconhecer a decadência, para a CSLL da mesma forma que do IRPJ para os três primeiros trimestres de 1998. Quanto ao PIS e a COFINS, reconheço a decadência até 30/11/1998, pois, estas contribuições Fl. 262DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18471.000639/200446 Acórdão n.º 110300.326 S1C1T3 Fl. 8 8 poderiam ser lançadas, ainda em 1998, e a contagem, da decadência só começaria em 01/01/1999, encerrandose em 31/12/2003. Observo que as contribuições de 31/12/1998, só poderiam ser lançadas em 1999, assim, a contagem só se iniciaria em 01/01/2000, e seu término seria 31/12/2004. MÉRITO Cumpre esclarecer que a autuação ocorreu na forma da lê, pois, é perfeitamente cabível considerar como receita omitida, em face da presunção legal juris tantum, prevista do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o valor representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada. A própria lei quem define que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, e não meros indícios de omissão, sendo que esta presunção, a qual milita em favor do fisco, transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos, denotando que esta presunção é relativa, ou seja, passível de prova em contrário. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas, mas sim, pela falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei; Há uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um depósito bancário sem origem e o fato desconhecido auferir rendimentos, o que permite estabelecer a presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos não declarados; A fiscalizada afirma que as omissões de receitas detectadas em um mês deveriam servir para justificar os depósitos ocorridos no mês seguinte. Pretende, em verdade, ver aplicado, na espécie, o critério de apuração de acréscimo patrimonial o que é inaceitável, pois os depósitos não comprovados demonstram a existência de receita não contabilizada para um determinado período, não podendo, desta forma, esta mesma receita servir de justificativa para comprovar renda auferida em época posterior. Quanto a questão dos depósitos inferiores à R$12.000,00, este comando legal é direcionado as pessoas físicas, não às jurídicas a saber: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recorrente não se aplica § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 263DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18471.000639/200446 Acórdão n.º 110300.326 S1C1T3 Fl. 9 9 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Inclusive. O acórdão citado e com ementa transcrita de n.º 10420.170, é acórdão de pessoa física. Assim, a argumentação da recorrente não se aplica nestes autos. De todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência para a CSLL para os três primeiros trimestres de 1998. Quanto ao PIS e a COFINS, reconhecer a decadência até 30/11/1998. Sala das Sessões, em 09 de novembro de 2010 MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO Voto Vencedor Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA – Redator Designado O e. relator aplicou a norma contida no art. 173, I, do CTN no exame sobre a preliminar de decadência, tendo em vista a inexistência de pagamentos e declarações de rendimentos. Em que pese o seu respeitável entendimento, não é esse que prevalece nos julgados deste colegiado. Sobre decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a tributos e contribuições sociais submetidas ao regime de lançamento por homologação, como no caso destes autos, este Conselho acolhe o entendimento, apoiado em ampla e conhecida jurisprudência, pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de que tal direito do Fisco é regulado pelo comando do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, independentemente da apresentação de declarações ou da realização de pagamentos. Apenas se Fl. 264DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18471.000639/200446 Acórdão n.º 110300.326 S1C1T3 Fl. 10 10 comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do art. 173, I, do Código. Os acórdãos adiante transcritos refletem a interpretação predominante: “DECADÊNCIA. IRPJ, CSLL, COFINS E FINSOCIAL. Até o anobase 1991, o IRPJ e a CSLL se enquadravam na modalidade de lançamento por declaração, sendo regidos pela norma de decadência do art. 173, I, do CTN. Com o advento da Lei 8.383/91, passaram a ser classificados na modalidade de lançamento por homologação, sujeitando se à norma de decadência do art. 150, § 4º, do Código. Finsocial/faturamento e Cofins são igualmente submetidas à disciplina do lançamento por homologação. (Ac. nº 103 22.631/2006) LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Inexistência de pagamento, ou descumprimento do dever de apresentar declarações, não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. (Ac. nº 10322.666/2006)” CSLL. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 1) A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que tem a natureza de tributo, antes do advento da Lei nº 8.383, de 30/12/91, a exemplo do Imposto de Renda, estava sujeita a lançamento por declaração, operandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A contagem do prazo de caducidade seria antecipado para o dia seguinte à data da notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento ou da entrega da declaração de rendimentos (CTN., art. 173 e seu par. ún., c/c o art. 711 e §§ do RIR/80. A partir do anocalendário de 1992, exercício de 1993, por força das inovações da referida lei, o contribuinte passou a ter a obrigação de pagar o imposto e a contribuição, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, cabendolhe então verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o montante do tributo devido, se desse procedimento houvesse tributo a ser pago. E isso porque ao cabo dessa apuração o resultado poderia ser deficitário, nulo ou superavitário (CTN., art. 150). 2) CSLL – As contribuições de seguridade social, dada sua natureza tributária, estão sujeitas ao prazo decadencial estabelecido no Código Tributário Nacional, lei complementar competente para, nos termos do artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, dispor sobre a decadência tributária. Fl. 265DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18471.000639/200446 Acórdão n.º 110300.326 S1C1T3 Fl. 11 11 3) Tendo sido o lançamento de ofício efetuado, em 05/04/2001, após a fluência do prazo de cinco anos contados da data do fato gerador referente ao ano calendário de 1995, ocorrido em 31/12/1995, operouse a caducidade do direito de a Fazenda Nacional lançar a contribuição. (Ac. CSRF/0105.137/2004) CSLL. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. ART. 45 DA LEI N° 8.212/91. INAPLICABILIDADE. PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4°, DO CTN, COM RESPALDO NO ARTIGO 146, III, 'b', DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. A CSLL é tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pelo que amoldase à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral (art. 173, do CTN) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. É inaplicável à hipótese dos autos o artigo 45, da Lei n° 8.212/91 que prevê o prazo de 10 anos como sendo o lapso decadencial, já que a natureza tributária da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido assegura a aplicação do § 4°, do artigo 150 do CTN, em estrita obediência ao disposto no artigo 146, inciso III, 'b', da Constituição Federal. (Ac. CSRF/0104.988/2004) CSLL. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. INAPLICABILIDADE. Por força do Art. 146, III, b, da Constituição Federal e considerando a natureza tributária das contribuições, a decadência para lançamento de CSL deve ser apurada conforme o estabelecido no Art. 150, § 4º, do CTN, com a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a partir do fato gerador. (Ac. CSRF/0105.479/2006)” No presente processo, não se cogita da hipótese de ocorrência de “dolo, fraude ou simulação”, prevista no art. 150, § 4º, do CTN, o que remete o termo inicial da contagem do prazo decadencial para a data da ocorrência do fato gerador, conforme prescreve o mesmo dispositivo legal. Assim, considerando que a ciência do lançamento ao sujeito passivo se deu em 26/06/2004, conforme noticiado no voto do relator, devese reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a 26/06/1999. No mérito, acompanho o relator. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Fl. 266DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 18471.000639/200446 Acórdão n.º 110300.326 S1C1T3 Fl. 12 12 Fl. 267DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 01/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 16007.000042/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.663
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 07 .0 00 04 2/ 20 09 -6 7 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 16007.000042/200967 Resolução nº 3401001.663 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16007.000042/200967 Resolução nº 3401001.663 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 357DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.100868/2008-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL COMPROVADA. CONHECIMENTO.
O recurso especial deve ser conhecido quando comprovada a divergência jurisprudencial e a similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigma. Restando bem caracterizado o dissenso com relação ao mérito - reconhecimento da nulidade de ato administrativo e cerceamento do direito de defesa - deve ter prosseguimento o apelo especial.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade.
Numero da decisão: 9303-007.662
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LÓTUS CALÇADOS LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL COMPROVADA. CONHECIMENTO. O recurso especial deve ser conhecido quando comprovada a divergência jurisprudencial e a similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigma. Restando bem caracterizado o dissenso com relação ao mérito reconhecimento da nulidade de ato administrativo e cerceamento do direito de defesa deve ter prosseguimento o apelo especial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 08 68 /2 00 8- 36 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11065.100868/200836 Acórdão n.º 9303007.662 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3401002.268, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deu provimento para anular o processo a partir do despacho decisório, consignando a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial contra o r. acórdão, apresentando, em síntese, as seguintes alegações: · Segundo Despacho Decisório (por mera irregularidade denominado de “Auto de Infração”), a Fiscalização glosou o crédito tributário relativo à mão de obra fornecida pelas empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte, por entender que os segurados empregados registrados nas empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, ambas optantes pelo SIMPLES, na realidade deveriam estar registrados na Lotus Calçados Ltda.; · Nos termos do Despacho Decisório, os fatos apurados fundamentaram o entendimento de que a Lotus Calçados Ltda e os “fornecedores” Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte integram o mesmo grupo econômico, tendo sido a contratação das empresas na verdade simulada pela Lotus; · A capitulação errônea ou imprecisa do auto de infração, bem como a ausência de enquadramento legal (citação de norma jurídica), não são causas suficientes para provocar a nulidade do lançamento, ainda mais Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11065.100868/200836 Acórdão n.º 9303007.662 CSRFT3 Fl. 4 3 quando o direito à ampla defesa foi exercido em sua plenitude, conforme previsão dos arts. 11, 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72; · A copiosa jurisprudência desta Câmara Superior tem firmado o entendimento que se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas ou, no caso, as razões do indeferimento do pedido de compensação, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; · Não há nulidade se o fato (simulação) é descrito no Despacho Decisório e posteriormente confirmado pela DRJ, bem como se o contribuinte demonstrar ter compreendido as razões do indeferimento. Em despacho de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Em conformidade com a legislação vigente, o sujeito passivo fez jus a PIS e Cofins não cumulativos, resultantes de incentivo à exportação, razão pela qual formulou vários pedidos administrativos de ressarcimento relativos aos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2008 e 1º e 2º trimestre de 2009; · Não há como se comparar casos totalmente desconexos, considerando o recurso interposto; · O contribuinte tinha prazo para se defender e o fez com o que tinha em mãos; · A discussão travada nas defesas do contribuinte tinha por objetivo esclarecer a forma, a licitude e a idoneidade dos atos praticados, pois o contribuinte desconhece que tenha praticado qualquer ilegalidade; · Faltou no recurso apontar de forma clara e precisa em que parte do despacho decisório da glosa foi feita a capitulação legal – hoje preclusa por decadência. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11065.100868/200836 Acórdão n.º 9303007.662 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.655, de 21/11/2018, proferido no julgamento do processo 11065.001696/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303007.655): "Admissibilidade A Fazenda Nacional, por meio do recurso especial, suscitou divergência jurisprudencial com relação à (a) nulidade do despacho decisório por falta de indicação de base legal quando a fundamentação é a simulação constatada pela Autoridade Fiscal; e (b) nulidade do ato fiscal por cerceamento do direito de defesa por falta de capitulação legal, quando o contribuinte demonstra em seus atos posteriores ter entendido os termos da acusação fiscal. Para comprovar o dissenso interpretativo, indicou como paradigmas os acórdãos n.º 3302 002.094 e 140100.329. Nos termos do despacho de admissibilidade s/n.º, de 25 de junho de 2015 (efls. 188 a 196), foi dado seguimento ao apelo especial, pois devidamente comprovada a divergência com relação às duas matérias. A fundamentação do ato decisório, com o qual concordou este E. Colegiado e que passa a integrar o presente voto, deuse nos seguintes termos, in verbis: [...] Trata este processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativa do 2º trimestre de 2009, com fundamento no §1o, do art. 5o, da Lei n° 10.637/02. A autoridade de jurisdição glosou o crédito relativo à mãodeobra fornecida pelas empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte por entender que essas empresas, apesar de serem formalmente empresas independentes, na verdade são do mesmo grupo econômico da Lótus Calçados Ltda (pleiteante do crédito) e que a separação dessas empresa é simulada. A DRJ em Porto Alegra/RS, após apreciar a contestação da contribuinte, manteve as glosas e o entendimento com a seguinte ementa: "PRESTAÇÃO DE SERVIÇO INEXISTÊNCIA MATERIAL E FACTUAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO GLOSA DOS CRÉDITOS FA VORÁVEISÀ CONTRIBUINTE. A realização de prestação de serviços quando a empresa encomendante e as empresas prestadoras de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando beneficios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11065.100868/200836 Acórdão n.º 9303007.662 CSRFT3 Fl. 6 5 gera a descaracterização da prestação de serviços por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido". [...] O Colegiado do CARF que apreciou o recurso voluntário decidiu pela preliminar de nulidade do despacho decisório, pois entendeu que, "no despacho decisório propriamente dito , a autoridade fiscal apontou somente o fundamento legal que dispõe que o pagamento de mãodeobra à pessoa física não gera crédito do PIS (art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei n° 10.637/02). Todavia, os pagamentos pela mãodeobra foram realizados às terceirizadas. Esse negócio jurídico a autoridade fiscal desconsiderou, por entender ser simulado, mas não apontou qual o fundamento legal que autoriza essa desconsideração. Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de defesa, haja vista que a Recorrente não sabe de qual norma a autoridade fiscal estava se apoiando para desconsiderar o negócio jurídico." [...] 1º) Sobre a nulidade do despacho decisório por falta de indicação de base legal quando a fundamentação é a simulação constatada pela autoridade fiscal: Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos nº 3302002.094 e 140100.329. Vejamos suas ementas, transcritas na parte de interesse ao presente exame: Processo n° 11065.722835/201147 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 3302002.094 3a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS E COFINS Recorrente FAZENDA TRADIÇÃO ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2008, 2009 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS. SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Quando a empresa que industrializa "por encomenda" e a encomendante são formalmente distintas e, de fato, inexiste tal separação, atuando como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários e enseja o lançamento do crédito tributário não recolhido. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. Cobrase a multa de ofício majorada se estiverem presentes as circunstâncias qualificativas, nos termos da legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11065.100868/200836 Acórdão n.º 9303007.662 CSRFT3 Fl. 7 6 Acórdão 140100.329 Processo n° 19515.000937/200445 Recurso n° 174.370 Voluntário Acórdão n° 140100.329 4a Câmara / 1a Turma Ordinária Sessão de 02.09.2010 Matéria IRPJ Recorrente UNIVERSAL COMÉRCIO DE DROGAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 1999 OMISSÃO DE RECEITAS. OMISSÃO DE COMPRAS Caracteriza omissão de receitas a falta de registro de pagamento de compras, por presumir a existência prévia de omissão de vendas, gerando recursos para a aquisição de mercadorias sem seu registro contábil. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A falta de comprovação de valores mantidos no passivo enseja à presunção de que houve omissão das receitas correspondentes. COFINS 1/3. COMPENSAÇÃO COM A CSLL A compensação de 1/3 da COFINS com a CSLL somente era admitida quando houvesse o efetivo pagamento daquela contribuição social. ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO O erro na capitulação legal ou mesmo a sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, afastar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso." (Grifos no recurso) O Acórdão recorrido decidiu pela nulidade do despacho decisório por entender que faltoulhe fundamento legal para ele desconsiderar os negócios realizados entre a contribuinte as terceirizadas. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal. A esse respeito, ele trouxe o seguinte argumento: "...no despacho decisório propriamente dito , a autoridade fiscal apontou somente o fundamento legal que dispõe que o pagamento de mãodeobra à pessoa física não gera crédito do PIS (art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei n° 10.637/02)." "Todavia, os pagamentos pela mãodeobra foram realizados às terceirizadas. Esse negócio jurídico a autoridade fiscal desconsiderou, por entender ser simulado, mas não apontou qual o fundamento legal que autoriza essa desconsideração." "Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de defesa, haja vista que a Recorrente não sabe de qual norma a autoridade fiscal estava se apoiando para desconsiderar o negócio jurídico." Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11065.100868/200836 Acórdão n.º 9303007.662 CSRFT3 Fl. 8 7 "O cerceamento de defesa ficou ainda mais evidenciado, quando a Recorrente optou por se defender do Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, que autoriza a desconsideração dos negócios jurídicos praticados com intuito de dissimulação, mas a DRJ considerou que no caso não se aplica o Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, mas sim o art. 149, inciso VII, também do CTN. Esse fato demonstra claramente que a falta de fundamento para a desconsideração do negócio jurídico entre a Recorrente e a terceirizada prejudicou na defesa da Recorrente." "Além disso, a falta de fundamentação no despacho decisório e no relatório fiscal faz com que qualquer fundamentação legal utilizada nos julgamentos posteriores (DRJ e CARF) configurem inovação de fundamento, por utilização de norma não ventilada pela delegacia de origem, como ocorreu, no presente caso, quando a DRJ utilizou o art. 149, inciso VII, do CTN, para fundamentar a desconsideração do negócio jurídico." "Com isso, por estar presente o cerceamento de defesa, devem ser declarados nulos os atos praticados desde o relatório fiscal, para que os autos retornem à delegacia de origem, para retificação da fundamentação da delegacia de origem, para que ela aponte em qual norma se apóia para descaracterizar os negócios jurídicos praticados entre a Recorrente e as empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte." (GRIFOS NOSSOS) Por sua vez, o Acórdão paradigma, para sua decisão, se fundamenta em entendimento divergente. Ele afirma que a fundamentação jurídica conforme art. 3º, § 2º, inciso I das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003 somada a descrição fática da simulação é suficiente para afastar a preliminar de nulidade por falta de capitulação legal da desconsideração dos negócios. Quando a empresa que industrializa "por encomenda" e a encomendante são formalmente distintas e, de fato, inexiste tal separação, atuando como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários e enseja o lançamento do crédito tributário não recolhido. Para demonstrar sua alegação a recorrente traz excerto do Acórdão paradigma em que essa correspondência e conclusão ficariam evidentes: "Conforme consta do Relatório Fiscal, a empresa recorrente e as empresas Skippi Alimentos e Segma Participações pertencem à família Sérgio Luiz Kehl (pai, filhos e esposa), cujas participações societárias foram ajustadas de acordo com os interesses do Sr. Sérgio Luiz Kehl, o verdadeiro proprietário dessas empresas, com o fito de manter a Skippi (encarregada da produção) no SIMPLES e a recorrente (encarregada da comercialização) no regime não cumulativo do PIS e da Cofins, tomando crédito das exações em alíquota superior a efetivamente paga pela Skippi nas receitas faturadas contra a Fazenda Tradição." "Em sede de preliminar, a recorrente alega que no auto de infração não existe fundamentação legal e, também, inexiste pressupostos da relação empregatícia, o que enseja a nulidade do lançamento." "Enganase a recorrente porque tanto no corpo do Auto de Infração como no Relatório Fiscal consta a fundamentação legal a que se refere o art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e, também, ficou sobejamente provado a transferência de empregados da recorrente para empresa Skippi, conforme muito bem fundamentou a decisão recorrida." "Isto posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e do lançamento e ratifico a decisão do acórdão recorrido que rejeitou as preliminares suscitadas pela empresa interessada em sua impugnação." Quanto ao mérito, melhor sorte não tem a recorrente. (...)" (Grifos no recurso) Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11065.100868/200836 Acórdão n.º 9303007.662 CSRFT3 Fl. 9 8 Com essas considerações, concluo que a divergência jurisprudencial foi comprovada. 2º) Sobre a nulidade do ato fiscal por cerceamento do direito de defesa por falta de capitulação legal, quando o contribuinte demonstra em seus atos posteriores ter entendido os termos da acusação fiscal. Para comprovar o dissenso foram colacionados os mesmos Acórdãos paradigmas analisados na matéria anterior neste despacho, razão por que deixo de duplicar a reprodução de suas ementas, uma vez que já transcritos acima. O Acórdão recorrido defende a tese que há cerceamento de defesa com a falta de indicação da fundamentação legal do fato imputado pela acusação fiscal. Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de defesa, haja vista que a Recorrente não sabe de qual norma a autoridade fiscal estava se apoiando para desconsiderar o negócio jurídico. A esse respeito, ele trouxe o seguinte argumento: "... no despacho decisório propriamente dito , a autoridade fiscal apontou somente o fundamento legal que dispõe que o pagamento de mãodeobra à pessoa física não gera crédito do PIS (art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei n° 10.637/02). Todavia, os pagamentos pela mãodeobra foram realizados às terceirizadas. Esse negócio jurídico a autoridade fiscal desconsiderou, por entender ser simulado, mas não apontou qual o fundamento legal que autoriza essa desconsideração. Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de defesa, haja vista que a Recorrente não sabe de qual norma a autoridade fiscal estava se apoiando para desconsiderar o negócio jurídico. O cerceamento de defesa ficou ainda mais evidenciado, quando a Recorrente optou por se defender do Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, que autoriza a desconsideração dos negócios jurídicos praticados com intuito de dissimulação, mas a DRJ considerou que no caso não se aplica o Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, mas sim o art. 149, inciso VII, também do CTN. Esse fato demonstra claramente que a falta de fundamento para a desconsideração do negócio jurídico entre a Recorrente e a terceirizada prejudicou na defesa da Recorrente. Além disso, a falta de fundamentação no despacho decisório e no relatório fiscal faz com que qualquer fundamentação legal utilizada nos julgamentos posteriores (DRJ e CARF) configurem inovação de fundamento, por utilização de norma não ventilada pela delegacia de origem, como ocorreu, no presente caso, quando a DRJ utilizou o art. 149, inciso VII, do CTN, para fundamentar a desconsideração do negócio jurídico. Com isso, por estar presente o cerceamento de defesa, devem ser declarados nulos os atos praticados desde o relatório fiscal, para que os autos retornem à delegacia de origem, para retificação da fundamentação da delegacia de origem, para que ela aponte em qual norma se apóia para descaracterizar os negócios jurídicos praticados entre a Recorrente e as empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte. (GRIFOS NOSSOS) Mas o Acórdão paradigma n.º 140100.329 traz tese divergente, ao desenvolver o raciocínio e concluir que a falta de fundamentação legal da acusação fiscal não deve ser causa de nulidade por cerceamento de defesa quando o contribuinte demonstra entender o fato que lhe é imputado. O Acórdão paradigma afirma: a ausência de capitulação legal não é motivo para nulidade do auto de infração, caso o contribuinte tenha entendido os termos da acusação fiscal ou, no caso, do indeferimento do direito creditório. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11065.100868/200836 Acórdão n.º 9303007.662 CSRFT3 Fl. 10 9 [...] Portanto, restou devidamente comprovada a divergência jurisprudencial com relação aos dois itens contra os quais se insurgiu a Fazenda Nacional, merecendo prosseguimento o recurso especial. Mérito No mérito, não obstante os bem lançados argumentos trazidos pela Nobre Conselheira Relatora, entendeu este Colegiado por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, afastandose a declaração de nulidade do despacho decisório com base na falta de indicação de base legal e cerceamento do direito de defesa por falta de capitulação legal. O presente processo tem origem em pedido de compensação de COFINS do regime nãocumulativo efetuado pela Contribuinte, com fulcro no art. 6º, §1º, da Lei n.º 10.833/2003, transmitido em 23/07/2009, buscando compensarse do crédito relativo aos serviços de industrialização por encomenda contratados com pessoa jurídica, caracterizandose como insumos que geram direito a crédito das contribuições do PIS e da COFINS nãocumulativas. Nos termos do Despacho Decisório (efls. 61 a 69), em verificação fiscal efetuada junto à empresa foi constatado pela Fiscalização serem indevidos os créditos tributários dos quais pretendia a mesma verse compensada, pois eram relativos à mãodeobra fornecida pelas pessoas jurídicas ADÃO ACKER e SOLANGE REGIA MORAES MATTE, ambas no regime do Simples Nacional, cujos empregados, segundo entendimento da Autoridade Fiscal, deveriam estar registrados na LOTUS CALÇADOS LTDA. A Autoridade Fiscal afirmou ter havido a ocorrência de simulação na contratação das pessoas jurídicas, a partir da conclusão de que as empresas fornecedoras de mãodeobra integram o mesmo grupo econômico da Lotus Calçados Ltda, por isso foi efetuada a glosa dos valores pretendidos compensar pelo Sujeito Passivo. Na elaboração do despacho decisório, houve a descrição suficiente dos fatos e fundamentos que levaram à glosa, dos quais são transcritos os principais excertos, in verbis: [...] 3.1. Glosa de Créditos Relativos à MãodeObra: Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte Constatamos, no decorrer da ação fiscal, que no período de janeiro de 2008 a junho de 2009 o contribuinte teve como maiores fornecedores de mãodeobra as empresas Adão Acker, CNPJ n° 04.321.383/000150 e Solange Regina Moraes Matte, CNPJ n° 07.334.298/000115, conforme demonstrado no quadro a seguir: [...] Em tese, por terem sido prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país, esses insumos e serviços de industrialização configuram operação com direito ao crédito das contribuições na sistemática da nãocumulatividade. No entanto, examinando mais detalhadamente essas operações, verificamos que, embora regularmente constituídas, estas fornecedoras não são, de fato, pessoas jurídicas independentes. Vários indícios nos levaram à conclusão de que estas, juntamente com a Lotus Calçados, formam o mesmo grupo econômico, conforme demonstraremos no decorrer do presente relatório. Fazse necessário informar que, recentemente, o estabelecimento do contribuinte esteve sob ação fiscal da RFB relativamente às contribuições previdenciárias Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11065.100868/200836 Acórdão n.º 9303007.662 CSRFT3 Fl. 11 10 (período: janeiro de 2004 a dezembro de 2008), da qual resultou na emissão do Auto de Infração (parte Patronal) constante do processo administrativo n° 11065.001415/200917. Conforme relatório do Auto de Infração, o AFRFB concluiu que os segurados empregados registrados nas empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, ambas optantes pelo SIMPLES, na realidade deveriam estar registrados na Lotus Calçados Ltda. Deste modo, o auditor caracterizou os empregados das empresas optantes pelo SIMPLES como segurados vinculados à Lotus Calçados. O fato desses empregados não estarem informados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia Por tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP da Lotus originou a emissão pelo o auditor de Representação Fiscal Para Fins Penais, constante dos processos administrativos n° 11065.001426/200999 e n° 11065.001427/200933, tendo em vista que a conduta do contribuinte, em tese, configura a prática de ilícito previsto nas legislações previdenciária e penal. A seguir faremos a exposição dos fatos observados na presente ação fiscal e que fundamentaram o entendimento de que a Lotus Calçados Ltda juntamente com os seus "fornecedores" Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte na verdade formam o mesmo grupo econômico. a) Mesma Localização Visitando os endereços dessas empresas, chegamos a conclusão que a Lotus Calçados Ltda e Adão Acker funcionam no mesmo local, apesar dos diferentes logradouros informados em seus cadastros junto à RFB, e que o endereço da empresa Solange Regina Moraes Matte tratase de uma residência, conforme demonstraremos a seguir: . Lotus Calçados Ltda e Adão Acker Apesar de estabelecidas em endereços distintos, a primeira na Av. Senador Alberto Pasqualini, 90 (A) e a outra na Rua Saldanha da Gama, 511 (B), na realidade elas têm comunicação pelos fundos. A Lotus é a única que demonstra através de sua fachada ser um estabelecimento comercial, no entanto não apresenta nenhuma placa de identificação. Está localizada numa avenida de movimento, por tratarse de uma saída da RS239. Já a Adão Acker está estabelecida numa rua bem tranqüila. Também não havia identificação com placas da empresa Adão Acker e no número constante havia uma propriedade que parecia ser um galpão, estoque ou até mesmo acesso para a empresa Lotus. Essa ligação entre as empresas pode ser evidenciada através do mapa abaixo extraído do site http://maps.google.com.br/. [...] . Solange Regina Moraes Matte, Rua Américo Vespúcio, 59 Bairro Santa Fé em Sapiranga chegando nesse endereço constatamos tratarse de uma grande residência. Abordamos uma moradora de uma casa de frente que declarou o seguinte: "...é uma residência e o dono pelo que eu saiba é proprietário de empresa no Centro de Sapiranga...". Obtivemos, através de dados constantes nos sistemas informatizados da RFB, a informação de que a propriedade constante no endereço acima, apontada como sendo o domicílio da empresa Solange Regina Moraes Matte, na realidade é uma residência e de propriedade do Sr. Ethevaldo Arthur Konrath, CPF n° 022.763.64068, sócioadministrador da Lotus Calçados Ltda, informação esta que vem corroborar a prestada por aquela moradora. Vale esclarecermos, que a Srª Solange Regina Moraes Matte, CPF n° 478.949.03000 figura como empresária da referida empresa, cuja razão social é o seu próprio nome e além disso é esposa do Sr. Lauro Henrique Matte, CPF n° 211.995.31049, administrador e preposto da Lotus Calçados Ltda. b) Mesmo Contador Consta nas DIPJ entregues à RFB no exercício de 2008, o Sr. Fabrício Ardi Werb, CPF n° 751.694.60015, como contador das empresas Lotus, Adão Acker e Solange. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11065.100868/200836 Acórdão n.º 9303007.662 CSRFT3 Fl. 12 11 c) Migração de Funcionários da Lotus Para a RecémConstituída Adão Acker Analisando a GFIP declarada pela Lotus na competência mar/2001 e a declarada pela Adão Acker na competência abr/2001, percebemos que ocorreu uma migração dos funcionários da Lotus para a recémconstituída Adão Acker. O quadro abaixo demonstra que quando da criação da Adão Acker, dos 26 novos empregados contratados por ela, 15 eram oriundos da Lotus. [...] d) Empresário da Adão Acker é Exfuncionário da Lotus O Sr. Adão Acker, CPF n° 269.109.18053, figura como empresário desta recémcriada empresa (do item anterior), cuja razão social é o seu próprio nome. Curiosamente, o Sr. Adão Acker foi funcionário da Lotus Calçados, tendo sido demitido em 30/03/2001. Na competência seguinte ao seu desligamento, a sua nova empresa declarou fato gerador para Previdência Social, através da GFIP, na qual, além de seu nome, constavam os dos 15 exfuncionários da Lotus. e) Rodízio de Empregados nas Empresas Optantes Pelo SIMPLES Outro fato que também nos chamou atenção e vem corroborar nossa convicção de tratarse de grupo econômico, foi que os segurados relacionados abaixo, pertenceram, em momentos distintos, ao quadro de empregados da empresa Adão Acker e ao da Solange Regina Moraes Matte: [...] f) Emissão de Notas Fiscais Sequenciais No período analisado as empresa Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte emitiram notas fiscais em ordem seqüencial e exclusivamente para a Lotus, conforme quadros ilustrativos abaixo, extraídos das informações constantes no livro Registro de Entradas entregue em meio digital pelo contribuinte à fiscalização; g) Ausência de Patrimônio das Terceirizadas Através de Intimação, a auditoria anterior obteve declaração das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte de que as mesmas não possuíam bens de sua propriedade, o que confirmamos ao analisar a contabilidade dessas empresas. Não há registro de qualquer ativo permanente nas empresas em questão, o que vem a ser bastante incomum para uma empresa que presta um serviço para terceiros de industrialização por encomenda. Adicionalmente, analisando as informações constantes no livro Razão dessas empresas não constatamos nenhum lançamento que denotasse custos com a produção e/ou manutenção do parque fabril, somente valores pagos à mão de obra. h) Movimentação Financeira Baixa e Dependência de Aportes Financeiros A auditoria anterior constatou no exame da contabilidade das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte diversas operações com o Sr. Ethevaldo Arthur Konrath, CPF n° 022.763.64068, sócioadministrador da Lotus Calçados. Segundo relato do auditor, essas operações ocorriam "através de empréstimos com notas promissórias tentando viabilizar o Caixa das empresas". A seguir demonstraremos tais lançamentos, os quais foram extraídos do livro Razão das respectivas empresas: [...] Apesar de a empresa Adão Acker ter fornecido serviços para a Lotus Calçados num total de R$ 592.477,00 em 2008 e de R$ 393.690,00 no 1º semestre de 2009, em consulta aos sistemas informatizados da RFB verificamos que não consta movimentação financeira para a empresa Adão Acker no anocalendário 2008 e 1" semestre de 2009. Já em relação a empresa Solange Regina Moraes Matte constatamos que no período fiscalizado só ocorreu movimentação financeira no 2° semestre de 2008, num total de apenas R$ 10.432.42. Valores não compatíveis com o montante de R$ 1.249.110,00 de fornecimento de serviços para Lotus Calçados no anocalendário 2008 e de R$ 972.914,40 no 1º semestre de 2009. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11065.100868/200836 Acórdão n.º 9303007.662 CSRFT3 Fl. 13 12 i) Pagamento em Dinheiro dos Serviços Prestados Pelas Empresas Adão e Solange Atendendo a solicitação do Termo de Intimação n° 001, a empresa Lotus apresentou as seguintes notas fiscais: [....] A Lotus não conseguiu efetivamente comprovar o pagamento de cada uma dessas notas fiscais, informando apenas que tais pagamentos, em valores bastante expressivos, se deram através de dinheiro. Juntou simples recibos desses pagamentos e apresentou extratos bancários da conta corrente 5240X da Agência 653X do Banco do Brasil, onde identificou os valores sacados em espécie para o pagamento dessas notas. Curiosamente, no histórico do lançamento desses saques consta a informação "Folha de Pagamento". Tal fato fortalece a tese de que essas "prestações de serviços" nada mais eram do que a folha de pagamento da Lotus disfarçada. Não há nenhuma informação no histórico de tratarse de pagamento de prestação de serviços. 4. Conclusão Fica evidente que ao longo de suas existências, tanto a empresa Adão Acker, quanto a Solange Regina Moraes Matte receberam aportes financeiros da Lotus Calçados, demonstrando sua dependência econômica e reforçando os indícios de que juntas formam um grupo econômico. Do acima exposto, fica evidente que ocorreu apenas uma "contratação" simulada pela Lotus das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte em lugar dos seus próprios funcionários. Desta forma, a Lotus vem obtendo o benefício do ingresso de sua mãodeobra no sistema de tributação SIMPLES, reduzindo por conseguinte sua carga tributária previdenciária e ainda usufruindo do benefício do creditamento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS relativamente aos serviços de industrialização por encomenda, os quais são insumos que geram direito a crédito quando contratados com pessoa jurídica. Cabe lembrar que o benefício do crédito das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS não contempla mãodeobra paga à pessoa física (folha de salários), conforme disposição expressa constante no artigo 3º , §2°, inciso I, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, vedação essa que não ocorre com serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país (artigo 3o , § 3o , inciso I, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). Tendo em vista todos os fatos e provas acima relatados, concluímos que os supostos serviços de industrialização por encomenda prestados pela Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte são na realidade os custos relativos à própria folha de pagamento da Lotus Calçados Ltda. Restou claro que as duas constituemse em parte da Lotus, formando uma única empresa. Sendo assim, o contribuinte não pode se creditar das contribuições em relação aos serviços de mãodeobra, por expressa vedação legal ao creditamento sobre a folha de salários (mãodeobra paga a pessoa física). Base Legal: Leis s n° 10.637/02 e 10.833/03, artigo 3o , § 2o; [...] Concluindo a análise, fazse necessário desconsiderar os serviços de industrialização por encomenda prestados pelas empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte para efeito de cálculo de créditos das contribuições. Abaixo, listamos os totais mensais, agrupados por trimestre e anocalendário, da aquisição desses serviços e a respectiva glosa efetuada (em R$): [...] Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11065.100868/200836 Acórdão n.º 9303007.662 CSRFT3 Fl. 14 13 Depreendese do relato dos fatos e da fundamentação do despacho decisório os motivos determinantes para a glosa dos créditos tributários pretendidos compensar pela Contribuinte, assim como o fato de as empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes dependerem economicamente da Lótus Calçados, fizeram com que a Autoridade Fiscal entendesse pela ocorrência de simulação na contratação da prestação de serviço de mãode obra, e pela impossibilidade de lhe serem conferidos os créditos de PIS e COFINS não cumulativos. No decorrer do processo administrativo, a empresa requereu a reversão da glosa por meio da apresentação de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário, sendo que na primeira restou claro ter compreendido a motivação do indeferimento do pedido de compensação, conforme se verifica do relato dos fatos empreendido na peça (efls. 88 a 91) e no próprio pedido de reforma do ato administrativo, in verbis: " [...] Diante de todo o exposto, demonstrada a insubsistência do Despacho Decisório DRF/NHO/2010, requer seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade e reformada a Decisão, reconhecendo a procedência do pedido em relação ao item acima relacionado, mantendose a terceirização da mão de obra, por medida de inteira Justiça" (grifouse). Ao apreciar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) afastou as preliminares de falta de fundamentação legal do despacho decisório e cerceamento do direito de defesa, julgando procedente o lançamento, consoante Acórdão n.º 1031.495, da 2ª Turma da DRJ/POA, de 20 de maio de 2011 (efls. 129 a 139). Pela clareza da abordagem do tema, entendese pertinente a transcrição dos argumentos do decisum em referência para afastar as alegações de nulidade do despacho decisório, in verbis: [...] Partindo dos pressupostos acima, vamos analisar o litígio que glosou os créditos fiscais da contribuição decorrente das notas fiscais de venda de serviços das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, amplas optantes do SIMPLES, do período em apreço nos autos, pois estas seriam uma forma simulada da contribuinte (Lótus Calçados Ltda) de se beneficiar de mãodeobra como geradora de créditos fiscais, haja vista que os empregados destas (Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte) deveriam ser registrados como empregados da contribuinte, contrariando a legislação que proíbe o crédito sobre mãode obra. Para tanto, a DRF de origem partiu dos seguintes fatos/indícios para chegar a conclusão/presunção, conforme documento fiscal de fls.57/65, da simulação cometida em benefício da contribuinte: 1) a empresa Adão Acker tinha localização no mesmo local da contribuinte, pois os imóveis tem comunicação pelos fundos dos terrenos em que estão situadas, enquanto que a empresa Solange Regina Moraes Matte tem como local uma residência num imóvel de propriedade do sócioadministrador da contribuinte, sendo que está última tem como empresária, de mesmo nome da empresa, a esposa do administrador e preposto da contribuinte; 2) todas as empresas (Lótus Calçados Ltda, Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte) tem o mesmo contador; 3) a empresa Adão Acker, tem como empresário e fundador o sr. Adão Acker, que foi exempregado da contribuinte, tendo sido demitido em 30 de março de 2001 e iniciado as atividade da empresa em abril de 2001; 4) houve a migração de 15, do total de 26 empregados contratados, empregados demitidos da contribuinte, em 30/03/2001, para a, recém constituída, empresa Adão Acker, em 02/04/2001; Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11065.100868/200836 Acórdão n.º 9303007.662 CSRFT3 Fl. 15 14 5) houve rodízio de vários empregados da empresa Adão Acker para a empresa Solange Regina Moraes Matte, demonstrando a conexão entre elas; 6) ocorreu a emissão seqüencial de notas fiscais de prestação de serviço das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, abordando vários meses, para a contribuinte, demonstrando que a contribuinte, em alguns meses, foi a única cliente das empresas; 7) inexistência de patrimônio das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, nem apresentação, no livro Razão, de custos com a produção ou manutenção, tendo somente valores pagos de mãodeobra; 8) as empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte tem baixa movimentação financeira e dependência de aportes financeiros, através de empréstimos do sócio administrador da contribuinte, sendo que apesar de prestar os supostos serviços para a contribuinte em valores elevados, não consta nos sistemas de controle da RFB movimentação financeira para o anocalendário de 2008 e I o trimestre de 2009, no caso da empresa Adão Acker, e somente no 2o semestre de 2008 e em baixo valor para a empresa Solange Regina Moraes Matte; 9) os pagamentos de notas fiscais de serviços da empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte pela contribuinte foram em dinheiro, apesar de serem de alto valor, sendo que o lançamento na contabilidade da contribuinte deste pagamentos (saques bancários) constava a informação "folha de pagamento", demonstrando que os pagamentos não eram dos serviços, mas da folha de pagamento destas empresas realizadas pela contribuinte. Além disso, os serviços das duas empresas somadas eram, na maior parte dos meses, a maioria dos serviços utilizados como insumo pela contribuinte no período de janeiro de 2008 a junho de 2009. Enfim, um conjunto robusto de fatos/indícios apontados pela DRF de origem para a conclusão/presunção da contratação simulada pela empresa Lótus Calçados Ltda das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, em lugar de seus próprios funcionários, de modo a gerar benefícios tributários das contribuições de PIS e Cofins nãocumulativas. Em sua defesa, a contribuinte começa apresentando a preliminar de falta de fundamentação do Despacho Decisório, acarretando cerceamento do direito de defesa. O documento fiscal de fls. 57/65 indica a fundamentação legal que impede a utilização da mãodeobra como insumo para gerar créditos da contribuição (art.3°,§2°, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), que fundamentou o Despacho Fiscal, sendo que este também cita a norma que regula a contribuição para fundamentar o deferimento parcial do pedido devido a glosa realizada. Logo, não houve falta de fundamentação da glosa, muito menos cerceamento de defesa, pois a contribuinte apresenta defesa de mérito, contestando as conclusões da DRF, de forma a demonstrar perfeito entendimento dos fatos que lhe foram imputados. [...] De outro lado, as nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal são tratadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.235/72, segundo os quais somente serão declarados nulos os atos na ocorrência de (a) ato ou decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente ou do qual (b) resulte inequívoco cerceamento do direito de defesa à parte, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 258DF CARF MF Processo nº 11065.100868/200836 Acórdão n.º 9303007.662 CSRFT3 Fl. 16 15 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifouse) A declaração de nulidade dos atos administrativos encontrase relacionada com o princípio do prejuízo. Se não houver prejuízo às partes pela prática de determinado ato no qual se tenha considerado haver suposta irregularidade ou não observância da forma, não há de se falar na sua invalidação, ainda mais quando cumprida a sua finalidade. No caso dos autos, houve a completa descrição dos fatos que levaram à Fiscalização a concluir pela ocorrência de simulação e a indicação da capitulação legal para a glosa dos créditos pretendidos compensar pela Contribuinte. A assertiva resta evidenciada nas defesas apresentadas pela empresa, que demonstrou ter plena compreensão dos fatos que lhe estavam sendo imputados. Além disso, houve a indicação da motivação pela qual a autoridade fiscal desconsiderou o negócio jurídico relativo aos pagamentos de mãodeobra terceirizada, qual seja, a ocorrência de simulação, e, além disso, apontou o dispositivo que impede a tomada de créditos tributários de COFINS decorrentes de pagamentos efetuados a pessoas físicas. Portanto, presente a fundamentação legal do despacho decisório e inexistente o cerceamento do direito de defesa da Contribuinte, pertinente a reforma do acórdão ora recorrido para se declarar a validade do despacho decisório. Tendo em vista que o mérito do crédito tributário pleiteado não foi analisado pelo Coelgiado a quo, impõese o retorno dos autos para apreciação das matérias de mérito. Dispositivo Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para declarar válido o despacho decisório e determinar o retorno dos autos ao Colegiado a quo para análise das alegações de mérito do recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para declarar válido o despacho decisório e determinar o retorno dos autos ao Colegiado a quo para análise das alegações de mérito do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11065.100868/200836 Acórdão n.º 9303007.662 CSRFT3 Fl. 17 16 Fl. 260DF CARF MF
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Numero do processo: 16098.000065/2009-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles.
Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática.
Numero da decisão: 9303-007.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles. Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 8. 00 00 65 /2 00 9- 08 Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 16098.000065/200908 Acórdão n.º 9303007.809 CSRFT3 Fl. 1.266 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte VISTEON SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.898 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 08 de dezembro de 2015, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A Turma a quo entendeu por negar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte pois, em síntese, não teria ela se desincumbido do ônus de comprovar o seu direito creditório, bem como em razão da impossibilidade de apreciação dos argumentos trazidos pela Recorrente somente na via recursal e cujo litígio não foi instaurado desde a primeira instância. Além disso, no acórdão recorrido, foi consignado ter ocorrido a juntada de documentos pelo Sujeito Passivo em data posterior ao próprio julgamento do recurso voluntário, corroborando a afirmação contida no decisum de não insurgência da Contribuinte, por meio de manifestação de inconformidade, quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, deixando transcorrer in albis o prazo para a sua defesa. Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 16098.000065/200908 Acórdão n.º 9303007.809 CSRFT3 Fl. 1.267 3 Em face da referida decisão, a Contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados conforme despacho s/n.º, por inexistir quaisquer vícios de omissão, obscuridade ou contradição no julgado. Não resignada, a empresa interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à (a) apreciação de provas trazidas em sede recursal, nos termos do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72; e (b) aplicação da regra da preclusão, consoante art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, com relação à possibilidade de apreciação dos argumentos suscitados apenas em sede de recurso voluntário e cuja controvérsia não foi instaurada em primeira instância administrativa. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.ºs 9303001.842 e 910100.514, respectivamente. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 18 de janeiro de 2017, proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial quanto à apresentação extemporânea de documentos e à aplicação da regra da preclusão. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial, por ausência de cotejo analítico e de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anterior Portaria MF n.º 256/09). Depreendese da análise do acórdão recorrido ter o mesmo fundamento em dois pontos: (a) não ter a Contribuinte se desincumbido do seu ônus probatório com relação ao crédito pleiteado, bem como (b) ausência de apresentação de defesa com relação ao segundo Termo de Constatação Fiscal no prazo legal estabelecido, o que foi corroborado pela juntada de documentos após o julgamento do recurso voluntário, impossibilitando a sua apreciação. Para elucidar a assertiva, pertinente a transcrição de trechos do acórdão recorrido, in verbis: Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 16098.000065/200908 Acórdão n.º 9303007.809 CSRFT3 Fl. 1.268 4 [...] No presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito. No caso em exame, a interessada declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. Nesses termos, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação ao fisco, quando solicitado, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações. [...] Conforme relatado, a DCOMP apresentada foi submetida a análise pela autoridade competente para decidir acerca do direito pleiteado: ∙ Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório n° 536/2009, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, Restando não homologados os créditos pleiteados, demonstrase a seguir de forma sumarizada os desdobramentos e tramitação processual respectivos. Uma vez nãohomologada a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é facultada ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ contra a nãohomologação da compensação pela autoridade competente para decidir o pleito (no prazo de trinta dias da ciência da nãohomologação), assim como a apresentação de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF contra o acórdão das DRJ que manteve a não homologação da compensação (no prazo de trinta dias da ciência do acórdão), conforme previsão dos §§ 7º a 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Usando da faculdade que lhe o confere o referenciado dispositivo legal, o contribuinte ingressou com a Manifestação de Inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 273/554. Na sequência, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.961, de 14/06/2010. [...] Ante o exposto constatase que foram feitas várias intimações, antes de ser exarado o Despacho Decisório não homologatório de fls. n° 536/2009 e ainda, após instaurado o litígio, a instância julgadora a quo, diante da novel documentação apresentada na Manifestação de Inconformidade converteu o julgamento em diligência, em razão de sua competência regimental, nos termos do 1art.233, inciso IV, da Portaria MF nº 203, de 2012, DOU de Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 16098.000065/200908 Acórdão n.º 9303007.809 CSRFT3 Fl. 1.269 5 17/05/2012, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB para julgamento de litígio instaurando em decorrência de apresentação de inconformidade contra apreciações das autoridades em processos relativos a compensação, para que a autoridade jurisdicionante, competente para decidir o pleito procedesse a análise da documentação apresentada, ensejando em decorrência os dois termos de constatação fiscal acima mencionados, sendo importante ressaltar que ao exarar o primeiro Termo de Constatação, após cientificado, o contribuinte solicitou prazo adicional para apresentação de documentos, sendo acolhido, se não expressamente, de maneira tácita, já que novos documentos foram apreciados, resultando no segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717. Verificase assim que quanto ao aspecto material, visando conferir a liquidez e certeza do crédito alegado, foi procedida a verificação junto ao contribuinte do suporte probatório que lhe competia demonstrar, conforme dispõe a legislação de regência, quantos às operações que ensejariam referido crédito, no entanto como já sobejamente explicitado, o contribuinte ofereceu apenas parte da documentação, que se mostrou insuficiente para homologar totalmente o crédito pleiteado. Digno de nota que embora regularmente cientificado do segundo Termo de Constatação Fiscal, declinou o contribuinte de exercer o seu direito de defesa, já que não houve a contestação na Manifestação de Inconformidade quanto ao referido termo. Inferese portanto que o contribuinte não desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Inexistindo contestação acerca do segundo termo de contestação a instância a quo procedeu ao julgamento com a apreciação das matérias litigadas na Manifestação de Inconformidade apresentada e o resultado da diligência solicitada, cujo conteúdo decisório se demonstra a seguir, por alguns excertos: [...] Do ponto de vista formal, com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997), assim os argumentos de mera presunção quanto ao direito à via recursal, ainda que silente em relação à primeira instância, não podem ser acolhidos, uma vez que as matérias submetidas à primeira instância determinam os limites do litígio na via contenciosa administrativa, de modo que a matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição. [...] Digno ainda de nota que a solicitação de juntada de documentos em 15/12/2015, conforme relatado foi efetuada após o julgamento do presente processo, corroborando a fundamentação já delineada quanto a não Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 16098.000065/200908 Acórdão n.º 9303007.809 CSRFT3 Fl. 1.270 6 apresentação de manifestação de inconformidade relativa ao segundo Termo de Constatação no prazo legal estabelecido com os motivos de fato e de direito para fundamentar sua contestação, bem como os pontos de discordância, as razões e provas que visassem infirmar o referido termo. Assim os documentos apresentados somente em 15/12/2015 não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações respectivas: [...] Nesse mister, ante os fundamentos acima expostos deixo de conhecer a contestação somente em sede recursal quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717, mantendo in totum a decisão de piso, bem como os documentos cuja solicitação de juntada foi posterior ao julgamento do presente processo. [...] A Contribuinte, ao apresentar o seu recurso especial, insurgiuse tão somente quanto ao argumento da análise de provas apresentadas posteriormente à manifestação de inconformidade e à preclusão, não tendo realizado a comprovação da divergência com relação à atribuição do ônus probatório. Assentandose a decisão em mais de um fundamento, sendo eles autônomos entre si para a manutenção do julgado, é necessário que a parte se insurja quanto a todos eles para que tenha prosseguimento o recurso especial. Nesse sentido é a Súmula do STF n.º 283: " É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Além disso, com relação ao tema de insurgência análise de provas juntadas aos autos após a manifestação de inconformidade e preclusão não houve a devida comprovação da divergência jurisprudencial por meio dos paradigmas apresentados, conforme despacho de exame de admissibilidade exarado no processo n.º 16098.000064/200955, do mesmo Contribuinte, o qual tem idênticos acórdãos recorrido e paradigmas. Naqueles autos, a negativa de seguimento ao apelo especial deuse em razão da ausência de comprovação do dissenso interpretativo, com base nos seguintes argumentos, que passam a integrar o presente julgado: [...] 1 – COFINS – PROVA – APRECIAÇÃO DE PROVAS APRESENTADAS EXTEMPORANEAMENTE – ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/9303001.842. Vejamos sua ementa: [...] Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 16098.000065/200908 Acórdão n.º 9303007.809 CSRFT3 Fl. 1.271 7 Inicialmente importa ressaltar que o recurso especial é remédio para solução de divergências na interpretação da legislação tributária. Não cabe à Instância Especial a reapreciação do conjunto probatório. A recorrente parte da premissa equivocada de que o acórdão recorrido teria rechaçado a possibilidade de apreciar provas apresentadas extemporaneamente. Tal não se deu. Não há decisão, no acórdão recorrido, que negue a apreciação das provas apresentadas a destempo, em tese. A rejeição às provas juntadas extemporaneamente, no presente caso, fundamentase no fato material de terem sido apresentadas, conforme a exposição da relatora, depois da data julgamento do acórdão recorrido. Sustenta a recorrente que o acórdão recorrido teria cometido equívoco, ao considerar a data da apresentação das provas em 15/12/2015, quando, alega, foram apresentadas em 01/12/2015. Alega ainda que tal circunstância foi objeto de sustentação oral, porém não acatada pela Turma (folha 1.177 e 1.178). Tais alegações foram rebatidas, em despacho de admissibilidade de embargos, em outros processos da empresa julgados na mesma sessão pela Turma. Neste presente processo os embargos foram rejeitados porque intempestivos. De qualquer modo, o que resta é que o fundamento do acórdão recorrido, neste aspecto, é a ausência das provas quando do julgamento, portanto, decorre a incomparabilidade com o paradigma apresentado. Assim, sendo diversos os fundamentos dos arestos comparados, não há demonstração de divergência jurisprudencial quanto a esta matéria. 2 – COFINS – MATÉRIA PRECLUSA ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/910100.514. Vejamos sua ementa, transcrita na parte de interesse ao presente exame: [...] O paradigma expressa a tese de que, no contexto da apreciação do instituto da preclusão, previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, devese diferenciar a “defesa” dos “fundamentos de defesa”. A primeira não poderia ser inovada, enquanto os segundos, sim. Em outras palavras, a preclusão incidiria sobre as infrações cometidas e não defendidas, isto é, se todas as infrações tiverem sido contestadas em recurso inicial, eventual recurso a instância superior poderia apresentar novas teses jurídicas. Porém, o acórdão recorrido considerou que o contribuinte não apresentou nenhuma defesa nem defesa, nem fundamentos de defesa perante as infrações apontadas no resultado da diligência fiscal, resultado da diligência fiscal que restou convalidado pela DRJ. Com efeito, o acórdão recorrido relata que o contribuinte foi intimado a manifestarse acerca dos resultados da diligência fiscal que calculou o crédito afinal acatado pela instância julgadora a quo e não o tendo feito, não remanesceu qualquer litígio. Confirase trecho (folha 966): [...] Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 16098.000065/200908 Acórdão n.º 9303007.809 CSRFT3 Fl. 1.272 8 Ressalto que fato de o cálculo ter sido feito apenas em sede de diligência fiscal solicitada pela DRJ foi responsabilidade do contribuinte, posto que não apresentou, na fase anterior, os documentos solicitados. Portanto, a responsabilidade para que a oportunidade de defesa sobre as infrações apontadas tenha se dado após a manifestação de inconformidade também é do contribuinte. [...] Portanto, nenhuma das infrações e diferenças de cálculo apontadas na referida diligência fiscal final foi objeto de “defesa” ou “fundamentos de defesa” por parte do contribuinte, na primeira instância administrativa. Desse modo, a distinção vazada pelo paradigma se revela inócua no presente caso, razão pela qual concluise que não foi demonstrada a divergência quanto a esta matéria. [...] Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1272DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.937637/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CÔMPUTO NO AJUSTE.
Integram o saldo negativo de CSLL do ano-calendário as estimativas compensadas.
Numero da decisão: 1302-003.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CÔMPUTO NO AJUSTE. Integram o saldo negativo de CSLL do anocalendário as estimativas compensadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação em 24/04/2009, fls. 2/6, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 76 37 /2 01 2- 91 Fl. 129DF CARF MF 2 Líquido (CSLL) no valor de R$11.440.171,21 do anocalendário de 2008 para extinguir sob condição resolutória débito de Cofins. Despacho Decisório eletrônico à folha 7 reconheceu a parcela de R$1.438.841,44 de um total de R$11.440.171,21 informado na composição do crédito da DComp como estimativas compensadas, conforme quadro abaixo: Considerando que não houve CSLL devida, foi reconhecido um saldo negativo de igual valor e a Dcomp foi homologada parcialmente. A Empresa apresentou manifestação de inconformidade, alegando que a compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória e haverá cobrança conforme aquelas Dcomp, motivo pelo qual não podem ser consideradas no ajuste anual. Caso assim não se entenda requer o sobrestamento até que se decidam os processos de compensação envolvidos. A 13ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, em sessão de 26 de janeiro de 2017, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por não haver previsão de sobrestamento e negando a possibilidade de as estimativas compensadas integrarem o ajuste anual por conta de interpretação da PGFN de que se tratam de meras antecipações de tributos. Em recurso voluntário, a repete os argumentos da manifestação da inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 3 de maio de 2017 (fl. 63), tendo apresentado o recurso em 1º de junho de 2017, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de folha 75/77. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.937637/201291 Acórdão n.º 1302003.304 S1C3T2 Fl. 105 3 Conheço do recurso voluntário. ESTIMATIVAS COMPENSADAS Meus pares já conhecem a minha posição em relação à utilização no ajuste anual das estimativas compensadas. Assim, resumo meu fundamento à manifestação já apresentado em outros votos: No mérito, estamos tratando de uma sistemática de compensação e cobrança que vinha sendo entabulada normalmente nos procedimentos da RFB: a compensação das estimativas mensais e seu aproveitamento na composição da base negativa independentemente do resultado da DComp, uma vez que a cobrança seria realizada no processo de compensação. Ocorre que a natureza jurídica das estimativas não é de tributo, mas de antecipação deste, o que motivou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) a emitir Pareceres que impediam a inscrição em dívida ativa dos débitos dessa natureza. Assim, todo o sistema que estava acertado deixou de ser saudável, na medida em que quebrouse a possibilidade de cobrança dos valores compensados a título de estimativa. Prevalecendo este entendimento só seria aceitável a utilização das estimativas compensadas na composição da base negativa após a homologação da compensação. Registrese, contudo, que no anocalendário de 2010 a polêmica ainda não tinha sido estabelecida, pois foi com a edição do Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 que a inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DComp relativos às estimativas foi vedada. Naquele ano ainda vigorava o aproveitamento, na formação do saldo negativo de CSLL , das estimativas compensadas, cobráveis que eram no próprio processo de compensação. Em 2014 foi emitido o Parecer PGFN/CAT nº 88 que assim concluiu sobre a possibilidade de cobrança dos valores de estimativas compensadas: Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Desta forma, a cobrança das estimativas compensadas foi viabilizada no Parecer, já que, nas circunstância nele descritas, os créditos tributário inadimplidos seriam inscritos em dívida ativa. A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já se manifestou a respeito em julgado posterior ao referido Parecer 18, Acórdão 9101002.493 de 23 de novembro de 2016, da relatoria do I. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos seguintes termos: Fl. 131DF CARF MF 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP.DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Importa salientar que das soluções possíveis, portanto, para as declarações de compensação cujos débitos de estimativa integram o saldo negativo, não há, em nenhuma delas, prejuízo para o Erário, pois: (i) se homologada a compensação o crédito relativo à estimativa é extinto; (ii) se não for homologada a compensação os valores serão cobrados no próprio processo de compensação. Por outro lado, na ótica do contribuinte, o mesmo não ocorre, haja vista que na eventual exclusão da estimativa compensada do saldo negativo ele poderá ser alvo de dupla cobrança: no processo de compensação da estimativa (não homologada) e no processo de compensação do saldo negativo que a incluía. Assim dou provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório relativo às estimativas compensadas, no valor de R$10.001.319,77, que deverão ser somados aos valores já reconhecidos no Despacho Decisório, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.721163/2017-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
DEDUÇÕES. PLANO DE SAÚDE.
Pessoa Física que constou como beneficiário em plano de saúde de outra, pode deduzir as suas despesas, desde que haja prova do pagamento e que o titular do plano não tenha se aproveitado do crédito.
Numero da decisão: 2002-000.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe deu provimento parcial, para restabelecer os pagamentos comprovadamente efetuados pela recorrente em 2015: R$ 976,50 de 06/2015 (e-fls. 79,86) + R$ 1.110,83 de 09/2015 (e-fls. 80,87) + R$ 1.264,00 de 10/2015 (e-fls. 81,88) + R$ 1.108,82 de 11/2015 (e-fls. 81,88) = R$ 4.460,15. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2015 DEDUÇÕES. PLANO DE SAÚDE. Pessoa Física que constou como beneficiário em plano de saúde de outra, pode deduzir as suas despesas, desde que haja prova do pagamento e que o titular do plano não tenha se aproveitado do crédito.
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PLANO DE SAÚDE. Pessoa Física que constou como beneficiário em plano de saúde de outra, pode deduzir as suas despesas, desde que haja prova do pagamento e que o titular do plano não tenha se aproveitado do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe deu provimento parcial, para restabelecer os pagamentos comprovadamente efetuados pela recorrente em 2015: R$ 976,50 de 06/2015 (efls. 79,86) + R$ 1.110,83 de 09/2015 (efls. 80,87) + R$ 1.264,00 de 10/2015 (efls. 81,88) + R$ 1.108,82 de 11/2015 (efls. 81,88) = R$ 4.460,15. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 11 63 /2 01 7- 95 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10730.721163/201795 Acórdão n.º 2002000.587 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 71/72) contra decisão de primeira instância (fls. 62/66), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (fls.06/11), emitida em nome da contribuinte acima identificada em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, referente ao exercício de 2016, anocalendário de 2015, que alterou o resultado de saldo de imposto a restituir declarado de R$ 1.700,11, para imposto suplementar de R$ 1.482,14. 2. De acordo com descrição dos fatos de fls.10/11, verificouse deduções indevidas de despesas médicas (R$ 12.827,24), referente à Caixa de Assistência dos Servidores da CEDAE, tendo em vista que não ficou comprovado o repasse dos valores do plano ao titular Carlos Augusto Torquato Dantas. 2.1. Em decorrência deste lançamento apurouse Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (cód. 2904) de R$ 1.482,14, multa de ofício de R$ 1.111,60, além de juros de mora de R$ 191,64 (até 28/04/2017). 3. A interessada foi cientificada em 04/05/2017 (AR fl.57) e ingressou com impugnação (fl.02), em 17/05/2017, através de procurador (fl.03/04) onde alega que a contribuinte participa do plano de saúde CAC PLANAF da CEDAE, do empregado Carlos Augusto Torquato Dantas, de quem não é dependente, e efetua os pagamentos através de boletos emitidos em seu próprio nome. Informa que o Sr. Carlos Augusto não se beneficia do valor glosado em sua declaração. Junta documentos. 3.1. Consta declaração do Sr. Carlos Augusto (fl.12), onde este reforça as alegações da interessada. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. ÔNUS DA PROVA. As despesas com plano de saúde somente serão acatadas como dedução desde que amparadas pela legislação e comprovadas por documentos hábeis. A impugnação deve ser instruída com elementos de prova suficientes a promover o convencimento do julgador. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10730.721163/201795 Acórdão n.º 2002000.587 S2C0T2 Fl. 4 3 Inconformada, a contribuinte apresentou recurso reiterando as alegações da impugnação e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. De acordo com a fl. 93 dos autos, em 06/11/2017 foi postada a correspondência para ciência da contribuinte do Acórdão proferido pela DRJ, conforme documento de fl. 90, porém o AR foi extraviado e a contribuinte protocolou Recurso Voluntário em 06/12/2017 (fl. 71), assinado por procurador legalmente constituído (fl. 73/74). Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução do Plano de Saúde. Diz o Sr. AFR, que foi glosado o valor de R$ 12.827,24, referente ao pagamento efetuado ao CNPJ 31.934.805/000136, por falta de previsão legal, uma vez que o pagamento foi feito por Carlos Augusto Torquato Dantas e não foi comprovado o repasse do valor pela contribuinte. Diz a r. decisão, que somente “os documentos de fls. 20/39, não são hábeis a comprovar o pagamento efetuado pela Interessada ao plano de saúde. Isto porque os demais boletos bancários e os correspondentes comprovantes de pagamentos de títulos apresentados nos autos se referem a anoscalendário diversos do aqui tratado, muito embora esteja confirmado, em pesquisa efetuada no sistema informatizado da RFB, que não houve utilização dos valores glosados pelo Sr. Carlos Augusto Torquato Dantas. Ou seja, a contribuinte não logrou comprovar todos os pagamentos que alega ter efetuado, ela própria, ao plano de saúde”. Irresignada a recorrente maneja recurso próprio, combatendo o mérito da decisão acatada. Pois bem, encontramos à fl. 12 dos autos, uma “Declaração” de lavra de Carlos Augusto Torquato Dantas, dizendo que a recorrente é sua sogra, porém não sua dependente, haja vista que se mantém com recursos próprios. Afirma que em sua Declaração para o Fisco, a parcela referente às mensalidades do Plano de Saúde (CAC) pertinentes ao CPF da recorrente, não faz parte da sua dedução no IR e somente consta como parcela dedutível da declaração do IR da recorrente. A r. decisão revisanda, não desmente a declaração do titular do plano, eis que, em pesquisa efetuado junto ao sistema informatizado da RFB, consta que não houve utilização dos valores glosados pelo Sr. Carlos Augusto Torquato Dantas. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10730.721163/201795 Acórdão n.º 2002000.587 S2C0T2 Fl. 5 4 Diante das provas, colhidas pela própria decisão revisanda, fica claro que o titular do plano não se aproveitou das parcelas glosadas e que as mesmas foram de fato pagas pela recorrente. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007605/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador:18/10/2006
RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE.
Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.234
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador:18/10/2006 RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido
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ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 76 05 /2 01 0- 91 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11128.007605/201091 Acórdão n.º 3302006.234 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento da restituição relativa a PIS/Pasep importação e Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação posteriormente retificada, por falta de apresentação de documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro recolhido indevidamente, consoante o art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Segundo a Fiscalização, o referido crédito tributário recolhido quando do registro da DI poderia ter sido compensado pelo importador, nos termos da legislação de regência, independentemente de autorização da Receita Federal RFB. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que o crédito apurado não podia ser objeto de compensação por ser devido no registro de Declaração de Importação, conforme o artigo 74, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, tratandose de uma exceção legal que não proporcionava segurança jurídica para se requerer a compensação sem prévia concordância do Fisco, tendo em vista o entendimento da Fiscalização quanto à necessidade de comprovação da assunção econômica do encargo. Segundo o então Manifestante, não havendo previsão legal de transferência do encargo financeiro, bem como existindo lei que previa o importador como contribuinte, não era cabível a alegação do Auditor Fiscal de que seria devida a comprovação de assunção do encargo financeiro do tributo recolhido. Ainda segundo ele, mesmo que se entendesse válida a discussão acerca da assunção do encargo financeiro, essa só se justificaria em relação ao montante pago referente à mercadoria desembaraçada, inexistindo fato gerador de PIS/Pasep e Cofins relativos a uma importação não ocorrida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07033.596, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentandose também na necessidade de prova de assunção do encargo financeiro dos tributos, com apresentação de documentos, informações e lançamentos contábeis que demonstrassem de forma inequívoca o efetivo suporte desse encargo. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11128.007605/201091 Acórdão n.º 3302006.234 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.205, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11128.000042/201191, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.205): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperioso destacar que a solução do litígio envolve apenas a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, inexistindo discussão sobre as fatos que geraram o pagamento indevido ou a maior, é o que se extrai do despacho decisório de fls. 5153 e da decisão recorrida, a saber: Despacho decisório Os pleitos referemse a importação de mercadoria a granel onde foi constatada falta em relação às quantidades manifestadas, conforme os Laudos Periciais em anexo aos processos supracitados. Todas as DIs foram objeto de retificação após o desembaraço. Cópias dos respectivos pedidos de retificação (PCI) estão anexadas aos processos. As retificações acima referidas, tendo em vista apuração de falta de mercadoria, demonstram que houve pagamento a maior dos tributos em questão, conforme valores discriminados na relação acima. Ocorre que não foi acostada aos processos acima relacionados documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, consoante o Art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Por outro lado, o crédito tributário referente ao PIS e COFINS recolhido quando do registro da DI poderá ser utilizado pelo importador, conforme a legislação que rege os tributos em questão. Este procedimento independe de autorização da RFB. Tendo em vista o acima exposto, proponho o indeferimento dos pedidos de restituição do PIS e COFINS referentes aos processos acima discriminados. Decisão recorrida Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11128.007605/201091 Acórdão n.º 3302006.234 S3C3T2 Fl. 5 4 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. E o ônus dessa demonstração não cabe ao Fisco. Os sistemas contábeis e respectivos planos de contas são de livre escolha das empresas e, no caso de pedido que envolva a prova prevista no artigo 166 do CTN, devem os requerentes fazer as devidas e satisfatórias demonstrações à vista de suas opções contábeis. E tais demonstrações, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas. Se a interessada, em sua escrituração fiscal, utilizou, em seu favor, de crédito correspondente ao valor de que agora pretende verse ressarcida, referente a PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, resta impossibilitado o deferimento de seu pedido, em decorrência do duplo aproveitamento de um só crédito de tributo. No presente caso, não há comprovação de que o requisito da norma esteja perfeitamente atendido. Ou seja, não se discute a ocorrência de fatos que ensejaram o pagamento indevido ou maior, mas tão e somente a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, previsto no artigo 166, do CTN, outrora utilizado pela fiscalização para indeferir o pedido de Restituição da Recorrente. A respeito disso, verificase que a decisão recorrida manteve o despacho decisório nos seguintes termos: Em primeiro lugar, cumpre mencionar que a restrição legal imposta à solicitação de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro, encontrase prevista no art. 166 do Código Tributário Nacional CTN, nos seguintes termos: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” No mesmo sentido dispõe a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu art. 6º, nos seguintes termos: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11128.007605/201091 Acórdão n.º 3302006.234 S3C3T2 Fl. 6 5 “Art. 6º A restituição de quantia recolhida a título de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Das disposições legais transcritas surge o entendimento de que essas alcançam apenas aqueles tributos que comportam a transferência de seu ônus financeiro a terceiros, mediante o registro contábil em conta corrente de débitos e créditos; aqueles cujo contribuinte de fato é o consumidor final, jamais o contribuinte de direito que, embora onerado pelo dever de pagar, não pode, pela própria concepção jurídica desses tributos, suportar economicamente seus encargos. É entendimento que somente os indébitos tributários relacionados a tributos indiretos é que são alcançados pelas disposições contidas no art. 166 do CTN. Assim, o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação são regidos pela nãocumulatividade, estando incluídos no rol dos tributos indiretos, conforme dispõe o art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. Estas contribuições possuem natureza jurídica que comporta a transferência do respectivo encargo financeiro. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005 ) 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.007605/201091 Acórdão n.º 3302006.234 S3C3T2 Fl. 7 6 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. Contudo, entendo que a decisão recorrida merece reforma, posto que os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro, sendo que o sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Essa questão inclusive foi analisada nos autos do PA nº 10909.005708/200842 (acórdão nº 3302004.439), que contou com a participação deste relator, a saber: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/09/2005 a 06/09/2005 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO DA MERCADORIA IMPORTADA POR CONTA E ORDEM ANTES DO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. LEGITIMIDADE ATIVA DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por não comportar a transferência do encargo financeiro, o importador tem legitimidade ativa para pleitear a restituição dos valores indevidos da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação pagos no âmbito da operação de importação por conta e ordem simulada, em que as mercadorias importadas foram objeto de pena de perdimento antes do desembarco aduaneiro e da transferência ao real adquirente. Embargos Rejeitados. Direito Creditório Reconhecido. Neste cenário, deve ser reconhecido o crédito apurado pela Recorrente referente ao PIS/Pasepimportação e a Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11128.007605/201091 Acórdão n.º 3302006.234 S3C3T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recuso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito apurado referente ao PIS/Pasep importação e à Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.905785/2011-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2001
CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF.
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência.
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF.
FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS.
O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.967
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2001 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 57 85 /2 01 1- 24 Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10280.905785/201124 Acórdão n.º 3402005.967 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, consoante argumentos plasmados no Acórdão nº 14041.306 Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual defende o direito ao crédito pleiteado. Na apreciação deste recurso, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3402001.091, para que a Unidade de Origem realizasse o seguinte levantamento: i) Apurar a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes; ii) Elaborando Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá los com o recolhido; iii) Apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10280.905785/201124 Acórdão n.º 3402005.967 S3C4T2 Fl. 0 3 Em cumprimento à Resolução foi apresentada a Informação Fiscal que concluiu pela existência de recolhimento a maior, sendo possível o reconhecimento parcial do crédito para a compensação requerida. Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente argumentou que o raciocínio adotado pela fiscalização sobre a natureza dos valores escriturados em algumas das contas contábeis não merece prevalecer, fundamentando acerca da natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas e, com isso, reiterando o pedido de provimento do recurso voluntário interposto e reconhecimento integral do direito ao crédito postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.949, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.900097/201259, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.949): "Pressupostos legais de admissibilidade Como já observado pela Resolução nº 3402001.052, o Recurso Voluntário de fls. 73 a 90 é tempestivo, uma vez que a intimação do Acórdão nº 1441.254 ocorreu via postal na data de 11/06/2013 (fls. 71), com interposição da defesa em data de 08/07/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 72). Por atender aos pressupostos legais de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido por este Colegiado. Do pedido preliminar para reunião dos processos Preliminarmente a Recorrente argumenta que os seguintes processos têm o mesmo objeto do caso em análise, referente ao questionamento sobre a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da COFINS, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98: Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10280.905785/201124 Acórdão n.º 3402005.967 S3C4T2 Fl. 0 4 Considerando que não há fatos jurídicos tributários idênticos, uma vez que os processos têm períodos de apuração diversos, não há vinculação que torne obrigatória a aplicação do artigo 6º do RICARF. Ademais, o presente recurso foi distribuído como paradigma, seguindo a sistemática dos recursos repetitivos, conforme regulamentação do artigo 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Conforme informado em Termo de Intimação Fiscal nº 01 SAORT/DRFSJR de fls. 241 a 242, a diligência foi realizada em cumprimento às Resoluções de nºs 3402001.050 a 3402 001.067, proferidas por este Colegiado, resultando na análise do crédito pleiteado nos seguintes processos: 10280.900096/201212, 10280.900095/201260, 10280.900097/201259, 10280.900106/201210, 10280.904424/201161, 10280.904437/201130, 10280.904438/201184, 10280.904439/201129, 10280.904440/201153, 10280.904441/201106, 10280.904442/201142, 10280.904443/201197, 10280.904444/201131, 10280.904445/201186, 10280.904446/201121, 10280.904447/201175, 10280.904971/201146, 10280.904972/201191, 10280.904973/201135, 10280.904974/201180, 10280.905315/201161, 10280.905316/2011 13,10280.905317/201150, 10280.905318/201102, 10280.905319/201149, 10280.905320/201173, 10280.905321/201118, 10280.905322/201162, 10280.905323/201115, 10280.905325/201104, 10280.905326/201141, 10280.905328/201130, 10280.905329/201184, 10280.905330/201117, 10280.905331/201153, 10280.905332/201106, 10280.905333/201142, 10280.905334/201197, 10280.905781/201146, 10280.905782/201191, 10280.905784/201180, 10280.905785/201124, 10280.905786/201179, 10280.905787/201113, Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10280.905785/201124 Acórdão n.º 3402005.967 S3C4T2 Fl. 0 5 10280.905790/201137, 10280.905803/201178 e 10280.905804/201112. Portanto, resta prejudicada a preliminar invocada no Recurso Voluntário em análise. Do mérito Pede a Recorrente pelo reconhecimento do direito à restituição da Contribuição para o PIS/PASEP calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, explanando sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e necessária incidência do artigo 62. § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF. Para tanto, pugna pela aplicação da Verdade Material, uma vez que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, configurando a decisão recorrida em formalismo exagerado. Pede, ainda, pela complementação da produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Como já relatado, tanto o reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62, § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF, bem como o pedido de produção de prova complementar, restaram superados através da Resolução nº 3402001.052 (fls. 234238), pela qual este Colegiado converteu o julgamento do recurso em diligência com a seguinte determinação: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. A matéria suscitada sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585.235/MG, resultando na aplicação do artigo 62, § 2do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10280.905785/201124 Acórdão n.º 3402005.967 S3C4T2 Fl. 0 6 Portanto, neste ponto dou provimento ao recurso, com a produção de prova já realizada através da diligência acima mencionada. Do resultado da diligência Em sequência, dando cumprimento ao artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, a Recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência às fls. 338351, sustentando sobre a natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas. Em síntese, alega a Recorrente que ".... as bonificações não são receitas da recorrente, mas apenas recuperação do custo de aquisição dos bens adquiridos por ela para revenda. Como a recuperação de custos realmente aumenta o lucro bruto da recorrente, eis que diminuem o custo da mercadoria vendida, mas, por outro lado, não interferem nas receitas da recorrente, eis que o valor das vendas não é alterado, não havendo qualquer interferência desses valores na receita da recorrente, passível de tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS." A questão atinente às verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas foi objeto de análise por esta Turma Ordinária no PAF nº 10280.900096/201212, de relatoria da Eminente Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula e cujo julgamento ocorreu em data de 25 de setembro de 2018. Com isso, como solução deste litígio, adoto o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.569, pelo qual foi aplicado o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506/19641, bem como as Soluções de Consulta Cosit nºs 291/20172 e 34/20133. 1 Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 2 Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10280.905785/201124 Acórdão n.º 3402005.967 S3C4T2 Fl. 0 7 Para tanto, transcrevo a fundamentação que embasa a decisão em referência, a qual cita trechos extraídos da respectiva Informação Fiscal, reproduzindo os mesmos termos constantes do resultado da diligência realizada neste processo, motivo pelo qual deve ser considerada como embasamento do presente voto: "Quanto ao mérito, valem aqui as considerações já expedidas na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, a seguir transcritas: Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal. Assim, em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, relativamente ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicado neste julgamento o entendimento do Supremo Tribunal Federal proferido em regime de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. 3 Solução de Consulta nº 34 Cosit Data 21 de novembro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10280.905785/201124 Acórdão n.º 3402005.967 S3C4T2 Fl. 0 8 Como bem esclareceu a fiscalização na diligência, devem ser excluídos do conceito de faturamento os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa: 7. No anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 30/08/2012, está delimitado o julgado pelo STF no RE n° 585.235, nos seguintes termos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. (...)” 8. A delimitação da matéria decidida é também fruto dos julgados do STF, que entendem que o conceito de faturamento abrange a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços das empresas, e todas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esta é a interpretação dada pelo RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 03.10,2006), pelo RE n. 400.4798/RJ ( Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 10.10,2006) e pelo RE n 527.602/SP (Tribunal Pleno, Rel Min Eros Grau, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 05.08.2009), sendo que neste último ficou estabelecido que somente são excluídos do conceito de faturamento “os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”. Assim, o faturamento corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Com efeito, adotando tal entendimento, a fiscalização excluiu do faturamento, para fins de incidência das contribuições, as receitas que não se enquadravam como operacionais, resultando num recolhimento a maior, passível de reconhecimento de crédito para compensação no valor mencionado no relatório acima. Não obstante tenha sido devidamente intimada, a recorrente não se manifestou em face do resultado da diligência, pelo que se pressupõe que com ele concordou. Ademais, na diligência foram acolhidos, em grande parte, os demonstrativos/memórias de cálculo elaborados pela própria contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, ressalvadas poucas divergências, quanto às receitas originadas das bonificações recebidas e das recuperações de despesas, como se vê nos seguintes trechos da Informação fiscal: 9. Concorda o contribuinte, conforme seus demonstrativos, que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos (de fev/03 e mar/03), vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e acessórios, instalação e vendas de Kits de conversão Gás, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10280.905785/201124 Acórdão n.º 3402005.967 S3C4T2 Fl. 0 9 10. Também devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as bonificações recebidas das montadoras, mesmo que em mercadoria (contas 37201.00001 Bonificação MBB Veículos, 37201.00002 Bonificação MBB Sprinter e 37202.00001 Bonificação MBB Peças e Motores) e a recuperação de despesas com veículos e peças em garantias (contas 37202.00009 Recup. Desp. c/ Garantia e 37204.00009 Recup. Desp. c/ Garantia), pelo que segue. Nada há a reparar no entendimento da fiscalização no sentido de que as "recuperações de despesas também constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.5061, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999)", sobre as quais há a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Quanto às bonificações, embora em algumas situações específicas elas possam configurar descontos incondicionais, o que, se fosse o caso, poderia ensejar a exclusão de tais receitas do conceito de faturamento, nos termos das Soluções de Consulta Cosit nºs 291/2017 e 34/20132, não há qualquer argumentação da recorrente nesse sentido, no recurso voluntário ou na diligência do presente processo, razão pela qual deve ser mantido o resultado do direito creditório apurado na diligência com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que é o mérito do recurso voluntário e do pedido de restituição da interessada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente." Portanto, deve imperar o resultado da diligência que corretamente refez a apuração do PIS do período de Novembro de 2002, com base no demonstrativo e registros contábeis apresentados pela Contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos." Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10280.905785/201124 Acórdão n.º 3402005.967 S3C4T2 Fl. 0 10 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu o Recurso Voluntário e julgouo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, §2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 362DF CARF MF
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Numero do processo: 13893.721340/2012-54
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni (relator) que deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni (relator) que deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni (relator) que deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 72 13 40 /2 01 2- 54 Fl. 109DF CARF MF 2 Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 03 a 08), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 4.240,19, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 65 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, em 03/12/12, mediante as alegações relatadas a seguir: Considera notório seu direito a deduzir as despesas odontológicas logicamente comprovadas por meio de documentos hábeis. Solicita o cancelamento do crédito tributário lançado. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 17/09/2014, no acórdão 0363.576 às efls. 78 a 81, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 161 a 175, alegando, em síntese, que os recibos colacionados aos autos são provas hábeis a comprovas as despesas médicas com os prestadores de serviços. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 31/10/2014, efls. 85, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 25/11/2014, efls. 86, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13893.721340/201254 Acórdão n.º 2002000.637 S2C0T2 Fl. 110 3 A contribuinte foi autuada pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · Elaine Uta Aoka R$8.000,00; · Kelly Cristina Soares Aoki R$8.000,00; A DRJ manteve as glosas sob os seguintes fundamentos: A fiscalização considerou que, tendo em vista o elevado valor, as despesas médicas pleiteadas pela contribuinte deveriam ter o efetivo pagamento comprovado, e intimou a contribuinte a apresentar cópias de cheques, extratos bancários ou outros meios que demonstrassem que a interessada, efetivamente, assumiu o ônus das despesas. Apesar de intimada, a contribuinte não fez qualquer tipo de prova de que teria assumido o ônus dos tratamentos, de maneira que a glosa deve ser mantida. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com Fl. 111DF CARF MF 4 exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13893.721340/201254 Acórdão n.º 2002000.637 S2C0T2 Fl. 111 5 comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de Fl. 113DF CARF MF 6 prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13893.721340/201254 Acórdão n.º 2002000.637 S2C0T2 Fl. 112 7 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. · Elaine Uta Aoka R$8.000,00; · Kelly Cristina Soares Aoki R$8.000,00; Às efls. 91 a 94 há os recibos emitidos por Kelly Cristina Soares Aoki, no valor, bem como declaração da profissional às efls. 104 e 105. Já às efls. 95 e 96 há os recibos emitidos por Elaine Uta Aoka, também no valor de R$8.000,00, além de declaração da profissional às efls. 102 e 103 Ainda, às efls. 97 a 101 estão os prontuários dos procedimentos que a contribuinte realizou. Feitas estas considerações, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto à comprovação das despesas médicas em litígio. Extraise da Notificação de Lançamento (efls. 03/08) que a autoridade fiscal procedeu à glosa das despesas declaradas para Elaine Uta Aoki e Kelly Cristina Soares Aoki por não ter a contribuinte, devidamente intimada (efls. 51/52), comprovado o seu efetivo pagamento através de cópia de cheque, comprovante de transferência bancária ou extrato bancário indicando o saque das importâncias correspondentes, com datas e valores compatíveis nos casos de pagamento em moeda corrente. Fl. 115DF CARF MF 8 Não obstante, nenhum documento bancário foi juntado aos autos para a finalidade pretendida. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13893.721340/201254 Acórdão n.º 2002000.637 S2C0T2 Fl. 113 9 (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, o contribuinte abre mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a sua comprovação. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002378/2004-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO.
Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, é permitida a dedução dos valores inerentes aos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98, visto a norma interpretativa § 9ª do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
Numero da decisão: 9303-007.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, é permitida a dedução dos valores inerentes aos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98, visto a norma interpretativa § 9ª do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
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DEDUÇÕES. CONCEITO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, é permitida a dedução dos valores inerentes aos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98, visto a norma interpretativa § 9ª do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 23 78 /2 00 4- 44 Fl. 995DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3302001.882, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES.CONCEITO. É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas.” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que não se pode admitir interpretação ampla do inciso III § 9° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. Em Despacho às fls. 809 a 811, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, requerendo a manutenção da decisão recorrida. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 13971.002378/200444 Acórdão n.º 9303007.701 CSRFT3 Fl. 996 3 É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade é de se conhecêlo, considerando ser tempestivo e por atender aos demais requisitos de admissibilidade, vez que o confronto das decisões comprova a divergência. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho. Nesse sentido, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide – qual seja, sobre a dedução da base de cálculo das contribuições dos valores inerentes aos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98. O entendimento da Fazenda Nacional lastreouse somente no art. 3º, § 9º, inciso III, da Lei 9.718/98: “Art. 3º....................... § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades.” Fl. 997DF CARF MF 4 Não obstante, a MP 619/13, convertida na Lei 12.873/2013, trouxe o § 9A ao art. 3º da Lei 9.718/98, in verbis (Grifos meus): “Art. 19. A Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 3º. .........………………….................................... ...................................................................................…..... § 9ºA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. ...................................................................................” (NR) Com tal dispositivo, houve esclarecimento normativo de que, para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Eis que, tais custos assistenciais compreendem despesas com hospitais, exames laboratoriais, honorários médicos, dentre outros norma interpretativa § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Fl. 998DF CARF MF Processo nº 13971.002378/200444 Acórdão n.º 9303007.701 CSRFT3 Fl. 997 5 Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 999DF CARF MF
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