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Numero do processo: 10580.732439/2011-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
MULTA QUALIFICADA.
O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados que o arts. 71 a 73 da Lei n.º 4.500/64 elenca como caracterizadores da fraude.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ILEGITIMIDADE PASSIVA - A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32).
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais.
JUROS - TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-002.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava parcialmente o recurso de ofício para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 MULTA QUALIFICADA. O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados que o arts. 71 a 73 da Lei n.º 4.500/64 elenca como caracterizadores da fraude. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ILEGITIMIDADE PASSIVA - A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. JUROS - TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava parcialmente o recurso de ofício para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
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O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados que o arts. 71 a 73 da Lei n.º 4.500/64 elenca como caracterizadores da fraude. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 24 39 /2 01 1- 36 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.732439/201136 Acórdão n.º 2202002.021 S2C2T2 Fl. 3 2 Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negava parcialmente o recurso de ofício para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.732439/201136 Acórdão n.º 2202002.021 S2C2T2 Fl. 4 3 Relatório Em desfavor do contribuinte,MARCELO DA COSTA VALENTE, foi lavrado o Auto de Infração (fls. 3/12) referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2009; ano calendário 2008 em procedimento de fiscalização. Detectadas omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, de R$ 5.556.502,29 (fls. 10/12), apurou se imposto de renda suplementar de R$ 1.526.584,25 e crédito tributário de R$ 4.189.252,49, já incluídos a multa de ofício qualificada e os juros moratórios. Consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 13/15) que o contribuinte, intimado, após prorrogação do prazo, apresentou, parcialmente, os elementos solicitados. Com base nos documentos apresentados – extratos de contas correntes nos Banco do Brasil S.A., Banco Itaú S.A. e Banco Real S.A.; comprovantes de pagamentos de faturas de cartão de crédito; documentação relativa a alienação de participação em duas empresas e, documentos relativos aos rendimentos e às dívidas e ônus reais declarados em Dirpf. A análise destes documentos resultou na intimação (fl. 132), de 13/06/2011, e reintimação (fl. 138), de 09/09/2011, para comprovar a origem dos valores creditados/depositados relacionados (fls. 133/134), mas o contribuinte não se manifestou. Inexistente a comprovação da origem de qualquer depósito, e, portanto, caracterizada a omissão de rendimentos, tendo como base o somatório dos recursos ingressados nas três contas bancárias. A multa de ofício foi qualificada, em atendimento ao disposto no art. 44, I e § 1º da lei nº 8.137, de 1990, porque o contribuinte auferiu rendimentos depositados em suas contas correntes e deixou de declarálas, e consequentemente, de tributar estes rendimentos. O contribuinte notificado do lançamento fiscal, apresenta impugnação (fls. 149/176), aduz, de início, a inaplicabilidade da multa de ofício qualificada pois não só apresentou a documentação solicitada, inclusive os extratos bancários, como os depósitos bancários não são, incontestavelmente, prova de rendimentos auferidos. Presunção não é prova, conforme reiterados acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A multa imposto viola os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, bem como é imposta por legislação abusiva. Alega não haver fato gerador do imposto de renda definido pelo CTN como a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos de qualquer natureza e que os dispositivos legais apontados pela fiscalização – art. 849 do RIR, de 1999 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 1966 – são ilegais, seja porque afastase do conceito de renda, seja porque confunde receita com rendimento, e receita não é base de cálculo para o imposto de renda. Reitera que a existência de depósitos bancários não significa aquisição de renda. Alega ainda que pelo texto legal é o titular que deve comprovar a origem dos créditos, e essa comprovação situa se no campo da discricionaridade admitida no ato administrativo, vez que a documentação acostada aos autos bastaria para comprovar os créditos bancário, competindo ao julgador decidir se a documentação é ou não bastante. No mérito, destaca que à época dos depósitos era sócio de pessoa jurídica, CNPJ 03.395.289/000183, responsável pelos recursos depositados em suas contas correntes Fl. 252DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.732439/201136 Acórdão n.º 2202002.021 S2C2T2 Fl. 5 4 apenas para gerenciamento do passivo da empresa, como demonstra a transferência de R$495.500,00, de suas contas correntes do Banco do Brasil (R$ 276.500,00), do Itaú (R$ 159.000,00) e do Bradesco (R$ 60.000,00) para a conta desta empresa e da empresa Sme Madri Editora e Consultora, pessoa jurídica, da qual é sócio. A dívida de R$ 100.000,00 declarada em Dirpf, é ingresso em sua conta corrente e provém de contrato de mútuo com a Runa Patrimonial Ltda. Alega que as transferências comprovam os depósitos, e mesmo que haja confusão na gestão dos recursos da pessoa jurídica e desobediência ao princípio da entidade, este expediente visou a salvação da entidade geradora de empregos e não o intuito de sonegar tributo. Se tributados, porque não restou comprovada a liquidação de passivo da pessoa jurídica, outra seria a base de cálculo, e não a draconiana prevista no art. 42 da lei 9.430, de 1999. Alega ser intolerável a aplicação da taxa Selic para o cálculo dos juros moratórios, porque superior a 1% mensal, e o art. 161 do Código Tributário nacional (CTN) ao dispor sobre o juro de 1% ao mês, “se a lei não dispuser de modo diverso”, só pode ser compreendida pela melhor exegese, como sendo a possibilidade de ser estabelecida taxa menor do que 1%. Aduz que a Constituição Federal exige lei complementar para a fixação dos juros moratórios (art. 146, III, b, CF, de 1988). A lei magna também dispõe que a taxa de juros não deve ultrapassar 12% ao ano. Alega a incidência de bis in idem a aplicação da taxa Selic concomitantemente com o índice de correção monetária. Requer a juntada de novos documentos inclusive em contraprova, bem como a improcedência do lançamento e a anulação da multa de 150%. Anexados à impugnação, documento de identidade (fl. 177); contratos sociais e alterações (fls. 178/187); comprovantes bancários de solicitações de transferências entre contas Banco Itaú (fls. 188/191); Dirpf Exercício 2009 (fls. 192/197); contrato de mútuo (198/199) e Termo de Verificação Fiscal e Auto de Infração (fls. 200/213). A DRJ ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito, poupança ou de investimento mantida em instituição financeira cuja origem dos recursos utilizados nessas operações não é comprovada mediante documentação hábil e idônea pelo responsável. DEPÓSITOS IDENTIFICADOS NO EXTRATO. EXISTÊNCIA DE NEGÓCIO JURÍDICO. EXCLUSÃO. Cabe excluir do lançamento realizado com base em depósitos de origem não comprovada aqueles com depositante identificado no extrato bancário e comprovação, durante a fiscalização, da existência do negócio jurídico correspondente. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.732439/201136 Acórdão n.º 2202002.021 S2C2T2 Fl. 6 5 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autoridade julgadora ao apreciar o lançamento entendeu por bem alterar a seguinte parte do lançamento: Afastou do lançamento os depósitos a seguir relacionados. Afastou a multa qualificada, reduzindoa ao percentual de 75% Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação, no que toca as partes que não foram acolhidas. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.732439/201136 Acórdão n.º 2202002.021 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de ofício está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da análise dos elementos afastado no recurso de ofício constatase que fundamentalmente as questão afastadas tem relação com a apreciação de provas. Segundo a autoridade recorrida: Quanto aos depósitos da Iuni Educacional Ltda e da Runa Patrimonial Ltda, ainda que não demonstre não se tratar de rendimentos tributáveis, cabe considerar que a autoridade lançadora já dispunha de indícios de prova da origem dos créditos relacionados à Iuni Educ Ltda (alienação de participação societária) e à Runa Patr Ltda (contrato de mútuo). Identificado o autor do depósito e o negócio jurídico, o fato relevante para a fiscalização deixa de ser o depósito enquanto tal, para ser o pagamento/empréstimo entre pessoas devidamente identificadas. Neste caso não se justifica tratálo de um modo especial apenas por que se deu através de movimentação financeira. Caberia agora ao Fisco demonstrar o recebimento de rendimentos tributáveis, seja pelo usufruto da renda, seja pela variação patrimonial, seja pelo ganho de capital não declarado ou outros indícios para arbitramento, se pertinentes, não mais se justificando efetuáló com base em depósitos de origem não comprovada, por não ser mais este o caso. Caberia à fiscalização verificar os documentos que lhe serviram de base, requerendo os, se fosse o caso, aos próprios depositantes, para então proceder como exigisse o cas. Deste modo agiu bem a autoridade recorrida ao afastar o lançamento no que toca a esse depósitos. Da Qualificação da Multa No que toca a multa a autoridade julgadora assim justificou a desqualificação: Quanto à qualificação da multa de ofício, pela fiscalização entender tipificada a conduta dolosa prevista no art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, observase que a súmula CARF nº 25 estabelece que “a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1966. A análise dos documentos processuais não constata a comprovação da conduta prevista no Fl. 255DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.732439/201136 Acórdão n.º 2202002.021 S2C2T2 Fl. 8 7 art. 71 que tipifica a sonegação. Daí, improcedente a qualificação da multa de ofício. Inquestionavelmente, não estando demonstrado cabalmente a existência de dolo por parte do contribuinte em relação à infração apurada, nas condições impostas pela norma legal então vigente, descabe o agravamento da multa de ofício em 150%, esta deve ser reduzida para 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996. Deste modo, nego provimento ao recurso de ofício. No que toca ao recurso voluntário, está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O recorrente com o seu recurso questiona o lançamento como um todo, trazendo de volta todas a questões pertinentes ao lançamento. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte Fl. 256DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.732439/201136 Acórdão n.º 2202002.021 S2C2T2 Fl. 9 8 poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação e que agora no recurso reitera mais uma vez. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividade empresariais, cabe ao recorrente demonstrar o que alega. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Da Ilegitimidade Passiva Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 257DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.732439/201136 Acórdão n.º 2202002.021 S2C2T2 Fl. 10 9 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 258DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720457/2010-98
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com planos de saúde, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-001.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com planos de saúde, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Sidney Ferro Barros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 04 57 /2 01 0- 98 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2009 , anocalendário 2008, em virtude de glosa de dependente por falta de comprovação da condição de universitário (Ana de Araújo Carrion, nascida em 12/08/1983), de despesas médicas por falta de identificação dos participantes do Plano de Saúde (Unimed – R$13.655,74 e AFRERGS, R$2.090,00), por beneficiar participante não comprovadamente dependente (EccoSalva, R$350,00 e Oftalmo Clínica Lavivinsky, R$400,00). Houve impugnação de parte das glosas, contestouse despesas próprias e de dependentes de R$10.776,41 e a dedução da dependente glosada pois é filha universitária. A DRJ restabeleceu a dedução de dependente e de despesas médicas com Oftalmo Clínica Lavinski e com os Planos de Saúde Unimed (R$5.083,24) e EccoSalva apenas relativamente aos valores pagos em seu favor e de sua filha, e não em benefício de sua esposa, Srª Maria Conceição A. Carrion, que declarou em separado. Também não foi acatada a dedução do valor pago à AFRERGS porque o documento reapresentado não indicado os beneficiários do plano. A ciência do acórdão foi realizada em 22/07/2011 seguida de petição protocolada em 16/08/2011 em que o contribuinte requer pedido de reconsideração por erro material, ou em caso de indeferimento, seu acolhimento como recurso voluntário, que se ampara nos seguintes argumentos, em síntese: 1. erro material ao ter sido considerado apenas um dos dois comprovantes emitidos pela Unimed, o que se refere a junho a novembro de 2008, desconsiderando as despesas de janeiro a maio de 2008, sendo R$1.853,52 do titular e R$1.194,45 do dependente; 2. a razão dos dois documentos é o fato de, no decorrer do ano de 2008, ter sido alterada a forma de pagamento À Unimed, que inicialmente eram descontados em folha de pagamento, e a partir de junho pagos diretamente a essa entidade; 3. o correto é considerar a dedução de R$8.685,96 e não R$5.637,99; e 4. na impugnação contestou R$10.776,41, e a diferença corresponde a despesas com AFPERGS de R$2.090,00, cujo documento discriminando cada usuário não teve êxito em obter; embora seja possível aferir a veracidade por regra de três, abre mão do litígio em relação a este ponto. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.720457/201098 Acórdão n.º 2802001.967 S2TE02 Fl. 108 3 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O art. 36 do Decreto 70.235/1972 é expresso em vedar o pedido de reconsideração das decisões de primeira instância, razão pela qual tomo a petição do contribuinte como recurso voluntário que é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele devese tomar conhecimento. Está em litígio exclusivamente o valor pago à Unimed. O extrato emitido pela Unimed (fls. 98) comprova que de janeiro a maio de 2008 o recorrente pagou plano de saúde em seu benefício e de sua filha Ana de Araújo Carrion nos valores de R$1.850,52 e R$1.194,45, respectivamente, o que soma R$3.044,97. Tem razão o recorrente, pois a DRJ considerou somente os valores pagos de junho a dezembro (fls. 15), que totalizaram R$5.083,24. Portanto, dou provimento ao recurso voluntário para que, além das deduções já admitidas em primeira instância, seja restabelecido o valor de R$3.044,97 a título de dedução de despesas médicas pagas à Unimed. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 109DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.720457/201098 Acórdão n.º 2802001.967 S2TE02 Fl. 109 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 18 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 111DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19515.004685/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes , Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes , Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 68 5/ 20 09 -3 8 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004685/200938 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.294 S2C3T1 Fl. 160 2 Relatório e Voto: O presente processo trata do descumprimento da obrigação acessória de apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), com informações corretas e completas. O processo que cuida da obrigação principal não foi distribuído para este Relator. Observamos que os fatos que ensejaram o presente lançamento ensejam a conexão do presente com o processo que cuida da obrigação principal pelos motivos que abaixo serão expostos. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) determina que seja feita a distribuição dos processos conexos para a mesma Câmara (art. 47, caput) e para o mesmo Relator (art. 49, § 7º). Vejamos o teor dos dispositivos: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. (...) Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. (...) § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (...) O desafio para a interpretação de tais dispositivos é estabelecer em que situações ocorre a conexão entre processos. Para enfrentálo, buscamos a disciplina existente no Processo Civil. No Código Processual temos os arts. 103 a 106 que tratam da matéria: Art.103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art.104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004685/200938 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.294 S2C3T1 Fl. 161 3 Art.105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Art.106. Correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considerase prevento aquele que despachou em primeiro lugar. O art. 103 do CPC, acima transcrito, exige, portanto, que haja objeto comum ou causa de pedir comum entre duas ou mais ações para que lhes seja reconhecida a conexidade. Tomando a lição de Cândido Rangel Dinamarco, assumimos que objeto do processo consiste no pedido formulado pelo demandante (Cf. DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. Vol. II. 2ª ed. revista e atualizada. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 184). A causa de pedir, segundo o mesmo autor, é a descrição dos fatos caracterizadores da crise jurídica lamentada( op. cit., p. 126). Em resumo, portanto, há conexão quando há um pedido comum ou os fatos narrados são comuns a dois processos. Ou, nas palavras de Cândido Rangel Dinamarco: ”ocorre conexidade quando duas ou várias demandas tiverem por objeto o mesmo bem da vida ou forem fundadas no contexto de fatos”(op. cit., p. 149) No caso do processo administrativo fiscal, as situações mais comuns de conexão advirão da identidade de fatos narrados. Em situações nas quais determinados fatos dão ensejo a lançamento para cobrança da obrigação principal e penalidade por descumprimento de obrigação acessória teremos nítida conexão. Outro exemplo comum diz respeito a fatos que estão capturados na hipótese de incidência de mais de um tributo. Caso do IRPJ e da CSLL, por exemplo. A jurisprudência deste Colegiado já acolheu em diversos julgados a existência de conexão em situações similares a essas. Vejamos: Acórdão nº 20401549 do Processo 13364000073200375 Data 27/07/2006 Ementa PIS. COMPETÊNCIA DO 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Quando lastreada, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica, a competência para julgamento do recurso do PIS conexo será do Primeiro Conselho de Contribuintes. Acórdão nº 20401655 do Processo 13603002864200370 Data 22/08/2006 Ementa NORMAS PROCESSUAIS. Havendo matéria idêntica a ser decidida em processos conexos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, a responsabilidade pelo crédito tributário sob exação, mesmo que estes últimos decorram de lançamento isolado, oriundas de mesma base fática e decorrentes de mesma verificação fiscal, a competência para análise e julgamento dos mesmos é de mesmo órgão julgador do Primeiro Conselho de Contribuintes. Recurso não conhecido. Acórdão nº 20212088 do Processo 138080049149630 Data 09/05/2000 Ementa NORMAS PROCESSUAIS CONEXÃO PROCESSUAL DECORRÊNCIA: O exame da exigência principal e da acessória, Fl. 161DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004685/200938 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.294 S2C3T1 Fl. 162 4 quando processadas em autos distintos, deve observar os efeitos da prevenção a fim de evitar decisões contraditórias em processos nitidamente conexos, cabendo à exigência acessória o mesmo destino da exigência principal, em face da inquestionável relação de causa e efeito que as entrelaça. Recurso provido. o Acórdão nº 20500720 do Processo 37284007953200410 Data 04/06/2008 Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/200. Ementa(...) AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO À NFLD. Sendo o descumprimento de obrigação acessória conexo a matéria tratada em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, deve seguir a decisão emanada para aquela. Processo Anulado Acórdão nº 10708449 do Processo 16327000591200242 Data 22/02/2006 Ementa MULTA ISOLADA Considerada não cabível a exigência do próprio Imposto de Renda Pessoa Jurídica, formalizada em processo conexo, incabível a aplicação da multa isolada, por falta de recolhimento do IRPJ, sobre base de cálculo estimada, referente ao mesmo períodobase de apuração. Recurso provido. Acórdão nº 10808585 do Processo 10680000555200435 Data 10/11/2005 Ementa IRPJ e CSL DEDUÇÕES DE OFÍCIO PIS E COFINS JUROS DE MORA Deve se admitir a dedução, das bases tributáveis do IRPJ e da CSL, dos valores do PIS e da COFINS lançados de ofício, assim como dos juros de mora sobre eles incidentes até o encerramento do período de apuração dos tributos, de forma a se adequar o lançamento de ofício ao valor que efetivamente influiu na apuração do lucro líquido. ADESÃO AO PAES Não logrando o contribuinte correlacionar os débitos informados no PAES com os valores autuados não há como se exonerar os valores pleiteados. LANÇAMENTOS CONEXOS PIS E COFINS Os efeitos do decidido no lançamento principal do IRPJ, se estendem, por decorrência aos processos conexos. Da leitura dos julgados acima podemos observar que a identidade de causa de pedir, de fatos narrados, não precisa ser completa, podendo ser parcial. Identificada as situações ensejadoras da conexidade, restanos identificar as conseqüências processuais daí advindas . Ocorrendo a conexão, o CPC determina a distribuição por dependência: Art. 253. Distribuirseão por dependência as causas de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) I quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outra já ajuizada; (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) (...) De modo similar, o RICARF, como já ressaltamos, determina a distribuição por dependência para a Câmara e para o Relator. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004685/200938 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.294 S2C3T1 Fl. 163 5 Mas deveria tal distribuição por dependência ocorrer em todos os casos? Ou haveria casos nos quais esta seria dispensável? A doutrina de Cândido Rangel Dinamarco (op. cit., p. 151) aponta a utilidade como critério suficiente para impor a reunião dos processos. Tal utilidade está presente naquelas situações nas quais as providências a tomar (reunião de processos) sejam aptas a proporcionar a harmonia de julgados ou a convicção única do julgador em relação a duas ou mais demandas. Ainda que a identidade dos fatos seja parcial, a utilidade da providência de reunião dos processos se justifica. De modo similar ao que acontece no processo civil, no processo administrativo a reunião dos processos tem por objetivo evitar a contradição de julgados e está sujeita à avaliação do julgador de sua utilidade. Ressaltamos que a utilidade não se esgota na possibilidade ou não de decisões contraditórias, mas diz respeito também ao interesse das partes. Assim, se nos autos não constam todos os elementos que permitem a compreensão da crise jurídica a ser sanada, permitindo que seja prejudicado o fisco na sua pretensão de cobrança do crédito tributário ou o contribuinte na sua ampla defesa, há utilidade na indicação de reunião dos processos. Nesses casos, diante do eminente prejuízo para uma das partes, a reunião dos processos é obrigatória, sob pena de nulidade do decisum que a desconsiderar. Situação diversa temos quando não há prejuízo possível para quaisquer das partes advindo diretamente do trâmite separado dos processos, mas subsiste a possibilidade de decisões contraditórias. Nesses casos, a reunião dos processos para julgamento simultâneo é providência que tem óbvio apelo para a segurança jurídica, na medida em que assegura que não haverá decisões contraditórias. A mesma situação contribui para a concretização da eficiência que está consagrada no art. 37 como princípio da administração pública, pois evita que as análises sejam totalmente refeitas por relatores distintos. Porém, nessa situação, caso não tenha ocorrido a reunião dos processos não haveria nulidade processual a ser declarada. No caso em análise, continuarmos com o julgamento isolado do presente poderá resultar em prejuízo para a defesa, ou para o fisco, se optássemos pela nulidade ou provimento por falta de provas nos autos, uma vez que, em geral, o processo que cuida da obrigação principal traz a totalidade dos documentos citados pela fiscalização. Como cuidamos de julgamento de penalidade por deixar apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, a identidade com o contexto dos fatos que envolvem a obrigação principal é óbvia de modo a restar evidenciada a conexão. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA de modo que sejam cumpridos os arts. 47, caput e 49, §7º do RICARF. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004685/200938 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.294 S2C3T1 Fl. 164 6 Declaração de Voto: Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. O nobre Conselheiro relator votou no sentido de converter o presente julgamento em diligência para realização de conexão, por considerar que existe conexão entre os processos, e, por essa razão, seria necessária a reunião do presente processo aos demais, no intuito de serem julgados simultaneamente. 2. No entanto, em que pese o bom arrazoado trazido pelo douto Conselheiro, peço vênia para nesse ponto divergir do seu posicionamento. Isso por que o Decreto 70.235, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em seu artigo 9º, é categórico ao determinar que “a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. 3. Além desse diploma, o recente Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2011, manteve a necessidade de que cada processo (autos de infração ou notificações) seja instruído de maneira que possa ser analisado separadamente: “Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). §1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência.” 4. Assim, tendo em vista que a norma enveredou pelo lançamento individualizado para cada tributo ou penalidade, é certo que o processo instaurado, que ocorre quando o contribuinte apresenta impugnação, deve corresponder aos fatos geradores individualizados, garantindose a ampla defesa e o contraditório na esfera administrativa. 5. Dessa sorte, muito embora a conexão no processo civil reunir duas ou mais ações para julgamento em conjunto a fim de evitar sentenças conflitantes, o efeito jurídico é a limitação do direito de defesa, como demonstrado anteriormente. 6. É certo que o cerceamento de defesa não ocorreria nos casos que o julgador verificar como necessária a conexão, como no momento em que esse se depara com fato importante para o deslinde da controvérsia presente em outro processo. 7. Porém, conforme venho me posicionando, os dados constantes nos processos devem ser suficientes para o deslinde da controvérsia, o que afasta a necessidade de apreciação conjunta com outros autos lavrados contra o mesmo sujeito passivo. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 19515.004685/200938 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301 000.294 S2C3T1 Fl. 165 7 8. Tornase necessário, ainda, que seja observado o princípio da celeridade processual trazido pelo inciso LXXVIII, do artigo 5º, da Constituição Federal, de 1998, o qual dispõe que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. 9. Logo, com base também no referido princípio, devese buscar a solução dos conflitos suscitados no processo da forma mais breve possível, evitandose as dilações indevidas, concretizando, assim, a eficiência da Administração (art. 2º da Lei 9.784/99). E, como os processos já se encontram distribuídos à relatoria de diferentes Conselheiros, a pausa em seus julgamentos para a redistribuição dos autos poderia acarretar em um atraso desnecessário. 10. Dessa forma, in casu, voto por JULGAR o presente processo, uma vez que os autos contêm as informações necessárias para o julgamento do feito, sendo despicienda a realização da diligência. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 10/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 11516.001206/2009-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
DESPESAS COM ALUGUEL. INEXIGIBILIDADE DE NOTA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO
É inexigível a apresentação de nota fiscal de pagamento de aluguel, porém fica obrigada a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento realizado.
CRÉDITO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
Numero da decisão: 3803-003.605
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar privimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DESPESAS COM ALUGUEL. INEXIGIBILIDADE DE NOTA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO É inexigível a apresentação de nota fiscal de pagamento de aluguel, porém fica obrigada a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento realizado. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
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INEXIGIBILIDADE DE NOTA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO É inexigível a apresentação de nota fiscal de pagamento de aluguel, porém fica obrigada a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento realizado. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar privimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 12 06 /2 00 9- 18 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP nº 33920.35160.310306.1.1.091871, fls. 2/10, através do qual a contribuinte requer a compensação de credito da COFINS nãoCumulativa Exportação, relativo ao 4º trimestre de 2005, com débitos de IRPJ e CSLL de abril de 2008, no valor de R$ 132.634,53. Após o recebimento do PER/DCOMP foi aberto Termo de Verificação Fiscal pela DRF em Florianópolis, fls. 21/25, através do qual solicita documentos que entende necessários para a avaliação fiscal e contábil do pedido. Com base na documentação apresentada em atendimento ao solicitado pela DRF, foi gerado o Despacho Decisório, fls. 90/99, que reconhece parcialmente o crédito no valor de R$ 118.272,38, glosando valores de aluguel pagos a pessoa física e outros valores não respaldados por notas fiscais de entrada. Irresignada a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade a DRJ em Florianópolis onde alega, em síntese, que: a. Houve equivoco na conclusão da autoridade fiscal pertinente aos alugueis pagos, haja vista que foram feitos a pessoa jurídica, conforme documentação em anexo. b. A base de cálculo de créditos para fins de compensação/ressarcimento, referemse ao contrato realizado com a empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n. 04.980.774/00187. c. Sendo assim, merecia ser revista a decisão neste particular, para reconhecer um direito creditório adicional de R$1.684,02, que somando ao valor já reconhecido de R$118.272,38, soma a quantia de R$119.956,40. d. Anexa contrato de locação e seus aditivos. A Delegacia de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Demonstrou que o valor questionado é de R$ 1.684,02, e o valor glosado de R$ 14.362,15, considerou, portanto, o valor de R$ 12.678,13 incontroverso. Fundamentou sua decisão na falta de notas fiscais que comprovassem o valor gasto com alugueis pagos a pessoa jurídica. Em analise do contrato de locação verificou que apenas após o aditivo nº 01, que a empresa citada passa a ser locadora do imóvel. Ratificou que a contribuinte foi intimada a apresentar as notas fiscais pela DRF de origem. Inconformado o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntario a esta turma julgadora onde argumenta que a exigência de notas fiscais relativas a alugueis é ilegal, pois condiciona o direito ao credito a produção de prova documental inexigível por lei. Ao final pede o deferimento da compensação postulada na origem. É o Relatório. Voto Fl. 138DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001206/200918 Acórdão n.º 3803003.605 S3TE03 Fl. 11 3 Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuinte apresentou PER/DCOMP no valor de R$ 132.634,53, que foi homologado parcialmente, tendo sido glosados R$ 14.362,15. Em Manifestação de inconformidade o sujeito passivo questiona apenas o valor de R$ 1.684,02, restando o valor de R$ 12.678,13 incontroverso. O valor glosado referese a despesas com aluguel alegadamente pagas a pessoa jurídica, com isso, firmamos o limite da demanda, exclusivamente, na glosa no valor de R$ 1.684,02. No Recurso Voluntario a contribuinte contesta tão somente a inexigibilidade de Notas Fiscais para comprovar despesas de aluguel. Em analise dos contratos verificamos que os aluguéis passaram a ser pagos a pessoa jurídica após o aditivo nº 01, e que os valores passiveis de serem ressarcidos carecem de provas, pois, a contribuinte anexa para sua defesa apenas declarações (DACON e DCTF), planilha de calculo de PIS/COFINS e contrato de locação. A inexigibilidade de Notas Fiscais de pagamentos de aluguel, não exime a contribuinte de arrolar comprovantes dos valores pagos. A obrigatoriedade de emissão de documento que comprove o pagamento de aluguel (nota fiscal, recibo ou equivalente), está fundamentada na alínea “a”, parágrafo 1o, art. 1o da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994: “Art. 1º A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens móveis, deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. 1º O disposto neste artigo também alcança: a) a locação de bens móveis e imóveis; ”Grifamos. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) No direito tributário cabe à administração fazendária o ônus da prova no ilícito tributário, entretanto, não conferiu a lei ao contribuinte o poder de se eximir de sua responsabilidade através da omissão da entrega dos elementos materiais à apreciação objetiva e subjetiva estabelecida na legislação tributária. A Contribuinte não anexou documentos suficientes a comprovar o efetivo pagamento dos aluguéis, quer seja através de recibos ou documento equivalente, com isso a liquidez e certeza do credito requerido ficou prejudicada. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10660.720424/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3201-000.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos; votando pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, em afastar as preliminares de nulidade, nos termos do voto da relatora, exceto a preliminar argüida por falta de publicação do termo de inidoneidade documental que foi negado por maioria, vencido, neste aspecto o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Constitui a exportação dos produtos industrializados pela empresa um dos pressupostos básicos para a apuração do crédito presumido. Como foi fartamente provada, em minucioso procedimento de fiscalização, a simulação de compras, industrialização e exportação e, não tendo a empresa, em nenhum momento, logrado êxito em comprovar a efetividade das operações de exportação, logo, indeferese o direito creditório decorrente do crédito presumido apurado no período. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A compensação de débitos tributários somente ocorre com créditos líquidos e certos, conforme dispõe o art. 170 do CTN. Tendo em vista, o indeferimento do direito creditório indicado, logo, não cabe a homologação das compensações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos; votando pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, em afastar as preliminares de nulidade, nos termos do voto da relatora, exceto a preliminar argüida por falta de publicação do termo de inidoneidade documental que foi negado por maioria, vencido, neste aspecto o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 04 24 /2 00 8- 30 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Em análise no presente processo a DCOMP nº 25093.69035.130204.1.3.01 7720, transmitida pela contribuinte retro identificada em 13/02/2004, por intermédio da qual se pretendeu a extinção de débitos da ordem de R$ 164.524,47 tendo por lastro crédito originário de Saldo Credor do IPI acumulado no 4º trimestre/2003, decorrente do crédito presumido apurado no trimestre, no montante de R$ 1.813.477,00, cf. fl. 07. Posteriormente, vinculadas à citada DCOMP foram transmitidas diversas outras DCOMP para utilização do saldo credor originário da DCOMP inicial, conforme a seguir discriminado: PER/DCOMP VALOR TOTAL TOTAL DÉBITO/ TIPO SITUAÇÃO DA CRÉDITO VALOR PER DECLARAÇÃO DECLARAÇÃO 25093.69035.130204.1.3.017720 1.813.477,00 164.524,47 ORIGINAL NÃO HOMOLOGAÇÃO 11290.88995.230306.1.7.014501 1.813.477,00 146.358,16 RETIFICADORA NÃO HOMOLOGAÇÃO 37363.15395.240306.1.3.016724 1.813.477,00 42.838,50 ORIGINAL NÃO HOMOLOGAÇÃO 40956.65027.270306.1.3.014300 1.813.477,00 1.135.627,04 ORIGINAL NÃO HOMOLOGAÇÃO 11436.13678.270306.1.3.015010 1.813.477,00 250.001,09 ORIGINAL NÃO HOMOLOGAÇÃO Fonte: Sief PER/DCOMP Da verificação da legitimidade e materialidade dos créditos resultou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 41/45 [acompanhado dos elementos de fls. 46/133], do qual se extrai, em síntese: [...] ...em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência nº 06.1.06.002008006420 e depois de Fiscalização – MPFF 06.1.06.002008008678, fizemos verificações fiscais na empresa acima identificada quanto à legitimidade do crédito do IPI constante da PER/DCOMP 25093.69035.130204.1.3.01 7720. Na ação fiscal verificamos... a escrituração, no Livro de Registro de Apuração do IPI referente ao 4º trimestre do anocalendário Fl. 780DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 777 3 de 2003 [fls. 131/133], dos créditos constantes nas notas fiscais que embasam o referido crédito de IPI. O referido contribuinte foi fiscalizado anteriormente pelo Auditor Fiscal Maurício Teixeira de Oliveira (DEFICSÃO PAULO) que teria concluído que as operações de exportação realizadas pelo contribuinte seriam fraudulentas. Da leitura do Termo de Verificação e Constatação Fiscal feita pelo Auditor (documento anexo) [fls. 99/128] em fiscalização realizada neste contribuinte verificase que a operação feita pelo contribuinte Pastifício Santa Amália para obtenção de crédito de IPI utilizado nesta PER DCOMP foi a mesma operação descrita no Termo de Verificação e Constatação Fiscal. Em linhas gerias, a Pastifício Santa Amália comprava soja em grãos da Centúria Agropecuária S/A Ind.Com e Agrícola. Depois ela contratava a empresa Rubi S/A Com Ind e Agricultura para realizar a industrialização destes grãos de soja, Finalmente, após esta industrialização, ela contratava a Canorp – Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro, CNPJ 77.479.442/000197 para realizar a exportação. Contudo, o que se passava realmente era que a CANORP fazia uma exportação real e, depois, com os documentos desta exportação ela modificava o nome do exportador para o nome do Pastifício Santa Amália S/A. Desta forma, geravase crédito do IPI para a Pastifício Santa Amália sem que ela tivesse de fato exportado aqueles produtos. Transcrevese a seguir parte do Termo de Verificação e Constatação Fiscal acima citado [fls. 99/128]: “Uma análise detalhada das notas fiscais de exportação, demonstra que a fraude perpetrada envolveu a substituição do nome da verdadeira fornecedora dos subprodutos de soja pelo PASTIFÍCIO SANTA AMÁLIA e a substituição da verdadeira remetente pela RUBI”. “Em tese, a operação consistiria na compra de soja em grãos, que seria remetida diretamente pelo fornecedor para empresas industrializadoras, com vistas à extração de óleo bruto degomado e farelo de soja. Após processamento os derivados de soja seriam encaminhados diretamente para empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação. Ou seja, em nenhum momento a soja supostamente comprada e processada iria transitar por estabelecimentos da fiscalizada”. “Ocorre que, através de Alfândegas e Portos, obtivemos cópias das verdadeiras notas fiscais que fizeram parte dos processos de exportação que a SANTA AMÁLIA alega terem sido de produtos por ela vendidos. Tais notas têm idêntica numeração, descrevem operações de exportações efetuadas nas mesmas datas, dos mesmos produtos, de idênticos destinos, mas de quantidades e valores diferentes. E comprovam exportações realizadas pela CANORP, de produtos adquiridos, na verdade, da COINBRA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA, CNPJ 61.080.552/000656 e nº 61.080.552/000222, da COINBRA S/A PRIMAVERA DO LESTE, CNPJ 47.067.525/010766, da BIANCHINI S/A INDÚSTRIA COMÉRCIO Fl. 781DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 E AGRICULTURA, CNPJ nº 87.548.020/002042 e da IMCOPA IMP. EXP. E IND. DE ÓLEOS LTDA, CNPJ 78.571.411/000124 (anexo II – fls. 001 a 554)”. “O Contrato de Compra e Venda de Grãos de Soja de 04 de março de 2002, celebrado entre a CENTÚRIA (VENDEDOR) e o PASTIFÍCIO SANTA AMÁLIA (COMPRADOR) estipula que o pagamento será feito com as duplicatas da venda dos produtos industrializados. Veja abaixo: CLAUSULA SEGUNDA, PARÁGRAFO ÚNICO – O OUTORGADO COMPRADOR efetuará o pagamento com as duplicatas de venda dos produtos industrializados destinados ao mercado interno u externo, as quais o OUTORGANTE VENDEDOR desde já as aceita como boas e valiosas para a devida liquidação”. “Notamos que essa clausula prepara para a grande ‘sacada’ da operação: não serão realizados pagamentos ou recebimentos referentes às compras dos grãos e às vendas dos subprodutos, o que exigiria um grande volume de recursos”. “O PASTIFÍCIO SANTA AMÁLIA nunca havia tido como uma de suas atividades a exportação de derivados de soja através de empresas comerciais exportadoras. Seu objetivo ao fazer parte das operações fraudulentas descritas foi, única e exclusivamente, ‘gerar créditos de ICMS, IPI, PIS e COFINS’ e produzir prejuízos fiscais irregulares”. Frisase que já houve glosa de créditos do IPI com base em operação de exportação com procedimentos idênticos aos analisados nesta PER/DCOMP, lavrado pelo Auditor Fiscal Ramon Reis Assunção por meio dos seus Termos de Verificação Fiscal constantes nos autos dos processos administrativos 13011.000040/200325, 13011.000425/200210 e 13011.000092/200300. Prossegue o Termo de Verificação Fiscal de fls. 41/45 discorrendo sobre AS OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO QUE ORIGINARAM OS CRÉDITOS DO IPI. Ao analisar a operação de exportação referente à nota fiscal 888050 [fls. 06 e 50] a autoridade fiscal demonstra de forma gráfica como ela ocorreu, frisando que a operação é idêntica à descrita no Termo de Verificação e Constatação Fiscal acima citado. Em suma, a operação consiste em: A Pastifício Santa Amália celebra contrato (sem número, frisese) de compra e venda de soja em grãos com a CENTÚRIA Agropecuária, do qual consta que o pagamento seria efetuado com as duplicatas de venda dos produtos industrializados. Referida soja seria remetida diretamente para a RUBI S/A, que, mediante contrato celebrado (também sem número) efetuaria a industrialização do óleo e farelo de soja, recebendo o pagamento com a utilização do benefício fiscal do IPI presumido decorrente da exportação do produto final, que seria remetido diretamente para a CANORP para exportação. A cópia dos contratos celebrados entre as empresas envolvidas encontramse anexadas às fls. 53/98 e a sua leitura demonstra que, do mesmo modo descrito no Termo de Verificação e Constatação Fiscal do Auditor Fiscal Maurício Teixeira, não haveria desembolso na operação: o pagamento seria feito por duplicatas obtidas da venda dos referidos produtos, ou seja, valores Fl. 782DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 778 5 vultosos seriam pagos com duplicatas sem qualquer desembolso pela Santa Amália. Vejamos a transcrição: “A auditada argumenta que tais notas foram quitadas através de duplicatas decorrentes das operações de exportação realizadas pela CANORP. Curiosamente, esses supostos encontro de contas de valores tão expressivos não foi lastreada em documentos. Não foram nem sequer emitidas ou transferidas as tais ‘duplicatas de venda dos produtos industrializados, destinados ao mercado interno ou externo, as quais o OUTORGANTE VENDEDOR desde já as aceita como boas e valiosas para a devida liquidação’, conforme estabelecem os contratos”. Passando para análise da operação de exportação referente às notas fiscais 921349 e 953503 [fls. 06 e51/52] a autoridade fiscal esclarece que apenas um participante é substituído: sai a CENTÚRIA como fornecedora da soja em grãos e entra a SANTA CRUZ INDUSTRIAL. A logística da operação, contudo, continua a mesma. E concluiu a autoridade fiscal encarregada da diligência: as operações de exportação que originaram os supostos créditos de IPI não existiram. Seriam exportações fictícias feitas como o objetivo de gerar crédito de IPI e outros créditos. Assim, deverão ser glosados os créditos presumidos apurados relativamente aos meses de outubro, novembro e dezembro/2003, no montante de R$ 1.813.477,00, sendo R$ 576.091,64 relativo a outubro, R$ 637.495,00 a novembro e R$ 599.890,36 a dezembro, todos de 2003. Dando continuidade à análise foi emitido pela SAORT/DRF/VAR o PARECER/DESPACHO DECISÓRIO de fls. 136/138, que, tomando por base as conclusões e a fundamentação contida no Termo de Verificação Fiscal não reconheceu o direito creditório e não homologou as DCOMPs a ele vinculadas. Cientificado da decisão e intimado a recolher o crédito tributário atinente aos débitos que emergiram em aberto após a não homologação da compensação, em 10/11/2008 [fls. 139, 140 e 145], manifestou a interessada a sua inconformidade em 20/11/2008 por meio do arrazoado de fls. 146/246, no qual, em resumo: · inicialmente fundamenta o direito ao efeito suspensivo da manifestação de inconformidade; · discorre sobre o contrato de prestação de serviços de assessoria tributária celebrado com a Lógica Administração de Serviços Ltda. para aquisição de performance de exportação visando gerar créditos fiscais; · cita os contratos de compra e venda de grãos de soja junto à CENTÚRIA (03/2002 a 10/2003) e à SANTA CRUZ INDUSTRIAL (11/2003 a 06/2004), e dá conta de que por intermédio dos mesmos ordenou a entrega das mercadorias na sede da empresa RUBI para a prestação de serviços de industrialização – consistente no Fl. 783DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 esmagamento dos grãos de soja para produção de óleo e farelo de soja – com o objetivo único de remessa para o exterior, que no caso se deu de forma indireta, por intermédio da comercial exportadora CANORP; ó resume a operação nos seguintes termos: a) No contrato de compra e venda de grãos de soja com a empresa Santa Cruz S/A, era firmado outro contrato de prestação de serviços de entrega dos produtos para a empresa RUBI S/A, para que esta promovesse a industrialização cuja responsabilidade do transporte era exclusivamente da empresa Santa Cruz. b) No contrato de industrialização de grãos de soja a empresa Rubi S/A realizaria a industrialização em continuidade ao contrato realizado pela autuada e a Santa Cruz. c) Uma vez industrializado o farelo de Soja para exportação, que se encontrava na sede da empresa RUBI/S/A, (empresa que OS industrializou), empresa exportadora Canorp, retirava estes produtos naquela sede, nos moldes do parágrafo terceiro aliena B do contrato de compra e venda de óleo degomado (até mesmo porque a Canorp ficou responsável pelo controle de peso e qualidade dos produtos antes do embarque), bem como enviava para o exterior. · conclui, quanto à operação: “Desse consectário lógico o que se extrai é que não houve participação física da autuada, de contato com os produtos (até mesmo porque os contratos assim dispunham) tanto na compra e venda da soja, na industrialização/beneficiamento, quanto na exportação da soja já industrializada”; · tece comentários acerca da impossibilidade do Estado desconsiderar o negócio realizado, por haver previsão legal para todo o procedimento, conforme planejamento elaborado pela empresa Lógica, sendo sua intenção realizar um planejamento com verdadeiro objetivo empresarial, para redução da carga tributária; · menciona que “O fato da operação acarretar um benefício fiscal para o contribuinte não pode justificar a desconsideração pela autoridade fazendária, ainda que esse tipo de contratação tenha sido realizado somente para utilização de benefício fiscal”; · procura afastar o disposto no parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, o qual prevê a possibilidade de desconsideração de atos praticados para dissimular a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; · defende não ser possível a desconsideração do negócio jurídico por ferir o princípio da legalidade tributária; · de igual modo, entende ser incabível o uso da analogia no presente caso; Fl. 784DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 779 7 · lembra a falta de regulamentação da Lei Complementar nº 104/2001, que inseriu no art. 116 do CTN a possibilidade de desconsideração dos atos jurídicos, sem a qual o dispositivo não poderá ser aplicado; · cita jurisprudências administrativas que prevêem a possibilidade de realização de planejamento tributário; · reitera a legalidade dos contratos firmados com as empresas participantes da operação à luz do Código Civil Brasileiro e ao amparo do Regulamento do ICMS do Estado de Minas Gerais; · requer a “nulidade do Auto de Infração por preterição do direito de defesa”, em virtude da “não entrega da documentação comprobatória que serviu de base para o lançamento”, referindose às notas fiscais nº 921349 e 953503 citadas pela Unidade, acrescentando, também, que “quando da entrega ao contribuinte do despacho decisório que não homologou a declaração de compensação não trouxe ao contribuinte cópia destas Notas Fiscais a que reporta seus argumentos”; · reclama da inexistência de MPF em virtude da ausência de emissão de ordem escrita pelo Delegado da Receita Federal de Varginha para autorizar o agente fiscal a promover o reexame da fiscalização. Argumenta: “O lançamento foi realizado sem a respectiva autorização da autoridade superior. Assim, não houve ordem escrita emitida por quem de direito, com o escopo de autorizar o reexame deste período já fiscalizado”; · entende que “o lançamento ora impugnado deverá ser declarado nulo em decorrência de ausência de fundamentação”, uma vez que “o evento escolhido pela fiscalização foi a cobrança do imposto em virtude da não homologação em decorrência da utilização de crédito inexistente”, não havendo fundamentação legal nessa conduta; · julga estar errada a fundamentação legal utilizada no indeferimento do pleito – Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 16 § 2º que disciplinaria situação diferente do enunciado no relatório fiscal; · argui nulidade também em virtude da “utilização da prova emprestada, uma vez que às pressas a fiscalização federal de Varginha teve que constituir seu crédito”, referindose ao fato do despacho decisório haver sido embasado em ação fiscal anterior; · novamente referese ao fato de a Unidade não haver fornecido cópia da documentação na qual fundamenta suas alegações, “quando da entrega do auto de infração ao representante da autuada”, requerendo a nulidade do ato; Fl. 785DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 · argumenta que “Alega o Fisco que não houve industrialização e, portanto glosa o custo que a empresa contabilizou. No entanto, no relatório do auto de infração, não é demonstrada quais fatos e evidências materiais que levaram a fiscalização a concluir que o processo de industrialização não teria ocorrido” · reafirma sua boafé nas operações realizadas, citando dispor de documentação idônea; · informa anexar cópias dos documentos que refletem o pagamento das notas fiscais referentes à industrialização ocorrida e prestação de serviços, demonstrando que o trânsito do numerário ocorreu efetivamente e salienta que “o próprio Estado declara expressamente que as notas fiscais referentes à industrialização e prestação de serviços foram devidamente pagas pelas recorrente”; · cita sua boafé ao confiar na autorização do crédito do ICMS pela Administração Fazendária do Estado de Minas Gerais; · relaciona as ações cautelares de exibição de documentos interpostas, com as quais pretende esclarecer dúvidas relativas à remessa e destino da soja; · ressalta manifestação do Fisco Estadual que confirmaria a realização das operações a que se refere o presente caso, anteriores à exportação; · mais uma vez pede a “nulidade do auto de infração em virtude do erro na identificação do sujeito passivo em razão da responsabilização pelo pagamento do tributo no caso de inexistência da exportação”, entendendo que, caso não tenha existido a exportação, a responsabilidade teria sido da Canorp; · aponta ilegalidade na utilização da taxa Selic como fator de atualização monetária dos tributos federais; · requer, ao final, o efeito suspensivo do recurso e a procedência de suas alegações, conforme fl. 245. · requer, ainda, que todas as intimações, publicações e notificações sejam feitas em nome da recorrente em seu endereço, sob pena de nulidade. · Ressaltese que ao longo de toda sua manifestação, a requerente reproduz fragmentos de jurisprudências administrativa e judicial, assim como alguma doutrina, que considera ampararem o seu entendimento. · Às fls. 664/669 foi anexada cópia da Representação Fiscal para Fins Penais, extraída do processo nº 10660.000557/200977, conforme fl. 669v. Em apertada síntese, é o relatório. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 780 9 O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0933601, de 18/02/2011, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Constitui a exportação dos produtos industrializados pela interessada um dos pressupostos básicos para a apuração do crédito presumido. Uma vez fartamente provada em minucioso procedimento de fiscalização a simulação de compras, industrialização e exportação e, não tendo a interessada, em nenhum momento, logrado êxito em comprovar a efetividade das operações de exportação (nem de compra dos insumos e sua industrialização), é de se indeferir o direito creditório decorrente do crédito presumido apurado no período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado cabe a não homologação das compensações, sob exame. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Na imposição de juros de mora devese aplicar a legislação que rege a matéria. É válida a exigência de juros de mora à taxa superior a 1% (um por cento) ao mês, se há previsão legal nesse sentido. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade, contando com validade e eficácia. Não cabe à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação, mas, tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” O julgamento foi no sentido de indeferir a solicitação da manifestação de inconformidade interposta pelo interessado, bem como, o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação das compensações declaradas. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado à Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. O processo foi redistribuído a esta Conselheira ad hoc para formalizar o voto. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Decorre o presente processo de Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência nº 06.1.06.002008006420 e depois de Fiscalização – MPFF 06.1.06.002008008678, pelos quais foram realizadas verificações fiscais quanto à legitimidade do crédito do IPI constante da PER/DCOMP 25093.69035.130204.1.3.017720, mediante análise da escrituração da Recorrente, no Livro de Registro de Apuração do IPI referente ao 4º trimestre do ano calendário de 2003 [fls. 131/133] e dos créditos constantes nas notas fiscais que embasam o referido crédito de IPI. Desse modo, o presente feito cuida, UNICAMENTE, da analise decorrente do não reconhecimento do direito creditório atinente ao crédito presumido apurado, escriturado e utilizado relativamente ao 4º trimestre/2003 e a consequente nãohomologação das DCOMPs ele vinculadas. Esta premissa se faz relevante, visto que a Recorrente insiste, em fase recursal, em razões que invocam uma suposta “nulidade de auto de infração”, apesar de a decisão de primeira instância já ter explicitado que “tais argumentos deverão ser objeto de análise nos respectivos autos de infração lavrados para exigência do crédito tributário decorrente do procedimento fiscal instaurado, a exemplo do processo nº 19515.005662/200862 (IRPJ)”. A recorrente alega ainda que o auto de infração é nulo, pois a fiscalização se reporta a notas fiscais cuja cópia não acompanhou a intimação que o cientificou da não homologação das compensações. Ocorre que as notas fiscais mencionadas encontramse acostadas aos autos, imediatamente depois do termo de verificação fiscal (fls. 44 a 46) do processo. Assim, não se compreende a irresignação da recorrente, a não ser que quisesse que tais documentos acompanhassem a intimação. Contudo, não existe tal exigência em lei. O art. 9º do Dec. 70.235/72 determina que o auto de infração ou notificação de lançamento seja instruído como todos os documentos necessários à comprovação do ilícito. Mas em momento algum determina que deles seja encaminhada cópia ao autuado. Em assim sendo, a efetividade do direito de defesa se concretiza com a disponibilização dos autos para que a autuada os consulte e deles faça cópia, o que efetivamente ocorreu. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 781 11 De outra sorte, no tocante à discussão passiva de conhecimento por este Colegiado, a Recorrente sustenta que “Na defesa administrativa, foi alegado que o agente era incompetente em razão da matéria e não em razão do território. Portanto, não foi julgado e analisado pela DRJ a incompetência em razão da matéria”. Em que pesem os fundamentos adotados pela Recorrente neste particular, cabe ressaltar o que dispõe a Súmula/CARF nº 08 que vincula a autoridade julgadora deste Colegiado: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Ainda, a Recorrente sustenta que “(...) para que a inidoneidade tenha efeitos para terceiros, como são os adquirentes dos produtos, o ato deve ser divulgado no Diário Oficial, conforme previsão no artigo 6º da Portaria do Ministro da Fazenda n° 187/1993, os artigos 100, inciso I e 103, inciso I do CTN, e artigo 37, caput da Constituição Federal de 1988.” requerendo a nulidade do lançamento em decorrência da falta de publicidade dos documentos considerados inidôneos. Neste caso, concordo com a decisão de primeira instância quando esclarece que: 51. A Impugnante alega que o Fisco para considerar um documento inidôneo deveria agir nos moldes do artigo 322 do RIPI e Portaria nº 187/93. 52. A PortariaMF nº 187/93 regulava o procedimento administrativo tendente a declarar a inidoneidade e ineficácia de documentos. 53. Este é um procedimento administrativo que visa agilizar o trabalho de fiscalização. Porém, não impede de forma alguma que notas fiscais que não tenham sido declaradas inidôneas ou ineficazes não possam ser desconsideradas pela fiscalização. 54. No que tange ao artigo 322 do RIPI, ele vem ao encontro do que foi mencionado; prevê o artigo: Art. 322. É considerado inidôneo, para os efeitos fiscais, fazendo prova apenas em favor do Fisco, sem prejuízo do disposto no art. 353, o documento que: I não seja o legalmente previsto para a operação; II omita indicações exigidas ou contenha declarações inexatas; III esteja preenchido de forma ilegível ou apresente emendas ou rasuras que lhe prejudiquem a clareza; ou IV não observe outros requisitos previstos neste Regulamento. 55. Como já mencionado, no presente voto, foi constatado pela fiscalização que as declarações constantes das notas fiscais de exportação eram inexatas, nos termos do inciso II do artigo 322 do RIPI. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 No que tange às demais razões aduzidas pela Recorrente, entendo que se trata de reiterações do que foi levantado quando da apresentação da peça impugnatória e, corretamente, rebatidas pela decisão de primeira instância, motivo pelo qual adoto seus fundamentos integralmente: Das Alegações de Ilegalidade e Inconstitucionalidade Esclareçase à manifestante que ao insurgirse contra as disposições legais (a exemplo daquela que determina a incidência da Taxa Selic como juros de mora) pretende que a administração tributária negue validade a normas em pleno gozo de sua vigência, sob a argüição de inconstitucionalidade e de inaplicabilidade às relações tributárias. Registrese, a propósito, que as normas legais tributárias, uma vez publicadas, revestemse da presunção de constitucionalidade e também de legalidade, devido à natureza jurídica obrigacional de caráter público que encerram. E, pela estrita subordinação ao princípio da legalidade a que se submetem as autoridades administrativas, dentre elas esta julgadora, devem tais autoridades, dentro da suas esferas de competência, tãosomente velar pelo fiel cumprimento daquelas normas. É oportuno destacar, nesse ponto, que essa julgadora deve observar as normas legais e regulamentares (art. 116, inciso III da Lei 8.112/90) bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos, em face do comando encontrado no artigo 7º da Portaria MF nº 58, de 17/03/2006, que estipula, in verbis: “O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos”. É sob a ótica das normas em vigor à época da ocorrência dos fatos, presumidamente legais e constitucionais enquanto sua validade não é afastada pelas instâncias competentes, que se procederá ao exame da presente lide. Desse modo, é inócuo, então, suscitar alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade na esfera administrativa, visto que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade, cuja competência é exclusiva do Poder Judiciário. Portanto, o posicionamento da reclamante, nesse aspecto, não será apreciado por esta julgadora administrativa, porquanto não é da sua competência manifestarse acerca da legalidade ou constitucionalidade de dispositivo que se encontra em pleno gozo de sua vigência. Nesse sentido, há, inclusive, posicionamento expresso, emanado do Parecer Normativo CST n.º 329/70 – cuja ementa dispõe: “Não cabimento da apreciação sobre inconstitucionalidade argüida na esfera administrativa. Incompetência dos agentes da administração para apreciação de ato ministerial”. Prossegue o referido Parecer Normativo: “Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites da sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Em abono de suas decisões, vale citarse Ruy Barbosa Nogueira, in “Da interpretação e da aplicação das leis tributárias” (1965, pág. 32): Fl. 790DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 782 13 ‘Devemos distinguir o exercício da administração ativa, da judicante. No exercício da administração ativa o funcionário não pode negar aplicação à lei, sob mera alegação de sua inconstitucionalidade, em primeiro lugar porque lhe não cabe a função de julgar, mas de cumprir e, em segundo, porque a sanção presidencial afastou do funcionário da administração ativa o exercício do ‘poder executivo’’. À pág. 35, citando Tito Rezende, continua: ‘É princípio assente, e com muito sólido fundamento lógico, o de que os órgãos administrativos em geral não podem negar aplicação a uma lei ou um decreto, porque lhes pareça inconstitucional. A presunção natural é que o Legislativo, ao estudar o projeto de lei, ou o Executivo, antes de baixar o decreto, tenham examinado a questão da constitucionalidade e chegado à conclusão de não haver choque com a Constituição: só o Poder Judiciário é que não está adstrito a essa presunção e pode examinar novamente aquela questão’” Também nesse sentido aponta a jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes, tendo sido, inclusive, editada a Súmula nº 2, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Registrese que referida súmula foi consolidada pelo CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no Anexo II da Portaria nº 106, de 21/12/2009, publicada no DOU, pagina 070, em 22/12/2009, nos mesmos termos. IV Suspensão da Exigibilidade dos Débitos decorrentes da Compensação Não Homologada A propósito do pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário há que se esclarecer que a mesma se dá por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade e, posteriormente, pela apresentação de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antigo Conselho de Contribuintes), contra a presente decisão (da DRJ), na forma do art. 151III do CTN. Registrese que, após a decisão denegatória incumbe à autoridade preparadora intimar o contribuinte a cumprir ou impugnar a exigência (débitos que emergiram descobertos em decorrência da não homologação das compensações declaradas). Uma vez impugnada, suspensa está a sua exigibilidade, como no presente caso. É o que dispõe os artigos 37 e 66 da IN SRF nº 900/2008, norma atual a disciplinar a restituição, ressarcimento, reembolso e compensação. Vejamos: Art. 37. O sujeito passivo será cientificado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação. § 1º Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvada a apresentação de manifestação de inconformidade prevista no art. 66. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação. § 5º A manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. Em resumo, a apresentação de “manifestação de inconformidade” contra a não homologação, segue o rito previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, acarretando, ainda, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o que se aplica ao presente caso, na forma do inciso III do artigo 151 do CTN c/c o § 11 do artigo 74 da Lei 9.430/96. Feitas as considerações preliminares, prosseguese, então, na análise do litígio instaurado1. V Da Delimitação do Litígio Esclareçase, de pronto, a inexistência, no presente processo, de qualquer lançamento de ofício realizado pelo Fisco para exigência de crédito tributário, em relação ao qual a interessada, insistentemente, invoca “nulidades”. Tratase, na verdade, da exigência dos débitos que emergiram em aberto depois da nãohomologação das DCOMPs, em face do não reconhecimento do direito creditório que lhes dava lastro. São débitos confessados na forma do §6º do art. 74 da Lei nº 9.430/962, em relação aos quais se torna desnecessária a constituição mediante lançamento de ofício para serem exigidos. Desse modo, cuidase de analisar aqui o litígio decorrente do não reconhecimento do direito creditório atinente ao crédito presumido apurado, escriturado e utilizado relativamente ao 4º trimestre/2003 e a conseqüente nãohomologação das DCOMPs ele vinculadas. Portanto, deixase de analisar no presente voto, por fugir do contexto, quaisquer alegações atreladas a “nulidade do auto de infração”, concluindose, desde já, pelo afastamento das nulidades invocadas. Ademais, tais argumentos deverão ser objeto de análise nos respectivos autos de infração lavrados para exigência do crédito tributário decorrente do procedimento fiscal instaurado, a exemplo do processo nº 19515.005662/200862 (IRPJ). Exceção se faz apenas para a alegação de erro na fundamentação legal utilizada no indeferimento do pleito – IN SRF nº 600/2005, art. 16, §2º – que no entendimento da manifestante disciplinaria situação diferente daquela enunciada no relatório fiscal. No entanto, razão não cabe à manifestante neste argumento. Ora, se do procedimento fiscal descrito no Relatório Fiscal [adotado em todos os seus termos, conclusões e fundamentação no Parecer/Despacho Decisório que indeferiu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas] resultou a constatação da 1 Decreto nº 70.235/72 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. 2 Art. 74 § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). Fl. 792DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 783 15 inexistência das operações de exportação (e as que lhe antecederam, frisese), um dos pressupostos básicos para apuração do crédito presumido do IPI, o resultado lógico é a conclusão pela ilegitimidade do crédito presumido. Assim, não há de se falar em créditos passíveis de ressarcimento (cf. previsto no §2º do art. 16 da IN SRF nº 600/2005) e, portanto, em direito creditório a ser reconhecido, e menos ainda, em homologação das compensações a ele vinculadas. Frisese que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 ao dispor sobre a compensação estabelece em seu caput que “o sujeito passivo que apurar crédito, (...) passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios (...). Logo, uma vez atestada a inexistência de crédito passível de ressarcimento, impossível se torna a compensação. Portanto, nenhum reparo a ser feito na fundamentação utilizada para o indeferimento do pleito. VI Do Mérito No presente caso, a Unidade Local da Receita Federal indeferiu o direito creditório relativo ao crédito presumido do IPI apurado no 4º trimestre/2003 e, consequentemente, não homologou as compensações declaradas a ele vinculadas, sob o argumento de que as exportações (um dos pressupostos básicos para a apuração do crédito presumido3) não existiram. Tomou por base diligência efetuada em fiscalização anterior [TVF DEFIS/SPO, fls. 99/128] que detectou a ocorrência de fraude nas exportações supostamente realizadas pela empresa por intermédio da CANORP que teriam gerado os créditos presumidos utilizados. Em sua manifestação a pleiteante reitera a legalidade da operação de exportação, decorrente de planejamento tributário elaborado por empresa contratada para esse fim e amparada em contratos de compra e venda e de prestação de serviços, defendendo que não poderia a fiscalização desconsiderar tais negócios. 3 Lei 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2o No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 Como os argumentos aqui apresentados pela interessada tratamse dos mesmos arrolados no processo nº 19515.005662/200860, relativo ao auto de infração lavrado para exigência do IRPJ dos anos calendários 2003, 2004 e 2005, e já apreciado pela 4ª Turma da DRJ/SPOI na sessão realizada em 09/04/2009, da qual resultou o Acórdão nº 1621.016, cuja conclusão foi pela procedência do lançamento efetivado calcado na simulação de compras, industrialização e exportação, transcrevese, a seguir, parte do julgado proferido pelo relator Milton Bellintani Junior, cujos argumentos e fundamentos adoto como minhas razões de decidir, em razão do fato de que a motivação das glosas dos créditos, os elementos de prova e as alegações da defesa são comuns para os períodos fiscalizados. Parte se, então, para a transcrição da ementa, do acórdão e do voto, na parte que interessa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 NULIDADE. NÃO CORRÊNCIA. Somente serão considerados nulos os atos em que estejam presentes quaisquer das circunstâncias previstas pelos incisos I e II do art. 59, do Decreto nº 70.235/1972. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é facultado ao contribuinte pleno acesso à documentação que instruiu o procedimento de fiscalização, inclusive com a possibilidade de extração de cópias. OPERAÇÕES SIMULADAS. GLOSAS DE DESPESAS. Por se tratar de simulação de compra, industrialização e exportação de produtos derivados de soja, as despesas com industrialização devem ser glosadas. Despesa incorrida com prestador de serviço de assessoria tributária, sobre operações fictícias com soja, não se caracteriza como necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, condição para ser aceita como dedutível. Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário ao final explicitado, nos termos do voto do relator. VOTO DA IMPOSSIBILIDADE DO ESTADO DESCONSIDERAR O NEGÓCIO JURÍDICO REALIZADO 17. A Impugnante faz a sua defesa no sentido de desclassificar a suposta atitude tomada pela fiscalização de desconsiderar o negócio jurídico indireto realizado, ou seja, aquele negócio feito com a finalidade de reduzir legalmente a carga tributária. Porém, não foi isto que ocorreu. A fiscalização na realidade apurou que as operações com soja não ocorreram, de fato, fisicamente, descaracterizando totalmente a intenção da Impugnante de realizar possível planejamento fiscal. Para demonstrar claramente a atitude tomada pela fiscalização, entro em detalhes do apurado durante os trabalhos da auditoria fiscal. 18. A fiscalização declara no “Termo de Verificação e Constatação Fiscal” que “a análise acurada dos documentos obtidos ao longo da ação fiscal mostra que as transações efetuadas foram, na verdade, fraudes praticadas com a finalidade de reduzir o pagamento de tributos federais, através da criação de créditos irregulares Fl. 794DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 784 17 de PIS e COFINS, de créditos também irregulares presumidos de IPI, e de geração de custos e despesas inexistentes”. 19. Diz, ainda, que de todos os atos praticados, tinha que ser ressaltado, pela sua relevância, a duplicidade de notas fiscais emitidas para comprovar as exportações. Ou seja, este fato foi um dos apurados e não foi somente em decorrência desta constatação que a fiscalização concluiu que todas as operações do planejamento fiscal, como denomina a Impugnante, ocorreram apenas documentalmente e não fisicamente. 20. A fiscalização, também, menciona os documentos relativos às diligências realizadas sobre as empresas que participavam destas operações com soja, base do “planejamento fiscal”. Estas verificações foram realizadas pelo Fisco do Estado de São Paulo, que, por serem de fundamental importância para ter uma visão do que realmente ocorria, reproduzo as principais passagens. Estes relatórios estão anexados ao processo (anexo II – fls. 001 a 105): 1.1 Empresas estabelecidas em São Paulo foram procuradas, nos últimos anos, por elementos que se apresentam como “consultores tributários”, a elas oferecendo serviços de assessoria com vistas à obtenção de expressiva redução na carga tributária por meio de créditos do ICMS, do PIS e da COFINS, e no passado de IPI, além de vantagens no IRPJ. Cuidavase daquilo que, no mercado de commodities, se denomina "performance de exportação", não obstante o fato de as empresas atraídas para o negócio atuarem em ramos de atividade econômica absolutamente estranhos ao da produção, beneficiamento e exportação da soja e seus derivados. 1.2 Três eram as operações básicas do esquema, executadas por empresas criadas e controladas pelos seus mentores: Fornecimento da soja em grãos, com destaque do ICMS, a empresas adquirentes atraídas para o esquema; Remessa da soja, por ordem e conta dos adquirentes, para empresas beneficiadoras, com vistas à extração do óleo bruto degomado e do farelo de soja. Venda dos derivados de soja a empresas atuantes no comércio exterior, para o fim específico de exportação. 1.3 Às empresas adquirentes, beneficiárias do esquema, cabia apenas o cumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação tributária e, obviamente, a quitação dos pagamentos previamente acordados. Em contrapartida, passaram a acumular elevado volume de créditos em conta gráfica, na medida em que os valores do tributo creditados ao ensejo da aquisição dos cereais acabavam sendo mantidos por força da exportação dos produtos extraídos do esmagamento da soja, gerando enormes reduções do imposto a recolher nos respectivos períodos de apuração. 1.4 Como adiante será mostrado, todas essas operações foram fictícias, não tendo ocorrido efetiva circulação de mercadorias. Daí então que não houve aquisição de soja em grãos, nem seu beneficiamento e muito menos a exportação de seus derivados. Houve apenas emissão de documentos fiscais reportando tais operações e comprovação fraudulenta de exportações. (g.m.) 1.5 – (...) Nessa época, as empresas controladas pelos mentores do processo tinham posição definida no esquema: a mesma empresa podia ser fornecedora de grãos Fl. 795DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 18 numa operação e, em outra, atuar como comercial exportadora. Era o caso da CENTÚRIA S/A INDUSTRIAL COMERCIAL E AGRÍCOLA, criada em Osasco como empresa industrial e comercial. Mas assim que estabelecida, no mesmo local, a RUBI S/A COMÉRCIO INDÚSTRIA E AGRICULTURA, a CENTÚRIA S/A, em fevereiro de 2001, já a partir de agosto desse ano, começou a experimentar um progressivo processo de esvaziamento, deslocada para pequenas salas e com pessoas interpostas em seu quadro societário, até que transferida para o Estado do Mato Grosso, em março de 2003. O fato de continuar formalmente ativa nesse Estado tornou possível a obtenção de autorização para a impressão de 43.450 documentos fiscais. Desse total são conhecidas até o momento apenas 200 notas fiscais, utilizadas em operações fraudulentas. Quase todos os impressos foram remetidos para o antigo endereço da CENTÚRIA S/A em Osasco, onde hoje funciona a RUBI S/A. 1.6. A partir de dezembro de 2003, as empresas players do esquema foram reorganizadas, passando a ocupar posições fixas no complexo operacional. Foi quando entrou em “atividade” a SANTA CRUZ INDUSTRIAL COMERCIAL AGRÍCOLA E PECUÁRIA LTDA., com matriz em Brasília (DF) e filiais em Cuiabá (MT) e São Paulo (SP). Mas foi ao estabelecimento filial de Cuiabá que se atribuiu o grosso dos fornecimentos de soja em grãos às empresas beneficiárias do esquema, em vendas fictícias que ultrapassaram a casa dos 600 milhões de reais .O primeiro documento fiscal emitido pela SANTA CRUZ descrevendo saída de soja em grãos para uma das empresas beneficiárias do esquema foi a Nota Fiscal n° 501, de 15 de dezembro de 2003, no valor de R$ 8.245.000,00. (g.m) 1.7 Detalhamento das operações: Operação fictícia de venda de soja em grãos à empresa beneficiária do esquema, em valores superfaturados, com a finalidade de transmitir créditos fraudulentos de ICMS. Suposta remessa parcelada da soja em grãos pela SANTA CRUZ com destino à RUBI S/A, para fins de beneficiamento, por conta e ordem da empresa beneficiária do esquema. Remessa simbólica da soja em grãos à RUBI S/A efetuada pela empresa beneficiária do esquema. Retomo simbólico, à empresa beneficiária do esquema, dos subprodutos da soja (óleo bruto degomado e farelo de soja), em decorrência do beneficiamento supostamente efetuado pela RUBI S/A. Venda, pela empresa beneficiária do esquema, dos subprodutos da soja à CANORP, para o fim específico de exportação, em operação não tributada pelo ICMS. Remessa parcelada à CANORP dos subprodutos da soja, efetuada pela RUBI S/A por ordem e conta da empresa beneficiária do esquema, para fins de exportação.(g.m.) (....) 2. A DUPLICAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS DE EXPORTAÇÃO 2.1 De todos os atos fraudulentos praticados pelos mentores do esquema de evasão fiscal, nenhum se compara, pelo dolo e absoluta má fé de seus autores, ao procedimento de duplicação das notas fiscais de exportação. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 785 19 2.2 Como mostrado no item anterior, a duas das empresas controladas pelo grupo havia sido atribuída a missão de "adquirir" os derivados da soja das empresas beneficiárias do esquema para o fim específico de exportação: a COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL NORTE PIONEIRO CANORP, de Japira (PR) e a AXIS COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA, de Amparo (SP). Mas como as operações anteriores de aquisição e de beneficiamento eram fictícias, não havendo, a rigor, o que exportar, os "planejadores tributários" adotaram a estratégia de simular uma operação de exportação em paralelo a uma operação real. 2.3 – As operações reais de exportação tinham por origem o farelo e o óleo bruto de soja produzidos por empresas como a ADM DO BRASIL LTDA., IMCOPA COMERCIAL E EXPORTADORA LTDA., BIANCHINI S/A INDÚSTRIA COMÉRCIO E AGRICULTURA, BUNGE ALIMENTOS S/A e COMÉRCIO E INDÚSTRIAS BRASILEIRAS COINBRA S/A. Já as operações fictícias de exportação eram atribuídas às empresas beneficiárias do esquema de evasão fiscal. 2.4 As duas operações corriam em paralelo, tendo por suporte uma única nota fiscal de exportação, que era duplicada. No corpo da via original era indicado o nome da verdadeira empresa exportadora, da qual haviam sido adquiridos os produtos objeto da operação de exportação, enquanto que na via duplicada era indicado o nome da empresa beneficiária do esquema. 2.5 Não ocorriam, por isso mesmo, duas exportações, mas apenas uma, devidamente comprovada pelo respectivo memorando, conhecimento de transporte marítimo (Bill of Lading), fatura comercial, contrato de câmbio e por todos os extratos do SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior). Só que apenas uma se concretizava e a outra era simulada. 2.12 O modus operandi empregado nas exportações atribuídas à CANORP foi ainda mais simples: os fraudadores simplesmente tiraram cópia reprográfica da nota fiscal antes do preenchimento, lançando, na via original, os dados da exportação real e, na cópia reprográfica, os dados da exportação fictícia. 3. A ENGENHARIA FINANCEIRA DO ESQUEMA 3.1 Por tudo o que se viu até este passo, dúvidas não há a respeito daquilo que realmente se procurava vender às empresas interessadas. Não se tratava, na verdade, de negócios com soja, mas de créditos do ICMS, do PIS e da COFINS. Em passado recente, entravam também em jogo créditos do IPI. O objetivo era, por isso mesmo, gerar o maior volume possível de créditos em favor das empresas beneficiárias. Daí, então, que a primeira providência consistia em "inflar" os valores de venda da soja em grãos pela SANTA CRUZ INDUSTRIAL COMERCIAL AGRÍCOLA E PECUÁRIA LTDA., para patamares muito acima dos preços correntes no mercado. Como decorrência necessária das operações de venda, a SANTA CRUZ emitia duplicatas contra as supostas adquirentes, títulos que não eram, porém, por elas quitados – e aí reside um dos aspectos mais interessantes da engenharia financeira do esquema. 3.2 Como visto, a empresa adquirente remetia simbolicamente a soja em grãos a uma das empresas beneficiadoras: RUBI S/A COMÉRCIO INDÚSTRIA E AGRICULTURA, SPERAFICO DA AMAZÔNIA S/A ou SPERAFICO AGROINDUSTRIAL LTDA. Não obstante os elevados custos de beneficiamento pagos pela empresa adquirente da soja em grãos, os derivados do produto farelo de soja e óleo bruto eram vendidos, por valores inferiores aos da aquisição da soja em grãos, às comerciais exportadoras do esquema: AXIS COMERCIAL Fl. 797DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 20 IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA e COOPERATIVA AGROPECUÁRIA NORTE PIONEIRO CANORP. 3.3 Tratavase, como se vê, de estratégia viciada por extremado artificialismo, na medida em que se atribuía a produtos industrializados valor de comercialização inferior ao dos insumos in natura. Bem comparando, seria o mesmo que a goiabada ter preço de venda menor do que as goiabas! 3.5 A engenharia financeira do esquema valeuse, neste passo, de um mecanismo de compensação, juridicamente qualificado de subrogação, pelo qual a empresa beneficiária (a SANTA AMÁLIA, no exemplo citado), foi orientada para transferir à SANTA CRUZ seu crédito junto à AXIS, por meio de endosso na duplicata que emitiu contra esta última. Operouse, deste modo, a substituição do credor sub rogante (SANTA AMÁLIA), pelo credor subrogado (SANTA CRUZ), que passou então a assumir o pólo ativo na relação obrigacional. Deste modo, o crédito da SANTA AMÁLIA junto à AXIS foi usado para “quitar” a duplicata emitida pela SANTA CRUZ contra a SANTA AMÁLIA. 3.9 Justamente nessa suposta quitação de duplicatas pela SANTA CRUZ se aninhava a farsa mais perversa do esquema de defraudação fiscal. Pois os empresários aliciados pelos "consultores tributários" (....) ficavam sabendo que não iriam precisar retirar milhões de reais do capital de giro para fazer frente à aquisição da soja em grãos. 3.10 Tudo parecia ser extremamente simples e atraente: ao invés de terem que despender, digamos, 10 milhões de reais, na aquisição de 1.451 toneladas de soja em grãos, bastaria aos felizardos empresários pagar por volta de R$ 950.000,006 para serem contemplados com um crédito correspondente a 12% de ICMS, a 7,6% de COFINS e a 1,65% de PIS, num total de R$ 2.125.000,00! E com a vantagem de poderem apropriarse imediatamente de tais créditos, sem precisarem esperar pelas exportações. Um verdadeiro negócio da China, como se vê, onde só o que conta são os créditos, e não as operações com soja. 5. EMPRESAS DO ESQUEMA ENVOLVIDAS 5.1 Além das já apontadas empresas com funções operacionais, destacamse as "consultorias tributárias", encarregadas de montar o esquema e de promover o aliciamento das empresas às quais são ofertadas as chamadas operações de "performance" de exportação. (....) 5.2 Mas outras empresas de consultoria acabaram se associando (....) e a LÓGICA ADMINISTRAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA.,; Tais consultorias atuaram, na verdade, com coadjuvantes (....) na tarefa de aliciamento das empresas para o esquema de evasão fiscal. 6. RELATÓRIOS DE DILIGÊNCIAS FISCAIS E ANÁLISE DOCUMENTAL 6.1 Em face dos limites do presente relatório, não foram narradas, em detalhes, as diligências realizadas junto às empresas montadas para operacionalizar o esquema, constantes de vários relatórios de diligências fiscais e análise documental. Estes os relatórios já concluídos: CENTÚRIA S/A INDUSTRIAL COMERCIAL E AGRÍCOLA Primeira das empresas montadas (....), que funcionou inicialmente em Osasco e acabou formalmente transferida para Rondonópolis (MT) e depois para Cuiabá (MT). As diligências provaram que a empresa jamais entrou em efetiva atividade em ambos os municípios, conquanto lograsse obter autorização para impressão de 43.450 documentos fiscais dos quais são conhecidos apenas 200, consoante já dito. Os Fl. 798DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 786 21 livros contábeis da CENTURIA S/A foram encontrados na latrina do estabelecimento filial da SANTA CRUZ INDUSTRIAL COMERCIAL AGRÍCOLA E PECUÁRIA LTDA. SANTA CRUZ INDUSTRIAL COMERCIAL E AGRÍCOLA E PECUÁRIA LTDA. – Estabelecimento de fachada, que teve inscrição estadual cassada pelo fisco do Mato Grosso, tendo sido recentemente derrubada a liminar que impedia a cassação. Foi escalada para atuar como a grande “fornecedora” de soja em grãos às empresas beneficiárias do esquema, a partir de dezembro de 2003, em operações que movimentaram, logicamente no papel, mais de 600 milhões em pouco mais de um ano. Foram fictícias todas as operações de fornecimento de soja para fora do Estado, em virtude das quais foram gerados créditos espúrios de ICMS, IPI e COFINS. Os documentos fiscais da SANTA CRUZ, embora impressos em Rondonópolis (MT), eram remetidos em branco para central de operações do esquema em São Paulo, onde eram emitidos. SPERAFICO DA AMAZÔNIA S/A – O relatório mostra evidências contundentes do caráter simulatório das operações de beneficiamento atribuídas a essa empresa. Além da completa ausência de relatórios de entrada de soja em grão, de estocagem e de moagem, não foram emitidos conhecimentos para transporte dos derivados de soja com destino ao estabelecimento da AXIS COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., em Amparo. Não foram identificados, ademais, quaisquer registros de passagem dos (supostos) veículos transportadores pelos postos de fiscalização de fronteira do Mato Grosso, tendo sido falsa a indicação das placas desses veículos. Tudo indica, porém, que os pagamentos dos serviços de beneficiamento foram efetivamente recebidos pela empresa. AXIS COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. – Empresa controlada........ (por uma consultora tributária), tinha por endereço uma fazenda de café localizada na área rural do município de Amparo (SP), onde não foi identificado qualquer vestígio de operações com soja e seus derivados. Uma vez flagrada a situação irregular da empresa, os mentores do esquema efetuaram alterações em sua estrutura societária e providenciaram a abertura de um escritório em edifício comercial daquele município, tudo no afã de conferir aparência de “legalidade” à empresa e não prejudicar a continuidade das operações fraudulentas. A AXIS funcionava, de fato, juntamente com a ....(empresa de consultoria tributária), no conjunto 21 de edifício comercial situado à av. Roque Petroni Jr., nº 999, em São Paulo, onde foram localizados e apreendidos documentos de importância crucial para a comprovação das operações fraudulentas do esquema. COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DO NORTE PIONEIRO – CANORP – Empresa de propriedade do GRUPO MANACÁ, situada em Japira (PR). Diligências promovidas no local revelaram um estabelecimento em situação de abandono, coberto por poeira. Não foram encontrados equipamentos apropriados à industrialização de soja ou de canadeaçúcar, nem estoques de soja, e muito menos tanques destinados à armazenagem de óleo de soja. Constatouse, enfim, que as operações atribuídas à CANORP eram apenas escriturais. Apenas notas fiscais em branco foram encontradas, tudo indicando que o preenchimento dos documentos igualmente se processou em São Paulo, no estabelecimento onde situada a RUBI S/A COMÉRCIO INDÚSTRIA E AGRICULTURA. RUBI S/A COMÉRCIO INDÚSTRIA E AGRICULTURA – Tratase de empresa em atividade, escalada para funcionar como esmagadora de grande parte da soja oriunda da SANTA CRUZ INDUSTRIAL COMERCIAL AGRÍCOLA E PECUÁRIA Fl. 799DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 22 LTDA. Em contato com a administração tributária do Mato Grosso, a fiscalização da Delegacia Regional Tributária de Osasco apurou serem falsos os carimbos apostos nas notas fiscais de simples remessa emitidas pela SANTA CRUZ. Além disso, não há conhecimentos de transporte nem controles de portaria de entradas de soja em grão proveniente do Mato Grosso, omissão que contrasta flagrantemente com a documentação relativa às entradas reais do produto em seu estabelecimento. E são falsas as placas da maior parte dos veículos transportadores. 21. Cabe ressaltar, também, que foi apurado pelo fisco estadual (anexo II fls. 59 a 68), através de diligências e análise de documentação, que as empresas constantes como fornecedoras de soja em grão para a SANTA CRUZ (GLOBO, MULTAGRO, SASP e SIPEL) na realidade participaram da fraude emitindo notas fiscais frias. Ou seja, não existia o produto vendido. 22. Todos estes fatos com outros apurados levaram a fiscalização a concluir que todas as operações estavam interligadas e não existiram. Logo, volto a afirmar, não estamos tratando de desconsideração de negócio jurídico indireto. 23. Correta a atitude da fiscalização de glosar os valores contabilizados como custos de industrialização da soja, pois as operações não ocorreram, e das despesas com empresa de consultoria tributária, que se configuram como não necessárias à atividade da empresa. Além da glosa dos créditos indevidamente gerados dos PIS e da COFINS com estas operações. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM VIRTUDE DA NÃO ENTREGA DA DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA QUE SERVIU DE BASE PARA O LANÇAMENTO. AGENTE INCOMPETENTE EM RAZÃO DA JURISDIÇÃO 24. No âmbito do processo administrativo fiscal as causas de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 25. Os Autos de Infração não foram lavrados por pessoa incompetente, e a hipótese do inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, que se refere ao cerceamento de defesa, não se aplica aos Autos de Infração. 26. A descrição dos fatos é clara e precisa, não deixando qualquer dúvida quanto aos fatos imputados e suas circunstâncias. A Impugnante teve acesso a todos os elementos constantes das peças de autuação, e gozou do prazo de 30 dias para apresentar sua impugnação, sendolhe proporcionado o direito à ampla defesa. 27. Quanto à alegação de que foi prejudicada na sua defesa, pelo fato da documentação somente ter ficado disponível para obtenção de cópia a 12 dias do prazo para a apresentação da Impugnação, esta não pode ser aceita, pois a grande maioria dos documentos foi fornecida pela própria Impugnante e após a impugnação foram apresentados dois “Termos de Aditamento”, porém, não sendo trazido nada de significativo que pudesse evidenciar algum dado ou fato não considerado quando da análise das cópias dos documentos obtidos antes da sua defesa. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 787 23 28. Desta forma, deve ser afastada qualquer alegação no sentido de que houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pois, volto a afirmar, o contribuinte teve acesso a todas as peças processuais citadas pela fiscalização. 29. Por fim, pelo teor da defesa apresentada notase com clareza que o impugnante teve pleno conhecimento das irregularidades apuradas pela fiscalização. 30. Quanto ao aspecto da jurisdição, que a Impugnante alega que a fiscalização não poderia ter sido realizada por agentes de São Paulo, cabe esclarecer que, mesmo que a interessada tenha o seu domicílio fiscal em Minas Gerais, ainda assim, autoridades fiscais de jurisdição diversa são competentes para a lavratura de auto de infração. 31. É importante reproduzir o artigo 9º, caput e §§ 2º e 3º, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, in verbis. Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 1º (omissis) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (grifei) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. 32. Sendo assim, concluise que a exigência do crédito tributário será válida, mesmo que seja formalizada por servidor competente de outra jurisdição. 33. A seguir, reproduzse ementa de acórdão do Câmara Superior de Recursos Fiscais neste sentido: “COMPETÊNCIA – Não é nulo o lançamento efetuado por Auditor Fiscal de Tributos Federais lotado em repartição da SRF distinta daquela a que estiver jurisdicionado o contribuinte (Ac. CSRF/01979/89 – DO 06/07/90)”. MÉRITO DA NULIDADE DA NORMA INDIVIDUAL E CONCRETA EM FACE DO ERRO DE FATO E INSUFICIÊNCIA DE PROVAS 34. A Impugnante alega que não foram demonstrados documentos da ocorrência de operações "reais" e "fictícias" e, tampouco, qualquer indicação dos critérios ou provas usadas para se distinguir quais operações eram "reais" e quais eram "fictícias". 35. As notas fiscais, reunidas no anexo I, apresentadas pela defesa para amparar toda a operação, foram consideradas “fictícias” pela fiscalização, ao passo que os documentos constantes do anexo II – (fls. 419 a 1081) obtidos junto aos órgãos Fl. 801DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 24 públicos são as “reais”. Os critérios utilizados nesta distinção foram citados em passagem anterior deste voto. 36. A Impugnante faz as seguintes indagações: que tipo de diligência teria sido efetuada com perícia técnica para determinar quais operações eram "reais" e quais eram "fictícias" e quais eram supostas? As operações de exportação não existiram ou supostamente não existiram? 37. Não foram realizadas provas periciais, pois, a autoridade fiscal tem competência para determinar quais documentos são hábeis e idôneos. A segunda resposta é que as operações de exportação não existiram, conforme já devidamente demonstrado neste voto. 38. Pergunta, ainda, a Impugnante: Quais papéis eram fictícios? Quais informações eram fictícias? Quais informações que interessavam? Quais informações fictícias que interessavam e que foram apresentadas à fiscalização? 39. Os papéis e informações fictícios encontramse em sua maioria no anexo I. As informações que “interessavam” foram as usadas pela fiscalização e no presente voto para formar a convicção sobre quais documentos eram idôneos ou não. 40. A impugnante ainda questiona: a soja supostamente processada iria transitar pelo estabelecimento da fiscalizada? A soja foi processada ou supostamente processada? A soja transitou ou não pelo estabelecimento da fiscalizada? 41. A soja não transitou pelo estabelecimento da empresa autuada nem foi processada, pois não existiu. 42. A Impugnante alega que o Fisco não demonstrou quais fatos e evidências materiais levaram a concluir que o processo de industrialização não teria ocorrido. Além disso, no relatório, não haveria qualquer menção que demonstre que os produtos não teriam tido a sua natureza modificada, ou o seu acabamento alterado, nos moldes do artigo 4° do regulamento do IPI c/c artigo 46, parágrafo único do Código Tributário Nacional. 43. No presente voto, já foram mencionadas as provas que levam à desconsideração de toda operação, inclusive do processo de industrialização. 44. Levanta as questões: quais itens dos registros de exportação teriam sido adulterados? Que tipos de “papéis” teriam sido produzidos pelos planejadores tributários? Quem seria o responsável pela averiguação das informações? Quais critérios utilizados para se concluir que as informações prestadas pelos planejadores tributários seriam falsas? Foi feita perícia para atestar a falsidade das informações? 45. Algumas das irregularidades apuradas nos registros de exportação, assim como nos “papéis” apresentados pela defesa, foram destacadas pela fiscalização no Termo de Verificação. Notese que para se provar uma irregularidade fiscal em determinado documento não há que se apontar todos os erros nele existentes: trabalhos realizados com base em amostragem são aceitos, caso contrário inviabilizaria o trabalho de fiscalização. 46. O responsável pela averiguação das informações foi a própria autoridade fiscal, os critérios adotados para a identificação dos documentos inidôneos já foram mencionados e dispensam a realização de prova técnica. 47. A Impugnante diz que o fisco adota a expressão em tese, expressão essa que gera dúvida e incerteza. Por que em tese? A operação existiu ou não existiu? Os Fl. 802DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 788 25 derivados de soja seriam ou foram encaminhados? A soja foi comprada ou supostamente comprada? A soja transitou ou teria transitado pelo estabelecimento da fiscalizada? 48. Não foi utilizada terminologia inadequada. A fiscalização utilizou o termo “em tese”, para demonstrar que a operação foi fictícia, não ocorreu. 49. Prossegue a Impugnante: o fisco diz que tomou por base as operações de janeiro de 2003 e que as operações dos outros meses podem ser consultadas nos respectivos anexos. Quais anexos? Quais numerações? Que tipo de consulta pode ser feito nos demais meses? O que ocorreram nos demais meses? Houve clonagem de notas? De dados? De itens no documento de exportação? Onde houve a eventual fraude? No documento do SISCOMEX? No documento Bill of Lading? No memorando para exportação? Quais notas foram clonadas nos outros meses? Houve emissão de notas verdadeiras e notas falsas? Quais eram as verdadeiras e quais eram as falsas? Houve perícias técnicas nos outros meses para detectar quais notas eram fictícias e quais eram verdadeiras? 50. Conforme já foi salientado, os documentos questionados encontramse nos anexos I e II e as irregularidades apuradas foram discriminadas no presente voto, bem como apontadas no auto de infração. DA DOCUMENTAÇÃO QUE DISPUNHA A AUTUADA 51. A Impugnante alega que o Fisco para considerar um documento inidôneo deveria agir nos moldes do artigo 322 do RIPI e Portaria nº 187/93. 52. A PortariaMF nº 187/93 regulava o procedimento administrativo tendente a declarar a inidoneidade e ineficácia de documentos. 53. Este é um procedimento administrativo que visa agilizar o trabalho de fiscalização. Porém, não impede de forma alguma que notas fiscais que não tenham sido declaradas inidôneas ou ineficazes não possam ser desconsideradas pela fiscalização. 54. No que tange ao artigo 322 do RIPI, ele vem ao encontro do que foi mencionado; prevê o artigo: Art. 322. É considerado inidôneo, para os efeitos fiscais, fazendo prova apenas em favor do Fisco, sem prejuízo do disposto no art. 353, o documento que: I não seja o legalmente previsto para a operação; II omita indicações exigidas ou contenha declarações inexatas; III esteja preenchido de forma ilegível ou apresente emendas ou rasuras que lhe prejudiquem a clareza; ou IV não observe outros requisitos previstos neste Regulamento. 55. Como já mencionado, no presente voto, foi constatado pela fiscalização que as declarações constantes das notas fiscais de exportação eram inexatas, nos termos do inciso II do artigo 322 do RIPI. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 26 DOS COMPROVANTES DOS PAGAMENTOS REALIZADOS DAS NOTAS FISCAIS DE INDUSTRIALIZAÇÃO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 56. A Impugnante alega que houve pagamento decorrente da prestação de serviços de performance de exportação e de industrialização de grãos de soja. 57. A fiscalização não entrou neste aspecto, pois considerou as despesas não necessárias; assim o fato de haver ou não pagamento não altera o entendimento da fiscalização. DA NULIDADE DA NORMA INDIVIDUAL E CONCRETA EM FACE DO ERRO DE DIREITO PRATICADO PELO AGENTE COMPETENTE QUANDO DO PROCESSO DE SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA 58. A Impugnante entende que a fiscalização não fundamentou de forma correta a exigência do crédito tributário: “Não estando prevista no aspecto material do antecedente normativo a atividade administrativa de cobrar o IRPJ e a CSLL sobre a glosa de despesas de industrialização e de despesas de prestação de serviços inexistentes, há flagrante infringência ao princípio da Legalidade”. 59. Cabe destacar que a autoridade classificou a irregularidade apurada como sendo “despesas não necessárias”. Esta fundamentação não está errada, pois, independente de não terem ocorrido às operações de industrialização que causaram as supostas despesas, elas são evidentemente desnecessárias a atividade da empresa na medida que estão ligadas a operações fictícias. Quanto às despesas glosadas de assessoria jurídica, mesmo que os serviços tenham sido prestados, as mesmas não sendo referentes à atividade lícita, planejamento fiscal fictício, não podem, também, ser consideradas necessárias para a atividade da empresa. 60. A fundamentação legal citada pela fiscalização guarda absoluta relação com a irregularidade apurada no mundo real, senão vejamos o que dispõe o artigo 299 do RIR/99, citado no auto de infração: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). 61. O parágrafo primeiro do artigo 299 define com clareza o que seja despesa necessária; logo, gastos que não se harmonizem com esta definição são despesas não necessárias e não devem reduzir o lucro líquido. DA DECLARAÇÃO DO FISCO MINEIRO QUE AS OPERAÇÕES ANTERIORES A EXPORTAÇÃO EXISTIAM 62. A Impugnante alega que o fisco do Estado de Minas Gerais, através da declaração da Delegada da Secretaria de Poços de Caldas, declara “imperiosamente” que todas as operações anteriores à exportação existiram. Diz ainda, que o próprio fisco federal em nenhum momento faz qualquer afirmativa de que as operações não existiram. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 789 27 63. Tais afirmativas não condizem com a realidade, pois, no caso do fisco federal está registrado no Termo de Verificação as seguintes afirmações: no item 1.7, de que “assim, desconsiderando toda a operação que foi montada e nunca existiu”; item 1.9, “do que foi apurado, constatamos que as exportações não ocorreram. Logo, tanto a receita de exportação quanto a parcela do custo referente à matéria prima (soja em grãos) também não existiu”. Além, evidentemente, da menção ao relatório das diligências realizadas pelo fisco do Estado de São Paulo que comprovaram que as operações não passavam de uma simulação, ou seja, fisicamente a soja não existiu. 64. No caso do fisco de Minas Gerais ao contrário do afirmado pela Impugnante, está mencionado no relatório que “sendo que todos os atos anteriores à exportação, tais como: compras da soja, remessa dos produtos para empresa industrializadora etc., estão sob suspeição dos Fiscos dos Estados onde teriam ocorrido tais operações”; 65. Quanto aos canhotos de notas fiscais que comprovariam a circulação física da mercadoria, já foi abordado quando da apresentação do relatório do fisco de São Paulo. Ou seja, se foi comprovado que a empresa que vendeu a soja em grãos, para a Impugnante, na realidade não a possuía, o canhoto de uma nota fiscal de venda da soja industrializada para a empresa exportadora não pode comprovar a circulação física da mercadoria. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM VIRTUDE DO ERRO NA INDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO EM VIRTUDE DA RESPONSABILIZAÇÃO PELO PAGAMENTO DO TRIBUTO EM CASO DE INEXISTÊNCIA DA EXPORTAÇÃO 66. Alega a Impugnante que nos termos do artigo 188 do RIPI, artigo 5o do Decretolei nº 1.248/72 e artigo 5o da PortariaMF nº 93/04 a responsabilidade pela não exportação e também pelo crédito tributário não recolhido recairia sobre a empresa comercial exportadora. 67. Ficou comprovado por intermédio das provas levantadas que tanto a operação de exportação de farelo e óleo de soja quanto as que lhe antecederam, industrialização e compra de grãos, não ocorreram. Logo, Não há como o impugnante tentar se eximir de responsabilidade imputandoa à empresa exportadora, pois, como ficou demonstrado todas as operações estavam interligadas e inexistiram. 68. Para cada uma das empresas participante do esquema deve ser imputada sanção na medida da supressão do recolhimento de tributos que ocasionou. No caso da Impugnante, coube o lançamento de ofício decorrente de despesa não necessária e dos valores do PIS e da COFINS indevidamente creditados. À empresa exportadora caberá a sanção legal pertinente decorrente da não exportação do farelo e óleo de soja. VII Considerações Finais Do exposto, percebese, que a interessada, em nenhum momento, juntou provas da efetividade das operações de compra da soja em grãos, industrialização e exportação do óleo e farelo de soja. Ressaltese que por intermédio do Acórdão nº 1618.163, da 6ª Turma da DRJ/SPO1, também foi mantido integralmente o lançamento do IRPJ relativamente Fl. 805DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 28 ao anocalendário 2002, fundado na mesma premissa: comprovação, pelo Fisco, da inexistência das operações com a soja (compra, industrialização e exportação). Portanto, corretas as glosas do crédito presumido do IPI efetuadas pela autoridade administrativa, oriundos da operação denominada “Performance de Exportação”. No tocante à alegação de “ausência de ordem escrita pelo Delegado da Receita Federal de Varginha para autorizar o reexame do período fiscalizado” é de se esclarecer que não se trata de reexame de período fiscalizado, mas, de verificação fiscal para apurar a legitimidade dos créditos do IPI utilizados pela empresa, procedimento fiscal esse devidamente autorizado pela expedição do MPF Diligência nº 06.1.06.002008006420, conforme consta do TVF de fls. 41/45 e do Relatório integrante do presente voto. Frisese, ainda, que a conclusão da diligência realizada tomou por base as constatações decorrentes de fiscalização anterior (realizada pela DEFIS/SP) que teria concluído que as operações de exportação realizadas pelo contribuinte seriam fraudulentas, conforme fartamente relatado pela Autoridade Fiscal encarregada da diligência. Sobre o argumento da defesa quanto às notas fiscais nº 921349 e 953503 no sentido de que “quando da entrega ao contribuinte do despacho decisório que não homologou a declaração de compensação não trouxe ao contribuinte cópia destas Notas Fiscais a que reporta seus argumentos” é de se fazer as seguintes considerações: i) referidas notas fiscais, assim como a de nº 888050 são aquelas indicadas na DCOMP 25093.69035.130204.1.3.017720 apresentada pela interessada como sendo as notas fiscais de venda para empresa comercial exportadora que subsidiaram a apuração do crédito presumido utilizado na referida DCOMP e outras apresentadas posteriormente; ii) as cópias das mesmas encontramse anexadas às fls. 50, 51 e 52 e foram apresentadas pela própria fiscalizada em atendimento ao termo de solicitação de documentos de fls. 46/47, tendo sido as mesmas retidas pela Fiscalização, cf. Termo de Retenção de Documentos de fls. 48/49; iii) portanto, tratamse de documentos em relação aos quais a fiscalizada detinha pleno conhecimento, uma vez que por ela mesma fornecida como prova da operação de exportação; iv) ainda que assim não fosse é de se registrar que é assegurado ao sujeito passivo ter vista dos autos no órgão preparador, bem como obter cópias de documentos neles contidos, faculdades essas garantidas pelo art. 3º, inciso II c/c o art. 46 da Lei nº 9.784/99 (cuja aplicação subsidiária ao processo administrativo é possibilitada pelo seu art. 69) 4. A propósito da assertiva no sentido de que estaria a interessada anexando aos autos cópias dos documentos que refletem o pagamento das notas fiscais referentes à industrialização ocorrida e prestação de serviços, de forma a demonstrar que o trânsito do numerário ocorreu efetivamente, é de se mencionar que forma anexadas à manifestação de inconformidade cópias das notas de serviços de industrialização prestados pela Rubi, mas, em nenhum momento, procurou juntar as provas da efetividade das operações. Ou seja, apesar de afirmar haver anexado documentos que comprovam os pagamentos, junta às notas fiscais da Rubi apenas algumas “notas de recebimento de material” que não fazem prova do desembolso. E ainda que fizesse tal prova, tal fato (haver ou não pagamento do suposto serviço de industrialização) não altera a conclusão da fiscalização quanto à inexistência das operações com a soja (compra, industrialização e exportação). 4 De se registrar que o direito de vistas dos autos estava previsto no parágrafo único do art. 15, cuja redação foi alterada pela Lei no 8.748/1993. Em que pese a revogação da antiga norma que tratava do assunto, o Telex BSA/COSIT/CIRCULAR/NR n° 868, de 28 de dezembro de 1993, orientou no sentido de que “não obstante a supressão, pela Lei no 8.748, de 09.12.93, da redação original do parágrafo único do art. 15 do Decreto no 70.235, continuará a ser facultada, aos sujeitos passivos, vista do processo, no órgão preparador”. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 790 29 Por fim, quanto ao requerimento acerca do endereço para intimação da requerente, dele não há de se discordar, uma vez que as intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, cujo endereço é determinado conforme as regras do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72 com as alterações dadas pelas Leis nº 9.532/97 e nº 11.196/05. VIII Da Compensação Declarada No que se refere à compensação cumpre mencionar que a lei pode autorizar a compensação de débitos tributários somente com créditos líquidos e certos, do sujeito passivo perante a Fazenda Nacional, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório cabe a homologação das compensações declaradas a ele vinculadas. IX Taxa Selic A impugnante questiona a legalidade e aplicabilidade da taxa Selic, alegando que o CTN, através do artigo 161, § 1º, só autoriza a exigência de juros de mora de 1% ao mês. A propósito do art. 161 do Código Tributário Nacional, cabe mencionar que referido dispositivo outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, estabelecendo o parágrafo 1º do referido artigo que os juros serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se não for fixada outra taxa. E a taxa SELIC tem previsão de aplicabilidade no art. 13 da Lei nº 9.065, de 19955, e no artigo 61, §3º c/c o art. 5º, §3º, da Lei nº 9.430, de 1996. “Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso , os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.” (grifei) Notese que o CTN remeteu ao legislador ordinário a possibilidade de fixar taxa de juros moratórios diferente daquela prevista no seu texto, atribuindolhe poderes para disciplinar o assunto, implicando discricionariedade completa, podendo fixar a referida taxa em nível superior ou inferior ao constante da lei complementar, desde que, naturalmente, fosse fixada em lei, no caso, lei ordinária. Assim, é que a taxa mencionada no §1º do art. 161 do CTN, vem sendo quantificada, ao longo do tempo, pela legislação ordinária, qual seja a Lei nº 9.065/95 e a Lei 9.430/96, que em seus artigos 13 e 61, respectivamente, dispõem que os juros de mora são equivalentes à taxa Selic. Uma vez que a norma legal veio dispor de forma expressa nesse sentido, não merece acolhida a alegação de inaplicabilidade da cobrança dos juros de mora com taxas superiores a 12% ao ano. 5 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 30 Acrescentese que a matéria encontrase pacificada no âmbito do Segundo Conselho de Contribuintes (atual CARF), tendo sido aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007 (publicada no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28) a Súmula Nº 3, nos seguintes termos: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. Portanto, a exigência de juros de mora equivalentes à Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia – SELIC tem amparo legal no art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, que determinou sua cobrança a partir de 1º de abril de 1995. É de se concluir, por conseqüência, que a impugnante, ao insurgirse contra a cobrança dos juros pela taxa SELIC, pretende que a Administração Tributária negue validade à norma que a estatuiu, sob a argüição de inconstitucionalidade e de inaplicabilidade às relações tributárias, cuaj competência de apreciação não é atribuída aos agentes da administração, como visto no início deste voto. Logo, os juros cobrados com base na taxa Selic têm amparo legal, uma vez que estão prescritos na legislação de regência. Dessa forma, tomando por base o artigo 13 da Lei 9.065/95 e o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, as instruções normativas que disciplinam a compensação determinam a incidência dos acréscimos legais pertinentes sobre os débitos decorrentes da compensação não homologada6. Por conseguinte, não há reparos a serem feitos quanto à sua exigência sobre os débitos decorrentes da nãohomologação da compensação. Uma vez prescritos na legislação de regência, cabe a sua aplicação nos termos em que preceituados. Complementando, ressaltese que a Pastifício Santa Amália celebra contrato de compra e venda de soja em grãos do produtor, do qual consta que o pagamento seria efetuado com as duplicatas de venda dos produtos industrializados. Referida soja seria remetida diretamente pelo vendedor (Centúria ou Santa Cruz) para a RUBI S/A, que, mediante contrato celebrado, efetuaria a industrialização de óleo e farelo de soja. O produto, industrializado, seria remetido diretamente da RUBI para a CANORP, para que fosse exportado, gerando para a autuada o benefício fiscal do IPI presumido decorrente da exportação do produto final. Enfim, a Santa Amália pagaria a compra da soja mediante o endosso das duplicatas que ela emitiria contra a comercial exportadora. Por esse endosso das duplicatas, a autuada se eximia de qualquer obrigação, restando uma relação obrigacional entre as duas empresas do mesmo grupo, que provavelmente jamais seria solvida, dada a inexistência das exportações. Observase que: 6 IN SRF Nº 460/2004 Art. 30. O tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. IN SRF nº 600/2005 Art. 30. O tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. IN RFB nº 900/2008 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 791 31 “A auditada argumenta que tais notas foram quitadas através de duplicatas decorrentes das operações de exportação realizadas pela CANORP. Curiosamente, esses supostos encontro de contas de valores tão expressivos não foi lastreada (sic) em documentos. Não foram nem sequer emitidas ou transferidas as tais ‘duplicatas de venda dos produtos industrializados, destinados ao mercado interno ou externo, as quais o OUTORGANTE VENDEDOR desde já as aceita como boas e valiosas para a devida liquidação’, conforme estabelecem os contratos”. A fiscalização argumenta que: “(...) através de Alfândegas e Portos, obtivemos cópias das verdadeiras notas fiscais que fizeram parte dos processos de exportação que a SANTA AMÁLIA alega terem sido de produtos por ela vendidos. Tais notas têm idêntica numeração, descrevem operações de exportações efetuadas nas mesmas datas, dos mesmos produtos, de idênticos destinos, mas de quantidades e valores diferentes. E comprovam exportações realizadas pela CANORP, de produtos adquiridos, na verdade, da COINBRA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA, CNPJ 61.080.552/000656 e nº 61.080.552/000222, da COINBRA S/A PRIMAVERA DO LESTE, CNPJ 47.067.525/010766, da BIANCHINI S/A INDÚSTRIA COMÉRCIO E AGRICULTURA, CNPJ nº 87.548.020/002042 e da IMCOPA IMP. EXP. E IND. DE ÓLEOS LTDA, CNPJ 78.571.411/000124” As notas fiscais usadas pela recorrente para comprovar as exportações revelam operações fictícias, evidenciadas no confronto com as notas fiscais verdadeiras, obtidas junto às alfândegas e portos. Evidenciouse tratar de outras notas, nas quais se substituíram os verdadeiros vendedores das mercadorias exportadas pelo Pastifício Santa Amália, além de outras quantidades e valores. E, por fim, a recorrente entende que, por força do art. 188 do RIPI e do artigo 9º da Lei 10833/2003, a responsabilidade pela infração seria da exportadora que deixou de realizar a operação. Eis o que dispõem os referidos dispositivos: Art. 188. A empresa comercial exportadora que, no prazo de cento e oitenta dias, contado da data de emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtora, não houver efetuado a exportação dos produtos para o exterior, fica obrigada ao pagamento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 1970; 8, de 1970; e 70, de 1991, relativamente aos produtos adquiridos e não exportados, bem assim de valor correspondente ao do crédito presumido atribuído à empresa produtoravendedora (Lei nº 9.363, de 1996, art. 2º, § 4º). Art. 9º A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela Fl. 809DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 32 vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. Duas observações devem ser feitas. A primeira, nenhuma delas fala em exclusividade da empresa comercial exportadora pelo pagamento dos tributos que deixaram de ser recolhidos. Os dispositivos falam que ela “fica obrigada” e “ficará sujeita” ao pagamento, mas em nenhum momento excluem a responsabilidade de quem efetivamente tenha incorrido no fato gerador das obrigações tributárias. Em segundo, que no caso dos autos não se trata de lançamento de tributos devidos em face da nãoexportação dos produtos, mas de pedidos de compensação de outros tributos com os créditos advindos dessas exportações. E nisso reside uma particularidade fundamental. Os débitos informados pelo contribuinte foram reconhecidos e constituídos por ele próprio, quando da apresentação da DCOMP. Pois bem, em se tratando de pedido de compensação, ao tempo em que confessa os débitos, compete ao contribuinte também demonstrar que detém o direito creditório que alega. Uma vez que está comprovado, pelas informações das alfândegas e portos, que as notas fiscais de exportação que ele usou para justificar seu crédito foram outras que não comprovam. Logo, as exportações não ocorreram, não há como se deferir o crédito. Ainda que a culpa pela inexistência das exportações fosse atribuída exclusivamente à CANORP, a fiscalização não poderia aceitar que elas aconteceram e deferir o crédito pleiteado pela autuada. E, por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito do contribuinte, incide na hipótese a Súmula n° 4 deste Conselho de Contribuintes: Súmula 3ºCC nº 4 A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. Portanto, a exigência de juros de mora equivalentes à Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia – SELIC tem amparo legal no art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, que determinou sua cobrança a partir de 1º de abril de 1995. É de se concluir, por consequência, que a recorrente, ao insurgirse contra a cobrança dos juros pela taxa SELIC, pretende que a Administração Tributária negue validade à norma que a estatuiu, sob a arguição de inconstitucionalidade e de inaplicabilidade às relações tributárias. Por todo o exposto, voto por afastar as preliminares e no mérito negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 810DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720424/200830 Acórdão n.º 3201000.942 S3C2T1 Fl. 792 33 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 4/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.906096/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESCUMPRIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. MATÉRIA. CONCOMITÂNCIA COM A VIA JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso voluntário apresentado intempestivamente não pode ser conhecido. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1.
Numero da decisão: 3803-003.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESCUMPRIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. MATÉRIA. CONCOMITÂNCIA COM A VIA JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário apresentado intempestivamente não pode ser conhecido. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESCUMPRIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. MATÉRIA. CONCOMITÂNCIA COM A VIA JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário apresentado intempestivamente não pode ser conhecido. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 60 96 /2 00 9- 11 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0427.916, da DRJ/Campo GrandeMS, de 29 de março de 2012, fls. 47/50, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação nº 10620.78925.250609.1.3.046461, por meio da qual utilizou suposto crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu despacho decisório eletrônico de não homologação da compensação, fls. 07, fundamentada no fato de o DARF discriminado no PeR/DComp ter sido integralmente utilizado para quitação de débito anterior declarado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação ora sob análise. Em manifestação de inconformidade apresentada a interessada alegou, de forma sucinta, que a DCTF deve ser reanalisada haja vista a existência do crédito devidamente indicado na referida declaração, e trouxe aos autos o que seria a prova para sustentar a sua argumentação quanto ao erro na identificação do pagamento: a DCTF retificadora, em que corrigiu o valor do débito, sendo a diferença entre o pagamento e este novo valor do débito o seu alegado crédito. Em consequência, pleiteou a suspensão dos débitos cobrados. Em julgamento da lide, a DRJ/CGE, consultou o sistema IRPJ e verificou divergência entre os valores informados na DIPJ e os valores da DCTF retificadora, constatando serem os valores constantes do sistema mais próximos dos informados na DCTF original. De outro lado, a par da divergência acima, a decisão de piso considerou a inexistência, na defesa, de qualquer prova de que efetuara recolhimento a maior ou indevido, competindo à Interessada fazêlo por meio da escrituração contábil e fiscal, bem assim observou ausentes os documentos que lhe dariam sustentação. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Modificações efetuadas na DCTF após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, desacompanhadas dos elementos de prova do erro alegado, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação, não têm o condão de tornar a DCTF original irregular. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DE DESPACHO DECISÓRIO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessados. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10183.906096/200911 Acórdão n.º 3803003.622 S3TE03 Fl. 87 3 Cientificada da decisão em 11 de abril de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 14 de maio de 2012, em que: a) informa ter manejado o mandado de segurança nº. 2008.36.00.73360, em que pleiteia a exclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS, com pedido de liminar, deferida em 10 de junho de 2008; b) amparada pela liminar, reapurou as contribuições devidas e utilizou a diferença em cada mês na compensação de débitos próprios por meio da transmissão de DComp, somente retificando os DACONs e DCTFs após despacho decisório de não homologação. É o relatório. Voto Fl. 88DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Conforme relatado a empresa foi cientificada da decisão em 11 de abril de 2012, quartafeira, irresignada, e apresentou o recurso voluntário em 14 de maio de 2012. Não há no recurso preliminar de tempestividade, nem consta a existência de feriado(s) de que resulte a extensão da contagem do prazo a permitir a sua apresentação na data do recebimento. Portanto, o recurso é intempestivo, deixando de atender a requisito para sua admissibilidade. Não bastasse o descumprimento desse requisito processual, a matéria que suscitou a reapuração do débito, da qual teria resultado crédito, o ICMS na base de cálculo da contribuição, foi levada à apreciação do Poder Judiciário, configurando a concomitância dos pedidos de tutela, não podendo vir a ser apreciada por esta Corte, conforme teor da Súmula CARF nº .1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 24 de outubro 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 89DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10183.906096/200911 Acórdão n.º 3803003.622 S3TE03 Fl. 88 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10183.906096/200911 Interessada: BIGOLIN MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.622, de 24 de outubro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 24 de outubro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 90DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11516.005718/2008-64
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RENDIMENTOS DE DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO EFETUADO.
Comprovado nos autos que os rendimentos tributáveis omitidos objeto da autuação foram auferidos por dependente que não apresentou declaração de ajuste anual do imposto de renda, correto está o lançamento.
RETIFICAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE
Não é possível a retificação da Declaração de Ajuste no bojo do processo de impugnação, após a notificação de lançamento, e sem a apresentação de provas do erro material.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RENDIMENTOS DE DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO EFETUADO. Comprovado nos autos que os rendimentos tributáveis omitidos objeto da autuação foram auferidos por dependente que não apresentou declaração de ajuste anual do imposto de renda, correto está o lançamento. RETIFICAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE Não é possível a retificação da Declaração de Ajuste no bojo do processo de impugnação, após a notificação de lançamento, e sem a apresentação de provas do erro material. Recurso Voluntário Negado.
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RENDIMENTOS DE DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO EFETUADO. Comprovado nos autos que os rendimentos tributáveis omitidos objeto da autuação foram auferidos por dependente que não apresentou declaração de ajuste anual do imposto de renda, correto está o lançamento. RETIFICAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE Não é possível a retificação da Declaração de Ajuste no bojo do processo de impugnação, após a notificação de lançamento, e sem a apresentação de provas do erro material. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 57 18 /2 00 8- 64 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11516.005718/200864 Acórdão n.º 2801002.629 S2TE01 Fl. 84 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/JNS (Fls. 51), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: DO LANÇAMENTO Tratamse de Notificações de Lançamento (NL), nas quais se exige do contribuinte as importâncias de R$ 1.712,72 e R$ 2.128,12 acrescidas de multa de ofício e juros de mora, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, referente aos anoscalendário 2005 e 2006, respectivamente, conforme fls. 08 a 15. Os fatos descritos na NL indicam que o lançamento decorre dos seguintes motivos: 1. Omissão de rendimentos tributáveis de pessoa jurídica no valor de R$ 9.436,90, auferidos da empresa Brasília Soluções Inteligentes Ltda. (CNPJ 72.609.929/0001 05), no ano calendário 2005, pela dependente de CPF 932.744.75904. 2. Omissão de rendimentos tributáveis de pessoa jurídica no valor de R$ 10.640,71, auferidos da empresa Brasília Soluções Inteligentes Ltda. (CNPJ 72.609.929/0001 05), no ano calendário 2006, pela dependente de CPF 932.744.75904. Relata a autoridade fiscal que os rendimentos omitidos foram percebidos pela esposa do contribuinte (Eliane Pereira Nascimento), sua dependente, que não declara separadamente. Consta que houve Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL), que foi deferida parcialmente, referente ao ano calendário 2006. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte tempestivamente apresentou impugnação de fls. 01 a 04. Pleiteia a exclusão do débito ao argumento de que não houve fato gerador capaz de lesar de forma substancial a União, uma vez que se deu em razão do preenchimento de forma incorreta, quando incluiu sua esposa como dependente e não se ateve que estava isenta por não ultrapassar o limite mínimo. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11516.005718/200864 Acórdão n.º 2801002.629 S2TE01 Fl. 85 3 Diz que procurou a Receita Federal para buscar esclarecimentos sobre a retificação da declaração, mas não logrou êxito e que era negado atendimento. Aduz que nos exercícios de 2005 e 2007 sempre incluíra sua esposa Eliane Pereira Nascimento como dependente, porém, só desta vez teve infração contra si lavrada. Fala que a inclusão como dependente referese ao fato de seu rendimento se enquadrar como isento, bem como ser dependente no plano de saúde. Cita que a inclusão da esposa como dependente em nada lhe beneficiaria. Narra que não é correto imputar a si culpa pelo equívoco no preenchimento da declaração, uma vez que não obteve do órgão público as devidas informações para retificála corretamente. Por fim requer o cancelamento das notificações de lançamento bem com o a multa imposta. Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/JNS entendeu por julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou sem ementa de acordo com a Portaria SRF n° 1.364, de 10 de novembro de 2004. Cientificado em 28/07/2011 (Fls. 60), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 23/08/2011 (fls. 61 a 66); reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Alega o recorrente que não teve intenção de lesar o fisco, e que cometeu um erro ao preencher as declarações, colocando sua esposa como dependente. Deste modo, não houve qualquer contestação quando ao efetivo recebimento dos valores pela dependente do Recorrente. Ocorre que podemos observar que nas DIRPF’S do recorrente, além de constar sua esposa como dependente, houve a dedução relativa a esta dependente. Deste modo, podemos concluir que não houve um simples erro de preenchimento. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11516.005718/200864 Acórdão n.º 2801002.629 S2TE01 Fl. 86 4 Ademais, se o contribuinte optou por declaração mais onerosa, seja por desconhecer o fato de que seria mais econômico não incluir sua dependente nas declarações, ou por qualquer outro motivo, é dever manter tal declaração; posto que o contribuinte tem a sua disposição ampla gama de informações sobre as formas de declarações, e todas as leis são publicadas em Diário Oficial para conhecimento público obrigatório. É de se concluir que, comprovado que a dependente do recorrente auferiu rendimentos nos anos base 2005 e 2006, e que tais rendimentos não foram ofertados para a tributação pelo recorrente, ou por sua dependente em declaração própria, correto está o lançamento. Quanto ao pedido de ser oportunizada retificação de declaração, é de se esclarecer que a retificação, nos termos do Código Tributário Nacional, por iniciativa do próprio declarante, só pode ser realizada antes da notificação de lançamento, e mediante a comprovação de erro; in verbis: Art. 147 do CTN §1 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Ademais não há prova nos autos do erro de informação nas declarações de ajuste do recorrente. No mais, falece competência para este Conselheiro retificar as Declarações de Ajuste do IRPF do recorrente. Assim, não há como acatar o pedido do recorrente de retificação das declarações dos anos base de 2005 e 2006. Ante tudo acima exposto e tudo mais que constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 86DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11516.005718/200864 Acórdão n.º 2801002.629 S2TE01 Fl. 87 5 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 25/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002707/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.263
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Relatório
Trata-se de auto de infração lavrado em 23/11/2009, para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/12/2005 a 31/08/2008.
A Recorrente interpôs impugnação (fls. 158/191) requerendo a total improcedência do lançamento.
Analisando o inteiro teor dos autos, verifica-se que não consta a decisão proferida pela d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS.
A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 169/221) argumentando que: (i) é uma situação de terceirização das atividades da empresa; (ii) não há formação de um grupo econômico; (iii) não foi adequadamente provada a situação levantada na presente autuação; (iv) o ônus da prova é do fisco; (v) o lançamento foi realizado com base em indícios; (vi) a Recorrente não deve ser responsabilizada pelas multas de outras empresas; (vii) a multa prevista no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91 está revogada, devendo ser excluída na presente autuação em razão da retroatividade benigna; (viii) uma eventual co-responsabilidade está adstrita aos termos da lei, restringindo-se apenas às contribuições e não às penalidades, bem como a sua atualização monetária; (ix) é necessária a produção de prova pericial.
É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes - Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Relatório Trata-se de auto de infração lavrado em 23/11/2009, para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/12/2005 a 31/08/2008. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 158/191) requerendo a total improcedência do lançamento. Analisando o inteiro teor dos autos, verifica-se que não consta a decisão proferida pela d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 169/221) argumentando que: (i) é uma situação de terceirização das atividades da empresa; (ii) não há formação de um grupo econômico; (iii) não foi adequadamente provada a situação levantada na presente autuação; (iv) o ônus da prova é do fisco; (v) o lançamento foi realizado com base em indícios; (vi) a Recorrente não deve ser responsabilizada pelas multas de outras empresas; (vii) a multa prevista no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91 está revogada, devendo ser excluída na presente autuação em razão da retroatividade benigna; (viii) uma eventual co-responsabilidade está adstrita aos termos da lei, restringindo-se apenas às contribuições e não às penalidades, bem como a sua atualização monetária; (ix) é necessária a produção de prova pericial. É o relatório.
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Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 02 70 7/ 20 09 -6 9 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11065.002707/200969 Resolução nº 2402000.263 S2C4T2 Fl. 225 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 23/11/2009, para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/12/2005 a 31/08/2008. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 158/191) requerendo a total improcedência do lançamento. Analisando o inteiro teor dos autos, verificase que não consta a decisão proferida pela d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – RS. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 169/221) argumentando que: (i) é uma situação de terceirização das atividades da empresa; (ii) não há formação de um grupo econômico; (iii) não foi adequadamente provada a situação levantada na presente autuação; (iv) o ônus da prova é do fisco; (v) o lançamento foi realizado com base em indícios; (vi) a Recorrente não deve ser responsabilizada pelas multas de outras empresas; (vii) a multa prevista no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91 está revogada, devendo ser excluída na presente autuação em razão da retroatividade benigna; (viii) uma eventual coresponsabilidade está adstrita aos termos da lei, restringindose apenas às contribuições e não às penalidades, bem como a sua atualização monetária; (ix) é necessária a produção de prova pericial. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11065.002707/200969 Resolução nº 2402000.263 S2C4T2 Fl. 226 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Ao analisar o recurso interposto pela Recorrente, constatase que há óbices para o seu adequado conhecimento. Após uma análise do inteiro teor da presente autuação, verificase que não consta anexa aos autos a decisão proferida pela d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – RS, impossibilitando, por ora, o conhecimento do recurso voluntário interposto. Ademais, em contato com a secretaria no âmbito deste Conselho, também não foi possível localizar uma cópia da decisão da DRJ. Neste contexto, é necessário o envio destes à Delegacia de origem para que seja anexada uma cópia da decisão proferida quando do julgamento da impugnação apresentada pela Recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que as providências solicitadas acima sejam realizadas. Intimese a Recorrente para que se manifeste sobre esta decisão no prazo de 30 dias. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 226DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10469.903943/2009-99
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
Ementa:
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Ementa: IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 39 43 /2 00 9- 99 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.19) que a seguir transcrevo: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação —DCOMP de fls. 11/15, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ código 2089 com débitos de sua responsabilidade. 0 crédito informado, no valor de R$ 4.242,70 seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado no 3° trimestre do anocalendário 2000. Através do despacho de fl. 01, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal em Natal — DRF/Natal identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 03/07),fazendo, em síntese, as seguintes alegações: que o crédito é fruto da redução da base de cálculo do 1RPJ para sociedades que desenvolvem atividades hospitalares de 32% para 8%, descreve sobre a matéria is fls. 04/06; não procedeu a retificação da DCTF por ocasião da compensação pleiteada, para deixar patente que seu pagamento foi a maior, porque já havia transcorrido o tempo hábil para retificação, o sistema da Receita Federal não aceita retificação "após cinco anos da data prevista"; o crédito subsiste porque o descumprimento de obrigação acessória, não interfere na principal; requer a procedência da manifestação de inconformidade, homologação das compensações e a retificação de oficio das DCTFs com base no art. 149, inciso II do CTN, transcrito à fl. 05. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/PE) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1135.360, de 31 de outubro de 2011 (fls.18/21), cientificado ao interessado em 27/01/2012. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.18): Fl. 47DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903943/200999 Acórdão n.º 1802001.440 S1TE02 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 10/02/2012. Eis a defesa da Recorrente: ... O presente Recurso tem por escopo sanar defeito correspondente a uma formalidade do procedimento das compensações, não se pretendendo, pois, discutir o mérito dos crédito tributários respectivos. Não há que se falar em inexistência dos créditos, isto pelo fato de que os tributos pagos forma a maior resultado de recolhimento do 1o. Trimestre do ano calendário 2000, ao qual a empresa tem créditos e, por via de conseqüência, poderia utilizá los para posteriores compensações. Entretanto, efetuados os pagamentos, a contribuinte, não oferecera retificação da DCTF para restar patente o pagamento a maior, o que aparentemente demonstraria que não haveria crédito para a citada compensação. Quando a recorrente realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar as DCTFs e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista. Nesse contexto, a obrigação de apresentar a DCTF é uma obrigação tributária acessória que, ainda quando descumprida, não interfere na obrigação principal, ou seja, ainda que não se tenha procedido às retificações, o crédito subsiste. Observase que as compensações não foram homologadas somente em virtude do mero descumprimento de obrigação Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 acessória, havendo crédito suficiente para legitimar as compensações. IIIDO PEDIDO: À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, fundada na lavratura do auto de infração, espera e requer a Recorrente que seja acolhido o presente Recurso Administrativo, homologandose as compensações administrativas realizadas e cancelando os débitos ora determinados. Para tanto, requer à Receita Federal que retifique as DCTFs de ofício, em conformidade com o art. 149, II, do CTN, que prevê o lançamento de ofício pela autoridade administrativa quando "a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária". Finalmente, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 26476.77721.140305.1.3.046798 (fls.11/15), transmitido em 14/03/2005, em que a contribuinte pretende compensar débitos de PIS – R$ 381,19 código 8109, e Cofins: R$ 1.759,39, código 2172, relativos a janeiro/2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089; Período de Apuração: 30/09/2000; Vencimento: 31/10/2000, Valor: R$ 5.871,81). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.01, emitido em 25/05/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 02/07/2009(fls.03/07), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 1135.360, de 31 de outubro de 2011 (fls.18/21), mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903943/200999 Acórdão n.º 1802001.440 S1TE02 Fl. 4 5 A Recorrente diz que não pretende discutir o mérito do crédito tributário e que, não há falar em inexistência do crédito, pelo fato de que o tributo pago a maior foi resultado de recolhimento do 1o. Trimestre do ano calendário 2000, ao qual a empresa tem créditos e, por via de conseqüência, poderia utilizálos para posteriores compensações. A defesa não pode prosperar, pois, como explicado acima, nos presentes autos se discute a compensação de débitos de PIS e Cofins, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089; Período de Apuração: 30/09/2000; Vencimento: 31/10/2000, Valor: R$ 5.871,81). Verificase que a Recorrente se reporta a crédito relativo ao 1º trimestre de 2000, portanto, distinto do constante no PER/DCOMP em comento relativo ao 3º trimestre/2000, o que por si só já desqualifica o objeto do Recurso. Sobre o pagamento a maior, a Recorrente aduz que efetuados os pagamentos, a contribuinte, não oferecera retificação da DCTF para restar patente o pagamento a maior, o que aparentemente demonstraria que não haveria crédito para a citada compensação.E, quando a recorrente realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar as DCTFs e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista. Ainda que se admita como equívoco da Recorrente ao se reportar ao 1º trimestre e não ao 3º trimestre de 2000, depreendese de suas alegações que, a contribuinte pretende que o indébito se exteriorize tão somente com os dados declarados na DCTF comparados com o PER/DCOMP. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do IRPJ, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ R$ 4.242,70, adotando a via do PER/DCOMP no qual pretende utilizar crédito de IRPJ relativo ao 3º trimestre do ano calendário de 2000. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em transmitido em 14/03/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 25/05/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 02/07/2009 (fls.03/07). Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 05 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. No tocante à revisão de ofício da DCTF, aventada pela interessada, como bem ressaltado na decisão recorrida, não se aplica ao caso a determinação do inciso II do art. 149 do Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que não se discute no presente processo lançamento de ofício de crédito tributário decorrente de lavratura do auto de infração como aduzido pela Recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903943/200999 Acórdão n.º 1802001.440 S1TE02 Fl. 5 7 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 11/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10166.911616/2009-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2006
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Fez sustentação oral o Dr. Rodrigo Leporace Farret, OAB/DF n. 13.841.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
EDITADO EM: 08/10/2012
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2006 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Rodrigo Leporace Farret, OAB/DF n. 13.841. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator EDITADO EM: 08/10/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2006 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Rodrigo Leporace Farret, OAB/DF n. 13.841. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 08/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 16 16 /2 00 9- 15 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Brasília (fls. 48/50), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formulada pela interessada contra a não homologação do pedido de compensação que deu ensejo ao presente processo, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 Compensação Pagamento indevido Pis A compensação de débitos tributários somente poderá ser autorizada pela autoridade fiscal competente com crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Retificação de DCTF Só é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal. Logo, a retificação de DCTF, por si só, não é prova suficiente para provar a liquidez e certeza do crédito utilizado no Per/Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo a recorrente, houve erro no preenchimento da DCTF do mês de dezembro de 2006, já que o valor devido do PIS no período seria de R$ 127.478,76, tendo sido declarado, no entanto, a quantia de R$ 140.534,34. Assim, nos termos da retificação da DCTF correspondente, formalizada em 27/10/2009, o crédito em favor da interessada seria de R$ 13.055,58, acrescido de correção monetária pela taxa SELIC (ver manifestação de inconformidade às fls. 01/03). A manifestação de inconformidade foi instruída com os seguintes documentos: a) extrato de comprovante de arrecadação obtido no sítio da Receita Federal inerente a recolhimento no valor de R$ 140.534,34, a título do código de receita 6912 – PIS nãocumulativo (fls. 04); b) extrato de comprovante de arrecadação obtido no sítio da Receita Federal correspondente a recolhimento no valor de R$ 11.067,14, a título do código de receita 8109 – PIS – Faturamento (fls. 05); c) cópia da DCTF retificadora, apresentada em 27/10/2009 (fls. 06/08); e, d) cópia do PER/DCOMP, formalizado em 08/03/2007 (fls. 09/14). Cientificada do indeferimento de seu pleito em 12/07/2011 (conf. AR anexado ao processo eletrônico), a interessada apresentou, em 11/08/2011, recurso voluntário onde alega: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10166.911616/200915 Acórdão n.º 3802001.278 S3TE02 Fl. 145 3 a) preliminarmente, a nulidade do despacho decisório, posto que proferido por auditor fiscal que não exercia a função de Delegado da Receita Federal do Brasil da Delegacia de Administração Tributária, em aduzida afronta ao artigo 283, inciso III, da Portaria MF no 125/09 (Regimento Interno da RFB); b) que comprovara o direito creditório alegado, apresentando ainda, nesta instância recursal, livro razão, planilhas demonstrativas do saldo a pagar e do PIS recolhido no período, e Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON; c) que a decisão recorrida afronta o princípio da formalidade moderada, pois a autoridade julgadora, previamente ao julgamento, deveria ter exaurido as formas de verificação da procedência do pleito, na busca da verdade material. Diante do exposto, pede seja provido integralmente seu recurso e homologada a compensação pleiteada, ou, alternativamente, seja o processo baixado em diligência para que sejam verificados os elementos adicionais da escrituração contábil da empresa, os quais, segundo alega, comprovariam a liquidez e a certeza do crédito alegado. É o relatório. Voto Das preliminares Admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. Da inexistência de nulidade do despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada pela recorrente A interessada, em sede de preliminar, arguiu a nulidade do despacho decisório, posto que supostamente proferido por auditor fiscal que não exercia a função de Delegado da Receita Federal do Brasil de Delegacia de Administração Tributária, em suposta afronta ao artigo 283, inciso III, da Portaria MF no 125/09 (Regimento Interno da RFB). De fato, segundo o citado dispositivo, é competência do titular da DERAT, dentre outras atribuições, decidir sobre pedidos de restituição e de compensação. Contudo, a Receita Federal do Brasil possui apenas duas unidades de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária, sediadas nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo (conforme Anexo IV da mesma Portaria MF no 125/09). A reclamante, contudo, é jurisdicionada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília. Nessas unidades, a competência para decidir sobre pleitos de restituição e de compensação é do Delegado da respectiva DRF, nos termos do artigo 285, inciso II, do mesmo Regimento. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Com efeito, o despacho decisório que indeferiu a compensação pleiteada pela recorrente veio assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil JOEL MIYAZAKI, matrícula 65.415, na condição de “TITULAR DA UNIDADE DE JURISDIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO” (ver fls. 15), condição que atualmente exerce, conforme consulta ao sítio da Receita Federal1. Ademais, em rápida pesquisa realizada na internet, vêse que referido servidor público é responsável pela edição de inúmeros atos administrativos (portarias, atos declaratórios) na condição de titular da DRF Brasília, a qual, como dito, jurisdiciona a interessada. Vale lembrar ainda que a administração dos tributos federais, a cargo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, envolve inúmeras atividades muitas das quais são exercidas, em caráter privativo, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB, podendose citar, inclusive, a proferição de decisões em processos de restituição ou de compensação tributária, nos termos do artigo 6º, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 10.593, de 06/12/2002, com a redação dada pelo artigo 9º da Lei nº 11.457, de 16/03/2007, abaixo reproduzido: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: [...] b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; Pelas razões acima expostas, vêse que é completamente insubsistente a argüição de nulidade trazida pela recorrente, motivo pelo qual rejeitase argumento nesse sentido. Do mérito Em exame das peças que instruem os autos, observase no recibo de entrega da DACON de dezembro de 2006 (transmitida em 30/01/2007) que o PIS devido no período, segundo o regime nãocumulativo, corresponde a R$ 127.478,77, ou seja, mesmo valor apresentado na DCTF retificadora (ver página 34 do arquivo 9445518, anexado ao processo eletrônico, e fls. 06/08 dos autos). Chegase a esse valor a partir das informações consignadas nas páginas 5 e 9 da referida DACON (págs. 39 e 43 do arquivo mencionado), conforme demonstrativo abaixo: Receita de vendas de bens e serviços – alíquota de 1,65% R$ 9.396.701,01 Demais receitas – alíquota de 1,65% R$ 166.108,59 Base de cálculo total do PIS nãocumulativo R$ 9.562.809,60 Contribuição calculada (alíquota 1,65%) R$ 157.786,36 Créditos descontados referentes a aquisições no R$ 30.307,59 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/scripts/srf/enderecos/endereco.asp?unidade=1000002 (acesso em 04/07/2012, às 10:00) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10166.911616/200915 Acórdão n.º 3802001.278 S3TE02 Fl. 146 5 mercado interno Contribuição devida no mês R$ 127.478,77 Considerando as planilhas das págs. 51 e 66 do arquivo 9445518 (anexado ao processo eletrônico), vêse que a base de cálculo do PIS nãocumulativo (de dezembro/2006) é de R$ 7.725.985,82, montante o qual foi obtido da seguinte forma: Receitas sujeitas ao PIS nãocumulativo (taxa de administração nãocumulativa contratos a partir de 11/2003) R$ 9.396.701,01 () Exclusões/deduções (despesas nãocumulativas dedutíveis) R$ 1.836.823,78 (+) Outras receitas operacionais R$ 166.108,59 (=) Base de cálculo do PIS nãocumulativo R$ 7.725.985,82 Alíquota (1,65%) 1,65% PIS nãocumulativo devido R$ 127.478,77 O excedente de R$ 13.055,58, crédito alegado pela reclamante, e correspondente à diferença entre o valor pago (R$ 140.534,34) e a quantia devida (R$ 127.478,76), está lançado no Livro Razão (ver pág. 67 do arquivo 9445518 – anexado ao processo eletrônico). Contudo, não há nos autos documentação capaz de alicerçar o cálculo da contribuição a partir dos valores declarados no DACON. De fato, os documentos anexados pela interessada, além dos comprovantes de pagamento da contribuição, se restringem às declarações DCTF e DACON e a planilhas com demonstrativos de cálculo (há, ainda, planilhas e cópias do Livro Razão correspondentes à apuração da COFINS no anobase de 2009). A recorrente, todavia, não juntou ao processo nenhuma documentação contábil ou fiscal capaz confirmar os dados apostos nas declarações e nos demonstrativos apresentados. Como ressaltado, apresentou unicamente o Livro Razão com o registro do crédito alegado, livro de natureza auxiliar e dispensado de maiores formalidades, que deveria vir acompanhado do necessário alicerce, como, por exemplo, os lançamentos correspondentes no Livro Diário relacionados à base de cálculo da contribuição (receitas e deduções). O motivo do indeferimento da manifestação de inconformidade pela instância recorrida foi, justamente, a não comprovação da liquidez e certeza do crédito destinado a compensação na DCOMP. Sobre a questão, consta explicitamente do voto condutor da decisão de primeira instância que “[...] a manifestante deveria ter trazido aos autos a sua escrituração contábil e fiscal mantida com observância às disposições legais, acompanhada por documentos hábeis, conforme previsto no art. 923 do RIR/99 [...]”. Ressaltou ainda o i. relator o seguinte: Como a manifestante não apresentou nos autos seus registros contábeis e fiscais acompanhados de documentação hábeis não há como reconhecer o crédito reclamado e, em conseqüência, homologar a declaração de compensação. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 A interessada, portanto, ficou integralmente ciente das razões que levaram ao indeferimento de seu pedido e comparece agora, novamente, sem apresentar a prova do crédito alegado, cujo ônus é da própria recorrente. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito, não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Finalmente, considerando que a interessada foi devidamente esclarecida das razões do indeferimento de seu pleito – a não comprovação da liquidez e certeza do crédito pela não apresentação de documentação contábil e fiscal suficientes para tanto – é que, entendo, não é o presente hipótese que exija devesse ser o processo baixado em diligência. De fato, a Lei no 9.784/99, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, em seu artigo 3º, inciso III, ao admitir a juntada de documentos e a formulação de alegações pelo interessado, desde que antes da decisão, acompanhou a inclinação doutrinária e jurisprudencial moderna de se abrandar os rigores das regras preclusivas prescritas no Direito Administrativo, e isso diante do princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, mais participativo e mais orientado a um escopo social. Tal viés, porém, deve ser conduzido de forma a conciliar, com razoabilidade, os valores e os princípios que norteiam o processo administrativo, procurando harmonizar a verdade material com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas. Com o foco em tais objetivos é que a Lei prevê a recusa de documentos que se enquadrem como provas “ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias”, a teor do disposto no artigo 38, § 2o, da Lei no 9.784/99. No caso presente, contudo, como já afirmado, foi oportunizado à reclamante a apresentação dos documentos necessários à comprovação do alegado direito. Esta, mesmo ciente das razões do indeferimento do pleito na primeira instância, recorre da correspondente decisão sem contudo demonstrar o alegado crédito tributário, encargo de seu interesse, cujo ônus comprobatório não pode ser repassado para o Fisco. Da Conclusão Por todo o exposto, voto, preliminarmente, para não acolher o argumento em prol da nulidade do despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 25 de setembro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10166.911616/200915 Acórdão n.º 3802001.278 S3TE02 Fl. 147 7 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
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