Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,218)
- Segunda Câmara (27,798)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,357)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,838)
- Primeira Turma Ordinária (15,815)
- Primeira Turma Ordinária (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (15,681)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,951)
- Primeira Turma Ordinária (12,270)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,297)
- Quarta Câmara (83,859)
- Terceira Câmara (66,190)
- Segunda Câmara (54,484)
- Primeira Câmara (19,047)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,972)
- Segunda Seção de Julgamen (112,889)
- Primeira Seção de Julgame (75,297)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,908)
- Câmara Superior de Recurs (37,678)
- Terceiro Conselho de Cont (25,959)
- IPI- processos NT - ressa (5,005)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,651)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,618)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,208)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,889)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,591)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,913)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,118)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10880.683949/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.683947/2009-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente).
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.683949/2009-73
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5946076
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-000.602
nome_arquivo_s : Decisao_10880683949200973.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10880683949200973_5946076.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.683947/2009-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente). Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7561992
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418099712000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1699; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.683949/200973 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.602 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de novembro de 2018 Assunto CSLL Recorrente AVAYA BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.683947/200984, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente). Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado). Relatório. Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão daTurma da DRJ/SPO, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, dada a impossibilidade de retificação de ofício de inexatidão material verificada no preenchimento da Per/Decomp, desde que esteja pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 83 94 9/ 20 09 -7 3 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.683949/200973 Resolução nº 1401000.602 S1C4T1 Fl. 3 2 A interessada apresentou Declaração de Compensação (Dcomp), visando compensar crédito supostamente decorrente de pagamento efetuado a maior a título de CSLL, com débitos de IRPJ apurados dentro do mesmo ano calendário. O Despacho Decisório não homologou a referida compensação, sob fundamento de que o crédito pleiteado pela Recorrente, por se tratar de estimativa de CSLL, não poderia ter sido utilizado na compensação tributária. O crédito compensado referese a um pagamento de CSLL, o qual foi considerado indisponível pela DERAT/SP por tratarse o crédito de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução de IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário repisando o argumento quanto a erro de fato no preenchimento de sua DIPJ e uma vez demonstrada a inexistência de vedação legal (Lei n. 9.430/96) para a compensação de crédito oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, forçoso concluir que a Recorrente teria direito ao crédito integral objeto da DCOMP em questão e, consequentemente, homologação integral da compensação pleiteada. É o relatório do essencial. Voto. Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1401000.600, de 22/11/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.683947/200984, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1401000.600): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Conforme esclarece a Recorrente, no ano calendário em discussão, ela teria efetuado o pagamento de IRPJ apurado em um mês daquele ano, contudo, passado algum tempo, verificou que, na verdade, não haveria imposto algum a recolher naquele mês. Ao final do ano, em virtude das retenções sofridas e das antecipações pagas pela Recorrente, restou apurado saldo negativo de Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.683949/200973 Resolução nº 1401000.602 S1C4T1 Fl. 4 3 IRPJ, o qual, de acordo com a legislação, poderia ser utilizado na compensação de outros tributos administrados pela RFB. No entanto, quando do preenchimento da DECOMP para a compensação do referido crédito com outros débitos relativos ao período de apuração seguinte, sustenta a ocorrência de erro no qual acabou optando equivocadamente pelo tipo de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior e não saldo negativo de IRPJ e procurou demonstrar que esse erro de preenchimento não seria a causa suficiente a ensejar o indeferimento do crédito pleiteado, especialmente pelo princípio da verdade material. Erro esse, que defende a recorrente poderia ser retificado de ofício, pois segundo ela a Declaração de Compensação é o instrumento hábil e suficiente paras a exigência de débitos indevidamente compensados. Diversamente do entendimento da decisão recorrida, entendo que restou caracterizado o erro de fato no preenchimento da DCOMP quanto à informação do crédito utilizado/pleiteado. Resta evidente que a informação prestada na DCOMP, quanto à origem do crédito, está em dissonância, em parte, com a DIPJ que trata da apuração do imposto e do pretenso crédito do imposto do anocalendário em questão (declaração de ajuste anual), pois o pretenso crédito pleiteado do anocalendário discutido restou apurado pela contribuinte a título de saldo negativo e não a título de pagamento indevido de estimativa mensal. Lembrese que a Súmula CARF nº 84 permite a restituição de estimativa mensal recolhida em excesso, a partir da data do respectivo recolhimento, no caso de erro de fato comprovado na apuração da base de cálculo da estimativa mensal (erro quanto à apuração com base na receita bruta ou com balancete de suspensão/redução), ou seja, recolhimento que extrapolou, em completa dissonância em relação à base de cálculo demonstrada na escrituração contábil/fiscal na forma da legislação de regência, que não é o caso, pois a contribuinte não alegou erro de fato na apuração do IRPJ – Estimativa Mensal que tivesse gerado recolhimento em excesso à revelia da base de cálculo de que trata a legislação de regência, mas apenas erro de informação na DCOMP quanto à origem do crédito pleiteado na DCOMP. Como demonstrado, restou configurada a existência do erro na informação do direito creditório no preenchimento da DCOMP objeto dos autos (inexatidão material quanto à origem do crédito utilizado/demandado), sendo então hipótese para retificação, correção da DCOMP, conforme art. 57 da IN SRF 460/2004 e IN ulteriores que tratam da matéria, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. Reconhecido, caracterizado, o erro de fato no preenchimento da DCOMP (inexatidão material quanto à informação do direito creditório), deve ser afastado, por conseguinte, o óbice que impediu a decisão recorrida de enfrentar o mérito do crédito, sua Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.683949/200973 Resolução nº 1401000.602 S1C4T1 Fl. 5 4 liquidez e certeza, a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário questionado. Ou seja, o erro de fato no preenchimento dos dados do crédito na DCOMP, diversamente do entendimento da decisão recorrida, configura sim inexatidão material a que alude o art. 57 da IN SRF nº 460/2004, podendo ser corrigida de ofício pelo julgador, e IN seguintes que tratam da matéria, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido: LUCRO REAL ANUAL. DECLARAÇÃO DE JUSTE ANUAL. DEDUÇÃO INTEGRAL DOS PAGAMENTOS ANTECIPADOS POR ESTIMATIVA MENSAL. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NA DIPJ. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA MENSAL NA DCOMP. ERRO DE FATO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCOMP. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À DRJ PARA ANÁLISE DE MÉRITO DO CRÉDITO A TÍTULO DE SALDO NEGATIVO. Restando comprovado nos autos que o recolhimento da estimativa mensal foi computado no saldo negativo do imposto na declaração de ajuste anual, configura erro de fato no preenchimento da DCOMP, quando o contribuinte presta informação acerca do crédito pleiteado a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, quando deveria fazêlo a título de saldo negativo. Tratase de inexatidão material no preenchimento da DCOMP, a qual pode ser retificada de ofício pelo julgador ou a pedido do contribuinte para correção do erro de informação quanto ao crédito do referido do anocalendário, nos termos do art. 57 da IN SRF 460/04, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. ACÓRDÃO: 1802002.532 Ademais, para evitar prejuízo ao contraditório e à ampla defesa e para evitar subtração de instância de julgamento quanto à análise de mérito do direito créditório – saldo negativo do IRPJ do anocalendário em questão, tornase necessário devolver os autos à primeira instância de julgamento, para que proceda análise de mérito do direito creditório a título de saldo negativo do IRPJ. Por tudo que foi exposto, entendo possível afastar o óbice que impediu a decisão recorrida de enfrentar o mérito do crédito, sua liquidez e certeza, a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário questionado e voto no sentido de converter os autos em diligência a fim de que a DRF de origem faça nova apreciação no que se refere ao direito creditório alegado para que se analise se além do pagamento reclamado para compensação havia também saldo negativo do imposto passível de aproveitamento naquele ano calendário. É como voto." Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.683949/200973 Resolução nº 1401000.602 S1C4T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.720112/2015-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 30/12/2011
AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. POSSIBILIDADE.
Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. PEJOTIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. LIMITES. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. NECESSIDADE.
A prestação de serviços pessoais por pessoa jurídica encontra limitação quando presentes os requisitos da relação de emprego. Estando presentes as características previstas no artigo 3º da CLT, a Fiscalização tem o poder/ dever de lançar as contribuições previdenciárias incidentes sobre a relação de emprego comprovada. Assim, imprescindível a caracterização da relação empregatícia para a constituição do crédito tributário.
NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. REQUISITOS DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não restando constatado a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, não poderá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999.
Numero da decisão: 2401-005.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 30/12/2011 AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. POSSIBILIDADE. Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. PEJOTIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. LIMITES. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. NECESSIDADE. A prestação de serviços pessoais por pessoa jurídica encontra limitação quando presentes os requisitos da relação de emprego. Estando presentes as características previstas no artigo 3º da CLT, a Fiscalização tem o poder/ dever de lançar as contribuições previdenciárias incidentes sobre a relação de emprego comprovada. Assim, imprescindível a caracterização da relação empregatícia para a constituição do crédito tributário. NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. REQUISITOS DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não restando constatado a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, não poderá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 14041.720112/2015-01
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5946127
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-005.900
nome_arquivo_s : Decisao_14041720112201501.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 14041720112201501_5946127.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7562043
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418145849344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2030; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.720112/201501 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.900 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de dezembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente HOSPITAL SANTA HELENA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/12/2011 AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. POSSIBILIDADE. Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. PEJOTIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. LIMITES. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. NECESSIDADE. A prestação de serviços pessoais por pessoa jurídica encontra limitação quando presentes os requisitos da relação de emprego. Estando presentes as características previstas no artigo 3º da CLT, a Fiscalização tem o poder/ dever de lançar as contribuições previdenciárias incidentes sobre a relação de emprego comprovada. Assim, imprescindível a caracterização da relação empregatícia para a constituição do crédito tributário. NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 72 01 12 /2 01 5- 01 Fl. 9857DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 3 2 EMPREGADOS. REQUISITOS DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não restando constatado a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, não poderá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Fl. 9858DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 4 3 Relatório HOSPITAL SANTA HELENA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, Acórdão nº 0959.396/2016, às efls. 9.732/9.751, que julgou procedente o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade decorrentes dos riscos do trabalho, além das contribuições destinadas a outras entidades, em relação ao período de 01/2011 a 12/2011, conforme Relatório Fiscal, às fls. 38/71 e demais documentos que instruem o processo. Consoante Relatório Fiscal o lançamento foi motivado nos seguintes pontos: A base de cálculo das contribuições foi apurada na DIRF e na Contabilidade da empresa e correspondeu às remunerações pagas ou devidas a trabalhadores segurados empregados com pagamentos indevidamente realizados de forma globalizada e sem individualização para pessoa jurídica interposta com a finalidade de afastar os encargos decorrentes da relação de emprego e da tributação mediante a existência de contratação por pessoa jurídica interposta como “PEJOTIZAÇÃO”. No lançamento não foram apropriadas as Guias de Pagamento GPS, empresa como incidentes para fins previdenciários, pois todos os valores das GPS dos estabelecimentos, foram utilizados pela empresa para pagar os valores normais considerados. Na oportunidade, ressalta que, mediante, o exame dos anexos GFIP informações gerais; GPS utilizadas para verificar recolhimentos e Comparação GFIP (Valor devido)x GPS comprovou se que o montante pago não cobre os valores declarados em GFIP. Após citar os dados cadastrais da empresa, os dispositivos legais que fundamentaram a constituição do crédito tributário, o valor das alíquotas, as regras de instituição e incidência do FAP Fator Acidentário previdenciário que aumenta a alíquota do SAT/RAT, bem como discorrer sobre a PEJOTIZAÇÃO, na abordagem trabalhista e previdenciária, oportunidade em que enfatiza a regularidade e exigência da aplicação do "princípio da primazia", (entendido como a prevalência da realidade fática sobre a aparente situação jurídica), o Auditor, fundamentado nos artigos 116, parágrafo único e 118 incisos I e II, todos do CTN, conclui pela existência irregular de redução tributária, ocasionada pela “PEJOTIZAÇÃO”, com vista à tentativa de não recolher todas as alíquotas exigidas pela legislação para custeio das contribuições previdenciárias e sociais, "por entenderem as empresas que na contratação entre Pessoas Jurídicas “PEJOTIZADAS” não existem tais tributações". Visando a individualização dos segurados, no caso, profissionais médicos e demais profissionais de saúde a fiscalização explica que examinou os prontuários eletrônicos de atendimentos de pacientes do hospital, porém mesmo tendo fornecido tais dados, verificou se que vários médicos existentes no prontuário não eram vinculados a nenhuma das Pessoas Jurídicas “PEJOTIZADAS”, nem declaradas em DIRF, e não estavam em GFIP e nem na Folha de Pagamento digital entregue a fiscalização, conforme anexos. E mesmo para os Fl. 9859DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 5 4 médicos que são “sócios” das empresas “PEJOTIZADAS”, a informação não serviu para individualizar os pagamentos, pois em cada empresa, em regra, existe mais de um médico como sócio impossibilitando a correta atribuição de valores para cada segurado, logo houve a necessidade de utilizar o valor global pago a cada empresas PEJOTIZADA como valor pago uma suposta pessoa física segurado empregado (aferição), e foram produzidos os anexos abaixo para dar apoio na compreensão da situação encontrada de “PEJOTIZAÇÃO” ..... (No item 44 do Relatório, podem ser identificados todos os anexos referidos). O Auditor pretendendo mostrar a estrutura da autuada, cola no Relatório Fiscal telas encontradas no Sítio da WEB do Hospital Santa Helena e a partir das informações lá colhidas, sustenta que a autuada apregoa possuir corpo clínico contendo profissionais da área de saúde e cita, várias vezes, a existência de uma equipe especializada e capacitada. Diz in verbis: De toda a informação trazida da internet verificase que o HOSPITAL SANTA HELENA busca ser reconhecido pela estrutura própria, pelo corpo clínico de excelência, pelos profissionais renomados, com vasta experiência em várias especialidades e ao anunciar seu corpo clinico, o HOSPITAL SANTA HELENA – HSH sugere que os profissionais da área de saúde são integrantes do corpo clinico do próprio Hospital, e ainda cita várias vezes que possui uma equipe especializada e capacitada. Ou seja, o Hospital passa a noção para a sociedade e para os seus clientes que possui médicos e equipe de profissionais de saúde nos seus quadros, mas internamente se utiliza da “PEJOTIZAÇÃO” para ser um “HOSPITAL FANTASMA” que funciona sem uma estrutura adequada de médicos vinculado diretamente a ele, ou melhor, nem seria um hospital, seria no máximo um local onde médicos poderiam locar áreas e trabalhar por conta própria, o que beira o absurdo. 47. Portanto, a realidade encontrada é que os médicos, estão sendo intermediados por empresas “PEJOTIZADAS” de forma ilegal, conforme dados relacionados nos anexos abaixo, e que estão na verdade a serviço do HOSPITAL SANTA HELENA HSH, atendem aos pacientes desse, com claro vínculo de emprego, portanto, sendo necessário desconsiderar os contratos destas empresas interpostas firmados com o HOSPITAL SANTA HELENA HSH, pelo simples fato de ser uma situação simulada que não prospera no mundo real, e que claramente afronta as leis, especialmente a previdenciária, conforme é amplamente demonstrado neste relatório fiscal. (...) 48. Outro ponto que destaca a simulação existente, qual seja, a contratação de Pessoas Físicas (segurados empregados) maquiada como “PEJOTIZAÇÃO”, é o fato de várias empresas nem ao menos terem contrato formalizado que permita o recebimento de valores do HOSPITAL SANTA HELENA, tendo segundo respondeu a empresa “acordo informal”, conforme se pode verificar nos anexos. Fl. 9860DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 6 5 ANEXO Respostas dadas pela empresa ANEXO – Empresas que o contribuinte informou não terem contrato 49. Portanto, a prática da “PEJOTIZAÇÃO” é uma rotina na contratação de médicos e outros profissionais de saúde no HOSPITAL SANTA HELENA, indicando que se trata de um claro planejamento tributário ilícito, cujo objetivo principal é a sonegação das contribuições previdenciárias. No tocante ao exame das GFIP das empresas contratadas e da autuada o Auditor registra que: existem empresas “PEJOTIZADAS” que nem enviam Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social – GFIP, evidenciando se considerarem Pessoas Físicas e pensando não terem tal obrigação; empresas interpostas com GFIPs enviadas, não declaram médicos em seus quadros e que informam funcionar com pouquíssimos segurados, muitas das vezes sem nenhum funcionário da área de saúde. a autuada declara em suas GFIP um único médico a cada mês e número irrisório de profissionais da área de saúde, sob a alegação de que os mesmos não existem e no lugar destes profissionais quem presta serviço são Empresas Interpostas (“PEJOTIZADAS”), ou seja, é um hospital fantasma sem estrutura adequada de médicos próprios para atender aos seus clientes. Quanto aos contratos firmados entre a autuada e as empresas prestadoras de serviços, o auditor informa que anexou aos autos (fls.73/99) exemplos destes contratos, contendo a indicação das cláusulas demonstrativas da existência dos pressupostos do vínculo empregatício. Após longo arrazoado, contendo a citação da legislação que sustenta a competência da fiscalização em desconsiderar os negócios celebrados entre as partes, sem contudo implicar em desconsiderar a personalidade jurídica das empresas interpostas, haja vista que o fato de alguém ser sócio de uma empresa, não impede que o mesmo preste serviço como segurado empregado de outra, bem como a utilização, no caso, do princípio da primazia da realidade, que assegura que os aspectos, meramente, formais dos contratos quando contrários aos fatos, ou seja, ainda que as partes hajam pactuado ou mesmo expressada em documentos relação diversa da ocorrida na realidade, deverá prevalecer apenas a realidade encontrada, o auditor conclui que: ...apesar de os contratos de prestação de serviços haverem sido celebrados com pessoas jurídicas (formal ou verbalmente), a prestação dos serviços contratados se deu MATERIALMENTE sob o manto da relação de segurado empregado. Diante desse quadro, a legislação aqui analisada, opera como se, juridicamente, tais contratos não produzam os efeitos que lhes são típicos para os fins da tributação previdenciária ora em debate. Fl. 9861DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 7 6 Nos itens 77 a 90 do Relatório Fiscal o Auditor fundamenta a existência do vínculo empregatício e informa que os valores referentes a esta infração estão totalizados no “ANEXO Unificando os Valores de Todas as Bases de Cálculo (PEJOTIZAÇÃO)” . Com relação à multa de ofício aplicado com percentual qualificado de 150%, a fiscalização sustenta a existência de simulação, ou seja "houve o afastamento do ato real (utilização de segurados empregados) com a imposição de uma roupagem diversa (contratação de pessoa jurídica interposta). Impõese, portanto, aplicação do inciso VII do art. 149 da Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN)". Diz ainda que: As pessoas envolvidas na “PEJOTIZAÇÃO” (HOSPITAL SANTA HELENA –HSH, os médicos e empresas interpostas) se associaram para impedir que ocorresse o fato gerador das contribuições previdenciárias decorrentes da relação de trabalho existente entre os profissionais de saúde e o HOSPITAL SANTA HELENA – HSH criando uma relação fictícia de terceirização de mão de obra não condizente com a realidade dos fatos. Assim promoverão uma ação dolosa que, conforme demonstrado anteriormente, resultando na redução dos tributos devidos incidindo nas tipificações previstas nos artigos 72 e 73 da referida lei, quais sejam, conluio com o objetivo de fraude cujos efeitos são a redução dos valores dos tributos a serem recolhidos. Sobre a aplicação da multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, no item 99/101 o Auditor apresenta o embasamento legal e a motivação nos seguintes termos: A investigação fiscal apurou por meio da contabilidade que o HOSPITAL SANTA HELENA não escriturou em contas individualizadas, nem identificou tais fatos como pagamentos para Pessoas Físicas, no diz respeito aos fatos geradores de contribuições do segurado empregado e as contribuições da empresa, no período fiscalizado (01/2011 a 12/2011), principalmente se levada em consideração que as verbas remuneratórias, em análise, têm incidência de contribuições previdenciárias. 99. A escrituração contábil apresentou algumas imprecisões nos títulos contábeis (contas) que podem ocultar os fatos geradores de contribuições previdenciárias: a) As remunerações pagas aos médicos e profissionais da área de saúde, do Hospital Santa Helena, foram contabilizadas equivocadamente como pagamentos a pessoa jurídica, quando na verdade constatouse que se tratam de pagamentos auferidos diretamente por estes profissionais empregados, conforme “ANEXO Lista de pagamentos para pessoas jurídicas constantes na DIRF” e “ANEXO Clinicas fora da DIRF encontradas na contabilidade (NOMES/VALORES)” Fl. 9862DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 8 7 b) Históricos imprecisos e incompletos: os históricos das contas contábeis listadas no “ANEXO Clinicas fora da DIRF encontradas na contabilidade (NOMES/VALORES)”, são imprecisos e podem levar a erro de identificação de quem recebe o pagamento. Os lançamentos contábeis nos quais foram agregadas registram o nome dos profissionais, mas apenas nome impreciso de empresas interpostas, e não remete a nenhum livro ou documento auxiliar que identifiquem os médicos que, de fato, prestaram serviços no HOSPITAL SANTA HELENA – HSH. No caso, conforme registrado no item 102/103 do Relatório Fiscal, em face da existência de auto de infração anterior liquidado em 07/08/2009, foi aplicada a reincidência genérica, ocasionando a fixação da multa em valor duplicado (R$19.257,83 x 2 = R$38.515,66). Finalmente, informa que foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP, a ser encaminhada à autoridade competente, motivada pela existência, em tese, dos ilícitos: "sonegação de contribuição previdenciária" (previsto no art. 337A do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 9.983/2000); "apropriação indébita previdenciária" (previsto no art. 168A do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 9.983/2000), "crime contra a ordem tributária" (previsto na Lei nº 8.137/1990) e "Falsificação de documento particular" (previsto no art. 298 do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 9.983/2000). O Auditor complementando o Relatório fiscal e sustentando os entendimentos expressados, acosta aos autos (fls.101/241), cópia dos contratos de prestação de serviço e o Estatuto do Hospital Santa Helena S/A. Anexa, ainda, a identificação e a comparação das GFIP e das GPS, em nome da autuada (fls. 299/301). Às fls. 302/7102, tomando por base os registros do prontuário do hospital, o Auditor apresenta planilha indicando a competência, o CPF, o nome o CRM e a especialidade do profissional médico. Às fls. 7102/7139 o Auditor identifica as pessoas jurídicas e o valor pago pelos serviços conforme declarado em DIRF. Na planilha de fls. 7140/7156 o Auditor indica o quadro societário das empresas interpostas. Como foram encontrados no prontuário do Hospital profissionais prestadores de serviços que não são sócios e não estão relacionadas em Folha, DIRF e GFIP o auditor os identifica na planilha de fls.7157/7162 e afere a sua remuneração. Na planilha de fls. 7158/7162 foram identificadas as Clinicas prestadoras de serviços não declaradas em DIRF e encontradas somente na contabilidade. Às fls. 7163 foram relacionadas as empresas que não possuem contrato escrito. Às fls 7164 constam as empresas prestadoras de serviços que não enviaram GFIP. Da analise das GFIP das empresas prestadoras de serviços, conforme planilha de fls.7165/7234 o Auditor informa a atividade executada por cada uma, quais sejam : recepção; administração; auxiliares de contabilidade; contínuos; enfermeiros; escriturários em geral, assistentes e auxiliares administrativos; técnicos e auxiliares de enfermagem; auxiliares de contabilidade; auxiliares de laboratório; gerentes administrativos, financeiros e de riscos; motoristas; supervisores administrativos; trabalhadores nos serviços de conservação, coleta de resíduos, limpeza, conservação; diretores gerais; técnicos de equipamentos médicos e odontológicos; secretárias executivas e bilíngües; diretor comercial e de marketing; gerente de operações comerciais e de assistência médica; biólogos. Fl. 9863DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 9 8 Ainda, com base na GFIP apresentada pelas empresas interpostas, o auditor na Planilha de fls. 7235/7556, identifica o nome dos trabalhadores, a atividade exercida a remuneração mensal e o desconto. Por fim na planilha de fls. 7557/7558 se tem o valor consolidado da base de cálculo, considerando todas as empresas contratadas. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora/MG entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 9.773/9.827, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as razões da impugnação, motivo pelo qual, neste aspecto, adoto o relatório da DRJ, a seguir exposto: Preliminarmente pugna: o reconhecimento de vício material na aferição indireta por violação do art. 33 §6º da Lei nº8.212/1991, pois a autoridade fiscal adotou critério que não permite verificar o movimento real dos supostos salários pagos pela autuada. Sobre este tema aprofunda seus argumentos nos itens 12 a 34 da peça de impugnação. Destaca que para que "a aferição indireta fosse válida, a autoridade fiscal deveria ter perquirido o valor das remunerações alegadamente pagas pela Impugnante para retribuir o trabalho dos médicos, base de cálculo das contribuições previdenciárias eleita pela Lei n° 8.212/91 com fundamento no art. 195,1, "a" da Constituição Federal". Diz ser incorreta a aferição feita, porque a Fiscalização deveria ter buscado elementos para assegurar que a base de cálculo das contribuições correspondesse ao valor, mais próximo possível, dos alegados salários pagos aos médicos. Entende que o valor utilizado não corresponde aos distribuindo como lucro aos sócios (médicos), porque sobre eles incide diversos gastos para o desenvolvimento das atividades da empresa, tais como, tributos incidentes sobre a receita, gastos administrativos, investimentos e os salários dos eventuais empregados. O correto, no seu entender, seria a busca por critérios que mais se aproxima da realidade fática. Neste sentido colaciona decisões do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. se não reconhecida a nulidade, suspender a exigibilidade do presente processo até o julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo ARE nº 713.211 pelo Supremo Tribunal Federal, no qual foi reconhecida a repercussão geral da delimitação das hipóteses de terceirização de mão de obra, diante do que se compreende por atividadefim. Fl. 9864DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 10 9 (...) Sustenta que o sobrestamento do julgamento deste processo é medida de observância dos princípios da economia processual, da eficiência, bem como da segurança jurídica. Em relação ao mérito: ...apresenta longo arrazoado sobre as transformações nas relações de trabalho. No contexto, aduz que os profissionais não foram constrangidos pela Impugnante a constituírem pessoas jurídicas, que não estão presentes os pressupostos da relação de emprego, haja vista que as pessoas jurídicas foram constituídas por liberdade dos médicos, em decorrência de sua alta especialização. Diz que os contratos são regidos pelo Direito Civil, não podendo a autonomia da vontade e a realidade dos fatos serem desrespeitados pelo Fisco. Refuta veementemente a requalificação formal dos médicos para a categoria de segurados empregados, pois "a declaração do vínculo empregatício consiste em questão de cunho fático, exigindo para sua caracterização a apuração da rotina e das condições de trabalho dos médicos prestadores de serviços, por meio de suas empresas, isto é, da realidade experimentada por esses profissionais, o que não foi feito in casu" Afirma que os profissionais em questão atuaram com total autonomia, sem subordinação e exclusividade, podendose fazer substituir por qualquer outro profissional, sem interferência da Impugnante, pelo que não há que se falar em relação empregatícia. Destaca que as empresas arroladas são regularmente constituídas por profissionais altamente qualificados. Referidos profissionais são muito requisitados em suas respectivas áreas de atuação e trabalham com total autonomia, liberdade e sem o elemento pessoalidade. (...) Conclui que as cláusulas contratuais que autorizam a ocupação de áreas físicas do hospital pelos médicos não indicam a existência de vínculo de emprego, mas exatamente o contrário, pois foram celebradas visando permitir a utilização da estrutura do hospital pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviços especializados. Afirma que não existe subordinação, pois os médicos mencionados nos anexos do relatório fiscal prestavam serviços para diversas instituições e empresas relacionadas à área de saúde, por intermédio de suas empresas legalmente constituídas, mesmo para concorrentes da Impugnante, conforme as diversas cópias das notas fiscais emitidas pelas empresas médicas, bem Fl. 9865DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 11 10 como contratos de prestação de serviços firmados entre as empresas médicas parceiras e outras empresas. Cita inclusive que uma das empresas relacionadas foi contratada pelo Senado Federal, assim como tem prestadoras de serviços que prestam serviços para mais de dez empresas diferentes, como: Hospitais, Clínicas, Sindicatos, Associações, sendo a autuada uma delas. Assevera que a constituição das pessoas jurídicas tem como finalidade a profissionalização dos serviços médicos, e não a ocultação das relações de emprego, pois os médicos "sequer desejam estabelecer vínculo com estruturas sujeitas à relação de subordinação e controle. Prova disso é a inexistência de reclamação trabalhista ajuizada por médico requerendo o reconhecimento de vínculo empregatício com a Impugnante perante as Varas do Trabalho de Brasília/DF, conforme se demonstra por meio das iniciais de todas as ações em curso contra o Hospital Santa Helena elencadas na Certidão de Distribuição obtida junto ao sítio do Tribunal Regional do Trabalho da 10a Região". Enfatiza que os prestadores de serviço, não são simples médicos empregados, mas sim verdadeiras referências em suas especialidades, razão pela qual negociam os termos de seus contratos em pé de igualdade com a Impugnante, bem como as empresas contratadas apresentam documentos ou declarações verbais sobre os dias e horários que seus profissionais têm disponibilidade para exercer suas atividades, para que a Impugnante tenha ciência de quando estariam disponíveis. Sobre o tema transcreve decisões judiciais. Aduz que "o descumprimento, em tese, por poucas empresas, de uma obrigação acessória atribuída às pessoas jurídicas, não significa que tais prestadores de serviços se consideram excluídos dessa categoria. Com efeito, o raciocínio da fiscalização de que "se a GFIP não foi transmitida, o contribuinte não é pessoa jurídica", ignora as outras inúmeras causas para o descumprimento da obrigação, assumindo como única e verdadeira a afirmação formulada com o fim de alcançar a conclusão tendenciosamente almejada". Reafirma que tais empresas, também, possuem estruturas próprias, e que não são de nenhuma forma subordinadas à Impugnante, sendo os contratos firmados, indiscutivelmente, regidos pelo direito civil. Ademais, não existe lei proibindo o uso de Terceirização nas atividades fim. Destaca que o fato de os contratos de prestação de serviços atribuírem às contratadas a responsabilidade pelo adimplemento de obrigações trabalhistas e suportarem os tributos incidentes sobre suas receitas, além de decorrer da própria legislação em vigor, evidencia que tais pessoas jurídicas são verdadeiras empresas, que assumem os ônus financeiros decorrentes de suas atividades e, portanto, contrataram com a Impugnante em pé de igualdade. Fl. 9866DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 12 11 Diferente do entendimento da Fiscalização o simples fato de o pagamento ser mensal não leva necessariamente ao reconhecimento da existência de vínculo de emprego. Tratase de resultado de livre negociação das partes, sendo que a empresa médica contratada acertou esse molde de remuneração, por sua própria conveniência, de forma a atender a especificidade dos serviços prestados. Ressalta a existência nos autos de declarações deliberadamente prestadas pelos médicos mencionados nos autos de infração, no sentido de que possuíam plena liberdade de atuação, de modo que, em caso de impossibilidade de comparecimento, poderiam se fazer substituir por outro profissional gabaritado, sem qualquer penalização por parte da Impugnante. Afirma que "o modelo de contratação de serviços praticado pela impugnante está alinhado com o mercado e com o atual estágio da economia, em especial no âmbito dos serviços envolvendo saúde, com respaldo jurídico no Código Civil e nos princípios que regem a livre iniciativa. Devese afastar, portanto, qualquer alegação leviana de expediente simplista para reduzir custos com empregados no âmbito do fenômeno da "pejotização", repelido veementemente pela Impugnante, razão pela qual há que se julgar os presentes autos de infração insubsistentes". Esclarece que o processo judicial em curso perante a Justiça Trabalhista, relativo à contratação de fisioterapeutas como empresa, está pendente de julgamento do agravo de instrumento interposto pela Rede D'Or São Luiz, perante o Tribunal Superior do Trabalho, ou seja, tal sentença ainda não transitou em julgado, como demonstram os extratos processuais anexos, razão pela qual não pode pautar as autuações em apreço. No tocante à aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, enfatiza que a fiscalização não apresentou prova de ação ou omissão praticada pelo contribuinte com o dolo específico de realizar uma das condutas consideradas crime contra a ordem tributária pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. Lembra que o CARF tem entendimento consolidado de que, para a aplicação da multa qualificada, a autoridade fiscal deve comprovar a prática de ato doloso que configure sonegação, fraude ou conluio, nos termos da Súmula nº 14. Ao contrário do apregoado pela Fiscalização , tais pessoas jurídicas, comprovadamente, foram constituídas por médicos altamente especializados e renomados visando à profissionalização de suas atividades, por livre e espontânea vontade e para a prestação de serviços a diversos clientes no mercado. (...) Com relação à multa por descumprimento de obrigação acessória prevista nos arts. 32, II da Lei n° 8.212/91 e 225, II do Regulamento da Previdência Social, pede o seu cancelamento porque, conforme restou demonstrado, os pagamentos efetuados no ano de 2011, às pessoas jurídicas relacionadas no auto de infração não podem, em hipótese alguma, ser caracterizados Fl. 9867DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 13 12 como salário, não configurando, portanto, fato gerador das contribuições previdenciárias. Argumenta que se assim não se entenda, é premente o cancelamento dessa penalidade, no valor de R$19.257,83, em caráter subsidiário, em razão da ocorrência de bis in idem, repelido pelo ordenamento jurídico. Alfim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 9868DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 14 13 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE AFERIÇÃO INDIRETA A contribuinte pugna pelo reconhecimento de vício material na aferição indireta por violação do art. 33 §6º da Lei nº8.212/1991, pois a autoridade fiscal adotou critério que não permite verificar o movimento real dos supostos salários pagos pela autuada. Sobre este tema aprofunda seus argumentos nos itens 12 a 34 da peça de impugnação. Destaca que para que "a aferição indireta fosse válida, a autoridade fiscal deveria ter perquirido o valor das remunerações alegadamente pagas pela Impugnante para retribuir o trabalho dos médicos, base de cálculo das contribuições previdenciárias eleita pela Lei n° 8.212/91 com fundamento no art. 195,1, "a" da Constituição Federal". Diz ser incorreta a aferição feita, porque a Fiscalização deveria ter buscado elementos para assegurar que a base de cálculo das contribuições correspondesse ao valor, mais próximo possível, dos alegados salários pagos aos médicos. Entende que o valor utilizado não corresponde aos distribuindo como lucro aos sócios (médicos), porque sobre eles incide diversos gastos para o desenvolvimento das atividades da empresa, tais como, tributos incidentes sobre a receita, gastos administrativos, investimentos e os salários dos eventuais empregados. O correto, no seu entender, seria a busca por critérios que mais se aproxima da realidade fática. Neste sentido colaciona decisões do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte e os sujeitos passivos, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que os lançamentos, corroborados pela decisão recorrida, apresentamse formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude. Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que tratase de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. Fl. 9869DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 15 14 A fundamentação legal para o procedimento adotado Aferição Indireta encontrase na no artigo 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91. Confirase: art. 33: Parágrafo 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Departamento da Receita Federal (DRF) podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Pois bem, o fiscal foi por demais incisivo e cuidadoso ao utilizarse da apuração por aferição indireta, conforme resta claro no relatório fiscal, in verbis: (...) examinados os prontuários eletrônicos de atendimentos de pacientes do hospital, porém mesmo tendo fornecido tais dados, verificouse que vários médicos existentes no prontuário não eram vinculados a nenhuma das Pessoas Jurídicas “PEJOTIZADAS”, nem declaradas em DIRF, e não estavam em GFIP e nem na Folha de Pagamento digital entregue a fiscalização, conforme anexos. E mesmo para os médicos que são “sócios” das empresas “PEJOTIZADAS”, a informação não serviu para individualizar os pagamentos, pois em cada empresa, em regra, existe mais de um médico como sócio impossibilitando a correta atribuição de valores para cada segurado, logo houve a necessidade de utilizar o valor global pago a cada empresas PEJOTIZADA como valor pago uma suposta pessoa física segurado empregado (aferição), e foram produzidos os anexos abaixo para dar apoio na compreensão da situação encontrada de “PEJOTIZAÇÃO e para dar melhor suporte aos argumentos aqui apresentados.(...) O presente auto de infração por descumprimento de obrigação principal previdenciária AIOP encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no caput do artigo 37 da Lei n.º 8.212/1991, que determina: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Consoante se positiva dos excertos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos e motivos que ensejaram a aferição, Fl. 9870DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 16 15 ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontramse maculados por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Destarte, é direito do contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. O argumento de erro do fato gerador, na eleição da base de cálculo e demais, se confundem com o mérito que iremos tratar posteriormente, não ensejando em nulidade Com relação ao pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo até a decisão do Recurso Extraordinário com Agravo ARE nº 713.211 pelo Supremo Tribunal Federal STF, cabe esclarecer que tal pedido perdeu o objeto, uma vez que já fora julgado pela Suprema Corte. Dito isto, afasto a preliminar suscitada. MÉRITO "PEJOTIZAÇÃO" CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS Consoante relatado alhures, a presente autuação decorre da desconsideração, pela Autoridade Fiscal, da contratação entabulada pela Recorrente da prestação de serviços médicos por meio de pessoa jurídicas, a chamada pejotização, apurada por arbitramento, em razão dos fatos elencados. Questão central na solução do presente litígio repousa na verificação da existência ou não de elementos fáticos e jurídicos suficientes para caracterizar a contratação de empregados sob a roupagem de pessoas jurídicas ou da utilização de pessoas jurídicas para complementação da remuneração de empregados, segundo relato pela autoridade autuante: 59. Pois, os negócios celebrados entre o contribuinte fiscalizado e empresas interpostas com o intuito de burlar as legislações tributária, previdenciária e trabalhista, embora tenham sido realizados com a anuência desses trabalhadores, não podem alterar ou extinguir definições instituídas por Legislação Federal, especificamente quando se trata de determinar fatos geradores de obrigações tributárias. Dessa forma, as disposições dos acordos efetuados entre essas partes não vinculam o fisco, razão pela qual devem incidir tributos sobre as verbas pagas a empregados com a utilização de empresas interpostas “PEJOTIZAÇÃO”. Por sua vez a recorrente, em síntese, sustenta a insubsistência dos Autos de Infração, já que os lançamentos foram realizados com base em mera presunção, sem elementos de provas capazes de demonstrar, de forma cabal, a existência de relação de emprego. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria e tecer alguns comentários: Fl. 9871DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 17 16 Preceitua a Carta da República que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com expressa garantia para todos do livre exercício de qualquer atividade econômica. Assim está redigido o artigo 170: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. O preceito constitucional é claro em garantir que qualquer do povo pode exercer todo tipo de atividade econômica encontrando, por óbvio, na lei, o limite desse exercício. Dessa constatação, podemos inferir que é lícito ao profissional que presta serviços, fazêlo por meio de uma pessoa jurídica, uma vez que o exercício dessa atividade econômica não encontra óbice legal, tampouco a constituição de uma empresa com essa mister ofende a ordem jurídica. Cediço que a conformação societária dessa pessoa jurídica é critério daquele que a constitui, existindo no ordenamento pátrio diversos modelos societários que se amoldam a esse mister . Constituída a pessoa jurídica, essa ficção passa a contar com a tutela do ordenamento jurídico que empresta personalidade ficta a essa pessoa, que passa a ser objeto e sujeito de direito. Não obstante, a prestação de serviços atividade econômica cujo o objeto é uma obrigação de fazer por vezes também é prestada por uma pessoa física, realizada pelo trabalho dessa pessoa, atividade também valorizada pelo mesmo comando constitucional acima mencionado. Por muito tempo, a doutrina distinguiu pelo atributo da pessoalidade, a prestação de serviços realizado pela pessoa jurídica daquele prestado pela pessoa física. Assim, quando o contratante precisava que tal serviços fosse prestado por determinada pessoa, era essa a contratada, em razão da característica única que é atributo típico do ser humano, do trabalhador. Se, por outro lado, a prestação do serviço se resumia a um objetivo determinado, um 'facere' pretendido, a contratação de pessoa jurídica atendia a essa necessidade, vez que despicienda a característica de personalidade para a execução do objeto do contrato de prestação de serviços. Se por um lado, no âmbito dos contratos, tal diferenciação interessa somente às partes, causando pouco, ou nenhum, impacto a terceiros, por outro, no âmbito tributário, tal diferenciação é ponto fulcral, em razão da diferenciação da exação incidente sobre as duas formas de prestação de serviços, menos onerosa quando prestada por pessoa jurídica. Fl. 9872DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 18 17 O menor custo tributário, tanto para o contratante, quanto para o prestador de serviços, fomentou uma crescente transformação de pessoas físicas que prestavam serviços, trabalhadores portanto, em empresas. Em 2005, com o advento da Lei nº 11.196, a legislação tributária passou a explicitamente admitir tal fenômeno. Vejamos a redação do artigo 129: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002Código Civil. Claríssima a disposição legal. Havendo prestação de serviços por meio de pessoa jurídica, mesmo que atribuição de obrigações às pessoas físicas, e sendo esses serviços de natureza intelectual, assim compreendidos os científicos, os artísticos e os culturais, o tratamento fiscal e previdenciário deve ser aquele aplicável as pessoas jurídicas, exceto no caso de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, como consta das disposições do artigo 50 do Código Civil Brasileiro. Não obstante o exposto, cediço recordar que a CLT impõe limite legal à prestação de serviços por pessoa jurídica. Tal limite se expressa exatamente na relação de trabalho. Vejamos as disposições da Lei Trabalhista: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. (...) Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. (grifei) Patente o limite da prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica: a relação de emprego. Ao recordarmos as disposições do CTN, constantes não só do parágrafo único do artigo 116, como também do inciso VII do artigo 149, podemos asseverar que, encontrando a Autoridade Tributária as características da relação de emprego na contratação de prestação de serviços por pessoa jurídica, surge o direito do Fisco de desconsiderar tal situação Fl. 9873DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 19 18 jurídica, vez que dissimuladora do contrato de trabalho, e constituir o crédito tributário decorrente da constatação do fato gerador verificado com o trabalho da pessoa física. No mesmo sentido, a legislação previdenciária, por meio do artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, impôs ao Auditor Fiscal a obrigação de considerar os contribuintes individuais (autônomos) ou outros prestadores de serviços pessoas jurídicas como segurados empregados, quando verificados os requisitos legais, in verbis: Art. 229. [...] § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inc. I «caput» do art.9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado Verificase do artigo supracitado, que o legislador ao mencionar “ [...] ou sob qualquer outra denominação [...]”, deu margem a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, quando constatados os pressupostos para tanto, tal como procedeu o Auditor Fiscal na presente demanda. Mais a mais, esse procedimento também encontra respaldo no Parecer/MPAS/CJ nº 1652/99 c/c Parecer/MPAS/CJ nº 299/95, os quais apesar de não vincularem este Colegiado, tratam da matéria com muita propriedade, com as seguintes ementas: EMENTA PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – VÍNCULO EMPREGATÍCIO– DESCARACTERIZAÇÃO DE MICROEMPRESÁRIOS. 1. A descaracterização de microempresários, pessoas físicas, em empregados é perfeitamente possível se verificada a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “microempresário. EMENTA Débito previdenciário. Avocatória. Segurados empregados indevidamente caracterizados como autônomos. Procedente a NFLD emitida pela fiscalização do INSS. Revogação do Acórdão nº 671/94 da 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidiu contrariamente a esse entendimento. Ainda a respeito do tema, cumpre transcrever o artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, que assim estabelece: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas? I – como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;” Fl. 9874DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 20 19 Assim, constatados todos os requisitos necessários à caracterização da relação laboral entre o suposto tomador de serviços com os tidos prestadores de serviços (pessoas jurídicas), a autoridade administrativa, de conformidade com os dispositivos legais encimados, tem a obrigação de caracterizar como segurado empregado qualquer trabalhador que preste serviço ao contribuinte nestas condições, fazendo incidir, conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas em favor daqueles. Entrementes, não basta que a autoridade lançadora inscreva no Relatório Fiscal da Notificação tais requisitos, quais sejam, subordinação, remuneração, pessoalidade e não eventualidade. Deve, em verdade, deixar explicitamente comprovada a existência dos pressupostos legais da relação empregatícia, sob pena de improcedência do lançamento por ausência de comprovação do fato gerador do tributo, e cerceamento do direito de defesa do contribuinte. É o que determina o artigo 37 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. (g.n.) No mesmo sentido, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, como segue: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível Dito de maneira diversa: para que haja o lançamento tributário por desconsideração da prestação de serviços por meio de pessoa jurídica é ônus do Fisco a comprovação da existência da relação de emprego entre a pessoa física que prestou os serviços objeto da desconsideração da personalidade jurídica e o contratante desses serviços. Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora, ao proceder a caracterização dos prestadores de serviços (sócios das pessoas jurídicas desconsideradas) como segurados empregados da autuada, não foi muito feliz em sua empreitada, não demonstrou e nem comprovou, no entendimento deste Conselheiro, os requisitos legais necessários à configuração do vínculo empregatício, acima elencados, especialmente a subordinação, consoante se positiva do Relatório Fiscal da Autuação, de onde peço vênia para transcrever excerto de maneira a elucidar a questão: (...) 80. O pressuposto da nãoeventualidade está configurado pelo prolongado período em que os obreiros prestaram serviços remunerados o HOSPITAL SANTA HELENA HSH, combinado com a espécie de serviços prestados, os quais são inerentes a atividade essencial e fim da empresa autuada. Fl. 9875DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 21 20 81. Atividadefim e atividademeio, de acordo com a Súmula 331, TST, diferenciamse segundo a sua essencialidade para a empresa contratante. As atividades que integram o objeto social de uma empresa indicam sua atividade fim, não sendo permitida a sua terceirização, pelo fato está intrinsecamente relacionada a continuidade da atividade econômica. No caso em exame, é inconteste de que os médicos prestam serviços na área fim do HOSPITAL SANTA HELENA – HSH, que é um Hospital de referência em Brasília/DF. 82. Ou seja, os profissionais atuavam e atuam na atividade fim do HOSPITAL SANTA HELENA HSH, trabalham com continuidade e clara habitualidade na prestação de serviços como médicos, recebem remuneração mensal, e na grande maioria estão cadastrados no CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) há vários anos, e trabalham em uma escala horária estabelecida semanalmente pelo hospital, o que indica subordinação. 83. Quanto aos pressupostos de que a prestação de serviço era realizada por "pessoa física" com "onerosidade", se revelam incontestáveis na medida que para a prestação de serviços médicos, foram criadas empresas interpostas que tem convenientemente em seus quadros de sócios, os médicos necessários a atividade exigida pelo hospital. 84. O pressuposto da onerosidade, é facilmente identificado a partir da comprovação contábil, que comprova que todos os profissionais de saúde eram remunerados periodicamente pelo respectivo trabalho. Pois, em regra, a remuneração das pessoas físicas, contratadas sob a fachada de pessoa jurídica interpostas (“PEJOTIZADAS”), é mensal e encontrase pactuada em cláusula contratual específica, geralmente em valor variável, a ser pago em prazo certo. 85. Por se tratar de prestação de serviços médicos, a pessoalidade é patente, pois fazse necessário a interveniência de profissionais de saúde de quem são exigidos requisitos funcionais, como: registro no CRM, formação e especialização, que permitem que o profissional e somente ele possa executar os procedimentos nos pacientes do HOSPITAL SANTA HELENA – HSH, e acrescentese que existe uma exigência contratual de cada profissional ser cadastrado/acompanhado pelo hospital (HOSPITAL SANTA HELENA – HSH). 86. De acordo com análise já explorada neste Relatório Fiscal, restou clara serem dispensáveis as pessoas jurídicas interpostas na execução dos serviços médicos, haja vista todos os meios necessários para a realização do trabalho do médico estarem à disposição de cada profissional fornecidos pelo próprio HOSPITAL SANTA HELENA – HSH. Sendo considerada como uma relação simulada e de fachada a triangulação que envolve a contratação de médicos utilizando a ficção criada “Médico x Empresa Interposta x HOSPITAL SANTA HELENA – HSH”. Fl. 9876DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 22 21 87. E fica clara a subordinação em todos os contratos, pois ao participar do Corpo Clínico do hospital o médico passa a sujeitarse à hierarquia do hospital, ao Estatuto Social, ao Regulamento Interno, ao Regimento do Corpo Clínico e as Normas de Serviços impostas pelo hospital.(...) (destaques originais) De início, é necessário observar que a pessoalidade não é relevante no distinção em apreço. Tal afirmação se corrobora com a simples leitura do artigo 129 da Lei nº 11.196, que explicitamente afasta a questão do caráter personalíssimo e da atribuição de obrigações às pessoas que compõe a sociedade prestadora de serviços. Ademais, no caso concreto, as empresas que prestaram serviços a Recorrente têm agendas dinâmicas, sendo elas próprias responsáveis pela definição de sua disponibilidade (datas e horários) para exercerem as atividades contratadas, não se sujeitando a controle de jornada de seus integrantes, conforme depreende das escalas às efls. 9.046/9.066). Não sendo o bastante, as pessoas jurídicas foram constituídas antes da celebração dos contratos com a autuada (fls. 9.437/9.576) e, a meu ver, são verdadeiras empresas, com estrutura própria e disponibilização dos serviços a todo mercado, como exemplo temos que a PJ Maternorte, prestou serviço a outros tomadores, inclusive o Senado Federal, entre outros exemplos verificados com base em notas fiscais não seqüências (fls. 7.891/8.120). A meu ver, as razões encimadas já são suficientes para afastar o lançamento, No entanto, por amor ao debate, seguimos a analise. Em segundo lugar, forçoso reconhecer que a habitualidade não apresenta relevância como fato distintivo entre a prestação de serviços por pessoa física ou jurídica, vez que tanto numa como em outra, a habitualidade, ou ausência desta, podem estar presentes. Nesse ponto é necessário recordar que nas relações comerciais também se instaura uma relação de confiança, decorrente do conhecimento da excelência na prestação de serviços do fornecedor habitual. Nesse ponto é imperioso manifestar ter o STF considerado lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho nas atividades fins. Caindo por terra a acusação fiscal quanto este tópico. Já a análise da onerosidade também não ajuda no traço distintivo. Cediço que tanto no emprego quanto na mera relação comercial de prestação de serviços, o pagamento pelos serviços prestados está presente. Logo, o ponto nodal da distinção é a subordinação. Somente na relação de emprego o contratante, no caso empregador, subordina o prestador de serviços, no caso , o empregado. Porém, não se pode, sob pena de ofensa ao direito, entender que qualquer forma de direção da prestação de serviços é a subordinação típica das normas trabalhistas. Fl. 9877DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 23 22 Esta, a subordinação trabalhista, se apresenta em duas situações específicas. A primeira se observa quando o empregador, no nosso caso o contratante da prestação de serviços conduz, ordena, determina a prestação de serviços. É a chamada subordinação subjetiva onde o prestador de serviços, o trabalhador, recebe ordens específicas sobre seu trabalho, assim entendida a determinação de como trabalhar, de como executar as tarefas a ele, trabalhador, atribuídas. É a subordinação típica, aquela presente no modelo fordistataylorista de produção. Modernamente, encontramos o segundo modelo de subordinação, erroneamente chamado por muitos de subordinação jurídica. Não se pode admitir tal denominação, quanto mais a afirmação que esta subordinação decorre do contrato. Ora, qualquer contrato imputa direitos e deveres e por certo, desses decorre subordinação jurídica, posto que derivada de um negócio jurídico que atribui obrigações. Essa moderna subordinação é a chamada subordinação estrutural, nos dizeres de Maurício Godinho Delgado. É a subordinação consubstanciada pela inserção do trabalhador no modelo organizacional do empregador, na relação institucional representada pelo fluxo de informações e de prestação de serviços constante do negócio da empresa contratante desses serviços. Mister realçar que é por meio da subordinação estrutural que o empregador, o tomador de serviços que subordina o prestador, garante seu padrão de qualidade, uma vez que controla todo o fluxo da prestação dos serviços necessários a consecução do mister constante de seu objeto social, ou seja, é por meio de um modelo de organização que há o padrão de qualidade necessário e o controle das atividades e informações imprescindíveis para a prestação final dos serviços, para a elaboração do produto, para a venda da mercadoria que é o fim da atividade econômica pretendida pelo contratante dos serviços, pelo empregador. Com essa considerações, a solução da lide tributária instaurada por meio do presente recurso voluntário será encontrada a partir da comprovação, ou não, da existência da relação de emprego, consubstanciada pela comprovação da subordinação, entre as pessoas físicas que prestaram os serviços mencionados no auto de infração e a Recorrente. Vejamos a imputação fiscal no tocante ao tema, preliminarmente, ressalto que houve, por parte da autoridade lançadora, esforço em construção teórica sobre a questão da pejotização. Em que pese ser despicienda tal tarefa em relatório fiscal posto que tal peça processual tem função precípua de esclarecer os fatos e documentos analisados e os motivos do lançamento o Auditor Fiscal notificante expressa seu posicionamento pessoal sobre a pejotização ao asseverar: 11. Na conjuntura atual está cada vez mais comum, embora, seja considerada ilegal, a dita “PEJOTIZAÇÃO” como nova modalidade de contratação pela qual o empregador exige a constituição de Pessoa Jurídica pelo empregado a fim de descaracterizar a relação de emprego e, consecutivamente, afastar a aplicação da legislação trabalhista e reduzir de forma drástica o recolhimento tributário previdenciário. Como demonstrado acima, e reconhecido pela autoridade lançadora, a chamada pejotização encontra amparo legal em lei tributária, especificamente no artigo 129 da Lei nº 11.196/05. Tal reconhecimento consta do relatório fiscal Fl. 9878DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 24 23 14. Esta nova maneira de contratação foi utilizada com mais freqüência no que tange aos trabalhadores intelectuais, após o advento do art. 129 da Lei 11.196/2005, in verbis: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. 15. E, após a vigência da legislação supracitada, diversas empresas, de forma equivocada, começaram a contratar trabalhadores utilizando as ditas pessoas jurídicas interpostas, acobertando a ilicitude dessa relação no dispositivo legal transcrito. Cediço que não cabe ao Fisco presumir a ilicitude da conduta do contribuinte, tampouco emitir opinião sobre a legislação vigente. É seu dever, ao reverso, aplicar a lei tributária, agindo no sentido da desconstituição dos negócios jurídicos eivados de vício, como, por exemplo, nos casos de fraude ou simulação Após reproduzir a página da internet do hospital, com o fito de demonstrar que há notícia de que o sujeito passivo possui equipes médicas especializadas, o Auditor conclui: 46. De toda a informação trazida da internet verificase que o HOSPITAL SANTA HELENA busca ser reconhecido pela estrutura própria, pelo corpo clínico de excelência, pelos profissionais renomados, com vasta experiência em várias especialidades e ao anunciar seu corpo clinico, o HOSPITAL SANTA HELENA – HSH sugere que os profissionais da área de saúde são integrantes do corpo clinico do próprio Hospital, e ainda cita várias vezes que possui uma equipe especializada e capacitada. Ou seja, o Hospital passa a noção para a sociedade e para os seus clientes que possui médicos e equipe de profissionais de saúde nos seus quadros, mas internamente se utiliza da “PEJOTIZAÇÃO” para ser um “HOSPITAL FANTASMA” que funciona sem uma estrutura adequada de médicos vinculado diretamente a ele, ou melhor, nem seria um hospital, seria no máximo um local onde médicos poderiam locar áreas e trabalhar por conta própria, o que beira o absurdo. 47. Portanto, a realidade encontrada é que os médicos, estão sendo intermediados por empresas “PEJOTIZADAS” de forma ilegal, conforme dados relacionados nos anexos abaixo, e que estão na verdade a serviço do HOSPITAL SANTA HELENA HSH, atendem aos pacientes desse, com claro vínculo de emprego, portanto, sendo necessário desconsiderar os contratos destas empresas interpostas firmados com o HOSPITAL SANTA HELENA HSH, pelo simples fato de ser uma situação simulada que não prospera no mundo real, e que claramente afronta as Fl. 9879DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 25 24 leis, especialmente a previdenciária, conforme é amplamente demonstrado neste relatório fiscal. Depois de apresentados mais argumentos apaixonados, a Autoridade Lançadora, inicia o seu real mister, de verificar a ocorrência do fato gerador, ou seja, de provar a subsunção do fato à norma, quando afirma 54. Pela análise dos textos de vários dos contratos das empresas interpostas (“PEJOTIZAÇÃO”) verificase que foram forjados contratos “padronizados” com diversos textos repetidos e inseridos no contrato com a finalidade de dar aspecto de legalidade a situação irregular que acobertam. 55. Para melhor entendimento citase alguns dos textos padronizados encontrados em contratos analisados entre o HSH e as empresas PEJOTIZADAS “ANEXO Análise de alguns contratos para demonstrar que possuem as mesmas cláusulas dissimuladas pela pejotização” e com essa análise fica demonstrado que existe em todos os contratos das empresas PEJOTIZADAS: · Subordinação; · vinculação como local de trabalho para as pessoas físicas pejotizadas; · fiscalização e controle da atividade desenvolvida pelos “empregados pejotizados”; · onerosidade; · pessoas físicas atuando com pessoalidade (podendo inclusive ser demitidas); · tentativa de dissimular a responsabilidade trabalhista por acidentes; e · tentativa de dissimular a responsabilidade tributária. 56. E para facilitar o confronto dos itens analisados encontram se anexados a este processo a análise e alguns dos contratos analisados pela fiscalização: · ANEXO Análise de alguns contratos para demonstrar que possuem as mesmas cláusulas dissimuladas pela pejotização · ANEXO Contratos e Aditivos (vide anexo) Inegável que, na visão do Fisco, os trechos dos contratos constante dos anexos acima relatados são suficientes para a comprovação da relação de emprego entre aqueles trabalhadores que prestam serviços às pessoas jurídicas contratadas, seja como sócios, seja como empregados e o hospital. Reitero que, a mera leitura dos excertos dos contratos acima são suficientes, segundo o AFRFB, para caracterizar a relação de emprego. Senão vejamos Fl. 9880DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 26 25 57. Logo, afirmase novamente que os contratos firmados entre o HOSPITAL SANTA HELENA – HSH e os seus médicos sob o falso manto da interposta pessoa (“PEJOTIZAÇÃO”), são ilícitos e impedidos por lei, pois desrespeitam toda a legislação civil, tributária e previdenciária, em particular afrontam diretamente o art. 104, art. 122 e art. 123 do Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406 de 10/01/2002), o art. 2º e art. 3º da CLT, o art. 12, I, a da Lei 8.212/91 e a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho e todos os princípios do Direito do Trabalho. (...) 58. E ainda, de acordo com art. 9º da Consolidação das leis do Trabalho – CLT (aprovada pelo Decretolei nº. 5.452/1943) c/c art. 116, parágrafo único do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172/1966), devem, estes contratos simulados, ser desconsiderados por serem nulos de pleno direito, devendo ser procedida a apuração dos valores pagos pelos contratos simulados como pagamentos realizados para Pessoas Físicas como Segurados Empregados do HOSPITAL SANTA HELENA HSH. (...) 59. Pois, os negócios celebrados entre o contribuinte fiscalizado e empresas interpostas com o intuito de burlar as legislações tributária, previdenciária e trabalhista, embora tenham sido realizados com a anuência desses trabalhadores, não podem alterar ou extinguir definições instituídas por Legislação Federal, especificamente quando se trata de determinar fatos geradores de obrigações tributárias. Dessa forma, as disposições dos acordos efetuados entre essas partes não vinculam o fisco, razão pela qual devem incidir tributos sobre as verbas pagas a empregados com a utilização de empresas interpostas “PEJOTIZAÇÃO”. E sabedor da importância da caracterização da subordinação como elemento fundante da relação de emprego, o Fisco ressalta: 87. E fica clara a subordinação em todos os contratos, pois ao participar do Corpo Clínico do hospital o médico passa a sujeitarse à hierarquia do hospital, ao Estatuto Social, ao Regulamento Interno, ao Regimento do Corpo Clínico e as Normas de Serviços impostas pelo hospital.(grifo original) Não obstante todo o exposto, não encontro no Auto de Infração nenhuma prova da alegações fiscais. Inúmeros contratos, nenhuma prova, ou indício desta, que demonstre as alegações de vício de consentimento, pessoalidade ou ainda a necessária comprovação, mesmo que indiciária, da subordinação alegada. Há, sim, anexos que relacionam o nome de médicos que prestaram serviços ao hospital conforme prontuário médico, anexo com nomes de médicos que não eram sócios das empresas declaradas em DIRF, anexo com o quadro societário das pessoas jurídicas Fl. 9881DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 27 26 prestadoras de serviço, inúmeros contratos de prestação de serviços anexados ao Relatório Fiscal e várias notas fiscais da empresas prestadoras. NADA MAIS! Nenhuma prova das alegações fiscais. Nenhuma comprovação nem por amostragem de que uma pessoa física, aquele ser individualmente considerado, prestou serviço pessoal para o tomador, por intermédio de pessoa jurídica. Nenhuma comprovação, mesmo que indiciária, de que fulano de tal estava subordinado, hierarquicamente ou por meio de inserção no modelo organizacional do tomador de seus serviços. Ora, mera análise de contrato, embasada em percepção da autoridade fiscal, fundada em frase de efeito e imputações de vícios de consentimento e de ilicitudes várias, não tem o condão de comprovação da fraude, ou simulação previstas no artigo 9º da CLT que ensejam a aplicação das normas trabalhistas ao caso concreto. Não há subordinação que seja ínsita a um tomador de serviços que, por previsão contratual, determine o local da prestação de serviços! Ofende o primado da lógica, querer crer que algum contratante de serviços a serem prestados, alguém que contrate outrem para um facere, para uma obrigação de fazer, não defina o local aonde o serviço será prestado, ou preveja, contratualmente, a eventual alteração de tal local. Não se pode emprestar presunção de veracidade a alegações que pretendem imputar relação de emprego com base apenas em contrato. Não há, como dito, nenhuma comprovação das alegações fiscais. Não se prova pessoalidade, com o perdão da repetição, pelo simples motivo de que não há nenhuma identificação concreta de que fulano, beltrano ou sicrano, prestavam serviços 'intuito personae' ao Recorrente. Não se comprova tal argumento com a seguinte afirmação ...a pessoalidade é patente, pois fazse necessário a interveniência de profissionais de saúde de quem são exigidos requisitos funcionais, como: registro no CRM, formação e especialização, que permitem que o profissional e somente ele possa executar os procedimentos nos pacientes do HOSPITAL SANTA HELENA – HSH, e acrescentese que existe uma exigência contratual de cada profissional ser cadastrado/acompanhado pelo hospital (HOSPITAL SANTA HELENA – HSH). Ora, qualquer um dos milhares de médicos registrados no CRM são, potencialmente habilitados a prestar serviços médicos, tendo registro, formação e especialização, afastando de forma patente para se usar a expressão da autoridade fiscal a pessoalidade exigida para a caracterização do empregado. Mais a mais, cabe ao fiscal autuante, a partir dos elementos disponibilizados a ele no decorrer da ação fiscal, motivar e comprovar a existência dos pressupostos da relação Fl. 9882DF CARF MF Processo nº 14041.720112/201501 Acórdão n.º 2401005.900 S2C4T1 Fl. 28 27 empregatícia entre os prestadores de serviços e a contratante e não apenas presumir com base nos contratos. Como se observa das constatações encimadas, a autoridade lançadora não se desincumbiu do ônus de comprovar os requisitos da relação laboral entre os funcionários e/ou sócios das empresas prestadoras de serviços com a contratante, ora autuada, na forma que a legislação de regência exige, mais precisamente o artigo 229, § 2°, do Decreto n° 3.048/99 – Regulamento da Previdência Social, impossibilitando a manutenção do feito. Em face do provimento do recurso, deixo de analisar as razões recursais no tocante a qualificadora da multa a ao descumprimento de obrigações acessórias. Por todo o exposto, estando o lançamento sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para rejeitar à preliminar e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 9883DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002973/2007-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
DCOMP. RETIFICAÇÃO. SISTEMA PER/DCOMP. OBRIGATORIEDADE.
A retificação de Dcomp regularmente apresentada/transmitida, obrigatoriamente, deverá ser efetuada por meio da utilização do programa PER/DCOMP, caso contrário a compensação será considerada não declarada.
Numero da decisão: 9303-007.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 DCOMP. RETIFICAÇÃO. SISTEMA PER/DCOMP. OBRIGATORIEDADE. A retificação de Dcomp regularmente apresentada/transmitida, obrigatoriamente, deverá ser efetuada por meio da utilização do programa PER/DCOMP, caso contrário a compensação será considerada não declarada.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11610.002973/2007-04
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5960582
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.726
nome_arquivo_s : Decisao_11610002973200704.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11610002973200704_5960582.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7602069
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418157383680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 530 1 529 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11610.002973/200704 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.726 – 3ª Turma Sessão de 22 de novembro de 2018 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente EDP SÃO PAULO DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A (BANDEIRANTE ENERGIA S/A) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 DCOMP. RETIFICAÇÃO. SISTEMA PER/DCOMP. OBRIGATORIEDADE. A retificação de Dcomp regularmente apresentada/transmitida, obrigatoriamente, deverá ser efetuada por meio da utilização do programa PER/DCOMP, caso contrário a compensação será considerada não declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o acórdão nº 3302002.809, de 10/12/2014, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 29 73 /2 00 7- 04 Fl. 530DF CARF MF Processo nº 11610.002973/200704 Acórdão n.º 9303007.726 CSRFT3 Fl. 531 2 O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. nos termos da seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 A retificação de DCOMP deverá ser efetuada por meio da utilização do programa PER/DCOMP, de acordo com as normas estatuídas pela IN SRF n° 600/2005, sem a qual a compensação informada será considerada como não declarada." Intimado desse acórdão, o contribuinte apresentou embargos de declaração, alegando omissão e contradição. Por meio do despacho às fls. 334e/338e, os embargos foram analisados e rejeitados pelo Presidente da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara. Irresignado, apresentou recurso especial suscitando divergência, em relação às seguintes matérias: a) impossibilidade de Alteração do Critério Jurídico; b) validade da compensação não formalizada por meio do programa PER/DCOMP; c) compensação “Não Declarada” – ausência de confissão de dívida; e, d) extinção do débito em razão da homologação tácita, alegando, em síntese, quanto à matéria do item "a", "que não compete à Autoridade Julgadora a adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em respeito ao artigo 146 do Código Tributário Nacional"; ao item "b", que em face do princípio da verdade material a declaração apresentada em papel deve ser considerada válida e não impede o colegiado de apreciála; ao item "c", a Dcomp considerada não declarada não serve para constituir e exigir o crédito tributário nela declarado; e, "d", houve a extinção dos débitos declarados pela homologação tácita da Dcomp. Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 508e/513e, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção deu seguimento parcial ao recurso especial do contribuinte apenas e tão comente, quanto à matéria do b) validade da compensação não formalizada por meio do programa PER/DCOMP. Não houve interposição de Agravo. Intimada do acórdão da Câmara Baixa, do recurso especial do contribuinte e do despacho da sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou sua contrarrazões, requerendo o seu não conhecimento, por falta de similitude entre a matéria decidida na Câmara Baixa e a dos paradigmas e ainda por não ter indicado a legislação cuja interpretação é controvertida, e, se superada essa preliminar, no mérito, requereu a manutenção do acórdão recorrido pelos fundamentos do voto vencedor. Em síntese é o relatório. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 11610.002973/200704 Acórdão n.º 9303007.726 CSRFT3 Fl. 532 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Ao contrário do entendimento da Fazenda Nacional, os acórdãos paradigmas apresentados, nºs 3301003.164 e 330100.648, cujas ementas foram reproduzidas, às fls. 510 e, do despacho de admissibilidade, tratam da mesma matéria em discussão no recurso especial do contribuinte, validade da Dcomp apresentada em papel, sem a utilização do Programa PER/DCOMP. Assim, o recurso apresentado atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A retificação da DCOMP está regulada pela INSRF nº 600/2005, que assim dispõe: "Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput , o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação." Conforme demonstrado nos autos, o valor de débito da Dcomp 38301.45036.130204.1.3.047078 foi de R$2.088.705,62; já o da Dcomp 13618.42318.210906.1.7.040400, não admitida, foi de R$2.768.585,03. A vedação de retificação justificase porque à data de valoração da compensação na retificadora é a data da original transmitida, e por isso o débito compensado não pode ser alterado sob pena de se considerar a nova Dcomp como original e nova data de valoração, consoante o art. 61 da IN SRF nº 600/2005, que assim dispõe: "Art. 61. A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 28, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original." Ressaltese que o despacho decisório informou que a Dcomp 38301.45036.130204.1.3.047078 permaneceu ativa, em tratamento manual neste processo. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 11610.002973/200704 Acórdão n.º 9303007.726 CSRFT3 Fl. 533 4 Em 30/03/2007, a recorrente protocolou, em papel, Declaração de Compensação declarando crédito de R$2.021.750,42 (DARF de R$4.185.291,43 de Cofins de 12/2001) compensando débito de Cofins de 11/2003 no valor de R$2.768.585,03, informando que se tratava de declaração retificadora e a Dcomp retificada como sendo 13618.42318.210906.1.7.040400, e ainda que esta Dcomp fora transmitida, de forma equivocada, como retificadora, quando deveria ser original. Esta declaração em papel foi considerada não declarada por Despacho Decisório, intimado à ciência em 13/11/2007. A Dcomp em papel foi apresentada na data de 30/03/2007, posterior ao despacho decisório que não admitiu a Dcomp 13618.42318.210906.1.7.040400, apresentada em 28/02/2007, o que, por si só, impediria qualquer possibilidade de retificação, a teor dos artigos 56 e 57 da IN SRF nº 600/2005. "Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. (...), Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 57, 62 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Portanto, não havia amparo legal para o contribuinte retificar a Dcomp 13618.42318.210906.1.7.040400, seja eletronicamente, seja em papel. Ainda, como reforço na motivação desse voto, tomo a liberdade de adotar excerto do voto vencedor do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, reproduzido a seguir: Fl. 533DF CARF MF Processo nº 11610.002973/200704 Acórdão n.º 9303007.726 CSRFT3 Fl. 534 5 "Inicialmente, analisase o equívoco alegado pela recorrente. Este processo abrange três DCOMPs, duas eletrônicas e uma entregue em papel, cujos créditos se referem à Cofins de 12/2001 e cujos débitos se referem a Cofins de 11/2003. A recorrente alega que queria informar a DCOMP 13618.42318.210906.1.7.040400 como original. Entretanto, não é isso que depreendese dos dados informados na própria DCOMP, nem na DCTF relativa ao débito de 11/2003. Verificase que a Cofins de 11/2003 declarada em DCTF foi de R$ 6.505.113,95, com as seguintes extinções: DARFs 30/11/2003 02.302.100/000106 2172 15/12/2003 9,66 9 30/11/2003 02.302.100/000106 2172 15/12/2003 239.705,81 30/11/2003 02.302.100/000106 2172 15/12/2003 51.719,56 COMPENSAÇÕES: Valor Principal: 14.374.627,24 – 0220IRPJ Valor Compensado do Débito: 3.307.620,35 DCOMP 087457192313050417045054; PA: 31/12/20012172Data de Vencimento: 15/01/2002 Valor Principal: 4.148.534,03. Valor Compensado do Débito: 91.270,71 DCOMP : 215587621821090613049255 PA: 31/12/2001 – 2172Data de Vencimento: 15/01/2002 Valor Principal: 4.093.194,56. Valor Compensado do Débito: 2.768.585,03 DCOMP : 136184231821090617040400 PA 31/01/2002 Código Receita: 2172 Vencimento: 15/02/2002 Valor Principal: 3.615.493,26. Valor Compensado do Débito: 46.202,83 DCOMP : 277509168020090617045098 Se a recorrente pretendia entregar uma DCOMP original com débitos de R$ 2.768.585,03 (seja a 13618.42318.210906.1.7.040400 ou em papel) e, ao mesmo tempo, manter uma DCOMP original de R$ 2.088.705,62, então o débito total compensado seria a soma das duas e isto deveria se refletir na DCTF do débito. Entretanto, conforme acima exposto, a DCTF do débito contém apenas a informação de extinção da DCOMP 13618.42318.210906.1.7.040400 e nada sobre a DCOMP 38301.45036.130204.1.3.047078, a única que está ativa e sem decisão. Isto demonstra que o valor que efetivamente se queria compensar era de R$ 2.768.585,03, e exatamente, por isso, a recorrente apresentou uma DCOMP retificadora para alterar o débito originalmente informado de R$ 2.088.705,00 para o correto de R$ 2.768.585,03. Entretanto, tal procedimento não é permitido, conforme o artigo 59 da IN SRF nº 600/2005. A alegação de que a DCOMP 13618.42318.210906.1.7.040400 fora informada equivocadamente como original é incompatível com a existência da DCOMP original 38301.45036.130204.1.3.047078, à vista dos valores compensados informados na DCTF de 11/2003. A inadmissão da DCOMP 13618.42318.210906.1.7.040400 foi decorrente da informação de aumento de débito. E a tentativa de retificála simplesmente era Fl. 534DF CARF MF Processo nº 11610.002973/200704 Acórdão n.º 9303007.726 CSRFT3 Fl. 535 6 inviável, pois que foi efetivada após o despacho decisório têla não admitido, o que configura impedimento, a teor dos artigos 57 e 73 da IN SRF nº 600/2005. Ressaltase que mesmo a declaração em papel apresentada incorreu no mesmo impedimento, isto é, tentou retificar uma DCOMP já decidida por despacho decisório. Além disso, não é uma declaração original, mas uma retificadora da 13618.42318.210906.1.7.040400. De fato, ao contrário do que afirma a recorrente, ela descumpriu os requisitos da instrução normativa tanto eletronicamente quanto na entrega do formulário em papel. Além disso, a suposta falha do sistema alegada pela recorrente, que teria impedido a transmissão da declaração entregue em papel, na realidade, não foi falha alguma, mas inobservância das instruções de preenchimento da DCOMP. O ajuda do PERDCOMP assim dispunha: AJUDA 11) Nº do PER/DCOMP Retificado: Uma vez assinalado o campo “PER/DCOMP Retificador”, o contribuinte deverá preencher esse campo com o número do Pedido Eletrônico de Ressarcimento, do Pedido Eletrônico de Restituição, Pedido Eletrônico de Reembolso ou da Declaração de Compensação original que o contribuinte deseja retificar, independentemente de já têlo retificado anteriormente. Atenção! O Programa PER/DCOMP não admite a retificação de documento retificador, apenas a retificação de documento original. Frisese, porém, que a DCOMP 38301.45036.130204.1.3.047078, originalmente entregue, está aparentemente ativa e sem decisão. Além desta, há mais três DCOMPs apresentadas pela recorrente, relativas ao mesmo direito creditório de Cofins de 12/2001, conforme representação de fl. 242: PERDCOMP PROCESSO LOCALIZAÇÃO 22172.46459.220906.1.7.040341 10880.724919/201149 EQITD/DIORT/DERAT 11449.99189.231006.1.3.049650 10880.724919/201149 EQITD/DIORT/DERAT 21558.76218.210906.1.3.049255 10880.676751/200933 DIORT/DERAT 38301.45036.130204.1.3.047078 11610.002973/200704 CARF Assim, as decisões sobre os processos acima influenciam diretamente a cobrança do débito de R$ 2.768.585,03 informado na DCOMP nº 13618.42318.210906.1.7.040400, inadmitida, bem como na declaração em papel considerada não declarada." À luz do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 535DF CARF MF Processo nº 11610.002973/200704 Acórdão n.º 9303007.726 CSRFT3 Fl. 536 7 Fl. 536DF CARF MF Processo nº 11610.002973/200704 Acórdão n.º 9303007.726 CSRFT3 Fl. 537 8 Fl. 537DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917126/2013-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO
É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.369
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.917126/2013-33
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5960937
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.369
nome_arquivo_s : Decisao_10880917126201333.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10880917126201333_5960937.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7604284
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418160529408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1775; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.917126/201333 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.369 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 26 /2 01 3- 33 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.917126/201333 Acórdão n.º 3302006.369 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação apenas parcial da compensação declarada, pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, limitandose a alegar a nulidade da decisão, sob o argumento de ausência de fundamentação. Questionou o então Manifestante a validade da decisão eletrônica, não submetida ao crivo de um Auditor Fiscal, e discorreu acerca do instituto da nulidade dos atos administrativos, trazendo aos autos farta doutrina e jurisprudência. Pugnou, também, pela posterior produção de provas, considerando a ausência de motivação da decisão a impossibilitar o conhecimento prévio da prova a ser produzida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14051.418, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, declarando a validade do Despacho Decisório, sob o argumento de que o documento, ainda que eletrônico, possuía todos os elementos legalmente exigidos, proferido por autoridade competente e motivado pela verificação dos valores objeto de outras declarações. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.361, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.917118/201397, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.361): Sinteticamente, a Recorrente questiona a validade do Despacho Decisório por meio do qual foi denegado o pedido de compensação de tributos, sob o argumento de que ele limitouse a afirmar. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.917126/201333 Acórdão n.º 3302006.369 S3C3T2 Fl. 4 3 "A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 1.248,99 Valor do crédito original reconhecido: 114,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2013. (...) Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereçowww.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008." Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente não traz aos autos qualquer prova documental e para a dilação de sua entrega invoca o artigo 16, § 4º, a), do Dec. 70235 sob o argumento de que "... demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por força maior." eis que ao seu ver "... a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas." Já no Recurso Voluntário também sustenta tratarse de um ato vinculado que, portanto, necessita ser realizado em conformidade com o ordenamento jurídico. Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.917126/201333 Acórdão n.º 3302006.369 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.900588/2006-50
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
IPI. PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. ALEGAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE ERRO DE PREENCHIMENTO APENAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Apesar do erro de preenchimento alegado, tal matéria não poderia ser conhecida por instância recursal, haja vista ter sido apontada apenas em sede de Recurso Voluntário, conforme apontado na decisão de primeira instância. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal.
RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.
O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões da manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos.
Numero da decisão: 3001-000.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. ALEGAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE ERRO DE PREENCHIMENTO APENAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Apesar do erro de preenchimento alegado, tal matéria não poderia ser conhecida por instância recursal, haja vista ter sido apontada apenas em sede de Recurso Voluntário, conforme apontado na decisão de primeira instância. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões da manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10930.900588/2006-50
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5962047
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3001-000.718
nome_arquivo_s : Decisao_10930900588200650.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RENATO VIEIRA DE AVILA
nome_arquivo_pdf_s : 10930900588200650_5962047.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7611701
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418195132416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1944; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 706 1 705 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.900588/200650 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.718 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 24 de janeiro de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Recorrente SANTOS ANDIRAINDUTRIA DE MOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. ALEGAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE ERRO DE PREENCHIMENTO APENAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Apesar do erro de preenchimento alegado, tal matéria não poderia ser conhecida por instância recursal, haja vista ter sido apontada apenas em sede de Recurso Voluntário, conforme apontado na decisão de primeira instância. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões da manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 05 88 /2 00 6- 50 Fl. 706DF CARF MF 2 Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Pedido de Ressarcimento Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de IPI do terceiro trimestre de 2003. Despacho Decisório Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 68.915,09 A autoridade fiscal concluiu por estar Valor do crédito reconhecido: R$ 63.759,82 HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 13224.67452.141003.1.3.01•2726 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restItuição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 24972.03842!240903.1.1.01601.0 Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, o recorrente alega, em suma, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal quanto ao direito creditório de IPI e ao ressarcimento pleiteado. considerou apenas a "Per/Dcomp" n° 24972.03842.240903.1.1.016010, no valor de R$ 68.915,09, apresentada para o pedido de ressarcimento do crédito do IPI apurado no 1° trimestre de 2003 (cf. item 02 do despacho decisório). Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10930.900588/200650 Acórdão n.º 3001000.718 S3C0T1 Fl. 707 3 não tomou para a análise a "Per/Decomp" n° 28990.19822.250903.1.1.010614, que indica o crédito de R$ 89.291,67, referente ao 2° trimestre, e a "Per/Dcomp" n° 39687.98433.141003.1.1.013380, a qual demonstra o crédito de R$ 293.445,18, apurado no 3° trimestre do ano de 2003. 6.4. Em virtude de não haver contemplado as "Per/Decomp's" do 2° e do 3 0 trimestres, a fiscalização concluiu que "0 crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo", asseverando que o crédito passível de compensação seria somente R$ 68.915,09, declarado na "Per/Dcomp" relativa ao 1° trimestre de 2003, de número 24972.03842.240903.1.1.016010 4 cf. item 03 do despacho decisório. Conseqüentemente o aludido despacho indevidamente glosou a diferença entre o valor homologado da Per/Decomp do 1° trimestre, e os débitos de PIS e COFINS informados na declaração de compensação DRJ/RPO a manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO Apesar do erro de preenchimento alegado, o valor do crédito que se pretendia compensar já foi pago ao contribuinte, conforme OB de 20/06/2011 e, portanto, não há mais a possibilidade da compensação solicitada, pela impossibilidade de aproveitamento do crédito em duplicidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil que deferiu parcialmente o Fl. 708DF CARF MF 4 ressarcimento, no montante de R$ 287.109,08. Parte do crédito reconhecido foi utilizado em compensações e concedido o ressarcimento parcial para o pedido apresentado no PER/DCOMP: 39687.98433.141003.1.1.013380. Valor da restituição/ressarcimento: R$ 30.454,77. O deferimento parcial do crédito se deveu pela constatação de que o valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos (aquisições de optantes do Simples e CNPJ baixado). Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Regularmente cientificada do deferimento parcial de seu pleito, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual fez as seguintes considerações: Ao final do primeiro trimestre do ano de 2003, a recorrente apurou crédito remanescente do imposto sobre produtos industrializados IPI, passível ressarcimento na forma do artigo 14 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30/10/2002, no montante de R$ 68.915,09 (sessenta e oito mil, novecentos e quinze reais e nove centavos). Assim, na forma do art. 2° da Instrução Normativa SRF 360, de 24/09/2003, apresentou o respectivo pedido de ressarcimento do crédito em favor do seu estabelecimento matriz, inscrito no CNPJ sob o n° 75.205.831/000107, através da "Per/Dcomp" n° 24972.03842.240903.1.1.016010, protocolizada em 24/09/2003. Do mesmo modo, em relação ao segundo trimestre daquele ano, apurouse um crédito de R$ 89.291,67 (oitenta e nove mil duzentos e noventa e um reais e sessenta e sete centavos, objeto do pedido de ressarcimento pela "Per/Dccomp" n° 28990.19822.250903.1.1.01 0614, apresentada em 25/09/2003 (doe. 06). Finalmente, o crédito havido no terceiro trimestre foi de R$ 293.445,18 (duzentos e noventa e três mil, quatrocentos e quarenta e cinco reais e dezoito centavos, cujo pedido de ressarcimento ocorreu por meio da "Per/Dcomp" n° 39687.98433.141003.1.1.013380, transmitida em 14/10/2003. Por conseguinte, o total dos créditos apurados do primeiro ao terceiro trimestre foi de R$ 451.651,94 (quatrocentos e cinqüenta e um mil, seiscentos e cinqüenta e um reais e noventa e quatro centavos). Com efeito, os dados da declaração de compensação enunciam com clareza que o crédito de IPI compensado referese à monta de R$ 451.651,94, correspondente aos pedidos de ressarcimento efetuados através das Per/Dcomp's do primeiro, segundo e terceiro trimestre de 2003, como narrado nos itens 1 a 4 supra. O despacho decisório n° 775502257 da Delegacia da Receita Federal em Londrina (doe. 09) reconheceu a possibilidade da compensação, porém considerou somente a "Per/Dcomp" n° 24972.03842.240903.1.1.016010, no valor de R$ 68.915,09, apresentada para o pedido de ressarcimento do crédito do IPI apurado no 1º trimestre de 2003 (cf. item 02 do despacho decisório). Desse modo, não tomou para a análise a "Per/Decomp" n° 28990.19822.250903.1.1.01 0614, que indica o crédito de R$ 89.291,67, referente ao 2º trimestre, e a "Per/Dcomp" n° 39687.98433.141003.1.1.013380, a qual demonstra o crédito de R$ 293.445,18, apurado no 3º trimestre do ano de 2003, o que foi objeto da manifestação de inconformidade Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10930.900588/200650 Acórdão n.º 3001000.718 S3C0T1 Fl. 708 5 protocolizada sob o n" 09102051, em 03 de setembro de 2008, a qual aguarda julgamento nesse Egrégio Órgão Colegiado. O restante do saldo ainda existente na '"Per/Dcomp'' n° 39687.98433.141003.1.1.013380 (R$ 256.654,31), foi utilizado para a compensação doP1S/PASEP, cod receita 81091, dos meses de outubro e novembro de 2003, e COF1NS, cod.Receita 21721, competência de outubro de 2003, conforme demonstram as respectivas Per/Dcomp's n°s 29459.63416.131103.1.3.010140 e 25815.13489.151203.1.3.012176 em anexo (does. 11/12). Portanto, ao que tudo indica, o presente despacho decisório n°941335215, que atribui saldo a restituir no valor de R$ 30.454,77 em favor da recorrente oriundo da '"Per/Dcomp" n° 39687.98433.141003.1.1.013380, decorre, em verdade, do não reconhecimento das compensações declaradas em 14/10/2003 através da Per/Dcomp n° 13224.67452.141003.1.3.012726 (itens 1 a 4 supra), objeto da indigitada manifestação de inconformidade 09102051. Por fim, pediu que a manifestação fosse julgada simultanemente com o pedido de compensação do saldo devedor de PIS e COFINS indicado na declaração n° 13224.67452.141003.1.3.012726, com os créditos de ressarcimento através da "Per/Decomp" n° 28990.19822.250903.1.1.010614 e da "Per/Dcomp" n° 39687.98433.141003.1.1.013380. Para tentar corrigir o erro cometido pelo contribuinte e alocar os créditos aos débitos na Dcomp, fezse necessário verificar nos sistemas de controle de crédito – SCC, qual a situação dos ressarcimentos dos PER 30969.99970.071004.1.101 3899 e 24972.03842.240903.1.1.016010, ou seja, verificar se já houve o pagamento do SALDO DISPONÍVEL APURADO referente aos PER 30969.99970.071004.1.1013899 e 24972.03842.240903.1.1.016010, ou a compensação de ofício com aceite do contribuinte. Em resposta à diligência, a DRF de origem informou que o valor de R$ 30.454,77 já havia sido pago pela OB (ordem bancária) emitida em 20/06/2011. É o relatório. A DRJ considerou que o pedido de ressarcimento foi parcialmente reconhecido no despacho decisório impugnado, já tendo sido pago ao contribuinte o montante de R$ 30.454,77 na data de 20/06/2011, não sendo possível, portanto, realizar compensação do referido valor. O fundamento do voto demonstra que a forma apropriada ao encaminhamento do ressarcimento, obedece regras concretas, não podendo o contribuinte incluir, em seu procedimento, competencia diversa daqueles créditos e débitos demonstrados nos formulário eletrônicos oficiais, conforme demonstrado no trecho a seguir transcrito: , o crédito a ser analisado nestes autos somente pode se limitar àquele pleiteado no pedido, não há que se analisar no presente processo a possibilidade de direito a créditos do 2º e 3º trimestres de 2003, estranhos ao direito pleiteado no pedido inicial. Fl. 710DF CARF MF 6 Isso posto, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, o recorrente aduziu os seguintes argumentos: Mero erro de preenchimento da PER/DCOMP Alega o recorrente que ocorreu mero erro de preenchimento da PER/DCOMP, o qual não teria o condão de afetar seu direito ao ressarcimento de IPI do terceiro trimestre de 2003. Não aceitação do montante restituído pela Secretaria da Receita Federal Ademais, alega que não aceitou a restituição em espécie atribuída pela Secretaria da Receita Federal, informando que, caso tenha recebido tal valor, procederá a sua devolução aos cofres públicos, tendo em vista sua intenção de continuar na discussão administrativa da demanda perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por já ter sido pago ao contribuinte o crédito de IPI reconhecido no despacho decisório. Admissibilidade do Recurso O contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 21.08.2015, conforme o Termo de Abertura de Documento de fl. 674, nos termos da alínea “b” do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10930.900588/200650 Acórdão n.º 3001000.718 S3C0T1 Fl. 709 7 Verificase, pois, que o recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 15.09.2015, conforme comprova o carimbo da ARF de Jacarezinho/PR à fl. 677, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. MÉRITO O recorrente. em pretendendo dar continuidade à discussão administrativa, informou que não se conforma com a decisão de primeira instância administrativa, uma vez que houve erro, de sua parte, no preenchimento de formulário eletrônico. Situação que não pode ser trazida a esta instância, nesse momento. Em sua peça de defesa inaugural, a recorrente limitase a contestar sua o indeferimento do crédito, apontando outras Dcomps como origens de seu direito. Já no Recurso Voluntário, a recorrente alega haveria ocorrido erro de digitação, e, por esta razão, o sistema da receita federal, não teria logrado reconhecer o aludido crédito. Desta forma, a inaugura nova discussão, sem, contudo, tentar comprovar o fundamento da glosa apontado na decisão de primeira instância, sem amparo, portanto, dos artigo 16 e 17 do Decreto 7023/72. Neste sentido, transcrevese decisão deste CARF: Acórdão nº 3401004.446 DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. Fl. 712DF CARF MF 8 As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Ainda, considera equivocado o entendimento da DRJ, vez se tratar de mero erro de preenchimento de PER/DCOMP, não tendo o condão de prejudicar o pleito de restituição em sua integralidade. Quanto ao argumento relativo a não concordancia com a restituição, a recorrente não se desincumbiu, como se apregoa ao longo deste autos, de colaciona qualquer documento a fim de tentar demonstrar a irregularidade do procedimento fazendário, relativo ao valor de restituição deferido, e, ainda, sequer menciona, em sua contabilidade, os motivos de sua concordância, reservandose apenas o direito de contra argumentar, sem provar. Neste sentido, pareceme inviável, diante dos argumentos e provas trazidas pela autoridade fazendária, dar azo às pretensões recursais, sendo que, por este motivo, mantenho os mesmo fundamentos da decisão recorrida. Da manutenção dos fundamentos da decisão recorrida A decisão de primeira instância administrativa deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos no que se refere a forma de correção dos valores ventilados neste PAF. Dispõe o artigo 57 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), in verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Transcrevo, assim, o voto da decisão recorrida, uma vez que deverá ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Voto A manifestação de inconformidade apresentada atende aos requisitos gerais de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Assim sendo, dela conheço. MÉRITO. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10930.900588/200650 Acórdão n.º 3001000.718 S3C0T1 Fl. 710 9 Pretende a manifestante utilizar o saldo de crédito do pedido ressarcimento de IPI do 3º trimestres de 2003, objeto do PER nº 39687.98433.141003.1.1.013380 para as compensações vinculadas à DCOMP nº 13224.67452.141003.1.3.012726. Aparentemente, corrobora com esse pedido as informações prestadas na DCOMP nº 29459.63416.131103.1.3.010140, na Ficha “Ressarcimento de IPI” na qual consta: Nº do PERDCOMP Inicial 39687.98433.141003.1.1.013380 Nº do Último PERDCOMP 13224.67452.141003.1.3.012726. Em análise ao SCC, verificase que a DCOMP nº 13224.67452.141003.1.3.012726 também foi vinculada ao Per/Dcomp n° 24972.03842.240903.1.1.016010, com crédito no valor de R$ 63.759,82. No PER n° 28990.19822.250903.1.1.010614 (ressarcimento do 2º Trimestre/2003), que indica o crédito de R$ 89.291,67, não há pedido de compensação (DCOMP) vinculado e o saldo está disponível no montante de R$ 84.630,90. Embora os documentos constantes dos autos indiquem a intenção da contribuinte em compensar os débitos em aberto neste processo com outros pedidos de ressarcimento, há que se reconhecer que o procedimento adotado pela manifestante está incorreto. Se a intenção da empresa fosse utilizar créditos de trimestres distintos para a compensação alegada, o procedimento correto seria apresentar três declarações de compensação: a primeira vinculanda ao PER nº 24972.03842.240903.1.1.016010 do crédito referente ao 1º trimestre de 2003; a segunda vincullada ao PER nº 28990.19822.250903.1.1.01 0614 referente ao crédito do 2º trimestre de 2003 e a ultima vinculada ao PER nº 39687.98433.141003.1.1.013380, referente ao 3º trimestre de 2003. É de se lembrar que, na Ficha “Ressarcimento de IPI” da DCOMP, é necessário especificar o trimestre de referência do crédito, sendo possível especificar apenas um trimestre calendário. Conforme o presente despacho decisório, o crédito pleiteado no PER nº 30969.99970.071004.1.1013899 foi parcialmente reconhecido e o valor de R$ 30.454,77 passível de ressarcimento em espécie. Por sua vez, segundo pesquisa no SCC e informações constantes do processo, tal valor está sendo utilizado na compensação de ofício com débitos em aberto em nome do contribuinte. Acrescentese que a diligência solicitada por esta Turma esclareceu que o valor já havia sido pago ao contribuinte, conforme OB de 20/06/2011 e, portanto, não há mais a possibilidade da compensação solicitada, pela impossibilidade de aproveitamento do crédito em duplicidade. Desta forma, voto pelo indeferimento do pedido. Conclusão Diante do exposto, conheço parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário Fl. 714DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 715DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.721553/2013-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DEFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o relatório fiscal, e seus anexos, contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional.
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE.
Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado.
RISCO DE ACIDENTE DO TRABALHO. ERRO NO AUTOENQUADRAMENTO PELA EMPRESA. GRAU DE RISCO CONFORME ATIVIDADE PREPONDERANTE. ALÍQUOTA. DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
No caso de erro no autoenquadramento da atividade econômica preponderante da empresa e respectivo risco de acidente do trabalho, a fiscalização procederá ao lançamento de ofício das diferenças de valores devidos. Correto o procedimento fiscal que considerou a alíquota de 3% incidente sobre a remuneração dos segurados, tendo em vista a classificação como de risco grave de acidente do trabalho para a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.
Numero da decisão: 2401-005.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DEFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o relatório fiscal, e seus anexos, contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. RISCO DE ACIDENTE DO TRABALHO. ERRO NO AUTOENQUADRAMENTO PELA EMPRESA. GRAU DE RISCO CONFORME ATIVIDADE PREPONDERANTE. ALÍQUOTA. DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No caso de erro no autoenquadramento da atividade econômica preponderante da empresa e respectivo risco de acidente do trabalho, a fiscalização procederá ao lançamento de ofício das diferenças de valores devidos. Correto o procedimento fiscal que considerou a alíquota de 3% incidente sobre a remuneração dos segurados, tendo em vista a classificação como de risco grave de acidente do trabalho para a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10435.721553/2013-76
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5964837
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-005.967
nome_arquivo_s : Decisao_10435721553201376.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 10435721553201376_5964837.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7620866
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418200375296
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-02-16T23:27:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-02-16T23:27:51Z; Last-Modified: 2019-02-16T23:27:51Z; dcterms:modified: 2019-02-16T23:27:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-02-16T23:27:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-02-16T23:27:51Z; meta:save-date: 2019-02-16T23:27:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-02-16T23:27:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-02-16T23:27:51Z; created: 2019-02-16T23:27:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-02-16T23:27:51Z; pdf:charsPerPage: 2096; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-02-16T23:27:51Z | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 55.064 1 55.063 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10435.721553/201376 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.967 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DIFERENÇAS DE ALÍQUOTA GILRAT Recorrente ADLIM TERCEIRIZAÇÃO EM SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DEFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o relatório fiscal, e seus anexos, contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. RISCO DE ACIDENTE DO TRABALHO. ERRO NO AUTOENQUADRAMENTO PELA EMPRESA. GRAU DE RISCO CONFORME ATIVIDADE PREPONDERANTE. ALÍQUOTA. DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No caso de erro no autoenquadramento da atividade econômica preponderante da empresa e respectivo risco de acidente do trabalho, a fiscalização procederá ao lançamento de ofício das diferenças de valores devidos. Correto o procedimento fiscal que considerou a alíquota de 3% incidente sobre a remuneração dos segurados, tendo em vista a classificação como de risco grave de acidente do trabalho para a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 15 53 /2 01 3- 76 Fl. 55064DF CARF MF Processo nº 10435.721553/201376 Acórdão n.º 2401005.967 S2C4T1 Fl. 55.065 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), por meio do Acórdão nº 0134.618, de 23/08/2017, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 54.954/54.964): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 DECISÃO ANULADA PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. Cabe proferir novo acórdão atinente a processo cuja decisão de primeira instância foi anulada pelo CARF. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. DIFERENÇA DE ALÍQUOTA SAT/RAT. ENQUADRAMENTO NO GRAU DE RISCO CONFORME ATIVIDADE PREPONDERANTE. CNAE INFORMADO EM GFIP. Referese a contribuição da empresa, prevista no inciso II do art. 22 da Lei 8212/91, e consiste em percentual que mede o risco da Fl. 55065DF CARF MF Processo nº 10435.721553/201376 Acórdão n.º 2401005.967 S2C4T1 Fl. 55.066 3 atividade econômica. As alíquotas variam de acordo com a atividade preponderante da empresa. Atividade preponderante é aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos dentro da empresa. A base de cálculo são as informações prestadas pela empresa em sua GFIP. FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO FAP. VARIAÇÃO DO SAT/RAT CONFORME INVESTIMENTOS EM PREVENÇÃO E CONTROLE DE ACIDENTES DE TRABALHO. Conforme prescreve o art. 10 da Lei nº 10.666/03, a alíquota do SAT/RAT poderá ser reduzida ou aumentada conforme dispuser o regulamento, em razão do desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos índices de frequência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social. O Decreto nº 6.957/09 alterou o Decreto nº 3.048/99 e regulou a matéria quanto à aplicação, acompanhamento e avaliação do Fator Acidentário de Prevenção FAP. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. DESNECESSÁRIAS. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis à solução da lide, quando estão presentes nos autos elementos suficientes para formação de convicção acerca da matéria em análise. Impugnação Improcedente Extraise do Relatório Fiscal que o processo administrativo é composto do Auto de Infração (AI) nº 51.038.3270, relativo às diferenças da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), ajustada pelo Fator Acidentário de Prevenção (FAP), incidente sobre o total das remunerações dos segurados empregados declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), nas competências de 01/2010 a 12/2010, inclusive décimo terceiro salário (fls. 04/06). Segundo o agente fazendário, o contribuinte declarou como atividade preponderante da empresa, em todos os meses de 2010, a intermediação e o agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários, correspondente ao Código Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 74901/04. Porém, utilizou na GFIP a alíquota GILRAT de 1% e o FAP igual 1, resultando na alíquota final de 1% (GILRAT x FAP). A partir da análise das folhas de pagamento e planilhas fornecidas pela pessoa jurídica, a fiscalização procedeu ao reenquadramento da contribuição previdenciária para o ano de 2010, com base na alíquota GILRAT de 3% (CNAE 81214/00 Limpeza em Prédios e em Domicílios) e FAP de 1,4645 (atribuído pelo Ministério da Previdência Social). Tais parâmetros resultaram na alíquota ajustada de 4,3935% (GILRAT x FAP), de maneira tal que o Fl. 55066DF CARF MF Processo nº 10435.721553/201376 Acórdão n.º 2401005.967 S2C4T1 Fl. 55.067 4 crédito tributário lançado no auto de infração equivale à diferença de 3,3935%, não declarada em GFIP (fls. 08/15). A autuada tomou ciência do auto de infração em 28/06/2013, tendo impugnado a exigência fiscal (fls. 08 e 442/455). Em julgamento na primeira instância, o crédito tributário foi exonerado em razão da decretação de nulidade do lançamento fiscal, por vício formal, tendo a autoridade recorrido de ofício dessa decisão, considerando o montante exonerado de tributo e encargos de multa (fls. 54.917/54.923). Ao apreciar o recurso de ofício, a 1ª Turma da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão nº 2201 003.567, de 05/04/2017, deulhe provimento para afastar a nulidade determinada pela decisão de piso, com retorno dos autos à instância de origem para prolatação de nova decisão com exame do mérito (fls. 54.934/54.942). Deste último julgamento, o sujeito passivo foi intimado e requereu o prosseguimento do feito, com base nas razões meritórias da impugnação já apresentada (fls. 54.951). Sobreveio, na sequência, uma nova decisão de primeira instância, através do Acórdão nº 01034.618, de 23/08/2017, dessa feita pela improcedência da impugnação (fls. 54.954/54.964). Intimada do acórdão em 21/09/2017, data em que efetuou consulta no endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, a empresa autuada protocolou recurso voluntário no dia 26/09/2017, em que aduz os seguintes argumentos de fato e de direito (fls. 54.967/54.968 e 54.969/54.976): (i) a atividade laboral preponderante da recorrente está vinculada ao exercício de tarefas administrativas, dentre elas merendeiras, com enquadramento no GILRAT de 1%, cuja atividade, inclusive, não se configura como insalubre; (ii) a fiscalização deixou de demonstrar qualquer critério válido para justificar o enquadramento na alíquota GILRAT de 3%, o que representou cerceamento do seu direito de defesa, na medida em que se viu impedida de contestar amplamente o lançamento fiscal; e (iii) a recorrente solicitou a realização de perícia nos autos da impugnação com a finalidade de demonstrar a preponderância das atividades administrativas executadas pelos seus segurados empregados, contudo tal pedido restou indeferido. É o relatório. Fl. 55067DF CARF MF Processo nº 10435.721553/201376 Acórdão n.º 2401005.967 S2C4T1 Fl. 55.068 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminares a) Cerceamento de defesa Aduz a recorrente que, no caso vertente, o agente fiscal cerceou o seu direito de defesa, inviabilizando o pleno exercício ao não indicar no auto de infração quaisquer critérios para o enquadramento do grau de risco de acidente do trabalho na alíquota correspondente a 3%. Sem razão, entretanto. O Relatório Fiscal está devidamente motivado, restando explícito as razões do lançamento de ofício, assim como os critérios utilizados pela fiscalização para a revisão do enquadramento na atividade preponderante para fins da definição do respectivo risco de acidente do trabalho no que tange à incidência da contribuição previdenciária, considerando a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Nesse sentido, confirase a narrativa fiscal (fls. 04/05): (...) 6. O contribuinte, no período de 01/2010 a 12/2010, declarou em GFIP o CNAE preponderante de código 7490104(ATIVIDADES DE INTERMEDIAÇÃO E AGENCIAMENTO DE SERVIÇOS E NEGÓCIOS EM GERAL, EXCETO IMOBILIÁRIOS). Além disso, ajustou a alíquota RAT para 1% e o FAP para 1, o que resultou num RAT ajustado de 1%(RESULTADO DA MULTIPLICAÇÃO RAT X FAP). Até a competência 06/2009 o código CNAE informado em GFIP era o 8121400(LIMPEZA EM PRÉDIOS E EM DOMICÍLIOS). (...) 10. Para que fosse apurado o correto enquadramento da atividade preponderante da empresa e, conseqüentemente, o código CNAE correspondente, foram solicitadas as folhas de pagamento do período fiscalizado, as planilhas contendo a relação dos empregados indicando suas respectivas funções e os Fl. 55068DF CARF MF Processo nº 10435.721553/201376 Acórdão n.º 2401005.967 S2C4T1 Fl. 55.069 6 códigos CBO, além dos contratos de prestação de serviço vigentes em 2010. 11. Na análise das folhas de pagamento e das planilhas fornecidas pela empresa, verificouse que o maior número de empregados da empresa, no período de 01 a 12/2010, estava alocado nas funções de MERENDEIROS E MERENDEIRAS (2550 EMPREGADOS), AUXILIAR DE SERVIÇOS GERAIS (2352 EMPREGADOS) e AUXILIAR DE HIGIENIZAÇÃO (118 EMPREGADOS). Na análise dos contratos fornecidos verificou se que as atividades desenvolvidas por estes empregados consistiam no preparo e distribuição de merenda escolar, limpeza e higienização de cozinhas, lavagem de louças talheres e utensílios, recepção e armazenagem de alimentos, limpeza e conservação predial e limpeza e conservação de ambientes hospitalares. 12. Conforme determina o parágrafo 3°, do Artigo 202 do Decreto 3.048/99, o correto CNAE preponderante da empresa a ser informado em GFIP deveria ser 8121400 (LIMPEZA EM PRÉDIOS E EM DOMICÍLIOS), tendo sido indevido o reenquadramento realizado pelo contribuinte. Para este código CNAE a alíquota RAT correspondente é de 3%. O FAP atribuído pelo MPS para a empresa no exercício de 2010 foi de 1,4645. Portanto, o RAT ajustado para o período fiscalizado seria 4,3935(3% do RAT multiplicado por 1,4645). 13. Como a empresa declarou um RAT ajustado de 1% em todas as competências de 2010, será lançada a diferença de alíquota de 3,3935%, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados declaradas em GFIP de 01/2010 a 12/2010. Os lançamentos, por competência, estão discriminados no “RL – Relatório de Lançamentos” e estão vinculados ao código de levantamento “DR – DIFERENÇA DE RAT”. Os valores mensais dos totais das bases de cálculo podem ser visualizados na planilha “CÁLCULO DA DIFERENÇA DO RAT” anexa a este Auto de Infração. (...) Para ilustrar os dados coletados no curso do procedimento fiscal, o agente fazendário juntou aos autos uma planilha com a relação nominal de empregados no ano de 2010, contendo nome do trabalhador, função e data de admissão; demonstrativo consolidado das atividades exercidas pelos segurados empregados e cópias de contratos de fornecimento de mão de obra destinada à prestação de serviços em escolas públicas do Estado de Pernambuco (fls. 44/224 e 225/306). Como se observa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando o relatório fiscal e os demais anexos que compõem o auto de infração contêm os elementos necessários à identificação dos motivos para o reenquadramento da atividade econômica preponderante da empresa e respectivo grau de risco de acidente do trabalho, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa na fase do contencioso administrativo. Fl. 55069DF CARF MF Processo nº 10435.721553/201376 Acórdão n.º 2401005.967 S2C4T1 Fl. 55.070 7 b) Pedido de perícia Reclama o sujeito passivo que a decisão de piso indeferiu o seu pedido de perícia técnica, o qual foi solicitado com o propósito de demonstrar a preponderância de seus empregados em atividades de risco leve de acidente do trabalho para fins de definição da alíquota do GILRAT. Conforme assentado pelo acórdão recorrido, o conjunto probatório carreados aos autos tem origem em documentação apresentada pelo próprio contribuinte, sendo suficientes para a formação da convicção do julgador, não havendo necessidade de qualquer suporte técnico externo para a sua compreensão. O exame pericial é um meio de prova, necessário apenas quando a elucidação de fato ou a análise de matéria que demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. É dizer que a realização da perícia não constitui direito subjetivo do interessado. Desde que fundamentado pelo julgador, como é o caso dos autos, o indeferimento da perícia não é motivo suficiente para declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica para a elucidação dos fatos e/ou como instrumento de convicção para a solução da lide (art. 18, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Rejeito, portanto, o pedido de perícia, uma vez que desnecessário para o julgamento da matéria litigiosa. Mérito No mérito, a recorrente argumenta que a maior parte dos seus trabalhadores exerce função de natureza administrativa, dentro de escritórios, com baixo risco de acidente do trabalho. À vista disso, é inadmissível o enquadramento em código de atividade preponderante ligado a serviços de limpeza, com risco máximo de acidente do trabalho, como fez a autoridade tributária (CNAE 81214/00). Em que pese as ponderações da recorrente, a documentação juntada aos autos pelas partes não confirma o seu discurso. Pelo contrário, corrobora a incidência tributária na alíquota exigida no auto de infração. Quanto ao enquadramento da atividade preponderante, a fiscalização tomou por base as informações prestadas pelo próprio contribuinte, obtidas a partir de folhas de pagamentos, planilhas e contratos de cessão de mão de obra. Da análise dos documentos, o agente lançador constatou que, no período de janeiro a dezembro de 2010, inclusive décimo terceiro salário, o maior número de segurados empregados esteve alocado na função de merendeira (o), seguido de auxiliares de serviços gerais e auxiliares de higienização (fls. 221/224). Fl. 55070DF CARF MF Processo nº 10435.721553/201376 Acórdão n.º 2401005.967 S2C4T1 Fl. 55.071 8 De acordo com os contratos de prestação de serviços, a terceirização de mão de obra, em alguns casos, ocorria em serviços especializados de limpeza, conservação e higienização de dependências dos contratantes, e em outros, na preparação, porcionamento e entrega de merenda escolar (fls. 225/306). Os denominados auxiliares de serviços gerais trabalhavam na limpeza e conservação de imóveis (CNAE 81214/00). A fiscalização tributária identificou como preponderante a atividade de merendeira, isto é, aquela que ocupava, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Caberia à recorrente, por meio da linguagem de provas, refutar tal conclusão sobre a sua atividade econômica preponderante, porém não se desincumbiu do ônus probatório. Não apenas é intuitivo pela experiência cotidiana, como também as especificações dos serviços nos contratos demonstram que a função de merendeira nas unidades escolares não se coaduna com a ideia de trabalho administrativo, com risco leve de acidente do trabalho. Para melhor visualização das tarefas atribuídas às merendeiras, transcrevo um exemplo contido em contrato (fls. 262): CARGO SERVIÇOS MERENDEIRO/A a) Executar tarefas inerentes ao preparo e distribuição da alimentação escolar, selecionando alimentos e assegurando a conservação dos mesmos, além do controle de estoque e limpeza da cozinha, utensílios e equipamentos; b) Selecionar os alimentos para preparar as refeições, cozinhando e servindo a alimentação, de acordo com o cardápio do dia; c) Realizar a lavagem das louças, talheres e utensílios utilizados; d) Receber e armazenar os alimentos, observando as embalagens e datas de validade, quantidade na nota fiscal e estocar em local adequado; e) Verificar periodicamente a reposição dos gêneros alimentícios, visando a manutenção do estoque dos produtos, para suprir futuras demandas; f) Executar a limpeza e higienização da cozinha, despensa e refeitório para assegurar conservação e o bom aspecto das mesmas; g) Fornecer dados e informações sobre a alimentação consumida unidade; Participar das capacitações ministradas pela equipe técnica de nutricionista da Gerência de Merenda Escolar e Livro Didático (GMLD); Na fase recursal, a recorrente juntou aos autos cópias de laudos periciais elaborados para fins da produção de prova técnica em reclamatórias trabalhistas, determinada para verificar se as atividades na função de merendeira eram executadas em condições insalubres (fls. 54.978/55.047). Em primeiro lugar, ao contrário do ponto de vista do recurso voluntário, a constatação ou não de insalubridade no ambiente de trabalho é elemento irrelevante para o Fl. 55071DF CARF MF Processo nº 10435.721553/201376 Acórdão n.º 2401005.967 S2C4T1 Fl. 55.072 9 lançamento tributário em comento, eis que o auto de infração não trata da exigência de adicional da contribuição previdenciária destinado ao financiamento da aposentadoria especial para trabalhadores sujeitos a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, tais como agentes nocivos químicos, físicos e biológicos. Por sua vez, os laudos periciais confirmam as cláusulas dos contratos de terceirização de mão de obra, no sentido de que as atividades executadas na função de merendeira estão associadas ao preparo e cozimento de alimentos, à lavagem dos utensílios e à limpeza e organização da cozinha. Tal atividade econômica da empresa mantém correlação com serviços de preparação de comida em ambiente de terceiros, na CNAE 56201/03: 1 CNAE 56201/03: Cantinas serviços de alimentação privativos Notas Explicativas: Esta subclasse compreende: o serviço de alimentação em caráter privativo (exploração por terceiros) para grupos de pessoas em fábricas, universidades, colégios, associações, casernas, órgãos públicos, etc. A respeito da contribuição previdenciária relacionada ao GILRAT, prescreve o art. 202 do Regulamento da Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999: Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. 1 https://cnae.ibge.gov.br/?view=subclasse&tipo=cnae&versao=9&subclasse=5620103 Fl. 55072DF CARF MF Processo nº 10435.721553/201376 Acórdão n.º 2401005.967 S2C4T1 Fl. 55.073 10 § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. (...) DESTAQUEI O Anexo V do RPS, com a redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 9 de setembro de 2009, que dispõe sobre a relação de atividades preponderantes e correspondentes graus de risco, elaborada com base na CNAE, produzindo efeitos a partir do mês de janeiro de 2010, considera a atividade da CNAE 56201/03 como de grau de risco grave de acidente do trabalho, isto é, define a alíquota de 3%. De verse que, segundo os elementos de prova dos autos, a atividade de merendeira ocupou, na empresa, o maior número de segurados empregados nos meses do ano de 2010, a qual é classificada como de risco grave para fins de incidência da contribuição previdenciária relacionada ao GILRAT, na alíquota de 3%. O recurso voluntário não contesta o FAP atribuído para a empresa relativo ao ano de 2010 (1,4645). Dessa feita, escorreito o lançamento fiscal que considerou o GILRAT ajustado no percentual de 4,3935% (GILRAT x FAP: 3 % x 1,4645) e o crédito tributário devido pelo sujeito passivo, lançado mediante auto de infração, igual à diferença de 3,3935%, não declarada em GFIP. Para efeito de cálculo, é indiferente a utilização da CNAE 81214/00 ou CNAE 56201/03, já que ambas as atividades são definidas como risco grave e, portanto, o resultado final será o mesmo. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO as preliminares e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 55073DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001192/2008-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DEPÓSITO EM MONTANTE INTEGRAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. INVALIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO.
Conquanto desnecessário o ato formal do lançamento destinado a prevenir a decadência relativamente ao crédito tributário depositado integralmente em Juízo, a lavratura de auto de infração pela fiscalização não implica a declaração da invalidade do procedimento, por não resultar em prejuízo concreto ao sujeito passivo.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. JUROS DE MORA. MULTA. IMPROCEDÊNCIA.
Uma vez efetivado o lançamento fiscal, descabe a exigência de multa e cobrança de juros de mora na hipótese de valores depositados tempestivamente em juízo que representam o montante integral da contribuição previdenciária para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.
Numero da decisão: 2401-005.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os juros de mora e a multa. Vencida a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto que dava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DEPÓSITO EM MONTANTE INTEGRAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. INVALIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO. Conquanto desnecessário o ato formal do lançamento destinado a prevenir a decadência relativamente ao crédito tributário depositado integralmente em Juízo, a lavratura de auto de infração pela fiscalização não implica a declaração da invalidade do procedimento, por não resultar em prejuízo concreto ao sujeito passivo. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. JUROS DE MORA. MULTA. IMPROCEDÊNCIA. Uma vez efetivado o lançamento fiscal, descabe a exigência de multa e cobrança de juros de mora na hipótese de valores depositados tempestivamente em juízo que representam o montante integral da contribuição previdenciária para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 18471.001192/2008-56
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5965527
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-005.982
nome_arquivo_s : Decisao_18471001192200856.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 18471001192200856_5965527.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os juros de mora e a multa. Vencida a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
id : 7624349
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418206666752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1592; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 460 1 459 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001192/200856 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.982 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ALÍQUOTA SAT/RAT LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA Recorrente COMPANHIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DEPÓSITO EM MONTANTE INTEGRAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. INVALIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO. Conquanto desnecessário o ato formal do lançamento destinado a prevenir a decadência relativamente ao crédito tributário depositado integralmente em Juízo, a lavratura de auto de infração pela fiscalização não implica a declaração da invalidade do procedimento, por não resultar em prejuízo concreto ao sujeito passivo. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. JUROS DE MORA. MULTA. IMPROCEDÊNCIA. Uma vez efetivado o lançamento fiscal, descabe a exigência de multa e cobrança de juros de mora na hipótese de valores depositados tempestivamente em juízo que representam o montante integral da contribuição previdenciária para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 11 92 /2 00 8- 56 Fl. 460DF CARF MF Processo nº 18471.001192/200856 Acórdão n.º 2401005.982 S2C4T1 Fl. 461 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os juros de mora e a multa. Vencida a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I (DRJ/RJOI), por meio do Acórdão nº 1222.394, de 19/12/2008, cujo dispositivo considerou procedente o lançamento fiscal, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 373/380): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. ACRÉSCIMOS LEGAIS. O depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, conforme disposto no inciso II do artigo 151 do CTN, mas não impede a realização do lançamento e o prosseguimento do processo administrativo tributário. Mesmo havendo depósito judicial do montante integral do crédito previdenciário, o lançamento deve ser efetuado para prevenir a decadência, por força do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 18471.001192/200856 Acórdão n.º 2401005.982 S2C4T1 Fl. 462 3 E necessário o lançamento dós acréscimos legais, que apenas serão cobrados na hipótese do levantamento do depósito antes do término da ação judicial. Lançamento Procedente Extraise do Relatório Fiscal que o processo administrativo é composto do Auto de Infração (AI) nº 37.157.6482, relativo à contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), nas competências de 01/2004 a 12/2004, inclusive décimo terceiro salário (fls. 78/87). Segundo o agente fazendário, o lançamento foi realizado para prevenir a decadência, tendo em vista que a contribuição previdenciária deixou de ser recolhida em face da existência de medida judicial, decorrente da Ação Ordinária sob o nº 99.00618017, que assegurou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário relativamente às parcelas depositadas em juízo em seu montante integral. A autuada tomou ciência do auto de infração em 18/08/2008, tendo impugnado a exigência fiscal (fls. 03 e 256/271). Intimada por via postal do acórdão de primeira instância em 03/01/2013, a empresa autuada protocolou recurso voluntário no dia 31/01/2013, em que alega os seguintes argumentos de fato e de direito (fls. 385/386 e 387/398): (i) nulidade do lançamento de ofício, em razão da prévia existência de depósitos judiciais no montante integral, que configuram "autolançamento"; e (ii) de forma subsidiária, a inaplicabilidade de multa e juros de mora sobre o tributo, considerando os valores depositados judicialmente. Em 23/05/2018, o contribuinte protocolou petição em que informou a extinção da demanda judicial, com baixa e arquivamento do feito, devido à conversão em renda para a União quanto aos valores depositados judicialmente (fls. 433/436). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de Admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 18471.001192/200856 Acórdão n.º 2401005.982 S2C4T1 Fl. 463 4 Nulidade do lançamento Preliminarmente, a empresa fiscalizada reclama a constituição indevida do crédito tributário pelo agente de fiscalização, haja vista os depósitos mensais e integrais realizados nos autos da Ação Ordinária sob o nº 99.00618017, o que leva à nulidade da autuação fiscal. Pois bem. É verdade que, segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o depósito do montante integral constitui o crédito tributário, o que implica a desnecessidade da formalização do ato de lançamento pelo Fisco para prevenir a decadência (nesse sentido, Recurso Especial nº 1.351.073/RS, 2ª Turma, Relator Ministro Herman Benjamin, julgado em 07/05/2015). Nada obstante, a despeito de dispensável o ato administrativo, não há impedimento legal para a efetivação do lançamento, embora vedado os atos de cobrança, tampouco obriga a declaração de sua invalidade. Descabe a declaração de nulidade porquanto a lavratura do auto de infração não acarreta prejuízo concreto ao sujeito passivo. Com efeito, a Administração Tributária estará submetida ao resultado da prestação jurisdicional que lhe for determinada para a composição da lide na ação ordinária, favorável a ela ou não. Uma vez finalizado o litígio judicial, o montante depositado será convertido em renda da União, caso sagrese vencedora, ou objeto de levantamento pelo depositante. No caso em apreço, o sujeito passivo notícia a conversão dos depósitos em renda, o que, provavelmente, implica a extinção do valor principal do auto de infração, a teor do inciso VI do art. 156 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). Acontece que, no atual estágio do contencioso administrativo fiscal, compete à unidade da RFB responsável pela execução e liquidação do acórdão, e não à autoridade julgadora, adotar as providências de regularização do auto de infração, inclusive baixa, observada a decisão transitada em julgado (art. 156, VI, do CTN). O importante é que não poderá haver cobrança em duplicidade da contribuição previdenciária. Juros de mora e multa É incontroverso que o sujeito passivo efetivou o depósito judicial integral da contribuição previdenciária incluída no auto de infração, cujo lançamento de ofício foi determinado tão somente para prevenir a decadência (fls. 46/58). Os depósitos em Juízo se deram mensalmente, antes do vencimento do tributo, acarretando, por consequência, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. O inciso II do art. 151 do CTN emprega a expressão "depósito no montante integral", a qual compreende o crédito tributário como um todo, incluindo eventual incidência de juros de mora e multa, vinculados ao montante do tributo devido. O depósito tempestivo e espontâneo efetuado pela recorrente satisfaz integralmente o crédito tributário até o valor por ele coberto, quando é repassado à Conta Única do Tesouro Nacional, ficando disponível para o credor enquanto perdurar a ação judicial, pelo Fl. 463DF CARF MF Processo nº 18471.001192/200856 Acórdão n.º 2401005.982 S2C4T1 Fl. 464 5 que não é razoável configurar a mora nessa hipótese (Lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998). À vista disso, o depósito no montante integral até a data do vencimento da contribuição previdenciária impede não só a cobrança de penalidade, seja multa de mora ou de ofício, como também a exigência de juros moratórios. Nessa linha de entendimento, o enunciado da Súmula nº 5, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Portanto, os valores depositados tempestivamente em juízo pela recorrente representam o montante integral do débito, não cabendo a exigência de multa, nem a cobrança dos juros de mora. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar de nulidade e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir os juros de mora e a multa. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 464DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900069/2008-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo - no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado -, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
Numero da decisão: 3402-006.077
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, não conhecer em parte do Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto aos argumentos da ilegalidade da aplicação da SELIC e a inconstitucionalidade da multa aplicada; e (ii) por maioria de votos, quanto a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo - no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado -, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.900069/2008-74
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5964847
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.077
nome_arquivo_s : Decisao_11080900069200874.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080900069200874_5964847.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, não conhecer em parte do Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto aos argumentos da ilegalidade da aplicação da SELIC e a inconstitucionalidade da multa aplicada; e (ii) por maioria de votos, quanto a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7621228
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418212958208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1970; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.900069/200874 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.077 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria PIS Recorrente FERRACO INDUSTRIA E COMERCIO DE FERRO E Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado , de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão. Acordam os membros do Colegiado, não conhecer em parte do Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto aos argumentos da ilegalidade da aplicação da SELIC e a inconstitucionalidade da multa aplicada; e (ii) por maioria de votos, quanto a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 69 /2 00 8- 74 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.900069/200874 Acórdão n.º 3402006.077 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1016.101, proferido pela DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo assim a negativa de homologação da compensação pretendida. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente contestou o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, afirmou que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo tributável com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/1998, gerando assim, indébitos compensáveis. Devidamente cientificada da decisão da DRJ, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde repisou os fundamentos desenvolvidos em sua manifestação de inconformidade, bem como acresceu os seguintes fundamentos: (i) a inclusão do ICMS na base de cálculo da exação em comento seria indevida; (ii) a ilegalidade da SELIC como fator de correção do crédito tributário; e, ainda (iii) a multa aplicada apresentaria caráter confiscatório, motivo pelo qual deveria ser afastada. É o relatório Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.900069/200874 Acórdão n.º 3402006.077 S3C4T2 Fl. 0 3 3402006.073, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.900040/200892, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.073): "I. Do não conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 5. Conforme destacado no relatório desenvolvido no presente voto, parte dos fundamentos desenvolvidos no presente recurso voluntário inovam a lide, na medida em que externados apenas em sede de recurso voluntário. É o caso dos seguintes tópicos da peça recursal: (i) a inclusão do ICMS na base de cálculo da exação em comento seria indevida; (ii) a ilegalidade da SELIC como fator de correção do crédito tributário; e, ainda (iii) a multa aplicada apresentaria caráter confiscatório, motivo pelo qual deveria ser afastada. 6. Acontece que, em sua manifestação de inconformidade, o ora recorrente não desenvolveu tais fundamentos. Dessa feita, está precluso o direito do contribuinte, em sede de recurso voluntário, debater as exigências tratadas nos itens "ii" e "iii" alhures, nos exatos termos do disposto no art. 17 do Decreto n. 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 7. Não se tratando de questões de ordem pública, que poderiam ser reconhecidas de ofício e em qualquer grau de jurisdição, em razão da aplicação subsidiária do art. 485, § 3o, c.c. o art. 15, ambos do Novo Código de Processo Civil1, não poderia o recorrente, em grau recursal, inovar a lide, sob pena de haver notória supressão de instância judicativa. 8. Neste sentido, não conheço dos fundamentos desenvolvidos pelo recorrente no sentido de combater (i) a ilegalidade da aplicação da SELIC, bem como (ii) a inconstitucionalidade da multa aplicada no caso em tela. 1 "Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...). 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. (...)." "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11080.900069/200874 Acórdão n.º 3402006.077 S3C4T2 Fl. 0 4 (...)2 Lembremos que o presente processo fiscal iniciouse por manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de Porto Alegre relativo à COFINS, em virtude exame de declaração de compensação, a qual não foi homologada por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. Foi essa a motivação adotada pela Administração Tributária no despacho decisório, o qual impõe os limites do processo administrativo e a impossibilidade de sua alteração, nos moldes esculpidos pelo artigo 146 do CTN. A Recorrente, por sua vez, contestou o referido Parecer alegando que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título da Contribuição ao PIS e da COFINS, conforme disposição da Lei 9.718/98, constatou valores pagos a maior. O cerne da inconformidade da Recorrente foi o conceito de receita bruta, instituído pela lei acima referida, alegando ser o indébito que pleiteia decorrente da tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também afirma que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. Ou seja: segundo a própria Recorrente, o indébito tributário pleiteado, que fora utilizado para compensar débitos via declaração de compensação, são decorrentes de pagamentos indevidos porque fundados em interpretação equivocada do conceito de receita, discussão essa amplamente conhecida a respeito da Lei n. 9.718/98. Como poderia agora, nesse pé do processo administrativo, vir alegar que o indébito, na realidade, o crédito decorre da indevida inclusão do ICMS na base da cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS? Isso só demonstra a iliquidez e incerteza do crédito tributário utilizado pelo contribuinte, inclusive no que tange à sua base legal, tudo indo na contramão das determinações que regem a matéria (artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 e seguintes da Lei n. 9.430/96). Mas a verdade é que nem isso a Recorrente alega. Em seu longo Recurso Voluntário, de repente passa a discorrer sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS (fls 54), em nenhum momento apontando nem provando como essa discussão implicaria no presente processo administrativo, no crédito utilizado na 2 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu na discussão sobre o conhecimento do recurso voluntário quanto a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Íntegra do voto pode ser consultada no processo paradigma (11080.900040/200892) Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11080.900069/200874 Acórdão n.º 3402006.077 S3C4T2 Fl. 0 5 declaração de compensação ou porque foi extemporaneamente apresentada. Enfim, na hipótese de efetivamente a Recorrente ter direito à restituição de indébito tributário, decorrente da imprópria tributação das contribuições sociais com o ICMS compondo a sua base, deverá iniciar outro processo administrativo, requerendo pelas vias cabíveis a devolução de tais valores, demonstrando e provando a pertinência da decisão proferida pelo STF no RE n. 574.706. Eis aí o correto caminho processual a ter tomado. Tratase, portanto, de questão que além de extrapolar os limites do presente dissídio, é preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, e não vejo razão para o afastamento da citada regra in casu. Desta feita, a mencionada matéria de defesa não deve ser conhecida por este Colegiado. Por essas razões, especificamente com relação ao tópico da defesa atinente inclusão do ICMS na base da cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, voto no sentido de não conhêlo. (...) (ii.b) Do mérito propriamente dito 35. Superada a proposta acima, mister se faz a análise do mérito propriamente dito do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, o que faz nos seguintes termos. (...)3 (2) Do crédito vindicado pelo contribuinte com fundamento no inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998 39. A questão de fundo não é nova neste Tribunal e diz respeito a (in)aplicabilidade imediata do inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998, que assim prescreve: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; 3 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento do mérito. Íntegra do voto pode ser consultada no processo paradigma (11080.900040/200892) Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11080.900069/200874 Acórdão n.º 3402006.077 S3C4T2 Fl. 0 6 (...). (grifos nosso). 40. A questão aqui travada foi bem tratada pelo acórdão n. 3302004.903, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que assim prescreveu em seu voto acompanhado a unanimidade pela turma julgadora: Esclarecida a situação a fática, examinase a seguir as normas objeto da controvérsia: Lei nº 9.718, de 1998: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(grifei) A norma em destaque foi expressamente revogada pela alínea b do inciso IV da art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000: • Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000 (DOU, de 10/06/2000): Art.47.Ficam revogados: [...] IV a partir da publicação desta Medida Provisória: (...); b) o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.(grifei). Dos atos acima transcritos constatase que o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718, de 1998 é uma norma que depende de regulamentação, tipificada portanto segundo a doutrina abalizada como norma de eficácia limitada, que é aquela que depende de uma regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. É digno de nota que a matéria em tela foi objeto de vários precedentes nesse E. Conselho, a exemplo dos acórdãos: 380200.893, de 20/03/2012, 3302002.174, de 26/06/2013 e 3202001.051, de 20/01/2014. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11080.900069/200874 Acórdão n.º 3402006.077 S3C4T2 Fl. 0 7 Nesse sentido, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão 3202001.051, de 20/01/2014, ex vi do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 9.718/98 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, exclusão esta, contudo, condicionada à edição de norma regulamentadora. Tal norma de eficácia limitada, embora vigente, nunca chegou a ter eficácia, já que não editado o decreto regulamentador.(grifei) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Excertos do voto: Como visto, a decisão recorrida indeferiu o restituição solicitada e não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente, fundamentalmente, em decorrência da ausência de regulamentação, pelo Poder Executivo, da norma que previa a exclusão de valores computados como receitas e transferidos para terceiros (art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98). Por conseguinte, a declaração de compensação apresentada não pode ser homologada por falta de certeza e liquidez dos indébitos utilizados. Não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, o dispositivo legal acima referenciado – que, posteriormente, foi expressamente revogado pelo artigo 47, inciso IV, alínea “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, posteriormente convertido na Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – tratava da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos valores que, computados como receita, fossem Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11080.900069/200874 Acórdão n.º 3402006.077 S3C4T2 Fl. 0 8 transferidos para outra pessoa jurídica, contudo, “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, conforme se observa da simples leitura do preceito em comento, verbis: (...) Tais normas regulamentadoras, no entanto, nunca chegaram a ser editadas. Destarte, a norma em comento, embora vigente, nunca produziu efeitos.(grifei). Por esse motivo, a Secretaria da Receita Federal, inclusive, editou o Ato Declaratório nº 056, de 20 de julho de 2000, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. A meu ver, o próprio Poder Legislativo, ao criar a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas para outra pessoa jurídica, condicionando a sua aplicação à edição de normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo, demonstrou sua intenção de dar ao citado dispositivo natureza de norma de eficácia limitada. Por ausência de regulamentação tal norma tornouse inaplicável, já que não acompanhada dos comandos operacionais e disciplinadores que o Poder Legislativo outorgara ao Poder Executivo para tanto.(grifei) Desse modo, não cabe a este órgão de julgamento, ao alvedrio de norma regulamentadora específica, dada sua inexistência, usurpar de competência que não é a sua para fixar, segundo seu juízo, as particularidades necessárias à eficácia do comando então previsto em lei. Nesse sentido, é remansosa a jurisprudência do CARF. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 20180596, de Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11080.900069/200874 Acórdão n.º 3402006.077 S3C4T2 Fl. 0 9 20/09/2007; nº 20218928, de 09/04/2008; nº 220100.334, de 05/06/2009; nº 3302000.725, de 08/12/2010; 380200.893, de 20/03/2012. O mesmo cunho decisório tem sido adotado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, a exemplo do AgRg no Ag 977750 SC, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 22/03/2011, cuja ementa e excertos do voto a seguir se transcrevem: PROCESSUAL CIVIL. VÍCIO DE OMISSÃO. ALEGAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNICIDADE RECURSAL. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, INC. III, DA LEI N. 9.718/98. NECESSIDADE DE REGULAMENTAÇÃO. 1. A via apropriada para questionar a existência de omissão, contradição ou obscuridade em decisão monocrática é a dos embargos de declaração, dirigido ao relator, e não a do agravo regimental. As finalidades dos recursos são diversas e a Segunda Turma não vem permitindo nestes casos a mescla de espécies recursais distintas, em atenção ao princípio da unicidade recursal. Precedentes. 2. O art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, que excluía da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores que, computados como receita, foram transferidos a outra pessoa jurídica , nunca teve eficácia, em virtude da ausência de norma regulamentadora exigida em tal dispositivo, posteriormente revogado com a edição da MP 1.99118/2000. (grifei). 3. Precedentes: AgRg no REsp 1074304/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 1.7.2010; AgRg no REsp 1072533/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25.5.2009; AgRg no REsp 969.967/RS, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 26.11.2007; AgRg no Ag 913.463/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.10.2007; e AgRg no REsp 708.619/SC, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 23.10.2006. 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido Excertos do voto: Quanto ao mérito, a decisão merece ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais transcrevo. Dessumese do exame dos autos que o entendimento sufragado pelo Tribunal de origem está perfeitamente alinhado com o posicionamento do STJ no sentido de não ser possível a Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11080.900069/200874 Acórdão n.º 3402006.077 S3C4T2 Fl. 0 10 exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que fossem transferidos a outra pessoa jurídica, ao integrarem a receita da empresa, pois tal procedimento dependia de regulamentação sobre a matéria, em atenção ao princípio da legalidade. (grifei). Entrementes, com o advento da MP n. 1.99118/2000, houve a revogação da norma que previa a exclusão pretendida (art. 3º, §2º, III, da Lei n. 9.718/98), o que retirou totalmente a sua eficácia no plano jurídico.(grifei). E mais recentemente no AgInt no AREsp 288345/ RN, AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2013/00189748: Data do Julgamento 02/02/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2017 EMENTA [...]PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: [...] 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". [...] (REsp 1144469 PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) (...). 41. Ademais, convém destacar que, em outros períodos que não o aqui tratado, o próprio contribuinte já possui decisões no sentido de afastar sua pretensão. É o que se observa dos Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11080.900069/200874 Acórdão n.º 3402006.077 S3C4T2 Fl. 0 11 seguintes acórdão deste Tribunal: 3803006.885, 3803006.876 e 3803006.884, dentre outros. 42. Assim, empregando como meu as razões de decidir externadas no acórdão n. 3302004.903 acima reproduzido e, ainda, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10700.000055/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que sejam juntados aos autos todos os acórdãos concernentes às obrigações principais relacionadas ao presente julgamento, bem como os andamentos processuais atinentes aos respectivos processos.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10700.000055/2007-61
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5953165
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-000.728
nome_arquivo_s : Decisao_10700000055200761.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ALEXANDRE EVARISTO PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10700000055200761_5953165.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que sejam juntados aos autos todos os acórdãos concernentes às obrigações principais relacionadas ao presente julgamento, bem como os andamentos processuais atinentes aos respectivos processos. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Junior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
id : 7579276
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418217152512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10700.000055/200761 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.728 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 02 de outubro de 2018 Assunto Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente TELEMAR NORTE LESTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que sejam juntados aos autos todos os acórdãos concernentes às obrigações principais relacionadas ao presente julgamento, bem como os andamentos processuais atinentes aos respectivos processos. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de Auto de Infração, lavrado em 08/07/2005 em desfavor da Recorrente, no código de fundamentação legal 68. Reporta a Autoridade Fiscal em seu Relatório Fiscal de Infração e da Aplicação da Multa que a autuação foi motivada por ter o contribuinte apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuição previdenciária, uma vez que deixou de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 00 .0 00 05 5/ 20 07 -6 1 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10700.000055/200761 Resolução nº 2301000.728 S2C3T1 Fl. 3 2 informar na GFIP o valor correspondente ao pagamento de contribuintes individuais, rubricas diversas, participação nos lucros e resultados e salário maternidade. A autoridade fiscalizadora fundamenta a autuação, reportandose ao disposto no artigo 32, inciso IV, § 5o da Lei n° 8.212/91, anexando planilha com demonstrativo das remunerações não incluídas em GFIP, seu somatório por competência e o cálculo do valor do Al. Em sua impugnação, a ora Recorrente ataca o ato administrativo de constituição do crédito tributário, alegando razões de ordem formal que supostamente impedem o seguimento normal do contencioso administrativo fiscal e cobrança do Crédito Tributário, requerendo: Alega a ocorrência da decadência dos créditos anteriores a 12 de julho de 2000. Quanto ao mérito, o contribuinte alega as razões adiante, reproduzidas em síntese: (i) a inexigibilidade de contribuição previdenciária sobre auxílio filho excepcional, abono indenizatório e participação nos lucros, referente às NFLDs 35.576.7686 e 35.576.7678; (ii) da quitação das parcelas relativas aos contribuintes individuais e salário maternidade; (iii) da inexigibilidade de multa da impugnante por supostas infrações praticadas por suas sucedidas. A DecisãoNotificação nº 17.403.4/0045/2007 (fls. 188 e seguintes) julgou lançamento procedente nos termos abaixo: "EMENTA. PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO. INFORMAR EM GFIP TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. PRAZO PARA PAGAMENTO OU IMPUGNAÇÃO. Constitui infração ao disposto no inciso IV, § 5o , do artigo 32 da Lei n° 8.212/91 c/c o artigo 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, deixar a empresa de informar ao INSS, por intermédio da GFIP, a remuneração paga ou creditada a segurados empresários, bem como divergências na base de cálculo de segurados, sujeitandose o infrator a multa correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. AUTUAÇÃO PROCEDENTE." Irresignada, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 197 e ss) reiterando os argumentos apresentados na impugnação: (i) decadência dos créditos anteriores a julho de 2000 diante da decadência quinquenal e da aplicação da regra decadencial do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional; (ii) inexigibilidade de contribuição previdenciária sobre abono indenizatório e participação nos lucros; (iii) da quitação das parcelas relativas aos contribuintes individuais e salário maternidade; e (iv) da inexigibilidade de multa da Recorrente por supostas infrações praticadas por suas sucedidas. Em 30 de julho de 2008, a Recorrente apresentou manifestação (fls. 232) requerendo a aplicação da súmula vinculante nº 8 do STF, que declarou inconstitucional a decadência decenal das contribuições previdenciárias. Em 10 de março de 2009, a Recorrente apresentou manifestação (fls. 237) requerendo a aplicação da multa prevista no inciso II do artigo 32A da Lei n. 8.212/91, uma Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10700.000055/200761 Resolução nº 2301000.728 S2C3T1 Fl. 4 3 vez se tratar de penalidade menos severa que a prevista em lei ao tempo de sua prática, conforme o artigo 106 do CTN. Em 4 de fevereiro de 2009, os membros da 6ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (atual CARF), por intermédio da Resolução nº 206.00.196 (fls. 239), acordaram, por unanimidade, em baixar o processo em diligência para sobrestar seu julgamento até que haja informações a respeito das NFLD conexas nº 35.576.7678, 35.576.7686 e 35.576.7694, que correspondem aos processos nº 12045.000559/200787, 37280.000871/200638 e 15374.002950/200944, respectivamente. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Em memoriais apresentados durante sessão de julgamento em 2 de outubro de 2018, a Recorrente informou que foi dado parcial provimento aos Recursos Voluntários em que eram discutidas as obrigações principais, cujas obrigações acessórias estão sendo discutidas no presente processo. Nesse sentido, é de fundamental importância que sejam juntados aos autos do presente processo os seguintes acórdãos (e eventuais outros que forem relacionados ao caso, se houver): · NFLD 35.576.7678 (PLR): 12045.000559/200787 Acórdão 2401 003.046; · NFLD 35.576.7686 (auxílios filhos excepcionais): 37280.000871/2006 38 Acórdão 20601.043; · NFLD 35.576.7694 (contribuintes individuais): 16682.720890/201319 Acórdão 9202006.664. Desse modo, voto por converter o julgamento em diligência para que sejam juntados aos autos todos os acórdãos concernentes às obrigações principais relacionadas com o presente julgamento, bem como os andamentos processuais pertinentes aos referidos processos. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901814/2008-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE CANCELAMENTO ou RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DA UNIDADE DA RFB.
A competência originária para conhecer de declaração de compensação, bem assim para decidir sobre pedidos de cancelamento ou de retificação de PER/DCOMP, é da Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona o domicílio do contribuinte, para onde deveria ter sido encaminhado, no tempo certo, o pedido. Aos órgãos de julgamento cabem conhecer e julgar, após instaurado o litígio, os recursos contra a decisão da autoridade competente para apreciar originalmente a compensação.
Numero da decisão: 1001-000.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas para asseverar que a apreciação de cancelamento e a retificação de declaração de compensação são de competência da Delegacia da Receita Federal que tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, não cabendo contencioso relativamente a tais matérias, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues (relator) que conheceram totalmente do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues (relator) que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 PEDIDO DE CANCELAMENTO ou RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DA UNIDADE DA RFB. A competência originária para conhecer de declaração de compensação, bem assim para decidir sobre pedidos de cancelamento ou de retificação de PER/DCOMP, é da Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona o domicílio do contribuinte, para onde deveria ter sido encaminhado, no tempo certo, o pedido. Aos órgãos de julgamento cabem conhecer e julgar, após instaurado o litígio, os recursos contra a decisão da autoridade competente para apreciar originalmente a compensação.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13884.901814/2008-72
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5953684
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1001-000.966
nome_arquivo_s : Decisao_13884901814200872.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 13884901814200872_5953684.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas para asseverar que a apreciação de cancelamento e a retificação de declaração de compensação são de competência da Delegacia da Receita Federal que tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, não cabendo contencioso relativamente a tais matérias, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues (relator) que conheceram totalmente do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues (relator) que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7582858
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418219249664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2018; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 58 1 57 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.901814/200872 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.966 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 07 de novembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente PROBETON ESTACAS DE CONCRETO PROTENDIDO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 PEDIDO DE CANCELAMENTO ou RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DA UNIDADE DA RFB. A competência originária para conhecer de declaração de compensação, bem assim para decidir sobre pedidos de cancelamento ou de retificação de PER/DCOMP, é da Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona o domicílio do contribuinte, para onde deveria ter sido encaminhado, no tempo certo, o pedido. Aos órgãos de julgamento cabem conhecer e julgar, após instaurado o litígio, os recursos contra a decisão da autoridade competente para apreciar originalmente a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas para asseverar que a apreciação de cancelamento e a retificação de declaração de compensação são de competência da Delegacia da Receita Federal que tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, não cabendo contencioso relativamente a tais matérias, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues (relator) que conheceram totalmente do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues (relator) que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 18 14 /2 00 8- 72 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13884.901814/200872 Acórdão n.º 1001000.966 S1C0T1 Fl. 59 2 Eduardo Morgado Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório O presente feito tratase de Recurso Voluntário (fls. 41 a 49) interposto contra o Acórdão nº 0539.692, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (fls. 29 a 32), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de manifestação de inconformidade interposta pelo contribuinte acima identificado, contra Despacho Decisório Eletrônico/DDE que não homologou a compensação pleiteada. O contribuinte transmitiu em 08/09/2004 PER/DCOMP eletrônico nº 37646.30645.080904.1.3.043209, fls. 09/14, visando utilizar crédito no valor de R$ 3.484,52, recolhido em 29/04/2004, em DARF SIMPLES, para compensar débito do período de apuração do SIMPLES de 08/2004. Em 18/07/2008, foi emitido o Despacho Decisório Eletrônico/DDE nº de Rastreamento n° 775572068, fls.22, não homologando a compensação, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação. Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, fls. 02/04, alegando que pagou o DARFSIMPLES no período de apuração 30/06/2001, duas vezes, conforme segue: • 1° pagamento em 10/07/2001, no valor de R$ 2.040,36 (dois mil, quarenta reais e trinta e seis centavos), referente a competência 06/2001; • 2° pagamento em 29/04/2004, no valor de R$ 3.484,52 (três mil, quatrocentos e oitenta e quatro reais, cinqüenta e dois centavos) referente a competência 06/2001. Acrescenta que para corrigir a situação emitiu o PERD/COMP para compensar débito da competência 08/2004, no valor de R$ 3.364,35 (três mil trezentos e sessenta e quatro reais e trinta e cinco centavos), relativo ao SIMPLES, pleiteando a compensação do valor da competência 06/2001 com débito da competência 08/2004. Juntou documentos de fls. 05/19." Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13884.901814/200872 Acórdão n.º 1001000.966 S1C0T1 Fl. 60 3 Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre com base em fundamentos semelhantes aos apresentados em primeira instância. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em síntese, a Recorrente alega que em data de 10/07/2001 procedeu ao pagamento dos tributos do SIMPLES referentes a competência de 06/2001, e, por equívoco, pagou novamente a mesma competência na data de 29/04/2004. Posteriormente, apercebendose do pagamento em duplicidade, a ora Recorrente apresentou a DCOMP em tela pretendendo se utilizar do valor indevidamente pago em duplicidade. Contudo, conforme relatado, a compensação não foi homologada pois a autoridade fiscal não reconheceu a duplicidade dos pagamentos. Notese que, conforme apurado nos autos, o equívoco em se reconhecer a duplicidade incorrida decorre de equívoco no preenchimento do código da receita, por parte da Contribuinte, no DARF recolhido. No primeiro pagamento foi consignado o código 6202 (multa de pagamentos do Simples), quando o correto seria o código 6106 (débitos do Simples), corretamente preenchido na DARF referente ao segundo pagamento, este em duplicidade. A própria DRJ de origem reconheceu a duplicidade do pagamento em virtude do erro do código da receita no preenchimento da guia de arrecadação, conforme se colaciona: "(...) Verificase nos sistemas de arrecadação da Receita Federal do Brasil, que de fato, houve pagamento em duplicidade na competência 06/2001, conforme segue: • Pagamento nº de registro 30359545280, período de apuração 30/06/2001, valor acumulado da receita bruta R$ 173.252,82 recolhimento em 10/07/2001, no valor de R$ 2.040,36, código de receita 6202; • Pagamento nº de registro 44033949184, período de apuração 30/06/2001, valor acumulado da receita bruta R$ 173.252,82, recolhimento em 29/04/2004, no valor total de R$ 3.484,52, já acrescido de juros e multa referente ao valor originário Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13884.901814/200872 Acórdão n.º 1001000.966 S1C0T1 Fl. 61 4 de R$ 2.040,36, código de receita 6106, alocado para o período de apuração correspondente. Conforme se verifica dos pagamentos acima, apesar de os recolhimentos se referirem ao mesmo período de débito, 06/2001, o primeiro recolhimento nº de pagamento 30359545280 constou o código de receita 6202 (multa pagamento SIMPLES), conforme extraio dos Sistemas de pagamento da Receita Federal do Brasil, ou seja, este pagamento não foi alocado à época ao respectivo débito do período: (...)" Em que pese o reconhecimento da duplicidade e do mero erro de preenchimento das guias, a decisão de piso insistiu em negar provimento à Manifestação da Contribuinte. Ora, é inquestionável que o ordenamento constitucional pátrio não permite a exação de tributos que não os estritamente previstos em lei, nos montantes legalmente determinados, conforme segue: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...) Outrossim, o art. 165 do Código Tributário Nacional operacionaliza este comando instituindo o direito de cada Contribuinte a se ressarcir, via repetição ou compensação, de eventuais valores recolhidos acima dos devidos, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Notese como o inciso II supra estabelece também como hipótese de repetição do indébito também nos casos de: "erro (...) na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento". Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13884.901814/200872 Acórdão n.º 1001000.966 S1C0T1 Fl. 62 5 Impende observar que é exatamente o caso em tela. O mero erro no preenchimento de um dos campos da guia de recolhimento não tem o condão, por si só, de criar uma nova obrigação ou de dar azo ao pagamento em valor dobrado. De outra forma, o mero erro do contribuinte em declarar um débito já quitado por meio de compensação anterior não justifica a sua cobrança em duplicidade, sob pena de frontal infração ao princípio da legalidade. Do cotejo de ambos os instrumentos, me parece demonstrado que ambos os pagamentos se referem ao mesmo débito tributário. Outrossim, esta questão já estaria superada pela própria DRJ de origem, ao expressar em seu acórdão a ocorrência da duplicidade no pagamento da competência 06/2001 do SIMPLES. Assim, uma vez que resta comprovado que houve pagamento em duplicidade por parte da Recorrente, em decorrência exclusiva de um erro de preenchimento no código da receita, devese reconhecer o direito ao crédito da Contribuinte. Em face a todo o exposto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, com a consequente homologação da compensação em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Voto Vencedor Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Redator Designado. A recorrente alega erro de preenchimento do PERDCOMP quanto ao período do débito a ser compensado e sustenta que tal erro formal não justificaria a nova cobrança de débito plenamente adimplido. Tal pedido incluise na competência das DRFs, e não é matéria do contencioso administrativo. Ou seja, o contribuinte não se insurge contra o despacho decisório e seus fundamentos em virtude de algum vício nele existente. Pelo contrário, limitase a apresentar pedidos de retificação da própria PERDCOMP ou de pagamento dos débitos confessados. Mas o § 9° do art. 74 da Lei n° 9.430, 27 de dezembro de l996, prevê manifestação de inconformidade somente contra a nãohomologação da compensação. Entretanto, tal competência foi deferida exclusivamente às DRF, conforme se vê no art. 244 do aludido Regimento Interno da SRF, verbis: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13884.901814/200872 Acórdão n.º 1001000.966 S1C0T1 Fl. 63 6 Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (...) X executar as atividades relacionadas à restituição, compensação, reembolso, ressarcimento, redução e reconhecimento de imunidade e isenção tributária, inclusive as relativas a outras entidades e fundos; Em face do exposto, não tendo sido apontado qualquer vício, nulidade ou erronia de qualquer espécie no despacho decisório, ele deve ser mantido, até mesmo por se mostrar improficua a única providência solicitada pela contribuinte. Desta forma, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário apenas para asseverar que a apreciação de cancelamento e a retificação de declaração de compensação são de competência da Delegacia da Receita Federal que tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, não cabendo contencioso relativamente a tais matérias e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
