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Numero do processo: 11080.008366/2007-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO ANUAL DE RENDIMENTOS FORNECIDA PELA IMOBILIÁRIA. PROCEDÊNCIA.
Uma vez comprovada a retenção do imposto, pode o contribuinte proceder à sua compensação na declaração de ajuste anual, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ao recolhimento.
A "Declaração Anual de Rendimentos" emitida pela imobiliária que intermedeia o contrato de locação é suficiente para comprovar a retenção e permitir a compensação do imposto.
Numero da decisão: 2202-004.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado).
Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO ANUAL DE RENDIMENTOS FORNECIDA PELA IMOBILIÁRIA. PROCEDÊNCIA. Uma vez comprovada a retenção do imposto, pode o contribuinte proceder à sua compensação na declaração de ajuste anual, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ao recolhimento. A "Declaração Anual de Rendimentos" emitida pela imobiliária que intermedeia o contrato de locação é suficiente para comprovar a retenção e permitir a compensação do imposto.
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RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO ANUAL DE RENDIMENTOS FORNECIDA PELA IMOBILIÁRIA. PROCEDÊNCIA. Uma vez comprovada a retenção do imposto, pode o contribuinte proceder à sua compensação na declaração de ajuste anual, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ao recolhimento. A "Declaração Anual de Rendimentos" emitida pela imobiliária que intermedeia o contrato de locação é suficiente para comprovar a retenção e permitir a compensação do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 83 66 /2 00 7- 85 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11080.008366/200785 Acórdão n.º 2202004.922 S2C2T2 Fl. 143 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por FERNANDO ROCCA VIANNA contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA, que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança por dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. O acórdão consignou, em apertada síntese, que “[e]xaminados os elementos integrantes do processo e os sistemas da RFB verificase que a empresa Pop Man Ind. de Confecções Ltda. não apresentou Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), no ano calendário de 2002 informando a retenção no valor de R$ 10.259,55 pleiteado na Declaração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF) do exercício de 2004” (f. 64). Asseverou ainda que o fato de a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto repousar sobre a fonte pagadora – no caso, a locatária – seria insuficiente para eximir o contribuinte de oferecer à tributação os rendimentos recebidos na declaração de ajuste anual – “vide” f. 64. Por fim, ressaltou que a “‘declaração de rendimentos’ (f. 16) fornecido pela Imobiliária Prodomo – Administradora de Imóveis S.A é insuficiente para comprovar a retenção e o recolhimento do IRPF incidente sobre os rendimentos de alugueis” (f. 64). Intimado do acórdão, o recorrente apresentou, em 07/07/2010, recurso voluntário (fls. 72/76), narrando que situação semelhante ocorrera em relação ao IRPF do ano calendário de 1998. Disse que, à época, a simples apresentação dos extratos mensais da Imobiliária Prodomo teria sido suficiente para que se considerasse regular a declaração apresentada e, consequentemente, mantida a dedução dos valores recebidos a título de aluguéis – cf. f. 75. Em suas razões recursais, argumentou ainda que a responsável pela retenção na fonte do IR incidente sobre o valor mensal do aluguel – “ex vi” do art. 7º, II e § 1º da Lei nº 7.713/88 c/c art. 45, parágrafo único e art. 121, II, ambos do CTN – seria a empresa locatária, a Pop Man Ind. de Confecções Ltda. A fim de corroborar esta tese, colacionou repertório jurisprudencial sustentando que “a retenção do Imposto de Renda pela fome pagadora, na forma da legislação tributária, afasta a responsabilidade da pessoa física que recebeu o valor do aluguel com o desconto do tributo” (f. 75). É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. A querela ora sob escrutínio se refere à (im)possibilidade de ser admitida, como prova da retenção dos valores devidos a título de IR, a "Declaração de Rendimentos Anual em Reais” (fl. 17) emitida pela Imobiliária Prodomo, que intermediou o contrato de locação pactuado entre o contribuintelocador e a empresalocatária (Pop Man Ind. de Confecções Ltda.). Tirante de dúvidas que, constatada a ausência de retenção e recolhimento pela fonte pagadora, faz recair sobre o contribuinte, pessoa física, a responsabilidade pela apuração definitiva do imposto de renda. Calha a transcrição da ementa de alguns julgados deste Conselho em sentido idêntico: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11080.008366/200785 Acórdão n.º 2202004.922 S2C2T2 Fl. 144 3 IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA, RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12 (Acórdão nº 280200.411 —2ª Turma Especial, Sessão de 18 de agosto de 2010; sublinhas deste voto). FONTE PAGADORA. FALTA DE RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE. CONTRIBUINTE. Além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual (Acórdão nº 2401004.656 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 15 de março de 2017; sublinhas deste voto). Por outro lado, havendo comprovação da retenção, resta elidida a responsabilidade do contribuinte, pessoa física, pelo recolhimento. Este entendimento prevaleceu nesta eg. Turma em acórdão da lavra do Conselheiro MARTIN DA SILVA GESTO: RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DIRPF/DIMOB. CRUZAMENTO DE DADOS. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2202003.191 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Sessão de 17 de fevereiro de 2016; sublinhas deste voto). O novel Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018, que regulamenta a tributação, a fiscalização, a arrecadação e a administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, replicou, em seu art. 80, § 3º, a possibilidade de dedução do IRRF na Declaração de Ajuste anual, que já existia no Decreto nº 3.000/99 – “vide” § 2º do art. 87: § 3º O imposto sobre a renda retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de ajuste anual se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11080.008366/200785 Acórdão n.º 2202004.922 S2C2T2 Fl. 145 4 pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos § 1º e § 2º do art. 6º e no § 1º do art. 7º. Fixadas essas premissas, passo à análise do caso sob exame. De início, registro que o recorrente não omitiu os rendimentos recebidos a título de aluguéis, eis que em sua Declaração de Ajuste Anual – “vide” fl. 49 – consta o desconto de R$ 10.259,55 (dez mil, duzentos e cinquenta e nove reais e cinquenta e cinco centavos), o mesmo valor indicado como retido na “Declaração de Rendimentos Anual em Reais” – “vide” fl. 17 –, emitida pela Imobiliária Prodomo. Compulsado o acervo fáticoprobatório carreado aos autos verificase ainda ter sido acostado o contrato de locação, celebrado entre “FERNANDO ROCA VIANNA (...), representado por sua bastante procuradora, Prodomo – Administradora de Imóveis S.A (...)” e a “Pop Man Ind. de Confecções Ltda., (...), doravante designada simplificadamente LOCATÁRIA” (f. 12). A avença foi devidamente firmada e registrada em 23 de julho de 1996 – “vide” f. 16 –, na qual consta que o (...) o aluguel mensal inicial é de R$ 7.000,00 (sete mil reais), pagável pelo LOCATÁRIO, em moeda corrente até o dia 01 do mês seguinte ao vencimento, nos escritórios da Prodomo Administradora de Imóveis S.A., ou no estabelecimento bancário que for apontado, ou ainda onde for indicado (f. 12; sublinhas deste voto). Assim, em que pese ser o recorrente o locador proprietário do imóvel, certo é que cabia à Prodomo Administradora de Imóveis S.A o recebimento do valor pactuado, o que demonstra ser plausível a inexistência de documentação emitida pela fonte pagadora (Pop Man Ind. de Confecções Ltda.) em favor do recorrente. Entretanto, como já narrado, foi acostada a “Declaração de Rendimentos Anual em Reais”, emitida pela administradora do imóvel, que, de forma pormenorizada, indica os valores mensais correspondentes ao aluguel, taxa de administração, IRRF, condomínio, seguro, IPTU e aluguel líquido – cf. f. 17. Portanto, malgrado inexista DIRF da fonte pagadora, a comprovação da retenção do imposto de renda pode ser feita mediante outros meios de prova. Colaciono excertos de alguns julgados desta eg. Turma em sentido similar: (...) O argumento utilizado pela DRJ para não acatar as deduções dos valores de IRRF acima foi de que os documentos emitidos pela fonte pagadora divergem do valor do imposto informado pela contribuinte como retido pelas fontes pagadoras, e não foram anexados documentos que comprovassem o efetivo recebimento pela contribuinte dos valores de aluguéis constantes nos recibos acostados já com o desconto do imposto retido na fonte. A Contribuinte não pode ser penalizada pelo fato de as empresas locatárias não terem cumprido corretamente com as suas obrigações tributárias, seja principais ou acessórias. Entendo que a decisão da DRJ não está correta, pois se observa que a Contribuinte trouxe documentos que comprovam as suas alegações, relativas às locações de sua propriedade, tendo apresentado contrato de locação com as fontes pagadoras, além de ter declarado em sua Declaração de Ajuste Anual as correspondentes receitas de aluguéis. A Contribuinte também Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11080.008366/200785 Acórdão n.º 2202004.922 S2C2T2 Fl. 146 5 apresentou os recibos dos recebimentos dos aluguéis das empresas locatárias, referentes ao anocalendário de 2005. Às fls. 28/33 encontramse os recibos relativos aos recebimentos da empresa Iron Muscle Academia Ltda., onde se pode constatar a retenção na fonte do IRRF. Os recibos referentes aos recebimentos da empresa Golden Gol encontramse às fls. 35/40 e os da empresa Patridany estão às fls. 62/67, os quais demonstram os valores retidos de imposto de renda (Acórdão nº 2202003.515 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 17 de agosto de 2016; sublinhas deste voto). (...) Pela cópia autenticada de contrato de locação não residencial, firmado em 27/02/2009, entre o recorrente (locador) e a Via Mosela 1062 Comercio de Alimentos (locatária), com firmas reconhecidas em tabelionato em março do mesmo ano (fls. 56/69), verificase que há nos autos prova clara que a locação se realizou. Através do comprovante anual de rendimentos de aluguéis, anocalendário 2011, recebidos de Via Mosela 1062 Comercio de Alimentos, verificaseque a retenção do IRRF de fato ocorreu. Por fim, pelos recolhimentos de 12 (doze) DARFs, em 05/2013, correspondente aos recolhimentos do ano calendário 2011, com multa e juros, realizado pela locatária, temse que há nos autos inclusive prova de que o imposto de renda foi recolhido (Acórdão nº 2202003.429 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 12 de maio de 2016; sublinhas deste voto). (...) De acordo com o artigo acima transcrito, a dedução do imposto sobre a renda retido pela fonte pagadora poderá ser realizada se o contribuinte tiver comprovante emitido pela fonte, em seu nome. Conforme se verifica pela documentação trazida aos autos, desde a impugnação o contribuinte juntou o comprovante de rendimentos pagos e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (fls. 10). Sendo assim, o fato da fonte pagadora, eventualmente, não ter feito o recolhimento dos valores retido ou não ter apresentado DIRF relativa às mencionadas retenções não pode ser causa de indeferimento das deduções pretendidas (Acórdão nº 2202004.509 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 06 de junho de 2018; sublinhas deste voto). Ante o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11080.008366/200785 Acórdão n.º 2202004.922 S2C2T2 Fl. 147 6 Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001103/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2006
RESSARCIMENTO - LIMITAÇÃO.
A possibilidade de pleitear o ressarcimento em dinheiro de crédito oriundo de operações de exportação surge apenas se o contribuinte não conseguir utilizar referido crédito na dedução de débitos da própria contribuição no respectivo trimestre.
Numero da decisão: 3401-005.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2006 RESSARCIMENTO - LIMITAÇÃO. A possibilidade de pleitear o ressarcimento em dinheiro de crédito oriundo de operações de exportação surge apenas se o contribuinte não conseguir utilizar referido crédito na dedução de débitos da própria contribuição no respectivo trimestre.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1418; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 265 1 264 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001103/201019 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.421 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria RESSARCIMENTOPIS Recorrente CLAC IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2006 RESSARCIMENTO LIMITAÇÃO. A possibilidade de pleitear o ressarcimento em dinheiro de crédito oriundo de operações de exportação surge apenas se o contribuinte não conseguir utilizar referido crédito na dedução de débitos da própria contribuição no respectivo trimestre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 11 03 /2 01 0- 19 Fl. 265DF CARF MF 2 (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) Adotase o relatório do DRJ de Ribeirão Preto/SP (efls. 171 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: “Tratamse aqui das declarações de compensação n°s 33978.97655.150206.1.3.086024 e 30440.78271.150306.1.3.08 8519 (fls. 2 a 11), nas quais a interessada busca o reconhecimento de crédito de PIS Não Cumulativo – Exportação, relativo aos meses de janeiro e fevereiro de 2006. Por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 001 (fls. 61 e 62), a fiscalização solicitou apresentação de cópia do plano de contas e dos balancetes mensais, dos Livros Razão, Registro de Apuração do ICMS e Registro de Entrada, a natureza da atividade econômica exercida, demonstrativo analítico das rubricas que compuseram a apuração mensal do PIS, planilha em arquivo "excel" contendo os registros das entradas de mercadorias e serviços que serviram de base para o aproveitamento de créditos de PIS e planilha em arquivo "excel" contendo os registros de todas as saídas. Em resposta, o contribuinte apresentou os elementos relacionados à fl. 63, informando que é uma "trading", que exerce atividade de importação e exportação, além de comercializar e prestar serviços no mercado nacional. Com base na documentação apresentada e no DACON (fls. 12 a 60), a fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal n ° 002 (fls. 65 a 69), composto de Termo de Constatação (fls. 65 a 68) e Intimação Fiscal (fls. 68 e 69). Nas constatações a fiscalização alerta para o fato de que no DACON constavam valores de devoluções de vendas e de compras do exterior para comercialização maiores do que os apurados no Livro Registro de ICMS. Em resposta (fl. 70), a empresa apresentou arquivos com planilhas de demonstrações fiscais de entrada e saída mês a mês por filiais. Esclareceu que realiza compras no mercado externo para revenda, gerando crédito das contribuições na importação. Esses créditos são apropriados pela empresa no momento do pagamento das contribuições, que acontece no registro da DI. A nota fiscal é emitida após o desembaraço e em determinados casos ocorre o crédito antes mesmo da emissão da nota fiscal de entrada. Enviou nova planilha de apuração dos créditos e débitos (fls. 70 a 72). Da análise da documentação apresentada, a fiscalização elaborou a planilha intitulada PIS NÃO CUMULATIVO — DEMONSTRATIVO DE CALCULO DOS CRÉDITOS A DESCONTAR (fl. 75), discriminando a base de cálculo dos créditos apontada pelo contribuinte, o crédito a descontar apurado no mês, o rateio do crédito a descontar com base na planilha elaborada pelo interessado em atendimento ao Termo Fl. 266DF CARF MF Processo nº 15586.001103/201019 Acórdão n.º 3401005.421 S3C4T1 Fl. 266 3 de Intimação Fiscal n° 002, o saldo de crédito do mês anterior, o crédito a descontar disponível no mês, o débito da contribuição apurado no mês, os créditos descontados vinculados aos mercados interno e externo e os créditos passíveis de ressarcimento ou compensação. Com base nesta planilha, foi reconhecido crédito de PIS NãoCumulativo – Exportação de R$ 63.185,28 em janeiro de 2006 e R$ 127.849,35 em fevereiro, totalizando R$ 191.043,63. Cientificada, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de folhas 92 e 93, na qual contesta especificamente a apuração referente ao mês de fevereiro de 2006. Alega que o crédito originase de receitas vinculadas às operações no mercado externo, e foi gerado através das filiais abaixo relacionadas, para o qual apresenta cópias dos livros fiscais e razão contábil da conta PIS a recuperar (anexo 2): (...) Afirma que o crédito total gerado neste mês foi no valor de R$ 185.760,12, conforme informado no PER/DCOMP nº 30440.78271.150306.1.3.088519. Ocorre que no DACON não houve a informação do crédito gerado através da filial de SP, sendo informado somente o crédito gerado pela filial de MG. Afirma ainda que, na elaboração do demonstrativo analítico das rubricas que compuseram a apuração mensal, solicitado pelo auditor fiscal no Termo de Intimação, também não foi informado este crédito, visto que utilizou o DACON para elaboração da planilha. Como a análise foi elaborada com base nesses elementos, verificouse a divergência nas informações. Entende que a retificação do DACON soluciona a divergência, já que as informações do PERDCOMP estão corretas, e conforme podese comprovar através dos documentos apresentados, o crédito é existente. Solicita a reconsideração do despacho decisório para reconhecimento do direito creditório do valor gerado através da Filial SP. Anexei, à folha 169, cópia da Ficha 1 do Dacon do mês de fevereiro de 2006. (Negritos do Relator). A DRJ de piso, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, de acordo com a seguinte ementa: RESSARCIMENTO LIMITAÇÃO A possibilidade de pleitear o ressarcimento em dinheiro de crédito oriundo de operações de exportação surge apenas se o contribuinte não conseguir utilizar referido crédito na dedução de débitos da própria contribuição no respectivo trimestre. Fl. 267DF CARF MF 4 Tomou ciência do acórdão em 10/06/103 (efl. 178) e o desafiou interpondo recurso voluntário em 09/07/2013 (efl. 180), no qual, em síntese repete as alegações tecidas na Manifestação de Inconformidade, ressalvando que um erro para justificar a glosa de crédito legítimo é no mínimo uma imoralidade atentatória aos princípios do não confisco, legalidade e moralidade, pois o DACON RETIFICADOR, assegura a legitimidade do crédito pleiteado. Que o erro restringiuse à individualização dos valores por filiais, sendo inadmissível o locupletamento do Estado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. “O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele toma se conhecimento. A questão foi adequadamente decidida pela decisão de piso, fazendo parte integrante e servindo de razões de decidir – de acordo com § 3º, do art. 57, da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 RICARF/2015, introduzido pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017; e dos §§1º e 2º, do art. 50, da Lei nº 9.784/99 , merendo destaque: Inicialmente, esclareçase que o direito ao ressarcimento de créditos de PIS oriundos de custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior surge somente após a dedução dos valores devidos a título dessa contribuição no respectivo trimestre. O art. 5º da Lei nº 10.637/2002 assim determina: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 15586.001103/201019 Acórdão n.º 3401005.421 S3C4T1 Fl. 267 5 § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...)(grifo não constante do original) Em consonância, a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época da entrega dos PER/Dcomp em análise assim dispôs: Art. 21.Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3ºda Lei nº10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débito próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; ou III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3ºe 4ºdo art. 51 da Lei nº10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1ºde abril de 2005. (...) § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I, remanescentes da dedução de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 26. (...) Art. 22.Os créditos a que se referem os incisos I e II e o §4º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestrecalendário, poderão ser objeto de ressarcimento. § 1º O pedido de ressarcimento a que se refere este artigo será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do Programa Fl. 269DF CARF MF 6 PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 2º O pedido de ressarcimento dos créditos acumulados na forma do inciso II e do § 4ºdo art. 21, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do primeiro trimestre calendário de 2005, somente poderá ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005. § 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário. II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. Os pedidos de ressarcimento em análise, foram apresentados pela interessada em 15/02/2006 e 15/03/2006, pleiteando o ressarcimento de créditos de janeiro e fevereiro de 2006, respectivamente. Foram, portanto, formulados antes do final do primeiro trimestre de 2006, contrariando o disposto na legislação de regência que determina a apuração pelo saldo acumulado ao final do trimestre, e não mês a mês como efetuado. Admitindose superada esta questão, ainda assim a interessada não faria jus aos créditos questionados, conforme se demonstrará a seguir. Questiona a interessada o não reconhecimento de crédito de PIS Não Cumulativo – Exportação originário de operações efetuadas por filial da interessada, localizada no estado de São Paulo. Ocorre que a documentação trazida aos autos pela interessada (Registro de entradas – Filial SP e Razão Analítico da conta PIS NãoCumulativo) não se presta a comprovação dos fatos alegados. Primeiro porque não é possível concluir, com base nestes documentos, ter ocorrido a aquisição de mercadorias vinculadas a receitas de exportação, no montante de R$ 3.509.743,66. Não há, nos “Registros de Entrada” (fls. 140 a 145) ou no “Razão Analítico” (fls. 147 a 149) como aferir esse valor. Em outras palavras, não há como se confirmar o valor indicado nos registros contábeis apresentados e ainda que ultrapassado este óbice, não é possível, com estes documentos afirmar que tais aquisições geraram receitas de exportação. Segundo porque, a apropriação deste valor, na forma proposta pela interessada, somente seria possível, a teor do disposto no §3º do artigo 6º da Lei nº 10.833/03, se utilizada a apropriação direta dos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração. No Dacon a interessada indica ter utilizado método diverso. Informou que o rateio dos créditos deuse com base na proporção entre as receitas de exportação e a receita total auferida, informação constante da Ficha 1 do Dacon, por mim anexada à folha 169. Não bastassem as constatações acima, temos que a interessada, em resposta ao Termo de Intimação nº 2, apresentou o documento de folha 71, por meio do qual afirma que a empresa gera créditos vinculados à receita de exportação, sendo essa operação realizada por nossa filial situada em MG, portanto os créditos aproveitados são todos de origem dessa operação. Tal Fl. 270DF CARF MF Processo nº 15586.001103/201019 Acórdão n.º 3401005.421 S3C4T1 Fl. 268 7 informação contradiz o alegado na manifestação de inconformidade que pleiteia créditos supostamente oriundos da filial paulista da empresa. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o entendimento da decisão ora recorrida.” (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan (Ad Hoc) Fl. 271DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.905330/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2001
CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF.
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência.
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF.
FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS.
O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.964
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2001 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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(SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2001 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 53 30 /2 01 1- 17 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10280.905330/201117 Acórdão n.º 3402005.964 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, consoante argumentos plasmados no Acórdão nº 14041.297 Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual defende o direito ao crédito pleiteado. Na apreciação deste recurso, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3402001.083, para que a Unidade de Origem realizasse o seguinte levantamento: i) Apurar a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes; ii) Elaborando Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá los com o recolhido; iii) Apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10280.905330/201117 Acórdão n.º 3402005.964 S3C4T2 Fl. 0 3 Em cumprimento à Resolução foi apresentada a Informação Fiscal que concluiu pela existência de recolhimento a maior, sendo possível o reconhecimento parcial do crédito para a compensação requerida. Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente argumentou que o raciocínio adotado pela fiscalização sobre a natureza dos valores escriturados em algumas das contas contábeis não merece prevalecer, fundamentando acerca da natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas e, com isso, reiterando o pedido de provimento do recurso voluntário interposto e reconhecimento integral do direito ao crédito postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.949, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.900097/201259, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.949): "Pressupostos legais de admissibilidade Como já observado pela Resolução nº 3402001.052, o Recurso Voluntário de fls. 73 a 90 é tempestivo, uma vez que a intimação do Acórdão nº 1441.254 ocorreu via postal na data de 11/06/2013 (fls. 71), com interposição da defesa em data de 08/07/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 72). Por atender aos pressupostos legais de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido por este Colegiado. Do pedido preliminar para reunião dos processos Preliminarmente a Recorrente argumenta que os seguintes processos têm o mesmo objeto do caso em análise, referente ao questionamento sobre a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da COFINS, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98: Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10280.905330/201117 Acórdão n.º 3402005.964 S3C4T2 Fl. 0 4 Considerando que não há fatos jurídicos tributários idênticos, uma vez que os processos têm períodos de apuração diversos, não há vinculação que torne obrigatória a aplicação do artigo 6º do RICARF. Ademais, o presente recurso foi distribuído como paradigma, seguindo a sistemática dos recursos repetitivos, conforme regulamentação do artigo 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Conforme informado em Termo de Intimação Fiscal nº 01 SAORT/DRFSJR de fls. 241 a 242, a diligência foi realizada em cumprimento às Resoluções de nºs 3402001.050 a 3402 001.067, proferidas por este Colegiado, resultando na análise do crédito pleiteado nos seguintes processos: 10280.900096/201212, 10280.900095/201260, 10280.900097/201259, 10280.900106/201210, 10280.904424/201161, 10280.904437/201130, 10280.904438/201184, 10280.904439/201129, 10280.904440/201153, 10280.904441/201106, 10280.904442/201142, 10280.904443/201197, 10280.904444/201131, 10280.904445/201186, 10280.904446/201121, 10280.904447/201175, 10280.904971/201146, 10280.904972/201191, 10280.904973/201135, 10280.904974/201180, 10280.905315/201161, 10280.905316/2011 13,10280.905317/201150, 10280.905318/201102, 10280.905319/201149, 10280.905320/201173, 10280.905321/201118, 10280.905322/201162, 10280.905323/201115, 10280.905325/201104, 10280.905326/201141, 10280.905328/201130, 10280.905329/201184, 10280.905330/201117, 10280.905331/201153, 10280.905332/201106, 10280.905333/201142, 10280.905334/201197, 10280.905781/201146, 10280.905782/201191, 10280.905784/201180, 10280.905785/201124, 10280.905786/201179, 10280.905787/201113, Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10280.905330/201117 Acórdão n.º 3402005.964 S3C4T2 Fl. 0 5 10280.905790/201137, 10280.905803/201178 e 10280.905804/201112. Portanto, resta prejudicada a preliminar invocada no Recurso Voluntário em análise. Do mérito Pede a Recorrente pelo reconhecimento do direito à restituição da Contribuição para o PIS/PASEP calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, explanando sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e necessária incidência do artigo 62. § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF. Para tanto, pugna pela aplicação da Verdade Material, uma vez que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, configurando a decisão recorrida em formalismo exagerado. Pede, ainda, pela complementação da produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Como já relatado, tanto o reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62, § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF, bem como o pedido de produção de prova complementar, restaram superados através da Resolução nº 3402001.052 (fls. 234238), pela qual este Colegiado converteu o julgamento do recurso em diligência com a seguinte determinação: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. A matéria suscitada sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585.235/MG, resultando na aplicação do artigo 62, § 2do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10280.905330/201117 Acórdão n.º 3402005.964 S3C4T2 Fl. 0 6 Portanto, neste ponto dou provimento ao recurso, com a produção de prova já realizada através da diligência acima mencionada. Do resultado da diligência Em sequência, dando cumprimento ao artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, a Recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência às fls. 338351, sustentando sobre a natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas. Em síntese, alega a Recorrente que ".... as bonificações não são receitas da recorrente, mas apenas recuperação do custo de aquisição dos bens adquiridos por ela para revenda. Como a recuperação de custos realmente aumenta o lucro bruto da recorrente, eis que diminuem o custo da mercadoria vendida, mas, por outro lado, não interferem nas receitas da recorrente, eis que o valor das vendas não é alterado, não havendo qualquer interferência desses valores na receita da recorrente, passível de tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS." A questão atinente às verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas foi objeto de análise por esta Turma Ordinária no PAF nº 10280.900096/201212, de relatoria da Eminente Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula e cujo julgamento ocorreu em data de 25 de setembro de 2018. Com isso, como solução deste litígio, adoto o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.569, pelo qual foi aplicado o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506/19641, bem como as Soluções de Consulta Cosit nºs 291/20172 e 34/20133. 1 Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 2 Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10280.905330/201117 Acórdão n.º 3402005.964 S3C4T2 Fl. 0 7 Para tanto, transcrevo a fundamentação que embasa a decisão em referência, a qual cita trechos extraídos da respectiva Informação Fiscal, reproduzindo os mesmos termos constantes do resultado da diligência realizada neste processo, motivo pelo qual deve ser considerada como embasamento do presente voto: "Quanto ao mérito, valem aqui as considerações já expedidas na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, a seguir transcritas: Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal. Assim, em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, relativamente ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicado neste julgamento o entendimento do Supremo Tribunal Federal proferido em regime de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. 3 Solução de Consulta nº 34 Cosit Data 21 de novembro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10280.905330/201117 Acórdão n.º 3402005.964 S3C4T2 Fl. 0 8 Como bem esclareceu a fiscalização na diligência, devem ser excluídos do conceito de faturamento os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa: 7. No anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 30/08/2012, está delimitado o julgado pelo STF no RE n° 585.235, nos seguintes termos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. (...)” 8. A delimitação da matéria decidida é também fruto dos julgados do STF, que entendem que o conceito de faturamento abrange a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços das empresas, e todas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esta é a interpretação dada pelo RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 03.10,2006), pelo RE n. 400.4798/RJ ( Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 10.10,2006) e pelo RE n 527.602/SP (Tribunal Pleno, Rel Min Eros Grau, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 05.08.2009), sendo que neste último ficou estabelecido que somente são excluídos do conceito de faturamento “os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”. Assim, o faturamento corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Com efeito, adotando tal entendimento, a fiscalização excluiu do faturamento, para fins de incidência das contribuições, as receitas que não se enquadravam como operacionais, resultando num recolhimento a maior, passível de reconhecimento de crédito para compensação no valor mencionado no relatório acima. Não obstante tenha sido devidamente intimada, a recorrente não se manifestou em face do resultado da diligência, pelo que se pressupõe que com ele concordou. Ademais, na diligência foram acolhidos, em grande parte, os demonstrativos/memórias de cálculo elaborados pela própria contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, ressalvadas poucas divergências, quanto às receitas originadas das bonificações recebidas e das recuperações de despesas, como se vê nos seguintes trechos da Informação fiscal: 9. Concorda o contribuinte, conforme seus demonstrativos, que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos (de fev/03 e mar/03), vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e acessórios, instalação e vendas de Kits de conversão Gás, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10280.905330/201117 Acórdão n.º 3402005.964 S3C4T2 Fl. 0 9 10. Também devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as bonificações recebidas das montadoras, mesmo que em mercadoria (contas 37201.00001 Bonificação MBB Veículos, 37201.00002 Bonificação MBB Sprinter e 37202.00001 Bonificação MBB Peças e Motores) e a recuperação de despesas com veículos e peças em garantias (contas 37202.00009 Recup. Desp. c/ Garantia e 37204.00009 Recup. Desp. c/ Garantia), pelo que segue. Nada há a reparar no entendimento da fiscalização no sentido de que as "recuperações de despesas também constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.5061, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999)", sobre as quais há a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Quanto às bonificações, embora em algumas situações específicas elas possam configurar descontos incondicionais, o que, se fosse o caso, poderia ensejar a exclusão de tais receitas do conceito de faturamento, nos termos das Soluções de Consulta Cosit nºs 291/2017 e 34/20132, não há qualquer argumentação da recorrente nesse sentido, no recurso voluntário ou na diligência do presente processo, razão pela qual deve ser mantido o resultado do direito creditório apurado na diligência com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que é o mérito do recurso voluntário e do pedido de restituição da interessada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente." Portanto, deve imperar o resultado da diligência que corretamente refez a apuração do PIS do período de Novembro de 2002, com base no demonstrativo e registros contábeis apresentados pela Contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos." Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10280.905330/201117 Acórdão n.º 3402005.964 S3C4T2 Fl. 0 10 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu o Recurso Voluntário e julgouo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, §2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 349DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.010511/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
João Maurício Vital - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital (Presidente em Exercício), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. João Maurício Vital - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital (Presidente em Exercício), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1352; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 70.171 1 70.170 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.010511/200703 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.743 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 5 de dezembro de 2018 Assunto PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Recorrente SOCIEDADE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E SANEAMENTO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. João Maurício Vital Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital (Presidente em Exercício), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 10 51 1/ 20 07 -0 3 Fl. 70171DF CARF MF Processo nº 10830.010511/200703 Resolução nº 2301000.743 S2C3T1 Fl. 70.172 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (fls. 466/524) interposto pela Contribuinte SOCIEDADE DE ABASTECIMENTO DE AGUA E SANEAMENTO SA, contra a decisão da DRJ de fls. 418/460, que julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação apresentada e manteve em parte o débito tributário lançado pela autoridade fiscal no Auto de Infração de n. 37.136.7514, referente ao período de apuração, originalmente, de 01/01/1997 a 30/09/2007, cuja Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/0111997 a 30/09/2007 Ementa: DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE DO STF. Com a publicação do enunciado da Súmula Vinculante n° 8 do STF que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional. É pacífico o entendimento de que as contribuições de Terceiros são de natureza tributária e também se sujeitam ao prazo decadencial previsto no CTN. DECADENCIA. SUPERVENIENCIA DE PARECER. O Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008 aprovado pelo Sr. Ministro do Estado da Fazenda vincula a Secretaria da Receita Federal do Brasil à tese jurídica fixada (art. 42 da Lei Complementar n° 73/1993). SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28, I, da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa está obrigada a recolher, no prazo legal, no mês seguinte ao da competência, as suas próprias contribuições previdenciárias devidas, juntamente com as contribuições que deve arrecadar de seus empregados e demais segurados a seu serviço, inclusive sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. São legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades (SalárioEducação, INCRA E SEBRAE), inteligência dos arts. 2 0 e 3° da Lei n° 11.45712007. PARCELAS NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91 enumera as hipóteses taxativas de exclusão de salário de contribuição para fins de custeio da Seguridade Social do que decorre que sobre todas as demais remunerações dos empregados e contribuintes individuais, como definidas nos incisos 1 e 111 do art. 28 da mesma lei há incidência das Fl. 70172DF CARF MF Processo nº 10830.010511/200703 Resolução nº 2301000.743 S2C3T1 Fl. 70.173 3 contribuições sociais previdenciárias, bem como as destinadas a outras entidades, para os segurados empregados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS EM DESACORDO COM A LEI. Integra o saláriodecontribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando em desacordo com a Lei 10.101/00. Art. 28, § 9% "j" da Lei 8.212191 e Art. 214, 1, §9°, X e §10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.040199. MATERIAL ESCOLAR. O pagamento ou reembolso de despesas com material escolar dos empregados é fato gerador de contribuição previdenciária, por ser ganho habitual sob a forma de utilidade e por não se subsumir à hipótese de isenção prevista na alínea "t" do §9° do art. 28 da Lei 8.212/91. PLANO EDUCACIONAL BOLSA DE ESTUDOS. O valor relativo a plano educacional, cursos de capacitação e qualificação profissional, ainda que não substituam a parcela salarial, mas que não é dado acesso a todos os empregados e dirigentes, é fato gerador de contribuição previdenciária, por não se subsumir à hipótese de exclusão de salário de contribuição prevista na alínea "t" do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. O Relatório de Representantes Legais não tem como escopo incluir os sócios/diretores/administradores da empresa no polo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, nos termos do §3 2 do artigo 42 da Lei n. 6.830/80. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A relação de coresponsáveis atende ao disposto no inciso I, do parágrafo 52 do artigo 22 da Lei 6.830/80, não implica nenhuma cobrança imediata e servirá apenas na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa e execução fiscal, quando eventual responsabilidade será devidamente apurada. Lançamento Procedente em Parte Como se infere dos autos, tratase de Auto de Infração nº 37.136.7514, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre parcelas pagas, devidas ou creditadas, a título de Participação nos Lucros ou Resultados PLR, subsídios nas compras de Material Escolar, Bolsa de Estudos, Seguro de Vida em grupo, Gratificação de Diretoria, Honorários de Conselho de Administração e Fiscal, Jetons e Verba de Representação, informadas em Folhas de Pagamento e/ou lançadas na contabilidade, não incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Sobre os fatos geradores apurados no Auto de Infração de fls. 3/21, lançouse R$4.677.952,72 (quatro milhões seiscentos e setenta e sete mil novecentos e cinqüenta e dois reais e setenta e dois centavos). No Relatório Fiscal de fls. 37/52, afirma que a Contribuinte se omitiu em recolher as contribuições previdenciárias referentes aos pagamentos efetuados aos segurados pelo empregador à título de Participação nos Lucros ou Resultados PLR, subsídios nas Fl. 70173DF CARF MF Processo nº 10830.010511/200703 Resolução nº 2301000.743 S2C3T1 Fl. 70.174 4 compras de Material Escolar, Bolsa de Estudos, Seguro de Vida em grupo, Gratificação de Diretoria, Honorários de Conselho de Administração e Fiscal, Jetons e Verba de Representação, informadas em Folhas de Pagamento e/ou lançadas na contabilidade, abrangendo empregados e contribuintes individuais. A Autoridade Administrativa entendeu que a primeira parcela paga aos funcionários e aprendizes, a título de adiantamento, não poderia ser caracterizada como PLR, visto que descumpria com a legislação, pois não estabeleceu nenhum programa de metas, nenhum critério ou condição, resultado e prazos. Em relação ao seguro de vida em grupo, a Autoridade Administrativa considerou que, até o advento do decreto no 3.265/1999, quando este deixou de ser considerado salário de contribuição, não havia previsão de exclusão dessa parcela do rol de incidência das contribuições previdenciárias, sendo considerado salário indireto. Da mesma forma entendeu que os valores pagos para subsidiar a aquisição de material escolar de seus funcionários foram considerados como parte integrante do saláriode contribuição, uma vez que não haveria norma legal prevendo a não incidência da contribuição previdenciária nessa hipótese. Sobre os valores gastos pela contribuinte de novembro de 2004 a agosto de 2005 à título de bolsa de estudos aos ocupantes dos cargos de Gerente, Coordenador e Analista, para os cursos de nível superior, cursos de especialização e pósgraduação, houve o lançamento, visto que não foi concedido a todos os empregados da empresa. Sobre as remunerações pagas aos dirigentes e membros do Conselho Fiscal e Conselho de Administração, referentes ao período de 12/1998 a 12/1999 exclusivamente, apurouse a omissão pelo não recolhimento das contribuições incidentes sobre estes valores, nos termos do art. 9°, V, do RPS. Na impugnação de fls. 63/133, o Contribuinte alega e requer: · Que as contribuições previdenciárias possuem natureza tributária, sendo necessário observar a aplicação do CTN; · A ocorrência da decadência sobre os débitos relativos às competências de janeiro de 1997 até dezembro de 2002, nos termos do Art. 105, §4º do CTN, visto que a notificação do lançamento ocorreu dia 11 de dezembro de 2007, “resta claro que se opera a decadência para o período acima indicado, ou seja, para os fatos geradores ocorridos antes do dia 11/ 12/2002”; · A não incidência da contribuição previdenciária sobre as importâncias pagas à título de PLR, visto que regulamentação da participação nos lucros ou resultados pelas Leis n os 10.101, de 19/12/2000 e 8.212, de 24/07/1991, só são válidas — e aplicáveis se não alterarem o direito estabelecido pela Constituição da República, sendo que apesar de não haver a previsão de concessão de PLR desvinculada de metas e em valor fixo no § 1º do art. 2º da Lei 10.101/00, este fato não impede que a PLR seja pactuada desta forma, na medida em que o próprio dispositivo permite o uso de outros critérios e condições, distintos dos ali elencados Fl. 70174DF CARF MF Processo nº 10830.010511/200703 Resolução nº 2301000.743 S2C3T1 Fl. 70.175 5 e que a antecipação nos lucros ou resultados é um grande incentivo à produtividade; · Que é legítima a estipulação, de parte da PLR, em valor fixo e desprovido de meta, tal como acordado pela SANASA e seus empregados, visto que a Lei no 10.101/00 encontrase em consonância com a Constituição da República, na medida em que não vincula a PLR à remuneração, mas, ao revés, dá margens a que o empregador, juntamente com o empregado (por meio do acordo coletivo) estipule os critérios que lhes forem mais convenientes para a concessão do citado benefício; · Que com relação ao seguro de vida, após o advento do Decreto no 3.265/99 restou inquestionável a não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes ao seguro de vida em grupo, motivo pelo qual a notificação cingiuse ao período anterior (de 1997 a 1998), sendo que com o advento da Lei no 9.528/97, foi conferida nova redação ao § 9°, do art. 28, da Lei no 8.212/91, que passou a prever, expressamente, em sua alínea "p", a não incidência da contribuição previdenciária sobre o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, gênero no qual se inclui o seguro de vida, razão pela qual é indevido o lançamento; · Com relação ao material escolar, constatase que tal verba não pode ser considerada saláriodecontribuição, conforme a legislação determina o que seja saláriodecontribuição, sendo mera liberalidade por parte do empregador e não incorpora a remuneração; · Com relação ao plano educacional, constatase que o lançamento vai de encontro com o que determina o art. 28, I da Lei 8.212/91, porque plano educacional não contempla a definição de saláriodecontribuição, sendo que durante o período de novembro de 2004 a agosto de 2005 a Contribuinte apenas restringiu a concessão do benefício aos ocupantes dos cargos de gerente, coordenador e analista, pois a capacitação e qualificação destes profissionais estava vinculadas às atividades desenvolvidas pela empresa, o que demonstra a natureza indenizatória da verba, sendo um verdadeiro investimento no profissional e não retribuição salarial; · Da inexistência de base de contribuição adicional relativa às contribuições dos empregados; · Da não incidência da contribuição previdenciária sobre contribuinte individual; · Da não incidência das contribuições patronais, bem como as devidas a terceiros, como: SAT, RAT, INCRA, SalárioEducação (FNDE) e SEBRAE; Fl. 70175DF CARF MF Processo nº 10830.010511/200703 Resolução nº 2301000.743 S2C3T1 Fl. 70.176 6 · E, por fim, da ilegitimidade passiva dos corresponsáveis listados na notificação fiscal de lançamento de débito; Nas fls. 418/460 constata a decisão da DRJ pelo Acórdão de Impugnação de n. 1620.393 da 14ª Turma da DRJ/SPOI de 12 de fevereiro de 2009, que, por unanimidade de votos, proveu em parte a Impugnação, apenas para reconhecer a decadência, cancelando o crédito referente as contribuições das competências de 01/1997 a 11/2001 de todos os levantamentos e de ambos estabelecimentos (matriz e filial com CNPJ final 000218), mantendose o crédito tributário exigido relativo ao período de 11/2001 a 05/2007 para o estabelecimento Matriz de 12/01 a 09/2007 para a filial final (000218), alterandose o valor originariamente lançado de R$ 4.677.952,72 para R$ 3.767.696,26, consolidado em 30/11/2007, nos termos do relatório, voto e DADR — Discriminativo Analítico do Débito Retificado, sendo entendido que: · Sobre a decadência, verificase que a Notificação abarca vários levantamentos discriminados nos relatórios DAD — Discriminativo Analítico do Débito de dois estabelecimentos (matriz e filial com CNPJ final 000218 e que envolvem as competências de 01/1997 a 09/2007; foi consolidado em 30/11/2007 e o Contribuinte teve ciência em 11/12/2007, sendo inexistente o recolhimento de contribuições previdenciárias em relação aos fatos geradores de todos os levantamentos, pois são verbas que não foram consideradas pelo contribuinte como integrantes do salário de contribuição e sobre elas não efetuou nenhum recolhimento parcial de contribuições previdenciárias ou destinadas a "Terceiros", aplicandose o art. 173, I do CTN, e, portanto, fulminadas pela decadência todos os lançamentos contendo competências de 01/1997 a 11/2001; · Portanto, há que se reconhecer a DECADÊNCIA PARCIAL do lançamento objeto desta Notificação, em relação aos levantamentos envolvendo competências até 11/2001, o que implica na exclusão do crédito para referidas competências; · Resta prejudicada a apreciação dos argumentos relativos a estas competências atingidas pela decadência, não sendo analisado os argumentos de mérito relativos aos lançamentos "Contribuintes Individuais" (CI1 e CI2) e "Seguro de Vida" (SV1 e SV2) por estarem totalmente atingidos pela decadência; · Com relação ao PLR (período mantido de 11/02 a 05/07 na matriz e de 11/02 a 11/06 na filial), a Fiscalização identificou o pagamento de verba em desacordo com a legislação, uma vez que a empresa não atendeu os pressupostos previstos na Lei 10.101/00, a saber, efetuou pagamentos a título de PLR para outros além dos empregados (aposentados, trabalhadores afastados e aprendizes, enquanto a Lei 10.101/00 se refere somente aos segurados empregados) e independentemente de Fl. 70176DF CARF MF Processo nº 10830.010511/200703 Resolução nº 2301000.743 S2C3T1 Fl. 70.177 7 fixação/cumprimento de metas, bem como sem observância do critério de periodicidade legalmente previsto; · A participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa deve: 1ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados; 2 servir como incentivo à produtividade; 3ter regras claras e objetivas, quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, razão pela qual não merece guarida a argumentação da Impugnante tanto no aspecto do art. 7% XI não ser autoaplicável nem de efeito imediato como também não é admissível a estipulação da PLR em valor fixo, desprovido de meta, ou em periodicidade em prazo inferior ao legal pois se a lei prevê requisitos; · Quanto ao pagamento de PLR a aposentados, trabalhadores afastados e aprendizes, bem como até a membros da diretoria (itens 22, 36, 37) é irrefutável a constatação de que estes pagamentos contrariam a Lei n° 10.101/00, que prevê o pagamento de PLR somente aos segurados empregados; · Sobre o material escolar (levantamento ME2 do período mantido de 11/02 a 05/07, da matriz e da filial), verificase que de fato, o empregador pode estabelecer toda e qualquer modalidade de liberalidade que quiser. Entretanto, não poderá pretender que tais valores não integrem o salário de contribuição para fins de incidência das contribuições sociais previdenciárias e as destinadas a terceiros, pois as hipóteses de exclusão estão taxativamente previstas no § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91; · Sobre o plano educacional (levantamento EDU do período mantido de 11/04 a 08/05, da matriz e da filial), verificase que o valor somente não integra o salário de contribuição se não for utilizado em substituição de parcela salarial e desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo (o que não foi observado pela empresa no presente caso), conforme previsto na alínea "t" do § 9° do art. 28 da Lei, sendo incontroverso e até reconhecido pela Contribuinte a concessão do benefício a apenas alguns profissionais da empresa; · Sobre a Contribuição dos Segurados (levantamento DE2, período mantido de 12/01 a 04/07 da matriz e de 12/01 a 09/07 da filial), verificase que o lançamento é constituído de verbas que a Fiscalização identificou como integrantes do salário de contribuição dos empregados e dirigentes, sujeitos à incidência de contribuições sociais previdenciárias e também de Outras Entidades, que a empresa não havia considerado, sendo que sobre tais verbas, além da incidência das contribuições arcadas pela empresa (FPAS e SAT), também são devidas as contribuições dos segurados sobre a mesma base de cálculo apreciada, objeto do levantamento denominado "Contribuições dos Segurados DE2", que implica em reenquadramento da faixa salarial e identificação da respectiva alíquota, já que tais empregados receberam outras verbas sobre as quais houve recolhimento das contribuições sociais Fl. 70177DF CARF MF Processo nº 10830.010511/200703 Resolução nº 2301000.743 S2C3T1 Fl. 70.178 8 previdenciárias, bem como foi identificado uso de tabela desatualizada em algumas competências que, da mesma forma, ensejaram o lançamento; · Com relação à lista dos corresponsáveis, verificase que somente em sede judicial, em razão de investigação e aprofundamento da análise acerca do contribuinte, após avaliada a existência de dolo, fraude ou má administração por parte dos diretores, ou, ainda, violação à lei ou ao contrato, é que os dados disponibilizados pela fiscalização serão de valia, pois na esfera administrativa, a indicação desta lista não dá nenhuma implicação, nem prejuízo, nenhuma cobrança ou restrição; O Contribuinte interpõe seu Recurso Voluntário nas fls. 466/524, pugnando pela: · Extinção do crédito relativo ao período entre 12/2001 a 12/2002, ante a ocorrência da decadência, sendo aplicado ao caso o Art. 105, §4º do CTN e não o 173, visto que não há comprovação de qualquer das situações delitivas — dolo, fraude ou simulação , ensejadoras da aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, de tal sorte que, independentemente da falta de recolhimento do tributo, aplicase o art. 150, parágrafo 4°, do mesmo diploma legal, para a contagem do prazo decadencial. · A não incidência da contribuição previdenciária sobre as importâncias pagas à título de PLR, visto que regulamentação da participação nos lucros ou resultados pelas Leis n os 10.101, de 19/12/2000 e 8.212, de 24/07/1991, só são válidas — e aplicáveis se não alterarem o direito estabelecido pela Constituição da República, sendo que apesar de não haver a previsão de concessão de PLR desvinculada de metas e em valor fixo no § 1º do art. 2º da Lei 10.101/00, este fato não impede que a PLR seja pactuada desta forma, na medida em que o próprio dispositivo permite o uso de outros critérios e condições, distintos dos ali elencados e que a antecipação nos lucros ou resultados é um grande incentivo à produtividade; · Que é legítima a estipulação, de parte da PLR, em valor fixo e desprovida de meta, tal como acordado pela SANASA e seus empregados, visto que a Lei no 10.101/00 encontrase em consonância com a Constituição da República, na medida em que não vincula a PLR à remuneração, mas, ao revés, dá margens a que o empregador, juntamente com o empregado (por meio do acordo coletivo) estipule os critérios que lhes forem mais convenientes para a concessão do citado benefício; · Com relação ao material escolar, constatase que tal verba não pode ser considerada saláriodecontribuição, conforme a legislação determina o que seja saláriodecontribuição, sendo mera liberalidade por parte do Fl. 70178DF CARF MF Processo nº 10830.010511/200703 Resolução nº 2301000.743 S2C3T1 Fl. 70.179 9 empregador e não incorpora a remuneração, sendo que não há qualquer acréscimo patrimonial, não há habitualidade Que a ajuda no custeio do material escolar é, pois, de cunho eminentemente indenizatório na medida em que tem como finalidade reembolsar despesas já arcadas com a compra de material escolar, seja diretamente com os fornecedores, seja em face dos próprios trabalhadores. Assim sendo, referido subsídio constitui mera indenização paga por parte do empregador, que não incorpora, em nada, a remuneração do empregado e, portanto, não pode ser caracterizada como saláriodecontribuição, Com relação ao plano educacional, constatase que o lançamento vai de encontro com o que determina o art. 28, I da Lei 8.212/91, porque plano educacional não contempla a definição de saláriodecontribuição, sendo que durante o período de novembro de 2004 a agosto de 2005 a Contribuinte apenas restringiu a concessão do benefício aos ocupantes dos cargos de gerente, coordenador e analista, pois a capacitação e qualificação destes profissionais estava vinculadas às atividades desenvolvidas pela empresa, o que demonstra a natureza indenizatória da verba, sendo um verdadeiro investimento no profissional e não retribuição salarial; · Da não incidência das contribuições previdenciárias patronais, bem como as destinadas a terceiros, como: SAT, RAT, INCRA, Salário Educação (FNDE) e SEBRAE, visto que essas contribuições incidem sobre as remunerações e as parcelas analisadas nos tópicos anteriores – PLR, material escolar e plano educacional e que não possuem natureza remuneratória; · O processo foi distribuído à este Conselho, sendo pautado para julgamento, sob o relato do Dr. Adriano Gonzales Silvério, em sessão de 08/10/2014, sendo decidido, por unanimidade dos votos da Turma, converter o julgamento em diligência, visto que os Acordos Coletivos, os Anexos ao relatório fiscal, a folha de pagamento, os lançamentos contábeis, o regulamento dos benefícios concedidos aos trabalhadores e o DAD não haviam sido inseridos e anexados ao processo, razão pela qual necessária a baixa dos autos para a juntada destes documentos. · Os Anexos ao Relatório Fiscal em que constam os nomes dos segurados e o demonstrativo das bases de contribuições para o lançamento foram juntados nas fls. 543/1648; o DAD nas fls. 1649/1760; o resumo da folha de pagamento foi juntado nas fls. 1763/2289 e nas fls. 2300/2314; as Rubricas da folha de pagamento foram juntadas nas fls, 2290/2299; os Acordos Coletivos de 2001 a 2004 foram juntados nas fls. 2315/2572; os Acordos Coletivos de 2004 a 2007 foram juntados nas fls. 2573/2775; por fim, das fls. 2776/56702 foi juntada a razão analítica da Contribuinte do período. É o relatório. VOTO Necessidade de Diligência Fl. 70179DF CARF MF Processo nº 10830.010511/200703 Resolução nº 2301000.743 S2C3T1 Fl. 70.180 10 A Contribuinte requer a extinção do crédito relativo ao período entre 12/2001 a 12/2002, ante a ocorrência da decadência, sendo aplicado ao caso o Art. 150, §4º do CTN e não o 173, I do CTN, como entendido pela DRJ, visto que não há comprovação de qualquer das situações delitivas — dolo, fraude ou simulação que ensejam a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, de tal sorte que, independentemente da falta de recolhimento do tributo, aplicase o art. 150, parágrafo 4°, do mesmo diploma legal, para a contagem do prazo decadencial. Sobre o tema, destacase a legislação e a Jurisprudência consolidada deste Conselho e a Súmula 99: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA O prazo decadencial para os lançamentos sujeitos a homologação obedece ao art. 150, § 4º, do CTN, quando houver antecipação do pagamento, mesmo que parcial, e ao art. 173, I, do CTN, quando não houver pagamento do tributo. Nos termos da Súmula CARF nº 99, o pagamento antecipado caracterizase Fl. 70180DF CARF MF Processo nº 10830.010511/200703 Resolução nº 2301000.743 S2C3T1 Fl. 70.181 11 pelo recolhimento de valor na competência do fato gerador, razão pela qual os fatos geradores devem ser considerados isoladamente. Acórdão nº 9202003.715 – Sessão de 28 de janeiro de 2016 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Aplicação da Súmula CARF nº 99. Acórdão nº 9202003.572 Sessão de 29 de janeiro de 2015 DECADÊNCIA. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF Nº 99. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devendo ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Além disso, o enunciado da Súmula CARF nº 99 dispõe que “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração”. Acórdão nº 9202003.313 Sessão de 16/09/2014 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuição incidente sobre valores reembolsados a título de auxílio excepcional. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregandose, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Os documentos constantes nos autos, especificamente o Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF (fls. 66/67), possibilitam concluir que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo no período em discussão, tendo em vista o fato de que o referido termo aponta que para o período fiscalizado foram examinados as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Fl. 70181DF CARF MF Processo nº 10830.010511/200703 Resolução nº 2301000.743 S2C3T1 Fl. 70.182 12 Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e os respectivos comprovantes de recolhimento do período em questão e, ainda, que os créditos tributários constituídos referemse, exclusivamente, a parcelas que o fisco considerou haver incidência de contribuições previdenciárias, ao contrário do contribuinte. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 02/10/2007, as contribuições com fatos geradores ocorridos até a competência 09/2002 encontravamse fulminados pela decadência. Acórdão nº 240101.981, Sessão de 22 de agosto de 2011. Portanto, para fins de aplicação do Art. 150, §4º do CNT para o computo do prazo decadencial, necessário o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo Contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação. Não há nos autos comprovação do recolhimento parcial dessas verbas. Levandose em consideração que o lançamento diz respeito às competências de 01/1997 a 09/2007, consolidado em 30/11/2007 e com ciência do Contribuinte em 11/12/2007, necessário converter o presente julgamento em diligencia para que o Contribuinte seja intimado a apresentar os recolhimentos, ainda que parciais, da parte patronal e empregados do tributo exigido (mesmo que sob rubrica distinta da exigida no auto de infração), referentes ao período de 12/2001 a 11/2002. e que a unidade preparadora confirme os respectivos pagamentos. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora (assinado digitalmente). Fl. 70182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001925/2008-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja analisada a documentação acostada com a apresentação do Recurso Voluntário, relativa a Ação Judicial nº 91.0004818-6 e, se entender necessário, intime-o a apresentar outros documentos, para, ao final, manifestar-se sobre a procedência do crédito informado no PER/DComp nº 09299.13920.140803.1.3.54-0132.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja analisada a documentação acostada com a apresentação do Recurso Voluntário, relativa a Ação Judicial nº 91.00048186 e, se entender necessário, intimeo a apresentar outros documentos, para, ao final, manifestarse sobre a procedência do crédito informado no PER/DComp nº 09299.13920.140803.1.3.540132. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1522.865, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA DRJ/SDR que, na sessão de julgamento realizada em 04.03.2010 (efls. 82 a 87), julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Da síntese dos fatos A decisão de primeira instância, consubstanciada no citado acórdão recorrido, trata dos fatos que foram resumidos em seu respectivo relatório, que adoto para evidenciálos, verbis: Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .0 01 92 5/ 20 08 -3 7 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10510.001925/200837 Resolução nº 3001000.164 S3C0T1 Fl. 153 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade da interessada contra o Despacho Decisório DRF/AJU nº 0683, de 01/08/2008 (fls. 17/21) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracaju (DRF/AJU), que não homologou a compensação declarada através do PER/DCOMP nº 09299.13920.140803.1.3.540132 (fls. 04/07) e determinou a cobrança dos valores compensados indevidamente. No citado PER/DCOMP, a interessada pretendia extinguir um débito da Cofins (código 2172), do período de apuração de abril de 2003, no valor de R$ 21.961,48, com crédito de Finsocial, no mesmo valor, originário da Ação Judicial nº 91.00048186, ajuizada na 2ª Vara Federal da Seção Judiciária de Sergipe. Cientificada do indeferimento (AR, fl. 25) a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 30/41, cujo teor é sintetizado a seguir. • que deu entrada em 14/08/2003 de pedido de restituição protocolado sob o n°09299.13920.140803.1.3.540132 (fls. 04/11), referente a compensação de crédito do Finsocial recolhido a maior no período de 04/1989 a 03/1992, em alíquotas superiores a 0,5%, conforme ação judicial nº 91.00048186, ajuizada na 2a Vara Federal de Aracaju/SE (cópia, fls. 53/54); • que, no entanto, seu pedido de restituição foi indeferido pela DRF/AJU, mediante o despacho decisório de fls. 17/21, que não homologou a compensação declarada através do PER/DCOMP (fls. 04/07), pelo fato de que ela não apresentou, no prazo estipulado de 30 (trinta) dias, a certidão do inteiro teor da ação judicial, bem como o comprovante de renúncia ou desistência da execução do titulo judicial; • que tal prazo não foi cumprido, devido ao fato do processo encontrar se arquivado e, conforme alegado pela 2ª Vara Federal de Aracaju/SE, não seria possível atender a sua solicitação, protocolada em 20/06/2008, devido ao grande número de pedidos de desarquivamento pendente no setor, uma vez que só seria possível desarquivar 10 (dez) processos por semana; que, diante de tal fato, ficou impossibilitada de cumprir a exigência da RFB, o que foi informado ao agente fiscal, para que este lhe aguardasse obter os aludidos documentos; diz, após citar jurisprudência do Conselho de Contribuintes que, uma vez demonstrada a existência de crédito referente ao pagamento do Finsocial a alíquota majorada, que foi objeto de ação judicial com trânsito em julgado, não há razão para que o seu pedido de compensação seja indeferido; • na seqüência, passa a discorrer sobre a importância da realização da prova pericial para o deslinde da questão, já que apresentou memória de cálculo ao Fisco e, ainda que seja dado a este o direito de não homologar o cálculo demonstrado, não se pode admitir, que em um processo administrativo, cujo objeto da controvérsia seja uma compensação de créditos e débitos, não seja realizada a prova pericial, a fim de assegurar o trâmite do devido processo legal (art. 50, LV, da CF, de 1988), mesmo porque, tal tipo de processo, está pautado no principio da verdade material; requer, assim, nos termos do art. 420, do Código de Processo Civil (CPC), a realização de perícia contábil de seus Darf, Livro de Apuração de ICMS, Livro Razão e DCTF, para Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10510.001925/200837 Resolução nº 3001000.164 S3C0T1 Fl. 154 3 averiguação, posto que resta patente a existência de crédito tributário relativo ao Finsocial; • insurgese, também, sobre a cobrança de acréscimos moratórios sobre os valores compensados; diz que está sendo compelida a pagar acréscimos de multa e juros de mora, no montante de R$ 8.644,97, incidentes sobre os valores originais da Cofins compensados e devidamente registrados nos seus livros de Escrituração contábil (fl. 76), somente porque protocolizou seus pedidos de compensação após a data de vencimento do débito compensado; • continua discorrendo sobre os acréscimos moratórios e aduz que seus créditos são anteriores aos débitos objeto da compensação, ou seja, de que já gozava da condição de credora junto a RFB, antes mesmo do surgimento das obrigações objeto da compensação, não ensejando, desse modo, a caracterização da "mora debitoris" requisito indispensável para a incidência dos encargos moratórios; acrescenta, após citar sobre o assunto legislação e jurisprudência, que a incidência de multa e juros de mora representa uma odiosa penalização contra quem não está em atraso na satisfação de suas obrigações; • requer, ante o exposto, que; a) seus argumentos sejam levados a efeito para que seja deferido o seu pedido de reconhecimento de direito creditório do Finsocial, resultando na homologação de todas as compensações por ela efetuadas; b) a realização de perícia contábil a fim de restar comprovado a existência de seu crédito de Finsocial. Em face do despacho de fl. 78, o processo veio a esta DRJ/SDR, para julgamento. Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de sua demanda perante a instância a quo, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (efls. 95 a 108), para alegar, em síntese, que: (i) nos anos de 1989 a 1992, recolheu a contribuição para o Finsocial adotando as alíquotas majoradas pela legislação da época (majorações estas que foram declaradas inconstitucionais pelo STF, ao invés de têla recolhido tendo por base a alíquota de 0,5%; (ii) compensouos com os valores devidos a título de Cofins, diretamente na sua escrita fiscal, ao amparo do Acórdão Judicial nº 277.559SE, proferido pela 4ª Turma do TRF da 5ª Região, com trânsito em julgado, conforme documentos que anexa; (iii) o valor do crédito apurado suporta todas as compensações realizadas com a Cofins pois, conforme levantamento, o crédito fiscal perfaz um montante de R$ 415.786,18, atualizado até 31.05.2003; (iv) ao efetuar as compensações dos valores indevidamente recolhidos com as parcelas da mesma contribuição, fez incidir correção monetária, haja vista estar amparada pelo Acórdão Judicial nº 277.559SE; Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10510.001925/200837 Resolução nº 3001000.164 S3C0T1 Fl. 155 4 (v) os créditos apurados são anteriores aos débitos objeto de compensação, ou seja, o interessado gozava da condição de credor junto a RFB, antes mesmo do surgimento das obrigações tributárias objeto de compensação, não ensejando a caracterização da "mora debitoris", requisito indispensável para a incidência dos encargos moratórios; (vi) em se tratando de sansão administrativa de índole pecuniária, não existe embasamento legal para a incidência de encargos moratórios ante a não caracterização da inadimplência, posto tratarse de pressuposto objetivo, não comportando exasperação; (vii) a incidência de multa e juros de mora representa uma odiosa penalização contra quem não está em atraso na satisfação de suas obrigações, o que resulta a inaplicabilidade da pena aplicada, ensejando o julgamento improcedente do lançamento em voga; (viii) em conformidade com a dicção do artigo 16, inciso IV do Decreto nº 70.235 de 1972, com alteração pela Lei nº 8.748 de 1993, reitera seu o pedido de produção de prova técnica contábil, a fim de poder demonstrar o correto procedimento efetuado e, por conseguinte, a existência de crédito pertencente à empresa e a sua efetiva compensação. Nestes termos, faz juntar, dentre outros, a cópia do Acórdão Judicial nº 244559 SE, da Sentença de 1º Grau e da Certidão de Inteiro Teor. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 13.07.2010 (efl. 150), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em atenção ao prescrito no artigo 23B, Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015 RICARF, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04.06.2017 e por tratarse de contestação envolvendo crédito compatível com sua competência, cabe a este Colegiado Extraordinário apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 06.07.2010, conforme depreendese do carimbo do protocolo formalizador constante na sua "Folha de Rosto" (efl. 95), depois da ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, ocorrida em 04.06.2010, conforme observase do carimbo aposto no "AR" dos Correios (efl. 93), portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Das razões da decisão recorrida Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10510.001925/200837 Resolução nº 3001000.164 S3C0T1 Fl. 156 5 Convém evidenciar os esclarecimentos e os motivos pelos quais a decisão recorrida concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade. Colhese do voto condutor da decisão recorrida que "a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracaju não homologou a compensação declarada pela contribuinte através do PER/DCOMP nº 09299.13920.140803.1.3.540132 (fls. 04/07), por não encontrar seu pedido devidamente instruído de acordo com a legislação que rege a matéria (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996; art. 170A, da LC 104, de 10/01/2001; art. 37, da IN SRF nº 210, de 30/09/2002; art. 50, da IN SRF nº 600, de 28/12/2005), já que esta deixou de anexar aos autos os documentos solicitados mediante a Intimação Saort 088/2008 (fl. 12), de 03/06/2008, cientificada em 06/06/2008, (AR, II. 13)"; mais adiante, que "o art. 170, do CTN, estabelece um principio basilar ao determinar que o crédito do sujeito passivo deve gozar dos atributos de liquidez e certeza. Ou seja, não basta apenas o contribuinte informar ser possuidor de determinado crédito, é necessário, também, que atenda a tais requisitos, para que possa ter sua compensação homologada. Deste modo, uma vez configurada a inexistência de direito creditório a favor da interessada, já que o crédito do Finsocial, ora sob análise, é originário da ação judicial nº 91.00048186, ajuizada na 2ª Vara Federal de Aracaju/SE (cópia, fls. 53/54), tornase prescindível a apreciação das demais alegações da manifestante com relação a não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 09299.13920.140803.1.3.54 0132 (fls. 04/07)". Da proposta de conversão do julgamento em diligência Vêse, pois, que o fundamento da decisão recorrida, para negar o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional, está assentado na ausência da liquidez e certeza do crédito, em face do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, conforme declarado na PER/Dcomp sub judice. Evidenciese, por oportuno, que dos elementos fáticos carreados aos autos até a apresentação da Manifestação de Inconformidade, não há reparo aos termos da decisão a quo. Não obstante, por considerar que o presente caso amoldase àquelas situações em que o sujeito passivo empreende ação no sentido de, ao menos, tentar provar o direito que alega assistirlhe, agindo portanto proativamente, consoante o novel princípio da cooperação, cuja redação expressa que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva" (artigo 6º do Novo Código de Processo Civil Lei 13.105 de 16.03.2015), faço uso do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 06.03.1972, que dispõe que "a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis", corroborado pelas disposições do Decreto nº 7.574, de 29.09.2001, cujas regras, como é cediço, são absolutamente aplicáveis também aos Colegiados de Segunda Instância, para propor a conversão do presente julgamento em diligência. Da conclusão Neste contexto, na medida que com a apresentação das cópias do Acórdão Judicial nº 244559SE, da Sentença de 1º Grau e da Certidão de Inteiro Teor, juntados em razão da apresentação do presente Recurso Voluntário, permite indicar, com razoável probabilidade de acerto, o direito vindicado, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10510.001925/200837 Resolução nº 3001000.164 S3C0T1 Fl. 157 6 70.235, de 1972, determino a realização de diligência para que a autoridade competente da unidade fiscal de origem analise a referida documentação judicial, relacionada com a Ação Judicial nº 91.00048186 e, se entender necessário, intimeo a apresentar outros documentos, manifestandose, após, sobre a procedência do crédito informado no PER/DComp nº 09299.13920.140803.1.3.540132. Neste sentido, devem os autos retornar para a DRF ARACAJU (SE), para seu atendimento. Finalizada a instrução processual em tela, deverá o Recorrente ser intimado para, se assim desejar, manifestarse no prazo de trinta dias. Após esta providência, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. É como voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.903598/2011-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/12/2006
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-005.545
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 35 98 /2 01 1- 72 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10675.903598/201172 Acórdão n.º 3401005.545 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada por inexistência de crédito disponível para a compensação pretendida, conforme informação constante do Despacho Decisório. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade onde sustentou o direito ao crédito, alegando mero erro no preenchimento da DCTF. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) proferiu o Acórdão DRJ nº 14052.048, em que se decidiu, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Devidamente cientificada desta decisão, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.533, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10675.902622/201237, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.533): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: A Manifestação de Inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dela se conhece. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10675.903598/201172 Acórdão n.º 3401005.545 S3C4T1 Fl. 4 3 Para iniciar o exame da controvérsia é importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação.Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. A contribuinte, não obstante, defende a existência de seus créditos, alegando que refez os cálculos de apuração para computar exclusões a título de receitas isentas ou sujeitas a alíquota zero. Pelo que se depreende de sua Manifestação de Inconformidade, tais exclusões estariam baseadas na Lei nº 10.485, de 03 de julho de 2002. A Lei nº 10.485, de 2002, traz as seguintes hipóteses de exclusão da base de cálculo e tributação à alíquota zero à época dos fatos: Art. 2° Poderão ser excluídos da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep, da Cofins e do IPI os valores recebidos pelo fabricante ou importador nas vendas diretas ao consumidor final dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI, por conta e ordem dos concessionários de que trata aLei no Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10675.903598/201172 Acórdão n.º 3401005.545 S3C4T1 Fl. 5 4 6.729, de 28 de novembro de 1979, a estes devidos pela intermediação ou entrega dos veículos, e o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações – ICMS incidente sobre esses valores, nos termos estabelecidos nos respectivos contratos de concessão. ... § 2° Os valores referidos no caput: I não poderão exceder a 9% (nove por cento) do valor total da operação; II serão tributados, para fins de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, à alíquota de 0% (zero por cento) pelos referidos concessionários. ... Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1o, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere oart. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Parágrafo único. Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (destaques acrescidos) Segundo a Manifestação de Inconformidade e o Contrato Social vigente à época, a contribuinte tem por objetos social: a) o comércio de tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas e respectivas peças, sob forma de concessão comercial prevista pela Lei 6729 de 28 de novembro de 1979; b) atividade auxiliar e dependente de concessão comercial de que trata a letra ‘a’ anterior a prestação serviços de assistência técnica aos produtos objeto da concessão comercial; c) o comércio de veículos, motores, máquinas, equipamentos, peças e acessórios; d) o comércio de combustíveis e lubrificantes; e) o comércio de produtos ligados à agropecuária; f) a importação e a exportação dos produtos mencionados nas letras anteriores. Embora as atividades apontadas no objeto declarado no Contrato Social sejam correlatas àquelas visadas na legislação, a pretensão da contribuinte esbarra na falta de Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10675.903598/201172 Acórdão n.º 3401005.545 S3C4T1 Fl. 6 5 documentação contábilfiscal que dê suporte ao denominado “Relatório de Vendas Monofásicas – Período de Apuração Julho 2003”, trazido aos autos a título de prova dos argumentos. Da forma como posta, é preciso fixar que a matéria a ser tratada é, antes de tudo, uma questão de caráter probatório, pelo que é imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de “onus probandi” não significa, propriamente, a obrigação no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose, antes, de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. No universo da compensação tributária, a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Portanto, a prova da liquidez e certeza do crédito, requisitos essenciais para o seu reconhecimento, cabe à interessada. No caso, caberia a prova, por meio de documentação contábilfiscal hábil, de que as vendas contidas no Relatório de Vendas Monofásicas efetivamente ocorreram e que o faturamento correspondente foi levado à apuração daquele período. A partir tão somente do relatório produzido pela contribuinte, é impossível a comprovação de que as vendas aconteceram e de que envolveram aqueles bens. Os benefícios conferidos pela legislação citada são restritos a alguns bens e produtos, cuja receita deve ser tributada a alíquota nula ou excluída da base. Para que se reconheça à contribuinte a existência de pagamento indevido ou a maior, é preciso que esteja provado o efetivo auferimento de receitas alcançadas pelo benefício fiscal, o que somente é possível a partir da documentação contábil e fiscal correspondente. No caso, tal documentação não foi trazida aos autos, pelo que o Relatório apresentado carece de sustentação. Como se pode ver, o panorama que se desenha para análise, limitandose ao universo das declarações e atos da contribuinte perante a Administração Tributária, revelase inconclusivo. Com efeito, enquanto o pagamento e a DCTF original afirmam ser um o valor do tributo apurado, a contribuinte apresenta um relatório tentando provar que outro seria seu débito para com a Fazenda. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10675.903598/201172 Acórdão n.º 3401005.545 S3C4T1 Fl. 7 6 Não é de somenos importância, no caso, o fato de que a alegada revisão dos cálculos teria acontecido aproximadamente quatro anos após a apuração original. Como visto, há uma inconsistência nos documentos trazidos aos autos, inconsistência essa que somente o recurso à contabilidade do sujeito passivo poderia resolver. No entanto, tal elemento de prova não foi juntado pela interessada, razão pela qual o único resultado possível é o indeferimento do seu pleito de reconhecimento integral do crédito pleiteado, mantendose incólume o Despacho Decisório" (seleção e grifos nossos). Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10675.903598/201172 Acórdão n.º 3401005.545 S3C4T1 Fl. 8 7 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.902022/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13609.902024/2009-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13609.902024/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .9 02 02 2/ 20 09 -5 5 Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13609.902022/200955 Resolução nº 1201000.614 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório referente a PER/DCOMP. 2. A declaração de compensação é relativa ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ arrecadado em 29/10/2004, que soma o montante de R$ 291.132,00(valor principal somado aos juros). 3. No despacho decisório constatouse, a partir dos DARF discriminados no PER/DCOMP, que foram identificados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no referido PER/DCOMP, e que, portanto, não havia direito de crédito. 4. A contribuinte, devidamente intimada do despacho, apresentou manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que (i) o sistema não aceitou o envio de PER/DCOMP retificadora em razão da declaração de compensação (que se pretendia corrigir) já ter sido objeto de decisão administrativa; e (ii) não recebeu intimação da Receita Federal do Brasil oferecendo a oportunidade de retificar a declaração de compensação. Por fim, requer que o débito fiscal reclamado seja cancelado. 5. Em sessão de 30 de novembro de 2011, a 3ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase à comprovação da liquidez e certeza do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido”. 6. A DRJ/BHE julgou a manifestação de inconformidade improcedente sob os seguintes fundamentos: 6.1. A legislação regente não prevê nenhuma hipótese em que a autoridade administrativa deve oferecer ao sujeito passivo oportunidade de retificar pedido de compensação antes de proferir decisão de não homologação. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 13609.902022/200955 Resolução nº 1201000.614 S1C2T1 Fl. 4 3 6.2. O crédito carece de liquidez, pois não há crédito nenhum passível de utilização na DCOMP de acordo com a DIPJ apresentada. No mais, não foi apresentada documentação capaz de comprovar erro no preenchimento das declarações da contribuinte. 7. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário e, para comprovar a liquidez do crédito, juntou aos autos a retificação da DIPJ de exercícios anteriores demonstrando o tributo devido, pago a maior e o crédito dele resultante. Assim sendo, requer que o crédito em discussão seja devidamente homologado. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.612, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13609.902024/2009 44, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.612): "8. O Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 9. Em virtude da necessidade de baixar os autos em diligência, atenhome aos pressupostos e fundamentos hábeis a justificar tal providência a ser atendida pela douta autoridade preparadora. 10. Inicialmente, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, que o direito creditório não merece ser reconhecido. 11. Nos termos do artigo, art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. 12. Constam do rol as provas "ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias", incidências que fogem a realidade do presente caso. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13609.902022/200955 Resolução nº 1201000.614 S1C2T1 Fl. 5 4 13. No mais, assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 14. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 15. Logo, somente diante da efetiva análise documental e mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar o motivo pelo qual as provas acostadas merecem ser desconsideras/ignoradas, que o direito creditório não deve ser reconhecido. 16. No mais, o deferimento da diligência, visa garantir ao direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, a busca da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. 17. De acordo com o Prof. Doutor Humberto Ávila1 "para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 18. Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para a própria Administração Pública. 19. No mais, outro aspecto relevante diz respeito à necessária aplicação do artigo 29, da Lei nº 9.784/992, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo. 1 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13609.902022/200955 Resolução nº 1201000.614 S1C2T1 Fl. 6 5 20. Tendo essas premissas em mente, passo a trazer alguns ponderações em concreto. 21. A r. DRJ, quando da análise do crédito, constatou que: (i) na DCTF original, do 1º trimestre de 2004, entregue em 14/05/2004 (atualmente ativa), não foi indicado débito algum de IRPJ; (ii) na DCTF original, do 2º trimestre de 2004, entregue em 13/08/2004 (atualmente cancelada), indicouse débito de IRPJ relativo ao período de apuração do 1º trimestre de 2004 no valor de R$ 77.954,30, pago em 3 quotas; (iii) na DCTF retificadora, do 2º trimestre de 2004, entregue em 27/12/2006 (atualmente cancelada, mas ativa quando da emissão do despacho decisório), reduziuse o valor do débito para R$ 18.006,80, agora pago em apenas 2 quotas; e (iv) na DCTF retificadora, do 2º trimestre de 2004, entregue em 09/07/2009 (atualmente ativa), mantiveramse o valor do débito e número de quotas, mas se alteraram as vinculações efetuadas. 22. Ocorre que, segundo a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ original entregue em 25/06/2005 (atualmente ativa), relativamente ao período de apuração do 1º trimestre de 2004, apurouse o valor de R$ 77.954,30 a título de imposto de renda a pagar. Com efeito, a autoridade julgadora não haver crédito algum passível de utilização na DCOMP em questão. 23. De outra parte, a Recorrente apresentou a retificação da DIPJ para demonstrar que o valores de IRPJ apurados trimestralmente no anocalendário de 2004 foram refletidos nas DCTFs Retificadoras. 24. Em face do exposto, proponho CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade preparadora: (i) Providencie a juntada aos autos cópia integral da DIPJ 2005, anocalendário de 2004 (original e retificadora) e demais períodos relacionados; (ii) Verifique e junte as DCTFs (originais e retificadoras), efetuando a apuração de eventual crédito, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (iii) Se for o caso, coteje eventual crédito com as DCOMPs apresentadas, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência desse, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada; (iv) Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos hábeis a melhor elucidar a origem do direito creditório, inclusive para fins de demonstrar a ocorrência de eventual prejuízo no período. 25. Em caso de dúvidas quanto à exatidão das informações prestadas, a autoridade fiscal deve intimar a contribuinte a prestar esclarecimentos complementares. 26. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13609.902022/200955 Resolução nº 1201000.614 S1C2T1 Fl. 7 6 ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 389DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001816/2008-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Auto de Infração IRPJ/CSLL
Ano-calendário: 2003
Ementa: PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS, ABRANGÊNCIA, As perdas no recebimento de créditos a que se refere o caput do art. 9º da Lei nº 9.4.30/96 não estão limitadas, unicamente, as perdas
vinculadas ao não recebimento de créditos o riundos de operações decorrentes das atividades inerentes ao objeto social da pessoa jurídica, mas sim, em relação aos créditos decorrentes de todas as atividades da pessoa juridiea, sem restrições.
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS, DEDUTIBILIDADE,
REQUISITOS EXIGIDOS. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica, quando de valor superior a R$ 30,000,00 por operação, sem garantia, somente poderão ser deduzidas como despesas para a determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social, quando vencidos há mais de um ano, portanto, liquidas, certos e exigíveis, e
desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu
recebimento (art. 9', § 1", inc. H, letra "c" e art, 11, § ambos da Lei n"
9,430/94
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. ENCARGOS
FINANCEIROS SOBRE CRÉDITOS VENCIDOS, As receitas financeiras,
apropriados contabilmente a partir do terceiro mês após o vencimento de um
crédito superior a R$ .30,000,00, não recebido, poderão ser excluidas do lucro
liquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da
contribuição social sobre o lucro liquido, desde que a pessoa juridica credora
houver tomado as providencias de caráter judicial necessárias ao recebimento
do crédito (art, 11, eaput e § 1" da Lei n" 9,4.30/96).
Numero da decisão: 1103-000.380
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares, e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, vencidos, quanto ao mérito, os conselheiros
Marcos Shigueo Takata e Hugo Correa Sotero,
Nome do relator: Gervásio Nicolau Recketenvald
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ementa_s : Auto de Infração IRPJ/CSLL Ano-calendário: 2003 Ementa: PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS, ABRANGÊNCIA, As perdas no recebimento de créditos a que se refere o caput do art. 9º da Lei nº 9.4.30/96 não estão limitadas, unicamente, as perdas vinculadas ao não recebimento de créditos o riundos de operações decorrentes das atividades inerentes ao objeto social da pessoa jurídica, mas sim, em relação aos créditos decorrentes de todas as atividades da pessoa juridiea, sem restrições. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS, DEDUTIBILIDADE, REQUISITOS EXIGIDOS. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica, quando de valor superior a R$ 30,000,00 por operação, sem garantia, somente poderão ser deduzidas como despesas para a determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social, quando vencidos há mais de um ano, portanto, liquidas, certos e exigíveis, e desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento (art. 9', § 1", inc. H, letra "c" e art, 11, § ambos da Lei n" 9,430/94 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. ENCARGOS FINANCEIROS SOBRE CRÉDITOS VENCIDOS, As receitas financeiras, apropriados contabilmente a partir do terceiro mês após o vencimento de um crédito superior a R$ .30,000,00, não recebido, poderão ser excluidas do lucro liquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, desde que a pessoa juridica credora houver tomado as providencias de caráter judicial necessárias ao recebimento do crédito (art, 11, eaput e § 1" da Lei n" 9,4.30/96).
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PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS, DEDUTIBILIDADE, REQUISITOS EXIGIDOS. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica, quando de valor superior a R$ 30,000,00 por operação, sem garantia, somente poderão ser deduzidas como despesas para a determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social, quando vencidos há mais de um ano, portanto, liquidas, certos e exigíveis, e desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento (art. 9', § 1", inc. H, letra "c" e art, 11, § ambos da Lei n" 9,430/94 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. ENCARGOS FINANCEIROS SOBRE CRÉDITOS VENCIDOS, As receitas financeiras, apropriados contabilmente a partir do terceiro mês após o vencimento de um crédito superior a R$ .30,000,00, não recebido, poderão ser excluidas do lucro liquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, desde que a pessoa juridica credora houver tomado as providencias de caráter judicial necessárias ao recebimento do crédito (art, 11, eaput e § 1" da Lei n" 9,4.30/96). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ALOYSIO ERCINI VA - Preside GERVATb NICOLAU R .CKTENVALD Relator_ Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares, e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, vencidos, quanto ao mérito, os conselheiros Marcos Shigueo Takata e Hugo Correa Sotero, EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio Jose Percinio da Silva (Presidente da Turma), Marcos Shigueo Takata, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Hugo Correa Sotero, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gervisio Nicolau Recktenvald. 2 Processo n" 16327.001816/2008-73 Sl-C11.3 Ae.Ora° n." 1103-00380 Fl 2 Relatório A empresa BRADESCO VIDA E SAÚDE S/A, CNPJ 51,990,695/0001-37, que tern por objeto "a instituição e operação de seguros de vida, compreendendo todas as modalidades dos seguros de pessoas e excluídas quaisquer espécies de seguros de dano, bem como a instituição e operação de pianos previdenciários nas modalidades de pecúlio e de renda" (fl, 18), veio perante este Conselho para, através do competente recurso voluntário, demonstrar sua não conformidade com o decidido pela 10" Turma da DRJ de São Paulo, que confirmou pelo Acórdão 16-20,647, de 09 de março de 2009, o lançamento de oficio, de IRPJ e CSLL„ efetuado pela fiscalização da DEINF/SP, por constatadas supostas divergências na apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, relativamente ao ano calendário de 2003. Compulsando os autos, verifica-se que a interessada, corn apuração pelo lucro real anual em 200.3, levou para os resultados fiscais perdas no recebimento de créditos, tidas pelo fisco corno indedutiveis. As referidas perdas decorreram de baixa contábil de ativo financeiro representado por 35,000 Letras Financeiras do Tesouro do Estado de Santa Catarina (LFTs/SC) que haviam sido adquiridas em 12/0.3/1998 pelo valor de R$ 50,651,174,75 (fl, 31). Ainda, para fins de perdas, ao referido valor de compra foi acrescido o estorno de rendimentos de juros e variações monetárias, relativos aos anos de 1998 a 2002, no valor de R$ 81,465,829,62, oferecidos tributação quando da apropriação contábil correspondente (if 32)„ Assim, a baixa das bases fiscais, tanto do IRPJ corno da CSLL„ resultou num valor acumulado de R$ 132A 17,004,.37 (fl. 32), tido pelo fisco como indedutível, razão pela qual o adotou como infração para a apuração e lançamento do IRP1 (fl, 212) e da CSLL (217). A baixa fiscal da perda foi efetivada pela recorrente em novembro de 2003, tendo em vista que naquela data, embora o vencimento das LFTs estivesse marcado para 01/08/1999, ela não mais via possibilidades de recebimento, uma vez que a legalidade da emissão das LFTs/SC havia sido questionada pela Ação Popular n" 239724.3870,7, corn decretação de nulidade, por decisão de Primeiro Grau da justiça estadual de Santa Catarina, de todo o processo de emissão dos referidos titulos . Também, mas em outra frente, a recorrente não obteve êxito corn o Mandado de Segurança 99.014„895-5, interposto por ela na qualidade de terceiro prejudicado pela decisão da Ação Popular, através do qual tencionava ver anulada aquela decisão, bem como, ver garantido direito ao recebimento dos valores originariamente ajustados. Nesse contexto, sobreveio a autuação. Segundo o Termo de Verificação Fiscal elaborado pelo autuante (ti, 200), as perdas no recebimento de créditos não seriam dedutíveis da base de cálculo do IRPI e da CSLL pelos motivos a seguir sintetizados: 3 a) somente as perdas de créditos decorrentes das atividades próprias das pessoas juridicas poderiam ser deduzidas; assim, no caso, considerando que os créditos em foco são decorrentes de relação jurídica entre o credor e terceiro, uma vez que os títulos não foram comprados diretamente do Governo do Estado de Santa Catarina, as perdas em tela, para fins de dedutibilidade, estariam fora do alcance da Lei n° 9.430/96 (fl„ 205), portanto, seriam indedutíveis; b) além, as perdas só poderiam ser deduzidas após o "empreendimento dos esforços para o recebimento do crédito frente ao devedor e pela imposição de atos judiciais de cobrança" (fl. 205); no caso, como o contribuinte não havia ingressado com ação de cobrança dos títulos vencidos, as pretensas perdas ainda não seriam dedutíveis (fl, 207); ainda, a mera titularidade e posse desses títulos públicos, tidos judicialmente como nulos, seria insuficiente para garantir a dedutibilidade de pretensas perdas (fl. 207); por fim, ainda segundo o fisco, os títulos públicos não se enquadrariam no conceito de "títulos e valores mobiliátios", razão pela qual, para efeitos da Lei IV 9,430/96, a transação não seria operação de crédito e, portanto, a dedutibilidade das perdas não estaria abarcada por aquele dispositivo legal (II. 207). Ern sua impugnação a fiscalizada arguiu, de maneira geral, ser seu procedimento (de considerar as perdas dedutíveis) absolutamente legítimo, não existindo qualquer ofensa As normas legais vigentes (fl. 238), o que sustenta através dos argumentos a seguir expostos de forma resumida: inicialmente, no que concerne à fundamentação do fisco de que "somente as perdas de crédito decorrentes das atividades próprias seriam dedutiveis", a interessada diz que isto constava na legislação que regulamentava a matéria antes da vigência da Lei IV 9,430/96; segundo a defesa, a Lei ora vigente não mais fazia referência a "atividades próprias", expressão indevidamente inserida pelo fisco no texto legal; dessa forma, a Lei atual, já vigente á época dos fatos, permitia a dedutibilidade de quaisquer "perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica" (fl, 238/239), mesmo que os títulos em tela não estivessem vinculados a reservas técnicas e mesmo que adquiridos de terceiros; b) quanta à fundamentação do fisco, de que os títulos em foco não se enquadrariam no conceito de "aplicação de recursos financeiros em titulos e valores mobiliários", a litigante arguiu em seu favor o disposto no § 20 do art, 24 da IN SRF 93/97 que regula a matéria em questão, alegando que essa IN faz referência expressa à "aplicação de recursos financeiros em operações com títulos e valores mobiliários" (fl. 240); portanto, se ajustavam ao conceito; c) no concernente A fundamentação do fisco, pertinente A ausência de ação de cobrança, a litigante alegou que a Lei IV 9,430/96 não impunha "ação de cobrança", mas somente exigia a "manutenção de procedimento judicial adequado ao recebimento do crédito"; nesse contexto, diz que o ajuizamento de ação de cobrança não poderia ter sido imposta por 4 Processo n" 16327 001816/2008-73 S1-C1T3 Acõid5o n." 1103-00.380 Fl 3 impossível, razão pela qual teria cumprido a exigência da Lei n" 9.430/96 mediante a impetração de Mandado de Segurança (fl., 251); d) por fim, a então impugnante insurgiu-se contra o fato do fisco não ter dispensado tratamento diferenciado As perdas autuadas, isto 6, A perda do principal e A perda, pelo estorno, dos rendimentos contabilizados e tributados quando da apropriação contábil; segundo alegou, o art. 11 da Lei IV 9..430/96 dispensava tratamento fiscal especifico para a receita de encargos financeiros incidentes sobre o crédito principal após dois meses do vencimento, quando se tornariam passíveis de exclusão da base de cálculo do IRP.1 e da CSLL, independentemente de outras condições.. Encaminhado o processo para o julgamento administrativo de primeiro grau, a recorrida decidiu, por unanimidade de votos, confirmar os Autos de Inflação, corn o que declarou inteiramente improcedentes as alegações trazidas pela impugnante. O Acórdão a quo fundamentou a decisão, em síntese, nos argumentos a seguir expostos (fls. 268 e seguintes) . Quanto à interpretação da legislação que regia (e atualmente ainda rege) a dedutibilidade de perdas no recebimento de créditos, isto é, os arts, 9" a 14 da Lei n" 9..430/96, que segundo a impugnante teriam sido interpretados equivocadamente pelo fisco, especialmente pela inserção da expressão "atividades próprias", a DIU concluiu não ter havido violação ao principio da estrita legalidade, pois a expressão teria sido "extraída do caput do art. 9" da Lei n" 9.430/96" (fl, 280). No que tange A discussão acerca da exclusão, do alcance do artigo 9° da Lei n" 9.430/96, das perdas com títulos públicos, apesar da IN SRF n" 9.3/97 que regula o citado artigo se referir expressamente "a aplicação de recursos .financeiros em operações com títulos e valores mobiliários" (§ 2' do art, 24 da IN n° 93/97), a DIU concorda corn o fisco, que considerou "que a expressão títulos e valores mobiliários é uma locução adjetiva usada pelo legislador como sinônimo" (fl, 280) e desta feita não englobaria dois institutos distintos, conforme alegara a requerente. Diante disso, após longas análises conceituais, a DIU rematou que "as perdas com as Letras Financeiras do Tesouro do Estado de Santa Catarina não estão abrangidas na dedução de que trata o art.. 9" da Lei n" 9.430/96, poi . força da Instrução Normativa n" 93/97 (art. 24, PI, cuja observância se impõe ao julgador administrativo" (fl. 283) (sublinhamos). Num outro ponto, caracterizado pela DR.! corno relacionado h "exigibilidade do titulo público estadual, objeto da autuação" (fL 284), o acórdão recorrido justificou a indedutibilidade das perdas em questão no fato da Ação Popular ter suspenso a exigibilidade dos valores das LFTs, e, "enquanto pendente a ação judicial, tais títulos não se revestiam das atributos de liquidez, certeza e exigibilidade, inerentes a qualquer processo de execução previsto no Código de Processo Civil" (fl, 284). Assim, também por essa razão, "a dedução efetuada pela requerente não se encontraria abrangida pela Lei n" 9.430/96" (if 286). Por fim, no tocante A dedutibilidade do estorno das receitas financeiras reconhecidas contabilmente e já tributadas nos anos da apropriação, cujas, segundo a requerente, teriam tratamento diferenciado do dispensado h perda do principal, a DR.', por ausente o requisito "vencimento" (exigibilidade), e baseada no art. 11 da Lei II' 9..430/96, argumenta que esta dedutibilidade também estaria atrelada ao procedimento judicial, pois "pressupõe processo de execução ou cobrança" (fl. 286), razão pela qual também seria indedutiveL 5 Não conformada, a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 295 a 324), repisando, fundamentalmente, as alegações da impugnação, assim sintetizadas: a) inicialmente, o recurso voluntário aponta como equivocados os pretensos fundamentos do lançamento, tais como: (1) que o fisco teria se baseado em legislação anterior A Lei n°9430/96 (fls. 305, 309 a 312, itens 1, 13 a 20 do RV); (2) que o fisco teria adotado como premissa para a dedutibilidade das perdas, ser imprescindível que os títulos compusessem a provisão técnica da recorrente "seguradora" (fl„ 305, item 2 do RV); (3) que o fisco teria introduzido no texto do art, 9' da Lei n" 9..430/96 a expressão "atividades próprias", que, embora ausente do texto legal, teria influído na glosa das perdas (fls. 305 e 312, itens 3, 4, 21 a 23 do RV); (4) que em função da adoção da expressão "atividades próprias", o fisco teria concluído que as perdas se encontrariam fora do alcance da Lei no 9A30/96, por ausente, na operação que gerou as discutidas perdas, relação direta entre o credor e o devedor (fls. 306 e 313, itens 6 e 26 do RV); b) depois, em decorrência das impropriedades acima, a recorrente diz que o fisco, para não entrar em contradição com o disposto no § 2' do artigo 24 da IN n° 93/97, teria adotado uma nova teoria, equivocada, consistente na tese de que as letras financeiras não se enquadrariam na expressão "aplicação de reciusos financeiros em títulos e valores ,nobiliários", referida pela rN n° 93/97; através disso, ainda segundo a recorrente, o fisco pretendia comprovar que as perdas autuadas não estariam abarcadas pela dedutibilidade regulamentada pela Lei IV 9.430/96 (fls. 306 a 309, 312 a 317, itens 7 a 11, 24, 25, 27 a 43 do RV); c) em seguida, o recurso voluntário contesta o entendimento fiscal de que as perdas não seriam dedutiveis pelo fato da interessada não ter "cumprido requisitos da Lei n" 9.430/96, vez que não ajuizou a competente ação de cobrança, afirmando que o mandado de segurança não é substitutivo, da mencionada modalidade de ação"; segundo argumenta a defesa, a "legislação deixou ao arbítrio do maior interessado no recebimento do crédito a decisão pelo tipo de ação judicial mais apropriada ao caso, ou melhor, no caso específico, o caminho judicial passive" (fls. 309, 317 a 322, itens 12, 44 a 59 do RV); d) num outro ponto, a recorrente diz que a DRJ, após admitir, expressamente, a impossibilidade do ajuizamento de uma ação executiva ou de cobrança, teria inovado o lançamento "ao afirmar que 'tais titulas não se revestem dos atributos da liquidez, certeza e exigibilidade', para, em seguida [4 concluir que 'o aspecto exigibilidade (vencimento da obrigação) é requisito básico para a dedutibilidade das perdas de que trata o art. 9" da Lei 11" 9..430/96 " (fl. 318 e319, item 51); e) por fim, a recorrente repisa o fato do fisco não ter dispensado tratamento diferenciado As perdas autuadas, isto 6, A perda do principal e A perda dos rendimentos contabilizados e tributados quando da apropriação contábil, estornados por ocasião da baixa; segundo alega, o art. 11 da Lei n" 9.430/96 dispensa tratamento fiscal especifico para a receita de encargos financeiros incidentes sobre o crédito principal após dois meses do vencimento, quando seriam passíveis de exclusão da base de cálculo do 6 Process° a" 16327 001816/2008-73 Si-Cl T3 Acórdiio LI " 1103-00380 Fl 4 IRRI e da CSL,L, "independente de qualquer outra condição" (fls. 322 a 323, itens 60 a 65 do RV). Nos pedidos, a interessada requer seja reformado o acórdão recorrido, corn reconhecimento da improcedência total da ação fiscal, e pede seja determinado o arquivamento destes Autos de Infração. o Relatório. 7 Voto Conselheiro Gervásio Nicolau Recktenvald O recurso voluntário interposto é tempestivo e fbi apresentado por parte legitima . Assim, por reunir os pressupostos de admissibilidade, é conhecido. Conforme relatado, a discussão proposta no recurso voluntário abarca diversos questionamentos, todos relacionados à dedutibilidade, ou não, de perdas no recebimento de créditos, única infração autuada. As referidas perdas, contabilizadas e deduzidas em novembro de 2003, decorreram, conforme já antecipado, de Letras Financeiras do Tesouro do Estado de Santa Catarina, adquiridas pela interessada em 12/03/98, através do Banco Bradesco S/A, conforme Nota de Venda Definitiva n° 279,249-00 (fl. 31), com vencimento em 01/08/1999, compradas corn o "objetivo de remunerar seu capital de giro" (fl, 237). As mencionadas Letras foram declaradas nulas em face de Ação Popular proposta em fevereiro de 1997, fundamentada em investigações da CPI dos Títulos Públicos (CPI dos Precatórios) do Congresso Nacional, tendo sido decidida em Primeiro Grau em 27.04.99, cuja sentença em seu dispositivo determinou: a) DECLARO a nulidade da Orden' de Set viço SEF/GASEC/N" 005/88 e, consequentemente, todos os demais atos referentes ao processo de emissão das Letras Financeiras do Tesouro do Estado de Santa Catarina — LFTSC, por violação expressa aos arts, 15, V, e 37, § 4", da Magna Carta, e 33, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal, alérn do art. 20, ktras "a" e "c", da Lei Federal n°4717/65 e arts. 11, "caput", e 12, III, da Lei 8.429/92. b) CONDENO a todos os beneficiários dos atos constitucionais tidos como nulos, os que receberam e aqueles que eventualmente obtiveram a posse das referidas tetras, a devolve-las, em 30 (trinta) dias, à Secretaria de Estado da Fazenda. Determino por ilação lógica, o seqiiestro dos títulos públicos acima mencionados, coin fidcro no art. 14, § 48, da Lei n" 4,717/65, A partir dessa decisão, a recorrente impetrou, em 30 de agosto de 1999, Mandado de Segurança (n° 99.014.895-5), onde, basicamente, defendeu dois aspectos: (a) que ela deveria ter sido citada corno litisconsorte passiva necessária para integrar a relação processual na Ação Popular acima mencionada, sob pena da sentença nela proferida estar viciada de nulidades; (b) que "seria tuna sandice inominável pretender que o Estado não fosse obrigado sequer a restituir o dinheiro que lhe foi entregue, acrescido da remuneração ajustada, quando não hó qualquer razão de ordem lógica ou de natureza . jurídica que justifique tal retenção" (ff 141), As duas alegações, entretanto, não foram acolhidas nem pelo TJ/SC e nem pelo ST.1, este acionado por Recurso em 10/12/2001. A primeira arguição foi afastada corn fundamento no art, 6" da Lei n° 4,717/65, sob a alegação de que a pessoa adquirente de boa-fé, 8 Process o rt" 16327 001816/2008-73 S1-C1T3 Acôrtifio o " 1103-00380 Fl 5 não sendo beneficiária direta da emissão fraudulenta, não necessitaria ser citada e, mesmo assim, permaneceria válida a sentença que declarou a nulidade do processo administrativo de criação, emissão e circulação dos títulos públicos. A segunda alegação foi afastada com fundamento na súmula 269, do STF, que diz que "o mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança".. Cabe registrar, por oportuno, que a segurança foi concedida parcialmente pelo TJ/SC, mas em outro aspecto do solicitado: tão somente para assegurar a posse dos títulos adquiridos ate o trânsito em julgado do acórdão na apelação cível 1999,019464-7, que versa sobre a Ação Popular acima referida. Nesse panorama, em novembro de 2003, por decisão da recorrente, as perdas foram levadas para os resultados fiscais do IRRI e da CSLL, fato que ensejou o lançamento questionado nestes autos. Feitas essas considerações introdutórias, e para iniciar a efetiva apresentação do voto, que, obviamente, 6 orientado pelos pontos de divergência trazidos pela recorrente, dos quais deduzo alegações preliminares e de méritó, que são a seguir sintetizadas. Nas argumentações preliminares, embora não claramente definidas nesta categoria pela pega recursal, o recurso voluntário permite inferir dois pontos hostilizados: a) que a fiscalização, em que pese ter declinado, no enquadramento legal dos lançamentos, violação h Lei IV 9.4.30/96, na prática, teria adotado as normas e regras da Lei IV 8.981/95, superadas a partir de 1997 (11. 309, item 13); b) que a DRJ, após admitir, expressamente, a impossibilidade do ajuizamento de urna ação executiva ou de cobrança, teria inovado o lançamento "ao afirmar que "tais titulas não se revestem dos atributos da liquidez, certeza e para, em seguida, [Jconcluir que `o aspecto exigibilidade (vencimento da obriga cão,) é requisito bcrsico para a dedutibilidade das perdas de que trata o art, 9" da Lei u" 9,430/96" (fl. 318 e 319, item 51). De outra parte, as arguições de maito, para fins de análise podem ser agrupadas em três enfoques a seguir sintetizados: a) num primeiro bloco discute-se se o regramento da dedutibilidade de perdas - para fins de IRPJ e CSLL — que é disciplinado pelos arts. 9' a 14 da Lei n" 9.4.30/96 e regulamentado pela IN SRF n" 93/97 - abarca as perdas derivadas de operação com aplicação em títulos públicos, quando, como no caso, esses títulos não estão vinculados à garantia de cobertura de provisões técnicas; b) num segundo bloco são analisadas as divergências quanta ao cumprimento, ou não, dos requisitos para a dedutibilidade previstos na Lei IV 9,430/96, isto 6, a questão relacionada ao requisito de vencimento (exigibilidade), bem como, se os procedimentos judiciais para o recebimento dos créditos, adotados pela recorrente, foram suficientes para atender o disposto na Lei, uma vez que esta condiciona 9 a dedutibilidade dos créditos, no caso, por superiores a RS 30„000,00, "interposição e manutenção de procedimentos ,judiciais papa o seu recebimento" (art, 9, § 1', inc. II, letra "c", da Lei n° 9.430/96); c) num último bloco de discussão das razões de mérito, aborda-se o pleito da recorrente, no concernente ao pretendido tratamento diferenciado que, segundo ela, deveria ter sido dispensado pelo fisco As perdas; conforme arguiu, a legislação pertinente impunha requisitos distintos para a dedutibilidade do prejuízo derivado da perda representada pelo custo de aquisição dos ativos financeiros tidos corno incobraveis (RS 50,651.174,75) e para a redução provocada pelo estorno das receitas apropriadas a esses resultados no decorrer dos períodos base em que os títulos em questão permaneceram no ativo da empresa (R$ 81465,829,62). Fixados esses delineamentos, a seguir eles serão enfrentados individualmente, Razões Preliminares 12:. -LAttgagauttlins_42.4.41...Normas e Regras da Lei n" 8.981/95 - Revogada Segundo o recurso voluntário, o fisco, ao constituir o lançamento assentado em fatos ocorridos em 2003, teria informado no auto de inflação o enquadramento legal do art, 90 e artigos seguintes da Lei n° 9,430/96, então vigente. Porém, de fato, para configurar a infração, teria 'aplicado o regramento da Lei n° 8.981/95, que, por seu artigo 43, regulava a matéria concernente As perdas no recebimento de créditos nos anos de 1995 e 1996, ocasião em que foi revogada pela citada Lei n° 9430/96. A irresignação da litigante tem origem na interpretação dispensada pelo fisco ao caput do art. 9' da citada Lei no 9.430/96, mais exatamente quanta à abrangência da expressão "créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica". Segundo a recorrente, a • citada expressão teria sido interpretada pelo fisco nos termos do contido no parágrafo 2 0 do art 43 da Lei IV 8.981/95, já revogada, que admitia, para fins de perdas no recebimento de créditos, apenas aquelas derivadas de "créditos oriundos da exploração da atividade econômica da pessoa jurídica, decorrentes da venda de bens nas operações de conta própria, dos serviços prestados e das operações de conta alheia" De fato, nesse aspecto, o fisco, ao inserir, para fins de interpretação, na expressão original do caput do artigo 9' a palavra "próprias", aproximou os dois comandos, trazendo o atual, o da Lei if 9.340/96, mais proximo do comando mais restritivo, que era o da Lei n° 8.981/95. Todavia, mesmo tendo o fisco adotado urna linha de interpretação controvertida quanto à abrangêcia do caput do art. 9' da Lei n° 9.430/96, no que, inclusive, foi apoiado pelo acórdão a quo, no meu entender tal fato "não caracteriza uma violação ao principio da estrita legalidade em matéria tributária" (fl. 280), conforme, aliás, já decidiu a DRJ recorrida, lo Processo n" 16327.001816/2008-73 SI-CIT3 Acórdfio n 0 1103-00,380 Fl. 6 Afasto, assim, a alegação preliminar de eventual vicio de nulidade do lançamento por pretensa ilegalidade, embora a interpretação aludida mereça apreciação sob outro enfoque, o que sera feito na discussão das razões de mérito. Da Alegada Inovação do Lançamento pela DIU Conforme afirma a recorrente, a DR.I, após admitir, expressamente, a impossibilidade do ajuizamento, por parte da autuada, de uma ação executiva ou de cobrança, teria inovado o lançamento, pois teria condicionado a dedutibilidade ao afirmar que "tais títulos não se revestiam dos atributos da liquidez, certeza e exigibilidade", para, em seguida, concluir que "o aspecto exigibilidade (vencimento da obrigação) é requisito bórico para a dedutibilidade das perdas de que trata o art.. 9" da Lei n" 9..430/96" (lls. 318/319). Mais adiante, ainda na esteira da alegada inovação, a defesa diz ter havido "uma perpetrada Jukadora, pois a premissa lançada pela fiscalização ao lavrar os autos de infração é de que recorrente não teria ajuizado a competente ação de cobrança, requisito essencial â dedutibilidade, afirmando, ainda, que o mandado de segurança não seria substituto da ação de cobrança, tendo a recorrente rechaçado veementemente tal argumentação" (fl. 319), Disso tudo se infere que a interessada sugere que a discussão acerca da "liquidez, certeza e exigibilidade" das LFTs, como requisito necessário para a dedutibilidade de eventuais perdas originadas desses créditos, deveria ser varrida do processo, por não pertencer aos autos desde a formalização do lançamento. Porem, não assiste razão à recorrente, pois o fisco, no Termo de Verificação Fiscal, ao analisar o texto legal (Lei n" 9.430/96) diz que "a perda só é concebida após o empreendimento dos esforços para o recebimento do crédito . frente ao devedor e pela imposição de atos judiciais de cobrança" (fl. 205). Evidentemente, tal afirmação só faz sentido no pressuposto de que os créditos sejam "líquidos, certos e exigíveis". Mais adiante, ao analisar os requisitos de dedutibilidade impostos pela legislação fiscal, e especialmente aqueles determinados pela Lei n" 9,4.30/96, o autuante diz que "o contribuinte tem, por decisão judicial, tão somente a posse de TiTULOS POBLICOS QUE FORAM CONSIDERADOS NULOS, até o trânsito em julgado de acórdão proferido na Ação Popular, ,fato este por si só suficiente para torná-los indedutiveis para determinação do lucro real" (fl. 208). Evidentemente, mais urna vez a motivação expressa, manifestada pelo autuante, esta assentada na "liquidez, certeza e exigibilidade" das LFTs. Por fim, embora no Termo de Verificação Fiscal o fisco, reiteradas vezes, tenha se referido ao desatendimento, por parte da autuada, dos requisitos do art. 9' da Lei n" 9.430/96, este também está citado no auto de infração do IRPJ (11. 212). Tal enquadramento, evidentemente, abarca a condição imposta pela letra "c" do inciso II do § 1" da Lei n" 9.430/96 que exige, para a dedutibilidade, estejam os créditos "vencidos hó mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento". E isso pressupõe condição de "liquidez, certeza e exigibilidade". Ante o exposto, não prospera a alegação de inovação do lançamento pela decisão recorrida, motivo pela qual desacolho também esta preliminar, Razões de Mérito Perdas no Recebimento de Créditos Alcance do Artigo 9 0 da Lei n° 9.430/96 Compulsando os autos, observa-se que intensas discussões envolvem análises acerca do alcance do disciplinado pelos arts. 9° a 12 da Lei n' 9.430/96, mais exatamente quanto à extensão da expressão "créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica", empregada no caput do art. 9'. Para enfrentá-las, mister se faz, inicialmente, reproduzir os mencionados .artigos, na parte de interesse, pois são eles que disciplinam, fundamentalmente, a matéria discutida nestes autos: Art 9" As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da essoa *uritlica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo (grifei). § 1" Poderão ser registrados como perda os créditos. ri II - sem garantia, de valor. - a) ate R$ 5 000,00 (cinco mil teals), pot operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, - b) acima de R$ 5,000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil leafs), por opera cão, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há antis de um ano desde que iniciados e mantidos os procedimentos fudicqjj ara o seu recebimento; (grifei) De inicio, diante do dispositivo legal ora parcialmente reproduzido, infere- se, já pelo contido no caput do art,. 9°, que assiste razão à recorrente quando diz que o fisco inseriu no texto legal uma palavra nele não contida, isto 6, a referência de que os créditos devam ser derivados de "atividades próprias da pessoa jurídica" (fl. 205) para que eventuais perdas deles decorrentes possam ser admitidas como dedutíveis. Associado a esse entendimento, o fisco ainda sugere que as pretensas perdas em questão, por não contidas no conceito de despesas operacionais, não seriam dedutíveis para fins de IRPJ (fl, 203/204), por não enquadradas no caput do art. 9' da Lei n° 9,430/96. Em outra parte, por outro enfoque, também persistiriam vedações dedutibilidade em vista da origem dos créditos. Estes também não se encaixariam no caput do art, 9°, em razão de decorrerem de relação jurídica entre o credor e terceiro. uma vez que os títulos não foram comprados diretamente do Governo do Estado de Santa Catarina. mas sim no mercado secundário. Na conclusão do fisco, perdas desta natureza, para fins de dedutibilidade, 12 Processo n" 16327 001816/2008-73 si-C1 T3 Acórd5o o" 1103-00.380 Fl 7 também estariam fora do alcance da Lei n" 9.430/96, por não enquadráveis no conceito de "créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica". Essas ilações do fisco, evidentemente, são extraídas de urna interpretação restritiva da expressão "créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica", contida no caput do art, 9', suso reproduzido. E é por isso que a recorrente reclama que o fisco, nesse aspecto, teria adotado a legislação anterior, que efetivamente era menos abrangente que a atual, pois aquela apenas admitia perdas corn "créditos decorrentes da exploração da atividade operacional da empresa" (art. 277, § 3°, do RIR/94 Decreto IV I ,041/94). Como se vê, ha sensíveis diferenças entre as duas expressões, o que impõe sejam interpretadas de forma diferente, aceitando-se uma abrangência maior para a redação mais recente (Lei n° 9.430/96), vigente no ano calendário da ocorrência dos fatos autuados, O próprio agente fiscal autuante percebeu a dessemelhança, fato que ele mesmo denunciou ao introduzir, para favorecer sua tese, a palavra "atividades próprias", Isso, convenhamos, se fosse admissivel, aproximaria bem mais o alcance das duas expressões, ou mesmo as tornaria congruentes. Porém, conforme arguiu a recorrente, a Lei não impõe as restrições em comento, autorizando, portanto, que "as perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas" sem as exceções aventadas pelo fisco. Evidentemente, admite-se a dedutibilidade dentro desse contexto, desde que cumpridas, ainda, outras condições, também determinadas pela Lei n° 9,430/96, mas que não estão vinculadas h natureza ou origem do crédito em vias de perdimento, aqui enfrentadas . Diante disso, no meu entender, os créditos em tela, analisando-se apenas o aspecto "natureza", estão abarcados pela atual regulamentação das "perdas no recebimento de créditos" a que se refere o caput do art. 9" da Lei n" 9.430/96, por ausentes restrições legais expressas. Porém, antes de firmar esse entendimento, merece análise o juízo do acórdão recorrido, que apoiou, inteiramente, as conclusões do fisco, acima comentadas . Nesse panorama, o decisório a quo fundamenta seu apoio as conclusões do fisco - de que as perdas não estariam abarcadas pelo art. 90, capuz, da Lei n" 9.430/96 - no contido no § 2" do art, 24 da IN n° 93/97, abaixo reproduzido: Art 24 As podas no recebimento de créditos decorremes das atividades da pessoa juridic(' poderrio ser deduzidas coin() despesas, para doermina0o do lucro real, obsen,ado o disposto neste artigo. I" Podeiiio ei ie,g-istrados COMO perda Os creditos - II - sem garantia, de valor, a) até! R$ .5 000.00 (Ono) reais), por operacilo, venc idos mais de seis mews, independentemente de iniciados os- procedimentos judiciais para o ye!! recebimento, 13 b) acima de R$ .5 000,00 (cinco mil reais) atc:.. R$ 30.000.00 (trinta mil teals), por operação, vencidos ha mais de lan ano, independentemente de iniciados os mocedimentos judiciais para o seu recebimento, porém mantida a cobrança administrativa,. (grifi2i) c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos ha mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; I I § 2".Para os eleitos deste artigo, considera-se operação a venda de bens, a prestação de serviços, a cessão de direitos, a aplica cão de recursos financeiros em operaçães com títulos e valores constante de um único contrato, no (pal esteja prevista a forma de pagamento do preço pactuado, ainda que a transação seja realizada para pagamento em mais de uma parcela. (gr.if0) I. .1 Corno se vê, o referido parágrafo 2' não disciplina o disposto no caput do art. 24 da TN n° 93/97, que por sua vez reproduz o caput do art. 9" da Lei n° 9.430/96, ou seja, caracterizar o alcance e a abrangência da expressão "atividades da pessoa jurídica". Esclarece, isto sim, acerca do alcance da expressão "por operação", relacionada As tetras "a", "b" e "c" do inciso TT do § 1° do art. 9° da Lei n° 9,430/96, para o que, entre outras operações, faz referência a "operação com títulos e valores mobiliários" . Infere-se dai que para enquadrar urna operação na letra "a" ou "b" ou "c", acima citadas, isto 6, para quantificar a operação sem garantia, o parâmetro é"por contrato". Portanto, se a empresa possui dois contratos, mesmo que firmados corn o mesmo devedor, cada crédito é tratado isoladamente, Assim, se urn contrato envolve um crédito de, por exemplo, R$ 28,000,00, e o outro urn credito de R$ 4.000,00, mesmo que firmados com a mesma pessoa e na mesma data, o segundo crédito reger-se-ii pelas condições da letra "a" e o primeiro pelas condições da letra "b", e não conjuntamente segundo as condições da letra "c", por somados ultrapassarem a R$ 30,000,00, Diante disso, parece-me inócua a discussão travada, isto 6, se as LFTs se enquadram no conceito de "títulos e valores mobiliários" ou não, pois o parágrafo 2° do art. 24 da IN n° 23/97 não delimita a abrangência do que deve ser entendido por "créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica", e sim, esclarece quanto h graduação da inadimplência para a vinculação desta As letras "a" ou "b" ou "c" do inciso II do § 1° do art. 9° da Lei n° 9,430/96. Por outra, o § 2", em tela, tern corno função única esclarecer o que deve ser entendido pela expressão "por operação", e não está ai para exemplificar o que são "créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica". Nesse pensamento, admitindo-se, por hipótese, que as LFTs não estão abarcadas pela expressão "títulos e valores mobiliários" a que se refere o § 2° do art. 24 da IN 93/97, o intérprete, para fins de dedutibilidade de que trata a Lei n° 9,430/96, poderia enfrentar dificuldades para quantificá-las "por operação", Porém, concluir, com base no disposto no citado parágrafo 2°, que a compra de um lote de LFTs não caracterize "créditos decorrentes das atividades da pessoa .jurídica" (caput do art. 9" da Lei n° 9,430/96), com a devida vênia, parece-me decisão desamparada de embasamento legal 14 Processo n" 16327.001816/2008-7.3 S1-C1T3 AcOrdao o" 1103-00.380 Fl 8 Assim, nas alegações cunhadas pelo Colegiado a quo, analisadas detidamente à luz da legislação de regência, também não encontro guarida para afiançar, de forma consistente, as inferências fiscais em comento. Ante o exposto, não merece prosperar o entendimento fiscal de que as aplicações de recursos em LFTs, quando perdidas, desde que cumpridas as condições, no caso, da letra "c" do inciso II do § 1 0 do art. 9° da Lei n° 9.430/96, não possam ser deduzidas, Perdas no Recebimento de Créditos — Dedutibilidade Condicionada à Exigibilidade e Cobrança Judicial Vencida a questão do balizamento dos créditos objeto da presente controvérsia, com a conclusão de que estes se inserem no Caput do art, 9" da Lei n° 9.430/96, passo à analise do cumprimento, ou não, pela recorrente, das condições para a dedutibilidade impostas pela letra "c" do inciso IT do § 1' do art. 9' da Lei n° 9.430/96. Para relembrar, reproduzo as condições exigidas pela letra "c": § I" Potter(7o .ver registrados como poda as cr&litos II - sem garantia, de valor /- c) superior a RS 30.000,00 ('trinta reais)., vencidos há mais de um ono, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento,.(griPi) Do texto reproduzido infere-se que a vigente sistemática para a dedutibilidade de perdas no recebimento de créditos, trazida pela Lei n° 9.430/96, condiciona os créditos a três aspectos: (1) o valor do crédito; (2) a graduação, no tempo, do risco de perder; (.3) a implementação de procedimentos judiciais para o recebimento, 0 primeiro aspecto, relativo ao valor do crédito, no caso, não oferece qualquer dificuldade, pois ele 6. superior a R$ 30,000,00 (trinta mil reais), estando, desta forma, inserido na letra "c" do inciso II do § 1° do art. 9° da Lei n° 9.4.30/96. t, portanto, incontroverso este ponto. 0 segundo aspecto vencidos há mats de 11171 ano — impõe como condição imprescindível para a dedutibilidade da perda a inadimplência, ou seja, ser exigível o crédito . Nessa circunstãncia, há divergências, em vista da exigibilidade das LFTs ser objeto da Ação Popular já referida . A recorrente, admitindo que por ocasião da ocorrência dos fatos autuados "a decisão proferida na ação popular já existia, (pois) a matéria de .fato e de direito — a exigibilidade das LFTs j/i se encontrava posta na ação popular" (tI. 318), entende ser 15 condição única para a dedutibilidade, quanto ao quesito em foco, que "os créditos se encontrassem vencidos lid mais de um ano — .fato que qualifica como incontroverso" (fl, 319), pois o vencimento marcado nos títulos é o dia 01/08/99 . Por outro lado, o fisco, considerando que a interessada tern, por decisão judicial, ate o trânsito em julgado do acórdão proferido na Ação Popular, tão somente a posse dos títulos públicos que foram considerados nulos, entende que isto, por si só, não é suficiente para torná-los dedutíveis (ft. 207), A DR,J, também fundamentada na "suspensão judicial da exigibilidade dos valores das LFTs por .1brça da Ação Popular" (ft 286), entendeu que a dedução efetuada pela requerente não se encontrava abrangida pela Lei n° 9.430/96. Nesse panorama, este segundo requisito tem sua controvérsia centrada em duas teses: (1) a da recorrente, que entende ser suficiente o transcurso de um hiato temporal de mais de um ano entre o vencimento das LFTs e a data do reconhecimento fiscal das perdas; (2) a do fisco, que tem o apoio do acórdão a quo, que entende ser necessária a exigibilidade dos créditos para possibilitar a dedutibilidade destes como perdas. Posta a controvérsia, de inicio, cabe dizer ser inquestionável e incontroverso que por ocasião da contabilização das perdas autuadas, os créditos, no caso representados pelas LFTs, apesar de vencidos há mais de dois anos, eram inexigíveis em vista da decisão de judicial, proferida em função da Ação Popular suso mencionada, que reconheceu a nulidade das LFTs. A própria litigante reconheceu que a Ação Popular afetou os créditos em questão, tanto é que pleiteou, via mandado de segurança, o afastamento dos efeitos daquela decisão, para que houvesse o reconheeimento de seus direitos creditórios e para que fossem sustados os efeitos do arresto dos títulos (fl. 237), Todavia, conforme relatado, a recorrente somente obteve êxito, provisório, quanto ao arresto dos títulos. Também, na fundamentação do recurso voluntário em que a recorrente contesta o entendimento fiscal de que as perdas, entre outros requisitos, para serem dedutiveis deviam estar submetidas a procedimentos judiciais para o seu recebimento, flea patente que os créditos eram inexigíveis, tanto é que a litigante observa se "verificar a absoluta impossibilidade processual do ajuizamento de uma ação de cobrança" (fl., 318). Por outra via, quando da interposição, pela recorrente, do Recurso Ordinário em MS IV 14.705-SC perante o STJ (fl. 121 a 158), também fica explícito o reconhecimento da inexigibilidade dos créditos. Nessa petição, a ora recorrente expôs seu entendimento de que o remédio jurídico que estava interpondo era apenas preparatório para uma efetiva ação para o recebimento dos créditos, exigida pela Lei IV 9.430/96, Certamente por isso requereu fosse "declarada a legitimidade desse crédito representado pelas respectivas letras, para que delas pudesse dispor livremente, inclusive euizando ação de Cobrança contra o devedor ou coobri,Qados, ou deles utilizar-se para pagamento de impostos estaduais, de acordo com a lei que autorizou suas emissões, evitando-se novas violências em outros insólitos procedimentos, de cujo rol o acórdão recorrido é exemplo lamentável' (ft 158) (o destaque não é do original). Diante disso, considerando que a Lei n° 9.430/96 impõe que "poderão ser registrados como perda os créditos vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento" (sublinhamos), pressupõe-se, por dedução lógica, que para inserir as perdas na Lei IV 9,430/96, dentre outros requisitos, os créditos devem ser exigíveis.. 16 Processo 16327 001816/2008-73 SI-Cl T3 AcOrd5o " 1103-00,380 Fl. 9 o que dispõe o art, 586 do CPC: "A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título de obrigação certa, líquida e exigível". Ainda, o art, 618 do mesmo código estabelece que "6 nula a execução se o titulo executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e exigiver, Ante o exposto, endosso a conclusão do acórdão recorrido, vazada nos seguintes termos: "No presente caso, como já mencionado, houve a suspensão judicial da exigibilidade dos valores das LFTs por força da Ação Popular, Logo, a dedução efetuada pela requerente não se encontra abrangida pela referida Lei na 9..430/96" (fi, 286). Por fim, o terceiro aspecto de dedutibilidade previsto na letra "e" antes reproduzida, que exige sejam "iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o recebimento dos créditos", tem sua solução, aparentemente, resolvida pelo exposto na discussão do "segundo aspecto", acima analisado. Em simples palavras, concluiu-se naquela análise que o requisito "procedimento ,judicial para o recebimento" não foi diretamente cumprido até a época da contabilização das perdas objeto da controvérsia, por inexigíveis, naquela ocasião, os créditos tidos como perdidos. Isso não significa, todavia, que essa condição, por impossível de ser cumprida na época do cômputo fiscal das perdas através de execução para cobrança, possa ser suprida ou substituida por outra ação, apenas preparatória para a interposição de uma eventual futura ação de execução para cobrança. Portanto, também essa discussão deve ser enfrentada neste voto, especialmente para analisar se é efetiva a alegada absoluta impossibilidade de interposição de ação de cobrança, exigida pela Lei n° 9.430/96. Conforme se infere dos autos, a condição em foe() não foi tida como cumprida, nem pela autoridade lançadora e nem pela decisão recorrida, pois, em síntese, ambas convergem para o entendimento de que a interessada não teria "cumprido requisitos da Lei n" 9,430/96, vez que não ajuizou a competente ação de cobrança, pois o mandado de segurança não seria substitutivo da mencionada modalidade de ação".. A defesa, por sua vez, arguiu que "a legislação deixou ao arbítrio do maior interessado no recebimento do crédito a decisão pelo tipo de ação judicial mais apropriada ao caso, ou melhor, no caso específico, o caminho judicial possível". Assim, por ter ingressado com mandado de segurança em 30/08/99, teria cumprido os requisitos para a dedutibilidade. Reconhece, entretanto, que o MS não se constituiu numa ação de execução para cobrança, mas que, no caso, teria se verificado a absoluta impossibilidade processual do ajuizamento de uma ação dessa natureza. Justifica tal impossibilidade no fato de ter havido o reconhecimento prévio da nulidade dos titulas através de decisão proferida em Ação Popular. Analisando a questão, e estabelecendo um breve histórico dos procedimentos judiciais relacionados, tem-se que em vista da Ação Popular, decidida em Primeiro Grau pela Justiça do Estado de Santa Catarina em .30/11/1999, a recorrente impetrou Mandado de Segurança (n° 99.014.895-5) perante o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina (fls.. 79 a 120), no qual, após afirmar que deveria ter sido citada como litisconsorte passiva necessária, requereu, entre outros pleitos, "sejam cassados os efeitos da sentença impugnada quanto aos títulos pertencentes ã impetrante, bem como a anulação do decretado sequestro, rogando seja 17 it declarada a legitimidade desse crédito para evitar-se novas violências em outros insólitos procedimentos, reconhecendo-s e . a validade da obriga cão enquanto não houver ação direta do Estado contra seus legítimos credores, que não podem ser privados de seus bens sem o devido processo legal" (f1,118), Tal pleito foi parcialmente acolhido, "apenas para assegurar a posse dos títulos comprados até o transito em julgado daquele v. acórdão insculpido na apelação cível n" 99.019464-7, da Capital, que versa sobre a Ação Popular n. 023.97,243870-7, da Comarca de Florianópolis, vencido o eminente Des, Newton Trisotto, que declarava extinto o processo", Após, em 10 de dezembro de 2001, considerando que "o acórdão recorrido denegou a segurança impetrado, uma vez que não acatou o fidcro central do "writ", qual seja, a concessão da ordem para o fim de cassar os efeitos da sentença impugnada quanto aos títulos pertencentes a Recorrente" (fl. 150), a interessada interpôs o Recurso Ordinário em MS .n° 14,705-SC, perante o STJ (fl. 121 a 158). Nele requereu, em síntese, fosse "dado provimento ao presente recurso ordinário, com a reforma integral do acórdão recorrido (art.. 512, do CPC), para o Jim especial de ser concedido o "writ" e cassar os efeitos da sentença inipugnada". Pediu ainda, fosse deferida "a ordem originariamente postulada, não apenas mediante a garantia de permanecer a Impetrante na posse de seus bens, como e ainda, mediante a declarada legitimidade desse crédito representado pelas respectivas letras" para que delas pudesse "dispor livremente, inclusive ajuizando ação de cobrança contra o devedor ou coo brigados, ou deles utilizar-se para pagamento de impostos estaduais, de acordo com a lei que autorizou suas emissões" (fl. 158), O Recurso foi negado, por unanimidade, pela Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, julgado em 17 de agosto de 2004, tendo sido produzida a seguinte ementa (fl. 161): ADMINISTRATIVO PROCESSUAL. AÇÃO POPULAR. EMISSÃO FRAUDULENTA DE TITULOS LETRAS FINANCEIRAS DO TESOURO DO ESTADO DE SANTA CATARINA, ADQUIRENTE DOS TÍTULOS. TERCEIRO DE BOA-Ft CITAÇÃO, INEXTGIBILIDADE. ART. 6", DA LEI N" 4.71 7/65. MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO LIQUIDO E CERTO.. AUSÊNCIA, SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO, SUBSTITUTIVO DE AÇÃO DE COBRANÇA.. VEDAÇÃO. I — A questão em mime gravita em torno de sentença pro latada em ação popular ajuizada contra o Estado de Santa Catarina e outros responsáveis paid emissão irregular de títulos públicos do Estado de Santa Catarina, para pagamento de precatórios, ocorrida em outubro de 1996. — A pessoa adquirente de boa-fé, por não ser beneficiária direta da emissão fraudulenta, não integra a relação processual, não sendo obrigatória a sua citação, permanecendo válida a sentença que declarou a nulidade do processo administrativo de criação, emissão e circulação dos títulos públicos (Ari 6" da Lei n°4 717/65). 111 — Os títulos pelos quais o recorrente tenciona receber o pagamento originalmente ajustado foram emitidos, reconhecidamente, coin a interRrência de. várias irregularidades, inclusive, em relação ao descigio ofertado na 18 Process° n" 16.327001816/2008-7.3 SI-CIT3 Act5i d io n " 1103-00380 Fl. 10 operação, mitigando o direito do impetrante de assegurar a cobrança das cártulas e, nessa ática, inexistente o direito liquido e certo necessário à concessão da segurança. (gi ifamos) IV — A Administração deve arcar com os prejuízos impostos aos adquirentes de boa-fé, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado em face do particular. Não obstante, também é igualmente certo que a Administração não pode convalidar atos reconhecidamente irregulares, devendo atenção ao primado da prevalência do interesse público (Lei 9.784/99). (grifamos) V — O mandado de Segurança não é sub 5titutivo de ação de cobrança (Sum. 269, do STF). VI — Precedente (RMS n" 14.351/SC, DJ de 03/02/2003, deste Relator), VII — Recurso ordinário improvhio. A decisão mostra, especialmente pelos itens IV e V, que é entendimento do STJ que o Governo do Estado de Santa Catarina deve arcar corn os prejuizos impostos aos adquirentes de boa-fé. Entretanto, forte na súmula 269 dos STF, conclui que o Mandado de Segurança não é substitutivo da ação de cobrança. Tal conclusão, certamente decorre da alegação da recorrente, arguida por ocasião da interposição do Recurso Ordinário no Mandado de Segurança, assim destacada pd.° Ministro Relator: "alega ainda a recorrente que a não restituição dos valores pagos na aquisição dos titulas representaria verdadeiro enriquecimento .sem causa, sendo devida devolução do que pagou com a remuneração ajustada ou, ao menos, o valor pago acrescido dos encargos pela mora" (11 164). Ao comentar as contrarrazões do Estado de Santa Catarina, o Ministro Relator ressaltou as seguintes ponderações (fl, 164): - ser inviável o mandado de segurança para o caso presente, porquanto o recorrente não se caracterizaria como terceiro prejudicado, faltando-lhe interesse de agir; - ser incabível o Mandado de Segurança por este remédia jurídico pressupor uma injustiça evidente, uma afronta clara ao sistema jurídico, o que não seria o caso; que o *it° suspensivo imanente ao recurso do processo principal teria afastado a possibilidade de dano irreparável; - que o Estado não resgatou os titulas não porque se tenha recusado a fazê- lo, mas por determinação judicial que suspendeu a circulação e resgate, a fim de resguardar o interesse público, até que sejam esclarecidos os fatos que envolvem a emissão dos titulas, com evidente ocorrência de fraude; nesse panorama, o detentor de tais letras não poderia exigir que uma obrigação declarada nula fosse cumprida, no presente momenta; - que o recorrente, visando ressarcir-se de suposto prejuízo, deveria utilizar ação indenizatória ou ainda ação de cobrança, com instrução probatória adequada, 19 No voto, o Relator, Ministro Francisco Falcão, ainda pondera outras situações, pertinentes ao caso em discussão: - o próprio recorrente se declara como terceiro de boa-fé, porquanto não se beneficiou da emissão fraudulenta nem tampouco do deságio praticado pelas corretoras; nesse contexto, sua citação para integrar a lide não é de rigor, devendo, entretanto, para salvaguardar seus direitos de terceiro interessado, ajuizar demanda para restituição do valor pago pelas cártulas, permanecendo vigente, contudo, a sentença que declarou a nulidade do processo da emissão (fl. 167); - diante dos . fatos e argumentos antes expedidos, exs urge a inviabilidade do desiderato perseguido pelo impetrante, por meio da presente garantia constitucional, verificando-se que a hipótese se enquadra peifeitamente à vedação contida no verbete sumular n" 69 do STF, que desautoriza o mandamento de segurança como substitutivo de ação de cobrança (ft. 168). De tudo que foi discutido perante o Poder Judiciário, extrai-se que, embora tenha sido considerado incabível o remédio jurídico interposto para ver reconhecidos os legítimos direitos da recorrente acerca dos créditos em questão, também é unânime a opinião de que a interessada deveria ajuizar demanda para pleitear a restituição do valor pago pelas cárhilas, bem como, reivindicar os acréscimos financeiros originariamente pactuados. Os fundamentos da ação foram inclusive adiantados pelo STJ, quando da decisão do recurso em Mandado de Segurança: "A Administração deve arcar com os prejuízos impostos aos adquirentes de boa-fé, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado enrface do particular". que também prevê o art 884 do Código Civil (Lei a' 10.406/2002): "Aquele que, sem justa causa, se enriquecer a custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários". E uma vez instaurada tal demanda, esclarecer-se-iam também as questões pendentes, a exemplo da definição quanto à exigibilidade do valor investido nas LFTs/SC, e ainda, em decorrência, ante eventual insucesso, implementar-se-iam as condições de dedutibilidade das perdas, nos tennos do preconizado na letra "c" do inciso IT do § 1° do art. 9' da Lei IV 9.430196. Sem isso, entendo ser inadmissível o revés fiscal intentado, o que equivaleria aceitar que a empresa amenizasse, à custa do Tesouro Nacional, ao menos parcialmente, os prejuízos sofridos, sem molestar judicialmente quem se beneficiou do dano suportada. E é essa proteção ao erário público que a letra "c" do inciso H do § 1' do art, 9 0 da Lei n° 9.430/96 busca estabelecer. Por tudo isso, associo-me aos que defendem a tese de que não restou evidenciado que por ocasião do cômputo das perdas autuadas, para fins fiscais, tivesse sido cumprido o requisito sob análise, isto 6, "iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o recebimento dos créditos". Tratamento Fiscal do Estorno das Receitas Financeiras sobre Créditos Incobritveis Classificado no recurso voluntário como "equivoco mais grave", a recorrente insurge-se contra o procedimento fiscal que, segundo ela, "ao arrepio da lei, deu o mesmo 20 ( ljj Gervásio i o u Recktenvald - Relato Processo n" 16327.001816/2008-73 Accirdiin o " 1103-00.380 SI-C1T3 Fl 11 tratamento aos rendimentos dos títulos a aquele dispensado ao valor principal do.s mesmos" (f1. 322). Para embasar o entendimento de que o prejuízo derivado da perda representada pelo custo de aquisição dos ativos financeiros tidos como incobráveis, de R$ 50.651.174,75, tem tratamento fiscal diverso do da dedutibilidade da redução dos resultados fiscais em vista do estorno das receitas apropriadas a esses resultados no decorrer dos períodos base em que os títulos em questão permaneceram no ativo da empresa, de R$ 81.465.829,62, a litigante apóia-se no caput do art. 11 da Lei if 9.430/97, redigido nos seguintes termos: Art. II . Após dois meses do vencimento do crédito, sem que tenha havido o seu recebimento, a pessoa jurídica credora poderá excluir do lucro liquido, para determinação do lucro real, o valor dos encargos .financeiros incidentes sobre o crédito, contabilizado como receita, au/rido a partir do prazo definido neste artigo. Ocorre, entretanto, que o dispositivo acima reproduzido vem acompanhado de diversos parágrafos, dentre os quais, mostra-se pertinente, especialmente, o § 1 0, que determina: I" Ressalvadas as hipóteses das alíneas a e b do inciso II do I" do art 90, o disposto neste artizo somente se aplica quando a pessoa jurídica houver tomado as providências de caráter judicial necessárias ao recebimento do crédito. (grifamos) Frente a essa determinação, as duas pretensas perdas tam sua dedutibilidade condicionada a urn mesmo embasamento legal, uma vez que o § 1 0, acima reproduzido, também remete a dedutibilidade dos encargos financeiros de créditos vencidos A letra "c" do inciso II do § 1' do art. 9" da Lei ri° 9430/96, onde já está inserida a condição para a dedutibilidade da perda do ativo principal. Assim, considerando que os requisitas da letra "c" não foram cumpridos, conforme já exposto em item precedente, desenvolvido sob o título de "Perdas no Recebimento de Créditos — Dedutibilidade Condicionada à Exigibilidade e à Cobrança Judicial", por coerência, também aqui entendo não assistir razão à recorrente, onde pleiteia a dedutibilidade do estorno das receitas financeiras, independentemente de condições . Por fim, vencidas todas as controvérsias postas, ante todo o exposto neste relatório e voto, e considerando tudo que dos autos consta, inicialmente, nego provimento As razões preliminares. Quanto As razões de mérito, apesar de reconhecer que as perdas em questão, quando efetivas, estarão abarcadas pelo disposto no caput do artigo 9" da Lei n" 9.430/96, nego provimento ao recurso por não cumpridos, para possibilitar a dedutibilidade das perdas, os requisitos de que trata a letra "c" do inciso II do § 1" do art, 9' e o § 1' do art. 11, ambos da Lei n°9.430/96.. Diante disso, voto pela manutenção integral dos autos de infração de IRPI e CSLL contidos no presente processo, e nego provimento ao recurso - oluntário.. 21
score : 1.0
Numero do processo: 15504.727141/2017-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015
OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS. CONTRATO DE CONTA CORRENTE. INCIDÊNCIA DE IOF.
O mecanismo de conta corrente mantido entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, pelo qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos ao cabo de prazo determinado ou indeterminado, configura operação correspondente a mútuo sobre a qual incide IOF, segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS SALDOS DEVEDORES GERADOS HÁ MAIS DE 5 (CINCO) ANOS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PERMISSIVO LEGAL.
A legislação do IOF estabelece que, quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, sua base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, não havendo que se perquirir o momento em que estes foram gerados para fins de expurgar da tributação os decorrentes de recursos entregues há mais de 5 (cinco) anos.
Para demonstrar a regularidade da autuação, basta que o fato gerador mais antigo constante do lançamento ainda não tenha sido fulminado pelo direito de lançar, consoante o regramento contido no art. 173, inciso I, do CTN, nos casos em que não houve pagamento antecipado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS. CONTRATO DE CONTA CORRENTE. INCIDÊNCIA DE IOF. O mecanismo de conta corrente mantido entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, pelo qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos ao cabo de prazo determinado ou indeterminado, configura operação correspondente a mútuo sobre a qual incide IOF, segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS SALDOS DEVEDORES GERADOS HÁ MAIS DE 5 (CINCO) ANOS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PERMISSIVO LEGAL. A legislação do IOF estabelece que, quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, sua base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, não havendo que se perquirir o momento em que estes foram gerados para fins de expurgar da tributação os decorrentes de recursos entregues há mais de 5 (cinco) anos. Para demonstrar a regularidade da autuação, basta que o fato gerador mais antigo constante do lançamento ainda não tenha sido fulminado pelo direito de lançar, consoante o regramento contido no art. 173, inciso I, do CTN, nos casos em que não houve pagamento antecipado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.096 1 1.095 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.727141/201726 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.578 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria IOF Recorrente CARDIESEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2013, 2014, 2015 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS. CONTRATO DE CONTA CORRENTE. INCIDÊNCIA DE IOF. O mecanismo de conta corrente mantido entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, pelo qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos ao cabo de prazo determinado ou indeterminado, configura operação correspondente a mútuo sobre a qual incide IOF, segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013, 2014, 2015 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS SALDOS DEVEDORES GERADOS HÁ MAIS DE 5 (CINCO) ANOS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PERMISSIVO LEGAL. A legislação do IOF estabelece que, quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, sua base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, não havendo que se perquirir o momento em que estes foram gerados para fins de expurgar da tributação os decorrentes de recursos entregues há mais de 5 (cinco) anos. Para demonstrar a regularidade da autuação, basta que o fato gerador mais antigo constante do lançamento ainda não tenha sido fulminado pelo direito de lançar, consoante o regramento contido no art. 173, inciso I, do CTN, nos casos em que não houve pagamento antecipado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 71 41 /2 01 7- 26 Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.097 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1055 a 1093) interposto pelo Contribuinte, em 22 de janeiro de 2018, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 08 41.305 (fls. 1019 a 1040), de 22 de dezembro de 2017, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) – DRJ/FOR – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Impugnação (fls. 903 a 933). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de auto de infração lavrado em 09/08/2017 contra a pessoa jurídica CARDIESEL LTDA., para a exigência de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF, cujos fatos geradores ocorreram nos anoscalendário (ACs) 2013, 2014 e 2015, no montante de R$ 21.365.279,80, incluídos juros SELIC e multa de ofício de 75%, com a seguinte composição: I. Do procedimento fiscal Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.098 3 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 11/24, o procedimento de fiscalização teve por escopo verificar a regularidade dos recolhimentos do IOF, regulamentado pelo Decreto n° 6.306, de 14 de dezembro de 2007, referente aos ACs supra, tendo a autoridade tributária constatado a falta de retenção, recolhimento e declaração do imposto nos sistemas da RFB, em vista dos seguintes fatos: (i) Analisando os Balanços Patrimoniais dos períodos sob fiscalização, constatouse que a empresa informou expressiva soma de valores a título de Créditos com Pessoas Ligadas (Físicas/Jurídicas), da ordem de R$ 394.015.134,59, R$ 96.664.114,29 e R$ 96.864.841,35 nos anoscalendário de 2013, 2014 e 2015, respectivamente. (ii) Consultando a contabilidade da empresa (ECD), verificouse que os créditos com as Pessoas Ligadas (Físicas e Jurídicas) foram registrados nas contas sintéticas números 12010101 (Créditos de Acionistas/Sócios) e 12010102 (Créditos de Coligadas e Controladas). Intimada por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 43/45) para comprovar essas operações, em resposta apresentada em 19/06/2017, a contribuinte informou que: As transações que a Cardiesel realiza com as demais empresas do Grupo Econômico a que pertence são operações decorrentes da centralização do caixa do Grupo com gestão unificada das disponibilidades, consistindo tais transações em operações de conta corrente, conforme definição técnica do contrato de conta corrente. Desta forma o volume de transação é elevado e também de acordo com a decisão proferida pelo acórdão 3101001.094. da 1a Câmara, 1a Turma Ordinária, da 3a Seção do CARF, de 25/04/2012, quando do julgamento de recurso voluntário do processo número 110800.015070/200800, anexados à presente. (grifouse) Tendo sido questionado, na ocasião, sobre a modalidade dos empréstimos concedidos e sobre os recolhimentos/declarações do IOF, respondeu que “Todas as operações contratadas são da modalidade de crédito rotativo e, tendo em vista o entendimento manifestado acima, a Cardiesel não efetuou recolhimentos de IOF sobre estas operações e tampouco declarou débitos em DCTF.” (grifouse). Dessa forma, a autoridade autuante depreendeu que os Créditos com Pessoas Ligadas (Físicas/Jurídicas) informados nas contas sintéticas do Ativo Não Circulante acima citadas tratamse de operações de mútuos financeiros, tendo os repasses efetuados aos tomadores de recursos se revestido das características de crédito rotativo, conta corrente, cujo valor do principal não é definido. Isto porque tais operações tiveram por objeto recursos em dinheiro disponibilizados sob qualquer forma por mutuante pessoa jurídica, estando sujeitas à incidência do IOF, segundo as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimo praticadas pelas instituições financeiras, nos termos do art. 13 da Lei n° 9.779, de 1999. Em 29/06/2017, a autuada apresentou cópias digitais do “Instrumento Particular de Abertura de Crédito em Conta Corrente” e do “Termo Aditivo ao Contrato de Abertura de Crédito em Conta Corrente”, firmados com as empresas do grupo econômico, e arquivo digital com a relação das contas correntes utilizadas para registrar as transações com tais empresas (fls. 71/75, 84/85, 108/201). Ao examinar os contratos apresentados, verificouse que todos eles contemplam, em sua Cláusula 1ª, a abertura de um crédito rotativo com valores específicos para cada Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.099 4 uma das pessoas envolvidas (físicas/jurídicas), e no Parágrafo Único determinam que as importâncias liberadas sejam contabilizadas em conta corrente especial. Já na Cláusula 2ª, todos os contratos estipulam que seja indeterminado o prazo de duração. Disso o AuditorFiscal concluiu que não foi repassado às empresas e às pessoas físicas um valor determinado no início do contrato, mas foi préestabelecido um limite a ser utilizado, com prazo indeterminado. Da análise dos registros contábeis e do arquivo digital apresentado em 29/06/2017, extraiuse que a fiscalizada criou uma conta contábil para cada uma das empresas (Créditos de Coligadas e Controladas), bem como para cada pessoa física (Créditos de Acionistas/Sócios) para as quais foi disponibilizada uma linha de crédito, controlada em conta corrente, conforme se observa das planilhas de fls. 202/883. No Razão Analítico viuse que houve movimentação contínua de recursos, com pagamentos e recebimentos diversos e transferências de saldo entre as empresas do grupo econômico e os sócios das empresas. Da ação fiscal acima descrita resultou a lavratura do Auto de Infração de fls. 2/9, em que se apurou FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, sendo que a exigência do IOF correspondente aos ACs 2013, 2014 e 2015 teve por fundamento o disposto no art. 5º, § 3º, art. 44, inciso I e §§ 1º e 2º, e art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c os arts. 2º, inciso I, 3º ao 7o, 47, 49 e 50 do Decreto nº 6.306, de 2007, que regulamenta o imposto. O cálculo do IOF devido encontrase descrito no item 4 do TVF, sendo que a apuração da base de cálculo e do IOF normal (alíquota de 0,0041% incidente sobre o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês), assim como do respectivo adicional (alíquota de 0,38% incidente sobre os acréscimos de mútuos no mês), referentes aos ACs 2013, 2014 e 2015, constam das tabelas denominadas “Cálculo do IOF” às fls. 26/37. Levouse em consideração que a autuada realizou, na condição de mutuante, operações de mútuo com valores do principal indefinidos, tendo deixado de recolher o imposto de sua responsabilidade e de declarar o respectivo débito em DCTF. Aplicouse, assim, para efeito de cálculo do imposto e adicional, o disposto no art. 7º, inciso I, alínea “a”, nº 1, §§ 12, 13, 15 e 16, do Decreto n° 6.306, de 2007, considerados os saldos devedores diários e acréscimos dos saldos devedores. A ação fiscal se encerrou em 09/08/2017, conforme o Termo de Encerramento de fls. 41/42, por meio do qual se cientificou a empresa, em 17/08/2017 (fl. 40), do total do crédito tributário constituído (R$ 21.365.279,80), assim detalhado: Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.100 5 II. Da Impugnação Cientificada do auto de infração em 17/08/2017, a pessoa jurídica apresentou a impugnação de fls. 903/933 em 15/09/2017, na qual sustentou, em sede de preliminar, que o lançamento tributário indicou como base de cálculo do IOF um montante que contempla operações de conta corrente realizadas em período anterior a dezembro de 2012, o qual efetivamente se encontra atingido pelo instituto jurídico da decadência. Inferiu que, pelo exame do Razão Contábil/Balancetes relativos às contas investigadas pela fiscalização, em cotejo com os Quadros Demonstrativos constantes do auto de infração, verificase que a origem do saldo acumulado ali indicado se refere a operações realizadas antes de janeiro de 2013. Portanto, a pretensa base de cálculo do IOF relativa ao lançamento do AC 2013 seria composta de um saldo correspondente a operações realizadas com suas coligadas nos anos anteriores a 2013, período já alcançado pelo instituto jurídico da decadência. Complementou que, pela leitura conjunta do art. 3º, § 1º, inciso I, do Decreto nº 6.306, de 2007, segundo o qual o fato gerador do IOF ocorre na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado, e do art. 7º, inciso I, alínea "a”, depreendese que, na apuração dos saldos devedores diários, base de cálculo do IOF, a fiscalização não poderia ter computado valores que haviam sido transacionados anteriormente ao prazo decadencial. Para sustentar sua tese, colacionou ementas dos Acórdãos no 3402003.018 e no 3401002.877 do CARF. No mérito, argumentou que as operações de conta corrente examinadas não se submetem à incidência do IOF, tendo por equivocada a apuração realizada pela fiscalização, na medida em que não se equiparam ao mútuo para fins da cobrança do referido imposto. Ponderou que, à luz do disposto nos arts. 114 e 116 do CTN, a Administração Tributária deve respeitar as formas adotadas pelos negócios jurídicos celebrados pelos contribuintes, sempre que estes estiverem de acordo com regramento específico da situação jurídica em que incorrerem, respeitandose os conceitos adotados na hipótese de incidência. Citando os arts. 108 e 109 do CTN, alegou que a fiscalização não pode fazer uso de juízos de semelhança entre fatos, negócios ou atos para exigir tributo, pois a definição, conteúdo e alcance dos institutos, conceitos e formas de Direito Privado deverão ser aqueles que naquele ramo lhes são atribuídos, ressalvados os efeitos tributários que decorrerem das normas. Ou seja, o legislador optou por expressamente vedar a possibilidade de requalificação de atos e negócios jurídicos sob um filtro finalístico. Com isso, destacou ser o contrato de conta corrente um contrato típico, previsto no art. 4º, § 2º, alínea "b", da Lei do Cheque (Lei n° 7.357, de 1985), que estabelece todos os elementos necessários para sua caracterização, os quais devem ser observados no momento da qualificação dos fatos geradores, por força do art. 109 do CTN. Após discorrer sobre as características do contrato de mútuo, pretendeu demonstrar que não se aplica o art. 13 da Lei no 9.779, de 1999, ao contrato de conta corrente, Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.101 6 em que não se faz um mútuo nem se abre um crédito, mas se determina o destino de créditos futuros entre dois sujeitos, adotando uma conta na qual vão sendo lançados débitos e créditos que se excluem concomitantemente, e cujo saldo somente será exigível quando do vencimento do contrato, ou mediante extinção voluntária deste. Concluiu, então, que: A intenção das partes de contratar conta corrente e não mútuo, como demonstrado, através dos elementos de prova apresentados pela Impugnante (CONTRATOS DE CONTA CORRENTE), deve prevalecer sobre a pretensão fiscal arrecadatória. Fato é que constitui princípio de direito privado a liberdade das partes contratarem o que quiserem contratos típicos expressamente previstos no Código Civil , inclusive algo não expressamente tipificado com contornos jurídicos próprios já previstos no Código Civil (contratos atípicos), desde que não seja ilegal. Isso é garantido pela Constituição Federal (CF, art. 5o, II) e pelo Código Civil (art. 104 e incisos). Requereu, por fim, que fosse declarada a decadência da exigência consubstanciada nos autos, referente aos fatos geradores ocorridos antes de 2013, e que fosse dado provimento à Impugnação e declarada a improcedência do Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0841.305 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida ficou assim ementada: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Anocalendário: 2013, 2014, 2015 Ementa: OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS. CONTRATO DE CONTA CORRENTE. INCIDÊNCIA DE IOF. O mecanismo de conta corrente mantido entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, pelo qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos ao cabo de prazo determinado ou indeterminado, configura operação correspondente a mútuo sobre a qual incide IOF, segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.102 7 Anocalendário: 2013, 2014, 2015 Ementa: EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS SALDOS DEVEDORES GERADOS HÁ MAIS DE 5 (CINCO) ANOS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PERMISSIVO LEGAL. A legislação do IOF estabelece que, quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, sua base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, não havendo que se perquirir o momento em que estes foram gerados para fins de expurgar da tributação os decorrentes de recursos entregues há mais de 5 (cinco) anos. Para demonstrar a regularidade da autuação, basta que o fato gerador mais antigo constante do lançamento ainda não tenha sido fulminado pelo direito de lançar, consoante o regramento contido no art. 173, inciso I, do CTN, nos casos em que não houve pagamento antecipado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2013, 2014, 2015 Ementa: DECISÕES ADMINISTRATIVAS COLACIONADAS. EFEITOS. Decisões administrativas emanadas de outros órgãos do contencioso, ainda que proferidas pela segunda instância administrativa, exceção feita àquelas pautadas em Súmulas chanceladas pelo Ministro da Fazenda, não ostentam efeito vinculante perante as DRJs. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No Recurso Voluntário o Contribuinte repisa os argumentos já expostos quando da Impugnação. Em preliminar requer a decadência no que tange a cobrança do IOF de fatos geradores ocorridos em data anterior a dezembro de 2012, visto que o Auto de Infração referese ao período compreendido entre 01/2013 a 12/2015. Requer, com isso, que a base de cálculo do IOF contemple apenas as operações de crédito realizadas a partir de dezembro de 2012, excluindose da base de cálculo os recursos financeiros entregues antes desta data. O Contribuinte salienta às fls. 1060: Logo, a pretensa base de cálculo do IOF relativa ao primeiro lançamento considerado pela fiscalização no ano de 2013, como demonstrado e comprovado pelos elementos de prova apresentados pela Recorrente – os quais sequer foram examinados e tampouco contestados pela decisão recorrida – é composta de um saldo que corresponde às operações realizadas pela mesma com suas coligadas, no período anterior a dezembro de 2012, ou seja, já alcançados pelo instituto jurídico da decadência. Com a devida vênia, não procede o entendimento do Contribuinte nesta preliminar. Citou trechos da decisão ora recorrida que bem expressam o ocorrido e cito como razões para decidir (fls. 1024 e seguintes): Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.103 8 III. Da Preliminar de Decadência da parcela da exigência relativa aos fatos geradores ocorridos antes de 2013 Segundo o TVF, na mensuração da parcela inicial do lançamento incidente sobre os saldos devedores diários, estabelecida a partir de 01/01/2013, a autoridade lançadora levou em consideração os saldos encontrados nas contas contábeis sintéticas no 12010101 (Créditos de Acionistas/Sócios) e 12010102 (Créditos de Coligadas e Controladas). (...) É pacífico o entendimento, quanto aos tributos administrados pela RFB, de que a legislação tributária atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem o prévio exame da autoridade administrativa, enquadrandose na modalidade de lançamento prevista no art. 150, § 4o, do CTN (conhecida como lançamento por homologação). Nessa modalidade, tendo o sujeito passivo efetuado o recolhimento antecipado do tributo, cabe à Fazenda Pública homologálo ou proceder ao lançamento de ofício, caso o montante pago não extinga totalmente a dívida. Transcorrido o prazo de cinco anos, contado da data de ocorrência do fato gerador, sem que o fisco tenha se pronunciado, ocorre a chamada homologação tácita, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. É o que se depreende da leitura do art. 150, § 4º, do CTN, in litteris: (...) Por outro lado, não tendo a contribuinte efetuado o recolhimento do tributo, ou em se tratando de dolo, fraude ou simulação, segundo interpretação sistemática do art. 149, inciso V, e do art. 173, inciso I, ambos do CTN, o termo inicial do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: (...) Nesses termos, a ausência de pagamento antecipado ou a comprovada prática de dolo, fraude ou simulação, têm o condão de postergar o termo inicial do lustro decadencial, pouco importando se houve ou não declaração do débito. Tratando do alcance da Súmula Vinculante no 8 do Supremo Tribunal Federal, foi exarado o Parecer PGFN/CAT no 1.617, de 1o de agosto de 2008, aprovado por Despacho do Ministro da Fazenda em 18 de agosto de 2008, que, entre outros assuntos, abordou a questão da decadência com propriedade, merecendo destaque os seguintes trechos: (...) No caso em apreciação, não foi efetuado recolhimento antecipado do IOF referente às contas contábeis que foram objeto do auto de infração, tampouco houve a declaração dos débitos correspondentes. Nesse compasso, comprovada a legitimidade da autuação fiscal, como antes demonstrado, o termo inicial do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.104 9 CTN). Sabendose que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, o lançamento relacionado a janeiro de 2013 (fato gerador mais antigo, dentre os autuados), teoricamente poderia ter sido efetuado a partir fevereiro de 2013, deslocandose o termo inicial do prazo decadencial para o dia 01/01/2014, procedimento com base no qual se obtém como data limite para a notificação da pessoa jurídica o dia 01/01/2019, de modo que na data da ciência da interessada, o dia 17/08/2017, nenhuma parcela do lançamento havia decaído. Isto porque o termo inicial do prazo de decadência não é determinado pela data original da operação de crédito, ou pela data da transferência das quantias, devendo se levar em consideração, para fins de verificação de sua ocorrência, cada uma das datas que constituem o prosseguimento do mútuo ao longo do tempo. Desse modo, no que tange à recomposição dos saldos devedores considerados na autuação, nos termos pretendidos pela demandante, a apreciação da questão requer que se examine a norma infralegal que estabelece a base de cálculo do IOF, na hipótese de operações de crédito realizadas sem definição do principal, como verificado no caso em julgamento: (...) Assim, não estando qualquer parcela do lançamento atingida pela decadência, como acima demonstrado, na mensuração de sua base de cálculo haverá que ser computado o somatório mensal dos saldos devedores verificados entre os dias 01/01/2013 e 31/12/2015, inexistindo previsão normativa que ampare a exclusão de saldos devedores decorrentes de operações de mútuo em que a entrega dos recursos tenha se dado antes de dezembro de 2012, como suscitado pela defendente. (...) Rejeitada a preliminar de decadência, mantémse a exigência fiscal, sem reparos. Portanto, voto em negar provimento ao recurso nesta preliminar. No que tange ao mérito o Contribuinte requer a improcedência dos lançamentos e para tanto trata das características e da tipicidade dos contratos de conta corrente; dos contrastes entre o contrato de conta corrente e o contrato de mútuo; e, da ausência de subsunção às operações de conta corrente entre empresas ligadas no que tange a norma que trata do fato gerador do IOF. Em que pese os argumentos do Contribuinte, entendo que no caso presente ficou caracterizado de forma precisa a natureza das operações de crédito realizadas e com a consequente incidência do IOF sobre estas operações; Cito trechos do voto do acórdão ora recorrido como razões para decidir: IV. Da natureza das operações de crédito realizadas. Da incidência de IOF A Impugnante argumentou que os lançamentos identificados em sua contabilidade, mais especificamente nas contas contábeis sintéticas no 12010101 (Créditos de Acionistas/Sócios) e 12010102 (Créditos de Coligadas e Controladas), objeto da autuação fiscal, não correspondem a operações de mútuo de recursos financeiros, mas a contrato de conta corrente e centralização do caixa do Grupo com gestão unificada das disponibilidades, o que afastaria a incidência do imposto. Antes de adentrar à análise das operações em si, releva esclarecer que a autoridade tributária não deixou de reconhecer a existência e a validade dos Contratos de Conta Corrente firmados pela Impugnante, tendo relatado a existência da contabilização de Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.105 10 um fluxo de crédito rotativo, com valores do principal e prazos indeterminados, caracterizandoo como operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros. Outrossim, ainda que os contratos em alusão não tivessem sido firmados, seria correta a adoção do termo “conta corrente" pela fiscalização, no caso sub examine, que o faria como mero reflexo da terminologia utilizada no art. 7º, §§ 2º e 3º, da IN RFB no 907, de 2009. Este dispositivo não se dirige ao contrato típico de conta corrente (conta corrente contratual) mencionado no art. 4º, § 2º, alínea “b”, da Lei nº 7.357, de 1985 (Lei do Cheque); seu texto, abaixo transcrito, não deixa dúvidas de que o termo “conta corrente”, utilizado no sentido contábil, indica o modo como os créditos liberados para o mutuário e as respectivas amortizações são registrados na contabilidade do mutuante (conta corrente contábil): Art. 7º O IOF incidente sobre operações de crédito concedido por pessoas jurídicas não financeiras, de que trata o art. 13 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma. § 1º O imposto de que trata o caput tem como: I contribuinte, o mutuário, pessoa física ou jurídica; II fato gerador, a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do mutuário; e III base de cálculo, o valor entregue ou colocado à disposição do mutuário. § 2º Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem definição do valor de principal, a base de cálculo será o somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês. § 3º Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente em que fique definido o valor do principal, a base de cálculo será o valor de cada principal entregue ou colocado à disposição do mutuário. (grifouse) Salientese que o simples fato de uma pessoa jurídica elaborar uma conta corrente onde lança todos os movimentos a crédito e a débito, que expressam suas relações com outra pessoa, física ou jurídica, não implica necessariamente a existência de um típico contrato de conta corrente. O procedimento de escrituração das transações (conta corrente), em que as partes lançam a débito e a crédito valores que reciprocamente se obrigam a entregar e a só exigir o saldo final que eventualmente existir na data ajustada, não se confunde com a existência de uma convenção (contrato de conta corrente). Prosseguindo na análise das operações realizadas, reconhecese que há distinção entre o contrato de conta corrente e o de mútuo, conforme enumerado pela Impugnante em sua peça de defesa. O contrato de conta corrente possui características próprias que devem ser observadas pelos grupos econômicos que desejam adotar uma gestão financeira unificada em uma das pessoas do grupo. No seu bojo, duas ou mais pessoas jurídicas convencionam fazer remessas sucessivas e recíprocas de valores, anotando os créditos e débitos em uma conta única, a fim de verificar o saldo exigível ao final de certo prazo. Durante sua vigência, as partes não se podem julgar credoras umas das outras, haja vista que o montante das remessas forma um todo homogêneo que Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.106 11 somente voltará a individualizarse ao término do prazo ajustado, quando poderá haver a cobrança de juros e até a execução do seu objeto. Já na operação de mútuo, cujas peculiaridades são fundamentais para identificação de operação sujeita à incidência do IOF, há o empréstimo de coisas fungíveis, ficando o mutuário obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa da mesma espécie, qualidade e quantidade, nos termos do art. 586 e seguintes do Código Civil/2002, abaixo transcritos: Seção II Do Mútuo Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Art. 587. Este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada ao mutuário, por cuja conta correm todos os riscos dela desde a tradição. (...) Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será: I até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura; II de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro; III do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível. (grifouse) A doutrina assim traduz a natureza jurídica do mútuo: O mútuo é empréstimo de consumo, mediante o qual é transferida a outrem coisa móvel fungível, obrigandose este a restituir em coisa da mesma espécie, qualidade de quantidade. Em outras palavras, o proprietário, mutuante, transmite a propriedade da coisa mutuada, e não apenas a posse, com o efeito e possibilidade de aquela ser consumida, obrigandose o mutuário a compensálo com a entrega de outra, substancial, qualitativa e quantitativamente idêntica. A substituição com essa identidade é pressuposto necessário para configurar o mútuo. No entanto, a questão não se resume a comprovar que as operações de crédito sobre as quais incidiu o IOF in casu estão albergadas por contrato de conta corrente, para assim afastar a incidência do imposto, se dessas operações resultou a efetiva concessão de empréstimo entre as contratantes. A Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), define o fato gerador do IOF, quanto às operações de crédito, como sendo a entrega Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.107 12 total ou parcial do montante objeto da obrigação ou a sua colocação à disposição do interessado: Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; O art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, nos limites da autorização constitucional e do fixado no CTN, estabelece que o fato gerador do IOF é a operação de crédito correspondente a mútuo de recursos financeiros, o que independe da formalização de um contrato, quer seja de mútuo, quer seja de conta corrente: Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1º Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2º Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3º O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. (grifou se) Segundo dispõe o Decreto nº 6.306, de 2007, a expressão “operações de crédito” compreende as operações de empréstimo sob qualquer modalidade e mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física: Art. 3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei no 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). (...) § 3º A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (DecretoLei no 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1o, inciso I); II alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo (Lei no 9.532, de 1997, art. 58); III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 1999, art. 13). Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.108 13 Assim sendo, nas operações objeto da autuação, em que houve a disponibilização de recursos financeiros para pessoas físicas e jurídicas ligadas, está caracterizado o mútuo pela transferência do domínio de coisa fungível (dinheiro), sendo a Impugnante sujeito passivo responsável pelo IOF incidente. O Decreto no 6.306, de 2007, reafirma sua sujeição passiva no art. 5o, inciso III, verbis: Art. 5º São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional: (...) III a pessoa jurídica que conceder o crédito, nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros (Lei nº 9.779, de 1999, art. 13, § 2º). (grifouse) Vale afirmar que, no curso de um típico contrato de conta corrente, poderá haver a incidência do IOF sobre os recursos financeiros disponibilizados, que importem em operação de crédito em favor de uma das contratantes. Isto porque o alvo da lei não é o instrumento pelo qual se formaliza a operação, mas o negócio jurídico que corresponda a mútuo de recursos financeiros, que pode ou não estar acobertado pelo contrato de conta corrente. Tal entendimento foi corroborado pelo Ato Declaratório SRF no 30, de 24 de março de 1999, que reforça a legislação sobre a matéria, in verbis: Art. 1º. O IOF previsto no art. 13 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma, e quando o mutuante for pessoa jurídica. (grifouse) Confirmando essa linha de raciocínio, cabe trazer à baila o teor da Solução de Consulta Cosit nº 50, de 26 de fevereiro de 2015, a cujo entendimento o julgador administrativo de 1ª instância se vincula, por força do art. 9º da Instrução Normativa RFB no 1.396/2013. Referida SC foi emitida para dirimir dúvida de pessoa jurídica consulente, dedicada à administração e participação em outras pessoas jurídicas, caracterizandose como “holding pura, ou seja, sem atividades operacionais e a mercado, que não a gestão de participações societárias em demais empresas que com ela conformam um grupo econômico”. A interpretação adotada foi no sentido de que o fato gerador do IOF ocorre nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, mesmo quando realizadas por meio de conta corrente, não importando a relação de controle ou coligação entre as pessoas jurídicas envolvidas, conforme se depreende dos excertos abaixo transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF. OPERAÇÃO DE MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS POR MEIO DE CONTA CORRENTE. INCIDÊNCIA. O IOF previsto no art. 13 da Lei no 9.779, de 1999, incide sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, independentemente da forma pela qual os recursos sejam entregues ou disponibilizados ao mutuário. Dessa forma, ocorre o fato gerador do imposto nas operações de crédito dessa natureza também quando realizadas por meio de conta corrente, sendo irrelevante ainda a relação de controle ou coligação entre as pessoas jurídicas envolvidas. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.109 14 (...) 10. Em relação à nova hipótese de incidência estabelecida pelo dispositivo acima, o art. 1o do Ato Declaratório SRF no 30, de 24 de março de 1999, frisou que “o IOF previsto no art. 13 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma, e quando o mutuante for pessoa jurídica”. Vêse que, nos termos da legislação regente, para a incidência do IOF sobre as operações de mútuo de que trata o comando legal mencionado, importa apenas a entrega ou disponibilização do recurso financeiro pela pessoa jurídica mutuante, pouco importando a forma pela qual ela se dê. 11. Mútuo é espécie do gênero empréstimo. Nos termos do art. 586 do Código Civil de 2002 (CC), no mútuo, uma parte cede a outra coisa fungível, tendo a outra parte a obrigação de restituir igual quantidade de bens do mesmo gênero e qualidade. 12. Paralelamente, a consulente menciona o mecanismo denominado de conta corrente, que teria como objetivo viabilizar um “fluxo financeiro bidirecional” entre ela e suas controladas. Essa sistemática estabelecida entre duas pessoas jurídicas é comumente utilizada para registrar a movimentação de recursos financeiros que transitam reciprocamente entre os dois patrimônios. Por esse instrumento de registro de débitos e créditos recíprocos, os recursos eventualmente disponibilizados por uma das partes podem perfeitamente ser restituídos pela outra também em recursos da mesma espécie. 13. Depreendese que a sistemática de conta corrente de forma alguma se mostra como algo incompatível com uma operação de mútuo, tendo o condão de descaracterizála por si só. Aliás, pelo contrário. Essa sistemática se amolda com perfeição ao fim de instrumentalizar operações de mútuo financeiro haja vista a facilidade que representa (principalmente quando envolvidas pessoas vinculadas), no que tange ao empréstimo do recurso, por uma das partes, e a posterior restituição, pela outra parte, por intermédio da mera sistemática de débitos e créditos em conta corrente. (...) 15. Claro está que, para fins da incidência do IOF instituída pelo art. 13 da Lei no 9.779, de 1999, devese verificar tão somente se estão presentes, no caso concreto, as características essenciais do mútuo, sendo irrelevantes aspectos formais mediante os quais a operação se materializa, bem como a natureza de vinculação entre as partes. Dessa forma, uma vez identificados os atributos inerentes a essa espécie de empréstimo (art. 586 do CC), a operação deve sujeitarse à incidência do imposto, independentemente de o crédito estar sendo entregue ou disponibilizado por meio de conta corrente ou por qualquer outra forma. 16. Convém informar ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui entendimento alinhado à compreensão da RFB sobre a matéria. Reproduzse abaixo ementa do Recurso Especial no 1.239.101 – RJ (2011/334760), que assenta a irrelevância da nomenclatura contratual adotada (“contrato de conta corrente”) para se cogitar da incidência ou não do imposto, sendo Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.110 15 determinante para isso que, essencialmente, se trate de operação de crédito correspondente a mútuo: (...) Conclusão 18. Tendo em vista o entendimento aqui fundamentado, propõese seja a consulta solucionada, declarandose à consulente que o imposto previsto no art. 13 da Lei no 9.779, de 1999, incide sobre as operações de mútuo que tenham por objeto recursos financeiros, independentemente da forma pela qual estes sejam entregues ou disponibilizados. Dessa forma, ocorre o fato gerador do imposto nas operações de crédito dessa natureza realizadas por meio de conta corrente, sendo irrelevante ainda a relação de controle ou coligação entre as pessoas jurídicas envolvidas. (grifouse) Por ser elucidativo, cabe colacionar a ementa e parte do voto do Eminente Min. Mauro Campbell do STJ no Recurso Especial mencionado na aludida Solução de Consulta: RECURSO ESPECIAL No 1.239.101 RJ (2011/00334760) TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. 1. O art. 13, da Lei n. 9.779/99 caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas" e não a específica operação de mútuo. Sendo assim, no contexto do fato gerador do tributo devem ser compreendidas também as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas com a previsão de concessão de crédito. 2. Recurso especial não provido. VOTO (...) Com efeito, o que a lei caracteriza como fato gerador do IOF é a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas" e não a específica operação de mútuo. (...) Sendo assim, o contrato de mútuo, longe de ser a única espécie contratual a ser tributada, é tido por um modelo cujas características essenciais devem ser buscadas em outras espécies de contrato que envolvam operações de crédito para que possam ser alcançadas pela hipótese de incidência do IOF. É por esse motivo que o §1o, do art. 13, da lei citada considera ocorrido o fato gerador do tributo na data da concessão do crédito. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.111 16 O contrato de abertura de crédito que a recorrente celebra estabelece que a controladora disponibiliza créditos às controladas, que poderão utilizálos total ou parcialmente. A remuneração do capital emprestado são os juros sobre o capital da controladora disponibilizado às controladas. Nesse sentido, não resta dúvida que as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas, com a previsão de concessão de crédito, são verdadeiras operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, na medida em que, em todos os casos, é disponibilizado numerário de forma imediata para pagamento futuro a depender do saldo existente. (grifouse) Oportuno trazer à baila, ainda, o seguinte julgado da DRJ/RJO, que veicula o entendimento de ser inexigível o contrato de mútuo para que se configure operação de crédito sujeita à incidência do IOF: Acórdão 1283.477, 12a Turma da DRJ/RJO, sessão de 29/08/2016 MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. CONTA CORRENTE CONTÁBIL. CRÉDITO ROTATIVO. INCIDÊNCIA. CONTRATO DE MÚTUO. INEXIGIBILIDADE. Os aportes de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ligadas, sem prazo e valor determinado, realizado por meio de lançamentos em conta corrente contábil, caracterizam as operações de crédito correspondentes a mútuo, independente da formalização de contrato, cuja base de cálculo do IOF é o somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês. (grifouse) Apresentamse também os seguintes precedentes do CARF sobre o tema: Acórdão CARF no 3101002.282, 3a Câmara/1a turma Ordinária, sessão de 27/03/14 IOF. RECURSOS CONTABILIZADOS EM ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. EQUIPARAÇÃO A NEGÓCIO DE MÚTUO. POSSIBILIDADE. Não estando demonstrado que os recursos repassados representavam realmente um pagamento antecipado para aquisição de ações ou quotas de capital (AFAC), o aporte de recursos financeiros efetuados sistematicamente caracterizamse como uma operação de crédito correspondente a mútuo, nos exatos termos da configuração do fato gerador do IOF, previsto no art. 13 da Lei no 9.779/99. A ocorrência de uma operação de crédito, para fins de incidência do IOF, independe da formalização de um contrato de mútuo. IOF. ADIANTAMENTOS EFETUADOS PARA EMPRESAS LIGADAS COM A FINALIDADE DE PAGAMENTOS DE DESPESAS. A utilização de uma rubrica contábil com a finalidade de pagamento de despesas de empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma contacorrente, devendose apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo. IOF. MÚTUOS PACTUADOS VERBALMENTE ENTRE EMPRESAS LIGADAS. A utilização de uma rubrica contábil para registrar transferências Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.112 17 de recursos entre empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma contacorrente, devendose apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo. (grifou se) Acórdão CARF no 3401002.490, 4a Câmara/1a turma Ordinária, sessão de 29/01/14 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 31/01/2001 a 30/06/2004 NULIDADE. MPF. INEXISTÊNCIA. Constituindose o Mandado de Procedimento Fiscal em mero elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. IOF. CONTA CORRENTE. RECURSOS DE EMPRESAS DO MESMO GRUPO EMPRESARIAL. UTILIZAÇÃO. INCIDÊNCIA. A utilização de recursos financeiros disponibilizados por pessoas jurídicas, pertencentes ou não a um mesmo grupo empresarial, em contas correntes, por um dos correntistas, em montante superior ao seu valor de ingresso constitui fato gerador do IOF, por força de previsão constante do art. 13 da Lei no 9.779/99, restando caracterizada operação de crédito em sua acepção ampla. Acórdão CARF no 3302002.264, 3a Câmara/2a turma Ordinária, sessão de 20/08/13 MÚTUO, SEM PRAZO, DE RECURSOS FINANCEIROS POR MEIO DE CONTACORRENTE. BASE DE CÁLCULO. Nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, sem prazo, realizado por meio de contacorrente, a base de cálculo do IOF é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. LANÇAMENTO. REGISTROS CONTÁBEIS. ALEGAÇÃO DE ERROS NA CONTABILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Tendo sido o lançamento fundamentado nos registros contábeis da autuada, cabe a esta comprovar a inexatidão destes registros, e, quando não logra fazêlo, deve ser mantida a autuação). Acórdão CARF no 3402003.019, 4a Câmara/2a turma Ordinária, sessão de 26/04/16 Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.113 18 IOF. MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. CONTRATO DE CONTA CORRENTE COM ABERTURA DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas do mesmo grupo empresarial, através de contrato de conta corrente com abertura de crédito rotativo, sujeitamse à tributação pelo IOF, nos termos do artigo 13 da Lei n. 9.779/99. ÔNUS DA PROVA. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. Resta claro que a celebração de contrato de conta corrente, por si só, não afasta a incidência do IOF, quando constatada a ocorrência de operação de crédito em sua acepção ampla, bastando que se evidencie a colocação à disposição do interessado de recursos financeiros, nos termos do art. 63, inciso I, parte final, do CTN, como se observa no presente caso. Com esteio no já referido art. 13 da Lei n° 9.779, de 1999, as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ensejam a incidência do imposto, segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimo praticadas pelas instituições financeiras. Registrese que não descaracteriza as operações de crédito correspondentes a mútuo a destinação específica dos recursos colocados à disposição das companhias ligadas a uma despesa já definida, paga ou não pela mutuante. Nesse sentido, temse o seguinte julgado: Acórdão no 1453.683, 14ª Turma da DRJ/RPO, sessão de 22/09/2014 (Interessado: VOTORANTIM CIMENTOS N/NE S/A) OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. CONTA CORRENTE. O mecanismo de conta corrente mantido entre pessoas jurídicas, pelo qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado, configura operação de mútuo, sobre ela incidindo o IOF, sendo irrelevante para fins tributários o fato de que os recursos disponibilizados pela mutuante sejam feitos na forma de pagamentos de obrigações da mutuária. (grifouse) Ainda, não desnatura o mútuo financeiro a alternância entre os pólos do contrato de conta corrente, nas condições de devedor e credor, sendo que, ao contrato de conta corrente, subjazem diversas operações de mútuo que diferem no valor, na mutuante e no prazo de duração do empréstimo. Vêse que, para a incidência do IOF sobre as operações de mútuo, importa apenas a entrega ou disponibilização do recurso financeiro pela pessoa jurídica mutuante, sendo irrelevantes aspectos formais mediante os quais a operação se materializa, bem como a natureza de vinculação entre as partes. Vale lembrar que o mútuo é espécie do gênero empréstimo. Nesse ponto, o art. 586 do Código Civil define que, no mútuo, uma parte cede a outra coisa fungível, tendo a outra parte a obrigação de restituir igual quantidade de bens do mesmo gênero e qualidade. Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 15504.727141/201726 Acórdão n.º 3301005.578 S3C3T1 Fl. 1.114 19 Rejeitase, por conseguinte, a presente questão de mérito posta em sua peça de defesa. Com isto posto, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte no que tange ao mérito. Conclusão: De acordo com os autos do processo e a legislação de regência, voto em negar provimento ao recurso voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 1114DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.902300/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO APÓS O VENCIMENTO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS.
Haverá a incidência dos acréscimos moratórios até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme expressa previsão legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, incluindo a multa de mora estabelecida em norma vigente, conforme sua Súmula nº 2.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
De acordo com a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
Numero da decisão: 1201-002.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10630.902292/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10630.902292/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO APÓS O VENCIMENTO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Haverá a incidência dos acréscimos moratórios até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme expressa previsão legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, incluindo a multa de mora estabelecida em norma vigente, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10630.902292/200909, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 23 00 /2 00 9- 17 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10630.902300/200917 Acórdão n.º 1201002.397 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo recurso voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando parcialmente a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) pela inexistência do crédito suficiente. De acordo com referido despacho decisório, "considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada." Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável suficiente, questionando a incidência de juros e multa de mora sobre o valor devido e vencido, quando da mencionada transmissão da declaração de compensação (DCOMP). Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.391, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10630.902292/2009 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.391): Divergindo sobre os acréscimos de juros e multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP), o contribuinte narrou os seguintes fatos em seu recurso voluntário: Desta forma, descabe, portanto, o auto de infração originário, já que não houve atraso nos referidos pagamentos, sem a ocorrência de quaisquer prejuízos à Fazenda Federal. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10630.902300/200917 Acórdão n.º 1201002.397 S1C2T1 Fl. 4 3 O I. Presidente e Relator alega que a transmissão da Dcomp se deu após o vencimento dos débitos levados à compensação, e que neste caso deve incidir juros e multa. Ocorre que a referida transmissão da Dcomp ocorreu após o vencimento dos débitos devido ao fato do desenquadramento do Simples para o Lucro Presumido ter sido comunicado somente em 26 de agosto de 2004. Ademais, os valores entraram nos cofres da SRF antes mesmo de existir o débito, não havendo que se falar. Todavia, o acórdão recorrido concluiu pela insuficiência do crédito, ressaltando a incidência de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) e multa de mora sobre o valor declarado à compensação (DCOMP). O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". A Lei nº 9.430/1996 regulamentou o procedimento de ressarcimento, restituição e compensação, determinando a incidência dos acréscimos moratórios no seu artigo 61: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei). Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10630.902300/200917 Acórdão n.º 1201002.397 S1C2T1 Fl. 5 4 À época, o artigo 28 da IN SRF nº 460/2004 exigia os acréscimos moratórios quando da entrega da Declaração de Compensação (DCOMP), após o vencimento do tributo: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (grifei) A Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) orienta sobre o acréscimo de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), não havendo dissidência jurisprudencial sobre o tema: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Isto posto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e NEGOLHE PROVIMENTO." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 72DF CARF MF
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