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Numero do processo: 10510.723190/2014-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
AÇÃO JUDICIAL. VERBAS RECONHECIDAS. JUROS DE MORA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA.
Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais sobre verbas pagas em atraso em decorrência de sua natureza indenizatória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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VERBAS RECONHECIDAS. JUROS DE MORA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais sobre verbas pagas em atraso em decorrência de sua natureza indenizatória. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, IVACIR JULIO DE SOUZA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 31 90 /2 01 4- 44 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal efetuado por meio de notificação fiscal para apuração de imposto de renda da pessoa física decorrente de suposta omissão de rendimentos sobre dos juros moratórios cobrados do reclamado em favor do recorrente, reconhecidos em ação judicial contra a fonte pagadora de proventos; e dedução indevida de contribuição à previdência oficial. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE JUROS MORATÓRIOS Por expressa disposição da legislação tributária, há incidência de imposto de renda sobre os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações correspondentes às verbas tributáveis percebidas por meio de ação judicial. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... 1 Dedução Indevida de Previdência Oficial Relativa a Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação Exclusiva Constatouse a dedução indevida de contribuição a Previdência Oficial, no valor de R$ 24.034,56 relativo aos rendimentos pagos pela Fundação Petrobrás de Seguridade Social – Petros, em 15/03/2012. De acordo com a autoridade lançadora, o contribuinte foi intimado e não apresentou prova documental (planilha de Cálculo, GPS) ou qualquer outro documento que comprovasse a citada contribuição. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10510.723190/201444 Acórdão n.º 2301004.704 S2C3T1 Fl. 100 3 2 Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação Exclusiva Constatouse a compensação indevida de IRRF sobre os rendimentos declarados no valor de R$ 72.261,03 relativo aos rendimentos pagos pela Fundação Petrobrás de Seguridade Social – Petros, em 15/03/2012. De acordo com a autoridade lançadora, o contribuinte foi intimado e não apresentou prova documental (planilha de Cálculo, DARF) ou qualquer outro documento que comprovasse a citada retenção de IRRF. ... A impugnação do impugnante é pautada pelo entendimento da não incidência tributária da parcela relativa aos juros moratórios recebidos da ação judicial impetrada pelo contribuinte, respaldandose no entendimento exarado pelo STJ, inclusive. Entretanto o tratamento tributário concedido aos juros moratórios, que o Contribuinte considera não tributáveis, está disposto explicitamente nos seguintes artigos do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto no 3.000/99: Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário reiterando as alegações em impugnação, em síntese: Os rendimentos recebidos acumuladamente são decorrentes de ação judicial em que pleiteou diferença de rendimentos pagos pela Petros, que estavam sendo pagos a menor entre dezembro de 1995 e julho de 1997. Informa que R$ 60.994,27, referemse a diferença paga a menor e que de acordo com a planilha de fl. 30, correspondeu a um imposto de renda no valor de R$ 9.039,89. Entendeu ainda que do total pago nesta ação judicial, R$ 327.523,93, o valor das atualizações não há a incidência do IRRF, que correspondeu a o valor de R$ 266.529,66. Aduz que foram cometidos erros materiais, estimulado pela ausência do comprovante do RRA, não fornecido pela fonte pagadora, e que a retenção do imposto no momento do crédito, seria da fonte pagadora, por tratarse de rendimentos sujeitos a retenção exclusiva de fonte. E que estava convicto que o valor recebido era totalmente líquido. O valor recebido foi pago em duas parcelas da seguinte forma: Em 24/02/2011, no valor de R$ 95.614,65 e em 16/03/2012, no valor de R$ 236.331,72, sendo que nesta última parcela houve um pagamento a maior no valor de R$ 17.819,84, que foi devolvido pelo impugnante. Entende que do total de R$ 218.511,88, recebido em 15/03/2012, as atualizações do principal não devam ser tributadas, sendo que Fl. 101DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 R$ 26.373,92, referemse ao benefício original e R$ 192.137,96 referente às atualizações. Cita o art. 3º da Instrução Normativa nº 1.127 de 07/02/2011, interpretando que a obrigação tributária do pagamento do imposto é da pessoa jurídica pagadora ou pela instituição financeira depositária do crédito. Afirma que estes rendimentos são tributados exclusivamente na fonte pagadora e que não deve nada aos cofres públicos, citando jurisprudência do CARF no sentido de que a tributação devese se referir as alíquotas e tabelas vigentes à época em que deveriam ter sido pagos. Com relação aos recebimentos que corresponderam às atualizações, no valor de R$ 192.137.96, acredita ter informado o valor original errado na DIRPF, pois considera que este valor relativo à juros não é tributável, cita jurisprudência do STJ. Alega que diante dos fatos que demonstrou não ter se utilizado de máfé ou artifícios de sonegação, não vê motivo para o contribuinte ser penalizado com multa de ofício, multa de mora e juros de mora. Não havendo diferença de imposto nem imposto de renda a recolher e portanto, não há motivo para pagamento de multa de ofício seja de 75% ou 20%. É o Relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10510.723190/201444 Acórdão n.º 2301004.704 S2C3T1 Fl. 101 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator No mérito Quanto à dedução de suposta contribuição à previdência oficial, o recorrente não se insurge contra a cobrança; restando assim a análise tão somente quanto à incidência do imposto sobre os juros moratórios. De fato, decidiu o STJ no REsp nº 1.227.133 sob rito do artigo 543C do CPC que sobre os juros de mora devidos ao reclamante em ações trabalhistas para rescisórias não há incidência do IRPF pela sua natureza indenizatória, independentemente da incidência ou não do imposto sobre a verba principal: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. ... Não é possível a incidência de imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do atraso no pagamento de verbas de natureza trabalhista reconhecidas por decisão judicial, visto que os valores que deles decorrem não representam renda tributável, tratandose de hipótese de não incidência tributária, não importando a natureza da verba principal, pois, abrangendo os juros moratórios eventuais danos materiais e, ou apenas, imateriais, não podem ser entendidos como acréscimo patrimonial, já que se destinam à recomposição do patrimônio lesado, não se enquadrando na norma do artigo 43 do CTN. O acórdão em embargos de declaração resultou na modificação da ementa que antes tinha uma redação com maior alcance, ou seja, não haveria incidência de imposto de renda sobre juros moratórios independentemente da origem ou natureza da verba. Redação anterior: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 –Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Redação modificada: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. –Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Assim, considerando o artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STJ deverá ser reproduzido por essa turma. Para tanto, fazse necessária a constatação da presença de verbas indenizatórias ou rescisórias decorrentes de reclamatórias trabalhistas: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Compulsando os autos, verifico que a verba em questão sobre a qual incidiu juros moratórios decorre de diferenças de aposentadoria complementar. Nesse caso, até o presente momento não há decisão pacífica do STJ sobre a incidência do imposto de renda; devendo assim ser aplicada a legislação tributária vigente. Em relação à multa de ofício, o dispositivo legal que determina sua aplicação está vigente e não há jurisprudência favorável dos tribunais superiores que vinculem este CARF, prevalecendo assim a regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 que restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 104DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10510.723190/201444 Acórdão n.º 2301004.704 S2C3T1 Fl. 102 7 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 13855.720552/2014-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2010
Processo Administrativo Fiscal. Concomitância com Ação Judicial.
A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa.
CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Para efeitos de apuração dos créditos do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo, entende-se que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado.
DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO E DE EMBARQUE DE MERCADORIAS EM ÁREA PORTUÁRIA DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA GERAR CRÉDITOS DE PIS E COFINS.
Por falta de previsão legal específica e por não se demonstrar que se referem a insumos necessários aos processo de produção, não geram créditos de PIS e COFINS as despesas com movimentação das mercadorias na área portuária e as despesas com o embarque dessas mercadorias.
Numero da decisão: 3401-003.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco..
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2010 Processo Administrativo Fiscal. Concomitância com Ação Judicial. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa. CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS - não cumulativo e da COFINS - não cumulativo, entende-se que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO E DE EMBARQUE DE MERCADORIAS EM ÁREA PORTUÁRIA DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA GERAR CRÉDITOS DE PIS E COFINS. Por falta de previsão legal específica e por não se demonstrar que se referem a insumos necessários aos processo de produção, não geram créditos de PIS e COFINS as despesas com movimentação das mercadorias na área portuária e as despesas com o embarque dessas mercadorias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco..
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CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa. CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO E DE EMBARQUE DE MERCADORIAS EM ÁREA PORTUÁRIA DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA GERAR CRÉDITOS DE PIS E COFINS. Por falta de previsão legal específica e por não se demonstrar que se referem a insumos necessários aos processo de produção, não geram créditos de PIS e COFINS as despesas com movimentação das mercadorias na área portuária e as despesas com o embarque dessas mercadorias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 05 52 /2 01 4- 32 Fl. 4274DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa. CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO E DE EMBARQUE DE MERCADORIAS EM ÁREA PORTUÁRIA DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA GERAR CRÉDITOS DE PIS E COFINS. Por falta de previsão legal específica e por não se demonstrar que se referem a insumos necessários aos processo de produção, não geram créditos de PIS e COFINS as despesas com movimentação das mercadorias na área portuária e as despesas com o embarque dessas mercadorias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.. Fl. 4275DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13855.720552/201432 Acórdão n.º 3401003.030 S3C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata este processo de autos de infração que constituem e exigem PIS e COFINS faturamento, incidência não cumulativa, para o período de apuração compreendido entre 01/03/2009 a 31/12/2010. A contribuinte é usina cooperada da COPERSUCAR, que produz açúcar e alcool. A autoridade fiscal constatou que ela pretendeu aproveitar créditos de PIS e COFINS referentes a (i) despesas de movimentação e embarque de seus produtos em porto e (ii) despesas de fretes de transporte entre as unidades da cooperativa (transporte interno), todos elas rateados pela COPERSUCAR entre seus cooperados. A autoridade fiscal entendeu que, por falta de expressa previsão legal, tais despesas não poderiam gerar crédito de PIS e COFINS. Devido ao fato da COPERSUCAR enquadrarse como cooperativa de produção, eis que comercializa a produção de açúcar e álcool das usinas cooperadas, ela apura alguns créditos de PIS/COFINS referentes às despesas de armazenagem e movimentação, corantes e fretes, os quais são rateados entre as usinas cooperadas. A2) Da impossibilidade dos créditos de PIS/COFINS com o frete interno Dentre os créditos acima relatados, que são gerados pela COPERSUCAR e apropriados pela USINA SANTO ANTONIO S/A, estão os créditos decorrentes dos transportes das mercadorias comercializadas. Para entender a natureza dos fretes referidos, deve ser entendido que a produção das usinas cooperadas fica disponibilizada para a COPERSUCAR nas unidades de produção. Portanto, a COPERSUCAR possui em cada uma das usinas cooperadas unidades filiais, nas quais estão estocados o açúcar e o etanol produzido. Desta forma, toda produção das cooperadas fica sob poder da COPERSUCAR que determina para quem e como deve ser comercializada. Neste sentido, basicamente, tais fretes transportam a produção das filiais da COPERSUCAR para a unidade filial da mesma em Santos SP, para que esta, posteriormente, efetue a exportação. Há ainda alguns fretes de transporte das unidades filiais da COPERSUCAR para os armazéns de estocagem. Tais informações podem ser confirmadas nas Notas Fiscais de Transporte amostradas. A contribuinte foi beneficiada com sentença proferida no mandado de segurança n.002081228.2010.4.03.6100 permitindolhe o aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre frete interno. Portanto, a autoridade fiscal, com relação a essa matéria, efetuou o lançamento nos termos do artigo 63 da Lei n. 9.430, de 1996, com intenção preventiva. Além da exigência de ofício do crédito tributário, a autoridade fiscal determinou que a contribuinte Fl. 4276DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 retificasse a contabilidade e todas as DACONs do período em tela e as posteriores. Em suas palavras: Como o contribuinte permanece com saldo credor de créditos de PIS no período de março de 2009 a dezembro de 2010, havendo, porém, redução do saldo de tais créditos, o mesmo deverá retificar as Dacons e sua contabilidade conforme tabelas acima, inclusive as Dacons de todos os períodos posteriores a dezembro de 2010. Como o contribuinte teve seu Saldo de CREDITO REMANESCENTE de COFINS zerado em dezembro de 2010, o mesmo deverá retificar todas as Dacons de períodos posteriores a dezembro de 2010 e sua contabilidade, considerando que o SALDO DE CREDITO DE MESES ANTERIORES de janeiro de 2011 seja 0 (zero). Como houve saldo devedor de crédito de COFINS nos meses de Setembro, Novembro e Dezembro de 2010 nos Totais de R$ 104.002,11, R$ 114.898,67 e R$ 906.744,59 (R$ 848.491,94 com suspensão e R$ 58.252,65 sem suspensão), respectivamente, tais valores foram lançados como COFINS a Pagar. A contribuinte impugnou a exigência, alegando preliminar de nulidade por ter havido violação à ordem judicial, no que concerne ao frete interno. No mérito, defendeu seu direito ao crédito de PIS e de COFINS pelas despesas de movimentação dos produtos no porto e de embarque, bem como de crédito pelas despesas de frete interno. Apontou que essas despesas se referem a serviços que devem ser considerados insumos. E discutiu o conceito de insumo, divergindo do entendimento da autoridade fiscal. Por último, contraditou a exigência da autoridade fiscal para que ela procedesse à retificação da DACON e dos registros contábeis, afirmando que lhe falta suporte em lei. Os julgadores a quo não acolheram a preliminar de nulidade por entenderem que não houve desrespeito á ordem judicial, pois o auto de infração, com relação à exigência decorrente da matéria submetida à apreciação da Justiça fretes internos , foi lavrado para prevenir decadência, atento às diretrizes postas pelo art. 63 da Lei n. 9.430, de 1996. Quanto ao mérito, eles não apreciaram a contestação no que se refere à matéria créditos decorrentes de despesas com frete interno por que ela estaria sendo apreciada pela Justiça. Com relação aos demais, os julgadores de 1º piso fundamentaram sua posição, divergindo da exposta pela contribuinte, quanto ao conceito de insumo para os fins de apuração de crédito de PIS e COFINS na sistemática não cumulativa, qual seja, que insumo não é todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. Sendo assim, eles entenderam que as despesas com movimentação de produtos na área portuária e com embarque desses produtos não se enquadram na definição dada pelas Leis. Com relação à retificação da contabilidade e das declarações prestadas à Receita Federal, informaram que, com relação à primeira, a retificação é impositiva pela legislação societária e fiscal. E com relação à secunda, que a autoridade fiscal orientou a contribuinte a retificar as declarações, mas que essa indicação no ato fiscal não teria caráter Fl. 4277DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13855.720552/201432 Acórdão n.º 3401003.030 S3C4T1 Fl. 4 5 punitivo ou de constituição do crédito tributário. Concluíram que essa matéria é apenas procedimental, não envolvendo litígio, não merecendo manifestação da instância julgadora. O Acórdão n. 1453.450, proferido pela respeitável 14ª turma da Delegacia das Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, em 08/09/2014, ficou assim ementado: Acórdão 1453.450 14a Turma da DRJ/RPO Sessão de 08 de setembro de 2014 Processo 13855.720552/201432 Interessado USINA SANTO ANTONIO S/A CNPJ/CPF 71.324.784/000151 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros da 14a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. FERNANDO A. PIRES MONTANARI Presidente e Relator. Participaram ainda do presente julgamento os julgadores FERNANDO CESAR TOFOLI Fl. 4278DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 QUEIROZ, GABRIELA FERNANDA GENTINA TAFNER e LÁZARO ROBERTO LANÇA. A contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio do qual articula as razões por que pede o cancelamento e a insubsistência dos autos de infração. Em resumo: (1) Conceito de insumo Não cumulatividade do PIS e da COFINS. Direito ao crédito sobre os dispêndios glosados. Valores passíveis de serem registrados como créditos: gastos inerentes à atividade geradora de receitas do sujeito passivo. Racionalidade do sistema. A contribuinte defendeu que o conceito de insumo adotado pela autoridade fiscal e pela autoridade julgadora não teria correspondência na Constituição Federal e nas Leis que tratam da matéria, nem pode ser emprestado da legislação do IPI. E que o critério para identificar o que é insumo deve finalístico, ou seja, ser ele meio necessário para se obter a receita. In verbis: Daí porque, nada obstante o legislador possa definir os setores submetidos ao regime não cumulativo e o método para assegurála (tipo produto bruto, renda ou consumo), qualquer das opções não pode ser incoerente com o texto constitucional. O limite é o respeito à baliza da não cumulatividade. Significa dizer que, definidos os setores e o método para implementar o direito de crédito, a não cumulatividade deve ser garantida por inteiro, sem tolerar a incidência "em cascata", ainda que parcial. Caso contrário, haveria o exercício arbitrário do poder de tributar6. (....) Assim, o critério para a identificação de certo serviço ou bem como insumo é a sua pertinência com o contínuo desenvolvimento da atividade da pessoa jurídica geradora de receita. Em decorrência, o insumo não está limitado ao serviço ou bem consumido no processo produtivo ou incorporado à mercadoria, conforme entendimento já manifestado pelo Fisco e defendido, no caso concreto, pelo acórdão DRJ ora impugnado. O direito ao crédito deve ser visto do ponto de vista finalístico. Aquilo que é adquirido para auferir receita ou, em outras palavras, em razão da venda de bens e serviços. O insumo representa um meio para atingir o fim, que é a receita. “....ligados aos fatores de produção (capital e trabalho), adquiridos ou obtidos pelo contribuinte e onerados pelas contribuições que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto, em função dos quais resultará a receita ou o faturamento onerados pelas contribuições..” “....: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte.” (2) Improcedência das razões apontadas para as glosas sobre os créditos relativos a embarque e movimentação (operação de elevação) das mercadorias que, na opinião da Fiscalização, não se enquadrariam no conceito de insumos. Fl. 4279DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13855.720552/201432 Acórdão n.º 3401003.030 S3C4T1 Fl. 5 7 Afirma que as glosas fiscais não podem prosperar. Eis que as despesas foram incorridas na atividade produtiva do açúcar destinado à exportação; são eles dispêndios referentes a serviços efetivamente utilizados como insumos na fabricação dos produtos destinados à exportação. Os serviços de carga (embarque) foram prestados por pessoa jurídica domiciliada no país nas operações portuárias atinentes às operações de venda das mercadorias ao exterior, e são, portanto insumos. Assim como com os gastos com armazenagem, aceitos pela autoridade fiscal, os de movimentação e embarque são necessários para que os produtos vendidos cheguem a seu destino e a contribuinte tenha condições de manter suas atividades geradoras de receitas. (3) Da inexistência de determinação legal que exija a retificação da DACON e dos registros contábeis da ora Recorrente. Aquiescência da DRJ quanto ao procedimento da Recorrente. A contribuinte alega que não existe determinação legal que a obrigue a retificar as DACONs e a sua contabilidade em virtude do auto de infração impugnado, nos termos das assertivas fiscais. E que, considerando a manifestação da DRJ, entende a contribuinte que a questão está definitivamente decidida a seu favor, não podendo a administração fiscal, em qualquer hipótese, exigir a retificação das DACONs citadas, face a aquiescência do órgão julgador. E ademais, a ausência de determinação legal que a embase, verificase a improcedência da autuação fiscal nesse ponto – o que teria sido reconhecido pela DRJ. Pede seu cancelamento. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Sobre o pedido de cancelamento da determinação de retificação da contabilidade e das declarações DACONs A contribuinte argumenta que essa determinação fiscal não tem base em Lei; e que a decisão da DRJ lhe foi favorável e que a administração tributária passa, então, a não poder mais exigir as retificações dessas declarações. Primeiramente, passo a expor a este Colegiado meu entendimento divergente. Não tenho dúvida do dever da empresa de manter registro contábil atualizado e que reflita a sua verdadeira situação patrimonial, econômica, financeira, fiscal, gerencial, administrativa, operacional. É como leio o que dispõem a Lei n. 10.406, de 2002 (Código Fl. 4280DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 Civil), a Lei Complementar n. 123, de 2006, (artigos 18 A e 27), a Lei n. 6.404, de 1976, o Decretolei n. 2.124, de 1984 (art. 5º); Lei n. 4.502, de 1964 (art. 46), entre vários dispositivos legais que tratam dessa matéria. O Principio da Verdade está no fundamento desse dever, pois o seu sentido não é criar um registro contábil feito para não refletir a situação real e verdadeira. Portanto, a contribuinte não tem razão quando afirma que não há base em Lei para que se exija dela uma contabilidade correta, verdadeira. Além disso, também divirjo da contribuinte quando argumenta que as obrigações acessórias (tributárias e fiscais) não têm base em Lei e não podem obrigar alguém a fazer algo. Não há conflito entre o dispositivo constitucional contido no inciso II do art. 5º da CF/1988 (o princípio da legalidade !ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei") e a legislação que estabelece e disciplina as obrigações acessórias. As obrigações acessórias têm sua origem primeira em determinação posta em Lei, mas, elas, como desdobramentos dessa lei, não podem ser criadas e detalhadas somente em textos legais. É sistemática que corresponde aos princípios da eficiência, da economicidade, da especialidade derivada. Assim, é possível que as obrigações acessórias sejam instituídas por normas complementares (art. 96 e 100 do CTN). A Secretaria da Receita Federal tem no artigo 16 da Lei n. 9.779, de 1999, previsão em lei para definir e disciplinar obrigações acessórias. Lei n. 9.779, de 1999: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Nesse sentido, de ser legítima a obrigação acessória criada e disciplinada por legislação complementar, encontramos decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça. Como exemplo, temos o acórdão do REsp 1.105.947/PR: Discutese apenas a existência de lei autorizadora ou, caso não haja, a possibilidade dessa obrigação acessória ser criada por Instrução Normativa. A aplicação do Princípio da Legalidade é controversa na doutrina, no que se refere às obrigações acessórias. Isso porque o CTN, ao cuidar da incidência tributária em sentido estrito e da obrigação principal, referiuse expressamente à exigência de lei, como não poderia deixar de ser (grifei): CTN, art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. No entanto, ao se referir à obrigação acessória, o CTN adotou o termo "legislação" (grifei): CTN, art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. A constatação é relevante, pois o legislador do CTN adota o termo "legislação" em seu sentido mais amplo, abarcando a lei e as normas infralegais: CTN, art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Fl. 4281DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13855.720552/201432 Acórdão n.º 3401003.030 S3C4T1 Fl. 6 9 Assim, não há dúvida de que uma interpretação restrita do texto legal leva à conclusão de que a obrigação acessória prescinde de lei em sentido estrito. Ocorre que, desnecessário dizer, a interpretação do CTN deve se harmonizar com o sistema constitucional vigente e, especificamente, com o Princípio da Legalidade. O Tribunal de origem tangenciou essa discussão, pois entendeu que há lei autorizativa. Transcrevo trecho do votocondutor (fl. 169): Não desconheço ser a questão polêmica, tanto na doutrina quanto na jurisprudência, mas descendo ao plano fático dos autos, cabe inferir que há lei precedente versando sobre o tema, qual seja a Lei nº 9.779/99, o que, em exame perfunctório, afasta a pretensa mácula ao texto constitucional. De fato, desnecessário discorrer sobre a necessidade de lei, pois ela existe. A Lei 9.779/1999 autoriza a instituição de obrigações acessórias pela Secretaria da Receita Federal, nos seguintes termos: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Essa norma deve ser interpretada à luz do art. 197 do CTN, que autoriza a requisição de informações relevantes para a fiscalização tributária: (...) No mundo atual, em que as declarações fiscais são enviadas quase que exclusivamente por meio eletrônico, pela rede mundial de computadores, seria inadequado interpretar o vetusto art. 197 do CTN no sentido de que a Secretaria da Receita Federal deveria solicitar informações individualmente, por intimações escritas em papel. Interpretase a norma jurídica à luz de seu tempo. A administração tributária deve pautar sua atuação com base no Princípio da Eficiência. O sistema tributário moderno baseiase nas informações prestadas pelo próprio contribuinte e por terceiros envolvidos com as operações e situações tributadas, posteriormente verificadas pela Administração. As relações de massa exigem essa sistemática para garantir a eficiência da arrecadação e a Justiça Fiscal. Não fosse assim, seria necessária uma superestrutura fiscalizatória, em cada esfera de governo, capaz de auditar individualmente milhões de contribuintes a cada ano, o que é irreal, antieconômico e ineficiente. A IN SRF 304/2003 atendeu essas diretrizes ao exigir informações por sistema informatizado disponibilizado pela própria Receita Federal (art. 2º da IN SRF 304/2003), tal qual as atuais declarações do Imposto de Renda ou de Compensação. Importante destacar que o recorrente não discute a possibilidade de o Fisco exigir as informações. Impugna apenas a forma como isso é feita. Nesse ponto, é de se reconhecer que a DIMOB é conveniente e prática para os contribuintes de boafé. A declaração eletrônica entregue pelo próprio intermediário da operação de compra e venda de imóvel ou de aluguel (seja construtora, incorporadora, imobiliária ou administradora) afasta a necessidade de milhares de intimações pessoais e custosas informações individualizadas. (....) Assim, a exigência da DIMOB encontra respaldo no art. 16 da Lei 9.779/1999 e no art. 197 do CTN, além de atender ao Princípio da Eficiência, que deve pautar a atuação da administração tributária. Diante do exposto, nego provimento ao Fl. 4282DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 Recurso Especial. É como voto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.105.947 PR (2008/02618278); MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator). Também está em lei a competência da Receita Federal de exigir que a DACON seja corrigida. O artigo 7º da Lei n. 10.426, de 2002, define a obrigatoriedade da contribuinte de apresentar a declaração DACON. Por lógico que essa declaração deve espelhar a situação real ou verdadeira da declarante, e, sendo assim, os erros, omissões e imprecisões devem ser saneados, sob risco de tornar inócuo o sistema de informações fiscais da contribuinte e sua contabilidade. Vejamos: Lei 10.426, de 2002: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (…) § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. Portanto, concluo declarando que, a meu ver, não pode ser considerado procedente a argumentação da contribuinte de que não há base legal para a obrigação acessória, e também que não há base legal para que a autoridade fiscal e administrativa possam determinar o cumprimento da obrigação acessória. A contribuinte propõe que a decisão da DRJ implica que a administração tributária não mais poderia requerer a retificação dessas declarações a serem prestadas à Receita Federal. Creio que a contribuinte se equivoca a respeito. Não consigo ler no acórdão recorrido que os julgadores a quo tenham decidido subtrair da administração tributária a competência que lhe foi designada pelas leis e demais atos da legislação que tratam dos deveres fiscais e das obrigações acessórias. Para justificar a necessidade da retificação da contabilidade e das declarações, a autoridade fiscal expôs que: Como o contribuinte permanece com saldo credor de créditos de PIS no período de março de 2009 a dezembro de 2010, havendo, porém, redução do saldo de tais créditos, o mesmo deverá retificar as Dacons e sua contabilidade conforme tabelas acima, inclusive as Dacons de todos os períodos posteriores a dezembro de 2010. Como o contribuinte teve seu Saldo de CREDITO REMANESCENTE de COFINS zerado em dezembro de 2010, o mesmo deverá retificar todas as Dacons de períodos posteriores a dezembro de 2010 e sua contabilidade, Fl. 4283DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13855.720552/201432 Acórdão n.º 3401003.030 S3C4T1 Fl. 7 11 considerando que o SALDO DE CREDITO DE MESES ANTERIORES de janeiro de 2011 seja 0 (zero). Como houve saldo devedor de crédito de COFINS nos meses de Setembro, Novembro e Dezembro de 2010 nos Totais de R$ 104.002,11, R$ 114.898,67 e R$ 906.744,59 (R$ 848.491,94 com suspensão e R$ 58.252,65 sem suspensão), respectivamente, tais valores foram lançados como COFINS a Pagar. A determinação de retificação, além de ter base legal, foi justificada e é razoável. A meu ver, a contribuinte trouxe essa matéria ao contraditório, motivo por que entendo que o Colegiado deve se manifestar a seu respeito. Tendo em vistas as considerações aqui apresentadas, proponho que não seja dado provimento às alegações da contribuinte a esse respeito. Sobre a concomitância entre apreciação judicial e apreciação administrativa para a mesma matéria: Esposo o entendimento adotado pela autoridade fiscal, de que o direito de crédito, conforme posto nas leis 10.637/2002 e 10.833/2003, não abarca o transporte dos produtos acabados entre as filiais da cooperativa. Entretanto, conforme noticiado nos autos, há ação judicial que aprecia a possibilidade de créditos de PIS e COFINS referente a despesas com frete interno. A sentença foi favorável à contribuinte, mas se aguarda apreciação de recurso no tribunal. Tendo em vista o que dispõe a Súmula CARF n.º 001, entendo que essa matéria do contraditório deve aguardar a decisão judicial. Por esta razão proponho a este Colegiado aplicar essa Súmula e manter a decisão do acórdão recorrido. O sentido de não cumulatividade para o PIS e para a COFINS e a lógica básica para sua apuração A Constituição Federal, em seu artigo 195, estabeleceu contribuições incidentes sobre as receitas ou faturamento do empregador, da empresa ou de entidade equiparada na forma da lei, cuja arrecadação desse tributo se constituiria em recursos a serem destinados a financiar a seguridade social. Ela, em seu § 12, atribuiu ao legislador ordinário a competência para a criação e o disciplinamento do regime de não cumulatividade dessas contribuições. A Constituição Federal cria a incidência desses tributos sobre a receita ou a faturamento. Mas, são as Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003 que trazem elementos para definir as hipóteses de incidência e as de exclusão ou isenção. Além disso, essas leis, regulam o PIS e a COFINS e pretendem vir ao encontro daquela previsão constitucional de um regime de não cumulatividade. Nesse sentido, elas trazem as regras para a determinação do valor devido dessas contribuições, e, para tanto, Fl. 4284DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 preveem que o cálculo considere a redução por créditos apurados para fatores que concorreram para a obtenção dessa receita ou faturamento. A regra da não cumulatividade estatuída pelo inciso II, § 3º do artigo 153 da CF/1988 para o IPI não corresponde ao regime de não cumulatividade previsto pelo § 12 do artigo 195 da mesma CF. E mesmo as regras das Leis acima citadas, que se apresentam como sob o manto desse regime de não cumulatividade, não correspondem à lógica e regime previsto para o IPI. Por isso propugno seja o regime de não cumulatividade do PIS e da COFINS considerado um regime próprio e distinto daquele reservado ao IPI. Todo o artigo 3º, caput e seus §§ e incisos, da Lei 10.637, de 2002, e da Lei n. 10.833, de 2003, disciplina o creditamento para, por dedução ou abatimento, se determinar o valor devido dessas contribuições. O creditamento assim estabelecido pretende atender ao regime de não cumulatividade previsto na Constituição Federal e criado através das Leis aqui citadas. E, até o momento, este é um ponto central em minha compreensão a respeito dessa matéria: 1. a materialidade desse tributo está na receita tributável; 2. a materialidade da não cumulatividade está na relação de dependência da receita tributável para com a ocorrência do fator previsto em lei qual seja, corresponda à uma das hipóteses dos §§ e incisos do artigo 3º da Lei em tela; 3. logo, o direito de creditamento está reservado para os fatores em que esteja demonstrado ser ele necessário para a geração da receita tributável. Apesar de mal traçadas, essas breves considerações representam, a meu ver, a lógica da não cumulatividade do PIS e da COFINS expressa na leitura conjugada dos artigos dessas Leis. Não faz sentido que se possa gerar creditamento a partir da ocorrência de fatores que não tenham relação de causação ou de concorrência para com a geração da receita a ser tributada. Contradiz essa lógica ler os incisos e §§ do artigo 3º desconectados dos demais artigos da mesma Lei, principalmente os artigos 1º e 2º. Pressupostos para interpretar e identificar os insumos para o creditamento do PIS e da COFINS: Além dessas considerações gerais, ainda preciso me aproximar de outro aspecto central da matéria: a referência a insumo constante nessas leis. Grande controvérsia se instalou a respeito desse creditamento, especialmente quanto ao inciso II, que traz o seguinte texto: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 4285DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13855.720552/201432 Acórdão n.º 3401003.030 S3C4T1 Fl. 8 13 Principalmente os debates se centram na definição de insumos para efeito dessa regra. Os estudiosos sintetizam relatando a existência de três correntes de interpretação e decisão: 1. a primeira que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do IPI, e constantes nas Instruções Normativas da Receita Federal que tratam do PIS e da COFINS, e circunscrevem insumos a matérias primas, produtos intermediário e material de embalagem; 2. a segunda que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do Imposto de Renda, e identificam e separam os custos e despesas das operações e os custos e despesas não operacionais; insumos seriam toda e qualquer custo ou despesa operacional da pessoa jurídica; 3. a terceira que entende que o PIS e a COFINS deve se pautar por conceitos e definições próprias, que acaba por se afastar da visão estreita da primeira e, também, da visão alargada da segunda. As duas primeiras perspectivas, (1º) para se tratar insumos no PIS e na COFINS a partir da legislação do IPI, malgrado ser a esposada pela Receita Federal em suas normativas, e (2ª) a que se alinha com a legislação do Imposto de Renda, vêm sendo questionadas recorrentemente. Decisões proferidas nas altas cortes administrativas vêm assentando o entendimento da 3ª perspectiva, de que o PIS e a COFINS demandam critérios próprios. Dentre essas decisões destaco o bem fundamentado voto do Ilmo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres na Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão n.º 930301.035: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, Fl. 4286DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional.. Por causa dessas considerações que entendo: (a) não se poder limitar o creditamento aos conceitos e critério advindos da legislação do IPI. Os insumos não se limitam às matérias primas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem, e não se limitam à avaliação pela aplicação do critério de consumo/desgaste físico. Essa limitação não encontra sustentação no que dispôs a Constituição Federal e as Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a matéria; (b) não se pode acriticamente transpor para o creditamento do PIS e da COFINS os conceitos e regras da legislação do Imposto de Renda, pois, além de serem de materialidades distintas, essa legislação não se destina a tratar a hipótese de incidência do tributo contemplando a unidade de análise representada pela relação "insumo processo produto (ou serviço) destinados a venda", como é o caso do PIS e da COFINS. Muito bem, prosseguindo: a meu ver, essas duas leis informam que dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados a venda. Quando designam insumos, tenho como certo que se referem a fatores de produção, os fatores necessários para que os serviços possam estar em condições de serem prestados ou para que os bens e produtos possam ser obtidos em condições de serem destinados a venda. E quando afirmam que são os utilizados na prestação de serviços e na produção, depreendo que: são os utilizados na ação de prestar serviços ou na ação de produzir ou na ação de fabricar. Para se decidir que um bem ou serviço possa gerar crédito com relação a determinada receita tributada, há que se perquirir em que medida esse bem ou serviço é fator necessário para a prestação do serviço ou para o processo de Fl. 4287DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13855.720552/201432 Acórdão n.º 3401003.030 S3C4T1 Fl. 9 15 produção do produto ou bem destinado a venda, e geradores, em última instância, da receita tributada. A meu sentir, não é o caso de restringir a que o bem ou serviço tenha sido utilizado como insumo do próprio produto a ser vendido ou do próprio serviço; ou que ele seja adstrito pelo principio do contato físico, ou do desgaste ou transformação. Embora o serviço prestado ou o produto vendido seja o alfa da obtenção da receita a ser tributada, a lei indica que o bem ou o serviço utilizado como insumo alcança a atividade de prestação do serviço ou a atividade de produção, direta ou indiretamente. Essa visão conjuga o "processo" e o "produto/serviço resultante do processo". Mas esses processos devem estar inequivocamente ligados ao serviço prestado ou ligados ao produto vendido. Para se justificar o creditamento, não basta demonstrar que os bens e serviços concorreram para o processo de produção, ou de fabricação, ou de prestação do serviço, mas é necessário em adição demonstrar para qual produto ou serviço aqueles fatores de produção ou insumos concorreram. Concluídas essas considerações introdutórias, sintome em condições de propor passar à análise das questões de mérito. Mérito Da glosa dos serviços que a contribuinte alega serem insumos A recorrente é uma empresa dedicada à exploração agrícola e pastorial, ao florestamento, à prestação de serviços nessas áreas, e à industrialização e comercialização de açúcar e de etanol, entre outras atividades. Ela é cooperada da COPERSUCAR. Da análise do exposto nos prolegômenos acima, concluo, divergindo da contribuinte, que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa ou como todo e qualquer bem ou serviço que gera receita tributável ("critério finalístico" pleno), mas, sim, tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo que produz açúcar e álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Entendo que as regras de creditamento contidas nas Leis em discussão traçam orientações para enquadramento das situações reais e impõem limites, de modo que não são todo e qualquer custo ou despesa. Por todas essas considerações feitas, proponho que não pode prosperar a argumentação da recorrente de que todos e qualquer custo e despesa de operação ou atividade relacionada à obtenção da receita tributável justifica o creditamento. E também proponho que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Nesse sentido, as possibilidades para se caracterizar insumos não se limitam a: · quando se tratar de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, bens esses que efetivamente compõem ou se agregam ao bem final da etapa de industrialização; Fl. 4288DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 16 · quando se tratar de outros bens quaisquer, os quais não se agregam ao bem final, desde que sofram alterações, como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em industrialização. · aos bens obtidos por processo industrial. A contribuinte defende que as despesas com movimentação das mercadorias na área portuária e as despesas com o embarque dessas mercadorias foram incorridas diretamente na atividade produtiva do açúcar destinado à exportação, e que eles correspondem a serviços efetivamente utilizados como insumo na fabricação dos produtos. Contudo, as informações que constam dos autos me levam a concluir que as mercadorias ou produtos em questão já estavam acabados, finalizados, quanto ao processo de sua produção. A meu ver, nessa situação, não há que considerar que os serviços de movimentação no porto e de embarque para exportação sejam considerados como insumos da fabricação desses produtos. Além disso, as regras de creditamento de PIS e COFINS que constam dessas leis não trazem expressa autorização para que esses tipos de despesas, mesmo que não consideradas insumos, possam gerar direito a crédito. No caso em discussão neste processo, e divergindo da contribuinte, entendo que essas despesas não podem gerar o crédito pretendido, por não serem insumos, e por lhe faltar previsão na legislação. Proponho ao Colegiado não dar provimento ao recurso voluntário. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 4289DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 10980.003894/2005-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ASPIRADOR DE PÓ.
Por aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) 1ª, da Nota 3 a) do Capítulo 85, os aspiradores de pó, modelos: ASP GT 2000, ASP GT 2000 PROF, ASP GT 2200 e ASP GT 3000 PROF, com motor elétrico incorporado, de uso doméstico, se classificam no código NCM 8509.10.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI.
Numero da decisão: 3302-003.223
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ASPIRADOR DE PÓ. Por aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) 1ª, da Nota 3 a) do Capítulo 85, os aspiradores de pó, modelos: ASP GT 2000, ASP GT 2000 PROF, ASP GT 2200 e ASP GT 3000 PROF, com motor elétrico incorporado, de uso doméstico, se classificam no código NCM 8509.10.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 38 94 /2 00 5- 70 Fl. 539DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, fls.349/389, lavrado contra a contribuinte acima identificada, para formalização e exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI no valor do principal de R$ R$418.377,58, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando o crédito no valor de R$ 901.014,44. De acordo com a fiscalização na descrição dos fatos, a formalização da exigência decorreu de recolhimento a menor do IPI, por erro de classificação fiscal e de alíquota, em relação aos produtos constantes na RELAÇÃO DE PRODUTOS SAÍDOS DO ESTABELECIMENTO COM CLASSIFICAÇÃO INCORRETA, no decorrer do ano de 2002 e 2003. Transcrevese a seguir excertos do relatório da decisão de piso: Os produtos classificados incorretamente são os seguintes aspiradores: ASP A20L, ASP GT2000, ASP GT 2000 PROF, ASP GT 2200 E ASP GT 3000 PROF. Informa que o contribuinte formalizou o Processo de Consulta n° 10980.006185/200201, visando a classificação de mercadorias para o Aspirador para matérias sólidas e líquidas, marca Eletrolux, modelo A20L em 13/06/2002. A Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DIANA n°180, decidiu pela classificação no Código TIPI 8509.10.00, com alíquota prevista para o período de 10%. O contribuinte, até maio de 2002, vinha classificando o produto no código 8479.89.99, com alíquota prevista de 5%, passando a adotar a classificação indicada na consulta. Conforme consta na referida Solução de Consulta, o aspirador A20L classificase no código 8509.10.00 por não ultrapassar as necessidades de emprego em usos domésticos, tendo em vista principalmente a capacidade do recipiente de armazenamento de resíduos, de 20 litros. As demais características do aparelho, como tamanho (600 x 355 x 335mm) e peso (6 k g ), não denotam finalidade industrial. Informa que a mesma solução de consulta ainda cita a redação da ementa da Decisão n° 44, de 18/02/2000, da Divisão de Controle Aduaneiro da 7ª Região Fiscal, na qual um aspirador de pó com motor elétrico de 1000 W, recipiente com capacidade para 25 litros, pesando 11 kg e com dimensões de 630 mm de altura, 360 mm de largura e 4 60 mm de comprimento, foi classificado no código 8509.10.00 (de uso doméstico). Outros aspiradores produzidos pelo contribuinte também possuem características de aspiradores para uso doméstico, mas o contribuinte os classificou indevidamente no código 8479.89.99, conforme denotam as características semelhantes entre estes discriminadas na tabela de fl.377, relativas a volume do recipiente e potência do motor. (...) Fl. 540DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10980.003894/200570 Acórdão n.º 3302003.223 S3C3T2 Fl. 540 3 A contribuinte, cientificada em 26/04/2005, fl.375, apresentou impugnação parcial ao lançamento, fls.405/419, alegando em síntese que: • a fiscalização utilizou o modelo de aspirador A20L, objeto da Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DIANA n°180/2002, como parâmetro para classificação dos outros aspiradores produzidos pela impugnante, mas a premissa utilizada pela fiscalização para reclassificação dos aspiradores ASP GT 2000, ASP GT 2000 PROF, ASP GT 2200 e ASP GT 3000 PROF é arbitrária e equivocada; • foi elaborada uma tabela com o intuito de "demonstrar" as semelhanças nas características dos produtos reclassificados (ASP GT 2000, ASP GT 2000 PROF, ASP GT 2200 e ASP GT 3000 PRO) com o aspirador A20L, semelhanças estas verificadas com relação aos itens: Volume do Recipiente, Potência do Motor, dimensões e peso líquido; • o Decreto n° 2.376/97 instituiu a Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, que hoje constitui a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias baseada no Sistema Harmonizado (NBM/SH), que serve de base para classificação de mercadorias na TIPI Tabela de Incidência do IPI, editandose as chamadas "Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado" (RGI) que regem a classificação de mercadorias no âmbito da NCM e da NBM, e conforme o art.17 do RIPI constituem elementos subsidiários para a correta classificação de mercadorias; • a referida solução de consulta (protocolada sob n° 10980.006185/200201), manifestouse expressamente quanto à classificação fiscal do aspirador de pó modelo A20L na subposição 8509.10.00, invocando para tanto subsídios das notas explicativas da NESH, em especial a orientação referente à posição 8509 (Conforme Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/NESH, versão lusobrasileira, aprovadas pelo Decreto nº453/92, página 1.633), que trata, em relação àquele modelo, de se tratar de modelo que atendia às necessidades domésticas; • mas tanto os modelos GT 2000 e GT 2000 PRO, ASP GT 2200 PRO, ASP GT 3000 PRO apesar de apresentarem algumas características semelhantes às do modelo A20L, possuem características, que discrimina relativamente à freqüência, potência máxima, capacidade nominal do saco, recipiente, dimensões do produto, peso líquido, raio de ação, comprimento do cabo, que extrapolam o necessário para satisfazer as necessidades normais de uso trabalho doméstico, o que por si só desautorizaria a reclassificação efetuada pelo Agente Fiscal responsável pela lavratura do presente Auto de Infração; o folder publicitário do produto, que anexa, indicam as seguintes informações:"O GT 2200 é um aspirador de pó de alta Fl. 541DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA 4 tecnologia e performance com baixíssimo nível de ruído, ideal para trabalhos em hotéis, hospitais, escolas, maternidades, etc. Com uma estrutura robusta, altíssimo poder de sucção e alta capacidade de armazenamento de pó, a limpeza tornase rápida e fácil...” • se o produto extrapola as necessidades de uso doméstico, não é classificável na posição 8509.10.00, mas sim na posição 8479.89.99, conforme praticado pela impugnante, ainda que tais produtos apresentem algumas características semelhantes às dos produtos destinados a uso doméstico, sendo esta a ressalva, que inclusive consta expressamente nas NESH, conforme se depreende pela leitura da seção XVI, 8509, página 1633, que transcreve; • se houver dúvidas quanto a classificação, o Conselho de Contribuintes já decidiu que cabe a classificação que seja mais favorável ao contribuinte ante o princípio da legalidade; • requer a improcedência do auto de infração, prevalecendo a classificação fiscal adotada pela impugnante, desconstituindose os lançamentos tributários e protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas; • com relação específica aos lançamentos relativos ao modelo A20L, a Impugnante reconhece a procedência da glosa, e requer seja emitida a respectiva DARF para recolhimento do imposto, com o benefício da redução da multa, conforme artigo 80,1 da Lei 4502.64 e artigo 43 da Lei 9430/96.(grifei). Tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB/Sutri nº3.188, de 29 de julho de 2011, o processo foi transferido para esta DRJ para julgamento, conforme despacho de encaminhamento de fl.437. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita, a decisão proferida. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 ASPIRADOR DE LÍQUIDOS E DE PARTÍCULAS SÓLIDAS. Aparelho com motor elétrico incorporado (1000 a 1.400W), de uso doméstico, próprio para aspiração de sólidos e líquidos, utilizado para limpeza de indústrias em geral, postos de serviço, oficinas, almoxarifados, frigoríficos, serrarias, carpintarias e outros locais onde a limpeza profissional seja necessária, pesando até 9 Kg, com altura de 600mm, e recipiente com capacidade para 19.2 litros de produtos aspirados, acompanhado de acessórios, denominados comercialmente “Aspirador Profissional para Sólidos e Líquidos ASP GT2000, ASP GT 2000 PROF, ASP GT 2200 E ASP GT 3000 PROF”, classificamse no código NCM 8509.10.00. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 23/01/2012, conforme AR de fl. 465, apresenta em 17/02/2012, fls. 467/485 e Fl. 542DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10980.003894/200570 Acórdão n.º 3302003.223 S3C3T2 Fl. 541 5 documentos de fls. 486/488, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual reitera argumentos, enfatizando as características dos produtos já colacionados na impugnação e ignorados pela decisão de primeira instância, acrescentando ainda: Que as próprias autoridades julgadoras de primeira instância reconheceram de modo expresso que os aparelhos sobre os quais existe controvérsia a respeito da classificação fiscal são utilizadas "para limpeza de indústrias em geral, postos de serviços, oficinas, almoxarifados, frigoríficos, serrarias, carpintaria e outros locais onde a limpeza profissional seja necessária", o que corrobora integralmente os argumentos consignados pela Recorrente na Impugnação; De forma absolutamente contraditória, os integrantes acordaram que os aparelhos em questão deveriam ter sido classificados na NCM própria dos aparelhos de uso doméstico; Resta configurada evidente discordância entre a ideia e a fórmula, aplicável à ementa, pois a expressão "de uso doméstico" contrapõese à real e reconhecida finalidade dos aparelhos em questão, que se destinam a usos que evidentemente extrapolam as necessidades domésticas, o que os tornam próprios para uso profissional: limpeza de indústrias em geral, postos de serviços, oficinas, almoxarifados, frigoríficos, serrarias, carpintaria e quaisquer outros locais onde a limpeza profissional seja necessária; Ressalta que limpeza profissional destoa completamente do "uso doméstico" comum, de modo que fica latente a incorreção das conclusões das autoridades julgadoras de primeira instância; O voto apresentado pela relatora contempla o entendimento de que "o que torna um produto passível de ser considerado de uso doméstico ou não é, principalmente, as suas características que extrapolam as necessidades requeridas pelas atividades do lar", conforme restou consignado na própria Solução de Consulta SRRF/9ª RF/Diana nº 180, de 25/10/2002, a respeito do aparelho A20L então fabricado pela própria Recorrente; O voto estabelece que a extrapolação deve estar baseada exclusivamente "no volume dos recipientes", uma vez que a potência dos motores não os distingue", invocando a Decisão nº 44 da Divisão de Controle Aduaneiro da 7ª Região Fiscal, que diz respeito a aparelhos produzidos/importados e comercializados por outro contribuinte; No caso específico, dos aparelhos da Decisão nº 44, a única característica distinta entre ambos os aparelhos analisados, efetivamente era o volume dos recipientes (conforme transcrição realizada, um teria 25 litros e o outro 60 litros de capacidade), entretanto tal conclusão não pode ser aplicada mutatis mutandis para os aparelhos da Recorrente pelos seguintes motivos: 1 Porque os aparelhos produzidos e comercializados pela Recorrente são diversos daqueles analisados na decisão colacionada além de possuírem outras características que os distinguem dos de uso doméstico, conforme apontadas na impugnação e ignoradas pela autoridade julgadora de primeira instância; 2 Porque o critério invocado (volume do recipiente) é casuístico, tendo validade apenas para as peculiaridades do caso analisado (de outro contribuinte) mas não Fl. 543DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA 6 consta de forma expressa do texto dos códigos NCM, tampouco da Notas Explicativas e das Considerações Gerais de Alcance e Estrutura dos capítulos 84 e 85 da TIPI e da NCM, que, em nenhum momento vinculam a classificação dos aparelhos como sendo de uso doméstico ou não ao volume de seu recipiente, mas sim estabelecem como critério diferenciador serem ou não"empregados normalmente em uso doméstico"; O critério utilizado pela decisão de primeira instância carece de legalidade pois em nenhum momento o legislador estabeleceu referido critério, seja no Decreto nº 435, de 1992, na Instrução Normativa SRF nº 157, de 2002 ou no Decreto nº 4070, de 2011; Questiona os fundamentos adotados pela referida decisão sobre o ônus da prova e o momento processual para apresentálas, na impugnação; Destaca que as análises de conformidade ou não da classificação não estão respaldadas por laudos técnicos ou vistoria dos equipamentos e foram realizadas de forma superficial; Ao final requer: A improcedência do auto de infração e a consequente reforma da decisão de primeira instância; Que a intimação de todos os atos procedimentais seja realizada também ao procurador no endereço indicado. Nos termos da Resolução Carf nº 3202000.086, de 27/02/2013, fls.491/495 o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos: A controvérsia dos presentes autos se resume a classificação correta dos aspiradores de pó, modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF, no exercício de 2004. A autoridade fiscal se valeu da classificação da solução de Consulta SRRF/9ª RF/ DIANA nº 180, 25/10/2002, que tinha como consulente a própria empresa autuada, para atribuir a mesma classificação do modelo A20L para os modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF. Partindo da premissa que havia identidade dos modelos para fins de classificação fiscal, o auto de infração excluiu os produtos da posição 8509.10.00 para transportálos para classificação da posição 8479.89.99. Julgando a legalidade ou não do auto de infração, a DRJ concluiu que o uso doméstico ou não dos modelos de aspiradores de pó não são determinantes para fins de classificação fiscal, como se verifica do seguinte trecho do decisório recorrido: ... A despeito dessa afirmação do douto acórdão, nas considerações gerais para definição do “alcance geral e estrutura do capítulo” 85 transcrita pela própria DRJ em sua decisão se verifica que o uso doméstico é importante para enquadramento na posição. Leiase: Fl. 544DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10980.003894/200570 Acórdão n.º 3302003.223 S3C3T2 Fl. 542 7 2) Os aparelhos eletromecânicos de uso doméstico da posição 85.09, bem como os aparelhos ou máquinas de barbear e máquinas de cortar cabelo, de tosquiar e aparelhos de depilar da posição 85.10. Assim, embora aparentemente não tenha havido discordância quanto ao uso não doméstico dos modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF, por dever de cautela, entendo necessário converter o julgamento em diligência para que a autoridade de origem certifique o uso comercial dessas mercadorias. Por essas razões, resolvo converter o julgamento em diligência para determinar a realização de perícia, onde deverão ser respondidas os seguintes quesitos: 1) Identificar perfeitamente se os modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF são de uso doméstico ou não? 2) os modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF se tratam de aspirador de pó com motor elétrico incorporado (1.000W), com recipiente para produtos aspirados com capacidade para 25 litros, pesando 11kg, modelo 225WF, com dimensões de 630mm de altura, 360mm de largura e 460mm de comprimento? Desta forma, a autoridade fiscal deverá intimar a Recorrente para contratar de instituição de renomada reputação (IPT, INT, UNICAMP, p.ex.) para realização do Laudo Técnico. Caso entenda necessário, a fiscalização poderá manifestarse sobre o novo Laudo Técnico elaborado. Encerrada a instrução processual, a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Em cumprimento à diligência foi produzido o Laudo Técnico de fls. 514/521. Após ciência do resultado da diligência em 13/05/2015, conforme AR de fl. 523, a empresa apresentou em 10/06/2015, conforme termo de Solicitação de Juntada de fl.524 a manifestação de inconformidade de fls.526/532, arguindo em síntese: o Laudo Técnico apontou que os aspiradores analisados extrapolam, definitivamente, o uso doméstico, já que são identificados com a cor amarela, que facilita a visualização em ambientes de maiores áreas ou corporativos, tais como escritórios, hospitais, lojas, etc., indicando claramente a finalidade de uso não doméstico dos produtos.(grifo do original) restou comprovado através do Laudo Técnico em análise, é certo que não só o sentido de “limpeza profissional” destoa completamente do “uso doméstico” comum, como também a estrutura dos equipamentos é diversificada, de modo que fica latente a incorreção das conclusões das autoridades julgadoras de Primeira Instância, traduzida na própria contradição da ementa do julgamento que, apesar de reconhecerem que os Fl. 545DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA 8 aspiradores de pó em questão extrapolam o uso doméstico, insistem em classificálos na NCM que, expressamente, deve ser utilizada para os equipamentos de uso doméstico. Ora, se os produtos extrapolam as necessidades de uso doméstico, não são classificáveis na posição 8509.10.00, mas sim na posição 8479.89.99, conforme praticado pela Electrolux, ainda que tais produtos apresentem algumas características semelhantes às dos produtos destinados a uso doméstico. Esta ressalva, inclusive, consta de maneira expressa nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, conforme se depreende pela leitura da seção XVI, 8509, página 1633: É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Matéria não litigiosa Quanto ao lançamento das multas de ofício (multa de 75% do valor do imposto não lançado, sem cobertura de crédito e multa de 75% do valor do imposto não lançado com cobertura de crédito), cuja base legal é o 1art. 80, inciso I, da Lei n°4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430, de 1996, vigente à época dos fatos, referente aos modelos ASP GT 2000, ASP GT 2000 PROF, ASP GT 2200 e ASP GT 3000 PROF, considerase matéria não impugnada, ex vi do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, portanto não submetida aos órgãos do contencioso administrativo fiscal, visto que o contribuinte já na peça impugnatória deixou de contestar referidas multas com relação aos citados modelos. Dos fundamentos da decisão de piso Afirma a Recorrente que reitera os argumentos já aduzidos na peça impugnatória, visto que foram ignorados pela decisão de primeira instância, no entanto da leitura da referida decisão constatase que os argumentos trazidos em sede impugnatória foram minudentemente analisados, com fundamentação pertinente à classificação fiscal analisada e remissão às Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (NESH). 1 "Art. 80.A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória,sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: Isetenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória;" Fl. 546DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10980.003894/200570 Acórdão n.º 3302003.223 S3C3T2 Fl. 543 9 Assim a r. turma julgadora demonstrou motivadamente sua decisão, refutando a tese da defesa, com os fundamentos que entendeu cabíveis à análise e respaldouse no suporte probatório do caderno processual, que entendeu suficiente para a cognição da situação fática, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 2art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Quanto à refutação pelo julgador dos argumentos aduzidos nas peças de defesa, já se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça STJ, no REsp 1343065/PR, do Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141), a seguir ementado: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. OFENSA AO ARTIGO. 535 DO CPC. TESE CONTRÁRIA AO INTERESSE DA PARTE. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. SERVIDOR PÚBLICO. LEI N. 11.907/09. GAE. INCORPORAÇÃO AO VENCIMENTO BÁSICO. 1. Cingese a demanda à incorporação aos vencimentos da Gratificação de Atividade GAE, que era devida aos ocupantes dos cargos pertencentes ao quadro de pessoal do Ministério da Fazenda, diante da sua extinção por ocasião da conversão da MP 441/2008 na Lei 11.907/2009, que instituiu o plano especial de cargos do Ministério da Fazenda. 2. Não se pode conhecer da ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia tal como lhe foi apresentada. Em verdade, não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução(grifei). Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula na referida decisão. Das Notificações e Intimações Quanto à solicitação de que as notificações e intimações referentes ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, é de se esclarecer que o Decreto nº 70.235, de 1972, norma que rege o Processo Administrativo Fiscal PAF, em seu artigo 23, incisos I, II e III, estabelece as formas de intimação e precisamente no inciso II do referido dispositivo determina que [...por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo]. Nesse sentido, indeferese a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio do procurador da Recorrente. MÉRITO 2 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA 10 IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO A matéria da presente lide cingese à identificação e classificação fiscal dos seguintes produtos, aspiradores de pó, modelos: 1) ASP GT 2000, 2) ASP GT 2000 PROF 3) ASP GT 2200 4) ASP GT 3000 PROF. Identificação pelo Contribuinte Em resposta ao Termo de Intimação nº 01, de 07/03/2005, fl.161/166 acerca das especificações técnicas compreendendo todas as características dos produtos vendidos pelo estabelecimento, quanto aos modelos ASP GT 2000, ASP GT 2000 PROF, ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF e na impugnação apresentada, fls. 405/419 o contribuinte identifica os modelos em litígio conforme a seguir se reproduz: Os equipamentos GT 2000 e GT 2000 PRO possuem as seguintes características técnicas Tensão (W): 127/220 Frequência (Hz): 50/60 Potência Máxima (w): 1000 Recipiente (1): 20 Capacidade Nominal de Saco (1): 13 Dimensões do Produto (mm) AxLxP: 600x355x335 Peso Líquido (kg): 6,7 Cumprimento do Cabo Elétrico (m): 5 Raio de Ação (m): 9,1 O equipamento GT 2200 PRO possui as seguintes características técnicas: Tensão (W): 120/220 Frequência (Hz): 50/60 Potência Máxima (w): 1200 Recipiente (1):18 Capacidade Nominal de Saco (1): 6 Dimensões do Produto (mm) AxLxP: 340x330x310 Peso Líquido (kg): 6 Cumprimento do Cabo Elétrico (m): 10 Raio de Ação (m): 14 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10980.003894/200570 Acórdão n.º 3302003.223 S3C3T2 Fl. 544 11 Por sua vez o equipamento GT 3000 PRO possui as seguintes características técnicas: Tensão (V): 127/220 Freqüência (Hz): 50/60 Capacidade do recipiente (1): 20 Capacidade do Saco (1): 13 Raio de Ação (m): 8 Potência Máxima (w): 1400 Dimensões (mm) (AxLxP): 600x355x335 Identificação Técnica do Produto Como já relatado, em face das características dos produtos arrolados no auto de infração, instaurada a lide sobre a classificação fiscal dos referidos produtos, fezse premente a assistência técnica nos autos, através de laudo pericial, com vistas à escorreita identificação técnica, pressuposto inafastável para possibilitar a classificação fiscal então controversa. Nesse mister, importa demonstrar a seguir a manifestação do perito trazida aos autos, através do Laudo Técnico do Instituto Nacional de Tecnologia INT, fls.514/521, cujos excertos serão a seguir transcritos: · Laudo Técnico de fls. 514/521: Este Instituto solicitou a Electrolux a disponibilização dos equipamentos (...) o Engenheiro Eletrônico, (...) e o Técnico em Ciência e Tecnologia, (...), ambos da Divisão de Engenharia de Avaliações e de Produção, do Instituto Nacional de Tecnologia INT, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação MCTI, realizaram visita técnica na filial da empresa ELECTROLUX DO BRASIL SA (...) para avaliação dos produtos em litígio fabricados pela Consulente, onde se puderam realizar visita à sua linha de montagem, entrevistas técnicas com seu corpo funcional, análise em documentos e registros fotográficos, a fim de obter as informações que pudessem dar base de conhecimento necessária para a respostas aos quesitos elaborados pelo CARF.(grifei). Durante a perícia técnica a Electrolux não apresentou os modelos de aspiradores ASP GT 2200 e ASP GT 3000 PROF relacionados pelo CARF devido à descontinuidade na fabricação desses modelos de aspiradores. 6.A Empresa apresentou para avaliação deste Instituto, um exemplar do aspirador de pó modelo ASP GT 2200 PRO (Fotos Fl. 549DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA 12 1 e 2), de propriedade da empresa SETE Linhas Aéreas, que utiliza este aspirador para limpeza de suas aeronaves. Segundo os técnicos da Empresa este modelo é similar ao modelo ASP GT 2200. O aspirador está identificado pela plaqueta com número de patrimônio 0301 (Foto 3). O aspirador de pó modelo ASP GT 2200 PRO é composto de duas partes principais: uma tampa na cor preta com um motor elétrico incorporado e um recipiente para produto aspirado na cor amarela de formato cilíndrico. Neste recipiente está localizado o orifício onde é acoplada a mangueira de sucção na parte externa e na parte interna do orifício um saco descartável para pó. Na base deste recipiente estão acoplados quatro rodízios que facilitam seu deslocamento. Na tampa existe a saída de um cabo elétrico com plugue convencional para conectar o aparelho na rede elétrica. Entre a tampa e o recipiente é colocado um filtro de pano para proteção do motor elétrico (Foto 02). Este aspirador, segundo o seu Manual do Usuário apresenta as seguintes especificações técnicas: Potência máxima (W): 1200 Peso líquido (kg): 6,0 Dimensões (CxLxA) (mm): 310 x 330 x 340 Tensão (V~): 127 ou 220 Frequência (Hz): 50/60 8. A Empresa também apresentou para avaliação deste Instituto, um aparelho aspirador de pós e líquidos, modelo ASP GT 3000 PRO, (Fotos 4 e 5). Segundo um de seus técnicos, o Supervisor Engenharia de Produto Luciano A. Pinto, este modelo é similar ao especificado no processo ASP GT 3000 PROF, tratandose de uma versão mais atualizada do produto em litígio. O aspirador de pó modelo ASP GT 3000 PRO é composto de duas partes principais: uma tampa na cor preta com um motor elétrico incorporado e um recipiente na cor amarela de formato cilíndrico. Neste recipiente está localizado o orifício onde é acoplada a mangueira de sucção na parte externa e um saco de papel descartável na parte interna. Na base externa deste recipiente estão acoplados quatro rodízios que facilitam seu deslocamento. Na tampa existe a saída de um cabo elétrico com plugue convencional para conectar o aparelho na rede elétrica. Este aspirador segundo o seu Manual do Usuário apresenta as seguintes especificações técnicas: Potência máxima (W): 1300 Vácuo (mBar): 160 Peso líquido (kg) (Sem Acessórios): 6,1 Dimensões (CxLxA) (mm): 355x355x610 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10980.003894/200570 Acórdão n.º 3302003.223 S3C3T2 Fl. 545 13 Tensão (V~): 127 ou 220 Frequência (Hz): 60 Comprimento da Mangueira (m): 1,5 Capacidade de Armazenamento Pó (L): 8 Capacidade de Armazenamento de Liquido (L): 17,5 De forma a fazer uma comparação entre os aparelhos denominados de uso exclusivamente doméstico e os denominados de uso doméstico/profissional, a empresa apresentou juntamente com o aparelho descrito acima, o manual do usuário e a tampa com motor acoplado de outro modelo de aspirador denominado de uso doméstico com recipiente de cor cinza fabricado por ela, o modelo AIO Smart, onde pôdese observar a diferença do sistema de filtragem entre os dois tipos. Segundo o manual do usuário do modelo AIO Smart, este apresenta as seguintes características: Potência máxima (W): 1200 Vácuo (mBar) 160 Peso líquido (kg) (Sem Acessórios): 5,7 Dimensões (CxLxA) (mm): 355 x 355 x 500 Tensão (V~): 127 ou 220 Frequência (Hz): 60 Comprimento da Mangueira (m): 1,5 Capacidade de Armazenamento Pó (L): 3,5 Capacidade de Armazenamento de Liquido (L): 10,5 Pelo observado, os produtos apresentados pelo Fabricante para perícia, denominados para uso exclusivamente doméstico e para uso doméstico/profissional, não apresentam, segundo os manuais, diferenças físicas aparentes entre si, tais como, dimensão, peso, capacidade de armazenamento e potência, que determinassem seu modo de aplicação, pois ambos são projetados para terem funcionalidade tanto dentro de residências no âmbito doméstico como em determinados tipos de ambientes corporativos e/ou fabris onde seu uso não atinja condições que extrapolem sua capacidade funcionamento, como por exemplo, em escritórios, onde esses aspiradores são utilizados por empresas de limpeza por conta de sua portabilidade e custo benefício. O que se pôde definir como diferencial, pelas informações obtidas com os técnicos do Fabricante durante a perícia nos aspiradores denominados para uso doméstico/profissional, é a Fl. 551DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA 14 utilização de filtros permanentes de melhor qualidade que proporcionam ao motor uma maior proteção contra poeiras, aumentando assim sua vida útil para aplicações que demandem uma utilização mais intensa como em ambientes corporativos. Segundo os técnicos do Fabricante um aspirador denominado de uso exclusivamente doméstico utiliza para proteção do motor apenas um filtro de espuma, próprio para utilização menos intensa em ambientes domésticos, que não sobrepõem ao uso intensivo como demandam ambientes corporativos. Este sistema de proteção para aspiradores de uso doméstico é composto por três peças: uma gaiola plástica de formato cilíndrico (Foto 6), um filtro (Foto 7) e uma boia de nível (Foto 8). Esta boia de nível é encaixada no interior da gaiola com a função de cessar a sucção quando o reservatório atinge seu nível máximo de líquido. A Foto 9 mostra a montagem final do sistema de proteção para uso doméstico Já o sistema de proteção para aspiradores de uso não doméstico é composto por cinco peças: uma gaiola plástica de formato cilíndrico (Foto 10), um filtro não descartável de material Polipropileno (Foto 11), uma bóia de nível, uma tampa e um saco de pano (Foto 12). Esta gaiola plástica diferentemente da de uso doméstico apresenta dois orifícios de encaixe onde é acoplada a tampa que sustenta o filtro Polipropileno (Fotos 13 e 14), além da bóia de nível para cessar a sucção quando o reservatório atinge seu nível máximo de líquido. Por fim, a Foto 15 apresenta a montagem final do sistema de proteção para uso corporativo. (...) A Empresa não apresentou os modelos dos produtos em litígios por serem equipamentos descontinuados devido à mudança tecnológica e/ou melhorias nos processos industriais e materiais, design, etc. Por essa razão a Perícia não pôde ser executada nos modelos ASP GT 2200 e ASP GT 3000 PROF, como já foi descrito acima. Foram efetuadas perícias em equipamentos semelhantes, já que a Empresa não apresentou manuais e projetos dos modelos citados no litígio. Analisando os modelos similares, pôdese observar que em termos estruturais e de materiais aplicados ao produto não há diferenciação significativa entre os dois tipos. Notase a diferença entre eles na cor amarela utilizada nos aspiradores denominados de uso doméstico/profissional que facilita a visualização em ambientes diversos, domésticos ou corporativos de maiores áreas, tais como, escritórios, hospitais, lojas, etc. A cor cinza é utilizada nos aspiradores denominados de uso exclusivamente doméstico. 17.Outra diferença encontrada nos produtos analisados foi no sistema de proteção adicional ao motor para os denominados de uso doméstico/profissional, que significa uma vida útil maior ao motor em condições de uso que sobrepõem ao de uso doméstico. Este sistema de proteção não impede a sua utilização também em uso exclusivamente doméstico. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10980.003894/200570 Acórdão n.º 3302003.223 S3C3T2 Fl. 546 15 18.Concluise que estes produtos podem ser utilizados tanto em uso doméstico ou em locais comerciais ou fabris de pequeno e médio porte, desde que não extrapolem sua capacidade de funcionamento. 19.Com base nas definições dos parágrafos anteriores, no estudo prévio, na documentação técnica disponibilizada e na visita técnica, este Instituto vem responder os quesitos acima elencados conforme relatado abaixo: Quesito 1) Identificar perfeitamente se os modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF são de uso doméstico ou não. Resposta: A Perícia não pôde ser executada nos produtos em litígios por serem equipamentos descontinuados. Por essa razão, como já foi descrito acima, foi efetuada uma perícia em equipamentos semelhantes (modelo ASP GT 2200 PRO, modelo ASP GT 3000 PRO e modelo AIO Smart). Segundo os técnicos da Empresa a utilização de recipientes na cor amarela e filtros permanentes diferenciados definem os aspiradores para uso em ambientes não domésticos. No modelo ASP GT 2200 PRO foi detectado a presença de um filtro permanente, porém não havia outro exemplar com características semelhantes denominados de uso exclusivamente domésticos para que pudessem ser comparadas a ele. Foi detectada somente a cor amarela do recipiente e uma plaqueta de patrimônio identificandoo como sendo de propriedade de uma empresa de linhas aéreas. Para o modelo ASP GT 3000 PRO pôdese observar ao comparálo com o modelo AIO Smart, denominado de uso exclusivamente doméstico, diferenças em relação à cor e o sistema de proteção do motor. Esta utilização da cor amarela facilita a visualização em ambientes de maiores áreas ou corporativos, tais como, escritórios, hospitais, lojas, etc. Outra diferença apresentada que pode caracterizar o aspirador ASP GT 3000 PRO denominado de uso não doméstico é a utilização de um sistema de proteção do motor diferenciado do de uso exclusivamente doméstico AIO Smart composto apenas por uma espuma. Este sistema formado por filtros permanentes dão ao motor maior nível de proteção contra poeiras, resultando em uma vida útil maior em condições de uso que sobrepõem ao uso doméstico, não impedindo a sua utilização também em uso exclusivamente doméstico. Neste sentido, este Instituto entende que estes produtos podem ser utilizados tanto em uso doméstico como em locais comerciais ou fabris de pequeno e médio porte, desde que não extrapolem sua capacidade de funcionamento Quesito 2) Os modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF se tratam de aspirador de pó com motor elétrico incorporado (1.000W), com recipiente para produtos aspirados com capacidade para 25 litros, pesando 11kg, modelo 225WF, com dimensões de 630mm de altura, 360mm de largura e 460mm de comprimento? Fl. 553DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA 16 Resposta: A Perícia não pôde ser executada nos produtos em litígio por serem equipamentos descontinuados. Por essa razão, como já foi descrito acima, foi efetuada uma perícia em equipamentos semelhantes. O modelo ASP GT 2200 PRO disponibilizado apresenta as seguintes características: aspirador de pó com motor elétrico incorporado com 1200W, com recipiente para um saco descartável para pó com capacidade de até 10 litros, peso líquido de 6kg e com dimensões de 340mm de altura, 330mm de largura e 310mm de comprimento. O modelo ASP GT 3300 PRO disponibilizado apresenta as seguintes características: aspirador de pó com motor elétrico incorporado com 1400W, com recipiente para um saco de capacidade para 8 litros de pó e 17,5 litros para líquidos, peso líquido de 6,1 kg e com dimensões de 610m de altura, 355mm de largura e 355mm de comprimento. As características dos modelos apresentados não equivalem as descritas no questionamento, tais como, aspirador de pó com motor elétrico incorporado (1.000W), com recipiente para produtos aspirados com capacidade para 25 litros, pesando11kg, modelo 225WF, com dimensões de 630mm de altura, 360mm de largura e 460mm de comprimento. Estando o produto tecnicamente identificado, fazse mister a análise de sua classificação fiscal. Da Classificação Fiscal da Mercadoria O Brasil, como Parte Contratante da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de mercadorias aplica no processo classificatório de uma mercadoria/produto as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e, subsidiariamente, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (NESH). Com efeito, o Brasil como EstadoParte do Mercosul, adota a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que tem por base o Sistema Harmonizado (SH). Nesse sentido, o Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002, vigente à época dos fatos aprova a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI que tem por base a Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) constante do Decreto nº 2.376, de 12 de novembro de 1997, com alterações posteriores. A NCM constitui a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias baseada no Sistema Harmonizado (NBM/SH) para todos os efeitos previstos no art. 2º do DecretoLei nº 1.154, de 1º de março de 1971. Assim, conforme o artigo 16 do Decreto nº 4544, de 2002, a classificação de um determinado produto na NCM através da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, regese pelas as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto, ex vi do art. 3º do Decretolei nº 1.154, de 1º de março de 1971. Dispõe ainda o referido decreto em seu art. 17, que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), do Conselho Fl. 554DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10980.003894/200570 Acórdão n.º 3302003.223 S3C3T2 Fl. 547 17 de Cooperação Aduaneira na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, e suas alterações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal, constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem assim das Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. A NCM/SH, retromencionada, é desdobrada em seções, capítulos, subcapítulos, posições, subposições, itens e subitens, porém, determina a RGI 1 que os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo, enquanto que para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Prescreve a 1ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (RGI 1): “Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes:” (grifei). As Regras Gerais Complementares (RGC) assim dispõem: 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. A RGC1 é a regra regional, criada na NCM/SH para determinar a classificação de uma mercadoria no item e, dentro deste, no subitem correspondente. Com efeito, a classificação fiscal de uma mercadoria pressupõe a perfeita identificação e esta encontra amparo no universo da Merceologia que, segundo a 3abalizada doutrina sobre o assunto, tratase do estudo técnico e econômico de todas as problemáticas afetas ao projeto, produção, comercialização, uso e pósuso das mercadorias, sejam elas tangíveis ou não. Conforme relatado, a lide prendese à divergência quanto à classificação fiscal aplicável ao produto aspirador de pó, modelos ASP GT 2000, ASP GT 2000 PROF, ASP GT 2200 e ASP GT 3000 PROF, nos seguintes termos: 1 (NCM 8509.10.00) – adotada pelo fiscal no auto de infração, em síntese, com o seguinte fundamento: A Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DIANA n°180, decidiu pela classificação no Código TIPI 8509.10.00, com alíquota prevista para o período de 10%. 3 Dalston, Cesar Olivier, Classificando mercadorias: Uma Abordagem Didática da Ciência da Classificação de Mercadorias São Paulo, Lex Editora Aduaneiras, 2005, pág.53/56 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA 18 O contribuinte, até maio de 2002, vinha classificando o produto no código 8479.89.99, com alíquota prevista de 5%, passando a adotar a classificação indicada na consulta. Indica a fiscalização as características comparativas dos modelos objeto da presente autuação com o produto amparado pela referida solução de consulta. 2 (NCM 8479.89.99) – adotada pelo contribuinte, em síntese, com o seguinte argumento recursal: ...o volume do recipiente é casuístico, (...) não consta de forma expressa do texto dos códigos NCM, tampouco da Notas Explicativas e das Considerações Gerais de Alcance e Estrutura dos capítulos 84 e 85 da TIPI e da NCM, que, em nenhum momento vinculam a classificação dos aparelhos como sendo de uso doméstico ou não ao volume de seu recipiente, mas sim estabelecem como critério diferenciador serem ou não"empregados normalmente em uso doméstico"(grifei). o Laudo Técnico apontou que os aspiradores analisados extrapolam, definitivamente, o uso doméstico, já que são identificados com a cor amarela, que facilita a visualização em ambientes de maiores áreas ou corporativos se os produtos extrapolam as necessidades de uso doméstico, não são classificáveis na posição 8509.10.00, mas sim na posição 8479.89.99, (...), ainda que tais produtos apresentem algumas características semelhantes às dos produtos destinados a uso doméstico. Esta ressalva, inclusive, consta de maneira expressa nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, conforme se depreende pela leitura da seção XVI, 8509(..) Ao dar início à análise da classificação fiscal fazse mister rememorar a identificação do produto trazida aos autos, notadamente através do lauto técnico já identificado, sendo importante destacar as principais conclusões do referido laudo: 1 não há diferenciação significativa entre os dois tipos, a diferença entre eles reside: 1.1 na padronização de cores: i) cor amarela utilizada nos aspiradores denominados de uso doméstico/profissional que facilita a visualização em ambientes diversos, domésticos ou corporativos de maiores áreas, tais como, escritórios, hospitais, lojas, etc; ii) cor cinza utilizada nos aspiradores denominados de uso exclusivamente doméstico. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10980.003894/200570 Acórdão n.º 3302003.223 S3C3T2 Fl. 548 19 1.2. no sistema de proteção adicional ao motor: i) filtro de espuma próprio para utilização menos intensa em ambientes domésticos, que não sobrepõem ao uso intensivo como demandam ambientes corporativos ii) filtro não descartável de material Polipropileno para os denominados de uso doméstico/profissional, que significa uma vida útil maior ao motor em condições de uso que sobrepõem ao de uso doméstico. 2 os produtos podem ser utilizados tanto em uso doméstico ou em locais comerciais ou fabris de pequeno e médio porte, desde que não extrapolem sua capacidade de funcionamento. Estando os códigos NCM suscitados em diferentes capítulos, cabe a análise das referidas NCM à luz das Regras Gerais de Interpretação (RGI) e subsidiariamente das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), na versão lusobrasileira, aprovada pelo Decreto nº 435, de 1992 e alterações posteriores, editada através da IN SRF nº 157, de 10/05/2002, vigentes à época dos fatos para o produto agora identificado nos autos, visto que a Recorrente se apóia em seu fundamento na interpretação conferida pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, seção XVI, 8509. Por oportuno, é importante ressaltar que os agrupamentos de mercadorias no Sistema Harmonizado são feitos conforme os interesses do comércio internacional, principalmente em decorrência do valor comercializado mundialmente, assim nem sempre a identificação comercial de um produto encontra semelhante identificação para fins de classificação no referido sistema, visto que a classificação decorre da aplicação das Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), como já destacado. Cabe ainda destacar, que para a identificação do capítulo e da posição são usadas as notas de seção e de capítulo, estas, por terem a mesma hierarquia, não se contradizem, mas se completam. Quanto ao conteúdo das notas estas podem ser conceituais, exemplificativas, limitativas, excludentes e mistas. Para identificar a subposição utilizamse as notas de subposição. Antes porém de iniciarmos a análise classificatória fazse mister uma breve abordagem sobre as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, visto que a Recorrente se reporta expressamente à NESH da posição 8509. Considerações sobre as NESH As NESH foram introduzidas no ordenamento jurídico brasileiro através do Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992 e sofrem constantes atualizações, conforme já prevê o art. 2º do referido ato. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA 20 Com efeito observase que o escopo orientador das NESH situase no campo da subsidiariedade, visando elucidar certos termos e expressões nos textos das posições, subposições e Notas do Sistema Harmonizado de natureza eminentemente tecnológica em face dos avanços rápidos e substanciais em muitos objetos merceológicos. Todavia, pelo seu caráter fundamental atribuído pelo decreto, conforme parágrafo único do 4art. 1º, na orientação que confere ao classificador a fonte primeira de interpretação acerca do objeto merceológigo perquirido, o seu alcance é apenas subsidiário e não exaustivo, visto que do ponto de vista legal a classificação é obtida pela aplicação das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI). Analisase portanto a seguir os códigos atribuídos pela Recorrente e pela Fiscalização, nessa ordem em virtude da posição dos capítulos na TIPI. NCM 8479.89.99 Iniciase com a análise das Notas de Seção e de Capítulo: SEÇÃO XVI MÁQUINAS E APARELHOS, MATERIAL ELÉTRICO, E SUAS PARTES;APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM, APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE IMAGENS E DE SOMEM TELEVISÃO, E SUAS PARTES E ACESSÓRIOS Notas 5. Para a aplicação destas Notas, a denominação máquina compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 ou 85. CAPÍTULO 84 REATORES NUCLEARES, CALDEIRAS, MÁQUINAS, APARELHOS E INSTRUMENTOS MECÂNICOS, E SUAS PARTES Notas 7. Salvo disposições em contrário, e ressalvadas as prescrições da Nota 2 acima, bem como as da Nota 3 da Seção XVI, as máquinas com utilizações múltiplas classificamse na posição correspondente à sua utilização principal. Não existindo tal posição, ou na impossibilidade de se determinar a sua utilização principal, tais máquinas classificamse na posição 84.79. A posição 84.79 compreende ainda as máquinas para fabricar cordas ou cabos (por exemplo: torcedeiras, retorcedeiras, máquinas para fazer cabo), de qualquer matéria. NESH DA SEÇÃO XVI 4 Parágrafo único. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10980.003894/200570 Acórdão n.º 3302003.223 S3C3T2 Fl. 549 21 CONSIDERAÇÕES GERAIS A ALCANCE GERAL DO CAPÍTULO De forma geral, o Capítulo 84 abrange as máquinas e aparelhos mecânicos. Todavia, algumas máquinas são indicadas nominalmente no Capítulo 85, especialmente as ferramentas eletromecânicas de uso manual, os aparelhos eletromecânicos de uso doméstico, etc.(...)(grifei). ESTRUTURA DO CAPÍTULO 4) Na posição 84.79 classificamse as máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos que não se incluam nas posições precedentes DESDOBRAMENTOS DA POSIÇÃO 8479 na TIPI 84.79 MÁQUINAS E APARELHOS MECÂNICOS COM FUNÇÃO PRÓPRIA, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES DESTE CAPÍTULO 8479.89 Outros 8479.89.1 Prensas; distribuidores e doseadores de sólidos ou de líquidos 8479.89.2 Máquinas e aparelhos para cestaria ou espartaria; máquinas e aparelhos para fabricação de pincéis, brochas e escovas 8479.89.3 Limpadores de párabrisas elétricos e acumuladores hidráulicos, para aeronaves 8479.89.40 Silos metálicos para cereais, fixos (não transportáveis), incluídas as baterias, com mecanismos elevadores ou extratores incorporados 8479.89.9 Outros 8479.89.91 Aparelhos para limpar peças por ultrasom 8479.89.92 Máquinas de leme para embarcações 8479.89.99 Outros NESH da posição 8479 A presente posição engloba as máquinas e aparelhos mecânicos com função própria(...). Fl. 559DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA 22 Para aplicação das disposições precedentes, considerase como função própria: A) Os dispositivos mecânicos que comportem ou não motores ou máquina motrizes, cuja função pode ser exercida de maneira distinta e independente de qualquer outra máquina, aparelho ou instrumento. Exemplo: A umidificação desumidificação do ar (....) B) Os dispositivos mecânicos que só podem funcionar montados numa outra máquina, aparelho ou instrumento, ou se incorporados a um conjunto mais complexo, desde que, contudo, a sua função: 1º seja distinta da função da máquina, aparelho ou instrumento em que devam ser montados ou da função do conjunto em que devem ser incorporados, e 2º que esta função não faça parte integrante e indissociável do funcionamento desta máquina, aparelho, instrumento ou conjunto. Observandose a estrutura da TIPI, especialmente com vistas à Posição 8479, que tem o desdobramento acima demonstrado, vêse por aplicação direta da RGI 1ª que estão compreendidos na posição 8479 as máquinas e aparelhos mecânicos com função própria, estabelecendo as notas da posição a interpretação e abrangência quanto às máquinas e aparelhos mecânicos com função própria. Assim, pela identificação do produto e respectivos modelos constatase que não se tratam de aparelhos mecânicos com função própria, nos termos da nomenclatura, logo resta a análise da outra classificação suscitada nos autos. NCM 8509.10.00 Iniciase com a análise das Notas de Capítulo: CAPÍTULO 85 MÁQUINAS, APARELHOS E MATERIAIS ELÉTRICOS, E SUAS PARTES;APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM,APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE IMAGENS E DE SOM EM TELEVISÃO,E SUAS PARTES E ACESSÓRIOS Notas 3. A posição 85.09 compreende, desde que se trate de aparelhos eletromecânicos dos tipos empregados normalmente em uso doméstico: a) os aspiradores de pó, incluídos os aspiradores de matérias secas e de matérias líquidas, as enceradeiras de pisos (pavimentos), os moedores (trituradores) e misturadores de alimentos e os espremedores de frutas ou de produtos hortícolas, de qualquer peso; (..) Fl. 560DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10980.003894/200570 Acórdão n.º 3302003.223 S3C3T2 Fl. 550 23 Da análise das Notas de Capítulo acima transcritas, constatase que não há exclusões quanto ao produto no capítulo 85, passandose então a análise com relação ao desdobramento da posição 8509: 85.09 APARELHOS ELETROMECÂNICOS DE MOTOR ELÉTRICO INCORPORADO, DE USO DOMÉSTICO 8509.10.00 Aspiradores de pó, incluídos os aspiradores de matérias secas e de matérias líquidas NESH do Capitulo 85 Por “aparelhos eletromecânicos” na acepção desta posição, entendemse unicamente os aparelhos com motor elétrico incorporado. A expressão de “uso doméstico” designa os aparelhos dos tipos normalmente utilizados em trabalhos domésticos. Estes aparelhos são reconhecíveis, conforme o tipo, através de uma ou várias características, tais como: aspecto geral, design, potência, capacidade, volume. Estas características devem ser consideradas tendo em vista o fato de que a importância da função exercida pelos aparelhos em causa não deve ultrapassar o necessário para satisfazer as necessidades ou exigências dos trabalhos domésticos. Ressalvadas as exclusões e, (...) Não se classificam, portanto, aqui os aparelhos de uso doméstico que, por meio, por exemplo, de uma correia de transmissão ou de uma árvore (veio) flexível, recebam a força motriz de um motor elétrico separado, nem os aparelhos de motor elétrico incorporado concebidos para usos exclusivamente industriais, mesmo que sejam de concepção e tenham funções semelhantes às dos aparelhos de uso doméstico (aparelhos utilizados nas indústrias alimentares, ou pelas empresas de limpeza, por exemplo); estes aparelhos classificamse, conforme sua natureza, especialmente no Capítulo 84 e, para os da primeira categoria, na posição 82.10.(grifei) NESH da POSIÇÃO 8509 3.A posição 85.09 compreende, desde que se trate de aparelhos eletromecânicos dos tipos empregados normalmente em uso doméstico: a) os aspiradores de pó, incluídos os aspiradores de matérias secas e de matérias líquidas, as enceradeiras de pisos (pavimentos), os moedores (trituradores) e misturadores de alimentos e os espremedores de frutas ou de produtos hortícolas, de qualquer peso; Fl. 561DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA 24 Da estrutura cima demonstrada, constatase da exegese conferida pela NESH da posição 8509, cujo valor para a classificação é de orientar a interpretação e não classificar, já que esta é feita através das RGI: 1) que há uma regra de abrangência condicionada, conforme interpretação contextual, no sentido de que os aparelhos eletromecânicos, compreendem somente aqueles com motor elétrico incorporado; 2) há uma definição quanto à expressão de “uso doméstico” que designa os aparelhos dos tipos normalmente utilizados em trabalhos domésticos reconhecíveis, conforme o tipo, através de uma ou várias características, tais como: aspecto geral, design, potência, capacidade, volume, que atendam a seguinte condição: · Condição desde que a função exercida pelos aparelhos em causa (aparelhos eletromecânicos, com motor elétrico incorporado de "uso doméstico” ) não ultrapasse o necessário para satisfazer as necessidades ou exigências dos trabalhos domésticos. 3) que há duas regras de exclusão, ou seja, não se classificam nesta posição: i) os aparelhos de uso doméstico que, por meio, por exemplo, de uma correia de transmissão ou de uma árvore (veio) flexível, recebam a força motriz de um motor elétrico separado; ii) os aparelhos de motor elétrico incorporado concebidos para usos exclusivamente industriais, mesmo que sejam de concepção e tenham funções semelhantes às dos aparelhos de uso doméstico. Pela diretriz interpretativa da NESH do Capítulo 85, inferese que a expressão "uso doméstico" não quer dizer exclusivamente, já que não há uma limitação/restrição expressa quanto ao referido uso doméstico, uma vez que os aparelhos são enquadráveis pelo conjunto de suas características técnicas, de modo que aparelhos com tais características podem ser utilizados em usos não domésticos, fato que não os exclui da referida posição, diferentemente da regra de exclusão quanto aos aparelhos eletromecânicos, ainda que possuam motor elétrico incorporado concebidos para usos exclusivamente industriais. A palavra "concebidos", no caso, em face da exegese acima destacada quer dizer que tenham características técnicas que fogem ao padrão das características técnicas dos aparelhos com motor elétrico incorporado dos tipos normalmente utilizados em trabalhos domésticos, reconhecíveis pelo tipo, através de uma ou várias características, tais como: aspecto geral, design, potência, capacidade, volume. Da análise acima depreendese que os aspiradores de pó com motor elétrico incorporado dos tipos normalmente utilizados em trabalhos domésticos, cujas características sejam reconhecíveis, conforme o tipo, aspecto geral, design, potência, capacidade, volume , cuja função exercida não ultrapasse o necessário para satisfazer as necessidades ou exigências dos trabalhos domésticos são classificados na posição 8509. Concluise portanto do conjunto probatório dos autos (características atribuídas pela Recorrente aos modelos objeto da autuação e o laudo técnico produzido pelo INT quanto aos produtos similares) que os produtos objeto da presente lide, aspiradores de pó, modelos: ASP GT 2000, ASP GT 2000 PROF, ASP GT 2200 e ASP GT 3000 PROF se classificam na posição 8509, visto que são reconhecidos pelo conjunto das características Fl. 562DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA Processo nº 10980.003894/200570 Acórdão n.º 3302003.223 S3C3T2 Fl. 551 25 técnicas apresentadas como dos tipos normalmente utilizados em trabalhos domésticos cuja função exercida não ultrapassa o necessário para satisfazer as necessidades ou exigências dos trabalhos domésticos. A conclusão acima é corroborada pelo Laudo Técnico do INT, fls. 514/521, quando destaca que não há diferenciação significativa entre os dois tipos, logo estrutural e funcionalmente se equivalem, bem como quando conclui que [os produtos podem ser utilizados tanto em uso doméstico ou em locais comerciais ou fabris de pequeno e médio porte, desde que não extrapolem sua capacidade de funcionamento.] podendose inferir que o diferencial encontrado no Laudo Técnico do INT, fls. 514/521, quando da análise dos produtos similares em relação à diferença de filtros ( filtro de espuma próprio para utilização em ambientes domésticos e filtro Polipropileno para os denominados de uso doméstico/profissional) não os torna exclusivamente industriais, condição que os excluiria da posição. Assim pelas características dos produtos como acima ressaltado, analisadas à luz da interpretação das Notas Explicativas, com base na aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) 1ª, nas disposições da Nota 3 a) do Capítulo 85, verificase que os aspiradores de pó, modelos: ASP GT 2000, ASP GT 2000 PROF, ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF se enquadram realmente no Capítulo 85, precisamente na Posição 8509, e, no âmbito desta, classificamse no código 8509.10.00 e não no código 8479.89.99 como suscitado na defesa. Pareceres de Classificação da OMA Decidida a questão em litígio à luz das Regras Gerais para Interpretação (RGI) com aplicação subsidiária da Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, vigentes à época dos fatos, a título ilustrativo sobre a matéria, destacase que a Instrução Normativa RFB nº 1.459, de 28 de março de 2014, DOU de 02/04/2014, seção 1, pág. 36, aprovou na forma de Coletânea a tradução para a língua portuguesa dos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado, da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), atualizados até dezembro de 2013, que serão adotados como elemento subsidiário fundamental para a classificação de mercadorias com características similares às neles contidas, conforme o art. 2º do referido ato, com relação ao seguinte código: "8508.19 1. Aspirador para matérias secas e líquidas com motor elétrico incorporado, montado sobre suportes giratórios e destinado a uso industrial e comercial (hotéis, restaurantes, lojas, escritórios, prédios industriais, oficinas, etc.) com as seguintes características técnicas: potência máxima do motor: 1.500 W; conexão elétrica: 230 V 50 Hz; fluxo de ar: 3.600 l/min; pressão de sucção: 23.000 Pa; capacidade do tanque: 3850 litros; peso: 1112 kg; dimensões: 445 x 450 x 505 mm. O aparelho é apresentado com certos acessórios padrão mas pode ser também equipado com outros (opcionais) acessórios; destinase a aspirar matéria seca (poeira e outras matérias maiores tais como desperdícios de papel, lascas de madeira, folhas, desperdícios de vidros ou outros minerais, lama, desperdícios de plásticos, etc.) e líquidos." Fl. 563DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA 26 Constatase que a interpretação oficial do Comitê do Sistema Harmonizado quanto à classificação fiscal do produto "aspirador para matérias secas e líquidas com motor elétrico incorporado, montado sobre suportes giratórios e destinado a uso industrial e comercial" com as características técnicas especificadas tem como pressuposto a utilização merceológica que justifique sua inserção na Nomenclatura no referido código, analogamente considerado por suas características e funcionalidades. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 564DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 01/06/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO P AULO ROSA
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Numero do processo: 11516.722925/2012-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
Na perda de um dos requisitos, como a suspensão da aposentadoria por invalidez do contribuinte, em função da falta de comprovação de que se encontrava acometido da enfermidade que determinou sua incapacidade para o trabalho, a isenção não pode ser reconhecida.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESCONTO SIMPLIFICADO.
Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, admitindo-se o desconto simplificado no cálculo do imposto devido.
Numero da decisão: 2202-003.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à tributação do 13º salário, por preclusão; na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso, para aplicar o desconto simplificado de 20% sobre os rendimentos tributáveis, limitado ao teto legal, em relação aos anos-calendário de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). Na perda de um dos requisitos, como a suspensão da aposentadoria por invalidez do contribuinte, em função da falta de comprovação de que se encontrava acometido da enfermidade que determinou sua incapacidade para o trabalho, a isenção não pode ser reconhecida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESCONTO SIMPLIFICADO. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, admitindo-se o desconto simplificado no cálculo do imposto devido.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). Na perda de um dos requisitos, como a suspensão da aposentadoria por invalidez do contribuinte, em função da falta de comprovação de que se encontrava acometido da enfermidade que determinou sua incapacidade para o trabalho, a isenção não pode ser reconhecida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESCONTO SIMPLIFICADO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 29 25 /2 01 2- 63 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722925/201263 Acórdão n.º 2202003.421 S2C2T2 Fl. 477 2 Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, admitindose o desconto simplificado no cálculo do imposto devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à tributação do 13º salário, por preclusão; na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso, para aplicar o desconto simplificado de 20% sobre os rendimentos tributáveis, limitado ao teto legal, em relação aos anoscalendário de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1 que bem descreveu os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 289/305 relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2007 a 2011, respectivamente exercícios 2008 a 2012, que lhe exige um crédito tributário de R$ 26.369,38. O interessado tomou ciência do Auto de Infração em 08/11/2012, conforme fl. AR de fl. 313. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 290 a 305) foram apuradas as seguintes infrações: OMISSÃO DE RENDIMENTOS Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2007 R$ 29.662,97 75,00 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722925/201263 Acórdão n.º 2202003.421 S2C2T2 Fl. 478 3 31/12/2008 R$ 34.262,41 75,00 31/12/2009 R$ 35.657,59 75,00 31/12/2011 R$ 43.305,50 75,00 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/012007 e 31/12/2007: Arts. 37, 38, 43, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX , 56 e 83 do RIR/99 Art. 1º inciso I e parágrafo único da Medida Provisória nº 340/06 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 e 31/12/2008: Arts. 37, 38, 43, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX , 56 e 83 do RIR/99 Art. 1º inciso II e parágrafo único da Lei nº 11.482/07, de 31 de maio de 2007. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 a 31/12/2009: Arts. 37, 38, 43, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX , 56 e 83 do RIR/99 Art. 1º inciso III e parágrafo único da Lei nº 11.482/07, com a redação dada pela Lei nº 11.945/09. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 a 31/12/2011: Arts. 37, 38, 43, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX , 56 e 83 do RIR/99 Art. 1º inciso V e parágrafo único da Lei nº 11.482/07, incluído pela Lei nº 12.469/11. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF. RENDIMENTOS INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO ISENTOS POR MOLÉSTIA GRAVE, ACIDENTE EM SERVIÇO OU MOLÉSTIA PROFISSIONAL. Fato Gerador Valor tributável Multa (%) 31/12/2010 R$ 39.385,90 75,00 Enquadramento Legal: Arts. 37, 38, 39, incisos XXXI e XXXIII , 43, 45, 56 e 83 do RIR/99 Art. 1º inciso IV e parágrafo único da Lei nº 11.482/07, com a redação dada pela Lei nº 11.945/09. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722925/201263 Acórdão n.º 2202003.421 S2C2T2 Fl. 479 4 Conforme constou no item Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o auditor responsável pela autuação informa que o IPREV Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina encaminhou à Receita Federal cópia dos processos nos quais determinouse a imediata suspensão do benefício previdenciário do contribuinte Policarpo Netto Souza e a remessa dos autos à ALESC para revisão do ato de aposentadoria e conseqüente cassação do mesmo. Tal fato implica em perda do direito à isenção do imposto de renda por moléstia grave, a que o contribuinte vinha fazendo jus. Tendo em vista que nos anoscalendário 2007 a 2009 e 2011 o contribuinte não apresentou DIRPF, foram considerados como omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, os totais dos rendimentos de aposentadoria da ALESC nestes anoscalendário, deduzidos das parcelas anuais de isenção relativas à sua idade (maior de 65 anos). Quanto ao anocalendário 2010, tendo em vista que o contribuinte apresentou sua declaração de ajuste anual, em que informou os rendimentos auferidos junto à ALESC como rendimentos isentos, houve a reclassificação dos rendimentos no presente auto de infração para rendimentos tributáveis. Em 30/11/2013, o contribuinte apresentou impugnação ao referido lançamento, juntada às fls. 315 a 343, alegando em síntese que: • O IPREV Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina instaurou procedimento administrativo visando investigar a regularidade de diversas aposentadorias por invalidez concedidas no âmbito da ALESC. • Não obstante a incompetência do IPREV para proceder tal investigação, o requerente teria garantido seu direito à aposentadoria por meio do Mandado de Segurança nº 2012.0429018. • Assim, em virtude de decisão judicial seguiria sendo beneficiário da aposentadoria por invalidez e, por esta razão, perduraria a isenção em relação ao Imposto de Renda, relativa à remuneração que recebe do Estado de Santa Catarina. • Alega que o IPREV não seria órgão competente para efetuar a revisão de aposentadoria por invalidez; • Acrescenta que teria havido inúmeras irregularidades na perícia médica a que foi submetido, tais como quanto ao número de componentes da junta médica, quanto aos profissionais que assinam o laudo pericial, da lotação destes profissionais, do fato de ter sido arbitrariamente desconsiderada a documentação apresentada quando da concessão da aposentadoria. • Informa ainda que não teria existido o devido processo legal para apuração da cassação do benefício fiscal; Fl. 479DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722925/201263 Acórdão n.º 2202003.421 S2C2T2 Fl. 480 5 • Aduz que teria havido decadência quanto ao ato administrativo de concessão do benefício da aposentadoria. • Alega ainda que presumiriamse legítimos os atos administrativos, até que houvesse prova em contrário, e assim continuaria em vigor a prerrogativa de legitimidade e veracidade do ato que decidiu pela concessão da aposentadoria. • Acrescenta que não haveria necessidade de comprovação dos sintomas da doença para a continuidade do benefício fiscal. A DRJ/SP1 julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF. Tendo em vista a suspensão da aposentadoria por invalidez do contribuinte, em função da falta de comprovação que se encontrava acometido da enfermidade que determinou sua incapacidade para o trabalho, não é possível restabelecer a isenção do imposto de renda por moléstia grave, muito embora tenha conseguido manter seu benefício por meio de liminar em mandado de segurança, sem que tenha havido decisão definitiva. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Cientificado dessa decisão em 17/10/2013, por via postal (A.R. de fl. 433), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 14/11/2013 (fls. 435 a 472), alegando o seguinte, em resumo: nulidade do auto de infração em virtude do cerceamento do direito de defesa, pois a infração não está descrita corretamente e foi baseada em prova emprestada; foi aposentado por invalidez em 1982, sendo diagnosticado na época como portador de cardiopatia grave CID 583.2/2, estando definitivamente incapacitado para o trabalho, conforme laudo da junta médica designada pela ALESC; o laudo médico emitido há mais de 30 anos não foi anulado e continua em vigor, assim caberia à Fiscalização investigar e estabelecer o elo entre as provas produzidas no processo de revisão de aposentadoria com aquelas exigidas pela legislação tributária; o auto de infração é nulo por afrontar diretamente o art. 142 do CTN, pois a Fiscalização não verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes; Fl. 480DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722925/201263 Acórdão n.º 2202003.421 S2C2T2 Fl. 481 6 a perícia médica do IPREVSC limitouse a examinar a documentação relativa à aposentadoria do Recorrente, não realizando nenhum novo exame, cumprindo apenas procedimentos administrativos burocráticos; a decisão do IPREVSC foi suspensa por decisão judicial liminar; o laudo inicial não foi contestado e o máximo que se poderia concluir é que o Recorrente encontrase apto para o trabalho a partir de agosto de 2011 e não nos anos de 2007 a 2010; além de estar aposentado por invalidez está acometido de neoplasia maligna (CID 16 E C41.2), a partir de 06/08/2010, conforme perícia médica do IPREVSC, sendo considerado isento para fins de imposto de renda; a apuração da base de cálculo foi indevidamente majorada. Embora essa questão não tenha sido levantada na impugnação, tratase de matéria de ordem pública; a Fiscalização baseouse em informativo anual de rendimentos fornecido pela fonte pagadora ALESC que não se preocupou em separar os rendimentos mês a mês, nem excluiu a parcela do 13º salário, a qual se não fosse isenta, seria tributada exclusivamente na fonte, sob responsabilidade da fonte pagadora; a base de cálculo utilizada pela Fiscalização englobou indevidamente o 13º salário, que não é responsabilidade do Recorrente, mas sim da fonte pagadora; além da tributação indevida, a Fiscalização deixou de considerar no cálculo o desconto padrão a que o Contribuinte teria direito; caso a isenção não seja considerada, deverá o julgamento ser convertido em diligência para que a autoridade fiscal recalcule o valor exigido, com base nos argumentos acima. Ao final, requer, sucessivamente, a nulidade do auto de infração, o cancelamento integral do lançamento e a conversão em diligência para exclusão do 13º salário e do desconto padrão. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminares O Recorrente pugna pela nulidade do auto de infração em virtude de cerceamento do direito de defesa, pois a infração não está descrita corretamente e foi baseada Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722925/201263 Acórdão n.º 2202003.421 S2C2T2 Fl. 482 7 em prova emprestada. Alega ainda afronta ao art. 142 do CTN por erro na identificação da matéria tributável. Não lhe assiste razão, pois se encontram preenchidos os preceitos estabelecidos no artigo 142 do CTN, assim como não se identificou violação das disposições contidas nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF). CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como foi Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722925/201263 Acórdão n.º 2202003.421 S2C2T2 Fl. 483 8 especificado o conteúdo da autuação na descrição dos fatos. Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais. Também não ocorreu cerceamento de defesa, pois foram dadas ao contribuinte todas as oportunidades para sua manifestação. Observase que lhe foi concedido o mais amplo direito de defesa. Ele apresentou impugnação e recurso voluntário ao Auto de Infração, exercendo o seu direito ao contraditório, perfeitamente amparado pelo Decreto n.º 70.235/72, tendo revelado conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, as quais rebateu mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito. Dessarte, rejeitamse as preliminares suscitadas. Mérito São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) A Súmula CARF Nº 63 assim dispõe sobre as condições para gozo da isenção do imposto de renda: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Para melhor deslinde da questão, cabe transcrever trechos da Descrição dos Fatos contida no Auto de Infração (fls. 290 a 294): Em atenção ao Ofício nº 122/12 (fls. 08), o Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina (IPREV) encaminhou a Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722925/201263 Acórdão n.º 2202003.421 S2C2T2 Fl. 484 9 este Órgão Fiscal cópia de processos administrativos instaurados com o objetivo de apurar possíveis irregularidades na concessão de aposentadorias por invalidez de servidores da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC). Com relação ao contribuinte Policarpo Netto Souza, o IPREV enviou cópia dos processos de fls. 10 a 50 e 51 a 278. Dentre as peças que compõem os processos, destacamos o laudo da Perícia Médica realizada no ano de 2011 (fls. 17 e 24), o Relatório Conclusivo da Comissão do Processo Administrativo instaurada (fls. 124 a 132) e a Decisão da Presidência do IPREV (fls. 133 a 139). Importa dizer, desde já, que na referida Decisão a Presidência do IPREV, acolhendo o parecer da Comissão Processsante, determinou a imediata suspensão do benefício previdenciário do contribuinte e a remessa dos autos à ALESC para revisão do ato de aposentadoria e consequente cassação do mesmo, procedimento este de responsabilidade daquela Instituição. Pois bem, conforme assinalado no Relatório Conclusivo da Comissão Processante e na própria Decisão da Presidência do IPREV, a determinação legal para a realização de avaliações médicas periódicas dos servidores do Estado de Santa Catarina aposentados por invalidez permanente está contida no parágrafo 2º do art. 60 da Lei Complementar SC nº 412, de 26 de junho de 2008. No parágrafo 3º vemos que, verificada a insubsistência dos motivos geradores da incapacidade laboral, o benefício de aposentadoria por invalidez deverá ser cancelado e o segurado revertido ao serviço público ou posto em disponibilidade, nos termos do Estatuto dos Servidores do Estado de Santa Catarina. Em seu Relatório Conclusivo de fls. 124 a 132, a Comissão do Processo Administrativo descreve que o Sr. Policarpo Netto Souza foi aposentado por invalidez no ano de 1982 por ser portador de nefropatia grave (CID 583.2/2, revisão de 1975), razão pela qual foi considerado definitivamente incapacitado para o exercício do serviço público. Convocado para reavaliação médica regulamentar no ano de 2011, a Junta Médica concluiu que o avaliado apresenta unicamente as limitações funcionais inerentes a sua idade (fls. 17 e 24). No item 2 do relatório pericial de fls. 24, foi solicitado à Gerência de Perícia Médica da Secretaria da Administração do Estado de Santa Catarina que indicasse todos os documentos e informações que foram considerados pelo perito médico, à época da concessão do benefício (ano de 1982), para sugerir a aposentadoria por invalidez permanente do Sr. Policarpo Netto Souza. Em resposta, a Gerência de Perícia Médica informa que no prontuário médico pericial do servidor se encontra anexado apenas um único atestado médico, emitido na data de 08/02/82 (fls. 13). No item 3 do relatório pericial de fls. 24, a Gerência de Perícia Médica atesta que, após revisão do prontuário médico pericial do servidor, não foram encontrados subsídios técnicos que permitissem concluir que na data da concessão do Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722925/201263 Acórdão n.º 2202003.421 S2C2T2 Fl. 485 10 benefício previdenciário houvesse a incapacidade total e definitiva para o trabalho indicada no prontuário, haja vista a existência de apenas um simples atestado médico. No histórico médicopericial do servidor (fls. 17), a Junta Médica revisional informa não existirem exames complementares da época da concessão da aposentadoria que comprovem a incapacidade laborativa. Informa também não haver relato de patologia do aparelho urinário (anterior ou atual) por parte do avaliado. Como vemos, a Junta Médica Oficial do mesmo ente estatal (no caso, o Estado de Santa Catarina), que outrora também havia sido oficialmente encarregada de analisar as condições de saúde do Sr. Policarpo Netto Souza, em ato de revisão pericial atesta equívoco praticado na avaliação médica realizada à época da concessão de sua aposentadoria por nefropatia grave. Declara de forma clara e objetiva que não há comprovação do quadro incapacitante que originou a aposentadoria por invalidez. Seguindo na análise do Relatório da Comissão Processante (fls. 124 a 132), vemos que no decorrer dos trabalhos de sindicância foi oportunizado ao Sr. Policarpo Netto Souza a possibilidade de apresentação de todos os meios de prova (exames clínicos, laudos médicos, testemunhos, etc.) e que este, todavia, não logrou juntar elementos que corroborassem com a causa de sua aposentadoria. Ou seja, não apresentou quaisquer documentos que implicassem em mudança de posicionamento por parte da Junta Médica que realizou sua perícia no ano de 2011. Face a tudo que se encontra nos autos, a Comissão Processante finaliza seu Relatório Conclusivo dizendo ter constatado irregularidade na concessão da aposentadoria por invalidez do servidor Policarpo Netto Souza em virtude da ausência de comprovação da existência, atual ou pregressa, da doença diagnosticada na concessão da aposentadoria e propõe o cancelamento do benefício previdenciário, com o envio dos autos à Presidência do IPREV para apreciação e julgamento administrativo. [...] Assim sendo, fazendo uso de suas prerrogativas legais, a Presidência do IPREV definiuse pela imediata suspensão do benefício previdenciário do segurado e a remessa dos autos à Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina para efetivarse a revisão do ato de aposentadoria e consequente cassação/anulação do mesmo. (destaquei) Tendo em vista a conclusão da perícia médica do IPREVSC, constatase que o Recorrente não fazia jus à isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria no período fiscalizado, por não ser portador de nefropatia grave. Ressaltese que no recurso voluntário o Contribuinte, por meio de seu procurador, afirma que foi aposentado por ser Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722925/201263 Acórdão n.º 2202003.421 S2C2T2 Fl. 486 11 portador de cardiopatia grave, mas na realidade, conforme a Comissão do IPREV, a suposta doença era nefropatia grave. Notese que a conclusão da Comissão do IPREV bem como da sua Presidência foi clara no sentido de que a aposentadoria por invalidez devido à nefropatia grave foi irregular, determinando a sua suspensão. Acrescentese que não existe nenhum laudo médico oficial que ateste a doença, existindo apenas um simples atestado médico, contrariando a exigência legal. Embora lhe tenha sido oportunizada, durante a sindicância, a apresentação de todos os meios de prova que atestassem a doença, o Contribuinte não apresentou nenhum documento que lhe socorresse. O fato de o Contribuinte ter obtido uma medida liminar mantendo o benefício previdenciário não ilide o lançamento tributário, posto que a autuação foi baseada em laudos oficiais do IPREVSC e não existia laudo oficial que comprovasse a sua enfermidade (cardiopatia grave), além do que a decisão judicial não se encontra transitada em julgado, ou seja, é passível de revisão. Alega o Recorrente que o IPREVSC constatou que ele é portador de neoplasia maligna (CID 16 E C41.2), a partir de 06/08/2010, fazendo jus à isenção a partir de agosto de 2010, contudo essa informação não consta dos autos e, portanto, não pode ser acatada a isenção pleiteada, por absoluta falta de prova. Em relação à tributação sobre o 13º salário, a matéria não foi enfrentada na decisão de primeira instância, posto que não foi contestada por ocasião da impugnação, razão pela qual entendo que está fora do litígio. A matéria, portanto, encontrase preclusa, nos termos do artigo 17 do PAF. verbis: “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Diferentemente do que alega o Recorrente, não se trata de matéria de ordem pública e a sua análise implicaria em supressão de instância, uma vez que essa questão não foi submetida ao julgamento a quo. Quanto ao desconto padrão de 20% a que têm direito os optantes pela declaração simplificada, observase que apenas a declaração de ajuste anual do exercício 2011 (anocalendário 2010) foi apresentada no modelo completo (fls. 3 a 7), estando o Contribuinte omisso em relação às demais (anoscalendário de 2007, 2008, 2009 e 2011). Em relação ao anocalendário 2010, em que o Contribuinte apresentou a declaração no modelo completo, entendo que lhe assiste razão nesse ponto, pois o próprio programa de declaração do imposto de renda oferecido pela Receita Federal alerta o contribuinte sobre a opção mais favorável. Como o Contribuinte não declarou rendimentos tributáveis, não havia diferença entre a opção pelo modelo completo ou simplificado à época da declaração, não tendo ele usufruído qualquer desconto. Porém, caso o Contribuinte tivesse oferecido à tributação os valores recebidos de aposentadoria, o programa o teria alertado sobre a opção mais vantajosa, que poderia ser o modelo simplificado. No tocante aos demais anoscalendário (2007, 2008, 2009 e 2011), aplicase o mesmo raciocínio, pois como ele não entregou as declarações de ajuste anual, por entender Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11516.722925/201263 Acórdão n.º 2202003.421 S2C2T2 Fl. 487 12 que não possuía rendimentos tributáveis, não havia como ele optar pelo modelo completo ou simplificado. Nesse sentido a seguinte decisão do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 [...] OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESCONTO SIMPLIFICADO. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, admitindose o desconto simplificado no cálculo do imposto devido. (Acórdão nº 2102002.802, de 21/01/2014, Rel. Núbia Matos Moura). Dessa forma, deve ser deferido o desconto padrão de 20%, limitado ao teto legal, em relação aos anoscalendário de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011. Diante do exposto, voto no sentido de: a) NÃO CONHECER do recurso em relação à tributação do 13º salário, por preclusão; b) na parte conhecida, DAR parcial provimento ao recurso voluntário, para aplicar o desconto simplificado de 20% sobre os rendimentos tributáveis, limitado ao teto legal, em relação aos anoscalendário de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 15586.720243/2011-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Verificadas omissões na decisão embargada, acolhem-se os embargos de declaração para o fim de suprir os vícios apontados.
INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CUSTO DE NAVIOS. DESPESAS DE EMBARQUE.
Comprovada a vinculação dos gastos incorridos com custos de navios e com as demais despesas na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, afasta-se a glosa que foi fundamentada apenas na não vinculação.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA.
À luz do art. 8º, §§ 2º e 3º da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deve ser apurado com base no valor das notas fiscais de aquisição dos bens no mesmo período de apuração do crédito, não havendo amparo legal para ajustar o valor dessas aquisições pelo preço médio dos produtos em estoque.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3402-003.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir as omissões apontadas na decisão embargada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos sobre serviços prestados a terceiros pela filial Santos; b) pelo voto de qualidade, para manter a glosa do crédito presumido. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência para apuração dos créditos presumidos sobre transferências entre filiais. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Verificadas omissões na decisão embargada, acolhemse os embargos de declaração para o fim de suprir os vícios apontados. INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CUSTO DE NAVIOS. DESPESAS DE EMBARQUE. Comprovada a vinculação dos gastos incorridos com custos de navios e com as demais despesas na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, afastase a glosa que foi fundamentada apenas na não vinculação. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. À luz do art. 8º, §§ 2º e 3º da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deve ser apurado com base no valor das notas fiscais de aquisição dos bens no mesmo período de apuração do crédito, não havendo amparo legal para ajustar o valor dessas aquisições pelo preço médio dos produtos em estoque. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir as omissões apontadas na decisão embargada e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos sobre serviços prestados a terceiros pela filial Santos; b) pelo voto de qualidade, para manter a glosa do crédito presumido. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 43 /2 01 1- 62 Fl. 838DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 apuração dos créditos presumidos sobre transferências entre filiais. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos em tempo hábil pelo contribuinte ao Acórdão nº 3403002.752, sob o argumento de que existem omissões no referido julgado. Primeira omissão. Segundo a embargante, o colegiado reconheceu, em tese, o direito à tomada do crédito sobre os dispêndios com serviços portuários na prestação de serviços a terceiros. Entretanto, não reconheceu esse direito in concreto, por ter considerado que a recorrente não apresentara a documentação comprobatória da vinculação entre os gastos com despesas portuárias e a prestação de serviços a terceiros, em relação ao trimestre em questão. Após ter requerido cópia integral do processo, a defesa percebeu que a petição por ela protocolizada em 27 de novembro de 2013, com os documentos relativos ao 2º Trimestre de 2007, não havia sido juntada aos autos, o que fez com que o processo fosse julgado sem que os conselheiros tomassem conhecimento das referidas provas. Assim, por razão alheia ao controle e vontade da embargante e dos conselheiros, mas sim por falha exclusiva de procedimentos internos do CARF, a decisão recorrida omitiuse de se pronunciar sobre documentos que haviam sido regularmente apresentados antes de iniciado o julgamento do recurso voluntário, situação que deve ser sanada por meio destes embargos. Segunda omissão. Segundo a embargante, a fiscalização glosou o crédito presumido da agroindústria (art. 8º da Lei nº 10.925/2004), sob o argumento de que a empresa o registrou em momento posterior à efetiva aquisição da soja e com base em valor diverso do constante das notas ficais de aquisição. Em resposta, a defesa demonstrou que a sistemática adotada para apuração do crédito presumido tinha amparo legal, considerandose as particularidades da aquisição de soja. Ao analisar essa questão, o colegiado, de maneira inédita, decidiu manter a glosa sob o único fundamento de que o crédito presumido da agroindústria não poderia ter sido utilizado em pedido de ressarcimento. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720243/201162 Acórdão n.º 3402003.160 S3C4T2 Fl. 5 3 Acontece, que o pedido de ressarcimento apresentado pela empresa não contempla o crédito presumido da agroindústria, pois se refere exclusivamente a créditos relativos às aquisições no mercado interno, vinculadas à receita de exportação. Tal fato pode ser comprovado por meio da análise do DACON às fls. 278/319. No referido documento, o crédito presumido de PIS foi efetivamente utilizado da forma como proposta pelo Colegiado, exclusivamente para a dedução da PIS devida nos meses de abril, maio e junho de 2007, não havendo qualquer saldo remanescente compondo o valor do crédito pleiteado no pedido de ressarcimento. É por tal motivo que as autoridades fiscais nunca acusaram a Embargante de ter pleiteado a restituição dos créditos presumidos e esse assunto nunca ter sido objeto de controvérsia. Ao analisar o pedido de ressarcimento apresentado, a fiscalização decidiu também analisar e glosar o crédito presumido, fato que implicou, entre outros motivos, a reapuração da PIS do período e o indeferimento do crédito pleiteado. Tendo sido comprovado que a situação fática existente neste processo é diferente da considerada na decisão embargada, ainda pende de exame a questão da validade do crédito presumido da forma apurada pelo contribuinte, omissão que merece ser sanada por meio destes embargos de declaração. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Relativamente à primeira omissão, tendo em vista que o despacho de admissibilidade de embargos de fls. 835/837 constatou que o Acórdão embargado foi proferido sem a análise dos documentos que haviam sido protocolados pela defesa em 27/11/2013, é necessário suprir a omissão alegada pela embargante. A omissão se refere à análise de provas, pois o Acórdão 3403002.752 analisou a questão de direito, relativa à tomada do crédito sobre serviços prestados a terceiros pela filial Santos, tendo rechaçado a interpretação da DRJ, e reconhecido o direito em tese. O problema foi que os documentos comprobatórios anexados com a impugnação não se referiam a este trimestrecalendário e os documentos pertinentes protocolados pelo contribuinte em 27/11/2013 só apareceram nos autos após a prolação do acórdão embargado. Sendo assim, esta turma não pode analisar a questão de direito, pois ela já foi decidida pela extinta Turma 3403, restando apenas verificar se os documentos protocolados pelo contribuinte em 27/11/2013 comprovam o fato alegado e se eles podem ser aceitos à luz do que preceitua o art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No que concerne à preclusão do direito de apresentar documentos, o art. 16 do PAF regula o procedimento em relação ao julgamento de primeira instância, estabelecendo uma preclusão quanto a documentos apresentados após a impugnação, mas esse dispositivo legal não veda a possibilidade de o CARF apreciar a documentação serôdia. Pelo contrário, Fl. 840DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 existe previsão expressa no art. 16, § 6º, no sentido de que os documentos serôdios deverão permanecer no processo para serem analisados em segunda instância, no caso de haver interposição de recurso. Sendo assim, e diante do silêncio do Regimento Interno quanto à apresentação serôdia de documentos, entendo que os documentos apresentados pelo contribuinte em 27/11/2013 podem e devem ser conhecidos por este colegiado, sem que ocorra nenhuma ofensa a qualquer dispositivo legal que seja. Acrescento que no caso concreto nem se pode alegar que haveria supressão de instância, pois se tivessem sido juntados com a impugnação, a DRJ não teria apreciado esses documentos, pois para manter a glosa ela alterou o critério jurídico adotado pela fiscalização, conforme se pode comprovar no seguinte excerto, extraído do voto condutor do Acórdão 3403 002.752: "(...) Neste tópico, a decisão de primeira instância foi mais radical que a própria fiscalização, pois entendeu que a legislação não dá respaldo ao rateio das despesas, encargos e custos comuns, quando uma parte poderia gerar o crédito e a outra parte representa despesas operacionais. A DRJ chegou a essa conclusão analisando a literalidade dos arts. 3º, §§ 7º, 8º e 9º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, os quais se referem ao rateio na hipótese de parte das receitas da pessoa jurídica estarem sujeitas ao regime cumulativo e parte ao regime não cumulativo. Tendo em vista que a lei silenciou quanto à hipótese de rateio com base na despesa, entendeu a DRJ que não haveria direito à tomada do crédito por ausência de previsão legal. A interpretação literal da DRJ não foi correta, pois de um lado, o direito de os contribuintes tomarem o crédito sobre serviços aplicados na prestação de serviços a terceiros foi contemplado no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10833/03. E de outro lado, o art. 299, do RIR/99 conceitua o que são despesas operacionais. Se determinados gastos incorridos pela filial Santos configuram custo na prestação de serviços a terceiros e ao mesmo tempo despesa operacional da própria empresa, se não houver um sistema de custos integrado com a contabilidade, a única forma de garantir o direito estabelecido nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02 é fazer o rateio dessas despesas com base no percentual de mercadorias de terceiros em relação ao total de mercadorias movimentado a cada mês. Este foi também o entendimento da fiscalização, pois ela admitiu o crédito obtido mediante rateio e somente glosou as despesas identificadas no ANEXO II com a indicação "santos armaz", que ela não conseguiu identificar como sendo diretamente relacionadas a serviços prestados a terceiros. Assim, o único fato a ser provado pela defesa para o fim de elidir a glosa é a existência de vinculação dessas despesas com o embarque de mercadorias de terceiros efetuados no trimestre. (...)" Por tais razões, voto no sentido de que o colegiado admita e conheça dos documentos protocolados pela defesa em 27/11/2013. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720243/201162 Acórdão n.º 3402003.160 S3C4T2 Fl. 6 5 Em sede de recurso e também nos documentos protocolados em 27/11/2013, o contribuinte explicou a forma e os critérios utilizados no rateio e alegou que tais documentos comprovam a vinculação de parte dos gastos com o serviço prestado a terceiros. Analisandose a documentação apresentada às fls. 701/810, verificase que restou plenamente comprovada a vinculação dos gastos com os serviços prestados a terceiros. Esses documentos permitem identificar os custos com navios e as demais despesas envolvidas, os nomes dos navios envolvidos e as quantidades de cargas pertencentes à empresa ADM e a terceiros movimentadas por cada embarque realizado e a cada mês do trimestre calendário em questão. Portanto, comprovada, em relação ao segundo trimestre de 2007, a vinculação de uma parte das despesas com o embarque de cargas de terceiros, deve ser revertida a glosa efetuada no ANEXO II, sob a rubrica "santos armaz". No que concerne à segunda omissão, a defesa também tem razão, pois analisandose os dados consignados nas fichas 14 e 15B do DACON às fls. 278/319, verifica se que não houve pedido de ressarcimento do crédito presumido, mas apenas seu aproveitamento para dedução dos valores do PIS a serem recolhidos. Quanto ao mérito, a defesa argumentou, em síntese, que em virtude da flutuação do preço da soja, o preço efetivo do produto só é conhecido ao final do contrato de fornecimento. Em razão disso, existe uma diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustado no final do contrato. O preço consignado na nota fiscal do vendedor pode ser inferior ou superior ao que é fixado no final do contrato, daí a razão de o contribuinte adotar o método de apurar o custo (e o crédito presumido) com base no valor médio da soja estocada, o que não foi aceito pela fiscalização. A embargante argumentou com o disposto no art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925/2004, mas ignorou o disposto no § 2º do mesmo dispositivo legal, que para maior comodidade permitome transcrever: Art. 8º Omissis... § 1º Omissis... § 2oO direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1odeste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3oO montante do crédito a que se referem o caput e o § 1odeste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: Da leitura conjunta dos dois parágrafos acima transcritos, concluise que a lei determina o cálculo do crédito presumido relativo a determinado período de apuração, tomando por base o valor das aquisições ocorridas no próprio mês. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 A interpretação pretendida pela recorrente só seria viável, caso não existisse o parágrafo 2º. Mas o parágrafo 2º existe e ele determina que somente bens adquiridos ou recebidos no mesmo período de apuração do crédito é que podem gerar o crédito presumido. Portanto, o pleito da recorrente deve ser rejeitado, pois à luz do art. 8º, § 2º e 3º da Lei nº 10.925/2004, o crédito presumido deve ser apurado com base no valor das notas fiscais relativas à aquisição de bens ocorridas no mesmo período de apuração do crédito. Com esses fundamentos, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para suprir as omissões apontadas no Acórdão 3403002.763, e, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas efetuadas no ANEXO II sob a rubrica "santos armaz". (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 843DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13807.005287/99-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
LUCRO PRESUMIDO - GANHO DE CAPITAL
O ganho de capital e os juros ativos compõem a base de cálculo do lucro presumido. Esses valores devem ser diretamente acrescidos à base, diferentemente das receitas operacionais que devem se submeter a um percentual de presunção.
Numero da decisão: 1401-001.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGORIO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Esses valores devem ser diretamente acrescidos à base, diferentemente das receitas operacionais que devem se submeter a um percentual de presunção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGORIO, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 52 87 /9 9- 61 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte, acima identificada, foi autuada, em 21/05/1999 (fls. 74, 80, 86, 92 e 98), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, à Contribuição para o PIS, A COFINS, ao IRRF e A CSLL, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos de 31/01/1995 a 31/12/1995. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação (fls. 69 e 69 verso), a contribuinte omitiu receitas pelos seguintes motivos: 2.1. dispêndios maiores que os recursos em janeiro de 1995 no montante de R$10.000,00, conforme "Quadro de Informações Gerais", devido a lançamento em dobro no item "Venda de Serviços do Mês" de valor referente A venda de um veiculo; 2.2. não oferecimento A tributação em março de 1995 do valor de R$373,18 referente ao lucro obtido na venda de um veiculo; e 2.3. não oferecimento A tributação de rendimentos oriundos de juros ativos nos seguintes valores e meses de 1995: R$742,20 em janeiro, R$11.725,80 em fevereiro, R$1.406,79 em março, R$275,28 em abril, R$372,57 em maio, R$1.260,27 em junho, R$4.963,78 em julho, R$4.900,00 em agosto, R$3.026,43 em outubro, R$875,28 em novembro e R$746,03 em dezembro. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 90 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ com base nos artigos 523, § 3°, 739 e 892 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994 RIR/1994 (fls. 74 a 76), formalizando um crédito tributário no valor de R$28.821,29; 3.2. PIS com base no artigo 3°, alínea "b", da Lei Complementar (LC) n° 7, de 07 de setembro de 1970, combinado com o artigo 1°, parágrafo único, da LC n° 17, de 12 de dezembro de 1973, combinado com os artigos 83, inciso III, da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, 2°, inciso I, 3°, 8°, inciso I, e 9° da Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, e 2°, inciso I, 3°, 8°, inciso I, e 9° da MP n° 1.249, de 14 de dezembro de 1995 (fls. 80 a 82), formalizando um crédito tributário no montante de R$852,47; 3.3. COFINS com base nos artigos 1° a 5 0 da LC n° 70, de 30 e dezembro de 1991 (fls. 86 e 87), formalizando um crédito tributário no valor de R$2.305,76; 3.4. IRRF com base no artigo 44 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, combinado com o artigo 3° da Lei n° 9.064, de 20 de junho de 1995, e artigo 62 da Lei n° 8.981/1995 (fls. 92 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13807.005287/9961 Acórdão n.º 1401001.555 S1C4T1 Fl. 418 3 a 94), formalizando um crédito tributário no valor de R$40.001,05; e 3.5. CSLL com base no artigo 43 da Lei n° 8.541/1992, com as alterações do artigo 3° da Lei n° 9.064/1995, artigo 2° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, e artigo 57 da Lei n° 8.981/1995 (fls. 98 a 100), formalizando um crédito tributário no valor de R$11.528,54. 4. O enquadramento legal das multas de oficio aplicadas são os artigos 4°, inciso I, da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991, e 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinados com o artigo 106, inciso II, alínea "c", da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (fls. 73, 79, 85, 91 e 97). O enquadramento legal dos juros de mora são os artigos 84 da Lei n° 8.981/1995 e 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995 (fls. 73, 79, 85, 91 e 97). 5. Irresignada, a empresa apresentou, representada por procuradores, a impugnação de fls. 103 a 109, protocolizada em 22/06/1999 e instruída com os documentos de fls. 110 a 345, alegando, em síntese, que: 5.1. o fato de possuir Livro Razão e Balancete, apesar de não estar obrigada, já que é optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, somado aos seis meses de inspeção fiscal sem que se tenha apurado irregularidades relativas aos registros das notas fiscais, demonstram sua boafé; 5.2. os juros ativos referemse a lançamentos tributários erroneamente denominados e não superaram as despesas bancárias ocorridas em 1995; 5.3. "o PIS e o COFINS não tem como base de calculo o lucro decorrente de ganhos de capital mas incidem, tão somente, sobre o lucro bruto das empresas", motivo de descabimento e improcedência dos autos de infração; 5.4. os juros ativos não constituem fato gerador para a apuração do PIS, pois esta exação tem como fato gerador o lucro, "tendo sido destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas, inteligência do disposto na Lei Complementar n° 07, de 07 de setembro de 1970"; 5.5. ainda que houvesse a incidência do PIS sobre juros ativos, a tributação não ocorreria, já que no caso inexistiram lucros bancários e omissão de receita com beneficio a si e prejuízo ao Fisco, pois "os débitos com estas operações, como se depreende do balancete especial, são inferiores aos lucros apurados" (item 15 de fl. 105); 5.6. o COFINS não incide sobre juros ativos e operações bancárias de qualquer espécie, já "que tem a mesma hipótese de incidência do PIS, qual seja: o faturamento das empresas, Fl. 419DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 como prevê o parágrafo 2° (segundo), da Lei Complementar n° 70/91" (itens 16 e 17 de fl. 105); 5.7. não houve dispêndios maiores que os recursos, pois em 1995 sempre teve em seu caixa diário importâncias muito superiores ao valor da venda do veiculo parati (R$10.000,00), como fazem prova a Declaração de Rendimentos, o Livro Razão e o Balancete anexados, o que demonstra que não existiu sonegação e dolo, e a alegada omissão deste valor no mês de janeiro de 1995 ocorreu por um erro de lançamento em duplicidade plenamente justificável, que não trouxe prejuízo ao Fisco, nem beneficio a si; 5.8. "Em que pese as alegações do Sr. Fiscal e o erro de lançamento confessado pela Autuada, aonde está a redução do lucro liquido, se a empresa teve um resultado financeiro no ano de 1995 de mais de R$400.000,00 (quatrocentos mil reais)?" 5.9. os juros ativos não geraram lucro, já que as despesas bancárias superaram os valores obtidos com os juros ativos, conforme balancete juntado, no qual se constata um montante de receitas financeiras na ordem de R$33.158,58 e um volume de despesas bancárias de R$36.145,34; 5.10. "os juros ativos referemse a lançamento incorreto de créditos a receber da empresa na declaração de imposto de renda e livro razão, fato derivado da impossibilidade de apurar a origem do depósito bancário feito à época dos fatos"; 5.11. os juros ativos nada mais são que o lançamento equivocado de créditos recebidos, dos quais já efetuara o recolhimento dos tributos incidentes; 5.12. "recebe parte de seus créditos quirografários (normalmente aqueles em atraso), por meio de depósitos efetuados na conta corrente da empresa, que lançaos em sua declaração como juros ativos, principalmente porque desconhece a origem, somente constatando após a confirmação do pagamento, sendo que isto muitas vezes acontece depois de passados muitos meses", mas não houve sonegação, pois se houvesse recusa no oferecimento A. tributação, porque teria registrado tais lançamentos em sua contabilidade se não está obrigada a possuir balancete; 5.13. o auto de infração não apresenta enquadramento legal correto devendo ser julgado improcedente nos termos do disposto no Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972, e demais alterações posteriores; 5.14. apesar de parecer num primeiro momento que houve sonegação de impostos, o fato de ser optante pelo lucro presumido comprova a inexistência de irregularidade, por ser obrigada ao recolhimento do tributo assim que emitida a nota fiscal, e observase que não foi apurada nenhuma venda irregular sem registro contábil; Fl. 420DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13807.005287/9961 Acórdão n.º 1401001.555 S1C4T1 Fl. 419 5 5.15. com o objetivo de confirmar suas afirmações, apresenta anexos documentos e demonstrativo exemplificativo do lançamento de pagamentos recebidos e lançados como juros ativos, no qual consta a existência de créditos com valores distintos, e sua soma "reflete o valor dos depósitos realizados pelos credores e constantes da declaração de imposto de renda sob o titulo de juros ativos", sendo que isto ocorreu nos meses seguintes, sem que o crédito fosse pago na data da emissão da nota fiscal, já que os pagamentos poderiam ter sido feitos com mais de um cheque de datas diferenciadas; 5.16. não estava sujeita ao recolhimento do imposto de renda sobre ganho de capital, ante sua opção pelo Lucro Presumido, conforme dispõe o artigo 518 do Regulamento do Imposto de Renda de 1995 e o artigo 370 do Regulamento do Imposto de Renda de 1994; e 5.17. diante de tudo o que foi exposto, espera que sejam julgados improcedentes e insubsistentes os autos de infração. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 356 a 367) afastou integralmente as exigências de PIS e Cofins e parcialmente as exigências do IRPJ, CSLL e IRRF. O PIS e a Cofins foram afastadas, porque o colegiado considerou que os itens lançados não correspondiam ao conceito de faturamento. No tocante ao IRPJ, CSLL, IRRF, afastou a exigência decorrente da diferença de R$ 10.000,00 entre dispêndios e recursos sem justificativa, por considerar que se trata de mero indício, sem previsão de presunção legal. Foram mantidas, pois, as autuações de IRPJ, CSLL e IRRF sobre o ganho de R$ 373,18 na venda de veículo, bem como sobre os juros ativos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Apesar do provimento parcial, não houve recurso de ofício. O contribuinte apresentou recurso voluntário, tempestivo às fls. 403 a 409, mediante o qual praticamente se limitou a reiterar (praticamente todos, ipsis litteris) argumentos já trazidos na impugnação. Aliás, reiterou até os argumentos relativos ao item de autuação exonerado pela decisão recorrida (diferença entre recursos e dispêndios). É o relatório do essencial. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Como já asseveramos no relatório, o contribuinte recorreu até de item que foi exonerado, qual seja, a diferença entre recursos e dispêndios, o qual, portanto, não será mais uma vez aqui enfrentado. Na verdade, isso só corrobora o fato de a peça não se configurar num recurso materialmente considerado. Afinal, em parte alguma contrapõe a decisão recorrida. De toda sorte, no que for possível, revisitaremos os dois pontos mantidos. O ganho de capital, conforme explanado pela decisão recorrida, compõe a base de cálculo do lucro presumido. Esse montante deve ser diretamente acrescido à base, diferentemente das receitas operacionais que devem se submeter a um percentual de presunção. Uma vez que a autoridade fez prova do ganho (fls. 4446 do eprocesso) e o contribuinte não fez prova oposta de ter oferecido o valor à tributação ou de não ter auferido o referido ganho, só nos resta manter a exigência. Sorte diferente não deve ter a autuação relativamente à tributação dos juros ativos pelo IRPJ e pela CSLL. A autoridade fiscal faz prova da sua ocorrência por meio do livro razão do próprio contribuinte. Ademais, o contribuinte, em face dos valores aferidos pela autoridade no curso do procedimento fiscal, afirmou não ter oferecido à tributação os juros ativos (fl. 43 do eprocesso). A sua defesa também é repleta de contradições. Numa oportunidade, aduz que os juros ativos não devem ser tributados, uma vez que teve despesas financeiras em montante mais elevado; noutra passagem, afirma que os valores foram registrados equivocadamente como juros, mas que seriam na verdade “créditos recebidos”, por fim aduz que não teria como identificar a natureza jurídica dos depósitos bancários recebidos. Ainda quanto a esse ponto, passo a reproduzir a decisão recorrida em razão do seu caráter elucidativo: 12. Por outro lado, os juros ativos, apesar de não incluídos no conceito de receita bruta de vendas e serviços, sofrem a incidência do imposto de renda, conforme determinado no artigo 32 da Lei n° 8.981/1995 reproduzido acima no item 7. Neste ponto, cabe esclarecer impugnante que o fato de as despesas financeiras terem sido maiores que as receitas financeiras não exime estas mesmas receitas financeiras de tributação, pois as despesas não são levadas em consideração para a definição do lucro presumido, que é calculado pela aplicação de um percentual sobre a soma da receita bruta de vendas e serviços com as demais receitas sem qualquer dedução ou abatimento. 13. Durante a ação fiscal, a própria contribuinte declarou que os juros ativos, considerados receitas omitidas no lançamento, não haviam sido oferecidos à tributação (fls. 37 e 38). Porém, em sua defesa, a autuada alega, em síntese, que estes recebimentos foram registrados equivocadamente em sua contabilidade como juros ativos e que na verdade seriam pagamentos relativos a Fl. 422DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13807.005287/9961 Acórdão n.º 1401001.555 S1C4T1 Fl. 420 7 receitas que já teriam sido oferecidas à tributação em meses anteriores. Contudo, nenhum dos documentos apresentados juntamente com a impugnação comprova que os valores registrados como juros ativos já tivesse composto a base de cálculo do lucro presumido. Aliás, a própria contribuinte em passagem de sua impugnação ao falar dos juros ativos (itens 29 e 30 de fl. 107) contraditoriamente admite a "impossibilidade de apurar a origem do depósito bancário" e afirma que desconhece a origem dos mesmos depósitos. Desta forma, deve ser mantida a parcela do lançamento do imposto de renda decorrente desta infração. O recorrente não apresenta qualquer razão apta a infirmar a decisão recorrida, que deve, pois, ser mantida pelos seus próprios argumentos. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES – Relator Fl. 423DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 10/04/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11080.733714/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
JUROS MORATÓRIOS. ACORDO TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. TRIBUTAÇÃO. DECISÃO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.
São tributáveis os juros remuneratórios fixados em acordo firmado no bojo de ação trabalhista que visa a compensar o beneficiário do que deixou de ganhar ao longo de determinado tempo, propiciando-lhe acréscimo patrimonial.
Numero da decisão: 2201-002.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, na forma do art. 60 do Regimento Interno deste CARF, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Originalmente, as Conselheiras IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ votaram por dar provimento ao recurso e os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE votaram por dar provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado)
assinado digitalmente
HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR - Presidente.
assinado digitalmente
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relator.
assinado digitalmente
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Redator Designado.
EDITADO EM:
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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ACORDO TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. TRIBUTAÇÃO. DECISÃO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. São tributáveis os juros remuneratórios fixados em acordo firmado no bojo de ação trabalhista que visa a compensar o beneficiário do que deixou de ganhar ao longo de determinado tempo, propiciandolhe acréscimo patrimonial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, na forma do art. 60 do Regimento Interno deste CARF, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Originalmente, as Conselheiras IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ votaram por dar provimento ao recurso e os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE votaram por dar provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado) assinado digitalmente HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR Presidente. assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relator. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 37 14 /2 01 3- 02 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por HEITOR DE S OUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 11080.733714/201302 Acórdão n.º 2201002.853 S2C2T1 Fl. 80 2 MARCIO DE LACERDA MARTINS Redator Designado. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por NEWTON DO CANTO OLMEDO que se insurge contra acórdão nº1655.200, da 21ª Turma da DRJ/SP1, fls.56 a 61, que julgou parcialmente procedente o lançamento para o imposto de renda das pessoas físicas, decorrente de revisão interna da declaração, correspondente ao ano calendário de 2010, exercício de 2011. Do relatório do voto condutor do acórdão recorrido transcrevo as irregularidades que geraram o lançamento e as razões de impugnação, por bem definirem o litígio: 1) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação Trabalhista, recebidos da Fonte Pagadora Habitasul Crédito Imobiliário S/A, CNPJ92.859.800/000180,no valor de R$ 182.407,41, apurados na proporção de 48,4% como rendimentos isentos e 51,6% como rendimentos tributáveis, com base no total dos rendimentos calculados na data do ajuizamento da ação trabalhista; 2) Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 155,94, apurada pela diferença entre o valor declarado de R$ 80.161,51 e o valor constante da ação trabalhista de R$ 80.005,57. Fonte Pagadora Habitasul Crédito Imobiliário S/A, CNPJ 92.859.800/000180. O enquadramento legal, descrição, demonstrativo do fato gerador e valor tributável foram registrados no lançamento, às fls. 06/11. O contribuinte contestou o lançamento através do instrumento de fls.02/05, alegando em síntese: 1) Não há como associar os rendimentos calculados na data do ajuizamento para determinar a proporcionalidade dos rendimentos homologados, devendo os mesmos serem calculados Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por HEITOR DE S OUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 11080.733714/201302 Acórdão n.º 2201002.853 S2C2T1 Fl. 81 3 nos termos do acordo firmado em 12 de julho de 2010, que extinguiu o litígio, mediante transação e concessões recíprocas, devidamente homologado em 15 de julho de 2010; 2) Os valores ajustados pelas partes através do acordo homologado pela Justiça do trabalho da 4ª Região correspondem a rendimentos tributáveis na proporção de 38,18% do total dos rendimentos recebidos e 61,82% de rendimentos isentos; 3) Consta no acordo que o imposto retido na fonte é da responsabilidade exclusiva da reclamada devendo recair somente sobre o valor do principal, conforme Súmula nº 51, do Colendo TRT da 4ª Região; 4) No caso, o valor principal da transação foi ajustado em R$ 487.401,42, resultando, em decorrência, em R$ 133.342,61, a título de imposto de renda, recolhido na proporção dos pagamentos efetuados aos reclamante, nas épocas próprias; 5) O valor líquido é o resultante do valor bruto apurado, com a dedução do imposto de renda na fonte, importando em R$ 1.143.326,63, a ser pago em 10 parcelas mensais e consecutivas, cada uma no valor de R$ 114.332,66; 6) Refaz os cálculos com os valores constantes do acordo e apresenta demonstrativo de apuração do imposto que entende devido resultando em imposto a restituir no valor de R$ 5.772,85 para o anocalendário 2010. Ciente em 18 de fevereiro de 2014, conforme fls. 65, interpõe recurso voluntário, em 18 de março de 2014, fls.69/72, onde, em síntese, narra as infrações e repete os argumentos oferecidos na inicial e conclui que demonstrara seu direito de ver respeitada: a) a proporcionalidade entre os rendimentos tributáveis e isentos, calculados a partir dos valores estabelecidos no acordo trabalhista, efetivamente recebidos e não aqueles apontados na inicial que se modificaram no decorrer do processo; b) a natureza dos rendimentos recebidos, perfeitamente caracterizados no acordo homologado; c) a natureza indenizatória dos juros em ação trabalhista calculados pela tabela FACDT, não comportam a incidência de imposto de renda sobre as mesma. Pede, ao final, que os cálculos sejam refeitos de acordo com o demonstrativo de apuração do imposto devido às fls. 3 e 4 da impugnação e que haja a restituição do imposto recolhido a maior. Despacho de fls. 78, remete o processo para relato. É o relatório. Voto Vencido Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por HEITOR DE S OUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 11080.733714/201302 Acórdão n.º 2201002.853 S2C2T1 Fl. 82 4 Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Conforme anteriormente relatado tratase de exigência de imposto de renda de pessoas físicas, por “Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação Trabalhista”. Da análise das informações e documentos apresentados foi detectada omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 182.497,41. O enquadramento legal se deu nos artigos 1º a 3º e §§, da Lei 7713/88; art. 1º e 3º da Lei 8134/90; arts. 1º e 15 da Lei 10.451/2002; art. 28 da Lei 10833/2003; art.43 do Decreto 3000/99. A autoridade lançadora demonstra os cálculos, a partir dos documentos entregues pelo contribuinte, nos dossiês das declarações de 2011 e 2012, na ordem seguinte: “Demonstrativo de Verbas Tributáveis (a partir dos documentos entregues pelo contribuinte nos dossiês das declarações de 2011 e 2012 referentes à Ação Trabalhista “ nº da ação : 0058199902504016;ano calendário 2010, natureza dos rendimentos: Trabalho ; CPF do Autor: 141.034.27000; Nome do Autor: Newton do Canto Olmedo; Nome do Réu: Habitasul Crédito Imobiliário S/A; A)Total dos Rendimentos Retirados pelo Autor :R$685.995,99; B) IRRF 80.005,57; C)Total da Causa: (A+B) 766.001,56. Apuração dos rendimentos isentos de tributação; D) Total dos rendimentos calculados na data do ajuizamento: R$ 1.148.161,21; E)Rendimentos Isentos calculados na mesma data base:R$ 555.612,85; F)Proporção dos rendimentos isentos ( = E/D) : 48,4% ; G)Total dos rendimentos isentos R$ 370.679,92; H)Rendimentos sujeitos à tributação normal (CG): R$ 395.321,64; I)Total de deduções com advogado: 137.740,52; Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por HEITOR DE S OUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 11080.733714/201302 Acórdão n.º 2201002.853 S2C2T1 Fl. 83 5 J)dedução advogado relativo a rendimento tributável normal(= I x H/C) :R$ 71.085,77. Valores esperados na Declaração de Ajuste Anual do IR: Rendimentos Tributáveis R$ 324.235,87, Imposto de Renda Retido na Fonte :80.005,57 Rendimentos Isentos R$ 370.679,92. A Petição inicial, acostada às fls. 12/16, aponta que houve transação e que os valores seguiram a certidão de cálculos expedida pela secretaria da 25ª vara do trabalho(fls.16) com valores atualizados até 02/06/2010, sendo o principal tributável de R$ 487.401,42, adequando os juros de mora em R$ 646.310,48 e o principal não tributável de R$ 61.460,59. Juros sobre o principal não tributável, R$ 81.496,75. Na cláusula IV há discriminação do valor líquido, ajustado pelas partes, resultando em 10 parcelas mensais e consecutivas, cada uma no valor de R$ 114.332,66, sendo a primeira para 20 de julho de 2010 e a última em 20 de abril de 2011. A autoridade julgadora de primeiro grau considerou a parcela dos juros, incidentes sobre os salários recebidos acumuladamente, como rendimento tributável, nos termos do artigo 56 do RIR/99, negando vigência à Súmula 51 do TRT da 4ª. Região. Discordo desta conclusão por entender que a matéria já se encontra pacificada nos tribunais superiores, sendo, inclusive, objeto de orientação Jurisprudencial, no TST, conforme OJSTI1 nº 400: OJSDI1400 IMPOSTO DE RENDA. BASE DE CÁLCULO. JUROS DE MORA. NÃO INTEGRAÇÃO. ART. 404 DO CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO. (DEJT divulgado em 02, 03 e 04.08.2010) Os juros de mora decorrentes do inadimplemento de obrigação de pagamento em dinheiro não integram a base de cálculo do imposto de renda, independentemente da natureza jurídica da obrigação inadimplida, ante o cunho indenizatório conferido pelo art. 404 do Código Civil de 2002 aos juros de mora. Observese que tal procedimento foi editado após o pronunciamento do STJ, através dos embargos de declaração onde foi esclarecido que apenas não incidiria tributação sobre juros decorrentes de obrigações trabalhista. (EDcl no Resp 1227133/RS) assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 2010/02302098. "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por HEITOR DE S OUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 11080.733714/201302 Acórdão n.º 2201002.853 S2C2T1 Fl. 84 6 Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC ,improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Nessa conformidade, dou provimento ao recurso. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Relatora Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por HEITOR DE S OUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 11080.733714/201302 Acórdão n.º 2201002.853 S2C2T1 Fl. 85 7 Voto Vencedor Conselheiro Márcio de Lacerda Martins, Relator designado. Em que pese o merecido respeito a que faz jus a Ilustre Relatora, permitome discordar de seu voto quanto à exclusão dos juros moratórios da base de cálculo lançada, pelos motivos que passo a expor: Inicialmente,vale lembrar que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolheu parcialmente os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional para esclarecer que a matéria de mérito, discutida no REsp nº 1.227.133/RS, está circunscrita na exigência do imposto de renda sobre os juros moratórios quando pagos no contexto de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. (grifei) E que esta tese foi confirmada, em recurso mais recente do mesmo Tribunal, no acórdão, submetido ao rito do art. 543C do CPC, assim ementado: (grifei) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. (AgRg no AgRg no REsp1235772/ RS julgado em 26/06/2012) Assim, concluem que não basta haver a ação trabalhista para que os juros de mora incidentes sobre as verbas salariais sejam considerados isentos. É necessário que eles sejam destinados à recomposição de um dano emergente, num contexto de rescisão do contrato de trabalho e perda de emprego. No caso, constatase que os valores pagos a título de juros moratórios, serviram como compensação por algo que o Recorrente deixou de ganhar. Têm, portanto, natureza remuneratória e propiciaram acréscimo patrimonial ao Recorrente. Acréscimo patrimonial tributável, nos termos do art. 43, II, do Código Tributário Nacional CTN ( Lei nº 5.172, de 1966) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por HEITOR DE S OUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 11080.733714/201302 Acórdão n.º 2201002.853 S2C2T1 Fl. 86 8 Se não bastasse os argumentos acima expostos, as verbas recebidas pelo Recorrente foram estabelecidas a partir de um acordo entre as partes envolvidas na lide trabalhista e a sentença judicial teve função meramente homologatória. Assim ratifico o voto condutor do acórdão da instância de piso, representado pelo excerto (fl. 59), que transcrevo na sequência: "Do ponto de vista tributário, o acordo não é suficiente para a caracterização da natureza do rendimento. Do contrário, hipoteticamente, empregador e empregado poderiam estabelecer que todos rendimentos seriam indenização. No aspecto tributário, a sentença teve função meramente homologatória, não criando o direito à isenção reclamada pelo interessado no presente processo." Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. Assinado digitalmente Márcio de Lacerda Martins Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por HEITOR DE S OUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCIO DE LACERDA MARTINS
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Numero do processo: 10283.003815/2004-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 1995, 1996
ITR. VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO MANTIDA.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Para que faça jus à isenção, a área de Preservação Permanente deverá ser comprovada conforme determina a legislação que rege a matéria.
CONTRIBUIÇÕES PARA O CNA, CONTAG, SENAR.
As contribuições para o CNA, CONTAG, SENAR estão previstas em ato
legal e regularmente editado, descabida mostra-se qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido de afastar sua cobrança.
Numero da decisão: 2201-001.245
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO MANTIDA. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para que faça jus à isenção, a área de Preservação Permanente deverá ser comprovada conforme determina a legislação que rege a matéria. CONTRIBUIÇÕES PARA O CNA, CONTAG, SENAR. As contribuições para o CNA, CONTAG, SENAR estão previstas em ato legal e regularmente editado, descabida mostrase qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido de afastar sua cobrança. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Isaac Benayon Sabba Espólio recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela 1a Turma da DRJ em Recife/PE, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado. Tratase de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR e Contribuições, exercícios de 1995 e 1996, nos valores totais de R$ 4.383,65 e R$ 2.625,14, respectivamente, atinente ao imóvel rural denominado União de Baixo, cadastrado na Secretaria da Receita Federal – SRF sob nº 1.754.7024, com área de 3.712,0 hectares, localizado no município de Porto Velho/RO. Cientificado do auto de infração, o representante do autuado apresentou Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: Faz referência aos valores totais das notificações de lançamento dos 12 imóveis rurais relacionados na fl. 02. Entretanto, neste processo, será tratado apenas das notificações de fls. 42 e 43, exercícios de 1995 e 1996, imóvel denominado UNIÂO DE BAIXO. Declara que os valores do ITR e Contribuições estão elevados, motivados pelos cálculos com base em injustificável aumento do Valor da Terra Nua – VTN, arbitrado pela Receita federal, também pelo motivo de ter sido tributada a área de Reserva Florestal. Fato mais importante é que o imóvel encontrase inserido em zona de preservação ecológica desde o ano de 1991, pela Legislação Ambiental do Estado de Rondônia, conforme provam as certidões fornecidas pelo INCRA e Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental – SEDAM. Transcreve o artigo 11 da Lei nº 8.847, de 28/01/1994, que trata de isenção do ITR. Informa que 50% da área do imóvel constitui Reserva Florestal, em função do termo de acordo celebrado entre o requerente e o IBAMA, devidamente averbado em Cartório. O Estado de Rondônia através de Lei Complementar nº 52, de 20/12/1991, dispõe sobre o Zoneamento SócioEconômico Ecológico de Rondônia. Tudo em consonância com o artigo II da Lei Federal nº 8.847/94, que deu nova redação às Leis nº 7.803/89 e 4.771/65, permitindo que uma lei estadual restrinja ou amplie as áreas de isenções nela definidas. No caso do presente imóvel ampliou de 50% para 100% a zona de preservação ecológica, pelo fato de estarem em área de reserva Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10283.003815/200415 Acórdão n.º 220101.245 S2C2T1 Fl. 2 3 extrativista, vedando o seu desmatamento, exceto para exploração dos recursos naturais da floresta, em até 5,0 hectares. Transcreve o artigo 2º, IV, da Lei Complementar Estadual nº 52/1991. Continua o impugnante afirmando que diante do contido na legislação ambiental, expressa acima, ficou claro que qualquer exploração na zona 4, que excedesse a 5,0 hectares por unidade produtiva, dependeria de aprovação respaldada em estudos prévios, fato que não ocorreu. Afirma ainda que as declarações do INCRA e da SEDAM comprovam estar o imóvel localizado na área de Reserva florestal Legal, desde 1991, por força da Lei nº 52/1991, revogada pela Lei Complementar nº 233, de 06/06/2000, estando este imóvel isento do ITR e demais tributos que por ventura possam vir a ser lançados sobre o imóvel. Além do que o valor da Terra Nua – VTN, atribuído para o cálculo do ITR 1995 e 1996, agora impugnado, encontrase muitas vezes acima do preço de mercado dos mencionados imóveis, não existindo justificativa legal para alteração dos valores declarados pelo requerente junto ao INCRA e à Secretaria da Receita Federal. CONCLUSÕES Através das declarações cadastrais firmadas pelo requerente à Receita Federal, ITR 1992 e 1994, que espelham a realidade do imóvel em questão, fica evidenciado que 50% da área do imóvel encontravase isenta da cobrança de tributos, pois constituem Reserva Florestal Legal. Com a edição da Lei Estadual Complementar nº 52/1991 o percentual de reserva foi ampliado de 50% para 100%, com fulcro no art. 11, inciso II, da Lei nº 8.847/94, que faculta a legislação estadual ampliar a área de preservação. Verificase que o requerente foi penalizado ainda com relação à alíquota, pois somente poderia ser multiplicada por dois, no segundo ano consecutivo e seguintes, caso não seja utilizada mais de 30% da área aproveitável do imóvel. Mais uma vez foi penalizado pelo fato de a área, estando situada em Reserva Ecológica Extrativista, haver sido exigida a utilização efetiva mínima de 30%. Não poderia ser a área tributada em decorrência da isenção contida no art. 2º, IV, da Lei Complementar Estadual nº 52/1991. DO PEDIDO Requer o cancelamento dos valores atribuídos nas Notificações de Lançamento, ITR 1995 e 1996, pelo fato de encontraremse inseridos em zona de preservação ambiental, gozando de total isenção do ITR, desde o ano de 1991. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Para provar foram anexados os documentos de fls. 08 a 17. Os documentos de fls. 18 a 20 não se referem a este imóvel cadastrado, na Secretaria da Receita Federal, sob nº 1.754.702 4. Constam ainda do processo Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, Laudo de avaliação de Imóvel Rural, fls. 22 a 37, além da cópia da Declaração de Informações – ITR 1994 do imóvel UNIÂO DE BAIXO – , recepcionada em 30/09/94 pela DRF/Manaus. Notificações de Lançamento e mapas cadastrais de fls. 42 a 47. A 1a Turma da DRJ em Recife/PE julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: PROVAS As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. A base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR é o Valor da Terra Nua – VTN constante da declaração anual apresentada pelo contribuinte, retificado de ofício caso não seja observado o valor mínimo de que trata o § 2 do art. 3º da Lei Nº 8.847/94 e art. 1º da Portaria Interministerial MEFP/MARA Nº 1.275/91. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO Não se retifica a declaração, por iniciativa do próprio declarante, que vise a reduzir ou excluir tributo, quando não fica comprovado, por documentos hábeis, o erro em que se funde. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO PARA A PROTEÇÃO DOS ECOSSISTEMAS. Para efeito de exclusão do ITR não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 06/12/2004 (fl. 58), o representante do interessado apresenta Recurso Voluntário em 03/01/2005 (fls. 59/75), no qual reitera as manifestações quanto às áreas ambientais e ao VTN e insurgese contras as contribuições para a CONTAG, SENAR e CNA que diz serem indevidas. Por fim, formula pedido nos seguintes termos: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10283.003815/200415 Acórdão n.º 220101.245 S2C2T1 Fl. 3 5 Demonstrado, à saciedade, que o r. Acórdão não deve ser mantido, requerse a esse Egrégio Conselho de Contribuintes seja dado PROVIMENTO INTEGRAL ao presente Recurso Voluntário, para que: Que sejam julgados improcedentes os lançamentos materializados nas Notificações enviadas ao Recorrente, referente aos exercícios de 1995 e 1996, e conseqüentemente seja arquivado o Processo Administrativo dai oriundo, ante o fato de que o Recorrente está amparado, por força de lei, pela isenção tributária no pagamento do ITR sobre a área total de seu imóvel rural "UNIÃO DE BAIXO", que foi declarada como de interesse ecológico pelo Parecer do SEDAM n° 006 e pela Declaração do INCRA, os quais estão respaldados na Lei Complementar n° 52/91, editada pelo Estado de Rondônia, bem como pela previsão contida no art. 11 da Lei n°8.847/94. O processo foi incluído na pauta de julgamento da Primeira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes do dia 13/07/2006 que decidiu converter o julgamento em diligência para as providências assim indicadas na conclusão do voto: Em vista do exposto, voto por que se converta o julgamento em diligência à unidade da SRE de origem, a fim de que seja solicitada a manifestação do Incra, mediante pedido que deverá ser acompanhado das declarações de fl. 82/83, para que esse órgão informe: • sobre se tãosomente a localização do imóvel "UNIÃO DE BAIXO", na zona 4 do Zoneamento SócioEconômicoEcológico do Estado de Rondônia, estabelecido pela Lei Complementar nº 52/1991 desse Estado, implica caracterizar tal imóvel como área de utilização limitada, para efeito de exclusão de tributação do ITR; e • sobre como está classificado o referido imóvel nesse órgão; e na hipótese de estar classificado como área de reserva legal, se o fato de o imóvel estar localizado na zona 4 do referido zoneamento exclui a obrigação de averbação à margem de inscrição de matrícula do imóvel. Sala das Sessões, em 13 de julho de 2006 Os autos retornaram ao antigo Terceiro Conselho acrescido das peças de fls. 132/184 e novamente foi incluído na pauta de julgamento, em 13/11/2008, e mais uma vez se decidiu converter o julgamento em diligência, para as providências assim descritas: Por sua vez, a Sedam informa os imóveis que estão incluídos em Ação Civil Pública em que houve concessão de liminar e que os imóveis ali citados estão vetados de averbarem a Reserva Legal, não acrescentando outras informações que tenham relação objetiva e eficaz com a diligência determinada por esta Câmara. Entendo que o resultado da diligência não foi profícuo, de forma que viesse a trazer os elementos suficientes para a devida convicção na solução da lide. Ao contrário, as informações Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 6 resultantes da diligência mantiveram as dúvidas anteriormente surgidas. E diante da existência de dúvidas a respeito de matéria que envolve constituição de crédito tributário, é obrigação do julgador tentar a busca dos elementos necessários ao bom julgamento, de forma a afastar as incertezas a respeito da matéria. Em vista do exposto, voto por que se converta o julgamento novamente em diligência à unidade da SRF de origem, afim de que seja solicitada a manifestação do Ibama: a) sobre a quantidade de áreas do imóvel "União de Baixo", com área de 3.712 ha e registrado na SRF sob n° 1754702.4, que estava registrada ou aceita por essa autarquia, nos anos de 1994 e de 1995, como de reserva legal, de preservação permanente ou de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (art. 11 da Lei n° 8.847/94); e b) sobre se a localização desse imóvel na Zona 4 do zoneamento Sócioeconômicoecológico do Estado de Rondônia, estabelecido pela Lei Complementar 122 52/1991 (art. 2, abaixo transcrito), implica ou suficiente para reconhecêlo como área de reserva legal, de preservação permanente ou de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (este pedido deverá ser acompanhado das declarações de fls. 88/89). "Art. 2º — A primeira aproximação do Zoneamento Sócio EconômicoEcológico de Rondônia define 06 (seis) zonas sócio econômico ecológicas, segundo as características regionais especificas e capacidade de ofertas ambientais próprias de cada zona, as quais apresentam os seguintes aspectos: (...) IV — Zona 4 — Caracterizada pela ocorrência, predominantemente de médias e grandes propriedades rurais, porém com baixa incidência de domínios privados, contrapondo ao alto índice de terras públicas, refletindo baixa intensidade ocupacional e rarefeita ação antrópica; ambiente de floresta aberta e densa, com domínio fitosionômico de espécies do extrativismo vegetal em ecossistemas frágeis; solo de baixa fertilidade natural (distrédicos) em relevas planos e ondulados. As terras desta zona, destinamse à recuperação, ordenamento e desenvolvimento do extrativismo vegetal com manejo auto sustentado dos recursos naturais renováveis, cujo aproveitamento racional permite a pesca e agricultura de subsistência, sem alteração significativa do meio físico, garantindo a autosustentação da unidade produtiva. Nesta zona o desmatamento fica restrito a autosustentação da comunidade extrativista, limitando a 5 ha por Unidade Produtiva, cujo excedente dependerá da aprovação baseada em estudos prévios, conforme legislação em vigor." Sala das Sessões, em 13 de novembro de 2008 Em cumprimento da diligência, veio aos autos o documento de fls. 190/194. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10283.003815/200415 Acórdão n.º 220101.245 S2C2T1 Fl. 4 7 É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a exigência referese a lançamento de ofício relativo ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercícios de 1995 e 1996 que tomou por base a DITR apresentada para o exercício de 1994. Em sua peça recursal o contribuinte questiona, essencialmente, o VTN, a alíquota aplicada, o grau de utilização, a área de reserva legal e as contribuições. Quanto ao Valor da Terra Nua – VTN alega o recorrente que de acordo com o laudo de avaliação (fls. 36), que o VTN deveria ser de R$ 1,13 para ambos os exercícios, posto que as áreas estão inseridas no Zoneamento Sócioeconômico ecológico e, portanto, não possui qualquer valor comercial, pois seu valor passou a ser apenas ecológico, o que não interessa ao mercado. Transcrevemse os fundamentos do laudo para fins de avaliação: Como foi observado todas as áreas que ficaram dentro de áreas com restrições pelo zoneamento, passaram a não ter qualquer valor comercial, dentro de uma política reinante no estado, que é, o que podemos tirar de recursos com fins lucrativos, coso contrário, seu valor passou a ser apenas ecológico, o que não interessa ao mercado. Desta forma pesquisando seu preço no mercado através de opiniões chegouse apenas a um valor tributário, pois não há qualquer interesse em adquirir qualquer área que esteja dentro de uma área de preservação. O proprietário não introduziu qualquer tipo de benfeitorias que agregasse valor. Baseado cm pesquisa de opiniões e tratamentos estatísticos, temos a seguinte cálculo nos anos de 1995 e 1996: Valor médio saneado do hectare da terra nua é de R$ 1,13 Depreendese da leitura do referido laudo que o mesmo não apresenta nenhum elemento que justifique, objetivamente, suas conclusões sobre o valor estimado para o imóvel. Traz apenas impressões genéricas e sem comprovação. Ademais, segundo o próprio laudo, a avaliação não se baseou em pesquisa de mercado, mas de um valor aleatoriamente informado pelo engenheiro que elaborou o supracitado documento. Notase, também, que o laudo em momento algum fornece elementos que justifiquem a discrepância entre o preço médio das terras apurado pela Administração Fazendária e o preço sugerido para o imóvel em particular. E esta é uma questão essencial para infirmar o valor apurado pelo SIPT. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Enfim, neste ponto, acompanho a conclusão da decisão de primeira instância, no sentido de não acatar o referido laudo para fins de revisão do valor fundiário atribuído ao imóvel. Relativamente à alíquota aplicada e o grau de utilização entendo que seu percentual foi correto, como se colhe das importantes e profícuas observações do relator do julgamento de primeira instância, quando discorreu sobre a matéria, os quais adoto e agrego ao meu voto: A área tributada, de acordo com os documentos de fls. 44 e 46, é apenas a de 50% da área total (1.856,0 hectares x R$ 59,60 = R$ 110.617,60; 1.856,60 hectares x R$ 35,09 = R$ 65.127,04). (...) O Grau de Utilização foi calculado de acordo com a Lei nº 8.847, de 28.01.1994, art. 4º. Na Declaração de Informações do ITR 1994 não consta área utilizada declarada. Portanto, o Grau de Utilização é 0,0. O ano de 1994 foi o primeiro em que ocorreu o Grau de Utilização 0,0. Portanto, 1995 foi já o segundo ano consecutivo a ter o imóvel rural Grau de Utilização 0,0. Para a definição do Grau de Utilização, a Lei nº 8.847/1994 estabelece, em seu art. 4º e parágrafo, os conceitos de áreas do imóvel e cálculo da utilização. (...) A alíquota base foi de 1,90% da Tabela III, Municípios da Amazônia Ocidental, do Anexo I, da Lei nº 8.847, de 28/01/94, para imóveis com área total entre 3.200,0 e 6.400,0 hectares, com utilização efetiva da área aproveitável inferior a 30%. No caso a utilização efetiva da área aproveitável é 0,0%. A alíquota base de 1,90% foi multiplicada por dois, no exercício de 1995, com base no § 3º do art. 5º da Lei nº 8.847, de 28/01/94, resultando na alíquota de cálculo de 3,80% que incidiu sobre o VTN Mínimo estabelecido pela IN/SRF nº 42, de 19/07/96, para o exercício de 1995 e IN/SRF nº 58 de 14/10/96: “§ 3º O imóvel rural que apresentar percentual de utilização efetiva da área aproveitável igual ou inferior a trinta por cento terá a alíquota calculada, na forma deste artigo, multiplicada por dois, no segundo ano consecutivo e seguintes em que ocorrer o fato.” Portanto, neste ponto, o lançamento não carece de qualquer reparo. Quanto à área preservacionista, em que pese alegue o recorrente que o imóvel está inserido em área de interesse ecológico, deve ser esclarecido que para a exclusão dessa área para fins de apuração da base de cálculo do ITR é necessário à existência de ato específico do Poder Público declarando a área ambiental do imóvel em particular. Além do mais, de acordo com o laudo técnico, fl. 32, existe na propriedade 1.296,00 ha de áreas aproveitáveis mais não utilizadas. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10283.003815/200415 Acórdão n.º 220101.245 S2C2T1 Fl. 5 9 Com efeito, cumpre trazer novamente à baila as observações do relator no momento em que discorreu sobre o tema: Ainda, com relação às áreas de interesse ecológico, a Norma de Execução SRF/Cosar/Cosit/ Nº 02, de 08/02/1996, exige em seu anexo IX, 12,4, Ato do Poder Público federal ou estadual, declaratório do enquadramento nas disposições do inciso II do art. 11 da lei nº 8.847/94, para comprovação de áreas não tributáveis. E é no mínimo descabido que o “órgão competente” referido seja a própria Lei Complementar Estadual, conforme entende o contribuinte. Ademais, nem mesmo a caracterização do imóvel como área de interesse ecológico subsiste, pois que não resta caracterizada a necessária ampliação das restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal (art. 11, I, da Lei nº 8.847/94. Afinal, o “Laudo de Avaliação de Imóvel Rural” de fls. 23/37 indica a exploração do imóvel, em seu item 4.6, as condições de uso da terra, item 5.1 e a falta de conservação dos recursos naturais, no seu item 7. É situação do imóvel rural a “exploração indiscriminada de madeira pela madeireira denominada VM de Ji Paraná, não obedecendo nenhuma legislação ambiental”. Onde ficou a preservação permanente, prevista no inciso I do art. 11 da Lei 8.847/96, necessária para que se efetue o “interesse ecológico”, nos termos da lei acima citada? Contundente a situação no item 8, aspectos sociais: “a surpresa é a retirada de madeira sem nenhum plano de manejo e por invasores”. Não importa se por invasores. Importa que não há a preservação permanente, não há o interesse ecológico, nos termos do art. 11 da lei 8.847/96. Por certo não há a reserva legal. Deixase de cancelar a informação de reserva legal, negandolhe a não tributação sobre 50% do imóvel rural, por não poder este Órgão Julgador agravar o lançamento. Tais fatos reforçam a manutenção do lançamento na forma como foi efetuado, inobstante, conforme já salientado, sejam apenas complementares às razões já elencadas anteriormente. Afinal, entendese não restar documentalmente comprovada a existência da área de interesse ecológico não declarada pelo contribuinte e agora pretendida a sua inclusão na Declaração de Informações do ITR de 1994, fl. 39. Destarte, válido o lançamento também neste ponto. Por fim, as contribuições para o CNA, CONTAG, SENAR juntamente com o ITR estão previstas em ato legal e regularmente editado, descabida mostrase qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido de afastar sua cobrança. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 10DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 15563.000407/2010-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES - AUSÊNCIA DE PEDIDO DE ISENÇÃO - DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO - SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS - NÃO CONHECIMENTO.
Para conhecimento do Recurso Especial faz-se necessário que os acórdãos paradigmas erijam-se de situações fáticas semelhantes, cuja interpretação da norma jurídica a elas aplicável tenha sido divergente entre as Turmas de Julgamento deste Conselho.
Tratando-se de situações fáticas distintas, não se pode concluir que há divergência da interpretação na Lei Tributária, mormente quando o elemento fático diferenciador das situações é fulcral para a interpretação da norma.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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Para conhecimento do Recurso Especial fazse necessário que os acórdãos paradigmas erijamse de situações fáticas semelhantes, cuja interpretação da norma jurídica a elas aplicável tenha sido divergente entre as Turmas de Julgamento deste Conselho. Tratandose de situações fáticas distintas, não se pode concluir que há divergência da interpretação na Lei Tributária, mormente quando o elemento fático diferenciador das situações é fulcral para a interpretação da norma. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 04 07 /2 01 0- 19 Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de contribuições devidas à Seguridade Social correspondente à parte da empresa e, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, no período de 01/2007 a 13/2007. Conforme se apurou no procedimento fiscalizatório, o contribuinte em questão deixou de efetuar o recolhimento das contribuições, declarandose entidade beneficente de assistência social, isenta, nos termos do artigo 195, § 7º, da Constituição da República de 1988. Nos termos do artigo 55, da Lei 8.212/91, vigente à época, para ter direito a se valer da referida isenção o contribuinte deveria atender a diversos requisitos, que deveriam ser comprovados ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, mediante apresentação de requerimento de isenção. Sendo verificado o cumprimento de todos os requisitos, referido órgão expediria Ato Declaratório de Isenção, momento a partir do qual o contribuinte poderia exercer seu direito. Assim sendo, durante o procedimento fiscalizatório foi solicitada a apresentação do referido Ato Declaratório de Isenção ao contribuinte, que, por não o possuir, não apresentou. Nesse contexto, foi lavrado o Auto de Infração. No curso do regular processo administrativo houve impugnação pelo contribuinte, julgada totalmente improcedente pela DRJ. Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15563.000407/201019 Acórdão n.º 9202003.866 CSRFT2 Fl. 1.634 3 Ato sequente, foi regularmente interposto Recurso Voluntário, discutindo os mesmos pontos tratados na Impugnação, dentre os quais a desnecessidade de prévio reconhecimento da isenção pelo INSS, tendo em vista a aplicação retroativa do artigo 29, da Lei 12.101/09, que revogou o artigo 55, da Lei 8.212/91 e deixou de fazer tal exigência. Para o contribuinte tratavase de um típico caso de aplicação da retroatividade benigna, prevista no artigo 106, II, "b", do CTN. Ao analisar o Recurso do Contribuinte a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste Tribunal a ele deu provimento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 IMUNIDADE. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. LEI N. 12.101/2009. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXCLUSÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ART. 106, II. B. Uma vez constatado que o ato administrativo que nega o gozo da imunidade pelo contribuinte em processo administrativo que fora lavrado e encerrado sob a égide de lei nova, que deixe de tratar determinado fato como contrário à qualquer exigência de ação ou omissão, in casu, obtenção de Decreto de Utilidade Pública Estadual ou Municipal, e ausente a alegação e prova de fraude,devese aplicar retroatividade o novo diploma benéfico, nos termos do art. 106, II, b combinado com o art. 112, I, ambos do CTN. Recurso Voluntário Provido Cientificada do acórdão em 11/10/2014, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs recurso especial em 22/10/2014 (data do despacho de fl. 575), o qual é considerado tempestivo. Para demonstrar o dissídio jurisprudencial a Fazenda Nacional colacionou os Acórdãos n.º 2302002.472, de 14/04/2013, n.º 2302.003.052, de 18/03/2014. A ementa do segundo paradigma apresentado mostra que a opção interpretativa ali adotada é a de que, para os fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei n.º 12.101/2000, a entidade beneficente para usufruir da imunidade relativa às contribuições sociais deveria haver requerido ao órgão da Seguridade Social o ato declaratório, sem o qual são devidas as contribuições relativas à cota patronal, posto que não haveria como a norma em questão ser aplicada a fatos geradores ocorridos antes da sua vigência. Vejamos a parte da ementa que trata da questão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 (...) Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO RETROATIVA. DESNECESSIDADE DE SOLICITAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A lei aplicável é aquela vigente à época da ocorrência dos fatos, em respeito às lições elementares da ciência do Direito e às disposições gerais do ordenamento jurídico, em especial arts. 1° e 2° da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro DecretoLei n° 4.657/42 e arts. 105 e 144 do CTN. No caso da Lei n° 12.101/2009, não há que se falar em aplicação da regra excepcional da retroatividade benigna insculpida no art. 106 do CTN, em especial quanto à desnecessidade de solicitação de ato declaratório para o gozo da isenção/imunidade. Em suas razões a União alega que da simples leitura do artigo 106, do CTN: "vêse que o inciso I não tem aplicação ao presente caso, pois não estamos diante de lei interpretativa. Também não estamos diante de norma que trata de definição de infração ou de cominação de penalidade, o que também afasta o inciso II da discussão. Ao que nos concerne, a Lei 12.101/09 estabelece novo procedimento a ser adotado para verificação do cumprimento das condições para a concessão do Certificado das Entidades Beneficentes de Assistência Social – CEBAS, assim como fixa os requisitos para o gozo da isenção das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/91." Intimado da decisão e do Recurso Especial da União, o contribuinte não apresentou contra razões. Isso posto, passo ao exame do caso. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra Relator Com relação à admissibilidade do Recurso da União, vejo que a situação jurídica versada no Acórdão Paradigma e no Acórdão recorrido se assemelham. Ambos tratam da aplicação ou não, da retroatividade de Lei prevista no artigo 106, do CTN, para o artigo 29, da Lei 12.101/2009, em relação à apresentação de ao requerimento de isenção das contribuições previdenciárias ao INSS. Contudo, as situações fáticas descritas nos paradigmas e aquela tratada nos presentes autos possuem relevante diferença que, se analisada pela turma que exarou as decisões paradigmas, não se pode garantir que a decisão seria, de fato, divergente. No recorrido, ainda no período de vigência do artigo 55, da Lei 8.212/91, houve pedido de imunidade pelo contribuinte, nos termos do § 1º, do referido artigo 55. Entretanto, apesar de indeferido o pedido, o trânsito em julgado do processo administrativo respectivo apenas ocorreu após à vigência da Lei 12.101/09, conforme se pode constatar da seguinte passagem do voto vencedor: Portanto, até o advento da Lei nº 12.101/2009, aqueles que não cumprissem os requisitos meramente formais dispostos nos incisos I e II do art. 55 da Lei nº 8.212/91, não poderiam ser enquadrados como entidades beneficentes, sofrendo, pois, o ônus da não fruição da imunidade tributária. Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15563.000407/201019 Acórdão n.º 9202003.866 CSRFT2 Fl. 1.635 5 Nos presentes autos o contribuinte apresentou pedido de gozo de imunidade à Secretaria da Receita Federal do Brasil, o qual foi indeferido, ante a não apresentação de Decreto de Declaração de Utilidade Pública Estadual ou Municipal, requisito da segunda parte do inciso I, do art. 55 da Lei 8.212/91. No entanto, o processo 35331.000241/200776, fls. 142 e seguintes, perdurou a discussão até momento posterior à vigência da Lei 12.101/2009, de 27 de novembro de 2009, conforme se percebe da sua movimentação disponível no COMPROT da Receita Federal, abaixo colacionado: Diante da indefinição jurídica quanto à imunidade, dado que o processo relativo ao pedido perdurou até o advento da nova Lei, que trouxe um afrouxamento das formalidades para o gozo da benesse, a Turma de Julgamento entendeu que, nesse caso, aplicavase a retroatividade da Lei Tributária, nos moldes do artigo 106, II, "b", do CTN, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 IMUNIDADE. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. LEI N. 12.101/2009. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXCLUSÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ART. 106, II. B. Uma vez constatado que o ato administrativo que nega o gozo da imunidade pelo contribuinte em processo administrativo que fora lavrado e encerrado sob a égide de lei nova, que deixe de tratar determinado fato como contrário à qualquer exigência de ação ou omissão, in casu, obtenção de Decreto de Utilidade Pública Estadual ou Municipal, e ausente a alegação e prova de fraude,devesse aplicar retroatividade o novo diploma benéfico, nos termos do art. 106, II, b combinado com o art. 112, I, ambos do CTN. Já nos paradigmas apresentados pela União em seus recurso é possível detectar. claramente, que o fato de haver pedido de imunidade formulado, ainda na vigência da Lei 8.212/91, artigo 55, § 1º, não foi frontalmente enfrentado pelos julgadores, com o objetivo de confirmar ou não seu entendimento quanto à retroatividade da Lei 12.101/09. Vejam que no acórdão de nº 2302002.472 a ratio decidendi pautase exclusivamente na falta de solicitação da imunidade por parte do contribuinte. É o que se pode extrair das seguintes passagens do voto vencedor respectivo, abaixo transcritas: As provas constantes nos autos não contêm qualquer indício de prova material, o mínimo que seja, de que o Recorrente tenha formulado perante a autarquia previdenciária federal o indispensável requerimento de isenção a que alude o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Ao contrário: O próprio Recorrente admite que “no período fiscalizado atendeu a todos os requisitos da Lei nº 8.212/91, exceto o pedido de reconhecimento de isenção ao INSS, pedido esse agora não mais exigido pela lei nova”. Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 (...) Por tais razões, em virtude da carência de requisito essencial previsto no §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, consistente no requerimento formal da isenção ora em realce ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, pugnamos pela improcedência das alegações veiculadas no Recurso Voluntário interposto pelo SODIPROM Centro de Formação de Aprendizes de Diadema. Já o caso tratado no Acórdão 2302003.052 é ainda mais dissonante no presente, haja vista que naquela situação houve um cancelamento formal do ato declaratório pelo INSS, tendo em vista a ausência de comprovação de requisito necessário para a fruição da benesse fiscal e, mesmo após o contribuinte se adequar novamente aos requisitos legais, não houve novo pedido de imunidade. Eis o que diz o voto condutor do referido acórdão: Tendo em vista que a recorrente teve sua isenção cancelada por Ato Cancelatório retroativo a 25/01/2002, em virtude de não ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, no período de 11/03/1999 a 10/03/2002, como retro demonstrado, concluise que somente voltaria a fazer jus ao benefício após o requerimento de novo gozo do benefício em questão, procedimento este obrigatório, conforme dispõem o art. 55, parágrafo 1º, da Lei 8.212/91 c/c art. 208 do Decreto 3.048/99. Nessa hipótese, a isenção, se concedida, geraria efeitos a partir do protocolo do pedido, conforme dispõem o § 1º do art. 55. da Lei 8.212/91 e o art. 208 do Decreto 3.048/99 Lei 8.212/91. (...) Sendo assim, mesmo a recorrente sendo detentora do certificado no período abrangido pelo lançamento (01/2008 a 12/2008), por não ter comprovado o cumprimento do requisito legal previsto no art. 55, parágrafo 1º, da Lei 8.212/91 c/c art. 208 do Decreto 3.048/99, o lançamento mostrase lídimo. Vejam que a falta de requerimento de nova isenção é o motivo que levou a Turma a decidir pela inaplicabilidade da imunidade. Salientese que no entendimento da Turma em havendo nova solicitação de imunidade, os efeitos respectivos iniciariamse na data do protocolo do pedido. Pois bem. A meu ver, está claro que as situações fáticas analisadas nos acórdãos paradigmas se diferem da situação analisada pela Turma que exarou a decisão recorrida, sendo o ponto central da diferença fática processo de solicitação de imunidade pendente de julgamento quando da entrada em vigência da Lei 12.101/09 fundamental para o deslinde da questão. E tal ponto não foi analisado pela Turma que exarou as decisões ora trazidas como paradigmas. Em assim sendo, voto pelo não conhecimento do recurso da União. Gerson Macedo Guerra Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15563.000407/201019 Acórdão n.º 9202003.866 CSRFT2 Fl. 1.636 7 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Divirjo do entendimento do ilustre relator, quanto ao não conhecimento do Recurso Especial da PGFN, uma vez que a matéria devolvido a esta CSRF é a seguinte: "cabimento retroativo da lei 12101/2009, que deixa de exigir o pedido de isenção constante do art. 55 da lei." A alegação de ausência de similitude fática não deve prosperar, já que a imputação de descumprimento legal descrita nas três situações (recorrido e paradigmas) consubstanciase no fato de inexistir ato declaratório de isenção emitido pelo INSS/SRP. Nos 3 casos identifcamos que dispositivo legal que fundamentou todos os lançamentos é o mesmo, qual seja, o art. 55, §1º da lei 8212/91, conforme descrito nos respectivos acórdãos. Vejamos trecho do acórdão recorrido Voto vencedor, que ora apreciamos quanto as razões que levaram a maioria do colegiado a dar provimento ao recurso do contribuinte: Da leitura do artigo, verificase que as “entidades beneficentes de assistência social” precisam atender às exigências estabelecidas em lei para serem imunes à contribuição previdenciária. Nesse diapasão, assim disciplinava a norma infralegal (art. 55 da Lei n. 8.212/91), vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência;(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). É possível constatar, da leitura dos dispositivos supra, que a benesse fiscal presentemente discutida cuida, em verdade, de imunidade tributária condicionada ao cumprimento dos requisitos estabelecidos no então art. 55, da Lei nº 8.212/91. Posteriormente, a Lei nº 12.101/2009 disciplinou os requisitos para a fruição da imunidade discutida, revogando o referido dispositivo, além de elencar nova relação de condições a serem cumpridas, excluindose desta, o reconhecimento como utilidade pública federal e estadual ou distrital e municipal. É o que se vê no art. 29 da novel lei, in verbis: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam, seus dirigentes estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; (Redação dada pela Lei nº 12.868, de 2013) II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou Processo n patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15563.000407/201019 Acórdão n.º 9202003.866 CSRFT2 Fl. 1.637 9 Vêse que o legislador retirou tais requisitos meramente formais e burocráticos que tanto dificultavam o gozo da benesse fiscal concedida constitucionalmente, para dispor tão somente de condições materiais que efetivamente caracterizam a beneficência e assistência social de determinada entidade. [...] Portanto, até o advento da Lei nº 12.101/2009, aqueles que não cumprissem os requisitos meramente formais dispostos nos incisos I e II do art. 55 da Lei nº 8.212/91, não poderiam ser enquadrados como entidades beneficentes, sofrendo, pois, o ônus da não fruição da imunidade tributária. Nos presentes autos o contribuinte apresentou pedido de gozo de imunidade à Secretaria da Receita Federal do Brasil, o qual foi indeferido, ante a não apresentação de Decreto de Declaração de Utilidade Pública Estadual ou Municipal, requisito da segunda parte do inciso I, do art. 55 da Lei 8.212/91. No entanto, o processo 35331.000241/200776, fls. 142 e seguintes, perdurou a discussão até momento posterior à vigência da Lei 12.101/2009, de 27 de novembro de 2009, conforme se percebe da sua movimentação disponível no COMPROT da Receita Federal, abaixo colacionado: Por tal razão, era dever da autoridade aplicar a nova disciplina para gozo da imunidade, em conformidade com expressa disposição do Código Tributário Nacional, princípio da retroatividade benigna, nos termos no art. 106, II, ‘b’, in verbis: [...] No caso concreto, a infração tributária fora caracterizada como o fato de o contribuinte ter se auto enquadrado no FPAS 639, o que afastava a incidência de contribuições previdenciárias, parte patronal, em razão do disposto no art. 195, parágrafo 7º da CF/88, mesmo não preenchendo os requisitos do art. 55, I, da Lei 8.212/91, à época dos fatos geradores. Ao revogar o art. 55, a Lei 12.101/09 deixou de exigir o Decreto de Utilidade Pública Estadual ou Municipal, o que afasta, portanto, a falta do contribuinte, e, consequentemente, a caracterização da multa, principalmente pelo fato de o processo de isenção ter se findado sob a égide da lei nova, bem como o auto ter sido lavrado também posteriormente. Ante o exposto, entendo que a devese aplicar retroativamente a Lei 12.101/09, para deixar de definir como infração, o auto enquadramento como imune às contribuições, em razão de o fato que ensejaria a infração, ter deixado de existir. Por outro lado, ao contrário do que entendeu o ilustre relator, entendo que os acórdãos paradigmas e o recorrido versam, sim, sobre situações fáticas semelhantes, qual seja, em ambos os casos foram lançadas contribuições em que a fiscalização apontou o descumprimento do art. 55, §1º, sendo que foram apreciadas questões da lei 12.101/2009 e sua Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 aplicabilidade retroativa aos processos no momento do julgamento. Não cabe aqui discutir os motivos ensejadores da inexistência do ato declaratório, seja porque inexistiu o pedido, seja porque foi indeferido, o que é fato nos três casos é que o FUNDAMENTO DO LANÇAMENTO É O MESMO, ART. 55, §1º DA LEI 8212/91, tendo os colegiados em relação ao descumpimento desse preceito legal, e a luz das novas regras introduzidas lei 12.101/2009, julgado se aplicaria ou não seus preceitos em relação aos fatos geradores anteriores. Observe que o acórdão recorrido foi lavrado em 07/11/2010, referente ao período de 01/2007 a 12/2007, cujo descumprimento apontado foi: Segundo o relatório fiscal, constituem fatos geradores das contribuições lançadas, as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais apurados nas GFIP e em folhas de pagamento, entretanto as contribuições patronais foram apuradas tendo em vista a empresa ter se auto enquadrado equivocadamente como entidade isenta, utilizandose na GFIP o código FPAS 639, apesar de ter seu pedido de isenção de contribuições sociais indeferido, conforme cópia do Ofício 0334/2007 – DRF/NIU/SECAT, de 30/11/2007. Já o primeiro paradigma apresentado Acórdão 230202.472, referente ao período de 30/01/2006 a 12/2007, podemos extrair, apenas para identificar a inexistência de similitude descrita pelo relator, os seguintes pontos: Diante de tal quadro normativo legal e constitucional, para que uma entidade seja sujeito de direito à isenção em realce, é indispensável que comprove ser entidade beneficente e de assistência social e que seja reconhecida formalmente como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, além de atender, cumulativamente, aos demais requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. Nessa prumada, não basta à entidade beneficente ser reconhecida pelos órgãos certificadores, nem mesmo ser detentora dos certificados de entidade beneficente de assistência social, para poder usufruir do direito à isenção em foco. De acordo com o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, fulgura como condição sine qua non que a entidade, atendendo a todos os requisitos elencados na lei, requeira o reconhecimento à isenção ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, o qual terá o prazo de 30 dias para despachar o pedido. As provas constantes nos autos não contêm qualquer indício de prova material, o mínimo que seja, de que o Recorrente tenha formulado perante a autarquia previdenciária federal o indispensável requerimento de isenção a que alude o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Ao contrário: O próprio Recorrente admite que “no período fiscalizado atendeu a todos os requisitos da Lei nº 8.212/91, exceto o pedido de reconhecimento de isenção ao INSS, pedido esse agora não mais exigido pela lei nova”. No caso em apreciação, o lançamento tributário houvese por formalizado em razão de a entidade recorrente não ter efetuado tempestivamente o recolhimento das contribuições previdenciárias por ela devidas, consoante exigência fiscal inscrita na Lei nº 8.212/91. Constatou o agente fiscal notificante que, mesmo sem ser titular do direito de isenção em realce, a entidade informava nas GFIP o código FPAS 639, que é Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15563.000407/201019 Acórdão n.º 9202003.866 CSRFT2 Fl. 1.638 11 específico para as Entidades Beneficentes de Assistência Social reconhecidas pela autarquia previdenciária, mediante Ato Declaratório, como detentoras do direito a isenção de contribuições previdenciárias. Noticiese que a carência do direito formal à isenção houvese por reconhecido pela própria Recorrente. Cabenos enfatizar que, por se tratar de hipótese de renúncia fiscal, há que se lhe emprestar interpretação restritiva, a teor das disposições plasmadas no art. 111, II do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Não podemos concordar com qualquer possibilidade de incidência, ao caso concreto, do preceito inscrito no §1º do art. 144 do CTN, conforme defendido pela Insigne Relatora, uma vez que o art. 29 da Lei nº 12.101/09 não instituiu qualquer novo critério de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, a justificar a incidência retroativa da Lei nº 12.101/2009. Código Tributário Nacional Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. O citado art. 29, ao revés, instituiu, sim, dentro da nova ordem jurídica inaugurada pela aludida Lei nº 12.101/2009, os requisitos necessários exigidos das entidades beneficentes certificadas na forma do Capítulo II dessa lei para fazer jus à isenção do pagamento das contribuições sociais de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212/91, os quais passaram a ser de Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 observância obrigatória a contar da efetiva vigência e eficácia da Lei nº 12.101/2009, em atenção à regra geral encartada no caput do art. 144 do CTN. Discordamos, igualmente, da interpretação dada pela Eminente Relatora ao dispositivo encapsulado no art. 44 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010, que regulamentou a Lei nº 12.101/09. Ao contrário da exegese concebida no voto condutor, entendo que o dispositivo insculpido no suso citado art. 44 expressamente inadmite a retroatividade da lei nova em tela, na medida em que determina que os Atos Cancelatórios e Pedidos de Isenção pendentes de julgamento retornem às competentes Delegacias da Receita Federal para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador, e não em conformidade com a lei nova, reconhecendo, assim, a primazia do princípio tempus regit actum. Decreto nº 7.237, de 20/07/2010 “Art. 44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei nº 12.101, de 2009. Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.” Por tais razões, em virtude da carência de requisito essencial previsto no §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, consistente no requerimento formal da isenção ora em realce ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, pugnamos pela improcedência das alegações veiculadas no Recurso Voluntário interposto pelo SODIPROM Centro de Formação de Aprendizes de Diadema. Já o paradigma, 2302003.052, período de 01/2008 a 12/2008, fls. 894, também pautado na inexistência de ato declaratório, contudo argumentava a recorrente que seu processo do ato cancelatório não se encontrava definitivamente julgado, sendo pela decisão do colegiado incabível a retroatividade da lei 12.101/2009: Tendo em vista que a recorrente teve sua isenção cancelada por Ato Cancelatório retroativo a 25/01/2002, em virtude de não ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, no período de 11/03/1999 a 10/03/2002, como retro demonstrado, concluise que somente voltaria a fazer jus ao benefício após o requerimento de novo gozo do benefício em Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15563.000407/201019 Acórdão n.º 9202003.866 CSRFT2 Fl. 1.639 13 questão, procedimento este obrigatório, conforme dispõem o art. 55, parágrafo 1º, da Lei 8.212/91 c/c art. 208 do Decreto 3.048/99. Nessa hipótese, a isenção, se concedida, geraria efeitos a partir do protocolo do pedido, conforme dispõem o § 1º do art. 55. da Lei 8.212/91 e o art. 208 do Decreto 3.048/99 Lei 8.212/91. Tampouco assiste razão à recorrente quanto à tese de que o inciso II do art. 55, da Lei 8.212/91 deve ser aplicado na sua redação original, a qual estipulava que as entidades beneficentes deveriam ser portadora do Certificado ou do Registro de Entidades de Fins Filantrópicos, fornecido pelo CNAS, tendo em vista a liminar concedida pelo STF, na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.0285. Como sempre possuiu o Registro de Entidade Beneficentes de Assistência Social, não haveria a necessidade do Certificado de Entidade Beneficentes de Assistência Social. Conforme já decidido pela DRJ, a argumentação não tem cabimento, pois a liminar concedida pelo STF referese apenas ao inciso III e aos §§ 3º, 4º e 5º, do art. 55, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.732/98, bem como aos arts. 4º, 5º e 7º da própria Lei nº 9.732/98, de sorte que não houve qualquer manifestação do STF em relação ao inciso II, do art. 55 da Lei 8.212/91, que exige que a entidade seja portadora tanto do Certificado quanto do Registro de Entidade Beneficente de Assistência Social. Sendo assim, mesmo a recorrente sendo detentora do certificado no período abrangido pelo lançamento (01/2008 a 12/2008), por não ter comprovado o cumprimento do requisito legal previsto no art. 55, parágrafo 1º, da Lei 8.212/91 c/c art. 208 do Decreto 3.048/99, o lançamento mostrase lídimo. Ausência de Trânsito em julgado. Alega a recorrente que não houve trânsito em julgado do ato cancelatório de sua isenção, mesmo em se tratando de infração ao inciso II do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, tendo apresentado recurso que se encontra pendente de julgamento. Como já afirmado, a regulamentação do referido dispositivo legal foi feita por meio do Decreto nº 3.048/99, que no seu art. 206, § 8º, incisos I, II, III e IV previa o procedimento administrativo do cancelamento da isenção nas hipóteses de não cumprimento, pelas entidades beneficiadas, dos requisitos legais. Como já consignado na decisão de primeira instância, dispunha o § 9º do art. 206 que não cabia recurso da decisão que cancelava a isenção com fundamento nos incisos I, II e III do caput do art. 206 do Decreto 3.048/99. Isso porque os requisitos previstos nos incisos mencionados (correspondentes aos incisos I e II, do art. 55, da Lei nº 8.212/91) tratam de certidões e certificados emitidos por órgãos não vinculados ao Conselho de Recursos da Previdência Social (posteriormente Conselho Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Administrativo de Recursos Fiscais). No caso em questão, a isenção foi cancelada em virtude da ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, cuja emissão e renovação cabiam ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, restando aos órgãos de fiscalização do INSS e, posteriormente, da Receita Federal do Brasil, a verificação objetiva, nesta hipótese (requisito previsto no inciso II, do art. 55, da Lei 8.212/91), da existência ou não do CEBAS. Assim, ausente o certificado, o cancelamento da isenção impunhase, sem possibilidade de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme dispõe a legislação aplicável à matéria. Portanto, não houve falta de trânsito em julgado administrativo em relação ao processo de cancelamento de isenção, razão pela qual não há que se falar em cerceamento de defesa. Retroatividade Benigna. Lei n° 12.101/09. Alega a recorrente que deve ser aplicada a exceção ao princípio da irretroatividade das leis prevista no art. 106 do CTN, que dispõe ser possível a aplicação retroativa da lei, desde que nos mesmos contornos da retroatividade do Direito Penal. Isso porque a norma superveniente a ser aplicada é a Lei nº 12.101/09, que dispõe que basta tão somente a entidade certificada atender aos requisitos previstos no art. 29 do mesmo diploma legal para gozar da isenção prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, sendo certo que, no mínimo, desde o ano de 2003 é certificada e preenche os requisitos do citado art. 29. Ocorre que o pleito da recorrente não se enquadra em nenhuma das exceções previstas no art. 106 do CTN, razão pela qual concluise que a lei aplicável é aquela vigente à época da ocorrência dos fatos em respeito às lições elementares da ciência do Direito e às disposições gerais do ordenamento jurídico, em especial arts. 1° e 2° da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro – DecretoLei n° 4.657/42 e arts. 105 e 144 do CTN. Nesse ponto, entendo que a Procuradoria em seu recurso identificou correntemente a legislação aplicada de forma diversa, indicando paradigmas que se prestam a apreciação da matéria. Destacou os seguintes trechos dos paradigmas em seu recurso: Acórdão 230202.472 “Não podemos concordar com qualquer possibilidade de incidência, ao caso concreto, do preceito inscrito no §1º do art. 144 do CTN, conforme defendido pela Insigne Relatora, uma vez que o art. 29 da Lei nº 12.101/09 não instituiu qualquer novo critério de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, a justificar a incidência retroativa da Lei nº 12.101/2009. (...) O citado art. 29, ao revés, instituiu, sim, dentro da nova ordem jurídica inaugurada pela aludida Lei nº 12.101/2009, os requisitos necessários exigidos das entidades beneficentes certificadas na forma do Capítulo II dessa lei para fazer jus à isenção do pagamento das contribuições sociais de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212/91, os quais passaram a ser de observância obrigatória a contar da efetiva Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15563.000407/201019 Acórdão n.º 9202003.866 CSRFT2 Fl. 1.640 15 vigência e eficácia da Lei nº 12.101/2009, em atenção à regra geral encartada no caput do art. 144 do CTN.” Acórdão 230203.052 “Retroatividade Benigna. Lei n° 12.101/09. Alega a recorrente que deve ser aplicada a exceção ao princípio da irretroatividade das leis prevista no art. 106 do CTN, que dispõe ser possível a aplicação retroativa da lei, desde que nos mesmos contornos da retroatividade do Face ao exposto, considerando que o lançamento do acórdão recorrido, foi fundamentado na inexistência de ato declaratório de isenção, pressuposto descrito no §1º do art. 55 da lei 8212/91 e que a matéria devolvida a esta CSRF referese a retroatividade da lei 12.201/2009, entendo que restou demonstrada a divergência entre a aplicação da lei para os casos apresentados, razão pela qual encaminho por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10875.002742/2002-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. MULTA AGRAVADA.
Sendo a intimação inaugural por edital, e verificando-se apenas uma intimação pelos Correios, bem como o comparecimento espontâneo do Contribuinte ao processo para tomar ciência do Auto de Infração, não há como atribuir-lhe a conduta requerida à aplicação do agravamento da penalidade.
Recurso Especial do Procurador negado
Numero da decisão: 9202-003.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 26/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. MULTA AGRAVADA. Sendo a intimação inaugural por edital, e verificandose apenas uma intimação pelos Correios, bem como o comparecimento espontâneo do Contribuinte ao processo para tomar ciência do Auto de Infração, não há como atribuirlhe a conduta requerida à aplicação do agravamento da penalidade. Recurso Especial do Procurador negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 26/04/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 27 42 /2 00 2- 12 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescida de juros de mora e multa de ofício agravada, tendo em vista a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem identificação de origem. Em sessão plenária de 09/02/2011, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, exarandose o Acórdão nº 280101.380 (fls. 216 a 218), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). IRRETROATIVIDADE. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF nº 35). MULTA AGRAVADA. NÃO CABIMENTO. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso provido em parte.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa aplicada a 75%, nos termos do voto da Relatora." Fl. 298DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10875.002742/200212 Acórdão n.º 9202003.945 CSRFT2 Fl. 298 3 Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, que motivaram a prolação do Acórdão de Embargos nº 2801002.766, de 18/10/2012 (fls. 226/227), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Serão cabíveis Embargos de Declaração sempre que a decisão embargada albergar em seu bojo alguma espécie de omissão, contradição e/ou obscuridade. MULTA AGRAVADA. NÃO CABIMENTO. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios para, rerratificando o Acórdão 280101.380, de 09/02/2011, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa aplicada a 75%, nos termos do voto da Relatora." Cientificada do Acórdão de Embargos em 26/11/2012 (fls. 228), a Fazenda Nacional interpôs, em 29/11/2012 (fls. 230), o Recurso Especial de fls. 231 a 237, visando rediscutir o desagravamento da multa de ofício. Ao recurso foi dado seguimento, conforme despacho de 07/06/2013 (fls. 274/275). Cientificado, o Contribuinte quedouse silente (fls. 250 a 253). Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 Tratase de autuação com base na presunção do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, e a matéria suscitada pela Recorrente é o desagravamento da multa de ofício, promovido pelo Colegiado que prolatou o acórdão recorrido. O Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais de fls. 141/142 assim especifica: "No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal e em cumprimento ao disposto na FM e no MPF supra identificados, fiscalizei o contribuinte em epígrafe relativamente ao exercício financeiro de 1.999, anocalendário de 1.998, no tocante, exclusivamente, a depósitos efetuados em suas contas no BANCO ITAÚ S/A e no BANCO BRADESCO S/A. No endereço constante do cadastro da SRF como sendo o do contribuinte, Av. Polidura 100, atual Av. Lindomar Gomes de Oliveira, Cumbica, GuarulhosSP, CEP 07.230000, funciona, há muitos anos, uma indústria de grande porte: RENNER DUPONT S.A. O chefe de Administração de Pessoal da referida empresa forneceume, fls. 14 verso, declaração da qual consta que o Sr. Sebastião Izidoro Divino não é funcionário, nem exfuncionário, nem sócio, nem exsócio da RENNER DUPONT S.A. e, nem mesmo das empresas que prestam serviços tercerizados dentro do estabelecimento da mesma. Conseqüentemente, o contribuinte Pessoa Física, omisso quanto à apresentação de Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda, foi intimado por EDITAL, fls. 15, a comprovar a origem dos depósitos em sua contas bancárias. Não tendo o fiscalizado atendido ao edital, foi intimado, fls.106, no endereço constante dos documentos fornecidos pelo BRADESCO: Rua Guarunas217, Cangaíba, São PauloSP, CEP 03.734000. AR assinado às fls. 107. Intimação também não atendida. Assim sendo, elaborei o presente Auto de Infração, tendo como Base de Cálculo o total dos depósitos, expurgados os cheques devolvidos e os estornos, conforme planilhas às fls. 113/ 140, que fazem parte deste Termo, que, por sua vez, faz parte integrante do Auto de Infração. Houve majoração da multa de oficio por não atendimento às intimações. (...)" Em síntese, no presente caso a ciência ao Contribuinte assim ocorreu: em 29/02/2001 foi lavrado o Termo de Início de Fiscalização e às fls. 13/14 consta a informação, com base em declaração de terceiro, datada de 29/03/2001, de que o Contribuinte não foi localizado no endereço constante do cadastro da RFB, cujo nome da rua já havia inclusive sido alterado; em 30/03/2001, o Contribuinte foi intimado por edital (fls. 15); em 21/09/2001, o Contribuinte foi cientificado do Termo de Intimação, no endereço constante da ficha cadastral do Bradesco (AR Aviso de Recebimento de fls. 107); Fl. 300DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10875.002742/200212 Acórdão n.º 9202003.945 CSRFT2 Fl. 299 5 em 11/04/2002, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 141 a 147; em 23/04/2002, o Contribuinte foi cientificado pessoalmente do Auto de Infração, conforme assinatura aposta às fls. 147. Sobre o agravamento da multa de ofício, a Lei nº 9.430, de 1996 assim estabelecia: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (...) § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente.” Do exame das peças do processo, verificase que o anocalendário autuado é 1998 e o Auto de Infração foi lavrado em 11/04/2002. Por outro lado, o Contribuinte somente logrou ser intimado em seu real endereço em 21/09/2001. Observase que, entre a data dessa intimação e a lavratura do Auto de Infração não consta dos autos qualquer reintimação para prestar esclarecimentos, conforme é a praxe, em casos semelhantes, inclusive o do paradigma indicado pela Fazenda Nacional (fls. 242): "No caso, apesar de intimado (fls. 22 e 23) e reintimado (fls. 24 e 25) a prestar esclarecimentos, o contribuinte não se manifestou, sendo aplicável o agravamento da multa." (grifei) Ademais, ao que tudo indica o Contribuinte espontaneamente compareceu aos autos, já que a ciência do Auto de Infração foi pessoal, em 23/04/2002. Nesse contexto, não há como afirmarse que houve por parte do Contribuinte uma conduta específica, no sentido de não prestar esclarecimentos. A primeira intimação ocorreu por edital e a ciência por meio dos Correios foi procedida por meio de uma única intimação, embora houvesse prazo para reintimação, já que a decadência somente ocorreria, na pior das hipóteses para o Fisco, em 31/12/2003. Acrescentese o comparecimento espontâneo ao processo, para tomar ciência pessoal do Auto de Infração. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 302DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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