Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,218)
- Segunda Câmara (27,798)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,357)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,838)
- Primeira Turma Ordinária (15,815)
- Primeira Turma Ordinária (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (15,681)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,951)
- Primeira Turma Ordinária (12,270)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,297)
- Quarta Câmara (83,859)
- Terceira Câmara (66,190)
- Segunda Câmara (54,484)
- Primeira Câmara (19,047)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,972)
- Segunda Seção de Julgamen (112,889)
- Primeira Seção de Julgame (75,297)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,908)
- Câmara Superior de Recurs (37,678)
- Terceiro Conselho de Cont (25,959)
- IPI- processos NT - ressa (5,005)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,651)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,618)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,208)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,889)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,591)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,913)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,118)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11020.908462/2012-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.071
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11020.908462/2012-05
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6019260
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-001.071
nome_arquivo_s : Decisao_11020908462201205.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 11020908462201205_6019260.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7777425
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911168458752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1543; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.908462/201205 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302001.071 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de abril de 2019 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente MONTAGENS DE ESTRUTURAS PAM LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Trata o presente processo de pedido de restituição (PER) de contribuição, que restou indeferido, por ausência de crédito, nos termos do Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificado desta decisão, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, sintetizada nos seguintes termos: Alega que a atividade da empresa é de montagens de estruturas metálicas, prestando serviços de execução de obras por empreitada de construção civil. Por isso, afirma que a partir de 01/05/2004, com base na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter ao sistema cumulativo do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .9 08 46 2/ 20 12 -0 5 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11020.908462/201205 Resolução nº 3302001.071 S3C3T2 Fl. 3 2 PIS e da Cofins. Porém, continuou a recolher a contribuição pelo sistema não cumulativo, o que gerou o pagamento a maior. Demonstra, então, o valor a restituir a que entende ter direito. Anexa a relação de notas fiscais do período de apuração em análise, buscando comprovar o total da receita mensal sobre o qual a contribuição deve incidir e o Darf, comprovando o pagamento. Requer a acolhida da Manifestação de Inconformidade A 3ª Turma da DRJ Curitiba (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme acórdão acostado aos autos, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO. DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado em DCTF para a quitação de débito confessado. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. CONTRATO DE EMPREITADA. Apenas as notas fiscais trazidas aos autos, embora importantes, não são suficientes para comprovar que a contribuinte executou obras por empreitada de construção civil, sendo imprescindível a juntada do contrato de empreitada. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Irresignada com a decisão da primeira instância administrativa, a recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em relação a não retificação da DCTF, o próprio relator menciona a possibilidade de retificação de ofício pela autoridade fiscal; b) As empresas que tiveram receitas decorrentes da execução por administração, empreitada e subempreitada, de construção civil estão sujeitas ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins; e c) De fato, as notas fiscais não discriminam os serviços. Por esse motivo, estão em anexo ao recurso voluntário os respectivos contratos de prestação de serviços. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11020.908462/201205 Resolução nº 3302001.071 S3C3T2 Fl. 4 3 343, de 24 de abril de 2019. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.058, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.908418/201297, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.058): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Portanto, para que se possa acolher a alegação da contribuinte, ou seja, de que exerceu, no período analisado, “obras por empreitada de construção civil” é imprescindível o cumprimento de dois requisitos essenciais: a existência do contrato de empreitada e a relação de serviços efetivamente executados neste contrato. Ressaltese que o campo “discriminação” das notas fiscais trazidas pela manifestante aos autos não permite conhecer quais foram os serviços realizados (se a montagem de estruturas é permanente ou temporária, por exemplo) e, portanto, se enquadram na norma supra. Enfim, apenas as notas fiscais trazidas aos autos, embora importantes, não são suficientes para comprovar o que se pretende. Por tal razão, não é possível reconhecer que houve pagamento indevido ou a maior no Darf objeto da Dcomp em análise. O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou cópias das notas fiscais referentes aos valores em discussão e os respectivos contratos. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que a decisão dependerá do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário.Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11020.908462/201205 Resolução nº 3302001.071 S3C3T2 Fl. 5 4 indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Regressando aos autos, temos que na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o objeto social da sociedade é montagens de estruturas metálicas, prestando serviços de execução de obras por empreitada de construção civil. Por isso, afirma que a partir de 01/05/2004, com base na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins. Não obstante, continuou a recolher a contribuição pelo sistema não cumulativo, o que gerou o pagamento a maior. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade tendo como fundamento a falta de comprovação de seu direito por intermédio de contratos. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo, ao interpor, acostou aos autos contratos de prestação de serviços, documentos, segundo a primeira instância, essenciais para comprovação de seu direito. Os contratos apresentados, em uma análise perfunctória, sugerem a modalidade empreitada e podem indicar que o sujeito passivo possuía o direito de recolher as contribuições no regime cumulativo. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise os documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11020.908462/201205 Resolução nº 3302001.071 S3C3T2 Fl. 6 5 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise os documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.725461/2013-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10480.725461/2013-10
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6004635
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-000.971
nome_arquivo_s : Decisao_10480725461201310.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
nome_arquivo_pdf_s : 10480725461201310_6004635.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7735255
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911170555904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1495; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 106 1 105 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.725461/201310 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.971 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria IRPF DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente BERNADETE DE LOURDES ALMEIDA MELQUIADES DE ARAUJO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 54 61 /2 01 3- 10 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10480.725461/201310 Acórdão n.º 2002000.971 S2C0T2 Fl. 107 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 54/59) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2011 (efls. 46/50), onde se apurou: Dedução Indevida de Despesas Médicas. A contribuinte apresentou Impugnação (efls. 02/11), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 68): após alegar a tempestividade da defesa, aduz que o lançamento deve ser declarado nulo porque sua fundamentação decorreu da exigência de comprovação impossível de despesas médicas. Afirma que essa prática adotada pela fiscalização tributária federal ressentese de validade e viola o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa; na sequência, defende que os recibos médicos apresentados são idôneos e hábeis à comprovação de despesas médicas a teor do que prescrevem a Lei nº 9.250/95 e Decreto nº 3.000/99; assevera que a exigência de “comprovantes bancários” para justificar desembolsos com despesas médicas, além de abusiva, desproporcional e irrazoável, é impossível, seja porque é prática comum parcelar no tempo tais desembolsos, seja porque o rastreamento de tais valores não poderia desconsiderar o fato de que tais pagamentos são realizados em dinheiro; acrescenta que a exigência de informações bancárias sem respaldo em decisão judicial é quebra de sigilo bancário, inconstitucional e ilegal; diz ainda que tal exigência viola o art. 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 e o art. 43 da IN 15/2001, ao argumento de que estes dispositivos limitam a comprovação das despesas aos documentos idôneos apresentados; no tocante ao mérito, aduz que o valor de despesas médicas deduzido na Declaração de Ajuste Anual corresponde exatamente ao valor total dos recibos anexados à impugnação, e que este é o meio de comprovação exigido pela legislação tributária; por fim, requer seja reconhecida a nulidade do lançamento e, caso ultrapassada a preliminar suscitada, seja o lançamento julgado improcedente. A Impugnação foi julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ/BSB em decisão assim ementada (efls. 66/71): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10480.725461/201310 Acórdão n.º 2002000.971 S2C0T2 Fl. 108 3 Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento. Cientificada do acórdão de primeira instância em 06/08/2015 (efls. 74/75), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 03/09/2015 (efls. 77/87) com os argumentos a seguir sintetizados. Expõe que apresentou vasta documentação probatória contendo recibos e declarações de profissionais da área de saúde, mas que a autoridade fiscal, injustificadamente e de forma desmotivada, requereu apresentação de cópia microfilmada de cheques ou comprovantes de depósitos bancários sem que houvesse qualquer indício de falsidade ou outros fatores capazes de macular a idoneidade dos documentos declinados pela fiscalização. Afirma que as quantias foram pagas em dinheiro, conforme informado nas declarações dos profissionais, não sendo possível apresentar a documentação requerida pela autoridade fiscal. Sustenta que a documentação apresentada está de acordo com os requisitos previstos na Lei 9.250/95, tendo sido arbitrária a exigência de comprovantes bancários pela fiscalização, uma vez que não há indícios de inidoneidade ou fraude no presente caso. Defende que ocorreu a indevida inversão do ônus da prova, pois não é possível a presunção de infração, fraude, falsidade ou simulação, cabendo ao Fisco provar a conduta irregular da contribuinte. Entende que resta demonstrado o vício de validade do lançamento por presumir arbitrariamente fatos e cercear o direito de defesa do contribuinte, devendo ser reconhecida a sua nulidade. Conclui que, uma vez que as despesas médicas estão devidamente arrimadas em recibos e declarações expedidos pelos prestadores de serviços e que tais despesas encontramse em conformidade coma Lei 9.250/95, as deduções são lícitas e dedutíveis na declaração do IRPF. Apresenta jurisprudência sobre o tema. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise da Notificação de Lançamento (efls. 54/59) que a autoridade fiscal procedeu à glosa das despesas declaradas para Mariana Gomes e Nara de Moura por não ter a Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10480.725461/201310 Acórdão n.º 2002000.971 S2C0T2 Fl. 109 4 contribuinte, devidamente intimada, comprovado o seu efetivo pagamento através de cópia microfilmada de cheques, comprovantes de depósito bancário, etc. O acórdão de primeira instância manteve integralmente a dedução indevida apurada, corroborando as razões apontadas pela fiscalização (efls. 66/71). Ainda assim, nenhum outro elemento de prova foi trazido ao Recurso Voluntário. Impõese observar, inicialmente, que o lançamento foi constituído por autoridade competente e preenche todas as exigências formais previstas na legislação de regência. O sujeito passivo, a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável foram corretamente identificados na Notificação de Lançamento, não havendo vício que enseje a sua nulidade. Também não merece ser acolhido o cerceamento do direito de defesa suscitado pela contribuinte, uma vez que lhe foram concedidas diversas oportunidades de apresentar esclarecimentos e documentos para contestar a exigência e esta demonstrou ter pleno conhecimento da infração que lhe fora atribuída. Quanto à alegação de que houve presunção arbitrária da fiscalização, devese esclarecer à recorrente que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita a comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que a contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, a autoridade fiscal pode exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Tal exigência não está relacionada à presunção de inidoneidade ou de fraude, ao contrário do que entende a interessada, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10480.725461/201310 Acórdão n.º 2002000.971 S2C0T2 Fl. 110 5 (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) A contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ela e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, o contribuinte abre mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a sua comprovação. No caso em tela, ainda que os pagamentos tenham sido realizados em espécie, tal como alega a recorrente, verificase que esta não trouxe aos autos nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência de datas e valores entre saques efetuados em sua conta e os recibos apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas a contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe à interessada provar que faz jus ao direito pleiteado. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10480.725461/201310 Acórdão n.º 2002000.971 S2C0T2 Fl. 111 6 Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.690837/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 19/12/2002
MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA PELO ART. 8º DA LEI 9.718/98. CONSTITUCIONALIDADE.
As turmas do Carf não têm competência para afastar dispositivo legal por inconstitucionalidade, salvo exceções previstas, que não se caracterizam para o art. 8º da Lei 9.718/98. O STF já declarou, em rito de repercussão geral, a desnecessidade de Lei complementar para majorar as alíquotas de Pis e Cofins, RE 527602.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 19/12/2002
INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Aplicação da súmula Carf nº 9.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/12/2002
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Negado.
Numero da decisão: 3201-005.187
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa à prescrição e, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 19/12/2002 MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA PELO ART. 8º DA LEI 9.718/98. CONSTITUCIONALIDADE. As turmas do Carf não têm competência para afastar dispositivo legal por inconstitucionalidade, salvo exceções previstas, que não se caracterizam para o art. 8º da Lei 9.718/98. O STF já declarou, em rito de repercussão geral, a desnecessidade de Lei complementar para majorar as alíquotas de Pis e Cofins, RE 527602. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/12/2002 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Aplicação da súmula Carf nº 9. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 19/12/2002 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.690837/2009-79
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008693
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.187
nome_arquivo_s : Decisao_10880690837200979.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880690837200979_6008693.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa à prescrição e, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7746712
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911174750208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.690837/200979 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.187 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO DARF Recorrente LEPOK INFORMATICA E PAPELARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 19/12/2002 MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA PELO ART. 8º DA LEI 9.718/98. CONSTITUCIONALIDADE. As turmas do Carf não têm competência para afastar dispositivo legal por inconstitucionalidade, salvo exceções previstas, que não se caracterizam para o art. 8º da Lei 9.718/98. O STF já declarou, em rito de repercussão geral, a desnecessidade de Lei complementar para majorar as alíquotas de Pis e Cofins, RE 527602. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/12/2002 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Aplicação da súmula Carf nº 9. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/12/2002 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 08 37 /2 00 9- 79 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.690837/200979 Acórdão n.º 3201005.187 S3C2T1 Fl. 0 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa à prescrição e, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte em meio, pela qual pretendeu quitar os débitos próprio, com supostos créditos decorrentes de recolhimento indevido de Cofins. Apreciando o pedido formulado, a unidade de origem emitiu Despacho Decisório, no qual se pronunciou pela NÃO HOMOLOGAÇÃO, por inexistência de crédito da compensação declarada. Cientificada da solução dada à declaração de compensação apresentada, a insurgente, por intermédio de representante constituído, interpôs a Manifestação de Inconformidade, apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: Inicialmente, com base no art. 151, III, do CTN, assevera que o débito constante da não homologação da compensação está suspenso. Preliminarmente, alega que o despacho decisório foi recebido e assinado, via postal, por pessoa não credenciada e não habilitada (balconista) para receber qualquer correspondência da Insurgente. Ademais, articula que somente o representante legal, sócio gerente, poderia ter recebido tal correspondência, ainda mais por tratarse de intimação para pagamento. Corrobora seu entendimento citando o art. 215 do CPC e jurisprudência. Ademais, entendendo que a ciência do DD em tela assemelhase à intimação processual, e que a partir desta é que resta possibilitado o exercício do contraditório, não observados os lindes estabelecidos para tal ato foi cerceada a defesa da Manifestante e, assim, seria nulo o ato processual praticado. Tratando dos fatos, após longo relato acerca das normas e normativos envolvidos com o PER/DCOMP, ataca o mecanismo eletrônico denominado PER/DCOMP que sustenta ser verdadeiro empecilho para o fim de aproveitamento de crédito tributário decorrente de discussão judicial. Quanto à matéria de direito, aduz que a majoração de alíquota da COFINS decorrente Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.690837/200979 Acórdão n.º 3201005.187 S3C2T1 Fl. 0 3 da Lei nº 9.718/98 é manifestamente inconstitucional e ilegal, contrariando, inclusive, princípios assegurados em sede constitucional, decorrendo de tal vício o crédito ora pleiteado pela Insurgente. Em complemento, sustenta que a Emenda Constitucional nº 20/98, posterior à supracitada lei, não teve o condão de validar os dispositivos desta que, ao tempo de sua entrada em vigor, eram desconformes à Constituição. De outra banda, escorandose na tese dos “cinco mais cinco”, sustenta que a Manifestante efetuou a repetição do indébito da COFINS dentro do prazo prescricional, atacando, pois, a interpretação introduzida pela Lei Complementar nº 118/05. Ante o que expõe, requer o provimento da Manifestação intentada para o fim de reformar o DD. Requer, por fim, observância da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, consoante previsto no art. 151, III, do CTN. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 16035.673. No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta: que o crédito é liquído e certo, pela inconstitucionalidade dos dispositivos legais apontados; que o prazo para o pedido de restituição não teria sido ultrapassado, considerandose 5 anos para homologação, mais 5 anos para a prescrição do pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.184, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.690838/200913, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.184): "O recurso é tempestivo, cf envelope de postagem à fl. 56, e atende aos requisitos de admissibilidade. 1 Delimitação do litígio Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.690837/200979 Acórdão n.º 3201005.187 S3C2T1 Fl. 0 4 O fundamento do Despacho Decisório foi a ausência de disponibilidade do Darf apontado pelo contribuinte como crédito. Não se aplicou a prescrição do pedido, e portanto, não há interesse de agir nesta matéria. Embora a decisão recorrida tenha discorrido sobre a questão, também não a utilizou como fundamento, conforme o seguinte excerto (fl. 46): 5.3. Com isso, ainda que desimportante para o caso sub examine, tendo em vista que o presente PER/DCOMP foi apresentado dentro do prazo legal, tal entendimento não pode prosperar vez que, hodiernamente, revelase cabalmente superado. Assim, não conheço da matéria. 2 – Preliminar Ciência a pessoa não sócia A recorrente pede a nulidade da ciência do Despacho Decisório, por ter sido feita a balconista da empresa, e não a seus sócios. Tal matéria já se encontra sumulada no Carf: Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. As Turmas do Carf devem acompanhar as súmulas, cf. art. 72 do regimento interno. Desse modo, o pedido deve ser negado. 3 – Inconstitucionalidade da legislação pertinente O alegado crédito da recorrente teria duas origens: a a inconstitucionalidade da majoração de alíquota da Cofins, de 2% para 3% (art. 8º da Lei 9.718/98), por necessidade de Lei Complementar, e a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, cf. §1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. É consabido que a ampliação da base de cálculo, no §1º do art. 3º, foi efetivamente afastada do arcabouço legal brasileiro, por decisão do Supremo Tributnal Federal (RE 346.084 e outros), por resolução do Senado, e revogada pela Lei 11.941/2009. A majoração das alíquotas, por outro lado, não foi considerada inconstitucional. As turmas do Carf não podem afastar previsão legal por inconstitucionalidade, cf. súmula: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.690837/200979 Acórdão n.º 3201005.187 S3C2T1 Fl. 0 5 As exceções são previstas no artigo 62, as quais não se configuram para esta matéria. Pelo contrário, a majoração da alíquota foi considerada constitucional pelo STFno RE 527602, julgado no regime de repercussão geral (art. 543B do CPC/73). Copio a parte da ementa que é pertinenbte: PIS E COFINS – LEI Nº 9.718/98 – ENQUADRAMENTO NO INCISO I DO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NA REDAÇÃO PRIMITIVA. Enquadrado o tributo no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, é dispensável a disciplina mediante lei complementar. Portanto, não assiste razão à recorrente neste ponto. 4 – Certeza e liquidez do crédito A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação material. Confirase a Instrução Normativa RFB 786/2007: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo a integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Instruções Normativas posteriores mantém o mesmo teor. Assim, estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se possa retificálo, após os procedimentos de ofício, é necessária prova de sua inexatidão. É preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. A escrituração contábil/fiscal difere de meras planilhas quanto à confiabilidade, posto que possuem requisitos de registros e temporalidade. Além disso, a própria contabilidade Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.690837/200979 Acórdão n.º 3201005.187 S3C2T1 Fl. 0 6 não prescinde de ser lastreada em documentos do relacionamento da empresa com terceiros, tais como notas fiscais e contratos, a conferir veracidade ao registro. Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.690837/200979 Acórdão n.º 3201005.187 S3C2T1 Fl. 0 7 compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2. No presente caso, não houve retificação da DCTF, mas a recorrente invoca a certeza do crédito apenas brandindo as alegadas inconstitucionalidades. A recorrente não apresenta nenhuma comprovação material do crédito, mesmo depois de cientificada dessa exigência pela decisão recorrida. Desse modo, não há materialidade para o crédito, ainda que a tese da ampliação da base de cálculo, perpetrada pelo §1º do art. 3º da Lei 9.718/98, seja inaplicável. Portanto, ausente a certeza e liquidez do crédito, conforme exigível pelo artigo 170 do CTN, o pedido deve ser negado. 5 Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer da matéria relativa à prescrição, e da parte conhecida, por negar provimento ao recurso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer da matéria relativa à prescrição e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.690837/200979 Acórdão n.º 3201005.187 S3C2T1 Fl. 0 8 Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901789/2008-97
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13888.901789/2008-97
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6010436
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.645
nome_arquivo_s : Decisao_13888901789200897.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 13888901789200897_6010436.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
id : 7751739
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911177895936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1389; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 105 1 104 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.901789/200897 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.645 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 07 de maio de 2019 Matéria PER/DCOMP Recorrente MARCONILAB EQUIPAMENTOS PARA LABORATÓRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 17 89 /2 00 8- 97 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13888.901789/200897 Acórdão n.º 1003000.645 S1C0T3 Fl. 106 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 13284.94985.091101.1.3.048580, em 09.11.2004, fls. 0308, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior efetuado pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, código 6106, do mês de junho do anocalendário de 2004 no valor de R$1.548,17 contido no DARF de R$4.217,85 arrecadado em 31.08.2004, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 02, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.528,17 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1956 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 5ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1438.840, de 28.09.2012, efls. 2225: DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 14.12.2012, efl. 27, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.01.2013, efls. 30103, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13888.901789/200897 Acórdão n.º 1003000.645 S1C0T3 Fl. 107 3 Inconformada com o despacho decisório de primeira instância, que não homologou a compensação requerida através de PER/DCOMP, cujo crédito provém de pagamento em duplicidade do SIMPLES FEDERAL referente a JUNHO de 2004, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade a fim de demonstrar que houve equívoco no período de apuração do DARF utilizado para quitação do débito em questão, pois a empresa recolheu em 20/08/2004 o DARF 6106 com período incorreto de 31/05/2004, para quitar o débito de 30/06/2004, problema este sanado pela empresa, assim que tomou ciência através do despacho decisório, conforme demonstram os comprovantes de arrecadação em anexo. O crédito informado na PER/DCOMP em debate está plenamente correto, porém em razão do equívoco na inserção do período de apuração no DARF utilizado para quitação do mesmo, a Delegacia da Receita Federal de Piracicaba/SP não encontrou crédito disponível para quitação da PER/DCOMP [...], uma vez que o DARF estava alocado para quitação do débito do período do próprio mês de apuração. Diante disso, para melhor compreensão do fato sucedido apresentamos em anexo os documentos probatórios hábeis a demonstrar a origem do valor apurado e recolhido. Além disso, com o propósito de comprovar o direito creditório da Recorrente, confrontase a seguir os registros contábeis necessários e pertinentes ao reconhecimento do indébito pleiteado. Conforme se infere dos registros efetuados na página 032 do Livro Diário n° 03, registrado em cartório em 28/02/2005, demonstramos que a provisão efetuada em 30/06/2004 referente ao valor do débito do Simples deste período é de R$ 3.589,66, sendo que este valor pode ser verificado através da PSJI 2005 SIMPLES entregue em 01/06/2005, bem como pelos DARFs recolhidos em 20/08/2004 (página 56 do mesmo livro) e em 31/08/2004 (página 60). O faturamento que reflete a base de cálculo para apuração do tributo em questão também é comprovado nas folhas 148/149 do Livro Razão n° 03 e pela PSJI 2005 SIMPLES entregue em 01/06/2005. No mesmo livro podese comprovar, ainda, nas folhas 092 e 152 o valor da provisão do débito do Simples para o período de junho de 2006 e nas folhas 015, 055 e 093, os pagamentos realizados. No que concerne ao pedido conclui que: Ante o exposto, requerer nos termos do art. 151, inc. III, da Lei 5.172/1966 CTN, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ora pretendido, bem como o PROVIMENTO do presente recurso a fim de que seja homologada definitivamente a compensação realizada e ora debatida. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13888.901789/200897 Acórdão n.º 1003000.645 S1C0T3 Fl. 108 4 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente diz demonstrar que houve equívoco no período de apuração do DARF utilizado para quitação do débito em questão, pois recolheu em 20/08/2004 com período incorreto de 31/05/2004, para quitar o débito de 30/06/2004. O Parecer Normativo Cosit nº 08, de 03 de setembro de 2014, prevê: Conclusão 81. Em face do exposto, concluise que: [...] b) a retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração; Por seu turno, o Anexo I do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017, determina: Art. 270. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro (Demac/RJO), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas (Derpf) e às Alfândegas da Receita Federal do Brasil (ALF) compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, gerir e executar as atividades de cadastros, de arrecadação, de controle, de cobrança, de recuperação e garantia do crédito tributário, de direitos creditórios, de benefícios fiscais, de atendimento e orientação ao cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas e de planejamento, avaliação, organização e modernização. [...] § 6º As atividades de prestação de informações ao contribuinte, excetuandose as que envolverem a interpretação da legislação tributária, aduaneira e correlata, de recepção de documentos, de alteração cadastral e de retificação de documentos de arrecadação deverão ser executadas por qualquer Delegacia ou Alfândega, independentemente da sua jurisdição. A atividade de retificação de documentos de arrecadação e a revisão de ofício do débito tributário confessado cabe a autoridade administrativa, nos termos do art. 149 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13888.901789/200897 Acórdão n.º 1003000.645 S1C0T3 Fl. 109 5 compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13888.901789/200897 Acórdão n.º 1003000.645 S1C0T3 Fl. 110 6 O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." O suposto direito creditório pleiteado foi integralmente utilizado para quitação de débito relativo ao mês de junho do anocalendário de 2004 no valor de R$1.548,17 arrecadado em 31.08.2004. Tendo em vista as normas, o pagamento unificado de impostos e contribuições, devidos pela microempresa e pela empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será feito de forma centralizada, até o décimo dia do mês subseqüente àquele em que houver sido auferida a receita bruta, sob pena de incorrer em acréscimos moratórios (art. 6º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 61 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996). O valor do Simples devido no mês de junho de 2004 informado na Declaração Anual Simplificada PJSI é no valor de R$3.589,66, que foi arrecadado em atraso e não há registro correspondente no Livro Razão, conta Caixa, do anocalendário de 2004, e fls. 75 e 91 do pagamento correspondente em 20.08.2004, conforme os registros internos da RFB e o comprovante de efl. 61. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13888.901789/200897 Acórdão n.º 1003000.645 S1C0T3 Fl. 111 7 Conforme o Livro Razão, conta Caixa, do anocalendário de 2004, efl. 75, houve o registro do pagamento efetuado em 31.08.2004, cujo somatório é R$4.217,85 atinente ao débito do Simples de junho do anocalendário de 2004: [...]DATA C/PART [...] HISTÓRICO DÉBITO CRÉDITO 31/08 114641 PGTO SIMPLES REF.06/04, EFETUADO EM DUPLICIDADE 3.589,66 31/08 114641 PGTO MULTA S/ SIMPLES REF.06/04, EFETUADO EM DUPLICIDADE 592,29 31/08 114641 PGTO JUROS S/ SIMPLES REF.06/04, EFETUADO EM DUPLICIDADE 35,90 A indicação de que houve pagamento do valor de R$1.548,17 em 31.08.2004 presumidamente em duplicidade não pode ser confirmada. No presente caso, a partir das características do DARF discriminado no Per/DComp foi identificada a alocação para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação. Verificase que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. As informações constantes na peça de defesa não podem ser consideradas, pois não foram produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciem as alegações ali constantes, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. Observese que não foram carreados aos autos pela Recorrente os dados essenciais a produzir um conjunto probatório robusto da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Consta no Acórdão da 5ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1438.840, de 28.09.2012, efls. 2225, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Nesse sentido, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se o pedido de restituição/compensação ora em exame encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados. No caso em tela, a interessada alega que o suposto crédito a compensar decorreria de recolhimento a maior no período de apuração 06/2004, suficiente para quitar o débito indicado no PER/DCOMP, sendo indevidas as alocações de pagamento que constam do despacho decisório. Todavia, a contribuinte não apresentou, no processo, elementos probatórios hábeis a comprovar a origem e aproveitamento do suposto indébito. Intimada pela autoridade preparadora a prestar os esclarecimentos pertinentes, conforme documentos de fls. 20/22, mantevese silente. Com efeito, a interessada não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13888.901789/200897 Acórdão n.º 1003000.645 S1C0T3 Fl. 112 8 no período 06/2004 resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele PA, e o débito apurado. [...] O artigo 923 do RIR/1999, por seu turno, estabelece que “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Nesse sentido, concluise não ter sido comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, nos termos do art. 170 do CTN, pelo que não se há de cogitar reparos no despacho decisório recorrido. Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720308/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE
Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, deve-se parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX.
PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE.
O alcance do termo insumo, no art. 3º, I, b, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendo-se observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito.
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito.
Numero da decisão: 3401-005.957
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, deve-se parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo insumo, no art. 3º, I, b, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendo-se observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12585.720308/2011-91
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6016583
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.957
nome_arquivo_s : Decisao_12585720308201191.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 12585720308201191_6016583.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7769610
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911182090240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1789; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.720308/201191 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.957 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente VOITH HYDRO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, devese parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, no art. 3º, I, “b”, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendose observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 03 08 /2 01 1- 91 Fl. 5324DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (..) JULGAMENTO EM CONJUNTO. AUTO DE INFRAÇÃO E PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Não configura cerceamento do direito de defesa o fato de o julgamento administrativo, relativo a determinado auto de infração, ter sido efetuado em data anterior a que ocorre a análise de manifestação de inconformidade de compensação não homologada, envolvendo o mesmo fato gerador e tributo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência. ANÁLISE DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. É descabida a discussão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício em processo administrativo de manifestação de inconformidade que não homologou a compensação, quando os débitos relacionados no PERDCOMP não foram objeto de lançamento de ofício. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Restando comprovado que a empresa tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do despacho decisório e que lhe foi oferecido prazo Fl. 5325DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 4 3 para defesa, inclusive com acolhimento de petição e documentos apresentados após seis meses da petição original, resta superada a discussão sobre nulidade por cerceamento do direito de defesa. (...) REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno. REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. MOMENTO. No regime da nãocumulatividade, os créditos a descontar/ressarcir/compensar devem ser apurados em relação às aquisições de insumos/bens para revenda, ou serviços, ocorridos no próprio mês de apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. MOMENTO DE UTILIZAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL. O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, observado o prazo de prescrição de cinco anos contados do primeiro dia do mês seguinte ao de sua apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. ASSUNTO: (...) COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Não há como considerar líquido e certo o direito creditório relativo a período de apuração abrangido por auditoria fiscal, que redundou na formalização de exigência do período em que o suposto crédito teria sido apurado. (...) Do Recurso Voluntário Fl. 5326DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 5 4 Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401005.953, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 12585.720271/201100. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401005.953): "Da Preliminar de Nulidade por Cerceamento de Defesa Não assiste razão à Recorrente concernente a sua afirmativa de que teria havido cerceamento de defesa quando do despacho decisório, em vista de esse não ter fundamentação clara. Ora, não encontra abrigo essa assertiva, uma vez que, pela análise dos autos, não houve falta de clareza ou justificação por parte da fiscalização; se a motivação vier a ser insuficiente para o não reconhecimento do crédito, não é caso para admitir a nulidade, mas sim de provimento quando da análise mérito do recurso – o que será analisado a posteriori. Por fim, ressalto que os vícios que podem ensejar a nulidade do lançamento são aqueles previstos no artigo 59, do Decreto 70.235/1972. Não identifico no presente processo, quaisquer das hipóteses ali encontradas, razão pela qual afasto a preliminar suscitada pela Recorrente. Do Mérito Em síntese, o cerne do presente recurso possui três grandes pontos que devem ser analisados por esse colegiado: Qual deve ser o critério utilizado para o reconhecimento de receitas de exportação para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos nãocumulativos de COFINS passíveis de ressarcimento? É possível a apropriação de créditos decorrentes da não cumulatividade em período de competência distinto daquele em que houve a aquisição do bem ou do serviço? Fl. 5327DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 6 5 No caso concreto, qual deve ser o critério adotado para “insumo”, para apropriação de créditos de COFINS não cumulativo, e os bens e serviços que geraram os créditos glosados por ocasião do despacho decisório se adequam àquele conceito? Vejamos. SOBRE O MOMENTO PARA O RECONHECIMENTO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO A previsão para a utilização do saldo credor de COFINS não cumulativa proveniente de operações de exportação e respectivo cálculo via rateio proporcional decorre está na própria Lei Federal 10.833/2003, nos artigos 3º e 6º: Art. 3º (...) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I Apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II Rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 6º § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I Dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; Fl. 5328DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 7 6 II Compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. §2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no §1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. §3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. Ora, a legislação ordinária previu expressamente a possibilidade de se fazer a apropriação de créditos de exportação via rateio proporcional, porém, não previu qual seria o critério temporal para se definir qual o momento que a receita bruta, seja de mercado interno, seja a de exportação, seria tida como gerada. No âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa 404/2004, que regulamentou a matéria – a despeito de ter sido legitimada pela legislação ordinária a fazêlo – tampouco o fez, limitandose a reprisar os ditames exarados na norma federal. Caberia então verificar se haveria outra norma complementar que pudesse ser aplicada na estipulação do momento em que a receita de exportação seria apurada. Nesse contexto, a decisão ora recorrida caminhou bem ao entender que a Portaria MF 356/1988 seria aplicável ao caso, já que ela definira, há muito tempo, que A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. Não só isso, partindose da discussão sobre quando se aperfeiçoa a operação de venda ao exterior, é importante ressaltar que, nos próprios argumentos na decisão recorrida, ela não se adstringe à mera verificação da data da emissão das respectivas notas fiscais, mas sim quando houve a tradição do bem ao respectivo cliente no exterior: Fl. 5329DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 8 7 A adoção do regime de competência revela que, sob o aspecto contábil, o momento do reconhecimento da receita, no caso de venda de mercadorias para o mercado externo, a exemplo de vendas no mercado interno, ocorre no momento da tradição. Com efeito, o que determina a obtenção de uma receita não é a emissão da NF ou da fatura como o termo faturamento poderia levar a supor, mas sim a realização dos atos pelos quais foi fixada a contraprestação. Sob essa questão, extraise do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações Fipecafi (Sérgio de Iudícibus e outros. São Paulo: Atlas, 2003, p. 333): (...) o momento do reconhecimento da receita de vendas deve ser, normalmente, o do fornecimento de tais bens ao comprador. Nas empresas industriais e nas empresas comerciais, a contabilização das vendas pode ser feita pelas notas fiscais de vendas, já que a entrega dos produtos é praticamente simultânea à da emissão das notas fiscais. Ocorre, comumente, todavia, uma pequena defasagem entre a data da emissão da nota fiscal e a da entrega dos produtos, quando a condição da venda é a entrega no estabelecimento comprador. Teoricamente, deveriam ser registradas como receita somente após a entrega dos produtos. (não grifado no original) Com a entrega dos bens (ou a prestação dos serviços), e não com a mera contratação ou emissão da nota fiscal, o vendedor teria realizado o esforço necessário para fazer jus ao preço. Ocorre que o local de entrega dos bens pode ser livremente pactuado pelas partes, e essa definição vai interferir no momento em que se considera auferida a receita. Sendo certa a adoção da premissa acima, caberia, no caso concreto, entender quando houve, de fato, a entrega dos bens objeto de exportação ao comprador no exterior. Diante desse cenário, talvez fosse relevante a condição de compra e venda para cada uma das notas fiscais através dos denominados INCOTERMS , porém, em se tratando de exportação, basta trazer à baila o fato de que, em qualquer hipótese de condição de venda, o responsável por proceder ao despacho de exportação é o exportador, qual seja, o Recorrente, não sendo possível, em qualquer hipótese, conceber a tradição de bem antes da averbação do embarque para o exterior. Assim, sem entrar nos meandros de cada negociação comercial, pareceme razoável adotar como parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. Nessa linha, entendo a administração fazendária acertou ao se utilizar dessa premissa, devendo ser mantida a decisão de primeiro grau. Fl. 5330DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 9 8 SOBRE OS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS O entendimento fazendário, que restou confirmado na decisão recorrida, direcionase no sentido de que os bens e serviços somente poderiam ter seus créditos imputados ao período de competência em que foram adquiridos. Contudo, não comungo do mesmo posicionamento. Primeiramente, vejamos o que diz o citado artigo 3º, em seu caput e no parágrafo quarto: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Vejam que, em interpretação literal e sistemática, o parágrafo quarto estabeleceu o direito de o contribuinte apropriar crédito que eventualmente não tenha sido utilizado para desconto da base de cálculo em um determinado mês em períodos de apuração subsequentes. Caso o legislador fizesse menção ao excesso de créditos, ou mesmo a expressão “saldo credor” – como o faz em diversos outros normativos relativos às contribuições sociais – ele teria o feito. Desse modo, não caberia restrição ao Poder Executivo restringir esse direito quando estabeleceu normas relativas à gestão da fiscalização e arrecadação desses tributos, como faz crer a decisão ora recorrida. É claro que o direito original aos créditos das contribuições parte do pressuposto de que eles devam ser registrados simultaneamente à escrituração dos documentos que embasam a aquisição de bens e serviços, ou ainda que venha a ser apropriado nos períodos em que determinados custos e despesas forem considerados incorridos. Todavia, o parágrafo quarto acima mencionado possibilitou ao contribuinte vir a registrar extemporaneamente os créditos de PIS e COFINS registrados na sistemática não cumulativa das referidas contribuições, vindo a aproveitálos para desconto das contribuições sociais em períodos de apuração distintos (futuros) dos quais se originaram. Esse entendimento vem sendo unânime nessa turma, que aduziu dessa mesma maneira, no Acórdão 3401004.022, proferido em outubro/2017, de relatoria do Conselheiro Robson Bayerl. Vejamos: Fl. 5331DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 10 9 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/04/2011 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/08/2011, 01/11/2011 a 30/11/2011 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, insculpido no art. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa anterior da cadeia produtiva. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das DACONs para que seja alocado no período de apuração a que se refira o dispêndio. ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias públicoprivadas. BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Afastada a hipótese de caracterização do crédito presumido concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97, como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrandose o benefício fiscal em comento no conceito amplo de receita veiculado no art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, submetendose à incidência das contribuições de que tratam. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 5332DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 11 10 Em seu voto, o Ilustre Conselheiro destaca: Esta interpretação atribuída aos dispositivos é plausível, porém, não é a única aceitável, pois, tanto as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, como as INs RFB 247/02 e 404/04 que as normatizam, não distinguem o crédito, como espécie, do saldo credor, preferindo a adoção do termo “crédito” indistintamente para uma e outra finalidade, razão porque a interpretação do contribuinte é também acertada, mormente pela sua dicção literal, consoante a qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Ora, os créditos da não cumulatividade podem ser pleiteados a qualquer tempo, enquanto não decaído o direito ao seu exercício, não havendo norma clara que imponha a retificação das DACONs para inclusão de créditos nos períodos de apuração a que se refiram, de maneira que não haveria obstáculo ao aproveitamento a destempo sem observância estrita do regime de competência, como exigiram a DRF/DRJ, eis que se trataria de situação esporádica, valendo a analogia com o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, onde os créditos alegados extemporaneamente não impõem a reescrituração do livro, bastando sua indicação em campo próprio. Assim, o aproveitamento de créditos fora dos períodos de apuração a que se referem é possível, como defendido pelo contribuinte, cumprindo à fiscalização a verificação se, de fato, este crédito não foi aproveitado anteriormente e observada a delimitação do conceito de insumo formulada no presente acórdão. Entendo não ser possível criar uma vedação, por meio de interpretação, onde a lei, ou mesmo os atos administrativos correlatos, não expressamente o fizeram. Desse modo, deve ser acolhida a pretensão do contribuinte. Diante do exposto, reformo a decisão recorrida para considerar possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições sociais, observados os demais requisitos legais para seu creditamento. SOBRE O CONCEITO DE INSUMOS. SUA APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO Seguindo a crescente orientação da Receita Federal sobre o tema, o despacho decisório veio a glosar créditos referentes a: serviço com pagamento de estadia e translado, passagens aéreas Fl. 5333DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 12 11 e hospedagens, sessão de mão de obra de motorista, locação de veículos, e despesas de transporte de funcionários. Quantos à glosa de créditos sobre esses itens, creio não merecer reforma a decisão recorrida. Conforme vem sendo exaustivamente discutido pela doutrina e jurisprudência judicial, o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de COFINS nãocumulativa deve ser alargado, porém não a ponto de se confundir com o conceito de despesa dedutível, como chegouse a cogitar. De fato, a Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da não cumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional do PIS e da COFINS limitouse a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: Fl. 5334DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 13 12 (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momento, vejamos o citado artigo 3º: Fl. 5335DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 14 13 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Fl. 5336DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 15 14 XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente trata se do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 5337DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 16 15 circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Fl. 5338DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 17 16 Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 5339DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 18 17 § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços Fl. 5340DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 19 18 geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: Fl. 5341DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 20 19 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Seguindo essa linha, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, culminando na edição do Parecer Normativo COSIT 5/2018, que amplificou o espectro para a apropriação de créditos sobre insumos na atividade dos contribuintes: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: Fl. 5342DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 21 20 a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Analisando o teor do leading case, bem como do Parece COSIT acima ementado, verificase que, no caso concreto, ainda que não guiado por esses, a fiscalização acertadamente glosou créditos sobre despesas que – evidentemente – não teriam conexão direta com a atividade da Recorrente a ponto de ser tratada como imprescindível ou essencial à sua geração de receitas. Por isso mesmo, entendo pela manutenção das glosas propostas no despacho decisória, não merecendo reforma a decisão de primeiro grau nesse particular. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso, e darlhe provimento parcial." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 5343DF CARF MF Processo nº 12585.720308/201191 Acórdão n.º 3401005.957 S3C4T1 Fl. 22 21 Fl. 5344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.002111/2007-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS.
O art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que “Na
determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).”
Neste sentido, havendo a comprovação do cumprimento desses requisitos no presente caso, há de ser admitida referida dedutibilidade, à luz do disposto pelo referido dispositivo legal.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que o conjunto probatório existente nos autos não é suficiente para confirmar o pagamento, ou mesmo a prestação dos serviços apontados pelo contribuinte.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-001.878
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
parcial provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. O art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que “Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).” Neste sentido, havendo a comprovação do cumprimento desses requisitos no presente caso, há de ser admitida referida dedutibilidade, à luz do disposto pelo referido dispositivo legal. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que o conjunto probatório existente nos autos não é suficiente para confirmar o pagamento, ou mesmo a prestação dos serviços apontados pelo contribuinte. Recurso provido em parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 13629.002111/2007-08
conteudo_id_s : 6014228
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.878
nome_arquivo_s : Decisao_13629002111200708.pdf
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 13629002111200708_6014228.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
id : 7763250
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911190478848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2014; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 0 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13629.002111/200708 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.878 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2012 Matéria IRPF Recorrente OSMAR CARDOSO GOMES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. O art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que “Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).” Neste sentido, havendo a comprovação do cumprimento desses requisitos no presente caso, há de ser admitida referida dedutibilidade, à luz do disposto pelo referido dispositivo legal. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que o conjunto probatório existente nos autos não é suficiente para confirmar o pagamento, ou mesmo a prestação dos serviços apontados pelo contribuinte. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13629.002111/200708 Acórdão n.º 210101.878 S2C1T1 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 33/41) interposto em 9 de outubro de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (fls. 22/24), do qual o Recorrente teve ciência em 02 de outubro de 2009 (fl. 32, verso), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 02/04, lavrado em 03 de setembro de 2007, em decorrência de deduções indevidas de pensão alimentícia judicial e de despesas médicas, verificadas no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 IMPUGNAÇÃO FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES. A impugnação deve ser apresentada com os documentos que se fundamentar, assim como todas as alegações de defesa devem vir acompanhadas na impugnação dos documentos comprobatórios, mesmo que tenham sido apresentados na fase procedimental do lançamento, estes devem ser juntados à impugnação, conforme previsão contida no art. 15, do Decreto 70.235/72. PENSÃO JUDICIAL DEDUÇÃO. A dedução a título de pensão alimentícia só é admissível quando demonstrado que o pagamento foi decorrente de decisão judicial ou acordo homologado em juízo e fica condicionado, ainda, à comprovação do efetivo pagamento. Lançamento Procedente” (fl. 22). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 33/41, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13629.002111/200708 Acórdão n.º 210101.878 S2C1T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O Recorrente em sua declaração de ajuste anual do exercício de 2005, ano calendário de 2004, informou a título de gastos com pensão alimentícia o valor total de R$ 40.682,31 (fl. 12). O pagamento da referida pensão alimentícia ocorre por meio de descontos na fonte dos recebimentos do Recorrente, tanto em relação à Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social – VALIA, como ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS. Na descrição dos fatos que levaram à autuação, assim se posicionou a fiscalização: “Glosa do valor de R$ 10.370,35, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Considerado o efetivamente provado com os descontos/pagamentos constantes do seu comprovante de pagamento emitido pela fonte pagadora VALIA, no montante de R$ 30.311,96” (fl. 4). A fiscalização entendeu, portanto, como devidamente comprovados os pagamentos de pensão alimentícia descontados diretamente na fonte pela VALIA, mas glosou os valores descontados na fonte pelo INSS a mesmo título, por falta de comprovação. Ocorre que, em seu recurso voluntário, o Recorrente comprovou por meio de documentos idôneos (extratos do Dataprev) os valores efetivamente descontados na fonte pelo INSS a título de pensão alimentícia judicial, conforme documentos de fls. 54/65 dos autos, consolidados na planilha abaixo: Pensão fev/04 R$ 851,18 mar/04 R$ 851,18 abr/04 R$ 851,18 mai/04 R$ 889,73 jun/04 R$ 889,73 jul/04 R$ 889,73 ago/04 R$ 889,73 set/04 R$ 889,73 out/04 R$ 889,73 nov/04 R$ 889,73 dez/04 R$ 889,73 13ª / 04 R$ 889,73 Total R$ 10.561,11 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13629.002111/200708 Acórdão n.º 210101.878 S2C1T1 Fl. 4 4 Assim, além do valor acima mencionado e comprovado ser um pouco superior ao valor glosado pela Fiscalização (R$ 10.370,35), verificase, ainda, que o Recorrente apresentou o termo de audiência de Separação Consensual (fls. 98/99) no qual restou determinado o pagamento da pensão sub examine. Dessa forma, restando integralmente comprovado o valor pago a título de pensão alimentícia pelo Recorrente, de rigor o restabelecimento do valor inicialmente declarado por este em sua declaração de ajuste anual, cancelandose o auto de infração neste aspecto. Por outro lado, no que tange à dedução das despesas médicas, entendo que não assiste razão ao Recorrente. Nesse sentido, cumpre trazer à baila o quanto disposto pelo art. 8º da Lei n.º 9.250/95, aplicável ao mérito da demanda, in verbis: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). Fl. 208DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13629.002111/200708 Acórdão n.º 210101.878 S2C1T1 Fl. 5 5 § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Cabe mencionar que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionase alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) No presente caso, muito embora não se esteja a tratar, especificamente, da hipótese de dedução de despesas médicas relativas a profissional, em face do qual houve investigação específica e edição de súmula administrativa de documentação ineficaz, para fins Fl. 209DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13629.002111/200708 Acórdão n.º 210101.878 S2C1T1 Fl. 6 6 tributários, acredito que o arcabouço probatório existente in casu não permite conclusão diversa daquela apontada pela fiscalização. Nesse sentido, como se sabe, o processo administrativo fiscal, regrado pelo Decreto n.º 70.235/72, com natureza de lei ordinária, estabeleceu, de forma inconteste, em relação à aferição do conjunto probatório, o princípio do livre convencimento motivado, estampado pelo art. 29 do referido diploma legal, vazado nos seguintes termos: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” À luz do referido princípio, pois, entendo ser escorreita a conclusão alçada pela decisão a quo, na medida em que o Recorrente não logrou comprovar a efetiva prestação dos serviços pelo psicoterapeuta, não servindo para tal fim os recibos incompletos de fls. 90/96. Realmente, deveria o Recorrente, por qualquer meio hábil, ter comprovado a efetiva prestação dos serviços médicos, seja por declaração do próprio profissional, seja por demonstração do comparecimento do contribuinte ao consultório do referido profissional, ou, ainda, por meio de comprovação bancária do pagamento (transferência de numerário e/ou cheques emitidos). Por essas razões, e, especialmente, à luz do conjunto probatório existente nos autos, entendo cabível a glosa em relação às despesas declaradas pela contribuinte, razão pela qual não merece prosperar a sua irresignação nesse ponto. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 210DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/09/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.902463/2015-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1401-003.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/2015-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10680.902463/2015-44
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6004704
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.208
nome_arquivo_s : Decisao_10680902463201544.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10680902463201544_6004704.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/2015-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7735744
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911209353216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2064; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.902463/201544 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401003.208 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2019 Matéria PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR Recorrente MONTESANTO TAVARES LOGÍSTICA E TRANSPORTE S/A????? Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 24 63 /2 01 5- 44 Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10680.902463/201544 Acórdão n.º 1401003.208 S1C4T1 Fl. 3 2 Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso. Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada, em razão do indeferimento pela Administração Tributária do pleito compensatório apresentado pelo interessado através de PER/DCOMP, alegando que o DARF foi integralmente utilizado para a compensação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Devidamente intimado, o interessado apresentou, manifestação de inconformidade, alegando que: Houve uma antecipação de IRPJ e CSLL que, ao final do exercício, verificouse que foi maior que o tributo devido, uma vez que o contribuinte encerrou o exercício com prejuízo; O pedido foi indeferido sob o argumento de inexistência de crédito. Foi, no entanto, em razão de mudança legislativa acerca do instituto dos pagamentos por estimativa, utilizado o teor do Parecer Normativo COSIT nº 08/2014 (atualmente Parecer Normativo Cosit nº 02/2016) para afastar o motivo e realizar a análise do mérito, o que ocorreu, entendendo a administração tributária que, efetivamente, no caso dos autos inexistia crédito disponibilizado nas estimativas recolhidas, eis que, foram utilizadas integralmente para compor o saldo negativo, não havendo recolhimentos efetuados de forma indevida ou a maior. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que poderia compensar estimativas pagas a maior ou indevida independentemente do final do período de apuração, fato esse que, antes era pautado na Instruções Normativas vigentes, mas a partir da IN RFB nº 900/2008, tal situação deixou de existir, requerendo, ainda a nulidade do despacho decisório. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação de inconformidade julgou pela sua improcedência em razão de não ser possível a modificação do tipo de crédito após a emissão do despacho decisório e que analisando os pedidos de pagamento a maior e que os valores devidos de estimativa são idênticos inexiste o crédito pretendido. Cientificada de decisão a interessada apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, junta precedentes deste CARF e pleiteia que lhe seja reconhecido o direito de crédito. É o breve relatório. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10680.902463/201544 Acórdão n.º 1401003.208 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.188, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.188): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O caso em análise no presente processo diz respeito á possibilidade de o contribuinte, que apresentou declaração de compensação pretendendo créditos de pagamento indevido por estimativa de IRPJ/CSLL, possa ter reconhecido o direito de crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL no exercício. Verificase, no presente caso que o contribuinte, optante pelo lucro real, recolheu IRPJ e CSLL por estimativa em diversos meses do ano de 2013. Apresentou regularmente as DCTFs destes períodos informando os débitos e a sua quitação por DARF que, posteriormente, entendeu se referirem a pagamentos indevidos. Em sua DIPJ apresentou informações de que apurou o IRPJ e CSLL devidos por estimativa com base na receita bruta, e que, no final do exercício, inexistindo lucro a ser tributado, os valores dos pagamentos realizados a título de estimativa transformaram se em crédito em benefício da empresa. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário pretende que, em razão da apuração de prejuízo no exercício, seja reconhecido o crédito como saldo negativo de IRPJ e CSLL no exercício. Diante dos fatos acima narrados e da confirmação da existência dos pagamentos realizados temos a seguinte decisão a tomar: O contribuinte cometeu os seguintes equívocos: 1 – Optou pelo lucro real e pela apuração das estimativas no ano de 2013, recolheu os valores e os confessou em DCTF tendo, posteriormente, solicitado o crédito destes mesmos pagamentos sem retificar suas DCTF e DIPJ; 2 – Apresentou a DIPJ informando a correta apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL a que faria jus; Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10680.902463/201544 Acórdão n.º 1401003.208 S1C4T1 Fl. 5 4 3 Ao requer os créditos que entendia fazer jus o fez por meio de PER/DCOMP relativo a pagamento indevido ou a maior em vez de saldo negativo; Por sua vez a decisão que não reconheceu o crédito está juridicamente correta vez que analisou o pedido de pagamento indevido a partir das informações da DCTF e DARF da empresa. Constatamos, no entanto, com base nos documentos acostados ao processo, que efetivamente o contribuinte faz jus aos saldos negativos de CSLL do anocalendário 2013 no montante equivalente aos pagamentos realizados por estimativa, visto inexistir saldo de devido de CSLL. Com base nestas informações a nossa análise prendese ao fato de considerar que, no presente caso, o contribuinte incidiu apenas em erro de fato ao preencher a PER/DCOMP ou se houve um erro de direito ao pleitear crédito diferente do que deveria ter sido solicitado. A este respeito entende este relator que não se trata de simples erro de fato. Ora, errarse o período de apuração, o exercício ou mesmo o tipo de tributo solicitado no PER/DCOMP pode se considerar um erro de fato. Neste caso o problema não é tão simples. Aqui o contribuinte solicitou crédito absolutamente diverso do crédito que efetivamente lhe assistia direito. Tratase, claramente de erro material que, digase de passagem, sequer é escusável, haja vista o porte da empresa, a apuração pelo lucro real e o período de tempo decorrido entre a instituição dos PER/DCOMP eletrônicos (2003) e os pedidos do contribuinte (2012). Ocorre, entretanto, que por mais que este relator entenda que o erro cometido na empresa não se adequa aos precedentes apresentados em sede recursal, sou firme na corrente que entende no sentido de que a verdade material deve prevalecer como fundamento de decidir em todos os processos, sejam administrativos, sejam judiciais. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (Acórdão nº 3401 003.096, de 23/02/2016) DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. (Acórdão nº 1201002.106, de 16/03/2018) Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10680.902463/201544 Acórdão n.º 1401003.208 S1C4T1 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (Acórdão nº 1302002.031, de 26/01/2017) Neste sentido é que não pode este relator se furtar a decidir contra a verdade apresentada nos autos. A verdade é que, com base na apuração do lucro do exercício, não existiu lucro tributável e, assim, não era devido, ao final do exercício a apuração do IRPJ e CSLL devidos. Em razão deste fatos os recolhimentos abaixo realizados, relativos aos pagamentos de CSLL por estimativa, tornaramse saldo negativo de CSLL ao final do exercício. À vista do exposto e em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, precedentes abaixo, que rege o processo administrativo fiscal, constatandose que, no mérito, assiste razão ao contribuinte quanto à existência de créditos, mesmo que não da espécie originalmente pleiteada, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito da empresa, não em relação aos pagamentos indevidos da forma por ela solicitada, mas sim em razão da existência de saldos negativos de CSLL que se formaram a partir destes mesmos pagamentos. Registro, para bem deixar delineado meu entendimento, que não entendo que o princípio da informalidade e da fungibilidade sejam aplicáveis de qualquer forma e em qualquer situação. Esta aplicação deve ser casuística e se adequar à realidade de cada processo. Neste processo, em específico, a utilização da informalidade prendese a um fato singelo. Para a aferição da existência do crédito, a partir das informações apresentadas em petição simples de duas páginas, se daria apenas pela análise da ficha de apuração do IRPJ e CSLL a pagar, nas quais resta demonstrada a inexistência de saldos dos tributos a serem pagos. Em razão da facilidade de conhecimento do verdadeiro direito da empresa é que entendo poder ser aplicada a informalidade e a fungibilidade neste processo de modo a garantir um direito que, de fato, sempre assistiu ao contribuinte. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10680.902463/201544 Acórdão n.º 1401003.208 S1C4T1 Fl. 7 6 despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. (Acórdão nº 3102001.572, de 19/07/2012) PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando se trata de erro material no seu preenchimento. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, como foi o caso.(Acórdão nº 1401001.655, de 09/06/2016) Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.737, de 15/03/2012) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. A competência das DRJ pode ser alterada por ato interno da RFB, para melhor distribuição de quantidade de processos ou concentração de assuntos, sem que isso fira, de plano, qualquer direito do Contribuinte. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.053, de 08/12/2015) Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10680.902463/201544 Acórdão n.º 1401003.208 S1C4T1 Fl. 8 7 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Padece de nulidade o Auto de Infração com inobservância ao art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, não contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais individualizados por infração, em diferentes fatos geradores do imposto de renda retido na fonte, levando o contribuinte a equivocadas interpretações que confundiram a impugnação. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.671, de 07/02/2017) Por isso, entendo que assiste razão ao recorrente quanto à existência de saldo negativo de CSLL do exercício 2014, ano calendário 2013, no montante de R$ 217.754,18 , formados a partir dos recolhimentos das estimativas destes tributos realizados durante o ano. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10680.902463/201544 Acórdão n.º 1401003.208 S1C4T1 Fl. 9 8 Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: a) Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; b) Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, c) Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 450DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000332/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO.
1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014).
2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento.
Numero da decisão: 2402-007.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). 2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13864.000332/2010-56
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5997463
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.158
nome_arquivo_s : Decisao_13864000332201056.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13864000332201056_5997463.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7715265
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911212498944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1826; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.000332/201056 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2402007.158 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de abril de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. RETENÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS ATRAVÉS DE COOPERATIVAS DE TRABALHO Recorrente NUCLEO EDUCACIONAL 05 DE AGOSTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). 2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 03 32 /2 01 0- 56 Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13864.000332/201056 Acórdão n.º 2402007.158 S2C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa perspectiva, adotamos o relatório objeto do Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 9 de abril de 2019, proferido no âmbito do processo n° 10865.001232/201049, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada em resistência ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias devidas pela empresa incidentes sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Devidamente intimado da decisão de Primeira Instância, o Contribuinte interpôs recurso voluntário pugnando pela improcedência do Lançamento. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Assim sendo, ao presente litígio aplicase a decisão de mérito plasmada no Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 9 de abril de 2019, proferido no âmbito do processo n° 10865.001232/201049, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevemos, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, digno Relator da decisão paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 9 de abril de 20. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13864.000332/201056 Acórdão n.º 2402007.158 S2C4T2 Fl. 4 3 Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "1. Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2. Da declaração de inconstitucionalidade O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil ora vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte do Conselheiro. É sabido, ademais, que a tradição jurídica brasileira adotou a tese da nulidade absoluta do ato inconstitucional. Isto é, prevalece o entendimento segundo o qual são absolutamente nulos os atos normativos contrários à lei fundamental, pois tais atos são repudiados pela necessidade de se preservar o princípio da supremacia da Constituição e, consequentemente, a unidade da ordem jurídica nacional. Tomandose de empréstimo a assertiva do Min. Celso de Mello (STF, ADI 652), "esse postulado fundamental de nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de menor grau de positividade jurídica guardem, necessariamente, relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de sua ineficácia e de sua completa inaplicabilidade". Daí, porque, nas palavras do citado Ministro: – Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica. – A declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe – ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito. – A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia da lei e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional. Esse poder excepcional – que extrai a sua autoridade da própria Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13864.000332/201056 Acórdão n.º 2402007.158 S2C4T2 Fl. 5 4 Carta Política – converte o Supremo Tribunal Federal em verdadeiro legislador negativo. No caso concreto, vêse que o lançamento tem como fato gerador a prestação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto no inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, que era assim redigido: Lei nº 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Execução suspensa pela Resolução nº 10, de 2016) Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do citado dispositivo (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). Segue a ementa da decisão: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13864.000332/201056 Acórdão n.º 2402007.158 S2C4T2 Fl. 6 5 do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe196 DIVULG 07 102014 PUBLIC 08102014) (destacouse) Foi, inclusive, negada a modulação dos efeitos da decisão, conforme se vê na ementa abaixo: EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados.(RE 595838 ED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 18/12/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe036 DIVULG 24022015 PUBLIC 25022015) No âmbito do legislativo, foi editada a Resolução Senado Federal nº 10/2016, para "suspender" a execução do dispositivo inconstitucional. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, § 2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, tomadas, respectivamente, em sede de repercussão geral ou recurso repetitivo devem ser reproduzidas por suas Turmas. Logo, diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13864.000332/201056 Acórdão n.º 2402007.158 S2C4T2 Fl. 7 6 dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento ora em debate. 3. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903378/2008-35
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
RESSARCIMENTO DE IPI. DCOMP. CORREÇÃO DE ERRO CONSTANTE DA DECISÃO RECORRIDA.
Uma vez constatada a existência de erro na decisão recorrida no que tange à identificação do CFOP indicado na nota fiscal cujo crédito tributário fora glosado, há de ser revertida a glosa relativa a tal nota fiscal.
SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR POSTERIORMENTE ESTORNADO NA INTEGRALIDADE. APROVEITAMENTO PARA ABATER DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. REDUÇÃO DO SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO.
Não é admissível o aproveitamento escritural, para efeito de determinação do menor saldo credor apurado em períodos posteriores ao do trimestre de ressarcimento, de saldo credor de período anterior que tenha sido integralmente estornado do livro de apuração do IPI pelo próprio contribuinte.
Numero da decisão: 3002-000.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, exclusivamente para fins de determinar a reversão da glosa relacionada ao CNPJ nº 85.494.201/0001-45, no valor de R$ 37,49.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o Conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO DE IPI. DCOMP. CORREÇÃO DE ERRO CONSTANTE DA DECISÃO RECORRIDA. Uma vez constatada a existência de erro na decisão recorrida no que tange à identificação do CFOP indicado na nota fiscal cujo crédito tributário fora glosado, há de ser revertida a glosa relativa a tal nota fiscal. SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR POSTERIORMENTE ESTORNADO NA INTEGRALIDADE. APROVEITAMENTO PARA ABATER DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. REDUÇÃO DO SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. Não é admissível o aproveitamento escritural, para efeito de determinação do menor saldo credor apurado em períodos posteriores ao do trimestre de ressarcimento, de saldo credor de período anterior que tenha sido integralmente estornado do livro de apuração do IPI pelo próprio contribuinte.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10935.903378/2008-35
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6006710
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3002-000.680
nome_arquivo_s : Decisao_10935903378200835.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 10935903378200835_6006710.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, exclusivamente para fins de determinar a reversão da glosa relacionada ao CNPJ nº 85.494.201/0001-45, no valor de R$ 37,49. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o Conselheiro Alan Tavora Nem.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7738260
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911233470464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 206 1 205 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.903378/200835 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.680 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 21 de março de 2019 Matéria IPI. RESSARCIMENTO. Recorrente INDÚSTRIA DE MÓVEIS SIMOSUL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO DE IPI. DCOMP. CORREÇÃO DE ERRO CONSTANTE DA DECISÃO RECORRIDA. Uma vez constatada a existência de erro na decisão recorrida no que tange à identificação do CFOP indicado na nota fiscal cujo crédito tributário fora glosado, há de ser revertida a glosa relativa a tal nota fiscal. SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR POSTERIORMENTE ESTORNADO NA INTEGRALIDADE. APROVEITAMENTO PARA ABATER DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. REDUÇÃO DO SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. Não é admissível o aproveitamento escritural, para efeito de determinação do menor saldo credor apurado em períodos posteriores ao do trimestre de ressarcimento, de saldo credor de período anterior que tenha sido integralmente estornado do livro de apuração do IPI pelo próprio contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, exclusivamente para fins de determinar a reversão da glosa relacionada ao CNPJ nº 85.494.201/000145, no valor de R$ 37,49. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 33 78 /2 00 8- 35 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10935.903378/200835 Acórdão n.º 3002000.680 S3C0T2 Fl. 207 2 Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o Conselheiro Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 185/186 dos autos: Tratase de manifestação de inconformidade (efls. 3 e 4) apresentada em 05 de dezembro de 2008 contra despacho decisório (efls. 55 a 65) de 07 de novembro de 2008, cientificado em 20 de novembro de 2008, que não homologou declarações de compensação com créditos de IPI do 1º trimestre de 2002, apresentadas a partir de 12 de março de 2004. De acordo com o despacho decisório, foi apurado o seguinte: Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 11.674,79 Valor do crédito reconhecido: R$ 9.976,68 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos. Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar Integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 08786.25746.170704.1.7.012001 Não ha valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 05075.88450.120304.1.1.011090 As razões acima apontadas foram objeto do "demonstrativo de créditos e débitos (ressarcimento de IPI)" (efl. 56), juntamente com a "relação de notas fiscais com créditos indevidos" (efls. 61 a 63), e "demonstrativo da apuração após o período de ressarcimento" (efl. 58). Na manifestação de inconformidade, a Interessada alegou inicialmente não ter ficado esclarecida a razão da glosa da diferença de R$ 437,7, acrescentando o seguinte: 2. A glosa de crédito do imposto, conforme veremos na seqüência, é totalmente improcedente uma vez que o IPI foi lançado nas respectivas notas fiscais Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10935.903378/200835 Acórdão n.º 3002000.680 S3C0T2 Fl. 207 3 (documentos anexos) e os valores correspondentes foram, efetivamente, desembolsados pela Manifestante: Portanto, não existe nenhuma razão para glosa do crédito, uma vez que se trata de aquisição de matériasprimas e materiais auxiliares utilizados na fabricação de móveis e nenhuma das empresas são optantes pelo Simples e todos os fornecedores estão devidamente cadastrados no CNPJ, conforme comprovam as respectivas notas fiscais e documentos de inscrição cadastral emitidos no sítio da Receita Federal do Brasil. 3. Relativamente à diferença de R$ 473,77, após vários exercícios cerebrinos, o demonstrativo constante do Despacho Decisório sinaliza que o não reconhecimento do crédito ocorreu porque a Manifestante, ao invés de utilizar o menor saldo credor posterior ao período do Pedido de Ressarcimento, utilizou o saldo credor apurado no próprio trimestre de referência. O procedimento adotado pela Manifestante não merece reparos porque o saldo credor do IPI existente no quatro trimestre de 2001 não foi considerado pelo seu valor correto no demonstrativo anexo ao Despacho Decisório. 4. O equívoco cometido no levantamento constante do Despacho Decisório ora repelido referese à tomada do saldo credor do período anterior, no valor de R$ 5.397,30. Esse saldo, segundo o demonstrativo de apuração do saldo credor ressarcível, referese ao quarto trimestre de 2001. De acordo com a conta gráfica do IPI, a Manifestante possuía, no mesmo período, crédito no montante de R$ 76.940,84 e que correspondia ao saldo credor inicial referente ao primeiro decêndio de janeiro de 2002. Referido valor, aliás, foi informado no PER/DCOMP n 05075.88450.120304.1.1.011090 (documento anexo). 5. De acordo com o explanado no item 4, retro, considerandose o saldo credor do quarto trimestre de 2001, no montante de R$ 76.940,84, constante da conta gráfica do IPI (documento anexo) e do PER/DCOMP acima mencionado, o menor saldo credor do período posterior ao Pedido de Ressarcimento seria, indubitavelmente, sempre superior ao crédito solicitado na correspondente DCOMP. O contribuinte juntou, com a manifestação de inconformidade, despacho decisório, contrato social, PER/DCOMP, notas fiscais, cartões de CNPJ, recibo de entrega do pedido de ressarcimento do IPI, pedido de ressarcimento ou restituição declaração de compensação, livro de apuração do IPI (fls. 05/179). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, conforme decisão (fls. 184/193) que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 RESSARCIMENTO. GLOSA DE CRÉDITOS. ESTABELECIMENTO EMISSOR NÃO CADASTRADO NO CNPJ. ERRO. PROVA. Demonstrada a regular inscrição do estabelecimento emitente da nota fiscal, considerase regular o crédito de IPI escriturado. SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR POSTERIORMENTE ESTORNADO NA INTEGRALIDADE. APROVEITAMENTO PARA Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10935.903378/200835 Acórdão n.º 3002000.680 S3C0T2 Fl. 207,5 4 ABATER DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. REDUÇÃO DO SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. Não é admissível o aproveitamento escritural, para efeito de determinação do menor saldo credor apurado em períodos posteriores ao do trimestre de ressarcimento, de saldo credor de período anterior que tenha sido integralmente estornado do livro de apuração do IPI pelo próprio contribuinte. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 23/12/14 (vide termo de ciência à fl. 199 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 07/01/2015, Recurso Voluntário (fls. 200/203). Em seu recurso, o contribuinte se insurgiu contra a decisão de primeira instância, apresentando os seguintes argumentos: i) a decisão de primeiro grau teria se equivocado em relação à glosa sobre a nota emitida pelo fornecedor de CNPJ 5.494.201/0001 45, pois se trataria de IPI incidente sobre importação de materiais auxiliares aplicados no processo produtivo; ii) o acórdão desconsiderou o saldo credor do quarto trimestre de 2001, no valor de R$ 76.940,84, contudo, o contribuinte entende que o saldo credor do IPI passível de ressarcimento encontravase em harmonia com o valor pleiteado. Pediu, ao fim, a reforma da decisão de primeira instância para reconhecerse o direito creditório de R$ 11.674,79, considerando o montante de R$ 76.940,84 como integrante do saldo credor de IPI em 31/12/2001. Não juntou novos documentos em seu recurso. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, parte do pleito do contribuinte já fora acolhido em primeira instância administrativa, a qual reconheceu a improcedência da glosa no que tange ao valor de R$ 1.224,34, relacionado à operação realizada com estabelecimento emissor não cadastrado no CNPJ, uma vez demonstrada a regular inscrição do referido estabelecimento. Permaneceu em discussão, portanto, o fundamento relacionado às demais glosas realizadas. A Recorrente, em seu Recurso Voluntário, limitouse a contestar os seguintes pontos: (i) a decisão de primeiro grau teria se equivocado em relação à glosa sobre a nota emitida pelo fornecedor de CNPJ 85.494.201/000145, pois se trataria de IPI incidente sobre Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10935.903378/200835 Acórdão n.º 3002000.680 S3C0T2 Fl. 208 5 importação de materiais auxiliares aplicados no processo produtivo; (ii) direito à consideração do montante de R$ 76.940,84 como integrante do saldo credor do IPI em 31/12/2001., reconhecendo, consequentemente, o direito ao ressarcimento do IPI originalmente pleiteado no importe de R$ 27.803,28. Nesta oportunidade, é importante registrar que o contribuinte não apresentou qualquer insurgência no que tange à glosa relacionada ao CNPJ nº 04.538.349/000132 (empresa optante pelo SIMPLES FEDERAL). Sendo assim, não há mais possibilidade de discussão administrativa quanto à sua correção. A seguir, serão analisados, então, os argumentos apresentados pela Recorrente em seu recurso. Quanto ao primeiro argumento apresentado, relacionado à glosa relativa ao CNPJ nº 85.494.201/000145 (glosa no valor de R$ 37,49), alega o Recorrente que a DRJ teria se equivocado em sua decisão, sob o argumento de que a operação em tela está relacionada à incidência de IPI sobre a importação de materiais auxiliares conforme documento de fls. 26 e, portanto, aplicados no processo produtivo. Sobre este ponto, assim, se manifestou a DRJ: Finalmente, em relação à empresa de CNPJ n. 85.494.201/0001 45 (cópia de nota fiscal de efl. 20), tratouse de saída de CFOP 6.11 ("Venda de produção do estabelecimento originada de encomenda para entrega futura"), que não gera direito a crédito no momento da emissão, mas somente na entrada efetiva do produto no estabelecimento, nos termos do art. 190, § 2º, do Regulamento do IPI (Decreto n. 4.544, de 26 de dezembro de 2002): Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: [...] § 2º No caso de produto adquirido mediante venda à ordem ou para entrega futura, o crédito somente poderá ser escriturado na efetiva entrada do mesmo no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, à vista da nota fiscal que o acompanhar. Ao analisar a nota fiscal em relevo (vide fl. 28 do eprocesso), é possível constatar que procede o argumento da recorrente. Isso porque, verificase que a nota fiscal em referência, diferentemente do que constou do acórdão recorrido, indica como CFOP o código 3.11 (compra para industrialização). Sendo assim, entendo que assiste razão ao recorrente, devendo, portanto, ser revertida a glosa relativa a tal nota fiscal. Por outro lado, quanto ao segundo fundamento, entendo que não assiste razão à Recorrente. Isso porque, consoante também fora detidamente analisado pela DRJ na decisão Recorrida, o crédito de R$ 76.940,84 não fora considerado pela própria Recorrente, a qual procedeu ao seu estorno em 2007. E, por concordar com os fundamentos constantes da decisão Recorrida, transcrevoos a seguir, adotandoos como razão de decidir: Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10935.903378/200835 Acórdão n.º 3002000.680 S3C0T2 Fl. 208,5 6 Não procede a alegação da Interessada de que "O equívoco cometido no levantamento constante do Despacho repelido referese à tomada do saldo credor do período anterior não poderia ser igual a zero porque no 4º trimestre de 2001 o saldo constante da conta gráfica no Livro Registro de Apuração do IPI era igual a R$ 76.940,84", uma vez que, para efeito da apuração do demonstrativo em questão, o saldo credor inicial considerado foi o do período seguinte. De acordo com o acórdão pronunciado no processo n. 10935.901556/201199, o saldo do R$ 76.940,84 era originário do ano de 2001 e foi integralmente estornado no primeiro trimestre de 2007. Portanto, esse saldo não foi aproveitado entre o período de sua apuração e o 1º trimestre de 2007 e, assim, não poderia influenciar a apuração do saldo em análise. No PERDCOMP apresentado pela Interessada (efl. 38), o valor foi lançado junto ao "saldo credor no período anterior", relativamente ao 3º decêndio de dezembro de 2002. A Interessada apresentou cópias do livro de apuração do IPI (LRAIPI), relativamente ao mês de dezembro de 2001 (efl. 46) e a 2004 (efl. 50), deixando de apresentar as cópias relativas aos trimestres em análise. Vejase que, alterandose o saldo inicial do 1º decêndio de janeiro de 2002 para o valor alegado, o saldo credor ressarcível ao final do trimestre seria de R$ 66.779,75, conforme declarou a Interessada no PERDCOMP n. 05075.88450.120304.1.1.011090 (efl. 67). Isso por que, se fosse assim, esse saldo inicial que não é ressarcível teria abatido os débitos de IPI dos períodos posteriores ao trimestre em análise, fazendo com que os créditos ressarcíveis apurados no período não fossem aproveitados para abatimento de débitos. Entretanto, essa informação não corresponde à realidade, uma vez que, conforme já se afirmou, o referido saldo foi integralmente estornado em 2007 e, além disso, a própria Interessada somente pediu o ressarcimento de R$ 11.674,79, que estaria dentro do valor apurado dos créditos ressarcíveis não aproveitados escrituralmente no trimestre. Conforme efl. 68, o saldo inicial do período seria de R$ 76.940,84. Entretanto, o saldo final do 3º decêndio de março de 2002 seria de R$ 88.615,63 (e fl. 80), representando um acréscimo de crédito de R$ 11.674,79. Portanto, conforme anteriormente afirmado e reafirmado, o saldo de período anterior de R$ 76.940,84 não foi utilizado no período em análise, nem nos períodos seguintes, até ser integralmente estornado no 1º trimestre de 2007. (...) Entretanto, como já se afirmou, a Interessada manteve o saldo alegado de crédito de R$ 76.940,84 na escrituração, sem o aproveitar, até 2007. Permitir o aproveitamento de tal crédito no momento em questão implicaria, assim, a redução do saldo credor do 1º trimestre de 2007 no exato valor de R$ 5.833,11, pois, mais uma vez, no período mencionado, a Interessada estornou o valor integral de R$ 76.940,84. Como no processo mencionado foi reconhecido o direito ao crédito requerido, não se pode admitir, no presente processo, a utilização desse saldo de crédito. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10935.903378/200835 Acórdão n.º 3002000.680 S3C0T2 Fl. 209 7 Importa esclarecer que o efeito da manutenção do referido crédito na escrituração, sem aproveitamento, não resultou em alteração na conta gráfica, conforme alegado na manifestação de inconformidade, devido aos créditos acumulados pela Interessada a partir 2º decêndio de abril de 2002. Por fim, não cabe, na presente decisão, cogitarse especificamente do que levou a Interessada a efetuar a glosa desse saldo de R$ 76.940,84 em janeiro de 2007. No acórdão do processo n. 10935.901556/201199, considerouse o seguinte: Na apuração efetuada pela Interessada, esse valor deveria ser de R$ 38.299,38, não abrangendo o valor de R$ 76.940,84 informado a título de estorno de créditos. Verificase que valor em questão, conforme cópia do livro registro de apuração do IPI (LRAIPI) de efl. 214, referiuse, supostamente, ao “estorno saldo credor 2001”, que somente poderia ser mantido na escrituração até o ano de 2006, à vista do prazo de cinco anos. Portanto, a Interessada efetuou corretamente o estorno de crédito no LRAIPI, informouo no demonstrativo do PER que transmitiu. Entretanto, como o saldo inicial considerado pelo sistema foi nulo, podese concluir que o referido saldo de créditos não foi considerado como saldo credor de períodos anteriores não ressarcível. Em tese, se o estorno ocorreu por limite temporal para aproveitamento dos créditos (5 anos), não haveria razão para não permitir o aproveitamento do crédito em 2002, quando ainda não havia decorrido o prazo. Poderia, entretanto, tratarse de crédito simplesmente indevido, registrado em 2001. Além disso, remanesce o fato incontestável de que o crédito foi estornado integralmente em 2007 sem aproveitamento, o que reforça essa possibilidade. Se o estorno não ocorreu por imposição legal (esgotamento do prazo para aproveitamento escritural), ocorreu por opção da Interessada, que não o contestou, nem alegou haverse tratado de engano. Quanto a este ponto, a Recorrente limitouse em seu Recurso Voluntário a combater a decisão recorrida sob o enfoque temporal de que o crédito em questão teve origem em 2001 e que somente foi estornado em 2007. Sendo assim, no seu entendimento seria possível admitir tal crédito em 2004, quando da transmissão do pedido de ressarcimento aqui analisado. Penso, contudo, que o aspecto temporal indicado pelo Recorrente não altera a conclusão a que chegou a DRJ em sua decisão. Isso porque, como restou repetidamente analisado naquela oportunidade, é incontroverso que houve o estorno do referido crédito na contabilidade da Recorrente em 2007, sem a sua utilização. E, como bem ressaltou o julgador, não se sabe ao certo a razão da realização deste estorno, podendo se tratar, inclusive, de crédito indevido. Sendo assim, para fins de reconhecimento do crédito tributário pleiteado, cabia ao contribuinte não apenas alegar a possibilidade de utilização do crédito em questão face ao aspecto temporal relacionado, como também comprovar a validade deste crédito, o que não foi feito. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10935.903378/200835 Acórdão n.º 3002000.680 S3C0T2 Fl. 209,5 8 Até porque, como é cediço, o ônus probatório compete ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação) quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). Em outras palavras, em casos de pedidos de compensação, o ônus probatório é do Recorrente. É o que se extrai tanto do teor do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da administração pública federal, quanto o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, in verbis: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. *** Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse contexto, verificase que a Recorrente não se desincumbiu do seu ônus probatório, não tendo trazido aos autos qualquer elemento apto a abalar a conclusão a que chegou a DRJ sobre o presente caso. Entendo, portanto, que a decisão recorrida há de ser mantida neste ponto. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente in casu, exclusivamente para fins de reverter a glosa relacionada ao CNPJ nº 85.494.201/000145, no valor de R$ 37,49. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.722548/2016-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Enunciado de Súmula CARF nº 108)
Numero da decisão: 3302-006.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre aquisições de produtos químicos, inseticidas e anti-espumantes, tratamento de efluentes e resíduos, análise laboratorial (controle de qualidade), manutenção de equipamentos/predial (à exceção de ferramentas), combustível - lenha e GLP, equipamento de proteção individual (EPI) e indumentárias ("uniformes"), despesas com embalagens, despesas de aluguel de projetor data-show, telas de projeção, amplificadores de som, microfones, máquinas de café, purificadores de água, equipamentos de segurança, equipamentos de telefonia e copiadoras, despesas de armazenagem de matérias-primas, fretes na aquisição e na movimentação de matérias-primas e fretes de produtos acabados, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que negavam provimento quanto aos fretes sobre produtos acabados.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Enunciado de Súmula CARF nº 108)
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10314.722548/2016-08
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6005482
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.811
nome_arquivo_s : Decisao_10314722548201608.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10314722548201608_6005482.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre aquisições de produtos químicos, inseticidas e anti-espumantes, tratamento de efluentes e resíduos, análise laboratorial (controle de qualidade), manutenção de equipamentos/predial (à exceção de ferramentas), combustível - lenha e GLP, equipamento de proteção individual (EPI) e indumentárias ("uniformes"), despesas com embalagens, despesas de aluguel de projetor data-show, telas de projeção, amplificadores de som, microfones, máquinas de café, purificadores de água, equipamentos de segurança, equipamentos de telefonia e copiadoras, despesas de armazenagem de matérias-primas, fretes na aquisição e na movimentação de matérias-primas e fretes de produtos acabados, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que negavam provimento quanto aos fretes sobre produtos acabados. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7736529
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911289044992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 47; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2186; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 143 1 142 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.722548/201608 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.811 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente GENERAL MILLS BRASIL ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Enunciado de Súmula CARF nº 108) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre aquisições de produtos químicos, inseticidas e antiespumantes, tratamento de efluentes e resíduos, análise laboratorial (controle de qualidade), manutenção de equipamentos/predial (à exceção de ferramentas), combustível lenha e GLP, equipamento de proteção individual (EPI) e indumentárias ("uniformes"), despesas com embalagens, despesas de aluguel de projetor datashow, telas de projeção, amplificadores de som, microfones, máquinas de café, purificadores de água, equipamentos de segurança, equipamentos de telefonia e copiadoras, despesas de armazenagem de matérias AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 25 48 /2 01 6- 08 Fl. 3094DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 144 2 primas, fretes na aquisição e na movimentação de matériasprimas e fretes de produtos acabados, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que negavam provimento quanto aos fretes sobre produtos acabados. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e para a COFINS, no período de 31/01/2012 a 31/12/2012, exigindoselhe contribuição para o PIS de R$2.097.325,37 e para a COFINS exigência de R$ 9.671.106,87. Os enquadramentos legais encontramse nos autos de infração juntados às fls.1443/1459. A fiscalização teve início com o Termo de Início de Fiscalização de fls.04/08, no qual foram solicitados os livros, registros e documentos comprobatórios dos créditos a que se referem as contribuições em comento e relativos ao período acima citado. Consta nos autos que, por meio da correspondência datada de 28/06/2016, o contribuinte solicitou prazo adicional de vinte dias, o qual foi concedido. O atendimento ao "Termo de Reintimação Fiscal" consolidouse mediante correspondência datada de 18/07/2016, bem como através da entrega de mídias digitais em 03/08/2016 e 18/08/2016. Após a análise pela fiscalizada da documentação apresentada, a Autoridade Fiscal elaborou o TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADES, no qual constam as intimações, as respostas do contribuinte para os esclarecimentos e as conclusões que suportam fundamentalmente os lançamentos. Confirase os itens que foram glosados: "8 “Fichas 06A e 16A – Linha 5 – CRÉDITOS PIS/COFINS – Despesas de Aluguéis de Prédios locados de Pessoa Jurídica” Fl. 3095DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 145 3 Após análise do demonstrativo apresentado, ou seja, a planilha nomeada "Fichas 06A e 16A – Linha 5", consignada na pasta “Item 3 (Fichas 06A e 16A linha 5)”, anexa ao processo de constituição do crédito tributário (eprocesso) na forma de arquivo nãopaginável, constatei que o contribuinte considerou diversas operações que não geram direito ao crédito do PIS/PASEP e da COFINS, vez que não se enquadram nem na definição de “máquinas” e nem na definição de “equipamentos” utilizados nas atividades da empresa. Tratamse tais operações da locação de móveis, toalhas, dispositivos de som e outros de natureza semelhante, e, principalmente, do aluguel de caminhões e veículos automotores, estes claramente não classificados como “máquinas” ou “equipamentos” conforme entendimento pacificado no âmbito RFB e do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. (...) 9 “Fichas 06A e 16A – Linha 7 – CRÉDITOS PIS/COFINS – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Vendas” Sob esta rubrica o contribuinte considerou operações de fretes e armazenagem em geral, e também diversas outras totalmente alheias ao conceito definido tanto na descrição da linha do DACON, quanto na letra da legislação que regulamenta a matéria. A Lei nº 10.833/2003 estabelece, no inciso IX do art. 3º: Conta 323227 – FRETES E CARRETOS PJ – Contabilizada no grupo “custo dos bens e serviços vendidos”, apresenta alguns lançamentos cuja descrição e área de aplicação indicadas não são compatíveis com o conceito de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, sendo, portanto, passiveis de glosa e, consequentemente, excluídos da composição dos créditos da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS; (...) Conta 323234 – FRETES E CARRETOS PJ – TRANSF – Não obstante também estar contabilizada no grupo “custo dos bens e serviços vendidos”, a nomenclatura desta conta indicou tratarse de operações de “transferência de produtos”, sem envolver, portanto, operações de venda. (...) Conta 321227 – FRETES E CARRETOS – PJ – Segundo a descrição do material e área de aplicação indicadas no demonstrativo apresentado pelo contribuinte, esta conta é composta de lançamentos que indicam tratarse de materiais diversos de uso geral, além de operações de transporte utilizadas em várias áreas da empresa, tais como serviços gerais, medicina e segurança do trabalho, refeitório, recebimento, recursos humanos, administração, processamento de dados, etc. (...) Fl. 3096DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 146 4 Conta 322227 – FRETES E CARRETOS – PJ – No demonstrativo correspondente, as colunas “material” e “área de aplicação” indicam que as operações registradas nesta conta referemse a transporte de produtos e materiais diversos entre estabelecimentos da empresa, não guardando, portanto, correlação com as operações venda. (...) Conta 311227 – FRETES E CARRETOS PJ Contabilizada como “custo de produção”, é composta de diversos lançamentos cujas descrições indicam tratarse de materiais diversos utilizados na empresa em geral. Quanto aos lançamentos enquadrados como “transportes”, a área de aplicação informada indica utilização no processo produtivo e não em “operações de venda”, restando claro que os valores, em sua totalidade, não podem ser utilizados no desconto dos créditos da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS; (...) Conta 311254 – ARMAZENAGEM Apresenta operações de armazenagem de matériasprimas, contabilizadas como “custo de produção”, não relacionadas às operações de venda e, portanto, não passiveis de aproveitamento do crédito da não cumulatividade na apuração do PIS/PASEP e da COFINS. Os lançamentos devem ser desconsiderados em sua totalidade; Após a análise do fretes e demais despesas, o Auditorfiscal da Receita Federal do Brasil analisou os encargos de depreciação, constatando irregularidades que ensejaram a glosa, confirase: 10 “Fichas 06A e 16A – Linha 9 – CRÉDITOS PIS/COFINS – Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação)” O acima disposto aplicase, também, à apuração da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, nos termos do inciso II do art. 15 do mesmo diploma legal. No decorrer da auditoria fiscal constatei, após análise dos demonstrativos denominados “Ficha 06A e 16A Linha 9 – Depreciação Líquida Yoki 012012” a “Ficha 06A e 16A Linha 9 – Depreciação Líquida Yoki 122012”, constantes da pasta " Item 3 (Fichas 06A e 16A Linha 9) anexa ao processo de constituição do crédito tributário (eprocesso) na forma de arquivo nãopaginável, que na apuração dos créditos da não cumulatividade aproveitados na presente rubrica do DACON no anocalendário de 2.012, foram considerados encargos de depreciação calculados sobre edificações e benfeitorias, bem como sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado e utilizados em diversas áreas/setores da empresa. Tais operações (aproximadamente 140.000) foram contabilizadas em 28 diferentes contas, sendo 21 delas classificadas como “DESPESAS OPERACIONAIS DA ATIVIDADE EM GERAL” e as 7 restantes classificadas como Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 147 5 “CUSTO DOS PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA PRODUZIDOS”. A legislação que regula a matéria éclara ao estabelecer que, em se tratando de máquinas, equipamentos e outros bens, estes devem ser utilizados na produção. Já quanto às edificações e benfeitorias, a matriz legal não determina áreas especificas de aplicação, apenas que sejam utilizadas nas atividades. Seguindo estas diretrizes, concluise que os encargos de depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens classificados no grupo de “DESPESAS OPERACIONAIS DA ATIVIDADE EM GERAL”, NÃO geram direito aos respectivos créditos na apuração do PIS/PASEP e da COFINS, por não serem utilizados na produção de bens destinados à venda. Se contrário fosse, ou seja, se tais encargos estivessem diretamente relacionados à produção, deveriam, segundo as boas práticas contábeis, serem classificados como “CUSTO DOS PRODUTOS PRODUZIDOS”. Corroborando o aqui exposto, verificase que a coluna “Descrição – Centro de Custo” dos demonstrativos apresentados pelo contribuinte (acima denominados) indica, para os lançamentos ora glosados, aplicação em áreas distintas da produção ou fabricação de bens destinados à venda. O detalhamento individual destes lançamentos está discriminado na planilha denominada “F0616A L9” (anexa ao presente Termo na forma de arquivo nãopaginável). A consolidação mensal dos valores da base de cálculo indevida e a respectiva totalização por conta contábil encontramse no demonstrativo denominado “FICHA 06A16A LINHA 9 VALORES A GLOSAR CRÉDITOS PIS COFINS” – ANEXO IVC, o qual é parte integrante deste Termo de Verificação e Constatação; Na verificação, consta que ocorreram créditos sobre aquisições de equipamento de segurança e outras aquisições e serviços, vejase: 11 “Fichas 06A e 16A – Linha 13 – CRÉDITOS PIS/COFINS – Outras Operações com Direito a Crédito” Tratamse os créditos da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da Cofins computados nesta rubrica do DACON no ano calendário de 2.012, de operações de aquisição de materiais e serviços diversos, contabilizados em 11 contas distintas, classificadas como “CUSTO DOS PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA PRODUZIDOS”, conforme planilha apresentada pelo contribuinte, denominada “Ficha 06A e 16A Linha 13”, constante da pasta " Item 3 (Fichas 06A e 16A Linha 13) anexa ao processo de constituição do crédito tributário (eprocesso) na forma de arquivo nãopaginável. Da análise do demonstrativo, constatei que, das 11 contas relacionadas, 4 eram compostas de lançamentos inerentes a: aquisição de materiais diversos, tais como equipamentos de proteção individual (EPI), produtos de higiene e limpeza, uniformes, ferragens e pequenas ferramentas, etc. Fl. 3098DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 148 6 prestação de serviços diversos, tais como limpeza, conservação e vigilância, atividades físicas, coleta de lixo, análise e testes laboratoriais, etc. Cientificada do Auto de Infração, e inconformada, a contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 1468/1512. Inicialmente, a contribuinte faz um resumo dos acontecimentos, explica as operações da empresa, as necessidades, as determinações legais a que esta sujeita, a sazonalidade, a necessidade de manter armazéns e transportar seus produtos entre um e outro e, quanto à fiscalização, entende que foi utilizada a presunção e ainda: 12. Mais precisamente, não tendo concordado com os critérios adotados pela Impugnante para alocação de créditos de PIS/COFINS, a fiscalização, fazendo uso da presunção, concluiu que os dispêndios registrados nas rubricas mencionadas não teriam pertinência com as suas atividades e os seus processos produtivos, fato que motivaria a glosa efetuada. O valor dos créditos glosados adicionado da multa aplicada (de 75% do valor principal) e dos acréscimos moratórios perfaz o total de R$ 11.768.432,24 (onze milhões, setecentos e sessenta e oito mil, quatrocentos e trinta e dois reais e vinte e quatro centavos). 13. Conforme se verifica do relato no Termo de Verificação Fiscal (“TVF”), o trabalho da autoridade fiscal se restringiu à análise de uma amostra bastante limitada da "descrição dos lançamentos" registrados pela Impugnante em suas contas contábeis, sobre as quais foram apurados os créditos de PIS/COFINS. 14. Ou seja, o procedimento de fiscalização não analisou as características e necessidades do processo produtivo da Impugnante, tampouco a efetiva natureza e destinação dos dispêndios sobre os quais foram apurados os créditos por ela glosados, muito embora a legislação em vigor determine a apuração de créditos com base nesses critérios e não na sua identificação contábil. Esclarece que o alcance do conceito de "insumos" foi utilizado a vista de decisões administrativas: 18. Em contraste com o procedimento acima, a Impugnante, apurou créditos de PIS/COFINS tão somente sobre aqueles dispêndios regularmente autorizados pela legislação, utilizando, como parâmetro de interpretação, um farto repertório de decisões administrativas emitidas pelas próprias autoridades fiscais em processos de consulta, bem como de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Essas decisões serão apresentadas nessa Impugnação a seguir, nos tópicos específicos em relação a cada categoria de gastos sujeitos à glosa pela fiscalização. Após as considerações iniciais, a Impugnante defende que o auto de infração é nulo Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 149 7 II DIREITO II.1 – PRELIMINARMENTE: A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR DO VÍCIO NA SUA CONSTITUIÇÃO (...) 23. É de se notar que o lançamento tributário decorrente da glosa da base de créditos de PIS/COFINS requer uma análise caso a caso dos dispêndios do contribuinte para verificar o enquadramento de cada um deles nas hipóteses legais, bem como a sua natureza e destinação. Entretanto, pela leitura do TVF pode se verificar que a autoridade fiscal NÃO procedeu com a glosa dos dispêndios da Impugnante com base na análise dessas despesas, mas sim com base na descrição das contas contábeis e histórico da Impugnante. 24. Com base exclusivamente nos textos e descritivos contidos no plano contábil da Impugnante, a fiscalização, com base em sua própria convicção, pressupôs que os créditos por ela apropriados não encontrariam respaldo na legislação aplicável. Ou seja, os presentes Autos de Infração têm como origem exclusivamente informações extraídas da contabilidade da Impugnante, as quais foram interpretadas a critério próprio da fiscalização. Analisa o feito e conclui que não foram levados em conta as características das suas atividades e dos seus processos produtivos. 27. A contabilidade, no caso os descritivos utilizados nos registros da Impugnante, não pode se constituir o único elemento para fundamentar lançamento de ofício, ainda mais nesse caso concreto que envolve a glosa de créditos de PIS/COFINS por suposta ausência de pertinência dos dispêndios considerados. 28. Referido procedimento até poderia ser admitido se a legislação autorizasse a glosa direta de rubricas contábeis ou se todos os lançamentos em cada conta glosada fossem uniformes em relação à sua natureza e destinação. Contudo, nenhuma dessas situações se verifica no caso em tela. A legislação não prevê uma norma de presunção de lançamento com base em rubricas contábeis, tampouco os dispêndios registrados pela Impugnante em cada uma das contas glosadas possuem todos a mesma natureza. Entende que a fiscalização não observou a "verdade material": 33. No que concerne especificamente à situação em tela, todavia, notase que a fiscalização agiu com profundo desprezo pela busca da verdade material, visto que não buscou elementos que comprovassem que a falta de pertinência dos créditos de PIS e COFINS corretamente apropriados pela Impugnante. Tivesse a fiscalização cumprido o seu dever de investigação e efetuado a análise da natureza dos dispêndios registrados pela Impugnante, teria concluído que os créditos de PIS e COFINS apurados são Fl. 3100DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 150 8 legítimos, apresentando total pertinência com as hipóteses previstas na legislação. Defende que a falta de comprovação das irregularidades possivelmente cometidas pela Impugnante enseja a nulidade do feito: 40. Quando o Fisco constitui crédito através do lançamento, a ele compete constatar a ocorrência do fato gerador; vale dizer, é do Fisco o ônus da prova. Se restar qualquer dúvida acerca da existência dos fatos alegados no auto de infração tendente a exigir o pagamento do tributo ou multa pelo contribuinte não se deve presumir a sua ocorrência, sob pena de nulidade. Outro não é sido o entendimento dos Conselhos de Contribuintes na apreciação de atos que, de maneira semelhante, apresentavam falhas de conteúdo na descrição dos fatos: (...) 41. Portanto, o lançamento efetuado em bases genéricas compromete de maneira irreparável a confiança na sua liquidez e certeza. Sendo o lançamento tributário atividade vinculada, o presente Auto de Infração, nos moldes em que foi elaborado, deve ser considerado integral e materialmente nulo devido ao vício de motivação do lançamento sobre rubricas contábeis e não sobre a natureza e destinação dos dispêndios apropriados como base de crédito de PIS/COFINS. 42. Com efeito, diante do grave e insanável vício na constituição do lançamento contido nos Autos de Infração é que se impõe a declaração de suas nulidades absolutas, sendo certo que tal decretação de nulidade não constitui faculdade da Administração, mas, sem dúvida, dever inerente ao princípio da autotutela dos atos administrativos. A retirada do ordenamento jurídico de lançamento tributário eivado de vício insanável constitui recomposição da situação de legalidade e corolário lógico da aplicação do princípio da supremacia do interesse público. 43. Portanto, demonstrado o vício constante dos lançamentos impugnados,impõese o imediato cancelamento dos Autos de Infração em razão de sua manifesta nulidade. No mérito, a Impugnante, inicialmente, explica seu entendimento do alcance do termo "insumo": II.2 – MÉRITO II.2.1 – NORMAS REFERENTES AO DESCONTO DE CRÉDITOS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA DE PIS E COFINS E CONCEITO DE INSUMO (...) 50. Historicamente, as autoridades fiscais vêm apresentando um entendimento restrito sobre o conceito de insumo, de forma a limitar as hipóteses de cálculo de créditos das contribuições. A Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 151 9 posição da Fazenda Nacional aproxima o conceito de insumo para as contribuições daquele utilizado na legislação do IPI, que limita a apropriação de créditos relativamente aos bens e serviços que integram fisicamente o produto, a mercadoria ou o serviço prestado. No caso em tela, esta interpretação restritiva foi usada como parâmetro para a glosa sobre os insumos adquiridos pela Impugnante. (...) 57. Atualmente, o CARF indica a tendência de consolidar o seu entendimento quanto ao desconto de créditos de PIS e COFINS mediante a aplicação da chamada “corrente intermediária”, ou seja, não tão restritiva quanto o conceito do IPI, nem tão elástica quanto o conceito do IRPJ. Na defesa apresentada, a interessada menciona algumas decisões administrativas e judicial, concluindo: 61. Diante do exposto, verificase que o conceito de insumo que deve ser empregado para fins de autorização dos créditos de PIS/COFINS apurados pela Impugnante deve ser aquele mais acolhido do ponto de vista jurídico, hoje considerado como entendimento “pacífico” no CARF. Nesse sentido, impõese a esta DRJ, segundo o preceito da corrente intermediária, entender que geram crédito os dispêndios “essenciais”, que mantenham “inerência” com o processo produtivo de bens ou com a prestação de serviços. Na peça recursal existe a informação da contribuinte de erros na sua escrituração e nas obrigações acessórias e que somente isto não seria suficiente para ocorreram as glosas: 63. Antes de apresentar as razões para reconhecimento do crédito de PIS/COFINS sobre os dispêndios incorridos pela Impugnante, convém esclarecer que alguns bens e serviços foram informados em linhas do DACON que não correspondem com a respectiva natureza. Por exemplo, podemse encontrar alguns dispêndios com insumos registrados na linha destinada aos gastos com frete do DACON, despesas de manutenção de equipamentos registradas na linha destinada a insumos, e assim por diante. 64. A esse respeito, é importante destacar que o simples equívoco nas informações prestadas em obrigação acessória, mais especificamente quanto à linha do DACON em que os créditos de PIS/COFINS foram apurados, não justifica a sua glosa. 65. Da análise do voto acima transcrito, verificase que a eventual divergência da natureza de um dispêndio com o campo específico do DACON não pode obstar a Impugnante de apropriar os créditos de PIS/COFINS a que tem direito. Na segunda parte da peça impugnatória apresentada, a interessada contesta as glosas, concordando com algumas: Fl. 3102DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 152 10 II.2.2 – CRÉDITOS SOBRE "OUTROS INSUMOS" (LINHA 13) 73. De outro modo, não representando insumos vinculados à produção, a Impugnante informa que, relativamente a "Linha 13" do DACON, efetuou o pagamento do débito autuado relativo aos dispêndios listados no demonstrativo anexo (docs. 01 e 02). (...) II.2.2.1 PRODUTOS QUÍMICOS, INSETICIDAS E ANTIESPUMANTE (CONTA "5.01.01.90.00.0008") 74. Dentre os bens adquiridos objeto de glosa pela autoridade fiscal, encontramse diversos produtos químicos adquiridos pela Impugnante para aplicação no seu processo industrial. 75. Em linhas gerais, conforme se verá a seguir, esses produtos químicos compreendem, dentre outros, alguns tipos de inseticidas, antiespumantes e detergentes, que são usados no combate de pragas, na limpeza de equipamentos e também na alteração das propriedades químicas dos alimentos, representando insumos vinculados ao processo fabril da Impugnante. Entende que os produtos utilizados contra os insetos são necessários e exigidos por normas: 81. A utilização destes produtos químicos no processo fabril da Impugnante não decorre apenas das suas regras de política de qualidade, mas também resulta de imposição normativa regulatória editada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, qual seja, a Portaria SVS/MS nº 326/1997 (doc. 11), que impõe às empresas do ramo alimentício a dedetização periódica das suas dependências. A Impugnante repete que a fiscalização foi superficial, cita julgamento administrativo e informa que juntou demonstrativo: 84. Entretanto, devido à análise superficial dos documentos e na falta de investigação sobre o papel de cada produto no processo industrial da Impugnante, os gastos com esses produtos foram objeto de glosa indevida. 85. Um desses produtos consiste no antiespumante ("Devan"), utilizado diretamente no processo industrial com alimentos de soja. As emulsões antiespumantes têm a função de evitar a formação de espuma e, particularmente na produção do leite de soja, têm também a propriedade espessante, tornando o leite de soja mais encorpado. Em virtude das suas propriedades químicas e do seu uso industrial, o CARF já reconheceu o crédito de PIS/COFINS de antiespumantes como insumos, conforme se pode verificar nos acórdãos nº 3803 006.328 e 3403001.957. 86. Para facilitar a identificação destes dispêndios, a Impugnante preparou o "demonstrativo" anexo, que contém a indicação de todos os lançamentos objeto da glosa (doc. 03). Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 153 11 Em seguida, informa que está sob rigorosas determinações legais: II.2.2.2 TRATAMENTO DE EFLUENTES E RESÍDUOS (CONTAS "5.01.01.90.00.0001", "5.01.01.90.00.0007", "5.01.01.90.00.0008" e "5.01.01.90.00.0030") 87. Nas quatro contas integralmente glosadas pela fiscalização, encontramse gastos com tratamentos de efluentes das plantas industriais da Impugnante. Nesse particular, a autoridade fiscal não levou em consideração o fato de que a Impugnante está sujeita ao atendimento de rigorosos padrões no tratamento de efluentes exigidos pela legislação ambiental, consoante disposições contidas na Lei nº 6.938/198111 e Decreto nº 99.274/199012. Cita julgado e explica: 91. No que interessa ao caso em tela, cumpre salientar que os gastos com tratamento de efluentes registrados na sua contabilidade são variados, consistindo em serviços de coleta de resíduos de açúcar levados até a cidade de Machado/MG, lixo dispensado na cidade de Tremembé/SP, cinzas tratadas em processo de compostagem, bem como a aquisição de cloro para tratamento de água (identificado como “cloro líquido” ou nome comercial “NippoClorex”), dentre outros. 92. Para facilitar a identificação destes dispêndios, a Impugnante preparou o "demonstrativo" anexo, que contém a indicação de todos os lançamentos objeto da glosa (doc. 04). 93. Com base no conceito de insumo estatuído pela legislação do PIS/COFINS e na jurisprudência majoritária do CARF, impõese o reconhecimento de crédito das contribuições apurados pela Impugnante sobre os gastos com tratamento de efluentes. Afirma que a análise laboratorial é necessária às suas atividades: II.2.2.3 ANÁLISE LABORATORIAL (CONTROLE DE QUALIDADE) (CONTAS "5.01.01.90.00.0001", "5.01.01.90.00.0007", "5.01.01.90.00.0008" e "5.01.01.90.00.0030). 94. Do ponto de vista da autoridade fiscal, somente os bens e serviços empregados diretamente no processo industrial poderiam gerar direito a crédito de PIS/COFINS. No entanto, esses bens registrados no centro de custo “controle de qualidade” são essenciais para que a Impugnante possa verificar se as suas Fl. 3104DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 154 12 medidas de ordem regulatória têm sido realizadas de maneira eficaz, razão pela qual a análise laboratorial deve ser considerada etapa inerente ao seu processo produtivo. 96. Ademais, outro argumento relevante que igualmente se aplica a estes dispêndios diz respeito ao fato de que a realização de auditorias de controle e análises laboratoriais não se trata apenas de processos para cumprimento de regras internas de qualidade da Impugnante, mas de obrigação regulatória prevista em normas sanitárias regionais e federais, como a Resolução RDC nº 7/2011 (doc. 12) da ANVISA, de observância mandatória pela Impugnante. Cita decisão administrativa e conclui: 99. Em vista do acima exposto, impõese a esta DRJ concluir pelo direito ao crédito de PIS/COFINS sobre os gastos incorridos pela Impugnante com as análises laboratoriais de controle de qualidade. Na contabilidade, esses dispêndios foram registrados nas quatro contas contábeis integralmente glosadas pela fiscalização, e dizem respeito a uma grande variedade de materiais que incluem, mas não se limitam a: substâncias químicas (acetileno, ácido clorídrico, álcool metílico), gases (oxigênio, argônio), equipamentos de laboratório (bureta, pipeta, erlemeyer), kit “rosa charm”, serviços de análise laboratorial e amostras de alimentos. II.2.2.4 Manutenção de Equipamentos (CONTAS "5.01.01.90.00.0001", "5.01.01.90.00.0007", "5.01.01.90.00.0008" e "5.01.01.90.00.0030") 101. Conforme demonstrado nos tópicos anteriores, a glosa dos bens e serviços adquiridos pela Impugnante deveuse à aplicação de um conceito de insumo demasiadamente restritivo, emprestado da legislação do IPI, mas estranha à legislação de PIS/COFINS. Consequentemente, até mesmo os gastos incorridos com materiais para manutenção das máquinas e equipamentos da Impugnante foram objeto de glosa indevida. 102. Consequentemente, a fiscalização acabou por glosar gastos com bens cuja simples leitura do descritivo contábil seria suficiente para concluir que correspondem a serviços e bens utilizados na manutenção de equipamentos, como arames de Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 155 13 solda (eletrodos), lubrificantes, removedores de ferrugem, removedores de graxa, ferramentas (chave de fenda, chave fixa, chave Allen etc.). Nesta categoria também se encontram as peças de substituição, que se incorporam ao bem, mas não aumentam a sua vida útil em mais de um ano, como lâmina auto afiante, lâmina standard, pinça em aço inox, serras, rolamentos, dentre outros. 103. O direito à apropriação dos créditos sobre estes dispêndios é reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil, que por ocasião da edição da Solução de Consulta COSIT nº 15/2013, tratou dos dispêndios incorridos com bens e serviços consumidos na manutenção de máquinas e equipamentos, desde que não aumentem a vida útil em mais de um ano. Cita decisão do Carf. II.2.2.5 COMBUSTÍVEL LENHA E GLP (CONTA "5.01.01.19.00.0001") 107. Dentre os gastos incorridos pela Impugnante objeto de glosa pela fiscalização, encontramse também serviços contratados e a aquisição de lenha e GLP utilizados para a geração de energia no seu processo industrial. 108. Já o crédito decorrente dos gastos com aquisição de lenha e GLP conta com duas hipóteses legais previstas no artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Esses bens são fonte de energia essencial para o desenvolvimento do processo industrial, razão pela qual devem ser considerados insumos nos termos do inciso II desse artigo – e justificando, assim, o procedimento da Impugnante de registrar os respectivos valores na Linha 13 da DACON. 109. Ademais, o crédito sobre a lenha e o GLP conta também com fundamento no inciso III do artigo 3º, que autoriza o crédito sobre “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica”. Como se nota do texto legal, nesses casos, o direito ao aproveitamento dos créditos não leva em consideração se a parcela é consumida “na prestação de serviço ou venda de bens” ou apenas “na atividade” da pessoa jurídica, não havendo qualquer restrição desta natureza. Cita decisões administrativas. 114. Nesse particular, os serviços de transporte pagos pela Impugnante para aquisição destes combustíveis também são evidentemente considerados como insumos da atividade industrial, pois o transporte da lenha utilizado nas caldeiras é parte integrante do custo do insumo adquirido. Logo, existe uma relação de dependência do processo industrial em relação a esses serviços. 115. Nestes termos, à evidência, não restam dúvidas de que a glosa dos gastos para movimentação e aquisição de fontes de Fl. 3106DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 156 14 energia, em particular a lenha e GLP, deve ser afastada, para o regular reconhecimento dos créditos de PIS/COFINS sobre esses dispêndios, os quais estão listados no demonstrativo anexo (doc. 07). II.2.2.6 – Equipamento de Proteção Individual (EPI) e Indumentárias (“uniformes”) (CONTAS "5.01.01.90.00.0007" E "5.01.01.90.00.0008") 116. A Fiscalização glosou créditos de PIS/COFINS decorrentes da aquisição de EPI e de “uniformes”, informados pela Impugnante na "Linha 13" do DACON, com base no argumento de que esses bens materiais seriam empregados diretamente no processo produtivo, conforme estatuído na Instrução Normativa nº 404/2002. 117. Conforme já foi destacado acima, a Impugnante atua no segmento de produtos e deve observar os preceitos da legislação regulatória, notadamente sanitária, assim como diretrizes das normas trabalhistas que cuidam da proteção dos empregados. 118. Neste contexto, a Impugnante adquire diversos itens, tais como luvas, botas e botinas específicas, cinturões abdominais, aventais, abafadores de ruídos etc., exigidos pelas normas sanitárias e trabalhistas, que se destinam a proteção individual dos seus empregados e a evitar a contaminação dos alimentos produzidos. 119. Nesse passo, os aventais, as botas e as luvas devem ser vestidos pelos empregados encarregados da limpeza e dedetização das dependências dos estabelecimentos produtivos da Impugnante, haja vista o fato de esses produtos serem tóxicos e representarem risco à saúde humana. Complementarmente, alguns equipamentos de segurança objeto de glosa pela Fiscalização são de uso obrigatório pelos empregados, tais como as cintas e cinturões abdominais, utilizados para evitar lesões no levantamento e movimentação de cargas; óculos de proteção dos olhos contra detritos que podem ser expelidos no processo produtivo, e ainda abafadores de ruído para amenizar o efeito dos ruídos gerados pelo maquinário industrial da Impugnante. Afirma que os EPI devem, obrigatoriamente, ser fornecidos aos empregados pelo empregador, conforme disposto na Consolidação das Leis Trabalhistas: 122. Nesse mesmo sentido, por se dedicar à fabricação de produtos do gênero alimentício, a Impugnante deve a seguir a regulamentação da ANVISA, que prevê a obrigatoriedade na utilização de indumentárias específicas na produção dos produtos para consumo humano. A título de exemplo, existem normas que obrigam todos os indivíduos a vestirem botas brancas dentro das fábricas da Impugnante. Em determinadas fases do processo produtivo dos alimentos, inclusive, é também obrigatória a utilização de aventais, luvas, respiradores e, até Fl. 3107DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 157 15 mesmo, macacões com capuz, materiais utilizados com a finalidade de evitar a contaminação dos alimentos em produção. Esclarece equívoco no registro contábil: 124. É importante esclarecer que, na contabilidade, a Impugnante identificou alguns desses itens como “uniformes”. Entretanto, na verdade os itens de vestuário glosados pela fiscalização devem ser considerados como “indumentárias”, pois correspondem ao vestuário de uso obrigatório nos termos da regulamentação da ANVISA e da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho. Cita decisões do Carf: 126. Com base no exposto, notase que todas as glosas relacionadas às despesas com aquisição de EPIs e indumentárias devem ser afastadas, tendo em vista que estes bens são imprescindíveis às atividades da Impugnante, sendo passíveis de creditamento para as contribuições em discussão. II.2.2.7 – DESPESAS COM EMBALAGENS (CONTAS "5.01.01.90.00.0007" E "5.01.01.90.00.0008") 128. Ainda de acordo com o TVF, a fiscalização efetuou a glosa de créditos decorrentes dos com aquisição de embalagens para transporte e outros itens necessários para embalar mercadorias, tais como tintas para carimbo e canetões, sob a alegação de que tais dispêndios não seriam aplicados ou consumidos na produção ou fabricação dos produtos comercializados. 129. De fato, as mencionadas embalagens não integram ou são consumidos na fabricação dos alimentos. Todavia, ao contrário do que alegou a fiscalização, tal fator não afasta a relação de dependência do processo industrial da aquisição de embalagens. Isso porque a ausência de tais embalagens impossibilita o transporte dos produtos acabados e em produção ou, no mínimo, compromete a sua conservação. 130. Facilitar a movimentação e garantir a conservação dos insumos e alimentos é justamente a finalidade da aquisição dos chamados “big bags”, por exemplo, que são confeccionadas especificamente para o transporte de materiais do gênero alimentício e são utilizadas tanto com insumos quanto produtos acabados. Ainda, é importante ressaltar que, pelo fato de a Impugnante industrializar alimentos para consumo humano altamente perecíveis, a importância de tais embalagens tornase ainda mais evidente. Cita decisão do Carf. 134. Assim sendo, em conformidade com a pacífica jurisprudência administrativa, e em face da essencialidade das embalagens de transporte à atividade da Impugnante, o argumento da fiscalização de que tais embalagens, por não serem incorporadas aos produtos durante o processo de Fl. 3108DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 158 16 industrialização, deve ser desconsiderado, afastandose, assim, a glosa em tela. II.2.2.8 – Despesas com Benfeitorias (CONTAS "5.01.01.90.00.0001", "5.01.01.90.00.0007", "5.01.01.90.00.0008" E "5.01.01.90.00.0030") 136. Como se depreende da planilha denominada “Ficha 06A e 16A – Linha 13”, a fiscalização efetuou também a glosa de despesas com manutenção predial (benfeitorias) incorridas pela Impugnante. Referidos gastos dizem respeito à aquisição de tintas, molas, parafusos, cabos, sacos de cimento etc., utilizados em benfeitorias nos estabelecimentos operacionais da Impugnante, sob a alegação de que os materiais não seriam aplicados ou consumidos na produção ou fabricação. 137. Esses materiais, de fato, não integram o processo produtivo da Impugnante. Entretanto, o artigo 3º, inciso VII, da Lei nº 10.833/2003 prevê expressamente a possibilidade de créditos sobre “edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa”. Assim, legislação de PIS/COFINS possui hipótese legal específica autorizando a possibilidade de créditos com despesas na realização de benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, quando utilizados nas atividades da empresa. 138. Portanto, ainda que não relacionados à atividade industrial, essas despesas são passíveis de crédito por expressa determinação legal. Nesse passo, a Impugnante ressalta que a única restrição prevista na legislação diz respeito ao fato de que tais benfeitorias devem ser realizadas em imóveis utilizados nas atividades da empresa. 139. Para afastar o crédito sobre tais despesas, deveria a autoridade fiscal, necessariamente, comprovar que esses materiais foram empregados em imóveis não utilizados na atividade da empresa, ou seja, em imóveis onde ocorra a fabricação, armazenagem ou mesmo nas dependências administrativas da Impugnante, o que não ocorreu no presente caso. Este item do Auto de Infração demonstra, novamente, a superficialidade do trabalho da fiscalização, que sequer questionou a destinação das despesas com os materiais mencionados acima, glosandoas por supor que não seriam utilizadas no processo produtivo da empresa. Cita o Código Civil e a definição de benfeitorias. II.2.3.1 – DESPESAS COM ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS 144. O artigo 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/03 permite o creditamento de gastos relativos a “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. Fl. 3109DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 159 17 145. Nos termos do dispositivo legal acima, as despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos passíveis de creditamento são todas aquelas utilizadas nas atividades da empresa. Daí depreendese que, diferentemente dos créditos relacionados à produção industrial, os créditos passíveis de dedução das contribuições sociais compreendem até mesmo as despesas com alugueis de máquinas e equipamentos utilizados na área administrativa da Impugnante. Cita julgado e: 147. Pela leitura das ementas acima, notase que quaisquer despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos são passíveis de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS, não sendo necessário que tais bens sejam utilizados no processo produtivo. 148. Portanto, quaisquer despesas com aluguel de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa são passíveis de creditamento das contribuições em discussão. Nesse sentido, demonstrase, a seguir, que as máquinas e equipamentos cujo crédito com despesas de aluguéis foram glosadas pela fiscalização foram utilizados nas atividades da Impugnante. 149. Muitas destas despesas incorridas resultam de obrigações previstas na legislação, a exemplo do que ocorre com o treinamento de empregados. Como se sabe, as pessoas jurídicas com número grande de empregados são obrigadas pela legislação trabalhista a fornecerem treinamentos aos seus empregados sobre segurança do trabalho, prevenções de riscos ambientais etc. A realização desses treinamentos é imprescindível e incontornável devido às obrigações regulamentares, tais como as Normas Regulamentadoras (“NR”) editadas pelo Ministério do Trabalho. 150. Dessa forma, a Impugnante deve organizar periodicamente treinamentos para seus empregados para cumprir com as suas obrigações trabalhistas e, sobretudo, conscientizar os seus empregados sobre os riscos da sua profissão. Devido a limitações de espaço, para realizar referidos treinamentos a Impugnante precisa alugar imóveis de terceiros. Para realizar esses treinamentos, a Impugnante também precisa alugar equipamentos, tais como projetor de datashow, telas de projeção, amplificadores de som, microfones, mesas e cadeiras etc. 151. Em vista das obrigações legais da Impugnante, as despesas com os alugueis desses espaços e equipamentos devem gerar créditos de PIS/COFINS, pois devem ser consideradas como integrante do seu rol de atividades. 152. Adicionalmente, destaquese que também foram glosadas despesas com locação de máquinas de café e purificadores de água, equipamentos de segurança, equipamentos de telefonia e copiadoras e, até mesmo, da locação de bens imóveis, apesar de Fl. 3110DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 160 18 todos esses itens contarem com expressa autorização legal para o crédito. Com efeito, a utilização desses bens nas atividades da Impugnante é demonstrada na planilha anexada aos autos que embasou o Auto de Infração (“F06A16A L5”), onde se encontra a informação de que todos esses bens estão alocados em centros de custos operacionais da Impugnante. 153. Com base no exposto, todas as glosas relacionadas às despesas com aluguéis de bens imóveis, máquinas e equipamentos devem ser afastadas, tendo em vista que são bens aplicados nas atividades da Impugnante, na forma da legislação vigente e da jurisprudência administrativa, restituindose, assim, o crédito sobre esses gastos. II.2.3.2 – Despesas com Aluguel de Veículos 154. No que interessa ao aluguel de veículos realizado pela Impugnante, a autoridade fiscal procedeu com a glosa dessas despesas com base no argumento de que os veículos e caminhões não consistiriam nem em “máquinas”, nem em' “equipamentos” (fl. 1414). 155. Apesar de equivocado, a Receita Federal de modo geral tem confirmado esse entendimento, apresentado manifestações em soluções de consulta restringindo o crédito de PIS/COFINS com base nesse argumento, conforme orientação estatuída na Solução de Consulta COSIT nº 1/2014. De acordo com esta manifestação da COSIT, o tratamento de veículos seria “comumente enunciado destacadamente, separados da nomenclatura de máquinas ou equipamentos”, buscando suporte em diversos dispositivos legais de matéria tributária em que a expressão “máquinas” e “veículos” são mencionados na mesma sentença. 156. Ao mencionar esses dispositivos legais, a autoridade fiscal buscou extrair desses exemplos uma distinção entre “máquinas” e “veículos” sem, contudo, indicar que elemento seria capaz de tornálos não equivalentes para fins de direito ao crédito de PIS/COFINS. A sua constatação, portanto, é de natureza casuística, e leva em conta que a legislação costuma mencionar máquinas e veículos de maneira justaposta, o que justificaria a existência de duas categorias distintas para a legislação tributária como um todo. 157. Todavia, a Impugnante ressalta que a legislação do PIS/COFINS não dispõe de conceitos específicos de “máquina”, “equipamento”, “veículo”, “aparelho” etc. Tanto isso é verdade, que a autoridade fiscal, naquela ocasião, buscou extrair um conceito a partir de exemplos estranhos à legislação do PIS/Cofins e sem se fundamentar nas respectivas definições legais. 158. Tais categorias, quais seja, “máquinas”, “equipamentos”, “veículos” etc. possuem definições técnicas legalmente estatuídas, que se encontram nas chamadas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, introduzidas por meio do Fl. 3111DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 161 19 Decreto nº 435/92. Logo, que, na ausência de uma definição própria desses termos na legislação do PIS/COFINS, o conceito de “máquinas” deve ser interpretado conforme disposto nas NESH. (...) 161. Além da hipótese legal específica, cabe mencionar que o aluguel de veículos também pode gerar direito a crédito de PIS/COFINS quando empregados nas atividades do contribuinte, sob a condição de insumos. Nesse vagar, a Impugnante entende que os dispêndios incorridos com o aluguel de veículos, no seu caso particular, possui direito a crédito com base em ambas as hipóteses dos incisos IX e II, já que esses veículos são efetivamente empregados na sua atividade operacional. 162. A jurisprudência administrativa possui diversos julgados favoráveis ao crédito sobre o aluguel de veículos utilizados nas atividades das pessoas jurídicas, como no caso do caminhão do tipo “munk”, guindastes e empilhadeiras, utilizados em diversas áreas de produção da Impugnante, como no recebimento de e armazenagem de grãos, na torra do amendoim, na movimentação de insumos e do estoque em produção. Tais máquinas são utilizadas indubitavelmente na atividade da Impugnante, sendo essenciais ao seu processo produtivo. Nesse sentido, justamente os dispêndios com os alugueis de veículos que possuem tais características têm sido amplamente aceitos como passíveis de gerarem crédito. II.2.4. – CRÉDITOS SOBRE DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA (LINHA 7 DO DACON) 164. O artigo 3º, IX da Lei nº 10.833/2003 veicula hipótese de crédito de PIS/COFINS sobre as operações de armazenagem em geral, assim como o frete contratado nas operações de venda. Apesar da restrição às operações de venda, também os fretes contratados na aquisição de insumos e bens para revenda, bem como o frete para transporte entre estabelecimentos de insumos e estoque. Entretanto, nesses casos o crédito das contribuições sociais é justificado com base no inciso II, ou seja, como insumos da atividade produtiva. 165. Apesar da autorização legal, a autoridade fiscal efetuou equivocadamente a glosa integral dos valores registrados em seis contas contábeis, sendo uma delas referentes à armazenagem e as demais ao frete em variadas situações. Nos tópicos seguintes a Impugnante demonstrará os fatos e as razões de direito, em relação ao item “Fichas 06A e 16A – Linha 7 – Créditos PIS/COFINS – Despesas de Armazenagem e Frente na Operação de Venda” do TVF, pelas quais tem direito aos créditos de PIS/COFINS sobre as operações com armazenagem e frete que foram utilizados como insumos para o seu processo produtivo. 166. A Impugnante informa que, tendo detectado que uma pequena parte dos dispêndios com frete glosados pela Fl. 3112DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 162 20 fiscalização foi equivocadamente incluída na base de créditos de PIS/COFINS, decidiu por bem efetuar o recolhimento dos respectivos débitos, que se referem as contas nº 321227 (nº 3.01.01.07.01.04.00.0002: Fretes e Carretos – PJ) e nº 322227 (nº 3.01.01.07.01.04.00.0004: Fretes e Carretos – PJ), conforme demonstrativo anexo (docs. 02 e 03) II.2.4.1 – ARMAZENAGEM 167. De acordo com o TVF, a fiscalização justificou a glosa das despesas com armazenagem de matériaprima, registradas na conta nº 311254 (nº 5.01.01.090.00.0045), sob a alegação de que são operações de que seriam operações “não relacionadas às atividades de venda e, portanto, não passíveis de aproveitamento do crédito da nãocumulatividade na apuração do PIS/PASEP e da COFINS”. 168. Da leitura do arrazoado preparado pela autoridade fiscal, verificase que a glosa dos gastos com armazenagem tem origem em uma leitura equivocada do artigo 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003. Para a fiscalização, somente gerariam direito a crédito a armazenagem vinculada à operação de venda. Todavia, esta conclusão é impossível do ponto de vista lógico pelas seguintes razões. 169. Em primeiro lugar, a única condição para o crédito de armazenagem é de que esta se refira à mercadoria, ao passo que a “operação de venda” constitui hipótese restritiva aplicável exclusivamente ao frete. Logo, concluise que, segundo a literalidade da lei, devem gerar direito a crédito os gastos com qualquer tipo de armazenagem de mercadorias. 170. Por outro lado, ainda que se pudesse admitir que a expressão “na operação de venda” se referisse à “armazenagem”, também nesse caso a interpretação da autoridade fiscal não merece prosperar. Afinal, todas as mercadorias armazenadas pela Impugnante são destinadas para a “venda”, todos os bens são armazenados são estoques de alimentos para que esses possam ser vendidos, de modo que a armazenagem não consiste em uma finalidade em si mesma. Com efeito, uma das poucas situações em que a armazenagem não poderia gerar direito a crédito seria no caso da armazenagem de ativo fixo ou de outros bens que não integrem o estoque. Cita julgamento do Carf. 172. Notase assim que as despesas com armazenagem de insumos e de produtos acabados são passíveis de creditamento do PIS/COFINS, justificando assim o restabelecimento dos créditos glosados pela autoridade fiscal. II.2.4.2 – Fretes na Aquisição e na Movimentação de Matéria Prima 173. Conforme consta no TVF (mais especificamente nas fls. 1415 à 1418), dentre as contas contábeis integralmente glosadas, encontramse a conta nº 311227 (nº 5.01.01.90.00.0023), que diz respeito aos gastos com frete no Fl. 3113DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 163 21 transporte de matériaprima utilizada no processo industrial da Impugnante. Novamente, a glosa foi justificada pela fiscalização devido ao fato de que essas operações de frete não envolveriam operações de venda. 174. Realmente, as operações de frete registradas nessa conta não geram direito a crédito de PIS/COFINS com base no artigo 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, mas sim como insumo da atividade industrial da Impugnante. Sob a perspectiva da chamada corrente intermediária, descrita acima, os serviços de frete, ainda que não consumidos diretamente na produção industrial, são considerados dispêndios essenciais para a industrialização, uma vez que, obviamente, sem o transporte das mercadorias para a planta industrial, estaria impossibilitada a transformação das matérias primas e materiais intermediários no produto acabado produzido pela Impugnante. 175. A título de argumentação, vale dizer também que se esta DRJ, ainda assim, questionar a relação de dependência do processo industrial da Impugnante e tais operações de frete, deve a DRJ, então, reconhecer o crédito sobre esses créditos como insumos devido ao fato de eles integram o custo de produção do estoque colocado a venda. Este argumento é frequentemente invocado pelo CARF em relação ao conceito de insumo de PIS/COFINS, identificando os dispêndios considerados como insumo da produção como sendo aqueles dispêndios que compõem a formação do custo da mercadoria acabada na contabilidade. 176. Em outras palavras, se a DRJ não identificar esses fretes como “essenciais” para o processo industrial da Impugnante, deve considerálos como insumo os valores que compõem o custo dos estoques, registrados nas contas CMV e CPV, dentre os quais aqueles registrados na conta nº 311227. Nesse passo, mencionese o voto condutor do acórdão nº 3402002.357, que recomenda como critério de valoração dos insumos o disposto nos itens 9 e 10 do Pronunciamento CPC nº 16 (“Estoques”): 177. O vínculo de dependência e relação de essencialidade entre as operações de frete na movimentação de matériaprima e demais insumos é questão hoje mansa e pacífica em âmbito administrativo, evidenciada pelo grande número de decisões do CARF garantindo o direito a crédito de frete como insumo da atividade produtiva e, até mesmo, de posições da Receita Federal nesse mesmo sentido. II.2.4.3 – Fretes na Movimentação de Estoque 179. Ainda com relação às operações de frete da Impugnante, a autoridade fiscal procedeu também com a glosa integral dos dispêndios registrados nas contas nº 323227 (nº 3.01.01.03.01.00.00.0004) e nº 323234 (nº 3.01.01.03.01.00.00.0005), que se referem às operações de frete na movimentação de mercadoria para centros de distribuição e depósitos fechados. Também com relação a esses gastos, deve a Fl. 3114DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 164 22 conclusão desta DRJ ser favorável à apropriação de créditos de PIS/COFINS. 180. Isso porque, como já mencionado nas linhas acima, a Impugnante possui um grande número de plantas industriais e de depósitos de armazenagem, necessários para a distribuição de uma vasta gama de produtos alimentícios em todo o território nacional. Como abordado no item dos fatos, tendo em vista as dimensões geográficas do território brasileiro, a Impugnante depende dos centros de distribuição, depósitos fechados e armazéns de terceiros para comercializar seus produtos. 181. Como dito, além das questões de ordem econômica e geográfica, grande parte dos produtos alimentícios produzidos e comercializados pela Impugnante é também afetada pela sazonalidade, seja em razão dos períodos das safras das matériasprimas, ou em função de períodos em que existe maior demanda por determinados produtos (e.g., pipoca e canjica durante o período de festas juninas). Devido às razões acima, a Impugnante se vê obrigada a adquirir matériasprimas em períodos específicos (durante a safra) e estocálos em local apropriado até a época do ano em que houver demanda pelo produto. 182. No caso em tela, a Impugnante remete insumos e mercadorias para os chamados “centros de distribuição” e também para estabelecimentos constituídos juridicamente na forma de “depósito fechado”. No contexto das suas atividades, são utilizados para fins de armazenamento. Destaquese que, na forma da legislação tributária (notadamente que regulam o ICMS e o IPI), o depósito fechado é um estabelecimento destinado ao armazenamento exclusivo das mercadorias pertencentes a estabelecimentos do mesmo titular, não podendo realizar operações em nome próprio e devendo obedecer à disciplina específica (definição extraída do RICMS/SP). 184. À evidência, notase que referidas operações de frete não são estranhas ao processo produtivo da Impugnante. Com efeito, o transporte das mercadorias da Impugnante registrados em referidas constas viabiliza um maior alcance do seu processo industrial e protegêlo da sazonalidade das lavouras e da demanda do mercado consumidor, daí surge a relação de dependência entre o processo industrial e as operações de frete. Por outro giro, essas operações de transporte também antecipam uma parte do frete da venda das mercadorias. 185. Afinal, nos casos em que a mercadoria é produzida longe do mercado consumidor, a sua transferência para centros de distribuição e depósitos próximos ao local de venda constitui uma antecipação de parte do frete de venda – e, em momento algum, a legislação restringe o frete “na operação de venda” a somente ao único contrato de transporte que deixar a mercadoria com o adquirente. Com efeito, todo o frete contratado pelo vendedor diz respeito, em última análise, à operação de venda, razão pela qual se deve conceder o crédito Fl. 3115DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 165 23 sobre essas operações com fundamento no artigo 3º, IX da Lei nº 10.833/2003. Cita doutrina. 188. Com base no acima exposto, notase que todas as glosas relacionadas com fretes, sejam eles relativos às transferências de insumos ou de produtos em elaboração, transferências de produtos acabados entre estabelecimentos próprios da Impugnante ou vendas devem ser afastadas por esta Turma Julgadora. II.2.5 DESCABIMENTO DO CÔMPUTO DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO 189. Não bastassem os argumentos indicados nos tópicos anteriores, os quais são suficientes para afastar a cobrança intentada, ressalta ainda a Impugnante que, caso parte ou todo o auto de infração em apreço seja julgado procedente, o que se admite apenas para efeitos de argumentação, não devem ser aplicados juros de mora sobre o valor da multa lançada de ofício. 190. Como se sabe, nos casos de lançamento de ofício formalizado por auto de infração, os juros de mora, calculados pela taxa SELIC, vêm sendo exigidos também sobre o valor da multa lançada de ofício, sob a justificativa de que essa penalidade se enquadra no conceito de “crédito tributário” de que trata o artigo 161 do CTN. 191. Que a obrigação acessória possa dar origem a crédito tributário, não se discute. Isto decorre do artigo 113, § 1º do CTN (“A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”), combinado com o artigo 139, também do CTN (“O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta”). 192. O que se deve indagar, contudo, é se a expressão “crédito” contida no artigo 161 do CTN engloba todo e qualquer crédito tributário, seja revestido de natureza de estritamente tributária, seja relativo a penalidade pecuniária. Confirase, por oportuno, o que dispõe a referida norma: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." 193. A penalidade pecuniária lançada dá origem a um crédito tributário. Crédito que, nos termos do já referido artigo 139 do CTN, possui a mesma natureza que a obrigação correspondente. Nada obstante, essa categoria de crédito tributário não se Fl. 3116DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 166 24 encontra abrangido pelo escopo material do artigo 161. O legislador, com efeito, fez questão de ressaltar que a cobrança de juros sobre o crédito tributário não impede a imposição de penalidades. Isto permite concluir que o artigo 161 abrange tão somente aqueles créditos tributários que, por sua natureza, possam estar sujeitos a penalidades. 193. A penalidade pecuniária lançada dá origem a um crédito tributário. Crédito que, nos termos do já referido artigo 139 do CTN, possui a mesma natureza que a obrigação correspondente. Nada obstante, essa categoria de crédito tributário não se encontra abrangido pelo escopo material do artigo 161. O legislador, com efeito, fez questão de ressaltar que a cobrança de juros sobre o crédito tributário não impede a imposição de penalidades. Isto permite concluir que o artigo 161 abrange tão somente aqueles créditos tributários que, por sua natureza, possam estar sujeitos a penalidades. 194. O crédito tributário decorrente da obrigação penal tributária, por já ser penalidade, não está sujeito a ulterior sanção. Logo, é mister concluir que esta categoria de crédito tributário não está abrangida no artigo 161. Assim não fosse, deverseia supor, para que se mantivesse a coerência do dispositivo, que a imposição de juros de mora sobre a penalidade pecuniária não prejudicaria a imposição de penalidades sobre aquela; deverseia assumir, então, que o artigo estaria ressalvando a possibilidade imposição de multa sobre multa, o que não se admite, em razão da vedação ao bis in idem. 195. Devese, portanto, buscar o sentido normativo do artigo 161. E o único sentido que se pode atribuir ao vocábulo “crédito” referido no artigo 161 é o sentido restrito de “crédito sujeito a penalidade”, ou seja, crédito decorrente do descumprimento da obrigação tributária. Cita decisão do Carf. E finaliza sua peça recursal: III – PEDIDO 198. Diante de todo o exposto, requer seja dado provimento à presente Impugnação para que: (i) preliminarmente, seja reconhecida a nulidade da exigência contida nos Autos de Infração, em razão dos vícios contidos nos lançamentos; (ii) na hipótese de não ser acatado o pedido preliminar, no mérito sejam os Autos de Infração julgados totalmente improcedentes, em razão da legitimidade dos créditos apropriados, conforme acima demonstrado; (iii) subsidiariamente, seja determinada a exclusão imediata dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício lançada. Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 167 25 199. Ademais, requer a Impugnante seja reconhecido o recolhimento parcial do débito lançado nos Autos de Infração aqui impugnados, bem como a aplicação do benefício de redução da multa de ofício para pagamento no prazo de 30 dias, conforme demonstrativos e DARFs anexos a esta impugnação (docs. 01 e 02). 200. A Impugnante protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas. E, no final, pede a procedência de suas alegações e o cancelamento dos lançamentos A 11ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (SP) julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 1466.074, de 25 de maio de 2017, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não dá direito a crédito das contribuições o frete utilizado para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos da própria empresa. Não há previsão legal que dê suporte ao entendimento de que esta operação gere créditos no regime da não cumulatividade. Somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. CRÉDITO. ARMAZENAGEM E FRETE NA TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA OU EM OPERAÇÕES QUE NÃO SÃO VENDAS. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para apuração de crédito a descontar das contribuições nãocumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos ou insumos entre estabelecimentos da Fl. 3118DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 168 26 mesma pessoa jurídica ou de transferências de produtos que não se enquadram em operações de venda. CRÉDITO. Somente dão direito a apuração de créditos no regime de incidência nãocumulativa os gastos expressamente previstos na legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não dá direito a crédito das contribuições o frete utilizado para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos da própria empresa. Não há previsão legal que dê suporte ao entendimento de que esta operação gere créditos no regime da não cumulatividade. Somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. CRÉDITO. ARMAZENAGEM E FRETE NA TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA OU EM OPERAÇÕES QUE NÃO SÃO VENDAS. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para apuração de crédito a descontar das contribuições nãocumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos ou insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica ou de transferências de produtos que não se enquadram em operações de venda. CRÉDITO. Somente dão direito a apuração de créditos no regime de incidência nãocumulativa os gastos expressamente previstos na legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 169 27 Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2012 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Impugnação Improcedente Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual repisa todos os argumentos apresentados na impugnação. Termina o recurso voluntário requerendo seu integral provimento para que: a) preliminarmente, seja reconhecida a nulidade das exigências contidas nos autos de infração, em razão dos vícios contidos nos lançamentos; b) na hipótese de não ser acatado o pedido preliminar, no mérito, sejam os autos de infração julgados totalmente improcedentes, em razão da legitimidade dos créditos apropriados, conforme acima demonstrado; c) subsidiariamente, seja determinada a exclusão imediata dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício lançada. Requisita, outrossim, que seja reconhecido o recolhimento parcial do débito lançado nos autos de infração impugnados, bem como a aplicação do benefício de redução da multa de ofício para pagamento no prazo de 30 dias. É o breve relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. Primeiramente, registro que o reconhecimento de recolhimento de débito e a aplicação de redução da multa de ofício pleiteada pelo recorrente é matéria estranha ao PAF. Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 170 28 Cabe à autoridade responsável pela execução da decisão definitiva fazer essa análise. De forma de deixo de conhecêlas Preliminar de Nulidade. O recorrente reproduziu a preliminar de nulidade apresentada na impugnação, alegando vícios no auto de infração capazes de macular sua existência e determinar sua nulidade. Como não há elemento novo sobre o tema no recurso voluntário, e me filio à decisão proferida pela instância a quo, peço vênia para utilizar a ratio decidendi da DRJ como se minha fosse, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, in verbis: Sobre a anulação do lançamento por vício formal, discorrese sobre as hipóteses de nulidade previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art.59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (ressaltei) Portanto, em face dos princípios que norteiam o Processo Administrativo Fiscal, mormente os da informalidade e da verdade material, somente duas são as espécies de irregularidades, elencadas nos incisos do artigo 59 retrotranscrito, que possuem o condão de contaminar de nulidade “ab initio” as peças que o compõem: ato lavrado por pessoa incompetente e preterição do direito de defesa. Qualquer outra irregularidade, detectada antes da decisão de primeira instância, não acarretará nulidade absoluta. Se tiver relevância e provocar prejuízo, desde que não tenha sido causada pelo próprio sujeito passivo, há de ser sanada, reabrindose o prazo de impugnação, a teor do art. 60 supra. Tendo os autos sido lavrados por pessoa competente e tendo sido oferecida oportunidade para o exercício do direito de defesa, como aconteceu no caso concreto, não há que se falar em nulidade do procedimento. Ademais, a contabilidade a que se refere a Impugnante e que norteou os trabalhos na auditoria fiscal é exatamente o instrumento que se utiliza para análise dos fatos ocorridos e Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 171 29 registrados pela empresa, prestandose exatamente para se extrair elementos e os utilizar na análise dos lançamentos. E isto que fora feito na fiscalização levada a efeito. Ainda, a auditoria não se ateve somente à descrição das contas contábeis e histórico da Impugnante, mas citou as despesas que considerou não subsumir à possibilidade de créditos, confirase excertos: Item 8 do Termo de Verificação Fiscal: Tratamse tais operações da locação de móveis, toalhas, dispositivos de som e outros de natureza semelhante, e, principalmente, do aluguel de caminhões e veículos automotores, estes claramente não classificados como “máquinas” ou “equipamentos” conforme entendimento pacificado no âmbito RFB e do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Item 9, do mesmo Termo referido acima. (...) operações de transporte utilizadas em várias áreas da empresa, tais como serviços gerais, medicina e segurança do trabalho, refeitório, recebimento, recursos humanos, administração, processamento de dados, etc. Item 11 do mesmo Termo: aquisição de materiais diversos, tais como equipamentos de proteção individual (EPI), produtos de higiene e limpeza, uniformes, ferragens e pequenas ferramentas, etc. prestação de serviços diversos, tais como limpeza, conservação e vigilância, atividades físicas, coleta de lixo, análise e testes laboratoriais, etc. Verificase que a auditoria elaborou diversos anexos que individualizam os itens glosados e foram colocados à disposição da Impugnante juntamente com o auto de infração. São os chamados "arquivos nãopagináveis". Assim, não se verifica qualquer irregularidade no procedimento e nos autos de infração. Na peça recursal existe a informação da contribuinte de erros na sua escrituração e nas obrigações acessórias e que somente isto não seria suficiente para ocorreram as glosas: 63. Antes de apresentar as razões para reconhecimento do crédito de PIS/COFINS sobre os dispêndios incorridos pela Impugnante, convém esclarecer que alguns bens e serviços foram informados em linhas do DACON que não correspondem com a respectiva natureza. Por exemplo, podemse encontrar alguns dispêndios com insumos registrados na linha destinada aos gastos com frete do DACON, despesas de manutenção de equipamentos registradas na linha destinada a insumos, e assim por diante. Fl. 3122DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 172 30 64. A esse respeito, é importante destacar que o simples equívoco nas informações prestadas em obrigação acessória, mais especificamente quanto à linha do DACON em que os créditos de PIS/COFINS foram apurados, não justifica a sua glosa. 65. Da análise do voto acima transcrito, verificase que a eventual divergência da natureza de um dispêndio com o campo específico do DACON não pode obstar a Impugnante de apropriar os créditos de PIS/COFINS a que tem direito. Compulsando os autos, verificase que as glosas foram realizadas levandose em consideração a definição de "insumo" e não exclusivamente as linhas do Dacon. Além disso, se os Dacon entregues pela Impugnante não refletem os fatos ocorridos, deveriam ser retificados antes do início do procedimento fiscal, uma vez que fica excluída a espontaneidade com o primeiro ato de intimação. Pelas razões acima transcritas, afasto a preliminar de nulidade do auto de infração suscitada pelo recorrente. CONCEITO DE INSUMO A pedra angular do litígio posta nos autos cingese na interpretação das Leis que instituíram o PIS e a Cofins nãocumulativos. A celeuma que embasa a maior parte dos processos envolvendo o tema diz respeito ao alcance do termo “insumo” para fins de obtenção do valor do crédito das exações a serem compensadas/ressarcidas. O Conselheiro José Renato Pereira de Deus, no processo nº 13502.720849/201155 de sua relatoria, enfrentou o tema com maestria, profundidade e didática, de sorte que reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis: II.2.2 Conceito de Insumo No mérito, inicialmente, exponho o entendimento deste relator acerca da definição do termo "insumos" para a legislação da nãocumulatividade das contribuições. A respeito da definição de insumos, a nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A regulamentação da definição de insumo foi dada, inicialmente, pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, as quais adotaram um entendimento restritivo, calcado na legislação do IPI, especialmente quanto à expressão de bens utilizados como insumos. Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 173 31 A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. E, uma terceira corrente, que defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Para dirimir todas as peculiaridades que envolve a questão do crédito de PIS/COFINS, o STJ julgou a matéria, na sistemática de como recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018. "Pacificando" o litígio, o STJ julgou a matéria, na sistemática de recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018, o qual restou decidido com a seguinte ementa: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e Fl. 3124DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 174 32 despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, a pós o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (votovista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR A PGFN opôs embargos de declaração e o contribuinte interpôs recurso extraordinário. Não obstante a ausência de julgamento dos embargos opostos, a PGFN emitiu a Nota SEI nº 63/2018, com a seguinte ementa: Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Fl. 3125DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 175 33 O item 42 da nota reproduz o acatamento da definição dada no julgamento do repetitivo, nos seguintes termos: "42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...] 64. Feitas essas considerações, concluise que, por força do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, a Secretaria da Receita Federal do Brasil deverá observar o entendimento do STJ de que: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 65. Considerando a pacificação da temática no âmbito do STJ sob o regime da repercussão geral (art. 1.036 e seguintes do CPC) e a consequente inviabilidade de reversão do entendimento desfavorável à União, a matéria apreciada enquadrase na previsão do art. 19, inciso IV, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002[5] (incluído pela Lei nº 12.844, de 2013), c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, os quais autorizam a dispensa de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, por parte da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Fl. 3126DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 176 34 66. O entendimento firmado pelo STJ deverá, ainda, ser observado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002[6], cumprindolhe, inclusive, promover a adequação dos atos normativos pertinentes (art. 6º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, de 2014). 67. Por fim, cumpre esclarecer que o precedente do STJ apenas definiu abstratamente o conceito de insumos para fins da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS. Destarte, tanto a dispensa de contestar e recorrer, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, como a vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil estão adstritas ao conceito de insumos que foi fixado pelo STJ, o qual afasta a definição anteriormente adotada pelos órgãos, que era decorrente das Instruções Normativas da SRF nº 247/2002 e 404/2004. 68. Ressaltese, portanto, que o precedente do STJ não afasta a análise acerca da subsunção de cada item ao conceito fixado pelo STJ. Desse modo, tanto o Procurador da Fazenda Nacional como o AuditorFiscal que atuam nos processos nos quais se questiona o enquadramento de determinado item como insumo ou não para fins da nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS estão obrigados a adotar o conceito de insumos definido pelo STJ e as balizas contidas no RESP nº 1.221.170/PR, mas não estão obrigados a, necessariamente, aceitar o enquadramento do item questionado como insumo. Devese, portanto, diante de questionamento de tal ordem, verificar se o item discutido se amolda ou não na nova conceituação decorrente do Recurso Repetitivo ora examinado. 69. Ante o exposto, propõese seja autorizada a dispensa de contestação e recursos sobre o tema em enfoque, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, nos termos seguintes:" Em seguida, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, analisando a decisão proferida no REsp 1.221.170/PR, emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: Fl. 3127DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 177 35 a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Referido parecer, analisando o julgamento do REsp 1.221.170/PR, reconheceu a possibilidade de tomada de créditos como insumos em atividades de produção como um todo, ou seja, reconhecendo o insumo do insumo (item 3 do parecer), EPI, testes de qualidade de produtos, tratamento de efluentes do processo produtivo, vacinas aplicadas em rebanhos (item 4 do parecer), instalação de selos exigidos pelo MAPA, inclusive o transporte para tanto (item 5 do parecer), os dispêndios com a formação de bens sujeitos à exaustão, despesas do imobilizado lançadas diretamente no resultado, despesas de manutenção dos ativos responsáveis pela produção do insumo e o do produto, moldes e modelos, inspeções regulares em bens do ativo imobilizado da produção, materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização dos ativos produtivos (item 7 do parecer), dispêndios de desenvolvimento que resulte em ativo intangível que efetivamente resulte em insumo ou em produto destinado à venda ou em prestação de serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com combustíveis e lubrificantes em a) veículos que suprem as máquinas produtivas com matériaprima em uma planta industrial; b) veículos que fazem o transporte de matériaprima, produtos intermediários ou produtos em elaboração entre estabelecimentos da pessoa jurídica; c) veículos utilizados por funcionários de uma prestadora de serviços domiciliares para irem ao domicílio dos clientes; d) veículos utilizados na atividadefim de pessoas jurídicas prestadoras de serviços de transporte (item 10 do parecer), testes de qualidade de matériasprimas, produtos em elaboração e produtos acabados, materiais fornecidos na prestação de serviços (item 11 do parecer). Por outro lado, entendeu que o julgamento (questões estas que não possuem caráter definitivo e que podem ser revistas em julgamento administrativo) não daria margem à tomada de créditos de insumos nas atividades de revenda de bens (item 2 do parecer), alvará de funcionamento e atividades diversas da Fl. 3128DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 178 36 produção de bens ou prestação de servilos (item 4 do parecer), transporte de produtos acabados entre centros de distribuição ou para entrega ao cliente (nesta última situação, tomaria crédito como frete em operações de venda), embalagens para transporte de produtos acabados, combustíveis em frotas próprias (item 5 do parecer), ferramentas (item 7 do parecer), despesas de pesquisa e desenvolvimento de ativos intangíveis malsucedidos ou que não se vinculem à produção ou prestação de serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com pesquisa e prospecção de minas, jazidas, poços etc de recursos minerais ou energéticos que não resultem em produção (esforço malsucedido), contratação de pessoa jurídica para exercer atividades terceirizadas no setor administrativo, vigilância, preparação de alimentos da pessoa jurídica contratante (item 9.1 do parecer), dispêndios com alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida para seus funcionários, à exceção da hipótese autônoma do inciso X do artigo 3º (item 9.2 do parecer), combustíveis e lubrificantes utilizados fora da produção ou prestação de serviços, exemplificando a) pelo setor administrativo; b) para transporte de funcionários no trajeto de ida e volta ao local de trabalho; c) por administradores da pessoa jurídica; e) para entrega de mercadorias aos clientes; f) para cobrança de valores contra clientes (item 10 do parecer), auditorias em diversas áreas, testes de qualidade não relacionados com a produção ou prestação de serviços (item 11 do parecer). Em resumo, considerando a decisão proferida pelo STJ e o posicionamento do Parecer Normativo Cosit 05/2018, temos as seguintes premissas que devem ser observadas pela empresa para apuração do crédito de PIS/COFINS: 1. Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; 2. Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Portanto, para análise da subsunção do bem ou serviço ao conceito de insumo, mister se faz a apuração da sua essencialidade e relevância ao processo produtivo da sociedade. Com essas considerações, passase à análise do caso concreto. A empresa fiscalizada é pessoa jurídica que tem por objeto, dentre outras atividades, a importação, a fabricação e a distribuição de produtos alimentícios em geral. Na condução dos seus negócios, o recorrente comercializa uma variada linha de produtos, os quais Fl. 3129DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 179 37 são produzidos ou importados por seus estabelecimentos localizados em diferentes Unidades da Federação. Identificado o objeto do recorrente, passemos a análise de cada glosa: Produtos químicos, inseticidas e antiespumantes (Conta "5.01.01.90.00.0008"). Afirma o recorrente que inseticidas, antiespumantes e detergentes, são usados no combate de pragas, na limpeza de equipamentos e também na alteração das propriedades químicas dos alimentos, representando insumos vinculados ao processo fabril da Impugnante. Considerando as particularidades do setor alimentício, verificase que a aquisição desses produtos é essencial para a atividade da Recorrente. De fato, sem o controle de pragas e a limpeza adequada dos equipamentos industriais, não é possível a conservação dos alimentos produzidos pela Recorrente (que seriam contaminados por pragas). A utilização destes produtos químicos no processo fabril da Recorrente não decorre apenas das suas regras de política de qualidade, mas também resulta de imposição normativa regulatória editada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, qual seja, a Portaria SVS/MS nº 326/1997 (doc. 11), que impõe às empresas do ramo alimentício a dedetização periódica das suas dependências. Entendo que os produtos químicos e antiespumantes contidos na conta "5.01.01.90.00.0008" se subsumem ao conceito de insumos em virtude de sua essencialidade ao processo produtivo. Já os inseticidas, por se tratarem de uso obrigatório pela agência reguladora, sob pena de proibição da atividade industrial, entendo que se subsumem ao conceito de insumo pela sua relevância. Sendo assim, reverto as glosas dos valores contidos nesta conta contábil. Tratamento de efluentes e resíduos (Contas "5.01.01.90.00.0001", "5.01.01.90.00.0007", "5.01.01.90.00.0008" e "5.01.01.90.00.0030" Nas quatros contas integralmente glosadas pelas autoridades fiscais, encontramse gastos com tratamentos de efluentes das plantas industriais da Recorrente. Nesse particular, a fiscalização e a DRJ não levaram em consideração o fato de que a Recorrente está sujeita ao atendimento de rigorosos padrões no tratamento de efluentes exigidos pela legislação ambiental, consoante disposições contidas na Lei nº 6.938/198116 e Decreto nº 99.274/1990. Devese salientar que o regular cumprimento dessas normas é absolutamente necessário e incontornável para a obtenção de licenças ambientais e, sem tais licenças, a Recorrente está proibida de realizar as suas atividades industriais. Com efeito, muito embora as lavouras possam não estar nos arredores das unidades fabris da Recorrente, o seu processo industrial gera uma série de resíduos que, caso não tenham a destinação e manejo corretos, podem contaminar o solo, a água etc., gerando danos de difícil reparação ao meio ambiente. Com efeito, na fabricação da farinha e farofa de mandioca e da batata, uma das primeiras etapas da produção e a lavagem dos insumos, que liberam amido e ácidos. Destaquese que a mandioca que é utilizada na produção da farinha de mandioca é a chamada “mandioca brava”, e não a mesma que é utilizada para consumo humano (“mandioca mansa”). Esta mandioca libera toxinas que, necessariamente, devem ser eliminadas no processo de Fl. 3130DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 180 38 lavagem da raiz. Note que, neste processo, 1kg de mandioca transformase em 300g, sendo os outros 700g amido e toxinas liberadas na água. Esta água, por sua vez, deve necessariamente ser tratada antes de ser liberada no meio ambiente, caso contrário o amido e as toxinas liberadas causam danos de difícil reparação ao meio ambiente. Assim, sem os gastos com tratamento de efluentes, estaria impossibilitada a produção de farinha e farofa de mandioca e de batata. Portanto, justamente pelas questões regulamentares verificase que os gastos com produtos e serviços destinados ao tratamento de efluentes devem ser considerados pertinentes e necessários para o processo produtivo da Recorrente, autorizando o direito à apropriação de crédito de PIS/COFINS Na minha visão, tendo por base a descrição do recorrente, lastreada pelos documentos em anexo, intitulado "DOC. 03", fica evidente a essencialidade dos serviços referentes a tratamento de efluentes e resíduos. Análise Laboratorial (Controle de qualidade) (Contas "5.01.01.90.00.0001", "5.01.01.90.00.0007", "5.01.01.90.00.0008" e "5.01.01.90.00.0030"). A realização de auditorias de controle e análises laboratoriais não se trata apenas de processos para cumprimento de regras internas de qualidade da Recorrente, mas de obrigação regulatória prevista em normas sanitárias regionais e federais, como a Resolução RDC nº 7/2011 (doc. 12) da ANVISA, de observância mandatória pela Recorrente. Os dispêndios com as análises laboratoriais para o controle de qualidade foram registrados nas quatro contas contábeis integralmente glosadas, e dizem respeito a uma grande variedade de materiais que incluem, mas não se limitam a: substâncias químicas (acetileno, ácido clorídrico, álcool metílico), gases (oxigênio, argônio), equipamentos de laboratório (bureta, pipeta, erlemeyer), kit “rosa charm”, serviços de análise laboratorial e amostras de alimentos. Os gastos cujos créditos foram glosados pela d. fiscalização estão relacionados no demonstrativo anexado à impugnação (doc. 05). Após análise da Resolução RDC nº 7/2011 da ANVISA e da descrição dos gastos glosados, entendo que são essenciais para o processo produtivo da recorrente em virtude da imposição estatal. Manutenção de Equipamentos/Predial (Contas "5.01.01.90.00.0007", "5.01.01.90.00.0008" e "5.01.01.90.00.0030") As autoridades fiscais glosaram gastos com bens cuja simples leitura do descritivo contábil seria suficiente para concluir que correspondem a serviços e bens utilizados na manutenção de equipamentos, como arames de solda (eletrodos), lubrificantes, removedores de ferrugem, removedores de graxa, ferramentas (chave de fenda, chave fixa, chave Allen etc.). Nesta categoria também se encontram as peças de substituição, que se incorporam ao bem, mas não aumentam a sua vida útil em mais de um ano, como lâmina auto afiante, lâmina standard, pinça em aço inox, serras, rolamentos, dentre outros. Segundo o plano de contas do sujeito passivo, as contas do grupo "5" dizem respeito a custos de produção. Pelo Termo de verificação e constatação, a Autoridade Fiscal não contestou nenhum dos lançamentos daquele grupo de contas, o que permite concluir que Fl. 3131DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 181 39 todos os gastos nele contidos se referem a custos com materiais usados no processo produtivo do recorrente. Partindo dessa premissa, e aplicando o conceito de insumo definido pelo STJ no Resp nº 1.221.170/PR, entendo que os gastos escriturados nas contas "5.01.01.90.00.0001", "5.01.01.90.00.0007", "5.01.01.90.00.0008" e "5.01.01.90.00.0030", referentes à Manutenção de equipamentos, perfazem o conceito de insumo e devem entrar no cômputo da base de cálculo do crédito das contribuições, ressalvado os custos com ferramentas, que foram excluídos pelo STJ na decisão acima citada. Combustível Lenha e GLP (Conta "5.01.01.19.00.0001") A Impugnante informou na peça recursal que foram glosados créditos sobre frete no transporte, ou seja, serviços contratados na aquisição de lenha e GLP utilizados para a geração de energia no seu processo industrial e que devem ser considerados como insumos da atividade industrial, pois o transporte da lenha utilizado nas caldeiras é parte integrante do custo do insumo adquirido. Logo, existe uma relação de dependência do processo industrial em relação a esses serviços. Os pagamentos foram para liquidar as chamadas "viagens", que são, na verdade, pagamento de frete de transporte de lenha. Entendo que a lenha e o GLP são fontes de energia essencial para o desenvolvimento do processo industrial, justificando, assim, o creditamento dos valores de aquisição dos citados produtos, incluindo os valores com os transportes arcados pelo recorrente, com base no inciso III, do artigo 3º das Leis nºs 0637/2002 e 10833/2003. Equipamento de proteção individual (EPI) e indumentárias (“uniformes”) (Contas "5.01.01.90.00.0007" e "5.01.01.90.00.0008"). A Impugnante afirma que os gastos com EPI geram créditos, pois devem, obrigatoriamente, ser fornecidos aos empregados pelo empregador, conforme disposto na Consolidação das Leis Trabalhistas. Defende que deve observar os preceitos da legislação regulatória, notadamente sanitária, assim como diretrizes das normas trabalhistas que cuidam da proteção dos empregados e que a aquisição de luvas, botas e botinas específicas, cinturões abdominais, aventais, abafadores de ruídos etc, além de aventais, botas e luvas que devem ser vestidos pelos empregados encarregados da limpeza e dedetização das dependências dos estabelecimentos produtivos da Impugnante, haja vista o fato de esses produtos serem tóxicos e representarem risco à saúde humana. Complementa que deve a seguir a regulamentação da ANVISA, que prevê a obrigatoriedade na utilização de indumentárias específicas na produção dos produtos para consumo humano. O uso dos equipamentos de proteção individual (EPI) e indumentárias (uniformes) são obrigatório por normas estatais, de forma que entendo pela relevância de tais gastos no processo produtivo da recorrente. Despesas com embalagens (Contas "5.01.01.90.00.0007" E "5.01.01.90.00.0008"). Afirma o recorrente que o uso das embalagens facilita a movimentação e garante a conservação dos insumos e alimentos. Justamente por essa finalidade, são adquiridos os chamados “big bags”, por exemplo, que são confeccionadas especificamente para o transporte de materiais do gênero alimentício e são utilizadas tanto com insumos quanto Fl. 3132DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 182 40 produtos acabados. Ainda, é importante ressaltar que, pelo fato de o Recorrente industrializar alimentos para consumo humano altamente perecíveis, a importância de tais embalagens torna se ainda mais evidente. Diante do exposto, resta evidente a essencialidade das embalagens no processo produtivo do recorrente, devendo ser revertida a glosa sob essa rubrica. Despesas com aluguel de máquinas e equipamentos. A recorrente defende que as despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos passíveis de creditamento são todas aquelas utilizadas nas atividades da empresa, compreendidos até mesmo as despesas com alugueis de máquinas e equipamentos utilizados na área administrativa da recorrente. Defende que as despesas decorrem da legislação trabalhista e das obrigações regulamentares, tais como as Normas Regulamentadoras (“NR”) editadas pelo Ministério do Trabalho. Isto impõe treinamentos para seus empregados e aluguéis de equipamentos, tais como projetor de datashow, telas de projeção, amplificadores de som, microfones, máquinas de café e purificadores de água, equipamentos de segurança, equipamentos de telefonia e copiadoras. O artigo 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003 prevê expressamente a possibilidade de créditos sobre “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. Assim, a legislação de PIS/COFINS possui hipótese legal específica autorizando a possibilidade de créditos com despesas com alugueis de prédios, máquinas e equipamentos, quando utilizados nas atividades da empresa. Não há necessidade de seja utilizado no processo produtivo da recorrente. Se atendo apenas aos elementos constantes no recurso voluntário, até porque quanto aos demais itens da planilha (“F06A16A L5”), não houve contestação, entendo que as glosas referentes à aluguel de projetor de datashow, telas de projeção, amplificadores de som, microfones, máquinas de café, purificadores de água, equipamentos de segurança, equipamentos de telefonia e copiadoras, devem ser revertidas por serem considerados maquinas/equipamentos. Despesas com Aluguel de Veículos. A recorrente argumenta que veículos e caminhões estariam incluídos no termos “máquinas” e “equipamentos”, conforme consta das normas de regência. Ainda, que os aluguéis veículos são essenciais ao seu processo produtivo. Não coaduno com esse entendimento, pois sempre que um dispositivo da legislação tributária quis alcançar os bens classificados como veículos, citouos expressamente e, como muitas vezes se vê, quando outros bens, além de veículos, devem ser alcançados pelo mesmo dispositivo, o termo veículos aparece junto com eles, como é o caso de máquinas ou de equipamentos, demonstrando que, para fins de interpretação e aplicação da legislação tributária, são coisas diversas. Em um ensaio digno de aplauso feito pelo conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, a questão é bem explicada. "Este serviço não pode ser considerado insumo, por não ser inerente ao processo produtivo da empresa, bem como não pode Fl. 3133DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 183 41 ser considerado como enquadrado no inciso IV do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003[1], pelo fato de veículo não ser considerado máquina ou equipamento. Neste ponto, ressaltase que diversos atos legais diferenciam os termos máquinas, equipamentos e veículos. Exemplificando: Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002: “Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1o desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: “Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) Fl. 3134DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 184 42 (...) III – no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005)” (grifouse) Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004: “Art. 7º A base de cálculo será: (...) § 3º A base de cálculo fica reduzida: I em 30,2% (trinta inteiros e dois décimos por cento), no caso de importação, para revenda, de caminhões chassi com carga útil igual ou superior a 1.800 kg (mil e oitocentos quilogramas) e caminhão monobloco com carga útil igual ou superior a 1.500 kg (mil e quinhentos quilogramas), classificados na posição 87.04 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, observadas as especificações estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal; e II em 48,1% (quarenta e oito inteiros e um décimo por cento), no caso de importação, para revenda, de máquinas e veículos classificados nos seguintes códigos e posições da TIPI: 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 8702.10.00 Ex 02, 8702.90.90 Ex 02, 8704.10.00, 87.05 e 8706.00.10 Ex 01 (somente os destinados aos produtos classificados nos Ex 02 dos códigos 8702.10.00 e 8702.90.90). (...) Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: (...) § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, as alíquotas são de: (...) § 9º Na importação de autopeças, relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, exceto quando efetuada Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 185 43 pela pessoa jurídica fabricante de máquinas e veículos relacionados no art. 1o da referida Lei, as alíquotas são de: (...) Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1o a 3o, 5o a 10, 17 e 19 do art. 8o desta Lei e no art. 58A da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) § 7º O disposto no inciso III deste artigo não se aplica no caso de importação efetuada por montadora de máquinas ou veículos relacionados no art. 1º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Art. 38. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa no caso de venda a pessoa jurídica sediada no exterior, com contrato de entrega no território nacional, de insumos destinados à industrialização, por conta e ordem da encomendante sediada no exterior, de máquinas e veículos classificados nas posições 87.01 a 87.05 da TIPI.” (grifouse) O Manual de Contabilidade Societária[2] assim dispõe sobre o tema: Fl. 3136DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 186 44 v Maquinas, Aparelhos e Equipamentos Tal conta envolve todo o conjunto dessa natureza utilizado no processo de produção da empresa. Na conta Instalações estariam os equipamentos e bens de auxiliares à produção e nesta os utilizados como base para a realização da atividade da empresa; todavia, inúmeras empresas classificam as instalações na própria conta Maquinas, Aparelhos e Equipamentos, mantendo controles paralelos para a segregação da depreciação [...] IX Veículos São classificados nessa conta todos os veículos que estão sob o controle da empresa, sejam os de uso da Administração, como os do pessoal de vendas ou de transporte de carga em geral. Os veículos de uso direto na produção, como empilhadeiras e similares, podem ser registrados na conta Equipamentos. A Resolução Conselho Federal de Contabilidade nº 1.177, de 2009, exemplifica as classes de imobilizado, fazendo distinção entre máquinas e veículos: 37. Classe de ativo imobilizado é um agrupamento de ativos de natureza e uso semelhantes nas operações da entidade. São exemplos de classes individuais: (a) terrenos; (b) terrenos e edifícios; (c) máquinas; (d) navios; (e) aviões; (f) veículos a motor; (g) móveis e utensílios; e (h) equipamentos de escritório. A Por fim, a TIPI vigente a partir de 2007, também faz a distinção entre máquinas e material de transporte, classificando, por exemplo, as empilhadeiras na posição 84.27, dentro da Seção XVI MÁQUINAS E APARELHOS, MATERIAL ELÉTRICO, E SUAS PARTES; APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM, APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE IMAGENS E DE SOM EM TELEVISÃO, E SUAS PARTES E ACESSÓRIOS. Já os veículos, em geral, são classificados como material de transporte, na Seção XVII – MATERIAL DE TRANSPORTE, nos Capítulos 86 e 87". Fl. 3137DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 187 45 Assentadas nessas premissas, resta claro que os alugueis de veículo não podem ser considerado máquina ou equipamento de que trata o inciso IV do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, de forma que a glosa sob essa rubrica deve ser mantida. Armazenagem. O recorrente remete insumos e mercadorias para os chamados “centros de distribuição” e também para estabelecimentos constituídos juridicamente na forma de “depósito fechado”, que, no contexto das suas atividades, são utilizados para fins de armazenamento. Esta estrutura de depósitos se justifica pela ausência de capacidade de armazenagem nas plantas fabris detidas pela Requerente, que ordinariamente mantêm em seus estabelecimentos apenas os produtos que, naquele determinado momento, estejam em produção. Notese que, sem as despesas com armazenagem de insumos, não seria possível, por exemplo, que a Recorrente comercializasse, por exemplo, produtos de safra restrita, que apenas ocorre durante determinada época do ano. Considerando estas limitações naturais, a manutenção dos depósitos fechados se apresenta como sendo essencial para possibilitar a produção e comercialização de determinados produtos de maneira constante, sendo, assim, considerados gastos essenciais para o processo produtivo da Recorrente. Em virtude dessas considerações, resta evidente a essencialidade das armazenagem no processo produtivo do recorrente, devendo ser revertida a glosa sob essa rubrica. Fretes na aquisição e na movimentação de matériaprima. Dentre as contas contábeis integralmente glosadas, encontramse a conta nº 311227 (nº 5.01.01.90.00.0023), que diz respeito aos gastos com frete no transporte de matéria prima utilizada no processo industrial do Recorrente. Não foi reconhecido o direito da Recorrente ao crédito das contribuições sobre gastos com os fretes na aquisição dos insumos e na movimentação de matéria prima. Os custos dos fretes referentes à aquisição dos insumos incorporam ao custo dos insumos, desde que estejam descriminados na nota fiscal de compra e assumidos pelo comprador. Cumpridos esses requisitos, estarão acobertados pela legislação. Os custos dos fretes referentes a movimentação de matériaprima, na minha visão, são dispêndios essenciais para a industrialização, uma vez que, obviamente, sem o transporte das matérias primas para a planta industrial, estaria impossibilitada a transformação das matérias primas e materiais intermediários no produto acabado do Recorrente. Portanto, dão direito ao crédito. Fretes na movimentação de estoques (produtos acabados). O recorrente possui um grande número de plantas industriais e de depósitos de armazenagem, necessários para a sua produção e para a distribuição de uma vasta gama de produtos alimentícios em todo o território nacional. Tendo em vista as dimensões geográficas Fl. 3138DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 188 46 do território brasileiro, o recorrente depende dos centros de distribuição, depósitos fechados e armazéns de terceiros para comercializar seus produtos. Pela narrativa do recurso voluntário, o recorrente busca créditos referentes aos custos com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos. Essa matéria foi objeto de julgamento pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, onde ficou consignado que as despesas com fretes para a transferência ou transporte de produtos acabados entre estabelecimentos constituem despesas na operação de venda e geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal (Acórdão nº 9303007.655, de 21 de novembro de 2018). Já me posicionei em diversas ocasiões sobre seguir o entendimento de decisões da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, quando a decisão tiver sido proferida por sua composição titular e com maioria absoluta. Foi exatamente o caso dessa matéria. Sendo assim, voto por reverter as glosas dos custos com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos. Descabimento do cômputo de juros de mora sobre a multa de ofício. Reclama o recorrente que não devem ser aplicados juros de mora sobre o valor da multa lançada de ofício. Essa matéria se encontra pacificada no âmbito do CARF, após a edição do Enunciado de Súmula 108, sendo de aplicação vinculante para administração tributária por força da Portaria ME nº 129, de 01/04/2019: Enunciado de Súmula CARF nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Ex positis, nego provimento a esse capítulo do recurso, em respeito ao Enunciado de Súmula CARF nº 108 Por todo exposto, dou provimento parcial ao recurso para: a) admitir a inclusão, no cálculo do crédito básico das contribuições, dos valores referentes à aquisição produtos químicos, inseticidas e antiespumante, contabilizados na conta "5.01.01.90.00.0008"; b) admitir a inclusão, no cálculo do crédito básico das contribuições, dos valores referentes ao tratamento de efluentes e resíduos, contabilizados nas contas "5.01.01.90.00.0001", "5.01.01.90.00.0007", "5.01.01.90.00.0008" e "5.01.01.90.00.0030"; c) admitir a inclusão, no cálculo do crédito básico das contribuições, dos valores referentes à análise laboratorial, contabilizados nas contas "5.01.01.90.00.0001", "5.01.01.90.00.0007", "5.01.01.90.00.0008" e "5.01.01.90.00.0030"; Fl. 3139DF CARF MF Processo nº 10314.722548/201608 Acórdão n.º 3302006.811 S3C3T2 Fl. 189 47 d) admitir a inclusão, no cálculo do crédito básico das contribuições, dos valores referentes aos gastos referentes com manutenção de equipamentos, escriturados nas contas "5.01.01.90.00.0001", "5.01.01.90.00.0007", "5.01.01.90.00.0008" e "5.01.01.90.00.0030"; e) admitir a inclusão, no cálculo do crédito básico das contribuições, dos valores referentes à aquisição de lenha e GLP, escriturados na conta "5.01.01.19.00.0001"; f) admitir a inclusão, no cálculo do crédito básico das contribuições, dos valores referentes à aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI) e indumentárias (uniformes), escriturados nas contas "5.01.01.90.00.0007" e "5.01.01.90.00.0008"; g) admitir a inclusão, no cálculo do crédito básico das contribuições, dos valores referentes à aquisição de embalagens, escriturados nas contas "5.01.01.90.00.0007" E "5.01.01.90.00.0008"; h) reverter as glosas referentes às despesas com aluguel de projetor de datashow, telas de projeção, amplificadores de som, microfones, máquinas de café, purificadores de água, equipamentos de segurança, equipamentos de telefonia e copiadoras; i) reverter as glosas referentes às despesas com armazenagem; j) reverter as glosas referentes às despesas com aquisição e com a movimentação de matériasprimas; k) reverter as glosas referentes às despesas com a movimentação de produtos acabados entre estabelecimentos; É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 3140DF CARF MF
score : 1.0
